CADERNO DE JURISPRUDÊNCIA
JULGADOS RELEVANTES
RETA FINAL – DELEGADO PARANÁ
TURMA 3 - SEMANA 01
CADERNO DE JURISPRUDÊNCIAS
SEMANA 01
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PREPARAÇÃO PRÉ EDITAL PC-CE
INSPETOR E ESCRIVÃO – TURMA 4
CADERNO DE JURISPRUDÊNCIAS
SEMANA 01/14
COMO UTILIZAR O MATERIAL
O presente material de apoio deve ser lido aos sábados. A ideia é que, por meio da leitura
recorrente, o aluno fixe os principais entendimentos do STF e STJ. Em caso de dúvida sobre o
teor do julgado, recomendamos que o aluno recorra ao site Dizer o Direito e estude o
informativo na íntegra.
Sumário
Sumário ......................................................................................................................................... 3
SEMANA 01 ................................................................................................................................... 5
DIREITO PENAL .............................................................................................................................. 5
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA .................................................................................................... 5
APONTAMENTOS e DIVERGÊNCIAS.......................................................................................................... 5
RECONHECE-SE a aplicação do princípio da insignificância ..................................................................... 8
Crimes nos quais a Jurisprudência REJEITA a aplicação do princípio da insignificância........................... 9
DIREITO PROCESSUAL PENAL ...................................................................................................... 10
INVESTIGAÇÃO CRIMINAL ........................................................................................................... 10
AÇÃO PENAL ................................................................................................................................ 16
Denúncia ................................................................................................................................................ 17
Citação ................................................................................................................................................... 19
Sentença/Decisão .................................................................................................................................. 19
Assistente de Acusação .......................................................................................................................... 20
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SEMANA 01/14
SEMANA 01
DIREITO PENAL
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA
APONTAMENTOS e DIVERGÊNCIAS
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
A restituição imediata e integral do bem furtado não constitui, por si só, motivo suficiente para a incidência
do princípio da insignificância.
STJ. RMS 68.504-SC, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 10/10/2023, DJe 16/10/2023. (Tema 1208)
(Info 792)
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
O princípio da insignificância é aplicável ao crime de contrabando de cigarros quando a quantidade
apreendida não ultrapassar 1.000 (mil) maços, seja pela diminuta reprovabilidade da conduta, seja pela
necessidade de se dar efetividade à repressão a o contrabando de vulto, excetuada a hipótese de
reiteração da conduta, circunstância apta a indicar maior reprovabilidade e periculosidade social da ação.
STJ. REsp 1.977.652-SP, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Rel. para acórdão Ministro Sebastião Reis Junior, Terceira Seção, por maioria, julgado em
13/9/2023, DJe 19/9/2023 Tema 1143. (Info 787)
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
Admite-se reconhecer a não punibilidade de um furto de coisa com valor insignificante, ainda que
presentes antecedentes penais do agente, se NÃO denotarem estes tratar-se de alguém que se dedica,
com habitualidade, a cometer crimes patrimoniais.
STJ. AgRg no REsp 1.986.729-MG, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 28/06/2022, DJe 30/06/2022. (Info
744)
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
Admite-se, EXCEPCIONALMENTE, a aplicação do princípio da insignificância a crime praticado em prejuízo
da administração pública quando for ÍNFIMA a lesão ao bem jurídico tutelado.
STJ. RHC 153.480-SP, Rel. Min. Laurita Vaz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 24/05/2022, DJe 31/05/2022.
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
EXCEPCIONALMENTE, admite-se o princípio da insignificância nos crimes contra a fé pública (USO DE
ATESTADO FALSO) em casos que o dolo do réu revela, de plano, "a mínima ofensividade da conduta do
agente, a nenhuma periculosidade social da ação, o reduzidíssimo grau de reprovabilidade do
comportamento e a inexpressividade da lesão jurídica provocada", a demonstrar a atipicidade material da
conduta e afastar a incidência do Direito Penal, sendo suficientes as sanções previstas na Lei trabalhista.
⇾ PARA FIXAR:
Admite-se, EXCEPCIONALMENTE, o princípio da insignificância nos crimes contra a fé pública se:
↳ O dolo do réu revelar:
• mínima ofensividade da conduta do agente;
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• nenhuma periculosidade social da ação;
• reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento; e
• inexpressividade da lesão jurídica provocada.
Nota:
⚠ CUIDADO! Há DIVERGÊNCIA: a jurisprudência do STF e do STJ é no sentido da INAPLICABILIDADE do
princípio da insignificância na hipótese de crimes praticados contra a fé pública (ex: uso de atestado médico
falso; introdução de moedas falsas), em função do bem jurídico tutelado pela norma, que, no caso, a fé
pública representa caráter supraindividual.
STF. 2ª Turma. HC 117638, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 11/03/2014. STF. 1ª Turma. HC 187269, Rel. Min Roberto Barroso, decisão
monocrática em 18/06/2020. STJ. 6ª Turma. AgRg-AREsp 1.963.955, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 08/02/2022. STJ. 5ª Turma. AgRg-RHC
155.201, Rel. Min. Jesuíno Rissato, julgado em 12/12/2021.
⚠ Portanto, o julgado acima é uma EXCEÇÃO!
STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 1816993/B1, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 16/11/2021.
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
Se a pessoa for encontrada com alguns poucos gramas de droga para consumo próprio é possível aplicar o
princípio da insignificância.
Nota: O julgado acima foi decidido por EMPATE (2x), razão pela qual foi concedido o HC.
⚠ CUIDADO! Há DIVERGÊNCIA:
• STJ: NÃO é possível aplicar o princípio da insignificância.
A jurisprudência de ambas as turmas do STJ firmou entendimento de que o crime de posse de drogas para
consumo pessoal (art. 28 da Lei nº 11.343/06) é de perigo presumido ou abstrato e a pequena quantidade
de droga faz parte da própria essência do delito em questão, não lhe sendo aplicável o princípio da
insignificância.
STJ. 6ª Turma. RHC 35920 -DF, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 20/5/2014. Info 541. STJ. 5ª Turma. HC 377.737, Rel. Min. Felix Fischer,
julgado em 16/03/2017. STJ. 6ª Turma. AgRg-RHC 147.158, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 25/5/2021. STF: Há um precedente da 1ª
Turma, aplicando o princípio STF. 1ª Turma. HC 110475, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 14/02/2012.
