Disciplina

:
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO E DA
PEDAGOGIA

PROF.ª ESP. ELISA MARIA GOMIDE
ELISAMGO@GMAIL.COM / (62)9149-8300

Apresentação do Professor
Elisa Maria Gomide
Possui graduação em Pedagogia pela Associação Educativa Evangélica
(1989). Especialização em Tecnologias em Educação (PUC/Rio) e Técnicas
e Métodos de Ensino (Salgado Oliveira/Rio). Atualmente é professora Anhanguera Educacional e Supervisora da Educação à Distância no
CEPA/SECTEC - Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia. Tem
experiência na área de Educação, com ênfase em Métodos e Técnicas de
Ensino e Design Instrucional, atuando principalmente nos seguintes temas:
valorização dos trabalhadores em educação, formação de professores,
supervisão em práticas de ensino, elaboração de cursos e material didático
para
a
educação
a
distância.
(Texto informado pelo autor)
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Fones: (62) 9149-8300 (Claro) / 8135-9928 (Tim/WhatsApp)

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Conteúdo Edital Concurso Pedagogo / Prefeitura Anápolis
Tema 1 - Educação Brasileira: Temas Educacionais e Pedagógicos: História do
pensamento pedagógico brasileiro: teoria da educação, diferentes correntes do
pensamento pedagógico brasileiro. Projeto político pedagógico.
Tema 2 - A didática e o processo de ensino e aprendizagem: Organização do processo
didático: planejamento, estratégias e metodologias, avaliação. A sala de aula como
espaço de aprendizagem e interação. A didática como fundamento epistemológico do
fazer docente.
Tema 3 - Principais teorias da aprendizagem: inatismo, comportamentalismo,
behaviorismo, interacionismo; cognitivismo. As bases empíricas, metodológicas e
epistemológicas das diversas teorias de aprendizagem; contribuições de Piaget,
Vygotsky e Wallon para a psicologia e pedagogia; teoria das inteligências múltiplas de
Gardner. Psicologia do desenvolvimento: aspectos históricos e biopsicossociais; temas
contemporâneos: bullying, o papel da escola, a escolha da profissão.
Tema 4 - Teorias do currículo: acesso, permanência e sucesso do aluno na escola.
Planejamento e gestão educacional. Avaliação institucional, de desempenho e de
aprendizagem. O Professor: formação e profissão. A pesquisa na prática docente. A
dimensão ética da profissão.
Tema 5 - Aspectos legais e políticos da organização da educação brasileira. Políticas
educacionais para a educação básica. Normas federais sobre educação.
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Ensino fundamental. Educação de jovens e adultos.Conteúdo Edital Concurso Pedagogo / Prefeitura Anápolis Tema 6 . A função social da alfabetização atual. Tema 8 . Educação especial. Planejamento e estatísticas educacionais.As práticas da Língua Portuguesa: a leitura. Educação a distância. direitos da infância e relação creche família. A organização do tempo e do espaço na educação infantil (escola organizada por ciclos de formação . A documentação pedagógica (planejamento.Níveis e modalidades de ensino – estrutura e funcionamento. dimensões humanas. O Plano Nacional de Educação. Ensino médio. Alfabetização e letramento. Educação indígena.A intencionalidade da avaliação no processo de apropriação e produção do conhecimento. Educar e cuidar. O papel social da educação infantil. Princípios que fundamentam a prática na educação infantil: pedagogia da infância.(LDB) . registro. a análise linguística e a sistematização do código. Tema 10 . 4 . Tema 9 .Educação infantil na perspectiva histórica. Educação infantil. As instituições de educação infantil como espaço de produção das culturas infantis.Alfabetização nos diferentes momentos históricos. Políticas de avaliação educacional. Financiamento da educação.teoria e desafios). Educação no contexto da modernidade Tema 7 . avaliação). a produção e escrita do texto.

Rio de Janeiro. 9ª ed. Paz e Terra. 2008. São Paulo.histedbr. FREIRE. Dermeval (2005). LOURENÇO FILHO. P. SAVIANI. Moacir. 2008. Rio. 8ª ed. 4ª ed. Melhoramentos. GHIRALDELI JUNIOR. São Paulo: Moderna. Paulo. revista e ampliada. Introdução ao estudo da escola nova.. 2008.br/navegando/apresentacao_saviani_video. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. 37ª ed. “A Filosofia da Educação no Brasil e sua veiculação pela RBEP”. Educação como prática da liberdade. Campinas: Autores Associados. Dermeval (1984). 3ª ed. Pedagogia do oprimido. São Paulo: CORTEZ. P. Manoel Bergström (1967).html 5 . 8ª ed. Sites: http://www. São Paulo: Atica. História da Educação Brasileira.unicamp.Bibliografia ARANHA. SAVIANI. de A. Escola e democracia. História da Educação e da Pedagogia: geral e Brasil. Dermeval (2003).fe. (1971). Paz e Terra. GADOTTI. (1976). FREIRE. maio-agosto de 1984. N° 150. Campinas: Autores Associados. Historia das ideias Pedagogicas. SAVIANI. Maria L. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos.

” (Frase inscrita no Túmulo de um guerreiro Mochem. com cerca de 1500 anos. mas caberá ao historiador levantar hipóteses sobre as fontes investigadas. Peru) .HISTÓRIA E HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 1. Somos feitos de tempo “Há muitas maneiras de resgatar a memória do passado a partir de documentos.

ou seja. p.Para Aranha (2006. mas adquire sentido pelo passado e pelo futuro desejado. Considerando que somos resultado desse intenso e eterno movimento de ações. cada geração assimila a herança cultural dos antepassados e estabelece projetos de mudança. interpretações e ressignificações. a fim de contextualizar e entender nosso contexto atual. estamos inseridos no tempo: o presente não se esgota na ação que realiza. enxergando-o como resultado das transformações. necessitamos reconstruir o passado.19). aqueles que resultaram em ações transformadoras dos indivíduos no tempo. 7 . relatando os acontecimentos principais.

