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O Necronomicon (Livro de Nomes Mortos) também conhecido por Al Azif (Uivo dos Demônios Noturnos) foi escrito

por Abdul Alhazred, em torno de 730 d.C, em Damasco. Ao contrário do que se pensa, não se trata somente de um
compilado de rituais e encantos, e sim de uma narrativa dividida em sete volumes, numa linguagem obscura e
abstrata. Alguns
trechos isolados descrevem rituais e fórmulas mágicas, de forma que o leitor tenha uma idéia mais clara dos
métodos de evocações utilizados. Além de abordar também as civilizações antediluvianas e mitologia antiga, tendo
sua provável base no Gênese, no Apocalipse de São João e no apócrifo Livro de Enoch. Reúne um alfabeto de 21
letras, dezenove chaves (invocações) em linguagem enochiana, mais de 100 quadros mágicos compostos de até
240 caracteres, além de grande conhecimento oculto.
Segundo o Necronomicon, muitas espécies além do gênero humano habitaram a Terra. Estes seres denominados
Antigos, vieram de outras esferas semelhantes ao Sistema Solar. São sobre-humanos detentores de poderes
devastadores, e sua evocação só é possível através de rituais específicos descritos no Livro. Até mesmo a palavra
árabe para designar antigo, é derivado do verbo hebreu cair. Portanto, seriam Anjos Caídos.
O autor do Necronomicon, Abdul Alhazred, nasceu em Sanna no Iêmen. Em busca de sabedoria, vagou de
Alexandria ao Pundjab, passando muitos anos no deserto despovoado do sul da Arábia. Alhazred dominava vários
idiomas e era um excelente tradutor. Possuía também habilidades como poeta, o que proporcionava um aspecto
dispersivo em suas obras, incluindo o Necronomicon. Abdul Alhazred era familiarizado com a filosofia do grego
Proclos, além de matemática, astronomia, metafísica e cultura de povos pré-cristãos, como os egípcios e os
caldeus. Durante suas sessões de estudo, o sábio acendia um incenso que combinava várias ervas, entre elas o ópio
e o haxixe.
Alhazred adaptou a interpretação de alguns neoplatonistas sobre o Necronomicon. Nesta versão, um grupo de anjos
enviado para proteger a Terra tomou as mulheres humanas como suas esposas, procriando e gerando uma raça de
gigantes que se pôs a pecar contra a natureza, caçando aves, peixes, répteis e todos os animais da Terra,
consumindo a carne e o sangue uns dos outros. Os anjos caídos lhes ensinaram a confeccionar jóias, armas de
guerra e cosméticos; além de ensinar encantos, astrologia e outros segredos.
Existe uma grande semelhança dos personagens e enredos das narrações do Necronomicon em diversas culturas. O
mito escandinavo do apocalipse, chamado Ragnarok, é sugerido em certas passagens do Livro; além dos Djins
Árabes e Anjos Hebraicos, que seriam versões dos deuses escandinavos citados. Este conceito também é análogo à
tradição judaica dos Nephilins.
Uma tradução latina do Necronomicon foi feita em 1487 pelo padre alemão Olaus Wormius, que era secretário de
Miguel Tomás de Torquemada, inquisidor-mor da Espanha. É provável que Wormius tenha obtido o manuscrito
durante a perseguição aos mouros. O Necronomicon deve ter exercido grande fascínio sobre Wormius, para levá-lo
a arriscar-se em traduzi-lo numa época e lugar tão perigosos. Uma cópia do livro foi enviada ao abade João
Tritêmius, acompanhada de uma carta que continha uma versão blasfema de certas passagens do Gênese. Por sua
ousadia, Wormius foi acusado de heresia e queimado juntamente com as cópias de sua tradução. Porém, especula-
se que uma cópia teria sobrevivido à inquisição, conservada e guardada no Vaticano.
O percurso histórico do Necronomicon continua em 1586, quando o mago e erudito Jonh Dee anuncia a intenção de
traduzi-lo para o idioma inglês, tendo como base a versão latina de Wormius. No entanto, o trabalho de Dee nunca
foi impresso mas chegou até as mãos de Elias Ashmole (1617-1692), estudioso que os reescreveu para a biblioteca
de Bodleian, em Oxford. Assim, os escritos de Ashmole ficaram esquecidos por aproximadamente 250 anos, quando
o mago britânico Aleister Crowley (1875-1947), fundador do Thelema, os encontrou em Bodleian. O Thelema é
regido pelo Livro da Lei, obra dividida em três capítulos na qual fica evidente o plagio da obra de Jonh Dee. No ano
de 1918, Crowley conhece a modista Sônia Greene e passa alguns meses em sua companhia. Sônia conhece o
escritor Howard Phillip Lovecraft em 1921, e casam-se em 1924. Neste período, o autor lança o romance A Cidade
Sem Nome e o conto O Cão de Caça, onde menciona Abdul Alhazred e o Necronomicon. Em 1926, um trecho da
obra O Chamado de C`Thullu menciona partes do Livro da Lei, de Crowley. Portanto, o ressurgimento
contemporâneo
do Necronomicon deve-se a Lovecraft, apesar de não haver evidências de que o escritor tivesse acesso ao Livro dos
Nomes Mortos.
Algumas suposições aludem a outras cópias que teriam sido roubadas pelos nazistas na década de 30. Ainda nesta
hipótese, haveria uma cópia do manus-crito original feita com pele e sangue dos prisioneiros dos campos de
concentração, que na 2ª Guerra foi escondida em Osterhorn, uma região montanhosa localizada próxima a
Salzburg, Áustria. Atualmente, não é provável que ainda exista um manuscrito árabe do Necronomicon. Uma
grande investigação levou a uma busca na Índia, no Egito e na biblioteca de Mecca, mas sem sucesso.

