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6/10/2010 Banco de Alimentos

A ONG Banco de Alimentos preocupa-se em oferecer alimentos não somente em quantidade


adequada, com o também em qualidade. Com essa finalidade, a ONG ministra treinamentos
teóricos (palestras) e treinamentos práticos (oficinas culinárias). Nestes, as instituições
atendidas aprendem a manipular, aproveitar integralmente os alimentos (utilização de partes não
convencionais do alimento – cascas, folhas e talos) e consumí-los adequadamente, a fim de
combater desvios nutricionais, como a desnutrição e subnutrição. São encontros mensais que
reúnem um representante de cada instituição, sendo este multiplicador da informação recebida.
Desta forma o papel da educação nutricional, de auxiliar indivíduos a estabelecer práticas e
hábitos alimentares adequados às suas necessidades nutricionais de acordo com os recursos
alimentares locais, hábitos alimentares, condição sócia econômico, cultural, antropológica,
psicológica e outras, torna-se um elemento fundamental, pois está lidando com todo o universo
de interações e significados que compõe o fenômeno do comportamento alimentar e
desempenha um papel importante também em relação à promoção de hábitos alimentares
saudáveis desde a infância.

Treinamentos teóricos

São fornecidas informações teóricas na forma de palestras, para que o melhoramento contínuo
seja aplicado pela própria Instituição, através dos serviços desenvolvidos por esta. A linguagem
utilizada é de fácil entendimento envolta por técnicas ludopedagógicas. No final de cada palestra
é realizada uma dinâmica para que haja melhor fixação do conteúdo e entregue um material
didático (manual). Vale lembrar que o conteúdo dos treinamentos é definido de acordo com as
necessidades vigentes das Instituições atendidas, fazendo com que reais problemas tenham a
possibilidade de serem resolvidos.

São abordados temas como:

1. Alimentação Infantil

A infância é o período em que nossos hábitos alimentares estão sendo formados. Na


alimentação da criança, a adequação nutricional é de suma importância, afinal, esta é a fase
conhecida pelo intenso crescimento e desenvolvimento. No entanto, outros fatores devem ser
considerados quando o assunto é alimentação infantil. O ato de alimentar-se oferece também,
inúmeras oportunidades para o desenvolvimento pessoal-social da criança: o comer sozinho, o
preferir alimentos, o aprender cores e sabores. Dessa forma são muito importantes o ambiente e
o modo que a criança se alimenta, as companhias e sua relação com o alimento. Tais fatores
estão diretamente relacionados com a aceitação dos hábitos alimentares, devendo ser
praticados de forma ideal, já que são hábitos adquiridos por toda a vida. Os problemas na
alimentação infantil podem causar conseqüências ao crescimento e desenvolvimento infantil,
podendo até mesmo afetar a vida adulta.

2. Higiene e Manipulação dos Alimentos

Para que a refeição seja considerada de boa qualidade, ela deve fornecer ao corpo todos os
nutrientes necessários à prevenção e ao desenvolvimento da vida e também estar livre de
contaminação. Para isso, devem-se usar produtos adequados e mantê-los bem conservados,
aplicar técnicas preconizadas no seu preparo e obedecer rigorosamente às normas de higiene
para manter a segurança microbiológica dos alimentos.
Para não colocar em risco o bem estar físico e a saúde, é preciso que se tenha uma higiene
adequada, tanto dos alimentos quanto do manipulador e ambiente. Assim enxerga-se a
necessidade de disseminar este princípio básico.

3. Organização do almoxarifado (estoques)

O controle higiênico-sanitário de alimentos é um dos mecanismos para a garantia da qualidade


destes, sendo o armazenamento uma das etapas importantes na ordem de preparo. São de
grande importância o controle, a organização e a higiene do ambiente de estoque de alimentos
em uma instituição. Como sabemos, em função da dependência de doações para seu

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funcionamento, torna-se ainda mais relevante a responsabilidade da instituição de zelar pela
qualidade dos alimentos a ela doados, garantindo boas condições de armazenamento, a fim de
aproveitá-los integralmente, erradicando de forma cada vez mais eficiente problemas como o
desperdício dos alimentos, além de prevenir doenças transmitidas por más condições de
higiene. O almoxarifado é o local responsável pelo controle e pela movimentação dos alimentos
e produtos de limpeza/higiene, assim como o material de escritório, que são registrados de
acordo com as normas vigentes. Este local pode ser dividido em estoque seco (estoque em
temperatura ambiente), armazenamento sob refrigeração - geladeira (sob temperaturas entre 6ºC
e 10ºC) e sob congelamento - freezer (temperaturas entre –12ºC e –18ºC).

