CENTRO DE ESTUDOS DE PESSOAL

CURSO DE COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA

METODOLOGIA DA PESQUISA

Maria Christina Zentgraf Rio de Janeiro

É vedada a reprodução integral ou parcial do material do EAD sem a permissão escrita do CEP ou do autor.

Sumário

AO ALUNO ........................................................................................................................................5 VISÃO GERAL DA DISCIPLINA ................................................................................................................7 UNIDADE I - TÉCNICAS DE ESTUDO .....................................................................................................9
Texto 1 O Ato de Estudar .................................................................................................................. 10 Texto 2 Técnicas de Leitura .............................................................................................................. 13 Texto 3 A Leitura Analítica ................................................................................................................ 18 Texto 4 A Documentação Pessoal .................................................................................................... 21 Esquematizando ... .............................................................................................................................. 25

UNIDADE II - O CONHECIMENTO COMO FORMA DE COMPREENSÃO E TRANSFORMAÇÃO DA REALIDADE .......27
Texto 5 Concepções e Formas de Conhecimento ............................................................................ 28 Texto 6 Fatos e Teorias na Construção do Conhecimento ............................................................... 34 Esquematizando ... .............................................................................................................................. 38

UNIDADE III - A PRODUÇÃO E TRANSMISSÃO DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DA PESQUISA CIENTÍFICA ......... 39
Texto 7 Pesquisa Científica: conceito e modalidades ....................................................................... 40 Texto 8 Paradigmas Metodológicos da Pesquisa Científica ............................................................. 44 Esquematizando ... .............................................................................................................................. 46

UNIDADE IV - ETAPAS DO PROCESSO DE PRODUÇÃO DE PESQUISAS CIENTÍFICAS ...................................47
Texto 9 A Lógica da Concepção do Projeto de Pesquisa .................................................................. 38 Texto 10 A Pesquisa Bibliográfica ....................................................................................................... 54 Texto 11 Pesquisas Descritivas e Experimentais ............................................................................... 62 Texto 12 Pesquisas Qualitativas ......................................................................................................... 67 Esquematizando... ............................................................................................................................... 70

UNIDADE V - A COMUNICAÇÃO DE TRABALHOS CIENTÍFICOS: AS MONOGRAFIAS ......................................73
Texto 13 A Comunicação dos Resultados da Pesquisa: a monografia ............................................... 74 Texto 14 Estrutura de Trabalhos Acadêmicos Segundo a ABNT ....................................................... 78 Texto 15 Estilo para a Redação de Trabalhos Acadêmicos ................................................................ 84 Texto 16 Apresentação de Citações em Trabalhos Acadêmicos ........................................................ 87 Texto 17 Como Elaborar as Referências de um Documento .............................................................. 90 Esquematizando ... .............................................................................................................................. 94

REFERÊNCIAS ................................................................................................................................. 96 APÊNDICES .....................................................................................................................................99

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o que dificulta o acesso a livrarias e bibliotecas. Muitos cursistas residem em regiões longínquas. Encontrará. assim. esquemas e fichamentos. você iniciará o estudo da metodologia da pesquisa através de textos sobre o conhecimento. endereço eletrônico ou indicação de “sites” de algumas editoras. A internet também não é acessível a todos. ao final deste módulo. uma vez que se destina a orientá-lo no sentido de ampliar seus procedimentos de estudo e iniciá-lo na produção de trabalhos científicos. estou fornecendo. orientações metodológicas para planejar. Prosseguindo na leitura. executar e comunicar os resultados de trabalhos científicos. Ao aluno .O módulo Metodologia da Pesquisa tem caráter instrumental. Agora. sugerimos leituras complementares. Eles lhe permitirão se autoavaliar e decidir prosseguir ou fazer recapitulações. de maneira bastante simplificada. o que o transformará (se ainda não o for) em um leitor crítico. é imprescindível que você os realize. Por este motivo. na seção Enriqueça seu estudo. objeto das pesquisas científicas. A execução dos exercícios é o único meio de que você dispõe para verificar como se encontra o seu conhecimento sobre os temas propostos. com o objetivo de aprofundar o conhecimento de determinados assuntos ou introduzir itens não abordados. termo cunhado por Paulo Freire ao comparar a aprendizagem tradicional à situação de depósito e retirada que ocorre nos bancos. além de conteúdos conceituais que exigem leitura e reflexão. algumas recomendações para que o estudo seja o mais proveitoso possível: a) este módulo. encontram-se indicações sobre os melhores procedimentos de estudo. tais como os passos para realizar uma leitura analítica. o telefone. não limitado a uma “educação bancária”. Na primeira parte deste módulo. Proporciona condições de levá-lo a desenvolver o rigor metodológico exigido pela pesquisa e o espírito crítico necessário a todo e qualquer estudo. A maioria atende pelo reembolso postal. Ao final de cada texto. fazer resumos. requer exercícios práticos para que a metodologia e as técnicas de investigação sejam dominadas pelo pesquisador.

ao elaborar a lista de referências ao final do módulo e nos gráficos que se encontram no apêndice. No ano de 2000 e agora em 2002. praticamente todas as publicações e livros se tornaram desatualizados. neste material. não devendo ser adotada nos relatórios de pesquisas e trabalhos acadêmicos. é importante alertar. d) e) Finalizo esta mensagem. A autora . tais como artigos. entretanto. textos que abordam este assunto. os trabalhos técnicos. Em decorrência. Assim. ao indicar as fontes pesquisadas. as normas mais utilizadas para a elaboração de trabalhos acadêmicos foram atualizadas. que a linguagem coloquial por mim utilizada neste material é específica da didática da educação a distância. segui as normas da ABNT ao fazer citações nos textos. inseri. o que dificulta o trabalho dos estudantes e pesquisadores. livros e monografias devem seguir as normas da Associação Brasileira da Normas Técnicas (ABNT). colocando-me à disposição para solucionar possíveis dúvidas que venham a ocorrer e desejando-lhe muito sucesso. é necessário a dedicação de uma a duas horas ao estudo diário. para servir de exemplo a você.b) c) para realizar com sucesso o trabalho final.

temática e interpretativa A documentação pessoal. de fichamento e de organização de estudos. Fichas: vantagens do uso. Unidade I: Técnicas de Estudo Objetivo: Demonstrar aquisição do instrumental teórico-metodológico para o aperfeiçoamento das habilidades de leitura. significado e modalidades de pesquisa científica Abordagem metodológica da pesquisa científica. paradigmas conflitantes na atualidade Textos 7 e 8 Onde encontrar Carga horária: 05 h Visão geral da disciplina . Conteúdo Concepção e formas de conhecimento: popular. fenômeno e teoria. esquematizar e resumir A leitura analítica: análise textual.Objetivo geral: Aplicar métodos e técnicas de estudos e pesquisas para a elaboração de trabalhos técnicos e científicos. Conteúdo O ato de estudar Técnicas de leitura: sublinhar. finalidades e tipos Onde encontrar Textos 1 a 4 Carga horária: 06 h Unidade II: O Conhecimento como Forma de Compreensão e Transformação da Realidade Objetivo: Distinguir o conhecimento científico de outros tipos de conhecimento. estrutura. filosófico e teológico Onde encontrar Textos 5 e 6 Ciência: fato. Papel da teoria e do fato na construção do conhecimento Carga horária: 04 h Unidade III: A Produção e Transmissão do Conhecimento Através da Pesquisa Científica Objetivos: Identificar diferentes concepções de pesquisa Analisar as questões que envolvem a pesquisa científica como forma de produção e transmissão do conhecimento Conteúdo Finalidade. científico.

objetivos.Unidade IV: Etapas do Processo de Produção de Pesquisas Científicas Objetivo: Caracterizar as etapas do processo de produção de pesquisas científicas desde a elaboração do projeto à execução da pesquisa Conteúdo A lógica da concepção e construção de um projeto de pesquisa: tema. questões de estudo. pressupostos teóricos. Conteúdo O trabalho monográfico: a estrutura da monografia e a construção lógica do texto A estrutura de trabalhos acadêmicos segundo as normas da ABNT Textos 13 a 17 Estilo para a redação de trabalhos acadêmicos Normas para a apresentação de citações e elaboração de referências segundo a ABNT Carga horária: 10 h Onde encontrar . metodologia. cronograma e orçamento O planejamento e a execução de pesquisas bibliográficas e/ou documentais O planejamento e a execução de pesquisas descritivas e experimentais O planejamento e a execução de pesquisas qualitativas Onde encontrar Textos 9 a12 Carga horária: 20 h Unidade V: A Comunicação de Trabalhos Científicos: as monografias Objetivo: Demonstrar aquisição do instrumental técnico para a elaboração de relatórios de trabalhos acadêmicos. problema.

Técnicas de Estudo Guia de estudo ASSUNTO OBJETIVOS ESPECÍFICOS Desenvolver hábitos de estudo que conduzam à autonomia no processo de aprendizagem Utilizar técnicas de leitura adequadas a um estudo proveitoso Carga horária: 06h TAREFAS PREVISTAS Estudo do texto 1 "O ato de estudar" Exercícios Estudo do texto 2 "Técnicas de leitura" Exercícios Estudo do texto 3 "A leitura analítica" Exercícios 1. finalidades e tipos Aplicar técnicas de análise de leitura no estudo de textos Distinguir diferentes modalidades de organização da documentação pessoal. O ato de estudar 2. esquematizar. resumir 3. estrutura. A documentação pessoal. A leitura analítica: análise textual. as fichas Enriqueça seu estudo Estudo do texto 4 "A documentação pessoal" Exercícios Unidade I . em especial. Técnicas de leitura: sublinhar. Fichas: vantagens do uso. temática e interpretativa 4.

Desse modo. Complementando tal posição. O que significa estudar? Medeiros (2000. o estudante necessita estar atento a dois aspectos: recorrer a procedimentos adequados para buscar as informações. para se iniciar nas questões da pesquisa científica. p. dentre outras técnicas. autoridade no assunto. Os livros são caros. bem como estabelecer uma organização para seus estudos. nada se conseguirá neste sentido. • projeto de trabalho intelectual individualizado. 26). pesquisador e. A bibliografia especializada de metodologia da pesquisa é considerada difícil por muitos estudantes. o estudante precisa conhecer e utilizar procedimentos adequados para fazer uma leitura proveitosa. não se excluem nem cessam pela aparição ulterior. crítica e criativa. em seguida. (SALOMON. autor. vai paulatinamente se transformando: terá que ser antes estudioso para. Severino (2000) adverte que o ensino superior exige dos universitários: • autonomia no processo de aprendizagem e postura de auto-atividade didática rigorosa. tornar-se trabalhador intelectual. Salomon. se os iniciantes em trabalhos intelectuais não tiverem adquirido hábitos de estudo sistemáticos e eficientes através da utilização de métodos e técnicas adequadas. E conclui “estudar é realizar experiências submetidas à análise crítica e à reflexão. Essas fases. 13) explica que o estudo começa com a elaboração de um pequeno texto e atinge a produção de vários volumes de uma obra. antes. na bibliografia especializada. paráfrases.METODOLOGIA DA PESQUISA Texto 1 O Ato de Estudar Os cursos de graduação e de pós-graduação têm como um de seus objetivos desenvolver nos estudantes o espírito científico e a prática de trabalhos técnicos. citações. implicado num processo de auto-desenvolvimento. declara: Imaginamos o iniciante no trabalho científico como aquele que.” Para realizar essas experiências citadas por Medeiros. Isto ocorre porque ela parte da suposição de que aqueles que a ela recorrem dominam as técnicas adequadas de estudo e leitura. basicamente. esquemas e resumos. 2001. apoiado em material didático e científico que se constitui. fichamentos. com o objetivo de apreender informações que sejam úteis à resolução de problemas. e o hábito de utilização de cópias 10 . Isso leva à questão da formação da biblioteca pessoal. claro. Entretanto. p. tornam-se ultrapassados com alguma rapidez (pelo menos as edições). uma vez que já concluíram um curso superior. se completam e se superpõem a partir de determinado momento de cada uma. finalmente.

11 . seminários. Observe as recomendações de Galliano sobre a utilização do tempo: . . As universidades e outras instituições possuem bibliotecas. para refletir. A assinatura de revistas especializadas é um hábito a ser cultivado.Não estabeleça períodos muito longos de estudo sem pausas para descanso.Planeje seu tempo – essa é a forma correta de “ganhar” tempo para o estudo. congressos. palestras. . Algumas universidades mantêm. além de dados sobre a obra e o autor. são publicados em revistas e jornais. poderá ser bastante utilizada pelos cursistas que dela dispõem. periódicos. Além do estudo através de fontes bibliográficas. . Apesar do exposto.Programe a utilização de períodos vazios em sua atividade. De qualquer maneira. . os estudantes devem se conscientizar de que existem livros fundamentais nas diferentes áreas do conhecimento e que devem ser adquiridos. deve-se escolher um horário em que o estudioso apresente um melhor rendimento. deixar as atividades de leitura e reflexão para o final do dia. é a programação das atividades de estudo e a divisão adequada do tempo. Ao se estabelecer um cronograma de estudos. “O conhecimento forma-se por fases e a quantidade de informação transforma-se em qualidade de conhecimento. em fichas individuais reunidas em fichários por ordem alfabética. As bibliotecas são organizadas no sentido de auxiliar os leitores e pesquisadores. 1986. Assim.” (GALLIANO. outras modalidades de aprendizagem são os encontros. livros. p. A princípio como participante. pode levar a um aproveitamento nulo. principalmente por todos aqueles que estudam e trabalham. a internet. Muitas bibliotecas estão hoje informatizadas oferecendo uma alternativa de organização mais moderna. o estudante deve freqüentá-las. CD-ROMs.Reserve ao menos um período mínimo para estudar todos os dias. oferece hoje um acervo extraordinário para estudiosos das mais diferentes áreas. Não se pode fazer um curso superior se não houver tempo disponível para estudar. dissertações de mestrado. As revistas também oferecem a oportunidade de ampliar a bibliografia sobre determinado assunto com novas referências. no decorrer da vida profissional. através da qual ela é localizada nas prateleiras. uma vez que os relatórios de pesquisa e as descobertas nas diferentes áreas do conhecimento. Além dessas fontes.. 53). está registrada a referência da obra (código da biblioteca). rede mundial de computadores. integrando mesas-redondas e fazendo palestras. As técnicas especiais de leitura e fichamento para utilização desse instrumental serão abordadas nos próximos textos. mesas-redondas etc. título e autor. Outro aspecto a considerar. que devem acompanhar o estudioso pela vida toda.UNIDADE I dificulta a formação de acervos pessoais. embora em algumas delas o acervo seja limitado e pouco renovado. Lá se encontram obras de referência geral.Substitua o horário de uma ou mais atividades não-essenciais para obter tempo de estudo. disquetes e outros recursos de multimídia disponíveis para pesquisadores. dentre outras. antes de aparecerem em livros. seu acervo se apresenta classificado por assunto. teses de doutorado. explorá-las. em seus acervos. em seguida fazendo pequenas comunicações e. por exemplo. Nas fichas.

responda às questões a seguir: 1. quando realiza uma leitura crítica e consegue ir além do texto (LUCKESI. de modo a reservar 1 ou 2 horas diárias para estudo. de posse de uma boa bibliografia e organizando o seu tempo. acesso a catálogos de editoras etc. Sabemos que aqueles que não residem nas grandes cidades têm dificuldade na aquisição de livros por falta de livrarias. do ambiente adequado. apontam as pesquisas. Enriqueça seu estudo ⇒ Recomendo o texto “O leitor no ato de estudar a palavra escrita”. aquele submisso ao que lê. Anote as 5 obras que considera mais adequadas ao conteúdo desta disciplina. que considera um trabalho difícil por exigir disciplina intelectual que não se adquire a não ser praticando (FREIRE. Em resumo. Exercícios No sentido de contribuir para a consecução de seu projeto de trabalho científico. depende da organização do aluno. onde os autores discutem o processo de estudar e a postura do leitor no ato de ler: leitor-objeto. 12 . Não esqueça de registrar nas anotações os dados sobre a obra. Faça uma proposta de programação semanal de suas atividades essenciais.METODOLOGIA DA PESQUISA O sucesso da aprendizagem. 4. da assiduidade e cumprimento do cronograma estabelecido e da utilização de técnicas de estudo. 2000). utilizando procedimentos adequados de estudo. Cumpra a programação traçada de modo experimental e procure realizar uma avaliação da semana. registrando as modificações que considera necessárias. o autor faz reflexões bastante oportunas sobre o ato de estudar. 2001). técnicas de estudo e pesquisa etc. Além de livros e publicações sobre o conteúdo específico de sua área de conhecimento. você estará em condições de ser um aluno e profissional estudioso e atualizado em seus conhecimentos. e o leitorsujeito. autor e a localização na estante. 6. Qual a situação de sua cidade neste aspecto? A que livrarias você pode recorrer para adquirir livros básicos? O livreiro aceita encomendas? 5. Visite as bibliotecas que considera mais adequadas a seu curso e verifique no fichário de assuntos o tema: metodologia científica. que livros e revistas você possui sobre METODOLOGIA CIENTÍFICA? 2. ⇒ No texto “Considerações em torno do ato de estudar”. Existem bibliotecas especializadas na sua cidade? Em que instituições? Quais seriam mais acessíveis para sua utilização? 3.

evitará perda de tempo com leituras injustificáveis face ao objetivo do estudo ou pesquisa. pré-requisitos para um estudo aprofundado. a introdução. inicialmente. você aprendeu que existem procedimentos específicos para um estudo proveitoso. Nos artigos de revistas. o resumo (nas monografias) e as referências. ela se confunde com idéias secundárias. Para atingir esses propósitos devemos identificar as idéias principais do autor. o prefácio. Como proceder? Mandam os especialistas que se proceda. O texto fica. findo o qual o leitor refaz o sentido total do livro. dentre outras coisas. Concluída esta exploração inicial e constatado o interesse pelo material. Como proceder? Para fazer o reconhecimento de um livro. a verificação. a uma leitura integral do texto e se determine a unidade de leitura a ser estudada. neste texto serão abordadas algumas técnicas de leitura. 13 . sintetizando-o. preocupação semelhante deve ocorrer. a capa e a contracapa. Estabelecida a unidade de leitura. assim. o sumário. Para se estabelecer a unidade de leitura. é preciso entender que a unidade é uma parte do texto que apresenta uma totalidade de sentido. Veja a seguir como identificar a idéia principal em um parágrafo. Ao fazer contato com o material de leitura. como procurar a idéia principal que ela encerra? Em algumas ocasiões a idéia principal está explícita e é facilmente identificada. a ampliação ou integração de conhecimentos. É um estudo analítico. a crítica. a sua tarefa inicial é examiná-lo no todo. dividido em partes que vão sendo sucessivamente estudadas. a comparação. Estes procedimentos permitem constatar se o assunto tratado na obra interessa aos propósitos do leitor.UNIDADE I Texto 2 Técnicas de Leitura Prosseguindo na temática iniciada no texto “O Ato de Estudar”. algumas questões deverão ser feitas: De que trata o livro? Quem é o autor? Que informações o autor fornece sobre o livro? Quais os temas abordados? Quando o livro foi publicado pela primeira vez? As respostas a estas questões serão obtidas verificando-se o título e o subtítulo. procede-se a sua leitura. Toda leitura é feita com um propósito que pode ser a investigação. matérias de jornal e textos acessados na internet. Além disso. Em outras. onde.

Deduzirá de idéias mais gerais as mais específicas. Ele informa. É necessário que se tenha um primeiro contato com a unidade de leitura – parágrafo. Pode acontecer. acompanhada de frases que a explicam e detalham. exige cuidados para que possa ser útil. e sim comunicando. num momento posterior. p. Quando for feita a segunda leitura. procura justificá-lo para o leitor. É um procedimento muito usado pelos leitores. entretanto. os detalhes significativos. 97) Na produção científica. (SALOMON. 37) “o sublinhar é uma estratégia que permite focalizar a atenção da pessoa no material que está lendo. 2001. bem como revisar as idéias essenciais. (SALOMON. as afirmativas. 2001. Faz isto através de proposições que se relacionam dentro duma estrutura lógica de demonstração: numa proposição colocará a idéia principal e. Lembra Salomon (2000) que a idéia principal pode estar apenas nos elementos essenciais de uma oração. uma vez que não está investigando. os pontos de vista estão sempre comprovados ou justificados. 100). Nos trabalhos científicos. Quem escreve obedece a um plano. que a frase que expressa a idéia principal venha ao final do parágrafo.METODOLOGIA DA PESQUISA Na maioria dos casos. o sujeito e o predicado. A primeira recomendação a ser feita é não sublinhar durante a primeira leitura. isto é. p. Segundo Rickards apud Boruchovitch e Mercuri (1999. livro ou capítulo de livro? Já foi visto que o primeiro contato com o material de leitura consiste em fazer seu reconhecimento. sublinhados. esquematizar e resumir. os argumentos de sua comprovação. as demais atribuições funcionarão como detalhes importantes ou como simples acessórios. capítulo. classificações etc. p. noutras. ao expor o seu trabalho. A frase final do parágrafo sintetiza a idéia. analisa. utiliza o método dedutivo. Este exame inicial levará o leitor a captar o plano da obra. o parágrafo se inicia por uma frase importante que traz a idéia principal. Expõe seu trabalho através de proposições nas quais são essenciais o sujeito (elemento causa) e o predicado (atributo do sujeito). livro – fazendo-se alguns sinais à margem. Procura distribuir as idéias específicas pelos parágrafos.” 14 . destacar ou salientar. Como proceder ao encontrar as idéias principais? Como destacá-las no texto? Observe a seguir as principais técnicas para tal: sublinhar. Em torno dessa relação. Explica Salomon: É comum os autores dedicarem uma parte introdutória e/ou a parte final para dar a idéia principal. o autor. No entanto. então. demonstra. buscar a idéia principal. os conceitos. as teses. desenvolve idéias dentro de uma ordem hierárquica: a mais geral para todo o trecho e as menos gerais apresentadas logo abaixo destas. que deverão ser. Este fato levará o leitor a identificar a idéia principal e as proposições que a comprovam ou justificam. Como identificar a idéia principal em um artigo. A técnica de sublinhar Sublinhar é sinônimo de pôr em relevo. Ao desenvolver o seu raciocínio.

• seguir um critério lógico. sofrem a influência das crenças e atitudes do leitor. Não devem ser sublinhados detalhes. enquanto que a aprendizagem fica prejudicada com marcações secundárias.UNIDADE I Pesquisas têm demonstrado que a compreensão do texto aumenta quando são sublinhados trechos relevantes. • destacar o importante do acessório. códigos e palavras. letras ou simplesmente diferenciado por espaços. Pode apresentar listagens de conteúdo ou chaves como você verá no esquema apresentado ao final desta e de outrras unidades. Outro aspecto a observar é que as técnicas de estudo. a uma avaliação sobre a lógica do texto. • fazer esquemas que facilitem a compreensão do conteúdo. Deve ser organizado segundo uma seqüência lógica onde aparecem as idéias principais. 15 . ou usar numeração progressiva como no esquema elaborado na Unidade 7 deste módulo. Pode ainda ser subdividido por algarismos romanos. nem deve haver um excesso de informações. Os objetivos da técnica de sublinhar são específicos. também. Salomon destaca as seguintes características de um bom esquema: • fidelidade ao texto • estrutura lógica • adequação ao assunto estudado • utilidade • cunho pessoal O esquema é útil para destacar o propósito do leitor. • facilitar a releitura. ordenando idéias principais e secundárias. É imprescindível que o leitor se pergunte: Por que e para que estou fazendo a leitura desse texto? A técnica de esquematizar O esquema é uma representação sintética do texto através de gráficos. A elaboração de esquemas exige a participação ativa do leitor na assimilação do conteúdo. facilitar a captação e compreensão da lógica do conteúdo e permitir uma rápida consulta ao conteúdo do texto. variando de uma matéria para outra. aquelas a elas subordinadas e o inter-relacionamento de fatos e idéias. levando-o. para produzirem resultados. Além disso. Alguns cuidados devem ser tomados para sua elaboração: • só construir o esquema após a compreensão profunda do texto. como também do conhecimento que o leitor tenha das tarefas. dependerão não só de sua utilização adequada. Explicam Boruchovitch e Mercuri quais são os objetivos da técnica de sublinhar: • reforçar a atenção para os elementos principais do texto.

