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Capítulo 1

UMA AMIZADE DE LONGA DATA

A edição da revista O Pasquim encontrava-se em total atividade, naquele fim de tarde abafado de verão. Não havia sequer uma brisa para tornar o ambiente um pouco mais fresco, e tinha sido assim desde o início da estação. Os tempos estavam mudando. Verão, agora, na Europa, significava época de muito calor. Muito calor mesmo.

Uma jovem de cabelos loiros bastante mal cortados estava escorada à janela do escritório do editor chefe da revista, tentando, sem muito sucesso, livrar-se do calor insuportável que fazia sua pele transpirar e, em conseqüência, seus cabelos ficarem com aparência ainda mais suja do que de costume. Seus olhos eram de um azul muito claro, quase prateados. Tinha a pele branca e lisa, livre de manchas, pintas ou outras coisas do tipo. O rosto da jovem parecia mais fino do que realmente era, pois grandes mechas de cabelo dourado caíam sobre suas bochechas coradas por conta da alta temperatura.

Luna Lovegood decidira por sua própria vontade passar seu último dia de férias com seu pai na edição d'O Pasquim. Era o seu lugar favorito para ir. Adorava observar o movimento dos repórteres indo e vindo, e o barulho das máquinas de escrever soava melhor do que música para seus ouvidos.

Seu pai não estava presente naquele momento. Estava ocupado acertando os últimos detalhes da capa da próxima edição da revista, que sairia na semana seguinte.

Luna não se aborrecia com isso. Estava acostumada a solidão. Gostava de pensar que era melhor está só do que má acompanhada. Não que isso se enquadrasse a seu pai, é claro. Realmente, adorava-o. Mas não podia dizer que compartilhavam muito o tempo juntos. Luna crescera sozinha. Sua mãe morrera quando tinha oito anos. Gostava de fazer experimentos em si mesma, e acabara sendo vítima de um acidente. Não tinha irmãos, e também não tinha amigos. Estudava na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, onde todos a conheciam como a estranha e excêntrica "Loony" Lovegood. Ao contrário da maioria dos outros alunos, a garota não podia dizer que passara bons momentos por lá. Todos estavam sempre caçoando de suas roupas, de seu cabelo, de seu jeito e de qualquer outra coisa que pudessem encontrar para falar mal sobre ela. Alguns eram mais maldosos. Escondiam suas coisas, ou até mesmo deixavam pó Esfola-Couro em seu travesseiro para que ela passasse o resto da noite se coçando sem parar.

Mas Luna aprendera a lidar com isso. E não se importava mais. Já estava acostumada.

De qualquer forma, também não podia dizer que não havia ninguém que fosse bom para ela. Oh, havia sim. Gina Weasley, da Grifinória. Ela era sempre muito simpática com Luna. Sempre tinha algo interessante para lhe contar, e Luna começava a achar que gostava da companhia de Gina.

Talvez por isso estivesse sentindo um pouquinho só falta de Hogwarts, aquele ano. Não era muito de falar, mas sinceramente adorava ouvir. E Gina estava sempre pronta a falar, falar e falar. Horas sem parar, se tivesse a chance. Luna gostava disso. Era divertido. De algum modo, sentia-se confortável com Gina. A

garota nem reclamava que Luna ficasse encarando-a diretamente durante muito mais tempo do que seria normal! Muita gente não entendia, mas essa era uma ótima forma de gravar a fisionomia de alguém. Nunca se sabe quando você pode precisar de uma boa lembrança guardada na memória.

A porta da sala se abriu bruscamente, e o Sr. Lovegood entrou. Luna virou-

se para ele, que parecia bastante satisfeito.

Esse

pessoal ainda vai me deixar maluco. Imagine, esquecer de colocar a manchete do artigo principal da edição na capa! Ainda vou ficar maluco aqui.

- Está tudo pronto, afinal - suspirou ele. - A capa, as reportagens

Luna deu um meio sorriso. Voltou os olhos para a janela. Estava começando

a escurecer.

- Que horas são? - indagou o Sr. Lovegood para si mesmo. - Vinte para as

oito

irmos, não? Você tem que acordar cedo amanhã. Seria muito chato se você perdesse o trem, como aquela vez no ano retrasado.

Luninha, filha, acho que já é hora de

Está tarde, já

Bem mais do que eu

- Está calor - disse Luna, simplesmente. O pai a observou durante alguns

minutos.

- Está mesmo. Então o que acha de tomarmos um sorvete nessa bodega aí em frente? - perguntou ele, animado.

Luna virou-se e encarou o pai durante alguns minutos. Então conclui:

- Sorvete seria legal.

Luna não conseguiu acordar tão cedo quanto previra. Vestiu-se com muita rapidez, sem sequer reparar que trocara o par da sua meia (uma era rosa e outra era verde limão). Alisou o cabelo com as próprias mãos, ignorando a escova de cabelo na pia do banheiro. Seu pai obrigou-a a beber um copo do suco de abóbora

e a levar alguns biscoitos de gergelim no bolso do casaco.

Chegou à Estação King's Cross bastante em cima da hora de partida do Expresso de Hogwarts. A plataforma 9 e 1/2 já estava tão cheia de alunos e pais que era quase impossível se mover sem esbarrar em alguém. Luna carregava seu malão sozinha, arrastando-o com dificuldade para dentro do trem.

Foi bastante complicado achar um vagão que estivesse vago, mas conseguiu encontrar um lugar bem ao final do trem. Infelizmente, não estava tão vazio assim

- Que diabos, Dino

achei que você já tinha superado isso! - exclamava

Gina Weasley, uma expressão de aborrecimento no rosto.

- Gina, você não vê? diferente e

O que houve

entre a gente

foi

foi especial! Foi

- Oh, totalmente especial. Tanto que você não pode resistir ao primeiro

trasgo de saia que te apareceu na frente - Gina disse, revirando os olhos.

- Eu

errei! Será que

você não pode

ter

um

um pouquinho de

compaixão? Errar é humano, caramba! - protestou Dino, desesperado.

- Certas coisas não podem ser consertadas, Dino. Sinto muito. Agora, se

- a garota virou-se para indicar a porta do vagão para o

quiser fazer o favor de

ex, e finalmente reparou que Luna estava ali a observa-los. - Luna!

- Era

o

que me

faltava - resmungou Dino, mas Gina ignorou-o

completamente. Pulou no pescoço de Luna, abraçando-a saudosamente.

- Que saudades! Sua danada, nunca responde as minhas cartas!

Luna tinha se esquecido desse habito desagradável que Gina adquirira de agarrar-se ao pescoço das pessoas até quase matá-las por falta de ar.

- É, é bom ver você também

precisa me sufocar por isso.

- disse Luna, com dificuldade. - Mas não

- Oops

ainda mais.

Me desculpe - Gina sorriu constrangida. Dino pareceu se revoltar

- Legal. Então, Loony, quer fazer o favor de se retirar? Caso você não tenha reparado, eu e minha namorada estamos no meio de uma conversa série e

- Três coisas - interrompeu-o Gina, e Luna reparou que a expressão no rosto da garota não era das mais amigáveis. - Primeiro, eu não sou sua namorada; Segundo, nós não temos mais nada para dizer um ao outro. E terceiro, quem vai se retirar daqui é você. E agora, seu traste!

- Mas

Gina olhou-o de maneira assassina. Dino soltou um palavrão e saiu batendo a porta do vagão atrás de si. A garota ruiva largou-se no acento, exausta.

- É um idiota - suspirou, massageando a testa.

Luna não disse nada. Começou a puxar seu malão para dentro do vagão. "Oh, deixe-me ajudá-la!" Exclamou Gina, pondo-se de pé novamente. Com alguma dificuldade as duas colocaram o malão de Luna no compartimento de bagagens, e se largaram nos acentos uma de frente para a outra.

Luna ficou encarando Gina, com era de costume. O cabelo de Gina estava mais curto do que da última vez que a vira. Batia em seus ombros agora. Os sedosos fios vermelhos balançavam delicadamente com o movimento do Expresso que agora começava sua viagem. Gina parecia chateada.

- Você está zangada - disse Luna. Gina olhou-a com chateação.

- É tão difícil assim responder a uma carta? Nem algumas linhas, Luna

Nem isso. Por que você é assim? Não se importa com as coisas deixa triste. Parece que você sequer lembra de mim.

Sabe, isso me

- Eu esqueço de responder - disse Luna, com sinceridade. - Além disso, não gosto de corujas. São animais traiçoeiros.

Gina sacudiu a cabeça, conformada. Luna nunca ia mudar. Já se conheciam há cinco anos, e ainda assim ela continuava a agir como se Gina fosse apenas uma colega. Como se Gina já não tivesse lhe contado coisas o suficiente sobre si

Sobre seus sentimentos e seus problemas. E sobre tudo o mais que

mesma

acontecia em sua vida. Luna sempre ouvia calada, mas de algum modo isso era reconfortante para Gina.

Quando Harry a salvara da Câmara Secreta, em seu primeiro ano em Hogwarts, todos os amigos que pensara possuir afastaram-se rapidamente dela. Visivelmente evitavam a sua companhia, e faziam comentários maldosos sobre ela nos corredores. Mas Luna não. Luna simplesmente não se importava com o que quer que tivesse lhe acontecido, ou com o que os outros diziam de Gina. Continuara a sentar na carteira ao seu lado, na aula de poções. E não deixou de realizar as atividades de herbologia em sua companhia. Inevitavelmente, nasceu uma simpatia de Gina pela excêntrica colega. Logo passava muito mais tempo com Luna do que com qualquer outra pessoa em Hogwarts.

Não se podia dizer que a companhia de Luna era das mais divertidas. Ela não falava muito. Gina precisava fazer milagres para manter a garota falando durante pouco menos de cinco minutos. Mas era uma boa ouvinte. Estava sempre lá para guardar seus segredos e desabafos. Gina realmente sentira a sua falta essas férias, e estava magoada porque a garota que tanto considerava não se esforçara para escrever quaisquer três linhas que fossem em um pedaço de pergaminho contando como estava. Ou apenas dizendo que tinha saudades também.

Gina ergueu o rosto ao ouvir o som de Luna mastigando alguma coisa. A garota tinha alguns biscoitos de formato esquisito nas mãos, e parecia bastante concentrada neles.

- O que você está fazendo? - indagou Gina, procurando parecer indiferente.

- Estou tentando concertar os biscoitos que se quebraram - explicou Luna

lentamente. - Mas não estou tendo sucesso. Alguns pedaços se despedaçaram em

partículas tão pequenas que fica difícil

do que você está rindo?

Gina começara a gargalhar repentinamente. Não conseguia entender como alguém tão completamente louca como Luna podia ser sua companhia favorita acima de qualquer outra. Mas certas coisas não são para serem compreendidas, afinal.

A viagem para Hogwarts foi bastante longa, como de costume. Luna dividiu seus biscoitos de gengibre com Gina, que precisou gastar o pouco dinheiro que tinha comprando dois grandes copos de suco de abóbora para descer o gosto amargo que ficara em ambas as bocas.

Em determinado momento do trajeto, Rony apareceu no vagão das garotas durante sua ronda pelo trem. Luna o encarou de maneira constante e decidida. O irmão olhou para Gina com uma careta, e a garota simplesmente encolheu os ombros e riu. Talvez estivesse bastante enganada, mas achava que Luna tinha uma quedinha descarada por Rony. Mas sabia que não devia comentar isso com a garota, pois ela certamente se aborreceria.

Luna cochilou a maior parte da viagem, de modo que Gina passou a maior parte do tempo observando a paisagem passar veloz pela janela do vagão pensando naquele que não podia e não conseguia esquecer: Harry.

Tanto tempo, e ela não conseguia deixar de desejá-lo. Decidira à algum tempo que a coisa certa a fazer era esquecer o garoto, mas simplesmente não tinha forças suficiente para fazê-lo. Sentira-se tão mal quando soubera do envolvimento de Harry com Cho Chang, no ano anterior. Fora duro, mas tentara não transparecer seus sentimentos. Todos estavam bastante convencidos de que ela já não sentia nada pelo melhor amigo de Rony. Mas era mentira, obviamente.

Não havia um dia em que não pensasse em Harry, e muitas vezes chorava por ele. E odiava-se por ser assim tão boba. Sabia que não tinha chances com o rapaz. Ele nunca conseguiria vê-la de um modo diferente do que como uma irmã. Por que tinha que se apaixonar justamente por ele? O único garoto que não podia ter. Por mais que se esforçasse, ele nunca reparara nela. Nem sentira ciúmes ou coisa do tipo quando Gina começara a sair com outros garotos. Não. Ela era invisível para ele.

Quando chegaram a estação em Hogsmeade, era Gina quem estava dormindo e foi Luna quem a despertou com um cutucão nada gentil. Resmungando aborrecida, Gina seguiu a garota para fora do trem e elas acompanharam a massa de estudantes em direção às carruagens puxadas pelos sombrios cavalos alados que ela não podia ver. Mas sabia que eles estavam ali.

Caía uma chuva violenta, de modo que quando chegaram à segurança do saguão de entrada todos os alunos estavam bastante molhados. Luna e Gina seguiram cada uma para as mesas das suas respectivas casas. Gina sentou-se entre Harry e Hermione, e diante de Rony.

- Realmente estranha - disse Rony, olhando fixamente para a mesa da Corvinal. - Essa Loony Lovegood. Por que você anda com ela? Vão pensar que você é louca também.

Gina e Hermione olharam feio para o garoto.

- Não chame-a desse jeito - protestou Gina. - Ela é legal, só é um pouco

ah

canela do irmão, que reclamou de dor.

excêntrica. - Maluca seria a palavra certa - riu Rony. Gina acertou um chute na

- A Gina está certa, Rony - disse Harry, sacudindo a cabeça. - Não é legal

caçoar da Luna. Ela é

boa gente.

Ele suspirou e recostou-se em sua cadeira, aguardando o fim da cerimônia de seleção para ouvir o discurso de Dumbledore. Gina o observou durante alguns minutos. Estava sempre assim, ultimamente. Cansado, abatido, deprimido. A morte de Sirius decididamente o afetara.

Gina desejou poder fazer alguma coisa por ele. Mas sabia perfeitamente que não era possível. Quando deitou sem sua cama, após o delicioso banquete de abertura do ano letivo, Gina continuava com Harry em sua cabeça. Perguntava-se se algum dia conseguiria não pensar nele. Se algum dia conseguiria se livrar daquela paixão boba que parecia crescer a cada dia. E Gina sentia que estava estacionada no tempo.

Capítulo 2

O TRASGO OXIGENADO MALFOY

Conforme Rony já lhe dissera anteriormente, Gina sabia que aquele seria um ano bem mais difícil do que os anteriores. O quinto ano que começava a cursar agora era o ano dos N.O.Ms. E Gina já começava a sentir a diferença logo na primeira semana de aula.

Os professores estavam metralhando-os com dever de casa sem qualquer sinal de piedade. E o fato de Snape ter sido promovido a professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, além de continuar a exercitar suas funções como mestre de poções, não era de grande ajuda. Ele, em especial, parecia decidido deixar todos os seus alunos sufocados de tanta coisa extra para fazer.

Em conseqüência disso, Gina passava mais tempo na biblioteca do que em qualquer outra lugar. Arrastava Luna consigo sempre que possível, pois ela não parecia muito preocupada com os exames e preferia passar seu tempo lendo coisas como "Demônios da Era Medieval Presentes no Mundo Moderno?" ou "Um Estudo da Aparição de Medusas no Hemisfério Norte". Gina não considerava uma leitura das mais saudáveis, mas Luna tinha suas próprias opiniões.

Aquela tarde, na metade de Setembro, Luna e Gina encaminhavam-se para uma aula de poções com o professor Snape quando um grupo de alunos da Grifinória vinha subindo as escadarias das masmorras. Hermione sorriu para Gina ao passar. Também acenou educadamente para Luna, que não percebeu porque estava com todas as suas atenções voltadas para a nova edição d'O Pasquim que recebera durante o café.

- Veja quem vem vindo - comentou Gina. Luna ergueu os olhos rapidamente

da revista, e observou Rony e Harry subirem as escadas discutindo qualquer coisa.

- esse macaco velho - praguejava Rony, gesticulando. Então identificou Gina e aproximou-se, seguido de perto por Harry.

- O que houve? - indagou Gina.

- Snape - contou Rony, indignado. - Tirou dez pontos da Grifinória só porque

Hermione estava ajudando a gente com nossos antídotos para a poção Derruba

Javali.

-

Isso é

bastante típico do Snape - disse Harry, limpando os óculos na

manga das vestes.

- É, é mesmo. Ei, Gina, você tem uma pena pra me emprestar? Neville confundiu a minha com um dos ingredientes e cozinhou-a em seu caldeirão

- Eu tenho - apressou-se Luna, e apanhou uma pena velha e amassada de dentro do bolso do casaco.

Rony encarou-a, erguendo as sobrancelhas.

- Obrigado, então - ele disse, coçando a nuca e aceitando o empréstimo. Ia

guardando-a dentro da mochila quando Luna soltou um grito que chamou a atenção de todos que se encontravam no saguão para eles.

- Não faça isso! - disse, os olhos mais arregalados do que o normal. - Não se

deve levar as penas junto com os livros. As fadas do papel podem ficar furiosas e manchar todo o seu material com tinta

Rony ficou parado, olhando para Luna de maneira totalmente incrédula. Aparentemente não sabia se deveria rir ou não.

Gina

- Ah

Ou vão se encrencar com Snape também.

valeu a dica - disse ele, afinal. - Mas é melhor vocês irem, hum,

E afastou-se com Harry, girando o dedo indicador em torno da orelha para indicar o tipo de pensamento que tinha de Luna. Gina deu uma risadinha e olhou para Luna, que observava Rony se afastar, de maneira marota.

- O que foi? - perguntou Luna. - Ele não sabia das fadas que você também não

Não vai me dizer

-

cabeça.

É

melhor a

gente

ir andando, Luna - Gina interrompeu, sacudindo a

Luna era realmente boa em poções, o que era muitas vezes uma sorte pra Gina. A garota não se importava em ajudá-la, mas Snape não parecia apreciar muito a idéia. Quando chegaram em cima da hora na sala de aula, os pares para a atividade já estavam formados e o professor não teve alternativa a não ser deixá- las trabalhar juntas. Mas não sem antes descontar cinco pontos da Grifinória, é claro.

- Não é justo, porque Grifinória perde pontos e a Corvinal não? - reclamou Gina, injustiçada.

- Porque é a senhorita quem fica falando besteiras no corredor e que atrasa

minhas outras alunas para a aula - disse Snape calmamente. - Mas já que insiste tanto, menos cinco pontos para a Corvinal a pedido da Srta. Weasley.

Sob os olhares furiosos de vários alunos da Corvinal, Gina correu para sentar ao lado de Luna com sua carteira.

- Desculpe - sussurrou ela.

- Está ok - Luna encolheu os ombros, e levantou-se outra vez para apanhar os ingredientes da poção que teriam que produzir aquela tarde.

Enquanto a amiga não voltava, Gina espiou o exemplar do Pasquim que Luna deixara aberto sobre a mesa.

SEGREDO DESCOBERTO

Sede do Ministério da Magia está construída entre os ossos de centenas de gigantes.

- O que é que a maluca está lendo dessa vez? - indagou um garoto que

estava sentado atrás de Gina, espichando o pescoço para poder ver a revista.

-

Cai

fora

intrometido.

-

disse

Gina, puxando a revista

para longe das vistas

do

- Ah, deixa de ser chata - resmungou ele, mas parou de aborrecê-la. Luna

voltou naquele minuto, carregando os ingredientes nos braços. Seus olhos arregalaram-se quando não encontrou sua revista favorita no lugar onde deixara.

- Quem foi que

- Tudo bem, Lu, fui eu quem peguei - sorriu Gina, e lançou um olhar

assassino ao garoto, que se chamava Larry Davies, quando este ia jogar alguma coisa no lixeiro.

Gina passou a maior parte da aula observando, porque Luna estava tão concentrada em sua poção que nenhuma ajuda parecia necessária. Quando Snape voltava seu olhar para a dupla, Gina procurava fingir que estava fazendo alguma coisa.

- Os alunos que terminarem suas poções, deixem os frascos com uma

amostra sob a minha mesa e podem sair - anunciou Snape, quando Anne Madison

da Corvinal aproximou-se para entregar seu trabalho.

Luna terminou logo depois, e despejou cuidadosamente a poção rosa claro no seu frasco de amostra.

- Pode deixar que eu entrego - precipitou-se Gina. - Vá arrumando as

coisas.

- Avise a Srta. Lovegood - disse Snape, um sorrisinho irônico desenhado em seus lábios finos. - Que quero dar uma palavrinha com ela antes de sair.

Gina concordou rapidamente com a cabeça, e ao voltar para junto de Luna passou-lhe o recado do professor.

acho que encontro você no salão principal, certo? - disse Gina a

Luna, pouco antes de deixar a sala de aula. Luna concordou com a cabeça

aproximou-se da mesa do professor, que observava Gina deixar a classe.

- Então

- O senhor quer falar comigo - indagou Luna. Teria havido algum problema

com sua poção ou algo assim? Decididamente fizera tudo correto

gostava de implicar com seus trabalhos quando fazia em conjunto com Gina.

mas o professor

- Lovegood - disse Snape lentamente, encarando-a com se a estudasse. - Eu

que você é uma das minhas melhores alunas de poções desta

classe. Para ser mais claro digo que foi a única que apresentou capacidade, até o momento, de produzir poções corretamente e não envenenar a criatura que consumir.

gostaria de dizer

Luna esboçou um pequeno sorrisinho, sentindo-se levemente satisfeita.

para considerar a

Snape continuou, "Por isso gostaria sinceramente em lhe dizer minha matéria para os seus N.E.W.Ts ano que vem."

- Hum - disse Luna, olhando sonhadoramente para o quadro negro as costas

do professor. - É

se eles ainda não tiverem me levado

Snape ergueu uma sobrancelha, confuso. Alguns alunos nas primeiras carteiras deram risadinhas sem preocupar em disfarçá-las.

- Mas como eu ia dizendo - acrescentou Snape. - Certas companhias com quem você tem andado podem ser de péssima influência para

- Não posso evitar. Eles estão sempre me seguindo - Luna arregalou os olhos. Nova onda de risadinhas pela classe.

- Eu estou falando - Snape disse, os lábios apertados. - Da Weasley.

Luna continuou com os olhos arregalados, encarando o quadro negro como se nele houvesse alguma coisa realmente interessante ou assustadora.

- Tchau - disse de repente, e saiu da sala com passos apressados deixando o professor de poções completamente incrédulo.

tenho que falar com você - exclamou

Dino, quando avistou a garota saindo das masmorras. Gina revirou os olhos e continuou a caminhar, ignorando-o. - Ei, espera!

- Gina! Gina! Espera, eu preciso

- Não tenho absolutamente mais nada para falar com você - Gina retrucou,

apertando o passo. Dino a alcançou na entrada do salão principal, e segurou-a pelo pulso.

- Vamos, não seja tão cabeça dura - disse ele, aborrecido. - Você sabe que ainda gosta de mim.

Gina deu uma risadinha sarcástica.

- A única coisa que eu sei é que se você não me soltar serei obrigada a acertas um belo chute no seu

Dino soltou uma exclamação, soltando-a.

- Também não precisa ser tão violenta - disse ele, parecendo analisar se era seguro falar com Gina daquela distância.

- Olha aqui, Dino - começou Gina, mas naquele momento seus olhos viram

algo que chamou sua atenção. Malfoy e um grupo de alunos da Sonserina estavam rindo gostosamente de Luna, que vinha se aproximando com o rosto enfiado no Pasquim. Ele disse alguma coisa para Pansy, que quase teve um ataque histérico de gargalhadas. Os olhinhos maliciosos do garoto loiro brilharam maldosamente quando ele colocou-se a frente do grupo, observando fixamente a distraída Luna.

Deixe-a em paz - murmurou Gina, dando

um passo lento para a frente. Mas não havia mais nada a ser feito. No segundo seguinte Malfoy deixou o pé no caminho de Luna que, distraída como sempre, não

- Oh, nem pense nisso seu sujo

percebeu e tropeçou, caindo com um baque seco no chão de pedra fria do saguão de entrada.

