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O RIO NILO E A ECONOMIA DO EGITO ANTIGO

Os registros iniciais da civilização que se formou às margens do Rio Nilo datam de


aproximadamente 6 mil anos. O que conhecemos sobre aquela civilização nos indica
que atingiu um padrão complexo na arte, na ciência, no comércio e na religião. Essa
cultura elaborada acentuava a diferença entre os que tinham e os que não tinham
posses.

A economia baseava-se na agricultura e na pecuária. Eram cultivados cereais, como


a cevada e o trigo, legumes e abundantes árvores frutíferas. Eram criados porcos,
cabras, bois e mais tarde cavalos. Com o papiro, que era encontrado nas margens
do Nilo, fabricava-se papel, cordas, cestas, sandálias e esteiras. Os egípcios eram
“mestres” na arte de tecer, portanto a tecelagem era bem desenvolvida. A caça e a
pesca eram largamente praticadas.

Havia um comércio interno bastante desenvolvido, apesar de não haver moedas, o


que dificultava a negociação, a qual era feita da forma monetária. O comércio com o
exterior era fraco, pois dependia exclusivamente do faraó. Mas os egípcios
exportavam cereais, vinho, óleos vegetais, papiro e móveis e importavam pedras
preciosas, marfim, perfumes e madeiras. O estado egípcio era proprietário dos
meios de produção, incluindo terras e instrumentos de trabalho. Os camponeses
recebiam terras para o cultivo, mas pagavam tributos para usá-las, a forma de
pagamento era na forma de produtos ou de trabalho.

O rio Nilo exerceu importância fundamental na economia do Egito, oferecendo água


e terra cultivável a uma região situada em pleno deserto. Mas era preciso utilizar a
inundação, distribuir a água eqüitativamente, aumentar a superfície irrigada e drenar
pântanos. Isso foi feito a partir dos nomos, num trabalho coletivo que envolvia a
população de várias aldeias.

O grande rio fornecia a alimentação, a maior parte da riqueza e determinava a


distribuição do trabalho das massas camponesas nas aldeias. Durante a Inundação
(jul/out), com os campos alagados, os homens transportavam pedras para as obras
de construção dos faraós, escavavam poços e trabalhavam nas atividades
artesanais. Na Vazante (nov/fev), com o reaparecimento da terra cultivável,
captavam as águas e semeavam. Com a Estiagem (mar/jun), colhiam e debulhavam
os cereais. A alimentação era complementada pela pesca e pela caça realizada nos
pântanos do delta do Nilo. A agricultura produzia cevados, trigo, legumes, frutas,
uvas e linho.

As atividades artesanais, de artigos destinados ao consumo da população, eram


realizadas nas oficinas das aldeias. Desenvolviam-se em função das matérias
primas e dos produtos agrícolas oferecidos pelo rio: tijolos e vasilhames fabricados
com a argila úmida das margens; vinho, pão, cerveja e objetos de couro; fiação e
tecelagem do linho; utilização do papiro para a produção de cordas, redes, papel e
barcos. O Delta era o principal centro pecuário e vinícola.

O artesanato de luxo, de consumo da aristocracia, de alta especialização e


qualificação excepcional, ourivesaria, metalurgia, fabricação de vasos de pedra dura
ou de alabastro, faiança, móveis, tecidos finos, concentrava-se em oficinas mais
importantes, pertencentes ao faraó e ao templo. A cidade de Mênfis possuía a
melhor metalurgia.

Os funcionários do Faraó eram responsáveis pela circulação dos produtos entre as


diversas regiões do país e pela organização do trabalho de mineração e das
pedreiras, exploradas através de expedições ocasionais.

O pequeno comércio local trocava produto por produto; em transações maiores


usavam-se pesos de metal. O grande comércio externo, por terra ou por mar, era
realizado com as ilhas de Creta e Chipre, com a Fenícia e com a costa da Somália,
para a importação de madeira para a construção naval, prata, estanho, cerâmica de
luxo, lápis-lazúli. Organizava-se através de grandes expedições ordenadas pelo
Faraó, mobilizando mercadores, funcionários e soldados.

O Faraó, através de seus funcionários, controlava diretamente todas as atividades


econômicas, proprietário que era das terras do Egito: planejava as obras de
irrigação, a construção de tempos, pirâmides e palácios; fiscalizava a produção
agrícola e artesanal; organizava o comércio e a exploração das minas; distribuía o
excedente; cobra os impostos dos camponeses, usados para sustentar o Estado. O
Palácio e o tempo dos deuses eram o centro da acumulação da riqueza.