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HOMOSSEXUALIDADE E A BÍBLIA

Por BISPA HAYA

INTRODUÇÃO
Neste midrash (estudo), vamos tentar rever todas as passagens bíblicas relevantes, que são conhecidas por,
supostamente, condenarem a homossexualidade, e o homossexualismo. Tentaremos identificar as bases
históricas da homofobia. Veremos alguns problemas, encontrados pelos pesquisadores, ao interpretar o que
os autores originais, quiseram nos dizer, a respeito de D’us, e dos seus desígnios, e desejos para o homem.
Começaremos perguntando e respondendo algumas questões.

A Bíblia condena a homossexualidade?


Quem cresceu na tradição Judaico-Cristã, é bem provável, ter aprendido que a resposta para esta questão,
seja sim. Entretanto, explorando a Bíblia, descobriremos que, não só, não existe, nenhum tipo de
condenação à homossexualidade, como é conhecida nos dias atuais; mas, também, encontraremos diversas
passagens, que são afirmações positivas de amor, compaixão, e heroísmo, relacionadas aos homossexuais.

Como surgiu a idéia de condenação da homossexualidade?


Philo, um importante pesquisador do Judaísmo, que viveu entre 20 a.C. até 50 d.C. teve grande influência na
interpretação bíblica. Em relação à sexualidade, ensinou, que uma das funções primárias de todo homem,
era a procriação; e, que, toda e qualquer expressão sexual, que não produzisse descendência legítima, era
“antinatural”. Em um contexto, onde a violência dos vizinhos em guerra era muito comum; e, onde o tamanho
de uma família, principalmente os filhos garantiria proteção; onde à única segurança e amparo dispensados
aos idosos, seriam seus filhos, e netos; é extremamente fácil de se perceber, a importância de se ter uma
abundante descendência.

Se a condenação à Homossexualidade é uma idéia da Antiguidade, porque muitas


Igrejas ainda a ensinam hoje em dia?
Tradição! Tradição foi definida, como a homenagem que se presta aos mortos. Baseando seus
ensinamentos nos ensinamentos de Philo, e de outros, a Igreja tem mantido as suas portas fechadas aos
homossexuais durante a maior parte dos últimos dois mil anos. A história está repleta de relatos lastimáveis,
e de tortura, perpetrados contra homossexuais, inclusive as execuções. Os pesquisadores heterossexuais,
não tiveram razão para pesquisar o que a Bíblia diz a respeito da homossexualidade, e dos homossexuais.
Caso pesquisadores homossexuais tivessem pesquisado este assunto, teriam certamente sido perseguidos,
e vítimas de execução. Não se começou nenhuma pesquisa séria a este respeito antes do século XX.
É possível, que uma das razões, pela qual a Igreja Católica tem mantido sua postura tendenciosa, parcial, e
preconceituosa contra os homossexuais, ao longo dos séculos, para evitar ser rotulada como uma Igreja
“homossexual”; uma vez que, não é permitido aos padres, e às madres, o casamento.

Quer dizer que a Igreja intencionalmente omitiu informações por serem contrárias as
tradições?
Sim, os Pesquisadores, têm até um nome para isto: Ciclo Hermenêutico. Hermenêutica, em primeiro lugar,
é a prática da interpretação bíblica. A interpretação de escrituras é sempre necessária, porque nem tudo o
que um escritor pensa, ou experimenta, pode ser interpretado literalmente; ou, no popular, “ao pé da letra”.
Além disto, palavras podem ter mais de um significado, e, em caso de interpretação de escrituras, em que
foram utilizadas línguas da Antiguidade, dificuldades adicionais certamente surgirão.

A Enciclopédia Bíblica Padronizada Internacional (Vol. 2, pp. 864) declara:


"O Intérprete, tem sempre que conjeturar sobre o significado de um determinado meio de comunicação
que ele deseja dominar. Deve tentar vários significados diferentes, possíveis, que determinadas
palavras ou frases cruciais podem assumir; até que haja coerência entre estes termos cruciais, e a
idéia geral do texto." Este processo pode levar dias, semanas, meses ou mesmo anos, desde o seu
início até a sua conclusão.. O Ciclo Hermenêutico ocorre, quando a mente do Intérprete, está tão
satisfeita, e encantada, com toda a ”evidência” e “coerência”, que a sua própria interpretação,
consegue propositadamente, retirar do texto, o que uma interpretação diferente, do mesmo material,
facilmente desperta como uma reação marcada pela ira e pela cólera; ainda que esta interpretação
diferente, também apresente “coerência” e muitas “evidências”, que suportem tal interpretação.
Em outras palavras, é importante trabalhar muito para entender isto, para conceber esta idéia, e buscar
evidências que a suportem. Ex: “Se você tem uma interpretação diferente, eu não quero nem saber, e
nem ouvir!” Claro que os Pesquisadores resguardam-se quanto a esta prática lamentável, mas, em se
tratando de um assunto tão “ameaçador”, tão intimidante, e delicado como a homossexualidade, não é muito
difícil perceber, porque este preconceito ainda persiste nos dias atuais.

Onde começamos?
Antes que possamos iniciar um estudo detalhado sobre o que a Bíblia realmente diz, ou não, a respeito da
homossexualidade, temos que nos deparar com alguns pontos enfrentados por qualquer um que queira
desenvolver qualquer tipo de pesquisa séria com base nas Escrituras. Temos que trazer a Bíblia para uma
perspectiva mais próxima, tirá-la de dentro da redoma que alguns insistem em colocá-la. “Temos que nos
debruçar sobre tópicos, como “Infalibilidade Bíblica”, “Contextualização” e Inspiração Divina”.

A Infalível Palavra das Escrituras.


A infalível Palavra de D’us é uma expressão muitas vezes usada para descrever a Bíblia. Até alguns anos
atrás, havia um adesivo de pára-choque de carro que dizia: D’us disse isto, creia nisto e se vire com isto.
Deplorável adesivo. Mas, na verdade, conhecer o que D’us disse, e o que ele quer, ou quis dizer com isto,
são duas histórias diferentes. Já que não temos os manuscritos originais, na verdade, ninguém pode ter
certeza absoluta do que realmente eles continham, e, então, ninguém pode ter certeza absoluta do que D’us
quis dizer. Para se certificar disto, simplesmente, vá a uma livraria, e você vai encontrar várias versões da
Bíblia, com diferentes traduções. Cada uma destas traduções é o resultado incansável de inúmeros
Pesquisadores, trabalhando por anos a fio, tentando determinar o que D’us realmente quis dizer. O que nós
temos, na verdade, é a interpretação deles, do que eles pensam que D’us realmente quis dizer.
Existem vários problemas inerentes à tentativa de se traduzir precisamente a Bíblia. Os manuscritos mais
antigos que se conhece foram escritos em Hebreu Antigo, e, na língua do Antigo Caldeu. No Hebreu Antigo
não se escreviam as vogais. Alguém teve que determinar que vogais estivessem nas palavras, de acordo
com o contexto do que estava escrito. Se você quer saber o quão difícil é perceber tudo o que está escrito
sem o uso de vogais, tente simplesmente voltar dois parágrafos, retire as vogais, e veja se você pode
entender perfeitamente o que está escrito. Vamos tentar com uma frase: hmn snr d s dstn. Se você
conseguiu ler: O Homem é Senhor de seu destino; parabéns! Então, já está pronto para o próximo passo.
Tome as Escrituras Hebraicas, também conhecidas como o Antigo Testamento, retire todas as vogais, e veja
o que consegue ler e entender. Use uma versão da Bíblia que não seja uma versão “na Linguagem de Hoje”,
a qual já é por si mesma uma tradução um pouco distante do Português que falamos correntemente, o que já
representa por si só um desafio ao entendimento perfeito.

HOMOSSEXUALIDADE E A BÍBLIA – PARTE 1


SODOMA E GOMORRA
Gênesis 19. Pergunte a qualquer pessoa, onde podemos encontrar na Bíblia a condenação da
homossexualidade, e, sem dúvida, a primeira resposta será a história de Sodoma e Gomorra.
No começo da história, lemos que o sobrinho de Abraão, Ló, que morava em Sodoma encontrava-se sentado
nos portões da cidade, quando chegaram dois anjos, disfarçados de homens. Ló os saudou e os convidou a
passarem a noite na sua casa. Não havia Hiltons, nem Sheratons, nem sequer uma pequena pousada
naquela época; portanto, os viajantes, tinham que depender da gentileza e boa-vontade dos residentes para
acomodação. "Obrigado," disseram eles, mas, vamos pernoitar na praça, muito obrigado. Não me parece
uma boa idéia, pensou Ló, e insistiu tanto com os estrangeiros, que estes não puderam negar, e
concordaram em ir pousar na casa de Ló. Como um homem generoso, Ló ofereceu comida a eles, e, após
cearem, preparavam-se para deitar.
Aparentemente a notícia da chegada dos homens espalhou-se pela cidade, como rastilho de pólvora, pois,
logo, todos os homens da cidade se encontravam na porta de Ló, clamando pela presença dos homens. No
versículo 5 lemos: “... Traze-os fora a nós, para que os conheçamos” (yadtha, ou yadha). Em algumas
outras traduções lemos “... Traze-os para fora a fim de que possamos ter relações sexuais com eles”
(yadtha, ou yadha).
Ló sai de casa para tentar acalmar as pessoas da cidade. “Meus irmãos, rogo-vos que não procedais tão
perversamente; eis aqui, tenho duas filhas que ainda não conheceram varão; eu vo-las trarei para fora, e
lhes fareis como bem vos parecer: somente nada façais a estes homens, porquanto entraram debaixo da
sombra do meu telhado. Eles, porém, disseram: Sai daí. Disseram mais: Esse indivíduo, como estrangeiro
veio aqui habitar, e quer se arvorar em juiz! Agora te faremos mais mal a ti do que a eles. E arremessaram-
se sobre o homem, isto é, sobre Ló, e aproximavam-se para arrombar a porta. Os anjos, porém, estendendo
as mãos, fizeram Ló entrar na casa, e fecharam à porta; e feriram de cegueira os que estavam do lado de
fora, tanto pequenos como grandes; de maneira que cansaram de procurar a porta”.
Com o amanhecer os estrangeiros conduziram Ló, sua esposa, e suas duas filhas para fora da cidade. Então
disseram os homens a Ló: “Tens mais alguém aqui? Teus genros, teus filhos, tuas filhas, e todos quantos
tens na cidade; tira-os para fora deste lugar. Corram não parem, e não olhem pára trás!" E D’us mandou uma
chuva de enxofre e fogo desde os céus, sobre as cidades de Sodoma e Gomorra e as destruiu.
Esta é a história resumida da destruição de Sodoma e Gomorra. Seria esta uma história sobre a
homossexualidade? Será que D’us condenou os sodomitas por serem homossexuais? Teria D’us, decidido
destruir as cidades de Sodoma e Gomorra e todos os seus habitantes por causa deste único incidente de
comportamento inapropriado? Antes de começarmos a examinar esta história, cremos que é importante
ressaltar que apesar do que está escrito na primeira frase acima, a grande maioria de instituições religiosas
não mais considera a história relatada como tendo nenhuma relação com a homossexualidade em si, exceto
talvez alguns mais radicais ou fundamentalistas. Existem demasiadas evidências que provam o contrário, de
fontes variadas. Vamos examiná-las.
Ló era relativamente um recém chegado em Sodoma. Gênesis 13 nos diz que Abraão, e seu sobrinho Ló,
tinham residido juntos por um breve tempo, mas seus respectivos séqüitos tornaram-se tão grandes, que a
terra na qual eles estiveram a viajar, já não conseguia mais sustentá-los; então, eles decidiram seguir
caminhos separados. Ló e sua família decidiram viajar em direção a Sodoma. Aparentemente eles não
estiveram vivendo na cidade desde há muito tempo antes da chegada dos anjos.
Parece ser da natureza das pessoas, o fato de serem suspiciosas, a respeito de recém-chegados. Isto era
verdade, principalmente em relação àqueles dias, quando as cidades eram muitas vezes invadidas por
bandos nômades de vândalos saqueadores. Ló pode ter estado lá o tempo suficiente para ter vencido a
desconfiança e ser aceito, mas, ao convidar mais dois estrangeiros para a sua casa, chamou imediatamente
a atenção da comunidade.
É possível, que temendo uma ameaça à cidade, os homens decidiram se reunir em tumulto na porta de Ló, a
fim de descobrir (yadtha) quem eram estes homens, e quais eram as suas intenções. Será que os sodomitas
suspeitaram que aqueles homens poderiam na verdade, ser parte de uma missão de reconhecimento,
enviada para infiltrar-se na cidade a fim de descobrir suas vulnerabilidades, e relatá-las para um eventual
exército que estivesse aguardando do lado de fora para sitiá-la? Pode ser que ao reunirem-se de forma
tumultuada na porta de Ló, os homens estivessem gritando: “Quem são estes homens? Traga-os para fora a
fim de que possamos descobrir o que exatamente eles pretendem?”.
Será que D’us decidiu destruir as cidades por causa do que os sodomitas disseram e fizeram como nos
relata o capítulo 19? Não! Verificando o versículo 13, do capítulo13, veremos os habitantes de Sodoma
sendo maus, e perniciosos, e grandes pecadores contra D’us.
D’us manifesta sua intenção no capítulo 18. Nesta passagem lemos que três homens abordam Abraão,
enquanto ele descansava em frente à sua tenda. As escrituras identificam estes três homens como sendo o
Senhor e mais dois anjos; apesar de que Abraão os reconhece como três homens. Ele então lhes demonstra
sua hospitalidade, e após terem ceado, dizem a Abraão, que Sara sua esposa, teria um filho no próximo ano.
Sara que estava às escondidas, ouvindo a conversa, começou a rir consigo mesma, diante do absurdo que
seria o fato dela engravidar sendo já idosa como era. Quando o Senhor a indaga porque ria; ela nega; mas,
O Senhor não aceita sua negativa, e afirma que ela de fato havia rido. Agora Abraão finalmente entende com
quem está ele falando.
Então D’us diz a Abraão, que por causa da maldade, Sodoma e Gomorra estavam em risco de serem
destruídas. D’us enviou os dois anjos para determinarem à extensão desta maldade. Na mesma hora,
Abraão lembrou-se de Ló e sua família, começando a tentar barganhar com D’us, visando salvá-los.
"Destruirás também os justo com o ímpio?" Abraão pergunta. "Se porventura houver cinqüenta justos
na cidade?" "Não." "E se tiverem quarenta justos, ainda assim destruirias a cidade?" "Não." "Trinta?"
"Não." "Vinte?" "Não." "Dez?" "Não." D’us não destruiria a cidade se fosse possível encontrar dez
pessoas retas de coração. Entretanto como nos diz o versículo 4, do capítulo 19, todos os homens da cidade
estavam batendo à porta de Ló, selando o destino da cidade. Mas qual era o pecado deles? Era a
homossexualidade? Ou era outra coisa?
Precisamos analisar esta palavra yadtha, a qual é traduzida como conhecer em algumas versões, e fazer
sexo com, em outras traduções. Existem muitas palavras em Hebreu, que são traduzidas como conhecer.
Nas Escrituras a palavra yadtha’, significa ter completo e extensivo conhecimento de algo ou de alguém; e,
inclui também, ter conhecimento sexual. Mas, das 943 vezes, em que esta palavra é usada nos escritos
hebraicos (Antigo Testamento), somente dez vezes esta se refere a relações sexuais. Isto quer dizer que
existem 933 vezes em que esta palavra é usada para referir-se a outras coisas que não signifiquem relações
sexuais.
O que poderiam querer os homens que cercaram a casa de Ló, que não fosse saber as intenções dos
estrangeiros? É fácil perceber, que se eles estivessem achando, que os estrangeiros fossem na verdade
espiões infiltrados, eles quisessem dominá-los e subjugá-los. Como então o fariam? Uma prática comum no
Oriente Médio, naquela época, em caso de alguém ser derrotado, e feito prisioneiro em uma batalha, era o
intercurso sexual anal forçado para com os homens; e o estupro para com as mulheres, que geralmente à
seguir eram mortas. Como uma maneira de humilhar seus prisioneiros os vencedores os violentavam. Está
claro que Ló imaginou que os homens da cidade estavam inclinados à violência sexual, uma vez que ele
decidiu oferecer suas duas filhas virgens no lugar dos homens. Apesar de que, poderíamos achar a oferta de
Ló algo repugnante nos dias atuais. Mas, nos tempos de Ló, a importância da Lei da Hospitalidade, e
proteção de hóspedes, superava a importância do amor e proteção à família. Na verdade, podemos concluir
sem receio de enganos, que o comportamento condenável dos sodomitas foi o desrespeito ao seu próprio
Código de Hospitalidade em relação aos estrangeiros.
A Bíblia Anotada New Oxford afirma “… a questão principal aqui é a hospitalidade aos
visitantes divinos. Nesta passagem a sacralidade da hospitalidade é ameaçada pelos homens da cidade que
queriam violentar, ou “conhecer”, os hóspedes”. Apesar da implícita, e óbvia, desaprovação ao abuso
homossexual nesta passagem, o seu ponto principal parece ser a ameaça que os habitantes representam ao
valor da hospitalidade. A hospitalidade é tão valorizada neste contexto, a ponto de neutralizar a negatividade
da atitude de Ló, ao oferecer suas filhas, em lugar de seus hóspedes; o que hoje, seria uma atitude
impensável e repugnante a qualquer leitor.
Será que o código da hospitalidade era tão sério assim naquela época? Quando começamos a pensar que
viajantes que não tinham opção de acomodação, tinham que ficar sozinhos durante a noite, em vielas e
becos, ou ainda nas praças da cidade, ficando assim vulneráveis a ataques de ladrões e salteadores,
entendemos que, uma amigável porta aberta, poderia significar a diferença, entre vida e morte; então,
rapidamente percebemos a importância da boa-vontade de ser hospitaleiro.

Será que a quebra do código da hospitalidade, foi realmente a principal razão para a
condenação de Sodoma? Yaohushua Há’Mashiach achava que sim. Como nos mostra Mateus 10, e
Lucas 10; Yaohushua Há’Mashiach enviou seus discípulos, e deu a eles autoridade para curar os enfermos,
expulsar demônios, e proclamar as boas novas da salvação. Ele os ensinou que, quando chegassem a uma
cidade, procurassem quem fosse digno e pousasse na casa desta pessoa. “E, se ninguém vos receber,
nem ouvir as vossas palavras, saindo daquela casa, ou daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés.
Em verdade vos digo, que, no dia do juízo, haverá menos rigor para a terra de Sodoma e Gomorra do
que para aquela cidade.
Aqui, percebemos que Cristo faz uma comparação entre a punição reservada à cidade que não possui o dom
da hospitalidade em relação aos seus discípulos e àquela reservada à Sodoma e Gomorra.
Existem outras evidências bíblicas que indicam que, o que os homens da cidade realmente tencionavam, era
mesmo a prática da violência sexual, e do estupro? No livro de Juízes, capítulo 19 encontramos uma história
semelhante à de Sodoma e Gomorra. Um homem viajando, chega até a cidade de Gibeá, e no verso 15,
encontramo-lo sentado na praça da cidade, com a sua concubina. Ao anoitecer, vinha um velho do seu
trabalho no campo, os encontra e os convida para pousarem em sua casa. No começo do versículo 22,
lemos: Enquanto eles alegravam o seu coração, eis que os homens daquela cidade, filhos de Belial,
cercaram a casa, bateram à porta, e disseram ao ancião, dono da casa: Traze cá para fora o homem
que entrou em tua casa, para que o conheçamos (yadtha’). Encontramos em algumas traduções: “Traze
cá para fora o homem que entrou em tua casa, para que tenhamos sexo com ele. (yadtha’)”.
Como na história de Sodoma e Gomorra, o velho oferece sua filha virgem à população, e o homem oferece a
sua concubina, mas os homens da cidade não estão interessados. Mas, ainda assim eles põem-na de fora, e
ela foi estuprada e abusada toda a noite. Quando o dia amanhece ela é liberada, e acaba por falecer à porta
de casa.
A despeito do fato de a linguagem usada pela multidão nesta passagem ser a mesma usada na passagem
de Sodoma e Gomorra, ainda não foi tido conhecimento, de nenhum pesquisador ou comentarista, sugerir,
que os homens de Gibeá eram homossexuais. Ressalte-se que, enquanto os Sodomitas simplesmente
ameaçaram violá-los, os homens de Gibeá consumaram o fato, chegando a causar a morte da concubina.
Ainda assim D’us não mandou imediatamente uma chuva de enxofre e fogo sobre Gibeá como castigo pelo
que os homens haviam dito. Sendo usada à mesma linguagem, inclusive o mesmo verbo original no
Hebraico (yadtha), em ambas as histórias, porque somente os habitantes de Sodoma são considerados
homossexuais? Porque estes acabaram por estuprar a concubina, o que não se pode considerar como um
comportamento homossexual, que neste caso provavelmente não iriam querer ir além de “trocar receitas”
com a concubina? Talvez porque a história de Gibeá apresenta um detalhe adicional que não encontramos
na história de Sodoma. O homem, quando perguntado mais tarde pelos Israelitas sobre o que havia
acontecido, respondeu (versículo 20:5): "E os cidadãos de Gibeá se levantaram contra mim, e cercaram
a casa de noite, e intentaram matar-me, e violentaram a minha concubina, de maneira que morreu."
Ele não parecia muito preocupado com sua própria ameaça de estupro (?), do que com a intenção de matá-
lo. Apesar de que D’us não fez chover enxofre e fogo do céu sobre Gibeá, ao final do capítulo 20, lemos que
todos foram mortos a fio de espada, e a cidade incendiada.
Existe qualquer outra relevante referência bíblica referente à razão que levou D’us a destruir Sodoma e
Gomorra? Sim. O grande profeta Ezequiel foi chamado por D’us para castigar Jerusalém, que havia sido
uma cidade de Canaã e tornara-se judia. D’us zelava por esta cidade e ela tornou-se próspera; mas, então, o
poder subiu-lhe à cabeça. Voltou-se para a idolatria, sacrifício de crianças, e estabeleceu más alianças com
outras nações. Então, Ezequiel “foi chamado a repreendê-la, e a comparou com “a sua irmã” Sodoma,” Eis
que esta foi à iniqüidade de Sodoma, tua irmã: Soberba, fartura de pão, e próspera ociosidade, a
tiveram ela e suas filhas; mas nunca fortaleceu a mão do pobre e do necessitado. Também elas se
ensoberbeceram, e fizeram abominação diante de mim; pelo que, ao ver isso, as tirei do seu lugar."
(Ezequiel 16.49, 50).
Agora, temos pela palavra do grande profeta Ezequiel, as razões pelas quais D’us destruiu Sodoma e
Gomorra. Nenhuma menção à homossexualidade, nenhuma vaga menção sequer. Os Sodomitas eram
soberbos, glutões, egoístas. Não ajudavam aos mais necessitados, julgavam-se melhores que os outros, e
cometiam abominações. Que, ou quais, seriam tais abominações?
Na Concordância Bíblica de Strong encontramos que a palavra hebraica usada é towebah, ou toebah, e
define abominação da seguinte maneira: algo repulsivo, odioso, que causa fastio, ou seja, uma
repugnância, aversão; especialmente idolatria ou concretamente um ídolo. Então Strong nos diz que o
uso da palavra toebah está relacionado a descrever a abominação da idolatria. Lembre-se que o primeiro
Mandamento diz: ”Eu sou o Senhor teu D’us, que te tirei do Egito, da escravidão. Não terás outros
deuses diante de mim” (Êxodo 10.2-3).
Na concepção dos Hebreus este mandamento é o primeiro e mais notável. Qualquer coisa menor, que a
absoluta devoção a YHWH é considerada a pior atitude de uma pessoa; sendo ainda considerada
detestável, abominável.
Examinaremos as práticas idólatras quando chegarmos ao Livro de Levítico.
Só há uma passagem na Bíblia, que faz ligação entre atividade sexual, com Sodoma, e Gomorra, e sua
destruição; no livro de Judas. Estudaremos esta passagem no próximo estudo.

HOMOSSEXUALIDADE E A BÍBLIA – PARTE 2

LIVRO DE JUDAS
Decidimos estudar Judas agora, apesar de não estarmos ainda estudando o Novo Testamento, porque,
muito do que diz este livro, têm relação com a História de Sodoma e Gomorra.
A fim de facilitar nosso estudo, incluímos algumas diferentes traduções do livro de Judas. Aconselhamos que
usem também o maior número possível de diferentes versões; de maneira que, nós possamos ter uma idéia,
de como as diferenças entre uma língua arcaica, e uma língua moderna, pode afetar o entendimento de
algumas passagens em particular; e, também, a fim de que, possamos perceber, como o uso de versões de
linguagem atualizada, e diferentes intérpretes, podem apresentar versões, e visões diferentes, a partir de um
mesmo episódio.

Judas 7 – Versão Bíblia Eletrônica –Leandro Calçada


7 “... assim como Sodoma e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se prostituído como
aqueles anjos, e ido após outra carne, foram postas como exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno”.
Judas 7 – Versão Bíblia Apologética – JFA
7 “... como Sodoma e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se entregue à fornicação como
aqueles, e ido após outra carne, foram postas como exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno”.
Judas 7 – Versão Sociedade Bíblica do Brasil - JFA
7 “Assim como Sodoma e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se prostituído como aqueles,
seguindo após outra carne, são postas para exemplo do fogo eterno, sofrendo punição”.
O livro de Judas é muito curto, com um capítulo apenas. Os pesquisadores não sabem com certeza quem é
o autor, mas ele se identifica como "servo de Yaohushua Há’Mashiach, e irmão de Tiago." Esta é, na
verdade, a única passagem em toda a Bíblia, onde é apresentada uma conexão, entre atividade sexual, e
Sodoma e Gomorra, e sua condenação. No âmbito desta conexão encontramos ainda a afirmação de que
não só as cidades foram destruídas, mas seus habitantes foram aparentemente mandados pro inferno; a
pena do fogo eterno. Mas qual foi pecado deles? Bem, de acordo com Judas, e dependendo da tradução,
eles se deram à fornicação, e seguiram atrás de uma “outra carne estranha”; ou, se deram à prostituição,
imoralidade e perversão sexual.
Qual foi o pecado deles? De acordo com os ensinamentos de várias Igrejas Cristãs, o pecado deles era a
homossexualidade. Será que foi? Uma versão diz que eles estavam seguindo após outra carne. Sabe-se que
homossexuais na verdade não seguem “outra carne”, mas aqueles de mesmo sexo. Então, pode se aplicar
esta passagem a homossexuais? Não. Então, a que, ou a quem, esta passagem está se referindo?
Lembre-se da importância de mantermos as Escrituras dentro de seu contexto, que é a Regra de Ouro da
Contextualização. Preste atenção nas construções gramaticais: “Assim como”; e, “como”; com as quais
começam os versículos. Estas frases indicam uma comparação entre o que aconteceu em Sodoma e
Gomorra com o que havia acontecido antes. Voltemos ao versículo seis.