As coisas aconteceram realmente rápido agora. Um piscar de olhos e Gina estava sobre Malfoy, socando cada parte do corpo do sonserino que conseguia alcançar. O garoto loiro, atordoado, simplesmente não parecia compreender o que estava acontecendo. Luna levantou-se lentamente, uma careta de dor por causa das mãos e dos joelhos que ralara com a queda. Olhou confusamente para Gina espancando Draco e murmurou qualquer coisa que ninguém ouviu, até porque observar Malfoy apanhar da caçula dos Weasley era bem mais interessante.

- Seu trasgo oxigenado! Maldito! No-jen-to! - xingava Gina entre dentes.

Malfoy segurou os pulsos da garota, os olhos em fogo.

- Sua maldita vaca - exclamou ele, e muita gente contou mais tarde que ele

realmente pretendia bater na garota. Só não o fez porque naquele momento a profa. McGonagall surgiu para apartar a briga, parecendo realmente aborrecida.

- dizia ela, enquanto tentava afastar Gina de Draco sem muito

sucesso. Luna aproximou-se para ajudá-la, mas no exato momento em que se abaixava calmamente para puxar Gina foi atingida por um pontapé no nariz. Cambaleou, atordoada. O sangue quente manchando seus lábios. Algumas garotas que assistiam a cena fizeram caretas.

- Mas que

Luna passou o dedo sobre o nariz e observou o sangue como se o analisasse. Não parecia muito preocupada. Na verdade, nunca se preocupava com nada que alguém consideraria normal. Mas isso não vem ao caso. Com a ajuda de feitiços paralisantes, a profa. Minerva finalmente conseguiu fazer Gina parar de meter suas unhas no rosto de Draco. A jovem ruiva agora mexia seus olhos furiosamente, sem conseguir falar por conta da paralisia.

- Mas eu nunca vi tamanha

Simplesmente atacou o Sr. Malfoy

Srta. Weasley! Que grande desaforo foi esse?

- Desculpe, professora - interrompeu Dino, que parecia realmente disposto a

melhorar sua imagem diante da ex namorada. - Mas foi Malfoy quem começou. Ele

derrubou a Loony no chão

- Derrubou quem?

- Ah

Luna Lovegood, senhora - Dino apressou-se. - E Gina

bem

- E a Srta. Weasley o atacou feito uma selvagem - terminou Minerva, sacudindo a cabeça. - Eu estou muito decepcionada com você, Srta. Weasley.

Nunca me deu problemas antes! Se ainda fosse um garoto

ah

Srta. Weasley, Sr. Malfoy e Srta. Lovegood.

os tempos mudam. Mas, de todo modo, aplicarei detenções para todos os 3:

mas uma senhorita

- Me desculpe - disse Luna lentamente. - Mas estou sendo punida por ter tropeçado?

Os olhos de Gina apertaram-se furiosamente. A prof. McGonagall encarou Luna durante alguns segundos, mas decidiu fingir não ter ouvido a pergunta da aluna.

- E dez pontos serão descontados de cada um. - ela apontou a varinha para

Draco e Gina e desfez o feitiço. - Quero todos os três longe de confusões por um bom tempo, ou terei que escrever aos seus pais. E agora todos os desocupados que

estavam aqui incentivando esse ato de selvageria façam o favor de dirigirem-se ao

salão principal para jantarem. E quanto a vocês três amanhã antes da primeira aula.

quero vê-los em minha sala

E a professora afastou-se, seu coque levemente desarrumado. Lentamente os alunos foram afastando-se para seus respectivos afazeres, mas Gina ainda parecia furiosa demais para sair de cima de Draco.

- Quer levantar, Weasley? Você não é nenhuma peninha, sabe - disse Drago,

sarcástico. Gina o encarou. Seu nariz sangrava bastante, e ela torceu para que

estivesse quebrado. A garota levantou-se rapidamente, empertigando-se.

- Agh! Você pisou na minha mão, sua apropriada.

- ele parecia pensar na ofensa mais

Gina deu um pequeno sorrisinho e subiu as escadarias rumando para a torre da Grifinória. Estava tão completamente furiosa! Como alguém podia ser tão maldito e asqueroso como Malfoy? E a professora Minerva ainda deixara Luna em detenção! E ela não fizera absolutamente nada!

- Está ok, sabe. Eu realmente não me importo.

Gina levou um susto. Não havia percebido que Luna a estava seguindo. Não disse nada. Viraram a direita num corredor e começaram a subir a escadaria da torre da Grifinória. Gina ainda ouvia os passos de Luna às suas costas. Agora pensando, sentia-se bastante idiota. Não precisava ter atacado e batido e mordido Malfoy. Podia tê-lo xingado, mas não precisava ter partido para a agressão. Era uma Weasley, de todo modo. E como seu pai sempre dizia, tinham a cabeça quente. Como fogo.

Parou diante

do retrato

da Mulher Gorda. Fechou os olhos,

suspirou

lentamente, e então se virou para encarar Luna.

- Luna, eu sin

- mas parou no meio da palavra, pois levou um susto ao

constatar o estrago que havia sido feito no nariz da garota. - Isso está péssimo!

- É

Não sei se foi você ou Malfoy quem me acertou, mas acho que no fim realmente não importa, não é? Espero que não inche

- Precisamos cuidar disso

Ah, Lu

Vamos até a ala hospitalar!

Luna sacudiu a cabeça, balançando seus cabelos loiros raramente lavados.

- Não há necessidade, Gina. Sério - ela disse, lentamente.

- Ok. Então eu vou cuidar disso pra você - disse Gina, decidida. - Vamos.

Ela puxou a Luna pela mão e disse a senha para a Mulher Gorda ( que resmungou e olhou feio para o sangue escorrendo do nariz de Luna). O salão comunal estava totalmente vazio aquela hora. Todos estavam jantando ou aproveitando o resto do tempo livre de circulação pelo castelo para ficar na biblioteca. Luna parou, olhando sonhadoramente para o as paredes cobertas de tapeçaria vermelha e as poltronas macias do salão comunal da Grifinória. Obviamente, nunca estivera ali antes.

- Parece realmente confortável - ela disse, evidentemente mais para si mesma do que para Gina. - Deve ser bom ser da Grifinória. Mas na Corvinal temos livros, basta saber onde procurar.

- Vou apanhar um material de primeiros socorros no banheiro - disse Gina,

sem prestar atenção ao que a garota dissera. Quando voltou, encontrou a amiga sentada confortavelmente em uma poltrona próxima a lareira, ainda observando com interesse a decoração do salão comunal.

-

É bem quente aqui.

 

-

É,

você

está

perto

do

fogo,

o

que

esperava?

-

indagou Gina,

distraidamente. Ajeitou um pequeno vidrinho com uma substância azul escura sobre o braço da poltrona de Luna, e conjurou habilmente alguns pedaços de algodão. A ruivinha ajoelhou-se diante de Luna, que agora a observava, e pingou

Isso pode

algumas gotas do conteúdo do vidro numa bolinha de algodão. - Ok arder um pouquinho. - Gina advertiu.

Luna fez uma careta bastante feia quando Gina pressionou cuidadosamente o pedaço de algodão sobre seu nariz machucado.

- Arder um pouquinho? - perguntou ela, os olhos lacrimejando.

- Não seja manhosa - disse Gina, revirando os olhos. - Agora cale-se e deixe-me cuidar disso.

Luna soltou um longo suspiro, vencida. Gina limpou o sangue dos lábios de Luna gentilmente, descendo pelo queixo e um pouco que escorrera para seu pescoço. Até que não era tão desagradável, a gosma azul. Era levemente fria, Luna sentia até alguns arrepios quando Gina deslizava o algodão pelo seu pescoço. Era algo bem legal. Talvez devesse se cortar mais vezes

- Está bem feio - Gina examinou os joelhos de Luna. Deixou o algodão velho

de lado e apanhou um novo, repetindo todo o processo nos joelhos, nas mãos e pulsos da amiga. Luna soltava alguns resmungos quando o liquido azul entrava em contato com os cortes, mas estava mais receptiva aos curativos agora. Depois de alguns minutos, os cortes começaram a se fechar lentamente. - Vai ficar bom. - concluiu Gina, orgulhosa.

Ela ergueu-se e deixou-se desabar na poltrona diante de Luna. Agora era sua cabeça que estava doendo. Encarou o teto durante vários segundos, exausta. Então Luna falou:

- Obrigada, Gin.

Gina a encarou. Os olhos claros da amiga encontraram os seus. Elas sorriram uma para a outra, Luna perdendo momentaneamente seu ar desconcentrado. Mas só por um momento. Logo achou outra coisa qualquer com o que ocupar seus pensamentos, e seu olhar tornou-se vago como de costume. Gina, no entanto, continuou a observá-la com atenção.

Por que tinham que ser sempre tão maldosos com ela? Simplesmente não

conseguia compreender. Luna era avoada, sonhadora e tinha umas idéias

Ok, muito estranhas. Mas mesmo assim, não fazia mal a ninguém. E

era uma garota doce e gentil quando queria ser. Mas ninguém se interessava realmente em conhecê-la. Não. Preferiam rir e caçoar e se divertir à custa da

estranhas

estranha Luna "Loony" Lovegood. Era tão horrível.

- Luna - disse Gina, lentamente.

- Sim?

- Nós somos amigas - não foi uma indagação, mas sim uma afirmação.

Luna não disse nada. Ficaram em silêncio durante vários minutos.

- É legal - disse Luna, repentinamente. - É legal ter uma amiga, Gin.

Gina sentiu-se inevitavelmente feliz. Só agora percebera que Luna a estava chamando por um apelido. Era decididamente um começo.

Capítulo 3

A CICATRIZ DE LUNA

O dia que se seguira fora bastante cheio e cansativo, de modo que Gina estava encontrando dificuldade em manter-se acordada enquanto cumpria sua detenção: ajudar Madame Pince a re-catalogar os livros da biblioteca era uma tarefa verdadeiramente tediosa, e a jovem não sabia se conseguiria manter seus olhos abertos por muito mais tempo. Ela deu uma espiada em Luna. Os olhos da amiga pareciam mais nebulosos do que nunca. Era evidente que também estava com sono. Mas Madame Pince não parecia se importar realmente, de modo que as garotas só foram liberadas após as 4 da manhã.

Felizmente era a madrugada de um sábado, e tanto Gina quanto Luna puderam dormir até perto da hora do almoço. Gina foi acordada por Hermione, que escancarou as janelas do dormitório para deixar o sol entrar.

- Não seja preguiçosa, Gina! - exclamou Hermione, puxando as cobertas de cima da garota.

- Não seja metida - resmungou Gina, esfregando os olhos que ardiam por causa da luz.

Ela vestiu-se rapidamente e desceu ainda sonolenta para o salão principal. Sentiu-se bem mais acordada ao perceber que estava bastante faminta, e o cheiro

da comida abriu rapidamente o seu apetite. Constatou que Luna não estava na mesa da Corvinal, e imaginou se ela teria acordado mais cedo.

Enquanto apanhava mais um pedaço de frango da tigela à direita, Gina decidiu que depois procuraria pela amiga na biblioteca. Sem dúvida, era o lugar favorito de Luna.

Assim que sentiu que seu estômago estava satisfeito, Gina atravessou o salão rapidamente a passos largos. E, para a sua total surpresa, foi abordada por alguém a quem decididamente não esperava na saída. Harry.

- Olá - ele disse com um pequeno sorriso.

- Oi, Harry - sorriu Gina, e repreendeu-se intimamente por ter parecido tão alegrinha em seu tom de voz.

- Eu poderia dar uma palavrinha com você? Se não estiver com pressa

- Oh, é claro que sim! - disse Gina. Reparou então que Harry não parecia muito à vontade. Perguntou-se por quê.

- Eu estava pensando - ele disse coçando a nuca. - Imaginei que, talvez Caso você não esteja pensando em ir com alguma outra pessoa

Gina ergueu uma sobrancelha. Do que diabos ele estava falando? Como achou que seria bastante rude interrompê-lo, resolveu deixar Harry acabar de falar.

- Gina - Harry disse, tomando fôlego. - Você gostaria de ir comigo à festa de dia das bruxas?

Gina o encarou, confusa. Não estava entendendo absolutamente sobre o que Harry estava falando. Ele pareceu interpretar seu silêncio como uma resposta negativa, pois logo começou a se desculpar de maneira envergonhada.

- Não, não é isso! - apressou-se Gina. - É que, sinceramente, eu não sei do que você está falando.

Agora era Harry quem estava confuso.

- Você não

ouviu o anúncio de Dumbledore no café da manhã?

- Eu não tomei café - Gina disse sacudindo seus cabelos cor de fogo. - Acordei agora a pouco.

- Ah - Harry disse. Mas ainda parecia constrangido.

Então contou a Gina que haveria uma festa especial de Dia das Bruxas esse ano. Parece que Dumbledore recebera um abaixo assinado dos monitores ou algo assim. Harry não soube explicar direito.

- E você está - disse Gina lentamente, sentindo que estava inevitavelmente corando - me convidando? É isso?

a idéia geral é essa - Harry disse rouco. - Claro que se você não quiser eu vou entender perfeitamente - ele acrescentou pressuroso.

eu adoraria ir com você,

Harry!

- Mesmo? - Harry disse, parecendo muitíssimo aliviado. - Então está

combinado

- É

- Eu quero - exclamou Gina. - Claro que sim

eu e você, na festa

- É, vai - concordou Gina.

- Então

vai ser legal.

então eu acho que a gente se vê, não?

- Claro! Até mais, Harry - despediu-se Gina, e ficou observando o garoto se afastar ainda incrédula.

Fora mesmo convidada por Harry Potter? Parecia bom de mais para ser real. Quando largou-se em uma cadeira ao lado de Luna, na biblioteca, Gina ainda não estava certa de que aquilo não fora apenas obra da sua imaginação.

- Lu - murmurou Gina, os olhos vidrados em algum ponto na parede - Você

Quer dizer, nem eu estou

não vai acreditar no que acabou de acontecer

acreditando.

- É mesmo? - perguntou Luna, erguendo os olhos do seu dever de poções.

- Harry me convidou para ir à festa de Dia das Bruxas com ele - contou Gina, virando lentamente o rosto para Luna.

- Ele convidou, é? - perguntou Luna, parecendo distante.

- Caramba - Gina começou a sentir-se empolgada. - Caramba, Luna! Harry

Lu, isso parece um

sonho! Você tem noção do quanto eu desejei isso nos últimos cinco anos? E agora eu simplesmente não sei o que pensar! Acho que a ficha ainda não caiu totalmente. Se Madame Pince não fosse arrancar minhas tripas, eu poderia gritar!

realmente me convidou! Eu estava lá, distraída, e de repente

- Legal - Luna disse, distraída.

Gina aborreceu-se.

- Você

magoado.

não

está muito feliz por mim,

está?

- perguntou

em

um tom

- Estou sim.

- Não, não está! Vamos, Luna, não seja tão carrancuda!

- Não sou. Só acho que ser convidada para uma festa chata não

tão

fantástico assim - retrucou Luna.

- Você só está dizendo isso porque não foi convidada - alfinetou Gina.

- Eu fui - informou Luna simplesmente. - Neville Longbotton me convidou

essa manhã, mas eu disse a ele a mesma coisa que vou dizer para você agora:

festas bobas não me interessam nem um pouco.

é

Gina não esperava por essa resposta, de modo que demorou alguns segundos para falar:

você

mudaria de opinião rapidamente.

- Tenho mais o que fazer do que perder o meu tempo com idiotices de

garotos - Luna resmungou aborrecida.

- É, sei - Gina disse com um sorriso cheio de malícia. Apanhou um dos livros

de Luna e folheou-o calmamente até encontrar o que desejava. Então colocou o livro com a página aberta gentilmente diante da amiga. - E o que você me diz isso?

- Mas

eu sei muito

bem

que

se uma

certa pessoa

te convidasse

Luna piscou para o "Weasley é o meu rei" rabiscado na página 53 do seu

livro.

- E não diga que não foi você, pois eu conheço muito bem a sua caligrafia - completou Gina.

Luna não disse nada, fechando a cara para Gina. A ruiva deu uma risadinha.

-

Não

se preocupe, Lu. Não há absolutamente nada de errado em se

interessar por um garoto. Mesmo que ele seja um tapado como o Rony.

- Eu não estou interessada nele - sibilou a garota, ofendida.

- É óbvio que está - riu Gina. - E não a culpo, Lu! Nós, Weasleys, temos um

Rony não é nenhum Apólo, mas reconheço que não seja de se

charme natural

jogar fora.

Luna ficou em silêncio alguns momentos, entretida em seus próprios pensamentos. Então disse:

- Acho que ele gosta dela.

- Quem?

- Hermione Granger - murmurou Luna.

- Ah - Gina disse revirando os olhos - Isso é apenas um detalhe. Garotos

adolescentes mudam de idéia com muita facilidade. Basta saber persuadi-los.

- É mesmo? - indagou Luna interessada.

- Com certeza - afirmou Gina. - Agora me diga: você gostaria de ir à festa

com o meu irmão? - Luna resmungou qualquer coisa. - Eu não ouvi direito

- Sim - falou Luna, vencida.

- Ótimo! Era o que eu precisava ouvir. Se você estiver disposta a colaborar, eu posso ajudá-la a chamar a atenção do Rony. O que me diz?

Luna analisou a proposta durante alguns momentos, e então concordou com um aceno de cabeça. Gina abriu um largo sorriso.

- Perfeito! Podemos começar

levantou-se puxando Luna consigo.

- Mas e o meu dever de poções

agora mesmo! - exclamou

animada, e

- Você pode terminá-lo mais tarde - concluiu Gina decidida, e arrastou Luna para fora da biblioteca.

Queria ajudar Luna. Gostava muito da amiga, e detestava vê-la mal. Faria com que ela se sentisse bela e valorizada! Sabia que não seria nada fácil mudar os conceitos que Rony tinha sobre Luna, mas daria o melhor de si nessa tarefa.

Gina não conseguia pensar em ninguém que merecesse mais um pouco de alegria do que Luna Lovegood.

Gina não sabia exatamente como ia fazer, mas tinha consciência de que a primeira coisa a trabalhar em Luna era a aparência. Então decidiu que um bom banho era um excelente começo. Levou Luna até o banheiro feminino do primeiro andar, que era um dos menos usados porque as descargas das privadas estavam com defeito. E conforme Gina planejara, ele estava vazio.

- Pode me dizer o que vamos fazer? - indagou Luna.

Gina deu um pequeno sorriso. Apanhou uma toalha limpa e perfumada e atirou para Luna, que continuou a encará-la sem entender.

- O que está esperando? - perguntou Gina, mãos na cintura - Vá tomar um

banho! Lave-se bem com sabonete e me chame para ajudá-la com o cabelo, ok?

- Isso é mesmo necessário? - suspirou Luna. Gina revirou os olhos.

- Se você não se despir sozinha, serei obrigada a fazer eu mesma.

Luna resmungou e começou a tirar suas vestes. Deixou a capa escorregar para o chão de qualquer jeito e concentrou-se em soltar sua gravata. Ela obviamente amarrara errado, pois estava tendo grande dificuldade para desfazer o nó.

Gina suspirou e aproximou-se para ajudá-la.

Quando terminar o banho vou amarrar isso para você - decidiu Gina

enquanto tentava desfazer a encrenca de Luna, que simplesmente a observava em silêncio.

Gina continuou tagarelando sem parar, e quando se deu conta não havia apenas retirado a gravata de Luna, mas também desabotoado quatro botões da camisa da amiga. A garota corou furiosamente, mas Luna nem pareceu reparar.

- Eu posso terminar isso - disse simplesmente, e acabou de despir-se sozinha.

Gina descobriu que ver Luna em roupas íntimas era milhões de vezes mais constrangedor do que qualquer outra situação pela qual passara. E isso era curioso, porque estava acostumada a ver outras garotas nuas nos banheiros.

A pele de Luna era muito branca, Gina reparou. Suas pernas não eram muito longas, mas eram bem bonitas. As coxas de Luna eram finas em comparação às de Gina. A garota perguntou-se como nunca reparara que Luna tinha um corpo bem legal para alguém que não se cuidava em aspectos físicos.

Quando Luna tirou a calcinha, Gina sentiu seu rosto pegar fogo. Simplesmente não pode deixar de reparar em uma cicatriz razoavelmente grande que Luna tinha na nádega esquerda. Então Luna tirou o sutiã e Gina desejou que sua boca não tivesse se escancarado da maneira tão evidente. Os seios de Luna eram simplesmente perfeitos. Redondos e duros, não muito volumosos, mas decididamente bonitos.

- Algo errado? - perguntou Luna.

- Absolutamente - Gina falou envergonhada. - Entre

entre no chuveiro.

Luna obedeceu calmamente. Gina fixou os olhos em seus próprios pés. Não queria pegar a si mesma admirando o corpo de Luna outra vez. Já estava se sentindo quente o bastante em lugares onde decididamente não deveria estar. Desejou que parasse.

Durante vários minutos o único ruído era o dá água do chuveiro de Luna.

- Já acabei de me lavar - avisou Luna.

Gina demorou alguns segundos para se lembrar que havia combinado lavar o cabelo da amiga. Ela apanhou um frasco de poção para limpar, tratar e revitalizar os cabelos e aproximou-se de Luna. Empurrou a porta do boxe para o outro lado; Luna já havia fechado o registro. Estava enrolada em uma toalha e Gina odiou-se por desejar que ela não estivesse.

A garota puxou um banquinho para a amiga se sentar e então jogou um

pouco de poção nas mãos e começou massagear lentamente os cabelos de Luna. Percebeu que o seu pulso estava mais rápido do que o normal.

- Onde você conseguiu aquela cicatriz? - perguntou, e censurou-se na

mesma hora por tê-lo feito, pois agora Luna sabia que estivera olhando.

- Que cicatriz?

- Aquela - Gina tentou parecer natural - na nádega.

Foi há vários anos. Minha mãe

ainda era viva. Eu fui escorregar por uma tábua. Tinha um prego, mas eu não notei. Desde então tenho essa cicatriz. Eu gosto dela. É uma pena que eu não possa vê-la. Mas você viu, não? Ela é bem legal, não é? - perguntou Luna animada.

- Ah! - exclamou Luna. - Você reparou

- Ah, sim

É ótima - murmurou Gina mordendo o lábio.

Capítulo 4

E AS COISAS FICAM ESTRANHAS

Domingo amanheceu ensolarado, e a maior parte dos estudantes achou apropriado passar a tarde nos jardins, ao ar livre. Mas se alguém tentasse encontrar a caçula Weasley não teria sucesso, pois ela encontrava-se em seu dormitório em companhia de Luna. Decidira tirar a tarde para ensinar a amiga a dançar (se ia ser convidada por Rony ou quem quer que fosse para a festa, precisava saber ao menos se virar na pista de dança), mas não estava tendo muito sucesso.

- Acho que estou melhorando, não? - perguntou Luna alegremente.

- É, você só pisou no meu pé cinco vezes nos últimos dois minutos - Gina disse rindo. - É um recorde.

Luna ergueu a sobrancelha. Então soltou o pescoço de Gina e deixou-se cair sentada em uma cama.

- Não acho que vá dar certo.

- Claro que vai! Você só precisa de um pouca mais de treino! Está se saindo bem - Mentiu Gina, e mordeu o lábio inferior. - Sério. Luna sacudiu a cabeça.

- Não, não estou - disse Luna, com o olhar perdido.

- Bem, você precisa se dedicar mais - retrucou Gina, e estendeu a mão para a amiga. - Vamos tentar outra vez.

Luna ergueu os olhos para Gina, sem se mover. A ruiva puxou-a para fora da cama. Gina começou a guiar novamente a amiga pelo quarto, mas Luna estava menos concentrada do que antes. Estava decididamente péssima.

- Luna, assim fica impossível - Gina exclamou irritada. Luna continuou a

olhar sonhadoramente para a janela. Gina revirou os olhos. - Você tem que prestar atenção no que está fazendo! Luna! Olhe para mim quando eu falo!

