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Area-da-Infancia Guia-De-Implementacao

O Guia de Implementação da Área da Infância, baseado nas experiências de Jundiaí, visa apoiar gestores na expansão do projeto em outros locais, focando na inclusão de crianças no planejamento urbano. O projeto busca melhorar a qualidade do ambiente urbano para a primeira infância através de intervenções colaborativas, equipamentos públicos, espaços naturalizados e urbanismo tático. A iniciativa enfatiza a importância de considerar as necessidades das crianças para promover cidades mais inclusivas e saudáveis.
Direitos autorais
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O Guia de Implementação da Área da Infância, baseado nas experiências de Jundiaí, visa apoiar gestores na expansão do projeto em outros locais, focando na inclusão de crianças no planejamento urbano. O projeto busca melhorar a qualidade do ambiente urbano para a primeira infância através de intervenções colaborativas, equipamentos públicos, espaços naturalizados e urbanismo tático. A iniciativa enfatiza a importância de considerar as necessidades das crianças para promover cidades mais inclusivas e saudáveis.
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ÁREA DA INFÂNCIA

Guia de implementação
Este material é um Guia de Implementação da Área da Infância,
baseado nas experiências realizadas na cidade de Jundiaí, em
São Paulo. A expectativa é que o presente Guia sirva de apoio
para gestores municipais darem continuidade na expansão do
projeto em outros territórios.

A partir da iniciativa Urban95, realização da Prefeitura


Municipal de Jundiaí e desenvolvimento do Ateliê Navio,
foram implementadas Áreas da Infância em três bairros do
município: Vila Arens, Novo Horizonte e Santa Gertrudes.
Os territórios foram selecionados com base nas diretrizes do
planejamento urbano municipal e planos de bairro, levando em
consideração a existência de equipamentos públicos e o caráter
de vulnerabilidade social da população.
FICHA TÉCNICA

Concepção e desenvolvimento: Fotografia:


Ateliê Navio André Albuquerque
Denise Meirelles
Fundadora Prefeitura Municipal de Jundiaí
Ursula Troncoso
Foto da capa:
Colaboradoras André Albuquerque
Ana Beatriz Stringhini
Beatriz Paiva Foto da página final:
Camilla Duarte Denise Meirelles
Cora Rocha
Giovanna Tozzi Projeto gráfico: Ateliê Navio
Isadora Garcia
Luri Russo Identidade visual: Designeria
Marina Amorim Bianca Franchini
Michele Pinheiro
Mayra Silveira
Patrícia Rabbat
Raíra Spera
Talitha Rodrigues Revisão: Ateliê Navio

Realização Áreas da Infância em Iniciativa: Urban95 - Fundação Van


Jundiaí: Leer
Prefeitura Municipal de Jundiaí
Representante no Brasil
Claudia Vidigal

Coordenadora de programas
Marina Arilha Silva
Thaís Sanches

Articuladora da Rede Urban95 Brasil


Taís Herig

Administração de Programas no Brasil


Beatriz Fumagalli
Christina Winnischofer
SUMÁRIO

01 O que é
Área da Infância?

02 Por que
fazer?

Como
implementar? 03
04 Quais os
benefícios?

Área da Infância
na prática 05
01
O que é
Área da Infância?
O projeto é a realização dos desejos das crianças!

O objetivo da Área da Infância O projeto é desenvolvido em um


é incluir a perspectiva de bebês, processo colaborativo com as
crianças pequenas e seus crianças, cuidadores, comunidade
cuidadores no planejamento local e equipes municipais. A
urbano, a fim de concretizar partir de escutas com as crianças,
transformações nas cidades com por meio de atividades lúdicas, e
foco na segurança e bem-estar da com os cuidadores e comunidade
primeira infância e suas famílias. local, através da aplicação de
As intervenções são realizadas no questionários que avaliam a
entorno de rotas escolares, visando qualidade dos entornos escolares.
melhorar a qualidade do ambiente O resultado da participação da
urbano ao promover equipamentos população direciona as propostas
públicos de referência, espaços de intervenção do entorno.
naturalizados, elementos lúdicos e
segurança viária.

Foto: André Albuquerque

7
Foto: Denise Meirelles

As intervenções da Área da Infância são compostas por


três elementos, desenvolvidos conforme suas escalas de
implementação. A seguir, serão apresentadas as esferas
englobadas no projeto, seus conceitos e objetivos.

8
O que compõe a
Área da Infância?

Equipamento público

Espaço naturalizado

Urbanismo tático

9
Equipamento público
Equipamentos públicos são instalações ou espaços físicos,
destinados à prestação de serviços para usufruto de toda a
sociedade. Eles apresentam caráter institucional e possuem
utilidade pública, garantindo o acesso da população à direitos
sociais.

A função do equipamento público pode ser para educação,


saúde, assistência social, cultura, lazer, esporte, entre outros.
A escolha do equipamento público de referência para a Área
da Infância deve se basear na importância da infraestrutura no
entorno e no bairro, tendo o objetivo de prestar atendimento
às famílias e ser um apoio para demais intervenções do projeto.

10 Foto: André Albuquerque


Foto: André Albuquerque

São caracterizados em dois grupos:

Equipamentos a serem estruturados


Recebem uma nova intervenção ativa no seu
interior alinhada com as intervenções no seu
entorno.

Equipamentos consolidados
Já apresentam boa estruturação física e institucional
e passam a fazer parte do projeto como ponto
de apoio ao restante das intervenções. Podem
receber pequenas intervenções e suporte para
ampliar seu potencial de atendimento à primeira
infância e às famílias.

11
Espaço naturalizado
São espaços ao ar livre compostos por elementos de natureza que
promovem o brincar ao ar livre de forma criativa e lúdica. Neles,
os brinquedos naturalizados, isto é, feitos a partir de materiais
naturais, como madeira, pedra, areia e água, possibilitam o
desenvolvimento de habilidades motoras e sensoriais através da
interação com a paisagem natural.

