1ºBIMESTRE ASPECTOS GERAIS E FILOSÓFICOS SOBRE CONHECIMENTO E CIÊNCIA DO DIREITO 1.1CONHECIMENTO 1.1.

1 Noções Preliminares de Conhecimento e Correlação entre sujeito cognoscente e objeto cognoscível (Maria Helena Diniz, pg11) Como ciência é conhecimento, é imprescindível entendê-lo para compreendermos a ciência jurídica. Conhecer é trazer para o sujeito algo que se põe como objeto. "É a operação imanente pela qual um sujeito pensante se representa um objeto. "Consiste em levar para consciência do sujeito cognoscente algo que está fora dele. É o ato de pensar um objeto, de torna-lo presente à inteligência. O conhecimento é a apreensão intelectual do objeto. Ë o renascimento do objeto conhecido em novas condições de existência, dentro do sujeito conhecedor. É a transferência das propriedades do objeto para o sujeito pensante. Esse renascimento vai alterar uma certa maneira o sujeito cognoscente, pois a coisa conhecida será sua parte integrante. É a tradução cerebral de um objeto. Esse vocábulo decorre de "cognasci", que significa conascimento. Conhecer é trazer para a nossa consciência algo que presumimos ou pré-presumimos fora de nós. É abranger algo tornando-nos senhores de um ou de alguns de seus aspectos. É trazer para nossa consciência algo q supomos ou préue supomos fora de nós. O sujeito é aquele que conhece. O termo objeto advém do latim ob e jectum (aquilo que se põe diante de nós). Objeto é tudo aquilo de que se pode dizer algo. É tudo que é capaz de admitir um predicado qualquer, tudo o que pode ser sujeito de um juízo. É, portanto, a noção mais geral possível, já que não importa que o mencionado objeto exista ou não, basta que dele se possa pensar e dizer algo. Segundo o ensinamento Kantiano, com o conhecimento do sujeito transferem-se ao objeto as estruturas próprias do pensamento do conhecedor e se reduz o ser, que é o simples termo do "eu" que conhece. O objeto não é mais do que um produto do sujeito, de sorte que a realidade fica aprisionada às condições em que funcionou o pensamento. Como o conhecimento é a representação do objeto dentro do sujeito cognoscente, torna-se fácil evidenciar os liames (ligações) que se estabelecem entre os dois elementos inseparáveis do binômio sujeito e objeto. "O caráter intencional da consciência e a correlação funcional subjetivo-objetiva são condições do conhecimento". No conhecimento há uma dualidade, ou melhor, encontram-se frente à consciência cognoscente e o objeto conhecido. Esta dualidade de sujeito e objeto é uma relação dupla, ou melhor, é uma correlação em que o sujeito é sujeito para o objeto e o objeto é objeto para o sujeito, de modo que não se pode pensar um sem o outro. O sujeito cognoscente tende para o objeto cognoscível. Esta tendência é a intencionalidade do conhecimento, que consiste em sair de si, para o objeto, a fim de capta-lo mediante um pensamento; o sujeito produz um pensamento do objeto. O ato cognoscitivo refere-se a algo heterogêneo a si ou diferente de si. Todo pensamento é apreensão de um objeto, pensar é dirigir a atenção da mente para algo. O objeto, por sua vez, produzirá uma modificação no sujeito conhecedor que é o pensamento. Este, visto do sujeito, nada mais é senão a modificação que o sujeito produziu em si mesmo para apossar-se do objeto, ao entrar no sujeito, produziu no seu pensamento. Deste modo, aquilo que o "eu" é, quando se torna sujeito cognoscente, o é em relação ao objeto ao objeto que conhece. A função do sujeito consiste em apreender o objeto e esta apreensão apresentar como -se uma saída do sujeito de sua própria esfera, invadindo a do objeto e captando a s suas propriedades. O objeto captado conserva-se heterogêneo em relação ao sujeito, por ser transcendente pois existe em si, tendo suas propriedades, que não são aumentadas, diminuídas ou modificadas pela atividade do sujeito que o quer conhecer. Mas, segundo os moldes kantianos, não é um "ser em si" , como uma realidade transcendente, despoja-se desse caráter de existente por si em si e converte-se em um ser "para" ser conhecido, em um ser posto, logicamente, pelo sujeito pensante como objeto do conhecimento. Aquilo que o objeto a conhecer é, o é não "em si" mas, em relação ao sujeito conhecedor. O objeto enquanto conhecido é uma imagem e não algo do mundo extramental. Essa imagem não é uma cópia de um objeto, apesar de ser a tradução cerebral desse objeto, não é idêntica a ele por ser mais pobre em elementos determinantes. O sujeito cognoscente é sujeito apenas enquanto há objeto a apreender e o objeto é somente objeto de conhecimento quando fora apreen dido pelo sujeito. Portanto, todo conhecimento envolve três ingredientes: · O "eu" que conhece; · A atividade ou ato que se desprende desse "eu". · O objeto atingido pela atividade.

Mesmo quando o estímulo deixa de excitar um órgão sensório, perdura o conhecimento. Esse conhecimento é a imagem, que é o que fica no cérebro, de uma sensação cessada. As sensações é que são objetos do conhecimento. Os objetos do mundo exterior permaneceriam inacessíveis ao conhecimento, pois, ao estimularem os órgãos dos sentidos, apenas produzem impulsos nervosos sempre iguais. Esta afirmação não nega o mundo exterior, isto porque o conhecimento é efeito da ação dos objetos sobre os órgãos dos sentidos, se assim não fosse haveria a explicação possível para a existência de sen sações. Cada sensação é a tradução individualizada de um determinado objeto ou estímulo. A percepção individualizada de um todo de uma árvore, de uma música, por exemplo, resulta da conjugação de sensações individualizadas das partes desse todo. Os órgãos dos sentidos ao serem impressionados por um objeto do mundo exterior lançam, pelos nervos aferentes, um conjunto harmônico de impulsos e não apenas um só impulso. E esses impulsos produzem, no cérebro, sensações reciprocamente ajustadas, compondo a percepção do objeto que como estímulo. A qualidade da sensação depende do centro cerebral a que impulso é levado. As imagens são interpretações dadas pelo cérebro a esses impulsos nervosos, mas também ordena as reações do organismo, em reposta aos estímulos que existiram as células nervosas. A imagem não é cópia de um objeto já conhecido. Como copiar o que não se conhece. O objeto é para o sujeito sempre diferente, segundo os aspectos com que se examina, pois muda de aspecto conforme o ângulo em que é visto, conforme a distância que o separa do conhecedor etc..A razão não é uma cera passiva onde as sensações se inscrevem, mas um órgão ativo que as ordena, transformando a multiplicidade caótica dos fatos da experiência em ordenadas unidades do pensamento. A coisa e si (em m oposição à coisa tal qual parece) permanece, de certa maneira uma incógnita, segundo Kant. Ele admite a realidade do objeto independente do sujeito pensante. As coisas em si ou "noumenons" não incognoscíveis. Nítida é a correlação entre o sujeito pensante e o objeto pensado. Esse relacionamento intelectual entre ambos é o que chamamos de conhecimento. Há dualidade de pensamento e objeto. A dualidade entre sujeito e objeto é universal. Se pensarmos uma maça é doce e posso morde-la, o pensamento nem é doce, nem tem a possibilidade de ser mordido. Se pensar um triângulo mediante o pensamento de um triângulo, o triângulo possui três ângulos, mas o pensamento que lhe é correspondente carece de ângulos. O conhecimento de algo está condicionado pelo sistema de referência daquele que conhece, logo, não há conhecimento absoluto, pois ele só pode ser relativo. Este sistema de referência é produto de muitas causas do legado genético, aprendizagem, experiências etc..Cada homem possui seu próprio universo cognitivo, mas seu sistema de referência pode não pertencer exclusivamente a ele, por ser de uma comunidade inteira. Oriundos das mesmas contingências é natural que os sistemas de referência de pessoas de um mesmo grupo sejam semelhantes uns aos outros. Tais sistemas constituem um patrimônio cultural comum. Aos se relacionar um conhecimento a um sistema de referência, formula-se um juízo, que é o ato mental pelo qual se firma ou se nega uma idéia. Impossível é o conhecimento sem esta operação de enunciar e combinar juízos entre si, uma vez que o conhecimento implica sempre uma coerência entre os juízos que se enunciam e, além disso, só se poderia transmitir conhecimentos mediante juízos. GRADUAÇÃO DO CONHECIMENTO: VULGAR, CIENTÍFICO E FILOSÓFICO (Filosofia do Direito Miguel Reale) pg 53 a 61) CONHECIMENTO VULGAR OU COMUM É o conhecimento que nos fornece a maior parte das noções de que nos valemos em nossa existência cotidiana. Conhecimento vulgar não significa conhecimento errado ou errôneo, pois pode ser conhecimento autêntico. Significa apenas conhecimento não verificado, não dotado de certeza. É o conhecimento que vamos adquirindo à medida que as circunstâncias o vão ditando. É aquele conhecimento do cotidiano, do dia-a-dia, que se resume a um amontoado de informações que vão se depositando em nossa mente sem que haja necessidade ou preocupação com a verdade. É o conhecimento em que não há certeza da certeza. Exemplo: todos nós sabemos que o relógio marca as horas e que ao dia sucede análises mais profundas se isso é realmente verdade. É um saber parcial, desordenado e não metódico. CONHECIMENTO CIENTÍFICO É aquele saber fundado, demonstrado e sistematizado. É o tipo de conhecimento que se submete à comprovação de verdade. É um conhecimento de causa efeito. Requer tipologia, método, que é o caminho, para se chegar à

verdade e ordem. Conhecimento científico é aquele que obedece a um processo ordenatório da razão, não é um saber que se receba pronto e acabado, mas sim um saber obtido e elaborado, com consciência dos fins a que se propõe e dos meios para efetiva-los, visando sua justificação como saber verdadeiro ou certo. Este conhecimento é sempre de cunho ordenatório, realizando uma ordem ou classificação, necessitando-se de uma síntese que busca os nexos que unem os fatos, não é conhecimento do particular em si, mas conhecimento do geral, ou do particular em seu sentido de generalidade, ou em sua essencialidade categorial. É aquele que procura dar às constatações um caráter estritamente descritivo, genérico, comprovado e sistematizado. Não é conhecimento fortuito, casual, mas, ao contrário, é um conhecimento metódico. É o método que faz a ciência. 4 Conhecimento científico é aquele que obedece a um processo ordenatório da razão, garantindo-nos certa margem de segurança quantos aos resultados, a coerência unitária de seus juízos e sua adequação ao real. É aquele que verifica os próprios resultados, pela ordenação crítica de seu processo. O conhecimento científico realiza sempre uma ordenação dos fenômenos e da realidade orientando-se no sentido da generalidade objetiva. Este trabalho de ordenação se processa vertical e horizontalmente. Verticalmente no sentido de uma sondagem cada vez mais penetrante nos estratos da realidade para a classificação minuciosa dos objetos e a indagação de seus antecedentes e conseqüentes; e, horizontalmente no sentido de procurar, cada vez mais, os nexos que ligam entre si os resultados atingidos. CONHECIMENTO FILOSÓFICO É o conhecimento crítico. É o aprofundamento da essência (fazer críticas, formular opiniões, emitir juízos). Quando estamos diante de explicações tão gerais que não podemos pensa-las mais gerais ainda atingimos as verdades universais. Possui valor crítico-axiológico sem o qual o genérico não seria superado pelo universal. O Universal supera o genérico enquanto o põe em crise, pela sondagem de seus pressupostos. ESTRUTURA DO CONHECIMENTO: TIPOLOGIA, LEIS, PRINCÍPIOS, JUÍZOS. TIPOLOGIA Toda ciência requer tipologia (especificação) ou em um sentido mais ampla categorização (classificação). É uma forma de ordenação da realidade em estruturas ou esquemas, Em outras palavras, todo conhecimento científico implica certa tipologia, ou seja, uma categorização, porém a ciência não pode prescindir de tipos, de gêneros, pois todas as ciências albergam uma tipologia, que é sempre forma adaptável de categorização como momento essencial do saber científico. O tipo ordena o que há de essencial entre os elementos de uma série de fatos que nos interessa conhecer. Exemplo o trabalho do advogado consiste em descobrir na lei e na doutrina o tipo correspondente ao caso particular que lhe cabe examinar. A ciência, portanto, requer sempre a classificação, ou a tipificação do real, e opera segundo modelos. LEIS Devem ser tomadas em sua acepção mais geral. As leis são aplicadas ao Mundo Natural e ao Mundo Ético e Jurídico. No Mundo Natural há as leis da natureza. No Mundo Ético há aquelas leis que são básicas para o convívio harmonioso do homem em sociedade. Porém, atualmente, a palavra lei tem sido empregada pelos juristas como norma de conduta e de regra a ser obedecida. Segundo Montesquieu, a "lei é a relação necessária que deriva da natureza das coisas "aplicável tanto no campo das ciências naturais, como no das ciências ético-jurídicas. O Direito, como ciência, não pode deixar de considerar as leis que enunciam a estrutura e o desenvolvimento da experiência jurídica, ou seja, aqueles nexos

Exemplo: dar aula. Um juízo pode ser reduzido a outro mais simples e este. dizemos que alcançamos os princípios. dizemos que estamos raciocinando. Exemplo: da identidade e o da razão suficiente. Quanto o nosso pensamento opera essa redução certificadora. Princípios são um conjunto de juízos fundamentais. quando combinamos juízos entre si segundo um nexo lógico de conseqüências. um homem de virtudes. 5 ESTRUTURA DO CONHECIMENTO PRINCÍPIOS Toda ciência é fundada em pressupostos. JUÍZO É o ato mental pelo qual atribuímos certa qualidade ou propriedade a um objeto. O juízo é a formulação de uma idéia. a formulação lógica que deve ter conexão.que. 6 RACIOCÍNIO: é um conjunto ordenado e coerente de juízo. . ordenados em um sistema de conceitos relativos a dada porção da realidade. A palavra princípio tem 2 interpretações: PRINCÍPIO MORAL: Totalmente relacionado à ética. há sempre a possibilidade de reduzi-la a outro juízo que nos assegure certeza do enunciado. por sua vez. escrita ou verbal de um juízo. Todo juízo envolve um questionamento. o Direito também possui princípios. que não seja por si evidente. sendo chamados de princípios. Quanto atinge juízos que não podem mais ser reduzidos a outros. que servem de garantia de certeza a um conjunto de juízos. até atingir juízos que não podem ser mais reduzidos a outro. também pode ser reduzido. Assim. Formulamos juízos quando emitimos a apreciação de algo. A palavra princípio tem duas acepções: · De natureza moral.quando dizemos que um indivíduo é homem de princípio. Como vimos. à Mineralogia etc. há os princípios morais e os lógicos. É quando atingimos juízos que não ser reduzidos a outros. Este é quando não há mais porquês. PRINCÍPIOS REGIONAIS (comuns a um grupo de ciências). com certa constância e uniformidade. Não podemos conhecer ou transmitir conhecimento sem formular juízos. de boa formação e que sempre se conduz fundado em razões morais. ligam entre si e governam os elementos da realidade jurídica. incontestáveis. sendo necessária essa atributividade porque aí se processa a pretensão da verdade. Juízo é a ligação lógica de um predicado a algo. sendo essencial à Física. Exemplo: que temos no direito. Esta é a acepção ética do vocábulo.princípios são verdades ou juízos fundamentais. uma pergunta sobre a validade ou o seu fundamento. é a molécula do conhecimento. PRINCÍPIOS MONOVALENTES (aplicado a 1 ciência) São aqueles que são válidos apenas para um sistema determinado de indignação. ou seja. PROPOSIÇÃO: é a Expressão oral. por ser evidente. como fato social. quando se enuncia um juízo. TIPOS DE PRINCÍPIOS PRINCÍPIO UNIVERSAL (comuns a todas as ciências). pois não há campos do conhecimento humano que possa deles prescindir. · Ordem lógica. ou seja. implicando sempre numa "pretensão de verdade". Tendo em vista esta afirmação. à Química. é aquele segundo a qual ninguém acusa alegando ignorar a lei. Exemplo: o da causalidade que está ligado ao conjunto das ciências respectivas. dizemos que atingimos princípios. que servem de alicerce ou de garantia de certeza a um conjunto de juízos. PRINCÍPIO LOGÍCO: É necessário entendermos primeiramente o que seja juízo.

