UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade

Departamento de Administração de Empresas

Modelos de Crédito Aplicados a Empresas de Factoring

EAD 601 – Trabalho de Conclusão de Curso II Professor Orientador: Prof. Dr. José Roberto Securato

DANIEL MIZUSAKI KATAYAMA

São Paulo 2003

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade
Departamento de Administração de Empresas

Modelos de Crédito Aplicados a Empresas de Factoring

EAD 601 – Trabalho de Conclusão de Curso II Professor Orientador: Prof. Dr. José Roberto Securato Aluno: Daniel Mizusaki Katayama N° USP: 2369270

Monografia apresentada à Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade como parte dos requisitos para conclusão do curso de Administração de Empresas, referente à disciplina EAD 601 – Trabalho de Conclusão de Curso II, Orientado pelo Professor Doutor José Roberto Securato.

São Paulo 2003

I

AGRADECIMENTOS
Agradeço ao Professor Dr. José Roberto Securato pelas orientações, apoio e incentivo. Agradeço aos funcionários da Delta Amika Factoring e Tetrafac Factoring pelas informações concedidas e pelo contínuo apoio e incentivo. Agradeço aos meus familiares, a Mirian Midori Kina e aos meus amigos pelas informações concedidas, colaboração, apoio e incentivo. Agradeço aos funcionários da Biblioteca FEA / USP pela qualidade de seus serviços e apoio.

II

RESUMO
O fomento mercantil, também conhecido como factoring, surgiu no Brasil no início da década de 80. A formação deste mercado permitiu que os pequenos e médios empresários tivessem ao seu dispor uma importante ferramenta para a melhoria das condições de concessão de crédito aos seus clientes. Através das empresas de factoring, estes empresários podem reduzir os seus riscos e se dedicar ao corebusiness de suas atividades sejam elas a prestação de serviços, a fabricação de mercadorias, intermediação, comercialização de produtos, etc.

O objetivo deste trabalho é elaborar um modelo de crédito que seja adequado às operações de empresas de factoring, de forma a minimizar o risco destas e capacitando-as a oferecer aos seus clientes serviços melhores a custos inferiores.

III

ABSTRACT
Fomento Mercantil, also known as factoring, first appeared in Brazil during the early 80’s. This market’s formation allowed the small and medium entrepreneurs to have a tool to ensure better credit conditions to their clients. Through factoring companies, these entrepreneurs could reduce their risk and dedicate to their core-business, such as services, building products, intermediating, commercializing products, etc.

This work’s objective is to elaborate a credit model that is adequate to factoring operations, which will minimize their risk and allowing them to offer better services at lower costs to their clients.

Índice 1. INTRODUÇÃO .....................................................................................................1 1.1. 1.2. 1.3. 1.4. 2. OBJETIVOS..................................................................................................1 IMPORTÂNCIA .............................................................................................2 PROBLEMÁTICA ..........................................................................................4 TENDÊNCIAS ...............................................................................................5

METODOLOGIA DO TRABALHO DE PESQUISA...............................................7 2.1. 2.2. 2.3. DELINEAMENTO DO ESTUDO....................................................................7 TÉCNICA DE COLETA DE DADOS .............................................................9 ANÁLISE DOS DADOS ..............................................................................11

3.

CONTEXTO ECONÔMICO................................................................................13 3.1. 3.2. 3.3. INFLAÇÃO ..................................................................................................13 TAXA DE JUROS........................................................................................14 INADIMPLÊNCIA ........................................................................................15

4.

O MERCADO DE FACTORING .........................................................................17 4.1. 4.2. DEFINIÇÃO DE FACTORING ....................................................................17 PERFIL DO CLIENTE DE FACTORING .....................................................19 DEFINIÇÃO DO PÚBLICO ALVO........................................................22

4.2.1. 4.3. 4.4. 5.

RISCOS DO MERCADO DE FACTORING.................................................23 EMPRESAS ESTUDADAS .........................................................................24

MODELOS DE CRÉDITO ..................................................................................26 5.1. 5.2. 5.3. DEFINIÇÃO DE CRÉDITO .........................................................................26 ANÁLISE DE CRÉDITO..............................................................................27 RISCOS DA CONCESSÃO DE CRÉDITO .................................................28

5.4. 5.5.

GARANTIAS ...............................................................................................31 ANÁLISE SUBJETIVA DO CRÉDITO .........................................................33 OS CS DO CRÉDITO ..........................................................................33 FASES DA ANÁLISE SUBJETIVA DE CRÉDITO................................38

5.5.1. 5.5.2. 5.6. 5.7. 5.8. 6.

RATING DE CRÉDITO ...............................................................................39 ANÁLISE MATRICIAL DE CRÉDITO..........................................................42 CONTROLE DO RISCO DA CARTEIRA DE CRÉDITO .............................44

ANÁLISE DE CRÉDITO DE UMA CARTEIRA DE FACTORING .......................48 6.1. 6.2. PARTICULARIDADES ................................................................................48 ANÁLISE MATRICIAL.................................................................................49 CENÁRIOS MACRO-ECONÔMICOS..................................................49 PESOS DAS VARIÁVEIS ....................................................................50 APLICAÇÃO DO MODELO MATRICIAL .............................................51

6.2.1. 6.2.2. 6.2.3. 6.3. 6.4. 6.5. 7. 8. 9.

RELAÇÃO ANÁLISE MATRICIAL VERSUS RATING.................................53 RISCO E PROBABILIDADE DE LIQUIDAÇÃO DA CARTEIRA .................54 VALOR EM RISCO DA CARTEIRA DE FACTORING ................................55

GLOSSÁRIO ......................................................................................................57 CONCLUSÕES ..................................................................................................58 BIBLIOGRAFIA ..................................................................................................60

1

1. INTRODUÇÃO

1.1. OBJETIVOS

A dificuldade em se analisar o crédito de pequenas e médias empresas, entidades predominantes no mercado de factoring, tem se apresentado como um empecilho para as atividades das empresas que atuam neste mercado.

O objetivo deste trabalho é realizar um estudo sobre o mercado de factoring e estabelecer um modelo de análise de crédito condizente com as particularidades que o regem. A elaboração deste modelo será fundamentada sobre o estudo aprofundado das atividades de duas empresas atuantes deste setor.

Este modelo de crédito será aplicado a estas duas empresas e iremos apresentar os resultados preliminares de sua aplicação, elaborando um estudo de um caso prático sobre estas duas organizações.

O modelo, que deverá ser descrito no decorrer deste trabalho, poderá contribuir sobre a profissionalização da atuação das empresas de fomento mercantil, resultando em melhor desempenho e práticas mais padronizadas.

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1.2. IMPORTÂNCIA

Os cenários de instabilidade financeira que o Brasil vivenciou nos últimos anos fez com que o governo exercesse políticas monetárias reduziram a quantidade de recursos disponíveis para crédito no mercado. Através de ferramentas como os empréstimos compulsórios e elevadas taxas de juros o governo reduziu a capacidade do sistema financeiro de absorver as necessidades de crédito do pequeno e médio empresariado brasileiro.

Além disso, os altos índices de inadimplência têm aumentado os riscos para as instituições financeiras que provêem crédito de curto prazo. Desta forma, as taxas de juros cobradas por este tipo de crédito passaram a apresentar um premio pelo risco muito elevado, o que tornou mais dispendiosa a captação de recursos para estes pequenos e médios empresários.

Neste cenário, as empresas de fomento mercantil, ou factoring, têm assumido uma crescente importância no mercado brasileiro. Através da compra de títulos, estas empresas têm sido responsáveis pelo provimento de recursos financeiros para o capital de giro de muitas empresas brasileiras. Além disso, as factorings têm auxiliado seus clientes a administrarem os seus recursos financeiros e

estabelecerem políticas de concessão de crédito, reduzindo a sua necessidade de captar recursos dispendiosos e tornando suas operações mais saudáveis.

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Entretanto, ainda não existem muitos trabalhos e estudos realizados sobre este setor, o qual é caracterizado por muita utilização de feeling e da experiência profissional dos agentes de factoring. Esta ausência de estudos e trabalhos sobre o setor faz com que haja uma falta de aplicação das teorias de crédito e risco nas empresas de factoring. A adequada aplicação destas teorias a este mercado pode colaborar para que os empresários do setor possam desempenhar seus papéis com maior eficiência.

Este trabalho visa suprir estas necessidades do mercado brasileiro, iluminando o entendimento do mercado de fomento mercantil e elaborando um sistema de controle de crédito para as empresas que operam neste setor.

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1.3. PROBLEMÁTICA

A organização administrativa de grandes empresas prevê, de maneira geral, uma forma de analisar o crédito dos clientes e também de organizar os fluxos de caixa da empresa, respeitando os prazos de pagamentos e recebimentos da organização. Isso é primordial para a saúde financeira de uma empresa e até mesmo para sua sobrevivência.

