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REPÚBLICA DE ANGOLA UNIVERSIDADE AGOSTINHO NETO FACULDADE DE CIÊNCIAS DEPARTAMENTO DE FÍSICA

TRABALHO DE FIM DE CURSO DE FÍSICA

TEMA: PROTECÇÃO RADIOLÓGICA HOSPITAR

AUTOR: MAURO AMADO MUZUTO DANIEL ESTUDANTE FINALISTA DO DEI DE FÍSICA, Nº 91 142 ORIENTADORA: PROFESSORA DOUTORA, MARIA CANDIDA PEREIRA DA TEIXERA CO-ORIENTADOR: PROFESSOR DOUTOR, NGUYEN NGUYEN PHONG LUANDA, ANGOLA – 2011

Parte 1- ASPECTOS TEÓRICOS ÍNDICE

Capitulo 1- Radiações Ionizantes.

1- Radiações ionizantes
Denomina-se radiação, à propagação de energia na forma de ondas electromagnéticas ou de partículas. Elas ocorrem nas reacções nucleares, nas transições de electrões entre as camadas electrónicas, ou pela interacção de outras partículas com o núcleo ou átomo. Tais partículas e radiações são: Alfa (α), protão, beta mais (β+), beta menos (β), neutrino (ν), anti-neutrino ( ̃), gama (γ), etc.

1.1- Radiação alfa (α)
Diz-se desintegração alfa, a emissão, pelos núcleos, de partículas α(núcleo isótopo de 4 2He , Z = 2, A = 4, carga q = 2e, massa m = 4,002603 uma) de certos elementos químicos. A desintegração alfa constitui uma propriedade dos núcleos pesados com número de massa 140 <A <160 e cargas nucleares Ze> 82, incluindo a platina 78Pt190.
1.1.2- Propriedades das partículas alfa 1ª) As partículas alfa são muito estáveis [B (α) = 28,3 MeV; B/A = 7,07 MeV], por

exemplo temos os elementos 8O16 = 4α, 6C12 = 3α. 2ª) Energias das partículas alfa : para núcleos pesados, temos 4 MeV < MeV; para Terras raras, temos 2,5 MeV < <4,5 MeV. 3ª) O período de desintegração vária de 1010 anos até 10 – 7segundos. <10

4ª) O percurso livre (alcance) das partículas alfa nas substâncias é muito pequeno, o que facilita a protecção. Por exemplo, para o cálculo do percurso das partículas alfa no ar, temos a fórmula experimental ( ) ( ) ( )

. (1.1.1)

5ª) Em 1911 Geiger e Nuttal determinaram a lei experimental em que ë = f (á), isto é: Sendo ⁄ ( ), visto que ( ), obtemos: ( ).

Tal lei enuncia que: quanto mais elevado for o valor da constante de desintegração, o ë de um elemento radioactivo dado, maior é o percurso das partículas á emitidas pelo mesmo no ar:
(1.1.2)

Onde A e B são constantes empíricas que verificam diferentes valores para cada um das famílias radioactivas. Como podemos observar no gráfico abaixo.
lnλ
(1)

(2)

(3)

ln Rα
Figura 1.1 – Gráfico do percurso Rα das partículas alfa.

onde: (1) serie do Urânio (U) (2) serie do Tório (Th) (3) serie do Actínio (Ac) 6ª) Um núcleo pai pode emitir as partículas alfa de diferentes energias , que possuem espectro energético discreto , , … Tal situação é chamada estrutura fina nas energias da partícula alfa. 7ª) Os núcleos isóbaros, Z1XA e Z2YA, emitem partículas alfa, com aumento de Z e da energia Eá. 8ª) Na emissão da partícula alfa, o núcleo pai pode ser transformado para o filho no estado excitado, que continua a emitir raios Gama*, transitando aos estados mais baixos, ou fundamental. Por isso sempre que há alguns quantuns Gama emitidos, são acompanhados com a partícula alfa. Por exemplo, temos a desintegração do 92U235, que

189 MeV α.3) O que quer dizer que para a desintegração alfa. Sá<0. comparada com as energias de outros nucleões o que significa que a partícula alfa é muito estável.Energia de desintegração Alfa Considerando a regra (ou lei) de deslocamento para a desintegração radioactiva alfa.73. que é extremamente alta (7. 235 92U .10% 0 MeV 231 90Th Figura 1.1.10 8anos α. Isto significa que a desintegração alfa é espontânea com energia de .4 + 2 He 4 + Ed Onde Ed é a energia de desintegração (ou energia de reacção Q).3. Por exemplo. 6% E1 = 0. E ao mesmo tempo emite também dois raios Gama com energias e . 1. 238 92U  90Th234 + 2He 4 + Q (4.A4) + má(2.Z) tem que ser maior que M(Z-2.4).2MeV) *. Logo a energia de separação da partícula alfa do núcleo: [ ( ) ( ) ( )] (1.( )e emite três partículas alfa de energias ( ).2 – Esquema de desintegração radioactiva do 92U 235.84% E2 = 0.389 MeV α. ( ). T1/2 = 7.1.07 MeV/nucleão). M(A. ZX A  Z–2Y A.

4. Isto é: (1. U(r) B Ecá Eá r . existe uma força de repulsão Coulombiana ( ) e a energia potencial da interacção Coulombiana (1. obtemos a curva potencial com barreira.1. cuja altura U é superior a energia W da partícula alfa dentro do núcleo.=logo. visto que e ( ) [ ⁄( )] ( ) ( ) logo obtemos: ( ⁄ ) (1.4). temos: e ← X → Sendo p = p’.5) Considerando que o núcleo pai desintegra-se em repouso e aplicando a lei de conservação de quantidade de movimento.1. temos pY = pá. torna-se numa barreira de potencial.1.6) 1. Entre o núcleo filho de carga Z’e (Z’ = Z – 2) e a partícula alfa de carga q = +2e.1. para a partícula alfa.1. [ ( ) ( ) ( )] (1. onde Ed é a energia libertada na reacção de desintegração na forma de energia cinética do núcleo filho EcY e da partícula Ecá.Mecanismo de desintegração Alfa O núcleo.reacção=Q0=0Ed0>=0. obtemos: Dada a figura.7).

para a desintegração alfa temos B = 8. ou Eá) (altura da barreira). onde: p é a probabilidade de penetração na barreira potencial (1. existe uma probabilidade finita de penetrar na barreira potencial p (tal efeito é chamado Efeito Túnel) (1.10) Onde = 1 ( é o factor de formação da particula alfa dentro do núcleo pai).Fundo do poço potencial nuclear.1.2. Na figura do poço potencial.Radiação beta (β) Compreende-se por desintegração beta os seguintes tipos de transformações nucleares: emissão ou absorção de electrões e a emissão ou absorção de positrões pelo núcleo. Visto que a probabilidade de desintegração ë é directamente proporcional à probabilidade da partícula alfa penetrar na barreira potencial. podemos escrever a equação: (1.10 15anos. mas segundo a mecânica quântica. segundo a mecânica clássica. para as micropartículas. temos: 30 MeV <V0 < 35 MeV ( fundo do poço potencial). f é o coeficiente que depende da energia da partícula alfa. Ecá (energia cinética da partícula alfa.1. por isso.3.R V0 Figura 1.11) 1.8 MeV que é sempre menor que Eá . E podemos escrever: (1. R (raio do núcleo pai).9) é o factor de Gamow.1. as partículas alfa não podem sair do núcleo pai. Cujo seu período de desintegração varia de 10 -2anos até 2.8). .1.

