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Red - Rabbit - Devyn - River

Kaelin Bennett, CTO de uma empresa de tecnologia militar, e Graham Wolfe, um veterano semi-aposentado, se encontram em uma situação de vida ou morte após um acidente de avião na selva. Enquanto tentam sobreviver, eles enfrentam não apenas os perigos da floresta, mas também os demônios de seu passado e uma ameaça sinistra que se aproxima. O livro aborda temas sombrios e perturbadores, incluindo violência e abuso, e avisa os leitores sobre possíveis gatilhos emocionais.

Enviado por

Laranja
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Red - Rabbit - Devyn - River

Kaelin Bennett, CTO de uma empresa de tecnologia militar, e Graham Wolfe, um veterano semi-aposentado, se encontram em uma situação de vida ou morte após um acidente de avião na selva. Enquanto tentam sobreviver, eles enfrentam não apenas os perigos da floresta, mas também os demônios de seu passado e uma ameaça sinistra que se aproxima. O livro aborda temas sombrios e perturbadores, incluindo violência e abuso, e avisa os leitores sobre possíveis gatilhos emocionais.

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SINOPSE

Dois estranhos: Kaelin Bennett – CTO da Phox, uma empresa de


tecnologia militar, e Graham Wolfe – um veterano semi-aposentado que
trabalha dentro e fora de empresas militares privadas, acabam de cair
nas profundezas da selva. Ele está algemado e ela acabou de salvar a
vida dele, entã o parece que eles estã o juntos, para desespero de ambos.

A batalha de Kaelin e Graham fora da selva começa apenas com a


tentativa de sobreviver um ao outro, mas quando um dos antigos
amigos militares de Graham aparece do nada, nã o é para salvá -los - e
ambos rapidamente descobrem que algo sinistro está acontecendo. A
floresta guarda alguns segredos aterrorizantes que podem acabar com
eles e Graham de repente se vê lutando para resgatar Kaelin das
profundezas mais sombrias da depravaçã o humana - tudo isso
enquanto luta contra seus pró prios demô nios escondidos nas sombras.

Nã o há heró is aqui... e os vilõ es pegam o que querem.


UMA NOTA IMPORTANTE
Este livro contém cenas angustiantes e perturbadoras envolvendo
trá fico sexual, sexo/estupro nã o consensual e agressã o sexual.
Esta é uma obra de ficçã o e de forma alguma o autor tolera ou
glorifica essas atividades. Se você foi vítima destas atrocidades, procure
ajuda profissional e tenha muito cuidado com este livro, pois ele pode
ser desencadeador.
Lembre-se de que estupro é qualquer forma de atividade sexual
que nã o envolve consentimento completo e entusiá stico.
Nã o é uma sentença completa.
UM AVISO
Este livro contém cenas que podem ser perturbadoras para alguns
leitores.
Inclui cenas sexualmente explícitas, temas moralmente cinzentos
e os seguintes gatilhos:
Violência, trá fico sexual, nã o-violaçã o/estupro (descrito),
Agressã o sexual (descrita), jogos com faca, sangue, Manipulaçã o
psicoló gica, Síndrome de Estocolmo, morte, Pensamentos suicidas,
depressã o, ataques de pâ nico, trauma, sequestro, acidente de aviã o,
assassinato, abuso físico, escravidã o, tortura (descrita), BDSM,
mutilaçã o, violência armada, trauma militar de prisioneiros de guerra,
voyeurismo.
Esta é uma obra de ficçã o muito sombria e à s vezes perturbadora.
ESTES GATILHOS ESTÃO ESCRITOS, NÃO IMPLÍCITOS.
Esta é uma histó ria sobre passar pelo mais profundo e mais
sombrio da imoralidade humana e sair do outro lado.
Tem um final feliz - os personagens só precisam passar pelo
inferno para chegar lá .
Tropes: Enemies To Lovers, Ponto de vista mú ltiplo, Proximidade
forçada,
Por que escolher/harém reverso, toque nela e morra, quem fez
isso com você?
Mocinha forte, MFM, Anti-heró i/Vilã o, Militar, Sequestrado
Por favor, proceda com cuidado, sua saú de mental é importante.
CAPÍTULO UM

— Eu disse que nã o queria que você usasse aquele vestido ontem


à noite, Kaelin.
Arrependi-me de ter colocado meu telefone no viva-voz, mas
minhas mã os estavam ocupadas com minha bolsa e mala enquanto eu a
rolava pela pista. Parei a alguns metros do aviã o do tamanho de um
brinquedo que estava prestes a embarcar e semicerrei os olhos para vê-
lo. Quando ele nã o se transformou imediatamente em um aviã o
comercial de tamanho padrã o, franzi a testa e coloquei meus ó culos
escuros no topo da cabeça.
— Parecia que você estava pedindo isso. — Tyler continuou, me
atraindo de volta para a conversa. Aqui vamos nó s outra vez. Tentei
apertar o dedo no botã o do alto-falante para impedir que as outras
pessoas que estavam por ali ouvissem, mas meus dedos escorregaram e
meu telefone caiu da minha mã o e bateu no chã o.
— Porra... — eu sibilei e rapidamente me inclinei para pegá -lo.
Bati meu dedo no botã o do alto-falante, ainda ouvindo Tyler falando
indistintamente enquanto empurrava o telefone no ombro.
— Você transou com alguém ontem à noite? — Foi à primeira
coisa que ouvi quando peguei o telefone.
— O quê? Nã o! — exclamei.
Eu odiava quando ele falava comigo como se eu fosse uma criança
e nã o uma adulta de trinta e poucos anos com uma carreira como
desenvolvedora de tecnologia militar altamente credenciada que
poderia administrar minha vida muito bem sem sua condescendência.
Muito obrigada.
— Entã o por que você estava escondendo seu anel de noivado
naquela foto que postou?
— Ty, nã o tenho ideia do que você está falando. — eu disse,
tentando manter a exasperaçã o no mínimo em meu tom. — Eu estava
usando, minha mã o estava em volta de um copo.
Olhei e vi o piloto conversando com os ú nicos passageiros que
esperavam para embarcar no aviã o. Um US Marchal? Meus olhos se
voltaram para o outro homem e um arrepio percorreu meu corpo.
Ele estava algemado.
Isso nã o poderia ser bom. Meus olhos percorreram seu corpo,
parando em seu peito - que preenchia muito bem uma camiseta preta
sob uma flanela - até chegar aos seus olhos que estavam fixos em mim.
Eu podia sentir um rubor percorrer minhas bochechas ao ser pega
olhando. Seus olhos eram de um azul brilhante, quase da cor das
geleiras que vi em uma caminhada outro dia. Havia algo selvagem e
quase primitivo nele. Minha boca ficou seca e fiquei tã o distraída que
nã o ouvi o que Tyler disse.
— Sinto muito, querido, o quê? — Afastei meus olhos dele e puxei
minha mala para mais perto do aviã o.
— Eu disse, nã o gosto quando você me desrespeita desse jeito.
Isso me faz ficar mal.
Eu podia sentir uma dor de cabeça chegando e apertei a ponta do
nariz, tentando ao má ximo manter minha frustraçã o sob controle.
— Sinto muito. — eu disse categoricamente. — Mas você acha que
poderíamos conversar sobre isso quando eu chegar em casa? Estamos
prestes a embarcar.
— Claro. Tanto faz.
Eu ouvi a linha ficar muda sem sequer um 'eu te amo'. Eu deveria
ter ficado chateada com isso, mas simplesmente nã o consegui
encontrar energia.
— Sim... também te amo. — Eu disse sarcasticamente.
À primeira vista, Tyler era o melhor partido: advogado que se
tornou só cio há alguns meses, ex-aluno de Yale, loiro, deslumbrante
olhos azuis, que chamava a atençã o em seus ternos sob medida. Depois
de três anos juntos, ele me pediu em casamento em uma viagem para
Cabo - eu nem gostava de Cabo - e imediatamente foi jogar golfe com os
amigos, ficou bêbado e foi para um clube de stripper.
Nã o que eu me importasse com o clube de stripper, caramba, se
ele tivesse convidado eu teria ido com ele, mas ele esperava que eu
fosse à esposa que usava cardigã s e ficava em casa com meus diamantes
assando pã o e tendo mini Tylers. Isso simplesmente nã o era eu e aos
poucos fui percebendo que o futuro que via com ele nã o era o que eu
queria. Achei que talvez essa viagem pudesse ajudar, mas apenas
solidificou minha decisã o de que precisávamos terminar. Eu planejava
fazer isso logo quando voltasse.
— Kaelin Bennet? — O piloto se aproximou e apertou minha mã o,
pegando minha mala. — Você vai ficar na frente comigo. Vamos te
embarcar.
Eu estava bem até subir no banco do passageiro do pequeno aviã o
e entã o minha ansiedade de voar aumentou. As grandes janelas à minha
frente nã o faziam nada para aliviar a sensaçã o de claustrofobia. Senti os
outros dois homens sentarem-se nos bancos atrá s de mim e perguntei-
me brevemente se deveria perguntar por que estávamos transportando
um criminoso.
Ding. Olhei para o meu telefone e vi uma mensagem.
BROOKE

Tenha um voo seguro! Obrigada por vir me ver no meio


do nada. Mande-me uma mensagem quando você
pousar. Amo você amor! bjs.

Digitei uma resposta rá pida, com um pequeno sorriso nos lá bios.


Brooke era uma das minhas amigas mais antigas e queridas. Moramos
juntas na faculdade antes de seguirmos caminhos separados em nossas
carreiras. Ela foi estudar os ursos polares no Círculo Polar Á rtico e eu
fui para Nova Iorque para ficar sentada atrá s de uma mesa o dia todo.
Apesar de nossas vidas serem diferentes agora, sempre parecia que
continuávamos exatamente de onde paramos. Quando ela me pediu
para ir visitá -la, no início fiquei hesitante por causa da distâ ncia, mas
ela insistiu que seria o descanso que eu precisava e ela estava certa. A
cidade em que Brooke morava era surpreendentemente moderna e a
vida noturna era incrível. Eu disse a ela que esperava que ela morasse
em uma barraca na neve e ela riu e disse que apenas à s vezes.
O piloto sentou-se no assento e jogou um fone de ouvido para
mim. Coloquei-o e apertei para enviar a resposta. O aviã o ganhou vida e
enquanto o piloto conduzia o aviã o pela pista, o tremor nã o ajudou em
nada a acalmar meus nervos.
Agarrei a almofada do assento com força enquanto tentava me
lembrar da minha respiraçã o meditativa. Meu estô mago embrulhou
quando decolamos e o farto café da manhã de antes ameaçava voltar
enquanto o vento balançava o aviã o para frente e para trá s.
— Vai ser um voo difícil, pessoal. — disse o piloto.
Olhei para ele, mas ele nã o parecia preocupado. Na verdade, ele
estava ocupado comendo sementes de girassol e cuspindo-as pela
janela entreaberta. Puxei minha parca para ficar mais confortável em
volta do pescoço por causa do frio gelado que soprava na cabine e
tentei relaxar.
Devo ter cochilado porque acordei sobressaltada e quando olhei o
reló gio já haviam se passado três horas. Até onde eu podia ver, nã o
havia nada além de uma paisagem parcialmente nevada, mas estávamos
voando em direçã o a nuvens negras muito sinistras ao redor de uma
cordilheira. O aviã o mergulhou bruscamente e estremeceu.
— Só um pouco de mau tempo. — disse o piloto, embora em
algum momento tenha abandonado as sementes de girassol e agora
segurasse o manche com as duas mã os.
— Isso parece muito ruim. — disse o Marshal.
Eu concordei com ele.
— Nã o, nada que esse velho morcego já nã o tenha feito antes. De
qualquer forma, deve clarear assim que ultrapassarmos as montanhas.
— disse o piloto.
Quando chegamos ao sopé e começamos a voar pelas montanhas,
o vento era tã o forte que o aviã o mergulhava e inclinava
constantemente. Meu estô mago estava embrulhado e eu podia sentir o
suor escorrendo pelas minhas costas. A ansiedade agora era medo total
e cada vez que o aviã o caía, minha respiraçã o era roubada, deixando-me
tonta. Arrisquei uma olhada para o piloto e desejei nã o ter feito isso.
Agora até ele parecia nervoso. A visibilidade estava se tornando um
problema à medida que a chuva e o granizo caíam com mais
intensidade.
O aviã o mergulhou bruscamente para a esquerda quando o vento
o desviou de seu curso. Um som nauseante de metal rasgando encheu a
cabine e antes que eu percebesse, a floresta estava vindo ao nosso
encontro em um ritmo rá pido. O piloto lutou com a direçã o, tentando
ganhar altitude, mas o que quer que o aviã o tenha atingido causou
danos irreparáveis. Todos começaram a gritar ao mesmo tempo.
Acho que eu nã o estava dizendo nenhuma palavra, exceto
ohmeuDeus, repetidas vezes. O Marshal estava gritando com o piloto e o
piloto gritava para todos calarem a boca para que ele pudesse se
concentrar.
O aviã o bateu em um cume, enviando ondas de choque pela minha
espinha e eu me senti mordendo a língua, o gosto metá lico de sangue
mal registrado pela minha adrenalina. Observei as á rvores vindo em
nossa direçã o e entã o estávamos voando pela copa das á rvores. Parei
de assistir depois disso, protegendo meu rosto e me encolhendo no
assento o melhor que pude até sentir algo bater em mim e tudo ficar
escuro.

Eu estava com frio. Entã o, muito frio. Eu gemi e lutei para voltar à
superfície da consciência, tentando forçar meus olhos a se abrirem
contra a dor em minha cabeça. Imediatamente decidi que acordei em
um pesadelo. Eu ainda estava no aviã o. A janela da frente estava
quebrada e a á gua encheu rapidamente a cabine.
— Nã o, nã o, nã o! — Eu gritei. Tentei sair do assento e fui jogada
para trá s pelo cinto de segurança. Minhas mã os se atrapalharam com a
trava e olhei para o piloto. Um pedaço da hélice o empalou no pescoço.
Eu a segui para trá s e vi que errou por pouco o homem algemado. Eu
nã o tinha certeza se ele estava vivo ou nã o. Olhei para o Marshal e
encontrei olhos vazios olhando para mim. Ele também estava morto. A
á gua estava em volta das minhas coxas agora.
— Ok, Kaelin, pense, porra. — eu murmurei.
Olhei em volta e vi uma grande caixa atrá s do homem algemado.
Eu nã o sabia se conseguiria pegá -la, mas precisava tentar. Eu também
sabia que nã o conseguiria sair pela janela da frente até que o aviã o se
enchesse. Eu nã o gostei disso. De forma alguma.
Voltei para o meio dois bancos traseiros, em vez de agarrar a
caixa, algo me fez estender a mã o para sentir o pescoço do homem
algemado, em busca de pulso. Estava fraco, mas estava lá .
— Porra — eu murmurei cruelmente. Nã o me sentia bem em
deixá -lo aqui para se afogar. Nã o tive tempo para pensar em mais nada,
pois a á gua já batia em seu peito. Atrapalhei-me com o cinto de
segurança e no ú ltimo minuto submergi para soltá -lo. Subi de volta e
minha cabeça bateu no teto do aviã o.
Entrei em pâ nico e rapidamente respirei o má ximo que pude com
o ú ltimo espaço restante. Entã o houve apenas escuridã o embaçada.
Agarrei o homem e arrastei-o até a janela da frente.
Senti o vidro cortar meu braço quando o raspei nas bordas
irregulares e entã o me virei e puxei o homem. Meus pulmõ es estavam
queimando e justamente quando comecei a ver estrelas, minha cabeça
veio à tona e o ar voltou para meus pulmõ es. O peso inconsciente do
homem me puxou para trá s momentaneamente antes que eu o
arrastasse para cima e começasse a nadar em direçã o à costa, cuspindo
na á gua agitada.
No momento em que arrastei nó s dois para a margem, eu estava
tossindo á gua do lago e meus pulmõ es estavam em chamas. Fiquei ali
deitada, com o peito arfando, com muito medo de pensar muito sobre o
que isso significava e a situaçã o em que me encontrava agora. Era muito
assustador. Eu nã o conseguia acreditar que isso estava acontecendo
comigo.
Hipotermia. O pensamento superou meu choque e me fez me
mover novamente. Olhei em volta e vi que caímos em um pequeno lago
na montanha. Havia picos altos ao meu redor com floresta densa, mas
felizmente nã o havia muita neve. Achei que nã o conseguiria lidar com a
neve agora. Agarrei o colarinho da camisa do homem e o arrastei até a
margem. Deixei-o cair perto de um tronco caído e tirei minha parca
encharcada. Olhando para o lago, eu sabia o que precisava fazer – só
nã o queria fazer isso. Eu precisava pegar aquela caixa. Nã o tinha como
fazer fogo, nem mantimentos, nem comida... Precisava voltar para o
aviã o.
A ironia é que o sol estava começando a aparecer por entre as
nuvens escuras, como se zombasse da nossa tentativa de passar pela
tempestade. Entã o, embora tudo estivesse lamacento e ú mido na praia,
o sol pelo menos tentava aparecer. Eu esperava que isso secasse tudo.
Tirei minha camisa térmica molhada de manga longa e tirei minha calça
jeans até ficar só com sutiã e calcinha. Olhei para o homem, mas
felizmente ele ainda estava inconsciente. Entrei e um gemido escapou
quando o frio me atravessou. Meus dedos das mã os e dos pés
imediatamente ficaram dormentes. Eu só precisava fazer isso
rapidamente. Eu esperava que o aviã o nã o estivesse muito fundo.
Mergulhei e nadei até onde pensei ter emergido.
Respirei fundo algumas vezes, desejei que meus pulmõ es
congelados mantivessem o ar e depois mergulhei. Vi o aviã o e agradeci
ao universo por nã o estar mais fundo do que eu poderia mergulhar.
Entã o agradeci novamente a tudo que estava lá em cima por minha
extensa carreira de nadadora que me deu confiança para fazer isso. É
verdade que eu nunca estive nessa á gua fria, mas tanto faz. Era para
isso que servia a adrenalina.
Cheguei ao aviã o e meus pulmõ es já gritavam comigo. Eu debati se
deveria emergir e voltar, mas nã o sabia se teria capacidade para dois
desses mergulhos em mim agora. Nadei pela janela quebrada e entrei
na parte de trá s do aviã o. Entã o percebi que tinha um problema. A caixa
era pesada.
Lutei para atravessar com ela pela janela e lutei para chegar à
superfície com ela. Meus pulmõ es estavam quase esgotados e eu sabia
que nunca conseguiria subir, entã o comecei a nadar em direçã o à costa
em um â ngulo. Eu estava a cerca de quatro metros de profundidade
quando fiquei sem ar e a deixei cair. Subi para a superfície e respirei
rapidamente, vendo estrelas enquanto respirava fundo apó s respirar o
ar gelado. Respirando fundo novamente, mergulhei novamente.
E de novo.
E de novo.
Cheguei à parte rasa, ofegante, mas determinada, lutei com o
corpo para levar a caixa até a terra firme.
Nã o ousei descansar antes de acender o fogo, entã o abri a tampa e
espiei dentro. Quase chorei de alívio, havia tudo o que eu poderia
esperar na caixa. Incluía um kit de primeiros socorros, purificador de
á gua e fó sforos. Nã o me preocupei em fazer um inventá rio do resto, fui
até a orla da floresta e comecei a coletar lenha. Foi difícil porque tudo
ficou molhado depois da chuva, mas consegui. Só quando um cobertor
espacial foi enrolado em meus ombros e eu estava sentada ao lado de
uma fogueira é que realmente deixei minha situaçã o penetrar.
Eu sobrevivi a um acidente de aviã o.
Estava abandonada no meio do nada.
E a maldita cereja do bolo era o homem algemado, desmaiado
diante de mim, na frente do fogo.
E se ele fosse perigoso?
Eu poderia simplesmente ter desistido da minha pró pria vida
salvando a dele.
CAPÍTULO DOIS

— Posso ajudá -la com isso, se você quiser.


Ela se assustou tanto que deixou cair à agulha com uma maldiçã o
sussurrada e depois de recuperá -la, olhou para mim por cima do fogo.
Seu longo cabelo escuro estava enrolado desordenadamente em torno
de seu rosto por causa do calor do fogo e continuava caindo em seus
olhos enquanto ela tentava costurar um corte irregular em seu braço.
Tentei ignorar o fato de que ela estava apenas de sutiã , um branco
rendado que ainda estava ú mido, me dando uma visã o da qual eu
estava tendo dificuldade para desviar o olhar.
— Nã o, obrigada. — ela disse, seus olhos indo imediatamente
para as algemas que ainda estavam em meus pulsos. Encolhi os ombros
e olhei para o lago com uma carranca.
— Onde estã o os outros? — Perguntei.
Minha cabeça estava me matando, mas eu estava quase seco e
havia um cobertor jogado sobre mim. Pelo que parecia, a fogueira já
estava acesa há vá rias horas e o sol estava apenas começando a descer
para a tarde sobre as montanhas. Havia um grande caixote preto ao
lado da mulher.
— Mortos — ela disse.
— E o aviã o? — Perguntei.
Ela olhou para mim como se eu tivesse batido a cabeça com mais
força do que ela pensava e apontou a cabeça para a á gua. Droga. Entã o,
se nã o fosse por ela, eu provavelmente estaria morto.
Nã o, eu estaria morto.
— Você nã o pegou a chave, pegou? — Eu perguntei a ela,
segurando meus pulsos. Ela mal desviou o olhar da agulha, cravando-a
na pele com um estremecimento enquanto voltava a costurar. Havia um
leve tremor em suas mã os, mas sua boca se comprimiu em uma linha
fina e ela balançou a cabeça.
— Nã o.
— Você nã o é muito faladora. — murmurei. — Me salvou, mas nã o
a chave. Qual foi o seu processo de pensamento lá ? — Eu nã o consegui
evitar a irritaçã o na minha voz.
Ela nã o respondeu imediatamente, em vez disso terminou os
pontos finais e colocou um curativo por cima. Enquanto ela guardava
tudo, ela olhou para mim.
— Por que você está algemado e com um US Marchal?
— Nã o é da sua conta. — eu rebati. Observei um olhar irritado
cruzar seu rosto enquanto ela levantava as mã os.
— Bem, entã o provavelmente foi uma boa coisa eu ter deixado a
chave lá embaixo enquanto salvava seu traseiro ingrato. — ela cortou.
— Nã o sei se você é perigoso ou nã o.
— Acabamos de sobreviver a um acidente de aviã o. — eu disse
secamente. — Você nã o acha que todo o resto é irrelevante agora?
— Talvez — ela disse. — Mas como vou saber que você nã o vai me
matar para poder ficar com todos os suprimentos? — Eu olho para ela
sem acreditar, mas ela parece muito séria.
— Você assiste a muitos programas policiais. — murmurei e
balancei a cabeça. Encostei-me ao tronco e estremeci quando a dor
percorreu minhas costas. Ela percebeu e franziu a testa.
— Você está ferido em algum lugar? — Ela perguntou. Fechei os
olhos, apoiando a cabeça no tronco.
— Deixe-me ver se entendi — eu disse. — Você me salvou. Mas
você nã o pegou a chave. Você nã o quer me libertar, mas está
preocupada que eu esteja ferido. — Balancei a cabeça e abri os olhos
para olhar para ela com desgosto.
— Típico de mulher.
Ela se irritou com isso como eu sabia que ela se irritaria e eu sorri.
— Nã o se preocupe, mesmo que você esteja apenas de sutiã , nã o
acho que você esteja pedindo por isso. — eu disse, cravando o prego
mais fundo.
— É rude ouvir as conversas de outras pessoas. — disse ela com
uma carranca.
— Querida, você o colocou no viva-voz... nã o pude evitar.
Ela agarrou a camisa e a vestiu, mas nã o antes de um rubor
atraente manchar suas bochechas.
— A propó sito, o noivo parece uma verdadeira joia. — continuei.
— É assim que você vai me convencer a libertá -lo? — Ela exigiu.
— Oh, nã o, querida. — eu disse condescendentemente. — Vou me
soltar de qualquer maneira. Entã o é melhor você decidir rapidamente
se vamos ou nã o trabalhar juntos aqui.
Ela mordeu o lá bio e meus olhos caíram para sua boca. Ela estava
muito preocupada com sua avaliaçã o apocalíptica para perceber.
Finalmente ela suspirou.
— Você ao menos sabe como vamos sair daqui? — Ela perguntou,
parecendo desolada. — Nã o havia um telefone via satélite lá . Eu estava
planejando voltar para o aviã o, mas…
Ela me deu uma olhada e era ó bvio que, como eu estava acordado,
ela nã o se sentia à vontade para fazer isso agora.
— Depende do rastreador do aviã o. — eu disse, embora agora
fosse a minha vez de parecer preocupado. — Se foi danificado, ou pior,
nã o existir, entã o teremos que sair caminhando.
Afastei o cobertor espacial e me levantei, minha cabeça girou um
pouco e minhas costas queimaram, mas por outro lado eu me sentia
bem. Eu a vi enrijecer do outro lado do fogo, observando cada
movimento meu, como se de repente eu fosse me lançar sobre o fogo e
atacá -la.
— Você conhece esta á rea? — Ela perguntou e eu zombei da
esperança que ouvi em sua voz. Balancei a cabeça e observei seu rosto
cair antes de procurar no tronco a pedra do tamanho certo que
precisava para quebrar minhas algemas. — O que você está fazendo?
— Eu te disse: me libertando. — eu disse.
Encontrei as pedras que precisava e estava arrumando tudo
quando a ouvi suspirar. Olhei para ela.
— O quê?
Ela se aproximou e balançou um flash prateado na frente do meu
rosto.
Essa vadia.
— Eu peguei a chave. — ela disse secamente.
Fui pegá -la e ela puxou a mã o de volta, parecendo nervosa
novamente. Eu vi em seu rosto o momento em que meus olhos se
tornaram mortais e observei sua garganta se mover enquanto ela
engolia. Ela nã o recuou, no entanto.
— Trabalhamos juntos para sair dessa, combinado?
— Combinado. — eu disse, tentando nã o cerrar os dentes.
Ela olhou para mim com olhos que percebi serem de um lindo tom
de verde e por um momento esqueci com o que estava concordando.
Oh, sim, em nã o matá -la. Brincadeira, eu nunca faria isso.
Eu sou um assassino, mas nã o é assim.
Ela esticou a chave novamente e desta vez me deixou pegá -la.
Destranquei as algemas e quando elas caíram no chã o, dei um passo em
sua direçã o e ela respirou fundo.
— Para responder à sua pergunta anterior. — eu disse. — Eu sou
perigoso.
Gostei do lampejo de medo que passou por seu rosto, mas ela
ainda nã o se mexeu. — Mas você salvou minha vida e eu sempre saldo
minhas dívidas. — Ela olhou para a mã o que lhe ofereci entre nó s em
uma trégua. Ela olhou de volta para mim e agarrou a minha com
firmeza.
— Eu sou Kaelin. — ela disse.
— Graham.
Ela estava olhando para mim atentamente com aqueles grandes
olhos verdes. De perto, aqueles olhos eram ainda mais cativantes – eles
eram da cor das sempre-vivas ao redor com manchas douradas, como
quando o sol se filtrava em padrõ es através das folhas. Se eu nã o a
tivesse visto se costurar sem chorar e se ela nã o tivesse arrastado meu
corpo inconsciente de um aviã o submerso, eu a teria descartado como
apenas mais um rostinho bonito. Havia uma mecha de cabelo caindo
fora do lugar em sua bochecha e meus dedos estavam se contorcendo
para afastá -la e entã o percebi que ainda estava segurando a mã o dela e
a soltei. Ela pareceu se sacudir e recuou para caminhar ao redor do
fogo, olhando para o lago com as mã os nos quadris.
Pelo menos ela nã o estava desmoronando e entrando em pâ nico.
Eu acho que poderia ser pior.
CAPÍTULO TRÊS

Graham parecia pertencer a essas montanhas selvagens com sua


aparência robusta e indomável. Até as algemas me fizeram pensar em
um animal enjaulado solto em seu habitat natural. Talvez seja
parcialmente por isso que eu o salvei, na esperança de que ele soubesse
o que estava fazendo, porque eu absolutamente nã o sei.
De perto, sua presença é dominadora e agressiva, maldito seja
meu corpo por gostar disso. Provavelmente foi apenas a adrenalina de
sobreviver aos horrores pelos quais passei, mas de qualquer forma,
essa parte de mim definitivamente nã o estava quebrada. Quando ele
tocou minha mã o eu me perdi nas sombras em seus olhos, tentando
descobrir por que eles eram tã o escuros. Voltei para a caixa.
— Entã o, Graham. Provavelmente deveríamos voltar para o
aviã o…
Ele se aproximou e se agachou perto da caixa enquanto examinava
o conteú do. Pude vê-lo processar rapidamente nosso inventá rio.
— Você vai precisar fazer isso, querida. — disse ele. — Eu nã o sou
um nadador.
— Você nã o sabe nadar? — Eu olho para ele incrédula.
— Eu nã o disse isso. Simplesmente nã o é um dos meus pontos
fortes.
— Bem, quais sã o seus pontos fortes? — Perguntei.
Ele me olhou de cima a baixo lentamente e eu corei.
Seus olhos voltaram para a caixa. — Sou um instrutor de vida
selvagem.
— Graças a Deus. — murmurei com um suspiro. — Eu estava
preocupada que você fosse algum funcioná rio de escritó rio...
— Como você?
Eu quis dizer isso meio sarcasticamente, mas agora eu me irritei e
franzi a testa para ele.
— Como você sabe disso?
— Você tem corporativo escrito em você. — ele falou lentamente.
Ele abriu uma barra de granola e deu uma mordida.
— Nã o deveríamos discutir o racionamento? — Eu perguntei
preocupada.
— Diz a atendente da recepçã o.
— Ok, não vamos fazer isso entã o. — murmurei categoricamente
e depois me virei em direçã o ao lago com uma carranca.
— Acho que vou voltar lá entã o. — suspirei.
Eu nã o estava nem um pouco animada em entrar na á gua gelada
novamente. Peguei um cobertor da caixa e desci até a beira da á gua,
onde fiquei por um longo momento enquanto me preparava para
entrar.
— Precisa de alguma ajuda? — Graham gritou do fogo.
Fiz um sinal rude com a mã o por cima do ombro antes de colocar
o cobertor sobre uma pedra pró xima e puxar a camisa pela cabeça. Eu
podia sentir seus olhos me observando descaradamente e me virei para
lançar lhe um olhar irritado.
— Privacidade, por favor?
— Oh, certo. — disse ele, desviando o olhar. — Nã o gostaria que
seu noivo ficasse bravo.
— Filho da puta. — eu murmurei.
Tirei a calça e entrei na á gua. Quando o frio me atingiu,
imediatamente me arrependi de ter concordado em fazer isso. Ele
provavelmente sabia nadar. Murmurei obscenidades para Graham,
deixando isso me levar mais para dentro no lago até mergulhar e me
concentrar no aviã o. Nadei até a parte de trá s e vi um flash laranja que
esperava ser à 'caixa preta', mas quando cheguei à cauda do aviã o,
minhas esperanças caíram por terra. Ironicamente, era um colete salva-
vidas e faltava toda a cauda do aviã o. Nã o havia como saber se o aviã o
tinha rastreador ou nã o.
No caminho de volta à superfície, encontrei uma mochila robusta
e outra caixa menor na parte de trá s. Puxei a mochila primeiro e nadei
até a parte rasa com ela antes de me virar e voltar para pegar a caixa.
Eu fiz o mesmo processo de vá rias etapas com esta caixa e com a outra
porque ela era um pouco pesada demais para eu carregar todo o
caminho de uma só vez.
Apesar de pedir privacidade, Graham me observou o tempo todo.
Quando voltei arrastando a caixa, olhei para cima e minha respiraçã o
falhou quando vi que em algum momento que ele tirou a camisa.
Deveria ser um crime alguém ter aquela aparência – um corpo
construído para um propó sito e força – e nã o para a estética, embora
isso fosse um bô nus adicional.
Ele pegou a mochila e os itens estavam perto do fogo, onde ele os
colocou para secar. Ele olhou para mim por cima das chamas.
— Você encontrou o rastreador?
— A cauda se foi. — eu engasguei enquanto o frio tirava meu
fô lego.
Ele assentiu como se nã o estivesse contando com isso.
Uma brisa violenta atravessou à costa e um arrepio violento
sacudiu meu corpo. Peguei o cobertor rapidamente e desisti da caixa
para me aquecer enquanto meus dentes batiam ferozmente. O fogo era
maravilhoso enquanto eu me secava e vestia minhas roupas novamente
antes de me enrolar em um cobertor espacial e pegar uma barra de
cereais e um pouco de á gua. O frio aqui era brutal e parecia penetrar
em meus ossos, dificultando o aquecimento. Eu me perguntei se algum
dia saberia como era estar aquecida novamente.
— Encontrou algo ú til? — Eu pergunto em meio ao meu tremor.
— Barraca, saco de dormir, lanterna, mais fó sforos, outra
barraca…
Ele desenrolou o saco de dormir para secar perto das chamas.
Claro que havia apenas um. Amei isso para mim.
— …mais alguns suprimentos médicos, um sinalizador, uma
bú ssola…
Ele virou as costas para mim e devo ter feito algum barulho
porque ele olhou.
— Suas costas. — eu disse. — Isso precisa de pontos. Você quer
que eu…
Eu parei, percebendo que ele provavelmente foi cortado pelo
vidro, assim como eu fui quando o tirei do aviã o. Eu deveria ter me
sentido mal, mas nã o me senti. Eu estava tentando olhar apenas para o
corte em suas costas e nã o para como seus mú sculos se moviam e
quando encontrei seus olhos, ele me lançou um olhar cético.
— Eu nã o quero suas mã os trêmulas perto de mim. — ele
resmungou.
Ele se levantou e foi buscar a caixa na margem.
— Tudo bem, deixe infeccionar. — brinco. — Quando isso
acontecer, certamente levarei você direto para o hospital.
Ele levantou a caixa como se nã o fosse nada e a carregou. Tentei
nã o olhar para seus braços. Ele precisava vestir a camisa novamente.
— Você sabe que seu sarcasmo é realmente ú til. — disse ele.
Ele largou a caixa e a primeira coisa que tirou foi uma arma.
— Será que isso ainda funciona? — Eu gaguejei.
Seu olhar se voltou para mim enquanto ele segurava a arma. Num
movimento rá pido, ele ejetou o pente e entã o uma bala perdida saiu do
topo.
— Deve funcionar assim que eu secar tudo. — disse ele.
Ele extraiu cuidadosamente cada bala do pente e as colocou a uma
distâ ncia segura do fogo para secar. Embora eu tenha uma carreira em
tecnologia militar, armas nã o eram algo que eu encontrava com
frequência. Ela nã o parecia ser uma estranha para ele.
— Suas mã os ainda estã o tremendo? — Ele perguntou.
Balancei a cabeça, meus olhos ainda na arma de fogo e novamente
questionei minha decisã o de salvá -lo, visto que agora o criminoso
segurava uma arma.
— Nunca viu uma arma antes, princesa? — Ele parecia divertido.
— Oh, eu as vi. — eu disse.
Desviei meu olhar e peguei os suprimentos médicos enquanto ele
se sentava de costas para mim. De tã o perto, ele irradiava calor quase
tanto quanto o fogo. Esfrego um pano com á lcool no corte. Pela minha
estimativa, seriam necessá rios pelo menos dez pontos e quando enfiei a
agulha em sua pele, ele nem sequer se encolheu. Fiz os primeiros
pontos com cuidado, tentando nã o me concentrar na sensaçã o dos
mú sculos dele sob meus dedos.
— Entã o, qual é o plano de jogo? — Perguntei.
— Amanhã começaremos a caminhar. — disse ele.
— Entã o você sabe para onde estamos indo?
— Preciso subir em uma dessas colinas primeiro. Talvez eu saiba
onde estamos.
Ele nã o parecia otimista quanto a isso e eu trabalhei nos pró ximos
pontos em silêncio.
— Você está pensando tã o alto que posso ouvi-la. — disse ele.
— Só estou me perguntando se conseguiremos sair dessa. — eu
disse calmamente, sentindo um nó na garganta enquanto as emoçõ es
do dia vinham à tona. Eu rapidamente tirei uma lá grima do meu rosto,
mas mesmo com ele de costas, senti como se ele soubesse.
— Um dia de cada vez, querida. — ele finalmente disse.
Isso estava longe de ser tranquilizador, mas eu já sabia que nã o
deveria buscar qualquer tipo de esperança nele. Este homem era
endurecido e brutal – feito de aço e nascido nas sombras. Ele tinha
alguns demô nios o seguindo e eu ainda nã o sabia o que isso significava
para mim. Já percebi bem rá pido que aqui você precisava confiar na
pessoa com quem estava ou tudo seria muito mais difícil e muito mais
perigoso. Infelizmente, eu nã o confiava nele, mas ele era minha ú nica
opçã o se eu quisesse sair viva dessa situaçã o.
Terminei seus pontos e limpei tudo enquanto ele voltava para o
outro lado do fogo. Felizmente, ele finalmente vestiu a camisa, sem essa
distraçã o, observei a natureza selvagem ao redor desaparecer na
escuridã o conforme a noite caía. Olhei para o céu e nã o pude evitar o
som de espanto quando vi o brilho total acima de mim. Sem poluiçã o
luminosa e com as nuvens da tempestade quase todas dispersas, as
estrelas brilhavam sem obstruçõ es.
Deitei-me de costas o mais pró xima o possível do fogo e tentei
ignorar o frio. Ao ver todas aquelas estrelas, me senti muito pequena e
sozinha.
Graham recostou-se no tronco e fechou os olhos. Eu nã o achei que
ele estivesse dormindo. Eu nã o via como alguém poderia dormir nessas
condiçõ es. Procurei estudá -lo discretamente e entre ele e as estrelas;
havia muito para me manter ocupada.
CAPÍTULO QUATRO

Ela tem coragem, eu admito isso.


Além das poucas lá grimas que senti ela tentar conter quando me
costurou, ela nã o demonstrou qualquer tipo de angú stia pela situaçã o
em que estávamos. Também foi muito excitante vê-la recuperar tudo do
aviã o. Talvez eu tenha sido um idiota por nã o ajudá -la, mas nã o era um
cavalheiro antes do acidente e nã o via sentido em ser um agora.
Especialmente porque aquele conjunto de sutiã e calcinha brancos nã o
deixava quase nada para a imaginaçã o e eu encontrei minha mente
vagando por algumas tocas de coelho excepcionalmente sujas. A maior
parte envolvia aquela boca agressiva dela estando ocupada demais para
falar.
Nenhum de nó s dormiu muito. Estava muito frio e o saco de
dormir e a barraca ainda nã o estavam secos o suficiente para serem
usados. Eu podia vê-la tremendo do outro lado do fogo e de vez em
quando eu via o brilho de um par de olhos verdes cautelosos enquanto
ela me encarava através das chamas.
Ela nã o confiava em mim. Eu nã o me importava.
Eu iria sair daqui e encontrar a cidade mais pró xima do interior
para me esconder até que a tempestade de merda que me deixou
algemado, esperançosamente, passasse e ela voltasse para sua vida
corporativa com seu noivo de merda. Apenas o tom do homem me
deixou nervoso. Dizer a uma mulher que ela estava pedindo isso por
causa do que ela estava vestindo? Uma mulher deveria poder usar o
que bem entendesse.
Terminei de encher a mochila com o má ximo de equipamento que
pude antes de jogá -la por cima do ombro. Ela pegou sua bolsa, que na
verdade era apenas uma mochila de couro da moda, e estava
atualmente vasculhando seus itens. Observei ela olhar brevemente para
seu celular antes de incluí-lo na mochila e depois de descartar tudo o
que foi destruído, ela colocou os itens restantes em sua bolsa e se
levantou.
— Mostre o caminho. — disse ela enquanto gesticulava para a
floresta com um floreio sarcá stico.
— Tente acompanhar. — eu disse.
Eu estava meio brincando quando passei por ela e entrei na
floresta. Ela fez uma careta para mim, mas nã o respondeu enquanto
caminhava atrá s de mim.
— Estou surpreso que você tenha deixado sua mala aí embaixo —
eu disse.
Por alguma razã o, eu me diverti em irritá -la. Eu quase podia
imaginá -la olhando para minhas costas.
— É tudo substituível. — ela resmungou.
— O quê, nenhum suéter ou calça jeans favorita? — Eu pressionei.
— Quero dizer, posso sentir falta de ter outra troca de roupa
íntima aqui em alguns dias, caso contrá rio, nã o.
Isso me pegou desprevenido e eu ri.
A floresta pela qual caminhávamos era densa, mas nã o impossível
de caminhar. O chã o era macio e coberto de agulhas de pinheiro.
Tínhamos barras de granola suficientes para os pró ximos dois dias e
entã o eu teria que pensar em alguma coisa. Por um momento, parecia
que eu estava em casa, trabalhando, mas entã o minha mochila roçava
nos pontos e eu era puxado de volta à realidade. Senti como se tivesse
sido atropelado por um caminhã o... ou, mais precisamente, por um
aviã o. Todos os lugares estava doloridos. Eu me sentia como um
hematoma enorme.
— E você? Senti falta daquelas algemas? — Ela perguntou
secamente.
— Nã o é meu estilo. — eu disse.
— Você algum dia vai me contar por que estava algemado?
— Nã o.
Eu nã o via nenhuma razã o para contar a ela nada sobre mim. No
meu ponto de vista, era uma transaçã o direta. Entrar e sair. Talvez em
mais de um sentido.
— Legal, entã o vou continuar pensando no pior.
— Lá vem você com suas bobagens de programa de crime.
— Percebi que você nã o está negando. — ela brincou.
— Escute — eu me virei rapidamente e nã o percebi que ela estava
tã o perto de mim, entã o ela tropeçou e quase bateu em mim. — Eu nã o
dou a mínima para o que você pensa que eu fiz. Estuprador, assassino,
até mesmo pedó filo... o que quer que sua mente doente esteja revirando
aí...
— Oh, nã o acho que você seja um estuprador. — ela disse e olhou
para mim como se eu fosse o idiota.
— Por quê?
Ela corou.
— Você... nã o parece ter nenhum problema com as mulheres. —
ela disse hesitante, mas nã o tentou esconder quando seus olhos me
varreram da cabeça aos pés.
— Ah, entã o você é uma dessas. — eu disse.
Ela me via como alguém que poderia manipular as mulheres para
fazerem o que eu quisesse.
— O que você quer dizer?
— Você gosta da ideia de ser forçada. — eu disse.
— Que porra é essa? Como você chegou a isso depois do que eu
disse? — ela exclamou.
Mas eu podia ver isso nos olhos dela. Se eu a empurrasse contra
uma á rvore agora e a possuísse, duvido muito que ela protestasse.
Afastei com força a visã o dela pressionada contra uma á rvore, com a
calça em volta dos tornozelos, da minha mente enquanto me virava e
continuava andando.
— Seu namorado nã o está fazendo isso por você no quarto,
princesa?
— Ele faz muito bem, obrigada.
— Fazer bem nã o é como eu gostaria de ser descrito.
— Nã o foi isso que eu quis dizer — disse ela. — E estamos noivos.
— Certo, o Sr. Eu-decido-o-que-você-veste. Parece um vencedor.
— Ele é apenas um pouco controlador.
— Mais como um idiota.
— Talvez eu goste de controladores idiotas.
— Nã o, você gosta de autoridade e domínio. E você pode controlar
sem ser um idiota.
— Há alguma diferença?
Olho brevemente para ela por cima do ombro e por um momento
me permito pensar em todas as maneiras de mostrar a ela qual era essa
diferença.
— Oh, sim.
Para seu crédito, ela nunca ficou para trá s e nã o reclamou, duas
coisas que eu tinha certeza que aconteceriam. À tarde pude avistar o
topo da serra e com um empurrã o final cheguei ao topo. A vista era
deslumbrante e ouvi Kaelin murmurar sua apreciaçã o enquanto vinha
atrá s de mim. Mas entã o foi seguido por uma maldiçã o e eu sabia que
ela também viu o que eu vi: uma vasta extensã o de nada. Florestas e
planícies infinitas emolduradas por montanhas escarpadas ao longe,
até onde a vista alcançava. Para piorar a situaçã o, nã o reconheci
absolutamente nada. Sinceramente, era improvável que eu
reconhecesse algo, porque nã o passei muito tempo nessas montanhas,
mas esperava pelo menos ver um pico familiar ou uma nuvem de
fumaça.
— Estamos fodidos, nã o estamos? — ela disse sombriamente.
Tirei a mochila dos ombros e passei a mã o pelo cabelo. Nã o
tínhamos muitas opçõ es. O aviã o nã o tinha rastreador, portanto o local
da queda nã o seria descoberto. Especialmente se o piloto nã o relatasse
o plano de voo e, pela idiotice total que testemunhei antes do acidente,
nã o acho que ele tenha seguido muito as regras. Eu sabia o suficiente
sobre esta á rea para saber que nã o era uma rota de voo popular em
geral, entã o o sinalizador provavelmente seria inú til. O má ximo que
poderíamos esperar era caminhar em uma direçã o que eu considerasse
promissora e torcer para que encontrá ssemos uma cidade, uma
propriedade rural, um posto de guarda florestal... qualquer coisa que
tivesse uma conexã o com a civilizaçã o.
Afastei-me da vista agora deprimente e sentei-me em um tronco
enquanto procurava á gua e uma barra de granola.
— Sim, nã o é a melhor situaçã o. — eu disse.
Ela pegou o telefone.
— Você nã o vai conseguir sinal.
Ela revirou os olhos como se eu fosse o idiota e guardou o
telefone.
— Estou bem ciente de como funciona, obrigada. De qualquer
forma, ainda nã o secou o suficiente para ligar. — disse ela, encolhendo
os ombros.
— Vamos encontrar um lugar para montar acampamento.
Desci um pouco do cume para me proteger do vento antes de
encontrar uma á rea relativamente plana onde poderíamos montar a
barraca. Ela saiu para pegar lenha enquanto eu montava a barraca e
arrumava a á rea para deixá -la confortável para passar a noite. Uma vez
sentado ao redor do fogo, olhei para vê-la mastigando o maldito lá bio
novamente. Eu queria que ela parasse.
— Entã o, Graham, você tem família ou algo assim?
Eu poderia dizer que ela queria se distrair, mas dei de ombros e
me encostei a uma á rvore. Eu sabia que as perguntas viriam e nã o
queria falar sobre meu passado, principalmente sobre minha família.
— Eu preferiria que nã o fizéssemos isso. — eu disse e a observei
levantar as mã os em exasperaçã o.
— Sobre o que devemos conversar se você nã o me contar sobre
você?
— Precisamos conversar?
— Tudo bem. — ela disse em um tom mal-humorado.
Ela puxou a parca sobre os ombros e levantou o capuz enquanto
se aproximava das chamas.
Mais tarde, ela se arrastou para dentro da barraca e se agitou
enquanto tentava descobrir como se deitar. Mais cedo, quando montei a
barraca, abri o saco de dormir para deixá -lo mais largo com a manta
por cima. Esperei até que ela se acomodasse antes de entrar e a vi
encolher-se em direçã o à parede enquanto me observava com cautela.
Minha estrutura imediatamente encheu a barraca e deixou pouco
espaço para se mover.
— O que você está fazendo? — Ela perguntou.
— Vou dormir. — eu disse lentamente.
Entrei debaixo do cobertor e ela olhou para mim como se eu fosse
um animal selvagem. Ela nã o estava longe.
— Se você nã o percebeu, nã o sou o tipo de cavalheiro que abre
mã o da barraca por uma dama.
— Apenas... nã o me toque. — ela resmungou.
Ela se deitou o mais longe que pô de de mim, o que na verdade era
apenas alguns centímetros.
— Achei que você nã o achava que eu era um estuprador. — eu
disse secamente.
— Talvez você esteja pensando em se dedicar a outros crimes. —
ela retrucou.
— Nã o se preocupe, querida. — eu disse enquanto virava de
costas para ela. — Quando eu tocar em você, será só depois que você
me implorar.
CAPÍTULO CINCO

Implorar para que ele me toque? Sim, certo. Mas nem eu mesmo
acreditei quando senti um arrepio percorrer meu corpo com suas
palavras. Felizmente, quando acordei na manhã seguinte, a barraca
estava vazia e pude ouvi-lo lá fora enquanto fazia as malas. Depois que
o acampamento foi desmontado, continuamos. Ao contrá rio de ontem,
quando me distraí com a beleza da floresta e com a possibilidade de ser
uma caminhada rá pida... hoje, perceber o quã o remotos estávamos foi
como um peso sobre meus ombros. Nã o ajudou o fato de todo o meu
corpo estar dolorido. Como Graham nã o queria conversar, nã o havia
nada para me distrair e nas primeiras horas eu estava entediada. A
floresta era linda, mas tã o monó tona.
— Se você suspirar de novo, talvez eu tenha que esquecer nosso
acordo. — Graham resmungou na minha frente.
— Bem, ajudaria se você falasse comigo. — eu disse.
— Você só quer falar sobre mim. — Ele nã o estava errado.
— Você poderia me fazer perguntas também, você sabe. — eu
cortei.
— Querida, já sei tudo sobre você. — disse ele com arrogâ ncia.
— Oh, sim?
— Sim.
— Quer compartilhar? — Ele ficou quieto por tanto tempo que
nã o achei que ele iria me agradar.
— Você está em algum tipo de empresa...
— Isso já foi estabelecido. — interrompi e ele me lançou um olhar
irritado.
— ...provavelmente uma vendedora ou uma advogada ou algo
assim, pelo jeito que você gosta de falar. Você está noiva de um homem
idiota... que é um valentã o, na melhor das hipó teses, medíocre na cama.
Você gosta de coisas boas, mas nã o é materialista e mora em alguma
cidade grande como Los Angeles ou Nova Iorque. Você é nadadora,
provavelmente sempre foi nadadora, e a menos que Deus tenha
decidido que você é a favorita dele, você se exercita e possivelmente faz
ioga. Você está acostumadaa conseguir o que quer, mas gosta de pensar
que nem tudo se deve à sua boa aparência.
Eu fico em silêncio. Ele foi assustadoramente preciso.
— Como eu me saí? — Ele perguntou sarcasticamente. Ele olhou
para meu rosto e viu a verdade ali. — Isso foi o que eu pensei.
— Quero dizer, nem tudo é preciso, mas sim, você está bem perto.
— Qual parte nã o estava certa?
— O Tyler ser ruim de cama. — Mesmo quando eu disse isso, eu
sabia que era mentira.
— Estamos de volta a isso de novo? Você nunca deve ter feito sexo
alucinante.
— Sim, eu fiz. — respondi, ofendida. — Tyler é um amante
maravilhoso.
— Veja, de novo, 'amante maravilhoso' simplesmente nã o serve
para mim. Nã o grita deus do sexo.
— Oh, e você é um especialista?
— As mulheres costumam usar meu nome como sinô nimo de
Deus, entã o sim. — disse ele secamente.
— É bom ver que isso nã o subiu à sua cabeça. — murmurei.
Fiquei em silêncio, irritada agora. Pensei em sexo com Tyler e me
encolhi porque, quando realmente pensei sobre isso, estava tudo bem.
Eu gozei muitas vezes com ele, mas nunca foi o tipo de sexo do tipo
rasgue minhas roupas porque nã o me canso de você.
— O que mais nã o foi preciso? — Oh, olha quem ficou curioso
agora.
— Nã o sou vendedora nem advogada. — respondi.
— Ah, entã o falar é uma falha de cará ter, entendi.
— Você é uma joia, sabia disso?
— Ei, foi você quem queria conversar. — disse ele, encolhendo os
ombros.
— Sim, porque estou entediada. — suspirei. — Quer dizer, é lindo
aqui, mas é tã o monó tono.
— Isso é porque você nã o está realmente olhando. — disse ele.
— O que você quer dizer? É apenas uma floresta.
Ele balançou a cabeça em decepçã o e eu o ouvi suspirar.
— Há mais coisas acontecendo, você só precisa prestar atençã o.
— Prestar atençã o em quê?
Ele riu. — Presumo que você nã o viu o cervo pastando alguns
quilô metros atrá s? Ou o urso na á rvore por onde passamos há alguns
minutos? E no início desta manhã a luz dividiu-se entre as á rvores de
tal forma que parecia que o pró prio Deus queria iluminar as suas
criaçõ es. Se você acredita nesse tipo de coisa, é claro. — Ele encolheu os
ombros. — Cada passo é uma nova aventura aqui.
Eu fiquei sem palavras. Ele olhou para mim quando eu nã o disse
nada com um olhar que eu nã o poderia entender. E talvez eu nã o
conseguisse. Ele parecia ter uma conexã o muito mais profunda com a
natureza do que eu jamais poderia esperar ter.
— Tudo bem, mas por que você nã o me contou sobre o urso? —
Eu disse finalmente e quando ele apenas deu de ombros, eu continuei.
— Acho que é por isso que você é o especialista em natureza selvagem
— eu disse. — Você costumava fazer excursõ es guiadas ou algo assim?
— Ou algo assim. — ele murmurou, me encarando com um olhar
que dizia que ele nã o queria continuar esta conversa.
— Ah, a... — Estendi minhas mã os na minha frente como se
estivessem algemadas. — ...atrapalhou eu imagino. — Ele fez uma
careta para mim e se virou.
— Está tudo bem, acho que também tenho uma boa ideia de quem
você é agora. — continuei presunçosamente.
— Você tem? — Ele disse calmamente.
— Sim. — eu disse, estalando no M. Embora depois do que ele
disse, eu olhei ao redor da floresta de uma perspectiva diferente e com
certeza, vi todos os detalhes além das á rvores. Vi a forma como os
cogumelos cresciam em padrõ es estranhos nos troncos e as manchas de
lindas flores silvestres que cobriam os locais onde o sol se filtrava
através da copa. Eu vi os pá ssaros pulando fora de alcance enquanto
perseguiam uns aos outros e gritavam lindas melodias e nem trinta
minutos depois, parei e engasguei.
— O quê? — Ele parou para olhar para mim.
— Olhe. — eu sussurrei.
Três cervos pastavam em uma pequena clareira entre as á rvores.
Um deles tinha uma enorme armaçã o de chifres. O animal levantou a
cabeça e olhou para nó s, o corpo tenso enquanto tentava determinar se
éramos uma ameaça. Eu ouvi Graham rir.
— Vê? — Ele disse e continuou.
— Tudo bem. — eu murmurei de má vontade enquanto
caminhava atrá s dele novamente. — Eu vejo o que você quer dizer.
Mais tarde naquela noite, paramos para acampar, quando o fogo
estava aceso, compartilhamos um jantar de barras de granola e á gua.
Ele se recostou em uma pedra e olhou para mim por cima do fogo.
— Entã o você acha que já me descobriu?
— Achei que você nã o queria falar sobre você. — Puxei o cobertor
espacial com mais força em volta dos meus ombros.
— Eu nã o quero.
— Entã o por que você se importa com o que eu penso?
— Eu nã o me importo.
— Fascinante. — eu disse sarcasticamente. Nó s nos encaramos
por um longo momento.
— Só lhe direi se depois você me disser o que é verdadeiro e o que
é falso. Você nã o precisa me contar detalhes, apenas se acertei ou nã o.
Ele me estudou e pela carranca em seu rosto eu estava
preocupada que ele diria nã o. Mas finalmente ele assentiu lentamente.
Exultante por finalmente chegar a algum lugar, respirei fundo e comecei
a falar.
— Você é algum tipo de ex-militar, provavelmente do exército ou
fuzileiro naval, mas definitivamente das operaçõ es especiais... você sabe
manejar uma arma, mas também é muito... — Acenei com a mã o para
ele e inclinei a cabeça. — ...criminoso para ser um policial ou algo assim.
Você gosta da natureza porque ela nã o responde e nã o faz perguntas
bobas. Simplesmente é assim e você gosta do modo de vida simples,
mas brutal, daqui. É sobrevivência. Faz sentido. Você teve problemas
com a lei - sim, é ó bvio, eu sei - mas você tem aquele olhar de alguém
que passou por algum aspecto sombrio da depravaçã o humana - seja
prisã o ou talvez outra coisa - entã o aposto que nã o é sua primeira vez
algemado. Eu nã o acho que você seja um estuprador porque duvido
muito, e de acordo com você, você nã o tem nenhum problema em fazer
as mulheres dormirem com você. — eu inclino minha cabeça para ele.
Seu rosto é uma cuidadosa má scara vazia, mas as sombras
perigosas em seus olhos me disseram que eu estava pisando em gelo
fino. — Eu também acho que você sofreu algum tipo de perda...
— Isso é o suficiente. — ele disse calmamente.
Eu olhei para ele e avaliei seu temperamento. Aceitei alguns
pontos, talvez vá rios.
— Eu nã o terminei. — eu disse calmamente.
— Sim, você terminou.
— Você nã o quer ouvir o que eu acho que você fez para ser
algemado?
— Nã o. — ele disse categoricamente.
Ele se levantou de perto do fogo, com uma carranca, virou-se e
caminhou em direçã o à s á rvores escuras. Ele rapidamente desapareceu
nas sombras e a vitó ria que sentia se dissipou. Pelo menos eu sabia que
a maior parte do que deduzi sobre ele estava correto, mas isso nã o me
deu tanta satisfaçã o quanto pensei que daria. Na verdade, isso só me
deixou mais preocupada em com quem eu estava dividindo a barraca.
Mais tarde, quando ele ainda nã o tinha voltado, rastejei para
dentro da barraca e deitei-me o mais longe que pude. Provavelmente foi
melhor eu nã o ir mais longe... especialmente porque pensei que a razã o
pela qual ele estava algemado era porque ele assassinou alguém.
CAPÍTULO SEIS

Na manhã seguinte, percebi que ambos estávamos sentindo os


efeitos físicos do acidente. Todo o meu corpo parecia um hematoma
enorme e eu poderia dizer que Kaelin nã o se sentia muito melhor. Sua
testa estava franzida como se ela estivesse tentando conter a dor e seus
passos estavam mais delicados hoje. Cada passo doía, entã o decidi,
depois de algumas horas, encerrar e nos dar um pouco de tempo para
descansar.
— Vamos parar? — Ela me perguntou enquanto eu montava a
barraca. Eu balancei a cabeça.
— Quero dar aos nossos corpos um pouco mais de tempo para se
curarem do acidente. — eu disse.
Ela pareceu aliviada e foi pegar lenha, uma tarefa que ela parecia
ter reivindicado como sua. A á rea que escolhi para montar
acampamento ficava perto de um grande rio com uma colina íngreme e
arborizada do outro lado. Era lindo e o tipo de lugar onde eu iria passar
um fim de semana para pescar ou ficar sozinho. Eu só queria estar aqui
melhor preparado e bem, sozinho.
Assim que o acampamento foi montado, Kaelin se deitou no chã o.
Ela parecia exausta e pá lida e eu a estudei com cautela. Talvez eu tenha
nos pressionado demais nos ú ltimos dois dias. Normalmente estaria
tudo bem, mas eu precisava lembrar que nossos corpos passaram por
alguma merda. Deixei Kaelin acender o fogo e fui para a floresta colher
algumas ervas. Eu queria encontrar algumas coisas para nossas feridas
abertas e se conseguisse, algo para a dor.
Enquanto procurava pelas plantas, pensei na noite passada e em
como Kaelin foi precisa em sua avaliaçã o sobre mim. Eu era realmente
tã o ó bvio? Quero dizer, além da parte do tempo de cumprir pena –
minhas sombras vieram de coisas mais sombrias – ela acertou bastante.
Ela era uma daquelas mulheres que eu teria perseguido em um bar na
minha juventude. Uma bomba com uma boca nela para me manter sob
controle e manter as coisas interessantes. Só que nã o estávamos em um
bar, ela era noiva e eu era... bem, eu era o que era.
Cheguei a uma pequena curva do rio onde a á gua corria para um
lago mais calmo perto da margem. Eu me perguntei se havia algum
peixe que eu pudesse pescar. Complementaria nossa dieta de barra de
granola. À medida que nossos suprimentos diminuíam, eu teria que
descobrir como conseguir um pouco de proteína e gordura em breve.
As barras de granola simplesmente nã o estavam funcionando e eu
podia sentir minha energia diminuindo a cada dia. Peguei um pedaço
de pau, afiei a ponta com uma faca e entrei na á gua. Nã o demorou muito
para que eu pegasse três peixes, limpasse-os e pendurasse-os num
galho para levar de volta.
Eu nã o sabia quantos dias de viagem ainda tínhamos pela frente.
Pela aparência das coisas no cume, estávamos no meio da natureza
selvagem e eu nã o tinha ouvido nenhum aviã o desde que caímos ou
sentido qualquer tipo de fumaça de acampamento ou fogã o. Voltei com
as ervas e as trutas e vi os olhos de Kaelin se arregalarem de surpresa.
— Você estava ocupado. — disse ela. — O que é tudo isso? — Ela
apontou para a vegetaçã o.
— Para tratar as feridas e a dor. — eu disse. Coloquei as ervas
perto do fogo e entreguei o peixe a ela. — Acha que você consegue
cozinhar isso?
Ela pegou o galho e olhou com fome para as três grandes trutas.
— Acho que posso lidar com isso. — disse ela. — Posso ficar com
a faca?
Virei-a primeiro e entreguei a ela enquanto preparava o remédio
vegetal e quando olhei para cima novamente, vi com surpresa que ela
agora segurava um grande pedaço de pau, sem casca e espetado com o
peixe para segurar sobre o fogo.
— O quê?
— Nada — resmunguei, mas continuei a observá -la enquanto ela
juntava mais dois gravetos, com um garfo no topo e colocava toda a
engenhoca sobre o fogo.
— Há algo de errado com isso? — ela perguntou, franzindo a testa
para o peixe depois de ver meu rosto.
— Nã o.
— Bem, se você está impressionado com o que posso fazer com
alguns gravetos, deveria ver minhas outras habilidades. — disse ela
sarcasticamente.
Voltei meu foco para as plantas e depois que terminei me
aproximei e me ajoelhei ao lado dela.
— Deixe-me ver seu braço. — eu disse.
— O que é isso? — Ela perguntou, olhando para ele com cautela.
— Plantas para ajudar a evitar infecçõ es.
Ela estendeu o braço para mim e eu esfreguei a pasta nos pontos e
enrolei tudo com uma tira de pano. Quando terminei, senti-a ficar
completamente imó vel enquanto eu puxava a camisa por cima da
cabeça e virava as costas para ela. Sem dizer uma palavra, seus dedos
deslizaram levemente sobre o corte. Seu toque foi tã o gentil que fiquei
tenso, tentando nã o reagir. Tentei pensar em qualquer outra coisa além
daqueles dedos na minha pele, mas mesmo assim nã o pude evitar os
arrepios que apareceram quando ela atingiu um ponto sensível.
Entreguei a ela uma tira de pano e senti seu há lito quente em minhas
costas enquanto ela se inclinava para enrolá -la em minha cintura. Eu a
ajudei porque Deus me ajude se ela se inclinasse para mais perto de
mim do que já estava.
Quando voltei para o outro lado do fogo, olhei para ela apenas
para ver suas bochechas levemente coradas e seus olhos fixos no peixe.
Mesmo que eu tenha dito que ela estaria me implorando para tocá -la,
eu nã o tinha certeza se conseguiria manter isso do jeito que as coisas
estavam indo.
O peixe logo chiou no fogo e tinha um cheiro incrível. A pele
estava crocante nas bordas e quando ela puxou o graveto para testá -lo,
a carne se soltou do osso.
— Acho que está pronto. — ela disse enquanto olhava para eles
com avidez. Aproximei-me e sentei-me ao lado dela para que
pudéssemos comer do graveto e quando a vi colocar o primeiro pedaço
na boca, o gemido que ela deu quase me matou.
— Oh meu Deus. — ela disse com a boca cheia. — Isto é tã o bom.
— Certifique-se de jogar quaisquer pedaços ou ossos perdidos no
fogo para nã o atrairmos ursos. — eu disse rispidamente e desviei
minha atençã o do jeito que ela estava sugando os resíduos dos dedos.
Comemos em silêncio por alguns minutos. Depois de alguns dias sem
nada de substancial para comer, o peixe ficou com gosto de uma
refeiçã o gourmet.
— Só acampei uma vez. — disse ela, pensativa. Ela estava pegando
o terceiro peixe compartilhado entre nó s. — E nó s fizemos isso:
pegamos peixes e os assamos. — Ela tinha uma expressã o carinhosa no
rosto, mas logo foi obscurecida quando algo do passado surgiu por trá s
dela.
— Onde você foi acampar? — Eu perguntei rudemente. Achei que
uma pergunta sobre localizaçã o era inocente.
— Glacier — ela disse simplesmente.
Eu balancei a cabeça. — Lugar legal.
— Sim, foi. — Havia uma carranca em seu rosto agora. Ela me viu
olhar para ela. — Foi à ú ltima viagem com meu pai antes de ele ser
morto. Eu tinha dez anos.
Eu estava distraído enquanto ela lambia os dedos para limpar,
entã o quase nã o percebi o fato de ela ter dito 'morto' e nã o 'morrer'. Eu
queria saber? Nã o. Melhor nã o ir para o lado pessoal, entã o fiquei em
silêncio. O peixe sumiu, entã o joguei tudo no fogo e fui lavar as mã os no
rio. Eu a senti vir atrá s de mim e quando me virei vi que o telefone dela
estava desligado novamente.
— Você realmente deveria parar. Você nã o conseguir sinal.
— E você realmente deveria parar de tentar me dar explicaçõ es
sobre tecnologia. — ela resmungou.
— O quê?
— Nada. Nã o estou nem tentando obter sinal – nã o tenho mais
bateria. Eu estava tirando uma foto. — Ela corou como se soubesse o
quã o bobo isso parecia. — É tã o lindo. Mesmo que estejamos em uma
situaçã o meio complicada, você só consegue ver algo assim uma vez,
certo? Pelo menos uma vez para mim. Você provavelmente vê coisas
assim o tempo todo.
Ela tirou algumas fotos rá pidas antes que eu visse a bateria do
telefone acabar e ela o guardou com um suspiro e depois sentou-se à
beira da á gua.
— Você cresceu acampando? — Ela me perguntou.
Ela nã o conseguia parar de fazer perguntas pessoais. Quando
demorei um minuto para responder, ela olhou para mim com um olhar
exasperado.
— Seriamente? Você nem vai me dizer isso?
— Sim, eu cresci.
Eu ia acampar muito quando criança, mas acampar me lembrou
do meu irmã o, que estava classificado no tema família, portanto, fora
dos limites.
— Qual é o seu lugar favorito para ir?
— Há um lugar do outro lado da fronteira com Washington, no
Canadá . — Eu poderia dizer que ela queria perguntar mais, mas depois
da noite passada senti seu nervosismo em me pressionar.
— Só estive em Banff. — disse ela. Virei-me e voltei para o fogo.
— Boa conversa. — ela disse por cima do ombro.
— Eu nã o gosto de conversa fiada.
Acomodei-me perto do fogo e recostei-me contra um tronco,
olhando para a nuca dela. Uma visã o passou pela minha mente: minhas
mã os em seus cabelos, meu pau entrando nela por trá s e eu me mexi
desconfortavelmente, grato por ela estar de frente para o rio.
— Você nã o parece gostar de coversa de nenhum tipo.
— Que bom que você percebeu isso.
— Ugh, você é impossível. — ela resmungou. Eu a vi respirar
fundo algumas vezes antes de ficar imó vel com as mã os abertas sobre
os joelhos.
— O que você está fazendo?
— Cuidando da minha vida. — ela retrucou. — Achei que você nã o
queria conversar?
— Eu nã o quero.
— Você é incrivelmente contraditó rio, sabia disso?
— Foi o que me disseram.
— Alguém realmente te chamou assim antes? Achei que eles
apenas se referiam a você como um deus do sexo.
Tentei esconder um sorriso com isso.
— Fui chamado por vá rios nomes. Deus do sexo é simplesmente o
meu favorito.
— Tenho certeza de que o idiota é popular.
— É sim. — Eu disse secamente.
— Entã o, o que constitui um deus do sexo?
— Veja, você diz coisas assim e eu simplesmente tenho
dificuldade em acreditar Que-o-Seu-Cara sabe o que está fazendo.
— A maioria dos caras nã o sabe o que está fazendo. O nível é
baixo.
— Entã o você admite que o Sr-Nã o-Use-Esse-Vestido nã o sabe o
que está fazendo.
— Você com certeza gosta de distorcer as palavras.
— Percebi que você nã o está negando desta vez.
— Por que você está tã o convencido de que nã o experimentei um
ó timo sexo?
— Você nã o estaria com o Menino Bonito se tivesse
experimentado. — eu disse com um encolher de ombros.
— Você ainda nã o me disse o que significa ser um deus do sexo.
— Prefiro mostrar a contar.
— Bem, visto que isso nunca vai acontecer, por que você
simplesmente nã o me conta? — Ela se virou e me olhou com um olhar
irritado. Eu segurei seu olhar por um longo momento. Eu deveria ter
parado, mas algo me fez sorrir e deixei meu olhar deslizar sobre ela
preguiçosamente.
— Digamos apenas que se eu estivesse do outro lado da ligaçã o,
estaria contando todas as coisas que planejava fazer com você quando
você chegasse em casa.
Ela engoliu visivelmente e entã o se virou rapidamente bufando,
mas nã o antes de eu ver um rubor tingir suas bochechas.
Decidi que gostava de fazê-la fazer isso.
CAPÍTULO SETE

Tentei voltar à minha meditaçã o, mas seu ú ltimo comentá rio me


fez sentir como se nã o conseguisse ficar parada. Tentei parar minha
mente enquanto ela vagava pelo que ele poderia ter me dito naquela
situaçã o e minhas mã os apertaram minhas coxas em um esforço quase
físico para parar.
O que eu estava fazendo? É porque eu nunca senti esse fogo
latente com Tyler e muito menos com qualquer outra pessoa antes dele.
Se eu já nã o estivesse convencida de que nã o queria uma vida medíocre
com Tyler antes do acidente, Graham estava lentamente me mostrando
que eu definitivamente estava me contentando com algo morno, na
melhor das hipó teses.
Finalmente consegui acalmar minha respiraçã o e consegui
meditar por uma hora, onde entrei em um estado de suspensã o que se
tornou muito mais potente por estar na natureza. Quando lentamente
saí dessa situaçã o, me senti melhor mentalmente, mas fisicamente meu
corpo ainda doía. Tudo estava dolorido, embora eu tenha ficado
surpresa que o remédio vegetal de Graham funcionasse. A pulsaçã o em
meu braço era menor do que antes. Arrisquei olhar para trá s e
imediatamente me arrependi.
Graham estava reclinado perto do fogo e parecia o deus do sexo
que afirmava ser. Ele estava deitado de lado, apoiado em um cotovelo
enquanto separava um graveto e olhava para o fogo. Ele parecia a um
milhã o de quilô metros de distâ ncia.
Como ele nã o queria conversar, nã o havia literalmente nada para
eu fazer além de sentar e pensar e até agora isso nã o estava indo bem
para mim. À s vezes, a autorreflexã o é uma merda. Eu estava feliz com
minha vida, mas sempre havia algo que parecia estar faltando. Achei
que assim que trabalhasse duro e me mudasse para Nova Iorque, seria
o fim - pensei que assim que conseguisse o noivo - seria o fim - mas
continuei a nã o me sentir muito satisfeita.
Se minha vida tivesse um slogan, provavelmente seria Não Muito
Satisfeita, pensei secamente. A ú nica coisa que me entusiasmava na
vida foi minha carreira... projetar tecnologia militar de alto nível era
emocionante e desafiador. Trabalhei toda a minha vida para estar na
posiçã o que estou agora: trinta e oito anos e uma das desenvolvedoras
de tecnologia mais talentosas e respeitadas do setor. Foi a ú nica coisa
que eu quis ser depois que meu pai me levou até o hangar do esquadrã o
antibombas quando eu era pequena e me mostrou o que ele fazia no
trabalho. Vá rios anos depois, quando ele foi morto em combate, tornou-
se minha forma de homenageá -lo e me sentir pró xima dele.
Eu nã o queria pensar nele agora, estar aqui me fez sentir mais
pró xima dele, o que só me deixou triste. Peguei um pedaço de pau e
escrevi alguns có digos de computador no chã o para me distrair e isso
tornou as horas seguintes suportáveis.
O sol estava baixo no céu quando Graham se levantou de perto do
fogo.
— Vou ver se consigo pegar mais alguns peixes para o jantar.
— Eu posso ir? — Nã o sei por que perguntei. Ele pareceu
surpreso, mas assentiu e eu fiquei me perguntando se ele estava
esperando que eu fosse um risco. Eu nã o era estú pida, mas admitiria
confortavelmente que nã o teria ideia do que estava fazendo sem ele
aqui. No entanto, eu nã o estava prestes a ser um peso morto. Minha
ética de trabalho e teimosia nã o me permitiam. Caminhamos pela
floresta por alguns minutos até chegarmos a uma parte diferente do rio.
Eu o observei arregaçar as mangas enquanto caminhava até a beira da
á gua.
— Você fez isso? — Perguntei.
Havia um sistema tipo funil nas á guas rasas e ele assentiu. Vá rios
peixes já nadavam nele. Ele tirou os sapatos e entrou para pegá -los. Fui
até lá e tirei os sapatos também.
— O que você está fazendo?
— Sabe, você me pergunta muito isso. — eu disse secamente.
Entrei atrá s dele. A á gua estava fria, mas fazia bem aos meus pés
doloridos. Tentei pegar um dos peixes, mas ele simplesmente caiu em
uma parte diferente da parte rasa. Tentei novamente e poderia jurar
que ouvi um som muito parecido com uma risada vindo de Graham.
— O quê? — Endireitei-me e tirei o cabelo do rosto.
— Nã o é assim. — disse ele enquanto tentava esconder um
sorriso. Ele se agachou na á gua e baixou as mã os lentamente. Em um
segundo ele apareceu com um peixe. Franzi a testa, mas tentei
novamente e desta vez fui recompensada quando minhas mã os
acertaram a truta escorregadia. Eu a apertei enquanto ela se debatia em
minhas mã os e quase a perdi.
— Porra — eu disse e voltei para a costa rapidamente antes de
deixá -la cair. Eu me virei e lancei um sorriso para Graham. — Eu fiz
isso!
— Agora você tem que matá -la, querida.
Perdi o sorriso e fiz uma careta quando o peixe arfou em minhas
mã os.
— Como faço isso? — Embora eu já tivesse ido pescar uma vez,
nunca fui eu quem os matou e tenho certeza de que meu pai fez isso
quando eu nã o estava olhando.
Ele chegou à costa com seu pró prio peixe e se agachou sobre ele
no chã o antes de bater uma pedra em sua cabeça. Meu estô mago se
revirou brevemente com a brutalidade, mas me aproximei e peguei a
pedra e repeti o que o tinha visto fazer, embora tenha estremecido ao
fazê-lo. Era matar ou nã o comer. Senti seus olhos em mim o tempo todo.
— E agora?
— Pegamos mais alguns e depois os limpamos.
— Por que os limpamos aqui?
— Ursos.
Olhei em volta nervosamente. Eu realmente nã o queria encontrar
um urso.
Ele colocou seu peixe morto junto com o meu e foi pegar mais
alguns. Olhei em volta, nã o exatamente animada para matar outro
peixe, mas antes que pudesse me juntar a ele vi algo igualmente
emocionante.
— Isso sã o mirtilos?
Ele olhou para cima e depois para onde eu estava indo e assentiu.
— Parece que sim. Aqui... — ele me jogou sua flanela. Tentei nã o
notar que só o deixava com sua camiseta preta justa.
Quando voltamos ao acampamento, senti como se tivéssemos um
banquete. Coloquei os mirtilos na mesa improvisada e ajudei Graham a
espetar os quatro peixes em dois gravetos. Desta vez, cada um de nó s
segurou um graveto e mastigou mirtilos enquanto esperávamos que
assassem.
— Eu gostaria que pudéssemos comer assim todos os dias. — eu
disse assim que o peixe ficou pronto e dei minha primeira mordida. Era
amanteigado e a pele estava crocante e tinha um sabor fantá stico.
— Vou ter que ir atrá s de algo maior em breve. Restam apenas um
punhado de barras de granola.
— Como um cervo?
— Mais como um coelho. Nã o tenho equipamento para um cervo.
— E a arma?
— É apenas uma 9mm e nã o quero desperdiçar as balas.
— Você é um péssimo atirador? — Eu perguntei, provocando-o
intencionalmente, mas ele apenas me olhou com um olhar irritado.
— Nã o.
— Entã o por que nã o tentar? Você planeja encontrar outra coisa
para a qual precisará das balas?
Ele nã o me respondeu e eu suspirei e terminei o peixe em silêncio,
depois joguei o graveto e as espinhas no fogo. Peguei um punhado de
mirtilos e me recostei em um tronco.
— Acho que provavelmente deveríamos ficar aqui por alguns dias
para que eu possa preparar algumas armadilhas. — disse Graham. —
Vamos estocar peixes e tentarei secar alguns para que possamos levá -
los conosco.
Eu balancei a cabeça. Era certamente um belo local para acampar
por alguns dias, mas quando o sol se pô s no horizonte, o frio apareceu.
As noites aqui eram a pior parte, já que Graham nã o gostava de
conversar e nã o havia nada para olhar, entã o tudo que pude fazer foi
ficar sentada sozinha no frio gelado com meus pró prios pensamentos.
Decidi que nã o gostava da floresta à noite. Era assustadora e as
sombras eram vazios negros onde qualquer tipo de fera poderia se
esconder.
No meio da noite acordei e fiquei em silêncio enquanto tentava
descobrir o que me acordou. Entã o ouvi... algo se arrastava lá fora. Meu
estô mago embrulhou e dei um tapa cego em Graham.
— Graham — eu sibilei. Ele acordou de repente.
— O quê?
— Há algo lá fora.
O som veio do meu lado da barraca e vi o tecido se mover quando
algo o roçou. Tentei me conter, mas nã o pude evitar quando voltei para
ele nervosamente. A lateral da barraca tremeu novamente e eu me
afastei o má ximo que pude, apenas para me deparar com uma parede
só lida de mú sculos nas minhas costas.
— Provavelmente é um urso. — ele sussurrou.
Meu maldito cérebro estava acelerado com o corpo incrivelmente
quente atrá s de mim e a fera perigosa do outro lado de uma fina parede
de lona.
— Ei, urso! — A voz de Graham soava alta em meu ouvido
enquanto ele gritava. Os sons pararam, mas quando recomeçaram um
momento depois, nã o pareciam mais distantes.
— E se ele entrar aqui? — Eu gritei.
— Entã o eu vou alimentá -lo com você, querida.
— Nã o é engraçado. — eu resmunguei.
— Eu nã o estava brincando.
— Eles nã o comem pessoas. — eu disse, mas nã o parecia
confiante.
— Talvez este como.
— Pare com isso.
— Ei, urso! — Graham gritou novamente. Ele bateu palmas
algumas vezes e desta vez o urso se afastou. Ele colocou a cabeça para
fora da barraca e bateu palmas novamente. Isso pareceu funcionar e eu
o ouvi se esgueirar pelo mato. Graham fechou a barraca novamente e
recostou-se debaixo do cobertor.
— Achei que você tivesse dito que ele nã o sentiria o cheiro do
peixe.
Eu estava hesitante em chegar muito perto da parede da barraca
agora, entã o, quando me deitei, meu ombro tocou em Graham.
— Quando eu disse isso?
— Você disse que é por isso que os limpamos fora do
acampamento.
— Isso nã o significa que os ursos nã o virã o investigar. Eles sã o
curiosos.
— Ele vai voltar? — Eu perguntei nervosamente.
— Talvez.
— Isso nã o é muito reconfortante.
— Nã o estou tentando ser reconfortante.
— Você atiraria se ele entrasse na barraca?
— Nã o.
— O quê?! — Olhei para ele, mas só consegui ver um contorno
indistinto.
— Uma 9mm nã o fará muito para um urso. Seria um desperdício
de bala.
Agarrei o cobertor sob o queixo enquanto meus ouvidos se
esforçavam para ouvir qualquer som fora da barraca e ouvi Graham
suspirar.
— Normalmente os ursos nã o querem ter nada a ver com as
pessoas. — disse ele.
— Normalmente?
— Eu estava tentando fazer você relaxar.
— Super ú til. — eu disse sarcasticamente. — Eu nã o sobrevivi a
um maldito acidente de aviã o só para ser morta por um urso.
— Essas probabilidades sã o muito altas.
— Sim, mas agora sofri um acidente de aviã o e um urso estava do
lado de fora da barraca, entã o... sinto que minhas chances diminuíram
repentinamente.
— Talvez você devesse jogar na loteria.
— Seu sarcasmo nã o é uma característica atraente.
— Que bom que você nã o está atraída por mim entã o.
Fiquei em silêncio porque isso nã o era verdade. Eu nã o ia contar
isso a ele, embora eu ache que ele já sabia. A maneira como ele
conseguia me afetar com apenas algumas palavras ou um olhar era
ridícula e embaraçosa. Ele me fez sentir coisas que Tyler nunca me fez
sentir e ele nem sequer me tocou.
CAPÍTULO OITO