Judas 6 – Versão Bíblia Eletrônica –Leandro Calçada


6 “... aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, ele os tem
reservado em prisões eternas na escuridão para o juízo do grande dia”,

Judas 6 – Versão Bíblia Apologética – JFA


6 “E aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, reservou na
escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia”.

Judas 6 - Versão Sociedade Bíblica do Brasil - JFA


“E a anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio, ele tem
guardado sob trevas em algemas eternas para juízo do grande dia”.

Judas está comparando, o que aconteceu em Sodoma e Gomorra, com o que nós chamamos de anjos
caídos. O que quer que tenham feito os anjos, foi algo similar ao que fizeram os habitantes de Sodoma e
Gomorra. O que será que fizeram? Encontraremos a resposta em Gênesis seis:

Gênesis 6:1-2,4 – Versão Bíblia Eletrônica –Leandro Calçada


1 “Sucedeu que, quando os homens começaram a multiplicar-se sobre a terra, e lhes nasceram filhas”,
2 “viram os filhos de D’us que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as
que escolheram”.
4 “Naqueles dias estavam os nefilins na terra, e também depois, quando os filhos de D’us conheceram as
filhas dos homens, as quais lhes deram filhos. Esses nefilins eram os valentes, os homens de renome, que
houve na Antigüidade”.

Gênesis 6.1-2, 4 – Versão Bíblia Apologética – JFA.


1 “E aconteceu que, como os homens começaram a se multiplicar sobre a face da terra, e lhes nasceram
filhas”,
2 “viram os filhos de D’us que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as
que escolheram”.
4 “Havia naqueles dias gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de D’us entraram às filhas dos
homens, e delas geraram filhos; estes eram os valentes que houve na antiguidade, os homens de fama”.

Gênesis 6. 1-2, 4 – Versão Sociedade Bíblica do Brasil – JFA.


1 “Como se foram multiplicando os homens na terra, e lhes nasceram filhas”,
2 “vendo os filhos de D’us que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres, as que
dentre todas mais lhes agradaram”.
4 “Ora, naquele tempo havia gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de D’us possuíram as
filhas dos homens, as quais lhes deram filhos; estes foram valentes, varões de renome, na Antigüidade”.

Estes versículos são admitidamente muito controversos. Existem opiniões diversas entre os pesquisadores
sobre o que estes versículos querem dizer exatamente. Existem discordâncias quanto a quem seriam os
“filhos de D’us”. Alguns acreditam que seriam seres humanos, seguidores de D’us. Se este argumento for
verdadeiro, por que, haveria o autor de diferenciar entre os filhos de D’us e as filhas do homem? Temos uma
referência bíblica que nos indica que eles eram seres da corte de D’us. Jó 1:6 nos diz “E num dia em que
os filhos de D’us vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles”.
Então vemos que houve um tempo em que os anjos vieram a Terra, e se sentiram atraídos pelas mulheres.
Eles casaram-se com elas e tiveram filhos. Então encontramos uma palavra peculiar que é traduzida como
gigante. Uma das versões que usamos nem sequer importou-se em traduzi-la; mas, simplesmente, tomou
as letras do Hebreu, e a escreveu em Português, ou o que parecia mais próximo de Nefilim. Esta palavra é
tão rara, que ninguém sabe com certeza o que significa, mas tem algo a ver com ser estranho, esquisito,
bizarro, grotesco, enorme, gigantesco. Apesar de que seu sentido literal não é conhecido, parte de sua raiz é
Naw-fal, o que significa cair ou caído. Mas, qualquer que seja o significado, era algo que não agradava a
D’us, porque resultou no dilúvio.
Então, Judas, está nos dizendo, que alguns anjos abandonaram seu lar celestial, e o que quer que tenham
feito, acabou por condená-los a serem acorrentados até o fim dos tempos. Gênesis 6.1-4 nos diz que,
aqueles anjos, coabitaram com mulheres mortais, humanas, e tiveram filhos grotescos, gigantescos. Qual foi
o pecado daqueles anjos? Terem coabitado com um ser de uma diferente ordem, de diferente espécie da
sua.
Então, Judas, diz que, o que os sodomitas fizeram, foi o mesmo que os anjos fizeram; e, como estes, foram
também punidos. Então qual foi à outra carne que os sodomitas seguiram? Não foi por serem pessoas do
mesmo sexo, e, sim, por serem anjos, seres de diferente espécie.
Adicionalmente ao que foi mencionado sobre os pecados de Sodoma e Gomorra, o primeiro capítulo de
Isaías, indica que, a razão pela qual D’us se retirou destas cidades, era porque suas mãos estavam cheias
de sangue (Isaias 1.15); e, semelhantemente ao que escreveu Ezequiel, eles eram injustos, não amparavam
os oprimidos, os menos favorecidos, as viúvas e os órfãos. (Isaías. 1.17). Jeremias, também lista uma série
de irresponsabilidades, e as atribui a Sodoma e Gomorra.
Portanto, nós podemos ver que existiram várias razões para que D’us destruísse as cidades: orgulho,
imoralidade, falta de cuidado com os mais vulneráveis e necessitados naquela sociedade, falta de
hospitalidade e uma tentativa de abuso sexual de seres de diferentes espécies. Nem uma única palavra
sobre homossexualidade.
Para aqueles que ainda argumentam, que o que os homens de Sodoma queriam, era sexo homossexual,
solicitamos que leiam Juízes 19, o que é um paralelo à história de Sodoma e Gomorra. Naquela passagem,
vemos que quando a concubina foi lançada à multidão, ela foi vítima de abuso sexual repetidamente até que
morreu, da mesma maneira que teriam feito com o homem, se o velho tivesse permitido que ele saísse de
casa. Está óbvio que a intenção era estuprar o homem e não amá-lo; bem como fizeram com a concubina.
Devemos nos lembrar que o estupro, o abuso sexual, tem sempre a ver com violência, e não com sexo
consentido; e, definitivamente, nada a ver com amor; amor que acontece entre duas pessoas, que por acaso
são do mesmo sexo.

HOMOSSEXUALIDADE E A BÍBLIA – PARTE 3

LEVÍTICO
Levítico 18.22 (JFA)
Com homem não te deitarás, como se fosse mulher é abominação.
Levítico 20.13 (JFA)
“Quando também um homem se deitar com outro homem, como com mulher, ambos fizeram abominação;
certamente morrerão; o seu sangue será sobre eles”.

Algum tempo atrás, circulava na Internet, uma “carta-aberta”, dirigida à locutora de um programa de rádio,
conhecida por ser conservadora, e, homofóbica. Esta locutora usava estas passagens bíblicas do livro de
Levítico para apoiar a sua condenação à homossexualidade. A carta-aberta, que surgira em resposta às
acusações, utiliza-se de passagens do mesmo livro do Levítico, e estabelecem questões como as que se
seguem:
· Eu sei que quando eu queimo um bezerro no altar, como um sacrifício, o odor que se desprende é
cheiro suave e agradável ao Senhor (Levítico 1.5-9). O problema são meus vizinhos. Eles dizem que o odor
não é nada agradável, e ameaçam chamar a Saúde Pública, que também não gosta do odor. Que devo
fazer?
· Levítico 11.7- 8, diz: que ao tocar o cadáver de um porco me torno impuro. Poderei praticar algum
esporte com bola feita de pele de porco, caso use luvas?
· Levítico 11.12, diz que comer marisco é abominação. È uma abominação maior ou menor do que a
homossexualidade?
· Eu sei que não devo ter contacto com uma mulher durante o seu período menstrual (Levítico 18.19). O
problema é. Como saber? Sempre que pergunto, a maioria das mulheres se sente ofendida.
· Levítico 19.19, me diz que não posso plantar tipos diferentes de sementes no mesmo campo; e, nem
usar roupas feitas de dois tipos diferentes de material. Devo concluir que serei condenado se tiver uma
hortazinha no fundo do quintal, com alguns vegetais e temperos; ou, se usar uma camisetinha básica, de
algodão e poliéster.
· A maioria das pessoas que conheço corta o cabelo de vez em quando, apesar de que isto é
expressamente proibido em Levítico 19.27. Estaremos todos condenados?
· Levítico 21.16-20 declara que eu não posso me aproximar do altar de D’us se eu tiver um defeito físico.
Eu uso óculos. Será que D’us faz “vista-grossa” para este pequeno detalhe?
· Levítico 25.44 declara que eu posso possuir escravos ou escravas desde que tenham sido comprados
em um dos países vizinhos. Um amigo meu insiste, que esta regra se aplica a argentinos, e, paraguaios,
mas, não, aos Uruguaios. Poderia me orientar? Porque não me é permitido possuir escravos uruguaios?
Parece muito claro a percepção de que, é muito incoerente, e até inconveniente, tirar alguns versos das
Escrituras de seu contexto, e tentar aplicá-los no mundo de hoje. Podemos também questionar, a validade
de se aplicar algumas passagens da Bíblia, a um determinado grupo de pessoas, e, simplesmente ignorar o
resto. Parece-nos ridículo, tentar aplicar nos dias de hoje, as passagens do Levítico 1.5-9, 11.7- 8, 11.12,
18.19, 19.19, 19.27, 21.16-20, 25.44, isto para mencionar apenas algumas passagens. Nesse caso o que
justifica então os versos 18.22 ou 20.13? Enquanto não podemos simplesmente “jogar fora o bebê junto com
a água da banheira”, nós podemos ter os Dez Mandamentos como nosso referencial no Antigo Testamento,
e os mandamentos de Yaohushua Ha’Mashiach; na era Cristã, Yaohushua Ha’Mashiach nos disse, que a Lei
Hebraica e os ensinamentos dos Profetas poderiam ser incorporados na Lei do Amor; amor a D’us, amor ao
próximo, e amor-próprio; amar a D’us sobre todas as coisas, e ao teu próximo como a ti mesmo.
Obviamente, relações incestuosas, e adúlteras; bem como, molestar crianças, estão fora desse padrão de
amor.
Mas por outro lado: Será tão simples assim? Está bem claro na Bíblia: “um homem não se deitará com outro
homem como se fosse com uma mulher porque isto é uma abominação”. Se isto não for uma condenação à
homossexualidade, o que é isto? E porque está lá então? Nós queremos que este estudo seja completo, sem
deixar áreas nebulosas, com dúvidas. Apesar de que está claro que não podemos pinçar umas passagens, e
aplicá-las nos dias de hoje. A pergunta então é: quando, e a quem esta passagem foi dirigida? Se é que foi,
algum dia. Será que esta passagem foi dirigida a algum grupo de homossexuais da Antiguidade? Para
respondermos a estas questões, precisamos observar estes versos dentro de seu contexto. Como veremos,
sempre que ocorre uma discussão sobre o significado de determinadas passagens da Bíblia, os
pesquisadores assumem diferentes abordagens para chegarem a um ponto de entendimento sobre o que
eles pensam que as Escrituras dizem. Tentaremos mostrar as várias percepções, de acordo com o nosso
entendimento delas.
Primeiramente, devemos entender que, naquela época, as pessoas não tinham a concepção de
homossexualidade como nós temos hoje em dia. Tratava-se de uma sociedade patriarcal, gerida e
administrada pelos homens, na qual as mulheres eram consideradas propriedades dos homens. Naquela
época, sexo, geralmente não tinha muito a ver com amor, e muito menos com carinho. Sexo era meio de
procriação, e, claro, de prazer; sobretudo para os homens; mas, o sexo também, era sinal de dominação.
Após as batalhas, era comum que os vitoriosos, praticassem sexo forçado com os derrotados, a fim de
humilhá-los. Proprietários de escravos, poderiam normalmente praticar sexo forçado com estes como uma
atitude de dominação. Para um homem livre, deitar-se com outro homem livre da mesma tribo, ou
comunidade, significaria uma dominação; seria comparável a reduzi-lo ao status de uma mulher, e, isto o
desonraria. Por isso era proibido, ou expressamente desaconselhável.
A segunda coisa, que precisamos estar atentos, é que, durante o êxodo, Moisés designou à tribo de Levi a
atribuição de atuar como Sacerdotes para o povo de Israel (Êxodo 32.29); e o livro de Levítico, foi escrito
como que para “instruções”; ou, um “código de conduta” para os Sacerdotes. De acordo com o Manual
Bíblico de Abbington, o livro do Levítico:
“… referem-se às atividades dos Sacerdotes Levitas, que dirigiam o povo de D’us, durante os cultos e
cerimônias de adoração. Os capítulos 17 a 26 faziam parte de um documento independente mais
antigo, chamado de Código de Santidade. Muitas leis deste código, e o restante do Levítico, são da
antiguidade, alguns provavelmente tirados da prática Canaanita, e adaptados nesta nova
circunstância. Este conjunto de leis e ritos serviu como modelo ritualístico e Sacerdotal no Templo
durante o pós-exílio.” (p. 101).
Os primeiros três versículos do Capítulo 18 nos dizem: Falou mais o Senhor D’us a Moisés, dizendo:
“Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Eu sou o Senhor vosso D’us. Não fareis segundo as obras da
terra do Egito, em que habitastes, nem fareis segundo as obras da terra de Canaã, para a qual vos
levo, nem andareis nos seus estatutos." Os versículos seis até dezoito, enumeram uma série de
proibições a cerca de relações sexuais entre membros da família; e o versículo dezenove, instrui os homens
a não terem relações sexuais com mulheres durante o seu período menstrual; enquanto que o versículo vinte
proíbe relações sexuais com a mulher do próximo. Entretanto, parece que há uma mudança de assunto a
partir do versículo 21; mudando da proibição de relações sexuais com parentes, e próximos, para a idolatria;
incluindo os versículos 22 e 23, que dizem o seguinte:

Levítico 18.21-23 (JFA)


21: E da tua descendência não darás nenhum para fazer passar pelo fogo perante Moloque; e não
profanarás o nome do Senhor teu D’us. Eu sou o Senhor.
22: Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é;
23: Nem te deitará com um animal para te contaminares com ele, nem a mulher se porá perante um animal,
para ajuntar-se com ele, confusão é.

Levítico 18.21-23 (Versão Bíblia Eletrônica)


21: “Não oferecerás a Moloque nenhum dos teus filhos, fazendo-o passar pelo fogo; nem profanarás o nome
de teu D’us”. Eu sou o “Senhor”.
22: “Não te deitarás com varão, como se fosse mulher; é abominação”.
“23: Nem te deitarás com animal algum, contaminando-te com ele; nem a mulher se porá perante um animal,
para ajuntar-se com ele; é confusão”.

Quem era Moloque? Em Levítico, capítulo 20, versículos um a cinco lemos:

1 “Disse mais o Senhor a Moisés”:


2 Também dirás aos filhos de Israel: Qualquer dos filhos de Israel, ou dos estrangeiros peregrinos em Israel,
que der de seus filhos a Moloque, certamente será morto; o povo da terra o apedrejará.
3 Eu porei o meu rosto contra esse homem, e o extirparei do meio do seu povo; porquanto deu de seus filhos
a Moloque, assim contaminando o meu santuário e profanando o meu Santo Nome.
4 E, se o povo da terra de alguma maneira esconder os olhos para não ver esse homem, quando der de
seus filhos a Moloque, e não matar,
“5 eu porei o meu rosto contra esse homem, e contra a sua família, e o extirparei do meio do seu povo, bem
como a todos os que forem após ele, prostituindo-se após Moloque”.
Quem era Moloque? Moloque era o deus Amonita do fogo. Muito popular e muito colorido. Seguidores de
Moloque muitas vezes pintavam o seu corpo com chamas. Note, que o capítulo 19, versículo 28, instrui aos
Israelitas não fazerem marcas no corpo. Muitos homens costumavam fazer suas barbas desenhadas, de
maneira que estas representassem chamas de fogo; capítulo 19, versículo 27, instrui, os homens a não
cortarem os cabelos, ou suas barbas de maneira arredondadas.
Moloque era um deus muito exigente, e uma de suas exigências era o sacrifício de crianças. A fim de saciar
e acalmar Moloque, uma criança tinha que, de tempos em tempos, ser queimada até a morte. Era comum
que deuses pagãos exigissem sacrifício humano. Mas a religião hebraica era muito diferente. D’us chamou
as pessoas para separá-las, para fazê-las diferentes de seus vizinhos. Enquanto os deuses pagãos exigiam
sacrifícios humanos, na religião hebraica, era exatamente o contrário; D’us seria sacrificado pelo homem;
Isaías 53.
Lembre-se que o primeiro mandamento, e de acordo com Yaohushua Ha’Mashiach o maior deles, diz: Ouça
ó Israel, O senhor é o teu D’us, O Senhor é o teu único D’us! Se este é o maior mandamento
conseqüentemente o maior pecado é a idolatria. Não se deve desonrar D’us, então, oferecer sacrifícios para
Moloque, evocaria pena de morte. Apesar de que possa parecer triste, e até mesmo absurdo crime hediondo
nos dias atuais, o pecado, não era o sacrifício de crianças, mas, a idolatria, que era considerada o verdadeiro
mal, como vemos na última linha acima, aqueles que se prostituem após Moloque.
Mantendo a temática na idolatria, em respeito ao versículo 22, note a instrução no versículo três, de não
fazer como os moradores de Canaã. Lembre-se que os Hebreus era um povo nômade, enquanto os
Canaanitas era um povo agrícola. A religião Canaanita gravitava em torno da fertilidade da terra e das
pessoas. A expressão desta fertilidade inserida na religião, era demonstrada através das visitas ao templo do
(a/s) deus (a/s) e envolvimento em relações sexuais, geralmente do mesmo sexo, com os Sacerdotes, ou
Sacerdotisas disponíveis no templo. Então o versículo 22 instrui os Hebreus a não se deitarem com um
homem, como se fosse uma mulher em um sentido ritualístico por causa de sua toebah; isto é, sua
abominação; isto é, sua idolatria.
Da mesma maneira, o versículo 23 instrui as pessoas, e especialmente as mulheres, a não se envolver em
sexo com animais, porque isto era considerado uma forma de idolatria.
A Enciclopédia Bíblica Padronizada Internacional considera:
Estas proibições referentes às relações com animais podem ter sido formuladas com a finalidade de
distinguir os Israelitas dos Canaanitas, pois estes últimos eram considerados por alguns estudiosos
como praticantes costumeiros de práticas ritualísticas de cópula com animais. (Vol. 1, pp. 443).
Um outro ponto a se considerar é que JFA traduz como confusão a palavra hebréia tebel, que significa
mistura, mescla antinatural, anormal. Como vemos no estudo de Judas/Sodoma, o pecado envolve a mistura
de espécies diferentes.
Na versão JFA, no Deuteronômio 23.17, encontramos o seguinte: Não haverá prostituta dentre as filhas
de Israel; nem haverá sodomitas dentre os filhos de Israel. Entretanto em algumas versões mais
modernas, como a Bíblia Eletrônica, por exemplo, encontramos a seguinte tradução: Não haverá dentre as
filhas de Israel quem se prostitua no serviço do templo, nem dentre os filhos de Israel haverá quem o
faça. O que causou tamanha mudança? Quando a palavra sodomita, presumidamente significando
homossexual na visão de muitas igrejas, passou a significar prostituto do templo ou do culto?

HOMOSSEXUALIDADE E A BÍBLIA – PARTE 4


DEUTERONÔMIO
Deuteronômio 23.17 (JFA)
“Não haverá prostituta dentre as filhas de Israel; nem haverá sodomita dentre os filhos de Israel”.
Deuteronômio 23.17 (Versão Bíblia Eletrônica)
“Não haverá dentre as filhas de Israel quem se prostitua no serviço do templo, nem dentre os filhos de Israel
haverá quem o faça”.
Em nosso estudo sobre o livro de Levítico, aprendemos que a religião do povo agrícola de Canaã, gravitava
em torno da fertilidade da terra, e das pessoas; e, que a expressão desta religiosidade, traduzia-se na ida
aos templos dos (as) deuses (as), e manter relações sexuais; muitas vezes, relações entre pessoas do
mesmo sexo, com os sacerdotes ou sacerdotisas do templo. Onde está a evidência desta atividade? Se isto
é verdade, porque esta informação não é mostrada nas escrituras? Parece que a Bíblia associa estas
passagens ao homossexualismo, e não à idolatria. Por que será?
Nas passagens acima, percebemos que a versão JFA, traduz Deuteronômio 23.17, proibindo a prostituição
por parte das filhas de Israel, ou a sodomia por parte dos filhos de Israel. A tradução JFA deriva da versão
King James, escrita nos anos 1600. Uma versão mais recente, por exemplo, a da Bíblia Eletrônica, que
usamos derivada da versão (NIV), a qual foi produzida no século XX, traduz o mesmo versículo, proibindo a
prostituição no serviço do templo. O que poderia ter causado a mudança do significado da palavra? Desde
quando um sodomita, que muitas igrejas insistem em identificar como homossexual tornou-se um prostituto,
ou uma prostituta do templo?
Devemos atentar para o fato de que, apesar de serem mencionados na Bíblia, esta não relata a história dos
Canaanitas; mas, sim, a história do povo hebreu, e de sua relação com D’us. Em parte alguma da Bíblia,
podemos encontrar relatos a respeito de como viviam os Canaanitas, nem de suas práticas. Até o século XX,
o conhecimento da cultura dos canaanitas estava limitado a três principais fontes:
Artefatos produzidos por pesquisas arqueológicas.
Literatura de povos que viveram na mesma época, mas pouquíssima informação está disponível, a partir
desta fonte, sobre os costumes dos canaanitas.
Escrituras Hebraicas.
Entretanto, nenhuma destas fontes, pode disponibilizar, informações sobre a filosofia, práticas, e crenças
canaanitas.
Em 1928, um camponês Sírio, estava arando a sua terra, quando a sua enxada partiu um pedaço de terra,
que resultou na descoberta de um buraco enorme. Este buraco, mais tarde, revelou-se como sendo a
Cidade Canaanita de Ugarit, que havia sido soterrada. Nesta cidade, havia uma biblioteca onde logramos
encontrar informações sobre as práticas religiosas dos canaanitas que conhecemos hoje. E, não somente na
biblioteca, mas nos lares também, encontramos muitas informações sobre a religião canaanita. Só em uma
casa, encontramos mais de 80 textos, sobre práticas religiosas canaanitas.
Qualquer estudioso da Bíblia, mesmo aqueles com um interesse limitado, já ouviram falar dos “Manuscritos
do Mar Morto”; mas, em comparação, pouquíssimos, ouviram falar das descobertas de Ugarit. Entretanto,
se você entrar na Internet, e fizer uma pesquisa com base na palavra “Ugarit”, você descobrirá que existem
mais de 8500 sites e artigos disponíveis. Os textos encontrados em Ugarit foram escritos em seis línguas.
Apenas uma parte relativamente pequena da quantidade enorme de material encontrada foi traduzida até o
presente, mas, o material traduzido, tem causado um grande impacto no conhecimento da Bíblia, refletindo-
se em mudanças significativas nas traduções mais recentes. Muitas passagens obscuras e confusas têm
sido corrigidas em alguns casos; e, em outros, tem sido clarificadas.
Na época em que a versão King James, da qual deriva a JFA, foi escrita, ninguém havia ainda ouvido sobre
prostituição nos templos. Por outro lado à versão NIV, escrita após a descoberta de Ugarit, mostra no
versículo acima apenas uma das mudanças ocasionadas pela descoberta de Ugarit.
O Almanaque da Bíblia, edição 1980 declara:
Nas Religiões em que a fertilidade representa um importante papel, como aquelas encontradas em Ugarit,
uma grande ênfase é dada à reprodução da terra, às colheitas, e ao principal órgão reprodutor feminino, o
útero. Esta ênfase explica a importância dos intercursos sexuais. A Bíblia e os textos canaanitas encontrados
em Ugarit usam as palavras qadesh e qedesha, que significam "o sagrado", sendo a primeira masculina; e, a
segunda feminina. Em Ugarit, estes “sagrados” eram sacerdotes e sacerdotisas homossexuais que agiam
como prostitutos (as). Percebemos uma forte reação hebréia contra esta prostituição ritualística nas
passagens do Levítico 19.29.,
"Não contaminarás a tua filha, fazendo-a prostituir-se...” e em Deuteronômio 23.17, "Não haverá prostituta,
“qedesha”, dentre as filhas de Israel, nem haverá sodomita, “qadesh”, dentre os filhos de Israel." (pp 146).
Temos visto aqui, à tradução moderna de Deuteronômio 23.18, a condenação, não é a condenação da
homossexualidade, sodomia; mas, a condenação da prostituição ritualística. Agora, quando lembramos as
palavras com as quais começa o capítulo 18 de Levítico, “… nem fareis segundo as obras da terra de Canaã,
para a qual vos levo, nem andareis nos seus estatutos.” E, as comparamos com a explicação acima, começa
a ficar mais claro, que não apenas em Deuteronômio 23.18; mas, também, Levítico 18.22, e 20.13, são
veementes condenações à idolatria, e não à homossexualidade. Na verdade, veremos que este assunto de
prostituição no templo, com fins ritualísticos, aparecerá novamente, quando estudarmos as passagens que
são mais conhecidas e usadas, e, que, supostamente, condenam a homossexualidade nas escrituras.
Esta é a resposta para a questão: Onde está a evidência desta atividade? Agora, vamos responder a
segunda questão: Se isto é verdade, porque esta informação não é mostrada nas escrituras, como vimos,
quando comparamos algumas versões mais antigas com as mais modernas? Encontramos as evidências.
Entretanto, salientamos que, algumas versões modernas, ainda usam o termo homossexual, ao invés de
prostitutas (os) do templo. A fim de saber, o que realmente, os escritores originais pretendiam dizer, é
extremamente importante, que se use uma boa concordância bíblica, e um dicionário bíblico, de maneira que
se possa verificar o significado das palavras na língua original em que foram escritas. Não é necessário
conhecer a língua original, para se proceder a tal pesquisa, apesar de que isto significa que será necessário,
na maioria das vezes, ler mais de uma versão, a fim de descobrir qual a palavra originalmente usada.
Por que parece, que estas passagens, da maneira que são mostradas na Bíblia, têm mais a ver com a
homossexualidade do que com a idolatria? Como já vimos várias interpretações das passagens, além de
traduções de qualidade duvidosa, nos levam a crer que, estas passagens tratam de homossexualidade.
Devemos nos lembrar, que as Escrituras, devem ser lidas dentro de seu contexto; e, contexto, não se refere
apenas a manter as passagens em ordem cronológica nas Escrituras, mas devem ser examinadas, levando-
se em consideração a época, a cultura e o povo ao qual elas se dirigiam. Muitas vezes, é necessário buscar
fontes fora da Bíblia, e estar imbuídos de boa-vontade, para pesquisar, de maneiras a conhecer, e entender,
o verdadeiro significado das passagens. Este é o propósito dos Estudos Bíblicos. Se os textos encontrados
em Ugarit nos mostram que as passagens referidas representam uma condenação à prostituição ritualística
ao invés de condenação à homossexualidade, porque tantas igrejas ainda mantêm suas antigas visões
condenatórias? Tradição é a homenagem que prestamos aos mortos! É muito difícil convencer algumas
pessoas, a deixar suas idéias pré-concebidas, pontos de vista, e crenças, que foram consolidados com o
tempo. Além do mais, foram utilizados, anos de pesquisas e estudos; e, uma vez que, algumas
interpretações e conclusões atingiram certo nível de aceitação do que é, na visão deles, a verdade, a simples
idéia de uma interpretação diferente, pode ser encarada como um desafio à fé que possuem. Ao invés, de
serem capazes de adotar uma posição de compreensão e receptividade a um ponto-de-vista diferente,
costumeiramente, eles sentem-se ameaçados em sua fé, e não raro reagem com ira, e fecham-se
completamente às possibilidades de uma visão, a partir de um ângulo diferente. Uma nova idéia, ou
interpretação, pode provocar dúvidas, sobre o que eles já aceitaram; e, muitos crêem, que duvidar, pode ser
contrário à fé.
Ainda assim, consideramos que fé sem questionamentos, não é fé. A fé cresce, e consolida-se através do
questionamento, quando estamos dispostos a desafiar nossos questionamentos; pesquisar e crer na
orientação do Espírito Santo, que nos "guiará em toda a verdade." (João 16.13). Lembre-se, que quando
Tomé expressou suas dúvidas sobre a ascensão de Cristo, Yaohushua não o ridicularizou, nem o condenou
por suas dúvidas. Yaohushua abriu suas mãos e convidou-o a tocar nas suas feridas (João 20.29).
Yaohushua ofereceu a prova que Tomé necessitava. Pesquisadores e estudantes da Bíblia, que querem
fazê-lo seriamente, não devem temer a confrontação de seus paradigmas espirituais. Creia que o Espírito
Santo esta aí para ajudá-lo. Sua fé aumentará!

