Economia Rural: Teorias e Práticas
Economia Rural: Teorias e Práticas
br
ADMINISRAÇÃO RURAL
Alunos (a)
APRESENTAÇÃO
É importante que o aluno leitor entenda tanto o objetivo como a enfoque do conteúdo
destas notas de aula.
Esta apostila não esgota o assunto sobre Economia Rural e Agronegócios, é um roteiro
para estimular a busca do conhecimento em outras obras. Entretanto, o objetivo maior está no
fato de que o assunto da disciplina Economia Rural, para os cursos de Engenharia Agrícola, é
muito abrangente e permite o aluno a desenvolver o senso crítico, sobre a importância do
setor agropecuário, no contexto do Agronegócio na economia nacional. Portanto, esta apostila
propõe-se harmonizar as anotações e orientar nas leituras e exposição gráfica e algébrica com
fundamentos em teorias micro e macroeconômicas, estatística e econometria.
Para entender melhor o conteúdo, de Economia Aplicada na Agricultura e no
Agronegócio, é necessário esclarecer que o enfoque deste curso é a Teoria Econômica com
seus fundamentos aplicados nas diferentes atividades agrícolas, com efeitos nas relações para
frente e para trás na cadeia do Agronegócio Brasileiro.
Este material de orientação ao aluno está estruturado da seguinte forma: as Unidades I
e II tratam-se mais de características agronômicas, necessárias para entender as partes econô-
micas; as Unidades III, VI e V referem-se a princípios de Teoria Econômica e a estrutura do
Sistema Econômico, fundamentados em micro economia, sempre dando ênfase à empresa
rural; na Unidade VI analisa a estrutura de mercado considerando os fundamentos da
macroeconomia e por fim a UD VII foca os Fundamentos do Agronegócio destacando os
modelos teóricos da relação entre o setor agrícola e a agroindústria.
Assim sendo, acredita-se que o aluno terá noção de como o setor agrícola é
influenciado tanto pelos fatores sócio-econômicos como pelos agro-ecológicos.
[Link]
Economia como ciência social. Teoria de Preç[Link] da Firma. Mercado, comercialização e abastecimento
agrícola. Agricultura. Preços Agrícolas. Agricultura e desenvolvimento econômico no Brasil.
OBJETIVOS – Apresentar noções básicas da aplicação da Teoria Econômica à Agropecuária e suas relações
sócio-econômicas, que proporcionam o fornecimento de matérias-primas e alimentos para os outros setores da
economia. Um segundo objetivo é a utilização de técnicas de micro e macroeconomia, estatística e econometria
para proporcionar ao aluno a identificar a importância do setor agrícola na formação industrial do país. O
Terceiro objetivo é aguçar o senso crítico do aluno sobre o papel do setor agrícola no contexto do
desenvolvimento sócio-econômico.
Programa de Disciplina – Sumário CD 03 e CH 45
UD I ECONOMIA AGRICOLA E RURAL
1 Conceitos de Economia Agrícola e Agricultura .............................................................. 5
1.1 Conceito de Sistema de Produção Agrícola ...................................................................... 5
UD II CARACTERÍSTICAS DA PRODUÇÃO RURAL
2.1 Conceito, Composição e Medidas Agrárias ...................................................................... 11
2.2 Determinantes da Produção Rural .................................................................................... 16
2.3 Sazonalidade do Fluxo de Produção ................................................................................. 17
2.4 Duração do Ciclo Produtivo ............................................................................................. 18
2.5 Perecibilidade dos Produtos .............................................................................................. 19
2.6 Especificidade Biotecnológica .......................................................................................... 19
2.7 Riscos Bioclimáticos ........................................................................................................ 20
UD III INTRODUÇÃO GERAL AO ESTUDO DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS
3.1 Conceitos Básicos de Economia ........................................................................................ 21
3.2 As Razões do Crescente Interesse pelas Ciências Econômicas ......................................... 24
3.3 As Leis e Objetos da Economia ......................................................................................... 26
3.4 A Economia e seus Compartimentos e Desdobramentos .................................................. 27
UD IV O SISTEMA ECONÔMICO
4.1 Estrutura do Sistema Econômico ....................................................................................... 30
4.2 Classificação dos Bens Econômicos .................................................................................. 32
4.3.1 Tipos de Bens Econômicos ................................................................................................ 33
4.4 O Processo Produtivo ......................................................................................................... 34
UD V FUNDAMENTOS DA ANÁLISE DA PROCURA E DA OFERTA ARÍCOLA
5.1 A Lei da Procura ................................................................................................................ 37
5.1.1 Os Fatores que Afetam a Demanda ................................................................................... 42
5.1.2 A Função Demanda e as Curvas de Demanda ................................................................... 46
5.2 A Lei da Oferta .................................................................................................................. 49
5.2.1 A Função Oferta e as Curvas de Oferta ............................................................................. 53
5.3 A Interação da Oferta e da Procura: formação de preços .................................................. 56
5.4 Elasticidade ........................................................................................................................ 59
5.5 Teoria da Produção: a função de produção e os fatores de produção .............................. 59
5.6 Análise Econômica da Pesquisa e da Experimentação Agrícola ....................................... 84
UD VI MERCADO, COMERCIALIZAÇÃO E ABASTECIMENTO AGRÍCOLA
6.1 Estruturas de Mercados Agrícolas .................................................................................... 90
6.2 Relações Contratuais texto ............................................................................................... 90
6.3 Crédito Rural: financiamentos agropecuários .................................................................. 90
[Link]
BIBLIOGRAFIA
ALBUQUERQUE, Marcos Cintra & NICOL, [Link] Agrícola, o Setor Primário e a Evolução da
Economia Brasileira. [Link]. São Paulo, McGraw-Hill, 1987. 335p.
ARAUJO, José Geraldo de. Extensão Rural - Origem, princípios e Filosofia. Viçosa-MG. 1977. 25p.
(Apostila. Nota de Aula).
BARROS, G.S. de C. & AMARAL, C.M. Introdução à Economia Agrá[Link]/SP. USP-ESALQ. 1984.
56p. (Apostila).
BRANSON, W.H. & LITIVAC, J.M. Macroeconomia, São Paulo, Sd., HARBRA. 432p.
CARVALHO, Luiz Carlos P. de. Agricultura e Desenvolvimento Econômico. In: MANUAL DE ECONOMIA.
São Paulo: Saraiva. 1988. p.437-43.
CHIANG, Alfa C.M. Matemática para Economistas. São Paulo. MacGRaw - Hill do Brasil, Ed.
Universitária de Paulo, 1982. 684p.
GARÓFALO, G. de L. & CARVALHO, L.C.P. [Link]álise MicroecômicaSão Paulo, Atlas, 1980. 415p.
MELLOR, John W. O Planejanento do Desenvolvimento Agrícola. [Link]. Rio de Janeiro, O Cruzeiro, 1986.
190p.
MENDES, J. Tadeu, Grassi. Economia Agrícola: Princípios Básicos. Curitiba PR. Scientia et Labor. 1989.
399p
PAIVA, Ruy Miller. A Agricultura no Desenvolvimento Econômco: Suas Limitações como Fator Dinâmico.
IPEA/INPES, 1979.
REIS, Ricardo Pereira. Introdução a Teoria Econômica. Lavras / MG. ESAL/FAEPE. 1992. 86p.
ROSSETTI, J. Phascoal. Introdução à Análise Econômica. [Link]. São Paulo, Atlas.1978. 812p.
SANTOS, Benedito Rosa do E. Os Caminhos da Agricultura Brasileira. São Paulo: Evoluir, 2003.
[Link]
O setor agrícola é composto por vários sistemas de produção, que por sua
vês constituem o Sistema Agrícola. Para a compreensão do funcionamento deste
setor é fundamental entender a estrutura de um Sistemas de Produção Agrícola.
O conceito de sistema consiste na aplicação conjunta de conhecimentos
inter-relacionados, para a obtenção de um determinado produto. Em outras palavras,
diz que é um arranjo de componentes físicos, um conjunto ou coleções de coisas,
unidas ou relacionadas de tal maneira que formam ou atuam como uma entidade ou
um todo, para um determinado produto. De forma mais resumida, SPA é o conjunto
de elementos agrícolas que interligam para um propósito comum, que é a produção
agrícola.
DIAGRAMA 1
FATORES SÓCIO-ECONÔMICOS
Internos Externos
Metas do produtor MERCADO INSTITUIÇÕES
Alimentos, renda, risco Preço Pesquisa POLÍTICA
Restrição de Recursos ⇐ Insumos Extensão ⇐
Terra, Capital e Trabalho Crédito AGRICOLA
SISTEMA
DE
PRODUÇÃO
FATORES AGRO-ECOLÓGICOS
FONTE: EMBRAPA, 1992 e adaptado pelo autor.
Portanto, Sistema Agrícola é o conjunto de Sistemas de Produção
[Link]
Tecnologias Modernas
Máquinas Defensivos
Equipamentos Calagem Máquinas Sementes Adubos Herbicidas Maquinas Veículos
Instrumentos Equipamentos melhoradas Equipamento Colhedeiras Máquinas
manuais
1
A ciência nos dias atuais procura entender a estrutura e o funcionamento das partes, pela compreensão de como funciona o todo (ARAÚJO,
s.d.).
