Família da Contemporaneidade
Com as mudanças sociais e culturais advindas do contexto histórico, é possível
perceber que a instituição familiar passou por uma reformulação. Atualmente a
formação familiar constitui-se pelos mais diversos motivos, e não está necessariamente
vinculada ao afeto, à criação de filhos ou ao sexo. E para além da formação familiar, os
processos culturais se tornam ativos, como por exemplo a influência política, econômica
e cultural, e da escola, da mulher inclusa no ambiente de trabalho, da religiosidade e
outras instituições que perpassam o núcleo familiar, e podem gerar aproximação ou
conflito. (PRETINI ET AL, 2008).
Uma mudança clara atualmente é o papel da mulher, que assume uma posição
diferente daquela antes preconizada, passando a ser muitas vezes a provedora da
família, enquanto o homem assume as tarefas domésticas. Oliveira (2009) coloca que
A “nova família”, que se caracteriza pelas diferentes formas de organização
em um cotidiano marcado pela busca do novo. Os arranjos diferenciados
podem ser propostos de diversas formas, renovando conceitos
preestabelecidos, redefinindo os papéis de cada membro do grupo familiar (p.
66).
Para além, a formação familiar hoje, designada “família-mosaico” surge diante
de uma gama de fatores externos sociais que modificam as relações de parentesco e as
representações. A aceitação à pessoas em situação de divórcio, mulheres ou homens
viúvos que assumem a criação dos filhos sozinhos, famílias formadas por avó, mãe e
filha (o), homens ou mulheres divorciados com filhos que se unem a outros que também
já possuem filhos, casais homossexuais, avos que assumem a criação dos netos,
adolescentes ou crianças que engravidam e tem dificuldades em assumir a
responsabilidade da criação, entre outros contextos. Chegando a uma relação parental
mais extremista, e ainda não bem aceita socialmente, temos pais que possuem relações
sexuais com filhas, mãe que assumem relação com filha, avós e netos, noras e sogros,
trios (2 mulheres e um homem ou vice-versa) que convivem juntos e mantém relações
sexuais.
Por fim, apear de todas as nuances desse tema, pode-se afirmar que família
possui um papel central no processo de formação dos seres humanos, é o local de
nascimento e das primeiras relações interpessoais, sendo para alguns uma instituição
conservadora, e para outros, um recurso individual e social de construção da identidade
(PRETINI ET AL, 2008).
OLIVEIRA, N. H. D. Família Contemporânea. Recomeçar: família, filhos e
desafios. São Paulo: Unesp, 2009.
PETRINI, J. C.; ALCANTARA, M. A. R.; MOREIRA, L. V. C. Família da
Contemporaneidade: Uma análise conceitual. São Paulo: PUC, 2008.