Nesses espaços, são priorizados brinquedos não estruturados,


ou seja, que não possuem uma função definida, permitindo que
as crianças usem sua imaginação e criatividade para determinar
como brincar com eles.

Um espaço naturalizado incentiva que as crianças explorem


brincadeiras ativas e exercitem a criatividade ao viabilizar
o acesso às áreas verdes e o contato com a natureza. Assim,
fortalece a relação com o espaço público urbano e com o meio
natural, além de permitir o convívio entre as crianças e as famílias.

12 Foto: Denise Meirelles


Foto: Denise Meirelles

As experiências em conjunto com a natureza ajudam no


desenvolvimento integral, desenvolvem a criatividade e
resolução de problemas, aumentam as capacidades cognitivas e
melhoram as relações sociais e com o meio ambiente.

A presença e o aumento da cobertura vegetal e do adensamento


de árvores também traz outros benefícios para a cidade, como
o conforto térmico, maior permeabilidade do solo, melhor
qualidade do ar e habitat para espécies animais.

13
Urbanismo tático
As intervenções de Urbanismo Tático da Área da Infância têm a
intenção de melhorar a qualidade do espaço público, garantir
segurança viária e incentivar a mobilidade ativa, que corresponde
à mobilidade a pé e por bicicleta. A partir de um novo desenho
urbano e incorporação de elementos lúdicos, o urbanismo
tático prioriza o deslocamento a pé, especialmente feito pelas
crianças, adotando estratégias para diminuir a velocidade dos
veículos e proporcionar mais conforto e ludicidade durante a
caminhada.

O Urbanismo Tático é uma abordagem que utiliza intervenções


temporárias e de baixo custo para melhorar os espaços urbanos.
Por isso, os impactos da intervenção são imediatos, o que torna
possível avaliar e medir os efeitos no território para propor
novas alterações e readequações.

14 Foto: André Albuquerque


Foto: André Albuquerque

Principais características

Utilizar materiais Envolver a Ser uma solução


leves e de baixo participação da temporária para testar
custo, como tinta, comunidade na um novo uso para o
balizadores bancos concepção do espaço e criar mudanças
e jardineiras projeto permanentes

Estratégias

Travessias seguras e acessíveis


medidas para controlar a velocidade do carro, sinalização viária

Ampliação e qualificação dos espaços para pedestres


melhoria da pavimentação das calçadas, elementos inclusivos

Elementos lúdicos atrativos para as crianças


pinturas em muros e calçadas, mobiliários interativos

Elementos verdes e mobiliários urbanos


sombra com árvores e jardineiras, bancos, lixeiras

15
LÚDICO NA INFÂNCIA ESPAÇO URBANO

Interatividade Locais de descanso


Ludicidade Mobiliários urbanos
Elementos brincantes Calçadas de qualidade
Brincar ao ar livre Acessibilidade

16
Conceitos gerais

Em suma, é possível definir


os princípios envolvidos nas
intervenções da Área da Infância
em 4 temas principais:

MOBILIDADE URBANA CLIMA E NATUREZA

Incentivo à mobilidade ativa Arborização


Caminhabilidade Conforto climático
Travessias seguras Contato com a natureza
Zona calma

17
02
Por que fazer?
Se você pudesse vivenciar sua cidade a partir de 95 cm – a
altura de uma criança de 3 anos – o que você mudaria?
Urban95

Os primeiros anos de vida Para que isso aconteça, as


representam uma fase importante cidades desempenham um papel
para o desenvolvimento integral da fundamental na construção de
criança, porque é quando moldam sociedades mais inclusivas. Ampliar
e aprimoram suas habilidades políticas, programas, iniciativas e
motoras, cognitivas, neurológicas serviços em conjunto com esferas
e emocionais. Por esse motivo, governamentais e sociedade
eventos vividos nessa etapa civil é essencial para oferecer
podem ter efeitos permanentes condições adequadas para a
ao longo da vida, comprometendo inclusão da infância nos espaços
a fase adulta. Nesse sentido, é urbanos, sendo uma oportunidade
imprescindível compreender que para impactar positivamente e
crianças pequenas, principalmente diretamente a qualidade de vida
até os 5 anos de idade, devem ser das crianças.
prioridade absoluta para garantir
seu crescimento saudável.

Foto: André Albuquerque

19
Foto: Denise Meirelles

Criança e cidade
A ocupação do espaço urbano mútuo de interação com a cidade é
durante a infância muitas vezes de suma importância para construir
acontece por atividades lúdicas, uma relação afetiva, identitária e
jogos e brincadeiras em áreas de pertencimento entre criança e
externas como a rua. A rua é um lugar.
espaço de convivência que permite
à criança vivenciar experiências, No entanto, a posição da criança
aprender a lidar com a diversidade, na sociedade se transformou na
desenvolver autonomia, aprimorar medida que os espaços dedicados à
habilidades e estabelecer relações infância também se transformaram.
entre seus pares. Esse processo Cada vez mais as atividades infantis
20
que outrora aconteciam em áreas escutadas e para que elas possam
externas se deslocaram para participar das decisões públicas da
espaços internos, enquanto a rua cidade.
se tornou um lugar inadequado
de se estar. Como consequência, O direito à cidade implica
as crianças se tornaram mais na participação de todos
supervisionadas e com interações indistintamente, incluindo a
entre pares reduzidas. infância, sobre a construção e
fruição do espaço urbano. Dar
A redução da sociabilidade das visibilidade às crianças nas questões
crianças nos espaços públicos coletivas está diretamente
faz parte de um longo processo relacionada com a compreensão
em que as cidades passaram a de que elas devem ser incluídas
ser planejadas para privilegiar o como agentes ativas nos diálogos
deslocamento de automóveis. e na implementação de políticas
A prioridade dada aos carros públicas. Assim, é fundamental que
torna o ambiente urbano mais existam iniciativas e ambientes que
perigoso para os pedestres, garantam o exercício desse direito,
alterando as configurações da além de ampliar as perspectivas
rua com o alargamento de vias de participação de modo a estar
e estreitamento das calçadas. aberto às sensibilidades e sutilezas
Dessa maneira, as cidades têm da forma que as crianças se
substituído áreas ao ar livre por expressam e se comunicam.
espaços fechados, suprimindo e
invertendo o protagonismo das
pessoas no espaço urbano.