e só é válido quando verificado por fatos metodicamente observados. CRITICISMO EMPIRISMO: São todas aquelas correntes de pensamento que sustentam ser a origem única ou fundamental do conhecimento dada pela experiência. pois não seria relevante no mundo da Filosofia. Segundo Leilniz. porém admitem que os fatos contribuem para a formação de verdade. EMPIRÍSMO INTEGRAL: reduz todos os conhecimentos. VERADES DA RAZÃO: são verdades que fazem parte do próprio pensamento humano são dotadas de universalidade e de certeza.CONHECIMENTO QUANTO À ORIGEM: EMPIRISMO. ou pelo menos aquilo que eles revelam. Tal fato pode ser econômico. que são aqueles cujo predicado está contido no sujeito. Historicamente o empirismo jurídico vem sendo visto dos mais variados ângulos: já visto como um fato econômico. Para os intelectualistas. mas não reduzindo a ela a validez do conhecimento. O EMPIRISMO E O DIREITO Os empiristas sustentam a colocação de que o Direito é um fato que se liga a outros fatos através dos nexos de causalidade. nem todas as verdades são verdades de fato. sujeitos à retificação e verificação sucessivas. RACIONALISMO. o racionalista não deve reduzir o saber a razão. Hume. Os racionalistas se opõem à afirmação de que o conhecimento é uma pura ordem de fatos. à fonte empírica. que alguns dizem ser. EMPIRISMO CIENTÍFICO: só admite como válido o conhecimento oriundo da experiência ou verificado experimentalmente (Posição do neopositivistas). mesmo o qual pode ser não empiricamente válido. Alguns autores medievais afirmam que não existe nada no intelecto que não tenha passado antes pelos sentidos. mas constitua condições de pensamento. Há uma exceção deste questionamento de Leilniz: a inteligência. questiona se o que existe na inteligência provém dos sentidos. geográfico. estas verdades têm resultados sempre provisórios. de maneira absoluta e abstrata. é claro que a inteligência não pode ser resultado das sensações. implicando sempre a possibilidade de correção. demográfico ou racial. RACIONALISMO Acredita no papel preponderante da razão. mas sim que o conhecimento seria fornecido inicialmente pela experiência imediata. VERDADES DE FATO: são incertos e particulares. Existem e distinguem-se a s verdades de fato e da razão. Para Leilniz. Tal verdade não se origina do fato. A inteligência tem função e valor próprio dotado de verdades que os fatos não explicam. fato de solidariedade. àquilo que é produto de contato direto e imediato com a experiência (posição de Mill. para se conhecer aquilo que está nos fatos. porém. Dizem que os fatos não são fontes de todos os conhecimentos e que. por si sós não nos oferecem condição de certeza. inclusive os matemáticos. a inteligência tem função positiva no ato de . e de alguns positivistas contemporâneos). Depois temos empiristas que não se apegaram à redução do conhecimento às sensações. Os empiristas defendem a idéia de que todo conhecimento chega a nossa mente através da experiência. Os conhecimentos seriam posteriores à experiência. como nos casos dos juízos analíticos. EMPIRÍSMO MODERADO: explica a origem temporal dos conhecimentos a partir da experiência. Se a 7 inteligência tem função ordenativa do material que os sentidos apreendem. a experiência sensorial. Segundo Bertrand Russel: "empirismo pode ser definido como a afirmativa de que todo conhecimento sintético é baseado na experiência. passa à regra jurídica através de um laço necessário de causalidade.

atribuindo à inteligência função positiva no ato de conhecer.conhecer e não apenas uma chapa fotográfica. DIFERENÇA ENTRE O EMPIRISMO E O RACIONALISMO O empirismo se orienta no sentido do fato fundante. Miguel Reale em seu livro "Filosofia do Direito" afirma que o Criticismo ainda dá muito valor à razão. afirma que o conhecimento se dá quando o pólo negativo. Por outro lado. de maneira que a explicação conceitual mais simples se tenha em conta da mais simples e segura explicação conceitual mais simples se tenha em conta da mais simples e segura explicação da realidade. Juízo sintético é um acréscimo aos atributos do sujeito. CRITICISMO O Criticismo aceita e não aceita determinadas posições assumidas pelo empirismo e pelo Racionalismo. Exemplo o livro contém informações. por ter revisto a colocação mesma dos problemas. tanto assim que só adquire validade . colocando o problema do conhecimento em função da correlação "sujeito-objeto". INTELECTUALISMO Uma das possíveis formas do racionalismo. surge o Criticismo Antognosológico que diz que não há raciocínio lógico sem experiência sem raciocínio lógico. 8 JUIZOS ANÁLITICOS: são considerados a priori. Essa atitude não é eclética. trata-se da corrente originada de Aristóteles que reconhece a existência das "verdades da razão". ou seja. indagando de todas as suas condições e pressupostos. JUÍZOS SINTÉTICOS: são considerados a posteriori. pois os dados sensoriais só adquirem validade universal quando submetidos à ordenação da razão. E diz também que só podemos admitir algo a priori se a afirmação é feita em função da experiência e só é possível a experiência fundada em conceitos admitidos a priori. não há razão sem experiência nem experiência sem razão como dizia Hegel O Criticismo implica sempre um estudo metódico (ordenado) prévio do ato de conhecer e dos modos de conhecimento. ele sustenta que o conhecimento de base empírica não pode prescindir de elementos racionais. a qual fornece material cognoscível (que se pode conhecer) coincidindo neste ponto com o empirismo. O Racionalismo afirma que o conhecimento acontece em virtude da razão. ou racionalizar o real. Em contrapartida. onde a razão busca a validade de suas conseqüências. o leite é branco. ficando em segundo plano a experiência. que a razão por si mesma consiga atingir. o conhecimento provém da razão ". afirma que o conhecimento de base empírica não deve prescindir de elementos racionais. a certeza da verdade tem que passar pela razão. liga-se ao pólo positivo (entendimento). pois resulta de uma análise de conhecimento. O sujeito contém o predicado. O Empirismo prega que o conhecimento se dá através da experiência. RACIONALISMO ANTOLÓGICO Consiste em conceber a realidade como racional. Kant diz que os conceitos sem as intuições são vazios e as intuições sem os conceitos são cegas. Para os racionalistas. são dotados de universalidade (generalidade) e independente da experiência. Exemplo: o livro é encardenado. O predicado está implícito no conceito do sujeito. Além disso. O sujeito não contém o predicado. O criticismo aceita e recusa certas afirmações das duas correntes (Racionalismo e Empirismo). O Criticismo de Kant diz que o conhecimento não deve prescindir da experiência. que registra impressões mas é capaz de subordinar a si elementos empíricos de maneira a capta-los na sua essência. Kant diz que o conhecimento não pode prescindir da experiência. porém. O racionalismo preocupa-se com a idéia fundante. mas possua um valor próprio e autônomo. são verdades contingentes particulares. já que esta é o elemento que fornece o material a ser conhecido. elemento empírico.

Há dois métodos: o mediato e o imediato. que marca o contato do sujeito cognoscente com algo graças às impressões dos sentidos e à percepção. o seu valor é meramente explicativo. com os elementos do mundo real. que nos põe em relação com algo realmente existente. Captamos a impressão do objeto. Consolidou a partir de Kant esta distinção: JUÍZOS ANALÍTICOS São dotados de validade universal e necessária. Ex: metais. A intuição sensível é a primeira via de acesso ao real. sendo que o seu predicado já está incluído no sujeito. que marca o contato do sujeito cognoscente com algo graças às impressões dos sentidos e da percepção. O conhecimento imediato nos é dado pela intuição sensível. ANALOGIA:É a primeira forma de conhecimento mediato e consiste em estender a um caso particular semelhante às conclusões postas pela observação de um caso correlato ou de contato e pontos de dessemelhança com o processo intuitivo. Segundo Kant. É importante verificar racionalmente as conexões de sentido que a intuição nos revela. Coincide com a intuição por ser conhecimento do particular. ou os conceitos a priori do entendimento. O que nos leva a indagar. eles derreterão. PROCESSO IMEDIATO: O conhecimento adquirido de uma forma direta. traduzindo um acréscimo às conotações deste. A idéia de método está sempre ligada à idéia de um desenvolvimento racional. Para Kant o conhecimento é sempre uma subordinação do real à medida do humano. EXPERIÊNCIA RAZÃO = CONHECIMENTO Experiência adquirida pelos sentidos e impulsionadas a uma razão. sendo esta afirmação feita em função da experiência. O homem conhece. A captação do conhecimento é direta e sem interferência. FORMAS DO CONHECIMENTO Dá-se as formas de conhecimento em função dos métodos de atingir-se a verdade. PROCESSO MEDIATO: O conhecimento é adquirido de forma indireta. pessoal e intransferível . distinguindo-se do ser particular. Ex: o livro encadernado. no ato de pensar. neste juízo o predicado expressa sempre algo que não se contém necessariamente no sujeito. mas difere dela por ser sempre de natureza racional. a sua validade é particular. O conhecimento imediato é nos dado pela intuição sensível. que deve sempre vir completar o material sensível. . O conhecimento imediato também ocorre pela intuição racional. JUÍZOS SINTÉTICOSSão considerados sempre a posteriori. valendo mesmo na experiência do sujeito. porque é a compreensão do todo. Conhecimento adquirido de forma direta. Vem de determinada experiência. ou as formas a priori da sensibilidade. sendo que seu objetivo é empírico e ele nos é dado pela intuição sensível. são as evidências. Para Kant o conhecimento está subordinado a uma série de medidas que são. e só é possível experiência condicionada a conceitos admitidos a priori.universal quando os dados sensoriais são ordenados pela razão. enquanto que a intuição pode assumir formas emocionais ou volitivasrelativo à vontade. si se afirma algo a priori. a razão também ordenada e completa no material da intuição estimativa. independente da experiência. É real. deduzimos que se colocarmos os demais metais no fogo. contribuindo para o ato de conhecer. A imagem 9 é lançada diretamente para a razão. passando pela inteligência formando um círculo entre experiência e razão chegando ao conhecimento. Ex: o leite é branco. Se colocarmos um metal no fogo e ele derreter. operando a síntese de matéria e forma. Não há captação direta da imagem. que muitas vezes nos assegura a autêntica apreensão dos elementos singulares.

Completa ou formal. quando se conhece todos os exemplos então realiza-se uma síntese deles. pensa e age. PROCESSO MEDIATO : : O conhecimento é adquirido de forma indireta. ANALOGIA: Extensão de um caso particular semelhante. elementos obtidos dedutivamente. "Sócrates é homem". desempenhando nela também a intuição um papel relevante. INDUÇÃO: Compreende-se do particular formando-se juízos até chegar ao geral. "Todos os homens são mortais". Caracteriza-se como um conhecimento experimental. de um processo de clarificação. deduzimos que se colocarmos os demais metais no fogo. CIÊNCIA DO DIREITO IED : NATUREZA EPISTEMOLÓGICA Conceito de IED: É uma matéria que visa fornecer uma visão global da ciência que trata do fenômeno jurídico. A priori têm-se a intuição sensível. Matemática Geometria = dos ângulos aos triângulos e aos polígonos. É um sistema de . mas a verdade da conclusão depende da verdade das premissas. depois a racional e finalmente a intuição do vontade. PROCESSO IMEDIATO. as conclusões postas pela observação de um caso correlato. ligados entre si por exigências puramente formais. depois de termos examinado e verificado cada um e todos elementos de uma série ou uma ordem de realidade. chega-se a uma conclusão. A indução vem a ser um método da pesquisa científica. ex. A indução envolve sempre elementos obtidos dedutivamente. devendo-se notar que esta envolve sempre. desempenhado a intuição papel importante. sem qualquer barreira em contato direto com o próprio objeto. Ex: metais. ex. que implica sempre a existência de dois ou mais juízos. constituindo um processo de descoberta de verdades gerais. Pende para o empirismo. DEDUÇÃO: É um processo de raciocínio. quando se passa de um enunciado genérico para outros mais gerais ainda. método dos racionalistas. por revelar verdades não sabidas. Trata-se. não fazemos senão exprimir uma síntese ou em uma fórmula aquilo que já sabemos a respeito de cada coisa em sua singularidade. A intuição é o primeiro conhecimento que se tem. A dedução é algo que parte do geral para o particular. portanto. logo "Sócrates é mortal". Método dos empiristas da experiência às leis. Formal silogismo. substancialmente. o sujeito sente. propiciando uma compreensão de conceitos jurídicos comuns a todos os ramos do direito e introduzindo o estudante e o jurista na terminologia técnico jurídica. Amplificadora. Na indução exprimimos em síntese ou fórmula aquilo que já sabemos a respeito de casa coisa em sua singularidade. Cabe à dedução corrigir conclusões indutivas errôneas. INDUÇÃO COMPLETA OU FORMAL: Quando nos elevamos a uma conclusão. 10 Formas do conhecimento Métodos de se atingir a verdade. Não há captação direta da imagem. partindo-se da observação de casos particulares. permitindo-nos passar dos fatos às leis.INDUÇÃO: Na indução o espírito procede do particular para o geral. mesmo sem ter conhecido senão alguns de seus elementos. Se colocarmos um metal no fogo e ele derreter. pois todo raciocínio até certo ponto implica em sucessão de evidências. DEDUÇÃO: do geral ao particular. Nesta. pelo confronto de duas premissas umas maior e outra menor. esclarecimento do real. eles derreterão. Trata-se de processo de clarificação dos dados do real. INDUÇÃO AMPLIFICADORA: quando nosso espírito se eleva a uma conclusão a respeito de toda uma série.

