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Relatorio de Pesquisa

Psicotropicos - Diazepam

Universicade de Cuiabá

Faculdade de Psicológia 2009


Eliane de Oliveira Fernandes

Relatorio de Pesquisa

Psicotropicos - Diazepam

Relatório de Pesquisa apresentada à


disciplina de Psicofarmacologia

Orientador: Ibere Ferreira

Universicade de Cuiabá

Faculdade de Psicológia 2009

4º. Semestre
Introdução

Para falar em psicotropicos e suas caracteristicas, indicações, contra-indicações, modo de uso


e tudo mais, achei interessante começar pela patologia, a patologia em questão é a ansiedade,
mal que a cada momento atinge mais e mais pessoas em todo o mundo, a droga escolhida foi
o Diasepam ao qual inferi o nome fantasia de Tranquilium.

Afinal, o que é ansiedade? É uma doença, um sintoma, transtorno passageiro ou “frescura”?


Existe tratamento para ansiedade ou é algo com que se deve conviver? Deve-se tratá-la com
“calmantes”, “tranqüilizantes”?
O que é ansiedade?

Ansiedade é uma reação biológica natural do organismo a uma situação de desafio, que exija
ação imediata – chamada de situação “estressora”. Desta forma, o organismo fica preparado
para agir de modo a enfrentar, resolver e remover o problema de seu ambiente. Após enfrentar
e resolver o problema ou ameaça, ou seja, removido o agente “estressor”, não há mais motivo
para que o organismo mobilize tantos recursos e ele volta ao seu estado normal.

“Nosso potencial ansioso sempre se manteve fisiologicamente presente e sempre carregando


consigo o sentimento do medo, sua sombra inseparável. É muito difícil dizer se era diferente o
estresse (esta revolução orgânica e psíquica) que acometia o homem das cavernas diante de
um urso invasor de sua morada daquilo que sente hoje um cidadão comum diante do
assaltante que invade seu lar. Provavelmente não. Fazem parte da natureza humana certos
sentimentos determinados pelo perigo, pela ameaça, pelo desconhecido e pela perspectiva de
sofrimento” (Ballone, GJ, 2002).

O mesmo autor apresenta, mais adiante, uma descrição dos três níveis de manifestação da
Ansiedade:

“A Ansiedade pode se manifestar em três níveis: neuroendócrino, visceral e de consciência. O


nível neuroendócrino diz respeito aos efeitos da adrenalina, noradrenalina, glucagon, hormônio
anti-diurético e cortisona. No plano visceral a Ansiedade corre por conta do Sistema Nervoso
Autônomo (SNA), o qual reage se excitando (sistema simpático) na reação de alarme ou
relaxando (sistema vagal) nas fases de esgotamento. Na consciência, a Ansiedade se
manifesta por dois sentimentos desagradáveis: 1 – Através da consciência das sensações
fisiológicas de sudorese, palpitação, inquietação, etc. e 2 – Através da consciência de estar
nervoso ou amedrontado”.

Essa descrição fria e objetiva do fenômeno da Ansiedade no nível orgânico manifesta-se de


forma muito variável de indivíduo para indivíduo. Algumas pessoas sentem palpitações, suor ou
opressão no peito. Outros sentem náuseas, vômito, diarréia ou vazio no estômago. Outras
pessoas apresentam mal-estar respiratório. Outras pessoas sentem tensão muscular
exagerada, que pode se manifestar através de espasmos, torcicolo e dores na coluna.

O que acontece é que, para certas pessoas, a ansiedade é incontrolável e permanecem as


sensações de “medo, apreensão e tensão constantes” sem motivo aparente, nenhuma doença
física ou situação externa que as justifiquem. Nessas pessoas, os sintomas de ansiedade
surgem espontaneamente, sem nenhum motivo identificável. Mesmo quando há um motivo, os
sintomas parecem exagerados diante das dimensões reais do desafio que a pessoa enfrenta.