De acordo com a Urban95, cidades


boas para bebês e crianças
pequenas são boas para todo
mundo. Ou seja, o planejamento
urbano que considera e inclui a
primeira infância, que representa
um grupo vulnerável que necessita
de prioridade absoluta, é capaz de
proporcionar condições adequadas
para toda a população. Por isso,
é importante buscar uma relação
horizontal em que as crianças sejam
21
Foto: Denise Meirelles

Criança e natureza
Os efeitos da urbanização automóvel nos deslocamentos
comprometeram o cotidiano diários, a poluição ambiental e a
da população, distanciando-a má qualidade e manutenção dos
gradativamente do meio espaços públicos.
ambiente natural. Múltiplos
fatores corroboraram para o Como resultado, bebês, crianças,
desaparecimento das áreas verdes adolescentes, adultos e idosos
na cidade, como o planejamento usufruem cada vez menos de
urbano inadequado, o rápido espaços verdes adequados na
adensamento, a especulação cidade, como parques, praças,
imobiliária, a supremacia do jardins e outras áreas naturais.
22
Quando inseridos em contextos natureza.
territoriais de alta vulnerabilidade
social, as condições para uma vida Na escola, o brincar e o aprender
saudável e o acesso a um meio estão intrinsecamente relacionados:
ambiente equilibrado são ainda se aprende brincando com e na
mais dificultados. Durante a infância, natureza. Tratam-se de territórios
a falta de contato com a natureza educativos que possibilitam
afeta com mais intensidade a saúde experiências ao ar livre, o contato
e o desenvolvimento integral das com elementos naturais e atividades
crianças, que estão em fase de físicas acrescenta positivamente no
formação. aprendizado ativo e explorador
fora da sala de aula.
O Marco Legal da Primeira Infância
(Lei 13.257/2016) reconhece a Ou seja, possibilitar vivências
importância da proteção do meio diárias em espaços livres e
ambiente e da natureza para a saúde verdes para movimentar, brincar,
e o bem-estar infantil. É enfatizado aprender e conviver é primordial
que a criação de espaços lúdicos para o crescimento saudável das
em locais públicos e ambientes crianças e para a sustentabilidade
abertos nas comunidades devem das cidades. O direito ao brincar
propiciar o brincar e estimular a é assegurado pelo Estatuto da
criatividade, dando oportunidade Criança e do Adolescente, então, é
para desenvolverem suas crucial que o poder público garanta
singularidades e subjetividades. o acesso a áreas naturais seguras e
de boa qualidade próximas a suas
A oferta de espaços verdes moradias.
traz inúmeros benefícios para
o desenvolvimento integral da
criança. A liberdade e autonomia
do brincar na natureza estimula
a criatividade e os sentidos para
criar e reinventar brinquedos
com recursos encontrados no
ambiente; fortalece vínculos
afetivos e a cooperação social,
promovendo a convivência com
outras crianças; e contribui para a
educação ambiental, entendendo
a importância da conservação da
23
Foto: André Albuquerque

Mobilidade ativa
A mobilidade urbana é definida pé e por bicicleta, sobre os modos
como a condição que permite o motorizados, principalmente o
ir e vir das pessoas na cidade e transporte particular.
compreende aspectos físicos de
infraestrutura viária e os variados Caminhar e pedalar são modos
modos de transporte, sendo eles ativos de deslocamento e se
os motorizados e não motorizados. caracterizam como um meio de
A Política Nacional de Mobilidade transporte mais sustentável. Para
Urbana (Lei 12.587/2012) dá que a mobilidade ativa seja efetiva,
prioridade aos modos não o espaço urbano deve oferecer um
motorizados, como a mobilidade a conjunto de ações de infraestrutura
24
que garantam acessibilidade, isto do senso de pertencimento e de
é, a facilidade para se locomover. coletividade.
Entretanto, as ruas e os espaços
públicos ainda são hostis e carecem Reconhecer a rua enquanto espaço
de condições adequadas que público demonstra que ela não é
promovam segurança e conforto apenas um local com finalidade de
para pedestres e ciclistas. circulação, mas também como um
lugar de permanência para brincar
Calçadas estreitas, pavimentação e aprender. Para além de mudar o
de má qualidade, travessias panorama da mobilidade urbana
inseguras, alta velocidade dos atual, incentivar a caminhada e o
veículos, incidência solar direta e uso da bicicleta como alternativa de
percursos cansativos são alguns transporte na cidade é primordial
dos obstáculos diariamente para desenhar ruas adequadas
enfrentados. Tratando-se dos à perspectiva das crianças.
usuários mais vulneráveis da Isso permite uma variedade de
rua, como a primeira infância, as experiências e oportunidades de
dificuldades dos deslocamentos brincadeiras e criação de vínculos
são potencializadas, visto que sociais. Ou seja, uma cidade mais
bebês e crianças demandam mais atrativa para a primeira infância
atenção dos cuidadores e o ritmo deve ser segura, acessível e lúdica
de deslocamento é mais lento. para a mobilidade ativa.