STF. 2ª Turma. HC 202883 AgR, Relator(a) p/ Acórdão Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/09/2021.
Mesmo sentido: STF. 1ª Turma. HC 110475, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 14/02/2012.
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
NÃO pode ser aplicado para fins de incidência do princípio da insignificância nos crimes tributários
ESTADUAIS o parâmetro de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), estabelecido no art. 20 da Lei nº 10.522/2002,
devendo ser observada a lei estadual vigente em razão da autonomia do ente federativo.
STJ. 5ª Turma. AgRg-HC 549.428-PA. Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 19/05/2020.
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
NÃO é possível a aplicação do princípio da insignificância aos crimes tributários de acordo com o montante
definido em parâmetro estabelecido para a propositura judicial de execução fiscal.
Nota:
⚠ DIVERGÊNCIA.
SIM. É possível a aplicação do princípio da insignificância aos crimes tributários e de descaminho quando
o débito tributário verificado NÃO ultrapassar o limite de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), a teor do disposto
no art. 20 da Lei nº 10.522/2002, com as atualizações efetivadas pelas Portarias n. 75 e 130, ambas do
Ministério da Fazenda.
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SEMANA 01/14
STF. 2ª Turma. HC-AgR 160.239-SP, Rel. Min. Gilmar Mendes; Julg. 22/05/2020. STF. 2ª Turma. HC-AgR 174.329-SC, Rel. Min. Ricardo Lewandowski;
Julg. 05/11/2019; DJE 18/11/2019. STJ. 3ª Seção. HC 535.063-SP. Rel. Min. Sebastião Reis Júnior; Julg. 10/06/2020; DJE 25/08/2020.
STF. 1ª Turma. HC-AgR 144.193-SP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 15/04/2020.
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
É POSSÍVEL aplicar o princípio da insignificância para furto de bem avaliado em R$ 20,00 mesmo que o
agente tenha antecedentes criminais por crimes patrimoniais.
Nota: A existência de antecedentes criminais (habitualidade criminosa) pode servir como argumento do
juiz para afastar a aplicação do princípio da insignificância.
No entanto, NÃO se trata de uma vedação absoluta, podendo ser, EXCEPCIONALMENTE, aplicado o
princípio, COM BASE NAS CIRCUNSTÂNCIAS DO CASO CONCRETO.
Nesse sentido: STF. 2ª Turma. HC 141440 AgR/MG, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 14/8/2018 (Info 911), STF. 2ª Turma. HC 159435 AgR, Rel.
Min. Edson Fachin, julgado em 28/06/2019, STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 1517800/TO, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 20/02/2020.
Ainda vale o conhecimento da jurisprudência em Teses do STJ (ed. 47):
Tese 7: O princípio da insignificância deve ser afastado nos casos em que o réu
faz do crime o seu MEIO DE VIDA, ainda que a coisa furtada seja de pequeno
valor.
STF. 1ª Turma. RHC 174784/MS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 11/2/2020. (Info 966)
Mesmo sentido: STF. Plenário. HC 123108/MG, HC 123533/SP, HC 123734/MG, Rel. Min. Roberto Barroso, julgados em 3/8/2015 (Info 793) e STF.
2ª Turma. HC 181389 AgR/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 14/4/2020. (Info 973)
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
É possível aplicar o princípio da insignificância para a conduta de transmitir sinal de internet como
provedor SEM autorização da ANATEL (art. 183 da Lei nº 9.472/97)?
Art. 183, Lei nº 9.472/1997. Desenvolver clandestinamente atividades de telecomunicação:
Pena - detenção de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, aumentada da metade se houver dano a terceiro, e multa de R$ 10.000,00 (dez mil
reais).
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, direta ou indiretamente, concorrer para o crime.
• No STJ: é pacífico que NÃO:
↳ Súmula nº 606, STJ: NÃO SE APLICA o princípio da insignificância a CASOS DE TRANSMISSÃO
CLANDESTINA DE SINAL DE INTERNET VIA RADIOFREQUÊNCIA, que caracteriza o fato típico previsto no art.
183 da Lei nº 9.472/1997. STJ. 3ª Seção. Aprovada em 11/04/2018, DJe 17/04/2018. (Info 622)
• No STF: prevalece que não.
Assim, é inaplicável o princípio da insignificância no crime de transmissão clandestina de sinal de internet,
por configurar o delito previsto no art. 183 da Lei nº 9.472/97, que é crime formal, e, como tal, prescinde de
comprovação de prejuízo para sua consumação (STF. 1ª Turma. HC 124795 AgR, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 23/08/2019).
Para o STF é possível, em situações excepcionais, o reconhecimento do princípio da insignificância desde
que a rádio clandestina opere em baixa frequência, em localidades afastadas dos grandes centros e em
situações nas quais ficou demonstrada a inexistência de lesividade.
STF. 2ª Turma. HC 138134/BA, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 7/2/2017 (Info 853). STF. 2ª Turma. HC 142738 AgR, Rel. Min. Gilmar
Mendes, julgado em 04/04/2018.
STF. 2ª Turma. HC 157014 AgR/SE, rel. orig. Min. Cármen Lúcia, red. p/ o ac. Min Ricardo Lewandowski, julgado em 17/9/2019. (Info 952)
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
O STF concedeu ordem de habeas corpus para fixar o regime inicial aberto em favor de condenado pelo
furto de duas peças de roupa avaliadas em R$ 130,00.
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Nota: neste caso, não se absolveu o réu, mas utilizou a insignificância como exceção jurisprudencial à regra
do art. 33, § 2º, do CP (base na proporcionalidade).
STF. C 135164/MT, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. Alexandre de Moraes, julgamento em 23.4.2019. (Info 938)
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
O princípio da bagatela NÃO SE APLICA ao crime previsto no art. 34, caput c/c parágrafo único, II, da Lei nº
9.605/98.
Nota:
Art. 34 da Lei nº 9.605/98: “Pescar em período no qual a pesca seja proibida ou em lugares interditados por órgão competente:
Pena - detenção de 1 (um) ano a 3 (três) anos ou multa, ou ambas as penas cumulativamente.
Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem: [...]
II - pesca quantidades superiores às permitidas, ou mediante a utilização de aparelhos, petrechos, técnicas e métodos não
permitidos;”
Obs.: apesar de a redação utilizada no informativo original ter sido bem incisiva (“O princípio da bagatela não
se aplica ao crime previsto no art. 34, caput c/c parágrafo único, II, da Lei 9.605/98”), existem julgados tanto
do STF como do STJ aplicando, excepcionalmente, o princípio da insignificância para o delito de pesca
ilegal.
