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O Sedimento Biogênico nos oceanos é em sua grande

maioria carbonático. Estes podem sem dividos em Bioquímicos (precipitação bioquímica), Bioclastos (fragmentação de sedimentos bioquímicos) ou Precipitados (precipitação devido a supersaturação, porém biológicamente intermediada).

A distribuição dos sedimentos Bioquímicos apresenta grande variação geográfica, associada a diferentes

combinações de clima (insolação, precipitação, descarga fluvial),

oceanografia (circulação e temperatura da água) e profundidade

do ambiente.

GRUPOS DE SEDIMENTOS CARBONÁTICOS

Carbonatos biogênicos (planctônicos) da bacia oceânica

de

origem pelágica: amplamente distribuídos até ~2000

m

de profundidade (com exceção do Pacífico Norte,

Antártica e Ártico).

Carbonatos de plataformas tropicais e sub-tropicais:

predomínio de carbonato biogênico mas com precipitação inorgânica (biologicamene induzido) significativa localizada em regiões tropicais.

Carbonatos de plataformas temperadas: concentrações mais esparsas e quase exclusiva origem biogênica

Produção em águas rasas

quase exclusiva origem biogênica Produção em águas rasas Carapaças de foraminiferos pelágicos Fragmentos de

Carapaças de foraminiferos pelágicos

biogênica Produção em águas rasas Carapaças de foraminiferos pelágicos Fragmentos de moluscos, algas e equinodermas

Fragmentos de moluscos, algas e equinodermas

biogênica Produção em águas rasas Carapaças de foraminiferos pelágicos Fragmentos de moluscos, algas e equinodermas

PRINCIPAIS MINERAIS CARBONÁTICOS

FORMADOS TANTO PELA ATIVIDADE METABÓLICA COMO PRECIPITAÇÃO INORGÂNICA ARAGONITA – Metaestável em ambiente subáereo (ácido carbônico) – rápida dissolução e recristalização como calcita. Possui aspecto fibroso, ou em agulhas.

como calcita. Possui aspecto fibroso, ou em agulhas. http://www2.nature.nps.gov/geology/caves/gallery/
como calcita. Possui aspecto fibroso, ou em agulhas. http://www2.nature.nps.gov/geology/caves/gallery/
como calcita. Possui aspecto fibroso, ou em agulhas. http://www2.nature.nps.gov/geology/caves/gallery/

speleothems/aragonitetree.htm

speleothems/aragonitetree.htm http://www.geology.ucdavis.edu/~GEL281/F02/mineralogy.html

http://www.geology.ucdavis.edu/~GEL281/F02/mineralogy.html

CALCITA – diferenciada entre calcita com baixo e alto (>5%) teor de magnésio (calcita magnesiana). Apresenta normalmente aspecto fibroso rômbico.

magnesiana). Apresenta normalmente aspecto fibroso rômbico.
magnesiana). Apresenta normalmente aspecto fibroso rômbico.
magnesiana). Apresenta normalmente aspecto fibroso rômbico.

http://www.rc.unesp.br/museudpm/banco/carbonatos/fotcalcita.html

PRINCIPAIS MINERAIS CARBONÁTICOS

DOLOMITA– carbonato de cálcio e magnésio que se forma quase que exclusivamente como um substituto de calcita e aragonita

que exclusivamente como um substituto de calcita e aragonita http://www.webmineral.com/specimens/picshow.php?id=329

http://www.webmineral.com/specimens/picshow.php?id=329

Formas cristalográficas

aragonita

e aragonita http://www.webmineral.com/specimens/picshow.php?id=329 Formas cristalográficas aragonita dolomita calcita

dolomita

e aragonita http://www.webmineral.com/specimens/picshow.php?id=329 Formas cristalográficas aragonita dolomita calcita

calcita

e aragonita http://www.webmineral.com/specimens/picshow.php?id=329 Formas cristalográficas aragonita dolomita calcita

Distribuição do conteúdo de CaCO 3 nos sedimentos de superfície do fundo marinho

Dados compilados de mais de 400 publicações desde 1937

Projeto ORFOIS - http://www.pangaea.de

desde 1937 Projeto ORFOIS - http://www.pangaea.de IMPORTÂNCIA DA PROFUNDIDADE DE COMPENSAÇÃO DO CARBONATO E

IMPORTÂNCIA DA PROFUNDIDADE DE COMPENSAÇÃO DO CARBONATO E MISTURA COM SEDIMENTOS TERRÍGENOS

Profundidade de Compensação do CaCO3

Taxas de suprimento de carbonato ▬►

Taxas de dissolução ▬►
Taxas de dissolução ▬►

Profundidade de Compensação do CaCO3

Profundidade de Compensação do CaCO3 Feely et al. 2004 - http://www.pmel.noaa.gov/pubs/outstand/feel2633/feel2633.shtml

Distribuição vertical de concentrações de CO2 antropogênico (mol kg) e os horizontes de super e subsaturação para aragonita and calcita ao longo de um eixo northe- sul no (A) Atlantico, (B) Pacifico, and (C) Indico.