Deuteronômio 23.18
“Não trarás o salário da prostituta nem o aluguel do sodomita para a casa do Senhor teu D’us por qualquer
voto, porque uma e outra coisa são igualmente abomináveis ao Senhor teu D’us.”

NOTA: algumas versões utilizam à palavra cão, ao invés de sodomita.

O vocábulo traduzido como sodomita ou cão, de acordo com algumas versões, na linguagem original, era
“keleb”, o qual significa latir, ganir, ou uivar, ou, ainda atacar; ou cão; e, conseqüentemente, por eufemismo,
um praticante da prostituição masculina (Strong’ #3611). A questão, entretanto é, de que tipo de prostituição
está falando? Os pesquisadores apresentam opiniões diferentes.

Na série ”Estudos Bíblicos Diários” o autor do estudo do livro de Deuteronômio, David F Payne,
escreve somente isto a respeito desta passagem:
“Versículos 17-18: debruça-se sobre a prática de ritos religiosos, e proíbe a prática de prostituição em nome
de YHWH; a palavra traduzida como cão, conseqüentemente significa praticantes de prostituição ritualística,
muito comum na religião canaanita”.

Por outro lado, A Nova Bíblia Anotada Oxford, escreve:


Versículos 17 e 18: “Estes versículos pressupõem a inevitabilidade da prostituição, enquanto proíbe esta
prática aos Israelitas de maneira a preservar a santidade do templo e do povo”. (versículo 17) Prostituição no
serviço do templo (Hebraico "qedesha"), esta tradução admite crer na existência de uma prostituição
considerada “sagrada” em Israel, e na região do antigo Oriente Próximo, para a qual existe pouca evidência.
È mais provável que o vocábulo "qedesha" seja um eufemismo padrão para o termo prostituta/o, considerado
grosseiro. (vs. 18). A mesma alternação entre os mesmos termos aparece em Gn 38.15,21. A palavra deve
ser mais bem traduzida como “separado”, algum posto a largo, separado da sociedade (versículo 18). A fim
de manter a santidade; a lei proíbe a contribuição ao Templo, com o produto da prostituição.
É interessante notar, ainda que apesar de Oxford aparentemente, não levar em consideração as informações
produzidas a partir dos textos de Ugarit, e pressupor que ambos os versículos referem-se tão somente à
prostituição normal como conhecida, (ou seja, aqueles não ligados à prostituição ritualística, ou a serviço do
templo), ainda assim, em sua própria tradução dos versículos, usa a sentença prostituição a serviço do
templo. Encontramos o mesmo paralelo de palavras (prostituto/a e prostituto/a a serviço do templo) em Gn.
38.15, 21. É ainda mais interessante notar, que no comentário acima, a palavra "qedesha", pode ser mais
bem traduzida, como: “separado, alguém que vive ao largo”; o que comumente significa alguém separado
para o Serviço de D’us; para servir a D’us. Vale salientar, que as duas escolas de pensamento, têm
interpretações diferentes do significado destes versículos, e nenhum deles, chegou a nenhuma conclusão, se
o mesmo estaria relacionado à homossexualidade.
O objetivo da apresentação, destas duas linhas de pensamentos conflitantes, não foi absolutamente de
contundi-los, mas, tão somente de demonstrar que até os maiores estudiosos da Bíblia, professores, e
instituições de ensino, nem sempre concordam entre si, a respeito do exato significado das Escrituras; e,
atente para o fato, de como o Círculo Hermenêutico pode influenciar neste processo. Interpretando estas
passagens, resume-se: Israelitas não devem envolver-se em prostituição no templo, porque estas são
práticas idólatras (conseqüentemente abominação).
Deuteronômio 22.5 (JFA)
Não haverá traje de homem na mulher, e nem vestirá o homem roupa de mulher, porque, qualquer que faz
isto, abominação é ao Senhor teu D’us.

Esta é a única passagem em toda a Bíblia que trata do hábito de se usar roupas do sexo oposto; conhecido
em nossa cultura como travestismo, apesar de que para muitos, este termo aplica-se tão somente ao homem
usar roupas femininas. A fim de padronização, salientamos que, utilizaremos o termo travestismo, quando
nos referirmos ao uso de roupas próprias de um sexo, por uma pessoa do outro sexo, independentemente de
qual sexo estejamos nos referindo.

A Nova Bíblia Anotada Oxford afirma, “A proibição contra o travestismo procura, sobretudo estabelecer os
limites de gênero”. Uma similar preocupação com limites, é evidente nos versículos 10-12. Nestes versículos,
lemos: Não lavrarás com junta de boi e jumento. Não te vestirás de diversos estofos de lã e linho juntamente.
Franjas porás nas quatro bordas da tua manta, com que te cobrires.
Enquanto os versículos dez e onze parecem observar ao extremo o conceito de não misturar “espécies
diferentes”, o versículo doze nos mostra que, na verdade, o que as escrituras tentam nos ensinar, é o
conceito de separação. Os Israelitas deveriam ser um povo separado, e distinto daquele povo, que habitava
a terra para a qual eles mudaram-se.
Devemos também lembrar, que numa cultura basicamente patriarcal, para um homem, fazer qualquer coisa
que pudesse ser considerada como feminina, seria uma degradação de sua masculinidade, e, por extensão,
degradação da masculinidade de um modo geral. A hierarquia daquela sociedade, fundamentada no gênero
(sexo) tinha uma base bíblica. E formou o SENHOR D’US o homem do pó da terra, e soprou em suas
narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente. (Gn 2.7) Ao homem foi dado o fôlego do
próprio D’us; portanto, o homem era o ser vivente mais aproximado de D’us. Mas, o homem estava sozinho,
e D’us entendeu que isto não era bom. D’us então decidiu criar uma auxiliadora idônea. (Gn 2.18, 20a) Nos
versículos 21-22, lemos que D’us então, causou um sono profundo no homem, retirou uma de suas costelas,
e formou dela a mulher.
Interpretamos esta passagem, como nos dizendo que, já que D’us soprou dentro do homem o seu próprio
fôlego de vida, o homem é, portanto a criatura mais aproximada de D’us. A mulher, entretanto, foi criada a
partir do homem, estando a um degrau abaixo do homem, na proximidade de D’us. Ainda mais, como a
mulher foi criada, com a finalidade de auxiliar o homem, isto era interpretado, como se ela fosse criada para
ser uma escrava para o homem; novamente demonstrando, que ela estava a um degrau abaixo do homem.
Por conseguinte, um homem que se vestisse de mulher, estaria se diminuindo; e, por implicação, estaria
rebaixando todos os homens ao nível das mulheres. Da mesma forma, a mulher, não deveria usar vestes
masculinas; pois, ao fazê-lo, ela estaria sendo elevada ao “status” de homem, e causando descrédito e
vergonha aos homens.

David Payne escreve na série “Estudos Bíblicos Diários” sobre Deuteronômio 22.5:
Existem razões para crermos que a Lei descrita no versículo cinco não esteja relacionada com a aberração
sexual conhecida como travestismo, mas que seja um repúdio a certas práticas pagãs daquela época.
Portanto esta lei, hoje em dia, não seria mais do que um guia de distinção, do que aquela descrita no
versículo doze, a respeito das franjas das bordas da manta a ser usada pelos Israelitas. Estas franjas,
qualquer que seja a sua origem, pretendiam lembrar a cada um dos Israelitas da sua obrigação de obedecer
a D’us e à sua lei. Com efeito, estas franjas fizeram os Israelitas distintos dos canaanitas, na sua maneira de
vestir.
Existem evidências, que indicam que os praticantes da prostituição no templo, especialmente os homens,
usavam roupas do sexo oposto. Se aceitarmos esta afirmação, podemos então concluir que, as instruções
contrárias ao “travestismo”, encontradas em Deuteronômio 22.5, na verdade nos dizem que:
1. Os Israelitas devem ser imediatamente identificados como tal, ou seja, eles não devem agir nem
vestirem-se como os habitantes das terras para onde D’us os levou.
2. Os Israelitas devem observar as separações de gênero, de maneira a não macular a imagem
masculina com a feminina (sociedade patriarcal, machista).
3. Os Israelitas não devem envolver-se em práticas idólatras.

SUMÁRIO DE PASSAGENS RELEVANTES NAS ESCRITURAS HEBRAICAS


Note bem, que todos os livros das escrituras, os quais consistem em: 24 livros na Bíblia Judaica; 39 livros na
Bíblia Protestante; e a Bíblia Católica que possui livros, e passagens adicionais. De toda esta literatura, há
somente quatro passagens, que são erroneamente interpretadas como condenatórias da homossexualidade;
e, uma, que trata da questão do uso de roupas do sexo oposto. A história de Sodoma e Gomorra, não
condena o homossexualismo em si; mas, sim, os repetidos atos de falta de solidariedade em relação aos
outros, que culminaram, com a tentativa de estupro dos visitantes angelicais de Ló. As passagens citadas
nos livros de Levítico e Deuteronômio, não são condenações à homossexualidade em si, mas à
prática de atividade sexual realizada durante cultos aos ídolos. Estas condenações, em linha com o
Primeiro Mandamento representam uma condenação à IDOLATRIA. O termo sodomita aparece ainda em
várias outras passagens da Bíblia, mas em nenhuma delas este termo têm a conotação “homossexual”, que
se tenta atribuir, devendo na verdade, ser substituído por prostitutos ritualísticos, ou do templo.
Por mais incrível que possa parecer para alguns, além de não haver palavras de condenação à
homossexualidade nas Escrituras, podemos ainda afirmar que existem várias passagens que apresentam
uma imagem positiva da homossexualidade. Nós as veremos mais adiante, na medida em que prossegue o
nosso estudo.

A PERSPECTIVA CRISTÃ
Todos os Cristãos que tentam aplicar a sua própria interpretação das Escrituras na sua própria vida, ou na
vida de outrem, estão, na verdade, violando os ensinamentos de Cristo.
Paulo, na sua carta aos Gálatas nos fala a respeito da Lei: "Todos quantos, pois, são das obras da lei
estão debaixo de maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas
escritas no Livro da Lei, para praticá-las. É evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de D’us,
porque o justo viverá pela fé” (3.10,11). Paulo continua a explicar: “Mas, antes que viesse a fé, estávamos
sob a tutela da lei e nela encerrados, para que essa fé que, de futuro, haveria de se revelar. De maneira que
a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados pela fé. Mas, antes,
tendo vindo à fé, já não permanecemos subordinados ao aio." (3.23-25).
Não interprete mal este ensinamento. Paulo não está de maneira nenhuma tentando diminuir ou depreciar a
Lei Judaica. Paulo era ele mesmo Judeu, e um Fariseu. Na sua juventude, ele era extremamente zeloso em
relação às tradições de seus pais (Lei), segundo o que ele nos revela em Gálatas 1.14.. Mas, a Lei de
Ordenanças foi designada para um período específico no mundo, o período prévio à vinda do Messias.
Yaohushua Ha ‘Mashiach nos explica em Mateus 5.17, "Não penseis que vim para revogar a Lei ou os
Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir." Yaohushua Há Mashiach,, o Messias Judeu, cumpriu
e complementou a Lei. Em outras palavras, os seguidores dEle, os Cristãos, não mais estão sob o jugo da
Lei Judaica, mas, sob a Graça de D’us. Paulo nos explica: "Não anulo a graça de D’us; pois, se a justiça é
mediante a lei, segue-se que Cristo morreu em vão!" (Gálatas 2.21).
Conseqüentemente, já que os Cristãos estão vivendo sob a Graça, e não mais submetidos à Lei de
Sacrifícios, não podem então, querer que outros, ou eles mesmos, estejam ainda atados a esta mesma Lei.
Os que insistem em fazê-lo estão como Paulo nos diz de forma tão eloqüente, sob maldição. Estes se
condenam a si mesmos a estarem completamente inertes, de pés e mãos atados, pela própria Lei.
Como já vimos anteriormente, seria praticamente impossível, cumprir a Lei na sua integridade. O sacrifício
de animais, bem como a queima destes holocaustos, por exemplo, não é mais permitida ou legal nos dias
atuais. No livro de Atos, no décimo capítulo, encontramos uma pequena história que demonstra que os
requerimentos da Lei foram concluídos e não são mais aplicáveis. Pedro tem uma visão na qual ele estava
faminto, os céus se abriram e um grande lençol desceu dos céus com toda a sorte de animais-permitidos e
proibidos, e ouviu uma voz do céu que lhe disse: “Levanta-te Pedro, mata e come”. ‘De modo nenhum,
Senhor. Pedro retrucou. “Porque jamais comi coisa alguma comum e imunda.” A voz respondeu:
‘Não considere impuro aquilo que D’us purificou. ’ (Atos 10.13-15)
Mais ainda, em Hebreus 10:4 aprendemos que é impossível que o sangue de touros e de bodes remova
pecados, e continuamos a aprender no versículo dez que pela vontade de D’us temos sido santificados
mediante a oferta do corpo de Yaohushua Ha’Machiach, O Cristo, de uma vez por todas.

HOMOSSEXUALIDADE E A BÍBLIA – PARTE 5


ROMANOS
Romanos 1,18-29:
18 “Pois do céu é revelada a ira de D’us contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a
verdade em injustiça. 19 Porquanto, o que de D’us, pode-se conhecer, neles se manifesta, porque D’us lho
manifestou. 20 Pois os Seus atributos invisíveis, o Seu eterno poder e divindade, são claramente vistos
desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que eles são
inescusáveis; 21 porquanto, tendo conhecido a D’us, contudo não o glorificaram como D’us, nem lhe deram
graças, antes nas suas especulações se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. 22
Dizendo-se sábios tornaram-se estultos, 23 e mudaram a glória do D’us incorruptível em semelhança da
imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. 24 Por isso D’us os entregou, nas
concupiscências de seus corações, à imundícia, para serem os seus corpos desonrados entre si; 25 pois
trocaram a verdade de D’us pela mentira, e adoraram e serviram à criatura antes que ao Criador, que é
bendito eternamente. Amém. 26 Pelo que D’us os entregou a paixões infames. Porque até as suas mulheres
mudaram o uso natural no que é contrário à natureza; 27 semelhantemente, também os varões, deixando o
uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, varão com varão,
cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a devida recompensa do seu erro. 28 E assim como eles
rejeitaram o conhecimento de D’us, D’us, por sua vez, os entregou a um sentimento depravado, para
fazerem coisas que não convêm”. Há variedades de versões dos termos, dependente de qual tradução da
Bíblia usar. Quando nos confrontamos com coisas que não entendemos completamente, é natural, que
fiquemos desconfiados e temerosos. Quando ouvimos pessoas expressando emoções, de maneira
completamente contrárias ao que sentimos, e, talvez nós possamos fazer uma auto-análise, e pensar, “eu
jamais poderia pensar desta maneira”. É normal que essa atitude provoque uma pausa para pensar, para
refletir. É normal que busquemos questionar no mais íntimo de nosso ser “será que poderia pensar dessa
mesma maneira?” Quando nosso Pastor ou nossa Pastora, ou Líder Espiritual, ou Rabino, sobe em um
púlpito e denuncia pensamentos, descreve emoções como pecaminosas, demoníacas, depravadas, doentes;
quando um homem de D’us faz alusão à Bíblia como prova da pecaminosidade de alguém; bem, a quem
recorrer? Como argumentar? A Bíblia diz isto, eu creio nisto, e ponto final?
Quando é dito que a Bíblia aprova e autoriza a escravidão, poucos contestaram esta teoria durante séculos.
Quando é dito que a mulher deve ser submissa ao homem porque está expresso na Bíblia, somente as
mulheres expressaram objeção, mas quem as ouviu? Bem, na verdade em algumas partes do mundo, elas
ainda não são ouvidas. Quando foi dito que feiticeiros devem ser executados, muitas mulheres foram mortas;
aliás, muitas mulheres eram culpadas, apenas pelo crime de serem idosas, ou sábias, ou por não serem
simpáticas. Quem liga para isso? Quando foi dito que a Bíblia diz que homossexuais devem ser mortos; eles
foram torturados, atados em postes e queimados. Através dos anos esses crimes foram todos impetrados
em nome de D’us, como interpretados na Bíblia. Vivemos no século XXI, e a maioria das pessoas já não
acredita que a Bíblia justifique a escravidão, e promova a subserviência da mulher; e mulheres, não são mais
executadas por feitiçaria; ao menos nas nações ocidentais. E quanto aos homossexuais? Bem, na verdade,
homossexuais ainda são perseguidos e executados; assim como minorias raciais que ainda são perseguidas
e executadas também. Todos culpados pelo pecado de serem diferentes.
Em púlpitos ao redor do mundo, muitos ministros de D’us, ainda descrevem homossexuais como maus,
demoníacos, pecaminosos, depravados, doentes e loucos, e até fazem alusão à Bíblia como prova de “sua”
pecaminosidade. Uma das duas passagens bíblicas mais citadas que são usadas como prova de que a
Bíblia condena a homossexualidade é:
Romanos 1,26-27:
“Pelo que D’us os entregou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural no que
é contrário à natureza; semelhantemente, também os varões, deixando o uso natural da mulher, se
inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo
em si mesmos a devida recompensa do seu erro”.
O que se segue, nos versículos 28 a 32, é uma verdadeira lista de todas as formas de mal e depravação.
Esses dois versículos acima, retirados de seu contexto, e seguidos dessa lista dos horrores, certamente
causam a impressão, de que D’us considera os homossexuais, e a homossexualidade particularmente, como
maléfica e depravada. É o que acontece quando alguém ignora o contexto da passagem acima descrita.
Se levarmos em consideração o contexto, encontraremos um quadro completamente diferente do que é
aquilo que D’us realmente condena. Ao contextualizarmos, vamos perceber que a linha de raciocínio de
Paulo inicia-se no versículo 18 e segue até o fim desse capítulo, como mostrado no início deste estudo.
Algumas coisas desagradam a D’us, é verdade; mas, D’us está a irar-se com aqueles que:
• Omitem a verdade de D’us;
• Não honram, não glorificam, nem são gratos e reconhecidos a D’us;
• Substituem a verdade de D’us pela mentira;
• Adoram e servem aos ídolos ao invés do Criador.
Em uma palavra: IDÓLATRAS.
A ira de D’us está direcionada àqueles que praticam idolatria, em todas as suas formas. Note que as três
primeiras palavras do versículo 27, independentemente de que tradução se use, se refere a algo que
acontece anteriormente “Pelo que…”; “por causa…”; “Por isso…”. Os versículos 26 e 27, não são versículos
auto-suficientes. Eles explicam quem provoca a ira de D’us, e o que causa o seu comportamento anômalo.
Idólatras provocam a ira de D’us, e o seu descontentamento ao adorarem os ídolos.
Onde anteriormente encontramos pessoas que se envolveram em práticas sexuais entre pessoas do mesmo
sexo como expressão de adoração ritualística de ídolos? Nas condenações contidas em Levíticos e
Deuteronômio. Na condenação expressa em relação à prostituição ritualística que acontecia nos templos
destinados aos ídolos.
As três primeiras palavras do versículo 26 nos dizem que nas suas práticas idólatras as pessoas envolviam-
se em relações degradantes. As mulheres mudaram suas relações naturais por outras contrárias à sua
natureza. Apesar do que literalmente pode-se entender, essa passagem refere-se a mulheres que se
envolveram em práticas sexuais com prostitutas do templo, essa passagem pode também ser uma referência
a pratica de bestialidade, que era também uma prática idólatra comum, naquela época. Assim como
mulheres envolveram-se em relações bestiais como um ato de adoração aos ídolos, homens também se
envolveram em relações com outros homens, como forma de adoração idólatra.
Gostaria, entretanto de chamar atenção para uma particularidade. O verbo “cometer” foi traduzido a partir da
palavra composta: kat-err-gotzumai. Enquanto que Err-gotzumai significa trabalhando, desenvolvendo,
implementando, isto é; é um verbo de ação, quando se acrescenta estas três letras, kat, antes, é dada uma
ênfase ao caráter da palavra, significando que se trata de um trabalho difícil de ser executado. O que Paulo
nos diz, segundo algumas versões, é que um tremendo esforço foi colocado no sentido de se alcançar o
trabalho que nos é expresso por essa palavra. Esses homens tiveram que fazer um grande esforço para
praticarem sexo com outros homens, mas eles o fizeram assim mesmo. Podemos então supor, sem receios,
que Paulo estava se referindo aos homens, cuja orientação sexual não fosse homossexual, para quem tais
práticas seriam naturais, mas para heterossexuais, para quem esse ato implicaria em grande esforço, mas
que o teriam feito de qualquer maneira, como forma de adoração aos ídolos.

A Bíblia Anotada New Oxford diz a respeito dos versículos 27 e 28:


“Enquanto que a Torah proíbe um homem “deitar-se com outro homem como com uma mulher” (Lv 18,22),
autoridades judaicas contemporâneas de Paulo criticavam uma variedade de comportamentos sexuais
comuns no mundo pagão”. Apesar de que hoje se emprega essa expressão largamente como uma
referência à homossexualidade, a linguagem que se refere às praticas contrárias à natureza era mais usada
nos dias de Paulo, não para denotar a orientação da atração sexual, mas a tolerância e prazer exagerados,
sem medidas, lascívia, que enfraquece o corpo (a recompensa de seu erro).