⚠ CUIDADO! Há DIVERGÊNCIA: Não se configura o crime previsto no art. 34 da Lei nº 9.605/98 na hipótese
em há a devolução do único peixe – ainda vivo – ao rio em que foi pescado.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.409.051-SC, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 20/4/2017 (Info 602).
STF. 1ª Turma. HC 122560/SC, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 08/05/2018. (Info 901)
RECONHECE-SE a aplicação do princípio da insignificância
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
É possível aplicar o princípio da insignificância para o furto de mercadorias avaliadas em R$ 29,15, mesmo
que a subtração tenha ocorrido durante o período de repouso noturno e mesmo que o agente seja
reincidente.
STF. 2ª Turma. HC 181389 AgR/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 14/4/2020. (Info 973)
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
O STF reconheceu o princípio da insignificância, mas, como o réu era reincidente, em vez de absolvê-lo, o
Tribunal utilizou esse reconhecimento para conceder a pena restritiva de direitos, afastando o óbice do
art. 44, II, do CP.
STF. 1ª Turma. HC 137217/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 28/8/2018. (Info 913)
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
Em regra, a habitualidade delitiva específica (ou seja, o fato de o réu já responder a outra ação penal pelo
mesmo delito) é um parâmetro (critério) que afasta o princípio da insignificância mesmo em se tratando
de bem de reduzido valor.
EXCEPCIONALMENTE, no entanto, as peculiaridades do caso concreto podem justificar o afastamento
dessa regra e a aplicação do princípio, com base na ideia da PROPORCIONALIDADE.
É o caso, por exemplo, do furto de um galo, quatro galinhas caipiras, uma galinha garnizé e três quilos de
feijão, bens avaliados em pouco mais de cem reais. O valor dos bens é inexpressivo e não houve emprego de
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violência. Enfim, é caso de mínima ofensividade, ausência de periculosidade social, reduzido grau de
reprovabilidade e inexpressividade da lesão jurídica. Mesmo que conste em desfavor do réu outra ação penal
instaurada por igual conduta, ainda em trâmite, a hipótese é de típico crime famélico.
A excepcionalidade também se justifica por se tratar de hipossuficiente. Não é razoável que o Direito Penal
e todo o aparelho do Estado-polícia e do Estado-juiz movimente-se no sentido de atribuir relevância a estas
situações.
STF. 2ª Turma. HC 141440 AgR/MG, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 14/08/2018. (Info 911)
Crimes nos quais a Jurisprudência REJEITA a aplicação do princípio da insignificância
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
A MULTIRREINCIDÊNCIA específica somada ao fato de o acusado estar em prisão domiciliar durante as
reiterações criminosas são circunstâncias que INVIABILIZAM a aplicação do princípio da insignificância.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.957.218-MG, Rel. Min. Olindo Menezes (Desembargador convocado do TRF 1ª Região), Sexta Turma, por maioria, julgado
em 23/08/2022. (Info 746)
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
NÃO SE APLICA o princípio da insignificância para o CRIME DE CONTRABANDO.
Nota:
Exceção: No STJ, há um precedente ISOLADO em sentido contrário, admitindo a aplicação do princípio da
insignificância ao crime de contrabando de pequena quantidade de medicamento destinada a uso próprio.
Trata-se de um caso extremamente específico em que o STJ reconheceu a mínima ofensividade da conduta
do agente, ausência periculosidade da ação, reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e
inexpressividade da lesão jurídica provocada, autorizando excepcionalmente a aplicação do princípio da
insignificância:STJ. 5ª Turma. EDcl no AgRg no REsp 1708371/PR, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 24/04/2018.
STJ. ProAfR no REsp 1.971.993-SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Terceira Seção, por unanimidade, julgado em 12/04/2022, DJe 29/04/2022. (Tema
1143)
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
O simples fato de CARTUCHOS apreendidos estarem desacompanhados da respectiva arma de fogo NÃO
IMPLICA, por si só, a ATIPICIDADE da conduta, de maneira que as peculiaridades do caso concreto devem
ser analisadas a fim de se aferir os requisitos.
REQUISITOS:
↳ O dolo do réu revelar:
• mínima ofensividade da conduta do agente;
• nenhuma periculosidade social da ação;
• reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento; e
• inexpressividade da lesão jurídica provocada.
Nota: Na hipótese dos autos, embora com o embargado tenha sido apreendida apenas uma munição de
uso restrito, desacompanhada de arma de fogo, ele foi também condenado pela prática dos crimes
descritos nos arts. 33, caput, e 35, da Lei nº 11.343/06 (tráfico de drogas e associação para o tráfico), o que
afasta o reconhecimento da atipicidade da conduta, por não estarem demonstradas a mínima ofensividade
da ação e a ausência de periculosidade social exigidas para tal finalidade.
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No mesmo sentido: Não se reconhece a incidência excepcional do princípio da insignificância ao crime de
posse ou porte ilegal de munição, quando acompanhado de outros delitos, tais como o tráfico de drogas.
STF. 1ª Turma. HC 206977 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 18/12/2021.
⚠ CUIDADO! O atual entendimento do STJ é no sentido de que a apreensão de pequena quantidade de
munição, desacompanhada da arma de fogo, permite a aplicação do princípio da insignificância ou bagatela.
STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 517.099/MS, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 06/08/2019.
STJ. 3ª Seção. EREsp 1.856.980, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 22/09/2021. (Info 710)
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
NÃO SE APLICA o princípio da insignificância para o CRIME DE APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA.
Nota: INDEPENDENTEMENTE DO VALOR DO ILÍCITO, pois esses tipos penais protegem a própria subsistência
da Previdência Social, de modo que é elevado o grau de reprovabilidade da conduta do agente que atenta
contra este bem jurídico supraindividual.
STJ. 3ª Seção. AgRg na RvCr 4.881/RJ, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 22/05/2019.
Mesmo sentido: STF. 1ª Turma. HC 102550, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 20/09/2011. STF. 2ª Turma. RHC 132706 AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 21/06/2016.
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
NÃO SE APLICA o princípio da insignificância ao furto de bem de inexpressivo valor pecuniário de
associação sem fins lucrativos com o induzimento de filho menor a participar do ato.
