MODELO DEFESA PRELIMINAR – LESÃO CORPORAL, AMEAÇA E DESOBEDIÊNCIA – LEI MARIA DA PENHA EXCELENTISSIMO(A) SENHOR (A) DOUTOR (A) JUIZ (A) DE DIREITO

DA VARA CRIMINAL DA..... AÇÃO PENAL .......

PARTE, devidamente qualificado nos autos da Ação Penal supra mencionada, que lhe move a Justiça Pública, por seu advogado adiante firmado, já devidamente qualificado nos autos, vem respeitosamente perante Vossa Excelência apresentar resposta, na forma do art. 396 e seguintes do CPP, em conformidade com alteração da Lei 11.719/08, e, deduzir para Vossa Excelência as causas e circunstâncias que justificam o descabimento da persecução penal, para o que aduz as seguintes razões: BREVE RELATO DOS FATOS 1. Fora o acusado denunciado e encontra-se processado por este ínclito juízo em virtude da ocorrência dos fatos que segundo entendimento do Ministério Público, subsumem-se à norma penal incriminadora inserta no art. 129, §9º e art. 147, do Código Penal c/c art. 7º, inciso I, da Lei 11.340/06; art. 129, "caput" e art. 147 c/c art. 61, II, h, e art. 330, todos do Código Penal. 2. Segundo se recolhe da peça acusatória, o acusado no dia .... (hora ignorada), agrediu fisicamente com socos a vítima ...., sua ex-companheira, que também vieram a atingir o filho do casal, ...., de 04 anos de idade. Consta ainda que a vítima ...., após entrar em contato com a Policia Militar desta comarca, o acusado desobedeceu à ordem legal de prisão por eles expressa, resistindo à prisão e passou a ameaçar a vida da vitima e de seu filho, afirmando que após sair da cadeia ia matá-los. PRELIMINARMENTE

a falta do resultado de exame de corpo e delito (lesão corporal) no decorrer da instrução. traz prejuízos a defesa. em que pese o referido departamento contar com peritos oficiais. desde que. ainda que roborada o respectivo auto pela confissão extrajudicial do réu ou pelo depoimento da vítima e de testemunhas. segundo consta na peça informativa do inquérito policial. indispensável à comprovação da materialidade do crime é a realização de exame de corpo de delito. 158 do CPP que: "Quando a infração deixar vestígios. constata-se que não houve pericia alguma. 5. o Ministério Público não deve buscar uma punição a qualquer custo. O exame de corpo de delito indireto. dúvida razoável em relação às supostas lesões corporais. 4. Fiúza Campos – RT 504/408) . Dispõe o Art. as vítimas.688/91). 167) revela-se legítimo. por simples análise dos autos. 7. não bastando a tal desiderato simples consulta à ficha hospitalar. direto ou indireto. para averiguar se o crime seria de lesões corporais ou contravenção penal de vias de fato (art. 21 do Decreto Lei nº 3. logo após a ocorrência do fato alegado. não se viabilize a realização do exame direto. Desta feita. é imperioso levantar em tese. fundado em prova testemunhal idônea e/ou em outros meios de prova consistentes (CPP. será indispensável o exame de corpo de delito. art. não podendo supri-lo a confissão do acusado". oportunidade que deveria ser feito o exame de corpo de delito. No entanto. desprestigiando princípios vetores do Estado Democrático de Direito. Neste diapasão. 9.AUSÊNCIA DE CORPO DE DELITO 3. posto que. 6." (TAMG – AC – Rel. 8. foram encaminhadas ao DPJ desta comarca. É neste prisma que a jurisprudência se firma: "Em tema de lesão corporal. Nota-se que. mas por outro lado não há exame de corpo de delito. então não estará cumprida a condição. por não mais subsistirem vestígios sensíveis do fato delituoso. A rigor.INEXISTÊNCIA DE MATERIALIDADE . se por ventura houve agressão e havendo vestígio como afirmado na peça acusatória. acarretando consequente cerceamento ao exercício da ampla defesa.