O PAPEL DA GRANDE PIRÂMIDE

Alguns egiptólogos consideram-na como sendo monumento funerário e outros


como uma espécie de observatório astronômico.
Sua orientação particular e diversas características de sua arquitetura, nos
fornecem indicações assombrosas sobre o conhecimento dos egípcios no que
concerne aos movimentos dos astros no céu, diversas medidas importantes, a
posição de certos corpos celestes etc... Mas não basta dizer que a Grande
Pirâmide foi construída para testemunhar os acontecimentos dos antigos sábios.
Seria minimizar seu papel e sua importância. Este monumento devia reproduzir
todos os traços do Universo, sendo destinado à ser dele (Universo) o "duplo", o
-KA-. Da mesma forma que o Universo veio à vida ao apelo do Divino Logos, a
Pirâmide representava a primeira montanha que emergiu da massa das águas
primordiais do NUM. A montanha primordial ATZLAN dos Astecas do México era
uma reminiscência que aparentava a mesma idéia.
As Pirâmides eram cercadas ou por uma fossa cheia de água, ou por um muro
evocando por sua forma o signo hieroglífico designando a água.
A idéia dos construtores era portanto a mesma: representar a montanha
primordial aparecendo fora da massa das águas. O próprio nome da pirâmide,
"pyrmus", significava : "saindo ao ser".
Encontramos a mesma raiz em diversas palavras que tinham relação com a
manifestação do poder criador. Por exemplo, o "nascimento" se dizia: "per-msb",
que significava literalmente "SAIR DA PORTA". O LIVRO DOS MORTOS era
chamado "per-m-khrou", isto é, "a saída para a luz". "Per-Khrou" era o nome do
poder criador do verbo, que, "chamava à vida" um objeto inanimado.
A própria forma da pirâmide, representava um raio de sol petrificado, fixado
permanentemente à terra, e sobre a qual o sol "repousa por um momento
devorando sua sombra". A pirâmide constituía pois, simbolicamente, uma parte
do corpo do sol. A razão pela qual a pirâmide tornou-se o lugar de sepultura é
evidente, pois todas as preces do morto eram no sentido de que fosse admitido
na barca solar afim de atravessar, as sombrias passagens do DUAT. Parece lógico
que, para que suas preces fossem ouvidas, ele devesse ser sepultado numa
construção que representa ela própria um "raio de sol".
Isto concerne à quase totalidade das pirâmides que encontramos no Egito, e que
são, com efeito, monumentos funerários construídos sobre câmaras contendo um
sarcófago.

