Você está na página 1de 155

( do original – Exploration in the Spiritual World.

London,
England.)

EXPLORAÇÃO NO MUNDO ESPIRITUAL


Três narrações de experiências depois da morte
Por J.S.M.Ward

Parte I

Comunicações de H.J.L
Morto em 5 de janeiro de 1914 às 19:00 hs em seu aniversário

A DIVISÃO INFERIOR DO PLANO ESPIRITUAL

Capítulo I
SE ABREM AS PORTAS

Eu J.S.M. Ward, tive uma visão no princípio de dezembro de 1913, na


qual soube da morte de H.J.L., meu tio e sogro. A visão ocorreu com uma
mensagem que dizia que havia sido morte de repente, e continuou com o
funeral, no qual eu estava presente. A sensação de pesar e os comentários e
atitudes dos outros presentes, ficaram nitidamente impressas em minha mente.
Quando despertei e informei a minha esposa Carrie, decidimos ir vê-lo, mas
infelizmente Carrie não estava suficientemente bem nesse dia, para irmos até
lá. Em 5 de janeiro, no dia do aniversário de H.J.L. recebemos por volta de
10:15 horas, um telegrama que dizia que ele havia falecido subitamente. Todas
as sensações de pesar que havia sentido em meu sonho, se repetiram
exatamente, assim como os aspectos do funeral. Em seu rosto no ataúde, se
via tal como havia aparecido em meu sonho, o qual diferia consideravelmente
de quando estava vivo. Foi enterrado em 8 de janeiro de 1914.

PRIMEIRA VISÃO EM TRANSE


( Durante a noite de 12 de janeiro, uma semana depois de sua morte no dia 5, mais ou menos às 9:00
horas)

Sonhei que ví meu tio como era antes de sua morte, e ao mesmo tempo
diferente, algo entre a recordação de como o tinha visto antes, e o que parecia
depois de sua morte.
Ele disse: “... tenho estado tentando falar com Carrie, mas não posso.
Assim, tive que recorrer a ti. Diz-lhe que estou vivo, mais vivo que antes de
morrer, que estou mais lúcido mentalmente que tempos antes de morrer. Mas,
aqui tenho que por-me a trabalhar para aprender, como se fosse uma criança
outra vez, muito do que devia ter aprendido na terra. Eu estou com aqueles que
somente creram, mas que não tiveram uma convicção real. Diz isto a Carrie.”
“Tive sorte em haver acreditado até certo ponto, pois do contrário, teria
que estar com o grupo abaixo do nosso, que não creram. Eu vivia dizendo que
não importava muito qual fosse a crença do homem, mas estou aprendendo

1
que estava equivocado. Em todo caso, a princípio, isto gera uma grande
diferença. O grupo acima do nosso, são aqueles que creram mas não
praticaram, conseqüentemente com suas crenças.
J.W.: “... o que queres dizer com esse grupo?
H.J.L: “... depois que morri me inteirei que nós nos unimos a aquele
grupo de pessoas a qual naturalmente pertencemos, isto é, aqueles que
mantiveram a mesma sorte de crenças e descrenças. Nós temos um professor,
algo assim como os anjos dos pastores, mas eles (anjos), não se parecem nem
um pouco às tontas pinturas que costumávamos ver. Esse professor nos instrui
no que nos falta e, quando esta falta é compensada, nos mudamos para o
grupo seguinte, que inclui muito mais gente diferente que nós mesmos. Nós
atrasamos muito encontrando somente com aqueles que pensam exatamente o
mesmo que pensamos. Há muita variedade na escala seguinte.”
J.W: “ o que é essa escala?”
H.J.L: “são aqueles que creram, mas não atuaram completamente de
acordo com suas crenças.
J.W.: “há céu, inferno e purgatório? “
H.J.L : “eu não sei onde há um Inferno. Veja, eu não conheço nada que
não seja sobre os de meu próprio grupo e os de cima e os de baixo. Há muitos
velhos amigos que esperava ver, mas não os tenho visto, mas suponho, que
eles podem estar e, provavelmente, estão em outro grupo. Aqueles que não
creram estão na escala abaixo e depois de um tempo, veem conosco.”
“Quanto ao purgatório, este corresponde seguramente ao lugar onde
todos nós estamos. Só que é mais um lugar de aprendizado que de castigo.
Não obstante, somos castigados, porque não posso evitar lamentar-me do
tempo que desperdicei na terra, que me poderia ter levado a um grupo mais
agradável. Todos nós ainda que raramente, estamos melhores em solidão aqui.
Somos demasiado parecidos para sermos companheiros e queremos subir
para encontrarmos com nossos velhos amigos que acreditamos, estejam em
outros níveis.”
“Estou aprendendo, mas é um trabalho lento. Me sinto como um colegial
outra vez. É engraçado, mas morri no dia do meu aniversário e realmente
nesse dia nasci aqui.”
J.W. : “ sabes algo de teu funeral? “
H.J.L: “ sim, eu me ví a mim mesmo morto e ví que tu viestes e me
olhastes. Estou seguro e conta a Carrie o que tenho dito, que desde há muito
tempo se alguém crê, vive depois da morte. Estou contente de haver crido o
máximo que pude e desejaria ter crido mais.”
J.W.: “regressarias se pudesses? “
H.J.L: “não, seguramente que não. Eu sou mais feliz aqui, estou
progredindo. Não obstante, devo ir-me embora. Parece engraçado que o
mestre da escola diga que devo reiniciar meus estudos uma vez mais.”
( término da visão – J.W.)

SEGUNDA VISÃO

20 de janeiro de 1914

( Durante a noite de 19 de janeiro de 1914, sonhei novamente em um


estado de transe que via H.J.L.)

2
JW: “como está tudo contigo? “
H.J.L: “bem, mas lentamente.”
JW.: “eu e os outros queremos fazer-te algumas perguntas.”
H.J.L: “pergunte . Não sei se poderei respondê-las.”
J.W.: “onde estás? Vens até mim de um outro lugar? “
H.J.L: “não exatamente. Eu estou aqui todo o tempo, nosso mundo está
ligado ao de vocês. Detesto equivocar-me, mas poderei explicar-lhe melhor
valendo-me de uma comparação. Conheces os “Fantasmas de Pepper? “Bom,
é como se fôssemos ligados ao cenário de vocês. Nossos cenários, nossos
caracteres, caminhando ao redor de vocês, mas sem sermos vistos.
Justamente como um homem real em tal cenário não podendo ver os
fantasmas que o rodeiam, mas os espectadores veem a ambos, o homem e os
fantasmas. É como uma grande quantidade de nuvens que se mesclam com
uma fileira de colinas, de modo que é difícil dizer quais são as colinas e quais
são as nuvens. Nós estamos no mesmo mundo que vocês, mas não sujeitos às
mesmas leis. Por exemplo, o tempo e o espaço não existem. São triviais, mas
é assim, porque a verdade, é comumente trivial, porque é verdadeira e por
conseguinte, sempre existiu.”
J.W.: “ Mas, tu estás aqui agora. Como então pode não haver espaço?”
H.J.L: “Comparemos com o pensamento. Nós somos mais que um
pensamento, assim poderá ter alguma idéia do que quero lhe dizer. Na terra tu
pensas em Ravenscroft (pintor), tua mente chama uma pintura de Ravenscroft
e as pessoas aparecem no quadro. Tu os vê como eram . Por esse lado nós e
vocês somos parecidos, mas seus sentidos mais finos estão controlados por
seus corpos e estão inconscientes do que está oculto. Agora sabes algo de
telepatia. Tu lembras do que te contei sobre a única história verdadeira de
fantasmas que conseguiu a Sociedade de Fenômenos Psíquicos e que enviei
ao doutor? “
J.W.: “sim.”
H.J.L: “bom, depois disse: “Creio que a maior parte disso é bobagem,
mas deve haver algo de telepático.”
J.W.: “ o recordo perfeitamente.”
H.J.L : “bem Jack, a telepatia não é somente “algo”, mas um todo. É a
borda externa de todas aquelas faculdades que devemos desenvolver aqui. É
um esboço principal entre o nosso mundo e o seu. Tu sabes que tem pessoas
que sabem das coisas que ocorrem com seus amigos à distância. Todos nós o
podemos fazer aqui, e esse é o modo como nos comunicamos uns com os
outros, a palavra não existe entre nós. Isto explica o que disse a Biblia de que
nada pode se escondido. Tu não podes dizer mentiras e nem ser enganado
aqui. Mas, isso não é o todo, pois cada pensamento em si mesmo, existe em
separado e nós os podemos ver.”
Isto explica a doutrina dos católicos ( de que eu sempre zombava), que
apenas um só pensamento de maldade, como pensar só em si, é pior que um
pecado venial. Meu castigo é mormente isto, que todas as minhas ações e
pensamentos se levantam perante mim, na verdadeira forma em que os penso.
Eles estão alí com todos os impedimentos que os rodeiam.”
J.W.: “que queres dizer com isso? “

3
H.J.L: “bom Jack, eu não quero que tu penses mal de mim, assim ao
invés de te citar um exemplo real, mostrarei o que quero dizer com um exemplo
fictício.”
J.W. : “queres dizer então que não existe diferença entre a falta
cometida e a que penso cometer? “
H.J.L: “tudo depende da razão pela qual não se cometeu. Supondo que
a maior parte de tua natureza vence e logra fazer que desistas de atuar
conforme a tua baixa natureza te tenta, então, depois de veres o pensamento
mau, te renovarás vendo o lado bom, porque todas tuas boas ações e
pensamentos veem aqui também. Se é um pecado que não houvera cometido
porque houve algo que o impediu, então não haverá nenhum bom pensamento
que alivie teu espírito cansado. Supostamente, um homem pode estar
prevenido temporariamente de dar lado a uma paixão vil e depois ficar alegre
de saber que devia ter sido assim. Tudo isso se vê aqui. Assim, cada um vive
no mundo de sua própria criação e, quanto mais aproxima seu mundo dos
outros que o rodeia, gozará de maior companhia e menos solidão. A solidão é
um dos piores castigos aqui e aqueles que não tiveram muitas faltas, amaram
muito e tiveram muitos amigos, obtêm suas recompensas.”
J.W.: “esse estado permanece constante, ou consegues conhecer mais
gente e serdes menos perseguido por tuas idéias anteriores? “
H.J.L : “como já havia lhe dito, estamos progredindo. Não deverias fazer
perguntas desnecessárias, nem tratar de fazer-me cair. Te repito que
progredimos através do aprendido e especialmente quando aprendemos a crer.
Quanto à segunda parte de tua pergunta, não sei se é exatamente o que
ocorre, mas através do avanço dos pensamentos, aqui criamos pensamentos
novos e quando estes são de uma natureza mais nobre que aqueles
pensamentos que tivemos na terra, eles se renovam e nos capacitam para
suportar mais facilmente o pesar que sentimos por nossas faltas anteriores.
Nós vemos como são as faltas aqui, coisa que na terra nos enganávamos
pensando que não eram faltas. Devo acrescentar que a princípio é mais como
um horrendo pesadelo, ou seja, todos os pensamentos que temos da morte
veem como um golpe, para depois de um tempo parecerem cair em um plano
distinto, mas não posso explicar como isso ocorre. Em todo caso, as coisas se
tornam mais fáceis. Muito do que tenho estado lhe contando agora, tenho
aprendido recentemente de meu professor. Tenho aprendido também com os
outros. Para voltar ao ponto de como “venho” a tí, eu somente penso em ti, ou
melhor dizendo, concentro meus pensamentos em ti excluindo outras coisas.
Isto está se tornando mais fácil, embora a princípio fosse muito difícil. Mas, não
é tão fácil fazer que teu espírito entre em sintonia com o meu para poder
comunicar-me contigo.”
“Tentei com vários outros primeiro. Tentei com Carrie e também com H.
Tentei comunicar com F. Afinal pensei que poderia conseguir contatar-me
contigo.”
J.W.: “então deduzo que tu estás neste mundo e podes vê-lo como nós o
fazemos.”
H.J.L: “nós estamos neste mundo, mas não nos limitamos a ele, embora
este não nos pareça o mesmo que a vocês. Nós vemos muito mais. Vemos o
passado e creio que alguns podem ver o futuro, embora eu não possa. Tu
entenderás já que sonhastes com minha morte um mês antes que ocorresse.

4
Mas, eu tenho abusado de ti o suficiente. Há algum ponto sobre o qual gostaria
de perguntar? “
J.W. : “sim, tu dissestes algo acerca de nossa natureza baixa. Sabes se
há algum demônio que tente o homem com maus pensamentos? “
H.J.L: “não o sei. Quando estava vivo eu não acreditava neles, mas
desde que morri, tenho aprendido a crer em muitas coisas das quais antes eu
ria. Pode ser que haja, porque há espíritos bons que nunca tenham sido
homens, mas não estou seguro.”
J.W.: “ por que não perguntas a teu professor? “
H.J.L: “se tu estás ensinando a um aluno sobre Euclides e de repente
ele te pergunta sobre algum evento na história, não lhe dirias que espere até
que venha a lição de história? Bem, aqui é o mesmo. Tem tanto que aprender
que devo esperar até chegar cada coisa em sua vez.”
J.W.: “estou contente de que tenhas vindo até mim, mas por que o
fizestes?”
H.J.L: “Em parte porque me faz bem, mas, principalmente porque penso
que é uma forma que posso fazer o bem e não é fácil fazer o bem aqui. Havia
desejado fazer mais boas ações quando estava na terra. Particularmente,
quero que o diga a Carrie, ela me compreende melhor que tudo. Fomos
sempre bons amigos. Desejaria poder falar com ela, mas não posso. Tu estás
cansado. Já não podes manter a comunicação (pausa).”
J.W.: “Sim, estou cansado, mas quero te perguntar algo... embora não
posso recordar o que é...”
H.J.L:” voltarei novamente ( pausa ) voltarei novamente.”

Nota de J.W.- depois disso me pareceu que dormi e não pude recordar
nada mais, até que despertei na manhã seguinte.

TERCEIRA VISÃO

Na noite de 20 de janeiro H.J.L me apareceu novamente em uma visão

H.J.L: “Vim a ti outra vez, mas só por um curto tempo. Quero que tentes
a escritura automática. Um homem através do qual vim aqui, chamado P., me
sugeriu, e disse que vivia em Sheffield e que essa seria a melhor maneira de
comunicar-me com os “ todavia” vivos. Ele é um bom tipo e gosta de mim.”
J.W.:” tenho tentado isso com um de vocês, mas sem nenhum resultado
real.”
H.J.L: “ desde que morri? “
J.W.: “não, há algum tempo atrás.”
H.J.L: “bom, trata de fazê-lo outra vez. Tenho muito que fazer agora,
mas não te esquecerei. Lembranças minhas a Carrie.”

ESCRITA AUTOMÁTICA

(apenas uma)
21 de janeiro de 1914

5
“Vim a ti como havia prometido. O Sr. P. está ajudando-me. Ele disse
estar interessado, como quando vivia em Sheffield. Não é fácil escrever isto.
Espero que seja legível. Não posso escrever mais agora.
H.J.L

Capítulo II
Carta Automática (2)
22 de janeiro

Estas perguntas foram escritas por mim em um pedaço de papel como


preparação para esta carta. Eu estive em semitranse durante esta e as últimas
cartas.
PERGUNTAS

1) estranhas o xadrez e outras recreações?


2) Há alguma distinção de classes?
3) Reconheces aos antepassados, parentes ou algum personagem
histórico famoso?

CARTA

“Não estranho o xadrez porque o posso jogar. Nós não podemos gozar
de jogos que envolvam a habilidade corporal porque não temos corpos, mas
não acontece a mesma coisa com os jogos que impliquem habilidade mental. O
xadrez é uma diversão mental por inteiro e por outro lado o jogamos com
nossas mentes e pensamentos.”
“Justamente, o tenho jogado com Lasker* Ele me venceu, mas foi um
bom jogo. Ele se ajustou para obter a posição.”
“A maioria dos nossos não deseja os prazeres corporais e aqueles que o
desejam, não podem tê-los. Isto ocorre na maior parte com os homens jovens e
os mais velhos, do tipo dos homo sapiens, já estamos cansados destas coisas
muito antes de morrer. Aqueles que o desejam demasiadamente estão sendo
castigados por gostar desse tipo de coisas. Afortunadamente para mim, eu era
um homem velho e nunca me importou muito a maioria desse tipo de
diversões.”

*
Depois descobri que Lasker ainda vivia, mas notei muitas contradições. Pensei que o
reconhecia, mas contudo, assim como eu estava em condições de entrar no sexto plano e
regressar, assim também ele o podia. Um grande número de pessoas tentou fazê-lo, mas
poucos puderam reter uma clara memória do ocorrido. Se o recordavam, o chamavam de
sonho. 24/01/1914

6
“Quanto a pergunta dois, suponho que não haja tal distinção de classes.
Mas, ao mesmo tempo, a falta de educação em seu sentido mais amplo resulta
em algo que a primeira vista parece mais uma classe, é como dizer pessoas
com crenças e pensamentos semelhantes, caem em grupos iguais. As classes
mais ricas, com mais cultura, digamos, estão geralmente em grupos diferentes
que a dos pobres.”

“Responderei tua pergunta n° 3, em outra ocasião. Adeus, H.J.L.”


O seguinte foi escrito automaticamente em presença do Sr. e da Sra. K.
em sua casa. Eu estava em transe completo durante esta e todas as futuras
cartas. JW.

PERGUNTAS

1) em que parte do mundo estava o Sr. P. quando morreu?


2) que queres dizer com crer? crer em que?
3) podes reconhecer algum antepassado, parente, personagem
histórico?

CARTA 1

Eu estou aqui. Quanto à pergunta 1, encontrará a resposta em um


minuto. Sobre a 3, não tenho me encontrado com nenhum personagem
histórico aqui, mas podemos e o faremos quando alcançarmos um grupo mais
alto. Sr. P. disse que morreu no Extremo Oriente, Japão. Estou progredindo
bastante bem agora, e virei outro dia. Conheci um homem que acaba de vir do
grupo abaixo. É um tipo interessante. Foi um completo velhaco antes de morrer
e tem estado me contando suas experiências desde então. Disse haver
passado por uma etapa horrenda, por isso lhe perguntarei mais acerca disso.
Deduzo que tenha cometido todas as ofensas que existem lá. Acerca da
pergunta 2, quero dizer “crença em geral, crença em uma vida futura e disse
crer em Deus. O primeiro é crer em algo. Não importa muito em que, sempre
quando se crê. Uma crença ruim como a fetichista, é melhor que quando o
homem não crê em nada. Crer. Escreverei logo novamente. As condições são
melhores que antes. Necessitas de um descanso. Volta novamente em meia
hora. H.J.L.
( testemunhado por Sr.K.)

CARTA 2

Esperamos meia hora. Esta vez não foi feita nenhuma pergunta.

7
“Estou aqui. Aprenda o máximo que podes na terra, coisa que não te
darás atraso depois. Agora sobre mim mesmo. O homem de quem falei está
próximo de mim. Era um homem de boa posição. Foi um Oficial da Armada
mas foi expulso por má conduta. Casou-se com uma mulher que roubou seu
dinheiro. Abandonou-a quando foi para a Índia. Ali seduziu outra mulher e
recuperou seu dinheiro e assassinou um nativo. Averiguaram sobre a mulher,
mas não sobre o nativo. Foi dispensado grosseiramente da Armada.
Regressou à Inglaterra. Foi para uma Companhia de Promoção e roubou
dinheiro de dezenas de pessoas pobres. Finalmente caiu nas mãos da Justiça.
Passaram-se cinco anos. Enquanto estava na prisão sua esposa entrou com
pedido de divórcio em juízo e ganhou. Quando saiu, se estabeleceu como um
jogador. Foi descoberto e expulso de vários clubes a que pertencia. Se meteu
então com um jovem sócio que tinha uma nova invenção. O dirigiu por um
tempo e, finalmente o assassinou e roubou seu invento. Obteve aprovação e ia
firmar acordo quando foi derrubado por um motor de ônibus e morto. Este era
um dos primeiros motores de ônibus que se inventaram. Ele quer tomar o
controle. O deixarei por um minuto.*

Estrangeiro: “Estou tomando o controle, mas não posso manejá-lo


devidamente. Não estou fazendo isso por diversão. Tenho sido um ser bestial a
vida toda e se posso fazer alguma emenda, quero fazê-la. Devo fazê-lo
algumas vezes. Não posso fazer isto propriamente. Tenho sido um miserável
fracassado toda minha vida, mas se o Sr. L. me ajudar como prometeu,
indubitavelmente progredirei. Ele quer tomar o controle agora.”

H.J.L.: “( outra vez) “Me assusta que tenha te colocado exausto. Eu sou um
“tiro”, mas, suponho que ele é pior porque não tem tido a influência da calma
do nosso professor. Ele saiu recentemente dos piores tormentos, portanto, está
com o espírito molestado. Nosso ambiente tranqüilo produzirá sem dúvida uma
escrita muito mais legível. Mas estava tão ansioso de fazer algum bem que tive
que deixar que ele tentasse. Ele te dará suas experiências em outra
oportunidade. Será bastante diferente das minhas. Ele tem estado muito tempo
aqui. Morreu em 1905. ( segue-se uma pausa como se houvera parado para
perguntar. Ed.) Disse que sua morte foi causada por um dos primeiros motores
de ônibus que se manejaram. Tomei todo o tempo com ele, e assim termino
agora. H.J.L. ( finalizou mais ou menos às 7:30)
- A pergunta seguinte foi escrita pelo Sr. K.
“ O oficial poderá dar seu nome?”

CARTA 3
“Como provavelmente estás dando conta, agora estão nos ajudando
vários amigos, embora tenha que mandar sair o oficial. Ele te cansa
demasiadamente, por outro lado, um homem que me ajuda aqui, disse que
devemos ser cuidadosos, pois como somos espíritos recentes nesse grupo,
talvez poderíamos desprender-nos, se mantivermos contatos muito seguidos
com a terra. Ele disse por bem, mas o espírito é débil. Outrossim, faremos com
que não provoque nenhum dano.”

*
nota do editor – aqui, o estilo da escrita mudou bastante e em si, a escrita era feita com
aceleração. O Sr. e Sra. K, declararam que a conduta total do médium mudou, voltando-se
excitado.

8
Não tenho me encontrado aqui com nenhum velho amigo e por isso
estou um pouco solitário, mas estou fazendo amigos com várias pessoas. Um
deles subiu para outro grupo. Me prometeu vir visitar-nos algumas vezes e,
portanto, espero poder informar-te sobre o grupo acima do nosso. A respeito da
pergunta do nome do oficial, não o sei, mas posso perguntar-lhe. Ainda não o
farei, pois ele poderia querer tomar o controle. Não estou seguro que o dirá,
melhor pensar a princípio que não o fará, talvez o fará algum dia. Ele é um tipo
de pessoa selvagem. Posso ver a todos vocês muito bem. Há outros contigo,
vários deles. Suponho que não sei quem são, já que não veem de meu grupo.
O poder está diminuindo. Obrigado Sr. e Sra. K. Adeus. H.J.L.”

9
Capítulo III
H.J.L. TRAÇA SEU PLANO PARA ESTE LIVRO
(visão em transe, na noite de 26 de janeiro de 1914)

H.J.L. : “ Estou contente em ter começado esta escrita automática que


se mostra tão aproveitável. Te darei mais uma série de cartas como esta, com
as quais tentarei te dar uma explicação coerente da nossa vida aqui. Agora
acredite que a maioria das mensagens de espíritos que se tem recebido ignora
quase tudo aquilo que não vem do conhecimento imediato do escritor. Eu
proponho ir mais além e dar a soma das minhas próprias experiências, aquelas
dos membros dos grupos superior e inferior ao nosso. Nesse sentido espero
cobrir esses 3 grupos já que o meu amigo que ao subir me prometeu tratar de
contactar-me com algum espírito que tinha passado a um grupo superior e
poderia estar em condições de contar-te algo do 4º grupo. Tratarei de dar-te
uma descrição da “ geografia” desta região, se é que pode ser chamada assim.
Além do mais, poderei te dar minhas próprias experiências a começar pela
minha morte e a minha entrada para esta vida. Estou apto a compreender
muitos incidentes da minha própria morte que em princípio pareciam vagos e
incertos.” Agora é difícil para tu compreender nossas ordens aqui, é diferente
da qual você está acostumado a ser ensinado. Não é muito porém, que o
ensinamento fundamental da Igreja esteja errado e sim que esta tem sido mal
interpretada pelos seus professores. Talvez, eles mostrem só partes da
verdade e nem ainda aqui nós conhecemos toda a verdade. A verdade é como
um diamante com muitas arestas. Cada aresta contém partes. Porém, só uma
parte da verdade. Algumas arestas são maiores que as outras, tal é assim que
todos os credos existem pela “aresta” da verdade que possuam, mesmo que
esta seja pequena. Nenhuma fé que não tenho um pouco do elemento
Verdade, poderá existir na terra por qualquer espaço de tempo. Quase sempre,
não obstante, a dita aresta é muito pequena. Como regra, quanto maior for a
quantidade da verdade, mais fortemente crescerá essa fé. Sendo assim, os
Católicos Romanos, formam um corpo numeroso, porém, nem eles, nem
nenhuma outra seita possuem a Verdade total. Eles simplesmente, formam
uma comunidade que existe nos grupos onde os homens acreditaram. Há
também, budistas, pagãos alí, e, de fato todas as religiões. Desde este estágio
nós avançamos até que nos reunimos com a Verdade total. Então, saberemos
realmente o que se quer chamar de Deus. Porém, isso está muito longe.”
Além do mais, como é mais fácil para tu entender os novos fatos que
vou tratar e se os relacionas com alguma teoria que você já conhece, tomarei o
Plano Geral do Céu, purgatório e inferno. Não o interprete mal, pois estes
nomes soam completamente falsos na aparência, conforme muitas pessoas o
retrataram, mas serão de uma grande ajuda se forem aceitos como uma
conveniente e dura classificação. Sem dúvida, deves ter muito claro um fato.
Segundo o que tenho conseguido descobrir, não há nenhuma evidência da
“eternidade” do inferno. Acaba com a idéia que o resto será mais fácil de você
entender. Ao mesmo tempo, os espíritos podem permanecer no que chamarei

10
de Inferno por incontáveis períodos. Por exemplo, Nerón, está alí ainda e ao
que parece continuará por muitos ciclos. O oficial chegou recentemente do
Inferno e isto prova que aqui não é um lugar de sofrimento perpétuo. Mas como
a maioria dos espíritos que se comunicam com os vivos são bastante
espirituais, eles nunca estiveram no Inferno, portanto, não podem dizer nada a
respeito dele, Muitos não sabem da sua existência , já que nós não sabemos
tudo, somente o que é necessário para o nosso próprio progresso. Eles não
precisam das dores do Inferno e portanto . Não conhecem a sua existência.
Aqui mora o interesse do que contará o oficial. Eu mesmo não poderia contar-
te que é de sua própria experiência. Em baixo do Inferno, isto é abaixo de mim
se agrupam todos aqueles que não acreditaram. O Purgatório começa com
nosso grupo. Até que você tenha recebido as primeiras centelhas de fé, você
pode fazer somente um pequeno progresso. Quando este tenha sido uma vez
recebido, o espírito entra em nossos reinos. A partir daqui Cristo desceu ao
Inferno para ensinar a “crença” aos espíritos. Assim hoje em dia os espíritos
elevados descem algumas vezes lá. Para ensinar-lhes a crer. Do céu nós aqui
pouco sabemos, isto é, estar com Deus, o que é suficiente para nós. Nós
estamos na borda mais baixa do Purgatório e temos que viajar longe para
alcançá-lo. Não me entendas mal quando falo do Inferno; quero simplesmente
dizer simplesmente o “Reino sem Fé”, a colina mais difícil que o espírito tem
que escalar. Quando falo do Purgatório não deves pensar que somos infelizes.
É verdade que sofremos; mas enquanto estamos progredindo, somos felizes.
Nossos sofrimentos somente purgam a sujeira do terreno que nos tivesse
arrastado para baixo.
“Outro fato que será uma surpresa para você, é que ainda nós podemos
cair em pecado ou retroceder em qualquer momento no lugar de fazer um firme
progresso. Não é o caso de descansar e ficarmos dormindo. Estamos muito
ocupados esforçando-nos para subir mais em cima. Para nós tem pouca
tentação, o pecado carnal, disso, nós estamos livres.”
“Mas os seres desafortunados do Inferno estão ainda sujeitos a suas
tentações e algumas vezes podem satisfazê-los para seu próprio prejuízo.”
“Agora, uma palavra para você: Se algumas vezes você se cansa disto e
pensas que é pouco interessante, te peço que não o abandones. Transmiti-lo é
um grande trabalho para mim, mas o faço contente, porque com isso estou
fazendo emendas para minhas próprias falhas na Terra. Acredite-me, você
também se beneficiará; mas sobretudo, espero que o mundo se digne em
aprender algo do que estou tratando de comunicar.”
“Creio que deixei claro o plano geral que proponho. Lendo as “notícias”
que mando, não faças nenhuma conclusão precipitada, então espera e
compara os vários pontos. Sobretudo, lembra que não porque deixe de falar ou
afirmar que uma pessoa ou coisa está lá ,quer dizer que ele não existe. Estes
reinos são tantos, que nenhum espírito conhece mais que uma parte deles.”
“Antes de partirmos, tens alguma pergunta que desejarias fazer-me ? “

J.W.: “Vocês tem aqui luz e escuridão ?”


H.J.L: “Não pelo que você entende nessas palavras já que neste não é
um mundo material, quer dizer , a luz material não tem lugar aqui. Mas existe
uma espécie de escuridão espiritual. No Inferno é uma escuridão total, porque
não existe crença. Enquanto o que é aqui, olha... abre os olhos e vê.”
(De repente percebi que estávamos em uma espécie de crepúsculo ou uma suave luz
de entardecer).

11
“Aqui não percebemos tão claramente como aqueles que crêem,
portanto, estamos nesta luz crepuscular. Mas enquanto progredimos, a luz vai
tornando-se mais forte. A luz, se podemos chamar assim: está dentro de nós
mesmos. Devemos partir agora.”(Ele começou enfraquecer e tornar-se confuso, então
fiquei sozinho).

12
Capítulo IV
DOIS ESTRANHOS INCIDENTES

Não estava seguro de se o seguinte “sonho” realmente a continuação da


minha visão em transe com meu tio, ou se era apenas um sonho ordinário.
Porém foi tão real e peculiar que eu achei ter entrado nele.

