SEMÂNTICA Semântica é o estudo do sentido das palavras de uma língua.

Na língua portuguesa, o significado das palavras leva em consideração: Sinonímia: É a relação que se estabelece entre duas palavras ou mais que apresentam significados iguais ou semelhantes, ou seja, os sinônimos: Exemplos: Cômico - engraçado / Débil - fraco, frágil / Distante afastado, remoto. Antonímia: É a relação que se estabelece entre duas palavras ou mais que apresentam significados diferentes, contrários, isto é, os antônimos: Exemplos: Economizar - gastar / Bem - mal / Bom - ruim. Homonímia: É a relação entre duas ou mais palavras que, apesar de possuírem significados diferentes, possuem a mesma estrutura fonológica, ou seja, os homônimos: As homônimas podem ser: Homógrafas: palavras iguais na escrita e diferentes na pronúncia. Exemplos: gosto (substantivo) - gosto / (1ª pessoa singular presente indicativo do verbo gostar) / conserto (substantivo) - conserto (1ª pessoa singular presente indicativo do verbo consertar); Homófonas: palavras iguais na pronúncia e diferentes na escrita. Exemplos: cela (substantivo) - sela (verbo) / cessão (substantivo) - sessão (substantivo) / cerrar (verbo) - serrar ( verbo); Perfeitas: palavras iguais na pronúncia e na escrita. Exemplos: cura (verbo) - cura (substantivo) / verão (verbo) - verão (substantivo) / cedo (verbo) - cedo (advérbio); Paronímia: É a relação que se estabelece entre duas ou mais palavras que possuem significados diferentes, mas são muito parecidas na pronúncia e na escrita, isto é, os parônimos: Exemplos: cavaleiro cavalheiro / absolver - absorver / comprimento - cumprimento/ aura (atmosfera) - áurea (dourada)/ conjectura (suposição) - conjuntura (situação decorrente dos acontecimentos)/ descriminar (desculpabilizar - discriminar (diferenciar)/ desfolhar (tirar ou perder as folhas) - folhear (passar as folhas de uma publicação)/ despercebido (não notado) - desapercebido (desacautelado)/ geminada (duplicada) germinada (que germinou)/ mugir (soltar mugidos) - mungir (ordenhar)/ percursor (que percorre) precursor (que antecipa os outros)/ sobrescrever (endereçar) - subscrever (aprovar, assinar)/ veicular (transmitir) - vincular (ligar) / descrição - discrição / onicolor - unicolor. Polissemia: É a propriedade que uma mesma palavra tem de apresentar vários significados. Exemplos: Ele ocupa um alto posto na empresa. / Abasteci meu carro no posto da esquina. / Os convites eram de graça. / Os fiéis agradecem a graça recebida. Homonímia: Identidade fonética entre formas de significados e origem completamente distintos. Exemplos: São(Presente do verbo ser) - São (santo) Conotação e Denotação: Conotação é o uso da palavra com um significado diferente do original, criado pelo contexto. Exemplos: Você tem um coração de pedra. Denotação é o uso da palavra com o seu sentido original. Exemplos: Pedra é um corpo duro e sólido, da natureza das rochas.

FILOSOFIA A filosofia nasceu realizando uma transformação gradual sobre os antigos mitos gregos ou nasceu por uma ruptura radical com os mitos? Mas, o que é um mito?

Um mito é uma narrativa sobre a origem de alguma coisa (origem dos astros, da Terra, dos homens, das plantas, dos animais, do fogo, da água, dos ventos, do bem e do mal, da saúde e da doença, da morte, dos instrumentos de trabalho, das raças, das guerras, do poder, etc.). A palavra mito vem do grego , e deriva de dois verbos: do verbo (contar, narrar, falar alguma coisa para os outros) e do verbo(conversar, contar, anunciar, nomear, designar). Para os gregos, mito é um discurso pronunciado ou proferido para ouvintes que recebem como verdadeira a narrativa, porque confiam naquele que narra; é uma narrativa feita em público, baseada, portanto, na autoridade e confiabilidade da pessoa do narrador. E essa autoridade vem do fato de que ele ou testemunhou diretamente o que está narrando ou recebeu a narrativa de quem testemunhou os acontecimentos narrados. Quem narra o mito? O poeta-rapsodo. Quem é ele? Por que tem autoridade? Acredita-se que o poeta é um escolhido dos deuses, que lhe mostram os acontecimentos passados e permitem que ele veja a origem de todos os seres e de todas as coisas para que possa transmiti-la aos ouvintes. Sua palavra - o mito - é sagrada porque vem de uma revelação divina. O mito é, pois, incontestável e inquestionável. Como o mito narra a origem do mundo e de tudo o que nele existe? De três principais maneiras: 1. Encontrando o pai e a mãe das coisas e dos seres, isto é, tudo o que existe decorre de relações sexuais entre forças divinas pessoais. Essas relações geram os demais deuses: os titãs (seres semi-humanos e semi-divinos), os heróis (filhos de um deus com uma humana ou de uma deusa com um humano), os humanos, os metais, as plantas, os animais, as qualidades, como quente-frio, seco-úmido, claroescuro, bom-mau, justo-injusto, belo-feio, certo-errado, etc.. A narração da origem é, assim, uma genealogia, isto é, narrativa da geração dos seres, das coisas, das qualidades, por outros seres, que são seus pais ou antepassados. Tomemos um exemplo de narrativa mítica. Observando que as pessoas apaixonadas estão sempre cheias de ansiedade e de plenitude, inventam mil expedientes para estar com a pessoa amada ou para seduzi-la e também serem amadas, o mito narra a origem do amor, isto é, o nascimento do deus Eros (que conhecemos mais com o nome de Cupido), exemplo extraído do Banquete 203a, de Platão:

"Quando nasceu Afrodite, banqueteavam-se os deuses, e entre os demais se encontrava também o filho de Prudência, Recurso. Depois que acabaram de jantar, veio para esmolar do festim a Pobreza, e ficou na porta. Ora, Recurso, embriagado com o néctar - pois o vinho ainda não havia - penetrou o jardim de Zeus e, pesado, adormeceu. Pobreza então, tramando em sua falta de recurso engendrar um filho de Recurso, deita-se ao seu lado e pronto concebe o Amor. Eis por que ficou companheiro e servo de Afrodite o Amor, gerado em seu natalício, ao mesmo tempo que por natureza amante do belo, porque também Afrodite é bela. E por ser filho o Amor de Recurso e de Pobreza foi esta a condição em que ele ficou. Primeiramente ele é sempre pobre, e longe está de ser delicado e belo, como a maioria imagina, mas é duro, seco, descalço e sem lar, sempre por terra e sem forro, deitando-se ao desabrigo, às portas e nos caminhos, porque tem a natureza da mãe, sempre convivendo com a precisão. Segundo o pai, porém, ele é insidioso com o que é belo e bom, e corajoso, decidido e enérgico, caçador terrível, sempre a tecer maquinações, ávido de sabedoria e cheio de recursos, a filosofar por toda a vida, terrível mago, feiticeiro, sofista: e nem imortal é a sua natureza nem mortal, e no mesmo dia ora ele germina e vive, quando enriquece; ora morre e de novo ressuscita, graças à natureza do pai; e o que consegue sempre lhe escapa, de modo que nem empobrece o Amor nem enriquece, assim como também está no meio da sabedoria e da ignorância. Eis com efeito o que se dá". 2. Encontrando uma rivalidade ou uma aliança entre os deuses que faz surgir alguma coisa no mundo. Nesse caso, o mito narra ou uma guerra entre forças divinas ou uma aliança entre elas para provocar alguma coisa no mundo dos homens.

O poeta Homero, na Ilíada, epopeia que narra a guerra de Tróia, explica por que, em certas batalhas, os troianos eram vitoriosos e, em outras, a vitória cabia aos gregos. Os deuses estavam divididos, alguns a favor de um lado e outros a favor do outro. A cada vez, o rei dos deuses, Zeus, ficava com um dos partidos, aliava-se com um grupo e fazia um dos lados - ou os troianos ou os gregos - vencer a batalha. A causa da guerra, aliás, foi uma rivalidade entre as deusas. Elas apareceram em sonho para o príncipe troiano Páris, oferecendo a ele seus dons e ele escolheu a deusa do amor, Afrodite. As outras deusas, enciumadas, o fizeram raptar a grega Helena, mulher do general grego Menelau, e isso deu início à guerra entre os humanos. O mito, narra a origem do mundo e de tudo que existe nele, e a terceira principal maneira de narração mítica é: 3. Encontrando as recompensas ou os castigos que os deuses dão a quem lhes obedece ou a quem lhes desobedece, respectivamente. Como o mito narra, por exemplo, o uso do fogo pelos homens? Para os homens, o fogo é essencial, pois com ele se diferenciam dos animais, porque tanto passam a cozinhar os alimentos, a iluminar caminhos na noite, a se aquecer no inverno quanto podem fabricar instrumentos de metal para o trabalho e para a guerra. Um titã, Prometeu, mais amigo dos homens do que dos deuses, roubou uma centelha de fogo e a trouxe de presente para os homens. Prometeu foi castigado (amarrado num rochedo para que as aves de rapina, eternamente, devorassem seu fígado) e os homens também. Qual foi o castigo dos homens? Os deuses fizeram uma mulher encantadora, Pandora, a quem foi entregue uma caixa que conteria coisas maravilhosas, mas que nunca deveria ser aberta. Pandora foi enviada aos humanos e, cheia de curiosidade e querendo dar a eles as maravilhas, abriu a caixa. Dela saíram todas as desgraças, doenças, pestes, guerras e, sobretudo, a morte. Explicase, assim, a origem dos males do mundo. Vemos, portanto, que o mito narra a origem das coisas por meio de lutas, alianças e relações sexuais entre forças sobrenaturais que governam o mundo e o destino dos homens. Como os mitos sobre a origem do mundo são genealogias, diz-se que são cosmogonias e theogonias. A palavra gonia vem de duas palavras gregas: do verbo (engendrar, produzir, gerar, fazer nascer e crescer) e do substantivo (nascimento, gênese, descendência, gênero, espécie). Gonia, portanto, quer dizer: geração, nascimento a partir da concepção sexual e do parto. Cosmos, por sua vez, quer dizer mundo ordenado e organizado. Assim, a cosmogonia é a narrativa sobre o nascimento e a organização do mundo, a partir de forças geradoras (pai e mãe) divinas. Theogonia é uma palavra composta de gonia e , que, em grego, significa: as coisas divinas, os seres divinos, os deuses. A theogonia é, portanto, a narrativa da origem dos deuses, a partir de seus pais e antepassados. A filosofia, ao nascer, é uma cosmologia, uma explicação racional sobre a origem do mundo e sobre as causas das transformações e repetições das coisas; para isso, ela nasce de uma transformação gradual dos mitos ou de uma ruptura radical com os mitos? Continua ou rompe com a cosmogonia e a theogonia? Duas foram as respostas dadas pelos estudiosos. A primeira delas foi dada nos fins do século XIX e começo do XX, quando reinava um grande otimismo sobre os poderes científicos e capacidades técnicas do homem. Dizia-se, então, que a filosofia nasceu por uma ruptura radical com os mitos, sendo a primeira explicação científica da realidade produzida pelo Ocidente. A segunda resposta foi dada a partir de meados do século XX, quando os estudos dos antropólogos e dos historiadores mostraram a importância dos mitos na organização social e cultural das sociedades e como os mitos estão profundamente entranhados nos modos de pensar e de sentir de uma sociedade. Por isso,

Ponto e Gaia. a filosofia fala em céu. foi reformulando e racionalizando as narrativas míticas. voltando-se para o que era antes que tudo existisse tal como existe no presente. a autoridade da explicação não vem da pessoa do filósofo. é porém a partir do séc. suas correntes e representantes. combinação e separação dos quatro elementos . como uma racionalização deles. 2. 3. quente e frio. terra. na totalidade do tempo). vagarosa e gradualmente. explica a produção natural das coisas por elementos e causas naturais e impessoais. mas da razão. as coisas são como são. acreditavam em seus mitos e que a filosofia nasceu. em que consiste a prática científica. não só porque esses eram traços próprios da narrativa mítica. O mito não se importava com contradições. homens) e marinhos pelos casamentos de Gaia com Urano e Ponto. O mito pretendia narrar como as coisas eram ou tinham sido no passado imemorial. ou água. seco. do mito e da religião. mas exige que a explicação seja coerente. que relação existe entre o conhecimento científico e o mundo real. animais. além disso. O mito falava em Urano. Conceito . à contribuição da ciência e da tecnologia. ao contrário. Diante desses questionamentos. mais recentemente. este trabalho pretende fazer um apanhado geral acerca da Teoria do Conhecimento. ao contrário.úmido. no presente e no futuro (isto é. Mas é sobretudo nos últimos séculos da nossa História. são alguns dos problemas com que nos deparamos frequentemente. como qualquer outro povo. no passado. que é a mesma em todos os seres humanos. quais as conseqüências práticas e éticas das descobertas científicas. preocupa-se em explicar como e por que. consideram-se as duas respostas exageradas e afirma-se que a filosofia. O mito narrava a origem através de genealogias e rivalidades ou alianças entre forças divinas sobrenaturais e personalizadas. de modo que se torne mais fácil a sua compreensão. que não lhe podemos ficar indiferentes. Quais são as diferenças entre filosofia e mito? Podemos apontar três como as mais importantes: 1. A filosofia explica o surgimento desses seres por composição. ao contrário. que tem recorrido para isso quer ao auxílio da magia. fabulação e coisas incompreensíveis. fogo e ar. que se tem dado a importância crescente aos domínios do conhecimento e da ciência. como também porque a confiança e a crença no mito vinham da autoridade religiosa do narrador. Atualmente. mar e terra. enquanto a filosofia. A filosofia. não admite contradições. percebendo as contradições e limitações dos mitos. quer. É também sobretudo a partir desta época que as implicações da atividade científica na nossa vida quotidiana se têm tornado tão evidentes. TEORIA DO CONHECIMENTO A necessidade de procurar explicar o mundo dando-lhe um sentido e descobrindo-lhe as leis ocultas é tão antiga como o próprio Homem. A filosofia. o que temos implícito quando dizemos que conhecemos determinado assunto. com o fabuloso e o incompreensível. O mito narra a origem dos seres celestes (os astros). longínquo e fabuloso. O que é o conhecimento científico. XVIII que a palavra ciência adquire um sentido mais preciso e mais próximo daquele que hoje lhe damos. E se é certo que a preocupação com este tipo de questões remonta já à Grécia antiga. terrestres (plantas. numa explicação inteiramente nova e diferente. como se adquire. do interior dos próprios mitos.dizia-se que os gregos. lógica e racional. transformando-as numa outra coisa.

sem as quais se perde a essência do empirismo e a qual. fontes e validade do conhecimento. que é a tese de que todo e qualquer conhecimento sintético haure sua origem na experiência e só é válido quando verificado por fatos metodicamente observados. Basicamente é conceituada como o estudo de assuntos que outras ciências não conseguem responder e se divide em quatro partes. embora. as tentativas de conciliação e de superação. Mas. sendo que três delas possuem correntes que tentam explica-las: I . Entre as questões principais que ela tenta responder estão as seguintes. implicitamente. a partir do século XVII em diante . Principais correntes e seus representantes A) O Conhecimento Quanto à Origem A polêmica racionalismo-empirismo tem sido uma das mais persistentes ao longo da história da filosofia. Porém. .Essência do Conhecimento e IV Possibilidade do Conhecimento. Originário da Grécia Antiga. ou se reduz a verdades já fundadas no processo de pesquisa dos dados do real. todos os autores conservam. primordialmente na era moderna. • Empirismo “O empirismo pode ser definido como a asserção de que todo conhecimento sintético é baseado na experiência. as posições intermédias. como a corrente de pensamento que sustenta que a experiência sensorial é a origem única ou fundamental do conhecimento. tão velhas quanto a filosofia. tornando-se notável as distinções e divergências existentes. O que é o conhecimento? Como nós o alcançamos? Podemos conseguir meios para defendê-lo contra o desafio cético? Essas questões são.como resultado do trabalho de Descartes (1596-1650) e Locke (1632-1704) em associação com a emergência da ciência moderna – é que ela tem ocupado um plano central na filosofia.Origem do Conhecimento e III .O conhecimento como problema. como veremos a seguir. assumindo várias manifestações e atitudes.” (Bertrand Russell). e encontra eco ainda hoje em diversas posições de epistemólogos ou filósofos da ciência. ao longo da linha constituída nos seus extremos pelo racionalismo e pelo empirismo radicais. Abundam. é notório que existem características fundamentais. Conceitua-se empirismo. se interessa pela investigação da natureza. II .A teoria do conhecimento. o empirismo foi reformulado através do tempo na Idade Média e Moderna. sua validade lógica possa transcender o plano dos fatos observados.

não constituindo exceção as verdades matemáticas. pois. Uma das obras baseadas nessa linha é a de John Locke (Ensaios sobre o Entendimento Humano). temos o sensismo (ou sensualismo). Ele apresenta a indução como único método científico e afirma que nela resolvem-se tanto o silogismo quanto os axiomas matemáticos. Esta tendência está longe de alcançar a almejada “unanimidade cientifica”. O empirismo moderado. que na obra Sistema da Lógica diz que todos os conhecimentos científicos resultam de processos indutivos. no que concerne aos juízos matemáticos. o qual pode ser nãoempiricamente valido (como nos casos dos juízos analíticos). implicando sempre a possibilidade de correção. os fatos não são fontes de todos os conhecimentos e não nos oferecem condições de “certeza”. São três. existem as verdades de razão. Gottfried Leibniz. mas não reduz a ela a validez do conhecimento. que nem todas as verdades são verdades de fato. e sim no pensamento. Todas as idéias são elaborações de elementos que os sentidos recebem em contato com a realidade. também denominado genético-psicológico. o conhecimento oriundo da experiência ou verificado experimentalmente. a moderada e a científica. Quando a redução é feita à mera experiência sensível. atribuindo aos juízos analíticos significações de ordem formal enquadradas no domínio das fórmulas lógicas. que admite como válido. que são aquelas inerentes ao próprio pensamento humano e dotadas de universalidade e certeza (como por exemplo. afirma em sua obra Novos Ensaios sobre o Entendimento Humano. na qual ele explica que as sensações são ponto de partida de tudo aquilo que se conhece. Como já foi dito. É o caso de John Stuart Mill. sendo elas: a integral. • Racionalismo É a corrente que assevera o papel preponderante da razão no processo cognoscitivo.Como já foi dito anteriormente. que seriam resultado de generalizações a partir de dados da experiência. os princípios de identidade e de razão suficiente). existe a admissão de uma esfera de validade lógica a priori e. cuja validez não assenta na experiência. portanto não empírica. há o empirismo científico. O empirismo integral reduz todos os conhecimentos – inclusive os matemáticos – à fonte empírica. para os moderados há verdades universalmente validas. enquanto as verdades de fato são contingentes e particulares. sendo válidas dentro de limites determinados. Um dos grandes representantes do racionalismo. Na doutrina de Locke. as linhas empíricas. e é exatamente esse aspecto que abordaremos a seguir. explica que a origem temporal dos conhecimentos parte da experiência. . ao lado delas. como as matemáticas. existe no empirismo divergência de pensamentos. Por fim. àquilo que é produto de contato direto e imediato com a experiência.

Ainda retratando o pensamento racionalista. a razão não contém em si mesma. o racionalismo se preocupa com a idéia fundante que a razão por si mesma logra atingir. tem como marca a determinação a priori das condições lógicas das ciências. Para ele. o conhecimento é sempre uma subordinação do real à medida do humano. indagando as suas condições e pressupostos. preliminarmente o problema do conhecimento em função da relação “sujeito-objeto”. realizando-se uma adequação plena entre o entendimento e a realidade. Existe também uma outra linha racionalista. enquanto seres pensantes. atribui à inteligência função positiva no ato de conhecer. originada de Aristóteles. as verdades universais que o intelecto “lê” e “extrai”. verdades universais como idéias natas. Ele declara que o conhecimento não pode prescindir da experiência. tanto que só adquire validade universal quando os dados sensoriais são ordenados pela razão. de uma série de princípios evidentes. . Entretanto. lembra que há nele uma concepção metafísica da realidade como condição de sua gnoseologia. que servem de fundamento lógico a todos os elementos com que nos enriquecem a percepção e a representação. adepto do inatismo. O criticismo é o estudo metódico prévio do ato de conhecer e dos modos de conhecimento. devemos entender tal posição como uma análise crítica e profunda dos pressupostos do conhecimento. “os conceitos sem as intuições são vazios. que reconhece a existência de “verdades de razão” e. ou seja. sustenta também que o conhecimento de base empírica não pode prescindir de elementos racionais. ou seja. denominada intelectualismo. as intuições sem os conceitos são cegas”. que é conceber a realidade como algo de racional. por isso. Por fim. Porém. para ele. a qual fornece o material cognoscível e nesse ponto coincide com o empirismo. de maneira que a explicação conceitual mais simples. no que esta tem de essencial. Segundo palavras do próprio autor. além disso. que consiste em entender a realidade como racional. que é o Criticismo. devemos citar uma ramificação do racionalismo que alguns autores consideram autônoma. Immanuel Kant. Seu maior representante. ou seja. um dos adeptos do intelectualismo. Ele aceita e recusa certas afirmações do empirismo e racionalismo. ou em racionalizar o real. Esses dois pensadores podem ser classificados como representantes do racionalismo ontológico. Concluindo: o intelecto extrai os conceitos ínsitos no real. muitos autores acreditam em sua autonomia. contendo no particularismo contingente de seus elementos. se tenha em conta da mais simples e segura explicação da realidade. Hessen. uma disposição metódica do espírito no sentido de situar. idéias natas. encontramos Reneé Descartes. operando sobre as imagens que o real oferece. que afirma que somos todos possuidores. mas as atinge à vista dos fatos particulares que o intelecto coordena.

seguindo a linha aristotélica.que nossa subjetividade compreende corresponde ou não ao objeto tal qual é em si mesmo. O realismo é subdividido em três espécies. anteriormente à experiência do ponto de vista gnosiológico. que é a linha do realismo que acentua a verificação de seus pressupostos concluindo pela funcionalidade sujeito-objeto e distinguindo as camadas conhecíveis do real como a participação . o conhecimento implica sempre numa contribuição positiva e construtora por parte do sujeito cognoscente em razão de algo que está no espírito. O realismo ingênuo. mas que. De acordo com o . uma tese ou doutrina fundamental de que existe uma correlação ou uma adequação da inteligência a “algo” como objeto do conhecimento. o tradicional e o crítico. de maneira que nós conhecemos quando a nossa sensibilidade e inteligência se conformam a algo de exterior a nós. sendo estas fundamentais pra o pleno conhecimento do assunto. no realismo. que pela ótica do criticismo. Em outras palavras. Já o realismo tradicional é aquele em que há uma indagação a respeito dos fundamentos. que conhece as coisas e as concebem tais e quais aparecem. podemos conceituar essa corrente como a orientação ou atitude espiritual que implica uma preeminência do objeto. podemos citar o realismo cientifico.não apenas criadora do espírito no processo gnosiológico. É a atitude do homem comum. sem formular qualquer questionamento a respeito de tal coisa. Há portanto. não nos é possível verificar se o objeto . há uma procura em demonstrar se as teses são verdadeiras. dada a sua afirmação fundamental de que nós conhecemos coisas. é a independência ontológica da realidade. ou seja. conhecer é sempre conhecer algo posto fora de nós. analisaremos o ponto da Teoria do Conhecimento em que há mais divergências. O realismo ingênuo. também conhecido como pré-filosófico. surgindo uma atitude propriamente filosófica. B) O Conhecimento Quanto à Essência Nessa parte do estudo. que é o realismo e o idealismo. Por último. se há conhecimento de algo. Para os seguidores desse pensamento. • Realismo Sabendo que a palavra realismo vem do latim res (coisa). é aquele em que o homem aceita a identidade de seu conhecimento com as coisas que sua mente menciona. o sujeito em função do objeto.Conclui-se então.

No idealismo. Locke e Berkeley. de maneira que só se conhece aquilo que se insere no domínio de nosso espírito e não as coisas como tais. sem validade em si mesmas. Uma é a do idealismo psicológico ou conscienciológico. que afirma que as coisas não existem por si mesmas. A outra é a orientação idealista de natureza lógica. onde as idéias ou arquétipos ideais representam a realidade verdadeira. Alguns autores entendem que a doutrina platônica poderia ser vista como uma forma de realismo. O que interessa à Teoria do Conhecimento. Ou seja.modo de compreender-se essa “referibilidade a algo”. . Podemos conceituá-lo como aquele em que a realidade é cognoscível se e enquanto se projeta no plano da consciência. pois para eles. há uma tendência a subordinar tudo à formas espirituais ou esquemas. de maneira que só há realidade como realidade espiritual. revelando-se como momento ou conteúdo de nossa vida interior. que são as duas linhas pertinentes à filosofia. Seu maior representante. onde o que se conhece não são as coisas e sim a imagem delas. bifurca-se o realismo em tradicional e o crítico. ou é conteúdo de pensamento. o ser não é outra coisa senão idéia. O idealismo de Platão reduz o real ao ideal. pois como ele já dizia. denominado de idealismo transcendente. meras copias imperfeitas. o idealismo é a doutrina ou corrente de pensamento que subordina ou reduz o conhecimento à representação ou ao processo do pensamento mesmo. é o idealismo imanentista. mas sim enquanto participam do ser essencial. em nossa consciência ou em nossa mente. Hegel. as idéias são o sol que ilumina e torna visíveis as coisas. Dentro dessa concepção existem duas orientações idealistas. resolvendo o ser em idéia. o homem cria um objeto com os elementos de sua subjetividade. e sim a representação que a nossa consciência forma em razão delas. por entender que a verdade das coisas está menos nelas do que em nós. Também chamado de idealismo subjetivo. ser é ser percebido e na atitude lógica. o idealismo “verdadeiro” é aquele desenvolvido a partir de Descartes. no fato de serem “percebidas” ou “pensadas”. da qual seriam as realidades sensíveis. que parte da afirmação de que só conhecemos o que se converte em pensamento. sem que algo preexista ao objeto (no sentindo gnosiológico). que é a compreensão do real como idealidade (o que equivale dizer a realidade como espírito). Seus representantes são Hume. Resumindo: na atitude psicológica. ou seja. ser é ser pensado. • Idealismo Surgiu na Grécia Antiga com Platão. Sintetizando. mas na medida e enquanto são representadas ou pensadas. diz em uma de suas obras que nós só conhecemos aquilo que elevamos ao plano do pensamento. este diz que o homem não conhece as coisas.

