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A Aprendizagem Segundo Vygotsky

A Aprendizagem Segundo Vygotsky

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A aprendizagem segundo Vygotsky O ser humano não apenas responde aos estímulos apresentados no ambiente, mas os altera, utilizando

as modificações como um instrumento de seu comportamento. Em um aspecto cultural, é possível dizer que estão envolvidos os meios socialmente estruturados pelos quais a sociedade organiza os tipos de tarefa que a criança em crescimento enfrenta, e os instrumentos mentais e físicos de que a criança necessita para aprender a tarefa. Um dos principais instrumentos utilizados é a linguagem, e baseado nisso, Vygotsky baseou toda sua obra na linguagem e sua relação com o pensamento. Na obra de Oliveira, vê-se que “A linguagem humana tem para Vygotsky duas funções básicas: a de intercâmbio social e a de pensamento generalizante. Isto é, além de servir ao propósito de comunicação entre indivíduos, a linguagem simplifica e generaliza a experiência, ordenando as instâncias do mundo real em categorias conceituais cujo significado é compartilhado pelos usuários dessa linguagem”. E o aspecto histórico se junta com o cultural, pois os instrumentos que o homem usa, para dominar seu ambiente e seu próprio comportamento, foram criados e modificados ao longo da história social da civilização. Segundo os estudos realizados por Vygotsky, em um primeiro momento os aspectos motores e verbais do comportamento estão misturados. “a fala envolve os elementos referenciais, a conversação orientada pelo objeto, as expressões emocionais e outros tipos de fala social. Como a criança está cercada por adultos na família, a fala começa a adquirir traços demonstrativos, e ela começa a indicar o que está fazendo e de que está precisando. Após algum tempo, a criança, fazendo distinções para os outros com o auxilio da fala, começa a fazer distinções para si mesma. E a fala vai deixando de ser um meio para dirigir o comportamento dos outros e vai adquirindo a função de auto-direção”. (Bock, Furtado e Teixeira. 2005, p.109). Pode-se dizer então que, o desenvolvimento é sustentado pelas interações de um sujeito com o outro, ou melhor, da criança com o adulto. Para clarear esse conceito Vygotsky afirma que devemos considerar dois níveis de desenvolvimento: 1º - o desenvolvimento efetivo, que é o já realizado (zona de desenvolvimento real, e que podemos medir, por exemplo, através de testes psicológicos; 2º - a zona de desenvolvimento potencial, que é o desenvolvimento

através da aprendizagem. que o percurso genético para o desenvolvimento conceitual não é linear.. É importante destacar. O terceiro estágio. O desenvolvimento só se efetiva no meio social e é nele que a criança realiza a apropriação dos comportamentos humanos. porque a criança agrupa os objetos conforme um único atributo. pode se considerar outra idéia geral sobre o desenvolvimento é a de que diferentes culturas produzem modos diversos de funcionamento psicológico. a aprendizagem na escola ou vida cotidiana. atua no sentido de favorecer o desenvolvimento da zona do desenvolvimento potencial. portanto. A partir das considerações de Vygotsky. A ampliação da zona de desenvolvimento potencial ocorre à medida que acontece uma intencionalidade para realizá-la. pelas crianças. Segundo Oliveira. o segundo é o cientifico. desenvolvidos nas práticas das crianças no cotidiano. por definição. os objetos são. sem a lógica devida. as pessoas que fazem parte desses grupos culturais teriam base com conceitos espontâneos. da totalidade da experiência concreta. não aparece necessariamente. que ainda não é parte do repertório próprio da criança. mas está voltado para seu futuro. denominado estágio de pensamento por complexos. acesso aos chamados conceitos científicos. gerados . Assim. ou seja. nas interações sociais. Vygotsky propõe três estágios do desenvolvimento genético do pensamento conceitual: O primeiro estágio é denominado formação de conjuntos sincréticos. sendo capaz de abstrair características isoladas. de modo que qualquer conexão factualmente presente pode incluir um elemento em um “complexo”.que está em via de se efetivar. pelos processos deliberados de instrução escolar. O processo de apropriação do conhecimento se dá nas relações reais do sujeito com o mundo. denominado formação dos conceitos propriamente ditos. “Grupos culturais que não dispõem de ciência como forma de construção de conhecimento não têm. por exemplo. após o segundo estágio. pois o terceiro estágio. como a proximidade espacial quando não tem relação com os atributos relevantes para formarem categorias de objetos. O segundo estágio.”. agrupados em conjuntos sincréticos baseados em ligações vagas e subjetivas. mas apenas concretos e factuais. adquiridos por meio de ensino.. no qual as ligações entre os componentes dos objetos não são abstratas e lógicas. Vygotsky distingue dois tipos de conceitos: o primeiro é o cotidiano e prático. ou seja.