A maior parte destas empresas mantém esta estrutura internamente, apesar de haverem casos em que isso não ocorre. Atualmente, existem empresas como a Unilever que mantém parte de seus setores financeiros terceirizados com empresas como a Accenture. A decisão de manter a estrutura financeira da organização dentro ou fora da empresa varia em função das estratégias traçadas por cada administração.

A importância vital de manter uma saúde financeira não é restrita a grandes empresas. As pequenas e médias empresas compartilham desta mesma necessidade e sua falta de atuação sobre este assunto pode, muitas vezes, levá-las ao fracasso. Entretanto, muitas vezes a devida atenção não é dada para estas áreas das empresas. Algumas vezes por falta de capacidade administrativa, outras por falta de recursos disponíveis, muitas pequenas e médias empresas não possuem um setor encarregado de analisar a concessão de crédito para cada cliente nem mesmo uma área financeira que seja capaz de organizar os fluxos de caixa respeitando os prazos de recebimento e pagamento de cada cliente ou fornecedor.

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Além disso, a falta de organização financeira das pequenas empresas, o seu risco operacional e a falta de garantias acaba tornando a captação de recursos financeiros para as suas operações mais cara. As instituições financeiras não têm condições de avaliar e acompanhar as operações destas pequenas empresas de maneira muito intensiva, o que acaba elevando o risco operacional da concessão de crédito destas organizações. Em vista deste maior risco, as instituições financeiras acabam cobrando prêmios pelo risco mais elevados, encarecendo a captação de recursos de curto prazo nestas pequenas e médias empresas.

Estes fatores explicam em parte a razão pela qual o principal mercado de atuação de empresas de factoring é o de pequenas e médias empresas. Estas organizações muitas vezes não têm condições de manter uma estrutura financeira saudável e os serviços de factoring de análise de crédito dos clientes, de organização financeira e de provimento de recursos para o capital de giro de organização acabam sendo muito adequados para as empresas que se encaixem neste último cenário.

1.4. TENDÊNCIAS

O mercado de factoring tem apresentado um relevante crescimento nos últimos anos. A tabela abaixo apresenta os números que representam esta evolução e, no entender do autor, leva a crer que a importância deste mercado será crescente no que diz respeito ao desenvolvimento da economia brasileira.

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Evolução do Factoring no Brasil
Empresas Associadas Patrimônio Líquido Carteira Inadimplência Funcionários Empresas Clientes 1999 2000 2001 728 703 717 1.107,10 1.382,80 1.406,40 18.759,00 24.324,00 27.397,00 3,77% 3,76% 3,77% 5.790 6.035 6.186 60.350 64.750 66.070

Fonte: Anfac - Levantamento Estatístico de 2001

A quantidade de estabelecimentos atendidos por empresas de factoring cresceu, entre 1999 e 2001, cerca de 9,48%, entretanto, a carteira total atendida cresceu cerca de 46,05%. Esta carteira de títulos de empresas de factoring atingiu, em 2001, cerca de R$ 27.397 milhões. Cabe observar que estes dados estão restritos às empresas cadastradas na ANFAC, entretanto, existem mais empresas atuando no mercado além das cadastradas na associação.

Os serviços de factoring no Brasil têm possibilitado o desenvolvimento das pequenas e médias empresas através da difusão das práticas de administração financeira como também da concessão de crédito aos diversos empresários. O cenário de crescimento econômico previsto para ocorrer nestes próximos anos será de fundamental importância para o setor, pois sua atividade será fundamental para o desenvolvimento da pequena e média industria brasileira.

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2. METODOLOGIA DO TRABALHO DE PESQUISA

2.1. DELINEAMENTO DO ESTUDO

A metodologia de estudo de caso foi baseada nas orientações de Gilberto Martins e Alexandre Lintz (2000, p.36 – 58). Segundo os autores o estudo de caso trata-se de uma técnica de pesquisa cujo objetivo é o estudo de uma unidade que se analisa profunda e intensamente. E considera-se a unidade social estudada em sua totalidade, seja um indivíduo, uma família, uma instituição, uma empresa, ou uma comunidade, com o objetivo de compreendê-lo em seus próprios termos.

O estudo de caso, de acordo com Martins e Lintz (2000, p. 36):

“É uma investigação empírica que pesquisa fenômenos dentro de seu contexto real (pesquisa naturalística). O estudo de caso reúne o maior número de informações detalhadas, por meio de diferentes técnicas de coleta de dados: entrevistas, questionário, observação participante, entrevista em profundidade, levantamento de dados secundários etc., com o objetivo de apreende a totalidade de uma situação e, criativamente, descrever a complexidade de um caso concreto. Mediante um mergulho profundo e exaustivo em um objetivo delimitado – problema da pesquisa -, o estudo de caso possibilita a penetração na realidade social, não conseguida plenamente pela análise e pela avaliação quantitativa”.

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O estudo de caso tem como principais aplicações, a importância de explicar ligações causais em intervenções ou situações da vida real que são complexas demais para tratamento através de estratégias experimentais ou de levantamento de dados, além de descrever um contexto de vida real no qual uma intervenção ocorreu. Pode se ainda avaliar uma intervenção em curso e modificá-la com base em um Estudo de Caso ilustrativo, o qual não será objeto deste trabalho. E ainda explorar aquelas situações nas quais a intervenção não tem clareza no conjunto de resultados.

Segundos os autores, é importante atentar para os principais componentes do “design da pesquisa”, como:

• Trata-se de um estudo do tipo como? e/ou por quê?; • As proposições orientadoras do estudo, enunciadas a partir de questões secundárias; • Unidade de análises: indivíduo? organização? setor? ... • Estabelecer a lógica que ligará os dados às proposições do estudo; • Critérios para interpretar os achados – referencial teórico e categorias.

E ainda não se deve confundir “generalização analítica” – própria do Estudo de Caso – com “generalização estatística”. O que se generaliza, no Estudo de Caso, são os aspectos do ‘modelo teórico encontrado’. O caso não é um elemento amostral.

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Dessa maneira, há uma razão lógica de se elaborar um estudo de caso com uma delimitação, para que a seleção dos aspectos mais relevantes leve a uma compreensão mais completa sobre a situação estudada.

Nesta fase, foram também escolhidas as técnicas de estudo mais adequadas para a coleta de dados.

2.2. TÉCNICA DE COLETA DE DADOS

Após a definição clara da delimitação do objeto de estudo abordado neste trabalho, foram escolhidas as técnicas de coleta de dados.

Segundo os autores Martins e Lintz (2000) as principais fontes de evidências são:

• • • • • •

Documentação; Registros em arquivos; Observação direta; Observação participante; Entrevistas; Uso de artefatos físicos.

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Neste trabalho foram utilizados basicamente dois tipos de fontes de evidência: a entrevista e a observação direta, pois eram a fontes que estavam disponíveis e que mais auxiliariam neste estudo de caso.

Para a elaboração da entrevista foi utilizada foi basicamente um questionário de questões abertas, do tipo associação de palavras, com questões claras e compreensíveis para o(s) entrevistado(s). Buscou-se obter dados de informações e opiniões mais relevantes por meio da conversação objetiva e através da observação direta.

As entrevistas constituem a principal fonte de evidência de um Estudo de Caso. Trata-se de relato verbal sujeito a problemas de viés, recuperação de informações e/ou de articulação imprecisa. Quando possível deve-se usar gravador. Há três tipos de entrevistas: aberta – para extrair fatos; opiniões, “insights”; focada – perguntas previamente formuladas. Servem para corroborar o que o investigador pensa a respeito de determinada situação, segundo os mesmos autores.

Neste trabalho as entrevistas foram conduzidas com os gerentes das empresas analisadas, a fim de conseguir depoimentos que descrevessem todas as etapas, desde as discussões iniciais sobre os motivos do investimento do sistema até seu desenvolvimento e implementação.

E a segunda fonte de evidência utilizada para a coleta de dados e informações foi à observação direta. Neste contexto, o pesquisador foi um observador passivo,

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durante o período de três meses aproximadamente para análise do funcionamento do sistema e o sucesso de sua implementação, além do resultado obtido pelo sistema para a empresa em geral.

2.3. ANÁLISE DOS DADOS

A análise de dados é um dos aspectos mais importantes e difíceis de um Estudo de Caso, pois exige um raciocínio crítico do investigador/entrevistador para construir descrições, interpretações que possibilitem a extração cuidadosa das conclusões. Porém, por se considerar de uma situação específica, não muito ampla e de uma só empresa, a análise das informações obtidas foi facilitada.

Segundo os autores Martins e Lintz (2000), há duas maneiras de se analisar os dados coletados, através de uma proposição teórica (referencial teórico) ou desenvolver uma criativa descrição do caso. Basear-se em proposições teóricas é a forma mais comum para se analisar as evidências de um caso.

Segundo o professor Martins, (site: http://www.eac.fea.usp.br/metodologia/referencias.asp):

“Sendo assim, as proposições podem fornecer a orientação teórica que direcionará a análise do estudo. Isso ajuda a focalizar a atenção sobre certos dados e a ignorar outros, além de auxiliar a organizar o estudo como um todo e a definir explanações alternativas a serem examinadas – proposições teóricas sobre relações causais –

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perguntas do tipo “como?” ou “por quê?” – podem ser úteis para direcionar a análise do estudo de caso”.