̃ é o símbolo do antineutrino. é o símbolo do positrão. ̃ é o símbolo do protão. M-captura…A captura do electrão. capta o electrão da orbita electrónica do mesmo átomo. E o número atómico do filho (Z+1) é maior que o do pai (Z) por uma unidade. neutrões e por outras partículas. 2º) Desintegração beta mais (β +): é a emissão do positrões (e +) que é própria apenas do fenómeno da radioactividade artificial. é o símbolo do electrão. O desenvolvimento da desintegração beta menos decorre de acordo com o seguinte esquema: → Onde: é o símbolo do neutrão. é o símbolo do protão. isto é têm o mesmo A. ficando alterada a condição da estabilidade do núcleo atómico.1. é o símbolo do neutrino.Tipos de desintegração beta Os tipos de desintegração beta são: 1º) Desintegração beta menos (β -): é a emissão de electrões (e-) que dá-se nos núcleos radioactivos naturais e artificiais. Nesta desintegração. a formação das radiações radioactivas próprias dos núcleos. O desenvolvimento da desintegração beta mais decorre de acordo com o seguinte esquema: → Onde: é o símbolo do neutrão. L-captura. produzidas pela acção das partículas alfa. 3º) Captura electrónica (C. diferentemente da . ao transformar-se em neutrão.2.e): ocorre quando o protão. o núcleo pai e filho são isóbaros (ou espelhos).1. Em dependência da orbita ela pode ser: K-captura. quer dizer.

4.2.desintegração . M L K M-captura L-captura K-captura Núcleo + Variação dos electrões entre as orbitas com emissão de raios X Figura 1.3Li7 e T1/2 = 53. Por exemplos: 4Be7 (K)3Li7.6 dias. + é seguida da radiação característica X (emissão de raios X). Os núcleos que se transformam por captura electrónica são produzidos artificialmente. é o símbolo do protão. correspondente a camada K do respectivo elemento químico. ou 4Be7+e . O desenvolvimento da captura electrónica.2. é o símbolo do neutrino.Energia de desintegração Beta Para o cálculo da energia de desintegração beta temos que considerar a massa do electrão: a) Para o caso da desintegração β -.Captura electrónica. 1.2) )] . a energia de desintegração é dada por: [ [ ( ) ( ( ) )] ( (1. é o símbolo do electrão. a transformação do protão em neutrão decorre de acordo com o seguinte esquema: → Onde: é o símbolo do neutrão.

Gráfico do espectro energético da desintegração beta.2. a energia de desintegração é dada por: [ [ ( ) ( ( ) )] ( (1.2.714 MeV 36 Ar 0 E(MeV) Figura 1.5.número de partículas beta emitidas. a energia de desintegração é dada por: [ [ ( ) ( ( ) ) ( ] ) (1. N(E). Com o electrão esta chama-se Antineutrino ( ̃) e com o positrão esta chama-se Neutrino ( ).105a) βEnergia Máxima 0.2) )] 1.Espectro de desintegração beta – Hipótese de Neutrino Uma característica importante da desintegração beta é que esta desintegração possui o seu espectro energético contínuo como se pode ver na figura 1.b) Para o caso da desintegração β +. ou Emax.3. massa em repouso . que é o ponto terminal do espectro e também é a energia de desintegração0Ed0e0energia0de0reacção0Q. E existe uma energia Eâmax . Spin ⁄ . podemos observar a conservação de spin: → ̃ . As características do neutrino são: Carga eléctrica .5. velocidade (como todas as partículas sem massa em repouso) é a velocidade da luz c.2. Em 1930 Wolfgang Pauli apresentou a hipótese que na desintegração beta emite-se juntamente com o electrão uma partícula chamada Neutrino. A partir das reacções de desintegração do neutrão ou do protão. 36 Cl (3.08.10.1) ] c) Para o caso da captura electrónica.

6 – Esquema de desintegração do Co-60 e do Cs-137. o espectro beta deve ser continuo com a máximo de energia Emax. β – (6. outra para o neutrino (Eν) a a ultima parte para o núcleo filho de recuo (Ef).10 18Hz<ν<10 21Hz) e consequentemente com altos valores de energias Eγ (10KeV< Eγ<5MeV).662 MeV . a massa do electrão será muito menor do que a massa do núcleo filho Mfilho e a energia do núcleo filho Ef pode ser desprezada. Mas visto que a massa do neutrino é nula.3 anos) βE1=2.Radiação Gama (γ) Denomina-se por radiação Gama. emitindo para o efeito a energia em excesso. 1.662MeV γ1 γ2 E2 = 1.Spin S=1/2 ½ ½ ½ -½ → Spin S= ½ ½ ½ -½ ½ Devido a existência do neutrino. Podemos ver exemplos típicos de radiação Gama na figura 1.33 MeV E γ2 = 1. A emissão de radiação γ. Tendo em conta que a energia cinética do neutrino Eν pode ter um valor contínuo de 0 e a energia do electrão E pode ter qualquer valor contínuo de 0 até Emax = Ed = Q.5% βE = 0.6: 27Co 60 (T = 5.507MeV 93. em forma de energia cinética. ou para o estado fundamental.3. cujos cumprimentos de onda λ são muito curtos (10 – 11cm <λ<10 – 8cm) . a energia de reacção Ed pode ser dividida em três partes: uma parte para o e –(E). a frequência ν é muito elevada (3.5%) 137 56Ba E γ = 0. ocorre quando os núcleos nos estados excitados passam para o os estados de menor energia.26 anos) 137 55Cs (33. a radiação electromagnética de origem nuclear.17 MeV Figura 1.3326MeV γ 0 Ni60 28 E γ1 = 1. Então a energia de reacção Ed pode ser dividida em duas partes: E e Eν.

