2024_EM_V1
1 a
SÉRIE
Língua Portuguesa
Pontos de vista diferentes
4o bimestre - Aula 3 - (Sequência de Atividades 4 –
Aula 3)
Ensino Médio
Conteúdos Objetivo
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● Análise de fragmentos de obras ● Analisar obras literárias de épocas
literárias considerando seu contexto distintas a partir de elementos
de produção; linguísticos e literários,
considerando o contexto de
● Efeitos de sentido.
produção.
Relembre
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5 MINUTOS
Nas aulas anteriores, realizamos a leitura de textos literários de diferentes autores
e épocas. Observamos que esses textos abordam valores humanos e culturais,
explorando temas como o amor e a saudade a partir do ponto de vista único de
seus autores e do contexto de produção de cada obra.
1. Você lembra que perspectivas sobre o amor ou a saudade esses textos traziam?
2. Quais eram os formatos dos textos que lemos?
3. Que recursos linguísticos e expressivos os autores utilizaram?
4. Você concorda com as visões sobre os temas apresentados nas obras? Por quê?
Foco no
conteúdo 20 MINUTOS
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Segundo a antropóloga francesa
Michèle Petit, ler permite ao leitor
decifrar sua própria experiência.
“ Os escritores nos ajudam a
nomear os estados pelos quais
passamos, a distingui-los, a
acalmá-los, a conhecê-los
melhor, a compartilhá-los [...]
porque tocam o mais profundo
da experiência humana – a
perda, o amor, o desespero da
separação, a busca de sentido”. © Getty Images
(PETIT, 2008)
Foco no
conteúdo
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Diferentes pontos de vista sobre o amor na literatura
O amor é um dos temas universais na literatura. Muitos escritores falam de diferentes
maneiras sobre esse tema. Vamos relembrar como ele é abordado nos textos que lemos na
aula anterior:
No romance Senhora, de José de Alencar (1875), a consolidação do amor verdadeiro
esbarra nos costumes da sociedade carioca do século XIX. Há uma crítica ao casamento
burguês, que era comum ser arranjado pelas famílias com oferecimento de grandes
dotes. Na trama, Aurélia é uma moça pobre que se apaixona por Fernando Seixas, com
quem namora por um tempo e alimenta o sonho de se casar. Entretanto, o rapaz é muito
ambicioso e rompe com ela ao conhecer uma moça rica, cuja família pagaria um bom dote
pelo casamento. Após reviravoltas na trama, Aurélia herda uma fortuna, ascende socialmente
e, movida pelo desejo de vingança (e por um amor não resolvido), decide "comprar" o
casamento e o marido – o próprio Seixas.
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2 MINUTOS
“– Oh! ninguém o sabe melhor do que eu, que espécie de
Pause e amor é esse, que se usa na sociedade e que se compra e
responda vende por uma transação mercantil, chamada casamento!”
(ALENCAR, [s.d.].)
No trecho, a expressão “transação mercantil” para se referir ao
casamento reforça a crítica
à perspectiva de Aurélia sobre o ao pagamento do dote por
casamento. Aurélia.
a aspectos culturais da
ao amor romântico no séc. XIX.
sociedade burguesa.
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“– Oh! ninguém o sabe melhor do que eu, que espécie de
Pause e amor é esse, que se usa na sociedade e que se compra e
responda vende por uma transação mercantil, chamada casamento!”
(ALENCAR, [s.d.].)
No trecho, a expressão “transação mercantil” para se referir ao
casamento reforça a crítica
à perspectiva de Aurélia sobre o ao pagamento do dote por
casamento. Aurélia.
a aspectos culturais da
ao amor romântico no séc. XIX.
sociedade burguesa carioca.
Foco no
conteúdo
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No poema de Pablo Neruda, o amor é acompanhado pelos sentimentos de nostalgia e
tristeza. O eu lírico reflete sobre seus sentimentos após a separação da mulher amada,
procurando analisar as fases pelas quais o amor passou.
O poema de Bruna Beber aborda com um tom humorado o ciclo de um relacionamento
amoroso. Um dos efeitos de sentido é a sensação de velocidade associada ao tempo
de validade da relação. Em uma possível leitura do poema, o sentido de amor pode ser
associado ao contexto contemporâneo, marcado por relações cada vez mais
aceleradas e efêmeras.