Estamos tão acostumados com a “instituição escola” que às vezes nos esquecemos que nem sempre ela existiu. muito menos apresentou o modelo que hoje observamos. Desta forma. estudada e interpretada para que possamos entender as maneiras pelas quais os povos transmitem sua cultura. Todo esse conhecimento se torna indispensável para o educador. 2006.20) 8 . p. Este precisa ser consciente e crítico para compreender sua atuação nos aspectos de continuidade e de ruptura em relação aos seus antecessores. a fim de agir de maneira intencional e não meramente intuitiva e ao acaso. a História da Educação também necessita ser reconstruída. as teorias que a orientam e norteiam. a criação das instituições escolares. (ARANHA.

9 . na grande maioria dos países ao menos a educação primária já seja universal. dentre as principais fases da história da educação estão as seguintes: Educação primitiva Educação oriental Educação clássica Educação medieval Educação humanista Educação realista Educação cristã reformada Educação Naturalista Educação nacional 2. Atualmente. fala-se em educação democrática. 1981. pois se pressupõe que.De acordo com LUZURIAGA. gratuita e obrigatória.

UM CUIDADO QUE SE DEVE TER: Não estudar estas comunidades pelo que lhes falta. Não é fácil caracterizar as comunidades primitivas. 10 .Comunidades Tribais Nas comunidades tribais não havia necessidade de escolas. Porquê? # Há muitas diferenças entre as comunidades primitivas. mas considerá-las diferentes. # Risco do etnocentrismo – avaliar estas sociedades a partir dos padrões de nossa cultura.

da agricultura. a ação do homem imita a ação dos deuses. os desenhos como forma antecipada de apropriação das caça e como forma de restituir os animais na natureza..A essência dos sociedades tribais # São míticas: O sagrado se manifesta na explicação da origem divina da técnica. Ex: danças antes da guerra representando a antecipação mágica do que visa garantir com sucesso.. permitindo a coesão grupal e repetindo os comportamentos considerados desejáveis (configuram-se como comunidades estáveis = nelas as mudanças acontecem lentamente). # São de tradição oral: mitos e ritos são transmitidos oralmente – por eles a tradição se impõe. dos males. 11 . tudo gira em torno do divino.

12 .

sem a dominação de um ou outro segmento: “mesmo que a divisão de tarefas leve as pessoas a exercerem funções diferentes. p. 13 .27). o feiticeiro. não se aproveitam disso para estabelecer uma relação de mando-obediência. Em função disso.Organização social da tribos # Baseia-se numa estrutura que mantém homogêneas as relações. São eles objetos de consideração e de respeito. 2006. geralmente surgem entre as tribos em guerra”. o trabalho e o seu produto são sempre coletivos. inexistentes na própria comunidade. Exercício do poder # Algumas pessoas especiais possuem o prestígio: o chefe guerreiro.” (ARANHA. No entanto. o chefe é o porta-voz do desejo da comunidade como um todo: “As oposições.

Educação difusa Como as crianças aprendem nas comunidades tribais? Aprendem imitando os gestos dos adultos nas atividades diárias e nas cerimônias dos rituais. pastoreio e agricultura. por parte dos adultos. 14 . tolerância em relação aos enganos dos alunos e respeito ao ritmo destes. sem que alguém esteja especialmente destinado para a tarefa de ensinar. dispensando o uso de castigos para trabalhar a adaptação aos usos e valores da tribo. pesca. Há. As comunidades primitivas são nômades ou sedentárias – atividades produtivas: caça. Nelas as crianças aprendem para a vida e por meio da vida.

pois todos têm acesso ao saber e ao fazer apropriados pela comunidade. e ampl. rev. REFERÊNCIA ARANHA. 2006.. ed. Maria Lúcia. # Desenvolve aguda percepção do mundo e aperfeiçoa suas habilidades. História da Educação e da Pedagogia: Geral e Brasil.Concluindo. A educação primitiva é UNIVERSAL. Por ele a criança: # Toma conhecimento dos mitos dos ancestrais.. São Paulo: Moderna. A educação primitiva é INTEGRAL porque abrange todo o saber da tribo. 15 . A educação primitiva é DIFUSA porque todos participam da educação. 3.

16 . gratuita e obrigatória. na grande maioria dos países ao menos a educação primária já seja universal.Atividades 1. Atualmente. Você concorda com essa ideia? Justifique sua resposta. fala-se em educação democrática. Na sua visão. por que é primordial conhecer o processo de desenvolvimento da História da Educação e da Pedagogia? 2. pois se pressupõe que.

Elisa Maria Gomide elisa.com / (62)9149-8300 .ª Esp.gomide@aedu.HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO E DA PEDAGOGIA Prof.

a educação foi assumindo formas mais elaboradas e incorporando novas funções. fenícios. .Antiguidades: orientais A História da Educação Oriental se estruturou entre dois mil a dois mil e quinhentos anos. promovido pelo desenvolvimento da agricultura e da possibilidade de sedentarização. Com o surgimento das civilizações. mesopotâmicos. mas fruto do intercâmbio entre diversas sociedades que coexistiam: nômades. 18 ex-nômades e comerciais. hebreus. da fixação dos homens e mulheres nas terras próximas aos rios – Nilo. Não era ela mérito de um povo só. chineses. tigre e Eufrates. numa região que consideramos o berço de toda a civilização. por exemplo –. japoneses e outros grupos humanos colaboraram para a construção de modelos e agências de formas da tradição oriental que têm uma dimensão de longa duração na humanidade. Egípcios. gregos.

a natureza aparecia divinizada e todas as explicações para a realidade e os fenômenos passavam pelo sagrado. E os grupos sacerdotais eram seus guardiões. estocavam-se alimentos. a quem coube a educação nestas civilizações? Para os hebreus todas as atividades significativas eram desenvolvidas em torno do templo. já nos Zigurates mesopotâmicos. girava em torno do templo. Não é a toa que os mitos tiveram uma função eminentemente educativa entre estes povos. além de lugar de culto aos deuses. observamos que a vida. A Educação era tida como uma atividade sagrada. Eram eles os intérpretes dos mitos. A partir destes dois exemplos. 19 . fazia-se ciência (observação dos astros). os detentores da tradição e os que cuidavam da tradição ideológica e da concepção do mundo oriental antigo. isto é.Mas afinal. Neles. prodígio dos deuses.

