1

Economia e Mercado
Podemos definir a atividade econômica como sendo:
"A atividade econômica se define a partir da interação de complexas variáveis. Dadas as
limitações do espaço geográfico e dos meios naturais, ela é influenciável por fatores
antropológicos- culturais, pelo ordenamento político, pelo progresso tecnológico e pelo
imprevisível comportamento dos diferentes grupos sociais de que se constituem as nações.
Procurar compreender, em toda sua extensão, esses eixos de sustentação é a tarefa mais
importante dos que se dedicam à economia".

Assim, podemos verificar a interrelação da ciência econômica com outras ciências, tais como:

- Ética;
- Filosofia;
- Direito;
- Antropologia;
- Psicologia;
- Sociologia; e
- Política.


A ciência econômica pode ser considerada como uma ciência exata?

Não. Mas, por quê?

A ciência econômica lida com indivíduos, ou seja, não lida com fórmulas definidas. Ela estuda o
homem inserido em um ambiente de escassez. A partir do momento que ela estuda este ser
social, temos, então, que a Economia é uma Ciência Social Aplicada.

Para entender a economia é necessário definirmos alguns conceitos primordiais.

Bens

São ativos reais que satisfazem as necessidades humanas. Podem ser divididos da seguinte
forma:

Bens tangíveis;
Bens finais;
Bens de consumo;
Bens duráveis;
Bens não duráveis;
Bens de capital;
Bens intermediários;
Bens intangíveis

Fatores de produção:

necessários ao processo produtivo. São eles: terra, trabalho e capital.

Agentes econômicos:

2

Todos os envolvidos nos processos de produção, circulação, distribuição e consumo de bens e
serviços. São eles: Empresas, Famílias e Governo.

Mercado:

Interação entre oferta e demanda.

Preços:

Expressão monetária do valor de um bem ou serviço.

Renda:

Preço pago pela utilização dos fatores de produção.

O problema econômico fundamental


Devido a escassez, é necessário fazermos algumas escolhas, sendo englobadas nas perguntas:

O que produzir?
Como produzir?
Para quem produzir?


O que produzir?

Este item está baseado em quatro hipóteses:

(1) Recursos limitados quantitativamente;
(2) Utilização plena e racional dos fatores;
(3) Escolhas dos bens baseadas nas hipóteses anteriores; e
(4) Diferença de tecnologia.


A sociedade optará pela produção de um bem ou de outro.

Assim, se faz necessário criar possibilidades de produção, descritas pela curva de
possibilidades de produção (CPP).

Ex.: Peguemos dois bens, roupas e alimentos, e verifiquemos o que acontece com produção
deles.


Produção Alimentos Roupas
1 10 180
2 20 160
3 30 150
4 40 130
5 50 100
3

6 60 60

Como produzir?


Expressa a tecnologia, e a busca eficiente, de técnicas e economias mais vantajosas.

Eficiência técnica: processo que alcançar a melhor quantidade de produto, com a menor
quantidade de insumos ou fatores de produção.


Eficiência Econômica: busca do processo que apresentar o menor custo de produção. Essa
eficiência será determinada pelo preço dos fatores de produção:

Mão-de-obra: salários
Capital: juros
Terra: aluguel
Empreendimento: lucro


Para quem produzir?

Direito a consumir de cada membro da sociedade, que será determinado por seus
rendimentos, ou seja, todos temos uma restrição orçamentária e só poderemos consumir a
quantidade que ela nos permite.

Organização do sistema econômico irá determinar o direito ao consumo, dependendo do
regime que esta sociedade está vinculada, podendo ser capitalista ou socialista.


Podemos definir a atividade econômica como sendo:
"A atividade econômica se define a partir da interação de complexas variáveis. Dadas as
limitações do espaço geográfico e dos meios naturais, ela é influenciável por fatores
antropológicos- culturais, pelo ordenamento político, pelo progresso tecnológico e pelo
imprevisível comportamento dos diferentes grupos sociais de que se constituem as nações.
Procurar compreender, em toda sua extensão, esses eixos de sustentação é a tarefa mais
importante dos que se dedicam à economia".

Assim, podemos verificar a interrelação da ciência econômica com outras ciências, tais como:

- Ética;
- Filosofia;
- Direito;
- Antropologia;
- Psicologia;
- Sociologia; e
- Política.


A ciência econômica pode ser considerada como uma ciência exata?

4

Não. Mas, por quê?

A ciência econômica lida com indivíduos, ou seja, não lida com fórmulas definidas. Ela estuda o
homem inserido em um ambiente de escassez. A partir do momento que ela estuda este ser
social, temos, então, que a Economia é uma Ciência Social Aplicada.

Para entender a economia é necessário definirmos alguns conceitos primordiais.

Bens

São ativos reais que satisfazem as necessidades humanas. Podem ser divididos da seguinte
forma:

Bens tangíveis;
Bens finais;
Bens de consumo;
Bens duráveis;
Bens não duráveis;
Bens de capital;
Bens intermediários;
Bens intangíveis

Fatores de produção:

necessários ao processo produtivo. São eles: terra, trabalho e capital.

Agentes econômicos:

Todos os envolvidos nos processos de produção, circulação, distribuição e consumo de bens e
serviços. São eles: Empresas, Famílias e Governo.

Mercado:

Interação entre oferta e demanda.

Preços:

Expressão monetária do valor de um bem ou serviço.

Renda:

Preço pago pela utilização dos fatores de produção.

O problema econômico fundamental


Devido a escassez, é necessário fazermos algumas escolhas, sendo englobadas nas perguntas:

O que produzir?
Como produzir?
Para quem produzir?

5


O que produzir?

Este item está baseado em quatro hipóteses:

(1) Recursos limitados quantitativamente;
(2) Utilização plena e racional dos fatores;
(3) Escolhas dos bens baseadas nas hipóteses anteriores; e
(4) Diferença de tecnologia.


A sociedade optará pela produção de um bem ou de outro.

Assim, se faz necessário criar possibilidades de produção, descritas pela curva de
possibilidades de produção (CPP).

Ex.: Peguemos dois bens, roupas e alimentos, e verifiquemos o que acontece com produção
deles.


Produção Alimentos Roupas
1 10 180
2 20 160
3 30 150
4 40 130
5 50 100
6 60 60

Como produzir?


Expressa a tecnologia, e a busca eficiente, de técnicas e economias mais vantajosas.

Eficiência técnica: processo que alcançar a melhor quantidade de produto, com a menor
quantidade de insumos ou fatores de produção.


Eficiência Econômica: busca do processo que apresentar o menor custo de produção. Essa
eficiência será determinada pelo preço dos fatores de produção:

Mão-de-obra: salários
Capital: juros
Terra: aluguel
Empreendimento: lucro


Para quem produzir?

6

Direito a consumir de cada membro da sociedade, que será determinado por seus
rendimentos, ou seja, todos temos uma restrição orçamentária e só poderemos consumir a
quantidade que ela nos permite.

Organização do sistema econômico irá determinar o direito ao consumo, dependendo do
regime que esta sociedade está vinculada, podendo ser capitalista ou socialista.







MÓDULO 2
O PROBLEMA ECONÔMICO / FUNCIONAMENTO DO SISTEMA ECONÔMICO

1. Conceito
É uma ciência social que estuda como o indivíduo e a sociedade decidem empregar
recursos produtivos escassos na produção de bens e serviços, de modo a distribuí-los entre as
pessoas e grupos da sociedade, a fim de satisfazer as necessidades humanas.
Em qualquer sociedade, os recursos ou fatores de produção são escassos; contudo as
necessidades humanas são ilimitadas, e sempre se renovam. Isso obriga a sociedade a escolher
entre alternativas de produção e de distribuição dos resultados da atividade produtiva aos
vários grupos da sociedade.

2. Sistemas Econômicos
Pode ser definido como sendo a forma política, social e econômica pela qual está
organizada uma sociedade.
Os elementos básicos de um sistema econômico são:
a) Estoques de Recursos Produtivos ou Fatores de Produção: recursos humanos
(trabalho e capacidade empresarial), o capital, terra, reservas naturais e a
tecnologia.
7

b) Complexo de unidades de produção: constituído pelas empresas.
c) Conjunto de instituições políticas, jurídicas, econômicas e sociais: que são à base
da organização da sociedade.
Os sistemas econômicos podem ser classificados em:
· Sistema capitalista, ou economia de mercado, é aquele regido pelas forças de
mercado, predominando a livre iniciativa e a propriedade privada dos fatores de
produção.
· Sistema socialista ou economia centralizada, ou ainda economia planificada, é
aquele em que as questões econômicas fundamentais são resolvidas por um órgão
central de planejamento, predominando a propriedade pública dos fatores de
produção.

3. Os Problemas Econômicos Fundamentais
Da escassez dos recursos ou dos fatores de produção, associa-se às necessidades
ilimitadas do homem, originando problemas econômicos fundamentais:
· O quê e quanto produzir: dada a escassez de recursos de produção, a sociedade terá
de escolher, quais produtos serão produzidos e em que quantidades.
· Como produzir: a sociedade terá de escolher ainda quais recursos de produção
serão utilizados para a produção de bens e serviços, dado o nível tecnológico
existente.
· Para quem produzir: a sociedade terá também que decidir como seus membros
participarão da distribuição dos resultados de sua produção (demanda, oferta,
determinação de salários, das rendas das terras, dos juros etc).
Em economias de mercado, esses problemas são resolvidos pelos mecanismos de
preços atuando por meio da oferta e da demanda. Nas economias centralizadas, essas
questões são decididas por um órgão central de planejamento, a partir de um levantamento
dos recursos de produção disponíveis e das necessidades do país, e não pela oferta e demanda
no mercado.
8

3.1. Curva de Possibilidades de Produção (ou Curva de Transformação)
É um conceito teórico com o qual se ilustra, como a questão da escassez impõe um
limite à capacidade produtiva de uma sociedade, que terá que fazer escolhas entre
alternativas de produção.
Devido à escassez de recursos, a produção total de um país tem um limite máximo,
onde todos os recursos disponíveis estão empregados. Suponhamos uma economia que só
produza máquinas (Bens de Capital) e alimentos (Bens de Consumo) e que as alternativas de
produção de ambos seja as seguintes:
Alternativas de Produção Máquinas (milhares) Alimentos (toneladas)
A 25 0
B 20 30
C 15 45
D 10 60
E 0 70


Na primeira alternativa (A) todos os fatores de produção seriam alocados para a
produção de máquinas;na última (E) seriam alocados somente para a produção de alimentos; e
nas alternativas intermediárias (B, C e D) os fatores de produção seriam distribuídos na
produção de um ou de outro bem.
3.2. Conceito de Custo de Oportunidade
A transferência dos fatores de produção de um bem A para produzir um bem B implica
um custo de oportunidade que é igual ao sacrifício de se deixar de produzir parte do bem A
para se produzir mais do bem B. O custo de oportunidade por representar o custo da produção
alternativa sacrificada, reflete em um custo implícito.

9

4. Funcionamento de uma Economia de Mercado: Fluxos Reais e Monetários
Para entender o funcionamento do sistema econômico, vamos supor uma economia
de mercado que não tenha interferência do governo e não tenha transações com exterior (
economia fechada ).
Os agentes econômicos são as famílias e as empresas. As famílias são proprietárias de
fatores de produção e os fornecem às empresas, através do mercado dos fatores de produção.
As empresas, através da combinação dos fatores de produção, produzem bens e serviços e os
fornecem às famílias por meio do mercado de bens e serviços.

4.1. Fluxo Real e Monetário da Economia

~ ~ ~
MERCADO DE BENS E SERVIÇOS
~ ~ ~


1

DEMANDA OFERTA
1
FAMÍLIAS EMPRESAS
1
OFERTA DEMANDA
1

MERCADO DE FATORES DE
PRODUÇÃO

¬ ¬ ¬ ¬ ¬ ¬


No entanto, o fluxo real da economia só se torna possível com a presença da moeda,
que é utilizada para remunerar os fatores de produção e para o pagamento dos bens e
serviços. Desse modo, paralelamente ao fluxo real temos um fluxo monetário da economia:



10



PAGAMENTO DOS BENS E SERVIÇOS
¬ ¬ ¬


1

FAMÍLIAS EMPRESAS
1

REMUNERAÇÃO DOS FATORES DE
PRODUÇÃO

~ ~ ~


4.2. Fluxo Circular de Renda
Unindo os dois fluxos anteriores, temos o chamado Fluxo Circular de Renda:


MERCADO DE BENS E SERVIÇOS

DEMANDA
DE BENS E
SERVIÇOS

OFERTA DE
BENS E
SERVIÇOS

A
O QUE E QUANTO PRODUZIR
+ +
FAMÍLIAS COMO PRODUZIR Þ EMPRESAS
± ±
OFERTA DE
SERVIÇOS
DOS
FATORES DE
PRODUÇÃO

PARA QUEM
PRODUZIR

DEMANDA
DE
SERVIÇOS
DOS
FATORES
DE
PRODUÇÃO
Y

MERCADO DE FATORES DE PRODUÇÃO





Fluxo Monetário


Fluxo Real (Bens e Serviços)

5. Definição de Bens de Capital, Bens de Consumo, Bens Intermediários e Fatores de
Produção
5.1. Bens de Capital
São aqueles utilizados na fabricação de outros bens, mas que não se desgastam
totalmente no processo produtivo. Exemplo: Máquinas, Equipamentos e Instalações.
5.2. Bens de Consumo
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Destinam-se diretamente ao atendimento das necessidades humanas. De acordo com
sua durabilidade, podem ser classificados como duráveis (geladeiras, fogões, automóveis) ou
como não–duráveis (alimentos, produtos de limpeza).
5.3. Bens Intermediários
São aqueles que são transformados ou agregados na produção de outros bens e que
são consumidos totalmente no processo de produtivo (insumos, matérias-primas e
componentes).
5.4. Fatores de Produção
São constituídas pelos recursos humanos (trabalho e capacidade empresarial), terra,
capital e tecnologia.
Cada fator de produção corresponde uma remuneração, a saber:
Fator de Produção Tipo de Remuneração
Trabalho Salário
Capital Juro
Terra Aluguel
Tecnologia Royalty
Capacidade empresarial Lucro

6. Inter-Relação da Economia com Outras Áreas do Conhecimento
Apesar de ser uma ciência social, a Economia é limitado pelo meio físico, dado que os
recursos são escassos, e se ocupa de quantidades físicas e das relações entre as quantidades,
como a que se estabelece entre a produção de bens e serviços e os fatores de produção
utilizados no processo produtivos.
A Economia apresenta muitas regularidades, sendo que algumas relações são
invioláveis. Por Exemplo: O consumo nacional depende diretamente da renda nacional. A
quantidade demandada de um bem tem uma relação inversamente proporcional com o seu
preço. As exportações e as importações dependem da taxa de câmbio.
12

A área que está voltada para quantificação dos modelos é a Econometria, que combina
Teoria Econômica, Matemática e Estatística.
Economia e Política são áreas muito interligadas, tornando-se difícil estabelecer uma
relação de casualidade entre elas. A estrutura política se encontra muitas vezes subordinadas
ao poder econômico. Citemos alguns exemplos: poder Econômico dos latifundiários, poder dos
oligopólios e monopólios, poder das corporações estatais.
Economia e História: a pesquisa histórica é extremamente útil e necessária para
Economia, pois ela facilita a compreensão do presente e ajuda nas previsões para o futuro com
base nos fatos do passado. As guerras e revoluções, por exemplo, alteraram o comportamento
e a evolução da Economia.
Economia e Geografia: a Geografia não é o simples registro de acidentes
Geográficos e climáticos. Ela nos permite avaliar fatores muito úteis à análise econômica,
como as condições geoeconômicas dos mercados, a concentração espacial dos fatores
produtivos, a localização de empresas e a composição setorial da atividade econômica.
Economia, Moral, Justiça e Filosofia: na pré-economia, antes da Revolução Industrial
do século XVIII, que corresponde ao período da Idade Média, a atividade econômica era vista
como parte integrante da Filosofia, Moral e Ética. A Economia era orientada por princípios
morais e de justiça.
Bibliografia
VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandoval de e GARCIA, Manuel Enriquez. Fundamentos de
Economia. São Paulo: Saraiva, 2003.






13

MÓDULO 3
DINÂMICA DOS MERCADOS E SEUS IMPACTOS NAS ORGANIZAÇÕES

1. Microeconomia
A Microeconomia, ou Teoria Geral dos Preços, analisa a formação de preços no
mercado, ou seja, como a empresa e o consumidor interagem e decidem qual o preço e a
quantidade de um determinado bem ou serviço em mercados específicos. A microeconomia
estuda o funcionamento da oferta e da procura na formação do preço no mercado, isto é, o
preço sendo obtido pela interação do conjunto dos consumidores com o conjunto de
empresas que fabricam um dado bem ou serviço.
1.1. Pressupostos Básicos da Análise Microeconômica
A hipótese coeteris paribus (tudo o mais permanece constante): o foco de estudo é
dirigido apenas àquele mercado, analisando o papel que a oferta e a demanda nele exercem,
supondo que outras variáveis interfiram muito pouco, ou que não interfiram de maneira
absoluta.
1.1.1. Papel dos preços relativos
Na análise microeconômica, são mais relevantes os preços relativos, isto é, os preços
dos bens em relação aos demais, do que os preços absolutos ( isolados) das mercadorias.
Exemplo: se o preço do guaraná cair 10%, mas também o preço da soda cair em 10%, nada
deve acontecer na demanda dos dois bens, mas se cair apenas o preço do guaraná,
permanecendo inalterado o preço da soda, deve-se esperar um aumento na quantidade
procurada de guaraná e uma queda na soda. Embora não tenha havido alteração no preço
absoluto da soda, seu preço relativo aumentou, quando comparado com o guaraná.
1.1.2. Princípio da Racionalidade
Por esse princípio, os empresários tentam sempre maximizar lucros condicionados
pelos custos de produção, os consumidores procuram maximizar sua satisfação no consumo
de bens e serviços ( limitados por sua renda e pelos preços das mercadorias).
14


1.2. Aplicações da análise microeconômica
A teoria microeconômica não é um manual de técnicas para a tomada de decisões do
dia-a-dia, mesmo assim ela representa uma ferramenta útil para esclarecer políticas e
estratégias, dentro de um horizonte de planejamento, tanto em nível de empresas quanto de
nível de política econômica.
Para as empresas, a análise microeconômica pode subsidiar as seguintes decisões:
· políticas de preços da empresa.
· previsão de demanda e faturamento.
· previsão de custos de produção.
· decisões ótimas de produção (melhor combinação dos custos de produção).
· avaliação e elaboração de projetos de investimentos (análise custo/benefício)
· política de propaganda e publicidade.
· localização da empresa.
Em relação da política econômica, pode contribuir na análise e tomada de decisões das
seguintes questões:
· efeitos de impostos sobre mercados específicos.
· política de subsídios.
· fixação de preços mínimos na agricultura.
· controle de preços
· política salarial
· políticas de tarifas públicas. (água, luz, etc.).

15


2. Demanda, Oferta e Equilíbrio de Mercado
Os fundamentos da análise da demanda ou procura estão alicerçados no conceito
subjetivo de utilidade. A utilidade representa o grau de satisfação que os consumidores
atribuem aos bens e serviços que podem adquirir no mercado. Como está baseada em
aspectos psicológicos ou preferências, a utilidade difere de consumidor para consumidor (uns
preferem uísque, outros preferem cerveja etc.).
2.1. Demanda de Mercado
A demanda ou procura pode ser definida como a quantidade de um determinado bem
ou serviço que os consumidores desejam adquirir em determinado período de tempo.
A procura depende de variáveis que influenciam a escolha do consumidor. São elas: o
preço do bem e serviço, o preço dos outros bens, a renda do consumidor e o gosto ou
preferência do indivíduo. Para estudar-se a influência dessas variáveis utiliza-se a hipótese do
coeteris paribus, ou seja, considera-se cada uma dessas variáveis afetando separadamente as
decisões do consumidor.
Há uma relação inversamente proporcional entre a quantidade procurada e o preço do
bem. É a chamada Lei Geral da Demanda. Essa relação pode ser observada a partir dos
conceitos de escala de procura, curva de procura ou função demanda.
A relação preço/quantidade procurada pode ser representada por uma escala de
procura, conforme apresentada a seguir:
Alternativa de preço ($) Quantidade Demandada
1,00 12.000
3,00 8.000
6,00 4.000
8,00 3.000
10,00 2.000

16

Se o preço de um bem aumenta, a queda da quantidade demanda será provocada por
esses dois efeitos somados:
a) Efeito substituição: se um bem possui um substituto, ou seja, outro bem similar
que satisfaça a mesma necessidade, quando seu preço aumenta, o consumidor
passa adquirir o bem substituto, reduzindo assim sua demanda. Exemplo: Fósforo.
b) Efeito renda: quando aumenta o preço de um bem, o consumidor perde o poder
aquisivo, e a demanda por esse produto diminui.
2.1.1. Elasticidade
Cada produto tem sua própria sensibilidade com relação às variações dos preços e da
renda. Essa sensibilidade ou reação pode ser medida através da elasticidade. Genericamente, a
elasticidade reflete o grau de reação de uma variável quando ocorrem alterações em outra
variável, coeteris paribus.
2.1.1.1. Elasticidade-preço da Demanda
É a resposta relativa da quantidade demandada de um bem X às variações de seu
preço. Pode ser:
· Demanda elástica: os consumidores de um determinado produto têm grande
reação ou resposta nas quantidades a eventuais variações de preços.
· Demanda inelástica: os consumidores tendem a reagir em menor escala às
variações de preços.
Fatores que influenciam o grau de elasticidade da demanda:
a) Disponibilidade de bens substitutos: quanto mais substitutos houver para um
bem, mais elástica será sua demanda;
b) Essencialidade do bem: se o bem é essencial, será pouco sensível à variação do
preço;
c) Importância do bem, quanto ao gasto no orçamento do consumidor: quanto mais
importante o gasto referente a um determinado bem, em relação ao orçamento,
mais sensível torna-se o consumidor a alterações de seu preço, ou seja, a
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demanda é mais elástica. Comparativamente, por exemplo, a carne tende a ter a
elasticidade-preço da demanda mais elevada que o fósforo, em função da relação
do preço da carne junto ao orçamento doméstico.
2.2. Oferta de Mercado
Pode-se conceituar oferta como as várias quantidades que os produtores desejam
oferecer ao mercado em determinado período de tempo. Da mesma maneira que a demanda,
a oferta depende de vários fatores; dentre eles, de seu próprio preço, dos demais preços, dos
preços dos fatores de produção, das preferências do empresário e da tecnologia.
Diferentemente da função demanda, a função de oferta mostra uma correlação direta
entre a quantidade ofertada e nível de preços. É a chamada Lei Geral da Oferta.
Podemos expressar uma escala de oferta de um bem X, ou seja, dada uma série de
preços, quais seriam as quantidades ofertadas a cada preço:
Alternativas de Preço ( $ ) Quantidade Ofertada
1,00 1.000
3,00 5.000
6,00 9.000
8,00 11.000
10,00 13.000

A relação direta entre a quantidade ofertada de um bem e o preço desse bem deve-se
ao fato de que, coeteris paribus, um aumento do preço no mercado estimula as empresas a
produzirem mais, aumentando sua receita.
2.3. Equilíbrio de Mercado
A interação das curvas de demanda e de oferta determina o preço e a quantidade de
equilíbrio de um bem ou serviço em um dado mercado.
Veja o quadro a seguir representativo da oferta e da demanda do bem X:

18


Preço ($)
Quantidade
Situação de Mercado
Procurada Ofertada
1,00 11 1 Excesso de procura (escassez de oferta)
3,00 9 3 Excesso de procura (escassez de oferta)
6,00 6 6 Equilíbrio entre oferta e procura
8,00 4 8 Excesso de oferta (escassez de procura)
10,00 2 10 Excesso de oferta (escassez de procura)

Como se observa na tabela, existe equilíbrio entre oferta e demanda do bem X,
quando o preço é igual a 6,00 unidades monetárias.