Esta primeira estratégia foi utilizada neste trabalho, já que além de ser a mais comum, é a mais recomendada pois a segunda estratégia, de descrição é menos preferível, servindo de alternativa quando não se tem um referencial teórico.

A forma de análise de dados através da proposição teórica permitiu que fossem descritos modelos teóricos de análise de crédito, comparando o caso da empresa real com os modelos teóricos, onde poderão ser obtidas as razões para demonstrar que o modelo de crédito proposto se torna adequado para as operações em empresas de factoring.

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3. CONTEXTO ECONÔMICO

Contextualizar economicamente o cenário atual é de extrema relevância para a avaliação de crédito. O cenário macro-econômico afeta diretamente as empresas de factoring em vista de que esta lida diretamente com a inadimplência de pessoas físicas e jurídicas, taxas de juros, níveis de atividade econômica, etc.

Desta forma, ambientar a atual situação econômica é necessário para que se possa fazer uma correta avaliação do mercado de factoring, assim como o grau de risco de suas operações e, conseqüentemente, a taxa de retorno esperada.

3.1. INFLAÇÃO

Desde Julho de 1994, com a implantação do Plano Real, o Brasil vivencia um período de inflação controlada, mesmo tendo havido uma considerável alta na inflação dos últimos 5 anos. A inflação medida pelo índice oficial do governo, o IPCA, tem apresentado como média nos 5 últimos anos, cerca de 9,05% ao ano.

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Inflação Mensal IPCA
8,00%

7,00%

6,00%

5,00%

4,00%

3,00%

2,00%

1,00%

0,00%

-1,00% Fonte: IPEADATA

O cenário atual é de uma expectativa de queda da inflação em vista do período conturbado que foi vivenciado no final do ano de 2002. Neste ano houve a eleição presidencial e a oposição do governo era a favorita para ganhar a eleição (expectativa que veio a se comprovar). O mercado financeiro apresentou uma certa apreensão neste período, o que refletiu diretamente na estabilidade econômica.

3.2. TAXA DE JUROS

A meta governamental da taxa de juros básica da economia, a SELIC, que apresentou considerável alta no ano de 2002, sofreu cortes sucessivos durante o segundo semestre do ano de 2003, atingindo o patamar de 17,5% (Reunião do COPOM de Novembro de 2003) conforme ilustra o gráfico abaixo.

l/ 94 t/ 9 ja 4 n/ 9 ab 5 r/ 9 ju 5 l/ 9 ou 5 t/ 9 ja 5 n/ 9 ab 6 r/ 9 ju 6 l/ 9 ou 6 t/ 9 ja 6 n/ 9 ab 7 r/ 9 ju 7 l/ 9 ou 7 t/ 9 ja 7 n/ 9 ab 8 r/ 9 ju 8 l/ 9 ou 8 t/ 9 ja 8 n/ 9 ab 9 r/ 99 ju l/ 9 ou 9 t/ 9 ja 9 n/ 0 ab 0 r/ 0 ju 0 l/ 0 ou 0 t/ 0 ja 0 n/ 0 ab 1 r/ 0 ju 1 l/ 0 ou 1 t/ 0 ja 1 n/ 0 ab 2 r/ 0 ju 2 l/ 0 ou 2 t/ 0 ja 2 n/ 0 ab 3 r/ 0 ju 3 l/ 0 ou 3 t/ 03 ou

ju

15

Meta SELIC Anual
50,00%

45,00%

40,00%

35,00%

30,00%

25,00%

20,00%

15,00%

10,00%

5,00%

0,00%

O governo eleito do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou, durante o ano de 2003, políticas responsáveis e condizentes com o contexto da ocasião. Isso amenizou os ânimos do mercado refletindo na melhora de diversos índices da economia, como uma queda da inflação, a diminuição do risco Brasil de agências internacionais e outros.

Neste novo contexto, o governo pôde reduzir as taxas de juros de maneira a estimular a volta do crescimento do mercado, que se apresentou estagnado nos anos que precederam.

3.3. INADIMPLÊNCIA

A inadimplência atingiu níveis extremamente elevados no ano de 1999. Entretanto, a partir deste ano, a taxa de inadimplência medida pela Associação de

ja n/ 9 m 9 ar /9 9 m ai /9 9 ju l/ 99 se t/ 99 no v/ 99 ja n/ 0 m 0 ar /0 0 m ai /0 0 ju l/ 00 se t/ 00 no v/ 00 ja n/ 0 m 1 ar /0 1 m ai /0 1 ju l/ 01 se t/ 01 no v/ 01 ja n/ 0 m 2 ar /0 2 m ai /0 2 ju l/ 02 se t/ 02 no v/ 02 ja n/ 0 m 3 ar /0 3 m ai /0 3 ju l/ 03 se t/ 03 no v/ 03
Fonte: Banco Central do Brasil

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Comércio de São Paulo (Boletim Gastão Vidigal) girou entre cerca de 2% A 10%. O Gráfico abaixo ilustra este comportamento da taxa.

Taxa de Inadimplência
25,00%

20,00%

15,00%

10,00%

5,00%

0,00%

Durante o ano de 2003, a inadimplência se apresentou um pouco mais estável que nos anos anteriores, sendo que a taxa média do ano de 2003 (Janeiro a Outubro) foi de cerca de 5,59%. No período entre março e maio, a taxa apresentouse menor que nos anos anteriores. Este período, nestes cinco anos analisados, foi caracterizado por uma maior taxa de inadimplência.

A taxa de inadimplência intensifica a importância da analise de crédito das empresas, pois apresenta um considerável aumento do risco das operações. Esta reflete diretamente na probabilidade de recebimento dos créditos concedidos de uma empresa.

ja n/ 99 m ar /9 9 m ai /9 9 ju l/ 99 se t/ 99 no v/ 99 ja n/ 00 m ar /0 0 m ai /0 0 ju l/ 00 se t/ 00 no v/ 00 ja n/ 01 m ar /0 1 m ai /0 1 ju l/ 01 se t/ 01 no v/ 01 ja n/ 02 m ar /0 2 m ai /0 2 ju l/ 02 se t/ 02 no v/ 02 ja n/ 03 m ar /0 3 m ai /0 3 ju l/ 03 se t/ 03
Fonte: IPEADATA

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4. O MERCADO DE FACTORING

4.1. DEFINIÇÃO DE FACTORING

A correta conceituação de factoring é desconhecida pela maior parte das pessoas. Muitos confundem as empresas de factoring com bancos, financeiras ou mesmo agiotas. Entretanto, a empresa de factoring não realiza atividades de nenhuma destas três entidades. As atividades de uma empresa de factoring englobam desde a prestação de serviços até o provimento de caixa para as empresas que precisem saldar os seus compromissos de curto prazo.

Os serviços prestados pelas empresas de factoring vão desde consultorias financeiras até mesmo a efetiva atuação sobre o setor financeiro da empresa, administrando todas as contas a receber como também a pagar. Em alguns casos, as empresas de factoring cuidam da administração financeira de seus clientes, deixando para o proprietário a administração da produção ou vendas. Neste caso, os empresários podem dedicar-se às atividades relacionadas ao seu core-business, sejam elas a venda, a intermediação, a fabricação de produtos ou mesmo a prestação de serviços.

As empresas de factoring podem ainda prover caixa para as empresas através da compra dos títulos por esta emitidos. Uma venda a prazo feita pela a empresa pode ser transformada em uma duplicata, isto é, um título de crédito que representa esta venda através de uma cópia (duplicata) da nota fiscal de venda. Quando esta

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venda ocorre, a empresa de factoring se encarrega de assumir todos os riscos de crédito que esta venda ocasionou. Este último fator é que distingue as atividades da factoring das atividades de um banco. Um banco faz desconto de duplicatas enquanto a factoring compra a duplicata. O desconto de duplicata não faz com que o banco assuma todos os riscos do sacado. Caso este não venha a honrar os seus compromissos, o banco pode ainda vir a cobrar o cedente pelo título, enquanto nas empresas de factoring, este risco é integralmente assumido por elas, não podendo exercer uma cobrança sobre o cedente destas duplicatas.

LEITE (2003, p. 32) define factoring como sendo “uma atividade mercantil mista atípica = serviços + compra de créditos (direitos creditórios) resultantes de vendas mercantis.”. Esta definição engloba as atividades que um agente de factoring deve executar e também frisa a diferenciação da empresa de factoring em relação a uma instituição financeira.

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4.2. PERFIL DO CLIENTE DE FACTORING

No momento econômico atual, todas as empresas, especialmente aquelas de médias e pequenas dimensões, têm necessidade de recursos para fazer frente aos custos e encargos numa economia competitiva.

