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Política de juros ou imposto único?

Incomoda-me saber que meu país insiste em andar para trás e não ter ideias próprias. Ano
passado assisti um pseudo-intelectual, acho que tinha formação em ciências sociais, mas poderia ser
filósofo, economista, engenheiro, etc. Ele dizia citava a Petrobrás: nossos engenheiros insistiam em
tirar petróleo de onde nenhum outro país tinha tirado antes. Para ele, era uma maluquice, pois,
primeiro ele esperava que os países do chamado primeiro mundo fizessem tal proeza! E mais: tentou
persudir a platéia a aceitar e praticar a teoria das competências/ habilidades importadas da França,
tese de um sr. chamado Perrenoud (o palestrante brasileiro me corrigiu era perrenôd, que se
pronunciava! “grand Merd”, pensei!) , o mesmo perrenoud que tinha exportado para o Brasil a teoria
dos ciclos, onde alunos não deveriam repetir, mas permanecer com seus colegas, sem se dar conta de
que as crianças saíam da escola sem ler e escrever o mínimo que se esperaria delas e o mínimo que o
sistema antigo fazia razoavelmente – panela velha também faz comida boa!
Mas, o que tem aquele pseudo-intelectual? Ele representa a média dos intelectuais brasileiros!
Que, em sua maioria não passam de importadores de teses estrangeiras. Na economia não é diferente.
Como professor de filosofia devo meter a colher na panela alheia e perguntar: quando uma pessoa
tem câncer e outra tem resfriado, o remédio é o mesmo? No nosso país é! Qualquer mudança na
situação econômica, interna ou externa, a resposta é a mesma: alterar as taxas de juros e para cima,
em uma velocidade mais rápida na subida e letárgica, na descida – alguém já disse que os juros
sobem de elevador e descem pelas escadas!
Qual seria o remédio alternativo, um genérico que fizesse o mesmo efeito sem as
conseqüências desastrosas de nos tornar a maior taxa de juros do planeta, enquanto somos um país
com potencial energético e de matéria-prima e humana de dar inveja?
Não sou economista e alguém daquele meio poderia questionar essa minha reflexão, mas quem
conhece melhor um furacão: quem está no seu centro, onde os ventos têm velocidade quase zero ou
quem o observa a distância? Se o problema da inflação é o desequilíbrio entre a oferta, baixa, e a
demanda alta, por que não aumentar impostos sobre o consumo? Em vez de aumentar as taxas de
juros onde apenas os bancos ganharão, por que não aumentar as taxas tributárias, onde todos
ganharão: consumidores freiarão seu ímpeto de consumo (a vida não se limita a comprar, comprar) e
o governo ganhará, pois o aumento de taxas irão para o seu cofre e, desse, esperamos, para serem
aplicados em políticas públicas.
Por que não se faz o óbvio? Isso me lembra a pergunta de Epicuro: por que Deus não acaba
com o mal? Ele (o mortal Epicuro) respondeu: ou porque Deus não quer, ou por que não pode...
Nosso governo não quer? Ou o COPOM não quer? Será por causa da promíscua proximidade de seus
membros com as instituições financeiras para as quais eles certamente irão trabalhar após terem
supostamente trabalhado para o povo brasileiro? Copom que deveria ter membros indicados por
todos os setores da economia, empresariais e trabalhistas! Ou, então, por que Deus (leia-se governo)
NÃO PODE? Como assim? Não pode por que não o deixam? Os iluminattis, os reptilianos? Talvez
as próprias mentes limitadas de nossos políticos sempre tão preocupados com os holofotes e os
microfones. Raros são os líderes que tomam para si a responsabilidade e desafios. A maioria gosta do
tradicional feijão com arroz... até os socialistas têm seus momentos de “laissez faire”! O problema é
que a situação requer mais do que esperar os ventos para o barco se mover! Há 180 milhões de
passageiros, entre a carga há toneladas de commodites e poucos produtos indstrializados. Não
sabemos onde esse barco irá atracar: em território livre ou escravista, monopolista?
Se já existisse um sistema tributário estruturado em uma única forma (eletrônica) de retere os
tributos após o consumo, poderíamos, automaticamente, aumentar as taxas quando precisássemos
frear o consumo, desde que essa fosse uma decisão de um órgão constituído de membros de toda a
nação, um copom democrático?
Antonio Jaques de Matos
Professor de Filosofia
Porto Alegre, 15 de maio de 2.410 d.S. (depois de Sócrates)