[Link]
10
consultoria rural, que conheçam estes fatores, para análises, que podem
proporcionar mais renda.
Pelo Diagrama 1 e as descrições anteriores e para uma análise prática e
didática os fatores de produção podem ser classificados em fatores internos e
externos.
Os fatores externos3 são aqueles que o produtor rural não tem controle direto.
Estes fatores, citados anteriormente, sejam internos e externos, são aqueles que
exercem influência direta e,ou indiretamente no lucro econômico dos produtores
rurais. Sejam os preços, o tamanho do negócio agrícola, escala de produção,
mercado, grau de abertura comercial, legislação de propriedade industrial, mudança
na legislação tributária, mudança no hábito do consumidor, transporte, vantagens
comparativas e competitivas, créditos, condições edafo-climáticas, informação e uso
da mão de obra.
2
ou variáveis endógenas: são aquelas que explicam o modelo.
3
ou variáveis exógenas: é dada como fixa na análise.
[Link]
11
Agricultura in lavouras - pode ser temporárias: arroz, feijão, milho, girassol ...
Agricultura in lavouras - pode ser permanentes: café, citros, bananas...
12
13
14
PESOS E MEDIDAS
Deve-se considerar as diferentes Medidas Agrárias, que são formas de mensurar a produção rural,
através de quantidades físicas (tonelada, arroba, saca, litro, hectare, libra, peso, bushel e outras)
MEDIDAS LINEARES
Uma légua sesmaria (2.400 braças) .................................................................................................................... 5.280 m
Uma légua marítima (3.000 braças) ................................................................................................................... 55.555.,55 m
Uma braça .......................................................................................................................................................... 2,2 m
Uma braça marítima ........................................................................................................................................... 1,83 m
Um côvado ......................................................................................................................................................... 0,66 m
Uma jarda ........................................................................................................................................................... 0,9144 m
Uma milha - brasileira ........................................................................................................................................ 2.200 m
- marítima ......................................................................................................................................... 1.852 m
- sueca ............................................................................................................................................... 10.000 m
- terrestre (Inglesa) ............................................................................................................................ 1.609 m
MEDIDAS DE PESOS
Uma arroba .......................................................................................................................................................... 15 kg
Um quintal ........................................................................................................................................................... 58,328 kg
Um grão ............................................................................................................................................................... 49 mg
0,051 g
Um quilate ........................................................................................................................................................... 0,206 g
Uma libra-peso .................................................................................................................................................... 453,6 g
Uma onça 28,363 g
.............................................................................................................................................................
Uma onça troy ..................................................................................................................................................... 31,104 g
Um buschel - milho ............................................................................................................................................. 25,4 kg
- soja ................................................................................................................................................ 27,2 kg
- trigo ............................................................................................................................................... 27,2 kg
MEDIDA DE CAPACIDADE
Um galão - inglês ................................................................................................................................................ 4,544 l
- americano .......................................................................................................................................... 3,785 l
Um buschel .......................................................................................................................................................... 35,238 l
Um moio .............................................................................................................................................................. 828 l
Uma pinta ............................................................................................................................................................ 0,568 l
Um alqueire ......................................................................................................................................................... 13,8 l
Uma pipa antiga .................................................................................................................................................. 423 l
Uma pipa inglesa ................................................................................................................................................. 163,55 l
Uma pipa moderna .............................................................................................................................................. 500 l
Um pote ............................................................................................................................................................... 12 l
Um quartilho ....................................................................................................................................................... 0,5 l
Um tonel .............................................................................................................................................................. 840 l
Um barril (barrel - USA) ..................................................................................................................................... 158,98 l
Um almude .......................................................................................................................................................... 16,95 l
Um atilho ............................................................................................................................................................. 4 esp
Um baláio ............................................................................................................................................................ 120 esp
Uma mão-de-milho ............................................................................................................................................. 60 esp
Um carro de milho .............................................................................................................................................. 40 ou 700 Bal/kg
Um carro de milho por alqueire Paulista ............................................................................................................. 300 Kg/ha
MEDIDAS DE SUPERFÍCIES
Um acre (Inglês e Americano) ............................................................................................................................ 4,447 m2
Um are ................................................................................................................................................................. 4.046,8 m2
Uma braça quadrada ........................................................................................................................................... 4,823 m2
Um hectare .......................................................................................................................................................... 10.000 m2
Um alqueire – mineiro ou geométrico (100 x 100 braças) .. ............................................................................. 48.400 m2
- paulista (100 x 50 braças) ............................................................................................................ 24.200 m2
- RJ e Estados Centrais ................................................................................................................... 48.400 m2
- Estados do Norte ........................................................................................................................... 27.225 m2
Um litro (25 x 5 braças) ..................................................................................................................................... 605 m2
Uma tarefa ( 12,5 x 12,5 braças) = 756 m2 ........................................................................................................ 43,56 a
FONTE: Dados trabalhados pelo autor
[Link]
As medidas agrárias podem ser usadas conforme a sua finalidade, para medir o
volume do negócio agrícola.
As medidas supra são usadas para padronizar os dados, seja na avaliação de
número de animal, seja no número de unidades de animal UA, ou área de culturas da
propriedade.
Ex. 10.000 sc de soja em 400 ha. Produção de 10.000 sc, com rendimento de 25 sc/ha.
No Ano seguinte. 15.000 sc de soja em 400 ha. Com rendimento de 37,5 sc. Houve um
aumento de produção e conseqüentemente de produtividade.
Quando tem por objetivo analisar economicamente o setor rural e seu todo,
uniformiza-se essas quantidades (medidas) heterogêneas numa medida comum,
multiplicando-as por seus respectivos preços. Somando os resultados têm-se o valor
global da produção (numa única moeda).
[Link]
16
A terra além de ser o local onde os bens e serviços são produzidos, é também fator
de produção. Vejam que lavouras, pastagens e outros cultivos dependem do solo, ao
contrário não as existiam. Muito embora a produção rural além de depender de ar, água e
solo, depende, também de outros fatores; tecnologias, atividades do homem e outros agentes.
Para EMBRAPA, 1982, os insumos necessários à produção agrícola são:
17
Qualidade de Vida
Variáveis
do Produtor
físicas
Variáveis
Sociais Meio Ambiente
Fontes: Embrapa e dados do autor.
18
Situações de riscos4 - que será tanto maior quanto a escolha de culturas perenes,
pois estas exigem elevados investimentos e produzem vários anos. Uma vez posta em
prática, a decisão do plantio terá reflexos a longo prazo podendo tornar economicamente
inviável alterá-lo, mesmo que as condições de mercado indiquem maior vantagem na
exploração de outras culturas. Portanto, existem inúmeros riscos inerentes às atividades
agrícolas, como: risco de quebra de safra, risco de falta de financiamento, risco de preço
final de produto, risco de extravio de mercadorias, de transportes, de pragas, de doenças,
político, conjuntural e etc.
4
Ver a relação entre Aversão a Risco e Função Utilidade. In: Varian, pág 240.
[Link]
19
20
São técnicas ou práticas e atividades que representam conquistas que permitem explorar
o espaço rural de forma mais eficiente. Nestes termos tem-se a AGRICULTURA CIENTÍFICA:
Estes avanços podem eliminar ou reduzir os pequenos riscos, que venham afetar os
resultados da exploração agrícola. Mas não conseguem neutralizar os grandes riscos, como:
i. estiagem prolongada, v. ventos e,
ii. geadas, vi. ataque inesperados de pagas e doenças.
iii. chuvas excessivas,
iv. temperaturas quentes,
21
BENS
PRODUTORES CONSUMIDORES
FATORES
22
Diante destes conceitos é necessário evidenciar que a economia faz fronteira com
qualquer outra disciplina acadêmica: que seja Sociologia, Psicologia, Agronomia,
Engenharia, Ciência Política, Zootecnia etc. Com este conhecimento pode-se estudar e
aplicar Economia em qualquer área de atuação profissional.
23
24
25
Porém a moeda torna-se em poder do público e, são depositadas à vista nos bancos. Esta
fase suprema do sistema monetário confere algumas funções exclusivas da moeda, que
são:
i. intermediária de trocas;
ii. medida de valor;
iii. reserva de valor;
iv. unidade de conta e;
v. função libertária.
26
As Leis Econômicas podem ser entendidas a partir da distinção das Ciências Sociais e
das Ciências Experimentais. A princípio, as Leis, as Teorias e os Modelos Econômicos
devem ser entendidos dentro dos limites circunstanciais das Ciências Sociais (ROSSETTI,
1978).
As Leis Econômicas são menos imperativas que as Leis das Ciências Experimentais.
Seus agentes (ou os tratamentos) são homens - seres racionais - capazes de influir
voluntariamente nos fatos de que participam. As condições modificam-se constantemente,
provocando ações e reações inesperadas.
As Leis Econômicas talvez na sua maior parte, são mutáveis no tempo e no espaço e não
atingem um rigoroso grau de precisão. Elas não são observadas em tubo de ensaios. O
laboratório da Economia é a própria sociedade humana - pelos fatos observados não há
como condicionar ou controlar.
