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Teoria e Prática do Ensino na EJA

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Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira

Maria Cecília Vitorino Ferreira

Teoria e Prática do Ensino: Entre Encontros Teóricos e Vivências na EJA

Acarape-CE
2023

SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO............................................................................................................................ 3
2 REGISTRO DE AULAS............................................................................................................ 4
2.1AULA DO DIA 23/08 ............................................................................................´4
2.2Aula do dia 30/08.................................................................................................. .5
2.3 Aula do dia 06/09..................................................................................................6
2.4Aula do dia04/10....................................................................................................6
3.OFICINAS BRUNILO JACÓ................................................................................................... 6
3.1OFICINA DO DIA 25/10......................................................................................... 7
3.2OFICINA DO DIA 08/11 ......................................................................................................... 7
3.3OFICINA DO DIA 22/11.......................................................................................................... 8
4.CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................................................... 9
5.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................................... 10
1 Introdução

O presente portfólio será utilizado como um instrumento de avaliação da disciplina


de Teoria e Prática do Ensino ministrada pela professora doutora Juliana Geórgia.
Sua finalidade é documentar de maneira crítica a minha experiência ao longo do
semestre com a disciplina.
Para atender a essa proposta, o trabalho será dividido em duas partes distintas.
Na primeira parte, abordarei os encontros semanais da aula, tecendo comentários
não apenas sobre as práticas propostas e realizadas em sala, mas também sobre os
textos discutidos no percorrer da disciplina. A segunda parte abrangerá minhas
experiências vivenciadas na Escola Brunilo Jacó, onde meu foco estará na
observação a partir das oficinas conduzidas por colegas. Essa análise será
permeada por minha visão sobre a Educação de Jovens e Adultos (EJA) e suas
conexões com os textos previamente estudados
2 Registro das aulas
2.1Aula do dia 23/08/23
A aula teve início com uma apresentação da ementa da disciplina, onde a professora
Juliana destacou a relevância da prática em sala de aula durante a graduação. A
partir dessa observação, explicou que a disciplina seria dividida em duas partes
distintas. Na primeira, focaríamos na parte teórica, introduzindo uma abordagem
decolonial de ensino. Os critérios de avaliação para esta fase incluiriam a
elaboração de um portfólio. Já na segunda parte, a avaliação se concentraria no
desenvolvimento dos estudantes por meio de oficinas ministradas em uma turma de
Educação de Jovens e Adultos (EJA) na escola Brunilo Jacó.

Após essa explicação, a professora recapitulou a experiência da turma anterior na


mesma escola, trazendo dois alunos que ministraram oficinas no semestre passado
para compartilhar suas experiências, esclarecendo dúvidas da turma.

Posteriormente, a professora detalhou a estrutura do portfólio, delineou seus


critérios de avaliação e, por fim, apresentou exemplos concretos de portfólios.

Adentrando na parte teórica, discutimos o texto "Ensinamento 21: autoestima",


presente no livro "Ensinando o Pensamento Crítico, Sabedoria Prática", de Bell
Hooks. Nele, a autora destaca a importância do professor no resgate da autoestima
dos alunos, especialmente em contextos de vulnerabilidade social. Nesse contexto,
a professora compartilhou um breve vídeo de Emicida, onde ele relata sua
experiência educacional e afetiva com a sua professora Rita de Cássia. Emicida
recorda como ela o ensinou por meio de histórias em quadrinhos, após perceber seu
interesse por esse tipo de literatura.

O relato sensível de Emicida foi uma demonstração prática da teoria de Bell Hooks.
Essa experiência parece ter sido marcante para o cantor, pois a professora não
apenas ignorou sua suposta "falta de interesse", mas identificou uma aptidão para
tornar o conteúdo mais atrativo. Isso ressoa com o texto de Bell Hooks, que destaca
que os professores promovem uma autoestima saudável quando reconhecem as
qualidades dos alunos e os incentivam. A aula tomou um rumo mais afetivo, com a
troca de experiências em sala de aula entre discentes. A professora também
compartilhou algumas de suas vivências como aluna, contribuindo para estabelecer
uma identificação mais próxima entre todos.
22.Aula do dia 30/08/23
A segunda aula da disciplina teve início com uma discussão centrada no texto
"Escrevivência e exclusão nas práticas de leitura e escrita" de Diane Cristina
Rodrigues de Melo. O texto aborda o conceito de Escrevivência de Conceição
Evaristo, destacando sua importância na realidade da escola pública. Diane aponta
como as práticas escolares frequentemente divergem desse caminho, resultando em
danos à autoestima dos estudantes e limitando seu acesso à sociedade.

A escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, em uma de suas falas marcantes,


compartilha sua infância permeada por livros europeus e americanos, onde os
personagens eram todos brancos, viviam em locais frios e comiam maçãs – uma
realidade distante da dela. Adichie relata como seus escritos na infância refletiam
essa realidade que não a representava verdadeiramente. A autora destaca como
essas práticas contribuem para a criação de uma falsa noção de hegemonia cultural
no imaginário coletivo, levando à sensação de inadequação e inferioridade para
aqueles que não se enquadram nesses padrões. Assim, surge a construção da
"história única".

