UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA
VII Seminário de Pesquisa e Integração do
Mestrado Acadêmico em Letras
RUMO À DESCOLONIZAÇÃO PEDAGÓGICA NA AMAZÔNIA:
VOOS EPISTEMOLÓGICOS NA LUTA PELA AUTONOMIA CULTURAL.
Mestranda Orientador
Patrícia Borges Costa Drº Jefferson Gustavo Dos Santos Campos
Porto Velho - RO, novembro de 2024.
GERAL OBJETIVO
Construir narrativas etnográficas das experiências enquanto professora , da educação básica, na área de linguagem, refletindo sobre os
processos de ensino e aprendizagem em meio à diversidade cultural e linguística da Amazônia.
Amazônia possui uma vasta e inebriante riqueza cultural/linguística, representa um espaço único e desafiador para a prática pedagógica, especialmente na
educação básica. As experiências enquanto professora nesta região me mostrou que existe não apenas a complexidade dos processos de ensino e
aprendizagem, mas também a importância de se construir narrativas etnográficas que capturem a essência dessas vivências.
ESPECÍFICOS :
1 Descrever as percepções e experiências pessoais como professora da educação básica sobre a própria identidade cultural e linguística na Amazônia;
2 Construir narrativas pedagógicas das experiências com alunos especiais, visando revelar como eles percebem e narram suas identidades em um ambiente
escolar diversificado.
3 Realizar narrativas etnográficas sobre as interações entre diferentes identidades culturais e linguísticas dentro do espaço escolar amazônico
A Amazônia, com sua vasta diversidade cultural e linguística, representa um microcosmo das complexas interações entre identidade e educação. Como
professora da educação básica nessa região, minhas percepções e experiências têm sido profundamente moldadas pela rica tapeçaria cultural que nos cerca. A
identidade cultural na Amazônia não é apenas um aspecto a ser observado, mas uma vivência que permeia o cotidiano dos estudantes e das comunidades.
A convivência com alunos de diferentes etnias, origens linguísticas e especificidades me ensinou a valorizar a pluralidade, uma vez que cada criança traz consigo
um universo de conhecimentos, tradições e modos de ver o mundo. Essa diversidade é uma riqueza que deve ser reconhecida e respeitada no ambiente escolar.
Nas atividades propostas busco integrar as culturas locais ao currículo, promovendo um espaço onde as mais diferentes vozes se entrelaçam, permitindo que
todos se sintam representados e valorizados. Outra experiência marcante é a luta constante pela preservação das línguas nativas(essa passagem relato ao logo de
todo o trabalho). Em um contexto onde o português é frequentemente imposto como língua principal, é crucial incentivar o uso das línguas maternas. Isso não
apenas fortalece a identidade dos alunos, mas também proporciona um aprendizado mais significativo, conectando-os às suas raízes culturais. Ao abordar temas
locais e suas implicações sociais e ambientais, procuro fomentar um senso de pertencimento e responsabilidade em relação à Amazônia. Entretanto, a realidade é
desafiadora. A globalização e o avanço tecnológico impõem novos discursos que, muitas vezes, marginalizam as culturas locais. Como educadora, sinto a
responsabilidade de mediar essas influências, promovendo uma educação que valorize a identidade cultural, mas que também dialogue com os novos tempos. A
formação contínua é essencial para que eu seja capaz de adaptar as práticas pedagógicas às realidades da região, sempre respeitando e integrando as
particularidades culturais de meus alunos. Em síntese, minhas percepções e experiências como professora na Amazônia refletem um compromisso com a
valorização da diversidade cultural e linguística. Essa vivência não apenas enriquece meu papel como educadora, mas também reforça a importância de uma
educação que respeite e celebre a identidade de cada indivíduo, promovendo um futuro mais justo e inclusivo para todos.
METODOLOGIA
A pesquisa adotará uma abordagem qualitativa pós Serão realizadas reflexões de observações participantes das minhas
crítica, utilizando métodos etnográficos para produção experiências como professora, com narrativas de memórias com
dos dados. alunos e professores para revelar as complexidades das identidades
linguísticas e culturais em jogo na Amazônia numa perspectiva pós
crítica dos estudos da diversidade amazônica.
A abordagem qualitativa, caracterizada por suas técnicas como entrevistas, rodas de conversa e observação participante , o
que permite captar a riqueza das experiências. Ao se concentrar nas narrativas e significados atribuídos pelos indivíduos,
essa metodologia revela a complexidade dos contextos sociais e a multiplicidade de vozes presentes nas interações
humanas. Dessa forma , a pesquisa qualitativa não busca apenas dados, mas sim a construção de saberes que respeitam a
singularidade das histórias e vivências dos participantes.