recebidos de múltiplas fontes de informação. "Direito é a realização de convivência ordenada. em duas grandes classes: o Direito Público. há direito" . destinado a oferecer os elementos essenciais ao estudo do Direito. Existem tantas normas e regras jurídicas quantos são possíveis os comportamentos e atitudes humanas. quem age de acordo com essas regras age direito. por faltar-lhe unidade de objeto. as escolas científico-jurídicas. ou em latim. Este é um sistema de princípios e de regras que os homens devem ater em conduta. Deve existir algo de comum a todos os fatos jurídicos. O direito é também um fato ou fenômeno social. não existindo se não na sociedade e não podendo ser concebida fora dela. um manto protetor de organização e de direção dos comportamentos sociais.conhecimento. MULTIPLICIDADE E UNIDADE DO DIREITO Como fato social e histórico o Direito se apresenta sob múltiplas formas. é que existem as regras. Elas representam e refletem um fenômeno jurídico unitário que precisa ser examinado. "Onde há uma sociedade. mas dando-se a razão dos limites estabelecidos à ação. o que deve ou não ser feito. que trata dos interesses da coletividade. visto que a mesma palavra serve para designar a realidade jurídica e a respectiva ordem de conhecimentos. um conjunto de regras obrigatórias que garante a convivência social graças ao estabelecimento de limites a ação de cada um de seus membros. o que se reflete em distintas e renovadas estruturas normativas. e divide-se. O Direito tutela os comportamentos humanos. Deve-se observar o aspecto da correlação entre o Direito como fato social e o Direito como ciência. É necessário possuir o sentido da complementaridade inerente a esta união. Segundo Santi Romano. se dividem em vários outros ramos que são denominados disciplina. De experiência jurídica só se pode falar onde e quando se formam relações entre homens. isto é. visto que as partes do Direito não . quem não o faz age torto. visto que contém conhecimentos científicos. 11 O Direito corresponde à exigência essencial e indeclinável de uma convivência ordenada. Essas classes. de direção e solidariedade. com uma visão preliminar das partes que o compõem e de sua situação na história da cultura. que trata dos interesses do indivíduo enquanto particular. em termos de linguagem e de método. O direito é por . "ubi societas. e o Direito Privado. O Direito abrange um conjunto de disciplinas jurídicas. No conceito de disciplinas há a idéia de limite. em primeiro lugar. OBJETO E FINALIDADE: NOÇÃO ELEMENTAR DE DIREITO Aos olhos do homem comum o Direito é lei e ordem. sem o que não seria possível falar-se em Direito como uma expressão constante da experiência social. Assim. com precisão os conceitos jurídicos fundamentais que serão utilizados pelo jurista na elaboração da ciência jurídica. as normas de direito para amparar a convivência social. por isso denominadas intersubjetivas ( dois ou mais sujeitos). pois nenhuma sociedade sobreviveria sem um mínimo de ordem. um certo ângulo. filosóficos e por: · dar uma visão sintética da ciência jurídica. discriminando o que pode. por sua vez. e para que esta garantia seja possível. Natureza Epistemológica: A introdução à ciência do direito não é ciência. isto é. · apresentar de modo sintético. falta um campo autônomo e próprio de pesquisa. mas é uma disciplina epistemológica. · definir e delimitar. não existindo independente. em função de múltiplos campos de interesse. ibi jus". A disciplina se correlacionam. COMPLEMENTARIDADE DO DIREITO Não basta ter uma visão unitária do Direito.

o saber onde se funda o direito. demonstrado e sistematizado é o saber verdadeiro. que existe sem qualquer interferência humana. é a necessidade de adquirir um vocábulo. é conhecimento certo e ordenado. 12 CARÁTER ENCICLOPÉDICO OU PROPEDÊUTICO Trata-se de uma disciplina essencialmente preparatória ou propedêutica ao ensino dos vários ramos jurídicos. As ciências humanas possuem uma unidade denominada "unidade de fim". em contrapartida existe um mundo cultural. Natureza e Cultura Conceito Existe um mundo natural. filosóficos) introdutórios ao estudo da ciência jurídica. sem a qual não se atingiriam resultados válidos. Os juristas falam uma linguagem própria e devem Ter orgulho de sua linguagem multimilenar. O raciocínio indutivo só se refere a objetos reais. é o construído. (Não no sentido de preparação cultural. tem poder para examinar e resolver determinados casos). pois contém conhecimentos científicos (abrangendo. estuda o fenômeno jurídico tal como ele se concretiza no espaço e no tempo. ou obtidos mediante a indução. o direito positivado. é um processo de pensamento que se desenrola segundo leis próprias ao pensamento mesmo a partir de pressupostos. um método para aquisição do conhecimento. ao contrário. ou evidentes por si. uma finalidade que é conhecer o objeto para descobrir uma suposta futura utilidade. O aspecto filosófico. primeiramente . o todo se constitui para perseguir um objetivo comum. Obs: O raciocínio dedutivo pode-se referir qualquer classe de objetos. Nestas. pois cada ciência exprime-se numa linguagem. Ciência. ou melhor. toda ciência suscita indagações referentes ás condições lógicas de seu próprio desenvolvimento. por força de dispositivos legais da organização judiciária. e certas relações entre objetos reais. É uma enciclopédia. ou seja. Para que se possa entender esta unidade. mas querendo dizer que ele. esta que se constitui em razão de uma função comum. um limite que é o conhecimento acerca do objeto que se quer conhecer e uma fundamentação filosófica que são os enunciados gerais de que se já tem posse onde o cientista busca as linhas que norteavam seu saber. Objeto da filosofia e da Ciência do Direito Filosofia. DIFERENÇA ENTRE INDUÇÃO E DEDUÇÃO A indução é um raciocínio que tem como base necessária a experiência. a dedução. é o conhecimento da generalidade. é o Dado. pois o Direito se renova dia-a-dia. uma unidade de objeto. um mundo modificado pelo homem com base no mundo natural. existe uma linguagem correspondente. A filosofia do direito se coloca perante a indagação científica para examinar as suas condições de possibilidade. Ex: o juiz é competente. É uma matéria essencialmente propedêutica ao ensino dos vários ramos jurídicos. além dos aspectos jurídicos até os sociológicos e históricos. Onde quer que exista uma ciência. CIÊNCIA DO DIREITO Definição de Ciência Ciência é o conhecimento metodicamente fundado. devido às noções básicas e gerais que visa transmitir. . Possui um objeto. dignidade que bem poucas ciências podem invocar. Trata-se de uma ciência introdutória na qual o elemento arte é decisivo. irredutível às partes componentes. formado por um conjunto de enunciados que tem por finalidade transmitir determinada razão.ficam estáticas umas ao lado das outras.

Linguagem do Direito Cada ciência possui uma linguagem. colocar o fenômeno jurídico e a Ciência do Direito na posição que lhes cabe em confronto com os demais campos de ação e do conhecimento. . A ciência do direito possui uma linguagem multimilenar. para seu conhecimento e sua morada. comercial. possuem imperatividade para se impor-se ao fato. que são os da história e da cultura. A imperatividade decorre da valorização do juízo. formados de terra. Está previsão nos mostra uma característica do mundo ético que é a liberdade de escolha por parte do destinatário da lei. Nós viemos a conhecer o mundo do Direito. Devemos. Leis culturais. Estrutura das normas éticas Toda norma ética liga-se a um juízo de valor (deve ser) ao qual se liga uma sanção que prevê o descumprimento desta regra. etc. devemos recorrer à noção de ordem. italiano da Segunda metade do século XIX. então. 14 DIREITO NO MUNDO CULTURAL Não existe apenas continentes geográficos. direito publico-constitucional . orgânica ( como a unidade do funcionamento dos órgãos. Há também a necessidade de localizar o Direito no mundo da cultura no universo do saber humano. subordinadas aos fatos. um existe em razão do outro) e de fim parecida com a orgânica. formam um conjunto unitário cuja visão panorâmica é objeto da Introdução aos Estudos de Direitos. É preciso que cada qual conheça seu mundo. administrativo) que não podem ser apreciadas em separado. implicam a idéia de valor e em conseqüência deste valor. Cada um de nós elege um país em um dos continentes do saber. Mundo ético Há sempre juízos de valor sobre os comportamentos humanos que culminam na escola de diretrizes consideradas obrigatórias numa coletividade. Existem dois tipos de unidade: mecânica ( que é a unidade da natureza. o todo se constitui para perseguir um objeto comum. formando uma unidade. ao contrário. A norma ética é estrutura em função do comportamento normalmente aceito e previsível do tipo de homem dotado de tais ou quais qualidade que o tornam um destinatário razoável. o que é uma forma de conhecer-se a si mesmo. Método do Direito Método é o caminho que se deve percorrer para a aquisição da verdade.13 Leis físicas e culturais Leis físicas. pois não são independentes uma das outras. mar. Complementaridade do Direito As disciplinas não estão lado a lado como coisas acabadas e estáticas porque o direito é ordenação que dia a dia se renova e estas estão sempre umas dependendo das outras. Existem continentes de outra natureza. A ORDEM UNIVERSAL Para situar o direito no conjunto dos conhecimentos humanos e fixar sua posição dentro da realidade universal. descrições ( retratos) dos fatos. como a que encontramos no granito). Sem método não há ciência a IED não é uma ciência mas um sistema de conhecimentos logicamente ordenados. os do conhecimento e do operar do homem. Multiplicidade e unidade do direito Temos diversas disciplinas jurídicas ( direito privado-civil. mas aplicada nas ciências culturais). "A norma ética brilha com esplendor insólito no instante mesmo em que é violada Rosmini Filos.

e transcendental. ·O rdem metafísica : relativa ao ser considerado apenas como ser. A ordem é uma das idéias primárias do pensamento e. A noção de ordem é transcendental. ·O rdem matemática : refere-se fundamentalmente ao número e à extensão. ordenamos as idéias para chegarmos ao conhecimento de: · O direito tem por objeto a realização da ordem na vida social. todo mineiro é . Impressionados por essa ordem universal. também não haverá ordem. uma das realidades fundamentais da natureza. que significa desordem. por falta de multiplicidade. Ex: 10x10= 100. Suas subdivisões são: ·O rdem lógica : é a ordem que a razão realiza no próprio raciocínio. confusão. passa através de todos os setores da realidade. ao mesmo tempo. A ordem teórica possui três espécies fundamentais. por falta de unidade. O problema capital da teoria do conhecimento consiste em saber como a ciência é possível. Ex: a ordem existente no movimento dos astros ou na estrutura de um vegetal. É ordem no movimento dos astros. e os raciocínios da lógica.A ordem é uma das idéias primárias do pensamento. Existe ordem em todos os movimentos e setores da natureza. Podemos distinguir duas espécies fundamentais de ordem: teóricas ou especulativas e práticas ou normativas. · A ordem pode ser definida como a unidade na multiplicidade e supõe sempre dois elementos. Ex: algumas cores são atiradas aos acaso sobre uma tela. A noção de ordem. Não há ordem sem unidade ou sem multiplicidade. além de considerar. Tudo gira em torno da ordem. essência e existência. as obras de arte. Ao queremos apreender algo. A existência da ordem é um fato. · A ordem é considerada como sinônimo de beleza. Refere-se às noções de causa e efeito. na estrutura de um organismo vivo. Se na tela estiver uma cor só. Nada existe no mundo se não fizermos ordenadamente. Ex:: ordem existente em uma célula viva. tudo que seja produto entre os seres em sociedade. Da mesma forma. perfeição denominada pelos gregos de "cosmos". ·O rdem física ou natural : refere-se aos seres da natureza. porque há "ordem" nas coisas. todo paulista é brasileiro. isto é. e ao mesmo tempo. Não há ordem sem unidade e multiplicidade. realiza. no crescimento de um vegetal. na vida social manifesta. não se perceberá ordem numa tela de uma só cor. não haverá ordem por falta unidade. Ex: ordem existente na construção de um edifício. mas agora por falta de multiplicidade. passa através de todos os setores da realidade. beleza) e ao "cosmos" opuseram o "caos"(desordem. Ex: todo mineiro é brasileiro (ordem lógica).ORDEM. uma das realidades fundamentais da natureza. PRÁTICA OU NORMATIVA: É a que a razão. considerando em sua realidade qualitativa e quantitativa. o progresso. E ao cosmos se opõe ao "caos". não haverá ordem. 15 TEÓRICA OU ESPECULATIVA: é aquela que a razão apenas considera ou contempla. etc. Ex: Se forem jogadas ao acaso cores sobre uma tela. os gregos chamaram o mundo de "cosmos"(ordem. as conquistas da técnica. portanto. confusão). A ordem pode ser definida como "a unidade na multiplicidade". isto é. É a existente no mundo das quantidades. Depende da atividade do homem e é regulado pelo homem. isto é. na divisão do trabalho e na distribuição das funções sociais.

fatos biológicos. é a menos geral. CIÊNCIAS TEÓRICAS: são aquelas que conhecem por conhecer. ao mesmo tempo. E. CIÊNCIAS DE TIPO MATEMÁTICO: não considera a matéria ou conteúdo dos elementos. caso se preocupe com a utilidade. de certa forma. CIÊNCIAS DE TIPO METAFÍSICO: estuda o ser. dirigem a produção de coisas exteriores. visto que pode ser aplicada a todas mais complexa. enquanto ser. Prática de fazer (transitivo) e prática de agir (intransitivo). São as que conhecem para dirigir a ação. visto que só se aplica à vida social. e. São subdivididas em: CIÊNCIAS FÍSICAS OU NATURAIS: são classificadas em: CIÊNCIAS CULTURAIS: que estudam a natureza transformada pelo homem. mas apenas seu aspecto quantitativo. São ciências formais. fenômenos químicos. Deste modo. isto é. Têm por finalidade dar normas ao agir. Ex: medicina (curar). O objeto da arte é o fazer. CIÊNCIAS PRÁTICAS: sua finalidade é dirigir uma ação. conseqüentemente. O objeto da moral é o agir. Dependendo de como a pessoa agir estará observando ou não a ordem moral. Subdividem-se em: CIÊNCIAS MORAIS. a Matemática é a menos complexa. engenharia (construir). CLASSIFICAÇÃO DAS CIÊNCIAS BASEADAS NA ORDEM UNIVERSAL O objeto das ciências é investigar a ordem. mecânicos e relações matemáticos. CIÊNCIAS ARTÍSTICAS: indicam normas para o "fazer". físicos. se o homem se preocupa com a beleza temos ordem estética. pois se ocupa apenas com as relações de quantidade. HUMANAS OU ATIVAS: São as que dirigem a atividade humana propriamente dita. temos ordem técnica. porque o fato social inclui. Quem rouba está violando a ordem moral. logo todo paulista é mineiro (desordem lógica). São classificadas em teóricas e práticas. arquitetura (planejar). a mais geral. já quem cumpre seu dever e respeita a personalidade e os direitos dos demais age ordenadamente. Ela separa todas as "qualidades" sensíveis e "quantidades" para ficar apenas o ser.brasileiro. ·O rdem moral : é a ordem que a razão realiza na vontade ou na atividade humana e sua característica fundamental é a liberdade. ·O rdem artística : é a que o espírito humano realiza nas coisas exteriores. CLASSIFICAÇÃO DOS CIÊNCIAS DE AUGUSTO COMTE E DE DILTHEY Augusto Comte classifica as ciências em: 16 1Matemática 2Astronomia (Mecânica universal) 3Física 4Química 5Biologia 6Sociologia O critério dessa classificação é a complexidade crescente e a generalidade decrescente de cada ciência. Podemos dizer que a moral é a ciência do agir e a arte é a ciência do fazer. ao mesmo tempo. É também chamada de antologia (ciência do ser). Esta concepção de Comte reduz todas as ciências ao plano físico- .

