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A ROSA

em 6 esquetes

por Isabela Cardoso

Em resultado de pensamentos conjuntos


INTRODUÇÃO

Milla

Oh Laurindinha

Vem à janela!

(entra Canda, Vicky, Fe e Vó)

Oh Laurindinha

Vem à janela!

Ver o teu amor, ai ai ai, que ele vai pra guerra (2x)

Se ele vai pra guerra, deixá-lo ir.

Gustavo

Oh Mar Salgado!

Quanto do teu sal são lágrimas de Portugal

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena....

Grasi

Creio em Deus Pai todo poderoso,

Criador do céu e da Terra;


e em Jesus Cristo, seu único Filho,

nosso Senhor;
que foi concebido pelo poder do Espírito Santo;
nasceu da Virgem Maria,

padeceu sob Pôncio Pilatos,

foi crucificado, morto e sepultado,

desceu à mansão dos mortos,

ressuscitou ao terceiro dia;


subiu aos céus,

está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso…

Guilherme

Quem me dera ao menos uma vez

Que o mais simples fosse visto como o mais importante


Mas nos deram espelhos

E vimos um mundo doente

Quem me dera ao menos uma vez

Entender como um só Deus ao mesmo tempo é três

E esse mesmo Deus foi morto por vocês

Sua maldade, então, deixaram Deus tão triste

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho, entenda

CENA 1 – A ROSA

ROSA - Yone Morais


VENDEDOR - Gustavo Soré
ELENCO - Todos

A Rosa entra para comprar rosas. O vendedor a atende.

ROSA

Boa noite! Você vende rosas aqui?

VENDEDOR

Com certeza! Qual tipo de rosa a senhora precisa?

ROSA

Quais tipos você tem?

VENDEDOR

Temos Rosa Radioativa, Rosa Estúpida, Rosa Inválida, Rosa com cirrose, Rosa Atômica... Qual a senhora deseja?

ROSA

Meu amor, essa é a última oração pra salvar o seu coração. O coração não é tão simples quanto você pensa!

VENDEDOR

(fica confuso) Ah sim... mas qual rosa a senhora vai levar?

ROSA

Eu não estou falando de nenhuma dessas aí. Deus te abençoe, meu filho.

A Rosa sai de cena e o vendedor continua pensativo por um tempo. Começa a mexer em todas as suas rosas e
percebe que não é nenhuma daquelas. Joga todas no chão e começa a procurar pela rosa da Rosa. É interrompido
pela passagem de muitas pessoas perdidas. Quando se vê sozinho, começa a cantar e , aos poucos, o elenco vai se
juntando a ele:

VENDEDOR

Pensem nas crianças mudas, telepáticas

VENDEDOR + GRASI + CANDA

Pensem nas meninas cegas, inexatas

VENDEDOR + GRASI + CANDA + LUIS FELIPE + VICTORIA + JÉSSICA

Pensem nas mulheres, rotas alteradas

VENDEDOR + GRASI + CANDA + LUIS FELIPE + VICTORIA + JÉSSICA + FERNANDA + ARISA + GUI

Pensem nas feridas como rosas cálidas

ELENCO

Mas oh, não se esqueçam da rosa da Rosa

A Rosa de Hiroshima, a rosa hereditária.

O elenco começa a cair no chão aos poucos, diminuindo a quantidade de pessoas que cantam, até que sobre apenas
o vendedor em pé.
VENDEDOR + VICTORIA + ARISA + GUI + FELIPE + VICTOR

A rosa radioativa

Estúpida e inválida

VENDEDOR + GUI + FELIPE + VICTOR

A rosa com cirrose, a anti rosa atômica.

GUILHERME

Sem cor

VICTOR

Sem perfume

VENDEDOR

Sem rosa

Sem nada.

O vendedor também cai. Lentamente, o elenco começa a se arrastar para a formação de meia lua. As Três Pessoas,
que já foram marcados no centro, se levantam enquanto o elenco se arrasta para iniciar a próxima cena.

CENA 2 – NÃO RECOMENDADOS

TRÊS PESSOAS - Arisa Rodrigues, Fernanda Morais e Victor Vieira


MULHERES - Todas as mulheres
HOMENS - Todos os homens
ELENCO - Todos
Três pessoas no centro, em pé, viradas para direções diferentes, unidas pelos ombros. O restante do elenco está
posicionado em meia lua ao redor, ainda deitados no chão. Todos falam o mesmo texto, levantando ou não, mas
cada um em seu tempo, como se estivessem falando sozinhos, gerando um tipo de “caos sonoro”.