Porém. temos como adepto do dogmatismo teórico. Ou seja. devido à rigorosidade de adequação do pensamento. muitos autores recorrem a duas importantes posições: o dogmatismo e o ceticismo. estabelecendo as bases de sua Ética ou de sua Moral. é a crença no poder da razão ou da intuição como instrumentos de acesso ao real em si. Por conseguinte. e a coisa em si. Já o parcial. que duvidavam da possibilidade de atingir as verdades últimas enquanto sujeito pensante (homo theoreticus) e afirmavam as razões primordiais de agir. na medida em que é. . outros somente admitem tais verdades no plano especulativo. Alguns dogmáticos parciais se julgam aptos para afirmar a verdade absoluta no plano da ação. adotado em maior extensão. Blaise Pascal. é o pensamento puro”. Entretanto. O primeiro é aquele em que a afirmação da possibilidade de se alcançar a verdade ultima é feita tanto no plano da especulação. transcendendo o campo das puras relações fenomenais e sem limites impostos a priori à razão. mas era assaltado por duvidas no plano do agir ou da conduta humana. que não duvidava de seus cálculos matemáticos e da exatidão das ciências enquanto ciências. existe em suas obras uma identificação absoluta entre pensamento e realidade. Existem duas espécies de dogmatismo: o total e o parcial. • Dogmatismo É a corrente que se julga em condições de afirmar a possibilidade de conhecer verdades universais quanto ao ser. Como o próprio autor diz “o pensamento. pois. os quais veremos abaixo. na intenção de afirmar-se a possibilidade de se atingir o absoluto em dadas circunstâncias e modos quando não sob certo prisma. tem um sentido mais atenuado. Esse dogmatismo intransigente. quanto no da vida pratica ou da Ética. O dogmatismo ético tem como adeptos Hume e Kant.C) Possibilidade do Conhecimento Essa parte da teoria do conhecimento é responsável por solucionar a seguinte questão: qual a possibilidade do conhecimento? Para que seja possível respondê-la. é a coisa em si. na medida em que é. quase não é adotado. Daí origina-se a distinção entre dogmatismo teórico e dogmatismo ético. encontramos em Hegel a expressão máxima desse tipo de dogmatismo. à existência e à conduta.

que significa "modo de ser". ressaltando que este último não será discutido nesse trabalho. reunindo conceitos e origem de algumas correntes. não há outra solução para o homem senão a atitude de não formular problemas. "comportamento". dada a impossibilidade de qualquer conhecimento certo. o ceticismo se distingue das outras correntes por causa de sua posição de reserva e de desconfiança em relação às coisas. Conclusão Esse trabalho buscou de forma concisa reunir informações gerais acerca da Teoria do Conhecimento. a ética é o estudo desses aspectos do ser humano: por um lado. dada a equivalência fatal de todas as respostas. "costume". "caráter". Ele envolve tanto as verdades metafísicas (da realidade em si mesma). seus objetivos e representantes. O ceticismo absoluto é oriundo da Grécia e também denominado pirronismo. o homem não pode pretender nenhum conhecimento por não haver adequação possível entre o sujeito cognoscente e o objeto conhecido.• Ceticismo Consiste numa atitude dubitativa ou uma provisoriedade constante. Há no ceticismo – assim como no dogmatismo – uma distinção entre absoluto e parcial. Ou seja. sujeitos a refutação à luz de sucessivos testes. mesmo quando são enunciados juízos sobre algo de maneira provisória. procurando . quanto as relativas ao fundo dos fenômenos. De fato. Um dos representantes do ceticismo de maior destaque na filosofia moderna é Augusto Comte. mesmo a respeito de opiniões emitidas no âmbito das relações empíricas. Essa atitude nunca é abandonada pelo ceticismo. ÉTICA Ética A área da filosofia que estuda o comportamento humano Da Página 3 Pedagogia & Comunicação A palavra ética se origina do termo grego ethos. Segundo essa corrente. baseando-se na visão de Miguel Reale. Prega a necessidade da suspensão do juízo. Ou seja. para os céticos absolutos.

outras. são valores que não apresentam. por outro. para conseguir um trabalho e ganhar a vida com ele. Bom e mau. nas mais diversas civilizações. A ética. se não me engano. um caráter absoluto. Num sentido mais amplo . Há uma infinidade de conhecimentos muito interessantes mas sem os quais podemos nos arranjar muito bem para viver. em termos filosóficos? O filósofo contemporâneo espanhol Fernando Savater apresenta uma resposta para essa questão em termos muito simples. que dão tanta satisfação a outras pessoas. ela é possivelmente a área mais prática da filosofia. antes de mais nada. qual o significado da palavra ética. Se não sentirmos curiosidade nem necessidade de realizar esses estudos. Considera também como esses valores se aplicam no relacionamento interpessoal. Como diz o título. Bem e Mal. Nesse sentido. num livro intitulado Ética para meu filho. E você. Ao longo dos tempos. Mas. entretanto. conhece as regras do futebol . a maioria. Assim. pode-se dizer que a ética trata do que é "bom" e do que é "mau" para nós. para adquirir uma habilidade que nos permita fazer ou utilizar alguma coisa. embora essa ignorância nunca me tenha impedido de ir sobrevivendo até hoje.da cidade. ela se restringe às relações pessoais de cada um. A ética acompanha esse desenvolvimento histórico. do país e do mundo.já que ninguém vive numa pequena comunidade isolada -. por exemplo. Esse é um excelente ponto de partida para você pensar no assunto: “Há ciências que estudamos por simples interesse de saber coisas novas. Eu. da Editora Martins Fontes. várias interpretações serão dadas a essas duas noções. pois a noção de um modo correto de se comportar e posicionar na vida pressupõe que isso seja feito para que cada um conviva em harmonia com os outros. lamento muito não ter nem idéia de astrofísica ou de marcenaria. portanto. você pode ler um breve trecho da resposta de Savater para a questão "o que é ética?". para o ser humano.descobrir o que está por trás do nosso modo de ser e de agir. ele escreveu com o intuito de explicar a questão para o seu filho adolescente. A seguir. ela se relaciona com a política . poderemos prescindir deles tranqüilamente. procurando estabelecer as maneiras mais convenientes de sermos e agirmos. trata de convivência entre seres humanos na sociedade. Num sentido mais restrito. ou melhor. para que isso sirva de base para uma reflexão sobre como ser ético no tempo presente.

ou que o fogo às vezes aquece e outras vezes queima. algo mau. dispensa olimpicamente a liga americana e todo o mundo sai satisfeito. beber lixívia poderá ser muito adequado. é claro. é melhor dizer ao doente de câncer incurável a verdade sobre seu estado. No entanto. ou também cercar-se do maior número possível de inimigos. que não nos convêm se desejamos continuar vivendo. de momento. ou que uma dieta de pregos (perdoem-me os faquires!) e ácido prússico não nos permitirá chegar à velhice. No terreno das relações humanas. Também não é aconselhável ignorar que. Se alguém quiser arrebentar-se o quanto antes. mas às vezes parece acabar sendo boa. há outras coisas que é preciso saber porque. você desfruta os campeonatos mundiais. entre todos os saberes possíveis existe pelo menos um imprescindível: o de que certas coisas nos convêm e outras não. vamos supor que preferimos viver. por exemplo. em geral é inconveniente. futebol e até mesmo sem saber ler e escrever: vive-se pior. são fundamentais para nossa vida.mas é bem fraco em beisebol. Podemos viver de muitos modos. há coisas boas e más para a saúde: é necessário saber o que devemos comer. pois nos cai bem. ou deve-se enganá-lo para que ele viva suas últimas horas sem angústia? A mentira não nos convém. se dermos um safanão no vizinho cada vez que cruzarmos com ele. por exemplo. Em resumo. não nos convêm. ou seja. E preciso saber. deixando de lado. em compensação. Em alguns aspectos são boas. assim como certos comportamentos e certas atitudes. distinguir entre o bom e o mau. mas às vezes pode parecer útil ou benéfico mentir para obter alguma vantagem. O que eu quero dizer é que certas coisas a pessoa pode aprender ou não. decerto. Não tem maior importância. aumentam nossa energia ou produzem sensações agradáveis. É possível viver sem saber astrofísica. Certos alimentos não nos convêm. os respeitáveis gostos do suicida. mas em outros são más: elas nos convêm e ao mesmo tempo não nos convêm. Saber o que nos convém. por enquanto. às vezes as coisas não são tão simples: certas drogas. mas vive. como já dissemos.se. essas ambigüidades ocorrem com maior freqüência ainda. mas seu abuso contínuo pode ser nocivo. e quem interfere ao estilo Indiana Jones para salvar a garota agredida tem maior probabilidade de arrebentar a . Pequenezas desse tipo são importantes. o remédio é escolher e aceitar com humildade o muito que ignoramos. é um conhecimento que todos nós tentamos adquirir – todos. porque destrói a confiança na palavra – e todos nós precisamos falar para viver em sociedade – e provoca inimizade entre as pessoas. caem-nos muito mal. Mas. mas há modos que não nos deixam viver. Assim. marcenaria. e o que nos convém costumamos dizer que é “bom”. por assim dizer. há coisas que nos convêm. que saltar de uma varanda do sexto andar não é bom para a saúde. A mentira é. em geral. e o que não nos convém dizemos que é “mau”. mais cedo ou mais tarde haverá conseqüências muito desagradáveis. é má. conforme sua vontade. No entanto. outras. quem sempre diz a verdade – doa a quem doer – costuma colher a antipatia de todo o mundo. mas devemos consentir que violentem uma garota diante de nós sem interferir. ou até para fazer um favor a alguém. sem exceção – pela compensação que nos traz. Procurar briga com os outros. Como afirmei antes. Como ninguém é capaz de saber tudo. sob pretexto de não nos metermos em confusão? Por outro lado. Por exemplo. ou ainda que a água pode matar a sede e também nos afogar. Quero dizer.

cabeça do que quem segue para casa assobiando. é o que se chama de ética. visto que ela se utiliza sobreas demais ciências e legisla sobre elas. para alguns pensadores este objeto seria um bem que. nós homens podemos inventar e escolher. em oposição ao que nos parece mau e inconveniente. por isso vamos nos contentar em encontrar a verdade de forma aproximada. ou arte de viver. em parte. o que deve ser estudado e o que deve ser ensinado. assim como suas finalidades. em certas ocasiões. de tão grandioso. como dizia Hesiodo . as abelhas e as formigas. sendo este último interesse mais divino e nobre. animados ou inanimados. abrangendo portanto a finalidade das demais. Muitas são as ações das artes e ciências. Haja confusão! [. tornando . Esse saber-viver. aparência de mau. a busca das ciências políticas pode ser a felicidade. pois esta define o que é certo. Podemos optar pelo que nos parece bom. se você preferir. Como podemos inventar e escolher. Flexibilidade de conceito semelhante existe referênte aos bens.se existente quase quesomente por convenção. Há um bem o qual todas as ciências buscam em comum e o conhecimento deste é de fundamentalimportância sobre nossas vidas.” Resumo do livro ÉTICA A NICÔMACO ÉTICA À NICÔMACO:Livro 1 Toda arte e toda a investigação tende a um bem qualquer.] Resumindo: ao contrário de outros seres.. que só são procuradas emfunção daquelas. que podem beneficiar indivíduosou toda a sociedade. podemos nos enganar. o que não acontece com os castores. O que é mau às vezes parece ser mais ou menos bom e o que é bom tem. pois ja houve quem perecessepor causa de sua riquesa ou coragem. procurando adquirir um certo saber-viver que nos permita acertar. o bem viver. Platão questionava ―Estamos no caminho que parte dos primeiros principios ou estamos nos dirigindo a eles ?‖ e para entrar nesta discusão avisamos desde já que deve-se ter sido educado nos bons hábitos e ser ouvinte. o objeto do nosso estudo será determina – lo em linhas gerais partindo da ciênciapolítica. conveniente para nós. torna-se inacessível e por existir tãograndes divergências consideraremos os conceitos mais razoáveis. nossa forma de vida. Definido vulgarmente.. enão absoluta. o ser rico ou ter saúde. fazendo com que todas as outras coisas tendamtambém a ele. ou seja.A ciência política admite uma flutuação nos seus conceitos de belo e justo. De modo que parece prudente atentarmos bem para o que fazemos.

Concluido isso temos um esboço do que procuramos. ela é forçada. pois a honra. Esta não correspondência única de idéias faz com que o bemuniversal seja inatigível. este é em verdade um homem inteiramenteinútil‖ Existem três modos de vida. pois procuramosaquele que é o absoluto dos absolutos. podemos dizer quea razão da vida dos primeiros citados (ignorantes) é a felicidade e que a honra é o bem da vida política. o da vida política e o da vida contemplativa.Nos jogos olímpicos não são os homens mais fortes e belos que ganham mas os que competem. a riquesa é util mas não faz parte da nossabusca. assim como este conjunto de bens. os bem estão divididos em duas classes. age bem. Veremos somente mais tardea vida comtemplativa. eles se mostram diferentesnas diversas ciências e artes. deixando de ser o objeto de nossa busca. pois muitos abuscam incessantemente.ela é nossa busca. mas sim paz entre seus interesses. o prazer. As atividades de cada . pois é pela saúde do paciente que o médico busca a cura equando esta é alcançada se faz o bem procurado. auto suficiente efinalidade de todas as ações. O homem que não se compraz nas ações nobres não é bom pois quem consideraria justo um homemque não sente prazer em fazer o bem. e os que servem para proteger outros bens ou afastar seus opostos.Consideremos o bem universal.alcançará a felicidade. O homem bom não encontra conflitos dentro de si. a razão. fazendo desta um bem absoluto. a mais nobre. sendo o objetivo destas. ou os tem e eles são perversos ou a morte levou os bons. buscados particularmente. nos permitindo colocar então avirtude também como uma razão deste modo de vida. A quem diga que o começo é maisque a metade do caminho pois é mais facil completar o que já esta começado que iniciar um trabalho.― Ótimo é aquele que de si mesmo conhece todas as coisas. o homem feliz vive bem. assim sendo também as coisas nobres e boas da vida . Mas a felicidade não é facilmente alcançada sem outros bens (os meios no qual se chega a ela) poisdificilmente um homem que não tem amigos ou filhos. talves por quererem um reconhecimento de uma vida honesta.mas os bens não são uma espécie de elemento comum que corresponda a uma idéia única.que são nobres. mas fica ainda o quadro incompleto. Portanto a felicidade é a melhor. pois só nomeio destes surgirão os vencedores.Os bens que se relacionam com a alma são as ações e atividades psíquicas. que alcançada por acaso não é tão realizadora quanto aquela que foi intensamente procurada. a mais aprazível coisa do mundo. mas o que por si não pensa. Quanto a vida na busca pelo dinheiro.O homem feliz é aquele que consideramos que foi feliz durante a vida e até nos momentos mais difíceis agiucom moral e nobreza. que só são conquistadaspelos que agem corretamente. este são os bens no sentido maisverdadeiro da palavra. como afelicidade. em uma visão diferente da de Platão . o do homem inútil. tudo é buscado ao fim dela.aqueles por si mesmos. um bem buscado por ele mesmo e não por qualquer outra coisa. bom o que escuta os conselhos dos homens judiciosos. nem acolhe a sabedoria alheia.

um dá.Louvamos a felicidade? Louvamos aos deuses porque os comparamos conosco e vemos que eles são melhores. talves porque temos felicidade comalgo maior. incluindo o zero. portanto. nobreza e felicidade a vida. Caso queira representar o conjunto dos números naturais não-nulos (excluindo o zero). assim como asdemais coisas que nos vem por natureza. assim como o prazer pois ambos não são louvados. ao passo que a virtude moral é adquirida pelo hábito. assim como geramos a virtude a destruimos. As virtudes são as disposiçõeslouváveis do espírito. pois eles constituem a vitude pelo hábito. ou não. quanto mais MATEMÁTICA Conjunto dos Números Naturais São todos os números inteiros positivos. nos tornamos justos praticando a justiça. sendo por estas virtudes que consideramos os homens. primeiro recebemos a potência e depois cumprimos a atividade. deve-se colocar um * ao lado do N: . da mesma forma transforma-se umacidade em um lugar ruim para se viver governando–a pelas regras más.Por toda esta importância é que devemos estudar os atos. onde os legisladores tornam apopulação honesta imponto leis que dizem que se deve agir de uma maneira certa.mas quando nos comparamos com a justiça e a felicidade sempre louvamos aquela. Livro 2 A virtude intelectual é adquirida com o tempo. deve estudar a alma. e elas são divididas em intelectuais (como a compreensão ou a sabedoria filosófica) ou morais(como a liberdade ou temperança). um exemplo de como isso acontece é o das cidades-estados. assim com um oftalmologista deve também ter um conhecimento geral de todo o corpo para entender o funcionamento dos olhos. O político é o estudioso davirtude e para conhece-la como atividade da alma.A felicidade é uma vitude e portanto para entender aquela devemos estudar esta. nós os colocamos como algo que esta acima de nós. É representado pela letra maiúscula N. nesta visão umhomem de atitudes nobres nunca se tornará um homem infeliz por nunca ter tomado atitudes não nobres ou ignóbeisassim como também a felicidade ou os infortúnios dos amigos e decendentes deste homem antes e depois da morte nãosão capazes de tirar a felicidade de quem a tem ou da-la pra quem nunca a teve. mas sim a capacidade de recebe-las e esta se aperfeiçoa pelo hábito. pois anatureza não nos dá virtudes.

2. …} .6.10.5. São representados pela letra Z: Z = {… -4.N = {0.9.2. 3. 2.11. É representado por Z+: Z+ = {0. 0. 4.6. …} N* = {1.4.5.7.4.5.3.10. …} Conjunto dos Números Inteiros São todos os números que pertencem ao conjunto dos Naturais mais os seus respectivos opostos (negativos).1.2.7.8. Logo percebemos que este conjunto é igual ao conjunto dos números naturais.4. -3. -1.8. 1. …} O conjunto dos inteiros possui alguns subconjuntos.3.Inteiros não negativos São todos os números inteiros que não são negativos.6.3. eles são: .1.9. -2.

É representado por Z-: Z. 4.Inteiros não negativos e não-nulos É o conjunto Z+ excluindo o zero.Inteiros não positivos São todos os números inteiros que não são positivos.= {…. -1. 3. -3. Representa-se por Z*-. -1} Conjunto dos Números Racionais . 5. -4. -2. 7. 6. 2. -3. -5. …} Z*+ = N* . Z*. -2.excluindo o zero.. 0} . Representa-se esse subconjunto por Z*+: Z*+ = {1.Inteiros não positivos e não nulos São todos os números do conjunto Z.= {… -4.

números decimais finitos (por exemplo.14159265 …. como ―12. são também conhecidas como dízimas periódicas.4142135 …) Conjunto dos Números Reais É formado por todos os conjuntos citados anteriormente (união do conjunto dos racionais com os irracionais). Atualmente. .050505…‖. Os racionais são representados pela letra Q. supercomputadores já conseguiram calcular bilhões de casas decimais para o PI. como a raiz quadrada de 2 (1. Conjunto dos Números Irracionais É formado pelos números decimais infinitos nãoperiódicos. que vale 3. 743. Também são irracionais todas as raízes não exatas.Os números racionais é um conjunto que engloba os números inteiros (Z). Um bom exemplo de número irracional é o número PI (resultado da divisão do perímetro de uma circunferência pelo seu diâmetro).8432) e os números decimais infinitos periódicos (que repete uma sequência de algarismos da parte decimal infinitamente).

em virtude de possuir o conhecimento e a compreensão dos princípios envolvidos no desempenho. o mesmo é dizer. bem como a ars latina referiam-se não só a uma habilidade. . a uma espécie de conhecimento técnico. Com o advento de uma sociedade mais laica e ligada ao pensamento filosófico. e a sua herança continuada pelos diversos períodos político-culturais da Roma Antiga. os artistas tiveram que buscar uma solução que ligasse o divino (pois a arte ainda era encomendada para representar deuses e motivos religiosos) ao humano (novo campo de interesse ligado à política democrática da pólis e de pensadores como os sofistas e os filósofos. até se tornar uma competência especial na produção de um objecto. ao desempenho de uma tarefa. A CULTURA CLÁSSICA A arte e cultura clássicas.Representado pela letra R. o estilo clássico veio substituir o arcaico. Sempre associada ao trabalho dos artesãos. construíram uma estética naturalista mas idealizada. constituem o estilo artístico e cultura predominantes na Grécia Antiga entre os séculos VI e IV a. a composição musical e a poesia não faziam parte da arte. Fídias foi um grande expoente da arte do período. Na Antiguidade greco-romana não se vislumbrava qualquer diferenciação entre arte e técnica. como o Hermes e Dionísio de Praxíteles ou o Discóbolo. fazendo-o com uma espécie de perfeição ou estilo. mas sobretudo do bafejo de um talento pessoal. preocupados em compreender a relação entre o homem e o universo). Por não resultarem apenas de uma competência ou mestria obtidas por aprendizagem. a um saber fazer. à profissão.C. Nesse contexto. que era baseado na tradição religiosa pré-democrática e que tinha por característica imagens geometrizadas e pouco naturalistas. Na Antiga Grécia. entre artista e artesão. mas também ao trabalho. a arte era susceptível de ser aprendida e aperfeiçoada. Predominaram na época os nus masculinos e a representação de atletas. A teknê grega. era emocionalista. O técnico era aquele que executava um trabalho. baseada em cânones que eram a média das características físicas das pessoas mais belas. muitas vezes denominadas como Antiguidade Clássica.

em Atenas. sociedade e organização política. a economia. mitologia romana) e a vivência cultural da vida quotidiana (costumes da Antiga Grécia. o Velho cita diversos exemplos de pinturas desse período. a historiografia — historiografia clássica — e a filosofia — filosofia grega). Recco* Especial para a Folha de S. mas Plínio. O mármore e o bronze eram os materiais preferidos. Chegaram à posteridade principalmente exemplares de escultura. Essa nova . desde o século 4º. Também formam parte da civilização clássica ou civilização greco-romana as demais manifestações da sua cultura. Paulo A sociedade medieval européia formou-se a partir de uma série de fatores. costumes da Antiga Roma). militar e religiosa. mas também todas as artes menores (estendendo-se por vezes a toda a cultura material). crenças (mitologia clássica — mitologia grega. e no âmbito da arte não apenas as denominadas belas artes. Os conceitos de arte e cultura clássicos incluem a literatura clássica ou greco-romana: as diversas formas da literatura grega e a literatura latina (como a poesia. o teatro. O período medieval Civilização bárbara forma a Europa Medieval Claudio B.supervisionando o entalhe das esculturas que adornavam o frontão do Partenon. e foi nessa época que foi criada a técnica de moldagem em bronze chamada cera perdida.