Por sua vez, a pós-crítica se destaca por questionar a objetividade e a neutralidade que muitas vezes são atribuídas às
pesquisas científicas. Essa perspectiva propõe um olhar crítico sobre as próprias práticas de pesquisa, reconhecendo que
todo conhecimento é produzido em contextos sociais e históricos específicos. Portanto, não se limita a analisar os dados
coletados, mas também considera o papel do pesquisador enquanto agente ativo na produção de conhecimento. Essa
reflexão é fundamental para garantir que as vozes dos participantes não sejam apenas ouvidas, mas realmente valorizadas e
respeitadas em sua totalidade.
JUSTIFICATIVA
A relevância desta pesquisa reside na necessidade de compreender como as identidades linguísticas são construídas
e negociadas em contextos educacionais multiculturais.
Isso é particularmente pertinente na região amazônica, onde a diversidade cultural e linguística oferece um terreno
fértil para tais investigações.
A diversidade linguística presente nas salas de aula exige uma abordagem crítica e reflexiva, que
possibilite a valorização das diferentes formas de expressão dos alunos. Assim, investigar esses
processos contribui não apenas para o aprimoramento das práticas pedagógicas, mas também para a
promoção de um ambiente inclusivo, onde todas as vozes sejam reconhecidas e respeitadas.
A análise dessas dinâmicas é fundamental para a formação de cidadãos mais conscientes e aptos a
atuar em sociedades pluralistas.
MEMÓRIAS
FRASE DA ALUNA COM SÍNDROME DE DOWN: “QUERO SER COMO ELES!”
Acervo pessoal
Acervo pessoal
Acervo pessoal
Acervo pessoal
PROBLEMA NORTEADOR
Como pensar um currículo para os discentes com especificidades e os demais discentes inseridos no
mesmo ambiente de aprendizagem levando em consideração culturas descolonizadas e a formação de
docentes para atuar nas salas inclusivas da educação básica a partir da teoria crítica e pós – crítica.
Um currículo proposto a partir da teoria crítica e pós – crítica pressupõe trabalhar com conteúdos significativos,
partindo da realidade educacional existente, não ficando apenas nos debates e nas discussões, mas partindo para a
prática com o objetivo de uma possível transformação dessa realidade, A elaboração de um currículo inclusivo para
discentes com especificidades, que considere a diversidade cultural e as experiências dos demais alunos, deve ser
pautada por uma abordagem descolonizada. É fundamental que a formação de docentes aborde tanto a teoria crítica
quanto a pós-crítica, promovendo reflexões sobre as estruturas sociais e educativas que perpetuam desigualdades.
Essa formação deve capacitar os educadores a desenvolver práticas pedagógicas que valorizem a pluralidade cultural
e as particularidades de cada estudante, garantindo um ambiente de aprendizagem mais equitativo e acessível para
todos.
ESTRUTURA ORGANIZACIONAL
O Trabalho será organizado em 4 capítulos
Capítulo 1: Narrativa de Mim
A B
C
Introdução à minha história e Reflexão sobre minha identidade O papel da educação na formação da
contexto na Amazônia. cultural e linguística. minha visão de mundo.
B C
A Mitos, Medos, Crenças Curiosa do mundo
Como e Porquê vim para Ro
Capítulo 2: Reflexões na Sala de Aula
A B C
Descrição das experiências e Impacto da diversidade cultural e Histórias de interação com a
percepções enquanto professora;. linguística no ensino. identidade dos alunos.
A diversidade cultural e linguística representa um dos aspectos mais enriquecedores da sociedade, exercendo um impacto significativo no campo da
educação. A convivência de diferentes culturas e idiomas nas salas de aula não apenas enriquece o ambiente de aprendizado, mas também promove
um desenvolvimento mais amplo e inclusivo dos estudantes.
Um dos principais efeitos da diversidade cultural no ensino é a promoção do respeito e da empatia entre os alunos. Ao exporem-se a diferentes
tradições, valores e modos de vida, os estudantes desenvolvem uma maior compreensão das realidades que os cercam, o que pode resultar em um
ambiente escolar mais harmonioso. Essa interação cultural é fundamental para a formação de cidadãos críticos e conscientes das suas
responsabilidades sociais. No que tange à diversidade linguística, a presença de múltiplos idiomas no contexto educacional oferece uma oportunidade
valiosa para o aprimoramento das habilidades de comunicação. O bilinguismo ou multiliguismo, quando incentivado, favorece não apenas a fluência
em várias línguas, mas também a habilidade de adaptação a diferentes contextos comunicativos. Além disso, a inclusão de línguas não oficiais ou
minoritárias no currículo escolar pode fortalecer a identidade cultural dos alunos, contribuindo para a preservação do patrimônio linguístico.
Entretanto, a diversidade cultural e linguística também apresenta desafios significativos para os educadores. A necessidade de adaptar métodos de
ensino para atender a diferentes estilos de aprendizagem e a barreira da língua podem dificultar a comunicação e em consequência ao próprio processo
de ensino-aprendizagem. É essencial que os profissionais da educação sejam capacitados para lidar com essa diversidade, desenvolvendo abordagens
pedagógicas que valorizem as especificidades culturais e linguísticas de seus alunos.