Pode-se afirmar que a mobilidade


urbana está diretamente associada
à qualidade de vida da primeira
infância. Quanto mais o uso do
transporte privado é incentivado,
mais efeitos negativos terão à
saúde, uma vez que emite alta
concentração de gases poluentes e
reduz a prática de atividades físicas;
à segurança, priorizando o carro
e estimulando altas velocidades;
ao desenvolvimento pessoal,
pois afeta o aprimoramento de
habilidades e da autonomia; e à
interação com o espaço urbano,
comprometendo o fortalecimento
25
Foto: André Albuquerque

Segurança viária
Muitos dos desafios enfrentados por consequência, maior o risco de
nas cidades são originados pela sinistros no trânsito e de ocorrer
prioridade dos modos motorizados fatalidades e lesões, sobretudo aos
individuais. No momento em que pedestres.
os veículos são colocados como
foco do planejamento urbano, A segurança viária é uma questão
o espaço urbano não é mais urgente na atualidade e entende-
moldado pela escala humana. se que as lesões e fatalidades
Quanto maior o número de vias ocasionadas no trânsito não são
são inseridas na malha urbana, acidentes, visto que se configuram
maior o deslocamento veicular e, como eventos evitáveis. Hoje,
26
os sinistros de trânsito refletem horizontal e vertical, entre outros,
um conjunto de fatores, como a o incentivo à mobilidade ativa e a
infraestrutura urbana deficiente e robustez de políticas de segurança
o desenho das vias que induz altas viária são indispensáveis. Essas
velocidades dos carros. estratégias são essenciais em
entornos escolares mais seguros,
Estudos têm demonstrado a principalmente quando crianças
relação intrínseca entre velocidade e cuidadores se deslocam a pé
de circulação dos automóveis e para a escola. Também podem ser
sinistros de trânsito. De acordo inicialmente implementadas por
com Criança Segura, os sinistros meio do urbanismo tático, como
são a principal causa de fatalidades intervenções temporárias, com o
entre crianças e adolescentes de 1 objetivo de avaliar a efetividade
a 14 anos no Brasil. Assim, surge das ações e posteriormente
a necessidade de planejar as ruas implementar de forma definitiva.
de forma a promover o bem-estar
físico e mental das crianças e Desse modo, promover segurança
eliminar ou minimizar os fatores de viária é promover maior qualidade
risco que ameacem a vida. de vida nas cidades. Reconhecer
que cidades seguras são aquelas
Considerando a necessidade de em que os espaços públicos são
atenção especial para as crianças no adequados para a mobilidade ativa
espaço público, a implantação de (a pé e por bicicleta) é essencial
zonas calmas, principalmente em para transformar a maneira que as
áreas escolares, é uma estratégia cidades são desenhadas.
eficaz para reduzir os perigos da
velocidade dos carros. As zonas
calmas são áreas delimitadas que
recebem intervenções de medidas
de moderação de tráfego a fim de
reduzir a circulação dos veículos
motorizados para 30km/h e, como
resultado, resultar em menos
sinistros e vítimas no trânsito.

Além da mudança do desenho viário


por meio do estreitamento das
faixas de rolamento, instalação de
lombofaixas, reforço da sinalização
27
03
Como
implementar?
Quando a cidade acolhe a
infância, acolhe todo mundo.

Como mencionado anteriormente, Vale destacar que a seleção das


a Área da Infância é composta localidades para implementação
por três elementos principais: leva em consideração quesitos tais
Equipamento Público, Espaços como o caráter de vulnerabilidade
Naturalizados e Urbanismo Tático. social da população e o acesso
Para o desenvolvimento da daquela região a equipamentos
intervenção, deve-se seguir uma públicos e áreas verdes. O intuito
série de atividades relacionadas à da Área da Infância é possibilitar
definição do local, o estudo sobre a que os moradores do entorno
condição atual do contexto urbano tenham acesso a serviços urbanos,
e realizar uma aproximação com a assim como trazer benefícios
comunidade local para, então, dar socioambientais e garantir que
prosseguimento à elaboração e as crianças e cuidadores possam
execução do projeto, bem como caminhar até a escola com
a avaliação posterior dos impactos segurança.
imediatos.

Foto: André Albuquerque

29
Passo a passo

1
Planejamento

• Definição da área de estudo;


• Análise e reconhecimento do território;
• Plano de ação.

2
Engajamento comunitário e Coleta de dados

• Coleta de dados do espaço público;


• Coleta de dados pelo Quali-Urb Infância;
• Escuta e Participação da comunidade local;
• Diagnóstico.

30
3
Desenvolvimento

• Projeto de Equipamento Público;


• Projeto de Espaço Naturalizado;
• Projeto de Urbanismo Tático - considerar elementos lúdicos
e projeto de sinalização viária.

4
Execução

• Equipamento público;
• Espaço naturalizado;
• Urbanismo tático - considerar elementos lúdicos e projeto de
sinalização viária.

5
Monitoramento

• Coleta de dados do espaço público;


• Coleta de dados pelo Quali-Urb Infância;
• Avaliação e propostas de melhorias.

31
Planejamento

Definição da área de estudo


Identificação de territórios vulneráveis: seleção do local de intervenção
levando em consideração projetos já existentes, a existência de
equipamentos públicos relevantes na região e o caráter de vulnerabilidade
social da população.

Análise e reconhecimento do território


Levantamento de dados: coletar através de mapeamentos in loco e dados
públicos disponíveis.

Plano de ação
Definição do plano de trabalho: objetivos a serem alcançados, cronograma
para execução do projeto, produtos a serem elaborados;
Definição do plano de engajamento: estratégias para escuta, participação
e envolvimento da comunidade local e do entorno.

32
1

LEVANTAMENTO DE DADOS

Ruas, quadras e vielas do bairro;


Dados demográficos e socioeconômicos da população;
Localização de escolas, número e idade de estudantes;
Existêcia de Equipamentos Públicos (centro comunitário, centro de
assistência social ou outras instituições de atendimento às famílias);
Projetos existentes para o entorno (intervenções, planos viários e
outros).

33
Engajamento comunitário
e Coleta de dados

Coleta de dados do espaço público


Monitoramento de dados: coletar em diferentes dias da semana, em
diferentes locais estratégicos da área de estudo e em diferentes horários;
Levantamento de dados: coletar através de mapeamentos in loco e dados
públicos disponíveis.

Coleta de dados pelo Quali-Urb Infância*


Aplicação de formulários: cuidadores das escolas da área de intervenção;
Aplicação de formulários: moradores do entorno imediato;
Análise complementar: investigar a relação entre o modal utilizado e a
distância casa/escola, baseado nos dados coletados.