O DUELO

Sonhei que estava vestido com uma roupa azul clara da época de Carlos
I e estava parado no hall de uma grande casa jacobina. Os móveis eram desse
período.
De repente houve uma feroz batida na porta do hall. Um servente a abriu
e vi um homem e um cavalo. Ele estava vestido de preto e sua barba era preta
e aparada, mas bem curta e quadrada ao redor da sua cara., numa maneira
muito particular. Seu rosto era muito branco, e sobre sua cabeça tinha um
chapéu alto de pele.
Ele entrou no hall e me desafiou para um duelo. Eu empunhei minha
espada, que tinha uma asa enfeitada com jóias, enquanto ele fazia o mesmo.
Então ele avançou com uma espada curta ou uma adaga comprida, larga na
empunhadeira e uma ponta fina e com isso desprezou o ataque da minha
arma. Meu servente gritou “O método italiano” e deslizou na minha mão
esquerda uma adaga similar. Posso recordar o ruído que se produzia, cada vez
que nossas espadas se cruzavam na parte das adagas (1).
Ao final, minha espada deslizou sobre a sua e ficou em seu ombro.
Então disse que iria embora, mas de repente entrou de novo na casa e pegou
alguns papéis que estavam sobre o cofre de madeira próximo. Com eles sai
correndo para o jardim. Furioso por essa brincadeira, pulei atrás dele e me
balancei em seu corpo. Minha espada entrou em suas costas e caiu embaixo
do seu cofre. Após alguns minutos deu seu último suspiro e morreu entre um
canteiro de flores. Eu caí sobre a calçada soluçando e lamentando-me.
Enquanto estava encostado ali, ví as pessoas da aldeia olhando através das
portas e o servente recolhendo o corpo do homem morto. Tenho uma nítida
lembrança de intenso pesar que senti. Então sonhei que acordei desse sonho e
que vi a foto de uma espada, a mesma que usei na luta. Pulei logo da cama e
indo até a caixa de desenho, encontrei um papel. Então anotei a lápis os
pontos principais do meu sonho, para não esquecê-los.
De fato, não tinha acordado realmente, e a seu devido tempo, acordei na
cama. Não havia nenhum papel, nem lápis na caixa de desenho.
Não via como este sonho poderia ter alguma conexão com meu tio, mas
resolvei perguntar-lhe – JW

30 de janeiro – às 02:50 h., Blanche vê a HJL –


Blanche estava encostada na janela da sala de jantar, olhando para o
jardim, quando voltou muito excitada, dizendo que havia visto o “Avô grande”.

13
Ele usava seu chapéu na cabeça (capacete preto) e falou: “Oi mocinha”.
Desceu flutuando de uma terrinha azul no céu, a pegou pelo pulso direito
e tratou de levá-la até o céu. Ela foi. Ele a soltou e percorreu várias partes do
jardim, e olhou ao redor todo o lugar, subindo a uma rocha, numa colina atrás
da casa.
Ela descreveu tudo isso, como aconteceu à sua mãe que estava no
quarto, anotando as diferentes direções que a figura trocava sua posição.
A Sra. Ward, fala que ela todo tempo parecia sincera. Essa noite, ela
me voltou a repetir com exatidão. Havia falado: “Oi avó, em resposta a seu
cumprimento. Ele a olhou “com um grande sorriso” e parecia andar ao redor da
casa e do jardim. – JW
Este é um preciso sumário que teve lugar por volta das 02:50(da tarde) -
CW (Blanche tem 4 anos e 3 meses de idade).

(1) 7,Nov., 1916 - Ví recentemente na Torre de Londres, a duplicação exata


com a qual tirei sua espada. É bastante diferente a qualquer
adaga que tivesse visto antes, e sem dúvida alguma teria
sido desse modo.

14
Capítulo V
O OFICIAL
31 de janeiro – Em Sheffield
Carta 6, às 7:00 (noite), por HJL

Perguntas escritas

(1) O nome do Oficial ?


(2) O sonho do duelo tem alguma coisa a ver com você ?
(3) Vieste até Blanche sexta-feira ?

“Estou aqui e começarei respondendo as perguntas. Primeiro a nº 3.: “


“Vi a Blanche. Pensei que gostaria de ver onde vocês vivem, nunca
havia estado ali. “ “Foi minha atração natural e não minha intenção deliberada
que causou a “subida”. Estou tratando de escrever com mais força, como pediu
o Sr. K., mas por enquanto não é fácil.”
“Nº 2 – O sonho é curioso, por enquanto não tem nada a ver comigo,
mas é e o tema que persegue um amigo meu daí. Ele matou um polaco que
salvou sua vida durante a Guerra dos Trinta Anos no continente. Depois, o
homem, entrou para o serviço secreto dos Parlamentares. Seu pesar era por
ter matado o seu benfeitor; mas tinha que fazê-lo, já que o homem estava
roubando papéis que poderia implicar muitos numa conspiração, para colocar
Carlos II no trono. Por que você o viu ? Não posso dizer, mas evidentemente
você o fez, e como era uma descrição de sua mente, ele se identificou com
você.”
“Quanto a 1ª pergunta: O oficial se recusa absolutamente a dizer seu
nome e penso que tinha boas razões. Ele te dirá com suas próprias palavras.
Eu estarei por aqui, assim não tem perigo.”
(Aqui, me informa o Sr. K, todas as minhas maneiras mudaram; voltou-me excitado, e
também a maneira com que segurava o lápis mudou).
O Oficial: (A escrita é bastante diferente daqui).
“Dar meu nome ? Não ! não ! Lhe darei razão. Tenho uma filha: não é
suficientemente ruim que ela tenha meu sangue em suas veias, pobre diabo !
Mas que ela se torne conhecida como filha de um assassino ... ninguém sabe
que eu matei esses homens. Se isso fosse descoberto, que chance ela teria na
vida ? Quem se casaria com ela ? Que seria da minha pobre esposa ? Não sei
se o que escrevo não vale a pena, façam-no sem “L”; mas serão imprudentes .
Quero fazer algum bem – sem estragos a minha esposa e filha. Eles me
falaram que devo parar. O Sr. L vai tomar o controle agora.”
(O Sr. K viu a mudança que teve lugar em minhas maneiras, etc. Ed.)
H.J.L.: “Lamento que não tenha dado seu nome, mas acredito que tenha
razão. Mas como sabia que não o faria, convenci o espírito que se foi para o
grupo de cima a dar o seu como evidência. Ele não tem nenhuma razão para
temer que fará algum estrago. Ele se apresentará a si mesmo.”

15
(Aqui meus modos e o modo de segurar o lápis mudaram tão marcantemente que o Sr.
K, colocou uma cruz na linha assim X).
“Esta é a primeira vez que tomo o controle, de modo que me
apresentarei e lhes darei detalhes para que possam comprovar-me. O Sr. L,
me pediu que o ajudasse em seu importante plano e eu descreverei, no
possível, ao que parece este grupo, que está em cima do grupo dos que
acreditaram nas medidas. Eu era JBP, aposentado, principal colegiado
congressionalista.”
“Fundei o BLB, fui editor adjunto do ... e escrevi o ... Nasci em 17 de
dezembro de 1830, e morri em 26 de janeiro de 1911 (1). É suficiente esta
evidência ? Provavelmente os meus amigos nunca acreditaram que eu só
acreditava mais ou menos, e eu apenas podia perceber que esse era meu
caso. Mas isto se devia a um porém – estudo de teologia. Eu perdi ou estive a
ponto de perder alma pela sombra. Agora adeus. O Sr. L está encarregado de
nós, e devo escrever como ele indica, dando-lhes espero muita informação útil.
Creio que possam guiar seus passos aos reinos da luz. Deus os abençoe a
vocês quatro.”
(O Sr. K, marcou o seguinte com um X para mostrar a mudança de controle).
“Tomei o controle novamente para encerrar esta carta (HJL).”
Na seguinte começarei a transmitir os detalhes da minha morte e minhas
primeiras experiências aqui. O oficial e o Sr. P, não aparecerão na seguinte.
Descansa meia hora – HJL.
(1) o Sr. K investigou estes fatos e constatou que todos eram corretos.

16
Capítulo VI
H.J.L. DESCREVE SUA MORTE
Carta 7. Na mesma noite, 20:00 h

“Estive inconsciente e depois me recuperei, ou assim parecia. Na


verdade minha mente se voltou clara de repente, mas comecei a sentir um
peso forte. Gradualmente percebi que este peso estava soltando-se de mim, ou
seja, eu estava deslizando para fora dele, como se alguém estivesse tirando
sua mão de uma luva molhada. Então comecei a sentir-me livre afinal, assim
dizendo e comecei a ver outra vez.”
“Vi mais uma vez o quarto e as pessoas dentro dele. Então era livre!
Livre! Vi a mim mesmo deitado, esticado na cama, e saiu da minha boca, assim
dizendo um cordão de luz. Este vibrou por um momento, explodiu e saiu de
minha boca. Nesse momento alguém falou: “Acho que se foi”. Ou se eles não
falaram, eles pensaram. Então, pela primeira vez me dei conta do que eu
parecia. Que diferença daquilo que via sempre no espelho! Mas era eu. Parecia
tão diferente.” Mas assim como parecia, eu estava inconsciente de uma
horrível sensação de frio.”
(O Sr. K. e os outros dizem que enquanto eram escritas as seguintes
linhas, mostrei todas as características de estar com um terrível frio. Tremi e
dei gemidos: “Frio, frio”).
“Uma penetrante sensação de frio. Este penetrou cada vez mais em
mim. Nada que possa escrever poderia te dar idéia desse frio. A geada me
penetrou como nenhum vento terrenal. Eu era uma alma nua, sem corpo nada
que me desse calor. Me estremeci e tremi durante muito tempo. De repente
pareceu diminuir um pouco. Eu estava consciente de uma presença. Como
posso descrevê-lo, a este glorioso ser ? Então, dificilmente podia reter alguma
idéia clara, mas havendo estado constantemente na sua companhia, posso
descrevê-lo um pouco melhor.”
Ainda agora ele parece mudar a cada momento. Por um instante, me
pareceu conhecê-lo bem, no outro momento, ele muda e não tenho uma clara
idéia de seu rosto ou forma. Ele resplandece, brilha e reluz, como se fosse feito
de fogo. Seus trajes, seus rosto, sua forma total, é como se fosse fogo. Ainda
essas palavras te dão uma idéia errada, nem a palavra luz estaria certa. Todo o
colorido esta ali. Este ser glorioso é meu professor.
“Apenas percebi a sua presença, quando todo o quarto onde estava em
pé e as pessoas que ali estavam pareciam desaparecer. E olha! Eu estava no
cenário mais bonito imaginável. Todos os demais lugares mais bonitos que
havia visitado estavam ali, e incontáveis outros que nunca havia visitado, belas
colinas onduladas vestidas de gramados e árvores; árvores reais, sim, e
animais ainda, borboletas, flores também de todas as espécies, não só das
inglesas, flores de jardim, e sim toda a classe de plantas estrangeiras,
orquídeas, e muitas mais que nunca havia visto na terra. Nem elas pareciam
fora de lugar, ou estranhas, nem a vista das palmeiras tropicais e árvores
inglesas que cresciam lado a lado.”
“Onde estou ? pensei, e não me veio a idéia mais rápida a minha mente,
que a resposta que parecia dar-me o “homem brilhante” se na realidade pode
ser usada essa palavra.”

17
“Tu estás na Terra depois da Morte. Estás surpreso que existam árvores
aqui e animais e ainda mais gramados ? Saiba que aqui vem cada pensamento
que tu tenhas tido alguma vez; logo saberás também que isto é assim, para teu
pensar; e além do mais, aqui vem também as formas espirituais de tudo o que
tenhas vivido. Desta maneira foi construído nosso Mundo do Espírito e desta
maneira cresce constantemente. Tudo o que, não importa quanto humilde seja,
vem aqui em si mesmo. Todos os pensamentos vêm aqui. Por isso reconheces
muitos belos lugares que conhecestes na Terra e por isso que existem
palmeiras, árvores e orquídeas que nunca conhecestes. Tens muito que
aprender.”
“Vivem todos os pensamentos ? gritei (ou pensei) Assim como se
formava a idéia, todo cenário era apagado de minha percepção. O horror
parecia apoderar-se de mim.”
(O Sr. K. etc. declaram que aqui comecei a mostrar sinais de grande ansiedade
novamente).
“A cada lado as visões pareciam pressionar-me com horrível pesadelo.”
“Eu que momentos atrás me sentia tão leve, agora parecia ser
esmagado por um insuportável peso. Eu os ví com os olhos mortais, os
percebia com todo meu ser.”
“Os chamo de visões, mas eram na realidade de formas corporais, como
um quadro ao vivo mostrando outra vez frente a mim todo o meu passado.”
“Meus atos passados se agrupavam diante de mim, todas de uma vez
como um sonho. Ah! A angustia trazia uma vez mais, atos por muito tempo
esquecidos. Pequenos ou grandes, nada era esquecido agora. Afinal, depois
do que pareceu longos anos, uma inspiração pareceu tomar-me e rezei. Não o
havia feito por anos e anos, mas agora eu rezava: “Oh ! Deus, ajuda-me.
Enquanto rezava, realmente o caos selvagem, começou assim dizendo
resolver-se por si só. Este tomou uma espécie de ordem cronológica, e as
cenas tomavam a forma de uma rua, que se estendia ao longe, de minha
percepção, e seguiram crescendo a medida que eu progredia, até o alcance do
consentimento judicial de Deus. Entre eles, tive muitas visões que vieram como
um consolo para minha alma cansada: pequenos atos de bondade que havia
esquecido há muito, às vezes em que resisti a tentação. Assim encontrei,
assim dizendo, minha colocação. HJL”. Testemunho, K.

18
Capítulo VII
COMO OS VIVOS APARECEM PARA OS MORTOS
Visão em transe, na noite de 02 de fevereiro de 1914

H.J.L. : “Peça a teus amigos que vigiem a hora em que o oficial toma o
controle até eu reassumir, particularmente durante o período de descanso.”
“Presta muita atenção nestes pontos, já que existem certos perigos que
devem ser encarados neste tipo de trabalho. Estarás a salvo sempre e quando
obedecer minhas instruções ao pé da letra.”
“Receberás uma carta do ** Sr. K. amanhã (terça-feira) confirmando os
detalhes do Dr. R., porém, confio em que estarás bastante satisfeito.”
“A respeito do que escreve o oficial, posso jurar-te que cada palavra é
verdadeira; mas ele também fala somente do que conhece. Devem existir
profundidades mais baixas do que a ele se afundo e sem dúvida, outros
espíritos, não todos, têm as mesmas experiências, mesmo que no Inferno.”
“O que ele te contar explica muitas das formas dos fenômenos ocultos:
pressentimentos de morte, casas encantadas, “almas penadas ,etc.”
“Não te assustes, nós estaremos perto e, enquanto obedecerdes minhas
instruções, estarás bem. Tens alguma pergunta ?”
J.W. : ”Quando escreves em transe, podes verdes todos aqueles que
estão presentes ?”
H.J.L.: “Sim, mas eles parecem bem mais diferentes de como você os
vê. Nós os vemos como eles são, não como eles parecem ser. Além do mais,
nos parece que aqueles que as pessoas terrenas os consideram belos,
parecem feitos, enquanto aqueles que para vocês são feios, nos parecem
belos. Como princípio vemos as almas melhor que os corpos. Os corpos são
massas cinzentas, como nas placas de raios X, aparecem os ossos através do
flash. Se o desejamos verdadeiramente, nós podemos, as vezes, ver os
corpos, mas as pessoas não nos podem enganar, achando-os bonitos, quando
realmente não o são. A feiura espiritual deles, se mostra através de seus
corpos físicos.”
“Nos também vemos a todos os espíritos que tenham sido atraídos ao
redor, sejam espíritos bons ou demônios, já que algumas pessoas e lugares
têm o poder de atrair os espíritos, algumas vezes bons e algumas vezes ruins.
Agora devo voltar a minha tarefa daqui.: H.J.L.

*
esta foi recebida

19
Capítulo VIII
UM PLANO DO REINO ESPIRITUAL
Sexta visão em transe de H.J.L. POR J.W.,
segunda-feira, 9 de fevereiro de 1914.

H.J.L. : “Para interesse geral, deixe lhes dizer que este reino está
dividido assim:

1. crença com trabalhos


2. crença sem trabalhos
3. crença média
4. incredulidade – inferno

“Quando a alma alcança o plano mais alto da primeira divisão, ocorre


algo semelhante a uma segunda morte, já que ali deixa para trás seu corpo
espiritual. Mas a alma que supera esse estado se alegra com sua futura
compensação; isto não os assusta como os mortais temem a morte, já que
aquelas almas que não estavam prontas, não cruzam a barreira.”
Uma vez que eles tenham passado ao próximo reino, não podem
retornar.
Existem sete desses reinos, incluindo a terra, dos quais o mais alto
significa estar com Deus.”
“Nós que estamos aqui conhecemos só o reino em que estamos, o qual
conhecemos de sexto, sendo a terra o sétimo, que inclui o plano astral.”
“Nós não podemos ir ao quinto até que nosso tempo tenha chegado e
então, não podemos retornar.”
“Porém, nesta regra há certas exceções. Raramente são enviados para
baixo, mensageiros do reino de cima, mas isso só ocorre por alguma boa razão
e é comparável ao regresso visível e escutado de um morto na terra.”
“O outro método é o mais usual, é através de um médium. Assim como
nós nos comunicamos através de você, assim aqueles do quinto reino usam
um espírito dos planos mais altos do sexto, através do qual se comunicam.
Qualquer mensagem que venha do quinto reino tem, além disso, que passar
por dois médiuns para alcançar a terra.”
“Cada plano do sexto reino está dividido em várias divisões e, às vezes,
estas divisões estão divididas em esferas.”
“Te mostrarei uma espécie de diagrama para que consigas compreendê-
lo melhor. Então pareceu parecer diante de mim uma espécie de lençol
cinzento com o seguinte diagrama em linhas de fogo de grande tamanho:

20
H.J.L. continuou: Suponho que este é somente um diagrama, além do
mais, o fiz tão simples como podia. Claro que não tentei te mostrar todas as
pequenas seitas, mas somente as principais: porém, deves lembrar que todas
religiões estão ali.”

21
“O Diagrama se refere ao nosso estado ou condição, não ao lugar, o
qual não existe entre nós. Além disso, existem muitas oscilações e correntes
contrárias que não posso mostrar facilmente. Assim, o sufismo tem óbvia
semelhança com o Panteísmo e Mormonismo com o Maometismo.”
“Assim também as almas flutuam dentro do seu plano. Deste modo o
oficial alcança algumas vezes a divisão 2, mas costuma estar na divisão nº 1.”
“Eu estou na divisão 2. Segundo vocês calculam o tempo, estive poucos
dias na divisão 1, mas para mim pareceram ser muitos anos.”
“Aqui o assunto principal é o estudo da alma, como eu o chamo; nossa
diversão é o que foi nosso trabalho na terra. Isto nos leva a ter contato com
homens de semelhantes ocupações e gostos, mesmo que se diferencie de
questões religiosas. Podemos comparar isto com uma série de círculos.”
Novamente sobre um quadro cinzento, ví este diagrama de fogo.
“Assim conheci um homem especialista em arqueologia, porque ambos
estamos interessados na arqueologia, mesmo que com pontos de vistas
diferentes,

ESFERAS DE INTERESSES

FRANCÊS HISTÓRIA CLÁSSICOS

LITERATURA ARQUITETURA ESCULTURA

MATEMÁTICA
ARQUEOLOGIA
XADREZ
PINTURA

“Não preciso voltar a este ponto já que vejo que você compreendeu.
Aqui, como verás, o homem que está interessado absolutamente em apenas
uma coisa daqui, como na terra, conhecerás menos gente. Estes círculos
mantêm em comunicação homens que, de outro lado, estariam separados
devido a diferentes atitudes religiosas. Por isso, um católico romano moderno e
um filósofo grego antigo podem encontrar-se nas esferas gregas, como estes
círculos pareciam ser chamados, estando ambos interessados na cultura grega
a partir de uma diferente perspectiva.”
“Por enquanto, nós estamos na região da fé média, as divisões
religiosas são somente um atenuante visível, mas quando nós ingressamos no
grupo superior, as encontra muito claras. Deve entender primeiro algumas
verdades antes que você esteja pronto para absorver outras.”

22
“Cada seita cresce fazendo outras, à medida que o homem progride,
porque quando eles retêm a verdade vital, a qual tem chamado de existência,
todas as religiões perdem seus erros à medida que seu seguidor sobe mais
alto até Deus, que é a Verdade em si mesmo.”
“Um ponto que pode estar bastante claro é que na divisão 3 do nosso
grupo, começam os primeiros mensageiros. Eles descem na sua maior parte
até as “escolas”. Eles não são os gloriosos seres de fogo que descem ao
Inferno em si. Eles vem de muito mais acima. O perigo para nossa gente seria
muito grande. Ainda nas escolas, o poder da terra é tão forte, que os
mensageiros retrocedem seu próprio progresso de muitos anos terrestres.”
“As Escolas de Bebês, são para aquelas crianças que morrem muito
jovens para aprender alguma coisa. Eles aprendem a acreditar e como
recreação, eles aprendem o que você chama de trabalho, só que é, com
certeza, em um plano mais elevado. Não precisam aprender a ler ou escrever,
por exemplo.”
J.W.: “Quem lhes ensina ?”
H.J.L. “Da divisão 3 descem muitas mulheres por alguma razão nunca
foram mães na terra. Assim, eles satisfazem os instintos primários de mulher.
Também vão lá professores de escola e clero. Então eles descem pelo que
você chama de espaço de tempo e regridem então a seus trabalhos na divisão
3, já que ensinar não é um trabalho aqui, mas sim uma recreação.”
“Agora, não entenda meus diagramas como um sistema rígido. Lembra
que existe mais fluxo aqui na terra.”
“Te contei o suficiente pelo momento. Queres dizer alguma coisa ?”
J.W: “Qual o propósito da escola para os que progridem e para que esta
escola está separada da dos bebês ?”
H.J.L: “Eles devem conseguir algumas vagas idéias antes que se queira
ter uma fé média. Mesmo assim, eles têm simplesmente um vago desejo de
acreditar. Eles devem também aprender a perceber a maldade das cenas que
se levantam diante deles de suas vidas anteriores.”
“Eles são como crianças em conhecimentos e devem aprender; mas
você não os misturaria com as inocentes criaturas, ou sim ?”
“Agora, adeus.”

23
Capítulo IX
CARTA DE H.J.L. – Fevereiro 1914

“Tomei o controle. Ví uma morte deste lado. Meu guia me levou.


Entramos num quarto. Não posso explicar exatamente como simplesmente
estávamos ali. Era uma habitação grande, arejada, bela, mas mobiliada com
simplicidade. Do lado de fora havia um jardim; mas como era inverno,
logicamente não havia muita vida nele.”
“Sobre a cama havia um ancião de aproximadamente setenta anos, e
um padre. Meu guia falou: Este foi um fervoroso ministro da verdade, pelo que
pode conhecer dela, uma daquelas almas que vão diretamente ao reino da fé
na terra onde os homens crêem e atuam segundo suas crenças. Ele é o
sacerdote católico romano desta paróquia.”
“Sobre sua cama estava pendurada uma “irmã de caridade”, e a seu
lado havia um sacerdote ajoelhado, dando-lhe a Extrema Unção.”
“Subitamente o quarto se encheu de belos espíritos. Eles enchiam o
quarto e se estendiam até que se perdesse no espaço.”
“Quem são estes ? “ perguntei.
“Todos os espíritos justos que ele ajudou a salvar. Olha esta mulher, ela
era uma pobre irmã perdida, cujos passos ele dirigiu pelo caminho da verdade.
Esse era um menino bobo, que segundo ele, teria caído no grupo inferior ao
teu. Esse pai teria conduzido a essa menina, sua filha às ruas, mas ele (o
sacerdote – Md) a levou a um convento e pouco a pouco suavizou o coração
de seu pai. Agora ambos estão no reino da fé, daqueles que atuaram conforme
sua fé. Todos eles vieram para dar as boas-vindas a seu pastor e amigo.”
“Então tive consciência de um ser bem mais glorioso.”
“Ajoelha-te, sussurrou meu guia.”
“Todas aquelas gloriosas companhias se ajoelharam e eu o fiz
humildemente com eles.”
“Quem é ele ?” sussurrei.
“Ele é o professor e soberano desse reino. Ele vem levá-lo para casa.”
“Olha! e lentamente parecia levantar-se do corpo uma luz, mais forte na
cabeça. Era quase dourado, com um toque de azul. Gradualmente parecia
tomar a forma de uma cabeça e ombros e lentamente vi esta figura de luz tirar
sua cobertura carnal. Pronto. Estava claro e de uma vez estourou um choro de
alegria desde os lábios das pessoas que estavam presentes.”
“Padre, teus filhos te saúdam com muita alegria, pareciam dizer eles.”
“E o bom sacerdote lhes sorriu, e enquanto o fazia, percebi que o corpo
parecer sorrir também. O espírito se voltou e benzeu aqueles seres terrenais
que se encontravam olhando a cama.”
“Então, o cordão flamejante que parecia aumentar mais e mais estourou
e escutei o forte choro de lamento dos doentes de baixo; mas este se afogava
na canção de humildade que surgia dos lábios da multidão de espíritos. O
Grande Espírito pegou-o pela mão parecendo dizer: “Bem executado, bom e
fiel servente. Tu tens sido fiel, agora serás soberano de muitos. Eu o fiz pastor
de todos aqueles que na terra salvastes.” “O canto de alegria que saiu da
multidão reunida ainda soava em meus ouvidos.”

24
“Então ficamos sozinhos, eu e meu guia e os humildes doentes, mas
sabia que estava bem e também eu, fui embora consciente.”
“Não posso escrever mais. Graças aos cinco que tem ajudado esta
noite, espero que as duas pessoas novas estejam agora satisfeitas enquanto
houver a necessidade de trabalho do oficial e propósito deste livro.”
“Agradeço-lhes novamente. Atenciosamente.”
H.J.L.
(Estiveram presentes o Sr. e a Sra. K., o Sr. e a Sra. J.)
10 fev,1914

25
Capítulo X
H.J.L.: “Bem, Jack, desejas fazer-me alguma pergunta ? “
J.W. : “O que aconteceu com esse belo pedaço de país, do qual falastes
quando acabaras de morrer ? “
H.J.L.: “Abra teus olhos.”
Então me pareceu que meus olhos estavam abertos e contemplei o mais
adorável país. A luz era do tipo que a gente vê ao entardecer do verão. Sobre o
distante horizonte era apenas visível a incandescência do pôr-do-sol, tingindo o
cume das colinas e refletindo na água de muitos riachos e lagos.
Nós estávamos parados lado a lado, em uma avenida de árvores, altas e
esplêndidas.
Ví a H.J.L. simplesmente. Não estava vestido com as roupas com as
quais o vi claramente, de aspecto terrenal, mas com um traje solto, largo e
branco que de alguma forma misteriosa parecia realmente parte de seu corpo.
Uma suave fina luz, parecia sair de seu corpo, impossível de descrever.
Olhando outra vez a paisagem esta parecia conter todo o belo de uma
cena natural. Cresce a perspectiva e percebo lagos e montanhas com neve,
rios impetuosos e mais para lá, o mar.
Mas, sobretudo, havia uma suave luz de entardecer.
“Vocês têem dia e noite? “perguntei.
“Não, a luz vem de nós mesmos, mesmo que na verdade, lá está a
misteriosa incandescência vermelha. “ É a Luz de Deus, da Fé, da Verdade,
que nos alcança, mas não vai mais distante. “ Quanto mais alto vamos, mais
brilhante esta se volta, até que finalmente se converta no seu todo. No Inferno
não há luz, nem há Fé, nem dos indivíduos que se encontram alí.”
“ A verdadeira luz pela qual nós percebemos as coisas, está dentro de
nós mesmos. Apenas posso me dar conta da luz que você vê; esta é mais
comparável aos outros efeitos da paisagem que a luz por meio da qual nós
percebemos tudo.”
Nós nos sentamos sobre o suave gramado embaixo de uma árvore, e
abaixo de nós, podíamos ver as palmeiras e pássaros tropicais, misturando-se
com as cenas inglesas.
“ Me diga o aconteceu? “perguntei, “ depois que as visões começaram
a ordenar-se por si só, como me falastes na tua carta.”
H.J.L.: “ A cada lado da rua as visões se estendiam tão longe como
podia ver, chocando com a paisagem que, não obstante, começava a ver outra
vez. De repente, meu professor e guia parou-se ao meu lado.”
“Vem comigo, disse ele e me conduziu através de uma de minhas visões
ao país mais longe. Não sei como explicar exatamente o que aconteceu às
minhas visões; mas, mesmo assim, elas sempre me perseguem, estão comigo
até o presente momento, ainda que sejam invisíveis para você, elas, digamos
caem gradualmente em meus antecedentes.”
“Caminhamos através dos campos e descemos o declive de uma colina
e enquanto o fazíamos, vi o teto de um esplêndido edifício.”
“Que é isso?” perguntei.
“ A escola que você irá.”
“Colégio! Eu não sou criança, “gritei.

26
“Na verdade você é, uma completa criança em matéria de fé. Olha o
quanto pequeno você é! “
“Enquanto falava, me dei conta que estava alto, mas não podia me dar
conta de que eu era pequeno.”
“Então paramos em frente aos portões do edifício, seguramente a mais
magnífica e bela escola jamais concebida.”
“Logo fui levado a uma sala de aula e tenho que chamá-la assim, por
falta de um nome melhor e, vi um grupo de meninos. Meninos! Não, eles eram
homens, mas exatamente imaturos, ainda que se parecessem como pequenos
adultos em miniatura.”
“Vi então o seu mestre ou instrutor. Que diferença! Não era meramente
um homem bem crescido, mas que pareci ser feito de luz. Luz que enchia toda
classe com um brilho, uma suave incandescência. Os corpos dos outros
garotos se viam cinzas, ainda que alguns eram mais brilhantes que outros e
descobri que o meu era o mais escuro de todos.”
“No instante seguinte, procurei em volta o meu guia, mas ele tinha ido
embora. Mas, o mestre me pegou calmamente a mão e me colocou numa
cadeira. Então começou a mais maravilhosa lição que nunca havia assistido.
Seus métodos eram completamente diferentes aos de mestres de escolas
comuns. Ele parecia tirar o conhecimento dos pequenos, mais do que tentar
dizer-lhes algo. A maioria das perguntas não eram compreensíveis para mim,
mesmo que os outros parecessem entendê-las muito bem. Seu método
consistia em fazer-lhes perguntas bem elaboradas e a resposta a cada uma
lhes conduzia à pergunta seguinte.”
“Depois de um tempo se voltou para mim e falou: “Gostaria de fazer-me
alguma pergunta?”
“Como é que, perguntei, tudo aqui parece tão sólido e, sobretudo, como
é que tenho um corpo? Pensei que eu era um espírito.”
Ele: “ de que estão constituídos todos os seres humanos? “
H.J.L.: “De corpo e alma.”
Ele: “como um cientista definiria isso? “
H.J.L. : “matéria e força.”
Ele: “bem, o que acontece com a matéria, quando você morre? É
destruída? “
H.J.L. : “a matéria não pode ser destruída. Somente muda sua forma.
Meu corpo apodrecerá, se transformará em terra e crescerão plantas dele.”
Ele: Onde está a força que fazia esse corpo atuar? “
H.J.L. : “isso veio aqui. É o espírito este também, não pode perecer.”
Ele: “nem a matéria, nem a força podem perecer. Sendo assim, é o
corpo sobre a terra o mesmo de quando você vivia? “
H.J.L. : “não!”
Ele: “ o que o faz diferente? Se tu vês ele agora, em que diferia
principalmente? “
H.J.L. : “bom, haveria perdido sua velha forma, sua forma seria
diferente.”
Ele: “a forma teria ido embora. Se nem a matéria, nem a força perecem,
o que acontece com a forma? Pode esta perecer? “
H.J.L. : “Não vejo porque não.”