1.3.1) 1. por onde passa uma corrente da ordem de miliamperes.s) e ν é a frequência da radiação. Ef 0 Substituindo (2) em (1). e o cátodo de um pequeno filamento.4. isto é: Dada a figura: ⃗ Er Eγ ⃗ Onde: h é a constante de Planck (h = 6. temos: ( ⁄ ).6252. Ou Ed = h. denominado alvo.1. à radiação electromagnética com energia de dezenas de eV à centenas de KeV com origem na electrosfera ou na atenuação de partículas carregadas no campo electromagnético do núcleo atómico de comprimento de onda de 0.3. sendo o pólo positivo ligado ao ânodo e o negativo no cátodo.Energia de desintegração Gama A energia de desintegração Gama é bem definida e depende somente dos valores da energia inicial (Ei) e final (Ef ) dos estados excitados na transição.01 ̇ à 800 ̇ . . Os raios X destinados ao uso médico e industrial. (1. fabricada de tungsténio.10 -34J. Onde | | ou pr = pγ e visto que temos (2) .ν (1.Esquema da energia de desintegração Gama. que possui duas partes distintas: o ânodo e o cátodo.7. tal qual uma lâmpada incandescente.Raios X Compreende-se por raios X. O ânodo é constituído de uma pequena parte.3) Figura 1. que são submetidos a uma tensão eléctrica da ordem de milhares de volts. E Ei Aplicando a lei da conservação da energia. temos: Ed = Ei – Ef = Eγ + Er (1) e a lei da conservação de impulso dá: | | 0 = pγ + pr. são gerados numa ampola de vidro.

a radiação incidente pode também transformar total ou parcialmente sua energia em outro tipo de radiação. a corrente eléctrica aquece o filamento e passa a emitir espontaneamente electrões que são atraídos e acelerados em direcção ao alvo. 1.8 é representado o esquema de uma máquina de raios X. na produção de pares e na radiação de aniquilação. Isso ocorre na geração dos raios X de freamento. transformando a energia cinética adquirida em Raios X.Quando o tubo é ligado.Produção de raios X característicos. ocorrendo uma desaceleração repentina dos electrões. onde colidem com os átomos de tungsténio.Esquema de uma máquina geradora de raios X. Ao interagir com a matéria. Na produção de raios X de freamento são produzidos também raios X característicos referentes ao material com o qual a radiação está interagindo. Na figura 1.4. Figura 1.8. . Esses raios X característicos somam-se ao espectro de raios X de freamento e aparecem com picos destacados nesse espectro.1.

por transição. baseados no modelo de Bohr podemos entender como são gerados os raios característicos. Quando ocorre a captura electrónica ou outro processo que retire electrões da electrosfera do átomo. as energias de emissão dos raios X característicos variam de alguns eV a dezenas de KeV.9. serem mono energéticos e revelarem detalhes da estrutura electrónica do elemento químico e. Como a emissão de raios X característicos é um fenómeno que ocorre com energia da ordem da energia de ligação dos diversos níveis da electrosfera. Os raios X característicos são portanto dependentes dos níveis de energia da electrosfera e. A denominação "característico" se deve ao fato dos fotões emitidos. cuja energia é igual à diferença de energia entre o estado inicial e o final. Ao passar de um estado menos ligado para outro mais ligado (por estar mais interno na estrutura electrónica).Figura 1. a vacância originada pelo electrão é imediatamente preenchida por algum electrão de orbitais superiores. até que o estado energético do átomo seja mínimo. Vai ocorrer instabilidade do átomo do ânodo. e por quê o espectro obtido com o tungsténio apresenta apenas espectro contínuo. seu espectro de distribuição em energia é discreto. . o excesso de energia do electrão é liberado por meio de uma radiação electromagnética. sua energia e intensidade relativa permitem a identificação do elemento de origem. assim.representação de raios X característicos. dessa forma. com "saltos" quânticos e libertação de radiação electromagnética característica do respectivo material. Agora. A produção de raios X só ocorre por materiais de número atómico elevado (como o caso do tungsténio).

como acontece com o califórnio-252.4. Neutrões são em geral obtidos a partir da fissão espontânea ou em reacções nucleares específicas. 1. com frequência dada pela equação: √ ( ) (1. depende da energia do electrão incidente e dos níveis de energia do átomo do ânodo. Na fissão espontânea um núcleo pesado se parte em dois mais leves. pois os decaimentos radioactivos por emissão de neutrões têm uma meia vida (tempo necessário para que metade dos átomos de uma amostra decaiam) tão curta que em geral não são aproveitáveis no laboratório. A lacuna deixada por este electrão será preenchida por um electrão mais externo.Neutrões.10 – Produção de raios X característicos segundo o modelo de Bohr. ele pode expulsar um electrão orbital. A órbita de onde o electrão será expulso. a radiação X será emitida. Quando o electrão proveniente do cátodo incide no ânodo.Aparelhos de raios X utilizados nos Hospitais.Figura 1.5.4) Onde: a é uma constante de proporcionalidade que depende da linha espectral e é outra constante de proporcionalidade que tem o mesmo valor para todas as riscas de uma dada série.2. emitindo alguns neutrões. 1. Em fontes de rádio-berílio acontecem . Neste processo.

detector de estado sólido (feito na base de material semicondutor. como em experimentos da física nuclear a baixas energias. Como é sabido. contador Geiger-Muller.Contadores a Gás. A radiação ao passar por um gás. partícula alfa. Considerando a fig. recebem o nome de detectores. se tratar-se de um neutrão. Os detectores podem ser relativamente simples. beta ou gama (so para citar as mais importantes). arranca electrões dos átomos do gás. produzem uma corrente eléctrica. a amplitude do sinal passa a ser independentemente de V e é função apenas do número de iões formados. 2. mas a medida que a energia envolvida aumenta. Os principais detectores que iremos discutir brevemente são detectores a gás (po exemplo. medindo sua carga e massa. Os detectores que utilizam este princípio são conhecidos por contadores a gás e os exemplos mais comuns são a câmara de ionização. é identificar o tipo de partícula. Para medir experimentalmente as quantidades físicas destas partículas. podemos observar que para baixos valores de V. Contadores que . neste processo. nos processos de decaimento nuclear.reacções nucleares em que uma partícula alfa emitida pelo núcleo do rádio é absorvida por um núcleo de berílio e o novo núcleo assim formado decai emitindo um neutrão. temos que recorrer a instrumentos ou dispositivos apropriados que nos permitem suprir nossa incapacidade física de ver os fenómenos microscópicos. Tais instrumentos ou dispositivos. protão. os iões podem ainda se recombinar. mas para valores suficientemente grandes de V (região de câmara de ionização). de modo que o pulso resultante é pequeno.Detectores de radiação ionizante. onde apresentamos esquematicamente as alturas dos sinais produzidos por diferentes contadores a gás como função da tensão aplicada V. 2. que é proporcional à intensidade da radiação. como o de silício e germânio) e emulsões nucleares (essencialmente brometo de prata mais uma base de gelatina). A diferença básica entre eles é dada pela região de tensão aplicada em que operam. etc). câmara de ionização. tirada da Ref. 2. devidamente colectados. os núcleos emitem partículas e a primeira tarefa importante.[2]. eles tornam-se cada vez mais sofisticados. o contador proporcional e o contador Geiger-Muller. contador proporcional. Tais electrões.1.