Gina virou o rosto de Luna com as mãos, obrigando a garota a encará-la. Os olhos claros da amiga encontraram os seus, e uma sensação quente desceu pela barriga de Gina. De repente deu-se conta de que estava com o nariz quase colado com o da outra menina, e pensamentos estranhos vieram a sua cabeça novamente. Todas as vezes que lembrava do corpo de Luna sentia sua cabeça tomada por idéias não muito decentes. Tivera dificuldade para dormir na noite anterior, pois seu corpo ficara totalmente desperto depois que ajudara Luna no banho. Então simplesmente teve

Quando pensar em

beijar Harry fazia seu baixo ventre pulsar, e percebeu que se tocasse em si mesma podia sentir-se incrivelmente bem. Mas na noite passada não fora em Harry que

pensara enquanto cerrava os dentes para não fazer barulho e denunciar o que estava fazendo. Não. Pois as belas formas de Luna simplesmente não saiam de sua cabeça. As bochechas de Gina assumiram uma tonalidade escarlate ao pensar no

que alguém diria se soubesse

- Gina? - Luna disse, percebendo que a amiga estava tão distante quanto ela mesma costumava estar.

Acho que é melhor pararmos por aqui, hoje - Gina disse, sacudindo

a cabeça e soltando Luna.

que fazer aquilo. É claro, desde os dez anos sabia que podia

O que Luna diria!

- Acho

- Tem certeza?

Pode ir, se quiser - Gina falou. Luna encolheu os

ombros e deixou o quarto sem dizer nada.

Gina largou-se em sua cama. Maldição. O que diabos estava acontecendo com ela? Não conseguia passar dez minutos sem pensar aquelas coisas. Eram

algum desejo pela sua melhor amiga. Ela

simplesmente erradas! Não podia sentir

era bonita, é claro. Oh, e como era. E tinha um belo físico, embora ninguém

soubesse. Mas ainda assim, não era uma justificativa.

- Preciso parar com isso. E preciso mesmo - disse para si mesma, pondo-se de pé e saindo do quarto rapidamente.

- Tenho, claro

Você

Gina e Luna não tiveram muito tempo para as aulas de dança durante as semanas que se seguiram. Havia muito dever de casa para ser terminado, e pouco tempo para isso. O tempo também não estava dos melhores. Choveu quase todos os dias, de modo que as aulas de Trato das Criaturas Mágicas tiveram que ser canceladas. Embora estivesse evitando o máximo possível a companhia de Luna, Gina percebeu que ela seguira seus conselhos e estava procurando manter seus cabelos razoavelmente penteados. Na quarta feira Gina esbarrou com a amiga no corredor de Defesa Contra as Artes das Trevas, e percebeu pelo perfume que ela lavara o cabelo poucas horas atrás. Luna perguntou quando iriam se encontrar para dançar novamente, e Gina inventou uma desculpa qualquer. Entrementes, Harry sorria para ela sempre que se cruzavam em um corredor e a garota continuava sem acreditar que aquilo estava realmente acontecendo.

Certa noite Gina estava sentada em uma poltrona no salão comunal da Grifinória, tentando ler o capítulo 18 do livro de História da Magia, conforme o professor Binns pedira que fosse feito, quando seus ouvidos captaram as vozes de Rony e Harry às suas costas. Os garotos estavam jogando xadrez e, pelo que Gina estava ouvindo, falando sobre a festa de Dia das Bruxas.

- bem, eu ainda estou sem par - Disse a voz de Rony, infeliz.

- Mas não é como no Baile de Inverno - Harry disse. - Você não é obrigado a

levar alguém

- Todo mundo tem par Harry. Só fracassados vão sozinhos, você sabe muito

bem. - Ele fez uma pequena pausa. - Até o Neville está indo com alguém. Xeque.

- Já que é assim, quem você pensa em chamar? - indagou Harry. Gina apurou bem os ouvidos.

foram convidadas - Rony falou

desanimado.

só se quiser.

-

Não

sei. Todas

as garotas legais já

- Você pode convidar a Padma - Harry disse, rindo.

- Você está louco, cara? Ela provavelmente me bateria!

- Você não pode culpá-la - Gina disse virando-se em sua poltrona. Achou

que era o momento ideal de entrar na conversa. - Quer dizer, você não foi muito legal com ela no Baile de Inverno, foi?

- Ninguém pediu a sua opinião - Rony disse mal humorado. - Não devia ficar escutando a conversa dos outros. Gina encolheu os ombros sem se afetar.

Ela está certa - Harry disse, lançando um rápido olhar para

Gina. - Você nem deu bola para a Padma aquela vez.

- Mas Rony

- Exatamente. E você, Harry, também não foi gentil com a Parvati. - Gina

falou, fazendo Harry corar. - Espero que seja bem diferente comigo, ou vou ficar decepcionada.

Rony riu de Harry, caçoando-o.

- Cala a boca, Rony - resmungou o garoto.

- Mas então - Gina continuou. - Você está sem par, é?

- Eh - Rony disse, fechando a cara. - Isso não é da sua conta, sua chata intrometida.

- Ok. Então eu não vou te contar quem eu ouvi dizendo que adoraria ser

convidada por você

no livro de História da Magia.

- O que? É sério? - Exclamou Rony, levantando-se tão rapidamente que

derrubou o tabuleiro de xadrez e as peças no chão. Harry protestou, indignado (estava quase conseguindo seu primeiro xeque-mate no amigo) e as peças xingaram o garoto, bastante irritadas. Rony atirou-se de joelhos diante de Gina. - Quem é?

Gina disse

sarcasticamente. Rony bufou.

- cantarolou Gina calmamente, enterrando novamente o rosto

- Não vou dizer. Afinal,

não

é

da

minha conta

certo? -

- Gina, por favor! Eu realmente preciso saber quem é essa menina. Eu preciso de um par. A minha reputação depende disso! Gina gargalhou.

- Desde quando você tem alguma reputação?

- Vou fazer de conta que não ouvi isso - Rony disse entre dentes. - Você vai me dizer quem é ou não? Gina fingiu pensar durante alguns segundos, com Rony pendurado em seus joelhos.

- Ok. Vou fazer essa caridade por você, irmãozinho. - Gina deu um tapinha na cabeça de Rony. - É a Luna. Rony ficou parado alguns poucos segundos, como se processasse o que acabara de ouvir.

- Lovegood?

- É - sorriu Gina, feliz. - Não é ótimo?

Rony caiu na gargalhada.

- Eu prefiro ir sozinho a ir com aquela maluca.

Gina corou, furiosa. Como ele ousava falar daquele jeito de Luna! E ela estava se esforçando tanto apenar para chamar a atenção dele!

- Então vá sozinho, seu estúpido! - exclamou Gina. - Mas saiba que Luna já

foi convidada por um monte de outros garotos, está até tendo dificuldade para se decidir!

- Ah, claro - caçoou Rony. - E eu sou o Príncipe Charles.

- Bem, ela está realmente mais bonita

a Luna - Harry comentou, e Gina

lançou um largo sorriso para o garoto. Isso pareceu encorajá-lo a falar mais. - Eu vi vários garotos olhando quando ela passa no corredor!

-

É verdade - Gina apressou-se. - Só você que é tapado demais para

reparar.

Rony não conseguiu pensar em nada para dizer, e Gina decidiu deixá-lo

analisando as novas informações que recebera. Fechou seu livro e recolheu-se para

o dormitório feminino. E na tarde seguinte, quando Luna veio correndo em sua

direção evidentemente mais animada do que o normal Gina teve certeza de que seu plano funcionara.

- Ele me convidou! - exclamou Luna, feliz.

- Eu disse que ele iria - Gina sorriu.

- Incrível - disse Luna sonhadoramente. - Você estava mesmo certa, Gin!

- Pois é! Dentro de uma semana você vai estar nos braços do Rony - Gina

falou sentindo um aperto terrível em seu peito. "Aquele imbecil não merece você, "

Uma semana! Gina! Eu ainda não sei dançar! - exclamou

Luna, arregalando os olhos.

Lu

Pensou a garota, enquanto observava a felicidade da amiga.

- Uma semana

- Tudo bem, Lu. O Rony também é um desastre - riu Gina, mas Luna não lhe

deu atenção.

- Você precisa terminar de me ensinar! Eu não quero pisar no pé do Rony!

- Vai ser difícil, porque ele tem um pé anormalmente grande - Gina revirou

os olhos, então deu-se conta que estava tentando fazer a amiga sentir-se menos entusiasmada com seu irmão. Sentiu-se culpada por isso. - Ok, ok. Eu acho que posso arranjar algumas horas livres essa semana, então nós podemos praticar. Está bem assim?

Luna concordou muito sorridente.

Conforme o prometido, Gina tirou quase todo o seu tempo livre na última semana antes da festa para tentar tornar Luna uma dançarina um pouco menos ruim. Seus pés já estavam doendo de tanto serem pisoteados, mas continuou com as aulas. De fato, Luna melhorou bastante no intervalo de quarta para quinta feira. Talvez ela não fosse um caso perdido, afinal. No sábado, véspera do Dia das Bruxas, Luna estava novamente no dormitório feminino da Grifinória com Gina, que estava ensinando-a alguns feitiços básicos para ajudá-la a se arrumar para a festa no dia seguinte. Luna estava se saindo bem. Era bem melhor com uma varinha do que com os pés. Aprendia muito rápido.

e você tem um coque - repetiu Luna,

enquanto realizava o movimento em si mesma. Os fios loiros enrolaram-se obedientemente em um coque perfeito. Gina aplaudiu.

- Está fazendo melhor que eu! Logo você é quem estará ensinando, e não eu - riu a garota.

Luna deu um pequeno sorriso, satisfeita consigo mesma. As meninas estavam sentadas em almofadas no chão do quarto, com uma série de poções e outros produtos de embelezamento espalhados ao redor.

e

apanhando um frasco com um líquido rosa brilhante.

- Ah, isso é bastante útil! - explicou Gina. - Você passa um pouco nos dedos

e espalha sobre espinhas ou qualquer outra imperfeição que tenha na pele. Fica

novinha em folha

Sua pele já é perfeita. Luna sorriu para Gina. A garota desviou os olhos. Elas ficaram em silêncio durante vários minutos. Luna parecia entretida com alguns frascos de poções para os cabelos, e Gina brincava distraidamente com o cadarço de seus tênis.

- Girar três vezes em volta do cabelo

- Então,

para

que serve

isso?

-

indagou Luna, largando a varinha

até passar o efeito, é claro. Mas você não vai precisar disso.

- Você acha que ele - Luna murmurou de repente. - vai querer me beijar?

Gina ergueu os olhos para ela. Luna a encarava de maneira preocupada.

- Talvez - respondeu Gina, finalmente. Luna murmurou qualquer coisa.

- Qual é

qual é a sensação? - indagou a garota.

- Ora - Gina disse, erguendo a sobrancelha. - Você sabe como é.

- Não, não sei. - Luna sacudiu a cabeça. Gina ficou sem palavras durante

algum tempo. Era óbvio, Luna nunca fora beijada antes. Ela saberia se tivesse sido.

Eram amigas desde o primeiro ano, e Gina nunca parara para pensar sobre o assunto.

- Gina pensou um pouco. Como poderia explicar? - Eu não

sei com dizer. Mas geralmente é molhado.

Gina riu. Luna franziu a testa, pensativa. "Molhado" não era exatamente a explicação que esperava.

- Beijar é como

- Como assim?

Lu, essas coisas não se explicam verbalmente! Você só vai saber

beijando!

- É? Mas acho que eu não sei beijar - Luna disse, pensativa. - Nunca me ensinaram. Gina tentou segurar uma risada. Luna era tão ingenuamente inocente.

e assim vai. Quer

dizer, depois você descobre outras coisas legais que pode fazer. Mas isso é com o

tempo.

- Ah

- Ninguém aprende a beijar. Você só

você beija e

- Como o que, exatamente? - perguntou Luna, interessada.

- Eu não posso explicar esse tipo de coisa. Só se eu te beijasse! - Gina

percebeu o que acabara de dizer, e sentiu seu rosto ferver furiosamente.

- Ah, é? Ok, então! - exclamou Luna, feliz. Gina ficou boquiaberta durante

alguns segundos, imaginando se ouvira bem. Luna realmente dissera para ela beijá-la? - Anda logo, Gina! Não tenho o dia todo! - Luna falou, aborrecida.

- Mas não pôde

terminar a frase, pois Luna simplesmente precipitou-se e colou seus lábios nos dela. Gina sentiu seu coração bater disparado. No entanto, antes que conseguisse raciocinar o que deveria fazer Luna se afastou e encarou-a com ar de "e daí, vai ou não vai?".

Gina aproximou-se de Luna, tocando o rosto dela gentilmente. Seus lábios encontram-se outra vez. Gina forçou a língua contra os lábios fechados da amiga, forçando-a a abrir a boca. Gina explorou calmamente a boca de Luna. Era incrivelmente bom, aquilo. E muito diferente de beijar um garoto. A boca de Luna era tão macia e delicada

- Ok - disse Gina, quando se separaram. Seu pulso estava incrivelmente

acelerado e seu corpo estava muito mais quente do que o normal. - Agora dessa vez você tenta acompanhar os meus movimentos Luna concordou obedientemente, e Gina puxou-a outra vez pra junto de si. Sentiu a língua de Luna em sua boca. Ela beijava exatamente do mesmo jeito que fazia qualquer outra coisa: lenta e preguiçosamente. Era ótimo. Não. Era mais que ótimo. Era deliciosamente maravilhoso.

Os beijos ficaram mais intensos, e Gina já não estava preocupada em dar instruções. Apenas queria Luna perto de si, sua boca, seu gosto. Era perfeito como nunca antes. Gina deslizou os lábios para o pescoço de Luna. A garota suspirou.

Em baixo

também.

De algum modo, as palavras de Luna serviram para trazer Gina de volta a realidade. Estava no maior amasso com a sua melhor amiga num dormitório que dividia com outras garotas que podiam chegar a qualquer momento. E tanto Luna quanto ela estavam ficando entusiasmadas demais.

- Eu sinceramente não acho que seja uma boa idéia, Lun

- Você tem razão - murmurou Luna. - É decididamente molhado

- Acho que já chega - Gina falou, recompondo-se.

Luna fez uma careta desapontada.

- Por que?

- Alguém pode chegar - Gina falou, atordoada. - E você não precisa mais aprender a beijar. Você é incrivelmente boa nisso.

Luna sorriu satisfeita.

- Então, o que você vai me ensinar agora? - parecia bastante animada. Gina sentiu que sua cabeça estava começando a doer.

Vai se sair bem - Gina disse,

desejando que ela simplesmente fosse embora. - Eu estou meio cansada.

- Eu vou embora, então - Luna falou, metendo sua varinha no bolso das vestes e pondo-se de pé.

- Você já sabe tudo o que precisa saber

- É, é melhor

Luna caminhou calmamente para fora do quarto, evidentemente mais distante do que o normal.

- Beijar é mesmo legal - Luna disse antes de sair. - Se o Rony não me beijar, eu beijo ele! Gina sentiu-se desesperadamente perdida e confusa.

Capítulo

O DIA DAS BRUXAS

5

31 de Outubro amanheceu nublado, com uma brisa gelada que arrepiava a nuca de qualquer pessoa que audaciosamente colocasse a cabeça para fora de casa. Mas isso não era o suficiente para diminuir os ânimos dos estudantes de Hogwarts no dia tão esperado da festa de Dia das Bruxas. As meninas andavam pelo castelo conversando aos cochichos, e os garotos olhavam para elas com renovado interesse. E por mais inapropriado que parecesse a quem visse, uma jovem de cabelos ruivos estava deitada na grama amarelada do jardim do castelo. Seus olhos estavam fechados, e ela respirava lentamente. Dificilmente alguém poderia compreender o que se passava em sua cabeça, e a gigantesca confusão de sentimentos que apossara-se dela nos últimos tempos.

Mas desde a tarde passada estava decididamente pior. Não conseguia pensar, não conseguia sequer respirar direito. Seu peito estava tão apertado, como se algo muito pesado estivesse comprimindo cruelmente seu coração. Não conseguira dormir a noite passada nem por alguns segundos, e por conta disso havia olheiras sob seus olhos claros. Um beijo. Poderia um simples beijo perturbar de tal maneira a cabeça de uma garota? Para Gina Weasley, a resposta era sim. Talvez porque não fora um beijo qualquer. Caramba, beijara sua melhor amiga! E seria muita falsidade da sua parte dizer a si mesma que não gostara. Na verdade, nunca sentira nada assim antes com seus ex-namorados. Como se houvesse uma chama dentro de si, algo que fazia o sangue em seu corpo circular mais rapidamente. A sensação era a de uma brasa que é instigada a acender, e dificilmente poderia ser apagada depois.

Era como um sonho. Incrivelmente

maravilhoso. Gina não conseguia pensar em alguém que adorasse mais do que a amiga. E ao mesmo tempo, aí morava o seu pior pesadelo. Seu mais terrível receio, pois sabia que nunca poderia ser. Sempre aprendera que era errado.

- Você não pode, não pode, Gina - murmurou a garota para si mesma,

abrindo os olhos. - Não Não podia deixar sua amizade com Luna intensificar-se a esse ponto. Tinha que parar. Tinha que esquecer. O único problema era que não sabia como.

Realmente, esses pensamentos atormentaram a jovem Weasley durante todo o dia. E quando ela estava em seu dormitório, terminando de se arrumar para

Infelizmente não podia evitar. Luna era

a

festa, percebeu que não conseguia encarar seu reflexo no espelho. Não queria ver

o

brilho da falsidade em seus próprios olhos.

Harry estava esperando por ela numa poltrona do salão comunal. Harry. Ironicamente, ela esquecera-se totalmente dele nos últimos tempos. Quando Gina

desceu as escadas do dormitório feminino, ele pôs-se de pé imediatamente. Ela percebeu os olhos do rapaz subindo e descendo pela sua figura, e corou levemente. Harry aproximou-se dela.

- Gina - ele disse lentamente. - Você está muito bonita.

Ela deu um pequeno sorriso, e teve certeza de que pareceu falso. Como poderia verdadeiramente sorrir se estava gritando por dentro?

O casal trocou algumas palavras rápidas, e então desceu sem pressa para o

salão principal sob o olhar assassino de Dino Thomas.

feliz ultimamente, não é - Harry comentou

displicentemente.

- Dino? Ele é um bobão. Já está na hora de superar isso. Ele nunca vai me ter de volta.

- Ele

não parece muito

- Você o odeia? - indagou Harry.

- Oh, não. Não chega a tanto. Ele é só um panaca, e se possível não quero ter que olhar na cara dele outra vez.

Harry não disse nada. Permaneceram em silêncio a maior parte do trajeto. Gina observava os outros casais por que passavam, imaginando se Luna já estaria na festa. Novamente sentiu-se culpada, e decidiu que não iria pensar sobre isso aquela noite. E então riu de si mesma. Se fosse apenas uma questão de querer ou não, tudo seria bem mais fácil.

O salão principal estava decorado de maneira muito diferente de como

estivera no Baile de Inverno. O local estava coberto por uma bruma que dificultava a visão, e a única luz era a das abóboras que flutuavam recheadas com velas. Havia fitas roxas e pretas que pendiam de algum lugar, mas era impossível enxergar onde. Algumas bexigas da mesma tonalidade despencavam vez ou outra sobre a cabeça das pessoas. Era decididamente uma festa com cara de festa.

A música alta de uma banda que Gina não conhecia embalava o ambiente, e

a maior parte das pessoas estava dançando. Aparentemente, não havia onde sentar.

- Quer dançar? - perguntou Harry, mais por obrigação do que por querer

realmente. Gina concordou, e xingou-se intimamente de todos os palavrões que conseguiu recordar quando percebeu que estava tentando identificar Luna por cima dos ombros do garoto.

Ele disse alguma coisa que ela não conseguiu compreender.

- Como é? - gritou.

- Quer dar uma volta nos jardins? - disse Rony, o mais alto que pôde.

Luna sentiu-se surpresa. Gina já lhe falara sobre aquilo, é claro. Se ele a chamasse para o jardim, é porque algo aconteceria. Mas não esperava que ele fosse pedir tão rápido. Sinceramente, não fazia idéia de quanto tempo já se passara desde que chegara no salão. Mas não estava sendo tão divertido quanto Gina dissera que seria. Talvez melhorasse agora.

- Tudo bem - concordou Luna, e Rony a guiou pela mão para fora do salão.

Havia alguns casais se agarrando no saguão de entrada, e Luna olhou para eles com interesse. Rony não pareceu reparar.

- Nossa, estava realmente abafado lá dentro, não? - comentou ele, quando saíram para o ar gélido do jardim.

- Muita gente respirando - Luna sacudiu a cabeça. Rony ergueu uma sobrancelha.

- Quer caminhar por aí? - convidou ele.

- Pode ser - Luna encolheu os ombros.

Os dois caminharam lado a lado pela noite, vez ou outra esbarrando com um

casal em situação constrangedora. Rony desviava os olhos rapidamente, mas Luna

olhava com atenção e interesse. Várias vezes Rony precisou puxá-la para que continuasse a andar.

- Está um pouco frio aqui fora - Rony disse displicente. - Não acha?

- Um pouco.

- Quer o meu casaco? - indagou ele, e já estava tirando a peça quando Luna

sacudiu a cabeça negativamente e continuou a andar. Ele demorou alguns segundos para recompor-se e correr atrás dela. - Você está muito bonita, sabe.

Luna parou e encarou o garoto durante alguns minutos. Rony já estava remexendo-se incomodado quando ela finalmente falou:

- Então já podemos?

- Podemos o que?

- Bem, você sabe

- Mas Rony não parecia saber, então Luna percebeu que

teria que explicar. - Nós já fizemos tudo que tinha para ser feito, não? Quer dizer, já

ficamos na festa um pouco, já fomos para o jardim, já demos umas voltas e você já me passou uma cantada malfeita. Então acho que podemos acabar logo com isso. Rony ficou sem ação durante alguns segundos, incrédulo. Luna o fitava com um ar de "e aí?".

- Eu realmente não

peguei o sentido da coisa - confessou Rony.

- Oh, Gina estava realmente certa quando disse que você era tapado - Luna

falou sacudindo a cabeça. - Bem, se você não me beijar logo eu serei obrigada a fazer isso primeiro. O que acha?

Rony ficou boquiaberto por alguns momentos, então aproximou-se de Luna e empurrou-a desajeitadamente contra uma árvore. Então colocou seus lábios nos dela. Enquanto Rony a abraçava de maneira bastante estúpida, Luna fez uma careta imaginando o que diabos ele estava fazendo. Era muito ruim. Luna o observou enquanto a beijava, e imaginou onde estava aquela sensação de calor e conforto que experimentara com Gina. Um beijo não deveria

ela não mentiria

ser assim? Fora o que Gina dissera. Então Gina mentira? Não

para Luna. Mas, por Merlin, o que era aquilo que ele estava fazendo? Luna estava

ficando enjoada. Então sentiu algo contra a sua virilha e sentiu um sentimento estranho que identificou como sendo raiva. Empurrou Rony, irritadíssima.

- Não encoste em mim de novo, ou eu grito - disse, para a total confusão do

garoto. Então Luna simplesmente saiu correndo, deixando-o para trás com uma bela cara de idiota.

Precisava encontrar Gina.

- Quer beber alguma coisa? - perguntou Harry em seu ouvido, pois era a

única maneira de ouvir alguma coisa naquele ambiente.

- Não seria má idéia - concordou Gina, e observou Harry afastar-se até a

mesa de bebidas. Ela suspirou, tirou uma mecha de cabelo dos olhos e olhou ao redor. Ainda não vira Luna em lugar algum. Em certo momento pensara tê-la encontrado, mas quando a garota se virou Gina constatou que era uma quintanista da Lufa-Lufa. A ruiva sacudiu a cabeça. Precisava superar isso, ou ficaria louca. A essas horas Luna provavelmente estava nos braços de Rony, e era assim que as coisas tinham que ser.

- É melhor tomar cuidado com a cabeça, Weasley - disse uma voz às suas

costas, e quando se virou identificou Draco Malfoy afastando-se às gargalhadas com Pansy Parkinson. Gina revirou os olhos e voltou-se para procurar Harry. E então viu algo que deixou suas orelhas quentes de irritação: Harry estava conversando com Cho Chang logo adiante. A jovem estreitou os olhos, sentindo uma onda de frustração invadir seu corpo. Como Harry ousava ficar de papo com Chang bem debaixo do seu nariz?

