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103

Introdução
A integral tripla é uma ferramenta matemática fundamental para resolver problemas
envolvendo volumes em espaços tridimensionais. Ela se apresenta como uma extensão
das integrais duplas, que calculam áreas, mas agora aplicada a regiões em três
dimensões. Através dela, é possível calcular volumes de sólidos, mesmo aqueles com
formas irregulares ou complexas, que não podem ser abordados por métodos
geométricos simples. Além disso, a integral tripla permite somar grandezas distribuídas
de forma contínua dentro de um volume, como densidade de massa ou carga, sendo
uma aplicação central na física e na engenharia.

Para calcular uma integral tripla, geralmente se define uma região tridimensional de
integração e, em seguida, a função a ser integrada, que pode representar uma densidade
variável ao longo do volume. A resolução desse tipo de integral pode ser feita em
coordenadas cartesianas, cilíndricas ou esféricas, dependendo da simetria do problema,
o que muitas vezes simplifica os cálculos. A escolha adequada do sistema de
coordenadas é essencial para tornar o processo de integração mais eficiente.

As aplicações da integral tripla vão além do cálculo de volumes. Em física, por


exemplo, ela é usada para encontrar o centro de massa de um objeto de densidade
variável, o momento de inércia em relação a um eixo ou até mesmo para analisar
fluxos de fluido e campo elétrico em um volume. Por isso, seu estudo é crucial para o
desenvolvimento de uma compreensão sólida sobre a modelagem de fenômenos
contínuos em várias áreas científicas e tecnológicas.
1. Preliminares

Consideraremos uma região D ⊂ R3 finita, com uma distribuição de densidade (massa


por unidade de volume) D.

Determinação da massa

Para determinar a massa consideremos uma função Φ definida em um domínio


paralelepipedal R = {(x,y,z) ∈ R3|a ≤ x ≤

b ∧ c ≤ y ≤ d ∧ e ≤ z ≤ f} tal que D ⊂ R e Φ(x,y,z) = ⎧ .


Considerando a uma partição para o retângulo R dada por P = P[R] = P[a,b] × P[c,d] ×
[e,f], o produto cartesiano de partições P[a,b], P[c,d] e P[e,f] onde P[a,b] =
{x0 =
a,x1,...,xi,xi+1,..., xl = b},x0 < x1 < ··· < xi < xi+1 < ··· < xl, P[c,d] = {y0 = c,y1,...,yj,yj+1,...,ym =
d}, y0 < y1 < ··· < yj < yj+1 < ··· < ym e P[e,f] = {z0 = e,z1,...,zk,zk+1,...,zn = f}, z0 < z1 < ··· <
zk < zk+1 < ··· < zn. Tomamos um ponto (ξi,ζj,ηk) ∈ [xi−1,xi] × [yj−1,yj] ×
[zk−1,zk] em cada pequeno paralelepípedo e definimos a seguinte

Soma e Riemann:

.
A massa da região D, denotada m(D), será a integral integral

tripla da função sobre o domínio D ⊂ R3, dada por

e definida como o seguinte limite:

.
1.2: Para a determinação do peso da região D toma-se a

seguinte soma de Riemann:

,
onde g(ξi,ζj,ηk) é a aceleração da gravidade no ponto (ξi,ζj,ηk). E o peso da região D,
denotado p(D), será dado pela integral tri-pla:

1.3 Determinação dos Momentos de Massa

Usando as mesmas considerações acima para o cálculo da massa

de uma região D ⊂ R3 limitada com distribuição de densidade

. Para calcular o momento de massa de

um pequeno paralelepípedo com relação ao plano coordenado yz tomamos o seguinte


produto ξiΦ(ξi,ζj,ηk)ΔVijk. Aqui ξi representa uma aproximação da distância do pequeno
paralelepípedo ΔξiΔζjΔηk ao plano coordenado yz. O momento total em relação ao plano
yz para a região D será aproximado pelo limite da
soma de Riemann:
.
j
O momento de massa da região D em relação ao plano yz, denotado Myz(D), será dado

pela integral tripla


definida pelo limite:

De forma semelhante chega-se ao momento de massa da região D em relação ao


plano xz tomando-se a seguinte soma de Riemann:
.