3. Interferência do Governo no equilíbrio de mercado
O governo intervém na formação de preços de mercado, a nível microeconômico , e
quando fixa impostos e subsídios, estabelecem critérios de reajustes do salário mínimo, fixa
preços mínimos para produtos agrícolas decreta tabelamentos ou ainda congelamento de
preços e salários.
A) Estabelecimento de Impostos: É sabido que quem recolhe a totalidade do tributo é a
empresa, mas isso não quer dizer que é ela quem efetivamente paga. Assim, saber sobre quem
recai efetivamente o ônus do tributo é uma questão da maior importância na análise dos
mercados.
Os tributos se dividem em impostos, taxas e contribuições de melhoria. O impostos
dividem-se em:
· Impostos Indiretos: impostos incidentes sobre o consumo ou sobre as vendas.
Exemplo: Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS), Imposto sobre Produtos
Industrializados (IPI).
· Impostos Diretos: Impostos incidentes sobre a renda. Exemplo: Imposto de Renda.
19

B) Política de preços mínimos na agricultura: Trata-se de uma política que visa dar garantia de
preços ao produtor agrícola, com propósito de protegê-lo das flutuações dos preços no
mercado, ou seja, ajudá-lo diante de uma possível queda acentuada de preços e
conseqüentemente da renda agrícola. O governo, antes do início do plantio, garante um preço
que ele pagará após a colheita do produto.
C) Tabelamento: Refere-se à intervenção do governo no sistema de preços de mercado
visando coibir abusos por parte dos vendedores, controlar preços de bens de primeira
necessidade ou então refrear o processo inflacionário, como foi adotado no Brasil (Planos
Cruzado, Bresser etc.), quando se aplicou o congelamento de preços e salários.
Economia Brasileira
A economia brasileira viveu vários ciclos econômicos ao longo da História. Em cada ciclo, um
setor e região do país foi privilegiado em detrimento de outros, o que provocou sucessivas
mudanças sociais, populacionais, políticas e culturais dentro da sociedade brasileira.

O primeiro ciclo econômico do Brasil foi a extração do pau-brasil (1501-1530): Madeira
avermelhada utilizada na tinturaria de tecidos na Europa, e abundante em grande parte do
litoral brasileiro na época do descobrimento (do Rio de Janeiro ao Rio Grande do Norte). Os
portugueses instalaram feitorias e sesmarias e contratavam o trabalho de índios para o corte e
carregamento da madeira por meio de um sistema de trocas conhecido como escambo. Além
do pau-brasil, outras atividades de modelo extrativista predominaram nessa época, como a
coleta de drogas do sertão na Amazônia.
O segundo ciclo econômico brasileiro foi o plantio de cana-de-açúcar: Utilizada na Europa
para a manufatura de açúcar em substituição à beterraba. O processo era centrado em torno
do engenho, composto por uma moenda de tração animal (bois e jumentos) ou humana. O
plantio de cana adotou o latifúndio como estrutura fundiária e a monocultura como método
agrícola. A agricultura da cana introduziu a modo de produção escravista, baseado na
importação e escravização de africanos. Esta atividade gerou todo um setor paralelo chamado
de tráfico negreiro. A pecuária extensiva ajudou a expandir a ocupação do Brasil pelos
portugueses, levando o povoamento do litoral para o interior. Em 1549, Pernambuco já
possuía trinta engenhos de açúcar, a Bahia, dezoito e São Vicente dois. O Brasil se tornou o
20

maior produtor de açúcar nos séculos XVI e XVII. As principais regiões açucareiras inicialmente
eram Pernambuco, Bahia, São Paulo (antes de sucumbir a concorrência da sacarose
nordestina) e parte do Rio de Janeiro (produtores secundários da região de Campos, no baixo
vale do Paraíba do Sul).
Ciclo do Ouro - Metais valiosos: Durante todo o século XVII, expedições chamadas entradas e
bandeiras vasculharam o interior do território em busca de metais valiosos como ouro, prata e
cobre além de pedras preciosas (diamantes, esmeraldas). Afinal, já no início do século XVIII
(entre 1709 e 1720) estas foram achadas no interior da Capitania de São Paulo (Planato Central
e Montanhas Alterosas), nas áreas que depois foram desmembradas como Minas Gerais, Goiás
e Mato Grosso, dando início ao ciclo do ouro. Outra importante atividade impulsionada pela
mineração foi o comércio interno entre as diferentes vilas e cidades da colônia, proporcionada
pelos tropeiros.
Ciclo do café: foi o produto que impulsionou a economia brasileira desde o início do século XIX
até a década de 1930. Concentrado a princípio no Vale do Paraíba (entre Rio de Janeiro e São
Paulo) e depois nas zonas de terra roxa do interior de São Paulo e do Paraná, o grão foi o
principal produto de exportação do país durante quase 100 anos. Foi introduzida por Francisco
de Melo Palheta ainda no século XVIII, a partir de sementes contrabandeadas da Guiana
Francesa.
Ciclo da borracha: Em meados do século XIX, foi descoberta que a seiva da seringueira, uma
árvore nativa da Amazônia, servia para a fabricação de borracha, material que começava então
a ser utilizado industrialmente na Europa e na América do Norte. Com isso, teve início o ciclo
da borracha no Amazonas (então Província do Rio Negro) e na região que viria a ser o Acre
brasileiro (então parte da Bolívia e do Peru).
Desenvolvimentismo: O chamado desenvolvimentismo (ou nacional-desenvolvimentismo) foi
a corrente econômica que prevaleceu nos anos 1950, do segundo governo de Getúlio Vargas
até o Regime Militar, com especial ênfase na gestão de Juscelino Kubitschek.
Valendo-se de políticas econômicas desenvolvimentista desde a Era Vargas, na década de
1930, o Brasil desenvolveu grande parte de sua infra-estrutura em pouco tempo e alcançou
elevadas taxas de crescimento econômico. Todavia, o governo muitas vezes manteve suas
contas em desequilíbrio, multiplicando a dívida externa e desencadeando uma grande onda
21

inflacionária. O modelo de transporte adotado foi o rodoviário, em detrimento de todos os
demais (ferroviário, hidroviário, naval, aéreo).
Décadas (1961 - 1980): Nenhum país no mundo havia crescido tanto como o Brasil durante
duas décadas (1961 - 1980), em especial no período de 1968 a 1973. Nessa época, o
desemprego praticamente não existia. O Brasil viveu o chamado Milagre Econômico, quando
um crescimento acelerado da indústria gerou empregos não-qualificados e ampliou a
concentração de renda, o PIB chegou a crescer 14,0%. Em paralelo, na política, o regime militar
endureceu e a repressão à oposição (tanto institucional quanto revolucionária/subversiva)
viveu o seu auge. A industrialização, no entanto, continuou concentrada no eixo Rio de
Janeiro-São Paulo e atraiu para esta região uma imigração em massa das regiões mais pobres
do país, principalmente o Nordeste.
Década de 80: Por outro lado, a década de 1980 ficou 'para a história' como a famosa 'década
perdida', com aumento da inflação, do desemprego, da dívida externa, da queda de renda e
com o pagamento de juros da dívida externa, entre outros. A década de 90 foi marcada por um
processo de abertura da economia, com controle da inflação. O país se tornou mais
competitivo, e o setor produtivo privado foi forçado a adotar novas tecnologias para se tornar
mais produtivo. Em outras palavras, o setor privado fez a lição de casa, mas o setor público
pouco fez para se tornar mais eficiente e controlado, a não ser mais recentemente, por meio
da Lei de Responsabilidade Fiscal. Tanto é verdade que a dívida pública federal, que era de
aproximadamente R$ 60 bilhões em 1993, saltou para cerca de R$ 900 bilhões, no iníco de
2003. Isso ocorreu porque as reformas (tributária e previdenciária) não foram feitas. Por causa
disso, os juros foram mantidos elevados e o país passou a trabalhar para pagar os juros da
dívida interna. Com palavras mais objetivas, pode-se dizer que na década de 80 trabalhamos
para pagar juros da dívida externa (mais de US$ 100 bilhões numa década), enquanto na
década de 90 o país trabalhou para pagar juros da dívida interna (R$ 114 bilhões em 2002).
O aluno deve-se atentar para consulta aos textos anexados, assim como a bibliografia
complementar orientada para realização dos exercício 'on-line'.
Bibliografia
VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandoval de e GARCIA, Manuel Enriquez. Fundamentos de
Economia. São Paulo: Saraiva, 2003.
22


MÓDULO 4
ESTRUTURAS DE MERCADO

1. Introdução
Nas aulas anteriores vimos, quais variáveis afetam a demanda e a oferta de bens e
serviços, e como são determinados os preços, supondo sem interferências, o mercado
automaticamente encontra seu equilíbrio. Implicitamente, estava sendo suposta uma
estrutura específica de mercado, qual seja, a de concorrência perfeita.
As várias formas ou estruturas de mercados dependem fundamentalmente de três
características:
a) número de empresas que compõe esse mercado;
b) tipo do produto ( se as firmas fabricam produtos idênticos ou diferenciados);
c) se existem ou não barreiras ao acesso de novas empresas nesse mercado.
A maior parte dos modelos existentes pressupõe que as empresas maximizam o lucro
total, especificamente para o caso de estruturas oligopolistas de mercado, veremos que existe
uma teoria alternativa, que pressupõe que a empresa maximiza o mark-up, que é margem
entre a receita e os custos diretos ( ou variáveis )de produção.
1.2. Concorrência pura ou perfeita
É um tipo de mercado em que há um grande número de vendedores ( empresas ), de
tal sorte uma empresa, isoladamente, por ser insignificante, não afeta os níveis de oferta do
mercado e, consequentemente, o preço de equilíbrio.
Nesse tipo de mercado devem prevalecer ainda as seguintes premissas:
· produtos homogêneos: não existe diferenciação entre os produtos ofertados
pelas empresas concorrentes;
23

· não existem barreiras: para o ingresso de empresas no mercado;
· transparência do mercado: todas as informações sobre lucros, preços etc. são
conhecidas por todos os participantes do mercado.
1.3. Monopólio
O mercado monopolista se caracteriza por apresentar condições diametralmente
opostas às da concorrência perfeita. Nele existe, de um lado, um único empresário (empresa)
dominando inteiramente a oferta e, de outro, todos os consumidores. Não há, portanto
concorrência, nem produto substituto ou concorrente. Nesse caso, ou os consumidores se
submetem às condições impostas pelo vendedor, ou simplesmente deixaram de consumir o
produto.
Nessa estrutura de mercado, a curva de demanda da empresa é a própria curva de
demanda do mercado como um todo. Ao ser exclusiva no mercado, a empresa não estará
sujeita aos preços vigentes. Mas isso não significa que poderá aumentar os preços
indefinidamente.
Para a existência de monopólios, deve haver barreiras que praticamente impeçam a
entrada de novas firmas no mercado. Essas barreiras podem advir das seguintes condições:
Monopólio puro, elevado volume de capital, patente e controle de matérias-primas básicas,
existem ainda, os monopólios institucionais ou estatais em setores considerados estratégicos
ou de segurança nacional (petróleo, energia, comunicação).
1.4. Oligopólio
É um tipo de estrutura normalmente caracterizada por um pequeno número de
empresas que dominam a oferta de mercado. Pode caracterizar-se como um mercado em que
há um pequeno número de empresas, como a indústria automobilística, ou então onde há um
grande número de empresas, mas poucas dominam o mercado, como a indústria de bebidas.
O setor produtivo no Brasil é altamente oligopolizado, sendo possível encontrar
inúmeros exemplos: montadoras de veículos, setor de cosméticos, indústria de papel, indústria
farmacêutica etc.
24

Nos oligopólios, tanto as quantidades ofertadas quanto os preços são fixados entre as
empresas por meio de cartéis. O cartel é uma organização formal ou informal de produtores
dentro de um setor que determina a política de preços para todas as empresas que a ele
pertencem.
Podemos caracterizar também tanto oligopólios com produtos diferenciados (como a
indústria automobilística) como oligopólios com produtos homogêneos (alumínio).
1.5. Concorrência monopolista
Trata-se de uma estrutura de mercado intermediária entre a concorrência perfeita e o
monopólio, mas que não se confunde com o oligopólio, pelas seguintes características:
a) número relativamente grande de empresas com certo poder concorrencial,
porém com segmentos de mercados e produtos diferenciados, seja por
características físicas, embalagem ou prestação de serviços complementares (pós-
venda).
b) margem de manobra para fixação dos preços não muito ampla, uma vez que
existem produtos substitutos no mercado.
Essas características acabam dando um pequeno poder monopolista sobre o preço de
seu produto, embora o mercado seja competitivo (daí o nome concorrência monopolista).

2. Estrutura do Mercado de Fatores de Produção
Até aqui identificamos as estruturas de mercados de bens e serviços. O mercado de
fatores de produção – mão de obra, capital, terra e tecnologia – também apresenta diferentes
estruturas.
2.1. Concorrência Perfeita no mercado de fatores
É um mercado onde existe oferta abundante do fator de produção, por exemplo, mão
de obra não especializada, o que torna o preço desse fator constante. Os ofertantes ou
fornecedores, como são em grande número, não têm condições de obter preços mais elevados
por seus serviços.
25

2.2. Monopsônio
Trata-se de uma forma de mercado na qual há somente um comprador para muitos
vendedores dos serviços dos insumos. É o caso da empresa que se instala em uma
determinada cidade do interior e, por ser a única, torna-se demandante exclusiva da mão de
obra local e das cidades próximas, tendo para si a totalidade da oferta de mão de obra.
2.3. Oligopsônio
É um mercado onde existem poucos compradores que dominam o mercado para
muitos vendedores. Exemplo: indústria de laticínios. Em cada cidade existem dois ou três
laticínios que adquirem a maior parte do leite dos inúmeros produtores rurais locais. A
indústria automobilística, além de oligopolista no mercado de bens e serviços, também é
oligopsonista na compra de autopeças.
2.4. Monopólio bilateral
O monopólio bilateral ocorre quando um monopsonista, na compra de um fator de
produção, defronta-se com um monopolista na venda deste fator. Por exemplo, só a empresa
A compra um tipo de aço que é produzido apenas pela siderúrgica B. A empresa A é
monopsonista, porque só ela compra esse tipo de aço, e a siderúrgica B é monopolista, porque
só ela vende este tipo de aço.
Nesses casos, a determinação dos preços de mercado dependerá não só de fatores
econômicos, mas do poder de barganha de ambos: o monopsonista tentando pagar o preço
mais baixo (usando a força de ser o único comprador), e o monopolista tentando vender por
um preço mais elevado (usando o poder de ser o único fornecedor).
Bibliografia
VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandoval de e GARCIA, Manuel Enriquez. Fundamentos de
Economia. São Paulo: Saraiva, 2003.

MÓDULO 6
O MERCADO MONETÁRIO

26

1. História da Moeda
1.1. Origem da Moeda: o Escambo e o Desenvolvimento da Atividade Econômica
Os primeiros grupos humanos, em geral nômades, não conheciam a moeda e recorriam
às trocas diretas de objetos (chamada de escambo) quando desejavam algo que não possuíam.
Esses grupos, basicamente, praticavam uma exploração primitiva da natureza e se
alimentavam por meio da pesca, caça e coleta de frutos. Num ambiente de pouca diversidade
de produtos, o escambo era viável.
O escambo apresenta alguns problemas no que se refere ao desenvolvimento das
atividades econômicas de uma maneira geral. Ele exige uma dupla coincidência de desejos,
porque quem pescasse e quisesse, por exemplo, um machado, teria que achar uma outra
pessoas que fabricasse machados e quisesse, exatamente, peixes. Outro problema diz respeito
à indivisibilidade dos objetos nas trocas diretas. Montoro Filho (1992) exemplifica esse
problema salientando a dificuldade que um fabricante de canoas teria se quisesse tomar um
cafezinho.
A primeira revolução agrícola foi modificando o sistema baseado no escambo. A vida
nômade foi gradativamente cedendo lugar para sedentária e a produção passou a diversificar-
se com a introdução de utensílios de trabalho. A divisão social do trabalho começa a se
manifestar e os integrantes do grupo ganham funções específicas como guerreiros,
agricultores, pastores, artesãos e sacerdotes Dessa maneira, a divisão do trabalho provocou
sensíveis mudanças na vida social. A atividade econômica tornou-se mais complexa; o numero
de bens e serviços exigidos para satisfação das necessidades do grupo aumentou, por
consequência, a "dupla coincidência de desejos" torna-se mais difícil; a troca torna-se
fundamental para a sobrevivência do grupo social
A partir de então, alguns bens de aceitação são eleitos como intermediários de trocas,
exercendo, portanto, função de moeda.
A moeda pode ser conceituada como um intermediário de trocas "que serve como
medida de valor e que tem aceitação geral. (...) esta aceitação geral é um fenômeno
essencialmente social. Além disso, como a moeda representa um poder de aquisição, desde o
momento em que é recebida até o momento em que é dada em pagamento de outra
transação, ela também se caracteriza como uma reserva de valor" (LOPES e ROSSETTI, 1991:
18).
27

1.2. Evolução Histórica da Moeda
As primeiras moedas foram mercadorias e deveriam ser suficientemente raras, para que
tivessem valor, e, como já foi dito, ter aceitação comum e geral. Elas tinham, então,
essencialmente valor de uso; e como esse valor de uso era comum e geral elas tinham,
conseqüentemente, valor de troca). O abandono da exigência do valor de uso dos bens, em
detrimento do valor de troca, foi gradativo.
Entre os bens usados como moeda estão o gado, que tinha a vantagem, de multiplicar-
se entre uma troca e outra — mas, por outro lado, o sal na Roma Antiga; o dinheiro de bambu
na China; o dinheiro em fios na Arábia.
"As moedas-mercadorias variaram amplamente de comunidade para comunidade e de
época para época, sob marcante influência dos usos e costumes dos grupos sociais em que
circulavam" . Assim, por exemplo, na Babilônia e Assíria antigas utilizava-se o cobre, a prata e a
cevada como moedas; na Alemanha medieval, utilizavam-se gado, cereais e moedas cunhadas
de ouro e prata; na Austrália moderna fizeram a vez de moeda o rum, o trigo e até a carne.
Com o tempo, as moedas-mercadorias foram sendo descartadas. As principais razões
para isso foram:
· elas não cumpriam satisfatoriamente a característica de aceitação geral exigida nos
instrumentos monetários. Além disso, perdia-se a confiança em mercadorias não
homogêneas, sujeitas à ação do tempo (como no caso dos gados citado acima), de
difícil transporte, divisão ou manuseio;
· a característica valor de uso e valor de troca tornava o novo sistema muito
semelhante ao escambo e suas limitações intrínsecas.
Os metais preciosos passaram a sobressair por terem uma aceitação mais geral e uma
oferta mais limitada, o que lhes garantia um preço estável e alto. Além disso, não se
desgastavam, facilmente reconhecidos, divisíveis e leves. Entretanto, havia o problema da
pesagem.
Em cada transação, os metais preciosos deveriam ser pesados para se determinar seu
valor. Esse problema foi resolvido com a cunhagem, quando era impresso na moeda o seu
valor. Muitas vezes, entretanto, um soberano recontava as moedas para financiar o tesouro
real. Ele recolhia as moedas em circulação e as redividia em um número maior, apoderando-se
28

do excedente. Esse processo gerava o que conhecemos como inflação, uma vez que existia um
maior número de moedas para uma mesma quantidade de bens existentes
Os primeiros metais utilizados como moeda foram o cobre, o bronze e, notadamente, o
ferro. Por serem, ainda, muito abundantes, não conseguiam cumprir uma função essencial da
moeda que é servir como reserva de valor. Dessa maneira, os metais não nobres foram sendo
substituídos pelo ouro e pela prata, metais raros e de aceitação histórica e mundial.
O desenvolvimento de sistemas monetários demandaram o surgimento de um novo tipo
de moeda: a moeda-papel. A moeda-papel veio para contornar os inconvenientes da moeda
metálica (peso, risco de roubo), embora valessem com lastro nela. Assim surgem os
certificados de depósito, emitidos por casas de custódia em troca do metal precioso nela
depositado. Por ser lastreada, essa moeda representativa poderia ser convertida em metal
precioso a qualquer momento, e sem aviso prévio, nas casas de custódia A moeda-papel abre
espaço para o surgimento da moeda fiduciária, ou papel-moeda, modalidade de moeda não
lastreada totalmente. O lastro metálico integral mostrou-se desnecessário quando foi
constatado que a reconversão da moeda-papel em metais preciosos não era solicitada por
todos os seus detentores ao mesmo tempo e ainda quando uns a solicitavam, outros pediam
novas emissões. A passagem da moeda-papel para o papel-moeda é tida como uma das mais
importantes e revolucionárias etapas da evolução histórica da moeda A falência do sistema
privado de emissões (quando, em diversos momentos da História, todos resolviam reconverter
seus papéis-moeda em metais preciosos) levou o Estado a controlar o mecanismo das
emissões e a exercer seu monopólio. Após o uso de diversos sistemas de conversão que se
mostraram fracassados, os sistemas monetários de quase todos os países, depois da Grande
Depressão gerada pela crise de 1929-33, com a exceção dos Estados Unidos — que
mantiveram o lastro metálico proporcional até 1971 —, adotaram o sistema fiduciário. Hoje,
esses sistemas apresentam inexistência de lastro metálico, inconversiblidade absoluta e
monopólio estatal das emissões Desenvolve-se, juntamente com a moeda fiduciária, a
chamada moeda bancária, escritural (porque corresponde a lançamentos a débito e crédito)
ou invisível (por não ter existência física). O seu desenvolvimento foi acidental (LOPES e
ROSSETTI, 1991), uma vez que não houve uma conscientização de que os depósitos bancários,
movimentados por cheques, eram uma forma de moeda. Eles ajudaram a expandir os meios
de pagamento através da multiplicação de seu uso. Hoje em dia, a moeda bancária representa
a maior parcela dos meios de pagamento existentes.
29

Criada pelos bancos comerciais, essa moeda corresponde à totalidade dos depósitos à
vista e a curto prazo e sua movimentação é feita por cheques ou por ordens de pagamento —
instrumentos utilizados para sua transferência e movimentação Atualmente, as duas formas
de moeda utilizadas são a fiduciária e a bancária, que têm apenas valor de troca.

2. Funções da Moeda
Para aprofundar as utilizações da moeda descritas acima, quando foi feita a sua
conceituação, estão, a seguir, as principais funções da moeda relacionadas por Cavalcanti e
Rudge:
· Intermediária de trocas: Superação do escambo, operação de economia
monetária, melhor especialização e divisão social do trabalho, transações com
menor tempo e esforço, melhor planejamento de bens e serviços;
· Medida de valor: Unidade padronizada de medida de valor, denominador comum
de valores, racionaliza informações econômicas constrói sistema agregado de
contabilidade social, produção, investimento, consumo, poupança;
· Reserva de valor: Alternativa de acumular riqueza, liquidez por excelência, pronta
aceitação consensual;
· Função liberatória: Liquida débitos e salda dívidas, poder garantido pelo Estado;
· Padrão de pagamentos: Permite realizar pagamentos ao longo do tempo, permite
crédito e adiantamento, viabiliza fluxos de produção e de renda;
· Instrumento de poder: Instrumento de poder econômico, conduz ao poder
político, permite manipulação na relação Estado-Sociedade.