Escuta e participação da comunidade local


Sensibilização com a comunidade local: compreender as necessidades do
território e projetos existentes a serem desenvolvidos na área;
Aplicação de questionários: questionário de rotina familiar e verificar a
necessidade de aplicação do Quali-Urb Infância;
Atividades de escuta: oficina de escuta com as crianças da escola e
comunidade.

Diagnóstico
Análise dos resultados;
Definição das diretrizes de projeto.

34
*O Quali-Urb Infância objetiva diagnosticar e monitorar a percepção sobre
a qualidade do trajeto escolar através da aplicação de um questionário.
2
As dimensões são: segurança pública, segurança viária, caminhabilidade,
atratividade e bem-estar dos cuidadores. Para mais informações, acesse o
Manual publicado pela Urban95.

MONITORAMENTO DE DADOS

Medição Contagem
Ruído; Fluxo de pedestres;
Qualidade do ar (através do Fluxo de ciclistas;
aparelho airbeam); Fluxo de automóveis;
Velocidade praticada pelos Vagas de estacionamento nas
automóveis. vias e caracterização das vagas
(moto, idoso, escolar, etc).

LEVANTAMENTO DE DADOS

Quantidade Outros
Semáforos de automóveis; Uso e ocupação do solo;
Semáforos de pedestres; Medição da largura das vias;
Faixas de pedestre; Medição da largura das
Faixas de rolamento nas vias; calçadas e qualidade da
Mobiliários de descanso; pavimentação;
Lixeiras; Localização e caracterização
Paraciclos; de elementos redutores de
Rampas de acessibilidade; velocidade;
Piso tátil; Índices de sinistros de
Postes de iluminação; trânsito disponíveis em
Árvores e demais elementos bancos de dados públicos.
verdes.

35
Desenvolvimento

Projeto de Equipamento Público


Estudo Preliminar do projeto de adaptação;
Apresentação do projeto para comunidade local;
Projeto Executivo do projeto de adaptação.

Projeto de Espaço Naturalizado


Definição da área de implementação;
Estudo Preliminar;
Indicar elementos do Município a serem usados (brinquedos de madeira,
podas e mudas);
Apresentação do projeto para comunidade local;
Projeto Executivo.

Projeto de Urbanismo Tático


Definição da área de implementação;
Estudo Preliminar;
Apresentação do projeto para comunidade local;
Projeto Executivo.

36
3

URBANISMO TÁTICO

Nessa etapa, considerar a elaboração de elementos brincantes


para interação com o espaço urbano (como pintura lúdica) e
do projeto de sinalização viária.

37
Execução

Equipamento Público

Implementação do projeto: execução da obra, instalação de mobiliários,


etc;
Confecção de materiais: totens informativos, materiais de comunicação
para panfletos, sites e redes sociais, etc;
Evento de inauguração: promover atividades e oficinas.

Espaço naturalizado

Implementação do projeto: execução da obra, instalação de mobiliários,


montagem de brinquedos de madeiras não estruturados, plantio de
mudas, etc;
Confecção de materiais: totens informativos, materiais de comunicação
para panfletos, sites e redes sociais, etc;
Evento de inauguração: promover atividades e oficinas.

Urbanismo tático

Implementação do projeto: execução da pintura, instalação de mobiliários,


etc;
Confecção de materiais: totens informativos, materiais de comunicação
para panfletos, sites e redes sociais, etc;
Evento de inauguração: promover atividades e oficinas.

38
4

URBANISMO TÁTICO

Nessa etapa, considerar a elaboração de elementos brincantes


para interação com o espaço urbano (como pintura lúdica) e
do projeto de sinalização viária.

39
Monitoramento

Coleta de dados do espaço público*


Monitoramento de dados: coletar em diferentes dias da semana, em
diferentes locais estratégicos da área de estudo e em diferentes horários;
Levantamento de dados: coletar através de mapeamentos in loco e dados
públicos disponíveis.

Coleta de dados pelo Quali-Urb Infância


Aplicação de formulários: cuidadores das escolas da área de intervenção;
Aplicação de formulários: moradores do entorno imediato;
Análise complementar: investigar a relação entre o modal utilizado e a
distância casa/escola, baseado nos dados coletados.

Avaliação
Acompanhamento in loco e análises dos impactos da intervenção;
Propostas de melhorias.

40
*A partir dos indicadores anteriormente medidos, nesta etapa os dados
atualizados serão coletados para avaliar o pós intervenção. A comparação entre
5
as medições elucidará se os objetivos esperados foram atingidos e orientará os
próximos passos.

MONITORAMENTO DE DADOS

Medição Contagem
Ruído; Fluxo de pedestres;
Qualidade do ar (através do Fluxo de ciclistas;
aparelho airbeam); Fluxo de automóveis;
Velocidade praticada pelos Vagas de estacionamento nas
automóveis. vias e caracterização das vagas
(moto, idoso, escolar, etc).

LEVANTAMENTO DE DADOS

Quantidade Outros
Semáforos de automóveis; Uso e ocupação do solo;
Semáforos de pedestres; Medição da largura das vias;
Faixas de pedestre; Medição da largura das
Faixas de rolamento nas vias; calçadas e qualidade da
Mobiliários de descanso; pavimentação;
Lixeiras; Localização e caracterização
Paraciclos; de elementos redutores de
Rampas de acessibilidade; velocidade;
Piso tátil; Índices de sinistros de
Postes de iluminação; trânsito disponíveis em
Árvores e demais elementos bancos de dados públicos.
verdes.

41
04
Quais os
benefícios?
Andar a pé é melhor pra ver a natureza.
Miguel, 9 anos

Além dos claros benefícios das Complementar ao capítulo 2,


intervenções urbanas na saúde e no qual foi pontuado condições
no desenvolvimento integral das adequadas para a inclusão da
crianças, a Área da Infância atua infância nos espaços urbanos, as
ativamente para melhorar o bem- intervenções urbanas envolvem
estar da população como um outros benefícios significativos para
todo. Medidas que influenciam a cidade. Observa-se benefícios
no espaço urbano e na segurança significativos da mobilidade ativa (a
viária interferem diretamente nas pé e por bicicleta) para a economia
dinâmicas da cidade e por isso local e também do redesenho viário
podem contribuir para um ambiente para induzir velocidades veiculares
urbano mais vivo, diverso e seguro reduzidas e minimizar riscos de
dentro de uma comunidade, bairro sinistros no trânsito, discutidos a
ou cidade. seguir.