27
Ele:” qual é a forma dos pensamentos que te perseguem? Suas formas
não têm perecido. Por que então teria de perecer tua forma se aqueles
permanecem? “
H.J.L. : “sim, mas eu ainda existo e quem pensou nessas formas. Sendo
assim alguém deve ter pensado em mim antes de eu existir, se eu sou como
meus pensamentos. Porque eu os pensei e, dessa forma vieram à existência.”
Ele: “precisamente. Alguém deve ter pensado em você. Essa pessoa é
Deus. Ele te criou pelo pensamento e dessa forma, você também cria pelo
pensamento. Que lições tens aprendido? “
H.J.L. : “A forma, como a matéria e a força, não perecem. Segundo,
como Deus me criou, pensando em mim, assim eu crio as formas pensando
nelas.”
Ele: “e que respostas podes deduzir de tuas perguntas, destes fatos? “
H.J.L. : “supondo que tudo o que vejo são formas e sendo eu uma
forma, elas se vêem tão sólidas como eu mesmo; mas, por que pareço sólido?”
Ele: “como podias parecer de outro modo? Não existe matéria aqui.”
H.J.L. : “se eu for a terra como sou, apareceria para mim mesmo, menos
substancial? “
Ele: “ você se converteria com ele em matéria?”
H.J.L. : “não, você quer dizer que, a menos que a gente se converta em
matéria, pareceria somente forma e força, não matéria.”
Ele: “se uma luz for colocada na metade de uma nuvem de fumaça, o
que você veria? “
H.J.L. : “logicamente uma luz brilhando, mesmo que talvez algo confuso,
através da fumaça!”
Ele: “o que é uma chama? “
H.J.L. : “força.”
Ele: “nada mais? “
H.J.L. : “tem logicamente uma forma!”
Ele: “o que é a fumaça? “
H.J.L. : “matéria e forma! “
Ele: “isso não responde tua pergunta? “
H.J.L. : “quer dizer que eu deveria ver a forma do espírito brilhando
através da forma material como uma vela através da fumaça ou da neblina? “
Ele: “sim.”
H.J.L. :”havendo deixado a matéria para trás, poderia também ao final
deixar para trás a forma? “
Ele: “tens feito perguntas que não posso responder por completo. Mas,
posso te falar isto: que nós deixamos nossas formas presentes quando nos
elevamos ao reino seguinte. Nenhum de nós sabe o que acontece. Nós não
podemos ver mais além da parede de fogo, como os olhos mortais não podem
penetrar o véu da morte. Os Grandes Mensageiros podem saber: mas, nós
mesmo estando nas mais altas divisões deste reino, não podemos sabê-lo.
Quer fazer ainda outra pergunta?”
H.J.L. :” nós, os criados por Deus nos dirigimos a Ele por ajuda e o
consideramos responsável pelo nosso bem-estar. Somos também
responsáveis pelas formas que criamos?”
Novamente o silêncio que se podia sentir em todo quarto.
Ele: “para alguém tão jovem, fazes perguntas sábias. O que aconteceu
depois de haver falado um momento com teu guia?”

28
H.J.L. :”Contei-lhe do espantoso pesadelo do qual fui preso e como se
arrumou quando rezei.”
Ele:” não contesta isto em parte a tua pergunta? Não sentias o que teus
pensamentos te causavam?”
H.J.L. :”eu desci minha cabeça de vergonha e me sentei em silêncio.”
Ele:” mas tua pergunta fala mais que isso. Fala.”
H.J.L. :” mas meus pensamentos não podem criar pensamentos bons,
como eu posso.”
Ele:” não diretamente, mas indiretamente.”
H.J.L. :”como poderia ainda indiretamente?”
Ele:” no mundo material você cometeu uma má ação! Não existe
ninguém que imite essa má ação?”
H.J.L. :”é assim, claro. Mas, seguramente, as coisas são diferentes
aqui.”
Ele: “ diga-lhe a resposta.”
Então um dos rapazes falou como segue:
“Nada existe sobre a terra que não tenha aqui sua outra metade. Vemos
estas árvores, pássaros e edifícios e também muitas outras coisas. Mas, todas
as coisas aqui carecem de matéria.”
H.J.L. :”mas os pensamentos ruins aqui influenciam os outros ao mal?”
Ele:” quando você estava na terra, nunca percebestes que dois homens
ou mais, trabalhando cada um independentemente, mesmo separados um do
outro, por milhares de milhas, fizeram uma mesma descoberta ao mesmo
tempo?”
H.J.L. :”sim, com freqüência, mas o encarava como uma coincidência.”
Ele:” não existe coincidência. Essa palavra é somente uma desculpa
empregada pelos homens para ocultar que ignoram algumas das leis
fundamentais de Deus. Por outro lado você nunca viu como uma idéia continua
influenciando a humanidade, ainda quando aqueles que conheceram sua
origem tenham morrido? Você nunca viu como uma idéia mesmo que tenha
sido esquecida na sua terra original, reaparece novamente em algum outro
lugar, sem que tenha existido nenhuma relação conhecida?”
H.J.L. :”então, uma vez criado um pensamento, pode-se ir criando novos
pensamentos?”
Ele: “sim, mas somente os relacionados a ele. Não poderia criar um
novo pensamento de um assunto completamente diferente.”
H.J.L. :”mas um homem pode. Por que então é diferente? Ele pode num
momento criar um pensamento cruel, que influenciará outros a fazer más
ações, e no instante seguinte pode criar um pensamento de bondade. Por que
esta diferença?”
Ele:” de que está constituído o homem?”
H.J.L. :”matéria, forma e força.”
Ele:” uma vez criado o pensamento, de que consiste?”
H.J.L. :”suponho que só forma.”
Ele: “ está respondido.”
H.J.L.:” ah ! Então esta é a presença de que você chama de força. O que
é a força?”
Ele: “alguns dizem que a força é Deus, e outros que a força e a matéria
são Deus, e outros mais, que a matéria e a força são iguais e que isso é que é
Deus. Pode o homem criar alguma destas?”

29
H.J.L.:” suponho que só crie formas.”
Ele: “ então você não tem a resposta?”
H.J.L.:” não vejo como isso responde minha pergunta original, quer
dizer, porque nós podemos criar pensamentos variados, quando nossos
próprios pensamentos não podem.”
Ele: “Deus cria você, você cria teu pensamento, teu pensamento influi
em outros.”
“ A ação do teu pensamento está sujeita ao pensamento que eu creio:
tuas ações estão sujeitas à força que te move. Deus está sujeito a nada.”
H.J.L.:” já vejo, eu não posso pensar sobre o que não tenho
conhecimento. Mas Deus é conhecimento.”
Ele: “Deus é o todo. Você aprendeu tua primeira lição. Agora vão todos
vocês para o recreio. “
“Logo estávamos fora, como crianças que saem correndo da escola e
nos divertimos em muitas e variadas formas. Mas nossos prazeres aqui são
mentais. O que era nosso trabalho na terra, é nossa distração aqui.”
“ Eu fui induzido muito naturalmente ao grupo de interessados em
arquitetura. Eles variam em tamanho, ou realmente em desenvolvimento
espiritual. Muitos estavam nas formas mais altas da escola, e um deles sugeriu
sair para ver alguns dos famosos edifícios que existiram alguma vez.”
“Eu não quero ver nenhuma dessas espantosas vilas que desfiguraram a
maioria dos nossos subúrbios, observei.”
“Uma dessas que você construiu, não é? Disse um rapaz que reconheci
como um homem que conheci ligeiramente na terra.”
“O grande rapaz que sugeriu a expedição respondeu: Oh! Não precisas
temer isso! Tudo que é horrível vai para o Inferno. Aqui não temos os trabalhos
mais finos, logicamente, estes vão para as pessoas dos grupos de cima. Mas
os que nós temos é bom. Existem alguns edifícios antigos muito finos que
devemos ver.”
“Veem para cá todos os edifícios, ou apenas aqueles que tenham
perecido? Perguntei”
“Se o edifício está praticamente intacto, não vem aqui, mas se é
parcialmente destruído e reconstruído, a totalidade de suas formas originais
vem para cá. Você verá, as alterações lhe dão uma nova forma, que a seu
devido tempo também vem para cá. Isso é parte do interesse nele. Você pode
ver como a Torre de Londres, tem mudado de século após século.
Logicamente que não temos a forma atual.”
“Desta forma fomos ver os edifícios antigos e gostei imensamente.”
J.W.: “Já que você está com os arquitetos, nunca cruzou com um
homem chamado A.?”
H.J.L.: “ É curioso que você tenha me perguntado, já que foi o homem
que fez essa observação das casas.”
J.W.: “As que você construiu?”
H.J.L.: “sim.
“J.W.: “ como ele está?”
H.J.L.: “ está em nosso grupo. Me falou que estava ofendido quando viu
que estava com aqueles que acreditaram mais ou menos. Ele disse para seu
professor: “mas eu acreditei.””
“Seu guia lhe respondeu: se tivesses acreditado realmente não estaríeis
aqui. Como muitos outros, você pensou que acreditava; mas a fé não consiste

30
em dizer apenas - eu creio – Você deve assimilá-la verdadeiramente. Se você
tivesse acreditado realmente, não poderias ter vivido a vida que você teve.
Grande quantidade de pessoas que pensaram que acreditaram se encontraram
no Inferno. A fé de um homem deve ser demonstrada publicamente em sua
vida, do contrário não é real. Isso não quer dizer que um homem que acredita
não possa cometer muitos penosos pecados. Ele pode. Nem quer dizer que
não sofrerá por eles. Nós somos responsáveis por cada pensamento e ação,
mas antes que seja considerada, a fé tem que ser real. Aqui não se engana
ninguém nem pode um enganar-se a si próprio. Você tem acreditado mais ou
menos e por isso, você esta neste lugar. Se não tivesses acreditado de todo,
estarias no Inferno. Agora anda de faz progresso.”
J.W.: “ele esta fazendo?”
H.J.L.: “ não muito rápido. Você vai ver, ele era jovem e quase todos os
seus interesses eram físicos: esporte, bom vinho, mulheres e negócios. Morreu
no meio deles e o poder da terra é muito forte. Ele não está atado à terra,,
ninguém daqui está, mas ele ainda tem vontade na terra, porque sempre
regressa a suas antigas atividades e amigos na terra. Não com os mesmos
desejos dos atados à terra, que esperam poder gozar suas antigas luxúrias,
senão com uma espécie de afeto pelos velhos amigos e lugares. Sinto muito
por ele, porque isso o faz retroceder terrivelmente e, é um bom companheiro.
Porém, como ele mesmo disse, morreu pelo menos 30 anos antes do tempo e
eu suponho que ele queira passar esse tempo antes de estar na mesma
posição daqueles que morreram depois do seu septuagésimo aniversário.”
“Ele falou isso para o seu mestre um dia em que este o repreendeu por
fazer-se de esperto.”
“ É muito lento na classe, não pode assimilar coisas bastante simples;
apesar de ter morrido muito antes de mim, eu já o passei. Mas é um
companheiro muito jovem, muito popular fora do colégio. Mesmo que estranha
seus jogos terríveis. Tem senso de humor. Explicava o outro dia que rezava
fervorosamente para que sua esposa não morresse em muitos anos, já que
tinha medo de que ela o tirasse dali.”
“Você já escutou o suficiente ou queres permanecer com todos nós
aqui?”
Começamos então a caminhar de volta para a avenida. Chegando lá nos
sentamos e m pareceu que caí dormindo- J.W.

31
Capítulo XI
Assiste a seu próprio funeral

Nona carta de H.J.L.

Em casa ( Glen House)


21 de fevereiro, 19:00 horas

“Depois de ter assistido a escola aparentemente por um longo tempo,


meu guia veio até mim um dia e disse: Está na hora de você ir a teu funeral.”
“Meu funeral? gritei; pensei que tivesse acontecido anos atrás...”
“Oh! não , respondeu; segundo nossos cálculos, você está aqui por um
longo tempo, mas de acordo com o tempo da terra, você está aqui somente há
três dias.”
“Esta era a primeira vez que me dava conta da grande diferença entre
nosso tempo de calcular o tempo, ou melhor dizendo, nosso escape de tempo,
e a subordinação de vocês a ele. Nesses três dias terrenais fiz aparentemente
o progresso de muitos meses, tenho aprendido muito sobre as coisas
espirituais e tenho visto numerosos edifícios finos de épocas antigas. Neste
ponto devo acrescentar que aqui não existe nada comparável ao dia e a noite,
nem existe o dormir. Claro que isso é evidente, se você pensar por um
momento, já que o espírito nunca dorme mesmo sobre a terra, diferentemente
do corpo, não precisa de descanso.”
“ Bom meu guia falou a meu mestre onde ia e me livrei das lições. Íamos
justamente começar a trabalhar. Espero que isto soe mais gracioso para você.”
“Logo estávamos em L.D. Não houve a longa viagem através do éter
que eu imaginava ser o caso. Simplesmente encontrei a mim mesmo no meu
velho quarto. Logicamente que isto é agora claro para mim. Nosso mundo e o
teu não estão separados por nada semelhante ao espaço. Poderia se dizer que
estão no mesmo espaço. Mas temo que isso seja impossível de que fique claro
para você.”
“ É lógico que percebi que o quarto estava mudado e os móveis fora do
seu lugar, então notei o caixão. Estava coberto por um grande lençol branco,
mas eu podia ver através dele e percebi meu corpo deitado ali.”
“É estranho, isso não me pareceu ter a atração que eu esperava. Olhei
mais como uma pessoa olha uma escultura de mármore que a um velho
amigo.”
“Você terminou o teu trabalho e teu dia chegou, velho amigo, murmurei.
Ainda enquanto pensei isso, flutuou outro pensamento. Você foi realmente um
amigo ou somente um “indicador de tarefas?” Em todo caso, agora eu era livre,
e me alegrei.”
“ Depois de um tempo, pensei que gostaria de ver o que estariam
fazendo os outros. Logo depois fui para a sala de jantar. Estava tão cheia, que
para evitar bater nos outros, me levantei, ou melhor dizendo atravessei a
metade da mesa. Logicamente, isto não interferia comigo de nenhuma
maneira, nem na realidade feriam seus corpos; mais ainda, certo instinto,
provavelmente, herdado da minha estadia na terra, me obrigou a evitar passar
por eles. Ví a todos: você, G.D., M.L. e a srta. P.”
“Não parecia ter muito que aprender ali, assim dirigi-me ao quarto de
desenho, onde estava minha esposa. Mas, logo sai dali.”

32
“Falando a verdade, eu sentia bem que estava no caminho e me
perguntei do porquê tinha sido levado da escola, onde cada dia estava
aprendendo algo novo e interessante, para ver essas coisas vazias.”
“Meu guia respondeu: no momento do enterro, o espírito sente sempre
um descontrole ao ver sua casca terrenal e despedir-se dele. Existe na
realidade uma boa razão para isso, ou várias. Além do simples apego que
todos os homens sentem por seus corpos, semelhante ao que geralmente os
cães sentem por seus donos, mesmo que esse dono tenha sido na realidade
cruel com ele, existe o seguinte: nos enterros existe em geral certos seres
malignos que rondam o cadáver esperando o impossível, como roubar alguma
satisfação carnal do cadáver, algum contato com os desejos terrenais que
ainda o perseguem.”
“Em ocasiões, exceto circunstâncias excepcionais, eles podem tratar e
ainda obter êxito em ter uma espécie de corpo material do cadáver para vestir
sua alma nua. Isso somente pode acontecer em casos de homens que tenham
vivido vidas demoníacas. Você está livre desta vergonha; não muito longe,
você e eu vamos ver que nada de ruim pode ter acesso ao que uma vez te
manteve.”
“Além do mais, é correto que você siga até seu lugar de descanso final a
um amigo a quem você está ligado por tanto tempo.”
“Finalmente para te mostrar a pequena vida que você deixou e fazer
você se alegrar pela vida que está levando agora.”
“Depois disso, voltei e me sentei e você entrou. Vi você levantar o lençol
e olhar meu rosto; todo esse tempo estive parado na tua frente. Para minha
surpresa, notei que você estava pálido e tratei de atrair tua atenção dizendo:
estou bem, você não pode me ver?”
“Por um momento pensei que você me escutava, porque você olhou
diretamente, mas você não escutou. Então, devolvendo o lençol a seu lugar,
você se virou e saiu da casa. Logo depois, os carregadores entraram e depois
de parafusar a tampa, pegaram o caixão e desceram as escadas. Eu fui junto
com a procissão até a Igreja.”
“Logo que o caixão foi baixado na cova e todos vocês tinham ido
embora, eu não os segui, esperei até que a cova fosse coberta. Completado
isso, olhei a estátua de mármore que uma vez me acompanhou, eu podia,
logicamente, ver muito bem através da terra e, então, voltando-me para meu
guia disse: “podemos regressar agora?”
“Apenas se teria formado a idéia quando estávamos de volta outra vez à
escola, e oh! Com suspiro de alívio.”
“Olhei a minha volta procurando meu guia, mas já tinha ido embora.
Agora já estou acostumado a essas estranhas idas e vindas.”
“Toma teu lugar, disse meu mestre bondosamente. Temos tido apenas
uma roda de perguntas.”
“Apenas uma roda, pensei; eu estive na terra por horas. Na realidade
não existe nenhuma relação entre o tempo de lá e o daqui.”
“Meu mestre pareceu adivinhar meus pensamentos já que respondeu: “
você deve saber desde agora que aqui não existe nada com o tempo.”
“Suponho que deve ter sido o regresso à terra que me fazia sentir agora
muito menos surpreendido diante do fato de que tenha respondido um dos
meus pensamentos.”

33
“Novamente olhei os rapazes e me dei conta pela primeira vez quão
pequenos e imaturos que eram os mortais que acabara de ver. De qualquer
modo, estes são rapazes, mas eles são na sua maioria, simples bebês recém-
nascidos. Me dei conta em particular, como eram infantis os espíritos de
......e..... Mesmo sendo os dois bebês havia uma indescritível diferença entre
eles. Quando vi todos vocês, vi seus corpos espirituais através de uma sombra
cinza ( seus corpos terrenais) e parece que os maiores e finos corpos
sombreados tinham os mais pequenos deformes e infantis corpos espirituais.”
“Eu estava contente de voltar à escola, voltar à realidade da vida, fora
de todas as coisas pequenas e fúteis que vocês chamam de vida na terra; mas,
ao mesmo tempo tive um novo desejo e este era fazer saber deste fato: você e
os demais:”
“Descansa meia hora.” H.J.L.

34
Capítulo XII
A Universidade
Décima carta de H.J.L.
Glen House
20:50, Fevereiro, 21, 1914

“Para resumir minha narração.”


“Depois de retornar `a escola senti fortemente o desejo de contar para
eles o que havia visto, como são as condições reais aqui, em parte porque vi
uma ou duas pessoas que estavam mais bem aflitas; mas, mais porque todos
eles não acreditam de nenhuma maneira na vida futura ou também têm uma
idéia errada do que isto parece.”
“Já te contei de meus esforços em vão, para alcançar a outros membros
da família e, como por fim pude entrar em contato com você. Agora explicarei
como aprendi a comunicar-me com os vivos. Nem bem havia tido essa idéia,
quando meu guia entrou na sala de aula.”
“Teu discípulo aprendeu sua lição muito bem, ele disse a nosso mestre:
“Já pode sair da escola, ele irá para a universidade agora.”
“Ele fez um esplêndido progresso! disse meu mestre. Bem; adiante meu
rapaz.”
“A classe se dissolveu e todos os demais rapazes se reuniram a minha
volta.”
“Meu guia então começou a falar. Desejas comunicar-te com os vivos?
Por quê? “
“Eu disse: para contar-lhes desta vida e para que possam estar
preparados para ela e não precisem passar pelas lições elementares que eu
tive que aprender. Muitos também, que acreditam em uma vida futura não têm
uma idéia real de como é isto.”
“Mas, por que você haveria de querer contar-lhes? Todos eles virão a
nós algum dia e então terão que aprender.”
“Sim, mas na terra eu negligenciei estas coisas e agora poderia fazer
pequenas emendas.”
“Essa é uma boa razão e na verdade eles necessitam de muita luz e
ajudando a eles, você estará se ajudando também. Olha, você agora está no
segundo degrau deste reino ou grupo no lugar do primeiro.”
“Como posso fazê-lo? “
“Isso você deve averiguar por si só. Nós não dizemos nada aqui. Cada
alma deve se esforçar por responder suas próprias perguntas e, se realmente
se esforçam, têm êxito.”
“Logo me encontrei sem meu guia, entre uma multidão de jovens.
Parecíamos estar numa cidade universitária. Muitos dos homens se
aproximaram de mim e sem o nervosismo que senti na terra, perguntei o que
poderia fazer para contar aos da terra sobre esta vida.”
“Um deles me respondeu: nós também estamos tratando de averiguar
como fazê-lo. Vem conosco.”

35
“Começamos a explorar ao longo, toda a cidade e por fim encontramos o
que buscávamos. Te direi que o mais notório aqui era o desejo de ajudar aos
outros que já estavam mortos. Por fim encontramos um catedrático, como seria
chamado na terra. Mas, este não ditava conferências, mas nos perguntava
coisas como fazia nosso mestre. “
“ Quando falamos: como poderemos nos comunicar com os vivos? “
Ele respondeu: “Como se fazem todas as coisas aqui? “
“ Pensando nessas coisas. “
“ Aí tens a resposta.”
“ Nós pensamos então, que queremos nos comunicar com os vivos:
falei. “
“ Naturalmente, como seria de outro modo?”
“ E pensamos em uma pessoa ou em muitas?”
“ Como você queira. Mas qual é mais fácil pensar? Em uma pessoa ou
em muitas pessoas? “
“ Uma! Gritamos todos juntos.”
“ Alguma outra pergunta? ele questionou.
“ Não tínhamos nenhuma. Então assim fomos juntos a uma espécie de
estúdio privado onde todos concentramos nossos pensamentos nesta grande
matéria. Soa muito simples dizer:” pensar em alguma coisa; mas, na prática a
concentração num só pensamento, achamos terrivelmente difícil. Outras idéias
vinham flutuando. Parecia que estávamos tentando por semanas e semanas,
até que por fim, um homem conseguiu.”
“ Isso nos deu valor. Outro que havia estado tentando por algum tempo,
disse: como sei se o homem no qual estou pensando não é receptivo?”
“ Isso iniciou uma longa discussão, na qual todos chegamos a conclusão
de que seria mais fácil colocar-se em contato com aqueles que não eram muito
materialistas. Sendo assim, já que nem sempre podíamos nos dar conta de
quem era o mais materialista, decidimos fazer uma lista e trabalhar através
deles por categorias. Você sabe o resto. Por fim te consegui. Creio que essa
noite estava especialmente induzido até a terra, pois era justamente uma
semana depois de minha morte.”
“Gradualmente eu ia me dando conta do fato de que estava me
aproximando mais de você e o que havia conseguido com outras pessoas;
mas, foi quando você foi dormir que realmente me comuniquei com você. Isto
me ensinou como trabalhar e uma vez iniciado, as coisas foram mais fáceis.
Finalmente conheci a P. que me disse como tratar a escrita automática.”
“Atenciosamente. H.J.L.

36
Capítulo XIII
Animais no Plano Espiritual

Visão em transe ou conversação durante a noite de 23 de fevereiro

Eu, J. W. me encontrei sentado à beira de um belo lago. Me lembrou por


um momento ao Coniston, mas logo me pareceu mais com o Lago Lucerne.
H.J.L. estava perto de mim.
Você tem casa onde viver? Perguntei.
Sim, respondeu, atualmente estou vivendo em um colégio.
Se parece com algum dos colégios que ainda existem?
Creio que é o velho Colégio da Rainha de Oxford, que foi demolido para
dar lugar ao edifício clássico do presente.
J.W.: você soube da missa que meu pai ofereceu para você no dia do
funeral?
H.J.L.: “Sim, mas não sabia que era no mesmo dia. Soube dele mas me
pareceu a mais tempo atrás. Esse serviço foi mais útil para mim que os
serviços funerais. É estranho que tantos cristãos devotam toda sua atenção ao
corpo, que não conhece nem se importam nem um pouco com o que vai lhe
acontecer e se esquece completamente do espírito, quem está com freqüência
mais necessitado de ajuda.”
“ Eu estava passando por um desses terríveis dias ( logicamente que
não são dias, mas não sei como se chamam) em que minhas ações passadas
caíam sobre mim por todos os lados. Esses (dias) vêm sobre mim ainda agora;
eles são parte do meu castigo e são enviados para eu poder me capacitar para
o arrependimento. Eu, logicamente, não podia ir à escola e estava agoniado
pela miséria, quando, oh! uma chama brilhante parecia forçar seu caminho
através do pesadelo das minhas visões e as dissolveram. Em seu lugar, veio
lentamente uma visão de uma igreja com um altar, onde haviam velas e uma
cruz e na frente dele havia um sacerdote. Eu o reconheci como teu padre e
além do mais, te vi ali de joelhos. Mas, mesmo que vocês dois eram os únicos
mortais, não estavam sozinhos. Quem eram os que estavam de joelhos ao teu
lado, não saberia dizê-lo, mas seguramente toda a igreja, não somente a
capela ao lado, estava cheio de cultuadores que haviam estado ao nosso lado.”
“Não existem palavras que possam expressar a emoção que me causou
esta visão. Primeiramente me alegrei que estivessem pelo menos alguns da
terra a quem realmente importava e que acreditavam o suficiente para rezar
por mim e o pensamento e as palavras do culto me encheram de uma
maravilhosa paz.”
“Mas, além disso veio o inspirador pensamento de que outras pessoas
que vieram aqui antes e pisaram possivelmente o mesmo duro caminho que eu
estava pisando e que estavam interessados no meu progresso e oravam por
mim. Oh! Jack, nunca soube quanto bem podia estar fechado nessa
maravilhosa e contraditória antiga igreja nacional, puxa!”
Tennison deve haver recebido alguma inspiração deste lado quando
guardou em sua “Morte D’Arthur” aquelas linhas finais de Malory, como
contraditórias que devem ter sido com as idéias dos Medo-Victorianos: “Orem
por minha alma! Você conhece o resto, não?”

37
J.W.: “sim, muito bem. Assim dizendo, como os animais vêm para cá,
você tem alguma coisa da velha Molly ( o cachorro de Carrie).”
H.J.L.: ” sim, ela vem com freqüência a mim, creio que porque não tem
ninguém que ela conheça. Alí está ela.”
J.W.:” onde? Não posso vê-la.”
H.J.L.:” ela vem aqui.”
Enquanto falava, Molly veio precipitadamente de um bosque aqui.
Parecia mais jovem do que quando morreu, porque havia perdido sua coleira,
mas no resto, não parecia ter mudado. Ela pulava e brincava em volta, primeiro
rodeando o H.J.L. e logo a minha volta, mexendo seu rabo e latindo com
excitação. A fiz caminhar sobre suas patas traseira como sempre o fazia.
“Se os animais sobrevivem neste estado, perguntei, o que acontece
quando o limite deste plano é alcançado? Eles também vão para o quinto
plano?”
H.J.L.: “ Esse é o um dos pontos que estamos investigando. Pedi
particularmente a P. que averiguasse em sua divisão. Isso me conduz a tratar e
arrumar os termos que uso para nossas divisões aqui. Temo que tenham sido
um pouco incoerentes. Sendo assim a partir daqui usarei:
- Plano = a totalidade deste reino do corpo espiritual
- Reino = as divisões deste plano, o reino da meia crença.
- Divisões = as divisões de cada reino, ou seja, as escolas ou as
divisões do Inferno.
- Subdivisões = as decomposições das divisões como entre as
seitas no reino da crença sem ato, ex: os católicos romanos ou
batistas.
- Esferas = os grupos nos quais nos deslizamos durante os
recreios. Assim, juntam-se homens de diferentes divisões de
um mesmo reino, mas não aqueles que estão em diferentes
reinos. Mas, mesmo um homem estará algumas vezes numa
esfera e outras vezes em outra: ex: a esfera da arquitetura ou
música.
“Agora, como trabalho para o próximo sábado, P. está muito ansioso em
começar a escrever, assim é que eu deixarei fazê-lo. Ele dará conta de seu
passo ao reino de cima. De forma rigorosa, eu deveria escrever primeiro um
resumo da entrada do oficial ao nosso reino visto por mim – isso aconteceu
primeiro – e, também o que sei do passo de P.; mas o farei assim depois que
ele tenha escrito. Sem dúvida, te contarei como conheci a P.”
“Eu tinha estado investigando sobre o reino de baixo e o de cima,
quando de repente veio um homem e falou: “Estive embaixo no Inferno num
pequeno trabalho missionário e assim talvez eu possa te dar alguma
informação.”
“ Ele me contou sobre as divisões do Inferno e que havia sido enviado a
ensinar as almas nas escolas. Não estava permitido a ir mais abaixo, mas
mesmo isso lhe tem retardado o progresso. Ele esperava, sem dúvida que logo
lhe permitissem subir ao reino de cima. Ele dizia além disso, que as almas do
Inferno eram muito duras em aprender, muito mais duras que os piores tipos de
gente na terra e, devido a este fato, ninguém havia alcançado a sétima divisão
a menos que desejassem progredir.”