O orgulho ferido, Gina fechou a cara e caminhou decidida para fora do salão.

Ninguém pareceu se importar ou sequer reparar. E o que Gina imaginou que seria uma noite perfeita estava despedaçando-se diante dos olhos marejados de lágrimas da garota. Ela esfregou as vistas com as costas das mãos, condenando-se por ser tão estúpida. Mas pensamentos maldosos não paravam de vir a sua cabeça: Harry

e Cho Chang rindo de Gina, e Luna aos beijos com Rony. Gina desejou ser invisível. Sentia-se tão péssima como nunca antes. Queria se isolar de tudo e de todos. Queria não ter que olhar na cara de Harry nunca mais. Queria que Luna e Rony fossem para o fim do mundo. Só desejava que sua mente pudesse ficar em paz por algum tempo. Quando se sentia assim, perdida, só havia um lugar onde Gina conseguia pensar em estar. Seu lugar favorito em todo o castelo. Desde a época em que era atormentada pelo diário de Tom Riddle Gina refugiava-se de tudo e de todos na Torre de Astronomia. Era proibido ir até lá fora do horário de aulas, é óbvio, mas a garota era bastante boa em se esgueirar pelos cantos do castelo fora do olhar de Filch. E hoje, em especial, não havia motivos para se preocupar com o zelador. Ele estava muito ocupado patrulhando os jardins.

Gina observou a vista do alto da torre, o vento desarrumando seu cabelo e fazendo as lágrimas que caiam secarem mais rapidamente.

- Eu sabia que encontraria você aqui - disse uma voz, e Gina levou um

susto.

Por um momento Gina achou que fora pega por Filch, mas então identificou

o vulto de Luna sentada sobre a murada.

-

O que você está fazendo aqui? - perguntou Gina, surpresa.

-

Fumando

um

cigarro

e esperando você - Luna disse, pulando

displicentemente para o chão.

Ela aproximou-se de Gina com um pequeno sorriso, e deu uma tragada em seu cigarro.

- Achei que você tinha parado com essa porcaria - disse Gina, olhando feio para a amiga.

- Eu menti. Tenho fumado sempre nos banheiros - Luna falou, encolhendo os ombros. - Desculpe. Gina suspirou e sentou-se no chão de pedra fria.

- O que aconteceu? - perguntou Luna, sentando ao lado da amiga. - Por que você não está com o Harry?

devia ter

aprendido.

- Ele

é

um

idiota

- Gina falou, sacudindo

a

cabeça.

-

Eu

Luna a fitou cuidadosamente com seus olhos aguados.

- Você chorou - concluiu - Não quero ver você chorar por causa desse tipo de merda de novo. Gina deitou no colo da amiga e apanhou o cigarro da mão dela. Deu uma tragada e começou a tossir.

- falou Gina, devolvendo o cigarro para a amiga.

Luna encolheu os ombros. - E por que você não está com o Rony?

- Como você consegue

?

- Eu acho que não gosto dele, afinal. - Luna falou sem animação.

Elas ficaram em silêncio. Luna acariciava delicadamente os cabelos de Gina. As duas trocaram olhares cheios de cumplicidade. E sorriram.

- Você sumiu o dia todo - murmurou Luna. - Eu odeio quando você faz isso.

Sinto a sua falta. Gina sorriu levemente, e acariciou o rosto da garota.

- Eu também sinto a sua falta, Lu - ela falou, e puxou a amiga para que seus

lábios se encontrassem. Elas se beijaram delicadamente. Então ficaram observando o céu e as estrelas, e Gina sentiu que estava leve por dentro. Estava tão junto de Luna, e isso era tudo o que podia desejar.

Capítulo

6

I WANNA BE SEDATED

A maior parte dos alunos de Hogwarts acordou bastante tarde no dia seguinte. Luna e Gina não foram exceções. Todos no castelo pareciam vítimas de uma espécie de ressaca da noite anterior, e o movimento nos corredores era lento e preguiçoso. Gina apanhou alguns biscoitos de chocolate no salão principal e foi mordiscando-os até a biblioteca. Esperava encontrar Luna por lá. Não estava mais se importando se era errado ou não. Aliás, decidira que pensar de mais era uma grande perda de tempo. Além disso, como uma coisa tão maravilhosa podia ser realmente errada? Não. Gina sabia que não.

avistou Luna sentada sobre o espaço de pedra que havia entre as

estantes de uma das seções preferidas da amiga. A garota estava entretida folheando um grosso volume. Gina sorriu e aproximou-se.

Ela

- Ei - cumprimentou.

Luna ergueu a cabeça.

- Olá - ela disse com um pequeno sorriso.

- O que você está lendo? - perguntou Gina, sentando-se displicentemente ao

lado da garota.

- Nada especial - suspirou Luna, largando o livro de lado e virando-se para

encarar Gina. As duas ficaram se observando durante alguns segundos em silêncio, com pequenos sorrisos marcando seus lábios.

- Você vai ficar o dia inteiro enfornada aqui nessa biblioteca? - indagou Gina.

Luna sacudiu a cabeça.

- Estava apenas matando o tempo. Além disso, eu sabia que você viria me procurar aqui. Gina ergueu a sobrancelha.

- Convencida.

Luna deu uma risada.

- Vamos - disse, pondo-se de pé num pulo. Gina a fitou confusa.

- Vamos aonde?

- Não seja tão curiosa e pare de fazer perguntas - falou Luna, e puxou Gina pela mão. - Apenas venha comigo, ok?

- Ok, ok

- resmungou Gina, deixando-se guiar pela amiga.

Elas deixaram a biblioteca correndo, sob o olhar mal humorado de Madame Pince. Luna estava decididamente apressada, e Gina não parava de tropeçar porque a garota não queria soltar sua mão.

- Por que essa pressa? - indagou Gina, esbarrando em um garotinho do primeiro ano que passava distraído. Mas Luna não estava interessada em responder. Sequer dava sinais de estar ouvindo os resmungos de Gina. Conformada, Gina começou a prestar atenção no caminho que seguiam e percebeu que ele não lhe era tão estranho assim. Achou que sabia onde Luna a estava levando. E acertou. Quando entraram na sala Precisa, sede dos antigos encontros da AD, Gina sentiu-se bastante confusa. A sala estava totalmente vazia. Não havia nada nas paredes, nem móveis ao redor. Com exceção de uma mesa de madeira onde uma vitrola velha repousava. Gina encarou Luna, que estava parada observando-a atentamente.

- perguntou Gina, que ainda não compreendera a razão de

Luna tê-la trazido ali.

- E então

?

- E então o que? - Luna franziu o cenho.

- Por que você me trouxe aqui? Luna revirou os olhos.

- Duh - disse, fazendo parecer que era a coisa mais óbvia do mundo.

- O quê? - exclamou Gina, começando a

se aborrecer. -

Se vai

ficar aí

gozando da minha cara eu acho que vou arranjar algo melhor para fazer.

- Gina - suspirou Luna.

- Diga - bufou Gina.

- Cala a boca - Antes que Gina pudesse protestar furiosamente, a garota a

calou com um beijo. Gina percebeu que esquecera completamente o motivo de sua irritação, e observou Luna caminhar calmamente até a vitrola e colocar a agulha sobre um vinil delicadamente.

- Eu ainda não entendi - começou Gina, mas antes que conseguisse terminar

a frase a música explodiu com guitarras e bateria. O volume decididamente não era

sensato.

Luna soltou uma gargalhada e começou a pular animadamente, sob o olhar incrédulo de Gina. Então a garota puxou Gina para junto dela.

- Você tem me ensinado o seu jeito de dançar durante semanas - explicou Luna. - Agora é a minha vez.

- Luna, se alguém ouvir estamos encrencadas

- A sala é acústica, sua boba - caçoou Luna, dando um beijo rápido dos

lábios de Gina. Lentamente a ruiva começou a se soltar e logo estavam as duas pulando e cantando animadamente o refrão em voz alta.

- Twenty, twenty, twenty four hours to go! I wanna be sedated! - cantarolou

Luna, fazendo uma careta e puxando Gina pela gravata. As duas se abraçaram e beijaram-se longamente, caindo na gargalhada logo depois. Aquilo decididamente era diversão. Horas mais tarde, Gina largou-se em sua cama no dormitório feminino sentindo-se tão feliz como nunca antes. E não conseguia parar de sorrir de maneira idiota e murmurar trechos das músicas que não saíam da sua cabeça. Alguém bateu na porta do quarto, trazendo Gina de volta de seus pensamentos. Era Hermione. A garota aproximou-se sentou na ponta da cama da amiga, observando-a.

- Por que você está me olhando desse jeito? - resmungou Gina. - Parece até minha mãe

- Harry está louco atrás de você. - contou Mione lentamente.

- Ah está, é? - Gina disse fazendo pouco caso.

- Sim. Você simplesmente sumiu ontem, ele ficou procurando você por todos

os lugares.

- Aposto que ele sentiu muito a minha falta - Gina falou sarcástica. - Talvez

o papo inútil da Cho Chang tenha lhe parecido menos interessante depois que eu

"sumi", não?

Mione faz uma cara de óbvia compreensão. Gina irritou-se ainda mais com a reação da garota.

- Hermione deu uma risadinha. - Gina, não seja boba. O

Harry só tinha olhos para você ontem à noite.

- Então foi isso

- Olhos para mim, boca para a Cho Chang

claro. Perfeitamente normal.

- Sabe, acho que você está julgando-o mal. Por que você não desce e deixa ele explicar o que quer que tenha para ser explicado?

- Não quero falar com o Harry agora, obrigada.

- E você vai ficar aí, nessa fossa? - indagou Hermione. Gina soltou uma

risada.

- Fossa? Por que você acha que eu estou necessariamente mal por causa da

noite passada? Pois saiba que eu estou muito bem, obrigada. E pode dizer ao Harry que ele não tem nada para me explicar, porque, realmente, não estou dando a

mínima. Hermione sacudiu a cabeça com ar de experiência.

- Ouça, Gina

- E você não venha me dar conselhos sobre garotos, porque se alguém

precisa deles é você - Gina falou, e imediatamente se arrependeu.

- É isso o que você pensa de mim, então. Bem, obrigada por me dizer -

falou Hermione cheia de mágoa. - Então pode ficar tranqüila, porque eu não vou mais aborrecer você. Eu só queria ajudar.

A garota levantou-se e caminhou para a porta.

- Mione, espera - Falou Gina, mas a garota não atendeu ao pedido. - Droga.

Gina afundou em seus travesseiros, sentindo que já não estava tão feliz quanto antes. Fora uma estúpida com Hermione. A garota não tinha culpa de seus problemas com Harry, afinal. Mas podia ser um pouco menos intrometida também.

A ruiva pensou alguns minutos sobre o que deveria fazer. Precisava dizer a

Harry que estava tudo bem, e que não estava aborrecida com ele ou algo assim. E pedir desculpas por tê-lo abandonado sozinho na festa. Mas se Hermione contasse de seu estúpido ataque de ciúmes.

Gina achou que pareceria verdadeiramente ridícula sob os olhos do garoto. Mas importava alguma coisa o que Harry pensava? Não tinha mais tanta certeza. Aliás, depois dos últimos acontecimentos, já não tinha certeza de nada.

A semana que se seguiu foi certamente uma das mais rebeldes da vida de

Gina. Conseguira cabular mais aulas do que fizera em toda a sua vida, mas fugir para namorar Luna era tão incrivelmente excitante que simplesmente não conseguia evitar. E mesmo prometendo a si mesma que iria assistir a todas as aulas no dia seguinte, Gina não resistia e quando se dava conta estava outra vez trancada com Luna no armário de vassouras.

- Se McGonagall descobre - Gina falou com a voz abafada. - Estamos

encrencadas. Vamos ter detenções pelos próximos 15 séculos.

- Oh, eu vou adorar cumprir detenções com você - riu Luna, beijando Gina novamente.

Gina conseguiu evitar Harry durante toda a semana, e toda vez que o avistava em um corredor esquivava-se rapidamente para fora das vistas do garoto. Hermione, por sua vez, continuava chateada com ela. Precisava parar de fugir de seus problemas e resolvê-los de uma vez. Estava cansada de se sentir uma covarde.

- No que você está pensando, Gin? - indagou Luna, brincando com o cabelo da amiga.

As duas estavam sentadas na murada da Torre de Astronomia, Gina deitada no colo de Luna, observando o Sol se pôr lentamente no horizonte.

-

Em nada especial - Gina disse.

-

Em alguém especial, quem sabe? - indagou Luna procurando parecer

natural.

Gina se levantou, olhando a amiga com desconfiança.

- O que você está insinuando?

- Nada. E você?

Gina sacudiu a cabeça e voltou a deitar no colo de Luna. Elas ficaram em silêncio alguns segundos. Eu estava apenas me perguntando Luna disse lentamente. "Você realmente

gostava dele. Fico imaginando se você já esqueceu, Gin

Só isso."

Gina

suspirou

longamente,

desaparecerem nas montanhas.

e

observou

os

últimos

raios

de

Sol

- Não achei que você tivesse ciúmes do Harry - Gina falou.

- Eu não tenho ciúmes dele. Deveria ter?

Gina bufou e pulou para o chão. Começou a caminhar de um lado para o outro, irritada. Luna tinha o olhar perdido no horizonte. Gina ergueu a cabeça para a amiga.

- Venha aqui - disse. Luna não se moveu. Gina caminhou até ela e puxou-a

pela mão para fora da mureta. Luna a fitou. Luna Gina suspirou. Acariciou o rosto da amiga gentilmente, deixando sua testa encostar na dela. Seus narizes estavam roçando um no outro. "Eu amo você." Gina beijou a garota. Luna envolveu o pescoço de Gina com seus braços, e a amiga a empurrou contra o muro. Estavam se abraçando tão forte que Gina até podia sentir o coração de Luna batendo acelerado.

- Eu não sei o que eu faria sem você, Gin

Capítulo

DELÍRIOS

7

Gina acabava de voltar da Torre de Astronomia quando foi abordada por Harry ao entrar no salão comunal da Grifinória. Não havia como fugir dele, afinal. -

estive

procurando você a semana inteira. Sabe, acho que temos que conversar.

Oi, Gina

- Harry disse, parecendo um

pouco nervoso. -

Eu

- É, acho que sim - Gina disse com um pequeno sorriso constrangido.

- Sobre o Dia das Bruxas - Harry murmurou lentamente. - Eu sinceramente

não entendi por que você

- Ah, sim - Gina apressou-se. - Eu justamente queria me desculpar por

eu não estava me

sentindo muito bem. Harry concordou com um breve aceno de cabeça. Ele ficou olhando para o chão, e Gina parecia muito interessada em um ponto qualquer perto da lareira.

bem - Harry disse,

afrouxando a gravata com o dedo indicador. - Depois que você saiu, não houve

absolutamente nada entre Cho e eu. Gina sentiu suas bochechas ficarem rubras. Começou a gaguejar uma porção de coisas, dizendo que não se importava, tudo bem. Ambos falavam ao mesmo tempo, tornando impossível a compreensão externa do diálogo.

Bem, você simplesmente sumiu

aquela noite. Não foi legal ter deixado você sozinho

- Gina

eu

Mas

eu queria que você soubesse que eu

- Está ok mesmo, Harry - Gina disse com uma risadinha.

- Hum

Novamente um silêncio constrangedor caiu entre os dois.

- Bem

É, acho que sim. - disse o rapaz, ajeitando os óculos sobre o nariz.

acho que eu vou indo então, Harry

Meio cansada - Gina falou,

começando a se afastar.

- É, ok.

Gina já subira os primeiros degraus da escada quando o garoto a chamou novamente.

- Espera Gina!

- Sim?

- - Harry engoliu em seco. - Nada não, deixa pra lá.

Ah

Gina encolheu os ombros e subiu rapidamente a escadaria sentindo-se ao mesmo tempo aliviada e sufocada. É óbvio que já não gostava de Harry como antes, mas não podia negar que ainda sentia-se balançada por ele. Mas isso era uma grande idiotice, de todo modo. Tinha Luna, e era tudo o que precisava. Ela era

sua melhor amiga e sua amante. Nunca estivera tão completa antes. Harry era apenas uma lembrança boba de um tempo passado. Algo que nunca poderia ser. Jamais.

Era um sonho curioso. Havia flores e chuva. E uma estrada de terra. Estava caminhando com os pés descalços, o vento brincando com seu cabelo. Sim, estava

voando. Agora era uma partida de Quadribol. E ainda chovia. Harry acenou para ela alguns metros adiante. Gina retribuiu o aceno. Então sentiu que estava caindo

caindo

podia ser

Sim, perfumadas. Mas conhecia aquele perfume! E aquele toque aveludado

Novamente um campo de flores. Belas, coloridas, perfumadas.

caindo

- Lu - Gina murmurou.

Algo roçou suavemente seus lábios, e a garota abriu os olhos devagar. Precisou de alguns segundos para perceber o rosto de Luna colado no seu, e demorou a corresponder ao beijo que lhe foi roubado.

- Oi doce - Luna disse.

- Que horas são? O que você está fazendo aqui? - perguntou Gina.

- É tarde - riu Luna, acariciando o rosto da amiga. - Eu amo você.

Elas se beijaram lentamente e riram. Encaravam-se fixamente nos olhos.

- Você é maluca

- Vou roubar você essa noite.

- É mesmo? - indagou Gina rindo.

- Sim.

- Alguém pode ouvir

- Ninguém pode ouvir um grito dado nessa cama. Eu cuidei disso - contou

Luna enquanto começava a abrir um por um os botões da camisa do pijama de

Gina.

- Você é má - suspirou Gina. Luna estava deitada sobre ela, pressionando

sugestivamente sua virilha contra a de Gina. Luna calou Gina com um beijo, e foi deslizando os lábios pelo queixo da

garota, descendo para o pescoço e seguindo calmamente pelo colo. Gina soltou um suspiro quando Luna alcançou seus seios, brincando com a língua pelos seus

mamilos. Era engraçado prazerosa.

Gina puxou Luna para cima e a beijou, mordendo gentilmente seu lábio inferior. E começou a abrir o pijama da amiga também. Sua excitação aumentava a cada botão liberto, até que pôde retirar a camisa da garota. Gina deixou a cabeça cair no travesseiro, admirando o peito nu de Luna.

de seus seios. Ela

acariciou calmamente cada um deles, sentindo a pele quente de Luna sob seus

dedos.

- Você sempre quis, não é? - Luna disse marotamente. - Desde aquele dia

no banheiro. Eu lembro do seu olhar.

- Você é linda - Gina sussurrou, erguendo-se nos braços para ser beijada

pela amiga. Em seguida deixou seus lábios e língua explorarem os seios dela cuidadosamente. Luna desceu a mão pela barriga de Gina gentilmente, e ajudou-a a tirar a calça. A própria Luna já estava só de calcinha desde que chegara e largara a sua no chão displicentemente. Habilmente, a garota deslizou os dedos por cima da roupa de baixo de Gina, provocando-a. Sorriu ao constatar que estava anormalmente úmida. Então deixou o pudor de lado e colocou a mão dentro da calcinha da garota, arrancando de Gina um suspiro que inevitavelmente soou com um gemido.

Enquanto brincava com a intimidade da amiga, Luna beijava e mordia levemente seu pescoço.

fazia um pouco de cócegas, mas a sensação era

A amiga

pegou a mão

de

Gina

e colocou sobre um

- Estou indo um pouco rápido de mais? - perguntou Luna distraidamente

após retirar a calcinha de Gina totalmente. A garota beijou a barriga de Gina, descendo tranqüilamente até suas coxas. A ruivinha riu quando sentiu a língua de

Luna em sua intimidade. Aquilo sim fazia cócegas! Mas então começou a se sentir quente. Muito, muito quente. Nunca poderia encontrar palavras para explicar aquela sensação. Percebeu que estava tremendo.

baixinho. Céus, aquilo certamente era um

pedacinho de paraíso.

Chegou ao clímax com uma exclamação surda, e toda a tensão de seu corpo desapareceu. Luna subiu calmamente para olhá-la. Gina sorriu para ela.

- Venha cá - sussurrou, puxando o rosto de Luna com as mãos e colando

seus lábios nos dela. Sua língua brincou com a da amiga em agradecimento.

- Ainda não acabou, meu doce - Luna riu, e voltou novamente sua atenção

para as partes baixas de Gina. Colocou um dedo na boca e

exclamação surpresa. Um dedo deslizou facilmente. Mais um escorregou para dentro dela. E outro. Não foi doloroso. Luna fizera um bom trabalho nas preliminares, estava tão molhada que se ficasse em pé poderia escorrer pelas suas coxas.

O segundo orgasmo veio facilmente, arrepiando todos os pêlos do corpo de Gina. A garota puxou Luna para cima outra vez, beijando-a carinhosamente. Então empurrou-a para o lado, ficando por cima. A amiga sorriu para ela. Era sua vez de retribuir.

Gina soltou uma

- Oh,

Luna

-

Gina gemeu

Fizeram amor até quase perto do amanhecer, quando desabaram satisfeitas uma ao lado da outra, encarando-se com sorrisos apaixonados. Era quase seis horas da manhã, e Gina estava acordada observando a escuridão. Luna dormia tranqüilamente com a cabeça sobre seu peito. O único som era o da respiração pausada da amiga. Gina acariciava gentilmente o cabelo de Luna, pensativa. A noite passada

fora uma loucura

Nunca sentira-se tão viva antes, e devia tudo a Luna. Mal podia acreditar que até um mês atrás estava tão perdida. Seu amor por Luna era tão puro que podia

facilmente concluir ser a coisa mais perfeita em sua vida. Só queria estar perto dela. Sentir seu perfume, o gosto da sua boca.

Contemplar seu sorriso. Apenas isso, e estava feliz para todo o sempre. Não queria

que acabasse

mas fora a loucura mais deliciosa de toda a sua existência.

Nunca.

Capítulo

DETENÇÃO

8

Gina acordou na manhã seguinte com a claridade entrando por uma fresta nas cortinas de sua cama. Ela soltou um pequeno resmungo e virou-se para abraçar Luna. Mas só o que seus braços envolveram foi um travesseiro amassado. Intrigada, Gina ergueu-se nos braços e olhou ao redor. Não havia sinal de Luna. Obviamente fora embora tão sutilmente quanto aparecera. Suspirou, deixando-se afundar nas cobertas novamente. Ainda podia sentir o perfume dela em seu corpo. Era a melhor sensação de todas, Gina nunca imaginara que algum dia sentiria-se assim. Demorou-se ainda algum tempo na cama, e então levantou-se para tomar um banho e se vestir. Era Domingo livre para Hogsmeade, e Gina mal podia esperar para encontrar Luna outra vez.

- Neville, você viu a Luna por aí? - perguntou Gina quando esbarrou com o garoto ao deixar o salão principal após um café da manhã reforçado. - Acho que ela já foi para Hogsmeade - disse Neville, pensativo.

Gina sentiu uma pontada de amargura. Então era assim? Ela simplesmente saia para dar passeios sem ao menos esperá-la? Mas que bela amiga estava se mostrando. Ainda mais depois de tudo o que acontecera na última noite. Bufando e deixando para trás um Neville muito confuso, Gina saiu do castelo e seguiu seu caminho até o povoado emburrada com tudo e todos. Luna ia ouvir algumas coisas. Ah, ia sim. O que ela estava pensando, que podia usa Gina a vontade e deixá-la de lado quando estivesse cansada? Hogsmeade estava bastante movimentada aquela manhã. O dia estava levemente ensolarado, apesar de muito frio. E aparentemente a grande massa de alunos de Hogwarts decidira aproveitar aquele que provavelmente seria o último final de semana sem neve no povoado bruxo. Gina caminhava decidida por entre as pessoas, sabendo exatamente onde deveria ir se quisesse encontrar Luna.

Havia uma estradinha de terra atrás do prédio da prefeitura que levava para uma colina de grama alta e árvores. Era um dos lugares que Luna visitava em Hogsmeade; o outro era a Casa dos Gritos. Mas a intuição de Gina estava correta, e ela não demorou a identificar a figura esguia de Luna deitada displicentemente sobre um tronco derrubado. Estava fumando um cigarro e fitando o céu sonhadoramente.

de Luna, que

percebeu sua presença por causa da sombra que Gina fazia sobre seu rosto.