STJ. 6ª Turma. RHC 93.472-MS, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 15/03/2018. (Info 622)
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
O STJ e o STF NÃO ADMITEM a aplicação dos princípios da insignificância e da bagatela imprópria aos
CRIMES E CONTRAVENÇÕES PRATICADOS COM VIOLÊNCIA OU GRAVE AMEAÇA CONTRA A MULHER, no
âmbito das relações domésticas, dada a relevância penal da conduta.
Nota: Vale ressaltar que o fato de o casal ter se reconciliado NÃO significa atipicidade material da conduta
ou desnecessidade de pena.
STF. 2ª Turma. RHC 133043/MT, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 10/5/2016. (Info 825)
Mesmo sentido: STJ. 5ª Turma. HC 333.195/MS, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 12/04/2016.
STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 318849/MS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 27/10/2015.
DIREITO PROCESSUAL PENAL
INVESTIGAÇÃO CRIMINAL
NO CONCURSO SERÁ COBRADO DA SEGUINTE FORMA...
Empresas que prestam serviços de aplicação na internet em território brasileiro devem necessariamente
se submeter ao ordenamento jurídico pátrio, independentemente da circunstância de possuírem filiais
no Brasil e/ou realizarem armazenamento em nuvem.
Nota: o fato de determinada empresa estar sediada nos Estados Unidos não tem o condão de eximi-la do
cumprimento das leis e decisões judiciais brasileiras, uma vez que disponibiliza seus serviços para milhões
de usuários que se encontram em território brasileiro.
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STJ RMS 66.392-RS, Rel. Min. João Otávio de Noronha, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 16/08/2022, DJe 19/08/2022 (Info 750).
NO CONCURSO SERÁ COBRADO DA SEGUINTE FORMA...
Há excesso de prazo para conclusão de inquérito policial, quando, a despeito do investigado se encontrar
solto e de não sofrer efeitos de qualquer medida restritiva, a investigação perdura por longo período e
não resta demonstrada a complexidade apta a afastar o constrangimento ilegal.
Nota: Mostra-se inadmissível que, no panorama atual, em que o ordenamento jurídico pátrio é norteado
pela razoável duração do processo (no âmbito judicial e administrativo) - cláusula pétrea instituída
expressamente na Constituição Federal pela Emenda Constitucional n. 45/2004 -, um cidadão seja
indefinidamente investigado, transmutando a investigação do fato para a investigação da pessoa.
O fato de o paciente não ter sido indiciado ou não sofrer os efeitos de qualquer medida restritiva, por si
só, não indica ausência de constrangimento, considerando que a simples existência da investigação, que
no caso está relacionada ao exercício profissional do paciente, já é, como disse o Ministro Antonio
Saldanha Palheiro, por ocasião do julgamento do RHC 135.299/CE, uma estigmatização decorrente da
condição de suspeito de prática delitiva. O constrangimento é patente.
STJ. HC 653.299-SC, Rel. Min. Laurita Vaz, Rel. Acd. Min. Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, por maioria, julgado em 16/08/2022, DJe 25/08/2022.
(Info 747).
NO CONCURSO SERÁ COBRADO DA SEGUINTE FORMA...
O art. 69 da Lei dos Juizados Especiais, ao dispor que “a autoridade policial que tomar conhecimento da
ocorrência lavrará termo circunstanciado” não se refere exclusivamente à polícia judiciária, englobando
também as demais autoridades legalmente reconhecidas.
Nota: É constitucional norma estadual que prevê a possibilidade da lavratura de termos circunstanciados
pela Polícia Militar e pelo Corpo de Bombeiros Militar. O termo circunstanciado é o instrumento legal que
se limita a constatar a ocorrência de crimes de menor potencial ofensivo, motivo pelo qual não configura
atividade investigativa e, por via de consequência, não se revela como função privativa de polícia judiciária.
STF. Plenário. ADI 5637/MG, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 11/3/2022 (Info 1046).
NO CONCURSO SERÁ COBRADO DA SEGUINTE FORMA...
É ilegal a utilização, por parte do MP, de peça sigilosa obtida em procedimento em curso no STF para
abertura de procedimento investigatório criminal em 1ª instância com objetivo de
apuração dos mesmos fatos já investigados naquela Corte.
STJ. 5ª Turma. RHC 149.836-RS, Rel. Min. Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Rel.
Acd. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 15/02/2022 (Info 726).
NO CONCURSO SERÁ COBRADO DA SEGUINTE FORMA...
Eventual nulidade na oitiva do acusado no curso da investigação preliminar não tem o condão de
nulificar o recebimento da denúncia e a ação penal deflagrada, quando existam elementos autônomos
que sustentam a decisão impugnada. Ademais, cabe ressaltar que eventuais vícios na fase extrajudicial
não contaminam o processo penal, dada a natureza meramente informativa do inquérito policial.
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Nota: Eventuais irregularidades ocorridas no inquérito policial não contaminam a ação penal. STJ. 6ª
Turma. RHC n. 112.336/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 07/11/2019. O inquérito policial constitui
procedimento administrativo, de caráter informativo, cuja finalidade consiste em subsidiar eventual
denúncia a ser apresentada pelo Ministério Público, razão pela qual irregularidades ocorridas não
implicam, de regra, nulidade de processo-crime. STF. 1ª Turma.HC 169.348/RS, Rel. Min. Marco Aurélio,
julgado em 17/12/2019.
STJ. 5ª Turma. AgRg no RHC 124.024/SP. Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 22/09/2020.
NO CONCURSO SERÁ COBRADO DA SEGUINTE FORMA...
Não haverá infiltração policial se o agente apenas representa a vítima nas negociações de extorsão.
Nota: Não há infiltração policial quando agente lotado em agência de inteligência, sob identidade falsa,
apenas representa o ofendido nas negociações da extorsão, sem se introduzir ou se infiltrar na organização
criminosa com o propósito de identificar e angariar a confiança de seus membros ou obter provas sobre a
estrutura e o funcionamento do bando.
STJ. 6ª Turma. HC 512290-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 18/08/2020 (Info 677).
NO CONCURSO SERÁ COBRADO DA SEGUINTE FORMA...
É legal o auxílio da agência de inteligência ao Ministério Público Estadual durante procedimento criminal
instaurado para apurar graves crimes em contexto de organização criminosa.
STJ. 6ª Turma. HC 512.290-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 18/08/2020. (Info 677)
NO CONCURSO SERÁ COBRADO DA SEGUINTE FORMA...
É lícita a gravação ambiental realizada por um dos interlocutores sem o conhecimento do outro.