Linha cheia = presente

Linha pontilhad = pre-industrial

Linha cheia = presente Linha pontilhad = pre-industrial Feely et al. 2004 -

PRINCIPAIS ORGANISMOS SECRETORES DE CARAPAÇAS CALCÁRIAS

MOLUSCO – mais de 60.000 espécies, incluindo gastrópodos e pelicípodes.

de 60.000 espécies, incluindo gastrópodos e pelicípodes. http://www.fotosearch.com/photos-images/mollusc.html
de 60.000 espécies, incluindo gastrópodos e pelicípodes. http://www.fotosearch.com/photos-images/mollusc.html

http://www.fotosearch.com/photos-images/mollusc.html

BRAQUIÓPODOS – conchas calcíticas (ou fosfáticas). São reconhecidas 30.000 espécies fósseis e 300 vivas.

BRAQUIÓPODOS – conchas calcíticas (ou fosfáticas). São reconhecidas 30.000 espécies fósseis e 300 vivas.
BRAQUIÓPODOS – conchas calcíticas (ou fosfáticas). São reconhecidas 30.000 espécies fósseis e 300 vivas.

PRINCIPAIS ORGANISMOS SECRETORES DE CARAPAÇAS CALCÁRIAS

CNIDÁRIOS (corais e esponjas) – em forma planctônica e bêntica, esqueletos são compostos por pequenas fibras calcíticas Mg ou aragoníticas

por pequenas fibras calcíticas Mg ou aragoníticas FORAMINÍFEROS E COCOLITOS Pelágicos, com conchas
por pequenas fibras calcíticas Mg ou aragoníticas FORAMINÍFEROS E COCOLITOS Pelágicos, com conchas

FORAMINÍFEROS E COCOLITOS Pelágicos, com conchas normalmente calcíticas

E COCOLITOS Pelágicos, com conchas normalmente calcíticas

http://www.imagequest3d.com/pages/current/pictureoftheweek/starsand/starsand.ht

PRINCIPAIS ORGANISMOS SECRETORES DE CARAPAÇAS CALCÁRIAS

EQUINODERMA – esqueletos de composição calcítica

EQUINODERMA – esqueletos de composição calcítica http://www.fotosearch.com/ ALGAS CALCÁREAS – clorófitas

http://www.fotosearch.com/

de composição calcítica http://www.fotosearch.com/ ALGAS CALCÁREAS – clorófitas (algas verdes) e rodófitas
de composição calcítica http://www.fotosearch.com/ ALGAS CALCÁREAS – clorófitas (algas verdes) e rodófitas

ALGAS CALCÁREAS – clorófitas (algas verdes) e rodófitas (algas vermelhas)

Halimeda http://oceanexplorer.noaa.gov
Halimeda
http://oceanexplorer.noaa.gov
Lithothsmnion
Lithothsmnion

http://www.imagequest3d.com

/ / w w w . i m a g e q u e s t

Rodofita Rodófita ??

Natália P. Ghilardi (Biota/FAPESP)

PRECIPITAÇÃO BIOQUIMICA

Importância relativa de grupos de organismos produtores de carbonato ao longo da história geológica recente

de carbonato ao longo da história geológica recente Wilkinson (1979) Cenozóico 65 Ma Mesozóico Ma 250

Wilkinson (1979)

Cenozóico

65 Ma

Mesozóico

Ma

250

Paleozóico

490

Ma

PRECIPITAÇÃO BIOQUIMICA

Os organismos secretam as crostas calcárias como aragonita, calcita ou calcita magnesiana – alguns constroem carapaças multiminerais -- as quais influenciam no potencial de preservação.