Mas isto não concerne absolutamente à Grande Pirâmide de Gizé, a única que foi
construída, desde o fundamento até o cimo, com a precisão requerida por um
instrumento, uma jóia e que encerra para toda a eternidade, em cada uma de
suas medidas, as correspondências essenciais com o Universo. Todas as outras
pirâmides eram reproduções grosseiras da forma geral da Grande Pirâmide, sem
ter dela nem a precisão, nem a execução perfeitas.
Este monumento eterno, além de seu papel de resumir conhecimentos
astronômicos, era destinado a servir de santuário para o culto solar, no qual se
realizava o Mistério da mais alta Iniciação.
Grande Pirâmide e Câmaras
O corredor de entrada desce num ângulo de aproximadamente 26º. Este corredor
vai de encontro a um outro que sobe segundo um ângulo sensivelmente igual.
Este se divide, a certa altura, em dois corredores que levam, um a uma galeria no
teto elevado, chamada : "A GRANDE GALERIA", a qual conduz à "CÂMARA DO REI",
e outra horizontal, a uma outra câmara conhecida sob o nome de "CÂMARA DA
RAINHA".
Se compararmos a disposição destes corredores com as passagens figuradas
sobre as pinturas murais que representam o trajeto do sol através do "HADES",
não se pode deixar de notar pontos comuns.
A entrada simboliza a PORTA DOS INFERNOS onde o morto desce, desaparecendo
na obscuridade entre as montanhas de Abidos. A descida prossegue até o
encontro com o CORREDOR ASCENDENTE. É a hora do julgamento. Este, em razão
dos pecados cometidos em sua existência encarnada, é condenado à destruição,
ou, como diz o texto do "Am-Duat" "vai para a região de Soker" (o deus da terra),
desliza ao longo da descida que representa o falso caminho RESTAU. Ele cai no
fosso e é tragado sob o monte de areia de Soker. Aquele, que ao contrário,
provou por sua vida direita que é digno da vida eterna, merece a recompensa da
ressurreição e se eleva pela passagem ascendente até a nova bifurcação. A
passagem ascendente é chamada no LIVRO DOS MORTOS: "Caminho da Verdade
nas Trevas". Quando chega a este ponto, lhe é deixada a escolha. A porta que se
abre para o corredor horizontal representa a porta HADES no mau caminho
RESTAU. Este corredor conduz à câmara das "coisas secretas de RESTAU", através
da qual o deus (preparando sua ressurreição) não passa, mas (os que estão nesta
câmara) ouvem sua voz". (Am-Duat-4ªdiv.)
O LIVRO DOS MORTOS chama esta câmara: "CÂMARA DO 2º NASCIMENTO". Isto
significa que, apesar de aqueles que escolheram este caminho tenham renunciado
à elevação suprema predestinada, lhes é permitido "ouvir a voz do Logos" e eles
estão conseqüentemente capacitados a reparar seu erro, implorando a Deus que
lhes conceda a permissão para alcançar o caminho verdadeiro.
Resta "A GRANDE GALERIA", chamada no LIVRO DOS MORTOS: "O CAMINHO DA
VERDADE PARA A LUZ". É a ascensão para o lugar da ressurreição. Ele representa
o trajeto do sol se elevando para o lugar de seu nascimento nas montanhas
orientais. Este lugar misterioso do nascimento do Sol é simbolizado pela "CÂMARA
DO REI". O teto da passagem horizontal que conduz a esta câmara é rebaixado
por três enormes pedras que obrigam aquele que quer penetrar na câmara a
abaixar-se muito, por três vezes. Esta passagem é chamada no LIVRO DOS
MORTOS: "VESTÍBULO DO TRÍPLICE VÉU". Esta passagem impõe o último obstáculo
antes da alma ser definitivamente admitida no lugar da ressurreição, que o LIVRO
DOS MORTOS chama de: "A CÂMARA DA TUMBA ABERTA". Um sarcófago de
granito de bela feitura se encontra na CÂMARA DO REI. Não há tampa para esta
"TUMBA ABERTA"; ela jamais foi utilizada para conter o morto e jamais foi
destinada a este uso.
Um outro traço importante que caracteriza a Pirâmide de Gizé, é seu perfeito
sistema de ventilação. Nenhuma outra pirâmide, nenhuma outra tumba do Egito,
foi provida de ventilação de espécie alguma. E isto é perfeitamente
compreensível, pois as tumbas eram feitas para conter corpos mortos que "não
respiram". Nenhum ser vivo podia penetrar numa tumba após os funerais, pois ela
era selada e sua entrada obstruída por pedras; ela se tornava um "lugar secreto",
a morada do morto. O simples fato da existência de um sistema de ventilação
instalado na Grande Pirâmide deveria ter chamado a atenção e mostrar que este
monumento não era destinado aos mortos, mas ao uso de pessoas vivas, que
tinham necessidade de respirar.
É preciso ter presente na mente que as representações do Duat foram compostas
pelos sacerdotes da época tebena (XI e XX Dinastia) quando o dogma foi tornado
muito complexo.

