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Módulo 2

O documento aborda a importância do estudo da mecânica dos solos na engenharia civil, destacando a interação do ser humano com o solo e os riscos de acidentes em obras. Ele explora a formação, classificação e propriedades dos solos, além de discutir métodos de investigação geotécnica para garantir a segurança e estabilidade das construções. Ao final, o leitor será capaz de aplicar conhecimentos sobre solos para prevenir problemas geotécnicos em projetos de engenharia.

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Módulo 2

O documento aborda a importância do estudo da mecânica dos solos na engenharia civil, destacando a interação do ser humano com o solo e os riscos de acidentes em obras. Ele explora a formação, classificação e propriedades dos solos, além de discutir métodos de investigação geotécnica para garantir a segurança e estabilidade das construções. Ao final, o leitor será capaz de aplicar conhecimentos sobre solos para prevenir problemas geotécnicos em projetos de engenharia.

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Ao longo da história, a interação do ser humano com o solo resultou em grandes

obras de engenharia, como as pirâmides do Egito e a grande Muralha da China. No


entanto, a falta de conhecimento sobre o comportamento dos solos também levou a
grandes acidentes, como os escorregamentos durante a construção do Canal do
Panamá.

Reflita

● Quais as possíveis causas para a ocorrência de escorregamentos em


obras de terra?
● Como o estudo da mecânica dos solos pode auxiliar na prevenção de tais
acidentes?
● Que tipos de ensaios e investigações geotécnicas podem ser realizados
para garantir a segurança e estabilidade de obras de engenharia?

Nesta unidade, vamos investigar os métodos de exploração do subsolo, os ensaios


de laboratório e campo e as propriedades dos solos que influenciam seu
comportamento. Ao final, você será capaz de identificar os fatores que contribuem
para a instabilidade de taludes e como aplicar técnicas de investigação para
prevenir acidentes em obras de engenharia.
Você já se perguntou como os engenheiros conseguem construir grandes obras em
solos tão diferentes, como areia, argila e rocha?

Nesta unidade, vamos desvendar os segredos da exploração do subsolo e descobrir


como os engenheiros utilizam diferentes métodos para garantir a segurança e
estabilidade de suas construções. Prepare-se para se tornar um(a) especialista em
investigação do subsolo e desvendar os mistérios que se escondem sob nossos
pés!

Ao final deste conteúdo, você será capaz de:

● definir os conceitos de solo e rocha;


● identificar os diferentes tipos de solos e rochas;
● descrever os processos de formação dos solos;
● explicar a importância da geologia em obras de engenharia;
● discutir os princípios básicos dos ensaios de laboratório e campo;
● interpretar os resultados de sondagens e ensaios geotécnicos;
● comparar as vantagens e desvantagens dos diferentes métodos de investigação do
subsolo;
● avaliar a qualidade e representatividade de amostras de solo;
● analisar a influência das propriedades de solos e rochas no comportamento de obras
geotécnicas;
● planejar um programa de investigação do subsolo adequado para um projeto
específico;
● propor soluções para problemas geotécnicos com base nos resultados das
investigações.
● avaliar a segurança e estabilidade de obras geotécnicas;
● julgar a adequação dos métodos de investigação e ensaios utilizados em um projeto.
O Solo como Material de Construção
Figura 1 | Obras de terra e fundações
Introdução

Desde os primórdios da civilização, o solo tem sido um material de construção


fundamental. As pirâmides do Egito, a grande Muralha da China e inúmeras outras
estruturas históricas e contemporâneas atestam a versatilidade e importância desse
recurso natural na engenharia civil. No entanto, a utilização do solo como material
de construção vai além de sua simples abundância e baixo custo. É fundamental
compreender suas propriedades e seu comportamento para garantir a segurança,
estabilidade e durabilidade das obras.

O solo, um material granular resultante da decomposição das rochas, apresenta


características únicas que o diferencia de outros materiais de construção. Sua
complexidade e variabilidade exigem um estudo aprofundado para que seja utilizado
de forma eficiente e segura.

Solo é um material natural composto por partículas minerais, matéria orgânica,


água e ar, resultante da decomposição das rochas pela ação do intemperismo. Ele
forma a camada superficial da crosta terrestre e desempenha um papel fundamental
na sustentação da vida, fornecendo nutrientes e água para as plantas, além de
servir como base para construções e outras atividades humanas. A textura, a
estrutura, a composição química e as propriedades físicas dos solos variam
consideravelmente, dependendo do material de origem, do clima, da topografia e
dos organismos vivos presentes.