As pequenas e médias não dispõem de estrutura administrativa para suportar as incertezas e flutuações de um sistema econômico como o brasileiro, caracterizado por diversas oscilações e alterações das políticas governamentais. Necessitam, sobretudo, de apoios técnicos, administrativos e gerenciais para que possam comprar bem suas matérias primas e insumos, produzir com custos compatíveis e vender seus produtos a preços competitivos.

A tabela abaixo apresenta a evolução do direcionamento das operações de factoring no Brasil.

Direcionamento das Operações
1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. Ind. Metalúrgica Ind. Química Ind. Gráfica Ind. Têxtil/Confec. Ind. Sucro-alcool Outras Indústrias Empresas Comerc. Prest. Serviços Emp. Transporte 1996 15,00% 8,00% 5,00% 3,00% 0,50% 21,00% 25,00% 22,00% 0,50% 1997 18,00% 10,00% 3,00% 2,00% 0,50% 25,00% 21,00% 20,00% 0,50% 1998 18,00% 7,00% 4,00% 2,00% 0,50% 30,00% 20,00% 18,00% 0,50% 1999 22,00% 8,00% 4,00% 2,00% 0,50% 32,00% 18,00% 13,00% 0,50% 2000 20,00% 3,00% 4,00% 5,55% 0,45% 34,00% 17,00% 13,00% 3,00% 2001 28,00% 3,00% 2,00% 5,00% 0,50% 35,00% 14,00% 12,00% 0,50%
Fonte: Anfac

Conforme apresentado, o factoring tem como clientela tradicional a pequena e média empresa representada de forma significativa por industrias. No Brasil existem

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hoje milhares de industrias, de porte médio e pequeno, que contribuem substancialmente para engrossar o produto interno bruto nacional. É a clientela preferencial do factoring porque se ajusta como uma luva a seus legítimos e verdadeiros objetivos, ou seja: expandir os ativos dessas empresas, aumentando suas vendas, criando todas as condições indispensáveis ao seu efetivo e almejado crescimento e eliminando o seu endividamento, sem criar novas exigibilidades.

Outro fator que afeta fortemente uma pequena e média empresa para atuar junto a uma empresa de factoring é que esta costuma executar vendas de menor porte. Uma vez transformadas em duplicatas, estas poderiam ser descontadas em um banco ou mesmo vendidas para um agente de factoring.

Apesar de, tradicionalmente, cobrarem taxas de juros mais baixas que as empresas de factoring, os bancos cobram também uma série de tarifas como de cobrança, protesto de títulos, etc. Estas tarifas, quando consideradas sobre um titulo de baixo valor, acabam elevando a taxa de juros de maneira muito acentuada, o que encarece o desconto do título em um banco.

Uma empresa de factoring, não possuindo a grande estrutura de um banco, apresenta custos inferiores. Estes custos são repassados na forma de uma taxa de juros de valor, tradicionalmente, superior a dos bancos. Entretanto, quando consideradas as tarifas bancárias de um desconto de título, o produto de uma empresa de factoring acaba apresentando um custo inferior. Isso faz com que, para as pequenas e médias empresas, seja mais atrativo estar procurando as empresas

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de factoring para transformarem as suas contas a receber em caixa. Além disso, o desconto de uma duplicata gera um passivo para a empresa que pode vir a ser reclamado pelos bancos. Entretanto, ao efetuar uma venda da duplicata para a empresa de factoring, este passivo não é criado, resultando em menor grau de alavancagem para a empresa.

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4.2.1. DEFINIÇÃO DO PÚBLICO ALVO

O mercado-alvo do factoring é, em sua essência e origens históricas, universalmente constituído do pequeno e médio produtor industrial. Podemos classificar em três diferentes tipos o perfil da clientela-alvo do factoring:

• •

Empresas sem acesso ao mercado de crédito tradicional. Empresas que, embora tenham acesso ao mercado de crédito, não possuem conhecimentos técnicos que lhes respaldem a iniciativa de barganha com as instituições financeiras.

Empresas dirigidas por pessoas com excelente nível técnico, em seu ramo de atividade, mas utilizam os serviços de factoring para cuidar da gestão de caixa, enquanto concentram seus esforços na produção.

De acordo com Leite (2003), “O perfil típico hoje da empresa candidata potencial no Brasil para operar com o factoring pode estar delimitado num faturamento mensal que varia entre R$ 30.000,00 e R$ 2.000.000,00.”.

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4.3. RISCOS DO MERCADO DE FACTORING

Em uma operação de factoring, a empresa fomentadora assume todos os riscos referentes aos créditos futuros que forem adquiridos de outras empresas (cedentes). Desta forma, no caso de vendas (as quais são representadas através de duplicatas), assume-se, principalmente, o risco de crédito destas. Em outras palavras, assume-se o risco de um sacado não honrar os compromissos a prazo referentes a uma compra que fez com o cedente (o cliente da factoring).

Uma empresa de factoring pode ainda estar exposta ao risco de crédito de seus próprios clientes. Uma vez que muitas empresas em dificuldades financeiras acabam procurando as empresas de factoring para obter capital de giro e assim atender os seus compromissos de curto prazo, estas podem, em um determinado momento, acabar cometendo atos ilícitos para saldar suas dividas. Dentre estes atos, as empresas entrevistadas listaram atitudes como emissão de títulos “frios”, isto é, sem procedência de uma venda a prazo da empresa, cobrança em duplicidade de uma mesma venda e outros.

Além destes riscos, a empresa de factoring está exposta aos riscos do mercado (conjunturais), como flutuação das taxas de juros, surgimento de produtos substitutos e também empresas concorrentes. Existem diversas variáveis

econômicas e legais que afetam fortemente as operações de factoring no Brasil, uma vez que a legislação acerca do assunto sempre foi vaga, mas tem tomado forma nos últimos anos.

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4.4. EMPRESAS ESTUDADAS

As empresas estudadas e entrevistadas apresentam um índice de giro mensal médio de cerca de R$ 976 mil e R$ 1.437 mil. De acordo com LEITE (2003), estas empresas podem ser classificadas como pequena (giro abaixo de R$ 1 milhão) e média (giro entre R$ 1 milhão a R$ 5 milhões). Estes tipos de empresas compõem cerca de 90% do mercado, sendo que 60% das empresas são de médio porte e 30% de pequeno porte. Os 10% restantes representam empresas com giro superior a R$ 5 milhões.

A Delta Amika Factoring – Fomento Comercial Ltda é uma empresa de factoring de pequeno porte. Criada em 17 de Dezembro de 1990, a empresa atua no mercado a mais de 12 anos, já tendo prestado serviços para mais de 5.000 empresas entre sacados e cedentes. Assim como o restante do mercado de factoring, grande parte dos seus clientes são empresas do ramo industrial.

Sua carteira de clientes é caracterizada por parcerias de longo prazo. Algumas essas empresas são acompanhadas pela a Delta-Amika desde a sua data de criação, em 1990. Seus parceiros estão todos localizados na Grande São Paulo. Isso se deve em função de que, para o acompanhamento intensivo das operações financeiras de seus clientes, existe uma necessidade de proximidade física muito relevante.

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A empresa possui cerca de 5 empregados e possui participações em outros 4 empreendimentos. Os empreendimentos do grupo são diversificados, o que reduz o risco do mesmo, sendo que as outras empresas do grupo têm atuação na área de educação, entretenimento, factoring e consultoria.

A Tetrafac Fomento Comercial Ltda é uma empresa de factoring de médio porte, criada em 23 de Maio de 1996. A organização atua no mercado a cerca de 8 anos, já tendo prestado serviços para cerca de 10.000 empresas. Seu corpo de funcionários é de cerca de 7 funcionários, sendo 4 deles sócios-diretores.

Característica do mercado, sua carteira de clientes é caracterizada por parcerias de longo prazo localizados na região da Grande São Paulo.

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5. MODELOS DE CRÉDITO

5.1. DEFINIÇÃO DE CRÉDITO

O termo crédito provém do latim creditum “confiança ou segurança na verdade de alguma coisa, crença / reputação, boa fama...” (Caldas Aulete), o que indica o fator de confiança entre duas ou mais partes sobre um determinado assunto. Sobre as finanças, crédito é definido por SANTOS (2003, p. 15) como sendo “a modalidade de financiamento destinada a possibilitar a realização de transações comerciais entre empresas e seus clientes.”.

O crédito abrange duas noções fundamentais para as finanças, a confiança, expressa na promessa de pagamento, e o tempo, que se refere ao período fixado entre a aquisição e liquidação da dívida. Desta forma, a seguinte linha de raciocínio pode ser utilizada para explicar o crédito: O Crédito se refere à promessa de pagamento futuro, não necessariamente certo, em virtude de um fator de risco.

O crédito atende a múltiplas necessidades econômicas como o financiamento de pessoas físicas e de pessoas jurídicas. Nas operações de factoring, o financiamento de pessoas físicas também é relevante pois existem sacados que se encaixem neste quadro. Desta forma, o modelo que será elaborado deverá abranger tanto pessoas físicas como pessoas jurídicas para que tenhamos uma maior amplitude de alcance.

