Você está na página 1de 9

Fundamentação da existência do Estado

O Estado
Pode definir-se o Estado como uma comunidade humana que
se apodera de um território instituindo um conjunto de
normas de convivência conjunta que visam realizar os ideais
de segurança, justiça e bem-estar comuns.
A justificação da origem do Estado
A reflexão sobre a origem do Estado procura explicar as razões
que levaram os seres humanos a constituírem uma sociedade
política e a aceitarem a autoridade do Estado. Destacaram-se
nesta resposta duas perspetivas:
• A justificação naturalista do Estado;
• A justificação contratualista do Estado;
Justificação naturalista
Para os defensores da justificação naturalista do Estado este
resulta das características da própria natureza humana.
Para Aristóteles “o Homem é um animal político”:
• O ser humano tem uma tendência natural para constituir
sociedade;
• O ser humano só se completa na sociedade civil;
• A cidade (Estado) é a mais alta forma de organização humana;
• Sem Estado não somos humanos.
Quem for incapaz de se associar (…) não faz parte de qualquer
cidade, e será um bicho ou um deus.
Aristóteles
Justificação contratualista
Para os defensores da justificação contratualista, o Estado não
resulta de uma característica natural, mas de uma vontade
livre de constituição de um contrato entre os cidadãos.

Filósofos partidários desta posição:


• Thomas Hobbes;
• John Locke.

“Se no estado de natureza o Homem é tão livre,


(…) por que razão renunciará à sua liberdade?”
Locke
Thomas Hobbes
Estado de natureza
• No estado de natureza os seres humanos são muito
semelhantes e procuram frequentemente atingir os
mesmos objetivos.
• O ser humano é naturalmente egoísta, violento e
perigoso.
• Neste estado o ser humano vive num permanente
estado de “guerra de todos contra todos” (Hobbes).
• O estado de natureza é inseguro e perigoso.
No estado de natureza o “homem é o lobo do homem”.
Plauto
Thomas Hobbes
A constituição do Estado
• Para travar os desequilíbrios observados no estado de
natureza, o ser humano constitui um poder reconhecido
por todos.
• O Estado é a forma encontrada pelo ser humano para
garantir a segurança e a paz.
• Dada a natureza humana, o Estado deve ser forte
porque “os pactos sem a espada não passam de
palavras” (Hobbes).

O Estado resulta de um contrato entre os cidadãos para saírem do estado


de guerra em que se encontravam.
John Locke
Estado de natureza
• A lei natural orienta as ações humanas no estado de
natureza e todos os seres humanos a apreendem pela
razão natural.
• Todos os seres humanos estão numa situação de
perfeita igualdade.
• Cada um é responsável por se defender e punir aqueles
que ameacem a sua liberdade.
O estado de natureza é um estado de perfeita liberdade no qual
deveria observar-se o cumprimento da lei natural.
John Locke
As dificuldades na realização plena do direito natural:
• No estado de natureza não existe um sistema de leis
estabelecido e reconhecido por todos;
• Ao estado de natureza falta um juiz que garanta a
aplicação da lei de forma imparcial;
• No estado de natureza falta um poder estabelecido que
ordene o cumprimento de uma sentença justa.
Sem um sistema de leis reconhecidas, um juiz e um poder que execute a
sentença, o estado de natureza entra em desequilíbrio.

Por esta razão o ser humano constitui o Estado, onde a


vida é mais justa e a liberdade menos incerta.