Estudo Guiado

Leia o Capítulo 1, intitulado "Características básicas dos solos", do livro


indicado.

Clique no link e leia o livro


KNAPPETT, J. A.; CRAIG, R. F. Mecânica dos solos. 8. ed. São Paulo: Grupo GEN, 2014. E-
book. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-216-2703-6/.
Acesso em: 5 jul. 2024.

A mecânica dos solos, ramo da engenharia geotécnica que se dedica ao estudo do


comportamento dos solos, fornece as ferramentas e os conhecimentos necessários
para analisar e prever o desempenho dos solos em diferentes situações, permitindo
o desenvolvimento de projetos mais adequados e econômicos.

Formação dos Solos: uma Jornada Geológica

A formação dos solos é uma longa jornada geológica, moldada por diversos fatores
que interagem ao longo do tempo.

O ponto de partida dessa jornada é a rocha matriz, que, por meio do intemperismo,
decompõe-se em partículas menores. O intemperismo físico – causado por
variações de temperatura, congelamento da água e ação de organismos –
fragmenta a rocha em pedaços cada vez menores. O intemperismo químico, por sua
vez, altera a composição química dos minerais da rocha, transformando-os em
novos minerais mais estáveis.

A água, o vento, o gelo e a gravidade atuam como agentes transportadores,


carregando as partículas resultantes do intemperismo para outros locais. Durante o
transporte, as partículas podem ser classificadas e selecionadas por tamanho,
forma e densidade, dando origem a diferentes tipos de depósitos sedimentares. A
deposição desses sedimentos, seguida de sua compactação e cimentação, leva à
formação de novas rochas, completando o ciclo das rochas.

Estudo Guiado
Leia o Capítulo 2, intitulado "Origem e formação dos solos", do livro
indicado.

Clique no link e leia o livro

CAPUTO, H. P.; CAPUTO, A. N. Mecânica dos solos: teoria e aplicações. São Paulo: Grupo
GEN, 2022. E-book. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521638032/. Acesso em: 5 jul. 2024.

Classificação dos Solos: Desvendando a Diversidade

A diversidade de solos encontrados na natureza é imensa, variando em textura,


estrutura, composição mineralógica e propriedades físicas. Para facilitar o estudo e
a aplicação prática do conhecimento geotécnico, foram desenvolvidos sistemas de
classificação de solos, como o Sistema Unificado de Classificação de Solos (SUCS)
e a classificação MCT (Miniatura, Compactação e Tropical), que agrupam os solos
em categorias com base em suas características.

O SUCS, um dos sistemas mais utilizados mundialmente, classifica os solos em três


grandes grupos:
1. solos grossos (pedregulho e areia);
2. solos finos (silte e argila);
3. turfas (solos orgânicos).

Solos grossos são aqueles com mais de 50% de partículas com diâmetro superior
a 0,075 mm. Os solos grossos se subdividem em:

● pedregulho (G): partículas com diâmetro entre 4,8 mm e 76,2 mm.


Subdivide-se em pedregulho grosso, médio e fino;
● areia (S): partículas com diâmetro entre 0,075 mm e 4,8 mm. Subdivide-se
em areia grossa, média e fina.

Solos finos são aqueles com mais de 50% de partículas com diâmetro inferior a
0,075 mm. Os solos finos se subdividem em:

● silte (M): partículas com diâmetro entre 0,002 mm e 0,075 mm;


● argila (C): partículas com diâmetro inferior a 0,002 mm;
● turfas (Pt): solos altamente orgânicos, com alta compressibilidade e baixa
resistência.

No SUCS, a granulometria também é utilizada para subdividir os solos grossos em


categorias.

Recurso lista interativa:

Pedregulho bem graduado (GW)


Pedregulho mal graduado (GP)
Areia bem graduada (SW)
Areia mal graduada (SP)

Conteúdo
Pedregulho bem graduado (GW):

Boa distribuição de partículas de diferentes tamanhos.

