SEMÂNTICA Semântica é o estudo do sentido das palavras de uma língua.

Na língua portuguesa, o significado das palavras leva em consideração: Sinonímia: É a relação que se estabelece entre duas palavras ou mais que apresentam significados iguais ou semelhantes, ou seja, os sinônimos: Exemplos: Cômico - engraçado / Débil - fraco, frágil / Distante afastado, remoto. Antonímia: É a relação que se estabelece entre duas palavras ou mais que apresentam significados diferentes, contrários, isto é, os antônimos: Exemplos: Economizar - gastar / Bem - mal / Bom - ruim. Homonímia: É a relação entre duas ou mais palavras que, apesar de possuírem significados diferentes, possuem a mesma estrutura fonológica, ou seja, os homônimos: As homônimas podem ser: Homógrafas: palavras iguais na escrita e diferentes na pronúncia. Exemplos: gosto (substantivo) - gosto / (1ª pessoa singular presente indicativo do verbo gostar) / conserto (substantivo) - conserto (1ª pessoa singular presente indicativo do verbo consertar); Homófonas: palavras iguais na pronúncia e diferentes na escrita. Exemplos: cela (substantivo) - sela (verbo) / cessão (substantivo) - sessão (substantivo) / cerrar (verbo) - serrar ( verbo); Perfeitas: palavras iguais na pronúncia e na escrita. Exemplos: cura (verbo) - cura (substantivo) / verão (verbo) - verão (substantivo) / cedo (verbo) - cedo (advérbio); Paronímia: É a relação que se estabelece entre duas ou mais palavras que possuem significados diferentes, mas são muito parecidas na pronúncia e na escrita, isto é, os parônimos: Exemplos: cavaleiro cavalheiro / absolver - absorver / comprimento - cumprimento/ aura (atmosfera) - áurea (dourada)/ conjectura (suposição) - conjuntura (situação decorrente dos acontecimentos)/ descriminar (desculpabilizar - discriminar (diferenciar)/ desfolhar (tirar ou perder as folhas) - folhear (passar as folhas de uma publicação)/ despercebido (não notado) - desapercebido (desacautelado)/ geminada (duplicada) germinada (que germinou)/ mugir (soltar mugidos) - mungir (ordenhar)/ percursor (que percorre) precursor (que antecipa os outros)/ sobrescrever (endereçar) - subscrever (aprovar, assinar)/ veicular (transmitir) - vincular (ligar) / descrição - discrição / onicolor - unicolor. Polissemia: É a propriedade que uma mesma palavra tem de apresentar vários significados. Exemplos: Ele ocupa um alto posto na empresa. / Abasteci meu carro no posto da esquina. / Os convites eram de graça. / Os fiéis agradecem a graça recebida. Homonímia: Identidade fonética entre formas de significados e origem completamente distintos. Exemplos: São(Presente do verbo ser) - São (santo) Conotação e Denotação: Conotação é o uso da palavra com um significado diferente do original, criado pelo contexto. Exemplos: Você tem um coração de pedra. Denotação é o uso da palavra com o seu sentido original. Exemplos: Pedra é um corpo duro e sólido, da natureza das rochas.

FILOSOFIA A filosofia nasceu realizando uma transformação gradual sobre os antigos mitos gregos ou nasceu por uma ruptura radical com os mitos? Mas, o que é um mito?

Um mito é uma narrativa sobre a origem de alguma coisa (origem dos astros, da Terra, dos homens, das plantas, dos animais, do fogo, da água, dos ventos, do bem e do mal, da saúde e da doença, da morte, dos instrumentos de trabalho, das raças, das guerras, do poder, etc.). A palavra mito vem do grego , e deriva de dois verbos: do verbo (contar, narrar, falar alguma coisa para os outros) e do verbo(conversar, contar, anunciar, nomear, designar). Para os gregos, mito é um discurso pronunciado ou proferido para ouvintes que recebem como verdadeira a narrativa, porque confiam naquele que narra; é uma narrativa feita em público, baseada, portanto, na autoridade e confiabilidade da pessoa do narrador. E essa autoridade vem do fato de que ele ou testemunhou diretamente o que está narrando ou recebeu a narrativa de quem testemunhou os acontecimentos narrados. Quem narra o mito? O poeta-rapsodo. Quem é ele? Por que tem autoridade? Acredita-se que o poeta é um escolhido dos deuses, que lhe mostram os acontecimentos passados e permitem que ele veja a origem de todos os seres e de todas as coisas para que possa transmiti-la aos ouvintes. Sua palavra - o mito - é sagrada porque vem de uma revelação divina. O mito é, pois, incontestável e inquestionável. Como o mito narra a origem do mundo e de tudo o que nele existe? De três principais maneiras: 1. Encontrando o pai e a mãe das coisas e dos seres, isto é, tudo o que existe decorre de relações sexuais entre forças divinas pessoais. Essas relações geram os demais deuses: os titãs (seres semi-humanos e semi-divinos), os heróis (filhos de um deus com uma humana ou de uma deusa com um humano), os humanos, os metais, as plantas, os animais, as qualidades, como quente-frio, seco-úmido, claroescuro, bom-mau, justo-injusto, belo-feio, certo-errado, etc.. A narração da origem é, assim, uma genealogia, isto é, narrativa da geração dos seres, das coisas, das qualidades, por outros seres, que são seus pais ou antepassados. Tomemos um exemplo de narrativa mítica. Observando que as pessoas apaixonadas estão sempre cheias de ansiedade e de plenitude, inventam mil expedientes para estar com a pessoa amada ou para seduzi-la e também serem amadas, o mito narra a origem do amor, isto é, o nascimento do deus Eros (que conhecemos mais com o nome de Cupido), exemplo extraído do Banquete 203a, de Platão:

"Quando nasceu Afrodite, banqueteavam-se os deuses, e entre os demais se encontrava também o filho de Prudência, Recurso. Depois que acabaram de jantar, veio para esmolar do festim a Pobreza, e ficou na porta. Ora, Recurso, embriagado com o néctar - pois o vinho ainda não havia - penetrou o jardim de Zeus e, pesado, adormeceu. Pobreza então, tramando em sua falta de recurso engendrar um filho de Recurso, deita-se ao seu lado e pronto concebe o Amor. Eis por que ficou companheiro e servo de Afrodite o Amor, gerado em seu natalício, ao mesmo tempo que por natureza amante do belo, porque também Afrodite é bela. E por ser filho o Amor de Recurso e de Pobreza foi esta a condição em que ele ficou. Primeiramente ele é sempre pobre, e longe está de ser delicado e belo, como a maioria imagina, mas é duro, seco, descalço e sem lar, sempre por terra e sem forro, deitando-se ao desabrigo, às portas e nos caminhos, porque tem a natureza da mãe, sempre convivendo com a precisão. Segundo o pai, porém, ele é insidioso com o que é belo e bom, e corajoso, decidido e enérgico, caçador terrível, sempre a tecer maquinações, ávido de sabedoria e cheio de recursos, a filosofar por toda a vida, terrível mago, feiticeiro, sofista: e nem imortal é a sua natureza nem mortal, e no mesmo dia ora ele germina e vive, quando enriquece; ora morre e de novo ressuscita, graças à natureza do pai; e o que consegue sempre lhe escapa, de modo que nem empobrece o Amor nem enriquece, assim como também está no meio da sabedoria e da ignorância. Eis com efeito o que se dá". 2. Encontrando uma rivalidade ou uma aliança entre os deuses que faz surgir alguma coisa no mundo. Nesse caso, o mito narra ou uma guerra entre forças divinas ou uma aliança entre elas para provocar alguma coisa no mundo dos homens.

O poeta Homero, na Ilíada, epopeia que narra a guerra de Tróia, explica por que, em certas batalhas, os troianos eram vitoriosos e, em outras, a vitória cabia aos gregos. Os deuses estavam divididos, alguns a favor de um lado e outros a favor do outro. A cada vez, o rei dos deuses, Zeus, ficava com um dos partidos, aliava-se com um grupo e fazia um dos lados - ou os troianos ou os gregos - vencer a batalha. A causa da guerra, aliás, foi uma rivalidade entre as deusas. Elas apareceram em sonho para o príncipe troiano Páris, oferecendo a ele seus dons e ele escolheu a deusa do amor, Afrodite. As outras deusas, enciumadas, o fizeram raptar a grega Helena, mulher do general grego Menelau, e isso deu início à guerra entre os humanos. O mito, narra a origem do mundo e de tudo que existe nele, e a terceira principal maneira de narração mítica é: 3. Encontrando as recompensas ou os castigos que os deuses dão a quem lhes obedece ou a quem lhes desobedece, respectivamente. Como o mito narra, por exemplo, o uso do fogo pelos homens? Para os homens, o fogo é essencial, pois com ele se diferenciam dos animais, porque tanto passam a cozinhar os alimentos, a iluminar caminhos na noite, a se aquecer no inverno quanto podem fabricar instrumentos de metal para o trabalho e para a guerra. Um titã, Prometeu, mais amigo dos homens do que dos deuses, roubou uma centelha de fogo e a trouxe de presente para os homens. Prometeu foi castigado (amarrado num rochedo para que as aves de rapina, eternamente, devorassem seu fígado) e os homens também. Qual foi o castigo dos homens? Os deuses fizeram uma mulher encantadora, Pandora, a quem foi entregue uma caixa que conteria coisas maravilhosas, mas que nunca deveria ser aberta. Pandora foi enviada aos humanos e, cheia de curiosidade e querendo dar a eles as maravilhas, abriu a caixa. Dela saíram todas as desgraças, doenças, pestes, guerras e, sobretudo, a morte. Explicase, assim, a origem dos males do mundo. Vemos, portanto, que o mito narra a origem das coisas por meio de lutas, alianças e relações sexuais entre forças sobrenaturais que governam o mundo e o destino dos homens. Como os mitos sobre a origem do mundo são genealogias, diz-se que são cosmogonias e theogonias. A palavra gonia vem de duas palavras gregas: do verbo (engendrar, produzir, gerar, fazer nascer e crescer) e do substantivo (nascimento, gênese, descendência, gênero, espécie). Gonia, portanto, quer dizer: geração, nascimento a partir da concepção sexual e do parto. Cosmos, por sua vez, quer dizer mundo ordenado e organizado. Assim, a cosmogonia é a narrativa sobre o nascimento e a organização do mundo, a partir de forças geradoras (pai e mãe) divinas. Theogonia é uma palavra composta de gonia e , que, em grego, significa: as coisas divinas, os seres divinos, os deuses. A theogonia é, portanto, a narrativa da origem dos deuses, a partir de seus pais e antepassados. A filosofia, ao nascer, é uma cosmologia, uma explicação racional sobre a origem do mundo e sobre as causas das transformações e repetições das coisas; para isso, ela nasce de uma transformação gradual dos mitos ou de uma ruptura radical com os mitos? Continua ou rompe com a cosmogonia e a theogonia? Duas foram as respostas dadas pelos estudiosos. A primeira delas foi dada nos fins do século XIX e começo do XX, quando reinava um grande otimismo sobre os poderes científicos e capacidades técnicas do homem. Dizia-se, então, que a filosofia nasceu por uma ruptura radical com os mitos, sendo a primeira explicação científica da realidade produzida pelo Ocidente. A segunda resposta foi dada a partir de meados do século XX, quando os estudos dos antropólogos e dos historiadores mostraram a importância dos mitos na organização social e cultural das sociedades e como os mitos estão profundamente entranhados nos modos de pensar e de sentir de uma sociedade. Por isso,

suas correntes e representantes. em que consiste a prática científica. O mito pretendia narrar como as coisas eram ou tinham sido no passado imemorial. quente e frio. com o fabuloso e o incompreensível. à contribuição da ciência e da tecnologia. Ponto e Gaia. além disso. que tem recorrido para isso quer ao auxílio da magia. E se é certo que a preocupação com este tipo de questões remonta já à Grécia antiga. lógica e racional. este trabalho pretende fazer um apanhado geral acerca da Teoria do Conhecimento. seco. transformando-as numa outra coisa. mas da razão. como uma racionalização deles. quais as conseqüências práticas e éticas das descobertas científicas. não só porque esses eram traços próprios da narrativa mítica. que se tem dado a importância crescente aos domínios do conhecimento e da ciência. mais recentemente. acreditavam em seus mitos e que a filosofia nasceu. a filosofia fala em céu. A filosofia explica o surgimento desses seres por composição. animais. Conceito . ao contrário. consideram-se as duas respostas exageradas e afirma-se que a filosofia. quer. O mito narrava a origem através de genealogias e rivalidades ou alianças entre forças divinas sobrenaturais e personalizadas. terra. que é a mesma em todos os seres humanos. A filosofia. O mito falava em Urano. numa explicação inteiramente nova e diferente. Diante desses questionamentos. É também sobretudo a partir desta época que as implicações da atividade científica na nossa vida quotidiana se têm tornado tão evidentes. no presente e no futuro (isto é. voltando-se para o que era antes que tudo existisse tal como existe no presente. O mito não se importava com contradições. não admite contradições. Atualmente. TEORIA DO CONHECIMENTO A necessidade de procurar explicar o mundo dando-lhe um sentido e descobrindo-lhe as leis ocultas é tão antiga como o próprio Homem. explica a produção natural das coisas por elementos e causas naturais e impessoais.dizia-se que os gregos. O que é o conhecimento científico. mar e terra. o que temos implícito quando dizemos que conhecemos determinado assunto. ou água. ao contrário. Quais são as diferenças entre filosofia e mito? Podemos apontar três como as mais importantes: 1. mas exige que a explicação seja coerente. homens) e marinhos pelos casamentos de Gaia com Urano e Ponto. O mito narra a origem dos seres celestes (os astros). do mito e da religião.úmido. é porém a partir do séc. de modo que se torne mais fácil a sua compreensão. como se adquire. do interior dos próprios mitos. que não lhe podemos ficar indiferentes. como qualquer outro povo. são alguns dos problemas com que nos deparamos frequentemente. longínquo e fabuloso. Mas é sobretudo nos últimos séculos da nossa História. que relação existe entre o conhecimento científico e o mundo real. preocupa-se em explicar como e por que. fogo e ar. enquanto a filosofia. ao contrário. combinação e separação dos quatro elementos . fabulação e coisas incompreensíveis. vagarosa e gradualmente. XVIII que a palavra ciência adquire um sentido mais preciso e mais próximo daquele que hoje lhe damos. terrestres (plantas. 2. na totalidade do tempo). percebendo as contradições e limitações dos mitos. A filosofia. a autoridade da explicação não vem da pessoa do filósofo. 3. as coisas são como são. no passado. foi reformulando e racionalizando as narrativas míticas. como também porque a confiança e a crença no mito vinham da autoridade religiosa do narrador.

II . as tentativas de conciliação e de superação. Entre as questões principais que ela tenta responder estão as seguintes. todos os autores conservam. ou se reduz a verdades já fundadas no processo de pesquisa dos dados do real. sem as quais se perde a essência do empirismo e a qual. é notório que existem características fundamentais. Abundam. O que é o conhecimento? Como nós o alcançamos? Podemos conseguir meios para defendê-lo contra o desafio cético? Essas questões são. as posições intermédias. se interessa pela investigação da natureza. Mas. tão velhas quanto a filosofia. como veremos a seguir. fontes e validade do conhecimento. que é a tese de que todo e qualquer conhecimento sintético haure sua origem na experiência e só é válido quando verificado por fatos metodicamente observados. sua validade lógica possa transcender o plano dos fatos observados. a partir do século XVII em diante . Originário da Grécia Antiga.A teoria do conhecimento. e encontra eco ainda hoje em diversas posições de epistemólogos ou filósofos da ciência. sendo que três delas possuem correntes que tentam explica-las: I . primordialmente na era moderna. assumindo várias manifestações e atitudes.Essência do Conhecimento e IV Possibilidade do Conhecimento.O conhecimento como problema.como resultado do trabalho de Descartes (1596-1650) e Locke (1632-1704) em associação com a emergência da ciência moderna – é que ela tem ocupado um plano central na filosofia.Origem do Conhecimento e III . Basicamente é conceituada como o estudo de assuntos que outras ciências não conseguem responder e se divide em quatro partes. Principais correntes e seus representantes A) O Conhecimento Quanto à Origem A polêmica racionalismo-empirismo tem sido uma das mais persistentes ao longo da história da filosofia. • Empirismo “O empirismo pode ser definido como a asserção de que todo conhecimento sintético é baseado na experiência. . o empirismo foi reformulado através do tempo na Idade Média e Moderna. tornando-se notável as distinções e divergências existentes. Porém. implicitamente. ao longo da linha constituída nos seus extremos pelo racionalismo e pelo empirismo radicais.” (Bertrand Russell). embora. como a corrente de pensamento que sustenta que a experiência sensorial é a origem única ou fundamental do conhecimento. Conceitua-se empirismo.

Quando a redução é feita à mera experiência sensível. implicando sempre a possibilidade de correção. portanto não empírica. que seriam resultado de generalizações a partir de dados da experiência. Como já foi dito. como as matemáticas. sendo válidas dentro de limites determinados. há o empirismo científico. mas não reduz a ela a validez do conhecimento.Como já foi dito anteriormente. o conhecimento oriundo da experiência ou verificado experimentalmente. também denominado genético-psicológico. ao lado delas. existe no empirismo divergência de pensamentos. enquanto as verdades de fato são contingentes e particulares. Por fim. Uma das obras baseadas nessa linha é a de John Locke (Ensaios sobre o Entendimento Humano). Esta tendência está longe de alcançar a almejada “unanimidade cientifica”. que nem todas as verdades são verdades de fato. . Ele apresenta a indução como único método científico e afirma que nela resolvem-se tanto o silogismo quanto os axiomas matemáticos. que admite como válido. as linhas empíricas. É o caso de John Stuart Mill. Na doutrina de Locke. o qual pode ser nãoempiricamente valido (como nos casos dos juízos analíticos). atribuindo aos juízos analíticos significações de ordem formal enquadradas no domínio das fórmulas lógicas. não constituindo exceção as verdades matemáticas. Um dos grandes representantes do racionalismo. São três. a moderada e a científica. que na obra Sistema da Lógica diz que todos os conhecimentos científicos resultam de processos indutivos. pois. que são aquelas inerentes ao próprio pensamento humano e dotadas de universalidade e certeza (como por exemplo. O empirismo integral reduz todos os conhecimentos – inclusive os matemáticos – à fonte empírica. Gottfried Leibniz. e é exatamente esse aspecto que abordaremos a seguir. Todas as idéias são elaborações de elementos que os sentidos recebem em contato com a realidade. O empirismo moderado. os fatos não são fontes de todos os conhecimentos e não nos oferecem condições de “certeza”. afirma em sua obra Novos Ensaios sobre o Entendimento Humano. e sim no pensamento. existe a admissão de uma esfera de validade lógica a priori e. na qual ele explica que as sensações são ponto de partida de tudo aquilo que se conhece. cuja validez não assenta na experiência. no que concerne aos juízos matemáticos. explica que a origem temporal dos conhecimentos parte da experiência. para os moderados há verdades universalmente validas. àquilo que é produto de contato direto e imediato com a experiência. • Racionalismo É a corrente que assevera o papel preponderante da razão no processo cognoscitivo. temos o sensismo (ou sensualismo). existem as verdades de razão. sendo elas: a integral. os princípios de identidade e de razão suficiente).

tem como marca a determinação a priori das condições lógicas das ciências. por isso. indagando as suas condições e pressupostos. “os conceitos sem as intuições são vazios. sustenta também que o conhecimento de base empírica não pode prescindir de elementos racionais. tanto que só adquire validade universal quando os dados sensoriais são ordenados pela razão. que consiste em entender a realidade como racional. que é o Criticismo. operando sobre as imagens que o real oferece. verdades universais como idéias natas. Ele declara que o conhecimento não pode prescindir da experiência. realizando-se uma adequação plena entre o entendimento e a realidade. denominada intelectualismo.Ainda retratando o pensamento racionalista. devemos entender tal posição como uma análise crítica e profunda dos pressupostos do conhecimento. Esses dois pensadores podem ser classificados como representantes do racionalismo ontológico. Immanuel Kant. um dos adeptos do intelectualismo. a qual fornece o material cognoscível e nesse ponto coincide com o empirismo. contendo no particularismo contingente de seus elementos. Entretanto. muitos autores acreditam em sua autonomia. as verdades universais que o intelecto “lê” e “extrai”. uma disposição metódica do espírito no sentido de situar. Para ele. devemos citar uma ramificação do racionalismo que alguns autores consideram autônoma. se tenha em conta da mais simples e segura explicação da realidade. O criticismo é o estudo metódico prévio do ato de conhecer e dos modos de conhecimento. Seu maior representante. ou seja. encontramos Reneé Descartes. idéias natas. a razão não contém em si mesma. o conhecimento é sempre uma subordinação do real à medida do humano. o racionalismo se preocupa com a idéia fundante que a razão por si mesma logra atingir. Existe também uma outra linha racionalista. além disso. que servem de fundamento lógico a todos os elementos com que nos enriquecem a percepção e a representação. Segundo palavras do próprio autor. que reconhece a existência de “verdades de razão” e. Ele aceita e recusa certas afirmações do empirismo e racionalismo. Hessen. que é conceber a realidade como algo de racional. adepto do inatismo. originada de Aristóteles. Porém. de uma série de princípios evidentes. Concluindo: o intelecto extrai os conceitos ínsitos no real. preliminarmente o problema do conhecimento em função da relação “sujeito-objeto”. ou seja. . ou seja. para ele. as intuições sem os conceitos são cegas”. enquanto seres pensantes. lembra que há nele uma concepção metafísica da realidade como condição de sua gnoseologia. mas as atinge à vista dos fatos particulares que o intelecto coordena. ou em racionalizar o real. atribui à inteligência função positiva no ato de conhecer. de maneira que a explicação conceitual mais simples. no que esta tem de essencial. Por fim. que afirma que somos todos possuidores.

anteriormente à experiência do ponto de vista gnosiológico. há uma procura em demonstrar se as teses são verdadeiras. É a atitude do homem comum. uma tese ou doutrina fundamental de que existe uma correlação ou uma adequação da inteligência a “algo” como objeto do conhecimento. que pela ótica do criticismo. se há conhecimento de algo. conhecer é sempre conhecer algo posto fora de nós. Para os seguidores desse pensamento. é aquele em que o homem aceita a identidade de seu conhecimento com as coisas que sua mente menciona. sendo estas fundamentais pra o pleno conhecimento do assunto. O realismo ingênuo. o tradicional e o crítico. de maneira que nós conhecemos quando a nossa sensibilidade e inteligência se conformam a algo de exterior a nós. seguindo a linha aristotélica. • Realismo Sabendo que a palavra realismo vem do latim res (coisa). podemos conceituar essa corrente como a orientação ou atitude espiritual que implica uma preeminência do objeto. que é o realismo e o idealismo. ou seja.Conclui-se então.não apenas criadora do espírito no processo gnosiológico. analisaremos o ponto da Teoria do Conhecimento em que há mais divergências. Já o realismo tradicional é aquele em que há uma indagação a respeito dos fundamentos. não nos é possível verificar se o objeto . o sujeito em função do objeto. sem formular qualquer questionamento a respeito de tal coisa. podemos citar o realismo cientifico. De acordo com o . Em outras palavras. dada a sua afirmação fundamental de que nós conhecemos coisas. também conhecido como pré-filosófico. que é a linha do realismo que acentua a verificação de seus pressupostos concluindo pela funcionalidade sujeito-objeto e distinguindo as camadas conhecíveis do real como a participação . Há portanto. no realismo. é a independência ontológica da realidade.que nossa subjetividade compreende corresponde ou não ao objeto tal qual é em si mesmo. que conhece as coisas e as concebem tais e quais aparecem. O realismo ingênuo. o conhecimento implica sempre numa contribuição positiva e construtora por parte do sujeito cognoscente em razão de algo que está no espírito. surgindo uma atitude propriamente filosófica. Por último. mas que. O realismo é subdividido em três espécies. B) O Conhecimento Quanto à Essência Nessa parte do estudo.

ou é conteúdo de pensamento. no fato de serem “percebidas” ou “pensadas”. Resumindo: na atitude psicológica. Dentro dessa concepção existem duas orientações idealistas. sem validade em si mesmas. ser é ser pensado. pois como ele já dizia. Também chamado de idealismo subjetivo. mas sim enquanto participam do ser essencial. Seus representantes são Hume. resolvendo o ser em idéia. diz em uma de suas obras que nós só conhecemos aquilo que elevamos ao plano do pensamento. Podemos conceituá-lo como aquele em que a realidade é cognoscível se e enquanto se projeta no plano da consciência. mas na medida e enquanto são representadas ou pensadas. • Idealismo Surgiu na Grécia Antiga com Platão. da qual seriam as realidades sensíveis. há uma tendência a subordinar tudo à formas espirituais ou esquemas. que é a compreensão do real como idealidade (o que equivale dizer a realidade como espírito). sem que algo preexista ao objeto (no sentindo gnosiológico).modo de compreender-se essa “referibilidade a algo”. por entender que a verdade das coisas está menos nelas do que em nós. Uma é a do idealismo psicológico ou conscienciológico. de maneira que só há realidade como realidade espiritual. de maneira que só se conhece aquilo que se insere no domínio de nosso espírito e não as coisas como tais. denominado de idealismo transcendente. revelando-se como momento ou conteúdo de nossa vida interior. que parte da afirmação de que só conhecemos o que se converte em pensamento. O que interessa à Teoria do Conhecimento. as idéias são o sol que ilumina e torna visíveis as coisas. pois para eles. que afirma que as coisas não existem por si mesmas. em nossa consciência ou em nossa mente. e sim a representação que a nossa consciência forma em razão delas. bifurca-se o realismo em tradicional e o crítico. Sintetizando. este diz que o homem não conhece as coisas. Alguns autores entendem que a doutrina platônica poderia ser vista como uma forma de realismo. . onde as idéias ou arquétipos ideais representam a realidade verdadeira. Seu maior representante. No idealismo. o idealismo “verdadeiro” é aquele desenvolvido a partir de Descartes. o ser não é outra coisa senão idéia. onde o que se conhece não são as coisas e sim a imagem delas. o idealismo é a doutrina ou corrente de pensamento que subordina ou reduz o conhecimento à representação ou ao processo do pensamento mesmo. Ou seja. que são as duas linhas pertinentes à filosofia. A outra é a orientação idealista de natureza lógica. ou seja. o homem cria um objeto com os elementos de sua subjetividade. é o idealismo imanentista. Hegel. O idealismo de Platão reduz o real ao ideal. Locke e Berkeley. meras copias imperfeitas. ser é ser percebido e na atitude lógica.

