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ANOTAÇÕES DE TRIBUTÁRIO E FINANCEIRO

Princípio da Legalidade Tributária Princípio da Anterioridade Tributária Princípio da Isonomia Tributária Princípio da Capacidade contributiva Princípio da Irretroatividade Tributária Princípio da Uniformidade Geográfica Princípio do Não Confisco Princípio da Não Limitação ao Tráfego Princípio da Não-cumulatividade Imunidades Tributárias Sistema Tributário Nacional Conceito de Tributo Classificação dos Tributos Competência Fontes do Direito Tributário Interpretação e Integração Obrigação Tributária Responsabilidade Tributária Lançamento Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário Prescrição e Decadência Exclusão do Crédito Tributário Garantias do Crédito Tributário Administração Tributária Impostos em Espécie Importação e Exportação IPI

03 06 09 11 14 17 18 19 19 20 29 32 40 43 50 53 56 63 75 78 88 99 102 104 111 112 117

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IOF IR ICMS ITCMD IPVA IPTU e ITBI ISSQN Execução Fiscal, Ação cautelar fiscal, Arrolamento Direito Financeiro Receitas públicas LC 101/00 – Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) Lei do Orçamento (Lei 4320/64) Repartição de Receitas Tributárias

123 125 132 150 152 154 158 159 178 179 182 189 216

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DIREITO TRIBUTÁRIO Introdução O estudo do Direito Tributário deve ater-se, principalmente, à CF/88 (arts. 145 a 162), à EC 42/03 e ao CTN (mormente a partir do art. 96, com as alterações até a LC 118/05). A CF/88, em matéria tributária, pode ser sistematizada em três partes: princípios, imunidades e tributos. As duas primeiras constituem as chamadas limitações ao poder de tributar. Princípio da Legalidade Tributária Está no art. 150, I, CF/88, c.c. art. 97, I e II, do CTN. A lei, como regra, deve impor a tributação. As pessoas jurídicas de Direito Público (União, Estados, DF e Municípios), dotadas de poder de tributar, só poderão criar ou majorar tributos por lei. Isto decorre da colocação de Pontes de Miranda, pela qual é “o povo tributando a si mesmo”, por intermédio do Poder Legislativo. Essa máxima advém diretamente da titularidade do poder, da soberania pelo povo (art. 1º, parágrafo único, CF/88), a ser representado, na democracia semidireta, por meio dos seus delegados – vereadores, deputados e senadores. Nesse passo, a lei como um produto dessa vontade, é a única idônea a materializar o poder de tributar. Como se verá na análise do desiderato da reserva legal, em regra, a norma instituidora da exação será a lei ordinária. Ademais, a jurisprudência é pacífica em considerar que iniciativa de lei tributária é concorrente entre todos os legitimados. Ao contrário de diplomas orçamentários, de iniciativa exclusiva do Executivo, os tributários podem ser oferecidos também pelo Legislativo, como já disse o STF1. Reserva Legal, também chamada de tipicidade fechada, cerrada ou regrada, ou de estrita legalidade constitui uma relação taxativa pela qual a lei “stricto sensu” institui o tributo, assim como aquela que tipifica crimes e comina penas (arts. 5º, XXXIX, CF/88, e 1º, CP). Com efeito, há certas matérias que a Constituição determina que só podem ser viabilizadas por lei em sentido estrito. Esse tratamento mais rigoroso corresponde exatamente ao ditame em análise, qual o seja da reserva de lei. Dessa feita, a lei que institui o tributo deve estabelecer, obrigatoriamente, os seguintes elementos (art. 97, III a VII, CTN): alíquota, base de cálculo, sujeito passivo, multa e fato gerador. Já o prazo para pagamento pode ser estipulado por norma infralegal (decreto), conquanto não previsto no rol “numerus clausus” dos incisos do art. 97, CTN2. Para Cassone (2004, p. 169), de regra, somente a lei ordinária é apta a instituir tributo, pois “a Constituição fixa a regra-matriz de incidência, e a Lei

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STF, ADIn 3809/ES, rel. Min. Eros Grau, j. 14.6.2007, citando precedentes no mesmo sentido: ADIn 3205/MS (DJU de 17.11.2006); ADIn 2659/SC (DJU de 6.2.2004); ADIn 2548/PR (DJU de 15.6.2007); ADIn 3312/MT (DJU de 23.3.2007) – Informativo do STF n° 471. 2 Esta é a posição pacificada na doutrina, escudada pelo STF.

Complementar estabelece normas gerais” . Entretanto, o autor admite, em sede de exceção, a criação de exação por LC ou por EC. Nesse raciocínio também estabeleceu o constituinte, vez que União pode instituir, por lei complementar4, outros quatro tributos: 1.Impostos sobre grandes fortunas (art. 153, VII, CF/88)5. 2.Empréstimos compulsórios (art. 148, “caput”, CF/88). 3.Impostos residuais (art. 154, I, CF/88) – diversos daqueles já instituídos pelo constituinte. Na criação da nova exação, a União deverá observar, além da forma específica da LC, a inexistência de “bis in idem” de base de cálculo e de fato gerador e o princípio da não-cumulativa. Os outros entes federados não detém essa competência residual para instituir novos tributos. 4.Contribuições previdenciárias residuais (art. 195, § 4º, CF/88) – além daquelas já expressamente antevistas pelo legislador constitucional. Nenhuma dessas quatro exações pode nascer por medida provisória (art. 62, § 1º, III, CF/88). Exceções à legalidade (art. 153, § 1º, CF/88) – há quatro impostos federais que refugam à estrita legalidade, prevista no art. 97, I a VII, CF/88, encontrando-se expressamente ressalvados pelo constituinte: 1. Importação; 2. Exportação; 3. IPI; 4. IOF. São tributos que regulam o mercado e a economia, chamados de extrafiscais. Na batuta do Direito Econômico, com fulcro na doutrina de Grau (1975), a extrafiscalidade é autêntica manifestação de intervenção estatal econômica, na modalidade indireta por indução. A extrafiscalidade tem a função de fomentar ou de desencorajar condutas por parte dos agentes econômicos. Além da fiscalidade (função arrecadatória), os impostos mencionados possuem a extrafiscalidade (capacidade regulatória do mercado)6. O Poder Executivo pode
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Como adequadamente explana Vittorio Cassone, Direito Tributário: fundamentos constitucionais da tributação, classificação dos tributos, interpretação da legislação tributária, doutrina, prática e jurisprudência, atualizado até a EC nº 42, de 19-12-2003, 16ª ed., São Paulo, Atlas, 2004, p. 36, a LC em matéria tributária é o CTN. Inicialmente nascido sob a alcunha de LO, subiu de “status” pelo Ato Complementar 36/67, disposição essa atinente e posterior à própria Carta de 1967. Posteriormente, a opção do legislador foi referendada pela chancela do Excelso Pretório, do qual o autor destaca o RE 93850 de 1982, da lavra do Min. Moreira Alves. Por fim, o constituinte de 1988 recepcionou o diploma também como LC, mantendo a posição anterior (art. 146, CF/88). 4 Trata-se da chamada reserva constitucional de lei complementar, tantas vezes invocada pelo constituinte e lembrada pela doutrina de Direito Constitucional. Exige quorum privilegiado para a aprovação, correspondente à maioria absoluta da Casa Legislativa (art. 69, CF/88), diferentemente da LO. 5 Consoante será exposto em passagem abaixo, há posição na doutrina, liderada por Roque Antônio Carrazza, Curso de Direito Constitucional Tributário, 2ª ed., São Paulo, Revista dos Tribunais, 1991, que defende a não submissão do imposto sobre fortunas à reserva constitucional de lei complementar. 6 Como lembra Maximilianus Cláudio Américo Führer e Maximiliano Roberto Ernesto Führer, Resumo de Direito Tributário, 8ª ed., São Paulo, Malheiros, 2001, p. 17, a palavra fisco vem do latim “fiscus”, que designa cesta de junco ou vime, a qual era usada para amassar uvas ou para guardar dinheiro. “Conta-se que os agentes romanos passavam entre os negociantes a cesta de

§ 4º. a qual instituiu a PIS-Importação e a COFINS-Importação. enquanto essa visa imediatismo de eficácia (relevância e urgência). Esse. CF/88. não ficando sujeita à ratificação ou reapreciação pelas Assembléias Legislativas. autorizados por LC. . ainda em matéria tributária e a despeito da disposição literal do art. fiscus tomou o significado de Fazenda Pública”. O princípio da legalidade está esculpido no art. importante destacar que. sendo tributo federal. sob o aspecto técnico. 62. com delegação dada pelo Governador). IV.: não pode surgir empréstimo compulsório por meio de MP. p. Neste caso. Todavia.: pode haver. Ex. porque traz os elementos do tributo sujeitos à reserva legal (base de cálculo. A contribuição em comento não pode ser confundida pela CIDE-remessas para o exterior. CTN. 97. Dessa feita. “c”. § 4º. a MP é medida idônea para criar e aumentar impostos. Ex. 62. 150. § 2º. IV. § 2º. § 4º. onde a LO puder dispor. CF/88. com firma dos representantes de cada Estado-membro (por meio dos Secretários de Fazenda. prevendo o constituinte que a majoração e a modificação do tributo deve ser feito por meio de lei. o Presidente da República pode autorizar outra autoridade pública a estabelecer os mencionados percentuais tributários. Nota-se que o legislador constituinte restringiu o fenômeno a impostos. 84). estipulará originalmente a alíquota.5 aumentar ou diminuir a alíquota por decreto. Por meio de delegação. a alíquota do ICMS-combustível é estabelecida pelo Executivo estadual. como Ministros de Estado ou Superintendentes de órgãos ou entidades públicas encarregadas da capacidade tributária ativa. A EC 33/01 trouxe mais duas exceções: CIDE-combustíveis – é a contribuição de intervenção no domínio econômico (art. Segundo a CF/88. tal restrição a “impostos” não desfruta de endosso na interpretação do STF. No diapasão.: MP 164/04. No sentido figurado. IV. Aquela trata de matérias delicadas. sem problemas. 2004. não nascendo por via de lei. CF/88). de exceção à legalidade está esculpida no art. tem o condão “per se” de estabelecer a alíquota do ICMS. 155. Obs. aumento de ITR por MP. § 5º. o que confronta com o art. porque há uma exceção à legalidade. A corte entende viável a MP em outras espécies de tributos. à luz de convênios assinados pelos secretários de Fazenda (no âmbito do CONFAZ – art. “b”. podendo depois alterá-la como lhe aprouver. CF/88) – como se trata de tributo estadual. CF/88). na leitura do Excelso Pretório. 155. alíquota. I. C/88). minudencia o dispositivo constitucional. sujeitos passivo e ativo e fato imponível). a MP também o será.: com a EC 32/01. ICMS-combustível (art. as alíquotas são alteradas por ato do Poder Executivo da União. porque o ato definido pelo convênio. Essa sim deve observar a legalidade em todos seus parâmetros. CTN8. instituída pela Lei 10168/01 (SABBAG. CF/88). I. O art. 8 A única hipótese genuína. Isso não ocorre nas demais espécies normativas previstas como exceções à legalidade. 7 Originalmente. a MP não irá incidir (art. Ex. III. MP pode aumentar ou diminuir tributos no Brasil (art. onde LC versar. 177. 62. 155. 97. que são contribuições. É o que configura o tipo tributário ou tipicidade vime para que depositassem ali a participação (forçada) de César. CF/88. as alíquotas são disciplinadas por ato do Poder Executivo estadual7. § 1º.

RE’s 182. CF/88). 9 STF. mas seu § 2º expressamente autoriza. não está sujeita à legalidade estrita (art. § 7º. para conferir tempo ao sujeito passivo para o pagamento (art. XI. só pode ser feita por meio de lei (art. Inexoravelmente. III.: revisão do valor venal de imóveis de acordo com o mercado para cobrança de IPTU ou de ITR. CTN. No mesmo sentido. mediante prévio requerimento desse (art.6 cerrada. CF/88). 150. é possível afirmar que a há importante sinônimo para o postulado: eficácia diferida. Exercício financeiro corresponde ao ano fiscal ou civil. essa assertiva não é absoluta. 62. CF/88). em princípio. 62. De regra. a lei que altera o tributo é ordinária. Os detentores do poder de tributar só podem exigir tributo no exercício financeiro posterior àquele em que foi publicada a lei instituidora. III). e “c”. “b”. 97. ausentando-se a disciplina tributária. a MP pode ser convertida em LO por decisão do CN (art. Quando essa mudança importar em mera atualização monetária. inclusive para contribuições. Ex. Todo componente tributário que não estiver no rol do art. CF/88. CF/88. o CN dá autorização ao Presidente da República para legislar sobre determinado assunto. O art.: mudança no prazo de pagamento não se sujeita à legalidade restrita9. § 2º.531. Com a postergação da exigência. limita o uso da MP em algumas matérias. A alteração da base de cálculo. a criação ou majoração de exações. não se sujeita obrigatoriamente ao regime da legalidade estrita. § 1º. CTN). 97. Tanto o princípio da anterioridade (preconizado pela Constituição) quanto a segurança jurídica – tantas vezes invocada pela doutrina – trazem à baila a proibição da tributação surpresa (SABBAG. Entretanto. indo de 1º de janeiro a 31 de dezembro de cada ano. “caput”. desde que observadas suas próprias balizas. A MP é espécie normativa de competência exclusiva do Presidente da República. 7º. § 1º. CTN). 68. na LD.971 e 193. há dois instrumentos legislativos que têm força de LO: a MP e a LD. é inevitável a aplicação da anterioridade tributária. . 97. CF/88) e a indenização devida por acordo em plano de demissão voluntária (PDV) são tributadas pelo imposto de renda? Resposta: a indenização paga em detrimento de PDV não é tributada por IR (Súmula 215 do STJ). podendo ser prorrogada por igual período uma única vez (art. § 1º. Ao final do interregno total. § 1º. porque pode não implicar necessariamente em majoração do tributo correspondente. Pergunta: a participação nos lucros e resultados (art. Todavia. Ambas podem criar ou majorar tributos. Tem prazo de vigência de 60 dias. as limitações da LD estão no art. 62. Ao revés. 2004). 68. Princípio da Anterioridade Tributária O Princípio da Anterioridade consubstancia uma “vacatio legis” especial para a vigência de lei tributária que modifique ou crie exação. Ex.

CF/88. III. Como foi instituto acrescido por emenda de 2003. 155. de guerra ou de calamidade pública. os quais poderão ser exigidos no dia seguinte à sua instituição. 148. a EC 42/03 trouxe à baila a obediência a um novo período de anterioridade de 90 dias. Caso haja a situação nos meses de outubro a dezembro. Foi a inclusão do art. ICMS e CIDE combustíveis (arts. cuja dicção sinaliza a necessária previsão do tributo na lei orçamentária. devendo o tributo observar ambas as regras. Com exceção dos mencionados tributos inerentes a situações calamitosas (IEG e empréstimo compulsório especial). § 4º. Foi extraída de construção constitucional sobre as contribuições sociais (art. IEG (art. § 1º. CF/88): II. Empréstimo Compulsório espcial. II. De fato. Essas são as exações que podem ter sua alíquota alterada por ato do Executivo (art. 150. CF/88). acrescidos pela EC 33/01. CF/88. pela qual a lei que criasse ou majorasse tributos só poderia entrar em vigor a partir do primeiro dia do ano seguinte ao de sua publicação. 153. CF/88) e Empréstimo Compulsório especial (art. “c”. É a chamada anterioridade qualificada (privilegiada. nonagesimal ou noventalidade). IR. III. pela qual a exigência do tributo só era possível se sua receita correspondente estivesse previsto na lei orçamentária (Súmula 66 do STF)10. Assim. “in fine”. IEG. só havia a anterioridade anual. § 1º. Nota-se que a exigência do princípio da anterioridade é outra: publicação prévia da lei. § 4º. “c”. IOF. Exceções à anterioridade anual (art. 150. CF/88). CF/88): II. tendo também o cunho extrafiscal. passou a ter eficácia a partir de 2004. o sistema constitucional tributário não hospeda a anualidade. CF/88). CF/88). 154. as demais correspondem também às ressalvas da legalidade. Inspirado no limite dado pela noventalidade. “b”. enquanto os demais se deferem à extrafiscalidade (regulação do mercado e da economia). sendo os dois últimos instituídos em situações de emergência. “c”. 150. Alterações na base de cálculo do IPTU e do IPVA.7 O tema em comento não pode ser confundido com o princípio da anualidade. mas antes do início do respectivo exercício financeiro”. A produção de efeitos da nova lei tributária fica postergada até que sejam perfeitos os 90 dias de sua publicação. IV. Exceções à anterioridade nonagesimal (art. parte final. IPI. entre a lei e a exigência do gravame. I. 10 Súmula 66 do STF: “É legítima a cobrança do tributo que houver sido aumentado após o orçamento. prevista no art. pela EC 42/03. parte inicial. e 177. § 1º. a exigência poderá ser em data posterior a 1º de janeiro do ano seguinte. Antes da EC 42/03. 150. § 6º. Todos os aumentos ou criações de tributos nos meses de janeiro a setembro ensejarão exigência em 1º de janeiro do ano seguinte. IOF. cujo objetivo foi melhorar a segurança jurídica deferida ao contribuinte. IE. 195. o constituinte derivado incluiu-o concomitantemente à anterioridade anual. IE. . I.

é possível dizer que se trata de regra de não-incidência. terão termo inicial na sua publicação. vindo também a constituir hipótese de incidência. 62. poderão ser exigidos em 1º do janeiro do ano seguinte. No entanto. o pagamento do tributo majorado não implica em direito à restituição. Todavia. de modo a ensejar a exigência do tributo em meados de março do ano seguinte. a partir da conversão da MP em lei. perpetuando um condenável expediente. é incompreensível a razão de torná-los imunes à noventalidade. em caso de MP que majore taxa. visto que. o IPI que for majorado não poderá ser cobrado no dia seguinte. seja essa ordinária ou qualificada. Eles compreendem idênticas exações em relação às ressalvas à anterioridade anual. 62. IOF. . essa paralisação da subsunção do fato gerador se encontra no plano fático. com exceção daquelas trazidas pela EC 33/01 – CIDE-combustível e ICMS-combustível – e da exclusão do IPI. IEG e empréstimo compulsório especial. é uma situação em que o legislador obstou abstratamente o fato gerador. a exação era assim exigida “ex vi” da MP vigente. A partir de 2004. faz menção literal a imposto. 62. o IPI é exceção da anterioridade anual.8 No tocante ao II. Todavia. Já a alíquota zero opera o mesmo reflexo suspensivo atinente à isenção. só que ele não faz parte da lista de exceções aos 90 dias (anterioridade nonagesimal). uma vez majorados em 31 de dezembro. Dessa forma. o qual impede. não deverá ter aplicação o dispositivo. A isenção. O art. é possível entender que deve haver também a contagem dos 90 dias. a matéria ainda não está pacificada pelo STF. § 2º. p. porque o art. Caso não haja a conversão em lei. impondo-lhe uma intributabilidade no plano normativo. Assim como o IPI. § 2º. durante o mencionado lapso. CF/88. CF/88.: como o STF interpreta o instituto da isenção como regra de incidência (e não de não-incidência). Já o IR e as alterações da base de cálculo do IPVA e do IPTU. Resposta: deverse-á o imposto no ano seguinte ao da conversão da MP em lei. pois não se encontram no rol das exceções. argüise quando se deve pagar o imposto criado ou majorado por MP. lei que venha a revogar isenção não precisa observar a anterioridade. já no Texto Maior. para ser transformada em lei. não no legislativoabstrato. as outras espécies tributárias (mormente contribuições). ou seja. No ponto. que o legislador infraconstitucional inclua tal hipótese no campo da incidência do gravame. quanto ao IR e às alterações da base de cálculo do IPTU e do IPVA. A partir de 2004. Já a imunidade é uma espécie de isenção qualificada pelo constituinte. a anterioridade se aplica de igual maneira: é contada a partir da conversão da MP em lei. prorrogável por igual período. se refere expressamente a impostos. 167). como aventa Nogueira (1999. só 90 dias depois. Obs. Em melhores termos. Princípio da anterioridade e a MP – segundo o art. é perfeitamente compreensível a intenção do constituinte. No tocante às taxas. A MP tem 60 dias de vigência. ao contrário. dada a extrafiscalidade na essência desses tributos. § 2º. Portanto. CF/88. IE. a CIDE-combustível e o ICMS-combustível também respeitam a anterioridade nonagesimal.

ou seja. Segundo o STF. CF/88. No caso. Anterioridade e IR – pelo fato do STF acolher a Teoria Retrospectiva (Súmula 584 do STF)12. Isenção concedida com prazo certo e sob condição específica é considerada irrevogável durante seu curso. todos que realizam o fato gerador devem arcar com o ônus da STF. justamente porque se encontra presente sob diferentes ângulos no Documento Maior. esse comando não foi exprimido (EC 37/02). a revogação não observa a anterioridade. aplica-se a lei vigente no exercício financeiro em que deve ser apresentada a declaração”. 5º. Em contrário senso. rel. nas palavras de Aliomar Baleeiro. porque não se trata de instituição ou modificação de tributo11. noventalidade. Ellen Gracie. 104. CF/88). Em suas sucessivas prorrogações. “caput”. IV. 3º. nonagentídio. O STF se pronunciou no sentido de que não se aplica o princípio da noventalidade. 5º. 150. tendo natureza de direito adquirido para o Excelso Pretório. como disse Oliveira e Horvath (2003. não coadunando com o sistema de bases correntes. Min. a contribuição para seguridade social pode ser exigida em 90 dias a partir da edição da MP que instituiu a exação ou que a alterou. 2666/DF. não estando abrangida pela contingência dos 90 dias. O que persiste é mera prorrogação. também conhecida como noventena. a isonomia específica (tributária) decorre da isonomia genérica (“todos são iguais perante a lei” – art. devendo observar a anterioridade nonagesimal. III. 150. § 6º. I. De fato. segundo Sacha Calmon Navarro Coelho. se houver isenção revogada sem prazo certo e condição específica (isenção incondicionada). A CPMF foi criada por meio da EC 12/96. CF/88). 150. A regra não alcança a disposição do art. A anterioridade em tela é chamada mitigada. III. Princípio da Isonomia Tributária Está previsto no art. como se fosse um “filme em andamento”. A doutrina chama a isonomia de “superprincípio”. 76). II. a mudança no prazo de exigência da contribuição social não representa alteração substancial que venha a ensejar a aplicação dos 90 dias do art. período de eficácia mitigada ou de anterioridade especial (art. II. a isenção deverá se pautar pela anterioridade tributária. tratando-se de imposto sobre renda ou patrimônio. CF/88). a isenção deve observar a anterioridade anual. como já disse o Supremo. O legislador constituinte de 88 fez menção à ISONOMIA em diversos dispositivos da Carta: preâmbulo. II. p. § 6º. 195. “b”. 150. parte inicial. Mas o que seria modificar a contribuição previdenciária? Seria alterar o prazo de pagamento? Segundo o STF. “caput”. Anterioridade e revogação de isenções – a isenção é uma dispensa legal do pagamento do tributo (obrigação principal). Por seu postulado (art.9 Contribuição previdenciária e anterioridade – aplica-se a anterioridade nonagesimal às contribuições sociais. arts. etc. porque reduzida em relação às demais exações (art. CF/88). CTN. a alíquota aplicada é aquela vigente por ocasião da entrega da declaração. Súmula 584 do STF: “Ao Imposto de Renda calculado sobre os rendimentos do ano-base. CF/88. art. art. 195. 12 11 .

tentando-se onerar igualmente os iguais e desigualmente os dessemelhantes. 126. A hipótese de incidência para a lei tributária é auferir renda. mas não terá a obrigação de recolher a exação (pagamento). o imperador Vespasiano resolveu tributar o uso dos sanitários públicos. I. Um menor pode ser contribuinte. . A fundamentação legal reside no art. uma vez que as características subjetivas atreladas ao contribuinte são desimportantes. da regularidade da constituição de pessoa jurídica ou de acharse a pessoa sujeita a restrições de ordem civil. 14 STJ. permaneceu. Se o contribuinte realizar a conduta nela prevista. Do comportamento do traficante. deve IR ao fisco. O princípio em tela. I a III. Na realidade. quando aufere renda. que se tributem quaisquer pessoas. empresarial. independentemente de qual fato esteja se referindo ou da pessoa que o realizou.10 tributação. 13 Na Roma antiga. incide a tributação). a partir da perspectiva da hipótese de incidência realizada. Ademais. destarte. é evidente a predileção do legislador pelo critério objetivo que marca o princípio. Ex. 118. no caso em tela. A causa do fato gerador pode ser ilegal. do art. De igual forma. Note os exemplos: a. cerne da isonomia tributária. Esta cláusula permite. para a posteridade. haverá duas conseqüências distintas: responsabilidade penal em face da conduta criminalmente ilícita e incidência da tributação sobre a renda14. Isso não quer dizer que o tributo recairá sobre condutas ilícitas ou imorais. É o posicionamento também do STF.STF: afastar o princípio em razão de extrafiscalidade. respalda-se na “interpretação objetiva do fato gerador” ou na utilização do ditame do “non olet”. CTN). Ademais. administrativa ou profissional. porque o fato gerador não pode assim o ser. que significa “não cheira”13. É fácil perceber que o legislador pretendeu onerar o contribuinte. ou de outros fatores que. Por exemplo. poderiam excluir a responsabilidade tributária. CTN. o qual visa angariar divisas para o aparelho estatal. CTN. no art. HC 7444. mas a essência da hipótese de incidência não. 134. Como resquício da passagem histórica. realizando o fato gerador. como se nota. em que são invocados o princípio da isonomia (tratamento igual àqueles que auferiram renda) e a teoria da interpretação econômica do fato gerador (concretizada a hipótese de incidência. 153. Não se pode confundir o poder de punir do Estado – decorrente do sistema penal – com o poder de tributar. porque o legislador conferiu responsabilidade tributária aos seus pais (art. incidirá a tributação. Esta idéia redundou no tratamento objetivo do fato gerador. ainda que não possa administrar seu patrimônio. à primeira vista. fica patente que a capacidade tributária passiva é plena e independe da capacidade civil das pessoas naturais. Há possibilidade de “ressalvas” a este postulado. § 2º. independentemente da ilicitude da atividade.: isenção de IPI para taxistas. menosprezando os aspectos extrínsecos ao fato imponível. independentemente da forma como foi efetivada. a palavra do soberano latino. há maior possibilidade de realização da justiça fiscal. Assim. O monarca respondeu-lhe com uma simples expressão: tributo “non olet”. o traficante de entorpecentes. I. além. CTN). desde que previstas explícita ou implicitamente na CF. CF/88 (universalidade do IR). Tito. o César quis dizer que a exação deve ser tratada sob um aspecto objetivo. 118 e 126. I. da incapacidade civil (arts. Seu filho. caracterizou a cisão entre o direito de punir estatal – direcionado àqueles que urinassem nos logradouros públicos – e o poder de tributar – o uso dos banheiros públicos. contestou o pai sobre a atitude. A lei tributária não pode atribuir tratamento desigual a contribuintes que se encontrem na mesma situação.

A jurisprudência e a doutrina interpretam este preâmbulo da ordem tributária de forma a adequar a exação ao seu conteúdo. que. O próprio constituinte assim disse nos arts. diferencia capacidade econômica e contributiva. em princípio. 145. No entanto. buscando a justiça fiscal. 2004. CF/88: afastar o princípio da isonomia em razão da tributação federal diferenciada para empresas localizadas em áreas com desequilíbrio socioeconômico. porque não há situação equivalente para com empresas de maior monta.. 194 e 195. Não há dúvida que existem tributos aos quais se pode aplicar a técnica de variação de alíquotas. tal qual explanado na matéria. A técnica de estabelecimento de alíquotas fiscais diferenciadas (progressividade) é uma outra forma de efetivar a justiça fiscal. De fato. segundo a capacidade econômica. Análise do postulado da capacidade contributiva ou capacidade econômica15 Está previsto no art. Atribui o fundamento da primeira no art.11 b. 206. p. I. § 1º. CF/88. há outros que não se coadunam. ressaltando que se trata capacidade para contribuir para a Seguridade Social. CF/88. É o que preceitua Tipke e Yamashita (apud CASSONE. cit. não está em jogo a capacidade contributiva que só é levada em conta com relação a impostos pessoais com finalidade fiscal”.: Zona Franca de Manaus (futuro Pólo Industrial da Amazônia Brasileira. 201) afirma que “em se tratando de aplicação extrafiscal de imposto. 145. Os desiguais serão diferentemente tratados. CF/88. 146. em uma razão não proporcional à base de cálculo. devendo ser compreendida como “sempre que o tributo comportar tal variabilidade das alíquotas”. Entretanto. CF/88. § 1º. confere à segunda fulcro nos arts. § 1º. o IR se adequa perfeitamente à preceituação do legislador. ao asseverarem que “o princípio da capacidade contributiva não se aplica a tributos com finalidade extrafiscal. p. a técnica de variação de alíquotas. mas um instituto deste decorrente. a tributação. 2004. 145. III. Do contrário. o art. Portanto. Ex. É possível estudá-lo como subprincípio da isonomia. consubstanciados pela LC 123/06. segundo o autor. Desta feita. O tratamento diferenciado das ME`s e EPP`s não gera ofensa à isonomia. Em tese. com tal sistemática (tributos regressivos). Ao revés. note que a expressão. e 146-A. na medida do possível. Como fora mencionado. Frise-se que tal postulado não é propriamente o princípio da isonomia. os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica de cada um”. “d”. § 1º. configura correlato da isonomia tributária. Moreira Alves (apud CASSONE. como é o caso do IPI e do ICMS. op. 145. CF/88 preconiza a possibilidade de onerar mais gravosamente aqueles que detêm maior riqueza tributável. 151. a capacidade tributária só cabe aos impostos. justificando o comando do art. de sorte a colimar a igualdade entre aquelas e essas. CF/88. esta é a terminologia empregada pelo constituinte. Note o teor do comando: “sempre que possível. . “in fine”. 212). “sempre que possível” é limitadora. no entanto. têm sua constitucionalidade controlada pelo princípio 15 Cassone. de acordo com o PEC 59/04). trata-se de realização material do princípio em relevo. Aliás.Art. Há alguns tipos tributários que não comportam tal possibilidade. Não é o entendimento da maioria da doutrina. p. recebe o nome de “PROGRESSIVIDADE de alíquotas”.

segundo a qual o sujeito tem capacidade econômica em um nível tal que o torna sujeito à tributação. exprimida pelo art. comercial ou industrial). 153. *Não perca de vista que a progressividade de tais impostos (IPTU e ITR) é EXTRAFISCAL. o que não importa em dizer que ele. 153. A capacidade contributiva pode ser realizada segundo diferentes técnicas. menor a alíquota – regressividade). A primeira representa aptidão de um sujeito em receber rendimentos e incrementar o patrimônio próprio. valor e localização. CF/88.12 da proporcionalidade”. I CF/88) – o comando indica três critérios informadores do IR: generalidade. § 1º.ITR* (art. 153. No âmbito tributário. há julgados que o estendem a outros tributos. seria a graduação dos impostos segundo a potencialidade de riqueza demonstrada pelo sujeito passivo na relação tributária. uma vez que não visa ao intuito exclusivamente arrecadatório. I. . com a redação da EC 42/03). Progressividade fiscal e extrafiscal – a primeira corresponde ao aumento da alíquota diante da majoração da base de cálculo. orientando-se pelo princípio da capacidade contributiva. § 4º. 2. Progressividade de alíquotas – é o instrumento mais utilizado.IR (art. Objetiva realizar um princípio constitucional. A progressividade do ITR é extrafiscal. cujas alíquotas oscilarão devido à produtividade do imóvel (quanto maior a produtividade. § 2º. Contudo. não se relacionando com a capacidade contributiva. universalidade e progressividade. tal qual se aduz literalmente da vontade do legislador. pois o nível de renda assim permite. é um tributo extrafiscal. progressivo em razão do tipo e da utilização do veículo. 3. mormente a taxas (STF). é possível destacar três impostos com previsão explícita de progressividade na CF/88: 1. Capacidade econômica e contributiva não são conceitos coincidentes. em face do tempo de subutilização do imóvel (realização da função social da propriedade mediante alíquotas progressivas). não há necessária relação entre o aumento de alíquota e de base de cálculo. com redação conferida pela EC 29/00). CF/88). § 4º. 156. tendo em conta seu uso (residencial. 184. Na segunda. I. segundo a essencialidade estabelecida no seu regulamento. § 2º. Note as explicações abaixo: ITR – as alíquotas progressivas deverão desestimular a manutenção de propriedades improdutivas. Dentre as exações mencionadas. destacando-se duas: Por dedução de despesas essenciais – é o caso daquelas tidas no IR. e no IPVA. o qual é necessariamente progressivo (art. II. em si.IPTU* (art. CF/88. Fica caracterizado o “plus” para contribuir para o Estado. no IPTU. Tem por objetivo primeiro a arrecadação. e no ITR. No âmbito da CF/88. Já progressividade extrafiscal pode ser vislumbrada no IPTU. CF/88. a progressividade fiscal é observada no IR. A segunda é uma espécie da primeira.

o IPTU ganhou feições de imposto pessoal. CF/88). § 1º. Foram somados à função social da propriedade. § 4º. em razão dos critérios novos anunciados. DEPOIS Três novos critérios de progressividade: localização. XXIII. Com base nesta premissa. Art. A questão se liga ao direito de moradia. CF/88). o constituinte derivado alterou o dispositivo. 16 Como o plano diretor é aquele que define a função social da propriedade (art. I e II. Percebendo tal entrave. 6º. um imposto real (não pessoal). em seus arts. denotando claramente extrafiscalidade. elevado constitucionalmente a direito fundamental (art. CF/88). O crescimento geométrico da população sugere um gargalo de moradia insuportável a médio e longo prazo. CF/88. a progressividade fiscal teve sua constitucionalidade fortemente contestada. 145. CF/88. II. forçando o senhor a adequar seu domínio à sua função social. II. O escopo é evitar a desapropriação da propriedade. II. XX. CF/88)16. “caput”. 182. § 1º. seria permitida a tributação maior de um terreno em relação a uma casa (art. § 2º. contrariando a doutrina e a jurisprudência majoritárias. Essa possibilidade só pode ser efetivada mediante prévio plano diretor. promulgado por meio de lei municipal. . não se pode assegurar que tal princípio está afeto apenas a impostos pessoais. Progressividade no tempo – EC conforme se mantivesse o 29 descumprimento da função social. 156. e 182. Com o fito de aumentar a tributação dos municípios. § 4º. 5º. Assim. Desta forma. § 4º. § 1º e 182. 39 a 41 e 3º a 8º (art. CF/88). até que o STF se pronuncie. CF/88) e o município com menos de 20 mil não é obrigado a promulgar tal lei (art. Lei 10252/01. CF/88). a progressividade deste impostos visava somente o cumprimento da função social da propriedade (art. ANTES O IPTU era progressivo em razão de um critério: a função social da propriedade (art. 182. valor e uso do bem imóvel. 182. 5º. de haveria aumento do tributo no correr 2000 Progressividade fiscal e extrafiscal. Observação: após a EC 29/00. a despeito de colocações inconstitucionais. XXIII. do tempo. Uma dos meios de efetivar tal política é a tributação extrafiscal pelo IPTU e ITR. CF/88 (princípio da capacidade contributiva) passou a abranger o IPTU. é possível entender que o art. Progressividade extrafiscal. § 1º. Arts. essa pequena localidade não poderá utilizar o IPTU progressivo por desrespeito à mencionada função. 21. Nesse passo. 156.13 IPTU – inicialmente. o constituinte previu uma situação de redistribuição de terras para a habitação e a geração de riqueza.

A lei atual poderá retroagir/retroceder/retrotrair. o que leva alguns doutrinadores a crer na sua inconstitucionalidade (ausência de recepção). deve-se inquirir: há exceções a ele previstas na CF. pois o Legislativo pode estar afastando a função jurisdicional do Judiciário. à semelhança das exceções aos demais princípios? Não. 5º. alíquotas progressivas para o IPTU. CF/88. É possível em qualquer caso. seriam as lesões à segurança jurídica e à separação de poderes. A lei interpretativa se limita a aclarar pontos obscuros. a lei interpretativa é aquela que retira os pontos obscuros da norma interpretada. CF/88). CTN (2 incisos): I – LEI INTERPRETATIVA – condição para a retroação: nenhuma. a anterioridade adstringe-se à vigência da lei. não inovando na ordem posta. faz-se premente afirmar que nem mesmo um é sucedâneo do outro. salvo se destinada a assegurar o cumprimento da função social da propriedade urbana”. sob pena de retroação da norma – anomalia que se pretende coibir. XXXVI. pois. I e II. Nesse sentido. Súmula 668 do STF: “É inconstitucional a lei municipal que tenha estabelecido.14 porque transforma a exação de real (STF) em pessoal. É vital ao estudioso que conceba a irretroatividade como postulado da segurança jurídica. A doutrina critica tal comando – interpretação “autêntica” –. sob pena de constituir mera norma nova. É certo que ambos caminham lado a lado. pois a interpretação caberia ao Judiciário. pois as exceções estão previstas no art. III. Nesse passo. “a”. salvo se destinada a assegurar o cumprimento da função social da propriedade (Súmula 668 do STF)17. § 1º. sob o argumento de que haveria extrapolação de função do Legislativo. antes da Emenda Constitucional 29/2000. Na verdade. 106. Tal comando veda a progressividade do IPTU antes da emenda. Evidentes. Art. 106. CF/88 preconiza a irretroatividade genérica. sem criar situação jurídica paradoxal. atingindo a capacidade contributiva (art. No entanto. de modo a minar a segurança jurídica. há de se perceber que cada qual refere-se a fenômenos jurídicos distintos: enquanto a irretroatividade diz respeito à eficácia da norma. 145. 17 . O cuidado que se deve ter é a separação e a hierarquia de poderes. 150. em nome da segurança jurídica. 18 O princípio da irretroatividade tributária não pode ser confundido ou imiscuído com o ditame da anterioridade. Não perca de vista que o art. CTN. pois protegem bens jurídicos distintos dentro da ordem constitucional tributária. Princípio da Irretroatividade Tributária18 Está previsto no art. emanando efeitos à confecção do princípio tributário ora estudado. A lei interpretativa poderá ter eficácia retrospectiva. Tal comando anuncia que a lei tributária deverá abranger fatos geradores posteriores à sua edição. Lei (anterior) Fato Gerador (posterior) É perceptível que a lei deve preceder os fatos geradores aos quais se referem.

não se falará em retroatividade. não fazem nascer direito à restituição em retroação futura. em face do princípio da irretroatividade da norma tributária. conferiu efeito “ex nunc” ao diploma. O art. retroação benéfica da multa tributária ou “retroatio in mellius”. são líquidas as opiniões. REsp 943. Informativo do STJ n° 324. anistia. falando alguns em caráter peremptório jurisdicional (coisa julgada “stricto sensu”) e outros. 168. Deste modo. indicavam o prazo de 10 anos. só terá vigor a partir do diploma. erigido pela LC 118/05. já pacificadas. II – LEI MAIS BENÉFICA. corrobora com o princípio da irretroatividade.116-SP. CTN. Só será aplicada a lei mais benigna se houver pendência de julgamento. 20 19 . estabelecer penalidades ou ônus). 21 Nogueira (1999. o lançamento apresenta efeito “ex tunc”. desde que o termo final não extrapole o lustro posterior à vigência da LC 118/0519. de fato. dizendo que o prazo para a repetição de indébito tributário é de cinco anos. de natureza declaratória. no entanto. 3º da LC 118/05 como lei inovadora. penalidades já adimplidas. 19/6/2007. à luz do Direito Tributário Penal20 – condição: desde que o ato não esteja definitivamente julgado. “c”. rel.. A jurisprudência e a doutrina. O comando legislativo pretendeu atingir fatos geradores até então protocolizados. Assim. A retroação. Desta feita. I. etc. o STJ considerou o art. Condição detalhada: a aplicação retroativa da lei mais benéfica ocorrerá se o ato não estiver definitivamente julgado. asseverando que somente ela é a corte apta a realizar a interpretação da norma federal. em mera decisão administrativa na esfera recursal. 1ª T. 3º. em seu art. fazendo aplicar a lei tributária à época da ocorrência do fato gerador. o STJ afirmou que o prazo prescricional de cinco anos. 85) defende que a lei interpretativa não pode causar gravames ao contribuinte (criar ou aumentar exações. sendo certo que o princípio “tempus regit actum” tem vez também no campo tributário. sugerir uma retroação da lei. mesmo que a lei então vigente à época esteja atualmente revogada (ultratividade). mas sim em irretroatividade da lei. devendo limitar-se a dispor sobre suavizações da letra normativa (eqüidade. 144. Esses estarão acobertados pelo decênio prescricional para a repetição de indébito. Quanto à definição de julgamento definitivo.). A LC 118/05. porquanto a lei aplicada no lançamento deve ser aquela STJ. p. desde que mais benéfica ao sujeito passivo da relação jurídico-tributária. CTN. Sabbag (2004. se já tiver ocorrido o trânsito em julgado da demanda. remissão. não como mera interpretação. Min. Observe que a definição do tributo se aplica ao tempo de ocorrência do fato gerador. p. II. filiando-se à doutrina germânica-suiça.15 Nogueira (1999. Entretanto. CTN)21: o art. 106. j. CTN. 223 a 226). pretendeu constituir norma tributária interpretativa do art. com crédito tributário extinto. constituindo sua guardiã. Observação (análise do art. na aparência. A retroação da lei mais benigna só ocorrerá quanto a sanções tributárias. tem por objeto a penalidade mais branda ao contribuinte como fato de retroação da norma tributária. defende o lançamento como mero procedimento administrativo. “caput”. apesar de. 144. Em dissonância com o legislador. 33 e 34) denomina o fenômeno de princípio da benignidade. não abrangendo redução de alíquotas nem de base de cálculo. p. poderá alcançar as sanções tributárias. Por recente decisão de sua Corte Especial. não se aplicando a fatos anteriores. José Delgado.

§ 1º. Tal fenômeno era conhecido como retroatividade imprópria ou como aplicação da Teoria da Retrospectiva. adotando majoritariamente a Teoria do Fato Gerador Complessivo para o IR. e não formal. Ives Gandra da Silva Martins e outros) já passaram a apregoar o posicionamento do fato complessivo. não excepciona o princípio mencionado. destarte.. nas palavras de Aliomar Baleeiro. adstrita a aspectos rituais de fiscalização. Importante: há ressalva na parte final do art. 144. 150. há menção à lei que. atribuiria responsabilidade a terceiros. o fato gerador do IR seria a soma algébrica de fatos ou disponibilidades econômicas. de fundo alemão. Não se trata de exceção ao ditame. mas sim aspectos procedimentais quanto ao ato de lançamento. ressalvados casos isolados de pensamento diverso. porque a lei. o que a reveste de caráter de norma material. Não altera substancialmente o fato gerador e a obrigação dele decorrente. referida no dispositivo. no transcorrer do ano-base (anobase=f1+f2+f3+. Por conseguinte. § 1º. por exemplo. vez que. o que lhe daria o rótulo de lei material –. III. Note que se trata de estrutura dualista para o IR: um ano-base de auferimento de renda e um ano seguinte de entrega de declaração e recolhimento do imposto.+fn). Não obstante o posicionamento citado. CTN. como disse Sacha Calmon Navarro Coêlho. como Machado (1993). “antecederia” o fato gerador. é de natureza formal. CTN. portanto. afastando o enfoque econômico. Assim. “caput”. CTN. Por meio de tal análise. ratifica a regra constante do art. tal norma não se refere propriamente ao cerne do liame obrigacional à luz do fato gerador. É fácil perceber. o fato gerador tinha marco temporal preciso – último segundo do último dia do ano. mas à estrutura formal do lançamento. O dado curioso está no fato de que a atividade legislativa que marcou os anos que sucederam a CF/88 pautou-se na obediência à Teoria do Fato Gerador Complexivo.. que a doutrina mudou o pensar. esta se encontra somente no art. 144. Nesse passo. ou que aprimorar os métodos de apuração do importe devido. 106. Dica final (o IR e o princípio da irretroatividade): até a década de 80. perquire-se qual o alcance do art. I e II. à semelhança de um “filme em exibição”. ampliando as garantias do crédito. § 1º. “respeitando-se” o princípio da irretroatividade. já comentada) entendiam o fato gerador do IR no contexto estritamente temporal. trata-se de lei adjetiva ou formal. como já fora dito. indicando que a lei deve preceder os fatos geradores aos quais ela se refere.16 vigente no momento do fato gerador. alguns doutrinadores (Luciano Amaro. que aumentar os poderes de investigação. CTN. principalmente em congressos e seminários jurídicos. CF/88. 144. Do mesmo modo. Nesse contexto. “per se”. até que o movimento. 144. CTN. a doutrina e a jurisprudência (Súmula 584 do STF. Observe. indicando a necessidade de aplicação da “regra” – lei contemporânea do fato gerador. na esteira da doutrina então majoritária . chegasse ao seu fim. Com efeito. uma lei majoradora do IR em 31/12. aos poucos a doutrina passou a refletir sobre a necessidade de ver o fato gerador do IR na perspectiva econômica. isto é. o art. que o art. “a”. Paulo de Barros Carvalho e Cassone (2004). segundo o qual se aplicará ao lançamento a lei que ampliar as garantias do crédito tributário. à luz de um sistema de bases correntes. A partir de meados da década de 80. De fato.

Lei 9113/96. em tese. reais. No entanto. Lei 4595/64. como se expendeu. 11. Exemplo: Zona Franca de Manaus (observação: os benefícios fiscais foram prorrogados de 2013 para 2023. isto é. Baleeiro (apud NOGUEIRA. § 1º. não havendo de se falar em ilicitude da prova obtida anteriormente à vigência do referido diploma complementar22. no superado contexto da “teoria da retrospectiva” – apresenta-se hábil e vigorosa para aquela corte. rel. o que incluía dados bancários. . 11. a Súmula 584 do STF (já comentada) – editada na década de 80. 11. Para Nogueira (1999). devendo prever as mesmas alíquotas em toda a extensão territorial. Há exceção. LC 105/01. 23/8/2007. Princípio da Uniformidade Geográfica (art. a corte já fixou entendimento no sentido da natureza processual do art. segundo jurisprudência pacífica do STJ. em letra original. é claro. tal postulado vem ao encontro da isonomia e. que instituiu a CPMF.). 92 do ADCT. 1º. Lei 9113/96. para fins penais. garantido pelo diploma mais hodierno. CF/88: “. I.. previu a possibilidade de investigação ampla pela autoridade fiscal. tem aplicação retroativa. Arnaldo Esteves Lima. 151. esculpido no art. o art. 144. entende hábil a teoria do fato gerador complessivo. ao princípio em tela. essa retroatividade é permitida. ou de valor. com redação dada pela EC 42/03). 60. CF/88) Trata-se de comando previsto em artigo distinto daquele que abarca quase toda a base principiológica na CF/88 – o seu art. incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio socioeconômico entre as diferentes regiões do país”. Quanto a esse poder fiscal amplo. CTN.448-SC. I. Assim. porque a ampliação dos poderes da Administração Tributária encontra fundamento no art. CF/88 – a qual veda a “guerra fiscal”. adequando-a às colocações da LC 10174/01. Ademais. entre os membros da Federação – é um consectário do princípio da uniformidade geográfica. § 3º. 150. conforme se depreende do art. mas nunca de lugar". a regra do art. Lei 8383/91. "em conseqüência dessa uniformidade. § 3º. LC 105/01. CF/88). “ex vi” do seu art. proibia o uso de informações dela decorrentes para fiscalização de outras exações. j. 1999) afirma que. o qual alterou o alcance do art. No diapasão. 152. 38. A Lei 9113/96. Esta. Lei 9311/96. Por fim. É princípio afeto tãosomente à União.17 (Lei 9430/96. de sorte a permitir que dados sobre CPMF servissem à fiscalização de outros tributos. Essa disposição se devia ao art. § 3º. entretanto. Min. diga-se que. do pacto federativo (art. No entanto. HC 31. à tributação federal. Informativo do STJ n° 328. 151. Esse entendimento era vigorante à época por leitura jurisprudencial. 11. a qual determinava que só o Poder Judiciário poderia quebrar sigilo bancário de pessoa. não seria possível retroação a fatos ocorridos sob a égide do art. I. Compete à União instituir o tributo UNIFORME no Brasil. A Lei 105/01 alterou a redação do art. § 4º. as discriminações dos tributos limitar-se-ão a critérios pessoais. o princípio em pauta presta-se à preservação da unidade territorial do 22 STJ. Para este renomado autor. § 1º. 5º. promovida pela União. CF/88. etc. 151.. em total dissonância com a doutrina majoritária. § 3º. § 3º. III. I. conforme se nota na parte final do art. surpreendentemente.

5. pode ele ser entendido como tributação exacerbada. pelo tributo.18 mercado nacional. sendo exprimido no art. 6. 19. 152 e 155. desde que se justifique pela situação concreta apresentada. O princípio da uniformidade geográfica é decorrente da isonomia. Min. o legislador não definiu estritamente o termo. da totalidade do valor da situação ou do bem tributado.2007.2001. IV. j. XII. Em recente decisão quanto à redução de base de cálculo sobre operações com café torrado e moído oriundo do Rio de Janeiro. rel. Nesta esteira. ADI 2021 MC/SP.: não é possível IPI menor para automotores no RS em detrimento dos demais Estados. ADI 2377 MC/MG. Joaquim Barbosa. porquanto fere o comando dos arts. ADI 1247 MC/PA. Gilmar Mendes. 126). O próprio comando em comento foi excepcionado pelo próprio constituinte. porquanto ele deve suscitá-lo na esfera jurisdicional. Carrazza (1991) diz que “é confiscatório o tributo que. 5º. Dessa feita. CF/8823. Princípio do Não Confisco (art. § 2º. DJU de 27. XXII. deixando ao arbítrio do aplicador do direito sua configuração. Em outros termos. I. 152. A União. 155. DJU 8. “g”.9.11. não poderá estabelecer discriminação tributária entre as demais pessoas políticas. rel. Min. 38) preconiza que a caracterização do confisco é ônus do contribuinte. esgota (ou tem a potencialidade de esgotar) a riqueza tributável das pessoas. o Supremo declarou a disposição inconstitucional.2003.2007. rel. CF/88. mas sim no caso concreto. j. CF/88) Nas palavras de Nogueira (1999. CF/88). p. é um desiderato aplicado tão-só a tributos. É ditame aplicado diretamente aos entes da federação. Com efeito. que não leva em conta suas capacidades contributivas”. Informativo do STF n° 478. “g”. Joaquim Barbosa. 23 . sob pena de macular o art. j. DJU de 7. ADI 3673/RJ. Em princípio. como qualquer parcela que exceda à medida fixada legalmente”. 24 STF. por meio de seus tributos federais. assentando o entendimento no direito de propriedade (art. DJU 25. excessiva. XII. Informativo do STF n° 478. isto é.9. Sabbag (2004. eventuais benefícios fiscais relativos à exação citada devem estar de acordo com deliberações de convênio celebrado entre todos os Estados. a União pode dar tratamento fiscal diferente para áreas com menos desenvoltura financeira. 150. Plenário. 151. com o fito de “promover o equilíbrio do desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões do País”.9. Min. ADI 3936 MC/PR. levando em conta uma hermenêutica sistemática do setor tributário (entendimento do STF). especialmente quando se trata de norma estadual referente a ICMS. CF/88 (Convênio CONFAZ 128/94)24. De fato.9. p.68. Ex. De fato. Observação: quanto à possibilidade de existência de confisco em multa. a definição de confisco não é dada por colocação abstrata. O STF corrobora com o enunciado do art.95. § 2º. por assim dizer. o STF já se manifestou positivamente. Não é mácula à isonomia.9. mas sim tentativa de equiparação regional. 6. Destarte. a jurisprudência STF. Na mesma esteira. sua consubstanciação depende da análise “in casu”. Informativo do STF n° 480. RMS 17949/ES. só influenciando na esfera privada de forma reflexa. segundo a razoabilidade e a proporcionalidade. confisco é “a absorção. CF/88. As exações federais deverão ser uniformes em todo território nacional. ADI 3389/RJ.2007.

CF/88) A base axiológica deste ditame – erigido em nível constitucional – encontra tutela na própria Carta de 1988. 155. Esse 25 26 STF. a não-cumulatividade se estende ao IPI (art. A não-cumulatividade não erige uma regra uniforme para todas as exações. 195. § 3º. 154. em que multa de 300% por não emissão de nota fiscal foi considerada confiscatória. Princípio da Não Limitação ao Tráfego de Pessoas e Coisas (art.: não cumulatividade de PIS e COFINS (Lei 10833/03). vez que o fato gerador é outro. § 12. aos impostos residuais da União (art. . § 2º. para a conservação das rodovias. de natureza diversa. O autor ainda indica duas atenuações26: A instituição de pedágio. 150. II. receita e importação (art. LV e LXVIII. CF/88) e às contribuições sociais da União que incidam sobre faturamento. CF/88). Ex. com alíquota de 4%. § 4º. § 3º. vinculando o direito a crédito à tributação da operação anterior. há um crédito. Princípio da Não-cumulatividade É técnica de redução de carga tributária sobre o consumo. I. 153. particularmente no direito individual à liberdade de locomoção (art. um débito. a intermunicipalidade ou a binterestadualidade. II. desde que a desoneração do consumo seja atingida. CF/88. como fato gerador. às contribuições sociais residuais federais (art. Cada tributo terá sua regência própria. V. sendo vendida por R$ 104. ao contrário do ICMS (art. a doutrina indica outros. sendo somado ao tributo incorporado (tributo indireto com repercussão econômica por transferência ao próximo da cadeia).: mercadoria de R$ 100. A não cumulatividade do IPI segue uma norma (art. desonerando a cadeia produtiva. em que pese não haver expressa previsão nesse sentido no art. CF/88. O STF definiu a extensão da não-cumulatividade do IPI. A expressão “imposto cobrado” faz entender que o constituinte quis permitir a compensação somente na existência de operação anterior. A exigência de comprovação de recolhimento de ICMS nos postos fiscais em fronteiras interestaduais. CF/88). compensando-se a diferença entre créditos e débitos. nos termos do estipulado pelo constituinte ou pelo legislador infraconstitucional. V.19 majoritária. CF/88). ao ICMS (art. CF/88). 150. II. diz esse princípio é extensível às multas25. 5º. 195. não pode haver exação que erija. A cobrança de exação para o ingresso em instância turística não configura ranhura ao princípio da não-restrição à circulação. porquanto se trata de taxa. CF/88). 40). 155. “a” e “b”. 153. § 2º. Em termos genéricos. ADIn 2010/DF-MC. 2004. a cada saída. A base de cálculo é o valor da operação. no veio do deslocamento de pessoas e bens (SABBAG. § 3º. Dessa forma. Além desses casos. CF/88): a cada entrada. com fulcro em entendimento do STF e conforme mencionado. Ex. a incisão de tributo para o embarque em ônibus interestaduais ou intermunicipais não comporta ferimento ao ditame do art. De igual maneira. 153. CF/88). p. O imposto será pago mensalmente. II. com necessária contraprestação.

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entendimento do Supremo foi alterado, porque, desde 1995, o plenário dava ganho de causa aos contribuintes. Dessa feita, isenção, não-incidência, imunidade e alíquota zero na operação anterior não dão direito à compensação de crédito em IPI, consoante reiterada e hodierna jurisprudência do STF27. Como o IPI é imposto de repercussão econômica (transferência ao próximo da cadeia), a restituição de montante recolhido a mais é dada nos termos do art. 166, CTN. O comando condiciona a restituição a:
• Prova de que arcou com o ônus do tributo, não o repassando ao próximo

elo da corrente; ou
• Apresentação de autorização do próximo na cadeia a receber a

restituição em seu lugar, no caso de ter havido o repasse, visto que esse é o contribuinte de fato do IPI e aquele, de direito. O STJ, apesar de emprestar natureza jurídica de condição da ação de repetição de indébito ao art. 166, CTN, admite que a justifica seja apresentada posteriormente ao ajuizamento da demanda, mormente se houve impossibilidade de fazê-lo antes28. O Supremo referenda o comando do art. 166, CTN, por meio de suas Súmulas 71 e 54629. Imunidades Tributárias30 As imunidades tributárias indicam limitações constitucionais ao poder de tributar, a par dos princípios anteriormente estudados. Trata-se de dispensas constitucionais de tributos, isto é, normas de intributabilidade que gravitam em torno da “não-incidência” tributária. Nos termos de Nogueira (1999, p. 167), “a imunidade é, assim, uma forma de não-incidência pela supressão da competência impositiva para tributar certos fatos, situações ou pessoas, por disposição constitucional”. Com efeito, a imunidade é uma delimitação negativa da competência tributária, segundo a melhor doutrina. Como é sabido, a competência tributária traduz-se no poder de instituição do tributo, conferido às entidades impositoras. Note que estas, ao mesmo tempo em que se valem do poder de criar, devem se afastar diante do campo imunizante estabelecido e demarcado pelo legislador. Assim, a norma imunizadora coexiste com a norma de imposição, ambas previstas na CF/88.

STF, RE 353657/PR, rel. Min. Marco Aurélio, j. 25.6.2007, Informativo do STF nº 473; RE 370682/SC, rel. Min. Ilmar Galvão, j. 25.6.2007. 28 STJ, 2ª T., REsp 962.909-BA, rel. Min. Castro Meira, j. 20/9/2007, Informativo do STJ n° 332. 29 Súmula 71 do STF: “Embora pago indevidamente, não cabe restituição de tributo indireto”. Súmula 546 do STF: “Cabe a restituição do tributo pago indevidamente, quando reconhecido por decisão, que o contribuinte de jure não recuperou do contribuinte de facto o quantum respectivo”. 30 Além dos pontos tratados na matéria, Cassone, op. cit., p. 255 e 256, indica alguns outros a serem discutidos quanto às imunidades: deve se lhes aplicar interpretação extensiva, em acordo com a finalidade da imunidade e com a razoabilidade; é possível a regulamentação da imunidade por lei infraconstitucional; as obrigações acessórias não são atingidas pela imunidade (art. 194, parágrafo único, CTN).

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É importante frisar que as principais imunidades referem-se a impostos (art. 150, VI, CF/88). Entretanto, há exemplos pertinentes que indicam imunidades para tributos diversos de impostos. Note: a.Art. 195, § 7º, CF/8831 – contribuição previdenciária (entidades beneficentes de assistência social). Observação: a expressão “são isentas de...” indica impropriedade terminológica para o STF, que vê no dispositivo nítido exemplo de imunidade. b.Art. 149, § 2º, I, CF/88 (EC 33/01) – CIDE’s e contribuições previdenciárias (receitas decorrentes de exportação). c. Art. 184, § 5º, CF/88 – impostos de todas as pessoas jurídicas (operações de transferência de imóveis desapropriados para a reforma agrária). Nesse sentido, o art. 18, “caput”, LC 76/93, isentou tais fatos também de taxas judiciais e emolumentos cartoriais. d.Taxas para certidões, para protocolização de certas ações coletivas, etc. Vamos, agora, às principais imunidades previstas no art. 150, VI, CF/88: Há quatro alíneas (DECORAR). São casos de não-incidência de impostos, o que permite concluir pela normal incidência dos demais tributos (taxas, contribuições de melhoria, etc.). 1.Alínea “a” (IMUNIDADE RECÍPROCA) – União, Estados, Municípios e DF não poderão cobrar impostos uns dos outros. − Elemento teleológico – quis o legislador proteger os entes tributantes contra a reciprocidade na tributação de impostos. Com efeito, o imposto é tributo unilateral, indicando um poder de sujeição daquele que tributa com relação àquele que é tributado. Neste passo, a provável incidência colocaria em risco o pacto federativo – o próprio elemento teleológico da imunidade em exame. − Atenção – a alínea “a” apresenta menção a rol classificatório oriundo do CTN (arts. 19 a 73) – “impostos sobre patrimônio, renda ou serviços”. Segundo a literalidade do comando, não deverá haver a incidência de IPTU, de IPVA, de IR, de ITR e de ISS, por exemplo. A questão é problemática: e os impostos não pertencentes ao rol mencionado, tais como II, ICMS, IPI e o IOF? Para o STF e renomados tributaristas32, a imunidade deve abranger quaisquer espécies de impostos, independentemente da limitação classificatória ora guerreada. Exemplos: Não-incidência de IOF nas operações financeiras desencadeadas pelos Municípios (STF).
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O dispositivo exigiu lei regulamentadora para surtir reflexos, cujo prazo para publicação não foi definido. O STF, no MI 232-1/RJ, rel. Min. Moreira Alves, ajuizado pelo Centro de Cultura, inovou seu entendimento. Adotando uma posição concretista moderada, fixou prazo para que o legislador se manifestasse acerca da omissão legislativa, findo o qual a própria corte asseguraria o direito subjetivo em comento – no caso, imunidade de contribuições sociais para entidades beneficentes de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88). 32 Regina Helena Costa, por exemplo, em “Imunidades Tributárias”, editado pela Malheiros.

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Não-incidência de II nas operações de importação de um Estado qualquer. − Análise do art. 150, § 2º, CF/88 – há extensão da imunidade recíproca às autarquias e fundações públicas, desde que se cumpram às necessidades essenciais/precípuas da entidade. Não perca de vista que a condição se atrela tão-só ao § 2º, não existindo para a alínea “a”. Exemplos: Uma autarquia, proprietária de bem imóvel utilizado para finalidade esdrúxula, receberá a tributação de imposto. Uma empresa pública, por exemplo, a CEF, é alvo normal da incidência de impostos (Concurso de Advogado da CEF). DADO JURISPRUDENCIAL RELEVANTE – há certas empresas públicas que executam atividades revestidas de estatalidade, apresentando-se com nítida “roupagem” estatal. Nesta medida, perguntar-se-ia: é válida a extensão da imunidade a elas? Para o STF, a resposta é afirmativa, valendo a pena ao estudioso consultar jurisprudência pertinente. Nesse sentido, são a EBCT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos), quanto ao serviço postal, com fulcro no art. 21, X, CF/88, e a INFRAERO (Empresa Brasileira de InfraEstrutura Aeroportuária), com base no monopólio estatuído no art. 21, XII, “c”, CF/8833. 2.Alínea “b” (IMUNIDADE PARA OS TEMPLOS DE QUALQUER CULTO) Elemento teleológico – a razão finalística da proteção constitucional está na liberdade de culto/religiosa (art. 5º, VI, CF/88), que caracteriza o laico Estado brasileiro (art. 19, I, CF/88). A doutrina majoritária a considera imunidade subjetiva, mas Cassone (2004, p. 254) denomina-a de objetiva, pois estaria ligada à atividade e não à pessoa da entidade religiosa. Abrangência – a imunidade alberga o templo e seus anexos, emanando os efeitos da não-incidência para o veículo da igreja, para a casa do representante religioso, para as rendas obtidas nos eventos religiosos, etc. Análise do art. 150, § 4º, c.c. alínea “b” do inciso VI, CF/88 – as igrejas deverão respeitar o cumprimento da finalidade essencial (§ 4º). Entretanto, o STF entende ser possível a execução de atividades inessenciais pelo templo (locação de bens de sua propriedade) e, mesmo assim, ter a extensão da imunidade de templo ao bem locado34. Há condições para isso: prova da inexistência de prejuízo à livre concorrência; prova da aplicação integral das rendas na consecução dos objetivos institucionais do templo. Ex.: a Igreja
STF, RE 265749/SP, DJU 2.2.2007; RE 357291/PR, DJU 2.6.2006; RE 407099/RS, DJU 6.8.2004; 2ª T., RE 363412 AgR/BA, rel. Min. Celso de Mello, j. 7.8.2007, Informativo do STF n° 475. 34 STF, AgRg RE 205.169-7, 2ª T., rel. Min. Marco Aurélio Mello, DJU 5-6-1998, p. 10. Jurisprudência extraída de Cassone, op. cit., p. 256.
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apostólica, uma vez que caracterize vínculo causal à sua função precípua, pode remeter divisas para o Vaticano, o que não abarca o envio puro e simples de valores ao Estado Católico. 3.Alínea “c” (IMUNIDADE PARA PARTIDOS POLÍTICOS, ENTIDADES SINDICAIS DE TRABALHADORES, INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO E ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL) Natureza – trata-se de imunidade subjetiva35, destinada a pessoas jurídicas, sobre as quais não incidirão exações não vinculadas (impostos). Elemento teleológico – cabe frisar que, como opção política do legislador, a regra imunitória prevista na alínea “c” vem ao encontro dos valores mais relevantes, previstos no texto constitucional. Vamos detalhá-los, tentando identificar o elemento finalístico de cunho axiológico, que moveu o constituinte em cada caso: − Partidos políticos – a regra visa proteger a liberdade política no Brasil, prevendo a exoneração de impostos sobre os partidos políticos. Com efeito, o pluralismo político é um dos fundamentos da nossa Federação (art. 1º, V, CF/88), delineando a necessidade de tutela àquelas entidades que traduzem politicamente os anseios plurais dos filiados – e de toda a coletividade. As fundações ligadas aos partidos também gozam da prerrogativa prevista na Lei Maior. Ex.: Fundação Pedroso Horta, pertencente ao PMDB. Somente partidos políticos registrados no TSE serão abarcados pelo benefício em tela, não incluindo aqueles clandestinos, contrários à ordem constitucional-democrática posta. Ex.: partido neonazista. − Entidades sindicais de trabalhadores – objetiva a proteção dos direitos sociais (art. 7º, CF/88) e, mais precisamente, abrigo àqueles que ocupam, em tese, o pólo mais fragilizado da relação laboral – os empregados. Curioso apontar a existência de um ponto de convergência entre o Direito do Trabalho e o Direito Tributário. No entanto, é importante firmar que se protegem os sindicados dos empregados, isto é, as entidades obreiras. Assim, o legislador admitiu a normal tributabilidade dos sindicatos patronais, segundo postulam Carrazza (1991), Cassone (2004) e doutrina majoritária36. Há vozes minoritárias na doutrina que preconizam violação à isonomia, em face do discrime aventado, propugnando pela inclusão dessa entidade no rol dos imunes. É o que professam Chimenti (2002) e Machado (1993). − Instituições de educação – idem colocações infra sobre as expressões “in fine” da alínea “c”.
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Cassone, op. cit., p. 254 e 255, considera a imunidade prevista no art. 150, VI, “c”, CF/88, como mista, ou seja, aquela dispensada a determinados bens (renda, patrimônio e serviços) de certas pessoas (partidos políticos, sindicatos de empregados, instituições de educação e de assistência social). 36 Cf. Ac. 8.872 do TAPR, 3ª Câm. Cív., AC 106.838.000 – Maringá, Juiz conv. Eugenio Achille Grandinetti, j. de 19-8-1997, publ. Em 5-9-1997, Juis, Saraiva, n. 17.

não havendo de cogitar sua aplicação aos partidos políticos e sindicatos de trabalhadores. São eles: I. 155. p. Note que aquela expressão da CF/88 – “sem fins lucrativos” – deve ser traduzida à luz deste inciso I. 195. 1996). De fato. − Análise das expressões constantes da parte final da alínea “c”: o “Sem fins lucrativos” – o legislador fez menção a termo pouco elucidativo – o lucro. O que se quer é o REINVESTIMENTO daquele resultado nos objetivos institucionais. Amaro (2006). Não distribuição do patrimônio ou renda. Chimenti (2002). o que permite chamá-la de imunidade condicionada ou limitada (SILVA. porém. 51). sendo assim recepcionado pela CF/88. Saraiva. CTN anuncia. consoante comando exprimido no art. Ademais. segundo Maria Helena Diniz. Não se veda o resultado positivo na entidade.. Portanto. II. há quem a denomine de “norma não bastante em si mesmas” (Pontes de Miranda). o art. entre os mantenedores da entidade. 14. Portanto. pois o “lucro”. Além de tudo. nas palavras de Rui Barbosa. a diferença entre receitas e despesas financeiras da entidade. quis mencionar o superávit. em tese. segundo Celso Bastos e Carlos Ayres Brito. o “Atendidos os requisitos da lei” – é fácil perceber que se trata de condicionamento imposto à norma. apregoa que o alcance das expressões se atém somente às entidades educacionais e assistenciais. Nesse contexto. a expressão merece uma associação cautelosa. Paulo de Barros Carvalho. ganhou o “status” de lei complementar. José Eduardo Soares de Melo. Luciano Amaro. insta inquirir: qual lei será esta? O STF e a doutrina majoritária. dependendo de regulamentação futura. nem mesmo o “animus lucrandi”. vedando-se a apropriação particular do lucro. perguntar-seia: qual lei complementar será esta? É sabido que o CTN (Lei 5172/66) foi concebido como lei ordinária. isto é. Cassone (2004) e Sabbag (2004). como Machado (1993). CF/88. não obstante a mediata ligação a todas pessoas citadas37. e não auto-aplicável. necessário é lembrar que tais pessoas também são imunes às contribuições sociais. CF/88. Direito Tributário Brasileiro. I a III. desde então. São Paulo. No caminho hermenêutico ora trilhado. estaria ligado de modo imediato às entidades educacionais e beneficentes. a qualquer título (LC 104/01). os requisitos à fruição da imunidade. p. Nesse passo. a resposta à pergunta é clara: a lei complementar que traduz a condição imposta às imunidades será o CTN. 12ª ed. em seus três incisos. . de integração. § 7º. “ex vi” do art.24 − Entidades de assistência social – ibidem. que impõe tal norma às limitações constitucionais ao poder de tributar (imunidade). 2006. 146. em razão das matérias disciplinadas naquele compêndio. no magistério de Sabbag (2004. entendem que se trata de lei complementar. Misabel Derzi. Note que as entidades educacionais e assistenciais poderão – e 37 Em sentido contrário.

Uma vez que caracterize vínculo causal à sua função precípua. § 1º. Análise do art. Não aplicação de recursos fora do país. Amaro (2006. Ademais. p. não incluindo o envio desvinculado de valores ao exterior. o STF analisa tal comando. permitindo a extensão da imunidade a bens ligados a atividades inessenciais (locação. aquela Corte interpreta a expressão “finalidade essencial” de modo lato. etc). 14. havendo respeito à disposição legal. ligado à instituição educacional. os pressupostos dos incisos I e II são iníquos. O eminente Aliomar Baleeiro cita curioso exemplo de gasto com universitário. a qual possui filial no Brasil. arrendamento. quanto ao rol classificatório ali inserto – impostos sobre o patrimônio. diante do resultado positivo. é natural que se apliquem os valores na consecução dos objetivos institucionais. CTN. renda ou serviços. o que não parece de todo apropriado. a análise é subjetiva. mera paralisação dos efeitos imunitórios. 157) chama o art. conquanto sua redação parece pretender instituir um Poder de punição à autoridade tributária. não se perderia a imunidade. a qual poderá realizar ou não a ação – na expressão “pode fazê-lo” –. pois. prejudicando a manutenção dos objetivos institucionais – trata-se de requisito óbvio. merecendo a proteção da imunidade. A legislação pertinente (art. em país estrangeiro. § 1º. afastando a interpretação restritiva. por fim. Nesse passo. passará. 150. É.25 deverão – almejar o resultado financeiro positivo. imediatamente a ser alvo da TRIBUTAÇÃO. desde que se cumpram os requisitos já conhecidos. os valores não poderão se apresentar como “distribuição” disfarçada de lucro”. como uma “punição”. não os carreando para países estranhos. quando dos comentários retro sobre a imunidade de templos: prova da aplicação . pode remeter divisas para o exterior. CTN) trata o assunto com terminologia criticável. § 4º. III. quando permite à autoridade “cassar” a imunidade. I a III. 14. II. que o MANTENEDOR da instituição poderá receber uma contraprestação pelos serviços realizados. entretanto. CF/88 – repetindo comentário supra. É o caso também de instituição filantrópica internacional. sim. devendo passar a recolher os impostos. Diga-se. CTN de aberrante. De fato. Manter a escrituração contábil em dia e hábil a provar o cumprimento dos requisitos anteriores – sem a demonstração mencionada. mediante ato discricionário. 14. se cumprirem a exigência ora analisada. segundo Amaro (2006) e José Eduardo Soares de Melo. indicando a jurisprudência no sentido da adstrição a valores de mercado. Haveria desrespeito ao inciso em análise? Para o mestre. Observações finais – caso a entidade deixe de cumprir os requisitos do art.

11. porque está ligada a bens e não pessoas.251-2/SP. VI. como é o caso de ISS sobre a publicidade nas publicações. Independe do conteúdo difundido. normalmente: IPVA (carro da editora). A prova deve ser feita pelo titular da imunidade38.251-2-SP. 42 STF. O STF (Pleno). 41 Súmula 730 do STF: “a imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art. etc. etc. por exemplo. Súmula 730 do STF41 – as entidades fechadas de previdência social serão imunes quando não houver contribuição dos beneficiados. “b” e “c”). JORNAIS. 150.2001. . RE 202. AgRgRE 106. A participação onerosa do beneficiário no plano de previdência privada. Elemento teleológico – é a difusão do conhecimento e da cultura. isto é.. aquelas de pouco 38 39 STF. 150. IR (renda da venda dos livros). No mesmo sentido. é imunidade objetiva ao afastar a incidência de impostos reais (sobre os bens). rel. j.: alugueres recebidos de locação de área pertencente à entidade filantrópica) e da inexistência de prejuízo à livre concorrência (aferição por meio de critérios subjetivos).718-SP. incidiria o ICMS nas rendas e bens provenientes de bazares organizados por entidade filantrópica? A 1ª Turma do STF sempre entendeu que deveria haver a incidência do imposto. de 5-6-1998.700/DF. no RE 210. Mas a regra da imunidade não inclui atividades ligadas ao bem. Min. cit. DJU 19-11-03. segundo a qual o ônus recai sobre o contribuinte de fato (adquirente).169-7. vi. E incidirão. 10. 2-3-2003. a alínea “d” versa sobre bens e não sobre pessoas. permanece imune ao iptu o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. por sua vez. É a posição cristalizada na Súmula 724 do STF40. defende Amaro. IE. a proteção alcança as revistas pornográficas (material fescenino).737-SP. Em contrário senso. Nessa medida. e não sobre o contribuinte de direito (a entidade). em razão da teoria da repercussão tributária. afasta a imunidade. ITBI (aquisição de prédio pela editora). IPI. PERIÓDICOS E O PAPEL DESTINADO À SUA IMPRESSÃO) Natureza – é objetiva. Marco Aurélio. não incidem sobre o livro e sucedâneos: ICMS.Alínea “d” (IMUNIDADE PARA LIVROS. à luz dos conceitos de universalidade e generalidade. p. desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades essenciais de tais entidades”. c. Ellen Gracie. DJU e-1.692. desde que o lucro fosse reinvestido39. c. consoante entendimento já firmado pelo Pretório Excelso42. exclusivamente. naturalmente. De fato. ao contrário das demais (“a”. 40 Súmula 724: “Ainda quando alugado a terceiros. p. da constituição. Vale dizer que a editora. receberá a carga de impostos sobre si. DJU 6.26 integral das rendas nos objetivos institucionais (Ex.2001. op. RE 210. Min. A 2ª Turma. II.9. RE 237. 4. 154. DJU 12. em 2 de fevereiro de 2003. Pleno. entendia cabível a não incidência. decidiu por maioria pela não incidência de ICMS nas vendas. RE 286. fruto de relação contratual entre o órgão e a categoria específica. STF. A propósito. somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários”. rel. RE 235. Informativo do STF nº 220. da Constituição.

IX e XIV. RE 183. Min. e não em razão do suporte difusor de cultura. Encontra guarida constitucional nos arts. Insumo – o único insumo protegido pela regra será o PAPEL destinado à impressão.308/SP. Chimenti (2001. . a norma imunizante deve ser observada com bastante rigor e os Tribunais caminham neste sentido. Pergunta: Uma imunidade pode ser regulamentada por lei ordinária ou complementar? Ou é auto-aplicável? Resposta: imunidade acaba sendo implantada por lei ordinária. Em sentido contrário. dentre outros. e a jurisprudência vêem a EXTENSÃO da imunidade aos livros na forma de CD-Rom. RE 101. DJU 07. que estendeu a imunidade da alínea “d” aos filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e revistas.: imunidade de II sobre máquinas de impressão de jornais. rel. independentemente da ausência de conteúdo informativo43. Lembre-se que não havendo tributação. Não é a posição cristalizada pelo Excelso Pretório. DJU 12.403-SP. Lista telefônica – segundo entendimento assentado pelo STF.2000. Na mesma idéia. na condição de periódicos. porquanto este procura conferir uma interpretação restritiva ao dispositivo46. Moreira Alves. valorizando os direitos fundamentais que lhe são afetos. rel. foi publicada a Súmula 657 do STF45. as listas telefônicas são imunes. Marco Aurélio. da CF abrange os filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e periódicos”.183. e 220. O art. Ex.27 conteúdo informativo. RE 199. rel. § 6º. 5º. Justificam que a imunidade deve ser aferida a partir do fim da difusão do conhecimento. representada. 203. parágrafo único. Min. Entretanto.11. Min.859 e 273. vêem outras decisões do Excelso Pretório aceitando a extensão da imunidade a manuais técnicos e apostilas44. 45 Súmula 657 do STF: “A imunidade prevista no art. 46 STF. d.06.2000. reforçando a tese majoritária. RE’s 204. 2º. Mídia eletrônica – a doutrina mais abalizada. VI. etc. como equipamentos destinados à função. tendo em vista ser a Receita Federal o órgão escolhido para certificar tal proteção constitucional. Marco Aurélio. IV.1998.8. p. Pergunta: A jurisprudência tem entendido que as imunidades devem ser interpretadas ampliativamente? Resposta: a jurisprudência tem admitido sempre a aplicação da imunidade de forma restritiva. Lei 10753/03 (Lei da Política Nacional do Livro) equipara o livro em meio digital a livro impresso. 150. CF/88. VII.441/RS. Pergunta: Como fica a situação das obrigações acessórias quando há imunidade: elas são devidas? 43 44 STF.234. STF. DJU 22. por José Eduardo Soares de Melo e por Cassone (2004). 41) leciona que imunidade a deve abranger todos os meios indispensáveis à produção dos objetos imunes.

150. Apenas a entidade assistencial social ou educacional. “a”. “d”. CF/88. CTN. sujeitam-se à fiscalização tributária. Nesse passo. § 2º. recebendo certificação de organização social ou de organização da sociedade civil de interesse público. 146. o art. pois esta modalidade tributária não é abarcada pela imunidade. I a III. engloba as obrigações acessórias. conforme expressa disposição constitucional. no que diz respeito aos impostos. 3º. à guisa do entendimento do STF. não faz jus à imunidade do art. somente por esse fato. assim como as isentas. parágrafo único. por exemplo. III. 9º do CTN. foi dito que o art. CF/88? Como é concedida a imunidade em termos práticos? Por requerimento às Fazendas e autarquias de capacidade tributária ativa? Basta um requerimento ou deve ser feito a todos? Resposta: não. D. VI. inovam em suas disposições. Caso haja cobrança de uma contribuição social. segundo o STF e a doutrina majoritária. XI. CF/88. 150. e o art. estabelece as condições para o exercício. uma entidade. “b”.Sa. VI. 150. “c”. Pergunta: quanto ao art. parágrafo VI. A posição está correta? Resposta: já ocorre uma aplicação extensiva em função de outro raciocínio. deixa claro que as pessoas imunes. CTN. 12. corresponde à figura da lei ordinária. abarcando assim. 4382/02. Pergunta: o art. 156 do CTN foi incluso pela Lei Complementar n. as mencionadas disposições citadas por V. a obrigação acessória persistirá. III. em seu art. E-m. 14. Pergunta: uma entidade. o que. VIII. III.28 Resposta: lembre-se que. DF e UF). “c”. 194. 156. O inciso XI do art. o "caput" do dispositivo deixa claro que suas conceituações valem intrinsecamente ao diploma ("para efeitos dessa lei"). pode. 150. parágrafo único. parágrafo VI. § 2º. O termo lei. não há obrigação principal e muito menos acessória. Como compatibilizar os dispositivos? Resposta: a Constituição Federal estabelece que os requisitos da 'lei' devem ser cumpridos. Lei 9532/97. 2º. sem adjetivo algum.146. No entanto. respeitando as previsões expressas da CF. Não há que se falar em incompatibilidade já que a lei e a LC (CTN) especializarão o assunto a ser implementado. daí o teor do art. CF/88. em tese. Lei 10753/03 (Política Nacional do Livro) equipara o livro somente às mídias eletrônicas destinadas a deficientes visuais exclusivamente. a disposição legal não poderia ser usada como argumento jurídico para extensão da imunidade do art. nesse sentido o CD-rom recebe seu tratamento imunizante. o assunto deve ser regulado por cada uma das pessoas políticas interessadas (M. Entretanto. Pergunta: quanto à imunidade condicionada do art. o art. recebendo certificação de organização social ou de organização da sociedade civil de interesse público. há alguma regulamentação ou aplicação em vigor? Qual? Ela seguiu a orientação do art. O termo livro quer representar um suporte físico que tanto pode ser escrito em papel ou digitalizado. CF/88? Resposta: Não. preceituando condição inexistente na citada LC. se não há tributação. Ademais. após ter cumprido os requisitos da lei para receber a . somente por esse fato.104/01. “c”. faz jus à imunidade do art. CTN.

competência tributária. Transformou a Carta de 1946. Criou um regime sistematizado. Nas negociações entre as forças políticas da época – com mediação do então presidente do STF. Para refrear o ímpeto do constituinte reformador. composto de princípios. em consonância com o setor fiscal (NOGUEIRA. 60. o STN segue o mesmo diapasão da própria Constituição: sendo essa rígida. 1999. Sistema Tributário Nacional Quando se deu a formação do Sistema Tributário Nacional (STN)? Qual a importância da EC 18/65? A EC 18/65 foi a criadora do Sistema Tributário Nacional. 26). A constitucionalização do Direito Tributário configurou a positivação de um mecanismo que conferiu garantias mínimas das liberdades individuais (“ability to pay”): imunidades. receber a concessão imunizante. p. defende que o Sistema Tributário Nacional é ternário. São Paulo. Não funcionou a contento! Politicamente. . também do STN. por conseqüência. Direito Tributário. CF/88) para garantir a necessária rigidez. Porém. a rigidez em matéria tributária se atém a dois aspectos: instituição constitucional de impostos e princípios constitucionais tributários. há uma grande crítica a essa premissa da CF/88. Esta última configurou um marco no Direito Tributário brasileiro. etc. foram firmados dois pontos: sujeição à Lei de Diretrizes Orçamentárias (Lei 4320/64) e EC 18/65 (STN). 47 Eduardo de Moraes Sabbag. imunidades e tributos. § 2º. Aliomar Baleeiro –. a concepção crítica sugere uma verdadeira flexibilidade da CF/88 e. Qual é a estrutura do STN? A estrutura do STN é quaternária: poder de tributar. 12 e 13. e Lei 10. 2004. em seus arts. também o é aquele. limitações ao poder de tributar (princípios e imunidades) e repartição de receitas tributárias47.637/02. Para Cassone (2004. por ocasião do golpe de 1964. especialmente voltado para fruição de algumas liberdades fundamentais. via requerimento conforme estabelece os procedimentos da Receita e Lei nº 9532/97. O Poder Constituinte Derivado Reformador deveria permitir a adaptação dos preceitos inicialmente constituídos às mudanças sociais ocorridas. fazendo nascer uma vertente doméstica moderna nesse ramo. De fato. p. Prima Cursos Preparatórios. Qual é a característica do STN (rigidez x flexibilidade)? Quanto à rigidez/flexibilidade. Destarte. a EC consubstanciou um instrumento de implementação de políticas do Executivo. foi erigido o sistema do bicameralismo duplo de 3/5 (art. não existia equilíbrio entre Estado e cidadão na atividade fiscal. Deve ser pleiteada perante a Receita Federal. O princípio da supremacia do interesse público era levado a cabo exacerbadamente (“I need.29 concessão da imunidade. No Brasil. regras rígidas de competência. sendo chamada de a grande reforma tributária brasileira (primeira delas). até tal diploma. I can”). esse Poder deveria ser utilizado “cum grano salis”. 118). porquanto houve mais de 50 emendas em pouco mais de 15 anos de sua existência.