Classificação dos transtornos de ansiedade

A classificação dos transtornos de ansiedade vem sendo modificada desde a 1ª edição do DSM
em 1952. Atualmente, prevalece a classificação do DSM-IV de 1994, que reconhece os
seguintes tipos de transtornos de ansiedade como: ansiedade generalizada, pânico, transtorno
obsessivo-compulsivo, fobias (agorafobia, social e simples), transtornos do estresse pós-
traumático e transtornos de ansiedade atípica (Tabela I).
O transtorno de ansiedade generalizada é um estado de apreensão ou preocupação constante,
de intensidade flutuante cuja causa não é identificável. Geralmente é acompanhado de tensão
motora, irritabilidade e perturbações do sono. É persistente, com duração de pelo menos 6
meses.

O transtorno do pânico caracteriza-se pela ocorrência de crises ou ataques de pânico


repetidos, acompanhado pela sensação de medo intenso, com frequência de quatro episódios
em um mês. Geralmente estes ataques são caracterizados por súbitos episódios de terror, nos
quais a pessoa pode sentir alguns sinais como palpitações, falta de ar, palidez, tontura e
náuseas. Os ataques de pânico são imprevisíveis e a pessoa teme persistentemente ter um
outro ataque. Assim, passa a evitar lugares onde possivelmente ocorrerá um próximo ataque,
com a finalidade de evitar certas situações constrangedoras. Frequentemente ocorre em locais
públicos, dentro de um cinema, uma loja comercial lotada. Esse sentimento é denominado
ansiedade antecipatória.

O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) caracteriza-se pela ocorrência involuntária de


representações, imagens ou impulsos repetitivos involuntários que podem ser acompanhados
da necessidade imperiosa de realizar comportamentos estereotipados ou rituais, como por
exemplo, lavar repetidamente as mãos por acreditar que estão contaminadas ou expressar
comportamentos de limpeza para aliviar a ansiedade (compulsão). As compulsões podem ser
acompanhadas ou não das obsessões.

As fobias são caracterizadas pelo medo excessivo, persistente e incontrolável, direcionado a


um objeto ou uma situação. O medo é comum na população humana e faz parte da nossa
história evolutiva. Quem nunca sentiu medo de um trovão ou de uma cobra ou aranha? As
fobias classificam-se em agorafobia, sociofobia e fobias simples. A agorafobia é o medo de
frequentar locais públicos e geralmente está associada ao transtorno de pânico. Já na
sociofobia, a pessoa tem medo de ser julgada pelos outros e, conseqüentemente, se afasta
prejudicando a interação social. As fobias simples, dentre os transtornos, são as mais comuns
em crianças. São caracterizadas pelo medo de determinados objetos ou situações como
animais, tempestades e altura.

O transtorno do estresse pós-traumático consiste num distúrbio desenvolvido após uma


experiência traumática, como assaltos seguidos de violência, desastres naturais e guerras.
Caracteriza-se por um medo intenso em reviver experiências perturbadoras, seja em sonhos,
ou como lembranças vividas de imagens do passado, que invadem involuntariamente a
consciência – os chamados flashbacks. Um grande sofrimento se desenvolve quando surgem
lembranças de algum aspecto do trauma. Há uma intensa necessidade de evitar sentimentos,
pensamentos, conversas, pessoas ou lugares que ativem recordações do trauma.
O transtorno de ansiedade atípica é constituído das demais formas de ansiedade primária, que
não se enquadram nas definições anteriores.