Voltar para a navegação do recurso lista interativa

A granulometria é a distribuição do tamanho das partículas em um solo. É


determinada por meio de ensaios de peneiramento (para solos grossos) e
sedimentação (para solos finos). A curva granulométrica resultante permite
classificar o solo e entender suas propriedades, como permeabilidade e
compressibilidade. A granulometria é expressa em termos de porcentagem de
partículas que passam em cada peneira de diferentes aberturas.

A classificação MCT, desenvolvida para solos tropicais, considera a influência do


clima e do intemperismo na formação dos solos, classificando-os em:

Lateríticos

Solos formados em clima tropical úmido, com alta taxa de intemperismo químico.
São ricos em óxidos de ferro e alumínio, apresentando cores avermelhadas ou
amareladas. Possuem baixa fertilidade natural, mas podem ser utilizados na
construção civil, como em aterros e bases de pavimentos.

Saprolíticos
Solos formados pela decomposição de rochas em clima tropical úmido. São ricos
em minerais primários, como quartzo e feldspato, e possuem textura arenosa ou
argilosa. Apresentam boa capacidade de drenagem e podem ser utilizados na
agricultura e construção civil.

Não lateríticos

Solos formados em clima tropical semiárido ou áreas de relevo acidentado.


Apresentam menor grau de intemperismo e maior fertilidade natural que os solos
lateríticos. Podem ser utilizados na agricultura e em algumas obras de engenharia,
como em barragens de terra.

Orgânicos

Solos formados pelo acúmulo de matéria orgânica em áreas de drenagem


deficiente, como pântanos e várzeas. São ricos em carbono e nutrientes, mas
possuem baixa capacidade de suporte e alta compressibilidade, sendo inadequados
para a maioria das obras de engenharia.
Estudo Guiado

Leia o Capítulo 7, intitulado "Classificação dos solos", do livro indicado.

Clique no link e leia o livro

CAPUTO, H. P.; CAPUTO, A. N. Mecânica dos solos: teoria e aplicações. São Paulo: Grupo
GEN, 2022. E-book. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521638032/. Acesso em: 5 jul. 2024.

Propriedades Físicas dos Solos: a Base do


Conhecimento Geotécnico
As propriedades físicas dos solos são características intrínsecas que influenciam
seu comportamento em obras de engenharia. A granulometria, assim como
abordado anteriormente, é uma das propriedades mais importantes, pois afeta a
permeabilidade, compressibilidade e resistência ao cisalhamento do solo.

Atenção!

● Permeabilidade: é a capacidade de o solo permitir a passagem de fluidos,


como a água, por seus poros interconectados. Solos arenosos, com poros
maiores e mais interconectados, geralmente apresentam alta
permeabilidade; enquanto solos argilosos, com poros menores e menos
interconectados, têm baixa permeabilidade.
● Compressibilidade: é a propriedade do solo de reduzir seu volume sob a
ação de cargas externas. A compressibilidade depende da estrutura do
solo, do tipo de partículas, do índice de vazios e da presença de água.
Solos argilosos, com partículas finas e grande quantidade de água nos
poros, são mais compressíveis do que solos arenosos, com partículas
maiores e menor quantidade de água.
● Resistência ao cisalhamento: é a capacidade de o solo resistir a
deformações causadas por tensões de cisalhamento, que tendem a
deslizar uma parte do solo sobre a outra. Essa resistência depende do
atrito entre as partículas, da coesão do solo e da pressão atuante. Solos
arenosos, com baixo índice de vazios e grande atrito entre as partículas,
apresentam alta resistência ao cisalhamento; enquanto solos argilosos,
com maior índice de vazios e menor atrito, dependem da coesão para
resistir ao cisalhamento.

Estudo Guiado
Leia os Capítulos 12, 13 e 15 para entender mais sobre a permeabilidade, a
compressibilidade e a resistência ao cisalhamento dos solos.

Clique no link e leia o livro

CAPUTO, H. P.; CAPUTO, A. N. Mecânica dos solos: teoria e aplicações. São Paulo: Grupo
GEN, 2022. E-book. ISBN 9788521638032. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521638032/. Acesso em: 5 jul. 2024.

A plasticidade, por sua vez, é a capacidade de um solo fino sofrer deformação


irreversível sem se romper ou esfarelar. Essa propriedade está diretamente
relacionada à presença de minerais argilosos no solo e ao teor de umidade. Solos
com alto índice de plasticidade, como as argilas, podem ser moldados em diferentes
formas sem perder sua coesão; enquanto solos com baixo índice de plasticidade,
como as areias, são friáveis e se desagregam facilmente.