38
“ Se você realmente deseja saber sobre as profundidades do Inferno,
conheço um homem que pode te ajudar, completou P. : “Ele foi um oficial da
armada e estive lhe ensinando por algum tempo. Logo será admitido nesse
reino e, estou seguro que fará o que desejo neste assunto. É um homem com
uma grande personalidade e fez um bom progresso. Você ainda pode pensar
nele como um guarda-costas degenerado; mas; te asseguro que tem
melhorado enormemente. Quando veio pela primeira vez a mim, era o pior da
escola toda e, com freqüência me perguntava porque havia sido admitido; mas,
rapidamente passou a todos os outros.”
“Existem escolas como as nossas no Inferno? “falei (H.J.L.)
“É quase impossível comparar, respondeu P. A mais próxima
semelhança que me ocorre é como um colégio para retardados mentais e uma
escola secundária de primeira classe na terra. Mesmo assim isso não mostra
toda a diferença.”
“As escolas para os bebês, a qual nunca entrei, se corresponde bastante
ao “Jardim” da terra. Lógico que nesta, se ensinam diferentes matérias!”
“P. me descreveu outras coisas e eu tenho te passado de tempos em
tempos. Mas não tive por muito tempo a vantagem de sua companhia, pois
logo depois da subida do oficial com a gente, o guia de P. o levou para os
preparativos finais de sua própria subida.”
“Antes de ir, ele obteve de seu guia, a promessa de voltar em ocasiões,
já que havia ido até o Inferno, para nos trazer as notícias que desejamos.”
“Agora te falei o suficiente. Me considere que como estou trabalhando na
universidade com os outros estudantes neste curso que escolhi, o curso de
descobrir tudo o que possa saber sobre as condições de vida em todos os
reinos e aqui para te transmitir este conhecimento. “
“Me considere rodeado de muitos companheiros de estudo, todos
trabalhando no mesmo problema, além disso, como tendo recreios e diversões
que são aproximadamente os mais elevados da terra. Todas estas diversões
mentais são levadas a um plano mais elevado. Existem também recreações
que você não conhece nada na terra. Agora no momento, adeus, Jack. Pensa
em mim e reza por minha ajuda. Olha posso voar agora.”
Ele se elevou no ar e flutuou através do lago e parou para olhar a luz
rosa do eterno entardecer tingindo as águas do lago. Então não soube nada
mais. J.W.”

39
Capítulo XIV
A pequena Blanche vê a H.J.L.
Fev., 26

C.W. e Blanche estavam na sala às 19:00 horas. Blanche se aproximou


da janela e olhou o céu a partir da escura habitação. O céu estava coberto de
estrelas.
Ela exclamou: “Vejo o avô cruzando o céu! Tem uma vela ou uma tocha
em sua mão com uma estrela. Está se mexendo para frente e para trás. Agora
foi para uma habitação e está aprendendo alguma coisa. Ele tem um livro.”
Imediatamente depois falou: “Eu o posso ver vindo outra vez. Uma
menina pequena o está seguindo, como Betty ( sua prima de seis anos), só que
é ruiva. Ela tem uma boneca em sua mão. Agora ele está falando com ela e
pegando-a pela mão.”
“Mas, antes falou: “Ele me empurrou; eu o senti.”
Mais tarde, por volta das 21:45 C.W. e ela saíram ao jardim para ver as
estrelas. Então falou: “Ali está o velho avô, recolheu um ramo de estrelas. São
flores para ele; está colocando as flores em um vaso.
( Um resumo exato – C.W.)

40
Capítulo XV
Como H.J.L. conheceu o “Oficial”
Visão em transe e conversação
2 de março de 1914

Enquanto isso, me pareceu estar sendo transferido para outro país, ou


plano de existência.
Estava sentado na beira de um rio e ao meu lado estava H.J.L.
“Carrie quer saber, “comecei”, se você pode tirar a roupa e colocar
outras. Entendes o que quero dizer?”
“Logicamente, posso perceber a idéia na tua mente. As roupas são feitas
desta forma por minha vontade. Quando desejo que assumam a forma de
meus trajes passados, eles o fazem. Eu não as tiro e as troco como vocês
fazem na terra. Nossas roupas não se desgastam, logicamente. Elas
permanecem como nós pensamos e se queremos mudar, pensamos na troca e
já estão nossas novas roupas.”
J.W.: “Blanche disse que te viu recolhendo estrelas, que eram flores
para você. Era assim?”
H.J.L.: “ Sempre recolho flores e suponho que se viam brilhantes como
uma estrela para ela e as confundiu com as estrelas que viu com os olhos
mortais, é a diferença de sua visão espiritual com a qual me viu."
J.W.: “Você sabe quem é a menina ruiva? “
H.J.L.: “Ela acabou de vir para cá e me pareceu solitária, por isso
comecei a me interessar nela. Ela subiu para a escola para meninas aqui.”
J.W.: “Oh! Então eles não têm uma co-educação?”
H.J.L.: “Não exclusivamente, mas algumas crianças o têm.”
J.W.: “Você tem visto muitas mulheres?”
H.J.L.: “Não muitas ainda. Mais para frente vemos mais elas. Agora
continuarei com a minha narração.”
J.W.: “Antes me diga, as flores não morrem quando você as recolhe?”
H.J.L.: “Oh, não. Por que haveriam de fazê-lo? As flores são formas e
continuam retendo suas formas mesmo se são recolhidas. São simplesmente
transferidas da planta para o meu jardim. Mas elas não morrem nem no jardim
nem na planta.”
J.W.: “Se elas se quebram em pedaços, pereceriam?”
H.J.L.: “Nunca faríamos tal coisa; nós nos damos conta que mesmo as
flores tem seus direitos. Mesmo assim, as peças separadas ainda existiriam e
se voltariam a unir.”
- Agora, com minha narração:
Poucos dias depois de haver conhecido a P. meu guia me levou a ver a
vinda até nós de uma alma do Inferno e achávamos que era o Oficial.
Para mim é difícil te fazer entender como fomos para ali; mas,
subitamente estávamos na borda do Inferno. Parecíamos estar numa beira
seca, árida e rochosa. Atrás de nós havia rochas negras e um terreno duro e
pedregoso. O terreno que ia costa acima de nós, se desprendeu na nossa
frente bruscamente.

41
Este terrível precipício era agora muito mais horrível, pelo fato de que
nas suas bordas, toda a luz se detinha. A luz parecia se converter em
pequenas partículas de neblina, que nas bordas, pareciam agrupar-se numa
grande parede oposta à escuridão. Não havia nenhuma mistura de luz e
escuridão como na terra, simplesmente esta terrível escuridão, que se parecia
como uma sólida cortina ou como uma parede, contra a qual a luz se agrupava
mas não podia ser penetrada.
Meu guia falou: “Anda aos extremos desse risco e estende tuas mãos
na escuridão.”
Fui até a borda e quando fiz o que ele me indicou, senti a mão do meu
guia descansando em meu ombro por trás, fixando-me.
Minhas mãos foram até a escuridão e se perderam imediatamente da
minha vista. Podia ver meu ombro até a parte que entrou na escuridão, mas
mais além, não podia ver nada. Nem tinha nenhuma sensação, salvo o lugar
que entrou na escuridão. O que se podia sentir era mais que a escuridão; era a
escuridão que destruía o sentimento.
Na parte que meu braço entrou na escuridão, comecei a sentir uma
espécie de frio intenso que umedecia e ao mesmo tempo queimava.
“Posso retirar minha mão? “perguntei a meu guia.
“Sim .”
Rapidamente a retirei. Estava realmente agradecido de encontrá-la sem
nenhum estrago.
“Por que esta escuridão e este frio? “perguntei.
Meu guia respondeu: “A luz da fé não existe aqui, nem tão pouco o amor
de Deus.”
Como agora você é um espírito, você precisa da luz e do calor espiritual,
assim como na terra você precisava da luz e do calor físico.
Lentamente a parede de escuridão começou a balançar de um lado para
outro. Enquanto esta avançava até a luz num lado, retrocedia no outro. Não
havia interpenetração, simplesmente uma linha ondulante no lugar de uma reta.
Enquanto este movimento crescia mais e mais violentamente, saltei do risco,
temendo que uma dobra de escuridão pudesse me envolver.
Meu guia falou: “fique em pé com firmeza. Essa escuridão não pode nos
alcançar; há muita fé aqui! ‘E, assim foi, pois mesmo que as dobras de
escuridão se arrastavam várias vezes na terra a cada lado de onde estávamos
parados, nunca nos envolveu, e podíamos perceber a terrível profundidade do
precipício que parecia quase inescalável. Mas, a luz dava comparativamente,
pouca iluminação.
Subitamente, fora da escuridão, embaixo de nós começou a emergir
uma bola de luz e, postando-nos rapidamente vimos que era um espírito de luz.
Quando subia das profundidades, a escuridão parecia cair fora dele, como a
água das costas de um pato.
Havendo subido até a borda do risco a seu topo, se encostou e
entendeu seu braço na escuridão. Este escorregou até seus ombros, mas
gradualmente começou a retirá-la e vimos logo que na sua mão havia outra. A
mão do recém-chegado não era brilhante como a dele, mas sim escura e suja,
como um tom pálido e enfermo. Logo escolheu para subir a seu lado, lenta e
penosamente, um miserável objeto . Seus olhos estavam cobertos por uma
espécie de venda. Ele caiu no chão ao lado de seu guia, quem o levantou a
seus pés e gentilmente o ajudou a se incorporar.

42
O recém-chegado usava uma vestimenta cinza escura e rasgada,
coberta de manchas e parecia ter, por assim dizer, remendos de escuridão
aderidos a ele. Suas mãos também estavam manchadas e sujas.
“Oh! esta terrível luz! gemeu. Posso vê-la ainda através desta venda.”
( para nós era uma luz muito fraca, como aquela que se vê através da
neblina em Londres).
“Como estão sujas suas roupas,” falei a P.
“Para nós sim; mas se eles as pudesse ver, lhes pareceriam muito
limpas; “disse P. Supões que a tua parece limpa para mim?
“ Sim, “respondi.
“Bom, vejo muitas manchas nela e, não duvido que as minhas pareçam
sujas para meu guia.”
Me senti um pouco mal logo após esta observação e permaneci em
silêncio.
P. se levantou na frente, e, pegou o recém-chegado pela mão e disse:
“Bem-vindo... estou feliz de verdade, de ter tido a permissão de te
cumprimentar em tua entrada neste novo reino.”
“É você o meu mestre? Que bom que você veio me receber, mas essa
luz é terrível. Estranho a escuridão outra vez”, disse o outro.
“Oh! pronto isso te afetará menos. Este é um amigo meu que veio te
receber e te ajudar! “ disse apontando para mim.
Eu peguei a outra mão do homem, que de agora chamaria de o “Oficial”,
que ele você já conhece.
O conduzimos lentamente pelo declive e nos sentamos na terra. Alí me
contou quem era na terra ( o que já tenho te repetido brevemente) e algo da
sua vida no Inferno. “ O resto, não te farei saber agora, já que ele mesmo o fará
a seu devido tempo. “ Permaneceremos assim por um longo tempo que
pareceram eqüivaler a vários dias, mas ao final, quando ele já havia falado
bastante de si mesmo, seu guia disse: “ Por contar sobre tua vida ruim e algo
do que você sofreu, você tem feito o possível que teus olhos possam ver a luz
sem a venda. “ Então, ele a tirou e o Oficial se afundou no chão, cobrindo seus
olhos com as mãos.
Meu guia então disse: “devemos voltar agora.”
“Onde está o oficial? “perguntei.
“Ele nos seguirá, mas, mais lentamente. Ele não pode voar ainda; mas
terá que escalar penosamente até nós.”
Então, nos lançamos pelos ares, P. e eu. Estávamos de volta nos
arredores já familiares, no que parecia “sem tempo”. Deduzi que o Oficial, que
chegou pouco depois ( parecia vários dias) havia tido que cruzar uma espécie
de deserto rochoso que se elevava até uma espécie de colinas. Quando havia
chegado até o topo destas, encontrou um suave declive que descia até um
plano em que nós nos encontrávamos.
Enquanto cruzava este bosque ele era perseguido pelas mais horríveis
visões de sua perversa vida anterior, muito similar, mas muito mais intensa e
terrível que esta. Seu guia veio até ele e, mesmo assim para nós nos pareceu
haver partido nos separando dele alguns dias atrás, por assim dizê-lo, para ele
pareceram anos.

43
As visões o perseguiam como o faziam comigo, mas muito mais
ferozmente, e ainda está nesse estado de pesadelo que descrevi no princípio
tal qual me perseguiam a mim. Essas visões ainda não se afastaram dele: mas,
ainda não entrou na escola e agora só está em nosso reino.
Agora você poderá entender a condição espiritual destas três pessoas
que estão tratando de se comunicar com você daqui. Creio que você não
poderá se dar conta de como são intensas todas estas experiências. Por
exemplo, o espantoso horror dessa escuridão que não posso te explicar, e
mesmo que o faça, você não poderia explicá-lo aos demais na terra. “Era um
horror que parecia me congelar. Era horrível sem medida.”

44
Capítulo XVI
Anjo da Guarda

H.J.L ( continuação): “Agora, há algum outro ponto que você quer


tratar?”
J.W.: “Esta é a terceira vez que vejo esta paisagem, mas nunca vi o seu
guia. É que ele nunca esteve com você às vezes que estive aqui?”
H.J.L.: “... nem sempre, mas ele está aqui, às vezes. Agora está – Oh!
Meu guia e amigo, abra seus olhos normalmente. “ Então, colocou algo sobre
meus olhos durante um momento e não pude ver nada. Esse “algo “ foi movido
e retirado e pude ver mais claro.
Atrás de H.J.L. havia uma grande luz espiritual. Sua vestimenta muda de
cor constantemente e parece voar através das cores do arco-íris.
Ele é muito mais alto que H.J.L. e está perfeitamente constituído. Pelo
menos três vezes, ele foi tão alto como H.J.L. e seu rosto é tão bonito como
uma escultura grega, forte, nobre, com traços bem definidos – não havia
nenhum traço feminino. Também tinha um rosto bondoso e forte. Não parecia
ter cor ( exemplo - cabelo castanho) como nós entendemos, mas parecia ser
uma figura resplandecente. Tinha cabelos e barbas abundantes e majestosos.
Não há palavras que possam descrever a nobreza e beleza deste ser.
Eu posso entender que os anciões tenham inspirações de seus deuses.
Mas, penso: “Isto sem dúvida alguma é um anjo”. E, instintivamente
procuro suas asas, mas não as tem.
“Tenho um guia? “perguntei
Assim como as badaladas de um grande sino, soaram as palavras: “Eu
sou.”
Então ví que atrás de mim estava um grande espírito de luz. Agora,
mesmo que o aspecto geral parecesse a de um anjo da guarda de H.J.L.,
percebi que eu conhecia esse espírito. Sua cara me parecia familiar. Além
disso, tinha um extraordinário rosto que sempre mudava, nunca era o mesmo,
mas sempre retinha certas características. Também era notavelmente diferente
do guia de H.J.L. Eu conheci este ser de luz e sinto como se o tivesse visto em
meus sonhos, mas esses teriam sido esquecidos. Ele, também tinha barba mas
não tão comprida como a do guia de H.J.L. e a dele estava muito longe do
tamanho de um ser humano. A luz parecia emanar de todo seu corpo.
Ele levantou sua mão e como uma campainha gloriosa falou: “suficiente!
Não convém que você veja mais!”
Outra vez a mão ( por isso, agora sei o que era) estava sobre meus
olhos e quando a retirou, só pude ver a H.J.L. e a paisagem.
“Devemos partir agora”, disse, e se levantou e foi embora.
Estive olhando a bela paisagem, perdido na contemplação.
Gradualmente tive a sensação de que algo me chamava. Em vez de pôr
resistência, me senti atirado por uma corda invisível. Passo a passo, me
pareceu que era levantado e tirado para fora da corrente e, logo tudo se
transformou em escuridão. Quando recobrei a consciência, estava de volta `a
minha casa.

45
Capítulo XVII
Blanche vê H.J.L. e MOLLY

(aparição de clarividência de H.J.L. a Blanche e J.W.


às 18:00 hs, 3 de março

Na hora do chá, Blanche disse logo: “Por que existe um avô?”


“Mostre-o para mim, “disse, “não posso vê-lo”.
Ela se aproximou da janela da sala de jantar, olhou para ele e disse:”
Não posso mostrar ele para você, porque ele iria embora.”
Enquanto estávamos conversando, comecei a perceber algo ao longe e
logo vi a H.J.L. Perguntei a Blanche se estava vendo o que eu via. Ela disse
que ele estava numa casa de mecanografia, que Rosy Dawn ( a menina
pequena) estava brincando no chão. “Agora ela está indo até a porta, levando
sua boneca. Por que há um poodle marrom com ela?”
“Sim, disse é Molly, você não a reconhece?”
“Sim, é Molly, mãe,” ela chorou.
A visão se desvaneceu e desapareceu.
Eu vi exatamente o mesmo que ela, mas H.J.L. estava me dando as
costas e seguramente estava fazendo algo com suas mãos, mas não creio que
estivesse escrevendo a máquina. A menina apenas tem visto seu outro avô
mecanografando e não sabia o que H.J.L. estava fazendo. Ela interpretou sua
ação pelo meu pai.
Sua visão era diferente das minhas com respeito a H.J.L. Ele estava a
uma distância que parecia como ela comentou: “está no céu.” Todas as demais
visões que tive, ele tem estado perto de mim.
Somente na segunda-feira foi que falei a C.W.” Desejo estar presente na
próxima vez em que B. diga que vê algo.” Creio que esta é a resposta.

46
Capítulo XVIII
Os homens julgam-se a si próprios
( conversação em transe com H.J.L. durante a noite de 9 de março)

Me encontrei em uma clareira de um bosque e sentado a meu lado


estava H.J.L. Ele disse: “ Creio que este será o melhor ponto para clarear de
uma vez e por toda a relação exata da fé e do trabalho.”
“A fé deve se demonstrar no trabalho. Se um homem crê realmente nos
ensinamentos de Cristo, por exemplo, ele se esforçará para praticar esses
ensinamentos na sua vida.”
“Um homem que diz que crê nesses ensinamentos e logo vai, cada dia,
rompendo todas as leis morais que o cristianismo ensina, simplesmente é um
farsante.”
“Não quero dizer que por isso o homem, apesar de se esforçar
freqüentemente se deixe levar pelas tentações. Para esse homem existe um
reino que o chamo, o reino da crença sem atos: mas, eu me refiro aos milhares
de cristãos que não praticam os ensinamentos do cristianismo, aos homens
que vão à Igreja regularmente aos domingos e passam a semana enganando e
mentindo, etc...”
“Eles vão para o Inferno. Eles não crêem e sua vida malvada prova
isso.”
J.W.: “Então, onde está a diferença de ser julgado unicamente por
nossos atos?”
H.J.L.: “ Primeiramente, a palavra julgar está em desuso. Isso implica
que outros não nos julgarão, mas nós nos condenamos a nós mesmos. Nosso
espírito não pode se elevar a reinos mais altos que aqueles para os quais
temos acesso. Não há necessidade de fazer cumprir qualquer lei, porque a lei
está atuando por si só. Farei que este ponto se simplifique se respondo a tua
pergunta. A diferença está nisso. Suponhamos um materialista completo, que
não crê em Deus, nem na vida futura e, que faz o possível para dissuadir a
outras pessoas que acreditam nessas coisas essenciais. Esse homem pode
ser um verdadeiro filantropo, atuar com nobres desejos para promover o bem
estar material de seus semelhantes. Esse homem morre. Como pode ir para o
reino dos que crêem pela metade?”
“Seu corpo espiritual nunca poderá se desenvolver. Ele não suportará a
luz. Ele deve desenvolver seu corpo espiritual e erradicar as idéias
materialistas o mais rápido possível. Não o sentenciaram no Inferno, mas irá
onde lhe corresponda. Os semelhantes se atraem. Sua falta de fé o impedirá
de ir a todos aqueles reinos onde a fé é um elemento essencial da existência.”
“Por conseguinte, ele irá à divisão 5 do Inferno, mesmo que aqui não
exista Amor de Deus, se existe amor de seus semelhantes, isso o salvará de
afundar-se cada vez mais e o ajudará a desejar se elevar.”

47
“Uma vez que o desejo de progredir nos assuntos espirituais apareça,
esse progresso possivelmente será seguro e contínuo, mas
desafortunadamente a mente materialista segue sendo materialista, mesmo
depois da morte. Freqüentemente, nega estar morto e considera que seu
psiquismo ou seu corpo espiritual é um corpo físico e que por isso ainda está
vivendo na terra. Mesmo compreendendo que faleceu, pode estar negando a
existência de Deus e, recusar a ir a qualquer lugar que pudesse lhe ensinar
isso. Dessa maneira ele continua no Inferno.”
“Sem dúvida, o número de bons materialistas é muito menor do que a
maioria das pessoas pensa. Mesmo na terra, muitos dos homens que parecem
ser materialistas, no fundo do seu coração, crê verdadeiramente e vem a nosso
reino.”
“Além do mais, depois da morte, tais homens geralmente permanecem
por um considerável tempo no seu corpo psíquico e as condições de vida
nesse plano ( o astral) logo convence a maioria dos homens de algumas das
verdades espirituais mais elementares.”
“ Estando o sujeito num corpo psíquico, me permite chamar tua atenção
no fato de que você não tem entendido o sétimo plano do meu nível. Você o
tem entendido como na terra na qual está vivendo agora.”
“Realmente é o plano terrestre e, pode ser separado amplamente dentro
da divisão de espíritos encarnados e desencarnados.”
“O princípio, são vocês mesmos, logicamente, o posterior: o limite
terrenal e também uma multidão desses organismos, tais como os elementares
corpos vazios, etc. O homem quando falece, primeiro passa através de um
estado e unicamente quando tem deixado seu corpo psíquico, é que seu
espiritual pode entrar no sexto plano, mesmo que no Inferno.”
“Eu estava num pequeno espaço e tive que deixar meu corpo psíquico
pouco antes de compreender que teria um. Eu creio que isso passou tão rápido
como o dormitório passou com um belo cenário. “
“O Oficial, sem dúvida esperou um bom tempo no corpo psíquico e
houve uma grande recuperação do esperado nele.”
“Eu creio que agora é óbvia a relação entre a fé e a conduta.”
“Agora vou dormir. E, parado em minha frente (JW), havia um número de
pássaros e me pus a ouvir.”

48
Capítulo XIX

A ESCOLA PARA OS REGENERADOS NO INFERNO


Visão em transe
segunda-feira, 16 de março de 1914.

Parecia que me encontrava marcando o espaço a uma tremenda


velocidade e, logo me vi parado ao lado de H.J.L. Estávamos parados sobre a
ladeira de uma colina e abaixo de mim, entre as árvores, vi as torres e o teto de
um grande edifício. Tinha campos abertos em volta e também um colégio.
“O que é esse edifício? “perguntei
“Esse é o colégio no qual vivo atualmente. É a forma do edifício que era
da Rainha, o Oxford, antes que fosse erguido o edifício clássico do presente.”
J.W.: “Posso ir vê-lo?”
H.J.L.: “ Talvez em outra ocasião, mas não agora. Queria te contar sobre
minhas experiências nas escolas do Inferno.”
“Fui levado primeiro às escolas daqueles que têm progredido das mais
baixas profundidades do Inferno. Você se lembra do meu diagrama?”
J.W.: “Sim, me lembro que havia duas divisões na divisão mais alta, a
que você menciona e a escola de bebês. Tive uma visão desta última.”
H.J.L.: “Bom, eu fui primeiro às outras escolas e depois estive nas
escolas de bebês.”
“Meu guia disse: “seria bom que você fosse ver o trabalho nas escolas.”
“Num momento estivemos parados sobre uma planície, tão real para nós
como o mundo terrenal é para você. Outra vez frente a nós se levantou essa
terrível parede de escuridão, mas havia uma diferença: num dos lados esta
parecia consumir-se, e uma áspera via que conduzia até a escuridão.”
“Como é que – perguntei ao oficial – não veio por este caminho? É muito
mais fácil o caminho pelo qual ele emergiu.”
“O caminho que entra no Inferno é sempre fácil; respondeu meu guia. O
caminho para fora do Inferno é sempre difícil.”
“ Teremos que escalar esse horrível precipício?”
“ Não, nós desceremos ao Inferno, mas não nos converteremos em
parte dele. O Inferno é um estado, não um lugar e, por isso, mesmo que nós
percebamos a outros nesse estado e a maligna atmosfera que os rodeia, não
nos tornaremos parte desse estado. Neste mundo, onde os pensamentos e as
formas são tão reais como o físico o é na terra, nós podemos somente sentir os
efeitos malignos do Inferno nos convertendo em parte dele. Isso,
desafortunadamente, é possível. Muitas das almas que têm vindo aqui com o
desejo de fazer o bem, têm caído e formado parte do Inferno, assim como na
terra os homens que vão trabalhar no meio de perdidos, podem ser desviados
do caminho por aqueles a quem vieram salvar. Se isso acontecer com você,
então estará incapacitado para voltar por esse caminho e teria que escalar o
precipício.”
“ Me assustei e chorei: “ Não vá embora – Não me arrisque a isso. Me
sinto seguro onde estou.”

49
Mas ele respondeu: “Aqui não há estacamento. Você deve progredir seja
até em cima ou até embaixo, e esta viagem deve ser levada até o final. Mas
não tenhas medo, não estou com você? Além do mais, os espíritos não caem
nesta divisão do Inferno. Aqui o pior já passou. É quando se desce às divisões
mais baixas do Inferno, que se alcança o perigo.”
“Por isso, com mais valor, começamos a descer a trilha, enquanto que a
terrível escuridão nos fechava o passo.”
“Por um momento me senti constrangido, mas a firme mão do meu guia,
me deu força e valor. Então comecei a perceber que dele e de mim, mas em
menor proporção, fluía uma espécie de luz que nos habilitava a prosseguir na
trilha, mesmo não podendo ver muito para os lados, nem para a frente.”
Subitamente, notamos a presença de um grande edifício, que cruzava a
trilha e o caminho pelo qual andávamos seguia abaixo, onde havia uma porta.
Não havia nenhum passo a sua volta, pois, por todos os lados encontrei
paredes de rochas elevadas e absolutamente inescaláveis.”
“O que é este lugar?” perguntei
“Entra e olha”, respondeu meu guia.
“Ultrapassamos o arco da entrada e foi como se já tivessem sabido de
nossa presença. E, as portas se abriram e passamos para um pátio coberto.”
“Que deslumbrante luz! Depois da espantosa escuridão pela qual
havíamos passado, me senti deslumbrado por um momento; mas, logo pude
perceber tudo.”
“À minha volta havia altas construções dos quatro lados, como um
grande colégio, exceto que este era muito mais alto e havia um teto no lugar do
céu aberto.”
“Parecia ser de muitos andares, já que havia várias fileiras de janelas e
de cada uma delas, brilhava uma suave luz. Algumas luzes também, pareciam
vir do mesmo edifício; quer dizer, de suas paredes em si.”
“Então, notei um espírito parado na porta. Soube que era da mesma
natureza que eu, mas mais adiantado, quer dizer, que não era como meu guia,
que está muito mais acima que eu.”
“Perguntei-lhe: o que é esse edifício?”
“Ele respondeu: esse é um refúgio, uma escola e uma casa de guarda
combinados. Poderia se chamar “casa de compensação missionária. “ Os
espíritos que desejam ajudar a estes desafortunados seres do Inferno, descem
até nós desde os reinos de cima. Até nós, vêm todos aqueles que tendo
começado a progredir, precisam de mais ajuda; e, finalmente vêm aqui aqueles
que precisam apenas aprender que eles podem deixar todos juntos o Inferno,
para o reino de cima.”
“Além desses deveres, também colocamos obstáculos no caminho para
que nenhum dos habitantes do Inferno possa alcançar o reino de cima, embora
eles possam utilizar a dura trilha preparada para eles. O caminho que tens
percorrido é para aqueles seres desse reino que desejam fazer algum bem no
Inferno. Não como você, que tem sido atraído aqui pelo teu guia para os
capacitar em aprender algo do Inferno. Há outras casas de descanso dispersas
ao longo das trilhas que guiam fora do Inferno a que possam ir aqueles que
desejam progredir; mas, essa é a casa de clareamento maior, ou quem sabe
deveríamos chamá-la de base de abastecimento de um grande número destas
casas de refúgio. Me esclareci ?”

50
“Perfeitamente, responde (HJL) . Esta casa envia para fora homens para
revelar àqueles que são responsáveis por estas “casas de descanso” e
também aos missionários que tentam persuadir aos homens para que venham
para estas casas. Assim que vocês atuam como a “casa de descanso” final
para aqueles que estão por escalar o precipício? Mas, onde entram as
escolas?”
“Ele : tuas observações são bastante corretas; mas o último não está tão
claro. Tudo nesta parte tem que passar pela escola antes que possam escalar
o precipício, do contrário, estariam desesperadamente perdidos em alcançar o
cume. Mas, antes que possam entrar na escola, eles tem que ser recebidos na
parte da escola que é a “casa de descanso.” Aqui eles ganham força espiritual
que é diferente do conhecimento espiritual.”
“Assim como na terra, você tem que nutrir os corpos das crianças antes
que lhes possa ensinar, aqui também temos que construir suas forças
espirituais – alguém poderia dizer que seus corpos espirituais – antes de tentar
instruí-los. “
“Compara nosso trabalho com o que algumas sociedades na terra
fazem, resgatando os abandonados, e os educando. Se você junta a isso o fato
que as crianças são aliciadas na sua maioria e também elas têm feições
mentais, terás um justo paralelo.”
“Às vezes, é muito doloroso, muito mais que visitar os bairros baixos na
terral. Oh! Como censuramos aos que têm feito esse tipo de trabalho na terra!”
“Logo depois que um homem tem desenvolvido sua força espiritual,
percebemos que ainda não está pronto para adquirir o conhecimento espiritual
na escola. Às vezes, ele escapa, e é trazido de volta, somente depois de uma
grande busca e trabalho. Assim, se afunda por um tempo em seus antigos
caminhos e volta a uma das divisões mais baixas do Inferno. A outros, temos
que enviá-los em viagens e empregá-los em diferentes coisas, até que estejam
prontos para aprender!”
H.J.L.:” Posso entrar na Casa de Descanso e ver por mim mesmo que
parece? “perguntei.
Meu guia respondeu no lugar do homem que estava na porta: “Ainda
não; mas você o poderá em outra ocasião. Agora entraremos na escola. Você
encontrará mais concordância com teu conhecimento anterior, já que você foi
`a escola secundária no reino superior. A Casa de Descanso, é tão diferente a
tudo o que tem conhecido até agora, que você perderia muitas coisas que
seriam de valor.”
“Depois de ver estas escolas e também as de bebês estará apto para
apreciar mais as coisas, quando você for visitar a Casa de Descanso.”
“Passamos através de um arco perpendicular e enquanto o fazíamos,
me dei conta de que o lugar era um castelo como um colégio. Na verdade,
percebi que não haviam em absoluto janelas externas, já que só tivessem
deixado passar a escuridão que aqui é mais que uma ausência de luz, uma
coisa tangível em si mesma.”
“A única janela era uma que servia como uma luz para guiar aos que
vagam fora do seu refúgio. A forma em que esta “luz” estava constituída, te
assombrará. O quarto onde esta se abria era a capela privada dos homens e
mulheres ( porque haviam mulheres aqui, que administravam o lugar. Era
diferente da capela da escola ou da Casa de Descanso).”

