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Retiro de Silêncio 1

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Irmãs Carmelitas Mensageiras do Espírito Santo

Dia de recolhimento com Santa Teresinha

“É preciso que o Espírito Santo seja a vida do teu coração”


Santa Teresinha do Menino Jesus

Na véspera

- Escolha seu lugar para a oração -se for em seu quarto,


prepare um pequeno altar com uma imagem de Nossa Senhora, seu
crucifixo. É importante que esteja em ordem e limpo para te ajudar a
entrar na presença de Deus
- Separe as passagens bíblicas, procure estar mais em silêncio
e com o coração em Deus para se preparar para estar com Ele
amanhã
- Avise as pessoas que moram com você
- Antes de dormir já desligue seu celular. Se precisar dele para
alguma coisa, desconecte a internet

Faça um horário nessa ordem contendo


- Despertar
- 1 Meditação – todas de 30 minutos a 1 hora
- Anotações e descanso de 15 minutos
- 2 Meditação
- Anotações
- Almoço
- Descanso de 1 hora e meia (pode dormir se precisar, ler, ouvir
uma música que ajude a rezar, caminhar, é um tempo livre) Terço
- Leitura Espiritual – livro de sua preferência – 45 minutos a 1
hora
- 3 Meditação
- Adoração
- Santa Missa no horário que for possível
- Jantar
- Revisão do dia, ver os apelos que Deus lhe fez e fazer um
compromisso com Jesus. Escolha o versículo que mais lhe marcou
- Recolher-se para dormir

Reze o terço e o Salmo 15(16)


Com o salmista, peça ao Senhor que Ele a guarde nessa noite,
que Eçe lhe aconselhe ao longo dessa noite, e lhe fale ao coração.
“Ensinai-me, Senhor, o caminho para a vida”
No dia do Retiro
Ao despertar, volte seu pensamento para Deus. Ajoelhe-se e
ofereça seu dia ao Senhor. Reze o oferecimento do dia de sua
preferência. Peça ao Espírito Santo que a acompanhe e inspire e se
consagre a Nossa Senhora.
Espírito Sant, termina em nós a obra começada por Jesus.
Dá entusiasmo ao nosso apostolado, para que atinja todos os
homens e todos os povos, resgatados, todos eles, pelo sangue
de Cristo. Acelera em cada um de nós o despertar de uma
profunda vida interior.
Apaga em nós a autossuficiência e eleva-nos até ao nível de
uma humildade santa, do verdadeiro temor de Deus, da
coragem generosa.
Que nenhum apego terrestre nos impeça de honrar a vocação
a que fomos chamados.
Que nenhum interesse possa, por covardia nossa, abafar
dentro de nós as exigências da justiça.
Que cálculos medíocres e mesquinhos não reduzam às
estreitezas do nosso egoísmo os imensos espaços da caridade.
Que grande seja em nós a procura da Verdade, até a pronta
aceitação do sacrifício, mesmo até a cruz, até a morte.
Que tudo, enfim, responda à oração suprema que o Filho
dirigiu ao Pai.
E que esta graça, Espírito de Amor, pela vontade do Pai e do
Filho, se derrame sobre a Igreja, sobre todas as instituições,
sobre todos os povos e sobre cada um de nós.
Amém.

1ª Meditação
“Vinde a mim todos vós que estais cansados e carregados de
fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e
aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e
encontrareis descanso para vós. Pois o meu jugo é suave e o
meu fardo é leve” (Mt 11, 28-30)

No início desse dia de recolhimento, coloque-se na presença de


Jesus. Peça a Ele a graça de se deixar conduzir pelo Espírito Santo
nesse tempo de oração. Que tudo se passe entre você e Ele.
Faça um breve exame de consciência. Pode usar o texto em anexo
para fazer.
Peça perdão e deixe dentro do coração de Jesus todas as faltas e todo
o incômodo que pode estar te afligindo hoje. Ele está aqui!
Permaneça um tempo em silêncio acolhendo o convite que Jesus te
fez, de vir a Ele.
Para terminar, reze o Salmo 62 – Sois vós, ó Senhor o meu Deus,
desde a aurora ansioso vos busco

2ª Meditação – Sl 139 – Senhor, vós me sondais e conheceis!