Observe como essa relação é sintetizada nos últimos versos de cada um dos poemas.
“a minha alma não se contenta com tê-la perdido”
“quanto tempo falta pra gente se ver e nem lembrar que um dia se conheceu”
(BEBER, 2013.)
Na
prática 5 MINUTOS
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Reflita: como o título do poema e o recurso à anáfora se relacionam na
produção de sentidos sobre o amor? Identifique o momento em que a relação
expressa no poema muda e como isso se relaciona com a forma do texto.
“Romance em 12 linhas”
quanto tempo falta pra gente se ver hoje FICA A
quanto tempo falta pra gente se ver logo DICA
quanto tempo falta pra gente se ver todo dia Anáfora: repetição
intencional de palavras no
quanto tempo falta pra gente se ver pra sempre início de períodos, frases
quanto tempo falta pra gente se ver dia sim dia não ou versos.
quanto tempo falta pra gente se ver às vezes
(CEREJA; COCHAR, 2013)
quanto tempo falta pra gente se ver cada vez menos
quanto tempo falta pra gente não querer se ver
quanto tempo falta pra gente não querer se ver nunca mais
quanto tempo falta pra gente se ver e fingir que não se viu
quanto tempo falta pra gente se ver e não se reconhecer
quanto tempo falta pra gente se ver e nem lembrar que um dia se conheceu” (BEBER, 2013.)
Na
prática
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Correção
O título do poema relaciona-se diretamente com o formato do texto, constituído
por 12 versos. A partir do sexto verso, a metade do poema, há uma mudança na
expectativa do relacionamento, que se encaminha para o fim.
“Romance em 12 linhas”
quanto tempo falta pra gente se ver hoje A repetição, em cada início de verso,
quanto tempo falta pra gente se ver logo da expressão “quanto tempo falta”
(anáfora) produz um efeito de sentido
quanto tempo falta pra gente se ver todo dia de intensificação da passagem do
quanto tempo falta pra gente se ver pra sempre tempo. Cada verso iniciado por essa
quanto tempo falta pra gente se ver dia sim dia não expressão acrescenta mudanças no
relacionamento vivido pelo eu lírico.
quanto tempo falta pra gente se ver às vezes
Outra possibilidade de leitura é
quanto tempo falta pra gente se ver cada vez menos observar que os iniciais são mais
quanto tempo falta pra gente não querer se ver curtos e geram um efeito de sentido
quanto tempo falta pra gente não querer se ver nunca mais mais intenso, o que pode remeter às
características do início de um
quanto tempo falta pra gente se ver e fingir que não se viu relacionamento.
quanto tempo falta pra gente se ver e não se reconhecer
quanto tempo falta pra gente se ver e nem lembrar que um dia se conheceu” (BEBER, 2013.)
Foco no
conteúdo
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O tema da infância também é amplamente representado na literatura. Ele pode ser narrado
pela ótica do narrador infantil, pela revisitação da memória, seja por um narrador ou pela voz
do eu lírico, além de outras perspectivas, que dialogam com o contexto de produção das
obras. Vamos analisar outro poema juntos?
Quando as crianças brincam
Na primeira estrofe, o eu lírico expressa a E eu as oiço brincar,
alegria sentida ao ouvir o som das crianças Qualquer coisa em minha alma
brincando. Para o leitor, essa experiência Começa a se alegrar.
contrasta com informação, na segunda
estrofe, de que essa infância alegre não fez E toda aquela infância
parte da vida do eu lírico. Assim, ele só Que não tive me vem,
consegue sentir a alegria ao imaginar ou Numa onda de alegria
idealizar como teria sido sua própria Que não foi de ninguém.
infância. Na terceira estrofe, o eu lírico
admite que não sabe como foi sua infância
de verdade, mas se permite sentir a Se quem fui é enigma,
felicidade que imagina, mesmo que isso não E quem serei visão,
tenha realmente acontecido com ele. Quem sou ao menos sinta
Isto no coração.
(PESSOA, [s.d.].)
Na
prática 3 MINUTOS
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O verso “Numa onda de alegria”, do poema de Pessoa, expressa
A um sentido denotativo, sugerindo que o eu lírico foi atingido por uma enxurrada de
lembranças.