isto é. etc. independentemente da energia da radiação. isto é. que são disparadas por fotões emitidos por átomos excitados na avalanche original ou subsequente e que levam à perda de informação sobre a energia da radiação original. todas as radiações incidentes produzem pulsos de mesma altura (região de Geiger-Muller). electrões provenientes da ionização adquirem energia suficiente para produzir. ocorrem as chamadas avalanches secundárias. Aumentando ainda mais a tensão. surge o fenómeno de ionização secundária. . que são utilizadas como monitores. Na região de altas tensões. novos iões. Os contadores que funcionam nesta região de V (região proporcional) são mantidos de modo que o número de eventos secundários seja proporcional ao número de eventos primários. Tais processos secundários constituem efectivamente uma avalanche de iões. Figura 2: Altura de pulsos como função da tensão aplicada para radiação com energias E 1 e E2. libertando mais electrões que também são acelerados e produzirão outros iões. razão por que são chamados de contadores proporcionais.operam nesta faixa são as câmaras de ionização. Como consequência. Tirada da Ref [2]. para verificar a existência ou não da radiação. via colisões com átomos do gás. resultando num factor de amplificação de 1 ião original para 103-105 eventos secundários.

para outra. em que os electrões do semicondutor do tipo n difundem-se através da junção.3. cria pares eléctron-buraco. para um a direcção e os buracos. implicado que o poder de resolução desses detectores seja três vezes maior que o de uma câmara de ionização. Consequentemente. os electrões fluem. em direcção ao semicondutor do tipo p. Quando uma radiação penetra a região de depleção (região formada numa junção pn.Contadores que exploram este princípio são chamados de contadores Geiger-Muller. A técnica de emulsões nucleares é de baixo custo e tem sido utilizada como detectores de partículas carregadas em espectrógrafos magnético de Dempster. Eles constituem instrumentos baratos e confiáveis. isto é. temos dois principais tipos de detectores de estado sólido: Ge(Li) e o Si(Li). de largo uso tanto em pesquisa de física nuclear quanto de áreas de aplicação. ao penetrar numa emulsão nuclear. A diferença é que o número de pares portadores de carga produzidos na região de depleção é cerca de 10 vezes o número de pares iónicos produzidos na câmara de ionização. comummente conhecidos por “jelly” e “silly”. exactamente da mesma forma que os fotões fazem em relação a uma chapa fotográfica. o principio aqui na região de depleção é idêntico ao da câmara de ionização.2. usa-se o lítio para aumentar a região de depleção.Emulsões Nucleares. cuja intensidade é proporcional à energia da radiação.Detectores de estado Sólido. e que devem ser mantidos à temperatura baixa através de crióstatos. combinam-se com os buracos do semicondutor do tipo p e são assim neutralizados). na prática. Uma emulsão nuclear funciona da mesma maneira que uma emulsão fotográfica. De facto. 2. era provocar a redução química de algumas das moléculas de brometo de prata. Ela pode também ser usada na espectroscopia do neutrão. Em consequência da tensão aplicada ao cristal. 2. um neutrão incidente pode colidir com um protão da . respectivamente. Assim. como as flutuações estatísticas nos pulsos produzidos são proporcionais a ⁄√ . como a gelatina da emulsão contém grande quantidade de hidrogénio. A fim de ganhar mais eficiência para o detector. uma partícula ionizante. de modo que o primeiro total de electrões colectados constitui o pulso electrónico. isto significa que as flutuações são produzidas por um factor √ no caso de um detector de estado sólido. Como se vê. envolvendo radiações.

de modo que uma partícula pesada carregada vai perdendo energia até eventualmente ser freiada completamente dentro do material. medindo-se ao microscópio direcção do protão e o comprimento do traço na emulsão. sem significativa alteração da direcção incidente. isto é. a física da colisão apresenta cenários bastantes diferentes. ( ) onde . que em geral depende da energia cinética T. No estudo da perda de energia por uma partícula carregada. O resultado é diferente. ao interagir com a matéria. A interacção.(3) é a perda de energia cinética da partícula incidente por unidade de comprimento percorrido no material. Assim.emulsão. tais como partículas alfa. Deste modo. definido . O princípio básico dos métodos de detecção em física é o de fazer com que a partícula em estudo interaja de alguma forma com um material conhecido e a partir do resultado dessa interacção obter informação sobre a própria natureza da partícula.Interacção das Radiações com a Matéria. em geral. formada de átomos que são núcleos com sua nuvem electrónica. há perda de energia incidente via colisão com electrões atómicos. Neste capítulo iremos inicialmente falar da interacção de partículas carregadas. pequenos. é útil definir uma grandeza chamada poder frenador S(T). Assim. electrões ou mesmo núcleos. a sua energia pode ser calculada. o electrão incidente tende a se difundir pelo material. se a direcção do neutrão incidente for conhecida. Dependendo da massa da partícula incidente. neste caso. após curta distância. com a matéria. Se o projéctil é uma partícula mais pesada que o electrão. E interacção com o electrão atômico provoca não só perda de energia como também alteração na direcção incidente. Por outro lado. porém mantendo mais ou menos a trajectória rectilínea. o alcance R do projéctil. 3. espalhamentos elásticos com o núcleo-alvo resultam em deflexões na direcção incidente. Contudo. Em vez de seguir trajectórias rectilíneas. transmitindo a ele maior parte da sua energia. no caso de o projéctil der um electrão. ocorre tanto com os electrões atómicos quanto com o próprio núcleo-alvo e é unicamente de origem Coulombiana. os ângulos de deflexão são.

Bethe em 1930: ( ) ( ) * ( ) + . (3. o efeito Compton e a produção de pares . em geral. Os electrões.como a distância que o projéctil percorre no material até parar completamente. durante a colisão. da ordem de 10Z (em eV). perdem energia de duas maneiras: por colisão e por Bremsstrahlung. é referente à interacção da radiação electromagnética com a matéria.4) só vale para energias relativísticas. com a ajuda da equação (3). Já para os electrões. O valor de I pode ser encarado como uma constante empírica. Por exemplo. interagindo com material de N átomos por volume unitário e Z electrões por átomo. me a massa de repouso do electrão e I a energia de excitação média dos electrões atómicos. com carga ze e velocidade de módulo v. O último caso que iremos tratar. significando frenamento). (3. As expressões para a perda de energia do electrão foram também derivadas por Bethe e têm a seguinte forma: ( ( ) ) ( ) ( ( ) [ ) ( * ( ) ) ) ( √ ) + (3. por fortes desacelerações. Note que a equação (3.4) ) ( √ ) ] (3. eles irradiam energia electromagnética. a saber: o efeito foto-eléctrico. que ocorre principalmente através de três processos mais comuns. Como eles são deflectidos. temos a seguinte expressão quantum-mecânica para a perda de energia. No caso de partículas pesadas. I = 86 eV para o ar e I = 163 eV para o alumínio. os índices c e r denotam colisão e radiação. que foi obtida por H.3) ( ) ( ( Nas expressões acima. ∫ ∫ ( ) . pode ser calculado. sendo que esta última só é expressiva para energias acima de 1 MeV.1) onde T0 é a energia cinética inicial do projéctil.2) onde é o factor de Lorentz. a situação é um pouco diferente. Tais radiações são conhecidas como radiação de Bremsstrahlung (em alemão.