Técnica é um modo de realizar uma atividade. colocando-as entre aspas e o número da página entre parênteses. ordenadamente dispostas. editora. sumário ou índice. O objetivo do resumo é abreviar as idéias do autor sem. • usar frases diretas e curtas. 2) Tratando-se de livro recente e havendo dúvida quanto a sua validade. p. a seguir. 75): A orientação prática para a seleção prévia da leitura adequada ao estudo pode resumirse nos seguintes passos principais: 1) Examinar o livro que desperta o interesse. Em linhas gerais. autor.METODOLOGIA DA PESQUISA A técnica de resumir O resumo é uma condensação do texto. número da edição e data da publicação. contudo. no estudo de uma ciência ou para alcançar determinado fim. Observe o exemplo que se segue. 14). Para se fazer um resumo é imprescindível a compreensão do texto lido. sublinhar e esquematizar. de maneira mais hábil. é uma técnica intermediária entre o resumo e o esquema. consultar enciclopédias ou a opinião de um especialista no assunto. Verificar título. a técnica é a maneira mais adequada de se vencer as etapas indicadas pelo método. Por isso diz-se que o método equivale à estratégia. É de suma importância saber encontrar as idéias principais e secundárias. faça transcrições de palavras do próprio autor. Quando você considerar relevante. prefácio ou introdução. p. como já foi exposto neste texto. desde que este o faça separadamente. informações nas capas. enquanto a técnica equivale à tática. bibliografia. resumo apresentado por Galliano (1986) correspondente a um trecho de duas páginas: Método e técnica não são a mesma coisa. Tratando-se de obra clássica. Veja. mais segura e perfeita. A principal diferença entre o esquema e o resumo reside no fato de que o esquema apresenta o texto em seqüência lógica e em ordem de subordinação. • fazer as apreciações críticas e observações pessoais em separado. 16 . Apresenta as idéias essenciais e pode também trazer a interpretação do leitor. consultar seções de resenhas de livros em revistas especializadas e jornais. 1986. • apresentar sempre a referência completa do texto resumido. Saber resumir é uma técnica essencial para quem estuda e cumpre tarefas intelectuais. O resumo esquemático Como o nome está dizendo. Método é uma orientação geral constituída por um conjunto de etapas. (GALLIANO. a concisão de um esquema. a serem vencidas na investigação da verdade. também extraído de Galliano (1986. arte ou ofício. e o resumo apresenta o texto de maneira condensada. Para elaborar o resumo devem ser usados os mesmos procedimentos indicados para sublinhar e para elaborar esquemas. São normas práticas para elaborar um resumo: • só resumir após preparar o esquema ou anotações.

1. 2. Fazer a 1ª leitura. você encontrará considerações sobre os instrumentos de trabalho. Enriqueça seu estudo ⇒ No capítulo I de Severino (2000). a disciplina do estudo e até um fluxograma de um plano de trabalhos acadêmicos. Delimitar as unidades de leitura. destacadas as idéias principais e secundárias. 17 . Sublinhar as idéias principais e detalhes importantes. uma vez selecionada a unidade de leitura.UNIDADE I Finalizo este texto esclarecendo que. Analise-o. 4. e utilizadas as técnicas de sublinhar. Exercícios Com o objetivo de levá-lo a colocar em prática as técnicas recomendadas no texto “Técnicas de Leitura”. Elaborar um esquema em chave. solicitamos que faça o seguinte exercício usando um texto de sua preferência dentre os indicados para o curso. intitulado “A organização da vida de estudos na Universidade”. esquematizar e resumir. tenho certeza de que você estará preparado para fazer uma leitura analítica. objeto do próximo texto. 3.

. Concluída a leitura. Segundo Medeiros (2000. como também dos termos geográficos.] em princípio. a técnica a seguir. enciclopédias. portanto. Análise textual A primeira leitura (você viu no texto anterior. a análise temática e a análise interpretativa. ao terminar a leitura. sentido das palavras desconhecidas. como fazer a leitura analítica. nas margens. Outro procedimento é experimentar descobrir o sentido da palavra no contexto. esquematizar e resumir. atlas geográficos e históricos. agora.. fatos históricos. consultando-se obras de referências tais como dicionários. históricos etc.. É a análise textual. o que pode ser verificado em obras de referência. os pontos que exigem esclarecimentos para compreensão do texto: informações sobre o autor. 18 . mas devem-se assinalar. Nesta leitura nada se sublinha. Veja. p. aplicando as técnicas de leitura. é: • não sublinhar. Ele divide a leitura analítica em três etapas: a análise textual. fazer algumas anotações à margem. Inicialmente gostaria de esclarecer que existem diferentes nomenclaturas para designar as etapas da leitura analítica e que optei pela classificação usada por Severino (2000). lembra-se?) é o contato inicial com a unidade de leitura. consultar as obras de referência. Às vezes. O esforço. de modo a compreendê-lo. Você tem o hábito de consultar obras de referência? Elas são ferramental essencial para o fornecimento de informações. faz-se uma investigação para buscar as informações. para descobrir o sentido de um vocábulo parece constituir-se em valioso exercício para a ampliação do vocabulário. em relação aos vocábulos. apreender a mensagem do autor e fazer um julgamento sobre o mesmo. Em suma. ao se fazer a análise textual. um estudo de texto em profundidade. De posse desses conhecimentos.METODOLOGIA DA PESQUISA Texto 3 A Leitura Analítica No texto “Técnicas de Leitura” você se familiarizou com a maneira de delimitar a unidade de leitura e com as técnicas de sublinhar. a seguir. 23). • tentar encontrar o sentido dos termos novos pelo próprio texto. Nela se adquire uma visão de conjunto do pensamento e do estilo do autor. o significado de uma palavra desconhecida vem logo a seguir por um termo de sentido equivalente. [. pode-se recomendar buscar no dicionário toda palavra desconhecida que aparece num texto. • se não conseguir. encontra-se. Esta investigação é necessária pois a compreensão do texto depende não só do conhecimento do significado das palavras. em condições de fazer uma leitura analítica. isto é. outros autores citados etc.

Somente quando o estudioso estabelece o esquema de pensamento do autor.. Análise interpretativa Interpretar. 92). Este procedimento é facilitado fazendo-se uma série de perguntas: • De que trata o texto? • Como está problematizado? Qual a dificuldade a ser resolvida? • Qual a posição do autor sobre o problema? Que idéia defende? (a resposta a esta questão revela a idéia principal. não debate seus conceitos ou idéias. a tese do autor). é dialogar com o autor. p. as seguintes vantagens: • diversificar as atividades de estudo. deixar de esclarecer a dúvida no momento oportuno é sempre prejudicial. explica Severino. Seria passivo. nada tem de mecânico. é explorar toda a fecundidade das idéias expostas. é a base para a obtenção de resumos que sintetizam as idéias do autor ao invés de serem apenas reduções de parágrafos. no entanto. é “tomar uma posição própria a respeito das idéias enunciadas. dentre outras.] nela o estudante não “discute” com o texto. é ler nas entrelinhas. Esse “escutar”. • Qual a argumentação. o raciocínio do autor para demonstrar a tese? • Existem subtemas ou temas paralelos na unidade de leitura? Observe o que diz Galliano sobre a análise temática: [. • tornar o texto mais acessível e a leitura mais enriquecedora. o ato de “escutar” o texto envolve descoberta e reflexão por parte do leitor (GALLIANO. 1986. mecânico.] considere-o um desafio. deverá ser procurar dados sobre o autor da obra.UNIDADE I E. é superar a estrita mensagem do texto. é forçar o autor a um diálogo. (2000. 56). se o propósito do estudo se restringisse à memorização das palavras ou frases.” 19 . como o propósito da leitura é apreender o conteúdo. como bem diz Salomon (2001. enfim. Análise temática É feita com o objetivo de levar o leitor a uma compreensão da mensagem veiculada pelo autor na unidade de leitura. Mas. Nessa etapa procura-se apreender o pensamento do autor sem nele intervir.. A análise textual oferece. a análise temática estará terminada. é mais importante esclarecer o vocabulário e as dúvidas sobre os termos do que mesmo a própria compreensão do texto.. • oferecer informações e ampliar o conhecimento. além de permitir a elaboração de um esquema mais coerente e rigoroso. p..” Quando se faz a análise textual. tornando-as menos cansativas. somente interroga-o e deixa que fale em resposta. após esclarecidas as dúvidas. p. A análise temática. 70): “nunca se acomodar diante do termo desconhecido [. O segundo passo. é cotejá-las com outras.

2000). • formular um juízo crítico. Selecione um texto de sua preferência e realize a seguinte atividade: · leitura analítica do texto. • explicitar os pressupostos que o texto implica.METODOLOGIA DA PESQUISA Diferentemente das análises textual e temática. um produtor de conhecimento. A análise interpretativa tem papel primordial na construção do leitor sujeito. 20 . do leitor crítico. Concluídas todas as etapas da leitura analítica. desde que ele se fundamente em argumentos convincentes. • fazer crítica pessoal às posições defendidas no texto. cumprindo todas as etapas e procedimentos indicados na análise textual. Enriqueça seu estudo ⇒ Recomendo o texto “Processo de leitura crítica da palavra escrita”. o leitor encontra-se em condições de se tornar um leitor-autor. nas quais o leitor “ouve o autor” mas não interfere. com base científica. cuja vivência pessoal do problema deverá ter alcançado nível que possibilite o debate da questão. uma avaliação do texto em função de sua coerência interna e da originalidade e contribuição à discussão do problema. Exercícios No texto “A Leitura Analítica” você obteve uma visão sobre a leitura analítica. concluindo o exercício com uma síntese pessoal. Estará apto a elaborar uma síntese pessoal que se apóia na retomada de pontos levantados nas etapas anteriores e culmina com a contribuição pessoal do leitor para o tema. fase mais delicada da interpretação e que exige maturidade intelectual do leitor. poderá ampliar os aspectos que a análise do texto suscitou e fazer novas proposições. não assume uma posição pessoal perante o texto em estudo. Severino subdivide-a nas seguintes etapas: • situar o pensamento desenvolvido na unidade. na esfera mais ampla do pensamento geral do autor. Não esqueça de colocar no início do trabalho a referência do texto lido. Tudo indica que se encontra em condições de aplicar em situações concretas os conhecimentos apreendidos. na análise interpretativa o leitor assume uma posição própria. Neste texto os autores trazem subsídios que aprofundam o tema “Leitura analítica” (LUCKESI. temática e interpretativa. • situar o autor no contexto mais amplo da cultura filosófica.

das redes mundiais de informação. 99). Vou dar.” Nesse sentido. como fonte durável de comunicação.UNIDADE I Texto 4 A Documentação Pessoal Chegamos à última etapa desta unidade. em especial as fichas e sua organização em fichários. imagens ou outros meios. os arquivos das instituições. A documentação pessoal supre a necessidade da informação prévia até mesmo para orientar a pesquisa em outras fontes de consulta. através de técnicas de impressão. tendo até agora abordado as técnicas para aperfeiçoar suas habilidades de estudo e leitura. mapotecas. este último texto trata especificamente da documentação pessoal. toda informação apresentada sob a forma de textos. Atualmente. as informações da rede de computadores. museus. escrita. pedra ou outros recursos. A tudo isso. bancos de dados. 21 . a informática está introduzindo novos procedimentos. p. arquivos. debates. armazenada em papel.. Apesar de os estudiosos terem a sua disposição as editoras. A documentação é a ciência que trata não só da organização como do manuseio da informação. pintura. acrescenta ainda a vantagem de ser prática (quando bem feita) e estar sempre à disposição. recomenda-se sempre que forme sua própria biblioteca e organize a sua documentação pessoal. p. Existem centros especiais de documentação. estes procedimentos variam de pessoa a pessoa. (GALLIANO. Como documentar? A maneira mais indicada é fazer registros em fichas e organizá-las em fichários. as livrarias. 1986. tais como bibliotecas. visual ou gestual. Explica Chizzotti (2000. nas leituras indicadas. dos computadores. madeira. gravação etc. O que deve ser documentado? Tudo que for do interesse e que oferecer importância e utilidade na área acadêmica ou profissional do estudante pode ser documentado: leituras. Se for do seu interesse. fixada em um suporte material. hoje enriquecidos com a chegada da informática. comunicada de forma oral. é um documento. estabelece um diálogo permanente com a memória e estimula constantemente a criatividade intelectual. procure ampliar as informações. idéias pessoais. 109) que “documentação é [também] toda informação sistemática. palestras etc. algumas sugestões de ordem geral. apenas. sinais.

ed. por homens. 47) (LINTON. aparecendo a mulher muito raramente e apenas no serviço de lavação ou escolha de cascalho. 111). Existem diferentes tipos de fichas segundo os objetivos a que se destinam e que recebem diferentes denominações..” (p.. O sinal [.. É preferível o uso de fichas a cadernos..] e sua organização é mais ou menos influenciada pelos padrões que já existem em nossa cultura para agrupamentos dessa natureza.. como um elemento pioneiro.” Lakatos (2001) faz um estudo bastante detalhado sobre fichas e fichários. com métodos de vida pouco diferentes dos habitantes da cidade. O homem. 5. procedimentos e modelos de fichamentos. 1965. ainda. 7).] indivíduos [os garimpeiros] que reunidos mais ou menos acidentalmente continuam a viver e trabalhar juntos. “A característica fundamental no comportamento do garimpeiro [. 152 p. por serem mais suaves do que o de desmonte. 26). “O garimpeiro [. alimentação. p.] é ainda um homem rural em processo lento de urbanização. Apresenta.. Aborda a questão do aspecto físico. “Entre os diversos tipos humanos característicos existentes no Brasil. da composição.” (p.” (p. vida familiar.. “Os trabalhos no garimpo são feitos. 130). p. devido às facilidades que elas oferecem para manipulação e arquivamento.” (p. Ralph.] é a liberdade. em geral. 22 . deles não se distanciando notavelmente em nenhum aspecto: vestuário. Marina de Andrade.] indica a supressão de partes do texto. A seguir você terá oportunidade de analisar diferentes tipos de fichas adaptadas de Lakatos: a) Ficha de citações Neste tipo de ficha são reproduzidas frases e parágrafos inteiros ou parte deles. A utilização de fichas e sua organização em fichários é de importância excepcional para os estudiosos que nelas encontrarão os subsídios necessários à elaboração de suas tarefas e seus estudos.1978. desde os tempos coloniais. de resumo e analítica. São Paulo: Martins. dos respectivos conteúdos.METODOLOGIA DA PESQUISA As fichas permitem ao estudante guardar com exatidão dados coletados em diferentes fontes e que servirão para o seu estudo. Neste texto. São Paulo: Conselho Estadual de Artes e Ciências Humanas.. tipos de fichas (com exemplos concretos dos mesmos) etc.” (p. MARCONI. “[. como agente de integração nacional. 48).. adotei a nomenclatura usada por Lakatos (2001): ficha de citações. o garimpeiro apresenta-se. Normalmente abrangem indivíduos de um só sexo [.. Garimpos e garimpeiros em Patrocínio Paulista. 73) sobre a técnica de fichamento: “Aquele que tiver suficiente paciência para realizar estas tarefas cansativas com esmero terá a grande satisfação de constatar que seu esforço será compensado ante a facilidade com que poderá proceder à redação de seu trabalho: basta dispor todas as fichas referentes a um mesmo assunto sobre a mesa. sob certa forma. Veja o que diz Cervo (1996. desbravador e. uma introdução à antropologia.

] “Este instrumental de trabalho do estudante é utilizado através de técnicas especiais de leitura e fichamento que serão vistas nos próximos textos. No que respeita à saúde... 152 p. Embora seja mais detalhada do que a ficha bibliográfica. tanto dos garimpeiros quanto de suas famílias. o garimpeiro.” [.. de modo geral. Enfoca aspectos geográficos e históricos da região. como conseqüência de sua atividade. Descreve um tipo humano característico. embora em algumas delas o acervo seja limitado e pouco renovado. Os verbos devem ser ativos. • quando forem suprimidos parágrafos de uma mesma página. como se pode observar no exemplo de ficha citação. Aponta o sentimento de liberdade do garimpeiro e justifica seu nomadismo. Lá se encontram obras de referência geral. 23 . sua correlação principalmente com as atividades agrícolas. Dá especial destaque à descrição das fases da atividade de garimpo incluindo as ferramentas utilizadas. teses de doutorado etc. comprova a predominância da consulta aos curandeiros e aos medicamentos caseiros. o número da página. Só colocar o número da página ao final da última citação. desde a fundação do povoado até a constituição do município. o estudante deve frequentá-las. trabalhadores agrícolas. b) Ficha resumo (de conteúdo) MARCONI. 1978. Enfatiza as atividades econômicas da região em que se insere o garimpo. periódicos.. portanto.” (p. Quando a frase transcrita tiver sido extraída de outra obra. Faz referência ao tipo de família mais comum – a nuclear – aos laços de parentesco e ao papel relevante do compadrio. Marina de Andrade. dissertações de mestrado. apesar da maioria residir na área urbana. Aponta a influência dos sonhos nas práticas diárias. não é longa.]. Apresenta a hierarquia de posições existentes e os tipos de contrato de trabalho que diferem do rural e o respeito do garimpeiro à palavra empenhada. A análise econômica abrange ainda o nível de vida como sendo. em parte.UNIDADE I Ao elaborar a ficha devem-se tomar alguns cuidados: • aspear as citações. De qualquer maneira. São Paulo: Conselho Estadual de Artes e Ciências Humanas. superior ao do egresso do campo e a descrição das casas e seus equipamentos. deve-se citar entre parênteses a referência bibliográfica. sendo. conforme o exemplo a seguir: [. Sob o aspecto sócio-cultural demonstra a elevação do nível educacional e a mobilidade profissional entre as gerações: dificilmente o pai do garimpeiro exerceu essa atividade e as aspirações para os filhos excluem o garimpo. Finaliza com um glossário que esclarece a linguagem especial dos garimpeiros. explorá-las.14). indicando que alguns garimpeiros do local executam o trabalho do garimpo em fins de semana ou no período de entressafra. Pesquisa de campo que se propõe a dar uma visão antropológica do garimpo em Patrocínio Paulista.] “As universidades e outras instituições possuem bibliotecas. Considera adequados a alimentação e os hábitos de higiene. Faz um levantamento de crendices e superstições. após cada citação. indicando as diferenças entre ranchos da zona rural e casas da zona urbana.. com especial destaque ao que se refere à atividade de trabalho. deixar uma linha em branco com o sinal [. livros. • indicar. Garimpos e garimpeiros em Patrocínio Paulista. em uma abordagem econômica e sócio-cultural.. A ficha de resumo apresenta a essência do texto numa sintaxe elaborada pelo leitor.

mas a outras regiões. ao lado de quem vive.METODOLOGIA DA PESQUISA c) Ficha analítica (de comentário ou crítica) MARCONI. o leitor realiza uma interpretação crítica neste tipo de ficha. Como está claro no exemplo. nesta primeira unidade. e evidenciando a colaboração que o garimpeiro tem dado não apenas à cidade de Patrocínio Paulista. faça a leitura da parte III (Documentação) do livro de Chizzotti (2000). Essencial na análise das condições econômicas e sócio-culturais da atividade de mineração do Nordeste Paulista. sistematização e aproveitamento. elas ajudarão a desenvolver estudos com maior racionalidade. São Paulo: Conselho Estadual de Artes e Ciências Humanas. e o citadino. conscientizar você da necessidade de utilizar uma metodologia de trabalho especialmente voltada para o ensino individualizado e fundamentada em técnicas de estudo. entre a consulta bibliográfica e a pesquisa de campo. Foi intenção. mais superficiais em suas análises. Marina de Andrade. Carece de uma análise mais profunda da inter-relação entre o garimpeiro e o rurícola. o seu processo de aprendizagem ocorre na maioria das vezes de maneira solitária. 152 p. Elabore três diferentes tipos de fichas (citação. 1978. encontrado no livro de Lakatos (2001). caracterizam sua originalidade. com o emprego do formulário e entrevistas. Tal harmonia difícil e às vezes não encontrada em todas as obras dá uma feição específica ao trabalho e revela sua importância. Caracteriza-se por uma coerência entre a parte descritiva. Os dados. resumo e analítica) com base em um dos textos indicados para o curso ou outro mais acessível a você. Garimpos e garimpeiros em Patrocínio Paulista. obtidos por levantamento próprio. Exercícios 1. pois o fruto de seu trabalho extrapola o município. tanto das atividades de garimpo quanto do comportamento e atitudes ligadas ao mesmo. que difere da apresentada pelos escritores que abordam o assunto. Foi dado especial destaque à fidelidade das denominações próprias. Esta análise pode ser feita em relação: • ao conteúdo • à forma de apresentação • a outras obras etc. ⇒ Muito oportuna também é a leitura do texto Fichas. Esta postura é particularmente necessária nos cursos a distância. nos quais. O principal mérito é ter dado uma visão global do comportamento do garimpeiro. Enriqueça seu estudo ⇒ Se você desejar conhecer mais sobre o tema documentação. embora você possa recorrer ao tutor. 24 . em cujo ambiente às vezes trabalha.

rede de computadores biblioteca pessoal palestras encontros seminários congressos mesas-redondas outros Aspectos a considerar no ato de estudar: domínio das técnicas de leitura programação das atividades divisão do tempo Técnicas de Leitura Propósito da leitura: investigação crítica comparação verificação ampliação/integração de conhecimentos Procedimentos para identificar as idéias principais do autor: fazer leitura integral estabelecer unidades de leitura sublinhar esquematizar resumir A Leitura Analítica Leitura analítica Estudo aprofundado do texto: compreensão apreensão julgamento Classificação das etapas da leitura analítica Análise: textual temática interpretativa A Documentação Pessoal Documentação pessoal Documentação pessoal: fichas e fichários Vantagens da documentação pessoal O que documentar Como documentar 25 . de outras instituições etc.. O Ato de Estudar Para desenvolver { o espírito crítico a prática de trabalho técnico { é necessário adquirir o hábito de estudos sistemáticos e eficientes através da utilização de métodos e técnicas adequados O ensino superior exige do estudante: autonomia no processo de aprendizagem e postura de auto-atividade didática rigorosa.. crítica e criativa projeto de trabalho intelectual individualizado.UNIDADE I Esquematizando. apoiado em material didático e científico Recursos de aprendizagem: bibliotecas de universidades.

O Conhecimento como Forma de Compreensão e Transformação da Realidade

Guia de estudo
ASSUNTO 1. Concepção e formas de conhecimento: empírico, científico, filosófico e teológico 2. Ciência: fato, fenômeno e teoria. Papel da teoria e do fato na construção do conhecimento OBJETIVOS ESPECÍFICOS Distinguir o conhecimento científico de outras modalidades do conhecimento, essencial para entender a realidade

Carga horária: 04h

TAREFAS PREVISTAS Estudo do texto 5 "Concepções e formas de conhecimento" Exercícios Estudo do texto 6 "Fatos e teorias na construção do conhecimento" Exercícios

Reconhecer o papel que desempenham fatos e teorias na construção do conhecimento Enriqueça seu estudo

Unidade II

METODOLOGIA

DA

PESQUISA

Texto 5
Concepções e Formas de Conhecimento
Os primeiros textos deste módulo mostraram que o estudioso necessita se apoiar em instrumental teórico-metodológico para desenvolver seus conhecimentos não somente durante o curso universitário, mas também por toda a vida profissional. Nesta unidade (adaptada de Zentgraf, 1997b), você refletirá sobre o papel do conhecimento para a compreensão e transformação do mundo. Se não tivéssemos a capacidade de conhecer e de compreender, viveríamos submetidos às leis da natureza, impossibilitados de transformar o mundo para atender às nossas necessidades. A compreensão do mundo ocorre tanto em situações simples do cotidiano quanto nas complexas, em instituições e laboratórios científicos. O conhecimento se revela de forma teórico-prática. Luckesi (2000) destaca os seguintes aspectos em relação ao conhecimento: • é social, é o indivíduo relacionado a outros que encontra saídas para os problemas da realidade; • é histórico, para solucionar impasses da atualidade contamos com a contribuição do passado; • é um modo de “iluminação da realidade”, mesmo quando se dá através de uma explicação mágica; • é necessário para o progresso, para o atendimento às necessidades do ser humano; • pode ter uma função de libertação ou de opressão. A realidade pode ser abordada de diferentes maneiras. Veja um exemplo adaptado de Cervo (1996) que ilustra o que acabo de afirmar: se desejássemos obter um maior conhecimento sobre o homem, como deveríamos proceder? Poderíamos analisar o seu aspecto externo, a sua aparência e dizer coisas a partir de nossa experiência cotidiana ou do bom senso; ou então, investigar experimentalmente as relações entre seus órgãos e respectivas funções; ou ainda, questionar a sua origem, sua liberdade e, finalmente, o que dele foi dito por Deus. Neste exemplo, o pesquisador se depara com quatro diferentes abordagens do conhecimento: • conhecimento empírico ou popular • conhecimento científico • conhecimento filosófico • conhecimento teológico Vamos analisar, a seguir, algumas características dessas diferentes abordagens.