Nota: As inovações do Pacote Anticrime na Lei n. 9.296/1996 não alteraram o entendimento de que é lícita
a prova consistente em gravação ambiental realizada por um dos interlocutores sem conhecimento do
outro.
STJ. 6ª Turma. HC 512290-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 18/08/2020.
NO CONCURSO SERÁ COBRADO DA SEGUINTE FORMA...
Ação controlada do art. 8º, § 1º da Lei nº 12.850/2013 exige apenas comunicação prévia (e não
autorização judicial).
Nota: A ação controlada prevista no § 1º do art. 8º da Lei nº 12.850/2013 independe de autorização,
bastando sua comunicação prévia à autoridade judicial.
STJ. 6ª Turma. HC 512290-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 18/08/2020 (Info 677).
NO CONCURSO SERÁ COBRADO DA SEGUINTE FORMA...
É constitucional o Inquérito instaurado para investigar “fake news” e ameaças contra o STF.
Nota: julgado importante. Recomenda-se a leitura completa.
O STF, contudo, afirmou que o referido inquérito, para ser constitucional, deve cumprir as seguintes
condicionantes: a) o procedimento deve ser acompanhado pelo Ministério Público; b) deve ser
integralmente observado o Enunciado 14 da Súmula Vinculante. c) o objeto do inquérito deve se limitar a
investigar manifestações que acarretem risco efetivo à independência do Poder Judiciário (art. 2º da
CF/88). Isso pode ocorrer por meio de ameaças aos membros do STF e a seus familiares ou por atos que
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atentem contra os Poderes instituídos, contra o Estado de Direito e contra a democracia; e, por fim, d) a
investigação deve respeitar a proteção da liberdade de expressão e de imprensa, excluindo do escopo do
inquérito matérias jornalísticas e postagens, compartilhamentos ou outras manifestações (inclusive
pessoais) na internet, feitas anonimamente ou não, desde que não integrem esquemas de financiamento
e divulgação em massa nas redes sociais. O art. 43 do RISTF prevê o seguinte: “Art. 43. Ocorrendo infração
à lei penal na sede ou dependência do Tribunal, o Presidente instaurará inquérito, se envolver autoridade
ou pessoa sujeita à sua jurisdição, ou delegará esta atribuição a outro Ministro.” Muito embora o
dispositivo exija que os fatos apurados ocorram na “sede ou dependência” do próprio STF, o caráter difuso
dos crimes cometidos por meio da internet permite estender (ampliar) o conceito de “sede”, uma vez que
o STF exerce jurisdição em todo o território nacional. Logo, os crimes objeto do inquérito, contra a honra
e, portanto, formais, cometidos em ambiente virtual, podem ser considerados como cometidos na sede
ou dependência do STF. (dizer o direito)
STF. Plenário. ADPF 572 MC/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 17 e 18/6/2020. (Info 982)
NO CONCURSO SERÁ COBRADO DA SEGUINTE FORMA...
Compete ao CNMP dirimir conflitos de atribuições entre membros do MPF e de Ministérios Públicos
estaduais.
STF. Plenário. ACO 843/SP, Rel. para acórdão Min. Alexandre de Moraes, julgado em 05/06/2020.
NO CONCURSO SERÁ COBRADO DA SEGUINTE FORMA...
Para ser decretada a medida de busca e apreensão, é necessário que haja indícios mais
robustos que uma simples notícia anônima.
STF. 2ª Turma. HC 180709/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 5/5/2020 (Info 976).
NO CONCURSO SERÁ COBRADO DA SEGUINTE FORMA...
Não há nulidade na ação penal instaurada a partir de elementos informativos colhidos
em inquérito policial que não deveria ter sido conduzido pela Polícia Federal
considerando que a situação não se enquadrava no art. 1º da Lei 10.446/2002.
STF. 1ª Turma. HC 169348/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 17/12/2019 (Info 964).
NO CONCURSO SERÁ COBRADO DA SEGUINTE FORMA...
Se o PGJ decidir arquivar um PIC instaurado no exercício de sua competência originária,
ele não precisará submeter esse arquivamento ao Poder Judiciário, não se aplicando o
art. 28 do CPP.
STF. Rcl 29303 AgR/RJ, rel. Min. Edson Fachin, julgamento em 12.12.2019. (Rcl-29303). (Info 963)
NO CONCURSO SERÁ COBRADO DA SEGUINTE FORMA...
É possível o compartilhamento, sem autorização judicial, dos relatórios de inteligência
financeira da UIF e do procedimento fiscalizatório da Receita Federal com a Polícia e o
Ministério Público.
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Nota: Deve ser resguardado o sigilo das informações em procedimentos formalmente
instaurados e sujeitos a posterior controle jurisdicional. Além disso, o compartilhamento
pela UIF e pela RFB deve ser feito unicamente por meio de comunicações formais, com
garantia de sigilo, certificação do destinatário e estabelecimento de instrumentos efetivos
de apuração e correção de eventuais desvios.
STF. RHC 170559/MT, rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 3.12.2019. (RHC-170559) (Info 962)
NO CONCURSO SERÁ COBRADO DA SEGUINTE FORMA...
É possível a deflagração de investigação criminal com base em matéria jornalística.
Nota: Existe julgado em sentido contrário: STJ. 2ª Turma. REsp 1.360.534-RS, Rel. Min. Humberto Martins,
julgado em 7/3/2013 (Info 519).
STJ. 6ª Turma. RHC 98.056-CE, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 04/06/2019. (Info 652)
NO CONCURSO SERÁ COBRADO DA SEGUINTE FORMA...
É desnecessária a remessa de cópias dos autos ao Órgão Ministerial prevista no art. 40 do CPP, que,
atuando como custos legis, já tenha acesso aos autos.
STJ. 3ª Seção. EREsp 1.338.699-RS, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 22/05/2019. (Info 649)
Em sentido contrário: STJ, 2ª Turma. Resp. 1.360.534-RS, julgado em 7/3/2013. (Info 519)
NO CONCURSO SERÁ COBRADO DA SEGUINTE FORMA...
Não é necessária, mesmo após a Lei 13.245/2016, a intimação prévia da defesa técnica do investigado
para a tomada de depoimentos orais na fase de inquérito policial.
Nota: A Lei n° 13.245/2016 reforçou as prerrogativas dos advogados, mas não conferiu à defesa técnica o
direito subjetivo de intimação prévia e tempestiva do calendário de intimações a ser definido pela
autoridade policial.
