Ética, Cidadania e Direitos Humanos

Dinarte Lopes

UNIVERSIDADE POTIGUAR – UnP PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – NEaD

Ética, Cidadania e Direitos Humanos
Livro-texto EaD

Natal/RN 2010

DIRIGENTES DA UNIVERSIDADE POTIGUAR Chancelaria Prof. Paulo Vasconcelos de Paula Reitoria Prof.ª Sâmela Soraya Gomes de Oliveira Pró-Reitoria de Graduação Prof.ª Sandra Amaral de Araújo Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação Prof. Aarão Lyra Pró-Reitoria de Extensão e Ação Comunitária Prof.ª Jurema Márcia Dantas da Silva NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA DA UNIVERSIDADE POTIGUAR - UnP Coordenação Geral Prof. Barney Silveira Arruda Prof.ª Luciana Lopes Xavier Coordenação Acadêmica Prof.ª Flávia Helena Miranda de Araújo Freire Coordenação Pedagógica Prof.ª Edilene Cândido da Silva Coordenação de Produção de Recursos Didáticos Prof.ª Michelle Cristine Mazzetto Betti Revisão de Estrutura e Linguagem EaD Prof.ª Priscilla Carla Silveira Menezes Prof.ª Úrsula Andréa de Araújo Silva Prof.ª Thalyta Mabel Nobre Barbosa Coordenação de Produção de Vídeos Prof.ª Bruna Werner Gabriel Coordenação de Logística Helionara Lucena Nunes Assistente Administrativo Gabriella Souza de Azevedo Gibson Marcelo Galvão de Sousa Giselly Jordan Virginia Portella

L864e

Lopes, Dinarte. Ética, cidadania e direitos humanos / Dinarte Lopes. – Natal: EdUnP, 2010. 198p. : il. ; 20 X 28 cm Ebook – Livro eletrônico disponível on-line ISBN 978-85-61140-08-3 1. Ética e Sociedade. 2. Direitos humanos. I. Título.

RN/UnP/BCSF

CDU 177

Cidadania e Direitos Humanos Livro-texto EaD Natal/RN 2010 .Dinarte Lopes Ética.

ª Michelle Cristine Mazzetto Betti Prof.Tecnologia Educacional Coordenação de Editoração Charlie Anderson Olsen Larissa Kleis Pereira Coordenação Pedagógica Prof.ª Úrsula Andréa de Araújo Silva Ilustração do Mascote Lucio Masaaki Matsuno EQUIPE DE EDITORAÇÃO GRÁFICA Delinea .ª Michelle Cristine Mazzetto Betti Revisão de Estrutura e Linguagem em EaD Prof.ª Priscilla Carla Silveira Menezes Prof.ª Luciana Lopes Xavier Coordenação de Produção de Recursos Didáticos Prof.ª Margarete Lazzaris Kleis Ilustrações Alexandre Beck Revisão Gramatical e Normativa Morgana do Carmo Andrade Barbieri Diagramação Leniza Wallbach .EQUIPE DE PRODUÇÃO DE RECURSOS DIDÁTICOS Organização Prof.ª Thalyta Mabel Nobre Barbosa Prof.

Meus interesses de estudo e pesquisa giram em torno da análise da pós-modernidade a partir de um triplo enfoque: filosófico. Neste momento. Minha principal diretriz como professor é a seguinte: não se pode conhecer coisa alguma (nada. uma das poucas que ainda possuo. Atualmente. CONHECENDO O AUTOR . absolutamente!) a não ser pela reflexão e pelo debate. onde fui professor no Departamento de Fundamentos Sócio-filosóficos da Educação (Centro de Educação). sou professor na Universidade Potiguar – UnP. Espero que este livro reflita esta convicção. histórico e ético. Ainda em Recife. atuei como consultor de projetos do SEBRAE. desenvolvo pesquisa sobre as interpretações de Kierkegaard e Nietzsche acerca da filosofia grega como horizonte comum de suas críticas à metafísica e sua repercussão no debate ético atual.Dinarte Lopes Sou Bacharel e Mestre em Filosofia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

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esperamos fornecer as ferramentas para que você mesmo possa pensar e chegar às suas próprias conclusões a respeito do tema desta disciplina. O conhecimento intuitivo é aquele que adquirimos nas conversas. você será capaz de não apenas definir a ética ou os direitos humanos. etc. elaborados especificamente para explicar determinado assunto. ciDaDania e Direitos Humanos Quantas vezes você já ouviu falar de ética? Acreditamos que inúmeras. mais do que uma coleção de conhecimentos estanques. CONHECENDO A DISCIPLINA . ao assistirmos algum programa de televisão. O que é ética? Como definir os direitos humanos? Quais as relações entre ambos? São assuntos meramente teóricos ou é possível exercitá-los também na prática? Essas e muitas outras perguntas serão abordadas nesta disciplina. a partir de agora. imaginamos que você também já ouviu bastante a respeito desse assunto. Mas existe uma certa diferença entre o conhecimento intuitivo que adquirimos a respeito de um determinado assunto e o conhecimento conceitual. você terá a oportunidade de conhecer mais de perto o tema da ética e dos direitos humanos. O conhecimento conceitual é aquele que adquirimos em materiais especializados. Ao final dos capítulos. Pois bem. mas – o que é mais importante – refletir sobre que ações podem ser realmente chamadas de ações éticas e que práticas contribuem para a efetivação e a defesa dos direitos humanos.Ética. não é mesmo? E em direitos humanos? Bem. Assim.

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estética e interface com os direitos humanos. as principais definições de cidadania e suas relações com o tema dos direitos humanos. Ética. CIDADANIA E DIREITOS HUMANOS PROF. • Ser capaz de lidar com as diferenças entre indivíduos e culturas utilizando-se do instrumental ético.DISCIPLINAS DE GRADUAÇÃO A DISTÂNCIA DISCIPLINA: ÉTICA. ator e autor. PLANO DE ENSINO . 3 objetIvos Apresentar os principais conceitos éticos segundo os autores clássicos.1 IdentIfIcação CURSO: NEaD . • Resolver situações de conflito pelo entendimento ético e respeitando o direito às diferenças. Cidadania. • Identificar alguns dos direitos humanos mais importantes. • Fazer uso da ética de modo a fundamentar decisões em nível prático. Direitos Constitucionais. ressaltar como esses temas afetam nossas relações sociais em nível local e mundial. Direitos e garantias fundamentais do cidadão. 4 HabIlIdades e competêncIas • Compreender os conceitos éticos mais importantes. • Assimilar os principais direitos e deveres de cidadania no mundo social contemporâneo. AUTOR: DINARTE LOPES MODALIDADE: A DISTÂNCIA 2 ementa Direitos Humanos. O sujeito como agente. esclarecer a evolução histórica dos direitos humanos.

entendendo que as pessoas são diferentes e que diferença não significa desigualdade. 6 conteúdos programátIcos UNIDADE I • Ética e Moral: ética. • Utilização de material complementar (sugestão de filmes. 8 atIvIdades dIscentes • Pontualidade e assiduidade na entrega das atividades (propostas no material didático impresso (livro-texto) e/ou Ambiente Virtual de Aprendizagem) solicitadas pelo Tutor. • Introdução ao Direito: direitos e garantias fundamentais do cidadão. livros. • Interação por meio do Ambiente Virtual de Aprendizagem (UnP Virtual). • Democracia e educação: novas perspectivas para os direitos humanos. fundamentos. • Realização das avaliações presenciais obrigatórias. ator e autor. • Experiência cultural e direitos humanos. sites. evolução e significado dos direitos humanos. músicas ou outro meio que mais se adéque à realidade do aluno). • Direitos humanos e globalização. 7 procedImentos metodológIcos • Utilização de material didático impresso (livro-texto). .5 valores e atItudes Valorizar o papel da reflexão como fundamento da ação. UNIDADE II • Natureza humana e direitos humanos. estética e interface com os direitos humanos. • Direitos Humanos: estudo do conceito. • Cidadania: o sujeito como agente.

