Area-da-Infancia Guia-De-Implementacao
Area-da-Infancia Guia-De-Implementacao
Guia de implementação
Este material é um Guia de Implementação da Área da Infância,
baseado nas experiências realizadas na cidade de Jundiaí, em
São Paulo. A expectativa é que o presente Guia sirva de apoio
para gestores municipais darem continuidade na expansão do
projeto em outros territórios.
Coordenadora de programas
Marina Arilha Silva
Thaís Sanches
01 O que é
Área da Infância?
02 Por que
fazer?
Como
implementar? 03
04 Quais os
benefícios?
Área da Infância
na prática 05
01
O que é
Área da Infância?
O projeto é a realização dos desejos das crianças!
7
Foto: Denise Meirelles
8
O que compõe a
Área da Infância?
Equipamento público
Espaço naturalizado
Urbanismo tático
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Equipamento público
Equipamentos públicos são instalações ou espaços físicos,
destinados à prestação de serviços para usufruto de toda a
sociedade. Eles apresentam caráter institucional e possuem
utilidade pública, garantindo o acesso da população à direitos
sociais.
Equipamentos consolidados
Já apresentam boa estruturação física e institucional
e passam a fazer parte do projeto como ponto
de apoio ao restante das intervenções. Podem
receber pequenas intervenções e suporte para
ampliar seu potencial de atendimento à primeira
infância e às famílias.
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Espaço naturalizado
São espaços ao ar livre compostos por elementos de natureza que
promovem o brincar ao ar livre de forma criativa e lúdica. Neles,
os brinquedos naturalizados, isto é, feitos a partir de materiais
naturais, como madeira, pedra, areia e água, possibilitam o
desenvolvimento de habilidades motoras e sensoriais através da
interação com a paisagem natural.
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Urbanismo tático
As intervenções de Urbanismo Tático da Área da Infância têm a
intenção de melhorar a qualidade do espaço público, garantir
segurança viária e incentivar a mobilidade ativa, que corresponde
à mobilidade a pé e por bicicleta. A partir de um novo desenho
urbano e incorporação de elementos lúdicos, o urbanismo
tático prioriza o deslocamento a pé, especialmente feito pelas
crianças, adotando estratégias para diminuir a velocidade dos
veículos e proporcionar mais conforto e ludicidade durante a
caminhada.
Principais características
Estratégias
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LÚDICO NA INFÂNCIA ESPAÇO URBANO
16
Conceitos gerais
17
02
Por que fazer?
Se você pudesse vivenciar sua cidade a partir de 95 cm – a
altura de uma criança de 3 anos – o que você mudaria?
Urban95
19
Foto: Denise Meirelles
Criança e cidade
A ocupação do espaço urbano mútuo de interação com a cidade é
durante a infância muitas vezes de suma importância para construir
acontece por atividades lúdicas, uma relação afetiva, identitária e
jogos e brincadeiras em áreas de pertencimento entre criança e
externas como a rua. A rua é um lugar.
espaço de convivência que permite
à criança vivenciar experiências, No entanto, a posição da criança
aprender a lidar com a diversidade, na sociedade se transformou na
desenvolver autonomia, aprimorar medida que os espaços dedicados à
habilidades e estabelecer relações infância também se transformaram.
entre seus pares. Esse processo Cada vez mais as atividades infantis
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que outrora aconteciam em áreas escutadas e para que elas possam
externas se deslocaram para participar das decisões públicas da
espaços internos, enquanto a rua cidade.
se tornou um lugar inadequado
de se estar. Como consequência, O direito à cidade implica
as crianças se tornaram mais na participação de todos
supervisionadas e com interações indistintamente, incluindo a
entre pares reduzidas. infância, sobre a construção e
fruição do espaço urbano. Dar
A redução da sociabilidade das visibilidade às crianças nas questões
crianças nos espaços públicos coletivas está diretamente
faz parte de um longo processo relacionada com a compreensão
em que as cidades passaram a de que elas devem ser incluídas
ser planejadas para privilegiar o como agentes ativas nos diálogos
deslocamento de automóveis. e na implementação de políticas
A prioridade dada aos carros públicas. Assim, é fundamental que
torna o ambiente urbano mais existam iniciativas e ambientes que
perigoso para os pedestres, garantam o exercício desse direito,
alterando as configurações da além de ampliar as perspectivas
rua com o alargamento de vias de participação de modo a estar
e estreitamento das calçadas. aberto às sensibilidades e sutilezas
Dessa maneira, as cidades têm da forma que as crianças se
substituído áreas ao ar livre por expressam e se comunicam.
espaços fechados, suprimindo e
invertendo o protagonismo das
pessoas no espaço urbano.