3. A Oferta de Moeda
Vamos nos concentrar agora nos fatores que determinam a oferta de moeda. Vimos
que a oferta de moeda é realizada tanto pelas autoridades monetárias, por meio da emissão
de notas e moedas metálicas, quanto pelos bancos comerciais que, apesar de não poderem
30

emitir, podem, no entanto, criar ou destruir moeda. Iremos inicialmente estudar a oferta de
moeda dos bancos comerciais e posteriormente analisar os instrumentos disponíveis pelas
autoridades para controlarem a oferta total de moeda.
3.1. O Sistema Bancário - Criação e Destruição de Moeda
De início, convém definir o que venha a ser criação ou destruição de moeda. Na seção
anterior definimos moeda como sendo a soma do papel-moeda em poder do público (inclusive
moedas metálicas) e dos depósitos à vista nos bancos comerciais. A primeira parecia é
chamada moeda manual ou moeda corrente, e, a segunda, moeda escritura[ ou bancária.
Haverá criação de moeda quando houver um aumento desta soma, ou seja, ~o aumenta o
volume da soma de moeda corrente e de moeda escritural. De outra parte haverá destruição
de moeda quando se reduzir o volume de meios de pagamento. Alguns exemplos esclarecem
estes aspectos:
a) um indivíduo efetua um depósito à vista. Não há criação nem destruição de moeda e, sim,
uma transferência entre moeda manual e moeda escritural;
b) um indivíduo efetua um depósito a prazo. Existe destruição de meios de pagamento, pois
depósitos a prazo não são considerados meios de pagamento;
c) um banco compra títulos da dívida pública possuídos pelo público, pagando em moeda
corrente: há criação de meios de pagamento, pois aumenta o volume de moeda manual em
poder do público (estas operações são chamadas Mercado Aberto ou Open Market). A criação
(ou destruição) de moeda manual corresponde, assim, a um aumento (ou diminuição) do
papel-moeda em poder do público, enquanto para a moeda escritural a sua criação (ou
destruição) se dá quando há um acréscimo (ou decréscimo) dos depósitos à vista ou a curto
Prazo nos bancos comerciais. Portanto nossa preocupação, no momento, é verificar como os
bancos podem aumentar ou diminuir os depósitos à vista.
3.2. Mecanismo de Expansão dos Meios de Pagamento
A criação de moeda por meio dos bancos comerciais se faz, atualmente, de forma
análoga à apresentada na seção anterior, quando se tratou da moeda fracionalmente
lastreada. A substância é a mesma. Somente uma parte do total dos depósitos é exigida, ao
mesmo tempo, para pagamento.
31

De fato, um depósito à vista num banco comercial representa um direito que o
depositante possui sobre uma determinada quantia. Em outras palavras, quando um banco
recebe um depósito à vista, ele promete pagar a quantia depositada ou uma parte desta,
quando para tal for solicitado. Normalmente esta solicitação é feita por meio de cheques.
Ocorre, entretanto, que a todo instante existem depósitos e saques, de tal forma que somente
uma parcela do total dos depósitos é necessária para atender ao movimento. Esta parcela é
normalmente pequena, 10%, e desta forma o banco comercial pode fazer . promessas de
pagar" em um valor múltiplo do total de depósitos iniciais e usar os fundos assim obtidos para
efetuar empréstimos. Um exemplo esclarece melhor. Suponhamos que seja 10% a parcela do
total dos depósitos que é normal mente (em média) exigida. Caso o banco tenha em caixa,
como reserva, 10%, ele poderá fazer promessas de pagar num total de 10 vezes suas reservas,
ou seja, 1.000.
3.2.1. Um Único Banco Comercial
Vamos analisar este exemplo com maior atenção e verificar como o banco pode criar
moeda ou depósitos. Para tal fim vamos fazer inicialmente algumas hipóteses simplificadoras.
Em primeiro lugar, suponhamos que exista apenas um único banco comercial. Em segundo
lugar, que o público esteja satisfeito com a quantidade de papel-moeda em seu poder, de tal
forma que qualquer volume a mais seja depositado nos bancos. Nestas condições vamos
analisar o que ocorre quando é feito um novo depósito de $ 10o,0o, em moeda, neste nosso
banco monopolista.
A tabela a seguir mostra como esta transação será transcrita nos livros do banco:

Tabela 1
Ativo Passivo
Encaixe 100 Depósitos 100

Nesta primeira etapa não houve criação de moeda e, sim, uma transferência de moeda
manual para moeda escritural. Ocorre, entretanto, que o banco não precisa conservar 100% de
reservas para garantir seus depósitos. A experiência mostra que uma parcela, pequena, é
suficiente, vamos supor 10%.
32

Com $ 10o,00 de reservas o banco pode prometer pagar $ 1.00o,00 (de depósitos).
Assim ele poderá, por exemplo, emprestar $ 50o,00 para a empresa X, e emprestar $ 40o,00
ao indivíduo A, cobrando juros em ambas; as operações. Em contrapartida o banco permite ao
indivíduo A preencher cheques até o montante do empréstimo e abre um crédito na conta da
empresa X no valor de $ 50o,00. A tabela 2 mostra como estas transações aparecerão nos
livros do banco.
Tabela 2
Ativo Passivo
Encaixe 100
Empréstimo para X 500
Empréstimo para A 400
Depósitos 1.000


1.000 1.000

O ativo do banco agora inclui os $ 10o,00 do depósito inicial, e os $ 90o,00 de
empréstimos efetuados. O passivo, por sua vez, aumentou para $ 1.00o,0o, sendo $ 10o,00
dos depósitos iniciais, $ 50o,00 de depósitos criados para a empresa X e $ 40o,00 criados para
o indivíduo A. Note-se que por simples lançamentos contábeis o banco criou $ 90o,00 de
novos depósitos, ou seja, moeda escritural. Seus encaixes agora representam 10% de suas
obrigações (depósitos).
É de se esperar que tanto a empresa X como o indivíduo A gastem o seu dinheiro. Na
maioria dos casos eles o farão por meio de cheques. Como estamos supondo que exista um
único banco e que o público não deseje conservar quantias adicionais de moeda em forma de
moeda manual, os indivíduos, ou empresas, que receberem os cheques, irão depositá-los no
nosso banco. O banco, então, reduzirá a conta corrente de quem preencheu o cheque e
aumentará a conta de quem o recebeu. Não haverá, assim, qualquer alteração no total dos
seus depósitos, e a situação permanece a mesma que foi descrita pela Tabela 2, com
modificações apenas na composição interna dos depósitos.
3.2.2. Vários Bancos Comerciais
No raciocínio exposto acima, fizemos duas hipóteses simplificadoras. Vamos agora
alterar o raciocínio, eliminando-as. Em primeiro lugar, vamos supor a existência de muitos
33

bancos, hipótese esta que corresponde à realidade brasileira. Neste caso, cada banco,
isoladamente, não pode esperar que os cheques lançados por seus clientes sejam recebidos
por outros seus clientes e novamente depositados no banco. É de se esperar que estes
cheques sejam depositados em outros bancos, ao menos a maioria. Assim, cada banco
individualmente não poderá se comportar da forma que foi exposta no caso de um único
banco.
Podemos, entretanto, pensar no sistema em conjunto, ou seja, raciocinarmos com
todos os bancos agregadamente. Nestas condições, o raciocínio é o mesmo. De fato, para o
sistema como um todo, vale a hipótese feita de que todos os cheques serão novamente
depósitos no sistema. E, assim, o mecanismo de expansão é exatamente igual ao apresentado.
O sistema bancário pode criar depósitos num valor múltiplo dos depósitos iniciais.

4. O Banco Central
Os bancos que acabamos de analisar são bancos comerciais, ou seja, bancos privados,
cujo comportamento é ditado pela regra de maximizar os lucros, ou motivados em seu
funcionamento pelos lucros a serem alcançados.
Além destes bancos, encontramos, em quase todos os países, Bancos Centrais, cuja
função primordial é regular o fluxo da moeda e do crédito na economia. O Banco Central é
uma agência das autoridades monetárias por meio da qual é realizada a política monetária. Em
outras palavras, o Banco Central é o instrumento pelo qual o governo realiza sua política
monetária.
A estrutura administrativa e jurídica dos diversos Bancos Centrais varia largamente
entre países. No Reino Unido, o Banco Central é o Banco da Inglaterra. Nos Estados Unidos,
encontramos o Sistema Federal de Reserva. No Brasil, as funções do Banco Central são
desempenhadas pelo Banco Central do Brasil e pelo Banco do Brasil. Entretanto, em que pese
as diferenças institucionais, as funções dos diversos bancos centrais são as mesmas. Neste
sentido, vamos nos concentrar no estudo das funções gerais de um banco central.
4.1. Banco dos Bancos
Os bancos comerciais podem querer depositar seus fundos em algum lugar e
necessitam de um mecanismo para transferir fundos de um banco para outro. O Banco Central
34

cumpre este papel. Recebe depósitos dos bancos comerciais e transfere fundos de um para
outro banco. Esta última função é desempenhada pela Câmara de Compensação de Cheques.
O funcionamento da compensação é simples. A Câmara se reúne, normalmente, uma
única vez por dia. Cada banco comercial apresenta os cheques de outros bancos, recebidos em
suas agências, e ao mesmo tempo lhe são cobrados cheques de seus clientes depositados em
outros bancos. São somados os débitos e créditos de cada banco. Os saldos líquidos são a
seguir transferidos. Os bancos que tenham saldos positivos recebem fundos dos que tenham
saldos negativos. Este mecanismo é controlado no Brasil pelo Banco do Brasil.
Os bancos comerciais precisam também de fundos líquidos. Uma das formas de
consegui-los é pedir emprestado ao Banco Central. A taxa de juros que os bancos comerciais
pagam é conhecida como taxa de redesconto.
O Banco Central deve ser um banco austero. Recusar novos empréstimos quando
achar necessário e cobrar os empréstimos atrasados. O Banco Central deve ser "um
emprestador de última instância-. Sua função deve ser a de socorrer os bancos em suas
dificuldades, mas somente nestas ocasiões.
De outra parte, o Banco Central pode usar, e realmente usa, este poder de emprestar
para controlar e regular as atividades dos bancos comerciais.
4.2. Bancos do Governo
Grande parte dos fundos do governo são depositados no Banco Central. De outra
parte, quando o governo necessita de recursos, ele normalmente emite títulos (obrigações) e
os vende ou ao público ou ao Banco Central, obtendo, assim, os fundos necessários. Mesmo
quando o governo vende títulos ao público, ele o faz por meio do Banco Central. Este é, por
estas razões, o agente financeiro do governo, ou melhor, o banco do governo.
No Brasil, por causa da estrutura híbrida do Banco Central, uma parte das funções é
desempenhada pelo Banco do Brasil. O Banco Central do Brasil não recebe depósitos do
governo. Quem o faz é o Banco do Brasil.
4.2.1. Controle e Regulamentação da Oferta de Moeda
A principal função do Banco Central é controlar a oferta de moeda. Para tal fim, ele
pode utilizar vários instrumentos. Os principais são as emissões de papel-moeda, as reservas
35

obrigatórias dos bancos comerciais e as operações de mercado aberto (open market). A seguir,
examinaremos cada uni destes instrumentos e como por meio deles as autoridades
monetárias podem fornecer ao sistema econômico uma oferta de moeda suficiente para o
desenvolvimento das atividades econômicas, mas que, por outro lado, não seja excessiva a
ponto de se tornar uma fonte de inflação.
4.2.1.1. Monopólio das Emissões
Em quase todos os países do mundo, o Banco Central controla, por força de lei, o
volume de papel-moeda emitido. Em outras palavras, o Banco Central tem o monopólio das
emissões. Em geral, não se recomenda que o Banco Central use este seu poder para controlar
a oferta de moeda, mas que coloque em circulação o volume de notas e moedas metálicas
necessárias ao bom desempenho da economia. O controle da oferta de meios de pagamento
deve ser realizado pela utilização dos outros instrumentos.
4.2.1.2. Reservas Obrigatórias
Como já foi discutido, os bancos comerciais guardam uma parcela dos depósitos como
reservas e com a finalidade de atender ao movimento de caixa.
Em geral, os bancos centrais forçam os bancos comerciais a guardar reservas
superiores às que seriam indicadas pela experiência e prudência destes estabelecimentos. No
Brasil, estas reservas obrigatórias ou compulsórias são em média pouco superiores a 35% dos
depósitos à vista; nos Estados Unidos, esta taxa é pouco inferior a 20%; e na Inglaterra,
aproximadamente 8 % do total dos depósitos.
Além destes instrunentos, o Banco Central usa também seu poder de ser o banco dos
bancos, especialmente por meio da política de redesconto.
Como pôde ser visto, nas fórmulas apresentadas acima, a relação encaixe-depósitos é
uma das determinantes do mecanismo de expansão dos meios de pagamento. Assim, a
variação das taxas de reservas obrigatórias acarreta alterações substanciais na criação de
moeda por parte dos bancos comerciais.
De outra parte, não só a expansão dos meios de pagamento é afetada pela
modificação nas reservas, mas o próprio volume de moeda escritural é alterado e, portanto, a
oferta de meios de pagamento. De fato, para um volume de $ 1.000.00o,00 de reservas e com
uma relação encaixe-depósitos igual a o,20%, o total de moeda escritural será $ 5.000.00o,00.
36

Caso o Banco Central altere a relação para o, 25%, o sistema bancário será obrigado a reduzir o
volume de moeda escritural para $ 4.000.00o,0o, mesmo que suas reservas permaneçam
iguais a $ 1.000.00o,0o, pois agora ele será obrigado a ter como reservas 25% dos depósitos.
Calculando 25% de 4 milhões, dará 1 milhão. Seria interessante que o leitor estudasse o que
ocorreria caso o Banco Central reduzisse a relação encaixe-depósitos para 0,10%.
4.2.1.3. Operações de Mercado Aberto ("Open Market")
Outro instrumento importante para o controle da oferta de moeda são as operações
de mercado aberto. Em muitos países, Estados Unidos e Inglaterra, por exemplo, este
instrumento é o mais utilizado pelas autoridades monetárias.
No Brasil, sua utilização data do início da década de 70. Em essência, estas operações
consistem em vendas ou compras, por parte do Banco Central, de títulos governamentais no
mercado de capitais. Qual o efeito destas compras e vendas sobre a oferta de moeda?
Para entendermos esta repercussão, vamos analisar o que ocorre quando estas
operações são realizadas. Vamos supor que o Banco Central compre obrigações
governamentais possuídas pelo público. Como pagamento desta compra, o Banco Central
entrega ao antigo possuidor um cheque no valor da importância devida. Por sua parte o
indivíduo que vendeu os títulos deposita o cheque num banco comercial no qual seja
correntista. Ora, o Banco Central, quando realiza estas operações, compra títulos de inúmeros
indivíduos, os quais vão seguir o mesmo procedimento, ou seja, depositar os cheques
recebidos nos seus bancos comerciais. Já estudamos a repercussão do aumento dos depósitos
no sistema bancário. Como uma só parte dos depósitos precisa ser guardada como reserva ou
encaixe, os bancos vão agora se defrontar com encaixes excedentes. Estes encaixes são a
condição necessária, e de acordo com a hipótese formulada, suficiente para que se dê a
expansão múltipla dos meios de pagamento. Caso o leitor não esteja seguro desta
repercussão, seria interessante reler a parte anterior referente ao mecanismo de expansão dos
meios de pagamento.
Em resumo, a compra de títulos governamentais, por parte do Banco Central,
acarretou uni aumento nos depósitos junto aos bancos comerciais. Este aumento, por sua vez,
gerou encaixes excedentes, e estes foram o ponto de partida para uma expansão múltipla dos
meios de pagamento e, portanto, para um aumento na oferta de moeda.
37

O oposto se verificaria caso o Banco Central vendesse títulos. Os indivíduos que
comprassem os títulos os pagariam com cheques. Quando o Banco Central descontasse estes
cheques, ele reduziria as reservas dos bancos que, por sua vez, seriam obrigados a contrair a
oferta de meios de pagamento, ou seja, reduzir a oferta de moeda.
4.2.1.4. Política de Redesconto
Uma outra forma, bastante importante, de se controlar a oferta de moeda e a política
de redesconto. Esta é, inclusive, uma das mais usadas nas economias modernas. Já vimos que
o Banco Central é o banco dos bancos, e que ele empresta fundos líquidos aos outros
estabelecimentos bancários, seja por meio de empréstimos diretos ou por meio do redesconto
de títulos. Na medida em que adota uma política liberal de crédito, oferecendo empréstimos
abundantes e a juros (taxa de redesconto) baixos, o Banco Central fornece aos bancos
comerciais uma fonte acessível de empréstimos, e, portanto, estes podem também adotar
uma política liberal de crédito para seus clientes. Caso o Banco Central limite
quantitativamente os redescontos ou eleve suas taxas, os bancos comerciais serão obrigados a
reduzir seus empréstimos e elevar as taxas de juros. Desta forma, o crédito bancário se torna
difícil e dispendioso.

5. A Demanda de Moeda
Por qual razão indivíduos e empresas guardam moeda consigo ou nos bancos? Não
seria mais interessante comprar títulos e, portanto, ganhar juros? Ou fazer outras aplicações e
receber rendimentos? Se existem estas possibilidades, porque se guarda moeda que não
rende nada? Em outras palavras, podemos dizer que existe um custo ao se guardar moeda.
Este custo, de oportunidade, é exatamente o que se deixa de ganhar ao se manter a moeda
inativa. Se quisermos responder às perguntas acima, devemos desenvolver uma teoria da
demanda de moeda. É o que faremos a seguir.
5.1. Razões para manter Encaixes Monetários
5.1.1. Os pagamentos e recebimentos não são perfeitamente sincronizados
Todas as transações, ou praticamente todas, são realizadas com o pagamento em
moeda. A moeda passa dos indivíduos para as empresas, destas para outras empresas, ou
novamente para os indivíduos, e assim sucessivamente. Desta forma, tanto as empresas como
38

os indivíduos precisam guardar certa quantidade de moeda para os pagamentos que têm que
fazer. O economista inglês Lord Keynes designou esta procura de procura de moeda para
transações. Podemos explicar melhor de onde surge esta procura, analisando primeiramente o
comportamento dos assalariados e depois o das empresas.
5.1.1.1. Assalariados
Normalmente recebem-se os salários no início do mês e gastam-se ao longo do mês.
Até o dia que antecede o novo pagamento os indivíduos têm certa despesa, como condução,
alimentação, cigarros, cafezinho etc. Assim, é necessário que se guarde até este dia uma certa
quantia de moeda.
Vamos supor um indivíduo que receba $ 12.00o,00 por mês e decida gastá-lo em
parcelas diárias iguais a $ 40o,00. No início do primeiro dia ele tem, na carteira ou no banco, os
$ 12.00o,00 e gasta $ 40o,00 durante este dia. No dia seguinte, ele começa com $ 11.60o,00 e
termina com $ 11.20o,0o, e assim por diante. No fim do último dia do mês ele estará
absolutamente na lona, mas isto não o preocupa, pois sabe que no dia seguinte receberá seu
ordenado.
Qual é, nestas condições, a quantidade média de moeda retida, também chamada de
encaixe monetário médio? É fácil verificar que este encaixe é igual a $ 6.00o,0o, ou seja,
exatamente igual à metade de seu salário mensal ou de sua renda anual.
É preciso lembrar que o comportamento de gastos apresentados não corresponde
necessariamente ao comportamento normal. Pelo contrário. Em geral, nos primeiros dias do
mês há um acúmulo de despesas.
5.1.1.2. Empresas
No início de cada mês, a caixa das empresas ficaria a zero. No decorrer do mês, iria
aumentando e, no fim do mês, atingiria uni máximo, e com o pagamento dos empregados
cairia abruptamente para zero.
É bom notar que esta apresentação é bastante simplificada. É uma abstração da
realidade visando apenas o entendimento do fenômeno. Na prática, o comportamento das
empresas e indivíduos é diferente porque existem outros fatores atuando. Vamos analisá-los.
5.1.2. Incertezas quanto às Datas e Montantes dos Recebimentos
39

A segunda razão para empresas e indivíduos reterem moeda é a incerteza quanto às
datas e montantes dos recebimentos. O comportamento indicado nos gráficos anteriores é
bastante arriscado. Vamos supor que os assalariados recebam seu ordenado no dia 3 ao invés
do dia 12. Se eles tiverem gasto o seu último centavo na noite do dia 31, eles passariam os três
primeiros dias do novo mês sem dinheiro, nem para o cafezinho, nem para a condução. Para
evitar estes problemas, e devido ao fato de não ser possível prever exatamente o que ocorrerá
no futuro, os indivíduos e empresas, quando isto é possível, mantêm, mesmo no fim do mês,
uma certa quantia de moeda - encaixe de segurança - seja na carteira, seja nos bancos. Este é
o chamado motivo de precaução, ou a demanda de moeda para precaução, de acordo com a
terminologia keynesiana.
A existência de encaixes para precaução aumenta o encaixe médio retido por
empresas e indivíduos, e, desta forma, a velocidade-renda da moeda se reduz.
É fácil verificar que estes encaixes de segurança ou precaução devem depender da renda do
indivíduo ou da empresa. Quanto maior for a empresa, maiores serão seus encaixes
necessários. É por esta razão aceito que este encaixe seja uma proporção da renda dos
assalariados ou das empresas. Desta forma, nós podemos representar a demanda de moeda
para fins de transação e precaução como uma função proporcional da renda monetária.
Estas idéias deram origem à chamada Teoria Quantitativa do Valor da Moeda, que
iremos analisar logo após estudarmos a terceira razão para a manutenção de encaixes de
moeda.
5.1.3. A Moeda é uma forma de Patrimônio
Um raciocínio simplista levaria à conclusão de que, como a moeda não rende juros e
não tem, a não ser para indivíduos extremamente avarentos, uma utilidade em si, os
indivíduos nunca guardariam moeda, a não ser o estritamente necessário para as transações e
para a segurança destas. Caso eles tivessem excedentes monetários, eles comprariam títulos,
que têm rendimentos, enquanto a moeda não os tem.
A falha deste raciocínio é esquecer que a moeda desempenha, além de outras, a
função de reserva de valor, ou seja, pode representar uma forma de riqueza ou patrimônio.
Vamos apresentar três casos onde, ao menos a curto prazo, torna-se racional guardar moeda
ao invés de títulos:
40

a) quando se pretende comprar certo bem patrimonial indivisível - é o caso de indivíduos que
aumentam suas contas bancárias durante alguns meses para dar a entrada na compra de uma
casa, ou de um automóvel;
b) a moeda não apresenta rendimentos, mas tem a vantagem de não apresentar riscos,
especialmente quando não há inflação. A desvantagem de não gerar juros pode ser
compensada pela vantagem de ausência de riscos. O indivíduo, para reduzir os riscos,
diversifica seu património em vários títulos e aplicações, inclusive guardando certa quantidade
de moeda;
c) quando se espera a baixa no preço de bens patrimoniais, é uma boa política guardar moeda
como reserva de valor. Por exemplo, quando se vai comprar um terreno e espera-se que o
preço do terreno diminua. O indivíduo, mesmo tendo os recursos necessários para a compra,
espera os preços diminuírem para efetuar a transação.
No caso da queda de preços esperada ser no preço dos títulos, esta razão corresponde
à procura especulativa de moeda, de Keynes. Exemplifiquemos.
Caso os preços dos títulos estejam muito altos e, portanto, a taxa de juros baixa, os
indivíduos não desejarão adquirir os títulos, pois não é provável que ganhem bons
rendimentos. O comportamento racional do aplicador será guardar a moeda e esperar a queda
no preço do título e, portanto, a alta na taxa de juros.
Isto corresponde à prática de comprar na baixa e vender na alta, e assim ganhar
grandes somas nestas transações.
Estas idéias nos levam a colocar esta demanda de moeda como dependente da taxa de
juros. Quando a taxa de juros for baixa, os indivíduos não desejam comprar títulos e guardam
todos os seus excedentes monetários, ou seja, a quantidade demandada de moeda aumenta.
De outra parte, quando a taxa de juros aumentar, os indivíduos passam a desejar comprar
títulos, e assim a quantidade demandada de moeda se reduz. Em outras palavras, existe uma
relação inversa entre a quantidade demandada de moeda e a taxa de juros.
Podemos apresentar este raciocínio de outra forma. A taxa de juros sendo o que se
pode ganhar nos títulos, é exatamente aquilo que se deixa de ganhar ao guardar moeda e,
portanto, representa um custo de oportunidade. É o preço de manter os estoques monetários.
41

Assim, quanto maior o preço (taxa de juros menor a quantidade demandada de moeda e vice-
versa. A curva de demanda é decrescente, como é apresentada no gráfico acima.
Pode-se também argumentar que mesmo a demanda de moeda para transação e
precaução é função da taxa de juros pois, se, por exemplo, os juros forem muito altos, vale a
pena reduzir o estoque de moeda para precaução e/ou usar parte da moeda retida para
transação posterior e, portanto, inativa durante alguns dias, para comprar títulos,
especialmente os de grande liquidez. Quando se necessitar de moeda de novo vende-se o
título, ficando, como saldo, com os juros recebidos.