ORGANISMOS

MINERAL

Bactéria

aragonita

Clorófitas

aragonita

Faeófita

aragonita

Rodófitas

aragonita e calcita Mg

Corais

aragonita, calcita Mg

Moluscos

aragonita, aragonita + calcita

Briozoa

aragonita, calcita Mg+aragonita

Esponjas

calcita Mg, aragonita

Foraminífero

calcita, calcita Mg

Cocolitoforídeos

calcita

Braquiópodos

calcita

Artrópodos

calcita

A biomineralização do carbonato de cálcio na forma de aragonita ou calcita foi determinada pela composição química da água marinha na época do surgimento do organismo, não tendo sido alterada posteriormente.

Primeira aparição de esqueletos carbonáticos em animais (A) e variações da composição química da água do mar (B) durate o Fanerozóico

(A) e variações da composição química da água do mar (B) durate o Fanerozóico S M

S M Porter Science 2007;316:1302-1302

BIOCLASTOS

BIOCLASTOS FRAGMENTOS DE MOLUSCOS, FORAMINIFERO, EQUINODERMAS E ALGAS PELOTAS FECAIS E FORAMINÍFEROS Pelotas fecais são

FRAGMENTOS DE MOLUSCOS, FORAMINIFERO, EQUINODERMAS E ALGAS

FRAGMENTOS DE MOLUSCOS, FORAMINIFERO, EQUINODERMAS E ALGAS PELOTAS FECAIS E FORAMINÍFEROS Pelotas fecais são

PELOTAS FECAIS E FORAMINÍFEROS Pelotas fecais são produzidas pela excreção de lama carbonática ingerida por moluscos e crustáceos para filtragem de nutrientes.

Solubilidade (g) /100 g H 2 O

PRECIPITAÇÃO INORGÂNICA

• água quente, com menor capacidade de retenção do CO 2 em

solução, e a atividade fotosintética das algas reduzem a concentração de CO2 e conduzem a supersaturação de CaCO 3, potencializando a precipitação

de CaCO 3 , potencializando a precipitação Temperatura dissolução CaCO 3 + H 2 O +

Temperatura

dissolução

potencializando a precipitação Temperatura dissolução CaCO 3 + H 2 O + CO 2 Ca 2

CaCO 3 + H 2 O + CO 2

Ca 2+ + 2 HCO 3

-

precipitação

• água quente tem maior evaporação e consequentemente maior

salinidade => diretamente proporcional à concentração de carbonato

- Precipitação em larga escala ocorre nas Bahamas, Golfo Pérsico e Mar Morto, sendo exclusivamente aragonítica.

• turbulência gerada por ondas e correntes reduzem a espessura da Camada Limite de Massa, onde ocorre difusão molecular dos gases, aumentando a taxa com que o CO 2 é retirado da água

Zappa et al. 2003
Zappa et al. 2003
Maior pressão Maior pressão na água na atmosfera Camada de difusão molecular mm
Maior pressão
Maior pressão
na água
na atmosfera
Camada de difusão molecular
mm

Oóides são formados pela coalescência de grãos de aragonita ao redor de um núcleo de matéria orgânica. A mobilização dos grãos pelas correntes e ondas os tornam esféricos.

A precipitação da aragonita ocorre através da intermediação de alga unicelular (biocalcificação)

Bancos de areia formados pela acumulação de oóides nas Bahamas, mostrados em detalhe ao lado, e em fotografia com microscópio eletrônico abaixo, onde observa-se a acumulação de agulhas de aragonita em formato concêntrico.

de agulhas de aragonita em formato concêntrico. Wikimedia Commons Seibold e Berger 1996 Friedman &
de agulhas de aragonita em formato concêntrico. Wikimedia Commons Seibold e Berger 1996 Friedman &
de aragonita em formato concêntrico. Wikimedia Commons Seibold e Berger 1996 Friedman & Sanders (1978).
de aragonita em formato concêntrico. Wikimedia Commons Seibold e Berger 1996 Friedman & Sanders (1978).

Seibold e Berger 1996

em formato concêntrico. Wikimedia Commons Seibold e Berger 1996 Friedman & Sanders (1978). Broecker e Takahashi

Friedman & Sanders (1978).