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o objeto da ciência são os dados próximos. “é constituído de realidades mediatas. O conhecimento científico A revolução científica. O conhecimento filosófico Difere do científico pelo objeto de investigação e pela metodologia. Difere também do conhecimento popular pelos métodos e instrumentos de apreensão do conhecimento. baseado na experiência da vida cotidiana. propriamente dita. é basicamente a forma de observação. de chegar à verdade. se não a receber de forma “natural”. isto é. não se pretende uma organização das idéias. e é falível. Apresenta as seguintes características: • é superficial. É um conhecimento real. p. lida com fatos. explica Cervo (1996. perceptíveis pelos sentidos ou por instrumentos. a emoções da vida cotidiana. é obtido ao acaso. Verifica-se. o conhecimento vulgar. abrange pesquisas em todas as áreas do mundo físico e humano. seu ciclo de desenvolvimento e as particularidades que distinguem uma espécie de outra. não deve ser menosprezado. é necessário ir mais além: conhecer a natureza dos vegetais. não perceptíveis pelos sentidos e que. Apesar dessas restrições. o próprio sujeito organiza suas experiências. Galileu. Bacon. é um saber ordenado logicamente. não há a preocupação de análise. sua composição. Explica Lakatos (1995. p. e verificáveis pela experimentação. formando teorias. Pode resultar de experiências repetidas. • é assistemático. casuais. É verificável. constitui a base do saber e é bastante anterior ao aparecimento da ciência. no exemplo dado. • é subjetivo. o senso comum. Descartes e outros estudiosos. não chegando à essência das coisas. não só pela razão. Para que isso ocorra. uma vez que não é um conhecimento definitivo. conforma-se com a aparência. refere-se a vivências. • é acrítico. É sistemático. Difere do conhecimento filosófico porque suas proposições ou hipóteses são testadas pela experimentação. • é sensitivo. por serem de ordem supra-sensível. novas pesquisas e proposições podem rever a teoria existente. pode ser um conhecimento verdadeiro e comprovável. 14): Saber que determinada planta necessita de uma quantidade “X” de água e que. Daí para cá o desenvolvimento da ciência foi-se acelerando continuamente e hoje. deve ser irrigada. científico.UNIDADE II O conhecimento empírico Também chamado vulgar. ocorreu nos séculos XVI e XVII com Copérnico.10). assim. Como vimos. as hipóteses não comprovadas não constituem conhecimento científico. que a diferença entre o conhecimento popular e o científico. mas. Quanto ao objeto da filosofia. ultrapassam a experiência. nem por isso. sem observação metódica ou de simples transmissão de geração em geração. com sua metodologia objetiva e rigorosa.” 29 .

evidências nunca postas em dúvida nem verificáveis. pois parte de hipóteses não verificáveis. aos instrumentos científicos de que o homem se serviu para perceber e ver o que os sentidos jamais teriam visto.. [.” Sabedor das diferentes maneiras de aquisição do conhecimento.] Isto.] Aquilo que se manifesta. da seguinte maneira: “de um lado. necessita saber como chegar à verdade..] Pode-se dizer que. o homem já entendeu bastante daquilo que o ser é e manifesta: a conquista tecnológica. as posições dos teólogos fundamentam-se nos ensinamentos de textos sagrados. em suas pesquisas. isto implica atenção. Isto porque o problema da verdade radica na finitude do homem. [. fatos concretos capazes de comprovar (ou refutar) suas hipóteses.] O desvelamento do ser das coisas supõe. e na complexidade e ocultamento do ser da realidade. p. é o dono da verdade.. bons instrumentos. [. na procura incansável de decifrar os enigmas do universo. tema da próxima seção. Como..METODOLOGIA DA PESQUISA O conhecimento filosófico é valorativo. à manifestação do ser ao conhecimento da verdade. que aparece em dado momento. não invalida o esforço humano na busca da verdade. a capacidade do homem de receber as mensagens. não é.. bons sentidos. [. Apóia-se em doutrinas cujas proposições são sagradas por terem sido reveladas pelo sobrenatural.. Mas. rumo à abertura do ser. porém.. Nenhum mortal. enigmática e através da compreensão do entendimento ela se revela ao homem. de outro lado. Procura compreender a realidade no contexto mais universal e o sentido de tudo que envolve o homem.. de um lado. e é sistemático. pois suas hipóteses constituem uma representação coerente da realidade.] O método e os instrumentos são a alma de toda a pesquisa científica. o estudioso terá condições de refletir e se posicionar sobre o mesmo.. 17) exemplifica a abordagem dos teólogos em contraposição à dos cientistas frente à evolução das espécies. discutem e querem estar com a verdade. É o resultado da fé humana na existência de uma ou mais divindades.. as viagens espaciais mostram quanto já foi aprendido. são verdades infalíveis. hoje? O conhecimento teológico É um conjunto de verdades aceitas pelos homens a partir da revelação divina.. a totalidade do objeto da realidade investigada. e isto graças. p. Verdade-Evidência-Certeza Ao tratar do conhecimento. Vimos também que o homem procura entendê-la de diferentes maneiras e suas limitações dificultam a compreensão da realidade que é múltipla e complexa. Apresenta respostas a questões não respondidas pelas outras modalidades do conhecimento. os cientistas buscam. vimos que a realidade é misteriosa. então.] 30 . certamente. porém. certamente. 12): Todos falam. os fatos e problemas que envolvem o homem concreto: O progresso técnico beneficia a humanidade? O que é valor. A filosofia questiona os conhecimentos científicos e técnicos. [. [.. Lakatos (1995. de outro. e isto é inegável. é racional porque seus enunciados são logicamente relacionados. pode o homem chegar à verdade? Vejamos o que diz Cervo (1996. em certas áreas. para isso.

O que é a evidência? Evidência é manifestação clara. E continua Cervo (p. 14) A certeza é o estado de espírito que consiste na adesão firme a uma verdade. terá chegado à verdade sobre um determinado objeto. Mas. que se manifesta. sem temor de engano. A respeito daquilo que se manifesta do ser. 13): O que é.UNIDADE II Este trecho de Cervo leva-nos a refletir sobre o conhecimento científico e seus condicionantes: o rigor e o método. no desvelamento do ser. através da representação do mesmo e das impressões que ele provoca.. é transparência. isto é. pois. E o que é a certeza? Explica Cervo (p. não tem evidências que demonstrem a veracidade de suas palavras e está falando de maneira arbitrária sobre o que não desvelou na sua pesquisa. outras situações se manifestam: a ignorância. 1996. Como está claro. Por outro lado. sem temor de engano. como o de Ptolomeu. poderá fazer afirmativas sem temor de engano. o desvelamento. o homem.. pode-se afirmar com certeza. ao afirmar o geocentrismo. O que entender pelas palavras de Cervo? Analise a partir de um exemplo: muitas vezes. Para que a verdade. faz afirmações que não se referem às questões que pesquisou: portanto. por falta de evidências que conduzam à certeza.. novos aspectos do objeto vão se tornando claros mas a totalidade nunca será atingida. é desocultamento e desvelamento do ser. utilizando uma metodologia e instrumentos inadequados. não se pode falar arbitrariamente sobre o que não se desvelou. evidência. a dúvida e a opinião. Muitas vezes. apareça. crítica e racional. não condizem com a ciência. mesmo parcialmente. Em muitas ocasiões. [. certeza] poder-se-ia concluir dizendo: havendo evidência. essencial ao pesquisador. é necessário que ocorra a evidência. 14). a utilização de instrumentos adequados e o espírito científico. (CERVO. p. 31 . meias verdades. a verdade? É o encontro do homem com o desvelamento. o critério da verdade. pode-se dizer uma verdade.. como nem tudo se desvela de um ente. uma verdade. [. se o pesquisador tiver chegado a evidências. ao chegar aos resultados e conclusões do mesmo. imperfeito.] Pode-se dizer que há verdade quando o homem (inteligência) percebe e diz o ser que se desvela. isto é. Ao longo da história são muitos os exemplos de erros. Há uma certa conformidade (grifo nosso) entre o que o homem julga e diz e aquilo que do objeto se manifesta.] Relacionando o trinômio [verdade. com o desocultamento e com a manifestação do ser. a manifestação do ser é. chega a conclusões que não correspondem aos fatos e incide em erro. terá certeza sobre o que estudou. A evidência. o iniciante em pesquisas desenvolve um trabalho e. Esse estado de espírito se fundamenta na evidência. pois. a verdade absoluta e total nunca será conhecida pelo homem. Soluções parciais. À medida que novas impressões forem aparecendo. O espírito científico requer do pesquisador uma mente objetiva. o homem pode conhecer o objeto de modo humano. se o objeto se desvela ou se manifesta com suficiente clareza.

[.. (p.. o estudante tornarse-á apto a enfrentar e solucionar os problemas que se apresentam na vida profissional. A dúvida refletida é o estado de equilíbrio que permanece após o exame das razões pró e contra. certeza de que a tese está definitivamente provada). mas sem certeza. mas por serem as mais adaptadas ao estado contemporâneo dos conhecimentos. de Newton a Bohr. A dúvida é espontânea quando o equilíbrio entre a afirmação e a negação resulta da falta do exame do pró e do contra. 14). entretanto. [. ele próprio exilado no entorno de uma galáxia também periférica de um universo mil vezes mais misterioso do que se teria podido imaginar há um século. sem dúvida. [.] O conhecimento científico é certo.. (p.. A opinião é uma afirmativa sobre um objeto. um dogma.] Podemos até dizer que. os suburbanos de um Sol periférico. Finalizando este texto. na medida em que se baseia em dados verificados e está apto a fornecer previsões concretas. É a dúvida dos céticos. trata-se. O progresso das certezas científicas produz. que nos liberta de uma ilusão ingênua e nos desperta de um sonho lendário: é uma ignorância que se reconhece como ignorância. não caminha na direção de uma grande certeza. quer seja a dúvida metódica. da verdade.] Então. portanto. A dúvida metódica consiste na suspensão fictícia ou real. A visão que Popper registra com relação à evolução da ciência vem a ser a de uma seleção natural em que as teorias resistem durante algum tempo. de Laplace a Hubble. de Galileu a Einstein. (p. Quer seja a dúvida refletida. As teorias científicas são mortais e são mortais por serem científicas.] A dúvida é um estado de equilíbrio entre a afirmação e a negação. [. O progresso das certezas científicas. nós cidadãos do planeta Terra. de rupturas. perdemos o trono da segurança que colocava nosso espírito no centro do universo: aprendemos que somos. encontram neles mesmos a autoverificação incessante (referência ao pensamento sacralizado dos fundadores. 23)... uma incerteza “boa”. Imbuído do espírito científico que se constrói ao longo da vida. Uma doutrina. 32 . 22). o que faz que uma teoria seja científica. Quem emite uma opinião tem medo de se enganar porque os argumentos em contrário são fortes e o sujeito não tem evidências suficientes para refutá-los.METODOLOGIA DA PESQUISA Veja como Cervo se manifesta sobre esses estados de espírito: Ignorância é um estado puramente negativo. de passagem de uma teoria para outra. da evidência. de posse de instrumental metodológico e pesquisando a verdade com rigor e seriedade. A dúvida universal consiste em considerar toda asserção como incerta. entretanto.. não por serem verdadeiras. mas também de transformações. é oportuno trazer à nossa reflexão alguns trechos retirados de Morin (1999): A evolução do conhecimento científico não é unicamente de crescimento e de extensão do saber. mas sempre provisória. que consiste na ausência de todo conhecimento relativo a qualquer objeto por falta total de desvelamento. se não for a sua “verdade”? Popper trouxe a idéia capital que permite distinguir a teoria científica da doutrina (não científica): uma teoria é científica quando aceita que sua falsidade possa ser eventualmente demonstrada. (p. de uma etapa essencial à compreensão do conhecimento. do assentimento a uma asserção tida até então por certa para lhe controlar o valor. 24).. As definições de Cervo sobre os diferentes tipos de dúvida deixam bastante claro que ela é um estado de espírito bastante útil e necessário para o conhecimento científico. o progresso da incerteza.

A teoria de Ptolomeu é chamada de geocentrismo e a de Copérnico. mas a Terra e os demais planetas giram ao seu redor”. O que distingue o conhecimento popular do conhecimento científico? Exemplifique. Jornal é uma fonte de conhecimentos em suas diferentes modalidades. de heliocentrismo. Quais as principais diferenças entre o conhecimento filosófico e o científico e como essas diferenças repercutem na metodologia empregada por filósofos e cientistas? 5. De que maneira diferentes formas de conhecimento podem coexistir na mesma pessoa? 7. De que maneira o Homem desafia os mistérios que o Mundo lhe oferece tornando-o um mundo cultural e transformando-o para atender as suas necessidades? 2. leia o texto “O conhecimento científico”. Por que o conhecimento religioso é considerado infalível para os crentes e suas evidências não são verificáveis? 6. matéria publicada no Jornal do Brasil. apresente por escrito suas conclusões. fundamentando-se em suas próprias observações e analisando estudos de astrônomos. segundo Luckesi? 3. leia as três questões a seguir: a) Você concorda com Morin quando ele afirma que a evolução do conhecimento científico pode não ser apenas crescimento do saber.UNIDADE II Para orientá-lo em suas reflexões. Concluída a análise. Claudio Ptolomeu formulou a teoria de que a Terra era o centro do universo. ocorre uma ruptura com o conhecido? b) A idéia defendida durante a Idade Média ocidental de que a Terra era plana era um dogma ou uma teoria? c) Como o progresso das certezas científicas pode produzir o progresso da incerteza? Exercícios Com o auxílio do texto responda às questões: 1. ⇒ Recomendo também a leitura de Zaluar et al. 4. encontrado no livro de Köche (2001). Quais as características do conhecimento. Hoje sabemos que o Sol não é o centro do universo. que leva o leitor a refletir sobre questões éticas ligadas à pesquisa. siga o seguinte roteiro: conhecimento conhecimento científico verdade . Copérnico concluiu que o Sol estava no centro do universo e a Terra juntamente com os demais planetas estavam envolvidos por uma ‘esfera de estrelas fixas’. à luz do referencial teórico no texto: “No século II. (2000). Procure e recorte exemplos das quatro modalidades que você analisou no texto estudado. Se desejar. Analise a situação apresentada a seguir. Nicolau Copérnico contestou a teoria de Ptolomeu. 33 . 8. Somente no século XV. com os planetas e o Sol girando ao seu redor. uma vez que. em muitas ocasiões.evidência – certeza Enriqueça seu estudo ⇒ Para complementar os conteúdos relativos ao objetivo desta unidade.

ampliar e aperfeiçoar a relação do homem com a realidade através do conhecimento. A grande diversidade de fenômenos que ocorrem no universo levou o homem a estudá-los dividindo-os em diversos ramos ou ciências específicas que têm sido grupadas de acordo com sua complexidade ou de acordo com seu conteúdo. Lakatos (1995). p. dentre os quais o de Ander-Egg: “A ciência é um conjunto de conhecimentos racionais.]. leis e princípios que regulam os eventos. como diz Espagnat. fatos. a ele outros cientistas se seguiram. é preciso citar que. 1995.distinguir características comuns. política. fenômenos. 58): A ciência não é uma operação de verificação das realidades triviais. há um problema de sacrifício de ambas as partes. baseando-se em Bunge. b) função . Dentre os autores adotados neste curso. velado. com o mundo real que se oculta. Neste texto você e eu faremos algumas reflexões sobre ciência. Em contrapartida. biologia e outras • sociais . • formal . devemos ter em mente o que afirma Morin (1999. apresenta a seguinte classificação para as ciências: a) formais . economia.a lógica e a matemática b) factuais . 19) Entretanto. Ela apresenta e analisa diversos conceitos de ciência.física. são precisos sacrifícios enormes [. Augusto Comte foi um dos primeiros a apresentar uma classificação para as ciências. ela é a descoberta de um real escondido ou.. p. direito. no diálogo que a atividade científica estabelece com o mundo dos fenômenos. leis e teorias. 34 . Lakatos (1995) serviu de orientação para o desenvolvimento deste texto. psicologia social.enfoque especial das diversas ciências frente ao mesmo objeto material.. obtidos metodicamente. c) objeto • material .METODOLOGIA DA PESQUISA Texto 6 Fatos e Teorias na Construção do Conhecimento No texto anterior foi abordado o conhecimento. objeto desta disciplina. que fazem referência a objetos de uma mesma natureza. Para que haja uma aproximação e um diálogo entre a inteligência do homem e a realidade ou a natureza do mundo.divididas em dois grupos • naturais . sociologia e outras. certos ou prováveis.” (LAKATOS.tudo aquilo que se pretende conhecer ou verificar.antropologia cultural. sistematizados e verificáveis. química. em especial o conhecimento científico. São características das ciências: a) objetivo ou finalidade .

Isso significa que um princípio federador e organizador do saber deve impor-se. como a matemática. As reflexões já desenvolvidas ao longo desta unidade encontram-se resumidas na seguinte passagem: [. sistemático e racional dos fatos. enquanto as factuais verificam. como mostra Godoy (1999). representava a idéia de uma só ciência defendida por iluministas na metade do século XIX. ao comentar o livro traduzido do cientista “A unidade do conhecimento. pela ótica da ciência futura. Segundo Godoy. O termo consiliência é antigo. Mas. estudam fatos que se supõe ocorrer na realidade e. p. Isso não significa que as distinções. englobar as disciplinas. 1995.] a finalidade da atividade científica é a obtenção da verdade. (LAKATOS. abrir. o argumento central do cientista é de que o trabalho mental é produto de atividades psicoquímicas do cérebro e suas interações com o corpo humano. Wilson. O que são fatos? Segundo Cohen e Nagel. As primeiras. Observe o que escreve Morin (1999. permite alcançar o objetivo – conhecimentos válidos e verdadeiros –. dentre as quais interessam ao presente estudo: “coisas que existem no espaço 35 . As segundas. cada vez mais tende-se a ultrapassar. são pontes entre a observação da realidade e a teoria científica. através do estudo metódico. como a física. Wilson afirma que há condições de superar a situação atual e reunir os vários campos do conhecimento. detectando erros e auxiliando as decisões do cientista. Consiliência”. e elas aparecerão. p. chegam ao conhecimeto da realidade. então. p. traçando o caminho a ser seguido. 25). podem usar a observação e a experimentação para testar suas hipóteses. as ciências exatas são necessárias para o desenvolvimento das ciências sociais e humanas. Outro aspecto a destacar é que as ciências formais podem demonstrar ou provar. 40). por exemplo. em toda parte.. Nesse sentido. p. 10): A pré-história da ciência ainda não está morta no fim do século 20. enquanto a verificação é provisória. O. as competências devam dissolver-se. a palavra fato pode referir-se a coisas diferentes. que explica a realidade. com maior segurança e economia. as especializações. 1995.UNIDADE II A diferença básica entre os dois grandes grupos reside no objeto de estudo. através da comprovação de hipóteses que. usam a lógica. 27). Em conseqüência. As ciências factuais. Não é outra a posição do cientista Edward. como um momento de sua pré-história. por sua vez. comprovando ou refutando suas hipóteses. Não se pode falar dos ramos das ciências sem enfocar a posição de cientistas que se opõem a um excesso de especializações. não têm relação com fatos da realidade e em conseqüência “não podem valer-se dos contatos com essa realidade para convalidar suas fórmulas” (LAKATOS. O método é o conjunto de atividades sistemáticas e racionais que. citados por Lakatos (1995.. A demonstração é final. as ciências formais estudam as idéias e as ciências factuais estudam os fatos.

Arquimedes. [.. Este fato levou a uma lei da hidrostática. b) os fatos podem provocar a rejeição ou a reformulação de teorias já existentes. uma descoberta. generalizações. não produziria a ciência. Explica Lakatos (1995. 36 . 89). classificações. A função da hipótese é chegar aos fatos. por sua vez. temos uma teoria..” (p. pode provocar o início de uma nova teoria. regras. a teoria se baseia em fatos e a justaposição de fatos sem “um princípio de classificação (teoria). Existem exemplos clássicos de fatos que deram origem a leis e teorias. durante longo tempo. através das generalizações empíricas e das inter-relações entre afirmações comprovadas.]” Veja o exemplo a seguir: a convivência de indivíduos heterogêneos. estudaram o papel da teoria em relação aos fatos que apresento esquematicamente: a) a teoria serve como orientação para restringir a amplitude dos fatos a serem estudados. se o fato é uma observação empiricamente verificada. leis. citados por Lakatos. Goode e Hatt. Quando o conhecimento a respeito de fatos ou de relações entre eles é amplo. p.89) que. baseando-se em fatos e relações já conhecidos. Veja o que diz Lakatos: a) um fato novo. 89). os aspectos invariáveis comuns a diferentes fenômenos. em outras palavras. por exemplo. fato é qualquer coisa que exista na realidade. c) a teoria serve para resumir sinteticamente o que já se sabe sobre o objeto de estudo. d) a teoria serve para. princípios.” (p. b) a teoria serve como sistema de conceptualização e de classificação dos fatos. Logo. também podem desempenhar função significativa na construção da teoria. Em suma. A ciência não se preocupa com casos individuais e sim com generalizações. chegar a proposições gerais denominadas leis. e) a teoria serve para indicar os fatos e as relações que ainda não estão satisfatoriamente explicados e as áreas da realidade que demandam pesquisas. o desenvolvimento cientifico é “uma inter-relação constante entre teoria e fato. em virtude das quais uma proposição é verdadeira. teoremas e axiomas”. a realidade empírica se revela através de fatos. “a teoria se refere a relações entre fatos ou. à ordenação significativa desses fatos. leva à estratificação. Verifica os fatos particulares para. prever novos fatos e relações. através deles. A lei procura explicar os fenômenos da realidade. consistindo em conceitos. Os fatos. no seio de uma comunidade.METODOLOGIA DA PESQUISA e no tempo (assim como as relações entre elas). correlações. ao se banhar percebeu que seu corpo perdia peso quando mergulhava na água. Esta conceituação leva a concluir que teoria e fato são os objetos de estudo dos cientistas.

que fatos e teorias se integram e se completam em função do objetivo da ciência: a procura da verdade. Iniciouse. leis e teorias. também. bem como com a importância e características do conhecimento científico como forma de libertação do Homem em relação ao mundo. Vimos. Chegamos ao final da Unidade II cujo tema foi o conhecimento. ⇒ A leitura do texto “O problema metodológico da pesquisa”. Você deve ter-se familiarizado com suas diferentes modalidades. 37 . no sentido de que afirmam em pormenores o que a teoria afirma em termos bem mais gerais. resumindo-o. Na próxima Unidade vamos aprofundar os procedimentos científicos para a produção do conhecimento. fenômeno. Enriqueça seu estudo ⇒ A leitura do capítulo 2 de Köche (2001) “Ciência e método: uma visão histórica” propiciará uma análise das ciências grega. Realize uma leitura analítica deste texto. moderna e contemporânea. itens 1 e 2.UNIDADE II c) os fatos redefinem e esclarecem a teoria previamente estabelecida. 2000). levará o leitor a fazer uma revisão dos conceitos de fato. assim. d) os fatos descobertos e analisados pela pesquisa empírica exercem pressão para esclarecer conceitos contidos na teoria. no entendimento do modo específico que a ciência adota para conhecer a realidade: a verificação de fatos e a inter-relação entre os mesmos (leis e teorias). (Rudio. Exercício 1.

distinguir características comuns aos eventos função .forma teórico-prática e prático-teórica de compreender a realidade que nos cerca.é a ausência de conhecimento relativo a um objeto por falta de desvelamento Dúvida . subjetivo.superficial. é o critério da verdade Certeza . mas sem certeza Fatos e Teorias na Construção do Conhecimento Ciência . verificável.real. racional.é a adesão firme a uma verdade Ignorância . assistemático.estado de equilíbrio entre afirmação e negação Opinião ..relações entre fatos. sua ordenação significativa .percepção que se tem do fato Teoria .é a manifestação clara do ser.conceitos. certos ou prováveis. sensitivo. Sociologia. falível filosófico . princípios.verdades aceitas pelos homens a partir da revelação divina Verdade-Evidência-Certeza Verdade .METODOLOGIA DA PESQUISA Esquematizando. leis Desenvolvimento científico . Concepções e Formas de Conhecimento Conhecimento . a-crítico científico . objetivo . Química Exemplos: Antropologia Cultural. classificações. Direito Factuais estudam os fatos Ciências Sociais Fato . Psicologia. isto é. sistematizados e verificáveis. é social é histórico é um modo de iluminação da realidade é necessário para o progresso pode ter função de libertação ou de opressão Aspectos do conhecimento Abordagens do conhecimento empírico (vulgar ou popular) . que fazem referência a objetos de uma mesma natureza.qualquer coisa que exista na realidade Fenômeno .afirmativa sobre um objeto.. sistemático.é o encontro do homem com o desvelamento do ser Evidência .ampliar e aperfeiçoar a relação homem x realidade objeto . sistemático teológico .valorativo. obtidos metodicamente.conjunto de conhecimentos racionais. generalizações.material e formal Caracterização das ciências Classificação das ciências estudam as idéias Formais Exemplos: Lógica e Matemática podem demonstrar ou provar Ciências Naturais Exemplos: Física.inter-relação constante entre teoria e fato • Papel da teoria em relação aos fatos • Papel dos fatos na construção da teoria 38 .

significado e modalidades de pesquisa científica OBJETIVOS ESPECÍFICOS Carga horária: 05h TAREFAS PREVISTAS Estudo do texto 7 "Pesquisa científica: conceito e modalidades" Exercícios Conceituar pesquisa e distinguir suas diferentes modalidades 2. Finalidade. Paradigmas conflitantes na atualidade Identificar diferentes paradigmas metodológicos da pesquisa científica Enriqueça seu estudo Estudo do texto 8 "Paradigmas metodológicos da pesquisa científica" Exercícios Unidade III .A Produção e Transmissão do Conhecimento Através da Pesquisa Científica Guia de estudo ASSUNTO 1. Abordagem metodológica da pesquisa científica.