6. Relação entre Moeda e Nível de Preços
A relação entre a moeda e o nível geral de preços é um assunto que tem merecido a
atenção dos estudiosos desde séculos atrás. Muitas idéias e discussões surgiram e ainda hão
de surgir. No presente capítulo, faremos uma síntese destes pensamentos, apresentando as
duas principais correntes – a Teoria Quantitativa e a Teoria Keynesiana.

6.1. Teoria Quantitativa de Moeda
Segundo John Stuart Mill, "o valor da moeda, mantidos constantes os demais fatores,
varia inversamente com a sua quantidade, cada aumento na quantidade diminuindo o valor e
cada diminuição aumentando-o, em uma proporção exatamente equivalente".
Posteriormente, Irving Fisher inclui elementos da velocidade da circulação da moeda e
do nível de produção da economia, na sua célebre equação:
PT = MV
Onde:
P = preço médio (nível de preços)
T = número de unidades transacionadas (produção real)
M = estoque de moeda (moeda manual mais depósitos bancários à vista)
42

V = velocidade de circulação da moeda
Suponhamos que:
M = $1.000.000.000,00
V = 2,5
T = 200.000.000
P= ?
PT = MV
P = MV/T = (1.000.000.000,00 x 2,5) / 200.000.000 = $12,50
Suponha que o estoque de moedas passe de $1.000.000.000,00 para $2.000.000.000,00:
P = MV/T = (2.000.000.000,00 x 2,5) / 200.000.000 = $25,00
O aumento de 100% no estoque de moedas, gerou uma inflação de 100% nos preços.
Em tempos de instabilidade financeira, com expectativas de inflação elevada, é comum
aumentar a velocidade de circulação da moeda, mesmo SEM um aumento em seu
quantitativo. O dinheiro "queima" nas mãos das pessoas, aumentando a velocidade com que
ele troca de mãos. Esse aumento da velocidade de circulação eleva o patamar da inflação (e
vice-versa).
6.2. Teoria Keynesiana da Moeda
A Teoria Keynesiana difere em dois aspectos da Teoria Quantitativa. Em primeiro lugar,
para Keynes a demanda de moeda ocorre não só por causa dos motivos transação e
precaução, mas também porque a moeda é uma forma de patrimônio. Assim sendo, a
demanda de moeda depende não só da renda monetária como também da taxa de juros.
Podemos dizer que, além da demanda da moeda apresentada pela Teoria
Quantitativa, Keynes acrescenta uma outra parcela representada pela demanda especulativa
de moeda. Neste sentido, deve-se entender a Teoria Keynesiana como sendo uma
complementação da Teoria Quantitativa e não uma negação desta.
43

A outra diferença fundamental entre as duas teorias está relacionada com a reação de
indivíduos e empresas nutria situação de desequilíbrio. Para a Teoria Quantitativa, quando
houver encaixes monetários excedentes, os indivíduos e empresas irão aumentar sua
demanda de bens e serviços. Para Keynes, vai-se adicionalmente usar os encaixes excedentes
para comprar títulos (ações, letras de câmbio, debêntures etc.).
Analisaremos com mais detalhe este aspecto da Teoria Keynesiana.
Quando empresas e indivíduos estiverem corri excedentes monetários, eles não irão
somente aumentar sua demanda de bens e serviços; irão também comprar títulos e com isto
obter rendimentos. Quando, de outra parte, eles estiverem com encaixes muito baixos e
insuficientes, eles venderão os títulos para reequilibrar seus encaixes monetários. Este é, para
Keynes, o comportamento usual e mais importante.
A repercussão deste comportamento será a de alterar a taxa de juros. Vamos supor
que existam encaixes excedentes nas empresas e com os indivíduos. Vimos que eles
procurarão comprar títulos. A demanda de títulos aumenta. Sendo que a oferta (a curva e não
a quantidade) permanece a mesma, os preços dos títulos irão aumentar. O aumento do preço
dos títulos é a mesma coisa que a queda na taxa de juros. Esta é a primeira repercussão.
De outra parte, o investimento é sensível à taxa de juros; quando a taxa de juros for
alta, haverá dificuldades para investimentos e, quando a taxa de juros for baixa, haverá
estímulo para investimentos. Com a redução na taxa de juros, os investimentos tendem a
aumentar. Esta é a segunda repercussão. Mas o processo não pára aí. O aumento dos
investimentos tem um efeito multiplicador sobre a demanda agregada. Esta aumenta em um
valor múltiplo do aumento inicial no investimento.
Resumindo, teremos:
a) quando houver aumento da oferta monetária, surgirão encaixes excedentes;
b) os indivíduos e empresas irão aumentar, por causa destes encaixes, a procura de títulos;
c) este aumento da procura deverá aumentar os preços dos títulos, ou, o que é a mesma coisa,
reduzir a taxa de juros;
d) a redução na taxa de juros tenderá a aumentar os investimentos;
e) o aumento dos investimentos tem um efeito multiplicador da demanda agregada.
44

Como se pode ver, a ligação entre a alteração na oferta monetária e a alteração na
demanda agregada é, para Keynes, bastante indireta, mas apresenta o mesmo sentido que o
da Teoria Quantitativa.
A repercussão do aumento da demanda sobre a renda real e sobre o nível de preços é
a mesma que já apresentamos atrás. Se houver pleno emprego, o aumento da demanda irá
somente aumentar o nível dos preços. Se houver desemprego, dentro das hipóteses feitas,
haverá um aumento do emprego e da renda sem alteração no nível de preços.
Resumindo e concluindo, quando houver inflação ou desemprego, as autoridades
podem, por meio da política monetária, ou seja, do controle que exercem sobre a oferta de
moeda, procurar corrigir este desequilíbrio. Havendo desemprego deve-se aumentar a oferta
de moeda. Havendo inflação, a redução na oferta monetária irá reduzir o hiato inflacionário,
pois haverá uma diminuição na demanda agregada.


Referências Bibliográficas
BRASIL, Banco Central. Resolução 375.
FURTADO,Celso. Editora Companhia Nacional: São Paulo.
GUDIN, E. Princípios de Economia Monetária.
HOLANDA, Nílson. Introdução à Economia.
SAMUELSON, Paul A. Introdução à Análise Econômica.
SINGER, Paul. Aprender Economia. Editora Contexto: São Paulo, 2002.

MÓDULO 7
O SETOR EXTERNO

45

1. Fundamentos do Comércio Internacional: a Teoria das Vantagens Comparativas
O que leva muitos países a comercializarem entre si? Esta é uma questão básica a ser
respondida. Os economistas clássicos fornecem a explicação teórica básica para o comércio
internacional através do chamado Princípio das Vantagens Comparativas.
O Princípio das Vantagens Comparativas sugere que cada país deva se especializar na
produção daquela mercadoria em que é relativamente mais eficiente (ou que tenha um custo
relativamente menor). Esta será, portanto a mercadoria exportada, por outro lado este país
deverá importar aqueles bens cuja produção implicar um custo relativamente maior.
A Teoria das Vantagens Comparativas foi formulada por David Ricardo em 1817. No
exemplo construído por esse autor, existem dois países (Inglaterra e Portugal), dois produtos
(tecido e vinho) e apenas um fator de produção (mão de obra).
Quant de homens/hora
para a produção de uma unidade de
mercadoria
Tecidos Vinho
Inglaterra
Portugal
100
90
120
80

Em termos absolutos, Portugal é mais produtivo na produção de ambas as
mercadorias. Mas em termos relativos, o custo da produção de tecidos em Portugal é maior do
que o da produção de vinho, e na Inglaterra, o custo da produção de vinho é maior que o da
produção de tecidos. Comparativamente, Portugal tem a vantagem relativa na produção de
vinho, e a Inglaterra na produção de tecidos. Segundo Ricardo, os dois países obterão
benefícios ao especializarem-se na produção da mercadoria em que possuem vantagem
comparativa, exportando-a, e importando outro bem. Não importa aqui, o fato de que um país
possa ter vantagem absoluta em ambas as linhas de produção, como é o caso de Portugal, no
exemplo acima.
A teoria desenvolvida por Ricardo fornece uma explicação para os movimentos de
mercadorias no comércio internacional, a partir da oferta ou dos custos de produção
existentes nesses países. Logo, os países exportarão e se especializarão na produção dos bens
46

cujo custo for comparativamente menor em relação àqueles existentes, para os mesmos bens,
nos demais países exportadores.
Segundo a corrente estruturalista, os produtos manufaturados apresentam
elasticidade - renda da demanda maior que um, e os produtos primários, menor que um,
significando que o crescimento da renda mundial provocaria um aumento relativamente maior
no comércio de manufaturados, acarretando uma tendência crônica ao déficit no balanço de
pagamentos dos países exportadores de produtos básicos ou primários.

2. Determinação da Taxa de Câmbio
Quando dois países mantêm relações econômicas entre si, entram necessariamente
em jogo duas moedas, exigindo que se fixe a relação de troca entre ambas. A taxa de câmbio é
a medida de conversão da moeda nacional em moeda de outros países. Exemplo: dólar pode
custar 0,97 de real, 1 libra pode custar 1,27 real etc.
A determinação da taxa de câmbio pode ocorrer de dois modos: institucionalmente,
através de decisão de autoridades econômicas com fixação periódica das taxas (taxas fixas de
câmbio), ou através do funcionamento do mercado, onde as taxas flutuam automaticamente,
em decorrência das pressões de oferta e demanda por divisas estrangeiras (taxas flutuantes).
A oferta de divisas é realizada tanto pelo os exportadores, que recebem moeda
estrangeira em contrapartida de suas vendas, como através da entrada de capitais financeiros
internacionais. Como as divisas não podem ser utilizadas internamente, precisa ser convertida
em moeda nacional. Isso é feito pelo Banco Central da seguinte forma: recebe dos
importadores do exterior a quantia em divisas – dólar, por exemplo, retendo-as em seus
cofres, e paga, ao exportador nacional em moeda nacional, em reais, a importância
correspondente.
Uma taxa elevada de câmbio significa que o preço da divisa estrangeira está alto, ou
que a moeda nacional está desvalorizada. Assim, a expressão desvalorização cambial indica
que houve um aumento da taxa de câmbio – maior número de reais por unidade de moeda
estrangeira. Por sua vez, valorização cambial significa moeda nacional mais forte, isto é, paga-
se menos reais por dólar, por exemplo, tem – se uma queda na taxa de câmbio.
47

As taxas de câmbio estão intimamente relacionadas com os preços dos produtos
exportados e importadas e conseqüentemente, com o resultado da balança comercial do país.
Se a taxa de câmbio se encontrar em patamares elevados, estimulará as exportações, pois os
exportadores passaram a receber mais reais pela mesma quantidade de divisas derivadas da
exportação; em conseqüência haverá maior oferta de divisas. Por exemplo: Suponhamos uma
taxa de câmbio de 0,90 real por dólar, e que o exportador vendia 1000 unidades de seu
produto a 50 dólares cada. Seu faturamento era de 50.000 dólares ou 45.000 reais. Se o
câmbio for desvalorizado em 10% , a taxa de câmbio subirá para 0,99 real por dólar e,
vendendo as mesmas 1000 unidades, receberá os mesmos 50.000 dólares, só que valendo
agora 49.500 reais. Isso estimulará o exportador a vender mais, aumentando a oferta de
divisas.
Do lado das importações, a situação se inverte, pois se o preço dos produtos
importados se elevam, em moeda nacional, haverá um desestímulo às importações e,
conseqüentemente, uma queda na demanda de divisas.

3. A Inflação Interna e seus Efeitos sobre a Taxa de Câmbio
Até aqui analisamos a paridade cambial sem considerarmos os efeitos da inflação. No
entanto, o aumento do nível de preços internos – ocorrência da inflação – provoca uma
redução da taxa real de câmbio, ou seja, com a inflação gera-se, internamente, uma queda no
poder aquisitivo da moeda. Os efeitos da perda do poder aquisitivo são: um desestímulo às
exportações, uma vez que o preço do produto exportado não sofre correlação equivalente à
inflação; e um estímulo às importações, já que os bens importados, ao não serem corrigidos,
ficam mais baratos.

4. A Atuação Governamental no Mercado de Divisas: Políticas Externas
O governo pode atuar através da política cambial ou da política comercial. A política
cambial diz respeito a alterações na taxa de câmbio, enquanto a política comercial constitui-se
de mecanismos que interferem no fluxo de mercadorias e serviços.
As políticas cambiais mais freqüentes são:
48

A) Regime de taxas fixas de câmbio;
B) Regime de taxas flutuantes ou flexíveis de câmbio;
C) Regime de Bandas cambiais:
Dentre as políticas comerciais externas, podemos destacar as seguintes:
A) Alterações das tarifas sobre importações;
B) Regulamentação do comércio exterior.

5. A Estrutura do Balanço de Pagamentos
O balanço de pagamentos é o registro estatístico – contábil de todas as transações
econômicas realizadas entre os residentes do país com os residentes dos demais países.
Desse modo, estão registrados no balanço de pagamentos, por exemplo, todas as
exportações e importações do período considerado: os fretes, os seguros, os empréstimos
obtidos no exterior etc. Ou seja, todas as transações com mercadorias, serviços e capitais
físicos e financeiros entre o país e o resto do mundo.
O balanço de pagamentos apresenta as seguintes subdivisões:
Balança Comercial: Essa conta compreende basicamente o comércio de mercadorias. Se as
exportações FOB excedem as importações FOB, temos um superávit no balanço de comércio;
caso contrário temos um déficit.
Balanço de Serviços: Registram-se todos os serviços pagos/ recebidos pelo Brasil, tais como
fretes, seguros, lucros, juros, royalties e assistência técnica, viagens internacionais.
Transferências Unilaterais: Também conhecidas como conta donativos, registram as doações
interpaíses. Estes donativos podem ser em divisas como em mercadorias.
Balanço de Transações Correntes: O somatório dos balanços comercial, de serviços e de
transferências unilaterais resulta no saldo em conta corrente ou balanço de transações
correntes. Se o saldo do balanço de transações correntes for negativo, temos uma poupança
49

externa positiva, pois indica que o país aumentou seu endividamento externo, em termos
financeiros, mas absorveu bens e serviços em termos reais no exterior.
Movimento de Capitais ou Balanço de Capitais: Na conta de capital aparecem as transações
que produzem variações no ativo e no passivo externos do país e que, portanto, modificam sua
posição devedora ou credora perante o resto do mundo.
A conta de capital subdivide-se em duas:
Movimento autônomo de capital, na forma de investimentos diretos de empresas
multinacionais, de empréstimos e financiamentos para projetos de desenvolvimento do país e
de capitais financeiros de curto prazo, aplicados no mercado financeiro nacional.
Movimentos induzidos de capital, para financiar o saldo do balanço de pagamentos. Inclui as
contas Atrasadas Comerciais (quando o país não paga suas obrigações na data do vencimento)
e Empréstimos de Regulamentação do FMI (quando o país tem problemas de liquidez
internacional).
Cabe uma observação sobre a rubrica Erros e Omissões. É a diferença entre o saldo do
balanço de pagamentos e o financiamento do resultado que surge quando se tenta
compatibilizar transações físicas e financeiras.
A regra internacional é admitir para Erros e Omissões um valor de, no máximo, 5% da
soma das exportações com as importações.

6. Organismos Internacionais
As grandes guerras mundiais, assim como os conturbados anos da Grande Depressão,
que culminaram com a crise dos anos 30, provocaram enormes perturbações na economia de
praticamente todos os países, e por seguinte nas (relações econômicas internacionais). Já ao
final da Segunda Guerra Mundial evidenciava-se a necessidade de mudanças no sistema de
pagamentos internacionais.
Tais eram as preocupações reinantes nos últimos anos da Segunda Guerra Mundial,
quando se via no comércio mundial um importante instrumento para potencializar o
desenvolvimento do mundo capitalista.
50

Dentro desse contexto foram criados os três principais organismos econômicos
internacionais do pós-guerra:
A) Fundo Monetário Internacional (FMI);
Um dos objetivos principais do FMI é socorrer os países a ele associados quando da
ocorrência de desequilíbrios transitórios em seus balanços de pagamentos.
B) Banco Mundial;
Também conhecido por BIRD, foi criado com intuito de auxiliar a reconstrução dos países
devastados pela guerra e, posteriormente, para promover o crescimento dos países em
vias de desenvolvimento.
C) Organização Mundial do Comércio (OMC);
Foi criada com objetivo básico de reduzir as restrições ao comércio internacional e a
liberalização do comércio multilateral. Através do GATT (Acordo Geral de Tarifas e
Comércio), procurava-se estruturar um conjunto de regras e instituições que regulassem o
comércio internacional e encaminhassem a resolução de conflitos entre os países. Nesse
sentido, o GATT estabeleceu como princípios básicos: redução das barreiras comerciais, a
não - discriminação comercial entre os países, a compensação dos países prejudicados por
aumentos de tarifas alfandegárias e a arbitragem de conflitos comerciais.

7. O Balanço de Pagamentos no Brasil
O início da contabilização do balanço de pagamentos no Brasil data de 1947, quando
os levantamentos eram feitos pelo Banco do Brasil e pela Fundação Getúlio Vargas.
Atualmente, essa tarefa é atribuição do Banco Central do Brasil. Desde o início, o saldo do
balanço de pagamentos em transações correntes tem sido predominantemente deficitário, o
que é considerado natural para economias pobres, que dependem de poupança externa para
se desenvolver. Na maior parte do período, os déficits foram decorrência de saldo negativo na
conta serviços, pois a balança comercial mostrou predomínio de resultados positivos. A década
de 70 constitui a exceção mais expressiva, pois nesse período o país acumulou déficits nos
balanços comercial e de serviços. A maior parte das dificuldades na balança comercial dessa
51

época resultou do brusco aumento dos gastos com importação em razão do choque do
petróleo ocorrido em 1973.
A crise da dívida externa dos anos 80 fez ressurgirem os superávits comerciais. Essa
crise se caracterizou pelo corte abrupto nos fluxos de capitais das nações industrializadas para
as menos desenvolvidas. Além disso, os países devedores, em particular os da América Latina,
foram submetidos a fortes pressões para pronto pagamento dos créditos tomados no passado.
Com isso, foram forçados a adotar programas de ajustamento que tinham como meta obter
rápido incremento de divisas para honrar os compromissos externos.
Entre 1990 e 1991, houve uma drástica redução dos investimentos diretos no país,
bem como dos empréstimos e financiamentos a longo prazo, reflexo da insegurança dos
investidores internacionais quanto às atitudes do governo Collor. De 1992 em diante, a crise
de confiança em nosso governo foi superada e o país voltou a captar recursos internacionais
em volumes crescentes.
Em julho de 1994, o Plano Real foi implantado. Dentre suas conseqüências, destaca-se
a valorização da moeda nacional, que estimulou importações e reduziu exportações. Esse fato
contribuiu para nova transformação nas relações econômicas brasileiras com o resto do
mundo, deixando o país numa situação muito vulnerável aos movimentos especulativos
internacionais.
Bibliografia
VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandoval de e GARCIA, Manuel Enriquez. Fundamentos de
Economia. São Paulo: Saraiva, 2003.













52

MÓDULO 8
CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICOS

1. Planos de Estabilização
1.1. Plano Cruzado
O Plano Cruzado foi um conjunto de medidas econômico-institucionais descrito pelo
Decreto-lei no 2.283, cujas principais medidas foram:
· substituição do cruzeiro pelo cruzado como nova moeda do sistema monetário
brasileiro, 1 cruzado equivalendo a 1.000 cruzeiros;
· conversão geral, por prazo indefinido, dos preços finais dos produtos, ao nível
vigente em 27 de fevereiro (exceto as tarifas industriais de energia elétrica);
· conversão dos salários com base na média do seu poder de compra nos seis
meses anteriores, e mais um acréscimo de 8% para os salários em geral e de 16%
para o mínimo;
· aluguéis e hipotecas seriam convertidos seguindo-se a mesma fórmula aplicada
aos salários, mas sem o aumento de 8%;
· introdução da escala móvel de salários (gatilho), a qual garantia um reajuste
salarial automático a cada vez que o aumento acumulado no nível de preços ao
consumidor atingisse 20%;
· proibição da indexação em contratos com prazo inferior a um ano;
· conversão dos contratos previamente estabelecidos em cruzeiros para cruzados,
de acordo com uma tabela em que o cruzeiro era desvalorizado a uma taxa
mensal de 14% (taxa de inflação mensal esperada contida nos contratos) em face
da nova moeda.
· o regime cambial foi congelado na paridade de 13,84 cruzados por dólar.
53

Nos primeiros meses, o plano teve aparente sucesso, com controle da inflação e
crescimento econômico.
O grande apoio da população deu origem aos “fiscais do Sarney”. O congelamento
transformou-se assim no elemento do Plano Cruzado de maior apelo popular, o que levaria o
governo a sustentá-lo ao máximo, a qualquer custo, sobretudo por se tratar de ano eleitoral.
Houve uma explosão de consumo, reprimido durante os anos anteriores, provocada
pelo aumento do poder de compra dos salários, além de uma grande “despoupança”.
1.2. Plano Bresser
No mês de junho de 87, o novo ministro lançou o Plano de Estabilização Econômica,
mais conhecido como Plano Bresser, um pacote híbrido, com elementos ortodoxos e
heterodoxos, assemelhando-se ao Cruzado em alguns aspectos, mas procurando evitar os
erros já cometidos.
A meta principal do plano era controlar a inflação e evitar uma hiperinflação. Para
tanto o governo tomou as seguintes medidas:
· o gatilho foi extinto, reduziu-se os gastos do governo e as taxas de juros reais
foram mantidas elevadas;
· preços e salários foram congelados por três meses;
· política cambial de desvalorizações diárias para evitar desequilíbrios externos;
· política fiscal e monetária rigorosas.
No início, o plano atingiu alguns de seus objetivos, baixando a inflação e o déficit
público e expandindo os saldos comerciais, o que possibilitou o fim da moratória da dívida
externa.
Com o passar do tempo, outros problemas começaram a surgir: o plano perdeu
credibilidade junto à opinião pública, os desequilíbrios dos preços relativos e superávits
comerciais causaram pressões inflacionárias, os juros altos inibiram o investimento e a reforma
tributária que fazia parte do plano foi barrada por restrições de ordem política.