sendo que. a proposta de Vigotsky é que se intervenha de forma decidida e significativa nos processos de desenvolvimento da criança no sentido de ajudá-la a superar eventuais dificuldades. A aprendizagem situa-se como um processo de aquisição em função da experiência (atuação do sujeito sobre o meio). Aprender é assimilar o objeto e esquemas mentais. no processo de aquisição do conhecimento. dessa forma efetua-se a assimilação pela compreensão proveniente das estruturas mentais do próprio sujeito que recebe o objeto.nas situações concretas e suas experiências pessoais. da repetição) e a endógena (fase da compreensão das relações. segundo ele. requer uma estruturação no sentido. independente da situação. da cópia. num esquema novo decorrente do que o precedeu. o processo de formação dessas pessoas estaria ligado apenas ao modo de organização da sua cultura e as atividades do grupo. A transformação do objeto depende. pois para tirar qualquer tipo de informação de um objeto ou de uma situação. o conhecimento é precedido por uma abstração que é baseada apenas na experiência para de maneira posterior se desenvolver o campo reflexivo. colocada como aquisição em função do desenvolvimento. é necessário ter em mente que. da explicação). Partindo desse pressuposto a aprendizagem. A . em cada momento. dos esquemas assimiladores disponíveis do sujeito. afinal um objeto só se constitui num estímulo perceptivo na medida em que o organismo percebedor é passível de ser sensibilizado. de pelo menos duas fases: a exógena (fase da constatação. A abstração empírica nunca intervém sozinha qualquer que seja o nível. é indispensável utilizar os instrumentos de assimilação. CONSIDERAÇÕES DE PIAGET AO PROCESSO DE APRENDIZAGEM O célebre epistemólogo francês Jean Piaget aponta a existência. Por fim. A aprendizagem é. as novas coordenações adquiridas passam ampliar um esquema inicial. pois. Esquemas são a condição necessária para a aprendizagem: São objetos de uma construção do sujeito a partir da sua ação sobre a realidade. recuperar possíveis defasagens cognitivas e auxiliá-la a ativar áreas potenciais imediatas de crescimento e desenvolvimento. Assim.

TEORIA DA APRENDIZAGEM DE HENRY WALLON . Se uma estrutura se desenvolve espontaneamente atingindo o estado de equilíbrio. Caberá então à criança desenvolver sua estratégia. A construção das estruturas mentais se procedem através da troca do organismo com o meio através das ações do indivíduo. e ao professor agir de maneira a criar as situações necessárias para que a criança perceba o problema. Quanto à noção de aprendizagem. e será preciso curvar-se ante tais necessidades se o que se pretende. Essa ação. e não apenas repetir. consiste em agir sobre os objetos para descobrir as atividades que são abstraídas das ações do sujeito. e do nível operacional que foi atingido depois da experiência de aprendizagem. Já o outro.Os indivíduos conhecem segundo seu estágio de desenvolvimento e é a partir das diversas formas de conhecimentos que acontece a aprendizagem. Os resultados das experiências vinculam-se às coordenações das ações. Esse tipo de experiência revela o aspecto construtivo das estruturas mentais. uma vez que dá acesso a mais informação e enriquece mais o conteúdo do pensamento infantil. ela produzira durante toda a vida da criança. o jogo oferece uma contribuição importante para o desenvolvimento cognitivo. Cada experiência específica de aprendizagem deve ser encarada do ponto de vista de operações espontâneas que estavam presentes no ato e no início. Paralelamente. aos conteúdos assimilados. Afinal. compreender é reinventar ou reconstruir através da reinvenção. portanto. às estruturas do sujeito. caberá ao professor reconhecer de antemão que ela está subordinada ao desenvolvimento e não ao contrário. a atividade lúdica age de maneira a ir consolidando as habilidades que a criança já tem domínio e a prática da mesma em situações novas. Sendo assim. para o futuro é termos indivíduos capazes de produzir ou de criar. Isto significa que a ação é o centro do processo e que o fator social ou educativo se constitui numa condição do desenvolvimento. O primeiro tipo consiste em agir sobre os objetos para descobrir as propriedades que deles podem ser abstraídas.teoria de Piaget distingue dois tipos de experiência: a física e a lógico-matemática. referindo-se. por sua vez deve ser organizada pelo próprio sujeito que tem por finalidade alcançar um objetivo que seja por este aceito anteriormente.