Os povos bárbaros migraram do norte da Europa e. todos os que não viviam sob suas leis e dentro de suas instituições eram bárbaros. reuniu elementos característicos do Império Romano e outros originários dos povos "bárbaros". apoiando-se no escravismo e nas conquistas militares. Esse processo é conhecido como "invasões bárbaras". passaram a ocupar terras dentro das fronteiras romanas.sociedade. e permitiu a formação do "sistema de colonato". pois esse movimento migratório dos povos germânicos não se utilizou necessariamente da violência. denominada feudal. caracterizado pela fixação do homem à terra. a partir do século 3º. Para o romano. A ocupação de terras por parte dos bárbaros agravou a crise do Império. envolvendo praticamente todos os territórios ao redor do Mediterrâneo. invasão é um termo que gera confusão. Os romanos construíram uma grande civilização ao longo de séculos. acentuando a ruralização. preso a .

envolvendo aqueles que conservam o valor guerreiro. a prática de doação de terras tendeu a desenvolver-se. fortalecendo os laços entre os proprietários _suseranos e vassalos. . Da Roma "civilizada" encontramos o cristianismo como a contribuição mais importante para o mundo feudal. Outras várias características foram decisivas na organização desse novo modo de produção. Uma igreja hierarquizada.obrigações. No mesmo período. encontramos as relações sociais baseadas em laços de fidelidade. nas quais vale a palavra e a honra. justificadora e mantenedora da ordem segundo uma visão dogmática do mundo. outras de origem bárbara. que passou a monopolizar a cultura e formou a ideologia dominante. Do germânico "bárbaro". Eis os embriões da organização socioeconômica medieval. algumas de origem romana. outros rezam e outros combatem". em que "alguns trabalham.

a Igreja foi difundindo o cristianismo entre os povos bárbaros. diante da fragmentação política da sociedade feudal. arcebispos etc. Você se lembra de outros exemplos? A IGREJA MEDIEVAL Igreja Católica Em meio à desorganização administrativa. franciscanos. enquanto preservava muitos elementos da cultura greco-romana. bispos. econômica e social produzida pelas invasões germânicas e ao esfacelamento do Império Romano. com sede em Roma. as noções de civilizado e de bárbaro estão envoltas em preconceitos e não só refletem uma visão maniqueísta da sociedade como possuem uma função ideológica. hierarquizado em padres. que obedecia às regras de sua ordem religiosa: veneditinos. Valendo-se de sua crescente influência religiosa. conseguiu manter-se como instituição.. que reforça o discurso dominante. servindo como instrumento de unificação. praticamente apenas a Igreja Católica. e clero regular (aqueles que viviam nos mosteiros). em vários momentos da história. Mundo e Mosteiros Os sacerdotes da Igreja dividiam-se em duas grandes categorias: clero secular (aqueles que viviam no mundo fora dos mosteiros). Consolidando sua estrutura religiosa. carmelitas e agostinianos. .Perceba que. a Igreja passou a exercer importante papel em diversos setores da vida medieval. dominicanos.

em grande parte. As raízes desse conflito remontam a meados do século X. desde 756. Fundou bispados e abadias. Durante esse período. no século XI. mas em fins do século VI ela acabou se firmando. com isso. Henrique IV. quando o imperador Oto I. Os bispos . perdendo sua autoridade espiritual. passou a exercer total controle sobre as ações do papa. Nem sempre a autoridade do papa era aceitar por todos os membros da Igreja. ao papa ou ao imperador. istoé. nomeou seus titulares e. dos francos. considerado sucessor do apóstolo Pedro. O Poder Temporal da Igreja Além da autoridade religiosa. uma grande "senhora feudal" numa época em que a terra constituía a base de riqueza da sociedade. Calcula-se que a Igreja Católica tenha chegado a controlar um terço das terras cultiváveis da Europa Ocidental. portanto. à atuação do papa Gregório Magno. em troca da proteção que concedia ao Estado da Igreja. O poder temporal da Igreja levou o papa a envolver-se em diversos conflitos políticos com monarquias medievais. o poder advindo da riqueza que acumulara com as grandes doações de terras feitas pelos fiéis em troca da possível recompensa do céu. a Igreja foi contaminada por um clima crescente de corrupção. O papa. o Estado da Igreja. Exemplo marcante desses conflitos é a Questão da Investiduras. quando se chocaram o papa Gregório VII e o imperador do Sacro Império Romano Germânico. iniciou um processo de intervenção política nos assuntos da Igreja a fim de fortalecer seus poderes. A Questão das Investiduras e o Movimento Reformista A Questão das Investiduras refere-se ao problema de a quem caberia o direito de nomear sacerdotes para os cargos eclesiásticos. Era. constituído por um território italiano doado pelo rei Pepino.No ponto mais alto da hierarquia eclesiática estava o papa. era o administrador político do Patrimônio de São Pedro. o papa contava também com o poder temporal da Igreja. afastando-se de sua missão religiosa e. As investiduras (nomeações) feitas pelo imperador só visavam os interesses locais. devido. do Sacro Império Romano Germânico. bispo de Roma.

As penas aplicadas a cada caso iam desde a confiscação de bens até a morte em fogueiras. em 1073. que se encarregavam da execução das sentenças. visando recuperar a autoridade moral da Igreja. Instituiu o celibato dos sacerdotes (proibição de casamento). Esse conflito foi resolvido somente em 1122. imperador do Sacro Império.e os padres nomeados colocavam o compromisso assumindo com o soberano acima da fidelidade ao papa. antigo monge daquela ordem reformista. assinada pelo papa Calixto III e pelo imperador Henrique V. Para combater essas heresias. Eleito papa. cuja missão era descobrir e julgar os heréticos. Desenvolveuse. liderado pela Ordem Religiosa de Cluny. Tribunais da Inquisição Nos diversos países cristãos. excomungou Henrique IV. Os condenados pela inquisição eram entregues às autoridades administrativas do Estado. culminando com a eleição. Gregório VII. em resposta. um conflito aberto entre o poder temporal do imperador e o poder espiritual do papa. os tribunais da Inquisição. As Fases do Processo . Henrique IV. pela Concordata de Worms. então. crenças e supertições. que se chocavam com os dogmas da Igreja. o papa Gregório IX criou. Adotou-se uma solução de meio termo: caberia ao papa a investidura espiritual dos bispos (representada pelo báculo). do papa Gregório VII. em 1075. o bispo deveria jurar fidelidade ao impérador. Gregório VII tomou uma série de medidas que julgou necessárias para recuperar a moral da Igreja. reagiu furiosamente à atitude do papa e considerou-o deposto. denominadas heresias. antes de assumir a posse da terra de um bispado. No século XI surgiu um movimento reformista. em 1231. Os ideais dos monges de Cluny foram ganhando força dentro da Igreja. e poribiu que o imperador investisse sacerdotes em cargos eclesiásticos. Havia uma série de doutrinas. isto é. nem sempre a fé popular manifestava-se nos termos exatos pretendidos pela doutrina católica. em 1074.

O processo inquisitorial cumpria basicamente as seguintes etapas: o tempo de graça, o interrogatório e a sentença.

Tempo de Graça

Ao chegar às aldeias e às cidades, os inquisidores solicitavam a todos os acusados de heresia que se apresentassem espontaneamente aos juízes. Era então estabelecido o tempo de graça, que poderia ser de 15 dias a um mês.

O herético que se apresentasse, durante esse período, para confessar seu erro era tratado com certa misericórdia, recebendo geralmente penas leves, a critério do juiz. Terminando o tempo de graça, porém, os juízes do tribunal tornavam-se implacáveis, perseguindo duramente os suspeitos.

Interrogatório

Perante o tribunal, os acusados de heresia eram longamente interrogados pelos os juízes, que faziam de tudo para que o réu confessasse o crime. Caso o réu se recusasse a confessar, podia ser submetido a diversas formas de violência e tortura, como chicotadas, queimaduras com brasas etc.

O manual dos inquisidores, espécie de guia prático do ofício inquisitorial, escrito em 1376 pelo dominicano espanhol Nicolau Eymerich (depois revisto e atualizado, em 1578, por Francisco de La Penã), diz que:

A finalidade da tortura é obrigar o suspeito a confessar a culpa que cala. Pode-se qualificar de sanguinários todos esses juízes de hoje, que recorrem tão facilmente à tortura, sem tentar, através de outros meios, completar a investigação. Esses juízes sanguinários impõem torturas a tal ponto que matam os réus, ou os deixam com membros fraturados, doentes sempre.

O inquisidor deve ter em mente que: o acusado deve ser torturado de tal forma que sai saudável para ser liberado ou para ser executado.

Setença

Arrancada a confissão do réu, os inquisitores proferiam a sentença em uma sessão pública denominada sermão geral. As sentenças previam três tipos básicos de penas: confiscação de bens, prisão e morte.

A maioria dos condenados à morte eram queimados vivos numa grande fogueira. Somente a alguns permitia-se o estrangulamento antes de serem lançados ao fogo.

A defesa dos interesses das classes dominantes

A ação dos tribunais da Inquisição estendeu-se por vários reinos cristão: Itália, França, Alemanha, Portugal e, especialmente, Espanha. Nesse último país, a Inquisição penetrou profundamente na vida social, possuindo uma gigantesca burocracia pública com cerca de vinte e cinco mil funcionários a serviço do movimento inquisitorial.

Pressionada pelas monarquias católicas, a Inquisição desempenhou um papel político e social, freando os movimentos contrários às classes dominantes e, dessa maneira, ultrapassando sua finalidade declarada de proceder ao mero combate às heresias religiosas

Cruzadas

Atendendo ao apelo do papa Urbano II, em 1095, foram organizadas na Europa expedições militares conhecidas como cruzadas, cujo objetivo oficial era conquistar os lugares sagrados do cristianismo (Jerusalém, por exemplo) que estavam em poder dos muçulmanos.

Entretanto, além da questão religiosa, outras causas motivaram as cruzadas: a mentalidade guerreira da nobreza feudal, canalizada pela Igreja contra inimigos externos do cristianismo (os muçulmanos); e o interesse econômico de dominar importantes cidades comerciais do Oriente.

De 1096 a 1270, a cristandade européia organizou oito cruzadas, tendo como bandeira promover guerra santa contra os infiéis muçulmanos.

As Conseqüências

As principais conseqüências do período das cruzadas foram:

Empobrecimento dos senhores feudais, que tiveram suas economias arrasadas com os esforços despendidos nas guerras;

Fortalecimento do poder real, à medida que os senhores feudais perdiam suas forças;

Reabertura do Mediterrâneo e conseqüente desenvolvimento do intercâmbio comercial entre a Europa e Oriente;

IDADE MODERNA Ao pensar em modernidade, muitas pessoas logo imaginam que estamos fazendo referência aos acontecimentos, instituições e formas de agir presente no Mundo Contemporâneo. De fato, esse termo se transformou em palavra fácil para muitos daqueles que tentam definir em uma única palavra o mundo que vivemos. Contudo, não podemos pensar que esse contexto mais dinâmico e mutante surgiu do nada, que não possua uma historicidade.

Entre os séculos XVI e XVIII, um volume extraordinário de transformações estabeleceu uma nova percepção de mundo, que ainda pulsa em nossos tempos. Encurtar distâncias, desvendar a natureza, lançar em mares nunca antes navegados foram apenas uma das poucas realizações que definem esse período

De fato. as percepções do tempo e do espaço. Nesse curto espaço de quase quatro séculos. Com . Tronos e parlamentos fizeram uma curiosa ciranda em apenas um piscar de olhos. se hoje tanto se fala em tecnologia e globalização. Além disso. antes tão extensas e progressivas. O advento das Grandes Navegações. bem como experimentaram as várias revoluções liberais defensoras da divisão do poder político e da ampliação dos meios de intervenção política. não podemos refutar a ligação intrínseca entre esses dois fenômenos e a Idade Moderna. ganharam uma sensação mais intensa e volátil. além de contribuir para o acúmulo de capitais na Europa. O processo de formação das monarquias nacionais pode ser um dos mais interessantes exemplos que nos revela tal feição.histórico. também foi importante para que a dinâmica de um comércio de natureza intercontinental viesse a acontecer. os reis europeus assistiram a consumação de seu poder hegemônico.

Em um primeiro olhar. Aquele mesmo que parece ser tão volátil nesse instigante período histórico.isso. se reconfiguram. Apesar disso. dialogando com eventos mais específicos. Em pouco tempo. Basta contar com um pouco do tempo. a mentalidade econômica de empresários. é possível balizar as medidas que fazem essa ponte entre os tempos contemporâneo e moderno. as ações econômicas tomadas em um lugar passariam a repercutir em outras parcelas do planeta. logo em seguida. consumidores. operários e patrões fixaram mudanças que são sentidas até nos dias de hoje. Não por acaso. o espírito investigativo dos cientistas e filósofos iluministas catapultou a busca pelo conhecimento em patamares nunca antes observados. . o desenvolvimento de novas máquinas e instrumentos desenvolveram em território britânico o advento da Revolução Industrial.. No século XVIII.. a Idade Moderna pode parecer um tanto confusa por conta da fluidez dos vários fatos históricos que se afixam e.

Jean Bodin > Texto "A doutrina da soberania do Estado".3. Jacques Bossuet > Obra "A política inspirada nas Sagradas Escrituras". suprimindo. pois o murmúrio era um passo para a sedição/revolta. 1. no reinado D. 2. e Felipe II. uma fé." XXX Resposta: 1. Afirma a doutrina do "absolutismo de direito divino" e qoe o trono não é lugar do homem e sim do próprio Deus. o descobrimento do Brasil e o monopólio das especiarias orientais levaram ao ponto mais alto o absolutismo português. Thomas Hobbes > Livro "Leviatã". 2.1. Deve-se obedecer ao rei sem murmurar. 1. > Obra "Tratado do direito da paz e da guerra". FORMAS DO ABSOLUTISMO (durante o seu apogeu) 2. pois havia o . Hugo Grotius (É um dos fundadores do Direito Internacional). Portugal: Dinastia de Avis.MODELOS DO ABSOLUTISMO 1. Sua autoridade despótica tinha origem não em uma escolha divina e sim nos poderes absolutos que o povo lhe havia conferido.4. 2.2. o controle da rota marítima para as Índias. o Venturoso. nos reinados de Carlos V. cita que o rei era a expressão do Estado e o detentor da soberania. O absolutismo inglês era disfarçado. 1.1. e foi resultado das navegações espanholas e do encontro entre europeus e ameríndios (outrora chamado de descoberta do Novo Mundo ou América). onde afirma que a ordem interna da sociedade só poderia se preservada pelo Estado através da autoridade ilimitada do soberano. O périplo africano. logo o rei vê de mais longe e mais alto. neste texto ele cita que a autoridade do rei era reconhecida por Deus.3. suprimindo a independência dos feudos e submetendo a nobreza. Manuel I. promover a unificação territorial do país." "Absolutismo: um rei. impor obediência a sua população e dar proteção à burguesia. nos reinados. Inglaterra: o auge do absolutismo inglês ocorre durante a dinastia Tudor. uma lei.ABSOLUTISMO Antes de explicar eu vou refrescar a memória: "Só a força e a autoridade de uma monarquia centralizada poderiam.2 Espanha: o apogeu ocorre no século XVI com a dinastia Habsburgo. que chegara ao poder após a Guerra das Duas Rosas. cabendo aos súditos apenas a obediência passiva.

peixes. surgiram novas técnicas de produção. Essas técnicas fizeram com que a mão-de-obra daquela época migrasse da agricultura para outras funções. O RENASCIMENTO NA EUROPA O Renascimento do Comércio na Europa Com o sistema feudal em decadência. e a fundação da Virgínia . foram estabelecidas também. rotas comerciais. que devido a sua posição geográfica privilegiada.fortaleceram a imagem do rei 2. Flandres e Frankfurt. uma associação comercial de mais de 80 cidades. Nessas rotas. grandes feiras eram estabelecidas. Autores: Leonal Mello & Luís Costa. essa associação comercial comercializava principalmente. As principais cidades da rota comercial européia eram Veneza e Gênova. a personificação mais perfeita do monarca absoluto. o florescimento das cidades. como a da região de Champagne. O renascimento comercial da Europa Ocidental fez com que a circulação de dinheiro e a economia das regiões crescessem. tornaram-se grandes centros urbanos e comerciais. foi precedida dos "grandes cardeais". iniciada por Richelieu e concluída por Mazarino. Com a expansão comercial em toda a Europa Ocidental. França: Dinastia Bourbon. o comércio foi ressurgindo em vários lugares da Europa Ocidental. a política naval e colonial e a destruição da Armada espanhola. as melhorias na pirataria inglesa. tecidos. Luís XIV . A região de Flandres também era outro importante centro comercial. Assim. . o comércio era controlado pela Liga Hanseática. cereais.4. A criação do anglicanismo (ruptura com o catolicismo).primeira colônia inglesa na América do norte .parlamento. Fonte(s): Livro de História Moderna e Contemporânea.o Rei Sol .. como artesanato e comércio. passando pela França. Na região norte da Europa. ferro e cobre. madeira. Com sede em Lübeck. que se destacava pelos seus produtos de lã. ocasionando também. sendo que a principal liga as cidades da Itália à Flandres.

todavia. Geograficamente. desenvolvendo indelevelmente a indústria do país e dinamizando o comércio. As estimativas e cálculos orçamentais. principalmente no caso espanhol.e manufaturas para prover os cofres nacionais de ouro. que promoveu ao máximo as exportações de produtos agícolas . dando ênfase ao primado da civilização material. para prover os cofres nacionais de receitas capazes de suportar os elevados encargos do aparelho do Estado. principalmente o colonial. Nas monarquias ibéricas. regiões às quais o mercantilismo dará uma atenção cada vez maior.O mercantilismo traduz também a relação cada vez mais estreita da economia à política. do nacionalismo económico. são cada vez mais comuns nos estados europeus. introduzidas pelas diretrizes mercantilistas de controlo e organização da atividade económica. na proteção e transporte dos metais preciosos oriundos das minas americanas. o mercantilismo confunde-se com a figura daquele estadista. Algumas das medidas assentavam no desenvolvimento de infraestruturas no país. cada vez mais pesado e oneroso. agora centralizada. nomeadamente para pagamento das avultadas e caras importações de que dependiam. na criação de mercados exteriores para os produtos nacionais. destaca-se na França de Jean-Baptiste Colbert.ultrapassando o conceito de susbsistência até então dominante na agricultura . o mercantilismo associa-se. Outra importante forma de impedir a entrada de importações e consequente saída de divisas era a proteção aduaneira (taxas alfandegárias). dominando os mares. das comunicações aos portos. com particular incidência neste último. relação entre o valor das exportações e o das importações. não evitando. basicamente. de controlo e estímulo da atividade económica. pois a sua atividade produtiva nunca fora alvo de incentivos. bem como a contabilidade atualizada. facilitado pela capacidade de transporte e intercâmbio de produtos que aqueles países detinham. Esta corrente de pensamento económico defendia uma organização e regulamentação da atividade produtiva e comercial como forma de se conseguir construir um aparelho económico capaz de conduzir os países à desejada acumulação de riquezas. a sua saída para o estrangeiro. Há também uma remodelação do funcionalismo e uma maior fiscalização. o mercantilismo tinha um matiz muito mais comercial. estrutura basilar da nação e sua maior fonte de riqueza e prestígio. Com o mercantilismo. aparece pela primeira vez o conceito de balança comercial. a uma conceção política de construção de um estado forte e poderoso no conjunto das nações. sobretudo. Neste país.Historicamente. .O IDEÁRIO MERCANTILISTA Diferente de país para país. o mercantilismo teve implantação nos séculos XVI e XVIII. do intervencionismo e protecionismo estatais. as colónias na maior parte das vezes. Já em Inglaterra e na Holanda. o mercantilismo assentava. que visava principalmente os artigos de luxo ou os considerados improdutivos.

homens. foi o mais importante fator da expansão marítima dos europeus nos séculos XV e XVI. Num primeiro momento. Nos diversos países europeus e especialmente em Portugal. de certa forma mesclando as correntes francesa. principalmente no sentido do combate ao luxo e à ociosidade. de novos territórios para realizar comércio. Até o século XV. em pleno século XX. surgiram também medidas e práticas mercantilistas. a figura do marquês de Pombal como símbolo do mercantilismo português. o ideário mercantilista não sucumbiu com a indústria. pelo grande economista inglês John M. os europeus realizavam trocas no Oriente Médio e no Norte da África. dando lugar ao liberalismo económico anunciado no fisiocratismo . coube ao Estado reunir capitais. no século XVIII. o ―Mar Tenebroso‖ (Oceano Atlântico) colocou-se como a única alternativa para a expansão do comércio europeu. liderada pelos portugueses durante o século XV. De qualquer modo. Portugal deu reduzida importância à nova terra. Keynes (1883-1946) na sua teoria económica. pois encontravase totalmente voltado para o comércio com a Ásia. e a estreiteza desses mercados foi colocada em evidência durante a crise do século XIV. o fim do mercantilismo como corrente de pensamento económico no poder. ou seja. A EXPANSÃO MARÍTIMA A descoberta do Brasil foi o resultado do desenvolvimento econômico da Europa nos fins da Idade Média. navios. que aliás influenciou largamente o New Deal que permitiu sair da Grande Depressão. armas e suprimentos.Em Portugal. pois algumas das suas matrizes e linhas essenciais foram retomadas. e da expansão marítima. sistemas com muito maior poder de resposta às tendências da economia que se avizinhavam com a industrialização crescente. contudo. Destacando-se. Ásia e finalmente a chegada ao continente .O século XVIII marca. outra faceta do mercantilismo europeu. os recursos para realizar as navegações oceânicas que possibilitaram o comércio com a Áfricà. a abertura das rotas atlânticas apresentava imensas dificuldades. da valorização e fomento da produção nacional e incremento do comércio através das companhias de monopólio. Principalmente depois do recuo da expansão cruzadista no Oriente Médio e do avanço turco naquela região.e no desenvolvimento do capitalismo. No entanto. tornando-se quase impossível a empresas particulares isoladas. espanhola e inglesa. Razões do expansionismo português A procura de mercados.

Uma saída para esta nobreza foi dedicar-se cada vez mais a guerras. Era uma cidade muito importante por ser base de piratas muçulmanos que atuavam no Mediterrâneo. No caso português. uma vez realizado. os desejos de realizar saques e tomar terras por parte dos nobres portugueses foram freqüentemente disfarçados com o espírito de cruzada. Um primeiro objetivo: Ceuta Situada em frente ao Estreito Gibraltar. Um outro fator fundamental para as grandes navegações foi o grande progresso técnicocientífico da época. enquanto os grandes senhores queriam terras e o produto dos saques. o êxodo para a beira-mar tornou constante a falta de mão-de-obra no campo. Em Portugal e em várias nações européias. reunindo grandes recursos e esperanças. impostos e coordenando as atividades dos comerciantes através da política mercantilista. no início do século XV. fortaleceu ainda mais o poder real. um tipo de prática que teve um bom exemplo na Escola de Sagres. Nobres e burgueses uniram-se no expansionismo. em detalhes. ponto final de rotas transaarianas que traziam ouro e produtos orientais do Egito e do Sudão. ainda que entre as duas classes existissem divergências quanto aos objetivos finais: os mercadores desejavam fazer comércio. a crise da agricultura e a decadência econômica dos nobres. um outro fator de grande importância na expansão foi a crise ―do feudalismo. foi o primeiro grande passo da aventura expansionista portuguesa. os portugueses tomaram Ceuta. O pretexto de combater pela cruz ajudou a impulsionar inúmeras conquistas de territórios mouros e africanos. e um grande centro comercial do Marrocos. Ceuta era importante centro muçulmano no Norte da Africae. Esta reunião de meios materiais o Estado realizou coletando empréstimos. visando a tomada de novas terras e possíveis pilhagens. o processo de expansão que. ali realizando uma rica pilhagem no momento da conquista. No ano de 1415. astronomia e construção naval. o Estado encontrava-se fortalecido desde antes do século XV e pôde investir capitais e controlar. Mas as frustrações não . A belicosidade. Depois da Revolução de 1383 os reis agricultores da primeira dinastia (Borgonha) cederam lugar aos reis mercadores. Tal progresso resultou do emprego de recursos crescentes no campo da técnica e da ciência por parte dos reis e dos comerciantes. especialmente nos campos da matemática. caso de Portugal.amerícano.

Trabalhadores urbanos. Um pensamento baseado na ciência e na busca da verdade através de experiências e da razão. em plena expansão no século XVI. desde o final da Idade Média. começaram a discutir e a pensar sobre as coisas do mundo. A Reforma Luterana . deixavam a população insatisfeita. Por outro lado. eram vistos como práticas condenáveis pelos religiosos. Os conquistadores não conseguiram ir além dos limites da cidade. Ao mesmo tempo. As caravanas com ouro e produtos orientais foram desviadas e a região esvaziou-se‘ economicamente. o papa arrecadava dinheiro para a construção da basílica de São Pedro em Roma. Podemos destacar como causas dessas reformas : abusos cometidos pela Igreja Católica e uma mudança na visão de mundo. principalmente o que diz respeito ao celibato. perdendo sua identidade. Gastos com luxo e preocupações materiais estavam tirando o objetivo católico dos trilhos. A Igreja Católica vinha. fruto do pensamento renascentista. O homem renascentista. com a venda das indulgências (venda do perdão). estava cada vez mais inconformada. pois este interferia muito nos comandos que eram próprios da realeza. os reis estavam descontentes com o papa. No campo político.tardaram. com mais acesso a livros. O novo pensamento renascentista também fazia oposição aos preceitos da Igreja. típicos de um capitalismo emergente. a manutenção militar do domínio português implicava crescentes despesas. começava a ler mais e formar uma opinião cada vez mais crítica. Muitos elementos do clero estavam desrespeitando as regras religiosas. nela permanecendo ilhados pelos mouros permanentemente hostis. pois os clérigos católicos estavam condenando seu trabalho. Padres que mal sabiam rezar uma missa e comandar os rituais. O lucro e os juros. REFORMA PROTESTANTE E A NÃO REFORMA Motivos O processo de reformas religiosas teve início no século XVI. A burguesia comercial.

condenou o culto à imagens e revogou o celibato. o rei Henrique VIII rompeu com o papado. A Reforma Anglicana Na Inglaterra. No Concílio de Trento ficou definido : . a salvação do homem ocorria pelos atos praticados em vida e pela fé. convocada pelo imperador Carlos V. Lutero não so defendeu suas teses como mostrou a necessidade da reforma da Igreja Católica. A Reforma Calvinista João Calvino: reforma na França Na França. . João Calvino começou a Reforma Luterana no ano de 1534. De acordo com Calvino a salvação da alma ocorria pelo trabalho justo e honesto. após este se recusar a cancelar o casamento do rei. A Contra-Reforma Católica Preocupados com os avanços do protestantismo e com a perda de fiéis. já que retirou da Igreja Católica uma grande quantidade de terras. Martinho Lutero foi convocado as desmentir as suas 95 teses na Dieta de Worms. Em 16 de abril de 1521.O monge alemão Martinho Lutero foi um dos primeiros a contestar fortemente os dogmas da Igreja Católica. Henrique VIII funda o anglicanismo e aumenta seu poder e suas posses. Embora tenha sido contrário ao comércio. De acordo com Lutero. As 95 teses de Martinho Lutero condenava a venda de indulgências e propunha a fundação do luteranismo ( religião luterana ). Em suas teses. através da ação dos jesuítas.Catequização dos habitantes de terras descobertas. atraiu muitos burgueses e banqueiros para o calvinismo. Muitos trabalhadores também viram nesta nova religião uma forma de ficar em paz com sua religiosidade. Calvino também defendeu a idéia da predestinação (a pessoa nasce com sua vida definida). bispos e papas reúnem-se na cidade italiana de Trento (Concílio de Trento) com o objetivo de traçar um plano de reação. Essa idéia calvinista. Afixou na porta da Igreja de Wittenberg as 95 teses que criticavam vários pontos da doutrina católica. teve grande apoio dos reis e príncipes da época.