Circuitaria neuronial da ansiedade

A ansiedade é considerada um fenômeno complexo, no qual envolve várias estruturas do


encéfalo. Dentre elas, a amígdala se destaca por ser um conjunto de núcleos essenciais para o
processamento de informações provenientes de outras partes do encéfalo. Dela partem sinais
que são direcionados a outros núcleos responsáveis por gerarem respostas fisiológicas,
comportamentais, autonômicas e hormonais relacionadas à ansiedade. Em animais, a
estimulação elétrica da amígdala desencadeia sentimentos de medo e apreensão, enquanto
que a sua lesão bloqueia os comportamentos expressos por animais no medo aprendido.
Vários estudos utilizando técnicas de lesão, microinjeções e eletrofisiologia na amígdala
evidenciaram que outras regiões do encéfalo também estão envolvidas nos transtornos de
ansiedade, incluindo o córtex, hipocampo, hipotálamo e o tronco encefálico. Assim, quando um
determinado estímulo é apresentado, sendo ele aversivo ou não, as informações sensoriais
geradas chegam na amígdala através de projeções provenientes do tálamo, córtex e
hipocampo (aferências). Na amígdala, as informações sensoriais são processadas em seus
diferentes núcleos. Essencialmente o fluxo de informações, parte do núcleo lateral para o
núcleo basolateral, antes de alcançar o núcleo central, principal núcleo de saída da amígdala.
Então, as eferências partem do núcleo central da amígdala e chegam ao córtex, hipotálamo e
tronco encefálico, ativando várias respostas, como por exemplo, respostas autonômicas e
neuroendócrinas (Figura 4). A função normal desta circuitaria é essencial para a ansiedade
fisiológica, enquanto a ocorrência da deficiência orgânica pode desencadear a ansiedade
patológica. Existem várias interações complexas entre estas regiões do encéfalo que são a
base de diferentes aspectos da ansiedade, tais como a memória, aversão e a motivação.

Figura 4- Provável circuitaria neuronial dos transtornos de ansiedade. Estímulos são


detectados pelo córtex, tálamo e hipocampo e as informações chegam até a amígdala (setas
pretas). Eferências partem do núcleo central da amígdala (setas vermelhas) e chegam ao
córtex, hipotálamo e tronco encefálico, iniciando as respostas comportamentais relacionadas à
ansiedade.

Neurotransmissores na ansiedade

Vários neurotransmissores, entre eles, a noradrenalina, 5-HT, dopamina, L-glutamato, GABA e


glicina, peptídeos como o hormônio liberador da corticotropina (CRH), ACTH e a colecistocinina
e esteróides como a corticosterona têm sido implicados na ansiedade. Vamos nos ater
principalmente ao GABA e a 5-HT, neurotransmissores bem fundamentados nos transtornos de
ansiedade e na ação dos medicamentos ansiolíticos.
A relação entre o GABA e a ansiedade evidencia-se em consequência do estudo do
mecanismo de ação e eficácia dos benzodiazepínicos (BZDs). Os BZDs possuem sítios
específicos de alta afinidade que modulam alostericamente os receptores GABAérgicos. Assim,
os BZDs produzem uma alteração na conformação do receptor, o que facilita a ligação do
GABA. Com o aumento da afinidade, o GABA tem sua atividade amplificada o que permite uma
maior entrada de íons cloro pelo canal (Figura 6). Conseqüentemente, ocorre uma
hiperpolarização da membrana pós-sináptica que inibe os disparos do neurônio por dificultar a
despolarização de sua membrana, necessária à geração de impulso nervoso. Estudos
utilizando a tomografia por emissão de pósitrons (PET), tomografia computadorizada por
emissão de fóton único (SPECT) e isótopos radiativos, indicam que receptores GABAérgicos
em algumas regiões do encéfalo, incluindo o córtex pré-frontal medial, amígdala e hipocampo
estão intimamente relacionados com os transtornos de ansiedade. Aparentemente, estes
receptores estão reduzidos ou a ligação de determinados isótopos radiativos diminuem a
afinidade aos mesmos. Estes relatos apontam para alterações ocorridas nesses receptores,
sejam talvez pela substituição de um subtipo de subunidade por outra, aparentemente por uma
causa genética ou mesmo em resposta ao estresse.