Foto: Denise Meirelles

43
Foto: André Albuquerque

Pedestres e ciclistas
favorecem a economia local
É fato que incentivar modos não a saúde humana ao promover a
motorizados, como a mobilidade a prática de exercícios físicos.
pé e por bicicleta, ajuda a diminuir
a emissão de gases poluentes, Além dos benefícios apontados,
consequentemente contribuindo vale destacar que o incentivo
para a melhoria da qualidade do à mobilidade ativa é capaz de
ar e do clima urbano. Assim como impulsionar a economia local.
possui contribuições diretas para Isso acontece porque, com o

44
França Londres, Reino Unido Toronto, Canadá São Paulo, Brasil
(2003) (2016) (2016) (2018)

A pé 49% 27% 53% 74%

Bicicleta 7% 2% 19% 1%

Transporte
24% 52% 22% 11%
público
Carro 20% 16% 4% 11%
Outros 0% 3% 2% 13%

distanciamento do carro, as pessoas O quadro acima mostra estatísticas


interagem e apropriam com mais sobre os modos de deslocamento
frequência e mais ativamente o de acesso ao comércio de
espaço público, acarretando na indivíduos que consumiram algo
revitalização das ruas. Também em sua visita. Em todos os casos,
há uma relação intrínseca entre o transporte a pé é maior que
caminhada e segurança pública, o transporte particular. Em São
já que o maior número de pessoas Paulo, o número de pessoas que
transitando gera maior senso vão aos comércios locais por
coletivo de segurança. caminhada é 63% superior que
os que vão com carro. Segundo
Dessa forma, estimular que a autora, os dados revelam que
as pessoas permaneçam e se motoristas provavelmente têm uma
locomovam pelo espaço urbano por baixa representatividade dentro da
mais tempo desencadeia uma maior clientela do comércio de rua nessas
participação nos estabelecimentos áreas, pois foram encontrados
comerciais. O estudo de Marcela baixos índices de usos do carro.
Kanitz demonstra que no Reino
Unido, na França e no Canadá os
pedestres são os consumidores
mais frequentes do comércio de
rua. Em São Paulo, após a Paulista
aberta aos domingos e feriados, os
comerciantes relataram o aumento
das atividades econômicas, além
das atividades de lazer.
45
Foto: André Albuquerque

Velocidades mais baixas


causam menos riscos à vida
A alta velocidade de deslocamento e, consequentemente, maior o
aumenta a probabilidade da impacto da colisão. Igualmente,
ocorrência de fatalidades e lesões quanto menor a velocidade de
graves. Quanto maior a velocidade, deslocamento, maior a segurança
menor é o campo de visão do para todos os usuários da via.
motorista, maior a dificuldade
de enxergar obstáculos, maior a Ou seja, pode-se afirmar que a
distância necessária para reação gestão de velocidade nas cidades

46
50km/h 30km/h

85% de chance de fatalidades 10% de chance de fatalidades

contribui efetivamente para ativa e adote estratégias para que


reduzir o número de sinistros no os motoristas tenham mais atenção
trânsito. De acordo com o World com o ambiente urbano ao redor.
Resources Institute, quando o
veículo está circulando em 50km/h, Ao colocar em pauta pedestres
há 85% de chance de vitimar algum e ciclistas crianças, implementar
pedestre ou ciclista, devido aos medidas que reduzam as
fatores mencionados. Quando a velocidades dos carros é ainda mais
velocidade diminui para 30km/h, urgente, uma vez que a infância
que é o ideal para as Zonas Calmas, é um grupo ainda mais vulnerável
especialmente aquelas situadas em no trânsito. Por esse motivo, as
entornos escolares, a probabilidade propostas de segurança viária são
de fatalidades cai para 30%. prioritárias ao planejar uma Área
da Infância.
Como usuários mais vulneráveis da
rua, os pedestres e ciclistas devem
ser priorizados e protegidos.
A implementação das medidas
redutoras de velocidade, como a
alteração da geometria viária, é
indispensável para induzir que os
veículos circulem de maneira segura.
Nesse sentido, as intervenções de
urbanismo tático são eficientes
para propor um novo desenho
viário que priorize a mobilidade
47
05
Área da Infância
na prática
Boas práticas para construir cidades seguras e
brincantes para bebês, crianças e famílias!

A primeira Área da Infância foi vez por iniciativa da Prefeitura


implementada em Jundiaí, São de Jundiaí, tendo como foco a
Paulo, em 2021. O projeto contou perspectiva das crianças sobre
com a iniciativa Urban95, realizado espaços públicos e segurança viária.
pela Prefeitura Municipal de
Jundiaí, com desenvolvimento A seguir, serão apresentados três
e coordenação do Ateliê Navio. projetos executados, com o intuito
Os territórios selecionados de servir como referência para
para as intervenções, com o futuras iniciativas. É importante
apoio da Urban95 e do Ateliê destacar que cada território singular
Navio, foram Vila Arens, Novo e dotado de especificidades, e, por
Horizonte e Santa Gertrudes. isso, cada Área da Infância possui
características únicas, que variam
Com o sucesso do trabalho inicial de acordo com as particularidades
em parceria com o município, socioespaciais, geográficas,
outras Áreas da Infância foram climáticas e culturais, entre outras.
implementadas na cidade, desta