é o pensamento puro”. Existem duas espécies de dogmatismo: o total e o parcial. Porém. na intenção de afirmar-se a possibilidade de se atingir o absoluto em dadas circunstâncias e modos quando não sob certo prisma. Daí origina-se a distinção entre dogmatismo teórico e dogmatismo ético. tem um sentido mais atenuado. encontramos em Hegel a expressão máxima desse tipo de dogmatismo. os quais veremos abaixo. pois. na medida em que é. O primeiro é aquele em que a afirmação da possibilidade de se alcançar a verdade ultima é feita tanto no plano da especulação. é a crença no poder da razão ou da intuição como instrumentos de acesso ao real em si. temos como adepto do dogmatismo teórico. na medida em que é. • Dogmatismo É a corrente que se julga em condições de afirmar a possibilidade de conhecer verdades universais quanto ao ser. é a coisa em si. Blaise Pascal. Entretanto. Alguns dogmáticos parciais se julgam aptos para afirmar a verdade absoluta no plano da ação. Ou seja. que duvidavam da possibilidade de atingir as verdades últimas enquanto sujeito pensante (homo theoreticus) e afirmavam as razões primordiais de agir. quase não é adotado. mas era assaltado por duvidas no plano do agir ou da conduta humana. adotado em maior extensão. . Por conseguinte. Já o parcial. e a coisa em si. transcendendo o campo das puras relações fenomenais e sem limites impostos a priori à razão. muitos autores recorrem a duas importantes posições: o dogmatismo e o ceticismo. que não duvidava de seus cálculos matemáticos e da exatidão das ciências enquanto ciências. devido à rigorosidade de adequação do pensamento.C) Possibilidade do Conhecimento Essa parte da teoria do conhecimento é responsável por solucionar a seguinte questão: qual a possibilidade do conhecimento? Para que seja possível respondê-la. outros somente admitem tais verdades no plano especulativo. estabelecendo as bases de sua Ética ou de sua Moral. quanto no da vida pratica ou da Ética. Como o próprio autor diz “o pensamento. à existência e à conduta. O dogmatismo ético tem como adeptos Hume e Kant. Esse dogmatismo intransigente. existe em suas obras uma identificação absoluta entre pensamento e realidade.

dada a equivalência fatal de todas as respostas.• Ceticismo Consiste numa atitude dubitativa ou uma provisoriedade constante. "caráter". ÉTICA Ética A área da filosofia que estuda o comportamento humano Da Página 3 Pedagogia & Comunicação A palavra ética se origina do termo grego ethos. O ceticismo absoluto é oriundo da Grécia e também denominado pirronismo. a ética é o estudo desses aspectos do ser humano: por um lado. Ou seja. o ceticismo se distingue das outras correntes por causa de sua posição de reserva e de desconfiança em relação às coisas. Ou seja. Conclusão Esse trabalho buscou de forma concisa reunir informações gerais acerca da Teoria do Conhecimento. Um dos representantes do ceticismo de maior destaque na filosofia moderna é Augusto Comte. seus objetivos e representantes. Prega a necessidade da suspensão do juízo. Há no ceticismo – assim como no dogmatismo – uma distinção entre absoluto e parcial. mesmo a respeito de opiniões emitidas no âmbito das relações empíricas. sujeitos a refutação à luz de sucessivos testes. Ele envolve tanto as verdades metafísicas (da realidade em si mesma). Segundo essa corrente. ressaltando que este último não será discutido nesse trabalho. reunindo conceitos e origem de algumas correntes. "costume". baseando-se na visão de Miguel Reale. o homem não pode pretender nenhum conhecimento por não haver adequação possível entre o sujeito cognoscente e o objeto conhecido. que significa "modo de ser". mesmo quando são enunciados juízos sobre algo de maneira provisória. quanto as relativas ao fundo dos fenômenos. não há outra solução para o homem senão a atitude de não formular problemas. Essa atitude nunca é abandonada pelo ceticismo. "comportamento". para os céticos absolutos. procurando . De fato. dada a impossibilidade de qualquer conhecimento certo.

E você.já que ninguém vive numa pequena comunidade isolada -. em termos filosóficos? O filósofo contemporâneo espanhol Fernando Savater apresenta uma resposta para essa questão em termos muito simples. você pode ler um breve trecho da resposta de Savater para a questão "o que é ética?". nas mais diversas civilizações. ela se relaciona com a política . por outro. Bom e mau. antes de mais nada. num livro intitulado Ética para meu filho. Num sentido mais restrito. Se não sentirmos curiosidade nem necessidade de realizar esses estudos. do país e do mundo. A seguir. se não me engano. Num sentido mais amplo . qual o significado da palavra ética. que dão tanta satisfação a outras pessoas. trata de convivência entre seres humanos na sociedade. um caráter absoluto. conhece as regras do futebol . entretanto. Mas. Ao longo dos tempos. ou melhor. ele escreveu com o intuito de explicar a questão para o seu filho adolescente. pois a noção de um modo correto de se comportar e posicionar na vida pressupõe que isso seja feito para que cada um conviva em harmonia com os outros. várias interpretações serão dadas a essas duas noções. para adquirir uma habilidade que nos permita fazer ou utilizar alguma coisa. Nesse sentido. embora essa ignorância nunca me tenha impedido de ir sobrevivendo até hoje. Há uma infinidade de conhecimentos muito interessantes mas sem os quais podemos nos arranjar muito bem para viver. pode-se dizer que a ética trata do que é "bom" e do que é "mau" para nós. a maioria. Como diz o título. ela é possivelmente a área mais prática da filosofia. Esse é um excelente ponto de partida para você pensar no assunto: “Há ciências que estudamos por simples interesse de saber coisas novas. portanto. ela se restringe às relações pessoais de cada um. Assim. poderemos prescindir deles tranqüilamente. A ética acompanha esse desenvolvimento histórico.descobrir o que está por trás do nosso modo de ser e de agir. Bem e Mal. procurando estabelecer as maneiras mais convenientes de sermos e agirmos. Eu. para conseguir um trabalho e ganhar a vida com ele. são valores que não apresentam.da cidade. por exemplo. Considera também como esses valores se aplicam no relacionamento interpessoal. da Editora Martins Fontes. outras. lamento muito não ter nem idéia de astrofísica ou de marcenaria. para o ser humano. A ética. para que isso sirva de base para uma reflexão sobre como ser ético no tempo presente.

Certos alimentos não nos convêm. decerto. mas às vezes pode parecer útil ou benéfico mentir para obter alguma vantagem. é má. sem exceção – pela compensação que nos traz. Não tem maior importância. que saltar de uma varanda do sexto andar não é bom para a saúde. outras. há coisas boas e más para a saúde: é necessário saber o que devemos comer. não nos convêm. dispensa olimpicamente a liga americana e todo o mundo sai satisfeito. deixando de lado. ou deve-se enganá-lo para que ele viva suas últimas horas sem angústia? A mentira não nos convém. Saber o que nos convém. O que eu quero dizer é que certas coisas a pessoa pode aprender ou não. sob pretexto de não nos metermos em confusão? Por outro lado. e quem interfere ao estilo Indiana Jones para salvar a garota agredida tem maior probabilidade de arrebentar a . se dermos um safanão no vizinho cada vez que cruzarmos com ele. e o que nos convém costumamos dizer que é “bom”. você desfruta os campeonatos mundiais. mais cedo ou mais tarde haverá conseqüências muito desagradáveis. como já dissemos. são fundamentais para nossa vida. Procurar briga com os outros. os respeitáveis gostos do suicida. por exemplo. é um conhecimento que todos nós tentamos adquirir – todos. pois nos cai bem. às vezes as coisas não são tão simples: certas drogas. e o que não nos convém dizemos que é “mau”. mas há modos que não nos deixam viver. há outras coisas que é preciso saber porque. ou que uma dieta de pregos (perdoem-me os faquires!) e ácido prússico não nos permitirá chegar à velhice. entre todos os saberes possíveis existe pelo menos um imprescindível: o de que certas coisas nos convêm e outras não. conforme sua vontade. mas vive.mas é bem fraco em beisebol. assim como certos comportamentos e certas atitudes. Também não é aconselhável ignorar que. que não nos convêm se desejamos continuar vivendo. No terreno das relações humanas.se. marcenaria. Como afirmei antes. Assim. em geral. em geral é inconveniente. quem sempre diz a verdade – doa a quem doer – costuma colher a antipatia de todo o mundo. o remédio é escolher e aceitar com humildade o muito que ignoramos. A mentira é. Mas. E preciso saber. porque destrói a confiança na palavra – e todos nós precisamos falar para viver em sociedade – e provoca inimizade entre as pessoas. aumentam nossa energia ou produzem sensações agradáveis. ou que o fogo às vezes aquece e outras vezes queima. Em resumo. é claro. ou seja. No entanto. ou também cercar-se do maior número possível de inimigos. caem-nos muito mal. por assim dizer. vamos supor que preferimos viver. distinguir entre o bom e o mau. de momento. beber lixívia poderá ser muito adequado. Por exemplo. futebol e até mesmo sem saber ler e escrever: vive-se pior. Pequenezas desse tipo são importantes. Se alguém quiser arrebentar-se o quanto antes. mas seu abuso contínuo pode ser nocivo. Quero dizer. mas em outros são más: elas nos convêm e ao mesmo tempo não nos convêm. É possível viver sem saber astrofísica. há coisas que nos convêm. mas devemos consentir que violentem uma garota diante de nós sem interferir. No entanto. Podemos viver de muitos modos. é melhor dizer ao doente de câncer incurável a verdade sobre seu estado. por exemplo. mas às vezes parece acabar sendo boa. ou até para fazer um favor a alguém. em compensação. ou ainda que a água pode matar a sede e também nos afogar. algo mau. essas ambigüidades ocorrem com maior freqüência ainda. por enquanto. Em alguns aspectos são boas. Como ninguém é capaz de saber tudo.

] Resumindo: ao contrário de outros seres. em certas ocasiões. aparência de mau. em parte. é o que se chama de ética. visto que ela se utiliza sobreas demais ciências e legisla sobre elas. as abelhas e as formigas. para alguns pensadores este objeto seria um bem que. em oposição ao que nos parece mau e inconveniente. o ser rico ou ter saúde. assim como suas finalidades. ou arte de viver.. conveniente para nós..cabeça do que quem segue para casa assobiando. enão absoluta. nós homens podemos inventar e escolher. Podemos optar pelo que nos parece bom. procurando adquirir um certo saber-viver que nos permita acertar. o bem viver.” Resumo do livro ÉTICA A NICÔMACO ÉTICA À NICÔMACO:Livro 1 Toda arte e toda a investigação tende a um bem qualquer. pois esta define o que é certo. tornando . sendo este último interesse mais divino e nobre. animados ou inanimados. Flexibilidade de conceito semelhante existe referênte aos bens.A ciência política admite uma flutuação nos seus conceitos de belo e justo. abrangendo portanto a finalidade das demais. Como podemos inventar e escolher. Platão questionava ―Estamos no caminho que parte dos primeiros principios ou estamos nos dirigindo a eles ?‖ e para entrar nesta discusão avisamos desde já que deve-se ter sido educado nos bons hábitos e ser ouvinte. podemos nos enganar. pois ja houve quem perecessepor causa de sua riquesa ou coragem. nossa forma de vida. a busca das ciências políticas pode ser a felicidade. Definido vulgarmente. fazendo com que todas as outras coisas tendamtambém a ele.se existente quase quesomente por convenção. como dizia Hesiodo . por isso vamos nos contentar em encontrar a verdade de forma aproximada. De modo que parece prudente atentarmos bem para o que fazemos. ou seja. de tão grandioso. que podem beneficiar indivíduosou toda a sociedade. Haja confusão! [. se você preferir. o objeto do nosso estudo será determina – lo em linhas gerais partindo da ciênciapolítica. que só são procuradas emfunção daquelas. Esse saber-viver. Há um bem o qual todas as ciências buscam em comum e o conhecimento deste é de fundamentalimportância sobre nossas vidas. o que deve ser estudado e o que deve ser ensinado. O que é mau às vezes parece ser mais ou menos bom e o que é bom tem. o que não acontece com os castores. torna-se inacessível e por existir tãograndes divergências consideraremos os conceitos mais razoáveis. Muitas são as ações das artes e ciências.

Nos jogos olímpicos não são os homens mais fortes e belos que ganham mas os que competem. a mais aprazível coisa do mundo.que são nobres. As atividades de cada . a mais nobre. mas o que por si não pensa. Esta não correspondência única de idéias faz com que o bemuniversal seja inatigível. fazendo desta um bem absoluto. age bem. e os que servem para proteger outros bens ou afastar seus opostos.mas os bens não são uma espécie de elemento comum que corresponda a uma idéia única. a riquesa é util mas não faz parte da nossabusca. Portanto a felicidade é a melhor. que alcançada por acaso não é tão realizadora quanto aquela que foi intensamente procurada. pois é pela saúde do paciente que o médico busca a cura equando esta é alcançada se faz o bem procurado. Concluido isso temos um esboço do que procuramos. Mas a felicidade não é facilmente alcançada sem outros bens (os meios no qual se chega a ela) poisdificilmente um homem que não tem amigos ou filhos.ela é nossa busca. o homem feliz vive bem. este é em verdade um homem inteiramenteinútil‖ Existem três modos de vida. O homem que não se compraz nas ações nobres não é bom pois quem consideraria justo um homemque não sente prazer em fazer o bem. mas sim paz entre seus interesses.alcançará a felicidade. O homem bom não encontra conflitos dentro de si.Os bens que se relacionam com a alma são as ações e atividades psíquicas. Veremos somente mais tardea vida comtemplativa. ou os tem e eles são perversos ou a morte levou os bons. pois só nomeio destes surgirão os vencedores. nos permitindo colocar então avirtude também como uma razão deste modo de vida. este são os bens no sentido maisverdadeiro da palavra. A quem diga que o começo é maisque a metade do caminho pois é mais facil completar o que já esta começado que iniciar um trabalho. que só são conquistadaspelos que agem corretamente. um bem buscado por ele mesmo e não por qualquer outra coisa. assim sendo também as coisas nobres e boas da vida . tudo é buscado ao fim dela.― Ótimo é aquele que de si mesmo conhece todas as coisas. bom o que escuta os conselhos dos homens judiciosos. pois a honra. ela é forçada. buscados particularmente. deixando de ser o objeto de nossa busca.aqueles por si mesmos. sendo o objetivo destas. assim como este conjunto de bens. Quanto a vida na busca pelo dinheiro. os bem estão divididos em duas classes. em uma visão diferente da de Platão .Consideremos o bem universal. o do homem inútil. pois muitos abuscam incessantemente. pois procuramosaquele que é o absoluto dos absolutos. como afelicidade. mas fica ainda o quadro incompleto. o da vida política e o da vida contemplativa. nem acolhe a sabedoria alheia. podemos dizer quea razão da vida dos primeiros citados (ignorantes) é a felicidade e que a honra é o bem da vida política. talves por quererem um reconhecimento de uma vida honesta. a razão. auto suficiente efinalidade de todas as ações. o prazer. eles se mostram diferentesnas diversas ciências e artes.O homem feliz é aquele que consideramos que foi feliz durante a vida e até nos momentos mais difíceis agiucom moral e nobreza.

assim como geramos a virtude a destruimos.mas quando nos comparamos com a justiça e a felicidade sempre louvamos aquela. talves porque temos felicidade comalgo maior. sendo por estas virtudes que consideramos os homens. onde os legisladores tornam apopulação honesta imponto leis que dizem que se deve agir de uma maneira certa.A felicidade é uma vitude e portanto para entender aquela devemos estudar esta. quanto mais MATEMÁTICA Conjunto dos Números Naturais São todos os números inteiros positivos. portanto. incluindo o zero. primeiro recebemos a potência e depois cumprimos a atividade. assim como o prazer pois ambos não são louvados. e elas são divididas em intelectuais (como a compreensão ou a sabedoria filosófica) ou morais(como a liberdade ou temperança). pois eles constituem a vitude pelo hábito. deve estudar a alma. deve-se colocar um * ao lado do N: .um dá. O político é o estudioso davirtude e para conhece-la como atividade da alma. da mesma forma transforma-se umacidade em um lugar ruim para se viver governando–a pelas regras más. ou não. pois anatureza não nos dá virtudes. nesta visão umhomem de atitudes nobres nunca se tornará um homem infeliz por nunca ter tomado atitudes não nobres ou ignóbeisassim como também a felicidade ou os infortúnios dos amigos e decendentes deste homem antes e depois da morte nãosão capazes de tirar a felicidade de quem a tem ou da-la pra quem nunca a teve. Caso queira representar o conjunto dos números naturais não-nulos (excluindo o zero). mas sim a capacidade de recebe-las e esta se aperfeiçoa pelo hábito. nós os colocamos como algo que esta acima de nós. nos tornamos justos praticando a justiça. assim com um oftalmologista deve também ter um conhecimento geral de todo o corpo para entender o funcionamento dos olhos.Louvamos a felicidade? Louvamos aos deuses porque os comparamos conosco e vemos que eles são melhores. Livro 2 A virtude intelectual é adquirida com o tempo. um exemplo de como isso acontece é o das cidades-estados. assim como asdemais coisas que nos vem por natureza.Por toda esta importância é que devemos estudar os atos. É representado pela letra maiúscula N. nobreza e felicidade a vida. ao passo que a virtude moral é adquirida pelo hábito. As virtudes são as disposiçõeslouváveis do espírito.

7.10.9.11.8. 2. -1.4. eles são: .2.5.Inteiros não negativos São todos os números inteiros que não são negativos.5. …} .6.2.5. -2.4.3.1. -3.6.4.6. É representado por Z+: Z+ = {0. …} N* = {1.8.7.1.9. São representados pela letra Z: Z = {… -4.2.3.N = {0. …} Conjunto dos Números Inteiros São todos os números que pertencem ao conjunto dos Naturais mais os seus respectivos opostos (negativos).10. 1. 4. 0.3. Logo percebemos que este conjunto é igual ao conjunto dos números naturais. …} O conjunto dos inteiros possui alguns subconjuntos. 3.

Inteiros não positivos São todos os números inteiros que não são positivos. 3. -1} Conjunto dos Números Racionais . Representa-se esse subconjunto por Z*+: Z*+ = {1. É representado por Z-: Z. …} Z*+ = N* .= {… -4. Z*. -2. 2. -2. 5..= {….excluindo o zero. -3. -4. -1. 0} . 6. 7. 4. -3.Inteiros não negativos e não-nulos É o conjunto Z+ excluindo o zero. Representa-se por Z*-. -5.Inteiros não positivos e não nulos São todos os números do conjunto Z.

Conjunto dos Números Irracionais É formado pelos números decimais infinitos nãoperiódicos. 743. como a raiz quadrada de 2 (1. .4142135 …) Conjunto dos Números Reais É formado por todos os conjuntos citados anteriormente (união do conjunto dos racionais com os irracionais). Atualmente. são também conhecidas como dízimas periódicas. Os racionais são representados pela letra Q. números decimais finitos (por exemplo. que vale 3. Um bom exemplo de número irracional é o número PI (resultado da divisão do perímetro de uma circunferência pelo seu diâmetro).Os números racionais é um conjunto que engloba os números inteiros (Z).8432) e os números decimais infinitos periódicos (que repete uma sequência de algarismos da parte decimal infinitamente). Também são irracionais todas as raízes não exatas. como ―12.050505…‖.14159265 …. supercomputadores já conseguiram calcular bilhões de casas decimais para o PI.

. bem como a ars latina referiam-se não só a uma habilidade. Por não resultarem apenas de uma competência ou mestria obtidas por aprendizagem. era emocionalista. O técnico era aquele que executava um trabalho. a uma espécie de conhecimento técnico. até se tornar uma competência especial na produção de um objecto. fazendo-o com uma espécie de perfeição ou estilo. Na Antiga Grécia. o estilo clássico veio substituir o arcaico. A CULTURA CLÁSSICA A arte e cultura clássicas. muitas vezes denominadas como Antiguidade Clássica. que era baseado na tradição religiosa pré-democrática e que tinha por característica imagens geometrizadas e pouco naturalistas. Predominaram na época os nus masculinos e a representação de atletas.Representado pela letra R. a um saber fazer. Sempre associada ao trabalho dos artesãos. Nesse contexto. baseada em cânones que eram a média das características físicas das pessoas mais belas. como o Hermes e Dionísio de Praxíteles ou o Discóbolo. ao desempenho de uma tarefa. à profissão. mas sobretudo do bafejo de um talento pessoal. entre artista e artesão. os artistas tiveram que buscar uma solução que ligasse o divino (pois a arte ainda era encomendada para representar deuses e motivos religiosos) ao humano (novo campo de interesse ligado à política democrática da pólis e de pensadores como os sofistas e os filósofos. Com o advento de uma sociedade mais laica e ligada ao pensamento filosófico. mas também ao trabalho. construíram uma estética naturalista mas idealizada. o mesmo é dizer. e a sua herança continuada pelos diversos períodos político-culturais da Roma Antiga. em virtude de possuir o conhecimento e a compreensão dos princípios envolvidos no desempenho. A teknê grega. a arte era susceptível de ser aprendida e aperfeiçoada. Fídias foi um grande expoente da arte do período. Na Antiguidade greco-romana não se vislumbrava qualquer diferenciação entre arte e técnica. a composição musical e a poesia não faziam parte da arte. preocupados em compreender a relação entre o homem e o universo).C. constituem o estilo artístico e cultura predominantes na Grécia Antiga entre os séculos VI e IV a.

crenças (mitologia clássica — mitologia grega. O período medieval Civilização bárbara forma a Europa Medieval Claudio B. militar e religiosa. e no âmbito da arte não apenas as denominadas belas artes. Também formam parte da civilização clássica ou civilização greco-romana as demais manifestações da sua cultura. a historiografia — historiografia clássica — e a filosofia — filosofia grega). costumes da Antiga Roma).supervisionando o entalhe das esculturas que adornavam o frontão do Partenon. Recco* Especial para a Folha de S. Os conceitos de arte e cultura clássicos incluem a literatura clássica ou greco-romana: as diversas formas da literatura grega e a literatura latina (como a poesia. o teatro. em Atenas. Paulo A sociedade medieval européia formou-se a partir de uma série de fatores. mitologia romana) e a vivência cultural da vida quotidiana (costumes da Antiga Grécia. e foi nessa época que foi criada a técnica de moldagem em bronze chamada cera perdida. desde o século 4º. mas também todas as artes menores (estendendo-se por vezes a toda a cultura material). Essa nova . a economia. Chegaram à posteridade principalmente exemplares de escultura. mas Plínio. sociedade e organização política. o Velho cita diversos exemplos de pinturas desse período. O mármore e o bronze eram os materiais preferidos.

apoiando-se no escravismo e nas conquistas militares. Os povos bárbaros migraram do norte da Europa e. denominada feudal. todos os que não viviam sob suas leis e dentro de suas instituições eram bárbaros. acentuando a ruralização. reuniu elementos característicos do Império Romano e outros originários dos povos "bárbaros". passaram a ocupar terras dentro das fronteiras romanas. invasão é um termo que gera confusão. pois esse movimento migratório dos povos germânicos não se utilizou necessariamente da violência. caracterizado pela fixação do homem à terra. a partir do século 3º. Para o romano. envolvendo praticamente todos os territórios ao redor do Mediterrâneo. preso a . e permitiu a formação do "sistema de colonato". Esse processo é conhecido como "invasões bárbaras". A ocupação de terras por parte dos bárbaros agravou a crise do Império.sociedade. Os romanos construíram uma grande civilização ao longo de séculos.

em que "alguns trabalham. outras de origem bárbara. . fortalecendo os laços entre os proprietários _suseranos e vassalos. que passou a monopolizar a cultura e formou a ideologia dominante. Uma igreja hierarquizada. outros rezam e outros combatem". Outras várias características foram decisivas na organização desse novo modo de produção. envolvendo aqueles que conservam o valor guerreiro. encontramos as relações sociais baseadas em laços de fidelidade. Do germânico "bárbaro". a prática de doação de terras tendeu a desenvolver-se. Eis os embriões da organização socioeconômica medieval.obrigações. nas quais vale a palavra e a honra. Da Roma "civilizada" encontramos o cristianismo como a contribuição mais importante para o mundo feudal. justificadora e mantenedora da ordem segundo uma visão dogmática do mundo. algumas de origem romana. No mesmo período.

em vários momentos da história. com sede em Roma. diante da fragmentação política da sociedade feudal. as noções de civilizado e de bárbaro estão envoltas em preconceitos e não só refletem uma visão maniqueísta da sociedade como possuem uma função ideológica.. servindo como instrumento de unificação. econômica e social produzida pelas invasões germânicas e ao esfacelamento do Império Romano. que obedecia às regras de sua ordem religiosa: veneditinos. praticamente apenas a Igreja Católica. Você se lembra de outros exemplos? A IGREJA MEDIEVAL Igreja Católica Em meio à desorganização administrativa. Valendo-se de sua crescente influência religiosa. bispos. a Igreja foi difundindo o cristianismo entre os povos bárbaros. dominicanos. e clero regular (aqueles que viviam nos mosteiros).Perceba que. franciscanos. enquanto preservava muitos elementos da cultura greco-romana. Consolidando sua estrutura religiosa. a Igreja passou a exercer importante papel em diversos setores da vida medieval. conseguiu manter-se como instituição. hierarquizado em padres. que reforça o discurso dominante. . arcebispos etc. Mundo e Mosteiros Os sacerdotes da Igreja dividiam-se em duas grandes categorias: clero secular (aqueles que viviam no mundo fora dos mosteiros). carmelitas e agostinianos.