No Egito todo o saber era ministrado no templo e o Faraó. Ler e escrever era um prestígio. os sacerdotes eram depositários da formação escolar. Assim. senhor de todo conhecimento. enquanto espaços de transmissão dos saberes. Os tipos de educação no Oriente refletiam a estratificação social. (Na sociologia = "classificação das pessoas em grupos com base em condições sócio-econômicas comuns. Ao povo sobrava a educação informal. as primeiras escolas institucionalizadas. seus interpretes ou deuses por si mesmos. ligadas ao sagrado e ao primado do saber literário. era quem indicavam a quem caberia educar. não por opção. 20 .) Em poucas palavras foram estas as soluções educacionais deste período histórico: divididas por classes sociais. coisa de homens próximos de Deus. A tradição oral lhes pertencia. fruto da experiência e transmitida de pai para filho.Antiguidades: orientais Na Assíria. restringiam-se às classes dirigentes.

mas para resignificá-la e a partir dela criar novas formas de compreender e de viver no mundo. A nós cabe. a construção criativa de novas propostas de educação. Somos herdeiros da cultura de povos que na terra viveram antes de nós. não para reproduzi-la. 21 . São elas a base da civilização. pelo menos das ideais que ainda hoje parecem atuais. quem sabe.Antiguidades: orientais Da História de tempos e espaços distantes não nos separamos.

O cidadão = não será mais o depositário do saber da comunidade. 22 . mas é capaz de projetar o futuro. "(..Educação Grega e a Paidéia Na educação grega.. mas aquele que elabora a cultura da cidade. mas do cidadão. Surge a necessidade de elaborar teoricamente o ideal da formação. não do herói. Não está preso ao passado. submetido ao destino. capaz de estabelecer uma lei humana e não mais divina“ (Aranha. 1996).) as explicações predominantemente religiosas são substituídas pelo uso da razão autônoma. da inteligência crítica e pela atuação da personalidade livre.

+ Inicialmente significava apenas: criação dos meninos (pais. “criança”). A Grécia clássica pode ser considerada o berço da pedagogia.C. “que conduz”): o escravo que conduz a criança à escola. * Paiagogos significa literalmente aquele que conduz a criança (agogôs. esboçam as primeiras linhas conscientes da ação pedagógica. ao discutir os fins da Paidéia. adquirindo o sentido de teoria sobre a educação.O termo Paidéia + Foi criado por volta do século V a. paidós. O termo pedagogia se amplia. 23 . Os gregos.

estimulando o espírito crítico + A lei escrita: . + A polis: . o confronto das idéias. adquirindo um caráter humano. onde se discutem os problemas de interesse comum. a retomada do relato escrito.Passagem do pensamento mítico para o racional e filosófico: O surgimento da filosofia na Grécia não é um salto realizado por um povo privilegiado. mas a culminância de um processo que se fez ao longo de milênios e para a qual concorreram as novidades introduzidas na época arcaica. antes submetida à arbitrariedade dos reis ou da interpretação da vontade divina.Proporciona a possibilidade de maior abstração.A justiça.Está centralizada na ágora (praça pública). que tende a modificar a estrutura do pensamento ao propiciar o distanciamento do vivido. Fundamento para a democracia nascente. Surge como exigência de rigor e clareza. volta-se para a discussão. 24 . . + A escrita: .Nasce a filosofia + Filosofia: milagre grego? .Constitui-se com a autonomia da palavra (da argumentação).

conforme a época.Educação (. fosse enfatizado o preparo esportivo ou intelectual. libertando o homem dos desígnios divinos. + As escolas apareceram com o advento das polis. os jovens da elite eram confiados aos preceptores. + Com o aparecimento da aristocracia dos senhores de terras. A formação integral + A educação grega era centrada na formação integral (corpo e espírito). p. No período clássico. + A escola ainda permanecia elitizada. conforme a tradição religiosa. Apesar. a educação era ministrada pela própria família..) A expressão da individualidade por meio do debate engendra a política. atendendo aos jovens de famílias tradicionais da antiga nobreza ou dos comerciantes enriquecidos. a instituição escolar já se encontrava estabelecida. de formação guerreira.. (ARANHA. 42). + Quando não existia a escrita. 1996. 25 . para que ele próprio possa tecer seu destino na praça pública. sobretudo em Atenas.

Homero. + No período arcaico e na época clássica. + A criança nobre permanecia em casa até os sete anos. os valores éticos e estéticos). continuou a prevalecer a influência cultural das epopéias na educação. + Eram contratados preceptores que davam uma formação integral baseada no afeto e no exemplo. aos quais se acrescentam a prudência. quando era enviada aos palácios de outros nobres a fim de aprender. 26 . (Influência das epopéias de Homero que relatam as ações dos deuses e transmitem os costumes. como escudeiro. a glória e o desafio à morte. + O guerreiro era formado para a virtude: sentido de força e coragem. atributos do guerreiro “belo e bom”. a língua. o ideal cavalheiresco. a honra. educador da Grécia + A educação na época da aristocracia guerreira visava a formação cortês do nobre. a hospitalidade. a lealdade.

+ Cuidados com o corpo começaram com uma política de eugenia = prática de melhoramento da espécie: recomendação de abandonar as crianças deficientes ou frágeis demais e procurar fortalecer as mulheres para gerarem filhos robustos e sadios. depois.C. ao contrário das demais cidades gregas. O legislador Licurgo organizou o Estado e a educação: de início.Educação Espartana + Após a fase homérica. + Século IX a. voltada para a formação militar. continua a valorizar as atividades guerreiras e a desenvolver uma educação severa. 27 . o rigor da educação passou a se assemelhar à vida de quartel. os costumes não eram tão rudes e o preparo militar era intercalado com a formação esportiva e musical. quando Esparta derrotou Atenas.

O Estado demonstrava algum interesse a respeito.apareceram formas simples de escolas. + Final do século VI a. Os meninos desligavam-se da autoridade materna e eram iniciados na alfabetização.C. .Educação Ateniense + Ao lado dos cuidados com a educação física. Sob a orientação do pedótriba (instrutor físico). lançamento de disco. As meninas permaneciam no gineceu (parte da casa onde as mulheres se dedicavam aos afazeres domésticos). + A educação se iniciava aos sete anos. onde praticava exercícios físicos. o menino dirigia-se à palestra. Cultivava-se também o canto coral. era iniciado em corrida. para que melhor se pudesse participar dos destinos da cidade. + A educação musical também era valorizada . mas vinha acompanhada pela orientação moral e estética. geralmente acompanhada por instrumentos musicais. 28 . a declamação de poesias. mas o ensino não se tornara obrigatório nem gratuito. + Acompanhado por um escravo (o pedagogo).o pedagogo levava a criança ao citarista (professor de cítara). na educação física e musical. de dardo e em luta (cinco modalidades do pentato). A educação física não se reduzia à mera destreza corporal. salto. destacava-se a formação intelectual.