- Como você pode ver o agir de Deus na sua história?
- Quem é você diante Dele?
- Onde e como você se encontra hoje e o que Ele te chama a ser?
- Releia esse trecho de História de uma Alam e deixe que Teresinha
te ajude a encontrar onde está a mão de Deus na sua vida, como ela
percebeu onde estava na dela

Texto de Apoio
1. A vós, Madre querida, a vós que sois duas vezes minha mãe,
venho confiar a história da minha alma... No dia em que me pedistes
para fazê-lo, pareceu-me que isso dissiparia meu coração ocupando-o
consigo mesmo, mas depois Jesus fez-me sentir que obedecendo,
simplesmente, eu lhe seria agradável; aliás, só vou fazer uma coisa:
Começar a cantar o que devo repetir eternamente — “As
Misericórdias do Senhor!!!” 1 ...
2. Antes de pegar a caneta, ajoelhei-me perante a imagem de
Maria 2 (aquela que nos deu tantas provas das maternas preferências
da Rainha do Céu por nossa família), supliquei-lhe guiar minha mão a
fim de que eu não escrevesse nenhuma linha que não lhe fosse
agradável. Depois, abrindo o Santo Evangelho, meus olhos caíram
sobre as seguintes palavras: “Jesus, tendo subido a uma montanha,
chamou a Si quem Ele quis; e vieram a Ele”.
3. Aqui está o mistério da minha vocação, da minha vida inteira
e, sobretudo, o mistério dos privilégios de Jesus sobre minha alma...
Não chama os que são dignos, mas os que Ele quer 3 ou, como diz
são Paulo: “Deus se compadece de quem Ele quer e tem misericórdia
para quem quer ter misericórdia. Portanto, não é obra de quem quer
nem de quem procura, mas de Deus que tem misericórdia”.
4. Durante muito tempo perguntava para mim mesma por que
Deus tinha preferências, por que não recebem todas as almas o
mesmo grau de graças, estranhava vendo-O prodigalizar favores
extraordinários aos santos que o haviam ofendido,[2v] como são
Paulo, santo Agostinho, e que Ele forçava, por assim dizer, a receber
1
. O tema principal do Manuscrito A. A palavra misericórdia, encontrada na mesma
página com a citação de são Paulo, volta vinte e nove vezes nos Manuscritos
autobiográficos, ao lado da oração principal, o Ato de oferenda ao Amor
Misericordioso (Or 6).
2
A “Virgem do Sorriso” que, hoje, encima o relicário da santa. Ocupa um lugar
essencial na vida de Teresa, curando-a, na infância, de sua doença nervosa (93/95)
e acompanhando-a na agonia, na enfermaria.
3
. Teresa insiste na idéia. que lhe é cara, a do prazer de Deus, retomada quatorze
vezes nos Manuscritos. A gratuidade do amor de Deus está no centro da sua
mensagem. Cf. Manuscrito C, 270.
suas graças, ou lendo a vida dos santos que Nosso Senhor se
agradou em acariciar do berço ao túmulo, sem deixar no caminho
deles obstáculo algum que os impedisse de elevar-se para Ele e
cuidando dessas almas com tantos favores que elas nem podiam
macular o vestido batismal, perguntava a mim mesma, por que os
pobres selvagens, por exemplo, em grande número, morriam antes
mesmo de ter podido ouvir pronunciar o nome de Deus...
5. Jesus aceitou instruir-me a respeito desse mistério, pôs
diante dos meus olhos o livro da natureza e compreendi que todas as
flores que Ele criou são belas, que o brilho da rosa e a alvura do lírio
não impedem o perfume da pequena violeta ou a simplicidade
encantadora da margarida... Compreendi que, se todas as florzinhas
quisessem ser rosas, a natureza perderia seu adorno primaveril, os
campos não seriam mais salpicados de florzinhas...
Assim é no mundo das almas, o jardim de Jesus. Ele quis criar
os grandes santos que podem ser comparados aos lírios e às rosas e