HOMOSSEXUALIDADE E A BÍBLIA – PARTE 6


ROMANOS – 2ª PARTE
Anteriormente tentamos demonstrar que as condenações de Paulo, nestes versículos, estavam direcionadas
às mesmas práticas pagãs que foram erroneamente identificadas como homossexualidade nas Escrituras
Hebraicas.
Romanos 2,1:
1 “Portanto, és inescusável, ó homem, qualquer que sejas, quando julgas, porque te condenas a ti mesmo
naquilo em que julgas a outro; pois tu que julgas, praticas o mesmo”.
De que maneira esta passagem se relaciona à anterior? Bem, eu creio que Paulo está dizendo que aqueles
que julgam os outros estão usurpando uma prerrogativa de D’us. Somente D’us pode julgar os homens. Não
temos permissão para julgar uns aos outros. Quando julgamos aos outros, ascendemos ao trono da falsa
religiosidade; e, esta atitude arrogante, é equivalente à idolatria. Quando o fazemos, nos colocamos acima
dos demais semelhantes, com a suposição de que temos o direito de ditar-lhes como devem viver.
Tornamos-nos D’us em nossa própria opinião, e isso é IDOLATRIA.
Existem igrejas que, apesar de concordarem que os versículos 18 a 25 tratam da idolatria, acreditam que os
versículos 26 a 32 são condenações à homossexualidade, e que a "depravação" da homossexualidade, se
manifesta nas condenações expressas nos versículos de 29 a 32. Está claro que as pessoas que assim
interpretam, têm que ignorar o versículo 26, bem como os versículos 28 e 2.1. Do contrário, o versículo 2.1
deveria estar dizendo que qualquer um que julga os outros estaria envolvendo-se em um comportamento
homossexual, o que não tem sentido. Então Paulo estaria julgando os semelhantes, e assim, também se
igualando aos idólatras, segundo a explanação já feita anteriormente.
Devemos ter como evidente nessas passagens do primeiro capítulo de Romanos do versículo 18 em diante
uma crítica veemente contras os males da idolatria. A homossexualidade não é tratada nessa passagem,
mas, sim, as práticas sexuais, praticadas pelos prostitutos (a)s do templo, que se envolviam em relações
sexuais com pessoas do mesmo sexo, como parte dos rituais de adoração de ídolos; rituais de fertilidade, e
que já foram estudadas em capítulos anteriores.
Como foi demonstrada, a única maneira que uma pessoa pode usar esses versículos como condenação à
homossexualidade, seria tirando-os de seu contexto, fazendo uma inconveniente, inconsistente e deliberada
mudança no significado intrínseco das palavras de Paulo, a fim de acomodá-las numa visão homofóbica.
Fazer isso significa “mudar a verdade de D’us em mentira e honrar e servir à criatura... Amém”.
Romanos 1,26-27 (VBJ):
Por isso D’us os entregou as paixões aviltantes: suas mulheres mudaram as relações naturais por relações
contra a natureza; igualmente os homens, deixando a relação natural com a mulher, arderam em desejo uns
para com os outros, praticando torpezas homens com homens recebendo em si mesmos a paga da sua
aberração”.
Romanos 1,26-27 (NVBI):
“Por causa disto, D’us os entregou as vergonhosas paixões. Até suas mulheres trocaram relações naturais
pelas não naturais. Do mesmo modo os homens também abandonaram relações naturais com mulheres e
estavam inflamados pela paixão de um pelo outro. Homens entregavam-se a atos indecentes com outros
homens e recebiam em si mesmos a punição devida por sua perversão”.
Um dos principais argumentos contra a homossexualidade (ou à introdução da identidade de gênero) tem
sido: "não é natural". Um dos argumentos favoritos usado contra a homossexualidade é "D’us criou Adão e
Eva, não Adão e Ivo". Este é um não-argumento porque, naturalmente, D’us criou Adão e Ivo, e Maria e
Jorge, e Alice e Suzana; D’us fez cada um de nós, mas negar a validade de uma orientação porque esta não
foi descrita no Jardim do Éden é conseqüentemente "não natural", é absurda, não obstante a poesia.
Os seres humanos são os mestres do "não natural", talvez começando com a primeira vez que alguém tirou
a pele de um animal e usou-a como roupa ou como abrigo. Dos carros que dirigimos aos televisores a que
assistimos; dos computadores que usamos para permitir-nos a comunicação através do mundo, ao
despertador que nos acorda pela manhã; do último jantar congelado da noite, ao forno de microondas que
usamos para aquecê-lo, cada aspecto de nossas vidas celebra o "não natural". Mesmo os Amish (ortodoxos)
da Pensilvânia que se abstêm de nossas modernas conveniências “não naturalmente” arreiam seus cavalos
às carroças para chegar à cidade.
Mas o que Paulo quer dizer quando usa o termo? Na língua original, as palavras usadas aqui em Romanos
1.26 eram para phusin, traduzido como “contra a natureza”, que muitos estudiosos interpretaram como se
referindo à homossexualidade. Entretanto, nós verificamos que Paulo usa estas mesmas palavras em
Romanos 11.24 para explicar aos gentios que embora estes não sejam naturalmente parte dos escolhidos,
D’us dá boas-vindas aos gentios e está disposto a enxertá-los na árvore da família, e também disposto a
enxertar de volta, nessa mesma árvore da família, aqueles escolhidos que haviam se afastado: “Com efeito,
se você (gentio) fosse cortado de uma oliveira silvestre por natureza (phusin) e contra a natureza (para
phusin) fosse enxertado na oliveira mansa (a árvore da família dos eleitos), com maior razão os ramos
naturais (os escolhidos que se afastaram) serão enxertados (de volta) na oliveira a que pertencem” (NVBI).
É totalmente evidente que o uso aqui, por Paulo, da frase, não tem nada a ver com homossexualidade, nem
é uma crítica da imoralidade. Mas propriamente Paulo refere-se à phusin (ou phusis) para designar àquilo
que é inato à pessoa, ou a como nasceram. Nós encontramos um exemplo deste uso em Gálatas 2,15. O
que a VBJ diz é "Nós somos judeus de nascimento e não pecadores da gentilidade”, traduzido por "Nós que
somos judeus por nascimento e não pecadores de gentios’", na NVBI.
Nós sabemos que Paulo usou o termo “natureza” para referir-se a diferentes coisas em diferentes ocasiões.
Além do que já mostramos, em 1 Coríntios 11.14, Paulo escreve, "A natureza mesma das coisas não vos
ensina que se um homem tem cabelos compridos, é desonroso para ele...?" (NVBI). Não é verdade que a
natureza induz o cabelo a crescer e ficar comprido? Não estaria contra a natureza cortá-lo? Considere que
Paulo era um homem educado, que, por suas próprias palavras, excedeu a seus pares no conhecimento da
lei judaica, dos costumes e das tradições. Certamente conhecia o Sansão do livro dos Juízes. No capítulo
16.10 nós encontramos Sansão dizendo a Dalila, "Nenhuma lâmina foi jamais usada em minha cabeça",
disse-lhe ele, "porque eu sou nazireu consagrado a D’us desde o nascimento. Se minha cabeça fosse
raspada, minha força deixar-me-ia, e tornar-me-ia tão fraco quanto qualquer outro homem" (NVBI). Quando o
cabelo de Sansão foi cortado, sua famosa e poderosa força deixou-o e não retornou até que seu cabelo
crescesse outra vez mais. Se os nazireus fossem pessoas consagradas para servir a D’us, o que induziu o
comentário de Paulo em 1 Coríntios? É possível que todos os homens aptos de Corinto fossem solicitados a
servir nas forças armadas (com cortes militares de cabelo) e que aqueles cujos cabelos permaneceram não
cortados esquivam-se de seus deveres? Neste exemplo do uso da natureza, nós descobrimos que a
conotação não era sobre moralidade, ou sobre o que é inato, ou um acidente de nascimento, mas, sim,
responsabilidade meramente cívica.
Em Efésios 2,3-4, Paulo escreve, referindo-se aos costumes mundanos: “Todos nós também vivemos entre
eles alguma vez, gratificando os desejos de nossa natureza pecadora e seguindo seus desejos e
pensamentos. Como os demais, nós éramos por natureza objetos da ira. Mas por causa do grande amor de
D’us por nós, D’us, que é rico em mercê, fez-nos vivos com Cristo, mesmo quando nós estávamos mortos
em transgressões – pela graça que você foi salvo” (NVBI). Aqui, Paulo demonstra que D’us nos levantou
para estar acima da natureza; que nós devemos transcender à natureza, que nós devemos andar no Espírito
e não satisfazer a luxúria da carne. Por um lado, parece que Paulo glorifica o conceito de ser “com a
natureza, não contra ela”, enquanto que por outro lado nos mandaria estar “acima da natureza”, e não em
harmonia com ela.
Como Paulo usa o termo natureza de diversas e diferentes maneiras nas epístolas, nenhum estudioso pode
saber com absoluta certeza o significado específico da palavra de Paulo nas passagens destacadas acima.
Entretanto, a evidência de Gálatas 2.15 certamente dá-nos espaço para inferir que os atos referidos em
Romanos 1.26-27, eram atos que não eram naturais às pessoas que os praticavam. Isto é, heterossexuais
que travaram atividade homossexual (para facilitar a adoração de ídolos). Se nós estamos certos de que
Paulo condena aqueles que se engajam em atividade sexual que não é natural para eles, então não somente
a condenação aplicar-se-ia aos heterossexuais que se engajam em atividade homossexual, mas aplicar-se-ia
também aos homossexuais que se engajam em atividade heterossexual.
Há igrejas que negam que a homossexualidade seja inata, uma orientação individual, acreditando e
ensinando que é uma escolha de estilo de vida, ou "atividade" aprendida. Aqueles que tomam essa posição
fogem do senso comum e da decência. Negam a experiência da própria vida do indivíduo, suas verdades
pessoais sobre si mesmos. Negam a evidência científica que sugere fortemente que a homossexualidade é
um traço biologicamente determinado, não uma escolha de estilo de vida. Negam a posição da Associação
Psiquiátrica Americana que parou de classificar a homossexualidade como uma doença em 1973. Escolhem
acreditar que os homossexuais são tão mentalmente desequilibrados, ou depravados, que deveriam mais
propriamente ser açoitados, torturados e assassinados do que desistir deste “comportamento escolhido”.
Defendem o ponto de vista equivocado de que a homossexualidade não é observada em nenhuma espécie
animal à exceção do ser humano. Essa afirmação é evidentemente incorreta. Pesquisas mostraram que a
atividade homossexual foi de fato demonstrada em mamíferos, peixes e pássaros.

É importante anotar que a Enciclopédia Bíblica Padrão Internacional em seu artigo Natural/Natureza
(The International Standard Bible Encyclopedia) afirma:
“... a palavra natureza está contaminada por conceitos não bíblicos a partir do pensamento grego em diante,
especialmente conceitos carentes da confissão bíblica fundamental de D’us como Criador. A ambigüidade do
termo (por quaisquer razões) admite um espectro de uso que varia do abstrato e universal à subjetiva e
sensata vida de uma pessoa.... O relacionamento natural entre os sexos está estabelecido na ordem regular
da natureza (Romanos 1,26). Os pagãos são culpados pela violação desta physis (isto é, natureza)."
Novamente encontramos esta referência à idolatria como sendo o que é “contra a natureza”, e a condenação
indicada em Romanos 1.26-27.

HOMOSSEXUALIDADE E A BÍBLIA – PARTE 7

CORÍNTIOS
1Coríntios 6,9–10:
“Não sabeis que o ímpio não herdará o Reino de D’us? Não vos iludais. Nenhum destes herdará o Reino de
D’us: o imoral, os idólatras, os adúlteros, malakoi, arsenokoitai, os ladrões, o ganancioso, os bêbados, os
caluniadores nem os extorsionários herdarão o Reino de D’us”.
Paulo apresenta ao leitor uma lista daqueles que ele declara que não herdarão o Reino de D’us. A palavra no
grego original parafraseada por ímpio é akidos e significa iníquo; por extensão, mau; por implicação,
traiçoeiro; especialmente bruto: iníquo, pecaminoso.
Há duas palavras que certamente chamarão sua atenção de imediato: malakoi e arsenokoitai. Você não
encontrará essas palavras em nenhuma tradução; você encontrará, no entanto, várias palavras e frases. O
que eu mostrei acima são as palavras na língua original. A verdade é que ninguém sabe realmente com
certeza o que as palavras significam, e, conseqüentemente, nem o que Paulo quis dizer realmente.
Comparando as palavras em diferentes traduções, você notará grandes variações em como estas palavras
são definidas:
• Rei James: “nem afeminados nem abusadores de si mesmos com a humanidade”;
• Nova Rei James: “nem homossexuais, nem sodomitas”;
• Bíblia de Jerusalém: “nem os depravados, nem as pessoas de costumes infames”;
• Revisada Padrão (apenas uma palavra): “homossexuais”;
• Nova Internacional: “prostitutos masculinos; nem ofensores homossexuais”;
• Contemporânea Inglesa: ”nem o que se comporta como um homossexual”;
• Novo Testamento Inclusivo: “prostitutas e pederastas”;
• Oxford Comentada: “prostitutos masculinos, sodomitas”;
• Nova Versão Internacional (Edição 2002): “Nem homossexuais ativos e passivos”;
• Editora Ave Maria: “nem os efeminados, nem os devassos”;
• Sociedade Bíblica do Brasil (Edição 1969): “nem efeminados, nem sodomitas”;
• Sociedades Bíblicas Unidas: “nem adúlteros, nem efeminados (sic)”;
• Tradução Ecumênica da Bíblia: “nem os efeminados, nem os pederastas”;
• Reina Valera: “nem os efeminados, nem os que deitam com homens”.
É muito interessante que a Bíblia Contemporânea Inglesa usa a frase comporta-se como um homossexual.
Se a censura é contra alguém que "comporta-se" como um homossexual, então, os escritores desta
tradução, acreditam que as palavras não se referem, nem se aplicam, aos homossexuais; mas, aos
heterossexuais que se comportam; leia-se: “engajam-se em comportamento homossexual”, como
homossexuais. Podia isto novamente ser uma referência ao templo de culto ou à prostituição em santuários?
Enquanto que a Nova Versão Internacional, Edição 2002, da editora Vida: “Nem homossexuais ativos e
passivos”; é, no mínimo, mal intencionada.
Por que uma tão larga gama de diferenças entre as traduções? As palavras são extremamente obscuras.
Malakoi (ou malekos) aparece somente quatro vezes no Novo Testamento. Em três vezes significa fino ou
macio, como quando Yaohushua Ha’Mashiach a usou para falar de João Batista em Mateus 11.8: "... Mas
que fostes ver? Um homem vestido em roupas finas (malekos)? Mas os que vestem roupas finas (malekos)
vivem nos palácios dos reis" (VBJ). A outra vez onde a palavra aparece é na versão de Lucas deste mesmo
discurso (7.25).
Enquanto que no Dicionário Strongs de Grego do Novo Testamento (Strongs Greek Dictionary of The New
Testament), nós lemos como segue: malakos = macio; isto é, roupas finas; figurativamente, um efeminado,
alguns dicionários gregos definem-na como significando moralmente fraco. Martinho Lutero traduziu-a como
fraco (em corpo, mente ou caráter).
No Dicionário Vine, de Palavras do Novo Testamento (Vine’s Dictionary of New Testaments Words), se você
procurar pela palavra macia, o livro mostra: Veja Efeminado. Lá você encontrará o original: malakos: macio,
macio ao toque, fino, é usado como (a) roupa fina; (b) metaforicamente, em um mau sentido, "efeminado",
não simplesmente de um macho que pratique formas de lascívia, mas das pessoas em geral que são
culpadas de apego aos pecados da carne, voluptuosos.
Observe a palavra efeminado(s) usada tanto na Bíblia de Jerusalém como indicado acima, bem como no
dicionário Strongs. Tom Horner, em seu livro Jônatas amou Davi (Jonathan Loved David), identificam
efeminados como: “... os homens extremamente efeminados que transformaram a homossexualidade em
uma profissão. Estes eram os efeminados, os prostitutos homossexuais da Grécia antiga, os assim
chamados “cães sagrados” dos santuários cananeus, e os eunucos seguidores da deusa Cibele... Em
algumas sociedades, tais como aquelas da antiga Frigia, os efeminados foram olhados com honra e respeito;
mas na sociedade hebraica, em todos os períodos que conhecemos, não o eram". Outra vez encontramos a
referência aos prostitutos de santuários, aqueles que se engajavam no sexo do mesmo gênero para o culto
de ídolos.
Horner continua: "Na Grécia clássica, também, homens efeminados geralmente eram menosprezados. Por
quê? Porque representavam o oposto exato do tipo heróico ou nobre de amor que era muito admirado da
época do Hércules legendário, que depois, na Roma imperial foi ligado eroticamente a dois homens (e
numerosas mulheres) do imperador Adriano. Este modelo heróico foi idealizado como o mais nobre, e em
alguns casos, romântico, tipo de amor. Em O Banquete, de Platão, é elogiado como a máxima expressão do
amor físico (e espiritual sinal de virtude). E, pelo contrário, sair com um efeminado era algo ordinário. Todo
homem poderia fazê-lo; e em algumas sociedades quase todo homem o fez uma vez ou outra. Além disso,
como o patriarcado aumentou seu domínio nas sociedades mediterrâneas orientais, o homem em que
faltavam traços viris, como a fêmea a quem ele tão proximamente se assemelhou, foi mais e mais
estigmatizado" (Páginas 22, 23).
A segunda palavra usada na passagem destacada, arsenokoitai (arsenokoites) é ainda mais obscura.
Aparece somente duas vezes no Novo Testamento, aqui e em 1 Timóteo 1,10. Esta palavra é tão obscura
que o dicionário Vine nem tenta defini-la. Em vez de uma definição, o dicionário dá as duas únicas
passagens onde à palavra aparece. O dicionário Strongs usa: “um sodomita: abusador (que perverte) a si
mesmo com a humanidade. Derivado de arsen = macho, homem, e kemai = mentir de forma contumaz”.
Rev. Robert Arthur, em seu livro Homossexualidade à Luz da Linguagem e Cultura Bíblicas (Homosexuality
in the Light of Biblical Language and Culture), falando de cultos pagãos, escreve:
Era extremamente comum, portanto, encontrar deuses e deusas que recebiam presentes de apreciação e de
adoração de seus adeptos sob a forma de atos sexuais. Para facilitar o oferecimento de tais presentes,
homens e mulheres eram ligados (a templos) para receber estes presentes e tornaram-se conhecidos como
prostitutos do templo (tanto homossexuais como heterossexuais). (...) A adoração da fertilidade deste tipo e
expressões similares continuaram por pelo menos nos primeiros 100 anos da era cristã, em lugares tais
como o templo de Diana em Éfeso. Na língua grega a palavra usada para os prostitutos do templo nestes
lugares da adoração pagã era arsenokoites. Não foi antes de por volta de 200-250 da era cristã que uma
homofobia marcante (...) começou a rastejar na Teologia. Por esta época, a adoração cultual do sexo
começou a morrer e a palavra usada por Paulo para descrever os prostitutos do templo estava começando a
tornar-se obsoleta. É importante observar que (...) ao tempo de Cristo a palavra de uso comum que
significava homossexualidade era homophilia. (...) Esta palavra foi usada na língua grega até bem depois da
época da morte de Paulo. Mas esta palavra nunca foi usada nas Escrituras.
Padre John McNeill, sacerdote jesuíta, em seu trabalho A igreja e o Homossexual (The Church and the
Homosexual), escrevem que o uso da palavra, no segundo século, na Apologia de Aristides, parece indicar
que significa um corruptor obsessivo de meninos. Do mesmo modo, o professor Robin Scroggs, do
Seminário Teológico de Chicago, em seu livro, Novo Testamento e Homossexualidade (New Testament and
Homosexuality), posiciona-se que ambas as palavras – malekos e arsenokoites – referem-se aos parceiros
ativos e passivos na prática grega da pederastia, a qual não deve de modo algum ser confundida com
homossexualidade. Pederastia é a molestação de crianças, pura e simplesmente. Um relacionamento
‘pederástico’ existe entre um amante, que é geralmente um homem maduro, e, o amado, um garoto jovem o
bastante, para ainda ser imberbe. O amante era sempre o parceiro ativo; o amado era solicitado a ser
passivo. Nem todo relacionamento era sexual em sua natureza, mas quase todos o eram. O amado não
devia ser sexualmente satisfeito, o que era prerrogativa exclusiva do amante apenas. Quando o amado
tornava-se velho o bastante para ter barba e por outro lado tornar-se mais viril, era trocado por uma pessoa
mais nova. A razão para isto era porque o ideal era um menino que se assemelhasse a uma mulher. Os
meninos deveriam depilar os pelos faciais, deixar seu cabelo crescer, alguns até usavam maquiagem. O
professor Scroggs sustenta que este menino era o malekos, e o adulto, o arsenokoites, referidos nesta
passagem da Escritura Sagrada.
Enquanto que a pederastia parece ser, equivocadamente, homossexual por natureza, a realidade é que as
pessoas engajadas nessa atividade eram, para a maioria das pessoas, heterossexuais. A pederastia era
considerada apropriada ao treinamento de um menino para a masculinidade. O relacionamento não era
permanente, durando somente o tempo em que o garoto mantinha sua aparência jovem. Não havia nenhuma
mutualidade, nenhuma satisfação ou prazer mútuo, e o garoto era desumanizado, usado pelo amante como
uma coisa, não como uma pessoa para amar e estimar. Por outro lado, o amado recebia regularmente
presentes do amante. O amado, por sua vez, freqüentemente tornava-se o amado de diversos amantes,
todos os mais lucrativos para ele, tornando-se, finalmente, um prostituto masculino, por tanto tempo quanto
sua beleza resistisse.
Pederastia, ainda que culturalmente aceita, era moralmente errada em muitos aspectos, como demonstrado
acima. Não pode de maneira alguma ser interpretada como uma descrição da homossexualidade, que é o
amor emocional, espiritual, romântico, afetivo, de dedicação mútua, e sexual, entre parceiros mútuos do
mesmo gênero.
A Nova Bíblia Comentada de Oxford, publicada em 2001 é considerada um dos comentários mais
autorizados de todas as Bíblias,; ela oferece a seguinte nota de rodapé para os versículos destacados:
Os termos gregos traduzidos como prostitutos masculinos e sodomitas, não se referem aos “homossexuais”,
como em inapropriadas traduções mais antigas; “masturbador”, “e prostitutos masculinos”, podem ser a
melhor tradução.

HOMOSSEXUALIDADE E A BÍBLIA - PARTE 8


SEM TREMER PERANTE D’US
Por Rabino Steve Greenberg
Primeiro Rabino Ortodoxo do mundo a revelar a sua homossexualidade, em 1999, o norte americano Steve
Greenberg lutou durante anos contra o conservadorismo exacerbado dos judeus ortodoxos, que são
radicalmente contra a homossexualidade, e repudiam a existência de Rabinos homossexuais. Após uma
busca incessante por respostas na Tora, Bíblia dos judeus; ele decidiu assumir a sua homossexualidade e
fez disso uma vocação. Hoje Greenberg vive em Nova Iorque com um companheiro, ortodoxo também, e é
respeitado na Sinagoga que freqüenta. Também leciona no Center for Learning and Leadership para judeus,
e é autor do livro Wrestling With God and Men (Lutando com D’us e Homens). O Rabino ganhou notoriedade
mundial ao mostrar a sua história no documentário Trembling Before God (Tremendo Perante Deus/2002),
que aborda a fé e a homossexualidade na vida de homens e mulheres.
O filme relata a trajetória de dez judeus homossexuais, seis homens, e quatro mulheres; e a opinião de
Rabinos judeus a favor e contra a homossexualidade. No documentário, Greenberg é o único Rabino
Ortodoxo que não largou a ortodoxia por causa de sua orientação sexual. Nesta entrevista exclusiva para G
Magazine, ele nos fala de suas lutas, angústias e dilemas, em sua trajetória vitoriosa, para se aceitar, e ser
aceito, como um Rabino Ortodoxo Homossexual.

Desde que idade você suspeitou da sua orientação sexual?


Quando eu tinha 10 anos, sentia que era diferente dos outros. Com 11 anos, comecei a me sentir
“ameaçado” por grupos de garotos. Com 12, lembro que fiquei hipnotizado pelo filho adolescente, lindo, de
meus primos distantes. Senti uma excitação secreta quando meu pai me levou junto com ele ao Clube
Masculino do Centro Judaico. Eu sentia uma sensação assustadora e excitante ao mesmo tempo, ao ver
jovens andando sem roupa. Mais tarde, no início da adolescência, eu lembro de ficar excitado no vestiário do
colegial, na frente de um rapaz atlético, que cursava o terceiro colegial (eu estava no primeiro). Naquela
hora, eu percebi o movimento involuntário do meu corpo, mas eu não sabia o que era.

Como você lidou com a sua sexualidade nessa época?


Eu não tinha idéia do que significava ser homossexual. “Gay” e “homo” eram palavras reservadas para os
garotos que eram muito quietinhos e sem corpo atlético. Nenhum destes termos tinha a ver com atração
sexual. Não havia uma forma de explicar o meu estado físico, a sensação quente no meu rosto, ou o palpitar
no meu peito. Alguns anos depois, a chegada do furacão hormonal, deixou-me completamente atônito.
Minhas reações aos garotos, não eram uma resposta consciente, e, apesar das grandes expectativas, eu
também não tinha nenhuma reação física a garotas.

E como era sua vida espiritual e religiosa na adolescência?


Nesta época, eu já mantinha obediência aos preceitos religiosos ortodoxos, e a minha salvação foi o Negiah,
que é o preceito que me proibia de abraçar, beijar, e inclusive tocar garotas antes do casamento. Essa
restrição sexual, pré-nupcial religiosa, foi uma máscara perfeita, não somente para o mundo, como também
para mim mesmo. Era o álibi perfeito, para me afastar, das experiências sexuais e amorosas, típicas dos
adolescentes; e mais importante ainda, me impedir, de tomar conhecimento, de coisas a meu respeito,que
no fundo, eu já sabia.

Que tipo de conflitos você viveu até se conformar em ter uma atração homossexual?

Conforme o tempo passava, e a minha repressão sexual, ficava cada vez mais fraca, o contato com rapazes,
transformou-se numa frustração estranha, e não deu mais para negar os desejos que brotavam de dentro de
mim. Em certa ocasião, quando estava em Israel, eu fiquei tão desesperado, por perceber, que a minha
atração, por certo colega estudante, aumentava cada vez mais, que fui visitar um sábio, Rav Yosef Shalom
Eliashuv, que vive em uma das mais isoladas comunidades ortodoxas de direita em Jerusalém. Falando em
hebraico, eu disse a ele, o que na época, era a minha verdade: “Mestre, eu sinto atração tanto por homens,
quanto por mulheres. O que devo fazer?”. Ele respondeu, “Meu caro, você tem duas vezes o poder do amor.
Use-o com cuidado.” Eu fiquei perplexo, e como ele ficou em silêncio, perguntei: “E o que mais?”. Ele sorriu e
respondeu: “Isso é tudo. Não há mais nada a dizer.”
As palavras dele me acalmaram, permitindo que eu, temporariamente, esquecesse as terríveis tensões que
me atacavam. Claro, que eu não estava pedindo permissão para agir a partir dos meus sentimentos, e, ele,
também não estava permitindo isso. Mas, eu tinha que entender o que é que significava o meu desejo por
homens. Por suas palavras, eu compreendi que não era para eu encarar esse desejo com medo; mas, sim,
como a prova de que eu tinha um grande potencial para amar. O mais engraçado, é que eu até achei, que
essa minha característica, poderia me fazer um Rabino melhor; porque como bissexual, eu teria uma vida
emocional mais ampla, e mais rica; e, quem sabe, uma vida mais espiritual, mais profunda, e ainda me casar
e ter uma família.
Voltei de Israel para Nova Iorque em 1978, para terminar meus estudos e me casar. Com 22 de idade,
metades dos meus colegas estavam noivos; ou já casados, e, eu, estava entusiasmado para entrar nesse
grupo. Namorei mulheres nesse período, mas, confesso que não sabia exatamente o que deveria sentir.
Como eu estava me tornando um Rabino ortodoxo, elas sabiam que não podiam esperar nada sexual da
minha parte. Cheguei a “me apaixonar” umas três vezes; e em cada vez, cheguei à triste conclusão, de que
aquelas mulheres, não me atraíam o suficiente. O que mais poderia explicar o meu total desinteresse sexual
por elas?

E quando você teve certeza de que era homossexual?


Um novo amigo me convidou para jantar, e o assunto “homossexualidade” veio à tona. Ele me perguntou
diretamente, se eu, alguma vez, já havia sentido desejo por homem. De alguma forma, ele “sacou” a minha
situação. Surpreso, balancei a cabeça; sim, já havia sentido. Fiquei remoendo essa conversa na volta para
casa de trem, quando olhei para o outro lado da cabine, e vi um jovem muito bonito olhando para mim.
Naquele momento, eu me deixei sentir a reação física que eu nunca tinha me permitido antes. E o mundo
despencou na minha cabeça, eu quase desmaiei, e teria caído se não tivesse me segurado bem. Desviei
meu olhar do jovem para poder recuperar o fôlego. Depois de um mês, os sentimentos que eu já tinha
liberado tomaram seu curso, e eu comecei a minha primeira relação homossexual, com aquele novo amigo
que me fez “sair do armário”.

E você aceitou ser homossexual?


Os sonhos de uma vida não se esquecem assim, com essa facilidade. Apesar da descoberta dramática, eu
não conseguia ainda desistir da esperança de casar, e ter uma família. Portanto, durante os cinco anos
seguintes, ao mesmo tempo, em que mantinha o meu primeiro relacionamento com um homem, tentava
desesperadamente namorar mulheres, numa tentativa louca de me casar. Um dia, uma mulher
extremamente amorosa e religiosa, disse que, se eu pedisse, ela aceitaria. Da noite para o dia, decidi fechar
os olhos, e me jogar de cabeça. Comprei uma garrafa de um vinho bem caro, e, no meio do Central Park, em
uma carruagem, sob um céu enluarado numa noite de abril, propus casamento; e ela, que eu mal conhecia,
aceitou. Depois, pegamos o telefone e ligamos excitados, para toda a família e amigos; fizemos um brinde à
nossa futura vida juntos, dissemos boa noite e cada um foi dormir na sua casa, castamente. Mais um mês, e
tudo caiu sobre o peso da verdade: eu simplesmente não queria me casar com ela. O absurdo da esperança
às vezes vai além do exagero. Mesmo depois deste episódio humilhante, eu ainda estava determinado a me
casar. Continuei a namorar mulheres, e fiquei ainda duas vezes metido em relacionamentos muito sérios,
mas fui incapaz de me comprometer. Na última vez, decidi ser honesto com a jovem sobre minha luta.
Enquanto essa minha abertura ajudou a construir uma confiança e uma intimidade bem mais profunda do
que eu já tinha conquistado antes, a ausência de um desejo mútuo foi impossível de suportar. Enfim,
somente depois de muitos anos de uma negação persistente, e me debatendo sem parar contra a dura
verdade, é que fui capaz de aceitar, que eu realmente era um homossexual.