O ombro de Kaelin tocou o meu durante toda a noite e por mais


que eu dissesse a mim mesmo para me afastar, nã o o fiz. Nã o creio que
nenhum de nó s tenha dormido bem e nã o creio que tenha sido
inteiramente por medo do urso.
Ela veio comigo ao local de pesca novamente para colher mirtilos
para o café da manhã . Eu odiava admitir, mas passei uma quantidade
ridícula de tempo observando-a. Ela nunca era o que eu esperava que
fosse e olhava tudo como se fosse um problema para calcular e resolver.
Eu a observei discretamente fazer alguns ajustes em minha armadilha
para peixes. Admiti de má vontade que era inteligente e pude perceber
que ela precisava de muito para ficar fora da construçã o do defumador.
Eu estava trabalhando nisso agora e a vi olhar para meu trabalho vá rias
vezes com uma expressã o cética no rosto.
— Sempre tive inveja das pessoas que conseguem construir coisas
com madeira. — disse ela.
— Nã o é do tipo criativa?
— Eu nã o disse isso.
Olhei para ela e ela encolheu os ombros.
— Bem, eu também nã o sou o melhor nisso. — admiti.
Eu poderia fazer algumas coisas rudimentares, mas trabalhar
madeira também nã o era uma habilidade minha. Esse defumador só
seria funcional, nã o ganharia nenhum prêmio de estética.
— Nã o é um marceneiro, entendi.
Levantei minhas sobrancelhas para ela novamente e o assunto
mudou, mas eu sabia que tudo o que eu disse estava catalogado naquele
cérebro dela. As horas seguintes passaram silenciosamente e eu me
perdi em meu trabalho, feliz por finalmente ter algo para fazer para
ocupar minha mente e meu tempo.
— Como você vai manter os ursos longe disso? — Ela perguntou
algum tempo depois.
— Sorte.
— É isso?
— Nada na natureza é garantido, princesa.
Ela se levantou e jogou fora o carvã o que estava rabiscando no
toco de uma á rvore, em seguida, limpou as mã os na calça jeans.
— Quanto tempo mais você vai ficar aqui?
— Por quê?
— Eu quero me lavar no rio.
Minha boca ficou seca com o pensamento e parei o que estava
fazendo. Eu sorri enquanto propositalmente a olhava de cima a baixo
lentamente enquanto a imaginava nua no rio. Quando encontrei seu
olhar novamente, vi o rubor que esperava arrancar dela e o engolir
visível.
— Nã o faça isso. — ela disse um pouco sem fô lego. Encolhi os
ombros e voltei-me para o defumador.
— Estarei aqui por mais um pouco.
Mas merda, agora eu nã o seria capaz de pensar em mais nada
além de como ela ficaria enquanto a á gua escorria por seu corpo com o
sol brilhando sobre ela como uma maldita ninfa da á gua e aqueles olhos
verdes sensuais – porra. Fiquei feliz por ela já ter saído por entre as
á rvores e nã o ter conseguido ver a meia ereçã o em minha calça depois
desse pensamento. Maldita seja esta mulher. Eu já disse a ela que nã o
iria tocá -la até que ela implorasse e eu estava falando sério. Embora,
pelo jeito, tudo o que eu teria de fazer era pedir e ela estaria derretendo
em minhas mã os, especificamente entre suas pernas… merda.
Levei mais uns trinta minutos para terminar o defumador,
levantei-me e limpei a poeira. Fui até o local de pesca e preparei o peixe.
Agora eu só precisava da chama do nosso fogo principal, o que
significava voltar ao acampamento. Tenho certeza de que quarenta e
cinco minutos foram suficientes. Voltei para o acampamento, mas
quando passei pelo toco de madeira onde ela estava rabiscando,
congelei. Ela desenhou o urso mais incrível que eu já vi. O urso estava
em um rio com um peixe na boca... muito apropriado. Quando ela
encolheu os ombros diante da minha piada sobre ela nã o ser criativa,
obviamente eu estava muito errado. E tudo isso foi feito apenas com um
pedacinho de carvã o do fogo.
Continuei caminhando, ao sair das á rvores, parei novamente. Se
eu fosse um artista teria parado tudo para pintar a cena que via na
minha frente. Era ainda melhor do que eu imaginava. Kaelin estava de
pé no rio enquanto a á gua escorria por seu corpo nu. Suas costas
estavam viradas para mim, mas eu segui a curva de seus ombros pelas
costas até a bunda mais perfeita que eu já tinha visto antes de ser
cortada pela á gua enquanto ela batia perto de seus quadris. Quando ela
começou a se virar, eu estava prestes a desviar o olhar quando seus
olhos encontraram os meus. Eu vi um olhar de surpresa cruzar
rapidamente seu rosto e entã o foi substituído por outra coisa. Algo mais
sombrio. O calor que vi ali queimou minha alma.
Eu estava fodido. Absolutamente fodido.
Ao contrá rio da maioria das mulheres que ficariam
envergonhadas e tentariam esconder-se, ela nã o fez isso. Ela torceu o
cabelo, ainda meio virada para mim enquanto observava cada
movimento meu. Ela mexeu os braços e eu vi a curva do seu seio...
minha boca ficou seca.
— Você pode me trazer um cobertor para me secar?
Pela primeira vez eu nã o tinha nada sarcá stico para dizer, peguei
o cobertor e me aproximei. Eu deveria ter simplesmente ido embora
porque quanto mais perto eu chegava, melhor era a vista. Sua pele
estava arrepiada enquanto ela tremia.
— Eu vou sair agora. — ela disse lentamente. Eu sabia que deveria
me virar, mas nã o o fiz.
— Nã o se preocupe, você nã o faz meu tipo.
Nã o sei o que me fez dizer isso, mas eu precisava que ela nã o
olhasse para mim com toda aquela luxú ria nos olhos. Funcionou, ela
franziu a testa e colocou os braços em volta dos seios e um entre as
pernas enquanto saía da parte rasa. Eu nã o pude evitar, meus olhos
percorreram seu corpo. Quando voltei para seus olhos, as sombras
desapareceram de repente e ela sorriu. Ela pegou o cobertor de mim e
por um momento glorioso deixou cair à s mã os e ficou completamente
nua na minha frente. Eu vi um flash de mamilos duros e uma linda
boceta antes que ela se enrolasse no cobertor e escondesse a vista.
Ela se aproximou e quando passou por mim, ela se inclinou.
— Eu sei que você está mentindo. — ela disse calmamente e seu
olhar caiu para a protuberâ ncia ó bvia em minha calça. Droga.
— Você está jogando um jogo perigoso, princesa. — eu disse,
minha voz tensa.
— Achei que você fosse um homem perigoso.
Mas. Que. Porra.
Nó s nos encaramos, o ar entre nó s estava tã o carregado que fiquei
surpreso por nã o haver faíscas de verdade. Finalmente, o frio venceu e
ela passou correndo por mim para se aquecer. Tentei olhar para
qualquer lugar menos para ela enquanto pegava uma brasa do fogo com
alguns gravetos e voltava para o defumador.
Porra. Até a confiança dela era sexy. Uma onda de ciú me
completamente injustificada passou por mim – o noivo dela nã o tinha
ideia de como lidar com uma mulher assim. Ela era um incêndio que
alguém tentou conter em uma lareira – mas nã o funcionou. Eu queria
mostrar a ela como era quando aquela chama era adorada da maneira
certa e como seria se alguém a libertasse totalmente.
Suspirei enquanto passei a mã o pelo rosto e esfreguei a barba no
meu queixo. Eu poderia muito bem aceitar o fato de que nã o sairíamos
dessa sem foder e de repente tive o desejo selvagem e absoluto de
mostrar a ela o quanto as coisas poderiam ser melhores com alguém
que nã o fosse seu noivo egoísta. Forcei minha mente a se concentrar no
defumador.
Assim que o defumador estava funcionando, dei um passo para
trá s. Teríamos bastante peixe seco para levar conosco, desde que algum
ato da natureza nã o interferisse. Pensei em ficar mais um dia amanhã
para defumar outra rodada e depois ir embora. Isso nos daria mais uma
semana de comida se eu nã o conseguisse encontrar mais nada para
comer. Eu nã o podia acreditar que já estava fazendo uma semana desde
o acidente.
As sombras já eram longas quando voltei ao acampamento com
quatro peixes e alguns mirtilos. Kaelin virou-se da pilha de lenha.
— Cubra isso com uma lona. Vai chover esta noite.
— Como você sabe disso?
— As nuvens e cheira a chuva. — Ela arrastou a lona sobre a
madeira e entã o eu a observei se endireitar e farejar o ar.
Ela nã o parecia convencida. Coloquei os peixes sobre o fogo para
que pudessem assar e depois coloquei a outra lona na entrada da
barraca e no fogo. Ela se sentou na entrada da barraca e eu me sentei ao
lado dela. Ela enrijeceu um pouco, mas sua atençã o estava focada
intensamente no peixe. Coloquei os mirtilos entre nó s e virei o peixe
sobre as chamas.
— Como ficou o defumador?
— Bom. Ficaremos mais um dia para defumar outra rodada
amanhã e entã o teremos o suficiente para uma semana de reservas.
Ela olhou para o fogo em silêncio por alguns minutos, perdida em
seus pró prios pensamentos. Cutuquei o fogo com um pedaço de pau,
soltando faíscas.
— Eu vi seu desenho.
Ela me lançou um olhar rá pido com o canto do olho.
— É realmente bom. Você já vendeu sua arte?
— Acabei de ouvir você me fazer uma pergunta pessoal? — Seus
lá bios lentamente se curvaram em um sorriso. Eu fiz uma careta e voltei
para o fogo. Ela bufou uma risada. — Nã o, puramente um hobby. E um
para o qual nã o tenho tempo há anos. Na verdade, é a primeira vez em
muito tempo que desenho algo.
— Bem, parece que você deveria fazer isso com mais frequência.
Ela encolheu os ombros e seu sorriso desapareceu.
— A-A vida atrapalha. — Ela obviamente nã o queria que a
primeira parte escapasse.
— Juro por Deus se você estiver prestes a dizer que aquele idiota
valentã o nã o gosta quando você cria arte, eu vou enlouquecer.
Ela parecia desconfortável, como se agora estivesse pensando em
como isso parecia ridículo e controlador. Ela suspirou e encolheu os
ombros novamente, mas desta vez parecia que ela estava tentando se
livrar de um peso nos ombros.
— Ele simplesmente acha que coisas assim sã o uma perda de
tempo. Ele nunca disse que eu nã o poderia realmente criar.
— É a mesma coisa. — eu murmurei. Dei outra volta ao peixe no
fogo.
— Relacionamentos exigem sacrifícios. — Ela disse isso baixinho,
mas parecia algo que ela dizia para si mesma com frequência, talvez
para se convencer.
— Deixe-me adivinhar, o namorado do ano também nã o gosta da
sua carreira.
— Noivo... e minha carreira o intimidou até que ele se tornou
só cio do escritó rio de advocacia. Agora está tudo bem.
— Jesus — eu resmunguei.
Só parecia piorar. Claro que o cara era advogado. Como uma
mulher como essa poderia sofrer com um garoto tã o inseguro como
esse estava além da minha compreensã o. Eu nã o poderia nem chamá -lo
de homem. Tirei o peixe do fogo e entreguei a ela um pedaço de peixe.
Comemos em silêncio, mas ela parecia retraída e abatida, como se
estivesse lidando com algo profundo e deprimente. Se eu tivesse uma
noiva e ficasse assim quando pensasse nela, nã o me casaria. Mas fiquei
em silêncio. Nã o era da minha conta, novamente, eu nã o me importava.
Pelo menos foi o que eu disse a mim mesmo.
Mas entã o por que eu me sentia tã o mal quando ela ficava assim?
CAPÍTULO NOVE

Coloquei minha mochila nos ombros e olhei mais uma vez para o
pequeno local de acampamento quando o deixamos para trá s.
Estávamos oficialmente aqui há uma semana. Ontem foi tudo sobre
defumar o má ximo de peixe que pudemos. O urso nã o havia retornado e
felizmente Graham conseguiu produzir peixes suficientes para durar
mais uma semana se nã o conseguíssemos encontrar nenhuma outra
fonte de alimento.
Ele mal prestou atençã o à á rea enquanto nos afastávamos pela
ú ltima vez. Nã o sei por que senti nostalgia disso, mas estou feliz por ter
tirado algumas fotos outro dia antes de meu telefone morrer. Queria
lembrar a natureza imaculada e intocada que tivemos o privilégio de
vivenciar.
Bem, agora eu soei como Graham. Eu estava realmente
começando a apreciar a floresta? Eu nã o iria tã o longe. É claro que eu
queria sair e voltar para um local seguro, mas era linda.
Meu corpo estava muito melhor agora e eu poderia dizer que
Graham sentia o mesmo enquanto estabelecia um ritmo moderado por
entre as á rvores. Minha mente nã o pô de deixar de voltar ao momento
no rio. Senti um rubor subir pelo meu pescoço ao pensar em como
Graham me viu nua. Nã o sei de onde veio essa ousadia, mas caramba,
era bom ser olhada assim. Como se ele nã o conseguisse respirar porque
eu tinha roubado todo o ar. Isso fez meu estô mago revirar, mesmo
agora, enquanto pensava em como seus olhos estavam escuros e na
forma como seus punhos se fechavam ao lado do corpo, como se
quisesse impedir-se de me tocar.
Tyler nunca me olhou assim. Nunca.
Minha mente estava tã o ocupada com esses pensamentos que nã o
prestei atençã o para onde estava indo e tropecei na raiz de uma á rvore.
Eu me segurei antes de ficar cair de cara no chã o e continuei andando.
— Cuidado, se você torcer o tornozelo, eu deixo você. — disse
Graham com um olhar por cima do ombro.
— Você nã o ousaria.
— Oh, sim, eu faria isso, querida. Eu nã o mantenho peso morto
por perto.
— Um acidente de aviã o nã o me matou, um urso também nã o...
em vez disso, a manchete será uma mulher sendo atingida por uma
torçã o no tornozelo. Ó timo. — murmurei para mim mesma, mas
observei onde colocava meus pés. Eu nã o duvidaria que Graham me
deixasse para trá s. Algumas gotas de chuva atingiram meu rosto e gemi.
— Mais chuva? — Eu choraminguei. Choveu a noite toda deixando
tudo ú mido e gelado.
Choveu continuamente durante as horas seguintes, até que
Graham interrompeu o dia. Estávamos ambos encharcados e a chuva
estava rapidamente se transformando em uma tempestade violenta. O
vento açoitava as á rvores e cortava minhas roupas. Graham lutou para
montar a barraca enquanto eu tentava encontrar lenha seca para
acender o fogo. Logo desisti e quando voltei para o acampamento, vi
Graham finalmente levantando a barraca.
— Nã o poderemos fazer fogo esta noite. — disse ele, confirmando
meu medo. Nó s dois entramos na barraca e eu tirei minha parca
molhada. Eu teria sorte se alguma das minhas roupas secasse durante a
noite com esse tempo. Felizmente, o cobertor e o saco de dormir ainda
estavam secos, mas eu nã o queria molhá -los com minhas roupas. Nó s
dois parecíamos ter o mesmo pensamento ao mesmo tempo porque nos
entreolhamos e nã o nos movemos nem falamos por um longo minuto.
— Você já me viu nua, entã ooo... — Dou de ombros como se nã o
fosse grande coisa, embora meu coraçã o estivesse disparado enquanto
eu tirava minhas camadas externas. Assim que peguei minha camiseta,
ele desviou o olhar e eu a tirei para revelar meu sutiã apenas levemente
ú mido. Eu estava absolutamente deixando mantendo ele. Ele tirou a
camisa e nó s dois tiramos as calças ao mesmo tempo. Tentei nã o olhar
para seu peito, mas a barraca era pequena e havia um limite de lugares
onde meus olhos podiam ir.
Uma vez escondidos sob as cobertas, ficamos ali deitados,
desajeitadamente, extremamente conscientes dos centímetros de
espaço entre nossos corpos quase nus. Ele irradiava calor como uma
fornalha e eu estava congelando. Estremeci e meu ombro bateu nele,
fazendo com que o calor me percorresse.
— Como você está tã o quente?
Meus dentes batiam tã o alto que tenho certeza que ele conseguia
ouvir por causa do vento. Ele nã o disse nada.
— Ok, eu sei que você quis dizer isso de uma forma sexual
quando disse que eu imploraria para você me tocar, mas isso conta se
eu achar que vou congelar e você se parecer com um aquecedor?
Ele ainda nã o se moveu nem falou e na penumbra da barraca eu o
vi olhando para o teto com a testa franzida.
— Certo, tudo bem. Vou virar um picolé e você pode me dar de
comida para os ursos. Tenho certeza de que isso faria você feliz.
— Venha aqui. — ele murmurou finalmente com um suspiro
exasperado. — Apenas cale a boca.
Ele ergueu o braço e eu me enterrei hesitantemente em seu lado.
Ele sibilou quando minhas mã os frias o tocaram.
— Vê? Já estou na metade do caminho para um picolé de urso. —
resmunguei.
Finalmente nos acomodamos em uma posiçã o confortável. Sua
mã o pousou levemente ao meu lado, no ú nico lugar completamente
neutro em que ele conseguia colocá -la. Quero dizer, ele provavelmente
poderia ter colocado ela no chã o, mas eu nã o ia reclamar. Seu calor já
estava me aquecendo e suspirei quando o tremor parou. Tentei nã o
gostar da sensaçã o do peito dele sob minha mã o e me forcei a manter a
mã o imó vel, embora tenha precisado de toda a minha força de vontade
para nã o passar os dedos por seu abdô men e ir até... Porra. Pare com
isso Kaelin. Aparentemente, nã o faço sexo há quase um mês – embora
pareça uma eternidade – e agora é tudo em que consigo pensar.
— Se você continuar inquieta, vou empurrá -la de volta para lá . —
disse ele. Suas palavras ressoando em seu peito, sob minha orelha. — E
porra, seus pés sã o como cubos de gelo, nã o me toque com eles.
Eu os puxei de volta, minha risada saindo um pouco sem fô lego.
Deveria ter sido ainda mais estranho tocá -lo, mas nã o foi e logo eu
estava felizmente aquecida enquanto a tempestade assolava lá fora.
À noite, acordei com o estrondo de um trovã o. Eu ainda estava
quente e seca, enrolada ao lado de Graham. Só que agora a mã o dele
estava sobre a minha em seu peito, a outra mã o estava agora no meu
quadril e uma das minhas pernas estava jogada sobre a dele. Sua
respiraçã o era uniforme e parecia que ele estava dormindo, mas eu
nunca tinha certeza com ele. De qualquer forma, durante o sono, nó s
nos colamos ainda mais. Eu sabia que precisava me afastar, mas a mã o
dele em meu quadril estava me matando. Seus dedos estavam logo
abaixo da faixa da minha calcinha e pressionados em um ponto no osso
do meu quadril que estava fazendo minha respiraçã o falhar. Era um dos
meus pontos mais sensíveis e ele conseguiu encontrá -lo acidentalmente
no escuro enquanto dormia. Tentei voltar a dormir, mas o desejo me fez
doer de necessidade e eu precisava que ele afastasse a mã o dali ou - nã o
sei - mas deixá -la ali nã o era uma opçã o. Eu queria que isso fosse mais
longe? Seria traiçã o se eu já fosse terminar com Tyler antes de cairmos?
Minha mente tropeçou em confusã o.
— Você está inquieta de novo. — ele murmurou sonolento.
Achei que ele perceberia o quã o perto estávamos e se moveria,
mas ele nã o fez isso. Eu o senti ficar mais acordado e seu coraçã o
martelava em seu peito tã o forte quanto o meu.
— Você precisa mover sua mã o. — eu disse, minha voz fraca. Ele
moveu a mã o que estava sobre a minha em seu peito. — Nã o, a outra.
Mas em vez de movê-la, seus dedos traçaram o menor círculo
imaginável. Na verdade, posso ter imaginado, mas fechei os olhos com
força e mordi o lá bio, tentando me concentrar em outra coisa. Ele fez
isso de novo e desta vez eu sei que nã o imaginei. Minha respiraçã o
engatou e involuntariamente empurrei meus quadris contra sua perna.
— Você está jogando um jogo perigoso. — eu disse, repetindo
suas palavras anteriores.
— O perigo é relativo agora, você nã o acha?
— Entã o, nã o... oh. — eu nã o pude evitar o arrepio de corpo
inteiro que a ponta de seu dedo provocou em mim quando ele mal
traçou minha pele sob a faixa da calcinha. Nã o consegui controlar
quando meus dedos se enroscaram em seu peito e meus lá bios se
arrastaram por sua pele. Vi arrepios surgirem onde o toquei.
— Nã o o quê? — Ele sussurrou contra meu cabelo. Seus dedos
continuaram a acariciar repetidamente meu quadril em movimentos
torturantes, pequenos e lentos.
— Pare... — eu engasguei.
Eu me contorci contra ele com cada movimento de seu dedo. Era
tã o bobo como algo tã o pequeno poderia provocar uma reaçã o tã o
visceral, mas eu podia sentir todo o meu corpo ganhando vida por ele.
— Parar? — Ele murmurou.
Ele fez isso de novo. Tã o sutil que era como um sussurro contra
minha pele. Enterrei meu rosto em seu peito e pressionei meus quadris
contra sua perna. Eu sabia que minha calcinha estaria molhada. Eu me
perguntei em que ponto ele seria capaz de sentir isso.
— Nã o... — Saiu como um gemido ofegante. Movi minha perna um
pouco mais para cima e minha coxa roçou levemente seu pau, agora
duro em sua cueca boxer.
— Sim? Nã o? Você nã o está fazendo sentido. — ele brincou. Eu
ouvi um leve suspiro em sua respiraçã o entã o. — Você está molhada
para mim agora, nã o está ?
Bem, aí estava minha resposta. Eu deveria ter me sentido
envergonhada, mas nã o fiquei. Nem um pouco. Em vez disso, queria que
ele fizesse algo a respeito.
— É esse ponto. Eu avisei para você mover sua mã o. — eu
respirei.
Sua mã o subiu pelo meu quadril e se acomodou na á rea neutra na
minha lateral. Eu congelei e levantei minha cabeça para olhar para ele.
O que eu estava fazendo? Eu queria que ele se movesse, certo?
— Eu disse o que você precisa fazer. — disse ele, com os olhos
perigosamente escuros. Ele ia me fazer implorar. Olhei para ele
enquanto minha mente corria e meu coraçã o parecia que ia sair do
peito. A tempestade assolava lá fora e eu estava furiosa com ela.
— Por favor... — eu disse, minha voz quase um sussurro.
Seus olhos se fixaram nos meus e vi a leve contraçã o de seus
lá bios enquanto ele tentava esconder seu sorriso vitorioso.
— Por favor, o quê? — Sua voz era mortalmente suave.
Eu nã o aguentava mais.
— Toque-me. — Seus olhos brilharam e eu pude sentir seu corpo
reagir à s minhas palavras. — Por favor, Graham.
Tornei-me ousada e lentamente arrastei minha mã o por seu peito,
meus dedos queimando com seu calor. Seus mú sculos ficaram tensos e
a expressã o em seus olhos era escaldante.
— Se eu tocar em você, nã o vou parar. — disse ele, com a voz
tensa.
— Bom — eu sussurrei, minha mã o mergulhou mais baixo e assim
que meus dedos roçaram a faixa de sua cueca boxer, ele se ergueu e
rolou em cima de mim. Eu gritei de surpresa e minhas pernas
rapidamente encontraram seu caminho ao redor de seus quadris.
Ele olhou para mim, me dando todas as chances de detê-lo. Mas eu
sabia o que queria agora. Era tarde demais. Eu estava queimando tanto
que nã o havia como parar agora. Eu era um incêndio violento e nem
mesmo a tempestade lá fora poderia me domar.
Danem-se as consequências.
Eu olhei para ele, meus olhos cheios de desejo enquanto minhas
mã os corajosamente acariciavam seus braços incríveis e desciam por
suas costas. Ele pressionou seus quadris contra os meus e meus lá bios
se separaram, sentindo seu pau duro contra o tecido molhado da minha
calcinha. Ele abaixou a boca centímetros acima da minha e um de seus
dedos traçou minha barriga e entre nó s. Ele o passou ao longo da
costura onde a parte interna da minha coxa se encontrava com o tecido
e, em seguida, mergulhou por baixo e roçou levemente meu centro. Eu
estremeci.
— Eu disse que faria você implorar, linda. — ele disse calmamente
antes de seus lá bios pousarem nos meus e dois de seus dedos me
penetrarem.
CAPÍTULO DEZ

Pressionei meus lá bios nos dela e me amaldiçoei.


Assim que acordei com ela grudada em mim e sentindo isso tã o
bem, eu sabia que estava acabado. Meu autocontrole se foi e tudo que
eu queria fazer era provar cada centímetro dela e descobrir quais
outros pontos a faziam emitir aqueles sons que ela estava tentando
conter.
Eu nã o planejei beijá -la. Eu só ia transar com ela, mas quando ela
olhou para mim com aqueles olhos verdes da cor das sempre-vivas, nã o
pude evitar. O beijo se aprofundou e quando meus dois dedos
pressionaram dentro dela, gemi baixinho contra seus lá bios ao ver o
quã o molhada ela já estava. Movi meus dedos lentamente contra aquele
ponto sensível interno enquanto meu polegar fazia círculos ao redor de
seu clitó ris. Ela fez um som contra meus lá bios, em partes iguais de
prazer e necessidade. Mordi seu lá bio inferior e ela estremeceu contra
mim.
Eu soube entã o que nã o queria apenas fodê-la, queria vê-la se
desfazer. Eu a queria reduzida a nada além de uma bagunça molhada e
gemendo embaixo de mim.
Nã o me preocupei em tirar sua calcinha, mas desci os beijos por
seu corpo e os empurrei para o lado enquanto minha boca encontrava
seu clitó ris e o lambia lentamente. Meus dedos deslizaram para dentro
e para fora contra seu ponto G e eu a senti se contrair em torno deles
enquanto ficava ainda mais molhada. Ela iria causar um sensaçã o
incrível no meu pau. Eu podia sentir minha excitaçã o já pressionando o
tecido da minha cueca boxer e eu queria tanto socar dentro dela agora.
Mas eu precisava vê-la gozar primeiro e queria meu nome em seus
lá bios.
Ela ofegou quando eu a empurrei em direçã o à borda. Pude senti-
la perto e diminuí o ritmo, abrandando os meus dedos e retirando a
minha língua do seu clitó ris. Ela choramingou e olhou para mim com
aborrecimento, seu cabelo formando uma linda auréola difusa ao redor
de sua cabeça e seu rosto lindamente corado por sua excitaçã o.
— Eu pensei que você disse que nã o iria parar. — ela engasgou,
mal conseguindo pronunciar as palavras. Meus dedos se enterraram
dentro dela e eu os arrastei lentamente para fora. Fiz isso mais uma vez,
observando-a com um sorriso malicioso. Eu podia ver que ela estava no
limite e seu rosto mudava de aborrecimento para prazer e vice-versa
enquanto eu a provocava.
Eu estava esperando por algo e ela sabia disso.
— Por favor, Graham. — ela implorou. — Por favor, nã o pare.
A maneira ofegante com que ela me implorou fez com que um
calor percorresse meu corpo. Abaixei lentamente minha boca de volta
ao seu clitó ris e lambi círculos lentos até que seus olhos rolaram para
trá s. Eu a observei de perto e sua respiraçã o engatou. Retirei
novamente os dedos e levantei a cabeça, soprando no seu clitó ris. Ela
ergueu a cabeça novamente e gemeu de frustraçã o, levantando os
quadris em direçã o à minha boca em protesto.
Ela olhou para mim com olhos semicerrados. — Por favor, estou
tã o perto.
— Eu sei. — eu respirei contra sua boceta. Ela estava encharcada.
Levei meus dedos à boca e os chupei enquanto ela me observava. Seus
lá bios se separaram enquanto eu gemia de prazer.
— Porra, Kaelin, você tem um gosto tã o bom. — Deslizei meus
dedos de volta para dentro dela e ela choramingou.
— Você está tã o molhada que está pingando. — eu sussurrei,
minha respiraçã o em seu clitó ris fez um arrepio percorrer seu corpo. —
Diga-me o quanto você quer gozar, princesa. — eu disse. Empurrei
meus dedos para dentro e para fora, enrolando-os enquanto lentamente
os arrastava para fora.
— Oh, Deus. — ela engasgou.
— Isso mesmo — eu disse. Seus olhos encontraram os meus e vi o
momento em que ambos sentimos o fogo explodir entre nó s. — Reze
para mim, garotinha. — Deixei cair a minha boca até ao seu clitó ris e o
chupei. Ela empurrou os quadris contra meu rosto e eu o rocei com os
dentes, fazendo-a gritar baixinho.
— Graham — ela implorou enquanto suas mã os agarravam meu
cabelo. — Por favor, sim. — ela gemeu quando meus dedos atingiram
um ponto que a fez apertar ao meu redor.
Eu podia senti-la tensa quando ela se aproximou da borda
novamente e desta vez continuei. Ela jogou a cabeça para trá s, sem mais
contato com a realidade, implorando, suplicando e xingando. Gemendo
para mim nã o parar. Minha língua fez suas pernas tremerem e quando
ela finalmente gozou, seu corpo convulsionou em torno dos meus dedos
enquanto ela gritava - meu nome era uma oraçã o em seus lá bios. Eu dei
prazer a ela durante o orgasmo, sentindo-a estremecer quando ela
gozou, sua boceta encharcada. Tirei os meus dedos cobertos pelo seu
gozo e estendi-os para os arrastar sobre os seus lá bios. Os seus olhos
abriram-se para olhar para mim com um olhar que fez a meu pau
pulsar e eu empurrei os meus dedos com mais força na sua boca. Ela
abriu e seus lá bios se fecharam em torno deles. Passei meus dedos por
sua língua enquanto ela os sugava. Gemi com a sensaçã o de calor que
senti. Os meus dedos saíram da boca dela e eu abaixei-me e tirei o meu
pau da minha cueca. Eu o pressionei contra ela e deslizei minha cabeça
para cima e para baixo em sua entrada encharcada. Ela olhou para mim
com os olhos semicerrados cheios de satisfaçã o absoluta misturada
com tesã o. Suas pernas envolveram meus quadris e suas mã os
agarraram minha bunda enquanto ela me puxava para mais perto dela.
Deslizei lentamente para dentro dela e olhei para baixo entre nó s
enquanto me afastava.
— Você me aceita tã o bem, princesa. — eu gemi sem fô lego.
Adorei ver o meu pau deslizar para dentro e para fora dela, coberto
pelo seu gozo. Ela era tã o apertada. Suas unhas arranharam minhas
costas e minha respiraçã o ficou presa quando eu soquei de volta dentro
dela. Eu fiz isso de novo e de novo, estabelecendo um ritmo rá pido, seus
sons mais uma vez me deixando louco. Seus suspiros contra meus
lá bios me fizeram me mover com força. Eu a beijei novamente, os
dentes batendo em nossos esforços para nos aproximarmos.
— Graham — ela gemeu. — Porra, sim. — Seus olhos reviraram
para trá s e eu poderia dizer que ela estava se aproximando novamente
do orgasmo.
— Olhe para mim. — eu rosnei. Minha mã o deslizou para seu
pescoço quando ela abriu os olhos, parecendo nada menos que uma
deusa se entregando à escuridã o. Um sacrifício. Seus lá bios se
separaram e minha outra mã o desceu entre nó s até que meus dedos
encontraram seu clitó ris. Tracei círculos rá pidos e ela se mexeu
embaixo de mim com um suspiro. Senti-a apertar-se à minha volta e
gemi, a minha mã o apertando-lhe o pescoço enquanto lhe tirava um
pouco do ar.
— Goze novamente para mim, querida. — Ela empurrou seus
quadris nos meus e tremeu quando senti seu corpo perto da borda.
Soltei a pressã o em seu pescoço no momento em que ela gritou e gozou
novamente, arqueando as costas até onde minha mã o em seu pescoço
permitia.
— Boa menina. — eu engasguei. Aumentei meu ritmo novamente.
Ela estava tã o molhada e eu a senti mover os quadris e se apertava ao
meu redor. Um gemido escapou quando a intensidade ameaçou
dominá -la. Eu podia ver isso em seus olhos e abaixei meu rosto,
arrastando meus lá bios pelos dela, compartilhando o ar, antes de me
mover para seu pescoço.
— Você fica tã o gostosa quando goza no meu pau. — eu sussurrei
para ela enquanto beijava uma trilha que subia de seu pescoço até sua
mandíbula. Sua respiraçã o ficou presa quando eu arrastei meus dentes
contra sua pele. Nã o demorou muito para que ambos estivéssemos
ofegantes, beirando o êxtase. Seus olhos se fixaram nos meus e senti
algo profundo e infinito se abrir entre nó s no momento em que ela
gozou novamente. Ela gritou e se empurrou para dentro de mim
enquanto as sensaçõ es a puxavam para baixo. Suas mã os se moveram
nas minhas costas e eu fiquei preso pelo fogo em seus olhos enquanto
seu corpo se contorcia contra mim. Foi tã o poderoso que me levou com
ela e por um momento nada existiu além de nó s dois enquanto
deixávamos as ondas de prazer nos levarem.
Voltei à realidade em cima de Kaelin, minha bochecha encostada
na curva de um de seus seios macios. Eu teria que explorá -los mais
tarde. Espere, haveria um mais tarde ou foi uma coisa ú nica? Isso exigia
muita reflexã o no momento, embora depois do que acabei de vivenciar
eu esperasse que acontecesse novamente. Olhei para cima e encontrei
seu olhar.
Porra. Ela parecia um animal selvagem prestes a fugir. Uma ú nica
lá grima escorreu por sua bochecha.
Afastei-me dela e procurei na mochila algo para ajudá -la a se
limpar. Ela estava olhando para qualquer lugar, menos para mim. Eu
esperava que ela voltasse para debaixo das cobertas, mas em vez disso
ela vestiu as roupas ú midas. O amanhecer se aproximava, mas a chuva
nã o diminuíra.
— Onde você está indo?
— Para uma caminhada. — ela disse brevemente.
Ó timo. Eu estava com medo de que algo assim acontecesse, mas
fui tolo e ouvi meu pau em vez de minha cabeça.
— Por quê? — Eu perguntei com cautela.
Ela nã o me respondeu e rapidamente terminou de se vestir antes
de sair pela porta. Eu nã o sabia o que pensar sobre a expressã o em seu
rosto. Nã o era necessariamente arrependimento, era... tristeza? Ela
sentiu o que eu senti naquele momento em que nos sentimos mais
conectados do que apenas duas pessoas fazendo sexo? Eu nã o queria
pensar muito sobre isso. Isso também me assustou, se eu fosse honesto.
Era para ser leve e casual, entã o por que nã o parecia assim agora?
Passei a mã o pelo rosto em sinal de resignaçã o e vesti minhas
roupas antes de pegar uma lanterna e sair na chuva atrá s dela. Eu a vi
entre as á rvores durante um relâ mpago, mas entã o ela desapareceu
novamente.
Por que eu estava fazendo isso? Por que de repente me
importava?
Porque o que senti na barraca foi algo que nunca tinha
experimentado antes. Sim, eu já tive sexo incrível e me conectei com
muitas mulheres, mas tudo o que fizemos foi diferente e o instinto de
perseguir esse sentimento foi o motivo pelo qual me encontrei na
chuva, perseguindo uma mulher... algo que eu absolutamente nunca
pensei que faria.
Eu estava prestes a chamá -la quando de repente a ouvi gritar. Fui
em direçã o ao som e lá estava Kaelin, de joelhos enquanto um homem
com equipamento tá tico segurava uma faca em seu pescoço.
Foi uma visã o tã o absurda que me perguntei por um momento se
havia entrado abruptamente em um sonho. Entã o o trovã o caiu e um
raio iluminou a cena e eu sabia que era real. Havia outros cinco homens
parados e um deles gritou quando me viu. Ao mesmo tempo, cinco rifles
de assalto se voltaram para mim. Minhas mã os se ergueram no ar
enquanto eu tentava alcançar atrá s de mim a arma na cintura.
— Pare ou eu vou matá -la. — disse o homem.
Kaelin gritou quando o homem enfatizou seu ponto de vista e
pressionou a adaga com mais força contra seu pescoço. Todos nó s
ficamos ali no limbo até que vi movimento por entre as á rvores.
— Wolfe? — Um sexto homem apareceu e o choque percorreu
meu corpo. — Eu nã o posso acreditar. Quais sã o as chances, cara?
— Cooper — eu disse, incrédulo. — O que você está fazendo aqui?
— O que você está fazendo aqui? — Cooper perguntou com uma
risada.
Ele parecia o mesmo que eu lembrava... Com a constituiçã o de um
lutador de MMA com um corte militar curto. Ele usava calça padrã o do
exército com botas pretas e um moletom preto. Um AR estava em seu
peito, solto em suas mã os e vi uma arma e uma faca em seu cinto. Seus
olhos mantinham as mesmas sombras escuras e astutas e notei que ele
nã o disse a seus homens para se retirarem.
— Acidente de aviã o. — eu disse.
— Acidente de aviã o? Jesus. — disse Cooper, parecendo
genuinamente alarmado.
— Esta é a sua operaçã o? — Acenei com a cabeça para os homens
atrá s dele.
Cooper sorriu.
— É sim. Fora da rede, ninguém respirando no meu pescoço. —
Ele viu meu olhar se voltar para Kaelin e se virou para ela. — Ela está
com você?
— Sim.
— Você a conhece? — Cooper me observou atentamente.
Se ele nã o tivesse servido comigo e me conhecesse mais
intimamente do que a maioria, eu poderia ter inventado alguma
histó ria, mas sabia que nã o deveria tentar manipulá -lo.
— Pessoalmente nã o. Ela estava no aviã o. Proximidade forçada. —
eu disse e Cooper assentiu, seus olhos ainda nela e um olhar em seus
olhos que eu nã o gostei.
— Bem, ela é bonita. Você teve sorte.
Ele olhou para mim e ficou com as mã os nas presilhas do cinto,
mastigando um pedaço de pau. Eu poderia dizer que ele estava
pensando em algo e por um momento me lembrei de quando
estávamos em missã o e ele ficava ali avaliando a situaçã o como se
estivesse apreciando a vista em um passeio casual. Ele sempre foi tã o
despreocupado. Nã o descuidado, mas sempre um pouco
desequilibrado. Ele era um canhã o solto naquela época, eu nã o poderia
imaginar que ele tivesse mudado muito. Perdemos contato ao longo dos
anos, à medida que a vida nos levava em direçõ es diferentes e acho que
nó s dois nos lembramos de nosso passado traumá tico e só queríamos
seguir em frente. Pelo menos isso era verdade para mim.
— Infelizmente, terei que levá -la comigo. — Ele disse finalmente
com um olhar frio, todas as formalidades amigáveis desaparecidas.
— Nã o posso deixar você fazer isso. — eu disse.
— Ela nã o significa nada para você, por que você se importa? —
Cooper zombou. Eu nã o disse nada e ele sorriu. — Ah, entendo. — Ele
olhou para frente e para trá s entre Kaelin e eu. — Você transou com ela,
nã o foi? — Nã o foi uma pergunta.
Eu ainda nã o disse nada e ele riu.
— Algumas coisas realmente nunca mudam, nã o é, Wolfman? —
Cooper disse. — Independentemente disso, ainda estou levando ela.
Tenho uma coisinha acontecendo aqui. — disse ele, acenando com a
mã o para as á rvores como se explicassem tudo, quando nã o explicavam
nada.
— Que tipo de coisa?
Cooper encolheu os ombros.
— Quanto menos você souber, melhor. Digamos apenas que ela
será muito lucrativa para mim.
Ele deu um assobio agudo e seus homens desapareceram na
floresta. Aquele que segurava Kaelin puxou-a bruscamente em direçã o
à s á rvores.
— Graham! — Ela implorou e lutou contra o aperto do homem.
Mas o homem a arrastou e eu só pude ficar ali, impotente.
Eu estava em desvantagem e em menor nú mero. Eu conhecia
Cooper muito bem para pensar que poderia acabar com ele e cinco de
seus homens com apenas uma arma. Nã o havia nada que eu pudesse
fazer. A expressã o de traiçã o e medo em seu rosto fez meu estô mago
revirar.
— Por favor! — Ela chorou e o que momentos antes foi uma das
coisas mais sexy que saiu de sua boca agora era um apelo aterrorizado.
Ela cravou os calcanhares e o homem deu um tapa nela. Dei um passo à
frente, minha mã o indo atrá s de mim para a arma, até que meu peito
bateu na mã o de Cooper quando ele a estendeu para me parar.
— Se você a soltar, vou nos considerar quites. — eu disse
enquanto a observava desaparecer por entre as á rvores antes de me
virar para olhar friamente para Cooper. Ele me olhou com um olhar que
me fez lembrar por que seu codinome era Coringa – sua humanidade
sempre foi questionável e ele era um homem que gostava de brincar
com as pessoas só para vê-las cair. Funcionou bem em combate, mas
agora percebi que isso apenas fazia dele um homem perverso e
malvado. Um homem nascido para a brutalidade da guerra e
transformado em um assassino implacável.
— Ah, meu caro. — ele disse enquanto balançava a cabeça. —
Estou deixando você ir e isso é o que nos deixa quites. Nunca
esquecerei o que você fez por mim. Porra, eu nã o estaria aqui se nã o
fosse por você, mas se eu fosse inteligente, mataria você agora mesmo.
Ele me olhou de cima a baixo, tã o calmo e controlado como
sempre.
— Você parece bem, cara. — disse ele. — Eu gostaria que
pudéssemos colocar o papo em dia, mas o dever chama. — Ele se virou
para ir embora, mas depois voltou. — Oh, se você for para lá ... — ele
apontou na direçã o oposta de para onde eu estava indo. — ...você
chegará a um posto de gasolina em algumas semanas.
Ele começou a andar de costas em direçã o à s á rvores.
— Cooper...
— Nã o venha atrá s dela, Wolfe. — ele avisou. Ele deve ter visto a
expressã o em meu rosto porque puxou a arma casualmente. — Quero
dizer. Da pró xima vez que te ver, estaremos quites. — Nã o perdi a
ameaça.
— Cooper...
— Sério Wolfe, esqueça-a. Se eu te ver de novo, terei que te matar
e prefiro nã o fazer isso. Você sempre foi como um irmã o para mim.
Ele deu mais alguns passos antes de me saudar casualmente e
correr para a floresta.
Fiquei ali por um momento, me perguntando o que diabos
aconteceu. Por que Cooper estava no meio do nada? E por que ele iria
querer Kaelin? Uma parte de mim disse para eu nã o perder mais nada -
ela nã o era ninguém para mim além de uma foda rá pida na floresta.
Mas mesmo enquanto pensava nisso, nã o gostei da sensaçã o. Naquele
primeiro dia, quando ela olhou para mim com esperança naqueles
olhos verdes matadores, eu sabia que ela estava esperando que eu nos
tirasse daqui. Eu me perguntei quando, na ú ltima semana, me tornei tã o
protetor com ela.
Nã o foi apenas o sexo. Houve também o pequeno detalhe de como
ela salvou minha vida, embora eu definitivamente nã o fosse um heró i,
levava minha palavra muito a sério e salvar a vida de alguém era um
grande negó cio para mim, entã o parecia errado deixá -la lá quando eu
estava em dívida com ela.
Quase sem perceber, eu já estava seguindo Cooper.
Nã o faria mal apenas avaliar a situaçã o e partir daí, certo? Além
disso, algo nã o me pareceu certo depois da conversa com Cooper.
Ela será muito lucrativa para mim.
Eu nã o gostei disso. Eu nã o gostei nada disso.
Ele estava tramando alguma coisa e eu iria descobrir o que era.
A GUERRA
As árvores se debatem... uma raiva contra a quebra
O vento uiva... seus gritos são para os quebrados
A chuva chora... suas lágrimas são pelos perdidos
Esta tempestade de sofrimento... esta torrente de horrores
Esta floresta de medos.
Onde a escuridão esconde a verdade...
Só há pessoas quebradas aqui.
CAPÍTULO ONZE

Num minuto eu estava chateada porque Graham tinha acabado de


me dar o melhor orgasmo da minha vida - vá rios, na verdade - e no
pró ximo, havia uma faca na minha garganta. Arrependi-me
imediatamente de ter ido dar um passeio, mas a barraca estava
sufocante e eu precisava pensar. A sensaçã o de estar com Graham era
avassaladora e intensamente íntima e pela expressã o em seu rosto, o
que quer que tenha acontecido entre nó s foi algo novo e assustador
para nó s dois. Eu nunca tinha experimentado sexo ou uma conexã o
assim antes e precisava de tempo para descobrir se era real ou um
subproduto do desastre da realidade em que eu estava. De qualquer
forma, isso foi para minha diversã o casual.
Enquanto observava a troca de homens, tentei acalmar meu
coraçã o acelerado. Eu tinha certeza de que Graham iria intervir, mas
quando ele nã o o fez, o medo tomou conta de mim. Fiquei chocada ao
ver que eles se conheciam... talvez isso fosse algo positivo, mas minhas
esperanças foram rapidamente frustradas quando vi a expressã o no
rosto de Graham. Uma má scara dura caiu no lugar e ele olhou para o
homem como se fosse uma bomba prestes a explodir. Entã o fui
arrastada para longe dele e entrei em pâ nico até que o tapa me deixou
atordoada e chocada por alguém realmente ter me batido.
— Levante-se ou vou arrastá -la por todo o caminho. — o homem
rosnou. Eu me levantei e ele apontou sua arma para mim. — Ande.
Vi Cooper correr por entre as á rvores e olhei para trá s, meio que
esperando que Graham estivesse ali.
— Onde está Graham? — Eu perguntei a ele.
— Ele nã o vai se juntar a nó s. — ele disse brevemente e me olhou
de cima a baixo com um olhar avaliador que eu nã o gostei. Ele sinalizou
para seus homens e todos começaram a se mover novamente.
— O que isso significa? — Eu pressionei. A arma foi empurrada
contra mim e eu me encolhi, mas comecei a andar.
— Ele se foi. Esqueça-o. — disse Cooper.
Minhas esperanças caíram. Cooper o matou? Nã o ouvi uma arma,
mas havia outras maneiras de matar alguém e Cooper parecia capaz de
matar alguém sem uma arma. O pâ nico tomou conta de mim e antes
que eu pudesse pensar se era uma boa ideia ou nã o, saí por entre as
á rvores.
— Ei! — Eu ouvi um grito.
— Traga-a de volta. — disse Cooper, parecendo entediado.
A floresta estava começando a clarear com o amanhecer, mas
quando eu atravessei a floresta, o caminho ainda era complicado. O
chã o era muito macio em alguns lugares e caí vá rias vezes, correndo
por pura adrenalina e medo. Arrisquei olhar para trá s e gritei quando
uma massa negra colidiu comigo e rolamos por uma pequena encosta.
— Vadia — ele sibilou quando o homem pousou em cima de mim
e o ar foi completamente tirado dos meus pulmõ es. Fiquei ali ofegante
enquanto o homem se sentava em meu peito. Dei um tapa nele, batendo
nele e tentando arranhar seu rosto, mas ele agarrou meus pulsos,
puxando uma braçadeira do bolso.
Gritei de novo e entã o ouvi um estalo grotesco e o homem caiu
para o lado revelando Graham atrá s dele.
— Vamos, levante-se! — Ele insistiu. Eu queria chorar de alívio,
mas quando ele me agarrou pelos braços para me levantar, ouvi um tiro.
Não.
Não, não, não.
O tempo desacelerou enquanto eu observava Graham cair de
joelhos na minha frente. Acho que estava gritando, mas meus ouvidos
zumbiam tanto que nã o percebi. Corri até ele, agarrando-o, mas entã o
mã os me puxaram para longe.
— Graham! — Eu gritei. — Nã o! Me solte! Graham!
Ele caiu no chã o e a realidade voltou para mim, me atingindo com
tanta força que engasguei com meu pró prio ar. Lutei violentamente,
gritando e tentando voltar para ele. Ele nã o poderia estar morto. Meus
pulsos foram puxados para trá s e senti a braçadeira cortar duramente
minha pele enquanto era enrolada e apertada. Eu mal senti a dor. Tudo
o que pude ver foi Graham no chã o quando fui puxada.
— O que fazemos com ele?
— Deixe-o, ele se foi.
— Nã o! — Gritei, lutando para me soltar das garras de quem me
segurava. Em vez disso, fui erguido sobre o ombro de alguém. Meus
movimentos nã o fizeram nada e minha visã o ficou embaçada pelas
lá grimas quando a ú ltima coisa que vi foi Graham deitado no chã o da
floresta antes que as á rvores o engolissem. A luta me deixou, mas
minha raiva nã o desapareceu quando lá grimas quentes caíram dos
meus olhos. Era difícil respirar pendurada no ombro do homem e logo
fechei os olhos para nã o ficar tonta.
A chuva aumentou enquanto caminhávamos por um tempo entre
as á rvores, até que o homem parou e me deixou de pé. Ele agarrou meu
braço e eu funguei, olhando em volta. Um portã o alto estava à nossa
frente, com guardas posicionados ao redor e arame farpado ao longo da
parte superior e inferior da cerca. O medo passou por mim com força e
rapidez e hesitei, tudo em meu ser gritava para eu nã o passar pelos
portõ es.
— Eu nã o vou entrar aí. — eu engasguei, minha voz tremendo.
— Ah, aí está você. — Observei Cooper se aproximar, com um
sorriso malicioso no rosto enquanto me olhava de cima a baixo. Entã o
seu rosto ficou sério. — O que aconteceu? — Ele perguntou. Olhei para
o que ele estava olhando e vi sangue em minhas mã os.
— Wolfe — o homem grunhiu. Comecei a chorar novamente.
— Porra, cara, eu disse a ele para nã o ir atrá s dela. — disse
Cooper, parecendo desapontado. — Ele está morto?
— Sim.
Eu nã o conseguia tirar os olhos do sangue em minhas mã os e elas
começaram a tremer.
— Nã o. — eu sussurro.
— Bem, é o melhor. Agora ninguém estará procurando por ela. —
Cooper suspirou e acenou com a cabeça para mim. O homem me puxou
para frente e começou a me arrastar em direçã o aos portõ es.
— Nã o. — eu disse um pouco mais alto, tentando puxar meu
braço. O homem me puxou em sua direçã o com tanta força que tropecei
nele.
— Pare com isso. — ele rosnou. Cooper se virou enquanto
passávamos pelos portõ es, caminhando para trá s, abriu bem os braços.
— Bem-vinda a Toca, minha querida! — Cooper disse
dramaticamente.
O pá tio interno da cerca nã o tinha nada de especial. Apenas
alguns bunkers construídos em um grande penhasco que se erguia bem
acima de mim e desaparecia na chuva e na neblina. Quando chegamos a
uma das portas, Cooper saiu por um corredor e virou-se para seus
homens.
— Processe-a. Ela estará no leilã o amanhã .
Eu nã o sabia o que isso significava, mas nã o gostei do som. Nó s
nos separamos de Cooper e eles me arrastaram ainda mais para dentro
da Toca, que percebi que se estendia até o penhasco e era quase toda
subterrâ nea. Apertei os olhos para as luzes estéreis no corredor, fortes
para os meus olhos depois da luz fraca da floresta. Chegamos a uma
porta e eles me empurraram para um grande espaço construído como
uma enfermaria, onde enfermeiras se movimentavam em torno de duas
fileiras de leitos hospitalares. Os homens me empurraram pelo
corredor central e por outra porta até uma sala de exames com
chuveiro no canto.
— Tire a roupa. — disse um deles. — Tome banho, faça a
depilaçã o e coloque isso quando terminar. — ele disse e acenou com a
cabeça para uma peça de roupa dobrada. Eu apenas fiquei lá e olhei
para ele como se ele fosse louco.
— Absolutamente nã o.
— Ou você faz isso sozinha ou nó s a ajudamos. — disse ele, com
os olhos brilhando maliciosamente. Franzi a testa, debatendo a ideia de
recusar, mas nã o queria suas mã os em mim. O chuveiro tinha uma
cortina e entrei e fechei-a. Abri a á gua e esperei para ouvir se os
homens se moviam ou nã o. Quando isso nã o aconteceu, eu lentamente
tirei minhas roupas. Entrei na á gua morna e observei o sangue de
Graham escorrer pelo ralo, levando consigo qualquer esperança de
resgate. Eu funguei, tentando nã o desmoronar novamente. Era minha
culpa que ele estivesse morto. Se eu nã o tivesse saído da barraca nada
disso teria acontecido.
Eu matei Graham.
A culpa me atingiu junto com a dor e as lá grimas correram
silenciosamente pelo meu rosto.
— Se apresse. — A voz do guarda me trouxe de volta à realidade e
eu me apressei pelo resto do banho enquanto meus pensamentos
vagavam para o que era esse lugar.
Aos poucos comecei a ter uma ideia, mas nã o gostei. Pior, eu nã o
tinha ideia de como sair daqui. Mesmo se eu escapasse, para onde eu
iria? Sem Graham, eu seria inú til na floresta. Fiquei presa entre dois
pesadelos. Quando terminei, peguei a toalha, aliviada pelos homens nã o
terem tentado me olhar ou tocar.
A roupa que me deram era apenas um vestido fino e branco que
se estendia até o meio da coxa. Nã o havia roupas íntimas. Saí no
momento em que outra pessoa passou pela porta. Uma mulher severa,
com cabelos grisalhos presos em um coque apertado na base do
pescoço, olhou para mim com um olhar indiferente, uma prancheta nas
mã os.
— Contenha-a. — disse ela enquanto puxava uma arma.
Lutei e gritei em protesto enquanto a chutava e tentava afastar
meus braços dos homens. Nã o funcionou e quando ela pressionou a
arma no meu antebraço, eu só pude observar quando ela apertou o
gatilho e algo disparou sob minha pele. A dor rasgou meu braço, quente
e rá pida, apenas para desaparecer com a mesma rapidez. A mulher se
afastou e havia um vergã o no meu antebraço.
— Rastreador e identificador. — ela disse simplesmente.
Ela tirou um pequeno computador portá til do bolso e examinou o
dispositivo sob minha pele, digitando alguns detalhes.
— Você está tomando algum tipo de anticoncepcional? — Ela me
perguntou sem rodeios.
— O quê?
— Anticoncepcional. — disse a mulher como se eu fosse estú pida.
— Sim. — eu gaguejei.
— Que tipo? — Eu apenas olhei para ela e quando nã o respondi,
ela ergueu os olhos da prancheta, sem avisar, me deu um tapa no rosto.
— Você vai me responder.
— DIU — eu disse com raiva. Eu estava ficando cansada
rapidamente de pessoas me dando tapas.
Os homens ainda estavam me segurando e ela tirou vá rios itens
usados para tirar sangue. Ela enrolou um pedaço de borracha em volta
do meu braço, apesar de minhas tentativas de lutar, uma agulha
escorregou em meu braço. O frasco encheu rapidamente e em segundos
acabou. Ela escreveu rapidamente na lateral do frasco e depois o
guardou no bolso. Ela escreveu algo na prancheta e depois enfiou a mã o
no bolso e tirou um pote de comprimidos. Ela estendeu um para mim.
— Tome isso, se você nã o fizer isso sozinha, vou forçar isso na sua
garganta. — Ela falou em um tom clínico monó tono, como se tudo isso
estivesse abaixo dela.
— O que é? — Perguntei. Eu vi seus olhos brilharem e
rapidamente estendi a mã o e peguei a pílula.
— Isso ajudará na sua integraçã o aqui. — ela disse simplesmente.
Isso foi ameaçador, mas nã o tive escolha e engoli a pílula. A
mulher deu um passo em minha direçã o e agarrou meu queixo com os
dedos, fazendo-me mostrar a ela que engoli antes que ela recuasse.
— Ela é o nú mero 178. Coloque-a no Bloco 5. — disse ela e foi
embora.
Os dois homens me empurraram por uma porta diferente e me
conduziram por outro corredor estéril. Foi na porta ao lado que recuei
novamente, mas estava começando a me sentir estranha com o que
quer que a mulher me deu. Eu estava instável e tudo parecia confuso
nas bordas, entã o os homens foram facilmente capazes de me empurrar
pela porta e entrei em um pesadelo.
Havia fileiras e mais fileiras de celas e cerca de metade delas
estavam ocupadas. Ocupadas com mulheres. Um dos homens agarrou-
me pelo braço e puxou-me para além das celas mais pró ximas, onde
pude ver mulheres de vá rias idades, todas em diferentes estados de
angú stia. Algumas pareciam muito jovens e meu estô mago revirou de
nojo quando percebi o que estava acontecendo aqui e era exatamente o
que eu temia.
Cooper estava comandando uma operaçã o de trá fico humano.
Algumas mulheres me observaram com uma tristeza profunda
nos olhos que me deu vontade de chorar e gritar ao mesmo tempo.
Chegamos a uma cela ao longo de uma fileira praticamente vazia e os
homens me empurraram para dentro antes de trancarem a porta e
saírem. Qualquer droga que tomei fez a cela girar e eu estava flutuando
em uma nuvem enquanto lentamente começava a perder minhas
funçõ es motoras. Eu olhei em volta. A cela era pequena, com três
paredes só lidas e grades na frente. Os ú nicos itens eram um cobertor e
um vaso sanitá rio no canto mais afastado.
A droga deixou minhas emoçõ es confusas e agora eu absorvia
tudo ao meu redor com um distanciamento calmo. Deslizei pela parede
perto da porta, minhas pernas incapazes de me manter em pé por mais
tempo. Na cela em frente à minha, uma mulher loira estava encolhida
em sua cela e me encarava com uma expressã o vazia e drogada.
— O que é este lugar? — Eu perguntei a ela.
— A Toca. — disse ela com indiferença.
— Eu sei disso. Mas o que acontece aqui?
— Coisas terríveis. — disse ela, com a voz embargada.
— O quê?
— Somos apenas coelhas para ele. — ela murmurou. A mulher
nã o estava fazendo nenhum sentido, mas um peso tomou conta de mim.
Meus olhos se fecharam e a ú ltima coisa que passou pela minha cabeça
antes das drogas me puxarem para baixo foi Graham. Eu só podia culpar
a mim mesma pela minha situaçã o. Talvez este tenha sido meu castigo
por tê-lo matado.

— O leilã o é só amanhã . — Ouvi vozes abafadas e no meu estado


induzido pelas drogas tentei abrir os olhos, mas nã o consegui.
— Ele nunca saberá .
A mesma voz disse. Senti minhas pernas se abrirem e o vestido foi
levantado. Tentei me mover, tentei fazer com que a mã o puxasse o
vestido para baixo, mas meu corpo estava muito pesado.
Desmaiei novamente até sentir uma pressã o entre minhas pernas.
Eu mal tive consciência mental para perceber que estava sendo
estuprada. Quem quer que fosse, deslizou para dentro de mim com um
gemido e nã o importa o quanto eu tentasse gritar ou me mover, nã o
consegui.
Eu estava presa em meu corpo.
— Deus, ela é gostosa...
— Nã o faça nada...
Suas vozes desapareceram novamente. Por dentro eu estava
desmoronando e enojada, mas por fora eu era uma concha, uma boneca
para eles usarem.
Ele finalmente parou e eu o senti puxar meu vestido para baixo,
alisando-o sobre minhas pernas como se nada tivesse acontecido.
Quando suas vozes desapareceram, uma lá grima deslizou pelo meu
rosto e eu nã o consegui nem levantar um dedo para enxugá -la. Entã o a
escuridã o me puxou para baixo novamente.

O efeito das drogas finalmente começou a passar, com isso, a


realidade do que aconteceu me atingiu com tanta força que nã o
consegui respirar. Chorei por horas, com o cobertor enrolado em mim
enquanto me encolhia no canto da cela. Fui estuprada. Na verdade, fui
drogada e depois estuprada, e nã o pude fazer nada para me defender.
Eu me senti suja e impotente.
Fiquei muito tempo sem ver ninguém, até que ouvi passos vindo
pela passarela e dois guardas pararam na porta da cela. Olhei para eles,
me perguntando se foram eles que me estupraram mais cedo, mas eles
nã o deram nenhuma indicaçã o quando destrancaram a cela com rostos
passivos e um deles entrou e me colocou de pé. Tentei arrancar meu
braço dele, mas estava trêmula por causa da ressaca das drogas e a falta
de comida e á gua me deixou tonta.
Eles me puxaram pelas passagens da Toca e eu tentei acompanhar
todas as curvas em minha mente para poder planejar um mapa para
mais tarde. Foi difícil com minha mente ainda enovoada. Eles me
levaram por uma porta onde vi cerca de vinte mulheres amontoadas
contra uma parede, ladeadas por alguns guardas com rifles de assalto.
Todas elas estavam nuas com uma fina coleira cor de cobre em volta do
pescoço. Eu ia desmaiar.
— Ah, aí está ela! Minha estrela brilhante... — Olhei e vi Cooper
enquanto ele se aproximava. Ele nã o estava com equipamento tá tico
dessa vez, mas com jeans e uma camisa preta de botõ es. — Você vai me
ganhar muito dinheiro esta noite. Tirem a roupa dela. — Ele pediu.
Um guarda se aproximou e agarrou o vestido, mas eu passei os
braços em volta de mim e me afastei.
— Nã o... que lugar é esse? — Eu disse, ficando cada vez mais em
pâ nico a cada segundo que passava. Cooper sorriu e observou o homem
tentar novamente arrastar a roupa pela minha cabeça. Eu me afastei
deles novamente. Cooper riu e se aproximou com algo nas mã os. Antes
que eu pudesse me mover, ele colocou uma coleira idêntica à s outras
em meu pescoço. Ele colocou um dispositivo na mã o e entã o senti meu
corpo ficar rígido de dor enquanto a eletricidade passava por mim. Caí
no chã o, incapaz de gritar ou me mover. A dor era insuportável, mas
assim que ele parou a dor desapareceu. Fiquei de joelhos, com falta de
ar.
O homem avançou enquanto eu ainda tentava recuperar o fô lego e
antes que eu pudesse agarrar a roupa, ele a puxou pela minha cabeça.
Lutei para ficar de pé, mas Cooper apertou o botã o novamente e eu caí
de volta no chã o. Ele finalmente parou e eu sufoquei um suspiro e deitei
no chã o enquanto ele olhava para mim com um olhar presunçoso.
— É muito bacana, certo? Seu encarregado receberá o controle
remoto, entã o sugiro que você remova quaisquer noçõ es rebeldes da
sua cabeça agora mesmo. — Ele jogou o controle remoto para um
guarda e desapareceu por outra porta. Lutei para ficar de pé, tentando
me abraçar enquanto era empurrada para me juntar à s outras
mulheres. A maioria delas estava olhando para o chã o.
— O que está acontecendo? — Eu sussurrei para uma delas.
— O leilã o. — ela disse no mesmo tom desesperada da loira.
— O que isso significa?
— Você será leiloada pelo maior lance por cinco dias.
— O quê?! — Eu disse isso tã o alto que os guardas se viraram para
mim, mas eu os ignorei.
— Eles podem escolher quais atividades farã o com você. — Ela
nã o olhou nos meus olhos, mas tudo bem porque eu nã o estava mais
vendo claramente. Isso nã o poderia estar acontecendo – isso nã o era
real. Senti a sala girar e sabia que iria vomitar. Virei-me e vomitei,
vomitando até tremer de pâ nico e nojo. Os guardas simplesmente me
encararam desapaixonadamente. Entã o ouvi uma voz através da porta.
— Senhores, senhores, sejam bem-vindos! Bem-vindo a Toca! —
Era Cooper se dirigindo a uma multidã o considerável pelo som dos
aplausos que estava recebendo. Eu ia vomitar de novo. — Esta noite
vamos leiloar vinte lindas coelhinhas para vocês passarem os pró ximos
cinco dias. Sei que todos vocês deram uma olhada nas ofertas e leram as
poucas regras e diretrizes que temos aqui. Temos muitas atividades
para mantê-los ocupados, mas é claro, fiquem à vontade para serem
criativos. Há também uma nova coelhinha especial hoje, no qual tenho
certeza que todos vocês estarã o interessados. Vamos começar?
As mulheres foram entã o puxadas pela porta uma por uma e nã o
voltaram. Logo eu era a ú nica que restava na sala e ouvi a voz de Cooper
novamente.
— Esta coelha é aquela que eu estava ansioso para trazer. Ela é
nova, entã o provavelmente será tímida. Nã o se deixe enganar... ela é
selvagem. Ela ainda nã o foi domesticada, entã o conto com um de vocês
para levar o trabalho a sério, né? — A multidã o riu. — Apresentando a
coelha nú mero 178. — Os guardas me empurraram pela porta e
literalmente tive um pesadelo. Cooper estava sozinho em um palco
redondo com luzes focadas tã o fortemente no centro que eu nã o
conseguia ver a multidã o. Os guardas me empurraram para mais perto
de Cooper, que agarrou meu braço.
— Linda, nã o é? — Cooper me girou com força, deixando-me
pouco espaço para tentar me cobrir, mesmo que achasse que
funcionaria. Estremeci quando ele passou a mã o em meu peito.
— Tã o suave... devemos começar a licitaçã o em um milhã o?
Devo ter engasgado porque ele olhou para mim com um sorriso
malicioso. Algumas luzes se acenderam na plateia, informando que o
lance foi aceito. Nos minutos seguintes, ele aumentou os lances.
— Eu ouço dois milhõ es? Dois milhõ es?
Ele me envolveu em seus braços, me puxando de volta contra seu
peito e sua mã o deslizou pela minha barriga. Eu lutei e sibilei para ele,
mas seus braços pareciam aço. Seus dedos encontraram o caminho
entre minhas pernas e eu os senti me acariciar, provocando a multidã o.
— Dois milhõ es por tudo isso, senhores!
Os lances zumbiram e senti meu rosto esquentar enquanto tremia
em seus braços. Isso era bá rbaro. O que ele estava fazendo alcançava as
profundezas da depravaçã o humana. Mas era obviamente um negó cio
lucrativo e que atendia a homens ricos. Homens ricos com dinheiro que
poderiam usá -lo para evitar problemas.
— Nã o gosta de ser o centro das atençõ es, coelha? — ele
sussurrou em meu ouvido. Ele mergulhou os dedos dentro de mim e eu
lutei contra ele, encolhendo-me com a intrusã o. — Já molhada? Sua
coisinha suja.
— Ela está pronta para um de vocês! — ele disse em voz alta com
uma risada enquanto tirava os dedos para mostrar à multidã o. Ele
chutou a parte de trá s das minhas pernas, entã o eu caí de joelhos e me
segurou frouxamente pelos cabelos. Ajoelhei-me ali, fervendo de raiva.
— Eu ouço três milhõ es? Três?
Os lances continuaram a subir até que finalmente estagnaram em
5,5 milhõ es de dó lares. Eu devo ter parecido pá lida porque Cooper
apertou meu cabelo com mais força e ele me levantou.
— Se você vomitar agora, vou te dar uma surra. — ele sussurrou
em meu ouvido.
— 5,5 milhõ es! Dou-lhe uma, dou-lhe duas, VENDIDA!
Ele me empurrou em direçã o a uma porta diferente, onde os
guardas agarraram meus braços e me escoltaram para fora. A raiva
guerreou com a repulsa e o medo por qualquer tipo de inferno em que
me encontrei enquanto caminhávamos por outro corredor e percebi
que entendi a referência... esse lugar era realmente um labirinto
subterrâ neo.
Uma toca para as coelhas de Cooper.
Nã o éramos nada além de uma mercadoria para ele.
CAPÍTULO DOZE