Ao conectar as palavras de Chimamanda ao texto discutido em aula, percebo o


conceito e a prática da escrevivência como uma resposta a essa forma de
dominação. Ao compreender a escrita como um reflexo das experiências, torna-se
possível encarar a produção literária como um esforço coletivo que abraça histórias
plurais.

Além disso, o texto me levou a refletir sobre a memória. A colonização privou muitos
povos do direito à memória de maneira irreversível, enquanto práticas imperialistas
buscam perpetuar essa amputação por meio de políticas genocidas, como a
necropolítica, e o encarceramento em massa de jovens negros de periferia, mas
também na deslegitimação das práticas culturais, na desumanização do fazer
artístico e na constante reafirmação de que apenas a branquitude é capaz de
produzir arte e que suas histórias são as únicas dignas de documentação e
transmissão. Nesse contexto, a escrevivência emerge como uma prática política de
resistência à cultura hegemônica, uma busca pelo direito à preservação da memória,
da expressão e da reconexão afetiva consigo e com os seus.

Retomando a aula anterior, não posso deixar de mencionar Emicida, cuja música
"AmarElo" converge com o pensamento de Conceição Evaristo, reforçando a
importância da escrevivência como um caminho para a valorização e resgate das
diversas narrativas e memórias.
Por fim, permita que eu fale
Não as minhas cicatrizes
Achar que essas mazelas me definem
É o pior dos crimes
É dar o troféu pro nosso algoz e fazer nóis sumir (AmarElo,2019)

2.3 Aula do dia 06/09/23


A terceira aula teve início com uma pergunta da professora, que nos pediu para
refletir sobre se a escrita tem seu foco na língua, no escritor ou na interação. A
maioria inclinou-se para os dois primeiros elementos, levando-nos a questionar
como nossa visão da escrita estava arraigada em concepções centradas no
indivíduo.

Nesse contexto, a professora propôs que nos agrupássemos para explorar o texto
de Ingedore Villaça Koch e Vanda Maria Elias.
Durante as discussões em grupo, as diferentes perspectivas dos colegas trouxeram
à tona como a visão tradicional centrada no escritor pode refletir uma mentalidade
típica das relações capitalistas. A ênfase na individualidade, mesmo em práticas
construídas coletivamente como a escrita, ressoou como um eco das dinâmicas
sociais que frequentemente colocam o indivíduo em um papel solitário e
autocentrado.

O exercício prático de desdobrar o texto no coletivo, de analisá-lo em conjunto, não


apenas contribuiu para uma compreensão mais rica do conteúdo, mas também
questionou a narrativa individualista tão intrínseca à cultura capitalista. Essa
experiência nos fez perceber como a escrita, embora muitas vezes associada a uma
expressão singular, é, na verdade, um processo colaborativo que transcende a figura
isolada do escritor.

2.4Aula do dia 04/10/23


Nessa aula, ocorreu uma reunião, na qual os grupos compartilharam os planos de
aula destinados às oficinas a serem ministradas na semana seguinte. A professora
Juliana orientou os grupos a ajustarem os planos de aula de acordo com os
objetivos da disciplina, sugerindo autores negros que poderiam ser abordados em
sala de aula.

Foi durante essa aula que expus à professora a minha impossibilidade de estar
presente na próxima fase da disciplina para conduzir as oficinas, devido a motivos
pessoais. Compreendendo a minha situação, ela me ofereceu a opção de escolher
uma das equipes para acompanhar como ouvinte, permitindo-me formular meu
portfólio com base na observação dessa equipe selecionada.
3. Observação da prática na escola Brunilo Jacó
3.1Oficina do dia 25/10/23
O primeiro dia de oficinas teve início na escola Brunilo Jacó, e escolhi observar as
atividades conduzidas por minhas colegas Vitória, Lara e Brenda. Seguindo as
orientações da professora, elas começaram a noite se apresentando à turma e
incentivando que os alunos fizessem o mesmo. A turma era pequena, composta por
apenas dez integrantes, o que possibilitou uma apresentação mais detalhada de
cada um.

A disposição da sala em círculo evidenciou a afinidade existente entre os membros


do grupo. A atmosfera foi calorosa, a maioria compartilhou suas histórias, embora
alguns tenham optado por mencionar apenas seus nomes, comentando brevemente
sobre a experiência de receber graduandos para a mesma atividade no semestre
anterior.

Após essa introdução, minhas colegas explicaram como pretendiam conduzir as


oficinas, discutindo a produção final que todos realizariam, incluindo elas mesmas.

Em seguida, abordaram o gênero textual que seria explorado nas próximas


semanas: o u ter alguma familiaridade. A partir disso, muitos compartilharam suas
experiências pessoais com o cordel, muitas vezes ligadas a algum membro da
família. Brenda também compartilhou sua experiência única com o cordel, baseada
nas histórias de seus avós do interior, gerando uma clara identificação com alguns
dos alunos.

