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Durante muitos anos, a igreja evangélica se posicionou incisivamente contra a

participação de cristãos em todo e qualquer tipo de manifestação artística e cultural.


Para o conservadorismo, a arte possuía o DNA do pecado. Além disso, ela representava
um convite ao pensamento mundano. Dança, teatro, cinema e moda estavam entre as
categorias mais desprezadas. As artes cênicas e dramáticas, desde a época da ferrenha
oposição dos puritanos no século 16, foram associadas a falsidade, embriaguez,
blasfêmia e imoralidade. A dança e a moda, à vaidade, sedução e prostituição. O cristão
era proibido de freqüentar salas de cinema, teatros etc. Eles tinham que obedecer tal
situação caso quisessem permanecer no rol de membros da denominação – que
reprimisse tal desejo ou vocação.

Este conservadorismo exacerbado se estendeu por décadas e influenciou


significativamente na formação de gerações completamente alienadas da arte e da
cultura, de maneira geral. Para Rogério Nascimento, pastor da igreja O Brasil para
Cristo de Erechin (RS), “esta oposição teve seu início entre as comunidades evangélicas
nórdicas, onde os crentes eram levados ao isolamento total de qualquer manifestação
cultural, consideradas diabólicas. A partir daí, ramificações surgidas desses movimentos
trouxeram esta mentalidade às igrejas brasileiras, onde o fenômeno pastoral de controle
total sobre a cabeça dos membros chegou ao extremo”.

A opressão à criatividade instaurou uma enorme escassez de desenvolvimento da arte


contemporânea entre os evangélicos. Aqueles que insistiam, tentando colocar em
prática seu talento, eram desestimulados. A igreja sufocava a arte.

COMO LOUVAR A DEUS ?

Poucos negam que devemos nos colocar de pé na presença de Deus, mas este ato é
mencionado apenas duas vezes nos salmos. Poucos teriam dúvidas acerca da validade
de ajoelhar-se na Casa de Deus embora ajoelhar-se é mencionado só uma vez nos
salmos. Mas quando se fala de dançar, que é mencionado três vezes nos Salmos,
levanta-se uma bandeira vermelha. Algumas vezes nos acostumamos tanto a ver como
o diabo tem pervertido determinada coisa, que perdemos a vontade de ver a verdadeira
expressão daquela mesma coisa. Quando pensamos na dança, automaticamente
pensamos na expressão carnal de dança como é encontrada no mundo. A Bíblia declara
enfaticamente que devemos louvar o Senhor com danças.

Se isto é verdadeiro, devemos saber como é que podemos pôr em prática a Palavra de
Deus.

Salmo 149:3 - Louvem-lhe o nome com flauta (em inglês, "com dança'); cantem-lhe
salmos com adufe e harpa.

Salmo 150:4 - Louvai-o com adufes e danças; louvai-o com instrumentos de cordas e
com flautas.

Deve notar-se que a frase "dançar no espírito" não pode ser encontrada na Palavra de
Deus.

Esta frase foi cunhada por pessoas que não entenderam a plenitude da mensagem do
louvor e do sacrifício de louvor. Todo ato de fé na adoração inclui um sacrifício da parte
do adorador. Os atos de levantar as mãos, bater palmas, cantar e gritar são todos
conscientes, executados baseados em um entendimento da Palavra de Deus, e de uma
disposição para obedecer os seus ditames. Dançar diante do Senhor não é diferente.
Você não precisa receber uma vivificação especial para cantar; da mesma forma, você
não precisa receber uma vivificação especial para dançar.

"Dançar diante do Senhor, ou "dança espiritual" é adoração em um plano bem elevado,


e deve ser sempre considerado e tratado como tal. Não é apenas uma "liberação
emocional", como alguém disse. Realmente, Deus sempre se manifesta e sempre se
manifestará para satisfazer as necessidades emocionais do Seu povo, mas o maior
propósito deste aspecto de adoração é o de obediência à vontade de Deus revelada,
através de nossa adoração.