No que a sua orientação sexual se chocava com os princípios religiosos do


judaísmo?
Para a maioria dos judeus ortodoxos, o fato de ser homossexual, rompe de uma vez por todas, com a sua
identificação com a Ortodoxia. Ser um Rabino Ortodoxo, fez com que essa opção fosse muito mais difícil
para mim, mas eu, não queria ser um Rabino Liberal. Eu havia me tornado ortodoxo na adolescência por
razões que, apesar do meu conflito particular, ainda eram válidas. Independente da mistura que havia de
covardia, arrogância, teimosia ou fé, eu simplesmente não agüentaria largar tudo. Entretanto, se eu não ia
largar o mundo ortodoxo que eu amava, teria que explicar a minha escolha de ser ortodoxo e homossexual.
Será que era possível essa justaposição de vidas? Comecei a escrever a esse respeito, e no outono de
1993, a revista judaica Tikkun, concordou em publicar o meu artigo “Homossexualidade e D’us”, sob o
pseudônimo Yaakov Levado.

Em que momento, e por que razão você passou a aceitar a homossexualidade como
um dom de D’us?
Com a publicação do artigo na Tikkun, eu virei um endereço para pessoas ortodoxas homossexuais de
ambos os sexos, que procuravam apoio. Ao responder as cartas, meu mundo expandiu-se. Ao me abrir para
outras pessoas homossexuais, eu senti o início de uma comunidade e um senso crescente de
responsabilidade por ela. Eu sabia que teria que transformar os sentimentos expressos no meu artigo de
jornal, em um argumento muito mais sustentável, defendendo a inclusão de judeus homossexuais dentro da
comunidade ortodoxa.

A partir da sua aceitação, o que mudou na sua vida pessoal? E na sua relação com
D’us?
Por anos orei a D’us, pedindo que Ele afastasse o flagelo da perversidade para longe de mim. Por vezes,
senti que D’us era meu torturador. Quando comecei meu primeiro relacionamento homossexual, voltei a orar.
Eu fiquei entre celebração e culpa; ou seja, algumas manhãs, depois de ter passado a noite dormindo nos
braços do meu amante, eu nem conseguia me paramentar para as orações, de tanta culpa que sentia; outras
manhãs, eu me paramentava, e ia rezar com um enorme prazer, agradecendo a D’us por estar vivo, depois
de ficar tantos anos como um semimorto. Demorei muito para entender que “O D’us que me criou em
conformidade com a Sua vontade não ia me rejeitar depois”.

Quando e por que você pensou em fazer o outing?


Quando voltei a morar em Nova Iorque, depois de outra temporada em Israel, percebi, que acontecesse o
que fosse, eu não ia mais me sentir íntegro se continuasse no armário. Escrevi um artigo no jornal israelita
Maariv, na sexta-feira, cinco de março de 1999, com o título “Em nome da parceria”. Uma semana depois, o
seminário judeu Norte-Americano The Forward pegou a história do Maariv e publicou um artigo onde me
descreveu como o “O primeiro Rabino Ortodoxo homossexual do mundo”.

Qual foi a reação na comunidade judaica ao seu artigo?


Esperei por uma chuva de ataques verbais e escritos, mas para minha surpresa, nada disso aconteceu. Os
amigos deram um apoio maravilhoso e diversos colegas meus me ligaram para oferecer oração e
encorajamento, embora pedissem para não serem citados. E quem não concordou comigo, não ligou para
dizer nada. Na verdade, a minha revelação foi amplamente ignorada pela comunidade ortodoxa organizada.
O pior comentário escrito veio de um Rabino da Universidade Yeshiva. Ele me respondeu que um Rabino
Ortodoxo homossexual era uma coisa tão absurda e inconcebível como seria um Rabino Ortodoxo comer um
x-burguer no dia do Yom Kipur, que é o Dia da Expiação, quando os judeus fazem jejum absoluto o dia todo.
Ou seja, uma inobservância flagrante aos mandamentos. O mesmo jornal The Forward pediu que eu
respondesse ao comentário do Rabino. Eu escrevi que, enquanto o comprometimento às normas é um ponto
central para a definição da Ortodoxia, a comparação dele tinha sido absurda. A sexualidade humana não é
uma extravagância gastronômica, e a intimidade de uma vida não é um x-burguer. Ninguém se joga de uma
ponte por não poder comer um x-burguer. Ninguém entra em depressão clínica, ou se deixa submeter à
terapia de choques elétricos pelo amor de um x-burguer. O mal-entendido grosseiro que mais me chocou,
neste caso, foi colocar a expressão sexual humana como uma simples gratificação corporal, porque a
pessoa que fez a comparação entre sexualidade e x-burguer, além de Rabino, era também médico.

Qual a sua intenção, ao participar do documentário Trembling Before God


(http://www.tremblingbeforeg-d.com)?
Quando eu ainda estava em Israel, Sandi Simcha Dubowski (Diretor do documentário) me procurou. Decidi
que já era tempo de falar a verdade e eu sabia que era somente uma questão de tempo antes que eu ficasse
totalmente fora do armário. Nos Estados Unidos, o filme foi apresentado em sinagogas ortodoxas e, em
Israel, para mais de 1000 diretores, professores e conselheiros estudantis do sistema escolar religioso
nacional, que assistiram ao filme em pequenos grupos e discutiram sobre ele. O filme foi colocado na agenda
do Ministério da Educação de Israel. Recebemos alguns protestos, mas, pouquíssimos. Em Baltimore (EUA),
diversos Judeus Ortodoxos, e Cristãos Evangélicos, protestaram do lado de fora do cinema, onde o filme
estava em cartaz. O protesto foi coberto pela estação local de televisão, e trouxe centenas de Judeus
Ortodoxos, curiosos, e a favor do filme nas sessões seguintes.

Como você avalia a ação desse documentário junto aos judeus em conflito com a
sua orientação homossexual?
Para lidar com esse conflito, os Rabinos têm adotado amplamente a posição de muitos líderes religiosos
cristãos, de “Amar o pecador e odiar o pecado”. Quando alguém é incapaz de ser curado do flagelo do
desejo homossexual através de esforço espiritual, de força de vontade moral ou da terapia, o Rabinato
Ortodoxo, por vezes com um reconhecimento doloroso, ordena o celibato para toda a vida. Uma vez que o
caráter de uma pessoa é comumente moldado pela restrição do desejo pessoal em prol de objetivos
sublimes, nos é dito que a escolha é nossa: opte pela Ortodoxia e resista à expressão homossexual; ou opte
por ser homossexual e saia da comunidade. Mas eu recebo diariamente e-mails e cartas sobre o impacto
positivo que o filme teve nas vidas das pessoas. Famílias foram refeitas e jovens tiveram sua conexão ao
Judaísmo restaurada pela esperança que foi transmitida no filme. Para alguns judeus não-ortodoxos, o filme
aumentou sua raiva contra a ortodoxia, pela forma como trata os homossexuais. Entretanto, normalmente
ouvimos de Judeus Ortodoxos, que o filme foi espiritualmente comovente, e, que eles foram tocados pela fé,
e pela persistência de pessoas, que têm todas as razões para abandonarem as Comunidades Ortodoxas,
mas permanecem. Como eu.

HOMOSSEXUALIDADE E A BÍBLIA – PARTE 9

BOAS NOVAS PARA CRISTÃOS HOMOSSEXUAIS


Homossexuais enfrentam a discriminação devido às atitudes da sociedade. Infelizmente, essas atitudes, são
freqüentemente ensinadas pela Igreja. Ainda mais triste, é o fato de que, a Bíblia, é geralmente utilizada
como uma arma, para "linchar” homossexual. É importante lembrar, que tais atitudes causadoras de danos,
não refletem a postura de Cristo, e nem a forma como Ele deseja que seja a Igreja. Também não reflete, o
que a Bíblia verdadeiramente diz. Essas atitudes são coisas de seres humanos imperfeitos e corruptos.
Por fim, a fé pessoal em Cristo, não deveria depender de uma particular Igreja ou Clero; mas, ela deveria ser
solidamente apoiada em Yaohushua O Cristo. Somando-se ao ensinamento distorcido e tendencioso de
alguns Padres e Pastores, a Escritura apresenta-se algumas vezes, como um grande obstáculo para
pessoas que são cristãs homossexuais.
Estudos mais elaborados revelam que a Bíblia realmente possui boas novas para os homossexuais. A Bíblia
não diz o que você pensa que ela diz, sobre os homossexuais.

ENTENDA A BÍBLIA DE UMA NOVA MANEIRA


Existem duas coisas importantes que você precisa ter em mente quando for ler a bíblia.
Primeiro: Você deve sempre considerar o contexto, para entender qualquer escrito que seja; uma carta, um
discurso, ou a Bíblia; é necessário, entender o seu cenário. Pense sobre quem está falando; para quem está
sendo endereçada a fala; o porquê foi escrito; como era a cultura na época. No caso das Sagradas
Escrituras, o contexto social e cultural dos tempos bíblicos, eram muito diferentes do nosso contexto atual.
Por exemplo; quando D’us ordena para a humanidade "crescer e multiplicar", lembre-se, de que, não havia a
superpopulação dos dias de hoje.
Segundo: A Bíblia começou com uma tradição oral, e, posteriormente, foi transcrita em línguas antigas,
(basicamente o hebraico no Velho Testamento e o grego no Novo Testamento) durante vários séculos. Ela
foi copiada, e, recopilada nas línguas originais; e, depois traduzida em outras línguas. Qualquer pessoa que
fala ou lê em mais de uma língua, sabe que traduzir requer interpretação e julgamento pessoal. Mesmo com
as melhores intenções, tradutores e copistas podem cometer erros.

A LEI DO AMOR
Qual é a mensagem fundamental da Bíblia, e do Evangelho de Yaohushua Ha’Mashiach? Como cristãos,
nós acreditamos, que a escritura hebraica é a revelação inspirada dos compromissos de D’us para com o
seu povo. Também se constitui em um importante estudo da história hebraica. Acima de tudo, é parte da
continuação de uma história e uma promessa de redenção. Além disso, como cristãos, nossa lei é a de
Cristo, e essa lei, é a lei do amor. Seu fundamento é o mandamento "ame a D’us, e ao próximo como a si
mesmo".
Nem Yaohushua Ha’Mashiach, nem Paulo, nem ninguém mais do Novo Testamento, diz que os cristãos
estão presos às regras de ordenanças da Lei de Moisés. Paulo ensinou claramente que os cristãos não
estão mais sob a Lei de ordenanças e sacrifícios do Velho Testamento (Gálatas. 3.23-25). Ensinou também,
que a velha lei, é complementada em Cristo (Romanos 10.4), e que sua realização se cumpre no amor
(Romanos 13.8-10; Gálatas 5.14).
Yaohushua Ha’Mashiach, verdadeiramente lidou, com a sexualidade humana, de uma maneira aberta e com
aceitação. Por um lado, ele afirmou as virtudes do casamento; mas por outro, também declarou que o
casamento não é para todas as pessoas (Mateus 19.3-12). Por fim, a Bíblia não possui registrada nenhuma
palavra falada por Yaohushua Ha’Mashiach condenando a homossexualidade.

YAOHUSHUA HA’MASHIACH VEIO PARA TODOS


A Bíblia tem muito para nos dizer, mas nós devemos ouvir e aprender, o que ela verdadeiramente nos diz; e,
não o que alguém nos diz que ela diz; ou seja, as pessoas que a traduziram, e as pessoas que a
interpretaram. Pessoas são capazes de cometer erros, e construir doutrinas, que a Bíblia não ensina, mas
que são aceitas por outros.
Podemos verdadeiramente acreditar, que um Cristo que pregou o amor, viveu o amor (com mulheres,
estrangeiros, pecadores e marginais), que deu a sua vida na cruz para mostrar o amor de D’us para com
todos, pudesse excluir os homossexuais? Podemos acreditar que Ele, que reconhece a necessidade
humana de amar e de expressar esse amor fisicamente, iria determinar que milhares de homossexuais
vivessem no celibato, negando as particularidades de cada um, suas necessidades naturais e condenando-
os à infelicidade? Certamente o Cristo de amor jamais faria tal coisa!
Yaohushua Ha’Mashiach morreu pelas nossas falhas, não pela nossa sexualidade. Yaohushua Ha’Mashiach
nos libertou, para vivermos uma nova vida de amor em D’us. Tanto o amor heterossexual, quanto o
homossexual, não são pecados por si só. O ato sexual torna-se uma falha ética, quando abusa, ou violenta a
outra pessoa. A relação entre dois homens ou duas mulheres pode ser uma relação de amor tanto quanto a
relação entre um homem e uma mulher. Cristo morreu pelas falhas de indivíduos heterossexuais e
homossexuais. Portanto, todos podem livremente vir para a Comunidade Cristã, e ainda preservar a
autenticidade de sua expressão sexual.

HOMOSSEXUALIDADE E A BÍBLIA - PARTE 10


O PAPEL DO HOMOSSEXUALISMO NO JUDAÍSMO
Um argumento para não aceitação, de homossexuais judeus, e judias, em posições de liderança, em
congregações controladoras, é, possivelmente, a questão mais delicada, que os controladores enfrentam; ou
seja, em que extensão, judeus abertamente homossexuais, podem participar em suas comunidades. O
chavão usado para rejeitar Rabinos homossexuais, cantores e educadores, é que a homossexualidade
deles, faz com que não se adeqüem a ser modelos de comportamento para suas congregações. Rabinos
ortodoxos e restritivos baseiam suas decisões contra a homossexualidade em um número de argumentos
tradicionais: é "contra a natureza"; destrói a estrutura familiar; desperdiça a semente própria (hash'chatat
zera l'vatalah); desvaloriza o mitzvah da procriação (pru v'urvu); e alguns, chegam a chamar a
homossexualidade de doença. No âmago de todos os argumentos, no entanto, surge a proibição d'oreitah
(Torah) que precisa ser entendida antes de se criticar as interpretações que os Rabinos modernos fazem
dela.

LEVÍTICO 18:22 : "É uma abominação para um homem se deitar tanto com um homem como com uma
mulher."

Desde os tempos do Talmud, numerosas tentativas têm sido feitas pelos Rabinos para explicar esta
passagem. A palavra to'evah é por si só problemática, e quase todos os estudiosos concordariam que a
tradução por "abominável" é imprecisa e inapropriada. Bar-Kapparah a interpretou para que se lesse "to'eh
atah ba" Ð literalmente, "você está se desestruturando devido a isso" Ð e não que o ato em si é
intrinsecamente (Nedarim 51a). Uma vez que a declaração de Bar-Kapparah é em si pouco clara, algumas
tentativas têm sido feitas de explicá-la. De acordo com o Pesikta (Zatarta) e Sefer Há’Chinukh (209), mishkav
zakhur (intercurso com outro homem) não é passível de resultar em procriação. Uma vez que o judaísmo
tradicional vê pru v'urvu como a única motivação aceitável para relações sexuais (Será?? Vamos discutir isso
mais tarde), atos homossexuais claramente violam este mitzvah enfático. O Tosafot e Rabino Asher Ben
Yechiel (em seus comentários ao Nedarim 51a) aplicam este "se desestruturando" para significar que a
busca por atos homossexuais farão com que um homem abandone sua família. Outra possível explicação,
dada pelo Rabino Baruch Ha’Levi Epstein (in Torah T'mimah to Lv 18.22) é que, a homossexualidade em si é
anti-natural: "Você estará se desestruturando das bases da Criação." Enquanto Norman Lamm, outro Rabino
ortodoxo da época atual, defende ser desnecessário explicar o texto, de fato ele dá sua própria explicação:
"Talvez justamente pelo fato de permitir uma interpretação múltipla, queira significar um significado muito
mais fundamental da to'evah, que um ato caracterizado como "abominável" à primeira vista possa ser visto
como repulsivo e não possa ser definido ou explicado" (204). Este argumento, no entanto, é
surpreendentemente frágil, especialmente para um estudioso da Torah. O conservador Rabino Gordon
Tucker questiona essa colocação: "No Rabinato clássico judaico, nunca usamos “a Torah claramente diz”
como argumento inquestionável, final e decisivo.” (41) De fato, se aceitarmos o raciocínio do Rabino Lamm
como base para decisões, os violadores do Shabbat seriam apedrejados até a morte e pais poderiam
espancar filhos mal comportados.
Todas essas interpretações se esquecem de olhar o contexto bíblico no qual a palavra to'evah é usada.
Numerosas fontes contemporâneas têm deduzido de todos os seus usos na Torah "que to'evah é na verdade
um termo técnico usado para referenciar atos proibidos de idolatria. A partir dessa informação, podemos
concluir que as referências do Levítico são específicas para práticas rituais da homossexualidade, e não para
relações sexuais como as conhecemos hoje." (Alpert 68) O Rabino Alpert aponta para a segunda proibição
contra a homossexualidade, em Deuteronômio 23.18, que se refere especificamente a templos de
prostituição masculina. Mesmo o Rabino Lamm concorda com esse esclarecimento: "Estudiosos identificam
que o kadesh imposto na Torah como prostituto masculino para rituais." (201).
Sob a ótica da variedade de interpretações mostradas acima, como estudiosos halachic não podemos
unicamente confiar nas declarações contidas na Torah para fazer uma regra, especialmente se vemos essas
passagens específicas fazendo referência a atos inteiramente diferentes daqueles proibidos por Rabinos
através dos tempos. Logo, devemos abordar cada um desses argumentos específicos, usados pelos
Rabinos, e examinar sua aplicação em nossa situação atual.

VIDA FAMILIAR E SEXUALIDADE


Quando Rabinos tradicionais falam da proibição da Torah contra homossexualidade, invariavelmente
argumentam que a mesma destrói a estrutura familiar. De fato, o judaísmo sobreviveu por 4.000 anos devido
à forte ênfase dada à família e seu papel na preservação da tradição. Sa'adiah Gaon defende que a base
racional para a maior parte da legislação moral da Torah é a preservação da estrutura familiar. (Emunot
v'Da'ot 3:1, Yoma 9a) O Rabino Chefe da Efrat Shlomo Riskin acrescenta dizendo "as sensações de prazer
mais significativas e duradouras (nachat) derivam de filhos e netos, do senso de continuidade e imortalidade
que gerações sucessivas trazem. Não é assim com homossexualidade. Ela rompe a continuidade cultural,
mergulhando na lama a verdadeira auto-transcendencência."
O Rabino Riskin, e muitos Rabinos tradicionalistas evitam reconhecer algo sobre o argumentam que usam Ð
sua maior prerrogativa é falsa. O fato que "há judeus que se importa com o fato de serem judeus... que se
identificam com valores judaicos, mas que se sentem atraídos por pessoas do mesmo sexo" (Gordon 42)
prova que está errado, como o faria uma visita a Congregação Beth Simchat Torah em New York City, ou
Sha'ar Zahav em San Francisco, ou qualquer das outras 30 sinagogas homossexuais, na América do Norte,
onde se pode ver numerosos casais homossexuais, COM SEUS FILHOS, todos, inclusive enfocados na
preservação, e continuação da tradição e fé judaicas. Além disso, se a continuidade judaica é a razão para
tal condenação da homossexualidade, há muito mais heterossexuais judeus condenados por não fazer com
que seus filhos cresçam em tradições judaicas.
Isso nos traz de volta para a questão da procriação Ð pru v'urvu. Se seguirmos estritamente a interpretação
de seu mitzvah, obviamente um casal do mesmo sexo não pode preenchê-la. Ou pode? Inseminação
artificial, barriga-de-aluguel, e mesmo arranjos de co-paternidade oferecem opções para homossexuais se
livrarem de suas obrigações halachic do pru v'urvu.
Outra opção para casais de homossexuais constituírem famílias judaicas, é a adoção. Reconhecida, de
acordo com interpretação estrita halachic, a adoção não preenche o mitzvah do pru v'urvu. Referenciando
novamente as palavras do Rabino Riskin, "Para humanos, a relação sexual não é só biológica, é um passo
muito mais profundo na direção da participação própria na eternidade através da transcendência," vemos
que conexões entre sexo, biologia, e relações familiares não estão claramente delineados como
pensávamos. Se a continuidade judaica é tão importante para nós, deveria importar quem é o pai biológico
de uma criança, desde que ela cresça em observância judaica? Garantido, claro que a criança preencha a
definição halachic de um judeu.
O próximo passo a abordar é o desperdício da própria semente. Ð hash'chatat zera l'vatalah. Se, de fato, o
único propósito da ejaculação fosse à concepção, não poderia haver argumentos aqui. Mas é? Tendo já
contestado que pru v'urvu não precisa ser cumprido literalmente para atingir o mitzvah de formar uma família
judia, explicações biológicas para intercurso sexual se tornam secundárias para razões espirituais ou morais
para santificar relações sexuais. Observe o caso de um homem cuja mulher não pode conceber (Ex: é
estéril, ou está na menopausa, fez esterilização, etc.). De acordo com o halachah, o marido pode, mas não
necessariamente precisa, se divorciar da esposa. Por que então, o desperdício da própria semente não é
mais um problema? O Rabino Mordechai Silverstein explica que "até que estejamos falando sobre relações
sexuais ‘normativas', um marido tem a obrigação (onah) de satisfazer as necessidades conjugais de sua
esposa." Se a proibição de desperdício da própria semente é tão severa, como poderia ser superada pela
esposa que "tem direito a ter sexo?". Ou o desperdício da semente não é realmente muito importante ou há
elementos no matrimônio que "transcendem a biologia" (de volta as palavras do Rabino Riskin). Talvez o
matrimônio seja na verdade uma ligação legal e espiritual entre duas pessoas que se propõem a manterem
juntas uma família judia e (de novo), talvez a biologia seja secundária para essa união?

A HOMOSSEXUALIDADE É NATURAL, OU É UMA DOENÇA?


Em 1969, os Institutos Nacionais para Doenças Mentais e a Associação Psiquiátrica Americana declararam
que a homossexualidade não é uma doença Ðpsicológica ou de outra espécie Ð e não deveria ser tratada
como tal. Mesmo o Rabino Lamm reconhece esse marco (198), mas, mais tarde, o ignora, quando continua,
com seu argumento, que homossexualidade é na verdade uma doença. Isto causa maior desconforto, uma
vez que poskim leva descobertas médicas em consideração quando formam seu t'shuvot. Uma vez que o
conhecimento dos assuntos da viabilidade e fisiologia médica aumentou, o halachah tem sido modificado
para acompanhar isso. Um Rabino continuar a chamar a homossexualidade de doença, não é só
repugnante, mas, halachicamente, irresponsável.
Já no tocante a homossexualidade ser antinatural, numerosos estudos descobriram que a homossexualidade
ocorre na natureza entre todas as espécies de mamíferos, bem como, na maior parte das outras espécies do
reino animal. Muitas pessoas, incluindo alguns renomados cientistas, incorretamente assumem, que a
heterossexualidade é instintiva: "Entre animais, a sexualidade despertada tentará copular com o parceiro
mais próximo. Isso indica a ausência de qualquer 'instinto heterossexual' e sugere que o que é de fato inato,
é uma força indiferente em direção à liberação da tensão sexual (Churchill 61) Logo, essa descoberta
estabelece a "normalidade" de atos homossexuais, mas em 1948, estudos com porpoises que exibiam
comportamento homossexual levam esse conceito ainda mais fundo, para mostrar a ocorrência na natureza
da preferência homossexual e talvez até identidade: “McBride e Hebb observaram que porpoises macho
repetidamente tentavam iniciar contatos sexuais com membros do mesmo sexo”. Mesmo em casos quando
porpoises machos tinham sido cortejados por uma fêmea receptiva; eles, podem evitá-la, preferindo outro
macho. Esta é uma clara evidência que uma preferência definitiva por um parceiro sexual semelhante, pode
espontaneamente ocorrer entre mamíferos" (Churchill 62). O estudo, ainda documenta casos, onde
porpoises macho, inclusive tiveram "relações monogâmicas" com outros machos! Qualquer argumento
baseado na anti-naturalidade da homossexualidade claramente não considerou nenhuma dessas
ocorrências naturais.

HOMOSSEXUAIS COMO MODELOS DE COMPORTAMENTO


Após toda essa discussão sobre a natureza da homossexualidade e seu lugar no Judaísmo, chegamos ao
centro do debate: Possa o judeu abertamente servir como modelo na liderança de suas congregações? O
argumento usual contra isso é "homossexuais não valorizam a estrutura familiar e a tradição Judaica."
Obviamente, alguém que seja dedicado o suficiente e aprendeu o suficiente para ser um Rabino, cantor ou
educador está compromissado com a fé e tradições Judaicas! No tocante à valorização de valores familiares,
se espera que neste ponto esteja claro o bastante que judeus homossexuais valorizam a família da mesma
forma que judeus heterossexuais; qualquer rabino solteiro é igualmente "incompleto" como modelo como um
rabino homossexual sem um parceiro. De certa forma, Rabinos homossexuais podem até servir como melhor
modelo, pois sabem muito bem como é sentir-se perseguido, como superar adversidade, e como viver em
um mundo onde se tenha que esconder sua própria identidade. Eles podem inclusive mostrar a adolescentes
que questionem sua sexualidade que não estão sozinhos e que o Judaísmo não rejeita a homossexualidade
ou os homossexuais. Não seria maravilhoso ver que judeus jovens e homossexuais permaneceriam
comprometidos com o judaísmo se sentissem que seriam bem-vindos em suas comunidades?

ARGUMENTOS FINAIS
Por que o Judaísmo lida com a questão da homossexualidade? Não é claro o que diz a Torah? "A existência
do debate entre judeus halachicamente comprometidos," responde o Rabino Tucker, "dá testemunho
eloqüente que este assunto que não está claro pelo texto... Sim, está claro que Levítico18. 22 deveria ser
superado; um argumento nesse sentido não está ainda totalmente pronto, mas está começando a surgir."
(43) Se de fato este for o caso, outras barreiras duvidosas não deveriam ser colocadas no caminho dos
homossexuais que gostariam de servir suas comunidades. É hora de ver que não é mais justo nem
justificável halachicamente impedir homossexuais de serem modelos construtivos para jovens judeus e
reconhecer o grande potencial com o qual podem contribuir para tikkun olam como líderes da comunidade
judaica.

NOTA: A palavra lésbica vem da ilha de Lesbos, na Grécia, onde vivia uma poetisa e sacerdotisa chamada
Safo. Ela iniciava mulheres no homossexualismo; daí, o adjetivo lésbica, ou mulher sáfica. As palavras
sodomitas e efeminados, usadas em 1 Co 6.9, têm significados distintos: sodomita vem do pecado de
Sodoma, e tornou-se sinônimo universal de homossexualismo ativo, quando o homossexual faz o papel de
“marido” na relação com outro homem; e, efeminado, é quando o homossexual faz o papel de passivo, ou
seja, o de “mulher” na relação sexual com outro homem; e, também, quando tem trejeitos femininos, ou
gosta de vestir-se com roupas de mulher, como no caso, os travestis.