27
Para as condições sociais, para dentro das quais as Leis da Economia foram criadas e
validadas, podem modificar-se profundamente com o passar do tempo. As uniformidades
que deram origem a elas estão sempre sujeitas a oscilações.
As Leis Econômicas são probabilidades e não relações exatas. São “Leis Hipotéticas e
Estatísticas”.
Objetos da Economia
Desenvolvimento Repartição
A economia por ser Ciência Social, tem em seus princípios a preocupação central com o
comportamento dos consumidores, dos produtores, das instituições governamentais e dos
agentes que estão relacionados economicamente. Portanto a Economia tem como objetivo
[Link]
28
A Teoria Econômica tem por função dar ordenamento lógico aos levantamentos
sistemáticos fornecidos pela economia DESCRITIVA.
As Ciências Econômicas pode ser desdobrada em dois grandes ramos que são as
Teorias Microeconômicas e as Teorias Macroeconômicas.
29
a1 Teoria do Consumidor;
a2 Teoria da Produção;
a3 Teoria da Repartição e;
a4 Teoria da Empresa;
30
UD IV – O SISTEMA ECONÔMICO
É uma forma organizada em que a estrutura econômica é assumida pela sociedade. Esta
estrutura engloba o tipo de propriedade, a gestão da economia, os processos de
circulação das mercadorias, o consumo e os níveis de desenvolvimento tecnológico e de
divisão do trabalho (SANDRONI, 1989).
A sociedade tem uma base econômica que, acionada pelo trabalho humano, engendra
uma série de bens cujo destino é o consumo de seus membros. Os variados elementos
que participam da economia da nação. Assim como suas conexões e dependências,
somam-se em um todo determinado.
b. Processo de geração - Um sistema moderno utiliza seu potencial produtivo para geração de bens e
serviços.
31
1. Pela Figura, o conjunto de fatores, sob a orientação dos organizadores da produção, e dentro dos limites
da tecnologia são distribuídos em conjunto denominados UNIDADES PRODUTIVAS (o universo das
unidades produtivas constituem o Aparelho Produtivo).
2. Do Aparelho Produtivo fluem, simultaneamente uma corrente de pagamentos por serviços prestados
(chamado por Fluxo Nominal); e outra de bens e serviços produzidos (chamadados por Fluxo Real).
3. Os Pagamentos (Renda da Comunidade) e os bens e serviços (Produto realizados pela Comunidade)
são levados ao mercado por consumidores, respectivamente.
A sequência das Figuras a seguir darão idéias reais e teóricas dos Sistema Econômico.
FLUXO REAL
UNIDADES UNIDADES
PRODUTIVAS FAMILIARES
(EMP DE B/S) (CONSUMIDORES)
FLUXO NOMINAL
Portanto é na inter-relação dos dois agentes que dará origem à produção real de bens e
serviços, que circulam na economia de um país.
É importante lembrar que, à medida que desenvolve o fluxo real é que gera
simultaneamente o fluxo monetário, quando isto ocorre simultameamente, o sistema se
equilibra naturalmente.
[Link]
32
UP UF
Mercado de
Rec Prod
(RN,K,W)
Salários, juros,
aluguéis, lucros
e dividendos
UP UF
Mercado
de Bens e
Serviços
Os bens são tudo aquilo que tem utilidades, que satisfaça a necessidade ou que supre
uma carência. Pois, bens econômicos são relativamente escassos, ou que demandam
trabalhos humanos. Assim, o ar é um bem livre, mas o minério de ferro é um bem
econômico.
[Link]
33
i. Bens de consumo - são aqueles que fazem uso de imediato para o homem. Ex. TV, sapato, alimento, ...
ii. Bens de consumo duráveis - são aqueles que prestam serviços durante um período de tempo
relativamente longo (TV, sapato, máquinas, automóvel ...). Estes diferem dos bens de consumo não-
duráveis, como alimentos, que são usados de uma única vez. Outra diferença dos duráveis e não
duráveis está na comercialização sempre sujeita a oscilações de mercado, é o caso do modismo,
situação econômica geral e outras influências; e
iii. Bens de capital ou bens de produção - É o conjunto de bens materiais criados ou transformados pelo
homem, com o propósito de servir à produção de outros bens, principalmente para bens de consumo.
Consideram como bens de capitais as máquinas, equipamentos, materiais de transportes, instalações de
indústrias, imóvel e etc.
1. Bens de capital fixo - são aqueles que prestam serviços à a produção por mais de um ciclo produtivo, sem
alterar seu estrutura técnica. Ex. Benfeitorias, máquinas, animais de produção, animais de trabalhos e
etc.
2. Bens de capital circulante - são aqueles que ao serem empregados no processo produtivo, altera sua
estrutura técnica. Ex. Fertilizantes, corretivos, sementes, ração, combustível, recursos monetários e etc.
iv. Bens livres - são bens que satisfazem necessidades, mas são tão abundantes na natureza que não
podem ser monopolizados e nem exigem trabalho para serem produzidos, não tendo portanto , preço. Ex.
Luz do sol, ar ...
Para explorar a natureza e extrair dela os bens de que necessitam, todas as sociedades
sempre se defrontam com a limitação de seus recursos produtivos - humanos e
patrimoniais - o suprimento destes recursos sempre foi limitado.
34
Sem os fatores de produção não há proceso produtivo, estes podem ser definidos como
os fatores ou elementos básicos utilizados na produção de bens e/ou serviços. Possuem
três características essenciais: são limitados na quantidade, são versáteis e podem ser
combinados em proporções variáveis.
Os recursos são escassos em relação ao desejo ilimitado pelos bens que eles podem
produzir, ou seja, no sentido de que necessitam ser alocados convenientemente para
atender a uma exigência social, de forma que é esta escassez que torna necessária a
avaliação cuidadosa de quais necessidades devem ser satisfeitas, em que dimensão e em
que ordenação.
A versatilidade dos recursos refere-se à possibilidade de seu aproveitamento nos mais
variados usos. Como exemplo, o fator trabalho; ele pode ser empregado em todos os tipos
de produção. Entretanto, quanto mais especializado for, maiores serão as restrições ao
seu uso. Em outras palavras quanto maior a especificidade de um fator de produção maior
será sua limitação de utilização.
O fator terra deve ser entendido no sentido amplo, uma vez que os recursos oriundos da
natureza estão na base de todos os bens produzidos em um sistema econômico. O
recurso capital (Box 2), indica a participação de instrumentos de transformação dos
recursos primários de produção, e envolvem toda a gama de máquinas e equipamentos
destinados a tal finalidade - não deve , portanto, ser confundido com o capital financeiro.
[Link]
35
Capital humano: envolve tudo o que diz respeito à elevação da capacidade produtiva dos
seres humanos.
4.2.1 Produção – é um processo pelo qual os bens incorporam às características que irão apresentar para
uso final
4.2.2 O processo de produção pressupõe a utilização de matérias-primas e insumos em geral e envolve o
uso de determinadas formas de RN, K, W e Tecnologias.
4.2.3 Cada combinação de fatores constitui uma unidade produtiva e é realimentada pelo resto do sistema.
4.2.4 Ao longo do processo produtivo, cada setor deve efetuar compras de matérias-primas, bem como
remunerar os proprietários de fatores que utiliza.
36
a. Imediatamente a utilização de sementes, adubos, serviços e etc. Cujo valor totaliza 25 unidades
monetárias e, o emprego dos fatores (RN, K, W). É obtido um montante de mercadorias - VALOR BRUTO
DA PRODUÇÃO DO SETOR -, igual a 100 U. M.
b. assim o valor inicial (25 Unidades Monetárias) foi aumentado pela alocação dos serviços dos fatores (RN,
K, W). A diferença (75 U M) é o produto efetivo ou valor agregado pelas atividades agrícolas (do setor).
c. Observa-se no exemplo que este mesmo valor corresponde a soma dos pagamentos feitos aos
proprietários dos fatores utilizados. Assim pode-se dizer que tal valor corresponde, também, a RENDA
gerada pelo setor.
Em síntese,
Agricultura (setor primário)
Compras de Insumos ................................................ ................... 25
Sementes ........................................................... 5
Adubos ............................................................... 10
Serviços ............................................................. 10
Valor Agregado ......................................................... .................... 75
Salários 40
Juros 5
Aluguel da Terra 15
Lucros 15
Valor Bruto da Produção Agrícola 100 U. M.
Indústria (setor secundário)
Compra de Insumos .................................................. .................... 80
Matérias-Primas ................................................. 30
Insumos industriais 40
Serviços 10
Valor Agregado ......................................................... .................... 70
Salários 40
Juros 5
Aluguéis 5
Lucros 20
Valor Bruto da Produção Industrial .......................... .................... 150 U. M.
Serviços (Setor Terciário)
Compras de Insumos ................................................ .................... 10
Insumos Industriais 5
Serviços 5
Valor Agregado ......................................................... ................... 130
Salários 75
Juros 10
Aluguéis 5
Lucros 40
Valor Bruto da Produção Terciária ............................ .................... 140 U. M.
Valor Global (Agregado) da Economia ...................... .................... 380 U. M.