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1.3. Maílson da Nóbrega – da política do feijão-com-arroz ao Plano Verão
Seu objetivo era cortar o déficit operacional de 8% para 4% e reter a inflação ao redor
dos 15% ao mês. Dentre as medidas tomadas destacam-se a suspensão temporária dos
reajustes do funcionalismo público e o adiantamento dos aumentos de preços administrados.
Tal política foi malsucedida e, em julho de 1988, a inflação já ultrapassava 24% e os
preços públicos foram reajustados. Emitia-se moeda para cobrir os superávits da balança
comercial e a nova constituição dificultava a pretendida redução dos gastos públicos.
Em novembro de 1988, celebrou-se entre governo, empresários e trabalhadores o
chamado pacto social, que estabelecia limites para aumentos de preços e propunha uma
revisão da metodologia de reajustes salariais e um plano para equilibrar as contas públicas.
O fracasso dessa nova tentativa levou o governo a decretar um novo plano econômico:
o Plano Verão.Em 15 de janeiro de 1989, foi anunciado o Plano Verão, outro plano misto. Foi
introduzida uma nova moeda (Cruzado Novo), equivalente a mil cruzados e o dólar foi cotado a
NCz$1,00 após uma desvalorização da moeda nacional.
Principais medidas: taxas de juros elevadas, desindexação e a promessa de ajuste
fiscal; os preços foram congelados por tempo indeterminado e os salários foram convertidos
pelo poder de compra médio dos doze meses anteriores e reajustados em 26,1%, sendo
extinto o indexador dos salários;
Em setembro de 1989 o governo suspendeu o pagamento dos juros da dívida externa,
em razão da deterioração do saldo comercial.
Bibliografia
VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandoval de e GARCIA, Manuel Enriquez. Fundamentos de
Economia. São Paulo: Saraiva, 2003.

2 Todos os envolvidos nos processos de produção, circulação, distribuição e consumo de bens e serviços. São eles: Empresas, Famílias e Governo. Mercado: Interação entre oferta e demanda. Preços: Expressão monetária do valor de um bem ou serviço. Renda: Preço pago pela utilização dos fatores de produção. O problema econômico fundamental

Devido a escassez, é necessário fazermos algumas escolhas, sendo englobadas nas perguntas: O que produzir? Como produzir? Para quem produzir?

O que produzir? Este item está baseado em quatro hipóteses: (1) Recursos limitados quantitativamente; (2) Utilização plena e racional dos fatores; (3) Escolhas dos bens baseadas nas hipóteses anteriores; e (4) Diferença de tecnologia.

A sociedade optará pela produção de um bem ou de outro. Assim, se faz necessário criar possibilidades de produção, descritas pela curva de possibilidades de produção (CPP). Ex.: Peguemos dois bens, roupas e alimentos, e verifiquemos o que acontece com produção deles.

Produção 1 2 3 4 5

Alimentos 10 20 30 40 50

Roupas 180 160 150 130 100

3 6 Como produzir? 60 60

Expressa a tecnologia, e a busca eficiente, de técnicas e economias mais vantajosas. Eficiência técnica: processo que alcançar a melhor quantidade de produto, com a menor quantidade de insumos ou fatores de produção.

Eficiência Econômica: busca do processo que apresentar o menor custo de produção. Essa eficiência será determinada pelo preço dos fatores de produção: Mão-de-obra: salários Capital: juros Terra: aluguel Empreendimento: lucro

Para quem produzir? Direito a consumir de cada membro da sociedade, que será determinado por seus rendimentos, ou seja, todos temos uma restrição orçamentária e só poderemos consumir a quantidade que ela nos permite. Organização do sistema econômico irá determinar o direito ao consumo, dependendo do regime que esta sociedade está vinculada, podendo ser capitalista ou socialista.

Podemos definir a atividade econômica como sendo: "A atividade econômica se define a partir da interação de complexas variáveis. Dadas as limitações do espaço geográfico e dos meios naturais, ela é influenciável por fatores antropológicos- culturais, pelo ordenamento político, pelo progresso tecnológico e pelo imprevisível comportamento dos diferentes grupos sociais de que se constituem as nações. Procurar compreender, em toda sua extensão, esses eixos de sustentação é a tarefa mais importante dos que se dedicam à economia". Assim, podemos verificar a interrelação da ciência econômica com outras ciências, tais como: Ética; Filosofia; Direito; Antropologia; Psicologia; Sociologia; e Política.

A ciência econômica pode ser considerada como uma ciência exata?

4 Não. Mas, por quê? A ciência econômica lida com indivíduos, ou seja, não lida com fórmulas definidas. Ela estuda o homem inserido em um ambiente de escassez. A partir do momento que ela estuda este ser social, temos, então, que a Economia é uma Ciência Social Aplicada. Para entender a economia é necessário definirmos alguns conceitos primordiais. Bens São ativos reais que satisfazem as necessidades humanas. Podem ser divididos da seguinte forma: Bens tangíveis; Bens finais; Bens de consumo; Bens duráveis; Bens não duráveis; Bens de capital; Bens intermediários; Bens intangíveis Fatores de produção: necessários ao processo produtivo. São eles: terra, trabalho e capital. Agentes econômicos: Todos os envolvidos nos processos de produção, circulação, distribuição e consumo de bens e serviços. São eles: Empresas, Famílias e Governo. Mercado: Interação entre oferta e demanda. Preços: Expressão monetária do valor de um bem ou serviço. Renda: Preço pago pela utilização dos fatores de produção. O problema econômico fundamental

Devido a escassez, é necessário fazermos algumas escolhas, sendo englobadas nas perguntas: O que produzir? Como produzir? Para quem produzir?

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O que produzir? Este item está baseado em quatro hipóteses: (1) Recursos limitados quantitativamente; (2) Utilização plena e racional dos fatores; (3) Escolhas dos bens baseadas nas hipóteses anteriores; e (4) Diferença de tecnologia.

A sociedade optará pela produção de um bem ou de outro. Assim, se faz necessário criar possibilidades de produção, descritas pela curva de possibilidades de produção (CPP). Ex.: Peguemos dois bens, roupas e alimentos, e verifiquemos o que acontece com produção deles.

Produção 1 2 3 4 5 6 Como produzir?

Alimentos 10 20 30 40 50 60

Roupas 180 160 150 130 100 60

Expressa a tecnologia, e a busca eficiente, de técnicas e economias mais vantajosas. Eficiência técnica: processo que alcançar a melhor quantidade de produto, com a menor quantidade de insumos ou fatores de produção.

Eficiência Econômica: busca do processo que apresentar o menor custo de produção. Essa eficiência será determinada pelo preço dos fatores de produção: Mão-de-obra: salários Capital: juros Terra: aluguel Empreendimento: lucro

Para quem produzir?

Isso obriga a sociedade a escolher entre alternativas de produção e de distribuição dos resultados da atividade produtiva aos vários grupos da sociedade. ou seja. os recursos ou fatores de produção são escassos. Organização do sistema econômico irá determinar o direito ao consumo. social e econômica pela qual está organizada uma sociedade. de modo a distribuí-los entre as pessoas e grupos da sociedade.6 Direito a consumir de cada membro da sociedade. 2. o capital. Em qualquer sociedade. . reservas naturais e a tecnologia. terra. MÓDULO 2 O PROBLEMA ECONÔMICO / FUNCIONAMENTO DO SISTEMA ECONÔMICO 1. contudo as necessidades humanas são ilimitadas. Sistemas Econômicos Pode ser definido como sendo a forma política. Conceito É uma ciência social que estuda como o indivíduo e a sociedade decidem empregar recursos produtivos escassos na produção de bens e serviços. todos temos uma restrição orçamentária e só poderemos consumir a quantidade que ela nos permite. Os elementos básicos de um sistema econômico são: a) Estoques de Recursos Produtivos ou Fatores de Produção: recursos humanos (trabalho e capacidade empresarial). e sempre se renovam. a fim de satisfazer as necessidades humanas. podendo ser capitalista ou socialista. dependendo do regime que esta sociedade está vinculada. que será determinado por seus rendimentos.

7 b) c) Complexo de unidades de produção: constituído pelas empresas. . Nas economias centralizadas. jurídicas. originando problemas econômicos fundamentais: · O quê e quanto produzir: dada a escassez de recursos de produção. Os Problemas Econômicos Fundamentais Da escassez dos recursos ou dos fatores de produção. ou economia de mercado. a partir de um levantamento dos recursos de produção disponíveis e das necessidades do país. 3. · Para quem produzir: a sociedade terá também que decidir como seus membros participarão da distribuição dos resultados de sua produção (demanda. dos juros etc). é aquele regido pelas forças de mercado. e não pela oferta e demanda no mercado. a sociedade terá de escolher. Conjunto de instituições políticas. econômicas e sociais: que são à base da organização da sociedade. predominando a propriedade pública dos fatores de produção. predominando a livre iniciativa e a propriedade privada dos fatores de produção. oferta. determinação de salários. · Como produzir: a sociedade terá de escolher ainda quais recursos de produção serão utilizados para a produção de bens e serviços. esses problemas são resolvidos pelos mecanismos de preços atuando por meio da oferta e da demanda. associa-se às necessidades ilimitadas do homem. essas questões são decididas por um órgão central de planejamento. · Sistema socialista ou economia centralizada. quais produtos serão produzidos e em que quantidades. dado o nível tecnológico existente. ou ainda economia planificada. Os sistemas econômicos podem ser classificados em: · Sistema capitalista. das rendas das terras. Em economias de mercado. é aquele em que as questões econômicas fundamentais são resolvidas por um órgão central de planejamento.

Conceito de Custo de Oportunidade A transferência dos fatores de produção de um bem A para produzir um bem B implica um custo de oportunidade que é igual ao sacrifício de se deixar de produzir parte do bem A para se produzir mais do bem B. .na última (E) seriam alocados somente para a produção de alimentos.2. e nas alternativas intermediárias (B. Devido à escassez de recursos. que terá que fazer escolhas entre alternativas de produção. a produção total de um país tem um limite máximo. C e D) os fatores de produção seriam distribuídos na produção de um ou de outro bem. 3. reflete em um custo implícito. Suponhamos uma economia que só produza máquinas (Bens de Capital) e alimentos (Bens de Consumo) e que as alternativas de produção de ambos seja as seguintes: Alternativas de Produção A B C D E Máquinas (milhares) 25 20 15 10 0 Alimentos (toneladas) 0 30 45 60 70 Na primeira alternativa (A) todos os fatores de produção seriam alocados para a produção de máquinas. onde todos os recursos disponíveis estão empregados. O custo de oportunidade por representar o custo da produção alternativa sacrificada.8 3. como a questão da escassez impõe um limite à capacidade produtiva de uma sociedade.1. Curva de Possibilidades de Produção (ou Curva de Transformação) É um conceito teórico com o qual se ilustra.

Os agentes econômicos são as famílias e as empresas. Desse modo. Fluxo Real e Monetário da Economia    MERCADO DE BENS E SERVIÇOS     DEMANDA OFERTA  FAMÍLIAS EMPRESAS  OFERTA DEMANDA MERCADO DE FATORES DE PRODUÇÃO        No entanto. As empresas. 4.9 4. através do mercado dos fatores de produção. que é utilizada para remunerar os fatores de produção e para o pagamento dos bens e serviços. paralelamente ao fluxo real temos um fluxo monetário da economia: . produzem bens e serviços e os fornecem às famílias por meio do mercado de bens e serviços. Funcionamento de uma Economia de Mercado: Fluxos Reais e Monetários Para entender o funcionamento do sistema econômico. o fluxo real da economia só se torna possível com a presença da moeda. As famílias são proprietárias de fatores de produção e os fornecem às empresas.1. através da combinação dos fatores de produção. vamos supor uma economia de mercado que não tenha interferência do governo e não tenha transações com exterior ( economia fechada ).

Definição de Bens de Capital. mas que não se desgastam totalmente no processo produtivo. Exemplo: Máquinas.10 PAGAMENTO DOS BENS E SERVIÇOS     FAMÍLIAS EMPRESAS REMUNERAÇÃO DOS FATORES DE PRODUÇÃO     4. Bens Intermediários e Fatores de Produção 5. Equipamentos e Instalações. Bens de Consumo. temos o chamado Fluxo Circular de Renda: DEMANDA DE BENS E SERVIÇOS MERCADO DE BENS E SERVIÇOS  O QUE E QUANTO PRODUZIR OFERTA DE BENS E SERVIÇOS  FAMÍLIAS COMO PRODUZIR PARA QUEM PRODUZIR   EMPRESAS  OFERTA DE SERVIÇOS DOS FATORES DE PRODUÇÃO  DEMANDA DE SERVIÇOS DOS FATORES DE PRODUÇÃO  MERCADO DE FATORES DE PRODUÇÃO Fluxo Monetário Fluxo Real (Bens e Serviços) 5. Bens de Capital São aqueles utilizados na fabricação de outros bens.2. 5. Bens de Consumo . Fluxo Circular de Renda Unindo os dois fluxos anteriores.1.2.

a saber: Fator de Produção Trabalho Capital Terra Tecnologia Capacidade empresarial Tipo de Remuneração Salário Juro Aluguel Royalty Lucro 6. 5.3. Cada fator de produção corresponde uma remuneração. a Economia é limitado pelo meio físico. De acordo com sua durabilidade. capital e tecnologia. Bens Intermediários São aqueles que são transformados ou agregados na produção de outros bens e que são consumidos totalmente no processo de produtivo (insumos. podem ser classificados como duráveis (geladeiras. automóveis) ou como não–duráveis (alimentos. terra. matérias-primas e componentes).4. 5.11 Destinam-se diretamente ao atendimento das necessidades humanas. e se ocupa de quantidades físicas e das relações entre as quantidades. As exportações e as importações dependem da taxa de câmbio. . A Economia apresenta muitas regularidades. produtos de limpeza). Por Exemplo: O consumo nacional depende diretamente da renda nacional. Inter-Relação da Economia com Outras Áreas do Conhecimento Apesar de ser uma ciência social. Fatores de Produção São constituídas pelos recursos humanos (trabalho e capacidade empresarial). fogões. A quantidade demandada de um bem tem uma relação inversamente proporcional com o seu preço. sendo que algumas relações são invioláveis. como a que se estabelece entre a produção de bens e serviços e os fatores de produção utilizados no processo produtivos. dado que os recursos são escassos.

poder das corporações estatais. tornando-se difícil estabelecer uma relação de casualidade entre elas. Economia e Geografia: a Geografia não é o simples registro de acidentes Geográficos e climáticos. Bibliografia VASCONCELLOS. Ela nos permite avaliar fatores muito úteis à análise econômica. Moral. Moral e Ética. Economia e Política são áreas muito interligadas. Economia. São Paulo: Saraiva. pois ela facilita a compreensão do presente e ajuda nas previsões para o futuro com base nos fatos do passado. A Economia era orientada por princípios morais e de justiça. Fundamentos de Economia. Matemática e Estatística. As guerras e revoluções. 2003.12 A área que está voltada para quantificação dos modelos é a Econometria. a concentração espacial dos fatores produtivos. Citemos alguns exemplos: poder Econômico dos latifundiários. A estrutura política se encontra muitas vezes subordinadas ao poder econômico. Manuel Enriquez. a atividade econômica era vista como parte integrante da Filosofia. . antes da Revolução Industrial do século XVIII. por exemplo. poder dos oligopólios e monopólios. como as condições geoeconômicas dos mercados. a localização de empresas e a composição setorial da atividade econômica. Justiça e Filosofia: na pré-economia. Economia e História: a pesquisa histórica é extremamente útil e necessária para Economia. alteraram o comportamento e a evolução da Economia. que corresponde ao período da Idade Média. Marco Antonio Sandoval de e GARCIA. que combina Teoria Econômica.

o preço sendo obtido pela interação do conjunto dos consumidores com o conjunto de empresas que fabricam um dado bem ou serviço. ou Teoria Geral dos Preços.1. do que os preços absolutos ( isolados) das mercadorias. os consumidores procuram maximizar sua satisfação no consumo de bens e serviços ( limitados por sua renda e pelos preços das mercadorias). . 1. os preços dos bens em relação aos demais.1. analisando o papel que a oferta e a demanda nele exercem. seu preço relativo aumentou. isto é.1. Exemplo: se o preço do guaraná cair 10%. permanecendo inalterado o preço da soda.1. deve-se esperar um aumento na quantidade procurada de guaraná e uma queda na soda.2. são mais relevantes os preços relativos. 1. como a empresa e o consumidor interagem e decidem qual o preço e a quantidade de um determinado bem ou serviço em mercados específicos. isto é. Pressupostos Básicos da Análise Microeconômica A hipótese coeteris paribus (tudo o mais permanece constante): o foco de estudo é dirigido apenas àquele mercado. 1. A microeconomia estuda o funcionamento da oferta e da procura na formação do preço no mercado. quando comparado com o guaraná. nada deve acontecer na demanda dos dois bens. mas também o preço da soda cair em 10%. ou seja. Princípio da Racionalidade Por esse princípio. ou que não interfiram de maneira absoluta. Microeconomia A Microeconomia. Papel dos preços relativos Na análise microeconômica. supondo que outras variáveis interfiram muito pouco. mas se cair apenas o preço do guaraná.13 MÓDULO 3 DINÂMICA DOS MERCADOS E SEUS IMPACTOS NAS ORGANIZAÇÕES 1. Embora não tenha havido alteração no preço absoluto da soda. analisa a formação de preços no mercado. os empresários tentam sempre maximizar lucros condicionados pelos custos de produção.

dentro de um horizonte de planejamento. etc. pode contribuir na análise e tomada de decisões das seguintes questões: · · · · · · efeitos de impostos sobre mercados específicos. . política de subsídios. (água. fixação de preços mínimos na agricultura. a análise microeconômica pode subsidiar as seguintes decisões: · · · · · · · políticas de preços da empresa.14 1.). Aplicações da análise microeconômica A teoria microeconômica não é um manual de técnicas para a tomada de decisões do dia-a-dia. Em relação da política econômica. decisões ótimas de produção (melhor combinação dos custos de produção). localização da empresa. tanto em nível de empresas quanto de nível de política econômica. Para as empresas. luz. mesmo assim ela representa uma ferramenta útil para esclarecer políticas e estratégias. previsão de custos de produção. avaliação e elaboração de projetos de investimentos (análise custo/benefício) política de propaganda e publicidade. previsão de demanda e faturamento. controle de preços política salarial políticas de tarifas públicas.2.

outros preferem cerveja etc.000 . ou seja.000 3. considera-se cada uma dessas variáveis afetando separadamente as decisões do consumidor. Para estudar-se a influência dessas variáveis utiliza-se a hipótese do coeteris paribus. o preço dos outros bens. É a chamada Lei Geral da Demanda. São elas: o preço do bem e serviço. Essa relação pode ser observada a partir dos conceitos de escala de procura. a utilidade difere de consumidor para consumidor (uns preferem uísque.00 Quantidade Demandada 12.000 8. a renda do consumidor e o gosto ou preferência do indivíduo.00 8.00 6. 2.000 4. A procura depende de variáveis que influenciam a escolha do consumidor.000 2. Há uma relação inversamente proporcional entre a quantidade procurada e o preço do bem.).00 10. Como está baseada em aspectos psicológicos ou preferências. curva de procura ou função demanda. A utilidade representa o grau de satisfação que os consumidores atribuem aos bens e serviços que podem adquirir no mercado.00 3.15 2. Demanda.1. conforme apresentada a seguir: Alternativa de preço ($) 1. Oferta e Equilíbrio de Mercado Os fundamentos da análise da demanda ou procura estão alicerçados no conceito subjetivo de utilidade. A relação preço/quantidade procurada pode ser representada por uma escala de procura. Demanda de Mercado A demanda ou procura pode ser definida como a quantidade de um determinado bem ou serviço que os consumidores desejam adquirir em determinado período de tempo.

ou seja. em relação ao orçamento. ou seja. o consumidor passa adquirir o bem substituto. Elasticidade-preço da Demanda É a resposta relativa da quantidade demandada de um bem X às variações de seu preço. Fatores que influenciam o grau de elasticidade da demanda: a) Disponibilidade de bens substitutos: quanto mais substitutos houver para um bem. 2. quanto ao gasto no orçamento do consumidor: quanto mais importante o gasto referente a um determinado bem. b) Efeito renda: quando aumenta o preço de um bem. a . Pode ser: · Demanda elástica: os consumidores de um determinado produto têm grande reação ou resposta nas quantidades a eventuais variações de preços.1. a elasticidade reflete o grau de reação de uma variável quando ocorrem alterações em outra variável. Elasticidade Cada produto tem sua própria sensibilidade com relação às variações dos preços e da renda. será pouco sensível à variação do preço. b) Essencialidade do bem: se o bem é essencial.16 Se o preço de um bem aumenta. Genericamente. 2. mais sensível torna-se o consumidor a alterações de seu preço.1. mais elástica será sua demanda.1.1. a queda da quantidade demanda será provocada por esses dois efeitos somados: a) Efeito substituição: se um bem possui um substituto. Exemplo: Fósforo. outro bem similar que satisfaça a mesma necessidade. reduzindo assim sua demanda. Essa sensibilidade ou reação pode ser medida através da elasticidade. quando seu preço aumenta. e a demanda por esse produto diminui.1. c) Importância do bem. · Demanda inelástica: os consumidores tendem a reagir em menor escala às variações de preços. o consumidor perde o poder aquisivo. coeteris paribus.

Diferentemente da função demanda. a carne tende a ter a elasticidade-preço da demanda mais elevada que o fósforo.000 A relação direta entre a quantidade ofertada de um bem e o preço desse bem deve-se ao fato de que. Da mesma maneira que a demanda. das preferências do empresário e da tecnologia. Veja o quadro a seguir representativo da oferta e da demanda do bem X: . dos preços dos fatores de produção.00 3.000 9. Comparativamente. ou seja.000 13. de seu próprio preço. Oferta de Mercado Pode-se conceituar oferta como as várias quantidades que os produtores desejam oferecer ao mercado em determinado período de tempo.00 6. 2. quais seriam as quantidades ofertadas a cada preço: Alternativas de Preço ( $ ) 1.2. coeteris paribus. Podemos expressar uma escala de oferta de um bem X. Equilíbrio de Mercado A interação das curvas de demanda e de oferta determina o preço e a quantidade de equilíbrio de um bem ou serviço em um dado mercado. dentre eles. dada uma série de preços.000 5. a função de oferta mostra uma correlação direta entre a quantidade ofertada e nível de preços. a oferta depende de vários fatores. 2. aumentando sua receita.00 10.000 11. em função da relação do preço da carne junto ao orçamento doméstico. por exemplo. um aumento do preço no mercado estimula as empresas a produzirem mais. É a chamada Lei Geral da Oferta.17 demanda é mais elástica.3.00 8.00 Quantidade Ofertada 1. dos demais preços.