frutos do radicalismo. o rei mandou assassinar milhares de calvinistas na chamada Noite de São Bartolomeu. Carlos G. nos três primeiros séculos. São Paulo. por exemplo. pp. os problemas e os mecanismos de conjunto que agitaram a política imperial lusitana. inaugurada com a ocupação e utilização das ilhas atlânticas. Difusão Européia do Livro. colocou católicos e protestantes em guerra por motivos puramente religiosos. A Guerra dos Trinta Anos (1618-1648). tentando marcar a posição do Brasil nesse contexto. Parte integrante do império ultramarino português. A atividade colonizadora dos povos europeus na época moderna. e se encaminharam os problemas políticos de que esta região foi o teatro. em todo o largo período da sua formação colonial. Por outro lado. In: Brasil em Perspectiva (org. está intimamente ligada à da expansão comercial e colonial européia na época moderna. e logo desenvolvida em larga escala com o povoamento e valorização econômica da América.52 A História do Brasil. desta forma. distingue-se da empresa de exploração . Na França. é na história do sistema geral de colonização européia moderna que devemos procurar o esquema de determinações dentro do qual se processou a organização da vida econômica e social do Brasil na primeira fase de sua história.Criação do Index Librorium Proibitorium (Índice de Livros Proibidos): evitar a propagação de idéias contrárias à Igreja Católica. em busca do equilíbrio europeu. Procuraremos sintetizar as linhas mestras do sistema colonial da época mercantilista. 1971. Fernando A.. O BRASIL E A AMERICA NOS QUADROS DO SISTEMA COLONIAL EUROPEU O Brasil nos quadros do antigo sistema colonial O Brasil nos quadros do antigo sistema colonial Novais.Inquisição : punir e condenar os acusados de heresias . Intolerância Em muitos países europeus as minorias religiosas foram perseguidas e muitas guerras religiosas ocorreram. a história da expansão ultramarina e da exploração colonial portuguesa se desenrola no amplo quadro da competição entre as várias potências.Retomada do Tribunal do Santo Ofício . o Brasil-colônia refletiu. 47 . Bota).

em primeiro lugar. revelavam-se incapazes do propiciar a acumulação de meios indispensáveis ao empreendimento.. dado seu caráter embrionário. o caráter de exploração comercial não é abandonado pela empresa ultramarina européia.. a colonização se insere no processo de superação das barreiras que se antepuseram.. e ao fortalecimento das camadas urbanas e burguesas. o grau muito elevado de risco da empresa. desencadeando um conjunto de tensões. ] Devemos reter aqui apenas os elementos indispensáveis para a compreensão da história do sistema colonial. podese dizer que nos entrepostos africanos e asiáticos a atividade econômica dos europeus (pelo menos nesta primeira fase) se circunscreve nos limites da circulação das mercadorias. quando ela se desdobra na atividade mais complexa da colonização.comercial que desde o século XV já vinham realizando os portugueses nos numerosos entrepostos do litoral atlântico-africano e no mundo indiano. pois. Em outras palavras. vigorosamente consolidado a partir do século XI. como um desdobramento da expansão marítimo-comercial européia que assinala a abertura dos Tempos Modernos [. cumpre acrescentar logo em seguida que. Realmente. Desta forma.. implicavam em dificuldades técnicas (navegação do Mar Oceano) e econômicas (o alto custo de investimentos. no final do período. a empresa colonial é mais complexa. cumpre destacar a conexão que vincula os dois processos paralelos de expansão mercantil e a formação de Estados de tipo moderno. se é possível e mesmo útil estabelecer a distinção. no processo histórico concreto as duas formas não são sucessivas. ] Como desdobramento da expansão comercial. sobretudo a partir do século XIV. mas coexistentes. o . por seu turno. Contudo. a abertura de novas rotas. ao mesmo tempo para as mudanças na organização política européia e para a abertura de novas rotas e conquistas de maiores mercados [. esse caráter de exploração mercantil marca profundamente o tipo de vida econômica que se organizará nas áreas coloniais. envolvendo povoamento europeu. organizado em função desse movimento. Efetivamente. Com efeito. e mais. intensificara o ritmo das atividades econômicas no curso de toda a segunda Idade Média. entretanto. através das quais se criam condições. uma série de fatores internos e externos põem em xeque a possibilidade de se prosseguir na linha de desenvolvimento econômico. o renascimento do comércio. organização de uma economia complementar voltada para o mercado metropolitano. o que exigia larga mobilização do recursos. Pelo contrário. Para tanto. a colonização promoverá a intervenção direta dos empresários europeus no âmbito da produção. A colonização da época moderna se apresenta. as formas de organização empresarial então existentes. no fim da Idade Mordia. ao desenvolvimento da economia mercantil. a fim de superar os entraves derivados do monopólio das importações orientais pelos venezianos e muçulmanos e a escassez do metal nobre.

transferem-se rendas da massa da população metropolitana (bem como dos produtores coloniais) para a burguesia mercantil. postulando um certo grau de centralização do poder para tornar-se realizável. como resultado do esforço econômico coordenado pelos novos Estados modernos. fortalece-se reversivamente o Estado colonizador. capaz de mobilizar recursos em escala nacional. que lhes dão sentido. uns após outros abrindo caminho no ultramar e participando da exploração colonial: Portugal. da qual foi um desdobramento. na metrópole ou alhures a preço de mercado. e se lançam à elaboração de seus respectivos impérios coloniais.Estado centralizado. os produtos . É emoldurada no complicado quadro dessas tensões que se desenrola a história da colonização e do sistema colonial [. a burguesia mercantil metropolitana pode forçar a baixa dos seus preços até o mínimo além do qual se tornaria antieconômica a produção. respondem aos estímulos que lhes deram origem que formam a sua razão de ser. do século XV ao XVII realizam sucessivamente a transição para a forma moderna de Estado. Países-Baixos. Temos assim os dois elementos essenciais à compreensão do modo de organização e dos mecanismos de funcionamento do antigo Sistema Colonial: como instrução de expansão da economia mercantil européia. a expansão marítima. Na medida em que os velhos reinos medievais se organizam em Estados do tipo moderno.. O monopólio do comércio das colônias pela metrópole define o sistema colonial porque é através dele que as colônias preenchem a sua função histórica. tornou-se um prérequisito à expansão ultramarina. e os problemas tradicionais da velha Europa se complicam com novos atritos pela partilha do mundo colonial. em fator essencial do poder do Estado metropolitano. constitui-se. em face das condições desta nos fins da Idade Média e início da Época Moderna. toda atividade econômica colonial se orientará segundo os interesses da burguesia comercial da Europa. ] incorporou da expansão comercial. agudizam-se as tensões políticas entre as várias potências. unificados e centralizados. reservando a si com exclusividade a aquisição dos produtos coloniais. enquanto se sucedem as hegemonias coloniais ou continentais.. Inglaterra. adquirindo a preço de mercado. Igualmente. apropriado pelos mercadores metropolitanos. a revenda. enfim. E realmente. por seu turno. se vendidos em outros países trata-se de ingresso externo. torna-se cada vez mais difícil. na própria metrópole ou no mercado europeu. Espanha. comercial e colonial. isto é. vão. o equilíbrio europeu. Em outras palavras. cria uma margem de lucros do monopólio apropriada pelos mercadores intermediários: se vendido no próprio mercado consumidor metropolitano os produtos coloniais. as colônias se constituem em instrumento de poder das respectivas metrópoles. quimera constante da diplomacia na época Moderna. por outro lado desencadeados os mecanismos de exploração comercial e colonial do ultramar. Paralelamente. França.

dando início ao capitalismo industrial. aos séculos XVII e XVIII. na Inglaterra. a igualdade e a felicidade entre os homens. e diante dos produtores coloniais e mesmo das demais camadas da população metropolitana. modificando totalmente as relações econômicas.de consumo colonial (produtos manufaturados sobretudo). . como na América do Norte. a Revolução Americana e a Revolução Francesa. que defendia a liberdade. época em que ocorreram diversas revoluções. assim como uma série de movimentos nativistas foi realizada na colônia portuguesa. precisamos retroceder no tempo. essa transferência corresponde às necessidades históricas de expansão da economia capitalista de mercado na etapa de sua formação. mais especificamente. o Iluminismo burguês – filosofia cultuada pelo racionalismo. Num e noutro sentido uma parte significativa da massa de renda real gerada pela produção da colônia é transferida pelo sistema de colonização para a metrópole e apropriada pela burguesia mercantil. a Europa era marcada pela ascendência da burguesia ao poder. tanto na Europa. o Estado real' a política burguesa. para que estas pudessem consumir os seus produtos. face às demais potências. Nesse período. Ao mesmo tempo. garantindo o funcionamento do sistema. sendo assim. abrindo novas fontes de tributação. e revendendo-os na colônia a preços monopolistas. e vivia-se o Século das Luzes. e simultaneamente se fortalece. A Revolução Industrial ocorreu por volta de 1760. contrário ao Antigo Regime. o grupo privilegiado se apropria mais uma vez de lucros extraordinários. além de fornecerem matérias-primas baratas. os industriais desejassem o fim das colônias. Esse pensamento iluminista contribuiu para que houvesse a Revolução Industrial. Estado centralizado e sistema colonial conjugam-se pois para acelerar a acumulação de capital comercial pela burguesia mercantil europeia CRISE NO SISTEMA COLONIAL PORTUGUES E ESPANHOL Crise do Sistema Colonial Por Tiago Soriano Para que possamos entender a crise no sistema colonial. de modo que.

o nobre neerlandês Guilherme.Com a Revolução Americana no ano de 1770. foi a primeira rejeição ao sistema colonial português. bem como entre os direitos seculares da coroa e os poderes políticos do Parlamento. e após longa guerra de independência contra a Metrópole – Inglaterra –. em 1798. na qual o rei Jaime II. da dinastia Stuart. A crise no sistema colonial decorreu pelo surgimento de novas ideias e pelas transformações econômicas e sociais. caracterizada pela ascensão da burguesia francesa ao poder. em 1789. católico. as Treze Colônias inglesas tornam-se independentes. devido aos abusos do fiscalismo português nas regiões auríferas – regiões que contém ouro – vários movimentos emancipacionistas foram realizados contra os colonos portugueses. Outra mudança política ocorrida foi a Revolução Francesa. Escócia e País de Gales. foram fatores que repercutiram nas colônias portuguesas. e que. foi removido do trono de Inglaterra. o sentimento de emancipação. declaram independência no ano de 1776. Jaime II tornou-se vítima da batalha política entre católicos e protestantes. e a Conspiração dos Suassunas. os colonos ingleses. Outros importantes movimentos emancipacionistas foram a Conjuração Baiana ou dos Alfaiates. Essas revoluções e principalmente a independência dos Estados Unidos da América. que teve lugar no Reino Unido em 1688-1689. das colônias de povoamento. as ideias iluministas. assim como. conhecido também como Guilherme de Orange Durante o seu reinado de oito anos. Um dos principais movimentos emancipacionistas foi a Inconfidência Mineira. Príncipe de Orange Guilherme III. em 1801. e. Maria II e pelo genro. REVOLUÇÃO GLORIOSA DA INGLATERRA A Revolução Gloriosa ɤ' foi uma revolução em grande parte não-violenta (por vezes chamada de "Revolução sem sangue"[1]). além do próprio desenvolvimento das colônias – resultado do investimento e das explorações realizadas pelos colonizadores –. . sendo substituído por sua filha. favorecendo definitivamente a quebra do antigo sistema colonial. apesar de seu caráter idealista. em 1789. gerando na população colonial.

a situação foi controlada. Vendo a hipótese de adicionar a Inglaterra à sua aliança. quando teve um filho.os tories. A questão degradou-se em 1688. com o título de Maria II tanto na Inglaterra como na Escócia. então em guerra com a França: a Guerra da Grande Aliança. onde Jaime usou os sentimentos católicos locais para tentar recuperar o trono em 1689-1690. liberais. como a criação de um exército permanente e sobretudo a tolerância religiosa.a primeira rebelião Jacobita . e os whigs. James Francis Edward Stuart. Foi lançada uma conspiração para depor Jaime e substituí-lo por sua filha Maria e seu marido Guilherme de Orange. uniram-se aos membros da oposição Whig e propuseram-se a resolver a crise. reuniu-se a convenção do parlamento. irmão e predecessor de Jaime. pelo que lhe foi permitido viajar para a França. conservadores. o que o limitava perante ambos os partidos do parlamento . Qualquer tentativa de reforma tentada por Jaime era vista como suspeita. Devon. e fortalecer seu poder. A revolta nas Highlands escocesas foi domada. O exército de Jaime. onde foi capturado. em 5 de Novembro de 1688 com um grande exército neerlandês. desertou. A memória da execução de Carlos I ainda estava viva.O principal problema de Jaime II era não ser protestante. comandado pelo futuro duque de Marlborough. Em 1689. ambos protestantes. Jaime II foi perdendo seu prestígio por algumas políticas consideradas indesejadas. Guilherme e Maria desembarcaram em Brixham. Maria. Até ali.um arranjo que eles aceitaram. e Jaime fugiu para Kent.e na Irlanda. também tivesse praticado a tolerância religiosa. e decidiu-se que a fuga de James equivalia à abdicação. o trono teria passado para a sua filha protestante. e Maria foi coroada como Rainha.[2][3] Desde Henrique VIII. ele era tão abertamente católico quanto Jaime II. Guilherme de Orange foi então coroado Rei. até aqui leais ao rei. como governadores conjuntos . procurando reconduzir o país para o catolicismo. A perspectiva de uma dinastia católica tornara-se então real. com o título de Guilherme III. os católicos eram discriminados. O trono foi oferecido a Guilherme e Maria. . em prejuízo do Parlamento. Líderes do partido Tory. Guilherme liderava a Holanda. Apesar de uma revolta em apoio a Jaime na Escócia . conhecido como the old pretender. Embora Carlos II.

A partir de então. mas muitas vezes um mesmo artesão cuidava de todo o processo.[4] O evento marcou a submissão da coroa ante o parlamento. grupos de artesãos podiam se organizar e dividir algumas etapas do processo. a máquina foi superando o trabalho humano. e Jaime foi expulso da Irlanda no seguimento da batalha de Boyne. uma nova relação entre capital e trabalho se impôs. Essa transformação foi possível devido a uma combinação de fatores. tais como o motor a vapor. da Bill of Rights (declaração de direitos). Iniciada no Reino Unido em meados do século XVIII. A aprovação. os novos monarcas devem a sua posição ao parlamento. O sucesso da Revolução Gloriosa veio sete anos depois do falhanço da Rebelião Monmouth em destituir o rei. desde a obtenção da matéria-prima até à comercialização do produto final. novas relações entre nações se estabeleceram e surgiu o fenômeno da cultura de massa. . tornou impossível o retorno de um católico à monarquia e acabou com as tentativas recentes de instauração do absolutismo monárquico nas ilhas britânicas. a acumulação de capital e uma série de invenções. a atividade produtiva era artesanal e manual (daí o termo manufatura). Ao longo do processo (que de acordo com alguns autores se registra até aos nossos dias). A Revolução Gloriosa foi um dos eventos mais importantes na longa evolução dos poderes do Parlamento do Reino Unido e da Coroa Britânica. pelo parlamento. como o liberalismo econômico. no máximo com o emprego de algumas máquinas simples. A EXPANSÃO E A INDUSTRIALIZAÇÃO EUROPEIA A Revolução Industrial consistiu em um conjunto de mudanças tecnológicas com profundo impacto no processo produtivo em nível econômico e social. a era da agricultura foi superada. Dependendo da escala. ao circunscrever os poderes do rei.apesar da vitória Jacobita na batalha de Killiecrankie. Antes da Revolução Industrial. O capitalismo tornou-se o sistema econômico vigente. expandiu-se pelo mundo a partir do século XIX. entre outros eventos. Esses trabalhos eram realizados em oficinas nas casas dos próprios artesãos e os profissionais da época dominavam muitas (se não todas) etapas do processo produtivo.

Escócia. Nos países fiéis ao catolicismo. integrou o conjunto das chamadas Revoluções Burguesas do século XVIII. Ao final do período. do produto final e do lucro. Durante a maior parte do período. Com a evolução do processo. no plano das Relações Internacionais. na passagem do capitalismo comercial para o industrial. Esse momento de passagem marca o ponto culminante de uma evolução tecnológica. A Revolução Industrial ocorreu primeiramente na Europa devido a três fatores: 1) os comerciantes e os mercadores europeus eram vistos como os principais manufaturadores e comerciantes do mundo. assinalam a transição da Idade Moderna para a Idade Contemporânea. com ênfase nos países onde a Reforma Protestante tinha conseguido destronar a influência da Igreja Católica: Inglaterra. a Revolução Industrial eclodiu. na eclosão. a Revolução Industrial. Suécia. mais tarde. causando diversos conflitos e um crescente espírito armamentista que culminou. uma vez que passaram a trabalhar para um patrão (na qualidade de empregados ou operários). De acordo com a teoria de Karl Marx.Com a Revolução Industrial os trabalhadores perderam o controle do processo produtivo. em geral. Para Marx. O trabalho realizado com as máquinas ficou conhecido por maquinofatura. responsáveis pela crise do Antigo Regime. da Primeira Guerra Mundial (1914). mais tarde. perdendo a posse da matéria-prima. iniciada na Grã-Bretanha. o trono britânico foi ocupado pela rainha Vitória (1837-1901). a África. tendo a Índia. detendo ainda a confiança e reciprocidade dos governantes quanto à manutenção da economia em seus estados. sob influência dos princípios iluministas. e num esforço declarado de copiar aquilo que se fazia nos países mais avançados tecnologicamente: os países protestantes. Países Baixos. econômica e social que vinha se processando na Europa desde a Baixa Idade Média. Esses trabalhadores passaram a controlar máquinas que pertenciam aos donos dos meios de produção os quais passaram a receber todos os lucros. Os outros dois movimentos que a acompanham são a Independência dos Estados Unidos e a Revolução Francesa que. a busca por novas áreas para colonizar e descarregar os produtos maciçamente produzidos pela Revolução Industrial produziu uma acirrada disputa entre as potências industrializadas. o capitalismo seria um produto da Revolução Industrial e não sua causa. de expansão colonialista e das primeiras lutas e conquistas dos trabalhadores. a América do Norte e a América do . 2) a existência de um mercado em expansão para seus produtos. um período de acelerado progresso econômico-tecnológico. razão pela qual é denominado como Era Vitoriana. o século XIX foi marcado pela hegemonia mundial britânica.

Um desses acordos foi o Tratado de Methuen. razão pela qual a entrada de novos competidores e a inovação tecnológica eram muito limitados. em 1703. adquirir matériasprimas e máquinas e contratar empregados. onde praticamente não existia progresso econômico. por meio do qual conseguiu taxas preferenciais para os seus produtos no mercado português. considerada um dos berços da Revolução Industrial. O processo de enriquecimento britânico adquiriu maior impulso após a Revolução Inglesa. celebrado com a decadência da monarquia absoluta portuguesa. já na China. A Grã-Bretanha firmou vários acordos comerciais vantajosos com outros países. Antes da liberalização econômica. O Reino Unido foi pioneiro no processo da Revolução Industrial por diversos fatores: Pela aplicação de uma política econômica liberal desde meados do século XVIII. Dispunham de mão-de-obra em abundância desde a Lei dos Cercamentos de Terras. que provocou o êxodo rural.[1] O pioneirismo do Reino Unido Coalbrookdale. e 3) o contínuo crescimento de sua população. que oferecia um mercado sempre crescente de bens manufaturados. A Grã-Bretanha possuía grandes reservas de ferro e de carvão mineral em seu subsolo. além de uma reserva adequada (e posteriormente excedente) de mão-deobra.Sul sido integradas ao esquema da expansão econômica européia. cidade britânica. Com a liberalização da indústria e do comércio ocorreu um enorme progresso tecnológico e um grande aumento da produtividade em um curto espaço de tempo. a taxa de juros era de cerca de 30% ao ano. Os trabalhadores dirigiram-se para os centros urbanos em busca de trabalho nas manufaturas. as atividades industriais e comerciais estavam cartelizadas pelo rígido sistema de guildas. A burguesia inglesa tinha capital suficiente para financiar as fábricas. Para ilustrar a relativa abundância do capital que existia na Inglaterra. pode se constatar que a taxa de juros no final do século XVIII era de cerca de 5% ao ano. que forneceu ao seu capitalismo a estabilidade que faltava para expandir os investimentos e ampliar os lucros. . principais matérias-primas utilizadas neste período.

o Estado é quem atrapalhava a liberdade dos indivíduos. E por que um açougueiro vende uma carne muito boa para uma pessoa que nunca viu antes? Porque deseja que ela se alimente bem ou porque está olhando para o lucro que terá com futuras vendas? Graças ao individualismo dele o freguês pode comprar boa carne. . Trabalham bem para poder garantir seu salário e emprego. se a cozinheira pensa no salário dela.O liberalismo de Adam Smith Adam Smith. cada empresário faria o que bem entendesse com seu capital. Ou seja. O pensador escocês Adam Smith procurou responder racionalmente às perguntas da época. Então. você saberia explicar quais os motivos dela? Será porque ama o seu patrão e quer vê-lo feliz ou porque está pensando. em primeiro lugar. seu individualismo será benéfico para ela e para seu patrão. E. como se houvesse uma "mão invisível" ajeitando tudo. têm que vender produtos bons e baratos. é ótimo para a sociedade. nela mesma ou no pagamento que receberá no final do mês? De qualquer maneira. As novidades da Revolução Industrial trouxeram muitas dúvidas. para Adam Smith. Para o autor escocês. para lucrar. Os investimentos e o comércio seriam totalmente liberados. a economia poderia crescer com vigor. o mercado funcionaria automaticamente. Do mesmo jeito. Seu livro A Riqueza das Nações (1776) é considerado uma das obras fundadoras da ciência econômica. toda a sociedade é beneficiada. Mas. sem ter de obedecer a nenhum regulamento criado pelo governo. Se as forças do mercado agissem livremente. o capitalismo e a liberdade individual promoveria o progresso de forma harmoniosa. no fim. Sem a intervenção do Estado. é correto afirmar que os capitalistas só pensam em seus lucros. o ideal seria que as pessoas pudessem atender livremente a seus interesses individuais. já que o individualismo é bom para toda a sociedade. Seu raciocínio era este: quando uma pessoa busca o melhor para si. "o Estado deveria intervir o mínimo possível sobre a economia". Desse modo. Portanto. os trabalhadores pensam neles mesmos. O que. Ele dizia que o individualismo é útil para a sociedade. Exemplo: quando uma cozinheira prepara uma deliciosa carne assada.

Índice [esconder] 1 Objetivo 2 Medidas 3 Participantes 4 Princípios 5 Consequências 6 Bibliografia 7 Ligações externas [editar] Objetivo O objetivo foi reorganizar as fronteiras europeias. Rússia. Os termos de paz foram estabelecidos com a assinatura do Tratado de Paris (30 de Maio de 1814). cuja intenção era a de redesenhar o mapa político do continente europeu após a derrota da França napoleônica na primavera anterior. iniciar a colonização (como visto na Revolução Liberal do Porto. entre 2 de maio de 1814 e 9 de Junho de 1815. no qual se estabeleciam as indenizações a pagar pela França aos países vencedores. os países vencedores (Áustria. Mesmo diante do regresso do imperador Napoleão I do exílio. alteradas pelas conquistas de Napoleão. O Ato Final do Congresso foi assinado nove dias antes da derrota final de Napoleão na batalha de Waterloo em 18 de Junho de 1815. Após o fim da época napoleônica.A REVOLUÇÃO FRANCESA E O CONGRESSO DE VIENA O Congresso de Viena foi uma conferência entre embaixadores das grandes potências europeias que aconteceu na capital austríaca. que provocou mudanças políticas e econômicas em toda a Europa. no caso do Brasil). e restaurar a ordem absolutista do Antigo Regime. tendo reassumido o poder da França em Março de 1815. restaurar os respectivos tronos às famílias reais derrotadas pelas tropas de Napoleão Bonaparte (como a restauração dos Bourbon) e firmar uma aliança entre os burgueses. Prússia e Reino Unido) sentiram a necessidade de selar um tratado para . as discussões prosseguiram.