Devemos terem mente que a dança tem sido parte integrante do padrão de adoração
em todas as sociedades ou culturas, através dos séculos. Não é para se admirar que
nesta última geração ela se tenha tornado algo tão degradado e impuro, porque o
pecado alcança o seu ápice, e Satanás usará tudo o que no passado fez parte da
verdadeira adoração espiritual, levando-o para as profundezas mais abjetas. É por esta
razão que Deus está restaurando a dança na Igreja destes últimos dias. Uma das
últimas expressões de adoração na vida do cristão é o abandono total da sua força, até
que Deus nos possua completamente: espírito, alma e corpo. Sejam quais forem os
deuses que os pagãos adorem, encontra-se algures naquela adoração e expressão da
dança. Isto indica que é inato no coração de todo homem um desejo íntimo de se
abandonar na adoração do seu deus. Quanto mais nós devemos nos abandonar com
tudo o que há em nós, para adorarmos o DEUS VIVO.

Deus está restaurando alegria à Igreja - uma alegria que nunca se manifestou antes. Ele
quer que cheguemos ao ponto de obtermos a plenitude de alegria que se encontra na
"alegria da colheita". A dança é uma expressão vital desta alegria. Contudo, há uma
ordem para a restauração de Deus, que atua como salvaguarda nesta área.

Jeremias 31:12-13 - Hão de vir, e exultar na altura de Sião, radiantes de alegria por
causa dos bens do Senhor, do cereal, do vinho, do azeite, dos cordeiros e dos bezerros;
a sua alma será como um jardim regado, e nunca mais desfalecerão. Então a virgem se
alegrará na dança, e também os jovens e os velhos; tornarei o seu pranto em júbilo e
os consolarei; transformarei em regozijo a sua tristeza.

Jeremias nos apresenta os três ingredientes que são capazes de nos conservar em
equilíbrio.

Primeiramente o Senhor restaurará a Palavra (trigo), pois tudo deve ser fundamentado
na Palavra de Deus revelada. Em segundo lugar, Deus restaura a alegria do Senhor
(vinho). Quando a Palavra de Deus e a alegria do Senhor se encontram com o terceiro
ingrediente, a unção (óleo), então a Igreja (virgem) se alegra na dança. Quando o
alicerce é lançado adequadamente na Palavra de Deus, pode seguir-se a expressão da
dança.

Tempos de libertação e visitação sempre têm sido caracterizados pela expressão da


dança.

Quando Israel foi libertado da escravidão egípcia, Míriam liderou as mulheres de Israel
na dança (Êxodo 15:21). Quando Davi trouxe para Jerusalém a Arca da Aliança, pôs de
lado todas as suas roupagens reais, vestiu-se com uma estola sacerdotal de linho, que
era roupa característica dos sacerdotes, e dançou diante do Senhor (II Samuel 6:14).
Quando Deus restaura um povo como está fazendo com a Igreja, a dança surge
expontaneamente (Jeremias 31:4). E também quando o Senhor faz acabar o cativeiro
individual de uma pessoa que estava em depressão e tristeza, uma reação natural é
dançar, saltar ou pular de alegria diante do Senhor.

Salmo 30:11 - Converteste o meu pranto em folguedos; tiraste o meu pano de saco, e
me cingiste de alegria.

Em o Novo Testamento, verificamos a mesma reação à libertação de um cativeiro. Em


Isaías é profetizado que coxo saltaria como o cervo, e em Atos isto foi cumprido
literalmente (Isaías 35:6; Atos 3). Aquilo deve ter causado algum tumulto, pois um
homem que durante anos se havia sentado no mesmo lugar, mendigando, pois era
coxo, observando os líderes religiosos da sua época entrar e sair da casa de Deus, sem
nunca obter a resposta para a sua necessidade, repentinamente entra no Templo,
saltando e louvando a Deus. Possivelmente muitas pessoas acharam que aquilo era um
tanto indigno, mas o ex-coxo deve ter achado a sua ação bem apropriada. Muitas
pessoas têm perguntado por que, nesta visitação, somos tão zelosos acerca da nossa
adoração. A resposta acha-se neste episódio.

