Atenas, uma Cidade-Estado marítima
Recursos naturais e actividades mercantis
Atenas era, no século V a.C. a Cidade-Estado mais próspera e poderosa da
Grécia. O seu território — a península da Ática — oferecia uma razoável
variedade de recursos. Produziam-se poucos cereais, mas abundavam a
vinha, a oliveira e a figueira. As montanhas, cobertas de mato e de
pastagens, eram propícias à produção de mel e à criação de gado. Do
subsolo extraía-se o mármore e, em especial, a prata, nos montes do
Láurion. Até ao século VII a.C. os Atenienses viviam exclusivamente da
agricultura. Muitos pequenos proprietários, vítimas da pobreza,
começaram então a abandonar a terra, indo trabalhar para a cidade, onde
se desenvolveram as actividades artesanais e mercantis.
Com efeito, a necessidade de armazenamento dos excedentes de vinho e
de azeite estimulou o fabrico da cerâmica, ao mesmo tempo que foi
progredindo o fabrico de armas e de objectos de bronze e a construção de
navios. Atenas passou assim a dedicar-se à exportação dos seus
excedentes agrícolas e artesanais, em troca da importação dos produtos
de que necessitava: trigo, madeira e metais. O centro deste comércio era
o porto do Pireu, situado a 6 km de Ate- nas: nele aportavam anualmente
mais de mil barcos carregados de trigo.A prosperidade dos
Atenienses assentava, portanto, numa economia marítima e mercantil. Era
também uma economia monetária, porque Atenas cunhava moeda de
prata — o dracma
— para facilitar as suas trocas comerciais com as cidades e colónias gregas
e com países es- trangeiros como o Egipto.
O poderio marítimo de Atenas
Atenas acabou por fundar um verdadeiro império marítimo. Quando os
Persas invadiram a Grécia (490-479 a.C.), ambicionando estender o seu
domínio pelo Mediterrâneo, Atenas teve um papel decisivo na derrota dos
invasores. Aproveitando o prestígio alcançado com esta vi- tória, os
Atenienses formaram, com as outras Cidades-Estado marítimas da Grécia,
uma aliança contra o inimigo comum.
Esta aliança foi chamada Liga de Delos. Mas, na realidade, Atenas serviu-
se da Liga de Delos para impor a sua hegemonia económica e política
sobre todo o mar Egeu. Estabeleceu guarni- ções militares e numerosas
feitorias e colónias nos territórios das Cidades-Estado aliadas. Exi- giu que
estas lhe prestassem juramento de fidelidade. E chegou a utilizar em
proveito próprio os tributos que elas pagavam para manter a armada da
Liga.
A aliança defensiva deu portanto lugar à dominação, isto é, ao
imperialismo ateniense. Graças a ele, Atenas engrandeceu-se, estendendo
a sua influência sobre todo o Mediterrâneo oriental.