sendo bastante que a acusação encontre apoio em outros elementos indiciários. porém.10. 14. CRIME DE AMEAÇA e DESOBEDIÊNCIA – Ausência de Dolo Específico 12. sendo insuficiente o dolo eventual. sendo o laudo juntado antes da sentença. se o processo for instaurado sem o exame. página 147: "De regra. 331). deve o exame de corpo de delito ser feito antes da denúncia. 15. Devidamente comprovado por unanimidade dos depoimentos das testemunhas de acusação. . A figura típica dos crimes de Ameaça (art. é indispensável para a comprovação da materialidade do crime de lesão corporal a realização de exame de corpo de delito." (grifei) 11. Por certo uma pessoa completamente embriagada não sabe o que diz. esta prova pericial deve ser juntada aos autos antes da sentença. A palavras lançadas pelo acusado. ninguém reputa sérias as palavras proferidas por alguém neste estado. como ensina Ada Pellegrini Grinover e demais colaboradores. com observância do princípio constitucional do contraditório. vez que ausente a prova de materialidade. Editora Revista dos Tribunais. que o mesmo encontrava-se completamente embriagado na ocorrência dos fatos alegados. 13. mas isso não é imprescindível. e conseqüentemente da ampla defesa. 147) e Desobediência (art. Assim sendo. in 'AS NULIDADES NO PROCESSO PENAL". ambos do Código penal. foram dirigidas ao calor da emoção no momento em que estava sendo algemado na frente de várias pessoas. Entretanto. e nesse caso. escrito ou gesto ter a potencialidade de incutir temor na vítima. Desta feita. deverá ser ele necessariamente realizado. face ao princípio da verdade real e lealdade processual. a priori. A Jurisprudência tem entendido que a pessoa embriagada. Este entendimento se baseia na necessidade da palavra. vítima e acusado. conjugada com o seu estado de embriagues. requer o dolo direto (específico). não pode ser sujeito ativo do crime de ameaça. impõe-se a absolvição quanto ao delito de lesões corporais.

o dolo específico. PUBL. INOCORRÊNCIA . que encerra um fim em si mesma. Relator Wilson Barreira. DJ 3. DE RIGOR O 'NON LIQUET'". Apelante: André Santos Silva. DO CÓDIGO PENAL.DESACATO . Decisão: Dado provimento ao Recurso para julgar improcedente a acusação e absolver o réu. . . em recurso de apelação. TRJE. Embriaguez. A ameaça. QUE RETIRA A CAPACIDADE DE COMPREENDER E AFASTA O DOLO ESPECÍFICO.SUPOSTO ESTADO DE EMBRIAGUEZ . O estado de embriaguez retira daquele que ameaça.EMENTA OFICIAL: . deve ser capaz de intimidar a vítima. Inexistência de crime.AMEAÇA . EM 14/02/02.AGENTE EMBRIAGADO QUE. DE VIR A SOFRER MAL INJUSTO E GRAVE. Neste sentido decidiu a Seção Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. É DE RIGOR A ABSOLVIÇÃO PELA ACUSAÇÃO DE DESACATO. BEM COMO OS AMEAÇA POR PALAVRAS E GESTOS ABSOLVIÇÃO: .ABSOLVIÇÃO MANTIDA. in verbis: "Ementa: DESACATO E AMEAÇA . . 11ª Câmara. em 25/10/2004. Ausente nos autos prova do dolo específico do réu. Este foi o posicionamento do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios.516.DÚVIDAS ACERCA DA PRESENÇA DO DOLO ESPECÍFICO . ACÓRDÃO Nº 148.NÃO CARACTERIZAÇÃO . Ameaça Verbal. 147. proferida em estado de completa embriaguez.16. unânime. INEXISTENTES ELEMENTOS SEGUROS NESTE SENTIDO. porque carente da seriedade e idoneidade necessárias para intimidar. abaixo transcrita: "CRIME DE AMEAÇA. a ameaça meramente verbal.O DOLO OD ART. (APJ 2000011067874-5. P. portanto. EXIGE CERTEZA NA DEMONSTRAÇÃO DA SÉRIA AMEAÇA CAPAZ DE INFUNDIR VERDADEIRO RECEIO NA VÍTIMA. Relator: Juiz Fernando Habibe. É penalmente irrelevante.DIANTE DO SUPOSTO ESTADO DE EMBRIAGUEZ DO INCREPADO. PROFERE EXPRESSÕES OFENSIVAS. 183)" 17. AO SER ABORDADO POR GUARDAS MUNICIPAIS. 18.HIPÓTESE.ESTADO DE EMBRIAGUEZ AMEAÇA SÉRIA E IDÔNEA. INEXISTÊNCIA. Apelado: MPDFT. processo nº 1451959/8. . não há como se impor o Decreto condenatório.

