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Segurança Pública auto-sustentável.

Projeto Vila Nilo II http://vilanilo2.blogspot.com/

SEGURANÇA PÚBLICA AUTO-SUSTENTÁVEL?

1) Por que prevê a formação social, através da Polícia, sobre planejamento


de segurança de um bairro e criação de consciência de posturas seguras diante da vida,
explorando mais claramente as possibilidades de segurança locais.
2) Por que está baseado na premissa de que a formação profissional e
educação básica por si só são fatores de redução da criminalidade, além de serem os
principais fatores de evolução e equilíbrio social.
3) Por que prevê a sua duração no tempo, sem manter toda uma estrutura de
assistência social e policial permanentemente aprisionadas em um local diminuto, se
comparado com a imensidão de outros locais semelhantes.
É a idéia que vai além da sustentabilidade social apoiada na segurança
pública, pois reconhece a diferença existente entre a sociedade atual e os caminhos
necessários para se atingir uma sociedade ideal, com a inserção de todos os atores da
dinâmica criminal.
Reconhecer que a segurança é um dos sustentáculos da sociedade e da
economia não são idéias novas. Sem Ordem Pública não há garantia de que as leis serão
aplicadas em todos os níveis. Desnecessário é discorrer sobre o tema aqui.
A sociedade atual está doente. Forçoso é admitir esta realidade e perigoso
deixar que assuntos como estes adquiram cores e bandeiras. As cracolândias, as máfias,
o crime organizado, o jogo ilegal, etc, são resultado de nossa própria personalidade
social. E, dentro de cada um de nós está o germe que os deixa existir, por ação ou
omissão. Superar isto não é a proposta deste trabalho, mas discutir temas como este
contribui para criar a consciência da mudança.

VILA NILO

A Vila Nilo II é um bairro reurbanizado na Cidade de São Paulo, localizado


entre a divisa com Guarulhos e a Rodovia Fernão Dias.
A reurbanização deste bairro ocorreu com a remoção da Favela da Vila Nilo
que ocupava a faixa de terra sob linhas de transmissão de energia e a construção de um
Cingapura, que é um conjunto de prédios destinado a famílias de baixa renda, feitos
pela Prefeitura.
Esta faixa de terra sob a linha de transmissão de energia foi ocupada por uma
horda de usuários de crack cerca 50 ou 60, que praticam diversos delitos na região, entre
prostituição, furtos e roubos, ocupando principalmente a ponte da Avenida General
Jerônimo Furtado.
Foi verificado que a empresa proprietária das linhas de transmissão, após a
remoção da Favela da Vila Nilo, construiu muros fortes em todo o entorno mas, tais
usuários de drogas fizeram passagens, passando a residir novamente neste terreno.
Parte da solução para tal problema é a reconstrução deste muro, mas foi
verificado que há uma autoridade, ilegalmente constituída, pelo uso da força, que
impede modificações, que é tráfico de drogas.

DROGAS E CRIMES

Foi constatado que o tráfico de drogas é realizado por menores de idade, que
perambulam livremente entre os prédios do Cingapura e o restante do bairro e que
desaparecem com a chegada das viaturas da PM, obrigando a realização do cerco
completo ao bairro para o sucesso nas prisões.
É verificado ainda que apesar das prisões, o tráfico novamente se instala,
pela lógica comercial da demanda, pois o público consumidor existe e continua
havidamente a consumir seu vício.
Viaturas policiais têm sido direcionadas exclusivamente para patrulhar a
rodovia, tendo em vista que é o logradouro com maior índice criminal na área da 1ª Cia
do 43 BPM/M, e é uma barreira que torna o bairro um apêndice que isola estas viaturas
dos demais bairros atendidos pela Companhia PM.

CAMPANHAS SOCIAIS

Campanhas têm sido realizadas no sentido de educar tais usuários e com isso
combater esta demanda pelas drogas, mas pelo que pode ser observado, os usuários
continuam a preferir seu vício.
As campanhas têm sido realizadas pela Sub Prefeitura do Jaçanã/Tremembé
com o objetivo de possibilitar que os moradores locais consigam estabilizar o bairro,
por agentes de uma ONG conhecida como Casa Rosada, que dá atividades aos jovens na
prevenção ao uso das drogas, pelo Clube Escola Jardim Cabuçu com treinamento
esportivo, a EMEF Frei Antônio Santana Galvão e por agentes da Prefeitura de
Guarulhos que atingem o público carente, moradores do bairro, não atingindo de forma
alguma o público de classe média, que passa com seus veículos para adquirir as drogas.
A Prefeitura investiu milhões e ainda mantém projetos no local, inclusive
com a ajuda de Guarulhos, a Polícia tem feito a sua parte heroicamente, a sociedade
civil tem se dedicado ativamente. Por que ainda não conseguimos equilibrar, com o
restante da região, a criminalidade local.