TODOS

Disparo contra o sol.

Sou forte, sou por acaso.

Minha metralhadora cheia de mágoas.

Eu sou um cara.

Cansado de correr na direção contrária

Sem pódio de chegada ou beijo de namorada.

Eu sou mais um cara.

Mas se você achar que eu tô derrotado

Saiba que ainda estão rolando os dados

Porque o tempo, o tempo não para.

Dias sim, dias não,

Eu vou sobrevivendo sem um arranhão

Da caridade de quem me detesta.

A tua piscina tá cheia de ratos.

Tuas ideias não correspondem aos fatos.

O tempo não para.

Eu vejo o futuro repetir o passado.

Eu vejo um museu de grandes novidades.

O tempo não para.

Eu não tenho data pra comemorar.

As vezes os meus dias são de par em par

Procurando uma agulha no palheiro.

Nas noites de frio

É melhor nem nascer.

Nas de calor, se escolhe:

É matar ou morrer!

E assim, nos tornamos brasileiros.

TRÊS PESSOAS

Te chamam de ladrão,

De bicha/sapatão/indecisa,
De maconheiro.

Transformam o país inteiro num puteiro,

Pois assim se ganha mais dinheiro.

A tua piscina tá cheia de ratos.

Tuas ideias não correspondem aos fatos.

O tempo não para.

ELENCO (todos já em pé)

Eu vejo o futuro repetir o passado,

Eu vejo um museu de grandes novidades. 3X


O tempo não para.

(pausa)

NÃO PARA, NÃO. NÃO PARA!

(pausa)

As três pessoas permanecem imóveis cantando, enquanto o restante do elenco se movimenta:

ELENCO

UMA FOTO (pose)

UMA FOTO (pose)

VICTORIA E LUIS FELIPE

A injustiça avança hoje a passo firme.

Os tiranos fazem planos para dez mil anos.

O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são.

Nenhuma voz além da dos que mandam.

E em todos os mercados proclama a exploração:

Isto é apenas o meu começo.

ELENCO

Estampada numa grande avenida

UMA FOTO (pose)


UMA FOTO (pose)

CANDA

Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem:

Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos.

Quem ainda está vivo nunca diga: nunca.

O que é seguro não é seguro.

As coisas não continuaram a ser como são.

ELENCO

Publicada no jornal pela manhã.

UMA FOTO (pose)

UMA FOTO (pose)

GRASI E GUSTAVO

Depois de falarem os dominantes, falarão os dominados.

Quem, pois, ousa dizer: nunca?

De quem depende que a opressão prossiga? De nós.

De quem depende que ela acabe? De nós. O elenco começa


a “se vendar”
O que é esmagado, que se levante!

O que está perdido, lute!

ELENCO

Na denúncia de perigo na televisão.

O elenco começa a amarrar as três pessoas com a fita de área interditada, enquanto cantam:

VICTOR

A placa de censura no meu rosto diz

ELENCO

Não recomendados à sociedade

ARISA E FERNANDA

A tarja de conforto no meu corpo diz

ELENCO

Não recomendados à sociedade.


Enquanto terminam de amarrar, o elenco canta para as três pessoas:

MULHERES

Pervertida, mal-amada,

HOMENS

Menino malvado, muito cuidado.

MULHERES

Má influência, péssima aparência,

HOMENS

Menino indecente, viado.

O restante do elenco tira a venda e, com exceção das três pessoas, já começa a se posicionar para a próxima cena.
Enquanto se soltam lentamente das fitas, as três pessoas continuam:

VICTOR

Não olhe nos meus olhos.

ARISA E FERNANDA

Não creia no meu coração.

VICTOR

Não beba no meu copo.

ARISA, FERNANDA E VICTOR

Não tenha compaixão.

ELENCO

DIGA NÃO (pausa) à aberração.

Cena 3 – A CARNE

A CARNE - Guilherme Anacleto


GARÇOM - Felipe Batlle
CONVIDADOS - Todos (menos garçom e a Carne)
A carne está em cima da mesa, sentado, seminu. Os convidados para o jantar no restaurante chegam e são
recebidos na porta pelo garçom.