v seja absorvido por efeito fotoeléctrico por ser calculado por métodos quantum-mecânicos. a produção de pares electrão-positrão (com limiar de 1.5) onde ν é a frequência do fotão e W . o fotão incidente é absorvido por um electrão do átomo que.6) . então é independente da energia e a integração da equação (3.v) é uma parte usada para compensar a energia de ligada do electrão dentro do átomo (W) e outra parte para ejectar o electrão de sua órbita. a equação (3. Como vamos nos restringir a raios gama de baixa energia. fornece: . isto é. seja proporcional à intensidade I e à espessura dx. Efeito fotoeléctrico Em relação ao efeito foto-eléctrico. a função trabalho do material.electrão-positrão. (3. de intensidade I.5) onde o coeficiente de proporcionalidade é conhecido como coeficiente de absorção. Visto que a energia total do fotão (h. se todos os raios-γ têm a mesma energia. Electrão (-) Fotão incidente Figura 3. mas por questão de conveniência.022MeV) não será relatada neste trabalho. (3. então: . Se o feixe for mono-energético. (3. incidente sobre uma camada de espessura dx de um dado material. com uma energia cinética (Te). ela. Supondo que a variação da intensidade dI. então.5) exprime nada mais que a lei de conservação de energia. é ejectado com uma energia cinética Te dada pela famosa equação devida a Einstein: . Considere um feixe de raios-γ.efeito fotoeléctrico A probabilidade de que um fotão de energia h. é dada pelo coeficiente de absorção (ou atenuação). após passar pela camada. que é definido da seguinte maneira.4).

por: √ ( onde ( ) ( ) ⁄ . com conservação de energia e momentum. definida por: . Retomando ao coeficiente de absorção de raios-γ por efeito foto-eléctrico. Efeito Compton O efeito Compton. tudo se passa como se fosse uma colisão elástica entre o fotão e o electrão. (medido em g/cm2). o número de Avogadro e pA. conclui-se que a absorção foto-eléctrica é importante no caso de átomos pesados (Z grande) e fotões de baixa energia (h. ao incidir sobre um electrão de um átomo.Em termos experimentais. nas condições admitidas acima. (3. é mais uma manifestação da natureza corpuscular da luz. sendo o coeficiente de absorção em massa.1. em geral em partículas/cm3. é a secção de choque espalhamento Thompson (espalhamento de fotões de baixa energia por electrões livres em repouso).v pequeno).7) onde n é a densidade de número do material.6) pode ser escrita como: . Da equação (3. NA.1) ( ) .9) ) .9). ele é dado. (medido em cm2/g). é mais comum usar a secção de choque de absorção σ. o peso atômico do elemento do material.8) onde: . A equação (3. ao lado do efeito foto-eléctrico. Com efeito. a radiação electromagnética se comporta como se fosse uma partícula. . (3. isto é. (3. (3. A energia do fotão após o espalhamento é dada por: .

após ser criado.2) nos diz que. o fotão é espalhado para trás e a equação (3.+ e+ (+ energia cinética) O positrão. que para =180º. a energia cinética do electrão é simplesmente: ( ( ) ) . numa direcção perpendicular À do fotão incidente.1.2) Vemos assim. enquanto que para ~ 0º (colisão rasante). perde sua energia no meio e finalmente interagindo com algum electrão. o electrão é ejectado com velocidade quase nula. neste caso.Efeito Compton. (3. Produção de pares A produção de pares ocorre quando fotões com energia maior ou igual a 1. Electrão (-) Fotão incidente Figura 3. o ângulo de Logo. Neste caso. .1.02 MeV passam próximos a núcleos de número atómico elevado. ocorre a aniquilação de ambos. e v0 é a frequência do fotão antes do espalhamento e . originando radiação gama. o par electrão-positrão: γ e. a energia cinética do electrão é máxima. o fotão praticamente não perde energia e a energia do electrão é mínima.onde espalhamento. A radiação incidente interage com o núcleo transformando-se em duas partículas.

1. (desvio do raio incidente de radiação) A criação de pares ocorre para altas energias e para elementos de grande número atómico. Para fotões de baixa energia o efeito fotoeléctrico é dominante. A produção de pares pode ocorrer apenas com fotões com energia superior a 1.02 MeV (o dobro da massa de repouso do electrão). Figura 3.Espalhamento de pares Quando o fotão incidente penetra no núcleo do átomo.Espalhamento elástico Rayleigh. É proporcional à Z2. sem absorção da energia do fotão incidente. . Fotão incidente Figura 5.Probabilidade de ocorrência de efeito fotoeléctrico. é absorvido e reemitido em outra direcção. Tal processo é o responsável pelo desvio de parte do feixe de radiação primário (Espalhamento elástico de Rayleigh). efeito Compton e produção de pares em função da energia da radiação electromagnética incidente e do número atómico Z do absorvedor.Positrão (+) Fotão incidente Electrão (-) Figura 4.

Em 1977 a Comissão Internacional de Protecção Radiológica (ICRP) definiu como unidade padrão de actividade o Becquerel (Bq). Onde: l é a constante de decaimento do material.1. Integrando-se a expressão acima obtém-se a lei do decaimento radioactivo: N(t) = N0 e-λt Onde: N (t) é o número de átomos radioactivos no instante t. A(t) = dN(t)/dt Substituindo a expressão para N(t) e fazendo a derivada obtém-se: A = A0 e-λt. É obtida a partir da hipótese de que o número dN de núcleos que decaem num intervalo de tempo dt é proporcional ao número de núcleos radioactivos existentes e ao próprio intervalo dt: dN = . definido originalmente como a actividade de um grama de rádio e depois padronizada como 3. ou seja. . a razão do número de desintegrações nucleares dN num intervalo de tempo dt. Actividade A actividade A(t) de uma fonte é a taxa com que os núcleos radioactivos decaem.l N dt. N0 é o número de átomos radioactivos no instante t = 0 e l é a constante de decaimento do material. Onde: A0 = λ N0 é a actividade da fonte no instante t = 0. Até recentemente a unidade utilizada era o Curie (Ci). definido como uma desintegração por segundo (1 Bq = 1 s-1).Grandezas e Unidades Radiológicas.7 x 1010 desintegrações por segundo (exactamente).4. Lei do decaimento radioactivo A lei do decaimento radioactivo é uma função que descreve quantos núcleos radioactivos existem numa amostra a partir do conhecimento do número inicial de núcleos radioactivos e da taxa de decaimento.

medida usualmente em roentgens por hora (R/h): ̇ ̇ Dose A dose absorvida D. de qualquer radiação ionizante.58 x 10-4 C/kg (exactamente) ou. também denominada gray (Gy): 1Gy = 1 J/kg O rad. também pode ser usado como unidade de dose e equivale a um centigray: 1 rad = 10-2 J/kg = 1 cGy . 1 R = 1.Exposição A exposição é essencialmente a quantidade de radiação absorvida pelo ar. por unidade de massa dm: A dose absorvida é usualmente medida em joules por quilograma (J/kg). equivalentemente.61x1012 pares de iões/grama de ar Taxa de exposição A taxa de exposição é definida como a variação da exposição com o tempo. é a quantidade de energia de cedida à matéria pelos fotões ou partículas ionizantes. em desuso. relacionados por: 1 R = 2. A exposição X é definida como a quantidade de carga dq (iões) produzida numa quantidade de massa dm de ar: A exposição é usualmente medida em coulomb por quilogramas (C/kg) ou em roentgens (R).

