Modelo virtual da estrutura fascial por Dr.

Guimberteau

O TECIDO CONJUNTIVO E A FÁSCIA

Instituto de Técnicas da Saúde Curso de Estudos Avançados em Osteopatia

Aluno: Patrícia Sá Santos Docente: Carlos Raposo Disciplina: Tecidos Moles Ano lectivo 2010/11 – 1º Ano

conservando por sua vez a forma exterior. . as paredes vasculares. fixa e une as células numa determinada ordem.O tecido conjuntivo: Anatomia. entre os músculos. a bainha dos músculos. o deslocamento da pele e a mobilidade dos órgãos. Leucócitos eosinófilos. encontram-se membranas conjuntivas que constituem as fáscias. Isso permite o deslizamento recíproco do músculo e dos fascículos musculares. tendões e ligamentos. tecido subcutâneo. E as Fibras do tecido conjuntivo são: fibras de colagénio. Planócito (Célula errante. São estas fibras que formam a armação de todos os tecidos de sustentação e de conjunção. e envolve e forma a armação dos órgãos internos. As células do organismo. Fisiologia e FisioPatologia Anatomia O tecido conjuntivo representa 16% do peso corporal. Histiócitos. fibras elásticas. de recobrimento e de preenchimento. torna possíveis os movimentos. camada papilar da derme e tecido submucoso dos revestimentos mucosos. Contém 23% da água do organismo. Funcionalmente. Compreende a trama tecidular de numerosos órgãos. as bainhas dos nervos. Mastócitos. Tecido conjuntivo fibroso Encontra-se tecido conjuntivo fibroso laxo nos tecidos intersticiais entre os órgãos. Além disso. mas também em muitos casos é um tecido de deslizamento excepcional. de fibras e de substância fundamental. no peritoneu e na pleura. os fascículos musculares e em redor de vasos e nervos. Monócitos. o tecido conjuntivo não é somente um tecido de sustentação. as células dos órgãos e as suas partes não teriam uma forma definida e estariam sujeitas a dispersões devido à acção das forças mesmo que débeis. fibras reticulares. Leucócito). Forma a base da pele. que forma uma armação. O tecido conjuntivo compõe-se de células específicas. se não existisse tecido conjuntivo. Constituição do Tecido Conjuntivo As células do tecido conjuntivo são: Fibroblastos ou fibrócitos. Une todos os órgãos do corpo uns aos outros.

o perimísio interno. Aqui. contém também vasos sanguíneos e nervos e fixa-os de uma forma laxa à superfície da fibra muscular. os 16% do peso do corpo em tecido conjuntivo que tem uma incidência funcional relevante. que formam directamente um esqueleto conjuntivo. ligamentos. Por exemplo. O tecido conjuntivo na musculatura Pode-se comparar a fibra muscular estriada a um canal preenchido por um conteúdo semi-mole. As fibras musculares brandas por si só. Muitos músculos não se inserem no mesmo osso. as fibras de colagénio estão acompanhadas por fibras elásticas. uma camada externa elástica. Tenha-se em conta. são submetidas pelo tecido conjuntivo. É portanto o tecido conjuntivo que coordena todas as deslocações que acompanham os movimentos. envolvendo a totalidade do músculo (perimísio externo). Alem disso: . Uma cicatriz que abarque as diferentes camadas tecidulares aumenta a fricção interna durante a contracção e dificulta os movimentos. Fisiologia A importância fisiológica do tecido conjuntivo é certamente maior do que a que se supõe. cápsulas orgânicas e derme.Participa na regulamentação do equilíbrio ácido-base.Actua como uma armação que sustém e como intermediário dos intercâmbios líquidos . mas sim em membranas conjuntivas resistentes. A parte da camada externa situada no interior do músculo. Várias fibras musculares podem estar reunidas em fascículos de pró-fibras de colagénio enroladas. e entre a tíbia e o perónio. as membranas interósseas entre a o cúbito e o rádio. que constitui a sua sustentação e sem o qual estas se poderiam expandir em todos os sentidos. prolongando o esqueleto ósseo. as bainhas enroladas cruzam-se. e no equilíbrio osmótico e eléctrico. como já comentámos. Este encontra-se principalmente nos tendões. Por fim. A parede do canal é o sarcolema. no metabolismo hidro-mineral. .O tecido conjuntivo fibroso denso encontra-se sobretudo nos lugares submetidos a exigências mecânicas.

