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Língua e Sociedade

• A linguagem não é usada somente para


veicular informações, isto é, a função
referencial denotativa da linguagem não é
senão uma entre outras; entre estas ocupa
uma posição central a função de comunicar ao
ouvinte a posição que o falante ocupa de fato
ou acha que ocupa na sociedade em que vive.
As pessoas falam para serem "ouvidas", às vezes,
para serem respeitadas e também para exercer
uma influência no ambiente em que realizam os
atos linguísticos. O poder da palavra é o poder de
mobilizar a autoridade acumulada pelo falante e
concentrá-la num ato linguístico (Bourdieu, 1977,
p. 32).
As regras que governam a produção apropriada
dos atos de linguagem levam em conta as
relações sociais entre o falante e o ouvinte.
Todo ser humano tem que agir verbalmente
de acordo com tais regras, isto é, tem que
"saber":
a) quando pode falar e quando não pode;
b) que tipo de conteúdos referenciais lhe são
consentidos;
c) que tipo de variedade linguística é
oportuno que seja usada. ( ...) nem todos os
integrantes de uma sociedade têm acesso a
todas as variedades e muito menos a todos
os conteúdos referenciais.
O uso da língua depende das condições de
produção:
Onde falo?
Com quem falo?
Sobre o que falo?
ALBERT. O EINSTEIN

Albert, o Einstein, foi a uma festa e não


conhecia ninguém... Logo foi tentando se
misturar aos convidados:
- Oi, como vai? perguntou ele.
- Vou bem!
- Qual é o seu Q.I.?
- 250.
Então, logo começou a conversar sobre
física quântica, teoria da relatividade,
bombas de hidrogênio, etc.
Andou mais um pouco e encontrou outra
pessoa:
- Qual seu Q.I.?
- 150.
Então, novamente começou a conversar, só que,
desta, vez sobre política, desigualdade social,
reforma agrária, etc.
Andou mais um pouco e encontrou a terceira
pessoa:
- Oi, como vai? perguntou ele.
- Tudo bem!
- Qual o seu Q.I.?
- 100.
Então, começou a conversar sobre desemprego,
aumento dos combustíveis,corrupção, etc.
Andou mais um pouco e encontrou outra
pessoa:
- Como está, tudo bem?
- Tudo ótimo.
- Qual é o seu Q.I.?
- 50.
Então, começou a falar sobre a casa dos artistas,
Big Brother, Ratinho, Gugu, Faustão, João Kleber,
Luciana Gimenez, Roseana, Sarney, Jader
Barbalho, etc. Deu mais uma volta e encontrou
outra pessoa e perguntou:
- Qual o seu Q.I.?
- 10.
- E ai mano, beleza? E o Coringão?
Chapeuzinho Vermelho nas
Manchetes
Jornal Nacional: Willlian Bonner: “Boa noite.
Uma menina de 7 anos foi devorada por um
lobo na noite de ontem”.
Fátima Bernardes: “...Mas graças à atuação
de um caçador não houve tragédia”.
Fantástico: Glória Maria: “...Que gracinha,
gente, vocês não vão acreditar, mas essa
menina linda aqui foi retirada viva da barriga
de um lobo, não é mesmo...?”
• Cidade Alerta: Luís Datena: “... Onde é que a
gente vai parar, cadê as autoridades? Cadê as
autoridades?! A menina ia para a casa da
avozinha a pé. Um lobo, um lobo safado. Põe
na tela!! Porque eu falo mesmo, não tenho
medo de lobo, não tenho medo de lobo não.”
• Veja: “...Fulano de tal, 23, o lenhador que
retirou Chapeuzinho da barriga do lobo, tem
sido considerado um herói na região. O lobo
estava dormindo, `acho que não foi tão
perigoso assim´, admite”.
Cláudia: “ Como chegar na casa da
vovozinha sem se deixar enganar pelos
lobos no caminho”
Nova: “dez maneiras de levar um lobo à
loucura na cama”.
Marie-Claire: “ Na cama com o lobo e minha
avó”, relato de quem passou por essa
experiência.
Jornal do Brasil: “Floresta: Garota é
atacada por lobo”. Na matéria, a gente
não fica sabendo onde, nem quando, nem
mais detalhes.
O Globo: “Retirada viva da Barriga de um
Lobo”. Na matéria terá até mapa da
região. O salvamento é mais importante
que o ataque.
Folha de S. Paulo: Legenda da foto:
“Chapeuzinho, à direita, aperta a mão de
seu salvador”. Na matéria, teremos um
box com um zoológo, explicando os
hábitos alimentares do lobo e um imenso
infográfico, mostrando como
Chapeuzinho foi devorada e depois salva
pelo lenhador.
O Estado de São Paulo: “Lobo que devorou
Chapeuzinho seria afiliado do PT”.
Notícias Populares: “ Sangue e tragédia na casa
da vovó”
Playboy: (ensaio fotográfico com Chapeuzinho
no mês do escândalo). Chamada: “Veja o que
só o lobo viu”.
Sexy: (ensaio fotográfico com Chapeuzinho um
ano depois do escândalo). Chamada: “Essa
garota matou o lobo!!!”
Caras: (ensaio fotográfico) Na banheira de
hidromassagem na cabana da avozinha, em
Campos do Jordão, Chapeuzinho reflete sobre os
acontecimentos: “Até ser devorada, eu não dava
valor para muitas coisas das vida, hoje, sou
outra pessoa”, admite.
Isto É: “Gravações revelam que lobo foi assessor
de influente político”.
Capricho: “ Esse Lobo é um Gato!”
G Magazine: (Ensaio fotográfico com lenhador).
Chamada: “Lenhador mostra o machado”.
Somente uma parte dos integrantes das
sociedades complexas, por exemplo, tem
acesso a uma variedade "culta" ou "padrão",
considerada geralmente "a língua", e
associada tipicamente a conteúdos de
prestígio. (GNERRE, 1985, p.6)
Variante Padrão X Variante Não-Padrão