Típico, pensou. Alguns passos e estava parada ao lado

- Oi doce - Luna disse com um pequeno sorriso. Gina revirou os olhos. Ainda

não tinha certeza se gostava de ser chamada de "doce". Mas Luna não parecia importar-se com sua opinião.

- Oi - Gina disse secamente, deixando-se cair sentada no gramado.

- É uma linda manhã, não acha? - indagou Luna distraidamente.

- Eh - Gina resmungou, fazendo uma careta para a fumaça exalada por Luna. - Quer apagar essa porcaria? Você sabe que eu odeio.

Luna continuou observando o céu, tragando seu cigarro tranqüilamente.

repente. Gina fez uma careta de

interrogação. - No céu. Não está vendo?

Gina olhou para cima rapidamente. Não havia nada, apenas nuvens brancas e de aparência fofa.

É uma borboleta

-

- disse

Luna

de

- Não estou vendo nada.

- Você nunca brincou de ver desenhos nas nuvens? - perguntou Luna. - É uma das coisas que mais gosto de fazer.

quando tinha uns 6 anos - Gina disse com um suspiro.

Luna realmente nunca crescia.

- É divertido - Luna sorriu, e então virou o rosto para encarar Gina. - Dormiu bem essa noite?

Gina olhou para a amiga, imaginando se ela estaria fazendo uma piadinha ou coisa assim. Era óbvio que mal dormira aquela noite, e Luna sabia perfeitamente disso. Então por que a pergunta?

- Bem, eu fazia isso

- Não.

Luna ergueu uma sobrancelha, parecendo de algum modo ofendida.

- Eu dormi - ela disse, encolhendo os ombros. - Sonhei com estrelas e luzes que piscavam. Gina percebeu que estava confusa sobre do que Luna falava exatamente:

sonhos ou prazeres. Lembrou-se que ainda estava aborrecida com ela.

- Por que você não me esperou para ir a Hogsmeade?

- Você estava tão docinho dormindo que não tive coragem de acordá-la -

Luna falou gentil. Gina ergueu uma sobrancelha.

- Isso não justifica.

- Achei que você parecia exausta e só ia acordar depois do meio dia - Luna disse simplesmente.

Gina corou e resmungou qualquer coisa. Luna escorregou para o lado de Gina, abraçando os joelhos. Ficou a fitá-la fixamente, como de costume. Gina remexeu-se incomodada.

-

O que está olhando?

 

-

Você - Luna disse sinceramente. Gina suspirou.

 

-

Eu

sei. Por

que

você está sempre me encarando

eu realmente não

entendo o que tenho de tão interessante.

e

puxando-a para um beijo demorado.

- Não gosto de beijar você quando está fumando - Gina disse, deitando no colo da amiga.

- Você sempre gosta de me beijar, doce - Luna disse fazendo carinho no rosto dela. Gina não disse nada. Sabia que era verdade.

- Tudo

- Luna falou passando o braço

ao redor

do pescoço de Gina

- Doce. Por que doce?

- Porque você é doce - Luna falou como se aquilo fosse a coisa mais óbvia do mundo.

- Soa estranho para um elogio

- Era assim que ela me chamava. Mamãe. "Hora de ir para a cama, doce.

Está tarde." E eu pedia para ela ler uma estória. Então ela sorria para mim e seus

olhos brilhavam. Assim como os seus. Eu amo olhar nos seus olhos e ver esse brilho. Desculpe se incomoda.

pequeno sorriso

desenhou-se em seus lábios.

Gina percebeu

que estava

sem palavras. Então um

- Você é o meu doce.

- Então me beije.

- Sempre

Depois desse dia o elo entre Luna e Gina ficou ainda mais forte, de modo que elas começaram a se arriscar bastante para suprir a necessidade que sentiam de um contato físico mais íntimo. Luna sempre achava uma maneira de escapar para o quarto de Gina durante a noite, o que a princípio era bastante divertido. Mas depois de uma semana de noites mal dormidas tanto Luna quanto Gina mal podiam se manter acordadas durante as aulas. Não era raro encontrá-las dormindo e babando sobre os livros, o que lhes rendeu vários problemas. Gina, por exemplo, conseguiu uma detenção com Snape que teria que cumprir na sexta-feira à noite. Isso frustrava totalmente os planos que fizera com Luna de passarem a noite juntas.

Havia algo que a amiga queria lhe mostrar, mas Gina não fazia idéia do que fosse porque Luna estava decidida a manter surpresa. Ela parecia bastante empolgada com o que quer que fosse, e Gina sentiu-se mal por ter que frustrar seus planos. Horas depois da fatídica aula em que conquistara a detenção, Gina e Luna estavam sentadas no salão de inverno. Luna cochilava com a cabeça apoiada nas pernas de Gina, que estavam começando a ficar dormentes. A ruivinha vigiava o sono da amiga calmamente, deixando escapar um bocejo ou outro de vez em quando. Luna fora bastante compreensiva com relação a detenção. Ficara visivelmente chateada, mas concordara em adiar a surpresa. Gina estava bastante curiosa, e não conseguia parar de imaginar o que poderia ser. Luna era cheia de mistérios. Quando achava que estava começando a compreendê-la, a amiga vinha com alguma nova loucura.

- Uma moeda pelos seus pensamentos.

Gina levou um susto e corou. Estava tão entretida em seus pensamentos que sequer percebera a aproximação de Harry. Ele sorria gentilmente para ela. Seu cabelo estava mais revolto do que nunca, e a suéter que vestia parecia um pouco

comprida demais para sua estrutura. Gina deduziu que devia ter pertencido ao primo do rapaz anteriormente.

- Olá, Harry - disse Luna, que acordara com o pulo que Gina dera ao ser

abordada pelo menino. Ela o encarou com uma expressão complicada de decifrar. - Tudo bem com você?

- Sim, na medida do possível. Obrigado por perguntar, Luna - Harry falou, e

então dirigiu-se para Gina. - Mione disse que Snape lhe deu uma detenção.

- É verdade - Gina sacudiu a cabeça. - Aquele seboso imbecil

- Ele não tem muito o que fazer, realmente - Harry disse, rindo-se. - Mas qual o motivo da punição?

- Eu cochilei na aula dele - Gina encolheu os ombros.

- Ah, sim. Mione me disse.

- Se você já sabia, então porque perguntou? - indagou Luna, erguendo uma

sobrancelha. Harry a encarou, corando. Gina repreendeu Luna com o olhar, mas a garota a ignorou totalmente.

- Eu - Harry disse, empertigando-se. - Eu tenho observado, ultimamente

você anda sempre cochilando pelos cantos. Não tem dormido muito bem, tem?

- Bem

- Observando? Espionando, você quer dizer.

- Gina começou, mas foi cortada por Luna.

- Cala a boca, Luna! - exclamou Gina, e então virou-se para Harry. - Não ligue para o que ela diz. Você sabe como Luna é

- Sim, claro - Harry disse, rindo constrangido.

- O que você quer afinal? - perguntou Luna, visivelmente irritada.

- Eu?

- Não, minha avó manca.

- Me desculpe, eu só queria conversar. - Harry disse magoado. Obviamente

não compreendia porque Luna estava tratando-o daquela maneira. Não lembrava-

se de ter feito nada de ruim para ela. - Mas se estou incomodando você, pode deixar que eu vou embora. Ele levantou-se de um pulo, e inclinou-se para beijar a bochecha de Gina. Foi um momento constrangedor, pois a ruivinha esquivou-se num primeiro momento. Mas então deixou que os lábios do rapaz tocassem rapidamente sua bochecha.

- Quando você estiver sozinha a gente conversa.

Luna rangia os dentes, literalmente. Estava muito aborrecida. Depois que Harry afastou-se o suficiente, Gina questionou a amiga.

- O que diabos deu em você para tratá-lo daquela maneira?

- Ele é um panaca - resmungou Luna. - E você viu? Fica espionando você!

- Não, ele não fica! É impressão minha ou você está tendo um ataque de

ciúmes? Luna sentou-se, indignada. A boca aberta como a de um peixe fora d'água.

- Eu não estou com ciúmes dele!

- Está sim - concluiu Gina. - Que ridículo, francamente. Ele não sente absolutamente nada por mim, todo mundo sabe disso. Não sei porque toda essa cena.

- E todo mundo também acha que você é completamente apaixonada por

ele.

- E desde quando o que as pessoas pensam afeta você? - perguntou Gina,

bastante ofendida. - Você sabe muito bem que eu gosto de v

pessoa". A discussão das duas estava começando a atrair olhares e ouvidos indesejados, de modo que Luna pôs-se de pé e após resmungar um "Não acho que seja o local ideal para discutir isso" desapareceu pela porta.

daquela "outra

Gina bufou.

- Era só o que me faltava!

Gina decidiu deixar para falar com Luna no dia seguinte, quando esta estivesse menos irritadiça. Era a primeira vez que presenciava um legítimo ataque de ciúmes vindo dela, e isso já fora surpresa o bastante. Luna não costumava demonstrar suas emoções tão a flor da pele assim. Era mais ou menos oito horas quando Gina atravessou o jardim em direção ao campo de Quadribol, onde deveria cumprir sua detenção. A menina não fazia a menor idéia do que teria que fazer. Soprava um vento desagradavelmente gélido, mas não foi isso que fez os cabelos da nuca de Gina se arrepiarem quando constatou quem estava esperando por ela escorado displicentemente nas grades que cercavam o campo.

- Oi - Harry cumprimentou com um sorriso, e inclinou-se para receber um beijo na bochecha de Gina.

- Onde está o Snape? - indagou Gina, confusa.

- Ele não vai aparecer. O pessoal da Sonserina aprontou uma bem feia com uns meninos do segundo ano da Lufa-Lufa - Harry disse com uma careta

Bem doloroso, não tenha dúvidas. Então a profa.

McGonagall ficou responsável pela sua detenção.

desgostosa. - Chá-de-cueca

- E isso é bom ou ruim? - riu Gina. Harry ergueu uma sobrancelha.

- Depende do ponto de vista. O lado bom é que você não terá que cheirar o

sebo dos cabelos de Snape durante uma hora

ajudar a fazer a manutenção das vassouras que o nosso time utilizará na temporada de quadribol. Gina soltou um suspiro e fez uma careta, mas de fato não estava realmente descontente com sua detenção. Passar uma hora em companhia de Harry nunca poderia ser tão ruim, e era decididamente melhor do que agüentar Snape. Harry mostrou a Gina o que deveria fazer com as vassouras e os cuidados que precisava ter. Não era difícil, e ela já sabia a maior parte das coisas.

e o lado ruim é que terá que me

Dividiram meio a meio as tarefas, e enquanto conversavam de maneira estranhamente extrovertida cuidavam da manutenção das vassouras. Então Harry falou de Luna e seu comportamento horas atrás, fazendo Gina remexer-se incomodamente e aparar mais do que devia uma cerda da vassoura de Rony.

- Bem, você sabe como ela é - Gina disse, procurando parecer natural. - Eu

a adoro, é minha melhor amiga, mas não posso dizer que seja a pessoa mais normal do mundo.

franzindo o cenho. - Ela parecia tão aborrecida

comigo hoje a tarde. E eu não me lembro de ter feito nada a ela!

- E você não fez - apressou-se Gina. O rapaz a encarou de maneira

estranha. - Ah

Luna não tem nada contra você, apenas pegou-a num dia ruim.

- Talvez você esteja certa - Harry suspirou, e então deu uma risadinha. - Ela deve estar na TPM.

- Harry, que inútil! Por que todos os homens adoram fazer piadinhas sobre a

TPM feminina? - Gina disse rindo e fingindo indignação. Harry corou um pouco.

- Eu nunca faço piadas de TPM - ele protestou. - Essa foi a primeira vez, e não acho que eu esteja tão errado.

bobo - Gina sacudiu a cabeça. Harry encolheu os ombros

e voltou a se concentrar na vassoura. A menina observou o garoto cuidadosamente. Aquilo tudo era muito estranho. Ela e Harry conversando animadamente como se fossem dois velhos amigos, totalmente íntimos e à vontade. Não era uma coisa que acontecia todos os dias, decididamente. O vento arrepiava ainda mais os cabelos de Harry, deixando- os ainda mais rebeldes do que o natural. Gina sempre achara aquilo a coisa mais gracinha.

-

Não

sei

-

Harry disse

Harry, porque você não tenta esquecer isso? Tenho certeza de que

- Ah, Harry, seu

- O que você está olhando, Ginevra? - indagou Harry de repente,

despertando a garota de seus devaneios. Ele pronunciou seu nome marcando fortemente o "R" numa pronúncia esquisita e cômica.

- Nada, Harry James Potter - Gina falou com uma careta. Harry encarou-a

um pouco surpreso. Certamente não fazia idéia de que ela conhecia o seu nome do

meio. Nem mesmo Rony e Hermione lembravam dele. Aliás, o próprio Harry muitas vezes esquecia que levava do nome de seu pai mais do que o sobrenome. Mas Gina sabia muito mais coisas sobre Harry do que ele jamais imaginaria. A garota sorriu ao pensar nisso.

- Do que você está rindo? - perguntou Harry, desconfiado.

- Não estou rindo, estou sorrindo - corrigiu Gina.

- Sorrindo, eh? - Harry murmurou. - Seria para mim?

Gina achou que seria um tanto grosseiro dizer que sorria para si mesma, então concordou com um breve aceno de cabeça. Harry ficou a fitá-la de maneira bastante estranha. Gina, embaraçada, percebeu que todas as palavras haviam desaparecido da sua cabeça e agora não fazia idéia do que dizer para quebrar o incômodo silêncio. Mas foi Harry quem tomou essa iniciativa, ainda encarando-a daquela maneira esquisita.

- Não sei o que Hermione já lhe falou - ele disse lentamente. Parecia estar se esforçando muito para fazê-lo. - De qualquer forma, acho que você já

percebeu

Gina fez uma expressão de quem não estava entendendo absolutamente nada, o que de fato era verdade. Isso pareceu desencorajar um pouco o rapaz. Mas agora que havia começado, teria de ir até o final. E Gina estava apavorada com a desconfiança que tinha sobre o que ia ouvir a seguir.

tempo que eu - Harry desviou os olhos para seus tênis

surrados. - Bem

mudou, Gina. Não é mais uma menininha. Você é

você

não é?

- Já faz algum

que eu vejo você de uma maneira diferente. Você

linda.

Gina o encarava, paralisada. Simplesmente não sabia o que dizer, e mal podia acreditar que estava ouvindo aquilo da boca de Harry.

- Eu cresci - ela conseguiu murmurar, afinal. - O que você esperava?

- Por favor, não fique ofendida! Acho que eu não soube escolher as palavras

certas. Vou tentar ser mais direto. - E após tomar fôlego, ele disse:- Gosto de você.

Eu realmente gosto muito de você. Horas mais tarde, Gina não saberia contar exatamente como acontecera. Mas o fato é que quando se deu conta Harry estava muito mais próximo do que o apropriado, e então estavam se beijando. Como poderia descrever aquilo? Era tudo o que sempre desejara, mas agora havia outro sentimento que a atormentava. Algo que sibilava em seu ouvido palavras de culpa.

Deitada em sua cama, mais tarde, Gina tentava não pensar. Mas era simplesmente impossível, pois sua cabeça estava fervilhando idéias e seu coração confuso com tantas emoções diferentes.

e

depois da intensidade de relacionamento a que haviam chegado, estava sentindo-se tremendamente culpada. Principalmente porque sabia que nem querendo conseguiria se convencer de que não gostara de ficar com Harry.

O que fizera? Traíra Luna na primeira oportunidade! Como fora fraca

Capítulo

SUFOCANDO

Aquela noite Gina chorou tanto que ao acordar na manhã seguinte seus olhos estavam inchados e vermelhos. Demorou o máximo que pôde para levantar da cama. Então tomou um banho rápido e desceu para tomar café. Sentiu-se

9

aliviada ao constatar que nem Harry nem Luna estava no salão principal, pois não achava que tinha condições de encarar qualquer um dos dois. Hermione, no entanto, estava lá, e lançou-lhe um olhar dos mais significativos deixando Gina desconfiada de que ela já sabia o que acontecera. Percebendo que a garota fazia menção de vir até ela, a ruivinha apanhou alguns biscoitos, que meteu no bolso do casaco, e saiu rapidamente. Não tinha nenhum lugar específico para ir, mas sabia que não queria esbarrar com ninguém conhecido. Deixou que seus pés lhe guiassem para qualquer lugar, e viu-se dando voltas e mais voltas no labirinto de escadas e corredores que era o castelo de Hogwarts. Sempre que ouvia o som de vozes conhecidas desviava- se estrategicamente para longe. No entanto, ao virar distraidamente no corredor de feitiços esbarrou violentamente com alguém. E não precisou nem abrir os olhos para saber que era Luna. Reconheceria seu perfume numa multidão.

- Deveria olhar por onde anda - disse ela, fazendo uma careta de dor. Gina

não disse nada, repentinamente interessada numa aranha que escalava a parede. Luna a fitou detalhadamente.

Então fez alguns ruídos estranhos e, antes que Gina entendesse o que acontecera, a amiga abraçou-a com tanta força que chegava a ser doloroso.

- Lu, o que houve? - perguntou Gina, assustada.

- Eu não queria brigar com você ontem

- Luna murmurava

confusamente. - Eu odeio a idéia de ficar sem você. Eu sei que não falo muito, mas é o meu jeito. Você sabe o que eu sinto.

Gina não fazia idéia do que dizer. Mais do que nunca, sentia-se uma cretina imunda. Olhou para Luna e sentiu-se aliviada ao constatar que ela não estava chorando. Não suportaria isso. Com uma rápida olhada ao redor, as duas entraram numa sala de aula vazia.

A porta mal fechara e os lábios de Luna já estavam nos seus. Com um pouco

mais de força do que o normal Luna a empurrou contra a parede, mordendo seu pescoço e arriscando algumas lambidas. Gina podia sentir seu corpo reagindo às carícias, sua respiração ficando mais rápida e entrecortada a cada minuto. Luna já

conhecia cada pedacinho do corpo de Gina cuidadosamente, e tocava-a com a perfeição de um escultor.

A garota abaixou calmamente sua calcinha com os dedos, começando a fazer aquilo que deixava os joelhos de Gina completamente moles. A ruivinha não conseguiu manter-se de pé e caiu ajoelhada diante de Luna, que agora observava calmamente o resultado de suas ações.

A face de Gina estava corada, e algumas mechas de cabelo ruivo caiam

sobre seus olhos. Para Luna, não havia momento mais perfeito do que esse. E era quando sentia-se completa e feliz. Ela inclinou-se e beijou Gina com sua calma de sempre, sem maiores contatos entre seus corpos. Gostava disso pois provocava a si mesma.

Afastou os cabelos de Gina para trás das orelhas, e encostou sua testa na dela com as mãos ainda segurando seu rosto.

- Você é tudo de precioso que eu tenho - Luna disse num sussurro. - Sem

você, a vida não tem valor.

é que

Gin

- Lu

- Vamos ficar sempre juntas, não é? - indagou Luna, com os olhos brilhando

estranhamente.

- Sempre, Lu - Gina disse, sentindo um aperto horrível no peito. - Sempre, sempre, sempre.

O turbilhão de emoções e sentimentos que crescia cada vez mais dentro de

Gina estava atormentando-a de tal forma que estar na companhia de outras pessoas lhe era uma verdadeira tortura. Também não desejava ter que estar perto

de Luna, pois não podia ignorar a culpa que sentia cada vez que seu olhar encontrava os grandes olhos azuis da amiga. A simples idéia de encontrar Harry outra vez atordoava ainda mais seus sentidos, de modo que Gina optou por isolar- se o máximo possível de tudo e de todos. Para isso, escolheu como esconderijo seu quarto no dormitório feminino. Sua cama nunca parecera tão aconchegante antes, e afundada em um mundo de cobertores e travesseiros Gina chorou até estar tão exausta que adormeceu. Ela não percebeu quando a porta do quarto se abriu delicadamente, e não ouviu os passos suaves aproximando-se de sua cama. Tampouco teve consciência do fato de estar sendo observada atentamente por olhos pensativos. Levando isso em consideração, não é difícil imaginar o quão surpresa Gina ficou ao acordar e descobrir que não estava sozinha.

- Hermione? - Gina disse com a voz abafada, esfregando os olhos para

acordar melhor.

- Gina - a menina disse com um suspiro. - Precisamos ter uma conversa

bastante séria. Perfeito. Uma conversa séria é justamente tudo o que eu estava precisando pensou Gina, e então tentou explicar gentilmente para Hermione que não estava muito disposta para "conversas" naquele dia.

- Eu se fosse você me ouvia - Hermione disse lentamente, encarando-a de

maneira estranha. - Por que existem algumas coisas que eu gostaria de

compreender.

calmo e frio, fazendo Gina colocar-se

instantaneamente na defensiva.

- Estou ouvindo - a ruiva disse, sem conseguir conter um certo sarcasmo em

suas palavras. Hermione não falou imediatamente. Continuou a observar Gina cuidadosamente daquela maneira cheia de suspeita, fazendo a garota remexer-se incomodamente. Então ela finalmente falou.

- Não vou fazer muitos rodeios - Hermione disse, tomando fôlego. - Sinceramente, o que há entre você e Luna?

Gina tomou um susto com a pergunta, que decididamente não esperava. Mas em alguns segundos recompôs-se.

- Ela é a minha melhor amiga - Gina disse, procurando fazer com que aquilo parecesse a coisa mais óbvia do mundo.

O

tom de

voz

da garota

era

- Não adianta mentir pra mim - Hermione disse calma.

- Não estou mentindo. - Gina deu uma risadinha.

- Eu vi e ouvi você e Luna hoje - Mione soltou com um suspiro.

Aquelas palavras foram um verdadeiro balde de água fria para Gina. Ficou sem reação durante alguns segundos, encarando Hermione atordoada.

- Não sei do que você está falando

- Gina, não seja tão boba. Você acha que eu sou burra ou algo assim? Sei

muito bem o que vi, e você sabe melhor ainda o que fez. Agora eu quero que você me responda: o que há realmente entre você e Luna? Gina sabia que seria perda de tempo tentar convencer Hermione de que Luna era apenas sua amiga, pois se ela realmente vira o que acontecera entre elas naquela sala simplesmente não havia argumentos.

- Nós somos - Gina murmurou lentamente. Então percebeu que nunca

parara realmente para pensar em uma denominação para sua relação com Luna. E

foi com uma pontada de estranheza que disse: - amantes. Hermione não esboçou qualquer reação. Não pareceu surpresa, horrorizada ou enojada. Seu rosto era uma máscara sem emoção, e apenas seus olhos continuavam a brilhar de maneira estranha.

- Quando isso começou?

- Depois do Dia das Bruxas - Gina falou, percebendo que não fazia sentido

ocultar informações. - Mas já estava estranho antes disso.

- Como assim "estranho"?

- Eu já estava sentindo desejo por ela antes - Gina resmungou, corando. Era

a primeira vez que falava sobre seus sentimentos por Luna com outra pessoa, e a

sensação não era das mais agradáveis.

- E ela?

- Não faço idéia. Luna não fala muito.

Hermione sacudiu a cabeça lentamente, parecendo perdida em seus próprios pensamentos. Gina a observou, tentando ler a expressão em seus olhos.

- Eu pensei que você gostasse do Harry.

- Sim, eu sei - Gina suspirou. - Eu gostava dele. Mas ele nunca quis nada comigo, eu tinha que esquecê-lo, certo?

- Com uma menina? - indagou Hermione. Gina percebeu o desgosto nas palavras da garota, e seus olhos começaram a arder.

- Não. Eu não procurei isso. Eu não escolhi isso - defendeu-se Gina, a voz trêmula. - Mas eu gosto dela. E muito.

- Gina

- É claro que eu sou! - exclamou Gina. - Mas eu gosto dela! E que direito

isso tudo é um absurdo - Hermione disse. - Você é uma menina!

você acha que

tem para me

julgar? Ou pior, para

sair

por aí

me

seguindo e

espionando!

só queria falar com você - defendeu-se

Hermione. - E acabei vendo mais do que devia. Nunca foi minha intenção espionar

você.