Câmara Municipal) podem instituir tributos. coercitivamente. Dessa forma. Segundo Carlos Ayres Brito. Esta tarefa será efetivada por meio da Administração Pública. DF e Municípios). de criar tributo. exercício de direito fundamental . criando tributos até mesmo de forma errônea. Todavia. Esse arcabouço será mantido pelas receitas originárias e. titulares da competência tributária. os quais conformam as limitações ao poder de tributar). PODER DE TRIBUTAR é prerrogativa de impor a tributação.: a imunidade de livros presta-se a maximizar a divulgação de idéias. dentre outras medidas. para formar o bolo. Dessa feita. é uma faculdade. em sua essência ontológica. Desta forma. o direito potestativo de tornar exigível a obrigação (adequado ao lançamento) e o direito subjetivo de crédito. principalmente. é extorsivo. propiciando uma vida digna. somente a chancela do constituinte poderia garantir-lhe legitimidade. E por que não há ADIn? Pela razão fática de que o Estado já onera o contribuinte por demais. aduzido materialmente por meio da tributação. a criação de tributos. O ato de tributação. somente aquelas pessoas que possuem Poder Legiferante (Congresso Nacional. Neste sentido. “caput”. O Estado. em uma atividade administrativa. havidos por meio das imunidades e dos princípios. à luz do art. 145. sob pena de renúncia de receita e. sabendo que não tem o todo. o legislador recebe do constituinte o poder de impor a tributação. que a gestão fiscal equilibrada pressupõe. Estados. pela atividade fiscal ou receitas derivadas (tributação). em seu art. para órgãos e para serviços respectivos (JERKINS apud DI PIETRO. Ex. garantir o mínimo de existência (de essencialidade) quanto aos direitos fundamentais deve ser a pauta do Estado (vida digna – mínimo essencial – garantia e efetivação dos direitos fundamentais – prestação de serviços públicos). 2006). COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA é o poder recebido do constituinte para servir ao custeio da máquina estatal. CF/88. detêm parte dele – para exercê-lo dentro dos limites de sua circunscrição e mediante determinadas condicionantes (imunidades e princípios. “caput”. deve prestar serviços públicos mínimos. a LC 101/00 (Lei de Responsabilidade Fiscal). de responsabilidade fiscal. Deve-se distinguir. conclui-se que o exercício da competência tributária é obrigatória. preceitua. O instrumento de criação do tributo é a lei. entretanto. direcionado aos entes políticos – que. E ela foi efetivada pela instituição do poder de tributar. Câmara Legislativa. 11. É exercido pelos entes políticos (União. de acordo com a capacidade contributiva isonômica: a cada um na medida de suas possibilidades. 145. CF/88.30 A estrutura do Estado é viabilizada mediante um preço. diz-se que padece de inconstitucionalidade. a qual pressupõe um custo para agentes. que surge depois da exigência. Assembléia Legislativa. O Estado de Direito enxerga na tributação a via pela qual ele efetiva suas funções. A coletividade deve contribuir. Com efeito. O poder de tributar. Considerando que o dispositivo legal está em choque com o art. LIMITAÇÃO AO PODER DE TRIBUTAR tem dois objetivos e se faz mediante dois instrumentos: proteção ao federalismo e aos direitos fundamentais. em conseqüência. de modo a permitir a consecução dos fins da própria gestão pública. com o intuito de estabelecer um equilíbrio nas contas públicas. “caput”. a divisão nacional do poder de tributar é a fatia de competência tributária relegada a cada um dos entes políticos. de interesse coletivo.

Ex. 159. Ex.5% do IR forma o Fundo de Participação dos Municípios (art. I. CF/88). 148. A CF/88 somente determina a competência tributária. todos os entes políticos (União. com o fim de efetivar a idéia da união federativa (art. CF/88). Neste diapasão. Ex. 25% do ICMS é destinado aos municípios do respectivo Estado arrecadador (art. é cediço postular que a Constituição. “c”. há normas exclusivamente federais. assim como é a imunidade de templos e religiões. 158. IX. “b”. 5º. Em contrapartida. 159. CF/88). É fato de que toda esta renda. CF/88). 159.: arts.: arts. “a”. A imunidade tributária é uma regra de não-incidência da competência tributária. aduzida e qualificada pela Constituição.31 (arts. porque se presta à liberdade de culto (art. o constituinte institui o mecanismo de repartição das receitas. Entretanto. e 220. CF/88. a União deve entregar parte de sua riqueza tributável aos Estados e aos Municípios. em si. e lei complementar excepcionalmente. Fazendo tais considerações. I. CF/88. mediante o comando autorizador dado pelo constituinte federal. para que os maiores entes políticos não fiquem com todas as rendas tributárias. REPARTIÇÃO DAS RECEITAS TRIBUTÁRIAS – decorre do ranço de valorizar majoritariamente o Poder Central. De forma suplementar ao poder de tributar. DF e Municípios). não cria tributos. em regra. concretamente. I. destinado às áreas geográficas menos desenvolvidas (Norte. existem as regulações do poder de tributar. Quem institui os tributos é a lei ordinária. por comando constitucional. regras a determinar como deve ser exercida a competência tributária. com o mesmo escopo federalista e valorizador dos direitos humanos. o exercício da competência é coercitivo. III. Todavia. O poder de tributar foi criado para garantir autonomia financeira à pessoa política. CF/88). simultaneamente.5% do IR forma o Fundo de Participação dos Estados (art. ou seja. O SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL possui dois enfoques: 1ª corrente – será nacional quando suas normas vinculam. 22. As Constituições estaduais e distrital e as leis orgânicas municipais também não criam as exações nem determinam competências. porque a exploração econômica do patrimônio público é prática na contramão da tendência moderna e pós-moderna. cuja receita deva ser repartida com outro ente político. Nordeste e CentroOeste). II. IV. CF/88). o constituinte colimou re-equilibrar a federação. 21. em qualquer esfera de Poder. se for o caso de tributo. 10% do IPI aos Estados. CF/88. § 6º. nas respectivas atividades de exportação de produtos industrializados (art. tendo como fim promover o federalismo e a proteção aos direitos fundamentais. VI. 159. . 3% do IR vai para programas de financiamento do setor produtivo. CF/88). À guisa dessas não-incidências. Estados. CF/88). 155 e 156. Também é nacional a norma que vincula determinada categoria de pessoa política. 158. XIV. 145 e 150. quando estas se aplicam exclusivamente à União. Ex.: metade do IPVA é destinado ao município onde foi emplacado o veículo (art. é produzida no município. 5º. IV. conferindo parte da receita auferida por uns entes a outros.: arts.

Compulsória – é a eliminação do elemento vontade. Forense. – por meio da expressão “cujo valor nela se possa exprimir” – uma forma de compatibilização com o art. p. A vontade não se vincula à formação da relação jurídicotributária (obrigação tributária). “b”. 50 STF. Segundo o art. CC). por exemplo. depreende ferrenha crítica à redação do art. Pecúnia é a moeda corrente (Real) ou o próprio cheque. 156 do CTN. Teoria Geral da Tributação CONCEITO DE TRIBUTO – etimologicamente. III. Tais formas de pagamento do tributo são usuais. ou seja. A captação da riqueza particular em favor do interesse público não pode depender da voluntariedade do contribuinte. diversa de multa. admitindo a dação de bens móveis como forma de extinção do crédito tributário. sob pena de inexistir a tributação. 7ª ed. não é permitida discricionariedade na prestação ou não do tributo. contrariando o impedimento sistêmico imposto pela CF/88. Informativo do STF n° 136. Trata-se de instituto oriundo do Direito Privado (art. uma lei que permitisse a dação por bens móveis ofenderia a exigência constitucional de licitação para a aquisição de mercadorias pela Administração (art. 162. consegue enxergar. 17). CC). 356 a 359. razão pela qual uma lei ordinária estadual. estaria impedida de versar sobre o tema49.. isto é.32 2ª corrente – é integralmente nacional. op. 146. por representar uma liberalidade. CTN). Tributo é prestação pecuniária compulsória. 37. Na esteira. protestando pela impossibilidade absoluta na prestação não pecuniária referente ao tributo. Prestação pecuniária48 – está ligada à idéia de riqueza. em que a ela é pressuposto de existência. Rio de Janeiro. I e II. Não se admite o tributo “in natura”. O CTN prevê a dação tão-só para bens imóveis. convivendo. 48 . etc. outros doutrinadores protestam no mesmo sentido. Quando uma norma da CF/88 dá competência tributária para um ente determinado político. de vantagem patrimonial. por outro lado. indicando a possibilidade de se entregar um bem distinto daquele anteriormente avençado. CTN. A tributação é um ato de agressão patrimonial obrigatório e coercitivo. 156. Amaro. a matéria em análise deve estar afeta à lei complementar. Nesse passo. na letra do art. Curso de Direito Tributário. tributo vem do latim “tributum”. 1993. CF/88. Ademais. com métodos antiquados de pagamento: vale postal. Ao sujeito passivo. CTN. XXI. a doação (art. aquilo que um Estado (ou tribo) devia a outro em decorrência de autêntica relação de vassalagem (FÜHRER e FÜHRER. 3º. XI. Em sentido totalmente oposto. p. CF/88)50. regulamentou a matéria de dação em pagamento de tributos por meio de bens móveis. cit. papel selado. A definição jurídica de tributo encontra-se no art. 3º. 538. na extinção das obrigações. 2001. estampilha. por exemplo. pago em moeda ou outro valor que possa nela ser exprimido. simultaneamente retira dos demais. A LC 104/01 inseriu o inciso XI no art. ao contrário dos demais negócios jurídico civis. 3º. CTN. ao prever uma nova causa extintiva do crédito tributário – a dação em pagamento. 19 a 21.. 49 A Lei 1624/97-DF. aquele pago com bens agrícolas. ADIn 1917-DF. CTN. consoante comentário a ser aduzido. poderia sugerir que o tributo decorrente do negócio jurídico não estaria Hugo de Brito Machado. (art. instituída por lei e cobrada por lançamento.

Pode. Nessa seara. para tutelar a coletividade. descentralizar a atividade. op. por taxas – também conhecido por preço tributário. Ledo engano. elas aproximam-se dos preços. há serviços públicos que não cabe ao Estado prestar. CF/88).) e aquelas decorrentes do poder de polícia. é chamado de tarifa ou preço privado. são compulsórias e têm sua cobrança condicionada à prévia autorização orçamentária. é lícito o lucro e a livre concorrência. Caso seja prestado por entidade da Administração Indireta (sociedade de economia mista ou empresa pública). mesmo que deles não se utilize.. pois somente alguns recebem o serviço “uti universi”. prestados diretamente por ele. cit. sem permitir o lucro (distribuição de dividendos) e a livre concorrência. com exceção da nomenclatura. o consumo do serviço também é compulsório por parte do administrado. eles serão de domínio público exclusivo do Estado. mas não se lhes equiparam. Ambos se submetem ao regime de Direito Privado. enquanto todos contribuem para ele. há três taxas que fogem à idéia geral de sua concepção: judiciárias. São exações atípicas. no qual fica patente que o preço público é a remuneração de um serviço público prestado indiretamente pelo Estado (por concessão ou por permissão). p. no máximo. do contrário. não se cogitando de sua submissão e inclusão no sistema tributário. Inexiste compulsoriedade. O primeiro é “remunerado” por meio de impostos e os segundos.33 abarcado pela regra da obrigatoriedade. porque estas. porque não serão remuneradas pelos usuários em potencial. para corrigir a imperfeição da arrecadação por impostos. de . diferentemente daqueles. água e esgoto. Nesse âmbito. I e § 1º. porque há opção na contratação (liberdade de contratar). por questão de interesse público da coletividade. 155. O teor do serviço prestado determinará o tipo de contraprestação. 51 Súmula 545 do STF: “Preços de serviços públicos e taxas não se confundem. A natureza do ajuste entre as partes é contratual. 52 O preço é a remuneração por qualquer serviço não tributário. O pagamento dessa então se deve à retributividade do custo do serviço prestado. A Súmula 545 do STF51 determina a diferenciação entre taxa e tarifa: a compulsoriedade. porque o fenômeno tributável é o ato em si e não seu caráter voluntário (“animus donandi”). as taxas são devidas desde que colocados os serviços à disposição do usuário. 116. não existindo outra opção. Nesse campo. pendendo facultatividade na contratação e na conseqüente remuneração (autonomia da vontade). incidirá o ITCMD (art. pode haver duas espécies: os serviços a título universal e singular. O constituinte preceituou que o Estado preste alguns serviços públicos de interesse público primário. Em tese. Ao revés. São conhecidas vulgarmente como “taxas de uso”. A contraprestação dessa espécie de serviço é tida por preço (não tributário). No entanto. As taxas podem ser de serviços propriamente ditos (coleta de lixo. em relação à lei que as instituiu”. também conhecida como tarifa52. enquanto preço privado. É o entendimento esposado por Cassone. Além disso. No diapasão. denomina-se preço público. mas tão-somente pelos efetivos. de preservação ecológica e de emissão de passaporte. Só há aquele meio de uso. Uma vez ocorrendo o negócio mencionado. é cediço recorrer ao Direito Administrativo para desigualá-las. Não há propriamente grande diferença entre os conceitos. Nesse sentido. de um serviço privado de livre concorrência. etc.

A LC 104/01 apôs o inciso XI ao art. não incidindo o “jus puniendi” estatal. quando por ele prestados. A doutrina mais tradicional afirmava que o tributo não se paga “in labore” nem “in natura”. 5º. Eventualmente. Moeda é a principal forma corrente de transmitir riqueza.). telefonia. continua Amaro (2006). Direito Público. O princípio do “non olet” pode ser vislumbrado nos exemplos da renda auferida por traficante54 e do IPTU com alíquota progressiva. mediante utilização efetiva ou potencial (água. CF/88). A ilicitude da conduta somente provocou a progressividade. em face do desrespeito às normas urbanísticas. pode também ser objeto de preço. A determinação de uma ou de outra saída reputa-se ao legislador. Min. Prestação de serviço e produtos não são formas corriqueiras de recebimento pelo fisco. necessita de LO para regulamentação. pois salvo melhor juízo. Não há pacificação doutrinária quanto ao tema.: quanto ao serviço funerário. sem qualquer outra espécie de remuneração. 2006. 54 Cf. o que diferencia a taxa e a tarifa é a natureza do serviço público prestado. 45) afirma que os serviços públicos inerentes ao Estado. nessa forma. gás. O fato que gera a obrigação tributária não é uma conduta contrária ao Estado de Direito. sendo fixado unicamente para custear um serviço. remunerando-o do custo envolvido e de uma parcela de lucro. O imposto tem por fato gerador a propriedade. etc. CTN.). Todavia. O primeiro se reverte inteiramente ao Estado prestador do serviço. hoje não mais usados. os serviços públicos divisíveis e singulares podem ser catalogados em 3 planos: os propriamente estatais. Para o eminente ministro. não acarretam ranhura ao interesse público. ao prever a dação em pagamento por bens imóveis (bem diverso de moeda) para extinção do crédito tributário. O Direito Administrativo distingue o preço público da tarifa (ou preço privado) sob alguns aspectos. mitigando essa construção. sua remuneração pode ser extraída de preço. pode ter parcela revertida ao Estado. rel. poder-se-ia advogar a natureza tributária. permitindo que o legislador ordinário pudesse receber crédito tributário de outra maneira que não moeda. Paga em moeda (regra) ou valor do qual se exprime (exceção) – tributo deve ser pago em dinheiro como regra. Como se trata de norma de eficácia limitada. 156. por aquilo que não utilizou (cartórios judiciais e emissão de passaporte). não autorizou a incidência da exação em si. em prol da comunidade. O valor que se pode exprimir é um conceito aberto. indelegáveis e passíveis de taxação. os não essenciais. Já o segundo se volta a concessionário. permissionário ou autorizatário de serviço público delegado.34 Em resumo. quando houver previsão no ato de delegação (contrato ou ato administrativo). p. Moreira Alves. no âmbito da competência tributária respectiva. REsp 167489-SP e RE 89876-RJ. Títulos da dívida pública. suficiente para atrair o afã do particular e manter a atualidade da prestação. segundo entendimento já firmado pelo Excelso Pretório53. XXIII. . A progressividade do IPTU visa preservar a função social da propriedade (art. não podendo o Estado cobrar por aquilo que não prestar ou o usuário. esgoto. não é serviço exclusivo de Estado. caso contrário. remoção de lixo. remunerados por taxa. permitindo a dação em pagamento para crédito tributário. é uma prestação “in natura”. a dação. De fato. os essenciais ao interesse público. Lapatza (apud AMARO. energia elétrica. Mas a LC 104/01 alterou bastante o CTN. é delegável à iniciativa privada. Diversa da multa – o tributo não é sanção por ato ilícito. Para justificar a existência do IPTU. etc. 53 Cf. outros entendem que há uma exceção ao seu conceito. sendo delegáveis e pagos por preços públicos (serviço postal. sepultamento. Ex. Essa já preexistia. nota de rodapé “4”. cheque e selo já foram algumas dessas formas. permite exploração de lucro. ao verificar conveniência da melhor escolha. podem incitar a remuneração por meio de taxa. porquanto não usados.

estipulado no art. CTN. 156. Essa é a finalidade política da dação. 150. Mas esses argumentos podem ser contestados. seria inconstitucional. porquanto opera discriminação aos iguais. somente parcela poderia efetivar o desejo. Somente alguns possuem imóveis. XI. Juridicamente. Com efeito. A norma do art. bens de categoria inferior. Dentro dessa realidade. XI. será de família. A LO que dessa forma dispusesse seria ilegal (art. se presta. Mas essa interpretação conforme a Constituição talvez ferisse os freios e contrapesos da divisão orgânica do poder. o pequeno devedor deveria ter a possibilidade de adimplir seus débitos com bens móveis. como está. permitindo resolver as questões na esfera administrativa. mesmo porque a maioria deles não possui bens de raiz ou se os tem. XI. o gênero REFIS engloba várias categorias. elemento proibido na ordem tributária nacional. como rol exemplificativo. a dação de bens móveis. Com efeito. “b”. equiparada àquela espécie. as leis que instituem esses programas geralmente condicionam sua concessão à desistência de demandas judiciais. a dação de bens imóveis é uma manobra ardilosa. 156. CF/88). seguindo a orientação de recuperação fiscal (REFIS) italiana. XXXV. em favor da inconstitucionalidade do art. Entretanto. reputando o art. o Brasil tentou implementar a mesma política. porque se presta a permitir que grandes devedores extingam seus créditos tributários sem desembolsar nenhum centavo. Dessa feita. somente a favorecer certa parcela das pessoas.35 A grande questão que se coloca é a possibilidade ou não de deferir dação para bens mobiliários. por colidir com o espírito Carta de 1988. por sua gramática. possibilitando o “sucateamento” do fisco. Aqui. Nesse passo. há formação de um privilégio. muito mais afeto à sua realidade. No mesmo sentido estão os pequenos empresários. por metonímia. III. conquanto se trata de opção do contribuinte. porque exorbita de sua competência regulamentadora. CF. Isso se deve ao fato de que os pequenos devedores do fisco não possuem dívidas de montante a justificar a dação de imóvel. essa espécie acabou sendo. 156. O imóvel a ser oferecido será o expurgo de grandes empresários. não permite que o fisco trate desigualmente pessoas iguais. Essa antítese pode ser solucionada pelos seguintes argumentos. havendo uma desigualdade aos iguais. 55 A ADIn 2405 versa sobre dação em pagamento na extinção de crédito tributário. 156. XI. O mecanismo visou movimentar a máquina estatal para cobrar dívidas tributárias com o menor esforço. dentre elas o parcelamento. 146. De todos aqueles que possuem “animus solvendi”.Lesão à isonomia – o princípio. II. a jurisprudência pacífica os considera legítimos. CTN) e inconstitucional (art. Esse dispositivo. 5º. CTN55: . muito pela pretensa inafastabilidade do Judiciário (art. pela necessidade de eficácia da norma. Apesar dos contribuintes se debaterem sobre a constitucionalidade dessa disposição. . CTN. CF/88). surge uma brecha a legitimar.

I a IV. 156. CTN. CTN). não urge a interpretação restritiva do art. o art.) e às extremas exceções (dispensa de obrigação acessória. por exemplo). Esse mecanismo favoreceria a economicidade. Em tese. permite a compensação. 156. a hermenêutica restritiva não pode ter vez. O art. Mas a interpretação restritiva deve se ater à concessão de liberalidades (isenções. 170. XI. permite a dação de imóveis. permite o precatório como forma de crédito líquido.c. I a XI. obrigando-se passar por esses antes de um imóvel (art. não se permitindo sua exegese restritiva. CTN – exige a interpretação estrita em matéria de exclusão e de suspensão de crédito tributário. Por que chegar a ponto da cobrança judicial se o entrave pode ser resolvido no momento préprocessual. . etc. afinal há coincidência de afã com o interesse público. Na mesma esteira. viola os princípios da razoabilidade. deve ter o desejo atendido. poderia haver a compensação da forma descrita. a lei deve viabilizar a intenção. 11. ao definir as modalidades de extinção do crédito tributário. “caput”. em interpretação literal. na seara administrativa. ao descrever a compensação do crédito tributário. CTN. administrativo? Se o devedor pudesse adimplir antes da execução fiscal com seus móveis. poderia pagar com seus bens móveis. em seu inciso II. 156. O intérprete não tem o direito de colocar restrições onde o legislador não fez. porquanto. Afora esses dois casos. a hermêutica extensiva é a melhor solução ao intérprete. A função do operador do Direito é buscar essa verdadeira “mens legis”. . pacificando a relação jurídico-tributária e conferindo segurança à sociedade e ao particular.Interpretação sistemática do CTN com a LEF – o art. I a XI. CTN. lesando a razoabilidade. mas não proibiu a dação de móveis. CC. como tal. Com efeito. portanto. Dessa feita. CTN. somente depois do processo judicial devido.Segurança jurídica – a extinção da relação jurídica tributária é o grande fim colimado pela lei. LEF). o dispositivo em tela não proibiu a interpretação extensiva de norma de extinção de crédito tributário. A LEF permite a penhora sobre bens móveis. c. anistias. O devedor quer pagar e. O texto do art.Art. CTN. O legislador não tem a capacidade de exprimir toda sua vontade simplesmente pela letra da lei. no seu art. 156. haveria um contra-senso na extinção do crédito tributário.36 . gênero da dação em pagamento. No ponto. Para solver o problema. porquanto a execução fiscal poderia não atingir outros bens (incerteza). 111. XI. Ainda nessa seara. Se o legislador determinou a prevalência na penhora de móveis antes de imóveis. art. evitaria o movimento da máquina Judiciária. 156. 368 a 380. estaria em flagrante afronta à realidade. XI. I a III. CTN. discutiu-se o pagamento do tributo por meio de compensação com precatórios. certo. O fisco não aceitar o bem móvel certo. ainda que não exigível . 110. da economicidade e da operabilidade. O conceito de compensação se aduz da lei civil (arts.

HC 56. 13/9/2007. somente médios e grandes empresários possuem montante de dívidas tributárias a justificar a compensação. rel. 100. Lei 9249/95. Mas existem alguns entraves à operabilidade desse mecanismo. para possibilitar a compensação com seus débitos fiscais. Nesse sentido.1999. delitos de sonegação fiscal e contra a ordem tributária. 1ª. No ponto. mormente. por conseguinte. Informativo do STJ n° 331. o STJ tem dado interpretação analógica à extinção da punibilidade pelo pagamento ao delito de descaminho e aos previdenciários. Min. Moreira Alves. rel. 9º.829-PR. DJU 29/4/2005. 26/6/2007. T.144-PR. § 2º. Certamente. CF/88. Min. 23.37 (parcelas vincendas ou vencidas). Maria Thereza de Assis Moura. 34. j. 1ª T.611-DF. 15. e 78. a fim de possibilitar cessão de crédito ao seu patrimônio e. perfaz-se a prescrição do delito correspondente. Min. “caput”. Lei 10684/03). j. HC 81611/SP.805-SP.799-SP. porque haveria 56 Os arts. REsp 747. A maioria da população deve ao fisco um crédito tributário de pequena monta. ADCT. Via de regra. em que pese a previsão da Lei 10684/03 silenciar sobre eles (HC 48. Lei 9964/00. Concluindo. Arnaldo Esteves Lima. e 15. o rel. 10. precatório exprime dívidas de grande valor. AgRg no REsp 762. STJ. No mesmo sentido. RT 770/492). CTN. e os arts. Esse expediente foi bastante corroborado com a possibilidade de não incidência da lei penal nos crimes tributários (Lei 4729/65 e 8137/90). O STF tem bastante complacência com essa sistemática. HC 77. os grandes grupos econômicos fazem “lobby” para o não pagamento do precatório. DJU 20/5/2005. Min. “caput”. realizar a compensação. erigindo um paradoxo. desde que haja pagamento do tributo antes do recebimento da denúncia (arts. Min. j. . Ocorre que a jurisprudência pacífica entende que os crimes tributários são materiais. a jurisprudência pacífica se posiciona no sentido de que a constituição do crédito tributário definitivamente efetivada é condição objetiva de punibilidade por delito fiscal (STF.. como ocultação de faturamento da empresa. rel. Min. Lei 10684/03. A despersonalização do precatório reside exatamente nesse ponto.986-MS.. 14. dada situação simples. previam que a extinção da punibilidade somente se daria se o pagamento fosse feito antes da denúncia. 288. a qualquer tempo. essas empresas geralmente não possuem precatórios para com o Estado. HC 84. No entanto. O comando autoriza a extinção da punibilidade. DJU 1º/2/2006. pelo pagamento. Na esteira. § 3º. constantes do CP. a facilitar a elisão tributária de grandes pessoas jurídicas ao mesmo tempo em que flanqueia ao Estado a lesão de direitos fundamentais. Atualmente. econômica e relações de consumo56. o termo inicial da prescrição penal será o da correspondente decisão administrativa definitiva (STF. 34. j. § 3º. rel. DJU 13/3/2006. na ADIn-MC 2099. Não há decisão sobre o assunto dentro do próprio Supremo.12. DJU 16/4/2007. revogou as disposições anteriores por dispor de forma diferente. porquanto aqueles grandes empresários adquirem os direitos creditícios por valores bastante inferiores ao nominal.8. Informativo do STJ n° 325). os quais só se concretizam pelo ato de lançamento do débito co-respectivo57. no HC 84223/RS. não erigindo termo final para tal.2003). está-se em discussão a possibilidade de configuração ou não de crime de quadrilha (art. “caput”. Informativo do STF n° 476. Lei 9964/00 e 9º. de modo a favorecer. Lei 9249/95. desde que haja uma lei ordinária a regulamentar a compensação. 57 STF. Se a prescrição qüinqüenal já atingiu a pretensão do fisco em exigir judicialmente o débito ou a decadência fulminou o direito postestativo de realizar o lançamento. Sepúlveda Pertence. j. a compensação é uma modalidade de extinção do crédito tributário que visa tão-somente à perpetuação desse sistema censitário. porquanto jamais recomporá os danos de terceiros.. 5ª T.262-DF. seguindo os ditames do art. Eros Grau.6.2007. HC 81. RO em HC 77258-2. Destarte. Marco Aurélio Mello denegou a compensação. 170. Ganham os empresários – que sonegaram deliberadamente – e ganha o Estado – que percebe seu tributo e não precisa adimplir seus compromissos indenizatórios. O art. CP) nos delitos fiscais. rel.

seriam ultrapassadas pelo mecanismo. Não quer dizer que a LC vá criar o tributo. VII. LC só será exigida para a instituição de tributos residuais. em um autêntico mandato sem reserva de poderes. Dessa forma. CF/88). é o “norte” que deve seguir o agente político. justiça (igualdade) e segurança jurídica (fraternidade ou solidariedade). porque a expressão “nos termos de lei complementar” se refere à regência de todos os impostos do art. Trazendo o raciocínio para o Direito 58 STJ. Instituída por lei – há quatro tributos que necessitam LC: empréstimo compulsório. a EC 30/00 permitiu expressamente a compensação de créditos tributários. Apesar de razoável a explicação. diversos daqueles já previstos na Carta. 113. por questão de urgência (art. Sobre esse último (art. a irretroatividade e a transparência são sucedâneos da legalidade. cujos representantes eleitos manifestam a vontade popular.38 lesão à ordem cronológica de pagamento dos precatórios. O respeito à vontade popular. há controvérsia doutrinária. § 1º. é evitar que empréstimo compulsório seja instituído por MP. as dívidas de pequeno porte. Inobstante tal colocação. a legitimidade do ato democrático se consubstancia pela democracia representativa. CTN. mas sim que deve ela definir “grande fortuna” (CARRAZZA. com exceção do empréstimo compulsório. É justamente a última que será protegida pela legalidade. O princípio da legalidade visa proteger um valor básico: dar limite ao exercício de competência. a anterioridade. A Constituição não diz que deve ser instituído por LC. é a tradução da atividade desse mandatário. o STF passa a perfilhar a disposição do constituinte. EREsp 760290. Com relação a esta. Ademais. e 139. 100. Quem instituirá o imposto seria a LO. ao interesse público. II. No tocante à legitimidade. por conseguinte. incompatível com a previsão de LC. CTN.. fazendo cair por terra o argumento supra citado. CTN)58. . 153. contribuições de seguridade residuais e imposto sobre grandes fortunas (IGF). amplitude e aplicabilidade de suas disposições (CANOTILHO. Não é a volição própria do administrador que deve imperar. I. 1ª Seç. o administrador é eleito do povo. CTN). na ADIn 2851. porque colima a lealdade e refuta o abuso de direito. 153. A finalidade do art. A lei. segundo colocação do constituinte. 1991). para o povo e pelo povo. “caput”. 148. meio pelo qual o povo empresta ao Estado publicidade. lembra-se que o STJ tem admitido compensação de multas moratórias pagas indevidamente com tributos. legítimos detentores dos direitos neles exprimidos. inclusive as alimentícias. 1993). CF/88). porque ambos são causas subjacentes do mesmo crédito tributário (art. em flagrante afronta ao comando do constituinte (art. A segurança jurídica se desmembra nas vertentes legitimidade e não surpresa. Por fim. o emérito ministro ainda argumentou no sentido de lesão aos interesses dos sujeitos ativos dos precatórios. impostos residuais. No entanto. Dessa forma. 148. a seguir o comando alterado e existente na própria Constituição. de modo a tutelar um dentre três elementos basilares – liberdade. Ele gere a coletividade em favor dela própria. trata-se de posição minoritária.

“caput”. Essa assertiva diz respeito à sanção disciplinar no âmbito do estatuto. consiga-se perfazer a justiça distributiva e manter o estado de bem-estar do povo. Para essa última conduta. em sentido contrário. o tributo. 2006). Improbidade é um ato híbrido. representado pela efetivação dos direitos fundamentais através da prestação de serviços públicos.Obrigatoriedade – não existe discricionariedade permeando o procedimento administrativo. A autoridade fiscal é obrigada a realizar o lançamento. mesmo não se tratando de Direito Penal (STJ). “caput”. . A culpa só pode se ater às duas primeiras condutas (auferir vantagem ou causar prejuízo). Cobrada por lançamento – é a atividade administrativa plenamente vinculada. devendo ser prevista pelo legislador. O tributo é uma forma de ingresso público (valor positivo ao erário) derivado. Em suma. CTN. 9º. § 1º. O procedimento vinculado se rende a duas idéias: . pois a culpa não a caracteriza (DI PIETRO. NATUREZA JURÍDICA DOS TRIBUTOS – natureza jurídica é a qualidade essencial do instituto. Os desrespeito a esses dois postulados pode levar a conseqüências para o agente. Lei 8429/92). receita da espécie derivada (arts. causar prejuízo ou violar princípio da administração pública (art. O art. FUNÇÃO DOS TRIBUTOS – em que pese haver tributos não vinculados – impostos –. referida no art. para que. Qualquer conteúdo patrimonial 59 Cf. é a manifestação democrática do povo. Essa tarefa só é possível quando são alocados os meios necessários. 3º. instituído legalmente. e 11. a função do Estado é manter o nível mínimo de dignidade da pessoa humana. sendo enquadrado como ato de improbidade administrativa. o legislador qualificou o tributo como entrada definitiva. 11. é necessário que haja dolo. O ato de improbidade pode se ater a três condutas: auferir vantagem. por uma questão de segurança jurídica. isto é. CTN. afirmando que o crédito surge na ocorrência do fato gerador. define o lançamento. Paulo de Barros Carvalho. custear a máquina estatal. sob a óptica do Direito. Seu parágrafo único prevê como conseqüência pelo descumprimento a responsabilidade funcional (administrativa). Essa não pode ser presumida. .39 Tributário. A Lei 8429/92 regula exatamente o reflexo. Lei 4320/64). O CTN perfilha a teoria de que o crédito é constituído pelo lançamento59. não alcançando a seara penal. todas as exações prestam-se a. de conseqüência administrativa e cível. Em comentários abaixo. direta ou indiretamente. essa idéia será mais bem delineada.Nos termos da legislação – não é dado ao agente a prerrogativa de escolher o modo de fazer. Entendendo essa colocação. Deve fazê-lo de acordo com a norma. A atividade de cobrança de tributo é o próprio lançamento. 142. por meio dos serviços públicos. Nas palavras de Carlos Ayres Brito. os quais são consubstanciados pela parcela da riqueza de cada qual para o bem comum. a grande finalidade da tributação é arrecadar.

na segunda. 4º. Ex. taxas. haveria uma controvérsia para com o art. o legislador flanqueia a bi-tributação (“bis in idem”) – um fato gerador produzindo dois tributos. É o caso. Porém. por exemplo.: IPI e ICMS. cada tributo é identificado por sua hipótese de incidência. Na essência. A destinação dada ao imposto ou à contribuição é irrelevante para determinar a espécie tributária em análise. tributo é empréstimo compulsório (ingresso temporário. I. O que os faz diferir é justamente sua destinação. Repercussão tributária. Já o valor auferido pela contribuição tem destino certo. diverso daquele que detém relação jurídico-tributária direta para com o fisco. CTN. aos indiretos. O fisco desconhece tal relacionamento privado (art. porquanto cobrará o . É o caso dos impostos. 123. Contudo. Alguns tributos permitem que o próprio contribuinte pague. Como regra. Excepcionalmente. mesmo que ambos não estejam vinculados a uma prestação estatal específica de sua parte. Por não ser ingresso definitivo. 154. são receitas derivadas (ingressos definitivos. refere-se aos tributos diretos. Em regra. Nesses últimos. Ex. O imposto é uma receita totalmente desvinculada. Em outros. II. Nesse passo. não deve esse último ser qualificado como “receita”. Lei 4320/64. outras exações diretas podem comportar repercussão tributária. Na primeira situação. mesmo não sendo receita. CTN). Observe o seguinte esquema: CLASSIFICAÇÕES DOS TRIBUTOS – duas classificações são mais importantes: tributos diretos e indiretos e impostos reais e pessoais. CTN). restituível). II. vide expressa previsão legal no art. Aparentemente. os empréstimos compulsórios preservam seu caráter de ingressos públicos derivados. Ex. 4º. 4º. o ônus do recolhimento da exação se defere a um terceiro (substituto tributário).40 entregue ao Estado pode ser considerado ingresso ou entrada. contribuições de melhoria e especiais. o que determina a natureza específica do tributo é o fato gerador (art 4º. apesar de não sê-lo na sua natureza. contribuinte de fato (contribuinte de “facto”). não podem ser imiscuídos os conceitos de impostos e de contribuições especiais. não restituíveis). isto é. II. Dessa forma. Todo tributo tem por natureza jurídica ser um ingresso público derivado.: o IEF pode conter fato imponível igual àquele previsto para outra exação (art. do pagamento de IPTU por parte do locatário. Também não importa a destinação da receita gerada para definir o tributo (art. a espécie tributária é determinada pelo fato gerador. CF/88). CTN). Mas o “nomen juris” e a forma de cobrança do tributo são irrelevantes para determinar a exação (art. já que na acepção técnica da expressão estas designam apenas os valores que entram em caráter permanente. o verdadeiro devedor repassa a carga tributária ao consumidor final. Entretanto. CTN). Excepcionalmente. portanto. é o fenômeno no qual o contribuinte legal ou de direito (contribuinte de “jure”) consegue repassar a carga tributária a uma terceira pessoa. não há de se confundir a natureza jurídica do tributo com a determinação da espécie tributária. somente o IPI e o ICMS são indiretos. “caput”.: IR. 9º. agindo o administrador com discricionariedade (princípio da não-afetação das receitas). assumindo um viés de tributo indireto.

A maneira como essa riqueza é espelhada determinará a classificação do imposto em pessoal ou real. DJU 12/12/2005. a alíquota incide diretamente sobre ela. a “res”. II. as empresas sempre solicitam a compensação.. a qual será negada pelo fisco. fazendo com que o comprador arque com a carga tributária. Informativo do STJ n° 332. REsp 449. REsp 757. que implicam em prestação estatal. No entanto. CTN)62. Lei 9430/96. está-se diante de um imposto real. Todavia. Na mesma esteira. o fisco negar-lhe-á. 2ª T. Na venda dos artigos. rel. a base de cálculo é a renda. 62 STJ. § 12. 170-A.304-PR. ao contrário dos demais tributos. uma vez que ele não suportou de fato a carga tributária (enriquecimento sem causa). Informativo do STJ n° 332.203-RS. rel. CTN. ICMS). dada a disposição do art. a coisa. REsp 653. O sujeito passivo tem condição de suportar o gravame. sem exceção. lembrar que a compensação de plano para com créditos de terceiros não é permitida.. Por décadas. 74. AgRg no REsp 673. Na prática.441-SC. ele repassará tais valores. O contrário representa o imposto real. enquanto no real. mormente se houve impossibilidade de fazê-lo antes60. STJ. De fato. a qual foi ratificada pela súmula posterior. esse acabará pagando o tributo. impetra-se mandado de segurança. O fisco cobrará do locador e esse. PIS/COFINS-Importação.909-BA. REsp 962. para furtar-se ao mecanismo. O contribuinte de direito solicita restituição. Denise Arruda. apesar de emprestar natureza jurídica de condição da ação de repetição de indébito ao art. DJU 14/6/2006. ela é atingida diretamente. j. se o contribuinte de fato tentar fazer restituir o montante. Complementando. em suas Súmulas 71 e 546 (já mencionadas). a art. com redação pela Lei 11051/0463. seja invocado61. nesse ponto. 2ª T. admite que a justifica seja apresentada posteriormente ao ajuizamento da demanda..203-RS. por ser praticamente impossível sua ocorrência.. Eliana Calmon. 22. Min. 166. caso a riqueza demonstrada seja o patrimônio.553-MG. rel. 166. além da prova de ter suportado o encargo tributário. 20/9/2007. nos casos supra. Lei 9245/90 (Lei do Inquilinato) permite essa transferência. 20/9/2007. em ação regressiva. No entanto. Todo imposto. O maior exemplo dessa categoria é o IR. 1ª T.41 imposto do titular do imóvel. Castro Meira. indiretamente. Informativo do STJ n° 332. rel. j. É o entendimento esposado pelo STF. Min. A demonstração objetiva de riqueza por parte do contribuinte dá ao fisco o direito de presumir que tem capacidade de contribuir. Min. 14/8/2007. no imposto pessoal. Dessarte. STJ. Em tese. é necessário que haja pagamento indevido para que o art. seja feito a mais. Min. o importador paga vários tributos na sua atividade (II. j. o Excelso Pretório manteve a posição (Súmula 71). REsp 757. “a”. O STJ. 2ª T. CTN. O primeiro implica na pessoalidade do contribuinte. a qual só poderá ser materialmente aplicada quando a demanda judicial transitar em julgado nesse sentido (art. atinge a renda. CTN. Mas vamos supor que o recolhimento do tributo. j. Informativo do STJ n° 327. 166. 61 60 . Cediço. exigirá o valor do locatário. a restituição mediante autorização pelo contribuinte de fato. Da denegatória. incidindo diretamente sobre a renda auferida. como bem dispõe a própria letra normativa. esse entendimento leva à iniqüidade de restituição para tributos indiretos ou indiretos por equiparação. Eliana Calmon. porque não é titular direto de relação tributária com ele. 63 STJ. 20/9/2007. O dispositivo permite. No mesmo sentido é a redação do art. Todo imposto tem como fato gerador a conduta praticada pelo sujeito passivo e sugestiva de riqueza. No imposto pessoal.

. CF/88)64.Contribuição sindical (antigo imposto sindical). j.42 É possível classificar os tributos segundo o seguinte esquema: 1. REsp 705. De intervenção no domínio econômico CIDE-combunstíveis.FGTS. DJU 11/4/2005. Contudo.Previdenciárias: Do empregado sobre folha de salários e equiparados. OAB – com a ressalva feita pelo STF na ADIn 3026/DF). Para iluminação pública (art.CONDECINE (MP 2228-1/01). anterioridade e irretroatividade. . O fisco sempre deteve um afã para invadir o patrimônio do contribuinte. ao estabelecer que a CIP pudesse ser instituída mediante lei ordinária. Para seguridade social “lato sensu”: . CF/88). 65 Contribuição de empresa prestação de serviço para o Sistema “S” é devida. Para profissões regulamentadas (CFM. a norma que instituiu a CIP é ordinária e não complementar. 8/8/2007. Tratando-se de imposto novo. A CIP não se enquadra nas cinco espécies de tributos. CREFITO. 1ª Seç. Informativo do STJ n° 326. o governo fez aprovar a citada EC.502-RS. Min.. No entanto. ATP. I. 64 A EC 39/02 trouxe à tona a contribuição de iluminação pública (CIP). no sentido de custear a resolução de entraves do sistema elétrico do país. STJ. Sociais “lato sensu” Sociais “stricto sensu” . o que fere o princípio da legalidade. Cf. à luz do art. o constituinte flagrantemente contra os próprios princípios da Carta Magna de 1988. CIDE-remessas para o exterior. REsp 719. c. não sobre serviço de caráter geral. REsp 446. . a CIP é um imposto e não uma contribuição.347-SC. 4º. DJU 25/11/2002. d. Para "corrigir" tal problema. CTN.Salário-educação. CFO. previstas no ordenamento doméstico. . CFP. deve surgir mediante a edição de lei complementar. Outras Contribuições (ou contribuições especiais): a.Para o Sistema “S”65. RESp 431. “caput”. Contribuições de Melhoria 4. Eliana Calmon. . A modalidade de tributo chamada de taxa só pode incidir sobre serviço público individualizado. b.Diretoria de Portos e Costa da Marinha (DPC). os quais não foram gerados pelo particular. 154.Para o INCRA (antigo FUNRURAL).146-RS. conquanto também residual (art.Fundo Aeroviário (FA). DJU 21/3/2005. AFRMM. . . segundo diz a jurisprudência. IAA. rel. Empréstimos Compulsórios 5. REsp 895. Impostos 2. Trata-se de um ente anômalo.924-RJ. DJU 2/5/2005. Os tributos devem obedecer a três ditames – legalidade. Do empregado. Taxas 3. . 149-A. Para alguns.878-SP.

a incidir sobre a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços. com a finalidade de preservar a 66 O Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL) foi instituído pelo DL 1940/82.43 Do estatutário para o RPPS (art. DL 1940/82. foi basicamente alterada a alíquota e a destinação da exação. revelando a parcela do poder pleno constitucionalmente designado para cada ente. sob pena de autodestruição. COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA – trata da distribuição do poder de tributar. o poder de tributar. caracterizando pela competência tributária. A competência não foi determinada aleatoriamente.. É formado por contribuição específica. segundo lembra Chimenti. . CF/88). Cada fatia do bolo tributário é determinado pela Constituição de 1988. SAT. determinando “quantum” dever-se-ia despender para manter a máquina administrativa e para levar a cabo os objetivos colimados por cada uma das pessoas da federação. é repartido entre tais pessoas para evitar a balbúrdia. os quais são tangenciados pelos princípios e pelas imunidades. CONFINS-empresa. Nas palavras do art. 149. Sua base de cálculo inclui o ICMS. punitivo. mas segundo critérios técnicos e jurídicos. polícia.. I. “caput”. PIS-importador.). auferida por empresas públicas e privadas. destinado ao Estado brasileiro e instituído pela Carta de 1988. educação. 195. CONFINS-importador. etc. § 1º. suas necessidades e suas competências legislativas e executivas (arts. FINSOCIAL66. Levou em conta uma análise histórica da realidade concreta de cada um dos entes federados. deve ser sempre limitado. CF/88). Características da competência tributária – podem ser arroladas três: . saúde.Limitabilidade – todo poder. PIS-empresa. incluindo a competência. Estados. CSLL-importador.Para seguridade social “stricto sensu”: CSLL-empresa (cuja base de cálculo e fato gerador são idênticos ao IRPJ). Nesse sentido. sendo ratificado pela LC 70/91. CF/88). segundo menciona a Súmula 94 do STJ: “A parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo do FINSOCIAL”. assim como outros poderes soberanos (jurisdição. op. o FINSOCIAL destinava-se a “custear investimentos de caráter assistencial em alimentação. O poder de tributar e sua competência não são exceções. e amparo ao pequeno agricultor”. cit. . Entretanto. É uma manifestação da SOBERANIA. Contribuição sobre receitas de prognósticos. DF e Municípios. habitação popular. a federação brasileira é formada por quatro entes independentes e harmônicos: União. Diferenciação entre poder de tributar e competência tributária – o poder de tributar é pleno e genérico. p. Com a LC 70/91. 22 e ss. 1º. 53. CPMF. exceto aqueles destinados ao exterior. a qual constitui uma das fontes de custeio da seguridade social como um todo (art.

mas o faculta. 150. Além do mecanismo da vedação. O “modus operandi” de instituição do tributo é guiado “ex vi” dos princípios tributários constitucionais. . Esquematizando: RIGIDEZ DA TITULARIDADE Irrejeitabilidade Irrenunciabilidade Indelegabilidade Exclusividade FLEXIBILIDADE DO EXERCÍCIO Incaducabilidade Facultatividade - Crítica à facultatividade no exercício da competência tributária – a maioria da doutrina reputa por não obrigatório o exercício da competência tributária (parcela do poder tributário). Mas Carrazza (1991) protesta em sentido contrário. VI. .: não incidência constitucionalmente qualificada (imunidade) de impostos sobre templos (art. seu exercício é facultativo pelo ente legitimado (art. o constituinte estabeleceu uma segunda maneira de estabelecer a limitação: a regulação de incidência. Ex. Os limites são estabelecidos por intermédio de algumas formas: a proibição é uma delas. mesmo que seja um terceiro a título temporário (indelegabilidade). um titular não pode tomar o tributo de outro para si. CF/88).Rigidez da titularidade – distribuída a competência pelo legislador constitucional. .Flexibilidade do exercício – apesar da titularidade ser imutável. construindo uma argumentação à parte: . porque a Constituição não impõe. A competência foi distribuída ao ente federado e não lhe cabe rejeitá-lo (irrejeitabilidade). Em verdade. CF/88). A decadência da competência tributária não se opera. mesmo que a competência tributária. não podendo o titular abdicar do tributo lhe deferido.Quanto às taxas. “caput”. Além disso. é irrenunciável. A titularidade da competência tributária (de instituir tributo) também não pode ser emprestada a um outro titular. por ter a finalidade de corrigir o desequilíbrio dos impostos e de estabelecer a justiça distributiva. no seu exercício. Da mesma maneira. o autor afirma que o legislador não tem a facultatividade. não tenha ainda sido efetivada pelo titular constitucionalmente estipulado (exclusividade). O direito potestativo de instituir o tributo – desde que constitucionalmente previsto para certo titular – nunca se perecerá pelo não exercício no tempo. a indelegabilidade é espécie da irrenunciabilidade. não há de se alterá-la por mera medida legislativa.44 estrutura federativa e proteger as liberdades essenciais humanas. “b”. O titular não está obrigado a criar a exação tal qual está previsto na Constituição e na LC regulamentadora. 145.

IE. a autonomia do titular do tributo não poderia ser entendida como facultativa. 14. Atributos formadores da competência – capacidade instituidora. Entretanto. Para estabelecer tais estipulações. porque toda renúncia de receita deve ser justificada pelo administrador69. a instituição do tributo não vinculado se liga especialmente à capacidade legislativa e administrativa estabelecida na própria Constituição (arts. § 3º. I e II. Mas a inviabilidade da contribuição de melhoria quase que coloca o argumento à margem da discussão doutrinária. ao estipular cada uma das suas treze espécies. LC 101/00).Na contribuição de melhoria. legislativa. IPI e IOF) nem no cancelamento de débitos cujo valor de cobrança seja maior que o montante da dívida (art. . bem como subsídio. essas condicionantes não se aplicam na mudança de alíquota de tributos extrafiscais (II. I e II. deverá ser reduzido. Diversos princípios constitucionais sacrificam o modo de instituição e cobrança da mencionada exação. 21 e ss. Aliás. propiciando a suficiência das riquezas para o titular. Nesse passo. LC 101/00). previsão na LDO. o legislador ordinário deve observar todos os tipos conferidos. O que os fará diferenciar-se é o tratamento jurídico conferido. isenção. arrecadatória. CF/88). demonstrando que a não incidência legal vai render frutos para o ente federado competente (art. Se um imposto estiver com base de cálculo e/ou alíquota muito altos. fazendo um encaixe entre a atividade a ser prestada (serviço público) e os meios a serem empregados (tributos).45 . 11. fiscalizadora. remissão e anistia. As palavras competência e capacidade possuem a mesma acepção etimológica. consonância com o anexo de metas fiscais e com a estimativa de receitas ou implementação de medidas de compensação (art. fez uma estimativa estrita das receitas derivadas para manter a máquina administrativa do ente federativo. incidiria também a obrigatoriedade. porque alguns que tiveram seus imóveis valorizados e devem retornar sua parcela de riqueza acrescida ao erário67. A renúncia de receita pressupõe: estimativa de impacto no exercício financeiro aplicado e nos dois seguintes. mas o modo de fazê-lo pode ser68. 67 . op. É válido o argumento ao menos na seara teórica. Carrazza (1991) respalda legalmente suas assertivas na Lei de Responsabilidade Fiscal (art. Dessa forma. 14. na tarefa do exercício da competência tributária. “caput”. 68 Segundo Carraza. para evitar o enriquecimento sem causa. Delegação ordinária de capacidade tributária de fiscalização e arrecadação (limites estritos). cit.. bem como para atingir metas razoáveis de gestão. “caput”. crédito presumido e benefício fiscal devem seguir uma fundamentação contábil. 14. a obrigatoriedade se manifesta de modo mais arraigado. LC 101/00). O atípico fenômeno da parafiscalidade (capacidade tributária ativa somada à deferência para administrar tributos). porque há um contra-senso entre a possibilidade de conferir melhor dignidade ao administrado e a não instituição da exação (renúncia de receita)..“Capacidade tributária” como atributo formador da competência (delegabilidade X indelegabilidade). 69 A doutrina majoritária entende que o referido dispositivo é sugestivo. Instituir o imposto não é injusto. a. de modo a distribuir parcela de riqueza entre cada um deles. observando um equilíbrio para com os outros. mas não obrigatório ao legislador. adaptando os serviços públicos e os respectivos tributos distribuídos. “caput” e §§. O constituinte. LC 101/00).Para os impostos. o legislador observou histórica e concretamente a realidade de cada ente federado.

fiscalizar e arrecadar. Ele atua em nome do . bastando mera lei em sentido estrito. etc.“Capacidade tributária” com prerrogativa de ser sujeito na relação tributária (material e processual. as duas primeiras (instituir e legislar sobre o tributo) não são delegáveis – por questão de legitimidade –. Estados. No entanto. § 4º. Para um ente não-político – ente não-político é qualquer pessoa diferente da União. em que pese não haver necessidade de tal disposição na Carta Política. gozam de suas receitas e administram seus valores. capacidade tributária ativa é o dever-poder de arrecadar tributos e ficar com o produto da arrecadação. inicialmente alheio à relação tributária.). A competência tributária é indelegável. são conferidos determinadas aptidões para o exercício dessa competência: instituir. Capacidade tributária X capacidade civil. legislar. sendo que este não pode subdelegar nem legislar sobre o tributo (conceder remissão. 153. Aquele que delega não fica com as receitas. ARRECADAR. sob pena de renúncia de receita e má gestão fiscal. não podendo realizar nenhuma outra tarefa além dessa. O art. Já a capacidade tributária ativa é passível de delegação. desde constitua tarefa não essencial e inerente ao Estado. prevê um caso da possibilidade da União delegar a capacidade tributária ativa do ITR para os municípios. a titularidade plena da competência é estabelecida pelo constituinte. mas as duas seguintes (fiscalizar e arrecadar a exação) podem sê-las. denominadas capacidades delegáveis. conferindo-lhes capacidade tributária ativa (recolhem o tributo. CF/88 (EC 42/03). podendo inclusive defender seus créditos). A doutrina majoritária. DF e Municípios. b. O delegatário ordinário realiza a faina em nome do Leviatã. isenção. podem ser repassadas a um ente terceiro. é obrigatório ao Estado. Nessas quatro prerrogativas. anistia.46 Partindo desse raciocínio.: lotérica que recebe o pagamento do IPTU. Esta delegação é efetivada por LEI. A capacidade tributária ativa é inerente à competência tributária. Ex. Essas últimas ações. Desta feita. porquanto o delegatário parafiscal passa a ser o possuidor delas. portanto. Tratando-se de lei ordinária. dependendo do ente político que a possui originariamente. Há duas possibilidades para a delegação: Para outro ente político. porquanto está taxativamente prevista na Constituição. somente recolhendo o tributo (não pode executar e administrar os valores auferidos). pode ser delegada por medida provisória. para justificar essa última. essa delegação é realizada no âmbito de limites mínimos do poder de polícia. ativa e passiva). sempre possui capacidade tributária ativa. Quem tem competência tributária. Uma vez realizada a distribuição do poder de tributar. III. porque o tributo é bem público indisponível. dela fazendo parte. da mesma espécie que instituiu o tributo. A delegação ordinária de capacidade não pode ser confundida com a parafiscalidade. entende que o Estado faz uma delegação atípica para as entidades parafiscais de forma plena.

Como as entidades parafiscais. . o ente federado do qual se descentralizou a atividade da entidade parafiscal deve legislar em seu favor. O sujeito passivo da primeira terá direito a ressarcimento proporcional. contribuições especiais e de melhoria. Em termos tributários. não é delegação de capacidade. 150. ente coletivo despersonalizado pode ser demandado e demandar em juízo. mas não é tributário. espólio. mas não quer dizer que isso seja tributo restituído. OAB70. Há crédito em seu favor. CF/88). réu ou devedor – capacidade processual tributária passiva e ativa e capacidade material passiva. chamados de pessoas formais (condomínio. porque tributo não nasce de erro de vontade das partes. sociedade em comum. • Pessoas físicas – é possível. Dependendo do contrato de delegação. VI. .). nos termos da Lei 4320/64. Quem estabeleceu a repartição da capacidade ativa foi o constituinte. a relação de ida (recolhimento do tributo) é tributária. rendas e serviços (art. O Estado não pode revogar a delegação. I. conquanto os preços públicos não se sujeitam à ordem tributária. tabeliães. Alguns doutrinadores. mas não integra a Administração. ou seja. tradutor juramentado. Mesmo não sendo pessoa personificada. Sua contabilidade também não é pública.: notários. É o fenômeno da parafiscalidade. Mas particular não pode ser credor de tributo. inerente e essencial ao Estado Democrático de Direito. Nesse contexto. CF/88.47 Estado. Há três hipóteses de pessoas não-políticas que podem ser delegadas: • Pessoas jurídicas de Direito Público – autarquias e fundações públicas.: INSS. por uma questão de legitimidade (ausência de Poder Legislativo próprio). quanto à devolução de crédito tributário: . como bem preceituou o legislador no art. Crítica à delegação atípica – com efeito. • Pessoas jurídicas de Direito Privado – concessionários e permissionários. Além dos entes federados. ela não se sujeita ao controle do TCU. não há delegação nenhuma por parte do Estado. porque foi a Constituição que estabeleceu a repartição das receitas. “a”. Há dois pontos interessantes nessa seara. arrecadando o tributo. possui personalidade jurídica de Direito Público. pode cobrar tributo (principalmente taxa) ou tarifa. o STF definiu que a OAB não é autarquia federal. o constituinte resolveu conferir-lhes titularidade para a capacidade ativa (arrecadar e fiscalizar). as entidades parafiscais são também credores tributários. No segundo caso. etc.Na ação de repetição de indébito. Fazenda Pública pode demandar em face de outra. mas a volta não. mas da lei. a imunidade recíproca só se restringe a impostos sobre patrimônio. Nesse passo. com ele permanecendo e administrando-o. qualquer pessoa pode ser autor.No empréstimo compulsório. perito nomeado. não precisa fazer licitação para contratação nem concurso para seus trabalhadores. Sendo assim. Ex. o valor a ser ressarcido pelo erário não tem natureza de crédito tributário. não podem exercer a competência plena (instituir e legislar sobre exações). 24. não podendo usar a execução fiscal para cobrança de seus débitos. ato natural e característico do instituto. não cabendo no tocante às taxas. como Machado 70 Na ADIn 3026. as contribuições de seus associados não têm natureza tributária. Ex. É pessoa “suis generis”.

154. dentro de suas Constituições. 149. CF/88) nem da União (art. dois entes desejam tributar o mesmo fato gerador (invasão de competência ou de autonomia). V. I a XXV. não concordam com assertiva. Paralelamente. 63). Em ambos. utilizando essa nomenclatura.48 (1993). Alberto Xavier também elenca uma terceira situação: quando se refere a exações sobre o comércio internacional (bitributação internacional) – IE na saída dos produtos e II na entrada em país diverso. CF/88. 2004. esse não tem validade na ordem interna. relegando à lei complementar tal tarefa (art.Tratado ou acordo internacional – para compartilhar um “contrato” entre os Estados. Há duas formas de atenuar ou eliminar a bitributação internacional: . político. social e econômico que tenta fazer. geralmente o país que exporta não tributa o produto na saída. Há inviabilidade da ampliação dos mercados e da própria atividade mercantil. porquanto somente aí há conflito de competência. vez que o sistema dualista doméstico permite que os representantes do povo analisem o tratado firmado pelo chefe de Estado ou por seu plenipotenciário. CF/88. 21. afirmam que o “bis in idem” diz respeito ao primeiro. em regra. Essa prática não é proibida. Conflitos de competência – ainda que haja partilha do poder de tributar estabelecida pelo constituinte. afirmando que o valor teria natureza de exação. a autonomia diz respeito ao exercício de um poder interno. excedendo-se na sua autonomia. A bitributação foi excepcionalmente autorizada pelo constituinte no art. . denomina-se “bis in idem”. através da moeda. Entretanto. a maioria dos países veda. a reaproximação daquilo que se separou por força do choque das placas tectônicas: seus povos. 146. A competência residual para taxa é deferida aos Estados. II. Eles poderão instituí-las. Bitributação e “bis in idem” – um ente pode extrapolar de sua competência e exercê-la de modo excessivo. p. enquanto a soberania. I. de modo a reduzir as barreiras tributárias. enquanto a bitributação. no segundo. desde que o serviço não seja local (art. 25. Se o Legislativo não acolher o tratado. Tanto “bis in idem” quanto bitributação são. uma manifestação externa. no momento em que há franquia para estabelecer IEG sobre fatos imponíveis já previstos para outros tributos (SABBAG. 30. persistem conflitos de competência tributária. CF/88). Não se trata de mitigação da soberania. não se cuida – e não deve fazê-lo – a Constituição de solver os choques dessa natureza. querendo tributar duas vezes o mesmo fato gerador (excesso de competência ou de autonomia).Imunidades na exportação – por questão de costume internacional. CF/88). . Os Estados também têm autorização para instituir contribuições previdenciárias sobre os vencimentos de seus servidores públicos (art. CF/88). Nesse sentido. § 1º. bitributação. § 1º. vedados. ao segundo. Dessa feita. há uma tributação dupla sob a mesma ocorrência fática: no primeiro caso. a 71 Globalização pode ser definida como o fenômeno jurídico. seus costumes e seus mercados. Alguns autores. porque cada Estado possui soberania (duplo exercício livre de soberania). Exceções à permissão de bitributação internacional – a bitributação internacional é um entrave à globalização71. a teor do art.

o Excelso Pretório estendeu o ICMS a uma modalidade de importação. I. com lucro. 74 A circulação. por coincidência. IV. Com efeito. porque lhe ausenta um dos requisitos: a transferência econômica do domínio. Com a EC 33/01 (art. IX. com atividade organizada) e transferência de domínio (alteração da titularidade de bem a título oneroso). No Informativo do STF nº 455.5.Bitributação quanto ao IEG – na competência extraordinária da União. em regra. Nesse sentido. DJU de 1º. porque a ICMS de importação passou a incidir sobre todas as pessoas. pelo qual entendeu que a bitributação é constitucionalmente autorizada. CF/88). a incidência de ICMS sobre tal espécie de fato gerador. Ellen Gracie. os quais. no seu início. afirmando que os importadores custeariam a seguridade social. a redação de sua Súmula 660 foi emendada (4 Ago 2004). esse entendimento do Excelso Pretório ficou esvaziado. “a”. rel. Min. acrescendo-se. vedou tal prática. e Lei 10865/04). 146. Há uma cisão da posse: a direta fica com o arrendatário e a indireta. o STF garantiu a não-incidência do ICMS nas importações realizadas por pessoas físicas e jurídicas. Informativo do STF nº 469). afirmando que o fato gerador é a importação (entrada de mercadoria e não necessariamente a circulação. Sobre o contrato de “leasing” interno não incide o ICMS. há três fatos geradores diferentes. Marco Aurélio. Eros Grau. Nessa mesma seara. conquanto em situações ímpares. até 2001.2007. CF/88. “a”. em que coexistem uma locação e uma promessa de venda (e não de compra). CF/88. 153. a73 STF. há um autêntico “bis in idem”. com o arrendante. RE 206069-SP. III. III. o II é devido pelo ingresso de produto do estrangeiro para o Brasil. porque se tratam de competências distintas. Assim é o Brasil: ICMS (art. 155. § 2º. rel.“Bis in idem” nas operações de importação (ICMS. CF/88). como fato gerador do ICMS. Exceções à bitributação e ao “non bis in idem” no âmbito interno – podem ser arroladas duas situações: . § 2º. 72 Em tese. IPI (art. na prática. com a redação dada pela EC 3/93.49 incidência de exação nas operações de exportação. 3º. não há invasão ou excesso de competência. Para evitar que o ICMS dos Estados incidisse indevidamente sobre as operações de “leasing”. Esse posicionamento não é absoluto. para o acórdão Min. “a”. o ato de importar não se adequaria à matriz reveladora da circulação de mercadoria. § 3º. . 154. a outra está constitucionalmente autorizada. ocorrem no mesmo contexto fático. Por se tratar de situação excepcional. “in fine”. 155. 195. Há um duplo exercício de autonomia: uma está presente de modo ordinário. em que os bens importados fazem parte do patrimônio imobilizado da empresa. o IEG não está sujeito ao princípio em tela (art. 155. para que seja garantida a reciprocidade em nível de estabilidade máxima. X. pois autorizou a criação a CONFINS-Importação (art. a qual versa sobre o ICMS. ocorrendo a mesma hipótese de incidência do fato típico do II. a expressão “até a vigência da EC 33/2001”. que a operação de “leasing” internacional. pressupõe: operação de mercância (mercadoria que se aliena com habitualidade. IPI. Na mesma esteira. CF/88) e contribuições sociais e CIDE (art.9. A doutrina chama essas três vedações ao poder de tributar de imunidades do exportador. mas não transferência. De fato. CF/88). II) – na verdade. não importa em fato gerador do ICMS. em verdade. o “leasing” é um contrato híbrido. CF/88). as quais não exerciam atividade importadora de mercância. . de modo pacífico. O ICMS é devido porque há circulação de mercadoria72. a LC 87/96 (art. 155. Mas a regra anterior continua vigorante no Excelso Pretório (RE 461968/SP. prevalecendo. CF/88). rel. 149. Informativo do STF nº 399. CF/88. § 2º. Min. com fulcro na competência distribuída pelo art. II. “a”. na linha do que vinha decidindo o STJ. não há de se falar em não-incidência da exação (RE 206069/SP. a corte firmou entendimento. como está no art. IX. essa idéia não impera. Nesse caso. Para legitimar a cobrança do imposto. o constituinte deixou isso claro no art. § 2º. o STF73 entendeu que cabe ICMS no “leasing” internacional74. Há atividade de mercância. porque a exação em tela e o II têm o mesmo fato gerador. No entanto.2006). mediante a ocorrência de determinada condição – a guerra. 30. A EC 42/03 alterou o prospecto. II. independentemente da finalidade do bem importado. VIII). o IPI é devido porque houve alteração substancial da matéria.

Em contrário senso. começa a delinear o objeto em estudo ao definir o que é legislação tributária: leis. 150. Tanto isso é verídico que a mesma EC 33/01. sendo que a majoração pura simples depende de lei estrita76. traz o princípio da tipicidade. Os decretos deveriam ser considerados como fonte secundária. Além desses parâmetros. 177. Exceção à regra da legalidade estrita. admite o decreto executivo autônomo nas hipóteses do art. ou seja. O setor energético tem uma repercussão altamente sensível na estabilidade dos mercados. 96 a 112. não abarca o ato do executivo dado por decreto. 97. 146. Esse aparente contra-senso é aduzido pela própria função do CTN. São Paulo. CTN. “b”. costumes e jurisprudência. assentada em posicionamento firmado pelo STF. Direito Administrativo. a redução de CIDE-combustíveis também independe de lei.Fontes primárias – são as leis. IPI e IOF) e ao IEG. 99. suas fontes principais são: lei. se defere somente aos impostos extrafiscais (II. regulados respectivamente pelos arts. o qual espancou definitivamente o decreto autônomo no campo tributário75. III e IV. “a” e “b”. II. sem ter como base um diploma legal. 98 e 99.50 FONTES DO DIREITO TRIBUTÁRIO (art. em uma interpretação conforme a Constituição (art. CF/88 (redação dada pela EC 33/01). CF/88). CTN. há necessidade de adaptar o postulado ao estudo da matéria em análise. O art. tratados internacionais. ao contrário do art. 84. 5º. tal qual está no art. II. 97. a doutrina majoritária. o legislador reforçou essa idéia no texto do próprio art. a definição do fato gerador (elemento objetivo). IE. decretos legislativos. o qual. tanto interno quanto interno. a base de cálculo e alíquota (elemento quantitativo). MP e EC podem ser incluídas no rol das fontes primárias. CTN).. 97. o princípio da legalidade tributária. CF/88. Veja que a alteração das alíquotas dessa última exação só é possível para reduzir ou para restabelecer. os tratados internacionais e até mesmo os decretos. CF/88. doutrina. CTN) – segundo a Teoria Geral do Direito. Dessa forma. Dessa feita. VI. que autorizou a instituição da CIDE-combustível. Dentro do Direito Tributário. 97. dentro do sistema constitucional posto. Nesse sentido. em seu bojo. . também permitiu a incidência de ICMS sobre a circulação de energéticos comburentes entre Estados. CTN. CTN. com certeza. II. I a VII. 19ª ed. o decreto executivo. porque devem se limitar a regulamentar a lei em sentido estrito. No mesmo diapasão. como LC que é (art. a Constituição não ventila a possibilidade de reduzir tributo somente por meio de lei. é válida e aplicável a previsão do art. CTN. O art. exigindo-se lei para reduzir o valor dos tributos. dando um “norte” para a atividade do legislador ordinário. CF/88. do sujeito passivo (elemento subjetivo). 97. CTN. decretos e normas complementares. A doutrina encarregou-se em hierarquizá-las segundo a seguinte classificação: . Em verdade. traz o chamado princípio da legalidade. O art. CTN. I. traz. Atlas. A regra do art. No entanto. Esse visa preencher eventuais lacunas no Texto Constitucional. quanto à majoração da exação. não poderá ser autônomo. tal qual está expresso no art. 2006. o ditame também abarca o número de vezes do pagamento do tributo (elemento temporal) e o 75 No âmbito do Direito Administração. resoluções do Senado. 76 Essa medida se funda na importância do setor de combustíveis no giro da economia global. 59. II. lembra Maria Sylvia Zanella Di Pietro. § 4º. 96.

dispõe que a legalidade deve imperar sobre a exigibilidade do crédito tributário: suspensão. quando da edição do CTN. CTN. se refere dos tratados internacionais. resolvendo-se os demais entraves pela cronologia. mesmo a despeito de eventuais sanções na ordem internacional a serem sofridas pelo Brasil. “caput”. Celso de Mello. exclusão e extinção – além da dispensa ou da redução de penalidades. j. os acordos não revogam a legislação interna – porquanto prestam a minorar a bitributação internacional e a estabelecer cooperação no poder de polícia. DJU 30. porquanto as relações por ele abrangidas não poderiam ser modificadas por norma interna posterior. deveria ser coercitivamente observada pelo legislador doméstico. CF/88. a comissão encarregada de elaborar o anteprojeto do futuro CTN incluiu o citado art. geralmente diverso da legislação ordinária anterior77. porquanto o dispositivo em comento é um rol sugestivo e não exaustivo. configurando a relação jurídica-tributária. .5. Não há revogação pela incorporação do tratado no ordenamento doméstico. I e II. 97. 28. V. Não é uma posição pacífica na doutrina. fazendo com que a disposição daqueles. vige o regramento específico. VI. 98 na esteira da jurisprudência do Excelso Pretório (AMARO. que o CN pode alterar o acordo unilateralmente. consoante o preenchimento dos requisitos do art. 14. O dispositivo contém impropriedades terminológicas. afirmando que a especialidade só vale quanto à legislação anterior. por disposição normativa própria. Ademais. a tipicidade garante a segurança jurídica. no tocante à matéria tributária. Com efeito. O art. com base no art. Dessa feita. O elemento material é o antecedente normativo (hipótese de incidência normativa). tal qual a redação do art. Min. a renúncia de receita depende de autorização legislativa prévia. Em verdade. CTN. Estando nessa seara. O STJ entende que legislação interna não pode revogar tratados-leis. os quais trazem à baila autênticas normas de Direito Internacional Público.1997. complementando a legalidade. Plenário.11. 98. afirma que somente a lei pode determinar sanções tributárias.51 lugar do adimplemento (elemento espacial). 97. CTN. o STF entende. não sendo aplicado a outras situações. CTN. 98. Em um primeiro assunto. O tratado deveria colimar a atuação do legislador posteriormente. o Supremo deu vezo ao primado dos tratados sobre a legislação interna. rel. “in fine”. O legislador é único que pode fazê-lo. 77 O Supremo entende que esse tipo de tratado tem o “status” de lei ordinária: STF. O art. LC 101/00. A soberania interna prevalece. 181). I. enquanto os demais constituem o conseqüente normativo (modo de incidência normativa). No entanto. Nesse sentido.1997. o pacto traz um regramento próprio no procedimento a ser estabelecido. O STJ faz uma leitura semelhante. 49. o ar. p. porque a aparente antinomia é solvida pelo critério da especialidade: para os países signatários – inclusive o Brasil –. o que não se aplica quanto aos tratados-contratos. Ext 662-2. 2006.

8. Atos administrativos – portarias. CTN. 79 Em matéria de tributação municipal. Na vigência da atual Constituição. Plenário. inicialmente sobre a importação de bacalhau. Súmula 71 do STJ: “O bacalhau importado de país signatário do GATT é isento do ICM”. 16. rel. I. dispositivo que deve ser concatenado com o art. Informativo do STF n° 476. é possível a concessão de isenção a uma exação municipal por convenção internacional em homenagem à soberania nacional. Súmula 20 do STJ: “A mercadoria importada de país signatário do GATT é isenta do ICM. E se o Brasil assinar tratado internacional que venha nesse sentido? A possibilidade persiste. orig. Os precedentes normativos dos tribunais superiores advieram principalmente dos acordos do GATT. estende-se a isenção do Imposto de Circulação de Mercadorias concedida a similar nacional”. 81 No mesmo sentido. Entenderam as cortes que o ditame da reciprocidade deve imperar nesses casos81. em termos de vigência. a incorporação do pacto só é possível depois da ratificação parlamentar. 78 Nesse passo. Essa prerrogativa era factível na ordem constitucional anterior (EC 1/69). não utiliza terminologia adequada ao estabelecer a isenção heterônoma em acordo internacional como exceção à vedação. REsp 480563/RS. I. circulares. em que pese não haver opinião do legislativo municipal. a tese do professor Carraza (1991) não vigora. Dessa forma. porque o Presidente da República. 20 e 71 do STJ80 já pacificaram o posicionamento. Todavia. III. 103.52 Questão que também se coloca quanto ao art. STJ. j. em um autêntico ato de soberania. esse não está adstrito ao seu texto se houver infringência das normas primárias. sendo essa incontrastável. 98. pois a firmação de acordo é manifestação da República Federativa do Brasil. rel. ocorre que a União representa o Brasil na celebração de convenções internacionais. STF. Por uma questão de opção do legislador. versa sobre a possibilidade da União conceder isenções quanto a tributos estaduais e municipais.2007. Machado. . CTN. Min. Min. em que se encontra a câmara representativa dos Estados-membros: o Senado79. 103. o STF entende dessa maneira. porque qualquer ente federativo não pode invocar isenção heterônoma nessa. tanto quanto reciprocamente: cada ente só pode conceder isenções dentro de sua competência tributária. Luiz Fux. nos exatos termos do art. nesta tarefa. salvo disposição em contrário.9.2005. 100. p/ o acórdão Min. A teor do art. Ilmar Galvão. 6. Todas as pessoas políticas devem reverência à soberania do Estado brasileiro78. Apesar de não haver precedente jurisprudencial. A heteronomia diz respeito à autonomia e não à soberania. j. isso não é possível (art. VIII. As Súmulas 575 do STF. CF/88). 100. instruções normativas são normas complementares que visam especificar as medidas normativas primárias. quando contemplado com esse favor o similar nacional”. 80 Súmula 575 do STF: “À mercadoria importada de país signatário do GATT. cit. . Ao contrário do que apregoa Carraza (1991). ou membro da ALALC. Cármen Lúcia. atua como chefe de Estado (art. Essas visam completar as fontes primárias. 84. Ademais. CF/88). rel. apesar de encontrar muitos adeptos na doutrina jurídico-tributária. esse argumento não subsume à situação em apreço. vedando-se a isenção heterônoma. CTN). CTN.Fontes secundárias – compõem-se das chamadas normas complementares. RE 229096/RS. 153. op. CTN.. constituindo regra a ser observada pelo aplicador do direito (art. entram em vigor na data de sua publicação.

108. . 97. Analogia – aplicar decisões anteriores a casos semelhantes é o meio integrativo primário da legislação tributária. Os convênios tributários têm o condão de ampliar a incidência do princípio da territorialidade. mas não sobre os efeitos tributários (art. 108. decadência. locação. INTERPRETAÇÃO E INTEGRAÇÃO DA NORMA TRIBUTÁRIA (arts. CTN). II. 97. 109. IV. é um misto de costume e de ato normativo. CTN). desde que exista uma lei posterior que assim disponha (art. CTN. III. Princípios gerais de Direito Público – uma vez que os anteriores restem insuficientes. CTN). Equidade – é o valor maior da justiça. Ressalvada estipulação ao reverso. segundo uma ordem peremptória. CTN: I. CTN) – as questões sobre o preenchimento de lacunas da legislação tributária são resolvidas segundo os critérios do art. sob pena de arranhar a legalidade aduzida no art. III. III. recorre-se a uma seara mais ampla. surtem reflexos jurídicos 30 dias depois de sua publicação. elas podem ser configuradas como fonte tributária. Mas a analogia não pode se prestar à criação de um tributo frente a uma situação assemelhada (art. 100. 103. IV. No exercício da capacidade tributária ativa. mormente no tocante ao poder de polícia (fiscalização). prescrição. § 1º. 108. 100. Ex. Os princípios de Direito Privado são necessários para definição dos institutos a ele afetos. etc. Vigoram a partir da data estatuída no seu instrumento de veículo (art. I e III. A renúncia de receita por equidade não é possível.53 Decisões do órgãos julgadores administrativos – podem ser alçadas à eficácia “erga omnes”. não há de se falar em termo inicial de vigência. 107 a 112. devendo ser verificado o caso concreto em análise. CTN). CTN. Visam uniformizar um regramento comum entre conveniados. VI. 100.: empresário. CTN). de acordo com os incisos do art. São os seguintes. prestação de serviço. I a IV. § 2º. II. os quais serão analisados sucessivamente. No entanto. mas não podem levar a reflexos tributários diretos. Observa-se que o termo “práticas reiteradas” é uma expressão jurídica indeterminada. CTN). não poderá o aplicador do direito lançar mão desse critério para conceder dispensa de pagamento da exação (art. são conceitos de Direito Privado. Práticas reiteradas da Administração – o art. porque haveria infringência à legalidade e à tipicidade tributárias (art. Como são formadas gradativamente. Convênios entre os entes federados – também podem constituir fonte do Direito Tributário (art. para criar um campo de intersecção nas diversas legislações tributárias. Princípios gerais de Direito Tributário – preconiza a aplicação de um interpretação sistemática em face dos comandos implícitos na norma tributária. CTN. CTN). 108.

O primeiro determina uma exegese gramatical sobre as matérias nele vinculadas. no rol de lei municipal.. pode ser analogamente comparado ao princípio penal “in dubio pro reo”. contestou-se a incidência de ISS sobre a locação de bens móveis. RE 116121. É possível citar dois casos: mercado eletrônico interestadual de “download” tributado por ICMS e ISS sobre bens móveis locados. 112. CTN. não sobre prestação. Os arts. porquanto até mesmo o CC disciplina de modo diverso o contrato de locação e de prestação de serviços. 83 82 . se referem à interpretação da norma tributária. em votação folgada no Plenário. Nessa última. Em contrário senso. o alcance e a forma de elementos de Direito Privado. A definição do instituto privado não precisa estar erigido nos referidos diplomas. Dessa forma. 111 e 112. CE e Lei Orgânica) e definidores ou limitadores de competência tributária. tal qual a redação do art. bens e serviços). devendo ser adaptado à atualidade. porque. É o que leciona Carrazza. É exatamente esta idéia que não pode ser alterada pelo legislador tributário. Não é a melhor técnica a ser empregada pelo operador do Direito. 110. III. No primeiro caso. seguindo tal orientação. a imunidade recíproca (art. cit. CTN) e de dispensa de exigibilidade de obrigações acessórias83. as procuradorias municipais advogaram que a exação incide sobre serviços. O STF82. diversa daquela deseja pelo legislador. Sua interpretação extensiva pode levar à criação hermenêutica de uma outra exceção. como aquelas apresentadas na disposição do legislador. CTN. op. as quais determinavam a incidência de ISS sobre locação de móveis. não importando se inexiste uma concreta prestação de serviço. decidiu favoravelmente aos contribuintes. 156. devendo ser utilizada em situações específicas. não abarcando o conceito de obrigações acessórias e muito menos a idéia de crédito tributário. 150. A obrigação de dar estaria englobada pelo conceito de serviço. No segundo caso. Dadas recentes mudanças na composição do STF. O art. “a”. mas sua utilização neles leva a uma certa concepção. os advogados postularam que o artigo não é mercadoria corpórea. CTN. sendo remunerado pela correspondente prestação. porque preconiza a aplicação do STF. CF/88) só alcança alguns impostos (sobre patrimônios. E mais: deve existir conduta que seja verdadeiramente uma prestação de serviço. Nesse sentido. CF/88. São os casos de suspensão da exigibilidade do crédito tributário (arts. há uma extrema exceção. Pleno. não se fazendo a incidência da exação sobre a operação em tela. a locação não estaria aí englobada. 151 a 155-A. estar-se-ia diante de uma obrigação de dar. com apenas um voto de dissidência. Nesse caso. porquanto não havia previsão nesse sentido na relação de serviços contida na LC 116/03 e.54 O art. VI. O conceito privado de mercadoria foi criado em uma época que não contemplava a realidade hodierna. por se tratar de questão muito mais administrativa que tributária. desde que expressos nas Leis Maiores (CF. CTN). 175 a 182. dispõe que não se pode alterar o conceito. vez que se liga ao poder de polícia estatal. de exclusão da exigibilidade tributária (arts. o qual preconiza a tributação nesse sentido entre os entes federados. o Excelso Pretório declarou inconstitucionais todas as leis municipais nesse sentido. na realidade. esse entendimento pode ser alterado. tal qual se define por seu conceito aduzido do Direito Privado: obrigação de fazer por meio da qual alguém deve realizar algo em favor de terceiro.