**Tudo o que foi escrito é baseado em documentos autênticos e não é de forma


alguma baseado em especulações, nem em imaginação fantás

Livro dos Mortos

Para os antigos egípcios, a ligação entre a vida e a vida após a morte era muito importante. Eles acreditavam que, após a morte, a
alma das pessoas viajava para longe do corpo mumificado, para um vasto mundo do além, cheio de desafios e perigos. O
supremo desafio aguardava-a no Salão das Duas Verdades. Ali, seu coração era testado e pesado por Osíris, deus do mundo dos
mortos, na presença de quarenta e dois "deuses assessores". Para passar no teste, a pessoa morta precisava recitar uma lista de
confissões.
O Salão do Julgamento

O coração da pessoa morta, ao ser pesado, tinha que ser mais leve que a Pena da Verdade. Se o morto vencesse o teste, tinha
permissão de passar a eternidade em terras à margem de um rio, pescando e caçando num mundo bastante semelhante ao Egito.
Se falhasse, seu coração era comido por um crocodilo-monstro, o "devorador dos mortos". Grande parte do que era registrado no
Livro dos Mortos refletia as crenças morais comuns da época.

Para guiar a alma quando estava longe do corpo, os egípcios reuniam orações, desenhos e encantos mágicos num Livro dos
Mortos. Esses livros eram escritos em papiro ou em couro, encerrados numa caixa decorada com uma imagem de Osíris e
enterrados no sarcófago ou colocados entre os panos que envolviam as múmias antes do enterro. Os arqueólogos encontraram
centenas desses manuscritos, cada um ligeiramente diferente do outro.

Religião no Egito Antigo


A Religião do Egito de 4.400 a.C. até o Cristianismo.

O Livro dos Mortos

Ressurreição e vida futura, a grande idéia central da imortalidade, o viver no além túmulo, a natureza divina e o
julgamento moral dos mortos, tudo isso está na coleção de textos religiosos que é o Livro dos Mortos, cujo
verdadeiro nome é "Saída para a Luz do Dia" e é o 1o livro da humanidade.
O medo do desconhecido foi a causa que impulsionou o homem, apavorado com os trovões e raios, terremotos e
vulcões, para um ser superior a ele, que assim se manifestava sobre as coisas do seu entorno.
Com o tempo, há uma evolução e o homem começa a temer as ações desse ser superior sobre sua vida e, depois, em
suas manifestações sobre sua morte, nesse ponto o homem supera o animal e desponta como ser humano, e começa a
enterrar os seus mortos e a lhes oferecer meios de sobreviver na vida eterna em suas tumbas, numa prática de
oferendas mortuárias que perdura até hoje, através das ofertas de flores e outras dádivas nas sepulturas.
No Egito, desde 4.400 a.C., no reinado de Mena o 1o rei histórico do país, I Dinastia, o egípcio esperava comer,
beber, e levar uma vida regalada na região em que supunha estar o céu e ali partilharia para sempre, em companhia
dos deuses, de todos os gozos celestiais. Já na IV dinastia, (3.800 a.C.), todos os textos religiosos supõem que se
imune o corpo por inteiro, mumificado/embalsamado cujo procedimento era o seguinte:
o cérebro do cadáver era extraído pelas narinas, as entranhas pelo anus, ou por uma incisão na barriga; por fim o
coração era retirado e substituído por um escaravelho de pedra. Seguia-se uma lavagem e salgação onde o cadáver
ficava por um mês. Era secado novamente por outro mês ou dois. Para evitar a deformação, o corpo era recheado de
argila, areia, rolos de pano de linho, inclusive os seios, e embebidos em drogas aromáticas, ungüentos e betume.
Geralmente o amortalhamento era feito em vários ataúdes de madeira, uns dentro dos outros e, finalmente, colocado
em um sarcófago de pedra.

O homem egípcio e sua conceituação

A religião egípcia elabora um conceito complexo, e sofisticadíssimo, para entender/explicar a natureza do homem
que, por ela, é composto de 8 partes:
"O corpo físico era o CAT, ligado a esse CAT estava o duplo do homem o CA, cuja existência é independente do
CAT podendo ir para lugares à sua vontade, as oferendas são para alimentar o CA que come, bebe e aprecia o cheiro
do incenso. À alma chamava-se BA que é algo sublime, nobre, poderoso. O Ba morava no CA e tinha forma e
substância e aparece como um falcão com cabeça humana nos papiros. O coração, AB, era a sede da vida humana. A
inteligência espiritual, ou o espírito do homem, era CU e era a parte brilhante e etérea do corpo e vivia com os
deuses no céu. Outra parte do homem que, também, ia para o céu era o SEQUEM que era a sua força vital. Outra
parte do homem era o CAIBIT, ou sombra, sempre considerada próxima à alma, o BA. Por fim, temos o REN que é
o nome do homem e que é uma de suas partes mais importantes pois se o nome for eliminado poder-se-á destruir o
homem. Ou seja, o homem se constituía de corpo, duplo, alma, coração, inteligência espiritual, poder vital, sombra e
nome e essas 8 partes podem se reduzir a 3 partes corpo, alma e espírito, deixando-se de lado as 5 outras". Na V
dinastia (3.400 a.C.) afirmava-se de modo preciso:
"A alma para o céu e o corpo para a terra".

