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Filosofar é opinar?

Hoje é 28 de março de 2011 (nossa!, quem será que lerá isso daqui há 100 anos! Logo, me
tornarei passado, o sangue que circula em mim já não existirá, o leitor pensará com certo ar de
superioridade: “coitado daquele homem que não existe mais”!).

De qualquer modo, minha preocupações e as respostas que busco para supera-las e resolve-las
pode – talvez – ajudar a futuros professores...

Já ouvi de mais de um aluno que filosofar ou refletir é opinar.

A partir do texto bíblico “Torre de Babel” pedi que refletissem. Primeiro, disseram que não era
aula de filosofia. Depois, muitos escreveram, em poucas linhas, “Deus puniu os homens porque Ele
não gostou de ver que os homens estavam construindo uma torre que iria até o céu para pegar o
lugar Dele”. Ora, de onde tiraram isso se no texto que eu selecionei para eles não havia o verbo
“punir”, o verbo “gostar” e “pegar o lugar dele”.

Antes mesmo de questionar os alunos de onde tinham tirado tais informações, me confrontei
com a crença de que disciplinas como religião e filosofia são fáceis, pedem aos alunos apenas
opinião de modo que qualquer resposta vale. De onde tiraram isso? Resposta provável: dos seus
antigos professores de religião e de filosofia!

Como pode um professor de filosofia que leu algo de Platão crer que filosofar é opinar (eu
acho isso, eu acho aquilo) ? Platão, na obra Teeteto apresenta uma definição provisória, é verdade, de
filosofia: opinião acompanhada de justificação. E, por “justificação”, pode-se entender razão,
racionalidade, motivos, explicações, sentido, lógica, consistência, senso de realidade, porquês.

Quanto mal se fez a esses jovens deixá-los na mão de pseudo-filósofos! Mas, isso é evidente,
pois, nossa educação visa a formar quantidade de pessoas, não à qualidade! Só que pessoas, diferente
de produtos industrializados não podem ser devolvidas à fábrica para serem consertadas.

Sobre o exercício sugeri algumas respostas:


(a) O pastor da minha igreja disse que Deus puniu os homens porque eles O desafiaram
pois queriam ser como Deus.
(b) O verbo “confundir” tem o sentido de “provocar a confusão em uma pessoa para que
ela se atrapalhe, não realize bem suas tarefas”
(c) O verbo “confundir” pode ser usado quando queremos ajudar alguém, mas, sem
intenção, consciência ou maldade, orientamos a pessoa com uma informação que,
mais tarde, descobrimos ser errada.

Uma aluna fez uma pergunta brilhante: se essa reflexão toda não leva a uma resposta, tal
reflexão faz sentido? Respondi (sem citar Sócrates, mas me dando conta de que chegamos à mesma
conclusão, acidentalmente, que ele chegou 2400 anos antes) que saímos mais tolerantes (escrevi no
quadro a palavra TOLERANTES) em relação a todos os pontos de vista que podemos encontrar (em
nossos pensamentos e nos pensamentos dos outros). Há pessoas, porém, que têm respostas, acham-
nas definitivas, verdades absolutas e não abrem mão disso! Nós, pelo menos, somos capazes de ouvir
as opiniões dos outros! Isso é filosofar!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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Professor Antonio Jaques de Matos
Professor de Filosofia