Foto: Prefeitura de Jundiaí

49
Área da Infância
Vila Arens

A primeira Área da Infância de velocidade do tráfego nas ruas do


Jundiaí foi implementada em Vila entorno. Os dados levantados no
Arens. O bairro foi historicamente local demonstram que, apesar da
o berço industrial de Jundiaí e rua da intervenção se caracterizar
está localizado na região central como uma Zona 30, ou seja, onde
da cidade. A implementação os veículos motorizados devem
foi realizada junto com diversas circular por no máximo 30km/h, a
unidades de gestão do município. maioria das medições resultaram
em velocidades que variam de
De modo geral, a área possui 40km/h a 50km/h.
boa conectividade por meio
do transporte público coletivo, Com o objetivo de reconectar as
mas possui várias problemáticas crianças com seu entorno urbano,
relacionadas à mobilidade ativa, conhecer a história e apreciar a
como a inexistência de mobiliário paisagem, foi proposta uma mini
urbano de permanência e expedição a pé no trajeto da
arborização em somente 1/4 das Escola para a Fábrica das Infâncias
calçadas levantadas. O entorno Japy para contarem sobre o que
também registra vários sinistros acharam do caminho. Outros
de trânsito devido ao alto fluxo de questionários também foram
veículos. aplicados para entender o perfil
da comunidade, impressões sobre
Questionários aplicados durante o a área de intervenção e o perfil
diagnóstico do projeto revelaram dos estabelecimentos (no caso dos
que a maior prioridade do território comerciantes).
é propor soluções para a alta
50
No século passado, a edificação que atravessa seu território. Na
abrigava uma fábrica de tecelagem: cenografia, o passado têxtil foi
a Tecelagem Japy. O espaço físico resgatado e o lúdico dos rios foi
representa uma história de luta e explorado com a materialidade e o
resistência, deixando um legado movimento do tecido.
cultural para a cidade. Após anos
sem uso definido, em 2021 se tornou As atividades propostas no
a sede do Comitê das Crianças e se espaço são diversas, como o ateliê
tornou um equipamento público. naturalizado, a queda d’água
(balanços de tecido), espaço de
A Fábrica das Infâncias Japy busca leitura (cabanas), descanso nas
costurar uma relação entre passado águas, espaço bebê e labirinto
e presente, contando histórias de bambu. É um espaço voltado
sobre a cidade, a edificação fabril e para a experimentação artística,
a infância. O rio foi escolhido como formativa, criativa e reflexiva sobre
símbolo, visto que o município brincadeiras e infâncias.
leva o nome do curso d’água

Fábrica das Infâncias Japy

Foto: André Albuquerque

51
Foto: André Albuquerque

Parque Naturalizado Japy


O espaço naturalizado está espaço é repleto de paisagismo,
localizado em uma área verde com muita presença de sombra e
ao lado da Fábrica das Infâncias árvores frutíferas.
Japy, possibilitando o acesso fácil
à natureza para as crianças. A Algumas brincadeiras presentes
área possui 710m² e contou com são: jardim de esculturas,
a participação de 24 crianças nas sementeira, hotel de insetos, ponte
atividades de escuta, em processo da vinci, brinquedos sensoriais
colaborativo de concepção de bambu, trilhas com troncos,
projetual. bolachas, tocos e raízes, sala de
aula ao ar livre, balanços, cabanas,
O espaço incorporou elementos tirolesa, móbile de cipó, arte nos
naturais e brinquedos naturalizados troncos e pintura com tinta natural.
utilizando madeira, galhos, troncos
de árvores e outros. Além disso, o

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São mais de 7.000m² com soluções viária. Também houve um aumento
que priorizam pedestres. Com significativo nos mobiliários de
a intervenção, houve a redução descanso e elementos verdes, que
de 20% da área destinada para são elementos importantes para
automóveis que se transformaram uma caminhada agradável e para o
em espaços que incentivam conforto climático.
a mobilidade ativa, como a
implantação de uma ciclovia Em relação aos fluxos, o número
educativa de 511m lineares e a de ciclistas aumentou em
ampliação de 346m² de calçadas. 700%, o de pedestres em 78%
e o de automóveis em 41%. A
As medições revelam a redução na intervenção já recebeu mais de 43
velocidade média praticada pelos mil visitantes durante seu tempo
automóveis em 50% (o que antes de funcionamento, englobando
era 41km/h diminuiu para 21km/h) cuidadores, crianças e escolas em
para garantir maior segurança diversas atividades e oficinas.

Urbanismo tático | Rua Lacerda Franco

Foto: André Albuquerque

53
Área da Infância
Novo Horizonte

O Jardim Novo Horizonte é contaminações e assoreamentos,


um bairro localizado na região sendo agravadas pela parcela
periférica da cidade de Jundiaí, em significativa de área impermeável,
área de várzea, com remanescentes com vias pavimentadas e calçadas
importantes de vegetação e Zonas de má qualidade.
Especiais de Proteção Ambiental.
No município, foi um dos primeiros O diagnóstico socioterritorial
territórios a construir e possuir um aponta que a maioria das famílias
Plano de Bairro, do ano de 2022, moradoras do bairro e do entorno
contendo uma fase de diagnóstico realizam o percurso até a escola
participativa com as crianças e a pé, porém precisam enfrentar a
cuidadores. ausência de sombras e do contato
com a natureza, insegurança viária
O bairro possui alta densidade e rotas sem atrativos. Assim, o
populacional, predominantemente projeto foi realizado em conjunto
residencial, sendo a maioria das com 3 Escolas Municipais de
habitações de baixa renda e de Educação Básica, além do Centro
interesse social. Devido suas de Referência da Assistência
características naturais e área de Social (CRAS) e Núcleo de Apoio à
implantação, o território sofre Aprendizagem (NAA).
constantemente com inundações,
54
A Área da Infância de Novo Como parte do projeto foi
Horizonte contou com dois desenvolvido um Kit para dar
equipamentos públicos de suporte às atividades ao ar livre
referência: O Núcleo de Apoio à realizadas pelo CRAS Oeste. Os
Aprendizagem (NAA II), que faz materiais do Kit incluem redes
parte da Unidade de Gestão de de descanso, esteiras, materiais
Educação, e o CRAS Oeste, que naturalizados e instrumentos
compõem a rede de Assistência musicais. Esses itens são utilizados
Social. pelas equipes do CRAS e do
Programa Criança Feliz nas
Ambos os equipamentos já atividades realizadas com as
estavam consolidados durante a famílias no Parque Naturalizado
realização do projeto e portanto, Novo Horizonte e em outros
tiveram um papel de apoio em sua espaços ao ar livre da cidade.
execução e gestão.