[Link]
37
Na agricultura envolve-se além dos conhecimentos das leis e princípios que regem o
crescimento das plantas e animais; há, também, aplicados alguns princípios econômicos
básicos que ajudam o agricultor e profissionais da área a decidirem sobre os melhores
processos alternativos de produção, as combinações mais eficientes de fatores ou os
produtos mais adequados às condições de mercados e comercialização.
A curva da demanda ou procura é uma invenção da teoria econômica, e que mais tem
encontrado emprego em economia aplicada. Em sua forma tradicional ela relaciona as
diferentes quantidades de um bem que o consumidor ou consumidores adquirirão aos
vários preços alternativos possíveis, Gráficos 3 e 4 que mostram o quanto será
demandado a qualquer preço possível.
A demanda
A demanda por um bem pode ser entendida como as várias quantidades deste, que os
consumidores retirarão do mercado, a todos os possíveis preços alternativos, tudo o mais
permanecendo constante. É, portanto, um conceito de máximo.
A demanda pode ser influenciada por vários fatores, contudo, a quantidade que o
indivíduo demandará de um bem (dada uma renda disponível) depende, basicamente, do
preço da mercadoria. São fatores que influenciam a procura:
1. Preço;
2. Gostos dos consumidores;
3. Número de consumidores considerado;
4. Renda dos consumidores;
5. Preços dos bens relacionados;
6. Variedade dos bens disponíveis.
[Link]
38
Para compreender o conceito de demanda, faz-se necessário mostrar a origem das curvas
de demanda (ou procura) cuja derivação se baseia na Teoria do comportamento do
consumidor individual. Para tanto, dispõe-se de duas aproximações: a primeira delas é a
teoria de utilidade, e a segunda é a das curvas de indiferença. Ambas as alternativas
chegam ao mesmo resultado, normalmente as curvas de procura são negativamente
inclinadas.
No estudo da teoria do consumidor, algumas características são levadas em
consideração:
1. Desconsiderando-se a poupança, os consumidores gastam todos os recursos
disponíveis no consumo de bens e serviços;
2. Eles não gastam toda a sua renda em somente um bem;
3. Não adquirem a satisfação plena (saturação) do consumo de um bem;
4. Eles procuram maximizar a satisfação total, sujeita a uma restrição (limite) de renda e
dos preços dos bens disponíveis.
39
D F
E
P0 Do
P1 D1
D’
F’
E’
O Q0 Q1 Qx
No ponto D0 (Gráfico 4) sobre a curva de demanda DD’ com o preço OP0 o consumidor
deseja comprar OQ0 unidades do bem.
Para entender o real significado de uma curva de demanda é necessário evidenciar
algumas características da curva de demanda sobre o gráfico ortogonal:
[Link]
40
Pc C
Pe E
A
Pa B
D’
O Qa Qc Qb Qx
O ponto A, por exemplo, identifica uma transação não conveniente, embora possível. Pelo
Pa o consumidor pode adquirir Qb maior que Qa, se orientasse pela curva DD’.
O ponto C representa uma transação impraticável, pois situa-se além dos limites de
procura. Assim, a quantidade Qa seria adquirida, no máximo, pelo preço Pe e nunca pelo
preço Pc. Dessa maneira, a curva de procura deve também ser interpretada como
[Link]
41
identificadora dos preços máximos que os consumidores estarão dispostos a pagar por
diferentes quantidades dos bens.
v. A curva da procura tem uma inclinação negativa, pois inclina-se para baixo e para direita.
Portanto, após analisada todas estas características, a Lei da Procura já pode ser enunciada
como: A procura é a quantidade que se deseja comprar, por unidade de tempo, será
muito maior quanto menor for o preço, ceteris paribus.
Mesmo com esta definição bem delineada, é possível observar na realidade a existência
de quatro exceções as quais serão citadas a seguir:
Primeira exceção refere-se com os bens que conferem prestígios a seu consumidor. Tem-
se como exemplo as jóias, que podem ser comprados simplesmente porque seus preços
são elevados e, uma queda em seus preços pode reduzir o caráter esnobe do consumidor,
provocando, em consequência, uma redução no seu consumo. Ex. os vestidos da princesa
Dyana.
Segunda exceção refere-se quando os consumidores julgam a quantidade pelo seu preço.
Quando os consumidores não têm habilidades para julgar, diretamente, a qualidade de um
bem e utilizam o preço como indicador de qualidade, e então, uma redução no preço do
bem pode reduzir o consumo. Ex. Calça da Zump
Terceira exceção está nos efeitos dinâmicos de expectativas. Exemplos nestes casos são
os preços de mercadoria quando cai, a quantidade procurada também, cai. Ex. Bolsa de
Valores.
A Quarta exceção pode ser observada pelo Paradoxo de Giffen, o qual usa o exemplo do
pão, mostrando que um aumento no preço do pão (considerando uma dada renda
monetária) torna a carne inacessível à família de classe trabalhadora, isto porque ocorre
uma grande drenagem de recursos financeiros, de forma que tem que comer mais e não
menos pão.
[Link]
42
A mais forte característica da demanda é que, por si mesma, ela é temporária. Em outras
palavras, é que sua posição e sua forma podem mudar com o passar do tempo. No
Gráfico 4 a curva DD’ é a curva relevante, mas em outro instante, a curva pode ter a forma
EE’ . Tal mudança é descrita como um deslocamento na curva da demanda.
Px D D1 Px D D1
Qx Qx
43
Além da renda existem outros fatores que influenciam a procura por um bem ou serviços,
dentre os quais destacam-se:
O estudo da demanda agora se concentra nos dados da Tabela 3. Portanto, a procura por
um determinado bem ou serviços é definida, em termos econômicos, como as várias
quantidades desse bem ou serviço que os consumidores estão dispostos a adquirir, aos
diversos níveis de preços do mercado, tudo mais permanecendo constante.
44
O recurso Gráfico 7 tem por finalidade ajudar a construir a curva da procura por carne
bovina no mercado de Rio Verde e, as quantidades consumida que os consumidores
estariam dispostos adquirir, por semana, a cada nível de preço.
3,5
3,0
2,5
3,0
0 Kg/ semana
100 200 300 400 500 600
45
É possível, porém, que ocorram transformações nas demais condições que afetam a
procura, fazendo com que os consumidores, a um mesmo nível de preços, passem a
consumir maiores ou menores quantidades de um determinado bem, provocando o
deslocamento da curva da procura para a direita ou para a esquerda (Gráfico 8).
Px
4,0
P2 P P1
3,5
3,0
2,5
2,0
0 Kg/ semana
100 200 300 400 500 600
Um aumento na renda dos consumidores pode fazer com que eles passem a consumir
maiores quantidades de carne bovina, aos mesmos níveis de preços, deslocando a curva
da procura para a direita (de P para P1).
As alterações nos preços dos bens relacionados com o bem considerado também
provocam deslocamento da curva de procura deste bem, sendo que a direção do
deslocamento depende da relação existente entre os bens.
46
Esta é uma relação funcional específica que relaciona precisamente como Qdx depende de
Px. Isto significa que ao substituir vários preços da mercadoria carne nesta função
demanda específica, obtém-se as quantidades particulares da mercadoria carne,
procurada pelo indivíduo, em dado intervalo de tempo. Assim, tem-se a função de
demanda individual, consequentemente a curva de demanda (Tabela 3 e Gráfico 9).
[Link]
47
Tabela 4
Px 8 7 6 5 4 3 2 1 0
Qdx 0 1 2 3 4 5 6 7 8
FONTE: dados hipotéticos
Px
D
8
7
6
5
4
3
2
1 D
Qx
0 1 2 3 4 5 6 7 8
Até agora falou-se sobre a demanda do consumidor individual, sem referir-se à demanda
de mercado. Portanto, a demanda de mercado depende de todos os fatores que
determinam a demanda individual.
Desta maneira, a curva de demanda de mercado é obtida pelo somatório horizontal de
todas as curvas de demandas individuais desta mercadoria.
48
Px + Px = Px
8 8 8
4 4 4
Pode-se ampliar o raciocínio para 1000 indivíduos idênticos no mercado, para os quais a
demanda do bem X é dada por Qdx = 8 – Px, o quadro do mercado e nova curva de
demanda do mercado para a mercadoria X são obtidos como:
49
A Oferta
A oferta de um bem depende de vários fatores, dentre eles:
- da tecnologia;
- do preço dos fatores produtivos;
- do preço do bem que se deseja oferecer.
Curva de Oferta Individual: a relação numérica entre preço e quantidade fornece a base
para a construção da curva de oferta individual;
Curva de Oferta de Mercado: é a relação entre quantidade de um bem oferecida por
todos os produtores e seus preços, mantendo constantes os outros fatores (tecnologia,
preço dos insumos ...)
Gráfico 12
Preço de x
Quantidade de x
[Link]
50
P1 Excedente
Equilíbrio
P2
Escassez
Quantidade de X/ut
X2 X1 X X1’ X2’
Ao preço P1, os ofertantes estão dispostos a ofertar X1’, mas o consumidores demandarão
apenas X1, indicando que haverá um excesso de oferta , que, por sua vez fará com que o
preço se reduza e exista uma volta ao equilíbrio. Já ao preço P2, os consumidores
estariam dispostos a consumir X2’, contudo, a este preço, os produtores estariam somente
ofertariam X2, o que ocasionaria um excesso de demanda sobre a oferta, o que elevaria os
preços, retornando-os ao ponto de equilíbrio.