e graças à formação de sacos mucosos. como os processos alérgicos.É uma barreira entre os capilares sanguíneos e as células orgânicas. o tecido conjuntivo contribui para restaurar as lesões através de um depósito de fibras de colagénio (tecido cicatricial).. . tem importantes tarefas metabólicas. . Os histiócitos do tecido fzem parte de um importante mecanismo de defesa contra a invasão bacteriana através da sua actividade fagocitária. . É necessário compreender que o tecido conjuntivo não é somente um tecido “morto” de preenchimento e sustentação. . os mecanismos de defesa. O seu conteúdo em células mesenquimatosas do tipo embrionário torna o tecido conjuntivo num tecido generalizado especializados. . Por isso. reduz os efeitos de pressão e fricção. mas pelo contrário. não existem sem a sua participação. elementos .Devido à sua actividade fibro-plástica. em determinadas circunstâncias.As aponevroses superficiais que formam o tecido adiposo facilitam o armazenamento ou o depósito de gorduras e proporcionam uma superfície de recobrimento que ajuda a conservar o calor do corpo. a contra-pressão elástica do tecido conjuntivo deve manter as paredes vasculares: é graças à elasticidade deste tecido que se transmite à veia a pulsação capaz de produzir. e em que os processos inflamatórios. desempenham o papel de “carniceiros” encarregados de eliminar os resíduos celulares e materiais estranhos.As aponevroses profundas envolvem e preservam as superfícies dos contornos dos músculos e activam a circulação venosa e linfática. barreira que possui a função de regular o metabolismo entre estes dois colaboradores.Os seus planos aponevróticos servem de via de expansão para os nervos e vasos linfáticos. .O tecido conjuntivo constitui um importante neutralizador ou desintoxicador tanto a nível das toxinas endógenas (produzidas em condições fisiológicas) como das exógenas (procedentes do exterior do organismo).Na sua forma laxa. admite uma certa relação entre estruturas adjacentes. Por exemplo.

mas também uma diminuição da inervação e da circulação devido à tendência de retracção que apresenta a cicatriz conjuntiva. O tecido cicatricial surge ao início avermelhado devido aos numerosos vasos que se formam na zona. Os capilares não estão nunca em contacto com os conjuntos celulares. A regeneração é uma das tarefas do tecido conjuntivo. contracturas. as anquiloses a um tecido conjuntivo nodoso. o número de capilares diminui. de modo a evitar posturas viciadas e obstáculos ao movimento das articulações. eventualmente cicatrizes . Graças ao tecido conjuntivo. forma calosidades e cicatrizes e pode provocar restrição de movimento. É necessário sempre lutar contra as retracções conjuntivas. se o tecido conjuntivo não cumprir esta missão. Reacção do tecido conjuntivo Uma tracção permanente alonga o tecido conjuntivo no sentido da tracção. uma tracção permanente demasiado importante do tecido conjuntivo pode provocar instabilidades articulares. a circulação venosa estará alterada e existirá risco de varizes. todas as partes do corpo se encontram unidas. convertem-se em fusiformes. Todas as lesões por inflamação. uma actividade viciada pós-traumática a um tecido conjuntivo retraído. endurece-se. as células retraem-se. e finalmente a cicatriz retraída fica branca.arterial. As redes aponevróticas perdem a sua elasticidade em consequência do endurecimento. Incluindo a necrose de algumas . As contracturas conjuntivas determinam não somente atitudes viciadas. ferida ou necrose curam através de cicatriz. anquiloses… As pseudo artroses devem-se a um tecido conjuntivo de cicatrização. O tecido conjuntivo possui um grande poder de adaptação: especialmente nos casos patológicos. um aumento do conteúdo de água e uma maior facilidade para a ruptura. uma relaxação permanente apresenta um adelgaçamento das fibrilhas. Com o envelhecimento. porque existe uma camada de tecido conjuntivo entre eles. O tecido conjuntivo distendido dará lugar a articulações laxas. que facilmente luxam. Por outro lado.