Criança e natureza
Os efeitos da urbanização automóvel nos deslocamentos
comprometeram o cotidiano diários, a poluição ambiental e a
da população, distanciando-a má qualidade e manutenção dos
gradativamente do meio espaços públicos.
ambiente natural. Múltiplos
fatores corroboraram para o Como resultado, bebês, crianças,
desaparecimento das áreas verdes adolescentes, adultos e idosos
na cidade, como o planejamento usufruem cada vez menos de
urbano inadequado, o rápido espaços verdes adequados na
adensamento, a especulação cidade, como parques, praças,
imobiliária, a supremacia do jardins e outras áreas naturais.
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Quando inseridos em contextos natureza.
territoriais de alta vulnerabilidade
social, as condições para uma vida Na escola, o brincar e o aprender
saudável e o acesso a um meio estão intrinsecamente relacionados:
ambiente equilibrado são ainda se aprende brincando com e na
mais dificultados. Durante a infância, natureza. Tratam-se de territórios
a falta de contato com a natureza educativos que possibilitam
afeta com mais intensidade a saúde experiências ao ar livre, o contato
e o desenvolvimento integral das com elementos naturais e atividades
crianças, que estão em fase de físicas acrescenta positivamente no
formação. aprendizado ativo e explorador
fora da sala de aula.
O Marco Legal da Primeira Infância
(Lei 13.257/2016) reconhece a Ou seja, possibilitar vivências
importância da proteção do meio diárias em espaços livres e
ambiente e da natureza para a saúde verdes para movimentar, brincar,
e o bem-estar infantil. É enfatizado aprender e conviver é primordial
que a criação de espaços lúdicos para o crescimento saudável das
em locais públicos e ambientes crianças e para a sustentabilidade
abertos nas comunidades devem das cidades. O direito ao brincar
propiciar o brincar e estimular a é assegurado pelo Estatuto da
criatividade, dando oportunidade Criança e do Adolescente, então, é
para desenvolverem suas crucial que o poder público garanta
singularidades e subjetividades. o acesso a áreas naturais seguras e
de boa qualidade próximas a suas
A oferta de espaços verdes moradias.
traz inúmeros benefícios para
o desenvolvimento integral da
criança. A liberdade e autonomia
do brincar na natureza estimula
a criatividade e os sentidos para
criar e reinventar brinquedos
com recursos encontrados no
ambiente; fortalece vínculos
afetivos e a cooperação social,
promovendo a convivência com
outras crianças; e contribui para a
educação ambiental, entendendo
a importância da conservação da
23
Foto: André Albuquerque
Mobilidade ativa
A mobilidade urbana é definida pé e por bicicleta, sobre os modos
como a condição que permite o motorizados, principalmente o
ir e vir das pessoas na cidade e transporte particular.
compreende aspectos físicos de
infraestrutura viária e os variados Caminhar e pedalar são modos
modos de transporte, sendo eles ativos de deslocamento e se
os motorizados e não motorizados. caracterizam como um meio de
A Política Nacional de Mobilidade transporte mais sustentável. Para
Urbana (Lei 12.587/2012) dá que a mobilidade ativa seja efetiva,
prioridade aos modos não o espaço urbano deve oferecer um
motorizados, como a mobilidade a conjunto de ações de infraestrutura
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que garantam acessibilidade, isto do senso de pertencimento e de
é, a facilidade para se locomover. coletividade.
Entretanto, as ruas e os espaços
públicos ainda são hostis e carecem Reconhecer a rua enquanto espaço
de condições adequadas que público demonstra que ela não é
promovam segurança e conforto apenas um local com finalidade de
para pedestres e ciclistas. circulação, mas também como um
lugar de permanência para brincar
Calçadas estreitas, pavimentação e aprender. Para além de mudar o
de má qualidade, travessias panorama da mobilidade urbana
inseguras, alta velocidade dos atual, incentivar a caminhada e o
veículos, incidência solar direta e uso da bicicleta como alternativa de
percursos cansativos são alguns transporte na cidade é primordial
dos obstáculos diariamente para desenhar ruas adequadas
enfrentados. Tratando-se dos à perspectiva das crianças.
usuários mais vulneráveis da Isso permite uma variedade de
rua, como a primeira infância, as experiências e oportunidades de
dificuldades dos deslocamentos brincadeiras e criação de vínculos
são potencializadas, visto que sociais. Ou seja, uma cidade mais
bebês e crianças demandam mais atrativa para a primeira infância
atenção dos cuidadores e o ritmo deve ser segura, acessível e lúdica
de deslocamento é mais lento. para a mobilidade ativa.