no século XI. Era. nomeou seus titulares e. do Sacro Império Romano Germânico. istoé. iniciou um processo de intervenção política nos assuntos da Igreja a fim de fortalecer seus poderes. devido. As raízes desse conflito remontam a meados do século X. o poder advindo da riqueza que acumulara com as grandes doações de terras feitas pelos fiéis em troca da possível recompensa do céu. uma grande "senhora feudal" numa época em que a terra constituía a base de riqueza da sociedade. quando se chocaram o papa Gregório VII e o imperador do Sacro Império Romano Germânico. Os bispos . era o administrador político do Patrimônio de São Pedro. mas em fins do século VI ela acabou se firmando. o papa contava também com o poder temporal da Igreja. constituído por um território italiano doado pelo rei Pepino. ao papa ou ao imperador. Henrique IV. em grande parte. com isso. desde 756. O papa. O poder temporal da Igreja levou o papa a envolver-se em diversos conflitos políticos com monarquias medievais. perdendo sua autoridade espiritual. passou a exercer total controle sobre as ações do papa. à atuação do papa Gregório Magno. As investiduras (nomeações) feitas pelo imperador só visavam os interesses locais. quando o imperador Oto I. Durante esse período.No ponto mais alto da hierarquia eclesiática estava o papa. o Estado da Igreja. bispo de Roma. dos francos. Exemplo marcante desses conflitos é a Questão da Investiduras. considerado sucessor do apóstolo Pedro. O Poder Temporal da Igreja Além da autoridade religiosa. A Questão das Investiduras e o Movimento Reformista A Questão das Investiduras refere-se ao problema de a quem caberia o direito de nomear sacerdotes para os cargos eclesiásticos. Nem sempre a autoridade do papa era aceitar por todos os membros da Igreja. portanto. a Igreja foi contaminada por um clima crescente de corrupção. afastando-se de sua missão religiosa e. Fundou bispados e abadias. Calcula-se que a Igreja Católica tenha chegado a controlar um terço das terras cultiváveis da Europa Ocidental. em troca da proteção que concedia ao Estado da Igreja.

os tribunais da Inquisição. denominadas heresias. Para combater essas heresias. Desenvolveuse. Os ideais dos monges de Cluny foram ganhando força dentro da Igreja. Tribunais da Inquisição Nos diversos países cristãos. em 1074. Adotou-se uma solução de meio termo: caberia ao papa a investidura espiritual dos bispos (representada pelo báculo). o papa Gregório IX criou. Gregório VII. que se encarregavam da execução das sentenças. em 1231. que se chocavam com os dogmas da Igreja. cuja missão era descobrir e julgar os heréticos. nem sempre a fé popular manifestava-se nos termos exatos pretendidos pela doutrina católica. culminando com a eleição. um conflito aberto entre o poder temporal do imperador e o poder espiritual do papa. em 1075.e os padres nomeados colocavam o compromisso assumindo com o soberano acima da fidelidade ao papa. assinada pelo papa Calixto III e pelo imperador Henrique V. em 1073. No século XI surgiu um movimento reformista. As Fases do Processo . crenças e supertições. em resposta. Gregório VII tomou uma série de medidas que julgou necessárias para recuperar a moral da Igreja. Henrique IV. Os condenados pela inquisição eram entregues às autoridades administrativas do Estado. excomungou Henrique IV. liderado pela Ordem Religiosa de Cluny. isto é. Esse conflito foi resolvido somente em 1122. e poribiu que o imperador investisse sacerdotes em cargos eclesiásticos. do papa Gregório VII. Eleito papa. o bispo deveria jurar fidelidade ao impérador. pela Concordata de Worms. antigo monge daquela ordem reformista. reagiu furiosamente à atitude do papa e considerou-o deposto. Havia uma série de doutrinas. Instituiu o celibato dos sacerdotes (proibição de casamento). As penas aplicadas a cada caso iam desde a confiscação de bens até a morte em fogueiras. imperador do Sacro Império. visando recuperar a autoridade moral da Igreja. antes de assumir a posse da terra de um bispado. então.

O processo inquisitorial cumpria basicamente as seguintes etapas: o tempo de graça, o interrogatório e a sentença.

Tempo de Graça

Ao chegar às aldeias e às cidades, os inquisidores solicitavam a todos os acusados de heresia que se apresentassem espontaneamente aos juízes. Era então estabelecido o tempo de graça, que poderia ser de 15 dias a um mês.

O herético que se apresentasse, durante esse período, para confessar seu erro era tratado com certa misericórdia, recebendo geralmente penas leves, a critério do juiz. Terminando o tempo de graça, porém, os juízes do tribunal tornavam-se implacáveis, perseguindo duramente os suspeitos.

Interrogatório

Perante o tribunal, os acusados de heresia eram longamente interrogados pelos os juízes, que faziam de tudo para que o réu confessasse o crime. Caso o réu se recusasse a confessar, podia ser submetido a diversas formas de violência e tortura, como chicotadas, queimaduras com brasas etc.

O manual dos inquisidores, espécie de guia prático do ofício inquisitorial, escrito em 1376 pelo dominicano espanhol Nicolau Eymerich (depois revisto e atualizado, em 1578, por Francisco de La Penã), diz que:

A finalidade da tortura é obrigar o suspeito a confessar a culpa que cala. Pode-se qualificar de sanguinários todos esses juízes de hoje, que recorrem tão facilmente à tortura, sem tentar, através de outros meios, completar a investigação. Esses juízes sanguinários impõem torturas a tal ponto que matam os réus, ou os deixam com membros fraturados, doentes sempre.

O inquisidor deve ter em mente que: o acusado deve ser torturado de tal forma que sai saudável para ser liberado ou para ser executado.

Setença

Arrancada a confissão do réu, os inquisitores proferiam a sentença em uma sessão pública denominada sermão geral. As sentenças previam três tipos básicos de penas: confiscação de bens, prisão e morte.

A maioria dos condenados à morte eram queimados vivos numa grande fogueira. Somente a alguns permitia-se o estrangulamento antes de serem lançados ao fogo.

A defesa dos interesses das classes dominantes

A ação dos tribunais da Inquisição estendeu-se por vários reinos cristão: Itália, França, Alemanha, Portugal e, especialmente, Espanha. Nesse último país, a Inquisição penetrou profundamente na vida social, possuindo uma gigantesca burocracia pública com cerca de vinte e cinco mil funcionários a serviço do movimento inquisitorial.

Pressionada pelas monarquias católicas, a Inquisição desempenhou um papel político e social, freando os movimentos contrários às classes dominantes e, dessa maneira, ultrapassando sua finalidade declarada de proceder ao mero combate às heresias religiosas

Cruzadas

Atendendo ao apelo do papa Urbano II, em 1095, foram organizadas na Europa expedições militares conhecidas como cruzadas, cujo objetivo oficial era conquistar os lugares sagrados do cristianismo (Jerusalém, por exemplo) que estavam em poder dos muçulmanos.

Entretanto, além da questão religiosa, outras causas motivaram as cruzadas: a mentalidade guerreira da nobreza feudal, canalizada pela Igreja contra inimigos externos do cristianismo (os muçulmanos); e o interesse econômico de dominar importantes cidades comerciais do Oriente.

De 1096 a 1270, a cristandade européia organizou oito cruzadas, tendo como bandeira promover guerra santa contra os infiéis muçulmanos.

As Conseqüências

As principais conseqüências do período das cruzadas foram:

Empobrecimento dos senhores feudais, que tiveram suas economias arrasadas com os esforços despendidos nas guerras;

Fortalecimento do poder real, à medida que os senhores feudais perdiam suas forças;

Reabertura do Mediterrâneo e conseqüente desenvolvimento do intercâmbio comercial entre a Europa e Oriente;

IDADE MODERNA Ao pensar em modernidade, muitas pessoas logo imaginam que estamos fazendo referência aos acontecimentos, instituições e formas de agir presente no Mundo Contemporâneo. De fato, esse termo se transformou em palavra fácil para muitos daqueles que tentam definir em uma única palavra o mundo que vivemos. Contudo, não podemos pensar que esse contexto mais dinâmico e mutante surgiu do nada, que não possua uma historicidade.

Entre os séculos XVI e XVIII, um volume extraordinário de transformações estabeleceu uma nova percepção de mundo, que ainda pulsa em nossos tempos. Encurtar distâncias, desvendar a natureza, lançar em mares nunca antes navegados foram apenas uma das poucas realizações que definem esse período

ganharam uma sensação mais intensa e volátil. De fato. O advento das Grandes Navegações. as percepções do tempo e do espaço. os reis europeus assistiram a consumação de seu poder hegemônico. se hoje tanto se fala em tecnologia e globalização. Nesse curto espaço de quase quatro séculos. além de contribuir para o acúmulo de capitais na Europa. também foi importante para que a dinâmica de um comércio de natureza intercontinental viesse a acontecer. não podemos refutar a ligação intrínseca entre esses dois fenômenos e a Idade Moderna.histórico. O processo de formação das monarquias nacionais pode ser um dos mais interessantes exemplos que nos revela tal feição. antes tão extensas e progressivas. bem como experimentaram as várias revoluções liberais defensoras da divisão do poder político e da ampliação dos meios de intervenção política. Além disso. Com . Tronos e parlamentos fizeram uma curiosa ciranda em apenas um piscar de olhos.

as ações econômicas tomadas em um lugar passariam a repercutir em outras parcelas do planeta. operários e patrões fixaram mudanças que são sentidas até nos dias de hoje. dialogando com eventos mais específicos. se reconfiguram. Não por acaso.isso.. o espírito investigativo dos cientistas e filósofos iluministas catapultou a busca pelo conhecimento em patamares nunca antes observados. No século XVIII. Basta contar com um pouco do tempo. é possível balizar as medidas que fazem essa ponte entre os tempos contemporâneo e moderno. o desenvolvimento de novas máquinas e instrumentos desenvolveram em território britânico o advento da Revolução Industrial. Em um primeiro olhar. logo em seguida. a mentalidade econômica de empresários. . Em pouco tempo. Apesar disso. a Idade Moderna pode parecer um tanto confusa por conta da fluidez dos vários fatos históricos que se afixam e. Aquele mesmo que parece ser tão volátil nesse instigante período histórico. consumidores..

FORMAS DO ABSOLUTISMO (durante o seu apogeu) 2.2 Espanha: o apogeu ocorre no século XVI com a dinastia Habsburgo.1. nos reinados. o Venturoso. uma fé. Thomas Hobbes > Livro "Leviatã". Jean Bodin > Texto "A doutrina da soberania do Estado". suprimindo. Jacques Bossuet > Obra "A política inspirada nas Sagradas Escrituras". pois havia o .3.ABSOLUTISMO Antes de explicar eu vou refrescar a memória: "Só a força e a autoridade de uma monarquia centralizada poderiam. que chegara ao poder após a Guerra das Duas Rosas. o controle da rota marítima para as Índias. cabendo aos súditos apenas a obediência passiva. Deve-se obedecer ao rei sem murmurar. suprimindo a independência dos feudos e submetendo a nobreza.1. 2. cita que o rei era a expressão do Estado e o detentor da soberania. 1." "Absolutismo: um rei. Hugo Grotius (É um dos fundadores do Direito Internacional). Sua autoridade despótica tinha origem não em uma escolha divina e sim nos poderes absolutos que o povo lhe havia conferido.3. 2. onde afirma que a ordem interna da sociedade só poderia se preservada pelo Estado através da autoridade ilimitada do soberano. no reinado D. 1. 1. O périplo africano. Afirma a doutrina do "absolutismo de direito divino" e qoe o trono não é lugar do homem e sim do próprio Deus. logo o rei vê de mais longe e mais alto. promover a unificação territorial do país. O absolutismo inglês era disfarçado.2. o descobrimento do Brasil e o monopólio das especiarias orientais levaram ao ponto mais alto o absolutismo português. pois o murmúrio era um passo para a sedição/revolta. Inglaterra: o auge do absolutismo inglês ocorre durante a dinastia Tudor.4. Portugal: Dinastia de Avis. nos reinados de Carlos V. e Felipe II. e foi resultado das navegações espanholas e do encontro entre europeus e ameríndios (outrora chamado de descoberta do Novo Mundo ou América). uma lei. 2. impor obediência a sua população e dar proteção à burguesia. Manuel I. > Obra "Tratado do direito da paz e da guerra". neste texto ele cita que a autoridade do rei era reconhecida por Deus." XXX Resposta: 1.MODELOS DO ABSOLUTISMO 1.

Essas técnicas fizeram com que a mão-de-obra daquela época migrasse da agricultura para outras funções. Fonte(s): Livro de História Moderna e Contemporânea. que devido a sua posição geográfica privilegiada. e a fundação da Virgínia . rotas comerciais. o florescimento das cidades. foi precedida dos "grandes cardeais".. tecidos. essa associação comercial comercializava principalmente. A região de Flandres também era outro importante centro comercial. Nessas rotas. O RENASCIMENTO NA EUROPA O Renascimento do Comércio na Europa Com o sistema feudal em decadência. Luís XIV . ocasionando também. grandes feiras eram estabelecidas. sendo que a principal liga as cidades da Itália à Flandres. iniciada por Richelieu e concluída por Mazarino. como a da região de Champagne. Autores: Leonal Mello & Luís Costa.parlamento. A criação do anglicanismo (ruptura com o catolicismo). as melhorias na pirataria inglesa. França: Dinastia Bourbon.fortaleceram a imagem do rei 2. foram estabelecidas também. a personificação mais perfeita do monarca absoluto. . Na região norte da Europa. ferro e cobre. passando pela França. madeira. que se destacava pelos seus produtos de lã.primeira colônia inglesa na América do norte . o comércio era controlado pela Liga Hanseática. uma associação comercial de mais de 80 cidades.o Rei Sol . cereais. peixes. Com a expansão comercial em toda a Europa Ocidental. tornaram-se grandes centros urbanos e comerciais. a política naval e colonial e a destruição da Armada espanhola. surgiram novas técnicas de produção. o comércio foi ressurgindo em vários lugares da Europa Ocidental.4. Flandres e Frankfurt. Com sede em Lübeck. como artesanato e comércio. O renascimento comercial da Europa Ocidental fez com que a circulação de dinheiro e a economia das regiões crescessem. Assim. As principais cidades da rota comercial européia eram Veneza e Gênova.

O mercantilismo traduz também a relação cada vez mais estreita da economia à política. estrutura basilar da nação e sua maior fonte de riqueza e prestígio. Neste país. regiões às quais o mercantilismo dará uma atenção cada vez maior. nomeadamente para pagamento das avultadas e caras importações de que dependiam. Com o mercantilismo. não evitando. de controlo e estímulo da atividade económica. desenvolvendo indelevelmente a indústria do país e dinamizando o comércio. Geograficamente. do intervencionismo e protecionismo estatais. sobretudo. o mercantilismo associa-se. agora centralizada. principalmente o colonial.Historicamente. Esta corrente de pensamento económico defendia uma organização e regulamentação da atividade produtiva e comercial como forma de se conseguir construir um aparelho económico capaz de conduzir os países à desejada acumulação de riquezas. dando ênfase ao primado da civilização material.O IDEÁRIO MERCANTILISTA Diferente de país para país. pois a sua atividade produtiva nunca fora alvo de incentivos. na criação de mercados exteriores para os produtos nacionais. o mercantilismo assentava. as colónias na maior parte das vezes. do nacionalismo económico. introduzidas pelas diretrizes mercantilistas de controlo e organização da atividade económica. o mercantilismo teve implantação nos séculos XVI e XVIII. na proteção e transporte dos metais preciosos oriundos das minas americanas.e manufaturas para prover os cofres nacionais de ouro. bem como a contabilidade atualizada. para prover os cofres nacionais de receitas capazes de suportar os elevados encargos do aparelho do Estado. que visava principalmente os artigos de luxo ou os considerados improdutivos. Nas monarquias ibéricas. a sua saída para o estrangeiro. . Outra importante forma de impedir a entrada de importações e consequente saída de divisas era a proteção aduaneira (taxas alfandegárias). As estimativas e cálculos orçamentais. todavia. o mercantilismo tinha um matiz muito mais comercial. cada vez mais pesado e oneroso. o mercantilismo confunde-se com a figura daquele estadista. são cada vez mais comuns nos estados europeus.ultrapassando o conceito de susbsistência até então dominante na agricultura . basicamente. facilitado pela capacidade de transporte e intercâmbio de produtos que aqueles países detinham. Há também uma remodelação do funcionalismo e uma maior fiscalização. destaca-se na França de Jean-Baptiste Colbert. principalmente no caso espanhol. dominando os mares. que promoveu ao máximo as exportações de produtos agícolas . a uma conceção política de construção de um estado forte e poderoso no conjunto das nações. das comunicações aos portos. relação entre o valor das exportações e o das importações. com particular incidência neste último. aparece pela primeira vez o conceito de balança comercial. Já em Inglaterra e na Holanda. Algumas das medidas assentavam no desenvolvimento de infraestruturas no país.

Ásia e finalmente a chegada ao continente . Destacando-se. no século XVIII.O século XVIII marca. coube ao Estado reunir capitais. sistemas com muito maior poder de resposta às tendências da economia que se avizinhavam com a industrialização crescente. A EXPANSÃO MARÍTIMA A descoberta do Brasil foi o resultado do desenvolvimento econômico da Europa nos fins da Idade Média. outra faceta do mercantilismo europeu. os recursos para realizar as navegações oceânicas que possibilitaram o comércio com a Áfricà. de certa forma mesclando as correntes francesa. Nos diversos países europeus e especialmente em Portugal. navios. Keynes (1883-1946) na sua teoria económica. os europeus realizavam trocas no Oriente Médio e no Norte da África. Principalmente depois do recuo da expansão cruzadista no Oriente Médio e do avanço turco naquela região. liderada pelos portugueses durante o século XV. pelo grande economista inglês John M. a abertura das rotas atlânticas apresentava imensas dificuldades. espanhola e inglesa. o ―Mar Tenebroso‖ (Oceano Atlântico) colocou-se como a única alternativa para a expansão do comércio europeu. em pleno século XX. a figura do marquês de Pombal como símbolo do mercantilismo português. Razões do expansionismo português A procura de mercados. De qualquer modo. contudo. de novos territórios para realizar comércio.Em Portugal. Até o século XV. Portugal deu reduzida importância à nova terra. pois algumas das suas matrizes e linhas essenciais foram retomadas. homens. que aliás influenciou largamente o New Deal que permitiu sair da Grande Depressão. da valorização e fomento da produção nacional e incremento do comércio através das companhias de monopólio. Num primeiro momento. o fim do mercantilismo como corrente de pensamento económico no poder. ou seja. No entanto. foi o mais importante fator da expansão marítima dos europeus nos séculos XV e XVI. armas e suprimentos. surgiram também medidas e práticas mercantilistas. principalmente no sentido do combate ao luxo e à ociosidade. tornando-se quase impossível a empresas particulares isoladas. pois encontravase totalmente voltado para o comércio com a Ásia.e no desenvolvimento do capitalismo. e a estreiteza desses mercados foi colocada em evidência durante a crise do século XIV. o ideário mercantilista não sucumbiu com a indústria. dando lugar ao liberalismo económico anunciado no fisiocratismo . e da expansão marítima.

No ano de 1415. O pretexto de combater pela cruz ajudou a impulsionar inúmeras conquistas de territórios mouros e africanos. os desejos de realizar saques e tomar terras por parte dos nobres portugueses foram freqüentemente disfarçados com o espírito de cruzada. Depois da Revolução de 1383 os reis agricultores da primeira dinastia (Borgonha) cederam lugar aos reis mercadores. Nobres e burgueses uniram-se no expansionismo. a crise da agricultura e a decadência econômica dos nobres. ponto final de rotas transaarianas que traziam ouro e produtos orientais do Egito e do Sudão. Era uma cidade muito importante por ser base de piratas muçulmanos que atuavam no Mediterrâneo. uma vez realizado. enquanto os grandes senhores queriam terras e o produto dos saques. impostos e coordenando as atividades dos comerciantes através da política mercantilista. reunindo grandes recursos e esperanças. especialmente nos campos da matemática. o êxodo para a beira-mar tornou constante a falta de mão-de-obra no campo. Mas as frustrações não . astronomia e construção naval. foi o primeiro grande passo da aventura expansionista portuguesa.amerícano. os portugueses tomaram Ceuta. A belicosidade. um outro fator de grande importância na expansão foi a crise ―do feudalismo. Esta reunião de meios materiais o Estado realizou coletando empréstimos. caso de Portugal. o processo de expansão que. Tal progresso resultou do emprego de recursos crescentes no campo da técnica e da ciência por parte dos reis e dos comerciantes. e um grande centro comercial do Marrocos. No caso português. visando a tomada de novas terras e possíveis pilhagens. fortaleceu ainda mais o poder real. Ceuta era importante centro muçulmano no Norte da Africae. ali realizando uma rica pilhagem no momento da conquista. o Estado encontrava-se fortalecido desde antes do século XV e pôde investir capitais e controlar. ainda que entre as duas classes existissem divergências quanto aos objetivos finais: os mercadores desejavam fazer comércio. no início do século XV. em detalhes. Em Portugal e em várias nações européias. Uma saída para esta nobreza foi dedicar-se cada vez mais a guerras. Um outro fator fundamental para as grandes navegações foi o grande progresso técnicocientífico da época. um tipo de prática que teve um bom exemplo na Escola de Sagres. Um primeiro objetivo: Ceuta Situada em frente ao Estreito Gibraltar.

As caravanas com ouro e produtos orientais foram desviadas e a região esvaziou-se‘ economicamente. O homem renascentista. eram vistos como práticas condenáveis pelos religiosos. A Igreja Católica vinha. O lucro e os juros. A burguesia comercial. começaram a discutir e a pensar sobre as coisas do mundo. estava cada vez mais inconformada. Gastos com luxo e preocupações materiais estavam tirando o objetivo católico dos trilhos. com mais acesso a livros. Trabalhadores urbanos. começava a ler mais e formar uma opinião cada vez mais crítica. perdendo sua identidade. a manutenção militar do domínio português implicava crescentes despesas. Muitos elementos do clero estavam desrespeitando as regras religiosas. os reis estavam descontentes com o papa. nela permanecendo ilhados pelos mouros permanentemente hostis. No campo político. REFORMA PROTESTANTE E A NÃO REFORMA Motivos O processo de reformas religiosas teve início no século XVI. Podemos destacar como causas dessas reformas : abusos cometidos pela Igreja Católica e uma mudança na visão de mundo. desde o final da Idade Média. O novo pensamento renascentista também fazia oposição aos preceitos da Igreja. Padres que mal sabiam rezar uma missa e comandar os rituais. pois os clérigos católicos estavam condenando seu trabalho. típicos de um capitalismo emergente. em plena expansão no século XVI. Um pensamento baseado na ciência e na busca da verdade através de experiências e da razão. fruto do pensamento renascentista. A Reforma Luterana .tardaram. deixavam a população insatisfeita. Ao mesmo tempo. Por outro lado. Os conquistadores não conseguiram ir além dos limites da cidade. principalmente o que diz respeito ao celibato. com a venda das indulgências (venda do perdão). o papa arrecadava dinheiro para a construção da basílica de São Pedro em Roma. pois este interferia muito nos comandos que eram próprios da realeza.

Calvino também defendeu a idéia da predestinação (a pessoa nasce com sua vida definida). o rei Henrique VIII rompeu com o papado. A Reforma Calvinista João Calvino: reforma na França Na França. João Calvino começou a Reforma Luterana no ano de 1534.Catequização dos habitantes de terras descobertas. A Contra-Reforma Católica Preocupados com os avanços do protestantismo e com a perda de fiéis. teve grande apoio dos reis e príncipes da época. Em suas teses.O monge alemão Martinho Lutero foi um dos primeiros a contestar fortemente os dogmas da Igreja Católica. bispos e papas reúnem-se na cidade italiana de Trento (Concílio de Trento) com o objetivo de traçar um plano de reação. De acordo com Lutero. através da ação dos jesuítas. já que retirou da Igreja Católica uma grande quantidade de terras. a salvação do homem ocorria pelos atos praticados em vida e pela fé. condenou o culto à imagens e revogou o celibato. No Concílio de Trento ficou definido : . A Reforma Anglicana Na Inglaterra. Martinho Lutero foi convocado as desmentir as suas 95 teses na Dieta de Worms. após este se recusar a cancelar o casamento do rei. As 95 teses de Martinho Lutero condenava a venda de indulgências e propunha a fundação do luteranismo ( religião luterana ). Muitos trabalhadores também viram nesta nova religião uma forma de ficar em paz com sua religiosidade. Afixou na porta da Igreja de Wittenberg as 95 teses que criticavam vários pontos da doutrina católica. convocada pelo imperador Carlos V. Lutero não so defendeu suas teses como mostrou a necessidade da reforma da Igreja Católica. atraiu muitos burgueses e banqueiros para o calvinismo. Essa idéia calvinista. Henrique VIII funda o anglicanismo e aumenta seu poder e suas posses. . De acordo com Calvino a salvação da alma ocorria pelo trabalho justo e honesto. Em 16 de abril de 1521. Embora tenha sido contrário ao comércio.