Dessa feita. incorporando o princípio “non olet”). III. em razão da necessidade de expressão da vontade majoritária do legislador para quebrar a facilidade de aprovação de um diploma ordinário. Como pressuposto. segundo os pontos previstos nas alíneas: a. crescendo e com eles fazendo concorrência. etc. é necessário firmar posição de que não cabe MP em matéria veiculada por LC (art. “a”. . 113. ADCT). CTN). 146. configurando real manifestação da maioria dos representantes do povo (art.: “leasing” interno não é tributado. CTN) e decadência (art. e se deve à unicidade no âmbito nacional. 146. CTN). Estabelecer normas gerais mais benéficas a empresas de pequeno porte e microempresas (acrescido pela EC 42/03) – o legislador visou fomentar os empresários pequenos. b. IV. abriu possibilidade para instituição de um sistema único de arrecadação. 111. prescrição (art. 69. fato gerador e sujeito passivo). 174. Perfil dos tributos – o princípio da tipicidade quanto aos impostos está delineado do art. nos casos de infração ou de cominação de sanção tributária. CF/88). lançamento (art. os regimes “Simples” instituídos foram revogados pela LC regulamentadora (art. os grandes empresários fizeram “lobby” em sentido contrário para evitar que os pequenos fossem favorecidos. CF/88. CTN). interpretação benéfica. 62. Ex. crédito tributário (art.Regular a limitação do poder de tributar. a mais benigna ao contribuinte (art. III. está nesse âmbito. à guisa de convênios possíveis e existentes. § 1º. CTN) estão contidas no dispositivo. Ex. 112. Conflito de competência tributária entre entes federados. dispondo sobre as seguintes matérias tributárias. 94. Essas disciplinas estão perfeitamente delineadas na LC geral (CTN). 118. 173. ainda melhor que o atual “Simples”. dessa forma. CF/88. A LC veio a lúmen pela Carta de 1967. formando a base do “Super Simples”. 146. traz três modalidades de interpretação da lei tributária: a literal (art. CTN. Seria uma medida legislativa a desburocratizar a tributação e a 84 84 55 O CTN. O art. CF/88. 146. II. CF/88 (base de cálculo. a qual encontra-se atualmente em vigência (LC 123/06). CTN). Tratamento mais benéfico às cooperativas – para estimular o cooperativismo. a intenção de facilitar a vida dos destinatários acabou por quase que inviabilizá-la. consideradas mais relevantes pelo constituinte: I.dispositivo mais benigno ou favorável ao administrado. CF/88). CTN) e a econômica (art. O parágrafo único do art. isonomia. Estrutura obrigacional-tributária – as definições de obrigação tributária (art. Lei Complementar – em matéria tributária. c. “in fine”. Estabelecer normas gerais em legislação tributária. A tendência foi acolhida pela ordem constitucional de 1988. pois dificultou sua aprovação no CN (LC). No entanto. Com efeito.: redução de tributos. 142. sua função está perfeita no art. 139.

a teoria dos planos de tributação: um abstrato – constituído pela hipótese de incidência – e outro concreto – formado pela efetiva ocorrência do fato gerador. 113 a 127. capitaneada por Jarach. Essa colocação não coaduna com o conceito de fato gerador. op. Esquematizando. 175. A sistemática. visto que as MEE’s e as EPP’s não se encontram no mesmo nível econômico. Na esteira do que previa o art. domicílio e lugar do pagamento). quando da ocorrência real do fato imponível86 – termo “a quo” dela. 139 a 141. Direito Obrigacional Tributário ESTRUTURA DA RELAÇÃO TRIBUTÁRIA (arts. Foi instituído pela LC 123/06.O repasse deve ser imediato. que muito o utiliza. é possível aduzir a seguinte explicação: Crédito Tributário (art. CTN. nesse passo. o objeto de crítica advém da doutrina espanhola.O regime será opcional aos contribuintes. no entanto. p. A lei estabelece os parâmetros da hipótese de incidência: aspectos subjetivo. e parágrafo único. bem como da possibilidade de fiscalização compartilhada (poder de polícia). não sendo lícita a retenção. CTN) – engloba a obrigação tributária. A arrecadação será obrigatoriamente centralizada. CTN). III. O diploma não ofende a isonomia quanto às demais empresas. Extinção (art. A obrigação tributária nasce da subsunção do fato (pragmático) à norma. o fato gerador e os aspectos subjetivos – sujeito ativo e sujeito passivo (solidariedade. inserta na norma. O sufixo “-ível” dá a idéia de ocorrência futura. também citado por Amaro. capacidade tributária. 156. expressões aduzidas de Aliomar Baleeiro. critica a expressão “fato imponível” assim como fato tributável. criando um sistema simplificado de tributação no âmbito de todas as pessoas políticas. com dimensões continentais. citado pelo primeiro. Ela nasce da Paulo de Barros Carvalho estabelece. algo que ainda não se sucedeu. o legislador pode estabelecer procedimentos diversos em cada local. Em verdade. . CF/88. compara o conceito de hipótese de incidência com o tipo criminal. por tal previsão. 85 . Quando se diz que a obrigação tributária tem como traço o fato de ser “ex lege”. A hipótese de incidência é uma previsão abstrata. de acordo com o espírito colimado pelo constituinte. . o legislador complementar criou o “Super Simples”. cit. erigindo a chamada tipicidade tributária. quantitativo. fica materializado o fato gerador85.Devido às diferenças geográficas e consuetudinárias do país. CTN). 146. Obrigação tributária – está inserta no art. cit. 113. Exclusão (art.. 86 Amaro. uma mera descrição sugestiva de uma futura conduta que pode ou não ocorrer. .56 otimizar a arrecadação e a fiscalização tributária das ME’s e EPP’s. temporal e espacial.Previsão de um cadastro único de contribuintes. op. CTN). deverá obedecer aos seguintes limites: . a serem adaptados à realidade cada ente federado ou região. afigura-se que ela independe da vontade do sujeito passivo. 258.. 259. “d”. A partir da caracterização concreta de todos seus critérios. A doutrina.

transmissão é a simples alteração da propriedade. CTN). Destarte. Seu negócio “inter vivos” pode ser uma compra e venda. CC). haveria incidência dos respectivos tributos? A jurisprudência ainda não se pacificou. ele pode constituir um negócio jurídico. mas sim a transmissão escritural “inter vivos” e onerosa. é necessário aduzir o exemplo clássico da compra e venda com retrovenda (ITBI municipal) e doação com cláusula de reversão (ITCMD estadual). como ocorreu o fato gerador. configura-se o fato gerador e. etc. Fato gerador condicional (art. a retrovenda não implica em uma verdadeira transmissão. 117. A cobrança no momento do novo registro. por conseqüência. Ademais. porque persiste simples retorno ao “status quo ante”. No segundo caso. Produzido o previsto na lei. Acontecendo a condição resolutiva (retrovenda ou reversão). 125. Em ambos os casos. a doação de um carro pode fazer incidir o ITCMD. consubstanciado condição suspensiva (art. dentre seus elementos acidentais. a tributação não terá vez até que a condição seja efetivada – não sendo exigível a obrigação tributária porque. o fato gerador ainda não se deu (art. perfazendo DUAS CORRENTES: Não cabe a exação na “volta” – não persiste novo negócio jurídico – nova doação ou nova venda. a condição pode estar abarcada pelo fato gerador. fica perfeita a obrigação tributária. Incide o imposto na “volta” – no ITBI. O fato gerador não é a compra e venda. 121. a exação incide desde já. Já na retrovenda. CTN). a condição implica em efeitos futuros. O imposto deve incidir sobre a efetiva demonstração de riqueza. a qual pode ensejar a suspensão da eficácia do negócio – evento futuro incerto (art. de capacidade econômica objetiva. Na reversão. Entre as diversas condutas possíveis para o fato gerador. CTN) – exige um estudo prévio sobre o negócio jurídico do Direito Civil. O que persiste é a conclusão do anterior. o que torna a exação na “volta” como injusta dentro da ordem jurídico-tributária em sentido amplo. Do contrário. “animus” de realizar um outro ato jurídico bilateral. CC). mesmo no STJ. o que torna a defesa fácil. 117. I e II. não havendo de se cogitar sua causa. como seu pressuposto. No plano ponteano da eficácia dos fatos jurídicos. em realidade. o negócio pode estar produzindo os efeitos desde já. visto que há verdadeiro encerramento da compra e venda anterior. não há essa real mostra de potencial financeiro. o fato gerador do ITCMD é a doação. arrematação em hasta. Do mesmo . indo até determinado evento futuro e incerto. 127. I. como o negócio não produz efeitos. 117. independendo de implementação ou não da condição (art. porque o preço é devolvido ao alienante original. não persistindo nova transação negocial. Com efeito. Ex. no primeiro.: compra e venda pode gerar a obrigação de recolher ICMS ou ITBI. CC). enseja mandado de segurança contra o registrador do CRI – exigir o tributo é fato independente da mera translação do imóvel. Tanto a reversão quanto a retrovenda são cláusulas acessórias ao negócio principal. quando deixará de fazê-lo (condição resolutiva – art. permuta. Não há novo consenso. II. o fato gerador do ITBI é a mera transmissão de direito de propriedade.57 lei e será devida mesmo sem a colaboração do devedor.

considerou o negócio nulo. não existe tal diploma. a doação não deve ser excluída da exação. é possível reduzir a tributação por meio de práticas de supralegalidade. não se admitindo perquirir suas causas. apesar de legal87. por meio da LC 104/01. CTN) – além da própria fraude tributária. Dessa feita. mas não de direito – e. com menor propriedade. Elemento objetivo (prestação tributária) – além do pagamento em si – o que inclui as penalidades tributárias. 87 . o que implica em impossibilidade de aplicação. 116. estão especificadas no art. De fato. a cessão de riqueza é o principal escopo da relação em pauta. como no caso de alíquota zero ou de isenção (art. ambos os casos fundam-se no princípio do “non olet”. a qual consubstancia atividade flagrantemente ilícita (evasão fiscal). por conseqüência. persiste uma relação tributária material ou substancial – de pagar – e outra formal A definição de negócio jurídico simulado e suas conseqüências. Em verdade. mesmo porque possui caráter autônomo. desde que não se possa aproveitá-lo de outra forma. CTN). para não recolher o ITBI correspondente. o legislador. porquanto se trata de verdadeira simulação de fato gerador e. porquanto é de eficácia limitada. ao longo de anos. por opção política. porque o argumento se enfraquece ante o fato gerador (“doação”). conseguintemente. de seguir o principal (art. para Ricardo Lobo Torres.: ao invés de realizar uma compra e venda de um imóvel de alto valor. Interpretação objetiva do fato gerador (princípio do “non olet”) – a interpretação econômica a ser impelida pelo fisco encontra fundamento no próprio art. 59. as partes constituem uma sociedade empresária. parágrafo único. 167. há outras obrigações a serem cumpridas pelo sujeito passivo da relação jurídico-tributária. Atualmente. prática de caráter ilícito.58 modo. dentro do plano da validade. conhecidas como deveres instrumentais. Essas atuações são traduzidas pelo chamado planejamento tributário ou elisão fiscal. com o valor líquido do preço – algum tempo depois. Ex. proibir a elisão fiscal. parágrafo único. O dispositivo considerou de tal gravidade o vício social que o inquinou de nulidade. podendo ser declarado de ofício pelo julgador e suscitado a qualquer momento processual. tido em decorrência da necessária fiscalização a ser realizada. Com tal intenção. CC. CTN. 118. 116. mesmo a despeito de não realizar o objeto da empresa. dissolve-se sociedade. que garante a tributação sobre o fato gerador sob cunho objetivo. É devida mesmo a despeito do não pagamento do tributo. I e II. As obrigações acessórias. tal qual já foi comentado em oportunidade anterior. CC/1916). a redução da carga tributária. No entanto. A Fazenda Pública tem tentado. Em verdade. o dispositivo necessita de regulamentação por meio de lei ordinária. em que pese haver outras prestações a serem implementadas pelo contribuinte: são as obrigações acessórias (assessoram o credor na atividade de tributação. foi acrescido o parágrafo único ao art. sendo certo que o alienante ingressa com o capital imobilizado e o adquirente. Cláusula geral antielisão (art. 194. Muitas condutas não estão expressamente proibidas pelo ordenamento. as quais possibilitam a descaracterização do fato gerador – apesar de sua ocorrência de fato. informando-o acerca do pagamento do tributo). quando as partes queriam praticar outro ato. Não é acessória no sentido do direito privado. revelam o exercício do poder de polícia do fisco. CTN.

O art. costumes administrativos. a qual não foi propriamente adimplida. 113. 88 . não sendo necessário tipificar criminalmente a conduta. 96. Dentro de um controle de proporcionalidade e de razoabilidade. CTN). 100. podendo incluir o tributo e a multa. defere-lhe a capacidade de instituir o tributo. fornecendo subsídios para que a autoridade fiscal exerça sua cobrança fiscalizatória. CTN. Dessa forma. sendo um conceito mais amplo que o tributo. 113. podendo ou não ser dispensada pela autoridade fiscal. 113. implicará em um pagamento duplo: da obrigação principal. decisões administrativas e convênios – art. CTN. compreendendo prestação positiva ou negativa por parte do sujeito passivo (art. advindo necessariamente de lei. CTN). CTN). A primeira está descrita no art. no seu § 2º. Já a A obrigação acessória será estabelecida por fontes secundárias. No entanto. Em suma. Com efeito. ainda que administrativa. a penalidade. A obrigação acessória instrumentaliza a obrigação tributária principal. 115. segundo as necessidades de cada ente. deferido pela Constituição ao Estado brasileiro (República Federativa do Brasil). A sanção pecuniária do poder de polícia administrativo visa inibir a frustração da fiscalização. portanto. e da obrigação acessória não cumprida. A repartição do poder de tributar (competência). CTN. Os procedimentos são determinados por norma infralegal – a qual é englobada pelo conceito de legislação tributária (art. A infringência da norma procedimental (obrigação não pecuniária). CTN. “caput”. elas poderão deter o dever-poder de fiscalizar e de arrecadar somente. esses últimos recebem parcela do poder de tributar. § 3º. Dessa feita. justamente para imprimir caráter coercitivo à obrigação procedimental (positiva ou negativa). a competência tributária não é delegável. a obrigação acessória ainda persiste. necessariamente não envolvendo entrega de dinheiro. § 3º. prevista na legislação “lato sensu”88. decorrente do seu descumprimento (art. Obviamente que essa nova figura não terá Poder Legislativo. de sobre ele legislar. Nesse caso. em parte. só é estipulada por lei. tal qual a defectiva letra do art. fato esse que a impede de operar as duas primeiras ações – instituir e legislar –. a obrigação principal é de pagar. § 1º. caracterizando a capacidade tributária ativa. a serem escolhidas pelo legislador. deverá ser prevista em lei em sentido estrito (art. de fiscalizá-lo e de arrecadá-lo (capacidade tributária plena). Aliás. Mas essa competência pode ser delegada. V. I a IV. 113. “Legislação tributária” compreende toda e qualquer norma que diga respeito a tributo: leis. 97. convertida em sanção pecuniária. as delineia. mas a obrigação principal. a uma pessoa autônoma. 113. a segunda. englobando um rol mais amplo que dos entes com competência tributária (U-E-DF-M). a imposição da multa administrativa atinge o objetivo de desencorajar o descumprimento da obrigação acessória. decretos e normas complementares (atos normativos administrativos. tratados internacionais. CTN) –. § 3º.59 ou procedimental – de informar o fisco segundo as estipulações previstas na norma. porquanto não há “conversão”. as quais dependem de potencial para exarar leis em sentido estrito. determina que o não cumprimento dessa leva ao nascimento de uma obrigação principal (sempre positiva de pagamento). A criminalização da atuação do contribuinte somente se dará em situações mais graves. CTN). Aspecto subjetivo (sujeitos ativo e passivo) – sujeito ativo tributário é aquele que detém a capacidade tributária ativa. O crédito tributário engloba ambas as categorias. mas a capacidade tributária ativa sim. o art.

III. mas não tributário. A decisão é muito mais política que jurídica. 37. O indébito não terá natureza de tributo90. cit. mas sim da lei (princípio da legalidade e da tipicidade fechada). O art. asseverando que o rol do art. CNM. O indivíduo jamais será sujeito ativo tributário. a doutrina corrige o erro do legislador. como a Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB – Lei 11457/06) e os conselhos de profissões regulamentadas (OAB89. Considerando que não cabe o chamamento ao processo do outro condomínio pelo executado. Persistirá um crédito do indivíduo para com a Fazenda. quando de sua nova legislação. terá que ser proposta pelo executado “A” outra ação regressiva em face do “B”. ao exigir a restituição dos valores já adimplidos (a título de exação). CC –. CTN. em tese. ADCT). Na execução fiscal. pois estipula uma exceção onde o constituinte não estabeleceu. não se sub-roga em uma relação tributária. porquanto. Foi exatamente o que ocorreu com o Estado de Tocantins. salvo disposição legal em contrário. “caput”. dada a “causa petendi” do crédito envolvido. os princípio da anterioridade e da irretroatividade tributária (art. CTN. 205. mas nunca de fundo fiscal. pecou em sua redação. caso não se consiga fazer com que o outro executado “B” seja chamado. o novo ente tributário utilizará a legislação daquele do qual se desprendeu. Machado. mas outras paralelas. Aliás. a Fazenda do Município conseguiu satisfazer seu débito mediante penhora de bens e conseqüente hasta. “caput”. denominadas parafiscais. 90 Cf. CTN). em sentido contrário. Pergunta: inicialmente. por sub-rogação. Havendo desmembramento territorial. etc. O inadimplemento do IPTU faz o fisco municipal insurgir em face de somente um deles. originado a partir do Estado de Goiás (art. 119. “caput”. a fiscalização pelo TCU. será substituída a antiga. Posteriormente. 174. essencial à administração da justiça e. A capacidade de ser sujeito ativo tributário abarca não só as entidades fiscais. Repetição de indébito – opera-se o mesmo raciocínio do empréstimo compulsório. CF/88. Tributo não nasce do erro de pagamento. 120. porquanto a obrigação a ser cumprida pela pessoa pública nunca terá a natureza de tributo. não “numerus clausus”. 13. conferiu a sujeição ativa da obrigação tributária somente aos entes públicos políticos – U-E-DF-M – porque se referiu expressamente à “competência”. CF/88).). fiscalizar e administrar tributos. CTN) – aplicando-se o decurso de 10 anos do art. ferindo a isonomia e a ordem tributária constitucional. de cunho financeiro. . O particular será credor do Estado. Nesse passo. em que pese disposição cristalina do art. é meramente sugestivo. como esse poderia obter o ressarcimento da cota parte a que lhe assiste o direito? Teria de ajuizar ação cognitiva ordinária ou caberia alguma medida judicial mais célere?Resposta: em termos práticos. 150. op. por conseqüência. sendo instituto mais profundo que a capacidade tributária ativa. consideram-se dois sujeitos passivos tributários. Argumentou-se que se trata de instituição “suis generis”. CF/88) e a obrigatoriedade de concurso público ou de licitação nas contratações (art. O STF referendou o posicionamento firmado pelo STJ na ADIn 3026. para ser ressarcido de sua quota parte. 149. à existência do Estado Democrático de Direito. como condôminos de um imóvel.60 parafiscalidade é aptidão para cobrar. para não permitir a solução de continuidade (art. não incide o modo de cobrança pela LEF (Lei 6830/80). II e XXI. No entanto. 119. Empréstimo compulsório – o particular. para quem o demandante em restituição de empréstimo compulsório e em repetição de indébito passa a figurar como autêntico credor tributário. essa já se encontra esgotada.. 89 A Primeira Seção de Direito Público do STJ firmou jurisprudência de que a contribuição para OAB não tem natureza tributária. o prazo prescricional tributário de cinco anos (art.

Há de observar-se que essa relação obrigacional decorre de lei. terceiro alheio à relação tributária. ainda que envolva hipótese de não-incidência do fato gerador. Responsável – não pratica o fato gerador (débito). parágrafo único. a obrigação acessório será mais bem delineada no tópico apartado sobre Administração Tributária. ilimitada e alternativa pelo débito. . No entanto. o sujeito passivo poderá ser. bem como impostos como de importação. em situações bastante específicas. só é possível a solidariedade passiva.61 Na sujeição passiva. CF/88). CTN: Contribuinte – é aquele que assume responsabilidade em decorrência de um débito (prática de um fato gerador) por ele adquirido. ao contrário da seara civil. natural ou ordinário. § 7º. Nesse passo. não da vontade das partes. não se restringindo ao particular. O nome técnico do sujeito passivo é dado pelo art. 121. apesar de haver legitimidade para ambas exigirem a satisfação do crédito no que toca sua parte. parágrafo único. qual a Fazenda que perceberá os valores da exação. a doutrina estabelece uma exceção a tal ditame: no caso da contribuição de melhoria gerada por obra efetivada por convênio entes públicos. “a”. Ele não tem relação jurídico-tributária direta com o sujeito ativo. No âmbito tributário. Sem perder de vista a linha de raciocínio. VI. como o espólio. 126. I a III. transfere-lhe a responsabilidade de realizar o recolhimento do tributo. e 121. em homenagem à garantia do credor. o isento ou o agraciado com alíquota zero (art. parágrafo único. O responsável configura um substituto tributário ou sujeito passivo indireto. O caráter de sujeito passivo tributário inclusive independe de personalidade jurídica. mas a lei. também denominado “schuld” ou “debitum”. Solidariedade – é a possibilidade de uma pluralidade subjetiva na relação jurídica material. observa-se que o passivo da citado dever tributário pode ser mesmo o imune. Como se trata de matéria referente à fiscalização. a massa falida e as sociedades de fato (art. O instituto da responsabilidade tributária leva ao fenômeno da substituição. Pode ser qualquer pessoa. analisa-se quem poderá ser devedor da obrigação tributária. no seu instrumento. No entanto. Quanto às obrigações acessórias. o acordo entre os realizadores do empreendimento deverá determinar. 150. 194. além do contribuinte e do responsável. II. O contribuinte é aquele que detém o débito da obrigação. a imunidade recíproca impede somente a cobrança de impostos sobre patrimônio. CTN). contribuições e empréstimos compulsórios –. CF/88). rendas ou serviços entre os entes públicos (art. não abrangendo as demais espécies tributárias – taxas. CF/88. “in fine”. em detrimento da competência indelegável dada pela repartição constitucional do poder de tributar. CTN). sendo denominado sujeito passivo direto. detendo a responsabilidade pela obrigação tributária (“haftung” ou “obligatio”). 150. mas deverá arcar com o pagamento do tributo por expressa disposição legal (arts. O STF só alarga a incidência da imunidade recíproca na análise “in casu”. inclusive o próprio Estado. com responsabilidade concomitante.

em que pese haver previsão contratual de adimplemento da exação pelo locatário. Nesse segundo caso. A integralidade do tributo é devida por todos. trazem dois casos de responsabilidade solidária dentro do CTN. 123. VII. só é excepcionado se houver comando legal em contrário. podendo esse cobrar integralmente a dívida de qualquer dos devedores solidários. os quais merecem detenção mais apurada. permanecendo a dívida em relação aos demais. excluindo-se as sociedades de capitais. Isso significa que a solidariedade leva em conta a dívida. o fisco poderá cobrar de um. sendo favorável ou desfavorável a todos. somente os devedores assim abarcados serão alcançados. No entanto. parágrafo único. 134. A assertiva decorre do princípio da inoponibilidade das convenções particulares (art. CTN).Nos benefícios fiscais (isenção. remissão e anistia) – se o benefício for dado em relação à dívida. levando em conta aspectos pessoais do sujeito passivo. 125. Exemplo clássico de solidariedade tributária é a cobrança de IPTU sobre imóvel cuja propriedade é tida em condomínio. A obrigação tributária advém de lei e não da vontade das partes. o beneficiário deverá aduzir requerimento ao fisco para obter a isenção. não se perfazendo e se sujeitando às manifestações volitivas de qualquer um que seja. a responsabilidade ora enunciada só abrange as multas moratórias. desenha uma responsabilidade subsidiária. objetivamente. No primeiro. ou seja. Obviamente. CTN.No pagamento – uma vez que um dos devedores solidários realize o adimplemento. Por fim. Os efeitos da solidariedade podem se dar (art. de alguns ou de todos. deverá ser abatida a cota-parte do beneficiário. III. como no caso clássico da cobrança de IPTU em face do locador. o sócio atua com omissão ou negligência na liquidação de sociedade de pessoas (incluindo as sociedades de fato). aproveitando todos os devedores solidários. independentemente da cota-parte de cada qual. CTN. VII. O art. . e 135. parágrafo único. Ou seja. CTN).62 A solidariedade tributária não implica em benefício de ordem. CTN). sendo o benefício realizado “intuito personae”. A rigor. I a III. CTN. 123. 134. 134. Os arts. os demais serão aproveitados. De fato.Na prescrição – será sempre considerada em relação à dívida. quer seja em favor do fisco ou dos devedores solidários. porque o fisco não pode se sujeitar às convenções particulares de negócios jurídicos (arts. o art. Os sócios que assim agem respondem solidariamente com a sociedade somente se essa não cumprir as obrigações tributárias devidas. a relação obrigacional tributária nasce da lei. na qual se pressupõe um benefício de ordem. II. Cada um dos condôminos é devedor solidário da exação. O argumento não é oponível ao fisco. sua interrupção ou sua suspensão também assim se opera. extingue-se a obrigação tributária principal. III. não aquelas decorrentes de descumprimento de obrigação acessória (art. CTN): I. 123 e 124.

Os sócios. deverá recolher o tributo. e 128. A demonstração pelo sócio deverá ser feita por meio de embargos à execução. segundo o STJ. aquele que. com excesso de poder ou com infração à lei. LC 123/06). para responder nos moldes do art. mormente ligada ao recolhimento de tributo. CTN). Será medida célere. mesmo que a pessoa já não mais esteja ligada à empresa na época da baixa. a ser efetivada em até 60 dias (art. Para que se caracterize infração a normas. “caput”. parágrafo único. 123. não envolvendo propriamente sanção pecuniária nem obrigação acessória. III. O lapso temporal de referência é a época do fato gerador.63 No segundo. 150. II. a qual integrou ao Texto Maior o art. Trata-se de previsão legal de desconsideração da pessoa jurídica. Entretanto. Nota-se que a obrigação tributária envolvida é a principal.Expressa previsão legal – harmoniza-se com inoponibilidade das convenções particulares ao fisco (art. CF/88. CTN). 135. é possível destacar três traços marcantes: . deve haver atuação deliberada do sócio-administrador. Observa-se que é uma responsabilidade integral. “in fine”. permite que as MEE’s e EPP’s podem dar baixa de suas atividades mesmo sem comprovação de prova de quitação de tributos. sócios e administradores. . Responsabilidade Tributária Responsável tributário é o chamado sujeito passivo indireto da relação tributária. CTN). o sócio responde solidariamente como resultado da prática de atos dolosos. 78. A figura em análise pode ser classificada como responsável por transferência (sucessão tributária) ou por substituição. O requisito subjetivo só será exigido quanto à outra irregularidade. qualificado pela lei como sujeito passivo. deve necessariamente ter proximidade com o causador do débito pelo qual . CC. Se o sócio constar da CDA como devedor. Nessa hipótese.O terceiro responsável. a desativação da empresa não obsta futura cobrança de débito tributário. § 3º. isto é. como bem vem decidindo o STJ. Somente a lei em sentido estrito pode determinar a relação tributária com responsabilidade (arts. não sendo necessária dolo. LC 123/06. porquanto os infratores responderão pessoalmente perante terceiros. LC 123/06). deverão ter poder de gerência na empresa. diversa do não pagamento da exação. 121. entendendo-se solidariamente responsáveis os titulares. ao contrato social ou ao estatuto. na linha do art. a responsabilidade ganhou ares constitucionais pela pena da EC 3/93. o que exclui sua responsabilidade solidária (pessoal) no caso de mero não recolhimento de tributo pela ausência de caixa para tal. Em que pese o codex já trazer previsão da estrita legalidade. 78. § 7º. sem praticar o fato gerador. 78. não interessa o tipo societário adotado. 204. Esse entendimento decorre da presunção relativa de liquidez e certeza da CDA (art. § 1º. Características gerais – em qualquer das duas categorias. o ônus da prova da exclusão da responsabilidade solidária passa a ser dele. CTN. 50. excluindose a pessoa jurídica do correspondente. O art. culpa ou má-fé pelo simples nãorecolhimento de tributos (art.

no ato. em que pese persistir um ambiente natural nessas exações. Visa evitar o inadimplemento da obrigação tributária e facilitar administrativamente a arrecadação.. não havendo de se cogitar qualquer fato superveniente a determinar a quebra entre débito e responsabilidade. p. havendo débito de IPTU atrasado.). Em que pese intensos debates hermenêuticos. 304) indica que as razões que determinam a incidência da responsabilidade tributária pelo legislador vão desde a conveniência até a necessidade. O IR. ela já recolhe. as exações correspondentes. por exemplo. A doutrina costuma falar de uma “participação indireta” no fato gerador. Na esteira. na sua essência. Responsabilidade por transferência versus responsabilidade por substituição – havendo débito e responsabilidade reunidos em uma só pessoa. “(. como é o caso da retenção na fonte pagadora de percentagem da remuneração do empregado. 307). no caso da instituição financeira retê-la já na conta do correntista. por ocorrência de um fato superveniente. Amaro (2006. mesmo porque se trata de quebra da regra ordinária sobre débito e responsabilidade tributários. a lei desde logo põe o ‘terceiro’ no lugar da pessoa que naturalmente seria definível como contribuinte. a responsabilidade é deslocada (transferida) para um terceiro. sendo deferido o débito a um (substituído tributário) e a responsabilidade. a outrem (substituto tributário). uma garantia pró-credor – a responsabilidade foi erigida fundamentalmente para favorecer a Fazenda Pública. possui vários exemplos. Da mesma forma. quando no exercício do poder de tributar. Essa divisão decorre diretamente da lei. 2006. da segurança jurídica. Ex. o instituto da responsabilidade colima proteção ao fisco. Já na substituição. na substituição. Essa característica decorre. ou seja. III. sendo certo que o liame há de ser econômico. . Esse traço não é exclusivo dos tributos não vinculados. para não permitir que o responsável arque com débito de quem nunca “conheceu” ou se relacionou. inclusive o IR e a contribuição social consectária (art. . a obrigação tributária já nasce com seu pólo passivo ocupado por um substituto legal tributário (AMARO. como a CPMF.64 estará respondendo – deve haver uma vinculação entre responsável e contribuinte. sobretudo. a obrigação tributária é dividida já na sua nascente. porquanto esse sucede aquele..O instituto representa. o empregador da construção civil deve realizar o recolhimento das contribuições previdenciárias dos seus obreiros. Responsabilidade por substituição – substituição tributária não é fenômeno exclusivo do IPI e do ICMS. a responsabilidade pelo seu pagamento é transferida do alienante ao adquirente. quando a casa lotérica vai pagar o prêmio do concurso de prognóstico. 195. CF/88). porque existe em outros.: na alienação imobiliária (fato superveniente). p.

aduzida com base no art. dependendo da conveniência e da facilidade em realizar a fiscalização e o recolhimento. São exemplos de produtos englobados pela substituição regressiva o leite cru (laticínios). tal qual estabelecido na legislação tributária. no caso de exação estadual ou municipal. No entanto. o qual estatui uma forma de arbitramento – quilo da carne. porquanto não se trata de reserva de lei complementar ou constitucional. a base de cálculo do produto ou serviço deve ser monetariamente estabelecido pelo legislador (pauta fiscal)92. a substituição não onera o substituto e muito menos privilegia o substituído. não havendo de se persistir um direito à restituição dentro dessas. CTN. 146. sendo que o primeiro só incidirá em produtos industrializados. o tributo incide sobre o valor total estabelecido pelo componente da cadeia. Cada intermediário na cadeia pagará o tributo dentro do valor por ele agregado. apesar de não haver pronunciamento pacífico do STF. fazendo uma compensação em relação ao valor anteriormente pago. a cana em caule (usina de açúcar e álcool). regressiva ou diferimento fiscal)91. constituindo o que a doutrina e a jurisprudência costumam designar como contribuinte de fato. a exação. escolhe um dos componentes da cadeia de consumo para fazer o recolhimento integral do tributo. porque não se trata de sanção. submeter o responsável a qualquer exação a maior. porque seria faticamente impossível fazê-lo de todos os intermediários. A tributação dessa cadeia de consumo transcende a simples facilidade da tributação. Sistemas de não cumulatividade – o regime de tributações individuais provavelmente levaria a um enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Pública. além da alíquota. trabalho. ora destaca o último. No contexto em tela. se a pauta previr um aumento do produto ou serviço. 92 Ocorrendo desvalorização de modo a depreciar os valores da tabela normativa. já sendo realizada a tributação pelo modelo de substituição para trás. Para eliminar custo. Para evitar tal ocorrência. o consumidor final arcará com a carga tributária. haveria pesos diversos para a mesma situação. englobando exatamente os mencionados IPI e ICMS. risco de inadimplemento e ônus à máquina administrativotributária. Acontecendo situação contrária. outros advogam que incide um enriquecimento sem causa. o que privilegia a segurança jurídica. Na anterior. porque esse repassa os valores recolhidos nos valores de venda do produto ou serviço. É o entendimento prevalente nos tribunais. por norma regional ou local. utiliza-se a técnica da não cumulação. O diferimento tributário. Com efeito.65 Mas a tributação de consumo e as vendas em cadeia são a coqueluche da substituição tributária. unidade de automóvel. como é o caso da isenção e da imunidade. segundo entende o STF (ADIn 2056/MS. progressiva. não cabendo restituição ao substituído final. Ora o fisco seleciona o primeiro componente. não há uniformidade quanto ao entendimento. Min. sendo irrazoável tal posição. o fisco realiza a cobrança da diferença. a qual pode ser aduzida de duas formas: pela compensação de débito e crédito (perfilhado pela legislação doméstica) e pelo valor agregado. Gilmar Mendes. Não há também que se invocar a retroatividade da lei mais benéfica. Nessa última. As cadeias a serem atingidas pela redução da tabela são aquelas não iniciadas. No primeiro caso. da mesma forma caso o substituído final vendesse o produto por um preço maior que o estipulado pela pauta fiscal. a sucata (reciclagem e siderurgia) e animais de abate e corte (açougue). Alguns argumentam que há um ato jurídico perfeito. Informativo do STF nº 469). É uma tese a favor da Fazenda. uma postergação. rel. a Administração Fiscal. pacote de cigarro. DJU 17.8. Em ambas. utilizada pelo Brasil. inclusive no STJ. por presunção ou crédito e fato gerador presumidos). No esquema da substituição. respectivamente.2007. sendo calculado sobre o valor de quem lhe vendeu. o Estado criou a responsabilidade por substituição. há uma antecipação na tributação (substituição para frente. no segundo. um retardamento (substituição para trás. com suas alíquotas. O fisco teria dado cumprimento à lei. sem. contudo. 91 . só incide sobre os valores efetivamente agregados (base de cálculo). Ao revés. pode ser estatuída.

CF/88. esse traço marcante é palco de discussões doutrinárias acerca da constitucionalidade do instituto. da máquina administrativa e dos serviços públicos. o qual seria inundado de executivos fiscais a maior do que a já exaurida e cambaleante capacidade de prestação jurisdicional. Os produtos englobados pelo regime da substituição presumida sugerem a impossibilidade concreta de fiscalização e de recolhimento do tributo. A substituição tributária é um sistema inteligente. Dessa feita.66 etc. o STF optou pela decisão política. Segundo o STF. porque a base de cálculo já está estipulada abstratamente pela lei. § 7º. por diminuir os riscos ao credor tributário e por minimizar os custos de fiscalização e de recolhimento. promulgada a EC 3/93. CF/88. o direito de restituição compete ao substituído. porque há um repasse na nota de compra. sendo posteriormente coadunado pelo legislador da EC 3/93. porque o tributo é seu principal sustentáculo financeiro. Por liberalidade. mormente no tocante à modalidade de substituição para frente. vindo a sentir diretamente os efeitos da tributação a maior pela inocorrência do fato gerador. Nesse passo. necessária a exprimir o real valor da riqueza tributada. e 170. garantiu-se constitucionalidade ao instituto. porque o produto ou serviço poderia só ser repassado muito tempo depois. levando em conta que o fato gerador nem mesmo poderia ocorrer. a qual acrescentou o art. o Estado estaria se enriquecendo ilicitamente. 150. os empresários estariam onerados. a sonegação fica eficazmente mitigada. A questão se vincula a antecipação do crédito tributário. Restituição – a referida emenda. o Estado estaria abrindo mão de receita. foram erigidos argumentos relevantes a favor do instituto. Aparentemente. a extinção levaria à insegurança jurídica na arrecadação. IV. porque cobrara tributação sobre algo que nem mesmo se sucedeu. mediante outras condições. Além disso. Com efeito. O habitat natural desses bens se vincula a uma tributação impossível. a qual não legitima a restituição. mesmo porque. à estimulação ao crime de sonegação. caso não ocorra o fato gerador. tutelada pelo arts. tornando a sonegação francamente presente. Na esteira. vindo a abalar a atividade econômica do empresário e o equilíbrio de mercado. “caput”. a exação já foi recolhida . Isso não significa a operação em valores a menor na ponta da cadeia. No entanto. porque a receita tributária é antecipada em relação ao fato gerador ocorrido. antes mesmo da ocorrência do fato gerador. além de constitucionalizar a presunção do crédito e do fato gerador. supõe-se que o último elo da cadeia de consumo vende o bem por valor a menor que a pauta fiscal. Porém. de acordo com a LC 87/96 (Lei Kandir). é possível atualizar a tabela fiscal por ato do Executivo (decreto). garantiu a restituição dos valores recolhidos. Entretanto. A flexibilização da pauta fiscal se destina justamente à agilidade na atualização. Vamos ao delineamento dessas considerações. 1º. Nessa ponderação de valores. Mais: a substituição para frente tende a tolher e limitar a livre iniciativa. Regime da substituição progressiva e constitucionalidade – a matéria foi pacificada pelo STF. a gravame financeiro da Administração e à potencial afetação ao Judiciário.

porque a lei autoriza a tributar a alíquota em cima da riqueza efetivamente circulada (agregada).67 sobre o montante cheio. os postulantes da tese anterior visam. CF/88). IV. 150.Pela restituição – o direito a pleitear a restituição é do substituído final. principalmente. Nesse sentido. 146. recaindo-se sobre o valor da liberalidade (tributado e não agregado). 93 . Essa riqueza é direito do administrado na prestação estatal.: a base de Cf. não devendo o fisco se assentar sobre o efetivamente praticado. a votação no pleno foi de 6 votos a 5 pelo não ressarcimento. não podendo o Estado abrir mão dela. não há causa para arrecadação. porque o valor inicialmente recolhido pelo substituto corresponderia. medicamentos. III. na primeira. Dessa feita. há grande pressão para alteração legislativa e. A riqueza efetivamente circulada é aquela estabelecida na pauta fiscal. havendo uma diferença em favor do fisco. A tributação de uma riqueza não efetivamente demonstrada é um confisco. montante concretamente agregado. a Administração tributária estaria violando o princípio da tipicidade. com bastante força política.Pela não restituição – preliminarmente. Base de cálculo é valor e não preço. sendo determinado pelo preço que o substituído final praticasse94. ADIn 1851-AL versus ADIn’s 2675-SP e 2777-SP. entendimento que tende a ser revertido nas seguintes (Informativo do STF nº 418). Ao aceitar o preço imposto pelo contribuinte na nota de venda. Preço e valor são conceitos diversos. porque é a lei que fixa a base de cálculo e a alíquota (art. prática vedada pelo art. 94 Os principais setores atingidos pela substituição para frente são: automóveis. A riqueza revelada corresponde àquela existente. o qual deveria ser integralmente devolvido ao final da cadeia. quando o substituído final promove a redução da base de cálculo do imposto por liberalidade? Se não. fazendo-se argüir: é cabível a restituição no regime da substituição tributária para frente. Do contrário. CF/88. O primeiro fundamento se reveste no enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. O terceiro fundamento se vale da violação da efetiva capacidade contributiva. produtos de limpeza e fumo. que foi quem efetivamente pagou. não dependendo de qual o preço determinado pelo vendedor. Ex. ou ao substituído? O eventual direito a ressarcimento recairia sobre que montante? Qual a posição atual do STF sobre o questionamento93? Formaram-se duas correntes: . o (último) substituído pleiteará a restituição do diferencial entre o valor tributado e o preço da venda efetiva. a sonegação fiscal. a incidir sobre um montante maior que o apresentado pela capacidade contributiva do substituído final. a um depósito. O argumento se funda na agregação concreta e não legislativa. mesmo que o substituído final receba a menor pelo bem. sobre a mudança jurisprudencial. Todos os segmentos possuem grande lobby legislativo. em realidade. O acatamento do postulado levaria ao sepultamento da substituição por presunção. A riqueza apresentada pela operação mercantil não é aquela que corresponde à presunção erigida pela tributação. sendo certo que. O substituído advoga pela real demonstração de riqueza. . O segundo fulcro liga-se ao confisco. porque se estaria liberando o substituído final para praticar qualquer preço na venda na ponta da cadeia. a quem compete o direito de restituição? Ao substituto. em tese. bebidas. “a”. por quê? Se sim.

Pode ser visualizada segundo alguns aspectos: . REsp 436. A aceitação abalaria a segurança jurídica. o É devida a multa – podem ser arrolados dois argumentos: um político e outro jurídico. RMS 13. O STF só aceita a restituição na substituição “para frente” quando efetivamente não há o fato gerador. AgRg no Ag 455. A procuradoria estatal não pode realizar a cobrança. a Fazenda teria que devolver o montante. CF/88. se houvesse um subfaturamento. O direito dos terceiros de boa-fé – incluindo o fisco – não pode ser prejudicado em face da atuação do particular. REsp 552. A otimização da arrecadação. DJ 24/6/2002. gerando uma instabilidade para o Estado quanto ao montante arrecadado na cobrança feita ao substituto. as quais apresentam um custo dobrado ao Estado. 2ª T.68 cálculo do ITBI é o valor do imóvel (previsto em tabela estabelecida em lei). em um momento futuro (venda final). DJ 10/3/2003. levando à crença de que as operações a menor não estariam contempladas pelo constituinte. sob pena de abuso de direito. Não se está tolhendo a autonomia privada do alienante do bem. II. Formaram-se duas correntes: o Não é devida a multa – ninguém pode ser penalizado por conduta que não praticou. REsp 469. posto que. mas sim que ela não poderá invadir a seara dos direitos de outrem – do Estado –.915-MG. ADIn 1851/AL.Multa – argúi-se se a multa acompanha o tributo na sucessão. rel. Quanto ao primeiro.386-SP. Após o posicionamento do Supremo. Se esse intentar o feito dessa maneira. quem faz liberalidade deve suportar seus efeitos. o custo da execução geralmente é maior que o próprio valor da sanção. utiliza a expressão “caso não se realize o fato presumido”. englobando o tributo e a multa. LRF). DJ 4/8/2003. não há direito à restituição95. É a tese pacificamente aceita pelo STJ. o STJ seguiu a orientação96. Responsabilidade por transferência (sucessão tributária) – possui duas vertentes: “inter vivos” e “causa mortis”. . não devendo transcendê-lo (princípio da personalização da sanção). 150. A responsabilidade do infrator é pessoal.019-SP. DJ 11/9/2000. São os fatos supervenientes que determinarão a transferência do débito do contribuinte originário (sucedido) a um terceiro (sucessor). Quando esse se realiza a valores menores. principalmente nas multas menores. LC 101/00). 14. 4º. Daí. § 3º. estaria prejudicada. REsp 245. julgado em 3/5/2007. não importando qual o preço estipulado pelos negociantes. Informativo do STJ nº 319. o Judiciário 95 96 STF. STJ. sendo esse transferido integralmente ao sucessor. com os fatores já supra mencionados. a execução é do crédito tributário.694-MG.506-PB. Min. porque se trataria de irresponsabilidade fiscal (art. § 7º. A separação da cobrança implica na existência de duas execuções. gerarse-ia a incerteza: o valor arrecadado pode ser utilizado? Deixaria de ser receita e passaria a ser entrada provisória (componente do Anexo de Riscos Fiscais – art. Além disso. § 3º. Ocorre que o art. DJ 28/4/2003.123-GO. Ademais. João Otávio de Noronha.

Do contrário. cuidou da operação de alienação de estabelecimento comercial (trespasse). já tão abarrotado pelas demandas ajuizadas. O art. com conotações diversas em cada área específica. aplicando-se somente a sucessão do crédito tributário nas transferências imobiliárias “inter vivos”. Os primeiros são os basilares do Estado. O STJ poderia optar por uma interpretação restritiva. e a solidariedade ela pode estar tanto na transferência quanto na substituição. elementares à sua própria existência. 130. CTN. Em suma. na verdade. a solidariedade foi analisada como instituto autônomo em relação à responsabilidade. Optou pela segunda linha. Somente o art. CTN). com exclusividade. Assim. assentando suas colocações em Rubens Gomes de Souza. O art. A multa é sanção administrativa e não criminal (pena). O art. Quanto ao segundo. CTN. por cisão ou mesmo por extinção da empresa. Eduardo Sabbag coloca a responsabilidade por transferência dividida em três categorias: por solidariedade. I. Todavia.69 estaria ainda mais onerado em sua prestação jurisdicional. não sendo estendido à seara administrativo-tributário (poder de arrecadar e de polícia). “caput”. trata da transferência “inter vivos” imobiliária. melhor 97 Luis Roberto Barroso. 133. é apenas sugestivo. 131. CTN. 132. II e III. Qual classificação mais de acordo com o posicionamento das bancas de concurso? Resposta: no momento do concurso é importante você citar estes três institutos. em seu “Interpretação e Aplicação da Constituição”. enquanto os demais dispositivos mencionam apenas “tributos”. restrito à seara punitiva do delito fiscal. No entanto. Os segundos são aplicados a todas as matérias jurídicas. Esse também tem sido o entendimento do STF98. Os últimos somente se verificam em determinados compartimentos jurídicos. essas seriam as disposições normativas. . não sendo possível sua extensão a outros. 131. RTJ 78/965. 132. CTN. Na esteira. divide os princípios em três categorias: fundamentais. seja a responsabilidade por transferência por substituição. a classificação utilizada por alguns doutrinadores configura. gerais e setoriais. a linguagem imprópria do legislador dá interpretação à incidência da multa somente quanto à primeira espécie de transferência. trata da transferência empresarial. essa última foi estudada em tópico separado. trata da transferência “causa mortis”. 130. O modo de exposição da matéria do professor Amaro não encontra guarida na doutrina majoritária? Em posição análoga. por fusão. por incorporação. a corte poderia uniformizar o entendimento. Pergunta: Luciano Amaro. O princípio da pessoalidade da pena na pessoa do criminoso é ditame setorial97. CTN. coloca a responsabilidade tributária divida em três espécies: por transferência. Persiste uma infração tributária e não um crime tributário. o direito penal tributário (atribuição punitiva do delito) não há de ser confundido com o direito tributário “penal” (atribuição fiscal-administrativa). asseverando que o rol do art. o art. refere-se a “crédito tributário” (tributos mais multas). por substituição e por solidariedade. 98 STF. dos sucessores e de terceiros. durante as aulas do curso. “caput”. RE 83. desde que sócio remanescente continue na atividade empresarial (art.613-SP. parágrafo único. À luz exclusivamente do texto frio da lei.

obrigação tributária). em sentido contrário. em concurso público. pelos atos por ou perante eles praticados. Quando. devendo indicar os valores dos tributos a incidir. seriam transferidas ao sucessor também no caso dos arts. a Fazenda Pública será intimada para se manifestar. serão transferidas ao sucessor. Pergunta: o STJ. o valor não poderá ser cobrado posteriormente do arrematante. AGU muitas vezes a posição é diferente da magistratura. Assim. 132. Posteriormente. conquanto os dois últimos autores invocam julgados menos hodiernos do STF e do STJ respectivamente? Resposta: infelizmente ou felizmente. Atualmente. 131 e 132. parágrafo único. o negócio fica perfeito mediante juntada do documento público. a regra é de obrigação “propter rem”. Mesmo sendo uma execução particular. Entendo mais coerente como foi exposto na aula pela professora Tathiane estudar a solidariedade em tópico separado. o adquirente não arcará com os débitos fiscais. Deverá recorrer ao antigo executado para perceber seu crédito. há exceções ao ditame: o Aquisição de imóvel em hasta pública – o terceiro adquirente (arrematante) do imóvel não arcará com os débitos tributários. CTN. Luciano Amaro e Eduardo Sabbag afirmam que a responsabilidade por transferência não se estende a multas. dispositivo pelo qual tabeliães e cartorários devem responder por créditos tributários. o Emissão de certidão de débito pela autoridade fiscal – em alienação de imóvel. CTN. 134. Caso a autoridade fiscal deixe de acusar a dívida tributária no momento oportuno. por exemplo. o fisco percebe seus créditos antes do repasse do numerário ao demandante (art. no ato de . é a prevalente. logo posteriormente à hasta. antes de ser repassado o valor ao exeqüente. em homenagem à segurança jurídica. por analogia. a qual possui fé pública. a título subsidiário. VI. mormente quando se trata de operações societárias (art. mesmo porque. sofremos constantes mutações quanto às posições adotadas pelas Cortes Superiores. a Fazenda Pública expediu certidão de dívida. no momento da hasta. Em verdade. dependendo do ponto de vista. Entretanto. 130. 130. as procuradorias municipais têm erigido a tese de responsabilidade subsidiária do agente público responsável pela omissão na emissão da certidão. entendeu a corte que as multas. componentes do crédito tributário (na realidade. A Fazenda Pública só poderá cobrar do alienante. em tese. do art. CTN). Entretanto. . Nesse raciocínio. precisamos adotar a posição mais recente adequando com o tipo de concurso que você irá prestar. acusando outros débitos não indicados. ao interpretar o art. se a autoridade verifica que houve erro na emissão da certidão. Essa situação se defere à segurança jurídica.Transmissão “inter vivos” de imóvel (IPTU) – as dívidas tributárias.70 modo por eles escolhido para exposição da matéria. CTN. preceituou que seu rol de disposições é simplesmente sugestivo. afinal. Qual posição. CTN). Pendendo exação sobre a coisa. Essa idéia tem por fulcro uma aplicação.

conforme art. 133. o adquirente traz em mãos a certidão de dívida negativa. 133. não poderá. de arrecadação fiscal. fonte de riqueza. a Fazenda Pública se manifesta sobre eventuais débitos do bem (IPTU). subsidiariamente. 124. a Administração Pública responde por tal informação. Antes do repasse do preço ao exeqüente. por conseguinte. seria possível cobrar o débito também do exeqüente? Resposta: cuidado. CTN). Caso haja certidão negativa de dívida. O instituto tem por fim proteger primordialmente o credor tributário. Também não foi prevalente.Transmissão de fundo de empresa – está disciplinado no art. CTN). a responsabilidade do adquirente oscilará. porque a solidariedade não pode ser presumida. perfilhada pelo STJ. parágrafo único. será subsidiária. 133. não foi esclarecida pelo legislador acerca do seu título. 133. CTN). Pergunta: na aquisição de imóvel em hasta pública. O postulado se fundamenta no art. a não ser em caso de dolo do funcionário que a expediu. Nesse caso. não responde pelos débitos tributários. o imóvel posto em hasta pública representa a garantia do pagamento. No entanto. decorrente da própria atividade empresarial. Será integral. em que pese ser integral. havendo passivo fiscal sobre o estabelecimento. I. VI. Qualquer ressalva aposta no documento é cláusula ineficaz. considerada não escrita. 130. há sim interesse comum entre alienante e adquirente em arcar com os . I. de acordo com a postura posterior adotada pelo alienante (art. o agente público que produziu o documento público (analogia ao art. • Responsabilidade solidária com o alienante – é a tese majoritária. A doutrina e a jurisprudência ficaram incumbidas de interpretar a disposição. genuína engrenagem da economia. se o alienante não praticar qualquer atividade empresarial dentro em seis meses do negócio (art. “caput”. o arrematante não responde por débitos fiscais anteriores (art. CTN) – persiste indício de demonstração de riqueza no novo elemento de empresa. caso o adquirente não tenha capacidade de arcar com elas. é possível alcançar o executado e.71 aquisição do imóvel. subseqüentes à alienação (art. No caso da responsabilidade espelhada no art. I. II. de emprego e. Segundo asseveram os defensores dessa corrente. 133. Na operação de trespasse. Essa regra de sucessão tributária colima a preservação do empresário. CTN). posteriormente. 134. caso aquele prossiga no comércio nos próximos seis meses. • Responsabilidade preferencial do adquirente – o alienante responde subsidiariamente pelas obrigações tributárias. Não foi a tese vencedora. Surgiram três posições: • Responsabilidade exclusiva do adquirente – a palavra “integral” quer dizer “exclusiva”. Uma vez que exare certidão negativa. CTN. CTN. por Machado (1993) e por Paul Erik. . vir a cobrar os valores do adquirente. CTN. 208 do CTN. perfilhando o postulado da sucessão “propter rem” totalmente.

Havendo falência ou recuperação judicial. a fórmula aberta do dispositivo legal favorece bastante a arrecadação. impera normalmente a regra “propter rem” – persiste a sucessão tributária nos termos do art. 133. são incompatíveis com o diploma anterior. . A Lei 11101/05 (nova Lei de Falências – LF) provocou alguns reflexos na área tributária. a qual acresceu três parágrafos ao art. não pode levar à exigência do crédito sobre o patrimônio dos sócios. Pela regra. parágrafo único. há extinção da sucessão tributária ao adquirente (art. o diploma criou uma situação esdrúxula de solidariedade tributária. facilitando muito o ofício da PGFN (Lei 11457/06). Com efeito. a Lei 8620/93.250-RS e REsp 638. o eventual adimplemento tributário. CTN). O montante resultante da alienação judicial do estabelecimento ou da empresa ficará depositado em conta do juízo falimentar por um ano. 133. Inicialmente. Não incorrendo nos caso anômalos de desconsideração da personalidade da pessoa jurídica. § 1º.080. Do contrário. Para adaptar o CTN à nova realidade. A revogação foi implícita. REsp 717. no REsp-AgRg 410. CTN. porque a autoridade pode escolher qual o sujeito passivo em melhores condições para arcar com os débitos fiscais. o qual disciplinou as sociedades limitadas. 99 STJ. com o fito de favorecer o adquirente que resolve celebrar o negócio. “caput”. na década de 90. caso o adquirente não seja pessoa estranha ao alienante. 13. I e II. as disposições seguem comandos específicos. CTN). Em verdade. Dessarte. 133. Contudo. ausentando-se qualquer benefício de ordem (art. O legislador considerou mais importante a preservação da empresa do que a satisfação dos credores. estabeleceu responsabilidade ilimitada entre sócios e sociedade nas dívidas para com a seguridade social. considerando o negócio do trespasse. 133 da codificação. enquadrando-se naquelas do art. CTN). foi promulgada a LC 118/05. com fulcro no art. no seu art. de alguma forma. 1052. AgRg no Ag 728.INSS – Sociedades Limitadas e Sócios – Solidariedade – a grande maioria dos empresários domésticos são constituídos na forma de sociedades limitadas. § 2º. com base em três argumentos: o O CC/02 revogou o art. Lei 8620/93 – as disposições do CC/02. 124. porque a estrutura desses empresários não se harmoniza com o dispositivo em tela (art.717-SP. só podendo ser levantado para pagamento de credores extraconcursais ou daqueles precedentes aos tributários (art. O legislador optou por facilitar o trespasse nas delicadas situações mencionadas. . notadamente de contribuições sociais. o STJ se pronunciou sobre a matéria. § 3º. dada a função sócio-econômica daquela.755. A decisão se fundou na existência de expressa previsão legal. CTN. ao alienante.72 débitos tributários. caso esse não esteja ligado. 13. portanto constituindo elemento essencial à mecânica macro-econômica. o voto vencido do Ministro José Delgado fundou uma mudança jurisprudencial efetivada em 200599. 124. afirmando que cabia a solidariedade por maioria de votos. 133. II. CTN.

aduzida nos anos de 1992 e de 1993. também perfilhada pelo art. 13. com seus benefícios legais. Lei 8620/93. principalmente pela pena do Ministro do STJ Garcia Vieira. O STJ entende que a mora pode ser 100 STJ. “caput”. admitia a execução direta do patrimônio administrador pela mera mora tributária. não abarcaria o simples atraso no pagamento dos tributos.73 CC). Por tal argumento. por via reflexa. enquanto o CC. 3º. . III. o A matéria é de disciplina exclusiva de LC – haveria um vício formal no art. Em nenhum momento. . IV. mas sim responsabilização principal na pessoa do administrador. foi mudada hodiernamente100. mandamento construído pela Lei Maior. toda a estrutura econômica positivada (arts.898-DF e REsp 839. haverá responsabilidade decorrente. LEF). Contudo. “caput”. fica reprimida. O próprio STJ tem postura cristalizada no sentido de possibilidade de execução fiscal em face de sócio que conste em CDA. vigente e eficaz. geral. 146. o art. porquanto goza da presunção de constitucionalidade. o CTN atende ao comando constitucional. fica sufragada. porque a LC deve estabelecer normas gerais e não específicas. CTN. Lei 8620/93. invertendo-se o ônus da prova. como bem ventila o art. Esta justificativa também não é própria. uma vez que o sócio conste da CDA. CF/88) fica prejudicada. 13. Este é o argumento mais robusto para afastar a aplicação do art. O que não pode o legislador ordinário é extrapolar os limites do constituinte e do seu comparsa complementar. Dessa feita. Não se tratava de desconsideração da personalidade jurídica. o próprio art. o Violação do princípio da livre iniciativa – além desse gravame direto. 13. O equilíbrio macro-econômico fica comprometido com o tolhimento do sistema capitalista instalado. Nesse caso. apesar de não haver qualquer decisão tomada. contida no art. CTN. Lei 8620/93.Administrador – caso pratique atos em contrário à lei ou com excesso de poder.684-SE. A constituição de sociedade limitada. Trata-se de responsabilidade pessoal do sócio. este fundamento não condiz com o Direito Intertemporal. o comando continua válido. nesse passo. A referência que se faz à infringência da lei. bem como. III. autoriza o legislador ordinário a estabelecer responsabilidade solidária. o constituinte exigiu LC para determinar solidariedade. Lei 8620/93. A jurisprudência. a certidão goza de presunção relativa de liquidez e certeza (art. e 170. Há ADIn em trâmite no STF para contestar a constitucionalidade do art. 135. II. Pelo contrário. excluindo-se a pessoa jurídica do pólo passivo. “caput”. “caput”. 13. 135. 124. Segundo a corte. 1º. Lei 8620/93. REsp 441. Essa tendência. CF/88. CTN. porquanto a Lei 8620/93 é especial. 13. É a teoria “ultra vires”. “caput”. “caput”. a tese da inconstitucionalidade formal do art. lesionando por demais a grande mola propulsora da circulação de riqueza.

parágrafo único. a sonegação. AgRg no AgRg no AgRg do REsp 611. a responsabilidade aqui mencionada deve ser subjetiva. É o entendimento esposado pelo STJ101. Restringindo um pouco mais. porque. incidem multas pesadas sobre o ilícito. por exemplo. até que momento se considera efetivamente espontânea a confissão feita pelo sujeito passivo para fins de se aplicar o benefício do art. . Para tentar corrigir. devendo ser caracterizada o dolo ou culpa do agente. a tese prevalente preconiza o lançamento como fator a elidir a denúncia espontânea. pela qual ficam excluídas as sanções pecuniárias. advogava-se a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea até a citação válida. não dando azo à execução pessoal do administrador. a apresentação posterior da declaração de tributos já caracteriza o ato de lançamento. a confissão deve ser necessariamente acompanhada de pagamento ou cabe tal vantagem 101 STJ. Nesse sentido. Nessa seara. nesse momento.Denúncia espontânea – a maioria dos tributos depende de uma atuação antecipada do contribuinte no adimplemento.681. 138. não pode ser confundida com a responsabilidade objetiva da empresa no mero inadimplemento do tributo ou também no descumprimento de obrigações acessórias. Ademais. tal qual a disposição do art. Ag Rg no EDcl do REsp 826. mediante a efetiva ocorrência do fato gerador. 138. o Havendo denúncia espontânea. Na tentativa de extrair a ocorrência do fato gerador e evitar a decadência tributária. CTN? Inicialmente. Esse pode decorrer de situações de mercado. São os casos. Uma segunda tese estabelecia como marco o início de qualquer procedimento administrativo de fiscalização tributária.74 caracterizada por descumprimento de obrigações tributárias acessórias ou por ocorrência de delito tributário. o fisco já estaria cobrando.628-PR. para que se conceda o benefício previsto no art. EREsp 690. CTN. . quando for percebido nessa prática. o qual pode ensejar diretamente a inscrição em dívida ativa. 138. Mas a Fazenda Pública se preocupa com o recebimento do tributo. foi criado instituto da denúncia espontânea. invoque a denúncia espontânea para afastar multa sancionatória. Esse entendimento não condiz com o espírito do instituto. “caput”. Essa prática objetiva evitar que o contribuinte declare e não pague e. mesmo porque o sujeito passivo deve se apresentar à autoridade fiscal antes desse chamá-lo.133-PR. com antecipação do pagamento. Essa última posição só cabe nos tributos sujeitos a lançamento por homologação. sendo a multa somente instrumento de coerção sobre o ânimo do sujeito passivo. não por corriqueiro inadimplemento de tributo. é recorrente. de dissolução irregular de sociedade ou descumprimento de obrigações acessórias. quer seja na seara administrativa ou criminal. Dessa forma. CTN. de elementos sazonais ou de circunstâncias que tornem a atividade momentaneamente difícil. é necessário levantar quatro questionamentos: o Tecnicamente. Visa primordialmente favorecer o Estado. Contudo.

142. rel. originário Min. com o fim de atingir um objetivo maior e derradeiro. 138. § 1º. CTN). porquanto o contribuinte em atraso não é inocente. lançamento é um procedimento (na 102 STJ. CTN. a sancionatória ou ambas? E quanto aos juros? O art. Nesse sentido. um conjunto interativo de atos entrelaçados por uma seqüência lógica. CTN.278-PR. Denise Arruda. 13/6/2007. a anistia é ato efetivado pelo credor. com o objetivo de atrair contribuintes para saldar sua dívida. conceitua lançamento. tal qual o art. os juros são mantidos “ex vi” da própria redação do art. não pode ser cumulado com o afastamento da sanção. de acordo com sua conveniência e oportunidade.290-PR. 151. 142 a 150. o que deu abertura à exclusão de todas as sanções. como vantagem. a denúncia espontânea só afasta a multa moratória. diploma que integrou o parcelamento como espécie de suspensão do crédito tributário (art. Foi a tese prevalente durante muito tempo na jurisprudência. O art. a natureza jurídica do instituto gera divergência: é ato ou procedimento? É declaratório ou constitutivo? Ato é uma conduta isolada. rel. REsp 831. porquanto o parcelamento incluirá a multa sancionatória. CTN. “Data venia”. . 1ª Seç. DJU 30/6/2006. j. A Administração Tributária deve combater a frustração ao poder de polícia fiscal. As procuradorias fazendárias passaram a defender o não-cabimento da exclusão da multa sancionatória. o legislador seguiu a interpretação jurisprudencial anteriormente dada. pressupondo lei específica para tal. para acórdão Min. Dessa feita. 138. Deveria caber no parcelamento. CTN. aduzido pelo devedor. porque o Estado não pode fomentar. 155-A. Lançamento Está disciplinado nos arts. pelo qual perdoa uma receita. o entendimento foi alterado. Nesse sentido. o Havendo denúncia espontânea acompanhada de pagamento. na anistia. Castro Meira. somente a multa moratória deverá ser afastada pela denúncia espontânea. enquanto procedimento. segundo a jurisprudência do STJ. o inadimplemento tributário. se em ambos os institutos ocorre dispensa de penalidade? A denúncia espontânea é ato de confissão de dívida. a exclusão da penalidade tem que alcance? Atinge a multa moratória. “caput”. Do contrário. CTN. indiretamente. A primeira independe de qualquer norma. Informativo do STJ n° 323. enquanto o legislador. o Qual a diferença entre denúncia espontânea e anistia. em que pese não ser a tese vencedora. “caput”. EREsp 760. De acordo com a jurisprudência supra mencionada.75 quando a denúncia é seguida a simples parcelamento? Somente o pagamento dá azo à denúncia espontânea. Na mesma esteira. A benesse da exclusão da multa não deve ser estendida àquele que parcela. No entanto. sendo certo que o ato administrativo de exclusão do crédito é vinculado.. pode afastar qualquer espécie de penalidade. O parcelamento. na leitura realizada pelo STJ102. Essa posição foi corroborada pela LC 104/2001. não distingue qual a natureza da multa. VI. “caput”.

Na teoria em tela. CTN). porque o fato . Esse entendimento contesta a posição clássica supra exposta. No entanto. analogamente. cálculo do montante a ser pago. o citado mestre defendeu essa posição clássica. porque engloba vários atos em cadeia: identificação do sujeito passivo. Com base na doutrina estruturalista alemã. o Lançamento é declaratório da obrigação e do crédito tributário – o lançamento constitui a exigibilidade do crédito tributário. 156. em que pese ter havido extinção do crédito tributário. mas sim o direito potestativo de lançar – o crédito continua persistindo. o crédito já está caracterizado – não pode haver obrigação sem credor. muito pela existência de três argumentos: • Incidindo a lei a qualificar o fato gerador. o art. Não houve lançamento. CTN. foram erigidas três correntes: o Lançamento é constitutivo do crédito e declaratório da obrigação tributária – lançamento é o procedimento pelo qual se cria crédito tributário (Rubens Gomes de Souza). determinação da matéria a ser tributada. pois alguns entendem que o lançamento é um ato único. a decadência também não extingue o crédito. sem esse aquela inexiste. criado esse por força da lei. já existe relação jurídica obrigacional tributária e. materializado pela notificação. ao prever que a prescrição extingue o crédito tributário. Quanto à segunda pergunta. isto é. terminando com a notificação do contribuinte. haveria incompatibilidade com a previsão de extinção do crédito tributário “ex vi” da decadência (art. Dessa feita. porquanto essa é a perda do direito de lançar. O credor não terá mais o direito de exigir em juízo o crédito. não sendo possível mais sua exigência pela via reflexa. incluindo eventual penalidade. errou. V. O que é extinta é a pretensão. a mora pressupõe crédito. V. “caput”. conseguintemente. Essa posição não é unânime na doutrina. • Como terceiro fundamento. Na esteira. caracterização do fato gerador. não o crédito. sendo constitutivo da exigibilidade do crédito somente em alguns casos – essas hipóteses se restringem aos tributos lançados de ofício. Todos os demais são prévios e preparatórios para tal. 142. o crédito nasce a partir da previsão abstrata da lei e não do procedimento administrativo. o Lançamento é declaratório da obrigação e do crédito tributário. não há consenso entre as duas disposições – como é possível extinguir algo que ainda não foi criado? Alargando um pouco mais o raciocínio. o pagamento do tributo no prazo e forma previstos não enseja qualquer procedimento administrativo. não é possível que o lançamento crie o crédito. • Ao se considerar o lançamento como constitutivo do crédito (art. chamado lançamento. No diapasão. ainda que por meio de ação de consignação. Não é o entendimento mais aceito hodiernamente. Dessa feita. 156. porque o lançamento é pressuposto para tal. CTN). pode ser que a exigibilidade do montante só seja possível mediante determinado procedimento.76 visão do legislador). mas o devedor continua no direito de pagar.

opiniões diferentes. desde que anteriormente previsto na norma? Resposta: sim. os autores refletem sobre o assunto e apontam seus peculiares entendimentos pautados em premissas científicas diferentes. tese essa erigida sob a pena de Rubens Gomes de Souza e perfilhada com impropriedades pelo CTN. uma vez que não haja pagamento por parte do sujeito passivo. O legislador previu três diferentes espécies: o De ofício ou direto – o sujeito passivo não precisa declarar a ocorrência do fato gerador. Pergunta: o professor Pedro Barreto. Nos demais casos. Ademais. devendo ser aduzido pelo contribuinte. Nesse passo. cobrando diretamente do contribuinte. aplicável ao crédito e à obrigação.: ITBI. A autoridade administrativa interpreta a legislação e cobra ou retifica lançamento ou declaração anteriormente aduzidos (art. I a IX. em comentários feitos em aula. 142. O lançamento por declaração está . o momento do nascimento da obrigação – e. taxas. assim como sua correspondente obrigação. no raciocínio de Paulo de Barros Carvalho. o lançamento constitui dever-poder da Administração. sob pena de falta funcional da autoridade atribuída (art. o Por declaração. a autoridade administrativa interpreta a legislação e determina o montante a ser adimplido. cobrando. CTN). no IPTU. CTN). o professor trouxe à baila o postulado da natureza declaratória do lançamento. daí a razão de serem. misto ou híbrido – o fisco não conhece o fato gerador. aduzida pela lei.: IPTU. contribuições de melhoria. nasce a partir da qualificação jurídica do fato gerador. o sujeito passivo paga. devendo o sujeito passivo declarar sua ocorrência. autos de infração. a simples ocorrência do fato gerador já possibilita a exigência do crédito tributário. ITR. desconstruiu a teoria clássica da constituição do crédito tributário pelo lançamento. Modalidades de lançamento – para identificá-las. Ex.: no ICMS. o fisco sabe de antemão o valor. parágrafo único. o Necessidade ou não de pagamento pelo sujeito passivo antes da cobrança (pagamento antecipado) – deve ser aferido quem deve interpretar a legislação para apurar o momento devido: o sujeito passivo ou a autoridade tributária. o mestre afirmou que o crédito tributário. do crédito tributário – não seria a efetiva ocorrência do fato gerador. Na esteira de Ricardo Lobo Torres e outros. Após a cobrança. 148 e 149. Contudo. Ex. etc. Após tal ato. Ex.77 gerador está às vistas da autoridade fiscal. é necessário levar em conta dois critérios: o Necessidade ou não da participação do sujeito passivo declarando o fato gerador. o fisco não tem como saber qual o montante a ser pago. também. Os critérios serão verificados à luz do tipo do fato gerador. Não há dever de pagamento antecipado pelo sujeito passivo. de sua natureza. II e IE. por conseguinte.

Dessa forma. IR. Em verdade. por qualquer uma de suas formas.Tutela do contraditório – é um direito garantido constitucionalmente (art. ele passa a ser exigível. dentro de um PAF. e 151. haverá lançamento de ofício posterior. O que caduca é o direito potestativo ao lançamento de ofício. Ex.: ICMS. 70235/72. constituindo a quitação como meio de prova. o sujeito passivo pode levantar questões prejudiciais à exigibilidade do crédito. Contudo. IV. CTN. os tributos aqui incluídos não são passíveis de qualquer lançamento originário – o lançamento “ex officio” só será posterior. CTN). 151. interpretando a legislação. a cobrar eventual diferença. com as devidas peculiaridades do D. seguindo o princípio do devido processo legal e convertendo o procedimento em verdadeiro processo de discussão. é amplamente possível a instalação do contraditório para contestar o procedimento de obtenção dos valores. “caput”.78 previsto no art. III. CF/88). 5º. inclusive os lançados por homologação. LV. o legislador erigiu duas idéias mestras dentro da suspensão da exigibilidade: . mas todo tributo pode ser alvo de decadência. 151 a 155-A. 150. havendo qualquer diferença de valores entre o declarado e o devido. 5º. CTN). Não existe decadência do lançamento por homologação. 147. O sujeito passivo deve ofertar declaração na qual há informações essenciais ao lançamento. CTN). calculando o montante devido e pagando antes de ser cobrado (pagamento antecipado). o Por homologação ou autolançamento – essa modalidade contraria a criação do crédito pela ocorrência do fato gerador juridicamente qualificado. quando se invoca direito líquido e certo a ser . Posteriormente. Nessa seara. Corresponde à maioria das exações. CTN). Havendo diferença entre o devido e o pago. fazendo nascer a exigibilidade da obrigação principal (pagamento do tributo). O legislador criou-a para levar a cabo a idéia de constituição do crédito mediante lançamento. não sendo sempre obrigatório o pagamento “incontinenti” do tributo. Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário Introdução e modalidades – a suspensão de exigibilidade do crédito tributário está regulada por seis artigos do CTN (arts. O CTN listou quatro modalidades de suspensão da exigibilidade do crédito tributário dentro dessa categoria: o Recurso administrativo (art. etc. a Administração tributária realiza o ato. o qual é regido pela Lei 9784/99 (Lei do Processo Administrativo Federal) no âmbito federal. Trata-se de ficção jurídica. CF/88. IPI. sendo certo que ninguém poderá ser executado enquanto discute o objeto do litígio. Lançado o crédito tributário. “caput”. XXXV e LXIX. o fisco homologa o valor recolhido (art. o Mandado de segurança com liminar (arts. Com base nesse documento. Permite a ampla defesa dentro do feito. O sujeito passivo precisa declarar o fato gerador.

CTN). CTN. é caracterizada a finalidade de obstar a exigibilidade do crédito tributário. 154. deveria haver inscrição em dívida ativa. mas não a única. CF/88. e 151. I. a qual retira do credor o interesse de agir para execução em face do devedor. 207). REsp 251. não objetiva desconstituir o crédito tributário. D. p. É a situação mais comum. 151. 62.Negociação da forma de pagamento – o devedor concorda com o valor lançado e exigido. à razoabilidade e à eficiência. “caput” e parágrafo único. caso haja lançamento durante o curso do processo. . o escopo em tela se dá em homenagem à economicidade. a suspensão do crédito tributário.350-SP. 12/9/2007. porquanto a exigibilidade do crédito tributário só fica dissolvida mediante a incidência de alguma causa de extinção ou de suspensão. II. CTN)103. DJU 3/11/2003. j. 104 EREsp 479. VI. CPC). “caput” e I. O depósito em tela é exigível nas ações declaratórias de inexistência de débito (anteriores ao ato de lançamento) e anulatórias de lançamento (obviamente posteriores a esse). “caput”. 70235/72). REsp 258. como já disse o STJ104. o legislador percebeu que seria melhor abrir uma fase intermediária. dando azo à execução forçada. o Ação judicial com liminar ou tutela antecipada (arts. A moratória pressupõe crédito lançado ou em vias de lançamento. Com efeito. Dessa forma. DJU 26/9/2005. mormente com o intuito de discutir a dívida.79 demonstrado por prova pré-constituída. EREsp 215. se houver eventual lançamento. Lei 1533/51). o sujeito passivo pode ingressar com ação declaratória preventiva de inexistência de débito. enquanto na consignação fica patente a intenção do devedor em pagar. o Depósito do montante integral (art. Mas o ajuizamento “per se” de declaratória não obsta o direito de lançar. CC). no depósito integral. é uma espécie do gênero moratória. II. o parcelamento (art. Alguns autores equiparam o instituto a uma novação objetiva. CTN). tida antes do lançamento. 7º. V. CTN). 2002. Com efeito. CTN). 151. José Delgado. REsp 490. ou requerer. Previamente à cobrança do débito fiscal. não se confundindo com consignação em pagamento (CHIMENTI. ao contrário da primeira. 151. salvo disposição legal em contrário (art. também a título de tutela antecipada na inicial. É melhor à Administração tributária perceber o valor depois de um prazo determinado que nunca receber. 5º. Min. 103 . instituto constante do Direito Privado (art. Apesar de qualquer das referidas medidas ter o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. V. O legislador não previu expressamente a ação anulatória de débito fiscal ou de lançamento no art. em que há fracionamento da dívida tributária ao longo do tempo. É o caso. em verdade. 1ª Seç. Do mesmo modo. o devedor tem dois caminhos: aduzir pedido subsidiário de tutela antecipada incidentalmente para suspender a exigibilidade do crédito. da postergação da mora com consentimento do Estado.641-PR. devendo ser revelado relevante fundamento e ineficácia da medida na manutenção do ato impugnado (art. Nesse caso. em tese. Informativo do STJ n° 331.752-SP. o fisco faz jus à conversão do depósito em renda. 151. Caso alguma dessas demandas seja extinta sem resolução do mérito. instituto denominado moratória (art.. rel. procedimento fiscal já instaurado não ficará obstado caso já tenha sido disparado. por exemplo. desde que presentes a verossimilhança das alegações e o “periculum in mora” (art.725-BA. DJU 25/2/2002. A negociação entre sujeito passivo e credor permite o pagamento em situação mais razoável. No entanto. I. 273. visto que está presente o “animus solvendi”. DJU 12/3/2001.589-RJ. Para impedir seus efeitos. mas não tem condição de pagar o tributo à vista. em que pese ficar impedido de ser iniciado se ainda não o foi (art. XXXV. 360.

suspende-se a prescrição. se a demanda for infrutífera. protestam.80 Efeitos da suspensão – suspensa a exigibilidade.Impedimento de inscrição em dívida ativa – o recurso administrativo tempestivamente interposto implica em inexistência de mora. Antes. “in fine”. não ocorreu. na realidade. mas o Supremo extinguiu o feito sem resolução do mérito. Foram erigidas duas teses. Informativo do STF n° 472). O CADIN teve alguns de seus efeitos contestados quanto à constitucionalidade (ADI 1454-DF. Por conseqüência. 736.Impedimento da ação de execução fiscal – processualmente falando. CPC. Revista dos Tribunais. 105 Não é demais lembrar que há doutrinadores a defender a não suspensão da execução fiscal em face do mero oferecimento e recebimento dos embargos do executado. deverá ser dada publicidade a interessados de que o sujeito passivo é entendido como devedor pela Administração. o É possível – porque a extração de CDA e a inclusão em cadastro de inadimplente (CADIN)106 não têm o único condão de promover a execução. o adquirente deverá conhecer a situação fiscal do alienante. verificou o inadimplemento do devedor e declarou que pende dívida para com o Estado. no caso de alienação de imóvel. a realização de operações de crédito e a celebração de convênios. Por todos. No entanto. conquanto. além de Luiz Wambier. argüindo a possibilidade ou não de inscrição em dívida ativa. . impede-se a prescrição. Min. considerando que esses tenham o condão de obstar a demanda fiscal105. Por exemplo. o devedor terá como resposta certidão positiva de débito fiscal com efeito negativo. v. fazendo surgir a pretensão concreta de exigir a prestação devida. pendem alguns efeitos: . O procedimento de ativação da dívida é uma conclusão interna da Administração tributária. . Ao requerer documento de situação. São Paulo. ajustes ou contratos que envolvessem a utilização de recursos públicos foi instituído pela MP 1442/96. Foi legislado sob a forma da Lei 10522/02. “caput”. aplicáveis à execução fiscal (art. Ex. A prescrição em comento só começa a correr após o prazo para interposição do recurso administrativo. o que. equivaleria a “embargos à execução preventivos”. ficando peremptoriamente na ordem jurídica posta. conquanto o autor não promoveu o aditamento da exordial na conversão da citada MP em texto de lei. “caput”. a qual está obstada pela suspensão de exigibilidade do crédito tributário. depois. Contudo. o fisco poderá exigir tributos relativos ao bem futuramente (art. CTN). A prescrição é um instituto que pressupõe lesão a um direito subjetivo do credor. Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart. LEF). Não haverá qualquer restrição ou constrangimento quanto ao exercício de direitos.Suspensão ou impedimento do curso da prescrição à pretensão executória – a prescrição decorre de inércia por parte do credor tributário. Essa atividade é inútil em face da impossibilidade de promover a ação correspondente. Essa leitura advém de uma interpretação analógica dos arts. sem unanimidade na doutrina e na jurisprudência: o Não é possível – porque a extração de CDA se presta à ação executiva fiscal. rel. Ellen Gracie. ela não incide. 2007. 130. antes do decurso. 106 O Cadastro Informativo (CADIN) dos créditos não quitados de órgãos e entidades federais pelos órgãos da Administração Pública Federal para a concessão de incentivos fiscais e financeiros. 1º. que apurou a legalidade do fato. e 739-A. a qual contou com sucessivas reedições. 2. . acordos. Curso de Processo Civil: Execução. a discussão judicial implica em mora.: pode participar de licitação ou prestar concurso público.

não existe direito absoluto. Por exemplo. O fundamento apriorístico seria a inafastabilidade do Judiciário (art. rel. mormente previstos no art. “caput”. Informativo do STJ n° 324). não a suspende. A via administrativa é mais vantajosa que a impugnação judicial. detém jurisdição.Maior celeridade – em relação ao processo judicial. pelo qual qualquer um deles pode ser relativizado. DF e Municípios). . DJ 27/4/2007.Prescindibilidade de advogado – o contribuinte poderá defender-se sem pagar honorário. “a”. . Dessa feita. 5º. Em melhores termos.566-MG.. STJ. não sendo exigível o crédito nesse período. CF/88. Estados. a chance de provimento é muito maior. REsp 943. CF/88). . nos 30 dias para o recurso administrativo. a interposição de recurso administrativo impede a incidência dessa nesse momento. se a exigibilidade não está presente. caracterizando-se sua intempestividade desde então. “caput”. 19/6/2007. 1ª T. sem necessidade de qualquer demonstração extraordinária. Min. 5º. leitura referendada pelo STJ (STF.Inexistência de custas processuais – o contencioso administrativo é gratuito. LV. ao menos na primeira instância administrativa107. José Delgado. isto é. de certa feita.116-SP. Entretanto. Antes de tudo. CF/88) não exige o pagamento de taxas. Recurso administrativo – o prazo para a interposição de recurso administrativo é o mesmo do pagamento (art. Preclui o direito a recurso administrativo. inexiste infringência ao direito subjetivo do credor tributário. por vezes. segundo a linguagem própria do CTN. A exigência do depósito viola a ampla defesa (art. além do que a garantia do direito de petição (art. Se houvesse previsão de esgotamento da via administrativa antes do juízo. tem vez a mora (“ex re”). 37. . segundo alguns fundamentos: . mas sim o condicionando. 160. LXXIV.Desnecessidade de demonstrar fundamentos para liminar ou tutela antecipada – a mera interposição do recurso já obsta a exigibilidade. 107 O STF já declarou inconstitucional a necessidade de depósito recursal na via administrativa. CF/88). 5º. Tais argumentos só serão válidos se os órgãos administrativo-fiscais de apreciação atuarem de acordo com os princípios da Administração. XXXV. direito individual e cláusula pétrea. não se estaria negando acesso à jurisdição. . CTN). segundo pronunciamento pacífico do STF. essa máxima deve ser vista “cum grano salis”.81 O momento hábil a iniciar o lapso prescricional é exatamente a existência da lesão. a arbitragem. j. Acesso à jurisdição não implica necessariamente em acesso ao Judiciário. o que. Vencido o lapso para impugnação ou para pagamento sem atuação do devedor tributário nesse sentido. segundo disposição unânime do legislador em todos os níveis estatais (União.Maior probabilidade de sucesso – havendo maior especialização técnica do órgão administrativo julgador e verdadeiro bom direito alegado. AC 1. reputandose como definitivamente constituído o crédito. A resposta negativa administrativa não é condição de procedibilidade para o ajuizamento de ação judicial. não ocorre. não corre a prescrição.

tal quantitativo financeiro pode obstar o acesso ao recurso voluntário administrativo. posição 108 Súmulas 346 do STF: “A administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos”. porque a celeridade não é seguida (art. regra “de lege ferenda” nesse sentido teria o condão exatamente de prestigiar o Judiciário e não de restringir sua atuação. Assunto que se encontrava em pauta no STF é a constitucionalidade do depósito para recurso voluntário em segunda instância administrativa. não obstante poder determinar condicionantes para tal. todos os princípios processuais já foram seguidos no PAF. a jurisprudência tem entendido que um valor razoável seria de 30% sobre o total do débito. na realidade. respeitados os direitos adquiridos. CF/88. mas tão-somente discussão perante a autoridade tributária. a apreciação judicial”. . 5º. por motivo de conveniência ou oportunidade. Segundo o STF. considerou o depósito recursal como inconstitucional. Dessa feita. em recente decisão. LXXVIII. a máquina jurisdicional ainda poderia ser acionada subsidiariamente. inviabilizando a continuidade do PAF. não causando prejuízo ao administrado. A garantia não provém de disposição constitucional. porque deles não se originam direitos. porque. ou revogá-los. legitimidade. quando eivados de vícios que os tornam ilegais. uma vez que pode haver valores em jogo muito altos. CF/88). Súmula 473 do STF: “A administração pode anular seus próprios atos. Se houver vício no PAF. o que não se liga ao mérito da questão. Ademais. Mas o depósito de todo montante fere a razoabilidade e a proporcionalidade. não assistindo razão para recorrer à via judicial. disposição essa rechaçada pela jurisprudência por entendê-la. como antecipação de penhora. A Fazenda Pública não pode pleitear sua revisão jurisdicional. mas sim legal. dentro de um PAF. Em verdade. Para a doutrina processualista. 5º.82 em que pese o órgão arbitral não ser componente do Poder da Justiça. por conseguinte. A Justiça não consegue conferir uma prestação adequada ao jurisdicionado. XXXV. Os advogados dos contribuintes passaram a postular que essa proporção é relativa. teria o condão de obstar o ajuizamento de ação pelo fisco? O STF já pacificou a jurisprudência dizendo que faz coisa julgada material. em matéria fiscal. em todos os casos. Dessa feita. o legislador do CTN conferiu o duplo grau para o sujeito passivo. tal impugnação só era possível mediante depósito do montante integral. para que esses ganhem confiabilidade e. careceria a ação do fisco por inexistir interesse de agir. o Excelso Pretório. Dentro dessa idéia. não haveria razão de existência do próprio procedimento administrativo. A decisão administrativa positiva imodificável em favor do contribuinte. Posição mais radical apregoa a impossibilidade do art. Essa condicionante de procedibilidade não pode ser refutada com base no duplo grau de jurisdição. e ressalvada. a Administração deveria investir nos órgãos administrativos julgadores fiscais. Nessa vertente. cabe anulação por parte da própria Administração pelo seu poder de autotutela (Súmulas 346 e 473 do STF)108. ao revés. caso houvesse insucesso na seara administrativa. porque a tecnicidade da decisão administrativa é muito mais precisa e adequada que aquela a ser proferida pela revisão jurisdicional. Porém. Até poucas décadas atrás. Não há litígio jurisdicional instalado.