Companhia das Letras.3 bIblIografIa Internet Disponível em: <http://www. São Paulo: Ática. Ética: direito. 2ª ed. moral e religião no mundo moderno. 2008. Lisboa: Martins Fontes. 2009. Leonardo. Adolfo Sanchez. Ética da Vida: a nova centralidade. 10 bIblIografIa 10.forma-te. COMPARATO. Ética e Economia. 2008. Ética Prática. São Paulo. • Interação com tutor pelo Ambiente Virtual de Aprendizagem (UnP Virtual). BOFF.1 bIblIografIa básIca SINGER.2 bIblIografIa complementar OLIVEIRA. • Realização de atividades propostas no material didático impresso (livrotexto) e/ou pelo tutor no Ambiente Virtual de Aprendizagem.html> Acesso em: 25 jan. Fábio Konder. 2002. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. Rio de Janeiro: Record. Peter. 1995. • Aprofundamento de temas em pesquisa extra material didático impresso (livro-texto).com/mediateca/download-document/ 5103-etica-e-educacao. . Manfredo Araújo de.9 procedImentos de avalIação A avaliação ocorrerá em todos os momentos do processo ensino-aprendizagem considerando: • Leitura do material didático impresso (livro-texto). 2010. 10. Ética. 3ª ed. 10. VAZQUEZ.

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... 47 Direito à educação .................................................Ética e moral: ética......................................1 Significado do conceito de direitos humanos .4 Documentos históricos de afirmação dos direitos humanos .................................................................................................................................................... 57 2. 28 A moral industrial (capitalismo clássico) ............................... 36 1...................................................................................... 29 A moral pós-industrial ............................................ 47 Direito à saúde ................2..................................................................................................................................................................... 39 2... 26 A moral do senhor e do escravo ...................................................................................................................................................................... 46 Direito ao trabalho em condições justas ..................................................................................................................................................... 26 A moral primitiva ......3 Aplicando a teoria na prática .................................................................................................. 17 1........... 43 Direito à liberdade ............................................... 35 1.................. 42 Direito de ser pessoa ...........................1 Ética e moral: existe diferença? ..............................2 Principais direitos humanos ....... 23 O caráter mutável da moral .................................................... 30 O caráter social da moral ..........................2 O conceito de moral ........................................................................................................2...........................................................2..............................................4 Para saber mais ..............................2 Conhecendo a teoria ......................................................................................................................................1 Contextualizando ...................................................................................... 37 Onde encontrar .............................. 44 Direito à igualdade de direitos e oportunidades .......... 48 2.. 18 1..................................................... 17 1....... 48 2....................................................................................................... estética e interface com os direitos humanos ....... 38 Capítulo 2 .................................................................................6 Testando os seus conhecimentos ............. 18 1................................................................................................................. 62 Onde encontrar ............ 39 2................................................................................................ 59 2................................................................................................................................................................2 Conhecendo a teoria ...................................................... 37 1.......................................................................................................................................................................................................Capítulo 1 ....1 Contextualizando ............................. 27 A moral feudal ....................4 Para saber mais ............Direitos Humanos: estudo do conceito.....................................3 Aplicando a teoria na prática . 62 SUMÁRIO ........5 Relembrando .............................................................................................................................................................. 61 2.... 33 A moral como instrumento de manutenção da ordem social ......................... 34 1.2................. 60 2....... 52 As declarações de direitos da revolução francesa ..................... 53 A declaração universal dos direitos humanos ..... 45 Direito à moradia e a terra ............................................................................................................................................... 33 A subordinação do indivíduo à sociedade ..................... 33 A neutralidade moral do indivíduo isolado ........................................................................................... 48 Direito à proteção dos direitos ................................................................3 A conexão entre os diversos direitos humanos ....... 40 2............... 24 O caráter histórico da moral ................................. 49 As declarações de direitos da independência dos Estados Unidos ................................................................................. 40 2.................2................................. Fundamentos..................... evolução e significado dos direitos humanos ...............2.............. 50 A declaração da independência ................................................................................................... 42 Direito à vida ...................................5 Relembrando ......................................................6 Testando os seus conhecimentos ..........................................................................

..........................................2............ 72 Os direitos civis ......................................................................Natureza humana e direitos humanos ........................................................................................................................................2 A evolução do conceito de cidadania ..........................................2.........106 5.................................................................. ator e autor ..........................................6 Testando os seus conhecimentos ..........2............................................................................................................................................1 A natureza humana definida pelo trabalho ..................................................................................... 71 3..... 99 Fontes não estatais ..................................... 83 4...................................................................................................1 Contextualizando ...1 As cidades antigas ..................................................................... 81 3...................................................4 A cidadania hoje .......... 69 A revolução francesa .......... 65 A cidade grega ................................ 82 Capítulo 4 .................................................................................... 76 A cidadania no Brasil hoje ...................................... 63 3...........105 5......................................................................................... 64 3..................................................................................................2 Conhecendo a teoria ............................................. 75 3....................................................1 Contextualizando ............2.. 65 A cidade romana .......................................3 A natureza humana estabelecida pela educação .......................................................................................................................................................................... 82 Onde encontrar ..................................................................................................................................2 Conhecendo a teoria .......................................... 99 Fontes estatais ..................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................2........................................ 67 3..........103 4..................................................................3 Aplicando a teoria na prática ..........4 Para saber mais ...................................... 87 4........................................................................................... 91 Segunda definição de direito (Thomas Hobbes) ..100 4..................................................................114 5...............................103 4......................................................................................................................................... 79 3....................................................................... 84 Tipos básicos de direito em Roma ....................108 A especificidade do trabalho humano .2 Definições de direito .... 69 A carta magna (ano de 1215) .............Introdução ao Direito: direitos e garantias fundamentais do cidadão ........ 83 4.........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................3 Aplicando a teoria na prática ...................................2 A natureza humana estabelecida pela moral .101 4................................................................................. 84 4........5 Relembrando .2....................................................................................... 77 3...................................................................................................................................................................................................115 ........................1 Breve histórico do direito .............................................................................................................................2 Conhecendo a teoria ............... 88 Primeira definição do direito (Aristóteles) .....4 Para saber mais ...........................3 Os direitos dos cidadãos ....................................2..................104 Onde encontrar ...............Capítulo 3 ..........................Cidadania: o sujeito como agente.........................................................................2............................................................................................................................111 5...................... 74 Os direitos políticos ........104 Capítulo 5 ................................. 96 4.................................................................................................................................... 81 3............................107 A concepção de trabalho de Hegel ...................................... 63 3...............................................................................2.........1 Contextualizando ........................... 88 A finalidade do direito ..........................3 Fontes do direito ..........................................................................................................................105 5..................................................................6 Testando os seus conhecimentos .................2................... 73 Os direitos sociais ...............................................................................................................................................................................................................................................5 Relembrando .....................................................................................................................................