Durante anos muitos de nós ficamos assentados, vendo os ministros entrar e sair de
nossas igrejas. Durante anos ouvimos sermões, sem que nossas necessidades pessoais
fossem supridas ao ponto de podermos entrar e nos tomarmos parte do que Deus
estava fazendo.

Durante anos subiu de nossos corações o clamor: "Oh, Deus, é só isto que tens para
nós?" E então, em sua misericórdia, Deus fez atravessar o nosso caminho ministros que
nos deram mais do que havíamos pedido, e nós recebemos forças quando pensávamos
que já não havia mais forças. De fato, Deus fez tão mais do que havíamos pedido, que
não podíamos deixar de pular de alegria e gritar louvores a Deus.

Luciana Torres
24/10/2006

O tema dança, esteve durante muito tempo fora do contexto das igrejas evangélicas. A
associação entre dança e a adoração a Deus só era feita, quando se citavam os textos
clássicos sobre o tema. Como exemplo podemos citar a dança do rei Davi diante da
presença de Deus e também o texto da dança da profetiza Miriã com as mulheres, após
a travessia do mar vermelho. Todos admiravam o fato do Rei Davi ter dançado movido
pelo Espírito levando a arca da aliança, que simbolizava a presença de Deus, porém, era
como se esta realidade estivesse longe do atual contexto da Igreja. Pouco se ousava
falar sobre o assunto. Nos últimos quinze anos esta realidade mudou muito. Nós como
igreja temos descoberto que esta forma de louvar e adorar a Deus está disponível a
todos nós, pois assim nos entregamos a Ele de todo o coração, de toda a alma, de todo
o entendimento e com toda a sua força.

Uma grande quantidade de grupos de dança tem surgido no meio das igrejas
evangélicas, utilizando um tipo de dança que leva a congregação a se expressar diante
de Deus de forma livre ou dirigida, se curvando, aplaudindo, saltando, levantando as
mãos, enfim, dançando. A dança tem se tornado, no culto, tão importante quanto a
música para louvar e adorar a Deus, expressar os sentimentos, pensamentos e para
representar cenas bíblicas. São ministrações cheias de significado, utilizando-se de
símbolos formados através dos próprios movimentos acrescidos de objetos significativos
como bandeiras, estandartes, vasos de barro e etc. A direção do louvor com danças
deve, assim como a direção do louvor com músicas, respeitar alguns princípios para que
o ministério possa fluir de forma abundante. Gostaria de citar então, algumas
qualidades que o dirigente de um grupo de louvor e adoração com danças deve buscar:

1- Ter um chamado de Deus para o ministério


A pessoa que irá assumir a direção do louvor com danças, deve ser alguém chamado
por Deus para trabalhar nesta área. Não pode simplesmente ser alguém que goste ou
tenha habilidade para dançar. Muitos líderes procuram aqueles que têm habilidade, mas
se esquecem do chamado e acabam colocando a pessoa em uma posição em que não
deveria estar. Estar no centro do propósito de Deus para as nossas vidas é um dos
princípios básicos para termos um ministério ungido. A liderança da igreja deve orar por
alguém que possua ambas qualidades: o chamado e a habilidade. “Eis que chamei pelo
nome a Bezalel... e o enchi do Espírito de Deus, de habilidade, de inteligência e de
conhecimento, em todo artifício...” Ex 31: 1,3

2-Ter habilidades para o ministério


O dirigente de adoração com danças, deve ser alguém que também possua habilidades
naturais na área da dança e que seja alguém disposto a desenvolver estas habilidades.
O grupo precisa ter ensaios regulares onde estarão desenvolvendo técnicas corporais na
área da dança. Para tal, é necessário que orem para que Deus levante profissionais da
área que se disponham a ensinar e treinar o grupo.

3-Precisa ser um adorador


A adoração que é feita junto com a congregação deve ser a extensão da vida de
adoração que cada crente deve ter na sua intimidade com Deus. O dirigente de louvor
com danças deve então, em seu momento a sós com Deus, ministrar diante dEle
dançando. Desta forma, sua ministração junto à congregação, não será uma
representação, mas uma realidade de vida que poderá realmente trazer o mover de
Deus. Uma pessoa que dança em louvor e adoração somente quando existem pessoas
olhando, deve questionar se sua dança realmente está sendo direcionada a Deus ou às
pessoas.