criou também santos menores, e estes devem contentar-se em ser
margaridas ou violetas destinadas a alegrar os olhares de Deus
quando os baixa aos pés, a perfeição consiste em fazer sua vontade,
em ser aquilo que Ele quer que sejamos...
6. Compreendi também que o amor de Nosso Senhor revela-se
tanto na alma mais simples, que em nada resiste à sua graça, como
na alma mais sublime. Na realidade, o próprio do amor é rebaixar-
se.4 Se todas as almas se parecessem com as dos santos doutores
que iluminaram a Igreja [3r] com a luz da sua doutrina, parece que
Deus não desceria bastante ao vir até o coração deles. Mas criou a
criança que nada sabe e só emite fracos gritos, criou o pobre
selvagem que só tem como guia a lei natural, e é até o coração deles
que se digna descer; são suas flores do campo cuja simplicidade o
encanta...
7. Descendo assim, Deus mostra sua infinita grandeza. Assim
como o sol ilumina ao mesmo tempo os cedros e cada florzinha, como
se ela fosse única sobre a terra, assim Nosso Senhor se ocupa
particularmente de cada alma como se não houvesse outra igual.
Como, na natureza, todas as estações são determinadas de modo a
fazer desabrochar, no dia marcado, a mais humilde margarida, assim
tudo corresponde para o bem de cada alma.
8. Sem dúvida, querida Madre, estais vos perguntando aonde
quero chegar, pois até aqui nada disse que se pareça com a história
da minha vida. Mas pedistes-me para escrever sem constrangimento
o que me viesse ao pensamento, portanto não é propriamente minha
vida que vou escrever, são os pensamentos a respeito das graças que
Deus quis conceder-me. Encontro-me num momento da minha
existência em que posso lançar um olhar sobre o passado, minha
alma amadureceu no crisol das provações exteriores e interiores;
agora, como a flor fortificada pela tempestade levanto a cabeça e
vejo que em mim se realizam as palavras do salmo XXII. (O Senhor é
meu pastor, nada me faltará. Faz-me repousar em pastagens
agradáveis e férteis: conduz-me suavemente ao longo das águas.
Conduz minha alma sem cansá-la... Mas, embora desça eu ao vale
[3v] da sombra da morte, não temerei mal algum, pois estareis
comigo, Senhor!...)
9. O Senhor sempre foi compassivo comigo e cheio de doçura...
Lento em punir-me e abundante em misericórdia!.... Por isso, Madre,
4
. Um dos “gestos”, uma das imagens essenciais do amor, da graça divina, segundo
Teresa, que aparece vinte e quatro vezes nos Escritos (cf. sobretudo Manuscrito B,
255, fim).
é com alegria que venho cantar junto a vós as misericórdias do
Senhor... É só para vós que vou escrever a história da florzinha
colhida por Jesus, por isso vou falar com liberdade, sem preocupar-
me com o estilo, nem com as numerosas digressões que vou fazer.
Um coração de mãe sempre compreende sua criança, mesmo quando
só sabe balbuciar, portanto estou certa de ser compreendida e
adivinhada por vós que formastes meu coração e o oferecestes a
Jesus!...
10. Parece-me que, se uma florzinha pudesse falar, contaria
simplesmente o que Deus fez para ela, sem procurar esconder os
favores; não diria, a pretexto de falsa humildade, que é feia e sem
perfume, que o sol a fez murchar e as tempestades lhe quebram o
talo quando reconhecesse nela o contrário.
11. A flor que vai agora contar sua história fica feliz em poder tornar
públicas as atenções totalmente gratuitas de Jesus, reconhece que
nada havia nela capaz de atrair seu divino olhar e que foi só a sua
misericórdia que fez tudo o que há de bom nela..