Aristóteles ensinava em outro ginásio (o Liceu). pois os ofícios deveriam ser aprendidos no próprio mundo do trabalho.52) + Sócrates. de modo que possam crescer na gentileza. profissão altamente considerada entre os gregos. Uma exceção é a medicina. em graça e harmonia. p. e tornarem-se úteis em palavras e ações”. (ARANHA. Platão utilizava um dos ginásios de Atenas (a Academia). + Não há uma preocupação com o ensino profissional. Platão e Aristóteles ministraram na educação superior. 1996. Sócrates se reunia informalmente na praça pública. 29 .Educação espartana A preocupação com a formação integral se expressa na frase de Platão: “Eles [os mestres de música] familiarizaram as almas dos meninos com o ritmo e a harmonia.

mas exalta a nítida supremacia dos valores gregos. Espalhou a língua latina e os costumes romanos. que já supõe elementos orientais. conforme Aranha (2006). e. acontece a fusão entre a cultura romana e a helenística. podemos distinguir três fases: a primeira delas. parte da Ásia e Oriente Médio. a latina original. abrangendo toda a Europa.com. Até hoje sentimos a influência greco-romana na civilização ocidental.br/ 30 . na terceira. Para saber mais visite o site: http://www. na segunda.historiadomundo. a influência do helenismo é criticada pelos defensores da tradição. Focando nossa discussão na Antiguidade Romana. transmitiu a cultura grega. norte da África. tem natureza patriarcal.Antiguidade romana O Império de Roma se expandiu.

da Educação Musical e do Atletismo. em detrimento da Ciência. O Programa educativo romano privilegia. assim. do canto e da dança. uma aprendizagem sobretudo literária. tornou-se objeto de contestação por parte de alguns setores mais tradicionais. 31 . peças-chave da Educação grega. O ensino da música. toleráveis apenas para fins recreativos. Os romanos apelidaram essas formas de arte de impudicas e malsãs.A Educação romana se contrapõe à educação grega O ensino em Roma apresenta algumas diferenças significativas em face do modelo educativo dos gregos e algumas novidades importantes na institucionalização de um sistema de ensino.

em particular aos mais jovens. como também uma novidade importante. Para isso. entre a imensidão de escravos que os romanos abastados do Império possuíam como resultado das suas conquistas. que se deve o primeiro sistema de ensino de que há conhecimento: um organismo centralizado que coordena uma série de instituições escolares espalhadas por todas as províncias do Império. entregues a um ou mais pedagogos. na escrita e na aritmética. eram reunidos em escolas. em alguns casos. uma elite. houvesse a preocupação de fornecer. O caráter oficial das escolas e a sua estrita dependência relativa ao estado constituem não apenas uma diferença acentuada ao modelo de ensino na Grécia.Sistema de Ensino Romano É aos romanos. porém. Mas isso não impede que. os ensinamentos necessários à prática dos seus serviços. os iniciavam na leitura. com uma elevada formação literária e retórica. ou seja. 32 . Esse sistema tende a privilegiar uma minoria. que ensinavam boas maneiras e.

Com ele tem início uma extensa série de retribuições e de imunidades fiscais. inspirada nas tradições gregas. bem como o favorecimento e a promoção da instituição de escolas municipais de gramática e de retórica. originado no grego ῥητορικηὴ τέχνη [rhêtorikê]. nas províncias. Essa política romana.Educação Romana Glossário Retórica (do latim rhetorica. no Estado Romano. «orador») é a arte de usar a linguagem para comunicar de forma eficaz e persuasiva. Segue-se a criação de cátedras de Retórica nas grandes cidades. ao atribuirlhes reconhecimento social. atribuídas a gramáticos e retóricos. literalmente a «arte/técnica de bem falar». que intervém diretamente a favor dos professores. Uma primeira iniciativa é da autoria de Vespasiano. do substantivo rhêtôr. um conjunto de políticas escolares inovadoras. acaba delineando. 33 .

As escolas romanas A Educação na Roma arcaica teve. sobretudo. caráter prático. na Grécia. Pouco tempo depois. porém. em Roma. destinadas a dar uma formação gramatical e retórica. a Educação era voltada para exercer seu papel de esposa e mãe. O ideal romano da mulher. por sua vez. No Século II a. que reconhecia total dignidade à literatura e à língua dos romanos. familiar e civil. destinada a formar em particular o civis romanus (cidadão romano). Só no Século I a. divididas por graus e providas de instrumentos didáticos específicos (manuais). um papel familiar e educativo. Os civis romanus eram formados em família. próprio da cultura romana. C. pela consciência do direito como fundamento da própria cultura romana.C. que. era menos submissa e menos marginal na vida da família em comparação à mulher. é que foi fundada uma escola de retórica latina. pelo papel central do pai e também da mãe. ligada à língua grega. segundo o modelo grego. fiel e operosa. superior aos outros povos. Para as mulheres. levou a uma sistemática organização das escolas. 34 . se formaram as escolas. atribui a ela. o espírito prático.

escreviam com o estilete sobre tabuletas de cera. que não excluía as punições físicas. tal escola funcionava em locais alugados ou na casa dos ricos. as escolas eram divididas em: 1. escrever e. calculavam usando os dedos ou pedrinhas . destinadas a dar a alfabetização primária: ler. frequentemente. as crianças se dirigiam para lá acompanhadas do pedagogo. também calcular. aprendiam as letras do alfabeto e sua combinação. 35 .A escola em graus Quanto aos graus. Elementares.calculi – passavam boa parte do dia na escola e eram submetidas à rígida disciplina do magister.

a Astronomia.política. nas quais se aprendia a cultura nas suas diversas formas: desde a Música até a Geometria.A escola em graus 2. exercido sobre textos gregos e latinos. embora predominasse depois o ensino literário na sua forma gramatical e filosófica. filosófica etc. e também a ciência e a filosofia). a formação escolar romana mantém bem no centro esse princípio retórico e a tradição das artes liberais.e eram elaboradas as suasoriae ou discursos sobre exemplos morais e as suasoriae ou debates sobre problemas reais ou fictícios). mais utilitária. Embora mais limitada em comparação à Educação grega (eram escassas a gramática. Secundárias ou de gramática. Escolas de retórica . a música. . 36 . forense. resumidas no valor atribuído à palavra. a Literatura e a Oratória. 3.