As influências nocivas persistentes ou repetidas conduzem a reacções não específicas permanentes. o inchaço. O metabolismo no tecido conjuntivo acelera-se. a radioterapia. seja de organismos patogénicos ou por toxinas. as características do tecido conjuntivo doente são: a fragilidade. As inflamações reumáticas produzem uma alteração da ordem das fibras de colagénio (nódulos reumáticos. a deformabilidade (com retorno à forma inicial). uma diminuição da permeabilidade e uma falta de oxigénio no tecido. na musculatura. geral. como também a falta de oxigénio. a retracção. Doenças do tecido conjuntivo As qualidades essenciais do tecido conjuntivo saudável são a resistência. sobretudo na fase inflamatória. a elasticidade. em contraponto. Uma reacção inflamatória determina localmente um estado de decomposição. a influência climática. pericardite reumática). através dos vasos sanguíneos determinam uma reacção específica. . a viscosidade. a rigidez.células. a lesões definitivas do tecido conjuntivo e a doenças da pele. Doença do colagénio: colagenose As enfermidades que surgem no tecido conjuntivo são também chamadas de doenças do colagénio ou colagenose. Portanto. Reacção do tecido conjuntivo ao longo de diversos estímulos que afectam o organismo As infecções que afectem todo o organismo por disseminação. a transparência. o endurecimento até à esclerose. o metabolismo conjuntivo está igualmente aumentado em força nos tecidos situados mais longe da articulação afectada (reacção geral não específica). Ao longo do reumatismo articular. do tecido conjuntivo. a lesão tecidular é fechada por pequenas cicatrizes conjuntivas. a capacidade de absorção de líquidos. a opacidade. nos tecidos. o sobreuso ou os traumatismos musculares. incluindo o coração. a flexibilidade. a colagenização.

No entanto. especialmente na musculatura e no tecido subcutâneo. o cérebro e a medula óssea.No decorrer da esclerodermia. dispareunias profundas. cobrindo e interpenetrando cada músculo. Técnicas reflexas do tecido conjuntivo As técnicas reflexas do tecido conjuntivo representam uma terapia muito útil em patologias funcional do aparelho locomotor e especialmente nos estados congestivos pélvicos. assim como. consequente de uma lesão primária ou secundária. neuronais ou humorais. Estas técnicas influenciam o sistema nervoso autónomo. formada por tecido conjuntivo. A acção simpática na economia vascular constitui uma via de influência segmentaria. Explica-se que a mobilização dos dedos entumecidos pode ser melhor com a influência de calor. todos os nossos órgãos internos incluindo o coração. transtornos urinais e rectais. dismenorreias. CONCLUSÃO A fáscia é um sistema especializado do corpo. A fáscia é densamente interligada. Com bastante frequência. e torna a se liquidificar com a mobilização. hiperactividade simpática. artéria e veia. os doentes reumáticos queixam-se que as articulações da mão estão rígidas e dolorosas de manhã. As relações reflexas podem ser somato-viscerais. amenorreias e dores em geral. produzindo reacções neuroreflexas. O sistema fascial não é somente um sistema de . O líquido articular coagula facilmente em repouso se não for posto em movimento. os pulmões. osso. supõe-se que a viscosidade do líquido articular muda durante a noite e alguns estudos demonstraram (Hartmann) que a viscosidade dos líquidos articulares pode aumentar com temperaturas nocturnas muito baixas. deve-se sublinhar que estas técnicas são reflexas e não podem suprimir mais do que um fenómeno lesional. nervo. o tecido subcutâneo retrai-se e torna-se inamovível. massagem e mobilizações. Esta coagulação é favorecida pelas temperaturas baixas. vaginismo. que tem uma aparência semelhante à de uma teia de aranha ou de uma camisola de malha. víscero-somáticas ou víscero-viscerais. sejam de origem visceral ou músculo-esquelética.

