ORAÇÕES COORDENADAS E SUBORDINADAS
ORAÇÕES COORDENADAS
Uma oração coordenada é aquela que surge numa frase complexa
e que não depende sintaticamente da oração com a qual tem uma relação
de coordenação (a). As orações coordenadas distinguem-se das
subordinadas na medida em que, em geral, não podem ser antepostas à
oração com a qual surgem coordenadas (b).
Exs.: a) Regámos as flores e demos comida aos gatos.
b) *E demos comida aos gatos regámos as flores.
As orações coordenadas podem ser sindéticas ou assindéticas.
• Oração coordenada sindética — oração que é coordenada por
intermédio de uma conjunção ou de uma locução coordenativa; pode
ser copulativa, adversativa, disjuntiva, conclusiva ou explicativa.
Exs.: Estava cansada, mas continuei a trabalhar.
• Oração coordenada assindética — oração que é coordenada por meio de
uma vírgula. Exs.: Abri a porta, liguei a luz e fui surpreendida por um
intruso.
1. Orações coordenadas sindéticas
• Oração coordenada copulativa — oração que se inicia com uma
conjunção ou locução coordenativa copulativa, transmitindo uma
ideia de adição.
Exs.: O Miguel fez uma escultura e a Maria optou por uma pintura.
oração coordenada oração coordenada copulativa
Não só comi o bolo como também bebi o sumo.
oração coordenada oração coordenada copulativa
• Oração coordenada adversativa — oração iniciada por uma conjunção
ou locução coordenativa adversativa e que estabelece uma ideia de
contraste face à oração com que surge coordenada.
Exs.: Atrasámo-nos, mas conseguimos chegar a tempo da partida do comboio.
oração coordenada oração coordenada adversativa
• Oração coordenada disjuntiva — oração iniciada por uma conjunção ou
locução coordenativa disjuntiva e que transmite uma ideia de
alternativa em relação à oração com a qual surge coordenada.
Exs.: Apetece-te comer um chocolate ou preferes provar este bolo?
oração coordenada oração coordenada disjuntiva
Ora lhe apetecia rir ora tinha vontade de chorar.
oração coordenada oração coordenada disjuntiva
• Oração coordenada conclusiva — oração que se inicia com uma
conjunção ou locução coordenativa conclusiva e que apresenta uma
conclusão em relação à oração com a qual surge coordenada.
Exs.: Estou exausto; logo, não vou à praia.
oração coordenada oração coordenada conclusiva
• Oração coordenada explicativa — oração iniciada por uma conjunção
explicativa e que exprime uma justificação que legitima o ato de fala
expresso pela oração com que surge coordenada.
Exs.: Vou à água, pois apetece-me imenso mergulhar.
oração coordenada oração coordenada explicativa
ORAÇÕES SUBORDINADAS
Uma oração subordinada é aquela que surge numa frase complexa e que
depende sintaticamente da oração subordinante (a). Ao contrário das
orações coordenadas, as orações subordinadas podem, em geral, ser
antepostas às orações subordinantes (b). Uma oração subordinada pode
desempenhar a função sintática de sujeito (c), de com- plemento — do
nome (d), do verbo (e) e do adjetivo (f) — e de modificador — do nome
(g), do grupo verbal (h) e da frase (i).
Exs.: a) Saímos de casa assim que chegares.
b) Assim que chegares, saímos de casa.
c) É fundamental que tragas um casaco.
d) A hipótese de ficarmos em casa é absurda.
e) A rainha ordenou que nos sentássemos.
f) Eles estão satisfeitos por terem terminado o trabalho.
g) Os meus amigos franceses, que adoram Portugal, vêm cá este ano.
h) Quando fomos a Paris, visitámos o Museu do Louvre.
i) Se conseguirmos uma promoção, vamos ao Japão nestas férias.
Com base na função sintática que desempenham na frase, as orações
subordinadas podem classificar-se como substantivas (quando
desempenham uma função típica do nome), adjetivas (quando
desempenham uma função que, em geral, é atribuída ao adjetivo) ou
adverbiais (quando desempenham uma função característica do advérbio).