- Por que você não vai cuidar da sua própria vida? - Gina falou, cheia de

raiva.

- Você está me interpretando mal - Hermione disse, tentando acalmar a

- Eu achei que havia algo estranho

garota. - Só quero ajudar você, Gina! Você está passando por uma faze confusa

é

natural toda essa bagunça em seus sentimentos. Mas eu sei que você não é pode ser

não

- Não posso ser o que?

- Lésbica - sussurrou Hermione, como se aquela palavra pudesse derrubar o teto do quarto sobre a cabeça delas.

eu

sempre gostei de estar com meninos.

- Exatamente! E é por isso que eu digo, tudo isso não passa de uma grande

confusão! E eu vou ajudar você a se livrar disso, Gina. Por favor, não me veja como

uma inimiga, ok? Gina havia se levantado e estava caminhando de um lado para o outro do quarto bastante irritada. Quem Hermione achava que era para se meter desse jeito na sua vida?

- É claro que eu não sou lésbica! - exclamou Gina. - Você sabe que eu

-

Você vai contar para alguém? - perguntou Gina, de repente.

 

-

Não

- Hermione disse. - Não há motivos. Isso é passageiro

vamos

superar, eu vou ajudar você. Gina deu uma risadinha sarcástica.

- Quem é você para dizer o que eu devo ou não fazer? A vida é minha, e se eu quiser continuar com a Luna

- Então terei que contar ao Rony o que está se passando - Hermione disse, bastante séria. Não parecia uma ameaça. Mas era.

- Você não tem esse direito - Gina murmurou, sentindo que estava ficando difícil raciocinar por causa da dor em sua cabeça.

- Gina, entenda - Hermione falou num tom maternal. - Eu estou apenas querendo ajudá-la

- Não, não está! Você por acaso já parou para pensar que existem muitas

pessoas envolvidas nessa história? Os sentimentos da Luna também estão em jogo! E tem

- o Harry - completou Hermione calmamente. - Pois é, tem o Harry. Ele gosta de você. Gina sacudiu a cabeça, virando-se para a janela.

- Eu sei.

- Você não sente mais nada por ele?

- Eu sinto. Mas não é a mesma coisa.

Seguiu-se um longo silêncio, no qual nenhuma das duas ousou se encarar. Então Hermione ficou de pé e caminhou lentamente até a porta.

- Você tem o tempo que quiser para pensar - Hermione falou suavemente,

de costas para Gina. - Mas não se esqueça que, se você insistir nessa loucura com Luna, serei obrigada a contar ao Rony o que está acontecendo. E já não estará mais nas minhas mãos. Assim que Hermione deixou o quarto Gina virou para o lado e começou a chorar compulsivamente. Por que tinha que ser tão difícil? Não era justo. Era horrível, aquela dor. Ficava difícil até respirar. E não podia esquecer ou fugir do seu tormento, que só parecia aumentar a cada minuto.

Capítulo

10

TEMPO, O TEMPO

Gina acordou com um ruído no meio da madrugada. Sua cabeça estava latejando e sentia seus olhos inchados. Quando a cabeça de Luna apareceu do meio das cortinas, Gina não se surpreendeu. As visitas noturnas da amiga já eram rotina nos finais de semana.

- Você está acordada? - sussurrou Luna, subindo na cama.

- Estou - respondeu Gina numa voz que não parecia lhe pertencer. - Luna hoje eu estou muito cansada. Eu queria dormir, está bem?

Luna ficou alguns minutos examinando-a, e então fez menção de sair da cama. Gina percebeu que não queria que ela fosse. A presença de Luna era, de algum modo, reconfortante apesar de tudo. Com um movimento rápido, segurou a mão da garota. Ela voltou-se para encará-la.

- Você não precisar ir.

- Eu não quero atrapalhar o seu sono - Luna disse calmamente.

nem que seja só até

eu dormir. Afinal, você me acordou. - Gina pediu. - Por favor Luna a fitou por alguns momentos, e então arrastou-se para baixo das cobertas junto com Gina. Pensando nessa noite algum tempo depois, Gina poderia se lembrar com clareza de cada sensação, cada pensamento que lhe viera a cabeça tendo Luna aconchegada junto dela naquele silêncio cúmplice que só elas conheciam. Os olhos azuis da garota a observavam atentamente, e Gina teve certeza de que mesmo depois de pegar no sono Luna ainda a estava vigiando.

Ela podia sentir a respiração da amiga perto do seu ouvido, uma sensação que conseguiu lhe trazer algum conforto. Muito lentamente os olhos de Gina foram ficando pesados, e ela acabou por adormecer segurando a mão de Luna. E em seus sonhos, ouviu uma voz sussurrando em seu ouvido “Gina, eu amo você. Nunca esqueça disso.”

- Não vai atrapalhar. Eu quero que você fique comigo

- Nunca – Gina murmurou.

"E o vento vai levando tudo embora Agora está tão longe Vê, a linha do horizonte me distrai Dos nossos planos é que tenho mais saudade Quando olhávamos juntos na mesma direção Aonde está você agora

Além de aqui dentro de mim? (

)"

É uma coisa curiosa como as coisas tendem a mudar de um dia para o

outro, antes mesmo que você tenha consciência de que está acontecendo. Então, um dia, você acorda e descobre que tudo está diferente, e já não há mais nada que você possa fazer para evitar. Como o vento, o tempo passa; Frio, cruel, impiedoso.

Afastando tudo e todos, transformando a vida das pessoas. E foi isso o que aconteceu com Luna. Um dia, ela estava deitada na cama de Gina, zelando pelo sono da amiga. No outro, estava sozinha em uma carteira no fundo da sala de aula, isolada. Exatamente como tudo começara, há anos atrás. Mas dessa vez não havia Gina para lhe estender a mão. Ela começou a evitá-la. Luna não era boba ou ingênua, ao contrário do que muitos podiam pensar a seu respeito. Sentia que havia algo errado. Sabia que algo entre elas havia se quebrado, mas não conseguia identificar as rachaduras para que pudesse tentar concertar. Algumas vezes, sentia vontade de gritar. Outras, de correr para Gina e abraçá-la com tanta força que fosse difícil para a garota respirar. Mas, na maior parte do tempo, apenas observava. Observava Gina se afastando cada vez mais.

E havia aquela sombra nos olhos dela. Algo ruim. Tinha certeza de Gina

estava sufocando, exatamente como ela. Mas não conseguia entender por quê. Luna sentira como uma facada, naquela última noite no dormitório da Grifinória; Sentira que era o fim, mas não queria acreditar.

O tempo foi passando, e a horas se tornaram dias; Os dias se tornaram

semanas, e as semanas viraram meses. E agora Luna já não tinha mais certeza de que podia dizer que conhecia Gina Weasley. Ela escorregara para fora da sua vida muito rápido. Luna sabia que ela estava saindo com Harry Potter. Ouvira Cho Chang comentar com umas amigas no salão comunal, certa vez. E, de algum modo, não sentiu-se realmente surpresa. No fundo sempre soubera que isso acabaria acontecendo. Tinha sido boba em confiar. Mas Gina fizera Luna acreditar que nunca mais estaria sozinha, e agora ela a abandonava. Do mesmo modo como sua mãe Exatamente igual. De fato, existiam muitas outras semelhanças entre as duas. Talvez por isso Luna tivesse se deixado levar tão facilmente.

A pele de Gina tinha o mesmo cheiro de maçãs secas que a de sua mãe e, é

claro, também havia os olhos. Brilhavam de maneira muito singular, inspirando confiança. Luna costumava passar horas fitando os olhos de Gina – azuis, mas não como os seus. Eram mais densos, como a água de uma lagoa escura.

Mas ela já não podia reconhecer os olhos de Gina como antes. Gina se tornara uma mentirosa. Andava cercada de meninas, agora. O tipo de companhia que ela costumava desprezar. Eram todas interesseiras, e nenhuma delas se importava realmente com Gina – e Luna tinha certeza de que ela também não se importava com suas novas amigas. Era tudo um jogo, e Luna sentia que estava sentada na platéia de um grande circo de mentiras.

O que acontecera com a Gina que ela conhecera? A Gina que pegara sua

mãe e mostrara o caminho tantas vezes, quando estava perdida? Onde ela fora

parar?

Pois Luna a queria de volta. Houve uma vez em que Luna chegou a achar que as coisas estavam começando a voltar ao normal. Foi numa Sexta-feira, no intervalo entre a aula de

Poções e a de Transfiguração. Luna estava caminhando distraidamente pelo corredor, como de costume, e estava lendo a nova edição do Pasquim que recebera aquela manhã durante o café. Lembrando-se do acontecido algumas horas depois, Luna não conseguiria dizer com certeza como se deram os fatos. Tinha a impressão de que alguém havia dito alguma coisa, e não percebera que estavam falando com ela. Então sentiu um puxão na gola de sua camisa.

- Loony, você não tem educação?

Luna se virou para encarar três das suas colegas de quarto, Anne, Janine e Victoria. Ela piscou. Desde que colocara os pés naquele castelo, aquelas garotas haviam deixado bastante claro que não gostavam nem um pouco da sua pessoa, e sempre que possível faziam todo o tipo de brincadeira de mal gosto com Luna. Elas passavam o ano inteiro escondendo as coisas de Luna pelo castelo, e a garota sempre precisava gastar um dia inteiro para encontrar tudo – quando encontrava.

- Não vi vocês – Luna disse, ainda perdida em seus devaneios.

- É claro que não – disse Victoria, a mais alta das três. Ela tinha dentes

muito grandes para o tamanho da sua boca, e Luna sentia-se agoniada quando

precisava ficar olhando para a colega por muito tempo. – Você nunca presta atenção em nada, realmente. As garotas deram gargalhadas.

– O que é isso que você está lendo, Lovegood? – perguntou Anne maldosa, e antes que Luna pudesse ter qualquer reação, arrancou a revista das suas mãos.

-

Me devolva – Luna pediu com um suspiro.

-

Ah, é claro – Janine deu uma risadinha. – Aquele lixo que o seu pai

escreve.

-

Não é lixo – Luna disse calmamente. – Pode me devolver, por favor?

- Acho que você não deveria ler essas coisas, Lovegood – Anne disse sacudindo a revista na ponta dos dedos. – Você já consegue ser retardada o bastante sem essas influências.

As garotas tiveram outro acesso de risadas, e Luna começou a sentir-se irritada. Fez um movimento para recuperar a revista, mas Anne percebeu e se esquivou a tempo.

- Uhhh – fizeram as três em uníssono. – Está ficando nervosinha, Loony?

- Devolva

- Ei, Timmy! Pega aí! – Anne berrou para o garoto que estava passando, e

jogou a revista para ele. Luna virou-se para o rapaz. Ela o conhecia, era jogador do time de quadribol da Corvinal. Pediu que ele lhe devolvesse. Tim pareceu confuso em um primeiro momento, mas as três garotas berraram histericamente para que ele não entregasse a revista para Luna. Então o garoto sorriu e jogou-a para seu outro colega, que, por sua vez, passou para Janine.

Era uma situação realmente humilhante para Luna. Em poucos minutos havia se formado uma rodinha em torno dela, e seus colegas ficavam jogando a revista de mão em mão, deixando Luna correr de um lado para o outro tentando recuperá-la.

o

exemplar do Pasquim voou das garras de Victoria para as mãos de

- Ei, Gin, passa a revista! – disse Anne. Luna sabia que elas andavam juntas de vez em quando, e costumavam fazer os trabalhos de Poções em conjunto.

Luna olhou para Gina, que estava irritada. Sim, Luna sabia que ela estava furiosa, pois conhecia cada expressão e cada reação da garota com quem convivera tão intensamente aquele ano. A ruiva bufou, deu alguns passos e entregou a revista para Luna sem olhá-la.

- Accio! – exclamou uma voz, aquela

voz tão conhecida de

Luna, e

Gina.

- Ah, Gina! Não seja chata

- Vão achar o que fazer – Gina disse aborrecida.

– protestaram os garotos.

- Só estávamos brincando – Janine resmungou.

- É, Gin, era só uma brincadeira

- E é uma coisa realmente estúpida para se fazer – Gina revirou os olhos.

O grupinho foi se dissolvendo lentamente, e Anne, Janine e Victoria desapareceram na curva do corredor lançando olhares fulminantes para Gina e sibilando maldições contra a garota. Gina os observou ir embora com os braços cruzados. Então, virou-se para

Luna.

- Realmente idiotas, não acha? – Gina falou, sacudindo a cabeça. – Você não devia deixar eles fazerem essas coisas com você.

- Já estou acostumada – Luna encolheu os ombros.

- Bem, não devia – Gina disse com ar de censura. – As pessoas decentes

costumam respeitar uns aos outros, mas quando você lida com gente como eles – ela fez um movimento com a cabeça -, infelizmente é necessário impor respeito. Eu já lhe disse isso um milhão de vezes, Lu

Luna sorriu para a garota. Naquele momento, parecia que nada havia mudado e que os últimos meses não haviam passado de um dos devaneios de Luna. Muito lentamente, Gina retribuiu o sorriso.

- Você vai a Hogsmeade amanhã? – Luna perguntou.

- Não sei, talvez – Gina disse. – Você vai?

- Talvez – Luna falou. Pensou por alguns momentos e disse. – Mas se você ficar no castelo, eu fico.

Elas se encararam longamente durante alguns segundos. Gina sabia o que Luna estava querendo dizer, e parecia bastante tentada a aceitar.

- Não sei

- Fique comigo – Luna pediu. – Gin

Os lábios de Gina tremeram levemente, e por um momento Luna teve certeza de que ela aceitaria. Sem que tivessem percebido, haviam se aproximado muito uma da outra. As duas eram praticamente da mesma altura – Luna era alguns poucos centímetros maior -, de modo que bastava um impulso de qualquer uma das partes para que seus lábios se encontrassem. E tanto Gina quanto Luna estavam bastante conscientes disso.

eu – Gina murmurou, mas nesse momento o som de vozes invadiu o

corredor, e ela se afastou rapidamente. Harry, Rony e Hermione vinham se aproximando.

- Lu

- Ei, Gina! – Harry chamou sorridente.

- Oi! – Gina acenou, e então voltou-se para Luna. – Sinto muito.

E correu até o trio, afastando-se rapidamente com eles e jogando em Luna um grande balde de água gelada. O afastamento de Gina e Luna não fora algo muito notado pela maior parte dos alunos da escola, já que Luna sempre fora insignificante para eles, e Gina só começara a atrair o interesse de toda aquela gente popular porque estava saindo com Harry – e quando o assunto era ele, não havia uma única alma naquele castelo que não estivesse curiosa. No entanto, uma pessoa em especial percebeu o que estava acontecendo. Quando a profa. McGonagall pediu para falar com ela no final daquela aula de Transfiguração, Luna sentiu-se um pouco nervosa, imaginando o que poderia ter feito de errado. Minerva esperou até todos os alunos saírem para começar a falar, e nesse meio tempo Luna ficou observando-a rabiscar alguma coisa em um pedaço de pergaminho velho. Então quando a última pessoa saiu, encostando a porta atrás de si a pedido de McGonagall, a professora ergueu os olhos para Luna e deu-lhe um sorriso gentil. Luna piscou. Ver McGonagall sorrindo não era uma coisa muito comum e, de fato, parecia que a bruxa estava fazendo um enorme esforço para mover os músculos de seu rosto naquilo. Luna perguntava-se se ela sempre fora assim. Será que Minerva

McGonagall nascera sem saber sorrir? Não, é claro que não. Ela provavelmente esquecera. Afinal, raramente praticava

- Como você está, Srta. Lovegood? – a voz da professora trouxe Luna de volta dos seus devaneios.

- Bem, eu acho – Luna respondeu lentamente. – E a senhora?

- Eu tenho observado você nos últimos tempos – Minerva continuou, ignorando a pergunta de Luna. Não sabia que a garota realmente estava

interessada em saber como ela estava passando. Seus outros alunos nunca

Mas às vezes ela esquecia que Luna Lovegood não era uma aluna

qualquer. Ela era diferente, especial. E olhar nos olhos dela era quase como se estivesse vendo a falecida Diana Lovegood outra vez. – Você tem andado muito sozinha, não é? Por quê?

- Acho que as pessoas não gostam muito da minha companhia – Luna disse pensativa. – Eles acham que sou um pouco excêntrica, sabe McGonagall ajeitou os óculos sobre o nariz.

- E a Srta. Weasley? – indagou McGonagall apertando os olhos como se

quisesse ler através do crânio de Luna. Não era uma sensação muito confortável. –

Você costumavam andar sempre juntas e, de repente, mal se falam mais. Aconteceu alguma coisa? Vocês brigaram ou algo do tipo? Luna meditou por alguns momentos.

- Ela tem outros amigos agora, e eles não gostam de mim – respondeu,

afinal. – Ou, talvez

estavam

Ela também não goste mais de mim. Eu não sei.

McGonagall respirou profundamente.

- Você não precisa esconder de mim, Luna. Não precisa mentir. Eu entendo o que você está sentindo, quero apenas ajudar.

- Não estou mentindo.

Então me diga, o que de fato aconteceu entre tenham cortado relações tão repentinamente?

-

você e Gina para

que

-

Eu

não

cortei relações

com

a Gina,

foi ela quem

se

afastou –

Luna

respondeu com irritação.

- É por causa do Potter, não é? – Minerva perguntou. Luna fitou a professora

e, surpresa, pôde identificar alguma cumplicidade em seu olhar. Então sacudiu a cabeça muito lentamente.

- Não sei. Talvez.

McGonagall estendeu a mão sobre a mesa e tocou carinhosamente a da

aluna.

- Vai ficar tudo bem, minha querida, eu vou ajudar você

- Ajudar? – Luna indagou.

- Sim, ajudá-la.

- Ajudar a quê?

- A superar esse problema

Luna puxou a mão com hostilidade, e pôs-se de pé irritada.

- Eu não tenho nada para superar, e não preciso da sua ajuda – Luna disse

com a voz um pouco elevada. – Na minha opinião, são as pessoas falsas que mentem para si mesmas que precisam de ajuda.

Luna deu as costas para Minerva, e caminhou até a porta. Estendeu a mão para a maçaneta.

- Lovegood – a professora disse cansada.

Luna parou, os olhos baixos; cabelo lhe caindo sobre as vistas. Pensou por alguns momentos, e então, antes de ir, murmurou lentamente sem se virar:

- Depois da minha mãe, Gina foi a única pessoa que já me amou. Acho que vou morrer sem ela.

- Gina, você está longe.

A garota abriu os olhos. O rosto de Harry estava lá, olhando para ela com o

esboço de um sorriso em seus lábios.

- Desculpe, Harry – Gina disse. – Acho que cochilei.

- Não, não cochilou – Harry afirmou. – As pálpebras de seus olhos estavam

tremendo, de modo que posso deduzir que você estava forçando-as a ficarem

fechadas.

Gina ergueu uma sobrancelha, aborrecida. Fez menção de se levantar, mas Harry a puxou de volta.

- Tudo bem, eu não estava brigando. Foi apenas uma constatação.

Gina suspirou e deitou a cabeça novamente no colo do rapaz. Eles estavam em uma poltrona espaçosa no salão comunal da Grifinória, que tinha um movimento considerável naquele fim de tarde. Ela olhou para Harry, que sorria. Pensou em como era espantosa a velocidade com que o tempo havia passado. Dois meses! Estavam juntos há dois meses. Realmente, era muito mais do que ela jamais imaginara.

Não era ruim, sinceramente falando. Harry era uma companhia muito agradável, e era um doce de namorado. Um pouco inexperiente, é verdade, mas ele

estava aprendendo rápido

juntos, eles trocaram as famosas “listas” – Harry lhe falou sobre as meninas com quem se envolvera, e vice e versa. Se ele fora realmente sincero – e Gina acreditava que sim -, Harry não tivera muitas experiências amorosas antes dela. Seu primeiro beijo fora com Cho Chang, e ele ficara com ela umas duas vezes no sexto ano. Então Cho lhe deu um pé-na-bunda definitivo, e Harry aceitou sair com Parvati apenas para colocar ciúmes nela. Não foram mais do que três ou quatro vezes, até Harry perceber que estava sentindo algo mais forte por Gina. E lá estavam eles agora, juntos como o casal mais perfeito de Hogwarts.

Bem rápido. Numa das noites que passaram acordados

Gina, por sua vez, tivera muito mais coisas para contar a Harry.

- Neville? Neville? – Harry disse, incrédulo, quando Gina lhe disse que seu primeiro beijo fora com o garoto. – Não, falando sério, Gin

- Estou falando sério! – Gina exclamou. – Você queria o que? Ele era o único garoto interessado em mim, naquela época. Harry resmungou qualquer coisa.

- Ok, vamos trabalhar isso. Eu não acredito que você esteja com ciúmes do

Neville!

Harry protestou cheio de

indignação, e Gina passou o resto do dia tirando sarro da cara do garoto por causa disso.

Gina falara sobre seu primeiro namorado, um garoto da Corvinal, e sobre seu relacionamento atribulado com Dino Thomas. Antes dele, é claro, houve Justino Finch-Fletchley, Tim Crown e um único beijo em Lino Jordan, quando ele fora passar um final de semana na Toca com Fred e Jorge.

- Que pervertido! – Harry disse com uma careta. – Atacando uma garotinha

inocente Gina deu uma risada.

-

Eu

não

estou com ciúmes do

Neville! –

-

Na realidade, fui eu quem o beijou

-

Oh, claro. Eu devia ter imaginado – Harry sacudiu a cabeça.

-

Algum problema? Eu sou uma garota de iniciativa – Gina encolheu os

ombros.

-

É, sei. Então, é só isso, ou você tem mais alguma história para mim?

- Não, isso é tudo - Gina não falou de Luna, é claro. De todos os seus casos, aquele que mais lhe importara, e ela nem podia falar sobre o assunto.

E doía pensar em Luna. Tanto, que Gina decidira simplesmente ignorar. Pedir

que esquecesse seria demais, mas com algum esforço podia fazer de conta que tudo estava bem. Já passara da fase de chorar – isso fora nas primeiras duas semanas. Então foi como se as lágrimas simplesmente tivesse secado

naturalmente, e ela já não tinha como voltar a chorar. Tinha a sensação de que algo dentro de si havia morrido, e apodrecia lentamente, corroendo sua alma e infectando todas as partes do seu ser de maneira mortal. No que ela, Gina, havia se transformado? Em que tipo de pessoa? Uma falsa, vagabunda e mentirosa. Tinha essa idéia clara em sua mente cada vez que Harry a beijava e ela se pegava pensando em Luna, e em como a boca da amiga era milhares de vezes mais doce e macia do que a do namorado. E no modo como

ela beijava, lenta e cuidadosamente. Harry era tão desajeitado

costumam ser. De fato, Gina não podia dizer que tivesse, algum dia, sido beijada por um menino com a mesma perfeição de Luna. Gina sabia que ela estava sofrendo. Podia ler naqueles olhos que só ela conhecia perfeitamente, e sabia que Luna estava sentindo muito fortemente a separação das duas – talvez mais do que Gina. Mas não havia nada que pudesse fazer. Simplesmente não podiam mais estar juntas, e é claro que Luna não conseguia entender isso. Muitas foram as vezes em que Gina desejou puxar a amiga para junto de si e abraça-la com força, bem junto a seu peito, para que pudesse arrancar toda a dor de dentro dela e esquecer todos os dias negros que passaram separadas. Outra situação difícil pela qual vinha passando era a convivência com Hermione. Não podia demonstrar o quanto a desprezava diante de Harry e Rony, pois nenhum deles entenderia. Então precisava fazer o possível para ser natural e tratar a garota com gentileza, quando na verdade desejava bater no rosto de Hermione e berrar para quem quisesse ouvir o quão terrível ela estava sendo; Como ela estava destruindo a sua vida, fazendo com que participasse de um teatro dolorosamente cruel, do qual jamais desejara fazer parte.