caracteriza-se por apresentar resultados que são novas conquistas para a área de conhecimento investigada. o conhecimento científico? A maneira específica utilizada pela ciência para a obtenção do conhecimento científico é através da pesquisa. A pesquisa varia de acordo com a qualificação do investigador. então. de cunho prático. a pesquisa desenvolve-se ao longo de um processo que envolve inúmeras fases. perguntar: o que é pesquisa? Pode-se definir pesquisa como o procedimento racional e sistemático que tem como objetivo proporcionar respostas aos problemas que são propostos. seguindo os passos dos pesquisadores profissionais. Como obter. A pesquisa tem diferentes objetivos. a pesquisa será um resumo de assunto.METODOLOGIA DA PESQUISA Texto 7 Pesquisa Científica: conceito e modalidades O conhecimento científico. desde a adequada formulação do problema até a satisfatória apresentação dos resultados (GIL. como ficou evidente na Unidade II. A produção do conhecimento científico. estabelece princípios científicos. Cabe. 40 . é essencial para que o Homem entenda a realidade e a transforme. a pesquisa resumo exige a utilização dos métodos científicos empregados naquela. ou então quando a informação disponível se encontra em tal estado de desordem que não possa ser adequadamente relacionada ao problema. 19). A pesquisa é requerida quando não se dispõe de informação suficiente para responder ao problema. técnicas e outros procedimentos científicos. para esta investigação empregam-se metodologia e técnicas científicas e utilizam-se como pressupostos iniciais conhecimentos já existentes sobre a questão. Apesar de não se tratar de pesquisa original. A pesquisa aplicada é realizada por questões imediatas. A pesquisa é desenvolvida mediante o concurso dos conhecimentos disponíveis e a utilização cuidadosa de métodos. parte da problematização de uma situação que é investigada através da pesquisa. então. o objetivo daqueles que se iniciam é aprender a metodologia e as técnicas. 1996. Quanto à pesquisa original. método científico e a resposta ou solução. diferente da pesquisa original elaborada pelo pesquisador profissional. Neste caso. São elementos essenciais à pesquisa: a dúvida ou problema. A pesquisa pura é aquela realizada por questões de ordem intelectual. Na realidade. como ficou claro na definição acima. amplia o saber. p. busca soluções para problemas concretos.

a pesquisa começa na infância e está em toda a vida social. mas aprende-se de verdade quando se parte para a elaboração própria. a curiosidade. é sobretudo aprender em sentido criativo.] Dialogar com a realidade talvez seja a definição mais apropriada de pesquisa.UNIDADE III Neste ponto. estamos na presença do método. aproveito para lembrar que incentivar o espírito crítico. e) generalizar. quando. f) prever ou predizer. Métodos e técnicas na pesquisa científica Existem diferentes maneiras de conceituar métodos e técnicas. 41 . o hábito da pesquisa é papel do professor. neste caso. tomando nota. entretanto. idéias ou opiniões que estejam em desacordo com as observações ou com as respostas resultantes. p. para levantamento de opinião de massa. pela primeira vez na vida. isto é. antecipar que. Não faz sentido dizer que o pesquisador surge na pósgraduação. c) registrar tão cuidadosamente quanto possível os dados observados com o intuito de responder às perguntas formuladas ou comprovar a hipótese levantada. dadas certas condições. [. porque a apanha como princípio científico e educativo. Há. estender as conclusões obtidas a todos os casos que envolvem condições similares. Se a nossa proposta for correta. Neste trabalho adoto a posição de Cervo. procedimentos que são utilizados pela totalidade ou quase totalidade das ciências. d) elaborar explicações ou rever conclusões. 46). Diz Cervo (1996. Quem sabe dialogar com a realidade de modo crítico e criativo faz da pesquisa condição de vida. veja o que diz Demo sobre o assunto: Pesquisar não é somente produzir conhecimento. para determinar a antigüidade em função do carbono etc.. é de se esperar que surjam certas relações. Esta metodologia é complementada com técnicas que são específicas para as diferentes ciências. a generalização é tarefa do processo chamado indução. Desse modo. Como exemplo. cito as técnicas específicas para testes de laboratório. (DEMO. São eles: a) formular questões ou propor problemas e levantar hipóteses. p. Educação criativa começa na e vive da pesquisa. existem procedimentos que são idênticos em todas as ciências e que são utilizados em quase todas as pesquisas. que aprende construindo. “métodos são técnicas suficientemente gerais para se tornarem procedimentos comuns a uma área das ciências ou a todas as ciências”.. desde o primeiro dia de vida da criança. para quem as técnicas são procedimentos científicos empregados por uma ciência determinada. progresso e cidadania. ou pelo menos aceitável. isto é. motivando o surgimento do pesquisador. 1992. b) efetuar observações e medidas. 44). É possível aprender escutando aulas. dialoga com a realidade e escreve trabalho científico.

diferente da pesquisa histórica. Ela é a pesquisa por excelência na área das ciências humanas. Assim. em pesquisas mais amplas. 42 . A pesquisa bibliográfica investiga o problema a partir do referencial teórico existente em documentos e publicações. Desde a graduação os alunos devem ser iniciados nesta modalidade de pesquisa. em pesquisa quantitativa ou qualitativa. certas atitudes etc. De acordo com este critério. auxiliam a formulação clara de um problema e de hipóteses. pelas ciências sociais e humanas.METODOLOGIA DA PESQUISA Modalidades ou tipos de pesquisa O homem pode investigar a realidade sob os mais variados aspectos. análise e correlação de fatos sem manipulá-los. A pesquisa descritiva caracteriza-se por estudar fatos e fenômenos físicos e humanos sem que o pesquisador interfira. O pesquisador utiliza técnicas de observação. educacionais etc. e) estudo de caso. Esta modalidade de pesquisa é utilizada. assim. as pesquisas podem ser grupadas segundo a área do conhecimento em pesquisas históricas. segundo o lugar em que se desenvolvem. segundo a sua utilização. pesquisa sobre determinado indivíduo. procedimentos etc. como os estudos exploratórios. Recomenda-se esta forma de pesquisa quando se precisa ampliar conhecimentos sobre o problema a ser investigado. existem diferentes tipos de pesquisa que são classificados pelos autores segundo diferentes critérios. também chamados de pesquisa quase científica. de campo. principalmente. definem objetivos e buscam maiores informações sobre determinado assunto em estudo. com a precisão possível. uma vez que ela é também a primeira etapa das pesquisas descritiva e experimental.. ele apresenta os seguintes tipos de pesquisa: bibliográfica. portanto. Cervo adota como critério para classificação o procedimento geral utilizado. não elaboram hipóteses a serem testadas. econômica etc. Nas próximas unidades voltarei a tratar deste tipo de pesquisa. permite investigar e conhecer situações e relações que se desenvolvem na vida política. sendo. segundo o caráter dos dados coletados. com o objetivo de tomada de decisões. usos e costumes etc. Em conseqüência. Procura evidenciar. social. registro. Cervo destaca as seguintes subdivisões ou formas de pesquisa descritiva: a) estudos exploratórios. descritiva e experimental. segundo a forma de raciocínio. investiga documentos com o objetivo de descrever e comparar diferentes tendências. em pesquisa indutiva ou dedutiva etc. c) pesquisa de opinião abrange uma gama muito grande de investigações visando descobrir tendências. além de pesquisa original é também utilizada como pesquisa resumo para os iniciantes. em pesquisas de laboratório. sua relação e conexão com outros e suas características. f) pesquisa documental estuda a realidade atual. em pesquisa pura ou aplicada. em diferentes níveis de profundidade e com diferentes objetivos. interesses. d) pesquisa de motivação procura as razões ocultas que determinam a preferência por determinado produto. grupo ou comunidade com o objetivo de investigar vários aspectos da vida cotidiana do investigado. b) estudos descritivos ocupam-se do estudo e descrição das propriedades ou relações existentes na realidade pesquisada. a ocorrência de um fenômeno.

Enumere três características da pesquisa científica. Exercícios 1.” (Cervo. a pesquisa experimental pretende explicar as causas e a maneira pela qual o fenômeno é produzido.UNIDADE III Em todas essas formas. Cite uma diferença entre a pesquisa descritiva e a pesquisa experimental. 2. Que características precisa ter um trabalho científico para ser considerado pesquisa pura ou pesquisa aplicada? 4. A pesquisa experimental caracteriza-se por manipular diretamente as variáveis relacionadas com o objeto de estudo. tornando perceptíveis as relações existentes entre as variáveis. São criadas situações de controle e interfere-se na realidade. em seus alunos. 43 . Qual o objetivo da pesquisa bibliográfica? 7. 51). p. Os cientistas usam diferentes critérios para classificar as pesquisas. descritiva e experimental? Enriqueça seu estudo ⇒ Através da leitura do texto “Pesquisa descritiva e pesquisa experimental” (Rudio. 8. o questionário e a entrevista. 3. você terá oportunidade de ampliar a noção de “variáveis” e suas diferentes modalidades. que serão abordados na Unidade IV. Uma das características da pesquisa científica é o emprego de procedimentos científicos. bem como aprofundar as noções sobre os tipos de pesquisa estudados. 9. 1996. a tecnologia oferece ao pesquisador aparelhos e instrumentos que permitem atingir os seus objetivos. Que critério adota Cervo para classificar as pesquisas em bibliográfica. para tanto. Você concorda com a afirmativa de que o estudante universitário que se inicia na pesquisa e o pesquisador profissional têm objetivos distintos? Justifique. hábitos de estudo que favoreçam o surgimento do espírito científico. o pesquisador utiliza como instrumentos a observação. 2000). Faça um esquema representando as subdivisões da pesquisa descritiva citadas por Cervo. Concluímos aqui este texto esperando que você adote a pesquisa como forma de conhecer a realidade que o cerca e desenvolva. “manipulandose a variável independente a fim de observar o que acontece com a dependente. Qual a diferença entre a pesquisa original e a pesquisa resumo? 5. Que nome recebem esses procedimentos e como Cervo os define? 6. Modernamente. Enquanto a pesquisa descritiva procura explicar e interpretar os fenômenos que ocorrem. a coleta de dados da realidade presente é a técnica por excelência.

uma vez que não levavam à solução de problemas prementes. Nesta linha. um paradigma adota a pesquisa utilizada nas ciências naturais para explicar os fatos e fazer previsões em outras áreas. desdobraram-se em uma concepção estrutural. por estar voltada para a realidade empírica e pela maneira de transmitir o conhecimento obtido. p. Já no começo do século XX. outras concepções se desenvolveram. duas tendências conflitantes predominam na comunidade científica. nos meios acadêmicos alemães incentivam-se as discussões metodológicas sobre as ciências humanas. entretanto. distingue-se de outras modalidades de investigação pelos métodos e técnicas utilizados. o outro. Apesar da grande influência desse paradigma. 2000. [. a respeito dos fatos sociais. trabalhar a natureza e elaborar as suas ações e idéias são fins subjacentes a todo esforço de pesquisa. Chizzotti (2000. 131).” A pesquisa científica. Pareto e Durkheim estenderam este paradigma experimental à análise da sociedade. p. uma lógica própria para a investigação dos fenômenos humanos e sociais a partir do contexto concreto em que os mesmos ocorrem.METODOLOGIA DA PESQUISA Texto 8 Paradigmas Metodológicos da Pesquisa Científica Vimos no texto anterior que a pesquisa é o meio por excelência de se obter o conhecimento e que a mesma se apresenta sob diferentes modalidades. criar objetos e concepções. a partir da década de oitenta. encontrar explicações e avançar previsões. funcionalista da sociedade. adotassem um paradigma que se adaptasse às especificidades da área. embora importantes e 44 . A fundamentação do primeiro paradigma se encontra no Positivismo de A.. No século atual. em conseqüência da amplitude e enfoque da realidade investigada pelas ciências. defende uma metodologia. As pesquisas quantitativas – descritivas e experimentais –. No Brasil. Durkheim e Weber. pesquisadores começaram a mostrar insatisfação com a utilização de métodos experimentais na área humana. Comte para o estudo dos fatos sociais e no Empirismo de Mill para a investigação de fenômenos psicológicos. 11) explica que “Transformar o mundo. critica-se a adoção de modelos das ciências da natureza para explicar as ciências do homem e novos caminhos vão surgir para a compreensão das ciências humanas e sociais. partindo de outros pressupostos.] As interpretações de Parsons (1902-1979) sobre Pareto. Essa concepção se difundiu nos meios acadêmicos norte-americanos e constituiu-se em um método de análise e explicação dos fenômenos sociais (CHIZZOTTI. Era necessário encontrar formas alternativas de investigação que..

São as metodologias qualitativas. podemos afirmar que a pesquisa qualitativa envolve várias correntes de pesquisa baseadas em pressupostos contrários ao modelo experimental e emprega métodos e técnicas muitas vezes diferentes daqueles adotados neste modelo. as regras lógicas do conhecimento. p. Este fato não invalida a necessidade de que as ciências humanas tenham uma metodologia específica “porque o fenômeno humano possui componentes irredutíveis às características da realidade exata e natural. que adota uma posição intermediária. muitas vezes empregados indevidamente como equivalentes. Entre a polêmica suscitada pelos que defendem uma só metodologia científica calcada nas ciências naturais e aqueles que consideram o fenômeno humano tão específico que necessita de metodologia totalmente diferente daquela das ciências naturais. Começa-se.” (CHIZZOTTI. quando é ou não adequado utilizá-la e como se coloca a questão do rigor científico nesse tipo de investigação. participante. acompanho Demo (1985). ainda parecem existir muitas dúvidas sobre o que realmente caracteriza uma pesquisa qualitativa. Citam as pesquisas do tipo etnográfico e o estudo de caso como pesquisas qualitativas que vêm tendo grande aceitação na área educacional. 45 . Existem procedimentos comuns a todas ou quase todas as ciências e procedimentos específicos decorrentes das características particulares de cada uma. afirmam que a pesquisa qualitativa ou naturalística utiliza dados descritivos obtidos pelo pesquisador no contato com a situação em estudo. não eliminaram os desafios da realidade fluida do mundo das variáveis neste campo. Os cientistas favoráveis à pesquisa qualitativa são contrários ao paradigma positivista que adota um padrão único de pesquisa calcado no modelo das ciências naturais para todos os ramos da ciência. enfatiza o processo e leva em consideração a perspectiva dos participantes. em uma dada cultura) e pelo método histórico-antropológico. que capta os aspectos específicos dos dados e acontecimentos no contexto em que acontecem.UNIDADE III prestando grandes serviços à pesquisa social. 2001. visando superar limitações não superadas pelas pesquisas até então desenvolvidas. explicando que muito da abordagem das ciências naturais vale igualmente para as humanas. então. naturalística. (LÜDKE. etnográfica. estes cientistas optam pelo método clínico (a descrição do homem em um dado momento. o que justifica uma metodologia própria. 11). Em síntese.” (p. “Em oposição ao método experimental. 79). Afirmam que a especificidade das ciências humanas é o estudo do comportamento humano e social. p. explica Lüdke: Apesar da crescente popularidade dessas metodologias. Outro aspecto que também parece gerar ainda muita confusão é o uso de termos como pesquisa qualitativa. citados por Lüdke. serão abordados os procedimentos comuns às ciências e que se concretizam nos projetos de pesquisa. a adotar novas abordagens e metodologias de investigação ligadas ao paradigma das Ciências Humanas. 13). por exemplo. estudo de caso e estudo de campo. 2000. como. Bogdan e Biklen. Na próxima Unidade. sobre elas.

o significado de “concepção funcionalista da sociedade”. enfatiza o processo e a perspectiva dos participantes.difere de outras modalidades de investigação pelos métodos e técnicas utilizados. Métodos .manipula diretamente as variáveis relacionadas com o objeto de estudo qualitativa . Pesquisa Científica: conceitos e modalidades Pesquisa .realizada por questões de ordem intelectual. Localize. Pesquisa pura . 2. Pesquisa aplicada .. o método científico e a resposta ou solução. 4.estuda fatos e fenômenos físicos e humanos sem que o pesquisador interfira experimental . em livros de Sociologia.técnicas gerais. Modalidades ou tipos de pesquisa: bibliográfica .envolve várias correntes de pesquisa que empregam técnicas específicas das ciências humanas e sociais.investiga o problema a partir do referencial teórico existente em publicações descritiva .procedimentos científicos empregados por uma determinada ciência.METODOLOGIA DA PESQUISA Exercícios 1. Técnicas . práticas. comuns a uma área das ciências ou a todas as ciências. 2 . pela maneira de transmitir o conhecimento obtido e por estar voltada para a realidade empírica.A construção científica.procedimento racional e sistemático que tem como objetivo proporcionar respostas aos problemas que são propostos para obtenção do conhecimento científico.realizada por questões imediatas. Paradigmas Metodológicos da Pesquisa Científica Pesquisa científica ..utiliza dados descritivos.muito da abordagem das ciências naturais vale igualmente para as ciências humanas que a isto somam a necessidade de metodologia específica. Discorra sobre os dois paradigmas da ciência que se contrapõem na atualidade. Elementos essenciais da pesquisa . Discorra sobre a tendência predominante nas pesquisas educacionais realizadas na atualidade. Você concorda com a posição de Demo sobre os atuais paradigmas? Justifique. Esquematizando. b) metodologia própria para a investigação dos fenômenos humanos e sociais a partir do contexto concreto em que os mesmos ocorrem. Enriqueça seu estudo ⇒ Para aprofundamento desta Unidade muito contribuirá a leitura de dois textos de Demo (1985): 1 . Nessa linha encontra-se a pesquisa qualitativa. Paradigmas: a) utilização da pesquisa nas ciências naturais para explicar os fatos e fazer previsões. livros de Filosofia ou História das Ciências e transcreva o significado dos termos “positivismo” e “empirismo”. 3.Introdução ao ensino da metodologia da ciência. 5.a dúvida ou problema. Pesquisa qualitativa ou naturalística . Posição intermediária entre os dois paradigmas . Faça uma consulta a obras de referência. 46 .

problema. pressupostos teóricos. metodologia. O planejamento e a execução de pesquisas qualitativas OBJETIVOS ESPECÍFICOS Carga horária: 20h TAREFAS PREVISTAS Estudo do texto 9 "A lógica da concepção do projeto de pesquisa" Exercícios Estudo do texto 10 "A pesquisa bibliográfica" Exercícios Estudo do texto 11 "Pesquisas descritivas e experimentais" Exercícios Reconhecer a lógica que perpassa as diferentes partes de um projeto de pesquisa. O planejamento e a execução de pesquisas descritivas e experimentais 4. questões. A lógica da concepção e construção do projeto de pesquisa: tema. a partir da construção de uma matriz Caracterizar a pesquisa bibliográfica e as técnicas para a sua realização Caracterizar pesquisas descritivas e experimentais e as técnicas para a sua realização Caracterizar as pesquisas qualitativas e as técnicas para a sua realização Enriqueça seu estudo Estudo do texto 12 "Pesquisas qualitativas" Exercícios Unidade IV . cronograma e recursos 2. objetivos. O planejamento e a execução de pesquisas bibliográficas e documentais 3.Etapas do Processo de Produção de Pesquisas Científicas Guia de estudo ASSUNTO 1.

um primeiro. p. Seguindo esta posição intermediária. porém de viabilidade duvidosa. limitações e problemas que ocorrem no cotidiano. Veja os exemplos que ele dá: Um projeto de pesquisa que buscasse descobrir o elixir da juventude seria importante e original. embora seja relativamente fácil atender a um ou dois desses critérios.METODOLOGIA DA PESQUISA Texto 9 A Lógica da Concepção do Projeto de Pesquisa Ficou claro no texto “Paradigmas Metodológicos da Pesquisa Científica” que atualmente dois grandes paradigmas se contrapõem no estudo das ciências. porém destituída de importância (CASTRO. eliminando o exagero que caracteriza as pesquisas positivistas. contudo. 1997b) que uma escolha mal feita torna a pesquisa inviável. in ZENTGRAF. 49). ele terá experiência e visão mais detalhada das questões. 1997b. E explica ele que. que vem ganhando corpo entre os cientistas sociais e que pretende uma metodologia de pesquisa totalmente diferente para as ciências do homem. o mesmo não ocorre quando se trata dos três. importante e viável. deve-se considerar como pré-requisito que o tema da pesquisa esteja relacionado à área profissional do investigador. Desse modo. b) quando se relaciona a uma questão teórica cuja solução é uma contribuição para a literatura especializada. apresentarei a você a lógica de concepção de um projeto de pesquisa. uma pesquisa sobre a cor da roupa que os alunos trajam para ir fazer exame vestibular seria original e viável. seguido pelas ciências naturais e que pretende estender os procedimentos usados nestas ciências às ciências humanas e um segundo. 48 . Diante desta situação. Inicialmente. A 1ª etapa na concepção de uma pesquisa a ser realizada é a escolha do tema. qualquer originalidade. Uma pesquisa que buscasse medir a deserção no ensino primário estaria tratando de um tema importante e viável não trazendo. o pesquisador necessita adotar critérios na seleção do tema. Quando se pode afirmar que um tema é importante? De modo geral isto ocorre em duas situações: a) quando diz respeito a um segmento relativamente grande da sociedade. Na sua própria área. sem contudo abandonar totalmente os procedimentos para elaboração e desenvolvimento de projetos de pesquisa científica. principalmente frente ao rigor e sistematização tradicionalmente exigidos nas pesquisas científicas. Diz Castro (in Zentgraf. Esta segunda postura ainda apresenta muitos pontos obscuros. Muito interessante também é seguir o roteiro que Castro sugere para discussão do assunto da pesquisa e que se resume no seguinte: uma tese deve ser original. muitos pesquisadores têm adotado uma postura intermediária.

UNIDADE IV O que significa um tema original? Um tema é original quando seus resultados nos surpreendem. de se pesquisar a qualidade do ensino das universidades públicas. estaria começando a delinear diferentes problemas relacionados ao ensino fundamental através de perguntas precisas e definidas. 27) afirma que “um problema é de natureza científica quando envolve variáveis que podem ser tidas como testáveis. pode-se concretamente afirmar que o tema é inviável. objetiva. escolher problemas concretos e passíveis de solução. p. Neste aspecto convém destacar que. Não sendo possível o atendimento a esses itens. por exemplo. Feitas essas considerações sobre a escolha do tema. Muitas vezes. Como problematizá-lo? Se levantasse alguns questionamentos em torno do assunto. a produção científica etc. É o caso. porque um tema ainda não é um problema. em qualquer domínio do conhecimento. pesquisados. E quanto à viabilidade? Este critério é facilmente operacionalizado. Um iniciante em pesquisa que desejasse investigar o ensino fundamental estaria enfocando um tema demasiado genérico. O pesquisador. formular o problema de maneira clara.” Ele dá algumas “dicas” para a formulação de problemas científicos. Por exemplo: o nível de formação de professores. que. precisa verificar se o problema que pretende investigar se enquadra na categoria de científico. consulta à literatura que trata do tema. serão indicadores da qualidade do ensino nas universidades.. Muitas vezes o problema está formulado de maneira a levar a conclusões subjetivas e não objetivas como devem ser as investigações científicas. recursos financeiros. é decorrência da análise de alguns itens tais como: prazos. Gil (1996. em indicadores empíricos que caracterizem a qualidade de ensino. Sim. quanto mais investigado for um problema. O que é então um problema? Um problema é uma questão não resolvida e que é objeto de discussão. para clarificar o problema realizam-se estudos exploratórios e descritivos. teorias já existentes a respeito etc. será abordada a seguir a definição do problema. Assim. modalidades da pesquisa descritiva que você já estudou na Unidade III. menos chance haverá de revelar novas facetas. discussão e entrevistas envolvendo especialistas no assunto. tais como: de que maneira é feita a distribuição de vagas e a absorção do alunado? Qual a integração dos currículos com o contexto social nas escolas públicas do ensino fundamental no município do Rio de Janeiro? etc. aconselha reflexão sistemática sobre o objeto. O exemplo transcrito de Castro em relação a um tema de pesquisa que abordasse a evasão do ensino primário mostra claramente se tratar de um tema que dificilmente apontará fatos novos. E mais: elaborar questionamentos em torno do problema. disponibilidade de informações. como qualidade. Devem-se transformar os conceitos abstratos. 49 . no entanto.

variam de pesquisa a pesquisa. Poderá também trabalhar com hipóteses respostas provisórias ao problema em estudo que poderão ser confirmadas ou refutadas. tais como entrevistas e questionários. Sobre as hipóteses. o pesquisador registra as etapas do projeto. o controle e as técnicas a serem usadas. Nas pesquisas qualitativas.METODOLOGIA DA PESQUISA Escolhido o tema e tornado o assunto pesquisável através da problematização. Veja-se a lógica que envolve as várias etapas aqui expostas. Para alcançar o objetivo final. respondidos. 50 . A pesquisa bibliográfica será objeto de um texto em separado. Moulin (in Zentgraf. Não há um rígido planejamento prévio. devem-se estabelecer os pressupostos teóricos que servirão de fundamento à pesquisa. Na pesquisa descritiva faz-se a exposição detalhada de todos os passos da coleta e registro de dados. tipo de experimento e registro de resultados. levarão ao alcance do objetivo final da pesquisa. 2002).35). até onde o pesquisador pretende chegar com sua investigação. terceira etapa na concepção do projeto. entretanto. O necessário agora é passarlhe a idéia da lógica das diferentes partes de um projeto e. A matriz para montagem e avaliação de projetos Com a finalidade de facilitar a montagem de projetos de pesquisa. o pesquisador trabalhará com questões ou objetivos específicos que. Se a pesquisa for experimental. (THIOLLENT. Quem? Quando? Onde? Como? Expõem-se também as dificuldades. portanto. Os pressupostos são as teorias. podendo verificar a lógica e coerência entre elas. as precauções. algumas considerações de Gil (1996) explicam ser a hipótese uma proposição ou expressão verbal suscetível de ser declarada verdadeira ou falsa. O tema (o que investigar) foi desdobrado em um problema que pressupõe estudos teóricos que servirão de base ao objetivo que o pesquisador pretende alcançar. Para conhecer e optar pelos pressupostos que direcionarão o estudo. os pontos de vista já existentes sobre a questão a ser pesquisada e que servirão de base ao estudo. um fato importante. também. detalham-se os procedimentos de observação. isto é. A etapa seguinte é estabelecer o objetivo da pesquisa. Prosseguindo. Observe o modelo de matriz contendo as etapas essenciais do projeto. num processo de idas e voltas. é.” (p. uma “proposição estável que pode vir a ser a solução do problema. as técnicas se estabelecem durante a pesquisa. o pesquisador explicita no projeto como vai trabalhar para chegar ao que pretende: a metodologia que adotará e as técnicas que utilizará. as teses. de forma esquemática. que é fazê-lo entender que esses itens não são rígidos. a manipulação das variáveis. o pesquisador deverá fazer uma pequena pesquisa bibliográfica sobre o problema. 1997b) recomenda que primeiramente seja construída uma matriz. onde.

análise dos • resultados 3) Conclusões 4) Elaboração do relatório final (monografia) *Adaptado de matriz elaborada por cursista do CEP (in ZENTGRAF. um currículo voltado vêm defendendo para a formação a idéia de se técnico-profissional rever a questão em consonância com curricular dentro os avanços técnicodo enfoque científicos do final do histórico-crítico século. que fundamentem dentre outros. 51 . 2000. [1996]. profissional conectada com os novos paradigmas do mundo do trabalho e a perspectiva de uma educação voltada para a construção do cidadão/trabalhador. É apenas um exemplo. Autores como 1) Evidenciar Libâneo (1996) e abordagens teóricas Snyders (1981). tendo em vista as mudanças ocorridas no mundo? Procedimentos (metodologia) 1) Pesquisa bibliográfica e documental técnicas: levantamento e • seleção de bibliografia leitura analítica • fichamento • análise comparativa • análise dos • currículos atuais levantamento e • análise da legislação pertinente ao ensino técnico 2) Pesquisa descritiva: entrevista com • diretores. p. coordenadores e alunos. Agora. 47). existem inúmeras outras maneiras igualmente válidas. p. 81. O 2) Elaborar uma currículo de proposta de quase todas as reformulação escolas hoje curricular para as segue o modelo Escolas Técnicas técnico-linear Federais que proposto por contemple uma Ralph Tyler formação técnico(1978). professores.UNIDADE IV Matriz analítica para montagem e avaliação de projetos Tema: Título: Definição da situaçãoproblema Pressupostos teóricos Definição dos objetivos do estudo Questões do estudo e/ou hipóteses Procedimentos Fonte: Moulin. Tema: Educação e currículo Título: Projeto de reformulação curricular das escolas técnicas federais Situaçãoproblema Que reformulações serão necessárias para que os atuais currículos das escolas técnicas atendam ao avanço técnicocientífico desse final de século? Pressupostos teóricos Definição dos objetivos do estudo Questões do estudo e/ou hipóteses Questões: 1) Quais as diferentes abordagens teóricas encontradas nos currículos das atuais Escolas Técnicas Federais? 2) Quais as mudanças fundamentais no currículo para torná-lo mais atual? 3) Que pressupostos deverão subsidiar os currículos das escolas técnicas. da educação. você terá oportunidade de analisar uma matriz preenchida com os dados fundamentais de um projeto.