..........................................................................................................................153 Globalização como ocidentalização/modernização .................................................................................2 Conhecendo a teoria .............................................131 A perseguição aos judeus durante a idade média ...............2 Conhecendo a teoria ......................160 O surgimento de uma consciência global como fruto do racionalismo ...................3 Aplicando a teoria na prática ..........................................129 Alexandria e as primeiras perseguições contra os judeus ............................................139 6..........1 A amplitude do termo globalização .........................................................................133 Hitler e os judeus ..............................166 Desenvolvimento do sistema capitalista e direitos humanos .......................................................................................................117 5.3 Aplicando a teoria na prática .......................................154 A globalização como desterritorialização ............................138 Os negros escravos no Brasil ...................................................................2...............................................................................123 Onde encontrar ............................1 O povo judeu ........................................................................................................................................................151 7.......................................................................................142 6.........................................1 Contextualizando ..........................................................................................................................................................................................3 Os índios do Brasil ....................................152 Globalização como liberalização .121 5..............120 5.........................................................................................4 A natureza humana estabelecida pelo símbolo ..........................140 6...................................................................................................................................................................................................................................................126 6..................................158 7.....................................................................4 Para saber mais ................2................................................................................152 Globalização como universalização ...................................2...........147 Capítulo 7 ..............................................................................................................................125 6................................6 As relações entre globalização e direitos humanos ...........................................122 5....119 5.......................5 Relembrando ....................................................................................2.............................2...........2...................................................2....................162 As inovações tecnológicas ......................................165 Consciência global como fruto do racionalismo e direitos humanos .............................................................................................2 Alguns conceitos de globalização ..............6 Testando os seus conhecimentos .........................................Experiência cultural e direitos humanos .....5 As causas da globalização ..................................163 7.................4 Os encontros entre culturas e os direitos humanos ....................................................................137 Os negros e a escravidão .......................................................................................6 Testando os seus conhecimentos ........................................................................................................................................................................................................127 A perseguição aos judeus ..................................................................................................156 7........................................................................................146 Onde encontrar .............................................................143 6.................160 O desenvolvimento do sistema capitalista .....................................................................................Direitos humanos e globalização .....149 7........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................168 ......................................4 Atividades globais transfronteiriças ....................................2................................146 3............................................................123 Capítulo 6 ............5 Natureza humana: universal ou relativa? ............................3 O significado dos 5 conceitos de globalização ...................................................................................................................155 7...........................................................151 7....151 A globalização como internacionalização ...166 Inovações tecnológicas e direitos humanos ...............................................2..............................................................5......................................................................1 Contextualizando ......................................................................135 6.145 6..2..............................2 Os negros .............5 Relembrando .......................129 Cristianismo e judaísmo ......................................................................125 6......163 A construção de marcos regulatórios ........2....................................149 7............................................2....................4 Para saber mais .......................

.......................................................................................................................................................................173 8.........................................................................175 A ordem tecnocientífica .....................................................................172 Marcos regulatórios e direitos humanos Capítulo 8 .........................................................................................................1 A distinção das ordens ......2.........................................................................................................................193 Onde encontrar ....171 7......................191 8..................................................4 Para saber mais ....................................................................................................................................................183 As relações entre direitos humanos e capitalismo ...........................................................................................................................................................182 O alto grau de exigência de eficiência ....1 Contextualizando .............3 Aplicando a teoria na prática ...............................................195 ...............................................................................................2.188 8....................................................................................................................................................Direitos humanos e capitalismo .......................179 8......................................173 8...........................192 8....................................................................172 Onde encontrar ....................................................................................187 Direitos humanos e desenvolvimento tecnológico ..................................................................................................................5 Relembrando ............................................................................3 Necessidade dos direitos humanos frente às ameaças do capitalismo ...........................................6 Testando os seus conhecimentos ...............................174 8......177 A ordem moral .........................................168 7........................................................................................5 Relembrando ................................................................................................................................................................................................................................................169 7..........193 Referências ........................................................................171 7......180 8............................................................................2 Conhecendo a teoria ..................175 A ordem jurídico-política ..............................................3 Aplicando a teoria na prática ..........182 Tecnologia x educação .......................................................................2 Capitalismo e direitos humanos .........................................................................................................2......................................4 Para saber mais ..................................................................................................................192 8....................................................182 Os efeitos negativos do capitalismo ..............................................................................6 Testando os seus conhecimentos .........................................................................................................186 Direitos humanos e expansionismo ................

Mas. neste primeiro momento você aprenderá a distinguir ética e moral. Então refletir sobre o assunto é importante para nos ajudar a colocar em questão se os nossos valores são ou não adequados a nossas vidas. mas que guardam diferenças significativas entre si. Aprender sobre essas diferenças será muito útil na nossa tarefa de refletir sobre os nossos valores individuais e os valores de nossa sociedade. cidadania e direitos humanos 17 . percebeu que determinado valor aceito na sociedade em que vive era inadequado para a sua vida particular? Pois bem. se todos já temos uma ética bem como uma moral. Assim.CAPÍTULO 1 ÉTICA E MORAL: ÉTICA. se perguntou se os valores a que estava acostumado a conduzir suas ações eram de fato adequados àquele momento? Quem nunca se perguntou se os valores de sua família são realmente adequados à sua própria vida? Quem nunca. Afinal. quem nunca se perguntou sobre a pertinência de suas próprias ações? Quem nunca. poucos. duas palavras que geralmente são empregadas como sinônimos ou com sentidos muito próximos. em algum momento. se você já passou por alguma dessas situações. por que razão devemos ainda estudar este assunto? A resposta é que embora muitos já tenham bem definidos os seus preceitos de conduta e se comportem de acordo com eles. Na verdade. Em suma. ESTÉTICA E INTERFACE COM OS DIREITOS hUMANOS 1. em um momento de tomada de decisão. muito poucos na verdade. seja bem-vindo. Ética. E só a reflexão crítica e pessoal de cada um é que poderá ajudar a eleger os melhores valores.1 contextualizando Neste primeiro capítulo. você entrará em contato com as primeiras noções teóricas a respeito da ética e da moral. refletem sobre esses preceitos. o fato de que todos já termos nossos modos próprios de agir e pensar não significa que eles sejam os mais adequados ou os mais corretos. todos nós já possuímos ética e moral que se manifestam na forma como agimos.

Quais são então essas diferenças? Uma primeira pista é fornecida por Adolfo Sanches Vàzquez. 2006). geralmente. quando afirma de maneira bastante resumida que a ética é teórica e a moral é prática (VÁZQUEZ. Aqui.2 conhecendo a teoria 1. já adiantamos que essas duas palavras não têm o mesmo sentido. moris é a tradução direta de ethos. Mas se etimologicamente as duas palavras. em qualquer lugar. esperamos que você seja capaz de: • Conceituar a palavra ética • Conceituar a palavra moral • Distinguir as principais diferenças entre ética e moral 1. ética e moral são tomadas indistintamente para denotar ações que vão contra os valores considerados corretos ou justos pelos demais membros da sociedade. A moral. Vamos ver o que isso significa. ética e moral. estamos nos referindo a uma única realidade da experiência humana: a ação.2. 1999). têm a mesma origem. Em qualquer um dos casos. cidadania e direitos humanos . Ao final deste capítulo. Ou seja. Em diversas circunstâncias da vida. Então. todos nós agimos.Capítulo 1 Esperamos que nas próximas páginas você encontre o estímulo necessário a uma reflexão que o conduza a uma vida em que as decisões éticas e morais possam ser tomadas de maneira livre e autônoma e que essas ações possam ser avaliadas pelo melhor juiz de suas ações: você. quais são as principais diferenças entre as duas? O que diferencia ética e moral? A palavra ética deriva do grego ethos e significa costume. no vocabulário especializado elas apresentam diferenças bem definidas. Entretanto.1 Ética e moral: existe diferença? Conforme já afirmamos. tomadas como sinônimos. Mesmo quando 18 Ética. deriva do latim moris e também significa odo de se comportar. por sua vez. Quando alguém intencionalmente comete uma ação que prejudica outras pessoas. costuma-se dizer que agiu de forma “antiética” ou que não tem “princípios morais”. em qualquer tempo. modo de agir (VAZ. costumes. Todos os seres humanos agem. quando empregamos as palavras ética e moral. as palavras ética e moral são.