Na França. nos três primeiros séculos. pp. colocou católicos e protestantes em guerra por motivos puramente religiosos. Difusão Européia do Livro. por exemplo. Fernando A.Criação do Index Librorium Proibitorium (Índice de Livros Proibidos): evitar a propagação de idéias contrárias à Igreja Católica. Parte integrante do império ultramarino português. 47 . em todo o largo período da sua formação colonial. O BRASIL E A AMERICA NOS QUADROS DO SISTEMA COLONIAL EUROPEU O Brasil nos quadros do antigo sistema colonial O Brasil nos quadros do antigo sistema colonial Novais. 1971. Bota). o Brasil-colônia refletiu. tentando marcar a posição do Brasil nesse contexto. Procuraremos sintetizar as linhas mestras do sistema colonial da época mercantilista. A atividade colonizadora dos povos europeus na época moderna. desta forma. inaugurada com a ocupação e utilização das ilhas atlânticas. a história da expansão ultramarina e da exploração colonial portuguesa se desenrola no amplo quadro da competição entre as várias potências.52 A História do Brasil. em busca do equilíbrio europeu. é na história do sistema geral de colonização européia moderna que devemos procurar o esquema de determinações dentro do qual se processou a organização da vida econômica e social do Brasil na primeira fase de sua história. e se encaminharam os problemas políticos de que esta região foi o teatro. São Paulo. Intolerância Em muitos países europeus as minorias religiosas foram perseguidas e muitas guerras religiosas ocorreram. frutos do radicalismo. Carlos G. os problemas e os mecanismos de conjunto que agitaram a política imperial lusitana. Por outro lado. In: Brasil em Perspectiva (org. A Guerra dos Trinta Anos (1618-1648).. e logo desenvolvida em larga escala com o povoamento e valorização econômica da América. está intimamente ligada à da expansão comercial e colonial européia na época moderna. o rei mandou assassinar milhares de calvinistas na chamada Noite de São Bartolomeu. distingue-se da empresa de exploração .Inquisição : punir e condenar os acusados de heresias .Retomada do Tribunal do Santo Ofício .

o renascimento do comércio. o que exigia larga mobilização do recursos. sobretudo a partir do século XIV. as formas de organização empresarial então existentes. intensificara o ritmo das atividades econômicas no curso de toda a segunda Idade Média. cumpre acrescentar logo em seguida que. mas coexistentes. ao mesmo tempo para as mudanças na organização política européia e para a abertura de novas rotas e conquistas de maiores mercados [. Para tanto.comercial que desde o século XV já vinham realizando os portugueses nos numerosos entrepostos do litoral atlântico-africano e no mundo indiano. esse caráter de exploração mercantil marca profundamente o tipo de vida econômica que se organizará nas áreas coloniais. através das quais se criam condições. vigorosamente consolidado a partir do século XI. uma série de fatores internos e externos põem em xeque a possibilidade de se prosseguir na linha de desenvolvimento econômico. ] Como desdobramento da expansão comercial. em primeiro lugar. o . a colonização promoverá a intervenção direta dos empresários europeus no âmbito da produção. se é possível e mesmo útil estabelecer a distinção. o caráter de exploração comercial não é abandonado pela empresa ultramarina européia. entretanto. desencadeando um conjunto de tensões. A colonização da época moderna se apresenta. revelavam-se incapazes do propiciar a acumulação de meios indispensáveis ao empreendimento. o grau muito elevado de risco da empresa. Efetivamente. a abertura de novas rotas. a colonização se insere no processo de superação das barreiras que se antepuseram. Pelo contrário.. ao desenvolvimento da economia mercantil. no fim da Idade Mordia. quando ela se desdobra na atividade mais complexa da colonização. a empresa colonial é mais complexa.. e ao fortalecimento das camadas urbanas e burguesas. ] Devemos reter aqui apenas os elementos indispensáveis para a compreensão da história do sistema colonial. podese dizer que nos entrepostos africanos e asiáticos a atividade econômica dos europeus (pelo menos nesta primeira fase) se circunscreve nos limites da circulação das mercadorias. por seu turno. no final do período. e mais. Com efeito. Realmente. envolvendo povoamento europeu. pois. a fim de superar os entraves derivados do monopólio das importações orientais pelos venezianos e muçulmanos e a escassez do metal nobre. no processo histórico concreto as duas formas não são sucessivas. dado seu caráter embrionário. Em outras palavras. organização de uma economia complementar voltada para o mercado metropolitano. como um desdobramento da expansão marítimo-comercial européia que assinala a abertura dos Tempos Modernos [. Contudo. implicavam em dificuldades técnicas (navegação do Mar Oceano) e econômicas (o alto custo de investimentos. cumpre destacar a conexão que vincula os dois processos paralelos de expansão mercantil e a formação de Estados de tipo moderno. organizado em função desse movimento.. Desta forma..

É emoldurada no complicado quadro dessas tensões que se desenrola a história da colonização e do sistema colonial [. constitui-se. agudizam-se as tensões políticas entre as várias potências. uns após outros abrindo caminho no ultramar e participando da exploração colonial: Portugal.Estado centralizado. unificados e centralizados. e se lançam à elaboração de seus respectivos impérios coloniais. capaz de mobilizar recursos em escala nacional. torna-se cada vez mais difícil. vão. Na medida em que os velhos reinos medievais se organizam em Estados do tipo moderno. na metrópole ou alhures a preço de mercado. por seu turno. O monopólio do comércio das colônias pela metrópole define o sistema colonial porque é através dele que as colônias preenchem a sua função histórica. isto é. reservando a si com exclusividade a aquisição dos produtos coloniais. em face das condições desta nos fins da Idade Média e início da Época Moderna. da qual foi um desdobramento. apropriado pelos mercadores metropolitanos. as colônias se constituem em instrumento de poder das respectivas metrópoles. Espanha. a revenda. Países-Baixos. fortalece-se reversivamente o Estado colonizador. por outro lado desencadeados os mecanismos de exploração comercial e colonial do ultramar. postulando um certo grau de centralização do poder para tornar-se realizável. em fator essencial do poder do Estado metropolitano. Em outras palavras. os produtos . toda atividade econômica colonial se orientará segundo os interesses da burguesia comercial da Europa. a expansão marítima. enquanto se sucedem as hegemonias coloniais ou continentais. Temos assim os dois elementos essenciais à compreensão do modo de organização e dos mecanismos de funcionamento do antigo Sistema Colonial: como instrução de expansão da economia mercantil européia. enfim. E realmente. na própria metrópole ou no mercado europeu. como resultado do esforço econômico coordenado pelos novos Estados modernos. transferem-se rendas da massa da população metropolitana (bem como dos produtores coloniais) para a burguesia mercantil. tornou-se um prérequisito à expansão ultramarina. cria uma margem de lucros do monopólio apropriada pelos mercadores intermediários: se vendido no próprio mercado consumidor metropolitano os produtos coloniais. comercial e colonial. se vendidos em outros países trata-se de ingresso externo. respondem aos estímulos que lhes deram origem que formam a sua razão de ser. adquirindo a preço de mercado. Inglaterra. ] incorporou da expansão comercial. França. Paralelamente.. a burguesia mercantil metropolitana pode forçar a baixa dos seus preços até o mínimo além do qual se tornaria antieconômica a produção. o equilíbrio europeu. Igualmente. quimera constante da diplomacia na época Moderna.. e os problemas tradicionais da velha Europa se complicam com novos atritos pela partilha do mundo colonial. do século XV ao XVII realizam sucessivamente a transição para a forma moderna de Estado. que lhes dão sentido.

assim como uma série de movimentos nativistas foi realizada na colônia portuguesa. e simultaneamente se fortalece. os industriais desejassem o fim das colônias. além de fornecerem matérias-primas baratas. Num e noutro sentido uma parte significativa da massa de renda real gerada pela produção da colônia é transferida pelo sistema de colonização para a metrópole e apropriada pela burguesia mercantil. a Revolução Americana e a Revolução Francesa. o Iluminismo burguês – filosofia cultuada pelo racionalismo. contrário ao Antigo Regime. tanto na Europa. na Inglaterra. o grupo privilegiado se apropria mais uma vez de lucros extraordinários. A Revolução Industrial ocorreu por volta de 1760. garantindo o funcionamento do sistema. modificando totalmente as relações econômicas. Ao mesmo tempo. Esse pensamento iluminista contribuiu para que houvesse a Revolução Industrial. sendo assim. aos séculos XVII e XVIII. e vivia-se o Século das Luzes. Nesse período. e revendendo-os na colônia a preços monopolistas. face às demais potências. abrindo novas fontes de tributação. o Estado real' a política burguesa. a igualdade e a felicidade entre os homens. como na América do Norte. que defendia a liberdade. época em que ocorreram diversas revoluções. . a Europa era marcada pela ascendência da burguesia ao poder. para que estas pudessem consumir os seus produtos. dando início ao capitalismo industrial. mais especificamente. precisamos retroceder no tempo. e diante dos produtores coloniais e mesmo das demais camadas da população metropolitana. de modo que.de consumo colonial (produtos manufaturados sobretudo). essa transferência corresponde às necessidades históricas de expansão da economia capitalista de mercado na etapa de sua formação. Estado centralizado e sistema colonial conjugam-se pois para acelerar a acumulação de capital comercial pela burguesia mercantil europeia CRISE NO SISTEMA COLONIAL PORTUGUES E ESPANHOL Crise do Sistema Colonial Por Tiago Soriano Para que possamos entender a crise no sistema colonial.

em 1789. apesar de seu caráter idealista. Escócia e País de Gales. que teve lugar no Reino Unido em 1688-1689. devido aos abusos do fiscalismo português nas regiões auríferas – regiões que contém ouro – vários movimentos emancipacionistas foram realizados contra os colonos portugueses. gerando na população colonial. e após longa guerra de independência contra a Metrópole – Inglaterra –. foi removido do trono de Inglaterra. os colonos ingleses. da dinastia Stuart. das colônias de povoamento. o sentimento de emancipação. foram fatores que repercutiram nas colônias portuguesas. em 1798. Outra mudança política ocorrida foi a Revolução Francesa. e que. Jaime II tornou-se vítima da batalha política entre católicos e protestantes. Essas revoluções e principalmente a independência dos Estados Unidos da América. e. Outros importantes movimentos emancipacionistas foram a Conjuração Baiana ou dos Alfaiates. Maria II e pelo genro. em 1801. assim como. foi a primeira rejeição ao sistema colonial português. bem como entre os direitos seculares da coroa e os poderes políticos do Parlamento. . conhecido também como Guilherme de Orange Durante o seu reinado de oito anos. Um dos principais movimentos emancipacionistas foi a Inconfidência Mineira.Com a Revolução Americana no ano de 1770. e a Conspiração dos Suassunas. o nobre neerlandês Guilherme. sendo substituído por sua filha. favorecendo definitivamente a quebra do antigo sistema colonial. na qual o rei Jaime II. católico. Príncipe de Orange Guilherme III. declaram independência no ano de 1776. caracterizada pela ascensão da burguesia francesa ao poder. em 1789. além do próprio desenvolvimento das colônias – resultado do investimento e das explorações realizadas pelos colonizadores –. as Treze Colônias inglesas tornam-se independentes. REVOLUÇÃO GLORIOSA DA INGLATERRA A Revolução Gloriosa ɤ' foi uma revolução em grande parte não-violenta (por vezes chamada de "Revolução sem sangue"[1]). as ideias iluministas. A crise no sistema colonial decorreu pelo surgimento de novas ideias e pelas transformações econômicas e sociais.

o que o limitava perante ambos os partidos do parlamento . a situação foi controlada. e decidiu-se que a fuga de James equivalia à abdicação. Maria. onde foi capturado. uniram-se aos membros da oposição Whig e propuseram-se a resolver a crise. Embora Carlos II. Foi lançada uma conspiração para depor Jaime e substituí-lo por sua filha Maria e seu marido Guilherme de Orange. A perspectiva de uma dinastia católica tornara-se então real. então em guerra com a França: a Guerra da Grande Aliança. em 5 de Novembro de 1688 com um grande exército neerlandês. onde Jaime usou os sentimentos católicos locais para tentar recuperar o trono em 1689-1690.O principal problema de Jaime II era não ser protestante. Líderes do partido Tory. e os whigs.a primeira rebelião Jacobita . reuniu-se a convenção do parlamento. os católicos eram discriminados. Jaime II foi perdendo seu prestígio por algumas políticas consideradas indesejadas. até aqui leais ao rei. conservadores. comandado pelo futuro duque de Marlborough. O exército de Jaime. Qualquer tentativa de reforma tentada por Jaime era vista como suspeita.os tories. pelo que lhe foi permitido viajar para a França. quando teve um filho. O trono foi oferecido a Guilherme e Maria. como a criação de um exército permanente e sobretudo a tolerância religiosa. Em 1689. Devon. A memória da execução de Carlos I ainda estava viva. desertou. James Francis Edward Stuart. como governadores conjuntos . Guilherme de Orange foi então coroado Rei. e Maria foi coroada como Rainha. ele era tão abertamente católico quanto Jaime II. e Jaime fugiu para Kent. liberais. A questão degradou-se em 1688. Guilherme liderava a Holanda. e fortalecer seu poder.[2][3] Desde Henrique VIII. Guilherme e Maria desembarcaram em Brixham. com o título de Maria II tanto na Inglaterra como na Escócia. procurando reconduzir o país para o catolicismo. em prejuízo do Parlamento. com o título de Guilherme III. o trono teria passado para a sua filha protestante.e na Irlanda. . conhecido como the old pretender. também tivesse praticado a tolerância religiosa. Apesar de uma revolta em apoio a Jaime na Escócia . ambos protestantes.um arranjo que eles aceitaram. irmão e predecessor de Jaime. Até ali. Vendo a hipótese de adicionar a Inglaterra à sua aliança. A revolta nas Highlands escocesas foi domada.

grupos de artesãos podiam se organizar e dividir algumas etapas do processo.[4] O evento marcou a submissão da coroa ante o parlamento. no máximo com o emprego de algumas máquinas simples. mas muitas vezes um mesmo artesão cuidava de todo o processo. Esses trabalhos eram realizados em oficinas nas casas dos próprios artesãos e os profissionais da época dominavam muitas (se não todas) etapas do processo produtivo. a acumulação de capital e uma série de invenções. Ao longo do processo (que de acordo com alguns autores se registra até aos nossos dias). O sucesso da Revolução Gloriosa veio sete anos depois do falhanço da Rebelião Monmouth em destituir o rei. ao circunscrever os poderes do rei. A partir de então. a era da agricultura foi superada. e Jaime foi expulso da Irlanda no seguimento da batalha de Boyne. a atividade produtiva era artesanal e manual (daí o termo manufatura). A aprovação. os novos monarcas devem a sua posição ao parlamento. . entre outros eventos. desde a obtenção da matéria-prima até à comercialização do produto final. uma nova relação entre capital e trabalho se impôs. A EXPANSÃO E A INDUSTRIALIZAÇÃO EUROPEIA A Revolução Industrial consistiu em um conjunto de mudanças tecnológicas com profundo impacto no processo produtivo em nível econômico e social. Essa transformação foi possível devido a uma combinação de fatores. como o liberalismo econômico. O capitalismo tornou-se o sistema econômico vigente. tornou impossível o retorno de um católico à monarquia e acabou com as tentativas recentes de instauração do absolutismo monárquico nas ilhas britânicas. tais como o motor a vapor. da Bill of Rights (declaração de direitos). Iniciada no Reino Unido em meados do século XVIII.apesar da vitória Jacobita na batalha de Killiecrankie. expandiu-se pelo mundo a partir do século XIX. pelo parlamento. Antes da Revolução Industrial. Dependendo da escala. A Revolução Gloriosa foi um dos eventos mais importantes na longa evolução dos poderes do Parlamento do Reino Unido e da Coroa Britânica. a máquina foi superando o trabalho humano. novas relações entre nações se estabeleceram e surgiu o fenômeno da cultura de massa.

perdendo a posse da matéria-prima. Esse momento de passagem marca o ponto culminante de uma evolução tecnológica. do produto final e do lucro. o trono britânico foi ocupado pela rainha Vitória (1837-1901). econômica e social que vinha se processando na Europa desde a Baixa Idade Média. Países Baixos. Ao final do período. na passagem do capitalismo comercial para o industrial. de expansão colonialista e das primeiras lutas e conquistas dos trabalhadores. A Revolução Industrial ocorreu primeiramente na Europa devido a três fatores: 1) os comerciantes e os mercadores europeus eram vistos como os principais manufaturadores e comerciantes do mundo. no plano das Relações Internacionais. o século XIX foi marcado pela hegemonia mundial britânica. Para Marx. Com a evolução do processo. o capitalismo seria um produto da Revolução Industrial e não sua causa. Durante a maior parte do período. tendo a Índia. mais tarde. mais tarde. um período de acelerado progresso econômico-tecnológico. Nos países fiéis ao catolicismo. iniciada na Grã-Bretanha. integrou o conjunto das chamadas Revoluções Burguesas do século XVIII. da Primeira Guerra Mundial (1914). detendo ainda a confiança e reciprocidade dos governantes quanto à manutenção da economia em seus estados. 2) a existência de um mercado em expansão para seus produtos. De acordo com a teoria de Karl Marx. Os outros dois movimentos que a acompanham são a Independência dos Estados Unidos e a Revolução Francesa que. a América do Norte e a América do . Suécia. em geral. a Revolução Industrial eclodiu. Esses trabalhadores passaram a controlar máquinas que pertenciam aos donos dos meios de produção os quais passaram a receber todos os lucros. a busca por novas áreas para colonizar e descarregar os produtos maciçamente produzidos pela Revolução Industrial produziu uma acirrada disputa entre as potências industrializadas. assinalam a transição da Idade Moderna para a Idade Contemporânea.Com a Revolução Industrial os trabalhadores perderam o controle do processo produtivo. causando diversos conflitos e um crescente espírito armamentista que culminou. a África. Escócia. a Revolução Industrial. responsáveis pela crise do Antigo Regime. na eclosão. e num esforço declarado de copiar aquilo que se fazia nos países mais avançados tecnologicamente: os países protestantes. uma vez que passaram a trabalhar para um patrão (na qualidade de empregados ou operários). com ênfase nos países onde a Reforma Protestante tinha conseguido destronar a influência da Igreja Católica: Inglaterra. O trabalho realizado com as máquinas ficou conhecido por maquinofatura. sob influência dos princípios iluministas. razão pela qual é denominado como Era Vitoriana.

onde praticamente não existia progresso econômico. as atividades industriais e comerciais estavam cartelizadas pelo rígido sistema de guildas. A Grã-Bretanha firmou vários acordos comerciais vantajosos com outros países.[1] O pioneirismo do Reino Unido Coalbrookdale.Sul sido integradas ao esquema da expansão econômica européia. principais matérias-primas utilizadas neste período. já na China. por meio do qual conseguiu taxas preferenciais para os seus produtos no mercado português. considerada um dos berços da Revolução Industrial. O processo de enriquecimento britânico adquiriu maior impulso após a Revolução Inglesa. adquirir matériasprimas e máquinas e contratar empregados. . Um desses acordos foi o Tratado de Methuen. Com a liberalização da indústria e do comércio ocorreu um enorme progresso tecnológico e um grande aumento da produtividade em um curto espaço de tempo. A Grã-Bretanha possuía grandes reservas de ferro e de carvão mineral em seu subsolo. A burguesia inglesa tinha capital suficiente para financiar as fábricas. Os trabalhadores dirigiram-se para os centros urbanos em busca de trabalho nas manufaturas. que oferecia um mercado sempre crescente de bens manufaturados. cidade britânica. em 1703. que forneceu ao seu capitalismo a estabilidade que faltava para expandir os investimentos e ampliar os lucros. e 3) o contínuo crescimento de sua população. que provocou o êxodo rural. razão pela qual a entrada de novos competidores e a inovação tecnológica eram muito limitados. Antes da liberalização econômica. além de uma reserva adequada (e posteriormente excedente) de mão-deobra. Dispunham de mão-de-obra em abundância desde a Lei dos Cercamentos de Terras. O Reino Unido foi pioneiro no processo da Revolução Industrial por diversos fatores: Pela aplicação de uma política econômica liberal desde meados do século XVIII. a taxa de juros era de cerca de 30% ao ano. Para ilustrar a relativa abundância do capital que existia na Inglaterra. celebrado com a decadência da monarquia absoluta portuguesa. pode se constatar que a taxa de juros no final do século XVIII era de cerca de 5% ao ano.

têm que vender produtos bons e baratos. Ele dizia que o individualismo é útil para a sociedade. o Estado é quem atrapalhava a liberdade dos indivíduos. . nela mesma ou no pagamento que receberá no final do mês? De qualquer maneira. você saberia explicar quais os motivos dela? Será porque ama o seu patrão e quer vê-lo feliz ou porque está pensando. toda a sociedade é beneficiada. Do mesmo jeito. E. já que o individualismo é bom para toda a sociedade. "o Estado deveria intervir o mínimo possível sobre a economia". os trabalhadores pensam neles mesmos. para Adam Smith. o ideal seria que as pessoas pudessem atender livremente a seus interesses individuais. Se as forças do mercado agissem livremente. Seu livro A Riqueza das Nações (1776) é considerado uma das obras fundadoras da ciência econômica. E por que um açougueiro vende uma carne muito boa para uma pessoa que nunca viu antes? Porque deseja que ela se alimente bem ou porque está olhando para o lucro que terá com futuras vendas? Graças ao individualismo dele o freguês pode comprar boa carne. Seu raciocínio era este: quando uma pessoa busca o melhor para si. Desse modo. Sem a intervenção do Estado. para lucrar. As novidades da Revolução Industrial trouxeram muitas dúvidas. Então. sem ter de obedecer a nenhum regulamento criado pelo governo. Exemplo: quando uma cozinheira prepara uma deliciosa carne assada. Mas. no fim. é ótimo para a sociedade. o mercado funcionaria automaticamente. em primeiro lugar. Os investimentos e o comércio seriam totalmente liberados. Portanto. Trabalham bem para poder garantir seu salário e emprego. é correto afirmar que os capitalistas só pensam em seus lucros.O liberalismo de Adam Smith Adam Smith. o capitalismo e a liberdade individual promoveria o progresso de forma harmoniosa. cada empresário faria o que bem entendesse com seu capital. Para o autor escocês. O que. como se houvesse uma "mão invisível" ajeitando tudo. se a cozinheira pensa no salário dela. O pensador escocês Adam Smith procurou responder racionalmente às perguntas da época. a economia poderia crescer com vigor. Ou seja. seu individualismo será benéfico para ela e para seu patrão.

alteradas pelas conquistas de Napoleão. restaurar os respectivos tronos às famílias reais derrotadas pelas tropas de Napoleão Bonaparte (como a restauração dos Bourbon) e firmar uma aliança entre os burgueses. cuja intenção era a de redesenhar o mapa político do continente europeu após a derrota da França napoleônica na primavera anterior. O Ato Final do Congresso foi assinado nove dias antes da derrota final de Napoleão na batalha de Waterloo em 18 de Junho de 1815. as discussões prosseguiram. que provocou mudanças políticas e econômicas em toda a Europa. Prússia e Reino Unido) sentiram a necessidade de selar um tratado para . entre 2 de maio de 1814 e 9 de Junho de 1815. Índice [esconder] 1 Objetivo 2 Medidas 3 Participantes 4 Princípios 5 Consequências 6 Bibliografia 7 Ligações externas [editar] Objetivo O objetivo foi reorganizar as fronteiras europeias. Após o fim da época napoleônica. Os termos de paz foram estabelecidos com a assinatura do Tratado de Paris (30 de Maio de 1814).A REVOLUÇÃO FRANCESA E O CONGRESSO DE VIENA O Congresso de Viena foi uma conferência entre embaixadores das grandes potências europeias que aconteceu na capital austríaca. Rússia. no qual se estabeleciam as indenizações a pagar pela França aos países vencedores. no caso do Brasil). e restaurar a ordem absolutista do Antigo Regime. iniciar a colonização (como visto na Revolução Liberal do Porto. tendo reassumido o poder da França em Março de 1815. os países vencedores (Áustria. Mesmo diante do regresso do imperador Napoleão I do exílio.

Prussia e Austria prontos para intervir em qualquer situação que ameaçasse o Antigo Regime. Pedro de Sousa Holstein. após Wellington ter partido para dar combate a Napoleão. diplomata destacado na Rússia. o seu Chanceler e o diplomata e acadêmico Wilhelm von Humboldt. já que momentos de instabilidade eram vividos e temia-se uma nova revolução. Contra isso foi criada a "Doutrina Monroe" (América para Americanos) [editar] Participantes O congresso foi presidido pelo estadista austríaco Príncipe Klemens Wenzel von Metternich (que também representava seu país). . António de Saldanha da Gama. A França estava representada pelo seu Ministro de Negócios Estrangeiros Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord. A Prússia foi representada pelo príncipe Karl August von Hardenberg. diplomata destacado em Estocolmo. o Visconde de Castlereagh. O Reino Unido foi inicialmente representado pelo seu Secretário dos Negócios Estrangeiros. A Rússia foi defendida pelo seu Imperador Alexandre I. após fevereiro de 1815 por Arthur Wellesley. Joaquim Lobo da Silveira. e D. Portugal é representado por três Ministros Plenipotenciários: D. nas últimas semanas. incluindo a hipótese de intervir nas independências da América. contando ainda com a presença do seu Ministro de Negócios Estrangeiros e do Barão Wessenberg como deputado. Instrumento de Ação: Santa Aliança. pelo Conde de Clancarty. Conde de Palmela. aliança político-militar reunindo exércitos de Russia . [editar] Medidas Foram adotados uma política e um instrumento de ação: Política: Restauração legitimista e compensações territoriais.restabelecer a paz e a estabilidade política na Europa. Duque de Wellington. embora fosse nominalmente representada pelo seu Ministro de Negócios Estrangeiros.

os representantes das quatro potências vitoriosas esperavam excluir os franceses de participar nas negociações mais sérias. mas o Ministro Talleyrand conseguiu incluir-se nesses conselhos desde as primeiras semanas de negociações. Metternich Karl August von Hardenberg Wilhelm von Humboldt Arthur Wellesley .Inicialmente.