3ª Meditação – Jo 13, 1-20 – Dou-vos um novo mandamento!


- Coloque-se ali junto aos discípulos do Senhor e deixe que Ele lhe
lave os pés
- Quando nos sentimos profundamente amadas por Deus,
aprendemos também a amar. Como isso pode se dar de modo
concreto em sua vida hoje?
- Onde jesus lhe pede para imita-lo lavando os pés de seus irmãos? O
que isso significa para você?
- Deixe que Teresinha a ajude a encontrar o seu caminho, mostrando
como Jesus a instruiu a amar.

Texto de Apoio
288. Este ano, Madre querida, Deus deu-me a graça de
compreender o que é a caridade 5. Compreendia antes, mas de
maneira imperfeita, não tinha aprofundado esta palavra de Jesus: “O
segundo [mandamento] é semelhante a este: Ama ao teu próximo 6
como a ti mesmo”’. Dedicava-me, sobretudo, a amar a Deus e foi
amando-o que compreendi que não devia deixar que meu amor se
traduzisse apenas em palavras, pois: “Nem todo o que me diz:
‘Senhor, Senhor’, entrará no reino dos céus, mas o que faz a vontade
de meu Pai que está nos céus”. Essa vontade, Jesus a deu a conhecer
muitas vezes, deveria dizer quase a cada página do seu Evangelho;
mas na última ceia, quando sabe que o coração dos seus discípulos
5
. Pode-se pensar que o encargo quase oficial do noviciado (março de 1896), a
adoção efetiva de Maurice Bellière (primeira carta em outubro), a ajuda a Maria do
Santíssimo Sacramento (março de 1896) muito ensinaram a Teresa no plano da
fraternidade (cf. Recreios, p. 404, 4r, 9-13). Segundo Madre Inês, falar da caridade
fraterna foi a primeira idéia de Teresa quando iniciou o Manuscrito (PA, p. 173).
Segundo Maria da Trindade, teria desejado, inicialmente, comentar o Cântico dos
Cânticos (CSM).
6
. O próximo não é palavra que pertença o vocabulário de Teresa; só aparece nesta
passagem e mais uma vez em CJ 9.5.2.
arde de maior amor por Ele que acaba de dar-se a eles no inefável
mistério da sua Eucaristia, esse doce Salvador quer dar-lhes um novo
mandamento. Diz-lhes com indizível ternura: “Dou-vos um
mandamento novo: que vos ameis uns aos outros; que, assim como
eu vos amei, vós também vos ameis uns aos outros 7. E nisto
precisamente todos reconhecerão que sois meus discípulos: se
tiverdes amor uns pelos outros”.
[12r] De que maneira Jesus amou seus discípulos e por que os
amou? Ah! não eram suas qualidades naturais que podiam atraí-lo,
havia entre eles e Ele uma distância infinita. Ele era a ciência, a
Sabedoria Eterna; eles eram pobres pescadores ignorantes e cheios
de pensamentos terrenos. Contudo, Jesus os chama de amigos, de
irmãos 8, quer vê-los reinar com Ele no reino do seu Pai e, para abrir-
lhes esse reino, quer morrer numa cruz, pois disse: Não há amor
maior que dar a vida por aquele a quem se ama.
289. Madre querida, ao meditar essas palavras de Jesus,
compreendi como era imperfeito o meu amor para com minhas
irmãs, pois não as amava como Deus as ama. Ah! compreendo agora
que a caridade perfeita consiste em suportar os defeitos dos outros 9,
não se surpreender com suas fraquezas, edificar-se com os menores
atos de virtude que os vemos praticar. Compreendi, sobretudo, que a
caridade não deve ficar presa no fundo do coração 10. Ninguém, disse
Jesus, acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas
sobre o candelabro, e assim alumia a quantos estão em casa (Mt
5,15). Parece-me que essa candeia representa a caridade que deve
alumiar, alegrar, não só os que me são mais caros, mas todos? 11 os
que estão em casa, sem excetuar ninguém.
290. Quando o Senhor ordenou a seu povo amasse ao próximo
[12v] como a si mesmo, não tinha vindo ainda à terra. Mas, sabendo