HOMOSSEXUALIDADE E A BÍBLIA - PARTE 11


UNIÃO ESTÁVEL DE HOMOSSEXUAL - MEAÇÃO DE BENSEVOLUÇÃO
HISTÓRICA DA UNIÃO HOMOSSEXUAL O TRIBUNAL DE JUSTIÇA
CONCEDE USUFRUTO DE PATRIMÔNIO
A 8ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul considerou a união homossexual como união
estável, por dois votos a um. O Tribunal de Justiça Gaúcho concedeu usufruto de 25% dos bens. Todas as
uniões afetivas entre seres humanos antecedem ao Direito, à Igreja, aos Costumes, à Escrita, à Sociedade e
a todos os institutos criados com a convivência em grupo. Se pensarmos onde tudo começou, iremos nos
deparar com várias teorias do aparecimento da humanidade, mas neste trabalho vamos observar sob um
único prisma, aquele tão somente histórico, que inicia com a Antiga Idade da Pedra. Na época do Paleolítico
Inferior, há mais ou menos 500.000 a.C. as relações certamente eram estabelecidas pelo instinto, de modo
que o primeiro macho e a primeira fêmea que se tem notícia procriaram e deram origem à humanidade. Não
havia costume, direito, regras de conduta, interesses, religião, apenas dois seres, como dois animais, que
diante da volúpia carnal geravam filhos e conseqüentemente nascia a família; o primeiro núcleo da
sociedade. Devemos considerar então que se as relações não sofriam nenhuma influência, a não ser as que
já eram inatas ao ser humano, como o instinto, podemos então conceber que um dos frutos da pirâmide
social, gerada pelos povos primitivos, pudesse ter a identidade sexual influenciada por genes, ou ainda pelos
hormônios. Segundo publicação feita na revista “Molecular Brain Research”, por cientistas americanos, as
diferenças do desenvolvimento do cérebro e do comportamento nos sexos feminino e masculino estariam
ligadas à ação de alguns genes e não somente a hormônios, como se acreditava até a data desta
publicação; bem como, há estudos, que demonstram que a homossexualidade se dá em toda a escala
filogenética e de maneira freqüente entre mamíferos. Diante destes estudos, é possível afirmarmos que o
homossexualismo não é opção, mas sim uma determinação genética ou hormonal. Com base nas
considerações expostas acima podemos ponderar a possibilidade de haver relações homossexuais na
gênese humana. Mas, embora estas relações antecedam ao Direito, à Igreja e a outras entidades como cito
no início deste trabalho, essas nunca foram propriamente consideradas ou até reguladas como deveriam,
isto é, ora os homossexuais eram abominados, ora eram desprezados. Entretanto houve épocas em que a
prática homossexual era admitida, como em alguns povos da antiguidade, como na China imperial e na
Grécia clássica. Contudo as relações homossexuais nunca foram respeitadas como as heterossexuais, ao
contrário destas, sempre foram condenadas como patologias ou perversões, permanecendo no transcorrer
da história à margem da sociedade. Em toda a história vemos muito preconceito por parte da Igreja, a qual
deveria disseminar o amor, entretanto por inúmeras vezes somente propagou o ódio. Este preconceito não
foi privilégio só dos homossexuais, mas também das concubinas, pois vemos que na Idade Média a Igreja
Católica tolerou o concubinato como forma de constituição da família, desde que não tratasse de união
adulterina ou incestuosa, entretanto esta tolerância foi abolida com a condenação definitiva pelo Concílio de
Trento, em 1563. No Brasil o concubinato nunca foi crime, entretanto, foi desprezado por nossa legislação
por muito tempo, pois não era reconhecida a família fora do casamento. Contudo, a Constituição Federal de
1998 sabiamente reconheceu a união estável entre homem e mulher como entidade familiar, em seu artigo
226 § 3º, tendo posteriormente a matéria regulamentada pela Lei 8.971, de 29 de dezembro de 1994 e pela
Lei 9.278, de 10 de maio de 1996. Segundo Maria Berenice Dias, Desembargadora do TJ/RS: “O amor
começou a adquirir visibilidade perante o Direito e acabou ingressando no ordenamento jurídico, quando a
evolução dos costumes e a quebra dos tabus tornaram impossível ao Judiciário deixar de ver o afeto e
emprestar-lhe juridicidade. A princípio, as relações extra-matrimoniais eram tidas como vínculos
empregatícios: confundia-se amor com labor. Depois, foram identificadas como sociedade de fato o que nada
mais era do que uma sociedade de afeto.” Como se vê paulatinamente, os conceitos vão mudando e vamos
tornando a sociedade mais justa, pois passamos a escrever o direito com as mãos da sociedade. Todavia, o
legislador esqueceu que uma entidade familiar se constitui de duas ou mais pessoas de sexos distintos ou
iguais que convivem juntas por meio de laços afetivos, cooperando e se ajudando mutuamente, e em
conseqüência disso às relações homo afetivas precisam da tutela legal, assim como a união estável entre
homens e mulheres, passou a ter a proteção legal, sob pena de o Estado deixar de lado seus princípios
constitucionais mais importantes como à igualdade, a liberdade e a justiça. Embora saibamos que em pouco
tempo as relações entre pessoas do mesmo sexo serão regidas pela justiça, precisamos fazer o nosso papel
histórico, lutar pela igualdade até que possamos alcançá-la.
O patrimônio ao parceiro sobrevivente, considerou-se que ele não precisa provar que contribuiu para a
constituição do patrimônio do casal. Além disso, foi garantido o direito à divisão da metade dos bens
adquiridos. De acordo com os autos, T. M. ajuizou ação para buscar reconhecimento de existência de
sociedade de fato, direito à divisão dos bens adquiridos e direito ao usufruto sobre imóvel onde residia com
E. H. K. Os dois moravam em um apartamento em Porto Alegre. O relacionamento era de conhecimento dos
familiares. A união durou de 1988 a 1997, quando E. H. K morreu. Ele tinha Aids. Também portador de HIV,
T. M. pediu antecipação de tutela para permanecer morando no imóvel. Em primeira instância, o pedido foi
atendido. A família de E.H.K. recorreu ao Tribunal de Justiça Gaúcho. Alegou que T.M. não contribuiu para a
aquisição dos bens arrolados. Por isso, não haveria sociedade de fato e, conseqüentemente, a divisão dos
bens ou direito de usufruto. O revisor do processo no TJ-RS, desembargador Rui Portanova, rejeitou o
recurso da família. “Ora, as uniões não são proibidas por nenhuma lei”, disse. “Logo, são permitidas pelo
Direito”, acrescentou. Segundo o desembargador, “há um vazio legal, pois em todo o ordenamento nacional
não existe um direito objetivo que alvitre uma solução a ser tomada diante da ocorrência de tais uniões
quando postas em juízo”. Ele baseou o entendimento no artigo 126 do CPC. O artigo afirma que o juiz não se
exime de sentenciar ou despachar quando houver lacuna ou obscuridade da lei. Nesses casos, deve-se
recorrer à analogia, aos costumes e aos princípios gerais do Direito. Segundo Portanova, com a união
estável, por serem as semelhanças evidentes, “ambos são relações de afeto não-formalizadas, há a relação
de amor comum entre os parceiros e as agruras discriminações sofridas pelas famílias homossexuais,
também sentidas pelos amantes que hoje vivem em união estável”. Ele também invocou dispositivo da
Constituição Federal para embasar o seu voto. O desembargador José Ataídes Siqueira Trindade
acompanhou o voto do revisor. Ele disse que deve ser reconhecida a união estável, mesmo entre pessoas
do mesmo sexo, com todas as suas conseqüências. O relator, desembargador Alfredo Guilherme Englert, foi
voto vencido. Afirmou que o pedido formulado pelo autor era de reconhecimento de sociedade de fato e não
de união estável. Também afirmou que união estável, com direito aos bens e à herança, caracteriza-se pela
convivência duradoura e pública entre homem e mulher. Em um relacionamento homossexual há apenas
sociedade de fato, segundo o relator. Ainda cabe recurso no caso.

DISCUSSÃO DA VISÃO CONTEMPORÂNEA JURÍDICO-SOCIAL DO


TEMA
Atualmente, os homossexuais têm, cada vez mais, perquiridos seus direitos, ainda que estes não estejam
positivados dentro do nosso Ordenamento Jurídico. Pois a despeito de todo o preconceito que ainda há na
sociedade, existem Juizes que indubitavelmente percorrem o caminho mais digno e mais sensato dentro da
justiça, o da equidade. Nós cidadãos democratas não devemos esquecer que todos são iguais perante a lei
sem distinção de qualquer natureza, e é em virtude desta máxima constitucional que devemos ser mais
condescendentes com os seres humanos sem nos preocuparmos com orientação sexual. É preciso lembrar
que os direitos sobre os bens patrimoniais deve ser direito de todas as famílias, pois em vida queremos que
nossos entes queridos fiquem bem, possam se sustentar e viver em paz, mas quando não revelamos esta
intenção em vida tornamos a vida de quem amamos um pouco mais complicada, mormente a vida de casais
homossexuais, que não têm direito à meação do patrimônio de seu companheiro, contudo há tribunais, como
o tribunal gaúcho, do caso relatado acima, que consegue fazer justiça, simplesmente justiça. Enquanto a lei
não acompanhar a evolução dos usos e costumes, as mudanças de mentalidade, a evolução do conceito de
moralidade, ninguém, inclusive os aplicadores do direito, poderá, em nome de uma postura preconceituosa
ou discriminatória, fechar os olhos a essa nova realidade e tornar-se fonte de grandes injustiças. Não há que
se confundirem as questões jurídicas com as questões morais e religiosas. No dia 20 de novembro de 2003,
o Jornal Nacional anunciou que já é permitido o casamento entre homossexuais na cidade de Massachusetts
no EUA; Na data de 14 de outubro de 2003 o jornal O Dia publicou que o Ministério Público Federal, no ano
de 2000, conseguiu uma liminar na Justiça Federal determinando que o INSS equiparasse as relações
homossexuais às heterossexuais para fins previdenciários, e em 2001 houve nova decisão estipulando que
este benefício deve ser pago em todo território nacional, passando a constar tal decisão da Instrução
Normativa nº. 50 do INSS; Em 10 de outubro de 2003 o jornal O Globo noticiou o lançamento da Frente
Parlamentar Pela Livre Expressão Sexual, segundo a deputada Maria do Rosário, uma das idealizadoras do
projeto, o grupo formado por entidades de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais, deputados e
senadores tem por escopo propor ações que combatam a homofobia e apresentar e aprovar projetos de
interesse desses grupos; Em 10 de agosto de 2003, a juíza Tânia Heine, da Justiça Federal decidiu que o
INSS terá que pagar a um bancário aposentado do Rio de Janeiro pensão por morte de seu companheiro;
No dia 09 de agosto de 2003 o jornal O Dia publicou que foi nomeado como Bispo da Diocese Anglicana do
Estado de New Hampshire, Gene Robinson, um homossexual.Na data de 21 de maio de 2003, a revista Veja
publica a seguinte matéria: “A Capital Gay, com muita festa e um prefeito que saiu do armário, Berlim disputa
o turismo GLS.”Em 16 de janeiro de 2002, a revista Veja anuncia que em decisão inédita, a Justiça concede
a guarda do filho de Cássia Eller a sua companheira. Diante de alguns dos últimos acontecimentos, podemos
constatar que a sociedade está mudando e a justiça também, a cada dia que passa alguém no mundo
abandona seus velhos conceitos arraigados e torna-se livre e justo.

APRESENTAÇÃO DO POSICIONAMENTO PESSOAL E SUGESTÕES


SOBRE O TEMA
Em virtude dessas considerações, podemos observar que a sociedade, caminha a passos largos para uma
nova legislação, que complete as anteriores no que concerne às uniões entre seres humanos de um modo
geral. Podemos afirmar isto, visto que é sabido que a humanidade sempre questionou tudo de diferente que
viu diante de seus olhos, e que ponderou todas as questões, até que evoluísse e determinasse o que poderia
beneficiar ou não a coletividade; ou seja, precisamos mesmo de tempo, para tudo, esta é uma qualidade
inerente ao ser humano, tempo. Tempo para avaliar, para questionar, para entender, para experimentar e
para então fazer parte de nossas vidas como se um dia nunca tivesse sido impugnado. É indubitável que o
bem sempre se sobrepõe ao mal; e, é, por isso, que acreditamos que o melhor a ser feito neste momento de
pura ebulição, é continuarmos a considerar o tema, com absoluto respeito, e trabalharmos por construir uma
Constituição Federal, um Código Civil que assegurem os mesmos direitos, que asseguram às uniões
estáveis entre homens e mulheres; às mulheres e mulheres; e, aos homens e homens, e deste modo,
teremos alcançado mais uma conquista, a igualdade sem qualquer distinção.

CONCLUSÃO: Posta assim a questão, é de se dizer em conclusão, que este trabalho teve puramente o
intuito de ponderar que as relações afetivas entre seres humanos datam do início dos tempos, e que estas,
embora tenham só a forma heterossexual regulada por lei no Brasil, já começa a necessitar absolutamente
de legislação para regularizar a forma homossexual de relação afetiva. A sociedade já trata com mais
respeito do tema, os grupos sociais homo afetivos já não têm mais medo, organizam-se e já não querem
mais se esconder, já há uma luta formal por esta classe que mesmo discriminada, como as concubinas no
passado, vislumbra esperança em conquistar seus direitos.

HOMOSSEXUALIDADE E A BÍBLIA - PARTE 12


A CATEDRAL PARA HOMOSSEXUAIS

Igreja só para cristãos homossexuais vai erguer Mega-Templo nos Estados Unidos
Por: Eduardo Salgado.

O projeto da catedral e o arquiteto Johnson: 36 milhões de dólares.


A Catedral da Esperança tem uma história similar à de muitas igrejas evangélicas. Foi criada em 1970 por
um grupo de doze amigos no Estado do Texas, Estados Unidos. Nessas três décadas, conquistou novos
fiéis, comprou uma sede própria na cidade de Dallas e acaba de dar início à construção de um Mega-Templo
que custará 36 milhões de dólares, digno da denominação.
A diferença desta Igreja, é que os seus fiéis são homossexuais. Com este novo templo, a Catedral da
Esperança vai tornar-se membro com o maior glamour entre as filiadas das Igrejas Comunitárias
Metropolitanas (MCC, na sigla em inglês), Movimento Evangélico que reúne 300 congregações
homossexuais, com 40.000 fiéis espalhados por dezoito países. O projeto da sede da Catedral da Esperança
foi entregue ao badalado arquiteto Philip Johnson, também homossexual. Com uma torre de 34 metros de
altura, quase a mesma do Cristo Redentor, e capacidade para 2.200 pessoas sentadas, a catedral é uma
demonstração de força da religião entre os homossexuais dos Estados Unidos.
Na última década, os homossexuais americanos organizaram ONGs influentes, conquistaram o direito de
não ser discriminados no local de trabalho, e até ganharam papéis, quase sempre positivos, nas séries da
TV americana. O próprio Partido Republicano, do presidente George W. Bush tem uma ala de homossexuais
conservadores. A tolerância é menor no meio religioso. A Igreja Católica aceita fiéis homossexuais, mas
exige deles abstinência sexual. Muitas denominações pentecostais os consideram pecadores sem chance de
redenção. É natural, que homossexuais educados em famílias religiosas, não vejam nenhuma contradição
entre a sua sexualidade e o exercício da fé; são eles que enchem os templos das igrejas da MCC. "O motor
do nosso crescimento é a intolerância que homossexuais enfrentam nas Igrejas Tradicionais", disse á revista
VEJA, brasileira, Jim Birkitt, diretor da MCC.
As congregações homossexuais surgiram na Califórnia em meio à onda dos hippies, nos anos 60. Expulso
da Igreja Batista em 1968 por ser homossexual, o Reverendo Troy Perry, primeiro tentou o suicídio. Depois,
fundou a própria Igreja dedicada a homossexuais - a Igreja Comunitária Metropolitana de Los Angeles, a
precursora da MCC. Os seus cultos são um híbrido cristão. As missas são similares às católicas, os sermões
assemelham-se aos protestantes e os cânticos lembram os evangélicos. Uma diferença é a ênfase dada às
dificuldades de relacionamento entre os casais. "As igrejas alternativas são um dos poucos espaços em que
os homossexuais podem discutir abertamente as suas relações amorosas", explicou a VEJA, Michael Piazza,
Pastor da Catedral da Esperança.

HOMOSSEXUALIDADE E A BÍBLIA - PARTE 13


REVOLUÇÃO HOMOSSEXUAL
O poder de um mito.

"Sodoma quer dizer traição. Gomorra, rebelião”.


(Frei Felipe Moreira, 1645).
Nos últimos quatro mil anos, nas diferentes civilizações que serviram de matriz à cultura ocidental, a
homossexualidade foi rotulada por diversos nomes atrozes que refletem o alto grau de reprovação
associado a esta performance erótica: abominação; crime contra a natureza; pecado nefando; vício dos
bugres; abominável pecado de sodomia; velhacaria; desvio; doença, etc. (1). E os homossexuais, mais os
do sexo masculino, do que as do sexo feminino foram condenados a diferentes penas de morte:
apedrejados, segundo a Lei Judaica; decapitados, por ordem de Constantino em 342 d.C. Enforcados,
afogados ou queimados nas fogueiras da Inquisição, durante a Idade Média e até os tempos modernos (2);
queimados pelos nazistas nos campos de concentração (3). Ainda hoje homossexuais são torturados,
presos, humilhados, em certos países mais atrasados, só por sua opção sexual. Mesmo em Portugal, pais e
mães proclamam sem remorso: "prefiro um filho ladrão que maricas"; ou, "antes uma filha prostituta do que
lésbica" (5).
O objetivo deste texto é reconstituir a gênese e o significado da homofobia na nossa sociedade: através da
etno-histórias mostraremos que a nossa intolerância anti-homossexual tem as suas raízes na tradição
judaico-cristã, que desde cedo percebeu o caráter ameaçador, político e revolucionário da
homossexualidade; daí transformar o sexo e amor entre pessoas do mesmo gênero em crime abominável,
e, o mais detestável de todos os pecados. É perfeitamente possível, datar a origem, e explicar o background
de um dos mitos mais significativos da cultura ocidental, e que permanece ainda hoje como o maior tabu do
mundo moderno: a homossexualidade (6). A sua origem teve lugar por volta de quatro mil anos passados, na
Caldéia, quando um velho pastor, Abraão, divulga certas revelações que assegurava ter recebido do próprio
D’us, escolhendo-o como fundador de um povo predestinado. Elabora-se então, nesse momento, um projeto
civilizatório que se vai tornar o mito fundador não só do povo judeu, como da própria história genealógica
das três principais religiões do mundo moderno: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo.
Segundo se pode ler no primeiro livro da Bíblia, o Gênesis, Abrão teria nascido em Ur, na Caldéia, e casado
com Sara, que era estéril. Conjecturam os historiadores e exegetas que, por volta do ano 1800 a.C. toda sua
família e agregados partiram em direção à terra de Canaã, estabelecendo-se em Harã, onde seu progenitor
Taré faleceu aos 205 anos de idade. É aí que tem início o diálogo de YHWH com Abrão, e a origem do mito
que serviu de base e justificativa não só à posterior condenação do homo erotismo, mas da violenta sexo
fobia que vai caracterizar e distinguir a cultura sexual judaica, da sexualidade dos povos circundantes (7).
Eis a versão original do mito:
“O Senhor disse a Abrão: Deixa a tua terra, a tua família e a casa do teu pai e vai para a terra que eu te
mostrar. Farei de ti uma grande nação. Eu te abençoarei e exaltarei o teu nome, e tu serás uma fonte de
bênção. Todas as famílias da terra serão benditas em ti; Tornarei tua posteridade tão numerosa como o pó
da terra; Levanta os olhos para os céus e conta as estrelas, se, és capaz; Pois, assim será a tua
descendência; Eu dou esta terra aos teus descendentes, desde a torrente do Egito até o grande rio
Eufrates;" (8).
Passam-se anos, e Abrão e Sara continuavam sem descendentes consangüíneos. Ao completar 99 anos,
YHWH aparece-lhe, ratificando a promessa: "Quero fazer uma aliança contigo e multiplicarei ao infinito a tua
descendência; De agora em diante não te chamarás mais Abrão, e sim Abraão, que quer dizer pai de uma
multidão de povos;”
É sintomático que exatamente após essa aliança estabelecida entre YHWH e Abraão, pouco antes de Sara
engravidar, são destruídas as cidades de Sodoma e Gomorra, o principal símbolo da homossexualidade no
mundo antigo. Motivo: "o seu pecado era muito grande!" (9). Logo em seguida nasce Isaac, a prova de que
para D’us nada é impossível;
concretizando-se assim a primeira profecia. Já adulto Isaac casa-se com Rebeca, dando origem ao povo
hebreu.
Segundo ensina a etnodemografia, podemos dividir as diferentes sociedades humanas em dois grandes
complexos no que tange a seu projeto civilizatório: de um lado as culturas pró-natalistas, que estimulam
a, procriação aspiram à longevidade máxima, reprimem e diabolizam o sexo não-reprodutivo, canalizando
toda a energia sexual para a multiplicação máxima da espécie; do outro, as sociedades antinatalistas, que
limitam os nascimentos estimulam práticas anticoncepcionais, abortíferas ou mesmo o infanticídio, onde o
sexo visa primordialmente o prazer e não a reprodução (10). Nós, os povos espiritualmente descendentes de
Abraão, judeus, cristãos e muçulmanos, somos herdeiros típicos da ideologia demográfica pró-natalista,
onde a religião e a moral ensinam que o sexo se destina unicamente à reprodução, tendo como base a
ordem do Divino Criador: "crescei e multiplicai-vos”.
Rodeados por nações antigas, superpopulosas e poderosas - assírias, babilônicos, caldeus, hititas, egípcios;
os hebreus, esse pequeno bando de pastores nômades, não tinham outro caminho para atingir seu
ambicioso projeto civilizatório: fazer filhos, fazer muitos filhos, engravidando ao máximo as suas mulheres e
escravas, a fim de cumprir a promessa feita por YHWH ao Patriarca Abraão: "Multiplicarei a tua posteridade
como as estrelas do céu e as areias do mar!". Destarte, o exercício da sexualidade passou a ter apenas um
objetivo: povoar de estrelas-humanas as areias do deserto, procriar novos guerreiros capazes de enfrentar
os violentos inimigos; esses, sempre desejosos de curvar o orgulho daquela pequenina tribo de pastores
endogâmicos, que propalava ser o único povo escolhido pelo verdadeiro D’us, YHWH, o D’us dos Exércitos.
E, que tratava os povos vizinhos como gentios; e, suas divindades, como falsos deuses. Cada gota de
esperma desperdiçado passou a constituir verdadeiro crime de lesa-nacionalidade, pois todo sêmen deveria
ser depositado no único receptáculo capaz de reproduzir um novo ser humano: o vaso natural da mulher. Daí
o Levítico condenar à pena de morte os que praticassem a masturbação; o coito interrompido, "onanismo"; o
bestialismo; e, a homossexualidade. "Não te deitarás com um homem como se fosse mulher: isto é uma
abominação. Não terás comércio com um animal, para não te contaminares com ele. Uma mulher não se
prostituirá a um animal, isto é uma abominação" (11). A relação homo erótica masculina foi mais perseguida
do que os demais atos não-reprodutivos por uma simples lógica aritmética: são dois "semeadores" que
desperdiçam a semente vital, diferentemente de quando um homem se masturba ou mantém relação com
algum animal, ocorrendo à perda de apenas um produtor da semente vital. É dentro desta lógica, visando à
maximização do aproveitamento do esperma, que o Antigo Testamento praticamente ignorou a existência do
homossexualismo feminino dentro do povo judeu. A relação sexual entre duas mulheres não representavam
a menor ameaça ao projeto super-reprodutivo tribal, posto que nessa sociedade machista e patriarcal não se
levava em conta o interesse ou desejo sexual das fêmeas, mas à vontade e o prazer do macho e o seu
orgulho em demonstrar, com farta prole, essa sua potência e poder. Mesmo homossexuais, as filhas de Eva
eram obrigadas a casar-se e oferecer o seu vaso natural à procriação.
Um outro elemento ideológico, também de inspiração mitológica, reforçou ainda mais o direcionamento da
libido exclusivamente para a reprodução, e a conseqüente criminalização dos atos sexuais não pró-
criativos, notadamente da performance que mais desperdiçava o sêmen vital, a sodomia homossexual.
Trata-se do mito do nascimento do Messias: O Enviado de D’us, nascido de uma virgem, encarregado por
YHWH de instaurar a utopia a que todos aspiravam, transformando as espadas em arados, os rios em
correntes de leite e mel, onde os leões e cordeiros viveriam para sempre em paz (12).
Esse paradisíaco reino da abundância e da concórdia dependia apenas de um simples ato para tornar-se
realidade: o nascimento do Messias através de uma cópula heterossexual. De modo que, ao se desperdiçar
o sêmen, não era apenas um novo pastor/guerreiro que deixava de nascer: o próprio Messias estava sendo
impedido de trazer a felicidade ao povo eleito, um crime de lesa-divindade.
É este, portanto, o mito fundador que inspirou o projeto civilizatório e expansionista demográfico dos povos
descendentes de Abraão, justificando a brutal condenação ao homo erotismo masculino e, em decorrência, a
própria destruição dos principais nichos simbólicos desse abominável desperdício do sêmen, as cidades de
Sodoma e Gomorra e as suas cinco sucursais diabólicas, a Pentápolis (13).