a História. representando tipicamente a direção naturalista. 2A CLASSIFICAÇÃO DE ARISTÓLTELES NOS PERMITE DISTINGUIR DIVERSAS ACEPÇÕES DO VOCÁBULO "CIÊNCIA". mas este conhecimento tem repercussão na própria vida jurídica. São subdivididas em: · Ciências do espírito subjetivo. morais. semelhante aos demais fenômenos da natureza. inclusive o direito. CLASSIFICAÇÃO DAS CIÊNCIAS DE DILTHEY Dilthey classifica as ciência em duas espécies fundamentais: ciências da natureza e ciências do espírito (hoje denominadas ciências humanas ou culturas) CIÊNCIAS DO ESPÍRITO: têm por objeto o mundo do pensamento. sociais. mas também prática.zetético e dogmático O PROBLEMA DOS DIFERENTES ENFOQUES TEÓRICOS. CONCLUSÕES 1A DIVISÃO DAS CIÊNCIAS TEÓRICAS EM: NATURAIS E CULTURAIS. Redefinir é um problema não somente de natureza teórica. da qual seriam partes a ciência do direito. 3A CLASSIFICAÇÃO DE ARISTÓTELES REFERE-SE A "TIPOS"DE ENUMERAÇÃO DE CIÊNCIAS INDIVIDUALMENTE CONSIDERADAS. da cultura ou do espírito. Além da matemática e da física biológica e assim por adiante. IDEAIS. Nesse sentido já houve quem dissesse que a "ciência do . 4EM RELAÇÃO À CLASSIFICAÇÃO EM CAUSA: A CADA UM DESSES TIPOS OU CATEGORIAS DE CIÊNCIA. o direito se situa evidentemente entre as ciências humanas. FORMAIS E METAFÍSICAS DISTRIBUI A UNIVERDALIDADE 17 DOS OBJETOS EM CATEGORIAS: OBJETOS NATURAIS. A proposta de um conceito envolve o seu conhecimento. a pedagogia. CULTURAIS. CIÊNCIAS DA NATUREZA: A essa diversidade de objetos corresponde uma diferença de métodos no estudo de cada ciência: "explicando" ( nas ciências naturais) e "compreensão"(ciências culturais). ou psicológicos.matemático. Evidentemente o lugar da ciência do direito nessa classificação é dentro da sociologia ou física social. entre outros. que se recusa a reduzir o Direito. · Ciências do espírito objetivo. a Pedagogia e as demais ciências humanas a categoria de "ciências físicas ou naturais". o direito é considerado um fenômeno natural ou físico. a cultura se compreende. produto das ações humanas. considerada por Comte como a ciência social geral. a ciência da qual seriam partes a ciência do direito. a economia. Cultura é a natureza transformada ações humanas. A classificação de Dilthey representa a direção culturalista. que consideram o espírito humano no próprio sujeito. que consideram o espírito humano nos objetivos ou produtos culturais e constituem as ciências culturais propriamente ditas: históricas. E METAFÍCOS. a ciência política. Dilthey diz: a natureza se explica. Dentro dessa perspectiva.ZETÉTICO E DOGMÁTICO Redefinir o termo direito é muito difícil. CIÊNCIA DO DIREITO ZETÉTICA E DOGMÁTICA JURÍDICAS O problema dos diferentes enfoques teóricos. CORRESPONDE UM CRITÉRIO OU VALOR FUNDAMENTAL. Assim. considerado no próprio homem ou na realidade histórica e social. Cultura é a natureza transformada pelo homem.

mesmo quando postos em dúvida em relação aos problemas. o objeto de estudo do jurista é. Ela não informa apenas sobre como se entende a posse. são lexicais. Ex: Conserte a mesa. permanecendo abertos à crítica. Isto é. Quanto ao físico. conservam o seu caráter hipotético e problemático. mas. No caso do jurista a definição é superada porque deixou de ser atuante.direito" evolui de um modo diferente das demais: ciências. ampliam esse horizonte. Assim. não põem em perigo as premissas de que partem. postos fora de questionamento. de tal modo que estas. que siginifica perquirir (investigar com escrúpulo. As teorias jurídicas sobre a posse "se ultrapassam" apenas num sentido figurado. No caso do físico a definição é superada porque se tornou falsa. por assim dizer. explica um fenômeno. a teoria jurídica da posse evolui e se transforma na medida em que atua. Os elementos servem para delimitar o horizonte dos problemas a serem tematizados. devem ser ajeitadas a elas de maneiras aceitável. 18 O direito como objeto pode ser estudado de diferentes ângulos. predominando o lado resposta. mas também como ela "deve ser" entendida. pode-se usar o aspecto pergunta. no convívio social. os conceitos básicos. vamos distinguir genericamente entre um enfoque zetético e um dogmático. as demais respostas. Isto porque. inquirir minuciosamente). Já o jurista quando define posse. ou seja. que significa ensinar. Para o jurista a informação combina um sentido informativo com um diretivo (dogmático). ENFOQUE ZETÉTICO: Para se proceder à investigação de um problema. com o jurista há a redefinição. assumidos como insubstituíveis. assim. Eles dominam. as definições da física. Isto é. ao trazerem esta problematicidade para dentro deles mesmos. as premissas. pelo menos temporariamente . a diferença . ao mesmo tempo. sobre a própria posse. DIRETIVO (DEVE SER). Para esclarece-lo. Já as teorias físicas sobre o movimento vão se ultrapassando à medida que o fenômeno vai conhecendo novas explicações que o organizam de modo diferente. Dogmática vem de dokein. Para o físico. os princípios ficam abertos a duvida. enquanto para as demais ciências o objeto de estudo é um dado que o cientista pressupõe como uma unidade. Diríamos então que tanto o físico quanto o jurista têm definições guiadas por critérios de utilidade teórica e de conveniência para a comunicação.Quando a língua é utilizada para dirigir o comportamento de alguém. ou seja. São elementos subtraídos a duvida. mas também como é interpretada pela doutrina jurídica. Mesmo não havendo uma linha divisória entre as duas apesar de que numa investigação acentua mais um enfoque que o outro. suas definições teóricas superam à medida que o estado de coisas referido muda. DOGMÁTICO: Acentua o aspecto resposta. como postos de modo absoluto. mas sempre contém os dois. doutrinar. ao contrário. mantidos como solução não através. Zetética vem de zeteim. INFORMATIVO (SER). esta comunicação tem sentido informativo (zetético). que como teoria. eles são. positiva ou negativamente. em geral. mesclam-se as duas funções. Exemplo: posse. um resultado que só existe e se realiza numa prática interpretativa. pois não há uma história do próprio direito. A posse é não apenas o que é socialmente. induzindo-o a adotar uma ação. Se o aspecto pergunta é acentuado. não perdem a sua qualidade de tentativa. aqueles elementos que constituem a base para a organização tem um sistema de enunciados.A comunicação tem este sentido quando utiliza a linguagem para descrever certo estado das coisas Ex: Esta mesa está quebrada.

CIÊNCIA DO DIREITO OBJETIVO DA FILOSOFIA DO DIREITO Seria uma perquirição permanente e desinteressada das condições morais. Sem método não há ciência. portanto. por razões etimológicas já que deriva da palavra latina scientia. ordenados e conexos entre si. Já o enfoque dogmático se preocupa em possibilitar uma decisão e orientar a ação.parte de evidências DOGMÁTICA. Método é o caminho que se deve percorrer para a aquisição da verdade. e um sistema de conhecimentos verificados. o enfoque zetético visa o saber o que é uma coisa. Já a dogmática não questiona porque são estabelecidas e inquestionáveis. Nas questões zetéticas. Sendo constituída de enunciados verdadeiros. A investigação zetética é diferente de uma época para outra. em determinada época. A ciência é. HIPÓTESES: aqueles enunciados que. porém. Ambos estão sujeitos a questionamento.parte de dogmas 19 A CIÊNCIA DO DIREITO Tem por objeto o fenômeno jurídico tal como ele se encontra historicamente realizado. nos indica que elas são verdadeiras. Questões zetéticas têm função especulativa explícita e são infinitas. saber. em certa época. ESTUDO DO VOCÁBULO CIÊNCIA O vocábulo ciência não é unívoco. os duvidosos. Questões dogmáticas têm função diretiva explícita e são finitas. No sentido filosófico. já a Filosofia do Direito indaga as condições mediantes quais esta concretização é possível. são de comprovação e verificação relativamente frágeis. desintegra. Uma investigação zetética construi-se a partir de constatações certas. A Filosofia do Direito responde: O que é Direito? Em que se funda ou se legitima o Direito? Qual o sentido da história do Direito? A Filosofia do Direito não se confunde com Ciência Direito. No entanto.entre elas é importante. o problema tematizado é configurado como um SER ( que é algo?). ZETÉTICA. pondo-as em dúvida. na acepção vulgar. a situação nelas captada se configura como um deve ser (como deve ser algo?). cuja evidência. Não é o que se dá com o conhecimento metódico quando dizemos que temos ciência de uma coisa é. é aquele complexo de conhecimento certos. há necessidade de seguir um método. Desde que. O conhecimento vulgar pode ser correto. uma via que nos leve ao conhecimento seguro e certo. Tanto na investigação zetética quanto na dogmática alguma coisa tem de ser subtraída à dúvida. "ciência" indica conhecimento. A zetética deixa de questionar alguns enunciados porque admite como comprováveis e verificáveis. Nas questões dogmáticas. O dogmático revela o ato de opinar e ressalva algumas das opiniões. LEIS: enunciados que realizam comprovação e verificação plenas. ou de comprovação insuficiente deveriam ser excluídos. mas o que compromete é falta de certeza. A ciência é uma verificação de conhecimentos. já o zetético. MÉTODO DO DIREITO Para que todas estas tarefas sejam possíveis. pois tem por objeto a indagação científica para examinar as suas condições de possibilidade. o limite de tolerância para admitir-se um enunciado como comprovado e verificado seja preciso. . lógicas e históricas do fenômeno jurídico e da Ciência do Direito. porque já a verificamos. Investigação zetética tem como ponto de partida uma evidência. oriunda de série. Ciência do Direito estuda o fenômeno jurídico tal como ele se caracteriza no espaço e no tempo. ou seja. dissolve opiniões.

todos eles não se furtam à tentativa de descobrir o que é o "direito em geral". . que ora designa o objeto de estudo. Na verdade. A BUSCA DE UMA COMPREENSÃO UNIVERSAL. donde a possibilidade de os conceitos lingüísticos refletirem uma presumida essência das coisas. definimos "mesa" como um objeto feito de material sólido a certa altura do chão. quadrada. a idéia de que a definição de um termo direto. cuja relação com a realidade é estabelecida arbitrariamente pelos homens. do modo (redonda. 20 ESSENCIALISTAS: fazem a definição buscando a essência. embora aparentemente universais. a certa altura do chão. isto é. As palavras são veículos destes conceitos. CONVENCIONALISTA: Uso comum. "A língua é vista como um sistema de signos. mas sim que a questão da essência não tem sentido. vidro. pois a descrição da realidade depende de como definimos o conceito e não o contrário. A essência da "mesa" não está nem nas coisas nem na palavra. a descrição da realidade depende de como definimos os usos conceituais. obtida através de processos intelectuais. então a descrição é outra. de 4 pés) nos leva a essência (objeto plano. saber sistemático. uma palavra que ganha sentido num contexto lingüístico: depende do uso. isto é. É óbvio que mesas não é só isso. O que se observa é que grande parte das definições (reais) do direito. A teoria essencialista trata-se da crença de que a língua é um instrumento que designa realidade. existe ou existirá. A possibilidade de se fornecer à essência de fenômeno confere segurança ao estudo e à ação. ora o conjunto de normas. ou são muito circunstanciadas. o que deve ser levado em conta é o USO dos conceitos que varia de comunidade para comunidade. "essência'. abstração feito do material (madeira. ela própria. ou das instituições. Se em português. Caracteres: -saber metódico. mas sobretudo cultural. mesa que a empregada ainda não pôs etc. Correm risco de serem genéricos e abstratos. Exemplo: "mesa". ora é o nome da ciência. possui um núcleo invariável que possibilita um "conceito de mesa" e a identificação das diversas mesas. em sua maioria. saber limitado a um certo objeto. Dado este arbítrio. toda e qualquer definição é nominal ( e não real). Quem diz "mesa" refere-se a uma coisa que. A ciência é um saber metodicamente fundado. do fenômeno jurídico na sua "essência" ou são muito genéricas e abstratas e. serve para sustentar coisas). ora é direito no sentido dito subjetivo. AS CONCEPÇÕES DE LÍNGUA E DEFINIÇÃO DO DIRETO Os juristas sempre cuidam de compreender o direito como um fenômeno universal. que serve para por coisa em cima. Não se afirma que a essência é inatingível. Ou seja.direito objetivo. Esta concepção sustenta que deve haver só uma definição válida para uma palavra. é apenas. sustentadora a possibilidade de definições reais. São inúmeras as definições que postulam este alcance. emprestáveis para traçar-lhe os limites. demonstrado e sistematizado. que têm uma visão conservadora da teoria da língua. RELATIVISMO: afirma que o homem deve conhecer as coisas. etc). o que faz que percam a sua pretendida universalidade. é também mesa diretora de trabalho. nas suas variações possíveis. saber fundamentado.constituída de um conjunto de enunciados que tem por finalidade a transmissão adequada de informações verídicas sobre o que existiu. definir um conceito não é a mesma coisa que descrever uma realidade. Há autores jurídicos. Se nos atemos ao uso. a descrição da realidade será uma. isto é. Na busca dessa definição há algo de humano. os objetos que o cercam para ao menos conhecê-lo. Se definirmos como um objeto abstrato referente à quantidade da comida que se serve (a boa mesa satisfaz os convidados).

ou direito modifica um modo de agir-agir direito: advérbio) ANÁLISE SEMÂNTICA: Queremos definir o uso do termo tendo em vista entre ele e o objeto que se comunica Ex: direito designa um comportamento interativo ao qual se prescreve uma norma) ANÁLISE PRAGMÁTICA: Definimos o uso do termo tendo em vista a relação do termo por quem e para quem o usa (Ex: a palavra direito serve para provocar atitudes de respeito. Ele é conotativamente ambíguo porque. A palavra não se usa assim em português.DEFINIÇÃO LEXICAL: quando a definição de uma palavra se reporta a um uso comum. a definição é feita através do uso comum. REDIFINIÇÃO: As estipulações e as redefinições não podem ser julgadas pelo critério da verdade.CINCO REALIZADES FUNDAMENTAIS Não podemos nos limitar o estudo do vocábulo. senão impossível. obviamente. Admite conceitos que podem ser verdadeiros ou falsos. Definições lexicais admitem. qualquer definição que se dê do direito. uma definição neutra. Exemplo: Se definirmos "mesa" como um objeto redondo que serve para sentarse. PLURALIDADE DE SIGNIFICAÇÕES DO DIREITO. certamente. É impossível única definição que encaixe nos 2 sentidos. devendo-se lembrar que. Se definirmos direito como um conjunto de normas. pois. Devemos passar do plano das palavras para o das realidades. importante saber se estamos preocupados em saber e trata de um substantivo ou de um adjetivo. mas o uso novo de hoje pode tornar-se obsoleto amanhã. quando definimos o conceito de direito é. escolhe um dos usos comuns. Direito é uma palavra de carga emotiva da palavra é preciso saber que. Ele é denotativamente vago porque tem muitos significados (extensão). no uso comum. em que a carga emotiva tivesse sido totalmente eliminada. em vez de inovar totalmente. pois. temos). Numa posição convencionalista. porque é muito difícil. Consideremos as expressões seguintes: . no plano da prática doutrinária jurídica. sempre estarmos diante de uma definição persuasiva (levar a crê ou aceitar. induzir). Assim. um termo denotativa e conotativamente impreciso. então falamos em redefinição. Quando esta estipulação. o máximo que obteremos é redefinir o significado do termo direito. 21 DEFINIÇÃO ESTIPULATIVA: Propõe-se um uso novo para o vocábulo. ou de um advérbio tendo em vista o seu relacionamento formal (gramatical) numa proposição. tradicional e constante. Será verdadeira se corresponde àquele uso. ANÁLISE SINTÁTICA: preocupa-se em definir o uso do termo tendo em vista a relação formal dele com outros vocábulos (Ex: direito é uma palavra que qualifica (adjetivo) um substantivo. exigindo uma estipulação. a definição é falsa. Um exemplo é a palavra "lei" que admite muitos usos. Falamos então em ambigüidade e vagueza semânticas. Se definirmos direito em todos os casos em que a palavra se usa. procurando manter intacto o seu valor emotivo. Coloco um novo uso e arbítrio. fixandolhe arbitrariamente o conceito. os valores verdadeiro/falso. o que depende dos objetivos de quem define. através do meu vocábulo e estipulo uma nova definição sem usar os mesmos elementos. mas sim pelo da sua funcionalidade. é impossível enunciar uniformemente as propriedades que devem estar presentes em todos os casos em que a palavra se usa. Direito é. o que é uso novo hoje pode tornar-se amanhã uso comum. digamos o comportamento humano. isto não cabe para o Direito como ciência. aperfeiçoando-o.