PERFIL DA POPULAÇÃO

Foi observado que há neste bairro uma população totalmente carente. Pode
se perceber, por uma rápida visita que grande número de pessoas, mesmo os não
usuários de drogas, permanece nas vias internas do bairro, sem atividade, dia após dia,
ano após ano.
Este contingente de pessoas, muitas delas mulheres jovens com mais de um
filho, formam uma comunidade com cultura própria.
Esta cultura, baseada nas suas vivências pessoais, mantém sua situação atual,
que é transmitida aos seus filhos.
Conversando com estas pessoas percebe-se a sua ausência total de
identidade. Tais pessoas desconhecem as noções básicas de sua existência, da existência
do mundo, da existência das leis, da moral, da ciência, etc.
Desconhecem completamente as finalidades da sociedade e seu papel dentro
dela.
Tais pessoas não têm uma relação equilibrada com o mundo, pois não
trabalham, não atuam realmente no mundo, sendo antes agentes passivos do que vem a
acontecer com elas.
É aproveitada a atividade de reciclagem de materiais para sustento de alguns,
outros fazem do seu meio de vida o tráfico de drogas. Não há a cultura da ascensão
social.
Para tais pessoas é difícil de falar de preservação do meio ambiente, de
responsabilidade social, ascensão profissional, religião e tudo o mais.
Muito difícil de entenderem as leis e as normas de convivência.
São todas refratárias à mudança no seu estilo de vida e de cultura. Não que
sua cultura deva ser desprezada, mas apesar de se reconhecerem como seres humanos
precisam ter auto-estima e saberem dos papéis que representam para o mundo,
principalmente seu papel profissional.

DESAFIO

É este o desafio: criar um modelo diferente de Segurança Pública e de


trabalho social neste local da seguinte forma:
1) Ao invés de viaturas para o local construir equipamentos de
segurança tradicionais, cercando-se completamente todo o bairro, conforme descrito no
mapa inicial, com readequação das pontes e vias internas para a circulação e,
instalando-se possivelmente câmeras de vigilância e outros equipamentos;
2) Registro completo de todos os moradores, com atividade profissional
e renda familiar;
3) Criação de apenas um acesso de entrada e saída, controlada por
agentes de segurança particular, apoiados por Policiais Militares, que permanecerão até
que o bairro seja considerado auto-sustentável quanto à segurança;
4) Autorização de entrada e saída somente de moradores, com revistas a
veículos suspeitos;
5) Criação de uma associação de moradores com regulamento interno,
baseado nas leis de silêncio, vizinhança e condomínio, com definição da
sustentabilidade da comunidade;
6) Arrecadação de mensalidades para a manutenção em geral, da
portaria, limpeza e benfeitorias;
7) Instrução massiva, por voluntários ou assalariados, operadores de
direito, sobre as normas internas da associação e as normas necessárias à segurança
interna e externa.
8) Formação profissional completa a todos os capazes, com ênfase a
carreiras produtivas, direcionadas às empresas da região.
É possível imaginar o quanto difícil é cercar um grupo de pessoas,
organizá-las para o auto-sustento e ainda por cima qualificá-las para o mercado de
trabalho, e quanto tempo isso pode levar, mas é a única proposta possível para se iniciar
o trabalho de transformação dos problemas sociais, enfrentando-os de frente.
É a forma de integrar a segurança na própria sociedade, incentivando o
pensamento sobre as normas que garantem a integridade das pessoas e sua propriedade,
garantindo o seu cumprimento e respeito.
É também o meio de levar a dinâmica das normas que regem a sociedade
e as formas de criá-las e melhorá-las, participando e comprometendo-se com a estrutura
legal vigente.
É também a maneira de se criar um modelo de evolução e
responsabilidade social, envolvendo todos os fatores que permitem superação de
comunidades estagnadas, dando direcionamento aos problemas sociais, isentando-se de
ideologias que comprometem o próprio tecido social.