51
“Essa janela estava atrás do altar e na terra teria sido chamada a janela
do leste. Não tinha sem dúvida, vidro colorido, ma somente um vidro branco
transparente. Diante desse altar sempre se oferecia a cerimônia da Sagrada
Comunhão. Tão logo terminava a cerimônia, um novo sacerdote começava
outro, com um novo corpo de assistentes. Desse modo sempre há uma oração
para a salvação dos do Inferno. Fora da janela do leste corre a luz da fé geral
por essa incessante cerimônia de oração e intercessão.”
“Como é nas casas de fronteiras, não posso te dizer com certeza, mas
suponho que alguns estão nas mãos dos homens que na terra mantiveram
outras perspectivas religiosas e nestas cerimônias de intercessão tomam
formas diferentes das que presenciei. O semelhante se atrai, você vê, e meu
guia me levou à casa na qual eu encontraria o sistema mais em ressonância
com o que eu pertencia na terra.”
“ Igualmente, algumas almas do Inferno são induzidas até a salvação
pelos homens que pertencem a esta casa, enquanto que outros vão até o que
o Maometismo, o não-conformismo é dominante.”
“Mas, não existem amarguras aqui. Cada casa faz seu trabalho e ajuda
as outras quando podem. Por isso, se um maometano ou um dissidente
missionário encontra a um homem e o ajuda e, caso vê que esse homem pode
conseguir seu desenvolvimento espiritual mais rápido em outra casa, o leva lá.
Assim, também com os missionários da Igreja. Mas, ainda, essa salvação por
transferência tem lugar constantemente.”
“Nós não nos preocupamos por nossas diferenças religiosas aqui. Estas
existem ainda até um grau limitado; mas, nós sabemos que a medida que
subimos mais alto, tudo o que é falso vai desaparecer e só a verdade
permanecerá. Assim é que vamos tranqüilamente por nosso caminho.”
“Essa luz que brilha a partir desta solitária janela de cima do edifício é
um sinal de esperança para os que estão no Inferno. Todas as Casas de
Descanso, inclusive as mais pequenas disseminadas nas partes mais baixas
do Inferno têm esse farol que se mantém sempre aceso.”
“ Havendo entrado no edifício, descemos por uma passagem e
atravessamos uma porta até uma sala de aula. Estava cheia de luz do
professor; mas, o que poderia dizer dos alunos? Imagina-os mais baixos e
infelizes homens reduzidos ao tamanho de pequenas criaturas. Imagina-os
idiotas e desfigurados na sua maioria, com uma baixa e astuta expressão de
rostos tristes. Isso te dará apenas uma vaga idéia do que vi. Eles tratavam
sempre de fazer algum estúpido engano, seja a seus vizinhos, ou ao mestre.
Além disso, haviam outros dois espíritos parados atrás, enquanto que ele
ensinava na frente.”
“Estes três eram necessários primeiramente, para manter a suficiente luz
na habitação, porque de cada uma das “crianças” parecia ser expelida uma
espécie de escuridão que parecia queimar-se com a luz. Além do mais, eram
necessários para manter os alunos em baixo controle. Eles o faziam somente
mediante uma espécie de poder hipnótico pelo exercício da sua vontade e sua
mentalidade. Se por um momento eles deixavam sua concentração, vários dos
meninos, de uma vez entravam em desordem.”
“Esse trabalho deve ser muito desgastante; falei para meu guia.”
“É , respondeu. Os professores têm que ser re-elevados depois de um
curto tempo. Essa é a razão pela qual se necessitam um grande número de
espíritos ainda que nesta única instituição.”

52
“Se ensinam as meninas separadamente?” perguntei.
“Sim, quase sempre. Eles precisam de mulheres e, estas precisam de
homens. Mas, não achamos muito certo deixar que os sexos se misturem aqui.
Você deve se recordar que eles não são bebês inocentes. Mesmo que tenham
o desenvolvimento espiritual de um menino, eles têm a memória de homens e
mulheres viciosas. Na escola para os bebês reais, as mulheres quase sempre
são as que os cuidam e ensinam. E, não fazemos praticamente distinção entre
os dois sexos.”
“Nisso entraram três novos professores e tomaram o lugar dos que
estavam no quarto quando entramos.”
“Esperamos que começasse a nova lição. Por um momento houve uma
perfeita manifestação, devido a saída do grupo. Os professores os
influenciavam mentalmente, mas, quase no mesmo instante, os reduziram a
submissão através do poder da vontade.”
“Não existe quarto para organizadores fracos aqui: “observei.
“ Você se refere aos homens de fraca vontade. Não, se uma alma é
fraca de vontade quando vem, tem que desenvolver sua força de vontade de
uma vez; e, não conseguirá um progresso real até que o faça. Esse é um dos
problemas mais difíceis que temos aqui nestas escolas.”
“A lição então começa. Era similar aos métodos baixos os quais aprendi
na escola, mas que diferença nas matérias! As verdades que o instrutor tratava
de ensinar-lhes eram as mais simples, elementares e óbvias verdades que nós
aprendemos quando crianças na terra. Para essas desafortunadas criaturas,
sem dúvida pareciam terrivelmente difíceis. Pacientemente, ele abordava sobre
as mesmas coisas, uma e outra vez; mas, muitos pareciam não estar aptos
para assimilar nenhuma idéia. “
“Deve levar um interminável período ensinar a alguns deles, disse a meu
guia.”
“Quase infinito, responde. Há alguns que tem estado aqui por milhares
de anos, segundo você mede o tempo. Eles até tem perdido suas memórias.”
“Mas que bem lhes faz se estão assim tão desesperados? “
“Todo o tempo, ele respondeu, eles estão aprendendo a disciplina, que é
muito. Cedo ou tarde eles aprenderão outras coisas. Sempre há esperança; e,
o tempo – o que é isso? É uma invenção dos homens da terra que, felizmente,
nunca chegou até aqui. Esse é um dos trabalhos mais finos feitos nesta “ Terra
dos Imortais”, mas é um trabalho muito exato.”
“Agora visitaremos a classe das garotas: logicamente que elas são
mulheres infelizes que estão lutando para progredir; mas elas são mais difíceis
de controlar que os rapazes.”
“Entrando a essa, vi que era uma classe de meninas, com três
professoras, mas, apenas tive tempo para me dar conta disso quando se
armou um tremendo alvoroço e várias pequenas se lançarem até mim. Mesmo
que normalmente goste de crianças, senti aqui um instintivo estremecimento
por estas mulheres viciosas de corpos imaturos. “Não havia nada de infantil
nelas.”
“ Tratei de as sacudir, mas elas estavam grudadas tão perto que pensei
que nunca poderia escapar delas. Mas, as mestras impuseram a ordem e, por
fim afastaram-se as que haviam grudado em mim.”

53
“Você vê quão forte ainda são seus viciosos hábitos e que fracas suas
vontades. Tua entrada as contrariou completamente, somente porque você é
homem.”
“É terrível, respondi.” Mas como fazem para mantê-las aqui? O fazem à
força? Porque suas vontades são tão fracas que possivelmente elas não
poderiam manter a idéia de progredir. “
“Ele respondeu: não é usada nenhuma força, como você entende a
palavra, mas ao mesmo tempo nós exercemos toda nossa influência para
mantê-las no caminho correto. Sua fraqueza nos ajuda, uma vez tendo
chegado aqui; já que para elas é muito difícil resolver ir embora e ficam para
aprender. Sem dúvida, é lógico que existem algumas que voltam atrás para
envolverem-se na lama.”
“Me dei conta que a dama não podia avançar muito por nossa presença
que distraía as garotas. Por isso, não me surpreendeu que meu guia disse:
“Vamos embora, você já viu o suficiente por agora.”
“Depois que saímos da sala de aula, subimos muitas escadas até que
por fim alcançamos o andar superior. Aqui entramos na capela, a luz da fé, era
tão intensa que só podíamos enfrentá-la por um curto tempo.”
“Como já te descrevi o que ocorreu alí, não o farei novamente.”
“Pouco depois deixamos a Casa de Descanso e, lentamente subimos
recorrendo ao caminho pelo qual havíamos entrado no Inferno.”
“Já de volta nas terras de cima e fora dessa horrível escuridão,
descansamos por um curto tempo e logo parecíamos embalados no ar em um
instantâneo regresso a esta parte do nosso reino.”
“Agora, disse H.J.L., devo te deixar.”
Levantou-se e flutuou. Gradualmente a paisagem ficou escura e
indiferente. Então me afundei no esquecimento.

54
Capítulo XX
VISITA À ESCOLA DE BEBÊS QUE NÃO CONHECEM A FÉ.
Carta a H.J.L.
21 de março de 1914.

“Pouco depois da visita à escola dos que estão progredindo, fui levado à
escola dos bebês.
“Novamente desci por uma espécie de caminho com meu guia na
escuridão e, como antes, encontrei um edifício à direita. Entrando nele,
encontrei um pátio tão alto como o outro, mas muito maior. Nele haviam toda
classe de árvores e flores e uma bonita fonte d’água. Aqui havia um grande
número de crianças brincando em volta.”
“Estes eram muito mais diferentes daqueles que havia visto antes. Seus
rostos de meninos pequenos correspondiam a seus corpos imaturos. A maior
parte era como os meninos da terra, não como aqueles homens em forma de
meninos a quem havia visto na minha última visita ao Inferno. Esses eram os
que nunca haviam pecado; mas, já que não tinham nenhum conhecimento de
Deus e da Fé, eles têm que aprender e, enquanto fazem seus corpos
espirituais se desenvolverem até que chegue o tempo em que possam passar
ao reino da semi-crença, quando vão às escolas secundárias. Rosy Dawn é um
exemplo e bem conhecido para você.”
“Essa escola estava agora sob o controle da Irmã Maria, que tem falado
várias vezes através de você e te dado muitos detalhes, os quais não repetirei;
só vou completar o que é necessário para completar o quadro.”
“Devo completar que pedi especialmente para ser levado a esta escola
mais que a nenhuma outra, já que Rosy Dawn está nela e também a Irmã
Maria.”
“Ao entrar por uma das várias portas que se abriam até o pátio quadrado
achei que estávamos em uma espécie de berço onde todas as crianças
imaturas e prematuras iam.”
“Quando se pode dizer que uma alma vem a existência? Quando é
concebida uma criança? Perguntei. “Evidentemente não é no nascimento? “
“Meu guia respondeu: “ainda que não possa te dizer o preciso momento
em que a alma entra no calor do lar que o envolve, isso é extraordinariamente
cedo. Tão logo que o germe tem cessado definitivamente de ser germe e tem
começado a crescer como um corpo humano, a alma ingressa nele. Mas, nós
não sabemos como Deus executa essa maravilha. Isso está oculto ainda para
nós, que não é claro em muitas coisas. Pelo menos nisso você pode estar
seguro : que muito antes que a criança “se avive”, uma alma tem sido guardada
dentro dele.”
“Agora eu dirigi minha atenção à cena a minha volta e vi que o berço
estava cheio de gente, mulheres de doces rostos olhando e cuidando dos
pequenos e imaturos átomos. Passamos para outros quartos e vimos que em
cada uma, os bebês eram mais adiantados que na anterior. Por fim,
alcançamos um quarto grande com uma mesa no centro. Esse era o que você
viu no espelho e deduziu que era a “forma superior” da escola.”

55
“Aqui conheci a Irmã Maria de quem gostei muito, mas vi que era muito
mais espiritual que eu e, que era difícil manter-me em contato com ela. Vocês
têm uma capela com um serviço contínuo? “perguntei.
“Oh, sim, respondeu ela. Trabalho e oração. Você já conhece o antigo
provérbio.”
“Meu guia falou: “ Não existe nenhum acerto aqui para a luz da capela
que seja enviada como um farol, como na outra casa. Esta não é uma casa de
refúgio e nenhuma alma do Inferno vem aqui para poluir este lugar feliz. As
crianças estão destinadas aqui por seus guias ou anjos da guarda que, ainda
que não tenham nenhum trabalho para fazer na terra, tem a mesma classe de
trabalho que qualquer um de nós aqui. Geralmente, se é possível e adequado,
um dos parentes da criança “morta” é trazido para criá-lo, mas muitas não têm
os tais parentes aqui. Eles ( os parentes) são sem dúvida muito ruins para lhes
permitir ajudar. Nada negativo está permitido dentro destas paredes, ainda que
seja no Inferno.”
“Aqui você vê que não existe necessidade de ter casas religiosas
separadas. Essas crianças não levam com elas idéias pré-concebidas da
religião e elas não têm nada para desaprender. Este é somente um dos muitos
pontos que eles diferem dos outros. A partir daqui encontramos Católicos
Romanos, Eclesiásticos, e Não – conformistas, todos juntos numa boa obra.”
“Eu: e quem são as mulheres que fazem esse trabalho? “
“Ele: com exceção dos parentes das crianças, são as que gostando
muito de crianças, não tiveram-nas por alguma razão, ou as perderam cedo na
infância. “
“Percebi que ainda estas crianças tinham um pouco de maneiras
desobedientes como na terra, ainda que em menor grau.”
“Meu guia disse: Isso deve ser assim. Se elas fossem incapazes diante
da maldade, onde estaria a liberdade? Mas, isso não se desenvolverá
consideravelmente aqui e logo desaparecerá com seu progresso. Você
também pode pecar depois da morte, mas enquanto que as crianças são a
semente do mal, o teu seria o fruto e, por conseguinte, difícil de destruir.
Vamos agora!”
“Assim, novamente escalei a trilha que nos guiava fora do Inferno.”
“Adeus!” H.J.L.

56
Capítulo XXI
VISITA À GRANDE CASA DE REFÚGIO NO INFERNO
Visão em transe e conversação durante a noite de 23.03.

Me encontrei parado ao lado de H.J.L. sobre um espaço aberto até


embaixo. Ele disse: “Estive recentemente na Casa de Refúgio. Você se
lembrará que não me permitiam isso no princípio.”
J.W.: “Sim, me lembro perfeitamente.”
HJL. : “Bem, havendo descido através da escuridão por um caminho
como os que já te expliquei, mas não os mesmos, entrei num pátio fechado
como antes. Também havia uma escola aqui, mas, nesta vez, cruzei o
quadrilátero por um ângulo e entrei numa passagem, transpondo uma porta
clássica ou renascentista. Devo dizer que este edifício era do estilo
renascentista e não do perpendicular.”
“ Depois da passarela atravessamos uma porta até uma habitação
grande, vazia, com uns quantos sofás e uma mesa no centro. “
“ Este cômodo forma a ante-sala da escola. Aqui são admitidos aqueles
espíritos que estão prontos para serem levados para dentro. São com
freqüência muito fracos e, no princípio são colocados sobre a condução e
controle de um professor especial. Ele ou ela os observa todo o tempo. Só
depois são considerados suficientemente fortes para participar das próprias
classes. Eles precisam de atenção individual no começo. “
“ Eles são mantidos aqui todo o tempo? “
“ Não. Este é o quarto que os comunica com a escola e a Casa de
Refúgio. É uma espécie de sala de alistamento. Depois de um tempo, tão logo
estejam suficientemente fortes, eles são levados a uma espécie de estúdio,
um para cada pupilo e seu professor . Olha! “
“Ele me conduziu para fora do quarto pelo corredor, até uma porta no
lado contrário. Aqui encontrei um quarto muito mais pequeno e dentro um
espírito varão e sobre um leito, um desgraçado menino pequeno. O espírito
brilhante estava tocando uma harpa, um belo e agradável hino.”
“A música alivia a dor e este infeliz está sofrendo uma terrível dor
mental; disse meu guia.”
“Entramos em outro estúdio e, aqui outro espírito exausto estava sendo
tratado.”
“O que está fazendo? Perguntei, apontando o espírito brilhante que fazia
sinais sobre o corpo do paciente.”
“Meu guia respondeu: É que ele está emprestando algo do seu fluído
magnético. O paciente é fraco em poder de vontade e esse espírito o está
tratando. Esse método é análogo a cura magnética na terra.”
“Nós voltamos então à “ante-sala” e atravessamos uma porta no final
contrário. Esta guiava até a mesma Casa de Refúgio.”
“Nos encontramos numa espécie de pátio de hospital. Não havia roupas
de cama sobre as mesmas, se posso chamá-las assim e, sobre elas
descansavam pequenas crianças. O mais extraordinário disso era que as
crianças que estavam mais perto da porta pela qual entramos eram em muito,
os mais ativos e fortes mesmo sendo os mais pequenos. Enquanto nos
mudávamos até o lado oposto do dormitório, onde havia outra porta, notei que

57
as crianças iam crescendo mais e mais, mas ao mesmo tempo pareciam mais
flácidos, escuros e indiferentes.”
“Meu guia disse: te explicarei essa dificuldade. Quando esses espíritos
estavam no Inferno, pareciam plenos em tamanho e fortaleza. Quanto mais
ruins eles eram, mais fortes pareciam. Seus corpos espirituais estavam feitos
de maldade e escuridão, assim como os nossos estão feitos de bondade e luz.
Sem dúvida, quando começam a se arrepender e vêm aqui, o princípio
negativo dentro deles se torna cada vez mais fraco e enquanto isso ocorre, o
corpo espiritual se desenvolve lentamente.”
“Assim, a princípio esses espíritos resgatados se vão debilitando e então
se convertem em “pequenas crianças” em todo o sentido da palavra. Uma vez
que isso ocorre, estão aptos para subir para a escola, onde começam a crescer
outra vez, ainda que muito lentamente.”
“Eu perguntei: Mas onde conseguem eles, este elemento de luz da qual
se desenvolve o corpo espiritual?”
“Ele respondeu: ainda no Inferno os homens retêm uma pequena farpa
de verdade espiritual. Eles não o podem evitar já que esta é implantada por
Deus. Este é o Elemento Divino em todos, o qual por mais submergido que
estiver, não pode se extinguir jamais. Mesmo no Inferno, os homens aprendem
que a morte não termina com a vida; freqüentemente eles desejam que assim o
fosse. “
“Uma vez que eles começam a crescer para melhor, vão se debilitando e
assim, o Inferno via sendo mais e mais odiado por eles. No Inferno o mais forte,
é o mais malvado e o mais forte oprime e maltrata cruelmente aqueles que são
mais fracos que ele e alí não existe morte que se intrometa.”
“Então, existe dor no Inferno?” perguntei.
“Sim, só que é um sofrimento mental e espiritual, mas para as almas dali
é um sofrimento tão físico e real como na terra. Aqui mesmo sendo não
material para o mundo físico, parece real e material para nós. Sim, eles sofrem
mas não vem nenhuma amigável morte, para dar fim à angústia das miseráveis
vítimas.” As velhas descrições do Inferno, mesmo para o mundo moderno
parecem grosseiras e materialistas, mas na realidade não eram tão inexatas.
Elas eram devastadoras na linguagem materialista; mas muitos desses
detalhes materialistas, são devido a dois fatos: primeiro, que para os espíritos
estas experiências parecem tão materialistas como o são para os homens;
segundo, que muitas das mais finas distinções feitas pelos espíritos falham ao
penetrar o cérebro de um médium.”
“Eu : então desde tempos atrás havia médiuns através dos quais os
espíritos do Inferno podiam enviar mensagens? “
“Certamente. E, além do mais, algumas vezes homens ainda vivos têm
podido visitar estes reinos, quando seus corpos estiverem em transe e
recolherem alguns dados sobre o que ocorre aqui. Dante é quem sabe o mais
fino expoente desse tipo de revelação.”
“Então a grande obra de Dante não é meramente uma ficção do seu
cérebro poético, baseada em suas próprias crenças religiosas?”
“Não, é uma revelação real vista num estado de transe, mas moldado na
sua forma presente pela imaginação poética e ligeiramente colorida pelas pré-
concebidas vistas religiosas dos médiuns. Esta troca tivera lugar quando o
colocou na forma literária. Não houve mal-entendido dos feitos imediatamente
depois que voltou ao estado normal!”

58
“Ele parou e passamos deste quarto para outro.”
“Aqui encontramos os espíritos tal como chegam do Inferno. Os
salvadores chegavam constantemente trazendo alguém. Algum pobre
desafortunado. Eles os colocavam nas mãos de outros que os recebiam
amavelmente, sendo razoáveis com eles e submetendo-os com urgência ao
tratamento médico.”
“Não era sempre fácil convencê-los a fazer e ainda enquanto eu estava
alí, vários regrediram da Casa de Refúgio para o Inferno. A perfeita liberdade é
a lei aqui e se um homem deseja ser injusto, injusto será.”
“Notei que a cura magnética era amplamente empregada neste estágio e
todo o ar parecia cheio de partículas de escuridão expulsas pelos espíritos
perdidos, submetidos ao tratamento. Passamos através de outra porta a uma
ante-sala comparativamente mais pequena, na qual estavam esperando vários
recém-chegados, atendidos por seus salvadores e no lado contrário havia uma
grande porta.”
“Enquanto o alcançava, estava consciente de um lívido terror, horrível,
intangível, mas real e, soube que este descansava atrás da porta. Quanto mais
nos aproximávamos o terror sem nome parecia corroer minha alma e
adormecê-la. Eu me havia voltado e parado, mas meu guia insistiu para eu
seguir adiante.”
“Nós paramos na frente dele e de repente a porta se abriu e o
resgatador e seus custodiados se lançaram para dentro.”
“O terror parecia flutuar com a escuridão dentro e eu me reclinei contra
meu guia. Rapidamente a porta se fechou; nesse mesmo instante vi claramente
que os fugitivos eram perseguidos para a mesma porta; escutei os uivos
selvagens de desconcerto e ódio quando os perseguidores se encontravam
resguardados pela parede dos Bons Pensamentos que eles não podiam
penetrar.”
“Cada salvador leva a sua volta uma parede de Fé e bons pensamentos
que os espíritos malignos não podem penetrar a menos que ele mesmo rompa
dando passo a qualquer das tentações que o induziriam a retroceder. A pobre
alma perdida pode ser realmente deseja progredir, passar dentro desta parede
e estar seguro, com a permissão do salvador. Mas, se este se recusa, não
poderá; e, se enquanto está protegido deixa de desejar progresso, será
expulso e caíra vítima de seus perseguidores.”
“Isso ocorre com muita freqüência e, esse é o motivo pelo qual os que
assumem este trabalho devem estar dotados de uma grande paciência. Depois
que tenhamos nos esforçado e arriscado tanto, é verdadeiramente duro ver os
frutos da vitória escapar de nossas mãos!”
“Nós voltamos e muito agradecido estive a escapar da proximidade
desse incrível terror.”
“Existem alguns hospitais similares a este no reino da semicrença?
“perguntei.
“Sim, respondeu meu guia, mas para um tipo diferente de casa. Muitas
pessoas que sofreram de algum problema mental na terra vão para esse reino.
Eles caem em duas divisões: aqueles cujas mentes não estavam aptas para
trabalhar, devido a algum defeito físico e aqueles cujas mesmas mentes
estavam afetadas.”
“O primeiro grupo pode se subdividido também em aqueles cujos
defeitos físicos tendo se apresentado desde o nascimento impediu todo seu

59
desenvolvimento e aqueles cujas mentes, havendo se desenvolvido sofreram
de um repentino transtorno por algum acidente físico. Estes últimos necessitam
de um pequeno tratamento; mas os outros grupos necessitam de um
tratamento que em alguns casos parece muito longos em termos de tempo
terrestre!”
“Você deverá ver estes hospitais em outra ocasião!”
“Passamos então rapidamente da Casa de Refúgio para o Colégio e
subimos até o pátio, atravessamos a porta e saímos do Inferno através da
escuridão. Assim, terminou esta estranha lição.”
Eu (J.W.): “Foi uma extraordinária experiência. Você acredita que as
Casas de Refúgio mais pequenas espalhadas pelo Inferno tem os mesmos
arranjos elaborados? “H.J.L.: “Não; esses são somente quartos receptores
temporários onde os resgatados são “marcados” até que possam alcançar uma
destas grandes instituições.”
“Agora temos que partir.”
Ele se levantou e marcou um sinal em mim e pareci cair adormecido.
J.W.

60
Capítulo XXII
AUTOR VISITA H.J.L. NO COLÉGIO
Conversação em transe, etc.
30 de março de 1914

Me encontrei parado sobre uma colina e abaixo de mim pude ver as


torres e telhados do colégio onde eu sabia que morava H.J.L. e que estava
parado ao meu lado e começou:
“Bem, Jack, você quer ver o colégio?”
“Sim, respondi.”
Ele começou a descer pelo declive e enquanto íamos, eu disse: “Carrie
me pediu para te perguntar sobre a “parte mais leve desta vida “ no plano –
tuas recreações e coisas pelo estilo – já que te suponho que não estás sempre
aprendendo as lições.”
“H.J.l.: “Bem, esta reunião estará dirigida até esse assunto. Te mostrarei
algo, ainda que logicamente, será só uma olhada rápida desse lado da vida
daqui.”
Chegamos ao colégio e paramos na frente da porta. Essa porta não
estava no centro, como eu esperava, mas ia para a esquina do sudeste.
A chamo por esse nome já que vi a janela oriental da capela sobre a
atrás do telhado da primeira linha de edifícios. Esta grande porta, no lugar de
uma torre, tinha um telhado triangular que dava uma parte até o quadrilátero do
pátio e o lado pelo qual entramos. A janela oriental da capela era
aparentemente do estilo decorativo e sobre a grande porta havia três janelas
largas, a central tinha uma pequena sacada e uma coluna divisória. A entrada
do hall, ao invés de estar no meio da linha de edifícios, estava na esquina a
noroeste.
De resto, não preciso entrar em muitos detalhes, já que na sua maior
parte, seguia as linhas de um edifício comum.
Havíamos atravessado a porta, cruzamos o quadrilátero em um de seus
ângulos e entramos no hall.

61
Capítulo XXIII
DE SUAS DIVERSÕES E COMO OS ESPÍRITOS INSPIRAM OS
HOMENS NA TERRA

“Esta é uma espécie de clube ao qual pertenço, explicou H.J.L.”


Aqui encontrei um grande número de homens congregados; alguns
jogavam xadrez. Eu me sentei a observar os mais brilhantes jogos, jogados por
um homem a quem H.J.L. mostrou como Lasker.
“Duvido se me lembrarei destes jogos, falei: são extraordinariamente
brilhantes, estão além de mim, ainda aqui e estou seguro que estariam mais
além da minha compreensão na terra.”
“Não se preocupe com isso, respondeu. Você não precisa se recordar
dos jogos, senão o fato de que nós jogamos. “
Depois de um tempo saímos e passamos através da porta grande.
“Vou te mostrar outras diversões que eu desfruto, disse H.J.L.”
Ele me levou por uma rua regular até um quadrilátero construído ao
estilo dos princípios do Renascimento. Atravessando a porta, ví que estávamos
no que somente posso designar com o nome de escritório de um arquiteto.
Sem dúvida, este carecia o ar de bagunça que geralmente prevalece em tais
lugares e, eu notei que os modelos pareciam brincar um papel mais importante
na produção de desenhos que na terra. Não obstante, havia também um certo
número de desenhos que se ver.
“Meu sócio está aprendendo uma nova verdade espiritual, por isso não o
posso apresentar; mas, ele era um francês que viveu nos fins do séc. XVI e
início do XVII. Ele estudou na Itália, de modo que não está quase em dia em
questão das exigências modernas, tais como as instalações de deságua e é ali
onde eu entro. É lógico que ele conhece tudo sobre desenho e a
ornamentação, mas eu o ajudo nos trabalhos mais práticos.”
“Aqui todas as artes têm alcançado um alto grau de excelência que
qualquer outra coisa que você possa ter conhecido na terra.”
J.W.:” Mas, o que há de bom nesses desenhos? Vocês constroem casas
aqui?”
H.J.L.: “Nós podemos e algumas vezes o fazemos; mas, mais
freqüentemente, nos esforçamos para imprimir nossas idéias aos vivos para
que os construam no plano material. Deixa eu te dizer, que toda inspiração vem
desta parte. Os trabalhos dos gênios são na realidade inspirações dos espíritos
que atuam através do homem que é mediúnico. Isso explica parcialmente
porque tantos homens geniais só de temperamento excêntrico e
freqüentemente de uma atitude moral insatisfatória. Sendo médiuns, eles são
passíveis de cair vítimas de influências indesejáveis de espíritos malignos de
fato.”
J.W.: “Você quer dizer então que nenhuma grande invenção se origina
na terra, ou isso se refere somente às inspirações artísticas? “
H.J.L.: “A arte, a literatura, a música, inclusive as invenções mecânicas,
são quase sempre inspiradas daqui. A classe de frente que os homens fazem
na terra são pequenas perfeições e ajustes para adequar `as grandes idéias e
às condições da vida terrenal. Talvez poderia dizer que nenhuma grande idéia
tenha sido inventada na terra; mas não sei de alguma, e estou seguro de que
existem pouquíssimas e distantes umas das outras.”

62
“Isso explica em parte porque o progresso é tão lento nos primeiros
séculos da vida no planeta e logo tem procedimento essa razão.”
“Os homens vêm até nós com alguns conhecimentos e um agudo
interesse em vários assuntos e, nestes arredores de maior avanço, eles
descobrem novas leis e à luz deste novo conhecimento, inspiram àqueles que
seguem seus passos.”
“Ao mesmo tempo, os homens são sem dúvida muito estúpidos. Nós
lhes enviamos uma brilhante idéia e eles não entendem as melhores partes ou
se perdem ao penetrar as mais densas mentes daqueles que estão ainda na
terra. Uma e outra vez nós vemos nossas idéias mais finas reduzidas a uma
imitação miserável deles mesmos. À medida que o homem envelhece
também, com freqüência parece aumentar no materialismo, especialmente
caso tenha se tornado próspero. Isso o conduz à pobreza ou a um trabalho
vulgar, já que as idéias mais finas não podem penetrar mais.”
“Olha esta idéia para uma igreja, esplêndida, não ? Estilo Renascentista,
mas muito mais fino que qualquer outra coisa que achamos ter havido na terra.
Mas, meu sócio não se tem dado conta da importância da calefação e a
iluminação, e eu estou corrigindo isso. E mais, suponho que nenhuma mera
imitação poderá ser construída alguma vez na terra. É uma época tão
materialista que nós simplesmente não podemos realizar nossas idéias e ainda
quando nós conseguimos que um homem produza uma próxima imitação de
alguma verdadeiramente bela inspiração, esse homem raramente ganha uma
oportunidade para executá-la. Esse é o porquê dos períodos mais antigos, por
exemplo na Idade Média, a arte era muito mais bela, eles eram menos
materialistas, e por isso, respondiam mais às nossas inspirações.”
J.W.: “Então, nenhum homem na terra merece o crédito de nenhuma
grande idéia? O crédito é dos “poderosos mortos.”
H.J.L.: “Ao contrário, eles merecem todo o crédito que conseguem,
porque isso significa que eles têm guardado e desenvolvido suas mais
elevadas e espirituais faculdades em qualquer ângulo da arte e da engenharia.
De qualquer maneira isso é significativo. Mesmo um canalha ou um homem
imoral que mais bem parece materialista, deve haver desenvolvido suas
faculdades espirituais de alguma maneira, se está apto para receber e executar
belas inspirações enviadas a partir deste lado.”
J.W.: “Mas vocês, espíritos, merecem o crédito pelas idéias em si
mesmas. Você não acha que é um pouco injusto que vocês não tenham o
crédito por elas? “
H.J.L.: “É o mínimo. A inveja, como os demais pecados mortais, são
deixados nos recônditos do Inferno. Nós trabalhamos como uma diversão,
simplesmente por amor ao nosso trabalho. Nós não buscamos nem fortuna,
nem fama; a alegria de produzir um bom trabalho é o único propósito, isso é, o
desejo de ajudar aqueles que estão ainda na terra.”