Eu estava em um á trio. Era tã o grande que parecia que estávamos


realmente na floresta, mas no alto havia uma cú pula de vidro
envolvendo o espaço. Um nível de observató rio de vidro se estendia
acima dos primeiros dois metros de parede de concreto. Já havia
pessoas sentadas ali com os olhos fixos em algo acontecendo nas
á rvores. Ouvi um grito e pulei.
— Parece que alguns dos outros já estã o se divertindo. Vá . —
disse o guarda. Ele me empurrou em direçã o à s á rvores antes de
desaparecer pela porta por onde passamos.
Corri em direçã o à porta quando ela se fechou, tentando abri-la,
mas ela nã o se mexeu. Voltei-me para as á rvores e dei alguns passos,
depois parei, hesitante em entrar nas sombras, mas sem saber o que
mais deveria fazer.
— Você deveria correr.
Virei-me e vi um homem que devia ter cerca de cinquenta anos,
vestindo calça cá qui bem passada e camisa de colarinho branco com
vá rios botõ es desabotoados. Seu cabelo escuro era salpicado de
grisalhos com uma barba curta, precisa e bem cuidada para combinar.
Seus olhos escuros me varreram da cabeça aos pés de uma maneira fria
e avaliativa. Ele deu um passo em minha direçã o e eu dei um passo para
trá s instintivamente.
Ele sorriu. — Ah, lá vamos nó s.
Ele deu mais um passo e eu também.
— Se você quer uma vantagem inicial, sugiro que vá agora. —
disse ele.
Eu nã o queria jogar qualquer jogo doentio que fosse, mas também
nã o estava disposta a ficar por aqui e deixar isso acontecer. Fiquei tã o
arrasada porque ele queria que eu fugisse. O que aconteceria se eu nã o
cumprisse? Ele pareceu ler minha mente.
— Se você nã o correr, eu tenho esse controle remoto aqui e me
disseram que o choque é bastante desagradável. Ou Cooper mencionou
que tem uma sala de puniçã o onde podemos começar, se preferir. Entã o
você pode fugir ou podemos definir minhas expectativas lá .
Eu nã o precisava de mais motivaçã o do que isso, mas me virei e
caminhei em direçã o à s á rvores, meu orgulho se recusando a me deixar
correr. Eu ouvi sua risada me seguir. Assim que o perdi de vista, corri. O
recinto parecia estender-se por alguns quilô metros dentro da cú pula.
Havia até um riacho. Corri por alguns minutos e estava tã o fundo nas
á rvores que realmente parecia que estava de volta à floresta. Exceto que
eu ainda podia ouvir gritos ocasionais. Agachei-me em alguns arbustos
e tentei acalmar meu coraçã o acelerado. Eu sabia que ficar parada
provavelmente nã o era o melhor curso de açã o, entã o, depois de
recuperar o fô lego, continuei em um ritmo mais lento.
Ouvi o farfalhar dos arbustos e me abaixei atrá s de uma á rvore
bem a tempo de ver outro homem, diferente daquele com quem falei,
passar por mim. Sua boca estava torcida em um sorriso cruel e havia
marcas de arranhõ es em seu rosto. A sensaçã o de pura maldade tomou
conta de mim e prendi a respiraçã o quando ele passou. Algo me dizia
que ele nã o era alguém de quem eu queria chamar a atençã o. Só depois
que nã o consegui mais vê-lo é que saí do meu esconderijo.
Poucos minutos depois, ouvi um choro e enfiei a cabeça em um
arbusto. Eu vi uma mulher pressionada contra uma á rvore com um
homem transando com ela com força por trá s. Ela estava imunda e
coberta de marcas de chicotes. Lá grimas arderam em meus olhos, eu
nã o podia vê-la sofrendo, mas quando me virei para ir embora, uma
mã o envolveu minha boca e outra em minha cintura. Eu gritei e tentei
relaxar.
— Eu nã o sabia que minha coelha gostava de assistir. — uma voz
familiar sussurrou em meu ouvido. Pisei violentamente em seu pé e
bati minha cabeça em seu rosto. Ele grunhiu quando entrei em contato
com seu nariz e me soltou o suficiente para eu escapar. A adrenalina fez
meu coraçã o disparar enquanto eu corria novamente.
Nã o vi ninguém pelo que pareceu um longo tempo. Eu nã o parei.
Sempre que precisava recuperar o fô lego, me agachava em alguns
arbustos com as costas cobertas. Eu sabia que minha sorte acabaria
eventualmente e eu estava ficando cansada. Eu via estrelas sempre que
me levantava muito rá pido e minha visã o à s vezes escurecia nas bordas.
Eu nã o comia há mais de vinte e quatro horas e a fome estava me
fazendo sentir fraca e tonta. Uma onda de tontura tomou conta de mim
e parei brevemente para me firmar contra uma á rvore quando ouvi um
movimento atrá s de mim e me virei bem a tempo de ver o homem que
me perseguia se aproximar e me agarrar.
— Nã o! — Eu gritei e de alguma forma saí do caminho.
Seus dedos roçam meu pulso antes de eu tropeçar
desajeitadamente em uma raiz de á rvore e bater em uma á rvore. Eu
gritei quando ele me agarrou e caímos no chã o com ele em cima de
mim. Eu me debatia em seus braços, mas ele era muito pesado e eu
podia sentir minha força se esvaindo rapidamente.
— Cansada, amor? — Ele ofegou com um sorriso triunfante.
Seus quadris pressionaram os meus enquanto ele se sentava em
cima de mim e passava a mã o pelos cabelos enquanto recuperava o
fô lego. Eu olhei furiosamente para ele e dei um soco desleixado em seu
queixo. Ele ficou quieto e olhou para mim perigosamente por um
momento antes de seus olhos brilharem e ele rir. Meu rosto esquentou
de raiva.
— Você nunca deu um soco em alguém antes, nã o é? — Ele
afirmou.
Ele agarrou minha mã o e embora eu tentasse me afastar, seu
aperto era como um torno em volta do meu pulso. Ele fechou meu
punho e colocou meu polegar para fora, depois levou meu punho ao seu
queixo novamente.
— Faça assim da pró xima vez. — disse ele.
Em vez de socar seu queixo, dei um soco entre as pernas dele. Ele
sibilou de surpresa e liberou seu peso apenas o suficiente para me
permitir espaço suficiente para sair debaixo dele. Tentei ficar de pé,
mas a coleira foi ativada e caí quando a dor me percorreu. Parou e eu
fiquei ali ofegante.
— Bem, isso é definitivamente ú til. — ele murmurou. Ele se
aproximou e montou em mim novamente.
— Nã o... me toque. — eu engasguei. Ele ignorou isso e agarrou
meu rosto com força entre os dedos.
— Você pode me dar um soco na mandíbula o quanto quiser,
amor, mas se me der um soco no pau de novo e eu vou prender você até
que você nã o saiba seu nome.
Olhei para ele e meu olhar caiu entre suas pernas. Ele me viu
pensar sobre isso e seu polegar pairou sobre o botã o enquanto ele
desabotoava o cinto e o zíper, em seguida, puxava seu pau duro. Ele se
acariciou enquanto olhava para mim atentamente.
— Eu amo o fogo, querida. — ele murmurou.
Tentei me desvencilhar, mas assim que libertei as pernas, ele me
puxou pelos tornozelos e me arrastou pela terra. Eu resisti e me virei
tentando fugir, mas estava totalmente exausta e quando a mã o dele
passou em volta do meu pescoço e apertou, vi estrelas. Seu joelho abriu
mais minhas pernas e seu pau pressionou contra mim, minhas
bochechas ficaram molhadas de lá grimas quando percebi o inevitável.
Eu amoleci quando a luta me deixou, junto com minha força restante e
minha visã o começou a escurecer enquanto eu lutava para respirar. Ele
afrouxou o aperto em minha garganta e eu engasguei.
— Vamos ver quanto 5,5 milhõ es me compraram.
Ele deslizou dentro de mim e fechei os olhos e tentei ir para outro
lugar. A certa altura, tentei agarrá -lo, mas ele me deu um tapa forte no
rosto e eu estremeci sob ele e fiquei imó vel.
Meu corpo nã o parecia mais meu. Estava sendo tirado de mim
com cada impulso de seu pau dentro de mim. Algo que eu achava que
era meu para dar estava sendo violentamente arrancado de mim. Eu me
senti enojada e suja. Tentei me desassociar, mas o chã o embaixo de mim
estava me apunhalando com paus e pedras. Eu o senti perto do limite e
protestei baixinho. Eu nã o queria que ele entrasse em mim. Eu nã o
queria senti-lo me preencher. Eu me virei e tentei lutar, mas isso só o
alimentou e logo o senti entrar em mim quando ele gozou, eu me
despedacei.
Assim que ele se retirou, eu me enrolei como uma bola e lá grimas
rolaram pelo meu rosto. Eu nã o queria olhar para ele, queria estar em
qualquer lugar menos ali.
Fui colocada de pé, quando minhas mã os foram tiradas do rosto,
vi que o homem havia sumido e foram os guardas que me puxaram em
direçã o a uma saída. Senti a porra do homem deslizar pela minha perna
e a raiva percorreu-me quente e rá pido.
Eles me levaram para um grande chuveiro comunitá rio, onde me
deixaram perto do ralo e abriram a á gua. Assim que a á gua me atingiu,
minha raiva se dissipou e eu sentei sob o jato, um entorpecimento
tomou conta de mim. Eu estava tã o atordoada que mal percebi quando
duas mulheres vestidas de médica se ajoelharam e começaram a limpar
meu corpo com uma toalha e esfregar shampoo em meu cabelo. Depois,
elas me enxugaram e até secaram meu cabelo antes de me deixarem
parada no meio do chuveiro e saírem sem dizer uma palavra.
Vi os guardas se aproximando e tentei dar alguns passos para trá s,
mas eles me agarraram. Tentei dar um soco neles, mas mesmo com o
conselho que o homem me deu, nã o acertei nada. Isso trouxe de volta
minha raiva, quando eles me arrastaram, a raiva quase me dominou. Na
porta dos chuveiros, o guarda me empurrou contra o batente da porta e
agarrou meu pescoço. Seu parceiro cruzou os braços com um suspiro,
parecendo entediado.
— Pare com isso, vadia. — disse ele. Sua mã o deslizou entre
minhas pernas e eu gritei. — Ou vou tornar as coisas um inferno para
você mais tarde.
— Nã o minta para ela, Sal. — o outro cara zombou. — Você vai
fazer isso de qualquer maneira. — O medo deixou minha pele ú mida.
Eu nã o queria ir a lugar nenhum com eles.
Sal zombou e seu dedo esfregou meu clitó ris antes de dar um tapa
no meu rosto com força, mas nã o o suficiente para deixar uma marca.
Isso só me irritou ainda mais e fez meus olhos lacrimejarem.
— Ele tem razã o. Fui designado para você em um futuro pró ximo.
Vandal pode reivindicá -la depois, mas até que ele diga o contrá rio... —
ele encolheu os ombros. Eu nã o sabia quem era Vandal, mas de
qualquer forma, nã o estava feliz com essa reviravolta.
— Você sabe que Vandal vai reivindicá -la. — disse seu parceiro
secamente.
— Entã o é melhor nã o perder tempo. — disse Sal, beliscando meu
mamilo novamente, me fazendo estremecer. — Eu só queria poder
marcar essa sua linda pele.
— Vamos, Sal, vamos.
CAPÍTULO TREZE

Os guardas me levaram pelo que parecia ser um corredor que


você veria em um hotel. Eles abriram uma das portas e fiquei surpresa
ao ver uma linda suíte de hotel moderna. Sal e o outro guarda me
empurraram e depois que Sal piscou para mim, ele fechou a porta. Eu
nem tentei abri-la, decidindo que preferia estar aqui do que lá fora com
eles. Meu estô mago revirou com a ideia de ficar sozinha com eles
novamente.
Eu vaguei e procurei por algo que pudesse usar como arma, mas a
maior parte do quarto foi estrategicamente construída para impedir
isso. Abri a porta do armá rio e vi a mala e as roupas de um homem -
infelizmente penduradas em cabides fixos - junto com um cofre e outro
par de sapatos. Era tã o doméstico que quase perdi o som da porta se
abrindo atrá s de mim.
— Viu alguma coisa que você gostou?
Virei-me para vê-lo perto da porta, olhando para mim com a
mesma diversã o calculada de antes. Reservei um momento para estudá -
lo. Eu ainda achava que ele parecia ter cinquenta e poucos anos e era
ó bvio que ele se cuidava e malhava. Porém, assim como Graham, seu
corpo nã o era para estética ou vaidade. Eu sabia, sem sombra de
dú vida, que ele o usava para violência e apesar de estar repleto de uma
energia perigosa. Na verdade, eu pensei que ele era muito bonito. No
entanto, o fato de ele ter me estuprado o tornou extraordinariamente
menos bonito e eu olhei para ele com nojo.
— Infelizmente, você nã o tem nenhuma gravata. — funguei. Se ele
tivesse, eu provavelmente o teria estrangulado ou a mim mesma,
qualquer que fosse a oportunidade que se apresentasse primeiro.
— Muito sufocante. — ele brincou com uma risada, olhando para
mim com conhecimento de causa. — Qual o seu nome?
Ele afrouxou o colarinho e foi até o armá rio, tirando o casaco. Dei
um passo para trá s enquanto ele o pendurava em um dos cabides. Ele
se virou para mim enquanto afrouxava os punhos e quando arregaçou
as mangas, meus olhos caíram para seus antebraços bronzeados e
cobertos de tatuagens.
— Nã o quero chamar você por um nú mero.
Eu apenas olhei para ele, minhas sobrancelhas ligeiramente
levantadas... ele nã o poderia estar tentando ser civilizado nesse tipo de
situaçã o quando acabou de comprar um ser humano. Ele se aproximou
de mim e fiquei tensa quando ele pegou meu queixo entre os dedos e
algo sombrio brilhou em seus olhos.
— Nã o vou perguntar de novo.
Olhei para ele, mas quando vi sua mã o se mover em direçã o ao
bolso, respondi.
— Kaelin.
— Lindo. — ele disse e soltou meu queixo. — Você pode me
chamar de Kraven.
Eu nã o pude deixar de engasgar com uma risada. Era muito
irô nico. Ele olhou para mim e eu parei.
— Algo engraçado?
— Como... como o Kraven dos quadrinhos?
Suas sobrancelhas se ergueram e ele parecia genuinamente
chocado.
— Poucas pessoas entenderiam a referência. — disse ele.
Kraven, o Caçador. Uma vez, há muito tempo, fui a um encontro e
um cara me puxou para uma loja de quadrinhos. Um dos que peguei
para ler foi sobre o adversá rio do Homem-Aranha, Kraven, o Caçador.
Meu acompanhante me contou tudo sobre ele. Aparentemente, ele era
um grande caçador com um senso de honra distorcido e muitas vezes
considerado um anti-heró i.
— '...o jogo mais perigoso.' — eu citei. — Apropriado. —
murmurei, meus olhos cheios de desprezo.
— Bastante. — disse ele.
Eu nã o sabia o que ele estava pensando, mas obviamente o
surpreendi. Nó s nos encaramos por um longo momento antes de ele
acenar para a cama.
— Vá para a cama.
— Nã o.
Antes que eu pudesse reagir, ele se aproximou e agarrou meu
pescoço, me arrastando alguns metros antes de me empurrar para a
cama. Tentei voltar para o outro lado, mas ele agarrou meu tornozelo e
me puxou de volta para ele. Ele se ajoelhou entre minhas pernas e eu
tentei chutar para sair de seu alcance, mas ele abriu minhas duas coxas
e abaixou a cabeça para morder a parte interna da minha coxa. Ele
mordeu com força e eu gritei e parei de lutar. Ele me soltou e olhou para
cima.
— Cada vez que você resistir a mim, vou machucar você. — disse
ele calmamente.
Eu estava tremendo e nã o conseguia parar. Ele nã o quebrou o
contato visual quando baixou a boca para minha boceta e eu me encolhi
quando ele me lambeu. Ele me abriu e encontrou meu clitó ris, sua
língua era surpreendentemente eficiente. Eu me contorci embaixo dele,
nã o gostando de como meu corpo estava reagindo.
— Pare... — eu sibilei.
Tentei me afastar do seu rosto, mas sua mã o encontrou meu seio e
ele torceu violentamente meu mamilo até que eu gritei.
— Está bem, está bem... — eu engasguei.
Fiquei imó vel e ele parou, me dando um olhar aguçado antes de se
voltar para mim. Depois de ontem, eu esperava que ele entrasse e
imediatamente me forçasse. Eu nã o conseguia entender como lidar com
isso. Nã o gostei de como o meu corpo estava entrando em modo de
sobrevivência, para me proteger, estava ficando excitado. Entã o, devo
lutar porque nã o consenti? Ou seguir em frente para nã o me machucar?
Eu chorei silenciosamente em confusã o. Ele deslizou dois dedos dentro
de mim lentamente enquanto acariciava meu clitó ris metodicamente
com a língua.
— Eu quero você bem molhada para mim. — disse ele.
Sua respiraçã o brincou com minha excitaçã o e eu gemi quando
meu corpo me traiu completamente. Um arrepio percorreu meu corpo
quando ele curvou os dedos para atingir meu ponto G, em vez de ser
bruto, ele foi muito lento.
— Nã o, nã o, nã o... — solucei e novamente tentei me afastar. Ele
mordeu meu clitó ris e eu gritei e gritei enquanto minhas mã os
tentavam agarrar sua cabeça. Agarrei seu cabelo enquanto tentava fazê-
lo parar e ele lentamente olhou para mim, com raiva em seus olhos.
— Me solte — ele exigiu.
Hesitei, mas quando vi seus olhos brilharem, rapidamente retirei
minhas mã os trêmulas. Seus dedos continuaram e sua língua voltou a
lamber suavemente a dor que ele infligiu. Olhei para o teto, lá grimas
escorrendo pelo meu rosto.
— Porra — eu disse baixinho, enquanto seus dedos exploravam a
umidade que ele acabou de extrair de mim. Eu podia sentir algo
crescendo, enrolado por dentro e odiei isso.
— Quero que você goze para mim. — disse ele.
Eu balancei minha cabeça. — Eu nã o posso... — eu choraminguei.
— Você vai ou eu uso a coleira em você. — disse ele.
Cobri o rosto com as mã os e desejei estar bem longe.
— Tire suas mã os, quero observar você.
Decidi que esse era o pior tipo de tortura. Colocar meu corpo e
mente um contra o outro me fez sentir como se estivesse
enlouquecendo. Movi minhas mã os lentamente e choraminguei quando
o calor me percorreu, irradiando de sua atençã o.
— Boa menina. — ele murmurou. Ele me lambeu novamente, seus
olhos escuros enquanto observava meu rosto se contorcer em uma
tentativa de parar o prazer que ele estava deliberadamente extraindo.
Ele era tã o consistente com os dedos e a língua. Tã o suave e lento que
ele acertou todos os pontos certos. Um gemido escapou antes que eu
pudesse impedi-lo e meu corpo estremeceu. A energia tomou conta de
mim e fiquei tensa em torno de seus dedos. Ele nã o parou, mas pude
ver seus olhos escurecerem. Ele podia me sentir chegando perto. Tentei
resistir enquanto o fogo da excitaçã o subia pelo meu corpo. Concentrei-
me no teto, qualquer coisa para parar o que estava subindo dentro de
mim, mas ele deu um tapa forte na minha boceta e eu gritei e olhei para
ele furiosamente.
— Olhe para mim. — ele sibilou. Ele torceu meu clitó ris com os
dedos e eu me inclinei para frente em sua direçã o.
— Tudo bem, tudo bem. — gaguejei, tentando recuperar o fô lego.
Eu nã o quebrei o contato visual com ele, embora seu rosto
estivesse turvo com minhas lá grimas. Meu corpo estava vivo de prazer
neste momento. Eu nã o conseguia ficar quieta, mas era impossível nã o
sentir vontade de sair da minha pele. Eu engasguei quando ele mudou
seu â ngulo apenas ligeiramente em resposta a uma das minhas palavras
e eu o amaldiçoei em minha mente.
Por que ele era tã o bom nisso? Ele estava lendo meu corpo como
um livro. Ele percebia cada movimento e cada suspiro e encontrou os
lugares onde eu era mais fraca. Se ele era tã o bom nisso, por que
comprar alguém em um lugar como este? Esses pensamentos
imediatamente me deixaram quando minha mente ficou em branco e
um orgasmo veio em minha direçã o como um maremoto. Eu nã o
conseguiria parar, mesmo que tentasse.
— Oh, porra... — Minhas pernas tremeram e eu gritei sem fô lego,
olhando para aqueles olhos cinzentos e intensos, iluminados pela
luxú ria. Seus olhos ficaram vidrados enquanto ele me levava ao limite e
eu nã o apenas caí, mas despenquei em um precipício tã o íngreme que
perdi a noçã o da realidade quando gozei. Minha mente se despedaçou
quando meu corpo assumiu o controle. O prazer explodiu em mim. Mas
ele nã o parou, em vez disso, me fez gozar novamente. Eu me sacudi e
agarrei os lençó is, meus quadris balançando contra ele enquanto eu
gritava novamente.
Ao me recuperar desse, comecei a soluçar incontrolavelmente e
cobri o rosto com as mã os. A cama se moveu e entã o seu pau foi
pressionado contra mim. Eu nã o lutei. Eu nã o tinha forças para isso. Ele
puxou minhas mã os do meu rosto e as prendeu acima da minha cabeça
antes de deslizar dentro de mim com um gemido.
— Deus, você está encharcada. — ele respirou. Eu odiava o quã o
bom era. Eu odiava meu corpo. Isso me traiu tã o completamente que
nã o consegui pensar direito.
— Você gostou de gozar na minha cara? — Ele se retirou
lentamente e voltou a entrar com a mesma lentidã o. Tentei conter um
gemido enquanto minha boceta se apertava ao redor dele.
— Foda-se. — eu engasguei em meio aos meus soluços. Ele sorriu
para mim, sabendo a verdade. Seus olhos ficaram pesados enquanto ele
continuava a me foder lentamente.
— É isso que você está fazendo, querida. — disse ele.
Ele acelerou o ritmo e eu o odiei e me odiei por quã o bom era.
Mas eu o odiei ainda mais por me confundir e por me fazer sentir bem
quando sei que nã o deveria. Ele soltou minhas mã os e agarrou minhas
pernas, colocando-as sobre seus ombros. Ele olhou para baixo e viu seu
pau entrar em mim. O â ngulo era uma tortura e quando tive um
espasmo perto dele, ele olhou para mim.
— Você gosta disso. — ele ofegou.
Ele se moveu novamente e me observou de perto até ver
exatamente que movimento estava fazendo minha boceta apertar em
torno dele e eu engasguei quando ele se aproveitou isso. Ele sorriu e eu
agarrei os lençó is, fechando os olhos com força e tentando evitar outro
orgasmo.
Por que ele estava tã o empenhado em me fazer gozar? Teria sido
quase melhor se ele simplesmente continuasse a roubar isso de mim,
pelo menos entã o eu poderia me dissociar e deixar meu corpo para trá s
para fazer o que fosse necessá rio para aguentar.
— Nã o, nã o, querida. Olhe aqui. — ele engasgou.
Olhei para ele, mas era inevitável e em poucos minutos gritei,
convulsionando ao redor dele quando outro orgasmo tomou conta de
mim. Ele cerrou os dentes, tentando passar por isso sem gozar, mas
quando me recuperei, tremendo com os tremores secundá rios, ele
gemeu e gozou dentro de mim. Ele desabou em cima de mim,
respirando com dificuldade e eu fiquei ali e desejei estar em outro lugar.
A vergonha me fez sentir quente e desconfortável. Ele se moveu para
sair de cima de mim e sua respiraçã o ficou presa quando ele deslizou
para fora.
— Porra, você vale cada centavo. — ele disse enquanto se dirigia
ao banheiro. Fiquei ali, completamente exausta e me sentindo vazia.
Comecei a chorar baixinho, minhas mã os tremendo quando elas
cobriram meu rosto. O chuveiro foi ligado, quando desligou, alguns
minutos depois, eu já havia parado de chorar, mas me sentia exausta e
deprimida.
Deslizei para fora da cama e tentei dar alguns passos no momento
em que Kraven saiu do banheiro. Eu vacilei, minha visã o escurecendo
perigosamente. Eu senti que ia desmaiar. Quando foi a ú ltima vez que
bebi ou comi alguma coisa? Coloquei a mã o sobre os olhos e a outra na
parede enquanto tentava fazer o quarto parar de girar.
— O que está errado? — Ele perguntou cautelosamente.
— Eu... eu nã o comi nada. — eu disse, com a voz trêmula.
— Por escolha ou negligência? — Deslizei pela parede e tirei
minha mã o, cansada demais para sequer olhar para ele.
— Eu comeria meu peso em hambú rgueres e batatas fritas se isso
estivesse na minha frente agora. — afirmei, aborrecida. Ele olhou para
mim e depois foi até um interfone.
— Mande um cheeseburger e batatas fritas.
— Sim, senhor. — respondeu o interfone e Kraven se virou e foi
para o banheiro, onde o ouvi escovar os dentes e pentear o cabelo.
Nã o deve ter passado mais do que alguns minutos quando alguém
bateu na porta. Kraven saiu do banheiro vestido apenas com um jeans
escuro, pendurado na cintura e foi abri-la.
Um homem vestido de garçom entrou no quarto, colocou uma
bandeja sobre a mesa e saiu. Kraven tirou a tampa e minha boca
imediatamente começou a salivar quando vi um cheeseburger gigante,
pingando queijo pelas laterais e uma pilha de batatas fritas fumegantes.
Eu nã o sabia se isso era alguma forma doentia de tortura onde ele iria
comer a comida que eu desejava bem na minha frente ou o quê, entã o
nã o me mexi.
Ele se aproximou e agarrou meu braço para me puxar para cima,
em seguida, virou-se e me depositou na mesa. Puxei meu braço, mas
nã o consegui tirar os olhos da comida. Ele nã o tinha ideia de como eu
estava faminta por comida de verdade.
— Coma — ele ordenou.
Ele sentou-se à minha frente e empurrou o prato sobre a mesa.
Ele pegou uma batata frita e recostou-se na cadeira e me observou. Eu
olhei para ele procurando à presa, embora meu corpo estivesse
gritando para eu comer.
— Eu nã o preciso que você morra de fome. Isso nã o seria nada
divertido.
Tentei pegar uma batata frita, meio que esperando que ele a
tirasse de mim, mas ele apenas ficou sentado me observando com
aqueles tempestuosos olhos cinzentos enquanto eu dava uma mordida.
Nã o pude evitar quando meus olhos se fecharam quando o sal atingiu
minha boca e antes que eu pudesse impedir um pequeno som de prazer
escapou. Peguei o hambú rguer e depois das primeiras mordidas pensei
que iria começar a chorar de novo. Ele parecia satisfeito e relaxado na
cadeira depois de se certificar de que eu iria comer e entã o apenas
olhou para mim. Foi um pouco enervante, mas eu estava com muita
fome para me importar e comi cada pedaço de comida daquele prato.
— Vou me certificar de que você seja alimentada, parece que você
precisa de alguns desses. — disse ele.
Normalmente eu teria ficado chateada com um homem
comentando sobre meu peso, mas depois de sobreviver com barras de
granola e peixe, acabei concordando com ele. Assim que terminei,
encontrei seus olhos. Ele olhou para mim longa e duramente antes de
se sentar mais ereto na cadeira.
— Venha cá .
Olhei para ele por um momento, pensando se deveria resistir, até
que ele ergueu as sobrancelhas e eu me levantei e fui até a frente dele.
Ele me puxou para seu colo e passou a mã o pela minha coxa enquanto a
outra mã o afastava um cacho atrá s da minha orelha. Eu me encolhi com
o toque, mas ele ignorou. Respirei fundo. Droga. Ele cheirava bem –
ridiculamente bem – como uma colô nia masculina cara, almiscarada e
picante.
Seus dedos roçaram meu peito e eu fiquei tensa quando sua mã o
subiu para me acariciar. Seu polegar roçou meu mamilo, deixando-o
duro rapidamente. Sua cabeça se abaixou para colocar meu outro
mamilo em sua boca e novamente meu corpo reagiu. Meu corpo traidor
queria se pressionar em sua boca, enterrar meus dedos em seu cabelo e
jogar minha cabeça para trá s de alegria. Mas minha mente estava
dizendo que mesmo que ele cheire bem e me faça se sentir bem, ainda é
estupro. Eu estava tentando manter minha respiraçã o estável, mas
quando ele se afastou eu estava respirando com mais dificuldade do
que gostaria e ele sorriu para mim.
— Tire meu pau. — disse ele.
Eu nã o me mexi e ele suspirou, beliscando meu mamilo com força.
Eu sibilei e me aproximei dele.
— Tudo bem... — eu engasguei. Minhas mã os tremiam levemente
quando abri o zíper de sua calça e ele a empurrou para baixo o
suficiente para se libertar.
— Use as mã os. — ele disse rispidamente.
Eu o peguei em minhas mã os e acariciei seu pau para cima e para
baixo, observando seus olhos se estreitarem de prazer. Ele colocou meu
mamilo em sua boca novamente, roçando-o levemente com os dentes e
minhas mã os vacilaram quando o prazer disparou direto entre minhas
pernas. Ele estava incrivelmente duro agora e recostou-se na cadeira,
observando minhas mã os nele por um minuto.
— Sente-se. — ele ordenou.
Minhas mã os pararam em seu pau. Levantei-me, mas demorei a
voltar para cima dele. Ele agarrou meu pescoço e me puxou para cima.
— Sente. Em cima. — Ele rosnou.
Subi em seu colo e ele segurou seu pau na minha entrada. Eu
podia sentir sua porra ainda nas minhas coxas, misturada com o meu
gozo e ele passou a cabeça do seu pau para frente e para trá s na minha
entrada. Abaixei-me até estar totalmente sentada com ele dentro de
mim. Eu odiava o quanto a sensaçã o era boa. Eu estava tã o tensa que
podia me sentir tremendo. Suas mã os pousaram em meus quadris e ele
se inclinou em minha direçã o, passando os lá bios ao longo da minha
clavícula.
— Relaxe — ele murmurou.
Suas mã os apertaram e ele moveu meus quadris, deslizando seu
pau para dentro e para fora de mim lentamente. Seus polegares
roçaram o local no osso do meu quadril que Graham encontrou e eu
saltei em direçã o a Kraven enquanto um arrepio percorreu minha
espinha.
Ele congelou e fez isso de novo.
Ele deu toques leves como penas em ambos os lados até encontrar
exatamente o local e eu o apertei enquanto fazia um som de prazer e
me enrolava nele, tremendo novamente. Minhas mã os desceram para as
dele e agarrei seus pulsos, tentando parar o calor que percorreu meu
corpo com seu toque. Aquele maldito local era literalmente eletrizante e
eu estava impotente contra isso. Aparentemente nã o importava quem
me tocasse ali. Eu estava respirando fundo, tentando lutar contra minha
excitaçã o, mas isso só me fez sentir envolvida por seu cheiro inebriante.
Ele encontrou meus olhos e mais uma vez eles pareciam positivamente
letais.
— Você tem certeza que deseja fazer isso? — Ele disse
lentamente. — Eu posso facilmente fazer esse ponto doer. — Sua voz
era gelada, seus olhos de aço cinza empenhados em me cortar em
pedaços.
Seus polegares pressionaram com mais força meus quadris, a
ameaça ó bvia, eu soltei seus pulsos, deslizando minhas mã os até seus
antebraços. Ele permitiu isso e seu aperto afrouxou antes de começar
seus círculos novamente, me observando de perto. A cada passagem de
seu polegar, eu o apertava e estremecia até achar que nã o aguentaria
mais, cada parte do meu corpo parecia um fio energizado.
E novamente, por que diabos ele tinha que cheirar tã o bem?
— Toque-se. — disse ele.
Seus olhos estavam semicerrados e eu podia sentir o quanto ele
estava excitado me vendo me contorcer de prazer em seu colo. Minha
mã o desceu até meu clitó ris e imediatamente senti a vergonha bater em
mim quando descobri o quã o molhada estava. Meus dedos tremiam
enquanto eu fazia alguns círculos, mas meu cérebro estava me dizendo
que eu nã o deveria “eu nã o consenti com isso” isso era errado. Meu
rosto esquentou e senti uma lá grima escorrer pelo meu rosto. Eu parei.
Ele se inclinou para frente e lentamente lambeu a lá grima da minha
bochecha.
— Lembre-se do que eu disse sobre me obedecer. — ele
sussurrou. Ele se afastou e olhou para mim, entã o sua mã o agarrou a
minha e levou-a aos lá bios. Ele deslizou meus dedos em sua boca e
sugou minha excitaçã o enquanto rosnava em aprovaçã o.
Porra, ok, isso foi excitante.
Ele colocou minha mã o de volta no meu clitó ris e me guiou para
me dar prazer novamente com círculos lentos. Assim que comecei, ele
tirou a mã o e moveu meus quadris novamente, deslizando-se para
dentro e para fora de mim. O calor passou por mim e percebi que já
estava no limite, oscilando, tentando nã o cair, mas sendo atraída pelo
êxtase da liberaçã o enquanto isso me provocava. Eu choraminguei em
tortura enquanto minha mente se continha, mas meu corpo parecia
vivo com as sensaçõ es.
Ele me sentiu hesitar... esse maldito homem percebia tudo, sua
cabeça abaixou, pegando meu mamilo em sua boca e chupando-o antes
de mordê-lo suavemente, rolando-o entre os dentes. Eu engasguei e foi
isso... desmoronei e gritei enquanto minha mente se esvaziava e
persegui o auge do meu orgasmo, meus movimentos foram liberados e
peguei dele o que precisava. Eu apertei em torno dele e movi meus
quadris enquanto maximizava meu prazer.
Me recuperei, ofegando quando um tremor secundá rio me
sacudiu contra seu peito. Seus braços ainda estavam em meus quadris,
mas ele nã o me impediu de pegar o que eu precisava. Eu imediatamente
me afastei dele, mas ele estava olhando para mim com satisfaçã o e um
olhar faminto, como se nã o conseguisse o suficiente.
— Ajoelhe-se, querida. — ele ordenou calmamente.
Levantei-me e tentei lançar lhe um olhar desdenhoso, mas nã o
tenho a certeza se isso passou através da minha névoa de orgasmo. Eu
nã o hesitei e lentamente me abaixei entre suas pernas. Seus olhos
nunca deixaram os meus, mas seus lá bios se curvaram em um sorriso
mortal, como se ele quisesse que eu o desafiasse e achasse
incrivelmente excitante quando eu fizia isso. Suas mã os se enrolaram
em meu cabelo e depois apertaram e puxaram minha boca para seu
pau. Ele levantou meu queixo para olhar para ele e seus olhos
encontraram os meus.
— Você pensa em fazer algo perverso e eu vou arrancar cada um
desses seus lindos dentes. — ele rosnou cruelmente. — Entendeu?
Eu fiz uma careta e seus olhos se estreitaram perigosamente, mas
balancei minha cabeça o má ximo que pude com seu aperto em mim.
Nã o duvidei nem por um momento que ele faria o que disse. Ele
empurrou minha cabeça para baixo novamente e meus lá bios se
pressionaram contra seu pau. Ele estava coberto com o meu gozo e
quando o levei à boca senti o meu gosto nele. Ele me deixou me
acostumar e me empurrou lentamente até atingir o fundo da minha
garganta. Ele continuou empurrando até passar pela minha garganta e
gemeu quando descobriu que eu nã o tinha reflexo de vô mito.
— Porra. — ele respirou. Ele me manteve ali por um minuto até
que meu corpo sentiu necessidade de respirar. Eu estremeci, tentando
me afastar, mas sua mã o agarrou meu cabelo com firmeza.
Ele gemeu. — É isso, garotinha, porra, é bom quando você tenta
engolir.
Eu vi estrelas e pensei que ia desmaiar, mas ele finalmente puxou
minha cabeça para cima até a metade e eu respirei rapidamente pelo
nariz antes que ele me empurrasse para baixo novamente, forçando seu
pau até o fundo da minha garganta. Ele fez isso mais algumas vezes
antes de acelerar o ritmo, sua respiraçã o ofegante e logo ele estava
ofegante enquanto estabelecia um ritmo forte, fodendo minha boca,
empurrando minha cabeça para cima e para baixo até meus olhos
lacrimejarem e eu babar. Ele estava indo tã o fundo que bateu onde eu
tinha um reflexo de vô mito e engasguei. Ele me fez engasgar algumas
vezes, mas depois recuou e logo estava gemendo de prazer. Ele me
empurrou com força e me segurou lá enquanto gozava.
Sua porra encheu minha boca e deslizou pela minha garganta.
Deixei-o terminar e engoli tudo porque era melhor do que sufocar. Ele
soltou minha cabeça, recostando-se na cadeira para recuperar o fô lego.
Sentei-me e passei a mã o pela boca. Olhei para cima e o vi me
observando com os olhos semicerrados com o olhar de um predador
satisfeito.
— Eu nã o esperava que você engolisse. — ele disse finalmente.
Ele ergueu a mã o e eu me encolhi, mas ele apenas passou o
polegar no meu lá bio inferior. — Surpresa agradável.
Ele relaxou novamente e pareceu exausto de satisfaçã o.
— Eles estarã o aqui para pegar você em breve. Se você quiser
tomar banho, vá em frente.
Eu pisquei.
Um banho quente.
Sozinha.
Com sabonete de verdade.
Eu me levantei e o ouvi rir baixinho da minha ansiedade. Liguei o
chuveiro e o coloquei no mais quente possível antes de entrar. Eu meio
que esperava que ele entrasse e me observasse, mas ele nã o o fez e levei
um tempo me lavando para limpá -lo e depois lavei meu cabelo e me
aqueci em um banho quente de verdade. Foi incrível e comecei a chorar
baixinho. Fiquei muito grata por isso. Quando soube que nã o poderia
mais ficar ali, me enrolei em uma toalha e voltei para o quarto.
Kraven estava recostado na cama, um braço jogado atrá s da
cabeça. Seu olhar me varreu da cabeça aos pés e ele se levantou e se
aproximou. Eu congelei, mas ele parou na minha frente e passou os nó s
dos dedos pela minha bochecha. Sua mã o viajou para descansar
levemente em meu pescoço e seus olhos escureceram.
— Sou o ú nico que vai te foder esta semana. — disse ele. — Se
alguém sequer lhe mostrar o pau, quero saber. — Seus dedos se
apertaram. — Entendeu?
— Sim. — eu engasguei. O pensamento sobre Sal passou pela
minha cabeça. Nã o sei por que ele pensou que eu controlava quem me
fodia e quando. Se um dos guardas quisesse fazer alguma coisa, eles
fariam. Eles já o fizeram e farã o novamente se a interaçã o anterior com
Sal servir de indicaçã o. Também nã o sei se contaria a ele porque depois
dos cinco dias ele irá embora e eu ficarei presa com guardas que
saberiam que eu os denunciei.
Ele aliviou a pressã o e seu polegar acariciou meu queixo.
— Você nã o gosta de compartilhar? — Nã o sei por que abri a
boca.
— Só nos meus termos, querida. — ele disse com um sorriso
malicioso. — Sou um homem generoso, mas nenhum desses guardas é
bom o suficiente para você. Se eu pudesse, eles nem tocariam em você.
Antes que eu pudesse dizer que também desejava isso, houve uma
batida na porta. Kraven se virou para atender. Sal e o mesmo guarda de
antes passaram por ele e entraram no quarto, prontos para me escoltar
de volta à minha cela para passar a noite. Sal se aproximou e sem dizer
uma palavra arrancou a toalha de mim antes de agarrar meu braço e me
puxar em direçã o à porta. Eu fiz uma careta de irritaçã o, tentando
puxar meu braço para longe deles, mas seu aperto estava machucando.
Estremeci e me recusei a olhar para Kraven, embora quando eles me
puxaram para passar por ele, eu sabia que seus olhos estavam em mim.
CAPÍTULO QUATORZE

Fiquei chocada quando, na manhã seguinte, um café da manhã


com panquecas, bacon e suco de laranja foi entregue em minha cela.
Kraven cumpriu sua palavra. Eu comi tudo. Algumas horas depois, os
mesmos guardas de antes vieram e me tiraram de lá .
— Tire a roupa dela, Tank. — disse Sal. Tank tirou o vestido
branco de mim e beliscou meu mamilo. Eu sibilei para ele, tentando me
afastar.
— Nã o me toque. — eu rebati. Sal me agarrou e me empurrou
contra a parede de concreto. O frio atingiu minha pele, me fazendo
tremer. Arrepios surgiram em meu corpo, mas eu nã o tinha certeza se
era inteiramente por causa do frio.
— Ele pode fazer o que quiser. — disse Sal. Sua mã o alcançou
atrá s dele e ele pegou uma braçadeira. — Assim como eu posso.
— Sal, nã o temos tempo.
— Temos um minuto para lhe dar uma liçã o. — ele insistiu. Ele
puxou meus braços para trá s. Eu lutei, mas Tank veio e me segurou. A
braçadeira cortou meus pulsos quando Sal a puxou com força.
— Kraven nã o vai ficar feliz com isso. — eu grunhi.
Sal voltou e chutou minhas pernas, me deixando de joelhos. Ele
agarrou meu cabelo com força e puxou minha cabeça em sua direçã o.
— Ele nã o vai descobrir. — ele rosnou. Ele se abaixou e chegou
perto do meu rosto. — Vou tornar a sua vida um inferno se ele
descobrir. — Ele abriu o zíper da calça jeans e puxou seu pau para fora,
acariciando-o enquanto olhava para mim. Eu lutei, tentando me afastar,
mas a mã o dele agarrou meu cabelo com força e Tank estava bem atrá s
de mim. Sal puxou minha cabeça em sua direçã o e empurrou a cabeça
de seu pau contra meus lá bios.
— Abra. — disse ele. Quando balancei a cabeça, ele soltou meu
cabelo, mas Tank me agarrou e Sal apertou meu nariz, cortando meu ar.
Eu me debati em suas mã os, tentando me libertar, mas depois de um
momento abri minha boca para respirar e Sal enfiou seu pau dentro. Ele
me puxou para mais perto, fazendo seu pau ir mais fundo.
— Se você morder, vou quebrar seus dentes. Kraven
provavelmente gostaria mais disso. Só a gengiva... — ele nem se
incomodou em terminar a frase antes de gemer e começar a foder
minha garganta. Ele foi mais rude que Kraven e lá grimas escorriam pelo
meu rosto. Tudo o que pude fazer foi aguentar. Ele segurou seu pau no
fundo da minha garganta e eu lutei, tentando protestar enquanto minha
respiraçã o acabava. Sal nã o se importou e viu meus olhos tremularem
enquanto a escuridã o tomava conta da minha visã o.
— Merda, cara — disse Tank. — Nã o a faça desmaiar. Ela tem que
ir para Kraven depois disso.
Sal praguejou e gozou na minha garganta, depois me empurrou.
Caí de volta sobre minhas mã os amarradas. A dor explodiu em meus
ombros e eu engasguei por ar, engasgando com sua porra e vomitando
no chã o de concreto.
— Meu Deus, cara. — disse Tank. — Ela está uma bagunça.
Tank me colocou de joelhos e ouvi o estalido de uma faca e a
braçadeira caiu. Eu passei meus braços em volta de mim, o peito
arfando enquanto eu lutava para recuperar o fô lego.
— Tanto faz, ela pode se atrasar alguns minutos. — disse Sal
enquanto fechava o zíper novamente. Ele se aproximou e com meu
vestido branco enxugou meu rosto com força, em seguida, jogou-o de
volta na minha cela e me colocou de pé. Lá grimas picaram meus olhos,
mas ele se aproximou de mim e agarrou meu queixo.
— Lembre-se, se você contar a Kraven, nã o será bom para você.
Balancei a cabeça trêmula, sem saber mais o que fazer.
— Vamos. — Tank disse com um suspiro. Obviamente, isso era
algo que Tank enfrentava com Sal com frequência.
Chegamos ao quarto de Kraven e entramos. Eu nã o o vi, mas havia
um vestido na cama e Sal jogou para mim.
— Vista isso. — disse ele. Eles se viraram para sair e antes que a
porta se fechasse, vi Sal colocar um dedo nos lá bios com um sorriso de
escá rnio. Tentei conter as lá grimas enquanto entrava no banheiro. Olhei
para o vestido. Era um vestido justo verde-floresta que descia na frente
e se amontoava em volta dos meus pés. Havia uma fenda enorme em
um lado que subia até meu quadril. Era lindo e exibia todos os atributos
que eu possuía.
Suspirei em resignaçã o, sabendo que precisava escolher minhas
batalhas e enfrentá -las. Além disso, era uma peça de roupa melhor do
que ficar nua. Olhei-me no espelho e imediatamente me arrependi. Eu
parecia assombrada e o fogo que normalmente estava em meus olhos
foi reduzido a um verde opaco. Engoli em seco e me esforcei para nã o
chorar quando ouvi a porta abrir e Kraven entrar. Saí do banheiro e
seus olhos me varreram da cabeça aos pés.
— Eu sabia que você ficaria deslumbrante com isso. — disse ele.
Seus dedos correram por uma mecha do meu cabelo que estava
bagunçada em volta do meu rosto por ter sido lavada e nã o escovada. —
Eu debati se deveria fazer seu cabelo e maquiagem, mas eu meio que
gosto de você selvagem. — Seus olhos brilharam quando encontraram
os meus e eu olhei para ele com mau humor.
— O que você comeu no café da manhã ?
A pergunta me pegou tã o desprevenida que apenas olhei para ele
até franzir a testa em confusã o.
— Panquecas — eu disse.
— E?
— Bacon e suco de laranja.
— Bom. Eles ouviram. — disse ele, quase para si mesmo. Ele me
ofereceu o cotovelo e eu olhei para ele por quase um minuto inteiro.
— Você deveria aceitar. — disse ele com um suspiro. — Nã o me
faça mandar duas vezes, Kaelin. — Ele acrescentou suavemente. Havia
um tom perigoso em sua voz e eu imediatamente odiei quando ele me
chamou pelo meu nome. Eu nã o deveria ter contado a ele o meu
verdadeiro. Eu nã o me sentia eu mesma aqui e ouvir meu nome me deu
ná useas. Engoli em seco e evitei seus olhos enquanto colocava minha
mã o cuidadosamente em seu cotovelo e a apoiava em seu antebraço.
Quando nã o nos movemos, olhei para ele e vi seus olhos fixos em meu
pulso. Ele deixou cair o braço e pegou minha mã o na dele. Meu
estô mago caiu. Eu deveria saber que ele veria as marcas vermelhas em
volta deles, causada pela braçadeira. Meu lá bio tremeu e minha
respiraçã o falhou, fazendo-o olhar para mim. Eu nã o sabia o que ele
estava pensando, mas um mú sculo tremeu em sua mandíbula.
— O que aconteceu? — ele perguntou sombriamente. Lá grimas
brotaram dos meus olhos e eu balancei a cabeça. Seu polegar roçou a
pele irritada dos meus pulsos e uma lá grima escorregou pelo meu
rosto.
— Kaelin — ele disse com os dentes cerrados.
— Eu nã o posso. — eu engasguei.
— O que eu acabei de dizer a você? — Ele exigiu em voz alta, raiva
brilhando em seus olhos. Ele se virou para ir até a porta e o pâ nico
tomou conta de mim. Eu o agarrei, correndo na frente dele para
bloquear seu caminho.
— Nã o, por favor...
A expressã o em seu rosto era mortal. Ele agarrou meu queixo e
me empurrou contra a porta.
— Diga-me o que aconteceu. — ele exigiu novamente.
— Eles vã o... me machucar. — Eu mal conseguia falar perto de sua
mã o, minha respiraçã o ficando ofegante por causa da falta de ar e do
pâ nico.
— Você deveria me temer mais. — ele rosnou, aproximando seu
rosto do meu. Fechei os olhos, nã o conseguindo mais olhar para a
tempestade e mais lá grimas caíram pelo meu rosto.
— Você vai embora... — A pressã o aumentou e eu nã o consegui
terminar de falar. Minha visã o escureceu novamente e acho que
desmaiei por um minuto porque quando cheguei também estava no
chã o e Kraven havia sumido.
— Porra! — Eu gritei, batendo meus punhos contra o chã o. Eu me
levantei para me apoiar na lateral da cama e solucei em minhas mã os.
Quando Kraven voltou, eu nã o estava mais chorando, mas estava
chateada. Andei pelo quarto, da mesa até porta e vice-versa, com os
punhos cerrados ao lado do corpo. Minha cabeça doía de tanto apertar
a mandíbula e eu queria bater em alguma coisa. A porta se abriu e
Kraven entrou. Virei-me para ele com fú ria e ele parou quando me viu.
— Vai se foder. — eu sibilei. Ele se acalmou e seu olhar se aguçou,
mas nã o se moveu nem disse nada.
— Você me sufoca e depois me transforma em uma delatora... —
Minha voz estava aumentando, mas eu estava engasgando com as
palavras e tendo dificuldade para respirar.
— Eu nã o sabia que você queria tanto ser usada. — ele disse com
um rosto cuidadosamente inexpressivo. Eu vi em seu rosto o minuto em
que minha raiva assumiu o controle porque algo selvagem apareceu
nele. Eu nã o me importei. Fui até ele.
— Vai se foder! — Eu disse novamente mais alto. Eu odiei como
minha voz falhou quando minhas emoçõ es ameaçaram vir à tona
novamente. Parei na frente dele e o empurrei. Bem, eu tentei empurrá -
lo. Ele nã o se moveu nem um centímetro e eu vi algo parecido com
diversã o passar em seu rosto, o que só me deixou mais irritada.
— Eu tenho que ficar aqui quando você for embora! — Eu gritei.
Empurrei seu peito novamente. O fato de ele nã o ter se movido apenas
alimentou meu fogo. — Você só vai piorar as coisas. Mas você nã o se
importa! — Eu gritei, meu peito arfando enquanto tentava lutar contra
as lá grimas e acalmar minha raiva. Em ambos eu estava falhando. —
Claro, por que você se importaria? Nada disso importa. Eu sou uma
maldita mercadoria aqui. Uma maldita... — Eu nã o consegui nem
terminar a frase e sabia que nã o estava fazendo muito sentido além de
xingar excessivamente.
Amaldiçoei violentamente novamente porque parecia ser a ú nica
coisa que me fazia sentir melhor e fui me afastar dele. Ele me agarrou e
me puxou de volta.
— Nã o me toque. — eu rosnei, virando-me para ele enquanto ele
me puxava para ele. Seu olhar escureceu e sua mã o veio e agarrou meu
queixo.
— Isso é o suficiente. — ele disse calmamente.
— Eles... eles vã o... — Eu nã o conseguia respirar. Lá grimas caíram
dos meus olhos e meus lá bios tremeram enquanto a desesperança
tomava conta de mim.
— Eu sei. — disse Kraven.
— Eles disseram... se eu te contasse...
— Eu vi tudo.
— O que...
— Eu ouvi tudo.
— Cooper lhe mostrou a câ mera? — Eu gaguejei. Kraven assentiu
e seu aperto aumentou enquanto a raiva vibrava através dele. Sua
mandíbula se apertou brevemente. O medo me fez começar a tremer
em seus braços. — Você está ... você fez...
Ele balançou sua cabeça. — Eu nã o fiz nada... ainda. —
acrescentou. Eu cedi contra ele de alívio, mas depois fiquei tensa.
— Cooper...
— Eu disse a ele que queria ter certeza de que minha mercadoria
nã o seria tocada enquanto eu estivesse com ela e perguntei se poderia
verificar as câ meras.
— Oh. — Foi tudo o que consegui pensar em dizer. O silêncio caiu
entre nó s e ele enxugou uma das minhas lá grimas, me olhando
intensamente.
— Você é adorável quando está com raiva, querida. — disse ele.
Meus olhos se aguçaram e eu olhei para ele.
— Kraven... — eu rosnei. Ele riu e tirou uma mecha de cabelo do
meu rosto antes de me soltar. Ele me ofereceu o braço como fez antes,
como se nada tivesse acontecido. Pisquei e olhei para ele.
— Temos um lugar para estar. — disse ele.
— É isso? — Eu gaguejei.
— Você tem sorte de eu gostar do seu fogo, garotinha. — ele disse,
sua voz gotejando com um tom perigoso que me fez estremecer. —
Porque se eu nã o gostasse, tudo teria sido muito diferente. Eu cuidarei
disso e isso é tudo que você precisa saber.
Eu nã o confiava exatamente nele, mas ele era minha ú nica opçã o,
até agora, ele nã o tinha me mostrado nenhum motivo para nã o pensar
que nã o cumpriria sua palavra. Olhei para ele por mais um longo
momento, depois levantei o queixo e coloquei meu braço no dele
novamente.
Caminhamos pela Toca até chegarmos a um salã o de coquetéis.
Era uma adega escura e aconchegante, com iluminaçã o baixa e um
longo bar ao longo de uma parede. Lounges e assentos confortáveis
eram as ú nicas opçõ es e havia jazz suave tocando. Alguns dos outros
homens com suas mulheres estavam lá e Kraven foi saudado por alguns
homens do outro lado da sala.
Ao me aproximar, vi que a maioria das outras mulheres nã o
parecia bem. Pude ver muitas com hematomas no pescoço e marcas no
corpo. Tentei nã o olhar, mas nã o pude deixar de me sentir mal ao ver o
sofrimento delas.
Chegamos a uma sala onde três homens estavam sentados. Um
homem de quase quarenta anos estava reclinado em uma
espreguiçadeira, balançando casualmente uma coleira nos dedos, que
estava presa à mulher a seus pés. Ele era um homem moreno e alto,
com olhos calculistas e um semblante que exigia obediência de todos.
— Como está o seu investimento, Kraven? — Ele perguntou
enquanto seus olhos deslizavam sobre mim.
— Vale cada centavo, Greg.
— Ela certamente foi cara. — disse outro.
Ele era um homem maior, mais redondo do que alto, e estava
ficando careca, com olhos pretos e redondos. Sua mulher estava
sentada em seu colo e sua mã o estava sob a saia de seu vestido curto.
Ela parecia desconfortável e estava olhando para um ponto no chã o.
— As novas sempre sã o, Johnson. — disse Greg.
Kraven sentou-se em uma poltrona e antes que eu pudesse
descobrir o que deveria fazer, ele me puxou para seu colo. Sentei-me em
uma de suas pernas, tentando nã o me apoiar nele. Sua mã o descansou
na minha coxa nua que estava exposta entre suas pernas.
— Quais atividades vocês fizeram até agora? — Kraven
perguntou.
Seus dedos percorreram círculos lentos na parte interna da minha
coxa. Eu me contorci e tentei mover discretamente minha perna até que
o ouvi rosnar baixinho, tã o baixo que só eu conseguia ouvir e fiquei
quieta.
— Tive que usar a sala de puniçã o na minha. — disse o terceiro
homem. — Você deveria dar uma olhada nela, Kraven.
Meu sangue gelou quando olhei para ele porque tudo nele exalava
maldade. Eu o reconheci da floresta e senti um arrepio percorrer minha
espinha. Ele estava em um terno todo preto com anéis pretos nos dedos
e tatuagens em toda a pele visível, algumas se estendendo até o
pescoço. Sua boca estava torcida em uma carranca sombria e seus olhos
olhavam para todos como se estivessem abaixo dele.
A mulher a seus pés se encolheu quando ele olhou em sua direçã o
e vi suas mã os tremerem enquanto seguravam seu vestido. Havia
hematomas em volta do pescoço e vergõ es nos braços, mas o que mais
se destacava eram os cortes ao longo da clavícula, em carne viva e
vermelhos contra a pele pá lida. Eu nã o sabia muito sobre jogos com
facas, mas elas pareciam mais profundas do que algo que você faria por
prazer. Engoli e desviei o olhar.
— A semana ainda está no começo, Roger. — disse Kraven
vagamente.
— Eu fiz a floresta. — disse Greg. — Depois a sala de puniçã o
para estabelecer os limites. Ela aceitou muito bem.
Greg deu um puxã o na coleira e a mulher se encolheu e se virou
para sua perna em resposta. O homem colocou a mã o no topo da cabeça
dela como se ela fosse uma espécie de cachorro.
— A floresta é a razã o pela qual vim aqui. — disse Johnson. A
mulher em seu colo ofegou silenciosamente enquanto seus dedos
continuavam a explorar sob o vestido. Ela nã o parecia estar gostando e
sua boca formava uma linha fina com tensã o em todas as partes de seu
corpo. — Este é o primeiro dia em que ela consegue sentar-se direito.
Peguei a bunda dela primeiro. — Ele riu e eu fiquei tensa no colo de
Kraven enquanto a raiva vibrava através de mim.
Um homem vestido de garçom aproximou-se do grupo.
— Bebidas, senhores?
— Old fashioned. — disse Kraven e os outros homens atualizaram
seus pedidos de bebidas.
— A floresta é a razã o pela qual vim aqui também. — disse
Kraven. — Já fiz algo assim antes em uma ilha...
— Oh, já ouvi falar desse lugar — Roger interrompeu. — Vale a
pena? Ouvi dizer que as mulheres vã o voluntariamente para a ilha e sã o
pagas.
— Sim. É tudo baseado em consentimento... principalmente. Mas
vale a pena. Você pode fazer o que quiser com elas lá e é gratuito para
todas. Você paga uma taxa e pode ir atrá s de quem quiser.
— Isso tem seu apelo, com certeza. — disse Greg.
— Qualquer coisa? — Roger perguntou, seus olhos brilhando. —
Ainda mais do que aqui?
— Comparável — disse Kraven encolhendo os ombros.
As bebidas chegaram e ele soltou minha coxa para pegá -las. Ele
tomou um gole, para minha surpresa, me ofereceu. Olhei para ele com
cautela por um momento, mas quando ele nã o se moveu, peguei e levei
aos lá bios para um gole. Ele a pegou de volta e colocou-a na mesa
lateral. Sua mã o, agora fria por causa do vidro, voltou para minha coxa e
arrepios surgiram sob seus dedos.
— Para alguém que vem aqui pela emoçã o, você certamente nã o
parece ter aproveitado ao má ximo. — disse Roger, olhando para mim e
para meu vestido muito revelador. Minha pele estava limpa e sem
marcas. Agora era muito ó bvio que eu poderia ter acabado com alguém
muito pior.
Antes que eu pudesse me conter, me vi inclinando-me um pouco
para trá s e me afastando de seu olhar. Ele era alguém que eu evitaria se
o visse na rua. Kraven sentiu e passou o outro braço em volta da minha
cintura, descansando-o ali firmemente de uma forma casualmente
possessiva. Isso também me atraiu cada vez mais para seu colo.
— Cada um na sua, Roger. — disse Kraven suavemente. — Ela saiu
da linha algumas vezes. Existem outras maneiras de torturar pessoas
além da dor. — Eu empalideci e Roger sorriu.
— Mas entã o você nã o consegue vê-las sangrar. — disse ele, com
os olhos brilhando. Um pequeno soluço quase inaudível escapou da
mulher a seus pés. Ele a agarrou pelos cabelos e puxou sua cabeça para
trá s, fazendo com que ela caísse sobre a poltrona em que ele estava
sentado. Ele tirou um canivete do bolso. Devo ter me assustado porque
Kraven me agarrou com mais força.
— Nã o faça isso. — ele disse baixinho para que só eu pudesse
ouvir.
Roger pegou a lâ mina e lentamente traçou a ponta na bochecha da
mulher. Roger se inclinou e lambeu as lá grimas do rosto dela. Meu
estô mago revirou, eu ia passar mal.
— Elas ficam molhadas para você dessa maneira também. — disse
Roger e seus olhos se voltaram para Kraven. Os outros homens
observavam com muita atençã o. — É o medo, eu acho.
Ele virou a lâ mina para a pele dela e lentamente traçou-a pelo
pescoço, desenhando uma fina linha de sangue antes de soltá -la com
um empurrã o para frente. A mulher tremia, as mã os firmemente
fechadas no vestido enquanto soluçava baixinho.
— A dor as deixa apertadas, se é que você me entende. — disse
ele casualmente. Senti meu estô mago revirar e Kraven me entregou sua
bebida. Nã o suportava a ideia de á lcool, mas peguei o copo com as mã os
trêmulas e tomei um gole.
— Criativo. — Kraven disse sombriamente. Eu poderia dizer que
ele estava enojado e o alívio tomou conta de mim. Ele retomou seus
círculos na minha coxa e eu me acomodei novamente, um pouco mais
segura de que ele nã o iria puxar uma faca mais tarde.
— É como transar com ela enquanto ela está menstruada, mas é
melhor. — disse Roger. Os outros homens olhavam para ele com vá rios
graus de admiraçã o e nojo. Johnson gemeu e olhei para vê-lo tirar os
dedos molhados de debaixo do vestido da mulher e chupá -los.
— Eu preciso de você. — ele disse a ela.
Johnson a moveu para que pudesse desabotoar a calça e eu
observei com descrença enquanto ele puxava seu pau para fora na
frente do grupo. Ele a puxou de volta para seu peito e afastou ambas as
pernas de cada lado das dele, em seguida, colocou os quadris dela sobre
ele. Seus olhos se fecharam quando ele deslizou para dentro dela e os
olhos da mulher ficaram vidrados quando a vi ir para outro lugar. Seu
vestido subiu, mostrando a todos sua boceta empalada pelo pau do
homem. Ele sentou-se assim e pegou sua bebida, tomando um gole
como se ainda estivesse fora para uma noite casual de coquetéis.
— Obrigado pela bela vista, Johnson. — disse Greg, esfregando-se
na calça.
— Parte da diversã o, né? Conseguir transar com elas onde você
quiser. Ele mexeu os quadris para se mover dentro e fora dela algumas
vezes e depois se acomodou novamente dentro dela. — À s vezes é bom
ter seu pau enterrado, sabe?
Os dedos de Kraven subiram pela minha coxa e lentamente
traçaram círculos mais perto da minha boceta. Um deles me acertou de
raspã o e eu pulei.
— Abra para mim, querida. — ele murmurou.
Hesitei e ele cravou as unhas na minha coxa e me beliscou com
força. Eu gritei e todos olharam. Eu abri minhas pernas apenas
ligeiramente.
— As silenciosamente desafiadoras sã o quem você deve observar.
— disse Greg.
— Mas elas sã o as mais divertidas de quebrar. — disse Kraven,
seus olhos ainda perfurando os meus.
Kraven puxou a mã o para pegar sua bebida. Ele ainda nã o tinha
me tocado, entã o fui fechar as pernas, mas ele balançou a cabeça e eu
parei. Ele tomou um gole e me entregou novamente.
Greg desabotoou a calça e puxou a coleira. — Chupe — ele
comandou.
— Sim, senhor. — ela disse humildemente. Ela nã o hesitou e se
ajoelhou entre as pernas dele antes de levá -lo à boca.
Os dedos de Kraven deslizaram de volta pela minha coxa e um
deles roçou minha boceta. Nó s nos olhamos e suas sobrancelhas se
ergueram quando ele sentiu como eu estava molhada. Senti um rubor
subir pelo meu rosto. Seus dedos encontraram meu clitó ris e eu agarrei
sua mã o, uma reaçã o automá tica para tentar impedi-lo. Sem aviso, ele
me deu um tapa no rosto. Fiquei tã o chocada que escorreguei do colo
dele e caí no chã o. Os outros homens riram, com aprovaçã o nos olhos.
— É por isso que eu as treino no primeiro dia. — disse Greg, com
a voz tensa enquanto a mulher chupava seu pau ruidosamente. Kraven
agarrou meu braço e me puxou de volta para o colo.
— Nã o resista a mim aqui de novo. — ele rosnou em meu ouvido e
abriu minhas pernas novamente.
Meu rosto queimou tanto pelo tapa quanto pelo constrangimento
e eu estava vibrando de raiva. Sentei-me tensamente em seu colo
novamente, as pernas ligeiramente abertas como ele me colocou. Eu
estava tentando manter a respiraçã o regular, mas lá grimas de raiva
arderam em meus olhos e eu sabia que estava perto de chorar
novamente. Ele bebeu o resto da bebida e sua mã o deslizou de volta
pela minha coxa. Seus dedos encontraram o caminho entre minhas
pernas e esfregaram a umidade ali antes de encontrar meu clitó ris
novamente e eu me joguei em seu colo. Seu outro braço em volta da
minha cintura me puxou para mais perto dele e sua ereçã o pressionou
meu quadril. Johnson começou a empurrar seu pau para dentro e para
fora da mulher em seu colo novamente e se virou para Roger.
— Ei, Roger. — Ele empurrou mais uma vez e parou. — Qual é o
seu lance com sangue? Sempre tive curiosidade sobre essa torçã o.
— Gosto de todos os aspectos da arte. Os gritos, a dor... a maneira
como o corpo reage à dor... Se você quiser, posso te mostrar. — disse ele,
com um brilho maligno nos olhos. Johnson pareceu considerar por um
momento e depois assentiu.
— Venha cortá -la, eu quero sentir isso.
Os olhos de Roger escureceram e ele assentiu.
— Apenas observe as bolas, certo? — Johnson disse com uma
risada.
Roger riu e se ajoelhou na frente deles. Ouvi o barulho do canivete
e a mulher em seu colo começou a lutar e resistir.
— Nã o, nã o, por favor... — ela ofegou.
Ela tentou fechar as pernas, mas Johnson as travou de cada lado
das dele. Ela nã o conseguia se mover. Roger empurrou o vestido um
pouco mais para cima e colocou a lâ mina na parte inferior do abdô men
da mulher. A mã o de Kraven parou, seus dedos cavando com força na
junçã o da minha coxa.
Os minutos seguintes foram bá rbaros. A mulher gritou, chamando
a atençã o do resto da sala e Johnson respirou fundo enquanto todo o
corpo dela ficava tenso de medo e dor pelo que Roger estava fazendo
com ela.
— Sim, exatamente assim. — Roger murmurou.
Seu tom me fez querer vomitar.
— Deus, é bom quando ela se esforça assim. — gemeu Johnson. Os
seus gritos combinados com os golpes pareciam impulsionar a
excitaçã o de Johnson e quando ele gozou, havia sangue por todo o lado
e lá grimas corriam pelo meu rosto com o horror que acabei de
testemunhar.
Os gritos da mulher cortaram minha alma, me dilacerando e
quando Roger finalmente se levantou e voltou para seu assento, eu
estava tremendo no colo de Kraven, minha mã o agarrando o braço da
cadeira com força. Os dedos de Kraven estavam cravando
dolorosamente em minha perna e eu podia sentir sua raiva através de
seu toque, embora por fora ele estivesse composto e calmo. Ele estava
obviamente tã o perturbado com o que viu quanto eu.
Johnson gemeu e empurrou a mulher fraca e quase inconsciente
para o lado quando dois garçons se aproximaram e lhe entregaram uma
toalha para se limpar. Um momento depois, um guarda arrastou sua
mulher.
— Acho que encontrei uma nova perversã o, rapazes! — Johnson
exclamou, bebendo sua bebida com a mã o coberta de sangue. Os
homens riram e Roger olhou para mim com olhos escuros e sinistros.
— Gostaria de tentar? — Ele perguntou a Kraven. — Ela parece
uma gritadora.
Eu congelei e um pequeno som sufocado escapou. Eu nã o
conseguia respirar. Kraven apertou a mã o na minha coxa e eu poderia
ter chorado de alívio quando vi Kraven balançar a cabeça.
— Eu prefiro um tipo diferente de grito. — disse Kraven em um
tom pouco civilizado. Ele girou a bebida nas mã os enquanto ele e Roger
se encaravam, entã o ele a bebeu e voltou sua atençã o para mim. Seus
dedos deslizaram entre minhas pernas e encontraram meu clitó ris. Ele
fez círculos lentos ali e precisei de tudo para nã o me mover ou afastar
sua mã o. Depois do que acabei de ver, nã o queria que ninguém me
tocasse. Quando seus dedos deslizaram dentro de mim, minha raiva
explodiu... eu queria matar todos eles. A outra mã o de Kraven apertou
meu quadril em aviso quando ele sentiu minha raiva e eu olhei para ele
brevemente. O fogo em seus olhos era uma tempestade latente com
uma ameaça que eu nã o poderia ignorar.
Durante tudo isso, Greg gozou do boquete que sua mulher estava
lhe dando e ela estava mais uma vez sentada a seus pés, parecendo
abalada por ter que testemunhar o que acabou de acontecer. Eu ainda
estava com dificuldade para respirar. Meu peito se apertou de pâ nico e
eu precisava me afastar deles. Mesmo que apenas por um momento.
— Eu tenho que usar o banheiro. — eu disse baixinho.
Kraven olhou para mim e eu devo ter parecido tã o branca quanto
me sentia, porque ele assentiu e apontou a mã o em direçã o a uma porta
nos fundos. Corri para o banheiro e entrei em uma das cabines. Nã o
havia portas, mas me inclinei sobre um dos vasos sanitá rios e vomitei
até ficar com os pulmõ es secos. Deslizei para o chã o e chorei até nã o
conseguir respirar. Eu nã o conseguia parar de tremer. Nã o havia
espelhos e fiquei grata porque nã o queria ver como eu estava. Eu me
senti como um fantasma. Eu teria pesadelos com o que aconteceu com a
mulher de Johnson. Finalmente me levantei, sentindo-me ú mida e fraca.
Depois de me lavar na pia, respirei fundo e voltei para Kraven. Quando
voltei para ele, estava entorpecida de choque. Ele estendeu a mã o e me
puxou de volta para seu colo, separando minhas pernas novamente.
— Você vai sentar aí e tocar sua cadela como se estivéssemos no
ensino médio, Kraven? — Greg perguntou com um sorriso.
— Você só quer ver a boceta dela de novo. — Kraven respondeu.
— Absolutamente. Ela parece ter um gosto incrível.
— Ela tem. Quanto isso vale para você? — Eu congelo. Os olhos de
Greg brilharam e ele olhou para mim.
— 500 mil para prová -la. — disse ele.
— 600 mil e você pode ter cinco minutos. Vou até molhá -la para
você.
— Feito.
Meu estô mago embrulhou e engasguei em protesto quando
Kraven me colocou de volta em seu colo e abriu minhas pernas. Meu
vestido subiu completamente, me expondo a sala. Fiquei tensa e ele
rosnou em meu ouvido, onde minha cabeça descansava em seu ombro.
— Sem problemas ou eu vou puni-la mais tarde. — ele respirou.
Parei de lutar. Suas mã os deslizaram por ambas as minhas pernas,
mostrando minha boceta para a sala. Fechei os olhos, nã o querendo ver
as reaçõ es dos homens. Senti os dedos de Kraven deslizarem dentro de
mim e depois arrastar minha umidade para o meu clitó ris.
— Meu Deus, ela já está bem molhada. — ouvi Greg dizer.
— Apenas espere. — Kraven respirou.
Eu podia sentir seu pau duro contra minhas costas. Seus dedos
brincaram com meu clitó ris até que eu nã o pude evitar o suspiro que
escapou e minhas pernas tremeram. Tentei fechá -las, mas uma de suas
mã os deslizou e agarrou meu pescoço. Ele apertou.
— O que foi que eu disse? — Ele sussurrou.
Ele me tocou lentamente até que eu estava tã o molhada que pude
sentir-me pingando em seu colo. Eu estava tremendo sob suas mã os,
minha respiraçã o irregular. Ele parou e eu gemi baixinho em protesto.
Ele riu.
— Você nã o pode gozar agora. Nã o na frente de todas essas
pessoas. Eles nã o pagaram por isso. — Ele disse contra meu ouvido,
falando apenas comigo.
— Tudo bem, Greg. — ele disse depois de um momento. — Cinco
minutos. Nenhum corte ou dano à minha propriedade.
Vi Greg aparecer e ele se ajoelhou entre minhas pernas. Suas
mã os deslizaram pelas minhas coxas e eu fiquei tensa. As mã os de
Kraven seguraram minhas coxas separadas em cada lado das dele,
espalhando-me e prendendo-me no lugar. Greg gemeu e senti sua
respiraçã o em mim.
— Você é um bastardo rico e sortudo. — disse ele a Kraven.
Entã o sua língua estava em mim e eu respirei fundo. Ele era muito
menos habilidoso que Kraven. Mas ele também estava fazendo isso por
ele mesmo, nã o por mim. Seus dedos deslizaram dentro de mim,
explorando rudemente e eu estremeci. A respiraçã o de Kraven em meu
pescoço me fez estremecer e eu sabia que ele estava observando Greg
com atençã o. Os dedos de Greg empurraram profundamente e um
pequeno som de angú stia deixou meus lá bios quando eu me joguei nos
braços de Kraven. Eu olhei com raiva para ele. Greg gostou disso, mas
quando ele ergueu os olhos, eu o vi olhar para Kraven e ele deve ter
visto algo ameaçador ali porque a brutalidade parou. Finalmente ele se
recostou, com uma expressã o atordoada no rosto e depois voltou a
sentar-se, lambendo os dedos.
— Posso ver por que você gastou tanto dinheiro. — disse Greg.
Caí nos braços de Kraven, aliviada por ter acabado, embora eu nã o
gostasse do jeito que Roger estava olhando para mim. Ele parecia com
fome e eu sabia que nã o era pela minha boceta. Ele estava com fome de
sangue. Quando tentei fechar minhas pernas, Kraven me deixou deslizá -
las sobre as dele e nos sentamos juntos na cadeira.
— Cavalheiros! — Cooper apareceu no bar. — Esta noite a floresta
estará aberta para um raro evento noturno se alguém quiser participar.
A Sala Vermelha também estará aberta para aqueles que quiserem
brincar em grupo, talvez compartilhar um pouco de sua recompensa? E
o jantar será servido na sala de jantar em dez minutos.
Ele desapareceu e os homens começaram a se dispersar para
onde quer que fosse realizado o jantar. Lentamente, os guardas
recolheram as mulheres e as escoltaram para fora do bar. Kraven se
levantou e eu deslizei de seu colo.
— Vejo você em breve. — disse ele e piscou para mim antes de
sair com os homens. Eu nã o sabia o que isso significava, mas nã o tive
tempo de perguntar antes de ver Sal vindo em minha direçã o.
— Aí está minha coelhinha. — disse Sal, agarrando meu braço. Eu
me afastei dele, olhando para onde Kraven desapareceu, mas os
homens tinham ido embora.
— Ele nã o está aqui para salvar você. — Sal provocou. Tank
apareceu e juntos eles me acompanharam para fora do bar. Eu sabia
que ele estava certo. Ninguém iria me salvar aqui. Eu estava sozinha e
nã o tinha ideia de como escapar.
CAPÍTULO QUINZE