Broecker e Takahashi 1966

Classificação de sedimentos oolíticos

Estruturas carbonáticas concentricamente laminadas:

oólitos – diâmetro inferior a 2mm

pisólitos - diâmetros maiores que 2mm

oncólitos – estromatólitos esferóides com diâmetros entre 1e 2 cm

PRECIPITAÇÃO INORGÂNICA

Arenitos são formados por cristais de calcita e aragonita preenchendo o espaço intersticial dos sedimentos arenosos na zona intermareal e submareal rasa de uma praia

Guerra et al. (2005) AABC
Guerra et al. (2005) AABC

Arenitos de praia em Salvador

arenosos na zona intermareal e submareal rasa de uma praia Guerra et al. (2005) AABC Arenitos

VARIAÇÃO LATITUDINAL DA COMPOSIÇÃO DE SEDIMENTOS CARBONÁTICOS

 

Carbonatos tropicais

Carbonatos não tropicais

Ooides

comuns

ausentes

Algas vermelhas

comuns a abundantes

abundantes

Algas verdes

abundante

raro

Estromatólitos

comuns a abundantes

raros

Corais

abundantes

raros

Foraminifero bentico

comum com alta diversidade

abundante com baixa diversidade

Briozoa

raros a comuns

abundantes

Serpulideo

raros a comuns

comuns

Cracas

raros

comuns a abundantes

Equinodermas

comuns

abundantes

Bivalve

comum e diverso

abundante e diverso

Calcita

abundante

abundante a comun

Aragonita

abundante

rara

Diferenças entre sedimentos carbonáticos e siliciclásticos

Sedimentos Carbonáticos

A maior parte é formada em ambientes rasoa tropicais

De origem marinha

Tamanho do sedimento depende do tamanho dos organismos geradores (esqueletos).

As características do sedimento em determinado local são alteradas sem que ocorra alterações das condições hidráulicas.

Maior parte dos sedimentos são cimentados no fundo

Exposição subaérea causa diagênese (cimentação e re-cristalização)

Sedimentos Siliciclásticos

Desassociado do clima, ocorrem em qualquer profundidade

De origem marinha e terrestre.

Tamanho do sedimento depende da energia hidráulica do ambiente

As características do sedimento em determinado local são alteradas em decorrência de mudanças das condições hidráulicas.

Sedimentos permancem inconsolidados no ambiente de deposição e no fundo oceânico

Exposição subaérea causa pode causar oxidação mas não afeta o depósito

SÍLICA BIOGÊNICA

Os rios são responsaveis pelo aporte de 80% da sílica dissolvida nos oceanos, além de uma fração particulada lito e biogenica (partículas de quartzo, feldspatos, e diatomáceas de água doce).

• Opala é o principal constituinte mineral – na realidade mineralóide pois não possui estrutura cristalina.

• Produção associada a zonas de ressurgência devido ao aumento da atividade biológica (construção dos esqueletos)

• Resistência à dissolução: silicoflagelados (-), diatomáceas, radilários, espículas de esponja (+).

• Dissolução em águas rasas – ~50% da silica biogênica é dissolvida ~ 100 m superiores da coluna d`água.

• Apenas 3% do total produzido na zona fótica é preservado como sedimento

Diatomáceas (fitoplancton)
Diatomáceas (fitoplancton)
Radiolários (zooplancton)
Radiolários (zooplancton)
Silicoflagelados (fitoplancton)
Silicoflagelados
(fitoplancton)
Radiolários (zooplancton) Silicoflagelados (fitoplancton) Esponjas (porífera) (dissolução na coluna d`água e na
Radiolários (zooplancton) Silicoflagelados (fitoplancton) Esponjas (porífera) (dissolução na coluna d`água e na
Esponjas (porífera)
Esponjas (porífera)

(dissolução na coluna d`água e na superficie do depósito sedimentar).

Tendencia de dissolução da sílica oposta à do carbonato

Fluxo de sedimentos fosseis silicosos para o fundo marinho

Berger e Herguera 1992
Berger e Herguera 1992

Menores taxas de dissolução da sílica no fundo tem relação com a quantidade de alumínio e area superficial especifica do esqueleto de diatomáceas, além de diferenças de temperatura e grau de subsaturação

das águas. Cappellen et al 2002

Produção x Dissolução no Pacifico

e grau de subsaturação das águas. Cappellen et al 2002 Produção x Dissolução no Pacifico Adjul
e grau de subsaturação das águas. Cappellen et al 2002 Produção x Dissolução no Pacifico Adjul

Adjul et al, 2011

Bibliografia no FTP

• Adjou et al, 2011. Particulate silica and Si recycling in the surface waters of the Eastern Equatorial Pacific.

• Dias, G. 2002. Granulados bioclasticos: algas calcáreas.

Bibliografia na Web

Ooides

- http://en.wikipedia.org/wiki/Ooid (bem menos rica na versão em portugues)