atribuído a diferentes tipos de radiações (igual a 1 para radiações . sendo 1 para a grande maioria das aplicações. A unidade da dose equivalente é o sieverts (Sv). e X e 20 para partículas ) e N é um factor que leva em conta outros factores que influenciam a dose absorvida (geometria de irradiação. . geralmente expressa em KeV/mm. O factor de qualidade é utilizado apenas para aplicações rotineiras de protecção radiológica e não deve ser utilizado para avaliar os efeitos biológicos de exposições acidentais. factor de distribuição do radioisótopo dentro do corpo etc. que leva em conta as diferentes partes do corpo através de um factor w. .Taxa de dose A taxa de dose corresponde á variação de dose no tempo. O factor de qualidade é função da transferência linear de energia. É usualmente expresso em grays por hora (Gy/h): ̇ ̇ Dose equivalente A dose equivalente H é definida pela equação: onde Q é um factor de qualidade. Usando o factor de qualidade Q é possível relacionar os danos da radiação para diferentes partes do corpo e tornar aditivos os efeitos de radiações de naturezas diferentes. tendo a água como meio de referência. além do factor de qualidade da radiação. que corresponde a 1 joule por quilograma (J/kg). Também é usualmente expressa em rem (roentgen equivalente man): 1 Sv = 100 rem Em radioprotecção também é utilizada a dose equivalente efectiva. Os valores destes factores correspondentes a cada parte do corpo são tabelados em normas de radioprotecção.).

Taxa de dose equivalente A taxa de dose equivalente corresponde à variação de dose equivalente com o tempo. em várias profundidades com relação ao plano de incidência do feixe. Os valores de dose medidos em várias profundidades e para vários tamanhos de campos de irradiação são compilados em tabelas de dose relativa que servem de referência para o cálculo da dose no quotidiano da radioterapia. Detectores de radiação são colocados dentro do simulador. geralmente a água. . Meia vida (t1/2) e vida-média ( ) A meia vida é definida como o tempo necessário para que metades dos átomos instáveis de uma amostra decaiam. dividida pelo número total de átomos. por ser um dos principais componentes dos tecidos do corpo humano (excepto pulmões e ossos). sofre metabolizarão e excreção próprias. A meia vida biológica é o tempo necessário para que a metade do elemento ingerido pelo organismo seja eliminado pelas vias normais. Está relacionada à constante de decaimento através de: Meia-vida biológica Quando um elemento radioactivo ou não é introduzido em um organismo vivo. É usualmente expressa em sieverts por hora (Sv/h): ̇ ̇ Determinação experimental da dose A determinação experimental de doses é em geral realizada utilizando-se um simulador do corpo humano. A meia-vida não sofre interferências de alterações químicas ou físicas da amostra e está relacionada à constante de decaimento radioactivo através de: A vida média de um elemento radioactivo é avaliada como sendo a soma das idades de todos os átomos.

respectivamente. das características do decaimento radioactivo do elemento.Meia-vida efectiva A dose de radiação recebida por um órgão quando nele existe um material radioactivo agregado. que é o tempo em que a dose de radiação neste órgão fica reduzia à metade. e da meia vida biológica. onde D250 e Dr são. λe = Fracção que desaparece por unidade de tempo por ambos os processos. depende da meia vida física. as doses de raios-X de 250 Kvps e da radiação teste r para produzir o mesmo efeito biológico. isto é. A combinação de ambas dá a meia vida efectiva. ( ( onde. A EBR é definida pela razão D250 / Dr. ) ) λb = Fracção do radioisótopo eliminado biologicamente por unidade de tempo. λ = Fracção que decaimento fisicamente por unidade de tempo. λe = λ + λb . O valor da EBR depende do objectivo particular em que é empregado. Sendo. λe é chamada de constante de desintegração efectiva: Eficiência biológica relativa A EBR é um índice da eficiência da radiação ao produzir uma dada resposta biológica. .

Efeitos Biologicos da Radiação. o que caracteriza o efeito directo. temperatura. Os efeitos das radiações ionizantes no DNA dependem de factores como tipo de radiação. presença de aceptores de radicais livre. Entre os efeitos estão:      Alterações estruturais das bases nitrogenadas e das desoxirriboses Eliminação de bases Rompimento de pontes de hidrogénio entre duas hélices Rotura de uma ou duas cadeias Ligações cruzadas entre moléculas de DNA e proteínas. É importante ressaltar que a absorção de radiações ionizantes pela matéria é um fenómeno atómico e não molecular. características do próprio DNA e a possibilidade de reparação dos produtos induzidos pela radiação. no contexto biológico. teor de oxigénio. A transferência linear de energia (TLE) é a grandeza utilizada para caracterizar a interacção das radiações ionizantes com a matéria. Radiações ionizantes. pH do meio. neutrões e protões.2. A energia de uma radiação pode ser transferida para o DNA modificando sua estrutura. Efeitos indirectos ocorrem em situações em que a energia é transferida para uma molécula intermediária (água por exemplo) cuja radiólise acarreta a formação de produtos altamente reactivos. . É definida como "a quantidade de energia dissipada por unidade de comprimento da trajectória" e pode ser expressa em KeV/mm. as partículas alfa. A quantidade de energia depositada por uma radiação ionizante ao atravessar um material depende da natureza química do material e de sua massa específica.4. O e N. H. As radiações ionizantes de natureza corpuscular mais utilizadas são os electrões. As radiações ionizantes de natureza electromagnética são os raio-X (originado nas camadas electrónicas) e os raios γ (originados no núcleo atómico). são aquelas capazes de ejectar os electrões orbitais dos átomos de C. capazes de lesar o DNA.

Alguns exemplos de efeitos somáticos imediatos produzidos por exposição radioactiva aguda (doses elevadas. pois demoram a aparecer e não se sabe ao certo se a patologia se deve à exposição radioactiva ou ao processo de envelhecimento natural do ser humano. Por esta razão a identificação dos efeitos tardios causados pelas radiações só podem ser feitos em situações especiais. De um modo geral os efeitos são divididos em efeitos somáticos e efeitos hereditários. A gravidade dos efeitos somáticos dependerá basicamente da dose recebida e da região atingida. Os efeitos somáticos tardios são difíceis de distinguir. lesões na mucosa etc. anemia. Sistema gastrointestinal: secreções alteradas. As consequências das radiações para os humanos são muitas e variáveis. Isso se deve ao fato de que diferentes regiões do corpo reagem de formas diferentes ao estímulo da radiação. fragilidade vascular etc.2. e apresentam-se apenas em pessoas que sofreram a irradiação. trombocitopenia etc. a radiação ultravioleta pode excitar a molécula de DNA ou outras moléculas que absorvam na mesma faixa de energia. . não interferindo nas gerações posteriores. Os efeitos que ocorrem logo após (poucas horas a semanas) uma exposição aguda são chamados de imediatos. dependendo dos órgãos e sistemas atingidos. Apesar de não causar ionização. Os efeitos que aparecem depois de anos ou décadas são chamados tardios.1. da ordem de Grays) são:    Sistema hematopoiético: leucopenia.As radiações que não causam ionização na molécula de DNA também produzem danos. Os efeitos somáticos surgem de danos nas células do corpo. Efeitos somáticos.Efeitos somáticos e hereditários. criando assim um meio altamente reactivo. podendo ocasionar a quebra de cadeias da molécula de DNA por acção de outras moléculas activadas pela radiação 4. Sistema vascular: obstrução dos vasos.