Outras propriedades físicas relevantes são:

● consistência, que descreve a resistência do solo ao manuseio e à


deformação;
● índice de vazios, que indica a relação entre o volume de vazios e volume
de sólidos;
● porosidade, que representa a proporção de vazios em relação ao volume
total do solo;
● massa específica, que é a massa de solo por unidade de volume.

Esses são conceitos que abordaremos e nos aprofundaremos no decorrer do curso.

O Solo como Recurso Natural e sua Utilização na


Engenharia

O solo é um recurso natural valioso, essencial para a vida na Terra e diversas


atividades humanas. Na agricultura, o solo fornece nutrientes e água para as
plantas, sendo a base da produção de alimentos; na construção civil, o solo é
utilizado como material de construção em aterros, fundações e obras de contenção,
além de servir como suporte para edificações e outras estruturas.

A utilização do solo na engenharia civil requer um conhecimento aprofundado de


suas propriedades e seu comportamento, a fim de garantir a segurança,
estabilidade e durabilidade das obras.

A escolha do tipo de fundação, o dimensionamento de estruturas de contenção e a


avaliação da estabilidade de taludes são apenas alguns exemplos de como o
conhecimento geotécnico é crucial para o sucesso de projetos de engenharia.

Tópico 01

Investigação e
Caracterização do
Subsolo
Introdução à Investigação Geotécnica

A investigação geotécnica é uma fase crucial para o sucesso de qualquer projeto de


engenharia civil.

Os principais objetivos da investigação geotécnica são:

● determinação da estratigrafia do subsolo: identificar as diferentes


camadas de solo e/ou rocha presentes no subsolo, suas espessuras e
características, como a origem geológica, o tipo de solo (areia, silte ou
argila) e a presença de matéria orgânica;
● coleta de amostras representativas: obter amostras de solo e/ou rocha
de diferentes profundidades para posterior análise em laboratório, a fim de
determinar suas propriedades físicas e mecânicas, como granulometria,
plasticidade, compressibilidade e resistência ao cisalhamento;
● identificação de possíveis riscos geológicos: identificar a presença de
água subterrânea, zonas de instabilidade, contaminação do solo e outros
fatores que possam comprometer a segurança e o desempenho da obra.

Estudo Guiado

Leia o Capítulo 6, intitulado "Investigação do terreno", do livro indicado.


Clique no link e leia o livro

KNAPPETT, J. A.; CRAIG, R. F. Mecânica dos solos. 8. ed. São Paulo: Grupo GEN, 2014. E-
book. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-216-2703-6/.
Acesso em: 5 jul. 2024.

Métodos de Investigação Direta do Subsolo

Os métodos diretos de investigação do subsolo permitem a observação e coleta de


amostras de solo e/ou rocha de forma direta, por meio de escavações, sondagens e
amostragem.

Recurso lista interativa:

Poços de inspeção e trincheiras


Sondagens a trado
Sondagens à percussão (SPT)
Sondagens rotativas

Conteúdo
Poços de inspeção e trincheiras:

Escavações rasas que permitem a observação visual do solo e a coleta de amostras


deformadas ou indeformadas. São limitados a profundidades de até 4-5 metros e
indicados para solos coesivos e em locais com pouca presença de água
subterrânea.

Voltar para a navegação do recurso lista interativa

Métodos de Investigação Indireta do Subsolo

Os métodos indiretos de investigação não envolvem a coleta de amostras, mas


fornecem informações sobre as propriedades e características do subsolo por meio
de ensaios e medições.

Ensaios geofísicos

Métodos que utilizam princípios físicos, como a propagação de ondas sísmicas ou


resistividade elétrica do solo, para inferir as características do subsolo. São úteis
para mapear grandes áreas e identificar camadas de solo e rocha, presença de
água subterrânea e outras características geológicas. São ensaios não destrutivos e
complementares às sondagens diretas.