O julgamento da alma e a vida eterna

A religião egípcia, como todas as outras religiões antigas, com execeção do Budismo, apresenta os deuses como
seres com os vícios e virtudes dos homens porém, muito mais sábios e com a magia que os torna muito mais
poderosos.
Graças ao Livro dos Mortos, o defunto pode vencer todos os obstáculos e ser convertido em Espírito Santificado,
após cruzar os 21 pilares, passar pelas 15 entradas, e cruzar 7 salas até chegar frente a Osíris e aos 42 juizes que irão
julgá-lo. E graças ao Livro, ele sabe o que pode salvá-lo e conduzi-lo à morada dos deuses após transpor as Portas da
Morte, onde, no Campo de Paz, gozará os prazeres da Vida Eterna entre os deuses.

O Livro ajuda a alma a se refazer do susto da morte quando tenta voltar ao corpo porém os deuses, encarregados de
guiá-la, arrastam-na para longe do ataúde. Sempre guiada, a alma atravessa uma região de trevas, o Aukert, o Mundo
Subterrâneo, sem ar e água, difícil e muitas vezes obstruída. Depois ela chega ao Amenti, onde mora Osíris que,
imóvel e enigmático, contempla a alma tendo atrás de si suas irmãs, e esposas, Ísis e Néftis; a alma é conduzida por
Horo, e Anúbis verifica o fiel da balança, e pesa o coração do defunto na balança, junto a uma pena, na presença da
deusa da Justiça/Verdade, Maât, que não toma parte no julgamento, e mais os 42 deuses (cada um representa um
nome do Egito) e, ante cada um, o falecido o interpela pelo nome e declara não ter cometido determinado pecado é a
"Confissão Negativa" do papiro de NU (os 10 Mandamentos):
"Nada surja para opor-se a mim no julgamento, não haja oposição a mim em presença dos príncipes soberanos, não
haja separação entre mim e ti na presença do que guarda a Balança. Não deixe os funcionários da corte de Osíris
(cujo nome é "O Senhor da Ordem do Universo" e cujos 2 Olhos são as 2 deusas irmãs, Ísis e Néftis) que estipulam
as condições da vida do homens, que meu nome cheire mal !. Seja o Julgamento satisfatório para mim, seja a
audiência satisfatória para mim, e tenha eu alegria de coração na pesagem das palavras. Não se permita que o falso
se profira contra mim perante o Grande Deus, Senhor de Amenti". É de um texto da época de Mencau-Ra
(Miquerino dos gregos) 3.800 anos a.C., IV Dinastia. E Tot anota o resultado e faz o seguinte discurso aos deuses:
"Ouvi esse julgamento, ............verificou-se que ele é puro, ............ e ser-lhe-ão concedidas oferendas de comida e a
entrada à presença do deus Osíris, juntamente com uma herdade perpétua no Sekht-Ianru, o Campo de Paz (Paraíso),
como as que se consideram para os seguidores de Horo".
O papiro de NU permite observar que o código moral egípcio era muito abrangente pois o falecido afirma que não
lançou maldições contra deus, nem desprezou o deus da cidade, nem maldisse o faraó, nem praticou roubo de
espécie alguma, nem matou, nem praticou adultério, nem sodomia, nem crime contra o deus da geração, não foi
imperioso ou soberbo, nem violento, nem colérico, nem precipitado, nem hipócrita, nem subserviente, nem
blasfemador, nem astuto, nem ávaro, nem fraudulento, nem surdo a palavras piedosas, nem praticou más ações, nem
foi orgulhoso, não aterrorizou homem algum, não enganou ninguém na praça do mercado, não poluiu a água
corrente pública, não assolou a terra cultivada da comunidade.
Desde os tempos mais remotos, (II Dinastia), a religião egípcia tendeu para o monoteísmo que aflorou na XVIII
Dinastia, (1.500 a.C.), com Amenófis IV e sua rainha Nefertiti, a Bela, e seu deus Aton para quem constrói uma
cidade fora de Tebas, Tel El Amarna, esse culto durou apenas no seu reinado e, depois, foi proscrito de todo Egito.
Lembremos que os seguidores de cada grande religião do mundo nunca se livraram das superstições que sabiam ser
produto de seus antepassados selvagens e que, em todas as gerações, as herdam de seus avós e, o que é verdadeiro
em relação aos povos do passado é verdadeiro, até certo ponto, em relação aos povos de hoje. No Oriente, quanto
mais velhas forem as idéias, crenças e tradições, mais elas serão sagradas. No Egito foi desenvolvido um códice de
elevadas concepções morais e espirituais, extremamente sérias e maduras, entre elas, a do DEUS UNO, auto gerado
e auto existente, que os egípcios adoravam.