Ficha 7
1. Orações subordinadas adjetivas
• Oração subordinada adjetiva relativa restritiva — Oração que se
inicia com um quantificador relativo, pronome relativo, determinante
relativo ou advérbio rela- tivo — que, quem, o qual/a qual, os quais/as
quais, cujo(s)/cuja(s), quanto(s)/ quanta(s), onde. Uma vez que
restringe o antecedente, esta oração desempenha a função sintática
de modificador restritivo do nome, não podendo, portanto, ser
separada do antecedente por vírgula.
Exs.: a) Os alunos que trabalharam serão recompensados.
b) Os concorrentes cuja obra de arte foi premiada irão a Londres.
c) A escola onde trabalho é ótima.
• Oração subordinada adjetiva relativa explicativa — Oração que se
inicia com um quantificador relativo, pronome relativo, determinante
relativo ou advérbio relativo — que, quem, o qual/a qual, os quais/as quais,
cujo(s)/cuja(s), quanto(s)/ quanta(s), onde. Esta oração apresenta
informação adicional sobre o anteceden- te, desempenhando a função
sintática de modificador apositivo do nome e sendo separada do
antecedente por vírgula (a, b e c). Quando o pronome relativo reto- ma
o conteúdo da subordinante na sua totalidade, a oração subordinada
desem- penha a função sintática de modificador da frase (d).
Exs.: a) A Catarina, que se interessa por arqueologia, vai no verão ao Egito.
b) O Rui, cujo irmão é meu colega, emprestou-me este livro.
c) Na ilha de São Miguel, onde se situa a lagoa das Sete
Cidades, há uma aposta no turismo de natureza.
d) Ele conquistou uma medalha, o que encheu os pais de orgulho.
2. Orações subordinadas adverbiais
• Oração subordinada adverbial temporal — Oração que situa no tempo
a informa- ção apresentada na oração subordinante e que
desempenha a função sintática de modificador do grupo verbal. Esta
oração pode ser finita ou não finita. No primei- ro caso, é introduzida
por uma conjunção ou uma locução subordinativa temporal
(a). No segundo caso, classifica-se como infinitiva (quando o verbo
está no infini- tivo) (b), participial (quando o verbo se encontra no
particípio passado) (c) ou gerundiva (quando o verbo está no
gerúndio) (d).
Exs.: a) Mal chegámos, começámos a trabalhar.
b) Ao sair de casa, apercebi-me de que me tinha
esquecido do guarda-chuva.
c) Terminada a reunião, regressámos a casa.
d) Ela entrou em casa andando silenciosamente.
• Oração subordinada adverbial causal — Oração que indica a causa da
ideia que é expressa na oração subordinante e que desempenha a
função sintática de modifi- cador do grupo verbal. Quando finita, esta
oração é introduzida por uma conjunção ou uma locução subordinativa
causal (a). As orações subordinadas adverbiais cau- sais não finitas
podem ser infinitivas (b), participiais (c) ou gerundivas (d).
Exs.: a) Como está a chover, ficamos em casa.
b) Ele foi promovido por revelar um excelente desempenho nas
suas funções.
c) Destruída a casa, os seus habitantes foram realojados.
d) Estando o trabalho concluído, é natural que eles queiram descansar.
294
ANEXO II. CLASSES DE PALAVRAS, SINTAXE E LEXICOLOGIA
• Oração subordinada adverbial final — Oração que indica o objetivo da
situação que é descrita na oração subordinante e que desempenha a
função sintática de modificador do grupo verbal. Pode ser finita (a)
ou não finita (b).
Exs.: a) O anfitrião esforçou-se muito para que todos se
sentissem à vontade na festa.
b) Eles vieram cá para visitar o País.
• Oração subordinada adverbial condicional — Oração que indica uma
condição para a realização do facto expresso na oração subordinante.
Desempenha a fun- ção sintática de modificador da frase. De acordo
com o seu sentido, as orações subordinadas adverbiais condicionais
podem classificar-se como factuais (ou reais), quando exprimem um
facto real. Neste caso, o verbo da oração subor- dinada é conjugado
no modo indicativo (a). Podem também ser hipotéticas, quando
apresentam uma hipótese, situação em que o verbo da oração
subordi- nada é conjugado no presente ou no futuro do modo conjuntivo
(b). Finalmente, existem também orações subordinadas adverbiais
condicionais contrafactuais (ou irreais), quando se indicam situações
que não se podem realizar. Neste último caso, o verbo é conjugado no
pretérito imperfeito do modo conjuntivo (c). Além de finitas, estas orações
podem também ser não finitas — infinitivas (d), participiais
(e) e gerundivas (f).