4. Técnicas de Congelamento

O mundo vive hoje um processo de profundas mudanças. Com a globalização cresce a


expectativa de vida e isto cria a necessidade e desejo de alimentos de maior durabilidade, maior
valor nutritivo e mais saudáveis. O congelamento de alimentos é o melhor método de
conservação, pois aumenta o seu tempo de armazenamento (vida útil) e apresenta menores
possibilidades de provocar perda do valor nutricional nos alimentos e suas características como
sabor, textura e odor. Já outros processos produzem algum tipo de alteração nutricional, além
de mudarem suas características.

5. Como Montar um Cardápio

Como as instituições estão acostumadas a servir pratos tradicionais, utilizando o alimento


sempre da mesma maneira, a ONG Banco de Alimentos ofereceu um treinamento que tinha
como objetivo ensinar a montar um cardápio equilibrado e criativo, além de ensinar a
substituição dos alimentos, dentro de uma mesma fonte alimentar, gerando uma variação
nutricional que torne a alimentação mais agradável e adequada a cada população.

7. Desnutrição

A desnutrição ou mais corretamente, as deficiências nutricionais – considerando-se a existência


de diversas modalidades de desnutrição - são doenças que decorrem da oferta alimentar
insuficiente em energia ou nutrientes ou, ainda, com alguma freqüência, do inadequado
aproveitamento biológico dos alimentos ingeridos, geralmente motivado pela presença de outras
doenças, em particular as infecciosas. Independentemente de seu tipo, a desnutrição tem como
principais sintomas em comum: cansaço, fraqueza, atraso no crescimento, dificuldade de
concentração, entre outros. Pode ocorrer em qualquer idade, porém é mais comum em bebês e
crianças até 5 anos. É muito importante que a desnutrição seja tratada logo nos primeiros
sinais. Quando tratada, a criança desnutrida recupera a saúde e volta a ter o peso e a estatura
adequados para a sua idade.

8. Anemia

É uma doença que representa uma das maiores preocupações da área da Saúde Pública (área
que estuda a saúde da população de acordo as doenças que a afeta), segundo a Organização
Mundial de Saúde (OMS). As taxas encontradas de pessoas com anemia variam de acordo as
condições econômicas e a qualidade de vida da população, desta forma, sendo mais
encontradas em regiões menos favorecias. É uma doença que ocorre quando a quantidade de
hemoglobina no sangue está baixa, em função da falta de um ou mais nutrientes, como ferro e
vitamina B12, que são componentes dos alimentos que consumimos e que são essenciais para
a vida. Se a quantidade de hemoglobina estiver baixa, a distribuição de oxigênio pelo corpo ficará
prejudicada, ou seja, o oxigênio não chegará em quantidade suficiente nos órgãos, que dessa
forma, não poderão realizar suas funções da maneira correta, prejudicando assim todo o nosso
organismo.

9. Obesidade

É o resultado de ingerir mais energia dos alimentos do que o necessário, levando ao excesso de
peso. Não há dúvidas que esta ingestão desnecessária tem como influência a cultura e os
hábitos familiares, que possuem um papel fundamental. Esta doença também pode ter causa
genética (que passa de parente para parente). Trata-se de um dos desvios nutricionais que mais
cresce no mundo. Este mal vem acometendo cada vez mais as crianças. O que está
acontecendo nos últimos anos, é que a maioria da população ingere alimentos de alto valor
calórico e baixo valor nutricional, levando a uma “obesidade-desnutrida”, que seria um excessivo
aumento calórico e com deficiências nutricionais graves.

10. Alimentação na terceira idade

Uma boa nutrição é um fator claro na determinação da qualidade de vida que uma pessoa pode
esperar anos mais tarde. O hábito alimentar de um indivíduo, principalmente de um idoso, se faz
através dos anos e depende de alguns fatores como costumes regionais, hábitos alimentares,

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situação sócio – econômica, o marketing cada vez mais forte sobre determinados produtos, a
falta de informação sobre a alimentação correta, e muitas outras variáveis que podem influenciar
os costumes de cada pessoa. Assim, a alimentação na terceira idade deve ser orientada em
função das alterações que ocorrem no organismo, bem como das mudanças no estilo de vida,
alterações do paladar, olfato, visão, audição, tato, problemas de mastigação e deglutição que
podem levar a perda de apetite, podendo levar a uma diminuição do consumo de frutas, verduras
e carnes o que poderia gerar uma ingestão inadequada de fibras, vitaminas e minerais. Dessa
forma, uma alimentação saudável que se aplique as peculiaridades do idoso, torna-se
fundamental para garantir seu bem-estar.