Os principais métodos são:


● sísmica de refração: mede a velocidade de propagação de ondas
sísmicas no solo, que varia em função da rigidez dos materiais. É utilizada
para determinar a profundidade do embasamento rochoso e espessura
das camadas de solo;
● eletrorresistividade: mede a resistividade elétrica do solo, que varia em
função do teor de umidade e da presença de sais dissolvidos. É utilizada
para identificar camadas de solo com diferentes características e para
detectar a presença de água subterrânea;
● georadar (GPR): utiliza ondas eletromagnéticas para mapear o subsolo,
sendo capaz de detectar objetos enterrados, vazios e variações nas
propriedades dos materiais.

Ensaio de cone (CPT)

Método que consiste na cravação de um cone no solo a uma velocidade constante,


medindo a resistência à penetração (qc) e o atrito lateral (fs). Fornece informações
contínuas sobre a estratigrafia, resistência e deformabilidade dos solos, sendo
amplamente utilizado na prática da engenharia geotécnica. O ensaio de cone é
normatizado pela NBR 12069, de 1991.

Ensaio de palheta (vane test)

Método que mede a resistência ao cisalhamento de solos argilosos moles por meio
da rotação de uma palheta metálica cravada no solo. É um ensaio importante para
avaliar a resistência não drenada das argilas moles, parâmetro fundamental para o
cálculo da capacidade de carga de fundações.
A escolha do método de investigação dependerá dos objetivos do estudo, das
características do terreno, do tipo de obra e dos recursos disponíveis. Em geral,
recomenda-se a combinação de métodos diretos e indiretos para obter uma
caracterização mais completa do subsolo.

Amostragem de Solos

A amostragem de solos é fundamental para a caracterização dos materiais e


determinação de suas propriedades em laboratório, sendo essencial para projetos
de engenharia geotécnica. A qualidade da amostra é crucial para a confiabilidade
dos resultados dos ensaios laboratoriais. Amostras indeformadas, que preservam a
estrutura e umidade natural do solo, são ideais para determinar parâmetros como
resistência ao cisalhamento e compressibilidade.

Diferentes tipos de amostradores são utilizados para coletar amostras de solo, cada
um com características e aplicações específicas.

Recurso lista interativa:

Amostradores de parede fina (Shelby)


Amostradores de pistão estacionário
Amostrador padrão (SPT)
Amostradores de barrilete duplo

Conteúdo

Amostradores de parede fina (Shelby):


Utilizados para coletar amostras indeformadas de solos argilosos moles e sensíveis.
Sua principal característica é a parede fina, que minimiza o atrito lateral durante a
cravação, preservando a estrutura do solo.

Voltar para a navegação do recurso lista interativa

A escolha do amostrador adequado depende do tipo de solo, da profundidade de


amostragem e das propriedades a serem determinadas.

A coleta de amostras representativas e indeformadas é essencial para garantir a


precisão dos ensaios laboratoriais e, consequentemente, a segurança e o sucesso
dos projetos de engenharia.

Ensaios de Laboratório

Os ensaios de laboratório são realizados em amostras de solo coletadas em campo,


com o objetivo de determinar suas propriedades físicas e mecânicas, fundamentais
para o projeto de fundações e outras obras geotécnicas.

Recurso lista interativa:

Ensaios de caracterização
Ensaios de compactação
Ensaios de adensamento
Ensaios de resistência ao cisalhamento

Conteúdo
Ensaios de caracterização:

Determinam as propriedades básicas do solo, como a granulometria, os limites de


Atterberg (limite de liquidez - LL, limite de plasticidade - LP e índice de plasticidade -
IP), massa específica dos grãos (Gs) e teor de umidade (w). A granulometria é
obtida por peneiramento e sedimentação, enquanto os limites de Atterberg são
determinados por meio de procedimentos padronizados, como o método de
Casagrande. A massa específica dos grãos é obtida pelo método do picnômetroz e
o teor de umidade é obtido pela secagem em estufa.

Voltar para a navegação do recurso lista interativa

A escolha dos ensaios de laboratório adequados depende das características do


solo, do tipo de obra e das normas técnicas vigentes.

A interpretação dos resultados dos ensaios é fundamental para a obtenção dos


parâmetros geotécnicos do solo, que serão utilizados no projeto e na execução das
obras.

Interpretação dos Resultados das Investigações


Geotécnicas

A correta interpretação dos resultados das investigações geotécnicas é crucial para


o sucesso de qualquer projeto de engenharia civil. Os dados obtidos em campo e
laboratório, como ensaios de SPT, CPT, laboratório e outros, fornecem informações
valiosas sobre as características e propriedades do subsolo, que são essenciais
para a tomada de decisões no projeto e na execução de obras.

