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Componente Curricular: Filosofia da Ciência

Professor: Me. Thiago Pereira da Silva

A crítica à indução:
Refutacionismo ou Falseacionismo
(Karl Popper)
Apresentação
O Na aula anterior, foram apresentados alguns temas
relativos à Filosofia da Ciência, privilegiando a
análise do chamado “método científico”.

O Vimos como a ideia desse método tem relações


com a proposta de Francis Bacon para a
compreensão do desenvolvimento científico.

O Qualificamo-lo de empírico-indutivista na medida


em que tem como base a indução e um
compromisso com o programa empirista, no
sentido de localizar a origem última de todo o
conhecimento na experiência.
Apresentação
O Ao ler a aula anterior, você deve ter percebido que a
noção da existência de um “método científico”
único, rígido e universal é objeto de críticas, assim
como o método da indução, de um modo geral.

O Nessa aula, abordaremos algumas dessas críticas,


evidenciando certos problemas com a indução e
analisando como eles poderiam ser, em princípio,
superados por uma proposta que ficou conhecida
como refutacionismo ou falseacionismo (ou
falsificacionismo).

O O nome de Karl Popper será lembrado como um dos


principais defensores dessa ideia.
OBJETIVOS DESTA AULA
O Analisar as críticas endereçadas ao pensamento
indutivo e as limitações intrínsecas da indução como
método.
O Apresentar as principais características da proposta
de Karl Popper para a análise do conhecimento
científico.
O Comparar e avaliar, criticamente, a indução e o
refutacionismo enquanto alternativas para a
compreensão da ciência.
O Reconhecer a possibilidade de uma “leitura
refutacionista” de episódios da História da Ciência.
Uma visão de
senso comum da ciência
O A visão amplamente difundida em nossa
sociedade acerca da ciência apresenta-a
como um conhecimento verdadeiro,
provado, objetivo, bem estabelecido,
confiável, entre outros adjetivos.

O O cientista costuma ser visto como um ser


diferenciado, que trabalha isolada e
concentradamente, interage pouco com
outras pessoas e – quase sempre – faz
“descobertas inesperadas” na natureza.

O O estereótipo do “cientista genial”


complementa e confirma visões
estereotipadas da própria ciência.
O A ideia do “método científico” e a perspectiva
empirista da História são dois elementos que
também compõem essa visão de senso comum.

O Por um lado, o método seria uma característica


que, justamente, identifica a ciência e a diferencia
de outras formas de conhecimento, enquanto que
as experiências seriam a própria “alma” da
ciência, o meio pelo qual os cientistas dialogam
com a natureza e obtêm a informações
necessárias à construção de teorias.
IMPORTANTE!
O Faça algumas perguntas a uma
pessoa comum sobre a ciência e
você certamente obterá um discurso
que contém elementos do que
acabamos de dizer (aliás, isso não é
característico apenas dos não-
cientistas: pesquisas têm mostrado
que os cientistas apresentam visões
equivocadas do seu próprio campo
profissional!).
O Empirismo e indução andam de mãos dadas.
Leituras empiristas da História, muitas vezes,
levam a crer que as leis e teorias científicas
“brotam” da experiência, e que a mente do
cientista é uma espécie de “folha em branco”
onde serão depositadas as impressões dessa
experiência.

O Nesse sentido, a indução seria o procedimento


“natural” para se chegar ao conhecimento, pois
as experiências (particulares) levariam à
formulação das teorias (gerais).
O A História da Ciência está repleta de
experimentos – muitos deles
extraordinários!

O O problema é que, muitas vezes, tais


experimentos são apresentados como se
fossem o ponto de partida de um
pensamento, e como se todo o trabalho de
um cientista se resumisse àquele “grande
momento”, em que algo foi “definitiva e
categoricamente comprovado”.
EXEMPLOS:
O Newton, por exemplo, costuma ser lembrado
pela “anedota da maçã”, que chega a ser uma
espécie de “alegoria” da descoberta científica.
O Aliás, é interessante como a visão de senso
comum da ciência valoriza a ideia de
“descoberta” – principalmente a “acidental”.
O Os Modelos Atômicos na Química: Visão linear
da construção dos modelos ( como se um
fosse substituindo o outro)
O Todas as experiências citadas tiveram um papel
significativo da História das Ciências Naturais.

O Mas será que o conhecimento associado a elas


foi gerado a partir da experiência?
O Podemos ver um “método” orientando o trabalho
desses cientistas, em todos esses casos? Seria a
indução?

A FILOSOFIA DA CIÊNCIA VAI


RESPONDER QUE NÃO.
O Mas por que, então, perpetuam-
se em livros didáticos, jornais e
outros veículos de divulgação
uma imagem empírico-
indutivista da ciência?

O Por que é essa (e não outra) a


visão de senso comum da
ciência?
O Não há uma resposta clara e definitiva.

O Em parte, a explicação deve ser buscada numa tentativa


(muitas vezes “didática”) de se apresentar a ciência como
um empreendimento cumulativo, que cresce gradativa e
continuamente, alavancada pelos resultados das
experiências.

O Talvez também haja certo interesse em se realçar as


“descobertas” e experiências como forma de chamar a
atenção para a ciência, despertar a curiosidade.