Ética. Pense bem. Como não emitir julgamento sobre um indivíduo que. sempre julgamos os demais membros de nossa sociedade. Trata-se de situações em que é o próprio indivíduo que deve responder. pois é ele mesmo quem está envolvido. assim como nós inevitavelmente também julgamos as ações alheias. pergunta-se por que é errado dirigir embriagado. Isso porque temos diante de nós questões sobre o que fazer em uma situação real e concreta na qual estamos particularmente envolvidos. Da mesma maneira. manter-se honesto mesmo nas dificuldades) e passa-se a perguntar sobre as razões para agir desta ou daquela maneira. isto é. em todos esses casos estamos diante de questões morais. dá partida no motor e segue dirigindo seu automóvel em meio ao trânsito da cidade? Como não emitir julgamento sobre o empregador que constantemente explora e humilha seus empregados? Por outro lado. deixa-se de perguntar se devemos fazer isso ou aquilo (dirigir sob efeito do álcool. entra em seu veículo acompanhado de suas crianças. chegamos a outro nível de questionamento. como membros de uma coletividade que é maior do que nós. estamos sempre sujeitos ao julgamento dos outros. notoriamente embriagado. isso também é ação. as ações humanas são sempre passíveis de julgamento moral por parte de outros indivíduos. por outro lado. enquanto parte integrante do nosso modo de ser. é sempre objeto de avaliação por parte dos outros. por que manter a honestidade? Ou seja. mais teórico que o nível anterior. quando nos omitimos. ou quando se pergunta como deve tratar este ou aquele funcionário de sua empresa. etc. quer seja negativo. Quando alguém se pergunta se pode ingerir bebidas alcoólicas mesmo sabendo que em breve vai dirigir. tratase de justificar a ação moral.) servem de estímulo para a desonestidade? Enfim. por que não se deve explorar os trabalhadores. como seres sociais. ou seja. fome. e a resposta à questão também gerará reflexos reais e concretos em sua vida. explorar funcionários. vamos apresentar um exemplo para facilitar a compreensão. mesmo que este dinheiro não fosse fazer falta à pessoa furtada. se deve ou não. a ação. como não emitir julgamentos sobre uma pessoa que se mantém honesta mesmo quando as circunstâncias adversas de sua vida (pobreza. furtar dinheiro de alguém. quer este julgamento seja positivo.Capítulo 1 decidimos não agir. Assim. Se. em momento de necessidade extrema. Desta vez nos encontramos no nível de reflexão ética. Voltando à definição de Vázquez. ou ainda. Acontece que. cidadania e direitos humanos 19 . Neste nível.

Estas questões servem muito mais para esclarecer certos conceitos de natureza moral (o bem. deve tomar a decisão por si mesmo. mais amplos.Capítulo 1 Trata-se de descobrir o fundamento daquilo que julgamos certo ou errado. Neste caso. 20 Ética. Já no plano ético. Mas a decisão é sempre sua. Este segundo critério diz respeito ao grau de generalidade dessas duas esferas da ação humana. É claro que pode até pedir um conselho a um amigo. Se na vida prática um indivíduo enfrenta um determinado problema e quer saber como agir. E o modo como respondemos estas questões também não terá impacto imediato em uma situação concreta de nossas vidas. estamos diante de problemas mais gerais. mas a diversas situações possíveis. O que é o bem? Qual o valor da verdade? Existem valores universais? Perceba que estas questões. ocorridas aqui e agora e nas quais estamos diretamente envolvidos. a justiça) do que para nos orientar em casos concretos. que. como diretrizes gerais de nossas condutas em casos concretos. todas elas éticas. estamos diante de um problema prático-moral. podemos avançar um pouco mais e formular um segundo critério de diferença entre a ética e a moral. afinal é o indivíduo quem será responsabilizado pelas consequências de sua decisão. Já a moral trata de ações concretas. não se materializam em atitudes concretas. podendo deixar de valer daqui a algumas décadas ou em lugares distantes? Estas questões. porque não se dirigem a uma situação concreta particular. embora possuam relação com as nossas ações. são questões éticas. O que é o bem? A honestidade? Estes valores são universais ou relativos? Quer dizer. Assim. a verdade. Perceba que a ética trata de questões gerais. segundo a qual a ética é teórica e a moral é prática. SAIBA QUE Talvez agora esteja mais claro para você a primeira definição de ética e moral que apresentamos de Vázquez. não têm repercussão imediata em decisões específicas. Não pode esperar que alguém tome a decisão por ele. mas servirão apenas como princípios. a um parente ou qualquer pessoa em quem confie. cidadania e direitos humanos . de caráter mais teórico do que prático. embora influenciem as nossas ações. Trata-se de tomar uma decisão em uma situação específica em nossa vida concreta. valem em qualquer época e lugar ou apenas aqui e agora.

a ética é a ciência sobre esta ação. a física ao estudar diferentes aspectos da matéria elabora uma série de conceitos capazes de tornar mais compreensível o seu objeto. Se você responder a verdade. Entretanto. ele faz uma pergunta. Além disso. Se você se questiona o que é a verdade. qual o seu valor. a liberdade. Suponha que após longa reflexão e pesquisa. energia.Capítulo 1 Você percebe agora por que dissemos que o nosso segundo critério de distinção entre ética e moral é o grau de generalidade existente entre ambas? Os problemas éticos têm a marca da generalidade. Da mesma forma. ética e moral se relacionam e se influenciam. por exemplo. devemos estar bastante atentos. a moral). você respondeu que a verdade é um valor moral absoluto. Lá. Por exemplo. Pelo contrário. então. Ética. incondicional e universal. O que fazer? Bem. Pois apesar de diferentes. Como ciência. que dizer. no plano teórico e generalista. elaborando conceitos que ajudem na compreensão do objeto estudado. chama-nos a atenção para um terceiro critério de distinção: a moral é ação. e se ela é universal está refletindo no plano ético. enquanto os problemas morais têm a marca da especificidade. o justo. etc. as respostas dadas aos problemas de natureza ética (teóricos) influenciam as decisões morais (práticas). no plano ético. a responsabilidade. Alguns desses conceitos são o bem. incondicional e universal. Se mentir. poupará o emprego de seu colega. Estes exemplos são úteis para fazer você perceber que. Mas ela pode ter repercussões morais. ética e moral não se excluem. sabe que seu chefe nunca tomará conhecimento da mentira e. colocará em risco o emprego de seu melhor colega de trabalho. É por isso que estudamos na escola conceitos como os de massa. Mais um exemplo: seu chefe o convida até a sua sala para uma reunião particular. elucidar determinado fenômeno (no caso. descubra que a verdade é um valor moral absoluto. a ética (a ciência) ao estudar seu objeto (a moral) elabora uma série de conceitos que nos ajudam a compreendê-lo. uma situação concreta e específica. ou seja. Ou seja. embora diferentes. que nos ajudam a compreender o seu objeto (a matéria). sem dúvida. Assim. moral. esta é. a ética tem a mesma finalidade de qualquer outra disciplina científica que é explicar. são conceitos da física (a ciência). ainda. etc. cidadania e direitos humanos 21 . no plano moral. em ações práticas da vida cotidiana. Apesar de se caracterizar por uma reflexão mais geral. Mas se. Esta solução ainda é uma solução ética. deverá contar a verdade. embora isso custe o emprego de seu colega.