A Teoria da Oferta de Bens de Consumo está diretamente relacionada à teoria dos custos
de produção, mas este é um assunto que deve ser visto em outro tópico desta matéria.
A princípio a oferta de bens pode ser definida como as diferentes quantidades desse
bem que os vendedores estão dispostos a colocar no mercado, a diversos níveis de
preços, Coeteris Paribus.
No conceito geométrico diz-se que a oferta é o lugar geométrico dos pontos que indicam
as quantidades máximas ofertadas no mercado, em um dado período de tempo. É uma
linha limite, acima da qual todas as posições são possíveis e abaixo da qual nenhuma
posição é possível. Portanto, a curva da oferta é positivamente inclinada. Do ponto de
vista das quantidades ofertadas a curva mostra os preços mínimos necessários para
induzir os ofertadores a colocar as várias quantidades do bem no mercado. Eles aceitaram
um pouco mais alto por dada quantidade, mas não oferecerão esta quantidade por um
preço mais baixo que o indicado na curva de oferta.
[Link]
51
TABELA 7 - Relação entre preços e as quantidades vendidas de carne bovina no mercado de Rio Verde.
Preço (R$/kg) Quantidade (kg/semana)
2,00 200
2,50 300
3,00 400
3,50 500
4,00 600
FONTE: dados trabalhados pelo autor
Px/kg s
4,0
3,5
3,0
2,5
S
2,0
0 100 200 300 400 500 600 Kg/sem
52
Existem inúmeros fatores que afetam a oferta de bens de consumo. Neste grau de
compreensão da teoria da oferta, serão vistos somente quatro fatores que afetam a oferta de bens
de consumo.
O primeiro diz respeito a tecnologia, a qual pode ser entendida como uma inovação
tecnológica, de tal forma que os custos de produção decrescem com o seu uso. Com o
uso da tecnologia acurva de oferta se desloca para baixo (Gráfico 15), deslocando a
curva S para S1, e este deslocamento implica num acréscimo de oferta. Significando que
pelo mesmo preço Opo, o produtor está disposto a ofertar mais quantidades de
mercadorias (OQ1 antes que OQo), em um determinado período t.
OPo
. Qsx
O OQ-1 Qo Q1
53
O terceiro refere-se aos impostos e subsídios que são elementos importantes, que devem
ser mantidos constantes
Com estes dados tem-se a função Qsx = ƒ (Px) ceteris paribus, pois é uma função geral
indicando que Qsx é uma função de Px.
Dos dados da Tabela 8, tem-se a função Qsx = -40 + 20 Px ceteris paribus. Caracteriza uma
função específica de oferta individual, que pode ser ilustrada pela Tabela 6 e Gráfico 14.
[Link]
54
Observa-se que quanto menor o preço do bem X, menor é a quantidade ofertada deste
bem, e vice-verso. Pois, esta relação direta entre preço e quantidade ofertada reflete a
curva crescente. Acurva de oferta desenvolve-se em todas as direções (Gráfico 17).
Px S4 S1
P S2
S3
Qsx
55
Px
5
4
3
2
1
56
Conhecendo as duas leis do mercado, é correto agora juntar os dois lados, o lado da
oferta e o lado da procura e, observar as forças que determinam o preço e a quantidade
que tranquilizam o mercado, ou seja, de equilíbrio. Esta análise pode ser feita sob duas
óticas diferentes. Sendo uma pelo lado do preço – que é um legado de Léon Walras e,
outra pelas quantidades atribuídas a Alfred Marshall.
Pe
P2 S Excassez D
Qx
O Q2 Qe Q1
[Link]
57
O preço de mercado, para um determinado bem, é determinado pela interação das forças
de oferta e da procura no mercado. Considerando-se que a curva de oferta mostra as
quantidades que os vendedores estão dispostos vender, e as curvas de procura mostra as
quantidades que os consumidores estão dispostos a comprar, a diversos preços
alternativos no mercado; para que haja a transação é necessário que existe um ponto de
equilíbrio entre a oferta e a procura, que é determinado pelo nível de preço no qual as
quantidades que os consumidores estão dispostos a comprar coincidem com as
quantidades que os vendedores estão querendo vender.
58
3,0
2,0
S Excassez D
1,0 Kg/
sem
O 100 200 300 400 500 600
Por outro lado, a um preço de R$4,00 o kg, os vendedores estariam dispostos a colocar no
mercado os 500 kg de carne, porém os consumidores só poderiam comprar 300 kg
gerando um excedente de oferta que obrigaria os vendedores a baixar seu preço até ao
preço de equilíbrio.
Execício
Sabe-se que, em equilíbrio Qdx = Qsx, então pode-se determinar o preço e a quantidade de
equilíbrios, matematicamente.
Supõe-se que existem 10.000 indivíduos idênticos no mercado de Rio Verde, para a
mercadoria X. Cada um dos quais com a função de demanda Qdx = 12 –2 Px e, considera,
[Link]
59
também, 1000 produtores idênticos para a mercadoria X, cada um dos quais com a função
oferta Qsx = 20 Px.
Pede-se,
a) determinar a função de demanda do mercado e a função oferta de mercado para a
mercadoria X.
b) determinar a tabela de demanda o mercado e a tabela de oferta de mercado para a
mercadoria X e a partir daí encontrar o preço e as quantidades de equilíbrio.
c) Traçar o gráfico com as curvas de oferta e demanda X e mostrar o equilíbrio.
d) Obter o preço e a quantidade de equilíbrio matematicamente.
5.4 Elasticidade
Os agentes econômicos têm a necessidade de optar pela produção a ser realizada, como
deve ser elaborada e em que quantidade. Essas três questões fazem parte constante do
processo de tomada de decisão dos agentes e, por conseguinte são úteis nesse processo
decisório, conhecimentos acerca da Função de Produção, Lei dos Rendimentos Marginais
Decrescentes, Estágios de Produção e Marginalidade.
Para este tipo de análise a Teoria da Produção ou da Firma se assemelha à Teoria do
Consumidor. A unidade econômica analisada é a firma, ao invés do indivíduo, e enquanto
o consumidor procura maximizar a sua satisfação respeitando a restrição orçamentária, a
empresa tenta maximizar os seus lucros tendo por restrições o custo dos fatores de
produção, o preço do produto e a fronteira tecnológica de produção.
Assim como na teoria da procura, existem diferentes formas de analisar a teoria da
produção. A primeira delas, mais tradicional, desenvolve-se paralela à teoria neoclássica
da utilidade. A segunda é o tratamento isoproduto-isocusto, que é similar à abordagem
das curvas de indiferença. A análise tradicional inicia pela avaliação da função de
produção, segui a lei dos rendimentos decrescentes e analisa, posteriormente a curva de
fator – produto e, finalmente define a escolha que minimiza os custos da firma.
[Link]
60
A função de produção
A função de produção descreve uma relação física entre os recursos de uma determinada
firma e a quantidade de produto produzida por ela, por unidade de tempo, sem considerar
os preços. Matematicamente é expressa como:
Y = f (X1/X2,X3...)
Em que a quantidade de produto Y é produzida a partir da combinação dos recursos
X1,X2,X3..., sendo que a barra após o primeiro fator indica que somente ele poderá ter sua
quantidade variada ao longo do tempo. No caso exposto, se a firma deseja aumentar ou
reduzir o volume produzido deve variar apenas o fator X1, mantendo constante todos os
demais recursos utilizados. O montante de produto depende, além dos recursos
empregados, da tecnologia em uso.
A função de produção neoclássica considera apenas um fator variável podendo ser
expressa como:
Y = f (X1)
Supondo uma relação entre ganho de preso de aves e quantidade de ração utilizada,
descrita como uma função de produção (Tabela 10) podendo esboçar o gráfico de uma
função de produção simples como sendo:
Gráfico 21
Y
PFT
X1/u.t
[Link]
61
62
1. Os retornos constantes ocorrem quando cada unidade adicional do fator variável, aplicada aos fatores
fixos, aumenta a produção em iguais quantidades;
2. Os retornos decrescentes ocorrem quando cada unidade adicional do fator variável aumenta a
produção total menos do que a unidade de fator variável anterior;
3. Os retornos crescentes acontecem quando o acréscimo na produção, resultante da adição do fator
variável, é maior do que o provocado pelo emprego da unidade anterior.
Do produto físico total (PFT), que é a produção (Y), duas relações podem ser derivadas, o
Produto Físico Médio (PFMe) e o Produto Físico Marginal (PFMg). O PFMe é o PFT
dividido pela quantidade empregada de insumo variável, ou seja:
63
O PFMeX1 apresentado na Tabela 12 foi estimado a partir dos dados discretos X1 e Y, que
se encontram nas duas primeiras colunas desta mesma tabela. A produtividade média
pode ser obtida para cada nível de ração consumida pelas aves. No exemplo tabulado o
Tabela 12 - Ganho de peso de frango, consumo de ração, produto físico médio e produto
físico marginal.