B um sentido metafórico, sugerindo que a alegria vem de maneira intensa e envolvente,
como uma onda.
C um sentido denotativo, sugerindo a comparação entre o sentimento de alegria e a
impulsividade de uma onda.
D um sentido literal, sugerindo que o eu lírico foi atingido por uma onda enquanto se
recordava da infância.
Na
prática 3 MINUTOS
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Correção
O verso “Numa onda de alegria”, do poema de Pessoa, expressa
A um sentido denotativo, sugerindo que o eu lírico foi atingido por uma enxurrada de
lembranças.
B um sentido metafórico, sugerindo que a alegria vem de maneira intensa e
envolvente, como uma onda.
C um sentido denotativo, sugerindo a comparação entre o sentimento de alegria e a
impulsividade de uma onda.
D um sentido literal, sugerindo que o eu lírico foi atingido por uma onda enquanto se
recordava da infância.
Na
TODO MUNDO
prática 10 MINUTOS
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ESCREVE
Agora é a sua vez: analise o modo como a perspectiva sobre a infância é
construída no poema “Memória Prévia”, de Carlos Drummond de Andrade.
O menino pensativo O que ele vê
junto à água da Penha vai existir na medida
mira o futuro em que nada existe de tocável
em que se refletirá na água da Penha e por isso se chama
este instante imaturo. absoluto.
Seu olhar parado é pleno Viver é saudade
de coisas que passam prévia.
antes de passar
e ressuscitam
no tempo duplo da exumação.
(ANDRADE, [s.d.].)
CONTINUA
Na
TODO MUNDO
prática
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ESCREVE
Sugestão de roteiro de análise
1. Que imagens, sentimentos e percepções o poema apresenta sobre a infância?
2. O poema utiliza rimas, figuras de linguagem, como metáforas, simbolismos,
personificações, entre outros recursos que você identifica?
3. Como o título se relaciona com o poema?
4. Como o eu lírico aborda o tema? Que perspectiva ele utiliza para falar no texto?
Encerramento
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5 MINUTOS
Nesta aula, vimos que a literatura pode apresentar diferentes pontos de vista sobre um
mesmo tema e nos ajudar a decifrar nossa própria experiência. A partir disso, reflita:
Como os diferentes pontos de vista sobre a infância apresentados nos textos
estudados hoje se conectam com suas próprias experiências ou visões sobre esse
período da vida?
Referências
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ALENCAR, J. Senhora. Fundação Biblioteca Nacional, [s.d.]. Disponível em:
http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000011.pdf. Acesso em: 27 jul. 2024
ANDRADE, C. D. de. Memória prévia. Disponível em:
https://wp.ufpel.edu.br/aulusmm/2019/07/09/memoria-previa-carlos-drummond-de-andrade/.
Acesso em: 31 jul. 2024.
BEBER, B. Rua da padaria. Rio de Janeiro: Editora Record, 2013.
CEREJA, W.; COCHAR, T. Gramática reflexiva: texto, semântica e interação. São Paulo:
Atual, 2013.
PESSOA, F. Quando as crianças brincam. Arquivo Pessoa, [s.d.]. Disponível em:
http://arquivopessoa.net/textos/2185. Acesso em: 31 jul. 2024.
PETIT, M. Os jovens e a leitura: uma nova perspectiva. Tradução de Celina Olga de Souza.
São Paulo: Ed. 34, 2008.
Referências
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SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Educação. Currículo Paulista: etapa Ensino Médio,
2020. Disponível em: https://efape.educacao.sp.gov.br/curriculopaulista/wp-content
/uploads/2023/02/CURR%C3%8DCULO-PAULISTA-etapa-Ensino-M%C3%A9dio_ISBN.pdf.
Acesso em: 31 jul. 2024.
SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Educação. Aprender Sempre, 2022. Caderno do
Professor, Língua Portuguesa, 1a à 3a série – Ensino Médio, v. 1. Disponível em:
https://efape.educacao.sp.gov.br/curriculopaulista/wp-content
/uploads/2024/02/L%C3%ADngua-Portuguesa-1%C2%B0-ao-3%C2%B0-ano.pdf. Acesso
em: 31 jul. 2024.
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Imagem de capa: SEDUC.
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