A escola em graus Existiam. ao artesanato de luxo. embora menos organizadas e institucionalizadas. ligadas aos ofícios e às práticas de aprendizado das diversas artes. 37 . escolas para os grupos inferiores e subalternos. ao exército e à agricultura. num primeiro momento. As técnicas eram ligadas. também. e. Eram escolas técnicas e profissionalizantes. por fim. depois ao artesanato.

Com o tempo falaram mais alto as raízes gregas e asiáticas passando a predominar costumes mais antigos. enquanto o Ocidente decaía. Durante o governo de Justiniano o Império Bizantino alcançou sua máxima extensão: Grécia. 38 . Idade Média: de 476 (queda do Império Romano do Ocidente) a 1453 (tomada de Constantinopla pelos turcos). algumas regiões da Itália. norte da África e sul da Espanha. Ásia Menor. VI) revisou o Direito Romano levando seus juristas a elaborarem o Corpus Juris Civilis. inclusive a retomada da língua grega. o último reduto islâmico em Granada (Espanha) foi reconquistado pelos cristãos em 1492. Império Romano do Oriente (ou Império Bizantino): 395 a 1453. O Imperador Justiniano (séc. na Europa. Oriente Médio. a civilização bizantina manteve-se econômica e culturalmente adiantada. Expansão islâmica: iniciada no século VII. Império Bizantino ou Império Romano do Oriente: Com a estrutura administrativa herdada da tradição romana.Idade Média: a educação mediada pela fé Contexto histórico Divisão do Império Romano em Império do Ocidente e Império do Oriente: 395 (ainda na antiguidade.

ou mulçumana. o “Alcorão”. na Europa. No séc. após a morte de Maomé. Os árabes foram responsáveis pela tradução de inúmeras obras clássicas. 39 . Com a unificação das tribos. alcançando a leste o vale do Indo. o profeta Maomé fundou a religião islâmica. a ciência e a literatura dos gregos antigos. e a oeste todo o norte da África e depois a Península Ibérica. houve a expansão islâmica pelo Oriente Médio. enriquecendo sua influência nos locais onde se instalou. cujo livro sagrado é. pois conheciam a filosofia. A civilização islâmica assimilou a cultura desses povos vencidos. até hoje.O Islã Na Península Arábica viviam tribos em constantes conflitos. VII. Os cristãos da Escolástica (latinos) tiveram o 1º contato com o pensamento de Aristóteles por meio dos árabes.

para punir os hereges. A igreja resistia às tentativas de contestação do seu poder. instituindo no século XIII a Inquisição. bem como das artes e das lutas sociais e religiosas. o embate entre os reis e papa evidenciava o ideal de secularização do poder em oposição a política da Igreja. 2º período – Baixa Idade Média: caracterizado pelo renascimento das cidades e do comércio.Alta Idade Média: caracterizou-se pelas invasões bárbaras e a formação dos primeiros reinos germânicos. A insegurança dos novos tempos forçaram o despovoamento das cidades provocando um processo de ruralização. e para contar com ela os chefes dos reinos bárbaros convertiam-se ao cristianismo. que se estendeu até o século X. No período final da Idade Média.A Europa Cristã 1º período . e anunciava os esforço do intuito da formação das monarquias nacionais 40 . A influência da Igreja além de espiritual tornou-se efetivamente política.

Os estudos religiosos eram feitos à parte nas escolas monásticas. principalmente na Universidade de Constantinopla que era o importante centro cultural. sistematizado na época de Justiniano. predominava o interesse espiritual e ascético. e dava importância às questões propriamente religiosas e especialmente à teologia continuou sendo tradições para o antigo humanismo. aquela universidade acolheu obras antigas e orientou os feudos na filosofia e ciência. A civilização bizantina. era profundamente cristã. hostil ao humanismo pagão. 41 . na escola Patriarca o ensino não se restringia à formação religiosa.EDUCAÇÃO NA IDADE MÉDIA A educação bizantina No Império Bizantino e Ocidente. Nas escolas superiores existem informações mais detalhadas. bem como preservou o Direito Romano. dava-se ênfase à vida religiosa e havia preocupação com as heresias.

medicina.EDUCAÇÃO NA IDADE MÉDIA A educação islâmica Os árabes se destacaram nas áreas de matemática. lá aprendia-se o Alcorão de cor para poder aprender a palavra de Alá. 42 . geografia. difundindo os algarismos. logaritmo. cartografia e astronomia. Os árabes criaram inúmeras escolas primárias para ensinar a leitura e a escrita.

a instrução e a disciplina. 43 .Brasil: de colônia a Império No Século XIX se concretiza a intervenção cada vez maior do Estado para estabelecer a escola elementar universal. que não se acha restrito à formação do gentil-homem. e Herbart. onde. Froebel. Enfatiza-se a relação entre Educação e bem-estar social. Daí. o interesse pelo ensino técnico ou pela expansão das disciplinas científicas. segundo ele. leiga. por perceber o significado funcional do jogo e do brinquedo para o desenvolvimento sensóriomotor e inventa métodos para aperfeiçoar as habilidades. 2006) Dentre os principais pedagogos. progresso e capacidade de transformação. a conduta pedagógica segue três procedimentos básicos: o governo. que privilegia a atividade lúdica. estabilidade. (SOUSA. que é considerado um dos defensores da escola popular extensiva a todos e que reconhece firmemente a função social do ensino. gratuita e obrigatória. podemos destacar: Pestalozzi.

um novo interesse pela Educação elementar e um novo entusiasmo pela possibilidade da Educação universal. que fugia do ataque francês. No Brasil. aprimorando mais o ensino e seus métodos. com a chegada da família real portuguesa ao Brasil. o desejo novo de basear o processo educativo no conhecimento e simpatia pela criança.Século XIX o Século XIX deu uma continuidade às ideias do século anterior. As principais características foram: a nova atenção dada ao método. 44 . A presença da corte portuguesa no Brasil desencadeou várias transformações na Colônia. esse processo teve início em 1808. A preocupação com a Educação das massas foi a tônica de todos os governos da época.