O momento de massa da região D em relação ao plano xz, denotado Myz(D), será dado
pela integral tripla definida pelo limite:

E o momento de massa da região D em relação ao plano xy tomando-se a seguinte soma


de Riemann:

.
O momento de massa da região D em relação ao plano xy, deno-

tado Myz(D), será dado pela integral tripla


definida pelo limite:

1.4 Determinação dos Momentos de Inércia

Usando as mesmas considerações acima para o cálculo da massa

de uma região D ⊂ R3 limitada com distribuição de densidade

. Para calcular, aproximadamente, o mo-

mento de inércia de um pequeno paralelepípedo com relação a uma reta r, tomamos o


seguinte produto d2(ξi,ζj,ηk)Φ(ξi,ζj,ηk)ΔVijk, onde d(ξi,ζj,ηk) representa a distância do ponto
(ξi,ζj,ηk) à reta r. Em particular a distância do ponto (ξi,ζj,ηk) ao eixo x é
dada por: e o momento de inércia do pequeno paralelepípedo
em relação ao eixo x será aproximado por: (ζj2+ηk2)Φ(ξi,ζj,ηk)ΔVijk. O momento de
inércia total em relação ao eixo x para a região D será aproximado pelo limite da soma
de Riemann:

l m n

.
O momento de inércia da região D em relação ao eixo x, denotado Ix é dado pela integral

calculada pelo limite:

De forma semelhante chega-se ao momento de inércia da região D em relação ao eixo y


tomando-se a seguinte soma de Riemann: l m n

.
O momento de inércia da região D em relação ao eixo y, denotado Iy é dado pela integral

calculada pelo limite:

Também chega-se ao momento de inércia da região D em relação ao eixo z tomando-se


a seguinte soma de Riemann:

Slmn =

.
O momento de inércia da região D em relação ao eixo z é dada pela

integral calculada pelo limite:

.
1.5 Determinação do Centro de Gravidade

O centro de gravidade de uma região D ⊂ R3 finita, com uma distribuição de densidade


mássica , é o ponto

1.6 Algumas Aplicações da Integral Tripla

Faremos duas aplicações da integral tripla. A primeira refere-se

ao cálculo do centro de massa de de um sólido gerado pela intersecção de superfícies,


usando o sistema de coordenadas cartesiano. A segunda trata-se da determinação da
massa sólido gerado pela intersecção de superfícies, usando o sistema de coordenadas
cilíndricas.

Exemplo 1.1. Considerando a intersecção das superfícies: x = 0, x = a, y = 0, y = x2, z =


0 e z = x2, (Fig 6.1), determinar sua massa e seu centro de massa levando en conta uma
distribuição de
densidade constante .
Figura 1.1: Gráfico do exemplo 1

SOLUÇÃO:

Começaremos por determinar os limites de integração inspecionando a (Fig 6.1) e


verificando que 0 ≤ x ≤ a, 0 ≤ y ≤ x2 e 0 ≤ z ≤ x2.

Em segundo calcularemos a massa da região D, m(D) e os respectivos momentos de


massa com relação ao planos yz, xz e xy, respectivamente.
Passo 1 determinar a massa m(D), dada pela integral tripla:

Integrando em z temos:

Substituindo os limites de integração temos:


Simplificando temos:

Integrando em y temos:
Substituindo os limites de integração temos:

Simplificando temos:

Finalmente, integrando em x temos:

Substituindo os limites de integração temos:


Simplificando temos:

Passo 2 determinar o momento de massa relativo ao plano yz Myz(D), dada pela integral
tripla:

Integrando em z temos:

Substituindo os limites de integração temos:

Simplificando temos:

Integrando em y temos:

a
Substituindo os limites de integração temos:

Simplificando temos:

Finalmente, integrando em x temos:

Substituindo os limites de integração temos:


Simplificando temos:

Passo 3 determinar o momento de massa relativo ao plano xz Mxz(D), dada pela integral
tripla:

Integrando em z temos:

Simplificando temos:

Integrando em y temos:
Simplificando temos:

Finalmente, integrando em x temos:

Substituindo os limites de integração temos:


Simplificando temos:

Passo 4 determinar o momento de massa relativo ao plano xy. Como a região D tem
simetria com relação às variáveis y e z, e distribuição de densidade também (por ser
constante) temos que Mxz(D) = Mxy(D). De qualquer forma vamos verificar:

Integrando em z temos:

Simplificando temos:

Integrando em y temos:
Substituindo os limites de integração temos:
Simplificando temos:

Finalmente, integrando em x temos:

Substituindo os limites de integração temos:

Simplificando temos:

Passo 5 determinar o centro de massa (¯x,y,¯ z¯) da região D, A saber:

.
Exemplo 1.2. Considerando a interseção das superfícies: x = 0, x2 + y2 = b2, z = 0 e z = a,
(Fig 1.2), determinar sua massa e seu momento de inércia Iz(D), relativo ao eixo z,
levando en conta uma distribuição de densidade constante .