Segurança viária
Muitos dos desafios enfrentados por consequência, maior o risco de
nas cidades são originados pela sinistros no trânsito e de ocorrer
prioridade dos modos motorizados fatalidades e lesões, sobretudo aos
individuais. No momento em que pedestres.
os veículos são colocados como
foco do planejamento urbano, A segurança viária é uma questão
o espaço urbano não é mais urgente na atualidade e entende-
moldado pela escala humana. se que as lesões e fatalidades
Quanto maior o número de vias ocasionadas no trânsito não são
são inseridas na malha urbana, acidentes, visto que se configuram
maior o deslocamento veicular e, como eventos evitáveis. Hoje,
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os sinistros de trânsito refletem horizontal e vertical, entre outros,
um conjunto de fatores, como a o incentivo à mobilidade ativa e a
infraestrutura urbana deficiente e robustez de políticas de segurança
o desenho das vias que induz altas viária são indispensáveis. Essas
velocidades dos carros. estratégias são essenciais em
entornos escolares mais seguros,
Estudos têm demonstrado a principalmente quando crianças
relação intrínseca entre velocidade e cuidadores se deslocam a pé
de circulação dos automóveis e para a escola. Também podem ser
sinistros de trânsito. De acordo inicialmente implementadas por
com Criança Segura, os sinistros meio do urbanismo tático, como
são a principal causa de fatalidades intervenções temporárias, com o
entre crianças e adolescentes de 1 objetivo de avaliar a efetividade
a 14 anos no Brasil. Assim, surge das ações e posteriormente
a necessidade de planejar as ruas implementar de forma definitiva.
de forma a promover o bem-estar
físico e mental das crianças e Desse modo, promover segurança
eliminar ou minimizar os fatores de viária é promover maior qualidade
risco que ameacem a vida. de vida nas cidades. Reconhecer
que cidades seguras são aquelas
Considerando a necessidade de em que os espaços públicos são
atenção especial para as crianças no adequados para a mobilidade ativa
espaço público, a implantação de (a pé e por bicicleta) é essencial
zonas calmas, principalmente em para transformar a maneira que as
áreas escolares, é uma estratégia cidades são desenhadas.
eficaz para reduzir os perigos da
velocidade dos carros. As zonas
calmas são áreas delimitadas que
recebem intervenções de medidas
de moderação de tráfego a fim de
reduzir a circulação dos veículos
motorizados para 30km/h e, como
resultado, resultar em menos
sinistros e vítimas no trânsito.
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Passo a passo
1
Planejamento
2
Engajamento comunitário e Coleta de dados
30
3
Desenvolvimento
4
Execução
• Equipamento público;
• Espaço naturalizado;
• Urbanismo tático - considerar elementos lúdicos e projeto de
sinalização viária.
5
Monitoramento
31
Planejamento
Plano de ação
Definição do plano de trabalho: objetivos a serem alcançados, cronograma
para execução do projeto, produtos a serem elaborados;
Definição do plano de engajamento: estratégias para escuta, participação
e envolvimento da comunidade local e do entorno.
32
1
LEVANTAMENTO DE DADOS
33
Engajamento comunitário
e Coleta de dados
Diagnóstico
Análise dos resultados;
Definição das diretrizes de projeto.
34
*O Quali-Urb Infância objetiva diagnosticar e monitorar a percepção sobre
a qualidade do trajeto escolar através da aplicação de um questionário.
2
As dimensões são: segurança pública, segurança viária, caminhabilidade,
atratividade e bem-estar dos cuidadores. Para mais informações, acesse o
Manual publicado pela Urban95.
MONITORAMENTO DE DADOS
Medição Contagem
Ruído; Fluxo de pedestres;
Qualidade do ar (através do Fluxo de ciclistas;
aparelho airbeam); Fluxo de automóveis;
Velocidade praticada pelos Vagas de estacionamento nas
automóveis. vias e caracterização das vagas
(moto, idoso, escolar, etc).
LEVANTAMENTO DE DADOS
Quantidade Outros
Semáforos de automóveis; Uso e ocupação do solo;
Semáforos de pedestres; Medição da largura das vias;
Faixas de pedestre; Medição da largura das
Faixas de rolamento nas vias; calçadas e qualidade da
Mobiliários de descanso; pavimentação;
Lixeiras; Localização e caracterização
Paraciclos; de elementos redutores de
Rampas de acessibilidade; velocidade;
Piso tátil; Índices de sinistros de
Postes de iluminação; trânsito disponíveis em
Árvores e demais elementos bancos de dados públicos.
verdes.