Um dos principais resultados da investigação geotécnica é a elaboração de perfis


geológico-geotécnicos. São representações gráficas da estratigrafia do subsolo
mostrando as diferentes camadas de solo e/ou rocha, suas respectivas espessuras
e profundidades, bem como as propriedades dos materiais, como o tipo de solo, a
compacidade, a consistência e a resistência ao cisalhamento.

A interpretação dos perfis geológico-geotécnicos permite ao(à) engenheiro(a)


geotécnico(a) identificar as camadas de solo e rocha presentes no subsolo, a
profundidade do lençol freático, a presença de zonas de instabilidade e outros
fatores que possam influenciar o comportamento das obras. Com base nessas
informações, é possível tomar decisões importantes, como a escolha do tipo de
fundação mais adequado, o dimensionamento de estruturas de contenção, a
avaliação da estabilidade de taludes e a adoção de medidas preventivas para
minimizar os riscos geológicos.

Exemplo

Imagine um projeto de construção de um edifício em um terreno com diferentes


camadas de solo. A investigação geotécnica revelou a presença de uma camada de
argila mole em determinada profundidade. A interpretação dos resultados dos
ensaios de laboratório, como o ensaio de adensamento, indicou que essa camada
de argila possui alta compressibilidade e baixa resistência ao cisalhamento.

Com base nessas informações, o(a) engenheiro(a) geotécnico(a) pode tomar


decisões importantes, como:

● escolher o tipo de fundação: optar por fundações profundas, como


estacas ou tubulões, que transmitam as cargas do edifício para camadas
de solo mais resistentes abaixo da argila mole;
● dimensionar as fundações: calcular as dimensões e a capacidade de
carga das estacas ou dos tubulões, considerando a compressibilidade e
resistência da argila mole;
● prever recalques: estimar os recalques do edifício ao longo do tempo
devido ao adensamento da camada de argila mole;
● adotar medidas preventivas: implementar medidas para minimizar os
recalques, como o pré-carregamento do terreno ou a instalação de drenos
verticais.

A correta interpretação dos resultados das investigações geotécnicas é, portanto,


fundamental para garantir a segurança, estabilidade e durabilidade das obras, além
de otimizar custos e evitar problemas durante a construção.
É importante ressaltar que a interpretação dos resultados deve ser feita por
profissionais experientes e qualificados, com conhecimento técnico e prático em
mecânica dos solos e geologia de engenharia.

A Geologia Aplicada à
Engenharia Civil

A Importância da Geologia em Obras de Engenharia

A Geologia, voltada à área da Engenharia, desempenha um papel crucial no


planejamento, no projeto e na execução de obras civis, fornecendo informações
essenciais sobre o terreno e os materiais geológicos presentes no local da obra. A
compreensão das características do solo e das rochas, suas propriedades físicas e
mecânicas, e a interação entre esses materiais e as estruturas são elementos-chave
para garantir a segurança, estabilidade e durabilidade das obras.

A identificação dos tipos de solos e rochas presentes no subsolo é fundamental para


a escolha do tipo de fundação mais adequado, o dimensionamento das estruturas
de contenção e a avaliação da estabilidade de taludes. Solos arenosos, por
exemplo, podem apresentar baixa resistência e alta permeabilidade, exigindo
fundações mais profundas ou medidas de drenagem. Já as rochas, por serem mais
resistentes, podem permitir fundações diretas e escavações mais estáveis.

A análise da presença de água subterrânea é outro aspecto importante da Geologia


de Engenharia. A água subterrânea pode exercer pressão sobre as estruturas,
causar erosão e afetar a estabilidade do terreno. O conhecimento do nível do lençol
freático, da direção e velocidade do fluxo da água subterrânea e das características
hidrogeológicas do local é essencial para o projeto de sistemas de drenagem,
rebaixamento do lençol freático e outras medidas de controle.

A avaliação da estabilidade de taludes e encostas é um dos principais desafios da


Geologia de Engenharia. A análise da geometria do talude, das propriedades dos
solos e das rochas, da presença de água subterrânea e de outros fatores
condicionantes permite identificar áreas de risco e adotar medidas de estabilização,
como o retaludamento, a construção de muros de contenção ou a instalação de
sistemas de drenagem.