• Cronograma de execução . os pressupostos teóricos e o objetivo que pretende alcançar. (SEVERINO. considerado necessário. explicitando as etapas a serem alcançadas.onde deve constar texto ou documento não elaborado por você. • Anexo . na medida do possível. estruturá-lo? A disposição dos diferentes itens no projeto não se reveste de caráter rígido.METODOLOGIA DA PESQUISA A construção do projeto de pesquisa Uma vez preenchida a matriz de montagem e avaliação de projetos. Veja algumas: Define e planeja para o próprio orientando [aluno] o caminho a ser seguido no desenvolvimento do trabalho de pesquisa e reflexão. a justificativa.detalhamento dos recursos humanos (pessoal). A seguir sugiro uma estrutura que você poderá seguir ao elaborar um projeto de pesquisa. • Folha de rosto .enumeração das principais divisões e seções do projeto. • Referências . 52 . Como. mas que considere necessário. Severino destaca as vantagens de um projeto bem elaborado. • Introdução . como o pesquisador chegou a ele.onde de forma dissertativa é apresentado o tema. • Sumário . os métodos de raciocínio (facultativo) e as técnicas a serem empregadas (procedimentos mais restritos). então. o projeto é um documento que deve acompanhar o pesquisador durante todo o processo da pesquisa.de maneira clara e objetiva. • Orçamento . seguida.onde deve constar texto ou documento elaborado por você. os instrumentos e estratégias a serem usados. • Apêndice . ou então. Este planejamento possibilitará ao pós-graduando/pesquisador impor-se uma disciplina de trabalho não só na ordem dos procedimentos lógicos mas também em termos de organização do tempo.listagem das fontes utilizadas no planejamento e elaboração do projeto. • Hipóteses ou questões a investigar . também de forma dissertativa. Como está bastante claro. o autor anuncia o tipo de pesquisa.aqui. questões a serem pesquisadas. materiais e financeiros necessários. explicitar hipóteses. a origem do problema. varia de autor para autor. seqüência de roteiros e cumprimento de prazos. • Procedimentos/Metodologia . 159). 2000. você estará de posse dos dados essenciais para a construção do projeto de pesquisa.contendo dados de identificação do projeto.formulário onde são registradas as etapas e atividades da execução da pesquisa segundo o tempo previsto. sua delimitação. é uma diretriz a ser. p.

reflita sobre um tema que considere adequado a uma pesquisa. Além da originalidade. Em que argumentos ele se baseou para fazer tal afirmativa? 2. “Como encaminhar uma pesquisa” e “Como formular um problema de pesquisa. 4. não trazendo. 3. respectivamente. qualquer originalidade.” encontrados em Gil (1996). 53 . Perguntamos. Você teve oportunidade de ler sobre os critérios para selecionar um tema para um trabalho científico. A partir de sua vivência profissional. o tema ainda não é o problema do qual se origina uma pesquisa. que outros dois critérios Castro considera necessários na escolha de um tema de pesquisa? Caracterize-os.UNIDADE IV Exercícios 1. Conclua esta tarefa procurando preencher uma matriz com os dados de um tema de seu interesse. um projeto de pesquisa que medisse a deserção no ensino fundamental estaria tratando de um tema importante e viável. Enriqueça seu estudo ⇒ Os capítulos 1 e 2. Verifique se o tema escolhido se enquadra nos critérios definidos por Castro. então: O que é um problema? 5. Entretanto. Segundo Castro. contudo. trarão grande contribuição para sua aprendizagem.

44).METODOLOGIA DA PESQUISA Texto 10 A Pesquisa Bibliográfica Neste texto (adaptado de Zentgraf. citado por Lakatos (2001. O pesquisador pode recolher dados através de observações. p. Para facilitar o seu estudo. quando diz: Pesquisa bibliográfica é a que se efetua tentando resolver um problema ou adquirir novos conhecimentos a partir de informações publicadas em livros ou documentos similares (catálogos. Como você vê. artigos etc. Ela é particularmente importante porque. assunto ou idéia. além de ser uma pesquisa independente. o texto está 54 . mas a qualquer profissional. é pré-requisito para qualquer pesquisa científica. Manzo. entrevistas e questionários nos locais em que o fenômeno ocorre (pesquisa de campo ou de laboratório). O propósito deste texto é familiarizá-lo com as atividades de planejamento e execução da pesquisa bibliográfica e documental. para a sua reflexão e análise. Ao fazer tal afirmativa não me dirijo apenas a futuros pesquisadores. Mas pode também utilizar dados levantados por outras pessoas. analisado e publicado sob a forma de livros. este estudo que engloba as etapas do planejamento e execução da pesquisa bibliográfica. uma vez que o espírito científico possibilita uma visão da realidade menos dependente do conhecimento popular. p.). folhetos. artigos e outros impressos. 1997a) será apresentado um tipo especial de trabalho científico: a pesquisa bibliográfica. essencial para que se desenvolva profissionalmente. quando se trata de material de 1ª mão proveniente de fontes diversificadas e dispersas encontradas em arquivos. não somente problemas já conhecidos. Seu objetivo é desvendar. partidos políticos. resolver. que é constituída por material já elaborado. b) pesquisa bibliográfica. como também explorar novas áreas. correspondência pessoal etc. 109). é o processo de documentação direta. assim se refere à contribuição da pesquisa bibliográfica: “oferece meios para definir. é oportuno trazer. o iniciante precisa conhecer e praticar este tipo de pesquisa. em geral localizados em bibliotecas. igrejas. ocorre o processo de documentação indireta. recolher e analisar as principais contribuições teóricas sobre um determinado fato. Qualquer pesquisa exige coleta de dados de fontes variadas que se processa através de documentação direta ou indireta. A maioria dos autores subdivide o processo de documentação indireta em dois grupos: a) pesquisa documental. Neste caso. onde os problemas ainda não se cristalizaram suficientemente. Não é outra a posição de Galliano (1986. Diante do exposto. A pesquisa bibliográfica tem a finalidade de levantar as contribuições culturais e científicas já existentes sobre um determinado tema.

Vamos elaborar um projeto? Escolha do tema A escolha do tema deve atender a alguns aspectos. importante e original. Suponhamos que você tenha escolhido como tema de pesquisa “O ensino fundamental”. competência dos professores? Como vê. apresentando-se. A disponibilidade de tempo e muitas vezes de recursos financeiros são outros fatores que devem ser lembrados. administração escolar. Nunca é demais lembrar os três aspectos destacados por Castro e já de seu conhecimento: importância. observações. O que você deseja pesquisar: currículo. bem como suas tendências e inclinações pessoais. delimitar o tema. 55 . Ela é precedida de uma série de atividades que demandam muita reflexão.UNIDADE IV dividido em duas partes. da execução da pesquisa bibliográfica. Para facilitar esta seleção deve-se recorrer a leituras. escola pública. consulta a livros e outros documentos e registro de anotações em rascunhos e fichas. acesso. formas de avaliação do rendimento. I O Planejamento da Pesquisa Bibliográfica Esta seção subdivide-se em duas. é necessário restringir. Da maneira como está apresentado. Quadro-síntese do planejamento Etapa • • • • • • • • • • • • Atividades Escolha do tema Delimitação do tema Problematização Justificativa Pressupostos teóricos Objetivos Hipóteses/Questões Procedimentos (Metodologia) Construção da matriz Cronograma de execução Orçamento Elaboração final do projeto Planejamento da pesquisa bibliográfica Você deve ter observado que a elaboração do projeto de pesquisa é a última atividade do quadro. uma pequena explicação sobre cada uma das atividades. na segunda. análise de situações discrepantes etc. um quadro com as atividades a serem desenvolvidas durante o planejamento da pesquisa e. na primeira. originalidade e viabilidade. O pesquisador deve levar em consideração sua formação e experiência profissional. escola particular. A 1ª parte trata do planejamento da pesquisa bibliográfica e a 2ª parte. é tão abrangente e genérico que se torna impossível fazer um estudo aprofundado.

Considerando sua vivência e interesse. Para isto. precisa conhecer o que já foi escrito sobre o assunto sob pena de estar simplesmente repetindo o que outros já fizeram. É necessário que se redija de maneira clara e objetiva a questão a ser solucionada através da pesquisa. uma revisão de literatura inicial seguida de reflexão do pesquisador é imprescindível. Trará constribuição para solucionar as questões do ensino da Matemática na atualidade? Pressupostos teóricos O pesquisador. mas pode ocorrer que ao longo do estudo ainda sofra reformulações porque o processo se caracteriza pelo dinamismo. possivelmente. ao selecionar um tema e problematizá-lo. o que significa explicitar a questão que deverá ser investigada e. Ela restringe o tema. não só no conteúdo a ser investigado. necessita conhecer pontos de vista. Por que razão escolhi tal tema? Relevância Neste item você mostrará a importância da pesquisa. a problematização poderia ser a seguinte: Em que medida os livros de Didática da Matemática usados nas escolas públicas de formação de professores de 1ª a 4ª série do município do Rio de Janeiro influenciam no baixo nível do ensino da Matemática? Ou então: As dificuldades demonstradas pelos alunos de 1ª a 4ª série na aprendizagem da Matemática são conhecidas. Considerando que a grande maioria dos professores de 1ª a 4ª série são egressos das escolas públicas de formação de professores. Problematização A formulação do problema pode ser feita de maneira interrogativa ou afirmativa. os livros de Didática da Matemática utilizados na sua formação são responsáveis pelo baixo nível do ensino da Matemática.METODOLOGIA DA PESQUISA Delimitação do tema A delimitação torna o tema viável para a pesquisa. Além disso. O passo a seguir é colocar o tema delimitado sob a forma de problema. O tema ficou bem mais delimitado. como também em relação ao tempo e ao espaço. na atualidade. Para isso. Justificativa Na justificativa cabe ao pesquisador apontar as razões de sua escolha. No exemplo que estamos seguindo. teses e teorias que possam fundamentar o seu trabalho e de onde possa extrair alguns pressupostos teóricos que o direcionem. elucidada. poderia investigar os conteúdos dos livros de Didática da Matemática utilizados pelas escolas públicas de formação de professores do município do Rio de Janeiro. terá que 56 . Voltemos ao tema “O ensino fundamental”.

nos livros de Didática da Matemática utilizados nas escolas públicas de formação de professores de 1ª a 4ª série. defendido ou explicitado. Realizada a pesquisa. eis a hipótese: As abordagens de ensino levadas aos futuros professores nos livros de Didática da Matemática adotados nas escolas públicas de formação de professores do município do Rio de Janeiro influenciam no baixo nível do ensino da Matemática. Os objetivos que pretende atingir guardam relação com a contribuição que espera dar para ampliação do conhecimento. para que fazer a pesquisa. em muitas pesquisas são usadas questões a investigar em substituição às hipóteses. por esse motivo. A metodologia é um tema muito controvertido. que procedimentos adotar? Como fazer para realizar a investigação? Que passos dar? No nosso caso específico já sabemos tratar-se de uma pesquisa bibliográfica. a hipótese é uma tese ou ponto de vista a ser demonstrado. se transformará em uma tese ou ponto de vista. passadas aos futuros professores.Que abordagens de ensino são mais adequadas ao ensino da Matemática de 1ª a 4ª série? . Métodos são os procedimentos mais amplos de raciocínio e técnicas os procedimentos mais restritos que se concretizam através de instrumentos 57 .UNIDADE IV fazer uma revisão de literatura preliminar e responder à questão: o que dizem os especialistas sobre este problema? Objetivos Nesta parte.Que abordagens de ensino são encontradas nos livros de Didática da Matemática adotados nas escolas públicas de formação de professores. Não é fácil para o iniciante a elaboração de uma hipótese. As questões do nosso exemplo poderiam ser: . o pesquisador vai explicitar aonde quer chegar. b) evidenciar as abordagens do ensino da Matemática mais adequados aos alunos de 1ª a 4ª série do ensino fundamental. Hipóteses/Questões Como explica Luckesi (2000). se esta hipótese for confirmada. os objetivos poderiam ser: a) identificar as abordagens do ensino da Matemática. No exemplo que vimos apresentando. no município do Rio de Janeiro? Procedimentos (Metodologia) Para realizar a pesquisa em torno de nosso tema-problema-objetivo-hipótese. Qual a resposta provisória ao problema? No nosso tema-problema-objetivo.

81). (MOULIN. partindo das anotações realizadas. Cronograma de execução da pesquisa Períodos Atividades Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Orçamento Como calcular os custos do projeto? Fazer um orçamento dos gastos que envolvem a pesquisa? Por mais simples que seja a pesquisa. pode ser evidenciada a coerência do plano. após dominar a técnica. é necessário uma previsão dos custos que envolve. p.METODOLOGIA DA PESQUISA adequados. Explica Moulin: O emprego da matriz auxilia na sistematização dos elementos do projeto. o cronograma é formado por linhas que indicam as atividades e por colunas que indicam o tempo previsto. você estará apto a planejar uma pesquisa. se uma vez respondidas as questões e/ou testadas as hipóteses. um orçamento considerando os custos com pessoal (recursos humanos). É uma estimativa que pode sofrer alterações. Você teve oportunidade de analisar uma matriz e fazer um exercício de preenchimento da mesma. A nossa pesquisa utiliza o método indutivo e as técnicas serão: levantamento e seleção da bibliografia. Desse modo. É um exercício que exige reflexão. Como se pode observar. [1996]. mas. O instrumento a ser usado serão as fichas. Faz-se. então. ainda. sendo possível constatar de imediato se os procedimentos adotados permitem obter os dados necessários para responder às questões e/ou testar as hipóteses e. leitura analítica e fichamento. elabora-se uma matriz a fim de constatar se as partes planejadas guardam a lógica e coerência necessárias. com 58 . Cronograma de execução De quanto tempo necessitamos para desenvolver a pesquisa? Como distribuir o tempo para a realização da pesquisa após elaborado o projeto? Estas indagações são respondidas construindo-se um cronograma de execução onde apareça o tempo destinado às diversas atividades. estarão atingindo os objetivos pretendidos. Construção da matriz Antes de se iniciar a montagem do projeto de pesquisa. ao mesmo tempo que permite visualizar o todo e suas partes devidamente caracterizadas quanto às suas definições e inter-relações.

prefácio etc. Procede-se. Elaboração do projeto Concluídas as reflexões e anotações feitas até aqui para a construção do projeto. Importante. a fim de constatar se o seu tema é abordado naquela publicação. então. Note que nesta fase você ainda não está fazendo leitura analítica. Levantamento da bibliografia Ao se iniciar a pesquisa bibliográfica. também. editora e data).UNIDADE IV material (de consumo e permanente) e os recursos financeiros que serão necessários para cobrir essas despesas. Esta seção está igualmente subdividida em duas. local da publicação. dependendo não só do pesquisador como também do próprio contexto. Aconselho que esta coleta seja cuidadosamente registrada em fichas bibliográficas. consulta a fichários de bibliotecas.. Em cada item existem diferentes técnicas a serem adotadas. acrescidas de palavras-chave relacionadas ao seu tema e o local onde você poderá encontrar a obra. você verifica o sumário. título. Na segunda seção vamos tratar da execução da pesquisa. II A Execução da Pesquisa Bibliográfica Na primeira seção deste texto. consulta a internet e a especialistas na área. procederemos a sua elaboração final e poderemos passar à etapa seguinte: a execução da pesquisa. A ficha bibliográfica vai registrar apenas as referências bibliográficas (autor. registrar o código da prateleira em que a obra se 59 . as orelhas do livro. você identificou todas as etapas do planejamento de uma pesquisa bibliográfica. interpretação dos dados e conclusões O quadro apresenta passo a passo os procedimentos operacionais para a realização da pesquisa. aparecendo na primeira um quadro das atividades segundo a sucessão em que ocorrem e. na segunda. No máximo. análise de bibliografias citadas em livros e revistas técnicas. à coleta de material ou levantamento bibliográfico que é feito de várias maneiras: através de buscas em catálogos de livros e outras publicações. Quadro-síntese da execução Etapa Atividades Levantamento da bibliografia Seleção da bibliografia Leitura analítica Fichamento Execução da pesquisa − fichas de citação bibliográfica − fichas resumo − fichas analíticas ou interpretativas Análise comparativa. uma explicação sobre as mesmas. sempre que possível. o primeiro passo é a identificação das fontes que possam fornecer respostas ou esclarecimentos ao nosso problema.

monografia. Na maioria das vezes. necessariamente. Fichamento Este assunto foi estudado no texto “A Documentação Pessoal”. Entretanto. ao aprender diferentes técnicas de estudo. na Unidade I. Para isso recomenda-se que siga as técnicas da leitura analítica. demonstrar que o aluno iniciou-se na metodologia científica. Inicia-se. Você travou conhecimento com a leitura analítica. o pesquisador acha-se em condições de preparar um roteiro para a elaboração do relatório ou melhor. É possível consultar o material em instituições. O presente texto teve como objetivo levá-lo a caracterizar a metodologia do planejamento e as técnicas de execução da pesquisa bibliográfica. Espero. apresentando a sua pesquisa. com isso. que veremos na Unidade V.METODOLOGIA DA PESQUISA encontra (no caso de se tratar de uma biblioteca). obtê-lo por empréstimo nas bibliotecas ou até adquirir livros e revistas em livrarias. Finda esta etapa. volte à Unidade I e reestude-a. a etapa final da pesquisa que é a comunicação dos resultados. Análise comparativa. apreendeu o espírito científico frente à realidade. trabalho de grandes proporções. ainda resta ao pesquisador realizar uma análise comparativa entre os autores lidos e registrados nas fichas. o pesquisador só tem acesso direto à obra na etapa de seleção. Seleção da bibliografia Concluída a etapa de levantamento. interpretação dos dados e conclusões A ficha analítica ou interpretativa tem o objetivo de registrar a sua posição em relação ao texto lido. Uma pesquisa bibliográfica realizada com o objetivo de conclusão de curso de graduação ou mesmo de especialização pode ser bem feita. ter contribuído para a realização do seu trabalho monográfico. o pesquisador mergulha na sua leitura. Se achar necessário. então. É uma ficha crítica. Leitura analítica De posse do material. interpretar os dados em função de sua hipótese/questões e estabelecer suas conclusões e recomendações. 60 . caberá a você fazer a seleção das publicações que interessam a sua pesquisa. sem que seja.

Selecione um tema a partir dos critérios de Castro e que possa ser investigado através de uma pesquisa bibliográfica. (problematização) 4.Que título você considera adequado para o seu projeto? Enriqueça seu estudo Embora tenha sido apresentado um texto minucioso sobre o planejamento e a realização da pesquisa bibliográfica. Procure delimitar o tema de modo que se torne claro. 61 . ⇒ Muito oportuno também é a consulta ao capítulo 13 “Como calcular o tempo e o custo do projeto?”. (relevância) 5. que hipótese ou mesmo questões você deverá investigar? (questões ou hipóteses) 8. (pressupostos teóricos) 6. Como dispor do tempo para executar as atividades da pesquisa? (cronograma de execução) 10. de Gil (1996). 3. objetivo e não muito amplo. Por que você escolheu este tema para pesquisa? Justifique. Lembre-se que o item Fichas já é seu conhecido. Que procedimentos você deverá seguir para realizar a pesquisa bibliográfica em torno do tema que escolheu? (metodologia da pesquisa) 9. 1. Aponte a importância e contribuição que a investigação trará ao conhecimento. Faça alguma leitura em torno do tema escolhido e com o auxílio do que apreendeu. Para chegar ao objetivo. Você conhece a posição de especialistas no assunto? Resuma o ponto de vista ou a tese de pelo menos dois deles e que servirão de fundamentação a seu estudo. ⇒ Recomendo a leitura do texto “Pesquisa bibliográfica” (LAKATOS. delimite-o no tempo e no espaço. o que lhe dará uma visão sistemática de seu projeto.UNIDADE IV Exercícios Ao final da realização desta tarefa. você verá que está com um projeto de pesquisa delineado. 2. 2001). é sempre recomendável indicar algumas leituras que abordarão o tema a partir de outros enfoques. O que você pretende com a investigação? Aonde quer chegar? Qual é o seu propósito? (objetivo) 7. Não esqueça de preencher primeiramente a matriz de montagem. transforme o tema em um problema. Se necessário.De que recursos você deverá dispor? (orçamento) 11.

descritivas e experimentais. Quais são suas características mais gerais? Veja algumas. você tomará conhecimento de algumas características e conceitos gerais das pesquisas descritivas e experimentais. é seguir determinados procedimentos. é o que se chama de amostra. A pesquisa científica não se interessa por casos particulares. ao selecioná-la. Para tal. dentre outras. O mais importante. seu propósito consiste em estabelecer generalizações. mas também por ocorrer maior controle e precisão de dados. não só pela economia de recursos e tempo. as características de uma determinada população ou fenômeno. Neste texto. I A pesquisa descritiva Na pesquisa descritiva. sem interferir nesta realidade. apenas parte da população é observada. nas pesquisas descritivas e experimentais são utilizadas. quem ou o que deseja medir. Rudio (2000) afirma que é melhor trabalhar com a amostra do que com a população. selecionada de acordo com uma regra ou plano. Até mesmo as hipóteses poderão ser substituídas por questões. descrever e interpretar a realidade. o pesquisador procura conhecer. foi adotada neste módulo a nomenclatura de Cervo (1996) que classifica as pesquisas em bibliográficas. A elaboração de projetos desse tipo de pesquisa exige grande conhecimento do problema. Você poderá planejar uma pesquisa descritiva seguindo as mesmas etapas apresentadas para as pesquisas bibliográficas. isto é. donde foi retirada. as técnicas de observação de grupos de indivíduos chamados de população. p. 62 . 62) Além das observações. O pesquisador precisa saber o que pretende. portanto. então. os questionários e as entrevistas são técnicas muito utilizadas nas pesquisas descritivas.METODOLOGIA DA PESQUISA Texto 11 Pesquisas Descritivas e Experimentais Como você já sabe. dandonos assim confiança de generalizar para o universo o que nela foi observado. que nos garantam ser ela representação adequada da população. Na maioria das vezes. as técnicas diretas de coleta de dados – totalmente diferentes das pesquisas bibliográficas – e o tratamento estatístico que sofrem os dados coletados. ou seja. 2000. uma parte da população. quando e onde o fará. os aspectos específicos da pesquisa descritiva? Posso afirmar que são principalmente os procedimentos. (RUDIO. como o fará e por que deverá fazê-lo. E explica: Amostra é. Quais serão.