Conservadora Inovadora

Ter prestígio na Ser estigmatizada


sociedade

Padronizada Não segue regras

Adotada como
exemplo de falar e DAR EXEMPLOS DE
PADRÃO E NÃO PADRÃO
escrever bem
LÍNGUA E CULTURA
Língua

Sistema

Conjunto de elementos organizados

Social

Coletiva
POR QUE AS LÍNGUAS DIFEREM?

- Cada povo incorpora na sua língua traços da


sua cultura
- Por exemplo, “motorista”
- Em inglês- driver
- Em espanhol- condutor
- Em francês- chaffeur
- Na própria estrutura da língua há diferenças:
português inexiste sílaba sem vogal
CULTURA

UNIVERSO DAS IDEIAS, DA INTELIGÊNCIA E
CRIAÇÃO
Você vale muitos camelos.
Mal-educado, retruca a gaúcha.

Zapatillas = Tênis
Corbata = Gravata
Bufanda = Cachecol
Falda = Saia
Jardinera = Macacão

Lecture (n) - palestra, aula


Legend (n) - lenda
Library (n) - biblioteca
• USOS DA LÍNGUA

CADA FALANTE SE UTILIZA DO COLETIVO DE
MANEIRA INDIVIDUAL

AS PALAVRAS VÃO TER SIGNIFICADOS
DIFERENTES, DEPENDENDO DE QUEM AS USA E
DO LUGAR EM QUE A USA

VAI CHOVER. ACHO QUE MINHA CASA VAI CAIR
• REGISTROS LINGUÍSTICOS

MANEIRAS DIFERENTES DE SE DIZER UMA MESMA COISA

TIPOS DE REGISTROS
TÉCNICO OU CIENTÍFICO
LITERÁRIO
COLOQUIAL- INFORMAL
CULTO- NORMA PADRÃO
NÃO-PADRÃO
GÍRIA
REGIONAIS
Assinale o trecho do diálogo que apresenta um
registro informal, ou coloquial, da linguagem.
A- “Tá legal, espertinho! Onde é que você
esteve?!”
B- “E lembre-se: se você disser uma mentira, os
seus chifres cairão!”
C- “Estou atrasado porque ajudei uma velhinha a
atravessar a rua...”
D- “...e ela me deu um anel mágico que me levou
a um tesouro”
E- “mas bandidos o roubaram e os persegui até a
Etiópia, onde um dragão...”
Tendo em vista a construção da ideia de nação no Brasil, o
argumento da personagem expressa
(A) a afirmação da identidade regional.
(B) a fragilização do multiculturalismo global.
(C) o ressurgimento do fundamentalismo local.
(D) o esfacelamento da unidade do território nacional.
(E) o fortalecimento do separatismo estadual.
• " As expressões são data venia, permissa
venia, concessa venia. O senhor, para não usar
de aspereza com o juiz, o senhor bota data
venia, que quer dizer "com o devido respeito",
bota antes data venia e aí fala o que quiser
para o juiz. Os sinônimos de data venia seriam
permissa venia, concessa venia. Eu jamais
repito data venia no mesmo processo. Só data
venia, data venia, fica enfadonho, né?"
• "Olha, hoje em dia, uma campanha, qualquer
que seja, sai muito cara e não se admite mais
nenhum esforço em qualquer organização do
país ou do mundo que não use informática
para melhorar seu controle de custos,
melhorar a divulgação de suas mensagens
junto aos clientes, melhorar a organização da
campanha. Então a informática serve para
tudo isso, é a ferramenta moderna e que está
penetrando em todas as empresas."
• “Pois é. U purtuguêis é muito fáciu di aprender, purqui
é uma língua qui a genti iscrevi ixatamenti cumu si
fala. Num é cumu inglêis qui dá até vontadi di ri
quandu a genti discobri cumu é qui si iscrevi algumas
palavras. Im portuguêis, é só prestátenção. U alemão
pur exemplu. Qué coisa mais doida? Num bate nada
cum nada. Até nu espanhol qui é parecidu, si iscrevi
muito diferenti. Qui bom qui a minha lingua é u
purtuguêis. Quem soubé falá, sabi iscrevê.”