00 6.00 unidades monetárias. existe equilíbrio entre oferta e demanda do bem X. A) Estabelecimento de Impostos: É sabido que quem recolhe a totalidade do tributo é a empresa. a nível microeconômico . Exemplo: Imposto de Renda. O impostos dividem-se em: · Impostos Indiretos: impostos incidentes sobre o consumo ou sobre as vendas.18 Preço ($) 1. . taxas e contribuições de melhoria. · Impostos Diretos: Impostos incidentes sobre a renda.00 3.00 Quantidade Procurada 11 9 6 4 2 Ofertada 1 3 6 8 10 Situação de Mercado Excesso de procura (escassez de oferta) Excesso de procura (escassez de oferta) Equilíbrio entre oferta e procura Excesso de oferta (escassez de procura) Excesso de oferta (escassez de procura) Como se observa na tabela.00 8. 3. quando o preço é igual a 6. mas isso não quer dizer que é ela quem efetivamente paga. Os tributos se dividem em impostos. Assim. saber sobre quem recai efetivamente o ônus do tributo é uma questão da maior importância na análise dos mercados. Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Exemplo: Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS). Interferência do Governo no equilíbrio de mercado O governo intervém na formação de preços de mercado. e quando fixa impostos e subsídios. fixa preços mínimos para produtos agrícolas decreta tabelamentos ou ainda congelamento de preços e salários.00 10. estabelecem critérios de reajustes do salário mínimo.

políticas e culturais dentro da sociedade brasileira. Pernambuco já possuía trinta engenhos de açúcar. a Bahia. um setor e região do país foi privilegiado em detrimento de outros. ou seja. como foi adotado no Brasil (Planos Cruzado. como a coleta de drogas do sertão na Amazônia. Além do pau-brasil. com propósito de protegê-lo das flutuações dos preços no mercado. Os portugueses instalaram feitorias e sesmarias e contratavam o trabalho de índios para o corte e carregamento da madeira por meio de um sistema de trocas conhecido como escambo. Esta atividade gerou todo um setor paralelo chamado de tráfico negreiro. O primeiro ciclo econômico do Brasil foi a extração do pau-brasil (1501-1530): Madeira avermelhada utilizada na tinturaria de tecidos na Europa. baseado na importação e escravização de africanos. O plantio de cana adotou o latifúndio como estrutura fundiária e a monocultura como método agrícola. ajudá-lo diante de uma possível queda acentuada de preços e conseqüentemente da renda agrícola. garante um preço que ele pagará após a colheita do produto. O processo era centrado em torno do engenho.). Em 1549. O segundo ciclo econômico brasileiro foi o plantio de cana-de-açúcar: Utilizada na Europa para a manufatura de açúcar em substituição à beterraba. levando o povoamento do litoral para o interior. A agricultura da cana introduziu a modo de produção escravista.19 B) Política de preços mínimos na agricultura: Trata-se de uma política que visa dar garantia de preços ao produtor agrícola. outras atividades de modelo extrativista predominaram nessa época. dezoito e São Vicente dois. A pecuária extensiva ajudou a expandir a ocupação do Brasil pelos portugueses. antes do início do plantio. Bresser etc. O governo. Em cada ciclo. e abundante em grande parte do litoral brasileiro na época do descobrimento (do Rio de Janeiro ao Rio Grande do Norte). quando se aplicou o congelamento de preços e salários. composto por uma moenda de tração animal (bois e jumentos) ou humana. O Brasil se tornou o . populacionais. Economia Brasileira A economia brasileira viveu vários ciclos econômicos ao longo da História. controlar preços de bens de primeira necessidade ou então refrear o processo inflacionário. C) Tabelamento: Refere-se à intervenção do governo no sistema de preços de mercado visando coibir abusos por parte dos vendedores. o que provocou sucessivas mudanças sociais.

nas áreas que depois foram desmembradas como Minas Gerais. As principais regiões açucareiras inicialmente eram Pernambuco. Todavia. com especial ênfase na gestão de Juscelino Kubitschek. Concentrado a princípio no Vale do Paraíba (entre Rio de Janeiro e São Paulo) e depois nas zonas de terra roxa do interior de São Paulo e do Paraná. teve início o ciclo da borracha no Amazonas (então Província do Rio Negro) e na região que viria a ser o Acre brasileiro (então parte da Bolívia e do Peru). proporcionada pelos tropeiros. Bahia. expedições chamadas entradas e bandeiras vasculharam o interior do território em busca de metais valiosos como ouro.Metais valiosos: Durante todo o século XVII. Ciclo da borracha: Em meados do século XIX. Foi introduzida por Francisco de Melo Palheta ainda no século XVIII. o governo muitas vezes manteve suas contas em desequilíbrio. no baixo vale do Paraíba do Sul).20 maior produtor de açúcar nos séculos XVI e XVII. material que começava então a ser utilizado industrialmente na Europa e na América do Norte. Desenvolvimentismo: O chamado desenvolvimentismo (ou nacional-desenvolvimentismo) foi a corrente econômica que prevaleceu nos anos 1950. foi descoberta que a seiva da seringueira. do segundo governo de Getúlio Vargas até o Regime Militar. uma árvore nativa da Amazônia. esmeraldas). o grão foi o principal produto de exportação do país durante quase 100 anos. Outra importante atividade impulsionada pela mineração foi o comércio interno entre as diferentes vilas e cidades da colônia. a partir de sementes contrabandeadas da Guiana Francesa. na década de 1930. já no início do século XVIII (entre 1709 e 1720) estas foram achadas no interior da Capitania de São Paulo (Planato Central e Montanhas Alterosas). servia para a fabricação de borracha. dando início ao ciclo do ouro. o Brasil desenvolveu grande parte de sua infra-estrutura em pouco tempo e alcançou elevadas taxas de crescimento econômico. Com isso. multiplicando a dívida externa e desencadeando uma grande onda . Ciclo do Ouro . Goiás e Mato Grosso. Valendo-se de políticas econômicas desenvolvimentista desde a Era Vargas. Afinal. prata e cobre além de pedras preciosas (diamantes. São Paulo (antes de sucumbir a concorrência da sacarose nordestina) e parte do Rio de Janeiro (produtores secundários da região de Campos. Ciclo do café: foi o produto que impulsionou a economia brasileira desde o início do século XIX até a década de 1930.

saltou para cerca de R$ 900 bilhões. da queda de renda e com o pagamento de juros da dívida externa. O Brasil viveu o chamado Milagre Econômico. da dívida externa. entre outros. enquanto na década de 90 o país trabalhou para pagar juros da dívida interna (R$ 114 bilhões em 2002). o PIB chegou a crescer 14. Em outras palavras. São Paulo: Saraiva. o desemprego praticamente não existia. o setor privado fez a lição de casa. Com palavras mais objetivas. . A década de 90 foi marcada por um processo de abertura da economia. Marco Antonio Sandoval de e GARCIA. no iníco de 2003. quando um crescimento acelerado da indústria gerou empregos não-qualificados e ampliou a concentração de renda. O modelo de transporte adotado foi o rodoviário.1980). a década de 1980 ficou 'para a história' como a famosa 'década perdida'. assim como a bibliografia complementar orientada para realização dos exercício 'on-line'. Isso ocorreu porque as reformas (tributária e previdenciária) não foram feitas. Bibliografia VASCONCELLOS. naval. Década de 80: Por outro lado.1980): Nenhum país no mundo havia crescido tanto como o Brasil durante duas décadas (1961 . com aumento da inflação. hidroviário. do desemprego. 2003. os juros foram mantidos elevados e o país passou a trabalhar para pagar os juros da dívida interna. o regime militar endureceu e a repressão à oposição (tanto institucional quanto revolucionária/subversiva) viveu o seu auge. na política. Por causa disso. A industrialização. Décadas (1961 . aéreo). Em paralelo. em detrimento de todos os demais (ferroviário. Tanto é verdade que a dívida pública federal. Nessa época. e o setor produtivo privado foi forçado a adotar novas tecnologias para se tornar mais produtivo. em especial no período de 1968 a 1973. O aluno deve-se atentar para consulta aos textos anexados. principalmente o Nordeste. mas o setor público pouco fez para se tornar mais eficiente e controlado. O país se tornou mais competitivo.21 inflacionária. Fundamentos de Economia. Manuel Enriquez. a não ser mais recentemente.0%. com controle da inflação. por meio da Lei de Responsabilidade Fiscal. no entanto. continuou concentrada no eixo Rio de Janeiro-São Paulo e atraiu para esta região uma imigração em massa das regiões mais pobres do país. que era de aproximadamente R$ 60 bilhões em 1993. pode-se dizer que na década de 80 trabalhamos para pagar juros da dívida externa (mais de US$ 100 bilhões numa década).

1. especificamente para o caso de estruturas oligopolistas de mercado. As várias formas ou estruturas de mercados dependem fundamentalmente de três características: a) b) c) número de empresas que compõe esse mercado. de tal sorte uma empresa. por ser insignificante. quais variáveis afetam a demanda e a oferta de bens e serviços. estava sendo suposta uma estrutura específica de mercado. qual seja. o preço de equilíbrio. tipo do produto ( se as firmas fabricam produtos idênticos ou diferenciados). a de concorrência perfeita. que é margem entre a receita e os custos diretos ( ou variáveis )de produção. isoladamente. consequentemente. se existem ou não barreiras ao acesso de novas empresas nesse mercado. Nesse tipo de mercado devem prevalecer ainda as seguintes premissas: · produtos homogêneos: não existe diferenciação entre os produtos ofertados pelas empresas concorrentes. e como são determinados os preços. Introdução Nas aulas anteriores vimos. A maior parte dos modelos existentes pressupõe que as empresas maximizam o lucro total. não afeta os níveis de oferta do mercado e. o mercado automaticamente encontra seu equilíbrio. Concorrência pura ou perfeita É um tipo de mercado em que há um grande número de vendedores ( empresas ).2.22 MÓDULO 4 ESTRUTURAS DE MERCADO 1. supondo sem interferências. veremos que existe uma teoria alternativa. que pressupõe que a empresa maximiza o mark-up. Implicitamente. .

preços etc. mas poucas dominam o mercado. como a indústria automobilística. Não há. a empresa não estará sujeita aos preços vigentes. os monopólios institucionais ou estatais em setores considerados estratégicos ou de segurança nacional (petróleo. Nesse caso. ou os consumidores se submetem às condições impostas pelo vendedor. existem ainda.23 · · não existem barreiras: para o ingresso de empresas no mercado. como a indústria de bebidas. transparência do mercado: todas as informações sobre lucros. 1. energia. Ao ser exclusiva no mercado. O setor produtivo no Brasil é altamente oligopolizado. ou então onde há um grande número de empresas. portanto concorrência. Monopólio O mercado monopolista se caracteriza por apresentar condições diametralmente opostas às da concorrência perfeita. . Pode caracterizar-se como um mercado em que há um pequeno número de empresas. setor de cosméticos. Essas barreiras podem advir das seguintes condições: Monopólio puro.4. comunicação). ou simplesmente deixaram de consumir o produto. de um lado. indústria de papel. a curva de demanda da empresa é a própria curva de demanda do mercado como um todo. Nessa estrutura de mercado. Nele existe. patente e controle de matérias-primas básicas. nem produto substituto ou concorrente. Para a existência de monopólios. Mas isso não significa que poderá aumentar os preços indefinidamente.3. 1. deve haver barreiras que praticamente impeçam a entrada de novas firmas no mercado. sendo possível encontrar inúmeros exemplos: montadoras de veículos. de outro. são conhecidas por todos os participantes do mercado. elevado volume de capital. todos os consumidores. Oligopólio É um tipo de estrutura normalmente caracterizada por um pequeno número de empresas que dominam a oferta de mercado. um único empresário (empresa) dominando inteiramente a oferta e. indústria farmacêutica etc.

2. uma vez que existem produtos substitutos no mercado. por exemplo. mas que não se confunde com o oligopólio. embalagem ou prestação de serviços complementares (pósvenda). O mercado de fatores de produção – mão de obra. 2. 1.5. Podemos caracterizar também tanto oligopólios com produtos diferenciados (como a indústria automobilística) como oligopólios com produtos homogêneos (alumínio). não têm condições de obter preços mais elevados por seus serviços. terra e tecnologia – também apresenta diferentes estruturas.1. o que torna o preço desse fator constante. embora o mercado seja competitivo (daí o nome concorrência monopolista). Essas características acabam dando um pequeno poder monopolista sobre o preço de seu produto. b) margem de manobra para fixação dos preços não muito ampla. capital. Estrutura do Mercado de Fatores de Produção Até aqui identificamos as estruturas de mercados de bens e serviços. Os ofertantes ou fornecedores.24 Nos oligopólios. . como são em grande número. porém com segmentos de mercados e produtos diferenciados. O cartel é uma organização formal ou informal de produtores dentro de um setor que determina a política de preços para todas as empresas que a ele pertencem. mão de obra não especializada. seja por características físicas. Concorrência monopolista Trata-se de uma estrutura de mercado intermediária entre a concorrência perfeita e o monopólio. tanto as quantidades ofertadas quanto os preços são fixados entre as empresas por meio de cartéis. pelas seguintes características: a) número relativamente grande de empresas com certo poder concorrencial. Concorrência Perfeita no mercado de fatores É um mercado onde existe oferta abundante do fator de produção.

torna-se demandante exclusiva da mão de obra local e das cidades próximas. só a empresa A compra um tipo de aço que é produzido apenas pela siderúrgica B. além de oligopolista no mercado de bens e serviços.4.25 2. Por exemplo.2. 2. mas do poder de barganha de ambos: o monopsonista tentando pagar o preço mais baixo (usando a força de ser o único comprador). Exemplo: indústria de laticínios. Monopsônio Trata-se de uma forma de mercado na qual há somente um comprador para muitos vendedores dos serviços dos insumos. 2003. e a siderúrgica B é monopolista. na compra de um fator de produção. São Paulo: Saraiva. 2. A indústria automobilística. porque só ela vende este tipo de aço. Oligopsônio É um mercado onde existem poucos compradores que dominam o mercado para muitos vendedores. Bibliografia VASCONCELLOS. Monopólio bilateral O monopólio bilateral ocorre quando um monopsonista. Fundamentos de Economia. Nesses casos. porque só ela compra esse tipo de aço. também é oligopsonista na compra de autopeças. e o monopolista tentando vender por um preço mais elevado (usando o poder de ser o único fornecedor). defronta-se com um monopolista na venda deste fator. por ser a única. MÓDULO 6 O MERCADO MONETÁRIO . É o caso da empresa que se instala em uma determinada cidade do interior e. a determinação dos preços de mercado dependerá não só de fatores econômicos. Marco Antonio Sandoval de e GARCIA. tendo para si a totalidade da oferta de mão de obra.3. Em cada cidade existem dois ou três laticínios que adquirem a maior parte do leite dos inúmeros produtores rurais locais. A empresa A é monopsonista. Manuel Enriquez.

praticavam uma exploração primitiva da natureza e se alimentavam por meio da pesca. A moeda pode ser conceituada como um intermediário de trocas "que serve como medida de valor e que tem aceitação geral. (. em geral nômades. A divisão social do trabalho começa a se manifestar e os integrantes do grupo ganham funções específicas como guerreiros. pastores. A atividade econômica tornou-se mais complexa.) esta aceitação geral é um fenômeno essencialmente social. ela também se caracteriza como uma reserva de valor" (LOPES e ROSSETTI.1. Montoro Filho (1992) exemplifica esse problema salientando a dificuldade que um fabricante de canoas teria se quisesse tomar um cafezinho. o numero de bens e serviços exigidos para satisfação das necessidades do grupo aumentou. artesãos e sacerdotes Dessa maneira. desde o momento em que é recebida até o momento em que é dada em pagamento de outra transação. por consequência. Além disso. como a moeda representa um poder de aquisição. Num ambiente de pouca diversidade de produtos. portanto. a troca torna-se fundamental para a sobrevivência do grupo social A partir de então. a "dupla coincidência de desejos" torna-se mais difícil. peixes. A primeira revolução agrícola foi modificando o sistema baseado no escambo. não conheciam a moeda e recorriam às trocas diretas de objetos (chamada de escambo) quando desejavam algo que não possuíam. um machado. Esses grupos. teria que achar uma outra pessoas que fabricasse machados e quisesse.. alguns bens de aceitação são eleitos como intermediários de trocas. Ele exige uma dupla coincidência de desejos. por exemplo. A vida nômade foi gradativamente cedendo lugar para sedentária e a produção passou a diversificarse com a introdução de utensílios de trabalho. agricultores. o escambo era viável. basicamente. Origem da Moeda: o Escambo e o Desenvolvimento da Atividade Econômica Os primeiros grupos humanos. porque quem pescasse e quisesse. . a divisão do trabalho provocou sensíveis mudanças na vida social.. exercendo. O escambo apresenta alguns problemas no que se refere ao desenvolvimento das atividades econômicas de uma maneira geral.26 1. Outro problema diz respeito à indivisibilidade dos objetos nas trocas diretas. exatamente. 1991: 18). História da Moeda 1. função de moeda. caça e coleta de frutos.

O abandono da exigência do valor de uso dos bens. não se desgastavam. perdia-se a confiança em mercadorias não homogêneas. Além disso. Muitas vezes. o que lhes garantia um preço estável e alto. Assim. valor de troca). e. então.2. ter aceitação comum e geral. foi gradativo. de multiplicarse entre uma troca e outra — mas. Evolução Histórica da Moeda As primeiras moedas foram mercadorias e deveriam ser suficientemente raras. por exemplo. a prata e a cevada como moedas. por outro lado. os metais preciosos deveriam ser pesados para se determinar seu valor. e como esse valor de uso era comum e geral elas tinham. um soberano recontava as moedas para financiar o tesouro real. o dinheiro de bambu na China. havia o problema da pesagem. em detrimento do valor de troca. sujeitas à ação do tempo (como no caso dos gados citado acima). na Austrália moderna fizeram a vez de moeda o rum. sob marcante influência dos usos e costumes dos grupos sociais em que circulavam" . as moedas-mercadorias foram sendo descartadas. Entretanto. para que tivessem valor. na Babilônia e Assíria antigas utilizava-se o cobre. o sal na Roma Antiga. o dinheiro em fios na Arábia. facilmente reconhecidos. Entre os bens usados como moeda estão o gado.27 1. Além disso. · a característica valor de uso e valor de troca tornava o novo sistema muito semelhante ao escambo e suas limitações intrínsecas. Elas tinham. Esse problema foi resolvido com a cunhagem. Os metais preciosos passaram a sobressair por terem uma aceitação mais geral e uma oferta mais limitada. apoderando-se . conseqüentemente. divisíveis e leves. As principais razões para isso foram: · elas não cumpriam satisfatoriamente a característica de aceitação geral exigida nos instrumentos monetários. essencialmente valor de uso. cereais e moedas cunhadas de ouro e prata. na Alemanha medieval. utilizavam-se gado. de difícil transporte. como já foi dito. Com o tempo. que tinha a vantagem. Em cada transação. divisão ou manuseio. quando era impresso na moeda o seu valor. Ele recolhia as moedas em circulação e as redividia em um número maior. entretanto. o trigo e até a carne. "As moedas-mercadorias variaram amplamente de comunidade para comunidade e de época para época.

modalidade de moeda não lastreada totalmente. o bronze e. Esse processo gerava o que conhecemos como inflação. O desenvolvimento de sistemas monetários demandaram o surgimento de um novo tipo de moeda: a moeda-papel. adotaram o sistema fiduciário. Assim surgem os certificados de depósito. essa moeda representativa poderia ser convertida em metal precioso a qualquer momento. metais raros e de aceitação histórica e mundial. uma vez que não houve uma conscientização de que os depósitos bancários. O lastro metálico integral mostrou-se desnecessário quando foi constatado que a reconversão da moeda-papel em metais preciosos não era solicitada por todos os seus detentores ao mesmo tempo e ainda quando uns a solicitavam. muito abundantes. eram uma forma de moeda. . em diversos momentos da História. não conseguiam cumprir uma função essencial da moeda que é servir como reserva de valor. juntamente com a moeda fiduciária. Hoje. ou papel-moeda. inconversiblidade absoluta e monopólio estatal das emissões Desenvolve-se. risco de roubo). uma vez que existia um maior número de moedas para uma mesma quantidade de bens existentes Os primeiros metais utilizados como moeda foram o cobre. emitidos por casas de custódia em troca do metal precioso nela depositado. Hoje em dia. Por serem. O seu desenvolvimento foi acidental (LOPES e ROSSETTI. a moeda bancária representa a maior parcela dos meios de pagamento existentes. A moeda-papel veio para contornar os inconvenientes da moeda metálica (peso. Dessa maneira.28 do excedente. escritural (porque corresponde a lançamentos a débito e crédito) ou invisível (por não ter existência física). todos resolviam reconverter seus papéis-moeda em metais preciosos) levou o Estado a controlar o mecanismo das emissões e a exercer seu monopólio. 1991). e sem aviso prévio. com a exceção dos Estados Unidos — que mantiveram o lastro metálico proporcional até 1971 —. o ferro. embora valessem com lastro nela. esses sistemas apresentam inexistência de lastro metálico. ainda. os sistemas monetários de quase todos os países. Eles ajudaram a expandir os meios de pagamento através da multiplicação de seu uso. movimentados por cheques. depois da Grande Depressão gerada pela crise de 1929-33. Por ser lastreada. os metais não nobres foram sendo substituídos pelo ouro e pela prata. Após o uso de diversos sistemas de conversão que se mostraram fracassados. outros pediam novas emissões. notadamente. A passagem da moeda-papel para o papel-moeda é tida como uma das mais importantes e revolucionárias etapas da evolução histórica da moeda A falência do sistema privado de emissões (quando. a chamada moeda bancária. nas casas de custódia A moeda-papel abre espaço para o surgimento da moeda fiduciária.

operação de economia monetária.29 Criada pelos bancos comerciais. conduz ao poder político. A Oferta de Moeda Vamos nos concentrar agora nos fatores que determinam a oferta de moeda. quando foi feita a sua conceituação. melhor planejamento de bens e serviços. Vimos que a oferta de moeda é realizada tanto pelas autoridades monetárias. por meio da emissão de notas e moedas metálicas. 3. 2. racionaliza informações econômicas constrói sistema agregado de contabilidade social. essa moeda corresponde à totalidade dos depósitos à vista e a curto prazo e sua movimentação é feita por cheques ou por ordens de pagamento — instrumentos utilizados para sua transferência e movimentação Atualmente. Funções da Moeda Para aprofundar as utilizações da moeda descritas acima. Padrão de pagamentos: Permite realizar pagamentos ao longo do tempo. · Medida de valor: Unidade padronizada de medida de valor. a seguir. liquidez por excelência. produção. quanto pelos bancos comerciais que. que têm apenas valor de troca. melhor especialização e divisão social do trabalho. permite manipulação na relação Estado-Sociedade. denominador comum de valores. investimento. consumo. poupança. as duas formas de moeda utilizadas são a fiduciária e a bancária. as principais funções da moeda relacionadas por Cavalcanti e Rudge: · Intermediária de trocas: Superação do escambo. · Instrumento de poder: Instrumento de poder econômico. permite crédito e adiantamento. pronta aceitação consensual. viabiliza fluxos de produção e de renda. apesar de não poderem . · · Função liberatória: Liquida débitos e salda dívidas. · Reserva de valor: Alternativa de acumular riqueza. estão. transações com menor tempo e esforço. poder garantido pelo Estado.