Impositiva a absolvição (art. 25. 22. certa e determinada. É cediço na doutrina e jurisprudência pátria que. requer dolo. VI. 21. Se por ventura houver imputação ao crime de lesão corporal a criança. conforme narrado pelo parquet. de entender o mal prometido (nesse sentido: RT 446/418). é condição obrigatória que o sujeito passivo apresente condições de tomar consciência do mal. deve ser desclassificado para o crime de lesão culposa. . imputado ao acusado por ter dirigido o suposto crime em face do menor. tendo em vista que não houve dolo em praticar o delito contra seu filho. não merece prosperar. do CPP). Em tese subsidiária. os incapazes. face ao crime de ameaça. Subsume-se do conjunto fático que o acusado e sua ex companheira teriam discutido e que das supostas agressões. DA LESÃO CORPORAL COMETIDA CONTRA O MENOR 23. 129. de fato. CRIME DE AMEAÇA FEITA CONTRA MENOR CONTRA MENOR 20. em dúvida quanto a configuração dos crimes que lhes. capaz. Como ameaça apenada em função de sua potencialidade intimidativa. 24. 26.19. extrai-se da analise do conjunto fático que. devidamente constatado por laudo pericial. excluídos portanto. figura como vitima apenas a pessoa física. em nenhum momento houve intenção de agredir a criança. 386. É cediço que o crime de lesão corporal imputado ao "caput" do art. em virtude da observância do princípio do in dubio pro reo. vieram a atingir a vitima. Outrossim.

30. requer. 28. que o ora Acusado atende a todos os citados requisitos exigidos. Desta feita. se por ventura restar devidamente comprovado as lesões na referida criança. §6º. Nota-se que pela narração dos fatos a conduta dirigida a vitima menor. por uma ou mais Penas Restritivas de Direitos. "caput" c/c art. requer a desclassificação do crime imputado ao acusado pelas acusações contidas no art. Em restando desabrigadas as teses oras esposadas. bem como a condição do acusado). como dito. DA CONCLUSÃO Postas tais considerações e por entendê-las prevalecentes sobre as razões que justificaram o pedido de condenação despendido pelo preclaro órgão de execução do Ministério Público. pelo contrário. não se extrai a intenção de macular a sua integridade física.27. 129. não restam dúvidas de que o acusado. acaso condenado a pena privativa de liberdade. o acusado. filho do acusado. II. O acusado é primário. tendo direito subjetivo à Substituição da Pena Corporal por ventura aplicada por uma ou mais Penas Restritivas de Direito.. estas foram de forma culposa. Nesse passo. h. em face da segunda vitima . 29. em pedido subsidiário. já que preenche todos os requisitos exigidos pelo artigo 44 e seguintes do Código Penal Brasileiro. 31. desde já. a Substituição da Pena Privativa de Liberdade. É forçoso reconhecer. por ventura aplicada. 61.. Não reincidente em crime doloso. confiante no discernimento afinado e . 129. para o art. do Código Penal. preenche os requisitos dispostos no artigo 44 e incisos do Código Penal Brasileiro. DO DIREITO QUE POSSUI O ACUSADO À SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE APLICADA PELA PENA RESTRITIVA DE DIREITOS. a saber: A pena privativa de liberdade não ultrapassa 04 (quatro) anos (tendo em vista a natureza do delito. as circunstâncias do mesmo.

requer ainda. h. Protesta por todos os meios de provas admitidos em direito. Rol de testemunhas que deverão ser intimadas por este H. Pede deferimento.no justo descortino de Vossa Excelência.688/91. em pedido supletivo. tendo direito subjetivo à Substituição da Pena Corporal por ventura aplicada por uma ou mais Penas Restritivas de Direito. Juízo: . Outrossim. ultrapassadas as teses supra elencadas. em face da segunda vitima .. haja vista que o acusado preenche os requisitos dispostos no artigo 44 e incisos do Código Penal Brasileiro.. II. 21 do Decreto Lei nº 3... Supletivamente.. "caput" c/c art. 129. seja substituído por penas restritivas de direito. a desclassificação do crime imputado ao acusado pelas acusações contidas no art. para o art. §6º. Linhares-ES. 129. do Código Penal. a defesa requer a ABSOLVIÇÃO do réu. 129. requer a desclassificação do delito inserto no art. Por fim. à guisa das teses ora esposadas. posto ausente a prova de materialidade do crime de lesões corporais. acaso condenado. 12 de fevereiro de 2009 . para o delito do art.. 61.