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5.2. ANÁLISE DE CRÉDITO

A análise de crédito em uma empresa de factoring deve abranger não somente as operações de seu cliente, o cedente, mas também, e principalmente, os sacados deste. Isso se dá em função do fato de que o papel da empresa de factoring é analisar a concessão de crédito de seus clientes, tendo como alvo os sacados.

A análise de crédito deve ser executada avaliando-se a compatibilidade entre os fluxos de receitas da empresa analisada e os planos de amortização da dívida proposto, sem deixar de verificar a idoneidade dos clientes. Isso visa garantir o recebimento da dívida e reduzir o risco de moratória destas dividas.

Entretanto, na venda de um crédito, está implícita a absorção de todos os benefícios ou malefícios que esta transação envolve. A qualquer momento, acontecimentos imprevistos e adversos, como os decorrentes de recessão econômica, podem afetar as fontes primarias de pagamentos de empresas e de pessoas físicas, reduzindo a possibilidade de recebimento do crédito.

Assim, a determinação do risco de inadimplência se apresenta como a principal preocupação dos credores, pois esta permite mensurar a ocorrência de perdas financeiras que podem vir a prejudicar a capacidade de honrar as dividas com os provedores de capital das partes devedoras.

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5.3. RISCOS DA CONCESSÃO DE CRÉDITO

A conjuntura econômica brasileira, marcada por alta volatilidade dos ativos, das decisões político-econômicas e pela alta sensibilidade da economia às oscilações internacionais faz com que o controle do risco de crédito seja de extrema relevância para as empresas de qualquer setor.

Este controle é fundamental para que a empresa tenha consciência do risco ao qual ela esteja sujeita e que este seja compatível com suas provisões e capacidade financeira de suportar o impacto de uma inadimplência.

Para identificarmos os riscos de uma concessão de crédito, devemos definir, a priori, o significado da palavra risco. SECURATO (2002) define risco como sendo “Uma forma de medir quanto podemos perder em uma operação, em relação a um ganho médio estabelecido”. De acordo com Sharpe, esse risco divide-se entre Risco Conjuntural e Risco Próprio, sendo ambas partes relevantes para a análise e para não subestimar os pontos fortes e fracos do objeto de análise.

Segundo

SANTOS (2003), para medir a taxa de perdas em carteiras de

créditos é indispensável que os supridores de capital avaliem o risco total do investimento, baseados no conhecimento de fatores de risco (internos e externos – próprios e conjunturais) influenciadores da capacidade de pagamento dos clientes. Como exemplo, os riscos internos apresentados pelo autor são:

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• Profissionais desqualificados • Controles de riscos inadequados • Ausência de modelos estatísticos • Concentração de crédito com clientes de alto risco

Os fatores externos, de natureza macro econômica e, por isso, relacionados diretamente com a liquidez de empresas e pessoas físicas estão apresentados no diagrama abaixo.

Concorrência

Inflação

Carga Tributária

Fatores Externos

Taxa de Juros

Caráter dos Clientes

Paridade Cambial

O modelo sugerido por SANTOS é o de Sinkey e Greenawalt (1991) onde a taxa de perda de uma carteira de crédito (tPE) é dada em função das condições econômicas e administrativas históricas e atuais, assim como os distúrbios econômicos aleatórios conforme demonstrado abaixo:

tPE = f [CE ( t − k ) , DA( t − k ) , DEA( t ) ]
Onde:

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• CE(t-k): Condições Econômicas Históricas e Atuais; • DA(t-k): Decisões Administrativas Históricas e Atuais; • DEA(t): Distúrbios Econômicos Aleatórios.

Esta equação uma vez mais apresenta a dependência do risco total de uma concessão de crédito em relação aos fatores externos e internos. Os fatores internos são expressos através das variáveis administrativas da empresa objeto, enquanto os fatores externos são representados através das condições econômicas e também dos distúrbios considerados “aleatórios” pelos autores. Estes distúrbios representam a ocorrência de fenômenos que fogem a normalidade, como a quebra de uma economia no mercado global (crises como as da Rússia, México, Argentina), atos de terrorismos (o atentado de 11 de setembro) ou mesmo fenômenos de ordem natural (como secas prolongadas que afetam a produção de energia ou a produção de alimentos).

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5.4. GARANTIAS

As garantias consistem na vinculação de um bem ou de uma responsabilidade conversível em numerário que assegure a liquidação do crédito. A finalidade da garantia é evitar que fatores imprevisíveis impossibilitem a liquidação do crédito, reduzindo assim os riscos ao qual o credor está sujeito.

O Banco Central estabelece que as instituições financeiras, na realização de operações de crédito, devem exigir dos clientes garantias adequadas e suficientes para assegurar o retorno sobre o capital aplicado. Mais além, determina que a garantia seja adequada ao tipo, ao montante e ao prazo do crédito. Entretanto, as empresas de factoring não se encaixam no sistema financeiro, mas sim como atividades mercantis. Desta forma, as garantias não são exigidas por um órgão regulador (até mesmo por que este não existe) e, desta forma, na maior parte das vezes, este artifício de redução de risco não é utilizado.

Empresas como as entrevistadas utilizam deste recurso através da emissão de notas promissórias no valor das duplicatas compradas para os seus clientes. Esse tipo de garantia é conhecido como Garantia Acessória e é utilizada no caso do cliente da empresa de factoring emitir títulos considerados “frios”, isto é, títulos vinculados a vendas que não existiram, ou sobre os quais incidem cobranças duplicadas, ou mesmo sobre clientes fantasmas.

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Em alguns casos, os cedentes acabam emitindo títulos em nomes de amigos e familiares para “simular” vendas para as empresas de factoring, o que acaba causando um problema para as empresas de factoring. Quando isso ocorre, as empresas que apelam para este tipo de irregularidade já se encontram em situação financeira crítica e procuram fazer este artifício para dar um “golpe” em uma empresa de factoring. Em função da ocorrência deste tipo de ilegalidade, as empresas de factoring entrevistadas passaram a exigir este tipo de garantia acessória para reduzir o seu risco de crédito.

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5.5. ANÁLISE SUBJETIVA DO CRÉDITO

5.5.1. OS CS DO CRÉDITO

Por definição, o processo de análise subjetivo envolve decisões individuais quanto à concessão ou recusa de crédito. Nesse processo, a decisão baseia-se na experiência adquirida, disponibilidade de informações e sensibilidade de cada analista quanto ao risco do negócio.

As informações que são necessárias para a análise subjetiva da capacidade financeira dos clientes são tradicionalmente conhecidas como Cs do crédito: Caráter, capacidade, capital, colateral e condições. SECURATO (2002) propõe mais um C, o conglomerado. O autor parte do principio que as informações referentes à situação de outras empresas de um mesmo grupo econômico são relevantes sobre como poderão afetar, positivamente ou negativamente, a empresa em estudo.

A estrutura de analise subjetiva da capacidade financeira dos clientes é a seguinte:

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Caráter Capacidade Capital Cs do Crédito Dados do Cliente Colateral Condições Conglomerado

Idoneidade da empresa objeto no mercado de crédito

Habilidade em converter investimentos em receita

Situação financeira em termos composição, aplicação e financiamento

de

Garantias que podem ser oferecidas pelo cliente

Sensibilidade da capacidade de pagamento em função dos fatores externos

Informações referentes à empresas do mesmo grupo

situação

de

5.5.1.1.

CARÁTER

Esse tipo de informação abrange as informações que refletem a idoneidade do cliente. Para a análise desse critério é indispensável aos credores que disponham de informações históricas de seus clientes, sejam elas de fontes internas ou externas, que evidenciem a intencionalidade e pontualidade na amortização de suas dívidas.

As informações internas podem ser obtidas através do histórico das operações entre a empresa e o próprio credor. Deve-se manter um registro das informações históricas em termos de pontualidade, atrasos, renegociações e perdas financeiras resultantes da inadimplência do cliente.

As informações externas, podem ser extraídas de arquivos de dados de empresas especializadas em coleta de informações relacionadas à idoneidade do cliente no mercado de crédito. Os credores verificam nos arquivos de empresas de

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gerenciamento de risco de crédito (exemplos: Equifax e Serasa) se existem informações desabonadoras de tais clientes.

5.5.1.2.

CAPACIDADE

Refere-se ao julgamento subjetivo do analista quanto à habilidade dos clientes no gerenciamento e conversão de seus negócios em receitas. Para empresas, de maneira geral, analisa-se as fontes de receita da empresa enquanto para as pessoas físicas analisa-se a sua renda.

O objetivo de se analisar este tipo de informação é determinar se a empresa ou pessoa física tem a capacidade de gerar receitas compatíveis com a amortização da divida.

5.5.1.3.

CAPITAL

O capital é medido pela situação financeira do cliente, levando-se em conta a composição (qualitativa e quantitativa) dos recursos, onde são aplicados e como são financiados.