PARADIGMAS

É a quebra de paradigmas sobre Polícia, Polícia Comunitária, trabalho


social e consciência social.
Cria o entendimento de que fazer Polícia é muito mais criar
equipamentos de segurança do que encher as ruas de homens e viaturas, economizando-
se tempo, recursos e vidas.
Torna a Polícia muito mais eficiente, pois a partir do momento em que
não seja mais necessária a presença de Policiais cuidando da ordem interna do bairro,
estes podem ser direcionados unicamente para os locais apontados pelas câmeras de
segurança ou o combate a criminalidade em outros locais onde se apresenta.
As câmeras de segurança podem ser reconhecer a face das pessoas,
indicando imediatamente infratores nas imediações.
Cria também a noção no Policial de que deve educar os cidadãos a
respeito das leis e normas de segurança, ajudando-os a entenderem que estão
completamente comprometidos na prevenção de crimes, mesmo sendo passivos ou
vítimas dos crimes.
É realmente uma parceria entre a Polícia e o cidadão no combate ao
crime.
É a forma de manter um banco de dados modelo para os registros do
governo.
Este é um objetivo ousado e revolucionário. Talvez não estejamos
preparados para entender a necessidade de uma intervenção tão profunda nas
comunidades e que esta pode se configurar na única e definitiva resposta à
criminalidade, não permitindo mais a existência de bolsões onde é socialmente aceita a
quebra das normas, onde o Estado está ausente, onde as pessoas se permitem passar dias
a fio sem atividade, onde os criminosos se sentem à vontade para circular, vendendo
drogas e escondendo-se para cometer crimes.

AS TEORIAS JÁ EXISTEM

É de conhecimento geral de que para uma pessoa, cada ano de estudo,


diminui a sua taxa de natalidade, maiores são as suas perspectivas de longevidade, mais
saudável e feliz é a sua vida, menor é seu risco ao homicídio e envolvimento com
crimes, mas principalmente é maior a sua capacidade de viver ativamente na sociedade
e se dedicar a ajudá-la.
Mandamos forças de paz a outros países, para garantir a ordem interna,
como no exemplo do Haiti, onde não se produz nada e o caos reina, quando precisamos
de forças internas de paz, capazes de transformar locais dentro de nossa própria cidade
onde o caos reina e a polícia tem pouca eficiência, pois tudo é contrário à lei, das
pessoas ao ambiente.
Deveríamos formar coalizões para ajuda de países como o Haiti para que
consigam superar a sua condição social e para vencerem as suas crises, tornando-se
novamente produtivos e auto-sustentáveis.
Não dá mais para esperar que aconteçam novamente os ataques ao
Estado como aconteceu no ano de 2006, na verdadeira guerrilha paulista, quando a
máfia paulista adquiriu sua personalidade mais marcante de afronta à lei, amedrontando
a todos.

A MAIOR DIFICULDADE
O maior obstáculo a ser vencido é a definição de qual instituição será
responsável pela instrução desta comunidade, pois na há a entendimento atual para este
tipo de intervenção social.
Não há SENAI ou PROUNI com as características propostas, pois até
hoje, não se pensou tão diretamente em usar a educação para combater o crime e não se
isentou de bandeiras as propostas de mudança social.
É hora de ousar, é hora de pensar no futuro e em quanto tempo estamos
dispostos em atingi-lo. Tudo está ao alcance da mão. Todas as formulas já foram
estabelecidas. Basta reunir todos os conceitos e colocar as mãos na obra, por que muito
ainda está para ser feito.

INTERESSES LOCAIS

Todos os interesses locais convergem para este salto social. As empresas


sentem a necessidade de ter mais segurança. Os transeuntes que passam por sobre a
ponte da Rua Jerônimo Furtado só o fazem com muito medo. Os moradores do bairro
têm medo dos usuários de drogas e dos traficantes. Os usuários no fundo desejam livrar-
se desta tortura. Alguns traficantes gostariam de ter mais oportunidades de trabalho. As
imobiliárias locais sabem que todo o local e o entorno será valorizado. Será gerada mais
riqueza na região e o dinheiro será aplicado de forma a dar maior fôlego para a
economia local, direcionado de forma mais inteligente. A Sub-Prefeitura do Jaçanã,
verá todo investimento de muitos anos dar resultado. Os moradores de Guarulhos
poderão transitar para São Paulo e vice versa com maior tranqüilidade. A empresa de
transmissão de energia poderá dar uma destinação responsável para a área sob sua
administração. E a Polícia poderá direcionar seus esforços para a transformação de
outras áreas onde a criminalidade ainda marca a vida dos moradores.

DISTÂNCIA

São necessárias ainda todas as avaliações, sobre a quantidade de pessoas


que serão atendidas, sobre os custos das cercas e muros, da construção da portaria e das
pontes internas, sobre as vocações profissionais, sobre a quantidade de professores e
horas aula sobre cada assunto além da própria grade de assuntos a serem trabalhados.
Eis o problema, precisa-se agora das autoridades locais, dos formadores
de opinião locais, dos empresários e da instituição que poderá abraçar a causa da
educação transformadora.
Há ainda os entraves legais, pois é proibido tornar áreas públicas em
particulares, há a possibilidade de recusa por parte dos moradores de aceitar
determinações de uma associação, entre outras coisas que precisam ser analisadas com
carinho para que o bem geral seja garantido.