Em suma, o impacto da diversidade cultural e linguística no ensino é profundo e multifacetado. Ao promover um ambiente inclusivo e plural, a educação
pode não apenas preparar os estudantes para o mercado de trabalho globalizado, mas também formar cidadãos mais conscientes e respeitosos em
relação às diferenças. Portanto, é imprescindível que as instituições de ensino reconheçam e valorizem essa diversidade como um recurso pedagógico
fundamental para o desenvolvimento integral dos alunos. ( ATIVIDADE: TRAZER UMA PALAVRA E UMA RECEITA QUE SÓ A FAMÍLIA CONHECE)
Capítulo 3: Diálogos com a Diferença
A B C
Narrativas das experiências com Análise de como esses alunos Estratégias pedagógicas para um
alunos especiais; constroem e narram suas ambiente escolar inclusivo.
identidades;.
A construção da identidade é um fenômeno complexo e multifacetado, especialmente no contexto educacional. Os alunos, ao longo de sua trajetória
escolar, não apenas assimilam conteúdos acadêmicos, mas também moldam e comunicam suas identidades por meio de interações sociais,
experiências vivenciais e narrativas pessoais.
Primeiramente, a interação social desempenha um papel crucial na formação da identidade dos alunos. O ambiente escolar é um espaço onde
diferentes culturas, classes sociais e experiências de vida se encontram. A convivência com colegas e professores propicia a troca de vivências e a
construção de relações que influenciam a percepção que os estudantes têm de si mesmos e dos outros. Por meio da colaboração em projetos,
participação em grupos e debates, os alunos são incentivados a expressar suas opiniões e a afirmar suas individualidades, o que contribui
significativamente para a narração de suas identidades.
Além disso, as narrativas pessoais são ferramentas poderosas na construção identitária. Ao compartilharem suas histórias de vida, desafios e
conquistas, os estudantes não apenas refletem sobre suas experiências, mas também constroem um sentido de pertencimento e de autoafirmação.
O processo de narração não só favorece a autoexpressão, mas também facilita a empatia e a compreensão mútua entre os colegas.
Por fim, é importante considerar o papel das tecnologias digitais na construção e narração das identidades. Com a ascensão das redes sociais, os
alunos têm à sua disposição novas plataformas para expressar quem são e como se veem. As postagens, fotos e interações online refletem não
apenas a identidade pessoal, mas também a identidade coletiva de grupos e comunidades. Assim, a construção e a narração das identidades dos
alunos emergem de um entrelaçamento de fatores sociais, pessoais e tecnológicos. Através da interação com o meio escolar e da exploração de suas
narrativas, os estudantes não apenas definem quem são, mas também aprendem a se posicionar no mundo, contribuindo para a diversidade e a
pluralidade das identidades em ambientes educacionais resultando assim em um fator essencial para a formação de indivíduos críticos e
conscientes de seu papel na sociedade.
Capítulo 4: Tecendo Identidades no Espaço Escolar
A B C
Relatos etnográficos das Exemplos de atividades que Reflexões sobre os desafios e
interações culturais e linguísticas promovem a integração cultural. aprendizados no contexto
diversificado.
Os relatos etnográficos, ou seja, descritivos das interações culturais e linguísticas oferecem uma perspectiva vital sobre a
complexidade das relações humanas em contextos diversos. Ao documentar as práticas sociais, as trocas de saberes e as
dinâmicas de comunicação entre diferentes grupos, esses estudos revelam como a cultura e a linguagem se entrelaçam e
moldam identidades. Além disso, a análise etnográfica permite compreender os desafios e as oportunidades que surgem em um
mundo cada vez mais globalizado, onde a diversidade cultural se torna uma riqueza a ser valorizada e respeitada.
CONSIDERAÇÕES
• Síntese das narrativas e reflexões apresentadas;
• Implicações para a prática pedagógica na Amazônia;
• Considerações finais e direções para futuras pesquisas.
REFERENCIAL TEÓRICO
ALVES, Rubem. Conversas sobre educação. Campinas: Papirus Editora, 2016.
ALVES, Rubem. Por uma educação romântica. São Paulo: Editora Planeta, 2019.
BARROS, Manoel. de.** O livro das ignorãças. São Paulo: Editora Leya, 2006.
FREIRE, Paulo. (1996). Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Editora Paz e
Terra.
GOMES, João Carlos & VILHAVA, Shirley - EPISTEMOLOGIAS AZUIS DAS LÍNGUAS DE SINAIS
INDÍGENAS - ETD Educação Temática Digital versão On-line ISSN 1676-2592 - ETD - Educ. Temat. Digit.
vol.24 no.4 Campinas out./dez 2022.
KAMBEBA, Marcia. Saberes da Floresta. Editora Jandaíra, 2020.
SANTOS, Boaventura de Sousa; MENESES, Maria Paula. (Orgs.) Epistemologias do Sul. São Paulo; Editora
Cortez. 2010. 637páginas. https://doi.org/10.1590/15174522-018004301