GARÇOM E CONVIDADOS

Tava durumindo, cangoma me chamou.


Disse levanta povo, cativeiro já acabou. (2x)
GARÇOM
Sejam bem-vindos, senhores. Hoje no cardápio temos “A Escória da Raça Humana”. De entrada, serviremos
humilhação marinada na dor, com uma pitada de lágrimas para trazer mais suavidade. Como prato principal,
teremos exploração, com uma forte redução de liberdade para garantir o sabor. De sobremesa, remorso
malpassado na insensatez. Entrem e aproveitem! Tudo foi pensado nos mínimos detalhes para que o prazer
seja atendido!
Os convidados se colocam ao redor da mesa enquanto riem e conversam. O garçom os acompanha e
continua a descrição.
GARÇOM
A carne foi tratada e amaciada no sol para garantir a sua resistência. Como tempero, utilizamos sangue.
Além de feridas e sal para preservar a sua suculência. Foi amaciada na madeira e resguardada na senzala
para não apodrecer. Aproveitem!
O garçom se retira e os convidados vão puxando partes do corpo de José, como se fossem pedaços de carne.

CANDA
Quanto descaso! Essa carne tá passada demais!
LUIS FELIPE
Pra mim, isso tá queimado!
GRASI
(pega um pedaço do cabelo) Garçom! Isso aqui tá muito duro!
VICTOR
Essa carne aqui não foi amaciada direito! Precisava ter batido muito mais!
FERNANDA
E essa parte aqui que eu peguei? Tá tão malpassada que tá até sangrando!

O garçom entra trazendo uma garrafa e taças na bandeja.


GARÇOM
Senhores! Trago-lhes a garrafa mais antiga desse abismo. Bebam e celebrem este maravilhoso
coquetel “hipocrisia”, por conta da casa.
Todos pegam as taças.
VICTORIA
Um brinde às nossas diferenças! (todos repetem e brindam)
A cena congela. Passam alguns segundos de silêncio até que a carne canta, de forma lenta (referência Elza
Soares).
A CARNE
A CARNE MAIS BARATA DO MERCADO É A CARNE NEGRA!
Toca o cajon enquanto A Carne vai levantando.
A CARNE
Ninguém ouviu um soluçar de dor
no canto do Brasil.
Um lamento triste sempre ecoou
desde que o índio guerreiro
foi pro cativeiro e de lá cantou.
Negro entoou
um canto de revolta pelos ares
no quilombo dos palmares,
onde se refugiou.
Fora a luta dos inconfidentes
pela quebra das correntes.
Nada adiantou.
E de guerra em paz,
de paz em guerra,
todo o povo dessa Terra
quando pode cantar,
canta de dor.
CONVIDADOS
OH, OH, OH (2x forte)
OH, OH, OH (de fundo, enquanto A Carne fala)

Conforme o coro canta, a cena vai sendo descongelada. Em câmera lenta, o bloco dos convidados vai saindo
por onde entrou e se posicionando para a próxima cena. O coro permanece cantando, mesmo fora de cena,
ao fundo do texto da carne.

A CARNE
No mercado, seguido. No banco, contido. Na catraca, barrado. Preto, mulato, de cor, de raça. Essa ferida dói,
arde, machuca e não passa. A tua falsa empatia de nada me adianta, não me serve nem em bandeja de
prata. E, aliás, quanto a esse jantar? Eu não engulo, me sento ao seu lado e vomito. Sinto muito, senhores!
Este cardápio me é indigesto. Me levanto e me retiro sem pedir licença. Mas antes de ir, permita-me uma
única pergunta: se foi tu quem cuspiu no prato que comeu, por que é que até hoje sou eu quem paga a
conta?
O coro canta mais uma vez o refrão após término do texto, enquanto a Carne sai do palco.