63
Capítulo XXIV
A Arte e a Arquitetura no Plano Espiritual

“Agora te mostrarei outros interesses que temos nós aqui. Todas as


artes florescem aqui e a maioria das ciências; mas, logicamente, é um plano
muito mais exultante. Vamos tomar primeiro a pintura.”
Paramos na frente de um esplêndido edifício do estilo Renascentista;
mas, seria impossível para mim descrevê-lo. Era tão diferente a qualquer outra
coisa vista na terra.
H.J.L.: “Isto foi desenhado por meu sócio. Ele sabia que seria impossível
executar tão brilhante idéia na terra e o erguemos aqui. Isso é uma “construção
sem mãos. “É uma idéia e foi construída de sua própria mente. Te explicarei
melhor depois.”
Entramos e ví que correspondia a uma galeria de pintura, só que mais
arrumada que nenhuma outra que temos na terra.
J.W.: “Se tem galerias de pintura, presumo que tem museus também.”
H.J.L.: “Os temos, mas não tantos como os que você imagina. Você
verá, na medida do possível, nós colocamos os objetos de arte antigos em
seus usos originais, em seus lares originais: cadeiras egípcias em um palácio
egípcio e jóias egípcias com seus proprietários ou fabricantes originais, por
exemplo.”
“Novas obras de arte criadas aqui, geralmente permanecem fixas a seu
criador. Mas, alguns espíritos os inventam com o propósito de colocá-las em
exibição e deleitar os outros. É por isso que existem museus. De forma similar
os objetos de arte antigos são colocados em alguns museus quando na terra
foram destruídos, enquanto que o edifício ao qual pertenciam ainda
permanece. Isto só afeta os objetos inteiramente separados do edifício em si:
por exemplo, se uma chaminé ou um painel foram movidos de seus edifícios
originais, ainda que a estrutura do edifício e o painel continuem sobrevivendo à
parte, a forma original do edifício havia sido destruído na terra e havia vindo
para cá.”
“Agora olha os quadros. Estas são idéias muito elevadas para serem
impressas em qualquer artista na terra e por isso, estão aqui. Sem dúvida, a
maioria dos artistas aqui trata de imprimir suas idéias em artistas terrenos. “
Então, comecei a olhar os quadros. Percebi que não somente eram
muito mais charmosos que qualquer outra coisa que tenha visto na terra, mas
também diferiam em muitos aspectos difíceis de explicar. As cores eram mais
brilhantes e mais harmoniosas, ainda mais, delas brotava uma espécie de luz.
Os quadros pareciam estar em todas as partes, as figuras e feições pareciam
sair em relevo, a distância parecia estar realmente ali e as condições
atmosféricas estavam melhor interpretadas. Havia todo tipo de temas:
paisagens, retratos, peças dramáticas, etc., mas os trabalhos melhores e mais
interessantes eram os que tratavam do que chamarei de as mais elevadas
emoções, na falta de outra palavra.
Ali havia uma intitulada: “O Divino Amor”. Este tratava uma maravilhosa
forma de espírito, forte, gentil, justo e misericordioso. Ele parecia estar olhando
a uma multidão de seres humanos. Agora, esses seres humanos eram
divididos em duas divisões principais: aqueles ainda na carne, e aqueles que já
deixaram seus corpos. A diferença estava clara e inequívoca. Além do mais,

64
cada figura diferia em aparência. Duas pessoas não eram iguais, assim como
duas pessoas terrenas não são iguais.
Mas, ainda que estas coisas fossem belas, o verdadeiramente
maravilhoso de toda pintura era a expressão no rosto do grande espírito e uma
atmosfera de “Amor Divino” que é impossível de descrever.
Depois de um tempo de estar observando estas maravilhosas
produções, deixamos a galeria e, passamos através de uma espécie de
parque, entramos em outra.
H.J.L.: “ Esta é uma galeria de escultura. Assim como na arquitetura e
na pintura, a maioria dos artistas trata de levar suas idéias para a terra, mas
alguns preferem produzi-las aqui. “
J.W.: “Estão feitas estas figuras de mármore real, ou de onde obtiveram
as pedras? “
H.J.L.: “ Nós os moldamos e as fazemos de nossos próprios “ recursos
mentais”, o que toma a forma de mármore ou bronze, de acordo com a
concebemos. Devemos dizer que as construímos como um homem o faz com
um modelo de argila, mas a argila é nossa própria “mente”. Não posso te dar
outra palavra melhor. “
“Olha este grupo. O artista pensou que se veria melhor em prata e por
isso o fez com esse metal.”
Nós vagamos por estas galerias cheias das mais sublimes concepções
as quais, como as pinturas, desafiavam a descrição, e finalmente, passamos
para um parque dedicado a exibição de esculturas.
Aqui estavam localizados trabalhos monumentais nos quais com
freqüência intervinha a arquitetura. Por perto mais idéias estavam localizadas:
fontes e arcos esculpidos, entre árvores, gramados e paisagens.
Particularmente notei que a água brincava com um importante papel de
criar charmosos efeitos.

65
Capítulo XXV
A MÚSICA E O DRAMA

“ Agora te levei às escolas de música,” disse H.J.L.


Nisso ví homens compondo e tocando magníficas sinfonias e um quarto
em que entrei, se parecia com um hall de concerto sobre o palco, um homem
cantava.
“Se tem salas de concerto, suponho que devem ter outros lugares de
recreação, “ perguntei.
H.J.L.: “Certamente. Nós temos teatros e coisas de estilo. Tão somente
não se permite aqui nada que convenha ao demônio, como os jogos, que não
tem no Inferno. Nossos jogos aqui incluem tudo do melhor e mais nobre da
terra, junto a produção de trabalhos compostos aqui. Somente os bons
trabalhos veem aqui, e o fraco, mesmo que não seja ativamente maligno, se
afunda nas divisões superiores do Inferno.”
“ Logicamente que nós não ganhamos as mais soberbas produções
espirituais; estas, sendo muito adiantadas para nós, estão restringidas às
divisões que estão acima de nós, nas quais são produzidas a sua maioria.”
J.W.: “Mas, onde estão as obras de Shakespeare? Ou, as desse tipo?
São finas e exultantes em muitos sentidos, mas há também partes vulgares e
até imorais. “
H.J.L.: “Essa dificuldade é superada voltando a escrever partes
ultrajantes. O próprio autor, neste caso Shakespeare, tem voltado a escrever
estas partes. As partes nocivas têm sido substituídas por belas poesias e
sentimentos. Na verdade, a maioria está de acordo em que as novas partes
não só se adaptem perfeitamente às antigas, mas que sem dúvida dêem
significado às partes que antes eram cruas ou difíceis de entender. “
J.W.: “Então Shakespeare escreveu as obras? Não foi Bacon? “
H.J.L: “Logicamente que não – mas Shakespeare os escreveu sob a
inspiração de um bando de espíritos, os quais desde então já haviam
regressado ao Mundo Espiritual. As únicas passagens de natureza indesejável
são aquelas que Shakespeare encheu por sua conta onde havia falhado a
assimilação das elevadas inspirações enviadas a ele.”
“Você deve entender sem dúvida que o impossível aqui é representar ao
Mal uma luz atrativa; mas, quando se desempenha seu papel para mostrar
suas terríveis conseqüências, isso se torna correto, devido e benéfico. Para
isso nós representamos “ Otelo “ constantemente, e só tem sido suprimidas
algumas poucas frases vulgares. A trama, terrível como parece, é boa porque
ensina uma valiosa lição. Nós, sem dúvida, não vamos ao teatro para aprender
simples lições espirituais como essas ( nós as temos aprendido antes de
alcançar este reino) mas, para presenciar uma das mais belas obras dadas ao
mundo. Isso também é bom, no sentido que nos faz recordar as tentações que
acusaram os nossos companheiros na terra e os terrores do Inferno para
aqueles que caíram. Por fim isso nos prepara para ter piedade pelos
infortunados que se consomem no Inferno. Estas últimas considerações, sem
dúvida, são subsidiárias. Antes de tudo são diversões.”
J.W.: “ Como desempenham os papéis das mulheres, já que não vejo
nenhuma aqui? “

66
H.J.L: “ Oh! Há muitas mulheres aqui. Olha.”
Ele me conduziu a uma habitação onde várias mulheres praticavam
canto em coro. Elas cantavam de forma muito bela, mas ele me apressou e
logo estávamos em uma espécie de parque, caminhando ao lado de um rio.
Ele resumiu a conversa.
“Sim, há muitas mulheres aqui, mas os sexos não devem se misturar
muito nesses reinos. Num princípio elas estão separadas quase
completamente. Isto é desejável no possível para eliminar velhas idéias sobre
o sexo, idéias corretas e necessárias na terra, mas que não se necessitam
mais aqui, de outro modo, os velhos sentimentos carnais impediriam o
progresso espiritual. É certo que aqui não há “matrimônio”; mas, por outro lado,
quando os últimos resíduos de razão terrenal são eliminados, os espíritos
masculinos e femininos começam a se integrar novamente, já que cada um é o
complemento do outro espiritualmente, assim como o são fisicamente na terra.
Quanto mais progredimos, mais podemos juntar os dois sexos, daí
compreendemos que tem uma mística união em espírito entre homem e
mulher. Esta é a real união espiritual, da qual o matrimônio na terra, é um
verdadeiro símbolo ou sacramento. Esta consumação ou esta mistura de duas
entidades espirituais, na qual uma se converte em parte da outra e ainda segue
retendo sua própria individualidade, não pode ser compreendida
completamente nem ainda por nós e menos por você. O matrimônio na terra,
em seu mais elevado e melhor sentido, pode te dar uma ligeira idéia do que
realmente queremos dizer.”
“O matrimônio espiritual, se o posso chamar assim, num nível muito
acima de nós, pode ser que seja, no quinto reino, ou ainda mais acima. Ao
menos isto é certo: não tem lugar no nosso plano. Não obstante, a medida que
progredimos, nos misturamos mais e mais, primeiro com membros de nosso
mesmo sexo, e logo com membros de outro sexo. A isso não necessariamente
assegure que nós nos casemos espiritualmente sempre com a mulher com a
qual o fizemos na terra, mas que nos casemos com alguém que é nosso
complemento.”
J.W.: “A vida aqui se parece muito à vida da terra.”
H.J.L.: “Parecida, mas diferente; é semelhante a melhor e mais nobre
vida na terra. Mas aqui não existe enfermidade, nem pecado; nem o mal, nem
a dor entram aqui. Existe ainda algo de lamento e arrependimento pelos
pecados passados, mas o pecado como você entende a palavra na terra, não
pode vir com a gente.”
“O que aqui existe, é a falta de conhecimento, e por conseguinte, aqui
não podemos encontrar uma completa satisfação e descanso, já que devemos
progredir. Mesmo a deliberada oposição, ainda que seja intelectual, não poderá
ser encontrada aqui. Assim também as diversões puramente físicas, não têm
vezes aqui, já que não temos mais corpos físicos.”

67
Capítulo XXVI
Apresentação de W.A.

“Aonde você está me levando agora?”perguntei.


H.J.L.: “A ver meu estúdio privado e te apresentar a A. que deseja enviar
uma mensagem a M. através de você, e depois o oficial que deseja continuar
com sua explicação do que passou no Inferno.”
J.W. : “Mas eu já tenho estado aqui por longo tempo. É claro que deveria
regressar a meu corpo, do contrário Carrie me acordará e não poderei me
mexer.
H.J.L.: “Tudo está perfeitamente bem. Ainda que te pareça que tens
estado aqui por um longo tempo, você deve se dar conta que não existe uma
conexão real entre o tempo na terra e aqui. Penso que não tens estado
ausente do teu corpo por mais de meia hora, segundo o tempo na terra. Verei
que você seja enviado de volta com tempo suficiente.”
Passamos por baixo de uma grande porta do colégio e viramos à direita,
cruzamos um arco e voamos por umas escadarias. Entramos numa habitação
que reconheci em seguida como o lugar onde vi a H.J.L. quando Blanche
também o viu. Era muito similar a uma sala de colégio. Não havia fogo e um
estranho pensamento veio a mim.
“Você tem que limpar os quartos e o pó aqui? Se é assim, existem
serventes que façam esse tipo de serviço?”
H.J.L.: “Não existe sujeira aqui e nem temos porque produzir calor
artificial. Este último seria impossível de produzir. Se o precisássemos, porque
o calor e o frio são logicamente espirituais, não coisas físicas aqui. Em
conseqüência, não existe a necessidade de serventes, já que não há nem
sujeira que limpar, nem comida para preparar, e nem dormimos. Todos esses
penosos trabalhos têm desvanecido com nossos corpos físicos.”
“Agora me deixe te apresentar ao Sr. A.”
Vi o que parecia ser um pequeno menino, mas sobre seus ombros
estava a cabeça de um homem já crescido. Não era grande, como a gente vê
nas caricaturas, mas que tinha bigodes e a expressão de um homem. Seu
rosto era roliço, o nariz bem mais carnudo e o cabelo castanho comum. Seu
rosto tendia ser largo e seu corpo algo vermelho, ainda que, não em grande
medida.
Nunca havia conhecido a A., mas nos cumprimentamos com
cordialidade e ele disse: “Pedi ao Sr. L. que me deixasse te ver na próxima vez
que nos visitasse, já que desejava mandar uma mensagem a M.”
Eu respondi: “Será um prazer fazer o melhor que possa para lhe enviar
qualquer mensagem que você deseje. Mas primeiro, me dia como você está
aqui.”
Ele respondeu: “Bem, estou fazendo progressos; mas é um trabalho
muito lento. Você verá, eu nunca desenvolvi meu lado espiritual. Eu prestei
toda minha atenção a meu bem-estar físico e material, e como já adivinhas
minhas amizades com mulheres não me fizeram um bem real.”
Ele procedeu então a me dar certas mensagens privadas ( esses eu não
os publiquei). Depois de me dar as mensagens, nos deixou.

68
Quando se havia ido, disse a H.J.L.: “Ele parece um menino, exceto por
seu rosto. Suponho que é pelo pouco que fez para desenvolver seu lado
espiritual.”
H.J.L.: “Sim, como já te expliquei, nossos corpos espirituais crescem
como nossos corpos terrenais, e se temos desenvolvido nossos corpos
espirituais na terra devemos fazê-lo depois de chegar aqui. “
Logo depois perguntei com alguma vacilação: “É com meu espiritual que
venho aqui? “
“Sim”
Continuei: “De que tamanho é meu corpo? É muito pequeno?”
H.J.L.: “Não, está bastante desenvolvido. De fato, parece já grande, por
volta do tamanho de um homem de uns vinte e um anos; mas, não maduro,
mais além dessa idade. Assim é como você deve ser, porque o corpo espiritual
geralmente se desenvolve mais lentamente que o físico e logicamente,com
freqüência não se desenvolve em nada.”
“Ah, aqui chega o oficial.”

69
Capítulo XXVII
COMO ESTÁ ORGANIZADO O COLÉGIO E OUTRAS INSTITUIÇÕES
Visão em transe, na noite de 27 de abril de 1914.

Me encontrava no estúdio de H.J.L..


Ele começou : “Te contarei algo mais sobre mim mesmo.”
“Sim, espero que o faça, já passou um longo tempo desde a última vez
que o fizeste, “respondi.
“Bem, era necessário continuar com as narrações dos outros e além do
mais, eu queria coletar outras experiências. Não seria útil te dar quase as
mesmas experiências uma e outra vez.”
“Proponho agora te contar algo sobre este colégio.”
“Existe toda classe de instituições aqui e sociedades de quase todas as
espécies. Alguns se concentram no desenvolvimento de natureza espiritual
nossa, outros a ajudar aqueles menos afortunados. Alguns outros estão
compostos por espíritos aparentados que se dedicam a fazer novos
descobrimentos nos mesmos assuntos que os interessavam na terra, enquanto
que um quarto grupo dedica sua atenção a inspirar aos homens com os novos
feitos que eles têm descoberto ou desenvolvido aqui.”
“Na verdade, eu poderia dedicar toda esta reunião, mencionando
somente os tipos de sociedade que aqui existem : mas no lugar disso, te darei
alguns detalhes dos quatro tipos mencionados e uma completa descrição de
uma sociedade deste colégio que pertence a um destes tipos.”
“Deixemos o nº 1 do momento, já que o colégio e as escolas
secundárias pertencem a ele; falarei dos nºs 2, 3 e 4. “
“O nº 2, inclui várias sociedades dedicadas a recrutar as almas do
Inferno e também outras que se empenham em ajudar os homens na terra, a
guardar o bom caminho.”
“Os espíritos que organizam as Casas de Refúgio no Inferno, são um
bom exemplo disso.”
“O nº 3, inclui muitas sociedades que trabalham em leis científicas e
princípios de arte, arquitetura, medicina, música, etc.”
“Eu pertenço a uma sociedade de arquitetos Renascentistas, que
desenvolveram novas idéias sem se separar muito dos princípios que
sublimam os princípios da arquitetura Renascentista.”
“O nº 4, é uma seqüência do nº 3, como o nº 2, o é do nº 1; mas, muitos
dos espíritos que estão no nº 3, não se importam muito em inspirar aos
mortais com seus descobrimentos. Algumas vezes, isso é porque eles
simplesmente não estão mais interessados na terra, e além do mais isso é
porque eles têm descoberto através de dolorosas experiências que suas idéias
se tornam meras imitações das originais quando se imprimem nas mentes dos
homens, ou pior ainda, eles são tomados e dedicados ao mal, ao invés de
servir para propósitos úteis. Por isso, as boas idéias da Arte estão em extremo,
sujeitas a sofrer este destino, enquanto que as idéias científicas ou de
engenharia, sendo de alguma forma mais mundanas, se assimilam
devidamente com freqüência, mas ao mesmo tempo, voltadas ao uso do mal,
natureza perversa do homem.”

70
“Por isso é que um grande número de espíritos se recusa em absoluto a
passar seus descobrimentos aos homens. O resultado é que muitas
sociedades que pertencem ao grupo de no. 3, impõem a regra de que
enquanto seja membro da sociedade, ninguém comunicará nenhum
descobrimento, seja a um mortal, ou a algum espírito que seja membro das
sociedades do grupo no.4.”
“Não todas as sociedades, sem dúvida impõem essa regra, deixando-a à
eleição do membro, quando se tratar de um que pertença ao grupo no. 4.
Todos sem dúvida, se abstém, como sociedade, de inspirar aos homens. Este
trabalho se deixa nas mãos do grupo no. 4.”
“Devo acrescentar também que no grupo 4 são particularmente
numerosas as sociedades médicas.”
J.W.: “Você deve pertencer a uma sociedade se desejas inspirar? Não
podem fazer os indivíduos este trabalho por eles mesmos?”
H.J.L.: “Poderia fazer, mas não tão bem. Na prática vemos que é melhor
ter uma sociedade, ainda que pequena. “
“Agora, sobre este colégio, sobre o controle de um “mestre”, que tem
seus secundários no comando, para os assistir, existe um comitê com um
diretor.”
J.W.: “Como a lógica dos Masones – um master e um diretório de
seniores e juniores.”
HJL: “Eu não sei muito dos Masones,; mas essa é a idéia. Os membros
deste colégio estão constituídos de três divisões, e somos promovidos do 1 o. a
2o., e do 2o. ao 3o., segundo nossa aprendizagem das verdades espirituais.”
“Da 3a. divisão, ou a mais alta, os comitês são eleitos. Os diversos
oficiais são escolhidos pela cabeça do colégio deste comitê.”
JW.: “É realmente parecido `a lógica dos Masones, com seus três graus
e mais.”
HJL: “Muito semelhante. Provavelmente a idéia foi inspirada deste lado.
Sem dúvida, é um conceito muito natural e algo similar aos colégios da terra
com seus homens no primeiro, segundo e terceiro ano e os companheiros.”
JW: “Existe algo que corresponda a um exame?”
HJL: “Não realmente. O que ocorre é que nossos professores, quando
consideram que temos aprendido tudo o que deve ser aprendido nesse grau,
se o pode chamar assim, nos enviam ao seguinte grupo de professores.”
“Entrando neste novo “grau”, nós somos recebidos com uma certa
cerimônia. Estas divisões você deve entender, não têm nada a ver com as
divisões deste plano. Nós estamos ainda na divisão da semi-crença, ainda que
estejamos no 3o. grau no nosso colégio. Por isso preferi aproveitar a palavra
“grau”para evitar confusão.”
JW: “Em que grau você está?”
HJL: “Ainda no mais baixo, mas espero que logo seja promovido no
seguinte. Agora é tempo que você regresse.”
JW:”Por que? Tenho estado aqui por um tempo curto.”
HJL:”Mesmo assim, tens estado o suficiente.”
Parecia ter sido envolvido por um redemoinho e lançado ao espaço.
Tudo se tornou negro. Eu parecia dar grandes círculos que diminuíam. E perdi
logo a consciência. “J.W.

71
Capítulo XXVIII
UM HOSPITAL NO PLANO ESPIRITUAL
Visão em transe - 4 de maio de 1914

Eu me encontrava no quarto de HJL.


Ele começou: “Fui a pouco ver um de nossos hospitais mentais.”
JW:” Hospitais! Pensei que você havia dito que não existiam dores aqui.
Você disse que elas ficam nos umbrais do Inferno.
“HJL:” Nem há dor ali. Sem dúvida, alguns espíritos cujas mentes têm
estado por muito tempo nubladas e precisam de tratamento vão ali.”
“Os casos mentais podem ser divididos na terra, de modo geral, da
seguinte forma:
I – Idiotas
II – Lunáticos ( loucos)
“Este último pode ser dividido em pelo menos 3 divisões:
“1. loucura causada por defeitos físicos,
a) com pouca idade
b) ao final da vida.
“2. loucura causada por uma vida perversa ou ao menos atitudes
malignas.
“3. loucura causada por manias religiosas, e distúrbios mentais desse
tipo e falta de equilíbrio, p.e. excessiva aflição.”
“Com respeito aos idiotas ( no. 1). A causa é uma espécie de defeito
físico, e seu resultado e’que em maior ou menor medida, o indivíduo vem aqui
ignorante, e com necessidade de aprender. Quanto menos conhecimento eles
possuem, mais baixo eles começam. Se eles não têm conhecimento de Deus,
nem de uma vida futura, eles irão para a divisão mais alta do Inferno. Você se
lembrará, sem dúvida que não existe um sofrimento real ali. Eles aprenderão
em escolas especiais, não com os bebês ou os espíritos perversos que estão
se desenvolvendo.”
“Alguns idiotas, sem dúvida têm estado em condições de adquirir algum
conhecimento de Deus e de uma futura vida e podem vir com a gente. Sendo
assim, eles podem ter uma suficiente inteligência para se responsabilizar em
voltar para a fé; mas estes são escassos.”
“Todo esse grupo, sem dúvida, motiva suas dificuldades mentais a
algum defeito físico, não espiritual, e por ele uma vez liberado do físico,
necessita de ensinamentos e não de nenhum tratamento médico.”
1. “O grupo II, os lunáticos, incluindo os: a ) e b) . No caso do primeiro,
tudo depende do desenvolvimento espiritual que tinham alcançado antes que o
defeito físico que os tornou insanos, aparecesse. No caso dos afetados por
pouco tempo de vida, é provável que tenham que ir às escolas “elementares”
na sétima divisão do Inferno, ainda que logicamente, eles conheçam o
suficiente para entrar em nosso reino e ir às escolas secundárias. Em todo
caso, eles não tiveram muito tempo para cometer muitos pecados pelos quais
tenham que purgar.”

72
“Aqueles que foram afetados depois, tiveram tempo de adquirir
conhecimento e sendo assim tiveram também tempo de fazer algum mal, e por
isso tenham que sofrer. Seu desenvolvimento espiritual, em resumo, será o que
eles tenham alcançado quando foram afetados pela doença.”
“Logicamente que muitos dos chamados lunáticos não estão isentos da
responsabilidade de seus atos, ainda quando sua loucura se deva só a um
defeito físico. Quando só uma parte do cérebro é afetada e nesses casos
podem aparecer como normais exceto em um ou dois pontos. Estas sombras
de enfermidade se determinam automaticamente. Os espíritos não têm a
necessidade do remorso pelas ofensas que não tiveram a intenção de cometer
e pelas que não podem ser responsáveis. Logicamente que irá lamentar
qualquer coisa que tenha sido causada pela falta de controle de seu corpo,
como um chofer se lamentaria se seu motor fica fora de controle e fere alguém;
mas não haverá o sentido de culpa moral que o alcançará se o acidente for
devido a sua velocidade.”
“Claro que não há possibilidade de pretextos aqui.”
“Este tipo de loucos começam sua educação no ponto em que
aconteceu o acidente que o privou da razão. Ele sofrerá por seus delitos nesse
ponto e depois, tanto quanto tenha sido responsável.”
“Geralmente, o tratamento mental não será necessário nestes casos,
somente a educação.”
“Antes de passar ao próximo grupo, me deixe te recordar que muitos
chamados maníacos, são realmente seres desgraçados que são obcecados
por outros espíritos. O infortunado homem, logicamente, não é responsável
direto dos crimes cometidos por estes espíritos através do organismo físico do
maníaco. Sem dúvida, ele poderá sofrer por eles indiretamente, aqui, na
medida que sua má vida tenha sido a que permitiu que um espírito maligno
tomasse o controle. “
“Quando a responsabilidade vai muito além, como a de invocar espíritos
malignos para os ajudar em seus nefastos propósitos, como os fizeram os
antigos magos, a culpa moral é tremenda. Isso é na verdade um dos piores
crimes possíveis, para o qual o desajuste mental é o princípio de sua
retribuição. Este tipo de obsessão nos leva naturalmente a considerar os casos
2 e 3.”
2. Loucura causada por uma vida perversa ou menos passional. Este
grupo geralmente vai ao Inferno, mas logicamente, não todos. Os últimos
precisam principalmente tratamento em nossos hospitais assim como
educação ordinária. A vaidade espiritual e ainda os conceitos vulgares são
fortes fatores para tornar as pessoas insanas, tanto como os mais óbvios vícios
tais como a bebida e luxúria.”
“Estes sofrimentos não devem ser confundidos com os casos da
obsessão mencionados a pouco. “
3. “São geralmente casos muito difíceis de tratar. Logicamente que as
formas mais simples se corrigem por si mesmas. Por isso, ao passar, perde
logo seu remorso aqui e qualquer defeito físico causado por ele fica atrás, junto
com o corpo. Nesses casos são necessários pequenos tratamentos. Por outro
lado, a mania religiosa é freqüentemente muito difícil de tratar e eliminar. Não é
o mais fácil, porque as pessoas que tenham sido fortes crentes, ordinariamente
foram a esse reino. Eles, não obstante, têm que vir ao hospital do nosso reino e
permanecer até que sejam curados. Seria inútil para eles ir ao reino da crença

73
sem atos, porque seriam absolutamente incapazes de verem algum bem em
qualquer outra religião até que a mania religiosa e seus demônios serventes,
tenham sido erradicados. Então logicamente, eles irão ao reino natural da sua
existência.”
“ Não gastarei mais o teu tempo em discutir estes assuntos, e começarei
a te descrever um destes hospitais.”
“Fui levado até lá por um homem que durante sua vida havia sido um
grande especialista mental.”
O edifício estava situado no meio da mais bela paisagem que parecia
respirar uma atmosfera de paz e calma.
Eu mencionei esta impressão a meu amigo, o doutor, que respondeu:
“ É assim, redondezas tranqüilas e agradáveis são as primeiras
essências para o tratamento de qualquer desordem mental.”
“Os jardins que rodeiam o hospital continham amplas extensões de
gramados intercalados com belos bosques e as suaves notas de uma cascata
levemente audível. Através das árvores, eu podia ver a água tingida de a luz do
entardecer perene aqui. No meio desse bosque vi muitos pacientes
caminhando pelo gramado ou navegando nos botes.”
Atravessando uma simpática avenida, vimos o hospital à distância. Era
um esplêndido edifício no estilo Renascentista, com balcões na frente, e
rodeado por todos os lados de gramados atapetados e cheio de flores.
Numerosas fontes em funcionamento e estátuas de vários tipos
decoravam o gramado. Uma mulher sentada em um banquinho tocava uma
harpa, enquanto que deitados em camas se encontravam muitos pacientes de
ambos os sexos.
Entramos no edifício propriamente dito, e achei que em alguns aspectos
a instituição estava arrumada em linhas similares às das Casas de Refúgio no
Inferno. Ainda havia uma escola secundária anexa e a maioria dos pacientes
freqüentava a escola como parte do seu curso de tratamento. Além do mais,
havia uma sala de concerto, um teatro, capelas para diferentes cultos religioso,
uma galeria de arte, etc.
Meu amigo médico, explicou: “Um dos nossos objetivos principais é
desviar a mente dos pacientes da excessiva concentração em si mesmos.
Muitos deles foram muito egoístas e egocêntricos. As manias religiosas ou o
excessivo pesar é também a causa de muitos dos casos que se encontram
aqui. As diversões sãs e calmantes que dissipam os restos mórbidos em seus
caracteres têm por isso o maior valor.”
“E, quanto ao tratamento direto, nós empregamos principalmente a
sugestão, o hipnotismo e o magnetismo. Olha!”
“Entramos no que na terra seria chamado de sala de operação. Aqui
dois doutores se achavam ocupados, magnetizando um paciente. Ela estava
deitada numa cama, vestida com uma roupa cinza clara, recolhida num cinto,
similar aos trajes que todos usavam aqui. Um doutor estava parado atrás dela,
com uma mão descansando sobre a fronte, enquanto que o outro estava
parado a seus pés, mas sem a tocar. Ambos os homens pareciam concentrar
suas voluntariedades nela, a olhando penetrantemente no rosto. Eles não
fizeram nenhum movimento nem sinal de perceber nossa presença.”
Eu podia perceber que de cada um parecia fluir uma espécie de luz
tênue, e que essa luz se enfocava, por assim dize-lo, sobre a cabeça dela.