Figura 6- Receptor GABAérgico mostrando os sítios de ligação específicos para o GABA e


benzodiazepínicos (BZDs). A ligação dos BZDs facilita a afinidade do GABA pelo seu receptor
e consequentemente abertura do canal e entrada de íons Cl-, produzindo um efeito inibitório.

A 5-HT é um neurotransmissor que exerce muitas funções no encéfalo. Ela é sintetizada a


partir do aminoácido triptofano, exclusivamente em neurônios do núcleo da raphe. Projeções
partem destes núcleos para todo o sistema nervoso central, exercendo algumas funções, como
controle da alimentação, sono, memória e aprendizado, termorregulação, comportamento
sexual, função cardiovascular, locomoção e regulação endócrina. A princípio, neurônios
serotoninérgicos têm uma maior influência na regulação neuroendócrina. As estruturas
mediadas pela neurotransmissão serotoninérgica envolvidas com os transtornos de ansiedade
incluem o córtex frontal, amígdala, hipotálamo e hipocampo. Alguns neurônios
serotoninérgicos, localizados no núcleo da raphe inervam o hipotálamo. Muitos destes
neurônios também enviam projeções colaterais para a amígdala e possivelmente para outras
regiões límbicas do prosencéfalo. Alterações destas vias prosencefálicas são refletidas no
hipotálamo e consequentemente na regulação neuroendócrina. Todos os tipos de receptores
para a 5-HT, exceto o tipo 5-HT3, são acoplados a proteína G e, particularmente, o tipo 5-HT1A
está envolvido com os transtornos de ansiedade, sendo alvo de ação dos ansiolíticos. Estudos
indicam que o aumento dos níveis de 5-HT, pela inibição de sua recaptação e subseqüente
ativação de receptores 5-HT1A, hiperpolariza a membrana neuronial, o que reduz a
excitabilidade e contribui para a redução dos transtornos de ansiedade (Figura 7).

Figura 7- Receptor serotoninérgico 5-HT1A. A 5-HT se liga no receptor 5-HT1A, onde a


subunidade da proteína Gi se liga a adenilato ciclase inibindo-a. Este mecanismo impede a
conversão do ATP para AMPc e a sinalização de segundos mensageiros, no caso a proteína
cinase A e consequentemente mantém os canais de K+ abertos hiperpolarizando a membrana
celular.

Diazepam

Sternbach fez a síntese da primeira benzodiazepina, mas só mais tarde, em 1957, é que
Kendall descobre o efeito tranquilizante do oxidoclorodiazepam. A partir desta altura foi
sintetizado um grande número de substâncias semelhantes - diazepam (Valium), o
flunitrazepam (Rophynol), o oxazepam (Serenal) e o lorazepam (Temesta) -, sendo que os
compostos incluídos nesta família ultrapassam já os 2000. Destes, apenas 35 são utilizados
com fins terapêuticos no tratamento de ansiedade e insónias. [5]

Tornaram-se os fármacos mais receitados para estes problemas a partir dos anos 60, tendo
vindo a substituir os barbitúricos devido à sua maior segurança e menores efeitos secundários.
Actualmente, constituem o grupo de fármacos mais receitado em todo o mundo. [5]

[18]
O Diazepam é uma benzodiazepina, pois na sua estrutura apresenta um anel benzénico unido
a um diazepínico onde se podem encontrar as funções amida e hidrocarboneto. [6]
É usado como ansiolítico e anticonvulsivante.
Em Portugal é uma das benzodiazepinas mais populares sendo por isso uma das mais
prescritas em neuroterapia e psicoterapia. [9]

Mecanismo de Ação

As benzodiazepinas são capazes de estimular no cérebro mecanismos que normalmente


equilibram estados de tensão e ansiedade. Ultimamente as pesquisas têm indicado a
existência de receptores específicos para as Benzodiazepinas no Sistema Nervoso Central
(SNC), sugerindo a existência de substâncias endógenas (produzidas pelo próprio organismo)
muito parecidas com as benzodiazepinas. Tais substâncias seriam uma espécie de
"Benzodiazepinas naturais", ou mais precisamente, de "ansiolíticos naturais".