22 1o direito não permite o duelo. a regra social obrigatória. é uma das acepções mais comuns do vocábulo. a outras significações. verificamos que. a cuja observância podemos obrigar o homem. É esse. FACULDADE: Na segunda expressão. FATO SOCIAL: Na última Expressão. Mas. Inúmeras interpretações inexatas do Direito natural decorrem. como justo ou fato social. ainda. coativamente garantidas pelo poder público"."a educação é direito da criança". Inúmeras definições correntes referem-se à acepção do direito como lei. a ciência do direito. Temos. objetivas. no sentido de lei ou norma. conceitua o Direito como: "uma regra de preceitos ou regras. também. a prerrogativa. o denominam "direito objetivo" em oposição ao "direito subjetivo" ou "direito-faculdade". Um estudo mais detido nos revela que. É considerado como fenômeno da vida coletiva. exatamente do fato de se . o caso da definição de Ihering. nessas diversas expressões. também o direito é um fato social. indica realidades diferentes. também. ou. com a proteção da força social. partindo destas."cabe ao direito estudar a criminalidade""direito" significa ciência. 23 A palavra "direito" indica realidades diferentes num e noutro caso. no entanto. que o Estado tem criar leis. é imprópria."o Estado tem o direito de legislar""direito" significa a faculdade. cinco realidades diferentes a que correspondem as acepções fundamentais do direito. É constituído pelos princípios que servem de fundamento ao Direito positivo. NORMA: Assim no primeiro caso. em sua Teoria Geral do Direito Civil. direito. DIREITO POSITIVO E DIREITO NATURAL O Direito positivo é constituído pelo conjunto de normas elaboradas por uma sociedade determinada. etc. ele significa coisa diferente. Muitos autores. mais exatamente."direito" significa a norma. podemos chegar. CIÊNCIA: Na quarta expressão. a de Clóvis Bevilácqua. 2o Estado tem o direito de legislar. esportivos. que considera o direito como "um conjunto de normas. b) ao direito estatal e ao direito não-estatal (ou social). de menor importância. o poder. assim."direito" significa o que é devido por justiça. para reger sua vida interna. Se atentarmos para a significação do vocábulo "direito". Essa denominação. por uma coerção exterior ou física". 4cabe ao direito constituir um setor da vida social. artísticos. que é sempre uma prerrogativa do sujeito (subjectum)."o direito constitui um setor da vida social"."direito". 3a educação é direito da criança. são."o direito não permite o duelo". em cada uma. JUSTO: Na terceira expressão. a lei. Direito natural significa coisa diferente. quando se refere: a) ao direito positivo e ao direito natural. DIREITO-NORMA Direito. Ao lado dos fatos econômicos. Façamos um exame rápido dessas significações. porque outras acepções do direito. que. na acepção de norma ou lei. culturais. Assim. por exemplo. Direito objetivo não é apenas a lei.

como por exemplo o Código Civil. etc. constitui outro exemplo. como demonstra Oliveira Viana. as relações de trabalho em cada categoria profissional. como em outros países. O estatuto básico dos direitos dos trabalhadores. Ora.. etc. o direito esportivo. normas essas que são de outra natureza e de estrutura diferente das do Direito positivo. regulamentos e demais normas que regulamentam a vida de uma universidade. que passaram a regular. Teríamos. Existem. uma correspondente de Direito natural. "a vida social deve ser conservada". Do direito religioso são exemplos o direito canônico. o vocábulo "direito". pelo menos em grande parte. Mas é o fundamento do Direito positivo. o Código Comercial. DIREITO ESTATAL E NÃO-ESTATAL Distinção semelhante devemos estabelecer entre o direito estatal e direito não-estatal. Mas é o fundamento do Direito positivo. A atividade esportiva está. acordos e outras fontes não estatais. O direito que vigora dentro da comunidade esportiva. A palavra "direito" aplica-se geralmente às normas jurídicas elaboradas pelo Estado. tais como: "deve se fazer o bem". Grande parte do moderno Direito do trabalho. Estas elaboram normas até mesmo códigos que regulam. ao lado de cada norma do Direito positivo. a atividade esportiva. jurista francês. para reger a vida social. ao lado das leis e 24 decretos estatais. Estão nesse caso. regulamentada. etc. para quem o Direito positivo e o Direito natural. constituem um direito autônomo: o direito universitário. LéviBruhl. elaborada pelas próprias organizações interessadas. essa concepção do Direito natural é inaceitável. É. estaduais e municipais. "os contratos devem ser observados". O Direito natural. etc. fenômeno semelhante ao europeu. no estudo sobre instituições políticas brasileiras. assim. Seria unívoco. aplicado ao Direito natural e ao Direito positivo. Os sindicatos e outras organizações operárias e patronais. mulçumano. de acordos coletivos e entendimentos realizados diretamente pelas organizações representativas de empregados e empregadores. No Brasil o processo foi diferente. incumbidos de aplicação de tais normas. dar a cada um o que lhe é devido". que regula as relações de emprego. entre nós. Geny e outros. foram estabelecendo normas. também chamado direito grupal ou direito social. o direito religioso (canônico. não pelo Estado. Não foi o Estado que elaborou essas normas. elaboradas por diferentes grupos sociais e destinadas a reger a vida interna desses grupos. o direito mulçumano.Consolidação das Leis do Trabalho. na sua formulação clássica. tribunais esportivos. ao lado do direito estatal. com força obrigatória. Foram os próprios interessados. a CLT. Os estatutos. por Gurvitch. existem outras normas obrigatórias.foi outorgada pelo presidente "Getúlio Vargas. É constituído por aquelas normas que servem de fundamento a este. o direito universitário. Mas. famoso o ponto de vista de Oudot. por exemplo. não é um conjunto de normas paralelas e semelhantes às do Direito positivo. mas pelas próprias organizações do esporte. com força obrigatória. as demais leis federais. através de usos e contratos coletivos. Entretanto. foi principalmente nos países da Europa. os decretos.atribuir significado ao vocábulo "direito" em ambos os casos.) os usos e costumes internacionais. quando elaborados por esta. Na concepção de Oudot e dos chamados "jusnaturalistas racionalistas". teria a mesma significação. a Constituição.o mesmo ocorre com as normas trabalhistas derivadas de convenções coletivas. o . constituiriam dois Códigos paralelos. Ocorreu. inclusive.

É o direito-função. ao lado do Estado e acima do Estado. que é uma norma agendi. com força obrigatória. O direito de usar um imóvel. elaborados pelas próprias comunidades e disciplinando. enquanto o Estado regula outras atividades. porque o direito nessa acepção é realmente um poder do sujeito. Acima do Estado. cuja realização universalizada não impeça a coexistência dos homens. Mas. há outra categoria de direito subjetivos. que é conferido ao pai no interesse do filho. com normas precisas. A expressão "direito subjetivo" explica-se e se justifica. Negam caráter jurídico aos ordenamentos não estatais. em benefício da coletividade.judeu. Recusam o "pluralismo jurídico". por ora. foram amplamente estudados por Gurvitch. Muitos direitos são concedidos ou reconhecidos no interesse de seu titular. Lê Fur. de que o Estado é titular. que é amplamente estudado pela Sociologia jurídica e pelo Direito moderno. nas obras citadas. como Kelsen. É nesse sentido que Meyer define o direito como "o poder moral de fazer. Teremos oportunidades de voltar ao exame desse problema. como os usos e costumes internacionais. É uma faculdade reconhecida ao sujeito ou titular do direito. . Dentro do Estado. também. como meios de permitir-lhe a satisfação de suas necessidades materiais ou 25 espirituais. É o caso do direito à vida. o direito de legislar ou de punir. à integridade física ou à liberdade. exigir ou possuir alguma coisa. O vocábulo direito. Tais autores defendem a tese do "monismo jurídico". Kant por sua vez refere-se a este sentido ao definir o direito como "a faculdade de exercer aqueles atos. atribuídos ao juiz ou ao legislador. A esse tipo de direito subjetivo dá-se a denominação de direito-interesse. instituídos em benefício de outras pessoas. em relação a determinado objeto. Então nesse caso. Uma facultas agendi. O que revela que não é no mesmo sentido que se emprega a palavra "direito". o direito de usar um imóvel ou reivindicar uma propriedade. É por só admitirem o sentido estrito de "direito". como a "a faculdade de exigir dos outros uma ação ou inação". Lévy-Bruhl. instituído em benefício de seu titular. tem significação diversa e não unívoca. Ao lado do Estado. Cada um desses direitos é uma prerrogativa ou faculdade de agir.e também. Mas. num noutro caso. cobrar uma dívida propor uma ação. a atividade espiritual de milhões de criaturas. Como observa Gurvitch. As regras editadas pelos organismos internacionais. aplicado ao direito estatal e ao direito não estatal. importa esclarecer que o vocábulo direito. como o pátrio-poder do chefe de família. o aspecto focalizado por Ihering ao propor a seguinte definição de direito "é o interesse protegido pela lei". etc. o budista. Afirmam. como o direito universitário ou o direito operário. distinguir duas acepções nitidamente distintas de direito subjetivo: a) o direito-interesse b) o direito-função. que muitos autores negam o caráter jurídico dos ordenamentos não estatais. é empregado para designar o poder de uma pessoa individual ou coletiva. e constituem outras tantas manifestações do direito não-estatal ou social. O mesmo ocorre com o direito de julgar ou de legislar. entretanto. o pátrio-poder do chefe de família. com freqüência. É por isso que muitos autores admitem que se denomine "direito" a esses ordenamentos jurídicos não estatais. esse direito social ou não-estatal pode existir dentro do Estado. são exemplos de direitofaculdade ou direito subjetivo. que se multiplicam. DIREITO-FACULDADE Passemos à segunda das acepções fundamentais que enumeramos: o direito-faculdade ou direito-poder. ao lado do direito-interesse. e os usos e costumes internacionais. E Ortolan. Devemos. Geny. que só há um ordenamento jurídico: o estatal. Esse `. em oposição ao direito-lei. como o direito canônico que dispõe sobre matéria religiosa.

mas. Entre outras. Em Aristóteles e Platão. que se refere o famoso conceito de Ulpiano: "Justiça é a vontade constante e perpétua de dar a cada um o seu direito"."não é direito condenar um anormal". Tomás. devemos distinguir. dois sentidos diferentes.DIREITO-JUSTO A palavra "direito". que é retomada hoje por ilustres juristas. como dissemos. com freqüência. como veremos. formar-se em direito. Nesse sentido o respeito à vida é devido a todo homem. e o relaciona com o conceito de justiça. onde está claramente indicada a conformidade com regra de conduta. com exatidão. segundo a qual "direito é o que é devido a outrem. o imposto é devido ao Estado. o vocábulo jus. É o bem devido a outrem. podemos citar a de Libertore: "direito é tudo o que é reto. É o objeto da justiça. na ordem dos costumes". designa o bem "devido" por justiça. A segunda acepção ligada ao conceito de justiça é. Michel Villey e outros. A palavra "direito" é aí empregada no sentido de "justo objetivo". 26 DIREITO-CIÊNCIA Num plano inteiramente diferente dos anteriores. por exemplo. como vimos. não é conforme à justiça. também. o pagamento é devido ao vendedor. Definição que remonta aos mais antigos estudos sobre o direito e a justiça. a conformidade com a justiça. A ela corresponde. Indica a conformidade com as exigências da justiça. é ainda suscetível de outra significação. Encontramos definições de direito que se referem a esta acepção. b) Outras vezes "justo" significa a "conformidade" com a justiça. Dentro dessa acepção. é no sentido de "ciência" que empregamos a palavra.. A primeira acepção pode ser denominada "justo objetivo". a) Uma vezes "direito". No exemplo visto. quando dizemos que o "salário é o direito do trabalhador". também. Acepção fundamental. encontramos a mesma definição com pequenas variações. Por exemplo.direito é sinônimo de justo. a aposentadoria é devida ao empregado. É esse o significado da palavra "direito" na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Quando falamos em estudar "direito". Por exemplo: quando digo que "não é direito condenar um anormal". a palavra direito é. porque direito nesse caso. . é aquele bem que é devido a uma pessoa por uma exigência da justiça. justo aí significa um qualificativo. ou a definição de Hermann Post: "direito é a exposição sistematizada de todos os fenômenos da vida jurídica e a determinação de suas causas". E significa o que é devido por justiça. doutor ou bacharel em direito. segundo uma igualdade. método ou objeto de direito. empregada para designar a "ciência do direito". que coloca o direito em outra perspectiva. como Karl Engisch. Entre as definições de direito que o consideram sob este prisma. claramente distinta das anteriores. Nesse sentido o respeito à vida é devido a uma pessoa por uma exigência da justiça. a palavra "direito" significa aquilo que é devido por justiça". A esse sentido é que se refere a definição de S. etc. segundo uma igualdade". podemos citar o clássico conceito de Celso: "direito é a arte do bom e do justo"(jus est ars boni et aequi'). a essa acepção do direito. É. Trata-se do direito na acepção de justo. na acepção de justo. quero dizer.