2000. Rudio (2000) considera as observações sistemáticas. 52).UNIDADE IV Técnicas diretas de coleta de dados Para estudar as técnicas de documentação direta. p. Coleta de dados quantitativos As principais técnicas para a coleta de dados mensuráveis utilizam como instrumento a observação. das hipóteses ou questões que se investigam e com base nos pressupostos teóricos. é elaborado em função dos objetivos da pesquisa. A análise dos eventos observados produz descrições baseadas na freqüência das incidências. os questionários podem ser de perguntas fechadas. é necessário que o pesquisador selecione as técnicas mais adequadas e elabore instrumentos para registro e análise dos dados colhidos. Que são pesquisas qualitativas? São aquelas que se fundamentam em dados coletados nas interações interpessoais analisadas a partir da significação que os informantes dão aos seus atos. Que são pesquisas quantitativas? São aquelas que “prevêem a mensuração de variáveis preestabelecidas. No texto “Paradigmas Metodológicos da Pesquisa Científica”. O questionário é um conjunto de perguntas dispostas seqüencialmente. A coerência e a lógica que caracterizam o projeto de pesquisa se estende à coleta de dados. O pesquisador descreve. conclui Chizzotti. Para realizar a coleta de dados e reunir informações necessárias à comprovação das hipóteses ou respostas às questões da investigação. são as observações que se realizam sob controle para responder a objetivos prédefinidos. procurando verificar e explicar sua influência sobre outras variáveis. De acordo com sua construção. em relação aos dados coletados. estruturadas e controladas como sinônimos. de perguntas abertas ou mistos. o questionário e a entrevista. • coleta de dados qualitativos. Chizzotti explica que as observações sistemáticas procuram superar as incertezas das percepções imediatas e construir conceitos que permitam formular hipóteses para investigação. será seguido o esquema de Chizzotti (2000). bem como à análise dos mesmos. as pesquisas se dividem em quantitativas e qualitativas. A observação pode ser estruturada ou sistemática e consiste na coleta e registro de eventos observados que foram previamente definidos. compreende e interpreta. especialmente do problema formulado. foi visto que. O pesquisador participa. que apresenta o tema em duas partes: • coleta de dados quantitativos. 63 . esta etapa decorre das etapas anteriores. mediante a análise da freqüência de incidências e correlações estatísticas. explica e prediz” (CHIZZOTTI.

Quando o entrevistador não deseja impor a sua visão. deve-se compreender: . A pesquisa termina com as conclusões a que você chegou frente aos objetivos e 64 . havendo. É uma comunicação bidirecional.estrutura lógica: · · · · seja progressivo seja preciso seja coerentemente articulado as questões e subquestões formem um todo lógico e ordenado . As informações vão sendo manuscritas ou gravadas e devem ser codificadas para serem transformadas em indicadores objetivos das variáveis. É uma técnica que permite que se concretize uma relação estreita entre pessoas. é necessário que saiba: .o que pretende medir . No questionário de perguntas abertas. Uma pessoa com perguntas preestabelecidas leva a outra a responder às perguntas. Após a fase de aplicação.as informações que busca (o objetivo da pesquisa) . testar e aplicar os instrumentos para a coleta de dados. as afirmações apresentam alternativas de respostas fixas e previamente estabelecidas. deverá selecionar a amostra da população que irá ser consultada. O questionário misto apresenta os dois tipos de questões elaboradas em função dos interesses da pesquisa. mas o conteúdo da entrevista e os diálogos vão sendo escolhidos livremente. O tema é previamente estabelecido. Ao iniciar o processo de investigação direta. Se você optou por realizar uma pesquisa descritiva. clara.o objetivo de cada questão . sem ambigüidades A entrevista é um diálogo preparado com objetivos definidos. maior elaboração nas respostas. é necessário que contenha: .linguagem simples. Chizzotti faz as seguintes observações sobre o questionário: • em relação ao pesquisador.o conteúdo sobre o qual dará informações • em relação ao questionário.METODOLOGIA DA PESQUISA No questionário de perguntas fechadas. utiliza a entrevista não estruturada.como pretende confirmar as hipóteses • em relação ao informante. construir. as respostas são tabuladas e os resultados analisados e interpretados. o entrevistado responde com frases. o seu projeto poderá seguir os moldes apresentados para a pesquisa bibliográfica acrescido das especificidades dos procedimentos da pesquisa descritiva. A entrevista estruturada é uma modalidade de comunicação entre o pesquisador que deseja colher informações sobre determinado fato e a pessoa que detém a informação. assim.as questões que lhe são propostas .

65 . A coleta de dados se realiza mediante a manipulação de determinadas condições utilizando-se a técnica de observação dos efeitos produzidos.. então. estatura.sofridos em função da manipulação da variável independente. embalagem. Os projetos experimentais podem-se desenvolver em laboratório ou no campo. Inicia-se. A matriz permitirá a você estabelecer a coerência e a lógica essenciais entre as partes do projeto. peso. Você sabe o que é variável? Idade . O termo se origina da matemática. Entretanto. etc. a fase de redação do relatório da pesquisa através do qual você comunica o estudo realizado. 69) E variável independente? São aquelas variáveis tais como preço. assim como ocorre na pesquisa descritiva. Tanto no planejamento dos projetos experimentais quanto nos projetos descritivos. aspectos ou categorias são variáveis. sexo. Todas as coisas que podem assumir diferentes valores. das técnicas. classe social são variáveis. (RUDIO. deseja-se medir. uma vez que ele deverá manipular e controlar uma ou mais variáveis independentes e ao mesmo tempo observar as mudanças que ocorrerão com a variável ou variáveis dependentes. imagem etc. onde designa uma quantidade que pode tomar diversos valores. o planejamento pode seguir as mesmas etapas que apresentei no texto sobre a pesquisa bibliográfica.UNIDADE IV questões. 2000. são as variáveis cujos efeitos . recomendo que seja construída uma matriz analítica antes de detalhar o projeto. evitando perda de tempo e reformulações desnecessárias. com exceção dos procedimentos. em especial. p. marca de um produto. As pesquisas experimentais são muito usadas para identificar relações de causa e efeito entre variáveis. O pesquisador precisa estar muito atento às características da pesquisa experimental. Já as variáveis dependentes tais como vendas. na pesquisa experimental. II A pesquisa experimental A pesquisa experimental manipula a realidade através de experimentos. que são manipuladas pelo pesquisador com o objetivo de se medir o efeito sobre a variável dependente. É essa a diferença básica entre ela e a pesquisa descritiva.

4. as técnicas de observação e de entrevista utilizadas nas pesquisas quantitativas. O que você entende por pesquisa descritiva? 3. registrando suas principais características. Após o estudo do texto. faça um resumo do mesmo. em um esquema. O que você entende por variáveis independentes e variáveis dependentes? Enriqueça seu estudo ⇒ Você encontrará informações úteis sobre esta Unidade nos seguintes textos de Richardson (1999): “A observação”.METODOLOGIA DA PESQUISA Exercícios 1. 2. 5. Qual a diferença básica entre pesquisas descritivas e experimentais? 6. 66 . “Questionários” e “Entrevistas”. Represente. Faça a distinção entre população e amostra.

As raízes da pesquisa qualitativa se encontram nas práticas cotidianas dos antropólogos e dos sociólogos sobre a vida das comunidades. (CHIZZOTTI. O pesquisador é integrante fundamental e participante dessa modalidade de pesquisa. em geral. você e eu vamos refletir um pouco mais sobre as metodologias qualitativas. os pesquisadores da área educacional se juntaram aos demais.] (CHIZZOTTI. essas correntes se fundamentam em alguns pressupostos contrários ao modelo experimental e adotam métodos e técnicas de pesquisa diferentes dos estudos experimentais. 2001. Neste texto. Não aceitam também que processos quantificáveis e técnicas de mensuração sejam o único caminho para legitimar os conhecimentos da área humana e social. Mas em que consistem as pesquisas qualitativas? A pesquisa qualitativa é uma designação que abriga correntes de pesquisa muito diferentes.UNIDADE IV Texto 12 Pesquisas Qualitativas Ao estudar. citados por Lüdke e André (2001). calcado nas ciências naturais e no paradigma positivista. predisposições para assumir uma atitude aberta a todas as manifestações que observa. 78). Quais as principais características das pesquisas qualitativas? Bogdan e Biklen. Deve. [.. se contrapõem a um padrão único de pesquisas para todas as ciências. despojar-se de preconceitos. p.] a pesquisa qualitativa supõe o contato direto e prolongado do pesquisador com o ambiente e a situação que está sendo investigada. na Unidade III. Em síntese. ao pressuposto experimental [. Os dados coletados são predominantemente descritivos. A pesquisa qualitativa tem o ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como seu principal instrumento. importantes na área das ciências humanas e sociais.. O material obtido nessas pesquisas é rico em descrições de pessoas. 2001. Os cientistas que partilham da abordagem qualitativa em pesquisa se opõem. p. via de regra através do trabalho intensivo de campo. destacam cinco características básicas. 82). a saber: 1. inclui 67 .. Eles não aceitam que o paradigma das ciências naturais seja diretriz para as ciências humanas e sociais. 2. a fim de alcançar uma compreensão global do fenômeno. os dois grandes paradigmas metodológicos da pesquisa científica. acontecimentos. Posteriormente. preliminarmente. você tomou conhecimento das pesquisas quantitativas e qualitativas.. sem adiantar explicações nem conduzir-se pelas aparências imediatas. situações. Os pesquisadores que adotam a abordagem qualitativa nas suas pesquisas. elas têm especificidades próprias que determinam metodologias e procedimentos próprios para atingir seus objetivos.

METODOLOGIA

DA

PESQUISA

transcrições de entrevistas e de depoimentos, fotografias, desenhos e extratos de vários tipos de documentos. 3. A preocupação com o processo é muito maior do que com o produto. O interesse do pesquisador ao estudar um determinado problema é verificar como ele se manifesta nas atividades, nos procedimentos e nas interações cotidianas. 4. O “significado” que as pessoas dão às coisas e à sua vida são focos de atenção especial pelo pesquisador. Nesses estudos há sempre uma tentativa de capturar a “perspectiva dos participantes”, isto é, a maneira como os informantes encaram as questões que estão sendo focalizadas. 5. Aanálise dos dados tende a seguir um processo indutivo. Os pesquisadores não se preocupam em buscar evidências que comprovem hipóteses definidas antes do início dos estudos. As abstrações se formam ou se consolidam basicamente a partir da inspeção dos dados num processo de baixo para cima. (LÜDKE E ANDRÉ, 2001, p.12-13).

Quais as principais abordagens metodológicas qualitativas?
São elas: - a pesquisa participante - a pesquisa-ação - a pesquisa etnográfica ou naturalística - o estudo de caso O objetivo do pesquisador nas três primeiras abordagens é adotar uma postura de observador crítico e participante ativo através da qual coloca a ciência a serviço do movimento social. As pessoas que participam da pesquisa possuem o conhecimento empírico, popular, despojado de espírito crítico não relacionando as suas experiências individuais com o contexto social. A finalidade prioritária da pesquisa qualitativa, segundo os pesquisadores da área, é de desenvolver a consciência crítica e ampliar o conhecimento da comunidade envolvida na pesquisa. Favorece-se, assim, o processo de mudança e transformação da comunidade, levando-a a assumir um novo papel como ator social. Quanto à abordagem do estudo de caso caracteriza-se por ser bem delimitado, referindose a uma situação particular que pode se limitar, por exemplo, à observação das práticas pedagógicas de uma professora ou ao cotidiano de uma escola. O estudo de caso qualitativo “se desenvolve numa situação natural, é rico em dados descritivos, tem um plano aberto e flexível e focaliza a realidade de forma complexa e contextualizada.” (LÜDKE e ANDRÉ, 2001, p. 19).

Quais as técnicas mais utilizadas nas pesquisas qualitativas?
A coleta de dados qualitativos se realiza num processo de idas e voltas, nas diversas etapas da pesquisa e na interação do pesquisador com os pesquisados. Durante a pesquisa, os dados colhidos em diferentes etapas são continuamente analisados e avaliados. São técnicas de coleta de dados nesta modalidade de pesquisa: a observação participante, a entrevista individual e coletiva. Chizzotti aponta ainda o jogo dos papéis, a história de vida autobiográfica e a análise de conteúdo, dentre outras técnicas.
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UNIDADE IV

Considerando que os dados coletados não são quantificados, que cuidados tomar para garantir a veracidade dos fatos? Os dados coletados deverão ser validados segundo os critérios de: - fiabilidade (independência de análises ideológicas do autor); - credibilidade (garantia de qualidade relacionada à exatidão e quantidade das observações efetuadas); - constância interna (independência dos dados em relação à ocasionalidade etc.); - transferibilidade (possibilidade de estender as conclusões a outros contextos). Veja a seguir algumas características da observação participante, da entrevista nãodiretiva e da análise de conteúdo. Observação participante: é feita através do contato direto do pesquisador com o fato observado visando captar as ações dos atores em seu próprio contexto. A atitude do observador participante pode se caracterizar por uma identificação total com os participantes, vivenciando todas as ações de sua vida. O observador partilha de uma interação completa nas situações espontâneas e formais, acompanha a vida cotidiana, as circunstâncias e sentido das ações. A observação participante necessita ser revestida de cuidados para que elimine dados de emoções, deformações e interpretações destituídas de comprovação. Entrevista não-diretiva: é uma maneira de coletar dados a partir do discurso livre do entrevistado. Apresenta limitações, tais como a grande quantidade de dados e a emocionalidade do entrevistado. Além disso, é necessário que seja cercada de cuidados para garantir a cientificidade da técnica e a credibilidade das informações recebidas. Análise de conteúdo: é uma técnica de tratamento e análise de informações coletadas através de documentos escritos ou de outras formas de comunicação: oral, visual, gestual. Através da análise de conteúdo chega-se à compreensão crítica do sentido das comunicações e seu conteúdo claro ou implícito. Existem diferentes procedimentos para explicitar o significado das comunicações. O procedimento a ser utilizado depende dos objetivos da investigação, do tipo de material a ser analisado e também da ideologia do analisador. Neste texto você adquiriu noções gerais sobre as características e procedimentos das pesquisas qualitativas. Esses conteúdos poderão ser aprofundados através da leitura de livros de metodologia científica na medida em que você precise utilizá-los.

Enriqueça seu estudo
⇒ Para enriquecimento desta unidade é importante a leitura dos textos de Lüdke (2001): “Evolução da
pesquisa em educação” e “Abordagens qualitativas da pesquisa: a pesquisa etnográfica e o estudo de caso.”

⇒ Se você tiver interesse em conhecer mais sobre a técnica de análise de conteúdo, leia o artigo de
Gomes “A análise de dados em pesquisas qualitativas”, in Minayo (2001).

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METODOLOGIA

DA

PESQUISA

Exercícios
1. Qual o posicionamento dos pesquisadores que utilizam a metodologia qualitativa? 2. Explique duas características da pesquisa qualitativa. 3. Colete alguns dados que explicitem o que é a pesquisa-ação. 4. Caracterize a técnica da observação participante. 5. Reflita sobre um problema a ser pesquisado através de um estudo de caso e faça uma síntese do mesmo.

Esquematizando...
A Lógica da Concepção do Projeto de Pesquisa
Passos da concepção de projeto de pesquisa (construção da matriz analítica) originalidade 1) escolha do tema – critérios importância viabilidade - reflexão sistemática sobre o objeto - consulta à literatura sobre o tema 2) definição do problema – critérios para a formulação de problemas científicos - elaboração de questionamentos - formulação clara e objetiva - escolha de problemas concretos e passíveis de solução 3) pressupostos teóricos – critérios para o estabelecimento de pressupostos – fazer pesquisa bibliográfica preliminar 4) definição do objetivo da pesquisa – critérios para o estabelecimento do objetivo - manter a lógica entre as etapas anteriores e o objetivo a alcançar - questões: objetivos menores específicos - hipóteses: respostas provisórias que poderão ou não ser confirmadas

5) questões e/ou hipóteses – critérios para o estabelecimento de questões/hipóteses

6) metodologia / técnica – obedecer aos procedimentos específicos dos diferentes tipos de pesquisa

A Pesquisa Bibliográfica
Qualquer pesquisa exige coleta de dados através de: documentação direta – dados recolhidos através de observações, entrevistas e questionários nos locais em que o fenômeno ocorre; documentação indireta – dados recolhidos através de documentos e bibliografia. Finalidade da pesquisa bibliográfica – levantar as contribuições científicas e culturais já existentes sobre um determinado tema. Etapas do planejamento da pesquisa bibliográfica . escolha do tema . delimitação do tema . problematização . justificativa . relevância . pressupostos teóricos . objetivos . hipóteses / questões

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interpretação dos dados e conclusões A Pesquisa Descritiva Finalidade da pesquisa descritiva: conhecer. ambiente experimental Pesquisa qualitativa – coleta de dados através da interação entre pesquisador e sujeitos da pesquisa. Variáveis: todas as coisas que podem assumir diferentes valores: idade. Pesquisa experimental na área de marketing: identificação de relações de causa e efeito entre variáveis. .entrevistas tratamento estatístico Pesquisa quantitativa – coleta de dados quantitativos.estruturada ou sistemática Questionário .o significado que as pessoas dão às coisas e à vida sofre atenção especial do pesquisador . .estruturada/não estruturada A Pesquisa Experimental Finalidade da pesquisa experimental: manipular a realidade através de experimentos. descrever e interpretar a realidade sem interferir na mesma.antropológica .diferentes correntes de pesquisa que têm em comum pressupostos contrários ao modelo experimental. misto Entrevista . .sociológica .UNIDADE IV . observação e análise interpretativa. peso etc.ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como principal instrumento .dados coletados descritivos na maioria .perguntas fechadas. .preocupação maior com o processo .observação . observação sistemática e controlada da freqüência de incidência dos fenômenos. .a um padrão único de pesquisa . favorecendo aspectos subjetivos e a realidade dos sujeitos Principais técnicas para a coleta de dados quantitativos Observação .à utilização do paradigma das ciências naturais A corrente qualitativa se opõe nas ciências humanas e sociais . procedimentos / metodologia construção da matriz cronograma de execução orçamento elaboração do projeto Etapas da execução da pesquisa bibliográfica levantamento da bibliografia seleção de bibliografia leitura analítica fichamento análise comparativa. Tipos de variáveis Coleta de dados .no campo Pesquisas qualitativas Origem das pesquisas qualitativas .à utilização de processos quantificados e técnicas de mensuração como único procedimento Posição do pesquisador: Posição do pesquisado: Pesquisas qualitativas integrante e participante da pesquisa sujeitos que produzem práticas para intervir nos problemas que identificam .questionários . Planejamento das pesquisas descritivas Procedimentos gerais semelhantes à pesquisa bibliográfica Procedimentos específicos técnicas diretas .independentes .dependentes . perguntas abertas.em laboratório .análise dos dados segundo processo indutivo Características das pesquisas qualitativas 71 .

METODOLOGIA DA PESQUISA Abordagens metodológicas qualitativas .entrevista não-diretiva .estudo de caso Principais técnicas para a coleta de dados qualitativos .pesquisa participante pesquisa-ação .análise de conteúdo 72 .pesquisa etnográfica ou naturalística .observação participante .

A estrutura da monografia e a construção lógica do texto OBJETIVOS ESPECÍFICOS Conceituar monografia. Normas para a apresentação de citações e referências em trabalhos acadêmicos Identificar as diretrizes da ABNT para apresentação de citações e referências em trabalhos acadêmico Unidade V . distinguir as diferentes partes que a constituem e os princípios que norteiam a construção do texto Carga horária: 10h TAREFAS PREVISTAS Estudo do texto 13 "A comunicação dos resultados da pesquisa: a monografia Exercícios 2. A estrutura de trabalhos acadêmicos segundo as normas da ABNT Leitura do texto 14 "Estrutura de Identificar a estrutura de trabalhos trabalhos acadêmicos segundo a ABNT" acadêmicos segundo as normas da ABNT Exercícios Aplicar regras básicas de estilo na redação de trabalhos acadêmicos Análise do texto 15 "Estilo para a redação de trabalhos acadêmicos"" Exercícios Análise dos textos 16 e 17 "Apresentação de citações em trabalhos acadêmicos" e "Como elaborar as referências de um documento" Exercícios Enriqueça seu estudo 3. Estilo para redação de trabalhos acadêmicos 4. O trabalho monográfico.A Comunicação de Trabalhos Científicos: as monografias Guia de estudo ASSUNTO 1.

conforme o grau de profundidade. ser relevante e significante para ele. A introdução expõe e delimita o tema. a relevância do problema. é decorrência de uma investigação. Veja o que ele entende por estes aspectos qualitativos: • pessoal . Costa (1998. além de precedidos de um trabalho de pesquisa. É a investigação. uma dissertação ou uma tese. por sua vez. A especificação encontrada nos trabalhos de Le Play caracteriza até nossos dias os trabalhos monográficos. A conclusão. os objetivos e os procedimentos de abordagem. criativo e rigoroso.o estudo é o resultado do esforço do pesquisador e de sua capacidade de inter-relacionamento dialético com outros pesquisadores. quer seja bibliográfica. • autônomo . expõe e demonstra.” Esta definição permite esclarecer alguns pontos confusos em relação ao termo. é a síntese de toda a reflexão que se faz ao longo do trabalho. 213) dá a seguinte definição para monografia: “Estudo minucioso que propõe esgotar um determinado tema relativamente restrito.METODOLOGIA DA PESQUISA Texto 13 A Comunicação dos Resultados da Pesquisa: a monografia Salomon (2001) vai buscar em 1855 as origens históricas da monografia quando Le Play. A própria estrutura da monografia conduz a uma reflexão coerente e lógica. sociólogo francês. pode-se afirmar que a monografia é um relatório de uma pesquisa sobre determinado tema e que. de campo ou de laboratório. frente a sua visão de mundo. publicou 57 monografias descrevendo minuciosamente a vida dos operários franceses e o orçamento de uma família-padrão daquele grupo. no sentido de que privilegiem a reflexão.a problemática deve estar ligada à vivência do pesquisador. o estudo de um só tema. Para haver monografia. sem a qual a monografia se reduz a um simples relatório de procedimentos de pesquisa ou compilação de obras de terceiros. pode ser um trabalho de iniciação científica. o desenvolvimento traz a fundamentação lógica do trabalho. deve ter havido pesquisa. os relatórios científicos devem apresentar um processo de reflexão cujas características são ser pessoal. o que confirma o sentido etimológico da palavra: monos (um só) e graphein (escrever). Salomon faz um alerta àqueles que realizam monografias científicas. autônomo. O relatório de pesquisa é editorado sob a forma de uma monografia que. por conseguinte. 74 . Severino (2000) destaca que. p. Assim.

no trabalho científico não há lugar para o senso comum e o espontaneísmo. Nas pesquisas de campo ou de laboratório. 191): “Em cada parte. como a qualquer pesquisador. é claro. análise. a 75 . cujo grau de profundidade vai variar em função do nível de conhecimento do próprio pesquisador: iniciante ou profissional. tais como observações. parágrafo. preferindo adotar a nomenclatura “Trabalhos acadêmicos” que ela subdivide em: Teses . além de passar pelos procedimentos próprios da pesquisa bibliográfica. Trabalho de conclusão de curso . roteiro e demais anotações. do próprio projeto. passa a colaborar na produção da ciência. Destaca Luckesi (2000. Isso implica uma série de análises. exige-se ainda a disciplina do compromisso assumido pela decisão da vontade. além. p. questionários e entrevistas.elaborado no final da graduação e na especialização. A construção lógica desse roteiro é feita a partir dos dados coletados e das reflexões e conclusões do pesquisador. 148). Não se faz ciência sem esforço. a monografia é um relatório através do qual o pesquisador comunica os resultados de seu estudo sobre um tema específico. p. bem como nas pesquisas qualitativas. E conclui: Além da disciplina imposta pela metodologia geral do conhecimento e pelas metodologias particulares das várias ciências. mas à medida que o pesquisador prossegue na sua caminhada. Dissertação . item. bem como sobre a montagem do mesmo. sínteses e conclusões que antecedem a redação da monografia. • rigoroso . segundo a estrutura indicada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Resta. orientálo sobre o processo de elaboração deste tipo de relatório científico. A primeira redação deve ser feita sob a forma de rascunho e orientada pelas fichas. Abordei aqui os objetivos e características de um trabalho monográfico. sem os quais não há ciência e nem resultado válido. após a conclusão do fichamento. o pesquisador.trabalho acadêmico elaborado ao final dos cursos de mestrado. o pesquisador estará em condições de organizar um roteiro para relatar o seu estudo. Redação provisória da monografia Vimos no texto “A Pesquisa Bibliográfica” que. interpretação dos dados e conclusões. realiza outros procedimentos de coleta e análise de dados.UNIDADE V • criativo . É oportuno destacar que a ABNT evita o termo genérico monografia. cuidando da seqüência.trabalho acadêmico elaborado nos cursos de doutorado.nos trabalhos de iniciação científica prevalece a apropriação da ciência acumulada. perseverança e obstinação. capítulo. impõem-se um empenho e um compromisso inevitáveis. agora. Ao pós-graduando. Neste módulo estou dando ao termo “monografia” um sentido genérico que se refere a todas essas modalidades. Em suma. da relação com o que vem antes e o que virá depois. vamos expressar as nossas idéias. 2000. (SEVERINO.

o autor. as questões ligadas aos objetivos da investigação direcionam o processo e. Muitos terminam a introdução detalhando a estrutura das demais seções.é o fecho do trabalho.190). c) demonstrar: aplicar argumentação própria à natureza do trabalho. Introdução . 76 . Severino e Luckesi já citados dão a seguinte definição para esses termos: a) explicar: tornar evidente. Lendo a introdução.” (p. conhece-se o problema pesquisado. o texto propriamente dito – já pode ser estruturado em três partes: introdução. isto é. o processo e o resultado da pesquisa. de nossa reflexão seja facilmente percebida pelo leitor de nosso escrito. discutidas ou demonstradas ou. desenvolvimento e conclusão. objetiva. ou o encaminhamento de possível solução ao problema levantado. É neste momento que o pesquisador toma uma posição que poderá ser uma síntese das idéias explicadas. As seções devem receber títulos temáticos assim como as subseções. das referências e dos anexos. “poderá ser a abertura de uma nova problemática. É dividido em seções e em subseções se a organização lógica do pensamento o exigir. aperfeiçoada no conteúdo e na redação. os objetivos e questões do estudo. contribuição e metodologia utilizada. O termo desenvolvimento não precisa ser usado. sóbria e precisa como convém a um trabalho científico.METODOLOGIA DA PESQUISA fim de que a expressão do nosso pensamento. para novas verdades. em alguns pontos deverá explicar. esta deverá ser analisada. ao elaborar o relatório monográfico. Redação definitiva da monografia Terminada a redação provisória. verdades garantidas.é a parte mais extensa do trabalho e onde o pesquisador comunica a fundamentação teórica. Títulos temáticos significa que devem ser portadores de sentido. fará inferências que o estudo venha a permitir e recomendará pontos que devam ser reestudados ou aprofundados.onde o autor coloca de maneira dissertativa todos os itens que constituíram o seu projeto. Para comunicar as suas idéias. em outros discutir ou mesmo demonstrar. a conclusão resumirá os resultados que levaram à comprovação ou rejeição da hipótese ou questões de estudo. Em outras palavras. partir de premissas. que dêem ao leitor idéia exata do conteúdo daquela seção ou subseção. com exceção apenas do cronograma. o corpo do trabalho – isto é. Desenvolvimento . Durante a realização da pesquisa.” Na redação provisória. Conclusão . relevância. Salomon. as teorias já existentes sobre o mesmo e que subsidiaram a pesquisa. do orçamento. como destaca Luckesi (1995). b) discutir: comparar posições que se entrechocam dialeticamente. Deve ser clara. retocada. essas questões podem se transformar nos títulos das seções. explícito o que está obscuro ou complexo.