PROCESSO Nº . vem. sob o fundamento de que. DOS FUNDAMENTOS 2. ficando no local até aproximadamente as 6h do dia seguinte. mandato incluso.503/97.1.EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA __ª. sob a influência de álcool. mediante os seguintes fatos e fundamentos a seguir aduzidos: 1. com redação alterada pela Lei 11. __ de setembro. as 3h45.RÉU SOLTO FULANO DE TAL. DA INFRINGÊNCIA DO ILÍCITO PENAL Consta na inaugural acusatória que o indiciado. existe real ofensa a verdade quando se deduz que.719/2008 que introduziu alteração ao artigo 396 e 396-A do Código de Processo Penal. Primeiramente cabe esclarecer que o denunciado. tendo sido preso em flagrante após constatação de que estava dirigindo sob a influência de álcool.719//08. na noite do dia anterior ao ocorrido esteve bebendo na companhia de amigos e parentes em comemoração de evento. o Representante do Ministério Público imputa-lhe a prática do crime previsto no art. FULANO queria falar com ele. o álcool exercia influência sob a conduta do denunciado a ponto de ocorrer a possibilidade de envolver-se em acidente. na altura do km __ da Rodovia ________ município de _______/SP. por volta das 14hs foi acordado por sua mãe comunicandoo que seu amigo. Ocorre que. o Denunciado. RG/CPF. envolveu-se num acidente de trânsito sem vítimas. à presença de Vossa Excelência. ESTADO DE SÃO PAULO. respeitosamente. apresentar DEFESA PRELIMINAR com base no rito estabelecido pela Lei 11.CONTROLE: . Lei 9. passo a expor o fato como realmente ocorreu. DOS FATOS Na peça acusatória. endereço). por meio de sua advogada infra assinada. em face da denuncia formulada pelo Representante do Ministério Público como incurso no artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro. tendo sido detectado concentração de álcool por litro de sangue superior a seis decigramas conforme comprovante de teste de bafômetro realizado naquela mesma data. . Nesse mesmo dia. conduzindo seu veículo (marca/modelo/ano/origem). VARA CRIMINAL DA COMARCA DE ______________. como de fato ocorreu. envolveu-se num acidente de trânsito sem vítimas. ____________ (qualificação completa. com base no teste de alcoolemia. 2. por volta de 1h50. Para esclarecer tal inverdade. no dia __ de setembro do ano de 2008. quando retornou para casa e foi dormir.306 do CTB.