1994). visando formar os quadros exigidos por essa nova situação”. foram criados diversos cursos de nível superior: na Academia Real da Marinha (1808). 2004). (WEREBE. a Independência brasileira foi conquistada em 1822.O Brasil com a chegada da Corte Portuguesa Para suprir as carências oriundas do longo período colonial foram criadas várias instituições de ensino superior. (NASCIMENTO. Academia Real Militar (1810). Academia Médico-Cirúrgica da Bahia (1808) e. com base em acordos políticos de interesse da classe dominante. Academia Médico-Cirúrgica do Rio de Janeiro (1809). “com a finalidade estritamente utilitária. Assim. de caráter profissional. 45 .

• os professores que não tivessem formação para ensinar deveriam providenciar a necessária preparação em curto prazo e às próprias custas. A mesma lei estabelecia que: • os presidentes de província definiam os ordenados dos professores. • as escolas deviam ser de ensino mútuo. vilas e lugares populosos haverá escolas de primeiras letras que forem necessárias”. destacava. sobre 46 a Constituição do Império e História do Brasil. • devia ser dada preferência aos temas. com a finalidade de legar nossa primeira Constituição. Em 15 de outubro de 1827. a Assembléia Legislativa aprovou a primeira lei sobre a instrução pública nacional do Império do Brasil.ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO NO BRASIL IMPÉRIO Após a proclamação da Independência. que outorgada em 1824. estabelecendo que “em todas as cidades. . com respeito à Educação: “A instrução primária é gratuita para todos os cidadãos”. foi instituída a Assembléia Constituinte e Legislativa. • determinava os conteúdos das disciplinas. no ensino de leitura. • deviam ser ensinados os princípios da moral cristã e de doutrina da religião católica e apostólica romana.

porém. desde que estivesse em harmonia com as imposições gerais do Estado. não demorou nada para que defrontassem com as dificuldades de dar instrução de primeiras letras aos moradores dos lugares distantes e isolados. O Ato Adicional de 6 de agosto de 1834 instituiu as Assembléias Legislativas provinciais com o poder de elaborar o seu próprio regimento e. os recursos para oferecer as condições necessárias para a existência das escolas e para o trabalho dos professores. no entanto. um entusiasmo inicial com a instrução popular. esbarrava não somente nas condições reais do País. No entanto.CONDIÇÕES DA EDUCAÇÃO NO BRASIL IMPÉRIO Observamos. mas também no discurso ideológico do governo que dizia estar preocupado em levar a instrução ao povo. 47 . Nesse período. Este. sem providenciar. o acesso à escolarização era precário ou inexistente. quanto de professores. nesse período. cada província passava a responder pelas diretrizes e pelo funcionamento das suas escolas de ensino elementar e secundário. tanto por falta de escolas.

na cidade do Rio de Janeiro. Em 1837. por intermédio das leis e decretos que vão sendo criados e aprovados.. Ficava evidenciada a contradição da lei que propugnava a Educação primária para todos. Em 1836 foi criada a da Bahia. foi criado o Colégio Pedro II. (NASCIMENTO. pois não existiam escolas e poucos eram os professores”. p. em 1846. a de São Paulo. autoritária e formada para atender a uma minoria encarregada do controle sobre as novas gerações. EM 1835 Surge a primeira Escola Normal do País. Outras Escolas Normais foram criadas visando a melhorias no preparo do docente. 2004) A presença do Estado na Educação. em 1845 a do Ceará e. era quase imperceptível. pois estávamos diante de uma sociedade escravagista.]a responsabilidade direta pelo ensino primário e secundário.. mas na prática não se concretizava. onde funcionava o Seminário de São Joaquim.2004. 95) 48 . no período imperial.DESCENTRALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO = ATO ADICIONAL. (NASCIMENTO. em Niterói. sem que sejam aplicados. O governo imperial atribuía às províncias “[.

o Brasil passa a ser denominado Republicano. paralelo a isso.A REFORMA DE LEÔNCIO DE CARVALHO Em 1879. o que possibilitou o surgimento de colégios protestantes e positivistas. defensora de uma ditadura republicana dos cientistas e de uma Educação como prática neutralizadora das tensões sociais. são incentivados os discursos e pequenas ações para acabar com o analfabetismo no País. 225) instituiu a liberdade de ensino. Benjamin Constant. (Nascimento) 49 . p. elaborou uma reforma de ensino de nítida orientação positivista. baseado nos ensinamentos de Augusto Comte. Em 1891. a reforma de Leôncio de Carvalho (PLT. com a libertação dos escravos para atender às demandas do mercado internacional. E. Diante de muitos conflitos.

Esse quadro refletia a continuidade do grande abismo educacional brasileiro. alguns cursos superiores que garantiam o projeto de formação (médicos. realidade também presente nas fases anteriores. : poucas instituições escolares. de políticos e jornalistas). com uma professora leiga para ensinar os pobres brasileiros excluídos do interesse do governo Imperial. com apenas alguns liceus provinciais nas capitais e colégios privados bem instalados nas principais cidades. cursos normais em quantidade insatisfatória para as necessidades do País.Quadro geral do ensino BRASILEIRO no final do Império Segundo Nascimento (2004). a maioria da população brasileira continuava. advogados. quando muito. tendo uma casa e uma escola. 50 . Assim.

Tem início em 1750 a Revolução Industrial com a entrada da máquina à vapor nas fábricas.SÉCULO DAS LUZES: O IDEAL LIBERAL DE EDUCAÇÃO – SÉC. XVIII 1. sustentados pelo ideário liberal e pelo nascente iluminismo. 4. 3. As idéias de John Locke sobre o liberalismo se espalham pela Europa e pelo mundo novo. Os burgueses ascendem ao poder político. Em oposição à pesada cargas de impostos e em repúdio à monopolização do poder pela nobreza. 2. 51 . a classe burguesa se manifesta por meio de revoluções em defesa de seus ideários.

afastamento dos preconceitos. c) Na moral: espontaneidade do sentimento. le monde va de lui même (o mundo vai por si só) b) Na política: a ênfase da legitimidade do poder centrada no pacto social. AS IDÉIAS ILUMINISTAS a) Na economia: a ênfase é o pensamento liberal nãointervencionista: Laissez faire.5. d) Na religião: tem ênfase o deísmo – Deus é o primeiro motor. laissez passer. 52 . mas o mundo caminha por si.