STF. 2ª Turma. Pet 7612/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 12/03/2019. (Info 933)
NO CONCURSO SERÁ COBRADO DA SEGUINTE FORMA...
O STF, ao receber pedido da PGR para remessa de investigação contra Senador para a 1ª instância,
determinou o retorno dos autos ao MP a fim de que apresente os indícios contra o investigado.
STF. 2ª Turma. Inq 4244/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o ac. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 20/11/2018. (Info 924)
NO CONCURSO SERÁ COBRADO DA SEGUINTE FORMA...
Em regra, a autoridade com foro por prerrogativa de função pode ser indiciada. Existem duas exceções
previstas em lei de autoridades que não podem ser indiciadas: a) Magistrados (art. 33, parágrafo único,
da LC 35/79); b) Membros do Ministério Público (art. 18, parágrafo único, da LC 75/93 e art. 41, parágrafo
único, da Lei nº 8.625/93). Excetuadas as hipóteses legais, é plenamente possível o indiciamento de
autoridades com foro por prerrogativa de função. No entanto, para isso, é indispensável que a
autoridade policial obtenha uma autorização do Tribunal competente para julgar esta autoridade.
Nota: O ato de indiciamento é privativo da autoridade policial (Lei nº 12.830/2013, art. 2º, § 6º). O Ministro
Relator irá apenas autorizar que o Delegado realize o indiciamento.
STF. Decisão monocrática. Inq 4621, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 23/10/2018.
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NO CONCURSO SERÁ COBRADO DA SEGUINTE FORMA...
O STF pode, de ofício, arquivar inquérito quando verificar que, mesmo após terem sido feitas diligências
de investigação e terem sido descumpridos os prazos para a instrução do inquérito, não foram reunidos
indícios mínimos de autoria ou materialidade (art. 231, § 4º, “e”, do RISTF). A pendência de investigação,
por prazo irrazoável, sem amparo em suspeita contundente, ofende o direito à razoável duração do
processo (art. 5º, LXXVIII, da CF/88) e a dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, da CF/88).
Caso concreto: tramitava, no STF, um inquérito para apurar suposto delito praticado por Deputado
Federal. O Ministro Relator já havia autorizado a realização de diversas diligências investigatórias, além de
ter aceitado a prorrogação do prazo de conclusão das investigações. Apesar disso, não foram reunidos
indícios mínimos de autoria e materialidade. Com o fim do foro por prerrogativa de função para este
Deputado, a PGR requereu a remessa dos autos à 1ª instância. O STF, contudo, negou o pedido e arquivou
o inquérito, de ofício, alegando que já foram tentadas diversas diligências investigatórias e, mesmo assim,
sem êxito. Logo, a declinação de competência para a 1ª instância a fim de que lá sejam continuadas as
investigações seria uma medida fadada ao insucesso e representaria apenas protelar o inevitável.
STF. 2ª Turma. Inq 4420/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 21/8/2018. (Info 912)
No mesmo sentido: STF. Decisão monocrática. INQ 4.442, Rel. Min. Roberto Barroso, Dje 12/06/2018.
NO CONCURSO SERÁ COBRADO DA SEGUINTE FORMA...
A existência de denúncias anônimas somada à fuga do acusado, por si sós, não configuram fundadas
razões a autorizar o ingresso policial no domicílio do acusado sem o seu consentimento ou determinação
judicial.
STJ. 6ª Turma. RHC 83.501-SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 06/03/2018. (Info 623)
NO CONCURSO SERÁ COBRADO DA SEGUINTE FORMA...
O ingresso regular da polícia no domicílio, sem autorização judicial, em caso de flagrante delito, para
que seja válido, necessita que haja fundadas razões (justa causa) que sinalizem a ocorrência de crime no
interior da residência. A mera intuição acerca de eventual traficância praticada pelo agente, embora
pudesse autorizar abordagem policial em via pública para averiguação, não configura, por si só, justa
causa a autorizar o ingresso em seu domicílio, sem o seu consentimento e sem determinação judicial.
STJ. 6ª Turma. REsp 1574681-RS, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em 20/4/2017. (Info 606)
NO CONCURSO SERÁ COBRADO DA SEGUINTE FORMA...
O arquivamento de inquérito policial por excludente de ilicitude realizado com base em provas
fraudadas não faz coisa julgada material.
Nota: É possível a reabertura da investigação e o oferecimento de denúncia se o inquérito policial havia
sido arquivado com base em excludente de ilicitude? • STJ: NÃO. Para o STJ, o arquivamento do inquérito
policial com base na existência de causa excludente da ilicitude faz coisa julgada MATERIAL e impede a
rediscussão do caso penal. O mencionado art. 18 do CPP e a Súmula 524 do STF realmente permitem o
desarquivamento do inquérito caso surjam provas novas. No entanto, essa possibilidade só existe na
hipótese em que o arquivamento ocorreu por falta de provas, ou seja, por falta de suporte probatório
mínimo (inexistência de indícios de autoria e certeza de materialidade). STJ. 6ª Turma. REsp 791.471/RJ ,
Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 25/11/2014 (Info 554). • STF: SIM. Para o STF, o arquivamento de
inquérito policial em razão do reconhecimento de excludente de ilicitude não faz coisa julgada material.
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SEMANA 01/14
Logo, surgindo novas provas seria possível reabrir o inquérito policial, com base no art. 18 do CPP e na
Súmula 524 do STF. STF. 1ª Turma. HC 95211, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 10/03/2009. STF. 2ª
Turma. HC 125101/SP , rel. orig. Min. Teori Zavascki, red. p/ o acórdão Min. Dias Toffoli, julgado em
25/8/2015 (Info 796).
STF. Plenário. HC 87395/PR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 23/3/2017. (Info 858)
NO CONCURSO SERÁ COBRADO DA SEGUINTE FORMA...
MPF não tem acesso irrestrito a todos os relatórios de inteligência produzidos pela Diretoria de
Inteligência da Polícia Federal.
Nota: somente aos de natureza persecutório-penal.
STJ. 1ª Turma. REsp 1439193-RJ, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 14/6/2016. (Info 587)
AÇÃO PENAL
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
Antes das alterações introduzidas pela Lei n. 12.015/2009, o Ministério Público já era parte legítima para
propor a ação penal pública incondicionada destinada a verificar a prática de crimes sexuais contra
crianças.