Eu estava voltando para a floresta. Kraven obviamente queria me


perseguir novamente. Sal me tirou o vestido e eu fiquei tremendo no
escuro. Entã o Tank se aproximou e apertou um botã o na minha colera
que me iluminou como uma á rvore de Natal – a coleira brilhava com
uma luz dourada. Seria impossível esconder com isso gritando minha
localizaçã o no escuro.
— Isso nã o parece justo. — eu resmunguei.
— Nada disso deveria ser justo — Tank riu.
Sal abriu a porta e com um tapa na minha bunda me empurrou
para dentro da floresta.
— Corra rá pido, coelhinha. — ele provocou antes que a porta
batesse. Fiquei feliz por eles nã o terem me tocado dessa vez. Olhei em
volta e saí por entre as á rvores em busca de um lugar para me esconder.
Cooper tinha sido estratégico em relaçã o a esta floresta. Nã o havia
muitos lugares para me esconder com sucesso e depois de alguns
minutos eu estava realmente congelando. Deve ter passado cerca de
uma hora antes que eu visse ou ouvisse alguém, quando o fiz, congelei,
olhando em volta com atençã o. Ouvi fungados nas proximidades e
olhando em volta vi um brilho suave através de alguns arbustos. Eu me
aproximei e me agachei. Era a mulher de Johnson.
— Você está bem?
— Como... você pode perguntar isso? — Ela sibilou.
Sua voz era pouco coerente.
Ela estava tremendo mais do que eu.
— Sinto muito. — sussurrei, sentindo lá grimas nos olhos. — Eu
gostaria que houvesse algo que eu pudesse fazer.
— Nã o há nada que você possa fazer. Nã o há nada que qualquer
uma de nó s possa fazer.
— Há quanto tempo você está aqui?
— Três meses. — disse ela.
— É sempre assim?
— À s vezes você consegue um bom. Como você conseguiu, mas é
raro.
Meu estô mago caiu.
— É melhor você ir embora. Ele virá ...
Ouvi um farfalhar nos arbustos e nã o fiquei por perto para
descobrir quem era. A mulher estava certa, nã o havia nada que
qualquer uma de nó s pudesse fazer.
Depois de alguns minutos, diminuí a velocidade para recuperar o
fô lego, mas alguém me agarrou e me puxou para trá s. A princípio
pensei que fosse Kraven, mas entã o uma mã o serpenteou para cobrir
minha boca e senti a mordida fria do aço em meu pescoço.
— Fiquei triste quando Kraven disse que eu nã o poderia brincar
com você. — Roger disse suavemente em meu ouvido.
O terror tomou conta de mim e eu lutei, mas ele apenas
pressionou a lâ mina mais fundo em meu pescoço e senti a ardência
quando ela me cortou.
— Você tem uma pele linda. — ele disse em meu ouvido.
Eu podia sentir seu pau pressionado contra mim através de sua
calça enquanto ele deslizava a lâ mina pelo meu pescoço e a ponta da
faca brincava com meu mamilo. Tentei ficar quieta, mas meu peito
estava arfando enquanto tentava estabilizar minha respiraçã o. Ele
deslizou a parte plana da faca sobre a curva do meu peito e entã o, com
um giro repentino, a faca cravou profundamente na minha pele. Gritei
contra sua mã o, a dor percorrendo meu corpo enquanto o sangue
escorria pelo meu abdô men. Ele inalou e gemeu, quase como se
estivesse respirando meu sofrimento.
A faca deslizou pela minha barriga e a parte plana provocou
minha boceta. Chorei contra sua mã o e comecei a tremer quando algo
empurrou contra mim e percebi que ele estava deslizando o cabo da
lâ mina dentro de mim. Ele nã o foi gentil.
Ele puxou-o e levou-o aos lá bios.
— Deus, você tem um gosto bom. — ele respirou.
Ele chutou minhas pernas e eu caí de joelhos. Ele se inclinou e
enfiou os dedos no corte que fez no meu peito. Estremeci de dor e gritei
contra sua mã o novamente, tentando me livrar de seu alcance. Ele levou
os dedos ensanguentados aos lá bios e lambeu o sangue com um
gemido. Eu estava tremendo, o pâ nico fez minha respiraçã o ficar curta.
Lutei contra sua mã o que cobria minha boca, mas ele evitou meus
movimentos.
— Eu gostaria de dar um lance em você. Há tantas coisas que eu
adoraria fazer. — Eu o puxei com raiva em protesto, respirando
pesadamente contra sua mã o.
Ele apenas riu da minha luta e arrastou a ponta da faca levemente
pelo meu pescoço, provocando até chegar ao topo do meu ombro e
entã o a cravou na minha pele novamente. Ouvi meus gritos morrerem
em sua mã o e tentei me afastar, tremendo de dor e incapaz de respirar
fundo. Minha respiraçã o ofegante e choramingos eram os ú nicos sons
enquanto eu o sentia ficar atrá s de mim como se tivesse ouvido alguma
coisa.
— Vamos brincar de novo mais tarde, amor. — ele disse e me
beijou no pescoço antes de suas mã os me deixarem e ele desaparecer.
Caí contra uma á rvore, tremendo e chorando.
Ouvi alguém chegando e fiquei tensa de medo, mas um momento
depois vi Kraven aparecer por entre as á rvores. Quando ele me viu e o
estado em que eu estava, a raiva em seu rosto era tã o assustadora que
me encostei ao tronco enquanto ele avançava em minha direçã o. Ele se
ajoelhou na minha frente e agarrou meu rosto, me puxando em sua
direçã o com força.
— Quem tocou em você? — Ele demandou. — Foi Roger?
— S... sim. — eu engasguei.
Ele mostrou os dentes antes de me soltar e desaparecer entre as
á rvores.
Pouco depois, dois guardas que eu nã o tinha visto antes
apareceram e me colocaram de pé. Fiquei feliz por nã o serem Sal e
Tank. Eu nã o acho que eu poderia ter lidado com eles. Os guardas me
levaram para fora da floresta e direto para a suíte de Kraven. Quando
fecharam a porta eu estava sozinha e comecei a chorar tanto que
escorreguei no chã o. Eu estava imunda e ensanguentada e nã o
conseguia respirar fundo sem sentir que meu peito iria explodir. Eu
registrei vagamente que estava tendo um ataque de pâ nico, mas nã o
conseguia me lembrar de como consertar isso.
Alguns minutos depois, eu finalmente estava conseguindo
controlar minha respiraçã o quando a porta se abriu e me deixou em
pâ nico novamente. Kraven entrou furioso no quarto e eu recuei quando
ele veio em minha direçã o. Ele parecia o pró prio diabo, com o cabelo
descontroladamente fora do lugar e sangue respingado na frente da
camisa e no rosto. Seus olhos pareciam desequilibrados e caó ticos.
Ele continuou avançando e minhas costas bateram com força
contra a parede enquanto eu corria para fora do espaço. Levantei-me
rapidamente, tremendo. Ele parou na minha frente e eu choraminguei e
me afastei dele quando ele levantou a mã o, mas ele apenas agarrou meu
queixo e virou meu rosto para ele. Seus olhos observaram os cortes que
Roger fez em meu peito e ombro e sua raiva saiu dele. Ele estava
respirando pesadamente e eu podia ouvi-lo tentando recuperar o
controle de si mesmo.
— Ele nã o vai tocar em você de novo. — ele disse com uma voz
assassina e um mú sculo em sua mandíbula apertou quando ele
encontrou meu olhar de pâ nico e olhos arregalados. Eu me senti como
um animal ferido encurralado por um assassino um pouco menos
desequilibrado.
— Como... como você sabe? — Eu gaguejei, minha respiraçã o
prendendo.
— Eu ensinei a ele uma liçã o sobre o que acontece quando as
pessoas tocam minha propriedade. — ele rosnou.
Meus olhos desceram para o sangue em sua camisa e voltaram
para ele. Ele soltou meu queixo e virou-se abruptamente para entrar no
banheiro, tirando a camisa enquanto caminhava. — E se ele for
estú pido o suficiente para tocar em você de novo, eu vou matá -lo. —
disse ele por cima do ombro.
Eu caí contra a parede, à força de sua raiva me deixando fraca em
sua ausência. Ouvi o chuveiro ser ligado e entã o ele voltou, sem camisa
enquanto caminhava em minha direçã o. Eu me pressionei contra a
parede novamente, mas ele agarrou meu braço e me puxou em direçã o
ao chuveiro. Ele gentilmente me empurrou gentilmente para dentro
antes de tirar o resto das roupas e entrar atrá s de mim.
Fiquei de lado, tremendo, com os braços em volta de mim,
enquanto ele ficava embaixo do chuveiro e lavava o sangue do rosto. A
açã o pareceu estabilizá -lo e quando ele se virou para mim, seus olhos
haviam perdido um pouco da fú ria, mas nada da intensidade. Ele me
puxou para baixo da á gua e eu sibilei quando o jato atingiu os cortes,
ardendo enquanto o sangue era lavado. Ele pegou uma toalha e
enxugou-os suavemente. Eu me encolhi e xinguei enquanto tentava
afastar sua mã o, olhando para ele. A dor fez minha raiva aumentar
acentuadamente.
— Isso dó i. — eu grunhi.
— Vai doer ainda mais se infeccionar. — disse ele, irritado.
Agarrei a toalha. — Me dê isto.
— Tudo bem, faça você mesma. — ele retrucou.
Fiz uma careta e passei suavemente no corte em meu peito.
Minhas mã os tremiam, mas consegui limpar o sangue do meu corpo e
tentei me virar para ver a que estava no meu ombro. Nã o ser capaz de
ver isso estava me deixando irracionalmente furiosa e eu soltei uma
maldiçã o antes de fechar os olhos e respirar fundo para me impedir de
explodir. Eu podia sentir Kraven me observando e isso só me deixou
ainda mais irritada. Uma lá grima de raiva escorreu pelo meu rosto e
fiquei feliz por estar debaixo d'á gua, entã o ele nã o percebeu. Arrisquei
uma olhada para Kraven e ele estava carrancudo para mim. Sem dizer
uma palavra, ele estendeu a mã o para pegar a toalha e eu, mal-
humorada, coloquei-a de volta em sua mã o, virando meu ombro para
ele.
— Mulher teimosa. — Kraven murmurou.
Ele gentilmente limpou o corte enquanto eu olhava para a parede.
Quando ele terminou, peguei o shampoo, mas ele arrancou da minha
mã o.
— Tente fazer isso com seu ombro. Veja até onde você vai. — disse
ele, irritado.
Abri a boca para protestar, mas ele virou as costas e começou a
lavar meu cabelo. Minhas emoçõ es estavam por todo lado. Elas
alternavam entre raiva intensa, dor e pensamento sobre o quã o bizarra
era minha situaçã o agora. Kraven, o homem que me comprou, estava
lavando meu cabelo. De má vontade, senti-me relaxar enquanto seus
dedos massageavam minha cabeça, embora eu soubesse que essa
gentileza teria um preço mais tarde. Eu sabia que ele nã o estava
fazendo isso pela bondade de seu coraçã o.
Com certeza, depois que todo o shampoo saiu do meu cabelo, suas
mã os agarraram meu cabelo com mais força e me guiaram com firmeza
até a parede de azulejos. Ele abriu minhas pernas com o joelho e seu
pau se pressionou contra mim. Sem dizer uma palavra, ele empurrou
meu rosto contra o azulejo frio e deslizou para dentro de mim.
Ele me fodeu lentamente por alguns golpes e depois empurrou
dentro de mim no mesmo momento em que levantou a outra mã o e
pressionou dois dedos no corte em meu peito. Fiquei tensa de dor, que
era exatamente o que ele queria, porque todo o meu corpo se apertou
ao redor dele. Um suspiro deixou meus lá bios e minha raiva borbulhou
novamente.
Como ele ousa ficar indignado com o que Roger fez e depois
capitalizar isso agora?
Ele nã o gemeu exatamente, mas ouvi sua respiraçã o falhar e tentei
me afastar de sua mã o. Ele pressionou meu rosto firmemente contra o
azulejo e enfiou seu pau em mim com mais força, me empurrando
contra a parede. Lutei novamente, minhas mã os chegando perto do
meu rosto contra o azulejo. Ele rosnou diante dos meus protestos e seus
dentes pousaram no corte em meu ombro. Amaldiçoei-o violentamente
e puxei seus braços, mas ele começou a me foder com mais força contra
a parede. Seus lá bios se arrastaram até minha orelha.
— O que eu disse sobre resistir? — Ele ofegou, seus dentes
pegando minha orelha.
Eu gritava embaixo dele. — Idiota — eu rosnei.
Ele pressionou os dedos contra o corte no meu peito novamente,
mas forcei cada célula do meu ser a ficar quieta. Nã o fiquei tensa, nã o
lutei, nã o dei nada a ele.
Ele fez isso de novo e mais uma vez me forcei a nã o reagir. A dor
estava gritando comigo, mas minha raiva era mais forte e eu cerrei os
punhos e rosnei para ele enquanto lá grimas de raiva caíam dos meus
olhos. Ele me fodeu por alguns golpes e entã o sua mã o deixou meu
peito e desceu sobre meu ombro. Eu gritei, mas apenas cerrei os dentes
com mais força quando a dor cresceu dentro de mim e através de pura
força de vontade e fú ria a fez sangrar, com a ú nica reaçã o sendo
amaldiçoá -lo novamente.
— Foda-se. Você. — Eu engasguei.
Ele ficou imó vel dentro de mim, seu corpo pressionado contra o
meu e entã o, para minha surpresa, ele riu. Ele gentilmente afastou meu
cabelo do pescoço e deu um beijo perto do corte em meu ombro.
— Mulher teimosa — ele disse novamente contra a minha pele e
eu o senti sorrir. Eu estava tã o confusa que quase parecia que ele
esperava que eu resistisse à dor. Ele estendeu a mã o e pegou meus
punhos e os colocou mais alto no azulejo acima da minha cabeça. —
Nã o mova as mã os.
Ele agarrou meus quadris e deslizou dentro de mim novamente,
me fodendo até estremecer e ficar sem fô lego quando gozou. Ele saiu de
mim e eu me virei para ele, levantando a mã o para dar um tapa nele. Eu
estava com tanta raiva que só queria bater em alguma coisa... alguém.
Ele pegou meu pulso antes que eu pudesse acertar qualquer coisa e
seus olhos se estreitaram.
— Achei que você disse que eu poderia socar você o quanto
quisesse. — rosnei para ele, respirando fundo para tentar me acalmar.
Algo pró ximo de diversã o apareceu em seus olhos, mas desapareceu e
seus lá bios se curvaram em um sorriso letal.
— Se você quer que as coisas fiquem violentas, querida, tudo que
você precisa fazer é pedir.
Tentei arrancar meu pulso dele, mas ele o apertou ainda mais e se
aproximou de mim, me empurrando contra a parede novamente e
pressionando meu pulso acima da minha cabeça. Sua outra mã o foi
entre minhas pernas, esfregando suavemente círculos no meu clitó ris.
Minha respiraçã o ficou presa quando o prazer elétrico me percorreu e
nã o pude evitar o gemido que escapou dos meus lá bios.
— Você está molhada. — ele disse e eu sabia que ele nã o se referia
ao banho ou a sua porra. Olhei para ele e fui levantar a outra mã o, mas
ele me olhou com um olhar que fez o medo tomar conta de mim. Eu
precisava lembrar que estava brincando com fogo, mas minha raiva me
deixou imprudente.
— Se você me bater, nã o vou deixar você gozar. — disse ele. Ele
mergulhou dois dedos dentro de mim, enrolando-os no â ngulo certo.
Minha cabeça caiu para trá s e meus lá bios se separaram.
— A escolha é sua. — disse ele, com o rosto a centímetros do meu.
Eu podia ouvir a ameaça e a tensã o em seu corpo significando
problemas para mim se eu seguisse sua oferta de bater nele. Eu deveria
saber que vinha com estipulaçõ es. Nada nunca vinha de graça com ele.
Minha raiva tentou vir à tona novamente, mas o que quer que ele
estivesse fazendo com os dedos estava rapidamente me fazendo
repensar as coisas, até mesmo esse pensamento me frustrou. Eu
deveria estar lutando com tudo o que tenho para fugir, mas em vez
disso fui empurrada contra uma parede, sendo estuprada e
aproveitando isso. A vergonha me inundou apenas para que os dedos
de Kraven encontrassem um ponto que fez todos os pensamentos
saírem da minha cabeça.
— Coloque a outra mã o para cima. — ele ordenou. Meus olhos
brilharam para os dele, debatendo se deveria desafiá -lo, exceto que eu
estava uma bagunça ofegante agora e ele sabia disso. Eu podia senti-lo
me provocando até o limite e de repente fiquei preocupada que ele nã o
me deixasse gozar. Eu lentamente deslizei minha mã o até a outra e a
mã o dele a capturou. A dor do ferimento no ombro cortou meu prazer
por um momento e um soluço suave escapou dos meus lá bios.
— Boa menina. — ele murmurou, sorrindo para mim. Ele ajustou
os dedos e eu engasguei e me contorci contra ele, meus olhos fechados.
— Devo deixar você gozar?
Um gemido escapou dos meus lá bios e eu abri os olhos. O
orgasmo estava correndo para me encontrar e seus dedos começaram a
desacelerar, me puxando para trá s.
— Por favor... — Eu me odiei por implorar, mas mesmo quando
senti meu rosto esquentar, o calor entre minhas pernas superou toda a
razã o.
— Nã o sei se você merece, Kaelin. — ele brincou sombriamente,
seus lá bios ainda a centímetros dos meus. Ele podia sentir cada suspiro
e ouvir cada som que eu fazia. Meu ombro latejava e tentei puxá -lo para
baixo para aliviar um pouco a dor, mas seu aperto era como ferro.
Ele riu. — Seu ombro está doendo, querida? É isso que está
deixando você tã o molhada para mim?
Tentei balançar a cabeça, mas ele acelerou o ritmo dos dedos
novamente e eu ofeguei contra seus lá bios.
— Por favor, por favor, Kraven. — eu quase estava chorando neste
momento. — Oh, Deus. — eu gemi. Meu corpo estava cheio de energia e
eu estava lentamente perdendo a consciência enquanto ele me levava
mais perto.
— É isso, garotinha. Você gosta quando eu faço você gozar? Ou
você ainda quer me bater? — Meus olhos se abriram apenas para serem
presos no lugar pela intensidade em seus olhos cinza-aço enquanto ele
pressionava seu corpo contra o meu, sua respiraçã o ficando mais rá pida
enquanto ele se concentrava intensamente em empurrar meu corpo
para onde ele queria. Ele queria me fazer quebrar e eu estava pronta
para deixá -lo fazer isso. Eu nã o queria mais dar um tapa nele. Ele nã o
parou desta vez e o êxtase bateu em mim com tanta força que joguei
minha cabeça para trá s contra a parede, gritando enquanto
desmoronava. Assim como ele queria. Seus lá bios se separaram quando
ele sentiu minha boceta pulsar ao seu redor e ele sorriu triunfante.
— Uma garota tã o boa. — ele respirou quando eu comecei a me
recuperar. — Gozando em meus dedos. — Meu peito estava pesado
enquanto eu ofegava, tremendo contra ele. Ele trouxe seus dedos
cobertos com meu gozo até meus lá bios e sem que ele pedisse, fechei
minha boca em torno deles e chupei. Seus olhos estavam quase pretos
enquanto ele me observava, sua energia poderosa e perigosa. Ele puxou
os dedos e soltou meus pulsos. Deslizei para o chã o do chuveiro,
incapaz de ficar de pé.
Kraven desligou a á gua e saiu do chuveiro. Ele voltou com uma
toalha.
— Levante-se. — ele disse bruscamente. Lutei para ficar de pé, a
adrenalina de antes desapareceu e eu me senti vazia e dolorida. Saí do
chuveiro e ele me envolveu na toalha. Eu ainda estava atordoada e
recuei quando ele tocou o corte no meu peito.
— É apenas um curativo. — disse ele. Ele o pressionou
suavemente sobre a ferida, depois passou ao meu redor e fez o mesmo
com meu ombro, entã o suas mã os pousaram em meus braços e ele me
olhou no espelho.
Encontrei seu olhar e quis irracionalmente tirar o olhar
presunçoso que vi de seu rosto.
— Você nã o é melhor que o Roger. — murmurei.
Seu aperto aumentou e seus olhos escureceram perigosamente,
mas tudo o que ele fez foi sorrir mais.
— Nã o, querida, sou pior. — disse ele. Ele deixou cair os lá bios na
minha orelha, me mordendo suavemente. — Eu nã o quero sua dor. Eu
quero o seu fogo. Nã o quero alguém fraca, quero saber que, quando eu
quebrar você, você é digna disso.
Minha raiva se transformou em confusã o.
Tudo isso era um grande jogo perigoso para ele e eu estava
exausta tentando lutar contra isso.
Eu pulei quando houve uma batida repentina na porta e ele vestiu
a calça para ir atender. Saí para ver Sal e Tank prontos para me levar de
volta para minha cela. Eu congelei, incapaz de dar mais um passo em
direçã o a eles. Sal se aproximou e puxou minha toalha enquanto Tank
agarrou meu braço.
— Parem. — Kraven exigiu suavemente.
Nã o havia espaço para discussã o em seu tom e os guardas
obedeceram instantaneamente e se afastaram. Olhei para ele e ele
estava observando meu rosto. Ele se virou e foi até o armá rio, onde
tirou uma camisa de botã o e veio até mim. Ele colocou-a sobre meus
ombros e abotoou alguns botõ es. Seu olhar era abrasador quando ele
olhou para mim. Entã o ele se virou para os guardas.
— Ela continua com isso.
O rosto de Sal estava cuidadosamente inexpressivo quando ele
assentiu e tentou agarrar meu braço novamente, mas parou quando viu
o olhar mordaz no rosto de Kraven.
— E ela anda sozinha. — ele se virou para mim e eu vi o aviso em
seus olhos. — Ela nã o vai te dar nenhum problema.
Olhei para ele, com um leve movimento do queixo, passei por ele e
pelos guardas e saí para o corredor. Eu estava preocupada que Sal me
tocasse novamente, mas ele parecia chateado com alguma coisa e
nenhum dos dois falou até chegarem à minha cela.
— Vandal reivindicou você. — Sal disse mal-humorado. Olhei para
ele confusa. — Isso significa que nenhum outro guarda pode tocar em
você.
— Por quê?
— Você nã o quer contrariar Vandal. — disse Tank, como se isso
explicasse tudo. Nã o explicou. Eu nã o tinha ideia de quem era Vandal,
mas se os outros guardas nã o queriam contrariá -lo, eu nã o tinha
certeza de que ser reivindicada por ele era uma coisa boa. Sal e Tank
saíram e eu coloquei o cobertor em volta dos ombros. Kraven disse que
cuidaria do meu problema, ele estava por trá s disso? Nesse caso, ele fez
isso para que nenhum outro guarda pudesse me tocar. Mas quem era
Vandal? Enquanto o sono me arrastava, me perguntei se Vandal seria
melhor ou pior que Sal e se Kraven resolveria meu problema ou apenas
o pioraria.
CAPÍTULO DEZESSEIS

Na manhã seguinte, Sal e Tank vieram me buscar cedo e me


levaram para o quarto de Kraven. Eles nã o me disseram uma palavra e
simplesmente me empurraram para dentro do quarto e saíram. Entrei
no quarto e ouvi o chuveiro ser desligado, entã o Kraven saiu com uma
toalha em volta dos quadris. Ele olhou para mim, notando que eu ainda
estava vestindo sua camisa e nã o parecia ter nenhum ferimento ou uso
indevido enquanto estava fora de suas mã os.
Ele se aproximou e eu recuei até minhas pernas baterem na cama.
Ele parou perto o suficiente para eu sentir a toalha pressionando meus
quadris. Seus olhos nunca deixaram os meus enquanto ele desabotoava
a camisa e a tirava dos meus ombros, evitando cuidadosamente o corte,
embora eu me encolhesse esperando que ele os tocasse.
Ele se virou e tirou a toalha e sentou-se em uma das poltronas da
sala, acariciando seu pau. Ele estava quase duro e ficou olhando para
mim como um deus das trevas observando casualmente sua pró xima
conquista.
— Venha aqui. — disse ele. Hesitei e seus olhos escureceram. —
Achei que tivéssemos aprendido o que acontece quando você
desobedece?
Eu fiz uma careta e caminhei até ele. Ele me virou e me puxou
para seu colo, como no dia anterior no bar.
— Incline-se para trá s. — ele murmurou. Ele abriu minhas pernas
com as dele e passou as mã os pelas minhas coxas. Eu me arrepiei
quando o ar tocou entre minhas pernas e seus dedos entraram em mim.
Ele os deslizou para dentro e para fora lentamente. Eu estava tensa e
ainda com um pouco de raiva de ontem, mas lentamente seus dedos
começaram a despertar meu tesã o.
Ele continuou seu ataque lento e deliberado, sentindo todos os
meus suspiros e pequenos movimentos sempre que atingia um ponto
sensível. Logo ele descobriu exatamente onde eu estava mais fraca e
minha cabeça caiu para trá s, um tremor percorrendo meu corpo. Ele
murmurou sua aprovaçã o em meu ouvido e sua outra mã o esfregou
pequenos círculos lentos ao redor do meu clitó ris.
— Eu amo como você fica molhada para mim, querida. — ele
disse, mordendo minha orelha. Logo eu estava ofegante, gemendo e nã o
tinha ideia do que estava saindo da minha boca. Entã o ele parou. Eu
choraminguei e tentei juntar minhas pernas para obter fricçã o, mas ele
rosnou e torceu meu mamilo. Eu pulei quando a dor cortou o prazer.
Seus quadris se moveram e seu pau foi empurrado contra mim. Eu
estava encharcada e pronta e quando ele deslizou dentro de mim ouvi
um gemido ofegante em meu ouvido que enviou fogo por minhas veias.
Minha mente continuava tropeçando em si mesma em um esforço para
entender a batalha que estava acontecendo entre minha mente e meu
corpo. Num minuto ele estava me machucando e no outro ele estava me
dando mais prazer do que nunca. Eu nã o achava que gostava da dor
com prazer e ainda nã o estava convencida, mas nã o havia como negar
que ele estava lentamente descobrindo cada uma das minhas fraquezas
e usando-as em seu benefício.
— Pare de pensar tanto. — ele resmungou.
Seus dedos encontraram meu clitó ris novamente e quando eu
gemi e apertei seu pau, ele gemeu de prazer. Ele balançou seus quadris
contra os meus e logo eu estava uma bagunça ofegante. Entã o ele parou
novamente. Eu estava tã o perto do limite que um pequeno suspiro me
escapou em frustraçã o com sua imobilidade. Eu precisava de atrito e ele
ainda dentro de mim era uma tortura.
— Oh, Deus. — eu gemi.
— Nã o se mova ou vou puni-la por isso. — disse ele, com a voz
tensa. Estremeci e tentei ficar imó vel. Minha respiraçã o estava ofegante
e todo o meu corpo estava cheio de sensaçõ es. Seus dedos brincaram
com meu mamilo e eu gemi de necessidade enquanto o prazer
percorria meu corpo. Eu podia me sentir ficando ainda mais molhada
em torno de seu pau e sabia que ele também sentia isso, porque ele
xingou baixinho e eu o senti pulsar dentro de mim.
Ficamos assim até que pensei que iria morrer se nã o sentisse
atrito imediatamente. Eu estava tremendo e pensando se o castigo
valeria a pena. Apertei minha boceta em volta dele e ele deu um tapa na
minha coxa. Eu sibilei, mas mesmo isso aumentou o prazer. Eu fiz isso
de novo e ele me deu um tapa novamente. Eu pude ver a marca de sua
mã o aparecendo na minha perna e novamente minha mente tropeçou
em si mesma. Eu vacilei e engasguei com um gemido.
Nã o. Nã o. Eu nã o poderia gostar disso. Eu nã o deveria deixá -lo
fazer isso comigo. Ele beliscou meu clitó ris e eu gritei e lutei.
— Pare, pare. — eu implorei enquanto virava meu rosto em seu
pescoço.
— Pare de pensar. — ele retrucou.
— Ok. — eu disse, minha respiraçã o prendendo a palavra.
Relaxei e seus dedos começaram a se mover em círculos lentos,
me arrastando para cima. Parei de pensar e em vez disso me concentrei
em sentir seu pau duro dentro de mim, me preenchendo. Sua outra mã o
subiu pela minha barriga e deslizou sedutoramente pela minha
garganta. Eu podia sentir meu pulso batendo contra seus dedos.
Ele ainda nã o tinha me beijado, mas agora reivindicou minha boca
com a dele. Foi um beijo de comando e ele era exigente enquanto
persuadia minha língua na dele e eu me vi incapaz de resistir a beijá -lo
de volta. Sua mã o apertou meu pescoço e seus dedos continuaram
tocando meu clitó ris até que eu gemia contra seus lá bios. Nã o pude
evitar que meus quadris tentassem se mover e ele finalmente deixou
que eu me movesse contra ele, enquanto gentilmente segurava meu
lá bio entre os dentes e acelerava seus dedos no meu clitó ris. Eu podia
sentir o limite quando ele veio até mim e eu nã o estava pronta. O
aumento era esmagador e minha mente estava uma bagunça, embora
meu corpo estivesse dizendo que eu precisava gozar.
Ele moveu os quadris e com um empurrã o final dentro de mim
meu corpo inteiro se despedaçou. Apertei meus quadris quando gozei e
minha boceta apertou seu pau enquanto seus dedos me tocavam
durante o orgasmo. Eu estava gritando enquanto o prazer me rasgava e
me pressionei contra ele enquanto tentava encontrar um lugar para
todos os pedaços de mim irem. Nã o consegui expandir rá pido o
suficiente.
Sua mã o apertou meu pescoço novamente, me segurando lá
enquanto eu ofegava e abri meus olhos para vê-lo olhando para mim
com calor nos seus. Assim que cheguei a outro pico entorpecente, senti-
o gozar comigo e seus braços me envolveram enquanto ele batia seus
quadris nos meus e gemia enquanto seu orgasmo o atingia.
Depois disso, nó s dois caímos na poltrona, minha cabeça em seu
ombro e ele deslizou para fora de mim. Eu ainda estava atordoada e
gemi baixinho com a perda dele. Sua porra estava pingando de mim e
sua mã o subiu pela minha coxa para arrastá -la preguiçosamente e
empurrá -la de volta.
Seus dedos penetraram em minha boceta já sensível e eu tentei
fechar minhas pernas contra a sensaçã o avassaladora enquanto um
arrepio me percorria. Seus dedos atingiram um ponto dentro de mim e
de repente um orgasmo me atingiu forte, rá pido e eu gritei, agarrando
os braços da poltrona enquanto tremia contra seu peito.
— Porra — eu engasguei. Eu o ouvi rir e ele levou os dedos aos
meus lá bios, forçando-os em minha boca.
— Bem, isso foi inesperado. — disse ele. — Chupe.
Chupei seus dedos e senti o gosto dele e o meu se misturando. Eu
me odiei por achar aquilo gostoso.
— Incline-se sobre a cama. — disse ele.
Deslizei de seu colo e fiz o que ele disse. Ele veio atrá s de mim e
abriu minhas pernas. Eu nã o sabia o que ele estava fazendo até que
suas mã os me separaram e seu dedo deslizou ainda mais da minha
boceta, trazendo nosso gozo para girar em volta da minha bunda.
Eu congelei. Eu nunca tinha feito isso antes. Nem mesmo com
Tyler.
Tentei me virar, mas ele deu um tapa na minha bunda e plantou a
mã o nas minhas costas para me impedir de lutar.
— Já fez isso antes? — Ele perguntou.
— Nã o. — eu disse nervosamente.
Meu corpo estava tã o tenso que eu mal conseguia respirar. Ele
pegou o lubrificante da mesa de cabeceira e pingou na minha bunda.
Ele passou os polegares pela minha boceta e depois pela minha bunda e
eu nã o pude deixar de ficar tensa toda vez que ele me tocava ali.
— Você vai ter que relaxar. — ele disse calmamente.
— Você... você vai me machucar? — Eu choraminguei, sentindo-
me à beira das lá grimas. Eu estava com medo de fazer isso com alguém,
quanto mais com alguém em quem eu nã o confiava.
— Se você fizer o que eu digo, nã o serei bruto.
Ele continuou massageando e eu tentei relaxar, mas continuei
pulando sempre que ele passava por cima de mim. Seu polegar
pressionou em mim e eu assobiei com a sensaçã o desconhecida.
— Relaxe. — ele murmurou.
Seu polegar ficou lá até a primeira articulaçã o, simplesmente se
movendo dentro de mim. Tentei relaxar, mas meu medo estava
dificultando e eu nã o tinha certeza se me sentia bem ou nã o. Depois de
um minuto, ele retirou o polegar e substituiu-o por dois dedos. Ele
abriu caminho lentamente e eu gritei com a pressã o. Ele adicionou mais
lubrificante e entã o começou a mover apenas os dois dedos, puxando-
os quase totalmente para fora antes de empurrá -los totalmente de
volta, ao mesmo tempo em que seu polegar massageava a parte externa.
Depois houve uma pressã o inacreditável.
— Nã o, nã o... — eu gritei, tentando me afastar.
— Eu vou foder sua bunda, garotinha, mas o quanto isso dó i
depende de você. — Fiquei imó vel, minhas mã os apertando os lençó is
até que os nó s dos meus dedos ficaram brancos, congelados por sua
ameaça.
Ele adicionou um terceiro dedo e empurrou-os pela minha
entrada. Ele parou por um momento e quando eu ainda nã o relaxei, ele
empurrou a mã o para frente. Eu gritei quando a dor me atravessou.
— O que foi que eu disse? — ele sibilou, movendo os dedos para
dentro e para fora lentamente enquanto me esticava. Respirei fundo
algumas vezes, lutando para me acalmar, mas nã o conseguia parar de
tremer. Ele removeu os dedos e entã o a cabeça do seu pau foi
empurrada contra mim. Lá grimas deslizaram pelo meu rosto enquanto
o terror tomava conta de mim.
— Nã o, por favor... — eu gemi. Ele empurrou, mas ainda
encontrou resistência.
— Ú ltima chance, Kaelin. — disse ele, com a mandíbula cerrada.
— Relaxe.
Respirei fundo e ele enfiou a cabeça dentro de mim. Soltei um
soluço suave de dor e desconforto. Ele continuou empurrando,
deslizando mais fundo.
— Isso dó i... oh, meu Deus. — eu estava à beira de um ataque de
pâ nico. Ele parou de se mover, adicionou mais lubrificante e entã o seus
dedos massagearam a parte externa de mim ao redor de seu pau,
ajudando-me a esticar. Entã o ele se inclinou sobre mim, pressionando a
lateral do meu rosto na cama.
— Apenas se solte, querida. — disse ele. — Deixe-me fazer isso
ser bom.
A pressã o recomeçou até que ele estava quase totalmente dentro
de mim. Eu choraminguei, exausta e derrotada. Parei de tentar ter
controle e no minuto em que o fiz, algo se soltou e ele deslizou
completamente dentro de mim. Suas bolas roçaram minha boceta e eu
estremeci com o breve toque, sentindo-me incrivelmente cheia.
— Isso mesmo, boa menina. — disse ele, com a voz tensa. Ele me
deu um minuto enquanto eu respirava fundo algumas vezes e ele tirou a
mã o do meu rosto. Ele deu um tapa na minha bunda e seu polegar
esfregou em volta do seu pau. Ele arrastou seu pau de volta para fora,
quase todo o caminho antes de empurrar lentamente de volta. A
sensaçã o fez com que eu tivesse dificuldade para respirar e entã o ele
acelerou o ritmo.
— Porra, você é tã o apertada. — ele ofegou. — Você está indo tã o
bem, amor, apenas respire. — Ele deslizou para dentro e para fora de
mim mais algumas vezes antes de sair e me dar um leve tapa na bunda.
— Fique de joelhos na cama.
Pensei em tentar fugir, mas sabia que ele faria eu me arrepender,
entã o me arrastei para a cama. Ele se ajoelhou atrá s de mim e agarrou
meus quadris enquanto empurrava lentamente dentro de mim. Ele
empurrou minha cabeça para baixo e arrastou meus quadris de volta
para ele. Eu choraminguei quando ele aumentou a pressã o. A posiçã o
me deixou mais apertada e a dor voltou quando ele puxou e deslizou de
volta para dentro de mim. Gritei e entrei em pâ nico novamente,
tentando lutar e me afastar mais na cama. Ele me deu um tapa forte na
bunda e eu o ouvi rosnar antes de agarrar meu cabelo e empurrar meu
rosto na cama. Seu aperto fez meus olhos lacrimejarem e eu
choraminguei enquanto ele me segurava e empurrava com força dentro
de mim como puniçã o. Senti algo queimar e a dor tomou conta de mim,
me fazendo gritar baixinho. Ele soltou meu rosto e colocou as mã os em
meus quadris enquanto se retirava lentamente.
Ele gemeu. — Linda — ele murmurou para si mesmo.
Parei de lutar e ele continuou a me foder, aumentando
gradualmente a velocidade e lentamente a dor foi diminuindo. Ele
desacelerou novamente e sua mã o caiu para esfregar no local entre
minha bunda e minha boceta. Inspirei profundamente enquanto o tesã o
se espalhava pela nova sensaçã o. Ele continuou e eu o ouvi rir enquanto
movia meus quadris por um motivo diferente. Seus golpes contra minha
pele sensível pareciam elétricos, fazendo minhas pernas tremerem.
— Eu gostaria de ter mais tempo com você... eu teria você me
implorando para te foder assim.
Sua mã o voltou para meu rosto, me segurando e seu ritmo
aumentou novamente. Ele estava indo com força suficiente para que as
suas bolas batessem na minha boceta, batendo contra o meu clitó ris e
eu nã o pude deixar de gemer perante o nítido contraste entre prazer e
dor. A sua mã o moveu-se para a parte de trá s do meu pescoço, ainda
prendendo-me, enquanto a outra se estendeu e deslizou para dentro da
minha boceta. Ele fez um som de aprovaçã o quando eu apertei seu dedo
e o fogo correu através de mim.
Ele colocou os dedos de volta no meu clitó ris e o prazer se
intensificou. Eu engasguei e abri mais as pernas para perseguir a
sensaçã o que ele estava tirando de mim. Era diferente de tudo que eu
havia sentido antes. Mais visceral e cru. Isso me fez sentir como se
estivesse perdendo o controle e engasguei enquanto tentava lidar com
isso.
— É isso, boa menina. — ele engasgou. — Eu quero que você goze
para mim.
Seus dedos me deixaram para dar um tapa na minha bunda e eu
enterrei meu rosto na cama, ofegando e soltando outro gemido. Seus
dedos voltaram ao meu clitó ris e entã o eu gozei. Eu gritei, meus quadris
empurrando de volta para ele, fazendo-o gemer e a dor explodiu
misturando-se com o auge do meu orgasmo. Eu nã o conseguia
recuperar o fô lego. Ele estremeceu e com algumas estocadas fortes eu o
senti gozar. Ele se retirou e se recostou, observando sua porra escorrer
de mim. Fiquei onde estava e seu dedo desceu pela minha bunda até
minha boceta quase em reverência.
— Você está tã o sexy, garotinha. — ele suspirou. — Com minha
porra escorrendo de ambos os seus buracos, uma marca de mã o na sua
bunda e um pouco de sangue... tã o linda.
Deve ter sido essa a sensaçã o de queimaçã o que senti. Eu nã o
disse nada e mantive meu rosto enterrado, chorando baixinho
enquanto a intensidade desaparecia. Deixei meus quadris caírem e ele
foi em direçã o ao banheiro, onde ouvi o chuveiro ser ligado.
Poucos minutos depois, Kraven saiu totalmente vestido. Ele se
aproximou e passou a mã o no meu cabelo. Entã o ele arrancou minhas
mã os do meu rosto e trouxe as suas para perto das minhas.
— Essa foi à primeira, mas nã o será a ú ltima vez que vou transar
com você na bunda. Obedeça-me e eu farei com que você sinta prazer.
Você pode fazer isso, querida? A menos que você queira descobrir o
quanto posso ser sá dico...
Balancei minha cabeça rapidamente na ú ltima parte. Seu polegar
enxugou uma lá grima na minha bochecha e ele beijou minha testa.
— Boa menina. Limpe-se, voltarei daqui a pouco.
Entã o ele foi embora e eu fiquei sozinha.
Chorei mais forte entã o, mas nã o por causa da dor. Ele roubou
algo de mim que eu queria compartilhar com alguém em quem eu
confiasse. Eu estava tã o confusa. Ele me fez sentir prazer com a dor... e
para ser honesta, a dor nã o foi forte o suficiente para substituir o que
ele fez para me fazer sentir prazer. Eu nã o sabia como processar isso.
Quero dizer, tudo isso era abuso... tirar orgasmos de mim era uma
tortura psicoló gica?
Forcei-me a sair da cama e estremeci com a dor surda, mas nã o foi
terrível. Entrei no banheiro e tomei banho, ficando muito tempo sob o
jato. Quando terminei, nã o sabia o que fazer, entã o me enrolei na
poltrona e de alguma forma adormeci.
Algumas horas depois, acordei com Kraven acariciando meu
cabelo. Foi tã o desorientador que me levantei e me afastei, olhando
para ele com cautela.
— Há um jantar formal que eu gostaria que você fosse comigo
esta noite. — ele disse e colocou um vestido no meu colo. Levantei-me e
coloquei-o e ele deu um passo atrá s de mim para fechar o zíper antes de
me circular em agradecimento. Era um tecido azul claro brilhante que
apertava meus seios e cintura e depois caía em ondas soltas no chã o.
Fendas altas subiam pelas laterais, mas ficavam escondidas, a menos
que a saia se movesse. Ele parou na minha frente e seu olhar me varreu
da cabeça aos pés e de volta onde ele encontrou meu olhar.
— Impressionante. — disse ele.
— Você... — Eu queria perguntar sobre Sal e o que ele tinha feito,
mas ainda estava com raiva dele por causa de mais cedo. Fechei a boca,
mas ele me olhou interrogativamente, uma sobrancelha levantada
enquanto esperava que eu continuasse.
— Sal, o guarda, ele me disse que nã o podia mais me tocar.
Os olhos de Kraven escureceram. — Bom.
— Ele me disse que alguém chamado Vandal me reivindicou.
— Vandal é o chefe de comando de Cooper. — disse Kraven. —
Mesmo depois que eu partir, você só terá que lidar com ele. — Fazia
sentido. Dessa forma, ninguém saberia que Kraven sabia e eu seria
intocável. Balancei a cabeça brevemente para ele, sem ter certeza se
isso justificava um agradecimento.
Seus lá bios se curvaram em um sorriso conhecedor e ele se
aproximou. Eu congelei quando sua mã o deslizou em meu cabelo, mas
ele apenas abaixou a cabeça para me beijar. Foi suave, persuasivo e
quando sua mã o apertou meu cabelo, eu relutantemente o beijei de
volta. Eu ainda estava irritada com ele, mas ele me beijou
profundamente e tinha gosto de uísque e hortelã . Era tã o viciante que
me deixei levar por um momento. Ele interrompeu o beijo e olhou para
mim, sua mã o roçando minha bochecha em apreciaçã o, mas entã o seus
olhos ficaram duros como aço.
— Nã o beba nada esta noite que eu nã o lhe der. — disse ele. Olhei
para ele com curiosidade.
— Por quê?
— Esta noite muitos dos homens estarã o drogando as mulheres.
— Nã o gosta desse tipo de coisa? — Eu incitei.
Seus olhos se fixaram em mim e novamente ele olhou para mim
com uma espécie de fome perigosa que enviou partes iguais de medo e
calor percorrendo meu corpo.
— Você já deveria saber que nã o gosto de minhas mulheres
impotentes. — ele ronronou. Ele me ofereceu o braço e fomos jantar.
O evento começou com um coquetel onde todos estavam em trajes
formais, bebendo coquetéis e socializando. Teria parecido normal,
exceto que muitas das mulheres estavam de joelhos perto dos homens
ou de pé com os olhos baixos ao lado do corpo. Nã o havia vozes
femininas ou risadas ecoando pela sala. Achei que era uma perda e fiz
uma careta.
Eu segui Kraven enquanto ele socializava e bebia. Ele me ignorou
a maior parte do tempo, mas eu sabia que ele ainda observava cada
movimento meu. Ocasionalmente, eu sentia sua mã o deslizar pela
minha cintura ou ele passava os dedos pela saia do meu vestido ao
passar, mas tive a sensaçã o de que ele estava aqui para conversar com
os homens. As conversas que ouvi estavam repletas de negó cios
obscuros, comércio clandestino de armas e muito trá fico de drogas.
Kraven nã o parecia estar participando necessariamente para fazer
negó cios, parecia mais que ele estava aprendendo e obtendo
informaçõ es do que tentando fazer negó cios ele mesmo.
O champanhe corria forte e Kraven ocasionalmente me entregava
sua taça para tomar um gole. Fiquei bastante animada depois da
primeira hora e quando nos afastamos de um dos grupos, estávamos
conversando também, nã o pude deixar de zombar baixinho da conversa
que acabei de ouvir. Kraven estava atravessando a sala, mas olhou para
mim distraidamente com o canto do olho.
— Toda a operaçã o daquele homem é baseada em tecnologia
ultrapassada. — murmurei. O á lcool me deixou ousada e balancei a
cabeça. — Se os federais nã o o pegarem, algum hacker o fará ... ele é tã o
estú pido que provavelmente será com algum esquema de falsificaçã o.
— murmurei quase como uma reflexã o tardia. Kraven parou tã o
abruptamente que esbarrei em seu ombro. Ele olhou para mim com os
olhos agora atentos aos meus.
— Minha coelha está escutando? — Ele disse.
Eu ouvi diversã o em seu tom, mas seus olhos eram calculistas. Eu
apenas olhei para ele e apertei minha boca em uma linha fina quando
percebi que provavelmente nã o deveria ter dito nada. Quando ele viu
que nã o conseguiria mais nada de mim com facilidade, ele continuou
andando e logo nos acomodamos em outro grupo.
Mais tarde, quando ficamos sozinhos, Kraven me entregou sua
champanhe.
— O que você acha? — Ele perguntou. Sua mã o estava no bolso e
ele examinava casualmente a sala.
— Sobre o quê? — Perguntei.
Tomei um gole e tentei devolvê-la, mas ele balançou a cabeça,
indicando que eu deveria terminar o pouco que restava na taça.

— A PMC1.
— É dolorosamente ó bvio que a quantidade de inteligência nas
pessoas que gostam de violência sexual é baixa — resmunguei em
resposta antes de tomar outro gole. Ele bufou uma risada. — Por quê?
Você está pensando em fazer negó cios com ele?
— Você está questionando minha inteligência, querida? — Ele
ainda nã o olhou para mim, mas sua outra mã o brincou com o tecido do
meu vestido onde roçou sua perna.
— Você parece muito interessado nos negó cios de todos. — eu
disse, encolhendo os ombros.
— Vale a pena estar informado sobre os jogadores do jogo. —
disse Kraven. Ah, entã o era isso que ele estava fazendo.
Reconhecimento. Acho que fazia sentido ir a um lugar obscuro para
interagir com pessoas suspeitas. — Mas aquele homem é um idiota. —
continuou Kraven.
— E um mentiroso... uma combinaçã o perigosa. — pensei. — Mas
você nã o parece se importar com o perigo e sua moral é questionável,
entã o talvez seja uma combinaçã o perfeita.
Sempre que eu tentava provocá -lo ou insultá -lo, ele parecia
entretido com isso. Era um aspecto muito estranho nele, porque a
maioria dos homens aqui teria se irritado com um insulto à sua
inteligência e ao seu ego sensível, mas Kraven nã o.
— Por que você diz que ele é um mentiroso? — Kraven perguntou
levemente.
Congelei com a taça a meio caminho dos lá bios e percebi que
acabei de me colocar em um canto. Nos ú ltimos dias, debati se contar a
Kraven quem eu era me machucaria ou me ajudaria. Era meu ú nico
pedaço de valor e poder que me restava neste lugar e eu nã o queria
desperdiçá -lo se nã o fosse me dar o que eu queria, que era liberdade e
segurança. Parei, terminando a champanhe e depois dei de ombros
enquanto colocava a taça em uma mesa de coquetel pró xima. Os dedos
de Kraven percorreram minha espinha e ele descansou a mã o na minha
nuca. A ameaça era ó bvia. Virei-me para ele e tentei manter meu rosto
inexpressivo enquanto seu polegar traçava minha pele ao longo do meu
pescoço e eu tremia.
— Eu fiz uma pergunta a você. — ele disse calmamente.
Minha mente correu atrá s de algo para dizer a ele. Eu nã o poderia
dizer a ele que o motivo pelo qual o homem era mentiroso era porque
ele alegava ter uma conexã o com os desenvolvedores de tecnologia da
mesma empresa em que eu trabalhava. A empresa onde nã o só
trabalhava, mas onde era Diretora Técnica. A tecnologia e o armamento
de que ele falou nem eram algo que produzíamos; na verdade, era uma
tecnologia tã o desatualizada, pelo menos para mim, que quase ri
quando ele mencionou isso.
— Meu pai era militar, sei um pouco sobre esse tipo de coisa. —
eu disse finalmente.
Era a verdade, ou pelo menos até onde eu estava disposta a ir.
Kraven nã o pareceu satisfeito com a resposta, mas antes que pudesse
me perguntar qualquer outra coisa, Cooper veio e anunciou o jantar.
O jantar foi um acontecimento estranho. Era em um lindo jardim
gramado sob luzes cintilantes com uma fonte correndo ao fundo.
Todos se sentaram em uma longa mesa de açougueiro e as
mulheres sentaram-se ao lado dos homens. Serviram-nos a mesma
comida que os homens, embora eu tenha visto Kraven olhando para
mim com ceticismo e me perguntei se ele achava que poderia estar
drogada também. O garçom serviu vinho em minha taça e houve uma
distinçã o discreta entre a garrafa que serviram para as mulheres e a
que serviram para os homens.
Kraven chamou minha atençã o e empurrei a taça levemente em
sua direçã o, enojada. Eu fingi que estava mexendo na minha comida
porque eu concordava com Kraven, me perguntei se ela também estava
drogada, ele de vez em quando colocava um pouco de sua comida no
meu prato. Ele também me deixou tomar goles de seu vinho e a certa
altura pegou minha taça, sem ninguém perceber, jogou o conteú do
embaixo da mesa.
À medida que o jantar avançava, os homens foram ficando mais
ousados com as mulheres. Muitos deles as colocaram no colo e era
ó bvio que estavam transando com elas. Avistei Roger do outro lado da
mesa e empalideci quando vi seus olhos em mim. Seu rosto estava uma
bagunça machucada e um olho estava ligeiramente inchado e fechado.
Kraven me viu olhando e me entregou seu vinho.
— Admirando meu trabalho?
— Impressionante. — eu disse secamente antes de tomar um gole
e desviar os olhos. Nã o gostei de como Roger estava olhando para mim.
Kraven nã o tinha me tocado intimamente durante toda a noite,
mas agora ele arrastou uma das minhas pernas sobre o banco em que
estávamos sentados, entã o eu montei nele de frente para ele. Suas mã os
percorreram minhas coxas e encontraram as aberturas do tecido até
que seus dedos tocaram minha pele nua. Seus polegares subiram pela
minha boceta e eu inalei profundamente enquanto eles roçavam meu
clitó ris, meus olhos tremeram com a sensaçã o. Fiquei tensa de medo do
que ele faria, mas nã o consegui fechar as pernas por causa do banco.
Ele tirou uma mã o para tomar um gole de vinho enquanto dois
dedos deslizavam dentro de mim e me acariciavam lentamente. O á lcool
me acalmou e sempre que eu tentava controlar minha raiva, ela
escapava ilusoriamente, entã o simplesmente parei de tentar. Seus
dedos empurraram para dentro de mim e ficaram lá enquanto seu
polegar fazia círculos ao redor do meu clitó ris e eu reprimi um gemido.
Minha cabeça caiu para seu ombro enquanto ele me deixava ofegante e
logo eu estava tremendo e balançando meus quadris contra seus dedos
tentando conseguir o que precisava, mas ele nã o me deixou gozar.
Seus dedos saíram de mim e um gemido suave escapou. Levantei a
cabeça e vi que a maioria dos homens e mulheres havia saído da mesa.
Felizmente, Roger também nã o estava em lugar nenhum. Kraven
desabotoou a calça e puxou seu pau para fora, em seguida, sentou no
banco de frente para mim e sua mã o envolveu meu pescoço. Ele me
empurrou firmemente até que eu estava deitada no banco, entã o ele se
inclinou sobre mim e empurrou meu vestido para o lado. Ele me
penetrou de uma só vez e eu gemi e apertei em torno dele enquanto ele
entrava e saía de mim algumas vezes. Ele puxou e seu pau pressionou
contra minha bunda.
— Nã o. — eu sibilei.
Tentei me afastar, mas ele enfiou os dedos em minhas coxas e
olhou para mim com um aviso. Eu ainda estava dolorida de antes e a
ideia de ele me penetrar ali fez o medo apagar minha excitaçã o. Ele
empurrou minhas coxas para cima e separou-as e eu o observei cuspir e
deixar cair entre minhas pernas. Ele arrastou-o até minha bunda e seus
dedos empurraram lentamente dentro de mim.
Ele observou meu rosto com uma intensidade ardente, vendo cada
pequeno movimento que eu fazia, me analisando. Seus dedos nã o
causavam dor, mas eu senti ansiedade com o que estava por vir e tentei
me contorcer para trá s no banco e fechar uma das coxas. Sua outra mã o
deslizou até meu clitó ris e ele me beliscou com força. Olhei para ele,
sufocando um suspiro de dor.
Sua mã o subiu sobre minha boca e seus dedos se retiraram
enquanto ele pressionava seu pau contra mim e empurrava com força.
Chorei em sua mã o e tentei arquear as costas enquanto a pressã o
aumentava e eu tremia de dor. Ele parou apenas com a cabeça dentro de
mim, sua mã o descendo para massagear suavemente ao seu redor para
ajudar a me relaxar. Eu estava respirando com dificuldade contra sua
mã o enquanto ele lentamente empurrava mais para dentro de mim. Ele
nã o foi rude e me deixou levá -lo lentamente até o fim. Eu choraminguei
e gemi em sua mã o e algumas lá grimas vazaram dos meus olhos
enquanto queimavam. Eu ainda estava dolorida de antes. Seu corpo
pressionou o meu e ele ficou imó vel dentro de mim, com os olhos
semicerrados de prazer com quã o apertada eu estava.
— Relaxe, garotinha. — ele murmurou enquanto olhava nos meus
olhos e tensionava seu pau dentro de mim. Eu olhei para ele enquanto
ele me esticava. Ele nunca tirou os olhos dos meus enquanto puxava os
quadris para trá s e puxava seu pau quase todo para fora antes de
empurrar de volta e lentamente encontrar um ritmo que gostasse. Ele
manteve a mã o sobre minha boca enquanto a outra foi para minha
boceta e seus dedos deslizaram levemente dentro de mim e se
esfregaram nas minhas paredes. A dor inicial desapareceu e eu o vi
sorrir quando a tensã o desapareceu do meu rosto. Sua respiraçã o ficou
presa enquanto ele continuava a empurrar na minha boceta.
— Deus, eu mataria para ver você pegar dois paus. — ele respirou.
Ele viu meus olhos se voltarem para a mesa e riu como se
soubesse o que eu estava insinuando. Sua mã o deslizou da minha boca
até minha garganta e ele aproximou seu rosto.
— Nenhum desses homens é digno de você. — ele rosnou.
— E você é? — Eu engasguei agora que poderia falar novamente e
olhei para ele sentindo meu corpo ganhar vida com algo quente e
raivoso. Ele moveu os dedos para esfregar meu ponto G e o prazer
queimou dentro de mim tã o pesado e potente que gemi e engasguei de
surpresa. Ele sorriu para mim, seu rosto a centímetros do meu
enquanto observava atentamente cada sensaçã o em meu rosto e
ajustava seus dedos de acordo.
— Você é minha, querida. — ele disse, respirando meus suspiros
como se eles lhe dessem vida. — Ninguém aqui pode quebrar você
como eu.
Ele moveu seus lá bios contra os meus, sem beijar, antes de
gentilmente morder meu lá bio. Inclinei meu rosto de prazer e ele
pressionou seus lá bios contra os meus em um beijo feroz cheio de
posse e domínio. Seu polegar encontrou meu clitó ris e eu me arqueei
contra ele enquanto as sensaçõ es batiam em mim e eu nã o conseguia
pensar mais. Ele se moveu na minha bunda novamente, estabelecendo
um ritmo constante. Eu nã o sabia mais o que estava dizendo ou
fazendo. A intensidade estava me consumindo enquanto eu lutava para
chegar ao limite, ou para que parasse, eu nã o sabia o que queria porque,
de repente, o prazer estava se sobrepondo a tudo.
Sua mã o voltou para minha boca porque acho que comecei a
gritar e xingar enquanto tentava domar a tempestade que assola dentro
de mim. Tive um vislumbre de seu rosto pairando sobre o meu e ele
roubou meu fô lego. Ele parecia um deus das trevas, emoldurado pelas
luzes, seus olhos absorvendo cada um dos meus movimentos enquanto
meu corpo lhe dizia o que eu precisava.
Quando finalmente desmoronei, o mundo se despedaçou ao meu
redor tã o completamente que pensei que nunca mais ficaria inteira
novamente. Ele apertou dentro de mim e quando gozou com um
gemido, ele me enviou para outro tã o poderoso por um momento que
deixei de saber quem eu era.
Quando voltei de onde diabos ele me mandou, eu ainda estava
deitada no banco, com o peito arfando, olhando para as luzes
cintilantes. Eu nã o sabia que um orgasmo poderia ser assim e me senti
muito cru e vulnerável com a intensidade que acabei de experimentar.
Havia algo divino e universal no espaço em que estive e por um
momento senti Kraven ali comigo. Foi desorientador e eu nã o sabia
como me sentia a respeito.
Uma lá grima escorregou pelo meu rosto ao pensar em como seria
se eu experimentasse algo assim com alguém em quem eu confiasse e
por quem me importasse. Seria incrivelmente poderoso. Kraven fechou
o zíper e sentou-se no banco encostado na mesa. Seu cabelo estava
desordenado e ele se parecia tanto com o que imaginei que o diabo se
parecesse que sorri com a visã o. Ele olhou para mim e seus olhos
brilharam divertidos com meu estado desfeito.
— O quê?
Sentei-me e gemi de dor, mas todo o meu corpo estava satisfeito e
saciado.
— Você se parece com Lú cifer. — eu disse com uma risadinha.
Bati a mã o na boca, chocada. Entre o á lcool e os orgasmos, eu
definitivamente me sentia bêbada agora. Ele riu baixinho e sua mã o
levantou e afastou meu cabelo do rosto.
— Talvez eu seja um anjo caído. — disse ele, seus olhos piscando
para algo por cima do meu ombro e quando me virei vi os guardas
começando a escoltar as mulheres para passar a noite.
Sua mã o agarrou minha nuca e puxou meu rosto para ele. Ele me
beijou e eu me peguei retribuindo o beijo de boa vontade. Eu poderia
dizer que ele sentiu a diferença porque sua mã o apertou minha nuca
brevemente antes de ele se afastar e se levantar. Algo sombrio passou
por seu rosto, mas antes que eu pudesse pensar mais nisso, senti os
guardas nas minhas costas e eles me escoltaram para longe.
Eu ainda estava tã o atordoada por causa do jantar que nã o
percebi que nã o voltaríamos para minha cela antes que fosse tarde
demais. Também percebi que nã o eram Sal e Tank me guiando, o que
por si só nã o era incomum, mas a direçã o que íamos nã o era normal.
Em vez de ir para minha cela, fui puxada para uma sala mal iluminada e
brilhando com luzes azuis. Parecia uma versã o menor do bar de
coquetéis, mas com vá rias restriçõ es e brinquedos. Eu hesitei na
entrada.
— O que está acontecendo? — Perguntei.
Mas eles nã o responderam e me arrastaram até um poste no meio
da sala. Havia um laço com algemas perto do topo e eles seguraram
meus pulsos acima da minha cabeça e me prenderam com elas. Entã o
eles foram embora.
E eu esperei. Pelo quê ou quem, eu nã o tinha certeza.
Isso nã o parecia algo que Kraven faria, especialmente depois de
nossa experiência no jantar. Comecei a ter um mau pressentimento e
quando a porta finalmente se abriu, comecei a entrar em pâ nico.
— Nã o, nã o, nã o... — Eu chorei e tentei puxar minhas mã os para
baixo, mesmo sabendo que nã o adiantava.
Roger sorriu e a porta se fechou atrá s dele com um clique sinistro.
Ele entrou mais na sala e franziu a testa diante da minha reaçã o.
— Você deveria estar mais drogada do que isso. — disse ele, mas
depois encolheu os ombros. — Acho que assim posso aproveitar
plenamente seus gritos agora. Quarto com isolamento acú stico e tudo.
Eu estava tendo dificuldade para respirar enquanto minha mente
corria. Kraven pensava que eu estava de volta à minha cela. Ele nã o iria
perguntar por mim até de manhã e até lá quem sabe o que Roger terá
feito comigo. Nã o só isso, mas eu pude ver a maldade em seus olhos, ele
queria vingança pelo que Kraven fez com ele.
— Vamos ver quã o bonitos sã o seus gritos. — ele disse
caminhando em minha direçã o.
CAPÍTULO DEZESSETE

Fiquei pendurada nas algemas enquanto entrava e saía da


consciência. Tudo doía, embora Roger nã o tivesse me cortado em
nenhum lugar novo, ele cortou os que fez na floresta, o que foi sem
dú vida mais insuportável.
Ele nã o me estuprou tanto quanto eu pensava, mas a manipulaçã o
psicoló gica foi pior. Roger nã o se importava com meu prazer, apenas
com minha dor, e ele infligia isso tanto física quanto mentalmente. Ele
me provocava com a faca até eu ficar quase histérica pensando que ele
iria me matar ou coisa pior. Entã o ele ria e eu via o quã o excitado sua
manipulaçã o o estava deixando. As horas se passaram e eu nã o tinha
noçã o de que horas eram. Eu esperava fervorosamente que fosse quase
de manhã e que Kraven me encontrasse logo.
— Você nã o é tã o divertida quanto eu esperava. — disse Roger.
Ele estava dentro de mim e seus dedos cravaram no corte em meu
peito enquanto um fogo doloroso assolava meu corpo. O corte sangrava
abundantemente de novo e eu tremia, tentando nã o ficar tensa.
Ele queria isso, ele precisava disso. Eu nã o ia dar isso a ele.
Mas ele foi mais rude do que Kraven com meus ferimentos e logo
eu estava soluçando, meus punhos cerrados em um esforço para
impedir que meu corpo reagisse, mas minha força e vontade estavam se
desgastando lentamente e ele sabia disso.
— Foda-se. — eu rosnei.
Ele me deu um tapa no rosto, uma, duas vezes e enquanto eu
ficava ali, atordoada, ouvi o som mais lindo do mundo.
A porta se abriu e vi Kraven e vá rios guardas entrando na sala.
Kraven foi até Roger e arrancou-o de cima de mim, jogando-o no chã o
antes mesmo de Roger perceber o que estava acontecendo.
— Eu avisei o que aconteceria se você tocasse em minha
propriedade novamente. — disse Kraven.
Sua voz era mortalmente calma, quase coloquial. Eu o observei
arregaçar as mangas. Roger se levantou enquanto Kraven se
aproximava e pegava uma faca da mesa, ela estava coberta com meu
sangue e eu vi seus olhos ficarem mortalmente sombrios.
— Kraven! — Roger disse. — Eu estava apenas me divertindo um
pouco...
— Você se lembra do que eu disse? — Kraven perguntou, virando-
se para ele e avançando. Roger empalideceu e ergueu as mã os,
recuando nervosamente.
— Nã o é preciso isso...
— Eu disse que mataria você.
Kraven rapidamente diminuiu a distâ ncia entre eles. Roger se
levantou e tentou dar um soco em Kraven, mas pareceu cô mico quando
Kraven se esquivou facilmente. Ele deu um soco em Roger, fazendo-o
cair em uma cadeira.
— Sejamos razoáveis. — disse Roger. Ficando de pé novamente,
ele tentou usar a mobília como barreira, mas Kraven arrancou a cadeira
do caminho. Ele encurralou Roger e vi o rosto de Roger se contorcer em
desespero. Ele se lançou contra Kraven, mas nã o foi pá reo para a graça
letal de Kraven e com o mínimo esforço Kraven se esquivou dele.
— Nã o! Nã o... — Roger gritou. Kraven agarrou Roger e o forçou a
se ajoelhar, cravando a lâ mina em seu pescoço. Ele agarrou o queixo de
Roger e virou o rosto para olhar para mim.
— Você desrespeitou minha propriedade novamente. — Kraven
sibilou em seu ouvido. — E eu nã o faço ameaças inú teis.
Ele deslizou a faca pela garganta de Roger com um movimento
brusco e implacável.
Fiz um som sufocado quando Kraven empurrou o corpo para
frente com nojo e observei o sangue escorrer pelo chã o.
Kraven olhou para mim e estremeci com a brutalidade em seu
rosto... ele nã o era um heró i. Ele se aproximou e abriu as algemas. Nã o
consegui me levantar e caí em seus braços. Ele me levantou sem esforço
e minha cabeça pousou em seu ombro.
Eu o ouvi dizer algo com raiva para os guardas enquanto eu
desmaiava e voltava e entã o estávamos nos movendo. As luzes eram
fortes no corredor e eu me enterrei no pescoço de Kraven, tentando
acalmar minha respiraçã o. Nã o abri os olhos até que ele me colocou no
chuveiro de sua suíte e abriu a á gua. Ele tirou a roupa e depois entrou e
se ajoelhou na minha frente. Seu olhar me abalou quando vi sua
preocupaçã o misturada com as nuvens de tempestade em seus olhos.
— Como você me achou? — Eu perguntei lentamente.
Minha cabeça caiu para trá s contra o azulejo e meus olhos se
fecharam novamente. Eu estava tã o cansada. Suas mã os percorreram
suavemente meu corpo enquanto ele lavava o pesadelo. Estremeci e
gemi quando a á gua atingiu as feridas reabertas da faca, mas ele as
evitou cuidadosamente.
— Eu fiz Cooper olhar suas imagens de segurança quando os
guardas nã o trouxeram você para mim esta manhã .
— Eu deveria saber que ele iria tentar alguma coisa. — abri os
olhos e olhei para ele com indiferença. — Ele ficou olhando para mim
durante todo o jantar. Você vai ter problemas por matá -lo?
— Cooper teve sorte de ter sido tudo o que fiz. — Kraven irritou-
se.
Balancei a cabeça e olhei para a á gua enquanto ela escorria para o
ralo. A cor do meu sangue me cativou e eu assisti, me sentindo
atordoada. — A ideia dele de quebrar é diferente da sua. — murmurei.
As emoçõ es do dia me inundaram e comecei a tremer.
— Eu sei. — ele disse calmamente.
A mã o de Kraven passou pela minha bochecha e eu nã o consegui
conter as lá grimas enquanto enterrava o rosto nas mã os e tremia
silenciosamente. Tentei me encolher contra a parede de azulejos, mas
ele me puxou para seu colo e passou os braços em volta de mim com
força enquanto eu chorava. Depois de alguns momentos, recuperei o
controle da minha respiraçã o e descansei meu rosto em seu peito,
completamente exausta enquanto observava a á gua escorrer por sua
pele.
— Eu estava com medo de que isso acontecesse. — eu disse tã o
baixinho que nã o tinha certeza se disse isso por ele ou por mim.
— O que... quebrar?
Eu balancei a cabeça enquanto meu dedo percorria uma gota de
á gua que escorria pelo seu peito e arrepios surgiam onde eu o tocava.
Seus braços se apertaram em volta de mim e seus dedos traçaram para
cima e para baixo ao longo do meu braço.
— Você nã o fez isso, querida. — Kraven disse, seus lá bios contra
meu cabelo. — Mas ele fez.
CAPÍTULO DEZOITO

Depois do banho, Kraven enfaixou os cortes novamente e me fez


comer um pouco, mas no meio de uma panqueca, adormeci na mesa,
com a cabeça apoiada no braço.
Quando acordei, estava debaixo das cobertas da cama de Kraven.
Eu me sentia muito menos exausta e embora meu corpo doesse, nã o me
sentia tã o mal quanto antes. Virei-me e vi Kraven sentado ao meu lado
na cama, em cima das cobertas, lendo um livro. Apertei os olhos para
ele, tentando ler a capa. Era estranho ver aquelas mã os segurando algo
tã o mundano quanto um livro depois de vê-las cortar a garganta de
alguém. Ele viu que eu estava acordada e seus lá bios se curvaram em
um sorriso divertido diante da minha expressã o franzida. Ele virou a
capa para mim e minhas sobrancelhas se ergueram. Era um livro sobre
biotecnologia, mas o que me surpreendeu foi que eu tinha acabado de
ler esse livro há alguns meses.
— Nã o fique tã o surpresa. — disse ele.
— Eu só nã o sabia que você sabia ler. — eu disse secamente,
sentando-me contra os travesseiros. Seu olhar escureceu, mas a
diversã o ainda estava lá . Ele colocou o livro de lado e se virou para mim.
— Oh? Você está insultando minha inteligência de novo, querida?
— Ele perguntou. Seus olhos brilharam de brincadeira enquanto sua
mã o foi para baixo das cobertas e encontrou minha coxa. Eu me afastei
dele, tirando sua mã o, mas ele continuou vindo em minha direçã o.
— Achei que livros ilustrados fossem mais sua praia... — eu disse,
um pouco sem fô lego com a intensidade que sempre via naqueles duros
olhos cinzentos. Eu estava na beirada da cama agora e sua mã o
encontrou meu tornozelo e deslizou lentamente pela minha perna. —
...nã o livros sobre biotecnologia.
Eu gritei a ú ltima palavra quando ele me puxou para ele e se
acomodou em cima de mim, seus quadris me prendendo na cama. Ele
prendeu meus pulsos acima da minha cabeça e olhou para mim. Vi
surpresa misturada com desejo entã o ele abaixou a cabeça para beijar
meu pescoço.
— Como você sabia que era um livro sobre biotecnologia? — Ele
arrastou os dentes contra minha orelha.
Merda. A capa nã o tinha nada a ver com biotecnologia. Pressionei
meus quadris contra os dele e envolvi minhas pernas em volta dele. Ele
se afastou para olhar para mim e eu tentei deixar meu rosto o mais
inocente e brando possível. Se eu pudesse ter dado de ombros, eu o
teria feito.
— Vi em uma livraria. — menti casualmente.
Seus olhos me atravessaram e ele sorriu.
— Você está mentindo.
Meu olhar escureceu em um desafio e um leve sorriso surgiu em
meus lá bios. Levantei minha cabeça um centímetro para que meus
lá bios quase nã o tocassem os dele.
— Por que você se importa? — Eu respirei. Encostei meus lá bios
levemente nos dele, nã o exatamente para um beijo, mas
compartilhando ar. Eu nã o tinha uma resposta melhor e nã o queria
contar a verdade a ele. Minha verdade era minha armadura aqui e eu
nã o iria desistir disso para alguém em quem nã o confiasse. Entã o fiz a
ú nica coisa em que consegui pensar. Eu o distraí.
Peguei seu lá bio em minha boca e chupei suavemente. Um gemido
escapou dele e entã o seus lá bios se moveram contra os meus em um
beijo tã o sensual e tumultuado quanto uma tempestade de inverno. Eu
sabia que tinha conseguido quando o beijo se aprofundou e depois de
um momento nos separamos para respirar. Ele soltou minhas mã os e
desapareceu debaixo das cobertas entre minhas pernas. Suas mã os
separaram minhas coxas e entã o sua língua mergulhou dentro de mim e
deslizou até meu clitó ris. Eu estava dolorida e nã o estava com
disposiçã o para isso, mas o beijo dele me puxou para as sombras e eu
estava impotente para resistir. Eu sabia que ele me machucaria se eu
fizesse isso e estava cansada de ser o saco de pancadas de todo mundo.
Dois de seus dedos entraram em mim e eu o deixei trabalhar minha
excitaçã o à superfície. Eu estava cansada de me machucar. Eu só queria
me sentir bem.
Eu consegui o que queria. Uma hora depois, os lençó is estavam
enrolados em meus tornozelos e eu estava tentando recuperar o fô lego
depois que ele me fez gozar vá rias vezes. Ele deitou em cima de mim,
satisfeito e saciado enquanto seu coraçã o batia ferozmente contra mim.
— Você vai dormir aqui esta noite. — ele disse, sua voz abafada
contra meu peito. — Vou embora amanhã .
Meu coraçã o deu um pulo ao perceber que ele estava indo embora
e fiquei surpresa ao descobrir que me sentia infeliz com isso. Eu nã o
tinha certeza se era por causa dele especificamente ou se era porque eu
temia ser leiloada para alguém pior depois que ele fosse embora.
Kraven saiu de cima de mim, vestiu a calça jeans e abotoou a
camisa. Quando me levantei para ir ao banheiro, ele estendeu a mã o e
me puxou para ele enquanto eu passava. Foi tã o divertido e inesperado
que um pequeno sorriso apareceu em meu rosto antes que eu pudesse
impedi-lo. Tropecei em seu peito e ele olhou para mim com aquele
sorriso confiante.
— Tenho algo que preciso resolver. — ele passou a mã o pela
minha nuca levemente enquanto seus olhos estudavam os meus. — Vou
mandar entregar comida.
— Um cheeseburger? — Eu respirei. Sua risada retumbou através
dele e seu toque ainda me fez tremer, mesmo depois de tudo que
acabamos de fazer.
— Se é isso que você quer. — ele disse, parecendo divertido. Ele
puxou meu rosto para o dele e me beijou. Ele demorou, mas nã o
aprofundou o beijo e entã o se afastou.
— Estarei de volta em algumas horas. — disse ele, entã o se foi.
Tomei um banho de chuveiro e quando saí vi que havia comida na
mesa. Quando olhei era outro cheeseburger com batatas fritas e quando
puxei a bebida para mim, engasguei, encantada ao descobrir que era
um milk-shake de morango. Eu zombei por um momento de como
estava animada com a comida, mas entã o decidi que iria ganhar todas
as vitó rias que pudesse aqui.
Graham passou pela minha mente e meu bom humor despencou.
Tentei nã o pensar nele caído no chã o da floresta depois de apenas
tentar me salvar. Tentei afastá -lo da minha mente. Nã o adiantava nada
ficar triste por algo que eu nã o podia mudar.
Comi e depois vaguei pelo quarto. Olhei no closet de Kraven
novamente porque era a ú nica coisa interessante na suíte. Ele fez as
malas intencionalmente e nã o foi excessivamente indulgente. Ele trouxe
apenas o necessá rio: dois jeans, uma calça, algumas camisas diferentes
e seu terno.
Tudo foi feito excepcionalmente, roupas de alta qualidade,
obviamente feitas sob medida para ele, mas no geral nã o
proporcionavam nenhum entretenimento para mim. Encontrei sua
colô nia durante minha aná lise e descobri que era uma marca obscura
da qual nunca tinha ouvido falar... que sempre achei muito mais quente
do que algo genérico que você sentiria em um shopping. No geral, seus
itens pessoais pareciam misteriosos e nada disso me dizia nada que eu
já nã o soubesse sobre ele.
Ele era rico - podre de rico - pragmá tico, confiante em seu estilo e
ordeiro, com bom gosto para moda. Perguntei-me brevemente se havia
alguma coisa no cofre. Eu duvidava que um homem como Kraven
trouxesse algo valioso para uma incursã o como essa, entã o nã o me
preocupei em tentar decifrá -lo, embora tenha considerado isso para
fins de entretenimento... algo para desafiar minha mente. Senti falta do
trabalho e de todos os seus problemas complicados de resolver.
Quando nã o havia mais nada para bisbilhotar na suíte, voltei para
a cama e peguei o livro que Kraven estava lendo e me perdi nas pá ginas.
Nã o percebi que adormeci até sentir o livro sair da minha barriga,
onde caiu quando aparentemente cochilei no meio do capítulo.
Kraven estava de volta. Ele puxou o livro com um olhar divertido.
— Esse livro também me faz dormir. — disse ele secamente.
— É porque nã o contém nenhum assassinato? — Eu perguntei,
meu tom igualmente seco.
— Ou sexo. — disse ele balançando a cabeça.
Ele colocou o livro de lado e eu o observei tirar os sapatos e
guardá -los, entã o ele desabotoou a camisa e pendurou. Ele voltou com
um olhar presunçoso no rosto quando viu meu olhar varrê-lo da cabeça
aos pés, apreciando a visã o dele apenas de jeans. Quando cheguei perto
de seu rosto e vi sua reaçã o, fiz uma careta, nã o querendo admitir que
achava que ele era lindo.
Ele deu um leve tapa em minha coxa para que eu me movesse na
cama e depois me puxou para o seu colo. Eu montei nele, minhas mã os
espalmadas em seu peito nu. Notei algumas cicatrizes nas quais nã o
tinha prestado atençã o antes, cruzando em â ngulos estranhos,
descendo pelo peitoral até o torso. Suas mã os deslizaram pelas minhas
costas para pousar na minha bunda e ele me agarrou com firmeza
enquanto observava meu rosto absorvê-lo.
Meu dedo traçou uma das cicatrizes e ele agarrou minha mã o
rapidamente. Observei seu rosto escurecer, a diversã o acabou. Percebi
que era algo muito íntimo de se fazer reconhecer as cicatrizes de
alguém. Afinal, eram uma lembrança visível de acontecimentos
dolorosos e muitas vezes traumá ticos. Normalmente, essas coisas
ficavam escondidas na mente, onde nã o eram vistas, a menos que
fossem comentadas.
Ele nã o disse nada, mas em vez disso colocou minha mã o entre
minhas pernas e me guiou para acariciar meu clitó ris em círculos
lentos. Seus olhos baixaram para observar e eu me abri com dois dedos.
Gostei de ver a fome aparecer em seus olhos quando eu deslizei um
dedo dentro de mim e o tirei molhado para continuar os círculos em
meu clitó ris. Ele arrastou as mã os pelas minhas laterais e seus
polegares passaram sobre meus mamilos que endureceram
rapidamente sob seu toque. Ele se moveu para frente e sua boca se
fechou em torno de um e ele chupou e roçou com os dentes até que eu
gemi e me inclinei para ele.
Continuei a acariciar meu clitó ris e ele moveu sua boca para meu
outro mamilo, onde lenta e metodicamente fez a mesma coisa. Minha
respiraçã o ficou presa e minha outra mã o apertou seu ombro com força
suficiente para deixar marcas de unhas. Ele nã o pareceu notar ou se
importar e continuou a provocar e brincar com meus seios.
Eu gemi, sem fô lego enquanto me aproximava do meu orgasmo.
Seus olhos se aguçaram e ele se inclinou para trá s para me
observar com os olhos semicerrados, enquanto se divertia em me ver
estremecer, ofegar e me contorcer em seu colo.
— Linda. — eu o ouvi murmurar. Movi meus quadris contra sua
calça jeans e seu pau pressionou contra mim, duro de excitaçã o. A
fricçã o me fez ofegar. Sua mã o subiu e seus dedos se fecharam em volta
do meu pescoço, à pressã o foi leve até que ele sentiu a mudança quando
me aproximei da borda e seu aperto aumentou.
Meus olhos encontraram os dele e sua tempestade me atraiu
enquanto ele observava cada detalhe da minha alma. Amaldiçoei e
engasguei quando o prazer atingiu o pico e depois diminuiu, quando
respirei fundo novamente, ele apertou ainda mais, entã o eu mal
conseguia respirar. Meu pulso batia de forma irregular contra seus
dedos. Sua outra mã o desceu e ele deslizou dois dedos dentro de mim,
curvando-os suavemente no lugar certo. Eu choraminguei.
— Goze para mim, querida.
Seu grunhido vibrou cada á tomo do meu corpo. Assim que ele me
viu chegar ao limite, vi estrelas por nã o conseguir respirar e ele liberou
a pressã o em volta do meu pescoço. Eu explodi. Meu orgasmo caiu
como um trovã o sobre mim e eu gritei enquanto a respiraçã o voltava
para meus pulmõ es. Empurrei meus quadris contra seus dedos
enquanto os meus vacilavam contra meu clitó ris. Eu me senti alta
quando gozei em cima dele. Ambas as minhas mã os bateram em seu
peito enquanto eu me recuperava e ofegava por ar, murmurando
palavrõ es sem fô lego. Percebi que dei a ele aquele orgasmo livremente.
Eu me fiz gozar inteiramente por minha pró pria provocaçã o. Corei e
hesitantemente levantei meus olhos para encontrar os dele. Havia um
olhar presunçoso em seus olhos, ele sabia exatamente o que eu acabei
de fazer por ele. Ele levou os dedos cobertos pelo meu gozo aos lá bios e
os chupou com um gemido de satisfaçã o. Entã o ele esfregou os
polegares naquele lugar em meus quadris que eu adorava e nã o pude
deixar de me aproximar dele com uma forte inspiraçã o.
Isso trouxe meu rosto para mais perto do dele e ele puxou meus
lá bios para baixo e me beijou antes de, com um movimento repentino,
ele me virar de costas e se acomodar em cima de mim. Seu beijo se
tornou dominante e duro e antes que eu percebesse, seu pau estava
livre da calça jeans e ele entrou dentro de mim em um impulso firme
que arrancou um gemido de nó s dois. Ele nã o foi lento. Ele me fodeu
com força e pegou o que queria enquanto perseguia seu pró prio prazer.
Eu nã o me importei. Minhas unhas se arrastaram por suas costas
e minhas pernas o envolveram enquanto eu me deleitava com sua
satisfaçã o pela primeira vez. Eu o senti perto da borda e ele se levantou
sobre mim e colocou a mã o em volta do meu pescoço novamente. Eu
podia ver desespero e selvageria em seus olhos, como se ele quisesse
me possuir e nunca me deixar ir. Ele queria me reivindicar como sua
para sempre. Eu vi a raiva quando seu olhar se fixou em meus
ferimentos de faca e depois a fome quando eles subiram aos meus
lá bios e finalmente o êxtase quando eles se fixaram em meus olhos e ele
viu o fogo que ardia ali por ele.
Ele me sufocou e nã o foi como antes.
Esta foi uma afirmaçã o... uma declaraçã o de intençã o de possuir
cada parte minha. A escuridã o se aproximou do limite da minha visã o e
quando minha respiraçã o acabou, observei seu controle enquanto ele
me levava até o limite da escuridã o. O instinto me fez lutar, mas eu sabia
o que ele queria e o apertei propositalmente. Observei seus olhos se
estreitarem e seus lá bios se abrirem e entã o ele me soltou e o ar voltou
para meus pulmõ es. A euforia era potente e enquanto eu ofegava, ele se
apertou dentro de mim e com um forte suspiro e gemido ele estava
gozando, o prazer completo e intenso em seu rosto enquanto ele
cerrava os dentes e socava em mim até o fim.
Ele estremeceu em um choque intenso e se acomodou sobre mim,
seu peito arfando e sua mã o ainda descansando levemente em minha
garganta. Seu polegar acariciou meu queixo enquanto eu tremia
debaixo dele. Lá grimas vazaram dos meus olhos, mas foi apenas por
causa da euforia avassaladora da qual eu estava me recuperando. Ele
ficou dentro de mim assim, com o rosto enterrado no meu pescoço, por
mais tempo do que em qualquer momento anterior, até que finalmente
ele se levantou e saiu da cama.
Ele parecia irritado com alguma coisa e vi o prazer desaparecer de
seu rosto e ser substituído por frustraçã o. Ele foi e ligou o chuveiro e eu
me levantei e fui ao banheiro. Quando passei pelo chuveiro para voltar
para o quarto, vi a mã o dele na parede de azulejos enquanto ele estava
sob o jato e nã o se mexeu. Ele estava de costas para mim e parecia um
homem processando algo pesado. Por um breve momento, vi através do
véu e percebi com um sobressalto que iria perdê-lo amanhã .
Eu me perguntei se ele se importava. Eu me perguntei se deveria
me importar.
Eu poderia me importar?
Reconheci a Síndrome de Estocolmo, mas a parte sombria da
minha alma simplesmente nã o se importou.
Prefiro ter o diabo que conheço, do que o diabo que nã o conheço.
E amanhã eu teria que voltar para um demô nio que nã o conhecia.
Arrastei-me para a cama e puxei as cobertas sobre mim e antes
que eu percebesse, estava dormindo.