. .Rousseau propõe a educação negativa . um homem. teríeis feito um prodígio de educação”.. soldado ou sacerdote.. de forma soberana – poder exercido de forma direta. .No Emílio propõe uma educação naturalista – distante dos artificialismos sociais. Jean Jacques Rousseau Obras: Discurso sobre a origem da desigualdade entre os homens. antes de tudo. Do Contrato Social (política) e Emílio ou Da Educação (1762) . ele será.6. . O pensamento pedagógico voltado ao ideal liberal Ora como legitimação do poderio burguês.) e começando por nada fazer. .A educação do homem para si mesmo. a sociedade que o corrompe. ele não será magistrado. não mais para Deus: “Viver é o que eu desejo ensinar-lhe.Rousseau centraliza os interesses pedagógicos no aluno.preservar o coração do vício e o espírito do erro: “ (.Propõe um contrato social baseado no consentimento de todos.O homem em estado de natureza é bom.A criança não deve ser tratada como adulto em miniatura. Quando sair das minhas mãos. ora defendendo posições mais “democráticas”.” . 53 . 7.

8. IMMANUEL KANT (1724-1804):
Obras principais: “Crítica da razão pura” e “Crítica da razão prática”
- O conhecimento humano como síntese da experiência e da razão.
- A moralidade é resultado da luta entre a lei universal e as inclinações
humanas- é um processo de autonomia.
- A consciência moral é determinada pela razão prática, esta orienta a
ação humana, fazendo-o compreender as realidades que não se
oferecem a experiência dos sentidos.
- Só o homem é moral, por ser capaz de atos de vontade e esta acontece
por imperativos categóricos do dever pelo dever.
- Agir moralmente é agir pelo dever.
- Cabe à educação a formação do caráter moral: “O homem só pode
tornar-se homem pela educação...”
- A relação pedagógica deve promover o pensamento autônomo do
aluno, por meio da convivência social.

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9. Enfraquecimento do monopólio jesuítico na educação
10. Tendência Liberal e laica, defendendo:
- Educação ao encargo do Estado,
- Obrigatoriedade e gratuidade do ensino elementar,
- Recusa do universalismo jesuítico,
- Ênfase nas línguas vernáculas,
- Orientação voltada para as ciências técnicas e ofícios
11. Entre o ideal liberal e as obstáculos à educação liberal
12. A Alemanha, sob o regime absolutista, será um dos primeiros
países em assumir o controle da educação estabelecendo escolas
elementares populares, escolas secundárias e exame no final deste
nível para ingresso à universidade.

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O ILUMINISMO...
O iluminismo foi um período muito rico em reflexões pedagógicas. Um
de seus aspectos marcantes está na pedagogia política, centrada no
esforço para tornar a escola leiga e função do Estado.
Apesar dos projetos de estender a educação a todos os cidadãos,
prevalece a diferença de ensino, ou seja, uma escola para o povo e
outra para a burguesia.
Essa dualidade era aceita com grande tranqüilidade, sem o temor de
ferir o preceito de igualdade, tão caro aos ideais revolucionários.
Afinal, para a doutrina liberal, o talento e a capacidade não são iguais,
e portanto os homens não são iguais em riqueza.

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Importância do movimento: » Influenciou uma série de movimentos na Europa e fora dela que abalam definitivamente o Antigo Regime ao longo dos séculos XVIII e XIX. contemporâneo no que diz organização política. em muitas respeito a . econômica e social. » Base do sociedades pensamento ocidentais. como por exemplo a Independência dos EUA e a Revolução Francesa.

liberdade e propriedade. » Os governos existem para preservar esses direitos. » LIBERALISMO POLÍTICO. » Defesa da Monarquia Parlamentar (Constitucional)..JOHN LOCKE (INGLÊS): » Precursor do Iluminismo (considerado o “Pai” do Iluminismo). . » Conhecimento = experiência e razão. » Direitos naturais e inalienáveis dos homens: vida.

em linha cronológica (Colônia/Império/1ª República e 2ª república) com as informações mais significativas dos principais estabelecimentos escolares fundados em cada período. (Ver modelo de quadro no artigo acessado).ATPS – ETAPA 3 A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO ESCOLAR NO BRASIL. O quadro resultará de atividade de todo o grupo e fará parte do registro final do memorial. - Elaborar um quadro. 59 .

br/navegando/apresentacao.br/heb3.unicamp.pro.pedagogiaemfoco.histedbr.html http://www.HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO NO BRASIL INTRODUÇÃO Período Jesuítico 1549-1759 Período Pombalino 1760-1807 Período Imperial 1822-1888 Período da Primeira República 1889-1929 Período da Segunda República 1930-1936 Período do Estado Novo 1937-1945 Período do Regime Militar 1964-1985 Período da Abertura Política 1986-2003 Referências Período da Nova República 1946-1963 Período Joanino 1808-1821 http://www.html 60 .fae.

pragmatistas. Esse quadro educacional é resultado da influência das mais diversas culturas e fases históricas discutidas e estudadas nos temas anteriores.A EDUCAÇÃO CONTEMPORÂNEA Discutiremos. dos iluministas. entre outros. racionalistas. tais como o legado dos gregos antigos. a solução dos problemas humanos. o cenário educacional do século XXI. a partir de agora. O contexto em que nos encontramos. por meio de inovadores métodos de ensino. Hoje almejamos encontrar. tais como o surgimento das escolas populares. a influência das teorias psicológicas e uma tendência à Educação universal. 61 . a maior preocupação com a Educação infantil. naturalistas. é produto de fatos importantes do final do Século passado.