No encerramento do Congresso de Viena. [editar] Princípios . Devido à maior parte dos trabalhos ser feito por estas cinco potências (com.Alexandre I Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord Francisco II O congresso nunca teve uma sessão plenária de facto: as sessões eram informais entre as grandes potências. Francisco II. Na verdade o que existia era um " leilão" entre povos e territórios. oferecia entretenimento para as manter ocupadas. pelo que o anfitrião. a maioria das delegações pouco tinha que fazer. Imperador do Sacro Império Romano-Germânico. Portugal. o direito português ao território de Olivença foi reconhecido. ele dança). pelo Artigo 105 do Acto Final. Suécia e dos estados alemães). Isto levou a um comentário famoso pelo Príncipe de Ligne: le Congrès ne marche pas. algumas questões dos representantes de Espanha. il danse (o Congresso não anda.

que guilhotinou ao rei absolutista e criou um regime republicano. uma vez que se tratava de recolocar a Europa na mesma situação política em que se encontrava antes da Revolução Francesa. . quando suas raízes já haviam sido sacudidas pelos exércitos de Napoleão Outra decisão importante das grandes potências reunidas em Viena foi a consagração da ideia de equilíbrio do poder. a Confederação Alemã que foi dividida em 39 Estados sendo a Prússia e a Áustria como líderes. defendeu a organização equilibrada dos poderes econômico e político europeus dividindo territórios de alguns países. e anexando outros territórios a países adjacentes. provocaram todo aquele período de guerras. como. o acesso não foi respeitado. Os representantes dos governos mais reacionários acreditavam que poderiam. mas ao mesmo tempo buscava salvaguardar a França de perdas territoriais. Segundo essa perspectiva. como o caso da Bélgica que foi anexada aos Países Baixos. que acabou com os privilégios reais e instituiu o direito legítimo de propriedade aos burgueses. o equilíbrio de poder e.garantindo com isso que os Bourbons retornassem ao poder com a anuência dos vencedores. porque as quatro potências do Congresso trataram de obter algumas vantagens na hora de desenhar a nova organização geopolítica da Europa. a restauração. por exemplo. Contudo. as fronteiras da Europa foram refeitas. a consagração do conceito de "fronteiras geográficas": O princípio da legitimidade. O princípio da restauração. a República. no plano geopolítico. O princípio do equilíbrio. defendido sobretudo por Talleyrand a partir do qual se consideravam legítimos os governos e as fronteiras que vigoravam antes da Revolução Francesa. aliados à sua capacidade política e militar. assim como da intervenção estrangeira. restaurar o Antigo Regime e bloquear o avanço liberal. que era a grande preocupação das monarquias absolutistas. Atendia os interesses dos Estados vencedores na guerra contra Napoleão Bonaparte. Os governos absolutistas defendiam a intervenção militar nos reinos em que houvesse ameaça de revoltas liberais.As diretrizes fundamentais do Congresso de Viena foram: o princípio da legitimidade. considerava-se que só fora possível o fenômeno Napoleão na Europa porque ele havia juntado uma tal soma de recursos materiais e humanos que. Em 1815. assim.

Finlândia e a Bessarábia. A Inglaterra ficou com a estratégica Ilha de Malta. o que lhe garantiu o controle das rotas marítimas. da Polônia e com as províncias do Reno.As grandes potências decidiram então dividir os recursos materiais e humanos da Europa. A Bélgica. [editar] Consequências A Rússia anexou parte da Polônia. . trataram de pô-lo em prática. industrializada. a partir de então. quando esse conceito foi substituído pelo conceito de "fronteiras ideológicas". Sendo esse o critério estabelecido. de tal maneira que uma potência não pudesse ser mais poderosa que a outra (equilíbrio de poder). sendo assim. sabedor de que este contaria com os mesmos recursos. O Império Otomano manteve o controle dos povos cristãos do Sudeste da Europa. A Áustria anexou a região dos Bálcãs. na preservação das fronteiras geográficas estabelecidas justamente para evitar que qualquer potência viesse a romper o equilíbrio. A garantia da paz residia. foi obrigada a unir-se aos Países Baixos. no contexto da Guerra Fria. tal como aconteceu com a partilha da Polônia. nenhum outro Napoleão se atreveria a desafiar seu vizinho. O princípio geopolítico das "fronteiras geográficas" perdurou até o término da Segunda Guerra Mundial. formando o Reino dos Países Baixos. Uma vez estabelecida a paz. Os Principados Alemães formaram a Confederação Alemã com 38 Estados. da Westfália. por exemplo. Tratava-se de manter forças armadas exatamente para preservar a paz alcançada. o Ceilão e a Colônia do Cabo. resultando num mapa europeu em que as etnias e as nacionalidades não foram levadas em consideração. A Espanha e Portugal não foram recompensados com ganhos territoriais. a Prússia e a Áustria participavam dessa Confederação . mas tiveram restauradas as suas antigas dinastias. Restabelecimento dos Estados Pontifícios. A Prússia ficou com parte da Saxônia. haveria a necessidade de manutenção de exércitos? Os estadistas reunidos em Viena foram unânimes em responder afirmativamente. A Suécia e a Noruega uniram-se. anexando recursos de seus vizinhos e pondo em risco todo o sistema de estados europeus.

Além das disposições políticas territoriais. e. um regulamento sobre a prática das atividades diplomáticas entre os países. medidas favoráveis para a melhoria das condições dos judeus.O Congresso de Viena logrou garantir a paz na Europa. Era apenas o início do processo de independência política do Brasil. Pedro. destacando-se a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana. não alterando em nada a realidade sócio-econômica. parte integrante da decadência do Antigo Regime europeu. O PROCESSO DE INDEPENDENCIA DO BRASIL O processo de independência do Brasil Para compreender o verdadeiro significado histórico da independência do Brasil. debilitado pela Revolução Industrial na Inglaterra e principalmente pela difusão . determinando sua proibição ao norte da linha do Equador. Desde as últimas décadas do século XVIII assinala-se na América Latina a crise do Antigo Sistema Colonial. que se manteve com as mesmas características do período colonial. que personifica o acontecimento na figura de D. Ainda é muito comum a memória do estudante associar a independência do Brasil ao quadro de Pedro Américo. Foram os primeiros movimentos sociais da história do Brasil a questionar o pacto colonial e assumir um caráter republicano. Em segundo lugar. entender que o 07 de setembro de 1822 não foi um ato isolado do príncipe D. era na verdade. de suma importância. e sim um acontecimento que integra o processo de crise do Antigo Sistema Colonial. a condenação do tráfico de escravos. No Brasil. faremos uma breve avaliação histórica do processo de independência do Brasil. estabeleceu-se: o princípio da livre-navegação do Reno e do Meuse. "O Grito do Ipiranga". restringiu-se à esfera política. iniciada com as revoltas de emancipação no final do século XVIII. que se estende até 1822 com o "sete de setembro". essa crise foi marcada pelas rebeliões de emancipação. levaremos em consideração duas importantes questões: Em primeiro lugar. Esta situação de crise do antigo sistema colonial. Valorizando essas duas questões. perceber que a independência do Brasil. Pedro.

Alguns tem a pena transformada em prisão temporária. Todos negaram sua participação no movimento. menos Joaquim José da Silva Xavier.seria o pretexto para deflagar a revolta . Os líderes do movimento foram presos e enviados para o Rio de Janeiro responderam pelo crime de inconfidência (falta de fidelidade ao rei). Era o cruel exemplo que ficava para qualquer outra tentativa de questionar o poder da metrópole. pelo qual foram condenados. O mais grave contudo foi a ausência de uma postura clara que defendesse a abolição da escravatura. Tiradentes. que juntos formarão a base ideológica para a Independência dos Estados Unidos (1776) e para a Revolução Francesa (1789). iniciando prisões acompanhadas de uma verdadeira devassa. já que em outros aspectos ficou muito a desejar. Sua cabeça foi cortada e levada para Vila Rica. Sua composição social por exemplo. como intelectuais. o de mais baixa condição social. também chamada de Conjuração Baiana. O exemplo parece que não assustou a todos. Após decreto de D. ou seja. outros em prisão perpétua. foi o único condenado à morte por enforcamento. configurando-se num movimento elitista estendendo-se no máximo às camadas médias da sociedade. O desfecho do movimento foi assinalado quando o governador Visconde de Barbacena suspendeu a derrama -. o alferes conhecido como Tiradentes. assinalado pela passagem da idade moderna para a contemporânea. Os Movimentos de Emancipação A Inconfidência Mineira destacou-se por ter sido o primeiro movimento social republicanoemancipacionista de nossa história. onde provavelmente foi assassinado. exceto a de Tiradentes. O corpo foi esquartejado e espalhado pelos caminhos de Minas Gerais (21 de abril de 1789). que assumiu a responsabilidade de liderar o movimento. representada pela transição do capitalismo comercial para o industrial. e religiosos. marginalizava as camadas mais populares.do liberalismo econômico e dos princípios iluministas. Outros pontos que contribuíram para debilitar o movimento foram a precária articulação militar e a postura regionalista. já que nove anos mais tarde iniciava-se na Bahia a Revolta dos Alfaiates.e esvaziou a conspiração. militares. A influência da loja maçônica Cavaleiros da Luz deu um sentido mais intelectual ao movimento que contou . Cláudio Manuel da Costa morreu na prisão. Maria I é revogada a pena de morte dos inconfidentes. reivindicavam a emancipação e a república para o Brasil e na prática preocupavam-se com problemas locais de Minas Gerais. Trata-se de um dos mais importantes movimentos de transição na História. Eis aí sua importância maior.

os interesses da elite agrária brasileira. Com a assinatura dos Tratados de 1810 (Comércio e Navegação e Aliança e Amizade). O monopólio não mais existia. a revolta pretendia uma república acompanhada da abolição da escravatura. João VI ao Brasil. que gradualmente deixava de ser colônia de Portugal. a Conspiração dos Suaçunas em Pernambuco (1801) e a Revolução Pernambucana de 1817. Controlado pelo governo. A Família Real no Brasil e a Preponderância Inglesa Se o que define a condição de colônia é o monopólio imposto pela metrópole. além de soldados e religiosos. Em 1820. João VI no Brasil. o Brasil deixava de ser colônia. Esta última. em detrimento das tradicionais relações com Portugal. Outros movimentos de emancipação também foram controlados. como consumidores. o que deu um caráter . Para Inglaterra industrializada. Apesar de contidas todas essas rebeliões foram determinantes para o agravamento da crise do colonialismo no Brasil. a burguesia mercantil portuguesa colocou fim ao absolutismo em Portugal com a Revolução do Porto. mestiços. índios. pobres em geral. que inaugura a política de D. Justamente por possuír uma composição social mais abrangente com participação popular. em 1808 com a abertura dos portos. já que trouxeram pela primeira vez os ideais iluministas e os objetivos republicanos. enquanto que os intelectuais foram absolvidos. para entrar na esfera do domínio britânico. tanto fornecedores. acentuando as relações com a Inglaterra. Rompia-se o pacto colonial e atendia-se assim. Há muito Portugal dependia economicamente da Inglaterra. Esse episódio. Implantou-se uma monarquia constitucional. Essa dependência acentua-se com a vinda de D. as lideranças populares do movimento foram executadas por enforcamento. é considerado a primeira medida formal em direção ao "sete de setembro". João VI havia se estabelecido no Brasil. a independência da América Latina era uma promissora oportunidade de mercados. Portugal perdeu definitivamente o monopólio do comércio brasileiro e o Brasil caiu diretamente na dependência do capitalismo inglês.Eram pretos. já na época que D.também com uma ativa participação de camadas populares como os alfaiates João de Deus e Manuel dos Santos Lira. como a Conjuração do Rio de Janeiro em 1794.

a aristocracia rural passa a viver sob um difícil dilema: conter a recolonização e ao mesmo tempo evitar que a ruptura com Portugal assumisse o caráter revolucionário-republicano que marcava a independência da América Espanhola. Mas. Cedendo às pressões. D. João VI para Portugal e as exigências para que também o príncipe regente voltasse.liberal ao movimento. O Significado Histórico da Independência A aristocracia rural brasileira encaminhou a independência do Brasil com o cuidado de não afetar seus privilégios. Graças a homens como José Bonifácio de Andrada e Silva . Pedro decidiu-se: "Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação. Diga ao povo que fico". Um abaixo assinado de oito mil assinaturas foi levado por José Clemente Pereira (presidente do Senado) a D. A maçonaria (reaberta no Rio de Janeiro com a loja maçônica Comércio e Artes) e a imprensa uniram suas forças contra a postura recolonizadora das Cortes. essa revolução assume uma postura recolonizadora sobre o Brasil. D. Pedro decidiu ficar bem menos pelo povo e bem mais pela aristocracia. o que evidentemente ameaçaria seus privilégios. João VI retorna para Portugal e seu filho aproxima-se ainda mais da aristocracia rural brasileira. Pedro. Com a volta de D. estou pronto. por tratar-se de uma burguesia mercantil que tomava o poder. afastando os setores mais baixos da sociedade representados por escravos e trabalhadores pobres em geral. Contudo. pois sua partida poderia representar o esfacelamento do país. Pedro é sondado para ficar no Brasil. com a preocupação em manter a unidade nacional e conciliar as divergências existentes dentro da própria elite rural. Dessa forma. representados pelo latifúndio e escravismo. solicitando sua permanência no Brasil. que o apoiaria como imperador em troca da futura independência não alterar a realidade sócioeconômica colonial. D. a independência foi imposta verticalmente. responsáveis pela divisão da região em repúblicas. Pedro em 9 de janeiro de 1822. o Dia do fico era mais um passo para o rompimento definitivo com Portugal. ao mesmo tempo. em torno do qual se concretizariam os interesses da aristocracia rural brasileira. É claro que D. Era preciso ganhar o apoio de D. que sentia-se duplamente ameaçada em seus interesses: a intenção recolonizadora de Portugal e as guerras de independência na América Espanhola.

O "sete de setembro" foi apenas a consolidação de uma ruptura política. com a abertura dos portos. onde as leis portuguesas seriam obedecidas somente com o aval de D. oferecido pela maçonaria e pelo Senado. pois Martim Francisco (vice-presidente da Junta Governativa de São Paulo) foi forçado a demitir-se. transmitiu a decisão portuguesa ao príncipe.. São Paulo vivia um clima de instabilidade para os irmãos Andradas. que acabou aceitando o título de Defensor Perpétuo do Brasil (13 de maio de 1822). Maria Leopoldina. José Clemente Pereira e outros. Pedro. permaneceram inalteradas. com ameaça de envio de tropas. EXPANSÃO CAFEEIRA NO BRASIL TRABALHO ESCRAVO PARA O TRABALHO LIVRE TRABALHO ESCRAVO E TRABALHO LIVRE NO BRASIL TRABALHO ESCRAVO E TRABALHO LIVRE NO BRASIL . Estamos separados de Portugal".Chegando no Rio de Janeiro (14 de setembro de 1822). em São Paulo. Pedro que se encontrava às margens do riacho Ipiranga. José Bonifácio. Gonçalves Ledo.. Em 3 de junho foi convocada uma Assembléia Geral Constituinte e Legislativa e em primeiro de agosto considerou-se inimigas as tropas portuguesas que tentassem desembarcar no Brasil. A independência não marcou nenhuma ruptura com o processo de nossa história colonial. embora a coroação apenas se realizasse em primeiro de dezembro de 1822. sendo expulso da província. caso o príncipe não retornasse imediatamente.(patriarca da independência). juntamente com carta sua e de D. que representavam a manutenção dos privilégios aristocráticos. após a leitura das cartas que chegaram em suas mãos. Era o início do Império. Pedro foi aclamado Imperador Constitucional do Brasil. No dia sete de setembro de 1822 D. que ficara no Rio de Janeiro como regente.. Em Portugal.. que já começara 14 anos atrás. a reação tornava-se radical. As bases sócio-econômicas (trabalho escravo. Independência ou morte. monocultura e latifúndio). bradou: "É tempo. D. o movimento de independência adquiriu um ritmo surpreendente com o cumpra-se.

assim. um recorte histórico para fixar dois destacados momentos da exploração e da regulamentação jurídica da venda da força de trabalho: a) o período de formação e exploração da mão-de-obra escrava. O silêncio do direito do trabalho Este texto não tem a pretensão de recontar a história do trabalho livre no Brasil. rumo a uma forma racionalizada e humana de trabalho: o trabalho livre. a partir das primeiras leis no começo século XX. A regulação do trabalho livre no Brasil. A história do direito do trabalho no Brasil. evidencia de início um paradoxo: o advento da propalada libertação do trabalho escravo se dava via uma regulamentação rígida na contratação e na disciplina imposta aos trabalhadores. enfim. o direito do trabalho. Mas a história ―oficial‖ afirma que. salvo poucas exceções. b) o período de transição da escravidão para o trabalho livre. aparece como um processo linear. enfim. mas numa perspectiva de um olhar refletido para o presente. como se após a obscura escravidão negra do passado nascesse. no ambiente de um direito social em emergência. como fatos simultâneos e . dando conta da saga da formação de um direito a partir do rompimento com a exploração desumana do trabalho escravo. Nosso propósito é reler um importante período de nossa história não com os olhos de hoje. estávamos libertando nossos escravos. As histórias do direito do trabalho e da justiça do trabalho aparecem. O direito do trabalho dos manuais é apresentado como fruto da intervenção estatal. cronológico. com destaque para a década de 30. no final do último quartel do século XIX. dessa forma. Fazemos.ALGUNS PARADOXOS HISTÓRICOS DO DIREITO DO TRABALHO Sidnei Machado (*)[1] 1. preocupado com a condição humana do operariado.

no entanto. os gastos de defesa eram bastante elevados. . especialmente Portugal. na era da nova hegemonia neoliberal. a história do trabalho anterior ao trabalho livre tem poucas referências na historiografia do direito do trabalho. Emergência e esgotamento da exploração do trabalho escravo A utilização do trabalho escravo no Brasil colonial se deu dentro do projeto de expansão comercial e agrícola dos países colonizadores.[2] Assim. no seu clássico ―Formação Econômica do Brasil‖. Ignora-se. esclarece que ―a ocupação econômica das terras americanas constitui um episódio da expansão comercial da Europa‖. por completo. no mercado de trabalho e na contratação do trabalho no Brasil. eloqüente. senão renovados processos de recomposição no modo de produção. na verdade. Celso Furtado.[3] O primeiro interesse dos espanhóis e portugueses pela América foi o ouro acumulado. lido da perspectiva das vítimas da história. Primeiro. Esse silêncio do direito do trabalho é. A mera exploração do ouro. Por fim. merecendo uma referência na maioria das vezes meramente ilustrativa do curso de direito do trabalho. somente a ocupação representava verdadeiro domínio. Essa na verdade é mais uma história do emprego no Brasil e não do trabalho. ameaçada de ocupação. 2. não assegurou a Portugal a manutenção da colônia. é ocultado (às vezes negado) todo processo sócio-econômico que deu caldo à formação do trabalho livre no Brasil. Por outro lado. a vasta historiografia nas ciências sociais com pesquisas importantes sobre o modo de produção baseado no trabalho escravo e sua conturbada transição para o trabalho livre. cujo contexto. revela que não tivemos grandes rupturas na regulamentação do trabalho. Nesse período. esse resgate pode permitir ler e compreender as recentes mutações no emprego. este compreendido como modo de produção e reprodução da vida.convergentes do mesmo processo histórico.

Inviável a utilização do indígena. Os escravos montaram as indústrias açucareiras. a escassez de mão-de-obra era então o maior desafio. e o transporte de Portugal era economicamente inviável. Portanto. No século XVIII a exploração do ouro permitiu ao país grande expansão. a escravidão tornou-se a única alternativa para a sobrevivência do colono europeu na América. Apesar das dificuldades de cooptação do silvícola – custo de transporte e o meio físico – a indústria açucareira teve grande expansão. tornando-se a base de um sistema de produção. a estrutura econômica do país estava ainda centrada no uso da mão-de-obra escrava. o uso de trabalhadores assalariados. a primeira etapa da formação econômica do Brasil se dá pela utilização de mãode-obra preexistente na exploração de minérios e pela produção de artigos agrícolas tropicais com uso de mão-de-obra escrava. fazendo com que o preço do produto caísse. na proporção de um a cada dez escravos.Como os portugueses já possuíam experiência no cultivo do açúcar em grande escala nas ilhas do Atlântico. pelo menos. a junção desse conhecimento técnico dos portugueses com a capacidade de transporte dos holandeses na Europa permitiu a produção do açúcar em larga escala no Brasil. Para a expansão da plantação do açúcar no Brasil. inicialmente. do trabalho de índios escravizados. Por isso. porém. Até a metade do século XIX. Portugal utilizou-se. O monopólio da produção do açúcar entrou em decadência com o início da produção nas ilhas das Antilhas. levaram Portugal a optar pela introdução da mão-de-obra escrava africana (negra). . Havia. A necessidade política de colonização das terras e a ausência de uma mão-de-obra excedente na península ibérica na época. O principal problema para essa expansão seria a mão-de-obra inexistente na colônia.

na criação de gado. A transição para o trabalho livre O século XVII é uma nova etapa de crise econômica. com a aquisição de materiais de construção e de mão-de-obra escrava. acarretaram uma crise política na colônia. A economia estava ainda centrada no ouro. 3. para uma população livre de dois milhões. em pequena escala. Aliadas ao baixo preço e à perda do monopólio. No século XVII. Os acontecimentos políticos de 1808 a 1810 provocaram grande repercussão no Brasil. A crise fez com que a caça aos índios se tornasse condição de sobrevivência dos povoados. Os jesuítas chegaram a desenvolver técnicas racionais de caça ao indígena. A concorrência inglesa provocou uma forte pressão pelo fim do tráfico e uso da mão-de-obra escrava . Essa cooperação da mão-de-obra indígena foi o que permitiu a grande expansão territorial no século XVII. desenvolvendo uma economia puramente de subsistência. tinha de manter a sua subsistência. começou-se a introduzir a produção da pecuária extensiva. o que gerava um elevado custo fixo. Essa atividade utilizava mão-de-obra local.Assim. A atividade de criação (principalmente a pecuária extensiva) criou novas formas de divisão do trabalho e especialização. o processo de formação da renda e de acumulação de capital se deu com gastos em compra de equipamentos para a indústria. além da compra do escravo. as invasões holandesas interromperam a expansão da indústria açucareira. . É nesse contexto que o café começa a surgir como nova fonte de riqueza. Cai a rendaper capita para cinqüenta dólares. formada majoritariamente pelos índios. na indústria açucareira e. O proprietário de engenho. Paralelamente à indústria açucareira.

então em debate no país: como fazer a transição da economia brasileira para a produção de café se não havia no país mão-de-obra disponível? Em 1850. comissões de contrato. O trabalho foi oferecido ao trabalhador europeu. Nesse contexto. Em 1852. na época imperial. pois era mais vantajoso ao proprietário. os escravos libertos passaram a não ter trabalho. questão de grande inquietação nacional. no Rio Grande do Sul. Por outro lado. A expansão cafeeira. a mãode-obra livre do país não servia aos propósitos da produção cafeeira(tradição). apenas o uso da terra e de escravos. ficando sem condições de inserção social e de sobrevivência. Em 1824 foi criada a primeira colônia alemã em São Leopoldo. Sendo o café a alternativa. . Por meio de contratos de parceria. então. começa a contratar diretamente imigrantes na Europa (80 famílias alemãs). Na Europa. A princípio não havia uma solução alternativa. a revolução industrial passou a exigir cada vez mais mão-de-obra. Começam-se a criar. Na plantação de café. foi a imigração européia. os imigrantes vendiam seu trabalho para o futuro.Os acordos firmados por Portugal com a Inglaterra (1810-1827). o que a tornou escassa. não era necessária a utilização de equipamentos. financiado pelo governo. além de outras despesas. dadas as condições contratuais onerosas impostas aos imigrantes. o Brasil tinha dois milhões de escravos. Vergueiro. Ficavam devendo as passagens. trazidos com a convicção de uma natural superioridade de raça com uma ética própria para o trabalho. A solução preconizada. bastava ainda resolver a questão da mão-de-obra. obrigando a colônia a pagar tarifas protecionistas à Inglaterra. os chamados ―braços para a lavoura‖. colônias de imigrantes. transporte. por outro lado. retardou o processo de desenvolvimento. encontra dificuldades pelo estancamento da importação de mão-de-obra escrava. ao contrário da indústria açucareira.