Exercícios 1. de Goldenberg (1999). do livro de Marconi (1999).UNIDADE V Existem diretrizes para a elaboração do relatório. Qual a estrutura básica deste relatório? 2. recorra ao texto “Análise e relatório final”. As regras básicas a serem seguidas estão nas normas da ABNT. de acordo com o que estabelecem as normas da ABNT. De modo geral o que vem apresentado na introdução? 3. No próximo texto serão apresentadas as regras básicas de formatação da monografia. E no desenvolvimento? 4. o autor comunica o seu estudo através de um relatório. mas elas sofrem adaptações segundo o tipo de pesquisa e características do pesquisador. O que deve figurar nas conclusões? Enriqueça seu estudo ⇒ Se você desejar fazer alguma leitura para ampliar este tema. Após a execução da pesquisa. 77 . ou ao capítulo 6 “Trabalhos científicos”.

na qual o Brasil é representado pela ABNT (Santos. 2000). sediada em Genebra. I Estrutura do trabalho Partes Elementos integrantes Capa (obrigatório) Lombada (opcional) Folha de rosto (obrigatório) Errata (opcional) Folha de aprovação (obrigatório) Dedicatória(s) (opcional) Agradecimento(s) (opcional) Epígrafe (opcional) Resumo na língua vernácula (obrigatório) Resumo em língua estrangeira (obrigatório) Lista de ilustrações (opcional) Lista de tabelas (opcional) Lista de abreviaturas e siglas (opcional) Lista de símbolos (opcional) Sumário (obrigatório) Introdução Desenvolvimento Conclusão Referências (obrigatório) Glossário (opcional) Apêndice(s) (opcional) Anexo(s) (opcional) Índice(s) (opcional) Pré-textuais Texto Pós-textuais 78 . o órgão regulamentador das normas e procedimentos para elaboração e apresentação de trabalhos técnicos e científicos. Por ser a ABNT o órgão que representa o Brasil nacional e internacionalmente. o autor precisa se ater a dois tipos de normas: as de formato e as de estilo. Existe um órgão internacional responsável pela normatização. Existem diferentes padrões de trabalhos científicos. a seguir. no Brasil. Explica Spector (1997) que na redação de um trabalho científico. os cursos coordenados pelo CEP seguem as suas diretrizes. que é. 3) que apresenta a estrutura da monografia. Esta opção evita também que os cursistas utilizem procedimentos heterogêneos e. o esquema proposto pela norma NBR 14724/2002 (p. muitas vezes. É a International Organization for Standartization (ISO). Veja. Esse órgão é hoje uma federação mundial de organizações nacionais.METODOLOGIA DA PESQUISA Texto 14 Estrutura de Trabalho Acadêmico – segundo a ABNT Neste texto você irá se deter na estrutura da monografia de acordo com as regras da ABNT. Elas são estabelecidas internacionalmente e têm como objetivo facilitar a troca de informações e dar objetividade às comunicações científicas. inadequados. decorrentes de simplificações usadas por variadas instituições brasileiras.

texto ou pré-textuais São os elementos apresentados antes do texto e que trazem informações necessárias à identificação do trabalho. isto é. se houver • número de volumes quando houver mais de um • cidade onde se localiza a instituição recebedora • ano em que foi entregue o trabalho. isto é. . o título da obra e elementos alfanuméricos. nela aparecem o nome do autor. que seguram a parte interna das folhas. A seguir darei algumas explicações sobre elas. dissertação de mestrado. II Pré. Quando se fizer necessário faz-se a lista dos erros e indicam-se as correções.UNIDADE V Como você verificou na tabela. Lombada É a parte dorsal. de acordo com o Código de Catalogação Anglo-Americano. trabalho de conclusão de curso. a estrutura da monografia apresenta três grandes divisões. no anverso da folha de rosto deve figurar: • natureza do trabalho. É opcional. A ABNT recomenda a apresentação das informações na ordem que se segue: • nome da instituição • nome do autor • título do trabalho e subtítulo. Errata Corrigenda. No verso da folha de rosto deve figurar a ficha catalográfica. Quando usada. Alguns desses elementos são obrigatórios e outros são opcionais. Veja a seguir. Além dos elementos que aparecem na capa. objetivo do trabalho. aprovação em disciplina. Folha de rosto Deve figurar logo após a capa e constitui-se na fonte principal de identificação. curso etc. nome da instituição e área de concentração • nome do orientador e do co-orientador. É facultativa. por isso é obrigatória. 79 . tese de doutorado e outros. Capa É essencial para a proteção e identificação do trabalho. as costas da obra. isto é.

Lista de símbolos Relação opcional de símbolos utilizados no texto com as respectivas significações. Epígrafe É opcional e pode figurar após a folha de agradecimentos e no início das seções primárias. Resumo na língua vernácula Apresentação concisa e obrigatória dos elementos de maior importância do texto não devendo ultrapassar 500 palavras. Dedicatória (s) É opcional e aparece quando o autor presta homenagem a pessoas relevantes em sua vida particular ou profissional. Resumo em língua estrangeira Elemento também obrigatório. É opcional. Lista de ilustrações e lista de tabelas São opcionais . tais como nome. consiste em uma versão para o inglês (abstract) ou para o espanhol (resumen) ou para o francês (résumé). Lista de abreviaturas e siglas Relação alfabética de abreviaturas e siglas que aparecem no trabalho. só deverão ser elaboradas se houver tais elementos no texto. colocar as palavras-chave (NBR 6028). Agradecimento(s) Aparece quando o autor deseja demonstrar gratidão a pessoas que contribuíram direta ou indiretamente para a elaboração do trabalho. titulação. com as mesmas características do resumo em língua vernácula. Abaixo do resumo. 80 .METODOLOGIA DA PESQUISA Folha de aprovação É obrigatória e vem logo após a folha de rosto trazendo os mesmos elementos acrescidos da data de aprovação e de dados de identificação dos componentes da banca. com os respectivos significados. instituição a que pertencem e assinatura. Cada item deverá constar com seu nome específico seguido do número da página. Consiste numa citação correlacionada com o assunto abordado e seguida da indicação do autor.

as hipóteses ou as questões do estudo e. em função dos objetivos e hipóteses ou questões. A introdução não é uma repetição do resumo. descrição de métodos. subseções e demais divisões do trabalho. os pressupostos teóricos. procedimentos e discussão de resultados. Geralmente é feita a partir do projeto e nela constam. As descrições apresentadas devem ser suficientes para permitir a compreensão das etapas da pesquisa. IV Pós-textuais ou pós-texto O trabalho é finalizado com os elementos pós-textuais a seguir apresentados. Dados quantitativos não devem aparecer na conclusão. além do tema do estudo e sua delimitação. as evidências e deduções tiradas dos resultados do trabalho ou levantadas ao longo da discussão do tema. Introdução É a etapa inicial do texto. Desenvolvimento Parte mais importante do texto. Recomendações devem ser feitas para que novas pesquisas e estudos prossigam no sentido de investigar os resultados não esclarecidos. não deve detalhar a fundamentação teórica. a justificativa. clara e ordenadamente. III Texto ou textuais Consiste no estudo propriamente dito e se divide em três partes: a introdução. nem antecipar os resultados e conclusões. Vejamos um pouco mais. devem figurar. como você já viu no Texto 13. Recomendase usar a mesma grafia do interior do trabalho. seguindo-se o número das páginas. dentre outras partes. a abordagem metodológica utilizada e a relevância do trabalho. nem tampouco resultados comprometidos e passíveis de discussão. se necessário devem constituir material anexo ou apêndices. obedecendo à ordem em que se apresentam. Minúcias ou provas matemáticas ou procedimentos experimentais. São apresentadas teorias. o desenvolvimento e a conclusão. 81 . Deve ser dividida em tantas seções e subseções quantas forem necessárias para o detalhamento do relatório da pesquisa ou estudo realizado.UNIDADE V Sumário É obrigatório e consiste na enumeração das seções. finalmente. por exemplo. os objetivos. Conclusão Nesta seção.

Glossário Lista opcional de palavras de sentido restrito acompanhadas da respectiva definição. registros audiovisuais e sonoros. paginação e legendas Margem • superior e esquerda: 3cm • direita e inferior: 2cm Espaço • duplo • espaço simples: citações longas. São identificados por letras maiúsculas. legendas. dentre outros. referências. impresso na cor preta. digitado no anverso da folha (exceção da folha de rosto) • fonte tamanho 12 para o texto. manuscritos. (exceção para as ilustrações). V Apresentação de trabalhos acadêmicos Formato • papel branco.METODOLOGIA DA PESQUISA Referências É um elemento obrigatório que permite a identificação individual de documentos que possuam informação registrada incluindo impressos. mais importantes para o estudo. Anexo É opcional e consiste em textos ou documentos não elaborados pelo pesquisador. tamanho menor para citações longas. notas. Apêndice É opcional e consiste em textos ou documentos elaborados pelo próprio pesquisador com o objetivo de complementar sua argumentação. São também identificados por letras maiúsculas e respectivos títulos. notas de rodapé. Índice É opcional e segue a NBR 6034 para a sua elaboração. formato A4. natureza do trabalho • dois espaços duplos: separação dos títulos das subseções. ficha catalográfica. dos textos que os precedem e os sucedem 82 . seguidas dos respectivos títulos. A elaboração das referências obedece à norma NBR 6023/2002 sobre a qual trataremos no Texto 17.

Fale sobre a parte textual da monografia. Exercícios 1. dos princípios para a elaboração de trabalhos acadêmicos. abordar os aspectos gerais da norma. neste texto. 83 . VII Observações Finais No apêndice deste módulo. a 2 cm da borda superior e da borda direita da folha Numeração progressiva • nas seções e subseções do texto • os títulos das seções primárias devem iniciar folha • os títulos das seções e subseções são destacados através de negrito. são encontrados modelos de formatação de páginas que podem servir de exemplo por ocasião da redação da monografia. em detalhes. Em que consiste e onde deve figurar o resumo em língua vernácula? 3. a dedicatória e a epígrafe não têm título Paginação • numeração arábica colocada a partir da primeira folha da introdução. entretanto. mas contada a partir da folha de rosto (não se usam mais os algarismos romanos) • localização do número no canto superior direito da folha. usa-se o nome completo seguido pela sigla entre parênteses. Utilizando os dados de sua pesquisa. Enriqueça seu estudo ⇒ Recomendo a análise da Norma NBR 14724/2002. Explique a diferença entre apêndices e anexos. se você tiver algumas dúvidas tenho a certeza de que irá solucioná-las fazendo uma consulta à mesma. Apesar de ter procurado. não deve ser seguido.UNIDADE V Indicativos de seção • o número da seção vem alinhado à esquerda separado do título por um espaço de caractere • os títulos sem indicativo numérico são centralizados • a folha de aprovação. Ela trata. itálico ou grifo e redondo Siglas Quando aparecer pela primeira vez no texto. 4. organize uma proposta de capa e de folha de rosto. O estilo coloquial da redação. 2.

a informação vem estruturada através de divisões e subdivisões obrigatórias. Severino. Serão feitas neste texto algumas considerações sobre o estilo. à dimensão total do trabalho e às unidades de pensamento. p. Quando o autor de um trabalho não-literário expressa seu pensamento. Galliano. Deve-se evitar o uso excessivo dos parágrafos ou a sua ausência quase total. ao preparar a comunicação dos resultados de sua pesquisa. A construção do parágrafo é um dos momentos mais importantes da redação. Estão ligadas ao conteúdo e seqüência das informações.METODOLOGIA DA PESQUISA Texto 15 Estilo para a Redação de Trabalhos Acadêmicos O pesquisador. Veja o que eles afirmam a respeito desses tópicos: . Os autores que tratam de estilo.]” Quais são as normas básicas de estilo para que se produza um bom texto técnico? No trabalho científico. é encontrado um conjunto de diretrizes que auxiliam a redação inteligível e agradável. unidade. e você poderá recorrer à própria norma da ABNT. Estas decisões não são aleatórias. as dimensões. deve se preocupar com dois aspectos: a formatação e o estilo que usará na redação. Por esta razão. Medeiros. 43) explica que. os textos não-literários devem seguir uma série de normas [. A estrutura do parágrafo acompanha a estrutura da própria monografia: introdução.concisão: capacidade de se expressar sem uso redundante de palavras que prejudicam a objetividade do texto. . consultados para a redação deste tema. a seqüência e a maior ou menor complexidade do parágrafo decorrem do raciocínio expresso. são unânimes em afirmar a importância da clareza. Dentro das seções ele também deverá decidir onde se torna necessário abrir subseções. desenvolvimento e conclusão.coerência: relação lógica das frases que constituem o parágrafo. além do conteúdo. Caberá ao autor decidir o número de seções necessárias para que os resultados de sua pesquisa sejam comunicados.. ele tem por obrigação cumprir o objetivo de se fazer entender. Spector e Beaud. Sobre a formatação foram apresentados os dados essenciais. Assim é que as informações aparecem divididas em seções e estas subdivididas em subseções. . . pois ele expressa as etapas do raciocínio do autor. Spector (1997. num manual de estilo. embora sem a preocupação de um trabalho artístico. parte substantiva de seu trabalho.clareza: capacidade de transmitir com exatidão uma idéia em uma frase..unidade: relevância de cada frase para o tema do parágrafo. E conclui “ainda que o ato de escrever seja profundamente individual. unidade menor do pensamento. coerência e concisão ao se redigir um parágrafo. tais como Salomon. 84 .

. destaca as dificuldades que o pesquisador apresenta ao redigir seus relatórios. • etc. pode ser usada apenas a abreviatura. geralmente após a interpolação de frases que separam o sujeito do verbo. colocando-a entre parênteses após o termo por extenso. são expressões imprecisas. terá de utilizar os códigos da lingüística. Você não deverá seguir a linguagem por mim usada ao elaborar sua monografia. 53). alcançará maior clareza e a redação ganhará em qualidade. através do material. .: Aqui. alguns manuais recomendam que todos os números acima de dez sejam escritos com algarismos e não com palavras. Fogem ao rigor do trabalho científico.utilize linguagem direta. não deve ser escrito no passado.na linguagem técnica não se deve usar expressões coloquiais nem expressões técnicas imprecisas. Spector diz que o trabalho deverá ser revisto continuamente pelos seguintes motivos: 85 . por se tratar de um curso dado dentro das técnicas da educação a distância. • uso de numerais nos textos técnicos . define-se a abreviatura quando o termo aparece pela primeira vez. Para tal. a partir daí.deve-se evitar o seu uso nos casos em que a ação já foi concluída. • tempo do verbo . obrigatoriamente. no entanto. Observe o exemplo que ele dá: “Einstein demonstrou que a velocidade da luz é constante. abro parênteses para lembrar aos leitores deste módulo que a linguagem por mim usada se aproxima do coloquial. da familiaridade com o estudante. que recomendam ao autor procurar travar um diálogo com o aluno. . a partir de sua experiência em bancas examinadoras e orientação de teses.no texto. . o fato demonstrado ainda é aceito. costuma-se fazer uma lista de abreviaturas e colocá-la no pré-texto.deve-se manter homogeneidade no tempo dos verbos: o trabalho científico relata uma investigação já realizada. precisão e objetividade. • gerúndio . Finalizando. quando. Releia o texto quantas vezes se fizerem necessárias.observe as regras gramaticais ao fazer sua redação.evite linguagem coloquial.a maior parte dos erros de concordância ocorre em frases longas. Obs. respeitar as leis da gramática. ele.UNIDADE V de comunicar aos seus pares os resultados de sua pesquisa. o que obriga o autor a fazer o seu relato no pretérito perfeito. veja algumas: • concordância verbal . Spector (1997).não há consenso sobre o seu uso. quando são usadas muitas abreviaturas.exponha as idéias com clareza. • coloquialismo . todas as vezes que o fizer aumentará o seu entendimento do mesmo. faço as seguintes recomendações: .prefira frases curtas que contenham uma só idéia.não devem ser usados nas monografias. • abreviaturas .” (p. e e/ou .

um artigo de seu interesse e faça uma leitura crítica sobre o estilo adotado pelo autor. traz muitos exemplos sobre os tópicos explanados no texto.conferir os dados nas tabelas. Use o Texto 15 como referência. tabelas desnecessárias. .detectar erros tipográficos. é uma leitura proveitosa. ..METODOLOGIA DA PESQUISA .cortar o excesso de adjetivos. ⇒ Beaud (2000). “Alguns conselhos muito práticos para a redação do manuscrito”. nas referências etc. Espero que as considerações aqui apresentadas sobre questões de estilo despertem em você a preocupação em apresentar as suas pesquisas numa linguagem técnica correta e agradável. de autoria de Spector (1997).evitar desproporção entre as seções. Exercício Localize. no capítulo 24. informações repetitivas.verificar a seqüência lógica do texto. apresenta “dicas” interessantes. Enriqueça seu estudo ⇒ A Parte 3. . em uma revista técnica. “Manual de Estilo”. . 86 . .rever frases e parágrafos pouco claros.

Veja que ela não está entre aspas. principalmente. A primeira. vem uma citação de Medeiros escrita no próprio texto. p. p.UNIDADE V Texto 16 Apresentação de Citações nos Trabalhos Acadêmicos Esta Unidade tratou especificamente da elaboração de monografias chamadas pela ABNT de trabalhos acadêmicos. ela é uma citação direta longa. Por que isso ocorre? Em primeiro lugar. Veja que por se tratar de citações textuais. As citações têm o objetivo de dar maior credibilidade às idéias e pontos de vista que o pesquisador está defendendo uma vez que ele vai buscar em outros autores – especialistas no assunto tratado – argumentos favoráveis a sua proposição. Que são citações e como e quando usá-las? Segundo a ABNT. Estes trabalhos têm uma estrutura própria. como você já viu. apresenta um recuo de 4 cm em relação à margem esquerda. entretanto. Dois parágrafos abaixo. A ABNT (ASSOCIAÇÃO.” Ocorre. Restam ainda dois aspectos prioritários na redação dessa modalidade de trabalhos: são eles as citações e as referências. que repetem exatamente as palavras do autor. no caso. aparecem dois tipos de citações. 2002b. Você percebeu que algumas citações vêm inseridas no texto que escrevi. foi digitada com espaço de entrelinha simples e a fonte é menor do que a utilizada no texto.1). motivo pelo qual vem inserida no próprio texto. de Salomon. deve ficar claro que ambas são denominadas de citações diretas porque utilizam as próprias palavras do autor consultado. Já a citação de Medeiros não ultrapassa três linhas. e devem ser redigidos obedecendo a determinadas regras de estilo. eu indiquei a 87 . A citação de Salomon tem mais de três linhas e por essa razão é apresentada em destaque. citação é a “menção de uma informação extraída de outra fonte.2) assim define a citação direta: “transcrição textual de parte da obra do autor consultado. Salomon e Medeiros. enquanto outras vêm destacadas do texto com uma formatação específica? Retorne ao Texto 1. 2002b. com a mesma fonte e entre aspas. entre aspas. Este texto tratará das citações. ainda no Texto 1.” (ASSOCIAÇÃO. Observe que. diferentes maneiras de apresentá-las graças. a um fator estético. É uma citação direta curta. está destacada do texto. logo na primeira página. Ao longo deste módulo você teve oportunidade de conviver com diferentes tipos de citações. “ O ato de estudar”.

Acompanhe o próximo parágrafo. p. junto à indicação da fonte foi feito o acréscimo explicativo “grifo nosso”. Por outro lado quando você desejar enfatizar alguma expressão ou trecho da citação.]” O que significa isso? Simplesmente que eu tive acesso ao livro de Lakatos onde obtive a informação de Cohen e Nagel. Na explicação que darei a seguir você verá um exemplo de destaque em citação.. 88 . deseja fazer supressão de um trecho..” (ASSOCIAÇÃO.. em nota de rodapé. deverá destacá-la e ao transcrever os dados da fonte acrescentar a expressão “grifo nosso”. Uma maneira usual de obter informações ocorre através de depoimentos. “Quando se tratar de dados obtidos por informação verbal [.2). Muitas vezes consideramos relevante transcrever o pensamento de um autor que vem citado numa obra escrita por outro. acrescentar algo ou enfatizar determinados aspectos. bem como negrito para a expressão informação verbal. Como proceder? Observe no parágrafo anterior que eu concluí a frase com o sinal [. Se você desejar conhecê-lo. mencionandose os dados disponíveis. a expressão informação verbal.].1). Se o destaque tivesse sido do próprio autor. a palavra fato pode referir-se a coisas diferentes [. o sobrenome do autor. p. Repare que eu digo com as minhas palavras que Salomon (2001) foi buscar em 1855 as origens históricas da monografia..METODOLOGIA DA PESQUISA fonte. grifo nosso). Uma outra maneira de você se remeter ao pensamento de um autor é a citação indireta também chamada por alguns de paráfrase. Esse procedimento de indicação da fonte é chamado de autor-data. Você encontra um exemplo de citação de citação no Texto 6 – “Fatos e Teorias na Construção do Conhecimento”. palestras etc. p.. 2002. Em muitas ocasiões o pesquisador não necessita transcrever os textos em sua totalidade.... Consulte o Texto 13 “A Comunicação dos resultados da pesquisa – a monografia”. quando eu explico que: “Segundo Cohen e Nagel. p.”(ASSOCIAÇÃO. Acompanhe a definição dada pela ABNT “ citação direta ou indireta de um texto em que não se teve acesso ao original. isto é. A isso denomina-se de citação de citação. 2002b. logo no primeiro parágrafo você encontra uma citação indireta.] indicar.2. citados por Lakatos (1995.27). Existe um outro procedimento que é denominado de numérico. consulte a Norma NBR 10520/2002. Veja o que a ABNT recomenda fazer nesta situação. que inseri o símbolo [. a expressão a ser acrescida junto à fonte seria “grifo do autor. no parágrafo anterior. A ABNT define esta situação como “texto baseado na obra do autor consultado. (ASSOCIAÇÃO. 2002b.] significando a supressão de um trecho.” Na indicação da fonte que precede ou acompanha a citação ocorrem duas situações. É este o sinal que você deve usar quando desejar fazer a supressão de um trecho na citação. Você viu. entre parênteses. acompanhado da data e do número da página do livro de onde ela foi extraída. No sétimo parágrafo você pode verificar procedimento semelhante quando me refiro a Severino (2000).