uma transferência entre moeda manual e moeda escritural. e. pois aumenta o volume de moeda manual em poder do público (estas operações são chamadas Mercado Aberto ou Open Market). Não há criação nem destruição de moeda e. Alguns exemplos esclarecem estes aspectos: a) um indivíduo efetua um depósito à vista. c) um banco compra títulos da dívida pública possuídos pelo público. atualmente. Portanto nossa preocupação. . para pagamento. ou seja. 3. A substância é a mesma. de forma análoga à apresentada na seção anterior. enquanto para a moeda escritural a sua criação (ou destruição) se dá quando há um acréscimo (ou decréscimo) dos depósitos à vista ou a curto Prazo nos bancos comerciais.1. Somente uma parte do total dos depósitos é exigida. Mecanismo de Expansão dos Meios de Pagamento A criação de moeda por meio dos bancos comerciais se faz. O Sistema Bancário . no entanto. A criação (ou destruição) de moeda manual corresponde. Existe destruição de meios de pagamento. Haverá criação de moeda quando houver um aumento desta soma. A primeira parecia é chamada moeda manual ou moeda corrente. moeda escritura[ ou bancária. De outra parte haverá destruição de moeda quando se reduzir o volume de meios de pagamento. no momento. ~o aumenta o volume da soma de moeda corrente e de moeda escritural. b) um indivíduo efetua um depósito a prazo. a segunda. quando se tratou da moeda fracionalmente lastreada. a um aumento (ou diminuição) do papel-moeda em poder do público.Criação e Destruição de Moeda De início. pagando em moeda corrente: há criação de meios de pagamento. podem. 3. pois depósitos a prazo não são considerados meios de pagamento.2.30 emitir. convém definir o que venha a ser criação ou destruição de moeda. Na seção anterior definimos moeda como sendo a soma do papel-moeda em poder do público (inclusive moedas metálicas) e dos depósitos à vista nos bancos comerciais. Iremos inicialmente estudar a oferta de moeda dos bancos comerciais e posteriormente analisar os instrumentos disponíveis pelas autoridades para controlarem a oferta total de moeda. assim. criar ou destruir moeda. sim. é verificar como os bancos podem aumentar ou diminuir os depósitos à vista. ao mesmo tempo.

e desta forma o banco comercial pode fazer . é suficiente. 1. Um Único Banco Comercial Vamos analisar este exemplo com maior atenção e verificar como o banco pode criar moeda ou depósitos. entretanto. ou seja. em moeda. Normalmente esta solicitação é feita por meio de cheques. de tal forma que qualquer volume a mais seja depositado nos bancos. Ocorre. A tabela a seguir mostra como esta transação será transcrita nos livros do banco: Tabela 1 Ativo Encaixe 100 Passivo Depósitos 100 Nesta primeira etapa não houve criação de moeda e. pequena. sim. Em primeiro lugar. 10%. Caso o banco tenha em caixa. ele promete pagar a quantia depositada ou uma parte desta. Um exemplo esclarece melhor. de tal forma que somente uma parcela do total dos depósitos é necessária para atender ao movimento. Esta parcela é normalmente pequena. 10%. Ocorre. quando um banco recebe um depósito à vista.1.0o.000. Em segundo lugar. . que o público esteja satisfeito com a quantidade de papel-moeda em seu poder. Em outras palavras. como reserva.31 De fato. entretanto. ele poderá fazer promessas de pagar num total de 10 vezes suas reservas. uma transferência de moeda manual para moeda escritural. quando para tal for solicitado. que a todo instante existem depósitos e saques. que o banco não precisa conservar 100% de reservas para garantir seus depósitos. 3.2. suponhamos que exista apenas um único banco comercial. Para tal fim vamos fazer inicialmente algumas hipóteses simplificadoras. um depósito à vista num banco comercial representa um direito que o depositante possui sobre uma determinada quantia. neste nosso banco monopolista. A experiência mostra que uma parcela. vamos supor 10%. Suponhamos que seja 10% a parcela do total dos depósitos que é normal mente (em média) exigida. Nestas condições vamos analisar o que ocorre quando é feito um novo depósito de $ 10o. promessas de pagar" em um valor múltiplo do total de depósitos iniciais e usar os fundos assim obtidos para efetuar empréstimos.

reduzirá a conta corrente de quem preencheu o cheque e aumentará a conta de quem o recebeu. emprestar $ 50o. que receberem os cheques. irão depositá-los no nosso banco.00o. ou empresas.2. Seus encaixes agora representam 10% de suas obrigações (depósitos). O banco.00 para a empresa X.2. Note-se que por simples lançamentos contábeis o banco criou $ 90o. Assim ele poderá.000 O ativo do banco agora inclui os $ 10o.00o. Em primeiro lugar.32 Com $ 10o.00. Tabela 2 Ativo Encaixe Empréstimo para X Empréstimo para A 100 500 400 1. vamos supor a existência de muitos . Na maioria dos casos eles o farão por meio de cheques. e os $ 90o.00 dos depósitos iniciais. A tabela 2 mostra como estas transações aparecerão nos livros do banco. assim. por exemplo.0o.00 criados para o indivíduo A. com modificações apenas na composição interna dos depósitos. fizemos duas hipóteses simplificadoras. eliminando-as. ou seja. então. $ 50o. Não haverá. cobrando juros em ambas.00 do depósito inicial. e a situação permanece a mesma que foi descrita pela Tabela 2.00 de empréstimos efetuados. O passivo. sendo $ 10o. Vamos agora alterar o raciocínio. as operações. e emprestar $ 40o.00 de novos depósitos. Vários Bancos Comerciais No raciocínio exposto acima. qualquer alteração no total dos seus depósitos. os indivíduos.000 Depósitos Passivo 1. Em contrapartida o banco permite ao indivíduo A preencher cheques até o montante do empréstimo e abre um crédito na conta da empresa X no valor de $ 50o.00 de reservas o banco pode prometer pagar $ 1.00 (de depósitos). Como estamos supondo que exista um único banco e que o público não deseje conservar quantias adicionais de moeda em forma de moeda manual.00 ao indivíduo A. aumentou para $ 1. por sua vez. É de se esperar que tanto a empresa X como o indivíduo A gastem o seu dinheiro.000 1.00 de depósitos criados para a empresa X e $ 40o. moeda escritural. 3.

as funções do Banco Central são desempenhadas pelo Banco Central do Brasil e pelo Banco do Brasil. ou seja. O Banco Central Os bancos que acabamos de analisar são bancos comerciais. E. Neste sentido. 4. Nestas condições. De fato. vale a hipótese feita de que todos os cheques serão novamente depósitos no sistema. ou motivados em seu funcionamento pelos lucros a serem alcançados. 4. Nos Estados Unidos. hipótese esta que corresponde à realidade brasileira. Assim. o Banco Central é o instrumento pelo qual o governo realiza sua política monetária. Bancos Centrais.33 bancos. não pode esperar que os cheques lançados por seus clientes sejam recebidos por outros seus clientes e novamente depositados no banco. A estrutura administrativa e jurídica dos diversos Bancos Centrais varia largamente entre países. O Banco Central . para o sistema como um todo. Além destes bancos. as funções dos diversos bancos centrais são as mesmas. cada banco individualmente não poderá se comportar da forma que foi exposta no caso de um único banco. Entretanto. O sistema bancário pode criar depósitos num valor múltiplo dos depósitos iniciais. ao menos a maioria. assim. vamos nos concentrar no estudo das funções gerais de um banco central. Podemos. raciocinarmos com todos os bancos agregadamente. cuja função primordial é regular o fluxo da moeda e do crédito na economia.1. cujo comportamento é ditado pela regra de maximizar os lucros. encontramos. isoladamente. Banco dos Bancos Os bancos comerciais podem querer depositar seus fundos em algum lugar e necessitam de um mecanismo para transferir fundos de um banco para outro. No Brasil. bancos privados. O Banco Central é uma agência das autoridades monetárias por meio da qual é realizada a política monetária. É de se esperar que estes cheques sejam depositados em outros bancos. entretanto. ou seja. em que pese as diferenças institucionais. No Reino Unido. o mecanismo de expansão é exatamente igual ao apresentado. o Banco Central é o Banco da Inglaterra. encontramos o Sistema Federal de Reserva. o raciocínio é o mesmo. Neste caso. Em outras palavras. cada banco. em quase todos os países. pensar no sistema em conjunto.

1. Este mecanismo é controlado no Brasil pelo Banco do Brasil. este poder de emprestar para controlar e regular as atividades dos bancos comerciais. De outra parte. os fundos necessários. uma única vez por dia.2. O funcionamento da compensação é simples.34 cumpre este papel. uma parte das funções é desempenhada pelo Banco do Brasil. recebidos em suas agências. São somados os débitos e créditos de cada banco. por estas razões. Mesmo quando o governo vende títulos ao público. as reservas . e realmente usa. Para tal fim. No Brasil. Os bancos comerciais precisam também de fundos líquidos. o agente financeiro do governo. assim. normalmente. ou melhor. e ao mesmo tempo lhe são cobrados cheques de seus clientes depositados em outros bancos. Quem o faz é o Banco do Brasil. O Banco Central deve ser um banco austero. ele o faz por meio do Banco Central. Uma das formas de consegui-los é pedir emprestado ao Banco Central. 4. Controle e Regulamentação da Oferta de Moeda A principal função do Banco Central é controlar a oferta de moeda. Os saldos líquidos são a seguir transferidos. obtendo. ele normalmente emite títulos (obrigações) e os vende ou ao público ou ao Banco Central. Bancos do Governo Grande parte dos fundos do governo são depositados no Banco Central. Os principais são as emissões de papel-moeda.2. Cada banco comercial apresenta os cheques de outros bancos. Este é. Recebe depósitos dos bancos comerciais e transfere fundos de um para outro banco. por causa da estrutura híbrida do Banco Central. 4. quando o governo necessita de recursos. A Câmara se reúne. De outra parte. A taxa de juros que os bancos comerciais pagam é conhecida como taxa de redesconto. o Banco Central pode usar. Recusar novos empréstimos quando achar necessário e cobrar os empréstimos atrasados. Os bancos que tenham saldos positivos recebem fundos dos que tenham saldos negativos. Sua função deve ser a de socorrer os bancos em suas dificuldades. Esta última função é desempenhada pela Câmara de Compensação de Cheques. O Banco Central do Brasil não recebe depósitos do governo. o banco do governo. ele pode utilizar vários instrumentos. mas somente nestas ocasiões. O Banco Central deve ser "um emprestador de última instância-.

1. especialmente por meio da política de redesconto. Além destes instrunentos. não se recomenda que o Banco Central use este seu poder para controlar a oferta de moeda. portanto.000.35 obrigatórias dos bancos comerciais e as operações de mercado aberto (open market). esta taxa é pouco inferior a 20%. mas que coloque em circulação o volume de notas e moedas metálicas necessárias ao bom desempenho da economia. examinaremos cada uni destes instrumentos e como por meio deles as autoridades monetárias podem fornecer ao sistema econômico uma oferta de moeda suficiente para o desenvolvimento das atividades econômicas. aproximadamente 8 % do total dos depósitos.2. não seja excessiva a ponto de se tornar uma fonte de inflação. não só a expansão dos meios de pagamento é afetada pela modificação nas reservas.00o. 4. e na Inglaterra. o volume de papel-moeda emitido. estas reservas obrigatórias ou compulsórias são em média pouco superiores a 35% dos depósitos à vista. Como pôde ser visto.00o. o total de moeda escritural será $ 5. Monopólio das Emissões Em quase todos os países do mundo. mas que. nos Estados Unidos.1. o Banco Central usa também seu poder de ser o banco dos bancos. a oferta de meios de pagamento. o Banco Central tem o monopólio das emissões. o Banco Central controla. por outro lado. os bancos comerciais guardam uma parcela dos depósitos como reservas e com a finalidade de atender ao movimento de caixa. . a relação encaixe-depósitos é uma das determinantes do mecanismo de expansão dos meios de pagamento. A seguir. Em geral. De outra parte. 4. para um volume de $ 1. por força de lei. No Brasil.2. nas fórmulas apresentadas acima.2.00. Reservas Obrigatórias Como já foi discutido. a variação das taxas de reservas obrigatórias acarreta alterações substanciais na criação de moeda por parte dos bancos comerciais.00 de reservas e com uma relação encaixe-depósitos igual a o.000.20%. De fato. Em geral. Assim. Em outras palavras. mas o próprio volume de moeda escritural é alterado e.1. O controle da oferta de meios de pagamento deve ser realizado pela utilização dos outros instrumentos. os bancos centrais forçam os bancos comerciais a guardar reservas superiores às que seriam indicadas pela experiência e prudência destes estabelecimentos.

25%.2.3. estas operações consistem em vendas ou compras. e de acordo com a hipótese formulada. portanto. depositar os cheques recebidos nos seus bancos comerciais. Seria interessante que o leitor estudasse o que ocorreria caso o Banco Central reduzisse a relação encaixe-depósitos para 0. o sistema bancário será obrigado a reduzir o volume de moeda escritural para $ 4. sua utilização data do início da década de 70. pois agora ele será obrigado a ter como reservas 25% dos depósitos. o Banco Central entrega ao antigo possuidor um cheque no valor da importância devida. para um aumento na oferta de moeda. por exemplo. Calculando 25% de 4 milhões.000.00o. Operações de Mercado Aberto ("Open Market") Outro instrumento importante para o controle da oferta de moeda são as operações de mercado aberto. Em resumo. gerou encaixes excedentes. Em essência. por sua vez. Ora. Vamos supor que o Banco Central compre obrigações governamentais possuídas pelo público. dará 1 milhão. o Banco Central. 4. No Brasil. ou seja. seria interessante reler a parte anterior referente ao mecanismo de expansão dos meios de pagamento.1.10%. Estados Unidos e Inglaterra. . acarretou uni aumento nos depósitos junto aos bancos comerciais. Caso o leitor não esteja seguro desta repercussão. a compra de títulos governamentais. compra títulos de inúmeros indivíduos. os bancos vão agora se defrontar com encaixes excedentes. Como pagamento desta compra. por parte do Banco Central. Qual o efeito destas compras e vendas sobre a oferta de moeda? Para entendermos esta repercussão. este instrumento é o mais utilizado pelas autoridades monetárias. Em muitos países. quando realiza estas operações. os quais vão seguir o mesmo procedimento. suficiente para que se dê a expansão múltipla dos meios de pagamento. de títulos governamentais no mercado de capitais.0o. Como uma só parte dos depósitos precisa ser guardada como reserva ou encaixe. vamos analisar o que ocorre quando estas operações são realizadas.36 Caso o Banco Central altere a relação para o. Este aumento. Já estudamos a repercussão do aumento dos depósitos no sistema bancário.00o. Por sua parte o indivíduo que vendeu os títulos deposita o cheque num banco comercial no qual seja correntista.0o. mesmo que suas reservas permaneçam iguais a $ 1. e estes foram o ponto de partida para uma expansão múltipla dos meios de pagamento e. por parte do Banco Central. Estes encaixes são a condição necessária.000.

e assim sucessivamente. Desta forma. oferecendo empréstimos abundantes e a juros (taxa de redesconto) baixos. Na medida em que adota uma política liberal de crédito. de se controlar a oferta de moeda e a política de redesconto.1. Este custo.1. portanto. Quando o Banco Central descontasse estes cheques. Se quisermos responder às perguntas acima. ele reduziria as reservas dos bancos que. e. reduzir a oferta de moeda. Razões para manter Encaixes Monetários 5. de oportunidade. destas para outras empresas. ou praticamente todas. por sua vez. os bancos comerciais serão obrigados a reduzir seus empréstimos e elevar as taxas de juros.2. são realizadas com o pagamento em moeda. Esta é. Os indivíduos que comprassem os títulos os pagariam com cheques. seriam obrigados a contrair a oferta de meios de pagamento.1. A moeda passa dos indivíduos para as empresas. Já vimos que o Banco Central é o banco dos bancos. Caso o Banco Central limite quantitativamente os redescontos ou eleve suas taxas. Desta forma. 5. podemos dizer que existe um custo ao se guardar moeda. o crédito bancário se torna difícil e dispendioso. ganhar juros? Ou fazer outras aplicações e receber rendimentos? Se existem estas possibilidades. 4. devemos desenvolver uma teoria da demanda de moeda. é exatamente o que se deixa de ganhar ao se manter a moeda inativa. ou seja. bastante importante. Os pagamentos e recebimentos não são perfeitamente sincronizados Todas as transações. A Demanda de Moeda Por qual razão indivíduos e empresas guardam moeda consigo ou nos bancos? Não seria mais interessante comprar títulos e. e que ele empresta fundos líquidos aos outros estabelecimentos bancários. seja por meio de empréstimos diretos ou por meio do redesconto de títulos. inclusive. portanto.37 O oposto se verificaria caso o Banco Central vendesse títulos.1. estes podem também adotar uma política liberal de crédito para seus clientes. porque se guarda moeda que não rende nada? Em outras palavras.4. tanto as empresas como . o Banco Central fornece aos bancos comerciais uma fonte acessível de empréstimos. 5. Política de Redesconto Uma outra forma. É o que faremos a seguir. ou novamente para os indivíduos. uma das mais usadas nas economias modernas.

Até o dia que antecede o novo pagamento os indivíduos têm certa despesa.1. 5. Vamos analisá-los. Empresas No início de cada mês. como condução. ou seja. Vamos supor um indivíduo que receba $ 12.0o. exatamente igual à metade de seu salário mensal ou de sua renda anual. nestas condições. Pelo contrário.00.1.00 durante este dia. cafezinho etc. atingiria uni máximo. alimentação. 5. o comportamento das empresas e indivíduos é diferente porque existem outros fatores atuando. no fim do mês. Na prática.00o.00o. Incertezas quanto às Datas e Montantes dos Recebimentos . No decorrer do mês. a caixa das empresas ficaria a zero. e com o pagamento dos empregados cairia abruptamente para zero. É preciso lembrar que o comportamento de gastos apresentados não corresponde necessariamente ao comportamento normal. nos primeiros dias do mês há um acúmulo de despesas. Podemos explicar melhor de onde surge esta procura.00 e gasta $ 40o. Assim. é necessário que se guarde até este dia uma certa quantia de moeda.00o.2. mas isto não o preocupa.0o.00 e termina com $ 11. Qual é.1. Assalariados Normalmente recebem-se os salários no início do mês e gastam-se ao longo do mês.1. iria aumentando e. os $ 12. No início do primeiro dia ele tem.20o. na carteira ou no banco. também chamada de encaixe monetário médio? É fácil verificar que este encaixe é igual a $ 6. 5. analisando primeiramente o comportamento dos assalariados e depois o das empresas.38 os indivíduos precisam guardar certa quantidade de moeda para os pagamentos que têm que fazer.2. cigarros. e assim por diante.60o. É uma abstração da realidade visando apenas o entendimento do fenômeno.1. O economista inglês Lord Keynes designou esta procura de procura de moeda para transações. pois sabe que no dia seguinte receberá seu ordenado. a quantidade média de moeda retida. É bom notar que esta apresentação é bastante simplificada. No dia seguinte. No fim do último dia do mês ele estará absolutamente na lona. ele começa com $ 11.1. Em geral.00 por mês e decida gastá-lo em parcelas diárias iguais a $ 40o.

Vamos supor que os assalariados recebam seu ordenado no dia 3 ao invés do dia 12. a não ser o estritamente necessário para as transações e para a segurança destas. a função de reserva de valor. e. mantêm. como a moeda não rende juros e não tem. torna-se racional guardar moeda ao invés de títulos: .1. Se eles tiverem gasto o seu último centavo na noite do dia 31. nem para o cafezinho. Desta forma. Caso eles tivessem excedentes monetários. seja nos bancos. quando isto é possível. ou a demanda de moeda para precaução. de acordo com a terminologia keynesiana. mesmo no fim do mês. eles comprariam títulos. enquanto a moeda não os tem. A falha deste raciocínio é esquecer que a moeda desempenha. que iremos analisar logo após estudarmos a terceira razão para a manutenção de encaixes de moeda. É fácil verificar que estes encaixes de segurança ou precaução devem depender da renda do indivíduo ou da empresa. os indivíduos nunca guardariam moeda. ao menos a curto prazo. maiores serão seus encaixes necessários. Estas idéias deram origem à chamada Teoria Quantitativa do Valor da Moeda. a não ser para indivíduos extremamente avarentos. A existência de encaixes para precaução aumenta o encaixe médio retido por empresas e indivíduos.seja na carteira. que têm rendimentos. Quanto maior for a empresa. ou seja.39 A segunda razão para empresas e indivíduos reterem moeda é a incerteza quanto às datas e montantes dos recebimentos. além de outras. O comportamento indicado nos gráficos anteriores é bastante arriscado. Vamos apresentar três casos onde. desta forma. 5. Este é o chamado motivo de precaução.encaixe de segurança . É por esta razão aceito que este encaixe seja uma proporção da renda dos assalariados ou das empresas. A Moeda é uma forma de Patrimônio Um raciocínio simplista levaria à conclusão de que. uma utilidade em si.3. a velocidade-renda da moeda se reduz. eles passariam os três primeiros dias do novo mês sem dinheiro. nem para a condução. uma certa quantia de moeda . e devido ao fato de não ser possível prever exatamente o que ocorrerá no futuro. os indivíduos e empresas. nós podemos representar a demanda de moeda para fins de transação e precaução como uma função proporcional da renda monetária. pode representar uma forma de riqueza ou patrimônio. Para evitar estes problemas.

mas tem a vantagem de não apresentar riscos. portanto. A taxa de juros sendo o que se pode ganhar nos títulos. Exemplifiquemos. e assim ganhar grandes somas nestas transações. os indivíduos não desejarão adquirir os títulos. portanto. diversifica seu património em vários títulos e aplicações. Podemos apresentar este raciocínio de outra forma. É o preço de manter os estoques monetários.é o caso de indivíduos que aumentam suas contas bancárias durante alguns meses para dar a entrada na compra de uma casa. a quantidade demandada de moeda aumenta. e assim a quantidade demandada de moeda se reduz. ou seja. No caso da queda de preços esperada ser no preço dos títulos. é uma boa política guardar moeda como reserva de valor. c) quando se espera a baixa no preço de bens patrimoniais. esta razão corresponde à procura especulativa de moeda. os indivíduos passam a desejar comprar títulos. de Keynes. De outra parte. b) a moeda não apresenta rendimentos. quando se vai comprar um terreno e espera-se que o preço do terreno diminua. Caso os preços dos títulos estejam muito altos e.40 a) quando se pretende comprar certo bem patrimonial indivisível . Quando a taxa de juros for baixa. . Por exemplo. para reduzir os riscos. a taxa de juros baixa. espera os preços diminuírem para efetuar a transação. O indivíduo. os indivíduos não desejam comprar títulos e guardam todos os seus excedentes monetários. portanto. é exatamente aquilo que se deixa de ganhar ao guardar moeda e. Em outras palavras. a alta na taxa de juros. representa um custo de oportunidade. ou de um automóvel. existe uma relação inversa entre a quantidade demandada de moeda e a taxa de juros. A desvantagem de não gerar juros pode ser compensada pela vantagem de ausência de riscos. Estas idéias nos levam a colocar esta demanda de moeda como dependente da taxa de juros. especialmente quando não há inflação. O indivíduo. mesmo tendo os recursos necessários para a compra. Isto corresponde à prática de comprar na baixa e vender na alta. pois não é provável que ganhem bons rendimentos. O comportamento racional do aplicador será guardar a moeda e esperar a queda no preço do título e. inclusive guardando certa quantidade de moeda. quando a taxa de juros aumentar.