23). então devemos também admitir que ele é absolutamente responsável por suas ações. Se o homem é parcialmente livre. 2006. Assim. Exatamente da mesma maneira como a física também se utiliza de conceitos da matemática. então é também responsável apenas parcialmente por suas ações. a antropologia. tais como a sociologia. Provisoriamente. 22 Ética. • A ética é geral. cuja compreensão é tarefa da ética. pois ele não tem liberdade para escolher. Assim. a psicologia. cujo objeto é a moral. enquanto a moral é prática. Mas a elaboração do conceito é tarefa da ética considerada como ciência. CONCEITO Poderíamos sintetizar uma definição de ética com uma citação: “A ética é a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade. fatores sociais. é ciência de uma forma específica de comportamento humano” (VÁZQUEZ. este conceito de liberdade é importante para esclarecer a moralidade. etc. cidadania e direitos humanos . É claro que não se trata apenas de responder a questão conforme nossa vontade. Saber se o homem é livre ou não depende de uma investigação que se utilize de diversos dados de outras ciências. Se não é livre de forma alguma. poderíamos sintetizar as diferenças entre ética e moral a partir dos seguintes critérios: • A ética é teórica. mas absolutamente condicionado por fatores que não domina (fatores biológicos. A moral é uma forma de comportamento humano. enquanto a moral é específica e trata de problemas concretos.Capítulo 1 Questões aparentemente simples como “o homem é livre?” têm repercussões éticas e morais bastante profundas. a título de exemplo. pois se respondermos que o homem é absolutamente livre. não há atenuante para sua responsabilidade sobre ações que ele cometerá. a ética não é e não pode ser dogmática. Cabe-lhe apenas compreender o fenômeno moral. fatores psicológicos inconscientes) então não é responsável por suas ações de forma alguma. A ética não prescreve o que devemos fazer. Ou seja. p. Quer dizer. • A ética é uma ciência.

Transitamos. Entretanto. Assim. 1.2. se adotamos perspectivas menos amplas e analisamos certas regiões isoladamente. cidadania e direitos humanos 23 . A quantas formas de moralidade diferentes você está ligado? Ética. Pense em quantos códigos morais permeiam a sua vida. a moral da classe média. no primeiro caso. como já vimos.? Perceba que. a religião que adota.. Ainda dentro de um mesmo estado da federação percebemos diversas morais como a moral das classes altas. REFLEXÃO Pense na seguinte circunstância: você chega pela primeira vez na casa de um humilde trabalhador rural de uma pequena cidade de interior. vamos prosseguir tentando refletir um pouco mais detidamente sobre as particularidades deste tipo específico de comportamento humano estudado pela ética: a moral. etc. olhando de um ponto de vista bastante amplo. Já no segundo caso. percebemos que o Nordeste brasileiro se diferencia significativamente do Sul. se é parente de alguém da cidade. da moral japonesa. portanto. Você mesmo pode refletir sobre essa circunstância. Provavelmente as primeiras coisas que o anfitrião perguntará são onde você mora.Capítulo 1 Agora que você está mais familiarizado com as diferenças entre ética e moral. a família à qual pertence.. a moral da classe pobre. conforme o tipo de religiosidade adotada por cada família. a moral da região em que vive. etc. seu anfitrião que saber quais são os seus laços com a região em que ele próprio vive. baseado numa moralidade mais capitalista. o tipo de trabalho que exerce. qual a sua profissão. seu anfitrião quer saber quais são as suas relações com o sistema econômico no qual ele próprio está inserido o no qual prospera. 2005). etc. Podemos perceber ainda diferentes tipos de moral. cada um transita por uma variedade de morais. conforme o país em que vive.? Outra situação: você chega pela primeira vez à casa de um alto executivo de uma grande empresa de uma capital. Provavelmente ele vai perguntar em que universidade estudou.2 o conceito de moral A moral. a que família pertence. a região específica em que reside. a moral de sua religiosidade. entre diversos códigos de conduta (CHAUÍ. Enfim. A moral familiar. a classe social que ocupa. baseado numa moralidade campesina. a sociedade brasileira possui uma moral que lhe é própria e que se distingue. por exemplo. é aquele conjunto de regras que possuem como finalidade regular as ações e relações entre os indivíduos de um mesmo grupo social. em que empresa trabalha.

24 Ética. possamos nos espantar com atitudes de outras pessoas que agem de modo diferente que nós (CHAUÍ. ou seja.Capítulo 1 Mas o que isso significa? Que vivemos todos em uma imensa barbárie em que cada um tem seu modo de agir e que cada um pode fazer aquilo que melhor lhe parecer. p. ou seja. de forma que elas passam a coexistir de maneira mais ou menos pacífica. Os indivíduos não criam códigos de conduta aleatoriamente ao seu bel prazer. CONCEITO A moral é um conjunto de normas. Pois bem. Vázquez (2006) capta muito bem este aspecto social da moral ao afirmar que “a necessidade de ajustar o comportamento de cada membro aos interesses da coletividade leva a que se considere como bom ou proveitoso tudo aquilo que contribui para reforçar a união ou a atividade comum e. ainda que. o que contribui para minar ou debilitar a união”. cuja função é regular as relações entre os indivíduos de uma mesma sociedade. que vigoram simultaneamente no interior de uma mesma sociedade. não para os indivíduos e seu benefício particular. que regulam o comportamento individual e social dos homens. cidadania e direitos humanos . que se veja como mau ou perigoso o oposto. E a razão para isso se encontra na própria definição do conceito. ao contrário. em alguns casos. 63). Na verdade. aceitas livre e conscientemente. não é isso que vemos. 2006. A moral é para a sociedade em suas necessidades comuns e exigências concretas. 2005). sem considerar a liberdade e o valor dos outros? Não. Ao contrário. por que isso acontece? Por que convivemos com essa variedade de códigos morais mesmo dentro de uma mesma sociedade? É sobre isso que conversaremos agora. eles seguem esses códigos que já existem mesmo antes de seu nascimento e que só se modificam às custas de transformações muito lentas. Ao contrário. o caráter mutável da moral Não existe apenas uma moral. (VÁZQUEZ. Existem diversas. vemos certa adaptação mútua dessas morais. muitas vezes tão lentas que sequer podem ser observadas no curto intervalo de uma vida. a moral considerada como conjunto de normas.