sua compreensão das coisas dependerá dos outros. Wallon acredita que o social é imprescindível.A criança. como uma realidade viva e total no conjunto de seus comportamentos. não existindo . é um desenvolvimento conflituoso. é essencialmente emocional e gradualmente vai constituindo-se em um ser sócio-cognitivo. as crianças comunicam-se e constituem-se como sujeitos com significado. lentamente. Estes processos comunicativos-expressivos acontecem em trocas sociais como a imitação. porém. cada estágio estabelece uma forma específica de interação com o outro. O desenvolvimento humano tem momentos de crise. Wallon propõe estágios de desenvolvimento. assim como Piaget. através da ação e interpretação do meio entre humanos. No início do desenvolvimento existe uma preponderância do biológico e após o social adquire maior força. Pela imitação. A criança se desenvolve com seus conflitos internos e. isto é. Assim como Vygotsky. por pelo menos três anos. que darão às suas ações e movimentos formato e expressão. Wallon argumenta que as trocas relacionais da criança com os outros são fundamentais para o desenvolvimento da pessoa. O autor estudou a criança contextualizada. ele não é adepto da idéia de que a criança cresce de maneira linear. a criança expressa seus desejos de participar e se diferenciar dos outros constituindo-se em sujeito próprio. sofisticar. para ele. suas condições de existência. a nova capacidade que está a construir (pela participação do outro ela se diferenciará dos outros) formando sua subjetividade. uma criança ou um adulto não são capazes de se desenvolver sem conflitos. que é seu primeiro sistema de comunicação expressiva. Durante esse período. construindo suas próprias emoções. no qual ficarão envolvidas em um "sincretismo subjetivo". Antes do surgimento da linguagem falada. Imitando. de completa indiferenciação entre a criança e o ambiente humano. A parte cognitiva social é muito flexível. para Wallon. a criança desdobra. As crianças nascem imersas em um mundo cultural e simbólico. A cultura e a linguagem fornecem ao pensamento os elementos para evoluir.

mediada pela fala e pelo domínio do “meu/minha”. Neste estágio predominam as relações cognitivas da criança com o meio. A tarefa central é o processo de formação da personalidade. a criança está voltada novamente para si própria. no estágio personalístico. a criança volta-se a questões pessoais. Nessa fase. que emerge da imitação motora-gestual ou motricidade emocional. que é a imitação em ato. A criança. No estágio sensório-motor. permanece a subordinação a um sincretismo subjetivo (a lógica da criança ainda não está presente). podendo voltar-se para a imitação de cenas e acontecimentos. ela vai “desprender-se” do outro. É nesse estágio que se intensifica a realização das diferenciações necessárias à redução do sincretismo do pensamento. No simulacro. Na gênese da representação. Este salto qualitativo da passagem do ato imitativo concreto e a representação é chamado de simulacro. morais. a qual constrói os significados diferenciados que a criança dá para a própria ação. como um movimento que tende ao crescimento. Os fenômenos típicos do pensamento sincrético são: fabulação. Essa é a forma pela qual a criança se desloca da inteligência prática ou das situações para a inteligência verbal ou representativa. Esta redução do sincretismo e o estabelecimento da função categorial dependem do meio cultural no qual está inserida a criança. . por isso. sendo este descontínuo e. conflitos.linearidade no desenvolvimento. predominam as atividades de investigação. retrocessos. tautologia e elisão. Wallon identifica o sincretismo como sendo a principal característica do pensamento infantil. No estágio da adolescência. faz com que as idéias atinjam o sentimento de propriedade das coisas. contradição. Dos 3 aos 6 anos. Para isso. Do estágio sensório-motor ao projetivo (1 a 3 anos). sofre crises. predominando a afetividade. rupturas. aparece a imitação inteligente. a criança colocase em oposição ao outro num mecanismo de diferenciar-se. Aos 6 anos a criança passa ao estágio categorial trazendo avanços na inteligência. forma-se uma ponte entre formas concretas de significar e representar e níveis semióticos de representação. tornando-se habilitada à representação da realidade. as ações da criança não mais precisarão ter origem na ação do outro. exploração e conhecimento do mundo social e físico.

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