Em algum momento no meio da noite, eu estava de bruços quando


minhas pernas foram gentilmente afastadas e Kraven deslizou para
dentro de mim.
Eu gemi, mas nã o abri os olhos nem me movi para apertá -lo de
prazer. No meu estado meio adormecido, ele me beijou levemente ao
longo do pescoço e ombros enquanto penetrava lentamente em mim
até que eu estivesse encharcado em volta de seu pau. Eu realmente
nunca acordei quando ele gozou, lenta e profundamente e depois ouvi
dele o mais satisfeito suspiro de paz.
Quando acordei na manhã seguinte, perguntei-me se tinha
sonhado tudo, até sentir a porra dele entre as minhas pernas. Hoje era o
dia em que ele estava indo embora. Tentei nã o chorar.
Nó s transamos mais uma vez no banheiro quando ele me inclinou
sobre o balcã o e depois me levou para o chuveiro, onde terminou.
Depois, ele se ajoelhou e enterrou o rosto entre minhas pernas. Ele me
fez gozar repetidas vezes até que eu tremia tanto que nã o conseguia
ficar de pé. Me recuperei do orgasmo e as lá grimas escorreram pelo
meu rosto, escondidas pelo chuveiro... eu sabia que seria minha ú ltima
vez com ele.
— Por que você vem aqui? — Eu perguntei a ele.
Ajoelhei-me na ponta da cama, onde o observava fazer as malas.
Ele virou a mala e vestiu o casaco. Era um casaco preto que me deu
á gua na boca porque parecia saído de uma revista... se os modelos
também fossem senhores do crime sombrios. Nã o tenho certeza
quando comecei a pensar que ele era tã o gostoso, mas ele alcançou uma
parte escura dentro de mim que ninguém tocou antes.
— Networking. — disse ele.
Eu zombei. — Parece um pouco caro.
Ele encolheu os ombros. — Os homens abaixam a guarda aqui.
— Ok, mas você obviamente gosta disso... — Fiz um gesto entre
nó s. — Entã o o que é isso?
Ele deixou seu olhar percorrer meu corpo preguiçosamente em
apreciaçã o e entã o encontrou meu olhar novamente.
— Gosto do controle.
— Por que nã o ser apenas um dominador para alguém?
— Gosto da foda mental psicoló gica, é o que quero dizer. — disse
ele. Ele estendeu a mã o e alisou um cacho na minha orelha. — Sua
mente lhe diz que você nã o deveria gostar do que está acontecendo.
Está dizendo que é estupro. Você nã o consentiu com nada aqui. Mas
entã o seu corpo está lhe dizendo algo totalmente diferente. Seu corpo
está ouvindo o instinto.
Ele se levantou e ficou na minha frente, na beirada da cama. Ele
arrastou os dedos ao longo do meu queixo e levantou meu queixo.
— É aquela guerra entre instinto e ló gica. Fantasia e realidade.
Sua mente e seu corpo lutando um contra o outro pelo que é certo. É a
manipulaçã o do colapso.
— Outra forma de tortura?
Seus olhos brilharam e ele sorriu para mim.
— Outra forma de tortura. — repetiu ele.
Nó s nos encaramos por um longo momento em silêncio. Ele
abaixou a cabeça para me beijar e eu sabia exatamente do que ele
estava falando. Ele nã o pediu consentimento para nada que tenha feito
comigo. Ele pegou o que queria e eu fui forçada a dar a ele. Exceto que,
em algum momento ao longo do caminho, minha mente parou de
pensar que era ruim. Ele gostava do efeito da Síndrome de Estocolmo,
onde poderia manipular alguém para trair a decisã o de sua pró pria
mente de dizer nã o.
Definitivamente era uma merda.
Mas ele nunca fez nada comigo que fosse sá dico ou cruel. Ele me
pressionou e foi bruto e exigente. Ele extraiu o que queria. Ele me
estuprou.
Mas ele também cuidou de mim e forçou mais prazer de mim do
que eu jamais experimentei antes e pela minha vida, eu nã o poderia
condená -lo por isso. Tenho certeza de que isso me deixou tã o doente e
distorcida quanto ele, mas novamente, nã o consegui me importar.
Minhas mã os entrelaçaram-se em seus cabelos na nuca e o
puxaram para mais perto de mim enquanto nos beijávamos. Ele rosnou
sua aprovaçã o contra meus lá bios e se aproximou, seus braços me
envolveram e subiram em meu cabelo, inclinando minha cabeça para
trá s enquanto seu beijo se tornava mais intenso. Nó s nos separamos
sem fô lego e eu pisquei. Ele sorriu para mim novamente e passou o
polegar pela minha bochecha.
— É por isso que venho aqui. — disse ele. — Nenhum outro tipo
de interaçã o me dará a emoçã o de forçar alguém a lutar consigo
mesmo.
— Nã o consigo decidir se isso faz de você um vilã o ou apenas um
homem realmente doente. — eu disse.
— Eu prefiro anti-heró i. — disse ele com uma piscadela.
— Entã o seu nome combina com você.
Ele balançou a cabeça, ainda surpreso por eu saber a referência.
Ele juntou suas coisas, agora com uma carranca no rosto e parecia que
estava pensando intensamente em algo.
O pâ nico aumentou, quente e rá pido dentro de mim e eu fiz um
pequeno som de angú stia enquanto engasgava com a respiraçã o. Ele
olhou para mim.
— Leve-me com você... — eu disse sem fô lego antes de nã o
conseguir falar. Ele deve ter visto o pavor em meus olhos porque se
aproximou de mim novamente. — Por favor... Kraven... — Eu mal
conseguia pronunciar as palavras e odiava como estava implorando.
Ele colocou um dedo em meus lá bios trêmulos e balançou a
cabeça para me impedir. Seus dedos deslizaram pelo meu rosto e eu
nã o pude evitar que minha mã o agarrasse sua camisa e a apertasse com
força.
— Sh, eu sei, odeio pensar que você vai encontrar alguém como
Roger. — ele disse rispidamente. — Vou ver o que posso fazer, mas se
Cooper nã o concordar... — ele me lançou um olhar astuto. — ...esse
caminho levará mais tempo.
Balancei a cabeça e respirei fundo.
— Mas você vai tentar? — Eu perguntei, minha voz esperançosa.
Ele tirou minha mã o de sua camisa e beijou meus dedos, seus
olhos nos meus, escuros e perigosos novamente.
— Nã o faço promessas. — alertou. — Eu nã o sou o homem em
quem você deseja depositar sua esperança.
— Eu nã o ousaria. — Minha voz tremeu enquanto eu tentava
brincar e ele me deu um sorriso sombrio. Ele olhou para mim por mais
um longo momento e entã o, com um ú ltimo beijo, saiu pela porta.
— Adeus, querida. — ele disse, encontrando meu olhar
aterrorizado uma ú ltima vez antes de eu ver a porta se fechar atrá s
dele.
CAPÍTULO DEZENOVE

Mais tarde, desmoronei na minha cela, enquanto lamentava a


perda do meu cobertor de segurança nã o convencional.
Disseram-me que nã o haveria outro leilã o nas pró ximas duas
semanas para dar tempo a todas as mulheres para se recuperarem.
Acho que Cooper nã o queria que sua mercadoria parecesse desgastada
e abusada quando ele nos colocasse em leilã o novamente.
Infelizmente, uma pausa de duas semanas nã o significava
realmente uma pausa de ser tocada e eu rapidamente descobri quem
era Vandal. O principal comandante de Cooper era facilmente um dos
maiores homens que já vi em termos de quanto espaço ocupava. Ele era
alto e tinha a constituiçã o de uma parede de tijolos. Eu estava
convencida de que sua mã o poderia facilmente esmagar meu crâ nio. Ele
me aterrorizou quando o vi aparecendo na frente da minha cela pela
primeira vez, enquanto ele me encarava com olhos penetrantes e cruéis.
Lutei ferozmente mesmo sabendo que nã o faria um ú nico estrago. Com
certeza, nã o adiantou nada e quando ele me deu um tapa no rosto,
fiquei instantaneamente atordoada. Ele me empurrou contra a parede
da minha cela e me estuprou por trá s.
Foi assim que aconteceu na primeira semana. Ele me visitava uma
vez por dia, sempre usava camisinha e nunca demorava mais do que
alguns minutos para terminar. Ele nunca falou uma palavra comigo e a
ú nica vez que foi rude foi quando eu lutei. Ele sempre me pegava por
trá s. À s vezes me empurrando contra a parede, outras vezes me
derrubando no chã o e segurando minha cabeça contra o concreto com
os quadris para cima. À s vezes ele enfiava o polegar na minha bunda e
se esfregava nas minhas paredes, mas nunca fez mais nada comigo. Eu
cerraria os dentes e aguentaria, apenas grata por Sal nã o poder mais
colocar as mã os em mim.
Depois de Kraven, minha mente estava uma bagunça. Graham
passava pela minha cabeça continuamente, me deixando deprimida e à
noite eu pensava em Kraven e revivia alguns dos orgasmos que ele me
proporcionou apenas para sentir tanta vergonha por ter gostado de ser
estuprada que chorava até dormir. Eu só pensava em Tyler
ocasionalmente. Eu nã o sabia como iria enfrentá -lo se algum dia
voltasse em casa.
No final da primeira semana, um guarda veio me buscar e eu me
encontrei em um escritó rio do outro lado da mesa de Cooper. O guarda
saiu e Cooper se levantou e deu a volta para olhar para mim.
— Você com certeza teve sorte com Kraven. — disse ele. — Ele
tentou comprar você de mim, mas eu disse nã o... você é valiosa demais
para ser perdida ainda.
Qualquer esperança de Kraven me resgatar foi imediatamente
arrancada de mim. Nã o pensei que Kraven iria orquestrar uma
operaçã o inteira para tentar me roubar, entã o sabia que estava acabado.
Eu estava presa aqui. Fiz uma careta para ele e lutei para manter o
controle de minhas emoçõ es.
— Por que estou aqui? — Rosnei, canalizando meu desespero em
raiva.
Cooper riu e apontou para o chã o.
— Por que você acha? Fique de joelhos. — Eu nã o me movi e seus
olhos se estreitaram. — Preciso que você se lembre de que nã o sou
Kraven.
Eu ainda nã o me mexi. Minha coleira brilhou e eu caí no chã o, a
dor era insuportável.
Quando parou, ele me arrastou e me jogou na beirada da mesa.
Lutei para recuperar o fô lego e tentei lutar, mas nã o consegui me firmar.
Ele enfiou o joelho entre minhas coxas e as abriu apenas o suficiente
para que seus dedos encontrassem o caminho até minha boceta. Ele os
empurrou dentro de mim e eu fiquei imó vel. Eu nem tinha fô lego para
falar.
Os dedos de Cooper recuaram para desafivelar o cinto e eu o ouvi
puxar o zíper para baixo. Entã o ele se posicionou entre minhas pernas.
Lutei novamente, mas ele apertou o botã o e eu desabei contra a mesa,
querendo gritar de dor, mas incapaz de fazê-lo, enquanto o choque me
deixava imó vel. Ele entrou em mim e apertou o botã o novamente e todo
o meu corpo ficou tenso e convulsionou em torno de seu pau. Ele
gemeu e me penetrou mais algumas vezes enquanto eu estava rígida.
Quando ele parou, tentei respirar fundo em meio aos soluços.
— Oh Deus, você fica incrível quando é eletrocutada. Você está
toda tensa e agarrada ao meu pau.
Ele me fodeu com força por trá s e me chocou mais algumas vezes
até que eu estava uma bagunça debaixo dele. Ele saiu e veio nas minhas
costas. Ele me deu um tapa na bunda enquanto eu estava deitada sobre
a mesa, tremendo e derrotada.
— Sim, nã o vou desistir de você tã o cedo. Você vai me render
muito dinheiro. — Ele sinalizou para alguém e fui levantada entre dois
guardas. — Haverá outro leilã o na pró xima semana. — Ele disse antes
de eu ser arrastada para fora da sala.
Eu nã o conseguia me mover, a dor intensa do choque
desapareceu, mas meu corpo estava dolorido, como se eu tivesse
acabado de fazer um treino muito intenso. Desabei na minha cela e me
arrastei até um canto onde me encolhi e fechei os olhos. Desejei que
minha mente fosse para qualquer lugar menos aqui, mas quando
adormeci, nem meus sonhos eram seguros e os pesadelos eram tudo o
que me aguardavam no escuro.
Mais uma semana veio e se foi. Vandal ainda vinha todos os dias e
Cooper me convocou ao seu escritó rio mais algumas vezes, e a cada vez
eu era eletrocutada de novo e de novo enquanto ele me fodia. Era
insuportável e miserável. Eu ficava dolorida por horas, à s vezes dias
depois. Minha mente estava lentamente recuando e eu achava difícil
pensar com clareza. Nã o que eu tenha tentado. Eu preferia o estado
entorpecido da fuga. Eu estava neste lugar há três semanas e minha
esperança de resgate havia desaparecido há muito tempo. Perdi a
esperança em Kraven. Se Cooper nã o tivesse aceitado sua oferta, eu
duvidava muito que valesse a pena me roubar. A ú nica coisa que me
restava era esperar que de alguma forma eu pudesse encontrar uma
maneira de escapar sozinha. Assim que percebi que era minha ú nica
esperança, comecei a me afastar da névoa entorpecida da dissociaçã o.
Era hora de orquestrar meu pró prio resgate. Eu era uma sobrevivente –
já provei isso para mim mesma inú meras vezes desde a queda do aviã o
– e quando o dia do leilã o se aproximava, disse a mim mesma que nã o
morreria aqui.
— Eu ouço três milhõ es? Três milhõ es?
Cooper estava pedindo meu lance. Foi mais alto do que da ú ltima
vez.
Fiquei ali, olhando para os meus pés, tentando nã o deixar que as
luzes me dessem dor de cabeça. Rezei para que fosse alguém como
Kraven novamente, mas algo me dizia que desta vez eu nã o teria sorte.
Eu me senti enjoada só de pensar nisso.
Cooper me arrastou até ele e fez o mesmo show da ú ltima vez,
seus dedos entrando em mim para aumentar os lances. Eu o deixei
fazer isso sem muita luta, o que pareceu irritá -lo. O lance desacelerou
para cinco milhõ es, finalmente, pouco menos de seis, onde parou.
Sal me agarrou pelo braço e junto com Tank me puxaram por um
corredor que eu nã o conhecia. Havia um sorriso malicioso em seu rosto.
Quando finalmente chegamos a uma porta vermelha, eu sabia o porquê
e meu estô mago embrulhou. Eu sabia onde estávamos. Quando a porta
se abriu, congelei, meus medos confirmados. Eu nã o conseguia passar
pela porta. Era uma sala de BDSM com tudo que alguém poderia
imaginar e que precisaria.
Era a Sala Vermelha ou como todos gostavam de chamá -la: a sala
da tortura. Olhando em volta, fiquei maravilhado com o fato de que uma
coisa era fazer tudo isso com alguém com consentimento; outra era
forçar alguém e nã o ter as conversas adequadas, palavras seguras,
cuidados posteriores - todas as coisas que tornavam esse tipo de
brincadeira sexy, segura e divertida.
Sal me arrastou pela porta e foi em direçã o a uma das paredes
onde havia algemas perfuradas em vá rias alturas.
— Nã o — eu disse. Tentei me afastar de Sal, mas ele me puxou
para mais perto. Quando colidi com ele, ataquei-o e dei-lhe uma
cotovelada no queixo. Ele me soltou com um xingamento e eu corri em
direçã o à porta. Tank me agarrou e eu me virei e dei uma joelhada entre
as pernas dele. Ele caiu e eu estava prestes a tocar a porta quando
alguém bateu em mim por trá s e nó s dois caímos no chã o. Eu gritei e
me debati em um esforço para desalojá -lo, mas ele estava montado em
mim. Ele agarrou minhas duas mã os e puxou-as selvagemente acima da
minha cabeça, batendo meus pulsos no chã o. Sal estava lívido enquanto
ofegava por causa da pequena luta, mas sorriu cruelmente para mim.
— Nã o adianta brigar, querida. — disse ele. — Eu gostaria de
poder lhe ensinar uma liçã o, mas acho que seu treinador cuidará disso
para mim. — Tank se aproximou e juntos eles me colocaram de pé.
Continuei a lutar, mas agora estava presa entre eles e eles facilmente
me jogaram contra a parede e cada um prendeu um braço em uma
algema acima da minha cabeça. Eu os chutei com os pés, mas eles
separaram minhas pernas o má ximo que puderam e logo meus
tornozelos também estavam presos.
Sal levantou-se, respirando pesadamente. Ele passou a mã o pelo
cabelo e me olhou de cima a baixo, um sorriso sá dico torcendo sua
boca. Ele agarrou meu queixo com força em sua mã o.
— Mal posso esperar para ver sua linda pele toda marcada. —
disse ele. Ele deu dois tapinhas na minha bochecha com força suficiente
para me fazer estremecer antes que ele e Tank se virassem para a porta.
— Até mais, querida! — Sal gritou antes que a porta se fechasse
atrá s deles. Fiquei furiosa quando eles foram embora, mas parte de
mim também estava com medo de quem passaria por aquela porta.
Esperei e esperei mais.
Quanto mais eu esperava, mais minha ansiedade crescia. Tenho
certeza de que esse era o objetivo deles, a fim de aumentar a
expectativa e o medo, tive vergonha de admitir que eles conseguiram.
Quando a porta se abriu, eu estava tendo dificuldade em manter o
pâ nico sob controle. Um homem alto, de cabelos escuros e terno entrou
na sala. Suas feiçõ es eram erradas o suficiente para nã o serem
atraentes, mas foram seus olhos que me fizeram sentir enjoada. Nã o
havia nada ali além do mal. Eles eram tã o escuros que eram quase
pretos e seu rosto era uma má scara vazia e impassível.
Ele se aproximou e ficou na minha frente enquanto avaliava sua
compra. Ele irradiava desprezo e arrogâ ncia e me olhava como se eu
estivesse abaixo dele. Ele nã o falou, mas tirou o paletó e o colocou
cuidadosamente sobre uma cadeira pró xima.
— Meu nome é Paxton, mas você se referirá a mim como Senhor
ou Mestre enquanto estivermos juntos. Se a qualquer momento você
me chamar de outra coisa ou nã o me abordar adequadamente, você
será punida. Isso está entendido? — Sua voz era calma, profunda e
direta, mas com um fio tã o afiado e mortal quanto uma lâ mina.
Eu balancei a cabeça, mas seus olhos se estreitaram.
— Sim, sim, senhor. — eu disse.
Ter que me dirigir a alguém assim quando estava sob controle me
dava nos nervos. Eu o vi ir até uma mesa e examinar os brinquedos
disponíveis para ele. Ele pegou um chicote e girou-o casualmente na
mã o. Ele voltou e move-o, dando-me um golpe na barriga. A ardência
queimou minha pele. Quando nã o reagi, ele fez isso com mais força e eu
fiz uma careta, um pequeno suspiro me escapou.
— Você responderá mais rá pido. — disse ele, ainda mortalmente
calmo.
Antes que eu percebesse que precisava dizer senhor, ele me bateu
de novo, desta vez nos meus seios. Eu sibilei de dor e me empurrei
contra as algemas, olhando para ele com raiva. Ele me bateu com força
vá rias outras vezes até que eu estava gritando e tentando evitar as
chicotadas.
— Sim, senhor! — Chorei.
Ele fez isso mais uma vez com tanta força que ouvi um estalo forte
em meus ouvidos. Lá grimas brotaram dos meus olhos e eu estremeci
com o lampejo de dor, meu peito arfando enquanto eu tentava respirar.
Seus olhos traçaram as marcas vermelhas na minha pele com avidez. Eu
olhei para ele quando ele se aproximou e parou na minha frente.
— Tanto fogo... — ele respirou. — Estou ansioso para acabar com
isso. — Ele passou a mã o pelo meu corpo para acariciar os vergõ es que
ele criou com admiraçã o. — Sua pele marca tã o bem.
Ele deu um passo para trá s e inclinou a cabeça enquanto olhava
para meu corpo como se quisesse avaliar onde ele queria atacar em
seguida. Ele atacou e apenas deixou as pontas se conectarem à minha
pele enquanto dava vá rios golpes rá pidos nas minhas coxas. Eu gritei
porque a dor era muito pior do que ele havia feito antes. Ele fez uma
pausa e me observou tremer enquanto eu tentava respirar em meio à
dor e vi seus olhos me observando criticamente, quase como se
quisesse observar como eu processava a dor para que ele a
aproveitasse.
Com certeza, ele mal me deu tempo para recuperar o fô lego antes
de me açoitar novamente. Desta vez ele nã o parou e vi seus olhos
lentamente começarem a brilhar com excitaçã o e calor. Meu corpo
queimou de dor e eu gritei e estremeci nas restriçõ es enquanto ele ia
além da minha tolerâ ncia. Ele parou novamente, mas no minuto em que
relaxei, ele moveu o pulso e açoitou meus seios em rá pida sucessã o.
Quando ele terminou, minha respiraçã o estava difícil e eu nã o
conseguia respirar fundo. Ele caminhou até mim e o leve esforço de
seus esforços fez sua respiraçã o ficar mais rá pida. Eu choraminguei em
protesto enquanto seus dedos traçavam minhas coxas, seu toque nos
vergõ es queimava e eu podia sentir minha pele em carne viva sob as
pontas dos dedos dele.
— Pare... — Eu engasguei em meio aos meus soluços.
Seus olhos se voltaram para os meus e escureceram cruelmente.
Ele agarrou meu queixo e se inclinou perto de mim.
— Nã o fale a menos que eu me dirija a você. — ele rosnou.
Ele deu um passo para trá s e quando encontrou meus olhos
novamente, ele me golpeou com o chicote. Ele fez isso vá rias vezes até
que a dor pareceu consumir todo o meu ser e eu só consegui gemer e
estremecer.
— Nunca me diga para parar de novo. — Ele estava ofegante. —
Isso está entendido?
— Sim, senhor. — eu ofeguei.
— Você nã o parece ter uma tolerâ ncia à dor muito alta. — ele
resmungou. Ele se aproximou de mim e sua mã o foi entre minhas
pernas, onde seu dedo deslizou dentro de mim. — Você nã o gosta de
dor, eu vejo. Isso tornará as coisas mais difíceis para você.
Seus dedos se moveram dentro de mim enquanto ele observava
meu rosto. Ele enfiou o outro dedo na minha boca, enfiando-o na minha
garganta e depois o puxou para fora e usou-o para acariciar meu
clitó ris. Ele atingiu um ponto dentro de mim e quando viu minhas
pá lpebras estremecerem, ele torceu meu clitó ris entre os dedos.
Amaldiçoei de dor e me sacudi contra as restriçõ es. Meus pulsos
estavam em chamas. Ele continuou a me tocar, descobrindo quais
pontos causavam prazer e depois seguindo com uma dor intensa,
impulsionado pelos meus gritos. Independentemente disso, senti-me
ficar molhada em torno de seus dedos, embora estivesse longe de estar
excitada.
— Ah — ele disse. — Prazer com a dor. Infelizmente, nã o sou
muito de tornar as coisas prazerosas para você. Eu gosto da parte da
dor. Mas pelo menos eu sei como te deixar molhada quando precisar
que você fique.
Seus dedos se retiraram e eu caí contra a parede. Eu vi seus olhos
vagarem para meus pulsos e seu nariz se alargou enquanto seu rosto
assumia uma aparência faminta. Olhei para cima e vi um rastro de
sangue descendo pelo meu braço, de onde meus pulsos cortavam das
algemas. Eu choraminguei.
— Eu nã o estava planejando fazer você sangrar ainda. — ele disse
pensativamente. Ele passou o dedo nu pelo sangue do meu braço e
suspirou de prazer. Depois de se ajustar na calça, ele tirou uma chave
do bolso e destrancou as algemas em volta dos meus tornozelos e
depois dos meus pulsos. Sem nada me segurando, caí no chã o.
— Incline-se sobre a mesa. — ele exigiu. Lutei para ficar de pé e
tropecei.
— Você está esquecendo alguma coisa? — Ele disse ao se
aproximar por trá s de mim. Eu meio que me virei, mas ele agarrou meu
pescoço e me empurrou para frente sobre o metal frio.
— Sim, senhor. — eu engasguei.
Paxton afastou meus pés e algo de metal acompanhou seu pau
enquanto ele entrou dentro de mim. Estremeci e me contorci com a
sensaçã o.
— Tenho um piercing. — disse ele.
Paxton puxou e arrastou seu pau para cima e para baixo em minha
boceta enquanto esfregava seu piercing em meu clitó ris. Ele empurrou
para dentro de mim e me fodeu com golpes longos e uniformes. Fiquei
deitada molemente sobre a mesa. O piercing parecia diferente, mas nã o
ruim. Eu me perguntei como seria a sensaçã o com alguém que queria
que eu também sentisse prazer. Eu me dissociei e adormeci na tentativa
de me separar da dor.
Estava funcionando até que ele apertou o botã o da coleira e a
agonia percorreu meu corpo enquanto eu convulsionava na mesa. Eu o
ouvi inspirar profundamente e seu ritmo acelerou. Quando a
eletricidade parou, chorei e lutei para me afastar da mesa.
— Cooper estava certo sobre isso. — ele disse sem fô lego, quase
para si mesmo. Ele agarrou meu cabelo e bateu minha cabeça,
segurando meu rosto contra a mesa para interromper minha luta e
apertou o botã o novamente. Ele gozou dentro de mim com um gemido
antes que o choque parasse e entã o ele deslizou para fora. Respirei
fundo enquanto meu corpo relaxava depois da dor, lutando na mesa
para ficar de pé.
O açoitador caiu na minha bunda e com um grito me afastei da
mesa para tentar fugir. Mal dei um passo antes que ele me puxasse
pelos cabelos e me empurrasse para baixo com tanta força que vi
estrelas.
— Nã o se mova, porra. — ele rosnou.
Ele pegou uma corda e amarrou meus pulsos, em seguida, puxou
minhas mã os na minha frente e amarrou o excesso na mesa para que eu
ficasse curvada sobre ela e nã o pudesse me mover. Fiquei tã o atordoada
que nã o vi o que ele estava fazendo até o sentir esfregar algo frio na
minha boceta, onde a porra dele vazava de mim. Ele arrastou-o de volta
para minha bunda e empurrou. Gritei com a pressã o e tentei lutar, mas
isso só piorou as coisas. Ele apertou o botã o brevemente como puniçã o
e eu caí na mesa novamente. No minuto em que parou, ele empurrou o
plug dentro de mim com força e eu cerrei os dentes de raiva.
Ele voltou para trá s de mim e meus gritos e soluços se misturaram
ao som dos estalos do chicote enquanto ele me açoitava. Ele alternava
entre golpes largos e planos que machucavam minha pele, com
movimentos de chicote que intensificavam a dor. Quando ele parou,
pensei que nã o conseguiria sentar por um tempo, se minhas mã os nã o
tivessem sido contidas, eu teria escorregado no chã o, minhas pernas
nã o conseguiriam mais me segurar.
Eu o ouvi jogar o chicote fora e o sussurro do tecido enquanto ele
pegava o paletó .
— Nã o retire o plug. Você vai usá -lo hoje à noite na hora do
coquetel.
Ouvi a porta abrir e fechar. Ele me deixou amarrada à mesa onde
eu tremia e soluçava de dor.
Alguns minutos depois, ouvi a porta se abrir novamente e ouvi Sal
gemer de agradecimento.
— Droga.
Ele se aproximou e passou a mã o pelas minhas costas e pela
minha bunda, fazendo a dor aumentar. Eu gemi e tentei afastar meus
quadris dele ao redor da mesa, mas ele me agarrou e eu nã o tive forças
para impedi-lo.
— Bem, eu diria que ele definitivamente lhe ensinou uma liçã o. —
disse Tank, ficando perto de minhas mã os. Os dedos de Sal deslizaram
dentro de mim e eu choraminguei.
— Você tem sorte de eu nã o querer enfrentar o Vandal. — disse
ele. — Ou eu foderia sua garganta de novo. — Ele se aproximou e puxou
minha cabeça pelos cabelos para longe da mesa, em seguida, enfiou os
dedos que estavam dentro de mim na minha boca. Nã o pude deixar de
vomitar, nã o querendo sentir o gosto de Paxton. Eu nã o disse nada, mas
meu olhar o fez rir.
Tank me desamarrou e eu deslizei para o chã o, incapaz de ficar de
pé. Entã o eles me levantaram entre eles e saímos da sala. Fiquei
atordoada e a dor me consumiu a tal ponto que deixei que ela me
levasse embora. Mais tarde, na minha cela, enrolei-me como uma bola e
tentei dormir.
CAPÍTULO VINTE

Mais tarde naquela noite, Sal e Tank vieram e me acompanharam


até o quarto de Paxton. A dor estava piorando lentamente e eu podia
ver hematomas já se formando devido a alguns dos golpes mais fortes
que ele havia dado. Tank estava quieto como sempre, mas Sal
aproveitava todas as oportunidades para dar um tapa na minha bunda
ou agarrar meus pulsos, o que me fez gritar de dor. Quando chegamos
ao quarto de Paxton, as lá grimas já escorriam pelo meu rosto.
Finalmente deixaram-me sozinha no quarto de Paxton e virei-me para
ver Paxton sair do banheiro. Minha respiraçã o acelerou quando ele se
aproximou e ficou na minha frente.
— Quando eles entregarem você para mim. Espero que você se
ajoelhe ao lado da cama até que eu fale com você. Entendido?
— Sim, senhor. — eu disse calmamente. Minha raiva borbulhou
através da dor.
— Você ainda está com o plug?
— Sim, senhor. — eu disse.
Ele me puxou para ele e enfiou a mã o por baixo da camisa, onde
seus dedos roçaram o plug enquanto verificava.
— Boa Coelha — disse ele. — Tire isso. Tenho algo diferente para
você usar.
Fiz o que ele disse e ele me entregou um vestido feito de tecido de
cetim dourado. Eu o coloquei e ele acenou com aprovaçã o. O vestido
caiu até o meio da coxa deixando bastante perna à mostra. Ele pegou
uma coleira presa a uma corrente e colocou-a em volta do meu pescoço.
— Você deve usar esta coleira o tempo todo. — disse ele.
Eu estava distraída quando ele colocou a coleira e me esqueci de
responder ele. Ele me deu um tapa no rosto e meus olhos brilharam de
raiva quando olhei para ele.
— Sim, senhor. — eu gaguejei.
Ele puxou a ponta da coleira e eu o segui porta afora. Fui atrá s
dele enquanto caminhávamos para o salã o de coquetéis, com vergonha
de estar na ponta de uma coleira. Tentei controlar minha raiva porque
sabia, no fundo do meu ser, que esse homem era mortal e facilmente
provocado.
Isto nã o era como desafiar Kraven.
Este homem era mais como um Roger... minha dor alimentava seu
prazer e isso era perigoso.
O salã o de coquetéis era o mesmo de antes. Caminhá mos até um
grupo de homens e Paxton sentou-se e estalou os dedos enquanto
apontava para os pés. Ajoelhei-me como ele instruiu e olhei em volta
discretamente. Desta vez, nã o escutei nenhuma conversa que estava
acontecendo ao meu redor. Em vez disso, planejei como iria escapar
daquele lugar.
Uma hora se passou e minhas pernas estavam dormentes. Fui
distraída pelos guardas enquanto observava seus padrõ es de
movimento quando houve um puxã o na coleira. Olhei para Paxton e
percebi que ele tinha falado comigo.
— Eu disse, venha aqui. — Seus olhos se estreitaram por ter que
repetir e quando ele puxou a corrente novamente eu bati em sua perna.
— O primeiro dia é sempre a curva de aprendizado mais íngreme.
— o outro homem riu. — Levei três dias para apagar a chama da minha
garota da ú ltima vez que estive aqui.
Paxton puxou-me para o seu colo e depois me empurrou para
baixo, de modo que me deitei sobre as suas pernas e o meu vestido
subiu até à cintura. Protestei e tentei me levantar, mas ele segurou a
coleira com força perto da coxa, entã o eu nã o consegui sentar. Ele bateu
forte na minha bunda. A dor de antes aumentou acentuadamente, me
fazendo choramingar.
— Nã o resista a mim e sempre preste atençã o. — ele sibilou
enquanto me batia novamente.
— Sim, senhor. — eu ofeguei. Meus dentes cerraram com tanta
força que minha mandíbula doeu.
— Você sabia que ela seria tã o rebelde? — Outro homem
perguntou atrá s de mim. — Parece que você realmente teve que definir
suas expectativas. O plug foi um toque legal.
— Tive a sensaçã o de que ela seria. Cooper disse que ela é nova.
— disse Paxton.
Ele deslizou os dedos para dentro e para fora de mim quase
casualmente, como se estivesse acariciando um gato em seu colo. Fiquei
assim por vá rios minutos enquanto ele casualmente passava as mã os
na minha bunda e na minha boceta enquanto conversava com os
homens ao nosso redor. Seu toque era preguiçoso, mas eu poderia dizer
que ele estava trabalhando para me molhar. Meu corpo nã o estava
ouvindo.
— Sente-se. — ele ordenou. Ele tirou o pau da calça. — Cuspa.
Olhei para ele por muito tempo e ele agarrou minha garganta e me
puxou para frente.
— Eu disse... cuspa. — ele rosnou. Olhei sombriamente para ele e
depois deixei saliva cair em seu pau. Ele esfregou sobre si mesmo e me
puxou para ele novamente.
— Suba coelhinha.
Seus olhos encontraram os meus e quando ele viu a raiva latente
ali, ele apertou o botã o da coleira. A eletricidade percorreu meu corpo e
eu desabei contra a sala enquanto a dor tomava conta de cada célula do
meu corpo. Quando ele parou, lutei para me sentar enquanto respirava
com dificuldade. Naquele momento eu nã o conseguia pensar em nada
além do quanto eu o odiava.
Ele me olhou fixamente. — Sim, senhor. — eu respirei.
Ele me puxou para seu colo de frente para ele e eu me abaixei em
cima dele. Ele mexeu os quadris e eu senti seu piercing, mas ele nã o se
moveu. Depois de alguns minutos, minha boceta ficou molhada em
volta dele e ele apertou seu pau dentro de mim enquanto o sentia e
colocou a mã o no meu quadril. Ele nã o me fez mover ou fazer nada
além de sentar em seu pau. Ocasionalmente, sua mã o livre deslizava
para cima e brincava com meu mamilo sob o vestido. No meio de uma
conversa sobre trá fico de drogas, sua mã o passou entre minhas pernas
e ele acariciou meu clitó ris preguiçosamente enquanto discutia sobre
remessas de cocaína. Eu me contorci enquanto meu corpo esquentava
com seu toque. Eu estava doente de nojo e lutei muito, tentando pensar
em qualquer outra coisa, até que ele encontrou um ponto que me fez
ofegar. Seu olhar se voltou para mim brevemente antes de desviar o
olhar, mas ele aproveitou isso e logo senti o limite se aproximando
enquanto ofegava e movia meus quadris sobre ele na tentativa de sentir
fricçã o.
— Pare de se mover. — ele disse suavemente.
— Eu nã o posso. — murmuro sem fô lego.
— O quê? — Sua voz era afiada e cortante.
— Sim, senhor. — eu rosnei com os dentes cerrados.
Paxton continuou a brincar com meu clitó ris enquanto falava com
os homens, mas eu nã o conseguia prestar atençã o, o calor se acumulou
dentro de mim e tentei nã o deixar ó bvio que estava perto de um
orgasmo. Ele me beliscou com força e eu desabei contra ele com um
grito. Ele nem sequer interrompeu a conversa. Ele retomou seus
círculos lentos e meu corpo tremeu com o esforço para impedir a
construçã o de sensaçõ es. Eu estava suando em um esforço para afastar
minhas reaçõ es físicas, mas ele era implacável com suas provocaçõ es e
eu o apertei e xinguei baixinho. Ele olhou para mim, estudando meu
rosto e um sorriso cruel apareceu em seus lá bios quando viu minha
luta.
— Eu proíbo você de gozar. — ele disse calmamente. Eu fiz um
som em protesto. — Se você gozar antes que eu diga que pode, você vai
se arrepender.
Ele brincou com meu clitó ris por mais um pouco e me trouxe tã o
perto da borda que eu tremi e engasguei e lutei para ficar longe do
orgasmo. Ele deu um tapa na minha bunda e eu gemi quando a dor
percorreu meu corpo. Ele seguiu com uma forte torçã o do meu mamilo
antes de sua mã o se fechar em volta da minha garganta, me segurando
imó vel. Eu nã o pude evitar quando meu corpo ficou tenso de dor e seu
grunhido de prazer se transformou em uma risada silenciosa do meu
sofrimento. Eu queria matá -lo.
Felizmente o jantar foi anunciado logo depois disso e ele me
empurrou do colo e fechou o zíper novamente. Achei que ele iria me
dispensar durante o jantar, mas ele me fez ajoelhar atrá s de sua cadeira
o tempo todo e me alimentou com restos de comida como se eu fosse
seu animal de estimaçã o. Foi degradante e eu fervi de raiva durante
todo o jantar. Encontrei qualquer desculpa para ignorá -lo
discretamente e quando nã o consegui, olhei para ele. Eu me sentia mais
como um cachorro raivoso do que como uma humana, no final do
jantar, percebi que ele estava com raiva. Ele praticamente me arrastou
de volta para seu quarto depois.
Assim que ele bateu a porta, ele veio até mim. Eu vi a sede de
sangue em seus olhos e entã o ele estava em cima de mim. Ele me deu
um tapa com as costas da mã o com tanta força que caí no chã o e entã o
começou a me chutar. Tentei me afastar dele enquanto gritava para ele
parar, mas ele me puxou pelos cabelos e eu caí no chã o e me enrolei
como uma bola.
— Nunca mais me envergonhe desse jeito. — ele gritou.
Chorei histericamente enquanto ele arrancava o vestido de mim.
Literalmente arrancou-o, agarrou-me pela garganta e me jogou na
cama.
— Você presta atençã o o tempo todo!
Ele subiu na cama e eu tentei recuar.
— Você me chama de Senhor ou Mestre. Todas. As. Vezes. Que. Eu.
Falar. — Ele ofegou e mordeu cada palavra enquanto agarrava meu
tornozelo e me arrastava de volta para ele enquanto eu gritava e o
chutava.
Os olhos de Paxton estavam arregalados e ele me deu outro golpe
com as costas da mã o. Senti gosto de sangue no meu lá bio cortado
quando caí para trá s. Ele sentou em meus quadris e colocou as mã os em
volta do meu pescoço enquanto pairava sobre mim. Ele apertou até que
eu vi estrelas, um mú sculo em sua mandíbula se contraiu. Eu estava
com medo de que ele me matasse. Em vez disso, ele me deixou à beira
da inconsciência e me virou de bruços, onde agarrou o plug na minha
bunda.
— Nã o, nã o! — Gritei e lutei ferozmente para fugir. Ele parou
apenas o tempo suficiente para agarrar minha coleira e prendê-la na
cabeceira da cama para que eu nã o pudesse me mover antes que ele me
desse um tapa forte na bunda. Eu estava de joelhos, incapaz de me
mover e entre a coleira e o terror que me invadia, eu nã o conseguia
respirar. Ele ofegou pesadamente e agarrou o plug novamente e puxou-
o para fora. Entã o senti a cabeça do seu pau substituí-lo e gritei e me
debati na cama. O pâ nico tomou conta de mim, quente e rá pido, minhas
mã os lutaram para tentar soltar a coleira.
Ele viu o que eu estava fazendo e me empurrou para frente com
tanta força que minha cabeça bateu na cabeceira da cama. O sangue
escorria pelo meu rosto e pelos olhos e entã o ele estava dentro de mim
e tudo que pude fazer foi soluçar enquanto a dor me atravessava.
Ele gemeu, seus dedos cravados em meus quadris e ele puxou no
meio do caminho.
— Meu pau parece tã o bem coberto com seu sangue.
Ele deu alguns golpes lentos e seu pau endureceu ainda mais ao
ver meu sangue em seu pau. Ele puxou todo o caminho e puxou minhas
pernas debaixo de mim, em seguida, me virou. A coleira estava me
sufocando na nova posiçã o. Eu engasguei tentando respirar enquanto
ele empurrava minhas pernas até meu peito e penetrava minha bunda
novamente. Eu nem tive fô lego para gritar. Minhas mã os mexeram na
coleira, tentando afrouxá -la, mas ele me deu um tapa no rosto e
estabeleceu um ritmo forte que tornou impossível para mim relaxar
meu corpo.
Eu vi estrelas, nã o conseguia respirar... estava tendo um ataque de
pâ nico e meus soluços se misturaram aos sons de prazer dele enquanto
eu engasgava com meu pró prio ar. Minha visã o escureceu nas bordas e
eu desejei que isso me levasse embora, mas eu mal ainda tinha ar
suficiente para nã o desmaiar. Tentei dissociar. Parecia durar uma
eternidade e fiquei entorpecida quando uma profunda sensaçã o de
desespero me encheu. Nã o sei quanto tempo demorou até ele gozar na
minha bunda e sair.
Desabei na cama e me enrolei de lado, arfando enquanto me
colocava em uma posiçã o que nã o fosse a de me estrangular, pois meu
corpo tremia de choque e dor. Ouvi o chuveiro ser ligado e fiquei onde
estava, completamente fora de mim.
Eu nã o era nada. Eu nã o era forte o suficiente.
Eu nã o seria capaz de sobreviver cinco dias disso.
A á gua foi desligada e eu o ouvi entrar no quarto. Ele fez um som
irritado e seus passos se aproximaram. Fiquei tensa, mas ele apenas
desamarrou a coleira da cabeceira e me arrastou para o lateral da cama.
— Saia da cama, você está sangrando por todo lado.
Tentei me levantar, mas nã o tive forças e caí no chã o. Eu sabia que
minha testa e lá bio estavam cortados, mas tudo doía e eu nã o tinha
mais vida para fazer nada. Eu nã o conseguia parar de chorar.
— Você é patética. — disse ele. — Veremos se você aprendeu a
liçã o amanhã .
Ele soltou a coleira e deve ter sinalizado de alguma forma porque
Sal e Tank entraram e sem dizer uma palavra me arrastaram para longe.
Eu nã o conseguia andar, entã o eles me apoiaram entre eles.
— Brutal. Eu deveria ver se Paxton me deixa assistir. — ouvi Sal
dizer.
Nã o me lembrei de nada depois disso até que abri os olhos mais
tarde e estava de volta à minha cela. Enrolei-me em uma bola sob o
cobertor e deixei a escuridã o me puxar para baixo.
CAPÍTULO VINTE E UM

Se pensei que estava machucada ontem, eu estava muito mais no


dia seguinte. Minha cabeça latejava de dor e todo o meu corpo parecia
que eu tinha levado uma surra porque, bem, eu levei.
Sal e Tank vieram me buscar por volta do meio-dia, mas eu me
encolhi no fundo da minha cela. Sal riu cruelmente.
— Vamos, coelhinha. — ele provocou. — Hora de ir.
Eles me arrastaram para fora e eu já estava chorando quando
entramos no quarto de hotel de Paxton. Todo o desejo de revidar
desapareceu. Ele me aterrorizava com sua violência e embora minha
raiva ainda queimasse quente e pesada dentro de mim, meu corpo se
recusou a me deixar desobedecê-lo. Ouvi a porta do banheiro se abrir e
entrei em pâ nico e puxei o vestido pela cabeça e me ajoelhei no chã o
perto da cama. Ele saiu e eu olhei para seus sapatos quando eles
entraram no meu campo de visã o. Estremeci quando ele se abaixou
para prender a coleira de volta na minha coleira fixa e tentei acalmar
minhas mã os trêmulas.
— Bom dia, Coelha. — disse ele. Ele me beijou na bochecha e eu
tive vontade de vomitar.
— Senhor. — eu grunhi.
Ele puxou a coleira e saímos do quarto.
Alguns minutos depois, percebi que estávamos de volta na Sala
Vermelha e tremi quando o pâ nico começou a aumentar. Hesitei e
arrastei os pés... com medo de resistir, mas com medo de entrar na sala.
Ele sentiu a tensã o na coleira e me puxou para frente com tanta força
que tropecei e caí de joelhos.
Ele me puxou para uma á rea diferente, onde havia uma corrente e
algemas penduradas em um laço no teto. Ele algemou meus pulsos e
depois arrastou a corrente, puxando meus braços para cima até que eu
só consegui ficar na ponta dos pés. A tensã o era tã o forte que as
algemas cortaram meus pulsos novamente e o sangue escorreu pelos
meus braços. Ele me segurou lá e depois andou ao meu redor,
admirando os vergõ es e hematomas em meu corpo.
— Linda. — Seus dedos percorreram as marcas em reverência
antes de ele ir até uma mesa e pegar um chicote novamente.
Ele me bateu algumas vezes até que eu pude ver sua sede de
sangue sair e entã o os golpes ficaram mais fortes. As lá grimas
escorriam pelo meu rosto de dor enquanto eu tremia e choramingava e
tentava sair do caminho dele. Os golpes somados aos abusos já
cometidos eram insuportáveis. No momento em que ele parou, minha
cabeça estava pendurada no peito e eu estava tendo dificuldade para
me concentrar em qualquer coisa que nã o fosse à dor.
Tentei agarrar minha raiva... era a ú nica coisa que eu conseguia
sentir além da dor, mas era difícil até mesmo formular um pensamento.
Levantei minha cabeça para olhar para ele e ele se aproximou e agarrou
meu rosto. Quando ele me beijou, mordi seu lá bio com força suficiente
para tirar sangue. A expressã o em seus olhos quando ele se afastou foi
assassina e ele cuspiu o sangue na minha cara.
— Você ainda nã o aprendeu, nã o é?
Ele deu a volta por trá s de mim e agarrou meus quadris e seu pau
pressionou contra minha bunda. Ainda estou com muita dor de ontem e
o medo percorreu meu corpo. Eu engasguei de dor quando ele
empurrou dentro de mim e estabeleceu um ritmo forte.
— Foda-se. — eu solucei.
Devo ter desmaiado porque ele me deu um tapa e a sala voltou a
aparecer. Ele ficou na minha frente, seus olhos sinistros e ameaçadores
enquanto seus dedos encontravam meu clitó ris e ele lentamente me
acariciava.
— Você fica tã o bonita quando chora. — ele meditou
sombriamente.
Seus dedos deslizaram dentro de mim e esfregaram meu ponto G.
Eu pulei quando algo vibrou contra meu clitó ris. Ele estava segurando
um pequeno vibrador contra mim. Apesar da dor, senti algo despertar
dentro de mim. Era sombrio e distorcido e estava longe do prazer
eufó rico com o qual eu estava acostumada. Envolveu a dor enquanto
queimava violentamente meu corpo. Eu sabia que tudo o que me
esperava naquele precipício era mais dor e escuridã o. Mas ele
continuou a me aproximar até que eu estava tremendo e ofegante. Eu
estava molhada em torno de seus dedos e ele sorriu para mim.
— Nã o goze.
Eu choraminguei e lutei, lutando muito para evitar o orgasmo.
Nunca na minha vida tentei tanto nã o gozar, mas o orgasmo continuou
vindo em minha direçã o e eu gritei.
— Nã o, nã o, nã o.... eu vou... pare! — Eu implorei e lutei enquanto
tentava afastá -lo antes que ele pudesse me fazer gozar. Ele parou bem
na beirada e eu cedi contra as algemas, ofegando em meio aos soluços.
Ele se afastou e eu forcei minha excitaçã o para baixo, tentando pensar
em qualquer coisa, menos em como ele estava prestes a me fazer gozar.
Ele voltou e ouvi o estalido de uma faca. Levantei a cabeça e ele viu o
terror em meus olhos.
— Ah, você sabe o que isso significa. — disse ele, divertido.
— Por... favor. — eu engasguei. Eu estava chorando tanto que meu
corpo tremia. Ele passou a faca pela minha pele e eu estremeci. A faca
cravou em minha pele quando ele fez um corte em meu peito, perto do
recém-curado de Roger e eu estremeci e o amaldiçoei.
— Vai se foder. — eu gritei. Ele me deu um tapa na boca e depois
fez mais dois cortes profundos no meu peito. A dor aumentou quando o
sangue escorregou pela minha pele. Ele esfregou os dedos e escreveu
algo no meu peito.
— Minha putinha suja. — ele disse, entã o tocou meu clitó ris, me
fazendo pular e a excitaçã o começou a crescer novamente.
— Nã o... — eu choraminguei, torcendo as restriçõ es.
Paxton afastou os dedos e se ajoelhou na minha frente. Ele pairou
a faca sobre meu abdô men.
— Porra... por favor... nã o... foda-se!
Eu me debati, gritei e o amaldiçoei violentamente. Ele olhou para
mim enquanto trazia a faca para minha pele e entã o minha maldiçã o se
transformou em soluços e ele arrastou a faca pela minha pele. Gritei até
nã o ter mais certeza de que conseguiria. Ele espalhou sangue na minha
boceta e começou a me tocar novamente.
— Goze para mim, Coelha. — ele disse, sua voz cheia de desejo.
Sua outra mã o encontrou meu clitó ris e antes que eu percebesse,
o orgasmo veio em minha direçã o e a dor explodiu pelo meu corpo. Caí
numa escuridã o cheia de tormento e gritei e me debati enquanto o
orgasmo me separava. Apaguei e quando voltei à realidade, vomitei aos
meus pés e engasguei por ar.
Minha garganta estava em carne viva.
Eu estava tendo um colapso.
Eu nã o conseguia recuperar o fô lego. Eu estava me afogando.
Devo ter parecido inconsolável porque ele soltou minhas mã os e
eu caí no chã o. Quando ele veio em minha direçã o, tentei me afastar. Eu
nã o poderia mais fazer isso. Eu nã o conhecia nada além de agonia. Isso
estava muito além de qualquer coisa que pudesse ser real. Havia sangue
por toda parte.
As algemas ainda estavam em volta dos meus pulsos
ensanguentados enquanto eu rastejava pelo chã o. O ú nico pensamento
em minha mente era fugir. Ele se ajoelhou e agarrou meu cabelo, me
puxando para encará -lo.
— Apenas o segundo dia e você já quebrou. — ele disse,
decepcionado. Ele me largou e eu me arrastei para longe dele, exceto
que meu corpo nã o estava funcionando corretamente. Virei à cabeça e
observei-o em meio à s lá grimas enquanto ele pegava uma peça da mesa
e avançava em minha direçã o. Eu me arrastei para trá s e tentei chegar
até a porta.
— Nã o, nã o, nã o... — Nã o sei o que estava dizendo.
Ele ia me matar.
Eu sabia em um nível visceral que ele iria me matar.
Ele me puxou pela coleira e eu caí no rastro de sangue que deixei
no chã o. Eu gritei quando o primeiro golpe do bastã o fino pousou em
mim. Tentei fugir, mas ele colocou a coleira sob o pé, prendendo minha
cabeça no chã o. Gritei até achar que nã o estava fazendo nenhum som e
me enrolei como uma bola quando o bastã o me atingiu por toda parte.
Desmaiei novamente. Quando voltei a mim, ouvi outras vozes. Nã o
conseguia entendê-las. Nã o conseguia enxergar direito e a dor deixava
minha cabeça confusa. A escuridã o me afastou.
A á gua estava me atingindo. Eu estava no chuveiro. A á gua estava
piorando as coisas e eu lutei e gritei quando ela atingiu meu corpo. Vi
sangue escorrendo pelo ralo e desmaiei novamente.
Na pró xima vez que acordei, estava de volta à minha cela, deitada
perto da porta. Tentei me mover e gemi quando a dor percorreu meu
corpo. Meus pulsos estavam enfaixados com gaze e lentamente levantei
meu vestido para olhar meu corpo e comecei a chorar.
Fui cortada profundamente em vá rios lugares e os golpes criaram
linhas vermelhas de raiva por todo o meu corpo. Duas delas eram tã o
profundas que cortavam quase todo o mú sculo, criando cortes
profundos no meu quadril. Eles tentaram enfaixá -los, mas pude ver o
sangue escorrendo.
Deitei-me novamente e tentei me acalmar, mas nã o adiantou. Cada
respiraçã o doía e minha mente estava tomada pela agonia. Perdi
alguma coisa, talvez eu mesma, e nã o sabia se algum dia conseguiria
recuperá -la.
Eu nunca soube como seria ser quebrada, mas agora eu sabia.
Eu queria morrer. Exceto que eu nã o tinha energia.
Algumas horas depois, em algum lugar através da neblina, pensei
ter ouvido meu nome. Ninguém me chamava pelo meu nome aqui. Olhei
para as grades, tentando abrir a boca e responder, mas nã o tenho
certeza se saiu algum som. Era como andar na lama. Eu vi uma sombra
passar na frente da minha cela.
— Kaelin.
Antes que eu pudesse descobrir quem era, a escuridã o me puxou
novamente.
Quando acordei, nã o estava mais na minha cela. Eu estava em uma
cama, podia senti-la macia debaixo de mim. Eu ainda estava com o
vestido branco ou algum tipo de roupa, dava para sentir na pele. Mas eu
imediatamente soube que algo estava errado porque eu nã o conseguia
me mover. Nã o me senti contida, mas através da névoa em meu cérebro,
percebi que estava drogada.
Vi Paxton aparecer acima de mim e tive vontade de gritar ou lutar,
mas nã o consegui. O que quer que tenha sido dado a mim era igual a
droga do primeiro dia. Eu podia ver e sentir, mas nã o conseguia me
mover nem um centímetro.
— Bem, fiquei reduzido a visitas supervisionadas. — disse Paxton
com uma carranca. — Aparentemente danifiquei muito o produto de
Cooper.
Ele passou as mã os pelo meu corpo e eu queria morrer quando
ele voltou a causar dor novamente. Nas horas seguintes, eu estava no
inferno. Pior que o inferno, tudo o que existia para mim era dor, sem a
capacidade de lutar, gritar ou processá -la para fora do meu corpo, isso
arrancou minha mente de mim.
Paxton me estuprou e brincou com meus ferimentos até que senti
o momento em que minha mente quebrou e fui para algum lugar tã o
escuro e enlouquecido que nem me reconheci. Eventualmente, o caos se
fechou ao meu redor e eu dei as boas-vindas à escuridã o enquanto ela
se arrastava pela minha visã o e afastava minha mente torturada da
realidade. Afundei gritando silenciosamente no abismo e fiquei grata
quando tudo finalmente desapareceu.
Quando recuperei a consciência, nã o sabia quanto tempo havia
passado, mas eu estava completamente desorientada. Foi preciso muito
esforço para formar um pensamento coerente. Fiquei ali olhando para o
teto até perceber que poderia me mover novamente. Fiquei tã o aliviada
que levantei meu braço com muito esforço e me dei um tapa na cara.
Isso me acordou mais. Meu corpo estava pesado, cada movimento
exigia um esforço monumental, como se eu estivesse andando na lama.
Meus pensamentos continuavam escapando de mim. Virei à cabeça e
meu cérebro levou um minuto para registrar o que estava vendo.
Sal e Tank estavam mortos.
Entã o ouvi á gua corrente no banheiro e o terror que tomou conta
de mim foi devastador.
Paxton os matou?
Isso significava que estávamos sozinhos e eu sabia, sem sombra
de dú vida, que seria quando eu morreria. Ele ia me matar.
Tentei sair da cama e correr, mas nã o tinha forças e acabei caindo
no chã o. Tentei novamente, mas só consegui me ajoelhar antes de cair
de novo. Ouvi passos saindo do banheiro e minha mente ficou vazia de
terror.
Eu me arrastei pelo chã o, meus movimentos dolorosamente
lentos. Eu estava gritando, implorando e soluçando tanto que nã o
conseguia ver. Meu peito estava apertado e eu nã o conseguia respirar
devido ao pâ nico. Tentei chegar até a porta, mas os corpos dos guardas
estavam no caminho e eu ainda estava envolta demais em uma névoa de
drogas para passar por cima deles. Entã o, em meio à minha histeria,
ouvi meu nome.
— Kaelin! Kaelin! Pare! Sou eu...
Um calafrio percorreu meu corpo tã o violentamente que
estremeci e me virei e tentei me concentrar no homem vindo em minha
direçã o, atraída pelo uso do meu nome. Eu estava ofegante e meu peito
arfava, quase entrei em pâ nico novamente quando nã o consegui
respirar fundo. Eu ainda nã o conseguia compreender o que estava
acontecendo, mas minha visã o clareou e as feiçõ es do homem surgiram.
Era Graham.
Nã o, nã o era possível. Tinha que ser uma alucinaçã o. Ele estava
morto. Eu o vi morrer.
— Ei... Shh... estou aqui... venha aqui.
Ele estava fazendo sons suaves enquanto se ajoelhava perto de
mim. Seu rosto parecia dolorido quando ele percebeu meu estado de
angú stia. Ele nã o estava mais se movendo em minha direçã o, mas
estava estendendo as mã os, deixando que eu fizesse o movimento.
— Graham? — Eu disse com voz rouca. — O que... o que você
está ...? Oh meu Deus... — Estendi a mã o para ele, sua imagem vacilou
em meio à s minhas lá grimas e quando meus dedos tocaram os dele, eu
me quebrei e perdi completamente o controle.
CAPÍTULO VINTE E DOIS

No minuto em que seus dedos tocaram os meus, eu a puxei para o


meu peito, onde ela desabou soluçando. Eu a segurei com força,
tentando manter minhas pró prias emoçõ es sob controle.
— Sh... estou aqui... estou com você... — Eu apenas repeti isso
enquanto a segurava, acariciando seus cabelos. Seus gritos eram de
alguém completamente e totalmente destruído. O estado em que ela
estava me deixou quase cego de raiva. Eu gostaria de ter agido antes. Já
era quase tarde demais... ela já estava destruída, mas pelo menos estava
viva.
Eu poderia trabalhar com ela viva.
Agarrei-a com força em meus braços, tentando manter seus
pedaços juntos. Seus gritos rasgaram minha alma e ela parecia com
uma concha com muitas rachaduras. Eu praticamente podia sentir sua
alma vazando pelos meus dedos. Nã o sei quanto tempo ficamos ali
sentados no chã o, mas seu choro frenético finalmente parou. Ela estava
tremendo e respirando em pequenos suspiros enquanto tentava
recuperar o fô lego.
— Apenas respire, baby... apenas respire... — Ela se mexeu em
meus braços e olhou para mim. Aqueles lindos olhos verdes agora
assombrados, opacos e tã o aterrorizados que me senti mal.
— Como você está aqui? — Sua voz estava rouca e fraca.
— Eu nã o ia deixar você aqui. — eu zombei.
— Sim, mas... mas eu vi... pensei que você estava... — Ela nã o
conseguiu terminar o pensamento.
— Sou mais difícil de matar do que isso, garota bonita. — eu disse
gentilmente, colocando uma mecha de cabelo atrá s da orelha dela.
O alarme cruzou seu rosto e ela olhou freneticamente ao redor do
quarto, aproximando-se de mim.
— Onde está Paxton?
— O bastardo tatuado? — Rosnei e minhas mã os apertaram ao
redor dela. Ela se encolheu e eu respirei, sabendo que a estava
assustando. — Morto. Ele está ali.
Balancei a cabeça para o outro lado da cama. Eu nã o ia lhe dizer
que entrei e vi os guardas observando-o estuprá -la quando ela estava
inconsciente. Eu os matei primeiro, depois o arrastei para longe dela e
bati nele até deixá -lo quase morto e finalmente atirei nele.
Ela nã o precisava saber disso.
— Mas precisamos ir agora. Você pode andar?
Eu a ajudei a se levantar e ela estremeceu, com o rosto
comprimido de dor. Eu nã o sabia a extensã o dos ferimentos dela ainda,
mas os que pude ver me fizeram querer matar aquele bastardo
novamente. Tirei uma calça dela e um par de sapatos e meias da minha
mochila e a ajudei a calçá -los. Entã o peguei minha camisa de flanela e a
enrolei nela. Ela enterrou o rosto no tecido e quase se partiu novamente
ao ser cercada pelo meu cheiro. Na porta, me virei e entreguei a ela uma
arma.
— O que devo fazer com isso? — Ela perguntou.
Ela a segurou entre dois dedos como se fosse uma cobra viva.
— Atire nas pessoas. — eu disse simplesmente.
Eu me senti melhor por ela ter algo com que se defender. Ela nã o
parecia gostar da ideia, mas nã o se opô s novamente. Quando estávamos
no corredor, ela agarrou minha manga.
— Eu preciso chegar à sala de comando. — Parecia que era difícil
para ela pensar com clareza e seus olhos ainda estavam vidrados por
causa da droga que ela havia recebido.
— Nã o temos tempo. — eu disse.
— É a ú nica maneira de sair daqui. Posso fechar algumas
passagens e limitar o nú mero de guardas que vêm atrá s de nó s. Caso
contrá rio, no minuto em que descobrirem que estamos tentando
escapar, vã o nos encurralar.
Eu fiz uma careta, mas ela tinha razã o.
— Qual direçã o? — Perguntei.
— Fica perto do escritó rio de Cooper. — disse ela. Ela ainda
parecia instável, mas saiu pelo corredor.
Nã o encontramos nenhum problema até que estávamos quase lá e
uma porta se abriu e dois guardas saíram. Eles nos olharam em estado
de choque e hesitaram por um segundo a mais, surpresos. Atirei em
ambos em rá pida sucessã o e eles caíram pesadamente no chã o. Ouvi
Kaelin inspirar profundamente, mas ela nã o disse nada e fui até os
corpos. Rapidamente tirei-lhes as armas e peguei um aparelho de rá dio.
Coloquei-o e imediatamente ouvi uma conversa em meu ouvido.
Fiz sinal para Kaelin me seguir novamente e viramos em outro
corredor e nos deparamos com mais guardas. Empurrei-a de volta para
o corredor, abrindo fogo enquanto o fazia. Ouvi o rá dio acender e
praguejei. Nã o estávamos mais passando despercebidos pelo radar.
Enfiei a cabeça no corredor e disparei uma saraivada de balas.
Afastando-me, ouvi pelo rá dio que eles estavam vindo atrá s de nó s.
Olhei pelo corredor novamente e matei os guardas restantes. Ouvi um
suspiro e um tiro e me virei e Kaelin estava apontando a arma para um
guarda atrá s de nó s. Ela nã o o acertou, mas o fez parar e o segundo foi
tudo que precisei para atirar nele rapidamente.
— Vamos. — eu disse.
Agarrei o braço dela e corremos por entre os cadáveres. O rá dio
estava enlouquecendo e ouvi Cooper dando ordens. Ele estava tã o
metó dico e calmo como sempre. Abri uma porta e corremos por um
laborató rio. Nã o tive tempo de olhar em volta antes de atirar nos
guardas que bloqueavam a porta à nossa frente. Passei correndo por
ela, verificando se Kaelin ainda estava comigo e entã o entramos no
centro de comando. O espaço apertado tornava difícil atirar nos
guardas. Eles me atacaram e eu soquei um, depois atirei no outro. O
terceiro se jogou em mim, mas sua luta foi desleixada e eu o joguei na
minha frente e quebrei seu pescoço. Kaelin estava pressionada contra a
porta, me observando com algo pró ximo de admiraçã o e medo. Ela
estava me vendo exatamente como eu era.
Um assassino metó dico. Um assassino a sangue frio. Um homem
quebrado.
Eu a vi superar seu breve medo da violência e ela passou correndo
pelos corpos e sentou-se. Ela parecia ter que trabalhar duro para se
concentrar por um momento, mas assim que trancou a porta do centro
de comando e as duas externas fora dela, ela parecia ter se encontrado
novamente. Havia uma expressã o determinada em seu rosto e seus
dedos começaram a ganhar velocidade enquanto voavam pelo teclado
mais rá pido do que eu conseguia acompanhar enquanto ela fechava
passagem apó s passagem.
— Como você sabe fazer isso? — Eu perguntei, observando por
cima do ombro dela.
— Graham... — ela respirou.
Ela parou em uma câ mera de vigilâ ncia focada no laborató rio pelo
qual passamos. Vá rios humanos estavam nas mesas de operaçã o com
cientistas circulando ao redor deles. Nó s dois nos entreolhamos.
— Ele está fazendo algum tipo de teste em humanos. — disse ela.
— O que esse bastardo está fazendo? — Murmurei, olhando para
as câ meras em mais algumas salas. Havia outras pessoas em vá rios
está gios de cirurgia ou em acompanhamento.
Ouvi meu nome vindo de uma das câ meras. Kaelin a colocou em
uma tela maior e lá estava Cooper olhando para a câ mera de segurança.
— Eu sabia que eu mesmo deveria ter matado você. — disse ele
em tom de conversa. — Eu sei que você tem um rá dio. Fale comigo,
Wolfman. — Eu sabia que Cooper saberia que era eu no minuto em que
a merda acontecesse, mas nã o me importei. Ele estava certo, deveria ter
verificado a morte.
— Distraia-o para que eu possa terminar de fechar as passagens.
— O que você quer, Cooper? — Eu disse no rá dio.
— Bem, seu timing é impecável. Deparei-me com algumas
informaçõ es interessantes hoje. — disse ele, olhando presunçosamente
para a câ mera. — Você sabe quem realmente é a garota?
Eu olhei para Kaelin. Ela nã o olhou para mim, mas franziu a testa.
— Porra. — ela murmurou. — Ele colocou algumas proteçõ es em
algumas dessas portas externas. Vou levar um minuto.
— O que ele quer dizer? — Eu perguntei a ela.
— Ela pode ser a chave. — Cooper dizia. — Eu preciso dela, Wolfe.
— Kaelin... do que ele está falando? — Ela olhou para mim
brevemente.
— Meu sobrenome é Bennet. — disse ela. Como se isso
significasse alguma coisa para mim. Ao meu olhar vazio, ela suspirou.
— Sou a CTO2 da Phox.
Cooper estava falando novamente.
— Ela pode me ajudar a terminar o que comecei aqui. Como você
provavelmente já viu nas câ meras, a Toca é apenas uma fachada. Estou
desenvolvendo algo grande aqui, cara.
— A empresa de tecnologia militar? — Eu perguntei e olhei para
ela sob uma nova luz.
— É essa mesmo. — ela disse sarcasticamente e voltou ao que
estava fazendo.
— Algo que fará um soldado melhor... — Cooper estava dizendo.
— ...torná -los fortes tanto mental quanto fisicamente.
— Que porra é essa? — Kaelin murmurou baixinho. — Ele é louco.
— Com esta tecnologia eles podem resistir a condiçõ es adversas,
calcular distâ ncias, ver assinaturas de calor, todos os recursos. —
continuou Cooper. — Eles também serã o capazes de suportar a dor e a
tortura psicoló gica. — Ele fez uma pausa e eu olhei para seu rosto na
tela. Meu estô mago caiu. — Entã o algo como o que aconteceu conosco e
com Trav nã o acontecerá com mais ninguém.
E aí estava. Com suas palavras, os pesadelos do meu passado
inundaram meus pensamentos.
Minha cabeça doía e quando tentei me mover, descobri que não
conseguia. Abri os olhos e vi que estava nu e amarrado a uma cadeira.
Minhas pernas estavam amarradas a cada perna e meus braços estavam
amarrados do pulso ao cotovelo nos apoios de braço. Até meu pescoço
estava preso para que eu não pudesse me inclinar para frente. Eu me
debati, tentando balançar a cadeira.
— Está aparafusada ao chão.
Virei-me e vi Cooper olhando para mim. — Eu já tentei.
Olhei para o outro lado e vi Trav. Meu sangue gelou. Sua cabeça
ainda estava inclinada sobre o peito, inconsciente. Ao lado dele estavam
vários outros homens da nossa unidade amarrados da mesma forma.
Saí do flashback, sentindo falta de ar.
Kaelin olhou para mim com o canto do olho.
— O que ele quer dizer com isso? — Ela perguntou.
— Por que você nã o me contou quem você era? — Eu perguntei
em vez disso.
— Graham... você nã o queria conversar de jeito nenhum. — ela
disse exasperada e voltou-se para o computador. — É por isso que a
comunicaçã o é tã o importante.
— Vamos Wolfe. Dê ela para mim. Melhor ainda, junte-se a mim.
Você sabe que sempre posso usar um homem com seus talentos em
minha equipe.
— Cara, ele com certeza muda de tom rapidamente. — resmungou
Kaelin.
Seus dedos se moviam metodicamente enquanto seus olhos
examinavam uma tela que eu nã o entendia, mas a tensã o estava
diminuindo lentamente de seu rosto. Ela sorriu para a tela e balançou a
cabeça.
— A segurança dele é uma merda. — ela murmurou.
— Imagine Graham — disse Cooper. — Nã o ser capaz de quebrar.
Ele olhou severamente para a câ mera e eu vi os fantasmas em
seus olhos.
A dor que todos nó s compartilhamos.
— Ele não sabe de nada! — Eu rugi, tentando ser ouvido acima do
grito de Trav. Não havia uma parte do meu corpo que não doesse, mas eu
ainda lutava, mesmo sabendo que era inútil. Eles estavam seguindo a fila,
nos questionando e tentando extrair informações. Meus dedos da mão
esquerda estavam todos quebrados e eu sangrava devido a vários cortes
profundos no peito. Um dos meus olhos estava quase fechado e inchado e
eu podia sentir o gosto de sangue na minha língua, desde quando eles
decidiram que eu não estava sendo cooperativo e me usaram como saco
de pancadas.
Cooper estava em um estado semelhante, mas ele tinha uma
expressão enlouquecida e seu sorriso de Coringa estava no lugar, com
sangue escorrendo do queixo para o peito cortado. Ele apenas ria na cara
deles o tempo todo e agora estava vendo o resto de nós sofrer.
— Não conte nada a eles, Trav! — Cooper gritou. Eles estavam
trabalhando nas unhas de Trav e cada grito parecia uma faca no meu
peito.
Trav gritou novamente.