Assim. intelectualizada e livresca.  Métodos de trabalho individual-coletivo: Decroly. técnica Freinet. até alcançar um método mais coletivo (como é o caso de Decroly).  Métodos de caráter social: as cooperativas escolares.32) 62 . o de ensino sintético. a evolução do método caminhou do aspecto individual ao coletivo e social. Os principais métodos da escola nova são:  Métodos de trabalho individual: Montessori.ESCOLANOVISMO Este movimento é uma tentativa de mudar o rumo da Educação tradicional.  Métodos de trabalho coletivo: o de projetos. (UBC. 2007. comunidades escolares. p. Os métodos que primeiro surgiram na Educação nova acentuaram o caráter individual do trabalho escolar (como o método montessoriano).  Métodos de trabalhos por grupos: de equipes. a autonomia dos alunos.

O método de projetos nascido das ideias de Dewey e desenvolvido por Kilpatrick parte de problemas reais. (UBC. que rompem com a rigidez do programa escolar. em 1907 na Educação de crianças especiais. p. os quais levam em consideração um conjunto de meios adequados. na qual se acomodam seus métodos dos centros de interesse e de ideias associadas.PRINCIPAIS MÉTODOS DA NOVA ESCOLA O método montessoriano dá ênfase às atividades motoras e sensoriais. sem necessidade de organização especial. aplicado principalmente à idade pré-escolar. Baseava-se na atividade individual e coletiva das crianças. 2007. Para estes. O método Decroly apareceu simultaneamente com o Montessori. mas acentuava a ideia da globalização da vida anímica. todas as atividades escolares podem se realizar em forma de projetos. 32) 63 .

A Pedagogia psicológica é essencialmente produto de Século XX. O homem pós-moderno busca a afirmação como indivíduo.. para torná-los essencialmente significativos para o estudante. A Educação pós-moderna é crítica. A História da Educação atual nos oferece um vastíssimo e valioso conhecimento. 1998. • Não nega os conteúdos.311) 64 . trabalha para uma profunda mudança deles na Educação. • muito mais com a intersubjetividade e a pluralidade do que com a igualdade e a unidade. p. A Pedagogia individual tem suas origens na Renascença. quando se rompe o mundo fechado da Educação religiosa e se reconhece o valor substantivo da personalidade.] • Trabalha mais com o significado do que com o conteúdo. O estudo psicológico sistemático da criança e a aplicação desse estudo à Educação só tiveram início no fim Século XIX e no começo do XX.. MAS. em face da globalização da economia e das comunicações. (GADOTTI. [.SÉCULO XX – UM MARCO NA PEDAGOGIA O Século XX foi profundamente rico em movimentos pedagógicos.

educador.unicamp. filósofo liberal estadunidense.pd f> Sobre Anísio Teixeira .br/aprendizagem/anisio-teixeira306977.br/revista/edicoes/22e/doc1_22e. Dentre outros.shtml> 65 .< http://educarparacrescer. John Dewey. escritor e conferencista suíço.O grande movimento educacional do Século XX relaciona-se com o pensamento pedagógico da Escola Nova Vários pedagogos engajaram-se neste movimento de renovação educacional. que mais influência exerceu no movimento da Escola Nova brasileiro.fe.com. influência que se deu na pessoa do educador pátrio Anísio Teixeira. Leia O “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova” < http://www.abril. se destacaram: Ferrière.histedbr.

antes de qualquer coisa. ou seja. p. b) análise da dificuldade. retorna valorizado neste início de milênio”. pois a escola deveria ser a própria vida. Trata-se do famoso princípio do “aprender a aprender” que. permanentemente. Os estágios são: a) necessidade sentida. e) ação como prova final para a solução proposta que deve ser verificada de modo científico. Para ele. esquecido durante algumas décadas. (PALMA FILHO.Para Dewey. Educação era ação (learning by doing). d) a experimentação de várias soluções. o importante é ensinar a pensar. A sua obra “Como pensamos” (1979). no qual. apresenta os cinco estágios do ato de pensar que sempre ocorre diante de um problema. Dewey imaginava o processo educacional como algo contínuo. “A Educação. c) as alternativas de solução do problema. ativa e produtiva de cada ser humano. reconstruía-se a experiência concreta. é processo e não produto.7) 66 . até que o teste mental aprove uma delas. a escola não deveria preparar para a vida. O aspecto instrucional da Educação ficava relegado a um segundo plano.

psicóloga argentina que. é mundialmente reconhecido. ao lado de Vygotsky e Wallon. sofreu influência do ideário pedagógico escolanovista. embora discordasse do conservadorismo político que alguns membros desse movimento apresentavam. O educador brasileiro Paulo Freire. p. 67 . (PALMA FILHO. com destaque para Emília Ferreiro. hoje. tem influenciado os educadores brasileiros com estudos voltados para esta área. a partir de seus estudos sobre os processos de alfabetização da criança.EDUCAÇÃO DO SÉCULO XXI Jean Piaget que concentrou a sua atenção de pesquisador no estudo da natureza do desenvolvimento da inteligência na criança e forneceu as bases para a construção da Pedagogia construtivista. bem como para a prática em sala de aula no ensino fundamental. os estudos de Piaget influenciaram outros pesquisadores. cujo pensamento educacional.7) Para Palma Filho.

com vistas a desenvolver uma Educação voltada para a com preensão em todos os níveis educativos e em todas as idades. tendo em vista estabelecer uma relação de “controle mútuo entre a sociedade e os indivíduos pela democracia e conceber a Humanidade como comunidade planetária”. (MORIN. 2001) 68 . as incertezas que cada vez mais assolaram a espécie humana. este novo paradigma da Educação tem apoio nos quatro pilares a seguir (UNESCO.8): 1) Aprender a conhecer. que é ser ao mesmo tempo indivíduo/sociedade/espécie.A construção de uma Educação planetária Neste início de Século. 1998. enfatizando o ensino sobre a condição humana. que pede a reforma das mentalidades e a consideração do caráter ternário da condição humana. Morin conclui que há necessidade de a Educação se preocupar com a ética do gênero humano. Como assinala o pensador francês Edgar Morin. 2) Aprender a fazer. 3) Aprender a viver juntos. p. os educadores precisam refletir sobre a natureza do conhecimento a ser trabalhado pela escola. apud Palma Filho. aprender a viver com os outros. a identidade terrena. 4) Aprender a ser.