4-Ter maturidade espiritual


Ter um caráter de adorador, é um princípio que nos habilita a trabalhar em toda e
qualquer área dentro da Igreja. Consiste em ter uma vida de santidade, de entrega e
renúncia diante de Deus, além de um coração humilde, submisso e ensinável. Quantas
vezes recebemos reclamações de líderes, dizendo que o grupo de dança é insubmisso,
não se envolvem nas demais atividades da igreja e não se deixam tratar. É por esta
razão que muitos líderes nas igrejas fecham o coração para os grupos de dança, pois
estes muitas vezes não dão testemunho, não possuem caráter aprovado, enfim não se
comportam como ministros. Pessoas imaturas ou novas na fé, não devem fazer parte do
ministério com danças. O líder como os demais, deve então ser exemplo em maturidade
e caráter, para que o ministério cumpra seu propósito.

5- Sensibilidade espiritual
A sensibilidade Espiritual é algo fundamental para o líder de louvor e adoração com
danças. Deve-se buscar em oração antes da ministração, qual é a direção de Deus para
aquele momento. Às vezes o Espírito nos dirige a ministrar com bandeiras profetizando
às nações, em outros momentos o Senhor nos dirige em relação ao o que dançar e
como fazê-lo. É necessário que o dirigente entenda que através da dança nós oramos,
intercedemos, profetizamos, louvamos e adoramos. Tudo isto tem que ser feito debaixo
de uma direção de Deus e para isto é necessário ter sensibilidade.

6- Preparo em oração
É fundamental que antes de uma ministração, a equipe ganhe tempo em oração diante
de Deus. Se lavando diante de Deus, se consagrando, profetizando e buscando direção
para aquele momento. Infelizmente, ainda vemos grupos que chegam ao culto em cima
da hora da ministração, outros que gastam horas com a arrumação das roupas, do
cabelo, da maquiagem e ficam somente alguns poucos minutos orando. Penso sim que
devemos ser excelentes nas vestimentas e na forma de nos apresentarmos diante de
Deus, mas devemos nos lembrar que esta excelência deve ser também de coração, nos
apresentando pra Deus em santidade e intenso desejo da presença dEle. Um dia um
pastor amigo, me disse uma frase que jamais vou esquecer. Ele disse que no louvor e
adoração com danças, Deus não vê dança, vê corações, semelhantemente no louvor e
adoração com música Deus não ouve música, ouve corações. Nossos corações devem
então estar limpos e adornados para que o nosso louvor e adoração cheguem ao
coração de Deus.

7- Estar em sintonia com o dirigente de Louvor com música


Para que haja ordem no culto, o dirigente de louvor com danças, deve estar em sintonia
com o dirigente de louvor com música. Deve estar atento para direções como: Vamos
nos curvar diante de Deus, Vamos aplaudir ao Senhor, Vamos nos aquietar... É muito
estranho quando o dirigente de louvor dá uma direção, toda a congregação o segue
menos a equipe de dança. Isto pode chegar a acontecer por falta de atenção ou mesmo
orientação. Do mesmo modo acontece o oposto, o dirigente da dança pode ter uma
direção de Deus e o dirigente da música deve ter sensibilidade para o seguir. Uma
pessoa madura espiritualmente sabe estar em adoração e ao mesmo tempo estar ciente
de tudo o que está acontecendo ao seu redor. O dirigente da dança e o dirigente da
música devem andar em sintonia, para que a congregação tenha segurança de que
todos estão caminhando para um mesmo objetivo em unidade de coração.

Todas estas orientações sobre as qualidades do dirigente de louvor e adoração com


danças poderão ser uma benção, se seguidas com alegria, humildade e com a
consciência de que o Espírito Santo deve ter total liberdade para ministrar como lhe
apraz no meio da congregação. Lembrando, porém, que a liberdade no Espírito é
condicionada à uma vida de santidade e submissão, a exemplo de Jesus. Que Deus te
abençoe!

Pra. Luciana Pinheiro Torres

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