portanto). exterior ao homem). • O homem (com h maiúsculo) Aqui. existem três fundamentos abstratos que são frequentemente utilizados por diversas teorias morais (teorias éticas. cidadania e direitos humanos 25 . e. As três tentativas de fundamentar os fenômenos moral falham por serem abstratas. ignora-se o caráter social das regras morais. trata-se de encontrar a fonte da moral no Homem não como indivíduo. deduz-se o que é bom ou mau para este Homem. o judaísmo. cada sociedade tem sua forma de compreender e se relacionar com Deus (veja as diferenças notórias entre as três maiores religiões do mundo. Nesta forma de compreender a moral. encontra-se o que se acredita ser sua essência universal. nem como espécie. que a moral deve ser entendida levando-se em conta as suas raízes sociais concretas ao invés de fundamentos abstratos que estão fora da sociedade. define-se o que é o homem. Assim o fundamento dos estudos sobre a moral deve ser a própria sociedade. nossos impulsos naturais. mas como conceito. Por esta perspectiva. o cristianismo e o islamismo). Também aqui se ignora o caráter social da moral. portanto. Ética. Segundo Vázquez (2006). Na verdade. e cada sociedade tem sua forma de compreender e se relacionar com o que acredita ser o seu ideal de Homem. São eles: • Deus como origem da moral Aqui as normas seriam emanadas de uma fonte sobre-humana (e.Capítulo 1 Compreende-se. então. cada sociedade tem sua forma de compreender e se relacionar com a natureza. nossos instintos seriam capazes de nos informar o que é certo ou errado. Mas a definição do que é o Homem sem levar em conta a sociedade em que vive cai no mesmo erro que as duas concepções anteriores. • A natureza como origem da moral Neste caso. a fonte da moral seria a nossa constituição biológica. Primeiro. em seguida.

valem para a grande maioria dos membros de uma mesma coletividade tribal). o caráter histórico da moral Vamos tentar sintetizar muito brevemente alguns dos principais períodos históricos de nossa civilização. como já dissemos. 26 Ética. no momento histórico em que ainda não havia a propriedade e a divisão social do trabalho. Vejamos agora algumas razões que podem explicar a mudança e a variedade da moral. lutar contra inimigos. porque ela é bastante útil para compreendermos a mutabilidade da moral. Esquematicamente. a moral primitiva Se a moral. • A moral pós-industrial. e que as comunidades humanas se restringiam ao domínio das tribos. que passa a se utilizar da escravidão para manter suas riquezas). devemos inferir que as mudanças históricas que afetam a sociedade. etc.Capítulo 1 Detivemo-nos um pouco nesta discussão sobre a primazia da sociedade concreta para entender a moral. que alguém reclame sua realização pessoal. Neste tipo de moralidade o indivíduo praticamente se aniquila diante das necessidades da coletividade. cidadania e direitos humanos . a preguiça e a covardia aparecem como vícios condenáveis porque são destrutivos da ordem social. Esses valores incluem a obrigação de trabalhar. podemos perceber que. nesta fase histórica. Inversamente. • A moral feudal (ligada ao período histórico do Feudalismo). os valores morais são mais uniformes (isto é. Torna-se inconcebível. porque a prioridade é da realização dos bens coletivos. também afetam a moral. os períodos históricos e as suas respectivas morais que analisaremos são as seguintes: • A moral primitiva (que está ligada a formações sociais de matriz tribal ou familiar). alimentar os filhos da tribo. tentando fazer uma correspondência entre os momentos históricos e as morais que lhes são correspondentes. que é o tema de que estamos tratando neste momento. encontra seu fundamento na sociedade. • A moral industrial. • A moral do senhor e escravo (ligada ao acúmulo de bens por parte de uma minoria. Só para falar brevemente.

pois os chefes de família que cultivavam as terras apropriavam-se dos bens que antes eram repartidos conforme as necessidades de cada família. surge uma nova moral.Índios Atravessando um Riacho (O Caçador de Escravos) Um exemplo de comunidades praticantes da moral primitiva são os índios brasileiros no período da colonização europeia. as sociedades primitivas deram lugar a outra forma de sociedade. que valoriza o ócio e despreza o trabalho físico como atividade indigna. Assim. Nesta nova fase. não havia a propriedade da terra e os bens produzidos pertenciam à coletividade. toda moral se volta para a preservação dos valores da aldeia. Esse aumento da produtividade gerou um excedente na produção de bens que poderiam ser estocados já que não eram necessários à satisfação das necessidades básicas da comunidade. os escravos trabalham para manter o conforto das classes aristocráticas. todos trabalhavam para produzir bens necessários à sobrevivência de todos. A produção desses excedentes criou as condições necessárias ao surgimento da desigualdade entre os homens. Nesta etapa de desenvolvimento histórico. cidadania e direitos humanos 27 . consequência da criação de gado e do desenvolvimento da agricultura. a moral do senhor e do escravo Com o passar do tempo.Capítulo 1 Obra de Jean-Batist Debret Figura 1 . Ética. Surge então a divisão da sociedade em classes. Em consequência. os indivíduos não se destacam significativamente uns dos outros. bem como da utilização dos prisioneiros de guerra como escravos. Nessas comunidades. caracterizada por um aumento na produtividade do trabalho. Antes. Isso é reflexo da nova divisão social. baseada no antagonismo entre proprietários e escravos.

uma moral religiosa (que correspondia aos valores da igreja. Nesta etapa histórica desaparece a relação senhor . de modo que o senhor que compra a uma extensão de terra. de outro. permitiam-se os mais escandalosos abusos contra Figura 3 . o senhor feudal.Trabalhador preparando a terra do a classe dos servos camponeses. cidadania e direitos humanos . Os nobres. Nesta nova estruturação social aparece também uma nova moral. Nesta nova estrutura social. Os trabalhadores têm o direito de cultivar a terra. uma moral universitária. julgando-se naturalmente superiores do ponto de vista moral. Mais espantoso nesse período é o fato de que a moral aristocrática. o senhor não é mais dono dos trabalhadores e sim dono da terra. fosse capaz de cometer as maiores atrocidades. está intimamente ligado a terra. Diferentemente. Obra de Jean-Batist Debret Neste novo regime. Há uma moral aristocrática.escravo e aparece um novo binômio: de um lado. considerada nobre. que também era detentora de terras). etc. Senhor Feudal.Capítulo 1 Obra de Jean-Batist Debret Figura 2 .Escravos manuseando um engenho de cana-de-açúcar. o servo não é considerado como coisa (assim como o escravo costumava ser). a moral feudal A fase a seguir pode ser identificada como Feudalismo. acaba levando consigo os servos que nasceram naquele terreno. desde que deixem parte de sua produção com o senhor feudal. 28 Ética. os servos.

Com o advento da indústria e suas grandes máquinas. A transição se deu com o aparecimento de trabalhadores dispostos a alugar a sua mão de obra pela jornada de um dia nas oficinas localizadas nos centros urbanos que começavam a surgir. o dono da empresa pagava-lhe. Por exemplo. Este costume. Do contrário não seria possível a geração dos lucros para os donos das fábricas. esse sistema tinha que pagar pela jornada um valor inferior ao que o trabalho era capaz de produzir (menosvalia). sempre que um casamento se realizasse entre seus servos. no mesmo dia das núpcias. trabalhador era contratado por um valor diário.00. cidadania e direitos humanos 29 . verdadeiros exércitos de trabalhadores eram arregimentados para trabalharem nas fábricas. digamos R$ 20. mas tinha que produzir mais do que o valor que recebia (mais-valia). para funcionar bem. era comum justamente entre a nobreza que se considerava moralmente superior à classe dos servos. a moral industrial (capitalismo clássico) Muito lentamente ao modo de produção feudal sucedeu o modo de produção industrial. que permitia ao senhor o desfrute da noiva antes do marido. a mentalidade do “aluguel” ou da “venda” da força de trabalho pelo valor referente a um dia de trabalho já estava consolidada e era mediante essa forma de pagamento que os funcionários eram contratados.00. Ética. Em outras palavras. e ficava com a diferença. Com o avanço tecnológico. que para nós é repudiável. basta pensar que na idade média era muito comum o “direito de pernada”. se um trabalhador era capaz de produzir o equivalente a R$ 50.00 ou R$ 25. Acontece que. A esta altura.Capítulo 1 CURIOSIDADE Para se ter uma ideia das contradições da moral aristocrática feudal. mais trabalhadores de aluguel se tornaram necessários. que permitiu a construção de ferramentas capazes de aumentar a produção.