110 Nos termos do art. A infringência dessa norma pode ensejar a medida cautelar fiscal (art. Esse dispositivo não se aplica os débitos previdenciários. 2º.4. 2ª T.2007. Foi exatamente o que decidiu recentemente o Excelso Pretório em sede de controle difuso de constitucionalidade112.corroborada pelo STJ .. É entendido como montante integral corresponde ao total cobrado pela Fazenda. Marco Aurélio. tendo sido declarado como inconstitucional111.000.976-7-DF. Em qualquer caso. AC 1. ADIn 1976/DF.. Isso significa que o depósito a menor. eles também começaram a questionar o arrolamentos de bens a final.). DJU 5/6/2007. 64.359. transferir ou gravar seus bens sem prévio conhecimento da autoridade fiscal (art. a natureza jurídica é híbrida. Em contrapartida. 64. Informativo do STF nº 461. § 7º. DJU 9/9/2002. j.937/92. 19/6/2007. 70235/72. com piso de R$ 500. § 2º.566-MG. a ampla defesa e a garantia ao devido processo legal. Devido à recente mudança de composição do STF.. Informativo do STJ n° 332. AgRg no RMS 14.). porquanto representa uma garantia em favor do cidadão e do credor simultaneamente. Min. D. porque as leis previdenciárias são especiais em relação às disposições genéricas do D. o recurso voluntário somente terá seguimento se o recorrente arrolar bens e direitos de valor equivalente a 30% (trinta por cento) da exigência fiscal definida na decisão. I a IX.116-SP. § 3º..030-RJ. DJU 27/4/2007. alterado pela Lei 10522/02. caso em que a penhora poderia incidir sobre bens indicados pelo devedor110. frustrando o direito à revisão do processo administrativo na primeira instância. para a Administração Tributária. valor entendido pelo contribuinte. Depósito do montante integral – geralmente se atrela a uma ação de depósito combinada com ação anulatória de débito fiscal. Doutrinariamente. RE 388. Informativo do STJ n° 324. “In verbis”: Art. há certeza de que. Na esteira. 70235/72. rel. STJ. Dentro desse contexto. rel. ao total do ativo permanente se pessoa jurídica ou ao patrimônio se pessoa física. 112 STF. 20/9/2007. (. em eventual execução futura. ADIn 1.. eliminando o custo da execução judicial e da eventual hasta pública. DJU 26/10/2001. infringindo o contraditório. Lei 8. Min. tendo o ato efeito de consignação em pagamento. 1ª T. AgRg no Ag 829. quando o crédito tributário for superior a 30% do seu total. Lei 9432/97). 64. Joaquim Barbosa. . 33. o percentual de 30% foi novamente contestado. na medida em que ambas as medidas importam em bloqueio de patrimônio. A presunção se 109 109 83 STF. Nesse caso. Lei 9432/97). Min. REsp 943. Lei 9432/97. não obsta a execução. sendo improcedente o feito.00 (art.932-SP. no qual o relator afirmou que a substituição do depósito por arrolamento de bens não descaracteriza o gravame intransponível para o contribuinte-recorrente. É vantajoso para o devedor porque inibe ação de execução e livra o contribuinte dos encargos moratórios. Min. José Delgado. sob pena do depósito não ser idôneo à suspensão de exigibilidade. § 2º. o montante será apto a tornar a solvência do devedor perfeita. 64. rel. (. permitiu a indicação de bens para a subida do recurso administrativo para segunda instância. 111 STF. a autoridade fiscal poderá realizar descrição minuciosa de todo o patrimônio do devedor. “caput”. o arrolado não poderá alienar. Lei 9432/97).. segundo entendimento estipulado pelo STJ. RE 311. limitado o arrolamento. § 4º. 9.023-3/RJ. o art. j. 33. Segundo a corrente. o depósito recursal impede o prosseguimento do PAF. sem prejuízo do seguimento do recurso. prevista nas hipóteses do art. j. rel. que regula o processo administrativo fiscal. João Otávio de Noronha.

é lícita. a verba será incluída no Anexo de Riscos Fiscais. O ônus da prova se defere ao contribuinte. Esse óbice ao exercício da atividade estatal é chamado pela doutrina de “periculum in mora” inverso (Ricardo Lobo Torres). a Lei 9703/98 veio a autorizar que a União utilize o dinheiro. Consoante o voto do 113 114 Súmula 112 do STJ: “O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro”. STF. já que pende ato administrativo vinculado do agente público. Joaquim Barbosa. § 3º. CTN.6. A priori. 27. com redação dada pela Lei 9822/99. Cezar Peluso. Nos embargos à execução. a CEF pague o primeiro. Conseguintemente. o levantamento antecipado do depósito integral constitui autêntica entrada temporária. empresa do setor tabagista pleiteava a declaração de inconstitucionalidade do art. adendo componente da LDO (art. 163. A Súmula 112 do STJ113 preceitua que o depósito deve ser em dinheiro. o fisco também não poderia fazer o levantamento antecipado do depósito.84 encontra em favor do credor. 9º. O levantamento do depósito antes do trânsito em julgado da ação judicial não é permitido ao depositante. j. II a IV. sob pena de impossibilidade da realização do bem comum pela Administração. o juiz expede o alvará de levantamento para que. Sob os auspícios do Direito Financeiro. por haver um contra-senso para com o sistema de execução fiscal positivado. A titularidade do bem não pertence mais ao autor da demanda. É nesse sentido que a doutrina critica o entendimento do STJ. Destarte. como lembra Chimenti (2002. não cabendo indicação de bens. em 24 horas. AC 1657 MC/RJ. rel. II. estaria sendo frustrada totalmente a “ratio essendi” do instituto previsto no art. 4º. a suspensão da exigibilidade do crédito tem autêntica natureza de “embargos antecipados”. visou à manutenção do Estado com o numerário em depósito. o plenário da corte manteve a medida executiva da SRFB. No plano orçamentário. porquanto o Supremo reconheceu que sua produção viola o direito à saúde de plano. afetando sobremaneira a governabilidade. Na consignação. CPC). Ademais. p/ o acórdão Min. por meio do poder geral de cautela (art. Dessa feita. p. a ser administrado pela CEF através da Conta Única do Tesouro Nacional.2007. LC 101/00). O conceito de “periculum in mora” inverso já foi usado pelo STF em outra situação. Dessa forma. LEF). Min. O legislador acolheu a presunção de legitimidade da exigibilidade do crédito tributário lançado. orig. no sentido de condicionar o pagamento de um tributo ao recebimento de outro. esvaziando-o. A demandante teve seu pleito indeferido cautelarmente. II. reconhecendo expressamente hipótese de “periculum in mora” invertido114. a subordinação. 2º. por uma questão de lógica. comando que permite à SRFB cancelar autorização de funcionamento de pessoa jurídica do ramo que esteja em débito com o fisco federal. seria possível outra espécie de garantia da referida suspensão. ficando sob a guarda da Justiça até a decisão final. Uma vez que o autor da demanda seja vencedor. porquanto se trata de autêntica imputação (art. Em contrário. imposta pelo fisco. não consubstanciando receita em sentido estrito. o depósito de montante integral deve ser a última saída para o contribuinte. Em sede de controle difuso de constitucionalidade. pois passa a ser “res in judicia”. rel. 207). . CTN). 798. “caput”. 151. por meio de ação cautelar. II. DL 1593/77. é possível indicar bens à penhora ou constituir fiança bancária (art. Como já fora mencionado. Informativo do STF n° 473.

constituindo o recolhimento inexato da exação como fator de desequilíbrio da concorrência e do mercado. CF/88)116. V. não cabendo no caso de parcelamento. Em sendo assim. pois ele é espécie do gênero moratória. Lei 9430/96. Contudo. Aspectos tributários – há óbice ao curso prescricional e impedimento da execução fiscal. o STF julgou prejudicada a demanda por ausência de aditamento por parte do autor (Conselho Federal da OAB). a carga tributária do IPI. não se aplicam as Súmulas 70. cabendo à autoridade tributária decidir pela sua concessão ou não de acordo com sua discricionariedade. valendo o “pacta sunt servanda”. 34. repetiu tal tipo permissivo. “caput”. O parcelamento deve ser vislumbrado no que tange o direito tributário. com fulcro na inexistência de previsão expressa no rol do então art. Parcelamento – só passou a existir no CTN a partir da LC 104/01. havia posição que defendia a impossibilidade de suspensão do crédito em face de parcelamento concedido por lei ordinária. CTN. muito pela situação ímpar apresentada. I. Aspectos penais – discute-se sobre a suspensão da pretensão punitiva nos crimes contra a ordem tributária. parágrafo único. Antes do diploma. Mais ainda. rel. CF/88) e a vedação à circulação por meio de tributos (art. O art. A LC 104/01 veio justamente para acabar com a controvérsia ao acrescer o inciso VI no art. Cármen Lúcia. 116 STF. como efeitos naturais da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. em face de parcelamento firmado entre contribuinte e fisco. Min. o art. salvo se o legislador ordinário previr de modo diverso. 5º. A MP 1699-41/98 permitia o parcelamento de qualquer débito com a Fazenda Pública em até 30 parcelas mensais. DJU 17. O diploma estava sendo impugnado por meio da ADIn 1922/DF. com a maior alíquota existente. o parcelamento é um autêntico contrato administrativo com novação objetiva. Súmula 547 do STF: “Não é lícito à autoridade proibir que o contribuinte em débito adquira estampilhas. expressamente prevista no art. 115 Súmula 70 do STF: “É inadmissível a interdição de estabelecimento como meio coercitivo para cobrança de tributo”. XIII. ADIn 395. para a exclusão de multas moratórias. Informativo do STF n° 467. previsto no comando impugnado. é sabido que a denúncia espontânea só é possível. o eminente julgador salientou que o ato administrativo. despache mercadorias nas alfândegas e exerça suas atividades profissionais”. prevê que o parcelamento virá acompanhado de multas (sancionatórias) e de juros de mora. 10. O art. § 1º.85 relator para o acórdão. Com a conversão do comando no art. 151. Ocorre que o tabagismo é problema gravíssimo de saúde pública. constitui autêntica intervenção estatal por indução. dispõe que o pagamento. Lei 10522/02. em que não cabe execução no curso do parcelamento adimplido. se acompanhada de pagamento. 83. Lei 9249/95. Nesse sentido. a qual alegava que o parcelamento é um direito subjetivo do contribuinte. Ministro Cezar Peluso. desde que preenchidos os requisitos legais. 323 e 547 do STF115 “in casu”. . 151. CTN.8. 150. Em realidade. I a IV. com vista a desencorajar o empresário do segmento.2007. realizado antes do recebimento da denúncia. Na esteira. penal e empresarial. Súmula 323 do STF: “É inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para pagamento de tributos”. Ademais. a apreensão de mercadorias desacompanhadas de documentação fiscal pertinente não é medida desarrazoada e que infringe a liberdade profissional (art. constituinte atuação acertada da autoridade fiscal. emprestando o raciocínio do Direito Privado. extingue a pretensão punitiva estatal em crimes fiscais. 151. CTN. reveste-se de razoabilidade. CTN. 155-A.

“caput”. 337-A. não havendo de se falar em princípio da consunção. deveria ser iniciado antes do procedimento de fiscalização (arts. se há delito formal. Lei 8137/90. que a falsificação de documento público (art. “caput”. A Lei 9983/00 criou os tipos penais previdenciários no CP. 138. como o legislador não exigiu termo final para pagamento ou parcelamento (início da fiscalização ou recebimento da denúncia). incluindo tanto os tipos previdenciários quanto os fiscais genéricos. a qualquer tempo. Dessa feita. § 1º. e 168-A. retificando a terminologia adotada. enquanto a previdenciária. HC 81611. “caput”. 117 118 STF.2007. Ambas possuem penas iguais (reclusão de 2 a 5 anos). 2º.9. o STF afirmou que a decisão administrativa negativa é condição objetiva de procedibilidade119. parte da jurisprudência entendia que o parcelamento antes do recebimento da denúncia suspendia a pretensão punitiva. 119 STF. 116. aplica-se a disposição do art. CTN) para ter sua responsabilidade penal suspensa. HC 85048-RS. o STF preceitua que há suspensão da pretensão punitiva. 2ª T. no caso concreto. caso o delito seja material. o réu ou mesmo condenado pode pleitear a extinção ou a suspensão da punibilidade. Lei 9964/00 (Lei do REFIS 1) veio a ratificar expressamente a suspensão da pretensão punitiva pelo parcelamento. é necessário que o infrator realize denúncia espontânea (art. em seu art. HC 84345-PR. 9º. qual o seja de prestar declaração falsa para eximir-se de pagamento do tributo. porém. CP. Inicialmente. CP) pode ficar absorvida pelo tipo do art. Informativo do STF n° 480. 120 STF. Destarte. recorre-se ao art. I. 18. rel. Sepúlveda Pertence. Lei 8137/90. 297. Havendo crime previdenciário. as penas são bem menos severas (detenção de 6 meses a 2 anos). aplica-se aos processos em curso e aos eventuais condenados117. I. outra vertente jurisprudencial refutava tal entendimento. Caso haja possibilidade de desdobramento mais complexo. dispôs que o pagamento extingue a punibilidade e o parcelamento suspende a pretensão punitiva. desde que haja. CP). Lei 8137/90. o art. para suspender a pretensão punitiva. Naquela. o parcelamento. . No diapasão. Contudo. por inexistência de previsão legal expressa. segundo preceitua o Supremo118. o delito de falso fica caracterizado.. Como a lei penal mais benéfica retroage. a Lei 10684/03 (Lei do Parcelamento Especial – PAES – ou do REFIS 2). CP. Contudo. exaurimento da potencialidade lesiva da conduta dentro da teleologia do recolhimento fiscal. Para pacificar a controvérsia. o Excelso Pretório estabeleceu que o exaurimento da via administrativa é prejudicial em relação à justa causa para ação penal120. Em melhores termos.86 mas também silenciou quanto ao parcelamento. STF. no art. Cezar Peluso. 337-A. 2º. Min. permanecendo assim durante o adimplemento das obrigações de trato sucessivo. CP. porque inviabiliza o custeio da Previdência Social e todas suas prestações sociais essenciais. A apropriação indébita tributária genérica está tipificada no art. II. 168-A. a reprimenda é maior (reclusão de 2 a 5 anos). ao passo que nessa. Sendo sonegação tributária não previdenciária. Posteriormente. Ressalta-se. Para preencher a lacuna. Uma vez que haja impugnação administrativa do auto de infração lavrado pela fiscalização tributária. o MP não pode prosseguir em ação penal tributária. § 2º. Min. rel. HC 91542/RJ. j. 1º. sendo previdenciária. por aplicação analógica do art. 15.

III. antes de proferida a decisão final. preceitua que o ajuizamento de ação de consignação em pagamento teria o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. importante lembrar que não é permitido à Administração Tributária remeter ao Ministério Público representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária praticados por particulares. afirma ser hipótese de suspensão. Perguntas: estava verificando a posição de Luciano Amaro e parece que o autor. O MP vinha apregoando a promoção da ação penal sempre. o MS. I. o citado mestre afirma que esse feito opera “ipsu jure”. Por fim. O autor. seria possível demandar por meio de cautelar inominada com pedido liminar? Respostas: sim. CTN. 5º. Contudo. Perguntas: todo recurso administrativo que impugna o lançamento tem efeito suspensivo (art. portanto. em sua obra. I. definidos nos arts. não ficaria condicionada ao exaurimento da via administrativa. Aspectos empresariais – a Lei 11101/05 estabelece as regras sobre falência e recuperação judicial. VIII do CTN). 162. IV. Além dessas vias. CTN. 5º. 151. Essa idéia contraria a presunção de inocência (art. com base nos arts. o contribuinte poderá intentar uma medida cautelar inominada ou atípica. 155-A. III. LVII. o legislador complementar resolveu incluir o art. § 4º. CF/88). 798 a 803 do CPC. 1º. para tornar mais elásticos os prazos de parcelamento quanto aos tributos. independentemente de tutela antecipada ou de medida liminar. § 2º. em face do art. diplomas específicos dos Estados ou Municípios podem estatuir condições muito onerosas às empresas em recuperação no tocante à tributação. porque estava correndo o prazo prescricional da pretensão punitiva. Para corrigir e inibir tal prática. visto que não foi extraída qualquer idéia semelhante na doutrina? Respostas: cuidado! A consignação em pagamento é hipótese de extinção do crédito tributário (art. Sempre que houver fundado receio de grave lesão a direito subjetivo. ao interpretar o art. 151. independentemente da natureza formal ou material do crime fiscal. 155-A. V. CTN. a previsão do art. Lei 8137/90. e 2º. em sala de aula. ambas mediante tutela antecipada: ação anulatória de débito fiscal ou de lançamento (após o lançamento) e ação declaratória de inexistência de débito (antes do lançamento). Perguntas: com referência ao art. o art. 156.87 não cabe óbice ao prosseguimento do processo criminal. porque a simples condição de réu em processo crime leva a várias restrições jurídicas. CTN. I. sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente (Arts. juntamente com seus parágrafos. É um entendimento minoritário ou relevante na jurisprudência. 151. para essa hipótese. previu que os decursos de . o professor Pedro Barreto. 2730/98). Ao que parece. CTN. CTN)? Em caso positivo. não caberá. Lei 1533/51? Respostas: a previsão do art. inclusive oferecimento de denúncia. CTN. elencou duas formas de aduzir a suspensão da exigibilidade do crédito (ou da obrigação) tributária. 1º e 2º. estabelece o recurso administrativo e. Em um primeiro plano. D. 151. na esfera administrativa. em momento algum. A doutrina de Luciano Amaro é muito respeitada no meio tributário.

o CC/02 diferenciou os institutos em comento segundo critérios científicos. Em que pese a boa intenção do legislador. isto é. constituindo caso de parcelamento heterônomo. a prescrição contra a Fazenda está especificada nos arts. o legislador quis dizer “lei geral”. da titularidade. entendidos como direitos subjetivos “stricto sensu”. revelam direitos subjetivos. 168 e 169. devem ser maiores ou iguais que aqueles previstos em lei federal. § 4º. houve impropriedade lógica. estabelecendo o legislador uma limitação temporal. Aquela termina com a pretensão de direito. Os direitos potestativos lesivos. Houve clara confusão de institutos e impropriedade técnica por parte do CTN. é cediço dizer que prescrição e decadência não extinguem o crédito tributário. § 4º. só cabe sujeição. A distinção entre eles reside exatamente no ponto a que se reveste o objeto da extinção. No outro pólo. com base em Pontes de Miranda. V. Existe ADIn no STF contestando o dispositivo em tela. levando exatamente à prescrição e à decadência respectivamente. Prescrição e Decadência Introdução e conceituação – antes de tudo. Perfilhando Agnelo Amorim Filho121. . mediante lei específica. estão os direitos potestativos. com o direito potestativo de lançar. a prescrição que corre contra o contribuinte. principalmente os contratos. Nesse passo. sendo a maior parte desses de caráter bilateral.88 parcelamento a serem concedidos por E. colocou a expressão “lei federal específica” – mas como essa não existe. O primeiro deles advém da natureza jurídica do direito a que se refere: a prescrição se refere a “facultas agendi”. A doutrina os reputa como direitos frágeis. entendidos como direitos potestativos. 174. A satisfação de uma das partes depende fundamentalmente da vontade da outra. e 40. Ao revés. errando o legislador na redação do art. 173 e 150. porque altera a situação jurídica independentemente da atuação de outrem. 155-A. em que não se depende de qualquer outro para sua satisfação. CTN. O Direito Civil é o que melhor informa a diferenciação entre prescrição e decadência. A decadência é tratada genericamente nos arts. CTN. a decadência se refere a “normas agendi”. em face de inércia. Tanto prescrição quanto decadência revelam perda de algo. 156. são só resolúveis no tempo. as ações condenatórias 121 RT’s 300/7 e 744/725. enquanto essa. que não comporta lesão. em que o direito utiliza o tempo como instrumento letal de algum instituto. CTN. CTN. parece que o dispositivo fere a autonomia federativa. DF e M. nos arts. A esse. Dessa feita. aqueles que não muito incomodam não estão sujeitos a tal baliza de interregno. CTN. sujeitos à lesão. V. “in fine”. o negócio jurídico. LEF. 156. Os limites ao qual se referiu a lei são chamados de prazo decadencial. É um direito robusto. Mais ainda: o art. os quais podem causar grande comoção sócio-jurídica. Os titulares de ambos ficam sujeitos à sua extinção pela não exigência ou não exercício ao longo de determinado lapso temporal.

esse último também não está inerte. 174. porque não pode promover a ação competente para cobrança. “caput”. o decurso decadencial fica “suspenso”. as ações meramente declaratórias. começa a correr o prazo prescricional da demanda executória. não corre prazo de prescrição. a decadência só é tratada. em um só dispositivo: o art. sendo imprescritíveis. Decadência – três temas mais controversos delineiam o instituto e suprem as querelas mais significativas: • Qual é o termo “a quo” da decadência nos tributos lançados de ofício. • O que é a interrupção da decadência tributária. 173. o Estado há de perdoá-la em decorrência da inação do titular de um direito. 173. “cria-se o crédito” –. a prescrição e a decadência são institutos que prezam pela segurança jurídica. CTN). “caput”. CTN). por comportarem direitos potestativos não lesivos. não se sujeitam ao decurso do tempo. Por conseqüência. devendo o sujeito passivo pagar o tributo ou interpor recurso administrativo. A partir do lançamento. no CTN.89 dizem respeito a direitos subjetivos. começando a correr somente no primeiro dia do ano seguinte. Por imperativo lógico. o legislador posterga essa baliza. De outra sorte. essas ações devem ser implementadas em trinta dias. 1º dia do exercício seguinte ao que já se podia lançar – de acordo com a natureza do direito potestativo. Durante tal interregno. Adotando o prazo geral do CTN. . Não há de ser razoável que qualquer pessoa seja “escravizada” para todo o sempre em detrimento de certa relação jurídica. os quais buscam a pacificação das relações sociais. no primeiro ano civil em que se podia lançar. A partir daí. Trazendo de volta o raciocínio ao Direito Tributário. Em verdade. No entanto. é possível dizer que o direito (poder) do fisco realizar o lançamento é potestativo. Termo “a quo” da decadência nos tributos lançados de ofício – tecnicamente. cria-se a exigibilidade do crédito – para o CTN. sujeitos à decadência. sujeitos à prescrição das correspondentes pretensões. a decadência SEMPRE ocorre em um 1º de janeiro. o inadimplemento do devedor configura lesão ao direito do credor. Os incisos do dispositivo estabelecem os termos iniciais da contagem da decadência: I. Depois do decurso. • Como se conta a decadência nos tributos sujeitos a “lançamento por homologação”. surgindo pretensão desse ao exercício em juízo. quando é adquirido. Dessa forma. porque não persiste lesão ao direito subjetivo do sujeito ativo. as ações constitutivas – positivas ou negativas – estão ligadas a direitos potestativos. o qual também é de cinco anos (art. para permitir que o fisco tenha uma garantia maior na satisfação de seus débitos futuramente. o termo “a quo” do prazo decadencial é sempre quando aquele surge. quer seja ele subjetivo ou potestativo. O CTN estabelece que o decurso decadencial para tal é de cinco anos (art.

há extinção do crédito tributado. 173. Nesse caso. Nesse montante. havendo qualquer diferença de valores entre o declarado e o devido. • Não pagar – seguindo o mesmo raciocínio anterior. Quanto a esse. inclusive os lançados por homologação. • Pagar a menos – o crédito tributário é bem divisível. não a homologação. Nesse sentido. Não se perquiri . cabe ao sujeito passivo interpretar a lei. o fisco lançar. por conseqüência. descontando-se o valor já recolhido. Dessa feita. ocorrendo confirmação pela homologação expressa ou tácita. O que extingue o crédito tributário é o pagamento. mas sim do direito de realizar o lançamento do tributo sujeito à homologação. passando a se sujeitar à decadência. O direito potestativo de realizar o lançamento do montante integral nasce. único dispositivo idôneo a prever a contagem da decadência. ficando sujeito à decadência. De outra parte. Não subsiste qualquer direito potestativo do fisco em realizar lançamento. persistindo os mesmos desdobramentos e conseqüências do anterior. e. A contagem do prazo da decadência é feita de acordo com três teses: • Corrente restritiva – leva em conta tão-só o art. nasce o direito potestativo do fisco realizar o lançamento complementar de ofício. a confirmação ocorre pela homologação expressa ou tácita. desde que antes do decurso prescricional.Do dia em que foi anulado o lançamento por vício formal – essa disposição não encontra maiores desdobramentos no momento. No tocante à diferença. o contribuinte pode: • Pagar a mais – há extinção do crédito tributário. mas todo tributo pode ser alvo de decadência. Não existe decadência do lançamento por homologação. não se falando em decadência. quando esse paga a menor. não há qualquer extinção do crédito tributário nem homologação expressa ou tácita. desde que a declaração do contribuinte também tenha sido errônea. não existe decadência da homologação. O credor tem parcial crédito para com o devedor. • Pagar exatamente o que deve – da mesma forma. Decadência nos tributos sujeitos a “lançamento por homologação” – nessa espécie de exação. já podendo a Fazenda Pública inscrevêlo em dívida ativa e executá-lo a qualquer momento. I. O lançamento de ofício é o único sujeito à decadência. persiste pagamento parcial. Nesse âmbito. a priori. calcular o montante e recolher antecipadamente. extinção parcial do crédito tributário. quitação é meio de prova e não o pagamento em si. não devendo. o STJ considera o termo “a quo” para o lançamento por homologação o oferecimento da declaração correta feita pelo sujeito passivo. a corte entende que o crédito está constituído e o tributo lançado. CTN.90 II. passando a ser delineada no item sobre interrupção da decadência. O que caduca é o direito potestativo ao lançamento de ofício.

§ 4º. CTN. 150. o STJ passou a aceitar esse entendimento. traz uma exceção à regra espelhada pelo art. não seguindo o necessário crescimento da estrutura de fiscalização. contam-se cinco anos para se operar a decadência (art. Nota-se que o tempo previsto pelo legislador se refere tanto para o lançamento em si (art. em face de uma questão política de isonomia. o custo jurídico para a Fazenda Pública passou a ser muito alto e. o tempo de cinco anos. Dessa forma. 173. No diapasão: Afronta o princípio da não-contraditoriedade das normas jurídicas aplicar a uma mesma hipótese a regra e a exceção. promover o lançamento de ofício dos débitos fiscais. “caput”. Pior: os causídicos passaram a requerer compensação e não restituição por precatórios. mesmo porque o legislador não permitiu alteração no CTN para um prazo decadencial de dez anos. CTN). 3º. CTN). Para mitigar a sonegação. p. 173. Para Amaro (2006). CTN) não corre concomitantemente com o interregno decadencial de cinco anos para o lançamento (art. qual seja. Tomando por base as considerações supra sobre o termo “a quo”. Com efeito. Isso representa uma impossibilidade lógica e jurídica. LC 118/05 veio a fulminar a “Tese do 5 mais 5 anos”. Conseguintemente. 413). o fisco não consegue. “caput”. mesmo porque só esse último está sujeito à decadência. no prazo decadencial de cinco anos. “caput”. § 4º. é realizado de forma híbrida ou de ofício. o art. • Tese da LC 118/05 – os advogados dos contribuintes passaram a postular a aplicação do mesmo raciocínio para permitir repetição de indébito. principalmente daquelas exações sujeitas à antecipação do pagamento (tributos sujeitos a lançamento por homologação).91 se o lançamento está sujeito à homologação. 173. a gama de fatos geradores. a de o prazo para o lançamento começar a correr quando já não seja mais lícito lançar (AMARO. CTN). foi erigido o postulado em relevo. Os . CTN. § 4º. correndo os decursos simultaneamente. para o lançamento (decadencial). não permitindo tal interpretação pró-contribuinte. a tese não alterou o prazo decadencial. 2006. O art. quantitativa e qualitativamente. Com o crescimento da população. para realizar a homologação tácita (art. na contrapartida da decadência. foram por demais majorados. A homologação tácita e o lançamento de ofício seriam atos distintos. 173. a construção jurisprudencial em comento (STJ) teve por fim exatamente possibilitar maiores poderes à fiscalização tributária. mas postergou o termo inicial de sua contagem. correndo primeiramente o lapso para homologação e posteriormente. I. Dessa feita. • Tese 5 mais 5 anos – por razões administrativas. CTN) quanto para homologação tácita (art. Por interpretação sistemática do próprio CTN. 150. foi deferida a extensão do decurso. em conjunto. 150. a partir do fato gerador.

o lapso de decadência está diminuído. parece fácil compreender devido ao critério da exclusão: impossível utilizar a forma do art.2000. eventual recurso administrativo ou ação judicial pode contestar o lançamento por vício formal – cálculo errôneo do tributo. a decadência não fica sujeita a causa de impedimento. o inadimplemento completo leva à primeira corrente supra exposta (“corrente restritiva”). porque essa pressupõe a existência de algum pagamento. a contagem do prazo decadencial se faz de acordo com a espécie de inadimplemento por parte do contribuinte. DJU 8. . CTN. caso haja pagamento parcial. Para o inadimplemento parcial. o qual inexiste. Pergunta: de acordo com atual orientação jurisprudencial do STJ.5. 173. CTN. 173. nos tributos sujeitos à homologação. o ato de lançamento implica em afastamento da decadência. LC 118/05. não paira dúvida sobre sua verdadeira função interruptiva do decurso. aplica-se o art. 0123113-8). para construir o raciocínio da segunda hipótese? Resposta: cuidado. O termo inicial. 207. A doutrina tratou esse fato como causa de interrupção de decadência. 150. O segundo é bem evidente. Interrupção de decadência – em regra. o ato é definitivamente anulado. 26. II. 123 A doutrina aponta duas possibilidades de decadência interrompida: o art. porquanto peticiona pela sua revisão. o decurso para exercício do direito de lançar é contado nos termos do art. Contudo. CTN. CC). Sendo procedente o procedimento. REsp 276. por exemplo –. a decadência legal pode ser afetada por tais institutos.181/MG (2000. 173. prevê que haja algum pagamento. No entanto. I. em clara afronta à previsão legislativa. porque o art. DJU 17. 150. e o art. o STJ não teria se fundado no art. Com efeito. de interrupção ou de suspensão (art. O entendimento de que o primeiro comando se refere à interrupção decadencial é minoritário nos meandros jurídicos. De acordo com o CTN e 122 ED no REsp 101. O STJ desdobrou sua nova leitura em duas instâncias122: havendo pagamento a menor. § 4º. Quanto à primeira hipótese.2003. CTN. quanto ao segundo dispositivo. 173. mesmo porque o STJ propicia um interregno decadencial menor que o previsto pelo legislador complementar para se operar a decadência. CDC. porque está considerando o termo inicial do interregno decadencial o fato gerador e não a data devida para o pagamento. é fixado na ocorrência do fato gerador.6. DJU 30.88733-4). Porém.92 advogados postularam o mesmo tratamento quanto ao fisco. § 4º.2. CTN). tratando-se de inexistência de qualquer pagamento. REsp 289. seu raciocínio parte de premissa errada. 150. a segunda situação parece carecer de fulcro mais sólido. CTN. a contagem se faz nos moldes do art. não havendo qualquer pagamento. “caput” e I. A priori.2003. aplica-se o art. § 4º. 173. cuja corrente prevalente assente a existência de autêntica suspensão do interregno de decadência. II. Por acaso. Há certa confusão entre os institutos da prescrição e decadência. I. Dessa feita. sua Primeira Seção de Direito Público se equivocou. § 4º. CTN. com pagamento de parte do montante devido. CTN. 150. devolvendo-se integralmente o prazo decadencial para a Fazenda Pública realizar novo lançamento (art. o STJ preceitua que a contagem da decadência será concomitante à homologação tácita. No entanto. o qual foi plenamente acolhido pelo STJ. desde que o legislador expressamente preveja123.407/SP (98.142/SP (2000/0090249-7). Dessa forma. Entretanto. ao invés de ser no primeiro dia do ano seguinte àquele em que se passou a poder lançar (art. 3º. CTN).

de acordo com a participação do Agente Fiscal em face do ato de lançar. Prescrição – sua conceituação segue o já explanado. no momento de “homologar”. previsto no sistema jurídico brasileiro. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. Caso não tenha feito corretamente. caso seja necessário. pois ele é afeto ao teor do art. já que a Administração Pública Tributária fez o que deveria e o contribuinte não pagou. o prazo a ser observado será o prescricional. Os institutos da decadência e da prescrição são fenômenos que retratam limites de tempo incidentes no direito. 150 da referida Lei”. Deverá então lançar e autuar. direito de o contribuinte pleitear valores pagos a maior. Pergunta: a disciplina de decadência e prescrição se aplica integralmente às obrigações acessórias não adimplidas e. regulado pelo art. é necessário que tenha relação jurídica com sujeito passivo. Só poderemos falar em prazo decadencial (findo) se não houver presença (via presencial ou por meio de notificação) do Agente no exercício de formalização do lançamento que lhe cabe. no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação. é necessário apurar. no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. não poderá fazê-lo. No que diz respeito ao texto do artigo 3º da LC 118/05. mais uma vez. já que incompleta esta fase. 168 da Lei no 5. a Administração Pública Tributária. de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. (Lembre-se que o contribuinte deveria ter “pago antecipadamente” e cumprido obrigações acessórias).172. 2) Caso haja pagamento parcial. Essa atuação da Administração Tributária é tida por meio do lançamento. certa e exigível. por meio de execução fiscal. mediante procedimento administrativo vinculado. Previamente à constituição do sujeito passivo como devedor. o teor do crédito tributário. Para que a Fazenda Pública possa promover a cobrança judicial de seus débitos.93 a atual orientação jurisprudencial do STJ. Isto quer dizer que ambos. . o Fisco. 168 do CTN. conseqüentemente. devendo ser analisados alguns desdobramentos. transmudadas em principal (multas)? Resposta: sim. cada qual com sua peculiaridade. o direito de cobrar e portanto submetido ao prazo prescricional do art. 174 do CTN. a extinção do crédito tributário ocorre. irá lançar “de ofício” o valor faltante e autuar quanto às penalidades pelo descumprimento da obrigação. Surgirá então. na qual fica configurada obrigação líquida. havendo inexistência de qualquer pagamento (supõe-se que o lançamento já ocorreu). portanto. a contagem decadencial se faz de acordo com o tipo de lançamento e. “Art. ou seja. 1) Com efeito. tratando-se de lançamento direto ou de ofício. cuidado. 174 do CTN. ao final deste ato. A partir daí só caberá Execução Fiscal. fixam prazos para o exercício de determinadas ações no campo tributário. É a implementação do princípio da segurança jurídica. no exercício de fiscalização.

é repetido o decurso para o pagamento. Em verdade. O ajuizamento da execução fiscal em si não interrompe a prescrição. CTN. que esse decurso é de 30 dias (art. Ao invés de dizer que a prescrição corre da mora. no silêncio de lei ordinária específica. o legislador fez coincidir o termo “a quo” com sua construção de crédito tributário definitivamente constituído. surge a lesão e. a Administração toma providências para a cobrança do débito. fato que só será efetivado 124 Na tese da “actio nata”. CTN). a pretensão para a exigência judicial – é a tese da “actio nata”124. em que há sua interposição. No entanto. “b”. sobre o qual não incide a prescrição. Sendo improcedente o recurso administrativo tempestivamente interposto. 585. . a prescrição fica suspensa por 180 dias a partir da inscrição em dívida ativa. supõe-se que haja impugnação administrativa por parte do devedor. o qual poderá modificar o ato. A partir do 31º dia. Permanecendo inerte o sujeito passivo ou sendo infrutífero seu recurso. é que o crédito estaria “definitivamente constituído”. abre-se novo prazo para pagamento. nos termos da LEF. “caput”. Por incrível que pareça. No entanto. Nesse intervalo. Dentro dessa discussão. § 3º. o sujeito passivo tem um lapso para realizar o pagamento ou para interpor recurso administrativo. é necessário extrair certidão da dívida ativa. o STJ entende que essa suspensão não é cabível. porquanto matéria atinente à LC (art. Entretanto. com o inadimplemento do devedor. destacam-se duas hipóteses: uma em que inexiste impugnação administrativa e outra. Para fins de entendimento majoritário. pois não existe ainda lesão ao direito subjetivo do fisco. Não efetivando o inadimplemento. o crédito estaria definitivamente constituído. do inadimplemento ou da lesão. porém. 160. porque o crédito está constituído definitivamente – na linguagem do legislador – mas a prescrição não está correndo. Termo “a quo” da prescrição – a partir do lançamento. mas não definitivamente. 2º. o lançamento constitui o crédito. o prazo prescricional para ação condenatória começa a correr a partir do conhecimento da lesão do direito subjetivo por parte do lesionado. posição atualmente refutada pela doutrina. 146. Além dessa dívida constituída. a inscrição na dívida ativa é o ato que consubstancia o contribuinte como devedor. “caput”. LEF. a prescrição corre da decisão definitiva do recurso administrativo e não do fim do novo prazo para pagamento. O CTN prevê. como já mencionado. materializada pela ação de execução fiscal. porque previu o termo inicial do prazo prescricional a partir da “constituição definitiva” do crédito tributário. o qual se valerá como título executivo idôneo a promover a referida demanda executiva (art. De fato. o fisco confere prazo para o contribuinte pagar ou oferecer defesa administrativa. III. Mas o legislador foi infeliz na redação do art.94 Depois de lançado o crédito tributário. por conseguinte. 174. Há um contrasenso. CF/88). CPC). o legislador previu situação insólita. De acordo com o art. em que o interregno prescricional corre ainda que inexista lesão ao direito subjetivo correspondente. Mesmo considerando a construção do legislador. não corre prescrição. VII. Somente depois desse decurso ou sem impugnação administrativa. o codex acolheu o postulado de que a constituição do crédito se dá com o lançamento. porque o sujeito passivo ainda tem um período para interpor o recurso administrativo.

permitia o desarquivamento da execução a qualquer tempo (art. ou seja. 9º. A partir da citação. Revelia do executado – enseja a penhora ou arresto dos bens do demandado. parágrafo único. desde que encontrado patrimônio em condições de responder pela dívida fiscal. LEF). LEF). depósito em dinheiro ou oferecimento de fiança bancária – art. fundando-se no art. A tese pró-contribuinte. A partir daí. E verdade. I a IV. A prescrição intercorrente não tinha previsão legal até 2004 (Lei 11051/04). parágrafo único. A execução estará extinta. Esse documento instruirá a petição inicial da ação de execução fiscal. . a qual ocorrerá dentro dos cinco anos seguintes. a doutrina construiu a denominada prescrição intercorrente. o oferecimento dessa defesa atípica só e possível quando persiste liquidez e certeza da prova. 174. mas sim de mera defesa inominada em sede de processo executório. LEF). CTN. I. § 2º. parágrafo único. caracteriza-se o crédito definitivamente constituído. O termo apontado foi justamente o despacho de arquivamento da execução. com redação dada pela LC 118/05).95 pelo despacho do juiz que determina a citação do executado (art. a fiscalização aduz título de dívida ativa (termo de dívida ativa) e extrai sua certidão. Não tem natureza de ação. I. Não encontrando qualquer bem penhorável. passou a considerar que. Prescrição intercorrente – a Fazenda Pública procedeu ao lançamento. Prescinde de garantia do juízo. o demandado tem algumas opções: Pagamento – com a satisfação do direito do demandante e extinção da execução e do crédito tributário. justamente pelo princípio da celeridade processual. não sendo mais permitido o desarquivamento do processo. No despacho citatório do processo. Depois de um ano. e 8º. interrompe-se a prescrição tributária (arts. Desse ponto. como diploma protetivo do credor fiscal. muito pelo qual a LEF. que não depende de dilação probatória. o juiz julgará a execução extinta. A idéia foi albergada pelo STF em homenagem à segurança jurídica. creia-se que voltará a correr a partir de certo momento. dando prazo para pagamento ou interposição de recurso administrativo. § 3º. em sede de cognição sumária. se a prescrição foi interrompida. a execução fica suspensa. 174. Não encontra previsão legal. CTN. CTN. 174. o qual permitirá a discussão da dívida em sede de cognição. o juiz deve proferir despacho de arquivamento do feito. 40. surgindo a lesão ao direito do fisco. sendo instrumento criado pela doutrina e amplamente aceito pela jurisprudência. Embargos do devedor – o juízo deverá ser garantido pelo depósito do montante integral da dívida (nomeação de bens próprios ou indicação de outros de terceiros. para permitir harmonia entre o CTN e a LEF. Passado o decurso “in albis”. Acolhendo a defesa. Exceção (objeção) de pré-executividade – aplicável nos casos em que o executado detém prova pré-constituída (documental). termo inicial da prescrição qüinqüenal.

Em razão da Lei 11280/06. pelo simples decurso do tempo. § 4º. porque prescrição é matéria de defesa disponível126. Havendo conflito entre CPC e LEF. Além dessa. a Lei 11051/04. não configurando direito subjetivo do contribuinte. CTN. Sendo assim. que determina ao juiz o reconhecimento de ofício da prescrição. segundo bem aponta parte da doutrina. manifesta-se a doutrina majoritária. no lapso de cinco anos. Nota-se que se trata de faculdade do juízo. porque é possível sua renúncia por razões outras. trata-se de interregno prescricional. mesmo porque há interesse público em jogo. Lições de Direito Processual Civil. o juiz então estará autorizado a reconhecer “ex officio” a morte da pretensão pelo decurso do tempo. 168. A revogação do art. Nesse caso. Rio de Janeiro. CPC). vindo a favorecer o fisco. Isso não significa que a prescrição não-intercorrente – podendo ser chamada de ordinária – não possa ser reconhecida de ofício pelo magistrado sem prévia oitiva do fisco. a prescrição reconhecida de ofício passou a vigorar no processo civil (art. porque versará sobre a modalidade ordinária da prescrição. sob pena de nulidade absoluta do ato. 219. “in fine”. advogam Roberto Senize Lisboa e Nelson Nery Júnior. o STJ entendeu que a prescrição intercorrente começa a correr um ano após a suspensão da execução. Ambas correm contra o sujeito passivo da obrigação tributária. fato que sugere o instituto da prescrição. 1º. há uma autolesão. 126 Pela perpetuação da prescrição como matéria disponível. 40. 127 Na verdade. Não se manifestando nesse sentido ou silenciando sobre a matéria. além de positivar a prescrição intercorrente no âmbito tributário. mesmo sob o regime da Lei 11280/05. Para solver o entrave. não retira do devedor a possibilidade de renúncia admitida no art. não localizados bens penhoráveis. LEF). independentemente do ato formal de arquivamento da execução (Súmula 314 do STJ)125. Em que pese alguns autores defenderem natureza decadencial ao decurso em tela. Quando o fisco aceita um pagamento a maior. existe a prescrição bienal do art. dentro 125 . desde que ouvida previamente a Fazenda Pública (art. afirmando que a prescrição passou a ser matéria de ordem pública. suspende-se o processo por um ano. mesmo porque o primeiro (lei geral) só terá vez na execução fiscal em caráter supletório (art. nasce lesão127 ao direito do sujeito passivo tributário. A salvaguarda do legislador se deve à potencialidade do instituto em tela.96 Questão se pôs quando o juiz e a secretaria deixam de efetivar o arquivamento. o juiz poderá vislumbrar a prescrição já no despacho citatório da execução fiscal. 2. 13 ed. não sobre a intercorrente. 191 do texto codificado”. Rodrigo Mazei e Câmara. Lumen Júris. LEF). v. 2006. o qual tem o condão de liquidar a pretensão do credor. 169. a qual versa sobre ação de anulação de decisão administração que denega a restituição. Entretanto. Isso também não quer dizer que o juízo deverá prescindir de manifestação do executado. Em contrário. 191. § 5º. cujo pensamento pode ser traduzido pelo Enunciado 295 do CJF: “Art. Nesse sentido. findo o qual se inicia o prazo da prescrição qüinqüenal intercorrente”. a maior parte das pretensões ao indébito surge de erro de interpretação do próprio sujeito passivo. 194 do Código Civil pela Lei n. Apesar de ser factível em tributos lançados de ofício ou por declaração. sempre deverá ser aberto o contraditório para o demandadocontribuinte. de fato. surgindo a pretensão desse para Súmula 314 do STJ: “Em execução fiscal.280/2006. O termo “a quo” da prescrição intercorrente ocorre automaticamente. CTN. O direito ao ressarcimento no indébito também não pode perdurar pela eternidade. Prescrição nas ações de repetição de indébito – está prevista no art. aplica-se a segunda pelo princípio da especialidade. 11. permitiu seu reconhecimento de ofício pelo julgador..

CONFINS. o STJ disse que o lustro se aplica para os fatos ocorridos após a vigência da LC 118/05. Nesse caso. I. 6/6/2007.. contados a partir do fato gerador. Porém. O STJ.97 se ressarcir mediante o exercício do direito de ação. não é o terceiro que lesa o direito alheio. a teor do que definira o constituinte128. o STF deu parcial provimento a RE interposto pela AGU para contestar a posição do STJ quanto ao caráter não-retrospectivo da LC 118/05. 195. Corte Especial. 15. . Observe que a demanda será condenatória. Destarte. Por óbvio. O termo “ad quo” da prescrição da repetição de indébito comporta certa complexidade. porque existem dois momentos lógicos: o recolhimento antecipado do tributo (a maior) e a homologação desse pagamento pelo fisco (art. EREsp 435. o decurso de cinco anos. desde que indevido (a mais). j. Informativo do STF nº 467. DJU 4/6/2007. o que justifica a natureza prescricional do lapso ora em comento. declarou inconstitucional o caráter interpretativo da LC 118/05. a lançamento de ofício e por homologação. Esse dispositivo diz respeito às exações sujeitas. mas sim o próprio contribuinte dá causa. Min. viola a cláusula da reserva de plenário (art. I. rel. nos tributos sujeitos à homologação.736-PE. Pois bem. 150.835-SC. 165. a redação do dispositivo das exações sujeitas ao lançamento por homologação. I e II.736-PE. a controvérsia se instalou. estabelece que a referida prescrição corre a partir da extinção do crédito tributário nos casos do art. CTN. Até a EC 20/98. muito pelo qual a corte acolhia a “Tese do Cinco Mais Cinco” até pouco tempo atrás. CF/88.831-SP. 3º e 4º. aproveitando-se o fisco dessa situação. contados do pagamento129. Nesse passo. CF/88). essa proposição só foi reafirmada recentemente pelo STJ. salvo se o decurso prescricional decenal. Informativo do STJ n° 322. a qual previu expressamente. CF/88). respectivamente. o termo inicial no pagamento do tributo (antecipado).2007. com base no art. o primeiro é aquele que extingue o crédito. Castro Meira. a causa de extinção referida pelo legislador seria o pagamento. j.5. 2ª T. era adotado o segundo momento lógico como termo inicial da prescrição da repetição de indébito. Segundo a leitura da corte. 168. CTN. Quanto a tributo lançado de ofício. mal ou bem. “in fine”. DJU 27/8/2007. A questão ficou pacificada depois da LC 118/05. EREsp 644. era de dez anos para os tributos sujeitos à homologação de lançamento. RE 544246/SE. 28/8/2007. iniciado sob a égide da interpretação anterior. 3º. o Excelso Pretório devolveu a causa ao STJ para o julgamento pelo seu órgão especial. REsp 955. O Supremo entendeu que a interpretação nesse sentido. receita e LC 118/05 – a Lei 9718/98 instituiu a COFINS. mormente quanto aos seus arts. Em recente decisão. Teori Albino Zavascki. 130 STJ. Dentro dessa perspectiva. entendimento atualmente não mais vigorante. ultrapasse o limite de cinco anos após a promulgação do diploma130. 97. faturamento. Em raciocínio simplista. EREsp 644. implica em diminuição do lapso. 129 STJ. Sepúlveda Pertence. rel. em seu art. determinando que o prazo prescricional da repetição de indébito é de cinco anos. Informativo do STJ n° 329. j. não persiste qualquer dúvida. O art. Min. porquanto implica em verdadeira declaração de inconstitucionalidade do diploma. consoante já supra comentado. “b”. respeitando comando dado pelo Supremo. operada por órgão fracionário do STJ. 128 STF. Min. rel. § 4º. contribuição previdenciária sobre a receita dos empregadores. o qual.

Essa tese chegou ao STJ por embargos de divergência em REsp. I. CTN). 169. EREsp 327043-DF e AgRgREsp 727200-PB. reforçando a confiabilidade do jurisdicionado para com a corte. 106. CTN. a qual passou a previr a extinção do crédito no pagamento (art. 3º. LC 118/05. Nesse passo. a COFINS sobre receita. Entretanto. À guisa do debate. A partir do pagamento indevido. o relator. 169. a LC 118/05 alterou a estrutura do CTN. Com fulcro na doutrina alemã (tese da sanatória geral das emendas em face das leis anteriores). O STJ. ficando a prescrição obstada a partir de então. Para solver o caos no âmbito do fisco. mesmo porque o sentido interpretativo de um diploma presta-se justamente a tal faina. Entretanto. bem como a ação tem natureza dúplice: anulação da decisão administrativa e condenação do fisco à restituição. houve uma enxurrada de demandas para a repetição de indébito. Para revestir o diploma de constitucionalidade. antes daquela. não sendo acolhida. CF/88. dando origem à enxurrada de ações de repetição de indébito no primeiro semestre de 2005? Pergunto isso em face da declaração de inconstitucionalidade da Lei 9718/98 pelo STF em 2005. a prescrição para o exercício da ação é menor que aquela afeta diretamente à Justiça. Para fazer a prescrição atingir essas ações em curso. residuais. é possível ao sujeito passivo aduzir pedido na via administrativa (processo administrativo fiscal). 131 STJ. “caput”. LC 118/05). 3º e 4º. o Executivo fez aprovar a LC 118/05. dentro da discussão da LF (Lei 11101/05). devido à vacância do diploma em 120 dias. a prescrição se restringe à pretensão ao ressarcimento. as contribuições cobradas entre a Lei 9718/98 e a LC 110/01 passaram a ser objeto de ação de repetição de indébito. pois o ato jurídico perfeito (interrupção da prescrição com o despacho de recebimento da inicial) não pode ser maculado por norma posterior. Com efeito. Segundo o tribunal. com efeito retroativo. Todavia. já permitia outras contribuições não cominadas. Gilmar Mendes. Na segunda opção. passou a existir somente uma. Pergunta: qual foi a LC de janeiro de 2000 que constitucionalizou a COFINS sobre receita das empresas. Nesse sentido. quanto às expressões “prescrição da ação” e “anulatória”. O argumento mais abalizado para refutar a retroatividade da LC 118/05 encontra-se no art. votou pela constitucionalidade. a qual chegou no STF por via de RE. passando a se discutir se emenda teria a capacidade de sanar inconstitucionalidade de lei anterior. CF/88. § 4º. padecia de inconstitucionalidade formal. bem como não versava sobre receita. característica inerente à inovação da ordem jurídica. CTN). criada por MP e convertida em LO. sendo vencido (Informativo 408 do STF). tal qual a própria redação dos arts. A COFINS sobre faturamento já era autorizada pela LC 70/91. a ser julgado pelo seu pleno. veio a LC 110/01 para resolver a querela. XXXVI. depois dela. porque. 195. 5º. desde que instituída por LC. justamente por ele erigida. a Fazenda Pública alegou que a LC 118/05 é interpretativa (art. “caput”. O art. prestigiando a segurança jurídica da “Tese dos Cinco Mais Cinco”. guardião da lei federal. esse tinha duas margens interpretativas e. Foi uma decisão de extremo bom senso. restringindo-se a dois anos (art. . o legislador foi tecnicamente impróprio na redação do art. além da ação judicial de repetição de indébito.98 constitucional não falava em empregador. não permitiu o caráter interpretativo da LC 118/05 ao afirmar que ela é inovadora (modificativa)131. essa posição é contestável. caso a decisão definitiva seja denegatória. a EC 20/98 operou a mudança. Em verdade. o administrado poderá recorrer ao Judiciário para anulá-la.

Precisam atacar sim. presente no capítulo V do Título III. indiretamente ligado ao bem de família.: ISS cobrado em razão de modificação na estrutura do edifício)? Resposta: cuidado. CTN. Pergunta: antes de reconhecer de ofício a prescrição. Essa diferenciação também existe na execução fiscal? Resposta: em matéria de execução fiscal. Pergunta: os impostos que podem ensejar a penhora do imóvel familiar (art. as condições da ação. Segundo Daniel Assumpção. § 5º. a lei torna penhorável o ‘bem de família’ tratando-se de impostos. não permitiria o ato de apreensão judicial (ex. tendo em vista o assunto estar afeto à matéria de direito. o juiz é obrigado a ouvir previamente ambas partes na execução fiscal? Resposta: não. isso quer dizer que o imóvel fará às vezes de garantia da dívida decorrente de tributo. II estabeleceu apenas um impacto na Lei Diretrizes Orçamentárias relacionada à mudança na forma de tributação do setor de combustíveis e do pagamento por substituição no setor automotivo em relação à Contribuição para Financiamento da Seguridade .COFINS.99 Resposta: a Lei Complementar 101/00 em seu art. fora da previsão legal. devendo ser oposta antes da penhora (“pré-executividade”). pode ser acusada de ofício e reconhecida em qualquer tempo e grau de jurisdição. 3º. 4º parágrafo 2º. LEF). Pergunta: a doutrina processualista costuma diferenciar a exceção de pré-executividade da objeção de não-executividade. 40. a exclusão do crédito tributário comporta “causas inibitórias do lançamento”. Exclusão do Crédito Tributário Há dois posicionamentos para o termo “exclusão”. deve-se retornar à previsão orçamentária inicial e EXCLUIR a respectiva receita. portanto. existe a previsão das receitas. taxas e contribuições devidas em função do imóvel familiar. o termo Exceção de PréExecutividade tem prevalecido em face da margem de matéria que podem ser alegadas e que não estão restritas àquelas de ordem pública. p. visto que “ocorrem antes do . § 4º. CTN: 1º) Exclui-se um crédito que deveria nascer e não vai nascer. O ISS está afeto à prestação de serviços e. CPC). a qual não preclui. Para Sabbag (2004. sendo incluído tudo o que se imagina arrecadar. 174. “caput”. quer seja ordinária (arts. quer seja intercorrente (art. Lei 8009/90) são somente o ITR e o IPTU? Outra espécie. IV. a segunda versa sobre matéria de ordem pública (norma cogente de interesse público). 205). a primeira se adstringe a matérias debatidas em embargos. e 219. Ambos os conceitos são jurídica e semanticamente vagos. levando-se ao raciocínio de que o legislador complementar atuou com impropriedade terminológica. No momento em que uma legislação permite o não recolhimento de algum tributo. 2º) dentre as obrigações da Administração na elaboração do orçamento. Mas ele possui o poder de fazê-lo caso queira.

assevera que a isenção suspende a eficácia da norma impositiva tributária. confere permissivo às chamadas isenções geográficas (NOGUEIRA. 176. § 6º. CTN). ISENÇÃO é chamada de endonorma pelos doutrinadores. não há elementos suficientes e legais para “constituir um crédito tributário” em face de um fenômeno isento. CF/88. Desta feita. “ex vi” dos arts. CTN). não existe a OBRIGAÇÃO PRINCIPAL (art. conquanto se afasta a obrigação principal das hipóteses de isenção. 26/6/2007. Informativo do STJ n° 325. “g”. § 2º. há de se ressaltar “que o poder de isentar ou anistiar é correlato ao poder de criar tributos” (SABBAG. resolução legislativa que aprova convênio não pode concedê-la. Linha minoritária assevera que qualquer hipótese abrangida pela isenção não pode se denominar fato gerador. j. Paulo de Barros Carvalho assevera que a constituição do crédito tributário se dá com a realização do fato gerador. 2004). 2004. Min. Ricardo Lobo Torres (apud NOGUEIRA. Eliana Calmon. pois. neste. 133 STJ. 1999. O art. A norma que exclui o crédito tributário sempre afasta a obrigação principal. 155. pela PROIBIÇÃO legal da chamada isenção em branco (art. parágrafo único. rel. parágrafo único. p. 139 c. Todavia. a isenção não tem o condão de anular os efeitos da norma maior. 1999). com o objetivo de “compensar desigualdade em função de condições 132 Indo um pouco mais fundo. mas não as acessórias (art. o art.100 lançamento e após o surgimento da obrigação tributária”. 150. a isenção engloba os fenômenos havidos a partir de sua instituição. 177. 175. prevê que a exclusão do crédito tributário adstringe-se à isenção (dispensa de tributo) e à anistia (dispensa de penalidade). Em verdade. essa imperdoável posição extraída da doutrina estruturalista germânica e adotada na letra da norma gera contra-sensos dessa monta. o qual entende a isenção como disposição legal de incidência tributária. imunidades e princípios). parágrafo único. CTN). Sempre decorrente de lei. Neste diapasão. CTN.c. Neste raciocínio.. CF/88)133. salvo se houver consenso de todas as unidades federadas no caso de ICMS (art. CTN. consoante comentário já realizado. isto é. Essa é a posição perfilhada pelo Excelso Pretório. 2ª T. 175. o fato abstrato deixa de existir e assim não pode surgir uma obrigação tributária. A norma cria uma exigência e o legislador faz surgir uma gama de casos particulares dentro dela. à luz da previsão abstrata legal (fato imponível descrito na norma). de modo a dispensar o contribuinte da obrigação principal. o equívoco semântico do texto legal se deve à sua visão míope sobre a constituição do crédito tributário. 175. Rubens Gomes de Souza. isto é. cuja ocorrência se dá com a previsão da hipótese de incidência na lei tributária132. Todos os fenômenos abrangidos são fatos geradores. 171). a isenção não alcança as exações nascidas depois de sua criação. por ser uma endonorma. CTN. e 176. . tendo por fulcro metajurídico elementos de cunho sócioeconômico e sócio-político (SABBAG. art. 205). devendo ser respeitados os mesmos parâmetros diretivos desses (limitações ao poder de tributar. p. Não há de se formalizar a relação jurídica para torná-la exigível. Celeumas à parte. admitindo-se a dispensa da obrigação principal para os isentos. Respeitando o respeitável mentor do CTN. REsp 723.575-MG. XII. Como se sujeita à reserva legal. A posição MAJORITÁRIA afirma que. II.

. parte inicial. pela Lei 8032/90 – o primeiro comando não pode conferir um direito adquirido à beneficiária. III. não cabendo qualquer análise por parte da Administração Tributária. indireta ou indenizatória dessas exações. CTN (NOGUEIRA. A geral é aquela decorrente diretamente de lei. Na ANISTIA. 178 c. preferiu ele manter o uso da visão codificada do legislador tributário. a anistia alcançará 134 135 STJ. cabendo-lhe exarar despacho concessivo (art. 208). versando inclusive sobre a mencionada isenção em branco (art. configurando verdadeira “fossilização” do ordenamento134. 177. essa disposição pode ser excepcionada pelo legislador concedente. mediante requerimento. Entretanto.101 peculiares”. A específica é aquela que depende de verificação. sendo aplicada às penas anteriores à sua instituição. já existe. é o “perdão legal das penalidades pecuniárias antes da constituição do crédito tributário”137. A vontade do legislador vai determinar os limites de abrangência. 8º. no campo concreto. 179. por diploma de igual hierarquia àquele concessório. não se aplicando às taxas e às contribuições de melhoria em razão da necessária contraprestação direta. p. I. Segundo Sabbag (2004. a anistia encontra fulcro maior no “indulgentia principis” do Direito Penal. 1999). Informativo do STJ n° 331. pode ser revogada a qualquer tempo. em contrário senso) e jurisprudencial (Súmula 544 do STF136). Neste caso. CTN). 136 Súmula 544 do STF: isenção tributária concedida sob condição onerosa não pode ser livremente suprimida. 153 da CF de 1969) não se aplica à revogação de isenção do ICM. a finalidade principal é retirar a situação de impontualidade do inadimplente da obrigação. o qual não poderia ser desfeito nem mesmo por lei superveniente. o qual coaduna com a tese da constituição do crédito tributário pela hipótese de incidência. Mesmo assim. REsp 575. rel. incondicional ou condicional. mas a infração. da situação apresentada pelo contribuinte. bem como um prazo para o aproveitamento dos benefícios. Súmula 615 do STF: O princípio constitucional da anualidade (§ 29 do art. como observam Sabbag (2004) e Nogueira (1999).806-PE. 1999). como bem ventila o art. 137 Apesar da posição pessoal do autor. a retirada da sanção tributária pecuniária. “caput”. CTN). desde que devidamente prevista em diploma competente. Ex. justamente para não causar ainda mais confusão na explanação didática dos institutos em análise. CTN). pelo fisco. Qualquer penalidade. art. ou seja. Min. como é o caso de calamidades (NOGUEIRA. Ela é o PERDÃO. A INCONDICIONAL é isenção que não estipula qualquer requisito especial para sua concessão. Em termos classificatórios.c. 177. j.: revogação do art. por expressa manifestação legislativa (art. A condicional é irrevogável. É importante também dizer que as isenções só alcançarão os tributos não vinculados (impostos). “caput”. a isenção pode ser geral ou específica. DL 8031/45 (isenção de II e de IPI para equipamentos integrados ao ativo da Companhia Hidrelétrico do São Francisco – CHESF). nos termos da legislação. desde que observada a anterioridade originária (art. pode ser passível de anistia. Herman Benjamin. a jurisprudência não tem reconhecido a aplicação da anterioridade à revogação das anistias incondicionais135. Cf. A pena pode ainda não existir no plano formal. Para Nogueira (1999). Porém. 178. 104. 11/9/2007. opera causa de extinção da punibilidade. Decorre de razões de política fiscal e atendimento de certas conjunturas e circunstâncias não só econômicas. Para Sabbag (2004). CTN. há certas diferenças para com a isenção.

a anistia retroage a fatos já ocorridos. “caput”. cit. CTN) – as estipulações entre particulares no tocante aos gravames reais não atingem a exigência de crédito tributário. op. IV. 140 A cláusula de inalienabilidade engloba também a incomunicabilidade. mas sim em remissão. não tendo vez frente aos preceitos de ordem pública da norma tributária (função social dos contratos). fazendo-se merecer especialidade na sua regulação. “caput” e parágrafo único. 4ª ed. baseado na citada LC. O legislador ordinário determina-lo-á. enquanto aquela. CTN). 97. e outros. 16. de acordo com a Súmula 49 do STF: “A cláusula de inalienabilidade inclui a incomunicabilidade dos bens”. 184. pela notificação –.: art. Também não alcança os atos cometidos com dolo. op.102 tais fenômenos. CPC (bens impenhoráveis). Depois de “constituído o crédito” pelo lançamento – em outras palavras. v. CTN.: art. As garantias da Fazenda Pública quanto ao crédito tributário estão elencadas em rol exemplificativo nos arts. conclui que o lançamento não tem o condão de impedir a concessão de anistia. não há mais de se falar em anistia. VI. cláusulas de inalienabilidade. I e IV. direcionada ao custeio das funções públicas. como Sabbag. 649. à imposição de penalidade tributária. 156. porque colimam a isonomia.. Coleção Sinopses Jurídicas.. Garantias do Crédito Tributário Não são inconstitucionais. CTN). bem como os crimes e as contravenções (art. Lei 8009/90 (bem de família). 2002. encontra resistência em doutrina isolada. porque a benesse cabível seria a remissão (art. porque esta se refere ao crédito tributário “per se”. simulação ou fraude. não abrange as sanções já lançadas. Dessa feita. cit. apoiada pela maioria da doutrina. a anistia não se confunde com a remissão (art. Saraiva. Contudo. 3º. ao tê-lo como procedimento (sucessão de atos). Inoponibilidade de garantias reais ao fisco (art. IV. CTN. A natureza de receita pública. se a impenhorabilidade for legalmente instituída. Essa linha. Desta feita. ao contrário do que apregoa a doutrina prevalente e a própria redação do art. 180.. de incomunicabilidade ou de impenhorabilidade140 não produzem efeito quanto ao fisco. II. CTN) e as demais infrações tributárias cometidas em concurso de pessoas (art. . Dessarte. 156. Direito Tributário. “in fine”. impostas ou formalizadas). apresentando espectro amplo quanto às sanções (cometidas. é adepto da corrente que entende o lançamento como perfeito em um só ato (a notificação). 139 Sabbag. o comando prevalece sobre a lei tributária (art. Amaro. O contribuinte fica dispensado do cumprimento de certa penalidade. cit. 183 a 193. art. O procedimento para a isenção e para a anistia se dá à luz do comando diretivo do CTN. op. I. CTN). Ex. CTN). não há de se cogitar a anistia (SABBAG. Ex.. 2004)139. podendo o legislador inovar nesse sentido. permitindo a penhora da coisa. 180. I a X. Com efeito. 142. NÃO ATINGINDO os valores referentes ao crédito tributário (obrigação principal)138. ou seja. 1º. Caso a própria lei excepcione a impenhorabilidade. Lei 8009/90 – créditos previdenciários e trabalhistas decorrentes de relação empregatícia em função do imóvel e tributos relativos ao próprio bem (em 138 Neste aspecto. havendo notificação do contribuinte. requer um tratamento desigual relegado ao fisco. São Paulo. essa colocação também se aplica ao fisco. mas continua com a obrigação principal e outras acessórias dela decorrentes. CTN). admitindo o autor a sua incidência mesmo em crédito já lançado. os parâmetros de aplicação dos institutos em tela (art. Ricardo Cunha Chimenti. 184. As disposições só são válidas entre particulares.

Ex. de eletricidade. não nomeia bens nem é verificado. essa é mais profunda. No âmbito tributário. sendo ineficaz a alienação entre sujeito passivo e terceiro adquirente. § 1º. pelo meirinho. apta a registrar patrimônio (art. muito pelo que não são encontrados bens aptos à penhora (art. pública ou privada. CTN. I e II. O que se discute é a possibilidade ou não de incidir a indisponibilidade sobre faturamento e renda de empresa. Todo esse trâmite demanda muito tempo. A certidão de dívida ativa. porque a impenhorabilidade do bem de família é excepcionada. o saldo será restituído ao devedor (art. CTN).103 decorrência da propriedade – ITR e IPTU – e do poder de polícia estatal – taxa do lixo141. 185. dentro do processo civil. entidade ou instituição. 185-A. mesmo que sobre um montante maior que o débito fiscal. procedimento e ato dotado de presunção de legalidade e de legitimidade. CTN). já existe o ambiente jurídico para tal. 185-A. 185-A. Para responder se há ou não fraude ao fisco.: indisponibilidade sobre imóvel é cabível. o fato depende da natureza do crédito fiscal da Fazenda Pública: caso a exação originária seja do imóvel de propriedade do contribuinte. porque o legislador previu abrangência em todo território nacional. CTN). porquanto ambos decorrem do mesmo poder de polícia sanitária do Município. Para ficar submetido à indisponibilidade. o juiz exara o despacho citatório do sujeito passivo. patrimônio apto a satisfazer o crédito tributário. o sujeito passivo aliena um desses. Fraude à administração fiscal e bem de família – supondo que o devedor tenha débito fiscal de $70 e possua dois imóveis. de esgoto. em qualquer órgão. . § 2º. Depois de inscrita a dívida ativa. 185. como título executivo extrajudicial. CTN) – depois da citação válida. CTN). não existe fraude. os atos de alienação que tendem à insolvência do devedor. Câmara (2006) afirma que surgiu um novo instituto: fraude à administração fiscal. incide a mencionada fraude. desde que provado o “eventus damni” (insolvência – elemento objetivo). 185-A. Em que pese não haver um sistema informatizado totalmente abrangente.). 185. etc. 3º. tornando-o passível de penhora (art. Como o imóvel restante não é penhorável. o que sensibilizou o legislador a presumir fraude a partir da inscrição da dívida ativa. cada um de $100. Fraude à “execução fiscal” (art. “caput”. o que ainda não é pacífico. CTN) – o juiz da vara de execuções fiscais pode declarar a indisponibilidade de bens do executado em face de dívida fiscal não adimplida. importam em fraude à execução. “Penhora on-line” (art. Lei 8009/90). instruirá a inicial da execução fiscal. mas sim pela inscrição da dívida ativa (art. “caput”. Depois de ajuizada a demanda. Trata-se de presunção absoluta. A presunção de certeza e liquidez do crédito tributário se devem ao controle cognitivo interno administrativo. Para tal. porque sua presunção não está adstrita ao chamamento válido do demandado ao processo. depois da hasta pública. a Fazenda Pública pode alcançar a ineficácia da alienação feita pelo contribuinte. exige-se regular citação do executado. porque o único bem idôneo a solver a dívida foi alienado em contrário ao art. o devedor não paga no prazo legal. do contrário. 141 A jurisprudência não admite a cumulação entre taxa do lixo e taxa para limpeza de logradouros públicos. porque. Como esse evento prescinde de execução ajuizada. se o tributo a ser cobrado não assim se manifesta.

na dicção do art. Inexiste qualquer competência tributária deferida aos Territórios. ao revés. Essa situação também vige se a penhora precede ao ajuizamento da falência. Cobrança judicial dos importes tributários inscritos em dívida ativa. 84. devolvendo-se o saldo ao devedor. Quando a execução fiscal fora instaurada antes da ação falimentar. visto que o efeito atrativo do juízo universal não se lhe aplica (art. 209. 479). caso em que o montante da arrematação será deferido ao juízo universal. Sabbag (2004. CTN). Nesse caso. Essa atribuição é de suma importância para a função arrecadatória do fisco. O constituinte dá indício dessa assertiva. o produto da arrematação é entregue à massa. 241) assevera que a atribuição de administrar tributos importa em três funções: Procedimentos fiscalizatórios adequados. os Estados. LF. CTN) – a relação de preferência no concurso de credores está determinado na LF (Lei 11101/05). São a União. porquanto estatui que os impostos estaduais . Sabbag (2004. de indenização por dano moral. porquanto sua competência e sua capacidade tributárias são deferidas à União (art. I a III. Todavia. existe também a argüição de excesso de indisponibilidade. p. dada a situação concreta submetida ao sujeito passivo. CTN). é perfeitamente possível crédito quirografário ter preferência sobre tributário. 83. LF. essa deve ser limitada ao valor da dívida em discussão. “caput”.104 Dentro da idéia de excesso de penhora. 1ª parte. respeitando a ordem de prevalência estabelecida na LF. O fisco pode receber antes do detentor de crédito trabalhista. A administração de tributos é realizada pela Fazenda Pública. sob pena de suscitar mandado de segurança pela diferença e. ele vai à hasta pública. Todavia. mormente aqueles dependentes de lançamento (AMARO. No mesmo raciocínio. Essa disposição só cabe se divisível o bem. CF/88). CTN). cuja atuação é imprescindível inclusive para o próprio recolhimento de alguns tributos. CTN). o fisco não precisa se habilitar no processo falimentar. Nessa última hipótese. a norma geral será o CTN. e 186. porque. porquanto sequer possuem Fazenda Pública (art. CC. Medidas de controle e verificação da realidade fiscal do contribuinte. Nesse passo. O feito permanece no seu juízo privativo. de acordo com o arts. possivelmente. 186 e 188. e o segundo seja anterior à falência (arts. desde que aquele tenha crédito extraconcursal (depois da decretação da falência). sua penhora é realizada no rosto do processo da quebra. 187. 41. 2006. nos termos de seu art. p. Administração Tributária Introdução – a fiscalização tributária é assunto deferido ao legislador ordinário. o DF e os Municípios. Secundando o legislador do CTN. p. 255) ensina que os Territórios Federais não se constituem dessa forma. a qual abrange os entes políticos (art. CTN. e 188. “caput”. 147. Crédito tributário na falência (arts. 209. Em verdade. específico de cada ente ou relativo a cada exação instituída. 194. não há de se retirar a salvaguarda da Fazenda Pública com fulcro em excesso de indisponibilidade.

é abrangente as determinações do legislador. Quanto a esses. No entanto. CTN. CF/88). p. o que talvez afastasse o interesse do jurisdicionado pelo instituto (FÜHRER e FÜHRER. terceiros alheios. quando devam prestar informações. 480) lembra que o Senado tem competência exclusiva para avaliar periodicamente o desempenho da fiscalização tributária de todos os entes federados. “caput”. Mesmo outras pessoas podem ser objeto de fiscalização pela autoridade. podendo abarcar. p. nos termos dos arts. Amaro (2006. CTN. 52. mormente no que concerne às obrigações acessórias. CTN). Também não é possível imposição de medidas de garantia nem incidência de juros moratórios. Da resposta proferida. 78. praticar atos ou abster-se de fatos em nome do poder de polícia do fisco (art. 52. Destinatários – usando a terminologia do codex. 70235/72 (FÜHRER e FÜHRER. Nesse ponto. D. Quando pende consulta. 2ª parte. A atuação dos agentes de fiscalização deve observar o princípio da estrita legalidade. CTN. 37. Sabbag (2004. D. 56. CF/88). D. CF/88). a resposta dada pela autoridade tributária e favorável ao contribuinte vincula a Administração Tributária. refere-se ao procedimento de consulta. parágrafo único. deixa claro que até mesmo os imunes e isentos devem se render aos comandos normativos tributários. apesar de não ser permitida quando tais expedientes já foram iniciados (art. a legislação tributária é dirigida tanto à autoridade administrativa tributária quanto aos administrados. uma vez se afigure embaraço ou desacato tal ao exercício que torne impossível sua efetivação (art. pelo qual o contribuinte pode submeter uma dúvida sobre cumprimento de obrigação tributária à autoridade fazendária. publicidade e eficiência (art. e 55. além dos sujeitos passivos da relação jurídico-tributária (contribuintes e responsáveis). 70235/72). CTN). a expressão “impostos” pode ser interpretada como tributos. 161. na resposta. Essa regra só é excepcionada se o Território for dividido em Municípios. moralidade.105 correspondentes são incumbência da União (art. 2001. não é possível aplicação de penalidades nem ajuizamento de execução fiscal (art. postulando pela aplicação integral de todos os princípios administrativos: legalidade. 70235/72). 194. § 2º. o art. Mesmo que não haja configuração de crime. Apesar disso. 52. 76). Em verdade. a autoridade poderá compelir o consulente a cumprir determinada obrigação. D. aplicável à Administração Tributária. 1ª parte. 245) avança um pouco mais. CF/88). É matéria regulamentada pelo D. 2001. I e . XV. Consulta – o art. os agentes do fisco poderão requisitar força policial para levar a cabo seu ofício. II. p. quando cada um deles exercerá plenamente sua capacidade tributária própria (art. nenhuma medida pode ser tomada em desfavor do consulente em até trinta dias (art. 76). 70235/72). apesar de vigorar correção monetária. a consulta permite recurso administrativo e reapreciação da matéria por instância superior. 54. 147. “caput”. p. bem como considerar a consulta ineficaz ou incabível (arts. impessoalidade. 70235/72. 48. 200. “caput”. assim como a funcionalidade do próprio Sistema Tributário Nacional (art. III e IV. 175. Assim como no PAF. parágrafo único. I a VIII. 48. disposição que é reforçada pelo art. diploma que também trata do procedimento administrativo fiscal. 147.

Além dos próprios sujeitos passivos da relação jurídicotributária. como inventariante ou como administrador judicial em falência. p. 70235/72. limitado o exame aos pontos objeto da investigação”. p. 54. Esse arcabouço probatório é composto por livros comerciais e fiscais. os arts. 120). 2002. consubstanciada pelo CTN (CHIMENTI. III. 33. CTN. CF/88). Deve ser preservado pelo fiscalizado até o decurso de prescrição ou de decadência a ele relativas (art. 1190. parágrafo único. 2006. CTN. além de documentos relativos a lançamento. p. Havendo conflito entre o dever de guardar segredo (dever legal de sigilo) e o interesse da Administração Tributária. o julgamento da dúvida será feito por instância única. D. CTN). tem o dever de prestar informações ao fisco. como rememora Chimenti (2002. O próprio dever de prestar informações e de apresentar documentos para fins fiscalizatórios se constitui como obrigação tributária acessória (art. o sigilo bebe na fonte dos Direitos Fundamentais. 242). arrola vários obrigados nessa faina. 197. D. como ensina Robson Baroni. “caput”. 2006. apesar do legislador não ter falado na segunda (AMARO. 197. sacerdotes. I a VII. 195. médicos e outros. No ambiente tributário. CC. psicólogos. O rol do comando considerado é fechado nos seus termos. 197. “caput”. cuja autoridade competente é o coordenador do Sistema de Tributação da atual SRFB (art. ou previdenciária. 197. e 1193. a verificação deve guardar nexo com o objetivo do procedimento. Qualquer disposição normativa que venha a limitar a atuação do fisco está em desacordo com a norma geral tributária. CTN). Apesar de a legislação comum proteger a exibição de livros e de documentos contábeis do empresário (art. 483). parágrafo único. quaisquer livros comerciais. Nessa hipótese.: advogados. asseguram o exame amplo e genérico no processo de fiscalização. para torná-lo indevassável. VII. “b” e “c”. X e XII. a teor do que já disse a citada Súmula 439 do Supremo. . a autoridade tributária tem prerrogativa sobre os segredos de cada pessoa. CC). “ninguém pode ser obrigado a prestar informações sobre os negócios de outrem só porque eventualmente mantenha com ele relações de amizade ou de parentesco. 119). 481). § 1º. 46. CTN). 5º. 70235/72). parágrafo único. entidades econômicas e profissionais e órgãos da Administração Pública têm legitimidade para aduzir consulta (art. desde que atinentes à sua função fiscalizatória. quando o causídico estiver exercendo função atípica. 2004. muito pelo qual é decorrência do véu que se abate sobre a privacidade e sobre os dados pessoais (art. CTN). Sigilo fiscal – sigilo é aquilo que representa o selo que lacra o que não pode ou não deve ser divulgado. ou mesmo negócios aos quais sejam alheias as informações demandadas” (AMARO. por exemplo. p. Lei 8112/91. No entanto. Ex. p. o legislador deu prevalência ao primeiro (art.106 II. 70235/72). sob pena de importar em abuso de autoridade (Súmula 439 do STF)142. D. sendo considerada ineficaz (SABBAG. Porém. O art. No entanto. No entanto. colocando desta forma um manto sobre o segredo. em que pese o legislador poder ampliá-lo “de lege ferenda” (art. 195. O legislador exigiu pertinência temática entre o objeto da fiscalização e o ato fiscalizatório. 142 Súmula 439 do STF: “Estão sujeitos à fiscalização tributária.

A prevalência do sigilo quanto a terceiros deve ser colimada na formalização do ato. §§ 1º a 3º. A LC 105/01. No diapasão. 199. a mesma lei conferiu idêntica prerrogativa às CPI’s. a Lei 9613/98 confere poder ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) para requisitar informações bancárias e fiscais. CTN). 199. Enfim. “caput”. 199. 198. A AGU pode requisitar informações ao BACEN e a CVM para instruir processos em que esteja atuando (art. § 3º. tributo que possui finalidades concomitantes de arrecadação e de fiscalização. CTN): Requisição de autoridade judicial. Com fulcro no art. inclusive entre entes políticos diversos. I e II. 5º. CF/88. § 3º. a jurisprudência era pacífica em proibir a prática por parte da Administração. 3º. mediante lei ou convênio (art. O permissivo só é aplicável se houver PAF ou procedimento de fiscalização regularmente instaurado (art. Concessão de parcelamento ou de moratória. CTN. importante ressaltar que o compartilhamento de dados fiscais com outros órgãos estatais pode ser feito até mesmo no âmbito internacional. 6º. § 3º. “caput”. Entretanto. 58. Requisição de CPI (art. “caput”. p. as instituições financeiras deverão remeter à SRFB informações para identificação de contribuintes e de valores relativos à CPMF. o próprio legislador excepcionou o mandamento em algumas situações (art. desde que haja processo administrativo fiscal instaurado. 247) professa que a inexistência de convênio não impede a troca de dados sigilos fiscais entre órgãos públicos. CTN). desde que haja PAD instalado para investigar o sujeito passivo tributário. perante o STF. LC 105/01). CF/88).107 Em regra. a ser efetivada mediante recibo. Solicitações e autoridade administrativa acerca de infração disciplinar praticada por servidor público. Representação fiscal para fins criminais. Repartição mútua de dados entre diferentes órgãos estatais no interesse da fiscalização tributária. porquanto o art. Sabbag (2004. houve preocupação na entrega pessoal do cabedal de informações. 198. assegura a quebra de sigilo bancário pelas autoridades tributárias. Antes do referido diploma. que está tendo sua constitucionalidade contestada. X e XII. LC 105/01). independentemente de vênia judicial. com o intuito de evitar e reprimir crimes de lavagem de dinheiro. desde que autorizada pelo plenário da Casa Legislativa ou da própria comissão. . os agentes da Fazenda Pública não têm vênia para divulgar dados sobre situação econômica ou financeira de fiscalizados (art. parágrafo único. por intermédio do BACEN ou da CVM. Na esteira do diploma. colimou restringir o compartilhamento de informações entre Estado e particular. em face do art. na conformação que lhe der tratado entre a União e outros Estados (art. 58. CTN). “caput”. Necessidades materiais para ativação de dívida da Fazenda Pública. Na terceira hipótese supra aduzida. CF/88.

apenados com reclusão de um a quatro anos e multa (art. Em contrapartida à mencionada ADIn. 1º. Depois desse momento. p. é possível extrair seu sentido ontológico. parágrafo único. “caput” e parágrafo único. p. 10. LC 105/01). bem como a prática de atos que importem omissão. o legislador lhe fez referência como procedimento. Essa assertiva advém diretamente da segurança jurídica. 2002. 196. retardamento injustificado ou prestação de informações falsas constituem ilícitos penais. 241) a define como sendo “atos de verificação do cumprimento de obrigações tributárias. 173. 8º. e 6º. cópia deve ser entregue. A infringência das regras sobre quebra de sigilo bancário e fiscal. só será assim considerada a confissão de dívida tributária havida antes de documentado o ato. cuja lavratura também encontra previsão nos arts. No entanto.108 A autorização judicial para a quebra de sigilo bancário e fiscal. Se houver prejuízo em decorrência do vazamento de dados. 138. “caput”. LC 105/01). Não sendo possível. “caput”. Sabbag (2004. porquanto assentadas no art. a fiscalização é dirigida pelo princípio documental. “caput” e parágrafo único. Nos termos do art. § 4º. 196. O termo inicial da análise fiscal deve ser preferencialmente registrado em livro especial. LC 105/01. 9º. p. “caput”. a denúncia não é válida. A prévia fixação do término da investigação é um dos mais relevantes pressupostos para a regular tramitação do exame tributário. em que todos os atos devem ser reduzidos a termo. o servidor público responsável arcará civil e funcionalmente pelo seu ato comissivo ou omissivo. expressamente esculpida no art. não tem prerrogativa de requisitar informações bancárias e fiscais por força própria. não a fiscalização em si. 482). mediante recibo. 70235/72. comportando efeitos diversos na relação entre sujeito passivo e Administração Tributária. quando é confeccionado documento apartado. D. A lavratura do início do procedimento fiscalizatório influencia na apreciação da decadência (porque seu termo inicial é a notificação do procedimento de fiscalização – art. o que se deve rechaçar são os abusos e o vazamento de informações. porquanto fala em fixação de termo inicial e final (art. quer sejam acessórias”. Chimenti (2002. LC 105/01). § 1º. quando da apuração de crimes contra a Administração. 11. O Ministério Público. CF/88. pode ser decretada em IP ou em ação judicial (art. É importante também para caracterizar ou não denúncia espontânea. essa responderá objetivamente (art. 122). se ficar provado que agiu de acordo com a orientação da instituição. Segundo o autor. CTN). De fato. “in fine”. . quer sejam principais. 120). Fiscalização – circundando o conceito de fiscalização dado pelo CTN. CTN) e garante a defesa do investigado (CHIMENTI. a teor do que se posiciona a jurisprudência. p. entende que a LC 105/01 e outras normas no mesmo sentido não são inconstitucionais. o BACEN e a CVM são obrigadas a representar perante o Parquet para as medidas julgadas cabíveis (art. os quais comporão autos. CTN). Como postula Amaro (2006. o qual será apresentado ao inquirido. 145. Todavia. ao fiscalizado (art. 5º. parágrafo único. LC 105/01). presentes indícios de crime de ação penal pública. CTN.