Considera os fatos religiosos. E. e Direito não-estatal DIREITO FACULDADE. Direito Natural. Ao realizar o estudo de qualquer coletividade a sociologia distingue diversas espécies de fenômenos sociais.Devido por justiça. devem ser formuladas diferentes definições. O direito é. ACEPÇÕES FUNDAMENTAIS DIREITO-NORMA. Os termos análogos. Sob esse aspecto. b)analogia extrínseca de relação ou de atribuição. Direito-Função DIREITO-JUSTO. . correspondentes às diversas espécies de analogia: a) analogia intrínseca ou de proporção própria.DIREITO-FATO SOCIAL Finalmente. UNÍVOCO: é o termo que se aplica a uma única realidade. Exemplo: o vocábulo "direito". através de um sistema de normas. o conjunto das condições de existência e desenvolvimento da sociedade. o direito. econômicos. É dentro dessa perspectiva que se situa a Sociologia do Direito. num dado meio social. então. ANÁLOGO é o termo que se aplica a diversas realidades que apresentam entre si certa semelhança. num dado meio social. considerado um setor da vida social. culturais e. Gurvitch define o direito como "uma tentativa para realizar. Direito estatal. no sentido de fato social. ciência ou justo. coativamente asseguradas ou em fórmula mais atual. por sua vez. o justo. a faculdade. principalmente pelos sociólogos. a palavra direito é empregada. que designa a lei. Exemplo: livro.Direito positivo. ao definir o direito como "o conjunto das condições existenciais e evolucionais da sociedade. podem ser classificados em três categorias diferentes. É essa. homem. mas várias realidades distintas. aplicado ao professor e ao vidro refrativo. O termo análogo é. assim. independentemente de sua acepção como norma. intermediário entre o unívoco e o equívoco. vegetal. o fato social. nem equívoco. ANALOGIA Como sabemos. como setor da vida social. a ciência. a perspectiva em que se coloca Tobias Barreto. conforme a justiça DIREITO-CIÊNCIA DIREITO FATO-SOCIAL DIREITO-CONCEITO ANÁLOGO CONCLUSÕES Do exame que acabamos de fazer concluímos A) a palavra "direito" não designa apenas uma. faculdade. a idéia de justiça. equívocos e análogos. Exemplo: o termo "lente". deve ser estudado sociologicamente. numa perspectiva distinta das anteriores. EQUÍVOCO: é o que se aplica a duas ou mais realidades radicalmente diversas. também. B) em conseqüência. não é possível formular uma definição única do direito. através de um sistema de normas imperativo-atributivas".Direito-Interesse. coativamente asseguradas. a lógica divide os termos em unívocos. mas análogo. correspondentes às diversas realidades 27 C) o estudo feito demonstra que o vocábulo "direito" não é unívoco. mas também pelos juristas. entre eles. a idéia de justiça.

assim como os princípios morais estão para a conduta. É a atividade social do homem. Exemplo: o vocábulo "princípio" aplica-se ao princípio (começo) do dia. está para estrada. A ciência do direito é uma ciência histórico-cultural e compreensivo-normativa. Importa fundamentalmente ao direito que. entre as quais existe uma relação de proporcionalidade. por ter por objeto a experiência social na medida. de validade ética e da validade técnico-jurídica. ANALOGIA INTRÍNSECA OU DE PROPORÇÃO Dá-se a analogia intrínseca. é a conduta humana em interferência intersubjetiva. . "Princípio" não significa a mesma coisa nesses diversos casos. OBJETO DA CIÊNCIA DO DIREITO MATERIAL E FORMAL: MATERIAL: é o setor da realidade de que se ocupa cada ciência FORMAL: é o aspecto pelo qual a ciência considera ou estuda esse setor da realidade O OBJETO MATERIAL DO DIREITO: é o homem vivendo em sociedade. TRIDIMENSIONALISMO DO DIRETO (JURÍDICO DE MIGUEL REALE) Miguel Reale diante da triplicidade dos aspectos do fenômeno jurídico (fato. ainda que quando se procuram combinar 3 pontos de vista unilaterais (sociologismo jurídico. aos princípios morais. ou de proporção quando o vocábulo é aplicado a diversas realidades. uma ordem seja observada aquilo que lhe é devido. assim como o princípio da estrada.c)analogia metafórica ou de proporção imprópria ou figurada. segundo um princípio ético que a determina. Estas diversas acepções são diferentes. Direito reúne 2 características normativas éticas: a) o objeto material= a atividade humana 28 b) objeto formal= o bem. O OBEJTO FORMAL DO DIREITO: é a justiça. moralismo jurídico e normativismo abstrato) configura-se a tridimensionalidade genérica do direito. uma proporção que se poderia assim enunciar: os princípios da ciência estão para a ciência. valor e norma) afirma que a ciência jurídica deve estudar as normas sem abstrair os fatos e valores presentes e condicionantes no seu surgimento e os supervenientes ao seu advento. reclamando aquela integração em correspondência com os problemas complementares da validade social. a justiça CONCLUI-SE: DIREITO: é fundamentalmente uma ciência normativa ética. como diz Cóssio. A ALTERIDADE na justiça comutativa é feita de particular a particular. e. aos princípios da ciência. Em todas essas acepções. Del Vecchio= é a coordenação objetiva das ações possíveis entre vários sujeitos. de qualquer forma. nas relações sociais.JUSTIÇA: JUSTIÇA COMUTATIVA: É a virtude pela qual um particular dá a outro particular aquilo que lhe é estritamente segundo uma igualdade simples ou real. enquanto esta normativamente se desenvolve em função de fatos e valores para a realização ordenada da convivência humana. A essa doutrina que requer a integração dos três elementos constitutivos do direito numa unidade funcional e de processo. Miguel Reale designa de tridimensionalidade específica do direito. AXIOLOGIA JURÍDICA . esclarecendo. "princípio" significa aquilo de que alguma coisa. Com sua teoria integrativa rejeita todas as concepções setorizadas do direito. É por isso que o direito pertence a categoria geral das ciências morais ou humanas. Mas existe ente eles. ao princípio (início) de uma estrada . depende. assim como o princípio do dia está para o dia. ou.

Há também a teoria organicista que considera o indivíduo isolado como uma ficção e que o homem é homem porque vive em sociedade. isto é. não só os indivíduos. dignidade. A JUSTIÇA SOCIAL: É a virtude pela qual os membros de uma sociedade dão a esta uma contribuição para o bem comum. surge a teoria baseada na criação da instituição. etc. capacidades. A ALTERIDADE teve a mesma discussão que da justiça distributiva. os quais serão aplicados numa relação proporcional como as suas necessidades. Simples porque consiste numa relação entre dois termos. legal. pois o trabalho dos juizes é conferir a igualdade absoluta quando esta não está sendo seguida. Mas não é somente os bens que serão distribuídos os encargos sociais também. força de trabalho. mas sabemos que a justiça social possui um dever rigoroso em que a comunidade pode exigir de todos os membros a contribuição para o bem comum. mas ficou determinado que alteridade se dá dos membros da sociedade (como devedores) como sociedade (como credora). Ficou também discutido se o dever(DEVIDO) dessa justiça não seria um dever só moral. A igualdade na justiça comutativa é também chamada real porque se trata de igualar simplesmente uma coisa a outra. É marcado pela exigibilidade. entre os indivíduos membros e a comunidade. proporcionalmente às capacidades de cada membro. os individualistas. etc. JUSTIÇA DISTRIBUTIVA: É a virtude pela qual a sociedade dá aos membros uma eqüitativa participação no bem comum. A IGUALDADE é também como a justiça distributiva. Mas esta questão é motivo de grandes discussões. então. É um bem próprio do indivíduo. duas realidades. coloca-se naturalmente a pergunta: qual a direção ou o ideal visado pela norma? Qual o valor fundamental que . mas proporcionalmente receberam a mesma quantidade. Na justiça comutativa O DEVIDO é de natureza estrita. cada uma possuiu seus objetivos. Mas como uma teoria intermediária. de uma boa vida. Todos têm o direito de participar do bem comum. Por exemplo numa família de flagelados com 4 filhos recebeu 40 KG de alimentos e uma com2 filhos recebeu 2 0 KG. como também entre as pessoas físicas.entendendo por esse particular. devo pagar 20 reais por ele). A IGUALDADE deve ser proporcional à condição de cada um. legal e exigível. estabelecendo uma equivalência entre ambos os termos (se compro um objeto que vale 20 reais. como por exemplo. as pessoas jurídicas. a qual admite que os membros e a sociedade possuem identidades completamente distintas. A ALTERIDADE da justiça distributiva se dá entre a coletividade (o todo) e os membros (a parte). não levando em conta a condição das pessoas. VALOR FUNDAMENTAL Se o direito é essencialmente uma ciência "normativa" e a estrutura lógica de toda proposição jurídica é um dever-ser. O bem comum é a humana para a vivência humana. portanto. sendo. A alteridade é feita. em termos absolutos são desiguais. A IGUALDADE da justiça comutativa é simples. o pagamento de uma dívida. a prestação de um serviço. rigorosa. Esta justiça é também chamada de corretiva. classificando-a como um objeto fictício da ordem jurídica. não consideram a existência real da sociedade. O bem comum é a finalidade de toda lei. Esse devido se identifica desde a respeito à vida até o respeito das condições físicas e psicológicas necessárias ao seu pleno desenvolvimento. o Estado na Comunidade Internacional. absoluta ou real. pois 29 alguma. O devido dessa justiça vai desde o respeito à personalidade física e moral do homem até as obrigações positivas. O DEVIDO é de natureza estrita.

o imposto é direito do Estado. em sua Teoria pura do direito. Com razão escreveu Del Vecchio: "a noção de justo é a pedra angular de todo o edifício jurídico". Os latinos o chamavam jus e não o confudam com a lex. PERSPECTIVA DIFERENTES Como vimos na primeira parte deste livro. e a justiça é considerada um elemento estranho à sua formação e a validade. em geral. estimativa jurídica. no passado. como Renard. o bem comum. princípios de justiça. `a frente dos quais. a noção de "princípios gerais do direito". como coisas. que é considera-lo como exigência da justiça. Outros. Nesse sentido. fato social ou direito subjetivo. do estudo de Jayne Altavila sobre a Origem dos direitos dos povos. o salário é direito do empregado. DEVIDO POR JUSTIÇA Há. que ponto o direito se identifica com o justo? Poder-se-á sustentar que todas as exigências do direito são baseadas na justiça? Alguns autores afirmam que o direito nada tem a ver com a justiça. colocando-se no campo da sociologia. entre outros. por sua importância histórica. Mas. Para alguns como Kelsen. e de certa forma reafirmam certas correntes do liberalismo moderno ao admitir que "quem diz contratual diz justo". deontologia jurídica. consideram o direito ou as regras jurídicas como fatos sociais ou. é de justiça colocar as institutas de Justiniano. Alguns o analisam simplesmente como um sistema de normas positivas que regem a vida e determinada comunidade. recorrer o juiz e os demais aplicadores da lei. é o significado fundamental do vocábulo direito. etc. Outros autores. Além disso. Seu estudo recebe modernamente os nomes de axiologia jurídica. a cada momento.a que devem. Esse. Certos autores preferem estuda-lo sob o prisma dos direitos subjetivos através das Declarações de Direito e do reconhecimento histórico das prerrogativas da pessoa humana. até mesmo. É esse o ponto de vista de Kelsen.a segurança. destinadas a ser "os primeiros elementos de toda a ciência das leis". a educação é direito da criança. finalmente. a lei deve ser "justa" a obrigação e a indenização devem ser "justas". Pode. É a perspectiva em que se colocam. o interesse social. redutíveis à justiça? 30 É esse um velho tema. pretendem que apenas uma parte das . suas espécies. "o direito pode ser estudado sob perspectivas diversas. seu fundamento? E os demais valores jurídicos. A essa acepção corresponde a expressão clássica: "dar a cada um o seu direito". É simples convenção. os critérios da justiça são simplesmente emocionais e subjetivos e sua determinação deve ser deixada a religião ou à metafísica.orienta esse dever-ser? Basicamente. o direito ser considerado. a ordem. sua natureza. "Princípios gerai do direito.são opostos. não como lei positiva. como Lévy-Bruhl. a habitação é direito da família. É o caso. que é justiça? Quais as suas características. o salário e o preço devem ser "justos". teoria dos valores jurídicos. como afirmaram Carnéades ou Epicuro. DIREITO E JUSTIÇA Mas. mas como ciência. a sentença deve ser "justa". Para a generalidade dos seguidores positivismo jurídico.corresponde fundamentalmente aos princípios de "justiça". os tratados e as introduções ao estudo do direito. ainda. direito se reduz a imposição da força social. como vimos. como procuramos mostrar no capítulo II e terceira parte do presente trabalho. outra modalidade de focalizar o direito. direito é propriamente aquilo que é "devido" por justiça a uma pessoa ou uma comunidade: o respeito à vida é direito de todo homem.

uma exigência da vida social. porque esta será justa a medida em que assegurar a cada um o seu direito (jus suum cuique). ACEPÇÃO SUBJETIVA E OBJETIVA DA JUSTIÇA JUSTIÇA. A circunstância de ser o conceito de justiça utilizado por juristas e moralistas explica essa diferença. O senso de justiça é fundamental no magistrado. porque esta deve assegurar o direito de cada um . significa "a virtude" ou a vontade constante de dar a cada um o seu direito. como virtudes humanas.. interessa-lhe fundamentalmente a ordem social objetiva. Em sentido direito e próprio. falamos da justiça de uma lei ou instituição. da utilidade ou de ordem social. Muito mais do que isso. "de tão extraordinária importância. o moralista vê na justiça uma qualidade subjetiva do indivíduo. Da mesma forma. à temperança e à coragem. à prudência. como virtude ou perfeição subjetiva. instituição ou direito. CONCEITO ANÁLOGO 31 Uma característica.. Ocupando-se da atividade pessoal do homem. Radbruch chega a afirmar que ao jurista só interessa a justiça. É esse o sentido do vocábulo quando falamos em recorrer à "Justiça" ou quando nos referimos ao Diário da Justiça. em primeiro lugar. como fazemos com os animais e demais seres inferiores. por analogia de relação ou atribuição. dá ao conceito de justiça certa variedade de significações. ANALOGIA DE RELAÇÃO Qual o sentido fundamental? "Justiça" é conceito análogo. observa Bodenheimer que o elemento subjetivo nas definições de justiça . não é uma simples técnica da igualdade. como se impõe entre pessoas humanas. uma virtude. o conceito de justiça é análogo. considerada em sentido objetivo. em plano evidentemente menos importante. Por extensão. A justiça. o exercício de sua vontade. Definida como vontade ou disposição do . Entre as múltiplas significações de justiça. a justiça é um princípio r superior da ordem social. Fulano é um homem justo. Outras vezes empregamos a palavra justiça para designar objetivamente uma qualidade da ordem social. Nas relações com outros homens. É nesse sentido que nos referimos à justiça. Tribunal de Justiça.instituições jurídicas se fundamente na justiça. Considerado sobre este aspecto. etc. ela é virtude da convivência humana. incumbidos de dar solução justa aos casos que lhe são submetidos. como o direito. E a razão é importante. podemos Ter uma atitude de "dominação". Por isso. o conceito de justiça se estende: 1à legislação. Nesse sentido. Esta última é a que caracteriza a justiça. uma atitude subjetiva de respeito à dignidade de todos os homens. 2aos órgãos ou ao Poder encarregados da aplicação da justiça. Por extensão a palavra justiça é também empregada para designar o Poder Judiciário e seus órgãos. O jurista tem outras preocupações. Mas sentido fundamental é o de virtude. Como as noções de ser. verdade. E significa. ele vê na justiça. Com razão. ou de "respeito". ligada a todas as noções fundamentais. podemos assinalar duas fundamentais: uma subjetiva e outra objetiva. Muitas vezes falamos da justiça como uma qualidade da pessoa. Palácio da Justiça. outra parte teria seu fundamento na segurança ou ordem social. fundamentalmente. é que a justiça se aplica aos princípios da ordem social. nem sempre tem recebido a atenção que merece. A rigor só podem ser "justas" ou "injustas" as ações humanas.