Na verdade os trabalhadores já possuem uma série de direitos assegurados que. baseada em interesses econômicos. a imagem do capitalismo já não corresponde ao cenário que acabamos de descrever. indenização por rescisão contratual. Além disso.Capítulo 1 Eclipse. mulheres e até mesmo crianças enfrentavam jornadas de trabalho que chegavam a dezesseis horas. Esses direitos incluem coisas básicas como aposentadoria. existem hoje outros setores da economia tão importantes quanto o setor industrial como. etc. na época industrial.Tipo de máquina a vapor Este novo modo de trabalhar e de produzir gerou também uma moral particular. Acontece apenas que os instrumentos de exploração se tornaram mais sofisticados. e que os pobres não têm dinheiro porque são preguiçosos. Trata-se de uma moral individualista. ainda somos herdeiros da moral industrial. produção de conhecimento e tecnologia da informação. etc. ignorantes. É uma moral da competição. cidadania e direitos humanos . pesquisa. pois o sistema só funciona bem se os funcionários forem tratados como ferramentas que devem maximizar os lucros da empresa. Entretanto. 30 Ética. a moral pós-industrial Nos países desenvolvidos ou em desenvolvimento. É muito conhecido o fato de que homens. jornada de trabalho limitada a oito horas. por exemplo.sx Figura 4 . não podiam sequer ser imaginados. direito a pagamento de hora extra. Fala-se hoje em motivação. os setores de serviços. mais sutis. uma espécie de “salve-se quem puder” em que se cristaliza a visão de que as pessoas têm mais valor à medida que têm mais dinheiro.

justamente os maiores emissores de gases poluentes.Capítulo 1 remuneração estratégica. os ambientalistas são mais ou menos unânimes em atribuir o aquecimento global à emissão de CO2 na atmosfera. Nd4284 Figura 5 . Não seria esse desejo. cidadania e direitos humanos 31 . Ética.Grande centro empresarial. o individualismo e o consumo são altamente valorizados. Não parece contraditório que os carros. causadores do efeito estufa. Mas elas ainda são formas de fazer o funcionário “render” no trabalho o máximo que puder. Por outro lado. são ao mesmo tempo um dos maiores desejos de consumo da população em geral e sinal de status e distinção entre as pessoas? As montadoras a cada ano comemoram recordes de vendas. REFLEXÃO Atualmente. incluindo o CO2. fruto de uma moral imediatista. consumista e superficial? Pense nisso. que ignora seu próprio potencial destrutivo.

Mas cabe observar que cada época histórica carrega consigo valores que lhes são próprios. que assumem o mesmo papel que o senhor feudal. ligada a uma economia primitiva pode dar a impressão de ser uma moral superada.O consumo na moralidade pós-industrial é supervalorizado SAIBA QUE As formas de moralidade que acabam de ser apresentadas não obedecem a uma cronologia rígida. Monica Arellano-Ongpin Figura 6 . a moral primitiva. pois é nisso que se baseia o nosso modo de produzir. Por exemplo. cidadania e direitos humanos . a moral feudal também pode ser encontrada nos dias atuais. Afinal. Um exemplo disso são as grandes extensões de terra cultivadas por trabalhadores que vivem sob a proteção dos proprietários. não é mesmo? Pois bem.Capítulo 1 Quem de nós não gostaria de trocar de carro todos os anos? Quem de nós não percebe o tratamento diferenciado que nos é dispensado quando aparecemos portando ou consumindo coisas caras? Talvez pouco de nós. Da mesma forma. Mas isso não é desculpa para que deixemos de criticá-la. pois está ligada a formas de produção que ainda não se extinguiram. Mas muitas tribos na América do sul ainda vivem sob os valores dessa forma de moral. 32 Ética. Isso não significa que o capitalismo deva ser rejeitado como um sistema econômico intrinsecamente perverso. o que restaria de nossa sociedade se não fosse o desejo sempre renovado de consumir bens supérfluos? Não restaria nada. esta forma de atribuir valor às pessoas é sem dúvida um sintoma muito peculiar de nossa época. A supervalorização das posses materiais é o que há de mais marcante em nossa moral.

É claro que ele pode até entender que uma ou outra norma representa obstáculo a algum de seus interesses pessoais. Isso porque não atingem a ninguém. mas coletivas. E essas relações também não são obras individuais. do que dissemos a respeito do caráter histórico da moral você já pode inferir algumas relações importantes entre moral e sociedade. quanto mais pessoas podem ser atingidas por nossas ações. Todas três têm em comum o fato de que apontam para o argumento já apresentado no início deste capítulo de que a reflexão ética deve buscar as origens da moral nos indivíduos concretos e em suas relações sociais. mas que já existiam na sociedade em que nasceu. as sociedades mudam para se adaptar a essas mudanças históricas. E a moral também opera suas mudanças a fim de se adaptar a nova estrutura social. Ética. mas até se indignam quando presenciam outras pessoas descuidarem das regras que eles mesmos observam. Essas normas. como já dissemos.Capítulo 1 o caráter social da moral Obviamente. a neutralidade moral do indivíduo isolado Apesar de ser ação de indivíduos. etc. Se uma ação é incapaz de atingir a outras pessoas. ao agirem moralmente. valores. ela não pode ser considerada nem boa nem má. por menor que seja. Não são boas nem más. Inversamente. Somente a ele. maior é o nosso alcance moral. no próprio conceito de mudança histórica já estão implícitas as transformações sociais que modificarão a moral. Assim. pelo menos do ponto de vista moral. correspondem aos tipos de relações sociais vigentes. Na verdade. Mas jamais conseguirá mudar qualquer preceito moral. Então. é o óbvio. com base neste argumento. Vamos tentar analisar agora outras três características que definem a relação entre moral e sociedade. Só mudanças sociais profundas são capazes de impulsionar mudanças morais significativas. Mas isso. a subordinação do indivíduo à sociedade Todos os indivíduos de uma mesma coletividade. os indivíduos não apenas obedecem as normas morais. Este é um primeiro aspecto social da moral. Sempre que um conjunto de condições materiais muda. a moral sempre se refere aos outros. submetem-se a regras. ao grupo social. cidadania e direitos humanos 33 . As ações de um homem isolado numa ilha longínqua são moralmente neutras. cabe ao indivíduo apenas conhecer e seguir o código moral da sociedade em que vive. normas e valores que não inventou.