Joaquim Lobo da Silveira. já que momentos de instabilidade eram vividos e temia-se uma nova revolução. A Prússia foi representada pelo príncipe Karl August von Hardenberg. Portugal é representado por três Ministros Plenipotenciários: D. Contra isso foi criada a "Doutrina Monroe" (América para Americanos) [editar] Participantes O congresso foi presidido pelo estadista austríaco Príncipe Klemens Wenzel von Metternich (que também representava seu país). aliança político-militar reunindo exércitos de Russia . O Reino Unido foi inicialmente representado pelo seu Secretário dos Negócios Estrangeiros. incluindo a hipótese de intervir nas independências da América. Instrumento de Ação: Santa Aliança. Duque de Wellington. diplomata destacado em Estocolmo. Conde de Palmela. nas últimas semanas. . A França estava representada pelo seu Ministro de Negócios Estrangeiros Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord. pelo Conde de Clancarty. o Visconde de Castlereagh. A Rússia foi defendida pelo seu Imperador Alexandre I. contando ainda com a presença do seu Ministro de Negócios Estrangeiros e do Barão Wessenberg como deputado. [editar] Medidas Foram adotados uma política e um instrumento de ação: Política: Restauração legitimista e compensações territoriais. diplomata destacado na Rússia. embora fosse nominalmente representada pelo seu Ministro de Negócios Estrangeiros. e D. após fevereiro de 1815 por Arthur Wellesley. o seu Chanceler e o diplomata e acadêmico Wilhelm von Humboldt. Pedro de Sousa Holstein. António de Saldanha da Gama. após Wellington ter partido para dar combate a Napoleão. Prussia e Austria prontos para intervir em qualquer situação que ameaçasse o Antigo Regime.restabelecer a paz e a estabilidade política na Europa.

os representantes das quatro potências vitoriosas esperavam excluir os franceses de participar nas negociações mais sérias. Metternich Karl August von Hardenberg Wilhelm von Humboldt Arthur Wellesley .Inicialmente. mas o Ministro Talleyrand conseguiu incluir-se nesses conselhos desde as primeiras semanas de negociações.

o direito português ao território de Olivença foi reconhecido. No encerramento do Congresso de Viena. Imperador do Sacro Império Romano-Germânico. Francisco II. Devido à maior parte dos trabalhos ser feito por estas cinco potências (com. Isto levou a um comentário famoso pelo Príncipe de Ligne: le Congrès ne marche pas. ele dança). oferecia entretenimento para as manter ocupadas. pelo Artigo 105 do Acto Final. Portugal. il danse (o Congresso não anda. pelo que o anfitrião. [editar] Princípios . algumas questões dos representantes de Espanha.Alexandre I Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord Francisco II O congresso nunca teve uma sessão plenária de facto: as sessões eram informais entre as grandes potências. Na verdade o que existia era um " leilão" entre povos e territórios. Suécia e dos estados alemães). a maioria das delegações pouco tinha que fazer.

provocaram todo aquele período de guerras. que guilhotinou ao rei absolutista e criou um regime republicano. as fronteiras da Europa foram refeitas. como o caso da Bélgica que foi anexada aos Países Baixos. o equilíbrio de poder e. aliados à sua capacidade política e militar. restaurar o Antigo Regime e bloquear o avanço liberal. Os representantes dos governos mais reacionários acreditavam que poderiam.garantindo com isso que os Bourbons retornassem ao poder com a anuência dos vencedores. porque as quatro potências do Congresso trataram de obter algumas vantagens na hora de desenhar a nova organização geopolítica da Europa. quando suas raízes já haviam sido sacudidas pelos exércitos de Napoleão Outra decisão importante das grandes potências reunidas em Viena foi a consagração da ideia de equilíbrio do poder. por exemplo.As diretrizes fundamentais do Congresso de Viena foram: o princípio da legitimidade. Atendia os interesses dos Estados vencedores na guerra contra Napoleão Bonaparte. o acesso não foi respeitado. mas ao mesmo tempo buscava salvaguardar a França de perdas territoriais. assim. Contudo. Os governos absolutistas defendiam a intervenção militar nos reinos em que houvesse ameaça de revoltas liberais. considerava-se que só fora possível o fenômeno Napoleão na Europa porque ele havia juntado uma tal soma de recursos materiais e humanos que. e anexando outros territórios a países adjacentes. que era a grande preocupação das monarquias absolutistas. a República. a consagração do conceito de "fronteiras geográficas": O princípio da legitimidade. no plano geopolítico. uma vez que se tratava de recolocar a Europa na mesma situação política em que se encontrava antes da Revolução Francesa. a restauração. defendeu a organização equilibrada dos poderes econômico e político europeus dividindo territórios de alguns países. O princípio da restauração. O princípio do equilíbrio. que acabou com os privilégios reais e instituiu o direito legítimo de propriedade aos burgueses. Em 1815. defendido sobretudo por Talleyrand a partir do qual se consideravam legítimos os governos e as fronteiras que vigoravam antes da Revolução Francesa. a Confederação Alemã que foi dividida em 39 Estados sendo a Prússia e a Áustria como líderes. . Segundo essa perspectiva. como. assim como da intervenção estrangeira.

Sendo esse o critério estabelecido. A Inglaterra ficou com a estratégica Ilha de Malta. foi obrigada a unir-se aos Países Baixos. Uma vez estabelecida a paz. Restabelecimento dos Estados Pontifícios. tal como aconteceu com a partilha da Polônia. a Prússia e a Áustria participavam dessa Confederação . o que lhe garantiu o controle das rotas marítimas. A Áustria anexou a região dos Bálcãs. sabedor de que este contaria com os mesmos recursos. A Prússia ficou com parte da Saxônia. formando o Reino dos Países Baixos. na preservação das fronteiras geográficas estabelecidas justamente para evitar que qualquer potência viesse a romper o equilíbrio. A Bélgica. A Suécia e a Noruega uniram-se. de tal maneira que uma potência não pudesse ser mais poderosa que a outra (equilíbrio de poder). Finlândia e a Bessarábia. da Westfália. por exemplo. O princípio geopolítico das "fronteiras geográficas" perdurou até o término da Segunda Guerra Mundial. no contexto da Guerra Fria. Os Principados Alemães formaram a Confederação Alemã com 38 Estados. resultando num mapa europeu em que as etnias e as nacionalidades não foram levadas em consideração. A Espanha e Portugal não foram recompensados com ganhos territoriais. haveria a necessidade de manutenção de exércitos? Os estadistas reunidos em Viena foram unânimes em responder afirmativamente. mas tiveram restauradas as suas antigas dinastias. a partir de então. [editar] Consequências A Rússia anexou parte da Polônia. da Polônia e com as províncias do Reno. nenhum outro Napoleão se atreveria a desafiar seu vizinho. . trataram de pô-lo em prática. anexando recursos de seus vizinhos e pondo em risco todo o sistema de estados europeus.As grandes potências decidiram então dividir os recursos materiais e humanos da Europa. quando esse conceito foi substituído pelo conceito de "fronteiras ideológicas". Tratava-se de manter forças armadas exatamente para preservar a paz alcançada. industrializada. O Império Otomano manteve o controle dos povos cristãos do Sudeste da Europa. A garantia da paz residia. o Ceilão e a Colônia do Cabo. sendo assim.

que se manteve com as mesmas características do período colonial. de suma importância. parte integrante da decadência do Antigo Regime europeu. restringiu-se à esfera política. medidas favoráveis para a melhoria das condições dos judeus. e. Esta situação de crise do antigo sistema colonial. Desde as últimas décadas do século XVIII assinala-se na América Latina a crise do Antigo Sistema Colonial. destacando-se a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana. Pedro. que personifica o acontecimento na figura de D. era na verdade. Era apenas o início do processo de independência política do Brasil. determinando sua proibição ao norte da linha do Equador. e sim um acontecimento que integra o processo de crise do Antigo Sistema Colonial.O Congresso de Viena logrou garantir a paz na Europa. Ainda é muito comum a memória do estudante associar a independência do Brasil ao quadro de Pedro Américo. perceber que a independência do Brasil. iniciada com as revoltas de emancipação no final do século XVIII. entender que o 07 de setembro de 1822 não foi um ato isolado do príncipe D. a condenação do tráfico de escravos. estabeleceu-se: o princípio da livre-navegação do Reno e do Meuse. debilitado pela Revolução Industrial na Inglaterra e principalmente pela difusão . Foram os primeiros movimentos sociais da história do Brasil a questionar o pacto colonial e assumir um caráter republicano. um regulamento sobre a prática das atividades diplomáticas entre os países. Além das disposições políticas territoriais. levaremos em consideração duas importantes questões: Em primeiro lugar. Valorizando essas duas questões. "O Grito do Ipiranga". O PROCESSO DE INDEPENDENCIA DO BRASIL O processo de independência do Brasil Para compreender o verdadeiro significado histórico da independência do Brasil. que se estende até 1822 com o "sete de setembro". não alterando em nada a realidade sócio-econômica. faremos uma breve avaliação histórica do processo de independência do Brasil. Em segundo lugar. Pedro. No Brasil. essa crise foi marcada pelas rebeliões de emancipação.

O desfecho do movimento foi assinalado quando o governador Visconde de Barbacena suspendeu a derrama -. Maria I é revogada a pena de morte dos inconfidentes. Outros pontos que contribuíram para debilitar o movimento foram a precária articulação militar e a postura regionalista. Era o cruel exemplo que ficava para qualquer outra tentativa de questionar o poder da metrópole. configurando-se num movimento elitista estendendo-se no máximo às camadas médias da sociedade. iniciando prisões acompanhadas de uma verdadeira devassa. o alferes conhecido como Tiradentes. e religiosos. Sua cabeça foi cortada e levada para Vila Rica. Tiradentes. já que nove anos mais tarde iniciava-se na Bahia a Revolta dos Alfaiates. como intelectuais. exceto a de Tiradentes. Eis aí sua importância maior.seria o pretexto para deflagar a revolta . Cláudio Manuel da Costa morreu na prisão. O mais grave contudo foi a ausência de uma postura clara que defendesse a abolição da escravatura. já que em outros aspectos ficou muito a desejar. assinalado pela passagem da idade moderna para a contemporânea. pelo qual foram condenados. outros em prisão perpétua. Após decreto de D. Os Movimentos de Emancipação A Inconfidência Mineira destacou-se por ter sido o primeiro movimento social republicanoemancipacionista de nossa história. marginalizava as camadas mais populares. Todos negaram sua participação no movimento. também chamada de Conjuração Baiana. ou seja. menos Joaquim José da Silva Xavier. A influência da loja maçônica Cavaleiros da Luz deu um sentido mais intelectual ao movimento que contou . Trata-se de um dos mais importantes movimentos de transição na História. o de mais baixa condição social. que assumiu a responsabilidade de liderar o movimento. onde provavelmente foi assassinado. O exemplo parece que não assustou a todos. foi o único condenado à morte por enforcamento. Sua composição social por exemplo. militares. O corpo foi esquartejado e espalhado pelos caminhos de Minas Gerais (21 de abril de 1789). reivindicavam a emancipação e a república para o Brasil e na prática preocupavam-se com problemas locais de Minas Gerais. que juntos formarão a base ideológica para a Independência dos Estados Unidos (1776) e para a Revolução Francesa (1789).e esvaziou a conspiração.do liberalismo econômico e dos princípios iluministas. Alguns tem a pena transformada em prisão temporária. Os líderes do movimento foram presos e enviados para o Rio de Janeiro responderam pelo crime de inconfidência (falta de fidelidade ao rei). representada pela transição do capitalismo comercial para o industrial.

Essa dependência acentua-se com a vinda de D. Outros movimentos de emancipação também foram controlados. Esta última. Em 1820.também com uma ativa participação de camadas populares como os alfaiates João de Deus e Manuel dos Santos Lira. João VI no Brasil. Justamente por possuír uma composição social mais abrangente com participação popular. a burguesia mercantil portuguesa colocou fim ao absolutismo em Portugal com a Revolução do Porto. é considerado a primeira medida formal em direção ao "sete de setembro". índios. Rompia-se o pacto colonial e atendia-se assim. O monopólio não mais existia. em 1808 com a abertura dos portos. João VI ao Brasil. pobres em geral. que inaugura a política de D. a Conspiração dos Suaçunas em Pernambuco (1801) e a Revolução Pernambucana de 1817. tanto fornecedores. acentuando as relações com a Inglaterra. Esse episódio. que gradualmente deixava de ser colônia de Portugal. já na época que D.Eram pretos. em detrimento das tradicionais relações com Portugal. mestiços. o que deu um caráter . Para Inglaterra industrializada. enquanto que os intelectuais foram absolvidos. João VI havia se estabelecido no Brasil. as lideranças populares do movimento foram executadas por enforcamento. a independência da América Latina era uma promissora oportunidade de mercados. Há muito Portugal dependia economicamente da Inglaterra. Com a assinatura dos Tratados de 1810 (Comércio e Navegação e Aliança e Amizade). como consumidores. a revolta pretendia uma república acompanhada da abolição da escravatura. Portugal perdeu definitivamente o monopólio do comércio brasileiro e o Brasil caiu diretamente na dependência do capitalismo inglês. como a Conjuração do Rio de Janeiro em 1794. A Família Real no Brasil e a Preponderância Inglesa Se o que define a condição de colônia é o monopólio imposto pela metrópole. Implantou-se uma monarquia constitucional. além de soldados e religiosos. Apesar de contidas todas essas rebeliões foram determinantes para o agravamento da crise do colonialismo no Brasil. já que trouxeram pela primeira vez os ideais iluministas e os objetivos republicanos. Controlado pelo governo. o Brasil deixava de ser colônia. os interesses da elite agrária brasileira. para entrar na esfera do domínio britânico.

João VI retorna para Portugal e seu filho aproxima-se ainda mais da aristocracia rural brasileira. responsáveis pela divisão da região em repúblicas. estou pronto. a independência foi imposta verticalmente. João VI para Portugal e as exigências para que também o príncipe regente voltasse. Diga ao povo que fico". Pedro. solicitando sua permanência no Brasil. Com a volta de D. que sentia-se duplamente ameaçada em seus interesses: a intenção recolonizadora de Portugal e as guerras de independência na América Espanhola. Pedro é sondado para ficar no Brasil. Mas. que o apoiaria como imperador em troca da futura independência não alterar a realidade sócioeconômica colonial. Cedendo às pressões. D. essa revolução assume uma postura recolonizadora sobre o Brasil. em torno do qual se concretizariam os interesses da aristocracia rural brasileira. Um abaixo assinado de oito mil assinaturas foi levado por José Clemente Pereira (presidente do Senado) a D. afastando os setores mais baixos da sociedade representados por escravos e trabalhadores pobres em geral. a aristocracia rural passa a viver sob um difícil dilema: conter a recolonização e ao mesmo tempo evitar que a ruptura com Portugal assumisse o caráter revolucionário-republicano que marcava a independência da América Espanhola. Era preciso ganhar o apoio de D. Contudo. Dessa forma. Pedro decidiu-se: "Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação. Graças a homens como José Bonifácio de Andrada e Silva .liberal ao movimento. com a preocupação em manter a unidade nacional e conciliar as divergências existentes dentro da própria elite rural. Pedro decidiu ficar bem menos pelo povo e bem mais pela aristocracia. representados pelo latifúndio e escravismo. D. o que evidentemente ameaçaria seus privilégios. O Significado Histórico da Independência A aristocracia rural brasileira encaminhou a independência do Brasil com o cuidado de não afetar seus privilégios. A maçonaria (reaberta no Rio de Janeiro com a loja maçônica Comércio e Artes) e a imprensa uniram suas forças contra a postura recolonizadora das Cortes. pois sua partida poderia representar o esfacelamento do país. por tratar-se de uma burguesia mercantil que tomava o poder. Pedro em 9 de janeiro de 1822. o Dia do fico era mais um passo para o rompimento definitivo com Portugal. É claro que D. D. ao mesmo tempo.

As bases sócio-econômicas (trabalho escravo. caso o príncipe não retornasse imediatamente. oferecido pela maçonaria e pelo Senado. o movimento de independência adquiriu um ritmo surpreendente com o cumpra-se. após a leitura das cartas que chegaram em suas mãos. José Clemente Pereira e outros. que ficara no Rio de Janeiro como regente. juntamente com carta sua e de D. a reação tornava-se radical. D.(patriarca da independência). No dia sete de setembro de 1822 D. bradou: "É tempo. pois Martim Francisco (vice-presidente da Junta Governativa de São Paulo) foi forçado a demitir-se. Pedro que se encontrava às margens do riacho Ipiranga. EXPANSÃO CAFEEIRA NO BRASIL TRABALHO ESCRAVO PARA O TRABALHO LIVRE TRABALHO ESCRAVO E TRABALHO LIVRE NO BRASIL TRABALHO ESCRAVO E TRABALHO LIVRE NO BRASIL . Independência ou morte. Gonçalves Ledo. que representavam a manutenção dos privilégios aristocráticos. Pedro. em São Paulo. Em Portugal.. com a abertura dos portos. com ameaça de envio de tropas. Maria Leopoldina. São Paulo vivia um clima de instabilidade para os irmãos Andradas.. Em 3 de junho foi convocada uma Assembléia Geral Constituinte e Legislativa e em primeiro de agosto considerou-se inimigas as tropas portuguesas que tentassem desembarcar no Brasil. que já começara 14 anos atrás. Era o início do Império. A independência não marcou nenhuma ruptura com o processo de nossa história colonial. José Bonifácio. onde as leis portuguesas seriam obedecidas somente com o aval de D. que acabou aceitando o título de Defensor Perpétuo do Brasil (13 de maio de 1822). transmitiu a decisão portuguesa ao príncipe. Estamos separados de Portugal".. monocultura e latifúndio). embora a coroação apenas se realizasse em primeiro de dezembro de 1822. sendo expulso da província. permaneceram inalteradas. O "sete de setembro" foi apenas a consolidação de uma ruptura política. Pedro foi aclamado Imperador Constitucional do Brasil.Chegando no Rio de Janeiro (14 de setembro de 1822)..

o direito do trabalho. assim. enfim. dessa forma. rumo a uma forma racionalizada e humana de trabalho: o trabalho livre. As histórias do direito do trabalho e da justiça do trabalho aparecem. Fazemos. Nosso propósito é reler um importante período de nossa história não com os olhos de hoje. no final do último quartel do século XIX. enfim.ALGUNS PARADOXOS HISTÓRICOS DO DIREITO DO TRABALHO Sidnei Machado (*)[1] 1. com destaque para a década de 30. mas numa perspectiva de um olhar refletido para o presente. como fatos simultâneos e . Mas a história ―oficial‖ afirma que. b) o período de transição da escravidão para o trabalho livre. cronológico. estávamos libertando nossos escravos. no ambiente de um direito social em emergência. A regulação do trabalho livre no Brasil. como se após a obscura escravidão negra do passado nascesse. dando conta da saga da formação de um direito a partir do rompimento com a exploração desumana do trabalho escravo. aparece como um processo linear. O silêncio do direito do trabalho Este texto não tem a pretensão de recontar a história do trabalho livre no Brasil. a partir das primeiras leis no começo século XX. A história do direito do trabalho no Brasil. O direito do trabalho dos manuais é apresentado como fruto da intervenção estatal. um recorte histórico para fixar dois destacados momentos da exploração e da regulamentação jurídica da venda da força de trabalho: a) o período de formação e exploração da mão-de-obra escrava. salvo poucas exceções. evidencia de início um paradoxo: o advento da propalada libertação do trabalho escravo se dava via uma regulamentação rígida na contratação e na disciplina imposta aos trabalhadores. preocupado com a condição humana do operariado.

especialmente Portugal. a história do trabalho anterior ao trabalho livre tem poucas referências na historiografia do direito do trabalho. Celso Furtado.convergentes do mesmo processo histórico. Nesse período. eloqüente. senão renovados processos de recomposição no modo de produção. não assegurou a Portugal a manutenção da colônia. este compreendido como modo de produção e reprodução da vida. os gastos de defesa eram bastante elevados. no mercado de trabalho e na contratação do trabalho no Brasil. lido da perspectiva das vítimas da história. 2. na era da nova hegemonia neoliberal. é ocultado (às vezes negado) todo processo sócio-econômico que deu caldo à formação do trabalho livre no Brasil. . no entanto. Esse silêncio do direito do trabalho é. merecendo uma referência na maioria das vezes meramente ilustrativa do curso de direito do trabalho.[2] Assim. Ignora-se. somente a ocupação representava verdadeiro domínio. revela que não tivemos grandes rupturas na regulamentação do trabalho. Por fim. por completo. Por outro lado. A mera exploração do ouro. no seu clássico ―Formação Econômica do Brasil‖.[3] O primeiro interesse dos espanhóis e portugueses pela América foi o ouro acumulado. a vasta historiografia nas ciências sociais com pesquisas importantes sobre o modo de produção baseado no trabalho escravo e sua conturbada transição para o trabalho livre. Essa na verdade é mais uma história do emprego no Brasil e não do trabalho. na verdade. Emergência e esgotamento da exploração do trabalho escravo A utilização do trabalho escravo no Brasil colonial se deu dentro do projeto de expansão comercial e agrícola dos países colonizadores. Primeiro. esclarece que ―a ocupação econômica das terras americanas constitui um episódio da expansão comercial da Europa‖. ameaçada de ocupação. esse resgate pode permitir ler e compreender as recentes mutações no emprego. cujo contexto.

Por isso. na proporção de um a cada dez escravos. do trabalho de índios escravizados. Portanto. Apesar das dificuldades de cooptação do silvícola – custo de transporte e o meio físico – a indústria açucareira teve grande expansão. inicialmente. levaram Portugal a optar pela introdução da mão-de-obra escrava africana (negra). Havia. o uso de trabalhadores assalariados. pelo menos. No século XVIII a exploração do ouro permitiu ao país grande expansão. e o transporte de Portugal era economicamente inviável. a estrutura econômica do país estava ainda centrada no uso da mão-de-obra escrava. a junção desse conhecimento técnico dos portugueses com a capacidade de transporte dos holandeses na Europa permitiu a produção do açúcar em larga escala no Brasil. tornando-se a base de um sistema de produção. A necessidade política de colonização das terras e a ausência de uma mão-de-obra excedente na península ibérica na época. a escassez de mão-de-obra era então o maior desafio. Portugal utilizou-se. Até a metade do século XIX.Como os portugueses já possuíam experiência no cultivo do açúcar em grande escala nas ilhas do Atlântico. a escravidão tornou-se a única alternativa para a sobrevivência do colono europeu na América. Para a expansão da plantação do açúcar no Brasil. Inviável a utilização do indígena. fazendo com que o preço do produto caísse. porém. . a primeira etapa da formação econômica do Brasil se dá pela utilização de mãode-obra preexistente na exploração de minérios e pela produção de artigos agrícolas tropicais com uso de mão-de-obra escrava. O monopólio da produção do açúcar entrou em decadência com o início da produção nas ilhas das Antilhas. Os escravos montaram as indústrias açucareiras. O principal problema para essa expansão seria a mão-de-obra inexistente na colônia.

começou-se a introduzir a produção da pecuária extensiva. desenvolvendo uma economia puramente de subsistência. na criação de gado. formada majoritariamente pelos índios. Paralelamente à indústria açucareira. na indústria açucareira e. A atividade de criação (principalmente a pecuária extensiva) criou novas formas de divisão do trabalho e especialização. além da compra do escravo. A transição para o trabalho livre O século XVII é uma nova etapa de crise econômica. Essa atividade utilizava mão-de-obra local. tinha de manter a sua subsistência. acarretaram uma crise política na colônia. A concorrência inglesa provocou uma forte pressão pelo fim do tráfico e uso da mão-de-obra escrava .Assim. O proprietário de engenho. Aliadas ao baixo preço e à perda do monopólio. A economia estava ainda centrada no ouro. com a aquisição de materiais de construção e de mão-de-obra escrava. Os jesuítas chegaram a desenvolver técnicas racionais de caça ao indígena. 3. as invasões holandesas interromperam a expansão da indústria açucareira. o que gerava um elevado custo fixo. em pequena escala. Essa cooperação da mão-de-obra indígena foi o que permitiu a grande expansão territorial no século XVII. É nesse contexto que o café começa a surgir como nova fonte de riqueza. o processo de formação da renda e de acumulação de capital se deu com gastos em compra de equipamentos para a indústria. Cai a rendaper capita para cinqüenta dólares. No século XVII. A crise fez com que a caça aos índios se tornasse condição de sobrevivência dos povoados. para uma população livre de dois milhões. . Os acontecimentos políticos de 1808 a 1810 provocaram grande repercussão no Brasil.

O trabalho foi oferecido ao trabalhador europeu. Ficavam devendo as passagens. o que a tornou escassa. Em 1824 foi criada a primeira colônia alemã em São Leopoldo. começa a contratar diretamente imigrantes na Europa (80 famílias alemãs). bastava ainda resolver a questão da mão-de-obra. além de outras despesas. encontra dificuldades pelo estancamento da importação de mão-de-obra escrava. Por meio de contratos de parceria. Começam-se a criar. questão de grande inquietação nacional. Por outro lado. então. pois era mais vantajoso ao proprietário. apenas o uso da terra e de escravos. A solução preconizada. Na plantação de café. o Brasil tinha dois milhões de escravos. retardou o processo de desenvolvimento. . a revolução industrial passou a exigir cada vez mais mão-de-obra. colônias de imigrantes. financiado pelo governo. transporte. comissões de contrato. os escravos libertos passaram a não ter trabalho. por outro lado. na época imperial. trazidos com a convicção de uma natural superioridade de raça com uma ética própria para o trabalho. Sendo o café a alternativa. então em debate no país: como fazer a transição da economia brasileira para a produção de café se não havia no país mão-de-obra disponível? Em 1850. não era necessária a utilização de equipamentos. a mãode-obra livre do país não servia aos propósitos da produção cafeeira(tradição). foi a imigração européia. A princípio não havia uma solução alternativa. ao contrário da indústria açucareira. ficando sem condições de inserção social e de sobrevivência. dadas as condições contratuais onerosas impostas aos imigrantes. os chamados ―braços para a lavoura‖. os imigrantes vendiam seu trabalho para o futuro. Nesse contexto. Vergueiro. Na Europa.Os acordos firmados por Portugal com a Inglaterra (1810-1827). obrigando a colônia a pagar tarifas protecionistas à Inglaterra. A expansão cafeeira. no Rio Grande do Sul. Em 1852.

a idéia de acumulação de riqueza é praticamente estranha. Demais. renunciando ao modelo de parceria.O escravo negro não tinha cultura e estímulo para participar de um modelo de parceria. o fator econômico de maior importância. disciplinando os contornos do trabalho livre. as leis de locação e serviços de 1830. Conquanto haja uma inexplicável lacuna na bibliografia do direito do trabalho. a elevação de seu salário acima de suas necessidades – que estão definidas pelo nível de subsistência de um escravo – determina de imediato uma forte preferência pelo ócio‖. Com isso. representam o principal marco na experiência de intervenção estatal na contratação de trabalho livre no Brasil. por exemplo. sendo talvez a primeira experiência na . 4. 1837 e 1879.[4] Por isso. o trabalho assalariado foi. no fim do século XIX. Sendo o trabalho para o escravo uma maldição e o ócio o bem inalcançável. O período de transição da escravidão para o trabalho livre é longo. A regulamentação do trabalho livre na lei de locação de serviços A extinção do uso da mão-de-obra escrava no Brasil se deu por um processo lento e gradual. seu rudimentar desenvolvimento mental limita extremamente suas ‗necessidades‘. o ex-escravo passa a viver para suprir apenas as suas necessidades. pois ―quase não possuindo hábitos de vida familiar. Os assalariados geravam gastos em consumo e o proprietário em consumo e acumulação. A importação de mãode-obra européia tem início na década de 1850. Por isso a segunda metade do século XIX é um período marcado pela preocupação de constituição e regulamentação legal do uso do trabalho livre no Brasil. com vistas à transição para a formação de um mercado de trabalho livre. A regulação dessas novas modalidades de uso da mão-de-obra contou com a mediação do Estado (Império).