— Graham, eu peguei as especificaçõ es. Teremos que seguir


exatamente o mapa.
Pisquei e desviei os olhos de Cooper e do passado para vê-la
franzindo a testa para mim.
— A menos que você vá se juntar a este hospício?
— Você realmente poderia fazer isso? — Eu perguntei baixinho.
Algo brilhou em seu rosto.
— É altamente antiético...
— Mas você poderia fazer isso? Criar um chip ou algum tipo de
tecnologia que impeça alguém de quebrar sob pressã o?
— Graham...
— Responda-me. — eu disse bruscamente.
— Tecnicamente, sim. — ela disse, olhando para mim com cautela.
— Você vai deixar ele me levar de novo? — Sua voz falhou e eu percebi
que ela mal conseguia aguentar tudo. O trabalho no computador a
firmou, mas eu ainda podia ver a dor e as bordas desgastadas em seus
olhos. Passei a mã o pelo rosto.
— Nã o... claro que nã o. — eu disse.
O que aconteceu conosco, com meu irmã o... nada poderia mudar
isso. O que Cooper estava propondo ultrapassava tantos limites e
causaria mais dor e sofrimento para ser realizado.
O fim justificava os meios? O sofrimento por uma boa causa
anulava o caminho percorrido para chegar lá ? Minhas linhas estavam
tã o borradas por causa do combate e do que eu tive que fazer para
encontrar Trav tantos anos atrá s, que eu nã o tinha certeza se algum dia
poderia me considerar uma boa pessoa novamente. Mas eu nã o iria me
enfiar em qualquer buraco em que Cooper se encontrasse.
— Nã o. — eu disse com mais firmeza.
Olhei para o mapa que ela puxou e guardei-o na memó ria
rapidamente. Quando me virei para Kaelin, ela estava olhando para o
antebraço e sua boca formava uma linha sombria.
— Você vai precisar retirar o rastreador.
Ela olhou para mim e estendeu o braço, o dedo posicionado sobre
uma cicatriz na pele. Peguei seu pulso, tomando cuidado para evitar as
marcas das algemas que faziam meu sangue ferver só de olhar.
Quando puxei minha faca, ela estremeceu e fechou os olhos,
respirando fundo e trêmula. Pude senti-la tremer nas minhas mã os e
nã o gostei da ideia de cortá -la, mas sabia que nã o poderia ser evitado,
entã o fiz isso o mais rá pido que pude. Fiz um corte e retirei o
rastreador, deixei-o cair no chã o e esmaguei-o violentamente sob a
bota.
— Vamos sair daqui. — eu disse.
A QUEBRA
É na quebra que nos tornamos inteiros novamente.
É através da escuridão que encontramos as estrelas.
Em algum lugar entre a alma e o eu,
Descobrimos do que somos feitos.
CAPÍTULO VINTE E TRÊS

Conseguimos sair da Toca e eu finalmente estava livre, mas mal


conseguia me manter firme. Depois do meu colapso total com Paxton, a
minha mente parecia instável, como se pudesse flutuar e deixar-me
para trá s a qualquer momento. A ú nica clareza que tive foi quando
estava diante dos computadores. Agora tudo o que estava entre mim e a
insanidade era a adrenalina. Depois que isso desapareceu, eu nã o tinha
certeza do que ficaria para trá s com a dor e fiquei com medo.
Graham também me preocupou quando vi a dor e o sofrimento
em seus olhos. O que quer que ele e Cooper tenham passado foi
sombrio e profundo. Somente um ser humano muito destruído poderia
fazer o que Cooper estava fazendo na Toca... Trá fico de seres humanos
para financiar seu projeto científico. E conseguir cobaias. Nã o tive
dú vidas de que ele usou algumas daquelas mulheres para seus testes
psicoló gicos. Meu sangue gelou ao pensar nos horrores que ele estava
cometendo naquele lugar. Mesmo sabendo que a tecnologia era possível
e mesmo possuindo tecnicamente as habilidades necessá rias para
descobri-la, eu nunca teria participaçã o em algo tã o sombrio. Isso
exigiria que eu me perdesse em uma escuridã o da qual ninguém
poderia voltar.
Encontramos um prédio abandonado que parecia ter sido uma
antiga base de combate a incêndios florestais e enquanto Graham
explorava a á rea, fui ao banheiro. A adrenalina que me mantinha de pé
e a dor sob controle estavam se esgotando.
Agora que eu estava fora da Toca, tudo doía e minha cabeça
parecia que ia explodir. Qualquer droga que eu tivesse tomado antes me
deu uma ressaca horrível.
Limpei alguns pequenos cortes e arranhõ es e tentei tirar todo o
sangue de mim, mas só fiz uma bagunça. Eu queria tanto tomar banho.
Ainda sentia Paxton entre as minhas pernas e a ideia do seu toque
fazia-me querer arrancar a minha pró pria pele. Minha mã o tremia
muito enquanto eu limpava o corte na testa, onde Paxton me empurrou
na cabeceira da cama. As memó rias pairavam bem abaixo da superfície
e ameaçavam me dominar.
Fiquei surpresa quando uma mã o cobriu a minha. Graham
gentilmente tirou o pano de mim e sem dizer uma palavra terminou de
limpar minha testa. Fiquei tensa quando a outra mã o dele gentilmente
subiu até meu queixo e ele inclinou meu rosto para poder ver um corte
em minha bochecha. Ele gentilmente enxugou e quando seus olhos
piscaram para os meus, meu rosto queimou. A vergonha me dominou,
me fazendo querer me dissolver em nada.
— Eu vi você morrer. — eu sussurrei, mal conseguindo falar com
as emoçõ es decididas a me estrangular.
— Eu levei um tiro. — disse ele secamente. — Mas passou direto
pelo meu quadril. Felizmente nã o atingiu nada vital, mas levei algum
tempo para me recuperar.
— Obrigada... por voltar por mim.
Seus dedos segurando meu queixo acariciaram minha pele com
um leve toque, como se ele estivesse com medo de que eu
desmoronasse se ele fizesse mais alguma coisa.
Eu nã o estava convencida de que nã o desmoronaria.
— Nã o sou nenhum heró i. — disse ele calmamente. Seus pró prios
olhos estavam assombrados e sombrios. — Nã o comece a pensar que
sou um bom homem, querida.
— Sem chance. — eu disse. — Estamos no inferno, Graham. Nã o
há heró is aqui. — Afastei-me dele e tentei esconder um
estremecimento quando a dor subiu pela minha lateral. — Só um monte
de gente quebrada. — eu gritei.
Tentei passar por ele, mas minha perna dobrou e ele colocou a
mã o na minha lateral para me firmar. A dor era entorpecente e eu gritei
e quase desabei contra a parede enquanto tentava afastar sua mã o.
— Nã o... — eu engasguei, lutando para respirar.
— O que foi? — Ele olhou para mim alarmado.
— Nada... — Sua mã o ainda estava em meu quadril e seus dedos
apertaram experimentalmente. Eu choraminguei de dor e tentei me
afastar dele.
— Isso nã o parece nada...
— Está tudo bem... — eu disse. O pâ nico tomou conta de mim e
me senti claustrofó bica quando ele pairou sobre mim. Ele viu minha
reaçã o e tirou as mã os de mim, mas seus olhos estavam sombrios e
perigosos.
— Kaelin, tire a calça.
— Graham, eu cuidarei disso.
— Agora ou eu farei isso por você. — ele rosnou. Comecei a
hiperventilar e ele deve ter percebido que estava piorando as coisas
porque respirou fundo e a escuridã o recuou ligeiramente de seus olhos.
— Kaelin, deixe-me ver. — disse ele em um tom muito mais gentil.
Tive medo de mostrar-lhe a extensã o dos danos. Eu já estava tã o
frá gil que senti que iria me despedaçar se nã o tivesse nada que me
mantivesse unida. Mas no fundo eu sabia que precisava de ajuda, entã o
com os dedos trêmulos desabotoei a calça e lentamente a arrastei para
baixo. Estremeci quando puxei o tecido do meu quadril. Uma maldiçã o
murmurada escapou dele quando viu a extensã o do dano e uma sombra
cruzou seu rosto. Eu vi seus punhos cerrados ao lado do corpo antes
que ele se ajoelhasse na minha frente.
— Kaelin... porra... — ele respirou.
Ele estendeu a mã o e eu tremi. Havia marcas de chicotadas por
todo o meu corpo. A maioria eram vergõ es vermelhos e irritados, mas
alguns cortaram minha pele. Os piores foram os dois cortes que
ocorreram na lateral do meu quadril. Arrisquei olhar para ele. Seu rosto
era uma tempestade de fú ria e miséria pela minha dor. Ele levantou
minha camisa alguns centímetros até minha barriga e um grunhido
furioso escapou quando viu os cortes e vergõ es que se estendiam ainda
mais. Meu corpo era uma coleçã o de hematomas e feridas de faca. Ele
pegou o kit de primeiros socorros e começou a trabalhar ferozmente.
Seu toque era gentil, mas ele estava tudo menos calmo. Eu podia sentir
a raiva que saía dele em ondas.
— Eu nã o percebi... — ele disse sombriamente. — Eu o teria
matado mais devagar.
Ele fez o possível para ser gentil e evitar que eu sofresse, mas era
impossível anular totalmente a dor e logo eu estava tremendo e
agarrando a pia com uma mã o e o ombro dele com a outra. Apesar dos
meus melhores esforços, meus lá bios tremeram. Tudo estava voltando
para mim.
Era demais.
A dor cortou minhas paredes de sobrevivência cuidadosamente
construídas e de repente eu nã o consegui respirar, meu peito doeu e
minha visã o ficou embaçada. Um soluço escapou dos meus lá bios e
soltei Graham para cobrir a boca com a mã o.
Eu nã o consegui parar. As lá grimas escorreram pelo meu rosto.
Graham se levantou e agarrou meus ombros.
— Respire — disse ele. — Apenas Respire...
— Eu nã o posso... eu nã o posso... — solucei.
Ele me puxou para seu peito e eu desmoronei. Ele passou os
braços em volta de mim e me segurou. Eu senti como se ele fosse a
ú nica coisa que mantinha meus pedaços quebrados juntos. Eu me senti
vazia.
Era como se todo o meu estresse e tristeza pela queda do aviã o e
pela sobrevivência estivessem saindo de mim. Eu nã o tinha lidado com
nada disso aqui, apenas empurrei para trá s e me concentrei em um pé
na frente do outro, mas agora isso estava me dominando. Eu nã o
aguentava mais carregar tudo.
Quando finalmente consegui parar de chorar, me senti vazia e
entorpecida. Ele terminou de enfaixar meu quadril e me ajudou a puxar
a calça para cima.
— Temos que nos mover. — disse ele, olhando para mim com
preocupaçã o. — Você pode fazer isso?
— Eu nã o tenho escolha. — eu disse.
CAPÍTULO VINTE E QUATRO

— Para onde estamos indo? — Kaelin engasgou atrá s de mim.


Já estávamos correndo há algum tempo. Eu podia ouvir a dor em
sua voz. Cooper logo estaria em nosso encalço e eu nã o queria parar e
perder de nossa vantagem, mas sabia que ela nã o poderia ir muito mais
longe sem uma pausa.
— Eu vi um mapa na Toca e deve haver um posto de guarda
florestal nã o muito longe daqui.
— Até que ponto nã o é muito longe?
— Uma semana.
— O quê?!
— Talvez mais.
Tudo o que pude ouvir foi sua respiraçã o irregular enquanto ela
aceitava nossa situaçã o.
— Podemos... podemos escapar de Cooper por tanto tempo?
— Ele é um rastreador melhor do que eu. — admiti de má
vontade. — Mas acho que temos uma boa chance.
Eu estava tentando ser otimista por ela, mas sabia que Cooper nã o
iria parar. Reconheci a expressã o em seus olhos: obsessã o. Ele nã o iria
parar e usaria todos os seus recursos disponíveis para nos encontrar...
encontrá -la. Se ela estava no alto escalã o da Phox, isso por si só a
tornava valiosa, mas quando ela disse que poderia, teoricamente,
desenvolver a tecnologia na qual ele estava trabalhando, isso a tornou
inestimável para Cooper.
Por mais que eu quisesse impedir as coisas horríveis que nos
aconteceram anos atrá s, nã o conseguia chegar a esse nível de
depravaçã o. Minhas pró prias indiscriçõ es foram por vingança e
desespero, e nã o apenas para machucar alguém porque eu podia...
embora eu achasse que Cooper estava dizendo a si mesmo a mesma
justificativa. De qualquer forma, isso envolvia Kaelin agora e eu nã o a
devolveria.
Ela era minha.
Assim que o pensamento passou pela minha cabeça, eu sabia que
nã o havia como voltar atrá s.
Olhei para o céu. Nó s realmente poderíamos usar um pouco de
chuva para ajudar a limpar a trilha, mas nã o parecia iminente, embora a
noite estivesse nublada. Nã o permiti uma pausa, mas alternamos entre
caminhar e correr. Quando pude, recuei e cobri nosso rastro e fiz todos
os truques que pude pensar para despistar Cooper e ganhar preciosos
minutos extras. Kaelin continuou obstinadamente, mas depois de
algumas horas pude vê-la começando a ficar para trá s, entã o finalmente
dei um ponto final.
— Quinze minutos. — eu ofeguei.
Kaelin caiu no chã o e se encostou a uma á rvore.
— Você nã o deveria se sentar, seus mú sculos vã o doer. — eu disse.
— Nã o posso continuar por muito mais. — disse Kaelin. Ela se
levantou e imediatamente vomitou em um arbusto.
— Merda. — eu sibilei. — Seriamente? É uma maneira de deixar
um rastro.
— Foda-se. — ela retrucou, mas sua voz era fraca. Olhei para ela
através da penumbra e a vi tremendo.
— Seu quadril está doendo?
— Isso importa? Um tempo atrá s você disse que me deixaria para
trá s se eu me machucasse. — ela disse calmamente, com a voz
embargada.
— Eu nã o quis dizer isso.
— Tem certeza disso? Porque isso é muito pior do que torcer o
tornozelo.
Eu fui até ela. Ela estava usando uma á rvore para se sustentar e
me observou com cautela enquanto me aproximava, empurrando-se
contra o tronco. Coloquei minha mã o em seu quadril e ela quase caiu
quando um soluço de dor escapou de seus lá bios. Sua mã o subiu e
agarrou minha camisa. Ela estava tremendo.
— Pare... — ela engasgou. — Nã o... toque nisso.
— Jesus, Kaelin. — eu murmurei.
Rapidamente tirei a gaze da mochila e afastei em sua mã o
enquanto cuidadosamente abaixava sua calça para expor seu quadril.
Cada vez que eu olhava para os ferimentos dela, sentia uma raiva tã o
completa que queria destruir a Toca e depois ressuscitar todos que
estavam nela para poder fazer isso de novo.
Ela olhou para os danos e depois encostou a cabeça na á rvore,
entregando o controle para mim. Alguns pontos foram puxados e ela
estava sangrando de novo, entã o a enrolei duas vezes com gaze e cortei
um pouco da calça para nã o esfregar nela, depois a abotoei novamente.
— Mais algumas horas e depois pararemos para um descanso
mais longo. — eu disse.
Ela encontrou meu olhar e nó s dois nã o conseguimos esconder a
preocupaçã o que compartilhamos.
Ainda nã o estávamos fora de perigo... literalmente.
Voltei a nos esforçar por mais algumas horas até que o cinza do
amanhecer chegou e eu reduzi a velocidade para parar pró ximo a um
rio. Eu vi as pernas de Kaelin cederem e ela deitou de costas, com o
peito arfando e um braço jogado sobre o rosto. Ela estava tremendo e
eu me preocupei por tê-la pressionado demais. A ú ltima coisa que
precisávamos era que ela escapasse da Toca e morresse de infecçã o.
Aproximei-me e me ajoelhei ao lado dela.
— Beba — eu disse, ajudando-a a se sentar. Ela tomou um gole e
imediatamente vomitou de volta.
— Eu preciso... eu preciso tirá -lo de cima de mim. — ela gaguejou.
Ela arrancou minha camisa de flanela que estava usando. Ela quase nã o
pareceu notar que eu estava ali enquanto desabotoava a calça e tirava
os sapatos antes de cambalear até a parte rasa vestindo apenas o
vestido branco com o qual a encontrei.
Deixei-a ter um minuto e encontrei um aglomerado protegido de
arbustos densos onde poderíamos nos esconder por cerca de uma hora
e entã o me virei. Kaelin estava sentada na parte rasa de frente para o
rio com os joelhos dobrados contra o peito e tremia violentamente.
Cheguei à beira da á gua.
— Kaelin.
Ela nã o respondeu. Ela estava fixada em uma marca de chicote em
seu braço e esfregava-a como se estivesse tentando tirá -la da pele.
Entrei, ao me agachar ao lado dela, coloquei minha mã o sobre seus
dedos trêmulos. Ela olhou para cima como se estivesse surpresa ao me
ver. Seus olhos estavam selvagens e desfocados, como se ela estivesse
revivendo algo aterrorizante.
— Eu ainda posso senti-lo. — ela engasgou.
Eu senti como se tivesse levado um soco no estô mago e vi seu
rosto desabar quando ela começou a chorar novamente. Ela tentou
remover uma marca de chicote diferente e eu a agarrei e puxei-a para
meus braços, onde ela me segurou como se eu fosse a ú nica coisa que a
impedisse de se afogar. Eu a peguei e a tirei da á gua até o cobertor que
estendi.
— Tire isso. — eu disse.
Acenei com a cabeça para a roupa encharcada em que ela estava
tremendo e levantei minha camisa de flanela para bloquear minha
visã o. Ela hesitou e entã o ouvi o vestido cair e ajudei-a a vestir a camisa
de flanela e abotoá -la.
— Vou dar uma olhada no seu quadril.
Ela assentiu e puxou a camisa de flanela para cima, torcendo para
que as feridas furiosas ficassem à vista. Elas pareciam um pouco
melhores depois de um mergulho frio no rio. Esfreguei mais á lcool
sobre elas e as enfaixei da melhor maneira que pude com a localizaçã o
incomoda.
— Tente dormir um pouco. — eu disse.
Sentei-me ao lado dela e puxei a ponta do cobertor sobre ela. Ela
se aninhou em minha camisa de flanela, o nariz enterrado na gola e
olhou indiferente para o nada. É como se quanto mais ela se afastasse
da Toca, pior ela ficava. A adrenalina e o instinto de sobrevivência que a
impulsionavam antes estavam se esgotando e a exaustã o e a dor
estavam corroendo seu já frá gil estado mental.
— Nã o quero sonhar. — disse ela.
Eu nã o tinha nada para dizer a ela. Eu sabia que os pesadelos
viriam. Eu sabia disso porque eu também os tinha. Peguei a mã o dela e
segurei. Foi a ú nica coisa que consegui pensar em fazer.
Ela adormeceu por alguns minutos, mas nã o parecia estar
descansando. Quando ela gritou enquanto dormia, imediatamente
coloquei a mã o sobre sua boca. Eu odiei fazer isso por causa do que isso
desencadearia, mas a ú ltima coisa que precisávamos era que ela
derrubasse Cooper sobre nó s. Ela se debateu e lutou contra mim e
quando abriu os olhos tudo que vi foi medo e pâ nico antes que ela visse
que era eu.
— Sinto muito, você estava gritando. — eu disse.
Rapidamente tirei minha mã o de sua boca. Ela se sentou e puxou
os joelhos até o peito, depois apoiou o rosto nas mã os e ficou assim.
Pessoas quebradas. Ela estava certa.
Nã o havia nada nesta floresta além de pessoas quebradas.
Todos nó s quebramos uma vez e entã o nunca mais seremos os
mesmos.
Cooper trouxe à tona uma grande ajuda sobre meu pró prio
trauma e agora, sentado com Kaelin, senti as feridas abertas de minha
pró pria irritaçã o do passado.
Nó s tínhamos quebrado. Cooper. Trav. Eu mesmo.
Eles destruíram nossos corpos e penetraram em nossas mentes.
Eles nos fizeram assistir um ao outro passar por um inferno e acho que
foi isso que acabou nos separando. Ver alguém de quem você gosta
passar por uma tortura do tipo mais sombrio é tã o ruim quanto ser
torturado fisicamente.
Deixei-a descansar por mais trinta minutos ou mais e entã o nos
levantei e nos movemos. O resto do dia foi difícil. Ela era quase um
zumbi. Seus olhos estavam vidrados e ela nã o falou. Ela nã o conseguia
manter nenhuma comida e quase nenhuma á gua.
Eu também estava exausto. O fato de eu ter consumido pouca
gordura e comida nas ú ltimas semanas havia me afetado muito. A falta
de sono também nã o ajudou. Mas alguém precisava nos manter em
movimento, eu simplesmente nã o tinha certeza de que iríamos durar
mais alguns dias assim.
Assim que a noite caiu novamente, encontrei outro local isolado e
puxei Kaelin para as sombras. Eu a acomodei, mesmo que ela nã o
parecesse saber o que estava acontecendo.
— Eu voltarei. Vou cobrir um pouco nossa trilha. — eu disse.
Eu pensei em deixar uma arma com ela, mas algo em seus olhos
me fez decidir contra isso.
CAPÍTULO VINTE E CINCO

Eu estava morrendo. Ou talvez eu estivesse desaparecendo


lentamente enquanto a dor corroía minha mente. Nã o havia como
alguém sentir tanta dor e nã o estar quase morto. Todo o meu corpo
doía. Até minha mente estava em agonia. Sempre que eu fechava os
olhos, via Paxton parado em cima de mim com uma faca e era
assustador. Eu podia sentir suas mã os em mim quando estava drogada
e incapaz de me defender e agora essa sensaçã o me assombrava. Teria
sido mais fá cil lidar com os flashbacks se eu também nã o estivesse
fisicamente ferida. A dor cortou todos os mecanismos de
enfrentamento que eu conhecia e enfraqueceu minha determinaçã o. Eu
me desassociei completamente de onde de repente piscaria e
encontraria o sol nascendo ou se pondo sem nenhuma lembrança das
horas anteriores.
Graham me deixou e eu cochilei, mas mesmo que a dor me
permitisse dormir, eu tinha muito medo dos pesadelos. Sem Graham lá
para me acordar se eu gritasse, eu nã o queria arriscar.
O resto do meu corpo era uma massa de hematomas e era difícil
me sentir confortável. Eu me senti à beira de um colapso. Minha mente,
normalmente forte, parecia tã o fina quanto uma folha de vidro. Um
movimento errado e tudo iria quebrar no chã o.
Eu nã o queria me mexer, nã o queria pensar, nã o queria mais
existir.
Mais tempo se passou antes que Graham finalmente retornasse.
Sua sombra cruzou na frente dos arbustos e meu coraçã o subiu até a
garganta até que o vi enfiar a cabeça e o resto dele me seguiu.
Ele se acomodou ao meu lado, tomando cuidado para nã o me
tocar.
— Vejo que você nã o é um picolé de urso.
Fiquei surpresa com uma piada anterior e tentei distinguir seu
rosto na escuridã o. Eu nã o tinha energia para dizer nada. As
lembranças da Toca pairavam no limite da minha mente, esperando
para surgir.
Era assim que parecia o fundo do poço? Eu tinha certeza que sim.
Comecei a tremer. Eu estava com tanto frio. Eu estava cansada de
sentir frio.
Senti a umidade cair em minhas mã os e percebi que em algum
momento comecei a chorar novamente. Eu me perguntei se isso iria
parar.
Devo ter cochilado porque estava de volta à Toca. O sonho
começou bem - eu estava com Kraven e ele me segurava no colo, me
acariciando, mas entã o seu rosto se transformou em Paxton e o sonho
se transformou em pesadelo. Eu gritei e lutei, tentando sair de seu
alcance. Uma mã o se fechou em volta da minha boca e quando acordei
na escuridã o, a mã o sobre minha boca era real.
— Kaelin, fique quieta! — Graham sussurrou asperamente em
meu ouvido com a mã o sobre minha boca. Eu estava tremendo e
tentando ofegar perto de sua mã o. Ele a tirou da minha boca e eu engoli
ar.
— Sinto muito... — eu respirei.
Eu estava à beira da histeria, a ansiedade me sufocava e me
esforcei para respirar fundo. Eu nã o achava que algum dia ficaria bem.
Os braços de Graham ainda estavam em volta de mim e sua mã o subia e
descia pelo meu braço. Fiquei tensa com seu toque. Eu nã o tinha
certeza se queria ser abraçada, mas ele nunca me machucaria e um
pequeno soluço escapou quando percebi que isso era tudo que eu
queria: simplesmente nã o sofrer mais.
— Apenas respire, linda. — ele murmurou. — Isso é tudo que eu
quero que você faça agora, respirar.
Enterrei meu rosto em seu peito e desabei novamente.
Eu nã o sabia que dia era. Num minuto eu estava correndo, no
outro estava no chã o. Devo ter caído, mas nã o me lembro. Ouvi passos e
me enrolei como uma bola.
Eu estava acabada. Eu só queria que tudo isso acabasse.
— Eu nã o vou deixar você. — Graham disse ferozmente.
Eu devia estar dizendo para ele ir embora, para me deixar para
trá s, mas minha mente estava confusa. Suas mã os me arrastaram para
meus pés e depois para seus braços. Eu nem percebi que estava
chovendo até que começou a cair sobre nó s e ouvi trovõ es rolando
sobre as montanhas enquanto as á rvores se agitavam e o vento
aumentava de intensidade.
Minha mente era um lugar escuro agora. Nada existia além de dor
e pesadelos. Adormeci nos braços de Graham apenas para acordar
aterrorizada. Eu estava no chã o e ele estava ajoelhado ao meu lado na
lama, cobrindo minha boca. Foi assustador. Eu desmoronei e fiquei
completamente inconsolável.
A dor, a exaustã o e o trauma mental correram para me afogar e eu
perdi o controle. Arrastei-me pela lama, pensando que estava de volta à
floresta na Toca e que Paxton estava atrá s de mim. No meu estado
maníaco, tentei pegar a arma da mochila.
Graham se lançou sobre mim e a arrancou de mim antes que eu
pudesse fazer qualquer coisa enquanto eu lutava contra ele ferozmente
enquanto a tempestade se alastrava ao nosso redor.
— Apenas me mate. — solucei. A chuva caiu forte e eu estava de
joelhos na lama, implorando a ele, arranhando sua calça em meu estado
desequilibrado. — Faça isso parar... eu nã o posso... eu o vejo toda vez
que fecho os olhos... apenas faça isso parar. — repeti vá rias vezes.
Finalmente desisti e minha testa caiu sobre a perna de Graham
enquanto eu chorava.
Graham se ajoelhou e agarrou meus ombros.
— Pare — sua voz estava rouca e seus olhos estavam cheios de
dor quando olharam para mim. Ele parecia tã o assombrado quanto eu.
— Pare... Kaelin, nã o faça isso com você mesma... — Entã o suas mã os
estavam no meu rosto e ele me fez olhar para ele. — Vamos sair dessa.
Nã o vou deixar que eles levem você de novo, eu prometo. — ele gritava
para ser ouvido em meio à tempestade enquanto o vento tentava
arrancar suas palavras, mas quando meu olhar se encontrou com o
dele, vi o medo em seus olhos e a realidade bateu em mim.
— Oh, meu Deus. — Comecei a tremer, apavorada com o quã o
perto estive de tomar uma decisã o irreversível.
— Sinto muito... sinto muito... — Eu engasguei, sem fô lego e
selvagem. Ele me puxou para ele com força e eu pude senti-lo tremendo
tanto quanto eu.

Com o passar dos dias seguintes, a chuva diminuiu e com ela


minha sanidade voltou lentamente. Assim que a dor se tornou mais
controlável, meu estado mental começou a se estabilizar. Os pesadelos
ainda vinham, mas eu nã o acordava mais gritando. Eu acordava
assustada e Graham estava lá , olhando para mim como se estivesse
preparado e pronto para cobrir minha boca. Cinco dias de fuga estavam
desgastando nó s dois. Havia sombras profundas sob os olhos de
Graham e eu nã o o tinha visto dormir muito. Ele parecia exausto e eu
sabia que deveria ser um feito monumental nos manter em movimento
e lidar com minha instabilidade mental.
Depois que tentei pegar a arma, eu sabia que o tinha aterrorizado.
Eu também me assustei. Embora ainda me sentisse horrível, nã o me
sentia mais suicida e estava muito grata a Graham por estar lá para me
impedir. Ele garantiu que eu comesse e bebesse bastante á gua e me
forçou a deixá -lo trocar o curativo em meu quadril. Fora isso, eu
poderia dizer que ele estava lutando contra seus pró prios demô nios e
meu estado nã o estava ajudando.
Depois do meu episó dio suicida, eu meditava sempre que
parávamos para fazer uma pausa. Eu estava profundamente assustada e
sabia que a ú nica pessoa que poderia me tirar dessa situaçã o era eu
mesma.
Perto do pô r do sol do quinto dia, encontramos o posto da guarda
florestal.
— Nã o é exatamente o que eu esperava. — disse Graham
enquanto olhava para o prédio deserto. — Mas terá que funcionar.
Eu poderia ter chorado de alívio, mas estava tentando nã o
desmoronar com cada pequena coisa, embora ainda me sentisse frá gil.
Graham me fez ficar atrá s enquanto varria o prédio abandonado por
dentro e por fora. Parecia que este lugar nã o era usado há algum tempo.
Vi uma caminhonete de lado, mas faltavam duas rodas e estava
enferrujado. As janelas estavam tapadas com tá buas, mas era uma
estrutura grande com vá rios quartos e uma ampla varanda na frente e
nos fundos. O conjunto foi construído numa clareira numa elevaçã o que
nos proporciona uma vista perfeita de 360º do vale. Graham fez sinal
para que eu entrasse, quando entrei, espirrei imediatamente. Havia
uma espessa camada de poeira em tudo.
Nã o havia muita coisa na primeira sala além de uma mesa e
algumas cadeiras. A cozinha estava destruída e havia dois quartos com
colchõ es manchados que pareciam que iriam se desintegrar se eu
tocasse neles. Entrei no quarto cô modo, que parecia ter sido o centro de
comando. Computadores antigos cobriam uma parede. Ouvi Graham
arrastando algo pela janela.
— Encontrei este gerador antigo. Ainda tem um pouco de gá s.
Ele enfiou um cabo de extensã o que encontrou pela janela fechada
com tá buas antes de voltar para dentro. Observei enquanto ele
caminhava até um dos decks de computador e começava a desmontar a
parte de trá s.
— Você acha que conseguiria fazer um desses funcionar? — Ele
perguntou.
Eu duvidava muito que ele soubesse o que estava olhando, na
verdade ele parecia que ia quebrar alguma coisa entã o suspirei e me
aproximei.

— Afaste-se, Bear Grylls3. Deixe-me ver o que posso fazer. —


murmurei.
Algo pró ximo a um sorriso surgiu em seus lá bios. Tirei a parte de
trá s do computador e verifiquei. Tudo parecia estar no lugar. Limpei
tudo o melhor que pude. Foi bom ter algo em que meu cérebro pudesse
pensar além da nossa situaçã o. Graham estava ocupado do outro lado
da sala organizando o arsenal que tirou da Toca. Havia vá rios rifles de
assalto com muniçõ es, algumas pistolas com pentes extras e vá rias
granadas e bombas de fumaça. Tudo devia ser terrivelmente pesado
para carregar.
— Existe uma antena aqui? — Eu perguntei a ele.
— Sim, eu vi uma no telhado.
Saí e encontrei a antena. Parecia que já tinha visto dias melhores.
Eu fiz uma careta para isso e entã o procurei por algo para usar para
subir no telhado. Andei pela propriedade e encontrei algumas
ferramentas. Graham saiu enquanto eu tentava arrastar uma escada
para a lateral do prédio.
— Você nã o vai subir nisso. — disse ele.
— Sim, eu vou.
Empurrei a escada contra a casa. Ela balançou um pouco no
terreno irregular.
— Você está tentando quebrar o pescoço?
Eu olhei para ele, minhas sobrancelhas levantadas com sua
escolha de palavras e ele passou a mã o pelo rosto.
— Nã o responda isso. — ele rosnou.
— Quanto tempo você acha que temos no gerador? — Eu
perguntei a ele.
— Talvez trinta minutos.
Nã o era muito tempo. Olhei novamente para a antena e depois
para Graham novamente.
— Se eu conseguir internet, você tem alguém para quem
possamos enviar uma mensagem?
— Sim, eu conheço alguém. — disse ele. — Você pode fazer isso?
— Tenho que subir até lá para descobrir. — eu disse secamente,
apontando para a antena.
Ele se aproximou e colocou os braços em cada lado da escada,
prendendo-me contra os degraus entre seus braços.
— Tudo bem, vá lá . — ele disse olhando para mim.
Uma pequena onda de medo percorreu-me com o quã o perto ele
estava de mim, mesmo quando eu corei. Eu nã o sabia como iria
conseguir ter intimidade com alguém novamente, mas se fosse com
alguém, eu meio que queria que fosse com Graham. Neste ponto, eu
confiava nele. Eu me contorci para encarar a escada e minha respiraçã o
ficou presa ao sentir seu corpo contra o meu.
— Está esperando por algo?
Sua respiraçã o fazia có cegas na minha nuca. Ele nã o estava se
movendo ou empurrando-se sobre mim, mas eu podia ver o quã o forte
ele estava segurando a escada e eu sabia que ele estava pensando nisso.
Subi até o telhado e fui até a antena. Limpei todas as obstruçõ es e
comecei a consertar o que precisava consertar. Felizmente nã o estava
muito danificada e quando terminei, estava confiante de que
funcionaria. Desci da escada, mas Graham nã o tirou os braços até que
me virei para encará -lo novamente.
— Será que vai dar certo? — Olhei para ele e vi aqueles olhos
azuis vívidos me estudando atentamente.
— Eu sou uma atendente de escritó rio, lembra? — Eu disse com
um pequeno sorriso. — Isto é o que eu faço.
— Acho que você é um pouco mais do que isso. — disse Graham
secamente antes de mover os braços. Eu zombei e dei a volta no prédio.
— Diz o homem que pensava que eu trabalhava com vendas. — eu
disse por cima do ombro.
De volta à sala de informá tica, sentei-me na cadeira e olhei para
Graham, que me seguiu.
— Preparado? Quando eu disser, preciso que você digite sua
mensagem imediatamente. Você provavelmente terá cerca de trinta
segundos, entã o descubra o que vai dizer.
Ele assentiu e saiu para ligar o gerador. Flexionei meus dedos,
esticando-os na minha frente e puxei o teclado em minha direçã o.
— Diga quando. — Eu ouvi Graham dizer do lado de fora da
janela.
Eu respirei fundo.
— Vá — eu disse.
Ele apertou o botã o e eu mal ousei respirar quando ouvi o gerador
estalar e depois ganhar vida. Olhei para o computador quando ele
acendeu e apertei o botã o liga/desliga, esperando por Deus que fosse
uma inicializaçã o rá pida. Marquei os segundos na minha cabeça.
Graham apareceu no meu ombro, rifle de assalto nas mã os. O
computador lutou para inicializar, desperdiçando um tempo precioso.
— Jesus, estamos em 1998 aqui ou algo assim? — Ele resmungou.
— Faz apenas um minuto. — eu disse.
— Nã o temos muitos desses.
Foi dolorosamente lento, mas o computador finalmente foi
inicializado e eu imediatamente comecei a trabalhar para acessar o
sistema de Internet remota das forças armadas que eles usavam para
implantaçõ es ou quando estavam em á reas sem acesso à Internet. Com
minhas credenciais, a internet começou a funcionar em minutos.
— Agora. — eu disse a Graham.
Afastei-me para que ele pudesse acessar o teclado e ele se
inclinou e digitou uma mensagem rá pida. Ouvi o gerador engasgar
enquanto ele digitava e bati meu pé nervosamente.

SOLICITANDO FAVOR
NECESSIDADE DE EXTRAÇÃO PARA DUAS PESSOAS
68.602092, -122.150103
VEM COM MUITA FORÇA
INIMIGO COOPER, TEM EQUIPE TÁTICA.

Ele clicou em enviar e parecia uma cena de filme. Eu vi a


confirmaçã o por uma fraçã o de segundo antes, com um giro patético de
ventiladores e correias, o gerador morreu e tudo escureceu.
CAPÍTULO VINTE E SEIS

Soltei um suspiro quando tudo morreu. Eu tinha que admitir, foi


impressionante ver Kaelin acessando a internet. Na frente do
computador ela parecia calma e metó dica mesmo sob intensa pressã o.
Por um momento eu a vi se estabelecer em seu verdadeiro eu e deixar o
trauma para trá s e fiquei feliz por isso.
— Você acha que eles virã o? — Ela perguntou, olhando para mim
com medo.
— É melhor que ele venha. — eu resmunguei.
— Quem você contatou?
— O nome dele é Cal. Ele é um dos meus antigos companheiros do
exército.
Ela olhou para mim com um olhar avaliador que se tornou
presunçoso enquanto me olhava de cima a baixo.
— Ah, entã o você era do exército... eu estava certa.
— Sim, ele esteve com Cooper e eu por um tempo.
Calvin McCoy, Cal, abreviadamente, e codinome “Caos”. Ele era um
dos meus amigos mais pró ximos do período militar, embora fosse dez
vezes mais estável que Cooper, havia uma razã o para chamá -lo de Cal
Caos. Salvamos a vida um do outro em diversas ocasiõ es, mas a mais
recente foi há alguns anos, quando trabalhávamos para a mesma PMC e
voltei para buscá -lo quando ele foi atingido em um prédio prestes a
explodir. Suas primeiras palavras para mim, quando estávamos a salvo,
foram que ele me devia. Depois disso, precisei de uma pausa, entã o saí
completamente e fiz excursõ es na natureza para caçadores de animais
selvagens no interior.
Cal agora dirigia sua pró pria PMC, quando nã o estava viajando
pelo mundo a trabalho, tentava me recrutar para me juntar a ele. Ele
era um dos caras que nã o conseguia largar a arma e viver uma vida
normal. Embora eu nã o tenha certeza se algum de nó s teve realmente
sucesso em uma vida normal. Olhei para o arsenal sobre a mesa e meus
dedos tremeram. Estar perto de tanto poder de fogo novamente foi
como voltar para casa... parecia certo.
Observei Kaelin sair da sala e segui atrá s dela. Eu nã o queria
deixá -la fora da minha vista. Ela me assustou muito nos ú ltimos dias.
Quando ela pegou a arma, meu sangue gelou. Eu sabia muito bem como
era quebrar e se perder na dor e no sofrimento. Eu passei por isso e saí
do outro lado, mas também vi muitos que nã o conseguiram sair. É uma
existência sombria e desolada quando você sente que seu corpo e sua
mente nã o sã o seus. Quando a realidade é um lugar confuso, mas seus
sonhos sã o ainda piores.
Quando sua alma está quebrada, nã o há lugares seguros.
Nem mesmo dentro de você.
Ela caminhou até o banheiro e eu fiquei na porta. Eu poderia dizer
que seu quadril ainda doía, mas ela parecia estar melhor no geral.
Fisicamente. Mentalmente ela ainda parecia um pouco instável. Ela
ainda se encolhia quando eu me movia rapidamente ou falava alto. Eu
percebia que ela nã o se sentia à vontade para ser tocada por muito
tempo, embora parecesse precisar de conforto. Vi como ela nã o se
afastava de mim quando eu estava perto dela e como ela se inclinava
para o meu toque como se desejasse o cuidado.
— Você vai ficar aí parado enquanto eu faço xixi? — Ela
perguntou.
— Até eu saber que você nã o vai se matar, sim. — eu disse
grosseiramente. Ela suspirou.
— Você poderia pelo menos se virar?
Eu fiz uma careta, mas me virei e me encostei ao batente da porta.
Quando a ouvi terminar, me virei e a vi se olhando no espelho sujo, com
uma carranca no rosto. Suas mã os tremiam e ela agarrou a borda da
pia.
— Eu estou horrível. — ela murmurou.
Ela disse isso tã o baixo que eu nã o tinha certeza se ela pretendia
dizer isso em voz alta. Eu a vi passar um dedo sobre a crosta em sua
testa e seus olhos sombrearam brevemente qualquer lembrança que
passou por sua mente. Seus dedos continuaram descendo por sua
bochecha, onde havia um hematoma desagradável ao longo de sua
mandíbula, entã o pararam em seu pescoço, onde marcas flagrantes de
dedos se destacavam escuras contra sua pele pá lida. Ver aquelas
marcas de estrangulamento me enfureceu, mas eu afastei isso por
enquanto.
Estendi a mã o e passei um dedo sobre seu braço. Eu nã o queria
assustá -la, mesmo ela sabendo que eu estava ali. Ela ainda pulou um
pouco quando sentiu meu toque e se virou para olhar para mim. Pude
vê-la voltar de qualquer canto sombrio em que sua mente estivesse.
Estendi a mã o e gentilmente tirei a mã o dela de sua garganta,
segurando-a na minha. Passei meus dedos pelos nó s dos dedos dela.
— Está tudo bem? — Eu perguntei baixinho. Ela balançou a
cabeça em um aceno. — Você quer falar sobre alguma coisa?
— Temos que deter Cooper. — disse ela. — O que ele está fazendo
lá é bá rbaro. Nã o é apenas trá fico humano, é desumano. Maligno.
— Vamos nos concentrar em sair daqui primeiro. — eu disse. Ela
engoliu em seco e assentiu.
— Eu nã o pensei que sairia de lá viva. — ela sussurrou. — Ele ia
me matar.
— Bem, ele está morto agora. — eu disse sombriamente. — Ele
nunca mais tocará em você.
— Só nos meus pesadelos.
Ela ficou em silêncio por um longo momento, perdida naquelas
lembranças sombrias. Entã o sua testa franziu e ela pareceu confusa.
— O primeiro homem – que me comprou – foi bom para mim.
— Afinal, o que isso quer dizer?
— Ele nã o me machucou. — ela disse calmamente.
— Você está certa, o nível está baixo. — eu rosnei.
— Nã o, ele... ele me fez sentir muito bem, na verdade.
— Kaelin, isso ainda é estupro.
— Eu sei. — ela parecia infeliz. — Mas ele foi o ú nico que me
protegeu lá . Ele disse que tentaria voltar para me tirar de lá .
— E você acreditou nele? — Eu perguntei sombriamente.
— Eu nã o tinha razã o para nã o acreditar. — ela encolheu os
ombros.
— Nã o importa... — eu disse categoricamente. — Se alguém
chegar perto de você novamente, eu vou matá -lo. Que tipo de doente vai
a um lugar como a Toca e faz alguém se sentir bem?
— Eu também nã o entendo. Eu nã o acho que ele estava lá
inteiramente para si mesmo. Ele mencionou que estava lá para
descobrir quem eram os grandes jogadores, como fazer networking. Ele
é sombrio e é definitivamente um senhor do crime ou algo assim, mas
nã o é... como os outros.
— Entã o você está dizendo que se eu topar com ele nã o posso
matá -lo?
— Ele salvou minha vida. — disse ela. — Aquele que você matou,
ele nã o foi o primeiro a me machucar. E pela minha vida, nã o consigo
condenar Kraven, mesmo sabendo que é a Síndrome de Estocolmo...
— Espere, Kraven? Como nos quadrinhos?
— Isso foi o que eu disse também! — Ela sorriu, mas nã o chegou
até os olhos. — Ele... ele nã o é um bom homem, mas cuidou de mim... do
jeito dele.
Levantei a mã o dela e beijei suas costas suavemente.
— Eu gostaria de poder apagar tudo de ruim que aconteceu com
você naquele lugar e substituí-lo por algo bom.
— Achei que você nã o gostasse de mim. — disse ela, olhando para
mim. Eu poderia dizer que ela tentou ser sarcá stica, mas acabou saindo
séria.
— Nã o tenho certeza se conseguirei continuar com esse artifício,
princesa. — eu disse. Cada vez que eu olhava para ela, ficava pensando
na noite na barraca e na maneira como ela estava embaixo de mim.
Selvagem e linda.
— Nã o tenha pena de mim. — disse ela, franzindo a testa para
mim.
— O que compartilhamos naquela barraca nã o foi pena. — eu
disse secamente.
— E se Pax... e se ele arruinou o sexo para mim para sempre?
— Você vai recuperá -lo. Quando você estiver pronta.
— Aquela noite na barraca... é assim que deveria ser.
Nã o foi uma pergunta.
O ar de repente estalou entre nó s. Meu polegar continuou a
percorrer os nó s dos dedos, mas agora cada cume parecia sensual. A
subida e a descida, uma carícia em sua pele. Nenhum de nó s se moveu e
pela primeira vez eu nã o sabia o que fazer. Eu nã o queria pressioná -la.
— Eu beijaria você agora mesmo, se as coisas fossem diferentes.
— eu disse, minha voz baixa e cheia de promessas. Eu nã o me
importava com o quã o fodido era, eu a queria. Seus lá bios se separaram
enquanto ela olhava para mim e eu podia ver a guerra acontecendo em
seus olhos. Minha outra mã o subiu e lentamente traçou o hematoma em
sua mandíbula. Ela mal parou de se encolher e eu passei meu polegar
sobre seu lá bio inferior.
Ela suspirou de prazer e deu um pequeno passo em minha
direçã o. Coloquei a mã o que segurava no meu peito e a soltei, deixando-
a decidir se queria mantê-la ali. Inclinei-me em direçã o aos lá bios dela e
ela ficou tensa, mas parei a centímetros de seu rosto.
— Você é quem está no controle. — eu sussurrei.
Eu podia sentir a mã o dela no meu peito tremendo e entã o seus
dedos se fecharam na minha camisa e ela se inclinou nos ú ltimos
centímetros, lentamente trazendo seus lá bios até os meus.
O beijo foi duro e pude sentir o gosto de seu medo. Eu nã o me
movi em direçã o a ela, mas continuei a passar o polegar sobre sua
bochecha. Deslizei suavemente minha língua sobre seu lá bio inferior e
ela se pressionou contra mim, a outra mã o passando em volta do meu
pescoço, aprofundando o beijo. Eu a beijei até que ambos ficamos sem
fô lego e ela recuou, corada e hesitante, mas o medo desapareceu de
seus olhos. Eu a deixei recuar, mas movi meus quadris e ela olhou para
baixo.
— Sinto muito. — ela disse timidamente, vendo minha excitaçã o.
Eu ri e me ajustei com um encolher de ombros.
— Baby, é exatamente isso que o seu beijo faz comigo.
Ela corou ainda mais e me deu um sorriso pequeno, mas genuíno.
Um trovã o soou lá fora e ela pulou. Um momento depois ouvimos
os céus se abrirem e a chuva começar a bater no telhado. Saí do
caminho e ela passou por mim, voltando para a sala de informá tica que
parecíamos ter estabelecido como nossa base. Peguei a mochila e tirei
um cobertor e depois um pouco da comida seca. Ela cuidadosamente
tirou a calça jeans. Eu vi o jeito que ela estremeceu antes de se sentar
comigo. Minha camisa de flanela a cobria e eu sabia que o jeans
esfregava dolorosamente nos cortes. Encontrei-a me observando e lhe
entreguei um pouco da comida.
— Você caçou? Isso nã o é peixe.
Fiquei feliz que ela estivesse registrando a comida agora. Ela mal
conseguia manter alguma coisa no estô mago nos ú ltimos dias.
— Sim — eu disse, entregando-lhe mais carne seca. — Depois que
me recuperei, montei acampamento e cacei e pesquei. — Comemos em
silêncio por alguns minutos e entã o a vi olhando para mim novamente.
— Quem é Trav? — Ela perguntou.
— Travis é meu irmã o. — eu disse.
Eu ia deixar por isso mesmo, mas talvez fosse à crueza dela ou o
fato de que o passado parecia tã o pró ximo nesta floresta abandonada
por Deus, mas continuei.
— Servimos juntos. Cooper também. Nó s três nos juntamos a uma
companhia militar privada depois que saímos e há oito anos, durante
uma das missõ es, nó s três fomos capturados junto com outros quatro
de nossa equipe. Eles nos torturaram para obter informaçõ es e depois
levaram Trav e alguns outros para outro lugar.

Eu estava quase inconsciente quando notei eles desamarrando Trav.


Ele estava tremendo de dor e seus esforços eram fracos.
— O que... pare... — murmurei, tentando me concentrar. Minha voz
era quase inaudível e minha garganta parecia uma lixa. Percebi o que
estava acontecendo e a realidade se aguçou. Eu me empurrei contra as
cordas que me seguravam, mas isso não fez nada além de enviar dor
através de mim. — Trav...
— Graham! — As lutas de Trav se intensificaram quando ele
também percebeu o que estava acontecendo. Os homens cutucaram uma
de suas feridas e ele gritou, caindo de joelhos. Eles o arrastaram em
direção à porta junto com outros dois que estavam inconscientes. Eu
entrei em pânico.
— Não! — Eu gritei, ou tentei. — Não! O que você quer? Droga! —
Soltei uma longa série de palavrões quando nossos captores não ouviram.
— Não deixe que eles me levem! — Trav gritou, o terror em seus
olhos me deixou doente. — Graham!
Eu não pude protegê-lo e me odiei por isso.
— Trav! Trav... — Amaldiçoei novamente e então fixei os olhos nele.
— Vou te encontrar! — Eu gritei, puxando minhas restrições novamente.
Eles o arrastaram pela porta. — Eu vou te encontrar, porra! — Gritei
enquanto a raiva me dominava e eu me debatia em minhas restrições,
gritando incoerentemente enquanto observava meu irmão desaparecer
de vista, com raiva de mim mesmo por ter falhado muito com ele.

Encostei-me a parede e fechei os olhos, vendo aquele momento


tã o claramente como se tivesse acontecido ontem.
— Cooper e eu fomos resgatados, mas eles nã o sabiam onde Trav
e os outros estavam. Cooper e eu devastamos a á rea tentando encontrá -
lo. Extra oficialmente. Fiquei bastante desequilibrado naquela época.
Quando finalmente o encontrei, ele estava morto. Eu perdi o controle.
Coop e eu matamos um monte de gente e entã o tentei me matar.

A arma disparou e o corpo caiu, mas não senti nenhuma satisfação


com isso. Eu estava entorpecido e coberto de sangue. Caí de joelhos na
lama olhando para o corpo que Cooper e eu simplesmente torturamos.
Nós encontramos cada um dos bastardos e nos vingamos. Ele era o
último. Tinha acabado. A chuva fez o sangue escorrer para os meus olhos,
mas não me preocupei em enxugá-los. Não importava. Nada disso
importava. Acabou e eu terminei. Eu balancei e sentei sobre os
calcanhares antes de lentamente levantar a arma para minha cabeça.
Meu dedo apertou o gatilho, mas antes que ele disparasse, algo
bateu em mim. Um braço serpenteou em volta do meu peito e me puxou
de volta para alguém. A outra mão arrastou a arma para baixo. Eu lutei,
sentindo a dor começar a superar o entorpecimento enquanto a
realidade tomava conta de mim. Eu engasguei enquanto as lágrimas
escorriam pelo meu rosto. Eu precisava morrer.
— Eu falhei com ele. — Minha voz falhou e comecei a tremer. O
braço se apertou em volta de mim.
— Não, você não falhou. — Cooper gritou perto do meu ouvido para
ser ouvido em meio à chuva. Ele pegou a arma de mim e a guardou, então
sua outra mão me envolveu. — Nós matamos os bastardos.
Mas nada disso trouxe Trav de volta. Achei que me sentiria melhor,
mas não me senti.
— Mate-me, Coop. — eu disse, com a voz embargada. Eu lutei em
seus braços, mas seu aperto era sólido.
— Pare com isso, Wolfe. — ele exigiu. — Se você ainda quiser
morrer mais tarde, quando voltarmos para casa, eu mesmo lhe darei a
arma, mas não aqui. Assim não. Não morra aqui com esses filhos da puta.
Abri os olhos e olhei para ela, vendo o mesmo olhar assombrado
em seus olhos.
— Eu sinto muito. — ela respirou.
— É por isso que eu estava algemado. — acrescentei. — Estou
sendo acusado de crimes de guerra.
CAPÍTULO VINTE E SETE

Fiquei impressionada com a histó ria de Graham. Eu tinha


adivinhado suas sombras, mas nã o dessa forma.
— Entã o eu sei melhor do que ninguém o que você está passando.
— disse ele, passando a mã o pelo cabelo. Isso era um eufemismo.
— Obrigada por compartilhar isso. — eu disse, mal conseguindo
pronunciar as palavras. Foi melhor saber que nã o estava sozinha.
Ficamos em silêncio, perdidos em nossas pró prias sombras escuras
enquanto ouvíamos a chuva caindo no telhado. Olhei para ele e ele
parecia tã o desamparado e sozinho que rastejei alguns metros até ele e
me encostei a parede ao lado dele. Nossos ombros se encostaram e eu
peguei sua mã o na minha.
— Achei que você deveria saber que nã o está sozinha. — ele disse
calmamente, esfregando o polegar sobre minha pele. Apertei sua mã o,
emocionada demais para dizer qualquer coisa. Ficamos assim por um
tempo e eu descansei minha cabeça em seu ombro.
— Acho que essa é a primeira coisa pessoal que você me disse. —
eu disse finalmente. Ouvi um estrondo de risada.
— Bem, agora você nã o pode dizer que nunca lhe contei nada
sobre mim.
— Eu teria ficado feliz só de saber sua comida favorita. —
provoquei, levantando a cabeça para sorrir para ele.
— Oh, Deus, nã o, isso é muito pessoal. — ele brincou.
Seus olhos brilharam ligeiramente quando ele olhou para mim.
Ele levantou a mã o e pela primeira vez eu nã o vacilei quando ele
empurrou meu cabelo atrá s da orelha e seu toque me fez suspirar de
desejo. Inclinei-me para ele e ele gentilmente puxou meu rosto para o
dele e me beijou. Eu ainda estava nervosa e levei um minuto para
relaxar, mas quanto mais nos beijávamos, mais eu o queria.
Deslizei minha mã o por seu peito e subi em seu colo
hesitantemente, passando a minha perna por cima com cuidado para
nã o machucar meu quadril. Suas mã os eram leves como plumas
enquanto subiam pelas minhas costas e pelo meu cabelo. Beijei-o
novamente até ficar corada e sem fô lego. Eu podia sentir seu pau
através da calça. Meu estô mago estava se revirando com a sensaçã o e
meu coraçã o batia forte no peito, mas me forcei a respirar fundo.
— Quando você disser que terminamos, terminamos. — ele disse
suavemente.
Balancei a cabeça e mordi o lá bio. Eu o queria. Muito. Mas eu
estava com tanto medo de ter um flashback ou um ataque de pâ nico.
— Eu... eu quero você. — eu disse. Corei com a admissã o e ele
sorriu, suas mã os ainda deslizando pelas minhas costas.
— Entã o eu sou seu, princesa. — ele disse asperamente.
Balancei meus quadris contra ele, apreciando a forma como seus
olhos escureceram. Minhas mã os percorreram seu peito, puxando sua
camisa. Ele se moveu para frente apenas o suficiente para que eu
pudesse retirá -la e entã o minhas mã os tocaram sua pele nua enquanto
eu olhava para ele com apreciaçã o. Ele havia perdido um pouco do peso
que tinha quando o vi pela primeira vez, mas ainda estava
incrivelmente em forma. Eu fiz uma careta para o ferimento de bala
recém-curado em sua lateral. Meus dedos roçaram sua pele perto dele e
seu abdô men se contraiu. Entã o notei suas outras cicatrizes. Toquei
uma delas, passando um dedo levemente pelo caminho que ela fazia em
seu peito. Seus mú sculos flexionaram sob minha mã o e encontrei outra
em sua clavícula, uma cicatriz cruel que ainda nã o havia sido suavizada
depois de todo esse tempo. Quando meu dedo a traçou, ele estremeceu.
— Todos nó s quebramos, nã o é? — Olhei para ele, sem realmente
fazer uma pergunta. Ele pegou minha mã o e beijou meus dedos. Eu vi
que seus dedos também estavam tremendo. Ele carregava seu passado
em seu corpo assim como eu faria. Olhei em seus olhos, eles estavam
sombreados com luxú ria e memó rias.
— Todos nó s quebramos uma vez. — disse ele.
Ele beijou meus dedos novamente e meu dedo tocou sua
bochecha suavemente. Recuperei minha mã o e antes que pudesse
pensar muito sobre isso, desabotoei a camisa de flanela que usava e
coloquei sua mã o no meio do meu peito. Ele olhou para mim
brevemente, me dando tempo para pará -lo se eu precisasse, antes de
deslizar as mã os sobre minha clavícula, trazendo a camisa com ele até
que ela caísse dos meus ombros. Movi meus ombros e tentei acalmar
meus nervos enquanto seus olhos viajavam pelo meu corpo. Ainda
havia hematomas por toda parte e os cortes feitos por Paxton
destacavam-se com cicatrizes.
O início das minhas pró prias cicatrizes.
A vergonha ameaçou vir à tona e quase coloquei a camisa de volta,
mas entã o ele olhou para mim e tudo que vi foi reverência.
— Só quebramos uma vez. — disse ele com firmeza. Suas mã os
subindo pelos meus braços. — Para que possamos nos recompor mais
fortes do que antes.
Uma lá grima deslizou pelo meu rosto e ele se inclinou e a beijou.
Ele beijou meu nariz, minha bochecha, meu queixo. Ele desceu pelo
meu pescoço e eu arqueei em direçã o a ele. Ele beijou cada corte e
hematoma que conseguiu alcançar e entã o encontrou meus lá bios
novamente.
Nosso beijo foi profundo e vasto, abrangendo as profundezas do
nosso sofrimento e tentando desesperadamente chegar aos lugares
onde as sombras eram mais pesadas. Suas mã os traçaram meus seios e
com leveza provocaram meus mamilos. Minha respiraçã o ficou presa,
condicionada a pensar que a dor estava chegando. Ele beijou meu
pescoço.
— Eu nã o vou machucar você. — ele sussurrou. E eu acreditei
nele.
Curvei-me entre nó s e abri o zíper de sua calça, observando-o se
mexer para que seu pau duro pudesse se libertar. Eu estava com medo.
Minha boceta estava tã o perto dele. Eu nã o estava usando calcinha
porque nã o tinha e sabia que estava molhada. Mas eu nã o conseguia me
mover. Ele gentilmente levantou meu queixo para olhar para ele.
— Tudo o que você precisa fazer é dizer pare. — disse ele.
Ele me beijou suavemente. Suas mã os nã o se desviaram do meu
rosto e gradualmente eu relaxei enquanto o beijava. Lentamente me vi
deixando meu corpo deslizar para mais perto até que minha boceta
descansasse contra seu pau. Eu podia ouvir sua respiraçã o acelerar e
fiquei maravilhada com seu controle. Ele beijou meu pescoço e eu me
arqueei contra ele, pressionando meus quadris com mais força contra
ele. Abaixei a mã o e, timidamente, toquei seu pau com a minha mã o,
sentindo como sua pele era gloriosamente macia sobre sua excitaçã o
dura. Movi meus quadris contra ele lentamente e entã o minha mã o
ajudou a guiá -lo até minha entrada.
Quando ele pressionou contra mim, eu nã o conseguia respirar e
congelei. Eu nã o queria que doesse e nã o sabia se estava curada o
suficiente. Eu nã o sabia se mentalmente estava pronta para recuperar
isso. Graham ficou imó vel enquanto me observava lutar comigo mesma.
Seu ú nico movimento eram as mã os, fazendo suavemente círculos na
minha cintura onde estavam.
Ele nã o estava puxando, nã o estava segurando, simplesmente
estava esperando que eu assumisse o controle. Eu finalmente o deixei
afundar dentro de mim lentamente e estremeci. Uma onda de prazer
percorreu Graham e olhei para seu rosto. Seus olhos estavam
semicerrados, um mú sculo em seu pescoço estava tenso, como se fosse
preciso tudo para ele ficar parado. Eu sabia que ele queria me virar de
costas e me foder até que eu implorasse debaixo dele. Mas o pró prio
pensamento me fez entrar em pâ nico.
— Beije-me. — ele disse quando me sentiu começar a surtar.
Inclinei-me para frente e pressionei meus lá bios nos dele, ainda
em minha cabeça. Mas quando ele me beijou, mais uma vez me senti
afundar nele, à medida que meu pâ nico se acalmava, prestei atençã o na
sensaçã o dele dentro de mim. Eu podia sentir tudo dele e quã o molhada
eu estava. Movi meus quadris e seus dedos me apertaram por um
momento. Gemi enquanto o calor aumentava e tentei desligar minha
mente.
Encontrei um ritmo que me deixou ofegante contra seus lá bios e
ele gemeu enquanto passava os braços em volta de mim. Por um
momento eu o agarrei, minhas mã os cravaram em seus cabelos e ele me
puxou contra ele com força.
— Pare, espere... — eu engasguei.
Coloquei minhas mã os em seu peito e me sentei, tremendo e
respirando fundo. Inclinei-me para frente e descansei minha cabeça em
seu peito, esperando que o tremor parasse. Ele colocou os lá bios no
meu cabelo, suas mã os subindo e descendo suavemente pelas minhas
costas. Ele ainda estava dentro de mim e assim que acalmei o pâ nico,
movi meus quadris novamente.
Beijei seu pescoço e ele estremeceu de prazer. Minha mã o desceu
até meu clitó ris e eu o esfreguei lentamente, querendo mais. Mas entã o
a vergonha tomou conta de mim e parei. A mã o de Graham pousou na
minha e ele guiou meus dedos para acariciar lentamente meu clitó ris.
Ele nã o me tocou, mas usou minha mã o para me dar prazer.
— Você merece se sentir inteira. — ele disse contra meu pescoço.
— Você é linda quando goza. Mas esse é o seu presente para me dar.
Nã o é meu para tomar. — Ele me beijou novamente.
Isso era tã o diferente de quando fizemos sexo pela primeira vez
na barraca. Ele estava dominando e queria me fazer desfazer em suas
mã os. Eu amei.
Mas ele sabia o que eu precisava agora.
Ele sabia que eu precisava tornar isso algo especial novamente.
Algo que dei a alguém de minha escolha.
Ele queria enfatizar isso. Para mostrar o que significava recuperar
meu poder.
Eu poderia ter chorado. Fiquei muito agradecida.
O prazer percorreu meu corpo enquanto eu continuava a mover
meus quadris. Sua mã o nã o parava de mover a minha e logo eu estava
ofegante enquanto a tensã o crescia profundamente dentro de mim. Nã o
ousei fechar os olhos, entã o olhei para Graham e meu coraçã o bateu
com o dele. A expressã o em seu rosto era a de um homem
completamente sob seu poder... um deus, observando algo que ele criou
ganhar vida em suas mã os. Era inebriante.
Cambaleei até a beira do êxtase e depois vacilei, o medo percorreu
meu corpo enquanto meu controle se esvaía.
— Solte-se, garota bonita. — ele ofegou, vendo a luta em meu
rosto. Seu olhar forte e inabalável segurou o meu, me dizendo que você
está segura para me soltar e entã o eu me soltei. E em vez de quebrar, as
rachaduras em minha alma ficaram menores e as sombras nã o
pareciam tã o escuras.
CAPÍTULO VINTE E OITO

O medo em seus olhos deu lugar ao êxtase e ela gritou ao gozar,


movendo os quadris enquanto montava meu pau. Minha mã o nunca
parou de mover seus dedos, ajudando-a a se dar prazer em seu
orgasmo. Vi o olhar vitorioso no seu rosto e soube que uma batalha
tinha sido vencida e sentindo a sua boceta apertar em torno do meu
pau, o seu prazer provocou o meu pró prio orgasmo.
Um tremor passou por mim, tirando meu fô lego e passei meus
braços em volta dela, enterrando meus lá bios em seu pescoço. Foi bom
tê-la de volta em meus braços. Ela arfou estremecendo ao se recuperar
e começou a tremer. Inclinei-me para trá s e puxei-a para o meu peito.
Eu sabia que seria emocionante para ela. Acariciei suas costas para
cima e para baixo.
— Boa menina. — eu murmurei. Ela enterrou o rosto em meu
pescoço e meus braços a apertaram. Nas ú ltimas semanas fiquei
obcecado em recuperá -la e nã o sabia por quê. Tudo em que eu estava
pensando era na tentativa de conexã o que experimentamos no dia em
que ela foi levada. Eu nã o percebi o quanto me apeguei a ela em tã o
pouco tempo antes de ela ser arrancada de mim. Mas agora ela estava
em meus braços novamente e eu sabia que era onde ela pertencia.
Ela era minha e resolveríamos tudo mais tarde.
Seus tremores pararam depois de um momento e ela se sentou e
olhou para mim, com lá grimas ainda nos cílios.
Minha respiraçã o ficou presa quando observei esta criatura
lindamente danificada em meu colo, que de alguma forma estava
sentada nos braços de um predador, confiando plenamente em mim
para nã o machucá -la. Mesmo quebrada ela era corajosa. Limpei uma de
suas lá grimas e olhei para ela com um pequeno sorriso satisfeito
puxando meus lá bios.
— Donuts — eu disse. Ela imediatamente pareceu confusa. —
Minha comida favorita sã o donuts.
Ela piscou e entã o uma risada escapou de seus lá bios e por um
breve momento ela estava viva novamente. Decidi que faria tudo o que
pudesse para ouvir aquela risada novamente.
— Uau, isso sã o duas coisas. — ela brincou, saindo do meu colo.
Nos limpamos e ela vestiu minha camisa de flanela novamente. Eu
vi as sombras voltarem quando ela passou os braços em volta de si
mesma, de repente parecendo constrangida. Fui até lá e passei um
cacho pelos dedos.
— Você está bem? — Eu perguntei a ela. Minha mã o descansou
em sua nuca enquanto ela assentia. Eu a beijei na testa.
— Vou verificar se as coisas estã o seguras. — eu disse.
Peguei uma arma, um pouco de muniçã o e algumas granadas para
garantir. Eu a vi me observando, mordendo o lá bio inferior com os
dentes. Fui em direçã o à porta.
— Graham.
Voltei-me para ela.
— Quando você acha que Cooper chegará aqui? — Hesitei, mas ela
merecia a verdade.
— Imagino que o mais cedo seria amanhã à tarde.
— E seu contato?
Minha pausa foi mais longa dessa vez, embora eu já tivesse
calculado mentalmente antes de enviar a mensagem.
— Daqui a três dias. — Ficamos ali olhando um para o outro. As
implicaçõ es sã o claras. Nã o queria mencionar que era um nú mero
otimista. Se Cal estivesse em uma missã o, seria mais tempo. Virei-me e
saí da sala. Eu sabia que Cal chegaria aqui o mais rá pido que pudesse.
Eu só esperava que pudéssemos aguentar até lá .
Verifiquei todos os quartos, reforçando algumas das janelas
fechadas com tá buas. A porta dos fundos era uma preocupaçã o. Nã o
fechava totalmente e parecia que em algum momento alguém a abriu
com um chute. Esse seria o nosso ponto fraco. Nã o havia nada para
bloqueá -la. Passei alguns minutos amarrando um arame com uma
granada dentro do batente da porta. Arrastei uma das camas e colchõ es
e bloqueei a porta do corredor para que eles nã o pudessem passar
correndo pela porta e entrar no resto do prédio. Isso teria que ser
suficiente. Entrei na cozinha.
Este era outro ponto fraco porque a janela sobre a pia nã o estava
tapada. Peguei o segundo colchã o e cortei um pedaço para colocar por
cima, desmontando uma cadeira e usando alguns pedaços de madeira
para fortalecê-la. A porta da frente ainda estava só lida. A trava da porta
principal estava quebrada, mas a fechadura funcionava, entã o eu estava
bem com isso. Fechei todas as portas dos outros cô modos laterais com
travas presas a itens barulhentos para ouvir se alguém abrisse as
portas. Nã o queria mais desperdiçar granadas dentro da casa.
Saí para fora. A floresta estava viva na escuridã o. O vento uivava
por entre as á rvores, puxando-as para frente e para trá s a ponto de
parecerem prestes a cair. A floresta aqui era esparsa, com muito espaço
entre as á rvores e se nã o fosse a calada da noite e a tempestade, eu
poderia ter visto uma boa distâ ncia entre as á rvores e mais adiante no
vale que cercava a colina em que estávamos. Limitei meus movimentos
do lado de fora, nã o querendo dar muita informaçã o a Cooper. A ú ltima
coisa que fiz foi montar uma cisterna para coletar um pouco da á gua da
chuva e depois voltar para dentro.
Tranquei a porta da frente e coloquei um sistema de alarme lá , em
seguida, voltei para a sala de informá tica. Kaelin estava sentada no
cobertor com um computador aberto na frente dela com vá rias peças
espalhadas ao seu redor e uma de nossas lanternas presa entre os
dentes. Ela olhou para mim quando entrei.
— Como foi o reconhecimento?
Fechei a porta do quarto e deslizei uma cadeira na frente dela
para garantir, entã o me sentei ao lado dela.
— Eu fiz o que pude. — eu disse. Se isso seria suficiente para
aguentar até Cal chegar, eu nã o tinha certeza. Ela assentiu e empurrou o
material do computador de lado.
— Quanta comida e á gua temos?
— Uma semana, se esticarmos. Estou pegando á gua da chuva
agora.
— Inteligente. — ela murmurou. Sentei-me novamente contra a
parede e ela deitou-se com a cabeça apoiada na minha perna. Ela
desligou a lanterna e a escuridã o total se abateu sobre nó s enquanto
ouvíamos a tempestade. Descobri que minha mã o naturalmente iria
brincar com o cabelo dela. Foi meditativo para mim. Passei os fios pelos
dedos até que nã o houvesse mais emaranhados e deixei minha mente
vagar. Logo percebi que ela estava dormindo e rezei a um deus em
quem nã o acreditava para que seus pesadelos desaparecessem.
O meu nã o.
Fiquei ali sentado no escuro e pensei em Trav.
Vi o pâ nico e o medo em seus olhos quando o arrastaram.
Vi o estado de seu corpo violentamente retorcido e mutilado
quando finalmente o encontrei.
Senti cada grito de todos que matei para chegar até ele e senti o
sangue em minhas mã os de todos que matei em vingança depois.

A adrenalina corria em minhas veias e eu chutei a porta com força


total. Senti Cooper em meu ombro quando invadimos a sala.
Rapidamente atirei em dois homens e vi Cooper acertar mais dois com o
canto do olho. Avancei para o quinto homem. Atirei na perna dele,
agarrei-o e empurrei-o sobre a mesa. Soltei minha arma e puxei minha
faca, então bati na mão dele com tanta força que ela penetrou
profundamente na mesa. Ele gritou e Cooper apontou a arma para a
porta, esperando mais companhia.
— É assim que isso vai acontecer. — eu sibilei perto de seu ouvido.
Trinta minutos e dez corpos depois, ouvi a risada de Cooper em
meio a uma névoa de sangue e suas mãos me colocaram de pé enquanto
ele me tirava de cima do pouco que restava de um dos homens.
— Ele está morto, Wolfman. — disse ele com uma risada. — Temos
as informações que precisamos, vamos lá.

— Trav... — Um grito saiu da minha garganta e mãos tentaram me


segurar, mas eu lutei tão violentamente que elas desapareceram.
— Wolfe, isso não é bom. — Alguém tentou falar comigo, mas eu
passei por eles e tropecei no corpo do meu irmão. Caí de joelhos ao lado
dele e agarrei seu corpo, arrastando o que restava dele para meu colo.
Lágrimas escorriam do meu rosto ao mesmo tempo que a raiva queimava
e assolava meu corpo.
— Vou fazê-los pagar. — eu disse a Trav. — Eu prometo.
Não sei quanto tempo segurei meu irmão, mas logo deixei que me
afastassem dele e minha dor deu lugar à fúria. Fui até Cooper e agarrei a
frente de sua camisa. Eu o puxei para perto, meus lábios se curvaram em
um rosnado.
— Quero que cada um dos bastardos responsáveis por isso sofra. —
rosnei.
Cooper riu e seus lábios se curvaram em um sorriso sinistro.
— Então vamos caçar. — Ele agarrou meus ombros, seus olhos
escurecendo enquanto ele igualava meu aperto e se aproximava de mim.
— É hora de queimar o mundo, irmão.

Nã o percebi que as lá grimas escorriam pelo meu rosto até que


uma mã o pousou na minha coxa. Minha mã o tremia onde descansava
em seu ombro e eu a puxei para trá s e me amaldiçoei... devo tê-la
acordado. No escuro ela se sentou e sem dizer uma palavra me puxou
para ela.
Foi fá cil me soltar quando a escuridã o nã o permitia nada além do
toque. Nossas palavras pareciam inadequadas. Estávamos realmente
em nossas sombras. Enterrei meu rosto em seu peito e no silêncio
deixei minha dor vir à tona. Ela passou as mã os pelo meu cabelo e pelas
minhas costas e entã o apenas me segurou enquanto eu desmoronava
silenciosamente.
Mais tarde, deitamo-nos juntos no cobertor. Sua cabeça em meu
peito e meus braços em volta dela. Tentei ficar acordado, mas nã o
consegui lutar contra o peso que se apoderou de mim.
— Durma Graham. — eu a ouvi sussurrar. — Vou ficar acordada.
Eu ia protestar, mas meus olhos já estavam pesados e nã o
demorou muito para que a exaustã o me arrastasse e eu torcesse para
que os pesadelos nã o me visitassem.
CAPÍTULO VINTE E NOVE

Eu estava uma bagunça no dia seguinte. Tentei me distrair com o


computador, olhando em volta para ver se conseguia encontrar alguma
coisa ú til, mas com suprimentos tã o limitados, nã o tive muitas opçõ es.
Por volta do meio-dia eu nã o conseguia ficar parada, entã o andei
pelo corredor como um animal enjaulado. A tempestade persistiu
durante a noite e a chuva continuou a cair forte durante toda a manhã ,
mas quando parou, fiquei ao mesmo tempo aliviada e aterrorizada. A
chuva significava mais dificuldades para Cooper, mas também
dificultava o resgate.
Graham passou a manhã toda fortificando o prédio depois de
desenterrar uma pilha de chapas grossas de metal sob a caminhonete.
Ele as usou perto das janelas e criou fendas nas tá buas para poder
atirar através delas. Ele arrastou a enorme mesa de carvalho para o
centro da sala e a virou de lado como cobertura adicional. Entã o ele me
levou para a sala de informá tica e me entregou um rifle de assalto. Eu
olhei para ele com ceticismo. Ele explicou o bá sico sobre como mirar,
atirar e recarregar e depois olhou para mim sério.
— Quando eles chegarem aqui, estarei nas janelas da frente.
Quero que você observe o corredor. Essas três portas e a parte de trá s
sã o pontos de entrada e a porta dos fundos é nossa maior fraqueza,
entã o eles provavelmente passarã o por lá primeiro. Quero que você se
comunique comigo constantemente. Se você atirar com a arma, eu
quero saber. Se você bater ou machucar alguém, eu quero saber. Se
alguém passar pela porta, quero saber qual porta e quantos sã o.
Entendeu?
Eu balancei a cabeça.
— Agora, Cooper provavelmente vai antecipar que você terá uma
arma e ele sabe que você será o ponto fraco e propensa a entrar em
pâ nico. Se alguém passar pela porta dos fundos, ou por qualquer uma
dessas portas, nã o... NÃ O descarregue um carregador inteiro nele. É isso
que eles vã o tentar fazer com que você faça. Lembre-se de que nosso
objetivo é detê-los e eliminá -los lentamente até que Cal possa chegar
aqui. Nã o precisamos sair atirando, só precisamos aguentar. Ele tem
cerca de vinte, vinte e cinco homens com ele, entã o se formos
cuidadosos e estratégicos...
— Como você sabe quantos homens ele tem? — Eu interrompi
desconfiada. Ele passou a mã o pelo cabelo e me deu um meio sorriso
culpado.
— Naquela noite em que deixei você, voltei para ver o que iríamos
enfrentar.
— Graham!
— Eu queria saber, caso eu tivesse que mandar você e fazer uma
ú ltima resistência.
— Jesus... — eu murmurei.
— De qualquer forma, acho que Cooper vai se esforçar muito para
ver onde estamos mais fracos e depois recuar e fazer sua grande
investida. Nó s temos a vantagem do ponto estreito, entã o... — Ele
encolheu os ombros, nã o querendo dizer nada muito otimista, mas
também nã o querendo me assustar.
— Graham... eu... eu nã o... se ele me levar de novo...
— Shh. — ele disse, passando o polegar pela minha bochecha.
Comecei a tremer. Se Graham caísse e Cooper me levasse, eu me
mataria. Eu nã o poderia voltar para a Toca. — Vou fazer tudo o que
estiver ao meu alcance para garantir que isso nã o aconteça.
Eu sabia que ele também faria isso, mas vinte e poucos contra dois
- e eu estava mais para uma metade - nã o eram boas chances. No resto
da tarde, Graham certificou-se de que todas as armas e muniçõ es
estavam preparadas e prontas, entã o ele me colocou perto do corredor
com o rifle de assalto e um pouco de muniçã o e nos acomodamos para
esperar. Ele ficou perto da janela e esperamos.
E esperamos.
E esperamos.
O sol se pô s e a floresta ainda estava em silêncio.
Nenhum de nó s dormiu, embora ele me dissesse para tentar. Nã o
tenho certeza de como ele esperava que eu descansasse quando Cooper
poderia aparecer a qualquer momento e me levar de volta para o
inferno. Mesmo meus sonhos nã o eram seguros. Mas a noite passou
sem intercorrências. Graham nã o parecia nem um pouco estressado ou
preocupado. Ele rondou a casa algumas vezes, mas manteve seu posto
perto da janela da frente, com a arma nas mã os.
No final da manhã , Graham olhou para mim andando de um lado
para o outro atrá s da mesa virada.
— Por que ele está demorando tanto? — Eu murmurei.
— Você está com pressa ou algo assim? — Ele perguntou e eu
pude ouvir sua diversã o.
— Nã o... mas a espera está me matando.
— A chuva deve tê-lo realmente atrasado. — disse Graham
calmamente. Eu precisava lembrar que ele já esteve em situaçõ es piores
do que essa antes.