Torna-se tensa. mas a maioria não é assim diagnosticada. a fáscia está relaxada e é ondulada na sua configuração. da Fibra Óptica. cirurgia ou simplesmente uma postura habitual errada ou danos causados por stress têm efeitos a adicionar no corpo. por exemplo. Tem a capacidade de se esticar e mover sem restrição. criando dessa maneira a conexão entre toda e qualquer estrutura do corpo humano. Traumas. Pensase que uma grande percentagem de pessoas sofre de dor ou de restrição de movimento e que o problema está a nível fascial. As restrições fasciais afectam a nossa flexibilidade e estabilidade e são um factor determinante na nossa capacidade de lidar com o stress e de ter uma actividade diária. pelo facto de os envolver e relacionar todas as suas estruturas. elastina (que actua como elástico) e mucopolissacarídios orientadas num padrão ondulado paralelo à direcção das forças em acção. Num estado normal saudável. Estas fibras de colagénio são formadas pelos fibroblastos que estão localizados na fáscia. O estudo da fáscia ainda está nos seus primórdios e depende. O trauma causa alterações no sistema miofascial que influenciam o conforto e a função do nosso corpo. Consiste em diversas camadas: a superficial. A fáscia tem um papel importante no suporte e função dos nossos corpos. aponevroses e tendões. Um trauma tal como uma queda. respostas inflamatórias e/ou procedimentos cirúrgicos dão lugar a restrições miofasciais que podem produzir pressões e tensões com sensibilidade dolorosa. a fáscia é a responsável pela propagação de problemas ao longo do corpo e é responsável por muitos dos problemas que se manifestam numa zona com origem distante do local onde se manifestam. Quando se experimenta um trauma físico ou emocional. ou se tem uma cicatriz ou inflamação. da Teoria do Caos e da Complexidade.películas separadas. do desenvolvimento da Física Quântica. As restrições miofasciais podem exercer uma pressão excessiva e ser causa de vários tipos de sintomas. Assim. a profunda e a subserosa ou visceral. da Mecânica de Fluidos. a fáscia é um tecido conectivo denso e regular. a fáscia perde a sua flexibilidade. restringida e fonte de tensão para o resto do corpo. acidente de carro do tipo chicote. A fáscia ou tecido conjuntivo dá e mantém a elasticidade de toda e qualquer parte do nosso corpo sem permitir exageros pois o colagénio mantém os limites da flexibilidade. tais como dores e restrição de movimento. É na verdade uma estrutura contínua que existe da cabeça aos pés sem interrupção. formada por fibras de colagénio (que actua como cola). entre outros. . Tal como os ligamentos. da Geometria Fractal.

TAC e muitos outros. No entanto um terapeuta miofascial pode rapidamente inactivar os pontos gatilho em muitos pacientes. depois da terapia lhes ter aliviado as compressões e os pontos dolorosos associados. antes pelo contrário. incómodos. É comum os pacientes estarem sobrecarregados com crónicas ou fortes compressões miofasciais terem grande agitação mental. A somar ao traumatismo físico mencionado acima.A falha em reconhecer a importância da fáscia e o seu relacionamento com toda a estrutura e movimento do corpo. cansaço. Também é comum ouvi-los dizer o quão profundamente aliviados ficam dos seus pensamentos e emoções. dos pontos gatilho e da Terapia MioFascial. ajuda a explicar o porquê dos maus resultados ou dos resultados temporários que se obtêm com os tratamentos padrão. insónias e outros pensamentos e emoções desagradáveis. . de dores somato-viscerais ou somato-emocionais são disfunções miofasciais. eliminando rapidamente as dores da pessoa e muitos dos problemas que se dizem sem solução ou que não têm solução pelos tratamentos clássicos. O tempo não cura estas tensões nos tecidos. não mostram as restrições miofasciais e dessa forma o paciente não obtém um diagnóstico completo acerca da causa das suas dores. dos sindromas miofasciais. Estima-se que cerca de 90% dos pacientes tenham disfunções miofasciais. Infelizmente existe muita informação falsa acerca das dores miofasciais. desgaste. irritação. enterra-as cada vez mais na fáscia. o stress emocional ou as emoções negativas podem ser guardadas e acumuladas no corpo durante anos acabando por provocar doença(s). Este é um sistema fisiológico que tem sido ignorado e que tem de ser estudado e compreendido se queremos o bem-estar dos nossos pacientes. Os testes que actualmente se fazem como os raios X. A causa principal de dores somáticas. não recebendo assim o tratamento correcto e eficaz para o seu problema.

espasmos e espasticidade (rigidez muscular). sejam elas crónicas ou não). a fáscia está em constante mudança e alteração.html . articulares. situações geriátricas e pediátricas. problemas de ATM. síndroma de fadiga crónica.no. BIBLIOGRAFIA Ruiz. Naturalmente.Uma vez que a fáscia envolve toda e qualquer estrutura do nosso corpo. disfunções neurológicas.asp http://sacrocraniana. facilmente se compreende que a Libertação MioFascial ajude em quase todos os problemas de saúde sendo particularmente indicada para dores (musculares. etc.sapo. lesões desportivas. síndromas pré menstruais e muitas outras condições. fibromialgia.com/fascia_massage/public/fascia. Francisco Fajardo “Cuaderno de Osteopatia 1”. Dilema Editorial Madrid 2005 http://www. escolioses. e também envelhece.myofascialrelease.. cervical. reabilitação de todo o tipo. restrições de movimento.pt/fascia. de coluna. disfunções articulares e musculares.

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