Por isso a segunda metade do século XIX é um período marcado pela preocupação de constituição e regulamentação legal do uso do trabalho livre no Brasil. Com isso. por exemplo.[4] Por isso. o ex-escravo passa a viver para suprir apenas as suas necessidades. disciplinando os contornos do trabalho livre. sendo talvez a primeira experiência na . A regulamentação do trabalho livre na lei de locação de serviços A extinção do uso da mão-de-obra escrava no Brasil se deu por um processo lento e gradual. Sendo o trabalho para o escravo uma maldição e o ócio o bem inalcançável. o fator econômico de maior importância. Demais. 4. renunciando ao modelo de parceria. as leis de locação e serviços de 1830. A importação de mãode-obra européia tem início na década de 1850. seu rudimentar desenvolvimento mental limita extremamente suas ‗necessidades‘. Conquanto haja uma inexplicável lacuna na bibliografia do direito do trabalho. Os assalariados geravam gastos em consumo e o proprietário em consumo e acumulação. o trabalho assalariado foi. com vistas à transição para a formação de um mercado de trabalho livre. representam o principal marco na experiência de intervenção estatal na contratação de trabalho livre no Brasil. a elevação de seu salário acima de suas necessidades – que estão definidas pelo nível de subsistência de um escravo – determina de imediato uma forte preferência pelo ócio‖. no fim do século XIX. A regulação dessas novas modalidades de uso da mão-de-obra contou com a mediação do Estado (Império). pois ―quase não possuindo hábitos de vida familiar.O escravo negro não tinha cultura e estímulo para participar de um modelo de parceria. O período de transição da escravidão para o trabalho livre é longo. a idéia de acumulação de riqueza é praticamente estranha. 1837 e 1879.

o imigrante recebia determinado número de pés de café para cultivar. Os colonos eram cativados para o paraíso de terras férteis e abundantes. Contudo. em geral. Nas colônias. Outras cláusulas apareciam nos regulamentos das colônias. tais como as que imponham um controle disciplinar rigoroso. Os primeiros imigrantes trazidos por empresas importadoras. para os fazendeiros. o que reclamaria uma regulamentação jurídica mais eficiente do que a então vigente. A primeira regulamentava apenas os contratos entre nacionais e estrangeiros e. oferecendo trabalho livre. já que sequer especificava os prazos para os contratos. denúncias de cobranças de taxas abusivas pelo importador. A lei de 13 de setembro de 1830 possuía apenas oito artigos. O descumprimento do contrato pelo colono. greves. desentendimentos. O contratante adiantava as despesas de transporte da Europa às colônias e o necessário à subsistência inicial. o clima era de insegurança generalizada no cumprimento dos contratos. rebeldia contra controle moral e disciplinar severo imposto nas colônias. passando a conviver com a mão-de-obra escrava nas fazendas. poderia lhe representar além da rescisão. o espaço jurídico do trabalho livre era representado somente pelas leis de 1830 e de 1837. por exemplo. além de comunicar o contratante com seis meses de antecedência. As experiências iniciais do trabalho livre do colono foram marcadas por inúmeros conflitos. As dívidas contraídas na imigração eram pagas com juros de 6% ao ano. fatos que redundaram na acusação de Portugal ao Brasil da prática de uma escravidão disfarçada. com aplicação de penas severas aos infratores. Tinha direito à meação no resultado da venda. O não cumprimento do contrato gerava multa ao colono. a segunda dispunha apenas sobre trabalho de estrangeiros. A lei de 1837 possuía 17 artigos sobre contratos de locação de . não podendo o colono deixar de cumprir o contrato antes de saldá-las integralmente. multa e a pena de prisão de oito dias a três meses. eram obrigados a assinar contratos de parceria com o importador para trabalhar nas lavouras de café do Estado de São Paulo.importação de colonos pela firma Vergueiro & Cia. Até então. sem grande disciplina.

cinco para estrangeiros e sete para os libertos. registrada na Câmara Municipal. sempre por escritura pública. eliminando assim a vadiagem. somente deixando de ser aplicada caso o trabalhador livre . disposições antigreves e contra quaisquer resistências coletivas ao trabalho. essas leis não tiveram grande repercussão. além das obrigações contratuais entre trabalhadores e fazendeiros. na repressão às greves e. Porém. sinalizando com a abolição da escravidão. no cumprimento dos contratos. A relação conflituosa entre fazendeiros e colonos. foi enfim editado o Decreto n. aliada à crescente dificuldade de importação de escravos negros da África a partir da década de 60.03.[6] Após quase dez anos de discussão. contemplava. previa a obrigação do homem livre de contratar. que lhes propiciasse uma adequada produtividade. permanecendo na propriedade. entre outras faltas consideradas graves. a embriaguez. Podiam ter duração de seis anos para brasileiros. um capítulo dedicado à matéria penal e outro a competências e procedimentos processuais. exige que se use a mãode-obra nativa. A promulgação da lei do Ventre Livre. Conhecida como a Lei Sinimbu. como mecanismo de combate à vadiagem. dado que tinham um conteúdo bastante vago. Eram consideradas como justas causas. ainda. considerada um mal.[5] Os fazendeiros também reclamavam uma legislação de permitisse garantias dos investimentos feitos na mão-de-obra. Previa a lei a obrigação de contratar. regulamentando os contratos na agricultura. com oitenta e seis artigos. justificando a rescisão contratual pelo locatário. Continha. ao mesmo tempo em que fazia a regulação minuciosa da contratação do trabalho livre. em 1879. A pena de prisão era aplicável caso o locador se ausentasse sem justo motivo ou se. 2.1879. de 22. ainda. criou as condições para uma legislação que. de trabalhadores libertos nacionais e estrangeiros. disciplinando a locação de serviços e as modalidades de parcerias agrícolas e pecuárias. Os contratos de locação de serviços e de parceria podiam ser feitos por nacionais e estrangeiros. em 1871. a doença prolongada.820. se recusasse ao trabalho.serviços. forçando os nativos ao trabalho na lavoura. a imperícia e a insubordinação do locador.

Após libertos. Algumas disposições funcionaram como garantia ao fazendeiro ou importador do pagamento de despesas de viagens do estrangeiro imigrante. sem perder de vista o papel desempenhado pelo contratualismo na formação e justificação política e teórica da venda da força de trabalho (livre) através do instrumento do contrato . este entendido como a relação de compra e venda de mão-de-obra. ficando sob inspeção por cinco anos. Nesse contexto. trata-se de um momento histórico relevante na história do direito do trabalho. A lei. assegurando a prestação de serviço. então perde vigor. passam a ser obrigados a trabalhar. com a obrigação de firmar novo contrato. O longo período de transição possibilitou também uma adaptação dos fazendeiros à nova relação de trabalho. Houve também um refluxo na imigração. de forma disciplinada e produtiva. Tudo ditado pelos imperativos das exigências de ―liberdade de trabalho‖.estivesse servindo o exército. numa política que constrangia os nacionais ao trabalho e. tratada na lei de locação de serviços. O contratualismo requentado Não se pode celebrar acriticamente a liberdade de trabalho como um valor em si mesmo. a lei passou a receber críticas dos fazendeiros pelo nível de intervenção do Império. 5. a legislação sobre relações de trabalho. É visível o grande esforço revelado pela lei. Os libertos continuavam com sua situação regulada pela Lei do Ventre Livre. A lei de 1879 certamente permitiu a transição do trabalho escravo para o trabalho livre. sendo finalmente revogada em 1890. incentivava os imigrantes europeus ao trabalho na colônia. por outro lado. redefine relações de poder e introduz uma nova organização e um novo controle sobre o trabalho. Sem dúvida. para garantir aos fazendeiros a manutenção do controle da mão-de-obra dos trabalhadores livres e libertos. mediante rígidas obrigações contratuais. nos anos que se seguiram. A grande imigração italiana do final do século já se dá por modalidade de contratos de parceria entre colono e fazendeiro. No entanto.

de trabalho. Novamente. Enquanto nesses países o trabalho livre assalariado é introduzido como uma necessidade de desenvolvimento e expansão do capitalismo ainda incipiente. nestes trópicos predominaram os interesses de ocupação da terra e sua exploração. tudo com garantias contratuais. curiosamente aparecem sob o paradoxo de uma exigência por novas regulamentações. por outro lado. dissociada dos processos de desenvolvimento que se deram nos países então em processo de industrialização. pode-se reconhecer que a história do direito do trabalho representa. em essência. Os dados historiográficos nos forçam a reconhecer que a formação da contratação (ou relação) individual do trabalho no Brasil não é fruto de ―evolução histórica‖ que se confundiria com a conquista da liberdade humana ou a liberdade de trabalho. Mais do que curiosidades históricas. um processo de adaptação de uma sociedade rural aos imperativos do capitalismo da sociedade industrial. Porém. obviamente. vale dizer. com os impactos profundos no conteúdo do trabalho. no tempo de trabalho e na organização produtiva (organização do trabalho e novas tecnologias). Em verdade. impondo a disciplina e a obrigação de trabalho. [7] A legislação do trabalho livre no Brasil aparece mediando o paradoxo da liberação do trabalho com imperativo de liberdade e. . temos uma história particular. pelo direito do trabalho. se dá por um processo que teve como preocupação a garantia de mão-de-obra. o direito aparece com o papel de fazer a transição paradigmática. Não se ignora. As demandas atuais por maior flexibilidade na contratação do trabalho. a nova regulamentação em curso é mediada pelo Estado. a efetiva mutação no mercado de trabalho a partir do fim do século XX.

3 anos-luz. que são visíveis do hemisfério sul. asteróides. O eixo de rotação da maior parte dos planetas é aproximadamente perpendicular à eclíptica. Inclui: os satélites dos planetas. A galáxia grande mais próxima é a Galáxia de Andromeda. Têm os nomes de Grande Nuvem de Magalhães e Pequena Nuvem de Magalhães. Plutão está mais perto do Sol do que Neptuno. Saturno. contêm apenas 0. Plutão é um caso especial. chamado a eclíptica. Neptuno e Plutão. a que chamamos o Sol. em órbitas aproximadamente circulares. numerosos cometas.85% Planetas: 0. Terra.015%. que se condensaram a partir do mesmo disco de matéria de onde se formou o Sol.GEOGRAFIA Sistema solar O nosso sistema solar consiste de uma estrela média. A estrela conhecida mais próxima do Sol é uma estrela anã vermelha chamada Proxima Centauri.01% ? . Vénus. em conjunto com as estrelas locais visíveis numa noite clara. viaja pelo espaço intergaláctico. Composição do Sistema Solar O Sol contém 99. e o espaço interplanetário. Júpiter. Os satélites dos planetas. os planetas Mercúrio. A tabela seguinte é uma lista da distribuição de massa no nosso Sistema Solar.135% Cometas: 0. os planetas orbitam num sentido anti-horário. orbitam em volta do centro da nossa galáxia. tal como a Via Láctea. à distância de 4. Por isso. Úrano. a maior parte dos satélites dos planetas e os asteróides giram em volta do Sol na mesma direcção. que estão inclinados para um lado. ou próximo. Os planetas.135% da massa do sistema solar. cometas. uma de biliões de galáxias conhecidas. mas é 4 vezes mais massiva e está a 2 milhões de anos-luz de distância. meteoróides e o meio interplanetário constituem os restantes 0.85% de toda a matéria do Sistema Solar. durante uma parte da sua órbita. O sistema solar completo. e meteoróides. Sol: 99. A nossa galáxia. A Via Láctea tem duas pequenas galáxias orbitando na proximidade. um disco em espiral com 200 biliões de estrelas a que chamamos Via Láctea. É uma galáxia em espiral. Os planetas. porque a sua órbita é a mais inclinada (18 graus) e a mais elíptica de todos os planetas. O Sol é a fonte mais rica de energia electromagnética (principalmente sob a forma de calor e luz) do sistema solar. As excepções são Úrano e Plutão. asteróides. Os planetas orbitam o Sol num mesmo plano. Se olharmos de cima do polo norte solar. Marte. Júpiter contém mais do dobro da matéria de todos os outros planetas juntos.

Longe de ser um nada absoluto. em volume. Não se conhece a existência de água no estado líquido em equilíbrio.Satélites: 0. A poeira interplanetária consiste de partículas sólidas microscópicas.54 bilhões (mil milhões) de anos. Lar de milhões de espécies de seres vivos. bem como suas história geológica e órbita. este "espaço" vácuo compõe o meio interplanetário. Cerca de 71% da superfície da Terra está coberta por oceanos de água salgada. com o restante consistindo de continentes e ilhas. O interior da Terra permanece ativo. bloqueia radiação solar prejudicial. chamados placas tectônicas.0000002% ? Meteoróides: 0. É por vezes designada como Mundo ou Planeta Azul. a qual. O planeta formou-se há 4. Desde então.plasma -. permitindo a vida no planeta.[18] As propriedades físicas do planeta. É também o maior dos quatro planetas telúricos.0000001% ? Meio Interplanetário: 0. Inclui diversas formas de energia e pelo menos dois componentes materiais: poeira interplanetária e gás interplanetário. em conjunto com o campo magnético terrestre. permitiram que a vida persistisse durante este período. chamado o vento solar. a Terra é o único corpo celeste onde é conhecida a existência de vida. parece ser um vazio completo.00005% Planetas Menores: 0. os quais contêm muitos lagos e outros corpos de água que contribuem para a hidrosfera.[19][20] A sua superfície exterior está dividida em vários segmentos rígidos. bem como a formação de uma camada de ozônio.que flui do Sol. necessária à manutenção da vida como a conhecemos. Acredita-se que a Terra poderá suportar vida durante pelo menos outros 500 milhões de anos. na superfície de qualquer outro planeta. que migram sobre a superfície terrestre ao longo de milhões de anos. principalmente protões e electrões -. permitindo a proliferação de organismos aeróbicos.0000001% ? Espaço Interplanetário Quase todo o sistema solar. com um manto espesso e relativamente sólido.[14][15][16][17] e a vida surgiu na sua superfície um bilhão de anos depois. A TERRA A Terra é o terceiro planeta mais próximo do Sol. um núcleo externo . a biosfera terrestre alterou significativamente a atmosfera e outros fatores abióticos do planeta.[13] incluindo os humanos.[nota 5] Os polos geográficos da Terra encontram-se maioritariamente cobertos por mantos de gelo ou por banquisas. o mais denso e o quinto maior dos oito planetas do Sistema Solar. O gás interplanetário é um ténue fluxo de gás e de partículas carregadas.

26 rotações sobre o seu próprio eixo. Os recursos minerais da Terra em conjunto com os produtos da biosfera. Por ser uma distribuição gasosa. durante o intenso bombardeio tardio. viagens. Entre aproximadamente 4. e uma perspectiva moderna do mundo como um ambiente integrado que requer proteção. impactos de asteroides causaram mudanças significativas na superfície terrestre. cerca de 80% dela. 480 quilômetros de espessura. composto sobretudo por ferro. comércio e ação militar. a crença numa Terra plana. no total. incluindo a sua personificação em uma deidade.8 bilhões de anos atrás. tendo começado a orbitá-la há 4. A Terra interage com outros objetos no espaço.53 bilhões de anos. e um núcleo interno sólido.26 dias solares ou um ano sideral. Estes habitantes da Terra estão agrupados em cerca de 200 estados soberanos.líquido que gera um campo magnético. por conseguinte. No presente. está na região situada até 16 quilômetros de altura medido a partir da superfície do nosso planeta.24 dias solares). que interagem entre si por meio da diplomacia. Não existe um lugar bem definido onde podemos dizer que a atmosfera da Terra termina.4° em relação à perpendicular ao seu plano orbital.[22] A Lua é o único satélite natural conhecido da Terra.[nota 6] O eixo de rotação da Terra possui uma inclinação de 23. ela não se distribui homogeneamente e.[21] produzindo variações sazonais na superfície do planeta com período igual a um ano tropical (365. à medida que nos afastamos da superfície do nosso planeta a atmosfera vai se tornando cada vez mais rarefeita até que ela se mistura . a Terra orbita o Sol uma vez por cada 366. A ATMOSFERA A atmosfera terrestre Última atualização: 07/04/2011 às 00:12:36 Share on twitterShare on facebookShare on orkutShare on emailMore Sharing ServicesÍndice "Você Sabia?" A atmosfera da Terra é uma fina camada de gases que circunda o nosso planeta. Ela possui. As culturas humanas desenvolveram várias crenças sobre o planeta. É responsável pelas marés. ou em que a Terra é o centro do universo. o que equivale a 365. No entanto. podemos dizer que a maior parte da atmosfera da Terra.1 e 3. em particular com o Sol e a Lua. estabiliza a inclinação axial da Terra e abranda gradualmente a rotação do planeta. fornecem recursos que são utilizados para suportar uma população humana global.

dióxido de enxofre e nitrogênio foram liberados do interior da Terra por meio das emissões dos vulcões e por outros processos. sabemos que o oxigênio existente na atmosfera da Terra é produzido e mantido por processos biológicos que ocorrem no nosso planeta. A formação da atmosfera da Terra A atmosfera da Terra foi formada pela remoção de gás do próprio planeta. ao longo do tempo.9% de argônio. cerca de 0. Assim. e água. Havia. 21% de oxigênio. . provavelmente. As formas de vida existentes da Terra foram modificando a composição da atmosfera durante os seus processos evolutivos. uma quantidade muitíssimo maior de dióxido de carbono na atmosfera da Terra quando ela foi formada mas. vapor de água. Nossa atmosfera tem 78% de nitrogênio. Um ponto muito interessante do ponto de vista químico é a presença de oxigênio livre. a tectônica de placas e os processos biológicos que ocorrem na Terra mantém agora um fluxo contínuo de dióxido de carbono tirado da atmosfera para estes vários "sorvedouros" e que mais tarde retorna para ela de novo. Assim. um processo no qual gases como o dióxido de carbono.03% de dióxido de carbono. Sem a vida não haveria oxigênio livre. impedindo-a de atingir a superfície terrestre.naturalmente com o espaço interplanetário. O oxigênio é um gás muito reativo e sob circunstâncias "normais" se combina rapidamente com outros elementos. cerca de 0. Ela mantém o calor dentro da atmosfera e também bloqueia a passagem da maior parte da radiação ultravioleta proveniente do Sol. A temperatura na Terra e o "efeito estufa" A fina camada gasosa que forma a nossa atmosfera isola a Terra de temperaturas extremas. Não existe uma borda definida que separe a atmosfera da Terra do meio interplanetário. este dióxido de carbono foi quase todo incorporado nas rochas carbonadas embora uma parte menor dele tenha sido dissolvido nos oceanos e consumido pelas plantas vivas.

que aprisiona calor na atmosfera terrestre. tal como a conhecemos. em setembro de 1922. A temperatura mais quente até hoje registrada na Terra foi obtida na Líbia. O efeito estufa eleva a temperatura da superfície da Terra cerca de 35o C acima do que ela teria se ele não existisse. Podemos então dizer que as temperaturas na Terra variam no intervalo entre -88o Celsius e 58o Celsius. se você subir uma montanha com uma altitude de 3000 metros ao chegar ao seu topo a pressão do ar é de 0. o que equivale a um intervalo entre 185 K e 331 K. no continente Antártico.A temperatura mais fria até hoje registrada na Terra foi obtida pela sonda Vostok em julho de 1983. Sabemos que sem o efeito estufa os oceanos congelariam e a vida na Terra. Ocorre então o efeito estufa. Não é preciso ir a altitudes extremamente altas para sentir isto. A pressão atmosférica No nível do mar a pressão atmosférica é de cerca de 1 atmosfera mas à medida que você atinge altitudes cada vez maiores a pressão do ar vai diminuindo. parte desta radiação é refletida pelas camadas inferiores da atmosfera de volta para a superfície do planeta. 58o Celsius. graça ao efeito estufa a temperatura da Terra vai de um frígido -21o C para um confortável + 14o C. -88o Celsius. respectivamente. continente africano. A atmosfera da Terra permite que uma parte da radiação infravermelho incidente sobre a superfície do planeta escape de volta para o espaço.6805 atmosferas e haverá bem menos oxigênio para respirar. A atmosfera da Terra é dividida na seguintes partes: Troposfera . No entanto. A pequena quantidade de dióxido de carbono que existe permanentemente na atmosfera da Terra é extremamente importante para a manutenção da temperatura na superfície do nosso planeta via efeito estufa (greenhouse effect). seria impossível. Assim. Por exemplo.

As auroras ocorrem na ionosfera. Os íons são criados quando a luz do Sol atinge os átomos e arranca alguns elétrons. aproximadamente. Sobre a Terra ela vai do nível do chão. até cerca de 640 km. Estratosfera É a camada atmosférica entre a troposfera e a mesosfera. até. Ionosfera É uma das camadas mais altas da atmosfera da Terra. um isótopo do oxigênio. os cirrus. A estratosfera se caracteriza por um ligeiro aumento de temperatura com o aumento de altitude e pela ausência de nuvens. A ionosfera começa a cerca de 70-80 km de altura e continua por centenas de quilômetros. O clima e as nuvens ocorrem na troposfera. Exosfera . estão na estratosfera inferior. Somente as nuvens mais altas. cirroestratus e cirrocúmulos. Na troposfera a temperatura geralmente diminui à medida que a altitude aumenta. A mesosfera é caracterizada por temperaturas que rapidamente diminuem à medida que a a altitude aumenta. ou da água. 17 km de altura. Tropopausa É a zona limite. ou camada de transição.É a região mais baixa da atmosfera da Terra (ou da atmosfera de qualquer planeta). A camada de ozônio da Terra está localizada na estratosfera. A mesosfera se estende entre 17 a 80 km acima da superfície da Terra. A camada de ozônio absorve uma grande quantidade da radiação ultravioleta proveniente do Sol impedindo-a de atingir a superfície da Terra. é crucial para a sobrevivência dos seres vivos na Terra. A ionosfera está localizada entre a mesosfera e a exosfera. entre a troposfera e a estratosfera da atmosfera da Terra. A tropopausa é caracterizada por pouca ou nenhuma mudança na temperatura à medida que a altitude aumenta. que chamamos de "nível do mar". Ela é parte da termosfera. O ozônio. Mesosfera É a camada atmosférica entre a estratosfera e a ionosfera. Ela contém muitos íons e elétrons livres (plasma). A estratosfera se estende entre 17 e 50 km acima da superfície da Terra.

A Amazônia hoje é cobiçada não por ser "pulmão do mundo". Se por um lado esta notícia servia como justificativa maior para a defesa da floresta amazônica. Na verdade. o que era muito bom. Ela é a camada da atmosfera localizada entre a mesosfera e o espaço exterior. No entanto. por outro fazia com que as pessoas repetissem algo que a ciência já havia comprovado não ser verdadeiro. Quanto ao desmatamento do "pulmão do mundo" é uma pena que os auto-intitulados "países desenvolvidos" não tenham tido esta mesma preocupação quando desmataram . não podemos fazer esta defesa baseada em premissas falsas. a maior parte do oxigênio que forma a nossa atmosfera não é produzido por plantas e sim pelos oceanos que cobrem mais de 70% do nosso planeta. Com isso queria-se dizer que nossa atmosfera dependia fortemente dos processos de trocas gasosas que ocorriam nas imensas árvores das florestas tropicais. Termosfera É uma classificação térmica. principalmente às grandes multinacionais envolvidas com pesquisas de produtos farmacêuticos.É a camada mais externa da atmosfera da Terra. A biodiversidade amazônica atualmente é estudada. pesquisada e catalogada por inúmeros grupos estrangeiros sem que tenhamos informações detalhadas sobre o que foi pesquisado. medida. A camada mais inferior da exosfera é chamada de "nível crítico de escape". o que não é. riquíssimo e ainda bastante inexplorado. Lutar contra o desmatamento da Amazônia é uma obrigação de todos nós. uma vez que os átomos do gás estão muito amplamente espaçados. mas sim pelas riquezas que ela pode oferecer. Florestas Tropicais e a mentira propagada Durante muito tempo repetiu-se a exaustão que "a Amazônia é o pulmão do mundo". É um patrimônio biológico incomparável. Na termosfera a temperatura aumenta com a altitude. A termosfera inclui a exosfera e parte da ionosfera. A exosfera vai de aproximadamente 640 km de altura até cerca de 1280 km. Isto não é verdade. e a temperatura é muito baixa. onde a pressão atmosférica é muito baixa.

O cinturão de radiação Van Allen O primeiro satélite artificial norte-americano. satélite de Júpiter. foi um enorme desmatamento deste tipo. A capacidade calorífica dos oceanos também é muito importante para manter a temperatura da Terra relativamente estável. Flórida. A água líquida também é responsável pela maior parte da erosão e do desgaste das rochas dos continentes da Terra. essencial para a vida como nós a conhecemos. que provocou uma enorme fome na região há alguns séculos. um processo único no Sistema Solar hoje. Os Estados Unidos também desmataram suas florestas e quase aniquilaram seus maiores animais com estúpidas e desnecessárias matanças de bisões. Esse processo ocorre há bilhões de anos e o . no dia 31 de janeiro de 1958 descobriu uma intensa zona de radiação circundando a Terra. Esta região é agora chamada de cinturões de radiação Van Allen. A Terra é o único planeta do Sistema Solar sobre o qual a água pode existir em forma líquida na sua superfície. embora possa existir metano ou etano líquidos na superfície de Titan. ESTRUTURA GEOLÓGICA BRASILEIRA As rochas da crosta terrestre estão em constante processo de transformação. embora eles possam ter ocorrido em Marte no passado. lançado de Cabo Canaveral.) e agentes internos (erupções vulcânicas e tectonismo). ventos etc. satélite de Saturno. feito pelos ingleses na Escócia. mas acham que podem servir de exemplo nesta área. certamente. Não replantaram quase nada. A água líquida é. A Inglaterra. e água líquida abaixo da superfície de Europa. era conhecida pelo ditado de que um esquilo poderia ir de uma floresta a outra sem por os pés no chão. Aliás. Os oceanos da Terra Cerca de 71% da superfície da Terra está coberta com água. Hoje o pobre esquilo deve ir de trem ou de avião se não quiser pisar o solo inglês por que as árvores destas florestas há muito deixaram de existir substituídas por grama para pasto de ovelhas. sendo modificadas pela ação erosiva de agentes externos (chuvas.quase completamente seus territórios. por exemplo.

cascalho e calcário. essa formação ocorreu no período pré-cambriano. BIOLOGIA CÉLULAS EUCARIONTES E PROCARIONTES . O Brasil. A decomposição do basalto é responsável por fertilizar o solo. Nesses terrenos é possível encontrar petróleo e carvão mineral.conhecimento da estrutura geológica de um determinado local é de fundamental importância na análise do relevo e dos possíveis recursos minerais existentes. ouro. xisto betuminoso. Bacias sedimentares Essa formação recobre cerca de 60% do território brasileiro. por apresentar uma grande extensão territorial (8. é um terreno proterozoico. areia. Terrenos vulcânicos São áreas que sofreram a ação de derrames vulcânicos. No primeiro é possível encontrar rochas como o granito. consequência da intensa deposição de sedimentos de origem marinha. há rochas metamórficas que formam jazidas minerais (ferro. Ela apresenta composição diferente conforme os terrenos arqueozoicos (32% do território nacional) e proterozoicos (4% do território). gnaisses. prata. no Brasil essas áreas são denominadas de ―terra roxa‖. chumbo. no estado do Pará. Esse processo originou a formação de rochas como o basalto e o diabásio. glacial e continental nas partes mais baixas do relevo.876 quilômetros quadrados). níquel. Escudos cristalinos Responsável por aproximadamente 36% do território nacional. possui estrutura geológica composta por três tipos distintos: escudos cristalinos. apresentando pequena riqueza mineral. grafita e elevações como a serra do Mar. diamantes e manganês). além de minerais radioativos (urânio e tório). Sua formação é a mais antiga. bacias sedimentares e terrenos vulcânicos. Já nos terrenos proterozoicos. São constituídas de espessas camadas de rochas sedimentares.514. A serra dos Carajás.