Figura 1.2: Gráfico do exemplo 2

SOLUÇÃO:

Começaremos por determinar os limites de integração inspecionando a (Fig 1.2) e


verificando que −b ≤ x ≤ +b, 0 ≤ y ≤

. Observemos que para este caso é mais adequado usar o sistema


de coordenadas cilíndrico, dado pela transformação onde: x =
rcos(ϑ), y = rsin(ϑ),
z = z e os limites de integração passam a: 0 ≤ r ≤ b, 0 ≤ ϑ ≤ π e 0 ≤ z ≤ a.
Em segundo, calcularemos a massa da região D, m(D) e o momento de inércia Iz(D),
relativo ao eixo z, respectivamente.

Passo 1 determinar a massa m(D), dada pela integral tripla:

π b a
Integrando em
z

temos: π b a

Substituindo os limites de integração temos:

Simplificando temos:

Integrando em r temos:

Substituindo os limites de integração temos:

Simplificando temos:

Finalmente, integrando em ϑ temos:

Substituindo os limites de integração temos:

Simplificando temos:
Passo 2 Levando em conta que: x2+y2 = (rcos(ϑ))2+(rsin(ϑ))2 = r2, determinar o momento
de inércia Iz(D), relativo ao eixo z, dada

pela integral tripla:

Integrando em z temos:

Substituindo os limites de integração temos:

Simplificando temos:

Integrando em r temos:

Substituindo os limites de integração temos:


Simplificando temos:

Finalmente, integrando em ϑ temos:

Substituindo os limites de integração temos:


Simplificando temos:
A integral tripla é uma ferramenta essencial na matemática e em várias ciências
aplicadas, oferecendo uma abordagem poderosa para o estudo de fenômenos em
três dimensões. Este trabalho demonstrou como a integral tripla permite
calcular volumes de regiões tridimensionais e resolver problemas relacionados a
propriedades físicas, como massa e centro de massa, especialmente quando a
densidade varia ao longo de um corpo. A aplicação em diferentes sistemas de
coordenadas – cartesianas, cilíndricas e esféricas – revelou a flexibilidade e a
eficiência da integral tripla, permitindo a adaptação da técnica ao formato
específico da região de interesse.

Os exemplos discutidos evidenciam que a integral tripla não é apenas uma construção
teórica, mas uma operação com aplicabilidade prática em disciplinas como física e
engenharia, onde modelar e entender a distribuição de massa ou carga dentro de
volumes é fundamental. Além disso, ao explorar a integral tripla em contextos
variados, este trabalho reforçou a importância de um conhecimento sólido sobre a
formulação e a resolução dessas integrais para a análise de fenômenos contínuos
complexos.

Conclui-se que o domínio da integral tripla amplia as possibilidades de aplicação das


ferramentas matemáticas no entendimento de problemas do mundo real, fornecendo
uma base para investigações mais profundas e detalhadas em diversas áreas. Dessa
forma, o estudo da integral tripla contribui não apenas para o avanço do conhecimento
matemático, mas também para o desenvolvimento de soluções técnicas inovadoras e
precisas em diferentes campos científicos e tecnológicos.

LEITURA COMPLEMENTAR

ÁVILA, Geraldo, Cálculo 3: Funções de Várias Variáveis, Livros Técnicos e Científicos


Editora, São Paulo, 3a edição, 1982. LEITHOLD, Louis, O Cálculo com Geometria
Analítica. Volume 2, Editora Harbra, 1994.

STEWART, James,Cálculo. Volume 3, 5a edição, Editora CEN-


GAGE Learning, 2009.
SWOKOWSKI, Earl E., Cálculo com Geometria Analítica, Volume 2, 2 a edição, Makron
Books do Brásil SP, 1994.

THOMAS, George B., Cálculo, Volume 2, 10a, Addilson Wesley, 2003.


KAPLAN, Wilfred, Cálculo Avançado Vol.1 e vol.2 Editora Edgard Blücher 1991.//
SPIEGEL, Murray R. Cálculo Avançado, Editora McGraw-Hill do Brasil, 1971.
BOUCHARA, Jacques, Cálculo Integral Avançado, EDUSP, 2006.

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