Exs.: a) Se estudaste, tens maior probabilidade de ter um bom resultado.
b) Se estudares, terás maior probabilidade de ter um bom resultado.
c) Se estudasses, terias maior probabilidade de ter um bom resultado.
d) A fazer essa viagem, terias de me acompanhar.
e) Publicado o livro, poderemos divulgar a nossa teoria.
f) Fazendo o trabalho, mostrarás o teu valor.
• Oração subordinada adverbial concessiva — Oração que apresenta um
obstáculo que se coloca à situação apresentada na oração
subordinante, mas que não a impede de se concretizar.
Desempenha a função sintática de modificador da frase. As orações
subordinadas adverbiais concessivas podem ser finitas (a) ou não
finitas. Neste caso, classificam-se como infinitivas (b), participiais
(c) e gerundivas (d).
Exs.: a) Embora seja tímida, ela aceitou participar na peça.
b) Apesar de se sentir cansada, a Marta decidiu ir passear com a mãe.
c) Mesmo degradado, o monumento conservou parte da sua beleza.
d) Mesmo sabendo que eles não apreciam sopa, vou servi-la ao jantar.
• Oração subordinada adverbial comparativa — Oração que apresenta o
segundo termo de uma comparação em relação ao que é expresso
na oração subordi- nante (a). Nas orações subordinadas
comparativas, o verbo pode ser elidido (b). Estas orações têm um
comportamento diferente do das restantes orações subor- dinadas
adverbiais, uma vez que, por vezes, parecem referir-se especificamente
a um elemento da oração subordinante, e não a esta oração na sua
totalidade, e têm pouca mobilidade na frase (c).
Exs.: a) Ele lia tão bem como escrevia.
b) Este aluno é mais alto do que aquele (isto é, do que aquele é alto).
c) Ela trabalhou mais do que tu.
*Do que tu ela trabalhou mais.
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Ficha 7
• Oração subordinada adverbial consecutiva — Oração que exprime
uma conse- quência do facto apresentado na oração subordinante
(a). Tal como as orações subordinadas adverbiais comparativas,
estas orações têm um comportamento diferente do das outras
orações subordinadas adverbiais, dado que, por vezes, modificam
apenas um elemento da oração subordinante, e não esta oração no
seu todo, e têm pouca mobilidade na frase (b). Estas orações podem
ser não finitas, sendo, neste caso, infinitivas (c).
Exs.: a) Ele esforçou-se tanto que conseguiu superar todas as dificuldades.
b) Ela era tão simpática que não tinha dificuldade em fazer amigos.
*Que não tinha dificuldade em fazer amigos ela era tão simpática.
c) A Maria ficou entusiasmada com a ideia a ponto de
procurar, a todo o custo, concretizá-la.
A classificação das orações que foi aqui apresentada encontra-se
sistematizada nos quadros seguintes.
ORAÇÕES COORDENADAS
Subclasses Exemplos
Assindéticas Sinto-me quente, devo estar doente.
Copulativas e fui para casa Saí do trabalho.
Adversativas O telemóvel tem bateria, mas não funciona.
Sindéticas Disjuntivas Chovia ou nevava./Ou nevava ou chovia.
Conclusivas Estudei bastante para o teste, por isso tive boa
nota.
Explicativas Liga o aquecedor, pois estou com frio.
ORAÇÕES SUBORDINADAS
Subclasses Exemplos
Temporais Assim que me fui embora, ele chegou.
Causais O carro parou porque ficou sem gasolina.
Finais Amanhã encontramo-nos para resolver esse
assunto.
Adverbiais Condicionais Se fores ao supermercado, traz leite.
Apesar de não ter muita fome, podemos
Concessivas
começar a jantar.
Consecutiva Estava tanto frio que tremíamos.
s
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