com pouquíssimo movimento. 11. ao todo cinco.baguete. Informe concedido em 27 de junho de 2008 no site http://www. estava embriagado. se não fosse sua experiência profissional teria saído da pista ocasionando acidentes de grandes proporções. sem nada entender. que alterou vários dispositivos do CTB. com a batida foi lançado pra frente batendo a cabeça no párabrisa. cujo original será acostado aos autos em Ação de reparação de Dano Civil que estará movendo para ressarcir-se dos prejuízos materiais. Como recebeu a informação que o carro do outro condutor tinha seguro. Embora o Indiciado seja motorista profissional e a pista seja bem sinalizada e de ótima rolagem. dando. o PM realizou o teste do bafômetro tendo confirmado a presença de tal substancia em nível acima do permitido. Colhidos os documentos e diante da confissão do Indiciado que havia ingerido álcool mas havia aproximadamente vinte e quatro horas. dizendo que iria ligar pra polícia e fazer ocorrência. sofreu um abalo forte na traseira do seu veículo que.705/08. saiu do carro e há aproximadamente uns 25 metros estava o veículo autor do acidente. Em determinado momento avistou em seu retrovisor há uma distância de aproximadamente uns cem metros dois carros vindo na pista da esquerda.3) Tentando entender o ocorrido. ou seja. assim. Notou que o rapaz que veio tirar satisfação não era o mesmo que estava ao volante. Dirigiu-se em sua direção e viu que as pessoas saiam do carro. nada aconteceu além de prejuízo material e a formação de saliência na testa do amigo. por volta das 23h00 para que pudesse realizar um trabalho e que lhe pagaria o frete. Para se ter idéia do impacto sofrido pelo veículo traseiro. de acordo com a Dra. conversaram amigavelmente.br/noticiasDetalhes. e também morais.O amigo veio pedir-lhe que o levasse até a praia. onde o Indiciado ficou preso. . A estrada estava vazia. não oferecendo..com. assim. sugeriu o Indiciado que no máximo poderiam dividir o valor da franquia para que realizassem o conserto dos dois veículos já que não dera causa ao infortúnio.. em razão de pista molhada. Cabe ressalva que. qualquer risco a coletividade. sofridos (docs. inclusive com resultado trágico por parte de seu amigo que. junta fotos do dano material. Alegou ao Indiciado que o carro estava parado na pista e que ele teria que pagar o prejuízo. três rapazes e duas moças. Saíram de casa por volta das 00h20min. uma dose de uísque pode ficar por até 24 horas circulando pelo corpo do motorista.php?id=26091. A oferta foi aceita pois.Júlia Grevi. aproximadamente 18 (dezoito) horas após ter ingerido bebida alcoólica. em comentário a recém editada “lei seca”. coordenadora do departamento de Medicina da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET). além de ganhar alguns trocados.DP de São Vicente. Enquanto a polícia não chegava ao local. na maior parte do tempo trafegava prudentemente pela pista da direita e em velocidade média de 65 km/h. Nada concordou. o condutor que se dizia estar ao volante no momento do acidente se antecipou e contou ao agente que o carro do Indiciado estava parado na pista da direita ou em reduzida velocidade e que ele – Indiciado. Alguns segundos depois. poderia participar do evento e empreender-se nessa jornada. Chegando os policiais. voz de prisão. Foram todos pra delegacia local – 1º. Felizmente.

ou seja. . saúde. em velocidade compatível com as condições da pista e. Apenas o resultado da dosagem do álcool pode induzir conclusão equivocada.II. tinha ele tempo e condições. antes de ser interceptado. hábito de beber. DA EXCLUDENTE DE ILICITUDE Conforme acima exposto. em razão do tempo decorrido entre a ultima ingestão da substância e o fator do acusado ter dormido e se alimentado. Alguns. Embora o teste do etilômetro tenha detectado concentração de álcool acima do permitido. não teria reflexos para controlar o veículo em razão do impacto sofrido pelo veículo do “suposto” condutor. Há necessidade. o instruiu que não depusesse na delegacia sem a sua presença. inc. pra não dizer “quase deserta”. 306 do CTB. dirigir na pista da direita.anormal. bem como a inexistência de vítima determinada. 2. atestando se dirigia ou não embriagado. em razão da colisão dos veículos não restaram vítimas. conduzem veículo normalmente. b) Não poderia dar passagem a veiculo que vinha atrás sem antes ter plena certeza de que a pista a ser adentrada estivesse livre para realização da mudança de faixa com segurança. com taxa inferior. c) Em razão do diminuto fluxo da pista. ter ou não se alimentado etc. outros. que dependerão de peso. em direção perigosa e dirigindo com imprudência seria a “suposta” vitima. não teria uma conduta típica de prudência ao volante. é necessário também o nexo causal entre ingestão da substância e o resultado abstrato que é exposição da coletividade a risco. se assim o fosse. quem conclusivamente estaria sob o efeito do álcool. As pessoas têm diferentes tolerâncias ao álcool e nelas a mesma taxa produzirá efeitos diversos. não teria como controlar seu veículo. Para que seja consumado o tipo penal não basta a comprovação da ingestão de bebida alcoólica acima do permitido. definido no art. CTB). mesmo com taxa de alcoolemia acima da permitida. Anderson.O amigo do Indiciado. principalmente.2. neurológicas e psíquicas do examinado. seguramente não estava mais sob a influência do álcool. a afetação do modo de dirigir do sujeito . idade. Ao contrário do Indiciado. Além do requisito biológico exige-se também o requisito psicológico do sujeito. do exame clínico em que o médico avaliará as manifestações físicas. mas tão somente danos materiais.29. também. É necessário para que o elemento penal do tipo se consuma. tendo realizado uma ligação para sua advogada. em razão dos seguintes motivos: a) Teria por obrigação guardar distância do carro á frente de forma que conseguisse ter controle do seu veículo em caso de freagem brusca (art. que será influenciado pelo álcool. é de ação penal pública incondicionada. estado emotivo. não existe motivo para a troca de pista repentinamente para dar passagem a outro veículo. de escolher o melhor momento para a mudança de pista. dado o caráter coletivo do bem jurídico tutelado (incolumidade pública). O crime de embriaguez ao volante. Da mesma forma foi instruído o Indiciado que nada dissesse senão na presença de um advogado. apresentam embriaguez e dirigem anormalmente.