A criação do Mundo conforme os egípcios

Houve um tempo em que não existia nem céu, nem terra, e nada era senão a água primeva, sem limites, amortalhada,
contudo em densa escuridão. Nessas condições, permaneceu água primeva por tempo considerável, muito embora
contivesse dentro de si os germes de todas as coisas que, mais tarde, vieram a existir neste mundo, e o próprio
mundo. Por fim, NU, o espirito da água primeva, o pai dos deuses, sentiu o desejo da atividade criadora e, tendo
pronunciado a palavra, o mundo existiu imediatamente na forma já traçada na mente do espírito e antes de se
pronunciar a palavra, que resultou na criação do mundo. O ato da criação, seguinte à palavra, foi a formação de um
germe, ou ovo, do qual saltou Ra, o deus sol, dentro de cuja forma brilhante estava incluído o poder absoluto do
espirito divino, o criador do mundo, Ra o deus sol, adorado desde os tempos pré históricos sendo, em 3.800 a.C.,
considerado o rei de todos os deuses, na IV Dinastia suas oferendas são apresentadas por Osíris que, mais tarde,
suplanta Rá.
Papiro de Hunefer (1.370 a.C.): homenagem a ti que é Rá quando te levantas e Temu quando te pões, ....................
És o senhor do céu, és o senhor da terra; o criador dos que habitam nas alturas e dos que moram nas profundezas. És
o Deus Uno que nasceu no principio dos tempos, criaste a Terra, modelaste o Homem, fizeste o grande aqüífero do
céu, formaste Hapi, (o Nilo), criaste o grande mar e dás vida a quantos existem dentro dele. Juntaste as montanhas
umas às outras, produziste o gênero humano e os animais do campo, fizeste os céus e a terra, ............Salve, oh tu,
que pariste a si mesmo. Salve Único Ser poderoso de miríades de formas e aspectos, rei do mundo. Homenagem a ti
Amon-Rá que descansas sobre Maât, ............És desconhecido e nenhuma língua será capaz de descrever seu
aspecto; só mesmo tu, ........És Uno, .........Os homens te exaltam e juram por ti pois é senhor deles. .......Milhões de
anos passaram pelo mundo, ..........seu nome "Viajor".
Papiro de Nesi Amsu (300 a.C.): Rá o deus solar, evolveu do abismo aqüífero primevo por obra do deus Quépera,
que produziu esse resultado pelo simples pronunciar do próprio nome e que seu nome é Osíris, a matéria primeva da
matéria primeva, sendo Osíris como resultado disso, idêntico a Quépera no que respeita suas evoluções.