Aparentemente o efeito ansiolítico das Benzodiazepinas está relacionado com um sistema de


neurotransmissores chamado gabaérgico do Sistema Límbico. O ácido gama-aminobutírico
(GABA) é um neurotransmissor com função inibitória, capaz de atenuar as reacções
serotoninérgicas responsáveis pela ansiedade. As Benzodiazepinas seriam, assim, agonistas
deste sistema agindo nos receptores gabaérgicos.

As benzodiazepinas actuam por potenciação do GABA (neurotransmissor inibitório)


resultando numa redução da actividade serotoninérgica (conduz a estados de ansiedade).

Actua numa porção do receptor do Gaba - canal de Cl- permitindo a sua abertura e entrada do
ião potenciando a acção Gabaérgica (inibitória) pré e pós sináptica no SNC.

Assim, quando, devido às tensões do dia-a-dia ou por causas mais sérias, determinadas áreas
do cérebro funcionam exageradamente, resultando num estado de ansiedade, as
Benzodiazepinas exercem um efeito contrário, isto é, inibem os mecanismos que estavam a
funcionar em excesso e a pessoa fica mais tranquila e menos reactiva aos estímulos externos.
Como consequência desta acção, os ansiolíticos produzem uma depressão da actividade do
nosso cérebro que se caracteriza por:

o diminuição de ansiedade
o indução de sono
o relaxamento muscular
o redução do estado de alerta

O Diazepam é utilizado:

• No tratamento da ansiedade
• No tratamento da insónia
• Como relaxante muscular
• Em medicação pré-anestésica

Posologia e modo de administração –

gravidez e lactação - O diazepam e seus metabolitos atravessam a barreira placentária e


atingem o leite materno. A administração contínua de benzodiazepinas durante a gravidez pode
originar hipotensão, diminuição da função respiratória e hipotermia no recém nascido. Sintomas
de abstinência em recém nascidos têm sido ocasionalmente relatados com o uso de
benzodiazepinas. Cuidados especiais devem ser observados quando o DIAZEPAM é usado
durante o trabalho de parto, quando altas doses podem provocar irregularidades no trabalho
cardíaco do feto e hipotonia, sucção difícil e hipotermia no neonato.

Antes da decisão de administrar Diazepam durante a gravidez, especialmente durante o


primeiro trimestre, como deve ocorrer sempre com outros fármacos, os possíveis riscos para o
feto devem ser comparados com os benefícios terapêuticos esperados para a mãe. Lembrar
que no recém-nascido o sistema enzimático, responsável pela degradação do fármaco, não
está totalmente desenvolvido (especialmente em prematuros). [17]

DOSES

• Comp. de 5 e 10 mg - Ampolas de 10 mg
• Dose: 10 mg de 1 a 3x/dia

Idosos - Pacientes idosos devem receber doses menores. Eles devem ser acompanhados
regularmente no início do tratamento para minimizar a dosagem e/ou frequência de
administração e para prevenir sobredosagem devido ao acumulação.

Crianças - A dose usual de diazepam injectável varia de 0,1-0,3 mg/Kg por dia. Os
benzodiazepinas não devem ser dados a crianças sem confirmação cuidadosa da indicação. A
duração do tratamento deve ser a menor possível.

Contra Indicações

O Diazepam não pode/ não deve ser utilizado em casos de:

• Miastenia gravis
• Hipersensibilidade ás benzodiazepinas ou qualquer um dos excipientes
• Insuficiência respiratória grave
• Síndroma da apneia do sono
• Insuficiência hepática grave (pode desencadear encefalopatia)

Advertencias e Preocupações de Utilizações

O tratamento deve começar com a dose mínima recomendada e nunca deve ser excedida a
dose máxima recomendada.

