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Wa0005.

O documento explora a temática da antropofagia conjugal através de uma série de poemas que abordam a fusão de corpos e almas em um relacionamento intenso. A linguagem é rica em metáforas que expressam a união, o desejo e a entrega total entre os amantes. A obra reflete sobre a profundidade do amor e a vulnerabilidade que vem com a intimidade.
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O documento explora a temática da antropofagia conjugal através de uma série de poemas que abordam a fusão de corpos e almas em um relacionamento intenso. A linguagem é rica em metáforas que expressam a união, o desejo e a entrega total entre os amantes. A obra reflete sobre a profundidade do amor e a vulnerabilidade que vem com a intimidade.
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ATOS DE ANTROPOFAGIA CONJUGAL

I- Dança simbiótica

Toque seus dedos nos meus

Apenas toque

Sinta nossos átomos se encaixando

Nossas mãos se tornando uma.

Me abrace e perceba nossos peitos


Se fundindo, misturando nossas cores

Nossos cabelos se enrolando

Sua coroa crespa e minhas ondas do mar.

Leite integral e café amargo

Somos nós

Combinamos como nenhum outro casal.

E enquanto nós nos tornamos uma só


Una sua consciência e realidade à minha

Divida seu ego comigo

Seja minha, eu serei sua.

Nosso medo será um

A distância não será um problema.


II- Corpo Humano

Quero que você me engula

Como quem é artista e absorve o mundo

Quero que você me tome para si

Como quem cai no poço e não vê o fundo.

Fique comigo, puxe minha existência

E cole no seu interior

Me deixe morar dentro do seu âmago.

Abra minha coluna vertebral

Como quem abre as páginas de um livro


Pegue minhas vértebras —

Reorganize, abra-as e leia meus segredos.

Eles são seus também.

Rasgue meus quadris

Da maneira mais gentil e visceral

Que você conhecer.

Me engula.

III- Consumir

Me beije até meus pensamentos ruins

Virarem fumaça
Me beije até minha mão trêmula

Parar de se debater.

Me toque

Mas não me toque por que peço

E sim porque em algum lugar dentro de si mesma

Você tem necessidade de mim.

O belo da poesia está em seus lábios

Desnudos, crus, entreabertos

Tocando nos meus.

Eu permito que você puxe meus cabelos

Faça o que for mais profano comigo


Seria um prazer para mim

Ser o seu desejo às escondidas.

O que você causa em mim é tão primitivo e animal

Que não cabe à lapiseira descrever.

IV- Dilaceração

Faça um corte vertical na linha da minha coluna

Reto, direto, preciso, cirúrgico

Separe os pedaços

Retire meus órgãos

Entre no meu corpo

Faça minha cabeça


Reorganize minhas ideias

Faça-as suas

Me dilacere de dentro para fora.

Essa luz bonita e suave

Emanando do corte

São minhas ambições

Esse líquido branco e brilhante são os meus sonhos contigo

Tome, são tão seus quanto meus

Somos uma agora.

Inspire-me

De todas as formas humana e divinamente possíveis

Trague meu espírito, o beba como vinho num cálice de prata na Santa Ceia
Não sou Jesus, mas me adore

Não sou blasfêmia, mas me deixe ser o seu pecado pessoal

V- Antropofagia Conjugal

Ela é o frescor das manhãs vermelhas recém-amanhecidas

O calor de uma pelve contra a outra

Um suspiro desesperado pedindo por um pouco mais]

Ela é horas e horas de beijos envergonhados


Uma mão dentro da minha blusa

Um toque pedindo por permissão

"Eu posso?"

Ela, um olhar atravessado no meu seio

Uma risada sussurrada

Me afogando nos cabelos dela


Uma mordida no meu queixo, no meu pescoço, no meu ser.

Um beijo dela me derrete

Metaforicamente me decompõe

Já que meu amor é a deusa da putrefação.

E que tudo o que é mais sacro evapore num cachimbo em seus lábios, se ela partir]

Que toda a minha santidade se esvá com ela

Que qualquer sanidade se extingua da terra

Que eu suma, se ela sumir.

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