Sua maior diferença é que as células procariontes não possuem carioteca. As células eucariontes ou eucariotas (a figura logo abaixo) possuem a carioteca. individualizando o material nuclear da célula. as plantas e os animais possuem células eucariontes. . A carioteca é uma membrana que separa o material genético do citoplasma. destinadas a uma compartimentação única. os ingredientes que devem passar. ou atravessando completamente a membrana. MEMBRANA PLASMÁTICA Membrana celular (ou membrana plasmática ou membrana citoplasmática ou plasmalema) É o envoltório que toda célula possui (define seu limites. Elas podem ser comparadas a tijolos de uma casa. Já os fungos. onde as proteínas da membrana estão engastadas na camada lipídica. E na célula eucarionte. são flexíveis e fluidas. o que são células Eucariontes e Procariontes ? Quais são as diferenças ? Você quer saber ? Então . Estrutura básica da Membrana Plasmática Modelo Mosaico Fluido . só visível ao microscópio eletrônico. Cada tijolo de uma casa. por mecanismos de transporte ativo e passivo. As células procariontes não possuem certas organelas . Elas são capazes de selecionar.As células são as menores porções vivas de um ser vivo. na natureza. Porém. Sua espessura está entre 6 a 9 nm. continue lendo… As células procariontes ou procariotas ( a figura a sua esquerda) são diferentes das eucariontes . O termo mosaico se deve ao aspecto da membrana na microscopia eletrônica. do lado externo. o material genético está no núcleo – separado pela carioteca do restante da célula.Sugerido por Singer e Nicholson. o complexo de Golgi e o retículo endoplasmático. Existe uma grande variedade proteínas membranais. do lado interno. Veja bem: em ambas células existe o material genético. tanto para dentro como para fora das células. seria uma célula de um ser vivo pluricelular. A fluidez esta condicionada ao tipo de ligações intermoleculares na membrana. mas nas procariontes este está ―boiando‖ no citoplasma. como: a mitocôndria. São estruturas altamente diferenciadas. e mantém as diferenças essenciais entre os meios interno e externo). As bactérias e as algas azuis possuem este tipo de células.

possui poros. As moléculas de colesterol aumentam as propriedades da barreira da bicamada lipídica e devido a seus rígidos anéis planos de esteróides diminuem a mobilidade e torna a bicamada lipídica menos fluida.pontes de H. Os poros têm diâmetro variável apresentando um valor médio de 0. por encontrar apoio em varias evidencias experimentais. Esses canais podem ter carga positiva. Composição e propriedades da Membrana. que exercem várias funções. Estruturas da membrana: . Todas as membrana biológicas são constituídas por uma dupla camada lipídica aproximadamente (45%) e proteína (55%) é altamente higroscópica. Nenhum modelo está pronto. seletivamente permeável (controla e entrada e saída de substâncias).Atualmente. negativa ou serem destituídos de cargas. Os canais . As membranas plasmáticas de um eucariócitos contém quantidades particularmente grande de colesterol. são coulombianas. fosfatidilserina e fosfalipidiletanolamina. etc. As forças que mantém as biomoléculas na membrana . Enzimas: É um importante catalisador que une ou separa moléculas. A maioria dos lipídios que compõe a membrana são fosfolipídios dos quais predominam: fosfatidilcolina. Permitem a passagem de moléculas pequenas cujo diâmetro seja inferior ao diâmetro do poro. tem sistema para transporte ativo de íons. o modelo do mosaico fluido é o mais aceito. esfingomielina. hidrofóbicas. modelo mosaico fluido Ligações na Membrana A membrana não é uma estrutura covalente.Poros ou canais: são "falhas" na membrana constituídas por proteínas ou por moléculas lipídicas. a evolução das pesquisas irá melhorar o conhecimento atual. e diversas enzimas encravadas na dupla camada lipídica.8 nm.

são fenômenos que ocorrem na membrana celular que explicam como as células nervosas podem ser excitadas e transmitir esta excitação para outra parte do sistema nervoso e sistema muscular. As células estão imersas em uma outra grande solução. . . em alta concentração.Receptores: são locais (sítios) específicos da membrana onde podem se encaixar moléculas (mensageiras) que passam uma determinada informação à célula. e sim de defesa. Dentro da células existem um complexo ambiente químico. Como já foi mencionado nosso corpo é constituído predominantemente por água. freqüentemente estão associados aos operadores. Algumas células de organismos multicelulares também podem realizar esses processos. proteínas e saís inorgânicos (LIC). E sabemos que as reações bioquímicas podem ocorrer somente nesta solução. denominado meio intracelular. Operam no sentido unidirecional e são dependentes do fornecimento de energia (ATP). .Operadores: são estruturas protéicas capazes de realizar transporte contra um gradiente de concentração do soluto transportado. As soluções dentro e fora da células tem diferentes composições. dessa forma. Moléculas afins se difundem com facilidade através dessas zonas. (células estas ditas excitáveis) que podem reagir a estímulos vindos do ambiente externo. vivendo em meio aquoso. Esses processos são chamados genericamente de endocitose e geralmente ocorrem em células que constituem organismos unicelulares. A endocitose pode ocorrer de duas maneiras: por fagocitose ou por pinocitose.Zonas de difusão facilitada: são regiões que possuem moléculas de uma determinada espécie química. Os canais podem apresentar portões. os processos de permeabilidade celular receptores.com carga positiva facilitam a passagem de moléculas negativas e vice-versa. Os processos de membrana. FOGOCITOSE E PINOCITOSE Fagocitose e Pinocitose Em algumas células ocorrem processos que permitem a entrada de partículas (sólidas ou líquidas) do meio externo para o interior da célula. mas neste caso a função não é alimentar. Exemplos: lipídios e proteínas. em especial a célula do neurônio e células musculares. e este fato é muito importante para a função da célula. constituído principalmente por água. Alguns receptores podem estar acoplados a canais regulando. que é denominada meio extracelular (LEC). Fagocitose .

isto é. que passa a se chamar vacúolo residual. Primeiramente. quando ela digere material da própria célula (como organelas velhas em processo de degeneração) fala-se em digestão intracelular autofágica e os vacúolos são chamados de vacúolos autofágicos. Este processo nada mais é do que a morte programada de uma célula que ocorre normalmente. Em ambos os casos. As amebas e protozoários. Depois esta bolsa se une ao lisossomo. podendo ser depois eliminado da célula. A morte programada é essencial para o desenvolvimento e funcionamento de vários tecidos. utilizam-se do processo de fagocitose para capturar . a partícula fica em uma bolsa que recebe o nome de fagossomo. também chamada de suicídio celular. Essa segunda bolsa recebe o nome de vacúolo digestivo e o processo todo é chamado de digestão intracelular heterofágica. o material não digerido permanece no interior da bolsa membranosa. A digestão intracelular autofágica é relacionada a um importante mecanismo das células eucarióticas chamado de apoptose. elas perdem a função e formam massas de células como os tumores. para que a digestão aconteça e os materiais úteis sejam aproveitados pela célula. que lhe irão servir de alimento. (que contém as enzimas digestivas). por exemplo. pois ao longo do desenvolvimento muitas células morrem como parte normal do processo. Quando as células que já não têm utilidade perdem a capacidade de se autodestruir. Quando o processo de digestão intracelular ocorre sem que o material digerido venha de fora por meio da fagocitose.Processo utilizado pela célula para englobar partículas sólidas. A célula produz expansões da membrana plasmática (pseudópodes) que envolvem as partículas e as englobam.

As proteínas sintetizadas podem permanecer no próprio citosol. através de um processo chamado de clasmocitose e que garante a eliminação de resíduos celulares não digeridos. por exemplo. pelo qual certas células ingerem líquidos ou pequenas partículas através de minúsculos canais que se formam em sua membrana plasmática. *Retículo Endoplasmático: Sistema de canais membranosos.. No organismo humano. forma-se uma bolsa membranosa chamada de pinossomo. Isto ocorre. uma vez dentro da célula. eliminando seu conteúdo para o exterior da célula. *Retículo Endoplasmático . Em nosso organismo. nas etapas de respiração celular.. colesterol. ou podem ser transportadas para outros locais dentro da célula. como bactérias. esteróides. alguns glóbulos brancos utilizam a fagocitose para englobar microorganismos invasores. Posteriormente esses materiais são digeridos e aproveitados pela célula. Os resíduos envoltos em uma bolsa membranosa são levados até a membrana plasmática. na mitocôndria. . em meio aquoso. participando das etapas do metabolismo celular. em um processo inverso ao que ocorre na fagocitose.partículas alimentares que.). é através do processo de pinocitose que as células do intestino delgado capturam gotículas de lipídios resultantes da digestão. por exemplo. onde a bolsa se funde a ela. que participam da síntese de macromoléculas e transporte de substância dentro da célula. como por exemplo. inativando-as. em organismos unicelulares. contendo o alimento em seu interior. ORGANELAS CELULARES Organelas Celulares Organelas presentes no citoplasma *Ribossomos: síntese de proteínas. Quando as bordas desse canal se fecham. O caminho inverso também pode ser percorrido por determinadas substâncias que devem ser eliminadas da célula. Pinocitose Processo semelhante ao da fagocitose.liso: síntese de lipídios (gorduras. são digeridas nesse processo.

as quais serão transportadas internamente para o Complexo de Golgi. são responsáveis pela formação de cílios e flagelos.1858) é considerado o descobridor do núcleo celular. O nome que ele escolheu expressa essa convicção: a palavra ―núcleo‖ vem do grego nux. quebra). onde são acumuladas em vesículas. e este processo gera a liberação de energia. Apresenta funções heterofágicas (referente à digestão de substâncias que entram na célula). que significa semente. que podem armazenar e transformar substâncias que chegam via retículo endoplasmático. *Aparelho de Golgi: são bolsas membranosas e achatadas. que é utilizada no metabolismo celular. *Mitocôndria: respiração celular (geração de energia). Estrutura que apresenta enzimas digestivas capazes de digerir um grande número de produtos orgânicos. e autofágicas (referentes à digestão de materiais e organelas da própria célula). mas que irão atuar fora dela (enzimas por exemplo). Brown imaginou que o núcleo fosse a semente da célula. O NUCLEO O núcleo celular O pesquisador escocês Robert Brown (1773. soma = corpo): Realiza a digestão intracelular. . por analogia aos frutos. podem também eliminar substâncias produzidas pela célula. O grande mérito de Brown foi justamente reconhecer o núcleo como componente fundamental das células. Embora muitos citologistas anteriores a ele já tivessem observados núcleos. que resulta em gás carbônico e água. *Centríolos: Além de desempenharem papel importante no processo de divisão celular formando os pólos.*Retículo endoplasmático – rugoso: encontram aderidos a sua superfície externa ribossomos. sendo local de produção de proteínas. *Lisossomos (do grego lysis = dissolução. não haviam compreendido a enorme importância dessas estruturas para a vida das células. conduzidas pelo aparelho de Golgi. que são os lisossomos. Realiza uma oxidação biológica intracelular de compostos orgânicos (na presença de oxigênio). Estas enzimas são produzidas no RER.

visível apenas ao microscópio eletrônico.Hoje. Na célula eucarionte. Células eucariontes e procariontes A membrana celular presente nas células eucariontes. que a célula transmite às suas filhas ao se reproduzir. sabemos que o núcleo é o centro de controle das atividades celulares e o ―arquivo‖ das informações hereditárias. caixa) é um envoltório formado por duas membranas lipoprotéicas cuja organização molecular é semelhante as demais . Existem ainda um ou mais corpos densos (nucléolos) e um líquido viscoso (cariolinfa ou nucleoplasma). Os componentes do núcleo O núcleo das célula que não estão em processo de divisão apresenta um limite bem definido. o material hereditário está separado do citoplasma por uma membrana – a carioteca – enquanto na célula procarionte o material hereditário se encontra mergulhado diretamente no líquido citoplasmático. mas ausente nas procariontes. A carioteca A carioteca (do grego karyon. A maior parte do volume nuclear é ocupada por uma massa filamentosa denominada cromatina. núcleo e theke. invólucro. devido à presença da carioteca ou membrana nuclear.

Poros da carioteca A carioteca é perfurada por milhares de poros. se comunica com o retículo endoplasmático e. A face interna da carioteca encontra-se a lâmina nuclear. o espaço entre as duas membranas nucleares é uma continuação do espaço interno do retículo endoplasmático. Os poros nucleares são mais do que simples aberturas. apresenta ribossomos aderidos à sua superfície. em algumas partes. Dessa forma. Em cada poro existe uma complexa estrutura protéica que funciona como uma válvula. a carioteca pode controlar a entrada e a saída de substâncias. muitas vezes. A cromatina .membranas celulares. A face externa da carioteca. uma rede de proteínas que lhe dá sustentação. através das quais determinadas substâncias entram e saem do núcleo. Entre essas duas membranas existe um estreito espaço. A lâmina nuclear participa da fragmentação e da reconstituição da carioteca. abrindo-se para dar passagem a determinadas moléculas e fechando-se em seguida. fenômenos que ocorrem durante a divisão celular. Neste caso. chamado cavidade perinuclear.

Esses fios são os cromossomos. que se refere à cromatina mais densamente enrolada. (2) Filamento de cromatina (DNA com histonas). Isso acontece durante os eventos que caracterizam a divisão . Quando se observam núcleos corados ao microscópio óptico. de consistência mais frouxa. que as regiões mais coradas correspondiam a porções dos cromossomos mais enroladas. (4) Cromatina condensada em profase. acertadamente. Cada nucléolo é um corpúsculo esférico. Os antigos citologistas já haviam observados esse fato e imaginado. rico em RNA ribossômico (a sigla RNA provém do inglês RiboNucleic Acid). não membranoso. verdadeiro). diferente). foi criado o termo heterocromatina (do grego heteros.A cromatina (do grego chromatos. associados a algumas regiões específicas da cromatina. de aspecto esponjoso quando visto ao microscópio eletrônico. Diferentes níveis de condensação do DNA. O restante do material cromossômico. Este RNA é um ácido nucléico produzido a partir o DNA das regiões específicas da cromatina e se constituirá um dos principais componentes dos ribossomos presentes no citoplasma. (1) Cadeia simples de DNA . um tipo especial de proteína. (3) Cromatina condensada em interfase com centrómeros. É importante perceber que ao ocorrer a espiralação cromossômica os nucléolos vão desaparecendo lentamente. ou mais condensadas. foi denominado eucromatina (do grego eu. Para assinalar diferenças entre os tipos de cromatina. do que outras. cada um deles formado por uma longa molécula de DNA associada a moléculas de histonas. (Existem agora duas cópias da molécula de DNA) (5) Cromossoma em metafase Os nucléolos Na fase que a célula eucariótica não se encontra em divisão é possível visualizas vários nucléolos. nota-se que certas regiões da cromatina se coram mais intensamente do que outras. cor) é um conjunto de fios.

logos e finos. Colocado em linha. A estrutura dos cromossomos Cromossomos da célula interfásica O período de vida da célula em que ela não está em processo de divisão é denominado interfase. os cromossomos humanos formariam um fio de 5 cm de comprimento. tornando-se progressivamente mais curtos e grossos. Cromossomos da célula em divisão Quando a célula vai se dividir. Em 1924. o pesquisador alemão Robert J. O reaparecimento dos nucléolos ocorre com a desespiralação dos cromossomos. Se pudéssemos separar. os cromossomos de uma célula interfásica humana. no final da divisão do núcleo. Constituição química e arquitetura dos cromossomos Descobrir a natureza química dos cromossomos foi uma árdua tarefa que mobilizou centenas de cientistas e muitos anos de trabalho. um por um. até assumirem o aspecto de bastões compactos. Alguns anos mais tarde. descobriu-se que a cromatina também é rica em proteínas denominadas histonas. invisível ao microscópio óptico. . O primeiro constituinte cromossômico a ser identificado foi o ácido desoxirribonucléico. obteríamos 46 filamentos. Feugen desenvolveu uma técnica especial de coloração que permitiu demonstrar que o DNA é um dos principais componentes dos cromossomos. que começam a se enrolar sobre si mesmos. Os preparativos para a divisão celular têm inicio com a condensação dos cromossomos. como já foi mencionada. uma vez que sua espessura não ultrapassa 30 nm. o núcleo e os cromossomos passam por grandes modificações.celular. A cromatina da célula interfásica. é uma massa de filamentos chamados de cromossomos. o DNA.

É um processo contínuo que é dividido didaticamente em 5 fases: Profáse. devido a esse alto grau de empacotamento. as heterocromatinas. microtúbulos polares que se originam no polo. O desenvolvimento das sucessivas fases da mitose são dependentes dos componentes do aparelho mitótico Aparelho Mitótico O aparelho mitótico é constituído pelos fusos. Microtúbulos livres. Mitose A mitose é um processo de divisão celular. As cromátides estão ligadas entre si através do centrômero. Microtúbulos cinetecóricos. Fases da Mitose Prófase . centríolos. As fibras do fuso são constituídas por: 1. Cada cromossoma é composto por duas estruturas simétricas: as cromátides. que é uma região do cromossoma que se liga ao fuso mitótico. O áster é um grupo de microtúbulos irradiados que convergem em direção do centríolo. telófase e intérfase nas quais ocorrem grande modificações no núcleo e no citoplasma. cada uma delas contém uma única molécula de DNA. metáfase. aparecem como regiões ―estranguladas‖ do bastão cromossômico. característico de todas as células somáticas vegetais e animais. No cromossomo condensado. as regiões eucromáticas se enrolam mais frouxamente do que as heterocromáticas. que se originam nos cinetecóro 3. 2. anáfase. e se localiza num segmento mais fino denominado de constricção primária.Constrições cromossômicas Durante a condensação cromossômica. chamadas constrições. ásteres e cromossomos. que estão condensadas mesmo durante a interfase.

com gerações de células diplóides. A reprodução sexual por sua vez. na intérfase. Essas duas versões são denominadas de homólogos. e na maioria das células possuem existência como cromossomos independentes. cada um desses cromossomos é replicado dando origem as cromátides que são então . para produzir um indivíduo que diferem geneticamente de seus parentais. envolve uma mistura de genomas de 2 indivíduos. Posteriormente novas células diplóides são geradas quando os descendentes de células diplóides se dividem pelo processo de meiose. Este tipo de reprodução assexuada é simples e direta e produz organismos geneticamente iguais. O ciclo reprodutivo sexual envolve a alternância de gerações de células haplóides. Com exceção dos cromossomos que determinam o sexo. formando os cromossomos. ou seja. A meiose consiste em duas divisões celulares. Organismos simples podem reproduzir-se através de divisões simples. um núcleo de célula diplóide contém 2 versões similares de cada cromossomo autossomo. Essas duas versões são chamadas de homologas. Quando o DNA é duplicado pelo processo de replicação. um cromossomo paterno e 1 cromossoma materno. Meiose O que é meiose? A meiose é um processo de divisão celular em que uma célula diplóide (2n) forma quatro células haplóides (n). A mistura de genomas é realizada pela fusão de células haplóides que formam células diplóides. Verifica-se que cada cromossomo é constituído de duas cromátides unidas pelo centrômero.A prófase começa com o aumento do volume nuclear e com a condensação da cromatina. o que significa que a duplicação dos cromossomos ocorreu antes da prófase. acompanhadas por uma só duplicação cromossômica.

Os gametas masculinos e femininos ( espermatozóides e óvulos ) que são produzidos nos testículos e ovários respectivamente as gônadas femininas e masculinas. O processo geral obedece ao seguinte esquema: . Desta maneira cada célula filha recebe uma cópia do cromossomo paterno e uma cópia do cromossoma materno. Experimentalmente demonstra-se que eventos decisivos ocorrem em G2. As espermatogônias e ovogônias. S. O esquema geral da meiose A meiose envolve duas divisões celulares. Exemplificando: O homem possui 46 cromossomas. As células filhas dessas células desenvolvem ciclo celular. A regulação do processo meiótico inicia-se durante a fase mitótica. O gameta é dotado de uma cópia do cromossoma materno ou paterno. que são células diplóides. teríamos como resultado células com o dobro de cromossomas e isso ocorreria em progressão. ou seja somente um cromossomo no lugar de um par de homólogos. A segunda divisão é chamada equacional e mantém o número haplóide. devido a ativação de sítios únicos para a meiose. G2 ) com eventos semelhantes aos observados na mitose. e num determinado momento da fase G2 do ciclo celular ocorrem alterações que levam as células a entrar em meiose e darem origem a células háploides ou seja células que possuem a metade do número (n) de cromossomas da espécie. Vimos que a mitose resulta em células com o mesmo número de cromossomas. Fases da Meiose A meiose ocorre apenas nas células das linhagens germinativas masculina e feminina e é constituída por duas divisões celulares: Meiose I e Meiose II. Podemos definir meiose como sendo o processo pelo qual número de cromossomos é reduzido a metade. Os gametas se originam de células denominadas espermatogonias e ovogonias. Na meiose o cromossomo produzido possui apenas a metade do número de cromossomos. a fusão resultaria em uma célula com 92 cromossomas. sofrem sucessivas divisões mitóticas. se ocorre se a fusão dessas células. onde observam-se: 1) Período S longo. A primeira divisão meiótica é chamada reducional.separadas durante a anáfase e migram para os polos celulares. A meiose é um processo que envolve 2 divisões celulares com somente uma duplicação de cromossomas. A meiose ( meioum = diminuir ) ocorre nas células produtoras de gametas. 2) aumento do volume nuclear. pois reduz o número de cromossomos de um estado diplóide (2n) para o haplóide (n). A meiose desenvolveu-se para evitar essa progressão. A meiose é precedida por um período de intérfase ( G1.

a cavidade interna que se forma é o intestino primitivo ou arquêntero. deixando para fora apenas a região anterior do corpo. Na gastrulação. diferenciam-se os folhetos germinativos ou embrionários. O anfioxo é um animal de cerca de 6 cm de comprimento que vive enterrado na areia em águas rasas do ambiente marinho. No ponto de invaginação surge um orifício denominado blastóporo. um bastonete flexível que fica no dorso do embrião. Segmentação ou clivagem Segmentação ou clivagem consiste em sucessivas divisões do zigoto num determinado número de células chamadas blastômeros. Nos animais vertebrados. GASTRULAÇÃO Gastrulação Para falarmos da gastrulação. como se um dedo empurrasse a parede de uma bexiga. representados pelo anfioxo e pelas rãs. A notocorda persiste no adulto de alguns animais cordados. . O término da segmentação ocorre com a formação da blástula. a notocorda regride totalmente ou quase totalmente e a coluna vertebral se desenvolve a partir da mesoderma. Como o vitelo é uma substância inerte.EMBRIOLOGIA 2. como é o caso do anfioxo. excluindo alguns peixes. quando este apresenta-se em excesso pode dificultar e até mesmo impedir a segmentação do ovo. O ovo do anfioxo é oligolécito e a sua segmentação é total subigual. Esses folhetos são: ectoderma (o mais externo). Os cordados são animais que possuem notocorda. A quantidade de vitelo que o ovo apresenta determina o tipo de segmentação. Esses animais têm sexos separados e a fecundação é externa. A gastrulação ocorre por um processo denominado invaginação dos blastômeros para o interior da blastocele. que darão origem a todos os tecidos e órgãos. A blastocele se reduz e chega a desaparecer. vamos tomar como exemplo o que ocorre em animais cordados. mesoderma (o intermediário) e endoderma (o mais interno).

originando o adulto. Esses animais são chamados diblásticos ou diploblásticos. Os micrômeros insinuam-se primeiramente pelo lábio ventral. . Os micrômeros insinuam-se para dentro da blastocele. Por invaginação forma-se uma fenda: o blastóporo. Fala-se. como é o caso dos cordados.Os animais que possuem três folhetos germinativos são chamados triblásticos ou triploblásticos. todo o desenvolvimento embrionário ocorre na água. Assim. (Há quem considere o mesentoderma como endoderma e o mesoderma formado a partir do endoderma. O blastóporo adquire o aspecto de um círculo. Os óvulos possuem um envoltório gelatinoso que desseca em contato com o ar. Neste caso. animais que possuem apenas dois folhetos germinativos: o ectoderma e o endoderma. O esquema acima descreve de forma simplificada a gastrulação em anfioxo. em desenvolvimento indireto. Forma-se uma larva aquática. Por epibolia os micrômeros passam a se dividir rapidamente e acabam por recobrir os macrômeros. logo a seguir ao mesoderma e ao endoderma. pois há uma fase larval. nesses casos. delimitando o arquêntero. o mesoderma e o endoderma. fala-se em desenvolvimento direto. Quando a fase larval não está presente.) Nas rãs a fecundação é externa. o girino que sofre metamorfose. a camada interna que reveste diretamente o arquêntero é chamada mesentoderma e dará origem. como e o caso dos cnidários. Ocorre também a diferenciação dos três folhetos germinativos: o ectoderma. os óvulos são heterolécitos e a segmentação é total desigual. Existem entretanto. A gastrulação das rãs ocorre por invaginação e também por epibolia.

e as células mais internas formam o embrioblasto. Gastrulação. ligado à formação da placenta. orifício de comunicação do arquêntero com o exterior. sofre sucessivas mitoses. iniciando uma diferenciação celular. além de o embrião aumentar de volume.Assim. a blastocele. [editar] Formação do Embrião O zigoto. além do embrioblasto. Mórula. ORGANOGENESE A Organogênese é o processo de desenvolvimento do embrião. que darão origem a todos os tecidos e órgãos. três outras características são fundamentais:  formação dos folhetos embrionários ou germinativos. Nos animais. a blástula recebe o nome de blastocisto. Neurulação. o interior da blástula possui uma cavidade. A blástula admite uma divisão espacial: as células periféricas constituem o trofoblasto. formação do blastóporo. .   formação do arquêntero ou intestino primitivo. Blástula. Na espécie humana. As mitoses prosseguem e as células começam a se distribuir em regiões específicas. envolve um conjunto de cinco etapas:      Segmentação ou clivagem. À massa celular que se organiza neste instante se denomina blástula. ao se formar. originando células que constituem a mórula. na gastrulação das rãs. que dará origem ao embrião propriamente dito.