Como os garotos

Gina queria poder simplesmente jogar tudo para o alto, e desafiar Hermione, Rony e toda a sua família, se fosse preciso, para ter aquilo que agora, mais do que nunca, sabia desejar para si – Luna ao seu lado. Mas era covarde demais para isso. Não poderia suportar ver o desgosto nos olhos de seus pais e irmãos. A imagem lhe vinha sempre em devaneios: toda a família reunida na cozinha da Toca, e Gina parada no centro sob os olhares estarrecidos de todos; Sua mãe desabando no choro, e seu pai sacudindo a cabeça e murmurando “Pelas barbas do profeta, onde foi que eu errei?”; Fred e Jorge fariam piadas a seu respeito nas reuniões familiares, e todos dariam risadinhas contidas quando seu nome fosse mencionado

“É, essa mesmo. A filha do

Arthur e da Molly

em uma conversa. “Gina? Ah, claro. Aquela que ”

Os olhos de Gina enchiam-se de lágrimas cada vez que pensava nisso, e ela sentia uma leve vertigem na cabeça. Céus, não era essa a vida que desejava para si. Era demais para ela. Não conseguiria lidar com isso. Portanto, mesmo que isso significasse estraçalhar o seu coração, ela jamais voltaria a ser a mesma pessoa com Luna novamente.

“Eh. Ela nunca me pareceu muito normal, se quer saber.”

Jamais. "Sei que faço isso para esquecer Eu deixo a onda me acertar E o vento vai levando tudo embora” Vento no litoral - Legião Urbana

Capítulo

CLEÓPATRA E OS MENINOS PERDIDOS

Uma chuva fina caía lentamente sobre o castelo, e uma brisa gelada parecia persistir em entrar por casa fresta aberta na construção. Um raio riscou o céu, e Gina sentiu um arrepio percorrer a sua espinha. Levantou a gola do casaco, e voltou a sua atenção para o livro que lia.

11

As aulas daquele dia já haviam acabado, e Gina decidira que a melhor maneira de ocupar o seu tempo livre era lendo alguma coisa que distraísse seus pensamentos da maldita realidade em que vivia. 'Peter Pan e os meninos perdidos'. Gina não estava muito certa do motivo que a levou a escolher esse livro, entre tantos outros. Não estava muito acostumada a ler literatura trouxa, mas não podia deixar de reconhecer que aqueles caras tinham muita imaginação. Um menino que não queria crescer, e vinha da Terra do Nunca para ouvir as estórias que a doce Wendy contava aos seus irmãos. Era interessante. Um pouco infantil, porém, interessante.

Gina não pôde deixar de pensar que aquele livro fazia bem o estilo de Luna. Instintivamente, abriu a contracapa do volume para espiar a ficha de empréstimos. Conforme imaginara, lá estava registrado o nome de Luna, em sua caligrafia rabiscada, nada mais nada menos que seis vezes consecutivas. Gina sorriu tristemente, e deslizou os dedos por sobre a folha. Oh, céus, sentia tanta falta

- E então, o que está esperando? - Luna indagou, olhando distraidamente

para o céu enquanto brincava com o cabelo de Gina.

- Esperando para quê?

- Para começar a contar a história da sua vida - Luna respondeu, como se

aquilo fosse a coisa mais óbvia do mundo. Era um fim de tarde agradável, e o sol se punha no horizonte sob os olhares das meninas, que haviam escapado da última aula da tarde para deitarem sobre a mureta da Torre Norte e observarem o dia morrer. Elas estavam dividindo displicentemente um cigarro - Gina segurava e Luna tragava -, apenas aproveitando o momento juntas.

- Não há nada de interessante na 'história da minha vida', Lu, você ficaria

entediada - Gina retrucou, batendo com o indicador no cigarro para que as cinzas

caíssem e levando-o outra vez para os lábios de Luna.

- Gina - Luna disse calmamente - Quantos anos você tem?

- Quinze. Você devia saber disso

- Gina falou um pouco magoada, mas

Luna ignorou esse detalhe.

- Quinze anos. Então você certamente tem alguma coisa para contar. E Gin

- Luna expeliu a fumaça lentamente. - Quando é que você vai aprender que tudo

que tem a ver com você me interessa? Gina suspirou.

- Ok. O que você quer saber?

- Qualquer coisa. Conte o primeiro episódio que lhe vier à cabeça.

Gina pensou um pouco e, antes de começar a falar, deu um trago no cigarro. Era curioso, mas já não se sentia tão aborrecida com relação ao fumo. Só pegava no pé da amiga por puro hábito, e também porque adorava quando Luna a calava cm um beijo. De fato, a garota até lhe dera algumas aulas sobre como fumar sem ter um acesso de tosse incontrolável.

- Uma vez, quando eu tinha seis anos, papai nos levou para acampar no

lago. E eu estava apavorada, porque Fred e Jorge haviam me contado uma porção

de estórias sobre os sereianos

que era preciso tomar cuidado ao entrar no lago, pois os sereianos podiam se zangar com a agitação da água e puxar um de nós para o fundo. Então, eu fiquei observando todos nadando e se divertindo na água, de pé sobre uma pedra. De repente, Fred começou a se debater e a berrar "Socorro! Socorro! Eles me pegaram! Salve-se quem puder!", e eu acreditei e, oh, fiquei tão apavorada! Acabei escorregando no limo da pedra e caindo.

Disseram que havia uma colônia cheia deles lá, e

Luna deu uma risada. - Ah, doce Gina bobinha Gina fechou a cara.

- Não é engraçado - resmungou. - Esse incidente me presenteu com uma cicatriz no joelho.

- É mesmo? - Luna indagou, surpresa e interessada - Nunca reparei.

- Então você não é muito observadora - Gina disse aborrecida.

- Sinto muito - Luna falou pensativamente. - Mas você há de convir comigo que, normalmente, estou ocupada com o que está acima dos seus joelhos Gina corou levemente, mas Luna não reparou. Posso ver a cicatriz?

- Não - Gina respondeu, orgulhosa.

- Por que?

- Porque não.

- Não é justo. Você pode ver a minha, também tenho o direito de ver a sua! - protestou a menina.

- Eu posso ver a sua porque está acima dos joelhos - Gina retrucou, irônica. - Não é assim que funciona?

- Prometo não fumar por uma semana se você mostrar.

- Não, obrigada, Graças a você, eu também sou fumante agora, de modo que não me incomodo mais. - Ah, Gin! Não seja má! - exclamou Luna.

Gina deu um último trago no cigarro, e deixou a ponta escorregar por entre seus dedos.

- Ok - disse, e abaixou a meia da sua perna direita.

- Não consigo ver - Luna reclamou.

Gina apanhou a mão dela e colocou sobre a cicatriz. Sentiu os dedos de Luna tocando-a gentilmente. "É, está aqui", a menina constatou.

Então, muito lentamente, foi deslizando os dedos para cima da coxa de Gina, entre as pernas da ruivinha. A respiração da caçula Weasley falhou por um momento.

- Quando eu toco você aqui - Luna sussurrou em seu ouvido. - sua pele

queima sob meus dedos. - Ah - Gina exclamou, tonta - Luna, é melhor não

- Ninguém vai chegar.

- Eu sei. Mas estamos em uma mureta no topo da torre mais alta do castelo,

e, sinceramente, eu sei o efeito que você tem sobre mim. Vou perder o equilíbrio, e se eu cair você vem junto.

- Eu não vou deixar você cair - Luna afirmou com tranqüilidade - Gina, eu nunca deixaria você cair O último raio de sol desapareceu no poente.

- Gina murmurou, os olhos úmidos sob a dor daquela lembrança

maldosa que lhe abatera tão repentinamente. - Lu, eu sinto muito. Eu caí e puxei

você comigo

- Lu

Sinto muito

Gina estava deitada em sua cama no dormitório feminino, sozinha. Conseguira se livrar das suas 'amigas' alegando uma dor de cabeça. Harry, compreensivo como sempre, ofereceu-se para lhe fazer uma massagem, mas Gina agradeceu e dispensou, recolhendo-se em seguida.

O clique da porta se abrindo lhe atraiu a atenção, e Gina espiou para fora da

cama para ver de quem se tratava.

-

Olá - disse Hermione.

O

rosto de Gina se fechou.

-

O que você quer? - perguntou, na defensiva.

- Quanta agressividade - comentou Hermione, sentando-se na beirada de uma das camas. - Só vim ver se você está bem.

- Eu certamente estava melhor até você chegar - Gina respondeu friamente,

e voltou os olhos para o teto. Procurou ignorar Hermione da melhor maneira possível, mas não era uma tarefa muito fácil.

- Eh - Hermione sorriu lentamente. - Estava pensando nela, não é? Gina voltou-se para a garota com irritação.

- O que foi? Agora vai querer controlar até os meus pensamentos?

- Eu não disse isso - defendeu-se Mione. - Só achei curioso você estar lendo

Não achei que fosse o seu estilo. Mas Luna já alugou

um livro como

Peter Pan

várias vezes, não é?

- Hermione, quando é que você vai aprender que a minha vida não lhe diz

respeito? Eu leio o livro que eu quiser, e se você não gosta, estou pouco ligando.

- Ok, Gina, eu só

- Você nada - Gina exclamou, levantando-se com violência. - Faça um favor

a si mesma e pare de se intrometer no que não é da sua conta, antes que eu esqueça que algum dia tive qualquer consideração pela sua pessoa e quebre essa sua cara de sonsa.

E dizendo isso, Gina passou rapidamente por Hermione, empurrando-a, e

bateu a porta atrás de si. Inferno, será que não podia nem ficar sozinha? Quem diabos Hermione pensava que era para se achar no direito de controlá-la daquela maneira? Era um absurdo, Gina simplesmente não suportava mais. Gostaria de ter um pouco de pó mágico da fada Sininho, para poder voar para bem longe dali. Enquanto caminhava pelos corredores do castelo, Gina tinha plena noção de que estava sendo imprudente ao extremo, e sabia que os riscos de ser apanhada por Filch eram enormes. Acabou decidindo por refugiar-se dentro do salão de inverno, onde sabia que o zelador raramente ia pois não conseguia suportar o calor das seis lareiras que aqueciam o ambiente.

Exausta, Gina largou-se em uma poltrona, e adormeceu ainda a remoer sua mais recente briga com Hermione.

A noite estava fria e escura, apesar de a chuva já ter parado de cair. O céu

era preto, sem estrelas visíveis, e a lua estava oculta sob nuvens negras. E mais

uma vez lá estava ela observando as trevas

Luna deu um último trago no cigarro e amassou a ponta na pedra fria do muro. Com um pulo, desceu para a segurança do chão e caminhou lentamente para dentro do castelo. Silenciosa, esgueirou-se escada a baixo, mantendo os ouvidos atentos a qualquer ruído suspeito. Não conseguira dormir aquela noite, como de costume. Pode-se dizer que, de fato, Luna era uma insone. Durante a maior parte da sua vida, dormir sempre fora uma dificuldade. Simplesmente não conseguia, por mais que tentasse.

O sono costumava chegar somente quando o dia estava prestes a amanhecer, de modo que uma das suas características físicas mais marcantes era os olhos arregalados com olheiras escuras e profundas sob eles. Mas houve um

tempo em que Luna dormia bem

Mas pensar nesse passado era doloroso, e cada vez mais tinha a impressão de que tudo não passara de um sonho muito real.

A garota virou à direita na curva do corredor, caminhando a passos leves.

Sob os braços, o livro que pegara na biblioteca para ajudar aquela noite a passar

mais rápido. Precisava de um lugar para fazer sua leitura, e levando em conta o fato de ter esquecido de apanhar um casaco mais quente, decidiu que o salão de inverno era uma excelente opção. Esgueirou-se para dentro daquela que era a sala mais quente e confortável do castelo, sentindo imediatamente o seu rosto corar com o calor do ambiente. Passou os olhos rapidamente pelo local, constatando que estava vazio, e então

sozinha.

quando passava a noite com Gina.

largou-se em sua poltrona preferida. Ajeitou-se aconchegada nas almofadas, e só então abriu seu livro. Tratava-se de uma narrativa dramática, sobre o amor condenado de Cleópatra e Marco Antônio. Não era exatamente o tipo de livro que Luna gostava de ler. Sinceramente, quando entrara na biblioteca horas atrás, tinha a intenção de pegar mais uma vez a sua estória preferida, de Peter Pan e a Terra do Nunca. Mas alguém fora mais rápido e conseguira o livro antes dela, o que era bastante intrigante, já que quase ninguém lia escritos trouxas naquela escola. Luna, no entanto, não se importava. Peter Pan sempre fora, desde cedo, o seu maior herói. Uma criança que não queria crescer! Luna sabia como era isso. Também não queria crescer. Nunca desejara. Crescer para se tornar mais uma hipócrita no mundo? Não, obrigada.

Assim como ele, encontrara

Dispensava totalmente. Mas não era como Peter

alguém para ensinar a voar. Uma ‘Wendy’. Mas, exatamente como a Wendy de Pan,

a sua ‘Wendy’ também escolhera ir embora da Terra do Nunca. Peter conseguiu suportar a dor. Luna não conseguia.

E agora lá estava ela, lendo Shakespeare. Algo que, até há um tempo atrás, diria ser completamente monótono. Talvez porque não compreendesse o real

significado das palavras do escritor, ou talvez porque era simplesmente

Sim, crescera. Por Gina. Luna folheou os páginas da obra aleatoriamente, passando os olhos pelas

palavras distraidamente. “É então preciso que eu permaneça neste mundo estúpido que, privado de ti, valerá tanto como simples cocheira?” Luna entendia isso. Mais

Planificou-se

tudo, não ficando na terra nada mais que se destaque nas visitas da lua.”

adiante, Cleópatra continuava: “Derreteu-se a coroa da terra (

imatura.

)

Maravilhada, Luna percebeu o quanto aquilo fazia sentido. “Agora sou uma mulher apenas, por paixões dominadas, como criada do estábulo, ocupada em vis misteres

) (

cachorro louco.” - Não era só um poeta, era um gênio! – Luna pensou em voz alta, extasiada. Naquele momento, JM Barrie encontrou um rival a altura no coração da garota.

Um ruído estranho despertou Luna de sua entusiasmada leitura. Ergueu a cabeça, espiando ao redor com os olhos apertados para identificar a presença de algum intrometido. Então percebeu que, de fato, havia mais alguém no salão de inverno além dela. Alguém que dormia. Luna levantou-se e caminhou cuidadosamente até a poltrona onde se encontrava a pessoa. Ficou de joelhos. Era uma menina, a julgar pelo tamanho do cabelo. Mas estava de costas para Luna, de modo que não conseguia saber de

quem se tratava. Aquele perfume, no entanto

Estendeu a mão para o ombro da

garota, e delicadamente fez com que ela se virasse.

Tudo é nada. A paciência é estúpida; a impaciência só fica bem para um

Gina.

Seu coração pulou como se tivesse levado um choque.

Oh, céus, como era

todo e

qualquer jardim. Luna sabia reconhecer uma quando via, e aquele tremor que percorria seu corpo ao olhar para ela não lhe deixava qualquer dúvida. Sentiu um impulso doloroso de tocá-la e sentir novamente, nem que por alguns breves segundos, a sensação do contato morno com a pele macia da ruivinha. Uma mecha de cabelo cor de fogo escorregou para a bochecha de Gina, e num reflexo Luna a afastou. Seus dedos roçaram o nariz pontilhado de sardas da

linda

a

sua

Gina

A mais perfeita

flor de

garota. - É então preciso que eu permaneça neste mundo estúpido que, privado de

ti, valerá tanto como simples cocheira? – Luna sussurrou tristemente, e tocou com

o indicador os lábios rubros da sua amada. Então Gina Weasley acordou.

Gina levantou-se bruscamente, quase colidindo com Luna, e se sentou. A garota loira estava olhando para ela com seus olhos arregalados e uma expressão indecifrável no rosto. Nenhuma das duas conseguiu pensar em nada para dizer, e durante um longo tempo elas apenas se encararam. Gina tinha a leve impressão de que Luna a tocara, mas não estava certa de que aquilo não fora apenas parte de seu sonho. Por fim, conseguiu quebrar o silêncio.

- O que você está fazendo aqui? – perguntou, e na mesma hora desejou que não tivesse parecido tão inquisidora no seu modo de falar.

-

Lendo – Luna respondeu simplesmente. – E você estava dormindo.

-

É, eu estava – Gina confirmou, erguendo uma sobrancelha.

-

E eu acordei você. Desculpe. – acrescentou Luna.

-

Não.

-

Não aceita as minhas desculpas?

 

-

Não

você não me acordou.

-

Ah

– Luna disse, pensativa. – Achei que tivesse

-

Não.

-

Não? Eu achei sim, de verdade

você está mentindo?

-

Não! – exclamou Gina.

-

Não o quê?

-

Não,

não

estou mentindo, e não, você não me acordou – Gina falou

franzindo o cenho.

- Não mesmo?

- Não

Ah! Ok, Luna, você já conseguiu me deixar confusa – Gina concluiu

com um suspiro – Portanto, vamos mudar de assunto.

Luna fitou-a, parecendo intrigada. Gina mordeu o lábio inferior. Aquele

olhar

garota o máximo que conseguiu, mas a certeza de que os olhos azuis de Luna estavam fixos na sua figura era uma agonia. Virou-se para a menina, afinal, e sentiu suas bochechas ficarem rosadas quando seus olhares se encontraram.

Tentou evitar encarar a

por quê ela não podia simplesmente ignorar

?

- Você está diferente – Luna disse. Não era uma afirmativa, soava mais como uma constatação ou algo do tipo.

- Mudei o corte de cabelo – Gina murmurou.

- Não estou falando disso – Luna disse, inexpressiva. – E você sabe.

- Luna – Gina suspirou, desviando os olhos outra

para um ponto

qualquer na parede. – As pessoas mudam.

- Certas coisas nunca mudam – a garota disse com convicção, sacudindo a

cabeça. – Só parecem ter se modificado. Como a lua, por exemplo. Passa por todas aquelas fazes ao longo do mês, e você pára, olha e pensa: diferente, está diferente. Mas, na realidade, é só o modo como a luz do sol está refletindo nela. A lua, em si,

permanece sempre a mesma. Gina precisou de algum tempo para compreender o que Luna dissera. Então sacudiu a cabeça e levantou-se bruscamente.

- A gente se esbarra, Luna – disse sem olhá-la, e fez menção de passar pela garota. Luna segurou-a pelo pulso.

vez

- Espere.

Elas se encararam longamente. A respiração de Gina falhou por um breve segundo, mas a menina conseguiu se recompor rapidamente.

- Desculpe, Luna. Não tenho mais cabeça para os seus papos estranhos – e dizendo isso, Gina caminhou em direção à porta.

- Você prometeu que nunca iria me deixar.

As palavras de Luna soarem afiadas como uma navalha, e Gina sentiu que seus joelhos estavam prestes a fraquejar. Ela se virou para a garota, que estava de pé a poucos centímetros de distância. E foi com um choque que percebeu uma

única lágrima escorregando pela bochecha de Luna, iluminada pelo fogo das lareiras. Então não houve racionalidade ou autocontrole. As palavras morreram, e a lógica desapareceu. A máscara caiu, e os olhos de Gina se encheram de água. Correram uma para a outra e se envolveram num abraço apertado, quase sufocante. Depois de tantos anos, Luna Lovegood finalmente reaprendera a chorar.

Capítulo

DESESPERO

12

Pensando no que acontecera, horas mais tarde, Gina encontraria alguma

dificuldade para organizar cronologicamente os fatos em sua cabeça. Mas as sensações ainda estariam incrivelmente vivas em seu corpo, do mesmo modo como

o perfume de Luna permaneceria entranhado em sua pele e o gosto da garota em

sua boca.

Como começou? Difícil dizer. O fato é que era simplesmente desumano demais desejar que, depois de meses de sentimentos reprimidos e saudades, Gina tivesse algum controle sobre seus atos estando tão incrivelmente perto de Luna. Elas estavam se abraçando com tanta força, que respirar era uma tarefa complicada. Então, muito lentamente, seu corpo começou a reagir ao contato com Luna.

Não era proposital da parte da garota

ou talvez fosse, mas Gina não saberia

dizer. Embriagada por tantas sensações, a garota começou a deixar que seus lábios

roçassem o pescoço de Luna. Podia sentir o coração da outra menina pulsando fortemente contra o seu peito. Sentiu a respiração quente de Luna perto da sua orelha, e um arrepio desceu pelo seu corpo quando ouviu-a dizer num sussurro:

- Preciso de você. Agora.

Gina ergueu o rosto para Luna, e as duas se fitaram por um momento.

Então, muito lentamente, seus lábios se encontraram. Aquele beijo começou morno, gentil. Era algo por que ansiavam há tanto tempo, e a sensação que tinham

é de que deveria durar para sempre. Então houve desejo, acompanhado de uma certa violência.

Bocas, línguas, suspiros e palavras débeis murmuradas. Assim despertou-se a libido, e a necessidade incontrolável de um contato mais intimo entre seus corpos, pele com pele. As mãos, saudosas, apalpavam. Os dedos trêmulos de Gina desabotoaram a camisa de Luna, e logo a sua boca estava nos seios da garota. A respiração da loirinha ficava cada vez mais acelerada e fora de compasso. Gina a empurrou para o sofá, e livrou-se das suas próprias roupas.

- Gina, você é linda – Luna murmurou.

- Você é – respondeu a garota, ajoelhando-se diante dela.

Roçando o seu corpo no de Luna, subiu para beijá-la. Sua boca escorregou para o queixo da garota e seguiu para seu pescoço, que Gina mordeu suavemente. Luna suspirou. “Morda com mais força” pediu, e Gina obedeceu, mesmo receando machucar

a menina. Seus dentes se fecharam na carne do pescoço de Luna, e mordeu mais

forte dessa vez, deixando sua língua acariciar a pele dela. Luna gemeu baixinho,

numa mistura de dor e prazer.

- Desculpe – Gina murmurou.

- Tudo bem. Eu gosto – ela ofegou, os olhos fechados.

Enquanto colocava as mãos entre as pernas de Luna para provocá-la, Gina

lambia e chupava lentamente os belos seios da garota. Percebeu que o corpo dela tremia, e sorriu. Beijou sua barriga, passando a língua ao redor do umbigo de Luna

e arrancando-lhe suspiros agoniados.

Puxou a saia dela para baixo, e livrou-a da sua última e desnecessária peça de roupa com a boca. Começou a beijar e a morder as coxas de Luna, subindo cada vez mais até chegar ao ponto que realmente interessava. Uma das coisas que Gina sempre considerou interessante, é o modo como Luna conseguia manter-se sempre controlada em todo tipo de situação, seja ela boa ou ruim. Mas, quando se tratava daquilo, ela não possuía qualquer calma ou discrição. Em poucos minutos Luna estava gemendo o nome de Gina e balbuciando uma porção de palavras sem sentido, empurrando a cabeça da garota com mais força contra si. Gina sentia o corpo de Luna ferver cada vez mais, contorcendo-se de excitação. Ela estava tão provocada que Gina tinha certeza de que seu rosto ficaria molhado do prazer dela. Mas não se importava. Ela própria estava enlouquecendo sozinha, sentido descargas elétricas descerem para a sua virilha a cada gemido de Luna.

Quando a garota chegou ao êxtase, Gina soube imediatamente. Ela parou de tremer e soltou uma exclamação alta e curta, puxando dolorosamente o cabelo de Gina. Então sentiu os dedos de Luna afrouxarem em sua cabeça, e a mão da garota deslizou suavemente para o lado. Gina ainda continuou por mais alguns segundos.

Beijou carinhosamente a barriga de Luna, depois seu pescoço, e roçou seu nariz no dela. A garota abriu os olhos lentamente, parecendo exausta, e sorriu.

- Você está toda babada – ela sussurrou, e erguendo a cabeça passou a

língua pelo queixo de Gina, suas bochechas e lábios. As duas se beijaram com

paixão e fúria, e Luna habilmente trocou de lugar com ela. Começou escorregando a sua língua pelo pescoço de Gina, deslizando as mãos pela cintura da garota e apalpando suas pernas. Capturou os mamilos de Gina com a boca, arrancando suspiros da amada.

- Oh, Luna – Gina ofegou, trêmula.

- Tenho certeza de que ele não sabe fazer o que eu faço por você – Luna

sussurrou ao pé do ouvido da menina, mordendo de leve o lóbulo da orelha dela.