Outras cláusulas apareciam nos regulamentos das colônias. poderia lhe representar além da rescisão. oferecendo trabalho livre. A lei de 13 de setembro de 1830 possuía apenas oito artigos. Os colonos eram cativados para o paraíso de terras férteis e abundantes. desentendimentos. As dívidas contraídas na imigração eram pagas com juros de 6% ao ano. Até então. para os fazendeiros. fatos que redundaram na acusação de Portugal ao Brasil da prática de uma escravidão disfarçada. com aplicação de penas severas aos infratores. denúncias de cobranças de taxas abusivas pelo importador. As experiências iniciais do trabalho livre do colono foram marcadas por inúmeros conflitos. em geral. O não cumprimento do contrato gerava multa ao colono. rebeldia contra controle moral e disciplinar severo imposto nas colônias. o clima era de insegurança generalizada no cumprimento dos contratos. a segunda dispunha apenas sobre trabalho de estrangeiros. greves. o imigrante recebia determinado número de pés de café para cultivar. já que sequer especificava os prazos para os contratos. tais como as que imponham um controle disciplinar rigoroso. Tinha direito à meação no resultado da venda. o espaço jurídico do trabalho livre era representado somente pelas leis de 1830 e de 1837. não podendo o colono deixar de cumprir o contrato antes de saldá-las integralmente. Contudo. A primeira regulamentava apenas os contratos entre nacionais e estrangeiros e. Nas colônias. além de comunicar o contratante com seis meses de antecedência. o que reclamaria uma regulamentação jurídica mais eficiente do que a então vigente. sem grande disciplina. O descumprimento do contrato pelo colono. passando a conviver com a mão-de-obra escrava nas fazendas.importação de colonos pela firma Vergueiro & Cia. Os primeiros imigrantes trazidos por empresas importadoras. por exemplo. O contratante adiantava as despesas de transporte da Europa às colônias e o necessário à subsistência inicial. A lei de 1837 possuía 17 artigos sobre contratos de locação de . eram obrigados a assinar contratos de parceria com o importador para trabalhar nas lavouras de café do Estado de São Paulo. multa e a pena de prisão de oito dias a três meses.

ao mesmo tempo em que fazia a regulação minuciosa da contratação do trabalho livre. como mecanismo de combate à vadiagem. justificando a rescisão contratual pelo locatário. a doença prolongada. aliada à crescente dificuldade de importação de escravos negros da África a partir da década de 60. Eram consideradas como justas causas. na repressão às greves e. além das obrigações contratuais entre trabalhadores e fazendeiros.[6] Após quase dez anos de discussão. ainda. sinalizando com a abolição da escravidão. previa a obrigação do homem livre de contratar. permanecendo na propriedade. contemplava. regulamentando os contratos na agricultura. que lhes propiciasse uma adequada produtividade. dado que tinham um conteúdo bastante vago. a imperícia e a insubordinação do locador. se recusasse ao trabalho. A relação conflituosa entre fazendeiros e colonos. somente deixando de ser aplicada caso o trabalhador livre . Continha. Previa a lei a obrigação de contratar. eliminando assim a vadiagem. essas leis não tiveram grande repercussão. Os contratos de locação de serviços e de parceria podiam ser feitos por nacionais e estrangeiros. entre outras faltas consideradas graves. criou as condições para uma legislação que. considerada um mal. a embriaguez. ainda. um capítulo dedicado à matéria penal e outro a competências e procedimentos processuais. Porém. A pena de prisão era aplicável caso o locador se ausentasse sem justo motivo ou se.1879. exige que se use a mãode-obra nativa. de trabalhadores libertos nacionais e estrangeiros. cinco para estrangeiros e sete para os libertos. Podiam ter duração de seis anos para brasileiros. 2. de 22. Conhecida como a Lei Sinimbu. disposições antigreves e contra quaisquer resistências coletivas ao trabalho. sempre por escritura pública. disciplinando a locação de serviços e as modalidades de parcerias agrícolas e pecuárias.[5] Os fazendeiros também reclamavam uma legislação de permitisse garantias dos investimentos feitos na mão-de-obra. em 1879.serviços. A promulgação da lei do Ventre Livre. com oitenta e seis artigos. foi enfim editado o Decreto n.03. em 1871. no cumprimento dos contratos. registrada na Câmara Municipal. forçando os nativos ao trabalho na lavoura.820.

Tudo ditado pelos imperativos das exigências de ―liberdade de trabalho‖. passam a ser obrigados a trabalhar. trata-se de um momento histórico relevante na história do direito do trabalho. O contratualismo requentado Não se pode celebrar acriticamente a liberdade de trabalho como um valor em si mesmo. A lei. redefine relações de poder e introduz uma nova organização e um novo controle sobre o trabalho.estivesse servindo o exército. assegurando a prestação de serviço. A grande imigração italiana do final do século já se dá por modalidade de contratos de parceria entre colono e fazendeiro. nos anos que se seguiram. Houve também um refluxo na imigração. Os libertos continuavam com sua situação regulada pela Lei do Ventre Livre. A lei de 1879 certamente permitiu a transição do trabalho escravo para o trabalho livre. Após libertos. mediante rígidas obrigações contratuais. É visível o grande esforço revelado pela lei. Algumas disposições funcionaram como garantia ao fazendeiro ou importador do pagamento de despesas de viagens do estrangeiro imigrante. tratada na lei de locação de serviços. a legislação sobre relações de trabalho. Nesse contexto. então perde vigor. numa política que constrangia os nacionais ao trabalho e. de forma disciplinada e produtiva. 5. sendo finalmente revogada em 1890. Sem dúvida. O longo período de transição possibilitou também uma adaptação dos fazendeiros à nova relação de trabalho. a lei passou a receber críticas dos fazendeiros pelo nível de intervenção do Império. incentivava os imigrantes europeus ao trabalho na colônia. para garantir aos fazendeiros a manutenção do controle da mão-de-obra dos trabalhadores livres e libertos. por outro lado. ficando sob inspeção por cinco anos. com a obrigação de firmar novo contrato. No entanto. este entendido como a relação de compra e venda de mão-de-obra. sem perder de vista o papel desempenhado pelo contratualismo na formação e justificação política e teórica da venda da força de trabalho (livre) através do instrumento do contrato .

Novamente.de trabalho. por outro lado. Os dados historiográficos nos forçam a reconhecer que a formação da contratação (ou relação) individual do trabalho no Brasil não é fruto de ―evolução histórica‖ que se confundiria com a conquista da liberdade humana ou a liberdade de trabalho. temos uma história particular. obviamente. a nova regulamentação em curso é mediada pelo Estado. pode-se reconhecer que a história do direito do trabalho representa. nestes trópicos predominaram os interesses de ocupação da terra e sua exploração. o direito aparece com o papel de fazer a transição paradigmática. Não se ignora. Em verdade. . Enquanto nesses países o trabalho livre assalariado é introduzido como uma necessidade de desenvolvimento e expansão do capitalismo ainda incipiente. dissociada dos processos de desenvolvimento que se deram nos países então em processo de industrialização. se dá por um processo que teve como preocupação a garantia de mão-de-obra. vale dizer. Porém. no tempo de trabalho e na organização produtiva (organização do trabalho e novas tecnologias). com os impactos profundos no conteúdo do trabalho. Mais do que curiosidades históricas. impondo a disciplina e a obrigação de trabalho. As demandas atuais por maior flexibilidade na contratação do trabalho. em essência. a efetiva mutação no mercado de trabalho a partir do fim do século XX. tudo com garantias contratuais. [7] A legislação do trabalho livre no Brasil aparece mediando o paradoxo da liberação do trabalho com imperativo de liberdade e. um processo de adaptação de uma sociedade rural aos imperativos do capitalismo da sociedade industrial. curiosamente aparecem sob o paradoxo de uma exigência por novas regulamentações. pelo direito do trabalho.

mas é 4 vezes mais massiva e está a 2 milhões de anos-luz de distância. ou próximo. Os satélites dos planetas.85% Planetas: 0. numerosos cometas. Júpiter contém mais do dobro da matéria de todos os outros planetas juntos. asteróides. As excepções são Úrano e Plutão. Os planetas orbitam o Sol num mesmo plano. É uma galáxia em espiral. A Via Láctea tem duas pequenas galáxias orbitando na proximidade. Sol: 99. os planetas Mercúrio. meteoróides e o meio interplanetário constituem os restantes 0. uma de biliões de galáxias conhecidas. A estrela conhecida mais próxima do Sol é uma estrela anã vermelha chamada Proxima Centauri. chamado a eclíptica. viaja pelo espaço intergaláctico. e o espaço interplanetário. Têm os nomes de Grande Nuvem de Magalhães e Pequena Nuvem de Magalhães.85% de toda a matéria do Sistema Solar. A tabela seguinte é uma lista da distribuição de massa no nosso Sistema Solar. Júpiter. Terra. tal como a Via Láctea. O eixo de rotação da maior parte dos planetas é aproximadamente perpendicular à eclíptica. Se olharmos de cima do polo norte solar. Vénus.GEOGRAFIA Sistema solar O nosso sistema solar consiste de uma estrela média. que estão inclinados para um lado. O Sol é a fonte mais rica de energia electromagnética (principalmente sob a forma de calor e luz) do sistema solar. orbitam em volta do centro da nossa galáxia. A nossa galáxia. porque a sua órbita é a mais inclinada (18 graus) e a mais elíptica de todos os planetas. Os planetas.01% ? . cometas. a que chamamos o Sol. a maior parte dos satélites dos planetas e os asteróides giram em volta do Sol na mesma direcção. O sistema solar completo. Neptuno e Plutão. em órbitas aproximadamente circulares. que se condensaram a partir do mesmo disco de matéria de onde se formou o Sol. Inclui: os satélites dos planetas. e meteoróides. Os planetas. um disco em espiral com 200 biliões de estrelas a que chamamos Via Láctea.135% Cometas: 0. Plutão está mais perto do Sol do que Neptuno. que são visíveis do hemisfério sul.3 anos-luz. Úrano.015%. durante uma parte da sua órbita. Por isso. A galáxia grande mais próxima é a Galáxia de Andromeda. os planetas orbitam num sentido anti-horário. Marte. Plutão é um caso especial. Composição do Sistema Solar O Sol contém 99. Saturno. asteróides. à distância de 4. em conjunto com as estrelas locais visíveis numa noite clara. contêm apenas 0.135% da massa do sistema solar.

Longe de ser um nada absoluto. Não se conhece a existência de água no estado líquido em equilíbrio. com o restante consistindo de continentes e ilhas. principalmente protões e electrões -.[13] incluindo os humanos. na superfície de qualquer outro planeta. bem como suas história geológica e órbita. O gás interplanetário é um ténue fluxo de gás e de partículas carregadas.[18] As propriedades físicas do planeta.0000001% ? Espaço Interplanetário Quase todo o sistema solar. um núcleo externo . em conjunto com o campo magnético terrestre.plasma -.Satélites: 0. O planeta formou-se há 4.[14][15][16][17] e a vida surgiu na sua superfície um bilhão de anos depois. o mais denso e o quinto maior dos oito planetas do Sistema Solar. bem como a formação de uma camada de ozônio. a biosfera terrestre alterou significativamente a atmosfera e outros fatores abióticos do planeta.0000001% ? Meio Interplanetário: 0. Desde então. Acredita-se que a Terra poderá suportar vida durante pelo menos outros 500 milhões de anos. os quais contêm muitos lagos e outros corpos de água que contribuem para a hidrosfera. A TERRA A Terra é o terceiro planeta mais próximo do Sol.54 bilhões (mil milhões) de anos.que flui do Sol. É por vezes designada como Mundo ou Planeta Azul. Lar de milhões de espécies de seres vivos. chamados placas tectônicas. este "espaço" vácuo compõe o meio interplanetário. Inclui diversas formas de energia e pelo menos dois componentes materiais: poeira interplanetária e gás interplanetário.0000002% ? Meteoróides: 0. É também o maior dos quatro planetas telúricos. chamado o vento solar. com um manto espesso e relativamente sólido. parece ser um vazio completo.[nota 5] Os polos geográficos da Terra encontram-se maioritariamente cobertos por mantos de gelo ou por banquisas. permitiram que a vida persistisse durante este período. bloqueia radiação solar prejudicial. O interior da Terra permanece ativo. Cerca de 71% da superfície da Terra está coberta por oceanos de água salgada. permitindo a proliferação de organismos aeróbicos. A poeira interplanetária consiste de partículas sólidas microscópicas. em volume. a Terra é o único corpo celeste onde é conhecida a existência de vida. permitindo a vida no planeta. necessária à manutenção da vida como a conhecemos.00005% Planetas Menores: 0. que migram sobre a superfície terrestre ao longo de milhões de anos. a qual.[19][20] A sua superfície exterior está dividida em vários segmentos rígidos.

1 e 3. Por ser uma distribuição gasosa.líquido que gera um campo magnético. e um núcleo interno sólido. Ela possui. ou em que a Terra é o centro do universo. As culturas humanas desenvolveram várias crenças sobre o planeta. podemos dizer que a maior parte da atmosfera da Terra. viagens. cerca de 80% dela. durante o intenso bombardeio tardio. No presente. impactos de asteroides causaram mudanças significativas na superfície terrestre. tendo começado a orbitá-la há 4. comércio e ação militar.26 rotações sobre o seu próprio eixo. está na região situada até 16 quilômetros de altura medido a partir da superfície do nosso planeta. incluindo a sua personificação em uma deidade. em particular com o Sol e a Lua. a Terra orbita o Sol uma vez por cada 366. A ATMOSFERA A atmosfera terrestre Última atualização: 07/04/2011 às 00:12:36 Share on twitterShare on facebookShare on orkutShare on emailMore Sharing ServicesÍndice "Você Sabia?" A atmosfera da Terra é uma fina camada de gases que circunda o nosso planeta. No entanto. à medida que nos afastamos da superfície do nosso planeta a atmosfera vai se tornando cada vez mais rarefeita até que ela se mistura . Estes habitantes da Terra estão agrupados em cerca de 200 estados soberanos. e uma perspectiva moderna do mundo como um ambiente integrado que requer proteção. a crença numa Terra plana.[22] A Lua é o único satélite natural conhecido da Terra. É responsável pelas marés. o que equivale a 365. Entre aproximadamente 4. composto sobretudo por ferro.26 dias solares ou um ano sideral. por conseguinte.4° em relação à perpendicular ao seu plano orbital. Não existe um lugar bem definido onde podemos dizer que a atmosfera da Terra termina. fornecem recursos que são utilizados para suportar uma população humana global. no total. Os recursos minerais da Terra em conjunto com os produtos da biosfera.[nota 6] O eixo de rotação da Terra possui uma inclinação de 23.24 dias solares). A Terra interage com outros objetos no espaço.[21] produzindo variações sazonais na superfície do planeta com período igual a um ano tropical (365. estabiliza a inclinação axial da Terra e abranda gradualmente a rotação do planeta. 480 quilômetros de espessura. ela não se distribui homogeneamente e.8 bilhões de anos atrás. que interagem entre si por meio da diplomacia.53 bilhões de anos.

9% de argônio. e água. impedindo-a de atingir a superfície terrestre. dióxido de enxofre e nitrogênio foram liberados do interior da Terra por meio das emissões dos vulcões e por outros processos. a tectônica de placas e os processos biológicos que ocorrem na Terra mantém agora um fluxo contínuo de dióxido de carbono tirado da atmosfera para estes vários "sorvedouros" e que mais tarde retorna para ela de novo. provavelmente. 21% de oxigênio.03% de dióxido de carbono. ao longo do tempo. Ela mantém o calor dentro da atmosfera e também bloqueia a passagem da maior parte da radiação ultravioleta proveniente do Sol. Assim. Não existe uma borda definida que separe a atmosfera da Terra do meio interplanetário. sabemos que o oxigênio existente na atmosfera da Terra é produzido e mantido por processos biológicos que ocorrem no nosso planeta. A formação da atmosfera da Terra A atmosfera da Terra foi formada pela remoção de gás do próprio planeta. cerca de 0. Sem a vida não haveria oxigênio livre. este dióxido de carbono foi quase todo incorporado nas rochas carbonadas embora uma parte menor dele tenha sido dissolvido nos oceanos e consumido pelas plantas vivas. . A temperatura na Terra e o "efeito estufa" A fina camada gasosa que forma a nossa atmosfera isola a Terra de temperaturas extremas. cerca de 0. vapor de água. uma quantidade muitíssimo maior de dióxido de carbono na atmosfera da Terra quando ela foi formada mas. As formas de vida existentes da Terra foram modificando a composição da atmosfera durante os seus processos evolutivos. Assim. Havia.naturalmente com o espaço interplanetário. O oxigênio é um gás muito reativo e sob circunstâncias "normais" se combina rapidamente com outros elementos. Um ponto muito interessante do ponto de vista químico é a presença de oxigênio livre. um processo no qual gases como o dióxido de carbono. Nossa atmosfera tem 78% de nitrogênio.

6805 atmosferas e haverá bem menos oxigênio para respirar. A pequena quantidade de dióxido de carbono que existe permanentemente na atmosfera da Terra é extremamente importante para a manutenção da temperatura na superfície do nosso planeta via efeito estufa (greenhouse effect). A temperatura mais quente até hoje registrada na Terra foi obtida na Líbia. A atmosfera da Terra permite que uma parte da radiação infravermelho incidente sobre a superfície do planeta escape de volta para o espaço. tal como a conhecemos. em setembro de 1922. Por exemplo. Sabemos que sem o efeito estufa os oceanos congelariam e a vida na Terra. Assim. Ocorre então o efeito estufa. graça ao efeito estufa a temperatura da Terra vai de um frígido -21o C para um confortável + 14o C. que aprisiona calor na atmosfera terrestre. A pressão atmosférica No nível do mar a pressão atmosférica é de cerca de 1 atmosfera mas à medida que você atinge altitudes cada vez maiores a pressão do ar vai diminuindo. seria impossível. No entanto. A atmosfera da Terra é dividida na seguintes partes: Troposfera . respectivamente. o que equivale a um intervalo entre 185 K e 331 K. -88o Celsius. se você subir uma montanha com uma altitude de 3000 metros ao chegar ao seu topo a pressão do ar é de 0. Podemos então dizer que as temperaturas na Terra variam no intervalo entre -88o Celsius e 58o Celsius. no continente Antártico. 58o Celsius. parte desta radiação é refletida pelas camadas inferiores da atmosfera de volta para a superfície do planeta.A temperatura mais fria até hoje registrada na Terra foi obtida pela sonda Vostok em julho de 1983. Não é preciso ir a altitudes extremamente altas para sentir isto. O efeito estufa eleva a temperatura da superfície da Terra cerca de 35o C acima do que ela teria se ele não existisse. continente africano.

até cerca de 640 km. até. que chamamos de "nível do mar". A mesosfera se estende entre 17 a 80 km acima da superfície da Terra. A estratosfera se caracteriza por um ligeiro aumento de temperatura com o aumento de altitude e pela ausência de nuvens. O clima e as nuvens ocorrem na troposfera. Estratosfera É a camada atmosférica entre a troposfera e a mesosfera. um isótopo do oxigênio. Ela é parte da termosfera. entre a troposfera e a estratosfera da atmosfera da Terra. Ela contém muitos íons e elétrons livres (plasma). A ionosfera começa a cerca de 70-80 km de altura e continua por centenas de quilômetros. A mesosfera é caracterizada por temperaturas que rapidamente diminuem à medida que a a altitude aumenta. 17 km de altura. A tropopausa é caracterizada por pouca ou nenhuma mudança na temperatura à medida que a altitude aumenta. A camada de ozônio da Terra está localizada na estratosfera. Os íons são criados quando a luz do Sol atinge os átomos e arranca alguns elétrons. As auroras ocorrem na ionosfera. é crucial para a sobrevivência dos seres vivos na Terra. Ionosfera É uma das camadas mais altas da atmosfera da Terra. aproximadamente. os cirrus. Sobre a Terra ela vai do nível do chão. Na troposfera a temperatura geralmente diminui à medida que a altitude aumenta. A ionosfera está localizada entre a mesosfera e a exosfera. Somente as nuvens mais altas. ou da água. Tropopausa É a zona limite. A camada de ozônio absorve uma grande quantidade da radiação ultravioleta proveniente do Sol impedindo-a de atingir a superfície da Terra.É a região mais baixa da atmosfera da Terra (ou da atmosfera de qualquer planeta). cirroestratus e cirrocúmulos. estão na estratosfera inferior. Exosfera . ou camada de transição. O ozônio. Mesosfera É a camada atmosférica entre a estratosfera e a ionosfera. A estratosfera se estende entre 17 e 50 km acima da superfície da Terra.

A exosfera vai de aproximadamente 640 km de altura até cerca de 1280 km. No entanto.É a camada mais externa da atmosfera da Terra. Quanto ao desmatamento do "pulmão do mundo" é uma pena que os auto-intitulados "países desenvolvidos" não tenham tido esta mesma preocupação quando desmataram . Termosfera É uma classificação térmica. onde a pressão atmosférica é muito baixa. uma vez que os átomos do gás estão muito amplamente espaçados. principalmente às grandes multinacionais envolvidas com pesquisas de produtos farmacêuticos. A Amazônia hoje é cobiçada não por ser "pulmão do mundo". e a temperatura é muito baixa. Isto não é verdade. Se por um lado esta notícia servia como justificativa maior para a defesa da floresta amazônica. o que era muito bom. A termosfera inclui a exosfera e parte da ionosfera. Ela é a camada da atmosfera localizada entre a mesosfera e o espaço exterior. A camada mais inferior da exosfera é chamada de "nível crítico de escape". por outro fazia com que as pessoas repetissem algo que a ciência já havia comprovado não ser verdadeiro. não podemos fazer esta defesa baseada em premissas falsas. Na verdade. Florestas Tropicais e a mentira propagada Durante muito tempo repetiu-se a exaustão que "a Amazônia é o pulmão do mundo". medida. Na termosfera a temperatura aumenta com a altitude. a maior parte do oxigênio que forma a nossa atmosfera não é produzido por plantas e sim pelos oceanos que cobrem mais de 70% do nosso planeta. riquíssimo e ainda bastante inexplorado. o que não é. Lutar contra o desmatamento da Amazônia é uma obrigação de todos nós. mas sim pelas riquezas que ela pode oferecer. pesquisada e catalogada por inúmeros grupos estrangeiros sem que tenhamos informações detalhadas sobre o que foi pesquisado. A biodiversidade amazônica atualmente é estudada. É um patrimônio biológico incomparável. Com isso queria-se dizer que nossa atmosfera dependia fortemente dos processos de trocas gasosas que ocorriam nas imensas árvores das florestas tropicais.

