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O Evangelho de Deus & o evangelho

do homem
Por que estudar o Evangelho?
A tarefa dessa aula é pregar o evangelho, mas talvez você pense: “Mas já não somos
todos cristãos? Por que deveríamos falar desse assunto? Nós já sabemos sobre isso! ” Muitas
pessoas, hoje em dia, entendem o evangelho como apenas uma introdução à nossa fé. Elas
entendem que o Evangelho é uma espécie de curso introdutório para coisas maiores. Isso é
heresia. É uma mentira.

Você acha realmente que a doutrina sobre como se dará a volta de Jesus é mais
importante e mais profunda do que o Evangelho? Você vai entender tudo sobre isso quando
Jesus voltar, mas passará a eternidade no céu e ainda assim não terá nem começado a
entender a profundidade do evangelho. Ele possui glória inexaurível. É a maior revelação que
Deus já fez aos homens e aos anjos. Se você quer ser um cristão maduro na fé, então precisará
aprender e apreciar o evangelho, a discernir o que é verdadeiramente valioso.

O Evangelho de Paulo e o evangelho da prosperidade


Iniciaremos observando alguns textos bíblicos de introdução acerca da importância do
evangelho.

“Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a


salvação de todo aquele que crê: primeiro do judeu, depois do grego.” –
Romanos 1.16

O maior e mais fundamental problema do ser humano é o pecado. Ele é a raiz de todo
problema, de toda maldade e de toda a doença deste mundo. Remova este problema e você
curará o mundo. Por sua vez, o grande resultado do pecado, em seu sentido mais fundamental
é o inferno. Este que significa a eterna separação de Deus.

Isso nos leva a uma reflexão: O que vamos desejar? Naturalmente a nossa resposta
seria: Salvação, libertação do pecado.

Isso é o Evangelho, e o evangelho deve controlar a sua vida e ser a sua vida, e ser
aquilo que você mais deseja.

As pregações que devem nos atrair tem que ser as coisas grandiosas, sobre Jesus
Cristo, sobre a sua glória antes de vir à terra, sua encarnação, sua vida perfeita, acerca da cruz
do calvário e como ela extinguiu a ira de Deus, sobre a ressureição de Jesus em poder, sobre
sua exaltação e que ele está assentado à destra de Deus como intercessor. Que fale sobre
Jesus e nos revelando quem é Deus.

“Não me envergonho do evangelho...”


Paulo não está envergonhado do evangelho, mas por que estaria ou poderia estar? A
sua carne tinha boas razões para se envergonhar. Para os judeus, o evangelho era uma
blasfêmia e fraqueza; para o grego, o evangelho era insano. Para Paulo, no entanto, o
evangelho era precioso.

Mas continua a pergunta: Por que o evangelho pode ser uma vergonha para Paulo, já
que estamos pensando acerca de um homem que entende ser o evangelho mais precioso do
que a opinião dos judeus e gregos?

Porque a maneira como nos relacionamos com o evangelho revela a verdadeira


natureza do nosso coração. Muitos dizem não ter vergonha do evangelho, mas muitos não
refletiram o quanto o verdadeiro evangelho pode ser vergonhoso para nós. Tudo depende do
que deseja o nosso coração. Se desejamos ser conformados a imagem dele, então o evangelho
não será uma vergonha. Mas se desejamos um evangelho carnal e mundano, aí então o
evangelho será uma vergonha.

É fundamental que entendamos que o Evangelho é um divisor de águas. Ele sempre


cumpre o seu papel. Por isso, gostaria que observássemos três textos para entendermos o que
quero dizer com o “Evangelho como divisor de águas”, para o bem ou para o mal.

Assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para
mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a
enviei. Isaías 55:11

Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado,
porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. E a condenação é
esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que
a luz, porque as suas obras eram más. João 3:18,19

Graças, porém, a Deus, que, em Cristo, sempre nos conduz em triunfo e, por
meio de nós, manifesta a fragrância do seu conhecimento em todos os
lugares. Porque nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo, tanto
entre os que estão sendo salvos como entre os que estão se perdendo. Para
com estes, cheiro de morte para morte; para com aqueles, aroma de vida
para vida. Quem, porém, é capaz de fazer estas coisas? Porque nós não
estamos, como tantos outros, mercadejando a palavra de Deus. Pelo
contrário, em Cristo é que falamos na presença de Deus, com sinceridade e
da parte do próprio Deus. 2 Coríntios 2:14-17
O Evangelho será para nós vergonha se seguirmos a seguinte lógica: “Se você for
obediente, Deus vai abençoar a sua vida. Se você realmente crer nele, ele fará tal coisa por
você.”