STJ. Processo em segredo de justiça, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 28/11/2022, DJe
1º/12/2022. (Info 764)
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
O eventual trancamento de inquérito policial por excesso de prazo não impede, sempre e de forma
automática, o oferecimento da denúncia.
STF. 2ª Turma. HC 194023 AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/09/2021.
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
A Ordem dos Advogados do Brasil – OAB – não tem legitimidade para atuar como assistente de defesa de
advogado réu em ação penal.
STJ. RMS 63.393-MG, Rel. Min. Reynaldo Soares Da Fonseca, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 23/06/2020, DJe 30/06/2020. (Info 675)
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
Não há nulidade na ação penal instaurada a partir de elementos informativos colhidos em inquérito policial
que não deveria ter sido conduzido pela Polícia Federal considerando que a situação não se enquadrava
no art. 1º da Lei 10.446/2002.
Nota: O Fato de os crimes serem de competência da Justiça Estadual terem sido investigados pela PF não
gera nulidade. O “princípio do juiz natural” (art. 5º, LIII, da Constituição Federal) não se estende para
autoridades policiais, considerando que estas não possuem competência para julgar.
STF. 1ª Turma. HC 169348/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 17/12/2019. (Info 964)
Obs.Declinada a competência do feito para a Justiça estadual, não cabe à Polícia Federal prosseguir nas
investigações. STJ. HC 772.142-PE, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 23/3/2023, DJe 3/4/2023.
(Info 773)
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
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A companheira, em união estável homoafetiva reconhecida, goza do mesmo status de cônjuge para o
processo penal, possuindo legitimidade para ajuizar a ação penal privada.
STJ. Corte Especial. APn 912-RJ, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 07/08/2019. (Info 654)
Denúncia
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
O depoimento testemunhal indireto não possui a capacidade necessária para sustentar uma acusação e
justificar a instauração do processo penal, sendo imprescindível a presença de outros elementos
probatórios substanciais.
Nota: O testemunho indireto é conhecido também como testemunha auricular ou de auditus, e seu
depoimento não está excluído do sistema probatório brasileiro, podendo ser valorado a critério do julgador.
No ordenamento jurídico pátrio, não há previsão legal específica para a testemunha "de ouvir dizer", uma
vez que não há distinção entre testemunhas diretas e indiretas. Ao contrário, a legislação penal brasileira
determina que o depoimento testemunhal será admitido sempre que for relevante para a decisão. Os relatos
indiretos e baseados em ouvir dizer não são elementos suficientes para garantir a viabilidade acusatória,
sendo necessário que existam outros elementos probatórios robustos para embasar uma acusação
consistente. Portanto, na análise, deve-se considerar a fragilidade dos depoimentos baseados em ouvir dizer
na formação de um juízo acusatório. Assim, caso a acusação tenha como intenção apenas repetir o
testemunho indireto, a ação penal se mostra sem perspectivas de sucesso desde o início. Nesse contexto,
prosseguir com o processo torna-se apenas um ato de assédio processual contra o acusado.
STJ. REsp 2.290.314-SE, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 23/5/2023, DJe 26/5/2023. (Info 776)
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
O reconhecimento da justa causa para a persecução criminal do delito do art. 324 do CPM exige que o
Ministério Público indique, na denúncia, a lei, regulamento ou instrução alegadamente violada, além de
descrever o ato prejudicial à administração militar.
STJ. CC 191.358-MS, Rel. Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, por unanimidade, julgado em 14/12/2022, DJe 19/12/2022. (Info 763)
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
A JUSTA CAUSA é exigência legal para o recebimento da denúncia, instauração e processamento da ação
penal, nos termos do artigo 395, III, do Código de Processo Penal, e consubstancia-se pela somatória de
três componentes essenciais:
TIPICIDADE, PUNIBILIDADE e VIABILIDADE.
Nota: (a) TIPICIDADE (adequação de uma conduta fática a um tipo penal);
(b) PUNIBILIDADE (além de típica, a conduta precisa ser punível, ou seja, não existir quaisquer das causas
extintivas da punibilidade);
e (c) VIABILIDADE (existência de fundados indícios de autoria).
STF. 1ª Turma. HC 213.745/PR AgR, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 09/05/2022.
Mesmo sentido: STF. 1ª Turma. HC 129.678/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, Rel. p/ acórdão Min. Alexandre de Moraes, julgado em 13/06/2017. (Info
869)
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
A justa causa é analisada sob a ótica retrospectiva e prospectiva.
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Nota: a justa causa é analisada apenas sob a ótica retrospectiva, voltada para o passado, com vista a quais
elementos de informação foram obtidos na investigação preliminar já realizada. Todavia, a justa causa
também deve ser apreciada sob uma ótica prospectiva, com o olhar para o futuro, para a instrução que será
realizada, de modo que se afigura possível incremento probatório que possa levar ao fortalecimento do
estado de simples probabilidade em que o juiz se encontra quando do recebimento da denúncia.
STJ. Corte Especial. APn 989/DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 16/02/2022 (Info 726).
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
Para a caracterização do delito de associação criminosa inserido em contexto societário, é imprescindível
que a denúncia contenha a descrição da predisposição comum de meios para a prática de uma série
indeterminada de delitos e uma contínua vinculação entre os associados com essa finalidade, não
bastando a menção da posição/cargo ocupado pela pessoa física na empresa.
STJ. RHC 139.465-PA, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 23/08/2022, DJe 31/08/2022. (Info 748).
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
No momento da denúncia, prevalece o princípio do in dubio pro societate.
Nota: A propositura da ação penal exige tão somente a presença de indícios mínimos de autoria. A certeza,
a toda evidência, somente será comprovada ou afastada após a instrução probatória, prevalecendo, na fase
de oferecimento da denúncia o princípio do in dubio pro societate. STJ. 5ª Turma. RHC 93.363/SP, Rel. Min. Felix Fischer,
julgado em 24/05/2018.
⚠ CUIDADO! No julgamento do Agravo em Recurso Extraordinário nº 1.067.392, a 2ª Turma entendeu pela
concessão de Habeas Corpus de ofício para reestabelecer a sentença de impronúncia proferida pelo
magistrado de primeiro grau, tendo em vista a interpretação indevida do in dubio pro societate pelo Tribunal
de Justiça no acórdão recorrido.