Min. e no RMS 240-SP. CTN). Dessa decisão. DJ 27/4/2007. p/ o acórdão Min. entendimento secundado pelo STJ143. rel. Segundo Chimenti (2002. p. 14. Exatamente por essa razão. Informativo do STF n° 476. prossegue o PAF. cadastro eletrônico). extingue-se o crédito tributário. 144 Súmula 247 do TFR: “Não constitui pressuposto da ação anulatória do débito fiscal o depósito de que cuida o art. Esse é iniciado por auto de infração. STJ. o ato administrativo goza de presunção relativa de liquidez e de certeza quanto ao crédito representado (art. 204. esse comando não ofende o direito de petição e a inafastabilidade do Judiciário (art. por notificação de lançamento ou por apreensão de livros e mercadorias (FÜHRER e FÜHRER. “caput”. No primeiro caso.109 “caput”. Uma vez perfeita a inscrição. RE 233582/RJ. escoradas no art. aliás. Esse entendimento já estava consolidado na Súmula 247 do extinto TFR144. CTN). j. 202. 38 da Lei nº 6. e parágrafo único. geralmente de 30 dias (art. 38. sob pena de nulidade do ato (art. 585. VII. Caso o contribuinte seja vencedor na primeira instância administrativa. mesmo em sede recursal. prevêem depósito recursal para a discussão administrativa (cláusula “solve et repete”). parágrafo único. o único formado unilateralmente 143 143 STF.8.789-PA. fundamento legal. De outra parte.. suspendendo-se a exigibilidade do crédito tributário (art. CPC. REsp 943. 70235/72). D. CTN). o crédito tributário (não suspenso. rel. 77). Marco Aurélio. devem ficar perfeitos vários dados.830. 2002. valor devido. de 1980”. j. Essa exigência. I a V. orig. no decurso assinalado. AC 1. Notificado da instauração do procedimento. DJ 28/5/2001. com o livro e a folha de inscrição (art. não excluído e não extinto) é lançado em livro próprio (atualmente. p. rel. ninguém pode ficar submetido eternamente ao crivo da Administração. 2001. data de inscrição e identificação do PAF. CPC).073-DF. representada geralmente pelo Conselho de Contribuintes (na seara federal – DL 1438/45) ou por Tribunal de Impostos e Taxas (no âmbito estadual e distrital). Joaquim Barbosa. Min. José Delgado. o interessado pode pagar ou apresentar defesa. 145 STF. formada a coisa julgada administrativa. o qual trata da desistência tácita a recurso judicial145. 250) define dívida ativa como crédito tributário inscrito.116-SP. Plenário. “caput”. 19/6/2007. com decisão desfavorável ao sujeito passivo. como já se posicionou o STF. Segundo o STF. é considerada inconstitucional pelo STF. . cabe recurso hierárquico à instância administrativa de superposição. CTN): identificação do devedor e co-responsáveis. várias legislações. o legislador emprestou-lhe o valor de título executivo extrajudicial (art. porquanto todos têm direito ao sossego público. CF/88. DJ 1º/6/1992. no segundo. 151. Ocorre somente depois de instaurado e concluído processo administrativo fiscal (PAF). CTN). LEF. 5º. como precedente na ADI 1.2007. Informativo do STJ n° 324. 38. III. porque se trata de aplicação do art. “caput” e parágrafo único. DJ 30/6/1997. No apontamento. LEF. 171). p. 171). também chamada de impugnação ou de reclamação (CHIMENTI. CF/88). descabe reexame necessário pela própria Fazenda Pública. porquanto a decisão é tangida pela imutabilidade do trânsito em julgado. 16. Inscrição em dívida ativa – Sabbag (2004. “caput”. 203. com precedentes no AgRg no Ag 112. 1ª T. caracterizando a ativação da dívida da Fazenda Pública (art. O julgamento da pretensão geralmente é realizado por delegado fazendário ou por órgão especializado. 503. 201.566-MG. nos termos do art. XXXIV e XXXV. O ajuizamento de qualquer demanda judicial implica na renúncia ao recurso administrativo interposto. com efeito.

parágrafo único. I a VI. Eventual nulidade no ato de inscrição da dívida ativa pode ser elidida pela autoridade tributária. Por esse motivo. com execução garantida ou com exigibilidade suspensa (art. Nesse sentido. 486) diz que o STJ. Nessa hipótese.002-SP. CTN. CTN). juros. há doutrina que defende. realização de certos atos ou participação em algumas situações. José Delgado. 147 STJ. incluindo principal. 212). 203. a qual necessariamente deverá estar anexada na exordial de execução fiscal (art. 151. 206. Informativo do STJ n° 325. DJU 26/6/2007. 252). CF/88. § 8º.110 pelo credor (ASSIS apud CÂMARA. 1ª Seç. 2004. 2006. sendo certo que qualquer alteração do seu conteúdo faz os prazos dos embargos serem devolvidos ao executado. 146 . mesmo ante o breve decurso assinalado pela lei para a expedição da CND. Trata-se de documento de expedição obrigatória por parte da autoridade solicitada. os arts. por estar consubstanciado abuso da autoridade competente (SABBAG. afirma que a certidão positiva que ateste crédito vincendo. o art. 20/9/2007. A certidão negativa de débito (CND) para com a Fazenda Pública vem exatamente nesse sentido. rel. p. a qual deverá aduzi-lo em até 10 dias. e 2º.982-RS. naquilo que concerne à parte modificada. 253). nesse ponto. CTN) produz os mesmos reflexos jurídicos da CND. p. O art. AgRg no REsp 942. pois pode ser elidida por prova em contrário (art. j. a qual se liga à decisão nos embargos à execução fiscal. implica em vício insanável. parágrafo único. urgindo escrituração contábil totalmente nova147. REsp 196. 204. Min. correção e eventuais penalidades. Amaro (2006.. salvo se a alteração a ser efetivada comportar total mudança no seu teor. AgRg no REsp 932. 1ª T. Humberto Martins. pela gravidade. DJU 13/3/2000. conferiram a prerrogativa de fazê-lo até a decisão de primeira instância jurisdicional. CTN). Todavia. Nessa situação. p. A inobservância do interregno pode ensejar a impetração de mandado de segurança. Vale ressaltar que a corte também já assentou entendimento no sentido da desnecessidade de novo ato de lançamento para simples retificação aritmética da CDA. como já está pacificado na jurisprudência. Min. não atingindo inexistência de requisito essencial da certidão. XXXIV. rel. a qual. LEF). Esse é o termo final para eventual emenda ou substituição da CDA de ofício. “b”. j. 205. a existência de autêntica imunidade tributária (SABBAG. Certidão negativa – o direito de certidão é remédio constitucional assegurado pelo art. CTN. Informativo do STJ n° 332.402-RS. 27/6/2007. De outra sorte. contados do requerimento (art. 5º.663-SP. O STJ ainda adverte que a correção deve aterse a erro material ou formal. sujeito à nulidade absoluta146. a Fazenda Pública expede certidão de regularização ou certidão negativa com efeitos de negativa. apesar de fazer com que os participantes do ato respondam pela integridade do débito. é exigida prova da quitação de tributos. A presunção ora em comento é relativa. 6º. pode ocorrer que a urgência não permita a espera. p. a fluência de juros não afeta a liquidez do título (art. EREsp 602. como meio de erigir uma presunção absoluta em prol do administrado. CTN. dispensa a exibição do documento. 207. CTN). A partir da ativação. pode ser extraída certidão de dívida ativa. 201. Para celebração de determinados negócios. parágrafo único.. 2004. § 1º. LEF.

208. A sujeição ativa tributária e a parafiscalidade foram modificadas pelo diploma. parágrafo único. Antes de tudo. direciona os valores decorrentes ao Fundo da Previdência Social. em contrário senso. sendo detida pelas pessoas políticas. Ex. ponto facultativo e meio expediente não são computados como tais. A competência tributária é indelegável. excluindo-se o dia de início e incluindo-se o termo final. mas a CND terá efeito liberatório geral. § 1º. “caput”. como bem vem aventando a jurisprudência.: o . CTN). “Os prazos serão contínuos. A referida delegação não necessariamente implica em parafiscalidade. os decursos são contados exatamente na forma do processo civil. “caput”. pelos sábados. p. instituídas atualmente ou “de lege ferenda”. é precípuo destacar que toda a tributação da alçada estadual deve levar em consideração dois elementos: o local onde se deu o fato gerador e a regência da LEGISLAÇÃO ESTADUAL sobre tal. Impostos em Espécie Introdução – o art. No entanto. valendo como dias sem funcionamento. CTN). mas cobrou-lhe alto preço em contrapartida. confere capacidade tributária ativa à SRFB no tocante às contribuições sociais. Prazos no CTN A teor do art. Dessa forma. Quando atua com culpa. não implica em parafiscalidade das contribuições sociais em relação à SRFB. Lei 11457/07. formando um só órgão. 210. vale lembrar a colocação do autor. “Super Receita” A Lei 11457/07 instituiu a SRFB. Em decorrência. CTN). sendo instituto mais abrangente que a mera capacidade tributária ativa. A SRF foi unificada à Secretaria da Receita Previdenciária (SRP). No último caso. CTN). no sentido de que os termos (final e inicial) só serão considerados quando houver expediente regular na repartição (art. o art. É essa que caracteriza o sujeito ativo da relação jurídico-tributária. sem prejuízo de responsabilidade penal e administrativa (art. 2º. domingos ou feriados” (SABBAG. o agente público responderá pelo ato na esfera criminal e penal. 2º. Em relação à SRFB. o art. 208. 255). arrecadação e administração de tributos. Lei 11457/07. 7º. Quando o servidor expedir CND com inobservância de preceitos formais. por dolo ou fraude. No entanto. parágrafo único. não responderá civilmente pelos prejuízos ao erário. Entretanto.111 legislador concedeu uma benesse ao contribuinte para evitar a caducidade de um direito. 210. CTN. “caput”. Com efeito. a capacidade tributária ativa (arrecadar e fiscalizar tributos) pode ser delegada (art. 2004. responderá pessoalmente pelos valores decorrentes e eventuais acréscimos (art. Essa se verifica quando há delegação de fiscalização. a discussão tangencia exatamente a capacidade ativa e a parafiscalidade. “caput”. sem interrupção. 155 da CF/88 estabelece os impostos de competência dos Estados federados.

enquanto outras não148. ES e PE).112 ITCMD leva em conta o local onde estão os bens do “de cujus” e não onde este veio a falecer. hodiernamente. a EC 42/03 determinou que o importador fosse 148 Por meio de recente resolução. . envolvendo tudo que ela consegue produzir. IX. as Receitas Estaduais. o Supremo passou a referendar a exação sobre produtos importados (art. O órgão tem por escopo padronizar os procedimentos tributários. de modo concreto. Para entendê-los. Alguns países não tributam produtos importados para uso próprio do consumidor. o que pode gerar conflitos de legislação. Aquele resulta da atividade humana. “a”. é necessário. Em face das diferentes normas dos 27 Estados brasileiros. A prática é totalmente inconstitucional. Nesse contexto. dada a dificuldade de fiscalizar os fatos geradores. Pode ser natural ou totalmente artificial. para tornar mais eficaz o recolhimento. a bitributação do mesmo fato gerador. indica os impostos de competência da União. preliminarmente. mercadoria é aquele OBJETO DE MERCÂNCIA. CF/88). porquanto da sua natureza jurídica. foi criado o CONFAZ – Conselho Nacional Fazendário (27 secretários de Fazenda dos Estados e alguns membros da Receita Federal e Previdenciária). O trabalho efetivo do CONFAZ resume-se.: há unidades da federação que exigem o porte da GARE de recolhimento do IPVA junto com o RENAVAM (BA. muito criticada pela doutrina. o ICMS. II (Imposto sobre Importação de Produtos Estrangeiros) e IE (Imposto sobre Exportação. ela consubstancia somente um bem móvel de uso doméstico. Ex. CF/88. uma vez adquirida e utilizada pelo consumidor. Depois da reforma constitucional. Essa mutação constitucional. Produto é gênero. que está no trajeto indústria-comércio. em sede de exceção. Ex. Para solver tais entraves.: a geladeira. incidia sobre mercadorias. como notas. passaram a adotar um modo operante simplificador. DIFERENCIAR PRODUTO E MERCADORIA. Passaram a exigir dos transportadores o ICMS integral das mercadorias que entram em seus Estados. permitiu. para o Exterior. 155. há tratamento tributário diferenciado. Fechando o ciclo. quando a exação seria devida no emissor. conhecimentos de transporte e guias de recolhimento. porquanto não se encontra no caminho entre a produção e o comércio. o Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) decidiu que o porte da guia de recolhimento de IPVA não é obrigatório ao condutor por ocasião de fiscalização de trânsito. Seu inciso I fala do II. 153. Entretanto. Dentro deste universo. Já nosso sistema tributário não alcança tal beneplácito. do qual mercadoria é espécie. a arrepio da Constituição. NÃO SOBRE MERCADORIAS. ainda se está muito longe de uma harmonização razoável entre as legislações vigentes. O inciso II fala do IE. qual o seja a entrada de produtos importados em território nacional. Para tentar dirimir tal entrave. não é mercadoria. até a EC 33/01. Esta medida é efetivada nas fronteiras estaduais. de modo a dirimir eventuais disparidades para com as exações regionais e federais. ou seja. à padronização de alguns documentos fiscais. vez que o II incide sobre PRODUTOS. O que diferencia o produto da mercadoria é a destinação. em operações de importação. de Produtos Nacionais ou Nacionalizados) – o art. consoante comentário já realizado.

para o exterior. Neste sentido. Tanto uns quanto os outros refletem o objeto material da hipótese de incidência. O próprio CTN faz referência à conotação apontada. 153. em contrário senso ao conceito e ao desdobramento do “drawnback”. À primeira vista. É possível identificar duas espécies de operação de exportação: A CF/88 foi categórica. Quanto ao II. Portanto. I. a confecção do produto deve situar no estrangeiro. os quais possuem exatamente a mesma hipótese de incidência do II e do ICMS. com o fim de constituir perfeitamente a hipótese de incidência do IE. deve ficar adstrita a um país estrangeiro. etc. etc. complementação ou acondicionamento de produto exportado. Porém. Produtos não despachados. Essa nomenclatura é utilizada em vários diplomas do Sistema Tributário. CF/88. Dessa feita. manutenção. 149 . por conseqüência. conhecido como “drawback” é considerado incentivo à exportação. Já a palavra “nacional” diz respeito àqueles produzidos integralmente no país. revertem-se em favor da Fazenda Nacional. em seu art. é análogo ao anterior149. Aliás. o constituinte originário resolveu especificar “ipse litre” a atividade. pareceria que se trata de uma redundância. a natureza do produto. total ou parcial. ao prescrever a “exportação. Isenção dos tributos exigíveis na importação de mercadoria. complementação ou acondicionamento de outra exportada. produtos naturais ou industrializados. isto é. troca. ou abandonados. equipamentos. para países estrangeiros. quer seja para operações de mercância. de produtos”. porque há TEMPORARIEDADE na operação. dando azo à instituição do PIS-importador e da COFINS-importador. nem importação. nos quais se transfere o produto ou mercadoria estrangeira para a economia nacional. para o art. remessas de produtos para repontecialização. insumos. IMPORTAÇÃO é a aquisição de produtos estrangeiros em caráter definitivo. nacionalização segundo entendimento doutrinário. Neste sentido. fala-se em exportação para o Estado de São Paulo. por exemplo. quer seja para consumo. 153. sob o enfoque semântico. Restituição. O termo “nacionalizado” (ou internado) refere-se a operações anteriores à importação. os quais foram recepcionados pela Carta de 88. complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada.113 contribuinte para o financiamento da seguridade social. ou utilizada na fabricação. as quais implicam em posterior distribuição por intermédio do Brasil. O conceito de exportação. Estes produtos podem ou não sofrer modificações domésticas. fabricação. O vocábulo “exportação” foi (e é) utilizado também para designar o fluxo de coisas entre os Estados da Federação. dos tributos pagos na importação de mercadoria exportada após beneficiamento. Admite diversas formas: Suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou destinada a fabricação. a terminologia empregada reside na melhor técnica jurídica de redação. É a construção jurisprudencial e doutrinária dominante. a outro país não configuram exportação e. dá-se por atos procedimentais. Desta feita. incluindo. II. em quantidade ou qualidade equivalente à utilizada no beneficiamento. esse fenômeno.

153. Em relação às operações de mercado exterior. pois há interesses nacionais em jogo. CF/88.114 Direta – quando o estabelecimento industrial ou produtor emite a nota fiscal de venda endereçada diretamente ao destinatário no exterior. É ele quem regula as atividades inerentes ao II e ao IE. o negociador no comércio externo – e. Daí decorre o conceito de Dívida Externa. CF/88). a União é a única que tem personalidade jurídica de Direito Internacional. sobre o SETOR DE ATIVIDADES (base econômica). de acordo com a situação presente. Também ocorrem dissidências jurídicas quanto a imunidades de certas ENTIDADES. no país. os Ministérios da Fazenda. por vezes. cujo gestor principal é a Receita Federal (CASSONE. vez que ambos são proporcionais. em última análise. com base em contrato. Portanto. § 1º. pois a autorização contida no art. Há isenção do tributo quando há importação de matéria prima. Nessa hipótese. VIII. 2004). Conseguintemente. vem a ferir o princípio da ISONOMIA. em consonância com os demais princípios e direitos essenciais contidos na Carta Política. No estabelecimento de ALÍQUOTAS. produtos intermediários e componentes destinados à fabricação. Desta feita. na balança de pagamentos do país. o Fisco. o constituinte permitiu que a fixação da alíquota de tais exações não se sujeita à reserva legal. O “drawback” também é aplicável quanto ao IE. O II e o IE incidem. 153. Esta é sempre a AVALISTA INTERNACIONAL dos demais entes públicos ou das empresas privadas brasileiras. . por conseguinte. § 1º. contra pagamento em moeda conversível proveniente de financiamento concedido pela instituição financeira internacional da qual o Brasil participe. Indireta – quando o estabelecimento industrial ou produtor emite nota fiscal de venda para destinatário comprador no Brasil. São impostos eivados de EXTRAFISCALIDADE. A operação de comércio exterior é regida por competência legislativa privativa da União (art. § 1º. O controle é realizado por meio de alíquotas diferenciadas. O comércio exterior reflete-se na indústria interna. principalmente no que concerne às suas constantes alterações. CF/88). porquanto se prestam à intervenção na atividade econômica interna. principalmente com referência àquelas de cunho religioso. a serem majoradas ou diminuídas. deve ser usada sistemicamente. em decorrência de licitação internacional. à anterioridade ordinária nem à noventalidade (arts. será considerada indireta para o fabricante e direta para o interveniente exportador. que por sua vez emitirá outro documento de venda endereçado ao comprador estrangeiro. 22. da Indústria e Comércio e das Relações Exteriores são coordenados por um arcabouço interministerial: o Sistema de Comércio Exterior (SISCOMEX). e 150. Além disso. de máquinas e equipamentos a serem fornecidos. que funciona como interveniente comercial. não se deduz a capacidade contributiva. no mercado interno. no consumo interno. o eventual devedor – sempre será a União. A importação e a exportação não podem ser realizadas a bel prazer do empresário. reais e indiretos.

endereçando-o. No critério temporal. fica configurado a partir da expedição da GUIA DE EXPORTAÇÃO (CASSONE. I. zona primária compreende as faixas internas de portos. com a suspensão do pagamento de tributos. de mercadorias estrangeiras ou desnacionalizadas. o momento de ocorrência do fato imponível coincide com a data do registro da DI no tocante ao produto despachado para consumo. Despacho para consumo é o conjunto de atos procedimentais (desembaraço aduaneiro). para seu uso ou consumo. é necessário uma autorização prévia do governo federal para todas as operações no setor. Segundo o art. o qual consubstancia o FATO GERADOR do II.115 Desta forma. a exação contempla o que se conhece como território aduaneiro. Zona Secundária compreendendo a parte restante do território nacional. recintos alfandegados e locais habilitados nas fronteiras terrestres. cujo objetivo consiste em colocar a mercadoria nacionalizada à disposição do adquirente estabelecido no Brasil. Admissão temporária para aperfeiçoamento ativo – é o que permite o ingresso para permanência temporária no país. os quais permitem a suspensão total ou parcial da exigibilidade do II: Trânsito aduaneiro – é o que permite o transporte de mercadoria. pela entrada do produto no território nacional (art. 33. efetivar o negócio. ao órgão competente do SISCOMEX (SRFB). com suspensão do pagamento de tributos. 91030/85. CTN). Esta fiscalização é denominada desembaraço aduaneiro150. portanto. nela incluídos as águas territoriais e o espaço aéreo correspondente (art. Já para o IE. bem como outras áreas nas quais se efetuam operações de carga e descarga de mercadorias ou embarque e desembarque de passageiros. Esse analisará o pedido e poderá autorizar a operação. aeroportos. eletronicamente. ou com suspensão parcial. mediante a declaração de importação (DI). então. 33. DL 37/66). por conseqüência. sob o controle aduaneiro. De posse dos dados fornecidos pelo interessado. destinadas a operações de aperfeiçoamento ativo e posterior reexportação. 2004). II. O aspecto material do II é representado. Mas há regimes aduaneiros especiais. de um ponto a outro do território aduaneiro. no caso de utilização econômica. em regra. 19. o qual pode ser dividido em zona primária e secundária. os conteúdos a serem comercializados. Espacialmente. 150 O atual Regulamento Aduaneiro é veiculado pelo D. antes de tudo. o interessado poderá. . fisicamente. com suspensão total do pagamento dos tributos. tecer um estudo fundamentado sobre o produto a ser importado ou exportado. o Fisco poderá fiscalizar. Uma vez AUTORIZADA. Admissão temporária – é o que permite a importação de bens que devam permanecer no Pais durante prazo fixado. DL 37/66. O interessado no comércio exterior deve.

20. § 1º. II. quando o fisco determina um “quantum” somado ao inicial. a incidência não ocorrerá nas seguintes situações: Mercadoria enviada em consignação e não vendida no prazo autorizado. Na mesma esteira. CTN). chegando-se a uma base de cálculo atribuída. a base de cálculo é sempre fixada. De fato. CTN). o segundo critério é comumente utilizado para o II. também são objeto da base de cálculo “ad valorem”. Destarte. D. não precisando observar propriamente os ditames da anterioridade original e da noventalidade. de modo a não prejudicar o setor produtivo nacional. § 1º. No diapasão. A alfândega é a encarregada de verificar quais os valores a serem acrescidos. tem-se o conceito “AD VALOREM”. 2472/88 confirmaram essa premissa. pois produtos importados. 20. a Súmula 576 do STF151 autoriza a cobrança do ICMS sobre produtos importados sob regime da alíquota zero. atualmente para o IE. III. § 2º. atribuídos a mercadorias em trâmite entre empresas do mesmo grupo econômico transnacional. 153. CTN. I. os quais alcancem valores ínfimos na chegada ao país. a BASE DE CÁLCULO pode ser estabelecida basicamente de duas formas (art. “caput”. a quantificação expressa na DI (valor do produto mais despesas de alfândega) seria a base de cálculo. Nesse passo. As alíquotas são geralmente constantes do GATT. As alíquotas são fixadas na Tarifa Externa Comum (advinda do GATT) ou determinadas na legislação federal. Por outros fatores alheios à vontade do exportador. para reparo ou substituição. podem elidir a concorrência dos similares brasileiros. de acordo com o critério do art. o art. Neste sentido. escapam à incidência da exação. . nos termos das respectivas legislações. CF/88 e 21 do CTN. CTN). 214. Do contrário. Como a tributação de importação é dotada de extrafiscalidade. Quando a hipótese de incidência traz um percentual fixo sobre o valor da transação.116 Outros acontecimentos. Os valores irrisórios. 20. o legislador assim previu para o IE (art. Terceira forma de determinar a base de cálculo do II se dá pelo valor da arrematação. CTN. de acordo com a previsão do art. Mercadoria devolvida por modificações na sistemática de importação por parte do país importador. assevera que bens importados com alíquota zero do II estão sujeitos aos demais tributos. consoante comentário supra aduzido (art. 4543/02). por questão de não-subsunção ao tipo tributário do II. em que pese a previsão do art. os quais conferiram possibilidade para o Executivo alterá-la. D. Segundo entendimento da análise dos atos normativos em comento. De acordo com o ditame da 151 Súmula 576 do STF: “É lícita a cobrança do ICMS sobre produtos importados sob regime da alíquota zero”. Mercadoria devolvida por motivos de defeito técnico. 20. Este comando decorre dos arts. nunca “ad valorem”. tem-se a exação proporcional (art. 150. quando o produtos é adquirido em leilão de bens provenientes de descaminho (art. CF/88). 2434/88. o DL 37/66 e o D. 24. 214. 5º. 4543/02 (CASSONE. I e II. Em referência ao II. 2004). D. para evitar a mera evasão de divisas. II.

215. CTN). § 2º. com conseqüentes facilitações. menor será a alíquota incidente. I a IV. As alíquotas serão fixadas de acordo com a essencialidade do produto. pertence ao Executivo. sendo menores aquelas de produtos mais essenciais. aquele. dada a previsão constitucional do art. O sujeito ativo é sempre a União (Fisco) para ambos. estabelecidas no art. para o IE. 153. CF/88. Nesta situação. § 1º. IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) – está previsto no art. Para o II. CP). Há certificações de órgãos ou entidades públicas que resolvem parte da burocracia para a exportação. portanto. O desembaraço para a exportação também segue o mesmo trâmite da importação. § 1º. a despeito da essencialidade. 215. ainda encontra outro elemento complicador: a fiscalização de produtos importados que levantem suspeitas sobre ilicitude. os quais são objeto do delito de descaminho (art. IV. as alíquotas do II serão maiores.: importação de naftalina para fabricação de produtos de limpeza. O desembaraço aduaneiro. adotando-se o sistema de compensação com a operação posterior. CF/88. 4543/02). se há produção interna de algum bem. 27. § 3º. mediante a declaração de arremate. como configurador do fato gerador. I e II. quanto mais vital é o produto. dado o comando contido no art. no que tange à exação em tela. é o exportador ou quem a ele se equiparar (art. D. País de origem. tipo de produto são elementos que servem para que a autoridade alfandegária decida sobre o enquadramento do lote em um ou em outro canal de fiscalização. É o mecanismo denominado BARREIRA ALFANDEGÁRIA. a ALFÂNDEGA adota critérios diferenciados de fiscalização. via de regra. 215. 153. 153. 2637/98. Além das considerações tributárias. é de 30% sobre o valor do produto (art. partindo de um patamar de menor para outro de maior rigor. podendo ser reduzida (art. arcará com a obrigação tributária do imposto de importação. a carga de IPI será reduzida sobre bens de capital. 152 O arrematante é aquele que adquire produtos importados em um leilão. porquanto fica atrelada especificamente a CADA TIPO DE PRODUTO. o sujeito passivo é o importador ou o arrematante152 (art. D. notícias da imprensa. . 4543/02) e majorada até o percentual máximo de 50% (art. há conotações de ordem política para o estabelecimento das alíquotas do II e do IE. De acordo com o estabelecido pelo legislador ordinário. vermelho e preto). Ex. a alíquota. Para o IE. O constituinte determinou algumas características. 4543/02). “caput”. cinza.117 ESSENCIALIDADE. Serão imunes as operações com produtos industrializados destinados ao exterior. CF/88. freqüência do importador. Tal critério é o primeiro elemento que o legislador observa ao estipular as alíquotas. A prerrogativa. A normatização do IPI é dada pelo D. CTN). em quantidade suficiente para suprir o mercado interno. Esta equação não se resolve facilmente. 318. O comando determina também que será não-cumulativo. Para otimizar as operações. D. I e II. CF/88. de consumidores e de importadores. a qual pode ser confundida com entorpecente. de acordo com os canais enquadrados (verde. Todavia. 153. competindo à Câmara de Comércio decidir sobre tais alterações. a qual representa palco de conflitos entre os interesses de produtores. 22.

153 . 153. extrativismo industrial. Objeto – está no art. parágrafo único. Neste sentido. Nesta situação. Para os ALIMENTOS. Modificação no produto implica em atividade industrial para fins tributários. com fulcro em jurisprudência do STJ. D. O inciso I refere-se a alíquotas diferenciadas de acordo com o caráter essencial ou não do produto. indústria de montagem. Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Juripsrudência.: indústria de ternos e alfaiate. 2001. a saída do produto industrializado do estabelecimento industrial. o acondicionamento. “in fine”. Na esteira. 150. CF/88) sobre o imposto em relevo. deve ser verificado: recurso natural. mas incide a noventalidade (art. 46. IV. partindo do PRIMEIRO PASSO DE PROCESSAMENTO. op. Portanto. “o beneficiamento realizado em um bem do cliente ou mesmo a produção mediante encomenda não podem configurar fato gerador do IPI”. É a SELETIVIDADE EM FUNÇÃO DA ESSENCIALIDADE. até que venha a converter-se em produto consumível. de início. Tanto para o IPI quanto para o ICMS. cit. CF/88. como fato gerador. Ex. § 3º. Características – o art. Para Ricardo Lobo Torres Para Leandro Paulsen. 46. a atividade estará no campo de incidência do tributo explicitado no art. CTN. consubstanciando os estabelecimentos equiparados à indústria. consoante precedente da 1ª Turma do TRF/4. CF/88. o produto “in natura”. A partir do primeiro estágio. 3º. Para diferenciálos. 95. Em sentido contrário. CF/88).. Para o citado autor. É o que diz o art. “c”. do mais básico ao mais supérfluo. parágrafo único. § 1º. em proveito da organização e não de terceiros. já incide o IPI. 4544/02 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI). até que possa chegar ao consumidor final. Vale lembrar também que não pende a regra da anterioridade ordinária (art. os quais seriam englobados pelo IPI – como o caso de tomates embalados em bandejas para o supermercado ou de pescados que são beneficiados com a retirada de escamas para o comércio – são agraciados pelo legislador pela isenção de imposto. 150. demonstra Cassone. Conceito de produto industrializado – deve-se tomar.118 modificado pelo D. como prescreve o art. 4544/02. indústria de transformação. a exação citada somente exclui a extração da natureza. desde a natureza até o consumidor. de modo estanque. porquanto se configura um produto industrializado. traça o alinhamento geral para que o legislador infraconstitucional trabalhe a regulamentação do IPI. etc. Porto Alegre. indústria de base. incide sim o Imposto Sobre Serviços (ISS). CTN. O caminho. o IPI tem por base econômica as operações com produtos industrializados e. 153. Outro ponto interessante é a desigualdade entre o estabelecimento equiparado à indústria e o prestador de serviço. a montagem e o recondicionamento (recuperação de um produto obsoleto ou inservível em algo aproveitável para a aplicação humana). A Tabela do IPI (TIPI) estabelece todas as alíquotas. Desta feita. p. oscilando de 0 a 363. a seara do IPI engloba a transformação. pois se trata da maior alíquota existente. a atividade de transformação de produtos naturais em bens consumíveis não pode ser enxergada somente por cada uma de suas etapas. o produto passa a constituir um semi-elaborado. Enquanto pender uma ação humana que venha a adaptar um produto para o consumidor final. a qual desencorajaria o consumo de um produto não recomendável devido a razões de saúde pública (PAULSEN. III. o beneficiamento. o imposto possui certa extrafiscalidade quanto ao fumo. I a V. 2001). é necessário recorrer à produção em série no primeiro e o “artesanato” no segundo153.5%. Livraria do Advogado.

O inciso II expressa a não-cumulatividade. Em outras palavras. Além disso. A partir da Lei 8866/94. computando-se débitos e créditos da pessoa jurídica. fazendo valer compensação entre débitos e créditos do sujeito passivo. De fato. CF/88). mas sim do comprador. seguindo a seguinte sistemática de recolhimento: 1) Deve ser destacado na Nota Fiscal e cobrado do comprador por ordem e conta da União. conquanto se caracteriza o fato imponível. Quando o alienante realiza a venda. a sistemática de recolhimento do imposto é particular. 2001). § 3º. § 3º. desconta-se o valor anteriormente incorporado no novo recolhimento de IPI. persistirá um crédito. a cada nova agregação do processo industrial. Entretanto. O IPI será apurado mensalmente. 153. escritura o débito em seu livro de registro cabível. o crédito de IPI somente terá vez se o produto compor a saída do estabelecimento. Desta forma. o responsável passou a ser definido como depositário da União. 3) Não pode ser contabilizado como despesa ou custo pelo vendedor. mesmo se tratando de exação indireta. na quinzena de totalização. o direito a compensar o IPI só é devido aos produtos que terão exação correspondente na saída. CF/88). 153. A cada operação de circulação. realizando o princípio da não-cumulatividade do IPI (art. haverá débito. Dessa feita. passa a ser depositário infiel. Em tese erigida pelo legislador (a partir do art. Caso não recolha aos cofres públicos o valor cobrado a título de IPI. aplicável coercitivamente ao IPI pelo legislador. o adquirente do bem recebe a carga tributária do alienante dentro da cadeia comercial. de haver mais imposto de crédito que de débito. Na seqüência. Havendo venda de produto industrializado por qualquer valor (preço negociado entre o vendedor e comprador). podem existir saídas em que não incide o IPI. uma vez que é repassado no preço da mercadoria. a exação possui repercussão do encargo financeiro. Essa questão passou a ser controvertida nos tribunais. 2) O vendedor (responsável) torna-se depositário desse IPI cobrado do comprador (contribuinte de fato) nos termos da Lei 8866/94. a lei determina que sobre o preço seja calculado o IPI. Existe a possibilidade. a PIS e a COFINS também seguem o mesmo raciocínio. que deve cobrar o IPI do consumidor e repassá-lo à União. mas o contribuinte de direito (responsável). abstraindo-se os créditos referentes ao mesmo período. incide a exação. Nesse sistema. o adquirente escritura o crédito decorrente e o . toda vez que houver entrada do bem. já que não é ônus seu. II. O ICMS. No entanto.119 (apud PAULSEN. desde que a fase anterior seja tributada. Todas as vezes que houver saída de um bem. o estabelecimento industrial ou equiparado não é o contribuinte de fato. o critério da seletividade pela essencialidade. o crédito do IPI só seria devido ao contribuinte que não for consumidor final do produto (contribuinte de fato). Para evitar o “efeito cascata”. o imposto devido em um mês será igual a todos os débitos. O procedimento é denominado apuração do imposto em conta gráfica. constitui atendimento ao PRINCIPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. III.

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débito da saída, assim como todos os demais componentes da cadeia de consumo. Ex.: alíquota de 4% sobre o produto que sai de “A”, cujo valor é de R$ 100; “B”, o adquirente, processou o bem e o vendeu por R$ 200; na primeira etapa, o IPI devido será de R$ 4; “A”, então, realiza a venda por R$ 104, repassando o tributo para “B” e escriturando o débito correspondente (R$ 4); “B” escritura o crédito consectário (R$ 4); supondo que “B” venda o produto processado a “C”, com alíquota também de 4%; “B” aplica o preço completo de R$ 208, escriturando R$ 8 como débito; consequentemente, “C” escritura crédito decorrente (R$ 8); na compensação, “A” recolhe R$ 4, “B”, R$ 4 (8-4); “C” só teve crédito de R$ 8, não devendo nada ao fisco, ficando acumulado para o próximo mês. Querela relevante se coloca quanto à alíquota zero atribuída ao IPI em determinadas operações. O ICMS usa, atualmente, as mesmas regras de nãocumulatividade do IPI (art. 155, § 2º, I, CF/88). No entanto, o constituinte expressamente determinou que a isenção ou não-incidência de ICMS, ressalvada previsão contrário do legislador, não implicará em crédito para operação seguinte, quando houver isenção ou não-incidência na entrada (art. 155, § 2º, II, “a”, CF/88). Em melhores palavras, a operação de saída, quando isenta ou quando não haja incidência de ICMS, não levará a direito ao crédito correspondente na próxima etapa da cadeia. O crédito está condicionado à incidência integral da exação na operação anterior. Nesse contexto, a Constituição de 1988 nada dispôs sobre o IPI, suscitando dúvida sobre a aplicação analógica ou não da mesma regra. Os contribuintes passaram a defender que o direito a crédito é incondicionado, independentemente da incidência ou não nas operações posteriores e anteriores, já que, no ICMS, o constituinte expressamente falou, e no IPI, silenciou. Por volta de 1998 e 2000, o Pleno do STF firmou entendimento a favor do sujeito passivo, fundando-se na ausência de ressalva expressa, ao contrário do que fez o constituinte quanto ao ICMS. Em meados de 2005, a querela foi trazida à baila novamente. Ao revés da orientação anterior, o STF, no início de 2007, operou mutação constitucional154. Segundo o Excelso Pretório, para produtos tributados com alíquota zero (espécie de isenção, segundo o próprio Supremo) ou não tributados, inexiste direito a crédito na operação seguinte dentro da cadeia comercial. Na ocasião, em questão de ordem (QO), o Ministro Ricardo Lewandowski, em nome da segurança jurídica, propôs a aplicação prospectiva do novo entendimento, operando efeitos “pro futuro”. Por dez votos a um, a QO foi rejeitada, conferindo efeitos “ex tunc” à interpretação. No entanto, o STF nada falou sobre produtos imunes e isentos “em sentido estrito”, pairando querela sobre a matéria. Advogando em prol da União, a PGFN levanta interpretação literal do art. 153, § 3º, II, CF/88, uma vez que o constituinte fala em compensação de créditos mediante “montante cobrado” nas operações anteriores. Não havendo cobrança, não há de se falar em crédito na operação seguinte de saída. Quando ocorre situação inversa, em que há crédito na entrada (matériaprima, material de embalagem ou intermediário), mas o produto é isento ou contemplado com alíquota zero na saída, o art. 11, Lei 9779/99, autoriza a
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STF, RE’s 370682 e 353657.

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manutenção do crédito em IPI (adquirido na entrada), bem ao inverso do que ocorre no ICMS (art. 155, § 2º, II, “b”, CF/88). Descabe analogia na aplicação do comando em tela, não atingindo produto, na saída, imune ou não tributado. Da mesma forma, o bem da entrada deve ser matéria-prima, material de embalagem ou intermediário, não alcançando qualquer outro. Ocorrendo qualquer dessas hipóteses, em face da interpretação restritiva do dispositivo legal em tela, o crédito anterior deve ser anulado. Essa visão decorre do que já disse analogamente o STF, quanto às entradas com alíquota zero ou não tributados. Em verdade, o precedente do STF tem o condão de dar o mesmo tratamento entre ICMS e IPI, o que permite postular em favor da Fazenda federal155. O inciso III estabelece que não haverá incidência de IPI na exportação156. Deste modo, a legislação permite que o contribuinte mantenha um crédito tributário para com o fisco federal, com o fim compensar em outros tributos de competência da União. O dispositivo tem por fim incentivar a atividade de exportação. Crédito prêmio – era dirigido àqueles industriais que desejassem adquirir novas tecnologias em produtos industrializados importados, a título de melhoria do maquinário. Eles teriam isenção de IPI. Previa assim, o legislador, que os apontamentos desta conta gráfica fossem lançados à parte. Todavia, a despeito de conceder um benefício para a economia, haveria uma majoração grande na ponta da linha, incidente sobre o consumidor final, porquanto houve incremento dos custos. Entretanto, o legislador extinguiu o respectivo crédito sem a necessária contraprestação por parte do governo. As empresas, então, foram a juízo para requerer o devido. A ação encontra-se em trâmite no STF. Fato gerador – o IPI incide no momento do desembaraço aduaneiro de produto industrializado importado, da saída de produtos industrializados do estabelecimento manufatureiro (emissão da nota fiscal) e da arrematação de produtos industrializados abandonados ou apreendidos, acordo com o art. 46, I a III, CTN. Em verdade, as operações delineadas trazem a lúmen os sujeitos passivos do imposto. Aspecto subjetivo – o SUJEITO PASSIVO será o importador, os estabelecimentos industriais, os comerciantes e o arrematante, além dos equiparados (art. 51, I a IV, CTN). Em melhores palavras, os contribuintes do IPI são o arrematante em hasta pública, os industriais (ou equiparados) e o importador, bem como o comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os forneça aos industriais contribuintes. Equiparação tributária instrumento meramente fiscal que só pode ser determinado em lei. O fato de um comerciante ser equiparado, não significa que se tornou industrial, mas que passa a ser tratado da mesma forma que este. O comerciante atacadistas de insumos (matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem) são equiparados, facultativamente, aos industriais (art. 11, I, RIPI). Se optarem pela equiparação, nos termos do art. 14, I,
STF, RE 353657/PR, rel. Min. Marco Aurélio, j. 25.6.2007, Informativo do STF nº 473; RE 370682/SC, rel. Min. Ilmar Galvão, j. 25.6.2007. 156 Para alguns autores, o dispositivo é entendido como imunidade. Em contrário senso, para a maioria da doutrina, é caso de não incidência.
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“a” a “c”, RIPI, destacarão o IPI relativo à saída na nota fiscal. Tal equiparação objetiva possibilitar o crédito do IPI pelos estabelecimentos industriais que adquirirem insumos de comerciantes atacadistas. Se o comerciante atacadista não optar pela equiparação industrial, mesmo assim é possível ao adquirente efetuar o crédito do IPI mediante a aplicação de alíquota a que estiver sujeito o produto sobre 50% do valor constante na nota fiscal (art. 165, RIPI/02) Base de cálculo – na importação, o valor da operação, acrescido de eventuais taxas aduaneiras, será a base de cálculo (art. 47, I, CTN). Na saída da indústria, é o valor do produto acabado (art. 47, I, “a”, CTN). Sendo este desconhecido, será tomado o seu valor da praça local de um produto similar (art. 47, I, “b”, CTN), isto é, no mercado atacadista. No arremate, será o valor da arrematação (art. 47, III, CTN). Em resumo, com relação à base de cálculo do IPI, temos: • Na importação = valor de base para o II (preço livre do produto + frete + seguro) + II + taxas de entrada + encargos cambiais157. • Nas operações internas = valor da operação158 ou do produto na praça. O ICMS é parte integrante do preço de saída do produto, sendo que o seu destaque na nota fiscal é meramente indicativo do valor que o comprador, se contribuinte do ICMS, pode creditar-se. • Na arrematação = valor do arremate. Alíquotas – atendendo o critério constitucional (art. 153, § 3º, I, CF/88) e legal (art. 48, CTN) da seletividade pela essencialidade, a Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) apresenta duas regras de hermenêutica para sua aplicação: a posição mais específica na tabela prevalece sobre as mais genéricas; os produtos misturados e compostos, cuja classificação não possa ser efetivada, serão considerados segundo a matéria ou o artigo que lhe confira característica essencial. Prazo de pagamento – o decurso para recolhimento do referido tributo tem algumas características relevantes: É decendial, ou seja, é apurado e recolhido a cada dez dias; Admite venda de produtos com prazo de pagamento dilatado; Quando existe pagamento de duplicata pelo comprador, só no efetivo adimplemento é que o empresário receberá o total do crédito do IPI contido na nota fiscal/fatura extraída da duplicata.
No desembaraço aduaneiro, a base de cálculo do IPI é complexa, sendo formada por vários componentes. O seu preço em moeda estrangeira, mais seguro e frete, ou seja, o preço CIF (Cost, Insurance and Freight) convertido em moeda nacional, pela cotação do câmbio fiscal divulgada pela SRF mediante ato declaratório do Executivo (ADE), acrescido de II, taxas exigidas na entrada do produto (taxa de armazenagem, capatazias, serventias, etc.) e de encargos cambiais efetivamente pagos pelo importador ou dele exigíveis (variação cambial entre a data da emissão da licença de importação e o efetivo desembaraço aduaneiro) a compõe. O montante resultante da soma de todos os itens é, portanto, a base de cálculo do IPI, sobre a qual se aplicará a alíquota para apurar o imposto devido. 158 Para Paulsen, op. cit., a desconsideração de descontos concedidos no momento da operação e a estipulação de pautas fiscais pela Secretaria da Receita Federal do Brasil não coadunam com a disposição do art. 47, CTN, conquanto não se observa o ditame da legalidade tributária (art. 97, CTN) e da hierarquia de diplomas normativos. De igual forma, o referido autor cita decisões do STJ e do TRF/4 no sentido de não reconhecer a inclusão de juros – na venda realizada a prazo – e de frete por empresa coligada na base de cálculo da exação do art. 153, IV, CF/88.
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Se o sujeito passivo do IPI deve pagar em 10 dias e receberá, por exemplo, em média, em 60 dias, na verdade ele (o responsável tributário) está antecipando o imposto e financiando o governo federal. Logo, não existe a possibilidade de enquadrar o responsável como depositário infiel (Lei 8866/94) ou apropriação indébita antes que seja recebido pelo contribuinte o valor do IPI. Portanto, apurar o imposto pela data do recebimento das duplicatas é contrário à lei do IPI. Por essa razão, muitos artigos da Lei 8866/94 estão suspensos por ADIn. Lançamento – o IPI é um imposto que se sujeita ao lançamento por homologação, cabendo ao contribuinte realizar todas as obrigações acessórias impostas por lei. O Fisco só atuará de ofício no não-recolhimento da exação ou no seu pagamento a menor. A partir de 1º de janeiro de 2005, a apuração passou a ser mensal, devendo-se recolher o tributo até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores. IOF (Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários) – o objeto incide sobre crédito, câmbio, seguro, títulos ou valores mobiliários. O crédito é sempre representado por títulos. É imprescindível, para o seu estudo, o conhecimento prévio do universo da mercancia de títulos. A receita para o Fisco é quase que irrelevante. Toda vez que o Estado disponibiliza ao cidadão uma utilização de crédito (disponibilidade imediata para pagamento futuro) oficial, incide o IOF. Trata-se de uma ferramenta de controle gerencial do meio circulante, assim como é a taxa SELIC, estabelecida pelo Comitê de Política Monetária (COPOM), o que caracteriza autêntica finalidade extrafiscal, porém sem perder de vista a função arrecadatória (SABBAG, 2004, p. 329). A sociedade, por meios contratuais, consegue expandir tal base oficial. A arrecadação do IOF forma um fundo que visa garantir, de um modo geral, o sistema financeiro nacional, a ser tutelado pelo próprio BACEN. Não se confunde com o crédito comercial, tido através de operações de compra e venda a prazo. O IOF está regulamentado pelo D. 4494/02. O sujeito passivo pode ser: o As pessoas físicas ou jurídicas tomadoras de crédito (art. 4º, “caput”, D. 4494/02); o Os compradores e vendedores de moeda estrangeira,nas operações referentes à transferência financeira para o exterior (art. 12, “caput”, D. 4494/02); o As pessoas físicas e jurídicas seguradas (art. 20, D; 4494/02); o Os adquirentes de títulos ou valores mobiliários, incluindo instituição financeiras (art. 26, I e II, D. 4494/02). O fato gerador será: Operação de crédito – será a efetiva entrega, total ou parcial, do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, bem como a colocação à disposição do mutuário interessado (art. 3º, “caput”, D. 4494/02), lembrando-se que saque em caderneta de poupança não é

D. “caput” e § 1º. CF/88). Operação de câmbio – entrega ou colocação à disposição de moeda nacional. sob os auspícios da 159 Súmula 664 do STF: “É inconstitucional o inciso V do art. D. D. 20. 331) deixa claro que a mera posse dos documentos mencionados não é fato gerador do IOF. Ilmar Galvão. Na transmissão – será o preço. na conformação do que der a lei (art. A alíquota será de 25% (art. j. de moeda estrangeira ou de documento representativo. Operação com títulos e valores mobiliários – é a emissão. distinguem-se três situações. 14. rel. Trata-se de imunidade parcial. . 4494/02). 4494/02). O verbete ficou cristalizado a partir de reiterada jurisprudência do Supremo: STF. por exemplo. Ele tem um valor cambiário. determina que a alíquota máxima diária será de 1. 4494/02. que institui a incidência do imposto nas operações de crédito câmbio e seguros – IOF. devendo incidir somente um a vez se ocorrer simultaneidade entre elas (MACHADO. Operação de seguro – a base de cálculo é o prêmio efetivamente pago (art. D. 21. 4494/02). § 5º. 153. 25. A base de cálculo e as alíquotas do IOF são dadas por diversos dispositivos do D. 19. “caput”. 4494/02. entendo-se como efetivado o negócio no momento da liquidação do contrato ou câmbio (art. D. D. da Lei n° 8. 4494/02): Na emissão – é o valor nominal. com alíquota de 25% (art.033/90. O art. Desta feita. “caput”.1999.fato imponível da exação em comento (Súmula 664 do STF) apesar do “factoring” sê-lo160. Operação com títulos e valores mobiliários – a alíquota máxima é de 1. transmissão. I a IV. 159 124 .08.9. a depender da hipótese de incidência (SABBAG. p. 4494/02. 7º. rel. D. 4494/02). RE 232467. 4494/02). D. 28. computando-se o ágio ou deságio. como é o cheque de viagem. sendo entendido como objeto de incidência do IOF (art. 13. O ouro é um valor de referência mundial. p. “caput” e parágrafo único. em que pese sua natureza de mercadoria.5% ao dia (art. sobre saques efetuados em caderneta de poupança”. ADI-MC 1763/DF. Para a base de cálculo. 333): Operação de crédito – a base de cálculo é o principal mais os juros efetivos (art. 1993). I a VII. 160 STF. Min. D. Sabbag (2004. 1º. o ouro não se sujeita à tributação sobre produto ou mercadoria. recebido. D. 4494/02). “caput”. D. Min.5%. esculpida em contornos especiais pelo constituinte. Operação de câmbio – a base de cálculo será montante da operação em moeda nacional. “caput” e § 2º. Sepúlveda Pertence. entregue ou posto à disposição do contratante (art.98. No pagamento ou no resgate – é o preço. 4494/02). enquanto ativo financeiro. Operação de seguro – emissão da apólice ou recebimento do prêmio (art. 2004. 6º. “caput”. j. 22. 27. 11. “caput”. pagamento ou resgate deles (art. 4494/02). valor nominal ou valor da cotação em bolsa. 29.

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unicidade – incidência uma única vez na origem, na extração, em que pese o fato imponível ser sua negociação posterior (SABBAG, 2004, p. 336). Será incidente na extração da matéria-prima, segundo alíquota mínima de 1%, a ser divida de acordo com o art. 150, § 5º, I e II, CF/88: 70% para o Município de origem e 30% para o Estado de origem (ou DF). Atualmente, a alíquota é exatamente de 1%, tal qual estabelece o art. 41, D. 4494/02, tendo como base de cálculo o preço de aquisição do ouro por instituição financeira (arts. 39 e 40, “caput”, D. 4494/02). No entanto, se o ouro for importado, a base de cálculo será arbitrado, tendo como referência o valor de mercado doméstico no desembaraço aduaneiro, calculado em moeda nacional (art. 40, parágrafo único, D. 4494/02). Em contrário senso, uma vez que o metal seja extraído da natureza e utilizado em uma escala de produção diversa da atividade exclusivamente financeira, entender-se-á como objeto material de outra tributação (IPI, ICMS, ISS, etc.). A disciplina do ouro, como ativo financeiro, está na Lei 7766/89. Antigamente, todo meio circulante tinha lastro metálico, cotado em outro depositado em agências oficiais (Casa da Moeda). Hodiernamente, isto continua ocorrendo em parte, porquanto somente parcela da reserva metálica equivale ao numerário circulante. A doutrina qualifica o IOF como gravame “flexível”, conquanto suas alíquotas podem ser estabelecidas pelo Executivo sem observância da anterioridade ordinária e da noventalidade, a teor dos arts. 153, § 1º, e 150, § 1º, CF/88 (SABBAG, 2004, p. 335). Sobre o IOF, recai a imunidade recíproca do art. 150, VI, “a”, CF/88. Ademais, a Súmula 185 do STJ161 determina sua nãoincidência no caso de depósitos judiciais. IR (Imposto sobre Renda e Proventos de Qualquer Natureza) – renda e proventos são espécies do gênero acréscimo patrimonial. Renda é resultante do capital (aluguéis, lucros, rendimentos financeiros, “royalties”, etc.), do trabalho (remuneração do labor humano) ou da combinação de ambos (honorários advocatícios, pagamento pela prestação de serviços, etc.), como prevê o art. 43, I, CTN. Já os proventos são todos os outros acréscimos não previstos na categoria anterior. O critério residual também foi adotado pelo constituinte originário de 1988, dada a UNIVERSALIDADE162 e a GENERALIDADE163 do IR (art. 153, § 2º, I, CF/88). Para Cassone (2004, p. 373), “a tributação do IR alcance [sic!] a tudo e a todos, sem ater-se ao critério da seletividade ou distinção entre pessoas ou profissões”. Todavia, NEM TODA RENDA OU PROVENTO implicará em IR, posto que ficou relegado ao legislador infraconstitucional a conferência de alíquota zero, de isenções, de não-incidência, etc., isto é, a seara de abrangência da hipótese de incidência do IR não é total. Outrossim, a jurisprudência tende a extrair do manto do fato imponível algumas condutas,
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Súmula 185 do STJ: “Nos depósitos judiciais, não incide IOF”. A universalidade é um critério do IR que se refere à extensão da base de cálculo, a qual englobará todas as rendas e proventos, independentemente de origem, considerando-as como unidade, desde que se subsumam à hipótese de incidência. 163 Segundo Difini e Renck, citados por Paulsen, op. cit., a generalidade é um critério que diz respeito à sujeição passiva da exação. Por ela, o IR abrange todos os contribuintes que pratiquem os atos previstos na hipótese de incidência, de modo indistinto e “geral”, não se admitindo tratamento diferenciado. Contudo, deve-se observar a progressividade, o que permite, de certa feita, atingir o ideário da capacidade contributiva individual (alíquotas por classe e restituição do IR), segundo a previsão do preâmbulo constitucional tributário (art. 145, § 1º, CF/88). Com efeito, a progressividade pode permitir que alguns – os menos capazes economicamente – não fiquem abrangidos pela incidência do IR, o que relativiza a princípio da generalidade, previsto no art. 153, § 2º, I, CF/88.
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como o pagamento de indenização por férias não gozadas (Súmula 125 do STJ)164 e a licença-prêmio indenizatória não gozada por necessidade do serviço (Súmula 136 do STJ)165. Também não se deve confundir renda ou provento com entrada pecuniária. De fato, em regra, não é o movimento de caixa o fato gerador do IR, porque não se aplica o regime de caixa na exação em comento. O que o legislador vislumbrou atingir é o regime de competência, em que a aquisição de disponibilidade jurídica é suficiente para configurar a hipótese abstrata de incidência do imposto. Na espécie, aplica-se o disposto no art. 116, II, CTN, de sorte a configurar a renda ou o provento auferido desde a constituição da situação jurídica tributável. Ex.: em venda à prazo, o fato gerador do IR se aperfeiçoa desde a celebração do negócio, não havendo qualquer relação entre o pagamento do tributo e o recebimento das parcelas avençadas. Excepcionalmente, o legislador permite que o IR se sujeite ao regime de caixa, quando se dá o recolhimento pelo lucro presumido. No contexto, a hipótese de incidência e a base de cálculo do IR não se confundem com aqueles afetas à CONFINS e ao PIS-PASEP, os quais tributam o faturamento e a receita, apesar de haver autêntico “bis in idem” com a CSLL das pessoas jurídicas, referendada pela jurisprudência do Supremo166. Não existe mais que um IR, porque ele é único. Para cada tipo de fato gerador, há uma incidência diferenciada. Este tratamento diverso para cada um deles determinará a forma de incidência do IR, dado o fenômeno econômico tributável (salário, grande capital, operação financeira, etc.). Portanto, a natureza do acréscimo patrimonial determinará o modo da exação denominada IR. Entretanto, uma renda não englobada na legislação extravagante poderia ser tributada pelo IR, dada a regra geral do art. 150, § 1º, I, CF/88, uma vez que é impossível ao legislador prever todos os fenômenos de acréscimo patrimonial? A resposta para o quesito é bem mais complexa. Por força do princípio da legalidade, é possível observar que quase todas as situações estão abarcadas na legislação infraconstitucional, inclusive no Regulamento do Imposto de Renda (RIR), veiculado pelo D. 3000/99. Todavia, uma vez que a hipótese de incidência não esteja abarcada pela estipulação do legislador, há de se perguntar se incide ou não o IR. Ex.: participação real nos lucros e resultados (PLR) da empresa, distribuída aos empregados pelo patrão (art. 7º, XI, CF/88, regulamentado pela Lei 10101/01). O resultado de uma empresa é gênero do qual implica duas espécies: lucro e prejuízo. Quando a organização tivesse prejuízo, deveria ela repassá-lo aos obreiros. Isto, de fato, não acontece, persistindo somente os lucros. Para fins de IR, não há previsão de incisão, apesar de poder ser classificada como renda (concorrência de capital e trabalho). Outro exemplo: plano de demissão voluntária (PDV). A empresa abre a oportunidade para a demissão voluntária de seus empregados, mediante corresponde estímulo pecuniário ou congênere (plano de saúde estendido, por exemplo). Esta também não está prevista em leis ordinárias relativas a IR. Algumas empresas recolhem o
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Súmula 125 do STJ: “O pagamento de férias não gozadas por necessidade do serviço não está sujeito à incidência do Imposto de Renda”. 165 Súmula 136 do STJ: “O pagamento de licença-prêmio não gozada por necessidade do serviço não está sujeito ao imposto de renda”. 166 STF, RE 146.733-9/SP.

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IR, alegando o instituto da responsabilidade; alguns contribuintes contestam judicial ou administrativamente (por ocasião da declaração anual). Neste sentido, faltam as hipóteses de incidência perfeitamente delineadas, dado que o Fisco não pode subsumir o caso concreto a um delineamento incompleto da norma, realizada de modo genérico. Em regra, a JURISPRUDÊNCIA É VACILANTE, salvo o caso de PDV, em que a indenização respectiva não fica sujeita à tributação pela via do IR (Súmula 215 do STJ)167. Entretanto, em face de julgamento realizado pelo próprio STJ recentemente168, parece que o verbete poderá ser remodelado pela 1ª Seção da corte, o que ainda resta nebuloso por ausência de pronunciamento peremptório. Questão de ordem foi suscitada e, por conseguinte, remetida à apreciação do órgão competente169. Desta feita, o art. 150, § 1º, I, CF/88, e o art. 43, § 1º, CTN, são apenas instrutores da legislação infraconstitucional objetiva, conquanto evidenciam os critérios da universalidade e da generalidade. É cediço que o legislador especifique o caso concreto, sob pena de não-incidência do IR. Sujeito passivo – é aquele que recebeu o acréscimo patrimonial, tendo sua definição dirigida pelo princípio da generalidade. Na impossibilidade de se identificar perfeitamente o devedor, aplica-se o art. 45, “caput”, CTN. É um comando também genérico, o qual pode ser estendido por lei ordinária. Uma vez que se observe o acréscimo patrimonial, incide o IR, cabendo ao contribuinte a prova em contrário. A dificuldade reside em se identificar quem é o verdadeiro contribuinte. Inclusive, aquele que auferir renda ou proventos de natureza ilícita também será tributado pelo fisco, dado o desiderato “non olet”, o qual confere uma interpretação objetiva do fato imponível (art. 118, I e II, CTN). Para Godoy (apud PAULSEN, 2001), as pessoas físicas que recebam renda ou proventos acima dos limites de isenção da tabela do IR, devem recolher o tributo por meio de carnê-leão, aconselhando-se o uso de livro caixa para abater as deduções. Também serão considerados passivos, na relação jurídico-tributária, aqueles que tenham ganhado renda ou proventos no exterior – pessoas físicas ou jurídicas – desde que tenham sua residência ou seu domicílio tributário, respectivamente, estabelecidos em território nacional170. É o que se denomina de EXTRATERRITORIALIDADE. Para rendimentos de pessoas físicas, pagos por pessoas jurídicas (o que inclui o salário), a retenção será mensal e realizada na fonte (art. 7º, § 1º, Lei 7713/88), o que faz nascer outra espécie de sujeito passivo da obrigação tributária: o responsável (art. 45, parágrafo único, CTN). Fato gerador – o momento de sua ocorrência vem especificado no art. 43, “caput”, CTN. A expressão “disponibilidade econômica ou jurídica” da renda
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Súmula 215 do STJ: “A indenização recebida pela adesão a programa de incentivo à demissão voluntária não está sujeita à incidência do imposto de renda”. 168 STJ, 1ª T., AgRg no REsp 883.678-SP, DJU 29/6/2007. 169 STJ, 1ª T., REsp 940.759-SP, rel. Min. Luiz Fux, j. 18/9/2007, Informativo do STJ n° 332. O argumento maior para a edição do verbete 215 do STJ foi a aplicação analógica do art. 14, Lei 9468/97, no caso do PDV. Contudo, a 1ª Turma firmou entendimento de que o diploma regula situação referente a servidores públicos civis, insertos no Programa de Desligamento Voluntário de servidores civis do Poder Executivo Federal, o que não coaduna com a generalidade conferida pela posição sumulada. 170 No cômputo no lucro, os rendimentos auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. Devem ser convertidos em reais de acordo com a taxa de câmbio para a venda e caso a moeda não tiver cotação no Brasil, será convertida em US$ e, em seguida, em R$. Prejuízos e perdas decorrentes de operações não serão compensados com lucros auferidos no Brasil.

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ou do provento representa o cerne da querela. Estando disponível a riqueza para o contribuinte, perfaz-se o fato gerador. A disponibilidade econômica é facilmente identificável. Já a jurídica, pode antecedê-la. Ex.: salário de um empregado; no dia 10 do mês seguinte, ele recebe seu pagamento referente ao mês anterior (disponibilidade econômica); porém, ao longo desse período, ele já tem o direito ao pagamento a cada jornada de trabalho completa (disponibilidade jurídica). Disponibilidade jurídica é direito de usar a renda definitivamente constituído na forma da lei, alcançando os atos e operações colhidos pelo direito, inclusive resultantes da aplicação de capital. Ex.: lucro nas operações imobiliárias ou mobiliárias. Disponibilidade econômica é situação de fato irrelevante ao direito ou até mesmo a atividade lícita. Ex.: jogos, contrabando, juros usurários,etc. A disponibilidade jurídica sempre será econômica, mas nem sempre a econômica será jurídica. Destarte, lembra-se que disponibilidade econômica não pode ser confundida com a financeira. Disponibilidade financeira é o ingresso de dinheiro no patrimônio particular, independentemente do acréscimo patrimonial. Dependendo do fenômeno de renda ou provento a ser tributado, o legislador estabeleceu se o momento da ocorrência do fato gerador será da disponibilidade jurídica ou econômica. Ex.: salário (econômica); capitalização de rendimentos mensais, com permanência do montante até um período estipulado (jurídica); antecipação do 13º salário integral (econômica). A disponibilidade econômica ou jurídica diz respeito ao aspecto TEMPORAL do IR. O fato gerador complessivo (formado por vários atos) será regulado também por estipulação do legislador. Por exemplo, para rendimentos de pessoas físicas, pagos por pessoas jurídicas (o que inclui o salário), a retenção será mensal e realizada na fonte (art. 7º, § 1º, Lei 7713/88). Aliás, como bem assevera Paulsen (2001), o IR apresenta um fato gerador complessivo, em que se deve determinar, via legislativa, o exato momento de sua ocorrência. Assim sendo, será possível fazer incidir a exação nesse ínterim. Apesar da idéia de fato complessivo ser recorrente e bastante prevalente na doutrina, a jurisprudência do STF não a acolhe. Consoante comentário supra aduzido, o Supremo, por meio de sua Súmula 584 (já comentada), perfilha a chamada Teoria da Retrospectiva, a qual provém do estruturalismo alemão. Com efeito, para a corte, o fato gerador do IR é pontual, ocorrendo no último dia útil do exercício considerado, aplicandose a legislação tributária vigente à época da declaração, não aquela atinente ao momento de efetivação da hipótese de incidência. Com referência às importações, a parcela dos custos que exceder ao valor determinado como referência fiscal deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real. Somente serão dedutíveis ou custos, despesas e encargos até o valor que não exceda o preço determinado por um dos seguintes métodos (arts. 241, I a III, RIR, e 18, I a III, Lei 9430/96): PIC (Método dos Preços Independentes Comparados) – é a média aritmética dos preços dos bens, serviços ou direitos, idênticos aos similares apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda.

CALCULADO. dimensionado.129 PRL (Preço de Revenda Menos Lucro) – é a média aritmética dos bens ou direitos dos quais são deduzidos os descontos incondicionais concedidos. acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação. O primeiro é o “quantum” preciso. III. incidindo uma multa de 75% sobre tais valores. seis anos para fins de comprovação do IR. Não sendo possível. Por meio da instituição da Contribuição Provisória de Movimentação Financeira (CPMF). recusa todo o procedimento operado pelo contribuinte de modo justificado. Na aferição do lucro presumido ou arbitrado. pode ser realizada sem a inclusão nos mencionados bancos de dados. de modo geral. as contribuições incidentes na venda. O fisco deve seguir rigorosamente o estabelecido para medir a base de cálculo presumida. há três categorias possíveis de renda ou proventos a serem tributados: real. nos estritos ditames da norma positiva. é encaminhado expediente ao Ministério Público. como bem diz o citado autor. lembra-se que quaisquer documentos de prova perante o Fisco devem ser guardados por. Nenhuma transação. Se convincentes os argumentos exprimidos. os impostos. portanto precisamente legal. O legislador ordinário vai dar os critérios para sua aferição. não há nenhuma conseqüência jurídica. Administração tributária (controle de rendas e proventos) – a primeira preocupação do legislador foi dividir os contribuintes em dois grupos: pessoas físicas e jurídicas. ficou possível ao Fisco erigir um sistema eficaz na perfeita fiscalização das rendas e proventos. com margem de lucro de 20% calculada sobre o custo apurado. então. Caso seja identificada uma discrepância entre os dados apresentados e aferidos. No terceiro. ficando o seu arbítrio legal como disposição válida para a base de cálculo. LC 105/01). aos olhos do poder tributante. em um primeiro momento. arbitrado ou presumido. a SRFB chama o contribuinte para prestar esclarecimentos administrativamente. Entretanto. calculada sobre o preço da revenda. Base de cálculo – é exprimida. no Brasil. § 3º. o que. dado o declarado anualmente para com o recolhido do citado tributo no mesmo período (art. 1º. Ademais. cujo procedimento é vulgarmente conhecido como “malha fina”. no mínimo. O fisco. a aferição REAL OU PRESUMIDA – as quais cabe ao contribuinte (lançamento “por homologação”) – o fisco. Do contrário. a comissão de corretagem paga e a margem de lucro de 20%. CTN. com o fim de oferecimento de denúncia pelo delito de evasão de divisas. o legislador ordinário criou mecanismos para substituir a impossibilidade de aferição da renda ou provento real pela metodologia tradicional. Por fim. aos olhos de alguns juristas. CPL (Custo de Produção Mais Lucro) – é o custo médio de produção de bens. a base de cálculo é substitutiva da base de cálculo primária (XAVIER apud PAULSEN. sendo. pelo art. serviços ou direitos idênticos aos similares no país onde tiverem sido originalmente produzidos. arbitra a renda ou o provento do sujeito passivo (lançamento de ofício). constitui uma ferramenta totalitária de controle social. 44. De fato. 2001). Estas duas categorias são incluídas em dois cadastros unificados: CPF e CNPJ respectivamente. por opção do . recolher-se-á a diferença entre o declarado e o levantado pelo órgão (lançamento de ofício).

No simplificado. 32%: profissões regulamentadas. Para efeitos do IR. Uma vez que o contribuinte optante pelo completo caia na “malha fina”. cálculo e demonstração no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) para fins puramente tributários (art. como ajuda de custo. ao lucro presumido. 32%: para atividades de prestação de serviços em geral. Não conseguindo fazê-lo. indenização de férias ou de licença-prêmio não-gozadas por necessidade do serviço (Súmulas 125 e 136 do STJ. mas é proprietário de vários imóveis. para consumo. já mencionadas). Optando pelo segundo. referente ao exercício financeiro e coincidente com o ano civil. bolsas de estudo. A partir daí. Caso o contribuinte opte pelo LUCRO PRESUMIDO. incide ALÍQUOTA ZERO. Sobre esta. Para as PESSOAS JURÍDICAS. Havendo lucro. Já no primeiro. . alienação de bens de pequeno valor. sobre os quais pende comodato para com amigos em dificuldade – o fisco arbitra a base de cálculo da renda. 16%: atividades de prestação de serviços de transporte.: contribuinte que declara não ter renda.000. os custos e as despesas que excederem os limites contábeis serão adicionados ao lucro contábil. forma o resultado final.5%. e para as prestadoras de serviço com receita bruta anual não superior a R$ 120. PRESCINDE-SE desta exigência. pela autoridade tributária. tomando-se por referência a receita bruta (faturamento).00. relacionadas no art. afere-se a base de cálculo pelo lucro real. levada a cabo. álcool etílico carburante e gás natural. mesmo com receita bruta anual não superior a R$ 120. intermediação de negócios. encontrando a base de cálculo. poupança. ele deverá apresentar os documentos comprobatórios das deduções.000. alienação de um único imóvel. esta será a base de cálculo. IV. o fisco arbitrará a base de cálculo. Ex. Toda vez que o lucro anual da pessoa jurídica ultrapassa R$ 240. excetos os de carga. o legislador criou um mecanismo análogo ao simples da pessoa física. O critério temporal é o lapso de 12 meses. operam-se as DEDUÇÕES. DE 15% OU DE 27. A regra geral determina uma alíquota de 8% sobre a receita bruta. por meios indiciários. a renda corresponde ao lucro. de combustíveis derivados de petróleo.00. 262. locação ou cessão de bens móveis ou imóveis. É aplicado um percentual sobre o faturamento171.6%: receita proveniente de revenda. Com outros resultados.130 contribuinte. 8%: serviços hospitalares e transportes de carga. RIR). através de registro. A escrituração contábil deve ser rigorosamente observada. O lucro operacional é o faturamento menos custos e despesas operacionais. a partir da renda tributável. 647 RIR. administração. alimentação. Ainda por opção do sujeito passivo ou ante a impossibilidade de apurar daquela maneira. chamado de lucro – quando positivo – ou de prejuízo – quando negativo. sobre a renda. recorre-se. em um segundo momento. Nas deduções do modelo completo. de acordo com a tabela progressiva estipulada. segue-se o mesmo trâmite da declaração completa. O IRPF não incide sobre diversos rendimentos brutos. O contribuinte do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) pode optar pelo modelo simples ou completo para a declaração anual. cobra-se 15% sobre este valor e 10% sobre o excedente (tabela progressiva). Ante a inexistência deste último dado. encontrando-se a base de cálculo. sendo que tal percentual varia de acordo com o tipo de atividade.000. recorre-se ao arbitramento fiscal da base de cálculo (lançamento de ofício). tomando por paradigma o aluguel a ser eventualmente auferido com o aluguel.00. etc. deve-se comprová-las documentalmente. chegando-se à base de 171 Lucro presumido consiste em presumir ou estimar o lucro como um percentual sobre a receita bruta. Há atividades com percentuais específicos: 1. subtraímos-se 20% por presunção (guardado o limite máximo estipulado anualmente).

de dependentes (também previstos para as fontes pagadoras pessoas jurídicas) e de empregados. o art. esta obrigação não é facultativa. determina que as seguintes pessoas jurídicas são obrigadas a recolher o IRPJ pelo sistema de lucro real: com receita superior ao limite de R$ 48 milhões. o contribuinte pode incluir os quesitos educação e saúde. sociedades de crédito imobiliário. o empresário deve planificar o lucro real primeiramente. rendimentos ou ganhos do exterior. há OBRIGATORIEDADE para todos os contribuintes (pessoas físicas e jurídicas). Desse modo. o beneficiário desses rendimentos deve fazer o recolhimento de uma maneira específica. bancos comerciais. Como o fato gerador do IR é complessivo. sempre haverá recolhimento de tributo. A opção por lucro real. quer seja quanto a uma pessoa natural. é possível dividir a obtenção de acréscimo patrimonial em vários momentos. esta não tem a obrigação de fazer o recolhimento. o período de apuração do IR é de 12 meses. RIR. independentemente da sorte financeira da empresa (lucro ou prejuízo). além de deduzir os custos de previdência. que será feito no ano seguinte. Desta feita. Na prestação de contas anual. etc. Esta determinação decorre da dificuldade em se precisar o exato instante da majoração patrimonial (renda). Neste caso. o Fisco passou a determinar que a APURAÇÃO fosse ANUAL. ao contrário do IRPF. quando se tem fonte pagadora pessoa física. a retenção na fonte é uma obrigação jurídica de quem é fonte pagadora (necessariamente uma pessoa jurídica). preenche o DARF e recolhe a quantia aduzida.. empresas com capital estrangeiro ou que possuam sócios residentes no exterior devem sempre fazer a declaração pelo lucro real. porque.131 cálculo. em contrário. então. bastando meros cálculos matemáticos. A declaração do IRPJ deve ser optada no primeiro mês do exercício financeiro. Ele configura uma obrigação mensal para o IR. bancos de investimento. Ainda mais: por até 30% de prejuízo. Todavia. O fisco sempre prefere a declaração por lucro presumido. Entretanto. valem as consultorias. Em face do Direito Tributário. 246. nesta modalidade. No tocante ao IRPF. de modo a ser apurado um eventual saldo positivo (restituição do IR) ou negativo (pagamento do IR) para eles. logo depois. quer seja em uma empresa. Só depois do exercício financeiro anual. É também uma forma de amortizar as dívidas e de diminuir a inadimplência (sonegação) para com o poder tributante. Antecipação do IR – o carnê-leão é uma forma de retenção de IRPF na fonte. Lei 8981/95). Nesta situação. Em qualquer dos casos de incidência.. Na realidade. Além disso. as que tiverem lucros. será feita a apuração e a prestação de contas correspondente. “factoring”. Entretanto. empresas de arrendamento mercantil. favorece sempre o contribuinte. instituições financeiras. empresas de seguros. mas decorre de lei (“ex lege”). o erário necessita de entradas regulares ao tempo de suas necessidades. decidir por qual modo de declaração do IR lhe é mais favorável. o legislador criou o sistema de antecipação mensal do IR. Para resolver o entrave. Vale . para. os quais só serão aplicáveis – no primeiro caso – por ocasião da prestação de contas anual. 42 e ss. Neste sentido. De fato. I a VI. por meio do CARNE-LEÃO. o contribuinte calcula o seu imposto mensalmente. o histórico da empresa e as projeções para o futuro. a fiscalização é materialmente mais facilitada. o empresário pode abater de lucro nos exercícios seguintes(art.

Estatisticamente.2001. ADI 3936 MC/PR. Min.. DJU de 27. incidindo o 172 STF. arremata o conceito pelo termo “habitualidade”.2007. ADI 2377 MC/MG. a norma constitucional mencionada é tido como inconstitucional pelo STF172. elemento essencial para concretizar a atividade mercantil. Informativo do STF n° 478. 155. pode haver mudança física de mercadoria sem a alteração de titularidade ou vice-versa.11.8.9. porque o constituinte deferiu ao legislador decorrente a competência para tal. DJU 25. ADI 1247 MC/PA. por conseguinte.95. Ademais. p.2003. comporta vários núcleos do tipo tributário (hipóteses de incidência): . Informativo do STF n° 480. ICMS (Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação) – o ICMS é um imposto de grande magnitude normativa e econômica. o ATO DE MERCÂNCIA173 é o que genuinamente caracteriza o ICMS. p. Regência legal – a lei instituidora advém de diplomas estaduais. 6.2007. a antecipação é diversa. II. ela poderá solicitar a SUSPENSÃO DAS ANTECIPAÇÕES POR LUCRO ESTIMADO no semestre posterior. 1º. op.9. O carne-leão não é possível para a pessoa jurídica. cit. 19. cit. fazendo os ajustes necessários por ocasião da declaração anual.68. é a principal fonte de receita derivada das unidades federadas. Liga-se à atividade de mercância. rel. “g”. DJU 7. sendo fonte pagadora pessoa jurídica ou pessoa física. O recolhimento pelo lucro real pressupõe contabilidade referente a um trimestre. a aferição e. XII. Cassone.: qualquer isenção a ser concedida por lei estadual ou distrital deverá ser precedida de convênio no âmbito das demais unidades parciais da federação. exclusivamente. Min. Desta feita.2007. Marco Aurélio. Joaquim Barbosa. CF/88).) [compreende] o trajeto de mercadoria da produção até o consumo”.. O modo como se estima é idêntico ao lucro presumido. . ADI 3389/RJ. ADIn 2747/DF. Pelo lucro presumido. j. DJU 8. Portanto. direta ou indiretamente. Lei ou ato normativo estadual que venha a contrariar. ADI 2021 MC/SP. produtos que estão na linha da circulação. op. 155. 102/00 e 114/02). Uma vez que.132 ressaltar também que a forma de contribuição por carnê-leão cabe quando há mais de uma fonte de renda e somente é aplicável à pessoa física.. Joaquim Barbosa. encontra regulamentação geral nas LC’s federais 24/75 e 87/96 (Lei Kandir. rel. Min. a “circulação de mercadorias (. § 2º. 173 Para Sabbag. CF/88. O DL 406/68 traz normas gerais de natureza financeira para a referida exação. com a correspondente antecipação neste período. rel. consubstanciando um tributo importantíssimo para o Fisco. No diapasão. Plenário.5.9. Obs. j. alterada posteriormente pelas LC’s 92/97. j. nos termos do art. ou seja. ADI 3673/RJ.. a antecipação são MENSAIS. “caput”. Gilmar Mendes.circulação de mercadorias – implica em mudança de titularidade ou em alteração física da mercadoria. Min. rel. 6. Nesse sentido. 99/99. ainda pelo o lucro real: o recolhimento antecipado dar-se-ia por LUCRO ESTIMADO. Hipóteses de incidência – ele não incide propriamente sobre “venda de mercadorias”. LC 24/75 (art. em um balanço parcial do ano (seis meses). Informativo do STF n° 478. o art. caso a pessoa jurídica verifique que há prejuízo no período.2007. A MP 219914/01. Para ela. DJU 17. 450. traz comandos sobre a isenção e redução quanto a fundos de investimentos regionais. 291.9. RMS 17949/ES.9. O fisco deu uma terceira alternativa.