até que grau se ama a si mesmo, não podia pedir às suas criaturas
amor maior para com o próximo. Quando Jesus deu a seus discípulos
um mandamento novo, o Seu mandamento, como diz adiante, não é
mais amar ao próximo como a si mesmo que ele ordena, mas amá-lo
como Ele, Jesus, o amou, como o amará até o final dos séculos...
Ah, Senhor! sei que não ordenais nada impossível 12, conheceis
minha fraqueza e minha imperfeição melhor que eu mesma; bem
sabeis que nunca poderia amar as minhas irmãs como vós as
amastes, se vós mesmo,ó meu Jesus, não as amasses em mim. É
porque queríeis me conceder essa graça que fizestes um
mandamento novo. Oh! como o amo sendo que me dás a certeza de
que vossa vontade é amar em mim todos aqueles que me ordenastes
7
. Numa grafia inclinada e com grifos, essas palavras de Jesus (e essencialmente o
como) são a alavanca dessa grande exegese da caridade (RI?, pp. 245s, e Salmos
7). Frase escrita num dos muros, no lugar do recreio, onde Teresa pôde lê-la duas
vezes ao dia durante nove anos.
8
. Antíteses muito teresianas: “a ciência, a Sabedoria eterna” que transforma
“pescadores ignorantes” em seus amigos, seus irmãos.
9
. Teresa elabora uma espécie de sumário dos pensamentos que irá desenvolver
sobre a vida em comunidade.
10
. Cf. palavras relatadas por Maria da Trindade, em VT, n. 77, pp. 53s.
11
. De novo, Teresa sublinha todos para insistir. Observação entre duas observações
simétricas: “aqui, sou amada (...) de todas as irmãs” (285) e “mais amo todas as
minhas irmãs” (290).
12
. Teresa utiliza cada citação bíblica como degrau para um novo salto: ela não pode
amar como Jesus, a não ser que Jesus ame nela; e, conseqüentemente, ela ama
como Jesus: “quando sou caridosa, é só Jesus que age em mim” (infra). Ela está na
linha de Gl 2,20 (cf. BT, p. 274. Cf. Manuscrito A, 216, 221; Manuscrito B, 255;
Manuscrito C, 290, 338; Pri 7.
amar’
Sinto que quando sou caridosa é só Jesus que age em mim;
mais unida fico a Ele, mais amo todas as minhas irmãs. Quando
quero aumentar em mim esse amor, quando o demônio, sobretudo,
procura colocar perante os olhos da alma os defeitos de tal ou qual
irmã que me é menos simpática, apresso-me em procurar ver suas
virtudes, seus bons desejos. Penso que, se a vi cair uma vez, bem
pode ter conseguido muitas [13r] vitórias que ela esconde por
humildade, e que mesmo aquilo que para mim parece ser uma falta
pode ser, devido à intenção, um ato de virtude.
Adoração se for possível, faça um tempo de adoração
diante de Jesus Eucarístico, rezando esse poema de Santa
Teresinha. SE não for, faça esse momento diante do
crucifixo
Viver de amor
No entardecer do Amor, falando sem figuras,
Assim disse Jesus: “Se alguém me quer amar,
Saiba sempre guardar minha Palavra1
Para que o Pai e Eu o venhamos visitar.
Se do seu coração fizer Nossa morada,
Vindo até ele, então, haveremos de amá-lo
E irá, cheio de paz, viver
Em Nosso Amor!”
Viver de Amor, Senhor, é Te guardar em mim,
Verbo incriado, Palavra de meu Deus,
Ah, divino Jesus, sabes que Te amo sim,
O Espírito de Amor me abrasa em chama ardente2;
Somente enquanto Te amo o Pai atraio a mim.
Que Ele, em meu coração, eu guarde a vida inteira,
Tendo a Vós, ó Trindade, como prisioneira3
Do meu Amor!…
Viver de Amor é viver da Tua vida,
Delícia dos eleitos e glorioso Rei;
Vives por mim numa hóstia escondido,
Escondida também por Ti eu viverei!
Os amantes4 procuram sempre a solidão:
Coração, noite e dia, em outro coração;
Somente Teu olhar me dá felicidade:
Vivo de Amor!
Viver de amor não é, nesta terra,