RAÍZES DA HOMOFOBIA – O MEDO DA REVOLUÇÃO SEXUAL


Para os nossos ancestrais judeus, e, posteriormente, em toda a cristandade, o preconceito homofóbico tinha
como justificativa inconsciente não apenas o desperdício do sêmen, visto como uma espécie de controle
perverso da natalidade, temendo-se, mais que a peste, a ameaça desestabilizadora representada pelos
amantes do mesmo sexo, na medida em que importantes costumes tradicionais eram colocados em xeque
pelo revolucionário estilo de vida dos sodomitas: o sexo prazer desvinculado da procriação, a tentação da
androginia e da unissexualidade, o questionamento da naturalidade da divisão sexual do trabalho e dos
papéis de gênero.
Grande parte da condenação à cópula anal heterossexual, divulgada nos manuscritos de comentários
Rabínicos, nos compêndios de teologia moral e manual de confessores, explica-se por uma simples razão: o
perigo da confusão dos vasos.
De acordo com a terminologia anatômica dos tratados de moral cristã e dos regimentos do Santo Ofício da
Inquisição, o corpo humano comporta dois vasos: as mulheres possuem o vaso natural ou dianteiro, onde o
membro viril derrama a semente de homem; mulheres e homens possuem o vaso também referido nos
séculos passados como vaso prepóstero, ânus, via posterior, ou via do curso. Em alguns processos
inquisitórios, percebe-se um temor obsessivo, por parte dos amantes mais descontrolados, de terem
inadvertida, ou maliciosamente, confundido os vasos, copulando "à moda de Sodoma" em vez de usar o
vaso dianteiro.
Os moralistas e donos do poder sempre condenaram e reprimiram a tentação de se usar o vaso traseiro,
como via ou locus do prazer, como solução para evitar a gravidez, ou, até, no caso do sexo com mulheres
públicas, como alternativa menos perigosa de contágio das doenças do mundo; "mal gálico", entre outras
(16). Isto no que se refere ao trato erótico heterossexual, embora a maior repressão incidisse exatamente
contra os adeptos da cópula anal entre machos; tanto, que não chega a 5%, o número de prisões de
mulheres, e homens, envolvidos em relações anais, se comparados com os copuladores homo eróticos;
aplicando-se pena máxima da fogueira, registrando-se tão somente aos parceiros do mesmo sexo (17).
Repetimos: a sodomia homossexual sempre foi mais reprimida do que o sexo anal heterossexual por duas
razões: por serem dois os indivíduos a desperdiçarem o esperma, e por ameaçarem não apenas o projeto
demográfico expansionista, primeiro dos judeus, depois da cristandade e do Islão, mas por ostentarem os
homens sodomitas um estilo de vida incompatível com os pressupostos fundadores da família patriarcal de
tradição Abraâmica (18).
Ensina a antropóloga inglesa Mary Douglas, ao interpretar as abominações do Levítico, que o nosso D’us,
por ser puro Espírito, não tolera a mistura: "Vós sereis santos porque eu sou santo”; disse o Senhor. A
santidade é exemplificada pela integridade. A santidade requer que os indivíduos se conformem à classe à
qual pertencem. E a santidade requer que diferentes classes de coisas não se confundam. Outro conjunto
de preceitos aperfeiçoam esta idéia. A santidade significa manter distintas as categorias da criação. Ser
santo é ser total, ser uno. A santidade é a unidade, integridade, e perfeição dos indivíduos e das espécies"
(19).
Não é só o Levítico que rejeita a mistura: também no Apocalipse, João, "o discípulo que Yaohushua
Ha’Mashiach amava", reforça o mesmo dogma: "Por que não és frio, nem quente, e sim morno, eu te
vomitarei! (20). Na classificação bíblica dos animais, dos atos e condutas puras e impuras, impera irredutível
maniqueísmo: a indistinção das categorias representa mais do que uma aberração, é uma abominação
detestável, um horror. Por exemplo, "um homem dormir com outro homem como se fosse mulher" é
abominável, pois contradiz a ordem natural prevista pelo Criador, ao dividir os seres vivos em machos e
fêmeas. Como outros "desvios" sexuais, na óptica veterotestamentária, o amor entre dois homens também
foi considerado por D’us como abominação gravíssima, punível com a morte por apedrejamento, posto que o
macho fosse criado, exclusivamente para depositar o seu esperma no vaso natural da fêmea.
Num mundo de extrema violência como era o cenário bíblico na Antiguidade; consulte-se o Livro de Josué
como ilustração, aquele bando de pastores nômades desenvolveu códigos de sociabilidade e papéis sociais
fortemente hierarquizados e rudes; pois, a segurança e a sobrevivência das mulheres, crianças, dos anciãos
e rebanho, dependiam vitalmente da força física individual e coletiva dos machos adultos. Tornou-se crucial
o fortalecimento e dureza do papel de gênero masculino, a rígida divisão sexual; de um lado o mundo dos
super-homens, ligado às armas, à guerra, ao enfrentamento do mundo hostil; do outro, o mundo feminino,
submisso, doméstico, voltado para a prole, recluso. Misoginia institucionalizada que se refletia inclusive no
espaço marginal ocupado pelas mulheres no culto Javédico, devendo ficar confinadas nos corredores
laterais, fora do salão principal da Sinagoga; postura, aliás, que o principal teórico do cristianismo, o ex-
fariseu Paulo, reforçou ao determinar que as filhas de Eva jamais usassem a palavra em público (21).
Como muitos outros povos, também os descendentes de Abraão herdaram forte tradição falocrática: o
macho tem no falo a origem e legitimação do seu poder. A mulher vale primeiro, pelo hímen intacto; depois
de deflorada pelo seu legítimo marido e senhor, vale pela fertilidade das suas entranhas e fidelidade a seu
esposo. Falocracia e himenolatria (22) tornaram-se valores sustentados pelas noções de honra e vergonha
(23). O levirato, aquele antigo costume judaico de a viúva ser apropriada pelo cunhado sobrevivente, ratifica
os direitos do macho, sobre todas as mulheres do clã. Mulher de meu irmão não será usada por macho
estranho: a adúltera e a falsa virgem eram igualmente condenadas à pena de morte por apedrejamento (24).
Nesse contexto de rígida divisão sexual e superioridade masculina, o travestismo e inversão de gênero,
fenômenos observados em maior ou menor grau na maioria das sociedades antigas e contemporâneas (25).
Eram repelidos como impertinente desafio à ordem Divina e, portanto, gravíssima abominação: a tentação
de alguns homens de vestir-se e viver como se mulheres fossem, era severamente punida. "A mulher não se
vestirá de homem, nem o homem se vestirá de mulher: aquele que o fizer, será abominável diante do Senhor
teu D’us!" (26).
Para o judaísmo, a unissexualidade é sempre uma abominação, porém em grau diferente de gravidade
moral: a mulher que se travestir representa uma invasão indébita no universo próprio dos homens, uma
usurpação e ameaça à hegemonia do macho. Desvio mais fácil de ser controlado e com conseqüências
menos deletérias. O travestismo no homem representava, e continua a representar, ameaça muito maior,
pois é visto como rebaixamento do sexo forte, desonra, e, sobretudo, abdicação imperdoável do direito
natural e divino à hegemonia do sexo forte. Um homem vestido de mulher rebaixa-se à condição de sexo
frágil, segundo sexo; ou melhor, terceiro sexo, para utilizar a terminologia muito em voga nos meados do
século XIX (27).
Sendo assim, o desejo da androginia ou da unissexualidade, mais do que uma mera desobediência estética,
era visto como perigosa ameaça à separação e tradicional antagonismo dos papéis de macho e fêmea, não
apenas no vestir e agir, como nas funções vitais de manutenção dessa sociedade; sobretudo, no tocante à
subsistência material e à segurança. Daí YHWH abominar quem ousasse vestir-se com roupa do sexo
oposto. Mulheres masculinizadas, guerreiras, foram até honradas com as bênçãos divinas, em certos
momentos de crise da história de Israel. Homem efeminado, ou vestido de mulher, abominação! Os opostos
têm de ser mantidos como garantia de que os fortes continuarão defendendo e mandando nos fracos.
Acresce-se um crucial fator de afirmação religiosa na oposição de nossos ancestrais à homossexualidade
masculina e ao travestismo: a condenação da idolatria dos pagãos, cujos rituais incluíam a presença de
prostitutos sagrados, sacerdotes e deuses que tinham no homo erotismo a realização de nobres ideais de
piedade e virtude. Segundo ensinam os estudos modernos de exegese bíblica e história comparada das
religiões, diversos povos vizinhos dos judeus praticavam a kadeshah, a prostituição sagrada, cabendo aos
prostitutos homossexuais, os kadesh, importante papel nos rituais de hierodulia. Assim, ao condenar a
relação sexual entre homens, além dos preconceitos machistas acima apontados, há de se levar em conta
na homofobia bíblica a intenção de negar e abominar a tentação da idolatria gentílica, que tinha no homo
erotismo uma forma piedosa de culto à divindade (28).
Mais que o travestismo, o maior perigo representado pelo homo erotismo sempre foi o questionamento da
naturalidade dos papéis de gênero atribuídos aos dois sexos. Um homem que abdica do privilégio de ser
guerreiro, ou mesmo de servir como Sacerdote no altar do D’us dos Exércitos, optando por tarefas e
ocupações inferiores identificadas com o universo feminino, provoca uma crise estrutural de proporções
imprevisíveis, pois tal novidade poderia se tornar prevalente, ameaçando gravemente a perpetuidade deste
povo e segurança nacional.
Muitos homossexuais, em incontáveis sociedades, distinguiram-se dos demais machos, exatamente por esse
hibridismo comportamental e ocupacional, quando não pela inversão total de papéis e tarefas sócio
econômico, novidade performática que põe em risco a tradicional divisão sexual do trabalho. Outro grave
perigo representado pelos sodomitas seria a invasão do homo erotismo nas hostes guerreiras e
acampamentos de pastores. Em sociedades rigidamente divididas pelas fronteiras do sexo, onde homens
passavam boa parte do dia isolados entre si, prolongando-se ainda mais tal apartação nos períodos de
guerra, a permanência dessas comunidades unissexuais torna quase incontrolável o surgimento de
interações homo eróticas. Diversos são os exemplos de povos guerreiros, como os gregos, os índios
caduveus, entre outros, cujas culturas, fortemente inspiradas pela ideologia anti-natalista, permitiam e
facilitavam a constituição de parcerias homossexuais nas campanhas militares e academias, predominando
nalgumas formações históricas, a formação de "casais", onde uma das partes assumia papel andrógino ou
tipicamente feminino (29), noutras, como entre os dóricos, os dois parceiros mantinham postura viril, numa
relação que a antropologia chamaria de reciprocidade equilibrada (30).

NAS TREVAS DO PRECONCEITO


Um traço significativo chama a atenção no estudo da homossexualidade ocidental: a inexistência de
comprovação de que a lei de Moisés, condenando à morte por apedrejamento "o homem que dormir com
outro homem como se fosse mulher", tenha efetivamente sido cumprida. Nas escrituras sagradas não há
referência a nenhuma execução, e durante os muitos séculos que os judeus estiveram submetidos a
diferentes cativeiros, depois que o Reino da Judéia perdeu sua independência, não dispunham de autonomia
legal para aplicar a pena de morte de acordo com as prescrições do Levítico (31). Curioso, que, em vez de
cenas de apedrejamento, o Antigo Testamento revela pelo menos, "um caso de amor descaradamente
homossexual: a amizade imorredoura entre Davi e Jônatas". Apesar de alguns biblistas insistirem que se
tratava de um amor meramente espiritual, que rotulam de ágape, cada vez mais, os exegetas entendem que
se tratava mesmo do amor inspirado em Eros, "o mesmo tipo de relação existente entre Aquiles e Pátroclo
na Ilíada, à de Gilgamesh e Enquidu na Epopéia de Gilgamesh, e à de Alexandre Magno e Hefestion".
Afirmação tão ousada não é de um militante homossexual, mas do Sacerdote Tom Horner, doutor em
Literatura Religiosa pela Universidade de Columbia, autor de O Sexo na Bíblia (32). As palavras de Davi,
quando da morte de seu parceiro, não deixam dúvidas dessa paixão homo eróticas: "O meu coração chora
por tua causa, meu irmão Jônatas; quão agradável me eras: mais delicioso me era o teu amor do que o amor
das mulheres" (33). Segundo analisa o mesmo estudioso, "tais homens não eram de forma alguma
efeminados: eram guerreiros amigos, essencialmente bissexuais”. Duas correntes de historiadores disputam
entre si a melhor interpretação da evolução da intolerância anti-homossexual na tradição judaico-cristã. A
explicação tradicional, inspirada nos próprios textos bíblicos e no historiador Josephus, contemporâneo de
Cristo, defende que desde os tempos do Levítico, sem solução de continuidade, predominou a intolerância
máxima contra os "sodomitas", assim como em relação às demais expressões sexuais que não fossem a
conjugalidade monogâmica.
A outra interpretação, com base nas eruditas e inéditas pesquisas do Doutor John Boswell, no seu clássico
Christianity, Social Tolerance and Homosexuality defende que o primeiro milênio do cristianismo foi muito
mais tolerante à homossexualidade do que vulgarmente se imagina: padres, reis e nobres, até santos, foram
publicamente reconhecidos como amantes do mesmo sexo; poesia e prosa, de inspiração cortesã ou
mística, cantam o amor pelo amigo (34); a própria expressão gay, popularizada nos meados do século XX
nos países de língua inglesa, e depois universalmente, como sinônimo de homossexual, já seria utilizada
desde o século XIII, na língua catalã provençal, como equivalente de "rapaz alegre".
Ainda nesta linha, pretendem os seguidores desta corrente interpretativa que a própria associação da
destruição de Sodoma e Gomorra, e a conseqüente identificação da "sodomia" à cópula anal, foi uma
construção historicamente datada, a partir do primeiro século da era cristã, com nítida influência do
estoicismo, tanto que uma dezena de profetas e o próprio Cristo atribuem a destruição dessas duas cidades
não à imoralidade sexual, muito menos ao homo erotismo mas a outros pecados considerados na época
merecedores de severa punição divina, como a falta de hospitalidade e a impiedade (35). Portanto, foi com
base numa interpretação errônea, e em contradição aos principais escritores bíblicos, inclusive aos
comentários do próprio Filho de D’us, que alguns padres da Igreja passaram a identificar o pecado de
Sodoma com a homossexualidade, elaborando argumentos teológicos que serviram de justificativa para a
punição dos seus praticantes (36).
Segundo o Dr. Boswell, teria sido somente a partir do século XIII que Europa presenciara o desenvolvimento
generalizado de dois ódios que marcaram profundamente nosso mundo no último milênio: a homofobia e o
anti-semitismo. No caso da intolerância anti-homossexual, é, sobretudo, graças ao dominicano Santo Tomás
de Aquinhôo (1225-1274) que a sodomia passou a ser oficialmente considerada “peccatum contra
naturam”; e, os homossexuais confirmados como provocadores de castigos divinos, e toda sorte de
calamidades à cristandade: "Sobre todos os pecados, bem parece ser o mais torpe, sujo e desonesto o
pecado de sodomia, e não é achado um outro tão aborrecido ante a D’us e o mundo, pois por ele não
somente é feita ofensa ao Criador da natureza, que é D’us, mais ainda se pode dizer, que toda a natureza
criada, assim celestial como humana, é grandemente ofendida: somente falando os homens neste pecado,
sem outro ato algum, tão grande é o seu aborrecimento que o ar não o pode sofrer, mas naturalmente fica
corrompido e perde a sua natural virtude. Por este pecado lançou D’us o dilúvio sobre a terra e por este
pecado soverteu as cidades de Sodoma e Gomorra; por este pecado foi destruída a Ordem dos Templários
por toda a Cristandade em um dia. Portanto mandamos que todo homem que tal pecado fizer, por qualquer
guisa que ser possa, seja queimado e feito pelo fogo em pó, por tal que já nunca de seu corpo e sepultura
possa ser ouvida memória" (37).
Como se constata, diversas tragédias da história humana foram atribuídas aos amantes do mesmo sexo: o
dilúvio universal, a destruição de Sodoma, Gomorra e das cinco cidades circundantes. O principal teólogo
franciscano medieval, São Boaventura (1221-1274), defendia que a razão da demora de Yaohushua
Ha’Mashiach se encarnar, desde a remota promessa feita por YHWH a Abraão, se devia ao fato de a terra
estar sobremaneira infestada de sodomitas, e que na noite de Natal morreram multidões dessas imundas
criaturas (38). Além de ter causado o desmantelamento da famigerada Ordem dos Templários (1123-1312),
atribui-se aos homossexuais a derrocada de dois grandes impérios antigos: a queda do Império Romano e a
perda da Andaluzia pelos mouros. Razões abundavam, no imaginário popular, para se temer o amor homo
erótico! (39).
Tomaremos como fio condutor para interpretar o recrudescimento da intolerância anti-homossexual na baixa
Idade Média, três hipóteses, todas elas direta ou indiretamente vinculadas ao temor do componente
perturbador e revolucionário associado à homossexualidade, a saber: tentativa de expurgar a expansão do
homo erotismo no clero e nas ordens religiosas; reação à de população da Europa decorrente da peste
negra; estratégia para impedir a vulgarização do amor erótico/romântico como móvel das uniões conjugais.
Começamos por analisar a percepção do perigo representado pela crescente presença da sodomia no
mundo eclesiástico medieval e a reação da hierarquia católica visando à erradicação desse perigoso pecado.