- Não – Gina respondeu debilmente. – Mas ele aprende rápido

Em resposta, Luna desceu a mão para o meio das pernas da menina, provocando-a. Ela beijou a barriga de Gina e roçou a língua em seu ventre, fazendo a ruivinha contorcer-se de excitação. E então simplesmente se afastou. Ficou parada, olhando para ela com um sorriso tranqüilo nos lábios. Gina levantou a cabeça, frustrada e um pouco aborrecida.

- O que foi? – perguntou, a voz soando estranhamente abafada.

- Vamos jogar? – Luna perguntou, ainda sorrindo. – Eu quero brincar.

- Brincar

Gina repetiu, tonta. Como Luna tinha coragem de

Brincar.

Quero

jogar

com

você.

Diga

uma

palavra

Luna

justamente agora? -

parar

disse,

calmamente.

- Como é? – gaguejou a garota.

- Diga uma palavra – repetiu Luna. – Qualquer uma.

- Luna – Gina murmurou. – O que diabos

Mas antes que pudesse terminar de articular a frase, Luna mergulhou o rosto entre a suas pernas e com a língua escreveu seu nome. Gina soltou uma exclamação de surpresa e satisfação. É, aquela brincadeira não era nada ruim

- Escolha outra palavra – Luna sorriu.

- Inconstitucionalidade – Gina falou marota.

Luna deu uma risadinha e começou a escrever lentamente, letra por letra, a palavra entre as pernas dela.

- Sabe - Gina murmurou. – Acho que eu decididamente gosto desse jogo.

Deveríamos jogá-lo mais vezes

Gina sentiu todo o seu corpo tomado pela sensação única que somente Luna sabia como lhe proporcionar naquela intensidade. Sua visão ficou turva, e suas

Luna! Oh!

mãos apertaram com força os braços da garota. Então, lentamente, seu corpo amoleceu.

Ela fechou os olhos e suspirou, exausta. Sentiu Luna escorregando para o lado, e após alguns segundos virou-se para a garota. Luna a encarava, como sempre, e seus grandes olhos claros brilhavam com uma paz que há muito tempo ela não via. Gina sorriu para a garota, e puxou gentilmente o seu rosto para um beijo morno. Não queria pensar nas conseqüências do que tinha feito, e no quanto aquilo significaria para a sua vida dali em diante. Naquele momento, tudo o que precisava era sentir o corpo de Luna colado no seu, e seus lábios gentis acariciando-lhe suavemente a pele.

A noite ainda estava apenas começando.

- Gina, acorde – Luna sussurrou, escorregando os dedos pela sua bochecha.

Gina abriu os olhos lentamente. Sua cabeça estava um pouco tonta, e seus sentidos começaram a voltar ao normal. A primeira coisa que viu foi o rosto de Luna. Então sentiu que havia algo pesando sobre o seu corpo, e demorou alguns segundos para perceber que era a garota. Levantou-se com algum esforço, ficando sentada. Virou o rosto para Luna, que a fitava atentamente.

- O que houve? – Gina indagou, ainda sonolenta.

- Eu invadi os seus sonhos – Luna respondeu quase como se fosse uma

confissão, e com essas palavras todas as memórias da noite passada voltaram à

cabeça da menina. Fora fraca

- Luna – Gina começou.

- Não diga nada – Luna interrompeu rapidamente. – Ah, Gina, não diga

nada

Ou o corpo, a respiração e a boca calada por outra

boca. Gina, eu amo você. Eu amo você.

Gina fechou os olhos, sentindo os braços de Luna passarem ao redor do seu pescoço, e seus lábios quentes beijarem seu rosto seguidas vezes.

- Que horas são? – conseguiu dizer, utilizando-se de todo o seu autocontrole para não corresponder aos beijos de Luna.

não os olhos, ou as mãos

mas

Palavras são supérfluas, e nós não precisamos delas. Podem mentir

- Perto do nascer do sol – informou a garota, sem parar de beijá-la.

- É melhor colocar uma roupa – Gina disse, empurrando Luna levemente e

ficando de pé. Apanhou as peças de roupa que estavam espalhadas pelo salão de inverno e começou a vestir-se sob o olhar atento de Luna. Não queria pensar. Simplesmente não queria pensar em nada. Terminou de abotoar a camisa, e sentou-se para calçar os sapatos. Com o canto dos olhos observou Luna levantar-se e colocar suas próprias roupas sem pressa.

- No que você está pensando? – Luna perguntou, de repente.

- Em nada – Gina respondeu. – É curioso, sabe. Parece que a minha cabeça está completamente vazia. Não consigo pensar em nada.

Ela terminou de amarrar os sapatos e ficou de pé, jogando a capa sobre os ombros.

depois” Gina murmurou, e preparou-se

para deixar o salão de inverno. Luna segurou sua mão.

“Então, acho que a gente se fala

- Não fuja – disse baixinho.

- Não vou.

- Promete?

- Prometo – Gina suspirou, e mordiscou o lábio inferior não muito certa de

que o que estava prestes a fazer era sensato. Colocou a mão direita gentilmente no rosto de Luna e beijou-a com calma e suavidade. Então a abraçou com força, encostando os lábios em sua testa. Luna

quis mantê-la por mais tempo junto de si, mas Gina empurrou-a e se afastou sem olhar para trás. Luna sabia que as coisas ainda não estavam boas.

Pensar. Gina nunca tivera tanto receio de algo em toda a sua vida. Tinha medo de deixar as idéias invadirem a sua mente, trazendo consigo a agonia e o transtorno em intensidade insuportável. E, por isso, Gina evitou o máximo que pôde ficar sozinha. Entre seus colegas, não parava de tagarelar. A maior parte das pessoas achou simplesmente que ela estava feliz e falante naquele dia, mas quem a conhecia de verdade percebeu que havia algo errado. Gina estava nervosa.

E Harry foi o primeiro a reparar.

Ele não conhecia-na tão bem quanto Luna, mas era bastante atencioso e preocupado com qualquer diferença de comportamento que a namorada apresentasse. De modo que, quando Harry tentou beijá-la no intervalo entre a primeira e a segunda aula da manhã e Gina virou o rosto, ele não se chateou ou ficou aborrecido.

- O que houve? – perguntou o garoto mansamente. – O que está errado?

- Nada, Harry – Gina murmurou sem olhá-lo.

Harry levantou o queixo dela com calma, obrigando-a a encará-lo, e afastou uma mecha de cabelos ruivos que caíra sobre seus olhos.

- Eu sei que há algo errado – ele disse preocupado. – Foi algo que eu disse? Fiz alguma coisa que não lhe agradou?

- Não, não é nada com você – Gina falou rapidamente.

- Então por quê você não quer me beijar?

– É que eu estou realmente preocupada com a prova de Poções de amanhã.

As minhas notas não estão muito boas, e eu não posso me sair mal de maneira

alguma.

- E o que um beijo tem a ver com isso? – indagou Harry, erguendo uma sobrancelha.

- Muito! – exclamou Gina. – Quero dizer, eu simplesmente não consigo

beijar você tendo tantas preocupações na minha cabeça. Você

entende?

Harry suspirou.

- Certo

- De verdade? Você não está magoado? – perguntou Gina, aflita.

- Não, tudo bem – o garoto sorriu. – Eu não entendo, mas respeito.

- Ah, Harry

- Só

logo ao normal, porque eu não

sobreviveria mais um dia sem os beijos da garota mais linda de Hogwarts – ele

brincou.

Gina sorriu e beijou carinhosamente a bochecha dele. Mas ela não pôde beijá-lo no dia seguinte, e nem no outro. Harry não tentou nada, limitando-se a segurar sua mão e a abraçá-la. Gina sabia que ele estava esperando a iniciativa vir dela, mas simplesmente não se sentia pronta para isso.

espero

que

a

sua

cabeça volte

O cheiro de Luna ainda estava impregnado em sua pele, e ela não conseguia

esquecer a última noite que passaram juntas. Durante as aulas, Gina de repente pegava-se pensando na garota e em todos os detalhes que faziam dela uma pessoa singular na sua vida.

mas

Ou o corpo, a respiração e a boca calada por outra

não os olhos, ou as mãos

“Palavras são supérfluas, e nós não precisamos delas. Podem mentir

boca.” Merlim, Luna podia dizer as coisas mais perfeitas sem sequer precisar parar

para pensar. E o modo como seu corpo tremia sob o toque de Gina, cada poro da pele reagindo ao contato entre elas. Nada pagava aquela sensação. Sempre que lembrava dos gemidos da garota, Gina sentia calafrios percorrerem a sua espinha.

conseguia decidir se as

conseqüências eram suportáveis. Magoaria Harry, em primeiro lugar. E isso era a última coisa que desejava. Além disso, havia Hermione. Assim que soubesse que Gina rompera com ele, correria direto para Rony e contaria o verdadeiro motivo pelo qual a garota fizera aquilo. Logo sua família ficaria sabendo, e então Gina teria sua vida transformada num pesadelo. Essa simples idéia a apavorava.

Como a desejava

Ela

sabia o

que queria,

só não

Esses eram os pensamentos da garota naquela manhã, quando entrou no salão principal para tomar seu café. Percebeu de imediato que havia um burburinho diferente, recheado de excitação, na conversa matinal dos estudantes. Sentou-se ao lado de Rony e diante de Harry, cumprimentando os garotos distraidamente.

- Qual é a nova? – perguntou, servindo-se de mingau de aveia.

- Você não ouviu? – Rony disse com um estranho brilho nos olhos.

- Se eu estou perguntando, é um pouco óbvio que não – Gina resmungou,

revirando os olhos. Então encarou Harry. – E então, o que está havendo? Qual o

motivo de todo esse alvoroço?

- Ora – Harry disse, rindo um pouco constrangido – É um boato que está

circulando

- Nem é boato nada – Rony cortou. – A mais pura verdade. Quero dizer, pelo menos foi o que Simas disse. E ele ouviu direto da boca do Justino!

- Mas como enrolam – Gina bufou.

- É que – Harry inclinou-se mais para perto da garota na mesa. – parece

Bem, na verdade, Justino Finch-Fletchley disse que viu

- A Hannah Abbott e a Padma Patil se beijando – Rony completou com excitação.

- O quê? – Gina engasgou, sentindo como se tivesse levado um soco certeiro na boca do estômago.

- É, é verdade – Harry continuou, dando uma mordida em sua torrada. –

Resumidamente, o que está circulando é que elas estão tendo um caso.

hum

Rony deu uma risadinha.

- Não é totalmente bizarro? – riu-se o garoto.

Gina sentiu que estava prestes a vomitar, colocando-se automaticamente no

Oh

lugar de Hannah e Padma. Todas aquelas pessoas rindo e comentando Merlim

Naquele momento, o salão ficou repentinamente silencioso, como se todos

estivesse segurando a respiração. Gina levantou a cabeça para ver o que estava acontecendo. Hannah e Padma haviam entrado no local, parecendo muito pequenas

e assustadas. Gina sentiu-se terrivelmente mal por elas. De algum modo, todos

esperavam que as garotas fossem começar a se justificar, negando o que Justino andara espalhando pelo castelo. Mas, para a surpresa geral, não foi isso o que elas fizeram. As duas simplesmente deram-se as mãos e, nariz levantado, caminharam juntas para tomar café com a mesa da Corvinal.

- Caramba – Rony disse, parecendo ainda mais empolgado. – Elas não tem

vergonha na cara mesmo, heim? Assumindo toda a coisa assim, publicamente

Gina não conseguia pensar em nada para dizer. Estava simplesmente

gelada, e todo o seu apetite fora-se como num piscar de olhos. Observava Hannah

e Padma comendo sob os olhares curiosos e cheios de maldade de seus colegas.

asco. –

Realmente não acredito que a falta de homem tenha feito Padma descer tão

Quero dizer, podia simplesmente ter falado comigo, e eu certamente

arranjaria alguém

Gina sacudiu a cabeça, tonta e enjoada. A própria irmã de Padma dizendo

aquelas coisas. Como ela podia ter coragem

Merlim, Merlim! Era horrível! Como

todos estavam sendo tão cruéis com aquelas duas. Como podiam achar que tinham

o direito de julgar

Eles não entendiam nada. Ninguém entendia coisa nenhuma, e

- Ela

não

é mais minha

irmã

– ouviu

Parvati Patil dizer com

baixo

Gina começou a sentir que os odiava. Teve vontade de pular em Parvati e arrancar um por um cada fio de cabelo ensebado daquela maldita vaca. No momento em que a irmã mais precisava, ela era a primeira a virar as costas. Seria assim com Gina também? Será que todos os seus irmão virariam as costas, enjoados?

- Gina, você está pálida – Harry disse preocupado. – Está se sentindo bem?

- Estou

Digo, não

– Gina gaguejou.

- Tudo bem – Simas disse, intrometendo-se na conversa. – É normal sentir- se mal diante de uma cena asquerosa como essa.

- Asqueroso – Gina disse com a voz abafada. – Asqueroso é você. É melhor calar a boca, ou vai apanhar aqui mesmo. Simas deu uma risadinha, um pouco confuso.

- Mas Gina, ele tem razão – Rony disse, erguendo uma sobrancelha.

- Não, não tem! – exclamou Gina. – Vocês todos, francamente, não têm vergonha? Discutindo a vida dos outros como se fosse a última edição de uma revista, e ainda achando que estão no direito de opinar!

- Nós não estamos discutindo a vida dos outros, só achamos esquisito ver duas garotas andando juntas – Simas defendeu-se.

- Exatamente – Rony apoiou.

- É a vida delas sim, e se as duas querem ficar juntas isso certamente não é

da conta de nenhum de vocês! Se elas se amam

interrompeu.

- Sinceramente, Gina, uma garota não pode amar outra garota do mesmo

modo que um homem e uma mulher – ele zombou. – Isso, para mim, só tem um

nome: falta de macho. Rony, Simas e mais algumas pessoas que estiveram ouvindo a discussão caíram na gargalhada.

- Amor está além de sexo – Gina disse, as orelhas muito vermelhas. – Amor

está acima de tudo, e ninguém escolhe quando ou por quem vai sentir.

- Ok, ok – Simas disse, enxugando os olhos úmidos de tanto dar risadas. –

Então, se é como você diz, para que é que existem homens e mulheres? Já pensou se todos no mundo fossem gays? A humanidade acabaria!

- Esse não é o ponto – Gina retrucou, sentindo a raiva crescer cada vez

mais.

- É claro que é – Simas continuou, rindo gostosamente como se Gina fosse

apenas uma garotinha boba que não consegue enxergar que dois mais dois são iguais a quatro. – Os seres humanos foram feitos para procriar, Gina! Gays não podem fazer isso, portanto, são aberrações da natureza e não merecem consideração.

- Ah, ok. Certo – Gina falou, tremendo de ira. – Então é isso. Vamos todos

foder aqui mesmo, afinal, esse é o objetivo da vida, certo? Foder. Fazer filhos. Foder. Fazer mais filhos. Então você se atira de um penhasco, porque já cumpriu seu papel no mundo e a sua existência não é mais necessária. Uau! Perfeito! Ei, Harry, vamos fazer um sexo! Vamos acabar logo com isso, garantir a perpetuação da espécie! Ha-Ha-Ha! HA-HA-HA!

– uma risadinha de Simas a

- Gina, por favor – Harry murmurou entre dentes.

Agora a atenção de todo o salão estava voltada para ela, que praticamente gritava.

- O que foi? – ela indagou, histérica. – Você também concorda com essa merda ignorante do Simas?

- Bem – Harry disse nervoso. – Não é exatamente normal

- Claro. Eu devia ter imaginado – Gina falou friamente, e então levantou-se com violência e deixou o salão pisando forte.

- Credo, o que deu nela? – perguntou Simas, os olhos arregalados.

- Sangue Weasley – Rony falou lentamente. – Esquenta com facilidade,

Acho melhor você ir atrás dela, Harry. Antes que a garota mate alguém.

Harry suspirou, cansado.

- É, acho que sim

O rapaz colocou um último pedaço de torrada na boca e arrastou-se para fora do salão atrás da namorada.

sabe

Gina não tinha uma noção exata de onde estava indo. Apenas caminhava pelos corredores do castelo, sem rumo definido, remoendo todo o ódio em seu interior. Tinha certeza de que, se alguém lhe mostrasse como fazer, seria capaz de lançar um Avada Kedavra em Simas. Nunca, em toda a sua vida, sentira tanta raiva. Nem mesmo quando viu Harry beijando Cho Chang, no ano passado, ou quando Hermione lhe fez terminar com Luna. Era algo insano, furioso. E Gina não conseguia encontrar uma maneira de extravasar aquele sentimento horrível. Então, lentamente, o ódio foi se transformando em tristeza. Tristeza por saber que aquele era o mundo em que vivia, e que todas as suspeitas que alimentara até o momento estiveram certas. As pessoas simplesmente não entendiam o diferente, e por esse motivo desprezavam. “Gays não podem fazer isso, portanto, são aberrações da natureza e não merecem consideração.” Maldito

Maldito!

Lagrimas grossas e salgadas começaram a escorrer pelas bochechas de Gina, e ela deixou-se cair sentada nos primeiros degraus de uma escada. Enterrou

o rosto nas mãos e começou a chorar. Alguns minutos depois, sentiu uma mão

tocar gentilmente o seu ombro. Luna – foi seu primeiro pensamento. Mas estava enganada.

- Vá embora, Harry – Gina soluçou. – Quero ficar sozinha.

- Não vou deixar você assim – Harry retrucou, sentando-se ao lado dela. – Vamos, o que é isso? Chorando

Gina não disse nada, virando o rosto para o lado. Harry tocou seu ombro com carinho.

- Você certamente não entende nada, não é? - Gina disse lentamente.

ficar

completamente furioso com alguém. Você sente vontade de matar, e como precisa extravasar de alguma forma, costuma ser com lágrimas.

- De

fato,

não entendo – Harry

concordou.

Mas sei

como é

Gina olhou para ele. Harry sorriu e enxugou o rosto da garota com as mãos.

- Você concorda com ele

- Não, não totalmente – Harry suspirou, sacudindo a cabeça. – Conforme eu

disse, para mim não é algo natural, porque eu não estou acostumado a lidar com

o

assunto. Mas não acho que caiba a mim ou a você decidir se é certo ou não. No

quem

pode culpá-las?

- Elas certamente não escolheram isso – Gina recomeçou, tremendo. – Seria muito mais fácil se

- Gina – Harry interrompeu. – Chega, está bem? Eu não quero discutir esse

assunto. É uma questão muito polêmica, e sempre vai gerar conflitos em qualquer lugar. E eu não vim atrás de você para brigar.

Gina resmungou, ainda aborrecida. Durante alguns segundos, nenhum dos dois disse nada. Então Harry conseguiu quebrar o gelo com uma brincadeira.

- Sabe – ele disse com uma risada. – Mesmo com o rosto inchado de chorar, você continua linda. Gina revirou os olhos.

caso de Hannah e Padma, a vida é delas e se as duas estão bem assim

- Oh, falando sério

- Estou falando sério! – Harry exclamou, e muito lentamente um sorriso desenhou-se nos lábios de Gina.

- Bobo – ela murmurou.

- Sua culpa – Harry falou, puxando Gina para junto de si num abraço. E,

dessa vez, ela deixou-se beijar por ele. Não com desejo ou paixão. Era mais uma espécie de agradecimento. Talvez 'recompensa' fosse a palavra certa a ser usada. Recompensa por Harry estar sendo tão legal e compreensivo com ela.

- É melhor irmos, ou vamos chegar atrasados nas nossas aulas – Gina disse

quando se afastaram. Harry concordou com um aceno de cabeça. Ele foi com Gina até a entrada das masmorras, e então seguiu sozinho para a sala de aula de Defesa Contra as Artes das Trevas. A garota observou o namorado afastar-se sentindo-se um pouco – muito pouco – menos despedaçada.

Para piorar ainda mais o humor de Gina, aquele dia foi simplesmente terrível. Os professores pareciam decididos a caprichar nas atividades em classe, fazendo o cérebro dos alunos ficar a beira de um curto-circuito. Durante a aula de Transfiguração, a profa. McGonagall pronunciou-se sobre Hannah e Padma. Ela limitou-se a dizer que todos deveriam respeitar as meninas, e que qualquer tipo de piada ou brincadeira de mal gosto seria punida severamente. Qualquer aluno autor de algum ato de violência física ou moral contra elas seria imediatamente expulso, sem direito a aviso prévio. A última aula do dia foi Poções, e Gina precisou aturar Snape pela segunda vez naquela tarde. Ele entregou os testes corrigidos, e a garota descobriu que não fora tão mal quanto pensara. Tirara um ‘Passável’. Não era tão ruim assim, afinal. A nota mais alta da turma, como sempre, foi de Luna. Gina sabia que ela era extremamente habilidosa com o preparo de poções. “Ela é habilidosa com outras coisas também” uma vozinha maliciosa sussurrou em seu ouvido. Gina sacudiu a cabeça para afastar aqueles pensamentos. Quando saiu da sala de aula de Snape, naquele começo de noite, a garota achava que tudo de ruim que aquele dia lhe reservara já havia sido revelado. Estava enganada. O prato principal estava guardado para o fim, e Gina não fazia a menor idéia disso quando foi repentinamente puxada para dentro de uma sala de aula vazia por Harry. Ele estava desesperadamente carente, essa fora a justificativa. E Gina descobriu que não tinha forças nem coragem para negar qualquer coisa ao garoto depois de tudo o que acontecera horas atrás. Estava exausta, sem forças. E deixou que ele tivesse o que queria sem qualquer dificuldade.

Primeiramente com Luna e, há alguns

meses, com Harry. Era obviamente diferente. Acontecera no Natal, em sua casa – bem debaixo do nariz de seus pais, como Harry adorava comentar. Doera um pouco, mas não fora exatamente ruim. Algumas vezes, depois, Gina conseguira sentir alguma coisa razoavelmente forte com ele. Mas, na maior parte das vezes, ela apenas fingia que estava gostando. Como dessa vez.

Comparações à parte, homens são muito fáceis de enganar. Eles simplesmente acham que é impossível uma mulher não estar completamente maluca de tanto prazer durante o sexo, e nunca percebem a diferença entre um

orgasmo verdadeiro e uma encenação. Gina sabia disso, assim como a maior parte das mulheres no planeta. E quando gemia o nome de Harry baixinho, sob a pressão

do corpo do rapaz, ela estava na verdade pensando no jantar

Mas ele não sabia

disso, de modo que não era necessariamente um crime – certo? Gina não gostava muito de fingir, mas sabia que, às vezes, era necessário. Quando seus corpos se encaixavam e ela não sentia nada de especial, achava que não havia mal algum em interpretar um pouquinho e fazer Harry acreditar que estava realmente levando-na aos céus. Ele ficava feliz e gozava, e Gina ficava feliz porque ele gozava. Conclusão: não havia nada de errado em fingir de vez em quando, pois todos acabavam satisfeitos dentro de seus limites.

É claro, Gina já fizera aquilo antes

Naquela noite, Harry ficou bastante feliz – duas rápidas vezes. E Gina fez uma das suas melhores interpretações, deixando até algumas marcas de arranhões nas costas dele. Tão entretida estivera em sua tarefa, que sequer reparou quando a porta da sala de aula se abriu e alguém espiou lá dentro. Gina não viu quando Luna cambaleou para longe dali, desesperada e perdida.

- Onde vocês andavam? – perguntou Rony, desconfiado, quando Harry e Gina juntaram-se a ele e Hermione à mesa da Grifinória.

- Conversando – disse Harry, encolhendo os ombros. – Passa o frango, Mione? Estou morrendo de fome

- Sério, Harry – Rony disse, aborrecido. – Se eu descobrir que você andou deflorando a minha irmãzinha

- Rony, francamente – Gina cortou, revirando os olhos. – Três coisas:

estamos no século XX; Harry é meu namorado; e a minha vida sexual não lhe diz respeito. Ponto final.

Harry gargalhou, Hermione sacudiu a cabeça em desaprovação e Rony ficou parado boquiaberto tentando processar o real significado daquelas palavras da irmã. Logo a conversa enveredou por outros assuntos, e Gina distraiu-se com seus próprios pensamentos. Então, muito lentamente, a conversa de Parvati e Lilá, que estavam sentadas ao seu lado, começou a entrar pelos seus ouvidos.