A água líquida também é responsável pela maior parte da erosão e do desgaste das rochas dos continentes da Terra. Os oceanos da Terra Cerca de 71% da superfície da Terra está coberta com água. A Terra é o único planeta do Sistema Solar sobre o qual a água pode existir em forma líquida na sua superfície. embora possa existir metano ou etano líquidos na superfície de Titan. ESTRUTURA GEOLÓGICA BRASILEIRA As rochas da crosta terrestre estão em constante processo de transformação. A Inglaterra. foi um enorme desmatamento deste tipo. ventos etc. Não replantaram quase nada.) e agentes internos (erupções vulcânicas e tectonismo). Os Estados Unidos também desmataram suas florestas e quase aniquilaram seus maiores animais com estúpidas e desnecessárias matanças de bisões. satélite de Saturno. Hoje o pobre esquilo deve ir de trem ou de avião se não quiser pisar o solo inglês por que as árvores destas florestas há muito deixaram de existir substituídas por grama para pasto de ovelhas. Flórida. Aliás. certamente. Esse processo ocorre há bilhões de anos e o . A água líquida é. e água líquida abaixo da superfície de Europa.quase completamente seus territórios. sendo modificadas pela ação erosiva de agentes externos (chuvas. que provocou uma enorme fome na região há alguns séculos. Esta região é agora chamada de cinturões de radiação Van Allen. um processo único no Sistema Solar hoje. embora eles possam ter ocorrido em Marte no passado. era conhecida pelo ditado de que um esquilo poderia ir de uma floresta a outra sem por os pés no chão. A capacidade calorífica dos oceanos também é muito importante para manter a temperatura da Terra relativamente estável. lançado de Cabo Canaveral. satélite de Júpiter. essencial para a vida como nós a conhecemos. feito pelos ingleses na Escócia. mas acham que podem servir de exemplo nesta área. no dia 31 de janeiro de 1958 descobriu uma intensa zona de radiação circundando a Terra. por exemplo. O cinturão de radiação Van Allen O primeiro satélite artificial norte-americano.

grafita e elevações como a serra do Mar.514. há rochas metamórficas que formam jazidas minerais (ferro. níquel. Ela apresenta composição diferente conforme os terrenos arqueozoicos (32% do território nacional) e proterozoicos (4% do território). Escudos cristalinos Responsável por aproximadamente 36% do território nacional. glacial e continental nas partes mais baixas do relevo. apresentando pequena riqueza mineral. cascalho e calcário. no Brasil essas áreas são denominadas de ―terra roxa‖. Já nos terrenos proterozoicos. no estado do Pará. ouro. O Brasil. Terrenos vulcânicos São áreas que sofreram a ação de derrames vulcânicos. Nesses terrenos é possível encontrar petróleo e carvão mineral. Esse processo originou a formação de rochas como o basalto e o diabásio. bacias sedimentares e terrenos vulcânicos.conhecimento da estrutura geológica de um determinado local é de fundamental importância na análise do relevo e dos possíveis recursos minerais existentes. prata. consequência da intensa deposição de sedimentos de origem marinha. A serra dos Carajás. A decomposição do basalto é responsável por fertilizar o solo. Sua formação é a mais antiga. além de minerais radioativos (urânio e tório).876 quilômetros quadrados). essa formação ocorreu no período pré-cambriano. por apresentar uma grande extensão territorial (8. xisto betuminoso. diamantes e manganês). chumbo. gnaisses. areia. São constituídas de espessas camadas de rochas sedimentares. Bacias sedimentares Essa formação recobre cerca de 60% do território brasileiro. é um terreno proterozoico. BIOLOGIA CÉLULAS EUCARIONTES E PROCARIONTES . possui estrutura geológica composta por três tipos distintos: escudos cristalinos. No primeiro é possível encontrar rochas como o granito.

os ingredientes que devem passar. Sua maior diferença é que as células procariontes não possuem carioteca. o complexo de Golgi e o retículo endoplasmático. o que são células Eucariontes e Procariontes ? Quais são as diferenças ? Você quer saber ? Então . as plantas e os animais possuem células eucariontes. são flexíveis e fluidas. As células procariontes não possuem certas organelas . tanto para dentro como para fora das células. do lado externo. Elas são capazes de selecionar. na natureza. Cada tijolo de uma casa. mas nas procariontes este está ―boiando‖ no citoplasma. Estrutura básica da Membrana Plasmática Modelo Mosaico Fluido . seria uma célula de um ser vivo pluricelular. só visível ao microscópio eletrônico. do lado interno. como: a mitocôndria. Existe uma grande variedade proteínas membranais. Veja bem: em ambas células existe o material genético. destinadas a uma compartimentação única. A fluidez esta condicionada ao tipo de ligações intermoleculares na membrana. MEMBRANA PLASMÁTICA Membrana celular (ou membrana plasmática ou membrana citoplasmática ou plasmalema) É o envoltório que toda célula possui (define seu limites. por mecanismos de transporte ativo e passivo. continue lendo… As células procariontes ou procariotas ( a figura a sua esquerda) são diferentes das eucariontes . São estruturas altamente diferenciadas.Sugerido por Singer e Nicholson. individualizando o material nuclear da célula.As células são as menores porções vivas de um ser vivo. A carioteca é uma membrana que separa o material genético do citoplasma. Elas podem ser comparadas a tijolos de uma casa. As bactérias e as algas azuis possuem este tipo de células. o material genético está no núcleo – separado pela carioteca do restante da célula. onde as proteínas da membrana estão engastadas na camada lipídica. E na célula eucarionte. ou atravessando completamente a membrana. O termo mosaico se deve ao aspecto da membrana na microscopia eletrônica. Já os fungos. Porém. Sua espessura está entre 6 a 9 nm. . e mantém as diferenças essenciais entre os meios interno e externo). As células eucariontes ou eucariotas (a figura logo abaixo) possuem a carioteca.

A maioria dos lipídios que compõe a membrana são fosfolipídios dos quais predominam: fosfatidilcolina. que exercem várias funções. a evolução das pesquisas irá melhorar o conhecimento atual. seletivamente permeável (controla e entrada e saída de substâncias). hidrofóbicas. fosfatidilserina e fosfalipidiletanolamina. por encontrar apoio em varias evidencias experimentais. Os canais . Nenhum modelo está pronto. As membranas plasmáticas de um eucariócitos contém quantidades particularmente grande de colesterol.pontes de H. o modelo do mosaico fluido é o mais aceito. Estruturas da membrana: . As moléculas de colesterol aumentam as propriedades da barreira da bicamada lipídica e devido a seus rígidos anéis planos de esteróides diminuem a mobilidade e torna a bicamada lipídica menos fluida. esfingomielina. etc. Composição e propriedades da Membrana. possui poros. Todas as membrana biológicas são constituídas por uma dupla camada lipídica aproximadamente (45%) e proteína (55%) é altamente higroscópica. e diversas enzimas encravadas na dupla camada lipídica.Atualmente. negativa ou serem destituídos de cargas. tem sistema para transporte ativo de íons. Os poros têm diâmetro variável apresentando um valor médio de 0. Esses canais podem ter carga positiva.Poros ou canais: são "falhas" na membrana constituídas por proteínas ou por moléculas lipídicas. modelo mosaico fluido Ligações na Membrana A membrana não é uma estrutura covalente. são coulombianas. Permitem a passagem de moléculas pequenas cujo diâmetro seja inferior ao diâmetro do poro. As forças que mantém as biomoléculas na membrana .8 nm. Enzimas: É um importante catalisador que une ou separa moléculas.

em especial a célula do neurônio e células musculares. dessa forma. Fagocitose . denominado meio intracelular. . freqüentemente estão associados aos operadores. FOGOCITOSE E PINOCITOSE Fagocitose e Pinocitose Em algumas células ocorrem processos que permitem a entrada de partículas (sólidas ou líquidas) do meio externo para o interior da célula. em alta concentração. Exemplos: lipídios e proteínas. As células estão imersas em uma outra grande solução. Moléculas afins se difundem com facilidade através dessas zonas. mas neste caso a função não é alimentar. que é denominada meio extracelular (LEC). Dentro da células existem um complexo ambiente químico. e sim de defesa. são fenômenos que ocorrem na membrana celular que explicam como as células nervosas podem ser excitadas e transmitir esta excitação para outra parte do sistema nervoso e sistema muscular. A endocitose pode ocorrer de duas maneiras: por fagocitose ou por pinocitose. constituído principalmente por água. Esses processos são chamados genericamente de endocitose e geralmente ocorrem em células que constituem organismos unicelulares.Operadores: são estruturas protéicas capazes de realizar transporte contra um gradiente de concentração do soluto transportado. proteínas e saís inorgânicos (LIC). (células estas ditas excitáveis) que podem reagir a estímulos vindos do ambiente externo. Alguns receptores podem estar acoplados a canais regulando.Zonas de difusão facilitada: são regiões que possuem moléculas de uma determinada espécie química. Operam no sentido unidirecional e são dependentes do fornecimento de energia (ATP). Como já foi mencionado nosso corpo é constituído predominantemente por água. .Receptores: são locais (sítios) específicos da membrana onde podem se encaixar moléculas (mensageiras) que passam uma determinada informação à célula. Algumas células de organismos multicelulares também podem realizar esses processos. vivendo em meio aquoso. Os processos de membrana. As soluções dentro e fora da células tem diferentes composições. E sabemos que as reações bioquímicas podem ocorrer somente nesta solução. e este fato é muito importante para a função da célula. . os processos de permeabilidade celular receptores.com carga positiva facilitam a passagem de moléculas negativas e vice-versa. Os canais podem apresentar portões.

A célula produz expansões da membrana plasmática (pseudópodes) que envolvem as partículas e as englobam. Essa segunda bolsa recebe o nome de vacúolo digestivo e o processo todo é chamado de digestão intracelular heterofágica. (que contém as enzimas digestivas). que lhe irão servir de alimento. quando ela digere material da própria célula (como organelas velhas em processo de degeneração) fala-se em digestão intracelular autofágica e os vacúolos são chamados de vacúolos autofágicos. que passa a se chamar vacúolo residual. também chamada de suicídio celular. A morte programada é essencial para o desenvolvimento e funcionamento de vários tecidos. a partícula fica em uma bolsa que recebe o nome de fagossomo. Depois esta bolsa se une ao lisossomo. Primeiramente. As amebas e protozoários. elas perdem a função e formam massas de células como os tumores. Em ambos os casos. pois ao longo do desenvolvimento muitas células morrem como parte normal do processo. para que a digestão aconteça e os materiais úteis sejam aproveitados pela célula. isto é. podendo ser depois eliminado da célula. Este processo nada mais é do que a morte programada de uma célula que ocorre normalmente. Quando o processo de digestão intracelular ocorre sem que o material digerido venha de fora por meio da fagocitose. o material não digerido permanece no interior da bolsa membranosa. utilizam-se do processo de fagocitose para capturar .Processo utilizado pela célula para englobar partículas sólidas. por exemplo. Quando as células que já não têm utilidade perdem a capacidade de se autodestruir. A digestão intracelular autofágica é relacionada a um importante mecanismo das células eucarióticas chamado de apoptose.

). em um processo inverso ao que ocorre na fagocitose. participando das etapas do metabolismo celular. esteróides. é através do processo de pinocitose que as células do intestino delgado capturam gotículas de lipídios resultantes da digestão. Quando as bordas desse canal se fecham. como bactérias. que participam da síntese de macromoléculas e transporte de substância dentro da célula. O caminho inverso também pode ser percorrido por determinadas substâncias que devem ser eliminadas da célula. Isto ocorre. As proteínas sintetizadas podem permanecer no próprio citosol. pelo qual certas células ingerem líquidos ou pequenas partículas através de minúsculos canais que se formam em sua membrana plasmática.liso: síntese de lipídios (gorduras. são digeridas nesse processo.partículas alimentares que. por exemplo. forma-se uma bolsa membranosa chamada de pinossomo. nas etapas de respiração celular. em meio aquoso. inativando-as. contendo o alimento em seu interior. *Retículo Endoplasmático: Sistema de canais membranosos. eliminando seu conteúdo para o exterior da célula. Em nosso organismo. colesterol. Posteriormente esses materiais são digeridos e aproveitados pela célula. em organismos unicelulares. ou podem ser transportadas para outros locais dentro da célula. No organismo humano. através de um processo chamado de clasmocitose e que garante a eliminação de resíduos celulares não digeridos. Pinocitose Processo semelhante ao da fagocitose. uma vez dentro da célula. alguns glóbulos brancos utilizam a fagocitose para englobar microorganismos invasores. ORGANELAS CELULARES Organelas Celulares Organelas presentes no citoplasma *Ribossomos: síntese de proteínas.. na mitocôndria.. onde a bolsa se funde a ela. *Retículo Endoplasmático . Os resíduos envoltos em uma bolsa membranosa são levados até a membrana plasmática. por exemplo. como por exemplo. .

que resulta em gás carbônico e água. quebra). *Centríolos: Além de desempenharem papel importante no processo de divisão celular formando os pólos. as quais serão transportadas internamente para o Complexo de Golgi. e este processo gera a liberação de energia. que podem armazenar e transformar substâncias que chegam via retículo endoplasmático. sendo local de produção de proteínas. *Aparelho de Golgi: são bolsas membranosas e achatadas. podem também eliminar substâncias produzidas pela célula. Brown imaginou que o núcleo fosse a semente da célula. que são os lisossomos. são responsáveis pela formação de cílios e flagelos. não haviam compreendido a enorme importância dessas estruturas para a vida das células. O NUCLEO O núcleo celular O pesquisador escocês Robert Brown (1773. que significa semente. *Lisossomos (do grego lysis = dissolução. O grande mérito de Brown foi justamente reconhecer o núcleo como componente fundamental das células. onde são acumuladas em vesículas. conduzidas pelo aparelho de Golgi. Realiza uma oxidação biológica intracelular de compostos orgânicos (na presença de oxigênio).1858) é considerado o descobridor do núcleo celular. Embora muitos citologistas anteriores a ele já tivessem observados núcleos.*Retículo endoplasmático – rugoso: encontram aderidos a sua superfície externa ribossomos. Apresenta funções heterofágicas (referente à digestão de substâncias que entram na célula). *Mitocôndria: respiração celular (geração de energia). O nome que ele escolheu expressa essa convicção: a palavra ―núcleo‖ vem do grego nux. e autofágicas (referentes à digestão de materiais e organelas da própria célula). soma = corpo): Realiza a digestão intracelular. Estrutura que apresenta enzimas digestivas capazes de digerir um grande número de produtos orgânicos. Estas enzimas são produzidas no RER. mas que irão atuar fora dela (enzimas por exemplo). por analogia aos frutos. que é utilizada no metabolismo celular. .

A carioteca A carioteca (do grego karyon. devido à presença da carioteca ou membrana nuclear. o material hereditário está separado do citoplasma por uma membrana – a carioteca – enquanto na célula procarionte o material hereditário se encontra mergulhado diretamente no líquido citoplasmático. Os componentes do núcleo O núcleo das célula que não estão em processo de divisão apresenta um limite bem definido. núcleo e theke.Hoje. Existem ainda um ou mais corpos densos (nucléolos) e um líquido viscoso (cariolinfa ou nucleoplasma). Células eucariontes e procariontes A membrana celular presente nas células eucariontes. Na célula eucarionte. visível apenas ao microscópio eletrônico. caixa) é um envoltório formado por duas membranas lipoprotéicas cuja organização molecular é semelhante as demais . A maior parte do volume nuclear é ocupada por uma massa filamentosa denominada cromatina. sabemos que o núcleo é o centro de controle das atividades celulares e o ―arquivo‖ das informações hereditárias. invólucro. que a célula transmite às suas filhas ao se reproduzir. mas ausente nas procariontes.

abrindo-se para dar passagem a determinadas moléculas e fechando-se em seguida. Neste caso. A face interna da carioteca encontra-se a lâmina nuclear. Em cada poro existe uma complexa estrutura protéica que funciona como uma válvula. fenômenos que ocorrem durante a divisão celular. Entre essas duas membranas existe um estreito espaço. apresenta ribossomos aderidos à sua superfície. Os poros nucleares são mais do que simples aberturas. chamado cavidade perinuclear. através das quais determinadas substâncias entram e saem do núcleo. A lâmina nuclear participa da fragmentação e da reconstituição da carioteca. A face externa da carioteca.membranas celulares. A cromatina . uma rede de proteínas que lhe dá sustentação. Dessa forma. muitas vezes. em algumas partes. se comunica com o retículo endoplasmático e. a carioteca pode controlar a entrada e a saída de substâncias. o espaço entre as duas membranas nucleares é uma continuação do espaço interno do retículo endoplasmático. Poros da carioteca A carioteca é perfurada por milhares de poros.

que se refere à cromatina mais densamente enrolada. não membranoso. cada um deles formado por uma longa molécula de DNA associada a moléculas de histonas. rico em RNA ribossômico (a sigla RNA provém do inglês RiboNucleic Acid). (4) Cromatina condensada em profase. acertadamente. cor) é um conjunto de fios. (2) Filamento de cromatina (DNA com histonas). foi denominado eucromatina (do grego eu. É importante perceber que ao ocorrer a espiralação cromossômica os nucléolos vão desaparecendo lentamente. associados a algumas regiões específicas da cromatina. (Existem agora duas cópias da molécula de DNA) (5) Cromossoma em metafase Os nucléolos Na fase que a célula eucariótica não se encontra em divisão é possível visualizas vários nucléolos. Os antigos citologistas já haviam observados esse fato e imaginado. (1) Cadeia simples de DNA . diferente). Diferentes níveis de condensação do DNA. Quando se observam núcleos corados ao microscópio óptico. Isso acontece durante os eventos que caracterizam a divisão . Esses fios são os cromossomos. Este RNA é um ácido nucléico produzido a partir o DNA das regiões específicas da cromatina e se constituirá um dos principais componentes dos ribossomos presentes no citoplasma. verdadeiro). um tipo especial de proteína. ou mais condensadas. Cada nucléolo é um corpúsculo esférico. Para assinalar diferenças entre os tipos de cromatina. (3) Cromatina condensada em interfase com centrómeros. de aspecto esponjoso quando visto ao microscópio eletrônico. que as regiões mais coradas correspondiam a porções dos cromossomos mais enroladas. nota-se que certas regiões da cromatina se coram mais intensamente do que outras.A cromatina (do grego chromatos. foi criado o termo heterocromatina (do grego heteros. O restante do material cromossômico. do que outras. de consistência mais frouxa.

no final da divisão do núcleo. . os cromossomos de uma célula interfásica humana. A cromatina da célula interfásica. invisível ao microscópio óptico. O primeiro constituinte cromossômico a ser identificado foi o ácido desoxirribonucléico. uma vez que sua espessura não ultrapassa 30 nm. Os preparativos para a divisão celular têm inicio com a condensação dos cromossomos. obteríamos 46 filamentos. até assumirem o aspecto de bastões compactos. tornando-se progressivamente mais curtos e grossos. Alguns anos mais tarde. Cromossomos da célula em divisão Quando a célula vai se dividir. o núcleo e os cromossomos passam por grandes modificações. como já foi mencionada. é uma massa de filamentos chamados de cromossomos. Constituição química e arquitetura dos cromossomos Descobrir a natureza química dos cromossomos foi uma árdua tarefa que mobilizou centenas de cientistas e muitos anos de trabalho. descobriu-se que a cromatina também é rica em proteínas denominadas histonas. o DNA.celular. logos e finos. que começam a se enrolar sobre si mesmos. um por um. os cromossomos humanos formariam um fio de 5 cm de comprimento. Colocado em linha. Em 1924. A estrutura dos cromossomos Cromossomos da célula interfásica O período de vida da célula em que ela não está em processo de divisão é denominado interfase. Feugen desenvolveu uma técnica especial de coloração que permitiu demonstrar que o DNA é um dos principais componentes dos cromossomos. o pesquisador alemão Robert J. O reaparecimento dos nucléolos ocorre com a desespiralação dos cromossomos. Se pudéssemos separar.

que se originam nos cinetecóro 3. Mitose A mitose é um processo de divisão celular. microtúbulos polares que se originam no polo. aparecem como regiões ―estranguladas‖ do bastão cromossômico. metáfase. as heterocromatinas. devido a esse alto grau de empacotamento. que é uma região do cromossoma que se liga ao fuso mitótico. Microtúbulos livres. e se localiza num segmento mais fino denominado de constricção primária. No cromossomo condensado. chamadas constrições. que estão condensadas mesmo durante a interfase. As cromátides estão ligadas entre si através do centrômero. característico de todas as células somáticas vegetais e animais. ásteres e cromossomos. O desenvolvimento das sucessivas fases da mitose são dependentes dos componentes do aparelho mitótico Aparelho Mitótico O aparelho mitótico é constituído pelos fusos. 2. Microtúbulos cinetecóricos. as regiões eucromáticas se enrolam mais frouxamente do que as heterocromáticas. cada uma delas contém uma única molécula de DNA.Constrições cromossômicas Durante a condensação cromossômica. telófase e intérfase nas quais ocorrem grande modificações no núcleo e no citoplasma. O áster é um grupo de microtúbulos irradiados que convergem em direção do centríolo. É um processo contínuo que é dividido didaticamente em 5 fases: Profáse. Fases da Mitose Prófase . Cada cromossoma é composto por duas estruturas simétricas: as cromátides. As fibras do fuso são constituídas por: 1. centríolos. anáfase.

envolve uma mistura de genomas de 2 indivíduos. Essas duas versões são denominadas de homólogos. um núcleo de célula diplóide contém 2 versões similares de cada cromossomo autossomo. Este tipo de reprodução assexuada é simples e direta e produz organismos geneticamente iguais. O ciclo reprodutivo sexual envolve a alternância de gerações de células haplóides. acompanhadas por uma só duplicação cromossômica. cada um desses cromossomos é replicado dando origem as cromátides que são então . Meiose O que é meiose? A meiose é um processo de divisão celular em que uma célula diplóide (2n) forma quatro células haplóides (n). Essas duas versões são chamadas de homologas. na intérfase. Posteriormente novas células diplóides são geradas quando os descendentes de células diplóides se dividem pelo processo de meiose. Quando o DNA é duplicado pelo processo de replicação. e na maioria das células possuem existência como cromossomos independentes. com gerações de células diplóides. um cromossomo paterno e 1 cromossoma materno. Verifica-se que cada cromossomo é constituído de duas cromátides unidas pelo centrômero. A meiose consiste em duas divisões celulares. formando os cromossomos. o que significa que a duplicação dos cromossomos ocorreu antes da prófase. para produzir um indivíduo que diferem geneticamente de seus parentais. A reprodução sexual por sua vez. Organismos simples podem reproduzir-se através de divisões simples. ou seja. A mistura de genomas é realizada pela fusão de células haplóides que formam células diplóides. Com exceção dos cromossomos que determinam o sexo.A prófase começa com o aumento do volume nuclear e com a condensação da cromatina.

A meiose desenvolveu-se para evitar essa progressão. ou seja somente um cromossomo no lugar de um par de homólogos. A meiose é um processo que envolve 2 divisões celulares com somente uma duplicação de cromossomas. se ocorre se a fusão dessas células. onde observam-se: 1) Período S longo. Na meiose o cromossomo produzido possui apenas a metade do número de cromossomos. pois reduz o número de cromossomos de um estado diplóide (2n) para o haplóide (n). teríamos como resultado células com o dobro de cromossomas e isso ocorreria em progressão. G2 ) com eventos semelhantes aos observados na mitose. a fusão resultaria em uma célula com 92 cromossomas.separadas durante a anáfase e migram para os polos celulares. Os gametas masculinos e femininos ( espermatozóides e óvulos ) que são produzidos nos testículos e ovários respectivamente as gônadas femininas e masculinas. Exemplificando: O homem possui 46 cromossomas. e num determinado momento da fase G2 do ciclo celular ocorrem alterações que levam as células a entrar em meiose e darem origem a células háploides ou seja células que possuem a metade do número (n) de cromossomas da espécie. devido a ativação de sítios únicos para a meiose. Fases da Meiose A meiose ocorre apenas nas células das linhagens germinativas masculina e feminina e é constituída por duas divisões celulares: Meiose I e Meiose II. 2) aumento do volume nuclear. O processo geral obedece ao seguinte esquema: . A meiose ( meioum = diminuir ) ocorre nas células produtoras de gametas. sofrem sucessivas divisões mitóticas. Experimentalmente demonstra-se que eventos decisivos ocorrem em G2. Podemos definir meiose como sendo o processo pelo qual número de cromossomos é reduzido a metade. O gameta é dotado de uma cópia do cromossoma materno ou paterno. A segunda divisão é chamada equacional e mantém o número haplóide. Desta maneira cada célula filha recebe uma cópia do cromossomo paterno e uma cópia do cromossoma materno. Os gametas se originam de células denominadas espermatogonias e ovogonias. A primeira divisão meiótica é chamada reducional. que são células diplóides. Vimos que a mitose resulta em células com o mesmo número de cromossomas. As células filhas dessas células desenvolvem ciclo celular. A regulação do processo meiótico inicia-se durante a fase mitótica. O esquema geral da meiose A meiose envolve duas divisões celulares. As espermatogônias e ovogônias. A meiose é precedida por um período de intérfase ( G1. S.

Esses folhetos são: ectoderma (o mais externo). a notocorda regride totalmente ou quase totalmente e a coluna vertebral se desenvolve a partir da mesoderma. Na gastrulação. Esses animais têm sexos separados e a fecundação é externa. A quantidade de vitelo que o ovo apresenta determina o tipo de segmentação. GASTRULAÇÃO Gastrulação Para falarmos da gastrulação. O anfioxo é um animal de cerca de 6 cm de comprimento que vive enterrado na areia em águas rasas do ambiente marinho. um bastonete flexível que fica no dorso do embrião. Segmentação ou clivagem Segmentação ou clivagem consiste em sucessivas divisões do zigoto num determinado número de células chamadas blastômeros. como é o caso do anfioxo. que darão origem a todos os tecidos e órgãos. quando este apresenta-se em excesso pode dificultar e até mesmo impedir a segmentação do ovo. como se um dedo empurrasse a parede de uma bexiga. A notocorda persiste no adulto de alguns animais cordados.EMBRIOLOGIA 2. A blastocele se reduz e chega a desaparecer. Nos animais vertebrados. representados pelo anfioxo e pelas rãs. O ovo do anfioxo é oligolécito e a sua segmentação é total subigual. a cavidade interna que se forma é o intestino primitivo ou arquêntero. Os cordados são animais que possuem notocorda. diferenciam-se os folhetos germinativos ou embrionários. No ponto de invaginação surge um orifício denominado blastóporo. O término da segmentação ocorre com a formação da blástula. mesoderma (o intermediário) e endoderma (o mais interno). deixando para fora apenas a região anterior do corpo. A gastrulação ocorre por um processo denominado invaginação dos blastômeros para o interior da blastocele. vamos tomar como exemplo o que ocorre em animais cordados. excluindo alguns peixes. . Como o vitelo é uma substância inerte.