Não importa se há efetivamente o transporte.133 ICMS. v. pressupõe a existência de dualidade de figuras: um prestador e um tomador. citados por Cassone. 18/9/2007. p. o conceito de serviço. . 176 A jurisprudência do STF já assentou entendimento sobre os conceitos de produto e de mercadoria. Outro exemplo: o agricultor vende antecipadamente sua safra inteira de milho. cit. “a”. segundo entendimento do STF. o qual destina-se ao comércio (SABBAG. aplicando-se o art. 2004. RE 200379-4/SP. v. DJU 7. Nesse passo. O ICMS é devido na saída da mercadoria do estabelecimento. § 2º. 175 STJ. 452). p. não há transmissão da titularidade. utensílios e implementos a título de comodato”. op.951-SP. O núcleo do tipo independe da natureza do que está sendo transportado (passageiro – transporte regular.737. Min.1998. apesar de. apesar de haver movimentação de mercadoria. passa a ser mercadoria logo que é objeto de comércio do produtor ou do comerciante por grosso ou a retalho. João Otávio de Noronha. consuma-se o fato gerador.9. Desta feita. 116. 2ª T. no momento do negócio jurídico.1997. um débito.. porquanto os produtos retornarão para o estabelecimento original do comerciante. DJU 12. o empresário emite a nota fiscal e registra-a com suspensão do ICMS. 29. Marco Aurélio.1998.. IX. Ilmar Galvão. j..u. Havido o transporte mediante pagamento. perfilhando a regra geral da nãocumulatividade pela compensação – “a cada saída. que a produz. Min. p. Ex. segundo leitura do próprio STJ acerca de seu posicionamento sumulado175.1997. . Diz-se que é toda coisa ou bem móvel. carga. a cada entrada. um crédito”. Informativo do STJ n° 332. 177 STF. 2004). 2ª T. ou pessoa – fretamento). chama-se produto manufaturado ou artefato. apesar da plantação ainda não estar completamente maturada. 155. 449: “a coisa. 2004)176.300-9/SP. ínsito no art. 19. CF/88. RJ/IOB 1/11. a alienação de bens do ativo imobilizado de empresa não configura o fato gerador do ICMS (SABBAG. É também cediço definir “mercadoria”. De outra sorte. 1ª T. rel. 452). de haver alto valor envolvido ou do fato do translado não ser habitual. RTJ 78/215)”. considerado produto. enquanto se acha na disponibilidade do industrial. RE 194.633. REsp 756. é o mesmo caso da movimentação física de bens entre matriz e filial (Súmula 166 do STJ)174. O fato gerador está ligado ao SERVIÇO DE TRANSPORTE. situações em que fazem incidir o tributo em tela mesmo que não haja habitualidade por parte do adquirente ou do prestador (art.. perfilhando as lições de Carvalho de Mendonça e Fran Martins. II. Ex. não existir a movimentação física do produto.4. II. p. A atividade comercial só é dispensada no caso de importação de produtos ou de prestação de serviços no exterior. A mudança da titularidade é jurídica e independe de movimentação física do bem (SABBAG.prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal – para Cassone (2004.: 174 Súmula 166 do STJ: “Não constitui fato gerador do ICMS o simples deslocamento da mercadoria de um para outro estabelecimento do mesmo contribuinte”. rel. Min. j. neste caso. porque há mudança de titularidade. 43. o comodato de máquinas e equipamentos não caracteriza fato gerador da exação em tela (Súmula 573 do STF)178. o qual será objeto de tributação pela via do ISSQN (CASSONE.: fabricante de roupas movimenta suas mercadorias para participação de uma exposição do setor em outra cidade – não há mercância. CF/88). a aplicação do verbete independe de as coisas pertencerem ao ativo fixo da empresa.. tal qual já se fez no capítulo sobre IPI. 2004)177.8. incide o ICMS. Está fora o transporte intramunicipal.612-RJ. deixa de ser mercadoria logo que sai da circulação e se acha em poder do consumidor (RE 79. 34.u. 155. 178 Súmula 573 do STF: “Não constitui fato gerador do ICM a saída física de máquinas. Basta que o serviço seja prestado. rel. que a adquire para revender a outro comerciante ou a consumidor..5. desde que se trate de operação de mercado. p. CTN.

referendando a previsão do Convênio ICMS 66/88 (SABBAG. não há incidência da exação (SABBAG. não pode ser tributado pela via do ICMS. ainda que iniciado no exterior – o exemplo mais comum versa sobre a telefonia. É interessante também destacar que a prestação deve ser onerosa. pois se gratuita for. Incidências (elemento objetivo) – o imposto incide sobre (art. desde que não propague o sinal por qualquer meio. 2004. III – prestações onerosas de serviços de comunicação. 454). e § 1º. bens. 2004). não há prestação de serviço de transporte. 179 180 A LC 87/96 é conhecida como “Lei Kandir”. X. o serviço de transporte deve ser efetivado por empresa que o preste em favor de terceiro. § 2º. Informativo do STJ n° 325. desde que a empresa não se volte a esta atividade como principal. p. Min. Não estarão incluídos nos fatos geradores os transportes por dutos e por vácuos. I a V. REsp 726. rel. o trabalho da produtora de programas para a emissora paga (televisão fechada).103-MG. pagamento e emissão do “conhecimento de transporte”. II – prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal. incide o ICMS onde a operação começou a ser prestada. Quando a prestação se dá em parcelas. “d”. 2004). a retransmissão. Emissoras radiofônicas e de televisão abertas não estão sujeitas à tributação do ICMS. João Otávio de Noronha. fato este que acaba não reduzindo a receita do Fisco. porque são consideradas essenciais e de utilidade pública pela Constituição (art. STJ. CF/88. . 155. Caso a própria empresa disponha de frota para fazer a distribuição de suas mercadorias. restaurantes e estabelecimentos similares. a emissão. 2º. cabendo tão-só a exação do ISSQN municipal180. Nesse caso. . No critério espacial. 2º. Apesar da Lei 8977/95 falar em serviços de TV a cabo. por alguma razão. Graças ao art. a movimentação é obstada. acrescida pela EC 42/03). o fato gerador se configura com o efetivo transporte da primeira parte. LC 87/96179. II. 26/6/2007. IV – fornecimento de mercadorias com prestação de serviços não compreendidos na competência tributária dos Municípios. de pessoas. por qualquer via. Geralmente. por qualquer meio. pois houve contrato. inclusive o fornecimento de alimentação e bebidas em bares.prestação de serviço de comunicação. LC 87/96): I – operações relativas à circulação de mercadorias. as alíquotas sobre o frete são menores que aquelas para a operação de circulação de mercadorias. inclusive a geração. a recepção. incide o ICMS. mercadorias ou valores. I a III. o transporte aéreo também pode ser abrangido pelo ICMS. o VALOR DO FRETE ESTARÁ EMBUTIDO NO PREÇO da mercadoria. conquanto o legislador não a distinguiu.134 transportadora é contratada para fazer a mudança de uma família. a transmissão. a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza. com transporte de várias peças ou componentes. j. Neste caso.. como o fez no transporte interestadual e intermunicipal (CASSONE. não importa que a comunicação se dê no âmbito de um só município. 2ª T. Além disso.

Características – o ICMS apresenta não-cumulatividade (art. ao considerá-la como mercadoria.. II. II. o ICMS prescinde de LC regulamentadora para tal (art. inclusive lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos dele derivados. Todavia. ainda quando se tratar de bem destinado a consumo ou ativo permanente do estabelecimento.. 155. pois faz parte de um preceito secundário. de competência dos Municípios. CF/88). CF/88) . e de energia elétrica. p. 298.. por pessoa física ou jurídica.). à exceção do art. 155. 155. 2º O imposto incide sobre: (. LC 87/96: Art. I. Alguns a consideram insumo de produção. porquanto seria intrínseca no preço final de todos os produtos. VII – o serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior. 453).. CF/88. quando a lei complementar aplicável expressamente o sujeitar à incidência do imposto estadual. Para Cassone (2004. O imposto incide também: (. não prevista no texto do art. . XII. 153. § 3º. § 2º. II. § 3º. Este não incluiu a energia elétrica no rol dos núcleos dos tipos tributários do ICMS.sobre o serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior. VI – a entrada de mercadoria importada do exterior. 155.).. § 1º. 2º. II. VIII – a entrada. 155.. Controvérsia também se estabelece sobre o art. op. cabendo o imposto ao Estado onde estiver localizado o adquirente. mas aquele o fez. de petróleo. em que a não-cumulatividade foi determinada diretamente pelo constituinte (art. quanto ao consumo residencial. 155. em contrário à vontade do constituinte originário. CF/88).135 V – fornecimento de mercadorias com prestação de serviços sujeitos ao imposto sobre serviços. § 2º. utilizou-se da regra prevista no art. no território do Estado destinatário. (. seletividade em função da essencialidade (de acordo com o arbítrio do 181 181 Ao contrário do IPI. CF/88. pende uma dúvida. O legislador infraconstitucional. sendo chamada de insumo público. A energia elétrica é atualmente tributada pelo ICMS.). quando não destinados à comercialização ou à industrialização. II. a primeira parte do dispositivo em comento é inconstitucional. por intermédio da EC 33/01. CF/88. como não deixa de se ressaltar o mestre Sabbag. porquanto estabelece regra de incidência tributária extraterritorial. “c”. O constituinte derivado foi “atroz” ao instituir o citado dispositivo. § 1º. decorrentes de operações interestaduais. cit. de fato. mesmo porque é tida como essencial e vital para as condições mínimas de dignidade humana. apesar de não constar do rol do art. II . CF/88.. p.

§ 2º.). ISSQN. . 2004. não incide o ICMS. § 5º. para transporte aéreo. Desta feita. “b”. V. 155. 288). a Resolução 22/89 estabelece as alíquotas para operações interestaduais. X. I e II. “d”. “a”. 155. Nas palavras de Sabbag (2004. etc. Atualmente. § 2º. 182 STF. licenciado ou contratante localizado no estrangeiro. XI. CF/88). esse não integrará a base de cálculo do ICMS (art. O ouro é um valor de referência mundial. 3º. I a IX. CF/88).626-3/SP e 199. II – operações interestaduais relativas a energia elétrica e petróleo. 155. CF/88). 155. Os programas de computador sofrem dupla disciplina. enquanto a Resolução 95/96. o imposto em questão pode ser classificado como gravame plurifásico (incide sobre o valor agregado). o produto deve ser destinado ao comércio ou à industrialização. ICMS. devem ser preenchidos três pressupostos cumulativos para que isso ocorra: a operação de circulação deve ser realizada entre contribuintes. a ser divida de acordo com o art. CF/88: 70% ao Município de origem e 30% ao Estado de origem ou ao DF. entender-se-á como objeto material de outra tributação (IPI. 150. Em contrário senso. Será incidente na extração da matéria-prima. “a”. quando destinados à industrialização ou à comercialização (art. CF/88) e alíquotas variáveis de Estado para Estado.136 legislador estadual – art. sendo entendido como objeto de incidência única do IOF (art. § 2º. § 5º. devendo ser observados os limites mínimos estabelecidos em Resolução do Senado (art. 458-480)182. Em se tratando de licença ou cessão do direito de uso (propriedade imaterial). Ele tem um valor cambiário. jornais. cabe a tributação por via do ICMS (CASSONE. caso haja destinação da produção em massa para o comércio (“software de prateleira”). 155. Caso o produto a ser comercializado também seja objeto de IPI. 150. 153.464/SP. proporcional (não há progressividade nas alíquotas) e fiscal (não é exação regulatória da economia). VI. § 2º. inclusive lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos dele derivados. CF/88). ou serviços (art. inclusive produtos primários e produtos industrializados semi-elaborados. a licença ou transferência de tecnologia se dê em proveito de adquirente. III. p. Nesse caso. RE’s 176. De outra feita. há configuração do fato gerador de ambas exações. uma vez que o metal seja extraído da natureza e utilizado em uma escala de produção diversa da atividade exclusivamente financeira. em que pese sua natureza de mercadoria. enquanto ativo financeiro. real (as condições pessoais do contribuinte são irrelevantes para o cálculo do devido). X. Rememora-se que a primeira hipótese constituirá fato gerador da CIDE-remessas para o exterior (Lei 10168/01) caso a cessão. CF/88). segundo alíquota mínima de 1%. Não-incidências (isenções) – o imposto não incide sobre (art. LC 87/96): I – operações com livros. periódicos e o papel destinado a sua impressão (art. § 2º. II – operações e prestações que destinem ao exterior mercadorias. p. o ouro não se sujeita à tributação sobre produto ou mercadoria. CF/88).

ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior (art. mesmo sem habitualidade (art. com base no art. do total da operação (100%). LC 87/96).: mercadoria custa R$ 500. “caput”. p. parágrafo único. deve ser abatida a . VIII – operações de arrendamento mercantil. 4º. comercial ou de outra espécie. Contribuinte (elemento subjetivo passivo) – contribuinte é qualquer pessoa. “c”. segundo dizem Sabbag (2004. CF/88). Equipara-se às operações de que trata o item II a saída de mercadoria realizada com o fim específico de exportação para o exterior. II – seja destinatária de serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior. 462). IX – operações de qualquer natureza de que decorra a transferência de bens móveis salvados de sinistro para companhias seguradoras. com habitualidade ou em volume que caracterize intuito comercial. 4º. 2º. parágrafo único. não compreendida a venda do bem arrendado ao arrendatário. III – adquira em licitação de mercadorias apreendidas ou abandonadas. I. ressalvadas as hipóteses previstas na mesma lei complementar. estabelecimento da mesma empresa. 3º. de serviço de qualquer natureza definido em lei complementar como sujeito ao imposto sobre serviços. quando não destinados à comercialização ou à industrialização. VI – operações de qualquer natureza de que decorra a transferência de propriedade de estabelecimento industrial. destinada a (art. DL 406/68). LC 87/96): I – importe mercadorias do exterior. IV – adquira lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado. de competência dos Municípios. § 7º. V – operações relativas a mercadorias que tenham sido ou que se destinem a ser utilizadas na prestação. Cálculo do ICMS – no caso de saída de mercadoria. operações de circulação de mercadoria ou prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação. quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial (art. É o que a doutrina denomina ICMS “por dentro”. I a IV. VII – operações decorrentes de alienação fiduciária em garantia. I e II. § 2º. com alíquota de ICMS de 12%. X. inclusive a operação efetuada pelo credor em decorrência do inadimplemento do devedor. Ex. 3º. inclusive “tradings” ou outro b) armazém alfandegado ou entreposto aduaneiro. a alíquota incidirá sobre o total da operação (art. 306) e Cassone (2004. É também contribuinte a pessoa física ou jurídica que. que realize.137 IV – operações com ouro. LC 87/96): a) empresa comercial exportadora. § 1º. física ou jurídica. ainda que as destine a consumo ou ao ativo permanente do estabelecimento. LC 87/96. p. 155. pelo próprio autor da saída.

826. Essa disposição não atinge o preço da mercadoria no caso de desconto concedido diretamente no momento da operação.1999. b) onde se encontre. Informativo do STF n° 154. STF. ficando R$ 500 para o comerciante e R$ 68. isto é.18: o contribuinte de fato paga esse valor. considerando a base de cálculo o valor total da nota fiscal184. Min. f) aquele onde seja realizada a licitação. obtendo-se a percentagem real (88%). I. c) o do estabelecimento que transfira a propriedade. Segundo o art. j. II. sendo tributada por meio do IOF (art. 184 183 . e) importado do exterior. “a”.: financiamento de parte do preço por meio de cartão de crédito. por exemplo). RE 101103-3/RS. Julgados menos hodiernos do STF propugnavam pela sua inclusão no montante para o cálculo da exação.. pelo fato do financiamento constituir operação distinta daquela relativa à mercância (Súmula 237 do STJ)185. de mercadoria por ele adquirida no País e que por ele não tenha transitado.6. multiplica-se o valor da mercadoria (R$ 500) pelo coeficiente (1. a do estabelecimento onde ocorrer a entrada física. 2004.18 (12% de 568.18) para o fisco. no caso de arrematação de mercadoria importada do exterior e apreendida. ou seja. obtém-se o coeficiente dividindo-se o total (100%) pela percentagem real (88%). integram a base de cálculo do ICMS. rel. o do domicílio do adquirente. Local da operação ou da prestação (elemento espacial) – o local da operação ou da prestação. 462). os encargos relativos ao financiamento não são considerados no cálculo do ICMS”. II. os descontos concedidos sob condição (pagamento a prazo. CTN). como dispuser a legislação tributária. quando não estabelecido. a própria jurisprudência não encontra melhor pacificação. 13. 1. “a”. § 1º. o legislador complementar determinou que os juros devem integrar a base de cálculo também. d) importado do exterior. No mesmo sentido. quando em situação irregular pela falta de documentação fiscal ou quando acompanhado de documentação inidônea. CF/88. § 1º. REsp 67947/MG. Tratando-se de frutos decorrentes de financiamento. é (art. RE 212209/RS. STJ.138 alíquota (12%). 1ª T. LC 87/96. Essa ginástica aritmética foi considerada constitucional pelo STF183. Ex. com fulcro no art. para os efeitos da cobrança do imposto e definição do estabelecimento responsável. No mesmo comando. 64. no momento da ocorrência do fato gerador. Cesar Asfor Rocha. 185 Súmula 237 do STJ: “Nas operações com cartão de crédito. RJ/IOB 1/9. julgados mais recentes do STJ determinam a exclusão dessa espécie de juros da base de cálculo.13636. p. 13. 30. I a IV. LC 87/96): I – tratando-se de mercadoria ou bem: a) o do estabelecimento onde se encontre. Em contrário senso. obtendose o valor total (mercadoria + imposto). ou o título que a represente. STF. R$ 568. à vista do adquirente (CASSONE.13636).

emissão. transmissão e retransmissão. como dispuser a legislação tributária. quando não destinados à industrialização ou à comercialização. I a XIII. 12. h) o do Estado de onde o ouro tenha sido extraído. quando em situação irregular pela falta de documentação fiscal ou quando acompanhada de documentação inidônea. d) o do estabelecimento ou domicílio do tomador do serviço. na hipótese de captura de peixes. de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. II – do fornecimento de alimentação. Ocorrência do fato gerador (elemento temporal) – considera-se ocorrido o fato gerador do imposto no momento (art. repetição.139 g) o do Estado onde estiver localizado o adquirente. LC 87/98): I – da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte. assim entendido o da geração. d) onde seja cobrado o serviço. quando não considerado como ativo financeiro ou instrumento cambial. c) o do estabelecimento destinatário do serviço. o do estabelecimento ou do domicílio do destinatário. III – da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado. i) o de desembarque do produto. II – tratando-se de prestação de serviço de transporte: a) onde tenha início a prestação. crustáceos e moluscos. ou assemelhados com que o serviço é pago. nos demais casos. de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. ampliação e recepção. quando prestado por meio de satélite. c) o do estabelecimento destinatário do serviço. nas operações interestaduais com energia elétrica e petróleo. por contribuinte. cartão. b) o do estabelecimento da concessionária ou da permissionária que forneça ficha. por contribuinte. IV – tratando-se de serviços prestados ou iniciados no exterior. III – tratando-se de prestação onerosa de serviço de comunicação: a) o da prestação do serviço de radiodifusão sonora e de som e imagem. na hipótese da utilização. no Estado do transmitente. lubrificantes e combustíveis dele derivados. . ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular. inclusive consumidor final. na hipótese da utilização. b) onde se encontre o transportador. bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento.

VII – das prestações onerosas de serviços de comunicação. VIII – do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios. VI – do ato final do transporte iniciado no exterior. a transmissão. ou de título que a represente. LC 87/96). correspondente ao fato gerador presumido. por contribuinte. pelo destinatário. V – do inicio da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal. 6º. Substituição tributária – a Lei estadual poderá atribuir a contribuinte do imposto ou a depositário. IX – do desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas do exterior. 10.140 IV – da transmissão de propriedade de mercadoria. XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado. b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto da competência estadual. A atribuição de responsabilidade dar-se-á em relação a mercadorias ou serviços previstos em lei de cada Estado (art. É assegurado ao contribuinte substituído o direito à restituição do valor do imposto pago por força da substituição tributária. A responsabilidade poderá ser atribuída em relação ao imposto incidente sobre uma ou mais operações ou prestações. a recepção. XIII – da utilização. concomitantes ou subseqüentes. quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente. de serviço prestado no exterior. como definido na lei complementar aplicável. a responsabilidade pelo seu pagamento. X – do recebimento. LC 87/96). 5º e 6º. de qualquer natureza. a qualquer título. feita por qualquer meio. inclusive ao valor decorrente da diferença entre alíquotas interna e interestadual nas operações e prestações que destinem bens e serviços a consumidor final localizado em outro Estado. que seja contribuinte do imposto (art. hipótese em que o contribuinte assumirá a condição de substituto tributário (arts. § 2º. § 1º. compensando-se o que for devido em cada operação relativa à . de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. inclusive a geração. XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias importadas do exterior apreendidas ou abandonadas. “caput”. quando não destinados à comercialização ou à industrialização. LC 87/96). a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza. sejam antecedentes. crédito e estorno de ICMS – o imposto é nãocumulativo. que não se realizar (art. a retransmissão. 6º. Não-cumulatividade. “caput”. LC 87/96). a emissão.

000. § 1º. o que não configura violação da não-cumulatividade e da isonomia. o contribuinte deverá estornar à Fazenda o valor à razão de 20% ao ano ou proporcionalmente em 1% ao mês (art. não haverá estorno do crédito à Fazenda em qualquer hipótese (art.R$ 10. LC 87/96). o crédito não vige. “a” e “b”. Salvo prova em contrário. exceto as destinadas ao exterior. LC 87/96). De fato. § 2º. quando a saída ou a prestação subseqüente não forem tributadas ou estiverem isentas do imposto. LC 87/96). Sendo o ativo alienado em até cinco anos. 20. valor do ICMS a pagar – R$ 50. exceto se se tratar de saída para o exterior. § 2º. não há de argüir a regra da não-cumulatividade. 20. “caput”. o art. não permitiu a compensação na cadeia mercadológica se alguma de suas fases goza de alguma espécie de não-incidência ou de isenção.000. É assegurado ao sujeito passivo o direito de creditar-se do imposto anteriormente cobrado em operações de que tenha resultado a entrada de mercadoria. § 2º. É vedado o crédito relativo à mercadoria entrada no estabelecimento ou a prestação de serviços a ele feita (art. real ou simbólica. 33.00 . presumem-se alheios à atividade do estabelecimento os veículos de transporte pessoal (art. Quando a operação subseqüente for de exportação. . a LC 87/96. II. ou que se refiram a mercadorias ou serviços alheios à atividade do estabelecimento (art. LC 87/96). 155. caso a operação for isenta ou não tributada.00. Crédito semelhante é garantido quanto à energia elétrica consumida pelo estabelecimento (art. diga respeito à operação estranha à empresa. Com efeito. I a IV. 21. não dão direito a crédito as entradas de mercadorias ou utilização de serviços resultantes de operações ou prestações isentas ou não-tributadas. I e II.00. O direito de utilizar o crédito extingue-se depois de decorridos cinco anos contados da data de emissão do documento (art. LC 87/96). II. no estabelecimento (art. valor do imposto anteriormente cobrado. Exemplo: total do ICMS devido pelo sujeito passivo – R$ 50. LC 87/96). um crédito”.00 = R$ 40. 21. devendo o contribuinte também realizar o estorno (art. decorrentes de entradas de mercadorias – R$ 10. LC 87/96).141 circulação de mercadorias ou prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou por outro Estado (art.00. II – para comercialização ou prestação de serviço. LC 87/96). Entretanto. 23. com as devidas alterações da LC 102/00. CF/88. o crédito será definitivo. Nessas hipóteses. quando a saída do produto resultante não for tributada ou estiver isenta do imposto. § 3º. De outra sorte. Do contrário.000. LC 87/96). § 1º. 20. perecer ou perder-se. permitiu o crédito de ICMS em favor do contribuinte a partir da escrituração de entrada de ativo financeiro no estabelecimento – “a cada entrada. LC 87/96): I – para integração ou consumo em processo de industrialização ou produção rural. parágrafo único. 19. No creditamento de ICMS. 20.000.000. seja consumida em processo que leve a produto não tributo pelo imposto ou venha a deteriorar-se. 21. a jurisprudência tranqüila apregoa que descabe incidência de correção monetária.

porquanto não abrangidos pela norma convencional esculpida186. 2ª T. o contribuinte substituído. no prazo de quinze dias da respectiva notificação. REsp 805. LC 87/96). com o pagamento dos acréscimos legais cabíveis (art. § 1º. j. também devidamente atualizados.795-RJ. Se o montante dos créditos superar os dos débitos. rel. LC 87/96). Informativo do STJ n° 332. devidamente atualizado segundo os mesmos critérios aplicáveis ao tributo (art. o estorno deverá ser feito à razão de 20% ao ano ou fração que faltar para completar o lustro (art. § 2º. Quando houver incorporação do bem ao ativo permanente do contribuinte antes de passados cinco anos contados da aquisição.. 21. I e II. permitir que (art. Formulado o pedido de restituição e não havendo deliberação no prazo de noventa dias. A prestação em comento. 24. LC 87/96): I – sejam imputados pelo sujeito passivo a qualquer estabelecimento seu no Estado. Com base nessa interpretação. fato esse que não está abarcado expressamente pela norma. Eliana Calmon. O Convênio 115/96. IV – vier a perecer. o STJ pronunciou o descabimento de não-creditamento nas operações que envolvam a mercância dos equipamentos mencionados. A Lei estadual poderá. I a IV. LC 87/96). No entanto. a diferença será transportada para o período seguinte (art. se for o caso. 2ª parte. § 2º. 20/9/2007. § 1º. Min. 10. não se estornam créditos referentes a mercadorias e serviços que venham a ser objeto de operações ou prestações destinadas ao exterior (art. geralmente também envolve a comercialização de aparelhos. versando sobre ICMS. confere prerrogativa para os Estados estabelecerem redução da base de cálculo do tributo no tocante a serviço de radiochamada (cláusula 2ª. e I. § 1º. LC 87/98). “caput”. o contribuinte substituído poderá se creditar. nos casos de saldos credores acumulados. 25.142 O sujeito passivo deverá efetuar o estorno do imposto de que se tiver creditado sempre que o serviço tomado ou a mercadoria entrada no estabelecimento (art. II – for integrada ou consumida em processo de industrialização. deteriorar-se ou extraviar-se. 186 STJ. parágrafo único. LC 87/98). Sobrevindo decisão contrária irrecorrível. LC 87/96). popularmente conhecida como “pager”. sendo esta circunstância imprevisível na data da entrada da mercadoria ou da utilização do serviço. 24. do valor objeto do pedido. em sua escrita fiscal. . III – vier a ser utilizada em fim alheio à atividade do estabelecimento. As obrigações consideram-se liquidadas por compensação até o montante dos créditos escriturados no mesmo período mais o saldo credor de períodos ou períodos anteriores (art. 20. III. quando a saída do produto resultante não for tributada ou estiver isenta do imposto. LC 87/96): I – for objeto de saída ou prestação de serviço não tributada ou isenta. procederá ao estorno dos créditos lançados. 20. 10. Convênio 115/96).

192 STJ. 189 Súmula 661 do STF: “Na entrada de mercadoria importada do exterior. Dessarte.97. 13. m. 1º. o STJ resolveu alterar sua posição.062-GO. REsp 23533/SP. fato que sugere a apreensão como modo de coerção para o pagamento da exação. quando a adquirente realizava a alienação deles. Com essa idéia. REsp 919. nos exatos termos de jurisprudência até então dominante (Súmula 152 do STJ)193.223-MT. lavrando-se o auto de infração devido. Castro Meira.769-DF.084. de bens salvados de sinistros. RE 172282-7/SP.96. rel. Castro Meira. Tratando-se de diferença cambial na cobrança do imposto em comento. ADInMC 1648/MG. j. v. DJU 20/3/2000. 194 STF. o STF entendia como legítima a cobrança de ICMS no desembaraço aduaneiro. Gilmar Mendes. não ficando abarcada pelo ICMS. esses não sofrerão tributação pela via do ICMS quando adquiridos de outro Estado. Min. DJU 28... Apreensão de mercadorias – nada obsta que o fisco empreenda a apreensão de bens sujeitos a ICMS e desacompanhados da correspondente nota fiscal. Informativo do STJ n° 323. Em que pese a cristalina e consentânea disposição das cortes. EREsp 149. 193 Súmula 152 do STJ (CANCELADA): “Na venda pelo segurador. Ilmar Galvão. Não pode a autoridade tributária permanecer “ad eternum” com as coisas. essa atuação se presta à identificação do contribuinte.99.08. Min. Min. rel. Essa prática é STF. bens decorrentes de sinistro. 1ª Seç. Dessa feita. j. “caput”. DJU 16/8/2004. é legítima a cobrança do ICMS por ocasião do desembaraço aduaneiro”. rel. o qual tinha por fulcro a CF/69 e o art. incidia a referida exação. o STJ entende que há de se tomar como balizas referenciais a data do registro da importação e a entrada da mercadoria no território nacional190. j. incide o ICMS”. Desembaraço aduaneiro – mesmo antes da LC 87/96. 195 STJ. 11/9/2007.946-MS. DJU 1º/7/2002.2007. à materialidade do fato. mas contando com cinco votos pela exclusão das operações com salvados da incidência do ICMS. cancelando o referido verbete195. STF. 188 187 . LC 87/96. 610. Operações com salvados de sinistros – o art. Construção civil – é fato gerador de ISSQN. 6. Os insumos devem ser utilizados na atividade-fim do administrado para não sofrerem a incidência do tributo. Ilmar Galvão. Min.. Min. REsp 73. rel. 190 STJ. rel. 1ª T. a outros contribuintes do mesmo Estado. rel. a jurisprudência do STJ fixou entendimento192. a alíquota a incidir é a interna. Também TJRJ. A posição ficou sedimentada por meio de outros julgados188. Nas operações de importação. DL 406/68. Informativo do STJ nº 331. CC).552-RJ. 3º. nas condições que definir. REsp 564.10. u. 191 STF. IX. 23. no tocante ao diferencial de alíquotas da exação. com julgamento ainda pendente até a data indicada.05. não aquela determinada para operações interestaduais.9. RT 726/383. Néri da Silveira. Com base no entendimento do Supremo. j. j. RE 193817/RJ. v. 2ª T. “in fine”. RJ/IOB 1/11. Todavia. RMS 12. RE 192711/SP. O Pretório Excelso passou a acatar como inaplicável o ICMS também na operação de alienação dos salvados pela seguradora194. 13/6/2007. em substituição ao seu enunciado 577. e § 1º. II.. em face de previsão de empreitada com o emprego de materiais a serem fornecidos pelo empreiteiro (art..143 II – sejam transferidos. segundo já disse o Supremo191. Pleno. o STF vinha entendendo diferente. determina a não-incidência de ICMS em operações de aquisição de salvados por seguradoras. Min. dando azo à edição da Súmula 661 do STF189. decorrente de operação de importação de mercadoria187. Informativo do STF n° 478. ADI 1648/MG.

no que autorizada a inclusão do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços na base 196 196 144 TJDF.96. DJU 15/9/2003. DJU 2/6/2003. j. nos quais a contribuinte pretendeu ver examinado o pedido sucessivo formulado na ação. Informativo do STJ n° 326. Veja. não é mais passível de discussão por órgãos jurisdicionais ou administrativos” (folha 116). p. Des. articula-se com a ofensa ao artigo 195. MARCO AURÉLIO RECORRENTE : AUTO AMERICANO S/A DISTRIBUIDOR DE PEÇAS ADVOGADO : ROQUE ANTONIO CARRAZZA ADVOGADOS : RAQUEL CRISTINA RIBEIRO NOVAIS E OUTROS RECORRIDA : UNIÃO ADVOGADA : PFN . STJ: REsp 493. MS 38. sendo objeto de posição firme na própria corte máxima (Súmula 323 do STF. na íntegra. parágrafo único. DJU 1º/3/2007. “inclusive no que tange à previsão de se incluir o ICMS na base de cálculo do tributo. 7/8/2007. § 2º. consoante disposto no artigo 2º da Lei Complementar nº 70/91. 2ª T. Eliana Calmon. DJU 3 30. no sentido da harmonia da contribuição prevista na Lei Complementar nº 70/91 com a Carta (folha 88 a 90).781-RS. rel. contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região que implicou a manutenção de entendimento sufragado em sentença. do Diploma Maior. cuja constitucionalidade foi declarada e que.ELYADIR FERREIRA BORGES RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – o recurso extraordinário foi interposto.97.04. Min.631-96. ICMS – inclusão na base de cálculo da COFINS – STF – interpretação do art..371-CE. da citada lei complementar. com alegada base na alínea “a” do permissivo constitucional. Ambos foram desprovidos mediante os acórdãos de folhas 99 a 101 e 115 a 118. Exsurgiram sucessivos embargos de declaração.785-2 MINAS GERAIS RELATOR : MIN. 8078 – ementa oficial. reafirme-se. relativo à exclusão da base de cálculo da Cofins do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. REsp 700. rel.repudiada pela jurisprudência . REsp 789. lei esta.12. o voto do Min. 02. REsp 513. o qual fixou a jurisprudência do Supremo no sentido de não fazer incidir o ICMS sobre a base de cálculo da COFINS: 24/08/2006 TRIBUNAL PLENO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 240. j. insistindo-se na inconstitucionalidade do artigo 2º. . Getúlio Moraes Oliveira. “caput”.316-DF. LC 70/91.543-PR. 2º. Marco Aurélio sobre a matéria. O Colegiado consignou ter sido a matéria amplamente analisada e discutida no âmbito desta Corte quando do julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1-1/DF. por força do artigo 102. já citada). inciso I. Nas razões do recurso. da Constituição Federal.

segunda-feira. segunda- . decorrendo o processamento do recurso do provimento dado a agravo. o tema está a merecer o crivo de Colegiado desta Corte. na base do cálculo da COFINS. terça-feira. Os documentos de folhas 33 e 135 revelam a regularidade da representação processual e do preparo.145 de cálculo da Cofins. 10 e 13 da Lei Complementar nº 70. Salienta-se que se desvirtuou o conceito técnico de faturamento. Por outro lado. questão que não teria sido apreciada na ação declaratória de constitucionalidade. página 722 a 755. O Juízo primeiro de admissibilidade disse da natureza infraconstitucional da discussão (folha 140). no que. já que o dia 3. foi feriado forense. A União apresentou as contra-razões de folha 137 a 140. oportunidade na qual consignei: Quando do julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1. deverá. Por isso mesmo. declarar a nulidade do julgado por ofensa aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal (incisos LIV e LV do rol das garantias constitucionais). da mencionada lei englobar. de 30 de dezembro de 1991. A recorrente protocolou embargos de declaração em 4 de outubro de 1994 (folha 92). 9º. aludindo a memoriais distribuídos. assevera-se que. foram observados os pressupostos de recorribilidade. Quanto à oportunidade. A recorrente indicou o permissivo constitucional à folha 120. o ICMS. É o relatório. A Procuradoria Geral da República emitiu o parecer de folha 166 a 169. definindo-se o alcance do inciso I do artigo 195 da Constituição Federal. acaso esta Corte conclua pela falta de prequestionamento. apenas dos artigos 1º. As conclusões do acórdão prolatado nos embargos foram veiculadas no Diário da Justiça de 23 de maio de 1995 (folha 102). ressaltando o envolvimento de matéria legal e a harmonia da conclusão adotada com a “jurisprudência de nossos Tribunais”. parágrafo único. antes. o Relator. nos termos do artigo 321 do Regimento Interno da Corte. ministro Moreira Alves. A referência feita no voto do ministro Sepúlveda Pertence ganhou contornos de simples opinião de Sua Excelência a respeito da matéria. Em 29 imediato. 2º. Noutro passo. terça-feira. o acórdão proferido na apelação restou publicado no órgão oficial de imprensa do dia 27 de setembro de 1994 (folha 91). apontou para o envolvimento. VOTO O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – Na interposição deste recurso. Confira-se com o acórdão publicado na Revista Trimestral de Jurisprudência nº 156. afirmou estar a definição de faturamento no âmbito da legislação infraconstitucional. terça-feira. preconizando o não-conhecimento do recurso. na espécie. em face da recusa do Tribunal de origem de analisar a controvérsia (folha 120 a 134). ao incluir-se o referido tributo na base de cálculo. não foi objeto de deslinde a circunstância de o artigo 2º.

terça-feira. a Turma julgadora pela inexistência da pecha quanto à inclusão combatida (folha 99 a 101).950/94. na forma do acórdão de folha 115 a 117. sendo que o acórdão daí resultante foi publicado no Diário da Justiça de 22 de agosto de 1995 (folha 119). considerado o teor primitivo do preceito. de interpretação de norma estritamente legal. Também não vinga o óbice relativo ao envolvimento. Portanto. a óptica de que a Cofins incide sobre o ICMS. Portanto. a Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. assim. consagrando-se. Pois bem. se a conclusão a que chegou a Corte de origem. Mesmo assim. a viabilizarem o cotejo. considerada a interrupção instituída pela Lei nº 8. na base de incidência da Cofins. da premissa de que assim o teria feito este Plenário ao apreciar a Declaratória nº 1. no sentido de adentrar a sede extraordinária. a encerrar o debate e a decisão prévios do tema jurígeno explorado. Há de se examinar. a recorrente interpôs novos embargos de declaração (folha 104). Aí. da Constituição Federal. Sob o ângulo do prequestionamento. segunda-feira. a receita. aludindo à eficácia vinculante do pronunciamento. isso ao apreciar a Ação Declaratória nº 1-1/DF (folha 88 a 90). refutando a defesa sobre a inconstitucionalidade de ter-se a incidência do tributo sobre . tem-se como prequestionada a matéria. Sob o ângulo do prequestionamento. parágrafo. alínea “b”. Se é certo que o acórdão inicialmente prolatado mostrou-se de simplicidade franciscana. a utilização de formas sacramentais. da Constituição Federal.519-2/DF. o Colegiado concluiu que seria de se presumir o exame do tema no julgamento da declaratória de constitucionalidade. juntamente com o faturamento. a violência ao artigo 195. inciso I. refutou a argüição de inconstitucionalidade. O que sustenta a recorrente é que o decidido pela Corte de origem discrepa da tipologia do tributo. anterior à Emenda Constitucional nº 20/98. portanto. é certo. protocolou os embargos declaratórios de folha 92 à 94. Já aqui entendeu. prescinde de referência a artigo. que deu nova redação ao artigo 538 do Código de Processo Civil. no que. apenas consignando que esta Corte assentou a constitucionalidade da Cofins. ou seja. não procede o óbice apontado pela Procuradoria Geral da República. A Corte já assentou que o prequestionamento. exsurge a tempestividade deste recurso. o ICMS (folha 92 a 94). não menos correto é que a recorrente. tudo a partir. mais uma vez reclamando prequestionamento explícito do tema (folha 104 a 112). ou seja. A defesa sustentada pela recorrente foi rechaçada pela Corte de origem.146 feira. destarte. utilizando a adjuntiva “ou”. nas razões do recurso. tal como prevista no artigo 195. inciso e alínea – Recurso Extraordinário nº 128. inciso I. na espécie. reclamando manifestação sobre a inconstitucionalidade de incluir-se. Protocolou-se o extraordinário em 4 seguinte (folha 120). atenta ao passo que se avizinhava. Resta examinar o específico. como causa de pedir. exigir mais do que isso é adotar o fetichismo da forma. analisando estes embargos. na citada alínea. fez inserir como base de incidência da contribuição devida pelo empregador. voltou a empresa a protocolar novos embargos declaratórios.

o faturamento e o lucro. O conceito de faturamento diz com riqueza própria. então. a cargo do empregador. desse modo. revelador da incidência sobre o faturamento. em voto proferido no Recurso Extraordinário nº 71. Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam. sobre o que pago àqueles que não mantinham vínculo empregatício com a empresa. ao vocábulo “salários”. Não pode. implicando. como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. o que percebido por aquele que a realiza. a prevalecer o que decidido. Cumpre ter presente a advertência do ministro Luiz Gallotti. em si. Por isso mesmo. de remuneração feita com base no contrato de trabalho – Recurso Extraordinário nº 128. a partir de premissa errônea. na redação primitiva da Carta. importando. o sentido técnico-jurídico. Jamais imaginou-se ter a referência à folha de salários como a apanhar. Óptica diversa não pode ser emprestada ao preceito constitucional. a parcela percebida com a operação mercantil ou similar. por exemplo. servir à incidência da Cofins. quando a própria Lei Complementar nº 70/91.519-2/DF. ou não. A tríplice incidência da contribuição para financiamento da previdência social. O valor deste revela. em si. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. não sobre o faturamento. ainda que mediata. conflita. assim.758: “se a lei . Este decorre. os encargos ditos trabalhistas resultantes do pagamento efetuado. A base de cálculo da Cofins não pode extravasar. sob o ângulo do faturamento. o ICMS. quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou à prestação dos serviços. isto sim. por isso mesmo. fiel à dicção constitucional. Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem. o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. No caso dos autos.147 o ICMS. o valor do negócio. por tal motivo. A conclusão a que chegou a Corte de origem. com o dispositivo constitucional. incluindo este no que se entende como faturamento. As expressões utilizadas no inciso I do artigo 195 em comento hão de ser tomadas no sentido técnico consagrado pela doutrina e jurisprudencialmente. ou seja. mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviços. para o contribuinte. os acessórios. o valor devido a título de IPI. de uma operação. um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. ou seja. ou seja. ter-se-á. esta Corte glosou a possibilidade de incidência da contribuição. afastou a possibilidade de incluir-se. da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei. na base de incidência da Cofins. a incidência de contribuição sobre imposto. foi prevista tendo em conta a folha dos salários. importa na incidência do tributo que é a Cofins. a incidência da Cofins sobre o ICMS. pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea “b” do inciso I do artigo 195 da Constituição Federal. de um negócio jurídico. muito embora com a transferência do ônus para o contribuinte. o que se dirá quanto a um ônus. emprestando.

mais do que isso. para mim. ônus fiscal. Da mesma forma que esta Corte excluiu a possibilidade de ter-se. de exportação o que não é exportação. “a Cofins só pode incidir sobre o faturamento que. pela Constituição Federal. a cobrança considerado. no emprego de institutos. como é o relativo ao ICMS. a Lei Maior e com isso afastando a supremacia que lhe é própria. a revelar que: Art. como é o relativo ao ICMS. que é o faturamento. Conforme salientado pela melhor doutrina. A lei tributária não pode alterar a definição. reformando o acórdão proferido pela Corte de origem. ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios para definir ou limitar competências tributárias. ruiria todo o sistema tributário inscrito na Constituição” . não englobando. pressupondo-se que o texto constitucional mostre-se fiel. parcela diversa. de renda o que não é renda. assim. de expressões e de vocábulos. expressa ou implicitamente. na expressão “folha de salários”. alterando. Se alguém fatura ICMS.148 pudesse chamar de compra e venda o que não é compra. o artigo 110 do Código Tributário Nacional conta com regra que. autônomos e avulsos. 110. conforme visto. conheço deste recurso extraordinário e o provejo para. A contrário sensu. Por isso mesmo. como salientado por Hugo de Brito Machado em artigo publicado sob o título “Cofins . quer de serviço. não pode. julgar parcialmente procedente o pedido formulado na ação declaratória . isso sim.RTJ 66/165. ao sentido próprio que eles possuem. a duplicidade de ônus fiscal a um só título. o conteúdo e o alcance de institutos. implica manipulação geradora de insegurança e. em “CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS – PROBLEMAS JURÍDICOS”. é o somatório dos valores das operações negociais realizadas”. esse alguém é o Estado e não o vendedor da mercadoria. entender que a expressão “faturamento” envolve. ao valor da mercadoria ou do serviço. qualquer valor diverso deste não pode ser inserido na base de cálculo da Cofins. sob pena de desprezar-se o modelo constitucional. Olvidar os parâmetros próprios ao instituto. em si. Há de se atentar para o princípio da razoabilidade. Conforme previsto no preceito constitucional em comento. Por tais razões. com razão maior. por isso mesmo. pelas Constituições dos Estados. tendo em vista o que assentado pela doutrina e pela jurisprudência. surge simplesmente pedagógica. um desembolso. adentrando-se a seara imprópria da exigência da contribuição. a inclusão do que satisfeito a administradores.Ampliação da base de cálculo e compensação do aumento de alíquota”. a base de cálculo é única e diz respeito ao que faturado. a cobrança da contribuição sem ingresso efetivo de qualquer valor. que a lei ordinária redefina conceitos utilizados por norma constitucional. Admitir o contrário é querer. conceitos e formas de direito privado utilizados. com sentido didático. relativamente a valor que não passa a integrar o patrimônio do alienante quer de mercadoria.

seus derivados e outros combustíveis não derivados do petróleo. Pergunta: quanto aos combustíveis derivados de petróleo. III. o valor correspondente ao ICMS. LC 87/96). quando o destino comportar nãocontribuinte do ICMS. o ICMS é devido no local onde houve o consumo. o imposto será dividido entre o Estado de origem e de destino. Entretanto. 2º. Essa regra. inclusive lubrificantes. § 1º. Não tendo tal destino. por que o contribuinte é aquele do estabelecimento de destino. 3º. a exação será devida ao Estado de origem. tal diploma inexiste. 155. se o fato gerador é a saída de mercadoria do estabelecimento de origem. “b”. na situação anterior. Com isso. § 2º. Pergunta: no caso do art.149 intentada. CF/88)? Resposta: consoante resposta do item anterior. 155. DL 406/68? Resposta: o ICMS segue um sistema de não-cumulatividade por compensação entre créditos e débitos tributários. dado o permissivo do art. III. § 4º. na qual o constituinte erige um “muro de contenção” fora do universo de incidência do tributo. consoante art. CF/88 configuram não-incidência ou imunidades. 155. I. X. o imposto em tela incide quando não for destinado à comercialização ou industrialização. Pergunta: o art. X. É o que a doutrina chama de imunidade. CF/88. não há incidência de ICMS somente nas operações interestaduais (art. § 3º. em se tratando de gás natural. IV. § 2º. 1ª parte. na mesma proporção de outras mercadorias. segundo entendimento doutrinário? Resposta: são regras de “não-incidência constitucional”. porquanto o ICMS não inclui os fatos geradores referidos no dispositivo. considerado o faturamento. CF/88? Resposta: quando não destinado à comercialização ou à industrialização. quem as determina então? Resposta: errado. A partir da disposição do art. o legislador complementar erigiu uma não-incidência legal sobre tais produtos (art. determina que resolução do Senado deve estipular alíquotas nas operações interestaduais. III. assentando que não se inclui na base de cálculo da contribuição. II. 155. em operações entre contribuintes do ICMS. as situações abrangidas pela primeira hipótese (de incidência do ICMS) serão assim definidas quanto ao direito de cobrança do tributo: em se tratando de combustíveis e lubrificantes derivados de petróleo. LC 87/96). 2º. 155. nos termos do art. o ICMS incide sobre combustíveis. derivados de petróleo e energia elétrica (art. inverto os ônus da sucumbência. tais como fixados na sentença prolatada. § 2º. Atualmente. Pergunta: as regras do art. Pergunta: por que o legislador ainda não estabeleceu ICMS sobre combustíveis e minerais. como diz Rui Barbosa Nogueira. I a III. pois a Resolução 22/89 do Senado Federal estabelece as alíquotas para operações interestaduais. CF/88. 155. § 1º. CF/88 (“circulação de mercadorias”). A Resolução 95/96 do Senado Federal estabeleceu alíquota para prestação de transporte interestadual aéreo. LC 87/96. bem próxima do . 1º.

j. II. 289 da Lei 6015/73. Dessarte. deverá abater o crédito decorrente da entrada do insumo tributado pela mesmo imposto. Sujeito passivo – deverá ser estipulado pela LO estadual ou distrital competente. 431). . Com o advento da atual CF/88. mas contribuinte de direito é o empresário que recebeu o insumo. 23. I. possuidor. 314). 42. estando presentes em todas suas subseqüentes. CSM. 11-5-95. a norma estadual pode eleger qualquer dos sujeitos passivos como responsáveis pelo recolhimento do ITCMD. a qual implicará em um débito fiscal por parte do empresário. DOE-PJ 23-6-95. CTN. no entanto. assim como sua EC 1/69. 2004. p. 6º. 314). o constituinte houve por bem cindi-lo em duas outras exações: o ITCMD. o tributo passou a existir desde a vinda da família real lusa para o Brasil. onde era aplicada a chamada “vigésima” sobre heranças e doações. CF/88). do notário que não verificar o recolhimento dos tributos. do oficial de registro. caso não verifique corretamente o recolhimento dos tributos antes de efetivar o ato de transcrição. No entanto. em 1810 (CASSONE. previsto no art. p. 156. Ex. caso o donatário não recolha a exação. III e IV. Assim. o qual tem por base a transmissão onerosa de bem imóvel. como é o caso do art.v. Trata-se do mesmo imposto do art.: doador. 2004. VI. Dessa feita. um crédito. como bem lembra Sabbag (2004. o oficial registrador não deve perquirir sobre o quantitativo recolhido. já que tem essa incumbência “ex vi” do art. p. doador ou donatário (nas doações “gratuitas”). A Constituição de 1967. 314. p. como o não-creditamento da operação anterior quando a subseqüente é isenta ou acobertada pela nãoincidência. Sua constitucionalização. por fato “causa mortis” ou por ato gratuito (doação). e CASSONE. II. p. o sistema congrega outras regras.150 que existe no IPI. 134. no seu mister.. Dessa feita. No Brasil. 53-4. a cada saída. a incidir sobre transmissão de quaisquer bens ou direitos. previam o impostos de transmissão como único. CTN. 432). a hipótese de incidência é a saída. um dos fatos geradores realmente é a saída da mercadoria do estabelecimento. “a” e “b”. como previsto no art. quando ele realizar o recolhimento. além do cancelamento do crédito de operações anteriores quando houver quaisquer das intributalidades citadas (art. por exemplo. CF/67. § 2º. sendo de competência dos Municípios. I. seguem um mandamento geral: a cada entrada. Nos termos do art. no caso do cessionário não arcar com o imposto. só ocorreu a partir da Carta de 1891. o ITBI (art. É o caso. 197 TJSP. o ITCMD encontra suas raízes na antiguidade clássica romana. CF/88). sendo de competência dos Estados e do DF. No entanto. o obrigado fiscal pode ser: herdeiro ou legatário (na transmissão “mortis causa”). 155. CF/88. I. p. 155. um débito. 2004. ITCMD (Impostos sobre Transmissão “Causa Mortis” e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos) – segundo Sabbag (2004. mas sim pela efetivação do ato197. atribuindo subsidiariedade de algumas pessoas no caso de inadimplemento do tributo por parte do contribuinte originário. m. Além do comando geral da substituição tributária por compensação. o legislador estadual pode optar pelo sistema de responsabilidade tributária. Lei 8927/88 do Paraná. válido para atos “inter vivos” e “mortis causa”. desdobrado em duas espécies (SABBAG.

Elemento espacial – o imposto será devido ao Estado ou DF onde se situam os bens imóveis (e respectivos direitos) ou onde se procede a ação de partilha de bens (art. 433) defende que o legislador não poderia inovar na ordem jurídica sem a competente LC autorizadora. I e II. Entretanto. no momento da transmissão 198 Súmula 115 do STF: “Sobre os honorários do advogado contratado pelo inventariante. No caso de doações feitas por sociedades por ações. em posição minoritária. I e II. 36. Observa-se. era residente ou domiciliado ou teve o inventário aberto no estrangeiro. impõe-se ressaltar que. quer em decorrência da morte. CF/88). p. 37. não incide o Imposto de Transmissão Causa Mortis”. CF/88. Entende-se por transmissão a passagem de propriedade de bens ou direitos sob o aspecto jurídico. 199 Súmula 331 do STF: “É legítima a incidência do Imposto de Transmissão. haverá tantos fatos geradores quanto forem os herdeiros e legatários. “a” e “b”. Nesse passo. 35. quer por ato de liberalidade. 200 Súmula 435 do STF: “O Imposto de Transmissão Causa Mortis pela transferência de ações é devido ao Estado em que tem sede a companhia”. 35. Esse fato deve se dar de forma não-onerosa. 146. CTN. visto que inexiste outro diploma específico. cessão e locação de imóveis (art. cabe ao Estado de sua sede o recolhimento do ITCMD respectivo (Súmula 435 do STF)200. com autorização judiciária das cortes. § 1º. III. 36. ou se o autor da herança tinha bens. decorremnte de capital anteriormente subscrito. No entanto. se o doador tiver domicílio ou residência no exterior. I. que a LC hábil a estabelecer o fato gerador (art. Vale também lembrar que o recebimento de honorários pelo advogado em ação de inventário não perfaz fato gerador do ITCMD (Súmula 115 do STF)198. caso haja reversão do valor da integralização por liquidação de cota ou por extinção da pessoa jurídica. com a homologação do juiz.151 Fato gerador – é a transmissão de quaisquer bens ou direitos a título do falecimento de alguém ou em decorrência de ato gratuito (SABBAG. “caput”. Por derradeiro. 315). no caso de transmissão por fato “causa mortis”. Elemento temporal – estatui o art. Cassone (2004. em que pese a previsão expressa do constituinte no art. não contemplando os móveis e demais direitos correlatos (art. Não é o que vem fazendo os Estados. CTN). que o imposto deverá ser recolhido na ocorrência do fato imponível. parágrafo único. CC) ou de ausência (arts. também não haverá incidência do ITCMD (art. CF/88) ainda é o CTN. LC deve estabelecer os critérios de competência tributária (art. não atingindo outros situados além de sua competência territorial. III. Nesse caso. p. isto é. CC). 2004. 7º. nos termos do art. 155. Ademais. § 1º. as isenções referidas não são aplicáveis se a atividade da pessoa jurídica for preponderantemente venda. CTN. Quando a operação implicar em incorporação de patrimônio à pessoa jurídica. “caput”. “a”. ou quando houver incorporação ou fusão de empresas. Causa Mortis no inventário por morte presumida”. I e II. CTN). . “caput”. 35. CF/88). não incide a exação em comento (art. Na primeira hipótese. Nesse caso. o legislador de 1966 só previu a incidência do ITCMD para bens imóveis. na medida em que estipula a exação em tela para bens móveis e seus respectivos direitos. tratando-se de morte presumida (art. CTN). compra. CTN). 155. o autor até mesmo admite que as unidades federadas possam instituir o ITCMD para móveis e direitos consectários internamente situados. parágrafo único. 22 e 23. o ITCMD é exigível (Súmula 331 do STF)199. 155.

e em jurisprudência do STJ201. 9. 5º.. IV.10. CF/88) é setorial. 204 STJ. Ap.. § 3º. 201 202 STJ. CTN). 39. o indigitado tributo tem como fato gerador a propriedade de veículo automotor de qualquer natureza.u. 155. 147. o art. 150. REsp 12. e 155. § 1º. muito pelo qual o princípio da intranscendência (art.546-RJ. tendo vez somente no terreno do Direito Penal. desde que dotados de força motriz própria. Castro Meira. aéreos e aquáticos. “caput”. EDcl no REsp 927. Contudo. XLV. 2004. a decisão judicial é interlocutória. Elemento quantitativo – a base de cálculo é o valor venal do bem ou direito.777-1/6. CTN). CTN. no qual são exigidas informações por parte do contribuinte e a atuação do fisco para calculá-lo (art. 245. pelo qual o foro para discussão da dívida tributária não é a ação de arrolamento. p. 206 Súmula 112 do STF: “O Imposto de Transmissão Causa Mortis é devido pela alíquota vigente ao tempo da abertura da sucessão”. . apesar de homologados e transitados os cálculos. 203 Súmula 114 do STF: “O Imposto de Transmissão Causa Mortis não é exigível antes da homologação do cálculo”. j.4.96. tido no momento da transmissão (art. CTN). 436). 38. Atualmente. “caput”. 1245. CF/88. IPVA (Impostos sobre Propriedade de Veículos Automotores) – nos termos do art. porquanto o registro do imóvel é o último ato da complexidade citada. quer seja ela para frente ou para trás. O domicílio do proprietário é indiferente ao aspecto espacial do gravame. tratando-se de transmissão “causa mortis” (Súmula 112 do STF)206. Para essa linha de pensamento. Não é o que apregoa o referido autor. “in casu”. Súmula 113 do STF: “O Imposto de Transmissão Causa Mortis é calculado sobre o valor dos bens na data da avaliação”. Civ. 1ª T. 1034.530-SP. a qual estipula o percentual teto de 8%. Aliás. 13.92. observado o limite máximo de Resolução do Senado Federal (arts. entendimento ressonante no STJ204.01. oportunidade em que a correção deve incidir sobre todos os bens do espólio. operando-se desde o ajuste de vontades na doação ou a morte do inventariado no fato “mortis causa”. Assim como a base de cálculo. Min. CC. a jurisprudência prevalente tem entendido que ela é transmitida.3540-DF. antes da homologação judicial do cálculo.: havendo multa fiscal a ser rocada aos herdeiros. j. Nota-se que o legislador complementar autorizou seu similar estadual a estatuir de outra forma. 316). o diploma competente é a Resolução 9/92.. podendo prever o fenômeno da substituição tributária (art. rel. 2ª T. não cabe recolhimento do tributo por ocasião do inventário (Súmula 114 do STF)203.152 (CASSONE. englobando meios de transporte terrestre. ocorrência a caracterizar o fato gerador do ITCMD. CPC. CF/88). 205 TJSP. v. sobre o qual o cálculo do ITCMD deve ser feito (Súmula 113 do STF)202. a exigibilidade da exação só se perfaz no momento do registro imobiliário. o formal ou a carta de adjudicação só será expedida com a prova de quitação de todos os tributos. Obs. 1ª C. o ITCMD deveria ser recolhido desde tal momento. a alíquota aplicável é aquela vigente à época da abertura da sucessão. Com fulcro no art. 21/8/2007. de Direito Privado. atacável por agravo e não por apelação205. III.02. 21. A alíquota será fixada pela LO do Estado ou DF. Segundo Sabbag (2004. Lançamento – é feito na forma mista. Informativo do STJ n° 328. Aplica-se. mas sim a via administrativa. Nesse caso. p. e REsp 253. parte da doutrina entende que o fato gerador da transmissão se dá mediante um complexo de atos.

quis imprimir 207 208 STF. 24. o legislador estadual fica livre para estabelecê-la. Visto que esse atualmente falece à existência. O preço estabelecido na nota fiscal ou no formulário de importação é hábil a determinar a base de cálculo. desde que observe a vedação ao confisco (art. Quanto à aeronaves. Considera-se aeronave todo aparelho manobrável em vôo. 106. Ilmar Galvão. No tocante à base de cálculo. 38. a partir de 1º de janeiro. entendendo ser constitucional a cobrança do IPVA sobre aeronaves208. É possível também recorrer a órgãos especializados particulares. incluindo-se os veículos conectados à linha elétrica (Anexo I da Lei 9503/97. que possa sustentar-se e circular no espaço aéreo. Segundo Sabbag (2004. apto a transportar pessoas ou coisas. pessoa natural ou jurídica. por meio da EC 42/03. como jornais e revistas que militam na área.1999. A partir desses critérios objetivos. p. rel. Ademais. a lei estadual pode estabelecer a cobrança da exação em tela. . o art. IV. porquanto não fala em força motora própria. locais onde elas manobram.8. o IPVA é de base proporcional (SABBAG. AG (AgRg) 167777/DF. Código Brasileiro de Aeronáutica (CBA. O fato gerador é a propriedade do bem e não o mero uso ou detenção. devendo ser regulado por LC (art. § 3º. CF/88). § 3º. aquele do qual consta o título de registro do bem (SABBAG. questão polêmica se coloca sobre sua natureza jurídica. 312). dada pelo art. “a”. DJU 9-5-97. No tocante ao conceito de veículo. É a posição assentada no Pretório Excelso207. CF/88).153 porquanto vale o local de registro do bem. No aspecto temporal. Min. j. em essência. Com efeito. falecendo competência estadual para a tributação. “caput”. Lei 7565/86) não coaduna perfeitamente com o desenhado pelo CTB. são de propriedade da União. 2004. o constituinte derivado. O momento de aquisição do veículo também pode ser objeto do IPVA. 106. CBA define que os aeroportos. há de ter força-motriz própria. ou seja. tratando-se de veículo novo. Não foi o que acolheu o STF. Art. 34. CF/88). p. 2004. 10. ainda que complementar ou alternativa à natural. RE 134509/AM. Não se incluem os veículos movimentados por tração animal. ADCT. é possível que o legislador estadual estabeleça a forma temporal de recolhimento do tributo. 150. a lei instituidora do IPVA pode optar entre o valor venal ou o preço de mercado. Na ausência do referido diploma federal.931-SP. as aeronaves são veículos destinados a circular entre Estado e Municípios. III. § 6º. 311). nos exatos termos do comando do art. mediante reações aerodinâmicas. 146. p. bem como o desembaraço aduaneiro é o fato imponível hábil para veículos importados. Acerca da alíquota. I. STF. 310). É tributo de competência estadual e distrital. os Estados e o DF exercem a competência plena (art. Min. 155. rel. cujo valor mínimo há de ser estabelecido por Resolução do Senado Federal (art. É provado por meio do CRLV (Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo). RE 236. No entanto. “caput”. Marco Aurélio. Código de Trânsito Brasileiro – CTB). a ser estabelecido em tabela oficial fiscal. O sujeito passivo é o proprietário do veículo automotor. CF/88). sua definição.

Chimenti (2002. II. sob pena de inconstitucionalidade. 32. Dessa feita. pode a lei ordinária instituidora determinar a diferenciação de alíquotas em função do tipo e utilização do veículo. de partidos políticos (inclusive suas fundações). Por imperativo lógico-jurídico. porque abrange só atribuição de competência. é exação que decorre do poder de polícia da autoridade de tráfego e tributária. p. III. 150. . cada uma correspondente a um dos diferentes municípios do país. por serem formas de aquisição originária da propriedade. elenca os impostos municipais. 2004. STF. 155. O fato gerador é a propriedade. Para Sabbag (2004). Impostos dos Municípios – o art. No inciso I do art. podem gozar de isenção (SABBAG. ITBI. 148) assevera que o IPVA é exação eminentemente fiscal. RDA 73/160 e RTJ 117/652. transporte público de passageiros e terraplenagem. p. reporta-se ao chamado IPTU: Imposto sobre Propriedade Predial e Territorial Urbana. e § 2º. exação que exige transmissão. Pelo grande número. 313). sem fins lucrativos. incide a exação. como agroindústria. Estarão imunes os veículos de pessoas jurídicas de Direito Público. metade fica com o Estado e a outra com o Município onde está registrado o bem (art. cabendo a modalidade “ex officio” caso o contribuinte falte à sua obrigação. “caput”. p. desde que o legislador estadual assim acate. Mesmo assim. posse ou domínio útil de bem imobiliário dentro do limite urbano do município (art. “a” a “c”. CF/88). Trata-se de comando reduzido. fica impossível analisar cada um. Caso o proprietário transmita a propriedade. Na realidade. 158. o titular do domínio útil (enfiteuta ou usufrutuário) – de acordo com a Súmula 326 do STF209 – e o possuidor “ad usucapionem”. nos exatos termos do art. 150. ISS (de qualquer natureza). CF/88. 156. Veículos de interesse socioeconômico específico. de instituições de ensino e assistência social. CF/88). Usucapião e desapropriação. não se englobando o mero detentor (comodatário e locatário). É cobrado ano a ano. não pressupõem pagamento de ITBI. como já disse o STF210. Diz-se que seu fato gerador é continuado: enquanto houver a posse do bem. apesar de comportar viés extrafiscal quando possui alíquotas diferenciadas pelo tipo de combustível. VI. 313) entende ser inconstitucional. § 6º.154 progressividade facultativa ao IPVA (art. O Brasil comporta hodiernamente cerca de 5564 leis municipais. o ato 209 210 Súmula 326 do STF: “É legítima a incidência do imposto de transmissão inter vivos sobre a transferência do domínio útil”. Quanto à taxa de licenciamento. de entidades sindicais de trabalhadores. é interessante destacar que o legislador municipal (infraconstitucional) não pode colidir com a CF. I a III. aqueles cuja instituição foi conferida aos municípios: IPTU. o que lhe dá um certo ar de extrafiscalidade. Sabbag (2004. CF/88. de templos. podem ser sujeitos passivos do IPTU: o proprietário. 156. a qual terá o condão de instituir e de disciplinar cada uma das exações. Na repartição de receitas. CTN). O lançamento é feito por homologação. VI. CF/88. porque limita indevidamente a circulação de pessoas (art. isto é. a legislação do caso concreto é aquela instituída pelo município. CF/88).

Neste sentido. Em conseqüência. a disposição do CTN era tida como residual em relação ao critério da finalidade do bem imóvel. o novo senhor receba o carnê fiscal. preconiza que só se poderá aumentar ou instituir tributos por lei. 33. a teor do que dispõe o Estatuto da Terra (Lei 4504/64). não integram a base de cálculo do IPTU (art. seja quais forem. pertenças e móveis atinentes ao prédio. Na maioria das vezes. I. abastecimento de água. § 1º. Ex. integrantes de área de interesse turístico ou ambiental (art. valor venal não é valor de venda. o qual é determinado por lei local. CTN). será urbana a propriedade incluída no plano diretor. com ou seu postes para distribuição domiciliar. Já o ITBI só é aplicável para transmissões onerosas (predomínio de venda). parágrafo único. Com efeito. 32. a base de cálculo é o valor venal ou o valor da operação. A norma constitucional foi efetivada por meio do Estatuto da Cidade (Lei 10527/01). nos termos do art. o valor venal não tem nenhuma relação com o correspondente no comércio. CTN. 33 e 38. quando se intente usar instrumentos para assegurar a função social da propriedade. aplicam-se os critérios de diferenciação entre imóvel urbano e rural atinentes ao Estatuto da Cidade e à própria Constituição. Se isto for feito por decreto . escola primária ou posto de saúde a uma distância máxima de três quilômetros do imóvel considerado. CTN. pecuários. pois não existe aferição para corrigir a planta dos valores venais do imóvel. No IPTU. no ano subseqüente. para permitir o aumento da arrecadação. CTN. Todavia. integrantes de regiões metropolitanas ou de aglomerações urbanas. Contudo. onde inexiste. rede de iluminação pública. 33. sistema de esgotos sanitários. inclusive a ocorrência de mais de um deles. V. Lei 10257/01). Por deficiência da Administração Pública. de acordo com o que dispuser a norma municipal: meio-fio ou calçamento. Alguns prefeitos aumentam o valor da base de cálculo por decreto. é possível o estabelecimento de zona equiparada à urbana. o imóvel será considerado rural. esculpindo o princípio da legalidade. Em tese.: na cidade de Paraibuna. No entanto. I a V. o que não ocorre com o ITBI. Em verdade. § 2º. CF/88. Para o ITBI. respectivamente). onde existe o plano. a definição de zona urbana deve encontrar guarida em no mínimo dois dos melhoramentos previstos no art. 182. Relevante também ressaltar que as pertenças e as benfeitorias. permanecem os referenciais anteriores (Estatuto da Terra e CTN). Tanto o IPTU quanto o ITBI possuem base de cálculo igual: o valor venal do imóvel (arts. Lei 10257/01).155 deve ser averbado para que. CC). “caput” e § 1º. 150. Uma vez que se destine a fins agrários. o qual ainda abriu a possibilidade do plano estabelecer distrito rural dentro do perímetro urbano (art. com canalização de águas pluviais. I a V. o art. 41. 32. o legislador houve por bem alterar o referencial. CF/88. 4º. computando-se tão-só as acessões (art. há uma discrepância entre valor venal (maior) e valor de mercado. ficou conhecido pelo valor do cadastro. a instituição de plano diretor é obrigatória somente para municípios com mais de vinte mil habitantes. a base de cálculo não abrange as benfeitorias. “f”. descontínua a esta. parágrafo único. extrativistas vegetais ou agroempresariais. atribuindo índice para a atualização. elegendo-se sempre o maior. Com a promulgação da atual Carta. nos termos do art. até a CF/88.

não se restringindo ao valor venal do imóvel. CF/88 (princípio da capacidade contributiva). Essa progressividade é diferente daquela prevista pelo art. § 1º. considerando sempre a maior.: posse de imóvel. não podendo haver dispositivo que preconize uma ou outra base de cálculo. O inciso II constitui ferramenta para o administrador diferenciar as alíquotas. estava em julgamento a constitucionalidade dessa progressividade em função do uso e da localização. estabelece princípios a serem seguidos. com quatro imóveis de R$ 50 mil cada. os tribunais locais não têm admitido a existência de mais de uma base de cálculo para o ITBI – a exação incide sobre o valor real da venda. entretanto. O STF corroborou com a posição.: Fulana tem um imóvel de R$ 200 mil. Ex. É importante também destacar algumas particularidades do IPTU.: o ITBI normalmente tem alíquota de 4%. como lembra Sabbag (2004). Ex. o Pretório Excelso garantia a competência para isso. em percentual superior ao índice oficial de correção monetária”. O constituinte quis permitir variação crescente de imposto em relação ao bem. Com relação à possibilidade de estabelecer duas bases de cálculo diferenciadas para o ITBI. Na prática. § 1º. ou seja. incisiva. concordar com as posições de Sabbag (2004). O Poder Público não pode simplesmente conferir capacidade contributiva ao possuidor em razão do imóvel. da vedação ao confisco e da capacidade contributiva. ocorre que a diferença majorada por ato administrativo não é tão expressiva. Alguns doutrinadores falam que a hipótese de incidência deve ser precisa. De uma forma geral. a progressividade do art. Entretanto. 156. é cediço verificar se o valor da operação e o valor venal estão consoantes. 212 Súmula 656 do STF: “é inconstitucional a lei que estabelece alíquotas progressivas para o ITBI com base no valor venal do imóvel”. o valor de seu IPTU será maior em relação àquele de Cicrano. 156. Por conseguinte. . 145. porquanto este aponta uma flagrante incongruência entre um princípio inerente a exações pessoais aplicado a um tributo de clara base real. aplicada ao ITBI.156 administrativo. como bem ventila a Súmula 160 do STJ211. não havendo qualquer relação com o potencial tributário do sujeito passivo. isto é. Ex. CF/88 não se refere à capacidade contributiva do preâmbulo constitucional tributário. consoante o disposto no art. por inconstitucionalidade. Na cidade de São Paulo. a atualização monetária regular do valor imobiliário – mera correção monetária – pode ser efetivada por decreto. É necessário. editando a Súmula 656212. surge uma polêmica.5%. CTN. O art. de acordo com a localização e o uso do imóvel. Não há consenso nem pronunciamento dos tribunais superiores. O extinto 1º TAC denegou a progressividade. Desta feita. § 2º. O novo proprietário não pode vendê-lo se não possui condições de recolher o ITBI. há inconstitucionalidade.5 a 1. dada a inexistência de previsão para tal na CF/88. § 1º. O inciso I afirma que o IPTU deve ser progressivo. uma vez que pode vir a estabelecer 211 Súmula 160 do STJ: “é defesa ao Município atualizar o IPTU mediante Decreto. elas dependem do critério a ser usado. O STF já dizia que poderia ser progressivo nesse sentido. Sua alíquota pode oscilar entre 0. Esta assimetria fere os princípios da igualdade tributária. não propriamente à adequada capacidade econômica do proprietário. Diz respeito sim à sua forma de incidência. 97. por herança. I. ficando mais barato e simples pagar que discuti-la nos tribunais. CF/88. consoante reiterado posicionamento do Excelso Pretor.

Em que pese o Supremo ter declarado inconstitucional a progressividade para o ITBI por ausência de previsão legal. Não incidência – casos do Direito Comercial. O art. lamentavelmente permitindo majoração da carga tributária ao já tão combalido contribuinte. 182. Um resumo pode ser aduzido pelo seguinte esquema: Regra – houve transmissão de forma onerosa. A segunda parte diz respeito à transmissão de bem imóvel nos casos de incorporação. como alienação. caução. CF/88. 128) e Sabbag (2004). ele a utiliza para integralizar seu montante no capital social. O próprio art. o capital constitui-se de um imóvel e R$ 500 mil. o sócio “A” tem sala comercial no valor de R$ 50 mil. O ITBI incide sobre transmissão onerosa de bem imóvel. o constituinte derivado estabeleceu outros três critérios para permitir a progressão da exação: o valor. elenca as chamadas “nãoincidências constitucionais”.157 gravames incompatíveis com a situação do contribuinte. Ex. tratando-se de autênticas imunidades. § 2º. “Ex vi” da EC 29/00. “in fine”. A norma em comento não implica em não-incidência de ITBI sobre toda operação desta natureza entre pessoas jurídicas. Nesta situação. I. subsistindo somente o aumento do capital imobilizado. CF/88. Se houver. não houve autêntica intenção extrafiscal. I. acabou corroborando com o constituinte reformador quanto ao IPTU. a ter cota com a sociedade no valor do imóvel. o remanescente é dividido entre os sócios. há incidência de ITBI. fusão ou extinção de empresa. um imóvel. CTN. A primeira parte do dispositivo visa preservar os negócios de pessoas jurídicas em que há transmissão de imóvel. há transmissão onerosa. estipula uma exceção à não-incidência constitucional: se a pessoa jurídica tiver como atividade principal compra e venda de imóveis213. de acordo com a exegese do art. Nessa situação.: empresa que opera no mercado imobiliário. cit. O art. É o caso do exemplo retro sobre aquele que recebeu um imóvel a título de herança. há incidência do ITBI. CF/88). p. localização e uso do imóvel. nessa devolução. mas não há incidência de ITBI. 156. 156. desde que não penda um efetivo lucro por parte dos adquirentes. Ex. mas sim de aumento de arrecadação. na sua parte final.: empresa “A” e empresa “B” formam a empresa “C”. deve englobar mais de 50% da receita operacional da empresa. § 2º. Segundo o autor. troca. op. então. “A” passa. etc. § 2º. Na extinção da pessoa jurídica. II. como lembra Sabbag. nos dois anos anteriores e nos dois subseqüentes. nas palavras de Chimenti (2002. . 136. caso o sujeito passivo não 213 Preponderância da atividade. Ex. cisão. 156. Empresa que opera no mercado imobiliário – há incidência da exação. CF/88. ao se separar a pessoa jurídica.: sócio “A” e sócio “B” de uma empresa. § 4º. o constituinte originária estabelecera a possibilidade de IPTU progressivo para lhe conferir fundo extrafiscal. cada um fica com sua parte. prevê que a responsabilidade por infrações tributárias independe do “animus” do agente. forçando o proprietário a adequar seu imóvel à função social (art. I.

no tocante à atividade dos advogados). com referência a serviços de construção civil em geral. existem alguns aspectos polêmicos. divididos em 40 itens. 6º.8. 155. salvo aqueles expressamente previstos pelo constituinte como hipótese de incidência do primeiro. No caso de subempreitadas. III.2007. 1ª T. CF/88)214. de terceirização de mão-de-obra ou de organização de eventos. “b”. I. sob pena de configurar “bis in idem”. e § 3º. IX. LC 116/88). 406/68 (SABBAG. “b”. É possível que a lei local institua o sistema de responsabilidade tributária por substituição (art. de vigilância e segurança patrimoniais. Informativo do STF n° 476. Ainda que isento ou imune. Ilmar Galvão. contemplando a modernidade. Segundo o STF. Desta feita. “caput”. o art. telefonia). parágrafo único. a prestação de serviços a título gratuito não enseja a incidência do ISSQN (SABBAG. Já a LC 116/03 reestruturou diversos conceitos do ISSQN. O sujeito passivo é o prestador (empresa ou profissional autônomo) ou tomador do serviço (contratante dos serviços). II. transporte intermunicipal e interestadual. CF/88. tal qual o art. 2004). desde que este não esteja compreendido na competência do Estado (eletricidade. 214 STF. CF/88). As alíquotas. fica sujeito à cobrança pela exação e à imposição de sanção pecuniária. A lista é taxativa. inclusive esgotos. mas admite interpretação analógica naqueles itens complementados com a expressão “congêneres”. Seu fato gerador é a efetiva prestação de serviço. conforme reiterados julgados do STF e do STJ. 7º. III. LC 116/03): Seja proveniente do exterior ou a prestação tenha lá se iniciado. 156. RE 262598/PR. 108. o comando é constitucional. CF/88) nem isenção heterônoma (art. oscilam entre 2 e 5% (art. deve ele recolher o ITBI. . não se aplicando a disposição do art. Não assim agindo. D. § 1º. Ex. “caput”. 155. O imposto sobre serviço de qualquer natureza (ISSQN) está previsto no art. 14. CF/88. segundo entendimento do STF. e 5º. os avulsos e os membros de conselhos fiscais e consultivos de sociedades – arts. “caput”. enquanto não vier LC específica (art.158 esteja englobado pelas não-incidências constitucionais. II. sendo fixa para os profissionais liberais (vide comentários infra. Com referência ao ISSQN. LC 116/03. 156. 6º. CTN. não havendo ofensa à isonomia tributária (art. determina que os serviços tributados por via do ICMS são residuais em relação ao ISSQN. Alguns opinam que a situação acabou piorando. não contidos no DL. CF/88. No entanto. DL 406/68). com o intuito de prever situações que não existiam na época. § 2º. Min. O DL 406/68 lista 101 itens de serviços.. O rol abrange cerca de 230 serviços. rel. I e II. § 2º. e 10. 9º. 2º. LC 116/03). de limpeza e conservação de imóveis e logradouros públicos. 151. III. 150. j. § 3º. LC 116/03). sempre será responsável o tomador ou intermediário de serviços quando (art. não sendo abrangidos os empregados. de coleta e reciclagem de detritos. A base de cálculo é o valor do serviço prestado (art. desde que haja o fato gerador da obrigação. Aliás. § 2º. essas não integram a base de cálculo (art. 2004). 8º.: avanços tecnológicos.

depois do último diploma. Por último. 146. Ademais. convivendo com a parte “viva” do citado DL. 3º. conquanto viola o princípio da capacidade contributiva. é possível afirmar que a LC 116/03 não revogou expressamente todo o DL 406/68. II a XXII. LC 116/03). Segundo Carrazza (1991). o ISSQN poderia ser arrecadado segundo a nova legislação. a regra da anterioridade originária (vigência possível só no exercício seguinte) há de ser observada. 12. Em face do rol taxativo. 2004). . A LC 116/03. Havendo a obrigação em mais de um lugar. o contribuinte deve recorrer à consignação em pagamento (“depósito” em juízo). “a”. Os municípios que não editaram suas normas de adaptação. podem surgir dúvidas acerca do local onde deverá ser recolhida a exação. prestadores de outras regiões abriram sede nesses locais. reza que compete à LC dispor sobre conflitos ou critérios gerais da legislação tributária. sendo. . CF/88. DL 406/68). A LC 116/03. “caput”.159 O art. 3º. Execução Fiscal Legislação aplicável – é a Lei 6830/80. do contrário.Domicílio do prestador ou do seu estabelecimento. Entre a vigência do DL 406/68 até a promulgação da CF/88 e. “b”. LC 116/03).Local da prestação do serviço (art. .Domicílio do tomador (art. foi recepcionado como LC. DL 406/68). 1º. tendo o CPC função subsidiária (art. é precípuo esclarecer que os advogados e as respectivas sociedades pagam o imposto do art. alguns municípios abaixaram suas alíquotas relativas ao ISSQN. A primeira previa o recolhimento do tributo no domicílio ou no estabelecimento do prestador (art. criou três possíveis alternativas. ab-rogado nos demais. eles devem editar leis municipais correspondentes. tal estipulação é inconstitucional. Com referência especificamente a estes. Assim. I. só puderam iniciar a arrecadação com os novos critérios em janeiro de 2005. não havia competência dos municípios para legislar sobre a matéria. em seu art. ressalta-se que o DL 406/68. 156. Outra observação importante diz respeito à alteração de disciplina na execução. I. chamado de “ISS fixo” (SABBAG. conhecida como LEF (Lei de Execução Fiscal). Qual é o município competente para instituir e cobrar o ISSQN? O DL 406/68 tinha uma regra e uma exceção. A segunda preconizava que o ISSQN de empresa construtora seria devido no município da construção (art. Portanto. Neste mister. está em vigor integralmente. adaptandose à LC 116/03. somente em 2004. III. a serem observadas necessariamente nesta ordem: . Entretanto. CF/88. Logo. segundo já disse o STF. até a LC 116/03. nos casos por ela abarcados. A base de cálculo para os serviços prestados por tais profissionais – assim como médicos e dentistas – é estabelecida por um valor único periódico. 12. “in fine”. 3º. Ela regulou de forma diversa alguns dispositivos deste e tornou outros incompatíveis com suas disposições. Mas acabou não retratando todos. o DL 406/68 continua em vigência. Portanto. LEF). por conseguinte.

p. será considerado Dívida Ativa da Fazenda Pública. 16ª ed. op. cit. Nesse passo. 211). não necessita.Qualquer valor. dos Estados. LEF). 101. 269) assevera que os privilégios da Fazenda Pública são inegáveis e irretorquíveis. 2º. p. para quem a certidão de dívida ativa em si é o título hábil a aparelhar a execução fiscal. o prazo prescricional para a propositura da demanda executória fica suspenso por 180 dias (art. 3. na realidade. com as alterações posteriores. Uma vez inscrita a dívida. Conseguintemente. e Vicente Greco Filho. A LEF é claramente prófazendária. 1997. porquanto se trata de procedimento executório especial. sendo formada unilateralmente. e Chimenti.. CPC). assim como outras processuais. o que constitui o título em tela. da concordância ou aceitação do sujeito passivo da obrigação. como será demonstrado no delineamento da execução fiscal. 2003. redigida para favorecer a arrecadação fiscal por parte do Estado. Forense. sem participação do devedor. manifestando a potestade administrativa e a presunção de legalidade de seus atos (GRECO FILHO. § 1º .. 101). Segundo Câmara (2006. VII. para sua validade. que estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União. Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou não tributária na Lei nº 4. 212) ainda lembra que esse é o único título executivo formado unilateralmente pelo credor. Rio de Janeiro. 208). p. Saraiva. cuja cobrança seja atribuída por lei às entidades de que trata o artigo 1º. 215 . dos Municípios e do Distrito Federal. v. Curso de Direito Processual Civil. p. O legislador. p. bastando existência de prévio procedimento administrativo com contraditório. Essa prerrogativa material. 585. 2003. de 17 de março de 1964. Assis (apud CÂMARA. decorre do poder de “imperium” do Estado. 2006.. a execução fiscal é o processo idôneo a que a Fazenda Pública satisfaça seus créditos decorrentes de dívida ativa. em coro com a melhor doutrina. Definição – execução fiscal encontra delineamento pelo próprio legislador da LEF: Art. v. 20ª ed. sem demais considerações. p. A certidão de dívida ativa (CDA) goza de certeza e liquidez como presunções relativas. Por conseguinte. Cf. preservou incólume a regência da execução fiscal. 2º.160 mormente operada pelas Leis 11280/05 e 11382/06. é o ato jurídico de lançamento do crédito (inscrição em dívida ativa) e não o documento que o materializa (respectiva certidão)215. ao que parece. insiste a doutrina em afirmar que o rito foi mantido. a execução fiscal tem por objetivo conferir ao Estado um instrumento célere de cobrança de seus créditos. desde que seja formado previamente um título executivo extrajudicial específico: a certidão de dívida ativa (art. Em paralelo. p. tenham eles natureza tributária ou não. 2. 208. São Paulo. outrora denominados dívida ativa. Direito Processual Civil Brasileiro: Processo de Execução a Procedimentos Especiais. Segundo Chimenti (2002. 130. § 3º. Câmara (2006. Humberto Theodoro Júnior.320.

p. No tocante às exações reais. sendo certo que qualquer alteração do seu conteúdo faz os prazos dos embargos serem devolvidos ao executado. 2º. I. é lícito à Fazenda promover a substituição da CDA. 2º. Segundo entendimento prevalente na jurisprudência. Esse é o termo final para eventual emenda ou substituição da CDA de ofício. LEF). 578. No ponto. pois foi ratificada sua natureza autárquica. o rito a ser seguido não será da LEF. fala em “decisão de primeira instância”. Min. REsp 840. empresas governamentais não têm legitimidade para ajuizar execução fiscal. I a VI. Nesse ponto. há precedentes no STJ. 369) faz interessante observação (art. No entanto. “caput”. a qual se liga à decisão de embargos de execução fiscal. com correlata distribuição de competência do poder de tributar.623-BA. 41. massa e espólio. fiador. Informativo do STJ n° 330. universal ou singular). Prescindibilidade em constar no título – para sucessor universal. CPC. Dessa feita. posição essa reforçada pelo Supremo na ADIn 1717. competente para processar a execução fiscal será o juízo: 216 217 STJ. 737/340. por meio da ADIn 3026. . j. massa (falida ou da insolvência civil). como já está pacificado na jurisprudência. é feita nova citação ao atual proprietário. RT 697/131. 4º. Apesar desse raciocínio.. se um Estado demandar autarquia estadual da mesma unidade federativa. por débitos fiscais. § 8º. Sendo assim. Câmara (2006. Por exclusão. LEF: devedor. responsável e sucessor (“causa mortis” ou “inter vivos”. mas sim da execução contra a Fazenda Pública (arts. Competência – de acordo com a redação do art. afirmando descaber execução fiscal em face de débitos da contribuição de seus filiados. concernentes à OAB. Nessa demanda. ficou patente não ser possível pessoa jurídica de Direito Privado exercer poder de polícia. Legitimidade – a ativa pertence aos entes federados. quando há sucessão processual em decorrência da mudança de propriedade do bem tributado (arts. 730 e 731. seguiu os precedentes do STJ. § 5º. os legitimados passivos estão expressamente elencados no art. 6/9/2007. CPC). de certa forma. espólio. a qual entende ser prescindível que conste o nome do responsável na CDA. de que essa não possui dívida ativa. e 2º. LEF): Obrigatoriedade de constar o nome no título – para sucessor singular e responsável. 721/290. 1ª T. A posição do autor é. os tribunais aceitam que o fisco se volte contra responsáveis pelo pagamento do crédito independentemente de expressa menção no título217. De outra sorte. ou a autarquia especialmente criada para tal fim. os conselhos de profissões regulamentadas têm natureza autárquica. Luiz Fux. não havendo de se falar em qualquer ilegalidade nessa prática216. por meio de outorga da capacidade tributária ativa. § 8º. LEF. rel. as referidas instituições poderiam ajuizar execução fiscal.161 O art. ampliada pela jurisprudência. fiador. adequando-a ao novo senhor da coisa. falecendo-lhe legitimidade para demandar no modelo da LEF. CPC. O STF.

o art. Alteração de domicílio do executado posterior à propositura da ação fiscal não tem o condão de deslocar a competência do juízo. Inexistente essa no domicílio estabelecido. e 109. o domicílio será qualquer de suas repartições no território da pessoa política. No tocante às pessoas jurídicas de Direito Privado. § 2º. Os recursos serão dirigidos ao TRF enquadrante (arts. 578. 127. 219 Súmula 58 do STJ: “Proposta a execução fiscal. 127. quando houver mais de um. “caput”.162 1º) Do foro de domicílio do executado (foro comum). • Foro do local onde se deu o fato ou foi praticado o ato que fez originar a dívida. e 15. • Foro da situação dos bens. CTN). Em tese. CTN). Em verdade. a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) poderá propor a demanda no juízo estadual (Súmula 40 do extinto TFR)218. Não importa a natureza do tributo. se não tiver domicílio fixo (foros subsidiários). Entretanto. CTN). I. ainda que o demandado não mais tenha residência ali. CPC. determina que a Fazenda Pública tem a prerrogativa de escolher o foro. na ausência da eleição. o qual define o domicílio tributário. 87. no aspecto espacial. CTN). a linha traçada pelo CPC segue a esteira do art. incluindo empresários individuais. o domicílio será definido por essa. • Foro de qualquer dos domicílios do demandado. 127. 109. 218 Súmula 40 do TFR: “A execução fiscal da Fazenda Pública Federal será proposta perante o juiz de direito da Comarca do devedor. CF/88). se o crédito fiscal dele se originar. 127. No entanto. 127. Lei 5010/66). o contribuinte ou responsável pode elegê-lo (art. se imposto ou contribuição social (arts. Quanto às pessoas jurídicas de Direito Público. quando desconhecida ou incerta. incide na execução fiscal (Súmula 58 do STJ)219. desde que não seja ela sede da Justiça Federal”. Quando insuscetíveis de aplicação os parâmetros do art. 127. 127. quando esse apresentar mais de um. 2º) Do foro da residência ou do lugar onde o demandado for encontrado. CPC. a execução fiscal será proposta na Vara Federal. CTN). CTN. a posterior mudança de domicílio do executado não desloca a competência já fixada”. CF/88. . o domicílio será aquele de sua sede ou. § 3º. § 4º. parágrafo único. esculpido no art. entre os seguintes (foros eletivos concorrentes): • Foro de qualquer dos devedores. § 1º. II. Nessa hipótese. II. o lugar onde se deu origem às obrigações respectivas (art. a qual detém competência tributária (art. constante do lugar de situação dos bens do sujeito passivo ou onde se deu o ato ou fato gerador da obrigação fiscal. Quando os tributos forem de competência da União. o centro de suas atividades (art. CTN). I a III. o domicílio será o da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos geradores de obrigação tributária (art. I a III. 127. será considerada residência habitual das pessoas naturais ou. quanto a outros estabelecimentos. desde que não implique em claro embaraço à atividade da autoridade tributária (art. CTN. III. I e III. muito pelo qual o princípio da “perpetuatio jurisdiciones”. 108.

pois. cristalina é a lei em determinar o foro ao menos pelos parâmetros do art.163 Caso o exeqüente não tenha conhecimento sobre o paradeiro espacial do executado. pelos quais a “vis attractiva” de outros juízos não se opera perante a execução fiscal.397/92. competente esse para resolver as questões ali suscitadas (art. “Pela ação cautelar fiscal (L. 20. CPC). de insolvência civil ou de inventário. 1º. LEF). a ação cautelar fiscal pode ser proposta antes da execução fiscal ou no curso desta. 94. “b”. uma vez notificado para pagar ou submetido a arrolamento de bens (Lei 9532/97). no limite do crédito tributário” (FÜHRER e FÜHRER. Nesse sentido. São as hipóteses em que o devedor. “caput”. a Fazenda pode obter a declaração de impenhorabilidade dos bens do devedor. LEF). O objeto da ação é tornar indisponíveis os bens do contribuinte que apresente situação que pode colocar em risco o recebimento do crédito fiscal (art. e 29. Dessarte. se dessa forma fosse. 2º. Lei 8397/92 (art. intenta aliená-los. porque se trataria de um exagero em favor do Estado. como no juízo falimentar e de recuperação de empresas. avaliação ou alienação de bens na execução ordinária. parágrafo único. pelo qual aquele só pode decidir sobre penhora. assim como qualquer outra cautelar (art. 1700) apregoa que não poderá propor a demanda no seu domicílio. a penhora de bens do patrimônio do executado. 747. “caput”. 2º da Lei n. “in fine”. 2º. “caput”. Nesse passo. Com efeito. 578. p. o juiz recepiendário tem autonomia majorada para resolver as querelas a ele atinentes. 2002. Ação cautelar fiscal – interessante trazer a definição dada pela doutrina: Instituída pela Lei 8. 8. Lei 8397/92). excepcionalmente. V. “in fine”. 5º. p. por conseguinte. Lei 8397/92). a Fazenda Pública já poderia propor diretamente a execução fiscal e. se a matéria trazida à baila disser respeito a vício ou a irregularidade atinente ao juízo deprecado. de liquidação. A medida só pode ser ajuizada após o lançamento (art. . Nesse caso. parágrafo único. a medida requerida tem por fundamentos o perigo na demora e os indícios do direito alegado pelo autor. 8397/92). por aplicação analógica do art. LEF. Sendo a execução fiscal promovida mediante carta precatória. parágrafo único. No entanto. CPC. O legislador arremata a questão da competência por intermédio dos arts. Por óbvio. nos termos do art. 20. o fisco tem preferência no seu juízo privativo – quer seja na Justiça Federal para União e respectivas autarquias. a defesa típica (embargos do executado) será oferecida no juízo deprecado e remetida para o juízo deprecante. será ela aí julgada (art. 798. solução mais consentânea que aquela adotada pelo art. p. Carmona (2004. antes ou depois da ação de execução fiscal. 2001. § 2º. CPC. não é necessário que a exigibilidade do crédito fiscal esteja perfeitamente plausível. é permitida. 207). e VII. a cautelar fiscal sem constituição definitiva do crédito.937/92) (CHIMENTI. CPC. quer seja nas varas da Fazenda Pública para as demais entidades públicas – e não se submete a concursos de credores. 78).