Experimentos com animais permitem. Estes efeitos são estudados usando camundongos como cobaias e seus resultados podem ser extrapolados para a espécie humana. descrever os efeitos tardios causados pela radiação. especialmente na embriogênese. as gônadas. 4. o tempo necessário para a obtenção de cada geração. dificuldades de dosimetria etc. sendo os neutrões os mais eficientes para provocar a mutagênese que o raio-X ou γ. Efeitos hereditários: Os efeitos hereditários ou genéticos surgem somente no descendente da pessoa irradiada. modificações na duração da vida média e alterações no crescimento e no desenvolvimento.3. Os efeitos genéticos nos camundongos dependem. devido factores como a dimensão reduzida da população irradiada. Na espécie humana ainda não foi possível demonstrar a mutagênese radioinduzida. 4. existindo uma relação linear entre esta e a intensidade do efeito Da taxa de fraccionamento de dose. tais como radiocarcinogênese. como resultado de danos por radiações em células dos órgãos reprodutores.Dosimetria e radioprotecção Hospitalar de Raios X . além de outros factores:   Da dose de radiação. dependendo de serem ou não reparáveis as lesões provocadas pelas radiações  Da qualidade da radiação.Normas Internacionais e Limites de doses.4. com alguma incerteza.

CURIE.É a unidade na qual. roentgen.É a presença de material radioactivo em lugares onde ele não deveria estar. DOENÇAS DE RADIAÇÃO . rem. Usado em particular para referir decaimento radioactivo. É equivalente a uma desintegração/segundo ou aproximadamente 2. na qual partículas ou radiação são emitidas. mãos e instrumentos de trabalho. CONTAMINAÇÃO RADIOATIVA .São os efeitos agudos não aleatórios causados por uma grande dose de radiação sobre o corpo inteiro. ÁTOMO . Bq .Determinação da idade de um espécime arqueológico ou geológico através da medida do conteúdo de um isótopo radioactivo em relação ao seu precursor ou produto filho ou seu isótopo estável. .Um átomo é a menor partícula de um elemento que ainda guarda as propriedades químicas deste elemento. abrangendo desde náuseas temporárias até morte. DATAÇÃO . carregado com uma carga eléctrica positiva. CONTADOR GEIGER-MÜLLER . Os sintomas e seus efeitos variam com a intensidade da dose. para uma quantidade de material radioactivo. Esta unidade foi substituída pelo becquerel (Bq) que é igual a 1 desintegração por segundo. Ci . DECAIMENTO RADIOATIVO .Glossário ATIVIDADE .7x10-11 Curie. tal como a que pode ser recebida em um acidente com reactor nuclear ou a partir de uma exposição nuclear e seus produtos. é a quantidade de energia da radiação que é absorvida por um corpo. roupas.Qualquer transformação de um núcleo. sievert e gray.7x1010 núcleos desintegram em cada segundo.É a desintegração de um núcleo através da emissão de energia em forma de partículas ou radiação. Existem várias definições especiais para especificar diferentes aplicações. constituído de protões e neutrões.É um equipamento que permite detectar radiação através da produção de pulsos eléctricos numa taxa relacionada com a intensidade da radiação.É o número de desintegrações nucleares que ocorrem por unidade de tempo em uma quantidade de substância radioactiva. VEJA rad. espontânea ou por interacção com radiação. Geralmente é chamado somente contador Geiger. Um átomo consiste de um núcleo central massivo. BEQUEREL. DESINTEGRAÇÃO . em torno do qual electrões se movem em órbitas relativamente grandes e distantes. 3.Genericamente. Actividade é medida em curies ou bequeréis. por exemplo. VEJA efeitos aleatórios. DOSE .É a unidade de actividade no sistema internacional de medidas (SI). Originalmente ela era a actividade de 1 grama de radio226.

É a quebra de núcleos pesados usualmente em dois fragmentos que se movem rapidamente e que são aproximadamente iguais. neutrões de 10 e raios X. é dose máxima de exposição à radiação permitida para uma pessoa num certo período de tempo.É um instrumento que serve para medir doses de radiação ou razões entre doses e é usado por pessoas que trabalham com radiação.6x10-19 coulomb e tem massa de 9x10-31 quilogramas.DOSE LIMITE . Para pessoas do público. A fissão pode ser espontânea ou induzida pela absorção de uma partícula ou fotão de alta energia. EFEITOS ALEATÓRIOS (OU EFEITOS ESTOCÁSTICOS) . EFEITOS GENÉTICOS (OU HEREDITÁRIOS) . Efeitos não-aleatórios são aqueles que aparecem somente depois que uma dose suficientemente grande é ultrapassada. Os limites actuais recomendados pelo ICRP International Comission on Radiological Protection (Comissão Internacional de Protecção Radiológica) . Estes limites procuram minimizar a ocorrência de efeitos aleatórios e prevenir a ocorrência de efeitos não aleatórios. VEJA dose limite.e prescritos pela CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear). ELÉTRON VOLT .Uma das partículas elementares das quais toda matéria é constituída. Para pessoas que trabalham directamente com radiação.É uma factor usado para expressar o efeito biológico prejudicial (eficácia na produção de danos) dos diferentes tipos de radiações: partículas alfa têm um factor de qualidade 20. FUSÃO NUCLEAR . . 50 milisieverts (5 rem) por ano. Ele carrega uma unidade simples de carga negativa igual a 1. ELÉTRON . DOSÍMETRO .São os efeitos produzidos nos descendentes da pessoa ou organismo exposto. acompanhada por neutrões rápidos e raios gama. raios gama e electrões de 1.É uma unidade utilizada para expressar energia no estudo de partículas nucleares e suas interacções. eles abrangem indução de câncer e efeitos genéticos. EFEITOS SOMÁTICOS. VEJA efeitos somáticos. Abreviação: eV Múltiplos: keV (mil eV) e MeV (um milhão de eV). FATOR DE QUALIDADE (da radiação) .5 rem) por ano. são: 1. FISSÃO NUCLEAR . 5 milisieverts (0.Em protecção radiológica.São os efeitos da radiação no corpo da pessoa ou animal exposto. 2. A dose limite não deve ser tomada como um "limite seguro".É uma reacção entre dois núcleos leves resultando na produção de núcleos mais pesados acompanhada de liberação de energia. Ela é igual a variação de energia de um electrão que atravessa uma diferença de potencial de 1 volt.São aqueles que têm a probabilidade de ocorrência proporcional a dose.