74
“Nós passamos para outra habitação, e uma pessoa tocava violino par
acalmar um homem que se mexia com uma angústia mental sobre a cama.”
Disse ao doutor: “Observo que aqui os sexos se misturam muito mais
que no lugar onde eu habito.”
“ Não é assim realmente. Aqui existe muito pouca companhia entre
homens e mulheres. Ambos, sem dúvida, são necessários para ajudar no
trabalho; especialmente obtemos melhores resultados do magnetismo quando
o operador é do sexo contrário ao do paciente.”
Entramos numa terceira habitação e encontramos um hipnotizador
trabalhando. Ele estava fazendo passes sobre alguém.
“Tão logo, quando nos viu, se inclinou e nos explicou que este paciente
não podia eliminar de sua mente as recordações de um terrível acidente do
qual de certo modo ele era responsável. A recordação disso, havia devolvido
seu cérebro a terra e os efeitos da doença não estavam completamente
removidos da sua mente.”
“Estou hipnotizando-o por um tempo para o obrigar a esquecer esta
terrível experiência e passo a passo restaurar a paz na sua mente
problemática. “
Deixando-o passamos para uma habitação comparativamente pequena
na qual um paciente se encontrava deitado numa cama. Meu amigo médico
disse: ‘Esse é um caso estranho que mostra o quanto é o poder da mente e
ainda a recordação do corpo depois da morte.”
“A aflição mental desta mulher na sua mente tomou a forma da crença
de que ela era uma inválida que não podia caminhar. Não tinha nada ruim
organicamente, mas `a medida que sua alucinação crescia sobre ela, se tornou
mutilada e deforme como o é até agora. Se tivesse sido uma doença física, a
teria deixado depois da morte, mas é puramente uma doença mental, devido a
uma natureza mórbida que em vida parecia tomar uma pervertida alegria ao
observar os inválidos e deformados. Ela não fazia isso por dó ou desejo de
ajudar aos que sofrem, mas por uma mórbida curiosidade. E quanto ao resto,
sem dúvida, ela não era uma total descrente, nem de natureza maligna.
Poucos casos como este vêem até nós; creio que estes são mais comuns no
Inferno.”
“Eu (HJL), perguntei: Qual é seu tratamento?”
“Ele: Principalmente por magnetismo e sugestão mental. Nós estamos
tratando de lhe provar que seu corpo espiritual não precisa reproduzir os
defeitos do seu corpo físico. Muitos espíritos, a maioria, compreendem logo
esse fato; mas sua mente se tem nublado tanto que ainda não o pode
entender. Sem dúvida, mesmo o mais obstinado dos casos cede logo ao
tratamento aqui. O que parece tomar um longo tempo é a educação que é
necessária depois!”
“Passamos a outros quartos, por longos corredores e entramos numa
sala de conferências onde os doutores estavam dando palestras sobre
assuntos médicos.”
“Eu (HJL) perguntei a meu amigo se não havia uma sala de operações
como as terrenais.”
“Não, querido, respondeu. Nós temos deixado muito atrás esses
incômodos métodos aqui. Logicamente algumas operações são necessárias na
terra, devido a natureza material de um corpo físico, ainda que existam muitas
mais operações do que são realmente necessárias. Aqui, sem dúvida, o corpo

75
espiritual, produz e necessita de métodos muito mais sutis. O único lugar onde
você encontrará algo parecido a uma sala de operação é no Inferno.”
“Eu me estremeci de horror pela idéia que sublinhavam essas simples
palavras.”
“Me demoraria muito para te dar mais detalhes deste maravilhoso
hospital, mas quem sabe deveria dizer que fiquei surpreendido ao ver o grande
papel que brincavam os serviços religiosos no tratamento.”
‘Nós não assistimos em grande parte aos serviços religiosos neste reino
– esse é nosso dever principal no próximo reino – mas os serviços formavam
uma marcada facção do tratamento, e nisso se aproxima a Casa de Refúgio no
Inferno e no curso ordinário da vida no reino da crença sem atos.”
“Notei que muitos dos serviços tinham um ritual bastante elaborado e
evidentemente eram designados expressamente com o objetivo de ajudar a
cura mental dos pacientes que atendiam. Um sombrio protótipo na terra era
esse curioso e antigo serviço de tocar e curar no livro de Oração nos tempos
da rainha Ana.”
“Nos separamos nos campos do lado de fora, e depois de agradecer a
meu amigo médico, voltei aqui.”

76
Capítulo XXIX
ELES NUNCA SE CONVENCERAM, NEM MESMO QUE A
GENTE VOLTE DA MORTE

JW: “Podemos publicar os nomes e detalhes da identificação dada por


P. e Barber?”
HJL: “ Com respeito a P. e Barber, creio que não haverá nenhum mal em
dar os detalhes sobre o último; isto seria uma peça contundente da evidência.
Com respeito a P., a coisa é diferente. Ele sente que isso seria mais
impedimento para manter suficiente comunicação com a terra e te enviar suas
experiências, e não quer fazer nada que o pudesse devolver às condições da
terra. “
“Se os detalhes que ele tem dado, fossem publicados, sendo um homem
conhecido, você teria um grande número de homens duvidosos ou em todo
caso inquisitivos que te estariam mandando constantemente questionários
esperando ser respondidos. Se P. começasse a responder esses
questionários, seria assaltado de uma vez por outros mais. Estaria
constantemente preocupado pro ele e, em conseqüência, seria arrastado às
condições terrenas. Ele deseja ser liberado dos obstáculos da terra, e do
contrário, acharia que está sendo atado novamente a eles. Se ele se recusa a
responder mais perguntas, as pessoas diriam que é uma fraude.”
“Se recusariam a ver que uma coisa é enviar mensagens através da vida
daqui, e outra coisa é colocarmos a nós mesmos em contacto com nossa vida
anterior na terra.”
“Você somente crê em nós e não nos incomoda com perguntas
desnecessárias. Você tem tido não somente datas e outros detalhes das vidas
de homens quase desconhecidos para você, mas também recebestes de W.A .
detalhes da sua vida privada, desconhecidas para você e em grande medida
ininteligíveis quando foram dadas. Sem dúvidas, estes detalhes têm sido
perfeitamente claros para M. e a tem convencido da sua identidade, como ela
mesma te disse. Sendo assim, não é por nenhum desejo de não te dar uma
evidência quando as demandas são razoáveis que vacilo em pedir a P. a
permissão para publicar os detalhes sobre ele. Fala do assunto como Sr. K. e
me consulta outra vez. E quanto a Barber, não se apresentam as mesmas
objeções. Ele não está se comunicando através de você, nem lhe propusemos
o deixar. E nem ele está interessado em faze-lo, ficando ao contrário,
comprometido.”
“Se alguém quiser lhe perguntar, ele deixaria de dar qualquer resposta;
mas isto apenas poderia ser interpretado para refutar a realidade do nosso
grupo de espíritos.”
“Está claro o assunto agora?”
JW:” Sim, mas o sinto. Se P. cedera, isto decidiria de uma vez por todas
a questão que ainda hostiliza a gente, ou seja, que a entidade sobreviva depois
da morte ou não. Quero dizer , cederia a ser “reperguntado”como você diz.”
HJL:”Não pode ser assim. Muitas evidências têm sido enviadas para
provar tudo isso a qualquer homem razoável. Inclusive o que temos dado,

77
deveria ser suficiente, e tem havido muitos mais exemplos notáveis onde os
espíritos têm mostrado deliberadamente seu próprio progresso para provar ao
mais obstinado incrédulo que existe uma vida pessoal depois da morte.”
“Mas é egoísta e irracional esperar que continuadamente façamos este
tipo de coisas, quer dizer, retardar nosso próprio progresso.”
“Não, Jack, muitas pessoas acreditam, mas é também verdade que
muitos homens não serão convencidos nem mesmo que a gente se levante da
morte.”
Momentos depois, me afundei no esquecimento.
J.W.

78
Capítulo XXX
A AVENTURA DO AUTOR NUM PARQUE NO PLANO ESPIRITUAL
Visão em transe, etc. 18 de maio de 1914.

Me vi novamente dormindo, deitado sobre a cama; mas desta vez não


me senti nervoso. O quarto parecia se tornar mais e mais distante e então
começou a crescer uma nebulosidade. Eu parecia envolto numa neblina e
gradualmente esta névoa tomou forma, se tornou sólida e de repente ali estava
a paisagem com a qual já me sentia familiarizado.
Diante de mim se estendia um belo traço de um país banhado numa
suave luz de entardecer. Eu flutuei até uma colina de ervas e vi abaixo de mim
no vale, o povoado em que agora vivia HJL. Logo podia tocar os telhados do
colégio e voltei meus passos nessa direção.
A trilha que tomei me conduziu a um belo bosque em meio de ramos
cujas árvores os pássaros cantavam alegremente. Enquanto me aproximava do
povoado, vi o parque com as estátuas e a galeria de escultura que já havia
visto antes. Eu comecei a caminhar através do parque e notei o doce perfume
que exalava das flores.
Um grande número de espíritos me passavam constantemente e muitos
olhavam-me intencionalmente, como se sentissem que eu era de alguma
maneira diferente. Por fim, dois homens jovens pararam e disseram: “Quem é
você, e estás morto? Você não se vê como um de nós e se não estás morto,
como é que você está aqui?”
Eu respondi: “Não, não estou morto, mas de alguma maneira eu tenho
desenvolvido de tal forma recentemente desde que meu sogro morreu, que
agora posso vir e visitá-lo e ainda levar alguma recordação do que vejo.”
“Bem, isso é muito gracioso. Já tivera desejado poder fazer isso, disse
um deles, quando estava vivo.”
“Você poder visitar qualquer outro plano de existência, a partir deste?”
perguntou o outro.
“Não, eu respondi, mas tenho conhecido a outros selecionados pelo meu
sogro e estes me deram conta de suas experiências no Inferno e no plano
Superior a este, e também no Plano Astral.”
“Você tem sorte, disse o mais alto dos dois ( o que falou primeiro). Nós
não sabemos praticamente nada do Inferno e do Plano Superior, ainda que
logicamente, conhecemos algo do Plano Astral. Você deveria nos contar algo
sobre eles. Vem, vamos sentar nesta fonte.”
Eu me sentei com eles e havia começado a relatar algumas aventuras
do oficial quando via a HJL correndo até mim. Estava evidentemente brabo e
disse: “Realmente, Jack, você deveria fazer algo melhor que ficar sentado
conversando quando o oficial e eu estamos esperando para nossos assuntos.”
Os dois estranhos de uma vez se desculparam e explicaram que era sua
falha.
HJL. Respondeu:”Está bem, e sei que você não quis fazer nenhum
dano, mas se vocês querem esse tipo de informação, venham a mim e a terão.

79
O trabalho do meu sobrinho é o de dar àqueles que estão vivos na terra, não
para dar sermão aos que havendo morrido estão aqui.”
Então, partimos e fui com HJL. através das ruas, e que estavam
bastante cheias de gente, até o colégio.
No seu quarto, encontrei o oficial esperando e logo depois de
apertarmos as mãos disse: “Se você não é cuidadoso, você se afeiçoará tanto
a este campo que não vai desejar voltar ao teu.”
Então começou a história de sua vida nesta parte.

80
Capítulo XXXI
O DESTINO DAS CRIANÇAS
Visão em transe e conversação – 25 de maio de 1914.

Como na minha última visão, vi toda a paisagem no caminho a HJL.,


mas desta vez não falei com ninguém até que chegasse no quarto dele.
Logo que o vi perguntei:”Qual é a idade limite para que as crianças
possam ficar no Inferno? Notei que pelo relato do oficial não existem crianças
no Inferno.”
HJL. respondeu:”Você não pode, logicamente, fixar nenhuma idade
limite exata. As coisas funcionam muito mais razoavelmente que essa. Por isso
se um infantil morre e não conhece nada de Deus, vai para as escolas infantis
no Inferno, como você já sabe. Se este tem adquirido uma vaga idéia de Deus
e de uma vida futura, virá para nossas escolas secundárias no reino da
semicrença.”
“Se tem adquirido suficiente conhecimento pode ir ao colégio e,
finalmente, meninos e meninas que têm uma real crença viva, podem ir
diretamente ao reino superior, a este, ou ocasionalmente ao plano mais
elevado de todos. Nestes casos eles terão que completar sua educação pelo
lado intelectual, ainda que seu lado espiritual possa estar bem desenvolvido.
Isso é, logicamente, a troca do que geralmente passa aqui. Visualmente,
nossos intelectos têm sido desenvolvidos grandiosamente à dependência de
nossas funções espirituais.”
“Agora, consideremos o outro lado.”
“Quando uma criança alcança um certo estágio no seu desenvolvimento,
aproximadamente desde os cinco aos sete anos, ordinariamente começariam a
ter alguma idéia geral e a respeito do correto e do errado. Agora, se a criança
tem sido mal tratada, ou se herda uma natureza perversa e demoníaca de seus
ancestrais, ou se é obcecado, pode desenvolver características muito
desagradáveis. Poderá cometer sérias ofensas e em geral, pode começar a
desenvolver perversamente.”
“Sob estas circunstâncias, é afastado seguindo o desejo do seu
orientador e é transferido ao plano astral. Ali, esclarecido em torno de que
poderiam arrasta-lo para baixo, poderá ter uma oportunidade de se
desenvolver e aprender o suficiente para ser capaz de sair do plano astral e vir
ao menos ao reino da semi-crença.”
“Este período da vida da criança se estende aproximadamente dos cinco
aos doze, mas logicamente, pode variar ao final.”
“O terceiro estágio é quando eles deixam de ser crianças e se convertem
em adultos, especialmente em matéria de sexo. É uma idade crítica e muitas
crianças, desafortunadamente, escolhem o caminho até abaixo do lugar de até
acima.”
“Sem dúvida, a tendência é ainda deixar a última descrição, e devo te
recordar que até certo ponto, esse é sempre o caso. Sem dúvida, quando um
adulto está endurecido pelo pecado, o plano astral simplesmente continua na

81
sua nova vida, mas um jovem que tem começado no caminho inferior, sendo
menos pecador, é mais provável que tenha sido freado pelo choque da morte.
Além do mais, é pouco provável que tivesse tido tempo de afugentar seu Anjo
da Guarda como o teria feito um pecador. Por isso, por mais vicioso que tenha
sido um jovem, provavelmente verá a tolice de seus atos tão logo alcance o
plano astral, e seus hábitos viciosos, não estando firmemente enraizados,
serão mais fáceis de erradicar.”
“Por outro lado, se recusa esta segunda oportunidade e cai no tipo de
pecados representados pela obsessão, cedo ou tarde será elevado do seu
corpo astral para o Inferno. Mas, quando esse dia chega, ele ou ela não será
mais uma criança, provavelmente não em anos e certamente nem no
desenvolvimento espiritual.”
“ Você está vendo por que não existem crianças no Inferno?”
JW.: “ Mas existem crianças viciosas de cinco ou seis.”
HJL:”Não muitos. Pode ser que sejam revoltados incessantes e
egoístas, mas existem poucos que são realmente viciosos. Além do mais, eles
mesmos se darão conta do miserável de suas faltas quando as visualizam
como todos nós.”
“Se não são suficientemente espirituais para vir diretamente a nós, eles
permanecerão no plano astral e aprenderão a sabedoria. E, se não
aprenderem a sabedoria, aprenderão o contrário, mas ainda para isso precisam
trabalhar o tempo inteiro, e somente quando tenham se tornado muito
miseráveis para o plano astral, cairão no Inferno. Eles terão deixado de ser
crianças quando isso ocorrer.”
“ Mas, é muito raro que uma jovem criatura cresça para o mal no plano
astral. Quase todos eles se aperfeiçoam e mais ainda, a grande massa de
crianças são muito espirituais. Quase todos vão para a divisão das escolas
elementares mais altas do Inferno, ou vêem para nós.”
“Mas aqui vem o oficial.”

82
Capítulo XXXII
DOS ANIMAIS E COMO ELES CONVERSAM COM OS HOMENS
Visão em transe e conversação – 1o. de junho de 1914.

Me encontrei flutuando sobre meu corpo, então comecei a girar no


espaço. Me deu a impressão que passava através do teto até o espaço aberto,
mais ainda, podia ver minha habitação.
Então, o quarto se tornou nublado e desapareceu. Pareceu girar entre
nuvens e neblinas e parecia uma longa jornada, mas ao final, a neblina
começou a tomar forma. A princípio estes eram fantásticos na forma, alguns
castelos e rios, outros como dragões e monstros, depois grandes cidades,
miniaturas e cúpulas. Ao final, eles se desvaneceram e ao mesmo tempo que a
névoa se envolvia, vi uma vasta paisagem se estendendo abaixo de mim. Vi
primeiro, elevadas montanhas e desertos áridos e mais além destes, uma
grande parede de escuridão e gradualmente a paisagem se tornou mais
acessível. As rochosas montanhas se vestiram de bosques, os desertos se
cobriram de gramados. Pouco a pouco se foi convertendo no belo campo que
conheço agora tão bem, banhado nessa curiosa luz de entardecer.
Concentrando minha mente no Antigo Colégio da Rainha, me pareceu
aumentar a velocidade do meu vôo. Num momento estive na habitação de HJL.
“Escuta tio, falei.” “Que fazem os animais que passam toda sua vida na
terra buscando alimentos quando passam a este plano? Eles não teriam
nenhuma ocupação?”
Ele respondeu: “Enquanto estão no plano astral, a maioria dos animais
ainda procura comida. Se arrastam buscando-a e só gradualmente eles
aprendem que qualquer alimento que parecem encontrar, não é senão uma
ilusão e que, de fato, eles não os precisam. Uma vez alcançado esse estágio, o
animal passa geralmente a este plano. Muitos dos animais, tais como a maioria
dos carnívoros, parecem incapazes de aprender esta lição e permanecem no
plano astral caçando alguma veia astral que nunca podem comer.”
JW:”Existem homens que passam caçando animais que nunca podem
alcançar?”
HJL:”Sim, existem ainda caçadores de zebras, cavalos e tudo; mas,
cedo ou tarde eles se cansam dessa vazia farsa, já que nunca conseguem
alcançar algo. Geralmente, sem dúvida, os papéis se invertem e o que era
caçador na terra, se converte em caça aqui.”
“O homem volta ao mundo primeiro sem a ajuda das armas e se
submete outra vez à vida de temor que seus ancestrais sofreram. Ele não se
libera desse temor até que tenha aprendido o grande segredo, o poder da
voluntariedade humana. Mas, você deve lembrar que esse tipo de homens que
surge dos animais astrais é aquele que os tem caçado na terra. Não todos os
homens têm exatamente as mesmas experiências no plano astral, como o que
têm neste plano.”
“Quando os animais alcançam este plano, foi porque eles têm outros
interesses além de comer. Algumas vezes, eles retrocedem e ficam rodeando

83
fracamente Sei que, às vezes, Molly estranha ainda o osso, assim como eu
estranho minha pipa.”
JW:”Por que Molly está ali? E enquanto falava Molly saiu debaixo do
sofá e subiu sacudindo o rabo amigavelmente.”
HJL: continuou:”Os animais aqui se tornam muito mais próximos de nós
do que na terra. Certamente eles nos entendem e isto se compensa pela perda
de mais diversões materiais.”
“Vê, assim como nós podemos perceber os pensamentos de cada um,
assim também podemos ainda que em menor quantidade, perceber os
pensamentos dos animais. Também eles o visualizam, mas, a diferença acaba
aqui: os animais que não têm aprendido a pensar claramente como nós o
fazemos, podem visualizar somente uma espécie de idéia comum. Mas, ele
tendem a progredir.”
É lógico que suas idéias melhores são muito simples. Sem dúvida, isto
cria um laço de simpatia que está ausente na terra. Agora, olha o pensamento
de Molly.”
JW:” Olhei intencionalmente mas não pude perceber nada no começo.”
“Não posso ver nada; talvez ela não pense em nada em particular.”
HJL:”Ao contrário, ela está pensando muito profundamente em um
cachorro. Por isso pensei que você poderia ver, ainda que logicamente você
não tenha nenhuma prática em desenvolver essa faculdade. Mas faça
novamente. Esvazia tua mente de todos os pensamentos pessoais e concentra
apenas em Molly. Fixa teus olhos na ponta do seu nariz.”
Eu ri ao escutar esta última observação, mas segui todas as suas
instruções. Depois de um momento todo o quarto pareceu desaparecer,
incluindo a cadela, e no seu lugar, havia uma espécie de luz que crescia de
forma similar às figuras clarividentes que vemos no cristal. E, então vi a Carrie
sentada num barco em Weybridge, e Molly sentada na proa. O barco se moveu
até o rio e Carrie, que tinha vestido um suéter branco, começou a remar. Não
havia ninguém mais no bote.
Logo a visão mudou e vi a Molly e a Carrie sentadas num jardim em
Weybridge. Haviam trazido chá e Molly se inclinava para pegar um pedaço de
pastel.
Logo escutei a voz de HJL.: “atravessando a visão :”Bem, Jack, você
pôde ver seus pensamentos esta vez, verdade?”
JW:” Sim, mas como você soube que eu pude faze-lo?”
HJL:” É que puder ver ambos, teus pensamentos e os dela. Nós nos
tornamos experts em ler os pensamentos das pessoas daqui, mas claro, você é
novo nisto.”
“Bom, creio que isso responde tua pergunta muito bem. Você pode
entender facilmente que quanto mais próximo esteja ligado um animal ao
homem, se desenvolverá mais. Quanto mais desenvolvido esteja, mais
complicadas serão suas idéias que possam recordar ou entender e assim, a
comunicação entre homens e animais se torna mais fácil. Por exemplo, esse
pensamento de Molly era bastante complicado. Muitos animais memorizaram
nada mais que um rosto do seu dono.”
“Se nós queremos comunicar uma idéia a um animal; temos que pensar
em alguma coisa muito simples.”
“Agora olha. Vou pensar em Blanche.”

84
De repente Molly saltou e sacudiu o rabo, e percebi que ela olhava para
o tio. Entre os dois apareceu uma visão de Blanche quando tinha dois anos,
mas, enquanto HJL. a viu no jardim, Molly a viu, mas sem nenhum lugar em
particular. Soube porque a Blanche se via muito claramente, enquanto que o
jardim era muito mais tênue, e soube por instinto, que isso era porque Molly
havia compreendido a idéia de Blanche, mas não a idéia mais complicada do
jardim.
Logo se desvaneceu e HJL. disse:”Sim, ela compreendeu bem a
primeira idéia, mas não entendeu o que quis dizer no jardim. Entendo que se
você pensasse nela em G., Molly entenderia tudo. A lembrança de G. na
conexão com Blanche seria mais claro para ela.”
Tentei e de repente, Molly se tornou muito excitada, saltou sobre suas
patas traseiras e começou a caminhar até mim. Ao mesmo tempo, vi a Blanche
na quadra de tênis em G., e esse fundo estava quase tão claro como Blanche.
Em resumo, Molly havia percebido praticamente toda a idéia que eu
desejava lhe transmitir. Logo ela desapareceu novamente e Molly se retirou
para baixo do sofá.
HJL:” Não poderia te dizer o quanto mais alto pode viajar com a gente o
mais inteligente dos animais; mas, você já vê que existem possibilidades de
desenvolvimento para eles aqui, carentes na terra.”
“Claro que por telepatia, mesmo na terra os animais podem desejar ler
nossos pensamentos até certo modo, mas isto é em matéria das coisas mais
cruas como o temor deles ou o desagrado. Além do mais, eles são ajudados
por nossos próprios movimentos nestes casos.”
“ Creio que temos falado o suficiente deste assunto esta noite. Se você
pensar mais cuidadosamente no que acabo de contar, você se dará conta da
sua importância. Se então algum ponto requer esclarecimento, me pergunte
outra vez.”
JW:” Obrigado. A propósito como estamos nos comunicando agora?
Pareceria que estamos conversando.”
HJL:” Por telepatia. Nossas mentes, acostumadas à idéia de falar, o
traduz em palavras aqui. Você se daria em seguida conta disso se você se
comunicar em francês. Para ele pareceria que você está falando em francês,
para você pareceria que ele fala em inglês. “
“ É somente quando vamos ao plano terreno e tratamos de nos
comunicar através de um médium que temos que usar a linguagem real. Então,
se desejamos falar para estrangeiros, e não conhecemos a linguagem
devemos aprende-la. Isso pode se fazer, mas não pretendo te dizer
exatamente como neste momento.”
“Quando nós percebemos o pensamento do outro, nossas mentes
tornam esta percepção em visão. Ambos estão relacionados à telepatia; mas,
por razões de distinção, nós podemos co-relacionar a percepção das visões
com a clarividência. Podemos usar qualquer dos dois métodos para nos
comunicar. Com os homens a telepatia é mais fácil; parece requerer menos
esforço de voluntariedade.”
“Com os animais, sem dúvida, creio que a visão seja o melhor método,
provavelmente porque eles nunca falaram na terra. Mas, logicamente, ambos
os métodos se combinam. Ainda no teu próprio caso, quando o oficial esteve te
contando suas aventuras, por momentos você não somente tem escutado, mas
você também viu o que ocorreu.”

85
JW. : “Sim, assim é. Ainda não havia me dado conta disto quando
escrevia sobre estas “visitas”.
“Bom, agora você se dará conta. Aqui vem o oficial.”
Havendo terminado sua narrativa o oficial saiu.
HJL: disse então:” Bem, adeus Jack, por enquanto.”
Desejei então voltar, e enquanto o fiz, senti me levantar no ar e sair
através da janela.
Novamente vi abaixo de mim a paisagem espiritual com seus belos
campos e colinas com bosques e vales. As nuvens vinham flutuando e
gradualmente os cobriram como uma neblina. Eu ainda os podia ver por um
tempo através da neblina, que começava espessa até parecer copos de
algodão.
Esta neblina sólida se tornou gradualmente mais sólida e começou a
assumir formas. A princípio estas eram vagas, indistintas, incolores, mas logo
tomaram a forma de ondas quebradas em colinas e vales. Esta paisagem era
muito mais estéril que aquela que havia visto no plano espiritual, mas ao
deixava de ter certa grandeza e beleza. Pouco a pouco a paisagem começou a
se colorir lentamente.
Eu senti estar arando sobre este campo a grandes passos, ao mesmo
tempo que eu ia me aproximando da terra. Rápido! Rápido!
Notei que a luz se tornava mais forte e gradualmente fui me dando conta
de que estava passando pelo Rivelin, pelo lado dos pântanos.
Girava cada vez mais rápido e o Glen House parecia se soltar e se
lançar até mim. Senti passar limpidamente através das paredes da habitação e
fazer piruetas em volta da cama.
Logo me pareceu bater em algo com grande força e perdi a consciência.
J.W.

86
Capítulo XXXIII
O PLANO ASTRAL E O ESPIRITUAL COMPARADOS
Visão em transe - noite da 2a. feira, 15 de junho

Como antes, me senti viajando pelo espaço e vi a paisagem terrena


mudar por aquele do reino espiritual.
Entrando no quarto de HJL lhe perguntei:” Qual você considera exata
diferença entre um homem do plano astral e um do espiritual?”
HJL:” Entendo o que você quer dizer. No plano astral somos ainda de
certo modo, materiais. Temos, por dizer assim, um corpo material estéril. O
plano astral está constituído de partículas de matéria muito fina, muito mais
etéreos, logicamente, que os grossos átomos da terra, mas ainda matéria. Eles
se constituem de alguma maneira na mesma relação ao mundo físico ordinário
que os gases aos sólidos na terra.”
“Este corpo material, sendo assim estéril é muito mais completamente
dominado pelo espírito para o bem ou o mal.”
É o mesmo com a paisagem astral. No plano espiritual, sem dúvida, a
matéria tem sido deixada atrás na realidade. É com nossas “formas” que nós
vestimos nossas almas, e a paisagem e os edifícios que você viu antes são as
“formas” desses objetos quando estavam na terra.”
“ É por isso que quando nós desejamos nos tornar visíveis para o
clarividente na terra, geralmente temos que nos vestir com uma forma astral
temporal, da mesma forma que se queremos nos fazer visíveis às pessoas
habituais, temos que nos materializar num corpo físico temporal. Existem
clarividentes que podem ver o sexto plano, você é um deles – mas a maioria
não pode. Ainda que um clarividente possa faze-lo, se obtém com freqüência
melhores resultados quando nos vestimos com uma forma astral.”
JW.:” Nos sonhos vamos ao plano astral ou ao espiritual, ou às vezes a
uma e outras vezes a outra?”
HJL:” Os sonhos são de muitas classes. Alguns são pura invenção do
cérebro humano. Estes podem ser algo mais que os pensamentos do dia
trabalhados e re-digeridos no cérebro na noite, ou podem ser também pura
ficção, similares ao que as crianças contam entre si mesmas para distração. “
“Os muito materialistas têm sonhos destas duas ordens, e a maioria das
pessoas têm, às vezes, alguns desses; mas muitas pessoas, entram no plano
espiritual.”
“Você o faz, mas a razão é que você é mediúnico, e o mais importante,
porque eu te chamo. Muito poucos têm tal privilégio e aqueles que o fazem
muitas raras vezes têm uma clara lembrança. Nós te ajudamos a lembrar, mas
é verdade que as experiências no plano espiritual, pertencendo ao espírito
como o fazem, parecem permanecer próximas a ele e são mais vividas que
aquelas do plano astral, que é mais análogo à vida na terra e sendo assim se
distorce quando o astral se reúne aos físicos. É como se o cérebro físico
pretendesse explicar os fenômenos astrais pelas leis físicas e fracassasse,

87
mas reconhecesse a impossibilidade de tratar de fazer o mesmo com o
espiritual. “
“Muitas pessoas alcançam o plano astral em seu sono. Eles vêm
vagando ao longo da borda do plano, por assim dizer, com freqüência meio
atordoados aparentemente, como se a conexão com seus corpos os tivesse
tornado apenas parcialmente conscientes do mundo astral onde se mobilizam.”
“O corpo astral é sem dúvida incapaz de deixar o corpo físico devido a
vida material que tal gente leva, e ainda quando pode sair do físico, não pode
ou não se atreve a afastar-se dele.”
“Mas, quem sabe você desejaria ver alguns destes visitantes à borda do
plano astral.”
JW:” Sim, mas cadê o oficial?”
HJL:” Eu lhe direi que não venha.”
Ele pareceu concentrar seus pensamentos por um momento e enquanto
o observava, vi o rosto do oficial visualizado diante dele e logo desapareceu
novamente.
HJL:” Agora iremos ao plano onde os mundos se encontram. Mas,
primeiro tenho que me vestir com um corpo astral.”
JW:” E eu? Não precisarei de um corpo astral também?”
HJL:” Sim, onde você deixou o teu?”
JW: “ Você acha que estará com meu físico? “
HJL:” Será melhor que perguntemos a nossos espíritos guardiões.”
Enquanto falava, uma luz apareceu atrás dele, tornando-se cada vez
mais forte, até que eu apenas podia vê-lo. Enquanto esta luza se fortalecia,
tomou a forma de um glorioso espírito, que já havia visto antes sobre HJL e
como uma corneta de prata disse: “Volta e recolhe teu corpo astral da tua
cama.”

88
Capítulo XXXIV
UMA VISITA COM HJL . AO PLANO ASTRAL
Os Sonhadores

De repente me senti recolhido numas fortes mãos e girei no espaço.