A Geologia de Engenharia também contribui para a identificação de recursos


naturais, como água subterrânea, minerais e materiais de construção, bem como
para a avaliação de riscos geológicos, como a ocorrência de terremotos, vulcões,
deslizamentos de terra e erosão.

O conhecimento geológico do local da obra é fundamental para a elaboração de


projetos seguros, econômicos e ambientalmente sustentáveis.

Mapas Geológicos e Geotécnicos

Mapas geológicos e geotécnicos são ferramentas essenciais para o planejamento e


a execução de obras de engenharia civil, fornecendo informações detalhadas sobre
as características do terreno e os materiais geológicos presentes.

Mapas geológicos de superfície

Representam a distribuição dos diferentes tipos de rochas e solos na superfície do


terreno. São elaborados com base em levantamentos geológicos de campo,
análises de amostras de rochas e solos e interpretação de dados geofísicos. Os
mapas geológicos de superfície são úteis para identificar áreas com diferentes tipos
de rochas e solos, o que pode influenciar na escolha do local da obra, no tipo de
fundação e nas técnicas de construção.

Mapas de subsuperfície

Mostram a distribuição dos diferentes tipos de solos e rochas em profundidade,


sendo elaborados com base em dados de sondagens, poços de inspeção e ensaios
geofísicos. Os mapas de subsuperfície são importantes para identificar a
estratigrafia do subsolo, profundidade do lençol freático e presença de zonas de
instabilidade geológica, como falhas e fraturas.

Mapas de risco geológico

Identificam áreas com potencial de risco geológico, como deslizamentos de terra,


erosão, inundações e sismicidade. São elaborados com base na análise de dados
geológicos, geomorfológicos, hidrológicos e climáticos. Os mapas de risco geológico
são fundamentais para o planejamento urbano e regional, assim como para a
escolha de locais seguros para a construção de obras civis.

Mapas de aptidão geotécnica

Classificam o terreno de acordo com sua aptidão para diferentes tipos de obras de
engenharia, como fundações, aterros, escavações e taludes. São elaborados com
base na análise das propriedades geotécnicas de solos e rochas, como a
capacidade de carga, compressibilidade e permeabilidade. Os mapas de aptidão
geotécnica são importantes para o planejamento e projeto de obras civis, auxiliando
na escolha das soluções mais adequadas e econômicas para cada tipo de terreno.

A utilização de mapas geológicos e geotécnicos no planejamento e na execução de


obras de engenharia civil permite reduzir os riscos geológicos, otimizar o projeto das
fundações e das estruturas de contenção, além de garantir a segurança e
durabilidade das obras.

Geologia de Engenharia e Obras de Infraestrutura

Figura 1 | Obras de infraestrutura

Obras de infraestrutura são sistemas complexos que sustentam o desenvolvimento


socioeconômico de uma sociedade, incluindo transporte, energia, saneamento e
edificações. A Geologia de Engenharia, com seu conhecimento profundo sobre o
terreno e os materiais geológicos, desempenha um papel fundamental na
concepção, no projeto e na execução dessas obras, garantindo sua segurança,
estabilidade e longevidade.

Barragens
A escolha do local e tipo de barragem (terra, enrocamento ou concreto) depende
das características geológicas do terreno, como topografia, geologia estrutural e
permeabilidade do solo e das rochas. Estudos geológicos detalhados são essenciais
para identificar zonas de fraqueza, falhas geológicas e áreas com potencial de
deslizamento, permitindo a adoção de medidas preventivas e corretivas para
garantir a segurança da barragem.

Túneis

A construção de túneis exige um conhecimento aprofundado da geologia do maciço


rochoso, como a identificação dos tipos de rochas; presença de fraturas, falhas e
zonas de alteração; e avaliação da permeabilidade e estabilidade do maciço. O
conhecimento geológico é fundamental para a escolha do método de escavação, o
dimensionamento do revestimento e a adoção de medidas de suporte e contenção.