O Supremo Tribunal Federal entendeu que houve interpretação "confusa e equivocada ocasionada pelo
suposto princípio in dubio pro societate" consignando que referido princípio "além de não ter qualquer
amparo constitucional ou legal, acarreta o completo desvirtuamento das premissas racionais de valoração
da prova e desvirtua o sistema bifásico do procedimento do júri brasileiro, a esvaziar a função da decisão de
pronúncia". ARE 1067392, Relator(a): GILMAR MENDES, Segunda Turma, julgado em 26/03/2019, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-167 DIVULG 01-
07-2020 PUBLIC 02-07-2020.
Tal entendimento foi reafirmado pela Corte Suprema no recente julgamento do Habeas Corpus
nº 180.144/GO, no qual destacou a ilegitimidade da invocação do in dubio pro societate frente à presunção
de inocência assegurada pela Constituição Federal, e que havendo dúvida razoável, mesmo que na primeira
fase do procedimento do Tribunal do Júri, esta deve beneficiar o réu. HC 180.144. Relator(a): CELSO DE MELLO, Segunda
Turma, julgado em 10/10/2020, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-255 DIVULG 21-10-2020 PUBLIC 22-10-2020.
STF. 1ª Turma. Inq 4506/DF, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 17/04/2018. (Info 898)
Mesmo sentido: STJ. 5ª Turma. RHC 93.363/SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 24/05/2018; STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 1193119/BA, Rel.
Min. Jorge Mussi, julgado em 05/06/2018; STF. 2ª Turma. ARE 986566 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 21/08/2017.
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
O Promotor de Justiça que passou a ter atribuição para atuar no caso não está vinculado às conclusões do
Procurador-Geral de Justiça que estava anteriormente funcionando no processo.
Nota: PGR ofereceu denúncia contra o réu perante o STJ. Este Tribunal declinou a competência para o TJ. Em
virtude disso, o PGJ ratificou a denúncia. Ocorre que o TJ declinou a competência para o juízo de 1ª instância.
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O Promotor de Justiça que atua na 1ª instância decidiu não ratificar a peça acusatória, oferecendo nova
denúncia incluindo, inclusive, novos réus. Não há qualquer nulidade neste caso. É possível o aditamento da
denúncia a qualquer tempo antes da sentença final, garantidos o devido processo legal, a ampla defesa e o
contraditório, especialmente quando a inicial ainda não tenha sido sequer recebida originariamente pelo
juízo competente, como ocorreu no caso concreto. O membro do MP possui total liberdade na formação de
seu convencimento (opinio delicti). Assim, a sua atuação não pode ser restringida ou ficar vinculada às
conclusões jurídicas que o outro membro do MP chegou, mesmo que este atue em uma instância superior.
Em outras palavras.
STF. 1ª Turma. HC 137637/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 6/3/2018. (Info 893)
Citação
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
É NULA a citação realizada por aplicativo de mensagem (whatsapp) quando verificada a ausência de
cautela apta a atestar, de forma cabal, a identidade do citando.
Nota: Embora a viabilidade desse meio de comunicação, para fins de citação, seja objeto de polêmica, fato é
que a jurisprudência desta Corte só tem declarado a nulidade quando verificado prejuízo concreto ao
denunciado.
STJ. HC 652.068-DF, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 24/08/2021, DJe 30/08/2021.
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
Citado o réu por edital, nos termos do art. 366 do CPP, o processo deve permanecer suspenso enquanto o
réu não for localizado ou até que seja extinta a punibilidade pela prescrição.
Nota:
• Súmula nº 415, STJ. O período de suspensão do prazo prescricional é regulado pelo máximo da pena
cominada.
STJ. 6ª Turma. RHC 135.970/RS, Rel. Min. Sebastião Reis Junior, julgado em 20/04/2021 (Info 693).
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
Se for expedida carta rogatória para citar um acusado no exterior, o prazo prescricional ficará SUSPENSO
até que ela seja cumprida, ou seja, o prazo prescricional voltará a correr antes mesmo que a carta seja
juntada aos autos.
STJ. 5ª Turma. REsp 1.882.330/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 06/04/2021. (Info 691)
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
É possível a utilização de WhatsApp para a citação de acusado, desde que sejam adotadas medidas
suficientes para atestar a autenticidade do número telefônico, bem como a identidade do indivíduo
destinatário do ato processual.
STJ. 5ª Turma. HC 641.877/DF, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 09/03/2021. (Info 688)
Sentença/Decisão
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PREPARAÇÃO PRÉ EDITAL PC-CE
INSPETOR E ESCRIVÃO – TURMA 4
CADERNO DE JURISPRUDÊNCIAS
SEMANA 01/14
O exercício do direito ao silêncio não pode servir de fundamento para descredibilizar o acusado nem para
presumir a veracidade das versões sustentadas por policiais, sendo imprescindível a superação do
standard probatório próprio do processo penal a respaldá-las.
Nota: O direito ao silêncio, enumerado na Constituição Federal como direito de permanecer calado, é
sucedâneo lógico do princípio nemo tenetur se detegere. Nesse sentido, é equivocado qualquer
entendimento de que se conclua que seu exercício possa acarretar alguma punição ao acusado. A pessoa
não pode ser punida por realizar um comportamento a que tem direito. O art. 5º, inc. LXIII, da CF, não deixa
dúvidas quanto à não recepção do art. 198 do CPP, quando diz que o silêncio do acusado, ainda que não
importe em confissão, poderá se constituir elemento para a formação do convencimento do juiz.
STJ. REsp 2.037.491-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 6/6/2023. (Info 780)
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
O art. 385 do Código de Processo Penal é compatível com o sistema acusatório e não foi tacitamente
derrogado pelo advento da Lei n. 13.964/2019, responsável por introduzir o art. 3º-A no Código de
Processo Penal.
STJ.REsp 2.022.413-PA, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Rel. para acórdão Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, por maioria, julgado em
14/2/2023.
A sentença ou acórdão penal condenatório, ao fixar o valor mínimo para reparação dos danos causados
pela infração (art. 387, IV, do CPP) poderá condenar o réu ao pagamento de danos morais coletivos.
Nota: arts. 5°, X da CF e 186 do CC.
STF. 2ª Turma. AP 1002/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 9/6/2020. (Info 981)
Assistente de Acusação
No Concurso Será Cobrado Da Seguinte Forma:
Se o acórdão absolutório foi combatido tempestivamente pelo assistente de acusação, não houve
formação de coisa julgada em favor do réu e o recurso deve ser apreciado pelo Tribunal.
STF. 2ª Turma. HC 154076 AgR/PA, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 29/10/2019. (Info 958)
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