Treze de Maio. citações diretas curtas 3.28º andar. Exercícios Analise. Rio de Janeiro – RJ – CEP 20 003-900 – telefone (21) 3974 2300 ou.. onde encontrará informações preciosas para a redação de citações em sua monografia. citação de citação 5. citações indiretas 4. você encontrará inúmeras outras ocorrências num nível de detalhamento bem expressivo. As situações mais comuns no uso de citações foram por mim expostas. Conforme explica Salomon (2001). uso do símbolo [. citações diretas longas 2.26). Na NBR 10520/ 2002. Ex. vem na sentença em letras maiúsculas e minúsculas. a monografia é um estudo aprofundado de um tema. se preferir.] Enriqueça seu estudo ⇒ Recomendo a leitura da NBR 10520/2002. adquiri-las. (SALOMON. neste módulo. 89 . p. 2001. devido à maneira de redigir.UNIDADE V a) o sobrenome do autor ou autores poderá vir totalmente dentro de parênteses e nesse caso em letras maiúsculas.. 13 . exemplos das seguintes situações: 1. Você poderá consultar esta e outras normas na própria sede da ABNT que fica situada na Av. Ex. b) o sobrenome do autor ou autores.

Como deve ser feita a apresentação das referências? Na lista. p. utilizei como exemplo diversas referências por mim organizadas na lista que se encontra no final deste módulo. por exemplo. ele virá em maiúsculas não se usando. a coleta de dados da pesquisa não se limita às informações provenientes das bibliotecas. Os títulos podem ser destacados por negrito. No caso de obra sem autoria em que o título inicia a referência. assim. deve ser seguida em toda a lista. Em outras ocasiões ela vem em nota de rodapé ou no fim do capítulo ou seção. quando a ABNT atualizou a NBR 6023. Para tanto. as referências devem estar alinhadas junto à margem esquerda. Os elementos a serem incluídos na referência são de dois tipos: elementos essenciais que são indispensáveis para a identificação do documento e complementares que permitem uma melhor identificação dos mesmos. O que é exatamente referência? É a seguinte a definição de referência adotada atualmente pela ABNT: “conjunto padronizado de elementos descritivos. a referência vem no início do trabalho. que permite sua identificação individual. Esta lista é um elemento pós-textual obrigatório. mas a partir do ano 2000. Até pouco tempo era usual a expressão referências bibliográficas. Se você tiver necessidade de aprofundar a análise deste tema. itálico ou grifo. negrito. deverá consultar a norma NBR 6023/2002. 2002a. 90 . A pontuação segue regras internacionais. mas nesse caso deve ser repetida em lista ao final do trabalho. com as possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias. ela adotou apenas o termo referências. itálico ou grifo mas uma vez escolhida uma dessas formas. Em que parte do trabalho devem-se localizar as referências? A localização das referências está na dependência do tipo de documento.METODOLOGIA DA PESQUISA Texto 17 Como Elaborar as Referências de um Documento Neste último texto você vai se familiarizar com a questão das referências. Neste texto vamos dar a você algumas orientações gerais sobre a apresentação das referências no sistema alfabético. retirados de um documento.2). Há uma razão para isso. adotado neste trabalho. Se você prepara um resumo de um texto numa ficha. em espaço simples e separadas umas das outras por espaço duplo. atinge os meios eletrônicos.” (ASSOCIAÇÃO. É que atualmente.

fascículo. É importante também passar-lhe algumas noções sobre as regras para transcrição dos elementos de autoria. além dos elementos já indicados nos parágrafos anteriores. • mais de três autores: indica-se o primeiro e a expressão et al. Ver Luckesi. DF. Veja. local. Veja. 91 . folhetos e trabalhos acadêmicos são elementos essenciais o autor ou autores. Quando se tratar de legislação. seguida da expressão latina “In”. editora e data de publicação. paginação correspondente e data da publicação. Resolução CNE/CP 2. CD-ROM. Quando se tratar de parte de uma obra com autores ou títulos próprios.UNIDADE V Quais os elementos essenciais de um documento e como apresentá-los? No caso de livros. na lista de referências. título. Veja. na lista de referências deste módulo. • um dos autores é responsável pelo conjunto: ver Minayo. Brasília. Quando se tratar de documentos eletrônicos (disquetes. o exemplo de Godoy. edição. título e subtítulo. da referência completa da obra e da paginação da parte destacada. Veja. bem como a data de acesso ao documento. o título do jornal (em destaque). ocorrem as seguintes situações: • autor pessoal: ver Costa. edição. Como fazer a transcrição dos elementos na referência? Até aqui procurei chamar a sua atenção para aspectos gerais da apresentação de referências. • até três autores: ver Cervo e Bervian. editora e data. 4 mar. 2002. título da publicação (em destaque). BRASIL. além do autor ou autores e título da matéria.9. numeração. p. Seção 1. caderno ou parte e a referência finaliza com a paginação. a referência de Zaluar. Em relação à autoria. numeração correspondente ao volume. Prossiga consultando a lista de referências. Quando se tratar de referência de matéria de revista ou boletim. caderno ou parte. o exemplo de Boruchovitch e Mercuri. na lista de referências. Conselho Nacional de Educação. são elementos essenciais da referência. são elementos essenciais o autor ou autores e título da parte. paginação da matéria e data. No caso de haver seção. são essenciais jurisdição. local. Nas obras consultadas online. Veja. o endereço eletrônico deve vir entre os sinais < >. dentre outros. a data da publicação precede o nome da seção. de 19 de fevereiro de 2002. Veja a seguir a referência de uma resolução do Conselho Nacional de Educação. Quando se tratar de matéria de jornal. local. título da matéria. acrescentar as informações relacionadas à descrição física do meio. Diário Oficial da União. o exemplo de Gomes.). os elementos essenciais são autor ou autores. precedido da expressão “Disponível em”. internet etc. na lista de referências deste módulo. data e dados da publicação. título. Poder Executivo. os exemplos de Chizzotti (um autor) e de Lakatos e Marconi (dois autores). nas referências deste módulo. na lista de referências.

sempre que possível. Veja a referência de Boruchovitch e Mercuri. com exceção do mês de maio. Como exemplo cito a referência de Demo. em várias referências. ao final da referência. na lista de referências. Em relação à editora: • indica-se o nome da editora. 102 f. como se pode ver em Goldenberg. Nesse caso não se deve indicar a editora. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais)Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. conforme o caso. Máscaras inteiriças Tukúna: possibilidades de estudo de artefatos de museu para o conhecimento do universo indígena. na referência de Cervo e Bervian. mas se conhece a data provável. Quando no documento não aparece a data. “sempre que necessário à identificação da obra. abreviando-se os prenomes e eliminando-se palavras que designam a natureza jurídica e comercial.]. 92 . Em relação à data: • é transcrita em algarismos arábicos.METODOLOGIA DA PESQUISA • obra traduzida: ver Beaud. fazer como em Beaud.]. Em algumas ocasiões a editora é a pessoa ou instituição responsável pela autoria. Nas publicações periódicas os meses são indicados de forma abreviada (três primeiras letras). coloca-se o sinal [ ]. conforme se vê na lista. sem destaque tipográfico” (ASSOCIAÇÃO. p. utilize a expressão sine nomine abreviada [s. por exemplo. 1985. Em relação ao local: • deve-se transcrever o nome da cidade como. deve-se usar a expressão sine loco entre colchetes: [S. 19) e apresenta o exemplo a seguir: ARAUJO. No caso de não aparecer na obra o nome da cidade. já tendo sido mencionada na referência. Veja a referência de Moulin. Em relação à edição: • a edição deve vir logo após o título e subtítulo.l. acrescenta-se o nome do estado ou do país. Observe a referência de Santos. Em relação a notas: • informa a ABNT que. devem ser incluídas notas com informações complementares. quando se tratar de obra traduzida. São Paulo. • quando se tratar de homônimos.n. 1986. que se escreve por extenso. U. • No caso de a editora não estar identificada. M. • autor entidade: ver Associação Brasileira de Normas Técnicas. Em relação ao título e subtítulo: • devem ser transcritos separados por dois pontos destacando-se apenas a primeira parte. 2002a.

as chamadas no decorrer dos textos. Veja os exemplos das referências da Associação Brasileira de Normas Técnicas e de Demo. utilização de fontes e apresentação de referências. editora. 93 . ao invés de aparecer o sobrenome do autor. principalmente no que concerne às citações. obedecem à mesma entrada que utilizei nas referências. na lista. a lista elaborada neste módulo segue o sistema alfabético. algumas vezes. e o numérico. Faça uma análise da lista e verá que sigo rigorosamente a ordem alfabética. Foi também minha intenção mostrar-lhe que este módulo foi organizado de maneira a servir de exemplo na elaboração de trabalhos acadêmicos. Compare-as com as normas da ABNT e redija um parecer a respeito. as ocorrências mais usuais ao se redigirem as referências nos trabalhos acadêmicos.UNIDADE V De que maneira devem ser ordenadas as referências dos documentos citados em um trabalho? Os sistemas mais adotados para a ordenação das referências são o sistema alfabético. Isso pode ocorrer quando na mesma página aparece o nome de um autor de várias obras. neste texto. no qual a lista é organizada de acordo com a ordem de citação no texto. dentre outras. local e data Enriqueça seu estudo ⇒ Recomendo a leitura da NBR 6023/2002 que complementará o que você estudou neste texto. Observe também que. no qual se obedece à ordem alfabética na confecção da lista. Como já foi aqui comentado. Procurei apresentar a você. Pontos principais a serem analisados: o sistema de referência utilizado o recurso tipográfico utilizado para destacar o título o alinhamento das referências a apresentação de periódicos e jornais a apresentação de referências eletrônicas a apresentação da edição. aparece um traço (seis espaços). Além disso. Exercício Procure em bibliotecas de instituições de ensino superior algumas monografias e faça uma análise das listas de referências que apresentam. Termino aqui a minha contribuição para os seus estudos de metodologia da pesquisa lembrando que você poderá sempre aprofundar e ampliar os seus conhecimentos recorrendo às leituras complementares e às normas da ABNT.

2.2 Estrutura redacional dos trabalhos acadêmicos: seções e subseções e outros 3. A ABNT evita o uso do termo genérico monografia.1. uma dissertação ou uma tese.2 elementos complementares 5.1 Manual de estilo: conjunto de diretrizes para auxiliar a redação 3.3 Informações importantes: 4. destacada fora do texto 4.2. substituindo-a na NBR 14724/2000 pela expressão trabalhos acadêmicos.3.METODOLOGIA DA PESQUISA Esquematizando.3 Normas de redação clareza unidade coerência concisão 3.1 Montagem da monografia 1.2.2.4 Formas de indicação de fontes nas citações 5 COMO ELABORAR AS REFERÊNCIAS DE UM DOCUMENTO 5.1.2.3 Citação de citação – citação direta ou indireta de um texto em que não se teve acesso ao original 4.3.1.1 Supressão de trechos da citação: usar o sinal [.2.3.1. 5.1 Citação direta 4..1 citação direta longa – mais de três linhas.1 Pré-textuais 2.1 Elementos de uma referência 5.2 Localização das referências 94 .4 Importância do parágrafo 3. inserida no próprio texto 4. pode ser um trabalho de iniciação científica.2 Relatório da pesquisa: processo de reflexão pessoal autônomo criativo rigoroso 1.2 citação direta curta – até três linhas.1 Monografia: estudo minucioso que propõe esgotar um tema relativamente restrito.1.1.3.1.1. conforme o grau de profundidade.2. 1.] 4. O relatório da pesquisa é editorado sob a forma de uma monografia que.1 Redação provisória 1.5 Cuidados a tomar no ato de redigir concordância verbal tempos de verbo uso de numerais abreviaturas coloquialismo 4 APRESENTAÇÃO DE CITAÇÕES NOS TRABALHOS ACADÊMICOS 4.3 Pós-textuais 3 ESTILO PARA A REDAÇÃO DE TRABALHOS CIENTÍFICOS 3.2 Redação definitiva 2 ESTRUTURA DOS TRABALHOS ACADÊMICOS SEGUNDO A ABNT 2..2.1 Definição de citação: menção de uma informação extraída de outra fonte 4...1. 1 A COMUNICAÇÃO DOS RESULTADOS DA PESQUISA: A MONOGRAFIA 1.1 Definição de referência: conjunto padronizado de elementos descritivos.2 Citação indireta – texto baseado na obra do autor consultado 4. retirados de um documento que permite sua identificação individual.3 Dados obtidos por informação verbal: indicar entre parênteses a expressão “informação verbal” 4.2 Tipos de citação 4.2 Textuais 2.2 Destaque de expressões na citação: incluir a expressão “grifo nosso” ao transcrever os dados da fonte 4.1 elementos essenciais 5.

6 data 5.2 Parte de uma obra 5.5.4 Jornal 5.5.4.4.7 notas 5.5.4 Como apresentar os elementos essenciais de um documento 5.3 edição 5.1 Sistema alfabético 5.4.2 título e subtítulo 5.3 Apresentação das referências 5.5 editora 5.2 Sistema numérico 95 .1 Livros.4.6. folhetos e trabalhos acadêmicos 5.4 local 5.4.4.5 Transcrição dos elementos na referência 5.UNIDADE V 5.5.6 Sistemas de ordenação das referências 5.5.6 Documentos eletrônicos 5.5.1 autoria 5.5 Legislação 5.3 Revista ou boletim 5.6.5.

COSTA. NBR 14724: Informação e documentação: trabalhos acadêmicos–apresentação. Romeu. São Paulo: Atlas. Como elaborar projetos de pesquisa. BEAUD. ed. p.. Petrópolis: Vozes. Rio de Janeiro. E. GOMES. ed. método e criatividade. G. O famoso cientista Edward O. 19. 2001. ed. São Paulo: Cortez. n. 1998. da. A análise de dados em pesquisa qualitativa. 2001. BERVIAN. São Paulo: Loyola. 2001. A. In: MINAYO. Mirian. Disponível em <http:// www. ed./mar. FREIRE. M. A importância do sublinhar como estratégia de estudo de textos. Fundamentos da metodologia científica: teoria da ciência e prática da pesquisa.S. Wilson prega em livro a polêmica união de todas as ciências.). Ação cultural para a liberdade. José Carlos. Tecnologia Educacional. 13. ISTO É. ______. 1986. 3. Antonio.com. São Paulo: Atlas. Tradução de Glória de Carvalho Lins. LAKATOS. 9. 37-40. ______. São Paulo: Atlas. 14.istoe. A. São Paulo: Harbra. 2002a. Pesquisa em ciências humanas e sociais. v. DEMO. L. O método científico: teoria e prática. 1995. 1992. Rio de Janeiro. Metodologia do trabalho científico. ______. GODOY. 3. MARCONI. 5. E./fev. Maria C. Pesquisa social: teoria. 3. 1985. 1999. Antônio F. 2002c. (Org. 2. Norton. M. ed. NBR 6023: Informação e documentação: referências–elaboração. KÖCHE. A arte de pesquisar: como fazer pesquisa qualitativa em ciências sociais. Rio de Janeiro. José Carlos. G... 1998. Acesso em: 25 mar. E. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. Rio de Janeiro: UNITEC. ed. CERVO. São Paulo: Atlas. 1996. 2001. São Paulo: Makron Books. A. ed. 2000. 2002b. O neo-iluminista. Petrópolis: Vozes. P. uma monografia ou qualquer outro trabalho universitário. A. 67-80. São Paulo: Cortez. ______. Rio de Janeiro: Record. Michel. 1999. MERCURI. Antonio. Guia para elaboração de relatórios de pesquisa e monografias. 96 .Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ed. 2000. Introdução à metodologia da ciência. Metodologia científica. Pedro. GALLIANO. NBR 10520: Informação e documentação: citações em documentos–apresentação. São Paulo. ed. ed. Arte da tese: como redigir uma tese de mestrado ou de doutorado. 1999. 3. CHIZZOTTI. ed. 4. GOLDENBERG. P. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 21 out. 144. GIL. 4. LIBÂNEO. Rio de Janeiro. jan. ed. Democratização da escola pública: a pedagogia crítico-social dos conteúdos. BORUCHOVITCH. Metodologia científica. Pesquisa: princípio científico e educativo. 28. 1996.br>. 1996.

ed. In: ZENTGRAF. Alda J.. SPECTOR. O uso da matriz na montagem e análise de projetos de estudo.ed. 2000. O método nas ciências naturais e sociais: pesquisa qualitativa.). 9. Monografia objetiva. 14. 1987. Rio de Janeiro: CEP/UFRJ. F. D. Maria Cecília de S. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. M. 11. 1999. 2000. ed. 2000. Nelly M. 2001.. 2000. Manual de organização de referências e citações bibliográficas para documentos impressos e eletrônicos. MAZZOTTI. método e criatividade. Fazer universidade: uma proposta metodológica. Edgar. São Paulo: EPU. ZENTGRAF. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. Porto Alegre: Globo. ed.M. Ralph E. Roberto Jarry (Org. Apostila. 2001. MORIN. São Paulo: Cortez. A pesquisa bibliográfica: planejamento. 2000. Rio de Janeiro: ZTG. São Paulo: Martins Fontes. 97 . São Paulo: Cortez. São Paulo: Atlas. Técnicas de pesquisa. LAKATOS. 2002. ed. ed. ______. LÜDKE. 21. ed. São Paulo: Cortez. Alba. 2000. G. Luiz F. Michel. RUDIO. João Bosco. PEREIRA. Manual para a redação de teses. dissertações e projetos de pesquisa. Rodrigo. GEWANDSZNAJDER. Campinas.ed. 1978. 1997a.ed. 10. 2000. Princípios básicos de currículo e ensino. Pesquisa e liberdade de pensamento. Técnicas de estudo e pesquisa em educação. MINAYO. 11. Pesquisa social: teoria. Metodologia da pesquisa-ação. São Paulo: Atlas. 3. No prelo. Rio de Janeiro: CEP/UFRJ. ed. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas 6. E. Para onde vão as pedagogias não diretivas. MARCONI. ZALUAR. Metodologia do trabalho científico. TYLER. Petrópolis: Vozes.ed. 5. Rio de Janeiro. ______. Maria Christina. Cipriano C.). Petrópolis: Vozes.Pesquisa em educação. 2001. Nelson. São Paulo: Pioneira Thomson Learning. SNYDERS. resenhas.. 1997. Pesquisa social: métodos e técnicas. Como fazer uma monografia. J. p. V. MOULIN. 7 ago. 1997b. SEVERINO. 3. (Org. RICHARDSON. Tradução de Maria D. impr. SALOMON. Jornal do Brasil. 4. M. Ciência com consciência. V. ______. ANDRÉ. Técnica de estudos e pesquisa em educação: leituras complementares.LUCKESI. Tradução de Leonel Vallandro. 1999. MONTEIRO. 28. Redação científica: a prática de fichamentos.. Rio de Janeiro: EDU/ UERJ. et al. Alexandre e Maria Alice Sampaio Dória. Gildenir Carolino. execução e comunicação. SANTOS. 81-85. Módulo de ensino do Curso de Especialização em Docência Superior. Rio de Janeiro: CEP/UFRJ. p. 2000. [1996]. ed. A. SP: Unicamp. Maria Christina. A. Lisboa: Moraes. 3. Introdução ao projeto de pesquisa científica. M. 2001. 2. MEDEIROS. resumos . THIOLLENT. 2002. São Paulo:Atlas. Módulo de ensino do Curso de Especialização em Supervisão Escolar. Fernando.

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......................................................... Natureza do Trabalho Data da aprovação Banca Examinadora __________________ __________________ __________________ Apêndice ........................................................................................................ ........................................................................................ ............. ........................................... ....................................................... (INSTITUIÇÃO) FOLHA DE ROSTO ................ .............. ....................... ...........................................................................Formatação de Página CAPA ........................................................................................... ................................................................................................................................................................................... FOLHA DE APROVAÇÃO AUTOR TÍTULO DO TRABALHO RESUMO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA ABSTRACT ..................................................................................... .......................................................................................... .............. ..................... (AUTOR) TÍTULO DO TRABALHO AUTOR TÍTULO DO TRABALHO CIDADE ANO CIDADE ANO Trabalho final apresentado à Instituição X como requisito para obtenção do certificado de ................................. ................................... .........................Apêndice A ....................................................................................................................................... ........................................................................... .................................................................................... .......................................................................................................................................................... ........ .... .. ..............................................

............................. 32 FIGURA 2 Eclipse Solar................. 71 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS (se houver) LISTA DE ABREVIATURAS ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas CEP Centro de Estudos de Pessoal DEDICATÓRIA (opcional) Dedico este estudo a meus pais Maria e J o a q u i m Oliveira 100 ...........LISTA DE ILUSTRAÇÕES (se houver) LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 Aurora Boreal....... .. .... 45 TABELA 2 Custos do projeto B....... . 40 LISTA DE TABELAS (se houver) LISTA DE TABELAS TABELA 1 Custos do projeto A.. ......

.................................................. ............AGRADECIMENTOS (opcional) AGRADECIMENTOS EPÍGRAFE (opcional) [.......................................................................................... REFERÊNCIAS APÊNDICES ANEXOS 101 .............. 1999.......... (Freire......... .... 3....................................................................................................... .................................1 . ......................................................... 10 2.............. ......................................... nos tornamos capazes de aprender.......................................................... ...................... ......................................................... 10 2............. 5 2 REFERENCIAL TEÓRICO ..... p......... SUMÁRIO SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .......... 12 3 ................................................................................................................................ ..................................................... 4 CONCLUSÃO ...................... ................................................................. ..................................................................................2 Histórico ................... ............. .. social e historicamente.......................................................................... 77) RESUMO EM LÍNGUA VERNÁCULA RESUMO ..1 Considerações iniciais ............... ....... ............ ........................................................................] somos os únicos seres que..................................... ...................................................... ................................................................................ ................................................................................................................................................................................

................................ ...... ................................................................................. .................................................................................................................................................. ......... ................... CONCLUSÃO REFERÊNCIAS (obrigatório) REFERÊNCIAS [................................................. ......................................................................................................................................................... ................... ............... ...................................................................................................................................... ............ ............................................................ ....................................................................................................................................................................... ........................ ................................................. 2 ......................................................... .............. .............. .................. ................................................................................................................................................................................................. ............................................. .............................................. .......................................................................................................... ..................... 102 ...................................... ........ ............................... .................................. ........................................................................................................................................................................ ........................................................................................ ......................................................................... ......................................................................................................................................................... ...................................................................... ............................................................................. ......................... ......................] CONCLUSÕES .......... ................................................ ....................... ..... .. (título) .................INTRODUÇÃO DEMAIS CAPÍTULOS 1 INTRODUÇÃO .............................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................. ............................ ................................. ............................................. ............................................................................................................ .................................... .............................................. ..................................... ..................................................................................................................................................................................................................................... ................................................................ .................................................................................... .......................

(opcional) ANEXOS A. B.Modelo de Capa MARGENS superior 3 cm esquerda 3 cm direita 2 cm inferior 2 cm 103 . C etc. (opcional) APÊNDICE A . C etc. B.Plano de Ação ANEXO A .APÊNDICES A.

com.com.br 104 .br EPU (0XX 11) 3168-6077 Record (0XX 21) 2585-2000 Guanabara Koogan Travessa do Ouvidor. 5571-0276 e 55719777 Vozes (0XX 24) 2237-5112 www.(11) 36133344 Harbra (0XX 11) 5549-2244.Editoras Associação Brasileira de Tecnologia Educacional (ABT) (0XX 21) 2553-2123 abt@domain.edatlas.com.Apêndice B .com. Saraiva (0XX 11) 36133000 televendas . RJ.vozes.br (0XX 11) 3845-6622 makron@books.com.br Pioneira (0XX 11) 3858-3199 pioneira@virtual-net. 11.com Makron Books do Brasil Atlas (0XX 11) 221-9144 www.br Livraria Martins Fontes (0XX 11) 3241-3677 info@martinsfontes.com.br Papirus Bertrand Brasil (0XX 21) 2263-2082 (0XX 19) 3234-6422 Caixa Postal 736 13001-970 .br www.editorasaraiva.SP Cortez (0XX 11) 3864-0111 cortez@cortezeditora.Campinas .com. Centro – Rio de Janeiro.

produção e execução de projetos na área. Docente nos cursos de pós-graduação da UERJ e UNICARIOCA. Especialista em Educação a Distância. Digitação e editoração eletrônica Guido da Silva Godinho 105 .Autora Maria Christina Santos Rocha Zentgraf Mestre e Doutora em Educação pela UFRJ. Livre Docente pela UERJ. no Brasil e no exterior. É autora do presente Módulo. Tem trabalhos publicados em revistas especializadas. Professora adjunta da UERJ. tem participado do planejamento.

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