A duração do tratamento deve ser a mais curta possível não devendo exceder as 4 semanas
para a insónia e as 8-12 semanas para a ansiedade, incluindo o tempo de diminuição gradual
de dose.

Como é uma benzodiazepina de longa duração, o doente deve ser vigiado regularmente no
início do tratamento a fim de diminuir a dose ou a frequência de administração em caso de ser
necessário para prevenir uma sobredosagem devido a uma acumulação. Alerta-se ainda para o
facto de poder ocorrer síndrome de abstinência aquando de uma eventual alteração da
terapêutica para benzodiazepinas de curta duração.

A este fármaco está associado um fenómeno de tolerância, isto é, pode ocorrer diminuição da
eficácia do seu efeito hipnótico após o uso repetido ao longo de poucas semanas.
Está também associado um fenómeno de dependência física e psíquica que aumenta com a
dose e duração do tratamento. Este fenómeno pode resultar numa intensificação da insónia e
da ansiedade no caso de haver uma paragem abrupta da medicação.

As benzodiazepinas não devem ser usadas isoladamente no tratamento da depressão ou da


ansiedade associada à depressão porque podem desencadear o suicídio.

Indicações Medicamentosas

Deve-se suspender a ingestão de bebidas alcoólicas durante o tratamento. O álcool é também


depressor do SNC portanto, quando combinado com as benzodiazepinas o efeito depressor é
acentuado, sendo que esta combinação pode provocar uma overdose. As benzodiazepinas
quando consumidas de forma isolada possuem uma toxicidade muito baixa e,
consequentemente, uma larga margem de segurança, o que reduz o risco de morte. De facto,
as tentativas de suicídio com benzodiazepinas não costumam ser bem sucedidas, excepto
quando são combinadas com substâncias como o álcool.

O diazepam potencia a acção sedativa dos neurolépticos, tranquilizantes, anti-depressivos,


hipnóticos analgésicos e anestésicos. Assim, a sua administração concomitante deve ser feita
como precaução e sob vigilância.

Pode ainda ocorrer uma intensificação do efeito depressor no caso de uso simultâneo com
antipsicóticos neurolépticos, hipnóticos ansiolíticos/sedativos, fármacos antidepressivos,
analgésicos narcóticos, anti-epiléticos, anestésicos e anti-histamínicos sedativos.

Particularmente em relação aos analgésicos narcóticos pode ocorrer a intensificação da euforia


que por sua vez poderá provocar um aumento da dependência psíquica.

Relativamente aos analgésicos narcóticos: p.e. o Propoxifeno é um inibidor da CYP450 2D6 e


pode aumentar as concentrações plasmáticas de muitos agentes psicotrópicos metabolizados
por esta isoenzima.

O uso concomitante com antipsicóticos pode conduzir a efeitos aditivos sobre a função
cardiovascular e respiratória, podendo causar hipotensão, depressão respiratória, perda de
consciência, paragem cardiorespiratória e morte súbita. O mecanismo é desconhecido.

Antidepressivos como a fluvoxamina diminuem significativamente a clearance do diazepam e


do desmetildiazepam. O tempo de semi-vida do Diazepam aumenta de 51h para 118h. O
mecanismo que conduz a este facto é a inibição do metabolismo da CYP450.

Opiáceos como levometadil e outros depressores do SNC podem resultar num efeito aditivo
com depressão respiratória hipotensão, sedação ou coma.

A administração concomitante de fármacos que aumentem o intervalo QT como fenotiazinas,


antidepressivos tricíclicos ou antiarrítmicos com benzodiazepinas, anestésicos ou opiáceos ou
o abuso de álcool podem aumentar o risco de prolongamento do intervalo QT, torsade de
pointes e outras arritmias e até morte súbita.