As fontes usuais de informação para a avaliação do capital são os Demonstrativos Contábeis e a Declaração de Imposto de Renda. As pequenas e médias empresas geralmente não utilizam os recursos de auditoria dos seus números contábeis principalmente em função da falta de obrigatoriedade. Empresas

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com ações negociadas em bolsa ou participantes do mercado financeiro são obrigadas a ter seus balanços e demonstrativos de resultados auditados, o que reduz a chance de haverem números mascarados.

A declaração de Imposto de Renda se apresenta como uma boa alternativa de comprovação de renda em vista de que a Receita Federal tem realizado significativos investimentos para qualificar os seus procedimentos de analise da declaração de imposto de renda de pessoas físicas e jurídicas. Desta forma, pode-se considerar que este tipo de informação mais se aproxima da real situação financeira do cliente.

5.5.1.4.

COLATERAL

Refere-se aos bens e ativos da empresa que podem ser colocados como garantia no processo de concessão de crédito. Para a realização de adequada análise de riqueza patrimonial, é fundamental a abertura da composição do patrimônio do cliente, além da identificação da situação dos ativos em termos de liquidez, existência de ônus e valor de mercado.

5.5.1.5.

CONDIÇÕES

Essas informações estão relacionadas à sensibilidade da capacidade de pagamento dos clientes diante da ocorrência de fatores externos adversos ou sistemáticos.

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5.5.1.6.

CONGLOMERADO

São as informações relevantes à avaliação de crédito referentes a outras empresas do mesmo grupo. Leva em consideração como as empresas coligadas podem afetar a capacidade de pagamento das dividas das empresas objeto. Com isso, uma empresa que, a principio, não pareça atrativa, poderia ter melhores condições de crédito uma vez que fossem consideradas as condições do grupo. Por outro lado, uma organização pode apresentar boas condições de pagamento das dividas, entretanto, pode tratar-se de uma empresa “fachada” de um grupo em precária situação financeira.

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5.5.2. FASES DA ANÁLISE SUBJETIVA DE CRÉDITO

A análise subjetiva de crédito é baseada na experiência adquirida dos analistas de crédito, no conhecimento técnico, no bom-senso e na disponibilidade de informações internas e externas que possibilitem diagnosticar se o cliente possui idoneidade e capacidade de gerar receita para honrar o pagamento das parcelas do financiamento. Nela são abordados todos os Cs do crédito para clientes pessoas físicas e jurídicas.

SANTOS (2003) propõe que a análise de crédito deva ser dividida da seguinte maneira:

Análise Cadastral Análise de Idoneidade Análise Financeira Análise de Relacionamento Análise Patrimonial Análise de Sensibilidade Análise do Negócio

A divisão da análise de crédito permite que sejam estabelecidos os passos a serem cumpridos antes de passar a uma fase seguinte. Desta forma, poupa-se tempo ao analisar um determinado crédito e se organiza o processo de análise.

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Estes passos devem fazer parte da política da empresa de crédito e devem ser seguidos para a manutenção da padronização e organização. No modelo de crédito que iremos propor, as informações da análise subjetiva de crédito deverão seguir

5.6. RATING DE CRÉDITO

Rating consiste em estabelecer um conceito que mensure o risco de uma determinada organização. Através deste, é possível utilizar notas que possam, facilmente, indicar o risco ao qual determinada empresa estaria sujeita ao ceder crédito à organização.

O Rating que iremos utilizar neste trabalho irá tomar como base a Resolução 2682/99 do BACEN. Esta resolução visa determinar os critérios que determinam a classificação das operações de Crédito, assim como as regras de constituição de provisão para créditos de liquidação duvidosa. Esta norma visa assegurar que o risco das instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil esteja dentro de um determinado controle e que este risco seja mensurado de maneira uniforme e padronizada.

Uma vez mais, frisamos a ausência de um órgão regulador do mercado de factoring como o BACEN é para as instituições financeiras. Entretanto, dadas as similaridades existentes entre a operação de concessão de crédito entre bancos e empresas mercantis, iremos utilizar esta norma para determinar o rating adequado para cada empresa a ser analisada.

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A citada resolução determina o estabelecimento de nove graus de severidade para a classificação dos créditos em ordem crescente de risco. Para cada um destes graus, é determinado ainda o percentual mínimo de provisões que devem ser feitas para estes créditos de liquidação duvidosa.

Rating BACEN - Res. No. 2682/99
Rating Nível AA Nível A Nível B Nível C Nível D Nível E Nível F Nível G Nível H Provisão Mínima 0,00% 0,50% 1,00% 3,00% 10,00% 30,00% 50,00% 70,00% 100,00% Probabilidade de Recebimento 100,00% 99,50% 99,00% 97,00% 90,00% 70,00% 50,00% 30,00% 0,00%

Fonte: Resolução BACEN 2682/99

Como pode ser observado, a partir do provisionamento mínimo que o BACEN exige para cada nível de crédito, estabelecemos a probabilidade de recebimento de cada nível de crédito. Isso será útil para que determinemos o risco da carteira de crédito e que o mantenhamos em controle.

Na resolução há ainda a determinação dos aspectos mínimos a serem avaliados na análise de crédito. Estes aspectos podem ser avaliados através de informações internas ou externas e abranger os seguintes tópicos:

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Em relação ao devedor e seus garantidores:

• Situação econômico-financeira; • Grau de endividamento; • Capacidade de geração de resultados; • Fluxo de caixa; • Administração e qualidade dos controles; • Pontualidade e atrasos nos pagamentos; • Contigencias; • Setor de atividade econômica; • Limite de crédito.

Em relação à operação:

• Natureza e finalidade da transação; • Características das garantias, particularmente quanto à solvência e liquidez; • Valor.

SECURATO (2002) propõe a elaboração de um modelo para a classificação do risco de crédito que considere o conjunto de fatores de risco normalmente verificados pelas agencias de rating, e devidamente ponderados, a que as empresas estão sujeitas e o grau de exposição a cada fator. Neste trabalho, iremos utilizar a análise matricial de crédito adaptada para que determinemos a probabilidade de recebimento do ativo e, assim, determinemos o rating adequado para este crédito.

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5.7. ANÁLISE MATRICIAL DE CRÉDITO

A análise matricial consiste em determinar a capacidade de pagamento das dividas de uma determinada empresa através da análise do comportamento da empresa diante de diversos cenários econômicos.

Como este modelo utiliza o comportamento histórico da empresa, esta análise é baseada no seu passado. Entretanto, em vista do curto prazo da concessão de crédito praticada no mercado de atuação de empresas de factoring, esta análise torna-se suficiente para mensurar o comportamento futuro de uma determinada organização.

A base deste modelo é a construção de uma planilha chamada matriz de crédito, formada por linhas que representam os Cs do Crédito e por colunas que representam os cenários conjunturais.

Os cenários conjunturais ou macroeconômicos são determinados em função das projeções das variáveis que afetem o mercado em termos conjunturais. Dentre estas variáveis, temos a taxa básica da economia (SELIC), taxas de inflação, de emprego, de atividade da economia, etc.

Na elaboração dos cenários econômicos, deve-se determinar os cenários possíveis para a economia e também a possibilidade de cada cenário.

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A matriz abaixo exemplifica o Modelo Matricial de Crédito.

Matriz de Crédito
Critério Caráter Capacidade Capital Colateral Condições Conglomerado Fator de Ponderação F1 F2 F3 F4 F5 F6 Cenário 1 Cenário 2 Cenário 3 Cenário 4 Cenário 5 P2 P3 P4 P5 P1 Nota(1,1) Nota(1,2) Nota(1,3) Nota(1,4) Nota(1,5) Nota(2,1) Nota(2,2) Nota(2,3) Nota(2,4) Nota(2,5) Nota(3,1) Nota(3,2) Nota(3,3) Nota(3,4) Nota(3,5) Nota(4,1) Nota(4,2) Nota(4,3) Nota(4,4) Nota(4,5) Nota(5,1) Nota(5,2) Nota(5,3) Nota(5,4) Nota(5,5) Nota(6,1) Nota(6,2) Nota(6,3) Nota(6,4) Nota(6,5)

Cabe observar que cada cenário é determinado por uma probabilidade (Pn) de ocorrência. Esta probabilidade será utilizada para a avaliação do risco de crédito e a determinação do rating adequado para esta avaliação.

Cada item mensurado (representado pelas linhas) é multiplicado por um fator de ponderação (Fm) que determina o peso deste critério na avaliação de crédito de um determinado cliente.

As diversas notas podem ser dadas mediante um critério previamente definido, podendo ser até mesmo a probabilidade de recebimento. Estas notas são multiplicadas pelo fator de ponderação e pela probabilidade do cenário. A somatória destas multiplicações é a nota média da empresa que irá determinar o rating que ela deverá ter.

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Como o rating proposto pelo Banco Central do Brasil prevê nove níveis, iremos dividir as notas conforme estes níveis.

5.8. CONTROLE DO RISCO DA CARTEIRA DE CRÉDITO

A metodologia de controle do risco da carteira de crédito deverá ser elaborada a partir da teoria do Valor em Risco de uma Carteira. SECURATO (2002) exemplifica a aplicação desta teoria para a análise de crédito, apesar de ser tradicionalmente utilizada para avaliar investimentos em títulos do mercado.