Cena 4 - ABUSO
MULHERES - Todas as mulheres do elenco
HOMENS - Gustavo Soré, Luis Felipe e Felipe Batlle
RESPOSTA - Jéssica

|COREOGRAFIA - VERSÃO INSTRUMENTAL DE “CHANDELIER”|


A coreografia inicia apresentando formas de abuso, da mais “sutil” até a mais “violenta” (fisicamente). Os onze
atores formarão duplas:
Fernanda – Guilherme
Victória – Luis Felipe
Fernanda – Gustavo
Grasi – Felipe B.
Arisa – Victor
Canda - Gustavo
As meninas estão vestidas apenas com uma camiseta branca bem grande, destruída. Separadamente, aparecem as
seguintes cenas coreografadas:
1 – Gustavo limpa o batom da Fernanda
2- Luis Felipe arranca o celular da mão da Victoria
3- Felipe B. fecha a roupa da Grasi até o pescoço
4- Victor segura a camisa e dá um tapa na cara da Arisa
5- Gustavo puxa Canda e rasga sua camisa.
6-Guilherme pega o cabelo da Jéssica e a joga no chão.
A coreografia segue, agora todos ao mesmo tempo, em estilo contemporâneo. Ao decorrer das marcações as
mulheres superam os abusos, e terminam a coreografia sem os homens, já posicionadas no local de início do texto.
As mesmas estão desencontradas e ocupando diferentes planos. Cada uma fala uma frase, que é imediatamente
completada pela próxima, sem pausas:
MULHERES

1- Arisa 5- Jéssica
2- Canda 6- Victoria
3- Fernanda 0 - Todas as
4- Grasi mulheres

1 Ontem desci no ponto ao meio-dia,


3 Contramão me parecia
5 E na cabeça a mesma reza:
4 “Deus, que não seja hoje o meu dia”.
1 Faço a prece e o passo aperta,
2 Meu corpo é a minha pressa.

6 Ouviu-se um grito agudo engolido no centro da cidade.


3 Quantas?
4 Quem?
2 O sangue derramado e o corpo no chão.
5 Por ser só mais uma guria,
6 Quando a noite virar dia nem vai dar manchete
1 (nem vai dar manchete).
4 Amanhã a covardia vai ser só mais uma
5 Que mede,
3 Mete,
2 E insulta.
0 VAI FILHO DA PUTA!

5 1,2,3,4,6
Ela vai, Eu, às vezes, mudo o meu caminho
Ela vem. Quando vejo que um homem
Meu corpo, minha Vem na minha direção.
lei. Não sei se vem de rosa ou espinho,
Eu tô aqui, Se é tapa ou carinho,
Mas não tô à toa. O bendito ou agressão.
Respeita, respeita.

6 Desrespeitada.
2 Ignorada.
1 Assediada.
5 Explorada.
4 Mutilada.
6 Destratada.
3 Reprimida.
3,6 O silêncio é um grito de socorro escondido
1 Pela alma, 4 pelo corpo.
2,5 Pelo que nunca foi dito.
0 LÁ VAI A MARIONETE!
0 E hoje ainda se escuta:

0
A ROUPA ERA CURTA
ELA MERECIA
O BATOM VERMELHO
PORTE DE VADIA
PROVOCA O DECOTE

0 MORTE LENTA AO VENTRE FORTE!


1 Ninguém viu, 3 ninguém vê.
5 Ninguém quer saber.
6 A dor É SUA!
2 A culpa NÃO É SUA!
4 Mas ninguém vai te dizer.
2 E o cinismo daquele cara confuso
5 Eu vou esclarecer:

0 ABUSO!

1,3,4 2,5,6
Eu corro (eu corro)
Pra onde eu não sei (pra onde eu não sei)
Socorro (socorro)
Sou eu (sou eu dessa vez)

O elenco começa a formar um paredão, bem perto da plateia, encarando-a.


1 Agora o meu papo vai ser só com a mulherada.
2,3 “Nóis” não é saco de bosta pra levar tanta porrada!
4 Todo dia umas dez morrem,
5 Umas quinze são estupradas.
6 Fora as que ficam em casa
4 E por nada são espancadas.