Diante disso, ficam as perguntas: O que é que você precisa para seguir a Cristo? O que
mais ele precisa fazer por você? O que mais precisa ser acrescentado ao evangelho para que
você o queira? A Salvação não é suficiente? Comunhão com Deus não é suficiente? Temos que
acrescentar carros e roupas bonitas para que seja empolgante? Paulo amava o evangelho
porque era o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê.

Para Paulo, seu maior desejo era conhecer a Jesus. Veja quão diferente é a vida de
Paulo para alguns “profetas” modernos. Ele era pobre, e muitas vezes ele passava fome, e
apanhava em todas as cidades nas quais passava. Ele era considerado a escória da sociedade.
Mas ele nunca disse que queria que essa parte da vida mudasse. Ele dizia: “Eu quero a Cristo”.
Jesus é preeminente no verdadeiro evangelho, Jesus tem o primeiro lugar na verdadeira
pregação.

Porque, onde estiver o seu tesouro, aí estará também o seu coração.

Mateus 6:21

Cuidado para não transformar Deus em um ídolo. O constituímos ídolo quando o


tornamos meio para algo. Isso acontece quando não compreendemos do quanto ele já fez por
nós.

O Pecado do ser humano e a necessidade do evangelho


Neste ponto, falaremos sobre duas temáticas desagradáveis a nós. Desagradáveis de
serem ouvidas. Falaremos sobre o pecado do ser humano e a ira de Deus. Somente assim,
entenderemos o evangelho de Cristo Jesus.

Muito se ouve que não se deve mais pregar sobre pecado, mas sim sobre o amor de
Deus. Esse pensamento está equivocado em, pelo menos, dois aspectos: Primeiro porque o
ministério do Espírito Santo está relacionado ao pecado, Jesus disse: “Quando o Espírito vier,
um de seus ministérios prioritários será convencer o mundo do pecado”. Em segundo lugar,
porque só teremos a real noção do amor de Deus se tivermos noção do custo desse amor.
Jesus disse: Por isso, afirmo a você que os muitos pecados dela foram perdoados, porque ela
muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama. (Lucas 7:47).

Observemos o seguinte texto:

pois todos pecaram e carecem da glória de Deus,


sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que
há em Cristo Jesus,
a quem Deus apresentou como propiciação, no seu sangue, mediante a fé.
Deus fez isso para manifestar a sua justiça, por ter ele, na sua tolerância,
deixado impunes os pecados anteriormente cometidos,
tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, a fim de
que o próprio Deus seja justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus.
Onde fica, então, o orgulho? Foi totalmente excluído. Por meio de que lei? A
lei das obras? Não! Pelo contrário, por meio da lei da fé.

Romanos 3:23-27

Por qual motivo o pecado é tão horrível? Será que é porque resulta em morte? Não!
Será que é porque atrapalha a sociedade? Não! Por que é tão horrível? Porque é cometido
contra um Deus que é absolutamente digno, o qual é merecedor de toda adoração, louvor e
obediência.

O pecado é mais que uma coisa que a gente faz, é uma parte de nós. Os teólogos falam
de uma depravação radical, o que significa que a corrupção moral permeia todos os aspectos
do nosso ser, e antes de uma pessoa vir a Cristo, é isso que é o ser humano.

O Senhor viu que a perversidade do homem tinha aumentado na terra e


que toda a inclinação dos pensamentos do seu coração era sempre e
somente para o mal.

Gênesis 6:5

Olhe para a última frase. Diz que todo o desígnio do coração do homem era somente
para o mal. Isso fala do homem antes do dilúvio, mas perceba que as águas lavaram da terra o
ser humano, mas não lavou o pecado do coração deles. Assim que Noé saiu da arca, o pecado
começou novamente.

Por isso, não podemos deixar pregar sobre o pecado. Quando aprendemos sobre a
realidade do pecado e não proclamamos isso, nos tornamos imorais. Se alguém não proclamar
essa verdade, não é porque ama o outro, mas porque se ama e quer que os outros gostem
dele. Por causa do temor de homens, muitos preservam a si mesmos. Preferem fazer coceiras
nos ouvidos, amortecendo pecadores que estão caindo para o inferno. Negar a verdade a
alguém não é prova de amor, é medo de rejeição.