Osíris, deus da ressurreição e da vida eterna nos Campos de Paz

Os egípcios, de todos os períodos dinásticos, acreditavam em Osíris que, sendo de origem divina, padeceu a morte e
a mutilação sob as potências do mal, após grande combate com essas potências e voltou a levantar-se tornando-se
dali para adiante, rei do mundo inferior e juiz dos mortos e acreditavam que, por ele ter vencido a morte, os
virtuosos também poderiam vencê-la. Osíris é a união do Sol e da Lua e foi morto e esquartejado em 14 pedaços por
Set, seu irmão, filho de Seb e Nut e marido de Néftis, que espalhou seus membros por todo o Egito, isto é, todo o
Universo pois, ao separar a dupla original, o Sol e a Lua, Set dá origem aos planetas, às estrelas fixas, a todos os
seres da Natureza, tudo isso nascido dos membros de Osíris, que foram arrancados e disseminados por todo o
Universo, o Egito. Entretanto Osíris, ligado à morte, é o mundo atado, petrificado, privado da liberdade e submetido
às leis da Natureza e aos ritmos implacáveis do Destino. Sua irmã, e esposa, Ísis, o trouxe de volta à vida depois de
muito trabalho e esforço utilizando as fórmulas mágicas que lhe dera Tot, e teve um filho dele, Horo, que cresceu e
combateu Set venceu-o e assim vingou o pai. Osíris passou a ser igual, ou maior, que Rá. Ele representa para os
homens a idéia de um ser que era, ao mesmo tempo, deus e homem, e tipificou para os egípcios, de todas as épocas,
a entidade capaz, em razão de seus padecimentos e de sua morte como homem, de compreender-lhes as próprias
enfermidades e a morte. Originalmente, encaravam Osíris como um homem que vivera na terra como eles, comera e
bebera, sofrera morte cruel e, com a ajuda de Ísis e Horo (seu filho), triunfara da morte e alcançara a vida eterna ao
subir aos céus. Por mais que se recue no tempo das crenças religiosas egípcias sempre há a crença na ressurreição e
a morte física pouco importava pois o morto atingia o Além que é a representação da terra ideal no céu e, porisso,
era importante a conservação do corpo pois o morto renascia no além. O centro do culto de Osíris, durante as 1as
dinastias, foi Abidos, onde estaria enterrada a cabeça do deus quando fora esquartejado pelas potências do mal. Os
vários episódios da vida do morto se constituíram em representações no templo de Abidos (Via Sacra). Com o
tempo ele passa de exemplo de ressurreição para a causa da ressurreição dos mortos. Osíris se torna um deus
nacional, igual, e em alguns casos maior que Rá. Nas XVIII e XIX (1.600 a.C.) dinastias, ele parece ter disputado a
soberania das 3 companhias de deuses, o que quer dizer, a trindade das trindades das trindades. Durante 5.000 anos
no Egito, mumificaram-se os homens à imitação da forma mumificada de Osíris e eles foram para os seus túmulos
crentes que seus corpos venceriam o poder da morte, o túmulo e a decomposição, porque Osíris os vencera.
A principal razão da persistência do culto de Osíris no Egito foi, provavelmente, ele prometer a ressurreição e a vida
eterna aos fiéis. Mesmo depois de haver abraçado o cristianismo, os egípcios, continuaram a mumificar os seus
mortos e a misturar os atributos de Osíris aos de Cristo e as estátuas de Ísis, amamentando seu filho Horo, são o
protótipo da Virgem Maria e seu Filho.
Outros Deuses do Egito

Além dos deuses da família e da aldeia havia os deuses nacionais, deuses dos rios das montanhas, da terra, do céu
formando um número formidável de seres divinos. Os egípcios tentaram estabelecer um sistema de deuses
incluindo-os em tríades , ou grupos de 9 deuses e, nos últimos anos, se aprendeu que houve diversas escolas
teológicas no Egito; Heliópolis, Mênfis, Abido, Tebas e, de todas essas, a que mais perdurou foi a de Heliópolis (V e
VI dinastias) com sua grande companhia dos deuses, tendo Temu como deus maior mas que se funde em um único
deus com Rá e Nu. Havia uma grande quantidade de deuses mas apenas os que lidavam com o destino do homem,
obtinham o culto e a reverencia do povo e, pode-se dizer que, eram os deuses que se constituíam na grande
companhia de Heliópolis, ou seja, nos deuses pertencentes ao ciclo de Osíris. São eles:
Temu ou Atmu, isto é, o fechador do dia, seu culto vem da V Dinastia e é o fazedor dos deuses, criador de homens.
Xu, é o primogênito de Temu e tipifica a luz. Ele colocava um pilar em cada ponto cardeal para sustentar o céu, os
suportes de Xu são os esteios do céu.
Tefnut, era irmã gêmea de Xu e tipificava a umidade, seu irmão Xu é o olho direito, e ela é o olho esquerdo de
Temu.

Os deuses Temu, Xu e Tefnut formavam uma trindade e Temu na história da criação diz:
"Assim, sendo um deus, tornei-me 3" (a Santíssima Trindade católica).

Seb, é a terra, era filho de Xu e é o pai dos deuses: Osíris, Ísis, Set e Néftis, passou, mais tarde, a ser o deus dos
mortos.
Nut, é o céu, é esposa de Seb e mãe de: Osíris, Ísis, Set e Néftis, é considerada mãe dos deuses e de todas as coisas
vivas.
Seb e Nut existiam no aqüífero primevo ao lado de Xu e Tefnut.
Osíris, filho de Seb, e de Nut, marido de Ísis, e pai de Horo, é o Deus da Ressurreição e sua história já foi retro
citada.
Ísis, esposa e irmã de Osíris e mãe de Horo, é a deusa da natureza, a divina mãe, e nessa qualidade tem milhares de
estátuas onde está sentada amamentando o filho Horo, suas peregrinações em busca do corpo de Osíris, a tristeza ao
dar a luz e educar o filho, Horo, no pântano de papiro do Delta do Nilo, a perseguição que sofreu dos inimigos do
marido são citados em textos de todas as dinastias.
Set, filho de Seb e Nut, marido de Néftis, sua irmã e irmão de Osíris e Ísis, representa a noite, e estava sempre em
guerra com Horo, o dia e é a personificação de todo o mal.
Néftis, mulher, e irmã, de Set, irmã de Osíris e Ísis, e é mãe de Anúbis filho dela e de Osíris; ela ajudava os mortos a
superar os poderes da morte e do túmulo.