Lei 8397/92. § 3º. Lei 8397/92). além dos fatos. Em regra. quando existentes. a petição deve indicar e caracterizar uma das hipóteses do art. Note que os dispositivos permitem até mesmo atingir bens . já mencionada). devendo ser requerida ao juízo “virtual” da futura execução fiscal. 2º. Os requisitos da medida cautelar fiscal estão inscritos no art. o juízo competente para conhecer a correspondente execução fiscal é o mesmo apto a apreciar o pedido de cautelar fiscal (art. “caput”. o art. exige que haja prova literal e documental do crédito fazendário. Lei 8397/92. I. Nesse ponto. Sendo tributo federal. Além da prova do perigo na demora (art. 109. é interessante que o demandante afirme e prove que o sócio controlador ou o administrador pode frustrar o recebimento do crédito fazendário. Como se trata de medida cautelar. prevalece a regra do domicílio do contribuinte até mesmo sobre outros critérios. o foro ou a subseção judiciária competente é do domicílio eletivo do devedor (art. Lei 8397/92). justificando seu pedido nos termos do comando legal mencionado. §§ 1º e 2º. Poderá haver extensão da constrição sobre os bens pessoais de administrador ou de sócio controlador da empresa (atual ou passado). 4º. Tratando-se de tributo estadual ou municipal. CTN). não podendo ir além disso. 135. 4º. e Súmula 40 do TFR. CF/88). No direito. “caput”. e 15. 127. competente será a Justiça Federal (art. 5º. De fato. exatamente o lançamento definitivo do tributo. I a IX. III. 109. CF/88. Supondo que haja tributo federal e inexista vara federal no domicílio do devedor (em princípio. 3º. etc. o pleiteante deverá demonstrar. Lei 8397/92). §§ 1º e 2º. competente é a Justiça Estadual. I a IX.164 O objeto da restrição é o total da dívida ativada. Na execução fiscal (e na medida cautelar fiscal). o demandante deve solicitar a concessão da respectiva medida cautelar fiscal. quando presentes. Prova-se a exigência pela constituição do crédito tributário. No pedido. CTN. Lei 8397/92). O STJ não concorda com esse comando. em sua vara de execução fiscal ou mesmo anexo fiscal. porquanto há situação de risco para o Estado em não receber seu crédito. Lei 5010/66. Lei 8397/92. inclusive quanto à competência da Justiça Federal. quando houver fundada razão de inadimplência da pessoa jurídica devedora (art. 3º. I. a regra de competência segue o comando do art. De fato. No aspecto formal. Isso não aplica nas ações ordinárias fiscais. é possível pedir a indisponibilidade de bens da pessoa jurídica e de sócio. O efeito da concessão pelo juiz é a indisponibilidade dos bens do requerido até o limite do crédito indicado (art. Lei 8397/92). A norma não requer má-fé. a PGFN deverá ajuizar a cautelar fiscal (e a conseqüente execução fiscal) perante o juiz de direito (arts. 2º. do administrador ou de qualquer um que tinha obrigação contratual ou estatutária de cumprir as obrigações tributárias. mais especificamente a vara de execução fiscal ou da Fazenda Pública. afirmando que a desconsideração da personalidade jurídica depende dos requisitos esculpidos no art. mediante medida cautelar fiscal (art. podendo a medida ser preparatória ou incidental ao feito principal. 800. como declaratória negativa de débito. dolo ou culpa do acionista controlador. CPC. II. o foro da matéria). de repetição de indébito. I e III. “caput”. 4º. “caput”.

a medida cautelar fiscal pode ser requerida entre a “constituição do crédito” (lançamento) e a execução fiscal ou após essa última. o juiz vai designar audiência de instrução e julgamento. rel. Ainda no tocante ao art.. CTN. Essa atuação é feita por meio eletrônico. “caput”. O art. Lei 8397/920). quando o devedor não indica bens suficientes e aptos a garantir a execução. “caput”. parágrafo único. Sendo infrutífera a diligência. “caput”. qualificação e endereço do requerido. § 1º.173-PB. traz os requisitos formais da exordial: endereçamento. Luiz Fux. I a IV. “caput”. caso o requerido trave conhecimento com a demanda. os fatos alegados pela Fazenda são considerados verdadeiros. “caput”. fazendo com que a medida cautelar fiscal fosse praticamente ineficaz. 135. a constrição pode abater-se sobre bens do ativo não-permanente da empresa. Lei 8397/92. Lei 8397/92). 8º. Lei 8397/92). “caput”. Na contestação ou a qualquer tempo. 9º. excepcionalmente. 1ª T.165 daqueles que já foram sócios. Lei 8397/92). Lei 8397/92). I a IX. De acordo com a interpretação da corte. diante da não localização 220 STJ. Nesse âmbito. deve estar presente o requisito do receio de frustração da eficácia da medida. CTN. 4º. 9º. fica autorizado o magistrado a perpetrar a indisponibilidade do patrimônio do executado. 18/9/2007. porquanto a legitimidade do crédito tributário. Entretanto. através do convênio BACEN-Jud. . Dificilmente a Fazenda conseguia fazer prova das hipóteses do art. o STJ relativiza a exigência de que a indisponibilidade de bens recaia sobre patrimônio ativo permanente do executado. a medida não é efetivada de plano. parágrafo único. Min. 7º. Concedida ou não a medida “inaldita altera pars”. CTN). 174. a supremacia do interesse público e o princípio de que a execução por quantia certa deve ser em benefício do credor justificam. porquanto o diploma em tela a possibilita (art. proferindo o juiz decisão de mérito no lapso impróprio de 10 dias (art. De outra parte. 9º. 6º. j. com o objetivo de colher provas sobre o processo (art. Depois da produção probatória. o devedor será citado (art. tem-se a decisão. I a IV. 10. 185-A. o devedor pode requerer a substituição da medida cautelar por uma das garantias previstas no art. não havendo contestação. Lei 8397/92. REsp 841. observada a ordem de preferência do dispositivo (art. o qual previu que o juiz deverá decretar “ex officio” a indisponibilidade de bens do devedor citado (sem perder de vista que o despacho que determina a citação suspende o curso prescricional – art. 2º. 8º. nos termos do art. Para suprir a deficiência. LEF). O STJ interpreta o dispositivo à luz do art. quando esse não pagar nem oferecer bens a penhora em execução fiscal. Informativo do STJ n° 332. a LC 118/05 trouxe o art. I. É também plausível o pedido de liminar. “caput”. III. provas a serem produzidas. Exemplo desse entendimento está na autorização judicial de penhora de subsídios governamentais a serem repassados ao executado220. Quando o devedor não cumpre o despacho judicial inicial. requerimento para citação. Para tal. o meirinho se dirige ao domicílio dele para tentar penhorar bens. 185-A. aplicando-o restritivamente. dentro do decurso legal de cinco dias (art. CTN. Se o devedor contesta. o rigor da medida. Lei 8397/92. LEF.

6º. Nesse caso. LEF). Essa restrição poderá. garantindo o prosseguimento da execução fazendária.000. Com efeito. Lei 9532/97). Lei 9532/97). § 3º. § 2º. 64. a autoridade fiscal poderá realizar descrição minuciosa de todo o patrimônio do devedor. transferir ou gravar seus bens sem prévio conhecimento da autoridade fiscal (art. 40. LEF). I a III. Por óbvio. processada perante a Justiça Estadual. futuramente. porque estão presumidos na CDA. prescindindo de requerimento para produção de provas e não se sujeitando a custas e emolumentos. A peça vestibular da execução fiscal é um pedido de meios executórios ao Estado-juiz. “caput”. o juiz manda arquivar o processo. tal 221 Súmula 190 do STJ: “Na execução fiscal. § 7º. 64. 40. Lei 9532/97). não é necessário trazer à baila fatos e seus sucedâneos. a Súmula 190 do STJ221 determina que devem ser pagas as despesas do oficial de justiça. cumpre à Fazenda Pública antecipar o numerário destinado ao custeio das despesas com o transporte dos oficiais de justiça”. 14. LEF). O ato de arrolamento é perfeito mediante notificação ao devedor. É nesse sentido que se presta a medida cautelar fiscal. Não sendo frutíferas novas tentativas. Lei 9532/97). independentemente de manifestação do juízo ou da secretaria. não arquivamento ou não ocorrência da prescrição intercorrente. 64. a não citação do devedor não permite o decreto de indisponibilidade patrimonial e. 64. porque a indisponibilidade será decretada de ofício pelo julgador. I. § 4º. “caput”. diz que o feito e a prescrição ficam suspensos por um ano (art. § 3º. LEF. LEF). Entretanto. já mencionada). sua não suspensão. não sendo encontrados bens para o arresto. § 5º. 64. o arrolamento será averbado em todas as repartições onde haja banco de dados continente dos bens do devedor (art. Entretanto. A infringência dessa norma pode ensejar a medida cautelar fiscal supra delineada (art. bem como deverá ser cancelada se garantido o juízo da execução fiscal de outra forma (art. Lei 9532/97). comuns a qualquer exordial. 40. . 64. pedido e requerimento de citação do executado (art. Procedimento – o rito especial segue as seguintes fases: Petição inicial – deve conter endereçamento. não se exige o requerimento genérico de prova. começa a correr o prazo do lustro para prescrição intercorrente (art. I a III. não é adequada a cautelar. O não cumprimento dessa formalidade importa em invalidade na decretação da prescrição intercorrente. e Súmula 314 do STJ. desde que haja prévia manifestação da Fazenda Pública (art. § 4º. servir de base para a indicação de bens à penhora pelo exeqüente. o arrolado não poderá alienar. 64. não é composta tão-só por esses elementos.166 e conseqüente não citação do devedor. cujo recebimento marca o termo inicial para a restrição administrativa em comento (art. Arrolamento fiscal – nos termos do art. Lei 9532/97). A reboque do registro da penhora na execução fiscal (art. §§ 8º e 9º. Fora essas hipóteses. o art. Lei 9532/97. quando o crédito tributário for superior a 30% do seu total. A suspensão e a declaração de ocorrência da morte da pretensão do fisco pelo decurso do tempo são declaradas de ofício pelo magistrado. com piso de R$ 500.00 (art. 40. § 4º. Com efeito. devendo revestir-se de formalidades mínimas. Depois do decurso de um ano. LEF. justamente para evitar a aplicação integral do comando mencionado.

Citação – a lei assina prazo de cinco dias para o pagamento judicial. o qual não admite essa colocação feita pelo legislador. CPC. 2003. termo inicial e forma de calcular juros e demais encargos. fundamento e natureza da dívida. o Efetivação de arresto (pré-executivo – art. 8º. o Citação do executado. Se escolhida a forma editalícia. p. Theodoro Júnior. por ser esse norma geral e não especial. e §§ 1º e 2º.. cit. I a VI. com o devido aviso de recebimento (AR). O cancelamento da inscrição da dívida ativa implica em extinção da execução sem ônus para as partes (art. o Avaliação dos bens constritos. 8º. LEF). 2003. 653. VI. valor inicial da dívida. deverá ser instruída com a certidão de dívida ativa. preceitua o que o juiz deve dizer na recepção da exordial: o Recebimento da peça. caso não seja paga a dívida no decurso estabelecido (cinco dias – art. . se neles expresso o valor da dívida (art. 7º. 2º. § 3º. “caput”. op. 102). 8º. se o executado não tiver domicílio ou dele se ocultar. I a V. segundo entende a jurisprudência. devendo ser expedido correspondente mandado. o Determinação da penhora. 26. 102). sem embargo das custas e demais despesas. III. Não sendo encontrado o demandado pelos Correios até 15 dias depois. LEF). § 5º. LEF). 282. Despacho inicial – o art. § 2º. 8º. O legislador considera perfeita a citação se a carta for entregue ao próprio executado no endereço indicado222 ou 10 dias depois de retornado o aviso de recebimento na agência postal. fazendo jus o executado. 6º. LEF. e 6º. LEF) ou não seja garantido o juízo (pelo depósito). nos termos do art. “d”. “caput”. sendo lícita sua emissão inclusive por meio eletrônico (art. data e número de inscrição da dívida ativa. O mandado será remetido ao executado por via postal. pois o legislador não exigiu que a carta com mandado seja recebida pelo executado. I a IV. Ademais. 222. LEF). LEF. 8º. II. “caput”. CPC). p. CPC). LEF).167 qual se depreende do confronto entre os arts. origem. seus requisitos formais e temporais 222 Cf. o Registro da penhora. salvo se o exeqüente requerer de outra forma. p. CPC. sob pena de penhora imediata (art. número do processo administrativo ou do auto de infração. domicílio e residência deles – se possível. Greco Filho (2003. correção monetária e forma de cálculo – se incidente. 102) faz uma crítica à ficção da citação por correspondência. aos honorários advocatícios (GRECO FILHO. contendo: nome do devedor e dos coresponsáveis. LEF (GRECO FILHO. se estiver em termos. caso não haja indicação da data do recebimento (art. não prevalecendo o estatuído no art. a citação deverá ser feita por oficial de justiça ou por edital (art. O legislador permite que a exordial e a CDA consubstanciem documento único.

representada por Theodoro Júnior (apud CÂMARA. parágrafo único. Caso a situação permaneça assim por mais de um ano. Não havendo bens a serem penhorados. LEF). encontrar-se no exterior – art. no segundo caso. 40. 2003. fundando-se no art. REsp 914879/SP. LEF. como diploma protetivo do credor fiscal. . p. para permitir harmonia entre o CTN e a LEF. LEF). A prescrição intercorrente aqui mencionada encontra fulcro em uma hermenêutica sistemática. formaram-se duas correntes: O termo inicial da interrupção retroage à data da propositura da ação – nos exatos termos do art. 2006. p. A melhor doutrina. 40. 40. Citação e prescrição – a citação tem o condão de interromper a prescrição a partir do despacho do juiz que o determina (arts. recorrendo-se ao direito processual comum e aos princípios gerais de direito para resolver a querela (GRECO FILHO. A prescrição intercorrente não tinha previsão legal até 2004 (Lei 11051/04). CPC. A tese pró-contribuinte. 174. 8º. os autos serão arquivados (art. segundo Theodoro Júnior (apud CÂMARA. O desarquivamento só será possível se surgirem novos bens passíveis de constrição. § 1º. Sobre o tema. LEF). CTN. a partir do arquivamento do feito. a execução ficará suspensa. Não há retroação – porque a LEF é diploma especial. O termo apontado foi justamente o despacho de arquivamento da execução. 371). A intimação da Fazenda Pública é pessoal em favor do procurador (art. LEF) estão delineados no art. 372) apregoa que. creia-se que voltará a correr a partir de certo momento. I. assim como o decurso prescricional (art. volta a correr o decurso prescricional de cinco anos da Fazenda Pública (art. passou a considerar que. se não houver órgão da procuradoria na comarca. se o executado. se a prescrição foi interrompida. muito pelo qual a LEF. p. CTN). e 174. sendo certo que o legislador utilizou a expressão “a qualquer tempo” para a efetivação desse ato. 371). No entanto. Em sentido contrário.168 (publicação por 30 ou 60 dias. haveria autêntica mácula à isonomia. LEF. 8º. p. “caput”. p. 219. § 1º. LEF). 8º. 223 STJ. 372) e por Câmara (2006. A idéia foi albergada pelo STF em homenagem à segurança jurídica. p. 2006. 103). IV. § 3º. e EmbDiv no REsp 743867/MG. porque nenhum outro credor goza de imprescritibilidade de seu crédito. “caput”. a intimação da Fazenda poderá ser feita por correspondência com AR223. 371) e por Silva Pacheco (apud CÂMARA. CTN). permitia o desarquivamento da execução a qualquer tempo (art. § 2º. 174. sob pena de tornar a obrigação fiscal imprescritível. é a posição defendida por Câmara (2006. “caput”. 2006. parágrafo único. § 2º. 25.

aplica-se a segunda. porque prescrição é matéria de defesa disponível. 11. a Lei 11051/04. CPC) – podendo ser chamada de ordinária – não possa ser reconhecida de ofício pelo magistrado (art. a prescrição reconhecida de ofício passou a vigorar no processo civil (art. permitiu seu reconhecimento de ofício pelo julgador. Isso não significa que a prescrição não intercorrente (art. § 4º. é aplicada imediatamente. mesmo porque há interesse público em jogo. 194 do Código Civil pela Lei n. . A revogação do art. atingindo os feitos em curso. Nota-se que se trata de faculdade do juízo.280/2006. o qual tem o condão de liquidar a pretensão do credor. 191 do texto codificado”. Apesar de parte da doutrina entender que a prescrição. oficiando todos os órgãos de registro de patrimônio sobre a medida. mesmo porque o primeiro (lei geral) só terá vez na execução fiscal em caráter supletório (art. CPC). Isso não significa que o juízo deverá prescindir de manifestação do executado. Nesse caso.169 Questão se pôs quando o juiz e a secretaria deixam de efetivar o arquivamento. CPC). LEF). não sobre a intercorrente. Nesse caso. LEF). Observa-se que o ato pode ser efetivado inclusive por meio eletrônico (“penhora on-line”). “in fine”. o juiz então estará autorizado a reconhecer “ex officio” a morte da pretensão pelo decurso do tempo. 40. pelo simples decurso do tempo. desde que ouvido previamente a Fazenda Pública (art. CTN). IV. sem prévia oitiva do fisco. 219. o STJ entendeu que a prescrição intercorrente começa a correr um ano após a suspensão da execução. o juiz poderá vislumbrar a prescrição já no despacho citatório da execução fiscal. 185-A. A salvaguarda do legislador se deve à potencialidade do instituto em tela. como é possível aduzir do Enunciado 295 do Conselho da Justiça Federa (CJF)224. Para solver o entrave. a partir da Lei 11280/06. não retira do devedor a possibilidade de renúncia admitida no art. como já disse o STJ. Indisponibilidade de bens – feita a citação e não encontrados bens à penhora. tornou-se matéria de ordem pública. porque é possível sua renúncia por razões outras. o magistrado decreta a indisponibilidade patrimonial “futura” do executado. 269. além de positivar a prescrição intercorrente. Havendo conflito entre CPC e LEF. como norma processual. Não se manifestando nesse sentido ou silenciando sobre a matéria. Sendo assim. porque versará sobre a modalidade ordinária da perda da pretensão. § 5º. deverá ser veiculado o 224 Enunciado 295 do CJF: “Art. independentemente do ato formal de arquivamento da execução (Súmula 314 do STJ. os quais deverão responder ao comando com relação completa dos bens indisponíveis (art. Entretanto. 191. 1º. sob pena de nulidade absoluta do ato. que determina ao juiz o reconhecimento de ofício da prescrição. O termo “a quo” da prescrição intercorrente ocorre automaticamente. 219. 2006). não configurando direito subjetivo do contribuinte. “caput” e § 2º. Em razão da Lei 11280/06. § 5º. O reconhecimento “ex officio” da prescrição. pelo princípio da especialidade. sempre deverá ser aberto o contraditório para o demandado-contribuinte. já mencionada). a disponibilidade do direito correspondente é flagrante para o entendimento majoritário (CÂMARA. o que o agiliza e o torna mais eficaz.

o saldo será revertido ao devedor. 9º. CC). no diapasão da Lei 6830/80. a inação do executado não impede a 225 O depósito do montante integral é causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. não há óbice à sua efetivação. O que se discute é a possibilidade ou não de incidir a indisponibilidade sobre faturamento e renda de empresa. muito pelo qual o art. multa de mora. II. Em contrário senso. de uma forma geral. de acordo com a ordem sugestiva do art. tendo o decreto limite exatamente nele. o julgador deve determinar o levantamento do excedente (art. I a XI. LEF. § 1º. 4. Depósito em dinheiro em estabelecimento oficial de crédito. XXXV. o cônjuge do executado ou do terceiro proprietário deverá anuir ao ato (arts. correção. o que ainda não é pacífico. 2. 2: o legislador do CPC. Ex. sob pena de macular a inafastabilidade do Judiciário (art. Obs. I a IV. “caput”. 655. somando-se o principal. Segundo Greco Filho. LEF): o Pagar a dívida – nesse caso. é “conditio sine qua non” para a propositura de ação anulatória de débito fiscal. 8º. LEF): 1. CF/88). Caso seja ultrapassado o teto. Fiança bancária. 11. desde que incidente correção monetária225. juros. pelo fato do instituto harmonizar-se com a regência e com o espírito da LEF. o executado tem algumas alternativas durante o interregno dos cinco dias subseqüentes (art. 3. I. trouxe tal previsão na execução ordinária. não há de se argúi-la. e 1647. deverá adimplir totalmente o débito. não há dever processual em fazê-lo novamente. cit.170 valor da dívida. apesar do STJ ter apontado nesse sentido.. como bem vem entendendo a jurisprudência. “caput”. não há de se requisitar o depósito em comento. § 3º. encargos e custas judiciais (art. CTN). 9º. 185-A. op. 8º. . A doutrina ainda não se posicionou sobre o tema. 1: caso seja oferecido bem imóvel. móveis a imóveis. desde que previamente aceitos pela Fazenda Pública. depois da hasta pública. preferiu. pois o saldo resultante da hasta pública será restituído ao executado. desde que essa tenha por objetivo impedir ou suspender execução fiscal. Indicação de bens de terceiros à penhora. Não tendo tais finalidades. § 1º. 5º. LEF. Vê-se que o excesso de indisponibilidade só pode ser invocado se a constrição recair sobre bem divisível. podendo ser feito de várias formas (art. Uma vez que o executado ofereça bens à penhora e haja recusa por parte da Fazenda exeqüente. Obs. o Garantir o juízo – a fim de propiciar a discussão da dívida por meio de embargos do executado. Em princípio. No ponto. na nova redação do art. I a VIII. 655-A. CPC. porque. LEF). Opções do executado – recebido o mandado de citação. mesmo que sobre um montante maior que o débito fiscal. 151.: indisponibilidade sobre imóvel é cabível. dada pela Lei 11382/06. Nomeação de bens próprios à penhora. CTN).

porque sua presunção não está adstrita ao chamamento válido do demandado ao processo. não há de se lhe aplicar as sanções contidas no art. Com esse entendimento. Fraude à execução fiscal (art. pelo juiz. A rigor. 13. Conseguintemente. § 3º. como indisponibilidade de bens. Informativo do STJ n° 324.171 qualificação de sua conduta. conquanto já atuará por ordem do juiz na primeira oportunidade. Essa lição foi bem entendida pelo legislador de 2006. julgados rejeitados. § 1º. como bem indica Chimenti (2002. “caput”. Min. Nesse contexto. laudo de avaliador judicial. apesar de ficar sujeito a outras medidas constritivas. 2º.. caracterizam fraude à execução. 185. 185. 13. . o Oferecer exceção de pré-executividade ou objeção de nãoexecutividade – ver comentários abaixo. quebra de sigilo bancário e fiscal e penhora de patrimônio.339-SP. sobre o qual decidirá o julgador (arts. mas sim pela inscrição da dívida ativa (art. LEF). “caput”. inspirando a nova redação do art. CTN) – depois da citação válida. ao final. porque o regime do procedimento é o mesmo na execução civil ordinária. a execução prossegue nos moldes provisórios. aguardando o trânsito em julgado. No âmbito tributário. dentro do processo civil. O prazo legal para tal é de 15 dias para execução fiscal e de 10. visto que transferência de bens do executado e depósito de dinheiro exigem a garantia. Em ambos os regimes. CPC). não sendo possível a avaliação pelo meirinho devido a aspectos técnicos complexos. 587. a jurisprudência do STJ firmou posição226. CPC. rel. 208). caso a apelação seja recebida no efeito devolutivo. 601. CPC. será solicitado. Execução provisória e definitiva – o art. A primeira será efetivada de sorte a abranger tantos bens quanto sejam necessários para cobrir o total da dívida e todos seus consectários financeiros e judiciais (art. os atos de alienação que tendem à insolvência do devedor. 652. 13. a execução fiscal ficará obstada. O arresto. Nesse passo. e 680. desde que provado o “eventus damni” (insolvência – elemento objetivo). LEF. 600. dependendo da situação encontrada. dar-se-á a penhora ou o arresto. consoante comentário supra já feito. Eliana Calmon. fala em execução provisória ou definitiva. 4º. 19/6/2007. p. 1º. valendo a avaliação do oficial de justiça como parâmetro preliminar (art. essa é mais profunda. j. como a Fazenda não pode oferecer caução pela impenhorabilidade de seus bens. CPC. REsp 787. “caput”. terá vez quando o executado não tiver domicílio ou se furtar à citação. I a IV. apesar de o agüazil encontrar bens suscetíveis de constrição judicial. A certeza e a liquidez do crédito tributário se devem ao controle cognitivo interno 226 STJ. Se os embargos forem recebidos com efeito suspensivo e. provisório ou definitivo são os títulos. qualquer das partes pode impugnar o valor da avaliação até o edital da hasta pública (art. LEF). para a ordinária. o Permanecer inerte – nessa hipótese. CPC. LEF). 2ª T. nos termos do art. CTN).

Todo esse trâmite demanda muito tempo. Dessa feita. LEF). de fiança bancária ou de indicação de outros bens. à guisa das fraudes contra credores. Nesse caso. no DETRAN. 229 Termo de penhora é lavrado quando o próprio executado ofereça a garantia da execução. 227 228 Cf. 12. 655. como título executivo extrajudicial. 12. Penhora – uma vez efetivada. o direito de preferência na penhora se defere àquele que primeiro obteve a penhora ou o arresto executivo. se veículo. o que sensibilizou o legislador a presumir fraude a partir da inscrição da dívida ativa. o cônjuge também deverá ser informado (art. o executado deverá ser intimado. 612. LEF). Auto de penhora é lavrado pelo meirinho. op. 12. LEF). De fato. § 3º. se valores mobiliários. o juiz exara o despacho citatório do sujeito passivo. quer seja por meio de depósito integral do valor. no CRI. qualquer um que não seja o próprio executado ou seu representante legal (art. erigindo uma presunção absoluta de conhecimento por terceiros. sociedade comercial e Junta Comercial. Em hipótese de concurso de credores fazendários. LEF). mediante publicação em diário oficial. cit. se estabelecimento comercial. na Junta Comercial. A certidão de dívida ativa. procedimento e ato dotados de presunção de legalidade e de legitimidade. o art. na execução fiscal (art. 2. Havendo constrição sobre bem imóvel. bem como a permitir a averbação da constrição nos órgãos responsáveis pelo registro do bem. de forma a tornar o ato eficaz “erga omnes”. É perfeitamente possível a penhora de faturamento de empresa em execução fiscal. quando esse executa o ato em si ou quando converte o arresto nele. da juntada aos autos do processo executivo do auto ou termo de penhora (art. instruirá a inicial da execução fiscal. . CPC. a partir intimação de sua juntada aos autos. a abrir prazo para o oferecimento de embargos por parte do executado. ou seja. LEF. LEF (Súmula 190 do extinto TRF)228. o próprio exeqüente pode averbar a demanda (não a penhora). 185. 3. Súmula 190 do extinto TRF: “A intimação pessoal da penhora ao executado torna dispensável a publicação de que trata o art. 14. Como esse evento prescinde de execução ajuizada. I a III. “caput”. se imóvel. CPC. CTN. 4. A intimação só será pessoal caso a citação feita por aviso de recebimento contenha assinatura de terceiro. Depois de ajuizada a demanda. para quem ao art. Tratase de presunção relativa227. Ambos documentos são idôneos. sendo ineficaz a alienação entre sujeito passivo e terceiro adquirente. Registro – lavrado o termo ou auto de penhora229. Câmara. dispensa-se a publicação exigida pelo art. “caput”. o oficial de justiça deverá fornecer cópia a repartições e órgãos encarregados do registro do bem constrito. 12. “caput”. à execução (ordinária) e de bem judicialmente constrito. Câmara (2006) afirma que surgiu. a teor do que vinha apontando a jurisprudência do STJ e do art. VII. erige uma presunção absoluta de fraude à execução. um novo instituto: fraude à administração fiscal.172 administrativo. § 2º. 12 da Lei das Execuções Fiscais”. aplicando-se o art. determina que seja averbada a penhora dos seguintes bens: 1. 1º. na Bolsa de Valores.. No caso da execução ordinária.

uma vez seguida a gradação legal.970-SP.. LEF). há de ser observada dentro do possível. a Fazenda Pública exeqüente não pode recusar título da dívida pública líquido. da juntada da prova da fiança bancária ou da intimação da penhora judicial (art. “caput”. 736. não se confundindo com a presunção relativa de fraude na expedição de CDA. § 1º. posição não pacificada na doutrina. Se o executado não aceitar a avaliação feita pelo meirinho. uma vez garantido o juízo por alguns dos meios do art. LEF). 17 e parágrafo único. Informativo do STJ n° 325. Não havendo essa última. I a III. contados do depósito. 26/6/2007. não se admite compensação. 17. I a VIII. II. REsp 729. parágrafo único. CPC). LEF). 615-A. 16. o juiz deverá proferir sentença no prazo impróprio de 30 dias (art. consoante entendimento do STJ230. CPC). salvo se houver expresso requerimento do embargante. LEF. Min. No demais. DJU 29/11/1999. É medida plausível para preservar a eficácia de futura expropriação. 11. perigo de lesão de difícil reparação e a própria garantia do juízo (art. 11. ou pela própria penhora “ex officio”. relevância na fundamentação.712-SP. § 3º. LEF). LEF). A ordem de preferência do art. e 739-A. CPC). 738. Essa disposição é plenamente aplicável à execução fiscal. Nesse passo. 16. DJU 18/4/2005. 373) aponta diferença entre os embargos na execução de título extrajudicial e aqueles oferecidos em sede de execução fiscal. I a IV. No caso. Eliana Calmon. o oferecimento de embargos. sua recusa é entendida como requerimento de perícia. O juiz deverá balancear o interesse do credor fiscal com a satisfação do débito e o princípio do menor gravame ao executado. se houver prova oral a ser produzida (art. o executado poderá oferecer embargos no prazo de trinta dias. erige-se presunção absoluta de fraude à execução. o procurador público manifesta-se pelo teor da garantia do juízo (art. Como defesas atípicas231. as alegações do embargante não são restritas a um rol taxativo de defesa (art. rel. 16. p. a Fazenda Pública é intimada para se manifestar em trinta dias. Recebidos os embargos. 2ª T. “caput”. na execução ordinária. 739-A. Defesa – como defesa típica. a jurisprudência tem entendido que.173 o art. “caput”. . 9º. Câmara (2006. Resolvidas as questões. bem como é inaplicável reconvenção (art.500-RS. traz a possibilidade de averbação da execução em órgãos de registro de bens do executado. seguindo-se audiência de instrução e julgamento. § 2º. A partir do registro. j. deverá arcar com os custos da produção probatória. LEF. CPC. LEF). 18. REsp 130. porquanto o interregno e o termo inicial são diferentes naquele: 15 dias contados da juntada aos autos do mandado de citação (art. não obsta o prosseguimento do feito nem requer garantia do juízo (arts. LEF). há dois tipos admitidos jurisprudencialmente pelo sistema do CPC e da própria LEF: 230 STJ. certo e exigível (art. Como matéria de defesa. e REsp 611. “caput”. Ademais. Marinoni e Arenhart (2007) e Luiz Wambier defendem que esse fenômeno também se dá na execução fiscal.

podendo ser alegadas a qualquer tempo e em qualquer grau de jurisdição.174 • Objeção de não-executividade – como trata de matérias de ordem pública. em seu Ação Executiva – Necessidade da Penhora para Discutir a Exigibilidade dos Títulos. A mera invocação pela parte obriga o juiz a decidir. há extinção do processo sem resolução do mérito. . 209. como entende a jurisprudência. Desafia apelação ou embargos infringentes (causas de alçada).: tanto a objeção quanto a exceção não ensejam a suspensão do processo. Havendo rejeição. 466. remetendo decisão para os embargos. o que configura exceção à irrecorribilidade das interlocutórias na execução. 22. Hasta pública – não sendo oferecidos embargos. LEF). Rio de Janeiro. O leilão ou praça será precedido de publicação de edital em diário oficial gratuitamente e por uma única vez. provando a relevância da alegação e demonstrando o perigo de lesão grave irreparável ou de difícil reparação. leciona que parte da doutrina refuta a admissão de exceção de pré-executividade e de objeção de não-executividade. Da exceção de préexecutividade. Rejeitar a exceção – como decisão interlocutória. sendo esses inadmitidos “in limine” ou rejeitados no mérito. pode ser atacável por agravo de instrumento. LEF). Negar-se a decidir – o juiz alega que não pode decidir sem instrução probatória. 275-290. podendo ser contestado por apelação ou por embargos infringentes (causas de alçada). Obs. o efeito poderá ser deferido se o excipiente solicitálo expressamente. com antecedência de dez a trinta dias. A Súmula 121 231 Chimenti. o representante da Fazenda Pública deverá ser pessoalmente intimado (art. e de fixação no átrio do fórum por igual decurso (art. 22. É a linha seguida por Alcides de Mendonça Lima. devendo o excipiente demonstrar seu direito mediante prova pré-constituída. Contudo. Caso haja acolhimento. op. O juiz não as pode conhecer de ofício. p. 23. in: Processo de Conhecimento e Processo de Execução. “caput” e 1º. p. Durante esse interregno. Forense. o juiz poderá adotar três diferentes decisões: Acolher a exceção – o processo é extinto com resolução de mérito. § 2º. “caput”. p. cabe agravo de instrumento. segue-se hasta pública para venda dos bens penhorados (art. pode ser atacada por agravo. • Exceção de pré-executividade – engloba matérias que deveriam ser ventiladas em defesa típica (embargos do executado ou infringentes). Há um prazo preclusivo representado pela penhora. não há preclusão. 1992. cit. Ambas também não comportam dilação probatória... cit. op. segundo citação de Câmara. porque o executado fará uso das defesas típicas a partir de então. LEF). O acolhimento depende de prova pré-constituída e de não impugnação por parte do exeqüente. não podendo rejeitá-la “in limine”. A perda do prazo dos embargos também pode sugerir o oferecimento da peça. Como interlocutória. por se tratar de decisão interlocutória.

746. “caput”. “caput”. não é necessário observar o piso da avaliação. CPC). CPC). Não há infringência ao princípio da licitação (art. à execução fiscal tributária. “caput”. permite a realização de hasta pública eletrônica. 685-C. I e II. 745-A. CTN. desde que a taxa de juros seja aquela atinente à lei tributária aplicável (art. Tratando-se de dívida nãotributária. CF/88). CPC). 30% do montante total (incluindo custas e verbas sucumbenciais). CPC. 161. 691 e 692. ocorrendo nas seguintes hipóteses (art. Nesse caso. recorre-se ao art. “b”. “caput”. 689-A. 24. estabelece que a norma geral há de definir. “caput”. CPC. no decurso dos embargos. Adjudicação – em favor da Fazenda Pública. CPC. caso os embargos não tenham sido oferecidos. “caput”. na segunda hasta (Súmula 128 do STJ)233. p. 2. No caso de empresa governamental. incidem juros de 10% e a execução prossegue. Depois da hasta – pelo valor da avaliação (caso não haja licitante depois da 2ª hasta) ou pelo valor oferecido pelo maior lançador (em 232 232 175 Súmula 121 do STJ: “Na execução fiscal o devedor deverá ser intimado. 37. é permitida nova penhora. Atrasando qualquer mensalidade. dentre outros. ao estabelecer as condições do ato (art. uma vez que reconheça o débito e renuncie ao direito de embargar. por lanços. Como o legislador complementar (do próprio CTN) deferiu a competência para o legislador ordinário. LEF): 1. o que se aplica sem maiores problemas à execução fiscal. A melhor doutrina entende que a alienação por iniciativa particular (art. tem preferência sobre a arrematação. Para pagar. Parcelamento – o art. 647. hora e local do ato. 2006. o demandado deve depositar. O art. II. incidindo juros de 1% ao mês. se no primeiro não houver lanço superior à avaliação”. § 1º. 233 Súmula 128 do STJ: “Na execução fiscal haverá segundo leilão. porque o legislador exigiu a expropriação por leilão público (art. não há impedimento para alienação por iniciativa particular. Antes da hasta – pelo preço da avaliação. 155-A. não haveria qualquer problema em aplicar o direito esculpido no art. permite faculdade de parcelamento ao executado. Havendo débito tributário. CPC). LEF). sem outra oportunidade de embargos ao executado. Sendo insuficiente o numerário obtido com a venda judicial. 146. tenham sido rejeitados “in limine” ou desacolhidos no mérito.do STJ determina que o executado também deve ser pessoalmente intimado do dia. pagando-se o restante em seis parcelas mensais. o qual se reporta a eventual lei especial em termos de parcelamento. CF/88. 23. cabem embargos à arrematação (art. § 1º. II. do dia e hora da realização do leilão”. promovida pela Fazenda Pública. “caput”. 374). CTN). XXIV. em princípio. pessoalmente. . o regime de parcelamento. não há qualquer entrave à aplicação na execução fiscal. desde que não haja preço vil (arts. não é possível. 745-A. sendo que. porque a impessoalidade e a isonomia ficam garantidas pelo juiz. A arrematação deverá ser feita nos moldes do CPC (THEODORO JÚNIOR apud CÂMARA. O art.

Nessa linha. já configura o duplo grau. o sistema de execução fiscal acolhe a apelação dos embargos e os embargos infringentes nas causas de alçada. o julgador profere decisão no decurso impróprio de 20 dias (art. quando for o caso. 188.. mas não REsp (THEODORO JÚNIOR apud CÂMARA. Câmara (2006. mas embargos infringentes ao próprio magistrado “a quo” (art. conquanto se trate da Fazenda Pública (art. que pode ser flexibilizado pelo legislador infraconstitucional. É solução que favorece a celeridade. 34. 2006. “caput” e § 2º.43 UFIR’s)234. o recurso contra decisão de primeira instância. CPC). Ademais. 1997.. em seguida. afirmando-o como simples disposição do legislador ordinário e complementar. independentemente do grau hierárquico na estrutura do Judiciário. Nessas hipóteses de menor monta. p. Lei de Execução Fiscal Comentada e Anotada. p. III. Recurso de alçada – se o valor da causa não exceder 50 OTN’s (283. Agravo e duplo grau de jurisdição – não tem sido admitido agravo das interlocutórias ao longo da execução fiscal. p. Trata-se de princípio constitucional implícito. 102. 237 Súmula 203 do STJ: “Não cabe recurso especial contra decisão proferida. LEF). 24. no juízo cognitivo (embargos do executado). parágrafo único. “caput”. p. o valor gira em torno de R$ 553. perfilhada por Chimenti (2002. p. 897. São Paulo. “in fine”. Obs. devendo o “ex adverso” ser ouvido no mesmo lapso e.00. cit. ausentam-se o efeito devolutivo e o duplo grau de jurisdição235. LEF). p. 235 Na concepção de Barbosa Moreira e da doutrina prevalente. nos limites de sua competência. a decisão do referido recurso pode desafiar RE para o Excelso Pretório (art. 2002. vem Greco Filho. “a”. 103. de acordo com a exigência do art. devendo ser oferecido em até 30 dias da arrematação. Recursos – além do sucedâneo recursal dos embargos (que também admitem a modalidade deferida a terceiros e os de declaração – art. não é apelação. a adjudicação só será deferida se o exeqüente depositar previamente a diferença em 30 dias da decisão judicial (art. II. bem como os recursos extraordinários à disposição do sucumbente. muito pelo qual os embargos procedentes se sujeitam ao reexame necessário (art. 209). CF/88 (CHIMENTI. Nelson Nery Júnior considera que o mero reexame por outro órgão. atualmente. p. CLT). 234 . op. lembra que. CPC). 188. o duplo grau de jurisdição corresponde à reapreciação de uma decisão judicial por órgão hierarquicamente superior. III. Observa-se que o prazo recursal para o exeqüente é contado em dobro. LEF). 210). 475. CF/88). “a” a “d”. 225. diferentemente do que ocorre na Justiça Laboral. 93) nega a natureza de preceito constitucional ao duplo grau de jurisdição. CPC (CHIMENTI. por órgão de segundo grau dos Juizados Especiais”. muito pelo qual a decisão não é prolatada por tribunal. 105. 2002. 34. p. Como bem indica Câmara (2006. RT. “a”. 375). Os embargos infringentes devem ser opostos em dez dias a partir da intimação da sentença dos embargos do executado. conquanto se aplica o art. 375)236. Em contrário à posição explanada. §§ 2º e 3º. O interregno recursal para a Fazenda Pública será de 20 dias. por meio do seu agravo de petição (art.176 igualdade de condições). Carlos Henrique Abrão et al.: se o crédito fazendário for inferior ao preço da avaliação ou do maior lanço. 34. já se pronunciou o STJ quanto às decisões de turmas recursais dos JEC’s (Súmula 203 do STJ)237. 211). LEF). 236 No mesmo sentido.

nas causas de alçada. na execução fiscal. se aplicado literalmente o art. a Fazenda Pública faria jus à reapreciação por tribunal “ad quem”238. 238 No mesmo sentido. defende que. op. CPC. haveria bizarra infringência à isonomia: enquanto o executado vencedor nos embargos infringentes teria o reexame perfeito pelo magistrado “a quo”.177 Exceção deve ser feita no caso de não acolhimento de exceção de préexecutividade ou de objeção de não-executividade. 209. Quanto ao duplo grau no sentido estrito. 375). p. Chimenti. De fato.. não deve haver o reexame necessário. p. . como lembra Câmara (2006. não cabe sua incidência nas causas de alçada. 475. cit. II.

buscando dinheiro para atender às necessidades públicas. a perspectiva financeira sempre caminhou ao lado. 29). Tudo lhe pertencia e a idéia de propriedade particular era sempre relativa. A competência para legislar sobre direito tributário. Até o Estado absolutista. 2003. o qual designa fim. foi necessário o desenvolvimento pelo Estado da atividade financeira. refere-se ao fim de uma operação que se desenvolve pelo pagamento. é pré-jurídica. 1996). a atividade financeira extrapola a seara jurídica. financeiro e orçamentário é concorrente entre a União. 24). 24. No século XIII. estatística e política. 16). econômica. À medida que a sociedade foi construindo a possibilidade de influir nos parâmetros financeiros estatais. como lembram Oliveira e Horvath (2003. nem mesmo havendo entre eles relação de conteúdo e continente (OLIVEIRA e HORVATH. é fato que para prestar os seus serviços o Estado necessita de recursos financeiros. entretanto. Foi a primeira idéia de despesa pública. As finanças públicas dizem respeito à forma como o Estado. No ponto. parágrafo único. . I e II. Finanças é termo que vem do latim “finis”. p. Estados e DF (art. monetariamente.178 DIREITO FINANCEIRO Introdução – durante o caminhar da evolução estatal. mas com o aumento das necessidades foi necessário avançar no patrimônio particular. obtém suporte para exercer suas atividades. ainda eram praticamente inexistentes. 2003. Esse afã estatal sobre a acumulação de divisas decorre de sua própria razão de existência: a consecução do bem comum. Mas. as quais se volta eminentemente ao interesse público (OLIVEIRA e HORVATH. Dessa feita. de uma forma ou de outra e seja qual for o conceito de necessidade pública no momento. 23). termo. normas específicas e capacidade legislativa supletiva das unidades-parciais (art. O Direito Financeiro é a disciplina jurídica da atividade financeira. na Inglaterra. cobrando tributos e tarifas ou confiscando bens [receitas derivadas]. p. Distingue-se do Direito Tributário. valem todas as regras quanto a normas gerais. CF/88). vez que constitui o sustentáculo material do país. O direito financeiro trata justamente do regramento jurídico da atividade financeira do Estado (FÜHRER e FÜHRER. 2001. da coisa pública. os recursos utilizados eram do próprio ente estatal [receitas originárias]. p. Em verdade. permitiu-se que o cidadão listasse as necessidades básicas da sociedade. aderindo-se à ciência econômica. a ordem jurídica foi sendo erigida em paralelo. o soberano era único nas decisões acerca das finanças públicas. No ponto. as finanças pertencem ao plano realeano dos fatos (REALE. de início. Envolve fenômenos de ordem social. Ou seja. 24. Os institutos da propriedade e da liberdade. p. No dizer da teoria geral do direito. Consta que. porque preparar a feitura de normas aplicáveis.

Ex. Dentro da distribuição de competência. III. fiança e empréstimos em geral. Por esse motivo. o que faz excluir o movimento de caixa ou ingressos (fluxos de entrada “temporária”. sendo portanto compulsórias (FÜHRER e FÜHRER. 6ª ed. p. os Municípios podem legislar sobre tributos de sua competência (art.: depósito judicial. sua ligação com o Direito Constitucional é particular. Revista dos Tribunais. Outros exemplos de entradas provisórias citados por Führer e Führer (2001. p. uma vez que há normas específicas contidas no próprio Texto Maior. Manual de Direito Financeiro. Doutrinariamente. o valor será transferido para a conta do Tesouro Nacional (TN) “incontinenti”. as receitas podem ser classificadas. em: o Originárias – correspondem às entradas definitivas não decorrentes do poder de imposição do ente de público. suplementando as leis gerais e regionais naquilo que afeta o interesse local (art. Entretanto. com as derrogações de Direito Público). conforme supra mencionado –. as entradas (movimento positivo de dinheiro para os cofres públicos) comportam duas espécies: receitas públicas (entradas definitivas) e movimentos de caixa (entradas temporárias). Führer e Führer (2001. o âmbito espacial de validade e o âmbito pessoal de incidência das normas. mas não figurará aí como entrada definitiva (receita pública). 17) são caução. Todavia. 30. Apesar de admitirem haver doutrina que considera o ingresso como entrada provisória. A norma geral traz princípios para solução de entraves entre os diversos legisladores dentro da matéria de competência comum. na maioria das vezes. Em melhores palavras. assim como qualquer outro ramo. o Derivadas – são aquelas que advêm do poder de “imperium” do ente público. I e II. Há uma relação de coordenação estabelecida entre Estado e particular. 151. quanto à origem. o Direito Financeiro. obsta a exigibilidade do crédito tributário (art. inclusive de Direito Financeiro. não fazendo uso. Relaciona-se também com o Direito Tributário – apesar de guardar campo próprio. simplesmente entrada provisória ou ingresso)239. sendo integral. Processual Civil e Penal. 17) as chamam de facultativas. no dizer de Kelsen (1998). São Paulo. São extraídas quando o próprio Estado explora seu patrimônio. de pare em passo com o particular (contratação em regime de Direito Privado. sendo certo que essa conversão só é possível se sucumbente o demandante. Régis Fernandes de Oliveira e Estevão Horvath. Em tese. CF/88). devem ser diferenciados os conceitos de lei federal e de lei nacional. Preço público e tarifa são formas de receita originária. 30. o qual pode ser feito em um MS e. Receitas públicas – receita pública representa uma entrada definitiva de valores nos cofres públicos. Administrativo. da atuação estatal como agente privado. tem alicerce fim na CF/88. Com efeito. têm o primeiro como sinônimo de entrada simplesmente. CTN).179 CF/88). nem todos os ingressos no erário podem ser considerados como receitas. 2001. 239 . No quadro da ciência jurídica. deve ser convertido em renda para configurá-la. o primeiro. de seu poder de imposição. p. Resultam. são diferentes.. não se confundindo com taxa. II. 2003. CF/88).

de acordo com o 153. encontrar-se exatamente no capítulo sobre a ordem tributária. Obs. 37). III. Em contrário senso. CF/88. 155. LRF) ou voluntárias (por exclusão às anteriores). por exemplo (arts. Oliveira e Horvath (2003) dizem que as receitas transferidas se resumem nas transferências correntes. porquanto o crédito decorrente será resgatado. 25. Como lembram Oliveira e Horvath (2003. No contexto. 153. 240 Súmula 418 do STF: “O empréstimo compulsório não é tributo. as quais têm origem no poder de polícia estatal.: repartição da arrecadação tributária. o repasse de metade da renda de IPVA. 158. No entanto. e 195. Quanto aos EMPRÉSTISMOS COMPULSÓRIOS. assim como o são as penalidades. “caput”’. Sob o aspecto do Direito Tributário. Ex. 149-A. por meio de sua Súmula 418240. na classificação de receitas derivadas. pende um grande paradoxo. na esteira. as transferências correntes não implicam em contraprestação pelo tomador. São os casos dos impostos residuais e das contribuições residuais.: apesar de ter origem tributária. § 4º. o que desvirtua. porquanto a titularidade do tributo é atinente à União. Segundo os autores. proveniente de veículos licenciados no Município. p. 148. apesar de seu teor não ter mais aplicação em face da atual ordem constitucional vigente. consoante a disposição do art. “caput”. ressalvadas as hipóteses anterior e originalmente previstas pelo próprio Texto Magno. CF/88). III. CF/88. em parte. adotando a natureza dada diretamente pelo constituinte originário. dentro do Direito Financeiro.180 17). Ex. como inconstitucional. Fatia considerável dos jurisconsultos os qualifica como imposto. pronunciou-se em sentido contrário. acrescido pela EC 39/02. receita não podem ser. sob pena de configurar receita transferida. a taxa é considerada receita derivada. § 4º. O exemplo típico é o tributo. e sua arrecadação não está sujeita à exigência constitucional da prévia autorização orçamentária”. I e II. a receita continua sendo classificada como transferida. . São obtidas a partir de coerção sobre o patrimônio do particular. o caráter tributário colocar-los-ia. a doutrina majoritária tem-nos como tributos. não cabendo a esse autonomia perante o Leviatã. Seriam qualificados como entradas temporárias. lei ou destinadas ao SUS – art. o constituinte derivado não teria vênia para alargar os fatos geradores já expressos na CF/88. 65) consideram o art. perfazendo receita transferida. metade do ITR recolhido em Município continente de seus imóveis. dada a competência tributária deferida pelo art. Dentre os exemplos mais corriqueiros. Podem ser obrigatórias (previstas em Constituição. CF/88). nos moldes dos arts. CF/88 – no caso de delegação de capacidade tributária ativa para o Município. Ao contrário dos empréstimos (ou créditos) públicos. Não poderia criar mais exações. CF/88). porque o tributo em comento é de competência do Estado (art. I. 157 a 162. o próprio STF. CF/88. Oliveira e Horvath (2003. “in fine”. CF/88 (acrescido pela EC 45/04). podendo ser tributárias (na sua maior parte) ou não-tributárias. 154. a esse pertencem (art.: só será derivada a receita se o poder de imposição for exercido pelo próprio ente que a recebe. p. o Transferidas – resultam de transferências entre os entes federados. VI. III. sua essência de tributo.

CTN. 1ª T.181 A doutrina ainda classifica as receitas em gratuitas. Oliveira e Horvath (2003) falam em outras classificações das receitas. Ex. desde que haja previsão contratual (ou legal) nesse sentido.. DJU 15/10/1963. 14/8/2007. j. a atualidade do serviço. Tarifas. presente a autonomia das partes. II. Ademais. 17). Preço público não leva a lucro. haverá preço público. de acordo com o mercado. rel. dentro de um patamar razoável. ao contrário da taxa. deverá ser módica também. Min. a natureza será de taxa. No raciocínio. Terceira posição assevera que o parâmetro é a compulsoriedade na utilização do serviço: sendo de uso obrigatório. destinando-se tanto ao custeio do concessionário quanto a seu lucro. STJ. tendo em conta os preços praticados no mercado. A tarifa deve ser fixada no menor valor possível. Seu valor se deve ao custeio da atividade praticada em favor do usuário. taxas e preços públicos – tarifa é um item obrigatório a figurar em contrato de concessão. Uma segunda corrente observa a compulsoriedade no pagamento da contraprestação: sendo obrigatório.: herança jacente deferida ao Município (art. entendendo que não há escolha pelo usuário. porque não se reverte com exclusividade para o erário. A taxa não respeita esse mecanismo. porque a coerção no uso concreto ou potencial do serviço só pode ser remunerado por meio de taxa242. RE 54491-PE. O STJ adota a última corrente. persistirá taxa. sendo facultativo. As terceiras são estatuídas e arrecadadas de forma vinculada.489. Isso porque os serviços públicos universais e indivisíveis (“uti universi”) recebem como contraprestação impostos. como em uma compra e venda. REsp 802. As segundas advêm de ajuste em que o Estado participa na condição de contratante. . A tarifa ainda permite reversão aos cofres públicos. Essa compulsoriedade estaria prevista em lei. Essa obrigatoriedade da taxa só é 241 STF. a existência de um preço público teria como pressuposto adesão a um contrato. poderiam ser enquadradas em ordinárias – aduzidas nos momentos de normalidade – e extraordinárias – incidentes em momentos de guerra ou na sua iminência. Quanto ao critério da periodicidade. CF/88 (imposto especial de guerra). Uma primeira corrente. a teor do art. REsp’s 848. de sorte a garantir. Ex. As primeiras não implicam em qualquer contrapartida por parte do Estado. porque esse é determinado conforme o valor do serviço prestado. como nos tributos.: cobrança por serviço de água e esgoto constitui tarifa. sendo revertido para o próprio Estado. sendo único nessa espécie de avença administrativa. por exclusão. 154. contratuais e obrigatórias (FÜHRER e FÜHRER.247 e 167. Taxas e preços públicos – para que persista um conflito dessa natureza. Não tem natureza tributária. olhando a figura do prestador. existindo taxa se for de Direito Público. considera-se a prestação de serviço público específico e divisível em contrapartida à remuneração por parte de usuário. A querela se coloca segundo três orientações teóricas. segundo entendimento do STJ e do STF241.: preço do selo de correspondência. p. entende que haverá preço público se aquele for ente de Direito Privado. 242 STJ. Ex. CC).559-MS. sendo de fruição facultativa. 1844. ainda que potencial. 3º. existiria preço público. Informativo do STJ n° 327. 2001. Também não deve ser confundida com preço público. como se afigura no art. Luiz Fux.

j. fundos. Juntamente com a Lei 8429/92. o valor cobrado em pedágio pode ter natureza de taxa ou preço público.002-PR. § 1º. dívidas consolidada e mobiliária. De fato. porque esse é sempre devido quando há prestação. A dívida pública fundada. em recente julgamento. ao contrário da flutuante. a LRF erige presunções legais de ao erário. o define como tributo da espécie taxa243. não coincide com o conceito de dívida consolidada. a priori. No contexto. Tecnicamente. 29. 23). 5/6/2007. 2º. entendeu que esses últimos não são atingidos pela Lei 8429/92. José Delgado. A obrigatoriedade é realmente da fruição do serviço e não do pagamento. porque se refere especificamente à tributação. deve ser interpretada à luz da época de sua edição. em três situações: emissão de passaporte. custas judiciais e licenciamento ambiental. LRF). Nelson Jobim. porquanto configura “bis in idem” com a Lei 1079/50245. Informativo do STJ 322. orig. p/ o acórdão Min. Informativo do STF n° 471. rel. a natureza da personalidade jurídica da entidade da Administração Indireta não tem o condão de desnaturar os valores cobrados pelos serviços públicos por ela prestados. CONCEITOS (art. Destarte. LRF): • Dívida pública fundada – obrigações totais de mais de 12 meses. V. a pessoa sempre receberá taxa como contraprestação (OLIVEIRA e HORVATH. dá margem à cobrança de pedágio por meio de taxa. LRF). Municípios. 2003. . I a V. Gilmar Mendes. é aquela de médio ou longo prazo (FÜHRER e FÜHRER. Min. obrigações cujo prazo para pagamento é menor que 12 meses e estão previstas no orçamento. conquanto fato irrelevante à diferenciação entre preço público e taxa. Estados. nesse passo. Mas como foi erigida antes da leitura feita pelo STJ. salvo se o legislador dispuser de forma diferente244. 1º. aquela considerada perpétua. Tribunais de Contas. 243 244 STF. autarquias. Executando serviço público próprio de Estado ou exercendo poder de polícia. “in fine”. 13.182 excepcionada. a qual não é obrigatória. valendo os pagamentos tão-só aos juros. DF. j. 2001. No entanto. CF/88. Min. segundo a doutrina. Em suma. o STF.2007. cujo principal não é resgatável. rel. §§ 2º e 3º. rel. Apesar disso. STJ. o art. dependendo da existência ou não de alternativa na via de acesso. 245 STF. O STF. o segundo entendimento. ASPECTO SUBJETIVO (abrangência) – União. concessão de garantia e restos a pagar (art. p. a natureza do prestador é irrelevante para a determinação da forma de contraprestação. implicando em responsabilidade objetiva por parte do administrador e do agente político. LC 101/00 – Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) OBJETO (abrangência) – cumprimento de metas sobre receitas e despesas e observância de limites e condições quanto à renúncia de receita. I a III. p. ou seja. empresas governamentais e MP (art. a Súmula 545 do STF (já comentada) materializa. mesmo que inexista rodovia alternativa. operações de crédito (incluindo antecipação de receita). REsp 617. Rcl 2138/DF. A cobrança de pedágio por concessionária é lícita.6. Judiciário. 1ª T. precatórios não pagos. RE 181475. 53).. 150. despesas com pessoal. Ademais. seguridade social.

29. Receitas na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF. orientando o estabelecimento de receitas e despesas públicas. No ponto. • Concessão de garantia – um ente garante outro. característica intrínseca daquela. • Repasse aos municípios e Estados. p. • Contribuições previdenciárias. • Receita de capital – é aquela derivada da alienação de patrimônio público. A infringência desse comando com referência a impostos impede as receitas por transferências voluntárias (art. I. parágrafo único. 1º. 47) defendem que o art. Não pode ser destinada ao pagamento de despesas correntes (art. “caput”. passim). aquisição financiada de bens. ou seja. 11.183 o art. CC). § 4º. LRF). I. LRF). dispõe que os entes da federação são obrigados a instituir e arrecadar todos os tributos de sua competência constitucional. etc. • Refinanciamento de dívida mobiliária – emissão de novos títulos para pagamentos anteriores (novação objetiva – art. • Dívida mobiliária – decorrente da emissão de títulos pela União. “caput”. . O art. transferências correntes e outras receitas também correntes”. Oliveira e Horvath (2003. lei ou destinadas ao SUS. abertura de crédito. “caput”. 2º. LC 101/00. industriais. “caput”. em que pese não haver pronunciamento judicial sobre a celeuma. LRF. VII. dada a classificação do art. LRF) • Repasses constitucionais e legais. Lei 4320/64. condicionante para que os mencionados entes recebam transferências voluntárias. CF/88). De fato. LRF: todas aquelas não previstas em Constituição. A definição de transferências voluntárias está no art. porém constitucional na sanção esculpida no art. 11. 11. 44. é inconstitucional quanto à obrigatoriedade de Estados. “caput”. O estabelecimento dessa sanção acaba por retirar da competência tributária a facultatividade do seu exercício. DF e Municípios na instituição de todos os tributos. • Operações de crédito – mútuo. Lei 101/00. à luz do dispositivo em apreço. “caput”. 360. A constitucionalidade do art. 153. 2003. 11. • Contribuições para RPPS e compensações. CF/88). 11. de contribuições. usando a terminologia aduzida por Leon Duguit (apud OLIVEIRA e HORVATH. é debatida pela doutrina à luz do pacto federativo (art. trata-se de ato-condição. “a” a “c”. parágrafo único. • PIS/PASEP. agropecuárias. LC 101/01) – o diploma estabeleceu regras sobre a elaboração do orçamento público. LC 101/00. 11. 25. menos (art. de serviços. patrimoniais. II. LC 101/00. a não instituição do imposto sobre grandes fortunas pela União vai de encontro à realidade (art. Estados e Municípios. trata a dívida fundada e a consolidada como sinônimos. Receita corrente líquida – total de “receitas tributárias.

LRF). LC 101/00). ou o Compensação por adoção de outras medidas (aumento de receita). Apresentam algumas características: . fundo para desenvolvimento do N. § 3º. ADCT. LRF: o Projeção do impacto econômico-financeiro no orçamento do mesmo exercício e nos dois posteriores. § 3º. (art.Documentação. e 212. o Previsão na LDO. 14. p. 14. FPM. LRF): • Receitas e despesas com ensino (parcela obrigatória para fundo – art. LRF). 14.Contrapartida em receita suficiente. Despesas públicas – representam todo gasto ou dispêndio público. social de emergência).184 Na receita corrente líquida. . Também não têm vez no caso de cancelamento de débito perante a Administração pelo baixo valor (art. § 2º. A regra geral para a determinação da despesa é da não-afetação orçamentária (art. o Serviço da dívida (cumprimento empréstimos públicos). para garantir a extrafiscalidade na União na economia nacional. • Receitas de ICMS (LC 87/96). CF/88). ADCT). 2º. 167. “caput”. I. . . Sua implementação depende do cumprimento das condições explicitadas no art. § 1º. NE e CO. FPE. A medida que importe em renúncia em receita só entra em vigor depois que a medida compensatória já tiver sido implementada (art. 77. IE. etc. Essas exigências não se aplicam em se tratando de renúncia de II. IPI e IOF (art. “caput”. como elevação de base de cálculo. representa qualquer evento jurídico que gere a redução das entradas nos cofres públicos. Mas há esceções: o Saúde e ensino (arts. de alíquotas ou criação de impostos ou contribuições. 60. educação básica. como lembram Führer e Führer (2001. de reduções de base de cálculo. 14. IV. A renúncia de receita ocorre basicamente nas hipóteses de isenções tributárias. 14. ou seja. LRF). CF/88).Previsão em lei específica. de obrigações adquiridas em o Formação de fundos especiais constitucionais (erradicação e combate à pobreza. § 1º. II. o Inexistência de prejuízo aos resultados previstos no Anexo de Metas Fiscais (objetivos de arrecadação). 25). mediante expressa consideração na lei orçamentária. estão incluídas (art. o Pagamento de servidores públicos (despesa corrente de custeio). de sorte a provar sua origem e destinação. não podendo o ente gastar mais que pode. I ou II. de benefícios fiscais.

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A parte de despesas com pessoal está desenhada nos arts. 19 e 20, LRF. DESPESA COM PESSOAL – definição está no artigo 18, “caput”, LRF, incluindo terceirização de mão-de-obra (art. 18, § 1º, LRF). • Para cálculo, somar despesa do mês corrente com os 11 anteriores (art. 18, § 2º, LRF). • Limites: 50% para União e 60% para Estados e Municípios (art. 19, I a III, LRF). • Estão excluídos do limite (art. 19, § 1º, I a VI, LRF): o Indenização por demissão ou voluntária; o Convocação extraordinária do Congresso Nacional; o Precatórios relativos a exercícios anteriores; o Gastos com pessoal do DF e dos Territórios; o Inativos com contribuição em RPPS. • Percentuais por órgãos (art. 20, I a III, LRF): o Federal: 2,5% para Legislativo, 6% para Judiciário, 40,9% para Executivo e 0,6% para MPU; o Estadual: 3% para Legislativo, 6% para Judiciário, 49% para Executivo e 2% para MPE; o Municipal: 6% para Legislativo e 54% para Executivo. AUMENTO DE DESPESA NULO – 180 dias antes do término do mandato no Poder ou em órgão (art. 21, parágrafo único, LRF). O texto do art. 21, “caput”, LRF, fala em ato que importe em aumento de gastos com pessoal sem observar os ditames legais. No ponto, será considerado nulo. No magistério de Oliveira e Horvath (2003, p. 89), o termo “ato”, exprimido pelo legislador, diz respeito aquele concreto. O ato legislativo em sentido estrito (lei, decreto legislativo, resolução, etc.) aqui não se enquadra, porquanto não tem o condão de gerar despesa materialmente. Nesse passo, a criação de cargo, por meio de lei, não importa em majoração de gastos com pessoal. O que provocará o dispêndio é seu provimento, a partir do qual o agente público fará jus a seu vencimento. SE PERCENTAL COM PESSOAL CHEGAR A 95% DO LIMITE – não pode aumentar vencimentos, criar cargos, mudar carreira, contratar mais agentes públicos (salvo educação, segurança, saúde e sessão extraordinária do CN) ou contratação em regime de hora extraordinária (art. 22, parágrafo único, I a V, LRF). Quando o percentual ultrapassar 90%, cabe ao TC alertar o Poder ou órgão sobre a temeridade da situação (art. 59, § 1º, II, LRF). NÃO CUMPRIMENTO DO LIMITE – nos dois quadrimestres seguintes, o administrador deverá levar a cabo as seguintes medidas: • Extinção de cargos e funções ou redução dos vencimentos respectivos;

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• Redução da jornada de trabalho, com respectiva redução de vencimentos; • Redução de despesas com cargos em comissão e funções de confiança, não sendo possível a redução de jornada atrelada à diminuição de vencimento246; • Exoneração de servidores não-estáveis; • Exoneração de servidores estáveis, com extinção dos respectivos cargos, sendo essa medida autorizada somente depois das anteriores (art. 169, § 4º, CF/88), fazendo jus o exonerado a uma indenização de um mês de vencimento por ano de serviço (art. 169, § 5º, CF/88) – o cargo não poderá ser recriado nos próximos quatro anos (art. 169, § 6º, CF/88). A escolha dos estáveis a serem exonerados se dá de acordo com os critérios da Lei 9801/99: menor tempo de serviço, maior remuneração, menor idade, etc. (OLIVEIRA e HORVATH, 2003, p. 92). A lei ainda permite, como medida alternativa, a redução de valores de pagamento ou a redução temporária da jornada de trabalho com a conseqüente diminuição de vencimentos temporariamente (art. 23, §§ 1º, “in fine”, e 2º, LRF), no entanto esses comandos estão suspensos por cautelar ajuizada no STF247. Se ainda o ente não conseguir se adequar às balizas legais, não pode receber transferência voluntária, garantia de outro ente ou contratar operações de crédito (art. 23, § 3º, I a III, LRF), salvo refinanciamento da dívida mobiliária e financiamento de gastos com redução de despesas com pessoal. O art. 169, § 2º, CF/88, ainda fala em impedimento de recebimento de receitas transferidas obrigatórias. O art. 15, LRF, considera a geração de despesas ou assunção de obrigação pelo Estado em desacordo com as condicionantes mínimas dos arts. 16 e 17, LRF, como ato ilícito. O aumento de despesa por criação, expansão ou aperfeiçoamento de ação governamental depende do cumprimento de alguns requisitos (art. 16, I e II, LRF): Demonstração do impacto econômico-financeiro no exercício atual e nos dois seguintes; Demonstração da existência de receita suficiente a custeá-las; Compatibilidade com a LDO e com plano plurianual, mediante declaração do ordenador de despesas. A regra do art. 16, I e II, LRF, não se aplica paras despesas públicas irrelevantes, entendidas como aquelas que não oferecem impacto considerável,

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Na ADIn 2238, rel. Min. Ilmar Galvão, o STF suspendeu a eficácia do art. 23, § 1º, “in fine”, e 2º, LC 101/00, com base na irredutibilidade de salários e de vencimentos (art. 37, XV, CF/88). 247 STF, Plenário, ADI 2238 MC/DF, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, rel. p/ o acórdão Min. Carlos Britto, j. 8.8.2007, Informativo do STF n° 475.

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de acordo com a LDO (art. 16, § 3º, LRF). Ex.: aquelas que podem ser realizadas sem licitação. Aumento de despesa do RGPS que importe concessão legal de benefício, expansão quantitativa das prestações e reajuste de valores pagos não precisa ser compensada (art. 24, § 1º, I a III, LC 101/00), o que se aplica em toda seguridade (art. 24, § 2º, LC 101/00). O art. 17, “caput”, LRF, trata das despesas obrigatórias de caráter continuado (despesa corrente ou operacional de mais de um exercício), isto é, aquelas decorrentes de lei, de MP ou de ato administrativo normativo que fixe sua realização em interregno superior a dois anos. Devem atender aos seguintes pressupostos (art. 17, §§ 1º e 2º, LRF): Estimativa de impacto econômico-financeiro pelo exercício presente e dois subseqüentes; Demonstração da existência de receita suficiente a custeá-las; Estar de acordo com os resultados preconizados no Anexo de Metas Fiscais; Compensação por outras medidas a amortizar o débito nos exercícios posteriores, como aumento de tributo ou redução permanente de despesa. Não se aplicam as condicionantes do art. 17, §§ 1º e 2º, LRF, quando se trate de reajuste de vencimento de servidor público ou de despesa relativa ao pagamento da dívida pública (art. 17, § 6º, LRF). Despesas emergenciais ao setor privado só são possíveis mediante: • Prévia autorização legal; • Compatibilidade com a LDO; • Previsão em orçamento ou em crédito suplementar; • Não abrangência de instituições financeiras, incluindo empréstimos para recuperação e troca de controle acionário, salvo operações de desconto e empréstimos realizados pelo BACEN com prazo inferior a 360 dias – nesse último caso, os demais requisitos não precisam ser observados (art. 26, § 1º, LRF). LIMITAÇÃO DE EMPENHO – a cada bimestre, ultrapassado o limite estabelecido no anexo de metas fiscais, deve haver diminuição de gastos na forma da LDO (art. 9º, “caput”, LRF). No entanto, transferências e despesas constitucionais e legais não poderão ser afetadas, o pagamento da dívida pública e outras despesas especificadas na LDO. Se o Judiciário, o Legislativo e o Ministério Público não observarem a limitação de despesas, o Executivo tem franquia para tomar a frente e limitar os repasses de duodécimos (art. 9º, § 3º, LRF). Porém, esse último comando está com a eficácia suspensa pelo STF em sede de cautelar248.
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STF, Plenário, ADI 2238 MC/DF, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, rel. p/ o acórdão Min. Carlos Britto, j. 8.8.2007, Informativo do STF n° 475.

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• Não serão limitados os gastos constitucionais, legais e previstos na LDO (art. 9º, § 2º, LRF). Oliveira e Horvath (2003, p. 91) admitem transação dos débitos da Fazenda Pública com condenação transitada em julgado, mesmo que sejam incluídos uns e excluídos outros credores. O fulcro seria a vantagem, porque haveria concessões recíprocas. No ponto, os autores admitem até mesmo a negociação no período eleitoral, ou seja, seis meses antes do término do mandato eletivo, desde que haja um juízo de razoabilidade e de que não exista razão de fundo eleitoreiro. VEDADA TRANSFERÊNCIA VOLUNTÁRIA – a ente estatal que não tenha previsão e execução de todas receitas tributárias cabíveis (art. 11, parágrafo único, LRF). • Receitas de operações de créditos devem ser menores ou iguais às despesas de capital previstas em LO anual (art. 12, § 2º, LRF). No entanto, esse dispositivo encontra-se com a eficácia suspensa pelo Supremo249. TRANSFERÊNCIAS VOLUNTÁRIAS – têm como atendimento dos seguintes requisitos (art. 25, § 1º, I a IV, LRF):
• Condições estabelecidas na LDO; • Existência de dotação específica na LO anual; • Proibição de transferências para pagamento de pessoal da ativa,

pressuposto

o

inativos ou pensionistas dos Estados, DF e Municípios (art. 167, X, CF/88);
• Contas em dia com o órgão transferidor, inclusive com referência a

recursos anteriormente recebidos;
• Aplicação dos percentuais constitucionais quanto à saúde e à educação; • Observância dos limites em operações de crédito (inclusive antecipação

de receita), restos a pagar, total da dívida mobiliária e consolidada e despesa total com pessoal;
• Contrapartida na LO orçamentária.

Obs.: é vedada destinação diferente da pactuada, cujas sanções não se aplicam à saúde, educação e assistência social (art. 25, §§ 2º e 3º, LRF). CAIXA DOS RPPS – não pode ser aplicado na compra de valores mobiliários do próprio ente (Estados e Municípios) nem para empréstimos de qualquer natureza aos segurados e ao Poder Público, incluindo empresas controladas (art. 43, § 2º, I e II, LRF). O art. 24, “caput”, LC 101/00, repete a regra da contrapartida quanto à seguridade social (art. 195, ° 5º, CF/88). Os Municípios com fundo previdenciário de RPPS devem observar o limite de 12% sobre a receita líquida nos gastos com inativos. Quando o percentual for ultrapassado, o TCE (ou TCM) deve alertar (art. 59, § 1º, IV, LC 101/00).
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STF, Plenário, ADI 2238 MC/DF, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, rel. p/ o acórdão Min. Carlos Britto, j. 8.8.2007, Informativo do STF n° 475.

Lei 4320/64).. CF/88). a Lei 4320/64. 9º. LRF). LO DOS ESTADOS E MUNICÍPIOS – poderão estabelecer limites menores para dívida fundada. 11. § 2º. § 9º. 165. Todavia. a segunda compreende as dívidas para com o Estado não sujeitas a lançamento ou não lançadas até então (art. § 1º. 59. ou proveniente de repasse de outras pessoas. • Lançamento – é o ato de verificação da procedência do crédito tributário e a designação da pessoa devedora. CF/88). 11. sem embargo do controle popular ou privado (art. Lei 4320/64). Lei 4320/64). patrimonial. DF e Municípios (art. 70. CF/88). 65. “caput”. da conversão de bens e direitos em renda ou de repasse de outras pessoas para o pagamento de despesas de capital (art. 39. PIB MENOR QUE 1% – prazos para adequação da despesa com pessoal e da dívida consolidada são duplicados (art. DEFINIÇÕES: • Tributo – está definido no art. ESTADO DE DEFESA OU DE SÍTIO – prazos suspensos para atendimento dos resultados fiscais.189 FISCALIZAÇÃO ORÇAMENTÁRIA (órgãos) – é feita pelo Legislativo (com auxílio do TC) e pelo controle interno de cada órgão (arts. § 2º. a anualidade na sua instituição não foi ditame observado pelo constituinte nas limitações ao poder de tributar (art. I e II. • Dívida ativa tributária e não-tributária – a primeira engloba todos os tributos. Lei 4320/64). 53. 66. inscrevendo-se o débito na chamada dívida ativa da Fazenda Pública (art. “caput”. Lei 4320/64). foi recepcionada pela ordem constitucional de 1988 como LC. “caput” e parágrafo único. 74. mobiliária. “caput” e § 1º. . Lei 4320/64. • Despesas de custeio – destinadas a manter serviços anteriormente criados (art. • Receitas de capital – são aquelas decorrentes do pagamento de dívidas. CALAMIDADE PÚBLICA. LRF). 12. Sua exigência. desde que destinadas a despesas correntes (art. deve observar a legalidade estrita (art. dentre outros princípios. 51. § 1º. • Receitas correntes – são aquelas de origem tributária. limitação de empenho fica dispensada (art. CF/88. Lei 4320/64). 60 LRF). 1º. industrial. RECEPÇÃO – em decorrência da disposição do art. operações de crédito e concessão de garantia (art. DESTINATÁRIOS – o diploma em relevo deve ser observado por todos os entes políticos: União. I a VI. sendo aplicável no que não conflita com a LRF. multas e créditos da Fazenda Pública lançados e não recolhidos ou cobrados no exercício de origem. “caput”. I. Estados. II e parágrafo único. e 71. etc. Lei do Orçamento (Lei 4320/64) – também traz regras orçamentárias. 150. LRF. Lei 4320/64).

comoção intestina ou calamidade pública) – art. visto que sua principal finalidade é cobrir seus déficits. 41. Lei 4320/64). Os especiais e suplementares dependem de prévia autorização legislativa e de recursos disponíveis. as quais serão arcadas mediante subvenções econômicas. • Inversões financeiras – compreendem aquisição de imóveis e bens de capital ou repasse da verba da Administração Direta para Indireta (art. 19. • Subvenções – são dotações destinadas a cobrir despesas de custeio de entidades beneficiadas (art. Lei 4320/64). “caput”. 12. porque aí constituiria subvenção social. não têm cunho social de atendimento do interesse público na prestação de serviço também público. é vedado auxílio financeiro para investimentos em empresas lucrativas (art. Obs. § 2º. “caput”. I e II. no mesmo raciocínio. § 4º. As inversões. salvo menção expressa em lei (art. § 5º. Não pode dizer respeito ao custeio do beneficiário. • Créditos adicionais – são as autorizações de despesa não computadas ou insuficientes na Lei de Orçamento (art. Em qualquer caso. Já os extraordinários seriam abertos diretamente por decreto executivo. desde fique patente o caráter econômico da operação. comunicando-se . educação e assistência social). § 3º. 42. Lei 4320/64). Lei 4320/64). § 6º. 12. I a III. podendo ser sociais ou econômicas (art. as subvenções não implicam em contraprestação da entidade beneficiada. Os investimentos representam dotação orçamentária para entidade para maximizar a prestação de serviços públicos. Lei 4320/64. sendo abertos por meio de decreto do chefe do Executivo (art. Lei 4320/64). “caput”. como guerra. enquanto as segundas são dirigidas a empresas governamentais ou particulares (arts. • Investimentos – são dotações para o planejamento e a execução de obras. Tem por finalidade majorar os meios das entidades estatais de fins econômicos. Lei 4320/64). equipamentos e material permanente e constituição ou aumento do capital de empresas que não sejam de caráter comercial ou financeiro (art. Lei 4320/64).190 • Transferências correntes – são dotações de despesas das quais não decorra contraprestação direta em bens ou serviços (art. I a III. 40. 16. 12. aquisição de instalações. inclusive as destinadas à aquisição de imóveis considerados necessários à realização destas últimas. Lei 4320/64). Lei 4320/64).: não haverá subvenção econômica a empresa de fim lucrativo. podendo ser suplementares (para reforço). 12. bem como para os programas especiais de trabalho. • Transferências de capital – são empréstimos entre entes da federação (art. ao contrário dos investimento. Lei 4320/64). ficando evidente o caráter social. 12. ressalvado o custeio de suas atividades. e 18. especiais (não constantes do orçamento) e extraordinárias (para despesas urgentes e imprevisíveis. § 3º. 21. 12. As primeiras são repasses de verbas destinados a entidades prestadoras de serviços públicos essenciais (sociais – saúde. Lei 4320/64).