Embora os livros penitenciais - que serviam como orientação teológica aos confessores, desde o século VI
até o X, contenha sempre, quando menos, um cânone condenatório da sodomia é São Pedro Damiani (1007-
1072) o primeiro autor a dedicar toda uma obra à incriminação da homossexualidade.
Trata-se do clássico Liber Gomorrhianus (Livro de Gomorra), datado de 1049, oferecido ao Papa Leão IX,
onde este escrupuloso Sacerdote propõe uma pastoral dirigida aos clérigos a fim de fazê-los abandonar o
abominável pecado de sodomia, sugerindo igualmente medidas punitivas contra os relapsos. O motivo que o
levou a escrever tal obra é indicado logo no prefácio: "o crescimento deste vergonhoso e abominável vício";
segundo ele, perigosíssimo e hediondo. O seu texto é um dos libelos mais homofóbicos que se escreveu em
toda história humana: “A sodomia ultrapassa a sordidez de todos os vícios”. É a morte dos corpos, a
destruição das almas. Este vício possui a carne, extingue a luz da mente. Expulsa o Espírito Santo do templo
do coração humano, introduz o Diabo, que incita à luxúria. Induz ao erro, remove completamente a verdade
da mente que foi ludibriada; abre o inferno, fecha a porta do paraíso. Este vício tenta derrubar as paredes da
casa celestial, e trabalha na restauração das muralhas reconstruídas de Sodoma, pois viola a sobriedade,
mata a modéstia sufoca a castidade e extirpa a irreparável virgindade com a adaga do contágio impuro.
Conspurca tudo, desonrando tudo com sua nódoa, poluindo tudo. “Não permite nada puro, nada limpo, nada
além da imundície" (40).
Diversos historiadores confirmam que, durante boa parte da Idade Média, a sodomia passou a ser
popularmente conhecida como vício dos clérigos, de tal modo, era cultuado dentro dos conventos, mosteiros,
igrejas e cabidos (41). As pesquisas na documentação da Inquisição Portuguesa confirmam essa mesma
tendência na Península Ibérica ao longo dos séculos XVI ao XVIII: numa lista de mais de 4 mil denunciados
e/ou confessados constantes nos Repertórios do Nefando, assim como na relação de mais de 400 sodomitas
efetivamente presos e processados pelo Santo Ofício, um terço desses indivíduos eram clérigos, Sacerdotes
e religiosos, valendo, por conseguinte, também para o mundo ibérico a identificação da sodomia como
vicium clericorum (42).
Para evitar que os fiéis, ao serem recriminados pelas autoridades eclesiásticas, pela prática de condutas
imorais, não repetissem o ditado bíblico: "médico, cura-te a ti mesmo!" (43), urgia que a moralização dos
costumes se iniciasse dentro das próprias hostes clericais, daí a importância do Livro de Gomorra como
marco dessa campanha contra o relaxamento dos costumes intraclaustros. A forte presença do amor
homossexual entre os clérigos, colocava em xeque, um dos alicerces da moral cristã: a superioridade da
castidade e do celibato vis-à-vis não só a incontinência sexual, como em face do próprio matrimônio, posto
que a Teologia Moral defendesse que o estado religioso, com a adoção dos três votos (pobreza, castidade e
obediência), representava um estado mais elevado de perfeição do que a opção conjugal. Inúmeros católicos
foram denunciados e perseguidos pelas diversas inquisições modernas exatamente por defenderem a
proposição herética que "é melhor casar do que ser padre" (44). Mais ainda: Pedro Damiani estabelece
vinculação direta entre a sodomia, heresia, lepra e o diabo, sendo considerado este pecado mais grave do
que o incesto.
A homossexualização do clero representava um enorme risco não só por servir de mau exemplo e estímulo
para o relaxamento moral dos leigos, mas também, como bem enfatizava Damiani, a presença de padres
homossexuais desacreditava a pureza das relações dos "pais espirituais" com os seus "filhos", na medida
em que tornava carnal e libidinoso o que devia primar por ser místico e acético. Um clero homossexual
coloca em xeque a própria seriedade da vida monástica, por trazer o pecado da sensualidade para dentro
das dependências religiosas; o que era muito mais difícil de ser controlado do que as relações com o sexo
oposto; posto que as mulheres sempre foram rigidamente impedidas de entrar na clausura (e vice-versa, no
tocante aos homens adentrarem-se em instituições femininas). Se São Pedro Damiani se distinguiu pela sua
cruzada contra a sodomia intraclaustros, um outro santo reformador dirigiu particularmente a sua pregação
anti-sodomita aos libertinos do mundo: o Franciscano São Bernardino de Sena (1380-1444).
"Embora o pecado de sodomia fosse tradicionalmente referido como vício inominável, este não é
decididamente o caso de Bernardino. Ele o menciona com tal freqüência que foi considerado o mais
expressivo e vívido comentarista a respeito da sodomia na Itália na baixa Idade Média; sendo o principal
responsável pela exacerbação da grande paúra do Quatrocento italiano, a sodomia, inspirando a primeira
perseguição do comportamento homossexual em larga escala na história européia, registrado em Florença e
outras cidades italianas. Ao lado do anti-semitismo, e a ansiedade da caça às bruxas; a época de São
Bernardino é marcada pelo surgimento da intolerância à atividade homo genital, tal qual está documentado
na literatura e legislação eclesiástica e civil, podendo-se falar de uma sodomofobia como um fenômeno de
intolerância crescente através da Europa, tal qual foi estudada por Boswell e Greenberg" (45).
Bernardino costumava afirmar que Florença era pior do que Sodoma e Gomorra, e que a Toscana tinha a
mais baixa população do mundo por causa do grande número de amantes do mau pecado - atribuindo a
essa abominação a causa da peste que assolou a Itália naquele período (46).
A opinião de São Bernardino de Sena, relativamente ao papel dos amores unissexuais como causa da
diminuição populacional, dá a pista para melhor entender o recrudescimento da homofobia na baixa Idade
Média e a sua posterior legitimação, no mundo ibero-americano, através dos tribunais da Santa Inquisição.
A homossexualidade é apontada como motivadora não só de castigos divinos pretéritos e futuros,
representando igualmente deletério risco à recuperação do crescimento habitacional após a dramática
população da Europa em decorrência da peste negra. A associação implícita ou explícita do amor unissexual
ao risco da bancarrota demográfica tem sido uma constante ao longo da história humana. Mesmo nos
nossos dias, quando a humanidade se vê confrontada com o espectro da explosão demográfica, os
homossexuais continuam sendo acusados de constituírem uma grave ameaça à sobrevivência de nossa
espécie: é comum ouvirmos, entre intelectuais e gente do povo, o argumento de que se for completamente
liberado o homo erotismo, a humanidade corre inevitável risco de extinção. Mais do que ledo engano, tal
assertiva indica claramente o quanto à sociedade heterossexista teme a normalização dos amores
unissexuais, pois suspeita que a sua liberação redunde num crescimento incontrolável de homens e
mulheres que deixariam de interagir sexualmente, pondo em xeque a perpetuidade de nossa descendência.
Subjacente a este enunciado, está à crença inconfessa de que a maioria dos casais de homens e mulheres
continua a praticar o heterossexualismo por mera imposição da moral dominante. Heterossexualidade
compulsória e por decreto, portanto. O já citado Dr. Boswell, assim como A. Kinsey e F. Whitam, são
unânimes em reconhecer o contrário dessa crença alarmista: "Não há teoria científica contemporânea
relativa à etiologia da homossexualidade que defenda que a tolerância social determina a sua maior
incidência. Mesmo teorias puramente biológicas postulam uniformemente que a homossexualidade seria
uma preferência minoritária sob qualquer condição, mesmo nas mais favoráveis" (47).
Whitam, estudando diferentes culturas contemporâneas, chegou à média de 6% como o total de
homossexuais exclusivos, independentemente do maior ou menor grau de tolerância regional (48). Há
provas antropológicas e históricas que confirmam tal assertiva: dois exemplos clássicos remetem-nos às
sociedades tribais da Nova Guiné e ao Japão novecentista. Os etoros, papuanos negróides da Oceania,
pertencem a uma cultura que poderíamos chamar de homossexualista, de tal forma, é oposta à nossa
tradição heterossexista Abraâmica: todos os rapazes dessa tribo, quando entram na puberdade, são
confiados a um jovem adulto, que tem como obrigação transmitir ao adolescente, por via anal, o seu próprio
sêmen, justificando os nativos que essa é a única forma de tornar aquele jovem iniciado num verdadeiro
homem, futuro transmissor de esperma. Se não receber sêmen pelo ânus, não poderá, quando adulto,
fecundar a sua futura mulher. Tão homossexualista é a cultura etoro, assim como a de diversas outras
sociedades da Oceania, que a cópula heterossexual é proibida de 205 a 260 dias por ano, estando limitada a
certos espaços marginais à aldeia, rodeada de uma série de restrições heterofóbicas. Pois bem: mesmo
nessa sociedade radicalmente homossexualista, estudos revelam que a taxa anual de fecundidade da
população se reduz em apenas 15%, se comparada com os demais povos heteros-sexistas, não chegando,
portanto essa prática privilegiada do homo erotismo a ameaçar a perpetuidade desses exóticos exemplares
da espécie humana (49).
Um outro exemplo histórico que contradiz a fobia irracional de que a liberação homossexual possa provocar
o fim de nossos semelhantes remete-nos ao Japão antes da restauração da dinastia Meiji (1865), quando a
prática homossexual era socialmente aceita como comportamento normal e moralmente correto. Hoje se
sabe que grande parte dos valorosos samurais e a maior parte dos delicados atores transformistas do teatro
nô e kabuki eram praticantes do homo erotismo, gozando de enorme admiração e aplauso geral (50). Pois
bem: comprova a demografia histórica que, apesar da grande tolerância e prática generalizada da
homossexualidade, a população nipônica cresceu naquele período até os limites extremos da subsistência
física, derrubando-se assim as ilações alarmistas de que a liberação do amor entre parceiros (as) do mesmo
sexo levaria necessariamente à de população e extermínio do Homo sapiens (51).
Há décadas, é este, o ensinamento de diferentes ramos do saber. Homossexuais representam sérias
ameaças à sobrevivência humana. Esta é uma das explicações da recrudescência da homofobia logo após a
enorme mortandade registrada na Europa em conseqüência da peste negra: "os homossexuais tornaram-se
bodes expiatórios para a peste e para o declínio populacional, e eram claramente vistos como um ultraje
para o código de respeitabilidade burguesa, recém-estabelecido e influenciado pelas Ordens Mendicantes".
Como se sabe aproximadamente 40% da população européia pereceu em conseqüência da peste negra
(1348), provocando enorme desequilíbrio sócio-demográfico; inclusive em Portugal, daí a necessidade
premente de povoar vastos territórios desertificados de gente após tamanha mortandade. Além de "os
pregadores invariavelmente atribuírem o início da Peste Negra à sodomia" (52), o desperdício do sêmen por
parte dos sodomitas passou a ser ainda mais atentatório, dado a calamidade populacional vivida numa
quadra tão dramática (53).
Se de um lado a imoralidade do clero e o espectro da peste desencadearam reações de intolerância
localizadas ou regionais contra os sodomitas, uma terceira hipótese explica a generalizada onda de
desconfiança e repressão aos amores unissexuais - onde novamente se revela o temor de seu caráter
intrinsecamente revolucionário e demolidor: a preservação do padrão tradicional do casamento
heterossexual e da constituição da família burguesa. Os homossexuais foram vistos, e de fato assim agiram,
em variados contextos históricos, como perigosos "filhos da dissidência”.
Segundo relata os etnógrafos, a quase totalidade das sociedades humanas teve como critério definidor dos
enlaces matrimoniais, não o amor romântico ou paixão sexual, mas os interesses patrimoniais de aliança das
famílias dos nubentes. Matrimonio = Patrimônio. Ainda no tempo de nossos avós ou bisavós, sobretudo nas
classes mais abastadas e controladas pela moral cristã predominava os casamentos arranjados, onde o que
menos importava era a vontade dos noivos. Na esteira da tradição judaica, ao longo de toda a Idade Média,
os cristãos continuam a visualizar a mesma finalidade no casamento: antídoto contra a tentação sexual e a
geração de numerosa prole. Casam-se para procriar, de preferência filhos homens.
Filhos numerosos são interpretados como inefável bênção divina e felicidade suprema. A esterilidade da
mulher representa desgraça máxima, castigo de D’us. O apóstolo Paulo e Yaohushua Ha’Mashiach,
reinterpretam neste particular a Lei de Moisés, passando o cristianismo a condenar o divórcio (54), embora
somente a partir do século XIII a Igreja confira ao casamento o status de sacramento, ao lado do batismo e
da ordem (55). Teólogos, como o Bispo Huguccio e Jean Gerson, defendiam ainda no século XV que mesmo
dentro do matrimônio, o sexo, até na posição "pai-mãe", também conhecida como "posição do missionário",
constituía pecado venial (56). Predominava, em amplos círculos da cristandade, o vetusto ensinamento de
São Jerônimo: "Um homem sábio deve amar a sua mulher com discernimento, e não com paixão e,
consequentemente, controlar os seus desejos e não se deixar levar à copulação. Nada é mais imundo do
que amar a sua mulher como uma amante" (57).
Dentro desse estóico código moral, o amor deve suceder ao casamento e não necessariamente precedê-lo,
obrigando a Santa Igreja a dar publicidade da cerimônia nupcial como forma de controlar os desejos,
interferir nas alianças familiares, exigindo para tanto que os proclamas fossem realizados com bastante
antecedência, evitando-se assim os riscos da fraude e, sobretudo o pecado e crime da bigamia. A
burocratização cartorial do matrimônio, formalizada a partir de então, além de garantir muitas benesses e
polpudas espórtulas ao clero, visavam o controle integral, através dos sacramentos, de todo o ciclo vital do
rebanho dos fiéis; batismo no nascimento, matrimônio na maturidade sexual, extrema-unção na
hora da morte (58).
Uma perigosa brecha persistia, porém, embutida na tradição cristã; segundo o direito canônico medieval, os
próprios nubentes eram reconhecidos como os legítimos ministros do matrimônio, bastando para sua
validação legal que o casal declarasse perante uma testemunha, podendo ser inclusive um leigo, que a partir
daquele instante passavam ambos a reconhecer-se e a coabitar como marido e mulher. Tal possibilidade
canonicamente válida colocava em grave risco o controle da família cristã, desde quando, sobretudo os
jovens, "tentados pelo demônio", realizavam clandestinamente o chamado "casamento de palavras",
arruinando os projetos de aliança familiar zelosamente construído pelos progenitores.
Foi somente o Concílio de Trento (1545-1563) que proibiu rigorosamente tal prática, obrigando a divulgação
dos banhos corridos e a presença de um sacerdote oficiante como condição sine qua non da validade desse
sacramento, ratificando-se nesse mesmo sínodo tridentino outro dogma relativo à união conjugal católica: a
stabilitas - a estabilidade indissolúvel dos casados. "Equilíbrios tão cuidadosamente preparados e tão frágeis,
onde se patenteia o caráter coercitivo da aliança entre famílias e dos intercâmbios de rapazes e raparigas,
teriam sido comprometidos se os casamentos pudessem ser rompidos com demasiada facilidade, e as
esposas repudiadas; Tem-se a impressão de que a stabilitas do casamento precoce era a condição da
stabilitas da comunidade inteira. Cabia à própria comunidade fazer com que ela fosse respeitada" (59).
Nesse contexto de crescente domesticação da moralidade, como agiam e eram vistos os praticantes do
amor unissexual, ou melhor, do abominável e nefando pecado de sodomia? Com a palavra nosso já
conhecido São Bernardino de Sena:
"Pode existir um jovem rapaz de raros talentos, alguém de grande inteligência, feito para realizar maravilhas,
mas uma vez corrompido pela sodomia, ele se transforma numa criatura do Diabo. Ele rejeita todas as coisas
naturalmente boas, todos os pensamentos de D’us, do Estado, da sua família rejeita os seus negócios, a sua
honra, a sua própria alma. Ele só pensa em assuntos “malignos” (60).
Quem melhor sintetizou na nossa língua a suposta malignidade revolucionária representada pelos sodomitas
foi o cardeal D. Henrique (1512-80), segundo inquisidor geral da Inquisição Portuguesa, que, em 1574
obteve um Breve de Gregório XIII ratificando a pena de morte aos sodomitas, referidos na documentação
inquisitorial como "filhos da dissidência" (61).
Dissidência cisma, cisão equivale a se separar de uma corporação por divergência de opiniões, atentar
contra a tão desejada unidade do orbe católico, "um só rebanho e um só pastor!". Os sodomitas atentavam
contra esse desiderato ideológico, assustando todas as camadas sociais, dos donos do poder ao populacho.
Tanto quanto ou até mais que os hereges, os filhos da dissidência, devido ao seu inconformismo numa
questão reputada como indiscutível, a moral sexual natural, ultrajavam com a sua dissidência erótica o
ensinamento oficial da ortodoxia, ostentando o caráter revolucionário de sua insubordinação às leis divinas e
insistência na prática do peccatum contra naturam.
Eis o pensamento oficial da Inquisição Portuguesa sobre este particular: “O crime de sodomia é gravíssimo,
e de tal qualidade, que, houve quem afirmasse, com grande fundamento, que quem o cometia, era suspeito
na fé, e tão contagioso, que mostra a experiência, pois em breve tempo infecciona não só as casas, lugares,
vilas e cidades, mas ainda Reinos inteiros, e é obrigação precisa, atalhar males grandes e de que D’us tanto
se ofende, com meios eficacíssimos e, para os descobrir, não há outro meio mais adequado que a denúncia
forçada" (62).
Num sermão, num auto de fé, realizado em Lisboa, em 1645, onde foram queimados diversos sodomitas,
esse mesmo pensar é assim ratificado: "Sodoma quer dizer traição. Gomorra, rebelião. É tão contagiosa e
perigosa a peste da sodomia, que haver nela compaixão, é delito. Fogo e todo rigor, sem compaixão nem
misericórdia! “Tanta força tem o lugar apestado deste vício que para livrar dele até a um inocente, é
necessário a violência de muitos anjos” (63).
Pode considerar-se um precioso achado sócio lingüístico a caracterização dos amantes do mesmo sexo
como "filhos da dissidência", pois, por mais alienado, reprimido e pré-político que seja um homossexual, a
sua insubordinação aos cânones da moral oficial representa uma violenta revolução que ameaça arruinar os
alicerces constitutivos da hegemonia do macho e da sociedade heterossexista. Ao tomar como móvel da
aproximação dos corpos tão-somente a paixão erótica e eventualmente o amor romântico, os homossexuais,
desde priscas, eras, privilegiaram a emoção e o prazer em detrimento da reprodução biológica ou das
alianças patrimoniais. Antecipou em milênios o que Freud antevia como elemento desestabilizador da
hierarquia dos sexos na nossa civilização: a possibilidade de libertar os amantes de uma gravidez
indesejável numa sociedade que desconhecia métodos eficazes de anticoncepção.(64).
Uma segunda e não menos assustadora ameaça dos filhos da dissidência nestes quatro mil anos de história
pós Abraâmica tem sido o questionamento da cruel hegemonia falocrática do macho todo-poderoso, da
perpetuação da hierarquia patriarcal através de contratos nupciais, onde a cobiça do patrimônio prevalece no
matrimônio, onde o prazer sexual e emocional é relegado à periferia da instituição conjugal. Os
homossexuais, inversamente, ao privilegiarem desde sempre a atração física, a emoção, o amor e paixão,
como ingredientes indispensáveis dos arranjos íntimos interpessoais tornaram-se, historicamente, se não os
inventores, quando menos os precursores e principais praticantes do amor romântico, isto, muitíssimos
séculos antes da paixão impossível de Romeu e Julieta e dos trovadores medievais.
Tal dissidência inovadora ao modelo erótico-sentimental dominante foi altamente reprimida por ser
causadora de incontrolável desestabilização da autoridade do pater-famílias e da família patriarcal, tanto que
o casamento de palavras passou a ser perseguido como grave delito do conhecimento da justiça
eclesiástica, posto representar uma forma também revolucionária e insurgente de os jovens contestarem o
autoritarismo familiar. A repressão anti-homossexual tem a ver diretamente com o medo representado pelo
cisma, quase heresia, representada pelo estilo de vida dos sodomitas, onde estão reunidos ingredientes
explosivos, tais como a democracia sexual, o questionamento da hierarquia dos gêneros, a alternativa da
unissexualidade, a inversão dos papéis sexuais, o travestismo, a transexualidade, todos os comportamentos
e condutas altamente desestabilizadores da sociedade heteros-sexistas e falocrática, onde as regras de
comportamento de gênero e o erotismo são definidos hierarquicamente garantindo a supremacia do macho.
As uniões nômades ou passageiras, a "promiscuidade", a rotatividade de parceiros e inversão de
performances, a androginia são mais alguns elementos revolucionários da subcultura homossexual, já
devidamente documentada desde o século XVI, constantes ainda hoje em dia (65), que questionam e
assustam a sacralidade e indissolubilidade dos vínculos matrimoniais dos casais heterossexuais. Daí a
repulsa neurótica de alguns homofóbicos mais autoritários que se opõem tenazmente à legalização da
parceria civil e mais ainda, ao casamento homossexual, alegando que a família e o matrimônio heterossexual
estariam gravemente ameaçados. Novamente aqui, a mesma fobia mitológica, de que a liberação
homossexual redundaria na bancarrota da heterossexualidade.
Na Idade Média, o amor homossexual foi duramente reprimido por constituir deletéria ameaça à estabilidade
da família tradicional, na medida em que minava perigosamente a autoridade patriarcal no tocante ao
controle das estratégias de aproximação dos sexos e a constituição de novas unidades familiares. Na
América Portuguesa; assim como na Espanhola, a endogamia das famílias de origem européia foi a
estratégia oficial, abençoada pela Igreja, instaurada a fim de evitar que "cristão-novo" e "gente de sangue
impuro" se unissem e infectassem as "famílias limpas". A endogamia da oligarquia colonial, evitando a
mistura de seus descendentes com a raia miúda, e, sobretudo com a gentalha não-branca, tornou-se uma
obsessão das elites fundiárias, optando muitas famílias, às vezes, pelo enclausuramento forçado das suas
filhas donzelas, evitando assim uniões com indivíduos considerados de condição social ou racial inferior. Os
famigerados processos de "qualificação de pureza de sangue", indispensáveis para admissão na clericatura
e nas altas funções governamentais, visavam exatamente manter na elite tão-somente os cristão-velhos.
A união livre dos homossexuais, desrespeitando as barreiras de raça, estamento e idade, parceria baseada
tão-somente na paixão e mútua empatia, detonava a ordem famialista patriarcal tradicional; daí o afinco com
que os donos do poder colonial reprimiram os "filhos da dissidência”. Hoje em dia, nos inícios do terceiro
milênio, quando na prática, os homossexuais continuam sendo, dentre todas as minorias sociais, as
principais vítimas do preconceito e discriminação, estamos presenciando a persistência de um mito, velho
de quatro mil anos, imposto aos nossos antepassados à custa de pedradas e da fogueira da Inquisição - mito
cruel e pernicioso que hoje, na era dos computadores, urge que ceda lugar ao respeito dos direito humanos
e à diversidade cultural. Sobretudo, porque há muito que torno ridiculamente caduca aquela fobia irracional
ao potencial revolucionário representado pelos amantes do mesmo sexo. O problema atual da humanidade é
a explosão demográfica, sendo, portanto absurdo e antiecológico pretender aumentar a população "como as
estrelas do céu e as areias do mar”. Hoje homossexuais deveriam ser premiados por colaborarem
efetivamente com o controle da natalidade (73).
Uma segunda invenção dos homossexuais, antigamente revolucionária e temida, tornou-se também hoje
inofensiva: o sexo prazer dissociado da reprodução e o primado do amor romântico como critério das uniões
conjugais. Hoje, graças à pílula, ao preservativo e aos novos métodos anticoncepcionais ou abortivos, os
heterossexuais também podem manter relações sexuais sem o risco da gravidez indesejada, apanágio dos
sodomitas em épocas coevas (74). Da mesma forma, o amor romântico e a atração física, antigamente
privilégio dos filhos da dissidência, tornaram-se hoje, graças aos efeitos da globalização da cultura ocidental,
a regra áurea da aproximação dos sexos em grande parte do universo.
Parece que uma parcela dos próprios homossexuais, depois que saíram do armário, nos anos pioneiros da
Revolução de Stonewall (1969), o festejado coming out (75), tende hoje mais à integração do que à
dissidência: "Os homossexuais organizados representam hoje uma forma nova de encarar a vida. Casam,
adotam crianças. Os homossexuais não querem mais revolucionar o mundo. A revolução sexual ocorreu na
década de 70 e já é fato consumado. Agora é a hora da estabilidade, é a hora de se impor, de conquistar
lugares. E é isso que estamos a fazer". Estas são as palavras do primeiro homossexual assumido, do partido
Republicano, a fazer parte oficial do atual governo Norte-Americano.
Homossexuais que conquistam lugares e se impõem não deixam de representar uma força revolucionária
no mundo heterossexista. Enquanto isto, na Terra dos velhos do Restelo, políticos e detentores do poder,
insistem que "existem coisas bem mais importantes para se discutir na Assembléia da República", do que
leis que conferem direitos a homossexuais.

HOMOSSEXUALIDADE E A BÍBLIA – PARTE 14


HOMOSSEXUALISMO
O propósito destes comentários não é buscar uma justificativa Bíblica para apoiar qualquer tipo de atividade
sexual. Não há necessidade disso, uma vez tendo o amor de D’us, como maior forma expressiva de
aprovação plena. Cabe mencionar que a inclusão de citações bíblicas, comentários de vários autores,
reflexões pessoais, enfim, tudo se limita ao objetivo de ajudar outras pessoas, a não se sentirem angustiadas
pelo aparente dilema de escolher entre sua homossexualidade, sua relação com D’us, e sua Sinagoga.
O uso da Bíblia como provedora do alimento espiritual foi eclipsada várias vezes devido às más
interpretações. Mostra disso, é a maneira como foi usada para justificar a escravidão ou impor monarquias
abusivas nos séculos passados. No entanto, pouco a pouco foi encontrada a verdadeira interpretação destes
temas, até se chegar a ponto de eliminar por completo todas as falsas interpretações. Porém, infelizmente,
não acontecesse o mesmo com a homossexualidade, que ainda é condenada em muitas Sinagogas e Igrejas
pelo mundo.
O uso de dados bíblicos tem suas limitações, como aponta um Rabino. Por um lado, as Escrituras estão
histórica e culturalmente limitadas. Por outro lado, não seria aceitável uma tese baseada apenas em textos
isolados fora de contexto. Podemos aceitar, sem mais nem menos, o que nas traduções da Bíblia é
denominado homossexualidade, dando por certo que o pensamento dos autores bíblicos implicava o que
entendemos hoje por tal?
A respeito da interpretação das Sagradas Escrituras, dado que nelas, D’us fala através dos homens, e de
uma forma humana; o intérprete destas deveria para ver com clareza o que D’us queria comunicar investigar,
com o máximo de cuidado, o que os autores sagrados queriam dizer na realidade, e o que D’us desejava
manifestar por meio de suas palavras.
Poderíamos nos perguntar de maneira simples: como é possível que a palavra "HOMOSSEXUAL",
que surgiu no século passado, seja usada em textos de dois mil anos de Antigüidade? De fato,
sodomita foi à palavra que encontramos nas primeiras traduções modernas, mas não nos textos originais.

TEXTOS DA TORÁ
A passagem do Livro de Gênesis, que narra à destruição de Sodoma, é a passagem mais antiga, que,
geralmente, foi usada para justificar a perseguição, encarceramento e morte de milhares de homossexuais.
Pois bem, vejamos:
Como é possível que todos, desde o mais jovem até o mais velho, tenham sido homossexuais, se o número
estimado nas cidades, é de aproximadamente 10% de homossexuais mais ou menos, e ainda por cima,
discretos? Além disso, o versículo 14, diz que Lot tinha genros prometidos para suas filhas. Podemos ver
aqui, homossexuais como os de hoje, em pequeno número, ou, um fenômeno social de homossexualidade,
como meio de abuso, violência e falta de hospitalidade? Esta pergunta pode ser respondida ao ver-se, por
exemplo, que o próprio Lot ofereceu suas filhas como último recurso para acalmar a luxúria dos sodomitas;
mas eles não aceitaram, e, disseram, que fariam pior com ele, do que com os outros. Certamente, não lhe
fizeram nada sexual, porém, como indica o versículo 9, começaram a "maltratá-lo"; isto é, cometeram
violência e abuso. Os versículos 11 e 12 do Gênesis mostram que os anjos deixaram cegos a todos, e que
estes se cansaram de procurar a porta. Então, era a violência, e não o impulso sexual, que os fazia continuar
procurando a porta depois de ficarem cegos.
Encontramos outro exemplo similar a este em Juizes 19.5-26.
É surpreendente a semelhança deste relato com o de Gênesis, só que aqui, houve sim, um crime sexual, e,
ninguém, emprega este relato para condenar a heterossexualidade. A violência e a falta de hospitalidade é
que são condenadas. Este ponto de vista também é compartilhado por um médico, que considera o pecado
dos sodomitas, não com uma conotação sexual, mas que poderia ser interpretado como uma violação da
hospitalidade. Para se fazer notar isto, a Bíblia na passagem anterior (Gênesis, 18) dá um exemplo do que
deveria ter sido feito em Sodoma: mostrar hospitalidade a estes mesmos anjos. Estes dois capítulos estão
postos, não por coincidência diante de nós, mas, como contraste e exemplo, do que se deve fazer, e para
ressaltar o pecado dessas cidades, que era a falta de hospitalidade.
Longe de falar de amor entre pessoas do mesmo sexo; o texto de Sodoma fala de violência. Na Bíblia, há
cerca de cinqüenta referências à Sodoma, e, somente uma está relacionada com atos sexuais: Judas, 7,
conforme vimos em capítulo anterior.
Como Sodoma e Gomorra, as cidades circunvizinhas se entregaram à prostituição (grego: ekporneúsasai) e
se deixaram levar por vícios contra a natureza (grego: sarkós hetéras). Por isso, sofreram o castigo do fogo
eterno e serviram de exemplo a todos.
A tradução mais correta é a de algumas versões que usaram “carne diferente”: sarkós é carne e hetéras
é diferente. De fato, esta última dá origem à palavra heterossexual. A Bíblia de Jerusalém oferece uma boa
explicação do termo “carne diferente”:
Carne que não era humana, posto que seu pecado tivesse sido o de querer abusar dos anjos.
O apócrifo Testamento dos Doze Patriarcas; semelhantemente a Judas 6-7, menciona, ao mesmo tempo, o
pecado dos anjos e o de Sodoma. Judas, ao que parece, faz alusão aos anjos mencionados em Gênesis, 6,
que tomaram corpos humanos e fizeram sexo com mulheres, e daí, nasceram gigantes violentos, chamados
NEFILIM; que foi uma das razões pelas quais a Terra foi destruída pelo dilúvio. Ao que parece, cita o Livro
de Enoque, como mostram os versículos 14 e 15, no qual está escrito com detalhes o castigo dos anjos, que
criaram corpos humanos e fizeram sexo contra sua natureza espiritual, ou com carne diferente. Pelo simples
fato de serem eles anjos, como em Sodoma, esse era um ato antinatural: uma criatura humana querer sexo
com uma criatura celestial vai contra a natureza de ambos, em especial, como cita Judas, para os anjos,
porque eles não se reproduzem não lhes foi dado um corpo com o qual pudessem ter práticas sexuais.
No entanto, há muitos textos mais que aponta qual foi à verdadeira causa da destruição destas cidades. Um
exemplo disso são os livros Deuterocanônicos de Sabedoria, 19.13-14, e Eclesiastes 16.8, que contam a
falta de hospitalidade e o orgulho foram às causas. Da mesma maneira os profetas, como Ezequiel, apontam
também qual foi à causa. Ezequiel, 16.46-49 diz:
46 E tua irmã, a maior, é Samaria, que habita a tua esquerda com suas filhas; e a tua irmã, a menor, que
habita a tua mão direita, É Sodoma e suas filhas.
47 Todavia não só andaste nos seus caminhos, nem só fizeste segundo suas abominações; mas como se
isto fora pouco, ainda te corrompeste mais do que elas.
48 Tão certo quanto eu vivo, diz o Senhor D’us, não fez Sodoma tua irmã, nem as suas filhas, como tu
fizeste e também tua filha.
49 Eis que esta foi à iniqüidade de Sodoma, tua irmã: ela e suas aldeias sentiam-se orgulhosas por terem
mais abundância de alimentos e por gozarem de tranqüilidade, mais nunca ajudaram nem ao pobre, nem ao
necessitado.
O versículo indica de maneira clara, qual foi o pecado, e este não está relacionado ao sexo.
Porém, como cristãos, podemos perguntar o que disse Yaohushua Ha’Mashiach, a respeito desta cidade.
Encontramos a resposta em Lucas, 10.12, e, em Mateus 10.14-15, que nos diz:
14 E, se ninguém vos receber, nem escutar as vossas palavras, saiam daquela casa ou cidade e sacudam o
pó de seus pés.
15 Em verdade vos digo que, no dia do juízo, o castigo para essa cidade será pior que para a gente da
região de Sodoma e Gomorra.
Mais uma vez, fala-se da falta de hospitalidade. Sim, como vimos essa interpretação do verdadeiro pecado
de Sodoma é correta, encontramo-nos diante de um dos paradoxos mais irônicos da história. Durante
milhares de anos, o homossexual tem sido vítima da falta de hospitalidade. Condenado por Sinagogas,
sofrendo perseguição, tortura e, inclusive, a morte. Em nome de uma interpretação errônea do crime de
Sodoma e Gomorra, repetiu-se e continua-se repetindo diariamente o mesmo crime.

A HOMOSSEXUALIDADE E A BÍBLIA – PARTE 15


DEFINIÇÃO DOUTRINÁRIA DA NAÇÃO LIBERTAI

A partir dos compêndios analisados acima, e, por se tratarem de fontes de alta confiabilidade, a Nação
Libertai, a seguir, passará a definir seus dogmas e doutrinas, baseada no tema abordado até então, neste
Livro.
É clara a confusão de interpretação dos textos acima citados, e a conveniência por todos os séculos, em
fazer alterações e condenações absurdas, acerca do que D’us nunca disse, e, nem intentou fazer. É claro
também, como testificamos acima, que aquilo que não é pecado, pode passar a ser, dependendo da maneira
que for aceito, executado, ou, até mesmo deturpado; como foi o caso das Nações vizinhas de Israel.
Portanto, fica decidido e atestado pela Nação Libertai que:

1. D’us, em Sua Divina Palavra jamais condenou o homossexualismo como forma de amor entre duas
pessoas do mesmo sexo.
2. Ninguém deverá ser discriminado pelo Sanhedrim, pelo Presbitério, e, pelos membros em geral da
Nação Libertrai, independente da sua opção sexual.
3. Todos os homossexuais terão todos os direitos semelhantes aos membros heterossexuais da Nação
Libertai.
4. Todos os homossexuais terão acesso ao Sanhedrim, e, ao Presbitério da Nação Libertai.
5. Todos os homossexuais deverão observar os padrões de santidade exigidos aos casais
heterossexuais, sem exceções.
6. Os homossexuais da Nação Libertai, bem como os heterossexuais, somente terão a bênção da
união de casamento, se estiverem sendo unidos com pessoas que professem a mesma fé Judaica-
Cristã.
7. Os homossexuais que se unirem as pessoas que não proferem a fé Judaico-Cristã, para aliança de
namoro, noivado ou casamento, poderão fazer a Teshuvá, e participar como membros comuns, com
acesso às Erétz; ficando-lhes vetado o Sanhedrim e o Presbitério.
8. A Constituição do Brasil, ainda não reconhece o casamento entre homossexuais; entretanto,
reconhece a Sociedade Legal entre eles, respeitando seus direitos legais de escolher seu parceiro.
Portanto, a Nação Libertai, procederá a essas cerimônias, baseada no Reconhecimento de
Sociedade Legal; ou, no casamento feito fora do Brasil, através de Embaixadas de países onde o
casamento homossexual já tenha sido oficialmente legalizado.
9. Não serão reconhecidas, e nem aceitas na Nação Libertai as expressões: Lésbica, gay, ou outras
semelhantes que possam vir a surgir.
10. O que a Palavra de D’us nos faz crer e entender, é que existe o HOMEM, e, a MULHER,
independente da sua opção sexual.
11. Consideramos pecado contra D’us, e contra o corpo: o travestismo, o transsexualismo, o adultério, a
prostituição, a fornicação, a bigamia, a pederastia, o sexo cultual, a bestialidade, bem como todos os
demais tipos de relacionamentos sexuais pervertidos que possam vir a surgir.
12. Todos os demais assuntos concernentes a este tema, que não foram abordados ou esclarecidos
neste Livro, serão tratados de forma especial pela Bispa Primaz; e, se, necessário for, deliberado
com o Sanhedrim.

BIBLIOGRAFIA

• Versão Bíblia Eletrônica - Leandro Calçada.


• Versão Bíblia Apologética – JFA (João Ferreira de Almeida).
• Versão Sociedade Bíblica do Brasil – JFA (João Ferreira de Almeida).

• SEM TREMER PERANTE D’US.


• Por Rabino Steve Greenberg – (Steve Greenberg é Rabino Ortodoxo).
E-mail: stevegreenberg@rcn.com
Publicada na edição de junho/2003 da G magazine (http://www.gmagazine.com.br).

• Por Fraternidade Universal das Igrejas Comunitárias Metropolitanas.


• Tradução por A. J. Irish.

• Akiva Bronstein.
akiva@uol.com.br
icq#38801562
Grupo GLS de Judeus Brasileiros.
http://sites.uol.com.br/akiva
JGBR fone: (011) 9102-1366
Caixa Postal: 835 - CEP: 01059-970
São Paulo - SP - Brasil
Grupo Membro do World Congress of Gay, Lesbian, and Bisexual Jewish Organizations.
http://www.wcgljo.org/
• Igreja só para cristãos homossexuais vai erguer Mega-Templo nos Estados Unidos.
Por: Eduardo Salgado.

Grandes autores
Dr. Luiz Mott
Professor Titular do Departamento de Antropologia da UFBa,Fundador do Grupo Gay da
Bahia.
Caixa Postal 2552 - 40022-260, Salvador, Bahia, Brasil - Fone/fax: (71) 328.3782 - 328.2262.
http://www.luizmott.cjb.net/
e-mail: luizmott@ufba.br

• Fonte: Livro "Papai, mamãe, sou gay".


Autora: Rinna Riesenfeld.

• A Bíblia de Jerusalém.

• Versão da Nova Bíblia Anotada de Oxford.


• David Payne escreve na série “Estudos Bíblicos Diários”.