Efeitos Secundarios

Sedação e sonolência (indesejáveis durante o dia)

Confusão emocional

Alerta reduzido
Fadiga

Cefaleias

Tonturas

Fraqueza muscular

Ataxia

Visão dupla

Amnésia anterógrada (o risco aumenta em doses mais elevadas)

Reacções psiquiátricas e paradoxais, que são mais frequentes nas crianças e idosos. De
realçar as seguintes: inquietação, agitação psico-motora, irritabilidade, agressividade, ilusões,
raiva, pesadelos, psicoses e comportamento inadequado.

Adicionalmente podem surgir problemas gastro-intestinais, alterações da líbido ou reacções


cutâneas.

NOTA: Estes sintomas predominam no início do tratamento

Sobredosagem

Em caso de sobredosagem por via oral deve-se induzir o vómito (dentro de 1 hora) se o doente
estiver consciente ou fazer uma lavagem gástrica se o doente estiver inconsciente. Se não
houver vantagem em esvaziar o estômago deve ser dado carvão activado para reduzir a
absorção.

O flumazenil pode ser dado como antídoto.

Tal como outras benzodiazepinas a sobredosagem não coloca a vida em risco excepto se
utilizadas em associação com outras substâncias depressoras do SNC tal como o álcool.

A sobredosagem manifesta-se pela depressão do SNC que pode ir da sonolência ao coma.

Propriedades Farmacológicas –

Farmacocinética

Absorção: O diazepam é rápida e completarnente absorvido no tracto gastro-intestinal,


obtendo-se uma concentração plasmática máxima 30 a 90 minutos após a administração oral.

Distribuição: O diazepam e os seus metabolitos ligam-se fortemente às proteínas plasmáticas


(diazepam 98%). O diazepam e os seus metabolitos atravessam as barreiras hemato-
encefálica e placentária e podem encontrar-se no leite materno em concentrações
correspondentes a cerca de 1/10 da concentração no plasma materno. O volume de
distribuição no steady-state é 0,8 - 1,01/Kg. O tempo de semi-vida de distribuição é superior a 3
horas.

Metabolismo: O diazepam é metabolizado em nordiazepam, temazepam e oxazepam,


substâncias farmacologicamente activas.

Eliminação: A curva "concentração plasmática/tempo" do diazepam, após administração oral,


apresenta duas fases, uma inicial de distribuição rápida e extensa, seguida de outra que
corresponde a uma eliminação terminal prolongada (semi-vida superior a 48 horas). A semi-
vida de eliminação terminal (t1/2B) do metabolito activo nordiazepam pode chegar às 100
horas, dependendo da idade e da função hepática. O diazepam e os seus metabolitos são
eliminados sobretudo pela urina (cerca de 70%), sob a forma livre, ou, principalmente, sob a
forma de conjugados. A clearence do diazepam é de 20-30 ml/min

Metabolismo

O perfil clínico do diazepam é definido por duas propriedades cinéticas:

• formação de metabolitos farmacologicamente activos;


• tempo de semi-vida de eliminação elevado, tanto do fármaco como dos seus
metabolitos activos.

Assim:

• o metabolismo do diazepam é lento com uma semi-vida de 20 a 40 horas na maioria


dos indivíduos;
• o maior produto metabólico é o desmetildiazepam que se forma pela remoção do grupo
N-1-metilo, após biotransformação hepática;
• o desmetildiazepam tem uma apreciável actividade psico-farmacológica e a sua
biotransformação é ainda mais lenta do que a do diazepam;
• a hidroxilação do desmetildiazepam na posição 3 origina o oxazepam que é
rapidamente glucoronizado e excretado na urina;
• tanto o diazepam como o desmetildiazepam se ligam extensivamente às proteínas
plasmáticas;
• doses repetidas de diazepam originam a sua acumulação (bem como do
desmetildiazepam) no sangue;
• após cessação de um tratamento, um ou os dois compostos podem ser detectados
durante uma semana ou mais.