Mais algumas horas se passaram e de repente Graham sentou-se


ao ouvir um som que só ele conseguia ouvir. Ele ergueu a mã o para mim
e eu me abaixei atrá s da mesa e peguei a arma enquanto me virava para
a porta dos fundos. Esforcei-me para ouvir o que ele ouviu, mas nã o
ouvi nada fora do comum. Ele olhou através das tá buas.
— Ele está aqui. — ele murmurou. O medo me percorreu fria e
rapidamente, me fazendo estremecer. — Ele está enviando três para a
retaguarda... eles estã o fazendo um reconhecimento rá pido. — Percebi
a mudança na linguagem corporal de Graham e sabia que ele avistou
Cooper.
— Olá , casa! — Cooper gritou, sua voz arrogante ecoou pelo
gramado da frente. — Estamos aqui para a festa! Na verdade, estamos
aqui para invadir a festa, mas você sabe... — Quase pude vê-lo
encolhendo os ombros. — Wolfman, você nos levou em uma
perseguiçã o muito divertida nos ú ltimos dias. Quando foi que você ficou
melhor em rastreamento?
Ele estava muito conversador e entã o ouvi as tá buas da varanda
dos fundos rangerem e entendi por quê. Ele estava tentando nos
distrair. O colchã o ainda cobria parcialmente a entrada do corredor,
mas pude ver quando a sombra de alguém atravessou a luz que brilhava
através do batente da porta.
— Varanda dos fundos. — eu disse calmamente.
— Lembre-se do que eu disse. — ele murmurou. — Economize
muniçã o.
Assenti, mas agora sabia o que ele queria dizer, porque tudo que
eu queria era descarregar tudo o que tínhamos naquela porta. Agarrei a
arma e fiquei pronta.
— Eu realmente preferiria que isso fosse fá cil! — Cooper disse em
tom de conversa. — Correndo o risco de soar terrivelmente clichê,
entregue-a e ninguém se machucará e poderemos continuar com
nossas vidas.
O silêncio se prolongou, Graham aparentemente nã o iria agradá -
lo. Eu o vi levantar a arma, mas Cooper também deve tê-lo visto.
— Tudo bem, acho que tenho minha resposta. — disse ele, seu
tom agora tã o duro quanto aço. Ele deve ter encontrado cobertura
porque Graham nã o atirou.
— Prepare-se. — Graham sussurrou.
CAPÍTULO TRINTA

Cooper era um idiota, mas nã o era estú pido. Ele tinha a casa
cercada, sabia exatamente onde eu estava e sabia que a porta dos
fundos era o ponto fraco. As ú nicas coisas que ele nã o sabia eram
quanto poder de fogo tínhamos, mas duvidei que ele se importasse
quando seu grupo contava com vinte e cinco pessoas, pelo menos,
contra uma... ele nã o consideraria Kaelin uma ameaça. Eu mesmo tinha
minhas dú vidas sobre isso. Ela mal estava estável e nã o tinha nenhuma
experiência em atirar.
Ouvi a porta dos fundos se abrir e a granada explodiu em meio a
um grito. Eu já estava olhando pela mira e encontrei meu primeiro alvo.
Eu o derrubei e me afastei enquanto as balas atingiam a janela onde eu
estava.
— Três atrá s, um abatido. — disse Kaelin, com a voz trêmula.
Espiei pela janela novamente e puxei o gatilho, matando outro.
Ouvi a arma de Kaelin disparar e ela engasgou.
— Eu acertei um. — ela disse sem fô lego. — Mas ambos ainda
estã o do lado de fora da porta.
Aqueles dois eram espertos e nã o queriam arriscar mais nenhuma
armadilha explosiva. Eu deveria ter armadilhado todo o corredor, mas
era tarde demais para isso. Ouvi uma arma disparar no corredor e
Kaelin gritou quando as balas atingiram a parede. Ela recuou e ouvi sua
arma disparar mais algumas vezes. Para seu crédito, ela nã o a
descarregou, mas eu ainda me encolhi com a quantidade de balas que
ela disparou. Cooper estava avaliando nossas defesas agora. Olhei para
o corredor e vi os dois homens avançando para a sala dos fundos. Fui
até ela.
— Cubra a frente. — eu sibilei.
Avancei pelo corredor lentamente. Entã o virei no corredor para a
sala dos fundos e rapidamente eliminei dois homens. Olhei
rapidamente para trá s, mas as balas atingiram a porta e eu me afastei e
recuei pelo corredor. Olhei brevemente para Kaelin para ver como ela
estava. Ela estava respirando com dificuldade e parecia em pâ nico.
O tempo passou e eu acertei mais alguns.
Eu estava de olho em qualquer um que colocasse a cabeça para
fora. Mas Cooper nã o era tolo e sabia que se continuasse nesse caminho
perderia a vantagem de seus nú meros. Depois de nã o atirar em
ninguém por quase uma hora, eu sabia que seu pró ximo movimento
seria um ataque em massa.

O caos irrompeu em ambos os lados da casa. Homens invadiram a


varanda da frente ao mesmo tempo que a de trá s. Eu tirei o má ximo que
pude na frente antes de me virar e ajudar Kaelin. Arranquei um pino de
uma granada e mandei-a para a sala dos fundos. Entã o me virei
novamente e eliminei os homens que corriam pela porta da frente. Ouvi
a arma de Kaelin disparar novamente, mas nã o tive tempo de me virar.
Algo bateu na porta da frente e eu atirei uma rajada de balas através da
madeira. Joguei nossa ú ltima granada na sala dos fundos no momento
em que vi uma delas cair no centro da nossa. Eu me lancei sobre Kaelin,
derrubando-a atrá s da mesa enquanto ela explodia.
Meus ouvidos estavam zumbindo, esqueci como essa parte era
horrível e pulei de pé. Os olhos de Kaelin estavam enormes, mas ela nã o
parecia machucada. Levantei-me e atravessei o corredor, mas a porta da
frente se abriu e os homens entraram na sala da frente.
Kaelin estava de pé, atirando descontroladamente. Avancei para o
ataque, atirando em dois antes que eles chegassem até mim e fui
forçado a recorrer ao combate corpo a corpo. Joguei um contra a
parede, sentindo algo perfurar minhas costas, me virei e por pouco
evitei uma faca no rosto. Usei o movimento do homem e enterrei sua
faca no homem que eu estava atacando. Lutei para chegar até Kaelin e
agarrei seu braço antes de forçar meu caminho para o primeiro quarto
no corredor, empurrando-a para trá s, fechei a porta com força e
tranquei-a, nos dando um breve momento. A porta balançou com
tremores quando eles bateram nela e eu vi uma rachadura aparecer.
Nã o tínhamos muito tempo.
Eu estava ofegante e minha lateral e costas queimavam.
— Você está sangrando. — disse ela, com a voz estridente. Eu a
ignorei.
— Shh — eu sibilei. Quando minha audiçã o voltou, ouvi um som
glorioso. Alívio me invadiu. — Ouviu isso?
— Oh, meu Deus — disse Kaelin.
Rotores. Rotores de helicó ptero.
Achei que era o som mais doce que já ouvi.
Entã o ouvi a porta quebrar e uma bomba de fumaça entrou no
quarto.
Os pró ximos minutos foram de caos e sobrevivência. Os homens
de Cooper invadiram a sala e eu derrubei vá rios, tentando ficar perto de
Kaelin. Fiquei sem fô lego quando quatro vieram em minha direçã o e fui
jogado contra uma parede.
O zumbido em meus ouvidos voltou e me ajoelhei enquanto o
tempo parecia passar mais devagar. A fumaça começou a se dispersar e
vi formas se movendo em meio à névoa. Com um rugido, levantei-me.
Ofegante, saquei minha arma e acertei três em rá pida sucessã o. Um
punho atingiu minha lateral acima do ferimento de bala e eu grunhi
quando a dor percorreu meu corpo e caí de joelhos novamente. Agarrei
um punho que vinha em direçã o ao meu rosto e o girei antes de atirar
no pescoço do homem. Entã o algo bateu na lateral da minha cabeça e eu
caí contra a parede.
Ouvi Kaelin gritar e tentei chegar até ela, mas meus movimentos
eram lentos e tudo parecia distante. Caí de joelhos novamente e desta
vez nã o consegui encontrar energia para me levantar. A ú ltima coisa
que vi antes de cair na escuridã o foi Kaelin sendo arrastada porta afora
pelos cabelos.
CAPÍTULO TRINTA E UM

Fui arrastada para fora da casa por ninguém menos que Vandal e
o terror tomou conta de todo o meu corpo. Eu gritei e me debati,
cravando os calcanhares no chã o para tentar resistir, mas ele era grande
demais.
Entã o a raiva cresceu e me consumiu, abafando o terror. Meus
sentidos se aguçaram e tudo que eu sabia era que iria matá -lo. Eu iria
matá -lo e nada iria me impedir. Eu nã o voltaria. Ele me arrastou pela
terra até as á rvores. Peguei uma pedra e bati em seu joelho. Ele grunhiu
e me sacudiu com tanta força que meus dentes bateram, entã o ele me
deu um tapa no rosto. Minha visã o ficou embaçada.
— Eu nã o vou deixar meu brinquedinho ir. — ele rosnou. Quando
seu aperto nã o afrouxou, eu cegamente puxei um galho de á rvore do
chã o e golpeou ele na parte de trá s de sua cabeça. Isso funcionou e ele
me soltou e tropeçou para frente. Nã o hesitei, mas o golpeie novamente
e ele caiu sobre um joelho.
O mundo pareceu desacelerar e eu corri para frente e arranquei a
arma do cinto dele e depois recuei. Ele pareceu tã o surpreso quanto eu
com a reviravolta nos acontecimentos, mas se recuperou rapidamente e
se levantou, com uma expressã o maligna nos olhos.
— Eu nã o vou voltar para lá . — eu sibilei. Ele zombou e correu
para mim. Apertei o gatilho antes que ele colidisse comigo e nó s dois
caíssemos no chã o. Eu nã o sabia se acertei ele. A arma foi arrancada de
minhas mã os e caiu a poucos metros de distâ ncia. De alguma forma
acabei em cima dele e no ú ltimo minuto me lembrei do conselho de
Kraven e dei um soco forte no rosto de Vandal. Eu gritei com ele,
jogando toda a minha raiva em outro soco. Seu nariz estava sangrando e
seu lá bio estava cortado antes que ele agarrasse meu punho e o
apertasse. Eu gritei quando meus ossos se chocaram e ele me empurrou
para longe dele. Sua outra mã o agarrou meu pescoço.
— Vou me divertir punindo você por isso, pequena. — ele rosnou.
Seu aperto aumentou e minhas mã os buscavam qualquer coisa ao meu
redor que eu pudesse usar como arma. Minha visã o estava embaçada
por falta de ar, mas meus dedos tocaram uma pedra e eu
freneticamente agarrei-a e levei-a até a lateral de sua cabeça, entã o
rapidamente acertei outro golpe em seu nariz.
— Vadia. — ele amaldiçoou com raiva. Ele me soltou e eu desabei
no chã o, tossindo e ofegando. Eu me arrastei para trá s enquanto ele
limpava o sangue do rosto. Eu vi a arma ao mesmo tempo que ele. Eu
estava mais perto e me lancei em direçã o a ela. Minha mã o se fechou em
torno dela no momento em que fui jogada por trá s contra uma á rvore.
Minha visã o escureceu perigosamente quando o ar deixou meus
pulmõ es, mas enfiei a arma atrá s de mim e puxei o gatilho.
CAPÍTULO TRINTA E DOIS

Voltei à vida, ofegando por ar e cerrando os dentes enquanto a dor


se espalhava por todas as partes de mim. Eu nã o sabia quanto tempo
fiquei apagado, mas devem ter sido apenas alguns minutos. Tentei me
concentrar na sala, mas tudo que vi foi sangue.
Kaelin se foi. O pâ nico tomou conta de mim. Eu disse a ela que nã o
deixaria que eles a levassem. Eu nã o iria falhar com ela também. Virei-
me e tentei ficar de pé, mas nã o consegui. Tentei me arrastar até a
porta, mas o chã o estava escorregadio de sangue e havia corpos no meu
caminho. Pareciam montanhas intransponíveis. Ouvi tiros lá fora e
depois passos no corredor. Peguei uma arma e apontei para a porta no
momento em que um rosto familiar apareceu.
— Ei, Wolfe, ei, amigo...
— Cal... onde ela está ! — Eu gritei, minha voz soava distante e
incrivelmente em pâ nico. — Onde ela está ? — Deixei cair à arma,
tentando olhar além dele. — Kaelin!
— Calma, Wolfe, calma. — eu o vi se virar e sinalizar para alguém.
— Encontre a garota. — Entã o ele se virou para mim e vi medo em seus
olhos.
— Nã o me olhe desse jeito. — eu grunhi, mas seu rosto estava
ficando cada vez mais embaçado.
— Fique comigo, Wolfe... Graham... — Sua voz estava ficando mais
distante. Mã os me agarraram e me levantaram, mas tudo que vi foi uma
escuridã o sangrenta.
Eu apaguei.
CAPÍTULO TRINTA E TRÊS

Ouvi um grunhido em meu ouvido e o peso deixou minhas costas.


Eu me virei ofegante e engolindo em seco para ver Vandal de joelhos
segurando sua barriga. Afastei-me da á rvore, com o peito arfando, e
fiquei surpresa por minhas mã os estarem tã o firmes na arma quando a
apontei para ele. Ele tentou me atacar, mas seus movimentos estavam
lentos e seus olhos estavam desfocados. A adrenalina estava me
deixando um pouco perturbada e eu zombei dele.
— Eu te disse, nã o vou voltar para lá . — ofeguei. A raiva explodiu
e eu apontei a arma para seu pau e puxei o gatilho. Ele gritou e se
sacudiu.
— Isso é por me estuprar. — eu sibilei. Ele caiu aos meus pés,
gemendo de dor, lutando na terra enquanto sangrava. Ele conseguiu
rolar de costas e olhou para mim sem expressã o, abrindo e fechando a
boca. Encostei a arma na cabeça dele.
— Adeus, idiota. — eu disse simplesmente e puxei o gatilho.
Olhei para cima e vi dois homens correndo por entre as á rvores,
saindo da casa. Levantei-me e apontei a arma para eles. Eles pararam e
ergueram as mã os enquanto diminuíam a velocidade de aproximaçã o.
— Calma, assassina... estamos aqui para ajudar. — disse um deles
com um sorriso fá cil enquanto dava outro passo à frente. Eu dei mais
um passo para trá s.
— Nã o... — eu disse.
— Estamos com Cal. — Olhei para o outro homem. Ele baixou
deliberadamente a arma, apontando-a para o chã o. — Esse é Knight —
disse ele, apontando para o primeiro homem. — Eu sou o Ghost.
Eu ainda nã o me mexi.
— Sim... — Knight falou, mas era ó bvio que ele estava ouvindo
alguém em seu ouvido. — Sim... Cal, ela está aqui com uma arma. Nã o
confia em nó s... tudo bem. — Ele olhou para mim novamente. — Cal
está vindo.
Ambos estavam alertas, em vez de me observar, viraram-se e
monitoraram as á rvores ao redor. Meu coraçã o estava acelerado e eu
ainda nã o tinha certeza se confiava neles. Entã o vi um terceiro homem
andando por entre as á rvores. Ele era alto e loiro, com um andar
confiante de alguém no comando. Ele parou perto de Vandal e se
agachou, olhando para o corpo. Ele assobiou em agradecimento e olhou
para mim.
— Presumo que você se vingou? — Quando ele sorriu, vi covinhas
e ele piscou um olho azul brilhante para mim. Ele se levantou quando
eu abaixei a arma e assenti.
— Eu sou Cal. — ele disse. — Kaelin, certo? — Ele nã o se moveu
em minha direçã o, mas enfiou os polegares no colete e acenou com a
cabeça em direçã o a casa. — Graham está em muito mau estado... — Ele
parou quando viu meus olhos olharem além dele por entre as á rvores e
vi dois outros homens apoiando Graham enquanto o levavam para fora
da casa.
— Graham... — eu disse, dando um passo à frente.
— Eu fico com a arma, amor. — disse Cal, entrando casualmente
no meu caminho com a mã o estendida. — Entã o vamos sair daqui,
certo? Esta floresta me assusta. — Ele piscou para mim novamente.
Desta vez nã o hesitei e entreguei-lhe a arma. Ele se afastou e eu corri
em direçã o a casa.
— Graham! — Corri até ele, minha voz se perdendo entre o
barulho das hélices do helicó ptero pairando acima de nó s. Os dois
homens que vi carregando-o estavam ocupados prendendo-o a uma
prancha médica. — Oh, Deus, Graham! — Havia muito sangue. O medo
me sufocou. Eu nã o poderia perdê-lo. De novo nã o.
Cal veio até mim e se inclinou para ser ouvido. Eu me afastei, mas
nã o havia nada além de bondade em seus olhos quando ele apontou
para o arnês em suas mã os e o estendeu para mim.
— Coloque isto! — Ele gritou. Eu peguei e coloquei. Ele deu um
passo em minha direçã o novamente e encontrou meu olhar em uma
pergunta silenciosa. Balancei a cabeça e ele me ajudou a puxar as alças
e prendê-las do jeito que precisavam. Graham já estava no helicó ptero e
Cal virou-se para mim novamente.
— Quer subir comigo? — Mordi o lá bio, embora nã o quisesse ser
tocada, também nã o queria ser arrastada até lá sozinha. Eu balancei a
cabeça e ele se aproximou de mim e nos uniu, em seguida, me envolveu
em seus braços e deu um sinal. Minha respiraçã o me deixou quando
fomos levantados no ar e agarrei Cal quando fomos puxados para cima.
Mã os me agarraram na porta e um fone de ouvido foi colocado na
minha cabeça. Vi Cal se acomodar do outro lado de Graham e me
inclinei sobre ele, colocando a mã o em seu peito.
— Pegamos você, cara. — disse ele. Ele acenou com a cabeça em
minha direçã o. — Sua garota também está aqui.
Observei Graham ficar mole e Cal e eu olhamos para o corpo dele
enquanto o pavor tomava conta de mim. O helicó ptero mergulhou para
o lado enquanto se inclinava e eu olhei para baixo. Mesmo que eu
finalmente estivesse deixando o inferno para trá s, meu peito estava
apertado com a ideia de perder Graham. Ele me salvou. Agora eu
esperava que alguém pudesse salvá -lo.
REDENÇÃO
Quando uma estrela cai na terra fazemos um pedido
A ruína deles é a nossa redenção.
O que então significa quando uma alma se despedaça?
Se somos poeira estelar e a lua nasce,
Fragmentos do universo,
Certamente nos desfazemos apenas para sermos curados novamente.
Um desvendamento...
Do quebrado e do belo.
Assim como desejamos a uma queda de estrelas,
Talvez nossos pedaços que se quebrem,
Nossa queda de alma são os desejos que as estrelas nos fazem.
CAPÍTULO TRINTA E QUATRO

6 MESES DEPOIS
CIDADE DE NOVA IORQUE

Os sons e cheiros da cidade me assaltaram e o vento frio do


inverno puxou meu vestido quando saí do carro. O tapete vermelho
estendia-se pelas escadas do museu e a mídia empurrava a barreira,
monitorada pela polícia.
Tive um momento de pâ nico com a gritaria e sua natureza
agressiva antes que meu assistente e planejador de eventos chegassem,
me puxando escada acima. Os banners acima do museu balançavam ao
vento com os logotipos da Phox e da organizaçã o anti trá fico de pessoas
para a qual o evento se destinava. A gala de caridade foi algo que eu
organizei.
Depois de voltar para casa, decidi como CTO que faria algumas
mudanças. O restante dos chefes e da diretoria ficaram mais do que
felizes em acompanhar. Eles pareciam querer fazer de tudo para me
deixar feliz ultimamente, depois de finalmente me receberem de volta
ao escritó rio.
No dia em que voltei à civilizaçã o, a mídia estava em frenesi.
Aparentemente, meu desaparecimento foi o grande assunto do
momento.
Foi avassalador e passei as primeiras semanas escondida em
minha casa, evitando a imprensa e tentando nã o hiperventilar. A Phox
disse para eu levar o tempo que precisasse, mas eu nã o conseguia ficar
sentada em casa por muito mais tempo sem literalmente enlouquecer,
entã o voltei ao trabalho. Eles pareceram dar um suspiro de alívio
quando voltei e nã o apenas comecei a trabalhar, mas ataquei meu
trabalho com força total.
Tyler estava frenético quando finalmente nos reencontramos no
hospital para onde fui levada inicialmente. Ele tentou continuar de
onde paramos, mas depois que tive um colapso histérico quando ele
tentou iniciar o sexo, ele recuou. Ele nã o entendia por que eu nã o
contava a ele o que aconteceu e por que eu estava tã o mentalmente
instável. Eu rompi o noivado com ele alguns dias depois disso. Eu sabia
que era a coisa certa a fazer quando tudo que sentia era alívio.
A gala que organizei tinha como objetivo a angariaçã o de dinheiro
para combater o trá fico de seres humanos, uma causa que de repente
passei a defender com veemência. No entanto, insisti veementemente
que nã o haveria um leilã o ao vivo. Os planejadores franziram a testa
com isso, mas nã o brigaram comigo quando viram a firmeza do meu
queixo. Em vez disso, haveria um leilã o silencioso e os ingressos por
prato eram altos, entã o eu sabia que ainda conseguiríamos o nú mero
que pretendíamos alcançar. O evento estava sendo realizado em um dos
belos museus de arte da cidade. Sempre foi um dos meus favoritos e
tínhamos todo o enorme salã o e o segundo andar dedicados ao evento.
Estava esgotado e todo mundo que era alguém estava lá .
Avistei meu reflexo em uma das vidraças quando passei pelas
portas. Trabalhei duro em mim mesma nos ú ltimos seis meses. Comecei
a terapia, me matriculei em aulas de defesa pessoal e até aprendi a
atirar e manusear uma arma. Eu ainda tinha ataques de pâ nico
ocasionais e à s vezes minhas mã os tremiam incontrolavelmente, mas
eu estava voltando lentamente das sombras. O vestido que eu estava
usando era de certa forma, minha estreia de volta a mim mesma. Foi
necessá ria muita força para eu sair de casa usando-o. Dois ataques de
pâ nico depois, quase mudei, mas agora, ao passar pelas portas e virar
as cabeças, disse a mim mesma que poderia fazer isso.
Ironicamente, mas intencionalmente, escolhi um vestido
vermelho que tinha apenas um tom de sangue. Era um tecido luxuoso
que se enrolava em volta dos meus ombros e mergulhava
profundamente entre meus seios, apertando minha cintura antes de
cair em ondas até o chã o. Havia uma cauda leve e uma fenda até minha
coxa que aparecia quando eu andava. Ele era aberto nas costas e exibia
uma boa parte das minhas cicatrizes. Meu cabelo estava enrolado e
meio preso em um elaborado ninho trançado e meus brincos e sapatos
eram dourados.
Era simples, mas nã o discreto.
Imediatamente peguei uma taça de champanhe e vaguei pela sala
lotada, parando para conversar com pessoas que conhecia ou sendo
puxada para círculos para conhecer pessoas. Eu nã o me importava com
quantos ataques de pâ nico isso iria causar, eu estava cansada de me
esconder.
Dei uma olhada no leilã o silencioso e percorri a fila da vasta gama
de itens disponíveis. Parei diante de uma grande pintura, quase da
minha altura. Era uma cena de floresta onde a luz se filtrava pelas
á rvores iluminando uma cena de três cervos pastando perto de um rio.
Era um dos meus.
Pintei e incluí no leilã o silencioso. Era uma das cenas dos
primeiros dias com Graham, quando comecei a apreciar a beleza da
floresta.
Pintar era outra forma de terapia para mim e aluguei um estú dio
só para pintar. Alguns estavam em minha casa e no meu escritó rio, mas
também havia alguns que eu nã o queria que ninguém visse.
Vi que já havia muitos lances, os mais recentes chegando a
dezenas de milhares. Fiquei feliz em ver isso.
Pensei em Graham todos os dias. Eu nem sabia se ele estava bem.
Nó s nos separamos tã o abruptamente e senti uma dor no peito quando
pensei na possibilidade de ele morrer devido aos ferimentos. Quando
voltei ao trabalho, tentei encontrá -lo. Vasculhei a internet, utilizando
todos os meus truques e até aprendendo alguns novos para tentar
encontrar algo que me contasse o que aconteceu com ele. Tudo que
encontrei foram coisas do passado dele. Eu me agarrei a qualquer coisa,
absorvendo qualquer informaçã o que pudesse encontrar. Mas nunca
houve nada recente.
Ainda dedico um dia por semana para pesquisar na esperança de
que algo apareça um dia. Um dos meus maiores arrependimentos foi
nã o ter feito Cal me dar suas informaçõ es de contato, embora eu
estivesse analisando lentamente meus contatos militares na esperança
de que alguém tivesse uma conexã o.
Peguei outra taça de champanhe de um garçom que passava e me
afastei do leilã o silencioso. Ouvi um tilintar de vidro e a voz de Todd, o
CEO da Phox, ecoou pelo sistema de som. Todos queriam que eu falasse,
mas eu sabia que isso era demais. Eu nã o estava pronta para estar no
centro das atençõ es desse jeito.
Ele falou sobre a organizaçã o que estávamos apoiando. Ninguém
sabia sobre a rede de trá fico humano na floresta. Tentei contar à polícia,
mas como ela estava localizada em um país diferente, a jurisdiçã o era
complicada. Fiz vá rias outras ligaçõ es para organizaçõ es específicas,
mas ninguém fez nada. Foi desanimador e me deixou enjoada pensar
nas atrocidades que ainda aconteciam naquela floresta, mas ninguém
me ajudou e acho que eles nã o acreditavam na histó ria dos
experimentos com seres humanos.
Entã o decidi resolver o problema com minhas pró prias mã os da
melhor maneira que pude. Comecei a invadir os sistemas do Cooper e
passei os ú ltimos seis meses compilando provas contra ele. Também
passei bastante tempo sabotando-o. Foi divertido para mim descobrir
diferentes maneiras de corromper seus sistemas. Mas ele tinha que
saber quem estava fazendo isso e todos os dias eu ficava com medo de
que ele viesse atrá s de mim.
Todd falou sobre meu envolvimento com a gala e disse um pouco
sobre minha força depois de sobreviver por dois meses na selva. Ele
falou sobre minhas realizaçõ es no trabalho e na minha carreira e meu
envolvimento e dedicaçã o à instituiçã o de caridade. Ele foi tã o genuíno
e elogioso que me vi corando quando todos olharam em minha direçã o
e me brindaram com uma salva de palmas antes de Todd dizer mais
algumas coisas sobre a noite e encerrar depois que todos na sala
levantaram suas taças em saudaçã o.
Todd veio até mim e colocou a mã o no meu braço. Cerrei os
dentes para impedir o estremecimento que ainda acompanhava
qualquer toque de um homem e tentei sorrir.
— Todd, você nã o precisava dizer tudo isso. — eu disse.
— Você merece, Kaelin. — disse ele, sorrindo. — Esta empresa
nã o seria o que é sem você...
Ele continuou a falar, mas de repente vi um rosto que pensei que
nunca mais veria do outro lado da sala.
Kraven.
Kraven estava aqui.
Ouvi uma taça quebrar e percebi que deixei cair minha taça de
champanhe. Ela se espatifou aos meus pés, me trazendo de volta ao
presente.
— Eu sinto muito... — eu gaguejei, e os sons do baile de gala
voltaram a me dominar momentaneamente. Enterrei as mã os em meu
vestido, tentando esconder os tremores.
— Nã o se preocupe, essa nã o é a primeira vítima esta noite e
tenho certeza que nã o será a ú ltima!
Todd riu e sinalizou para um garçom ajudar a limpar a bagunça.
Olhei para trá s, no meio da multidã o, mas Kraven havia sumido.
Abalada, pedi licença a Todd e fui até o banheiro. Fiquei atento a ele
durante todo o caminho, mas foi como se ele tivesse desaparecido. Ou
talvez ele nã o existisse. Eu estava vendo coisas? Era mesmo ele ou eu
estava atribuindo seu rosto a alguém parecido?
Eu sabia que o trauma poderia fazer com que isso acontecesse.
Mas no fundo eu sabia que era ele. Aqueles olhos cinzentos com a
intensidade de uma tempestade de inverno estavam gravados em meu
ser.
O banheiro estava calmo e silencioso e passei alguns minutos
apenas estabilizando minha respiraçã o, praticando as técnicas que
aprendi na terapia para me concentrar. Minhas mã os ainda tremiam um
pouco enquanto eu arrumava um cacho no cabelo, mas depois de
alguns minutos eu me recompus o suficiente para voltar lá .
Examinei cautelosamente a multidã o, mas ainda nã o o vi. O tempo
passou e lentamente me forcei a admitir que talvez eu realmente nã o o
tivesse visto. Peguei outra taça de champanhe, embora beber fizesse
minhas mã os tremerem menos, isso rapidamente me deixando
embriagada e eu sabia que precisaria diminuir o ritmo logo.
Quando todos se sentaram para jantar, relaxei o suficiente para
me concetrar nas pessoas na minha mesa. Em vez de sentar-me com os
outros executivos, insisti em sentar-me com alguns dos principais
membros da minha equipe. Eu tinha uma equipe incrível com alguns
dos melhores do setor e gostava de me perder nas conversas do setor,
como só nó s, nerds da tecnologia, poderíamos fazer. Eu estava tã o
imersa na minha equipe que nã o pensei em Kraven até o jantar
terminar e todos se reunirem e darem seus ú ltimos lances para o leilã o
silencioso.
Eu mesmo fui em direçã o ao leilã o silencioso, querendo ver quais
eram alguns dos nú meros finais. Fiquei me perguntando para quem iria
minha pintura e parei na frente dela novamente.
O ú ltimo lance no papel era milhares de vezes superior ao
anterior. Na verdade, era um nú mero tã o absurdo que eu sabia que
ninguém iria superá -lo. Eu nã o reconheci o nome.
Theron North.
— Admirando minha mais nova aquisiçã o?
Eu congelei e um arrepio percorreu minha espinha. Arrepios
irromperam pelo meu corpo e me virei lentamente para ver os
familiares olhos cinza-tempestade a centímetros dos meus.
Eu nã o conseguia falar ou me mover. Tive sorte de nã o estar com
uma taça nas mã os porque poderia deixá -la cair de novo, minhas mã os
tremiam muito. Enterrei-as no meu vestido, agarrando-me ao tecido.
— Kraven... você... o que... — Eu estava balbuciando e um sorriso
surgiu em seus lá bios. Ele parecia divertido.
— Você é uma mulher e tanto. — disse ele, olhando-me de cima a
baixo com aquele seu jeito preguiçoso. — Desenvolvedora de tecnologia
militar talentosa com vá rias patentes notáveis, CTO de uma empresa de
tecnologia de renome mundial, filantropa e artista... até mesmo tem sua
mã o em biotecnologia. — Ele olhou para mim incisivamente e depois
riu da expressã o chocada em meu rosto. — Voltei ao país e seu rosto
estava estampado em toda a mídia. Você pode imaginar o quã o chocado
fiquei, entã o tive que fazer algumas pesquisas. — Ele olhou para minha
pintura com apreciaçã o. — Como eu disse, você é uma mulher e tanto.
— O que você está fazendo aqui? — Eu perguntei, finalmente
encontrando minha voz.
— Apoiando uma boa causa.
Eu zombei audivelmente da ironia.
— Você gasta seu dinheiro de maneiras interessantes. — eu disse,
olhando para ele com cautela. Nã o conseguia organizar o turbilhã o de
emoçõ es que estava sentindo.
— Eu diria que a maior parte foi muito bem gasta. — disse ele,
olhando para mim novamente, seu olhar abrasador enquanto o
pensamento de exatamente onde ele gastou parte de seu dinheiro
pairava no ar entre nó s.
Nó s nos encaramos por um momento antes de sentir uma mã o em
meu cotovelo e me assustar.
— Srta. Bennett. — Era meu assistente. — Alguns membros do
conselho desejam falar com você antes de partirem.
Eu balancei a cabeça e me virei para Kraven. Eu nã o tinha ideia do
que dizer, mas ele se inclinou para mais perto de mim, garantindo que
eu fosse a ú nica a ouvir suas palavras. Fiquei tensa quando sua
respiraçã o roçou meu pescoço.
— Eu gosto mais de você assim... mais loba do que coelha.
Pisquei e dei um passo para trá s. Quando eu me afastei, ele ficou
com a mã o no bolso, me observando com um olhar presunçoso no rosto
e antes que eu o perdesse na multidã o, ele piscou para mim.
CAPÍTULO TRINTA E CINCO

Mais tarde naquela noite, entrei em minha casa e imediatamente


percebi que algo estava errado. Normalmente, eu só deixava a luz da
cozinha acesa, mas pude ver no corredor que a luz da minha sala estava
brilhando suavemente.
Eu congelei e uma onda de pavor tomou conta de mim. Larguei as
chaves e dei um passo para a sala do lado escura. Minha arma estava no
meu quarto. Dei mais um passo nas sombras antes que uma mã o se
fechasse em volta da minha boca.
Por um momento, o terror incandescente tomou conta do meu
corpo e ameaçou me desligar completamente. Mas entã o o treinamento
que eu estava fazendo entrou em açã o e eu bati em seu pé com meus
saltos. Um grunhido de dor escapou quando o salto afiado cravou nele.
Ele afrouxou o aperto e eu empurrei meu cotovelo de volta para ele e
me virei e coloquei um joelho onde eu sabia que iria doer mais. Entã o
corri pelo corredor e entrei no meu quarto.
Joguei-me ao lado da cama e lutei com a gaveta da mesa de
cabeceira. Amaldiçoei os trilhos quando eles se prenderam antes de eu
arrastá -los para abri-la. Só tive tempo de pegar a arma e me virar antes
que o homem voltasse para mim. A arma disparou e eu o vi sacudir, mas
nã o devo tê-lo atingido mortalmente porque ele colidiu comigo e
batemos na parede. Perdi o fô lego e entã o gritei e me debati até que
meu vestido ficou preso. Ele torceu meu braço e a arma caiu no chã o.
Ele me deu um soco no estô mago apenas o suficiente para me
tirar o fô lego novamente e eu afundei contra a parede com dor antes
que ele me agarrasse pelos cabelos e me arrastasse pela casa até a sala
de estar. Assim que recuperei o fô lego, lutei e gritei, agarrando a mã o
que estava no meu cabelo, mas ele era forte demais. Entramos na sala e
ele me levantou, um braço me envolveu e uma faca pressionou minha
garganta.
— Bem, a coelha encontrou algumas garras pelo que vejo.
Um arrepio percorreu minha espinha com essa voz.
Cooper estava sentado na poltrona da minha sala, com as pernas
cruzadas sobre os joelhos, bebendo um copo de uísque. Havia outros
dois homens com rifles de assalto flanqueando-o e outro que eu podia
ver parado contra o balcã o da minha cozinha. Lutei violentamente, mas
o homem pressionou a faca com mais força contra meu pescoço e eu
imediatamente parei.
— Achei que uma faca poderia acalmar você. — disse Cooper em
tom de conversa. — Lembrar você dos velhos tempos.
— O que você quer? — Eu engasguei, lutando para respirar
através do meu pâ nico crescente. Eu nã o voltaria para a Toca. Eu
morreria. Eu literalmente deslizaria esta faca pela minha garganta antes
de deixá -lo me levar.
— Eu quero você de volta, Kaelin. — disse ele.
— Encontre outra pessoa. — eu disse. Cooper apenas riu.
— Eu tentei — disse ele. — Confie em mim. Você dá muito
trabalho e é um pé no saco, mas aparentemente é a melhor. Ninguém
tem a combinaçã o perfeita de suas habilidades. Você é uma coelha rara.
— Nã o sou boa o suficiente para fazer o que você está pedindo. —
eu disse, procurando qualquer tipo de desculpa. Escondi minhas mã os
trêmulas no vestido.
Cooper esvaziou seu copo de uísque e por um momento vi um
vislumbre da raiva queimando profunda e quente dentro dele e quando
ele se levantou, jogou violentamente o copo contra minha parede, onde
ele se quebrou. Eu pulei e soltei um gemido quando a faca cortou minha
pele. A ansiedade tomou conta de mim.
Nã o desmorone. Nã o desmorone.
Nã o. Desmorone.
Cooper passou a mã o pela boca e caminhou até mim, pegando o
telefone. Ele apertou um botã o e quando parou na minha frente, ouvi a
voz de Graham no telefone.
— Você realmente poderia fazer isso?
— É altamente antiético...
— Mas você poderia fazer isso? Criar um chip ou algum tipo de
tecnologia que impeça alguém de quebrar sob pressão?
— Graham...
— Responda-me.
— Tecnicamente, sim...
Cooper parou e guardou o telefone, olhando para mim com um
encolher de ombros.
— Entã o você pode ver como eu nã o acredito em você. — Ele
estendeu a mã o e passou um dedo pelo meu queixo. — Nã o seria como
antes. Eu nã o colocaria você no leilã o... embora você e eu ainda nos
divertíssemos, é claro. E eu vou puni-la por invadir meu sistema... — Eu
me empurrei para frente e mordi seu dedo, com força suficiente para
tirar sangue.
Seu rosto escureceu e ele rosnou enquanto me dava um soco no
rosto com tanta força que o homem que me segurava me soltou e eu caí
no chã o. Recuei e a borda da mesa de centro bateu em minhas costas,
interrompendo meu progresso.
Cooper se ajoelhou na minha frente, seus olhos brilhando
perigosamente e pude ver que ele mal conseguia conter sua raiva. Ele
parecia mais perturbado do que da ú ltima vez que o vi e novamente
senti a mã o fria do terror me agarrar. Ele me agarrou pelo pescoço e me
puxou para frente de forma que seu rosto ficasse a centímetros de mim.
— Você sabe o que é ser meticulosamente torturado? Ter alguém,
pouco a pouco, virando seu corpo contra sua mente? — Ele sorriu. —
Bem, talvez você tenha experimentado, mas nada parecido com o que
Graham e eu suportamos... eles me fizeram assistir quando nã o estavam
trabalhando em mim. — Seus olhos piscaram como se ele estivesse de
volta à quele lugar e depois de um momento ele suspirou. — Mesmo
com minha dor, passei a apreciar a forma de arte. Porque há uma arte
em levar alguém à beira da insanidade.
Seus dedos apertaram até que eu mal conseguisse respirar.
— A mente tenta proteger o corpo, mas todo mundo tem um
ponto de ruptura, mesmo que esse ponto de ruptura seja a morte. É
uma das maiores falhas na construçã o humana e estou encontrando
uma maneira de contorná -la para que o que aconteceu comigo, Graham,
Trav e inú meros outros nã o precise acontecer.
— Ao submeter outros à tortura. — eu engasguei, olhando para
ele.
— O fim justifica os meios. Seus sacrifícios nã o sã o em vã o.
Claro que ele pensaria isso. Ele pensava que suas cobaias eram
má rtires da causa. Ele me soltou e eu recostei-me na mesa de centro,
minha mã o indo para o pescoço. Ele olhou para mim e seu olhar
percorreu meu corpo e o vestido vermelho que eu estava usando até
meu rosto. Sua mã o subiu e arrastou-se pelo corte em minha bochecha,
seus dedos saíram ensanguentados.
— Vermelho realmente é a cor perfeita para você. — ele disse
sombriamente.
— Senhor... — Um homem veio até ele vindo do corredor. —
Alguém está aqui.
— Livre-se dele. — disse Cooper, ainda olhando para mim com um
olhar que nã o gostei.
— Há quatro deles. Armados.
— Esperando companhia? — Ele perguntou, olhando para além
de seu homem no corredor. Ele se levantou enquanto tirava a arma da
calça.
— Vigie-a. — ele disse aos outros e depois se dirigiu para a porta.
Um de seus outros homens o seguiu, deixando apenas dois que
pude ver. Alguns minutos se passaram e pensei ter ouvido uma briga,
mas era abafada e indistinta. Entã o as cabeças dos homens se viraram
em direçã o à porta da frente. Cooper devia ter dito alguma coisa no
rá dio. Ouvi um baque e o homem mais pró ximo de mim caiu, com uma
bala no pescoço. Recuei em direçã o ao canto da sala de estar quando
três homens com equipamento tá tico preto entraram e largaram os dois
homens restantes na sala. Eu os observei com os olhos arregalados e
entã o meus olhos pousaram no líder e quarto homem quando ele
entrou na sala.
Era Kraven.
Isso nã o poderia estar acontecendo. Literalmente, isso era algo
diretamente saído de um dos meus pesadelos. Comecei a hiperventilar
e lutei violentamente para usar todos os truques que aprendi para
controlar o pâ nico. Fechei os olhos brevemente, mas isso piorou as
coisas, entã o os abri novamente, mas para onde quer que olhasse, havia
um cadáver sangrando por toda a minha sala.
Eu olhei para Kraven. Ele ainda estava usando o terno da
instituiçã o de caridade, embora o colarinho estivesse desabotoado e
agora houvesse sangue espalhado por seu peito e rosto. Seus olhos
cinzentos eram meticulosos e frios enquanto ele e seus homens
percorriam a sala com precisã o letal. Ele parecia um anjo caído vindo
para me salvar do inferno. Mas eu sabia que nã o deveria chamá -lo de
meu salvador.
Ele e seus homens limparam a sala e o resto da casa e só quando
voltaram com tudo limpo é que Kraven olhou para mim. Ele dispensou
seus homens com um sinal de mã o e eu os observei desaparecerem
para outras partes da casa, provavelmente para se protegerem contra o
retorno de Cooper.
Kraven guardou a arma e se aproximou, agarrando-me pelo braço
enquanto me levantava. Eu me afastei de sua mã o e imediatamente
recuei para a cozinha.
— O que... você me seguiu até em casa? — Eu perguntei, minha
voz incrivelmente estridente enquanto eu sufocava as palavras. Sua
boca se contorceu em um pequeno sorriso quando ele lentamente se
aproximou de mim e assentiu.
— E estou feliz por ter feito isso ou Cooper poderia estar na
metade do caminho de volta para a Toca com você.
— Onde ele está ? — Perguntei. Olhei freneticamente para as
portas francesas que davam para o quintal, como se esperasse que ele
entrasse por elas.
— Foi embora. Ele fugiu.
Kraven continuou avançando lentamente em minha direçã o e logo
recuei para o canto da minha cozinha. Minhas costas bateram no balcã o
e agarrei o granito atrá s de mim quando ele parou na minha frente. Sua
mã o se levantou e eu me encolhi quando ele agarrou meu queixo e
virou meu rosto, seus olhos escurecendo de raiva. Sua outra mã o puxou
uma toalha de algum lugar atrá s de mim e ele gentilmente tocou no
corte na minha bochecha, onde Cooper me deu um tapa. Eu estava
tremendo e minha respiraçã o saía em suspiros agudos enquanto
tentava respirar. Ele deve ter visto o terror em meus olhos porque
deixou cair a toalha e seu olhar passou por mim. Ele viu a cicatriz na
minha testa perto do couro cabeludo e passou o dedo sobre ela.
— Foi ruim depois que saí. — Nã o foi uma pergunta.
Eu nã o conseguia falar enquanto lá grimas nã o derramadas
turvavam minha visã o. Tentei balançar a cabeça em um aceno, mas sua
mã o ainda estava segurando meu queixo. Ele me soltou e seus olhos
examinaram o resto de pele que ele conseguia ver.
— Quã o ruim? — Ele demandou.
De repente, me senti sufocada e saí do canto. Ele me deixou me
mover enquanto eu pegava o uísque que Cooper deixou de lado e
tentava me servir de um copo, mas minhas mã os tremiam tanto que
nã o consegui destampar a garrafa. Kraven se aproximou e sem dizer
uma palavra ele pegou de mim e me despejou um dedo. Bebi de uma
vez, deixando o calor fluir através de mim.
— Pegue o sadomasoquismo de Roger e aumente um pouco. —
exalei apó s a bebida, minha voz tremendo. Desta vez consegui me servir
de mais um pouco de á lcool, derramando apenas um pouco e bebi tudo
novamente. Kraven se aproximou e passou o dedo sobre uma das
cicatrizes visíveis ao longo da minha clavícula.
— Isso também é obra dele?
Eu balancei a cabeça.
— Ele quase me matou.
Minhas mã os tremiam tanto que larguei o copo. A raiva de Kraven
emanou quente no pequeno espaço entre nó s.
— Por que você está aqui? — Eu perguntei baixinho. Fiquei com
medo da resposta.
— Eu esperava reviver os velhos tempos. — disse ele, mas nã o fez
nenhum movimento em minha direçã o. Eu ainda nã o tinha olhado para
ele e acho que isso o estava enervando. Ele estava tã o acostumado com
meu fogo. O fogo que havia sido apagado e só agora lentamente voltava
à vida.
— Eu nã o... eu nã o sou... como antes. — agarrei-me ao granito,
forçando-me a respirar. — Minha mente e meu corpo... a batalha está ...
distorcida e sombria agora.
Minha voz falhou nas ú ltimas palavras e algumas lá grimas
escorreram pelo meu rosto. Limpei elas com raiva e minha mã o voltou
ensanguentada.
Isso me enervou ainda mais.
Peguei a garrafa de á lcool, com a intençã o de me afogar.
Talvez, quando eu acordasse tudo isso seria algum sonho lú cido e
doentio. Mas Kraven empurrou-a para longe de mim e sua mã o roçou
minha nuca.
— Á lcool nã o é a resposta, amor. — Kraven disse calmamente.
Ele estava tã o perto que eu nã o conseguia respirar. Suas mã os
viajaram pelo meu cabelo, puxando lentamente os grampos e jogando-
os de lado. Meu cabelo começou a cair nas minhas costas e quando os
grampos foram retirados, seus dedos deslizaram pela parte de trá s da
minha cabeça, sob meu cabelo, ele massageou meu couro cabeludo. Nã o
consegui evitar o arrepio que percorreu meu corpo. Inclinei minha
cabeça para trá s em suas mã os.
— Você vai me estuprar? — Eu perguntei, finalmente olhando
para ele.
Sua mã o continuou massageando minha cabeça e eu queria
ronronar, era tã o bom. Sua outra mã o cobriu a minha trêmula no
balcã o. Estava manchada com meu sangue, mas ele a levou aos lá bios e
beijou meus dedos. Seus olhos escureceram quando encontraram os
meus.
— Bem, isso depende. — ele murmurou, sua respiraçã o acariciou
minha pele e ele beijou minha mã o novamente. Ele deve ter visto o
terror que passou pelo meu rosto e seus dedos apertaram brevemente
meu cabelo. Abri a boca para falar, nã o consegui e tive que tentar
novamente.
— Nã o me machuque. — eu engasguei, meu peito arfando
enquanto eu lutava pelo controle. Eu odiava o quã o fraca eu parecia,
mas tudo isso ameaçava desfazer todo o meu trabalho duro nos ú ltimos
seis meses. Minha outra mã o foi até a boca e comecei a tremer. Ele
parecia bravo, mas nã o comigo. Ele tirou a mã o do meu cabelo e afastou
um cacho do meu rosto, seus dedos traçando uma trilha pelo meu rosto
e pescoço.
— Shh... — ele disse.
Ele deslizou as mã os pelos meus braços e deu um passo para atrá s
de mim. Ele se abaixou e levou os lá bios ao meu pescoço e seu toque foi
leve como uma pena na minha pele.
— Você se lembra de por que eu te machuquei? — Uma mã o
afastou o cabelo do meu pescoço e seus lá bios me beijaram abaixo da
orelha. Eu estremeci. Suas mã os descansaram em meus braços, sem
apertar com força, mas eu sabia que elas iriam apertar se eu tentasse
me afastar.
— Você... quando eu nã o escutei. — eu disse, minha voz fraca.
— E o resto do tempo?
Uma de suas mã os deslizou pela minha barriga e ele gentilmente
pressionou-se contra minhas costas. Meus quadris foram empurrados
contra o balcã o e fiquei tã o tensa que o senti congelar.
— E o resto do tempo, Kaelin? Eu machuquei você?
Balancei a cabeça em movimentos bruscos.
Nã o, ele nã o tinha me machucado o resto do tempo. Na verdade,
ele me fez sentir um prazer inacreditável. De repente, eu precisava de
espaço.
— Eu... eu preciso fazer xixi. — eu disse.
Eu nã o conseguia vê-lo, mas senti-o hesitar e entã o suas mã os
desapareceram e sua presença sufocante se afastou. Respirei fundo e
dei alguns passos em direçã o ao banheiro.
— Quando você sair, quero você apenas com esses saltos. —
Kraven me disse. Eu congelei, mas nã o me virei. — Lembre-se do que eu
disse, querida.
Levei um minuto para me mover novamente, mas continuei até o
banheiro do meu quarto, assim que fechei a porta, desabei contra o
balcã o, tremendo. Lá grimas silenciosas deslizaram pelo meu rosto e
olhei no espelho para o corte que Cooper fez. Havia um pequeno no
meu pescoço também, causado pela faca.
Minhas mã os tremiam quando liguei a á gua, lavei as mã os e
depois lavei o sangue do rosto. Nã o era profundo, mas demorei para
limpá -lo e entã o tive que fazer xixi. Assim que a descarga foi dada, eu
sabia que precisava agir. Kraven nã o iria embora. Isso iria acontecer,
quer eu quisesse ou nã o. Eu poderia tornar isso traumatizante ou
curativo. Percebi que escolher era o má ximo de poder que eu
conseguiria e poderia muito bem usá -lo a meu favor.
Lentamente levei minha mã o até o zíper na parte de trá s do meu
vestido e puxei-o para baixo. Eu nã o queria olhar para mim mesma, mas
quando o vestido caiu no chã o, nã o consegui evitar meu reflexo. Meu
corpo havia ficado mais definido com as aulas de autodefesa, mas as
cicatrizes ainda estavam vermelhas. Elas ainda nã o haviam
desaparecido e era tudo que eu conseguia ver. As duas no meu quadril
ainda eram as piores e se destacavam vividamente, junto com as que
estavam na parte inferior do abdô men e no peito. Olhei-me no espelho
e o olhar era assombrado e vazio. Eu mantive meus saltos como ele
disse e com uma respiraçã o instável abri lentamente a porta.
Kraven estava na minha cama, encostado na cabeceira como se
fosse o lugar mais natural para ele estar. Ele havia tirado o paletó e vi
que o sangue havia sumido de suas mã os e rosto.
— Boa menina. — ele murmurou, vendo que eu obedeci à s suas
instruçõ es. Seus olhos me varreram da cabeça aos pés e vice-versa e eu
vi seu olhar pousar em cada uma das minhas cicatrizes. Um mú sculo
em sua mandíbula se contraiu e o olhar perigoso em seus olhos me
assustou, embora eu soubesse que nã o era para mim.
— Venha aqui. — disse ele, com a mandíbula cerrada.
Subi na cama e deitei ao lado dele. Ele se apoiou e seu olhar viajou
por mim novamente, fixando-se nas cicatrizes em meu quadril. Seu
olhar era assassino quando sua mã o subiu e as traçou. Elas ainda
estavam sensíveis mesmo depois de todo esse tempo e eu respirei
fundo e estremeci.
— Ele está morto? — Ele rugiu perigosamente. Balancei a cabeça
e meus lá bios tremeram.
— Sim. — eu sussurrei.
— Pena. Ele merecia coisa pior por isso. — ele rosnou. Ele desceu
para que pudesse beijar uma trilha em uma cicatriz e um pequeno
soluço me escapou.
— Eu o cortaria em pedaços... — ele beijou a outra cicatriz. — E
quando eu finalmente permitisse que ele morresse... — Ele deu beijos
ao longo do meu quadril, passando pela cicatriz para atingir o ponto em
que ele sabia que eu era mais fraca. — ...Eu o arrastaria de volta do
inferno para poder fazer tudo de novo.
Seu beijo foi suave como uma pena, sua respiraçã o quente contra
minha pele e ele olhou para mim com um fogo possessivo. Minha mente
se lembrou do que ele fazia quando alguém tocava em sua propriedade
e tentar reprimir meu medo era quase um esforço físico.
Um arrepio percorreu meu corpo quando seus dedos percorreram
minha pele e suas mã os gentilmente separaram minhas pernas. Nã o
resisti quando suas mã os abriram minhas coxas e sua boca continuou
beijando meu corpo. Ele parou. Olhei para baixo e o vi olhando
fixamente para as cicatrizes acima da minha boceta. Eu podia sentir
suas mã os tremendo e olhei para ele e vi o nojo e a raiva latentes
transformando seus olhos em nuvens de tempestade.
Ele olhou para mim e eu vi algo que nunca tinha visto em seus
olhos antes; compaixã o. Ele olhou para baixo e seu dedo traçou aquelas
cicatrizes lenta e suavemente, seguindo seus dedos com os lá bios, mal
me tocando. Era tã o íntimo que respirei fundo enquanto o desejo me
invadia. Entã o sua boca desceu entre minhas pernas e encontrou meu
clitó ris.
Eu nã o fazia sexo desde a ú ltima vez na floresta com Graham. Eu
mal me dei prazer por causa da vergonha que senti. Entã o, quando
Kraven me lambeu, gemi e minha cabeça caiu para trá s, minhas pernas
já tremendo enquanto as sensaçõ es me percorriam. Ele me separou
com os dedos, passando-os pelo meu centro para que pudesse me
acessar melhor e eu engasguei. Um momento depois, dois de seus
dedos deslizaram dentro de mim e eu fiquei tensa, com medo de que ele
me machucasse.
Minha respiraçã o ficou presa, mas ele olhou para mim.
— Lembre-se do que eu disse. — ele murmurou.
Balancei a cabeça rapidamente e respirei, forçando-me a relaxar.
Ele lentamente moveu os dedos dentro de mim e logo eu nã o pude
deixar de me perder no prazer que rolava através de mim. Rapidamente
fiquei encharcada. Eu estava ofegante e chegando ao limite, mas hesitei.
Eu queria dizer a ele para parar, mas também nã o queria que ele
me machucasse. Minha mente estava mais uma vez lutando contra meu
corpo, mas eu nã o queria mais ficar presa atrá s dos meus pró prios
muros de medo. Eu queria sentir novamente e poder experimentar a
profundidade do meu prazer e como era me desfazer. Eu podia senti-lo
me observando enquanto continuava, alimentado pelos sons que
extraía de mim. Meu corpo estava se contorcendo na cama, doendo pela
queda, lutando para me soltar.
Quando gozei, olhei para ele, segurando os lençó is em minhas
mã os e arqueando-me para fora da cama e gritei de novo e de novo. O
prazer se expandiu através de mim, preenchendo cada parte de mim
enquanto eu convulsionava em torno de seus dedos e cavalgava sua
boca através das ondas. Por um momento feliz eu nã o era nada, era
tudo, eu estava completa.
Fiquei atordoada quando me recuperei e antes que percebesse,
senti a cama afundar e ele estava pairando sobre mim. Seu pau duro
pressionou contra mim e eu congelei quando seus quadris me
prenderam debaixo dele.
Soltei um suspiro quando o pâ nico ferveu sob a superfície e
minhas mã os bateram em seu peito. Ele encontrou meus olhos
enquanto deslizava lentamente dentro de mim. Houve um aviso ali.
Minhas mã os nã o empurraram, mas meus dedos cravaram em sua pele
para impedi-las de tremer.
Estremeci quando vi sua mã o subir, mas ele apenas passou os
dedos ao longo do meu queixo e baixou os lá bios nos meus.
— Você é ainda mais gostosa do que eu me lembrava, garotinha.
— ele murmurou antes de me beijar. Minhas mã os deslizaram de seu
peito e desceram por seus braços e quando sua língua invadiu minha
boca, seu pau enterrou-se dentro de mim e nó s dois gememos. Ele ficou
imó vel dentro de mim, apenas me beijando. Seu beijo era intenso,
persuasivo e exigente ao mesmo tempo e logo eu estava perdida nele
até que minhas mã os nã o puderam deixar de correr pelas suas costas e
cavar em seu cabelo. Eu o puxei para mais perto de mim com um
gemido, aprofundando o beijo ainda mais até que ambos estávamos
ofegantes e ele moveu os quadris, deslizando lentamente seu pau para
dentro e para fora.
— Você se despedaça tã o lindamente, querida. — ele respirou
contra meus lá bios, movendo-se tã o devagar que eu podia senti-lo
inteiro cada vez que ele se movia.
— Isso é porque você é um caçador experiente. — eu engasguei,
chocada por um momento com a minha provocaçã o quando ela
escorregou facilmente da minha boca. Beijei sob seu queixo e deslizei
meus lá bios por seu pescoço. Ele gemeu, enterrando o rosto em meu
cabelo.
— Mm, exceto que desta vez eu peguei uma loba. — ele respirou,
seu tom divertido antes de capturar meus lá bios nos dele novamente e
logo estávamos ofegantes e nos aproximando do orgasmo com cada
beijo e estocada.
Sua mã o desceu entre nó s e ele encontrou meu clitó ris. Eu vacilei
brevemente, mas seus dedos nã o eram nada além de insistentes e logo
ele estava me puxando para a borda onde, quando eu caí, ele também
caiu e nó s descemos juntos pelo fogo do esquecimento.
Kraven desabou em cima de mim e me surpreendi quando
encontrei meus braços em volta dele, segurando-o ali. Nã o me senti
presa e embora meus sentimentos fossem confusos e complicados,
deixei-me sentir grata pela proteçã o que ele me deu esta noite.
Meus lá bios estavam contra seu pescoço e sua respiraçã o
bagunçava meu cabelo enquanto deixávamos o fogo se extinguir. Ele
beijou meu pescoço suavemente – uma, duas vezes – e seus dedos
apertaram meu cabelo como se de repente ele sentisse que iria me
perder, entã o ele respirou fundo e saiu de cima de mim. Estremeci
quando ele deslizou para fora de mim e engasguei quando ele me puxou
para seus braços.
— O que você está fazendo? — Eu gritei.
Ele estava deitado de costas com o braço em volta de mim. Minha
mã o empurrou seu peito, olhando para ele em estado de choque. Ele
riu.
— O quê? Eu pensei que você fosse uma pessoa de carinho. — ele
disse facilmente, passando os dedos pelo meu braço.
— Eu... sou... — consegui dizer. — Eu simplesmente nã o achei
você fosse.
Ele pressionou os dedos contra meu braço, encorajando-me a
deitar e eu hesitantemente descansei minha cabeça em seu peito. A
outra mã o dele subiu e pousou sobre a minha, entrelaçando os dedos
nos meus. Ele ficou em silêncio por um tempo, a outra mã o deslizando
pelo meu braço e ombro.
— Você ia voltar para me buscar? — Eu perguntei timidamente.
Essa tem sido uma questã o candente minha nos ú ltimos seis meses. Ele
ficou quieto por um momento e pensei ter obtido minha resposta em
seu silêncio, mas entã o ele falou.
— Cooper recusou minha oferta inicial. Quando voltei ao país e vi
na mídia quem você era, tentei tirá -la de lá novamente. Cooper disse
que você tinha ido embora, mas nã o me contou detalhes. — Seus braços
me envolveram com mais força, como se esperasse que Cooper entrasse
no quarto e me arrancasse dali. — Eu nã o conseguia tirar você da
minha cabeça e sabia que nã o importava se eu era seu dono ou nã o...
você era minha.
— Meu anti-heró i. — eu respirei e senti uma risada baixa vibrar
em seu peito.
CAPÍTULO TRINTA E SEIS

Algum tempo depois, acordei com um suspiro. O sol da manhã


entrava pela minha janela e eu me agarrei nas cobertas, sentindo-me
restringida. Eu teria pensado que tudo era um pesadelo ruim se nã o
fosse pela dor agradável que me lembrava dos orgasmos que Kraven
tirou de mim durante a noite. Acho que cochilei e em algum momento
ele tirou meus saltos e puxou as cobertas para cima de mim. Kraven nã o
estava na cama e imaginei que talvez ele tivesse ido embora.
Entã o o resto da noite me atingiu com tanta força que tive que me
sentar para respirar. Sentei-me na beira da cama, com os lençó is
agarrados ao peito, sentindo-me mal quando me lembrei de Cooper
invadindo minha casa e da ameaça de voltar para a Toca.
Se ele nã o estivesse morto, ele tentaria novamente.
Ele nã o parava e isso me aterrorizava.
Quando senti que poderia ficar de pé sem desmaiar, fui até o
banheiro e me limpei, depois coloquei uma das minhas camisetas
grandes e voltei para o meu quarto. Ouvi alguém na minha cozinha e
minha mente em pâ nico assumiu novamente.
Kraven ainda estava aqui? Cooper voltou?
Percebi que minha arma estava agora na minha cô moda ao meu
alcance e agarrei-a e abri a porta.
Entrei hesitantemente na minha sala de estar, esperando ver a
zona de guerra que deixei, mas estava impecável. Nã o havia corpo nem
mancha de sangue em parte alguma.
Pisquei, me sentindo desorientada como se realmente tivesse
sonhado com tudo isso. Eu estava lá , boquiaberta, quando finalmente
notei Kraven, sem camisa e de cueca boxer, andando pela minha
cozinha.
Sem camisa.
Na minha cozinha.
Na minha cozinha... fazendo café.
Eu realmente estava sonhando. Ele se virou e me notou, seus
olhos deslizando para a arma e seus lá bios se contraíram. De repente,
me senti envergonhada por ela estar em minhas mã os e corei.
— Precisamos conversar sobre isso em algum momento. — disse
ele secamente enquanto se virava e terminava de servir duas xícaras de
café. — Embora eu admita que ver você segurando uma arma agora
mesmo com cabelos de sexo e pernas longas está fazendo algo comigo.
— Ele se aproximou e gentilmente tirou a arma da minha mã o,
substituindo-a por café.
Eu apenas olhei para ele.
— O que você está fazendo? — Perguntei quando finalmente
encontrei minha voz novamente. Em resposta, sua mã o deslizou pela
minha nuca e ele se inclinou e me beijou. Ele tinha gosto de café e sexo.
Demorou apenas alguns momentos para a euforia crescer dentro de
mim e eu automaticamente me inclinei em direçã o a ele. Quando ele se
afastou, quase caí. Ele sorriu, olhando para minha expressã o chocada e
atordoada antes de voltar para a cozinha para pegar sua caneca.
— Eu nã o sabia como você gostava disso. — Ele se recostou no
balcã o. — Seu café. — Ele acrescentou presunçosamente.
Ele parecia em cada centímetro um predador vigiando seu
territó rio, olhando para mim por cima da borda de sua caneca com
olhos que me atravessavam diretamente. Entrei na cozinha e coloquei
uma colherzinha de açú car mascavo no café, mexendo lentamente. Eu
podia senti-lo me observando de perto.
Eu vi uma sombra cruzar meu pá tio traseiro e congelei. Ele
percebeu e se aproximou, colocando a caneca na mesa para que seus
braços pudessem deslizar por trá s de mim, me puxando para perto
dele.
— Esses sã o meus homens. — disse ele contra meu pescoço. —
Eles estarã o por perto até eu saber que Cooper nã o é mais uma ameaça.
Abri a boca para protestar, mas sua colô nia inebriante me cercou
e sua boca estava fazendo coisas maravilhosas ao longo do meu ombro.
Percebi que me sentia melhor sabendo que Cooper nã o poderia me
surpreender novamente. Tomei um gole do meu café e um pouco da
minha ansiedade desapareceu.
— Isso significa que você estará por perto também? — Eu
perguntei, tentando parecer casual, mas ainda conseguia ouvir a
esperança absurda em minha voz. Ele riu contra a minha pele e seus
dentes gentilmente me morderam. Um arrepio percorreu todo o meu
corpo e eu me aconcheguei contra ele.
— Você é minha quer me queira ou nã o, querida. — ele disse
rispidamente.
— Mesmo que seja de boa vontade?
Porque de repente eu nã o queria me opor a nada que ele quisesse
fazer comigo. Ele ficou em silêncio e seus braços se apertaram em volta
de mim e depois ficaram imó vel. Eu nã o conseguia ver seu rosto, mas
queria saber o que veria ali. Coloquei meu café na mesa e me contorci
em seus braços. Quando ele percebeu que eu estava tentando me virar e
nã o fugir, ele afrouxou o aperto, eu me acomodei contra seu peito e
olhei para ele. Seus braços deslizaram para a parte inferior das minhas
costas e ele olhou para mim. Ele parecia estar tentando esconder o que
realmente sentia, mas estava falhando e senti minha respiraçã o ficar
presa com a ternura que senti ali, mesmo que tenha sido breve.
— Eu sempre vou ultrapassar seus limites, amor. — ele disse
finalmente enquanto seus olhos se fixavam nos meus. Ele ergueu a mã o
e passou o polegar pelo meu lá bio inferior. — Eu sabia que você era
uma força quando te vi pela primeira vez, mas agora, agora que eu
realmente sei que mulher poderosa você é... — Seus dedos levantaram
meu queixo, seu aperto firme enquanto ele abaixava sua boca até a
minha e parava de repente. — ...ser aquele que vai fazer você gozar é o
mais pró ximo do divino que chegarei nesta vida e pretendo continuar.
Entã o, de bom grado ou nã o? Isso depende de você.
— Talvez nem sempre seja fá cil. — respirei.
— Oh, baby, estou contando com isso. — disse ele.
Sua mã o desceu e me bateu. Um meio grito, meio suspiro escapou
dos meus lá bios quando pulei para mais perto dele e entã o seus lá bios
estavam nos meus.
Algumas horas depois, quando ele realmente cumpriu sua
promessa de me fazer gozar repetidas vezes em seus braços, saí do
banheiro e o encontrei em meu escritó rio. Ele estava segurando um
pedaço de papel nas mã os e franzindo a testa.
— Eu nã o sabia que a Toca estava financiando testes em humanos.
— ele disse sombriamente. Aproximei-me e vi que ele estava segurando
uma có pia impressa das anotaçõ es feitas durante um dos experimentos.
Era incrivelmente perturbador, infelizmente, era um entre muitos.
— Cooper quer tornar os humanos imunes à quebra sob pressã o.
— eu disse. — É por isso que ele me quer de volta. Nã o para a Toca... ele
quer que eu o ajude a criar a tecnologia.
— Você poderia fazer isso?
— Por que todo mundo continua me perguntando isso? — Eu
perguntei exasperada. — Eu preferia morrer. Tenho tentado impedi-lo
desde que saí, mas está sendo mais difícil do que eu pensava.
Kraven largou o papel e passou a mã o no rosto.
— Sabe, tudo o que você disse durante a hora do coquetel faz
sentido agora. — ele murmurou secamente. — Nã o admira que você
soubesse que aquele homem era um mentiroso. Você é a porra da CTO
da empresa da qual ele estava falando.
— Meu pai realmente foi militar, se isso faz você se sentir melhor.
— eu disse com um pequeno sorriso.
Ele balançou a cabeça e depois olhou para mim.
— O que você precisa? — Ele perguntou simplesmente. Eu olhei
para ele sem expressã o.
— O que você quer dizer?
— O que você precisa para derrubar Cooper?
— Nã o é tã o simples... — comecei.
— O negó cio é o seguinte — disse Kraven interrompendo. Ele se
encostou a minha mesa e cruzou os braços, todo profissional. — Cooper
vai continuar vindo atrá s de você até que ele consiga arrastá -la de volta
para aquele buraco infernal ou tenha uma participaçã o em sua morte.
Nã o quero nenhuma dessas coisas, entã o vou perguntar de novo: o que
você precisa?
A questã o era que eu precisava de ajuda. Mesmo com minhas
habilidades tecnoló gicas e meus contatos militares, demorava muito
para conseguir fazer qualquer coisa sozinha e quanto mais tempo eu
demorava, mais vidas Cooper estava destruindo e mais tempo eu tinha
que viver com medo de ele aparecer na minha casa novamente.
— Nã o estou fazendo nada disso legalmente. — avisei. Ele sorriu e
riu sombriamente.
— Baby, deixe a conversa suja para mais tarde.
Um sorriso surgiu em meus lá bios.
— Eu preciso de uma equipe tá tica. Meu contato numa PMC está
em um uma missã o e o contato alternativo dele está demorando uma
eternidade para me responder. Tenho todos os dados que poderia
desejar, mas o que preciso agora é de alguém para entrar lá e desligar
isso fisicamente.
— E matar Cooper. — disse Kraven.
Olhei para ele, meu olhar sombrio combinando com o dele.
— Isso seria ideal, sim.
— Combinado.
— O quê?
Ele se afastou da mesa e começou a caminhar até a cozinha.
— A propó sito... quem é Graham? — Ele perguntou enquanto eu
seguia atrá s dele. A mudança de assunto foi abrupta, mas imaginei que
ele tivesse visto a informaçã o sobre Graham no meu escritó rio. O pouco
que encontrei sobre ele também estava entre as pilhas.
— Eu sofri um acidente de aviã o com ele e ele acabou me
resgatando da Toca.
Kraven se virou e olhou para mim incrédulo.
— Ei, ei, um acidente de aviã o?
Suspirei e fui pegar duas cervejas da minha geladeira. Abri as
tampas e deslizei uma para Kraven.
— Acho que provavelmente deveria começar do início.
Contei a ele tudo sobre a queda do aviã o e Graham. Falei sobre
como inicialmente encontramos Cooper, mas pulei meu tempo na Toca,
pois ele já sabia muito sobre isso e fui direto para Graham me
resgatando. Hesitei brevemente quando falei sobre os poucos dias de
fuga, mas Kraven pareceu juntar tudo rapidamente de qualquer
maneira. Durante todo o tempo em que falei, ele ouviu atentamente, seu
rosto era uma má scara vazia. Ele nem tocou na cerveja e eu nã o tinha
ideia do que ele estava pensando. Entã o contei a ele sobre o tiroteio e o
resgate de Cal e quando cheguei à parte sobre a morte de Vandal, seu
olhar se aguçou. Eu contei a ele os detalhes e ele sorriu.
— Essa é minha garota. — ele murmurou sombriamente e seus
olhos adquiriram um olhar selvagem que me deixou sem fô lego e
tropecei nas palavras.
— Eu gostaria de ter as informaçõ es de Cal, mas... — Kraven
estava olhando para mim como se quisesse arrancar a pouca roupa que
eu estava vestindo e me possuir ali mesmo no balcã o. — O quê?
Ele balançou a cabeça como se estivesse se livrando de quaisquer
pensamentos que estava tendo e pela primeira vez desde que o conheci
eu o vi olhando para mim com uma mistura de cautela e admiraçã o.
— Eu simplesmente... nunca conheci uma mulher como você. —
ele disse levemente.
Mas seus olhos, enquanto me analisava da cabeça aos pés, eram
tudo menos leves e eu vi seu rosto mudar para uma satisfaçã o
presunçosa e masculina por ter sido capaz de me conquistar. Eu nã o me
sentia tã o poderosa quanto ele parecia pensar que eu era, mas poderia
sentir se ele continuasse me olhando desse jeito. Ele parecia estar
tendo uma nova apreciaçã o pelo quanto era uma vitó ria para ele me
fazer gozar. Como se eu fosse o grande jogo definitivo e ele tivesse
acabado de fazer sua maior matança de todos os tempos. Eu era um
troféu maior do que ele imaginava, parada à sua frente o tempo todo, e
ele queria me polir até o ú ltimo centímetro de minha vida.
Engoli em seco porque o olhar que ele estava me dando era
absolutamente ardente e estava me deixando muito quente e
incomodada. Eu nã o gostaria da pouca consideraçã o que ele tinha pelo
meu consentimento e definitivamente nã o gostaria de me sentir como
um troféu, mas quando ele estava olhando para mim desse jeito, era
muito difícil respirar, quanto mais pensar logicamente. Ele deu um
passo em minha direçã o e eu automaticamente dei um passo para trá s.
— Entã o... eu acho... se eu... — Parei enquanto o observava dar
outro passo.
— Shh... eu nã o quero que você pense agora. — ele rosnou
enquanto dava outro passo. Dei outro de volta e ele sorriu
perigosamente para mim. — Você está tentando fugir, querida?
— Talvez — eu respirei, dando outro passo para enfrentá -lo. Só
que desta vez ele continuou avançando lentamente como se estivesse
me perseguindo. Andamos pela cozinha e tentei manter a ilha entre
nó s.
— O que vai acontecer quando eu te pegar?
Engoli em seco e ele avançou em minha direçã o, mas pulei e corri
ao redor da mesa da cozinha, colocando-a entre nó s enquanto uma
emoçã o percorria meu corpo e arrepios surgiram em minha pele.
— Você vai me punir. — eu disse sem fô lego.
Mas mesmo enquanto eu dizia isso, eu queria. Eu queria que ele
me batesse de novo ou me mordesse ou algo assim. Eu deixaria ele me
quebrar porque ele sempre me recompunha perfeitamente depois. Ele
deve ter visto isso em meus olhos porque sorriu para mim novamente,
dando uma volta na mesa.
— Aí está aquele fogo de que eu me lembro. — ele murmurou.
Entã o, mais rá pido do que eu conseguia acompanhar, ele se lançou
sobre a mesa, deslizando por cima, caindo ao meu lado. Um grito de
surpresa escapou e eu tentei correr, mas sua mã o se fechou em volta do
meu braço e antes que eu percebesse, fui puxada para trá s e bati em seu
peito com um suspiro. Minhas mã os bateram nele e sua mã o deslizou
pelo meu pescoço até meu cabelo, me agarrando com força.
Ele encontrou meu olhar brevemente e todo o meu corpo ganhou
vida com a expressã o de desejo em seu rosto. Ele segurou minha cabeça
para trá s para que eu nã o pudesse me mover, dando-lhe acesso ao meu
pescoço. Ele colocou os lá bios abaixo da minha orelha e seus dentes
roçaram minha pele antes de morder. Eu engasguei e estremeci, meus
dedos cravando em seu peito.
— Você está assustada? — Ele sussurrou contra meu pescoço. Ele
me mordeu levemente novamente.
— Eu deveria estar? — Eu engasguei, fechando os olhos.
— Oh, sim — disse ele. Sua outra mã o desceu pelas minhas costas
e bateu na minha bunda, fazendo com que eu me chocasse contra ele.
— Eu vou fazer você clamar por Deus... — Ele se afastou um pouco para
olhar para mim enquanto sua mã o deslizava pela minha bunda e
alcançava entre minhas pernas por trá s. — ...mas ele nã o vai salvar
você, garotinha. — Seus dedos pararam do lado de fora da minha
boceta. — Eu sou seu deus agora... — Seus dedos deslizaram
lentamente dentro de mim e eu gemi baixinho. — ...e quando eu
quebrar você... — Ele puxou os dedos e se inclinou, roçando minha
orelha com os dentes. — — ...você nem vai lembrar-se do seu nome.
Ele me puxou e me forçou por cima da mesa, a borda cravando em
meus quadris enquanto sua mã o pressionava a lateral do meu rosto
contra a madeira fria. Ele empurrou o joelho entre minhas pernas para
que elas se abrissem para ele e puxou minha camiseta. Ele passou a
mã o na minha bunda e entã o o tapa ecoou na cozinha e a dor fez
minhas coxas apertarem. Ele nã o parou, mas me bateu novamente do
mesmo lado e novamente até que eu nã o tivesse certeza se os sons que
eu estava fazendo eram de protesto ou de prazer.
Ele mudou para o outro lado e logo eu estava choramingando e
lutando contra sua mã o que me segurava, minha bunda ardendo com
seu ataque calculado. Quando ele finalmente parou, eu estava ofegante
e minhas pernas tremiam. Ele passou a mã o na minha bunda e eu fiquei
tensa. Eu o ouvi rir da minha antecipaçã o. Seus dedos continuaram
descendo até que ele me tocou entre as pernas e ouvi um estrondo de
aprovaçã o. Ele se inclinou sobre mim, pressionando os dedos dentro de
mim enquanto seus quadris pressionavam contra os meus e seu pau
duro empurrava contra mim através de sua boxer. Ele se inclinou sobre
meu corpo.
— Nã o se mova ou eu vou puni-la novamente. — ele sussurrou.
Entã o sua mã o soltou minha cabeça e eu o ouvi se ajoelhar atrá s
de mim. Suas mã os separaram mais minhas pernas e puxaram meus
quadris para trá s. Minha respiraçã o estava rá pida e meu corpo estava
tenso com uma antecipaçã o deliciosa enquanto esperava sua boca me
tocar. Mas ele nã o fez isso, virei um pouco à cabeça tentando olhar para
ele, mas seus dedos apertaram minhas pernas.
— O que foi que eu disse? — Ele me deu um tapa na bunda
novamente, mas nã o foi tã o forte quanto antes. Fiquei imó vel,
percebendo que ele estava se banqueteando comigo de uma maneira
diferente.
— Você está tã o molhada para mim que está pingando da sua
boceta. — disse ele, com a voz tensa e ligeiramente sem fô lego.
Seu dedo deslizou pela minha entrada e entã o o ouvi chupar o
dedo e gemer. Ele passou as mã os pelas minhas pernas, seus polegares
roçando minha boceta enquanto eles deslizavam e eu fiz um som
estrangulado que causou arrepios na minha espinha. Finalmente, senti
sua respiraçã o entre minhas pernas e entã o sua língua estava em mim,
me lambendo lentamente, sua língua deslizando para dentro de mim e
seus dedos encontrando meu clitó ris.
Se eu pensei que estava excitada antes, estava errada. Eu nã o
conseguia ficar parada e nã o ficaria surpresa se mais tarde visse que
meus dedos haviam feito sulcos na madeira. Perdi toda a noçã o dos
sons que estava fazendo enquanto ele levava em direçã o ao meu prazer.
Entã o ele parou abruptamente quando me senti chegando ao limite e
engasguei, movendo meus quadris em protesto.
— Você nã o pode gozar ainda. — ele disse asperamente.
Ele se levantou e sem avisar me penetrou. Gritei de prazer,
ofegando contra a madeira. Ele me fodeu com força, empurrando
dentro de mim de novo e de novo enquanto perseguia seu pró prio
prazer agora como puniçã o. Eu fugiria dele todas as vezes se isso
significasse que isso era o que eu teria que suportar, porque o que ele
estava fazendo era tudo menos doloroso.
Pude sentir meu orgasmo crescendo e logo perdi o senso de
realidade. Tudo o que existia era uma felicidade intensa, um estado de
êxtase onde nossos corpos transbordavam de uma energia tã o intensa
que nã o havia para onde ir, a nã o ser através um do outro e vice-versa.
Eu o ouvi ofegante quando ele se juntou a mim naquele lugar de
nirvana e quando seus dedos encontraram meu clitó ris eu gritei
quando as sensaçõ es se tornaram quase demais. Ele iria me quebrar em
um milhã o de pedacinhos.
— Oh Deus... Kraven... — eu gemi, ofegante e choramingando,
minhas mã os lutando contra a maré crescente. Ele agarrou meu cabelo
e me puxou para ele, entã o minhas mã os foram plantadas na borda da
mesa. Sua mã o passou pelo meu pescoço e minha orelha arranhou
entre seus dentes.
— Eu quero ouvir você dizer meu nome verdadeiro, baby. — ele
disse com a voz rouca, ainda me penetrando. Com a outra mã o ele
encontrou meu clitó ris e eu tentei formar um pensamento coerente
quando tudo se tornou demais e eu gozei... o nome Theron em meus
lá bios como uma oraçã o. Senti seu orgasmo tã o intensamente quanto o
meu e desaparecemos no éter, completamente perdidos no plano divino
do prazer.
Assim que ele me soltou, deslizei para o chã o da cozinha, minhas
pernas incapazes de me sustentar. De alguma forma, ele me pegou e me
abaixou com ele e eu me encontrei sentada entre suas pernas,
encostada em seu peito.
Eu nã o conseguia respirar. Eu tinha certeza de que estava morta.
Fechei os olhos, querendo perseguir o êxtase de novo, mas nã o
tendo um pingo de energia para fazer isso. Seus braços estavam
frouxamente em volta de mim e eu podia sentir seu coraçã o batendo
forte em seu peito, um reflexo do meu enquanto recuperávamos o
fô lego. Ele pressionou os lá bios contra meu pescoço e me beijou
suavemente ali... uma, duas vezes.
— Você é um incêndio, querida. — ele respirou com um suspiro.
Eu sorri e inclinei minha cabeça na dele. — Um maldito incêndio. — ele
repetiu calmamente.
CAPÍTULO TRINTA E SETE

— Entã o, como devo chamar você agora? — Eu perguntei


enquanto passava minha mã o ao longo de sua coxa.
— Como você quer me chamar?
— O que você colocou no meu telefone?
— Hum? — Ele perguntou, fingindo ignorâ ncia, mas mal tentando
esconder o que nó s dois já sabíamos. Eu zombei e virei a cabeça para
poder olhar para ele, levantando as sobrancelhas.
— Meu telefone está naquele balcã o há 24 horas e você está me
dizendo que nã o programou seu nú mero nele? Quero dizer, estou
impressionada que você tenha desbloqueado ele, mas nã o estou
surpresa.
— Foi difícil. — ele admitiu com um sorriso. — Eu coloquei como
Theron.
— Entã o é assim que vou te chamar. Kraven parece... inadequado.
— eu disse, sem saber mais como descrever isso. Ele assentiu como se
entendesse. Meu estô mago roncou alto e eu congelei. Ele riu baixinho e
deu um tapa gentil na minha coxa.
— Tudo bem, levante-se, vou pedir para entregar a comida e
entã o temos alguns planos para fazer. — disse ele quando nos
levantamos.
Ele foi até o telefone e o pegou, digitando uma mensagem rá pida
antes de desligá -lo. Ele se aproximou e pegou minha mã o e me levou até
o banheiro, ligando o chuveiro. Ele se virou para mim, com um
movimento rá pido, puxou minha camisa por cima da cabeça e abaixou a
cabeça para colocar um dos meus mamilos em sua boca. Ele chupou
levemente e o calor percorreu meu corpo. Este homem era insaciável.
Mas, ao que parece, eu também era.
O chuveiro esquentou e ele tirou a cueca boxer e me puxou atrá s
dele. Pressionei todo o meu corpo contra o dele e beijei-o sob o queixo
enquanto a á gua deslizava pela sua pele. Ele puxou meu queixo para me
beijar, gemendo contra meus lá bios.
— Eu nã o me canso de você. — ele murmurou.
Em resposta, caí de joelhos na frente dele e desliguei as mã os até
seu pau que já estava duro novamente. Olhei para ele enquanto
colocava meus lá bios em sua cabeça e girava minha língua antes de
afundar minha boca em torno de seu pau. Seus olhos se fecharam e
escureceram quando ele olhou para mim e sua mã o pousou em meu
cabelo.
Eu o chupei enquanto me retirava e entã o comecei um ritmo
constante que o fazia bater no fundo da minha garganta a cada vez.
Minha mã o se juntou e logo ele estava ofegante, seus olhos brilhando
nos meus e sua mã o segurando minha cabeça com força. Eu poderia
dizer que ele estava tentando se conter, mas quando me afundei nele e
o empurrei ainda mais em minha garganta, ele gemeu e suas mã os me
seguraram ali. Ele apertou meu cabelo com mais força e quando eu lutei
contra ele para respirar, ele puxou minha cabeça para trá s e começou a
foder minha boca do jeito que ele queria.
Era duro o suficiente para fazer meus olhos lacrimejarem, mas
olhei para ele e o deixei fazer o que quisesse, porque nã o havia nada
como ver o poder que eu tinha para desfazê-lo. Seus quadris sacudiram
e seu pau endureceu e entã o ele gozou na minha garganta com um
suspiro estrangulado. Sua porra encheu minha boca e eu engoli tudo,
chupando-o até que ele estremeceu e sibilou com o quã o sensível ele
estava e se afastou. Passei um dedo pelos lá bios e ouvi seu gemido de
agradecimento. Ele passou a mã o pelo meu rosto, seus olhos brilhando
possessivamente.
— Você fica linda ajoelhada aos meus pés. — ele disse
sombriamente.
Levantei-me e ele me puxou para me beijar, me empurrando
contra a parede fria de azulejos. O beijo começou exigente até que
deixou de ser. Transformou-se em outra coisa, algo mais profundo que
atingiu uma parte de mim nas sombras que eu nã o sabia que ele
conhecia.
Seus lá bios se tornaram uma carícia de veneraçã o, sua língua uma
devoçã o e a energia entre nó s queimou diretamente em minha alma.
Ele também sentiu a mudança em nossa energia e suas mã os no meu
rosto me seguraram como se eu fosse algo sagrado. Ele se afastou
apenas o suficiente para encontrar meus olhos e o fervor que vi ali fez
minha pró pria mã o acariciar sua bochecha. Ele fechou os olhos em paz
contra a minha mã o e quando os abriu novamente, eles brilharam com
uma intensidade igual à minha.
Se ele era um deus, eu era seu templo.
O momento desapareceu e com um ú ltimo beijo ele se afastou e
saiu do chuveiro. Terminei e tomei meu tempo no banheiro. Passei um
pouco de maquiagem, sequei meu cabelo e coloquei outra camiseta
grande demais – meu uniforme padrã o em casa – e fui procurá -lo.
Ele estava no meu escritó rio novamente, desta vez reclinado no
sofá com uma pasta nas mã os. A mesa de centro estava coberta com
sanduíches e saladas da minha delicatessen favorita, entre mais
arquivos. Na verdade, todo o chã o e a mesa estavam cobertos de papéis.
Ele parecia lindo em jeans e uma camiseta preta e olhou para mim
quando entrei, seus lá bios se curvando naquele familiar sorriso
canalha.
— Entã o, antes, quando você perguntou o que eu precisava, você
realmente quis dizer isso? — Perguntei. Peguei meu computador e
sentei ao lado dele, mas antes de abri-lo peguei um sanduíche,
percebendo que estava faminta. Era fim de tarde e eu nã o tinha comido
nada desde a festa de gala que agora parecia ter acontecido há dias. Ele
me entregou uma cerveja, observando-me dar as primeiras mordidas
no sanduíche antes de responder.
— Sim, já fiz algumas ligaçõ es. Tenho a equipe pronta, só preciso
que você me mostre tudo o que preciso saber sobre a Toca.
Olhei para ele em estado de choque, uma cerveja a meio caminho
da boca.
Ele sorriu presunçosamente. — Baby, meus contatos sã o muito
mais profundos e sombrios que os seus... você diz, vá , e eu pergunto
quando?
Balancei a cabeça, tomada de alegria por estar de repente muito
mais perto de derrubar Cooper do que jamais imaginei que estaria.
Abri meu computador e a ú ltima janela aberta era meu e-mail. Eu
estava prestes a sair e pegar as especificaçõ es da Toca quando
engasguei.
— Oh meu Deus.
Abri o e-mail.