• Pagamento de despesa – é o despacho de autoridade competente com ordem para pagar a despesa (art. Lei 4320/64). 71. Lei 4320/64). Tem por finalidade dar certeza à Administração acerca da despesa. 29. 61. além dos precatórios não pagos. 98. devendo se restringir ao limite de crédito correspondente (art. a teor do que dispõe o art. Lei 4320/64) – ato de autoridade competente que cria obrigação de pagamento para o Estado. • Elemento – é a unidade mínima a ser discriminada na planilha orçamentária (art. Cada categoria de despesa é prevista. Lei 4320/64). Lei 4320/64). 60. 44. “caput”. É documento que certifica a origem do gasto. o gasto público fica facultado para o administrador. 58. • Nota de empenho – documento que expressa o ato de assunção da obrigação de pagamento da Fazenda Pública para com credor. parágrafo único. Toda despesa depende de prévio empenho (art. 64. “caput”. • Fundo especial – é aquele cuja receita decorre de vinculação prevista em lei (art. 65. “Ex vi” dos arts. 62 e 63. “caput”. Lei 4320/64). Lei 4320/64). 62. Lei 4320/64). desde que prevista no orçamento. § 2º. bem como a dedução do saldo disponível (art. Lei 4320/64). “caput”. É efetivado pela tesouraria ou órgão congênere (art. 60. § 3º. “caput”. No entanto. Lei 4320/64. • Liquidação de despesa – é a verificação do crédito para com a Fazenda Pública. Lei 4320/64). “caput”. Lei 4320/64). 15. • Empenho global – é aquele sem discriminação de itens. o Presidente da República (e os governadores e prefeitos que têm vênia legal para tal) deve abri-lo por meio de MP. sendo permitido para obrigações contratuais de trato sucessivo (parcelamento) – art. com identificação do credor. e 30. 64. do objeto (motivo) e da quantia a ser paga. 14. CF/88. dentro da lei orçamentária anual. estão incluídos . sendo “conditio sine qua non” para o pagamento (arts. a qual é o único meio hábil instituí-lo (reserva legal). 59. 60. Lei 4320/64). contendo nome desse. • Dívida fundada (ou consolidada) – é obrigação estatal com exigibilidade maior que 12 meses (art. • Unidade orçamentária – é a unidade de bens e serviços subordinada ao mesmo órgão ou repartição (art. § 3º. • Empenho por estimativa – é permitido quando não for possível determinar o valor preciso da despesa (art. “caput”. a dívida com prazo menor que 12 meses. O documento é elaborado pelo setor de contabilidade (art. de sorte a enquadrá-lo dentro da despesa mensal. Mediante previsão em despesa mensal. Lei 4320/64). • Empenho (art. “caput” e § 1º. natureza e valor da despesa. segundo dotações de orçamento específicas. Lei 4320/64). § 7º. LRF.191 posteriormente o Legislativo (art.

• Resultado nominal – é o resultado único das receitas menos as despesas. p. p. Historicamente. não constitui simples fato opinativo. 1996. 105). excluindo-se a dívida pública (principal e juros). talhada por Silva.. 4º. 2003. valores magnos da democracia atual. Trata-se de dívida de curto prazo (FÜHRER e FÜHRER. Malheiros. São Paulo.192 na dívida consolidada. o orçamento é instrumento de efetivação da dignidade humana e da justiça distributiva (arts. p. 99). 2003. asseveram que há três ordens de mecanismos precípuos a tornar legitimo e efetivo o orçamento participativo: critérios firmes para aferir a verdadeira vontade popular. os autores afirmam a existência de dois centros de poder: um residente no exercício do voto pelo povo. e 44.. outro. O orçamento é tido como instrumento de intervenção estatal na economia. 250 Oliveira e Horvath. independentemente do efetivo pagamento. 2003. controle de sua execução também pelo povo. 2001. I a IV. vigorava a irresponsabilidade do governante (rei). depósitos e débitos de tesouraria (art. com caráter politicamente neutro (OLIVEIRA e HORVATH. . Para Ricardo Lobo Torres (apud OLIVEIRA e HORVATH. sob pena de inefetividade do instituto (OLIVEIRA e HORVATH. serviço da dívida a pagar. É exatamente nessa segunda seara que estaria incluído o orçamento participativo. p. • Regime orçamentário – pode ser de competência (que observa apenas a data do fato gerador da despesa – empenho –. era mera peça contábil. 2003. vinculação do governante às decisões tomadas. 106). p. O orçamento não pode ser mera peça financeira. O Estado de Direito e o princípio republicano mudaram o cenário. I e III. Para exemplificar a colocação. o qual poderá ocorrer no exercício seguinte) ou de caixa (em que a despesa é considerada somente no exercício em que for efetuado o pagamento). 2003. Lei 4320/64). 11ª ed. 23). Curso de Direito Constitucional Positivo. • Dotação – é a quantia prevista no orçamento para determinado tipo de despesa. III. 23) a definem com dívida de médio e longo prazo. • Dívida flutuante – é formada por restos a pagar (dívidas não pagas até 31 de dezembro do exercício de geração). Führer e Führer (2001. Posteriormente. No início. Com efeito. III. por meio de instituições populares. à luz dos arts. os mesmos autores mencionam a concretização do orçamento participativo municipal. 1º. “f”. incluindo a dívida pública. passim). passa a ser político e extrafiscal (OLIVEIRA e HORVATH. Lei 10257/01250. p. dentro da idéia de democracia participativa. fazendo com que o orçamento se limitasse a uma “peça de ficção”. 101). O Brasil adota um sistema misto: regime de competência para despesas e de caixa para receita. • Resultado primário – é a diferença entre receita e despesa. citando Genro. e 3º. nem apenas simples plano de governo. CF/88). Nesse passo. como decorrente da democracia participativa (SILVA. 92. op. p. Passa de diploma a colimar somente equilíbrio financeiro. 107). 1996. mas representa o compromisso político de cumprimento de promessas sérias levadas ao povo (OLIVEIRA e HORVATH. a consulta popular orçamentária. cit.

Tributárias. Receitas correntes são as seguintes (art. p.193 porque é através dele que se concretizam as prestações inerentes aos direitos sociais. Despesas de capital são relacionadas com investimentos do Estado em certo setor ou perante determinada necessidade pública. Lei 4320/64): • Investimentos. Quanto às receitas. Receitas de capital são aquelas que têm origem na assunção de dívida. 11. Transferidas. de cunho temporário e de “status” ordinário. Lei 4320/64): . seria autêntico ato administrativo. Serviços. Agropecuárias. § 4º. As receitas de capital são as seguintes (art. . Lei 4320/64): De custeio. A Lei 4320/64 traz a classificação legal de receitas e despesas nos seus arts. Receitas correntes são aquelas que resultam da atividade do Estado de uma forma ampla.Alienações de bens. 11. As despesas correntes são as seguintes (art. COntribuições. As despesas de capital são as seguintes (art. decorrente do seu poder de imposição ou de sua atuação como ente privado. • Transferências de capital. “caput”. 10-103) advogam pela natureza de lei em sentido formal do orçamento. Oliveira e Horvath (2003. assim como as despesas. . com o intuito de manter a “máquina estatal”.Amortização de empréstimos. § 4º. Lei 4320/64): Patrimoniais. Despesas correntes são realizadas no custeio do Estado. Industriais. . 12. os autores aceitam a tese da lei em sentido material. quanto às despesas.Transferências de capital (empréstimo a fundo perdido). “caput”. 12.Operações de crédito. Resultantes das transferências correntes. . 11 e 12. As receitas podem ser correntes ou de capital.

Plano plurianual – o plano plurianual estabelece um planejamento macro. § 5º. metas do ano anterior.194 Orçamento – é uma lei em sentido formal. 4º. 167. receitas. situação dos fundos. 2001. §§ 1º e 2º. e 5º. ressalta-se a previsão do art. Ademais. as quais executam atividade econômica “stricto sensu” – art. § 1º. 17. § 2º.: faz parte da Lei de Diretrizes Orçamentárias (art. 35. correspondente à anualidade do orçamento estabelecido pela lei orçamentária anual. Anexo de metas fiscais – metas anuais em despesas. 3º e 4º. Dentre eles. CF/88) e as transferências de capital (receitas transferidas excepcionalmente para outras entidades da Administração. §§ 1º. Configura um planejamento mais imediato que o plano plurianual. CF/88. LRF). ADCT). p. 165. CF/88). Lei de diretrizes orçamentárias – a LDO estabelece as metas e prioridades da Administração pelo decurso de um ano. LRF. 173. Orçamento é a peça técnica que demonstra as contas públicas para um período determinado. “caput”. a LDO estabelece diretrizes para a elaboração do orçamento (lei de orçamentária anual). como auxílios e subvenções). sob pena de responsabilização do administrador (arts. Deve ser apresentado pelo chefe do Executivo até o dia 30 de abril do primeiro ao de governo. do RGPS. Há três tipos de lei que o compõem: plano plurianual. § 1º. 18). comparativo com os três anos anteriores quanto ao patrimônio líquido. LRF). Obs. As despesas de capital abarcam os investimento (obras realizadas pelo Poder Público). I. as quais serão realizadas em prazo superior a dois exercícios. demonstrando a política econômico-financeira e o programa de trabalho do Governo. São previstas somente despesas de capital (investimento) e obrigatórias de duração continuada (art. tal qual estabelece o art. LRF. 4º. I. com devolução pelo CN até o fim da sessão legislativa (art. obedecidos os princípios de unidade. O art. LRF). LDO e lei orçamentária anual (art. vinculando o ente público. LRF). traz outros elementos da LDO. universalidade e anualidade (FÜHRER e FÜHRER. estabelecendo as formas como esse será implementado ao longo do exercício seguinte. 4º. § 2º. contendo a discriminação da receita e da despesa. CF/88. as inversões financeiras (injeção de capital em empresas governamentais. É um desdobramento do planejamento programa. estabelecendo o comportamento da Administração perante o dinheiro público. 165. fixando as atividades governamentais pelo decurso indicado. § 1º. Por conseqüência. demonstrativo de renúncia de receita (art. consubstancia documento programático. qualquer despesa que perdure por mais de um exercício depende de previsão ou compatibilidade com o plano plurianual. I a V. 4º. O plano plurianual é composto por despesas de capital e decorrentes de programas de duração continuada. . qual seja o Anexo de Metas Fiscais. resultados nominal e primário e montante da dívida pública nos três anos seguintes. objetivando as intenções da Administração por um período de quatro anos. Ao mesmo tempo. I a III. “caput”. do RPPS e do FAT.

. a teor do que determina o Anexo de Riscos Fiscais e outros fatos imprevistos no decorrer do exercício de execução. de obrigação contraída. . II. contendo receita dos três exercícios anteriores.Previsão de restos a pagar. . Traz. de sorte a orientar a elaboração da lei orçamentária anual. “caput”.Créditos adicionais: especiais. 165. com devolução até o fim do período legislativo correspondente (art. O Anexo acompanha o projeto de LDO (art. Lei 4320/64): o Mensagem do chefe do Executivo contendo: Exposição da situação econômico financeira (dívida fundada. além de analisar o realizado nos três anteriores. uma previsão e um diagnóstico em relação a seus itens constitutivos. . o Especificação dos programas especiais de trabalho a figurarem como dotação global (investimentos). creditícia e cambial. na verdade. do ano da proposta e do ano da aplicação. resultados e montante da dívida pública para o exercício de referência e os dois próximos. o Projeto de lei do orçamento.Limitação de empenho.Consonância com o plano plurianual. 35. § 1º. saldos de crédito especial. simultaneamente.Parâmetros das políticas monetária. .Critérios para transferências voluntárias (inversões financeiras e transferências de capital). Podem ser destacados os seguintes elementos componentes: . o Tabelas explicativas. 22. COMPOSIÇÃO DA PROPOSTA ORÇAMENTÁRIA (art. LRF). item atinente somente à União. . Exposição e justificação da política econômico-financeira. despesas. Obs. cuja competência exclusiva é do chefe do Executivo (art. ou seja. do ano da proposta e do ano da aplicação. § 2º. flutuante. incluindo metas de inflação. o qual deve incluir a reserva de contingência.: não é possível a previsão de crédito com finalidade imprecisa ou ilimitado. .Definição de despesas irrelevantes. Justificativa das despesas e receitas. restos a pagar e outro compromissos). I a IV. 4º. suplementares e extraordinários. CF/88). consubstancia a realização desse no exercício seguinte.195 De uma forma geral. O projeto de LDO deve ser apresentado pelo chefe do Executivo até dia 15 de abril do ano anterior à sua vigência. além de despesa do exercício anterior. é um documento que estipula as metas em receitas.Anexos de metas e de riscos fiscais. ADCT). .

III. Lei 4320/64. ADCT). ADCT). de transferências constitucionais da União aos demais entes federados. além de guardar-se juízo lógico quanto a créditos exauridos ou não previstos. “caput”. § 2º. sendo certo que o Parlamento deverá encaminhá-lo para sanção presidencial até o final do decurso considerado – 22 de dezembro. O projeto da LO anual deverá ser apresentada ao Poder Legiferante até quatro meses antes do encerramento do segundo período legislativo referente ao exercício anterior de sua vigência. Além dessas previsões. QUADRO DE RECURSOS E DE APLICAÇÃO DE CAPITAL – descreve as receitas e despesas de capital para um triênio ou mais (art. de acordo com o art. A proposta da LDO deve ser encaminhada ao CN até oito meses e meios antes do exercício financeiro ao anterior de sua vigência. 35. § 2º. considerando o estimado na proposta inicial. • Concessão para instalação ou funcionamento de serviço não criado anteriormente. dotação de pessoal e correspondentes encargos. • Concessão de dotação para início de obra não aprovada pelos órgãos competentes. 137) lembram que devem existir atualizações monetárias para os valores. a viger durante os quatro anos do mandato eletivo. § 3º. por meio de créditos especiais e suplementares. ou seja. ADCT). I e II. ADCT). § 2º. • Concessão de dotação superior àquelas fixadas anteriormente por resolução do Legislativo. tendo em conta o realizado e o saldo restante. § 8º. A inexistência de deliberação do CN pode suscitar convocação extraordinária do Legislativo. I a III. Lei 4320/64). CF/88. § 2º. O projeto de orçamento anual deve ser apresentado até o final de agosto do ano anterior à sua execução (art. 166. VEDAÇÕES A EMENDAS À LEI DE ORÇAMENTO (art. Nessas hipóteses. III. só sendo possível mediante a anulação de outro gasto. ADCT)251 leva à adoção do compêndio atualmente em vigor (art. devendo ser devolvido para sanção até o final da correspondente sessão legislativa (art. usa-se o orçamento anterior até a aprovação do atual. CF/88): Concordância com o plano plurianual e com a LDO. salvo erro material (art. 35. 32. devendo ser restituído pelo Legislativo até o final do primeiro período legislativo – 17 de julho. p. devendo ser aprovado até o fim da sessão legislativa. 23. II. por imperativo lógico. 33. o quadro deve ser atualizado. CF/88). temse aplicado. autorizando-se as despesas uma a uma. 35. Lei 4320/64): • Alteração de dotação para despesa de custeio já aprovada. aplica-se a previsão do art. por analogia. 57. o art. A cada ano. “a” a “d”. 166. § 3º. a teor do mesmo dispositivo já mencionado (art. “a” e “b”. § 2º. 35. CF/88. 35. o constituinte estatuiu outros requisitos para emenda à LO anual (art. Oliveira e Horvath (2003.196 Obs. De outra parte. “caput”.: o não envio da proposta orçamentária no prazo legal (art. I. contidos no orçamento anterior. Indicação da correspondente receita a custear a despesa. 166. 251 . III. Que trate de serviço da dívida. deve ser apresentado pelo chefe do Executivo até quatro meses antes do final do primeiro exercício. com redação dada pela EC 50/06 (art. quando não houver aprovação e o ano de execução já se inicia. 32. O projeto do plano plurianual. Lei 4320/64).

Havendo receita específica disponível. 5º. Lei 4320/64). 150. Deverão estar previstas e serem pagas no orçamento posterior. Caso se refira a despesa de plano plurianual. 2º “caput”. nesse último caso. o orçamento incluirá a elaboração de três peças distintas: o orçamento fiscal (da Administração . II e § 2º. o próprio orçamento indicará as fontes de receita. LRF). a ordem cronológica. I a III. CF/88). A atualização monetária da dívida pública tem como teto a variação preços prevista na LDO ou em lei específica (art. Conteúdo da LO anual – compatibilidade com o anexo de metas fiscais. I a VI. AUTORIZAÇÃO PARA O EXECUTIVO – a lei orçamentária anual poderá conter autorização para a Administração abrir créditos suplementares e realizar operações de crédito para antecipação de receita. dentro do possível. § 4º. desde que conste em campo apartado dentro do orçamento e seja observada. LRF). sendo certo que a alienação de imóveis depende de prévia autorização legislativa (art. à anualidade (Súmula 66 do STF. CF/88). A lei orçamentária anual é regida por princípios. de déficit de caixa. Lei 4320/64). 3º. § 4º. desde a promulgação da CF/88. a despesa poderá ser saldada no exercício posterior. parágrafo único. visto que a instituição ou majoração de tributos não obedece mais. as emissões de papel-moeda e outras entradas compensatórias (art. 4º e 57. Também não se baliza pela universalidade os tributos instituídos durante o exercício de execução do orçamento. LRF). será liquidada no seu último ano de vigência (art. I. Lei 4320/64). Nas operações de crédito. há abrangência de todas as despesas e receitas dentro do ente político considerado (arts. 3º. Lei 4320/64). Esse ditame não se aplica integralmente às receitas tributárias. Lei 4320/64). 5º. 7º. parágrafo único. reserva de contingência de acordo com o anexo de riscos fiscais. tudo dentro de cada elemento (art. “caput”. dentre os quais se destacam: Universalidade – todas as receitas e despesas devem estar previstas no orçamento. LRF). LRF). Na LO. demonstrativo de medidas de compensação para renúncia de receita e para aumento de despesa. Pela universalidade. são vedados crédito não específico e dotação ilimitada (art. 5º. § 5º. 5º. Lei 4320/64). não se incluem no orçamento anual as operações de crédito por antecipação de receita. já comentada). 5º. porquanto o princípio da anualidade foi excluído do rol das limitações constitucionais ao poder de tributar (art. sendo incluída despesa do Banco Central do Brasil (BACEN – art. Ademais. observância do plano plurianual e da LDO (art. dotação de despesa em LO não pode ultrapassar exercício. 6º. Pelo desiderato em tela. § 3º. dependendo. 166.197 EMENDAS À LDO – devem observar o plano plurianual (art. 36. 36. mas não liquidadas até tal data (art. “caput”. Entretanto. RESTOS A PAGAR – são as despesas empenhadas até 31 de dezembro do exercício previsto. demonstrativo de impacto regionalizado de despesas e receitas. salvo se incluído no plano plurianual (art. 37.

nele. O orçamento de investimento compreende a conta de todas as despesas e receitas das empresas que o Estado detenha a maioria de capital com direito a voto. 20. De acordo com a unidade. Entretanto. 34.198 Direta e Indireta de todos os Poderes). Não haverá. Anualidade – é lei de vigência temporária. Lei 4320/64). fiscal e de investimento. “caput”. CF/88). de 1º de janeiro a 31 de dezembro (art. Exclusividade – no orçamento. incluindo a saúde. § 5º. O orçamento da seguridade social engloba todas despesas e receitas relacionados ao sistema. da seguridade social (relativa às ações de saúde. segundo o art. a incidir no exercício financeiro. CF/88). de sorte a corrigir uma dotação orçamentária deficiente ou insuficiente. há sua divisão em três contas diversas. o orçamento não pode conter matéria diferente daquela atinente à sua essência. fez o . 165. a assistência social e a previdência social referente ao RGPS (art. § 4º. CF/88. o orçamento é um só diploma que regula toda a matéria. CF/88. Lei 4320/64). Unidade – a peça orçamentária é única. Lei 4320/64). englobando todos órgãos e entidades do Estado e aqueles a ele ligados. I a III. Esse comando não ofende a unidade. assistência social e previdência social) e fiscal (da Administração Direta e Indireta) – art. 194. o orçamento de investimentos (transferências de capital para empresas governamentais). É princípio que diz respeito ao aspecto formal do orçamento. excetuando-se a seguridade social. ou seja. Obs. I a VI. A lei orçamentária anual. de sorte a fazer uma projeção estimada desses gastos. em outras aplicações e em programas especiais de trabalho (art. 165. Lei 4320/64) – despesas pertencentes à categoria econômica investimento (art. Essa vênia prévia pode ser incluída na lei orçamentária anual.: deve haver discriminação da destinação da despesa. porque. CF/88. § 5º. “caput” e parágrafo único. 5º. 12. matéria estranha à sua essência. em que pese o orçamento ser único. não se admitindo dotações globais (art. 150. Essa regra é excepcionada no tocante à autorização para concessão ou obtenção de créditos suplementares (art. Em melhores termos. A implementação de créditos suplementares depende de pedido do administrador e autorização legislativa. somente estarão previstas receitas e despesas. salvo no caso de investimentos em projetos de obras. O silêncio do constituinte no art. 165. irá tratar dos orçamentos da seguridade social. a peça orçamentária deverá ser dividida em três contas: de investimento (referente às empresas controladas pelo Estado). O orçamento fiscal inclui todas as despesas e receitas da União e de suas entidades correlatas. Esses são aqueles que visam a redistribuição entre as categorias de despesas. o orçamento da seguridade social (inclusive entidades mantidas pelo sistema). § 8º.

e no art. há balizas que relativizam a atuação do administrador: saúde. 212. 37. Além disso. 157 a 159. CF/88. CF/88). De outra parte. Apesar de a execução de despesa (e sua previsão em orçamento) ser ato discricionário. No entanto. IV. 198. DF e Municípios. CF/88. Oliveira e Horvath (2003. Em sede de exceção. II e VII. o Garantias em operações de crédito por antecipação de receita – nos termos do art. Porém a discricionariedade do administrador na proposta e na execução do orçamento se baliza pela legalidade em sentido amplo. CF/88. nos termos do art. § 8º. Não-afetação – o art. o Gastos mínimos com educação – 18% para a União e 25% para os Estados. Cediço concluir que a proposta orçamentária e sua consectária vênia legislativa acabam vinculando o administrador. o Gastos com a administração tributária – de acordo com o previsto no art. 116) destacam duas classes de despesas consideradas coercitivas ao administrador: as continuadas de caráter obrigatório – incluindo as incumbências previstas no art. 77. 60. § 4º. p. 167. CF/88. 23. o administrador pode deixar de executar as despesas vinculadas. “caput”. ADCT. Tanto é assim que Oliveira e Horvath (2003. há dever jurídico do buscar-se o interesse público. verba de repasse do FPE e do FPM e percentual de transferência do IPI sobre expo’tações' (art.199 desiderato não alcançar a instituição de tributos no exercício de execução do orçamento. CF/88. o Gastos mínimos com saúde – estabelecidos pelo art. verdadeira decisão política. pagamento de servidores. CF/88). etc. quando existe situação premente. 108-109) chamam o orçamento de Lei de Meios. 165. muito pela jurisdicionalização de políticas públicas. serviço da dívida. incluindo os ditames do sistema posto. fundo ou programa. 167. Oliveira e Horvath (2003. Devem ser obedecidos os parâmetros estatuídos na LRF para a constituição de crédito público. bem como na formação do FUNDEB (art. II e III. CF/88 (serviços públicos essenciais) – e o custeio da máquina administrativa. 142) lembram que não seria possível a vinculação de receitas transferidas. p. como a razoabilidade e a proporcionalidade. Podem integrar essa garantia receitas de impostos estaduais e municipais. educação. XXII. . essa colocação tem autorizado o Judiciário intervir na seara do Executivo. p. I a XII. tal qual já delineado pelo STF na ADPF 45. o mesmo dispositivo ressalva a máxima em estudo: o Repartição constitucional de receitas – estatuída nos arts. § 2º. determina que as entradas definitivas decorrentes de impostos não podem se vincular previamente a despesa. CF/88. o qual deverá atuar dentro das condicionantes que se apresentam no plano fático. de sorte a demonstrar sua total impossibilidade. Aliás.

forte corrente. ADCT). § 8º.200 A lei orçamentária observa a LDO e o plano plurianual concomitantemente (art. Na esteira. Lei 4320/64. já que inexiste LC reguladora da situação. Antes do início da votação para deliberação no colegiado. § 1º. Os projetos de lei da peça orçamentária são de competência exclusiva do chefe do Executivo (art. I a III. naquilo que ainda não foi . 212. No entanto. e 77. CF/88). o Executivo deve deixar à disposição do MP. LDO e LO anual). além de outros requisitos (art. o orçamento vigente prorrogar-se-ia para o exercício subseqüente. II e III. Lei 4320/64: a lei orçamentária vigente é a aplicável. CF/88 (FÜHRER e FÜHRER. para que esses elaborem proposta orçamentária própria. 2001. CF/88) e saúde (art. 59. LRF): • Demonstrativo do cumprimento do Anexo de Metas Fiscais (previsão e diagnóstico). isto é. 32. 2003). Legislativa e Judiciário a estimativas de receitas. “caput”. CF/88). 59. CF/88. § 6º. p. veda que prefeito assuma compromissos financeiros para serem cumpridos após o término do mandato. como lembra Führer e Führer (2001. A doutrina se debate acerca de um possível projeto de orçamento rejeitado na integralidade pelo Legislativo. ficam proibidas operações de antecipação de receita no último ano do governo. capitaneada por Silva (1996). por analogia. Depois de apresentado os PL’s das leis do orçamento (PP. componente da LDO – art. “caput”. LRF). § 3º. a jurisprudência tem flexibilizado os percentuais constitucionais obrigatórios em despesas com educação (art. 5º. “caput”. operando autêntica ultratividade (OLIVEIRA e HORVATH. 198. • Reserva de contingência para cobrir passivo contingente de ricos eventuais e fiscais imprevistos (Anexo de Riscos Fiscais. § 2º. • Demonstrativo regionalizado sobre o impacto de receitas e despesas (art. 5º. é designada comissão mista do CN para analisá-lo e emitir parecer. na linha do que determina o art. No entanto. O não exercício desse dever-poder no prazo assinado leva ao estatuído no art. Até 30 dias antes de encaminhar o projeto de lei do orçamento anual. Lei 4320/54. O art. 4º. o art. conferindo-lhes os mesmos efeitos. Parte dos jurisconsultos entende que se aplicaria. 21). 165. o chefe do Executivo pode enviar mensagem aditiva para alterá-los. Lei 4320/64). defende que cada despesa deveria ser autorizada mediante lei específica. 32. p. 20). • Estabelecimento das medidas de compensação relativas à renúncia de receita (aumento de tributos) e às receitas obrigatórias de duração continuada. porquanto componente do projeto da LDO. § 2º. LRF). A vedação foi estendida aos demais mandatários das demais esferas estatais pela LC 101/00. 165. como foi o caso da declaração de inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo da PIS/CONFINS. assim como empenhar mais que o duodécimo da despesa prevista no orçamento vigente (art. 166. O STF equipara a não-devolução à rejeição total.

DJU de 23-4-04. exarando-se parecer prévio do TC (art. O constituinte usou terminologia análoga para estabelecer os parâmetros de controle do orçamento: legalidade. §§ 3º e 4º.050-MC. § 3º. 77. mesmo dentro de projetos de lei de iniciativa exclusiva do Executivo. CF/88252. 147). Terminada a análise pela comissão. o externo e o popular. O Executivo remete ao Legislativo a prestação de contas no prazo constitucional ou estabelecido na Lei Orgânica municipal. salvo São Paulo e Rio de Janeiro (art. § 5º. 82. como já disse o STF. Lei 4320/64. 166. podendo adequá-lo na medida de sua execução (arts. j. “caput”. Lei 4320/64). CF/88). Lei 4320/64). O controle prévio orçamentário foi tacitamente excluído pelo constituinte. 70. sendo objeto do balanço orçamentário (art. CF/88). § 2º. Emendas aos PL’s. não existe TC nos Municípios. legitimidade e economicidade (art. é amplo. Lei 4320/64): • Legalidade – com controle “prévio”. apesar de ser admissível eventual discussão em sede de responsabilidade civil do Estado – art. o PL é levado à apreciação pelo plenário das Casas Legislativa em sessão conjunta. apresentadas na comissão mista.: a previsão orçamentária de auxílio ou de subvenção a certa entidade não lhe garante direito subjetivo à exigência do crédito correspondente. O segundo pode ser concomitante ou subseqüente (art. dentro da leitura que o STF do art. concomitante e subseqüente (art. o Executivo abre “incontinenti” os créditos às respectivas unidades orçamentárias de forma trimestral. CONTROLE DA EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA – compreende três aspectos (art. CF/88 (OLIVEIRA e HORVATH. • Fidelidade dos agentes públicos responsáveis por bens e valores do erário. como é o caso das leis orçamentárias. porquanto esse não o previu expressamente. p. . § 6º. Lei 4320/64). § 4º. 37. com a ressalva de que não mais existe o controle prévio). 102. 2003. 166. rel. Espécies de controle – existem o interno. 252 253 STF. CONTABILIDADE – diz respeito a cinco tipos: • Orçamentária – preocupa-se exclusivamente com a execução do orçamento. CF/88). 31. Lei 4320/64)253. Obs. “caput” e § 1º. pois. Lei 4320/64). EXECUÇÃO DO ORÇAMENTO – em vigor a LO anual. Refere-se à aplicação da lei orçamentária. 82. Celso de Mello. Min. não poderão versar sobre dotações de pessoal e seus encargos. 75. Câmara dos Vereadores pode submeter o documento à perícia prévia de contadores nomeados (art. CF/88). I a III. • Cumprimento do programa de trabalho orçamentário – atribuição da controladoria interna. em regra. 47 e 50.201 peremptoriamente decidido (art. 166. devendo ser observados os limites constitucionalmente previstos na Carta Magna. I a III. sobre serviço da dívida e sobre transferências voluntárias a outros entes federados (art. 21-9-94. ADIn 1. 77. O poder de emenda.

ao contrário das verbas não alimentares (art. rel. • Contábil – é o meio instrumental para realizar a verificação das contas públicas. 191). • Industrial – engloba a atividade econômica exercida pelas entidades da Administração Indireta. a qual é mais abrangente. requisição para pagamento de débitos judiciais da Fazenda Pública (OLIVEIRA e HORVATH. 105. 2003. assim como a requisição de pequeno valor (RPV). deve ser pago imediatamente e com correção. trata-se de exame formal das contas públicas. • Patrimonial – traz o registro analítico de todos os bens permanentes. 100. 100. Em melhores termos. Oliveira e Horvath (2003) substituem essa previsão legal pela fiscalização operacional. I a V. p. 160).5. é possível o exame de constitucionalidade de EC254. Lei 4320/64) e serão remetidos às contadorias centrais dos entes políticos de vinculação no prazo legal. salvo se lei expressamente determinar sua vinculação à ordem do Legislativo (art. Lei 4320/64). O primeiro inclui o ativo/passivo financeiro (que independe de orçamento) e permanente (cuja mobilização ou alienação dependente de autorização legal). Para Oliveira e Horvath (2003. olha a entrada e a saída de dinheiro do erário. 103. não haveria qualquer termo final para apresentação do requerimento para requisição (ofício precatório). “caput”. Celso de Mello. mormente quanto ao seu trâmite legal. porque o constituinte nada falou sobre lapso de adimplemento. sendo materializada pelo balanço patrimonial e pelo demonstrativo de variação patrimonial (arts. Lei 4320/64). p. 104 e 105. Tais documentos seguirão o padrão de confecção da própria Lei 4320/64 (art. No diapasão. Com efeito. 161). ENTIDADES PARAESTATAIS (Administração Indireta) – terão orçamentos e balanços aprovados por decreto do chefe do Executivo. 2003. assim como o saldo patrimonial (art. Com base em pronunciamento do STF. Oliveira e Horvath (2003. CF/88. Na RPV. comportando o balanço industrial (art. 164) defendem que o precatório alimentar. 60. É uma análise da execução do orçamento quanto à evolução do patrimônio público. Lei 4320/64). Precatório é o ofício em que o juiz de primeira instância requer. § 4º.2001. 110. Min. “caput” e parágrafo único. consubstanciando o balanço financeiro (art. § 1º. porque contrariou o art. DJU 10. dando nova conformação ao sistema de pagamento de débitos judiciais da entidades públicas. ADIn 4662-600. 107. PRECATÓRIO – as EC’s 30/00 e 37/02 alteraram a redação dos parágrafos do art. CF/88.202 • Financeira – inclui débitos e créditos incluídos ou não no orçamento. §§ 1º a 4º. não sendo propriamente uma espécie de fiscalização. CF/88). o constituinte derivado exorbitou sua competência reformadora. Lei 4320/64). ao respectivo chefe do Judiciário enquadrante. “caput”. p. o próprio juiz da execução expede o ofício requisitório à autoridade encarregada do pagamento (OLIVEIRA e HORVATH. Lei 4320/64). 99. . 254 STF. p.

No ponto. não só aquela objeto da infração constitucional (OLIVEIRA e HORVATH. a verba deve ser buscada no patrimônio do beneficiário indevido. com redação dada pela Lei 11382/06. reconhecem a constitucionalidade da moratória estabelecida no art. Dessarte. não necessariamente o requerente da medida. qualquer preterido. mas sim de cautelar (OLIVEIRA e HORVATH. Lei 10259/01). O art. “De lege ferenda”. a jurisprudência entende que. 202) e a própria inércia da jurisdição. Mas ambos deverão ser pagos até o fim do exercício. ADCT. qualquer crédito alimentar continua preferindo a ambos. Oliveira e Horvath (2003. o art. 78. “caput”. 2003. o precatório deveria ser pago em parcela 255 STF. a constrição engloba qualquer quantia pública. o prazo para adimplemento de RPV é de 60 dias a partir do recebimento do ofício pela Procuradoria da AGU (art. 17. 177). 78. o seqüestro fica autorizado. IV. 2003. com a receita seqüestrada. CF/88. para pagamento de precatórios. 33. Trata-se de comando absoluto. 2003. conquanto não se trata de tutela satisfativa. Não sendo possível. com já disse o STF. 100. ADCT. têm preferência sobre o primeiro décimo devido àqueles abarcados pelo art. autoriza o seqüestro de quaisquer verbas públicas. pode requerer a cautelar em comento. em primeiro plano. 2003. O seqüestro é autorizado quando existe preterição na ordem de pagamento. cujo rol pode ser considerado “numerus appertus”. 100. não alcançando a mera inadimplência do Poder Público. reforça a tese apresentada. Oliveira e Horvath (2003. § 2º. p. 33. 166). . p. No âmbito da União. “caput”. 193) defendem a inclusão da verba honorária sucumbencial na relação. “caput”. “caput”. 87. No entanto. incluindo os honorários dentro dos alimentos impenhoráveis. pelo não-adimplemento do décimo anual no lapso legal ou pela não-inclusão da dotação no orçamento. 100. a medida pode recair sobre numerário estatal. na linha do entendimento do Excelso Pretório. mesmo que à pretensa vantagem da Fazenda em obter descontos. ADCT. § 2º. 204). Por fim interessante rememorar que os credores alcançados pelo art. 649. no exercício do múnus público de autêntico de fiscal da lei na ordem de pagamento. p. descabendo qualquer tentativa de justificar a preterição da seqüência. como já disse o STF. Nesse sentido. como já cristalizou entendimento a jurisprudência da Corte Máxima255. p. IF 139-1/SP. CF/88 (OLIVEIRA e HORVATH. p. porque é norma decorrente do Poder Constituinte originário. superado o interregno assinalado de oito anos sem qualquer adimplemento. Min. haja vista a cristalina determinação do art. Ademais. p. Oliveira e Horvath (2003. CPC. De fato. ADCT. será pago o primeiro da fila. 202). ADCT. 192) entendem que o decurso razoável seria de trinta dias. O seqüestro não pode ser decretado “ex officio”. porque fora da ordem de apresentação dos precatórios. além de pela inobservância na ordem de pagamento. O precatório alimentar tem definição no art. Nesse passo. p. “caput”. rel. sob pena de seqüestro (OLIVEIRA e HORVATH. No entanto.203 não havendo de se falar em qualquer interferência ou controle por parte do tribunal enquadrante. Nos créditos sujeitos à moratória do art. § 1º-A. os legisladores locais e regionais poderão estatuir decurso e montantes diferentes daqueles constantes no art. Sepúlveda Pertence. CF/88. I e II.

A terceira determina que o administrador deve realizar a despesa de forma mais otimizada em relação ao custo-benefício. pois o administrado pode denunciar irregularidades perante TC. Um terço deles é escolhido pelo 256 Súmula 6 do STF: “A revogação ou anulação. 70. CF/88). ressalvada a competência revisora do Judiciário”. No ponto. A primeira se relaciona ao atendimento do interesse público. XXXVI. No sistema doméstico. no exercício de suas atribuições. Controle externo – o TCU é órgão auxiliar do CN. “caput”. CF/88). acaba proferindo decisões. Ao contrário do anterior. por seu saldo restante (OLIVEIRA e HORVATH. ADCT. 73. observância de documentação e demais formalidades normativas. Além desses. CF/88. por ser obra da competência constitucional derivada. realizando o conseqüente julgamento. concomitante e posterior. O órgão é formado por nove ministros. mediante o preenchimento dos requisitos do art. não há controle prévio. Lei 4320/64. “caput”. 75. ou qualquer outro ato aprovado pelo Tribunal de Contas. pelo Poder Executivo. a disposição do art. porquanto o legislador optou pela jurisdição una (art. Analisa as contas dos administradores públicos. XXXV. 70. 196). a isonomia. 2003. “caput”. 77. p. no art. previsto no art. inicialmente e de forma ampla. O controle leva em conta os critérios da legitimidade da receita. 73.. § 1º. Cumpre à autoridade superior verificar a legalidade dos atos. o princípio do pagamento dos débitos judiciais fazendários pela via do precatório. não cabendo mais a colocação da fiscalização anterior ao gasto. não podendo ser obstada a despesa antes do início de sua realização. de aposentadoria. . 78. pode apreciar a constitucionalidade das leis e dos atos do poder público”. o art. Dessa forma. legalidade e economicidade. “caput” e § 3º. ressalvado o sistema de controle interno (FÜHRER e FÜHRER. 184). pode haver controle privado ou popular. CF/88 (OLIVEIRA e HORVATH. apesar dessas não ter natureza jurisdicional (Súmulas 6 e 347 do STF)256. 22). o direito adquirido. gozando de um “status” semelhante ao Parquet em relação ao Executivo. p. a fidelidade funcional dos agentes da Administra. segundo os arts. CF/88). p. não produz efeitos antes de aprovada por aquele Tribunal. p. p. a justa indenização e a própria segurança jurídica. 2003.204 única. A fiscalização poderá ser interna (pelo próprio órgão) ou externa (pelo CN. “caput”. CF/88. uma vez que o constituinte fala em controle de legitimidade da despesa – art. 22). Súmulas 347 do STF: “O Tribunal de Contas. deve ser lido à luz do ordenamento vigorante. CF/88. CF/88 (OLIVEIRA e HORVATH. “caput”. Lei 4320/64) (FÜHRER e FÜHRER. O controle interno baseia-se na hierarquia. o TC pode adentrar ao mérito dos atos por ele fiscalizados. 5º. Controle orçamentário – está previsto. o cumprimento do prgrama de trabalho (art. isto é. § 2º. I a IV. A segunda diz respeito à previsão legal. Elas podem ser reapreciadas pelo Judiciário. 74. Apesar de não deter jurisdição (força definitiva de decisão). viola a coisa julgada. XXIV. “caput”. com prerrogativas inerentes aos congêneres do STJ (art. 71. 213). Essa prerrogativa não alcança o Judiciário. 2003. e 100. 2001. 5º. 2001. O controle externo é realizado durante e após a realização da despesa. com auxílio do TCU – art.

73. Carlos Britto. 224). No âmbito municipal. 2003. dois dentre auditores e membros do MP junto ao tribunal.2007. essa disposição encontra-se obstada por cautelar deferida pelo Supremo258. 56. no caso da União – art. Na mesma cautelar. orig. Nota-se que o exame realizado pelo TC é técnico e administrativo. Lei 4320/64). rel. cabendo a este indicar um dentre auditores e outro dentre membros do Ministério Público e um terceiro a sua livre escolha”. “caput”. devem ser preenchidos por todos (OLIVEIRA e HORVATH. CF/88. sendo formado por sete conselheiros (art. O STF já disse que 1/3 dos conselheiro são escolhidos pelo Governador. As funções do TC estão enumeradas no art. p/ o acórdão Min. 2003. 257 . § 2º. 71. mediante lista tríplice elaborada pelo próprio TCU e com prévia aprovação pelo SF. Ilmar Galvão. CF/88). p. quanto ao chefe do Executivo. atualmente correspondendo às cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro. inclusive na plenitude das atribuições. Os requisitos subjetivos do art. “caput” e parágrafo único. Lei 4320/64). e o restante. o TCU tem função meramente opinativa. cabe ao TC comunicar ao Presidente do Legislativo para medidas cabíveis (OLIVEIRA e HORVATH. Segundo o STF. 2003. 8. Apesar de haver vedação à criação de órgão. alternadamente. com exceção do Presidente da República. Ademais. 82. a ser obrigatoriamente reproduzida pelo constituinte decorrente (Súmula 653 do STF)257. Os TCE’s (e TCM’s. podendo CE ou lei orgânica municipal dispor de forma contrária (art. Min. Se o Presidente. 224). CF/88). lembrase que os TCM’s instituídos antes de 1988 permanecem em funcionamento. os TCE’s limitam-se a prestar auxílio técnico às Câmaras Municipais e a analisar as contas dos prefeitos. Nessa última hipótese. Informativo do STF n° 475. o STF posiciona-se favoravelmente que TCE crie repartição específica para atuar perante determinado Município. 75. também se encontra com a eficácia suspensa. I e II. I a XI. pelo CN (art. “caput”. mas as indicações do chefe do Executivo estadual não precisam ser submetidas à sabatina do Legislativo. quatro devem ser escolhidos pela Assembléia Legislativa e três pelo Chefe do Poder Executivo estadual. CF/88. § 1º. o prazo é de 60 dias para emissão do parecer pelo TC. ADI 2238 MC/DF. LRF. O documento será encaminhado ao Parlamento. conselho ou tribunal de contas municipal após a promulgação da CF/88 (art. § 4º. 31. o qual determina que as contas dos demais Poderes (Legislativo e Judiciário) e do MP sejam apresentadas conjuntamente com o Executivo. e 2/3 pela Assembléia Legislativa. o TCU emite parecer. XXIV. não podendo proferir determinações à Municipalidade (OLIVEIRA e HORVATH. composto por sete conselheiros. Trata-se de norma central. cuja gestão será analisada pelo plenário do CN (art. o art. Súmula 653 do STF: “No Tribunal de Contas estadual. Em tese.205 Presidente da República. destacando-se as seguintes: • Competência para julgar contas de administradores de dinheiro público. CF/88). “caput”. p. que irá acatá-lo ou não. No entanto. Governador ou Prefeito não apresentar as contas no interregno assinalado (60 dias a partir do início da sessão legislativa. quando existentes) observam a composição e formação do TCU. § 1º. 73. rel. 82. j. CF/88).8. 84. o qual poderá rejeitar ou aprovar a contabilidade (art. 258 STF. p. Plenário. 216). LRF). A discordância exige quorum de 2/3 do Legislativo para aprovação. 57.

comunicando o Legislativo em seguida (art. X. • Fiscalização sobre verbas repassadas a outros entes federados e entidades públicas ou privadas. partir da comunicação do tribunal. 71. CF/88). com respectivo registro. a decisão se defere a esse. As multas implicarão em título executivo extrajudicial. Essas inspeções e auditorias contábeis. 71. quando da responsabilidade de agentes públicos por ilegalidade ou por irregularidade. etc. com todos os . • Controle sobre atos de admissão de pessoal e de concessão de inatividade remunerada (aposentação. reforma ou pensão). comunica o Poder enquadrante da UA irregular. 72. nessa hipótese. p. “caput”. como multas. CF/88). § 1º.206 não político. • Sustar atos que não observem legalidade. quando houver solicitação pela comissão mista de orçamento e finanças no âmbito do Legislativo (art. não mais existe o controle prévio de despesa. prescindindo-se de inscrição em dívida ativa. Deve assinar decurso para retificação da ilegalidade. Não sendo possível a convalidação. aquele que se beneficiava poderá se defender perante o órgão. § 4º. 70. mormente por intermédio de auxílios e de subvenções. da legitimidade e da economicidade das despesas (art. financeiras. como lembram Oliveira e Horvath (2003. CF/88). 219). • Emitir parecer sobre despesa constante do PL de orçamento anula. Nessa faina. “caput”. deve haver prática de novo ato com efeitos “ex tunc”. Trata-se da fiscalização propriamente dita. o TC susta a execução. embargo de obras. operacionais e patrimoniais se realizam em qualquer unidade administrativa (UA). preconizando que. de sorte a ratificar aqueles passíveis de revalidação. em princípio. • Realizar auditorias a pedido de órgãos ou entidades públicas. em um típico controle concomitante. Se qualquer desses não se pronunciar a respeito em 90 dias. em um processo administrativo em que possa haver reforma de ato administrativo. sempre sob os auspícios da legalidade. § 3º. orçamentárias. As medidas impostas devem estar previstas em lei. CF/88). • Aplicar sanções. CF/88). sendo certo que contratos devem ser obstados. 71. p. As decisões do TCU que impliquem em imputação de débito ou de sanção terão eficácia de título executivo (art. deve prestar contas de sua atuação ao próprio Poder enquadrante (art. Ademais. legitimidade e economicidade. CF/88).. 217). Para Oliveira e Horvath (2003. A Súmula Vinculante 3 do STF trata do TCU. dentro da esfera de atribuições do próprio TC. Se o TC encontrar entraves. porque seu órgão auxiliar (art. 71. só havendo de se falar em fiscalização posterior e concomitante. Não é mais necessário registro anterior de ato ou de contrato para a realização do gasto público. • Atendimento a qualquer solicitação do Legislativo. diretamente pelo Legislativo ou pelo próprio Poder fiscalizado.

disparando os diversos sistemas de alerta e de restrição financeira previstos na LRF. • LDO. cumpre destacar o relevante papel desempenhado pelo Ministério Público. 48. § 4º. pois. das operações de crédito realizadas e eventuais medidas corretivas levadas a cabo. o qual contém o balanço orçamentário e outros demonstrativos do período. como lecionam Führer e Führer (2001. nessa hipótese. Depois do período legal para saneamento. p. dos gastos com pessoal. excetuando-se refinanciamento do principal da dívida mobiliária. • Participação popular e audiências públicas. Os limites da dívida pública são verificados a cada quadrimestre. A cada bimestre. III. • Prestação de contas e parecer prévio. Nesse contexto. das concessões de garantias. 37. 22). a partir do art.207 sucedâneos do contraditório e da ampla defesa. Esse comando não se aplica quando o ato se refira à legalidade de concessão inicial de aposentadoria ou benefício. 223). o Parquet é órgão que tem incumbência de velar pelo patrimônio público de modo amplo. LRF: • Planos. Instrumentos de transparência da gestão fiscal (inclusive em meio eletrônico) – art. CF/88. No seu mister fiscalizatório. nos termos do art. p. Com efeito. . • Orçamentos. Ainda dentro do sistema de controle externo. Dentre eles. Esse balanço quadrimestral embasará eventuais ações de contenção de gastos. é publicado o Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREX). Se ultrapassados. ao inquérito civil e à própria ação por improbidade administrativa. podem ser sanados nos três quadrimestres seguintes. A cada quatro meses. desde que haja redução de 25% no primeiro deles. o TCU se limita a aplicar à lei. 129. • Relatório de execução orçamentária e de gestão fiscal. e da Lei 8429/92. o qual demonstrará a observância dos limites legais da dívida pública. especial atenção deve ser dada à ação civil pública. é publicado também o Relatório de Gestão Fiscal. CF/88. além das demandas penais. a existência de situação desfavorável não permite que o ente receba transferências voluntárias. falecendo direito ao contraditório e à ampla defesa ao beneficiário. segundo advogam Oliveira e Horvath (2003. o TC tem autorização para quebrar sigilo bancário e fiscal por força própria. fica autorizada limitação de empenho e proibida operação de crédito. Goza de vários instrumentos extrajudiciais e meios judiciais para fazer recompor o erário e para responsabilizar aqueles que o maculam. “caput”. Trata-se de matéria de direito e não de fato.

Créditos adicionais – são autorizações de despesas. .208 DEMONSTRATIVOS – deverá haver separação entre órgãos. e 53. Nesse caso. configurando operações de crédito público (captação externa de recursos). De outra parte. pendendo inconstitucionalidade. finalidade pública devidamente comprovada. fazendo surgir a categoria em comento. . O crédito correspondente deve ser reforçado. mormente os suplementares. 52. O Senado controla as operações de crédito. 51. a MP deve ser “incontinenti” submetida ao Legislativo. § 1º. Os extraordinários poderão ser obtidos por meio de MP.Extraordinários – são destinados a despesas urgentes e imprevistas. Os créditos especiais e suplementares dependem de autorização legislativa específica. Os limites da dívida mobiliária da União são estabelecidos por meio de lei de iniciativa exclusiva do Presidente da República. Administração Indireta e previdência (art. LRF). § 3º.Suplementares – a previsão de despesa foi insuficiente. como guerra. ao menos por meio de autorização genérica. ou seja. § 2º. NÃO APRESENTAÇÃO DO RELATÓRIO DA EXECUÇÃO DO ORÇAMENTO OU DA GESTÃO FISCAL – ente fica passível de sanções diferentes daquelas previstas para inobservância dos limites legais. 62. Fá-lo-á por meio de empréstimos. autorizando operação de crédito externas e dispondo sobre garantias para a realização dessa última. não pode receber transferências voluntárias e contratar operações de crédito. I a III. Créditos públicos – além das receitas originárias. CF/88). Lei 4320/64): . parágrafo único. Podem ser de três tipos (art. seguindo o reexame imediato pelo Poder Legiferante correspondente (Assembléia Legislativa ou Câmara Municipal). 41. “caput”. comoção intestina ou calamidade pública. derivadas ou transferidas. 51. Lei 4320/64. o Estado pode obter entradas por meio de endividamento. podendo estabelecer limites inclusive para o montante da dívida pública consolidada e mobiliária de Estados. I a III. exceto as destinadas ao refinanciamento do principal atualizado da dívida mobiliária (arts. § 5º. 49. . § 2º. vênia legislativa específica quanto à operação a ser realizada. previsão orçamentária. MUNICÍPIOS E ESTADOS – deverão encaminhar. fundos. atualmente são obtidos por MP. 40. O resultado do crédito público é a dívida pública e a captação de recursos. LRF). Apresentam as seguintes características: obrigação bilateral. entre 30 de abril e 31 de maio.Especiais – inexiste previsão de certa despesa no orçamento. justamente porque presentes os requisitos de relevância e urgência (art. previstas no art. Apesar do exposto. de acordo com a tríade das contas orçamentárias (art. Estados ou Municípios que eventualmente não tenham competência para elaborar MP pode autorizar créditos extraordinários por meio de decreto. demonstrações do exercício anterior (art. Essa situação corrente não encontra guarida na Carta vigente. DF e Municípios. CF/88). I e II. todos os créditos adicionais. LRF). 165.

o princípio da autonomia da vontade cede lugar à autonomia privada. em autêntico ajuste consensual). a qual autoriza. 234). p. . É a doutrina do argentino Drago (apud OLIVEIRA e HORVATH. a teor dos contratos privados. p. Léon Duguit (apud OLIVEIRA E HORVATH. V a VII. * O ato-condição é a Resolução do Senado (art. VII. em contratar. como disse Geraldo Ataliba (apud OLIVEIRA e HORVATH. impende a liberdade de contratar. 232). 22. o ato-condição. p. o empréstimo público seria movimento de caixa. isto é. como lembrar Oliveira e Horvath (2003. É a idéia da doutrina majoritária francesa e de Cretella Júnior (apud OLIVEIRA e HORVATH. seria regido pelo Direito Público. CF/88. apesar de não vigorante no âmbito doméstico. não poderia ser objeto de execução específica. p. É contrato administrativo – dentro da mesma idéia anterior dos dois momentos de formação do empréstimo. O mecanismo dos empréstimos públicos. ato-subjetivo. a avença celebrada. O primeiro é a autorização legislativa para contraí-lo. o qual estabelece a regência para determinada situação jurídica. em estabelecer as cláusulas. conquanto formam-se crédito e débito co-respectivos (OLIVEIRA e HORVATH. o qual seria a efetiva ocorrência do fato à luz dos dois anteriores. não propriamente a liberdade contratual (ao contratar. segundo Oliveira e Horvath (2003. CF/88). restringe e regula as operações de crédito. o qual seria regido pelo Direito Privado. É a posição prevalente. sendo posição atualmente ultrapassada. 2003). Dessa forma. p. CF/88). 231). p. 233). que têm autêntica essência tributária à luz do art. segundo Oliveira e Horvath (2003. 2003. o contrato administrativo de empréstimo tem suas cláusulas elementares exprimidas pela lei autorizadora. 238) classificou os atos estatais em três categorias: ato-regra. sendo possível distinguir três correntes: É ato unilateral de um Estado – decorrente de sua soberania. referente ao segundo momento. 243) defendem que as operações de antecipação de receita não são empréstimos públicos. limita. ato de soberania do Estado. 2003. É contrato privado – existem dois momentos para a consubstanciação de crédito público. a natureza dos empréstimos públicos é motivo de celeuma na doutrina. O segundo é a celebração do contrato em si. I e II. De outra feita. 148. inclusive com cláusulas exorbitantes previstas na lei de autorização. porque se balizam pelo direito comum. 238). Oliveira e Horvath (2003.209 Excluindo-se os empréstimos compulsórios. p. 52. que estatui condicionantes para a ocorrência jurídica do fato. Sob o aspecto financeiro. p. enquadrar-se-ia perfeitamente na classificação aduzida pelo mestre francês: * O ato-regra é a lei a disciplinar os empréstimos públicos (art. 2003. 2003. 234). necessário afirmar que os ditames do “pacta sunt servanda” e da boa-fé objetiva estão presentes nos contratos de empréstimos públicos. Ademais.

O agente não tem o poder de impor sanção pelo descumprimento do estabelecido normativamente. muito pelas quais as fontes do Direito Público Internacional vedam tais práticas. A forma mais corriqueira de operação de crédito se dá através de emissão de títulos da dívida pública. os Estados e organizações internacionais credoras podem usar sanções indiretas por força própria. O art. pretensa credora do ente público. veda operação de crédito entre os entes federados. No ponto. não se imiscui operação de crédito com transferência voluntária. 35. Além disso. p. a qual é realizada a fundo perdido. Realizará essa fiscalização por meio de verificação se os patamares foram observados. inclusive das empresas públicas a eles atreladas. a despesa é considerada nula. não sendo vinculante em relação à autoridade ou órgão que tem incumbência sancionadora. recebendo o Estado a contraprestação pecuniária. 32. devolvendo-se o valor ao credor sem qualquer acréscimo (juros. LRF. No ponto. é permitido indicá-los como garantia em execução fiscal uma vez que tenham cotação em bolsa de valores. a ser operado pelas próprias instituições financeiras credoras. Não se encontra na proibição empréstimo por meio de instituição financeira estatal e ente federado. p. Na via jurisdiciona internacional. taxa administrativa. como o embargo comercial. à luz do parecer do Ministro da Fazenda. LRF). correção. 35. Moratória e bancarrota são meios unilaterais que o Estado devedor tem para mitigar o pagamento da dívida. emitindo parecer. 30) lecionam que o legislador criou um sistema difuso de controle das operações de crédito. Não atendidos os requisitos da lei. A instituição financeira. Führer e Führer (2001. 2003. direta ou indiretamente. como o próprio FMI e a OMC. geralmente os entraves são resolvidos por arbitragem. O documento tem um caráter técnico. as quais sempre deverão ser secundadas por renegociação do “debitum”. “caput”.210 * O ato-subjetivo é a celebração do contrato administrativo pela entidade pública. Amílcar de Araújo (apud OLIVEIRA e HORVATH. O art. o que pode sugerir grave prejuízo à financeira. De outro lado. etc. em que pese a existência da Corte Internacional de Justiça e de órgãos da ONU com atribuições correlatas. incluindo outras pessoas públicas de Direito Público a ele vinculadas (art. 228) lembra que a execução específica e a recorrência a meios militares não mais têm vez para cobrar débitos de operações de crédito externas hodiernamente.). Os títulos são colocados à venda. visando garantir equilíbrio e harmonia no âmbito da federação. Uma pessoa política não pode fazer empréstimos a outra. por meio de entidades a eles ligadas. deverá verificar se as condicionantes legais foram observadas. “caput”. LRF. desde que haja previsão legal. Essa permissão não será aplicada quando o crédito for destinado a pagamento de despesas correntes (custeio) nem a refinanciamento . Essa operação em particular produz uma categoria específica de dívida pública: a mobiliária. § 1º. diz que o Ministro da Fazenda controlará os limites e condições para realização de operações de crédito dos entes federados. Eles podem ser usados para quitação de tributos.

32. LRF). I a II. Por fim. 35. o Observância de limites e condições estatuídas pelo SF. LRF). salvo antecipação de receita. § 1º. excluindo REFIS (art. I. LRF): o Requerimento do interessado. 31). “a disposição se afigura inconstitucional no que se refere à parte das transferências cujo fim é vinculado”. § 1º. Obs. As operações de crédito dependem do atendimento dos seguintes pressupostos (art. LRF). que o ente público ofereça receita pública futura como garantia. o Outras restrições estabelecidas pelo legislador complementar.211 com outra concedente (art. LRF (art. os requisitos para o recebimento de transferências voluntárias – art. 40. 40. São aquelas decorrentes de repasses constitucionais e legais (art. LRF). p. As garantias podem ser: • Pessoais – é o caso de aval de banco ou da União em favor de Estados ou de Municípios. LRF). “b”. em crédito adicional ou lei específica. 167. § 1º. o Expressa autorização em LO orçamentária. com autorização específica desse no caso de operação de crédito externo. II. Entre entes federados (inclusive na Administração Indireta) e entre ente e sua instituição financeira (inclusive o BACEN). 167. com demonstração contábil e jurídica da viabilidade na relação custo-benefício e no atendimento do interesse social e econômico. o Contrapartida em receita prevista na LO ou em crédito adicional. nas operações de crédito. 35. premente lembrar que dívidas contraídas anteriormente à LRF podem ser objeto de refinanciamento. LRF). II. § 3º. Maiores que as despesas de capital (art. 40. 38. § 2º. CF/88). I a VI. 2: é proibida antecipação de receita no último ano de mandato do Executivo (art. III. Obs. deverão ser observadas. IV. III. o Não superação do valor em despesa de capital. 35. salvo autorização do CN por maioria absoluta para inclusão em crédito suplementar ou especial para o caso específico (art. GARANTIA pode vir de contragarantia de transferência constitucional (consignada) pelo garantidor (art. § 1º. . § 1º. LRF). salvo entre aquela e ente federado distinto (art. Para Führer e Führer (2001. 35. 1: é vedada a realização de operação de crédito (art. § 1º. LRF). Se for prestada pela União em relação a instituições internacionais de financiamento e fomento. CF/88). I a IV. além das condições para garantia interna. 25. É possível. “caput”.

I. realizado até 10 de dezembro do mesmo exercício (art. caracteriza uma discrepância técnica. Para eles. Com referência ao prazo de pagamento. porquanto é prerrogativa funcional e política de seu cargo a decisão sobre a oportunidade e conveniência a efetivação. o ato seria vinculado. “a”. I e II. 167. CF/88). Nesse passo. A correção monetária a ser aplicada nos empréstimos públicos depende da lei autorizadora e da disposição do instrumento do ajuste. Oliveira e Horvath (2003. “a”. Dos Estados nos Municípios – quando não pagou a dívida contraída por dois anos consecutivos (art. os empréstimos públicos podem ser externos (aduzidos por Estados ou por organizações internacionais) ou internos. envolvendo mais de um exercício. vinculação de receitas de impostos de competência própria do tomador ou decorrente de transferências obrigatórias (art. No tocante à praça de pagamento (ou à localização do credor). LC 101/00). 35. apesar de constituir ato discricionário. não concordam com a leitura feita pelo Excelso Pretório. mesmo que haja vênia judicial. Extinção do crédito público – pode se dar de quatro formas diversas: . consoante comentário já feito anteriormente. etc. como já disse o STF. com mais . CF/88. como: hipoteca sobre bens públicos dominiais. V. a ser demonstrada pela unidade intervinda. o mandatário não está coagido a exarar a medida. Classificações – quanto ao aspecto subjetivo (característica do devedor).Por resgate – o qual pode ser à vista ou por amortizações. pagando-se devidamente o devido. o Consolidada – não existe pagamento do principal. a dívida deve ser contraída até 10 de janeiro e o adimplemento. e 35. os créditos públicos podem ser federais. Intervenção e dívida fundada – é permitida pelo não pagamento do débito nas seguintes condições: Da União nos Estado – quando esse estava pagando e suspendeu por decurso maior que dois anos (art. Observa-se.212 • Reais – podem ser constituídas de diversas formas. 244). etc. CF/88). Pode ser índice oficial legal. emissão de títulos da dívida pública mobiliária. p. classificam-se em: o Flutuante – o pagamento é previsto para ser feito em curto prazo. o Fundada – o pagamento é feito em longo prazo. só incidindo sobre juros. I. comentando essa última hipótese. que a LRF trata de dívida fundada e consolidada como sinônimos. A decretação da intervenção não será feita se houver motivo de força maior. 38. menos que 12 meses. Os motivos espelhados nos arts 34. em tese. cotação do ouro. 34. o que. V. ensejam decreto “ex officio” do chefe do Executivo. CF/88). moeda forte estrangeira. . estaduais ou municipais. § 4º.Por conversão – há opção do credor em receber o montante com juros menores ou manter a dívida para recebimento futuro. Nesse contexto.

. seguindo respectivamente a Constituição Estadual. possa prevalecer. “caput”. LC 101/00? Resposta: cuidado.Por consolidação – trata-se. e 52. de novação objetiva. 249). 100. Pergunta: o que é considerada despesa irrelevante (art. apenas funcional e administrativa. LC 101/00. Nos Estados. VI. tendo em vista estar inserida na Seção “Dos Orçamentos” na Constituição Federal e ser esta Comissão aquela apta a praticar a fiscalização externa orçamentária. 2003. a Defensoria Pública não possui autonomia financeira. a Lei Orgânica e. sem perder de visa que o pagamento se dá na forma de precatórios (art. As aferições serão estabelecidas pelas pessoas políticas em face dos valores de despesas apontados pelas leis (orçamentárias) anteriores. subsidiariamente. 88. tornando inexigível seu direito de crédito. I. § 1º. Execução do crédito público – segue o rito ordinário ou o procedimento para títulos executivos extrajudiciais. 1º. Em âmbito federal está vinculada ao Ministério da Justiça. a Defensoria Pública não deveria estar incluída expressamente no art. CF/88). § 3º. Cada orçamento definirá qual modalidade de classificação a despesa incorrerá.213 vantagens.Por prescrição – a pretensão do credor em receber os valores é perdida em decorrência do decurso temporal. Para entender essa questão é necessário lembrar que o Poder Executivo é aquele que sabe como irá gastar o dinheiro público. titular do poder. I a III. Pergunta: existe a comissão prevista no art. LC 101/00)? Qual o valor? Resposta: os ensinamentos de Régis Fernandes de Oliveira apontam que este critério criado pela lei está inserido ao lado de dois outros: as despesas poderão ser (i) adequadas. Pergunta: a proposta constante dos arts. Lembre-se que o povo. (ii) compatíveis e (iii) irrelevantes. não fere o pacto federativo? Resposta: não. com a devida legitimidade. CF/88? Ela realmente atua? E nos Estados e Municípios? Resposta: sim. 166. § 3º. CF/88. 30. . Distrito Federal e Municípios. qualquer credor. No ponto. financeiras e administrativas. em verdade. ocorrerá da mesma forma. A doutrina não cogita de nenhum ferimento. em que se transforma dívida flutuante em fundada (OLIVEIRA e HORVATH. Deve ser feita efetivada por opção do credor. CPC). não podendo ser imposta pelo tomador. Pergunta: por deter autonomias orçamentárias. o Texto Constitucional. sob pena de constituir verdadeira moratória. Ele transporta para um documento escrito – ‘um projeto de lei’ que precisará sofrer a aprovação do Poder Legislativo para que. p. 16. aduz sua pretensão no Judiciário doméstico (art. Não há de ser imposta pelo devedor. ao escolher seus representantes também entrega aos mesmos . interno ou externo.

Assim. para que o P. I e II. Essa é uma das fiscalizações orçamentárias que acontece em face do Direito Financeiro. LC 101/00.empréstimos. Nesse contexto. o art. § 2º É vedada a aplicação das disponibilidades de que trata o § 1º em: I . Pergunta: as subvenções econômicas devem ser ressarcidas pelas entidades beneficiadas ou são consideradas como empréstimo a fundo perdido? . 249 e 250 da Constituição.214 poderes de gerenciamento da atuação do Presidente da República. deve-se levar em conta o harmonioso relacionamento entre os três poderes. Pergunta: a não aplicação da restrição do art. 165. 43. aos segurados’. Para interpretar esse questionamento. bem como em ações e outros papéis relativos às empresas controladas pelo respectivo ente da Federação. Legislativo – Senado Federal – disporá sobre limites globais e condições para operações de crédito interno e externo das pessoas políticas. de qualquer natureza. 43. é possível dizer que a Lei 4320/64 foi recepcionada pela ordem constitucional vigente como lei complementar? Resposta: sim. II . evita o risco e aplicação do dinheiro público em títulos de menor expressão e impede que os recursos sejam aplicados em ‘empréstimos de qualquer natureza. Régis Fernandes de Oliveira apontam que este parágrafo 2º foi muito bem vindo. a providência. Pergunta: em face do art. aos segurados e ao Poder Público. com observância dos limites e condições de proteção e prudência financeira. As disponibilidades de caixa dos entes da Federação serão depositadas conforme estabelece o § 3º do art. já que proíbe a aplicação das disponibilidades da previdência em títulos da dívida pública municipal e estadual. ainda que vinculadas a fundos específicos a que se referem os arts.títulos da dívida pública estadual e municipal. inclusive a suas empresas controladas. § 1º As disponibilidades de caixa dos regimes de previdência social. aplicável a todos os entes da Federação. I e II. 43. à União não gera um contra-senso? Por que os Estado e Municípios não podem e a União pode? Resposta: Texto da LC 101/2000: Art. § 9º. O Presidente precisará encaminhar a sua proposta de gastos. VI da CF explicita que o “P. 164 da Constituição. geral e próprio dos servidores públicos. Os ensinamentos do Prof. ficarão depositadas em conta separada das demais disponibilidades de cada ente e aplicadas nas condições de mercado. LC 101/00. no dizer de Celso Antonio Bandeira de Melo. a teor do art. 52. § 2º. CF/88. autarquias e demais ‘longa manus’”. Legislativo aprove. esta lei foi recepcionada como lei complementar. § 2º.

Pergunta: o art. assim como as dotações destinadas a cobrir a diferença entre os preços de mercado e os preços de revenda. Lei 4320/64).215 Resposta: inicialmente. ou seja. a doutrina tem apontado uma certa dificuldade relacionada às fundações no que diz respeito à captação de recursos e eventuais autorizações para recebimento de subvenção econômica. Poderiam aí também ser enquadradas as fundações que venham a realizar atividade econômica? Resposta: lembre-se que todas essas figuras apontadas. O Novo Código Civil restringe a criação de fundações a apenas quatro áreas (para fins religiosos. Lei 4320/64). é o lucro resultante de. A leitura do art. 12. vinculando-as a fins não-econômicos. esta disposição não foi recepcionada pelo Texto Maior. e segundo a melhor doutrina e a jurisprudência pacífica. exercer um importante e decisivo papel em face da fundação. Pergunta: quando define subvenção econômica. por meio de sua fiscalização. O oposto seria "déficit". no último mês de seu mandato? Resposta: essa é uma hipótese de superávit. elas não podem ter caráter econômico. não se falando assim em devolução posterior. Também pode ser a denominação do que corresponderia ao lucro. ou seja. é importante frisar que subvenção econômica é a alocação destinada à cobertura dos déficits de manutenção das empresas públicas de natureza autárquica ou não. “caput”. Lei 4320/64 deve desprezar esta menção. seja como retribuição a serviços prestados ou compra de . § 2º. II. o legislador se refere expressamente a empresas governamentais e particulares como beneficiárias em potencial (art. § 3º. Nesse sentido. 5º e incisos do Decreto 200/67. morais. O Ministério Público poderá. Pergunta: caso exista sobra de caixa referente aos meses anteriores do exercício. Régis Fernandes de Oliveira ensina que a despesa deve encontrar respaldo legal ou constitucional para ser gerada. Lei 4320/64. o prefeito não poderia gastar mais do que o previsto no art. 59. 39. § 1º. Em face da localização topográfica do art. No que diz respeito às fundações. correto? Resposta: a CF em seu artigo 148 definiu a natureza jurídica desta exigência fiscal como tributo. para ser gerada. em balanços de empresas não econômicas ou "sem fins lucrativos". já que a CF foi publicada em 1988. 39 § 2º. refletir um benefício ao Poder Público. se o orçamento estabelecer este benefício pecuniário a alguma entidade. ela deverá utilizá-lo dando cumprimento de sua finalidade. culturais ou de assistência). o dispositivo legal em comento não teria sido recepcionado pela ordem de 1988. seja como aumento patrimonial. Tal orçamento é chamado de superavitário. Assim. reza que crédito decorrente de empréstimo compulsório é classificado como dívida ativa não-tributária. Nesse sentido. conforme art. em um orçamento. Essa é a razão pela qual podem receber subvenções. são “longa manus” do Estado. Lei 4320/64. CF/88. qualquer despesa deve. incluindo também as autarquias que exercem atividade econômica (art. ter mais ganhos do que gastos. 18. 148. configuram estruturas da Administração Pública Indireta – como ensina Celso Antonio Bandeira de Mello. referendando o caráter lídimo e escorreito que esta possui para o eventual recebimento de subvenções.

157 a 162. No que diz respeito à Controladoria-Geral da União (CGU). principalmente contidos no ADCT. e 159. além de outros dispositivos esparsos. vinculada ao Ministério do Planejamento. § 4º. prestando a orientação normativa necessária. § 4º. essa nomenclatura está atrelada à Administração Direta dos Estados-membros. I. I. Receitas repassadas da União para Estados e DF– são as seguintes: IR na fonte sobre rendimentos pagos pelos Estados (e DF). sejam relativos à defesa do patrimônio público e ao incremento da transparência da gestão. II. sendo criado em 25 de novembro de 1937. CF/88). II. distribuídos na forma de LO federal. devendo o restante ser rateado pelos demais (art. auditoria pública. CF/88). por meio das atividades de controle interno. CF/88. “c”. prevenção e combate à corrupção e ouvidoria. Repartição de Receitas Tributárias “Prima facie”. 157. serão consideradas ‘não autorizadas. CF/88). podendo ser denominada “relação jurídica financeira”. a supervisão técnica dos órgãos que compõem o Sistema de Controle Interno e o Sistema de Correição e das unidades de ouvidoria do Poder Executivo Federal. § 2º. temos a Secretaria de Orçamento Federal. 177. Orçamento e Gestão. Pará e Paraíba. 259 O percentual destinado a um só Estado não pode ultrapassar de 20% do total. 177. Foi extinto em 1971. precípuo reavivar que a repartição (ou discriminação) de receitas tributas é relação jurídica diferente daquela erigida pelo exrecício da competência tributária (OLIVEIRA e HORVATH. 25% dos impostos residuais instituídos (arts.216 bens ou serviços. 1. O Conselho Técnico de Economia e Finanças era um órgão técnico e consultivo do Ministério da Fazenda. No que diz respeito à Secretaria de Orçamento e Finanças. É matéria constante dos arts. Pergunta: o órgão previsto no art. Caso não cumpram este perfil. 111. 10% do IPI sobre exportações realizadas no território do beneficiário (art. suas autarquias e fundações públicas (art. “caput”. como órgão central. 159. no âmbito do Poder Executivo. A CGU também deve exercer. CF/88). 2003. III. 154. Em âmbito federal. este é o órgão do Governo Federal responsável por assistir direta e imediatamente o Presidente da República quanto aos assuntos que. 159. como por exemplo. CF/88)259. irregulares e lesivas ao patrimônio público a geração de despesa ou assunção de obrigação que não atendam o disposto nos artigos 16 e 17 da Lei Complementar 101/00. II. e 157. 71). Lei 4320/64 (Conselho Técnico de Economia e Finanças do Ministério da Fazenda) ainda continua existindo ou foi substituído pela Secretaria de Orçamento e Finanças? E a Controladoria-Geral da União? Resposta: não. CF/88). . p. sendo destinados à infra-estrutura de transportes (arts. correição. 29% da CIDE-combustíveis (art.

I. “a”. I. ADI 1423/SP. 161. I. considerado como base de cálculo para o repasse constitucional em tela.5. Fundo de Participação dos Municípios (FPM) – 21. quando houver delegação de capacidade ativa (arts. não contando o desconto na fonte já realizado pela unidade federada (art. ADCT). CF/88).2005. quando considerado ativo financeiro exclusivamente (art. desde que exista LO federal regulamentando (art. II. suas autarquias e fundações públicas (art. Informativo do STF n° 467). CF/88). CF/88). 158. . CF/88). Min. 159. valendo as mesmas regras do repasse de ICMS. não contando o desconto na fonte já realizado pela pessoa em questão (art. O montante do ICMS. ADI 3262/MT. IV e parágrafo único. Receitas repassadas dos Estados para os Municípios 50% do IPVA sobre veículos licenciados em seu território (art. § 5º. 159. § 4º. ADCT). 159. CF/88).2005. j.2004.Até ¼. “c”. I. CF/88): 260 O valor adicionado é definido exclusivamente por via de LC federal (art. e § 1º. não considera eventual acréscimo de 2% destinado a Fundo de Combate à Pobreza do Estado ou do DF (art. “b”. podem ser destacados os fundos de participação e os programas de fomento e desenvolvimento das regiões Norte. o 70% do IOF sobre ouro vindo de seu território. ADI 2728/AM. e § 1º. 159. 153. Joaquim Barbosa. 158. § 4º. 157. II. 25% da rende recebida do IPI sobre importações (art. CF/88). Nordeste e Centro-Oeste. Fundos de Distribuição – nesse contexto.3. 3. I. Fundo de Participação dos Estados e do DF (FPE) – 21. Norte e Centro-Oeste – 3% do IR (art.2. CF/88). 153. 16. no mínimo. segundo o seguinte comando: Regra geral – 50% do tributo cobrado de imóveis localizados em seu território. § 1º. I. . . 4. DJU 2. Receitas repassadas da União para os Municípios o IR na fonte sobre rendimentos pagos pelos Municípios. DJU 4.3/4. III. 25% da renda recebida da CIDE-combustíveis (art.5% do IR (art. rel. DJU 18. Parafiscalidade – 100% do tributo cobrado de imóveis localizados em seu território. 2. sendo (art. 82. de acordo com a lei estadual (tratando-se de Estado) ou federal (tratando-se de Território). I.217 30% do IOF sobre ouro vindo de seu território. 93.2007. 158. CF/88). e 158. 158. § 3º.2. Programas de financiamento do setor produtivo do Nordeste. CF/88). CF/88). 153. sobre o valor adicionado260 nas operações realizadas em seu território. I. CF/88). o ITR. 159. quando considerado ativo financeiro exclusivamente (art. CF/88). III. CF/88). segundo já se pronunciou o STF (RE 253906/MG. 25% do ICMS. § 5º.5% do IR (art.

218 De acordo com o plano regional de desenvolvimento (previsão em plano plurianual). CF/88). FPE e FPM (art. 25% da receita tributária da União não está vinculada a qualquer órgão. • À aplicação dos recursos mínimos na saúde. entre 2003 e 2007. 157. CF/88). e 158. CF/88). considerado como ativo financeiro (art. Desvinculação de receitas da União (DRU) – de acordo com o art. I e II. “caput”. 198. os Estados. um relatório com os seguintes dados (art. II. I. “caput”. I. CF/88). nas quais é possível que a União e os Estados condicionem a repartição de receitas (art. 77. § 2º. é vedada restrição ou retenção de verbas destinadas a repasses constitucionais (art. Contudo. 153. 159. 76. 5. “c”. o DF e os Municípios deverão publicar mensalmente. 76. podem ser apontadas duas exceções. Fomento de instituições financeiras de caráter regional. ADENE. etc. III. até o último dia do mês subseqüente. . 159. a ser revisada a cada lustro (art. Repasse e fiscalização – em regra. IR arrecadado por Estados. CF/88). 161. o Expressão numérica dos critérios de rateio. enquanto o legislador complementar for inerte. Essa regra não abrange os seguintes repasses (art. Programas de financiamento do setor produtivo do Norte. 212. o Valores tributários repassados e recebidos. DF e Municípios (arts. CF/88). “caput”. nos termos de LO federal. CF/88). II e III. O FPE e o FPM são regulados pela LC 62/89 (art. parágrafo único. ADCT. incluindo das autarquias. 161. CF/88): • Ao pagamento de seus créditos. Nordeste e Centro-Oeste (art. ADCT. como ADAM.. 160. Arrecadação e destinação do salário-educação (art. ADCT): Base de cálculo de: IOF sobre ouro. CF/88). fundo ou despesa. O semi-árido nordestino receberá 50% do total destinado à região NE. o TCU é responsável por calcular os valores de repasses do FPE e do FPM (art. I. “a” e “b”. decorrente de repasse. 161. A União. CF/88): o Total da arrecadação tributária. CF/88). 6. parágrafo único. I. §§ 1º e 2º. § 5º. 162. 160. O repasse de verbas dos Estados e Municípios é disciplinado pela LC 63/90 (art. cujos percentuais mínimos devem ser fixados por LC. permanecendo aqueles estatuídos no art. No tocante à fiscalização. o Recursos não-tributários recebidos. § 5º. CF/88).

ADCT): 1º) Não-vinculação de impostos (art. excluindo-se as hipóteses do art. 83. Percentual dos Estado.: os recursos do citado fundo não se sujeitam a duas regras tributário-financeiras (art. 23. 80. 158. ADCT: As três situações anteriores. “caput”. sendo regulado pela LC 111/01. e 60. o qual financia o seguro-desemprego e o abono salarial anual decorrente do PIS/PASEP (art. Provenientes de dotações orçamentárias específicas.08%. o Outras receitas previstas em lei específica. decorrente do IOF sobre ouro como ativo financeiro (art. 167. dos 0. 239. e §§ 3º e 4º. “caput”. Produto do ITR. Nordeste e Centro-Oeste. ADCT. 159. Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT – Lei 7998/90). É formado pelas seguintes receitas (art. . CF/88). o 20% do total das receitas de impostos e contribuições sociais da União. ADCT). financiamento de programas a setores produtivos do Norte. 212. VII. ADCT): 0. § 5º. 153. DF. 72. Fundo da Educação Básica (FUNDEB) – de acordo com a EC 53/06 (arts. CF/88). Territórios e Municípios. Outras. DF e Municípios – art. 206. § 1º. 9. IV. Fundo Social de Emergência – presta-se a fazer frente a imprevistos sociais. § 5º. “caput”. CF/88).75% sobre o PIS/PASEP.219 7. 211. definidos nos termos de LO federal (art. Obs. repasse da CIDE-combustíveis (art. 72. I a III. Advindas de operações de crédito.38% da CPMF. 80. ADCT): o Parcela do IR na fonte sobre rendimentos pagos pela União. 80. repasse de IPI sobre exportações. atualmente em 30%. I a III. Repasse do ITR aos Municípios (art. Percentuais mínimos destinados à educação (18% para União e 25% para Estados. 2º) Formação do FPE e do FPM. I a VI. CF/88). CF/88. Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza – tem previsão no art. definidas na LC 111/01. CF/88). 8. o 0. CF/88). incluindo suas autarquias e fundações. I a VI. o Parcela do IR e do IOF decorrente do Plano Real. II. parágrafo único. o Parcela da CSLL. É formado pelas seguintes receitas (art. 5% do IPI sobre produtos supérfluos. ADCT).

FÜHRER. 8 ed.220 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMARO. Direito constitucional. São Paulo: Atlas. MARINONI. Leandro. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Constituição e código tributário à luzo da doutrina e da jurisprudência. Curso de direito tributário. Vicente. Ricardo Cunha. Direito tributário. São Paulo: Prima Cursos Preparatórios. Ruy Barbosa. v. Direito tributário: fundamentos constitucionais da tributação. CARMONA. 2. São Paulo: Martins Fontes. São Paulo: Atlas. Resumo de direito tributário. 13 ed. Curso de direito tributário. 2003. Luiz Guilherme. Teoria pura do direito. OLIVEIRA. In: MARCATO. 15 ed. 4 ed. Rio de Janeiro: Forense. 2007. Lições de direito processual civil. Carlos Alberto. José Joaquim Gomes. prática e jurisprudência. 2004. 1993. (coord. 2004. 1991. Eros. CASSONE. REALE. São Paulo: Saraiva. Miguel. 2004. 2 ed. Rio de Janeiro: Lumen Júris. 2003. 2006. 1975. DI PIETRO. CANOTILHO. São Paulo: Atlas. 6 ed. HORVATH. Luciano. Hans. 3. Código de processo civil interpretado. 1671-1770. 2001. Capítulos I a V. PAULSEN. Manual de direito financeiro. interpretação da legislação tributária. São Paulo: Saraiva. Sérgio Cruz. v. São Paulo: Malheiros. São Paulo: Saraiva. Régis Fernandes de. São Paulo: Resenha Tributária. KELSEN. v. doutrina. Curso de direito constitucional tributário. Livro II. GRAU. 2006. Filosofia do direito. 16 ed. CÂMARA. Vittorio. Alexandre Freitas. . 12 ed. Direito tributário brasileiro. São Paulo: Saraiva. 2006. Maria Sylvia Zanella. 1998. Eduardo de Moraes. FÜHRER. CARRAZA. 17 ed. V. de 19-12-2003. 1999. 2. Antonio Carlos. Coimbra: Livraria Almedina. 1993. 2001. 1986. MACHADO. Conceito de tributo e fontes do direito tributário. GRECO FILHO. Direito tributário. NOGUEIRA. 6 ed. 7 ed. CHIMENTI. Direito processual civil brasileiro: processo de execução a procedimentos especiais. 16.). São Paulo: Saraiva. Título I. ARENHART. São Paulo: Revista dos Tribunais. São Paulo: Revista dos Tribunais. Curso de processo civil: execução. p. classificação dos tributos. Maximiliano Roberto Ernesto. São Paulo: Revista dos Tribunais. Direito administrativo. atualizado até a EC nº 42. 6 ed. Coleção sinopses jurídicas. SABBAG. 16 ed. Estevão. 19 ed. Maximilianus Cláudio Américo. Hugo de Brito. Roque Antônio. 2002.

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