Núcleo de Apoio à Aprendizagem

Foto: Denise Meirelles

55
Foto: Prefeitura de Jundiaí

Parque Naturalizado Novo Horizonte


O espaço foi pensado brinquedos não estruturados feitos
colaborativamente com as com madeira e troncos de árvore,
crianças das escolas da área de além de elementos naturais como
intervenção, por meio de escutas água, terra e areia. Assim, engloba
como conversas, mini-expedições, brincadeiras para primeira infância,
desenhos e brincadeiras. Também para crianças portadoras de TEA
ocorreram momentos de troca com (Transtorno do Espectro Autista) e
a comunidade local, que foram para Pessoas de Deficiência.
essenciais para a compreensão
das necessidades e desejos O paisagismo é composto
dos moradores, traduzidos em por árvores frutíferas, plantas
elementos físicos para o local. comestíveis, aromáticas e flores
coloridas. Também foi integrado
O Parque Naturalizado incentiva um jardim de chuva que ajuda
o brincar ao ar livre, a convivência na drenagem do solo e ameniza
e o vínculo com a natureza, o calor, que era uma constante
possibilitando brincadeiras mais reclamação das crianças.
ativas e criativas. Nele, tem
56
A intervenção de urbanismo velocidade e para diminuir as
tático em Novo Horizonte inclui a distâncias das travessias.
ampliação da calçada em frente
ao Parque Naturalizado, onde A área contou com o projeto “De
foram instalados um brinquedo olho na faixa” , que se estende
de equilíbrio, bancos, lixeiras, desde o NAA até o CRAS, com
pergolados, vasos com plantas e pinturas de atenção nas faixas
pinturas lúdicas para proporcionar de pedestres e com sinalização
um espaço confortável de horizontal e vertical da Área da
permanência. Também foram Infância além de extensões de
realizadas ampliações de calçadas calçadas protegidas por balizadores
nas esquinas do percurso de personalizados de forma lúdica.
intervenção para adequar a Ao todo, a intervenção conta com
geometria conforme padrão 270 metros de extensão e 95m² de
de curvatura para redução de pinturas lúdicas.

Urbanismo tático | Av. Profa.


Danielle Lourençon

Foto: Denise Meirelles

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Área da Infância
Santa Gertrudes

O Jardim Santa Gertrudes, bairro é a questão da segurança


localizado na Região Sul de Jundiaí, viária.
foi o terceiro bairro a receber a
implementação da Área da Infância, Durante o diagnóstico e elaboração
a partir da iniciativa Urban95. do projeto, os moradores
O bairro é predominantemente destacaram a insegurança viária e o
residencial e oferece fácil acesso às alto fluxo de caminhões e ônibus -
rodovias e ao centro da cidade. que utilizam as ruas do bairro como
rota alternativa entre rodovias
Sua população tem uma densidade - como alguns dos principais
moderada, com aproximadamente problemas enfrentados.
60% das famílias pertencendo à
classe D, com um rendimento médio As intervenções foram realizadas
de 0 a 2 salários-mínimos. A maioria no entorno de três Escolas
dos moradores é alfabetizada e há Municipais de Educação Básica,
uma distribuição equilibrada entre além do Centro de Referência da
as diferentes faixas etárias. Um Assistência Social (CRAS).
aspecto relevante na dinâmica do
58
O Centro de Referência da os espaços de atendimento às
Assistência Social da Região Sul famílias. Na parte interna, as duas
(CRAS Sul) desempenha um papel salas de atendimento, a recepção
essencial na integração de diversas e o salão foram equipados com
políticas públicas, articulando Cantinhos da Infância, projetados
educação, saúde básica, cultura e para que as crianças e famílias se
esporte. É uma peça fundamental sintam mais acolhidas enquanto
na promoção da autonomia das utilizam o espaço. Na parte
famílias e no acesso aos seus externa, um pequeno gramado foi
direitos. transformado por um paisagismo
lúdico e brincante, com materiais
Complementando a reforma do naturalizados - pedras, troncos,
espaço do CRAS Sul realizada cascas de árvore - combinados
pelo município em 2023, foram com aromáticas, ervas medicinais e
criados “cantinhos” acolhedores flores coloridas.
para os pequenos em todos

CRAS Sul

Foto: Denise Meirelles

59
Foto: Denise Meirelles

Praça Naturalizada
A praça naturalizada está grafismos que incentivam o brincar
localizada próxima ao CRAS, em e estimulam a imaginação, além de
uma posição central do bairro, e uma topografia lúdica que utiliza os
contou com melhorias para ampliar desníveis naturais do terreno.
a acessibilidade e incluir a primeira
infância. Foram realizadas oficinas
de cocriação com crianças do
bairro, para identificar seus desejos
em relação aos espaços de brincar
naturalizados.

O projeto possui uma área de 319m²


e aproveita alguns brinquedos e
mobiliários já existentes, enquanto
propõe melhorias com paisagismo
lúdico, sombreamento para maior
conforto e permanência, pinturas e
60
O percurso de intervenção tem padrão já utilizado pelo município
aproximadamente 470 metros em áreas escolares.
de extensão e conecta quatro
equipamentos públicos, a praça Foram plantadas seis mudas de
naturalizada e duas outras praças árvore na calçada que conecta a
menores. Pinturas lúdicas foram praça naturalizada ao CRAS e a
implementadas nos pisos e na viela Escola Estadual.
que conecta os caminhos foram
realizadas intervenções artísticas
com artistas locais, seguindo as
temáticas levantadas pelas crianças
durante as escutas. Para melhorar a
segurança viária para os pedestres,
foram destacados os elementos
da sinalização viária, utilizando um

Viela

Foto: Denise Meirelles

61
Desenvolvimento

Iniciativa

Realização

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