tendo trabalhado como motorista em empresa até o evento do recolhimento de sua carteira de habilitação. no caso de outra substância. a sua mantença e a de sua família tendo em vista a dificuldade que terá para encontrar novo emprego e. alternando sua vida da casa para o trabalho e vice-versa. setembro/08. e muito caseiro. é muito conhecido por muitos das imediações que nada podem se opor a sua conduta.” Além do mais. DOS PEDIDOS Diante de todo o exposto. Não tem por hábito sair aos finais de semana. experiência e referência de mercado.de Jesus corrobora (“Embriaguez ao Volante”.d) Não se justifica de forma lícita que o condutor do veículo que colidiu não tenha se apresentado como real condutor ao invés de tomar a sua frente um terceiro que seguramente não estava na direção. mudar de atividade que já desenvolvia há muitos anos. sob a forma culposa. inclusive. em conseqüência. o mesmo já teve uma condenação severa no momento da apreensão de sua carteira de habilitação pelo agente de policia. a testemunha que estava presente junto ao Indiciado no momento do acidente. que. salvo engano. Para atestar sua idoneidade moral. Fica configurado.55 in fine): “Desta forma. salvo em razões especiais ou para eventual trabalho como bico. tão severa que ocasionou sua dispensa do trabalho ao qual era motorista e da qual necessitava da habilitação para dirigir. 2. 1) FULANO DE TAL Endereço: RG/CPF 2) SICRANO Endereço: RG/CPF 3. por meio de interpretação sistemática vê-se que o espírito da norma é o de considerar praticado o crime de embriaguez ao volante somente quando o condutor está sob a influência de substância alcoólica ou similar. É honesto. in Revista Jurídica Consulex nº 280. também.sem vitima. Comungando do mesmo pensamento. DA PRODUÇÃO DE PROVAS O indiciado é pessoa de reputação ilibada. pag. não foi localizado junto ao processo comprovante do teste de alcoolemia do “suposto condutor”. embora não se tenha comprovado a culpa do Indiciado pela lesão constante do tipo. assim. inclusive.testemunha. com idoneidade. dentre ela. não se constatou concentração de álcool acima do permitido. exigisse a influência. o nobre e renomado jurista Damásio E. destipificando. a conduta delituosa constante do artigo 306 do CTB. que o Indiciado não provocou o acidente . Seria impróprio que o legislador. considerasse a existência de crime de embriaguez ao volante só pela presença de determinada quantidade no sangue e. Condenou-o. que dirigia com segurança e sem qualquer exposição de risco a coletividade. no tocante a álcool. Aliás. conforme depoimento. qualificado como 2ª. requer a Vossa Excelência: . reside no local há muito anos. trabalhador.3. e) Por fim. arrola as testemunhas abaixo que poderão ser citadas para prestarem depoimento.

Pede deferimento. b) Na remota hipótese do não acolhimento da excludente de ilicitude. nos termos do artigo 386 do Código de Processo Penal. ABSOLVIDO. que seja expedido mandado ao DETRAN para que sua carteira de habilitação seja devolvida.034 . MARIA GORETE GUERRA OAB/SP 212. tendo em vista que.3 e qualificadas futuramente através de aditamento. São Paulo.2. Termos em que. c) Sendo ABSOLVIDO. em razão da excludente de ilicitude conforme comentado no item 2. não se consuma o tipo em razão do Indiciado não exercer “direção perigosa” ou estar sob efeito de bebida alcoólica. e d) A intimação das testemunhas arroladas no item 2. seja o Denunciado. embora o etilômetro tenha detectado concentração de álcool superior ao permitido. ao final. 04 de dezembro de 2008.a) Seja o Acusado ABSOLVIDO SUMARIAMENTE.