preservar a unidade social. apenas manipulando alguns comandos e botões da aeronave. Mas com que objetivo? O de perpetuar a estrutura social vigente. Esta é mais outra evidência do caráter social da moral. o cimento que une os indivíduos em torno de valores comuns. por isso são objeto de aprovação ou desaprovação por parte das pessoas. a moral como instrumento de manutenção da ordem social Já dissemos que a moral tem por finalidade regular as ações entre os homens. cidadania e direitos humanos . Finalmente. Mas mesmo contando com a eficácia do direito. Este piloto pode. Um indivíduo morando isolado numa ilha e cujas ações.Capítulo 1 REFLEXÃO Considere os três casos seguintes. Inversamente. pois esta é sempre assumida pelos indivíduos de forma espontânea. por assim dizer. destruir uma cidade inteira. poderíamos dizer que qualquer sociedade apresenta alguma forma de moral. Um agricultor que vive em uma pequena localidade rural e cujas ações têm efeito principalmente sobre a sua família e alguns poucos vizinhos locais. nenhuma sociedade pode prescindir da moral. que conta com códigos escritos nos textos das leis e com o aparato repressor do Estado para fazer cumprir as leis. são muito amplos. Há inclusive outros instrumentos mais eficazes. sempre que uma ação tem o potencial 34 Ética. Sempre que uma ação é capaz de reafirmar essa ligação entre os indivíduos e. não atingem ninguém. como o direito (que estudaremos no capítulo 4). Graças à tecnologia. qualquer sociedade seria impossível. como piloto. consequentemente. naturalmente. Qual dos três indivíduos possui a ação de maior amplitude moral? As ações morais sempre têm consequências para os outros. A moral é. Desse modo. os efeitos de sua ação. esta ação é valorizada moralmente. um piloto de elite de um esquadrão aéreo de uma nação rica e desenvolvida. enquanto que as normas jurídicas são obedecidas pela coerção. Sem instrumentos que direcionem as ações dos homens. mesmo que diferente ou até incompatível com a nossa.

ajudar a refletir sobre a natureza desse fenômeno humano que é o comportamento moral. Também aprendeu que. 1. O propósito deste exercício é chamar a nossa atenção para o caráter social da moral. imóvel. com muita dificuldade.Capítulo 1 de ameaçar a união dos indivíduos. vamos à seguinte situação: imagine uma pessoa sentada num banco de praça. todos nós estamos sujeitos a avaliações morais por parte dos outros e que toda moral se define por sua relação com a sociedade. sabe que normas morais seguir. Uma senhora idosa tropeça e cai bem diante dele. para ilustrar esse aspecto social da moralidade. é necessário refletir um pouco mais detalhadamente acerca dos dois cenários propostos. O objetivo deste capítulo é. Vamos pensar então em dois cenários possíveis: a) O jovem está sentado. A partir dessas primeiras noções acerca dos conceitos de ética e moral. Responda a seguinte pergunta levando em consideração os dois cenários. As pessoas simplesmente passam e sequer percebem o jovem. Para respondermos bem à questão. ele apenas observa a velha que. esta mesma ação é desvalorizada e condenada moralmente. levanta-se lentamente. Mesmo assim. vivendo em sociedade. Ética. A imobilidade do jovem é moralmente boa ou má? É importante que você justifique a sua resposta. cidadania e direitos humanos 35 . imóvel. familiarizado minimamente com os valores da comunidade em que vive. não pretendemos “ensinar” preceitos morais a serem seguidos. Assim. b) O jovem está sentado. Qualquer indivíduo adulto. digamos um jovem estudante que ali parou para contemplar as árvores e os pássaros. O jovem permaneceu imóvel do momento em que sentou até o momento em que partiu. acima de tudo.3 aplicando a teoria na prática Você aprendeu alguns traços distintivos entre ética e moral. bem como a ordem e a unidade social. tantas vezes destacado neste capítulo. É isso que faremos a seguir.

a inação do jovem é moralmente neutra. Primeiro. a senhora que caiu e precisava de ajuda. São Paulo: Martins Fontes. Justificativa: justamente por não atingir ninguém. Apesar de estar entre pessoas. neste caso. 2004.4 para saber mais JAEGER. Paidéia é o título de um livro que trata da história da formação clássica dos gregos. Nele. reconhecida internacionalmente. mesmo quando não se age. Mas é justamente a interação desta ação com o meio social que vai proporcionar uma interpretação moral sobre o caso.Capítulo 1 cenário 1: Resposta: neste primeiro cenário. ou melhor. cidadania e direitos humanos . É indiferente simplesmente. você encontrará detalhadas análises das relações entre as virtudes morais da época e as estruturas sociais que as originaram. 1. 36 Ética. Uma excelente fonte. a ação do jovem. É interessante perceber que em ambos os casos o conteúdo da ação moral é exatamente o mesmo (ficar sentado imóvel no banco da praça). isso já é ação. Paidéia: a formação do homem grego. como dissemos logo no início do capítulo. Isso reforça a tese de que só há moral em sociedade. Segundo: o fato permanecer imóvel tem uma repercussão social. o fato de estar sentado e imóvel não pode ser considerado bom nem mau. mesmo quando poderia tê-la ajudado. percebem-se duas coisas. o jovem não agiu. Justificativa: neste segundo cenário. Werner. Ele apenas está parado e sua imobilidade altera em nada o quadro observado na praça. Mas. que pode aumentar os seus conhecimentos sobre as relações entre moral e história é o livro do alemão Werner Jaeger. cenário 2: Resposta: ao assistir a queda de uma senhora e permanecer imóvel. a sua postura não tem nenhuma interação social com os demais. pode ser considerada moralmente má. já que afeta outras pessoas. a sua inação.

devem submeter-se a regras que já existem no contexto social em que vivem. 1. você apreendeu sobre os seguintes assuntos: • As diferenças entre ética e moral . Ambas estão intimamente relacionadas.5 relembrando Neste capítulo. traz ensaios de renomados professores das melhores universidades do país.). pois participará de uma entrevista para um outro emprego com maior salário e melhores oportunidades de Ética. uma moral feudal. embora sejam diferentes. psicanálise. procure responder a seguinte questão: um funcionário de uma determinada empresa precisará faltar ao trabalho na próxima sexta-feira. Os indivíduos isoladamente são incapazes de criar normas morais. mudanças nas estruturas sociais também geram mudanças na moralidade corrente. ameaças de guerras. • A moral evolui de acordo com mudanças históricas. uma moral das sociedades escravistas. cidadania e direitos humanos 37 . geralmente baseadas em mudanças nas relações de trabalho e de produção.Capítulo 1 NOVAES. Este livro se caracteriza por uma linguagem acessível e ao mesmo tempo profunda. São Paulo: Companhia das Letras. 2004. • A moral é uma resposta a necessidades sociais especiais. Organizado por Adauto Novaes. desigualdade social). bem como a relação explícita com aspectos concretos de nossa época (desenvolvimento tecnológico. Por isso. Adauto (Org). a moral é uma forma específica de comportamento. Ao contrário. etc. economia.6 testando os seus conhecimentos Com base na seção 1. Assim. filosofia. a ética é a ciência que busca explicar a moral. Assim.2 (Conhecendo a teoria).você viu que enquanto a ética assume a forma de uma teoria acerca do comportamento humano. 1. Destacam-se a variedade de perspectivas a partir das quais a ética é abordada (política. existe uma moral primitiva. comunicação de massa. uma moral capitalista e assim por diante. Ética.

2005. não sabe se conta a verdade para o seu chefe ou se inventa outra história a fim de justificar a sua ausência. de acordo com Vazquez. estamos diante de um problema ético ou moral? Justifique sua resposta também de acordo com Vazquez. Diante dessa circunstância. Neste caso. Adolfo Sanchez. de Lima. VAZ. São Paulo: Loyola. 1997. Henrique C. 38 Ética. 1999.Capítulo 1 crescimento. Escritos de Filosofia V: introdução à Ética. Convite à filosofia. onde encontrar CHAUÍ. cidadania e direitos humanos . Ética. São Paulo: Ática. VAZQUEZ. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. Marilena.

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