Os animais que possuem três folhetos germinativos são chamados triblásticos ou triploblásticos. Por invaginação forma-se uma fenda: o blastóporo. O esquema acima descreve de forma simplificada a gastrulação em anfioxo. como é o caso dos cordados.) Nas rãs a fecundação é externa. os óvulos são heterolécitos e a segmentação é total desigual. fala-se em desenvolvimento direto. Esses animais são chamados diblásticos ou diploblásticos. Ocorre também a diferenciação dos três folhetos germinativos: o ectoderma. Assim. o girino que sofre metamorfose. originando o adulto. Por epibolia os micrômeros passam a se dividir rapidamente e acabam por recobrir os macrômeros. O blastóporo adquire o aspecto de um círculo. . a camada interna que reveste diretamente o arquêntero é chamada mesentoderma e dará origem. o mesoderma e o endoderma. Quando a fase larval não está presente. Existem entretanto. logo a seguir ao mesoderma e ao endoderma. em desenvolvimento indireto. (Há quem considere o mesentoderma como endoderma e o mesoderma formado a partir do endoderma. pois há uma fase larval. como e o caso dos cnidários. nesses casos. Neste caso. A gastrulação das rãs ocorre por invaginação e também por epibolia. Forma-se uma larva aquática. todo o desenvolvimento embrionário ocorre na água. Os micrômeros insinuam-se para dentro da blastocele. animais que possuem apenas dois folhetos germinativos: o ectoderma e o endoderma. delimitando o arquêntero. Os micrômeros insinuam-se primeiramente pelo lábio ventral. Os óvulos possuem um envoltório gelatinoso que desseca em contato com o ar. Fala-se.

orifício de comunicação do arquêntero com o exterior. três outras características são fundamentais:  formação dos folhetos embrionários ou germinativos. As mitoses prosseguem e as células começam a se distribuir em regiões específicas. além de o embrião aumentar de volume. A blástula admite uma divisão espacial: as células periféricas constituem o trofoblasto. Nos animais. ao se formar. [editar] Formação do Embrião O zigoto. Blástula. o interior da blástula possui uma cavidade. Neurulação. iniciando uma diferenciação celular.Assim. a blastocele. . Mórula.   formação do arquêntero ou intestino primitivo. originando células que constituem a mórula. ligado à formação da placenta. À massa celular que se organiza neste instante se denomina blástula. envolve um conjunto de cinco etapas:      Segmentação ou clivagem. que darão origem a todos os tecidos e órgãos. formação do blastóporo. além do embrioblasto. sofre sucessivas mitoses. a blástula recebe o nome de blastocisto. e as células mais internas formam o embrioblasto. na gastrulação das rãs. Gastrulação. Na espécie humana. que dará origem ao embrião propriamente dito. ORGANOGENESE A Organogênese é o processo de desenvolvimento do embrião.

este último dará origem aos folhetos da mesoderma e endoderma. Nessa perspectiva. três mucosas corpóreas (oral. Na nêurula. o embrião tem seu desenvolvimento continuado com a gastrulação. o cristalino. Em seguida o embrião atinge a fase de nêurula. Os três folhetos embrionários dão origem a órgãos e estruturas do corpo do embrião. A passagem da fase de gástrula à de nêurula é denominada neurulação. gônadas e ureteres. o esmalte dos dentes. O epímero forma o esqueleto axial. possui uma abertura chamada blastóporo. é dividida em epímero. [editar] Anexos Embrionários Resultam dos folhetos parietal e visceral. a derme (tecido conjuntivo) e o tecido muscular. é válido afirmar que:  A ectoderma origina a epiderme e seus anexos (pêlos. o pericárdio -revestimento cardíaco . O folheto parietal também é chamado de mesoderma somático. paratireóide. entre outros.  Já a endoderma é o folheto do qual surgem o os alvéolos pulmonares e as seguintes glândulas: fígado. Já a esplancnopleura (mesoderma esplâncnico) gera o alantóide e o saco vitelino. unhas. isto é. A partir daí.Após a formação da blástula. a mesoderma induz a ectoderme a formar o tubo neural (também chamado de canal neural). estruturas que revestem externamente o embrião. já se observa o celoma. Por fim. além de três serosas: pleura (reveste externamente o pulmão). surgindo com os marsupiais e aumento . que origina os músculos lisos e cardíacos. por sua vez. a hipófise. tireóide. conhecida também como arquentero. a córnea (esses três últimos no olho).e peritônio (abdomem). além dos anexos embrionários. A conclusão do desenvolvimento embrionário se dá com o processo organogenético.). Lembrando que alguns autores consideram a fase de neurulação como a primeira fase do processo de Organogênese. processo pelo qual a blástula origina a gástrula. O mesoderma somático (ou somatopleura) origina o âmnio e o cório. cascos. Na gástrula.  A mesoderma. de formação de órgãos. mesômero e hipômero. formada pelo dobramento da gástrula sobre si mesma. ocorrem divisões e especializações celulares. O mesômero. também é básica à formação do revestimento interno dos tratos digestório e respiratório. A cavidade gastrocele. o sistema nervoso (através do tubo neural). anal e nasal). ao passo que o folheto visceral pode ser ainda denominado mesoderma esplâncnico. o hipômero. Compreende a formação da mesoderma. [editar] Organogênese Durante a organogênese. ao contrário da blastocele que não possuía abertura. chifres etc. a retina. A placenta é um órgão de origem fetomaterna que ocorre exclusivamente em mamíferos. identificam-se os folhetos ectodérmicos e mesentodérmicos. Há o surgimento de uma cavidade. rins.

Cada ―receita‖ é um gene. que contêm o . não possuem placenta. o gene é uma seqüência de nucleotídeos do DNA que pode ser transcrita em uma versão de RNA e conseqüentemente traduzida em uma proteína. constituída por 46 volumes. apesar de mamíferos.a complexidade entre os eutérios. e o núcleo de uma célula humana é comparável a uma biblioteca. Portanto. O Ornitorrinco e a equidna. Conceito de genoma Um cromossomo é comparável a um livro de receita de proteínas. GENÉTICA Cromossomos e genes O que são genes? As moléculas de DNA dos cromossomos contêm ―receitas‖ para a fabricação de todas as proteínas da célula.

desta vez utilizando didesoxirribonucleotídeos marcados com fluoróforos para a determinação da seqüência. . Consistiu num esforço mundial para se decifrar o genoma. Projeto Genoma Humano O Projeto Genoma Humano (PGH) teve por objetivo o mapeamento do genoma humano. dois anos antes do previsto. Para o seqüenciamento de um gene. os cientistas mapearam o genoma humano através do Projeto Genoma Humano. com um financiamento de 3 milhões de dólares do Departamento de Energia dos Estados Unidos e dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos. Devido à grande cooperação da comunidade científica internacional. é denominado genoma. O projeto foi fundado em 1990. os genes que codificam as proteínas do corpo humano e também aquelas seqüências de DNA que não são genes. e então clonado em bactérias. O conjunto completo de genes de uma espécie. graças a modernas técnicas de identificação dos genes. com as informações para a fabricação dos milhares de tipos de proteínas necessários à vida. Laboratórios de países em desenvolvimento também participaram do empreendimento com o objetivo de formar mãode-obra qualificada em genômica. executa-se uma nova reação em cadeia (PCR). associada aos avanços no campo da bioinformática e das tecnologias de informação. e a identificação de todos os nucleotídeos que o compõem. centenas de laboratórios de todo o mundo se uniram à tarefa de seqüenciar. Após a obtenção de quantidade suficiente de DNA. é necessário que ele seja antes amplificado numa reação em cadeia da polimerase. Após a iniciativa do National Institutes of Health (NIH) dos Estados Unidos. um a um. e tinha um prazo previsto de 15 anos.receituário completo de todas as proteínas do indivíduo. um primeiro esboço do genoma foi anunciado em 26 de Junho de 2000. Atualmente.

aproximadamente 50% codificam para proteínas de função conhecida.000) haviam sido seqüenciados. São ácidos nucléicos encontrados em todas as células e também são conhecidos em português pelas siglas ADN e ARN (ácido desoxirribonucléico e ácido ribonucléico). que faz proteína (embora existam exceções os retrovírus. com o seqüenciamento de 99% do genoma humano.Em 14 de Abril de 2003. Apesar dessas lacunas. partes do DNA que possuem muitas repetições de bases nitrogenadas também ainda não foram totalmente seqüenciadas. C citosina ou G guanina). ESTRUTURA DNA RNA DNA e RNA sobre Biologia por Cynara C. os centrômeros e os telômeros dos cromossomos. De todos os genes que tiveram sua seqüência determinada. Com a tecnologia da época. um comunicado de imprensa conjunto anunciou que o projeto foi concluído com sucesso. Kessler Substâncias químicas envolvidas na transmissão de caracteres hereditários e na produção de proteínas compostos que são o principal constituinte dos seres vivos. Estimativas atuais concluem que apenas cerca de 2% do material genético humano é composto de genes. por exemplo. A dupla hélice é um fator essencial na replicação do DNA durante a divisão celular cada hélice serve de molde para outra nova. um grupo fosfato e uma base nitrogenada (T timina. A adenina. como o vírus da Aids). Por limitações tecnológicas. Deve-se lembrar que nem todo o DNA humano foi seqüenciado. Essas partes incluem. e existe provavelmente por razões estruturais. com uma precisão de 99.99%. o DNA faz RNA. DNA O ácido desoxirribonucléico é uma molécula formada por duas cadeias na forma de uma dupla hélice. . enquanto que a maior parte parece não conter instruções para a formação de proteínas. De acordo com a moderna Biologia . assim como a compreensão de diversas doenças genéticas humanas. Essas cadeias são constituídas por um açúcar (desoxirribose). Muito pouco dessa maior parte do material genético tem sua seqüência conhecida. estimou-se que todos os genes (em torno de 25. Os trabalhos do projeto foram dados como concluídos em 2003. a conclusão do genoma já está facilitando o desenvolvimento de fármacos muito mais potentes.

DOMINÂNCIA COMPLETA E INCOMPLETA Dominância completa Nos casos de dominância completa. na forma de unidades conhecidas como genes. apenas os genes relacionados à proteína que se quer produzir são copiados na forma de RNA mensageiro. um grupo fosfato e uma base nitrogenada (U uracila. o código genético . o alelo recessivo só se manifesta em homozigotia. para onde se dirige o RNA mensageiro. um fosfato e uma base é um "nucleotídeo". portanto. para isso ele forma um tipo específico de RNA. C citosina ou G guanina). ou seja: Ex: . O DNA não é o fabricante direto das proteínas. GAG. Existem apenas dois fenótipos possíveis. Cada grupo de três bases (ACC. os ribossomos. A adenina. ou seja. e citosina sempre com guanina). Já a "fábrica" de proteínas fica no citoplasma celular em estruturas específicas. A sequência indica uma outra sequência. Um grupo reunindo um açúcar. no processo chamado transcrição. está registrada na sequência de suas bases na cadeia (timina sempre ligada à adenina. ser responsável pela síntese de uma proteína composta por centenas de aminoácidos. está no DNA. o indivíduo heterozigótico apresenta o fenótipo condicionado pelo alelo dominante. o RNA mensageiro é por sua vez lido por moléculas de RNA de transferência. Nos ribossomos. Na transcrição.RNA O ácido ribonucléico (RNA) é uma molécula também formada por um açúcar (ribose). no núcleo das células. O código genético. Neste caso vai apresentar um fenótipo intermédio entre os dois indivíduos homozigóticos antagónicos. Código genético A informação contida no DNA. responsável pelo transporte dos aminoácidos até o local onde será montada a cadeia protéica. Essa produção de proteínas com base em um código é a base da Engenharia genética. CGU etc.) é chamado códon e é específico para um tipo de aminoácido. Um pedaço de ácido nucléico com cerca de mil nucleotídeos de comprimento pode. a de aminoácidos substâncias que constituem as proteínas. Ex: Dominância incompleta Nos casos de dominância incompleta. o RNA mensageiro. o indivíduo heterozigótico vai apresentar um fenótipo diferente dos indivíduos homozigóticos.

com faixas amarelas perto das pontas. Cch. cchca FENÓTIPO aguti ou selvagem chinchila . a determinação de um caráter os alelos interagem dois a dois.Co-dominância Nos casos de co-dominância. *gene ca: determina a pelagem albina. Cada indivíduo poderá ter no máximo 2 alelos diferentes sendo um de origem materna e outra de origem paterna portanto. caracterizada pela presença de pêlos brancos na maior parte do corpo do animal. o indivíduo heterozigótico vai apresentar um fenótipo diferente dos indivíduos homozigóticos. Cca cchcch. contrastantes. *gene cch: condiciona a pelagem chinchila. no focinho e nas patas. cchch. Ccch. no rabo. ou seja: Ex: POLIALELISMO Polialelia ou Alelos múltiplos São caracteres condicionados por 3 ou mais genes alelos. A ordem de dominância de um gene sobre outro ou outros ocorre na seguinte seqüência: C>cch>ch>ca Utilizando-se esta seqüência de dominância podemos construir os seguintes genótipos e obter os seguintes fenótipos: GENÓTIPO CC. que se caracteriza pela presença de pêlos pretos ou marrom-escuros. Neste caso vai apresentar um fenótipo que resulta da mistura dos dois indivíduos homozigóticos antagónicos. caracterizada por pêlos cinza-claros sem faixas amarelas. Coloração de pelagem em coelhos Nos coelhos existem quatro genes alelos que participam da coloração da pelagem. *gene ch: condiciona a pelagem Himalaia. *gene C: condiciona a pelagem selvagem ou aguti. o coelho é totalmente branco. com manchas pretas ou marrons nas orelhas. isto é.

Nas hemácias humanas podem existir dois tipos de proteínas: o aglutinogênio A e o aglutinogênio B. não pode ter aglutinina anti-B. Se uma pessoa possui aglutinogênio A. não pode ter aglutinina anti-A. Grupo O – não possui aglutinogênios. De acordo com a presença ou não dessas hemácias. Cada pessoa pertence a um desses grupos sanguíneos.chch. ocorrem reações que provocam a aglutinação ou o agrupamento de hemácias. da mesma maneira. se possui aglutinogênio B. o que pode entupir vasos . chamadas aglutininas: aglutinina anti-A e aglutinina anti-B. Nos seres humanos existem os seguintes tipos básicos de sangue em relação aos sistema ABO: grupo A. Caso contrário. chca caca himalaia albino OS GRUPOS SANGUINEOS Os grupos sanguíneos O fornecimento seguro de sangue de um doador para um receptor requer o conhecimento dos grupos sanguíneos. o sangue é assim classificado:     Grupo A – possui somente o aglutinogênio A. Grupo B – possui somente o aglutinogênio B. No plasma sanguíneo humano podem existir duas proteínas. grupo AB e grupo O. Estudaremos dois sistemas de classificação de grupos sanguíneos na espécie humana: os sistemas ABO e Rh. Grupo AB – possui somente o aglutinogênio A e B. grupo B.

Esse processo pode levar a pessoa à morte. nos casos de transfusão sanguínea. com genótipo rr.sanguíneos e comprometer a circulação do sangue no organismo. gradativamente e. sendo fabricado apenas por indivíduos Rh-. que foi denominado fator RH e o anticorpo produzido no sangue da cobaia foi denominado de anti-Rh. quando recebem sangue Rh+. Assim. perceberam que elas produziam anticorpos. esta que atinge 1 criança a cada 200 nascimentos. assim. sendo geneticamente recessivos. Os indivíduos que não apresentam o fator h são denominados h . Indivíduos que apresentam o fator Rh são conhecidos como Rh+. Anti-Rh não existe naturalmente no sangue das pessoas. h pode doar para h ou Rh+ e Rh+ só doa para Rh+ . . Ao injetar sangue deste em cobaias. concluíram que havia nas hemácias do sangue do macaco um antígeno. Em 1940. apresentando os genótipos ou h. Landsteiner e Wiener realizaram experiências com o sangue do macaco Rhesus. Na tabela abaixo você pode verificar o tipo de aglutinogênio e o tipo de aglutinina existentes em cada grupo sanguíneo: Grupo sanguíneo A B AB Aglutinogênio Aglutinina A B AeB anti-B anti-A Não possui anti-A e anti-B O Não possui FATOR RH ERITROBLASTOSE FETAL Há formas de se driblar a eritroblastose fetal.

A eritroblastose fetal, ou doença de Rhesus, doença hemolítica por incompatibilidade de Rh ou doença hemolítica do recém-nascido ocorre em 1 entre 200 nascimentos e consiste na destruição das hemácias do feto de h+ pelos anticorpos de mãe h .

Para que exista risco de uma mãe de fator negativo dar a luz a uma criança Rh+ com a doença, deverá ter sido previamente sensibilizada com sangue de fator positivo por transfusão de sangue errônea ou, ainda, gestação de uma criança fator positivo, cujas hemácias passaram para a circulação materna.

Em razão dessa destruição, o indivíduo torna-se anêmico e, em face da deposição de bilirrubina em vários tecidos, poderá apresentar icterícia, cujo acúmulo substancial é tóxico ao sistema nervoso, podendo causar lesões graves e irreversíveis. Criança natimorta, com paralisia cerebral ou portadora de deficiência mental ou auditiva também pode ocorrer. Nos casos em que o filho é RH (-) e a mãe (+) não há problema, porque a produção de anticorpos pela criança só inicia cerca de seis meses após o nascimento.

Como resposta à anemia, são produzidas e lançadas no sangue hemácias imaturas, eritroblastos. A doença é chamada de Eritroblastose Fetal pelo fato de haver eritroblastos na circulação do feto.

Normalmente, os cuidados com o recém-nascido afetado pela doença envolvem a fotossensibilização (luz néon, que destrói a bilirrubina) e a substituição do sangue Rh+ da criança por sangue h .

A maioria das hemorragias transplacentais ocorre na hora do parto. Se a passagem em quantidade de hemácias do sangue do feto para o sangue da mãe for detectada, pode-se administrar gamaglobulina anti-Rh, eliminando as hemácias fetais do sangue materno, evitando assim a sensibilização e a possível concepção de um bebê com eritroblastose.

ORGANISMO GENÉTICAMENTE MODIFICADO OGM

O que é um Organismo Genéticamente Modificado ? Entende-se por organismo geneticamente modificado (OGM) todo o organismo cujo seu material genético foi manipulado de modo a favorecer alguma característica desejada.

Normalmente quando se fala em Organismos geneticamente modificados refere-se aos organismos transgénicos, mas estes não são exactamente a mesma coisa. Um transgénico é um organismo geneticamente modificado, mas um organismo geneticamente modificado não é obrigatoriamente um transgénico.

Um OGM é um organismos cujo material genético foi manipulado e um transgénico é um organismo que possui um ou mais genes (uma porção de DNA que codifica uma ou mais proteínas) de outro organismo no seu material genético, ou seja, uma bactéria, por exemplo, pode ser modificada geneticamente para expressar mais vezes uma proteína, mas não é um transgénico, já que não recebeu nenhum gene de outro ser vivo. Em síntese, um organismo geneticamente modificado só é considerado um transgénico se for introduzido no seu material genético parte de material genético de outro ser.

CÉLULAS TRONCOS

Célula-tronco é um tipo de célula com duas capacidades especiais: a de se transformar em, outros tipos de células, incluindo as do cérebro, coração, ossos, músculos e pele, o que torna diferente das demais, que só podem trazer parte de um tecido específico (por exemplo: células epiteliais não constituem nada além de pele); e a de poder gerar cópias idênticas de si mesmas.Por causa dessas capacidades, as células-tronco estão sendo muito pesquisadas, pois o intuito é usa-las como células substitutas em tecidos lecionados ou doentes, como nos casos de Alzheimer, Parkinson e doenças neuromusculares em geral, ou ainda no lugar de células que o organismo deixa de produzir por alguma deficiência, como no caso de diabetes.Tudo parece perfeito, no entanto, há um agravante: alguns tipos de células-tronco só são encontrados em embriões, o que gera sérios problemas de ordem ética e religiosa, afinal, entre outras coisas, ainda não se tem certeza se o uso de células embrionárias pode causar tumores nos pacientes, e os grupos que se opõem, entre eles a Igreja, afirmam que a técnica envolve a morte de um ser humano, apesar de ainda em estado embrionário.

TEORIAS EVOLUTIVAS DISTRIBUIÇÃO DOS ANIMAIS

Distribuição geográfica dos animais - zoogeografia.

Os animais tendem a se dispersar pelo mundo, porém nem todas as espécies estão presentes em todos os lugares. Certas regiões se caracterizam pela presença de determinados animais. A distribuição zoogeográficas que mais se utiliza foi proposta por Alfred Russel Wallace (1823-1913), a mapa abaixo é uma representação aproximada da distribuição dos animais pelo globo.

As zonas zoogeográficas.

Região Neártica. Compreende a América do Norte (EUA, Canadá e México) e Groelândia, não há macacos nesta região, nem marsupiasi e xenartras (uma superordem de mamíferos placentários). Os animais característicos dessa região são: bisão americano, lince, antílope, caribu, lobo ou coiote, boi almiscarado, marmota, castor, urso, búfalo, cavalo águi e falcão.

Região Neotropical. Compreende a América Central e do Sul, englobando partes do sul do México. Nela estão presentes os seguintes animais: macacos, sagui, xenartas (tamanduá, a preguisa e o tatu), marsupiasis, roedores, lagomorfos (coelhos e lebres), lhamas, várias aves como tucano, arara, papagaio, ema, siriema, contor, etc.

Região paleártica. É a região que sofreu os maiores impactos do ser humano, abrange a Europa, África do norte (ao norte do Saara) e Ásia (norte do Himalaia). Seus principais animais são: cavalo, urso europeu, lobo, raposa, ouriço, rena, alce, javali, rouxinol, cuco e cegonha.

Região Etiópica. Toda África ao sul do Saara, incluindo Madagascar e ilhas adjacentes. Seus animais são: zebra, girafa, leão, tigre, elefante, rinoceronte, hipopótamo, camelo, avestruz, crocodilo do Nilo, gorila, chimpanzé, lêmures de Madagascar.

Região Oriental. Compreende o sul da Ásia, Filipinas e Cingapura. Ali se encontram: elefante indiano, tigre de bengala, pavão, macaco Rhesus, orangotango, gibão, tarsiódes (gênero de primata), etc.

Região Astraliana. Astrália, Tasmânia, Nova Guiné e Nova Zelândia, toda essa região foi separada dos outros continentes há mais de 80 milhões de anos, o que deu a ele características zoogeográfica especiais. Seus principais animais são: monotremos (ornitorrinco e équidna), marsupiais, (canguru e coala), quivi (ave quase totalmente sem asa), tuatara (réptil lagartiforme), lêmures, e macacos platirrinos.

tem a sua estrutura e limites controlados pelos fatores físicos. ainda. Em conjunto. mantém a humidade do ar e constitui um ponto-chave no ciclo da água dos ecossistemas. a humidade. sendo a sua absorção pelas plantas fotossintéticas de importância vital para a comunidade. reconheceu que os organismos não vivem isolados. em ambos os ambientes. A energia solar é também responsável pela manutenção da temperatura ambiental. determinam o clima de uma região. Estas condições são ótimas para o desenvolvimento de grandes florestas ricas em vegetais e animais. Atua diretamente sobre os organismos. evaporandose. A temperatura. Os ventos podem estar . estes fatores são interdependentes. de uma unidade funcional que inclui outros tipos de organismos e o seu meio físico envolvente. É o caso das grandes cavernas e das grandes profundidades oceânicas. A temperatura decorrente da radiação solar afeta a evaporação da água. que representa um dos fatores limitantes da distribuição dos organismos na Terra. condensa e origina a chuva. Em consequência. transformada pelos fotossintéticos em energia química. será distribuída pelos heterotróficos.Existem animais e plantas que estão adaptados a regiões frias. a luminosidade e os ventos são os principais fatores físicos ambientais. A energia luminosa. como acontece nas florestas tropicais. a comunidade. Uma espécie que não tolere as condições físicas de um ecossistema não conseguirá sobreviver nele. Os seres vivos podem viver em dois grandes ambientes: expostos ao ar (seres terrestres) ou imersos na água (seres aquáticos). ao encontrar regiões frias em altitude. Os ambientes pouco iluminados têm poucas plantas (produtores) e são ocupados pelos animais e pelos decompositores.A luz (radiação solar) é um dos principais fatores que agem como determinantes do clima. aqueles que vivem. Normalmente as regiões quentes apresentam alta pluviosidade. Existem. Em qualquer destes ambientes estão sujeitos às condições físicas. Esta. em certas fases da sua vida.Um fator que pode alterar a temperatura ambiental e a distribuição das chuvas é o vento. muita humidade e muita luz. O vapor da água. Só os mamíferos e as aves são homeotérmicos. criador da palavra ecologia. Na realidade. As atividades metabólicas são fortemente afetadas pela temperatura ambiental. outros a regiões quentes e ainda os que suportam grandes variações da temperatura e conseguem sobreviver em regiões com diferentes climas.FATORES ABIÓTICOS fatores abióticos do ecossistema O zoólogo Ernst Haeckel. Hoje define-se ecologia como o estado da interação entre os organismos com o seu meio biótico (vivo) e o seu meio abiótico (físico). Fazem parte de uma "família". o que torna difícil o seu estudo isolado. que é o conjunto das espécies que ocupam a mesma área.

os quais permitem verificar as relações de parentesco evolutivo e estabelecer a filogenia dos diferentes grupos. Este é a base de fixação das raízes das plantas. Encontramos também no solo substâncias resultantes da decomposição dos organismos mortos. A tentativa de sistematizar o mundo vivo é muito antiga e os critérios empregados pelos naturalistas variavam muito. os sistemas de classificação consideram um conjunto de caracteres relevantes. O solo é ainda o nicho ecológico de muitos seres vivos subterrâneos. tomando por base o hábitat. outros os classificavam em aquáticos. O homem primitivo. SERES VIVOS Classificação dos seres vivos Uma característica inerente ao ser humano é a tendência de reunir em grupos os objetos ou seres que apresentam características semelhantes. Atualmente. e é dele que estas retiram a água e os nutrientes inorgânicos essenciais para a vida de todo o ecossistema. de acordo com suas semelhanças e diferenças. que dele se utilizam para a polinização e também para a disseminação das sementes. Um outro fator ambiental que exerce influência nos organismos é o solo. nomenclatura e classificação dos seres vivos denomina-se sistemática ou taxonomia. visando o estabelecimento das relações de parentesco evolutivo entre eles. . A distribuição de objetos ou seres em grupos. principalmente com os vegetais. ou seja. Eles são refletem as semelhanças e diferenças fundamentais entre os seres vivos. São conhecidas por sistemas naturais. já distribuía os seres vivos em dois grupos: comestíveis e não comestíveis.relacionados diretamente com o ciclo dos organismos vivos. Alguns classificavam em voadores e não-voadores. Esses sistemas de classificação que utilizam critérios arbitrários. por exemplo. é o que se chama de classificação. estabelecer as principais linhas de evolução desses grupos. O ramo da Biologia que trata da descrição. tomando por base a locomoção. são chamados sistemas artificiais. aéreos e terrestres. pois ordenam naturalmente os organismos.

podemos usar como critério de classificação o número e o tipo de células: bactérias são unicelulares e procariontes. por exemplo. . podemos usar como critério de classificação o tipo de nutrição: animais são seres heterótrofos. plantas seres autótrofos.Árvore filogenética dos seres vivos. ao falarmos de animais e plantas. animais são pluricelulares e eucariontes. Ao considerarmos bactérias e animais. Assim dentro das características evolutivas.

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