Jô Soares, revista veja, 28 de novembro de 1990


Na escola, a professora manda um aluno dizer um verbo
qualquer e ele responde: - Bicicreta. A professora,
então, corrige: - Não é “bicicreta”,
é “bicicleta”. E “bicicleta” não é verbo. Ela tenta com
outro aluno: -
Diga um verbo! Ele arrisca: - Prástico. A professora, outra
vez, faz a correção: - Não é “prástico”, é “plástico”. E
“plástico” não é verbo. A
professora faz a sua última tentativa e escolhe um
terceiro aluno: - Fale um verbo qualquer! - Hospedar.
A professora comemora: - Muito bem! Agora, forme
uma frase com esse verbo. – Os pedar da bicicreta é
de prástico.
Excelentíssimo Sr. Juiz
Certa vez, ao transitar pelos corredores do fórum, fui
chamado por um dos juízes ao seu gabinete.
- Olha só que erro ortográfico grosseiro temos nesta
petição.
Estampado, logo na primeira linha do petitório, lia-se:
"Esselentíssimo juiz". Gargalhando, o magistrado me
perguntou:
- Por acaso esse advogado foi seu aluno na Faculdade?
- Foi sim - reconheci. Mas onde está o erro ortográfico a
que o senhor se refere ?
O juiz pareceu surpreso:
- Ora, meu caro, acaso você não sabe como se escreve a palavra
excelentíssimo?
Então expliquei-me:
- Acredito que a expressão pode significar duas coisas diferentes.
Se o colega desejava se referir a excelência dos seus serviços, o
erro ortográfico efetivamente é grosseiro. Entretanto, se fazia
alusão à morosidade da prestação jurisdicional, o equívoco reside
apenas na junção inapropriada de duas palavras. O certo então seria
dizer "esse lentíssimo juiz".
Depois disso aquele magistrado nunca mais aceitou, com
naturalidade, o tratamento de excelentíssimo juiz. Sempre pergunta:
- Devo receber a expressão como extremo de excelência ou como
superlativo de lento?
• Poema do nadador
• A água é falsa, a água é boa.
Nada, nadador!
A água é mansa, a água é doida,
aqui é fria, ali é morna,
a água e fêmea.
Nada, nadador!
A água sobe, a água desce,
a água é mansa, a água é doida.
Nada, nadador!
A água te lambe, a água te abraça
a água te leva, a água te mata.
Nada, nadador!
Senão, que restara de ti, nadador?
Nada, nadador. Jorge de Lima
• EXERCÍCIOS
• 1- ENVOLVIDO A-
• Nada declarou sobre o fato, porém ao ser revistada a sua
carteira, nela havia R$ 105,00 em dinheiro, além de cartões de
crédito e outros documentos, que, após a revista foram-me
entregues. Outrossim, no plantão, paguei o produto do furto
(um short azul, no valor de R$15,90) e levei-o comigo.

• 2- ENVOLVIDO T -
• Encontrava-se na porta das Lojas Riachuelo onde trabalha
como fiscal quando percebeu que o suspeito 01 saiu da loja
sorrateiramente ao lado de duas senhoras quando a etiqueta
eletrônica disparou e este fiscal seguiu o suspeito verificando
que ele vestia um short por debaixo da calça que era
propriedade da referida loja foi contido por este fiscal
juntamente com policiais militares um quarteirão depois.
• 1- Como devem ocorrer na escrita formal as seguintes
orações da fala coloquial?
• a- As escolas que as salas de aula estavam em petição
de miséria foram fechadas.
• b- Assisto a todos os programas que o apresentador é
o Faustão.
• c- Encontrei o homem que a casa dele afundou na
enchente.
• d- Os alunos que as notas deles foram baixas, ficaram
revoltados com o professor de Português.
• e- Ninguém neste país, que o salário é alto, reclama do
governo
Estilo informal- satisfaz nossa comunicação cotidiana; não-
planejado, espontâneo.
Estilo Formal- planejado, serve às necessidades intelectuais, é
resultado de seleção criteriosa do emprego da língua,
representa máxima adesão às normas da língua.

Dois bons filhos


- Se há alguém que eu adoro neste mundo é minha mãezinha.
Ela vai fazer 73 anos, no dia 19 de maio. Está forte, graças a
Deus é muito lúcida. Há 41 anos que está viúva, papai,
coitado, faleceu moço, com uma espinha de peixe atravessada
no esôfago: pois não há dia em que mãezinha não se lembre
dele com um amor tão bonito, com um respeito”
-Velha bacaninha é a minha. Quando ela está
meio adernada, mais pra lá do que prá cá, ela
ainda me dá uma broncazinha. bronca de mãe
não pega, meu chapa. Eu manjo ela todinha:
lá em casa só tem bronca quando ela encheu
a cara demais. A velha toma pra valer! Ou
então foi um troço em que eu não meto a cara
demais. Que eu tenho com a vida da velha?
pensa que eu me manco. Quando ela tá de
bronca, o titio aqui já sabe: taco-lhe três
equanil. É batata. Daí a pouco ela fica macia e
vai soltando o tutu. (CAMPOS, 1965, p. 52)