O Além disso, razões para a manutenção de uma imagem


empírico-indutivista podem ser buscadas na própria
influência do pensamento positivista na ciência.
A indução em apuros
O Mesmo de um ponto de vista bastante simples e –
até certo ponto – ingênuo, é possível fazermos uma
primeira crítica ao pensamento indutivo. Alan
Chalmers cita a história do “peru indutivista”
contada pelo filósofo inglês Bertrand Russell (1872-
1970):
Esse problema ficou conhecido como o “problema da
indução” ou o “problema de Hume”.
O refutacionismo
O Interessa-nos dizer que o pensamento
indutivo, compreendido como algo que
deveria embasar a ciência e o seu método,
deixou de orientar as reflexões da maioria
dos filósofos da ciência.
O Nos termos consagrados por Imre Lakatos
(falaremos disso algumas aulas adiante),
seria uma espécie de programa de pesquisa
“em degeneração”.
Uma leitura refutacionista
da História
ATIVIDADE 1 ( VALE 10,0)
O 1- Quais foram as principais críticas à indução
abordadas nesta aula? Procure descrevê-las,
sinteticamente, usando suas próprias palavras.
(1,5)
O 2- Dê um exemplo de uma situação em que o
pensamento indutivo pode levar ao erro. (1,5)
O 3- Nessa atividade, usaremos proposições do
tipo “se - então” para percebermos, de outra
maneira, os argumentos trazidos por Popper em
sua crítica à indução. Observe as afirmações I e
II a seguir: (1,5)
O ( I ) Se chove, então molha a rua
O ( II ) Se estou gripado, então tenho febre
O Vamos admitir que as duas proposições sejam verdadeiras, ou
seja, que “chover” implica em “molhar a rua” (sempre) e que
“estar gripado” implica, necessariamente, em “ter febre”.
Responda:
O A) Se eu vejo a rua molhada, posso afirmar que choveu? Se eu
tenho febre, posso afirmar que estou gripado? Discuta ambos
os casos.
O B) Se a rua não estiver molhada, o que posso afirmar? Se eu
não tiver febre, o que posso concluir? Discuta ambos os casos.
O C) Você deve ter reparado que os argumentos são do tipo: “Se
A, então B”. Substitua A e B por “a teoria T é verdadeira” e
“devo observar os resultados R1, R2 etc.”, respectivamente.
Reconstrua o argumento, escrevendo-o no caderno. Agora,
responda: se você é um cientista e obteve os resultados R1, R2
,etc., o que pode dizer da teoria T ? E se você não obteve os
resultados R1, R2 etc., o que pode dizer da teoria T?
4- Qual a relação dos itens acima, dessa atividade, com a
proposta popperiana de refutacionismo, apresentada nessas
aulas? (1,5)

5- Leia e comente o trecho a seguir, retirado de “A lógica da


pesquisa científica”, com base no que foi discutido na seção
anterior: (2,0)

“Segundo minha proposta, aquilo que caracteriza


o método empírico é sua maneira de expor à
falsificação, de todos os modos concebíveis, o
sistema a ser submetido a prova. Seu objetivo não
é o de salvar a vida de sistemas insustentáveis,
mas, pelo contrário, o de selecionar o que se
revele, comparativamente, o melhor, expondo-os
todos à mais violenta luta pela sobrevivência.”
(POPPER, 2003, p. 44)
O 6- Leia artigos científicos da área de Ensino
de Ciências, que apresente algum exemplo
que se aplica a ideia de REFUTACIONISMO,
que foi discutido durante estas aulas de
Karl Popper e discuta como esses
conhecimentos foram construídos pela
ciência. ( 2,0)
ATIVIDADE 2 ( CONSTRUÇÃO DE
UM MAPA CONCEITUAL)

O A partir das discussões apresentadas nesta aula,


construa UM MAPA CONCEITUAL que apresente os
principais conceitos abordados em torno das
principais ideias do refutacionismo, proposto por
Karl Popper.
O que são mapas conceituais?

De um modo geral, mapas conceituais, ou mapas


de conceitos, são apenas diagramas indicando
relações entre conceitos, ou entre palavras que
usamos para representar conceitos. (MOREIRA,
2012)
ELEMENTOS QUE CARACTERIZAM UM
MAPA CONCEITUAL

Um mapa conceitual é constituído


por conceitos (conteúdos
conceituais, estudados
anteriormente), proposições e
palavras de enlace.
Qual significado de proposição e palavras de
enlace?

Palavras de
Proposição Enlace
Palavras que servem para unir
Formada por dois ou mais os conceitos em proposições
termos conceituais (conceitos) que têm um sentido,
unidos por uma palavra de determinando um tipo de relação
enlace para formar uma entre conceitos.
unidade semântica.

Exemplos: com a finalidade de;


Unidade Semântica: tem o
podem ser; suas
valor de verdade por afirmar
características; que influem
ou negar algo de um conceito.
em; na base de; entre outros.
Exemplos dos elementos de um mapa conceitual
em Química.
Exemplo de Mapa
Conceitual
Auto avaliação da aula
O Com base na leitura dessa aula e nas Atividades
desenvolvidas por você, reflita sobre as
seguintes questões:
O 1-Sei identificar elementos de uma visão de
senso comum da ciência, bem como
estabelecer relações entre eles e o chamado
“método científico” (empírico-indutivista)?
O 2-Compreendo as limitações da indução,
enquanto método para a aquisição do
conhecimento?
O 3- Compreendo por que uma teoria científica não pode ser
definitivamente comprovada?
O 4-Sei explicar o que é refutacionismo?
O 5- Sou capaz de comparar o método empírico-indutivista
com o método hipotético-dedutivo, estabelecendo
semelhanças e diferenças?
O 6- Tenho argumentos para defender uma leitura da História
da Ciência embasada na perspectiva do falseacionismo
popperiano?

SE VOCÊ CONSEGUIU ASSIMILAR


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