X1 Y (PFT)
Consumo de ração (kg) Ganho de peso de PFMeX1 PFMgX1
frango (kg) Y/X1 dY/dX1
0,00 0,000 - -
0,50 0,041 0.082 0.160
1,00 0,156 0.156 0.296
1,50 0,333 0.222 0.408
2,00 0,560 0.280 0.496
2,50 0,825 0.330 0.560
3,00 1,116 0.372 0.600
3,50 1,421 0.406 0.616
4,00 1,728 0.432 0.608
4,50 2,025 0.450 0.576
5,00 2,300 0.460 0.520
5,50 2,541 0.462 0.440
6,00 2,736 0.456 0.336
6,50 2,873 0.442 0.208
7,00 2,940 0.420 0.056
7,50 2,925 0.390 -0.120
Fonte: Dias, P.C., 2005.
[Link]
64
produto físico médio cresce, atinge um ponto máximo e decresce, não atingindo, contudo,
valores negativos.
O produto físico marginal é obtido aplicando-se a fórmula na equação (3), substituindo X1
pelos valores fornecidos pela Tabela 12. O comportamento do produto físico marginal:
cresce, tem um ponto de máximo e, decresce, até a zero e passando a ser negativo.
Caso se deseje saber a quantidade de insumo variável que proporciona incremento nulo,
ou seja o ponto exato onde o acréscimo de X1 gera um PFMg = 0, proceda da seguinte
maneira:
PFMgX1 = 0,344X1 – 0,048X12 = 0
Ou seja:
X1 (0,344 – 0,048 X1) = 0
X1 = 0,344/0,048 = 7,166
Pelo Gráfico 22, as curvas de produto físico total, produto físico médio e produto físico
marginal assumem as formas:
Gráfico 22 – Produto Físico Total
I II III PFT
PFMe
PFMg
[Link]
65
Estágios de produção
Os três estágios de produção podem ser definidos a partir das relações entre o PFT,
PFMe e PFMg (Gráficos 22 e 23).
O primeiro estágio de produção corresponde àquele em que o PFMe é sempre crescente.
Nesse estágio o PFMg é sempre maior do que o PFMe, e ambos são positivos; o PFT
também é crescente. Esse estágio é considerado um estágio irracional de produção,
[Link]
66
67
Lmáx. = RT – CT (4)
O lucro é dado pela diferença entre a receita total (RT) e o custo total (CT). Na
determinação do lucro é necessário, portanto, conhecer a receita e os custos. Os preços
dos insumos de produção e a tecnologia constituem-se os determinantes básicos do
custo. Uma vez estabelecida a tecnologia, o total de cada insumo necessário para produzir
qualquer nível de produto pode ser determinado.
O custo total é dado pela soma dos insumos variável e fixo:
[Link]
68
RT = [Link] (6)
L = RT – CT
L = Y. PY – X1.PX1 – K
ϕπ/ϕX1 = (ϕPY/ϕX1). Y + (ϕY/ϕX1). PY – (ϕPX1/ϕX1).X1 - (ϕX1/ϕX1).PX1 - ϕK/ϕX1 = 0
ϕπ/ϕX1 = 0 + (ϕY/ϕX1). PY + 0 - (ϕX1/ϕX1).PX1 + 0 = 0
ϕπ/ϕX1 = (ϕY/ϕX1). PY - (ϕX1/ϕX1).PX1 = 0
Logo, tem-se:
(ϕY/ϕX1). PY - PX1 = 0
VPFMgX1 – PX1 = 0
VPFMgX1 = Px1
Pela Tabela 12, é possível determinar o peso ótimo de abate do frango. Para tanto, é
preciso introduzir o preço do frango (kg) e o preço da ração (kg). Supondo que o kg de
ração custe R$ 0,30 e o kg do frango custe R$ 0, 60 o peso ótimo de abate do frango seria
de 2,3845 kg e a quantidade ótima de utilização do insumo seria de 5,140 kg de ração.
Esses dados são obtidos da seguinte forma:
69
PY.PFMgX1 = PX1
0,60 . PFMgX1 = 0,30
0,60. (0,344 X1 – 0,048 X12) = 0,30
0,2064 X1 – 0,0288 X12 – 0,30 = 0
∆ = (0,2064)2 – 4(-0,0288. –0,30)
∆ = 0,04260096 – 0,03456 = 0,00804096
Logo:
X1 = [-(0,2064) ± (0,00804096)1/2]/ 2 (-0,0288)
X1 = -0,2064 ± 0,089667/ -0,0576
X1 = 5,140 Kg de ração
70
X2
Isoquanta
Isocusto
X1
[Link]
71
CUSTOS
Existem diferentes tipos de custos, e vários significados são atribuídos à expressão custo
de produção. Portanto, o termo ‘custo’ tem pouco significado para os propósitos aqui
desenvolvidos.
O termo custo significa, para os fins da análise econômica, a compensação que os donos
que os detentores dos fatores de produção, utilizados por uma firma para produzir
determinado bem, devem receber para que eles continuem fornecendo esses fatores à
empresa. O termo compensação é aqui utilizado – e não pagamento – porque existem
casos de ‘remuneração’ não acontece de modo formal. Segundo HOFFMANN et al (1987)
existe a possibilidade de alguns donos dos fatores de produção fornecerem seu fatores
que pouco ou nada ganhem com isso. Segundo esses autores “os proprietários de um
negócio que não esteja fornecendo um rendimento normal sobre o investimento
continuarão, muitas vezes, a operá-los por vários anos, porque eles não podem,
rapidamente, retirar o seu capital investido em bens de produção especializados, com
duração de vários anos. Contudo, uma vez desgastados os bens de capital, o capital-
dinheiro não será reinvestido nesse negócio”.
O curto e o longo prazos são conceitos temporais (envolvem tempo), mas eles não são
definidos como períodos fixos no calendário. Sendo assim, pode-se entender o curto prazo
como sendo aquele período de tempo no qual pelo menos um insumo é fixo, enquanto que
no longo prazo, todos os fatores utilizados são variáveis. Em consequência, no curto prazo
existem custos variáveis e custos fixos (existem fatores fixos e variáveis), porém, no longo
prazo, existem só custos variáveis, só custos que dependem do volume de produção.
Custos fixos são os custos dos fatores fixos da empresa, portanto, no curto prazo,
independem do nível de produção. Os custos variáveis, ao contrário, dependem da
quantidade empregada dos fatores variáveis e, portanto, varia de acordo com o volume da
produção. Os custos totais da empresa são representados pela soma dos custos fixos
com os custos variáveis.
Como exemplo, tem-se uma empresa têxtil que produz camisas. Os custos fixos são os
custos do edifício, da maquinaria e da iluminação; eles independem do volume de camisas
[Link]
72
produzido e somente podem ser evitados se a fábrica deixa de funcionar. Mesmo assim,
muitas vezes o proprietário continua tendo custos com a manutenção das máquinas (ou
com sua depreciação) e com as demais instalações. Os custos variáveis dessa empresa
podem ser representados, basicamente, pelo trabalho – número de empregados – e
matéria-prima envolvidos na produção, e irão variar de acordo com o volume produzido,
aumentando com um acréscimo na produção e reduzindo, caso a produção seja
diminuída.
Tipos de custos
Para um economista, o conceito relevante de mercado pode ser captado pelas alternativas
de mercado. Muitos fatores de produção são comprados no mercado e utilizados
imediatamente na produção da empresa. Uma vez que estes insumos são oferecidos para
venda em um mercado aberto, o custo alternativo (custo de oportunidade), para qualquer
uso específico será igual ao seu preço de mercado. Por exemplo, suponha que uma
empresa rural compre milho, soja, vitaminas, minerais e outros insumos para a
alimentação do seu rebanho. Esses insumos, comprados em um mercado aberto, têm
preços específicos. Esses preços, multiplicados pela quantidade, podem então ser
utilizados no cômputo do custo de produção daquela atividade específica. Esses custos
dos insumos que são diretamente determinados pelo produto final, são denominados
custos explícitos.
Os custos implícitos constam dos custos dos fatores que a empresa já possui, quase
sempre não registrados pela contabilidade, por não constituírem despesas pagas, em
dinheiro, durante o processo produtivo (por exemplo, aluguel não recebido por uma
propriedade possuída e utilizada pela firma). Nessa abordagem dos custos, os fatores
pertencentes à empresa e utilizados no processo produtivo têm custo associado, medido
pelo seu preço em uso alternativo, ou seja, preço relativo ao que o empresário está
deixando de receber ao alocar os recursos produtivos em sua empresa. Vale salientar a
necessidade de se verificar a existência de oportunidade relacionada aos recursos, pois,
nem sempre os recursos próprios devem ter custos implícitos.
[Link]
73
Custos fixos
Os custos fixos são aqueles que permanecem inalteráveis durante um período de tempo
(curto prazo) e independentes do nível de produção. Esses custos ocorrem, mesmo que o
recurso não seja utilizado. No longo prazo, como todos os insumos podem Ter suas
quantidades variadas, os custos fixos são inexistentes.