Estradas e ferrovias

O traçado de estradas e ferrovias deve levar em consideração as características


geológicas do terreno, como a topografia, geologia estrutural, presença de solos
problemáticos (expansivos ou colapsíveis) e ocorrência de processos erosivos.
Estudos geológicos detalhados são importantes para identificar áreas de risco,
como zonas de instabilidade de taludes e áreas sujeitas a inundações, assim como
para definir as soluções de engenharia mais adequadas para cada trecho da obra.
Portos

A construção de portos exige a análise das condições geológicas do litoral, como


presença de falésias, dinâmica das ondas e marés, erosão costeira e sedimentação.
Estudos geológicos detalhados são importantes para a escolha do local do porto; o
projeto de quebra-mares, molhes e outras estruturas de proteção; e a definição das
melhores práticas de dragagem e manutenção.

A aplicação da Geologia de Engenharia em obras de infraestrutura vai além da fase


de projeto e construção, sendo crucial, também, para a manutenção e gestão das
obras ao longo de sua vida útil.

O monitoramento geológico e geotécnico permite identificar e corrigir problemas em


estágio inicial, garantindo a segurança e o bom funcionamento das obras de
infraestrutura, essenciais para o desenvolvimento e bem-estar da sociedade.

Síntese
Nesta unidade, exploramos a importância dos solos na engenharia civil, abrangendo
desde a formação geológica dos solos até suas classificações e propriedades
fundamentais. Entendemos que os solos não são apenas a base física sobre a qual
construímos, mas também um recurso vital que influencia o sucesso de projetos de
engenharia e construção.

Analisamos os processos geológicos que contribuem para a diversidade dos tipos


de solo e estudamos os sistemas de classificação, como SUCS e MCT. Além disso,
examinamos as propriedades físicas e químicas que determinam o comportamento
dos solos em projetos de engenharia, bem como as técnicas de investigação do
solo, incluindo sísmica de refração, eletrorresistividade e georadar (GPR).

O conhecimento sobre solos é essencial para qualquer engenheiro(a) civil. Continue


expandindo sua compreensão e aplicando o que aprendeu para se tornar um(a)
profissional mais preparado(a)!

Vamos revisar os principais conceitos abordados nesta unidade?


Investigação geotécnica

Estudo do subsolo para determinar suas propriedades físicas e mecânicas, visando


a projetos de engenharia.

Sondagem à percussão (SPT)

Método de investigação direta do solo que mede a resistência à penetração de uma


amostra padrão.

Sondagem rotativa

Técnica de perfuração que utiliza uma broca rotativa para coletar amostras
contínuas do subsolo.

Ensaios de cone (CPT)


Método que utiliza um cone de penetração para medir a resistência do solo e
identificar suas camadas.

Sísmica de refração

Técnica geofísica que utiliza ondas sísmicas para mapear a estratigrafia do subsolo.

Eletrorresistividade

Método geofísico que mede a resistividade elétrica do solo para identificar diferentes
materiais.

Estratigrafia do subsolo

Estudo das camadas do solo, sua sequência e sua composição.


Coleta de amostras

Processo de obtenção de amostras de solo representativas para análise em


laboratório.

Caracterização de solos

Determinação das propriedades físicas e mecânicas dos solos, como granulometria,


plasticidade e compacidade.

Interpretação de dados

Análise dos resultados obtidos das investigações para informar decisões de


engenharia.

Riscos geológicos
Identificação e avaliação de perigos naturais que podem impactar a estabilidade de
estruturas.

Mitigação de riscos

Estratégias e técnicas usadas para reduzir os efeitos de riscos geológicos em


projetos de engenharia.

Propriedades físicas dos solos

Atributos como densidade, umidade e composição granular.

Propriedades mecânicas dos solos

Características como resistência ao corte, compressibilidade e capacidade de


suporte de carga.
Tópico 01

Referências bibliográficas
CAPUTO, H. P.; CAPUTO, A. N. Mecânica dos solos: obras de terra e fundações.
São Paulo: Grupo GEN, 2022a. E-book. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521638018/. Acesso em: 18
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CAPUTO, H. P.; CAPUTO, A. N. Mecânica dos solos: teoria e aplicações. São


Paulo: Grupo GEN, 2022b. E-book. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521638032/. Acesso em: 18
jun. 2024.

KNAPPETT, J. A.; CRAIG, R. F. Mecânica dos solos. 8. ed. São Paulo: Grupo
GEN, 2014. E-book. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-216-2703-6/. Acesso em:
18 jun. 2024.

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