O Valor em Risco de uma Carteira (V@R – Value at Risk) consiste na determinação do valor que está sob o risco de perda dentro de um intervalo de segurança. Para o melhor entendimento desta medição de risco, é necessário ter conhecimento da distribuição normal de probabilidades.

A distribuição normal de probabilidades consiste na principal distribuição de probabilidades da estatística. Através desta iremos determinar o valor real em risco da carteira de crédito e qual o percentual da carteira que podemos considerar como perda com um determinado intervalo de segurança.

Os gráficos abaixo ilustram a distribuição normal padronizada, isto é, a forma em que a distribuição se porta quando a média analisada é de 0 e o desvio padrão é de 1. Esta distribuição consiste na forma em que os números sorteados ao acaso iriam estar distribuídos ao longo dos números. A maior parte destes estariam

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concentrados próximo à média, isto é, haveria uma maior ocorrência de valores igual a zero. Conforme o número sorteado se afasta do valor 0, a quantidade de ocorrências de valores sorteados também diminui, tendendo a zero conforme a distancia em relação ao ponto central aumenta.

Os gráficos ilustram estas ocorrências. No primeiro gráfico, há a indicação que apenas 5% dos valores sorteados deverão ser maiores que 1,64. No segundo e terceiro gráfico, o mesmo raciocínio é aplicado, sendo que apenas 2,5% dos números sorteados serão superiores a 1,96 e 1% dos números serão superiores a 2,33.

Distribuição Normal (Z=1,64)

Distribuição Normal (Z=1,96)

5% 2,5%%

-5

-4

-3

-2

-1

0

1
Z=1,64

2

3

4

5

-5

-4

-3

-2

-1

0

1
Z=1,96

2

3

4

5

Distribuição Normal (Z=2,33)

Distribuição Normal

1%

X%

-5

-4

-3

-2

-1

0

1
Z=2,33

2

3

4

5

-5

-4

-3

-2

-1

0

1
Z

2

3

4

5

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A variável Z indica a quantidade de desvios padrão que se distanciam do valor médio. A cauda indicativa de 5% da amostragem será determinada pelo valor de Z igual a 1,64 vezes o desvio padrão. Como a média é igual a zero e o desvio padrão igual a um, todos os valores superiores a 1,64 representarão 5% da amostra.

Caso a média e o desvio padrão fossem diferentes dos utilizados em uma distribuição normal padronizada, como por exemplo média de 5 e desvio padrão de 3, iríamos ter que todos os valores superiores a 9,92 representariam 5% da amostra.

Este valor é obtido através do seguinte cálculo:

S ( P ) = Média + Z × Desvio
P = 5% ← Z = 1,64 →

S ( 5%) = 5 + 1,64 × 3 = 9,92

Desta forma, utilizando o raciocínio análogo para se calcular o V@R de um ativo, teremos que:

V @ R( Ativo, p ) = P( Ativo ) + Z ( p ) × S ( Ativo )

Onde:

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V @ R( Ativo, p ) corresponde ao Valor em Risco do Ativo objeto ao determinado
nível p% de probabilidade;

• •

P( Ativo ) corresponde à probabilidade de recebimento do crédito; Z ( p ) corresponde ao coeficiente correspondente à cauda com p% de
probabilidade;

S ( Ativo) corresponde ao desvio padrão da probabilidade de recebimento do
crédito.

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6. ANÁLISE DE CRÉDITO DE UMA CARTEIRA DE FACTORING

6.1. PARTICULARIDADES

Pelo fato de ainda não existir um órgão tenha abrangência sobre todas as empresas de factoring, as informações de crédito sobre os diversos sacados se encontram um tanto dispersas. A falta de um órgão de análise de crédito faz com que haja uma dificuldade muito grande sobre a avaliação de crédito dos diversos sacados e, conseqüentemente, uma elevação do grau de risco destes.

A impossibilidade de separar os bons pagadores dos maus pagadores de maneira global causa uma série de custos para o setor que poderiam ser evitados. A instituição de um órgão centralizador poderia fazer com que as informações de crédito fossem consolidadas e distribuídas de maneira a aumentar a eficiência do setor no que diz respeito à qualificação dos diversos créditos.

O sistema de análise de crédito que será implementado nas empresas analisadas deverá compreender a união dos bancos de dados no quesito de qualificação dos créditos. Uma maior abrangência poderá ampliar o universo de empresas atendidas e previamente analisadas, o que poderá melhorar as condições de análise de crédito. Este sistema será detalhado mais adiante.

A análise de crédito de uma carteira de factoring deve abranger desde a análise subjetiva como também a análise quantitativa. Desta forma, a adoção de

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políticas e procedimentos para a analise de crédito se torna essencial para a padronização do sistema e das informações que deverão ser inseridas ou retiradas deste.

Como a empresa de factoring está sujeita tanto ao risco do sacado como também do cedente, esta deve utilizar a avaliação de crédito para as duas partes a fim de mensurar o efeito que a má situação financeira da empresa possa estar gerando.

6.2. ANÁLISE MATRICIAL

A análise matricial será elaborada seguindo o modelo anteriormente apresentado. A metodologia que será abordada a seguir deverá ser utilizada nas empresas onde o modelo da avaliação de crédito para empresas de factoring for aplicado.

6.2.1. CENÁRIOS MACRO-ECONÔMICOS

Os cenários deverão ser elaborados pelas diretorias das empresas. Cada diretor irá estabelecer quais são os três cenários para a empresa no futuro e a probabilidade de ocorrência de cada um deles. Estes cenários serão apresentados aos seus colegas e deverão ser rediscutidos até a chegada de um senso comum. Os três possíveis cenários para a diretoria da empresa serão apresentados como o “Mais Provável”, o “Desfavorável” e o “Favorável”.

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A cadência de elaboração dos cenários macro-econômicos deverá ser trimestral, podendo ser revista mensalmente. Como as variáveis que determinam os cenários são menos voláteis, pode-se utilizar uma cadência de reavaliação maior.

As variáveis analisadas nestes cenários serão as seguintes:

• Taxa de Juros Básica da Economia (SELIC); • Taxa de Inflação para o Trimestre; • Taxa de Inadimplência; • Índice de Atividade Econômica;

Uma vez determinadas as projeções destas variáveis, estas serão repassadas para os gerentes e analistas de crédito que basearão suas análises nestes informações. Este relatório deverá ser trabalhado de maneira a tornar as informações inteligíveis a todos os funcionários a quem ele se dirige.

6.2.2. PESOS DAS VARIÁVEIS

Os pesos das variáveis do modelo matricial, assim como os cenários, serão determinados pela diretoria da empresa. Estes pesos serão responsáveis pela determinação das linhas gerais do modelo matricial. Cada variável terá seu peso determinado e será associada ao C do crédito ao qual esta corresponde.

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Através da realização conjunta da diretoria das duas empresas da factoring que analisamos, chegamos ao seguinte modelo matricial:

Avaliação Matricial
Peso 3,00% 4,00% 3,00% 5,00% 3,00% 3,00% 3,00% 3,00% 3,00% 30,00% 4,00% 3,00% 4,00% 3,00% 3,00% 3,00% 20,00% 2,00% 2,00% 2,00% 2,00% 2,00% 2,00% 2,00% 2,00% 2,00% 2,00% 20,00% 3,00% 5,00% 5,00% 2,00% 15,00% 2,00% 2,00% 2,00% 2,00% 2,00% 10,00% 2,00% 1,00% 2,00% 5,00% Atributos Cadastro das Informações da Empresa Avaliação de Fornecedores e Clientes Pontualidade Ocorrências no SPC / SERASA Operações Anteriores Atuação na Praça no Curto Prazo Atuação na Praça no Longo Prazo Números Contábeis Auditados Registros de Outras Empresas Dirigidas pelos Sócios Total de Caráter Capacitação Técnica dos Gerentes Capacitação Gerencial e Modelo de Gestão Gestão Financeira Capacitação Tecnológica Capacidade de Aportar Recursos Estratégia Empresarial Total de Capacidade Endividamento Endividamento Bancário Nível de Faturamento Evolução do Faturamento Ciclo Financeiro Liquidez Rentabilidade Efeito Tesoura Nível de Títulos Comprados deste Sacado Lucro Operacional Total de Capital Imóveis Veiculos Investimentos em TVM Outras Empresas dos Sócios Total de Colateral Posicionamento em Relação à Concorrência Poder de Negociação em Relação aos Clientes Poder de Negociação em Relação aos Fornecedores Capacidade de Adaptação ao Ambiente Econômico Regulamentação do Setor Total de Condições Influência do Grupo nos Resultados da Empresa Poder do Grupo de Garantir a Empresa Situação Financeira de Outras Empresas dos Sócios Total de Conglomerado Probabilidade dos Cenários Desfavorável Mais Provável Favorável
(Pessimista) (Conservador) (Otimista)

15%

60%

25%

Conglomerado

Condições

Colateral

Capital

Capacidade

Caráter

100,00% Total Final

6.2.3. APLICAÇÃO DO MODELO MATRICIAL

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Com os cenários em mãos, os analistas de crédito serão responsáveis por recolher todas as informações cadastrais e necessárias para iniciar a avaliação de crédito. Estas informações serão dispostas conforme foi apresentado no item anterior.