que é aproximadamente a mesma massa do protão.É o processo de formação de iões por retirada ou acréscimo de electrões. isto é. PARTÍCULA BETA . Meias-vidas variam desde décimos a milhões de segundos até centenas ou milhões de anos. . MEIA-VIDA . NÚCLEO . é constituída de dois protões e dois neutrões.É a unidade de dose absorvida no SI (Sistema Internacional) e equivale a 1 Joule por quilograma.É um electrão com carga positiva. IONIZAÇÃO .67x10-27 kg.É o precursor imediato de um núcleo filho. VEJA produto filho. desta forma.São os protões e/ou neutrões. NÚMERO DE MASSA . é o número de protões no núcleo de seus átomos. ÍON .É a massa média dos átomos de um elemento em seu estado isotrópico natural em relação aos outros átomos tomando o carbono 12 como base.É um electrão ou positrão emitido de um núcleo em certos tipos de desintegrações radioactivas (decaimentos beta). número atómico e estado de energia de seu núcleo. NÚCLEO PAI . são as partículas que compõem os núcleos.São átomos do mesmo elemento que tem pesos atómicos diferentes devido a diferenças no número de neutrões de cada núcleo. NÚCLEONS . NUCLÍDEO .de um elemento.GRAY. ISÓTOPOS .É o número de protões e neutrões do núcleo de um átomo. aproximadamente 1.É cada diferente tipo de átomo caracterizado por seu número de massa. PÓSITRÃO . isto é. NEUTRINO . dependendo da estabilidade do núcleo em questão. Neutrões e protões formam os núcleos. para que a metade dos átomos presentes se desintegre.É um átomo que perdeu ou ganhou um ou mais electrões orbitais ficando.É uma partícula carregada de carga 2 e massa de 4 uma. NÚMERO ATÔMICO (Z) . isto é. PESO ATÔMICO .É uma partícula elementar com massa de 1 uma (unidade de massa atómica). electricamente carregado. PARTÍCULA ALFA .É o tempo característico para que a actividade de uma substância radioactiva decaia à metade do seu valor inicial. Gy . Isótopos têm o mesmo número atómico (Z) mas diferente número de massa (A).É a parte central de um átomo na qual a carga positiva e aproximadamente toda a massa estão concentradas e em torno da qual estão os electrões. É emitida no decaimento de vários núcleos pesados e é idêntica ao núcleo do átomo de hélio. 1 Gy = 100 rads.

RADIOATIVIDADE .É uma partícula elementar estável com uma carga de 1. neutrões causam a fissão nuclear em átomos de urânio ou plutónio produzindo mais neutrões. RADIOTOXIDEZ . tornar-se-á.É uma medida do dano provocado por uma substância radioactiva num corpo ou órgão específico.São radiações electromagnéticas de ondas muito curtas.É a propriedade de vários núcleos atómicos que se desintegram espontaneamente com perda de energia através da emissão de uma partícula carregada e/ou radiação gama. ou partículas rápidas (electrões. RAD .67x10 -27 kg (1 uma) que se encontra em todos os nuclídeos. RADIOISÓTOPO . com o passar do tempo. quando iniciado. especialmente (no contexto da energia nuclear) raios X ou raios gama. são todos os modos pelos quais um átomo libera energia. RADIAÇÃO .É o ramo da medicina especializado nos usos das radiações ionizantes para diagnósticos médicos e no estudo de seus efeitos. os quais causam futuras fissões. Na reacção em cadeia da fissão nuclear.É a soma das intensidades das radiações provenientes das diversas fontes naturais e artificiais. em geral.01 Joules por kg. VEJA roentgen.6x10 -19 Coulomb e uma massa de 1.São ondas electromagnéticas. energia muito maior) que a luz visível. protões). partículas alfa. emitidas tanto durante transições como na fissão e na desintegração radioactiva. RADÔNIO . um núcleo pai. REAÇÃO EM CADEIA .Tratamento de doenças pelo uso de radiação ionizante.São radiações electromagnéticas que possuem comprimento de onda muito menor (isto é. neutrões. rem e gray. Actualmente usa-se o gray (Gy) para expressar dose absorvida no sistema internacional (SI).É uma unidade de dose absorvida de radiação que equivale a 0.É o nuclídeo imediatamente resultante do decaimento radioactivo de um núcleo pai ou nuclídeo precursor. RADIAÇÃO DE FUNDO . e assim sucessivamente. proporciona condições para sua continuidade. RADIOLOGIA . de origem nuclear. são semelhantes aos raios gama mas possuem.PRODUTO DO DECAIMENTO (OU PRODUTO FILHO) . PRÓTON .É um processo que. isto é. RADIOTERAPIA . . que é igual a 100 rads. RAIOS GAMA . menor energia. Se for radioactivo. O número de protões presentes em um núcleo de qualquer elemento é o número atómico Z do elemento. RAIOS X .É o elemento radioactivo natural.É um gás inerte radioactivo de origem natural. São produzidos por transições de electrões nas órbitas atómicas.

É a taxa com que uma partícula carregada ou onda electromagnética perde energia quando passa através da matéria.5x10-4 coulomb por kg no ar. dada em milirads por hora. Aproximadamente a massa de um protão ou neutrão. SIEVERT (Sv) . ROENTGEN .REACTOR NUCLEAR .É a unidade de dose equivalente de radiação no sistema internacional. UNIDADE DE MASSA ATÔMICA (UMA) . controlada e usada.É ½ da massa do átomo de carbono. Ela é igual a 2.É um sistema prático de unidades de medida desenvolvido para unificar e facilitar o uso internacional destas unidades. Geralmente uma exposição de 1 roentgen resulta numa dose absorvida no tecido biológico de cerca de 1 rad. em geral. 1 Sv = 100 rem. TRANSFERÊNCIA LINEAR DE ENERGIA . rems por ano.É uma estrutura ou parte de uma usina na qual um neutrão induz uma reacção em cadeia de fissão nuclear que pode ser mantida. Frequentemente é chamado somente de reactor.É a dose absorvida por unidade de tempo. SI (Sistema Internacional de Unidades) . Ela é alta para partículas alfa e baixa para raios gama. é o produto entre a dose absorvida em grays e o factor de qualidade. TAXA DE DOSAGEM .É a unidade de dose absorvida efectiva de radiação por tecido (tecido biológico).É uma unidade de exposição à radiação baseada na capacidade de causar ionização. Também usada para especificar o nível de intensidade da radiação em um dado ponto. sendo o produto entre a dose em rads e o factor de qualidade. . em geral. REM (Roentgen Equivalent Man) . Em unidades do SI (Sistema Internacional) usa-se o sievert (Sv) que é igual a 100 rem.