já ordenado pelas normas de garantia. que pode ser exigido e legalmente imposto. lei primordial de pessoa a pessoa. isto é atribui ao credor o poder de exigi-lo. De parte de A deve existir um dever estrito (debitum) e da parte de B o direito de exigir esse ato (exigibilidade). por meio do poder público. e se respeitarmos sua natureza. ela adquire. a qualidade denominada atributividade. Mas. Ninguém pode ser justa ou injusto consigo mesmo. A justiça exige sempre uma pluralidade de pessoas. o cumprimento dela. Del Vecchio. Quando o respeito a determinado dever é necessário ao bem comum. A justiça não é o sentimento que cada um tem de seu próprio bem-estar ou felicidade. a justiça requer a libertação dos impulsos exclusivamente egoísticos. a faculdade de faze-la cumprir pelo violador. Como disse Dabin. 33 Em lugar de estabelecer o dever e deixar à consciência do devedor o seu cumprimento efetivo. Mas. outro elemento é necessário: esse ato deve ter o caráter de rigorosa obrigatoriedade. Diferentemente das normas atribui a quem seria lesado pela sua violação. por este fato. ATRIBUTIVIDADE é a qualidade. a justiça em sentido próprio. pelo contrário. é o reconhecimento de que cada um tem de seu próprio bem-estar ou felicidade. como pretendem alguns. a justiça quer ser respeita. esse reconhecimento implica sem dúvida uma metafísica: a do valor absoluto da pessoa humana. ela reclama e exige uma . O DEVIDO Para que se realize a noção de justiça além da pluralidade. Sem uma atitude pessoal de preocupação com os outros" e sem vontade de ser equânime. devemos afirmar que é impossível uma justiça na vida animal. pelo contrário. A ALTERIDADE NA (JUSTIÇA) A justiça consiste fundamentalmente na disposição permanente de respeitar a pessoa do próximo. A justiça se opõe a essa tendência. O egoísta reivindica direitos sobre os bens do mundo. Tem que ter a existência da pluralidade de pessoas ou pelo menos uma outra pessoa. As normas de garantia visam a conferir o grupo social a forma condizente com sua razão de ser. sem considerar as razoáveis 32 reivindicações dos outros.. inerente à norma de garantia de atribuir a quem seria lesado pela violação dessa norma. os fins da justiça não podem ser normalmente atingidos. A justiça é uma virtude moral. ou a reparação do mal sofrido. É o que modernamente se denomina ATRIBUTIVIDADE. É esse um aspecto fundamental do problema. a lei o torna exigível. A justiça consiste essencialmente no reconhecimento prático que o homem faz da dignidade dos demais homens.é esse elemento em toda espécie de intersubjetividade ou de correspondência nas relações entre pessoas. um dever simplesmente moral. Normas do Código Civil ou de estatutos são normas de garantia. Esta distinção em debitium moral e debitim legal ou jurídico corresponde a diferença entre Norma de aperfeiçoamento: são as que visam aprimorar a comunhão humana de um grupo social. ou de exigir deste a reparação do mau por ele causado. O ato da justiça consiste em dar o que é "devido". como podemos observar que em relação aos animais apesar das semelhanças. Uma vez estabelecida que precisa ser cumprida. menos rigoroso que não pode ser exigido por lei e outro estrito e rigoroso. exigindo que se respeitem os direitos e as pretensões das demais. como pretendem alguns. a faculdade de exigir do violador. Existe 2 tipos de débito.espírito. porque sua realização supõe conhecimento de princípios e liberdade de decisão. é o reconhecimento de que cada um deve respeitar o bem e a dignidade dos outros. Esta pluralidade só existe entre pessoas.

negando até a existência da liberdade. é necessário distinguir o positivismo filosófico. seria também racionalista e a doutrina culturalistas.reparação ao dano. Ela é elemento essencial e básico. As posições fundamentais de Augusto Comte são: -o espírito humano investiga as coisas nas suas causas e princípios fundamentais. Essa concepção considera o direito como um meio de realizar a justiça. Durkhein e a Escola Sociológica Francesa Segundo Durkein e a sua escola. daí que vem a crítica a certas correntes filosóficas. IGUALDADE Terceiro elemento essencial: a igualdade. é indispensável considerar a marcha progressiva do espírito humano. A dá a B o que lhe é devido. desprovido de ordem moral e de valores e. o positivismo científico e o positivismo jurídico. *estado teológico: o espírito humano vê os fenômenos como sendo produtos da ação direta e continua de agentes sobrenaturais. diferentes: estado teológico ou fictício. A concepção naturalista ou positivista considera o direito como um fenômeno natural. a)1 Concepção Positivista -POSITIVISMO FILOSÓFICO Segundo Augusto Comte. a atividade humana está num rígido determinismo do mundo físico. pois reduzem a atividade da inteligência humana ao campo das realidades sensoriais. lança-se à descoberta da origem e do destino do Universo através da combinação do raciocínio e da observação. -a ciência e a filosofia são limitadas a estudar os fenômenos que estão sujeitos a observação. *estado científico: o espírito humano reconhece a impossibilidade de obter noções absolutas e. segundo uma igualdade. representando pelos valores e princípios da justiça. capazes de produzir todos os fenômenos. Essa concepção considera o direito e sua força obrigatória como um fato. as ciências sociais são na verdade uma . Ele diz que o nosso conhecimento passa por 3 estados. reduzindo toda a atividade humana e social a simples realidades físicas. atribuindo ao direito um fundamento ético. portanto. o estado metafísico ou abstrato e o estado científico ou positivo. Todavia. -as leis são caracterizadas como sendo invariáveis de sucessão e de semelhança. Logo. 34 APRECIAÇÃO CRÍTICA: O positivismo não nega a sua preocupação pelo estudo dos fatos e pelo rigor que deve existir na observação. 2º BIMESTRE A) Fundamento do Direito O fundamento do Direito está contido em 2 concepções: concepção naturalista ou positivista do direito e a concepção humanista ou ética do direito. a concepção humanista ou ética considera o direito e a atividade humana como sendo distintas dos fenômenos físicos. que deve ser estudado através dos mesmos processos das ciências físicas e naturais. mas como forças abstratas. ou seja. para explicar o positivismo filosófico. Contudo. POSITIVISMO CIENTÍFICO O positivismo científico aplica-se as disciplinas sociais. *estado metafísico: o espírito humano vê os fenômenos não como sendo produtos da ação direta o contínua dos agentes sobrenaturais.

através da consciência coletiva se origina a norma. Apresentando isso. Porém. Tem como elemento complementar um estado de vigilância da sociedade. é preciso distinguir 2 correntes: . não há ciências normativas. sendo superior à consciência individual. já que os valores estão fora do campo científico. 2) DOUTRINA DAS DECISÕES JUDICIÁRIAS Nessa doutrina. Durkheim considera o Direito baseado na consciência coletiva. 35 . atingiria os pontos comuns das várias legislações. o juiz dá vida as palavras inanimadas da lei. sendo que o direito natural e os princípios de justiça estão fora do campo da ciência do direito. dividindo-se: -solidariedade mecânica. que aqueles devem ser estudados por estes). nota-se uma grande importância que é atribuída à jurisprudência. o verdadeiro criador do direito não é o legislador. DUGUIT E O SOLIDARISMO JURÍDICO Duguit aceita a primeira parte da teoria de Durkeim (os fatos sociais equivalem aos fenômenos físicos e. isto é. aplicando-se em casos concretos. o direito natural ou qualquer outro princípio. zelando pela própria sobrevivência. se acaso o indivíduo pratica ato que prejudica os demais. ou seja. não negando.positivismo jurídico doutrinário= nega todos os princípios de ordem moral.união de 2 ou + pessoas tendendo a um mesmo fim.jurídica. o homem sendo livre. Duguit critica a tese de que o Direito é baseado na consciência coletiva. contrapondo-se à primeira corrente. POSITIVISMO JURÍDICO O positivismo jurídico apesar de ligar-se à mesma linha de pensamento. já que utilizam os fatos sociais ( o espírito humano não pode descobrir verdades fora esse método e. mas sim o juiz. Duguit encontra no fato da solidariedade a explicação de todos os fenômenos de convivência.cada indivíduo faz o seu trabalho. -solidariedade orgânica. ou seja. porque senão o Estado seria absorvente. não se confunde com o positivismo filosófico e científico. de ordem moral. pois através disto chegar-se-ia à essência do direito. senão aqueles em que ele livremente consentiu através de um acordo de vontade (contrato) ou de . provoca reação. podem ser mencionadas por seu caráter representativo: 1) TEORIA GERAL DO DIREITO POSITIVO (BONARD) Essa teoria consistia na idéia de que era preciso fazer um estudo comparativo das várias legislações dos diferentes países. pois consiste na identificação do direito como direito positivo. explicam o direito através de razões de ordem científico. ou seja. Dentro dessa posição. Ex: homens que levantam um bloco de granito. Dentre as correntes positivistas. 3) DOUTRINA DA AUTONOMIA DA VONTADE Nessa doutrina. Portanto.física social. Contudo. já que a regra do direito provém desses pontos comuns. na segunda parte desta teoria. sendo que a solidariedade deve harmonizar-se com as demais atividades. era submetido a uma sociabilidade excessiva (a sociedade manda no Estado). destinado cada um a certo fim. mas também não levando em conta a justiça. já que o direito emanado do poder legislativo só adquire sentido e realidade quando é interpretado pelo juiz.positivismo jurídico metodológico = os juristas restringem seu estudo ao direito positivo. pois não há outras leis ou princípios que o obriguem. portanto. não pode depender senão de sua vontade. E ainda mais. A solidariedade é um fato fundamental da sociedade.

o ser seria as conexões causais. tal sociedade. A norma básica tem sua validade retirada de normas imediatamente superiores. seja violada a fim de que se torne eficaz. Ripert considera a moral cristã como um feito. aceita por toda a comunidade. já que este é um fato que predomina e. Ripert atribuiu ao fundamento o fator de que a lei é obrigatória por si mesma. este deve tomar em consideração os valores morais que predominam na sociedade. Independemente de seu valor. Mas. sendo que a Constituição ficaria no topo da pirâmide jurídica e que. Ripert e outros juristas procuram dar ao direito uma base positiva alicerçando-o na moral historicamente aceita pela sociedade. já que ela estaria no seu estado estático. como um . esse ideal moral que deve inspirar a legislação é a moral cristã. que seria o suporte lógico da integralidade do sistema. E o dever ser seria a descrições normas que determinam o advento de uma conseqüência em razão da prática de um ato. jurídico. 4) DOUTRINA DO POSITIVISMO JURÍDICO-MORAL (RIPERT) Essa doutrina parte da distinção entre o fundamento do direito e o seu conteúdo. ou seja. se pode assim dizer. Em relação ao conteúdo. Partindo da distinção entre o fundamento do direito e o seu conteúdo Ripert atribuiu ao primeiro caráter puramente positivo: a lei é obrigatória por si mesma. teve que afastar o direito de todos os elementos sociológicos. Ripert trata da elaboração do direito feito pelo legislador: o legislador deve levar em consideração o valor moral. já que as normas formam um sistema dependente entre si. adotando assim uma posição positivista. Kelsen via o direito sob duas formas: TEORIA ESTÁTICA.uma manifestação geral (lei). de sanção. 6) TEORIA PURA DO DIREITO (HANS KELSEN) 36 Kelsen quis colocar o direito no mundo da ciência dando um objeto a ele. restou então como objeto da ciência do direito. por conseguinte. E. por ser uma determinação da autoridade. Para tanto. Kelsen diz que o direito é visto como um sistema de normas. sem remoção de conduta. por isso apresenta caráter positivo. por ser uma determinação da autoridade. jurídico. a NORMA. ou seja. Ripert atribuiu ao fundamento o fator de que a lei é obrigatória por si mesma. de toda ideologia e de toda a política. Para isso. Esse contrato a essa lei seria os dois fundamentos de toda a ordem jurídica. quando se trata da elaboração do direito pelo legislador. tal sociedade. impõe-se a todos por ser uma determinação da autoridade. Sendo Kelsen um neokantiano. Para ele. no tocante ao conteúdo. tudo aquilo que provém de uma causalidade que se opera entre o fato ou comportamento jurídico. apoiando-se umas nas outras a sua vigência (validade) e todas dependendo de uma norma fundamental. Em relação ao conteúdo. seria lícito saber a distinção referida entre o ser e o dever ser. O dever ser sempre é uma sanção. já que este é um fato que predomina e. mas se não houvesse essa violação poder-se-ia dizer que a norma nunca tornarse-ia eficaz. teria também validade se retirada de uma norma hipotética fundamental que seria a Constituição ideal. por isso apresenta caráter positivo. a norma é eficaz desde que. 5) DOUTRINA DO POSITIVISMO JURÍDICO-MORAL (RIPERT) Essa doutrina parte da distinção entre o fundamento do direito e o seu conteúdo. por sua vez. Ripert trata da elaboração do direito feito pelo legislador: o legislador deve levar em consideração o valor moral. Nos países da Europa e nos influenciados pela cultura européia e a civilização ocidental.