11. Noções básicas sobre alimentação e nutrição

O alimento é a condição única e essencial para a manutenção da vida. Sem alimentos em


quantidade suficiente, o organismo não se desenvolve corretamente e não tem resistência contra
doenças. A alimentação equilibrada consiste em atender às necessidades calóricas e
apresentar todos os nutrientes, com a presença de todos os grupos de alimentos (cereais e
pães, hortaliças e frutas, leguminosas, leite, carnes e ovos, gorduras e açúcares). Porém, vale
ressaltar que não somente a quantidade de alimentos que é importante: se a alimentação não
for variada, não fornecerá todos os nutrientes necessários à vida.

Oficinas Culinárias Coletivas

Atividades práticas, oferecidas às instituições cadastradas, a fim de promover a maximização da


utilização do alimento fornecido pela ONG. São realizadas quatro preparações que envolvem o
tema. Após o preparo os grupos falam sobre a receita que foi realizada e todos degustam todas
as preparações. Este método é muito eficiente para o aprendizado de diferentes preparações
com o mesmo alimento e da utilização de cascas, folhas e talos (partes não convencionais dos
alimentos), desmistificando a falta de sabor dessas preparações. Além de serem sempre
ressaltadas as informações nutricionais de cada alimento em questão.

Alguns temas abordados:

1. Sucos e Shakes

Os sucos são bebidas a base de frutas e água, rico em vitaminas e que ajudam a hidratar o
organismo. Já os shakes são realizados a base de leite. A hidratação é essencial para o
funcionamento adequado de nosso organismo. A partir dessa colocação nota-se a importância
de uma adequada ingestão de líquidos, o que pode se tornar mais agradável com a oferta de
diferentes preparações.

2. Alface

A alface é uma das hortaliças mais consumidas no Brasil. Trata-se de uma folha que tem
grandes quantidades de vitamina A, C, Niacina e também os minerais: Cálcio, Fósforo e Ferro. É
comumente utilizada em preparações de salada. Para não cair na monotonia e também
enriquecer outras preparações esta oficina demonstra as mais variadas preparações que
podemos realizar a partir dessa hortaliça, como: tortas, geléias, sopas, etc.

3. Pães Caseiros com recheios de cascas, talos e folhas

Há tantos tipos de pães e bolos que seria impossível mencionar todos. Muitos deles, populares
num país, são desconhecidos em outros, dependendo da disponibilidade de matéria-prima
(ingredientes) e de costumes e hábitos. Esta oficina promove novas formas de produzir pães e
assim utilizar de forma total os alimentos doados para as instituições.

4. Doces Não-Convencionais

Os doces não convencionais oferecem uma maior quantidade de vitaminas, minerais e fibras que
os doces convencionais, que são geralmente ricos em gordura e açúcares.
A oficina foi desenvolvida com o objetivo de ensinar e orientar as instituições sobre como utilizar
as partes não-convencionais das hortaliças e frutas, combatendo assim o desperdício e tornando
as sobremesas mais saudáveis.

5. Sopas: a delícia do inverno!

As sopas podem ser uma refeição completa, mas para isso é necessário que contenham
alimentos como cereais (arroz ou macarrão) ou tubérculos (raízes como mandioquinha, cará,
inhame, batata, etc.), além de hortaliças (verduras e legumes) e um tipo de proteína, de
preferência animal (carnes de boi, porco, peixe e aves). A combinação destes ingredientes
permite a elaboração de várias receitas que caem muito bem no inverno e não necessitam de
complementos. Esta oficina visa ensinar a preparação de sopas completas e com a utilização

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de parte não convencionais dos alimentos.

6. Reaproveitamento de Alimentos

Planejar as compras, o cardápio da semana e servir-se apenas o necessário são atos que
evitam o desperdício de alimentos e o acúmulo de sobras. No entanto, isso nem sempre é
possível e, muitas vezes, as sobras são inevitáveis.

A oficina ensina receitas com sobras de alimentos, tornando seu cardápio mais gostoso e
econômico.

7. Ornamentação de hortifrutis

O visual do prato pode ajudar muito na hora de se alimentar. Um prato bonito, colorido e
enfeitado é nutritivo e dá gosto de comer. O segredo de tudo está no visual, pois antes de utilizar
a boca, comemos com os olhos. As crianças são, muitas vezes, resistentes à alimentação.
Sendo assim, esta oficina ensina decorações em preparações para se tornarem mais
apetitosos.

8. Ceia Alternativa

A ceia de Natal envolve muitas tradições familiares. Algumas famílias têm suas próprias receitas
“secretas” para a ceia de Natal, outras comem apenas os pratos natalinos tradicionais. Por isso
nesta oficina é sugerido um cardápio saboroso e mais econômico, que contém alimentos da
safra, época em que há grande oferta e baixos preços no mercado. E propomos também
receitas que utilizam o alimento integralmente, o que colabora para a diminuição do desperdício.

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