As notas dadas para a empresa analisada em cada quesito serão a base de cálculo da nota média da empresa. Estas notas deverão variar entre 0 e 10.

No caso dos itens subjetivos, as notas serão dadas conforme a avaliação do analista de crédito, nos casos em que os itens são quantitativos, a avaliação será feita conforme um ranking das empresas que já foram avaliadas anteriormente. A empresa que possuir o melhor índice apresentará a nota 10 enquanto a empresa que possuir o pior índice apresentará a nota 0. Uma vez que a empresa se localiza entre estas duas notas, ela será disposta linearmente dentro deste universo e terá sua nota determinada.

Uma vez levantadas as variáveis listadas, o programa de avaliação de crédito irá calcular a nota média do título a ser comprado. Esta nota será subtraída do desvio padrão da amostra atingindo o patamar mínimo de 0 (zero). Este índice é o que servirá de base para o estabelecimento do rating apropriado e também do risco da operação.

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6.3. RELAÇÃO ANÁLISE MATRICIAL VERSUS RATING

Em uma avaliação conjunta das notas de todos os sacados que foram avaliados pelas empresas estudadas, e associando estas notas ao histórico das empresas, chegamos à seguinte relação entre o risco de crédito e a nota nos quesitos avaliados:

Relação Risco de Crédito - Nota
Nota 8,43 7,93 7,47 6,39 5,89 4,20 3,19 2,32 0,00 Risco de Crédito 0,00% 0,50% 1,00% 3,00% 10,00% 30,00% 50,00% 70,00% 100,00% Probabilidade de Recebimento 100,00% 99,50% 99,00% 97,00% 90,00% 70,00% 50,00% 30,00% 0,00%

Fonte: Banco de Dados das Empresas Analisadas

Uma vez que este risco de crédito foi determinado, pela relação entre rating e risco de crédito que determinamos anteriormente, podemos estabelecer a seguinte relação entre notas e rating.

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Relação Nota - Rating
Nota Mínima 8,43 7,93 7,47 6,39 5,89 4,20 3,19 2,32 0,00 Rating Nível AA Nível A Nível B Nível C Nível D Nível E Nível F Nível G Nível H

Estes ratings serão úteis para que os analistas de crédito possam avaliar as empresas de maneira simplificada, mas sem perder os critérios da análise de crédito previamente realizada.

6.4. RISCO E PROBABILIDADE DE LIQUIDAÇÃO DA CARTEIRA

Através das notas de todos os títulos da empresa em estudo, pode-se determinar a probabilidade de liquidação da carteira média, assim como o desvio padrão apresentado. Esta média e desvio padrão servirão de base para o cálculo do V@R da carteira e também para controle da empresa em termos de níveis de risco e retornos esperados.

As empresas avaliadas, em conjunto, apresentaram uma carteira com uma probabilidade média de recebimento da carteira de crédito de cerca de 92,76 %, com desvio padrão de cerca de 8,41% e valor médio por título de cerca de R$ 357,21. Esta probabilidade foi estabelecida sobre a aplicação do modelo matricial sobre os 6756 títulos das empresas que totalizam os cerca de R$ 2.413.329,88 em carteira.

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6.5. VALOR EM RISCO DA CARTEIRA DE FACTORING

A aplicação da teoria do V@R às empresas de factoring objeto deste estudo gerou os resultados que serão apresentados a seguir. Cada empresa foi informada sobre a posição atual de sua carteira de crédito e esta foi reavaliada com o objetivo de estabelecer o nível de risco adequado para as suas operações.

A Delta Amika Factoring Fomento Comercial apresenta, atualmente, cerca de R$ 976.426,32 em títulos provenientes de compras de direitos creditórios de seus clientes. Estes títulos apresentam uma probabilidade média de recebimento de seus títulos de cerca de 94,37% com desvio padrão de cerca de 8,23%. Para o cálculo do V@R da empresa, iremos adotar esta média e desvio padrão e adaptá-los a sua curva normal de probabilidades.

Os diretores da empresa definiram como intervalo de confiança adequado o patamar de 95% de certeza, o que é associado a um índice Z de, conforme apresentado anteriormente, de 1,64 vezes o desvio padrão.

V @ R( Ativo, p ) = P( Ativo ) + Z ( p ) × S ( Ativo )

Pela aplicação da equação acima, temos que:

V @ R(CarteiraDelta ,95%) = 976.426,32 + 1,64 × 8,23% = 131.790,21

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A direção da empresa considera este valor adequado diante do histórico das operações da organização. O patamar de cerca de 13,5% da carteira em risco dentro dos limites aceitáveis apesar de haver o desejo da redução deste patamar para cerca de 12,5%. Isso será possível através da compra de títulos de melhor qualidade para a redução do risco da carteira da empresa.

A Tetrafac Fomento Mercantil apresenta uma carteira de títulos que totaliza cerca de R$ 1.436.903,56. Esta carteira apresenta a probabilidade média de recebimento de 91,67%, com desvio padrão de cerca de 8,54%.

Através da aplicação da teoria de V@R para esta média e desvio padrão com o intervalo de confiança de 95%, temos que o valor em risco da carteira é de R$201.236,20, ou 14,00% da carteira total da empresa.

A direção da organização manifestou claramente o desejo em reduzir este valor para cerca de 10% no curto prazo, o que implicará, diretamente, na melhoria da qualidade dos títulos comprados na carteira, através da liquidação dos títulos de baixa qualidade, com aumento da participação em carteira dos títulos com rating superior.

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7. GLOSSÁRIO

CEDENTE: Consiste no cliente da empresa de factoring. É a empresa que solicita os serviços de factoring, vendendo um determinado título para a factoring “cedendo” os direitos creditícios a esta.

SACADO: Consiste na empresa objeto da venda de título. É a empresa devedora da cessão de crédito entre o CEDENTE e a FACTORING.

DUPLICATA: É o título objeto de uma negociação de factoring. Representa uma venda a prazo do CEDENTE para o SACADO, sendo uma “duplicata” da nota fiscal de venda.

FACTORING E FOMENTO MERCANTIL: São sinônimos para a atividade de factoring no Brasil, a qual foi anteriormente explicada.

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8. CONCLUSÕES

Este trabalho procurou identificar as linhas gerais que regem o mercado de factoring para que fosse possível elaborar as políticas de análise de crédito mais adequadas a este mercado. Para a execução deste trabalho, foi executada uma pesquisa bibliográfica acerca da literatura que existe acerca de dois assuntos, o mercado de factoring e a análise de crédito. Apesar de a literatura sobre o mercado de factoring ser relativamente escassa, o material consultado e as empresas entrevistadas forneceram material adequado para a análise do mercado e sobre as suas diretrizes.

Uma vez obtidos os subsídios e as bases conceituais necessárias para a elaboração do modelo de crédito proposto, foi analisado o relacionamento entre o mercado de factoring e as teorias existentes de análise de crédito. A conclusão que o autor chega é que as teorias abrangem suficientemente o mercado de factoring e que as adaptações que devem ser feitas são relacionadas a algumas particularidades que encontramos neste mercado.

A conclusão a que se chega é que a adoção de uma política de crédito em uma empresa de factoring, assim como para qualquer outra, é extremamente relevante para a sua sobrevivência no atual contexto econômico, caracterizado por elevados níveis de inadimplência e também de taxas de juros.

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O modelo proposto tem como objetivo a redução dos riscos aos quais as empresas de factoring estão sujeitos, através de análise quantitativa e qualitativa mais adequada. Os resultados preliminares não são suficientes para quantificar a eficiência do modelo proposto, uma vez que sua eficiência é dependente do decorrer do tempo e das operações das empresas em que foi aplicado. Mesmo assim, entrevistas com os administradores das empresas em que o modelo foi aplicado indicam que este foi capaz de poupar tempo dos funcionários, possibilitando que estes se dedicassem mais às tarefas que agreguem maior valor para a empresa. Isso aumentou a eficiência das operações e também do desempenho financeiro da empresa.

A opinião do autor é de que a regulamentação do setor, a qual traria maior clareza sobre as operações de factoring, poderia também abranger um sistema de avaliação de crédito integrado. O órgão regulador poderia solicitar determinadas informações às empresas de factoring que poderiam facilitar a avaliação de crédito. Essa facilitação poderia reduzir os custos de avaliação de crédito e também o risco das operações de compra de títulos. Desta forma, a eficiência do mercado como um todo poderia apresentar melhorias, o que daria espaço para um maior lucro dos operadores de factoring, uma redução do custo de capitação de recursos de curto prazo para as pequenas e médias empresas e ainda uma maior flexibilidade para a arrecadação governamental.

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