Oi princesa,
Eu teria contatado você antes, mas estava em coma, então espero
que você possa me perdoar. Este é o meu primeiro acesso a
Internet e será o último por um tempo. Acho que você sabe o que
isso significa. Vou terminar isso... Caos e companhia estão
ajudando, então não se preocupe comigo. Tenho certeza de que
você seguiu em frente com sua vida, mas para mim parece que foi
ontem que deixei você e não consigo tirar você da cabeça. Eu
sei, eu sei... talvez o coma tenha abalado esse velho cérebro,
mas é verdade. Vou procurar você quando tudo isso acabar e se
não eu não procurar... bem, você saberá que as coisas deram
errado.
Todo meu amor (porque não acho que o que sinto por você possa
ser menos),
— G.

Minha mã o estava sobre a boca e lá grimas caíam pelo meu rosto


enquanto eu relia vá rias vezes. Ele estava vivo.
Kraven - Theron estava em seu telefone digitando. Quando ele
terminou, eu me recompus.
— Você nã o me contou que Graham e você eram assim. — ele
disse levemente. Olhei para ele com cautela.
— Isso é um problema? — Eu perguntei lentamente.
Eu nã o sabia como me sentiria se tivesse que escolher entre eles,
mesmo sabendo, sem sombra de dú vida, que Theron nã o me deixaria ir.
Ele me deu um sorriso fá cil e balançou a cabeça.
— Eu nã o me importo com os outros relacionamentos você tem,
querida. — Entã o seus olhos escureceram. — Contanto que eles
entendam que precisam compartilhar.
Soltei um suspiro de alívio e voltei para o meu computador com
um pequeno sorriso.
— Parece que ele está indo atrá s de Cooper. — eu disse, meu
sorriso se transformando em uma carranca.
— Dê-me todos os detalhes que você sabe sobre Graham, sua
equipe e a Toca e eu farei o resto.
Trabalhamos até tarde da noite revisando todos os detalhes da
Toca e Theron passou grande parte do tempo em seu telefone, enviando
mensagens ou atendendo ligaçõ es, trabalhando nos detalhes com sua
equipe. A comida havia acabado e havia garrafas de cerveja espalhadas
pela mesa de centro. Tínhamos pregado vá rios esquemas na parede e o
lugar parecia como se alguém tivesse derrubado um arquivo e o
sacudido violentamente.
Devo ter adormecido enquanto Theron estava atendendo uma
ligaçã o, porque a pró xima coisa que percebi foi que ele estava me
levantando do sofá e me carregando para o quarto. Ele me colocou na
cama e eu abri os olhos apenas o tempo suficiente para vê-lo
desaparecer de volta no meu escritó rio antes que o sono me puxasse
para baixo novamente.

Acordei com a sensaçã o do pau de Theron deslizando dentro de


mim e gemi sonolenta enquanto me esticava e empurrava meu corpo de
volta contra ele, levando-o mais fundo. Sua mã o estava no meu quadril,
traçando minhas cicatrizes repetidamente e seus lá bios beijaram uma
trilha do meu ombro até o pescoço. Ele moveu os quadris, deslizando
para dentro e para fora de mim e eu me senti molhada ao redor dele
enquanto meu corpo acordava totalmente para as sensaçõ es. Virei
minha cabeça para ele com outro gemido.
— Gosto de ser acordada assim. — murmurei.
Seus movimentos eram lentos e sem pressa e eu coloquei meu
braço atrá s de sua cabeça e puxei seus lá bios para os meus. Logo eu
estava ofegante, meus quadris movendo-se com os dele enquanto
nossos movimentos se tornavam mais deliberados. Seus dedos
traçaram meu quadril e agarraram minha coxa, puxando-a sobre suas
pernas e seus dedos se abaixaram e encontraram meu clitó ris. Joguei
minha cabeça para trá s enquanto ele continuava seu ataque com seu
pau, penetrando lentamente dentro de mim para que eu sentisse cada
movimento intencional. Sua respiraçã o acelerou e a minha com ele
enquanto eu ofegava e me apertava ao redor dele.
— Goze comigo. — ele sussurrou em meu ouvido com os dentes
cerrados enquanto se aproximava do limite e eu nã o precisei de mais
incentivo quando o senti se expandir dentro de mim e juntos tombamos
do limite e caímos no esquecimento.
Alguns momentos depois, ele saiu de mim e eu me virei e
descansei minha cabeça em seu peito enquanto seus braços me
envolviam. Ficamos em silêncio por um tempo antes que ele falasse.
— Tenho que ir hoje. — disse ele.
Eu sabia por que e para onde, entã o nã o precisava ser perguntado.
Parte de mim queria ir com ele, estar presente quando as equipes
destruíssem a Toca. Uma parte de mim até queria estar presente
quando matassem Cooper. Mas eu sabia que Theron nã o deixaria e
Graham ficaria chateado se descobrisse que eu estava lá , entã o nã o
perguntei.
Fizemos sexo novamente no chuveiro, ele me levantou nos braços
e me pressionou contra o azulejo e fizemos sexo na cozinha depois do
café da manhã , quando ele me curvou nas costas do sofá .
Eu nã o pensei que tivesse mais orgasmos, mas ele forçou mais
alguns quando me chupou na mesa da cozinha, banqueteando-se
comigo como se eu fosse sua ú ltima refeiçã o.
Eu estava chorando e suando naquele momento, gritando e
tentando fugir da intensidade absoluta do prazer que ele estava
provocando, mas vi o brilho em seus olhos e sabia que nã o havia como
escapar. Perdi todo o sentido de mim mesma no quarto orgasmo e logo
se tornou um estado constante em que eu nã o tinha ideia do que estava
dizendo ou fazendo e tudo o que existia era energia, pois ela me
eletrizava.
Eu implorei e estremeci com tremores de prazer, mas ele
simplesmente olhou para meu rosto coberto de lá grimas e com um
olhar predató rio disse: — Eu sei que você tem mais um para mim,
garotinha.
Mordi meu lá bio e balancei a cabeça freneticamente, mas eu sabia
que nã o adiantava e ele sorriu e falou a verdade enquanto mais uma vez
me fazia gozar.
Eu nã o conseguia me mover. Eu nã o aguentava. Acho que nem
estava respirando quando ele finalmente parou e se endireitou. Ele
olhou para mim com aquele olhar presunçoso de satisfaçã o por sua
matança e se virou para enxugar uma lá grima do meu rosto.
— Existem outras maneiras de torturar alguém. — disse ele e eu
gemi enquanto ele repetia o que havia dito há muito tempo na Toca.
Ele estava certo.
Era uma tortura... uma tortura requintada, crua, que desnudava
minha alma.
— Eu estava errada... você é o vilã o. — eu engasguei, mas nã o
havia calor e ele sabia disso.
Ele riu e se abaixou para me beijar na testa antes de sair da minha
vista. Fiquei ali, lentamente voltando à realidade, percebendo que
estava deitada nua e de bruços na mesa da cozinha e finalmente me
levantei.
Ele saiu do meu quarto, vestido e pronto para ir e sentou-se no
meu sofá para calçar os sapatos. Vesti minha camiseta novamente e
fiquei na cozinha, sentindo a ansiedade me atingir com o que ele estava
prestes a fazer. Ele acenou com a cabeça para alguém no corredor e um
homem enorme com equipamento tá tico preto apareceu. Theron
caminhou até mim e colocou um braço em volta da minha cintura,
acenando para o homem enquanto eu olhava para ele com apreensã o.
— Este é Viktor. Ele vai ficar de olho nas coisas enquanto eu
estiver fora. Se precisar ir a algum lugar, leve-o com você... ele te levará .
Há outros dois homens que você verá vagando por aí. Eu disse a todos
para ficarem fora do seu caminho.
Viktor olhou para mim com um olhar educado e profissional e
acenou com a cabeça.
— Srta. Bennett.
Engoli em seco e balancei a cabeça, sentindo-me intimidada, mas
sabendo que estaria segura enquanto ele estivesse fora. Viktor
desapareceu novamente e Theron se virou para mim, segurando meu
rosto entre as mã os. Ele me beijou longa e intensamente, imprimindo-
me em sua pele. Quando ele se afastou, nã o pude deixar de franzir a
testa.
— Hora de ir caçar. — disse ele e, com um ú ltimo beijo, virou-se e
foi em direçã o à porta.
— Theron — eu disse antes que ele desaparecesse. Ele se virou e
me perguntei se aqueles olhos cinzentos algum dia parariam de me
deixar sem fô lego. Eu nã o sabia o que queria dizer e 'tenha cuidado'
parecia tã o bobo. — Dê alguns golpes por mim. — eu finalmente disse,
sentindo a emoçã o de que tudo isso poderia acabar em breve. Seus
olhos dançaram divertidos enquanto ele piscava e fechava a porta atrá s
de si.
OPERAÇÃO COELHO VERMELHO
Por que comparamos o coração ao amor?
É violento se você pensar sobre isso,
Um maldito pedaço de mim, eu dou a você,
Ou você arranca isso de mim
Então sangra, quebra, pula uma batida,
Eu seguro as partes em minhas mãos
E observo o caminho para a redenção ficar vermelho.
CAPÍTULO TRINTA E OITO

OPERAÇÃO COELHO VERMELHO — As palavras se destacavam


grandes e imponentes quando olhei para os esquemas que Cal criou
espalhados na mesa do acampamento. Normalmente nunca prestei
atençã o à nomenclatura das operaçõ es, mas quando Cal pediu
sugestõ es, eu automaticamente disse “Coelho Vermelho” e pegou. Era
significativo por muitos motivos. Repassei o mapa pela milésima vez
antes de minha mente se voltar para Kaelin, como sempre parecia fazer
agora.
Os ú ltimos seis meses foram brutais. Minha memó ria do voo de
resgate era, na melhor das hipó teses, nebulosa, mas Cal preencheu as
lacunas. Ele me levou para um hospital discreto de operaçõ es secretas
por causa do meu delicado status legal, pelo qual fiquei grato porque a
ú ltima coisa que eu queria que acontecesse era acordar algemado
novamente. Lá os médicos lutaram para salvar minha vida. Sofri
extensos danos internos e a perda de sangue foi impressionante. Eles
me colocaram em coma para me estabilizar e durante quatro meses
estive morto para o mundo.
Cal garantiu que Kaelin voltasse bem para a civilizaçã o e depois
voltou e ficou ao meu lado até eu acordar. Dizer que ele retribuiu o
favor devido era um eufemismo... eu senti que lhe devia novamente,
mas ele se recusou a ver as coisas dessa forma. Quando acordei, ele me
olhou nos olhos e disse que tínhamos alguns planos a fazer.
Aparentemente ele investigou Cooper e a Roxa enquanto eu
estava apagado e nã o gostou do que encontrou. Ele sempre foi mais
guerreiro da justiça do que qualquer um de nó s, entã o enquanto eu
estava disposto a destruir a Toca por Kaelin, ele estava pronto para
vingar a humanidade.
Os meses seguintes consistiram em uma reabilitaçã o dolorosa e
intensa para voltar a ficar de pé e em forma para lutar. Eu me esforcei
muito. Provavelmente mais do que deveria, mas odiava o quã o fraco
meu corpo estava depois de ficar deitado por quatro meses. Mesmo
agora, meu ombro ainda estava dolorido e eu mancava um pouco, mas,
no geral, eu me sentia melhor.
A Coelho Vermelho começou apenas como uma equipe de Cal, mas
lentamente cresceu até se tornar uma operaçã o em grande escala com
mais de cinquenta funcioná rios da PMC. Todos foram avisados de que
isso nã o estava nos registros, mas assim que souberam do que estava
acontecendo, nã o se importaram. Cal estava no comando da operaçã o e
era implacável em sua organizaçã o e planejamento. Nenhum detalhe foi
esquecido e quando ele nã o estava coordenando os detalhes da
operaçã o, ele estava me assediando para eu ir trabalhar com ele depois
que tudo terminasse.
Era tentador. Estar de volta com esses homens e planejar
operaçõ es parecia natural para mim, mas eu nã o tinha certeza sobre
quais seriam minhas obrigaçõ es legais quando voltasse à ativa, entã o
continuei ignorando-o.
— A equipe final chega em dez minutos. — Cal passou pela
abertura da tenda. Finalmente. Eu estava ficando cada vez mais
impaciente com o passar dos dias e ontem Cal me disse que estávamos
adiando mais um dia para que pudéssemos adicionar uma equipe de
ú ltima hora. Se nã o fosse o fato desta equipe incluir um dos melhores
especialistas em explosivos da indú stria eu teria reclamado mais.
Gabriel Gryffin, conhecido como “Asa da Morte” era uma espécie
de celebridade no submundo das operaçõ es especiais. Ele passou
despercebido, mas todos em nosso mundo sabiam quem ele era e havia
uma boa dose de respeito e medo em torno de seu nome.
Ele nã o fazia concessõ es. Ele nã o era misericordioso.
Ele era sussurrado como sendo o anjo da morte.
Nos ú ltimos anos, só ouvi seu nome associado à derrubada de
redes de trá fico sexual, entã o nã o fiquei totalmente surpreso quando
soube que ele se juntaria a nó s. Fiquei surpreso ao saber que ele de
alguma forma conseguiu ser contatado porque nem mesmo Cal sabia
como contatá -lo e geralmente o Asa da Morte vinha até você, e nã o o
contrá rio.
— Onde diabos está Knight? — Cal perguntou. Ele era o contato
mú tuo com esta equipe.
— A ú ltima vez que o vi foi na barraca de armas. — eu disse.
— Típico — murmurou Cal. — Se aquele maldito Piromaníaco
queimar uma ú nica á rvore eu vou enforcá -lo.
Trent Knight foi apropriadamente apelidado de “Piromaníaco” por
sua propensã o a brincar com fogo e eu nã o culpava Cal... nã o podíamos
arriscar enviar um sinal de fumaça e revelar nossa posiçã o a Cooper.
Montamos especificamente a base do outro lado da cordilheira para
evitar a detecçã o. Cal virou-se para a entrada da tenda e ambos
ouvimos o som fraco de hélices batendo no ar.
Uma equipe de seis homens vestidos com equipamento tá tico
preto e com as mais recentes armas e tecnologia desceram do
helicó ptero antes que ele mergulhasse. O líder era um homem mais
velho, com cabelos grisalhos e uma barba curta e bem cuidada para
combinar e em seu ombro estava o Asa da Morte.
Knight caminhou até ele enquanto ele se aproximava.
— North, que bom ver você, cara. Asa da Morte... — Eles
apertaram as mã os e entã o Knight se virou para Cal e eu. North ergueu
seus ó culos aviadores e olhou para nó s dois com um olhar frio e
avaliador.
— Este é o líder das operaçõ es Cal e Wolfe. — disse Knight nos
apresentando. North apertou a mã o de Cal com um aceno respeitoso e
se virou para mim, fazendo o mesmo.
— North — disse ele, falando para nó s dois. — Minha equipe está
à sua disposiçã o.
— Fico feliz em ter vocês aqui, vamos ser breves para que
possamos colocar essa coisa em movimento. — disse Cal. North se
virou e sacudiu a mã o para sua equipe, que se dispersou para preparar
seu equipamento, entã o ele e Asa da Morte nos seguiram até a tenda de
comunicaçã o. Cercamos a mesa com as especificaçõ es da Toca e Cal
expô s o plano geral.
— Entraremos por três pontos. — disse ele, apontando para as
entradas no mapa. — Minha equipe se concentrará em retirar os civis
através desta entrada sul, levando-os para a equipe nesta á rea de
preparaçã o aqui. Wolfe, North... vocês dois liderarã o duas equipes para
eliminar o inimigo. Militares menores e ex-agentes da lei. Entre 150 a
200 pessoas armadas. Provisã o de armas pesadas, os guardas estã o
armados com AR e 9mm. Asa da Morte irá preparar o lugar para
desabar sobre si mesmo, explodir... qualquer caos que você queira criar
depende de você. Preciso dos seus planos... — Asa da Morte tirou um
rolo de papel do colete e espalhou-o sobre a mesa.
— Vou prepará -lo para que desmorone, colocando explosivos
aqui, aqui... — ele apontou para vá rios pontos adicionais no mapa. — A
primeira fase é enviar um gá s combustível através do sistema de
ventilaçã o para enfraquecer as estruturas subterrâ neas. Deve levar
cerca de quinze minutos para preencher o espaço. Quando estiver tudo
limpo, vou acendê-lo... — Vi os olhos de Knight escurecerem de
ansiedade com a mençã o disso. Eu sabia que ele estaria bem ali, ao lado
de Asa da Morte. — É um clarã o rá pido, dois minutos... depois vou
explodir os explosivos e tudo o que restará é uma cratera. O raio da
zona de explosã o é de quinhentos metros a leste-oeste, quase um
quilô metro e meio ao norte-sul. Talvez você queira expandir sua á rea de
preparaçã o em um quilô metro. Precisarei de meio dia para instalar as
cargas e acessar a tecnologia do seu computador para acesso à
ventilaçã o. — Ele ficou quieto e se endireitou.
— Feito. — Uma voz disse atrá s de nó s. — Me avise quando você
quiser se mover. — Virei-me para ver Ryan McKinney ou “Ghost” nosso
gênio da tecnologia. Ele estava sentado em frente a uma série de
monitores do outro lado da tenda. — Parece que alguém já entrou no
sistema deles. Eles estã o realmente fodendo as coisas. Está uma
bagunça.
Um sorriso apareceu em meus lá bios. Isso tinha Kaelin escrito por
toda parte.
— Ghost irá fornecer comunicaçõ es para você, Asa da Morte, e
nó s o levaremos para lá apó s o resumo das operaçõ es. Ele também
garantirá que nã o seremos impedidos pelo centro de comando deles
durante a operaçã o. Ele estará de olho em tudo e será a pessoa
responsável pela equipe em relaçã o a qualquer coisa relacionada à
vigilâ ncia ou acesso e sistema. Ele estará em nosso ouvido mantendo
todas as equipes informadas, e dará a autorizaçã o final para explodir.
Asa da Morte assentiu brevemente com isso, parecendo satisfeito
com o plano de operaçõ es. Cal fez uma pausa e fez questã o de olhar
para cada um de nó s ao redor da mesa.
— Cooper está fazendo algumas coisas sombrias aqui. Ele acha
que está fazendo isso para um bem maior... criar tecnologia para
garantir que os soldados nã o cedam sob coaçã o é uma causa admirável,
mas ele está fazendo experiências em humanos e administrando uma
rede de trá fico sexual para financiar seu projeto científico. Eu nem
preciso mencionar o quã o vil essa parte é - estamos todos alinhados
nisso - e embora eu tenha certeza de que todos concordamos que ceder
sob coaçã o é algo que todos gostaríamos de evitar, Cooper nã o pode
brincar de deus para conseguir isso. Cada homem aqui foi selecionado a
dedo por sua dedicaçã o à sua força de vontade férrea diante da
adversidade. Nã o vamos esquecer que só quebramos uma vez... tudo o
que vem depois nos torna mais fortes.
Apó s nossa apresentaçã o, houve uma reuniã o com toda a equipe
de operaçõ es, onde apresentamos o plano a todos. Tive que admitir que
tínhamos uma equipe só lida aqui. A ú nica pessoa sobre quem eu nã o
sabia nada era North e sua unidade. Além de Asa da Morte, eu nã o tinha
ouvido falar de nenhum deles, mas sua equipe era muito unida e
sempre que eu olhava para eles, eles eram coordenados e fluidos com
precisã o. Até mesmo Asa da Morte recebia ordens de North e parecia
acatá -las com respeito e diligência. North e eu reunimos nossas equipes
para conversar.
— Atire para matar. — eu disse sem rodeios. — Todos os civis os
enviem pela rota de fuga. Os cientistas lá dentro... usem seu critério.
Sempre podemos resolver a questã o moral mais tarde, a menos que
sejam uma ameaça à operaçã o e entã o elimine. Cooper é inteligente e
experiente - alguns de vocês o conhecem na á rea - nó s o chamamos de
Coringa por um motivo, nã o o subestime. Assim que ele descobrir que
está sob ataque, ele saberá que sou eu, entã o provavelmente irá me
procurar, mas se você tiver a oportunidade, nã o hesite em eliminá -lo.
North ficou em silêncio ao meu lado o tempo todo, mastigando
casualmente um palito de dente, os ó culos aviadores de volta ao lugar.
Ele nã o falou até o final.
— Todos vocês conhecem seus trabalhos. Executem com precisã o.
Depois que todos se dispersaram, ele se virou para mim.
— Presumo que você queira matá -lo. — disse ele.
Eu sabia o que ele estava perguntando.
Eu queria ser a ú nica pessoa a matar Cooper?
Eu tinha pensado muito sobre isso. Repassei nossa histó ria e tudo
que suportamos e passamos juntos. Antes de tudo isso, eu nã o teria
conseguido. Ele foi meu irmã o de armas por tanto tempo, nosso sangue
foi derramado junto e era muito profundo. Mas agora, depois de tudo o
que aconteceu com Kaelin, eu queria que ele morresse. Minhas razõ es
para fazer isso eram egoístas. Eu queria Kaelin segura e sabia que
Cooper nã o iria parar. O desmantelamento do círculo sexual e os testes
em humanos eram apenas a cereja do bolo.
— Sim — eu disse.
Ele assentiu e jogou o palito de lado.
— Entã o vejo você lá . — disse ele.

Na manhã seguinte, a energia no ar era elétrica enquanto todos se


movimentavam para finalizar detalhes, verificar armas e realizar seus
rituais pré-guerra. Cal veio até mim e a luz em seus olhos me fez
lembrar por que o chamávamos de Caos. Havia uma energia selvagem e
errá tica sangrando dele. Ele nã o apenas gostava de organizar o caos,
mas também se alimentava dele.
— Você está pronto, cara? — Ele perguntou e eu sorri enquanto
seguramos os antebraços um do outro como sempre costumávamos
fazer.
— É bom estar de volta.
— É por isso que você precisa trabalhar para mim. — disse Cal
com um sorriso malicioso. — Sua garota também, pensando bem. Você
já viu alguma das coisas nas quais ela participou? Metade da tecnologia
aqui é cortesia da Phox. Além disso, ela insistiu em me dever um favor
por salvar vocês, entã o posso pedir a ela que me empreste um pouco.
Eu sabia que ele estava brincando sobre essa parte. Estar em
dívida com Cal era jogar um jogo longo. Ele só usaria um favor nas
circunstâ ncias mais difíceis e eu o respeitava muito por isso. Eu ri e
coloquei mais muniçã o no meu cinto.
— A propó sito, ela é insana, eu sei que já te contei, mas Knight e
Ghost a viram atirar nas bolas de um cara e depois executá -lo. — Ele
riu. — O Coringa deve ter feito um estrago nela para fazê-la lutar do
jeito que lutou.
— Quando a encontrei, estava... estava ruim. — admiti.
— Entã o vamos arrasar esse maldito. — ele disse sombriamente.
— Três, dois, um, vã o. — Ghost disse em meu ouvido enquanto os
portõ es da frente da Toca se abriam sob seu controle. Já eliminamos os
guardas. O atirador de North era letal. Passamos pelos portõ es como
fumaça, North um passo atrá s de mim, no meu ombro, enquanto eu
conduzia nossas equipes até as portas de metal que levavam para
dentro.
— Desbloqueando agora. — disse Ghost. Abri uma e North
silenciosamente eliminou os guardas lá dentro antes de entrarmos e
seguirmos pelo corredor. — O corredor se ramifica em 30 metros. Nos
encontramos no laborató rio.
Olhei para North e ele assentiu, levando sua equipe pelo tú nel
direito e a minha pela esquerda. Percorremos os corredores, parando
em cada cô modo ao longo do caminho.
— Eles sabem que estamos aqui. Cooper está coordenando na sala
de comando. Desliguei o acesso à câ mera e conectei-me à s
comunicaçõ es. — disse Ghost.
Continuamos empurrando e antes do laborató rio nos deparamos
com um bloqueio de mesas e cadeiras empilhadas contra a porta. A
porta em si era inú til já que o Ghost a desativou. Cooper estava
seguindo a velha escola. Recebemos entã o fogo inimigo e recuamos
para as portas mais pró ximas. Eles lançaram algumas granadas, mas
avançamos e derrubamos o bloqueio.
Os guardas recuaram por um corredor e enquanto minha equipe
segurava o corredor, abri outra porta e me encontrei em uma sala que
teria sido uma masmorra de BDSM se eu nã o soubesse a verdade sobre
a tortura cometida aqui. Felizmente estava vazia, mas meu sangue gelou
quando vi tudo que poderia ser usado para infligir dor e nã o do tipo
consensual. Eu ficaria feliz quando Asa da Morte explodisse tudo.
Continuamos a empurrar, a resistência diminuindo lentamente.
— Cooper está escondido no laborató rio com as forças restantes.
— disse Ghost. — Ele trancou a porta. Você vai ter que forçar.
Eu vi as portas do laborató rio à frente. Era toda de vidro para que
eu pudesse ver tudo o que acontecia lá dentro. O vidro era à prova de
balas, vi que já havia tentativas de tiro e do outro lado vi North e sua
equipe trabalhando para passar pela porta manualmente.
Minha equipe começou a trabalhar e entã o se protegeu enquanto
entramos. A equipe de North se juntou a eles e rapidamente
eliminamos alguns guardas antes de avançar. Cooper e as forças
restantes criaram barricadas no laborató rio e estavam atirando sobre
elas. A equipe de North era implacável e quando chegaram perto
demais para usarem armas, eles os eliminaram com as mã os.
Em algum lugar no meio da briga e do caos, vi Cooper e fui em
direçã o a ele. Ele encontrou meus olhos e sorriu com conhecimento de
causa. O bastardo tentou atirar em mim, mas eu estava sobre ele em
segundos e joguei sua arma para o outro lado da sala. Acertei dois socos
rá pidos antes que ele me empurrasse contra a parede e acertasse uma
joelhada em meu estô mago. Eu me virei, agarrando seu braço e me
joguei para frente.
Caímos em uma mesa de laborató rio, quebrando vidros enquanto
rolávamos por cima e caíamos no chã o do outro lado. Ele caiu em cima
de mim, me dando um soco direto no queixo antes que eu o virasse e
nos separá ssemos ambos ofegantes enquanto circulávamos e
procurávamos por uma abertura.
— Você simplesmente nã o morre, nã o é, Wolfe? — Ele ofegou.
— Você deveria saber disso melhor do que ninguém, Coop. —
rosnei.
Ele se lançou sobre mim novamente e nos chocamos contra um
armá rio de vidro cheio de frascos de sangue. Eu mal senti o vidro me
cortar antes de atingir seu rosto e mandá -lo voando pela sala. Ele
pousou aos pés de North e olhou para ele. Ele sorriu um sorriso
sangrento.
— Bem, se nã o sã o os anjos caídos de Kaelin que vieram vingá -la.
— ele soltou uma risada e lutou para se levantar, mas North o agarrou
pelo colete e deu alguns socos no rosto de Cooper. Cooper bateu com o
ombro em North e eles bateram em outro armá rio. North atacou
Cooper e o mandou para o chã o. Ele se afastou de North, mas North o
seguiu, parecendo um predador indo calmamente atrá s de sua presa.
Ele agarrou Cooper novamente e o colocou de pé, quase sem fô lego
enquanto empurrava Cooper contra uma mesa.
— Ele sabe? — Cooper engasgou com a mã o de North em sua
garganta. — Ele sabe quanto você pagou por ela?
Eu estava de pé e agora minhas sobrancelhas se ergueram
enquanto olhava para North.
— Você é Kraven? — North acenou para mim e eu balancei a
cabeça, incrédulo. — Ela me contou sobre você, disse que eu nã o
deveria te matar se algum dia te visse.
Isso arrancou dele uma risada. — Fico feliz em ouvir isso. A
propó sito, ela recebeu seu e-mail e mandou dizer um oi para você.
— Ah, entã o foi assim que você me encontrou. — pensei. Tudo faz
sentido agora.
— Pensei em vir junto para me divertir, para garantir que o
problema fosse resolvido pessoalmente. — disse ele, olhando para
Cooper e apertando-o com mais força. — Você sabia que seu garoto
aqui tentou sequestrá -la há algumas semanas?
— Ele fez isso agora? — Eu disse, a raiva queimando quente e
rapidamente através de mim enquanto voltava minha atençã o para
Cooper.
— Era você? — Cooper gaguejou, olhando para North. Ele estava
observando a conversa com descrença e irritaçã o, mas agora uma raiva
sombria brilhou em seus olhos.
— Filho da puta... — ele murmurou. — Eu a teria se nã o fosse por
você ter vindo em seu socorro.
O punho de North bateu em sua cabeça com raiva e North o
deixou cair. Cooper escorregou e se afastou, tropeçando nos vidros
quebrados e nos instrumentos de laborató rio.
— Eu já te contei como ela ficava gostosa quando eu usava a
coleira nela enquanto eu estava f... — Desta vez eu cheguei até ele
primeiro e o chutei no estô mago, mandando-o para longe. Ele agarrou a
borda de uma mesa e se virou, colocando a mesa entre nó s enquanto se
levantava, sua boca se transformando em um sorriso enlouquecido e
sangrento.
— Ela sempre chorava e me implorava para parar... — Pulei da
mesa e caí sobre ele, derrubando nó s dois no chã o. O sangue rugiu em
meus ouvidos enquanto minha raiva tomava conta. Lutamos pelo chã o
antes que Cooper jogasse uma cadeira em mim e eu caísse. Ficando de
pé, observei North avançar rapidamente, mas Cooper estava pronto e o
cortando com um pedaço de vidro. Acertou North no rosto, cortando a
têmpora até a mandíbula e errando por pouco o olho, entã o eles caíram
no chã o. Corri ao redor da mesa, mas North tinha Cooper sob controle e
batia com o punho em seu rosto repetidamente até que Cooper jogou
cacos de vidro nele e North tropeçou neles.
Cooper recuou, rindo, um som histérico de alguém pró ximo da
loucura. Cada vez que ele inspirava, sua respiraçã o fazia barulho e
chiava no peito.
— Eu amo como vocês dois estã o aqui porque uma prostituta
molhou seus paus e nã o por causa do meu pequeno projeto de ciências.
North parecia absolutamente selvagem, com sangue escorrendo
de seu rosto e uma expressã o letal em seus olhos enquanto avançava
sobre Cooper novamente depois de se levantar.
Cheguei primeiro e coloquei Cooper de joelhos pela frente da
camisa.
— Você vai me matar, Wolfman? — Ele sibilou, um desafio em
seus olhos. — Depois de tudo que passamos? Depois de tudo que fiz por
você? — Sua voz aumentou no final.
— Estamos quites agora, Coop, lembra? — Eu disse. Eu nã o queria
pensar no passado, mas era tudo que pude ver quando olhei para ele.
North apareceu e me entregou uma arma.
— Ú ltimas palavras? — Perguntei. Eu o empurrei e apontei para
sua cabeça.
Cooper vacilou de joelhos e vi o momento em que a luta o deixou e
soube que estava acabado. Ele balançou a cabeça tristemente.
— Você se lembra de como era, nã o é? Eles nos quebraram lá ,
Wolfe... com delicadeza e precisã o eles nos quebraram. — Sua voz ficou
presa e seus olhos brilharam de raiva. — Como você pode nã o querer
criar algo que impeça que isso aconteça? Você se lembra de ter
encontrado Trav...
— Nã o diga o nome dele. — eu rosnei, dando um passo em
direçã o a ele.
— Ele também era meu amigo! — Cooper gritou, entã o ouvi Cal
em meu ouvido.
— Parem de brincar com seus paus e saiam daí. — disse Cal nas
comunicaçõ es. — Asa da Morte está pronto.
— Entendido. — disse North.
— Você nã o pode brincar de deus, Coop. — eu retruquei.
— Alguém tem que fazer isso. — ele rosnou. — Porque nã o havia
nenhum deus lá fora para nos salvar.
— Também nã o acho que ele vá salvar você agora. — North disse
secamente. Cooper riu, um som á spero e feio.
— Vejo vocês dois no inferno.
Ele olhou para mim e eu puxei o gatilho. Nã o houve satisfaçã o em
vê-lo cair. Eu me importei com ele uma vez. Passamos por algumas
coisas profundas e sombrias juntos. Mas aquele homem que eu
conhecia se foi, substituído por algo ainda mais maligno e depravado.
Era melhor assim.
North pegou um frasco que eu tinha certeza que era o ú nico
pedaço de vidro nã o quebrado nesta sala e foi até o corpo de Cooper,
pegou sua faca e passou-a pela garganta, pegando um pouco no frasco e
selando-o. Ele limpou na calça e depois jogou para mim.
— Todo caçador precisa de um troféu. Leve isso de volta para a
nossa garota.
— Nossa garota?
Ele se levantou e me olhou com um olhar calculista.
— Você nã o achou que eu vim aqui em busca de justiça e do bem
da humanidade, nã o é?
Eu ri. — Justo.
Nossos motivos eram os mesmos. Eu poderia respeitar isso.
— Nã o conte a Kaelin. — disse North. — Acho que ela espera que
sejamos heró is.
— Nã o acho que nossa garota tenha ilusõ es de que somos bons
homens.
Nó s olhamos um para o outro. Percebi que nã o me importava de
compartilhá -la com ele. Eu normalmente nã o era assim, mas nã o
conseguia pensar em ninguém em quem confiaria mais a vida dela -
além de mim, é claro. Embora o que ele fez na Toca tenha sido uma
merda, ele cuidou dela lá , entã o se minha garota quisesse poupá -lo, eu o
pouparia.
— Ela parece ter preferência pelos vilõ es. — disse North
secamente.
— Eu prefiro anti-heró i. — eu disse, indo em direçã o à porta.
— Engraçado, é o que eu sempre digo.

— Tudo limpo. — eu disse.


— Entendido. — disse Ghost. — Detonaçã o em três – dois – um.
North e eu estávamos correndo por entre as á rvores fora do raio
quando o chã o tremeu abaixo de nó s. O estrondo ficou mais alto e
quando me virei vi a floresta em caos enquanto o chã o se agitava e
afundava. Foi surpreendentemente anticlimá tico, embora a explosã o
tenha demorado alguns segundos, a terra continuou a assentar e a
tremer por alguns minutos depois, deixando um buraco para trá s.
Corremos até a á rea de preparaçã o para a movimentada atividade dos
médicos tratando das vítimas que retiramos e de nossos homens.
— Você provavelmente deveria dar uma olhada nisso. — eu disse
para North. Seu rosto estava uma bagunça sangrenta, mas nã o parecia
ter causado muitos danos.
— Espero que isso nã o prejudique minha boa aparência. — disse
ele e piscou para mim antes de sair.
Fiquei no meio da movimentada á rea de preparaçã o e uma
sensaçã o de alívio tomou conta de mim. Com isso vieram as dores dos
meus pró prios ferimentos. Nenhum era sério, apenas alguns cortes e
arranhõ es. Meu corpo iria doer em todos os lugares amanhã , mas isso
era de se esperar e nada que eu nã o pudesse suportar.
Tinha acabado.
A Toca se foi.
Cooper estava morto.
E tudo que eu queria fazer era ver Kaelin.
CAPÍTULO TRINTA E NOVE

UM MÊS DEPOIS

Quando invadi o estú dio de Kaelin, fiquei impressionado com a


enorme quantidade de pinturas. Eu vaguei por ali, olhando para todas
elas. Encontrei algumas que ela pintou à s pressas e tive a sensaçã o de
que ela estava tentando expressar suas emoçõ es o mais rá pido possível.
Depois, haviam outras que foram feitas meticulosamente. Cada detalhe
contabilizado. Tã o reais que pareciam fotografias. Seus dois principais
meios eram carvã o e tintas acrílicas.
A maioria das pinturas eram de florestas ou animais, mas muitas
delas eram em temas sombrios. Essas eram as que encontrei
escondidas atrá s das demais, onde estavam posicionadas nas sombras.
Eu sabia que ela nã o queria que ninguém as visse, mas nã o pude deixar
de sentir meu coraçã o disparar com as cenas emocionantes que ela
pintou. Uma delas em particular me parou no meio do caminho e eu a
puxei e coloquei na frente da pilha. Recuei para olhar para ela e de
repente tive dificuldade para respirar.
Era uma mulher nua, encolhida em uma poça de sangue, agachada
sobre si mesma, com os braços firmemente enrolados em volta do
corpo machucado. Seu cabelo caia sobre o rosto, obscurecendo esses
detalhes. Ela deixou tudo propositalmente embaçado, como se nã o
quisesse reivindicar a mulher como ela mesma. Das sombras atrá s da
mulher havia vá rios pares de mã os negras com dedos em forma de
garras saindo da escuridã o em sua direçã o. Fiquei olhando para ela até
descobrir que nã o estava respirando direito e tive que me afastar. Mas
essa nã o foi a ú nica que encontrei. Havia uma coleçã o inteira do que só
posso descrever como autorretratos. Eram todas mulheres em vá rios
está gios de turbulência emocional profunda e sombria.
Afastei-me delas e algo chamou minha atençã o do outro lado da
sala quando me virei. Eu me aproximei, um sorriso aparecendo em
meus lá bios. Era uma grande pintura de um urso parado em um rio com
um peixe na boca. Era tã o realista e detalhada que era como olhar uma
fotografia. Estava pendurada na parede e vi uma pequena etiqueta
presa perta dela. Olhando para ela, uma pequena risada me escapou.
“Picolé de Urso” é como a peça foi chamada.
Olhei para a pró xima pintura pendurada ao lado dela e meu
coraçã o parou. Nã o era tã o grande, talvez apenas metade do tamanho,
mas isso só fazia com que parecesse mais íntima. Era uma pintura de
Kaelin nua no rio. A cena era exatamente como eu lembrava. Ela estava
meio virada para que eu pudesse ver a curva de seu seio debaixo do
braço. A á gua subia até seus quadris mostrando uma quantidade
deliciosa de sua bunda e ela me olhava com um olhar que fez meu pau
se contorcer dentro da calça. Da mesma forma que me senti naquele dia
em que a vi. Era tã o realista até as gotas de á gua cintilantes caindo de
seu cabelo molhado e deslizando por seu corpo até o sorriso tímido e
meio armado brincando em seu rosto. Eu queria tocá -la. Parecia que se
eu fizesse isso sentiria sua pele macia e minha mã o ficaria molhada.
Olhei para a etiqueta ao lado.
“Jogo Perigoso”
Ouvi a porta atrá s de mim clicar e a ouvi parar abruptamente e
ofegar ao me ver. Sua bolsa caiu no chã o com um baque audível.
— Quanto custa esta? — Eu perguntei sem me virar.
— Esta... esta nã o está à venda. — disse ela, sem fô lego.
— Nem mesmo para um homem perigoso?
Eu me virei para ver aqueles cativantes olhos verdes agora
arregalados de surpresa. Ela estava com jeans rasgados desbotados,
pontilhados com todas as cores diferentes das tintas que ela usou e
uma camiseta preta surrada que era um tamanho grande demais,
dobrada na lateral. Seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo alto.
Ela estava deslumbrante.
— Graham... — ela respirou. Ela parecia estar vendo um fantasma.
— Oi, princesa. — eu disse suavemente. Eu nã o consegui mais me
manter longe dela e me aproximei. Parei na frente dela e ela estendeu a
mã o para me tocar como se precisasse provar que eu era real. Peguei a
mã o dela na minha e a beijei, passando o polegar sobre os nó s dos
dedos e ela estremeceu, sufocando um soluço quando um sorriso
aguado apareceu em seu rosto. Minha mã o acariciou sua bochecha
antes de deslizar em seu cabelo. Entã o eu a puxei para mim, trazendo
meus lá bios aos dela.
Ela jogou os braços em volta do meu pescoço, um grito suave
escapou dela quando seu corpo colidiu com o meu. Minha outra mã o
envolveu sua cintura, segurando-a firmemente contra mim. Eu estava
faminto por ela e nosso beijo se tornou desesperador. Minha língua
encontrou a dela e agarrei a parte de trá s de suas coxas e a levantei em
meus braços. Suas pernas envolveram minha cintura e eu a bati contra a
parede mais pró xima. Eu respirei seu suspiro e suas unhas cravaram
em meu cabelo. Seu beijo era abrasador enquanto ela ofegava contra
meus lá bios.
Eu a queria nua. Eu a coloquei no chã o, minhas mã os indo para a
barra de sua camisa. Ela parecia sentir o mesmo porque suas mã os
desabotoaram a minha e deslizaram pelo meu peito. Suas mã os na
minha pele deixaram um rastro de fogo para trá s. Puxei-lhe a camisa
sobre a cabeça e gemi enquanto deslizava o meu polegar sobre os seus
mamilos.
— Droga, você é linda. — eu disse suavemente. Abaixei minha
cabeça e coloquei seu mamilo em minha boca, chupando-o enquanto
ela se pressionava em mim com um gemido.
— Graham... — ela engasgou. Eu me endireitei e ela avidamente
puxou meus lá bios para os dela novamente. Minhas mã os foram para a
calça dela, empurrando-a para baixo junto com a calcinha sem parar o
beijo e ela rapidamente fez o mesmo com a minha. Senti a mã o dela
fechar-se em volta do meu pau e gemi contra a sua boca, colocando uma
mã o contra a parede perto da sua cabeça, interrompi o beijo para olhar
para ela. Deslizei dois dedos dentro dela e seus olhos piscaram, seus
lá bios se separaram. Eu precisava dela agora. Seus braços envolveram
meu pescoço e meus dedos a deixaram para envolver suas coxas e
levantá -la em meus braços novamente. Minhas mã os agarraram sua
bunda, meus dedos perigosamente perto de sua boceta e ela gemeu em
meu pescoço, ofegante.
— Eu preciso de você... — ela choramingou.
— Eu sou seu, garotinha. — eu rosnei.
Levei-a até sua mesa de trabalho, meu pau dolorosamente duro, e
coloquei-a no chã o. Ajoelhei-me entre as pernas dela e a minha boca
encontrou o seu clitó ris. Ela gritou, suas pernas já tremendo. Meus
dedos deslizaram dentro dela e se curvaram e eu olhei para cima para
ver aqueles olhos cheios de prazer tã o escuros quanto qualquer sombra
da floresta. Eu a fiz gemer até nã o aguentar mais e me levantei,
esmagando meus lá bios nos dela, arrastei suas pernas em minha
direçã o e a penetrei de uma só vez, fazendo nó s dois gemermos. Entrei
e saí dela, um braço em volta de sua cintura e o outro em seu cabelo.
Nossas línguas dançaram juntas, os dentes se chocando em um esforço
para nos tornarmos um.
Eu nã o conseguia chegar perto o suficiente, meu corpo estava em
chamas e eu queria que isso me consumisse. Ela estava fazendo os sons
mais incríveis contra meus lá bios e eu aumentei meu ritmo, minha mã o
desceu entre nó s até seu clitó ris. Eu podia sentir o prazer dela tã o
intimamente como se fosse meu e entã o éramos um, dançando em um
lugar de felicidade divina.
Ela gritou e jogou a cabeça para trá s, parecendo cada centímetro a
deusa que era. Ela apertou meu pau e eu quase perdi o controle. Tudo
se tornou demais, e a energia que fluía através de nó s era selvagem e
etérea, empurrando-nos para além de tudo o que era real.
— Sim... exatamente... assim... — ela gritou, tremendo. Ela
engasgou e eu a senti apertar em volta de mim novamente, antes que
ela gozasse com um grito e eu junto com ela. O abismo rugiu para nos
devorar, mas em vez de quebrar, nos desfazemos apenas para voltarmos
juntos enquanto o fogo nos consumia e nos transformava em algo novo.
Estremeci quando me recuperei, uma mã o pressionada contra a
mesa ao lado dela, tentando acalmar meu coraçã o acelerado. Seus
braços estavam em volta de mim com a cabeça no meu ombro enquanto
recuperávamos o fô lego. Ela estava me segurando contra ela como se
nã o quisesse me deixar ir e minha garganta se fechou porque eu sabia
que nunca iria deixá -la. Eu me afastei e passei a mã o em sua bochecha,
empurrando seu cabelo para trá s da orelha. Seus olhos me observaram,
ainda sem parecer que ela acreditava que eu era real.
— Senti sua falta — ela disse suavemente. Uma lá grima escorreu
por sua bochecha e eu a enxuguei com o polegar. Ela colocou os braços
em volta do meu pescoço, me puxando para ela novamente, tremendo.
Passei meus braços em volta dela com força, minha garganta estava
cheia de emoçã o. Enterrei meu rosto em seu cabelo, respirando-a.
— Deus, eu também senti sua falta, garota bonita. — Beijei seu
pescoço e lentamente arrastei meus lá bios de seu pescoço até sua
mandíbula antes de beijá -la suavemente. O beijo começou suave, mas se
aprofundou rapidamente e logo nó s dois tivemos que nos separar para
respirar. Eu ainda estava dentro dela e ela se apertou ao meu redor.
— Porra, você vai me deixar duro de novo. — eu gemi contra seus
lá bios. Seu calor enviou fogo através de mim. Eu me pressionei mais
fundo e ela cantarolou de prazer. Deslizei lentamente para dentro e
para fora dela e nã o demorou muito até que eu voltasse a ficar duro.
Minha mã o contornou sua garganta e a guiou para que se deitasse na
mesa, entã o peguei suas pernas e coloquei-as em meus ombros. Seus
olhos reviraram enquanto eu continuava meu ataque lento.
Estendi a mã o e brinquei com seu mamilo, puxando-o suavemente
e deslizando meu polegar em círculos até que ela estava ofegante e
gemendo, empurrando seus quadris contra mim. Aumentei o ritmo,
minha respiraçã o ficando mais rá pida. Ela estava tã o linda se
contorcendo na mesa, espalhada sobre todas as tintas secas que ela
usou para criar. Ela era minha bela obra-prima. Agarrei suas coxas e
penetrei nela com mais força, fazendo a mesa tremer.
— Oh, Deus, sim. — ela gritou, jogando a cabeça para trá s.
— É isso, goze em todo o meu pau, querida. — eu engasguei, meus
olhos meio fechados enquanto nos empurrava para a liberaçã o. Meus
dedos acariciaram seu clitó ris e ela se arqueou em minha direçã o, a
sensaçã o de seu aperto em torno de mim quase me fez desmaiar e
cerrei os dentes, querendo vê-la gozar primeiro. Desta vez, seu orgasmo
caiu sobre ela com tanta força que ela gritou de novo e de novo e se
moveu contra mim enquanto eu continuava o ritmo rá pido. Eu
gentilmente rolei seu clitó ris em meus dedos e ela gritou, praguejou e
orou para mim enquanto eu a enviava para outro que parecia ser ainda
mais intenso. Rosnei de satisfaçã o, apreciando a visã o dela
completamente desfeita debaixo de mim, incapaz de se controlar
enquanto o prazer fluía por seu corpo. Nã o consegui aguentar mais e o
meu orgasmo atingiu-me, forte e rá pido, tirando-me o fô lego. Caí em
cima dela, tremendo com a intensidade, empurrando mais fundo dentro
dela enquanto tremores secundá rios me abalavam.
Meu rosto estava perto de seu seio e levei minha boca até seu
mamilo, chupando-o suavemente. Ela suspirou de prazer, suas mã os
passando pelo meu cabelo. Eu nã o conseguia o suficiente dela. Nã o sei
se algum dia conseguiria. Finalmente me endireitei e deslizei para fora
dela com um gemido antes de ajudá -la a se sentar.
Ela desceu e começou a pegar suas roupas.
— Recebi seu e-mail. — disse ela.
Eu ri. — North me contou.
— Entã o vocês dois conversaram? — Ela perguntou timidamente.
— Se você quer dizer, nó s conversamos sobre como ele é um
psicopata que tentaria me matar se eu dissesse que nã o queria
compartilhar você? Sim, nó s conversamos. — Ela riu, parecendo
aliviada.
— Isso soa como ele.
Coloquei minha calça e depois puxei-a para mim e beijei-a
novamente, meus lá bios se demorando. — Você é minha, tanto quanto é
dele.
Quando ela olhou para mim, meu coraçã o doeu ao ver a
profundidade do sentimento ali. Ela sorriu timidamente.
— Isso me deixa feliz. — disse ela, sorrindo.
— Oh, quase esqueci — eu disse. Tirei o frasco de sangue do
bolso, agradecido por ele nã o ter quebrado devido ao nosso fervor de
nos despir. — Cortesia de seus homens moralmente cinzentos,
retornando de uma caçada bem-sucedida. Espero que você nã o ache
isso muito mó rbido.
Seus olhos brilharam com algo escuro e selvagem quando ela
pegou o frasco. Ela nã o perguntou o que era, mas eu sabia que ela sabia.
— Entã o está feito.
— Está feito.
Ela olhou para o sangue, rolando o frasco entre os dedos. Pude ver
a guerra de emoçõ es em seu rosto e sabia o que ela estava sentindo
porque passei pela mesma coisa. Só porque sua vingança acabou, nã o
significa que sua jornada de luto, perda e cura tenha terminado. Sempre
carregaríamos essas cicatrizes... físicas e mentais. O trauma sã o as
memó rias da mente congeladas no corpo e talvez possa haver um
momento em que ela nã o sinta as coisas tã o pesadas como antes, mas
nunca haverá um momento em que isso desaparecerá para sempre.
— Achei que me sentiria diferente. — ela disse finalmente,
confirmando o que eu pensava.
— Como você está se sentindo?
Ela nã o respondeu imediatamente, em vez disso colocou o sangue
perto das tintas e depois se virou para olhar para mim.
— Acho que terei que pintá -lo. — disse ela, erguendo os lá bios
num sorriso tímido.
Eu balancei a cabeça e olhei para ela incisivamente. — Oh, outra
coisa, gostaria de explicar por que nã o estou mais sendo acusado de
crimes de guerra?
— O que você quer dizer? — Ela perguntou, tentando parecer
inocente, mas ela nã o estava me enganando.
Eu ri. — Foi o que pensei. — eu disse, sorrindo. Eu a envolvi em
meus braços e quando ela inclinou a cabeça para mim com um sorriso
maroto no rosto, eu a beijei sem fô lego.
EPÍLOGO

Voltamos para minha casa e quando entrei na sala, lá estava


Theron, sentado no sofá com um uísque, digitando em seu telefone.
Gritei de surpresa e corri para ele... eu nã o tinha visto ou ouvido falar
dele durante todo o mês. Ele mal teve tempo de se levantar e pousar o
copo antes que eu estivesse em seus braços. Ele me puxou com força
contra ele, enterrando o rosto em meu pescoço e apertando minha
bunda enquanto rosnava em meu ouvido.
— Deus, senti sua falta. — ele respirou.
Eu me afastei um pouco e observei seu rosto.
— Oh... — eu engasguei, inclinando seu queixo em minha direçã o
para que eu pudesse ver a ferida meio curada que descia por seu rosto.
Era fina e ainda estava vermelha. Começava na têmpora e passava pela
borda da sobrancelha - eu empalideci um pouco ao ver como ela mal
passava do olho - para continuar descendo por sua bochecha e afinando
no osso da mandíbula. Embora a pele ainda estivesse um pouco inchada
e em carne viva, isso nã o diminuía sua boa aparência. Na verdade, isso o
fazia parecer menos um homem de negó cios e mais o sombrio e
perigoso senhor do crime que ele era.
— Eu... eu espero que o outro cara esteja pior. — eu disse
finalmente, encontrando seus olhos. Ele riu e ouvi Graham rir atrá s de
mim.
— Ele está morto. — disse Theron, encolhendo os ombros. Ele nã o
parecia nem um pouco preocupado com a cicatriz ou com a vaidade que
poderia envolver algo assim em seu rosto. Ele entrelaçou a mã o no meu
cabelo e levou meu rosto de volta para o dele, beijando-me
profundamente até que eu fiquei sem fô lego e com o rosto vermelho.
Ele se afastou, seus olhos escurecidos de desejo, mas eu o vi olhar por
cima do meu ombro e ele sorriu.
— Acho que seu garoto quer recuperar todo o tempo perdido. —
ele murmurou, virando-me em seus braços para olhar para Graham.
Graham estava encostado na parede, observando-nos com um
olhar faminto. Apesar das duas vezes no estú dio, ele estava duro
novamente e todo o seu corpo irradiava uma energia quase selvagem.
— É a sede de sangue depois de uma batalha. — disse Theron,
seus braços me envolvendo e seus lá bios em minha orelha. — Nos faz
querer conquistar algo até que toda a adrenalina nos esvaia.
Suas mã os viajaram para o có s da minha calça jeans e seus dedos
fizeram um rá pido trabalho no zíper antes de sua mã o deslizar entre
minhas pernas, acariciando-me sobre minha calcinha.
— Parece que vocês dois já começaram. — ele disse com uma
risada ao sentir o quã o molhada eu ainda estava do estú dio. Seus dedos
deslizaram sob o tecido para percorrer meu centro e eu estremeci
quando seus dedos entraram em mim. Os olhos de Graham piscaram e
ele esfregou a calça, ainda encostado casualmente na parede.
— Devemos mostrar a ele quã o bonita você fica para mim? — Eu
poderia dizer que ele estava olhando para Graham porque os olhos de
Graham se voltaram para Theron e eu engasguei com quã o abrasadora
era a energia deles. Era como se eles estivessem tendo uma conversa
silenciosa entre deuses sobre a melhor forma de me compartilhar... seu
prêmio.
— Sente-se. — ordenou Theron e seus olhos devem ter se voltado
para o sofá porque Graham foi e se sentou, um braço pendurado nas
costas e a mã o em seu pau. Theron tirou minha roupa em questã o de
segundos e me puxou para seu colo na poltrona, minhas costas contra
seu peito. Ele abriu minhas pernas de cada lado das dele e eu vi os
olhos de Graham deslizarem para minha boceta e um som silencioso de
prazer escapou dele ao ver como eu estava molhada.
— Viu o que você fez com ela? — Theron disse a Graham.
Eu nã o conseguia respirar, estava incrivelmente excitante vê-los
me exibir para o outro e de alguma forma nã o houve perda de poder
entre nenhum deles... apenas troca. Theron passou as mã os pelo meu
corpo lentamente e separou minha boceta para Graham antes de
deslizar dois dedos dentro de mim e lentamente movê-los para dentro e
para fora. Eu engasguei, minha excitaçã o nã o estava muito longe depois
de estar com Graham mais cedo. Empurrei meus quadris em seus dedos
querendo mais, mas sua outra mã o deslizou até meu pescoço e me
agarrou com firmeza.
— Nã o se mova, querida. — ele rosnou em meu ouvido e eu parei,
arrepiando-me com sua ameaça implícita, causando um delicioso
arrepio em minha espinha. Seus dedos continuaram seu ataque lento e
seus lá bios encontraram meu pescoço, beijando e mordiscando
suavemente a pele abaixo da minha mandíbula. Um gemido suave
escapou quando ele encontrou um lugar dentro de mim que despertou
com seu toque.
— Você gostou de sentir o pau duro dele dentro de você,
garotinha? — Theron disse contra meu pescoço, mas eu poderia dizer
que ele estava olhando para Graham pela maneira como os olhos de
Graham se voltaram para ele antes de passar pelo meu rosto e voltar
para o meio das minhas pernas. Sua mã o ainda estava esfregando
lentamente através da calça jeans.
— Isso nã o foi retó rico. — ele respirou quando eu nã o respondi.
— Sim — eu engasguei.
Theron tirou os dedos de mim e os levou até meus lá bios,
pressionando suavemente para que eu abrisse. Abri a boca e envolvi
meus lá bios em seus dedos, sentindo o meu gosto ali, mas também o de
Graham.
— Você ainda sente o gosto dele?
Graham gemeu e um calor percorreu meu corpo com o som. O
fogo era um inferno violento e eu iria queimar completamente. Chupei
seus dedos em resposta enquanto olhava para Graham, os olhos
semicerrados de prazer. Theron murmurou sua aprovaçã o contra meu
pescoço. Eu podia senti-lo duro contra minhas costas e queria mais do
que tudo senti-lo dentro de mim.
Suas duas mã os voltaram para entre minhas pernas e seus dois
dedos entraram em mim enquanto o outro encontrava meu clitó ris e eu
inalei profundamente e me pressionei contra ele enquanto a
intensidade aumentava. Minha excitaçã o estava aumentando
incrivelmente rá pido e eu estava sem fô lego nas primeiras estocadas de
seus dedos. Comecei a gemer, me contorcendo em seu colo enquanto a
energia percorria meu corpo.
— Oh, Deus, oh, Deus. — eu chorei enquanto meus sentidos
falhavam e minha mente se esvaziava para abrir espaço para o fogo que
me consumia.
— Isso mesmo, querida, quero ouvir suas oraçõ es para nó s nesses
seus lindos lá bios. — rosnou Theron.
Eu tremia e tremia sob suas mã os, ofegante. Olhei para Graham,
cujos olhos estavam nos meus, semicerrados com intensidade enquanto
ele observava o prazer passar pelo meu rosto. Ele parecia um deus
robusto saído das sombras da floresta e entrando na minha sala de
estar. Seu poder irradiava dele enquanto ele se deleitava com o prazer
de me ver reduzida a nada além do fogo que ele sabia que corria em
minhas veias.
Minha energia sangrou nelas apenas para voltar para mim e me
empurrar mais alto até que meu orgasmo tomou conta de mim. Nã o era
uma ruptura... era um despertar. Eu gritei enquanto iluminava cada
á tomo do meu corpo, preenchendo cada sombra e cada canto escuro.
Eu me senti incapaz de segurar tudo e por um momento vi o que o
universo realmente era – uma energia coletiva de almas – uma ruptura
e um renascimento, uma e outra vez.
Eu desabei com um estremecimento, sentindo-me ao mesmo
tempo completa e triste. Eu queria morar nesse lugar para sempre. Uma
lá grima escorregou dos meus olhos e Theron a beijou.
— Vá para Graham. — disse ele.
Graham tirou a calça e eu saí do colo de Theron, tropeçando
ligeiramente na névoa do meu orgasmo. Graham me puxou para seu
colo e eu imediatamente tirei sua camisa, passando minhas mã os por
seu corpo. Suas mã os agarraram meus quadris e eu nã o perdi tempo
afundando em seu pau duro.
Ele gemeu e suas mã os torceram em meu cabelo e puxaram meus
lá bios para os dele, beijando-me com uma intensidade que rapidamente
me fez deslizá -lo para dentro e para fora da minha boceta molhada.
Gemi e engasguei contra seus lá bios, meus movimentos acelerando
conforme a energia nos tomava. Minhas mã os foram para seu cabelo e
eu estava tremendo com quã o excitada eu estava quando me afastei
apenas o suficiente para olhar para ele. Suas mã os ajudaram a guiar
meus quadris, nos levando a um lugar que era profundo e bruto e onde
sentíamos cada centímetro um do outro intimamente até que ouvi
Graham amaldiçoar em reverência e eu sabia que ele estava perto.
Sua mã o caiu no meu clitó ris e seus lá bios pegaram os meus
enquanto eu ofegava e fazia pequenos sons de prazer que o fizeram
ofegar e entã o nossos corpos eram um e meu fogo o incendiou quando
nó s dois gozamos. Seu olhar penetrou em minha alma com uma
intensidade que me tirou o fô lego enquanto ele me penetrava de novo e
de novo, gemendo e ofegando durante seu orgasmo, ao mesmo tempo
em que ele me empurrava para o meu.
Eu parei em seu colo, nossos olhos ainda nã o tinham se desviado
e sua mã o subiu e passou um cacho por entre seus dedos antes de suas
mã os suavemente se entrelaçarem em meu cabelo e me puxarem para
mais perto. Seus lá bios roçaram minha orelha.
— Quando estou com você, nã o me sinto quebrado. — ele
sussurrou para que só eu pudesse ouvir. Seu nariz roçou minha
bochecha. — Eu te amo, linda garota.
Meu coraçã o pulou na garganta enquanto eu me deliciava com o
amor que irradiava de cada toque seu.
Beijei seu pescoço. — Eu também te amo. — murmurei e falei
sério. Ele me afastou para poder olhar para mim e entã o seus olhos
escureceram e ele olhou para Theron. Seus dedos agarraram meu
queixo e viraram meu rosto para olhar para ele.
Minha respiraçã o ficou presa novamente - ele era uma
tempestade, uma escuridã o violenta - seu pau estava em suas mã os e
ele estava se acariciando lentamente com um olhar satisfeito no rosto
enquanto se deleitava com o poder e o controle.
— Curve-a sobre o sofá . — disse Graham a Theron.
Os olhos de Theron piscaram para Graham em aprovaçã o à
exigência e ele se levantou e abaixou a calça enquanto Graham me
empurrava suavemente de seu colo e se acomodava no canto do sofá
para assistir. Uma emoçã o passou por mim. Ser passada entre esses
dois homens era inebriante e cada vez que eles se entreolhavam ou
exigiam algo um do outro eu ficava fraca e incapaz de respirar direito.
Os olhos de Theron brilharam nos meus antes de ele me virar e
me empurrar para baixo sobre o braço do sofá e me penetrar com força.
Eu gritei quando o prazer me atravessou e vi Graham sorrir, um olhar
satisfeito em seu rosto. Theron me fodeu forte e rá pido até que eu
estava tremendo e choramingando. Eu estava tã o sensível que cada
investida era elétrica em meu corpo. Suas mã os em meus quadris me
mantiveram firme e quando sua mã o bateu na minha bunda, ouvi
Graham vocalizar sua aprovaçã o diante do suspiro e gemido que me
escapou.
— Goze, princesa. — ouvi Graham dizer e minha respiraçã o ficou
presa quando apertei o pau de Theron com suas palavras.
Theron gemeu e me puxou para cima pelo pescoço, continuando a
empurrar para dentro de mim, sua outra mã o desceu até meu clitó ris e
eu gritei quando um orgasmo me atingiu, me enviando direto para a
tempestade que assola dentro dele.
— Você é minha, garotinha. — ele rosnou em meu ouvido
enquanto eu convulsionava em seus braços e ao redor de seu pau. Sua
respiraçã o ficou presa e sua mã o apertou minha garganta
possessivamente. Seus dedos me enviaram direto para outro orgasmo,
desta vez eu o ouvi ofegar e enquanto eu gritava minha liberaçã o, ele
gozou dentro de mim, seus dentes contra meu pescoço e sua respiraçã o
quente contra minha pele.
Nó s ficamos juntos à beira do êxtase até que ele virou minha
cabeça e me beijou, suave e profundamente, deixando seu beijo dizer
coisas que suas palavras nunca poderiam.
— Eu sou sua. — eu disse sem fô lego. Eu vi a mesma devoçã o em
seus olhos, falando de coisas mais profundas ainda nã o expressas e
entã o desapareceu e ele sorriu.
— Você é nossa. — ele disse, seus olhos ardendo maliciosamente
com tudo o que isso implicava e eu sorri porque era verdade.

TRÊS DIAS DEPOIS

Eu estava em meu ateliê dando os retoques finais em uma pintura


na qual trabalhei incansavelmente nos ú ltimos três dias. Theron e
Graham passaram o resto daquela noite e até altas horas da manhã me
mostrando o quanto eles possuíam cada parte de mim até que eu morri
para o mundo e adormeci entre dois homens que em algum momento
se infiltraram e roubaram meu coraçã o e alma.
Eu nã o planejava pedir nenhuma dessas coisas de volta tã o cedo...
eu era deles, mas eles eram igualmente meus e eu nã o aceitaria de
outra maneira. Nossos pedaços quebrados se encaixavam e cada vez
que nos quebrávamos, era como se nossas almas se encontrassem
novamente e fossem refeitas em algo novo, algo mais completo e
expansivo do que era antes.
Dei um passo para trá s e inclinei a cabeça, debatendo se precisava
de outro toque aqui ou outro destaque ali. A pintura nã o era
particularmente grande, mas era o bá lsamo para minha alma e o toque
curativo de que eu precisava. O tempo nã o curou todas as feridas... eu
sempre teria minhas cicatrizes no corpo, lembranças visíveis das
rachaduras criadas quando quebrei. Exceto que agora nã o acho que
quebramos apenas uma vez. Acho que quebramos mil vezes, de novo e
de novo, para que nossas peças possam encontrar aquelas com as quais
nos encaixamos e essas peças se curem – se refinando e se
remodelando a cada vez. Talvez precisemos quebrar para expandir e
talvez precisemos nos estilhaçar pelo universo para encontrar os
pedaços de outros que cabem nos espaços deixados para trá s.
Ouvi a porta se abrir e o murmú rio de vozes chegou até mim. Ouvi
Graham rir de algo que Theron disse e minha alma se encheu de prazer.
Adorei a amizade deles e a maneira fá cil como eles me compartilharam
entre eles. Senti os homens virem atrá s de mim... eles carregavam meus
fragmentos dentro deles, tã o profundamente quanto eu carregava os
deles, mantendo-os seguros, curando-os para que, quando nos
quebrá ssemos novamente, e nó s, pudéssemos devolvê-los e talvez nã o
ficá ssemos tã o quebrados quanto antes.
Arrastei meu pincel, mergulhado em vermelho, por uma pequena
seçã o e coloquei minhas tintas de lado. Estava pronto. Uma floresta
escura, castigada por tempestades, assolava o fundo, desaparecendo em
sombras tã o escuras que nã o havia detalhes distintos. Irrompendo
entre as á rvores estava um coelho vermelho-sangue, correndo e
saltando como se fosse escapar. Estava quebrado e sangrando, mas a
expressã o em seu rosto era apenas animal, contorcida em triunfo e
força.
— Lindo. — ouvi Theron dizer.
— Um tributo adequado. — murmurou Graham. — O que você vai
fazer com isso?
Nã o me virei, ainda olhando para a pintura. Este era o meu tributo
ao fim e percebi que pensei que me sentiria diferente porque, na Toca e
nos seis meses seguintes, eu estava sozinha, travando uma guerra com
apenas um exército de um homem.
Mas agora eu nã o estava.
Meus dois anjos caídos “meus vilõ es” “meus anti-heró is” estavam
comigo. Eles nã o eram meus salvadores... mas, novamente, eu nã o
precisava ser salva dessa vez. Desta vez eu queria ser puxada para as
sombras com eles.
— Eu estava pensando em pendurá -lo na sala. — eu disse
casualmente.
— Como diabos que você está . — disse Graham.
— Como se chama? — Theron perguntou.
Eu me virei e beijei os dois antes de responder.
— Redençã o — eu disse.
Theron sorriu quando seus olhos brilharam e ele deslizou a mã o
em volta da minha cintura.
— Eu gosto disso. — ele disse sombriamente.
Graham passou a mã o em volta dos meus ombros do outro lado e
se inclinou para mim.
— É perfeito, mas você nã o vai colocá -lo em casa.
— O quê? Você nã o acha que isso combina com a estética? — Eu
perguntei, fingindo estar ofendida.
Os homens riram e começaram a discutir sobre onde à pintura
deveria ou nã o ir e eu me juntei a eles, sentindo-me em casa e segura
em seus braços enquanto saíamos do estú dio... deixando a pintura secar
enquanto ao lado dela estava um frasco vazio de sangue.
Notas
[←1]
Empresa Militar Privada.
[←2]
Diretor Técnico de Tecnologia.
[←3]
Edward Michael "Bear" Grylls OBE é um aventureiro, escritor, apresentador de televisão e ex-
soldado do SAS britânico que também é um especialista em sobrevivência, ficou
mundialmente conhecido por apresentar o programa “A Prova de Tudo” e “No Pior dos
Casos”.

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