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A OBSERVAÇÃO

• METODOLOGIA DA OBSERVAÇÃO

• Profª Dra Teresa Cristina Barbo


Siqueira
• Para obter informações de valor
científico, é preciso usar
metodologias adequadas, a fim de
evitar a identificação de fatores que
têm pouca ou nenhuma relação com o
comportamento complexo que se
deseja estudar.

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• Para ser considerada científica, a
pesquisa deve apoiar-se em
fundamentos teóricos consistentes
relacionados à natureza dos fatos ou
comportamentos a serem observados.
Sem a teoria e um corpo de
conhecimentos bem estruturados, a
pesquisa observacional produzirá
elementos esparsos e não-conclusivos.

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• É importante, dessa forma, iniciar a
pesquisa fazendo uma revisão da
literatura, limitada aos três ou quatro
últimos anos anteriores ao início da
observação e, depois, partir para a
formulação de algumas idéias
(hipóteses) sobre a natureza do
fenômeno a ser considerado.

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• OBSERVAÇÃO E ATIVIDADE
CIENTÍFICA
• Ao observador não basta simplesmente
olhar. Deve, certamente, saber ver,
identificar e descrever diversos tipos de
interações e processos humanos.
• Algumas perguntas geradoras de novos
trabalhos podem surgir, a partir de certas
relações que não oferecem explicações
amplamente satisfatórias para o problema
enfocado.

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• Outras fontes de identificação de
problemas a pesquisar, encontram-se
na literatura técnica, em trabalhos
teóricos a partir dos quais são feitas
algumas deduções que precisam ser
comprovadas, situações da vida
prática, experiências e insights
pessoais. A observação faz parte do
nosso cotidiano, mas devemos fazer
observações partindo de
conhecimentos prévios.
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OBSERVAÇÃO E AS
SUAS DIMENSÕES
• observação oculta X observação aberta;
• observação não-participante X
observação participante;
• observação sistemática X observação
não-sistemática;
• observação in natura X observações
artificiais (laboratório);
• auto-observação X observação de
outros.
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• As pessoas observadas, ao saberem
dessa situação, podem tentar de uma
forma deliberada criar uma
impressão específica, mas essa
tentativa de mudança não escapa à
observação de um pesquisador bem
treinado e arguto.
• Uma observação, qualquer que seja o
seu objetivo e suas finalidades, deve
propor, inicialmente, quatro
importantes questões:

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ESTRUTURADA E SEMI-
ESTRUTURADA

As observações totalmente estruturadas


ocorrem em laboratório. As observações
de campo são em geral semi-estruturadas,
têm lugar em um contexto natural e, na
maioria das vezes, não procuram dados
quantificáveis, que apenas eventualmente
são coletados.

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• A observação não-estruturada é com
bastante frequência usada como
técnica exploratória, em que o
observador tenta restringir o campo
de suas observações para, mais tarde,
delimitar suas atividades,
modificando, às vezes, os seus
objetivos iniciais, ou determinando
com mais segurança e precisão o
conteúdo das suas observações e
proceder às mudanças que se fizerem
necessárias no planejamento inicial.
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• O pesquisador ou o observador pode muitas
vezes apresentar um viés pessoal
excessivamente forte nas suas observações
e julgamentos, introduzindo, dessa forma,
erros sistemáticos nos seus dados, com
efeitos problemáticos para a pesquisa. Um
desses efeitos que, aliás, ocorre com
bastante frequência, é o efeito de halo, que
envolve transferência de impressões
generalizadas sobre a característica ou
situação de uma pessoa para outras,
gerando interpretações pouco confiáveis.

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OBSERVAÇÃO E SUAS
DIFERENTES FASES

• Podemos, em forma resumida,


estabelecer que as diferentes e
sucessivas fases do processo de
observação são as seguintes:
• definir os objetivos do estudo;
• decidir sobre o grupo de sujeitos a
observar;
• legitimar sua presença junto ao grupo
a observar;
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• obter confiança dos sujeitos a observar;
• observar e registrar notas de campo
durante semanas;
• gerenciar possíveis crises que possam
ocorrer entre os sujeitos e o observador;
• saber retirar-se do campo de observação;
• analisar os dados;
• elaborar um relatório sobre os elementos
obtidos

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• OBSERVAÇÃO: OUTROS PONTOS
A CONSIDERAR
• É extremamente problemático para
o observador, especialmente na
fase inicial do processo,
compreender, de forma completa, a
linguagem, os costumes e até
mesmo os hábitos das pessoas sob
observação, especialmente em
função da especificidade do grupo.

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• Aceito pelo grupo, o observador passa
a registrar suas observações.
• As notas de campo devem ser feitas
imediatamente, na medida do possível.
Muitos observadores, durante o
processo de observação, fazem
apenas simples anotações para mais
tarde desenvolvê-las, detalhando os
diferentes aspectos que foram
observados.

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• As notas de campo devem relatar
aquilo que ocorreu, quando ocorreu,
como, com quem, o que foi dito e que
mudanças ocorreram no contexto.
• É necessário que as observações
sejam concretas, devendo o
observador evitar o emprego de
palavras abstratas ou sujeitas a
múltiplas interpretações.

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• Lofland (1971) relaciona os cinco
elementos fundamentais que devem
constar de notas de campo:
• 1) breves descrições de ocorrências;
• 2) elementos esquecidos e que depois
voltam à lembrança;
• 3) ideias analíticas e inferências;
• 4) impressões e sentimentos;
• 5) notas para futuras informações.

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• OBSERVADOR: SEU PAPEL E
ALGUMAS QUESTÕES
• Uma das principais questões da
metodologia da observação está em
definir, de uma forma bastante clara,
o papel do observador.
• É recomendável que o observador
faça uma triangulação da observação
com dados de outras fontes e com os
dados coletados por outros
pesquisadores.
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• É necessário tomar cautelas quando
se pretende usar uma metodologia
observacional em pesquisa, existindo,
para isso, meios que possibilitam
minimizar os efeitos da reatividade.
• É necessário, pois, a adoção de
cautelas ligadas ao cansaço, à
atenção, à capacidade de
concentração e ao grau de experiência
da pessoa em realizar observações.

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• OBSERVAÇÃO: REGISTROS,
DADOS E RELATÓRIOS.

• O observador precisa desenvolver um


método pessoal para fazer suas
anotações, para não ser traído por
sua memória e, além disso, deve fazer
um registro de natureza narrativa de
tudo que foi constatado no período de
observação.

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• ANÁLISE DOS DADOS DA
OBSERVAÇÃO NA ESCOLA
• Em se tratando de observação de
escola ou sala de aula, os registros,
sobretudo os que se destinam à
análise qualitativa, devem ser
imediatamente tratados e analisados,
pela complexidade do campo objeto
em estudo.

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• Na observação, é interessante para
a análise estabelecer-se uma
relação entre teoria e dados, sem
engessar os dados pela teoria. A
observação, no contexto de uma
pesquisa, visa, no caso, a gerar
novos conhecimentos e não a
confirmar, necessariamente,
teorias.

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• Em uma análise quantitativa, muitas
nuances podem não aparecer, e a
análise qualitativa pode lançar luz
sobre elas, quando feitas por um
observador suficientemente
experiente e sofisticado nas suas
apreciações. É frequente adotar-se
uma combinação de análise
quantitativa e qualitativa, aspectos
que se complementam nos trabalhos
de pesquisa.
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Referência Bibliográfica:
• VIANNA, Heraldo M. Pesquisa em
educação: a observação. Brasília Plano
Editora, 2003.

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