Toxicidade

• Observou-se um aumento na frequência de malformações na descendência do ratinho


e do hamster, tratados com diazepam durante a gravidez, mas estes efeitos apenas se
verificaram com doses muito elevadas e centenas de vezes superiores à dose utilizada
no homem. A anomalia mais comum observada no ratinho foi a fenda palatina. No
hamster, as anomalias mais comuns observadas
foram perturbações do tubo neural.
• Os estudos efectuados em ratos e coelhos, em geral, não demonstraram um aumento
da frequência de malformações com doses cerca de 100 vezes superiores às doses
utilizadas no homem.
• A administração de diazepam durante a fase terminal da gravidez, no rato, conduziu a
anomalias persistentes do sistema nervoso central e a depressão persistente da função
imunológica.

Dependencia

• Os casos de dependência ocorrem principalmente em pacientes predispostos, com


história de alcoolismo ou toxicodependência, e em situações em que o fármaco é
utilizado em doses altas e por períodos prolongados.
• A dependência é psicossomática envolvendo uma componente física e uma
componente psíquica.
• A descontinuação deve ser devidamente avaliada, estando indicada uma redução
muito gradual da dosagem.
Quando se desenvolve dependência uma interrupção abrupta da medicação pode
desencadear um síndrome de privação, que conforme a sua gravidade apresenta
sintomas:
o mais leves – cefaleias, mialgias, ansiedade agravada, tensão, confusão e
irritabilidade
o mais graves – sensação de irrealidade, despersonalização, hiperacústica,
torpor e parestesias das extremidades, hipersensibilidade à luz, ao ruído e ao
contacto físico, alucinações ou convulsões.

• Há registo de um uso abusivo de benzodiazepinas em Portugal, sendo este um dos


países europeus com maior utilização deste grupo de fármacos, sendo que este facto
foi mesmo considerado preocupante pelo International Narcotic Boarding.
• Devem ser consideradas outras alternativas terapêuticas cuja indução ou propensão à
dependência seja menor ou esteja ausente. Como exemplo temos substâncias
disponibilizadas pela fitoterapia como a valeriana (preparado à base de raízes de
valleriana officinalis trituradas, dissecadas e depois encapsuladas) que apresentam
bons resultados como tranquilizante sem contudo originar dependência.

Considerações Finais

benzodiazepínicos não removem a causa da ansiedade, seja qual for no caso específico.
Proporcionam alívio dos sintomas, alívio esse que pode ser essencial, indispensável, em
muitas situações. Mas não resolvem o problema principal, não “curam a doença”. Transformá-
los em “muletas” para conseguir viver é arriscar-se a vivenciar situações, se não exatamente
iguais do ponto de vista da definição acadêmica, pelo menos muito parecidas com as de um
alcoólatra ou um dependente de drogas ilícitas – um “viciado”, se preferir esse termo. Existindo
a possibilidade de usar outros meios para controlar a ansiedade, você deveria experimentá-los
antes de exigir de seu médico uma caixinha de “coloridas pílulas de tranqüilidade”… Pois você
pode estar, inadvertidamente, adquirindo uma caixinha-de-pandora repleta de ansiedade!
Diazepan ESCRAVIDÃO ( O outro lado do alivio)

Diazepan levou meus sonhos


Passado sem lembranças
todas apagadas perdidas
escrava sou desta droga
Que esvaziou meu destino.

Meus medos são apagados


Meu corpo levita, entre delírio
Como um temporal me levas
Entorpecido por paroxetina.

Esperança que me leva


Para o futuro lúcido
como pedras repisadas
- no caminho, escuro-
minha lucidez se foi
junto levou meus sonhos.

Bibliografia:

BALLONE GJ – Tratamento Medicamentoso da Ansiedade – in. PsiqWeb, Internet, disponível


em revisto em 2009

Furtado, C.,Teixeira, I.; Evolução da Utilização das benzodiazepinas em Portugal Continental


entre 1999 e 2003; Observatório do Medicamento e Produtos de saúde - Infarmed; 2005. [9]