Outra característica dos custos fixos é que eles não estão sob o controle do administrador
no curto prazo; eles existem no mesmo nível, independente de quanto do recurso é
utilizado. Outra maneira de conceituar os custos fixos, e que facilita o seu entendimento é
apresentado por REIS e GUIMARÃES (1986), que os consideram como sendo aqueles
correspondentes aos recursos que:
a) têm duração superior ao curto prazo, portanto sua renovação só acontece no longo prazo;
b) não se incorporam totalmente no produto no curto prazo, fazendo-o em tantos ciclos
quanto permitir a sua vida útil;
c) não são facilmente alteráveis no curto prazo, e o seu conjunto determina a capacidade
de produção da atividade, ou seja, sua escala de produção;
O custo fixo total (CFT) é simplesmente a soma dos vários tipos de custos fixos e inclui,
usualmente os componentes: depreciação, seguros, impostos e juros.
O custo fixo médio (CFMe) , que expressa o custo fixo por unidade de produto (Y) é
determinado pela equação:
CFMe = CFT / Y
Em que o produto é medido em unidades físicas. Uma vez que, por definição, o custo fixo
total é um valor fixo ou constante, independente do nível de produção, o CFMe irá
decrescer continuamente, com o aumento da produção. A Tabela 13 apresenta os custos
fixos e os custos fixos médios de uma firma hipotética.
Custos Variáveis
Os custos variáveis são aqueles sobre os quais o administrador exerce controle no curto
prazo. Eles podem ser aumentados ou diminuídos pala ação direta do administrador e irão
variar no mesmo sentido das mudanças na produção. Itens como semente, fertilizantes,
produtos químicos, gastos com sanidade de rebanho, com serviços de máquinas e com
[Link]
74
O custo variável total (CVT) pode ser encontrado pela soma de cada custo variável
individual, que é igual à quantidade do recurso comprada, multiplicada pelo preço. O
custos variável médio (CVMe) é o custo variável total dividido pelo produto, e é calculado
pela equação:
CVMe = CVT / Y
Os custos variáveis existem tanto no curto, quanto no longo prazo, neste último, todos os
recursos são considerados variáveis. A distinção entre custos fixos e variáveis também
depende do exato ponto no tempo, no qual a próxima decisão será tomada. Gastos com
fertilizantes são, geralmente, considerados custos variáveis. No entanto, uma vez que ele
tenha sido comprado e aplicado, o administrador não tem mais controle sobre esse gasto.
Esse custo deve ser considerado como fixo para o restante do ciclo de produção desse
produto e futuras decisões devem considerar esse fato. O custo com trabalho e o custo de
arrendamento da terra são exemplos similares. Após a contratação da mão de obra e o
contrato de arrendamento Ter sido assinado o administrador não pode alterar o valor e
seus custos devem ser considerados como fixos durante o contrato. Os custos variáveis
totais e os variáveis médios hipotéticos para um empresa fictícia, estão na Tabela 13.
Custo total
O custo total é a soma do custo fixo total e do custo variável total (CT = CVT + CFT). No
curto prazo, ele irá aumentar somente com o aumento do CVT, uma vez que o CFT é um
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75
valor constante. O custo total médio (CTMe) para um determinado nível de produto é igual
à soma do CVMe e CFMe ou, igual a:
CTMe = CT / Y
O custo total médio é tipicamente decrescente, em baixos níveis de produção, uma vez
que o CFMe decresce rapidamente, e o CVMe pode também ser decrescente. A elevados
níveis de produção, o CFMe irá decrescer menos rapidamente e o CVMe irá aumentar e
será maior mais rapidamente do que a taxa de decréscimo do CFMe. Essa combinação
faz com que o CTMe aumente. Constam na Tabela 13 os custos totais e os totais médios
hipotéticos.
Custo marginal
O custo marginal (CMg) é definido como a variação no custo total dividido pela
variação do produto:
CMg = ∆ CT / ∆ Y, ou ainda como CFT não varia CMg = ∆ CVT/ ∆ Y , Tabela 13.
Custo operacional
Defini-se como o custo de todos os recursos de produção que exigem desembolso por
parte da empresa para sua recomposição. O custo operacional compõe-se de todos os
itens de custos considerados variáveis adicionado de uma parcela dos custos fixos, e pela
Tabela 13 - CFT, CVT, CT, CMa, CTMe, CVMe e CFMe para uma empresa hipotética.
Produto (Y) CFT CVT CT CMg CTMe CVMe CFMe
(a) (b) ( c) (d) (e) (f) (g) (h)
$ $ $ $ (d/a) (c/a) (b/a)
0 10,00 0,00 10,00
1 10,00 4,00 14,00 4,00 14,00 4,00 10,00
2 10,00 7,50 17,50 3,50 8,75 3,75 5,00
3 10,00 10,75 20,75 3,25 6,92 3,58 3,33
4 10,00 13,80 23,80 3,05 5,95 3,45 2,50
5 10,00 16,70 26,70 2,90 5,34 3,34 2,00
6 10,00 19,50 29,50 2,80 4,92 3,25 1,67
7 10,00 22,25 32,25 2,75 4,61 3,18 1,43
8 10,00 25,10 35,10 2,85 4,39 3,14 1,25
9 10,00 28,30 38,30 3,20 4,26 3,14 1,11
10 10,00 32,30 42,30 4,00 4,23 3,23 1,00
11 10,00 38,30 48,30 6,00 4,39 3,48 0,91
12 10,00 47,30 57,30 9,00 4,78 3,94 0,83
13 10,00 60,30 70,30 13,00 5,41 4,64 0,77
14 10,00 78,30 88,30 18,00 6,31 5,59 0,71
15 10,00 102,30 112,30 24,00 7,49 6,82 0,67
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parcela da mão de obra familiar que, embora não remunerada, realiza serviços básicos
imprescindíveis ao desenvolvimento da atividade.
A finalidade do uso desse custo é mostrar, caso a empresa não tenha remuneração igual
ou superior ao custo alternativo, se e quanto ela tem de resíduo que remunera em parte o
capital, o tempo, a administração e recursos auto-renováveis.
O Gráfico 25 - Forma das curvas de custo total convencionais (CT, CVT e CF).
$ CT
CVT
CFT
Quantde. ofertada
A curva de custo fixo total é paralela ao eixo das quantidades, uma vez que independe do
nível de produção. Situa-se acima do eixo das quantidades por sua distância equivalente
aos custos fixos. Por sua vez, o custo variável total, que depende do nível da produção,
cresce à medida em que maior quantidade de produto é produzida, isto é, maior
quantidade de insumo variável está sendo utilizada. Inicialmente, a curva de custo variável
total cresce a uma taxa decrescente e depois a uma taxa crescente. A curva de custo total
é paralela à curva de custo variável total, e são separadas por uma distância equivalente
ao custo fixo total.
A curva de custo fixo médio inclina-se para baixo e para a direita em toda a sua
extensão não interceptando o eixo horizontal ou o vertical. É uma hipérbole retangular.
A curva de custo variável médio, geralmente tem a forma de “U”. Inicialmente, apresenta
uma inclinação descendente e depois passa a ter uma inclinação ascendente. O mesmo
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formato é observado nas curvas de custo total médio e, tal forma depende da eficiência
com que ambos os recursos, fixos e variáveis, são utilizados.
Geralmente, a curva de custo marginal também apresenta uma forma “U”, consequência
do formato da curva de custo total.
O Gráfico 26 - Curvas de custo fixo médio, custo variável médio, custo total médio e custo marginal.
CMe
$ CMg
CVMe
CFMe
As formas das curvas de custo marginal e custo variável médio estão relacionadas com a
função de produção. A inter-relação das curvas de custo marginal e produto físico
marginal, custo variável médio e produto físico médio é plotoda no Gráfico 26.
Oberva que o Produto Físico Médio se eleva a um máximo e depois diminui, e que o custo
variável médio reduz a um mínimo e depois se eleva; o produto marginal eleva-se para um
máximo, e continua a decrescer, enquanto o custo marginal baixa atinge um mínimo,
depois sobe, interceptando o custo variável médio em seu ponto de mínimo, continuando a
crescer.
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78
PFMe
PFMg
PFMe
PFMg X1
CMg
CVMe CMg
CVMe
CMg = RMg = Py
79
$
CMe
CMg CVMe
Lucro supernormal
Lucro normal
Ponto de Fechamento
Prejuízo – a firma não atua
Y
Gráfico 29 Analisando individualmente cada um dos casos, tem-se:
$
CMe
CMa CVMe
B C
A
O
E
Em que
AOEC = Receita total
BOED = Custo total
AOEC – BOED = ABDC = Lucro positivo
Gráfico 30
$
CMe
CMg CVMe
A
B
O
C
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Em que
ABCO = Receita total
ABCO = Custo total
ABCO – ABCO = ABCO = Lucro nulo ou normal (A firma oferta)
Gráfico 31
$
CMe
CMg CVMe
A
Prejuízo B
D
O
E
Em que
DOEC = Receita total
AOEB = Custo total
DOEC – AOEB = ABCD = Prejuízo (Cobre CVMe e parte do CFMe)
A firma ainda produz
Gráfico 32
$
CMe
CMg CVMe
A
Prejuízo B
O
E
Em que
DOEC = Receita total
AOEB = Custo total
DOEC – AOEB = ABCD = Prejuízo (Cobre só CFMe)
[Link]
81
A firma ainda produz, mas deixará de fazê-lo a partir deste ponto, uma vez que será
incapaz de cobrir até mesmo os custos fixos médios. Esse é o ponto de fechamento da
firma.