A oficina encerrou de maneira leve, com a leitura coletiva de um cordel sobre Maria
Firmina dos Reis. Além disso, as colegas apresentaram a história de Maria Firmina e
sua relevância para a literatura nacional, destacando o apagamento que a autora
sofreu ao longo dos séculos, com seu reconhecimento recente.
3.2Oficina do dia 08/11/23
No segundo dia de oficina, minhas colegas começaram a aula exibindo alguns
cordéis sendo declamados e destacaram as diferenças sonoras distintas em cada
um. De maneira didática, explicaram que essas variações sonoras decorriam das
escolhas de versificação feitas em cada cordel.
Através desse exemplo prático, conseguiram elucidar a estrutura do cordel, tornando
a explicação mais envolvente ao contextualizá-la. Após essa abordagem,
apresentaram o livro "Heroínas negras brasileiras em 15 cordéis," de Jarid Arraes, e
realizamos uma leitura coletiva de um dos cordéis, que versava sobre Dandara dos
Palmares. Após a leitura, questionaram a turma sobre o que conheciam a respeito
de Dandara, e a maioria das respostas abordava principalmente a sua relação com
Zumbi dos Palmares.

Em seguida, apresentaram um vídeo que explorava mais profundamente a vida


dessa mulher notável.

3.3Oficina do dia 22/11/23

A oficina teve início com uma revisão detalhada do fascinante gênero do cordel,

seguida por uma apresentação envolvente de outra protagonista do livro de Jarid

Arraes. Dessa vez, o foco recaiu sobre Aqualtune, e a leitura coletiva do texto

começou, com todos os participantes já mais familiarizados com as dinâmicas das

oficinas, demonstrando entusiasmo ao se envolverem na leitura. As colegas

complementaram a experiência ao exibirem um vídeo revelador sobre Aqualtune,

incitando os participantes a compartilharem suas impressões sobre a vida dessa

mulher extraordinária. Além disso, solicitaram que apontassem as partes do cordel

que mais os marcaram, enriquecendo assim a discussão.

Após essa imersão na história de Aqualtune, a oficina transitou para um momento

mais afetivo e pessoal. As instrutoras pediram a todos que partilhassem quem eram

suas heroínas. Iniciando esse momento especial, Lara foi tocante ao falar sobre sua

avó, deixando transparecer sua emoção ao expressar a profunda admiração que

nutria por ela. Essa demonstração autêntica de sentimentos criou uma atmosfera de

confiança que se refletiu na participação ativa da turma. A maioria dos participantes

compartilhou relatos emocionantes sobre suas mães e avós, transformando esse


momento em uma bela expressão de afetividade e conexão. A oficina, assim, não

apenas transmitiu conhecimento sobre o cordel e heroínas, mas também se tornou

um espaço de compartilhamento pessoal e valorização das histórias de vida de cada

participante.

Considerações finais

Após essa aula, não consegui participar das oficinas subsequentes, mas a

experiência já se revelou incrivelmente significativa para mim. O contato com aquela

turma proporcionou uma materialização das teorias que estudei ao longo do

semestre. Em particular, o texto sobre autoestima de Bell Hooks ressoou de maneira

profunda, especialmente ao ouvir relatos sobre o sentimento de atraso que muitos

alunos experimentavam em relação à educação. Dentro da universidade, por vezes,

também me vejo envolta por esse mesmo sentimento negativo. Contudo,

testemunhar a realidade dessas pessoas, que tinham tanto a compartilhar, ensinar e

aprender, fez-me refletir sobre a importância de não impor limites temporais à busca

pelo conhecimento.

Acredito que a minha presença nas oficinas, ao lado de Brenda, Vitória e Lara, tenha

feito uma grande diferença na minha experiência. Aprendi com elas sobre a

relevância de compartilhar não apenas o conhecimento acadêmico, mas também as

histórias pessoais, as dores e vulnerabilidades em sala de aula, contribuindo para a

construção de afeto e confiança com a turma. Por fim, carrego essa disciplina como

uma experiência necessária e profundamente significativa em minha jornada

acadêmica.

4.Referências Bibliográficas
Emicida [@emicida]. (2019, junho 25). Emicida - AmarElo (Sample: Belchior - Sujeito
de Sorte) part. Majur e Pabllo Vittar. Youtube.
https://www.youtube.com/watch?v=PTDgP3BDPIU

Rozales, M. [@monicarozales]. (2022, 19 de setembro). EMICIDA PROFESSORA


RITA DE CÁSSIA . YouTube. https://www.youtube.com/watch?v=SssJxTWfUzg
([Sd]-a). Usp.br. Recuperado em 13 de dezembro de 2023, de
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/6505755/mod_folder/content/0/bell
%20hooks%20-%20ensinando%20pensamento%20cr%C3%ADtico%20-%
203%207%2027.pdf?forcedownload=1
([Sd]-b). Com.br. Recuperado em 13 de dezembro de 2023, de
https://scholar.google.com.br/scholar?hl=pt-
BR&as_sdt=0%2C5&q=ler+e+escrever+estrat%C3%A9gias+de+produ%C3%
A7%C3%A3o&btnG=#:~:text=FG%20Matos%C2%A0%2D%20DELTA%3A
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