A nossa tenda armar nos cumes do Tabor;
É subir o Calvário com Jesus,
Como um tesouro5 olhar a cruz!
No céu eu viverei de alegrias,
Quando, então, todo sofrimento acabará;
Mas, enquanto exilada, quero, no sofrimento
Viver de Amor!
Viver de Amor é dar, dar sem medida6,
Sem reclamar na vida recompensa.
Eu dou sem calcular, por estar convencida
De que quem ama nunca em pagamento pensa!…
Ao Coração Divino, que é só ternura em jorro,
Eu tudo já entreguei! Leve e ligeira eu corro7,
Só tendo esta riqueza tão apetecida:
Viver de Amor!
Viver de Amor, banir todo o temor
E lembranças das faltas do passado.
Não vejo marca alguma em mim do meu pecado:
Tudo, tudo queimou o Amor num só segundo…8
Chama divina, ó doce fornalha,
Quero, no teu calor, fixar minha morada
E, em teu fogo é que canto o refrão mais profundo:
“Vivo de Amor!…”
Viver de Amor, guardar dentro do peito
Tesouro que se leva em vaso mortal.
Meu Bem-Amado, minha fraqueza é extrema,
Estou longe de ser um anjo celestial!…
Mas, se venho a cair cada hora que passa,
Em meu socorro9 vens,
A todo instante me dás tua graça:
Vivo de Amor!
Viver de Amor é velejar10 sem descanso,
Semeando nos corações a paz e a alegria.
Timoneiro amado, a caridade me impulsiona,
Pois te vejo nas almas, minhas irmãs11.
A caridade é minha única estrela
E, à sua doce luz, navego noite e dia,
Ostentando este lema, impresso em minha vela:
“Viver de Amor!”
Viver de Amor, enquanto meu Mestre cochila,
Eis o repouso entre as fúrias da vaga.
Oh! não temas, Senhor, que eu te acorde,
Aguardo em paz12 a margem dos céus…
Logo a fé irá rasgar seu véu,
Minha esperança é ver-te um dia.
A Caridade infla e empurra minha vela.
Vivo de Amor!…
Viver de Amor, ó meu Divino Mestre,
É pedir-Te que acendas teus Fogos
Na alma santa e consagrada de teu Padre13.
Que ele seja mais puro que um Serafim dos céus!…
Tua Igreja imortal14, ó Jesus, glorifica
Sem fechar Teu ouvido a meus suspiros;
Por ela tua filha aqui se sacrifica,
Vivo de Amor!
Viver de Amor, Jesus, é enxugar Tua Face15
E obter de Ti perdão para os pecadores16.
Deus de Amor, que eles voltem à Tua graça
E para todo o sempre teu Nome bendigam.
Ressoa em meu peito a blasfêmia17;
Para poder apagá-la estou sempre a cantar:
“Teu Nome sagrado hei de amar e adorar;
Vivo de Amor!…”
Viver de Amor é imitar Maria,
Banhando, com seu pranto e com perfumes raros,
Os pés divinos que beijava embevecida,
Para, depois, com seus cabelos enxugá-los…
Levanta-se, a seguir, quebra o vaso
E Tua Doce Face perfuma…
Mas Tua Face eu só perfumo18, bom Senhor,
Com meu Amor!
“Viver de Amor, estranha loucura”,
Vem o mundo e me diz, “pára com esta glosa,
Não percas o perfume e a vida que é tão boa,
Aprende a usá-los de maneira prazerosa!”
Amar-Te é, então, Jesus, desperdício fecundo!…
Todos os meus perfumes dou-te para sempre,
E desejo cantar, ao sair deste mundo:
“Morro de Amor!”
Morrer de Amor19 é bem doce martírio:
Bem quisera eu sofrer para morrer assim…
Querubins, todos vós, afinai vossa lira,
Sinto que meu exílio está chegando ao fim!
Chama de Amor20, vem consumir-me inteira.
Como pesa teu fardo, ó vida passageira!
Divino Jesus, realiza meu sonho:
Morrer de Amor!…
Morrer de Amor, eis minha esperança!
Quando verei romperem-se todos os meus vínculos,
Só meu Deus há de ser a grande recompensa21
E não quero possuir outros bens,
Abrasando-me toda em seu Amor,
A Ele quero unir-me e vê-Lo:
Eis meu destino, eis meu céu:
Viver de Amor!!!…

“Não me arrependo de ter me entregue ao Amor” Santa


Teresinha do Menino Jesus

Tudo te ofereço, Senhor!

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