35
Desenvolvimento
36
3
URBANISMO TÁTICO
37
Execução
Equipamento Público
Espaço naturalizado
Urbanismo tático
38
4
URBANISMO TÁTICO
39
Monitoramento
Avaliação
Acompanhamento in loco e análises dos impactos da intervenção;
Propostas de melhorias.
40
*A partir dos indicadores anteriormente medidos, nesta etapa os dados
atualizados serão coletados para avaliar o pós intervenção. A comparação entre
5
as medições elucidará se os objetivos esperados foram atingidos e orientará os
próximos passos.
MONITORAMENTO DE DADOS
Medição Contagem
Ruído; Fluxo de pedestres;
Qualidade do ar (através do Fluxo de ciclistas;
aparelho airbeam); Fluxo de automóveis;
Velocidade praticada pelos Vagas de estacionamento nas
automóveis. vias e caracterização das vagas
(moto, idoso, escolar, etc).
LEVANTAMENTO DE DADOS
Quantidade Outros
Semáforos de automóveis; Uso e ocupação do solo;
Semáforos de pedestres; Medição da largura das vias;
Faixas de pedestre; Medição da largura das
Faixas de rolamento nas vias; calçadas e qualidade da
Mobiliários de descanso; pavimentação;
Lixeiras; Localização e caracterização
Paraciclos; de elementos redutores de
Rampas de acessibilidade; velocidade;
Piso tátil; Índices de sinistros de
Postes de iluminação; trânsito disponíveis em
Árvores e demais elementos bancos de dados públicos.
verdes.
41
04
Quais os
benefícios?
Andar a pé é melhor pra ver a natureza.
Miguel, 9 anos
43
Foto: André Albuquerque
Pedestres e ciclistas
favorecem a economia local
É fato que incentivar modos não a saúde humana ao promover a
motorizados, como a mobilidade a prática de exercícios físicos.
pé e por bicicleta, ajuda a diminuir
a emissão de gases poluentes, Além dos benefícios apontados,
consequentemente contribuindo vale destacar que o incentivo
para a melhoria da qualidade do à mobilidade ativa é capaz de
ar e do clima urbano. Assim como impulsionar a economia local.
possui contribuições diretas para Isso acontece porque, com o
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França Londres, Reino Unido Toronto, Canadá São Paulo, Brasil
(2003) (2016) (2016) (2018)
Bicicleta 7% 2% 19% 1%
Transporte
24% 52% 22% 11%
público
Carro 20% 16% 4% 11%
Outros 0% 3% 2% 13%
46
50km/h 30km/h
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Área da Infância
Vila Arens
51
Foto: André Albuquerque
52
São mais de 7.000m² com soluções viária. Também houve um aumento
que priorizam pedestres. Com significativo nos mobiliários de
a intervenção, houve a redução descanso e elementos verdes, que
de 20% da área destinada para são elementos importantes para
automóveis que se transformaram uma caminhada agradável e para o
em espaços que incentivam conforto climático.
a mobilidade ativa, como a
implantação de uma ciclovia Em relação aos fluxos, o número
educativa de 511m lineares e a de ciclistas aumentou em
ampliação de 346m² de calçadas. 700%, o de pedestres em 78%
e o de automóveis em 41%. A
As medições revelam a redução na intervenção já recebeu mais de 43
velocidade média praticada pelos mil visitantes durante seu tempo
automóveis em 50% (o que antes de funcionamento, englobando
era 41km/h diminuiu para 21km/h) cuidadores, crianças e escolas em
para garantir maior segurança diversas atividades e oficinas.
53
Área da Infância
Novo Horizonte
55
Foto: Prefeitura de Jundiaí
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Área da Infância
Santa Gertrudes
CRAS Sul
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Foto: Denise Meirelles
Praça Naturalizada
A praça naturalizada está grafismos que incentivam o brincar
localizada próxima ao CRAS, em e estimulam a imaginação, além de
uma posição central do bairro, e uma topografia lúdica que utiliza os
contou com melhorias para ampliar desníveis naturais do terreno.
a acessibilidade e incluir a primeira
infância. Foram realizadas oficinas
de cocriação com crianças do
bairro, para identificar seus desejos
em relação aos espaços de brincar
naturalizados.
Viela
61
Desenvolvimento
Iniciativa
Realização