6. Teoria Quantitativa de Moeda Segundo John Stuart Mill. os juros forem muito altos. faremos uma síntese destes pensamentos. Posteriormente.41 Assim. cada aumento na quantidade diminuindo o valor e cada diminuição aumentando-o. em uma proporção exatamente equivalente". como é apresentada no gráfico acima. ficando.1. para comprar títulos. inativa durante alguns dias. mantidos constantes os demais fatores. especialmente os de grande liquidez. se. Pode-se também argumentar que mesmo a demanda de moeda para transação e precaução é função da taxa de juros pois. apresentando as duas principais correntes – a Teoria Quantitativa e a Teoria Keynesiana. com os juros recebidos. como saldo. por exemplo. varia inversamente com a sua quantidade. portanto. na sua célebre equação: PT = MV Onde: P = preço médio (nível de preços) T = número de unidades transacionadas (produção real) M = estoque de moeda (moeda manual mais depósitos bancários à vista) . A curva de demanda é decrescente. Muitas idéias e discussões surgiram e ainda hão de surgir. Relação entre Moeda e Nível de Preços A relação entre a moeda e o nível geral de preços é um assunto que tem merecido a atenção dos estudiosos desde séculos atrás. Quando se necessitar de moeda de novo vende-se o título. "o valor da moeda. 6. Irving Fisher inclui elementos da velocidade da circulação da moeda e do nível de produção da economia. vale a pena reduzir o estoque de moeda para precaução e/ou usar parte da moeda retida para transação posterior e. quanto maior o preço (taxa de juros menor a quantidade demandada de moeda e viceversa. No presente capítulo.

000. aumentando a velocidade com que ele troca de mãos.2.000 P= ? PT = MV P = MV/T = (1.000. .000. Teoria Keynesiana da Moeda A Teoria Keynesiana difere em dois aspectos da Teoria Quantitativa.000.50 Suponha que o estoque de moedas passe de $1.000. deve-se entender a Teoria Keynesiana como sendo uma complementação da Teoria Quantitativa e não uma negação desta.00 V = 2. Assim sendo.000.000. mesmo SEM um aumento em seu quantitativo.5) / 200.000.00 para $2.000.000 = $12. Podemos dizer que. Keynes acrescenta uma outra parcela representada pela demanda especulativa de moeda.00 x 2. com expectativas de inflação elevada. Esse aumento da velocidade de circulação eleva o patamar da inflação (e vice-versa). para Keynes a demanda de moeda ocorre não só por causa dos motivos transação e precaução. é comum aumentar a velocidade de circulação da moeda.000. 6.00 x 2.5 T = 200. além da demanda da moeda apresentada pela Teoria Quantitativa.000.000. Neste sentido. Em tempos de instabilidade financeira. a demanda de moeda depende não só da renda monetária como também da taxa de juros.000.000.5) / 200.00: P = MV/T = (2. Em primeiro lugar.00 O aumento de 100% no estoque de moedas. mas também porque a moeda é uma forma de patrimônio. O dinheiro "queima" nas mãos das pessoas. gerou uma inflação de 100% nos preços.000.000.000.42 V = velocidade de circulação da moeda Suponhamos que: M = $1.000 = $25.000.

teremos: a) quando houver aumento da oferta monetária. . eles estiverem com encaixes muito baixos e insuficientes. b) os indivíduos e empresas irão aumentar. eles não irão somente aumentar sua demanda de bens e serviços. O aumento do preço dos títulos é a mesma coisa que a queda na taxa de juros. d) a redução na taxa de juros tenderá a aumentar os investimentos. Sendo que a oferta (a curva e não a quantidade) permanece a mesma. Com a redução na taxa de juros. e) o aumento dos investimentos tem um efeito multiplicador da demanda agregada. a procura de títulos. Esta é a primeira repercussão. c) este aumento da procura deverá aumentar os preços dos títulos. O aumento dos investimentos tem um efeito multiplicador sobre a demanda agregada. o investimento é sensível à taxa de juros. reduzir a taxa de juros. Para Keynes.). haverá estímulo para investimentos. De outra parte. A demanda de títulos aumenta. A repercussão deste comportamento será a de alterar a taxa de juros. Este é. os preços dos títulos irão aumentar. Quando empresas e indivíduos estiverem corri excedentes monetários. Mas o processo não pára aí. eles venderão os títulos para reequilibrar seus encaixes monetários. quando a taxa de juros for baixa. Quando. por causa destes encaixes. Para a Teoria Quantitativa. haverá dificuldades para investimentos e. Vimos que eles procurarão comprar títulos. quando a taxa de juros for alta. os indivíduos e empresas irão aumentar sua demanda de bens e serviços. para Keynes. o que é a mesma coisa. os investimentos tendem a aumentar. ou. surgirão encaixes excedentes. Vamos supor que existam encaixes excedentes nas empresas e com os indivíduos. vai-se adicionalmente usar os encaixes excedentes para comprar títulos (ações. debêntures etc. Esta aumenta em um valor múltiplo do aumento inicial no investimento. quando houver encaixes monetários excedentes. Esta é a segunda repercussão. Resumindo. letras de câmbio. irão também comprar títulos e com isto obter rendimentos. Analisaremos com mais detalhe este aspecto da Teoria Keynesiana. de outra parte. o comportamento usual e mais importante.43 A outra diferença fundamental entre as duas teorias está relacionada com a reação de indivíduos e empresas nutria situação de desequilíbrio.

Editora Contexto: São Paulo. Introdução à Economia. SINGER. a redução na oferta monetária irá reduzir o hiato inflacionário. o aumento da demanda irá somente aumentar o nível dos preços.44 Como se pode ver. ou seja. Resolução 375. E. a ligação entre a alteração na oferta monetária e a alteração na demanda agregada é. HOLANDA. dentro das hipóteses feitas. as autoridades podem. do controle que exercem sobre a oferta de moeda.Celso. Nílson. para Keynes. Se houver pleno emprego. 2002. Aprender Economia. Se houver desemprego. quando houver inflação ou desemprego. Introdução à Análise Econômica. procurar corrigir este desequilíbrio. SAMUELSON. bastante indireta. FURTADO. mas apresenta o mesmo sentido que o da Teoria Quantitativa. Paul A. Havendo desemprego deve-se aumentar a oferta de moeda. GUDIN. Banco Central. Resumindo e concluindo. por meio da política monetária. Princípios de Economia Monetária. A repercussão do aumento da demanda sobre a renda real e sobre o nível de preços é a mesma que já apresentamos atrás. MÓDULO 7 O SETOR EXTERNO . Editora Companhia Nacional: São Paulo. pois haverá uma diminuição na demanda agregada. haverá um aumento do emprego e da renda sem alteração no nível de preços. Referências Bibliográficas BRASIL. Paul. Havendo inflação.

A teoria desenvolvida por Ricardo fornece uma explicação para os movimentos de mercadorias no comércio internacional. o custo da produção de vinho é maior que o da produção de tecidos. por outro lado este país deverá importar aqueles bens cuja produção implicar um custo relativamente maior. Esta será. no exemplo acima. a partir da oferta ou dos custos de produção existentes nesses países. dois produtos (tecido e vinho) e apenas um fator de produção (mão de obra). Fundamentos do Comércio Internacional: a Teoria das Vantagens Comparativas O que leva muitos países a comercializarem entre si? Esta é uma questão básica a ser respondida. Portugal tem a vantagem relativa na produção de vinho. Comparativamente. A Teoria das Vantagens Comparativas foi formulada por David Ricardo em 1817. e a Inglaterra na produção de tecidos. O Princípio das Vantagens Comparativas sugere que cada país deva se especializar na produção daquela mercadoria em que é relativamente mais eficiente (ou que tenha um custo relativamente menor). e importando outro bem. o fato de que um país possa ter vantagem absoluta em ambas as linhas de produção. Portugal é mais produtivo na produção de ambas as mercadorias. Segundo Ricardo. e na Inglaterra. os dois países obterão benefícios ao especializarem-se na produção da mercadoria em que possuem vantagem comparativa. os países exportarão e se especializarão na produção dos bens . Mas em termos relativos. como é o caso de Portugal. No exemplo construído por esse autor. Os economistas clássicos fornecem a explicação teórica básica para o comércio internacional através do chamado Princípio das Vantagens Comparativas. Logo. Não importa aqui. o custo da produção de tecidos em Portugal é maior do que o da produção de vinho. exportando-a. existem dois países (Inglaterra e Portugal). portanto a mercadoria exportada.45 1. Quant de homens/hora para a produção de uma unidade de mercadoria Inglaterra Portugal Tecidos Vinho 100 90 120 80 Em termos absolutos.

acarretando uma tendência crônica ao déficit no balanço de pagamentos dos países exportadores de produtos básicos ou primários. em decorrência das pressões de oferta e demanda por divisas estrangeiras (taxas flutuantes). Determinação da Taxa de Câmbio Quando dois países mantêm relações econômicas entre si. significando que o crescimento da renda mundial provocaria um aumento relativamente maior no comércio de manufaturados.27 real etc. Segundo a corrente estruturalista. menor que um. através de decisão de autoridades econômicas com fixação periódica das taxas (taxas fixas de câmbio). A taxa de câmbio é a medida de conversão da moeda nacional em moeda de outros países. para os mesmos bens. por exemplo. ao exportador nacional em moeda nacional. a expressão desvalorização cambial indica que houve um aumento da taxa de câmbio – maior número de reais por unidade de moeda estrangeira. em reais. Exemplo: dólar pode custar 0. Isso é feito pelo Banco Central da seguinte forma: recebe dos importadores do exterior a quantia em divisas – dólar. Assim. por exemplo.46 cujo custo for comparativamente menor em relação àqueles existentes. 1 libra pode custar 1. que recebem moeda estrangeira em contrapartida de suas vendas. pagase menos reais por dólar. A oferta de divisas é realizada tanto pelo os exportadores. . precisa ser convertida em moeda nacional. exigindo que se fixe a relação de troca entre ambas. a importância correspondente. onde as taxas flutuam automaticamente. valorização cambial significa moeda nacional mais forte. entram necessariamente em jogo duas moedas. Uma taxa elevada de câmbio significa que o preço da divisa estrangeira está alto.renda da demanda maior que um. como através da entrada de capitais financeiros internacionais. e os produtos primários. retendo-as em seus cofres.97 de real. ou que a moeda nacional está desvalorizada. 2. Como as divisas não podem ser utilizadas internamente. nos demais países exportadores. isto é. Por sua vez. A determinação da taxa de câmbio pode ocorrer de dois modos: institucionalmente. os produtos manufaturados apresentam elasticidade . tem – se uma queda na taxa de câmbio. e paga. ou através do funcionamento do mercado.

000 reais. A Atuação Governamental no Mercado de Divisas: Políticas Externas O governo pode atuar através da política cambial ou da política comercial. ficam mais baratos. a situação se inverte. A Inflação Interna e seus Efeitos sobre a Taxa de Câmbio Até aqui analisamos a paridade cambial sem considerarmos os efeitos da inflação. No entanto. Os efeitos da perda do poder aquisitivo são: um desestímulo às exportações. receberá os mesmos 50. enquanto a política comercial constitui-se de mecanismos que interferem no fluxo de mercadorias e serviços. internamente.47 As taxas de câmbio estão intimamente relacionadas com os preços dos produtos exportados e importadas e conseqüentemente. haverá um desestímulo às importações e.99 real por dólar e. vendendo as mesmas 1000 unidades. A política cambial diz respeito a alterações na taxa de câmbio. Se o câmbio for desvalorizado em 10% . já que os bens importados.000 dólares ou 45. o aumento do nível de preços internos – ocorrência da inflação – provoca uma redução da taxa real de câmbio. e que o exportador vendia 1000 unidades de seu produto a 50 dólares cada.000 dólares. só que valendo agora 49.500 reais. uma vez que o preço do produto exportado não sofre correlação equivalente à inflação. uma queda na demanda de divisas. Isso estimulará o exportador a vender mais. em moeda nacional. e um estímulo às importações. estimulará as exportações.90 real por dólar. conseqüentemente. pois os exportadores passaram a receber mais reais pela mesma quantidade de divisas derivadas da exportação. em conseqüência haverá maior oferta de divisas. a taxa de câmbio subirá para 0. Se a taxa de câmbio se encontrar em patamares elevados. 4. pois se o preço dos produtos importados se elevam. As políticas cambiais mais freqüentes são: . 3. Por exemplo: Suponhamos uma taxa de câmbio de 0. com a inflação gera-se. uma queda no poder aquisitivo da moeda. aumentando a oferta de divisas. Seu faturamento era de 50. com o resultado da balança comercial do país. ao não serem corrigidos. Do lado das importações. ou seja.

juros. royalties e assistência técnica. todas as transações com mercadorias. de serviços e de transferências unilaterais resulta no saldo em conta corrente ou balanço de transações correntes. Balanço de Transações Correntes: O somatório dos balanços comercial. caso contrário temos um déficit. Se o saldo do balanço de transações correntes for negativo. os empréstimos obtidos no exterior etc. temos um superávit no balanço de comércio. O balanço de pagamentos apresenta as seguintes subdivisões: Balança Comercial: Essa conta compreende basicamente o comércio de mercadorias. tais como fretes. estão registrados no balanço de pagamentos. 5.48 A) Regime de taxas fixas de câmbio. C) Regime de Bandas cambiais: Dentre as políticas comerciais externas. Desse modo. os seguros. Estes donativos podem ser em divisas como em mercadorias. Transferências Unilaterais: Também conhecidas como conta donativos. A Estrutura do Balanço de Pagamentos O balanço de pagamentos é o registro estatístico – contábil de todas as transações econômicas realizadas entre os residentes do país com os residentes dos demais países. Se as exportações FOB excedem as importações FOB. B) Regulamentação do comércio exterior. temos uma poupança . viagens internacionais. lucros. podemos destacar as seguintes: A) Alterações das tarifas sobre importações. seguros. por exemplo. registram as doações interpaíses. Balanço de Serviços: Registram-se todos os serviços pagos/ recebidos pelo Brasil. Ou seja. serviços e capitais físicos e financeiros entre o país e o resto do mundo. todas as exportações e importações do período considerado: os fretes. B) Regime de taxas flutuantes ou flexíveis de câmbio.

aplicados no mercado financeiro nacional. Movimentos induzidos de capital. assim como os conturbados anos da Grande Depressão. A conta de capital subdivide-se em duas: Movimento autônomo de capital. 6. para financiar o saldo do balanço de pagamentos. de empréstimos e financiamentos para projetos de desenvolvimento do país e de capitais financeiros de curto prazo. A regra internacional é admitir para Erros e Omissões um valor de. mas absorveu bens e serviços em termos reais no exterior. provocaram enormes perturbações na economia de praticamente todos os países. no máximo. Tais eram as preocupações reinantes nos últimos anos da Segunda Guerra Mundial. pois indica que o país aumentou seu endividamento externo. Organismos Internacionais As grandes guerras mundiais. Já ao final da Segunda Guerra Mundial evidenciava-se a necessidade de mudanças no sistema de pagamentos internacionais. portanto. que culminaram com a crise dos anos 30. 5% da soma das exportações com as importações. Inclui as contas Atrasadas Comerciais (quando o país não paga suas obrigações na data do vencimento) e Empréstimos de Regulamentação do FMI (quando o país tem problemas de liquidez internacional). modificam sua posição devedora ou credora perante o resto do mundo. É a diferença entre o saldo do balanço de pagamentos e o financiamento do resultado que surge quando se tenta compatibilizar transações físicas e financeiras. em termos financeiros. . Cabe uma observação sobre a rubrica Erros e Omissões. na forma de investimentos diretos de empresas multinacionais. Movimento de Capitais ou Balanço de Capitais: Na conta de capital aparecem as transações que produzem variações no ativo e no passivo externos do país e que. e por seguinte nas (relações econômicas internacionais). quando se via no comércio mundial um importante instrumento para potencializar o desenvolvimento do mundo capitalista.49 externa positiva.

o saldo do balanço de pagamentos em transações correntes tem sido predominantemente deficitário. pois a balança comercial mostrou predomínio de resultados positivos. essa tarefa é atribuição do Banco Central do Brasil. Desde o início. quando os levantamentos eram feitos pelo Banco do Brasil e pela Fundação Getúlio Vargas. os déficits foram decorrência de saldo negativo na conta serviços. pois nesse período o país acumulou déficits nos balanços comercial e de serviços. Um dos objetivos principais do FMI é socorrer os países a ele associados quando da ocorrência de desequilíbrios transitórios em seus balanços de pagamentos. posteriormente. a compensação dos países prejudicados por aumentos de tarifas alfandegárias e a arbitragem de conflitos comerciais. a não . o GATT estabeleceu como princípios básicos: redução das barreiras comerciais. A década de 70 constitui a exceção mais expressiva. O Balanço de Pagamentos no Brasil O início da contabilização do balanço de pagamentos no Brasil data de 1947. procurava-se estruturar um conjunto de regras e instituições que regulassem o comércio internacional e encaminhassem a resolução de conflitos entre os países. para promover o crescimento dos países em vias de desenvolvimento. foi criado com intuito de auxiliar a reconstrução dos países devastados pela guerra e. 7. Atualmente. Foi criada com objetivo básico de reduzir as restrições ao comércio internacional e a liberalização do comércio multilateral. Nesse sentido. C) Organização Mundial do Comércio (OMC). Na maior parte do período. Também conhecido por BIRD. A maior parte das dificuldades na balança comercial dessa . que dependem de poupança externa para se desenvolver. o que é considerado natural para economias pobres. Através do GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio).discriminação comercial entre os países. B) Banco Mundial.50 Dentro desse contexto foram criados os três principais organismos econômicos internacionais do pós-guerra: A) Fundo Monetário Internacional (FMI).

Além disso. Entre 1990 e 1991. foram submetidos a fortes pressões para pronto pagamento dos créditos tomados no passado. em particular os da América Latina. Bibliografia VASCONCELLOS. os países devedores. foram forçados a adotar programas de ajustamento que tinham como meta obter rápido incremento de divisas para honrar os compromissos externos. Essa crise se caracterizou pelo corte abrupto nos fluxos de capitais das nações industrializadas para as menos desenvolvidas. destaca-se a valorização da moeda nacional. Marco Antonio Sandoval de e GARCIA. o Plano Real foi implantado. São Paulo: Saraiva. Manuel Enriquez. Dentre suas conseqüências. bem como dos empréstimos e financiamentos a longo prazo. Em julho de 1994. Com isso. A crise da dívida externa dos anos 80 fez ressurgirem os superávits comerciais. De 1992 em diante. Fundamentos de Economia. reflexo da insegurança dos investidores internacionais quanto às atitudes do governo Collor. .51 época resultou do brusco aumento dos gastos com importação em razão do choque do petróleo ocorrido em 1973. houve uma drástica redução dos investimentos diretos no país. que estimulou importações e reduziu exportações. a crise de confiança em nosso governo foi superada e o país voltou a captar recursos internacionais em volumes crescentes. Esse fato contribuiu para nova transformação nas relações econômicas brasileiras com o resto do mundo. 2003. deixando o país numa situação muito vulnerável aos movimentos especulativos internacionais.

· aluguéis e hipotecas seriam convertidos seguindo-se a mesma fórmula aplicada aos salários.1. cujas principais medidas foram: · substituição do cruzeiro pelo cruzado como nova moeda do sistema monetário brasileiro. conversão dos contratos previamente estabelecidos em cruzeiros para cruzados. a qual garantia um reajuste salarial automático a cada vez que o aumento acumulado no nível de preços ao consumidor atingisse 20%.52 MÓDULO 8 CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICOS 1.283. Plano Cruzado O Plano Cruzado foi um conjunto de medidas econômico-institucionais descrito pelo Decreto-lei no 2. mas sem o aumento de 8%. 1 cruzado equivalendo a 1. · o regime cambial foi congelado na paridade de 13. . · conversão dos salários com base na média do seu poder de compra nos seis meses anteriores. ao nível vigente em 27 de fevereiro (exceto as tarifas industriais de energia elétrica). de acordo com uma tabela em que o cruzeiro era desvalorizado a uma taxa mensal de 14% (taxa de inflação mensal esperada contida nos contratos) em face da nova moeda. por prazo indefinido. dos preços finais dos produtos. · · proibição da indexação em contratos com prazo inferior a um ano.000 cruzeiros. Planos de Estabilização 1.84 cruzados por dólar. e mais um acréscimo de 8% para os salários em geral e de 16% para o mínimo. · conversão geral. · introdução da escala móvel de salários (gatilho).

política fiscal e monetária rigorosas. a qualquer custo. o plano teve aparente sucesso. o que levaria o governo a sustentá-lo ao máximo. o que possibilitou o fim da moratória da dívida externa. O grande apoio da população deu origem aos “fiscais do Sarney”. o plano atingiu alguns de seus objetivos. os juros altos inibiram o investimento e a reforma tributária que fazia parte do plano foi barrada por restrições de ordem política. Com o passar do tempo. política cambial de desvalorizações diárias para evitar desequilíbrios externos. com elementos ortodoxos e heterodoxos. Para tanto o governo tomou as seguintes medidas: · o gatilho foi extinto. O congelamento transformou-se assim no elemento do Plano Cruzado de maior apelo popular. 1. mais conhecido como Plano Bresser. um pacote híbrido. assemelhando-se ao Cruzado em alguns aspectos. · · · preços e salários foram congelados por três meses. Houve uma explosão de consumo. sobretudo por se tratar de ano eleitoral. reduziu-se os gastos do governo e as taxas de juros reais foram mantidas elevadas. provocada pelo aumento do poder de compra dos salários. com controle da inflação e crescimento econômico.2. No início. A meta principal do plano era controlar a inflação e evitar uma hiperinflação. os desequilíbrios dos preços relativos e superávits comerciais causaram pressões inflacionárias. baixando a inflação e o déficit público e expandindo os saldos comerciais. Plano Bresser No mês de junho de 87. além de uma grande “despoupança”. . mas procurando evitar os erros já cometidos. outros problemas começaram a surgir: o plano perdeu credibilidade junto à opinião pública.53 Nos primeiros meses. reprimido durante os anos anteriores. o novo ministro lançou o Plano de Estabilização Econômica.

Emitia-se moeda para cobrir os superávits da balança comercial e a nova constituição dificultava a pretendida redução dos gastos públicos. 2003. Foi introduzida uma nova moeda (Cruzado Novo). Principais medidas: taxas de juros elevadas.Em 15 de janeiro de 1989. desindexação e a promessa de ajuste fiscal. . os preços foram congelados por tempo indeterminado e os salários foram convertidos pelo poder de compra médio dos doze meses anteriores e reajustados em 26. São Paulo: Saraiva. em julho de 1988. Fundamentos de Economia. Bibliografia VASCONCELLOS.54 1. foi anunciado o Plano Verão.3. Tal política foi malsucedida e. Maílson da Nóbrega – da política do feijão-com-arroz ao Plano Verão Seu objetivo era cortar o déficit operacional de 8% para 4% e reter a inflação ao redor dos 15% ao mês. equivalente a mil cruzados e o dólar foi cotado a NCz$1. Manuel Enriquez. sendo extinto o indexador dos salários. em razão da deterioração do saldo comercial. Em setembro de 1989 o governo suspendeu o pagamento dos juros da dívida externa. Marco Antonio Sandoval de e GARCIA. empresários e trabalhadores o chamado pacto social. O fracasso dessa nova tentativa levou o governo a decretar um novo plano econômico: o Plano Verão. a inflação já ultrapassava 24% e os preços públicos foram reajustados. Dentre as medidas tomadas destacam-se a suspensão temporária dos reajustes do funcionalismo público e o adiantamento dos aumentos de preços administrados. outro plano misto. celebrou-se entre governo. que estabelecia limites para aumentos de preços e propunha uma revisão da metodologia de reajustes salariais e um plano para equilibrar as contas públicas.1%.00 após uma desvalorização da moeda nacional. Em novembro de 1988.

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