Isto posta. ou seja. já que para eles a base da lei e da justiça é inspirada na natureza. como sendo os atos de conduta humana determinada por normas. uma sabedoria divina responsável pela criação do universo. MONTESQUIEU "As leis são relações necessárias que decorrem da natureza das coisas". Todo sistema de pureza normativa criada por Kelsen baseava-se em uma abstração. lógica nos dizeres do autor. não lesar ao próximo. . esta por sua vez. pois agora sabe-se o verdadeiro caso em relação à proposição e. já que não regulamenta a conduta isto é. portanto. kelsen ainda enuncia a distinção entre: -PROPOSIÇÕES JURÍDICAS. Santo Tomás de Aquino distingue 3 espécies de lei: . esta por sua vez. prescrita por uma autoridade competente e. Essa natureza das coisas manifesta-se em condições gerais e em tendências relativas: . e ainda.nesse tratado.é criada por uma autoridade competente que trata não do ser.lei positiva = seria a obra do legislador humano. recebem uma sanção. ou seja. ou seja. cuja obrigação é a própria natureza humana. isto é. uma ordem é dada as demais pessoas e.lei eterna = seria a lei de Deus.é um conhecimento jurídico que trata do ser. . portanto. para conhecer tal norma que nesse caso de experiência é um juízo.preceitos secundários = aqui se dá o aperfeiçoamento dos primeiros princípios. . analisa o ser. que deve ser conforme as duas leis anteriores. CONCEPÇÃO ÉTICA (JUSNATURALISMO) DOUTRINA CLÁSSICA NATURAL 37 A preocupação dos filósofos adeptos a essa doutrina era de embasar o direito num direito que nasça com as pessoas. que nesta prescrição está embutida a imperatividade.lei natural = o homem participa racionalmente das leis cósmicas. faz suas experiências que são oriundas do intelecto. mas se fundamenta na natureza". analisar se o juízo é falso ou verdadeiro e. porque nunca mudará o preceito de que deve se fazer o bem e evitar o mal. e como TEORIA DINÂMICA. NORMA JURÍDICA.condições gerais = manifesta aqui a satisfação de certas necessidades . A proposição é estática. as normas em seu processo de criação e atualização. Santo Tomás nos mostra que existem 2 espécies de justiça distributiva (obrigação da sociedade para com os particulares). é uma fonte. mas do dever ser.sistema de normas determinantes dos atos de conduta humana. possui uma essência que será dar a cada um o que lhe é devido. porque pode-se através da imaginação e também através do experimento. que estas por sua vez se não obedecerem. já que regulamenta a conduta de uma pessoa a que pratica tal ato ilicitamente. já que é feita. dar a cada um o que é seu. "O bem e o justo não existe somente em virtude da lei. O direito é o objeto da justiça e. não induz ninguém a conduta. . SANTO TOMÁS DE AQUINO "A lei é a ordenação da razão para o bem comum promulgado pela autoridade competente". cuja obrigação da sociedade para como os particulares). não é fonte. Tratado de Justiça. já que deve a lei caminhar para o seu estado perfeito: o costume ou a maneira de praticar atos modifica-se e o meio social sofre variações. possui uma essência que seria dar a cada um o que lhe é devido.primeiros princípios = aqui a lei natural é imutável. O direito é o objeto da justiça e. Essa norma jurídica não se trata de um juízo.

primárias (comer. políticos. Diz que histórico concreto e falta também de um elemento axiológico. garantindo os acordos à vida social. não faz mal a outrem e apresenta a autoconservação da liberdade. APRECIAÇÃO CRÍTICA Miguel Reale critica os primeiros princípios da concepção tomista de dar a cada um o que é seu. Para Locke. Outros.) e o desejo de paz. da igualdade e do bem-estar. o homem se encontra desamparado. buscando seus fundamentos na identidade da razão humana. pois a livre escolha é o critério do ordenamento jurídico. porque condena a propriedade privada. LOCKE= O direito natural é mais claro do que direito jurídico-positivo. O único pacto social lícito é aquele em que estabelece uma associação. essa liberdade revelou-se numa guerra. por este ser ambíguo. por isso ser necessário haver pactos sociais em que o povo livremente escolha a forma de governo. Para ele. aceitam a idéia da concepção tomista. instaurando um governo. o direito natural funda-se na vontade divina. Para ele..democrático seria e. só o pacto social pode sarar as deficiências do estado de natureza. fruto da cobiça e. Tendências relativas = dependem de condições geográficas. fazia e tinha o que queria. concebendo a natureza do 38 ser humano A) como genuinamente social (Grotius. Pufendorf) b) como originariamente associal ou individualista (Hobbes. é a favor à defesa da própria vida e dos bens punindo as ofensas por conta própria. PUFENDORF= Diz que o estado natural. Rosseau é individualista. DOUTRINA RACIONALISTA Nesta concepção. COMO CONCEPÇÃO DO DIREITO RACIONAL DE KANT Kant organizou uma ciência do direito rigorosamente lógica. COMO GEUINAMENTE SOCIAL GROTIUS= Diz que o direito natural é o ditame da razão. Nesta teoria . o justo e o injusto. o jusnaturalismo arreda suas raízes teológicas. Locke. COMO ORIGINALMENTE ASSOCIAL HOBBES= o homem no seu estado natural era livre da obrigação social. com os três poderes. E ainda.. ainda.. honrando a liberdade e a igualdade dos homens. Contudo. Grotius libertou a ciência do direito de fundamentos teológicos. culturais. exige leis civis e anula engajamento social. portanto.. cedendo as tendências sociológicas do seu tempo e. porque há dificuldade de saber precisamente o que é devido a cada um. Esse pacto exige a entrega total dos bens e da pessoa ao poder da comunidade. Contudo. (Espécie de Socialismo ou Comunismo). porém. na qual fixa os princípios da razão perpetuamente. Rosseau) e c) como concepção do direito racional de Kant. na solidão e. o Estado liberal. de fatores religiosos. é a sociedade que o corrompe. que é competente para distribuir o patrimônio social e redistribuir os bens afim de que haja o bem comum. foi necessário celebrar um contrato social entregando a ordem jurídica a um governo absoluto. na qual cada membro é defendido e protegido por um poder comunitário unido. sem qualquer reclamação. não havia distinção entre o bem e o mal. portanto. O homem no estado natural. é necessário que o homem viva em sociedade para sobressair dos problemas que lhes são apresentados. as normas desse direito podem ser absolutas (criadas por Deus) e hipotéticas (criadas pelo homem). instituiu o senso social como sendo fonte do direito propriamente dito. ROSSEAU= o homem é bom no seu estado natural e.

O direito é dinâmico. mesmo que seja dever jurídico ou dever moral. ou seja. quântico. Essa norma moral quando aplicada à conveniência jurídico. época. "eu" não seria o eu transcendental de Kant e nem uma consciência comum do grupo. porém. porém deixa de cumprir as obrigações que lhes são impostas para praticar a justiça para com o outro ser. cada indivíduo possui o seu eu diferente. ou seja. o nome de direito quântico. a liberdade do "eu". portanto. Ex: El Nino é um fenômeno que se reflete na natureza humana (causa e efeito) . No ato jurídico (direito). não como um indivíduo de causa e efeito. ou seja. Para ele. seria o "eu". é necessário saber o que é a natureza humana no plano da causalidade e da finalidade. um eu genético. o homem é capaz de impor a si mesmo normas de conduta que são válidas a todos os seres racionais e que são designados por normas éticas. possui o seu próprio direito. a essência da moral deriva da liberdade humana. CULTURALISMO JURÍDICO . porque tem raízes. Telles fala muito do homem real. porque o direito natural provém do "eu" e por isso. o ser humano acha correto praticar tal ato como para ele sendo justo. pois a justiça está embutida no direito. O direito muda conforme as circunstâncias. recebendo todos os efeitos por ela apresentados.causalidade = aqui. provinda sempre de um ideal social. o direito positivo é uma tentativa de direito justo. seria um fim e não um meio a serviço dos outros: tudo o que o homem faz deve-se tratar a si a seus semelhantes como fim e nunca como meio. tanto a moral como o direito tem como princípio. formado por cada indivíduo. o seu ideal de justiça nunca é modificado.direito). Enfim. o direito natural não é artificial. pois se modifica com a situação apresentada. Portanto.aparece a separação entre direito e moral. DEL VECCHIO= Para saber o ideal de justiça. o homem deve comporta-se. não sendo igual um ao outro. Para Telles. dos seus próprios valores atendendo todas as necessidades do povo. porque o homem dá valores ao dado natural. um eu mesmo. o direito natural racional considera não somente o que a pessoa pretende fazer como sendo um ato de justiça. o sistema de referência de todos os valores. No ato moral. lugar.finalidade = aqui. aparece o da aversão à sanção. absoluto. cada tempo. porque o direito natural serve como um critério diretor. isto é. e sim como ser racional. REPRESENTANTES MÁXIMOS DO MODERNO JUSNATURALISMO STAMLER= Fala que o direito natural não pode ser visto como preciso concreto. o homem seria uma partícula minúscula da natureza. o "eu" mesmo: para ele. além do motivo de cumprir o dever. valorativo. mas também deve cumprir as suas obrigações para com outrem. as suas inclinações genéticas. Portanto. portanto necessário que ele se adequai com a sociedade. pois mede os valores do "eu" através de sua ética. mas sim. Esse direito quântico não é arbitrário. a natureza humana seria uma parte de um conjunto de todos os fenômenos. O "eu" pode-se se transformar à medida que vai enriquecendo de experiência e de passado. ou seja. Confere ainda ao direito natural. sendo. a liberdade.social transmuda-se em norma de direito natural. 39 Sendo racional e livre. sendo reconhecida pela moral. o seu sentimento. o motivo é a idéia do próprio dever. brota do seio do povo. sem modificações. . pois é elaborado a partir da liberdade humana. como um ser dotado de inteligência. TELLES (GOLFREDO) Diz que o direito objetivo da sociedade nem sempre coincide com o direito que esta sociedade queria que fosse (pseudo.

O direito é um objeto cultural por ser real. porque afinal de contas. já que ambos fazem parte de uma mesma unidade. na qual . EGOLOGISMO EXISTENCIAL DE CARLOS CÓSSIO O egologismo existencial seria a utilização de instrumentos mentais. que Carlos Cóssio se afasta do positivismo da norma e penetra no campo da conduta conceitualizada pela norma. É empírico porque se dirige a coisas reais. O objeto cultural.40 No culturalismo. reclamando aquela integração em correspondência com os problemas complementares da validade social. -Escola Exegética. portanto. por excelência. na sociedade e não na norma jurídica. a realidade dos substratos. de validade ética e da validade técnico. e. o direito é colocado com um objeto criado pelo homem. compõe-se de um substrato e um sentido. 41 A tese fundamental é a de que o Direito. A ciência cultural ocupa-se com o espírito humano e com as transformações feitas por ele (objeto cultural). a ciência jurídica deve estudar a conduta humana. Assim sendo. mas se compreende. valor e norma) afirma que a ciência jurídica deve estudar as normas sem abstrair os fatos e valores presentes e condicionantes no seu surgimento e os supervenientes ao seu advento.Na Alemanha. cultura nada mais é do que tudo aquilo que o ser humano acrescenta às coisas com a intenção de aperfeiçoá-las. Miguel Reale designa de tridimensionalidade específica do direito. ter existência e por estar na experiência sensível. e é dialético porque estabelece uma relação ou diálogo entre substrato e sentido. esclarecendo. ou seja. A ciência do direito é uma ciência histórico-cultural e compreensivo. Utiliza-se a experiência. Também considera o direito um objeto cultural composto de um substrato (conduta humana) e de um sentido (realizar um valor). moralismo jurídico e normativismo abstrato) configura-se a tridimensionalidade genérica do direito. ainda que quando se procuram combinar 3 pontos de vista unilaterais (sociologismo jurídico. Entendendo-se que a função específica do jurista era ater-se com rigor absoluto ao texto legal e revelar seu sentido.seria a matéria de que o homem se preocupa em transformar (dado).. Ele deve ser compreendido já que implica um valor. enquanto esta normativamente se desenvolve em função de fatos e valores para a realização ordenada da convivência humana.dialético. por ter por objeto a experiência social na medida. dotado de conteúdos valorativos.jurídica. EMPIRISMO EXEGÉTICO São concepções legalistas ou mecânicas da interpretação e da aplicação do direito. Conclui-se. -Pandectismo. pertencendo ao campo cultural. não se explica. Para Cóssio. é revelado pelas leis. apresentando senão lacunas aparentes. cheio de valores e fundamentados em valores (construído).normativa.identifica a totalidade do direito positivo com a lei escrita. A essa doutrina que requer a integração dos três elementos constitutivos do direito numa unidade funcional e de processo. surgiu uma escola chamada Pandecta.é o substrato já transformado. Sentido. por sua vez. pois compreender é explicar o sentido através do método empírico. Com sua teoria integrativa rejeita todas as concepções setorizadas do direito. TRIDIMENSIONALISMO JURÍDICO DE MIGUEL REALE Miguel Reale diante da triplicidade dos aspectos do fenômeno jurídico (fato. -substrato. possibilitando conhecer melhor o direito. o direito deve ser estudado através de método empíricodialético. A função do intérprete e do julgador era uma função mecânica da lógica dedutiva.

O direito comporta a ciência e a técnica: -Ciência. -Escola Analítica. dentre elas. este dado não é criado pelo jurista. e não a realidade sonhada. histórico. que seria algo construído. devido à evolução das nações. à autoridade positiva e é científica porque se utiliza um método para estabelecer algum dado.Na ausência da norma. considera como princípio racional formulado pelo legislador. o fim é o criador de todo direito porque não há norma jurídica que não deva sua criação a um fim protege os interesses individuais. Para Rudolf. ou seja. Porém. erguendo-se várias escolas interpretativas. seriam os princípios básicos para a interpretação de uma lei. admite-se o Estado como o poder supremo. ambas provinham de um conhecimento dedutivo.seria o conhecimento objetivo das realidades sociais. Seria a matéria do construído. O dado seria o conjunto das realidades sociais. -o Utilitarismo de Jeremy Bentham. Como esses dados precisam ser acionados para produzir efeitos práticos. Em outras palavras. Com isso. houve uma mudança no sistema de referência. CRÍTICAS CONTRA O EXEGISMO Essas interpretações anteriores não alicerçaram a realidade dos tempos modernos. segundo o qual.afasta-se da investigação jusfilosófica e considera tão somente a realidade jurídica. a função da ciência do direito está no aspecto de relacionar as conseqüências boas. Portanto. A escola Pandecta se diferencia da exegética. o que é verdadeiro é o direito efetivo. é necessário que se utilize uma técnica que dê origem ao construído. o homem modifica o dado através de técnicas. -Realismo jurídico norte-americano. o intérprete deve recorrer: ao costume.Diz que através de casos concretos cria-se a lei a fim de satisfazer os interesses da comunidade. Para os realistas. Logo. surgindo o construído. já que este provém tão somente à realidade propriamente dita. o direito efetivamente 42 existente ou os fatos sociais e históricos que lhes deram origem. porque toma como ponto de partida através das leis. morais e econômicas de um povo. mas sim aplicada uma técnica sobre ele.A livre investigação científica de François Geny. O realismo jurídico busca realidade efetiva e real.Quando a lei escrita for incapaz de solucionar os problemas.admitia que o Direito era um conjunto de regras. só é Direito jurisprudencial aquele que é emanado do Estado. conclui-se que a Pandecta utiliza-se de meios já formulados e a Exegética retira suas leis da própria razão adquirida pelo homem. isto é. bom é o que produz prazer e mau o que causa a dor. deve-se interpretar a norma levando em conta seus fins. cuja matéria social é dada. .critica o uso do método dedutivo e aceita interpretar as normas de acordo com os seus casos concretos.Diz que o costume não possui qualificação jurídica enquanto não for consagrado pelo poder judiciário do Estado. O dado pode ser: natural. Enfim. considerar o maior número de interesses ilícitos-não via o caso concreto. . cujo modelo era dado pelo sistema do Direito Romano. -o Teleologismo de Rudolf Von Lhering. tornando-se válido o ideal de justiça. . leva-se em consideração à vontade do legislador quando formula a lei e também a investigação das realidades sociais concretas. porque o direito só se torna real quando aplicado através do juiz e este por sua vez dá sua opinião a respeito do caso. isto é. "O direito só passa a existir somente após a decisão judicial". por outro. E. Para ele. O critério usado para qualificar esses casos seria a utilidade. racional e ideal.

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