Em seguida o embrião atinge a fase de nêurula. estruturas que revestem externamente o embrião. Por fim. surgindo com os marsupiais e aumento . possui uma abertura chamada blastóporo. gônadas e ureteres. paratireóide. a retina. ao passo que o folheto visceral pode ser ainda denominado mesoderma esplâncnico. processo pelo qual a blástula origina a gástrula. [editar] Organogênese Durante a organogênese.  Já a endoderma é o folheto do qual surgem o os alvéolos pulmonares e as seguintes glândulas: fígado. também é básica à formação do revestimento interno dos tratos digestório e respiratório. é dividida em epímero. O folheto parietal também é chamado de mesoderma somático. A cavidade gastrocele. a córnea (esses três últimos no olho). a hipófise. é válido afirmar que:  A ectoderma origina a epiderme e seus anexos (pêlos. O epímero forma o esqueleto axial. Lembrando que alguns autores consideram a fase de neurulação como a primeira fase do processo de Organogênese. além dos anexos embrionários. Na nêurula. o esmalte dos dentes. rins. ao contrário da blastocele que não possuía abertura. chifres etc. conhecida também como arquentero.e peritônio (abdomem). Já a esplancnopleura (mesoderma esplâncnico) gera o alantóide e o saco vitelino. Os três folhetos embrionários dão origem a órgãos e estruturas do corpo do embrião. a mesoderma induz a ectoderme a formar o tubo neural (também chamado de canal neural). além de três serosas: pleura (reveste externamente o pulmão). por sua vez. este último dará origem aos folhetos da mesoderma e endoderma. A conclusão do desenvolvimento embrionário se dá com o processo organogenético. identificam-se os folhetos ectodérmicos e mesentodérmicos. O mesoderma somático (ou somatopleura) origina o âmnio e o cório. três mucosas corpóreas (oral.). de formação de órgãos. que origina os músculos lisos e cardíacos. A partir daí.  A mesoderma. a derme (tecido conjuntivo) e o tecido muscular. cascos. anal e nasal). A placenta é um órgão de origem fetomaterna que ocorre exclusivamente em mamíferos. tireóide. já se observa o celoma. entre outros. isto é. o cristalino. Compreende a formação da mesoderma. o pericárdio -revestimento cardíaco . o hipômero. Há o surgimento de uma cavidade. ocorrem divisões e especializações celulares. formada pelo dobramento da gástrula sobre si mesma. unhas. o sistema nervoso (através do tubo neural). mesômero e hipômero. Na gástrula. o embrião tem seu desenvolvimento continuado com a gastrulação.Após a formação da blástula. Nessa perspectiva. A passagem da fase de gástrula à de nêurula é denominada neurulação. O mesômero. [editar] Anexos Embrionários Resultam dos folhetos parietal e visceral.

GENÉTICA Cromossomos e genes O que são genes? As moléculas de DNA dos cromossomos contêm ―receitas‖ para a fabricação de todas as proteínas da célula. Cada ―receita‖ é um gene. não possuem placenta. O Ornitorrinco e a equidna. constituída por 46 volumes. apesar de mamíferos.a complexidade entre os eutérios. Conceito de genoma Um cromossomo é comparável a um livro de receita de proteínas. e o núcleo de uma célula humana é comparável a uma biblioteca. Portanto. o gene é uma seqüência de nucleotídeos do DNA que pode ser transcrita em uma versão de RNA e conseqüentemente traduzida em uma proteína. que contêm o .

dois anos antes do previsto. graças a modernas técnicas de identificação dos genes. Projeto Genoma Humano O Projeto Genoma Humano (PGH) teve por objetivo o mapeamento do genoma humano. com um financiamento de 3 milhões de dólares do Departamento de Energia dos Estados Unidos e dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos. O conjunto completo de genes de uma espécie. centenas de laboratórios de todo o mundo se uniram à tarefa de seqüenciar. um a um. O projeto foi fundado em 1990. . os genes que codificam as proteínas do corpo humano e também aquelas seqüências de DNA que não são genes. desta vez utilizando didesoxirribonucleotídeos marcados com fluoróforos para a determinação da seqüência. é denominado genoma. e tinha um prazo previsto de 15 anos. e então clonado em bactérias. Atualmente. Laboratórios de países em desenvolvimento também participaram do empreendimento com o objetivo de formar mãode-obra qualificada em genômica. Após a iniciativa do National Institutes of Health (NIH) dos Estados Unidos. executa-se uma nova reação em cadeia (PCR). com as informações para a fabricação dos milhares de tipos de proteínas necessários à vida. os cientistas mapearam o genoma humano através do Projeto Genoma Humano. Após a obtenção de quantidade suficiente de DNA. e a identificação de todos os nucleotídeos que o compõem. um primeiro esboço do genoma foi anunciado em 26 de Junho de 2000. associada aos avanços no campo da bioinformática e das tecnologias de informação. é necessário que ele seja antes amplificado numa reação em cadeia da polimerase. Devido à grande cooperação da comunidade científica internacional. Para o seqüenciamento de um gene. Consistiu num esforço mundial para se decifrar o genoma.receituário completo de todas as proteínas do indivíduo.

com uma precisão de 99. São ácidos nucléicos encontrados em todas as células e também são conhecidos em português pelas siglas ADN e ARN (ácido desoxirribonucléico e ácido ribonucléico). Por limitações tecnológicas. Estimativas atuais concluem que apenas cerca de 2% do material genético humano é composto de genes. Essas cadeias são constituídas por um açúcar (desoxirribose). com o seqüenciamento de 99% do genoma humano. e existe provavelmente por razões estruturais. enquanto que a maior parte parece não conter instruções para a formação de proteínas.99%.000) haviam sido seqüenciados. Muito pouco dessa maior parte do material genético tem sua seqüência conhecida. assim como a compreensão de diversas doenças genéticas humanas. A adenina.Em 14 de Abril de 2003. Com a tecnologia da época. Essas partes incluem. a conclusão do genoma já está facilitando o desenvolvimento de fármacos muito mais potentes. Kessler Substâncias químicas envolvidas na transmissão de caracteres hereditários e na produção de proteínas compostos que são o principal constituinte dos seres vivos. um comunicado de imprensa conjunto anunciou que o projeto foi concluído com sucesso. como o vírus da Aids). C citosina ou G guanina). aproximadamente 50% codificam para proteínas de função conhecida. Os trabalhos do projeto foram dados como concluídos em 2003. De acordo com a moderna Biologia . que faz proteína (embora existam exceções os retrovírus. Deve-se lembrar que nem todo o DNA humano foi seqüenciado. partes do DNA que possuem muitas repetições de bases nitrogenadas também ainda não foram totalmente seqüenciadas. os centrômeros e os telômeros dos cromossomos. DNA O ácido desoxirribonucléico é uma molécula formada por duas cadeias na forma de uma dupla hélice. o DNA faz RNA. um grupo fosfato e uma base nitrogenada (T timina. por exemplo. Apesar dessas lacunas. ESTRUTURA DNA RNA DNA e RNA sobre Biologia por Cynara C. estimou-se que todos os genes (em torno de 25. . De todos os genes que tiveram sua seqüência determinada. A dupla hélice é um fator essencial na replicação do DNA durante a divisão celular cada hélice serve de molde para outra nova.

GAG. na forma de unidades conhecidas como genes. Na transcrição. o RNA mensageiro é por sua vez lido por moléculas de RNA de transferência. DOMINÂNCIA COMPLETA E INCOMPLETA Dominância completa Nos casos de dominância completa. está registrada na sequência de suas bases na cadeia (timina sempre ligada à adenina. Nos ribossomos. os ribossomos. portanto. um fosfato e uma base é um "nucleotídeo". Um pedaço de ácido nucléico com cerca de mil nucleotídeos de comprimento pode. ser responsável pela síntese de uma proteína composta por centenas de aminoácidos. Já a "fábrica" de proteínas fica no citoplasma celular em estruturas específicas. o indivíduo heterozigótico vai apresentar um fenótipo diferente dos indivíduos homozigóticos.) é chamado códon e é específico para um tipo de aminoácido. para isso ele forma um tipo específico de RNA. no processo chamado transcrição. Cada grupo de três bases (ACC. ou seja. ou seja: Ex: . responsável pelo transporte dos aminoácidos até o local onde será montada a cadeia protéica. está no DNA. Neste caso vai apresentar um fenótipo intermédio entre os dois indivíduos homozigóticos antagónicos. o indivíduo heterozigótico apresenta o fenótipo condicionado pelo alelo dominante. um grupo fosfato e uma base nitrogenada (U uracila. o alelo recessivo só se manifesta em homozigotia. o código genético . O DNA não é o fabricante direto das proteínas. A sequência indica uma outra sequência. C citosina ou G guanina). Código genético A informação contida no DNA. O código genético. e citosina sempre com guanina). Existem apenas dois fenótipos possíveis. o RNA mensageiro. apenas os genes relacionados à proteína que se quer produzir são copiados na forma de RNA mensageiro. Ex: Dominância incompleta Nos casos de dominância incompleta. Um grupo reunindo um açúcar.RNA O ácido ribonucléico (RNA) é uma molécula também formada por um açúcar (ribose). no núcleo das células. A adenina. a de aminoácidos substâncias que constituem as proteínas. para onde se dirige o RNA mensageiro. Essa produção de proteínas com base em um código é a base da Engenharia genética. CGU etc.

A ordem de dominância de um gene sobre outro ou outros ocorre na seguinte seqüência: C>cch>ch>ca Utilizando-se esta seqüência de dominância podemos construir os seguintes genótipos e obter os seguintes fenótipos: GENÓTIPO CC. ou seja: Ex: POLIALELISMO Polialelia ou Alelos múltiplos São caracteres condicionados por 3 ou mais genes alelos. *gene ca: determina a pelagem albina. a determinação de um caráter os alelos interagem dois a dois. caracterizada por pêlos cinza-claros sem faixas amarelas. *gene ch: condiciona a pelagem Himalaia. *gene cch: condiciona a pelagem chinchila. Coloração de pelagem em coelhos Nos coelhos existem quatro genes alelos que participam da coloração da pelagem. cchch. isto é. no focinho e nas patas. com manchas pretas ou marrons nas orelhas. caracterizada pela presença de pêlos brancos na maior parte do corpo do animal. que se caracteriza pela presença de pêlos pretos ou marrom-escuros. Cca cchcch. Neste caso vai apresentar um fenótipo que resulta da mistura dos dois indivíduos homozigóticos antagónicos.Co-dominância Nos casos de co-dominância. Cada indivíduo poderá ter no máximo 2 alelos diferentes sendo um de origem materna e outra de origem paterna portanto. cchca FENÓTIPO aguti ou selvagem chinchila . no rabo. Cch. com faixas amarelas perto das pontas. o coelho é totalmente branco. contrastantes. *gene C: condiciona a pelagem selvagem ou aguti. Ccch. o indivíduo heterozigótico vai apresentar um fenótipo diferente dos indivíduos homozigóticos.

Grupo AB – possui somente o aglutinogênio A e B. ocorrem reações que provocam a aglutinação ou o agrupamento de hemácias. o que pode entupir vasos . Grupo O – não possui aglutinogênios. De acordo com a presença ou não dessas hemácias. No plasma sanguíneo humano podem existir duas proteínas. Estudaremos dois sistemas de classificação de grupos sanguíneos na espécie humana: os sistemas ABO e Rh.chch. grupo AB e grupo O. se possui aglutinogênio B. Nos seres humanos existem os seguintes tipos básicos de sangue em relação aos sistema ABO: grupo A. Grupo B – possui somente o aglutinogênio B. Se uma pessoa possui aglutinogênio A. Nas hemácias humanas podem existir dois tipos de proteínas: o aglutinogênio A e o aglutinogênio B. grupo B. não pode ter aglutinina anti-B. Cada pessoa pertence a um desses grupos sanguíneos. da mesma maneira. Caso contrário. chamadas aglutininas: aglutinina anti-A e aglutinina anti-B. não pode ter aglutinina anti-A. chca caca himalaia albino OS GRUPOS SANGUINEOS Os grupos sanguíneos O fornecimento seguro de sangue de um doador para um receptor requer o conhecimento dos grupos sanguíneos. o sangue é assim classificado:     Grupo A – possui somente o aglutinogênio A.

Assim. Na tabela abaixo você pode verificar o tipo de aglutinogênio e o tipo de aglutinina existentes em cada grupo sanguíneo: Grupo sanguíneo A B AB Aglutinogênio Aglutinina A B AeB anti-B anti-A Não possui anti-A e anti-B O Não possui FATOR RH ERITROBLASTOSE FETAL Há formas de se driblar a eritroblastose fetal. Landsteiner e Wiener realizaram experiências com o sangue do macaco Rhesus. Esse processo pode levar a pessoa à morte. nos casos de transfusão sanguínea. sendo fabricado apenas por indivíduos Rh-. Indivíduos que apresentam o fator Rh são conhecidos como Rh+. que foi denominado fator RH e o anticorpo produzido no sangue da cobaia foi denominado de anti-Rh. Os indivíduos que não apresentam o fator h são denominados h . esta que atinge 1 criança a cada 200 nascimentos. . perceberam que elas produziam anticorpos. Ao injetar sangue deste em cobaias. concluíram que havia nas hemácias do sangue do macaco um antígeno. com genótipo rr. assim. apresentando os genótipos ou h.sanguíneos e comprometer a circulação do sangue no organismo. sendo geneticamente recessivos. quando recebem sangue Rh+. gradativamente e. Em 1940. h pode doar para h ou Rh+ e Rh+ só doa para Rh+ . Anti-Rh não existe naturalmente no sangue das pessoas.

A eritroblastose fetal, ou doença de Rhesus, doença hemolítica por incompatibilidade de Rh ou doença hemolítica do recém-nascido ocorre em 1 entre 200 nascimentos e consiste na destruição das hemácias do feto de h+ pelos anticorpos de mãe h .

Para que exista risco de uma mãe de fator negativo dar a luz a uma criança Rh+ com a doença, deverá ter sido previamente sensibilizada com sangue de fator positivo por transfusão de sangue errônea ou, ainda, gestação de uma criança fator positivo, cujas hemácias passaram para a circulação materna.

Em razão dessa destruição, o indivíduo torna-se anêmico e, em face da deposição de bilirrubina em vários tecidos, poderá apresentar icterícia, cujo acúmulo substancial é tóxico ao sistema nervoso, podendo causar lesões graves e irreversíveis. Criança natimorta, com paralisia cerebral ou portadora de deficiência mental ou auditiva também pode ocorrer. Nos casos em que o filho é RH (-) e a mãe (+) não há problema, porque a produção de anticorpos pela criança só inicia cerca de seis meses após o nascimento.

Como resposta à anemia, são produzidas e lançadas no sangue hemácias imaturas, eritroblastos. A doença é chamada de Eritroblastose Fetal pelo fato de haver eritroblastos na circulação do feto.

Normalmente, os cuidados com o recém-nascido afetado pela doença envolvem a fotossensibilização (luz néon, que destrói a bilirrubina) e a substituição do sangue Rh+ da criança por sangue h .

A maioria das hemorragias transplacentais ocorre na hora do parto. Se a passagem em quantidade de hemácias do sangue do feto para o sangue da mãe for detectada, pode-se administrar gamaglobulina anti-Rh, eliminando as hemácias fetais do sangue materno, evitando assim a sensibilização e a possível concepção de um bebê com eritroblastose.

ORGANISMO GENÉTICAMENTE MODIFICADO OGM

O que é um Organismo Genéticamente Modificado ? Entende-se por organismo geneticamente modificado (OGM) todo o organismo cujo seu material genético foi manipulado de modo a favorecer alguma característica desejada.

Normalmente quando se fala em Organismos geneticamente modificados refere-se aos organismos transgénicos, mas estes não são exactamente a mesma coisa. Um transgénico é um organismo geneticamente modificado, mas um organismo geneticamente modificado não é obrigatoriamente um transgénico.

Um OGM é um organismos cujo material genético foi manipulado e um transgénico é um organismo que possui um ou mais genes (uma porção de DNA que codifica uma ou mais proteínas) de outro organismo no seu material genético, ou seja, uma bactéria, por exemplo, pode ser modificada geneticamente para expressar mais vezes uma proteína, mas não é um transgénico, já que não recebeu nenhum gene de outro ser vivo. Em síntese, um organismo geneticamente modificado só é considerado um transgénico se for introduzido no seu material genético parte de material genético de outro ser.

CÉLULAS TRONCOS

Célula-tronco é um tipo de célula com duas capacidades especiais: a de se transformar em, outros tipos de células, incluindo as do cérebro, coração, ossos, músculos e pele, o que torna diferente das demais, que só podem trazer parte de um tecido específico (por exemplo: células epiteliais não constituem nada além de pele); e a de poder gerar cópias idênticas de si mesmas.Por causa dessas capacidades, as células-tronco estão sendo muito pesquisadas, pois o intuito é usa-las como células substitutas em tecidos lecionados ou doentes, como nos casos de Alzheimer, Parkinson e doenças neuromusculares em geral, ou ainda no lugar de células que o organismo deixa de produzir por alguma deficiência, como no caso de diabetes.Tudo parece perfeito, no entanto, há um agravante: alguns tipos de células-tronco só são encontrados em embriões, o que gera sérios problemas de ordem ética e religiosa, afinal, entre outras coisas, ainda não se tem certeza se o uso de células embrionárias pode causar tumores nos pacientes, e os grupos que se opõem, entre eles a Igreja, afirmam que a técnica envolve a morte de um ser humano, apesar de ainda em estado embrionário.

TEORIAS EVOLUTIVAS DISTRIBUIÇÃO DOS ANIMAIS

Distribuição geográfica dos animais - zoogeografia.

Os animais tendem a se dispersar pelo mundo, porém nem todas as espécies estão presentes em todos os lugares. Certas regiões se caracterizam pela presença de determinados animais. A distribuição zoogeográficas que mais se utiliza foi proposta por Alfred Russel Wallace (1823-1913), a mapa abaixo é uma representação aproximada da distribuição dos animais pelo globo.

As zonas zoogeográficas.

Região Neártica. Compreende a América do Norte (EUA, Canadá e México) e Groelândia, não há macacos nesta região, nem marsupiasi e xenartras (uma superordem de mamíferos placentários). Os animais característicos dessa região são: bisão americano, lince, antílope, caribu, lobo ou coiote, boi almiscarado, marmota, castor, urso, búfalo, cavalo águi e falcão.

Região Neotropical. Compreende a América Central e do Sul, englobando partes do sul do México. Nela estão presentes os seguintes animais: macacos, sagui, xenartas (tamanduá, a preguisa e o tatu), marsupiasis, roedores, lagomorfos (coelhos e lebres), lhamas, várias aves como tucano, arara, papagaio, ema, siriema, contor, etc.

Região paleártica. É a região que sofreu os maiores impactos do ser humano, abrange a Europa, África do norte (ao norte do Saara) e Ásia (norte do Himalaia). Seus principais animais são: cavalo, urso europeu, lobo, raposa, ouriço, rena, alce, javali, rouxinol, cuco e cegonha.

Região Etiópica. Toda África ao sul do Saara, incluindo Madagascar e ilhas adjacentes. Seus animais são: zebra, girafa, leão, tigre, elefante, rinoceronte, hipopótamo, camelo, avestruz, crocodilo do Nilo, gorila, chimpanzé, lêmures de Madagascar.

Região Oriental. Compreende o sul da Ásia, Filipinas e Cingapura. Ali se encontram: elefante indiano, tigre de bengala, pavão, macaco Rhesus, orangotango, gibão, tarsiódes (gênero de primata), etc.

Região Astraliana. Astrália, Tasmânia, Nova Guiné e Nova Zelândia, toda essa região foi separada dos outros continentes há mais de 80 milhões de anos, o que deu a ele características zoogeográfica especiais. Seus principais animais são: monotremos (ornitorrinco e équidna), marsupiais, (canguru e coala), quivi (ave quase totalmente sem asa), tuatara (réptil lagartiforme), lêmures, e macacos platirrinos.

A energia luminosa.A luz (radiação solar) é um dos principais fatores que agem como determinantes do clima. muita humidade e muita luz. Os ambientes pouco iluminados têm poucas plantas (produtores) e são ocupados pelos animais e pelos decompositores. Existem. Em qualquer destes ambientes estão sujeitos às condições físicas. evaporandose. determinam o clima de uma região. Os seres vivos podem viver em dois grandes ambientes: expostos ao ar (seres terrestres) ou imersos na água (seres aquáticos). É o caso das grandes cavernas e das grandes profundidades oceânicas. Só os mamíferos e as aves são homeotérmicos. Uma espécie que não tolere as condições físicas de um ecossistema não conseguirá sobreviver nele. em ambos os ambientes. Hoje define-se ecologia como o estado da interação entre os organismos com o seu meio biótico (vivo) e o seu meio abiótico (físico). que é o conjunto das espécies que ocupam a mesma área. O vapor da água. em certas fases da sua vida. sendo a sua absorção pelas plantas fotossintéticas de importância vital para a comunidade. estes fatores são interdependentes. outros a regiões quentes e ainda os que suportam grandes variações da temperatura e conseguem sobreviver em regiões com diferentes climas. Fazem parte de uma "família". Estas condições são ótimas para o desenvolvimento de grandes florestas ricas em vegetais e animais. Normalmente as regiões quentes apresentam alta pluviosidade. será distribuída pelos heterotróficos. ao encontrar regiões frias em altitude. criador da palavra ecologia. reconheceu que os organismos não vivem isolados. Atua diretamente sobre os organismos. A temperatura.FATORES ABIÓTICOS fatores abióticos do ecossistema O zoólogo Ernst Haeckel. A energia solar é também responsável pela manutenção da temperatura ambiental. transformada pelos fotossintéticos em energia química. Em conjunto. Esta.Um fator que pode alterar a temperatura ambiental e a distribuição das chuvas é o vento.Existem animais e plantas que estão adaptados a regiões frias. a humidade. de uma unidade funcional que inclui outros tipos de organismos e o seu meio físico envolvente. como acontece nas florestas tropicais. A temperatura decorrente da radiação solar afeta a evaporação da água. a comunidade. o que torna difícil o seu estudo isolado. condensa e origina a chuva. ainda. a luminosidade e os ventos são os principais fatores físicos ambientais. aqueles que vivem. As atividades metabólicas são fortemente afetadas pela temperatura ambiental. tem a sua estrutura e limites controlados pelos fatores físicos. Na realidade. Os ventos podem estar . Em consequência. que representa um dos fatores limitantes da distribuição dos organismos na Terra. mantém a humidade do ar e constitui um ponto-chave no ciclo da água dos ecossistemas.

principalmente com os vegetais. estabelecer as principais linhas de evolução desses grupos. que dele se utilizam para a polinização e também para a disseminação das sementes. são chamados sistemas artificiais.relacionados diretamente com o ciclo dos organismos vivos. O ramo da Biologia que trata da descrição. SERES VIVOS Classificação dos seres vivos Uma característica inerente ao ser humano é a tendência de reunir em grupos os objetos ou seres que apresentam características semelhantes. os quais permitem verificar as relações de parentesco evolutivo e estabelecer a filogenia dos diferentes grupos. Esses sistemas de classificação que utilizam critérios arbitrários. tomando por base a locomoção. Alguns classificavam em voadores e não-voadores. visando o estabelecimento das relações de parentesco evolutivo entre eles. outros os classificavam em aquáticos. A tentativa de sistematizar o mundo vivo é muito antiga e os critérios empregados pelos naturalistas variavam muito. . Este é a base de fixação das raízes das plantas. é o que se chama de classificação. pois ordenam naturalmente os organismos. por exemplo. O solo é ainda o nicho ecológico de muitos seres vivos subterrâneos. nomenclatura e classificação dos seres vivos denomina-se sistemática ou taxonomia. Um outro fator ambiental que exerce influência nos organismos é o solo. os sistemas de classificação consideram um conjunto de caracteres relevantes. Eles são refletem as semelhanças e diferenças fundamentais entre os seres vivos. Atualmente. tomando por base o hábitat. São conhecidas por sistemas naturais. O homem primitivo. A distribuição de objetos ou seres em grupos. Encontramos também no solo substâncias resultantes da decomposição dos organismos mortos. ou seja. aéreos e terrestres. já distribuía os seres vivos em dois grupos: comestíveis e não comestíveis. e é dele que estas retiram a água e os nutrientes inorgânicos essenciais para a vida de todo o ecossistema. de acordo com suas semelhanças e diferenças.

animais são pluricelulares e eucariontes. . por exemplo. podemos usar como critério de classificação o número e o tipo de células: bactérias são unicelulares e procariontes. podemos usar como critério de classificação o tipo de nutrição: animais são seres heterótrofos. Assim dentro das características evolutivas. plantas seres autótrofos. Ao considerarmos bactérias e animais.Árvore filogenética dos seres vivos. ao falarmos de animais e plantas.

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