São esses, os 9 deuses, da grande companhia de Heliópolis.

Temos, a seguir, os principais deuses das outras companhias:

Nu, pai dos deuses, e progenitor da grande companhia dos deuses, era a massa aqüífera primeva.
Ptá, é uma forma de Rá e é tipificado como o abridor do dia.
Ptá-Sequer, é o deus duplo da encarnação do Boi Ápis de Mênfis com Ptá.
Ptá-Sequer-Ausar, três deuses em um, simbolizava: a vida, a morte e a ressurreição.
Cnemu, foi quem modelou o homem numa roda de oleiro, ajudava Ptá a cumprir as ordens de Tot.
Quépera, é o tipo da matéria que contem em si o germe da vida em vias de aflorar numa nova existência, significava
o corpo morto que estava prestes a fazer surgir o corpo espiritual.
Amon, era um deus local de Tebas com seu santuário fundado na XII dinastia (2.500 a.C.), significa oculto, e passou
a ser um deus de primeiríssima importância nas XVIII, XIX e XX dinastias e, a partir de 1.700 a.C. foi declarado
representante do poder oculto e misterioso que criou e sustenta o universo e o fundiram com os deuses mais antigos
e ele usurpou os poderes de Nu, Cnemu, Ptá e vira um deus sagrado senhor de todos os deuses, Amon Rá, como está
no papiro da princesa Nesi-Quensu de 1.000 a.C.. A partir de 800 a.C. declina o poder de Amon.
Maât, grande deusa, tipifica a Verdade/Justiça. Presente no julgamento dos mortos, dela dependia a salvação.
Horo, simbolizado pelo falcão que parece ser a 1a coisa viva que os egípcios adoraram, era o deus sol como Rá e,
em épocas mais recentes foi confundido com Horo filho de Osíris e Ísis. Estava associado aos deuses que
sustentavam o céu nos 4 pontos cardeais, os 4 espíritos de Horo, que são: Hapi, Tuamutef, Amset e Quebsenuf. É,
também, tipificado como o dia sempre em luta contra Set.
Anúbis, filho de Osíris com Néftis que presidia a morada dos mortos, era o condutor dos mortos e protetor dos
cemitérios.
Tot, deus da Palavra criadora e mágica, divindade lunar, encarnação da sabedoria, toda a cultura humana era obra de
suas inspirações.
Ápis, touro que recebia culto pois acreditavam que a alma de Osíris tivesse habitado o seu corpo, tinha uma mancha
branca, em forma de crescente, na testa.
Rá, o deus Sol, é, provavelmente, o mais antigo dos deuses adorados no Egito, ele velejava pelo céu em 2 barcos o
Atet, desde o nascer do sol até o meio dia, e o Sectet, do meio dia até o por do sol. Visto ser Rá o pai dos deuses
nada mais natural que cada deus representasse uma fase dele e que ele representasse cada um dos milhares de deuses
egípcios, numa explícita alegoria do fundamento moneteista da religião egípcia.

O Barco do Sol representa a lua, seu quarto crescente, tendo o disco do Sol sobre ele e, essas 2 luminárias, formam
essa imagem que é o núcleo central da religião egípcia, a Lua é fria e úmida, sempre em eterna mutação, governa a
afeição, os amores, é feminina. O Sol é quente e seco e governa a razão de modo impessoal e objetivo, é masculino.
Essa duas forças são equipotentes, com naturezas opostas, é o Yin e Yang da religião chinesa, o Enxofre e o
Mercúrio da Alquimia, o Positivo e o Negativo da Eletricidade, a eterna oposição do bem e do mal ,do amor e do
ódio, do dia e da noite, a sublime dualidade de todas as coisas, desde sua Criação do aqüífero primevo, na
gênese do mundo contada pelos egípcios, há 6.000 anos atrás, através dessa religião e sistema moral, complexo
e maduro, que nada fica a dever às concepções desenvolvidas pela Grécia que dizia que: a matéria era uma
carga muito pesada para o espírito, nascido no Céu e, consequentemente, a vida consistia em viver morrendo,
enquanto a morte era, para a alma, a porta da Liberdade.