Negar essa verdade é vender um falso evangelho onde faz as pessoas que um
pouquinho de boa moral, ser aparentemente bom, ou ainda, uma religiosidade poderá
consertar as pessoas e a nós mesmos. Isso é absolutamente falso! Somente uma obra
sobrenatural de Deus pode fazer isso, através da Cruz de Jesus Cristo.

“...pois o seu coração é inteiramente inclinado para o mau desde a


infância...”
O coração do ser humano é mau desde a sua mocidade. O termo hebraico usado é
bem amplo, incluindo crianças. Isso nos mostra que a corrupção moral não é algo aprendido,
mas é algo que já nasce em nós. É o resultado da queda de Adão.

É importante entender que o pecado age em nós a partir de duas instâncias: A Culpa e
o poder;

A culpa está relacionada a queda de Adão, essa culpa todo ser humano já nasce com
ela, pois foi concebido em corrupção. Já o poder do pecado age em nós através das nossas
inclinações, é esse poder que nos escraviza. Também é esse poder que nos deforma cada vez
mais e mais. E não podemos subestimar o quanto podemos ser deformados na nossa natureza
a partir da sujeição ao pecado.

Não pense que Hitler seja uma anomalia, não pense que ele era um fenômeno raro ou
uma pessoa diferente da sociedade. O que nos faz diferente em atitudes a Hitler é algo
chamado graça comum que restringe a todos nós. Se nós não somos iguais a Hitler, isso é
unicamente por causa da graça de Deus que nos refreia. Hitler não foi uma anomalia, mas um
reflexo de tudo o que nós podemos ser, a não ser que Deus refreie a nossa maldade.

Somos como o impuro — todos nós! Todos os nossos atos de justiça são
como trapo imundo. Murchamos como folhas, e como o vento as nossas
iniquidades nos levam para longe.

Isaías 64:6

Deus é perfeitamente justo, perfeitamente reto. Ele não pode tolerar a injustiça. Leve
em consideração Adão e Eva, eles pecaram uma única vez e o universo inteiro foi lançado no
caos cósmico e moral. Por causa de um pecado, toda a criação foi trazida para debaixo do juízo
de Deus. Isso deveria nos fazer refletir não no sentido se Deus é muito dura, mas no quanto o
pecado ofende o Senhor.

O texto diz que todos nós somos como o imundo. A palavra no hebraico se refere a
coisas muito feias e pesadas, como por exemplo a lepra. Há diferentes estágios e fases da
lepra, e o pior tipo é horrível. Nesse estágio, o cheiro do leproso pode ser sentido a muitos
metros de distância.

Suponha que ao encontrar um leproso neste estágio, você se compadeça dele. Compra
para ele a melhor roupa, a melhor seda que podemos encontrar, e então, o cobre. No entanto,
isso seria só por um segundo. As suas feridas iriam sangrar e sujar toda aquela seda,
continuando a contaminar tudo. É por isso que não podemos ser salvos por nossas boas obras.
É por isso que nossas boas obras são como trapos de imundícia. Antes de ser cristão, o que a
bíblia diz que é impossível termos boas obras, pois todas elas estão permeadas de corrupção
moral em nosso coração.

Como está escrito: "Não há nenhum justo, nem um sequer;


não há ninguém que entenda, ninguém que busque a Deus.
Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que
faça o bem, não há nem um sequer".

Romanos 3:10-12

“...não há ninguém que entenda, ninguém que busque a Deus...”

O que a Bíblia fala do pecador? Que ele não busca a Deus. Uma das características do
homem carnal é que ele não busca a Deus. Ele pode buscar coisas religiosas, ele pode desejar a
prosperidade que supostamente vem de Deus, mas ele não quer ter o Senhor somente porque
o ama. Todo mundo quer ir para o céu, o problema é que a maioria das pessoas não quer que
Deus esteja lá quando chegarem. Mas o verdadeiro cristão preferiria ir ao inferno com Cristo
do que estar no céu sem ele.

“...todos se desviaram, tornando-se juntamente inúteis; não há ninguém


que faça o bem, não há nem um sequer”

Percebe-se que a maior heresia que o homem pode crer é achar que ele é bom. A
única forma do evangelho alcançar alguém é quando essa reconhece que não é boa. É
impossível se salvar, é impossível viver a altura dos padrões de justiça de Deus por si só. O
conhecimento do nosso pecado nos capacita a apreciar a graça do Pai.