“O nível de produção em que o custo médio a curto prazo é o mínimo é aquele em que o
tamanho da firma é o mais eficiente. Aqui, o valor dos investimentos nos recursos, por
unidade de produto, é mínimo. Esta quantidade de produto é chamado nível ótimo de
produção. O termo ótimo significa “mais eficiente”. Qualquer que seja o tamanho da
empresa, a produção de custo médio mínimo é o nível ótimo de produção para aquele
tamanho de firma (LEFTWITCH, 1991:192)
O nível ótimo para dado tamanho de firma não é, necessariamente, aquele em que a firma
obtém o maior lucro. A existência de lucro e a sua magnitude depende tanto da receita
quanto do custo.
$/unid. CmeL1
x
CmeL2
CmeL3
X
Y Y’ Y1 Y3
Imagine-se que os possíveis tamanhos de firma são infinitos. Para cada tamanho
imaginado haverá um imediatamente um pouco maior ou um pouco menor. Como a curva
de custo médio no LP é formada por pequenos segmentos de curvas de custo médio no
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CP, a CMeL pode ser construída como sendo a linha tangente a todas as possíveis curvas
de CMeCP, que representam os possíveis tamanhos da firma. Matematicamente, é
chamada de “curva envelope” das curvas de CP.
$/Y
CMeLP
Normalmente, a curva de custo médio de longo prazo tem forma de “U”. Isso ocorre,
segundo LEFTWITCH (1991), se a firma tornar-se sucessivamente mais eficiente até um
determinado ponto (um tamanho limite) e, a partir de então, tornar-se sucessivamente
menos efidiente.
Eficiência crescente associada a tamanhos cada vez maiores de planta reflete-se por
curvas de custo médio de curto prazo situadas sucessivamente em níveis mais baixos e
mais à direita. A eficiência decrescente é demonstrada pelo movimento inverso, resultando
em uma curva CMeLP também em formato de “U”.
“As forças que levam a curva CMeLP a decrescer em maiores níveis de produção e
dimensões da empresa são chamadas “economias de escala”. Duas importantes
economias, nesse sentido são:
a) Crescente possibilidade de divisão e especialização da produção;
b) Crescentes possibilidades de uso e desenvolvimento tecnológico avançado e,
ou, equipamentos maiores.
[Link]
83
O tamanho ótimo da firma refere-se à planta mais eficiente de todas as que a firma pode
estabelecer. Em outras palavras, o tamanho ótimo da firma é aquele que faz com que a
curva de custo médio de curto prazo atinja o ponto mínimo no mesmo nível de produ’~ao
que o custo médio de longo prazo.
$/Y
CMeLP
Y* Y/ut
[Link]
84
pesquisa
Portanto, a passagem da agricultura empírica agricultura científica:
proporcionou considerável crescimento à produção rural.
85
i. investimentos elevados;
ii. prazo para conclusão: quase sempre longo;
iii. resultados: arriscados e incertos e,
iv. patente: podem ser copiados, multiplicados ...
associação orgânica
86
87
Para PINAZZA, 1993, no futuro tornar-se-á cada vez mais necessário dar prioridade
ao desenvolvimento de sistemas de produção adaptados a diferentes condições
ecológicas, reduzindo-se, assim, riscos para a produção e para o meio ambiente.
Continua o autor, a redução dos investimentos em pesquisas e tecnologia em
muitos dos países em desenvolvimento aumenta a insegurança alimentar (custo maior
para a atual geração) e, degradam os recursos naturais (custo maior para a geração
futura).
O aumento da produção via expansão de áreas está sendo substituído por ganhos
de produtividade. É preciso, portanto, que se acelerem os investimentos em pesquisa e
tecno-logia para aumentar os ganhos verticais na produção agropecuária.
O desenvolvimento e a adoção de tecnologias apropriadas para a produção
reduzem a insegurança alimentar.
É sabido que agricultores assimilam uma tecnologia com bases em critérios como
lucro, disponibilidades de recursos e riscos. Por isto, que a Análise Econômica é uma
atividade da economia importante na pesquisa.
Como foi visto um resultado de experimentação agrícola não se deve conter apenas
avaliação agronômica e/ou zootécnica, pois, é necessário conter Avaliações Econômicas.
Portanto, a análise econômica permite a transformação dos resultados (da
experimentação) em termos monetários, para conhecer a viabilidade. Uma Análise
Econômica é capaz de levantar um problema e apontar às possíveis soluções.
De um modo geral a Análise Econômica de experimento(s), seja de um produto ou
de um sistema de produção; sempre preocupa com a distribuição e uso (combinação)
racional dos meios de produção que são escassos, com custos e preços.
A importância da Análise Econômica está relacionada com a verificação e
adequação de novas tecnologias e permite, também, inferir as condições necessárias para
torná-las viáveis.
É importante ressaltar que a Análise Econômica está perfeitamente relacionada com
estatística, por isto, o Economista Agrícola deve estar sempre preparado com instrumentos
estatísticos.
[Link]
88
É arriscado realizar Análise Econômica sem qualquer tratamento quantitativo dos dados.
Para quantificar certos fenômenos econômicos e agrícolas, a economia vale-se dos
métodos quantitativos, para explicar a(s) relação(es) existente(s) entre a(s) variável(s).
Geralmente os Economistas preferem o uso de modelos com muitas variáveis, que
permitem estudos mais amplos dos vários fatores que influenciam cada resposta.
Os métodos mais usados para investigar tanto a(s) variável(s) explicativa(s) como a(s)
explicada(s) são:
i. relação produto - produto,
ii. Relação insumo-produto,
iii. relação fator - fator,
iv. superfície de respostas,
v. Regressão linear e/ou não-linear,
vi. Programação linear,
vii. Relação custo/benefício,
viii. Análise marginal e, dentre outras.
89
90
O mercado agrícola é determinado pelas forças que regem a oferta e a demanda, atuando
conjuntamente, que determinam o preço de mercado e, portanto, a quantidade de um
produto a ser negociado.
O preço é formado a partir do resultado direto das condições de oferta e demanda
(MENDES, 1989).
Por isto é necessário conhecer o comportamento do preço, pois é ele que proporcionará
os elementos básicos para as negociações agrícolas.
Pode-se dizer que nenhuma variável é mais importante no mercado do que o preço.
Conceito de Mercado
Existe o mercado livre que é aquele que opera livremente, no qual não há forças externas
que influenciam ou estabelecem condições de mercado artificiais, às quais uma firma
ajusta-se.
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91
i. Tarifas
ii. Preços mínimos
iii. Tabelamento de Preços
iv. Controle de Preços
v. Preços Administrados etc.
Estruturas de Mercados
A agricultura pela sua própria naturesa é perfeitamente competitiva, uma vez que qualquer
produto agrícola, além de ser homogênio, é produzido por grande número de produtores
(em 1995 haviam no Brasil 6 milhões de propriedades rurais, com uma área de 380
milhões de hectares, IBGE, 1996). Contudo, os agricultores ao se relacionarem com o
setor não-agrícola enfrentam situações de oligopólios e oligopsônios e até de monopólios
e monopsônios.
[Link]
92
Quando os agricultores vão adquirir insumos e máquinas para sua produção de uma
determinada mercadoria, eles encontram poucas firmas vendendo os insumos e máquinas
(oligopólio), mas quando eles vão vender seus produtos agrícolas normalmente surgem
poucos compradores (oligopsônio). No mercado que atuam o monopólio e o monopsônio,
os agricultores recebem menos pelos seus produtos e pagam mais pelos insumos e
máquinas, relativamente a uma situação de competição.
Agricultura
Fornecedora de alimentos e
de matérias-primas
93
Empresas
distribuidor
Indústrias as ou
ILUSTRAÇÃO processador comércio
. pré processamento
MERCADO DE TECNOLOGIA . processamento
. logística de distribuição OPORTUNIDA-
DES E MEAÇAS
. armazenamento
DEMANDA
OERTA . Transporte
. mercado – físico
NOVOS CENTRO - futuro
T,P,S P&d - crédito
- financiamento
94
É necessário se ater para os elos que se formam na cadeia do Agronegócio, na qual cada
segmento responde a um estímulo e uma parte afeta o todo e o todo afeta a parte.
[Link]
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Modelo ideal é de um Agronegócio regional e faz com que a indústria tenha retornos
crescentes, decorrentes da eficiência econômica. Faz parte da lógica industrial a seleção
do que interessa para ela, o que torna excludente, porque o produtor que não enquadrar
está fora.
É oportuno apontar alguns desafios crescentes para aqueles que têm o Agronegócio como
atividade principal:
i. abertura de mercado,
ii. aumento das exigências dos consumidores tanto nacional como internacional, no que
se refere a alimentos,
iii. necessidades de profissionais capacitados para atuar nas relações entre empresas,
equacionar soluções, pensar estrategicamente, introduzir modificações, atuar
prercursivamente, gerir e transferir conhecimento tendo visão ampla de toda a cadeia
de produção.
Cadeias Produtivas
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