0 QUAL QUE É O TEU PROBLEMA?


3 É fé pequena?
1 Ou mente ruim?
0 QUEM FOI QUE TE ENSINOU A TRATAR “AS MULHER” ASSIM?
2 Agora fica esperto
5 Porque a coisa vai mudar.
0
Eu sou aquilo que ninguém mais acredita.
Eu sou a puta, eu sou a santa e a banida.
Sou a bravura e os surtos de Anita Garibaldi.
Bandeira baixa ou bandeira que agita.
Sou como rua, beco podre da cidade.
Eu sou os filhos malparidos da nação.
Sou a coragem até no grito do covarde.
O que não basta, não se entende.
Eu sou um furacão! Repete 3 x, e vão
saindo aos poucos
VOCÊ VAI LEMBRAR 1x – todas
QUANDO EU TE OLHAR LÁ DE CIMA! 2x – Fernanda,
Jéssica e Grasi.
VAI RECONHECER E VAI RESPEITAR MINHAS CINZAS!
3x - Jéssica
Cena 5 – À PROVA DE BALAS

MULHERES - Todas as mulheres


HOMENS - Todos os homens
ELENCO - Todos
ROSA - Yone Morais

VICTOR
Você pode dizer que já ficou para trás
Pode até esquecer, dizer que não importa mais
Mas teu passado se lembra
O teu passado não esquece

GUILHERME
E nesse inverno cruel vai puxar teus lençóis
Não se pode fugir do que faz parte de nós
Mas nossos olhos delatam
Quando se cala a voz.

O restante do elenco entra e se espalha pelo espaço.

VICTOR E GUILHERME
Andando no escuro
Por quem você vai gritar?
Em quem você vai pensar?

ELENCO
Eles não estão aqui pra nos proteger
E o meu pensamento
É à prova de balas
É à prova de fogo
E isso ninguém vai tirar de mim

Entra uma parte instrumental, onde o elenco começa a correr e a se jogar em uma “parede imaginária”,
tentando ultrapassar uma barreira, e não conseguem.

HOMENS
Sente o veneno que sai da tua televisão
Eles vão dar uma festa pra nossa extinção

MULHERES
Quem muito mostra, esconde
E engana quem vê de longe

ELENCO
E que na tua estrada, você possa entender
Que alguns nascem pra amar, e outros para vender
No fundo eles têm medo de quem tem muito a dizer
Andando no escuro
Por quem você vai gritar?
Em quem você vai pensar?
Eles não estão aqui pra nos proteger
E o meu pensamento
É à prova de balas
É à prova de fogo
E isso ninguém vai tirar de mim

Com isso, começam a entrar em um estado de loucura (coreografia). O instrumental continua (entra uma
versão em piano da música “Manifesto”, enquanto a Rosa retorna segurando dez rosas coloridas. Durante o
texto da Rosa, o Vendedor a reconhece.

ROSA
Só existe uma maneira de se viver pra sempre:
Compartilhando a sabedoria adquirida
E exercitando a gratidão, sempre.
É o homem entender que ele é parte do todo
Nem ser menos e nem ser mais, ser parte da natureza!
Ao caminhar na contramão disso
A gente caminha pra nossa própria destruição.
CENA 6 – O FIM

FIM

REFERÊNCIAS
CENA 1

Texto: Gustavo Soré, Marina Goiano , Yone Morais, Isabela Cardoso

Roteiro: Isabela Cardoso

Música: Rosa de Hiroshima - Ney Matogrosso

CENA 2

Texto: Cazuza (“O tempo não pára”), Bertolt Brecht (“Elogio da Dialéctica”)

Roteiro: Isabela Cardoso

Música: Não Recomendados - Não Recomendados.

CENA 3

Texto: Guilherme Anacleto

Roteiro: Isabela Cardoso

Música: A Carne - Elza Soares, Canto das 3 Raças - Clara Nunes.

CENA 4

Texto: Ana Cañas, Mulamba

Roteiro: Isabela Cardoso

Coreografia: Isabela Cardoso

Músicas: Respeita - Ana Cañas, P.U.T.A. - Mulamba, Mulamba - Mulamba, Resposta ao Baile de Favela - Mariana Nolasco.

CENA 5

Texto: Emicida (Manifesto)

Roteiro: Isabela Cardoso

Coreografia: Isabela Cardoso

Música: À Prova de Balas - Fresno

CENA 6

Roteiro: Isabela Cardoso


Coreografia: Isabela Cardoso

Música: Oração - A Banda Mais Bonita da Cidade

Todas as cenas foram criadas com os alunos ou inspiradas nos exercícios da “Oficina - Interpretação, Corpo e Voz”, dirigidos por
Isabela Cardoso.

Direção Geral: Isabela Cardoso

Assistente de criação: Fernanda Morais