Uma vez mais me encontrei em minha habitação, mas em vez de me afundar
na inconsciência, apareci vestido de repente com um corpo mais substancial
que aquele que havia possuído antes. Ainda meu corpo físico estava dormindo
em minha cama.
Eu me virei ao barulho da voz de HJL e notei que ele também se via
diferente. Por alguma razão, se via mais velho. No mundo espiritual, ele se via
mais jovem. Havia também uma diferença mais sutil, mas não sabia como
descreve-la.
“Este não é meu próprio corpo astral”, explicou HJL.; aquele se
desintegrou quase ao instante em que morri, como te falei. Este é apenas um
corpo temporal feito de elementos astrais que flutuam em volta. Tenho feito o
melhor que posso para imprimir nele minha forma como eu lembro que era na
terra. Agora vem comigo.”
Notei que o quarto se via sombrio e semitransparente; da mesma forma,
meu corpo deitado sobre a cama; na verdade todos os fenômenos terrenos.
O corpo que eu usava agora, sem dúvida, parecia sólido e real e
passamos através das sombrias paredes sem a mínima dificuldade.
Falei a HJL:” As coisas da terra e as pessoas, vejo-as como quando te
vejo de forma clarividente.”
HJL:” Sim, posso acreditar nisso. Existem muitos seres astrais que não
podem ver o mundo físico por longo tempo depois de mortos, como os
moradores ordinários da terra, não podem ver a eles.”
“Apesar de tudo, esta dupla visão é um pouco ruim assim que se deseja
ver somente o plano astral.”
Assim o fiz e em seguida a sombria casa e o ambiente começaram a
desaparecer calmamente.
HJL pegou minhas mãos e disse:” Rápido! “e parecemos furar o espaço.
Nada se assemelhava a luz, nem a escuridão, mas algo no meio, e logo
paramos.
“Aqui vêm alguns dos sonhadores, disse HJL., e nos colocamos a
esperar.”
Então não podia ver a paisagem muito claramente porque tudo parecia
cinza e coberto de neblina; mas pude perceber que haviam colinas, vales,
castelos, e bosques, árvores e grandes extensões de água, mas tudo era
indistinto e cinza.
“ É sempre assim, cinza e sombrio?” perguntei.
HJL respondeu: “Oh! Não querido. O que acontece é que você está mais
acostumado aos reinos espirituais e não a estes. Mas, para muitos espíritos
que não conhecem nenhum lugar iluminado, estas paisagens parecem cheias
de cor, mas não para todos eles. Esta é uma terra de mudanças, uma casa no
meio do caminho, por assim chamá-lo, entre os planos físico e espiritual, por

89
isso parece de alguma forma irreal e variável para os moradores de qualquer
plano. Assim, também os elementos que o formam estão sempre mudando e,
sendo tão maleáveis, com freqüência assumem formas em ressonância com os
desejos dos que passam através deles, ainda que sejam sonhadores
dormentes. Você entende, a forma que é eterna vai ao Plano espiritual, mas
aqui a forma não é estável, exceto onde está a forma astral vivente. Quero
dizer que as formas elementares não têm uma forma estável em si mesmas.
“Mas, olhe – aqui vem alguns visitantes da terra para nós.”
Enquanto dizia isso, vi que um grupo de espíritos flutuavam até nós.
Logo muitos mais passavam velozmente. Isso foi crescendo então numa
contínua corrente. Algumas vezes vinham junto formando uma grande
multidão, mas outras vezes vinham separados em um ou dois.
Uma e outra vez, atravessavam essa corrente de sonhadores, um real
habitante do plano astral. Era fácil ver a diferença, mas quase impossível
descreve-la em detalhes. Sem dúvida, uma diferença notável era que, os ainda
viventes da terra, levavam atrás deles um fio de luz. Estes fios, a diferença dos
fios materiais, nunca se misturavam apesar do movimento dos seres astrais.
Parecia que cada cordão era capaz de atravessar qualquer outro cordão sem
dividi-lo.
Havia muitas outras diferenças mais difíceis de descrever. Quando os
comparei comigo mesmo, me dei conta que muitos deles tinham os olhos
fechados e seus braços estendidos para frente, pareciam sonâmbulos. Mas,
nem todos eram assim. Alguns tinham os olhos bem abertos, como se
procurassem alguém, e outros poucos pareciam vagar ociosamente através de
uma estranha paisagem, parando a cada momento para a observar.
A multidão era de tal variedade de idades e condições, não somente
homens, mulheres e crianças, mas também animais! Vi um cachorro entre os
visitantes entre os visitantes que atrapalhou-se com a olhada de um coelho ao
que se deu de imediato a caça.
Vi uma mulher e em frente dela, flutuava a visualização de um
pensamento de um menino pequeno. O pensamento parecia ir flutuando dela,
e ela o seguia chorando amargamente. Então, de repente a real forma astral do
menino veio correndo, e num momento o pensamento do menino se fez em
pedaços: mas, a mãe deu um choramingo de alegria e esticou seus braços até
o astral e o pegou. Ela sentou ali, abraçou o menino e lhe falou como se
estivesse na terra.
“Mas, - olha esse par.”disse HJL.
Vi um homem e uma mulher se aproximando mutuamente com
delicadeza: mas, flutuando próximo `a mulher havia uma forma de pensamento
de um homem maduro. Pelo seu rosto diria que era um judeu, e soube, por
instinto, que era o esposo da mulher, a quem ela se havia unido por dinheiro;
enquanto que o homem mais jovem, com o que ela falava agora, era o homem
a quem ela realmente amava, mas ao que havia rejeitado para se casar com o
judeu.
“Olha agora estes...”disse HJL.
Escutei um agonizante gemido e vi a um homem perseguido por outro
que tinha uma faca em suas mãos. O homem perseguido se mantinha olhando
sobre seus ombros, gritando a cada momento. Seu rosto era lívido e toda sua
atitude denotava temor.
“ O que significa isto?”comecei a perguntar.

90
HJL:”É bastante óbvio que por alguma razão, o homem ruim considera
que tenha sido grandemente injuriado pelo homem bom, e ao se encontrarem
no plano astral, aquele atua como teria gostado de atuar na terra.”
JW:”Eles se lembrarão desta experiência quando acordarem na terra?”
HJL:” Não posso te dizer com certeza, mas creio que cada um reterá
alguma lembrança ainda que seja distorcida. Olha quem está ali.”
JW:” É o meu pai. O que ele está fazendo aqui?”
HJL:” Por que teu pai não pode vir aqui? Ele está somente sonhando
como qualquer outro. Quem sabe te reconheça.”
Mas ele passou direto, ocupado procurando alguém e pareceu não me
ver, e enquanto passava, vi a forma do pensamento do meu pai flutuando na
sua frente. “Você se encontrará com seu pai aqui?” Perguntei.
HJL:” Não creio. O velho Horácio está muito acomodado na divisão da fé
sem atos e não é muito provável que venha aqui seguido.”
Meu pai desapareceu entre a multidão e por um momento houve um
silêncio na contínua multidão arrastada por nós. Me virei novamente a HJL e
disse:”Existe o lugar no plano astral, o mesmo que na terra?”
HJL:” De certo modo, porque não temos somente como você vê a
paisagem astral, mas que essa paisagem tende a se co-relacionar com a
superfície do mundo físico. Por isso agora mesmo, estamos perto de Londres.
Mas, ainda que a paisagem tenda a se co-relacionar, nossos corpos astrais
não estão limitados nem pelo tempo, nem pelo espaço como na terra. Nós
podemos viajar de um a parte da terra à outra, sem perder tempo. As
paisagens astrais nem sempre correspondem exatamente às paisagens na
terra, já que hoje existem, diríamos muitas capas das paisagens astrais; porque
um mesmo lugar apresenta muitos aspectos diferentes nos diversos períodos
da história da terá; por exemplo Londres não tem sido somente um bosque pré-
histórico, mas em ocasiões, também tem sido coberto pelo mesmo oceano.”
JW:” Esta paisagem, segundo o que posso ver não é o mesmo que
Londres atual.”
HJL:” Claro, mas não é uma paisagem muito antiga. Mas olha quem
vem.”
JW:” É Carrie. Parece que toda a família está aqui.”
HJL:” Não, não está, mas é que um grande número de pessoas vêm ao
plano astral noite após noite. Existe gente que tem uma vida contínua e regular
aqui, como tem na terra, só que quando acordam, como regra, não se
lembram. O “dia astral” termina para eles caindo dormindo, tal como o fazem
no dia físico, e muitas raras vezes, é levada de um lado ao outro uma clara
memória de qualquer dos dois estados. Sem dúvida, a memória astral lembra
mais que a memória física. “
“Ainda existem muitas pessoas que vivendo na terra, não tem nenhuma
lembrança dela e pensam que vivem só aqui. Tais pessoas com freqüência
nem sabem quando morrem, mas se surpreendem por não cair dormindo. A
maioria dos astrais, sem dúvida, lembra algo da sua vida terrenal e podem
desejar buscar a alguma amigo na terra. Muita gente também lembra
ocasionalmente de uma maneira distorcida de algumas de suas experiências
aqui. Existem também outros que muitas raras vezes, ou mesmo alguma vez,
vêm aqui antes da morte. Eles são tão materialistas que o astral não pode
escapar do físico. Os gulosos e bebedores viciados encadeiam seus corpos

91
astrais a seus corpos físicos; mas, vou falar com Carrie. Você já vê que ela me
procura.”
Ele abriu caminho entre os dormentes que passavam até onde se
encontrava Carrie, olhando em volta como procurando a alguém. Tive a
visualização do seu pensamento que era do seu pai como ela o recordava,
sentado numa cadeira da sala de jantar em Londres. Ela estava vestida com
um traje longo de corte simples, não precisamente como algum que eu tenha
visto usar na terra.
Tão logo como o viu, se apressou em ir até ele com regozijo.
“Como você está chefe”Faz um século que não te vejo.”
HJL:” Sim. Estou contente que você tenha vindo esta noite. Estou bem,
mas, o que você pensa das revelações que te estamos enviando?”
Ela se viu confusa e disse:” Quais revelações? Não me lembro de
nenhuma.”
HJL:” Oh! boba; sim, você se lembra, mas você está ainda meio
dormida. Acorda! As que estou te enviando através de Jack. A propósito, aqui
está Jack.
Então Carrie notou minha presença pela primeira vez. Ainda que eu a
tenha visto desde o princípio, tratei de não a atrapalhar, para que pudesse
dedicar toda sua atenção a HJL.”
“O que você está fazendo aqui?” disse.
“Vamos”, respondi, “ quem é você? Mas, na verdade, em meu caso, esta
é minha normal excursão das segundas-feiras à noite, e esta vez o chefe me
trouxe a ver vocês e as pessoas que vêm ao plano astral. Me pergunto se você
lembrará de nosso encontro quando acordar.”
HJL:” Não é muito provável. Se lembrar-se de algo, seria provavelmente
de mim, já que isso tem sido seu pensamento que veio aqui com ela. Bem
Carrie, você se lembra agora?”
C.:” Sim, me lembro vagamente, mas como num sonho. Mas, como você
está? Não tenho te visto faz muito tempo.”
HJL:” Bem, muito bem, nada mal. Nunca me senti melhor em toda a
minha vida. Não voltaria a tua suja e sombria terra, por nada do mundo. Ainda
que estou esperando alguns dos meus velhos amigos para que se reúnam
comigo deste meu lado.”
CW:” De quem é esta casa?”
Enquanto ela falava, vi uma bonita casa ao estilo Georgiano. Tinha um
pequeno jardim na frente e achamos outro muito maior atrás.
HJL:” Oh! Essa é a forma astral de alguma casa que foi derrubada
recentemente. Não permanecerá por muito tempo; as formas astrais dos
objetos inanimados não duram muito, ao menos que alguém tome posse deles
e os junte à sua personalidade. Vamos entrar.”
CW:” Olhe, está completamente mobiliada! disse Carrier ao entrar.”
HJL:” Assim é. É bem mais raro aqui, ainda que no plano espiritual,
aonde vão as formas, é uma regra mais que uma exceção. Tudo isso deve ter
se queimado ou destruído. Sim, estou seguro que foi assim, porque olha,
algumas pinturas estão perdidas. Olhas os brancos nas paredes. Ainda estão
as cordas penduradas nos cravos. Evidentemente alguém arrancou as cordas
com uma faca e levaram algumas das melhores pinturas. Mas não salvaram
muitas.” Enquanto falava, sentou-se perto de uma chaminé.

92
“Uma casa muito boa”, comentou, “simples, quem sabe, mas
substancial.”Se estivesse ainda no corpo astral, tomaria posse dela.”
“Carrie, vamos ao jardim. “ Assim, ela e eu passamos por uma porta da
sala de jantar e descemos algumas degraus da escada até o jardim.
Momentos depois, HJL. apareceu na porta, levando no seu ombro uma
mala. Desceu-a dos ombros ao se aproximar de nós e tirou dela um livro.
“Imagina, Carrie, encontrar isso aqui.”
CW:” É teu velho livro: ” Como fazer uma casa saudável e boa.”
HJL: “ Sim. Pensei que a casa estava muito bem feita. Seu dono era
evidentemente um homem sensível.”
Eu (JW) fiquei entretido diante do óbvio prazer que HJL. sentiu ao
descobrir que o dono da casa apreciava seu livro, mas nesse momento Carrie
exclamou enquanto entrávamos novamente na habitação:” Estou me sentindo
cansada, portanto, voltarei para a cama.”
Olhei com surpresa a HJL. que sem dúvida, pareceu não perceber meu
olhar inquietador e disse: “Bem, adeus então por agora. Volta logo outra vez.
Sempre me alegro em ver você. Você sabe, e tomarei o cuidado de estar aqui
quando você venha.”
Carrie então saiu do quarto e ao mesmo tempo que se perdia de vista
( notei que a parede astral disparava figuras astrais) ele disse:”Você ficou
surpreendido quando ela disse que estava cansada. O que ela realmente
sentiu era o chamado do seu físico ao seu corpo astral, mas essa era a forma
mais fácil de explicar isso para ela. A maioria dos seres astrais toma o regresso
das condições astrais às físicas com o cair adormecidos.”
“É hora de você também regressar. Olha como as pessoas estão agora
regressando.”
Olhamos para fora da porta da frente, e certamente, os sonhadores
pareciam voltar todos até a direção pela qual haviam chegado. Se apressavam
cada vez mais, e entre eles novamente passava meu pai com um olhar de
desilusão no rosto. Ele não havia encontrado a quem procurava. Pouco a
pouco iam diminuindo, e vi os chamados “mortos” se despedindo, muitos com
lágrimas nos olhos, dos seus seres queridos que regressavam ao mundo do
acordar. Na mesma proporção que os “sonhadores”diminuíam os moradores
reais, os do plano astral aumentavam.
Nem todos se agradavam de os ver ali. E HJL disse:” É hora de você
voltar,” e me senti cair adormecido. J.W.

Nota: CW se lembrava de uma parte considerável desta reunião, mas


não toda, e pensava que havia sido um sonho.

93
Capítulo XXXV
A INFLUÊNCIA DA NUVEM DE GUERRA
Visão em transe - 27 de julho de 1914.

Chegando ao colégio onde HJL vivia, lhe perguntei:” Você acredita que
esta nuvem de tormento que se tem levantado na Europa conduza a uma
guerra? As coisas começam a ser ver bem mais negras.”
HJL: “ Temo que assim seja. Logicamente que eu não estou em
comunicação próxima ao plano terrestre, mas aqui os homens estão dizendo
que o plano astral está em absoluto caos. Todos os espíritos malignos estão se
reunindo ali e estão fazendo o possível para precipitar uma guerra.”
“Aqui estamos nós, mais além de todo aquele alvoroço, mas cheios de
estranhos pressentimentos. Os próximos dias o decidirão, mas nunca tenho
feito nenhuma pretensão de poderes proféticos.”
“Nosso trabalho está chegando rapidamente ao seu fim, e isso é bom
porque se existe guerra, nosso pequeno grupo de trabalhadores, certamente se
dispersará. Terão um trabalho diferente a fazer.”
“Você não está bem, pelo que posso ver. A menos que esteja melhor na
próxima semana, será mais conveniente não tentar vir, até que esteja bem
outra vez. Quando você está com saúde, estas excursões ao desconhecido
não podem te fazer mal, mas quando não, você precisa de toda vitalidade para
lutar contra a doença. Em todo caso, você não estará apto para nenhuma
escrita automática durante o mês em que você estiver dando conferências em
Cambridge.”
“ Não te recomendo que tenha uma entrevista com o oficial esta noite.”
“ Em primeiro lugar, você não está suficientemente bem para estar aqui,
e em segundo lugar, o oficial está em condições muito excitadas devido a
nuvem de guerra, mas vários espíritos o pegaram pela mão para tratar de
acalma-lo. Nós não queremos desfazer todo nosso bom trabalho, e nesse
sentido ele não pode fazer nenhum bem. Existe um campo de atividade aberto
nele, o qual mostraremos a seu devido tempo. Por agora, sem dúvida, ele está
como um tigre que cheira sangue e é sua extraordinária conduta, acoplada com
o que parece ocorrer no plano astral, o que me faz temer pelo pior.”
“ Agora adeus. Te cuida e melhora o mais rápido possível. O livro deverá
estar terminado antes que você saia para Burna.”
Assim voltei ao plano terreno e notei o cansaço que estava ao entrar no
meu corpo.

NOTA: Fui à Cambridge dia 3, e todo mês de agosto sofri de um ataque


de pleurisia. Durante todo esse tempo não tive visões, nem tentei a escrita
automática. Não foi apenas até o dia 5 de setembro que pude reassumir a
escrita automática na casa do Sr. K.

94
Capítulo XXXVI
A GUERRA
Carta de HJL - 5 de setembro de 1914

“Devemos continuar com o trabalho o mais rápido possível. O tempo que


perdemos devido a tua doença, é lamentável; mas isso tem permitido que se
restaure um pouco a ordem no plano astral. Mas, este último está no mais
caótico estado, e sua reação está se deixando sentir ainda no nosso plano.”
“Logicamente, que a maioria dos homens que estão morrendo são
jovens e vão primeiro ao plano astral. Grandes multidões de espíritos estão
sendo dispersados, a maioria impulsionados ainda pelo ódio, e havendo
morrido a maior, muitos ainda não se deram conta que estão mortos e atribuem
sua mudança de condição a alguma ferida que tenha nublado temporariamente
seus cérebros.”
“ A forma principal em que isso afeta o plano espiritual, é que tem dado
um chamado para que os espíritos mais iluminados venham ajudar aos recém-
chegados e já estão descendo inúmeros anfitriões. Por enquanto, a maioria dos
ajudantes vêm das duas divisões mais altas do Plano Espiritual, mas é certo
que também irão alguns da nossa divisão.”
“ Até agora eu estou apenas escalado para tal trabalho, mas quando vier
o chamado para mim, deverei responder. 1 Ainda que não possa fingir que
estou esperando o tumulto do plano astral, depois da paz e calma que tive
aqui. “
“É o suficiente sobre este assunto; devemos continuar o livro, o qual
confio que você fará todo o esforço para publicá-lo, não imediatamente,
logicamente, isso é impossível, mas quando se apresente a oportunidade, e
espero que você Sr. K., escreva o prefácio 2 explicando as circunstâncias sobre
as quais foram feitas estas revelações.”
“ O oficial tomará agora o controle.” HJL.

1
O chamado veio no princípio de maio de 1916, quando fui até ele no plano espiritual e, lhe
contei que meu irmão, R.L. Ward, havia sido morto em ação. Em seguida, ele desceu para o
ajudar, e tem estado com ele desde então.
2
O Sr. K. aceitou fazer isso.

95
Capítulo XXXVII
O GRUPO DE ESPÍRITOS AMIGOS É DISPERSADO
Visão de HJL. - 14 de setembro de 1914

Ao chegar no colégio onde HJL vivia, o encontrei sentado ali sozinho,


apenas com um cachorro, Molly que saiu debaixo do sofá para me
cumprimentar.
HJL começou a dizer então:
“O trabalho está completo, por enquanto. Nosso pequeno grupo de
trabalhadores se dispersou e eu só permaneço no meio das velhas
redondezas. Logo você terá também novas experiências no leste, que te
levarão a uma visão mais ampla. Não precisa se preocupar com a viagem.
Você chegará a salvo em Burna.”
“Ainda que por algum tempo, não te darei comunicações de real
interesse, te espero a cada segunda-feira, como sempre. Uma vez que as
portas para este mundo foram abertas, devemos tomar cuidado para que não
se fechem outra vez, porque depois espero começar com uma nova série de
revelações, ainda que sua exata natureza é desconhecida para mim.”
“ Cuida o que você tem. Você terá tempo de arrumar variadas
contribuições, cada uma com seus próprios títulos, de modo que você te’ra
uma completa e contínua recordação da vida daqui. “
“ O Inferno, o Plano Astral, os Reinos da semi-crença, da crença real
mais estreita e da crença demonstrada numa vida de boas ações, foram todos
revelados. Eu não conheci nada até agora além destes planos, mas não perco
as esperanças de conseguir algum conhecimento da vida no quinto plano.”
“ Sendo assim, daqui em diante me considere, e sei que o fará não como
um adormecido do sono eterno que se soltará em última instância pelos sinos
do Dia do Juízo, mas como um homem ainda como você mesmo, só que livre
afinal dos impedimentos de um corpo; já não mais sujeito a dor, nem
necessidade material de alimento ou sono e assim, livre do trabalho penoso da
vida, habitando entre agradáveis redondezas. Tenho ilimitadas oportunidade
não para o ócio e o interminável canto dos salmos, mas para estudar todas as
matérias do meu interesse, e o significado de perseguir estes estudos mais
além que nenhum homem da terra o possa fazer. Me considere capaz e
ansioso de salvar a outros, e através deste fato, me preparando para superar-
me cada vez mais, subindo de divisão a divisão, fazendo novos amigos e
aprendendo novas verdades, dia após dia, segundo o que te parece o tempo.”
“ Me considere feliz e contente de certo modo de haver escapado do
mundo material, mas não penses que sou absolutamente feliz por enquanto.”
“ A perfeita felicidade é por enquanto um longo caminho, e somente
pode ser alcançada por um grande esforço concentrado por uma determinada
vontade, depois de muito tempo, durante o qual o espírito atravessa por novas
experiências e vai aprendendo novas verdades.”
“ Pense em mim, sempre ocupado com o trabalho e a recreação. O
trabalho é o que me ajudará a escalar degrau por degrau, a recreação é o que
na terra eu considerava como trabalho.”

96
“ Faça presente meus cumprimentos a todos os que vêm a mim, semana
após semana; e agora adeus pelo momento, agradecendo ao Sr. e a Sra. K. e
todos os que me ajudaram neste trabalho. “
JW:” Antes de eu ir me diz o que JBP., o oficial e A. estão fazendo.”
HJL:” O oficial irá daqui a pouco, depois de um pouco mais de
preparação, ao plano astral para ajudar aos milhares de homens que estão
sendo lançados à nova vida que encontrarão ali; e, eles precisarão
urgentemente toda a ajuda que possam conseguir, ao ficar incomunicáveis com
a vida em sua plenitude.”
JBP, desceu novamente ao Inferno. A . está ainda lutando por aprender
as simples lições da escola onde eu estive tempos atrás.”
JW:” Sim, para você deve parecer muito tempo, na realidade, segundo o
tempo na terra, passaram somente nove meses desde que você faleceu.”
HJL:” Sim, mas o tempo aqui, conta pela experiência e não pelas horas,
se na realidade nós podemos o chamar de tempo, e ainda na terra, quando
chegar o dia 31 de dezembro, não somente você, mas todo mundo dirá:” Este é
o mais longo ano que passamos,” mas agora adeus outra vez.”
E assim partimos.
E, desde então, tenho viajado daqui para lá, tenho sempre um aberto
bem vindo, mas de pouca importância, meramente notícias familiares e
conversas triviais, ainda que soubesse todo o tempo que JWL esteve
trabalhando em diversos temas profundos.
Mas, afinal, o dia fatal veio quando procurei sua ajuda a favor do meu
irmão e essa ajuda foi dada de boa vontade. E, agora minhas visitas semanais
estão dedicadas principalmente ao plano astral, do qual espero dar uma
completa lembrança.

97
PARTE II

O OFICIAL

98
PARTE II
“ O OFICIAL”

Escrita automática em estado de transe por JW.


Testemunhado pelo Sr. K.

Capítulo I
A primeira carta do “O Oficial”. Sua morte ( para uma lembrança da sua
vida na terra - ver HJL, ) 24.01.1914 / 07.02.1914

“ Começarei por determinar alguns quantos fatos que você deve


compreender para que se dê conta de como é a vida aqui no Inferno.”
“ Os espíritos aqui caem nos seguintes grupos:
1. espíritos de homens ou animais mortos;
2. espíritos que nunca foram encarnados;
3. espíritos que vêm de outros planos, etc.
“ Destes, os espíritos desencarnados podem ser divididos como
segue:
1. elementares: bons, ruins, ou ambos: bons e ruins;
2. vícios personalizados;
3. espíritos malignos criados pelos pensamentos do homem, por
exemplo: os demônios de nossa infância. “
“ Os elementares, são os mais numerosos, especialmente no Plano
Astral, e a maioria dos que estão lá, são ruins. Os outros seres não encarnados
se encontram nas esferas mais altas, e os mistos com freqüência tomam um
interesse ativo nos grandes assuntos do mundo. Alguns são espíritos
guardiões que cuidam de grandes nações; outros sociedades, etc.
“Isso implica o fato de que a Inglaterra como nação tenha uma
personalidade distinta, bastante diferente que a de todos e cada um dos
indivíduos que a formam.”
“Agora espero que estas primeiras anotações te capacitem para ter uma
idéia do tipo de seres; além dos homens que encontramos aqui. Estes não são
muito evidentes no grupo da semi-crença, mas os tipos mais altos, dos quais
eu conheço pouco, reaparecem nos grupos mais elevados. Eles incluem alguns
dos anjos e professores; mas muitos destes foram homens que, havendo
aprendido, voltaram para ensinar. Não é fácil dividir e classificar os diversos
espíritos.”
“Agora começarei um resumo de minha morte. Eu estava caminhando
ao longo da costa, quando um ônibus a motor me lançou ao chão e passou
sobre mim. Devo o ter visto, mas admito que estava com uns copos a mais, e
não era eu mesmo. O curioso é que depois do acidente me levantei, me sentia
um pouco zonzo e vendo uma multidão me rodeando, decidi me apressar para
o escritório onde ia assinar o acordo para essa patente.”
“Quando cheguei `a porta do escritório, toquei, mas para minha
surpresa, minha mão pareceu atravessá-la. Ninguém respondeu, assim que

99
tratei de empurrar a porta – no mesmo instante vi que havia passado
limpidamente.”
“Meu Deus! Disse: ” Estou mais bêbado do que pensei. Me pergunto se
seria melhor seguir adiante! Sem dúvida, vendo umas escadas, as subi e
toquei a porta do escritório. O mesmo resultado. Passei através dela.”
“Encontrei o homem esperando no seu escritório, e um empregado
numa mesa ao lado. Tirei meu chapéu e me inclinei, mas o mal-educado não
notou minha presença. Eu disse: “ Vim assinar nosso acordo! “Mas, de novo,
não respondeu e em seguida, se virando para o empregado falou:” Se esse
tolo condenado, não chegar em dez minutos, vou para outro encontro.”
“Eu estou aqui estúpido, gritei, mas ele não se deu conta e apesar de
tudo o que fiz ele afinal se levantou e depois de me maldizer por não haver ido,
saiu.”
“Eu mal falei também, e sai, dizendo a mim mesmo: “ ele está mais
bêbado que eu!”
“Novamente deslizei através da porta, mas quando o fiz, escutei uma
diabólica risada, ao me virar vi o velho Billy, um antigo camarada meu.”
“Ei, Billy, disse, pensei que você estava morto.”
“E eu estou, respondeu, e por fim você também. Por fim você morreu.
Pensei que nunca te alcançaríamos!”
“Você maldito condenado, não estou morto, estou bem vivo, só que um
pouco bêbado!”
“ De repente, então soube que era verdade, e imediatamente quis ir
buscar meu corpo. Havíamos alcançado a rua e nesse momento Billy viu uma
garota.”
“Você vê essa garota? gritou”
“Sim, respondei; mas você não precisa gritar assim!”
“Tolo, ela não pode nos escutar. Vou segui-la.”
“Para que? Perguntei, ela não é dessa classe.”
“Como tens estado tanto tempo morto como eu, respondeu com uma
olhada atravessada; você não se preocupa mais com isso. Vou segui-la.”
“Logo, ele se foi.”
“De repente, me senti muito sozinho, sem ele, mas logo voltou o desejo
de encontrar meu corpo e comecei a perceber que tinha um novo sentido
semelhante ao poder do olfato dos cachorros.”
“Voltei pelo trajeto do meu corpo e o segui. Logo vi uma ambulância
passar e soube que ali estava o meu corpo. Eles o levaram ao hospital e eu
caminhei ao lado dele.”
“O doutor veio e me olhou. ( Ed. o cadáver) “
“Bem morto, e bem feito pelo que parece.”
“O teria agredido, se tivesse tido o pode suficiente.”
“Pobre homem, disse a enfermeira.”
“Não sei se pobre; disse o policial. Estava bêbado quando ocorreu e foi
sua completa culpa. Bem feito que tenha morrido, falou.”
“Nesse momento escutei uma diabólica risada, me virei e vi o maior dos
vilões.”
“Quem diabos é você? “perguntei.
“Você não me conhece? Respondeu. Eu tenho estado com você por
muitos anos.”
“Quem é você? “

100
“Oh, um amigo desse lado, somente um espírito que tem agora um
grande interesse em você. Agora vou te ensinar o que está em volta!”
“O hospital desapareceu.”
“ Mas você está cansado. Descanse meia hora. “
O oficial

101
Capítulo II
AS PRIMEIRAS EXPERIÊNCIAS NO PLANO ASTRAL

A Taberna
Segunda carta do “O Oficial”

“Ele me levou não sei onde, mas era uma horrível escuridão. Depois de
um tempo vi uma multidão de outros espíritos.”
“Onde estou? “gritei.
“Vem, respondeu. Temos um espírito aqui que vê por todos os sedentos.
Num momento estive consciente de um genótipo que dava alaridos presididos
por um ser. Como poderia descreve-lo? O mais próximo que parecia era um
homem bêbado, baixo, bestial, ruim em todo sentido.”
“Não havia nada grande, nem majestoso nele, nada do que Milton
descreve como esplendor arruinado. O mais próximo que havia podido ver
seria um miserável bêbado caído num bar na hora de fechar. Ele gritou e todo
mundo falou: “Bebida, vamos beber!”
“Vem comigo, ( ele parecia dizer), mas você terá que trabalhar primeiro.”
“Nesse instante, estávamos numa pocilga baixa, em qualquer lugar,
penso que no fim orienta de Londres. Estava cheio de homens e mulheres
baixas, além de crianças.”
“Oh! que encantador aroma de gim e uísque havia! É verdade que havia
além disso, cerveja barata, mas nós não podíamos pedir muito.”
“Mas, quando quis sustentar um copo de cerveja no bar, não o pude
fazer. Meu desejo por ele se fortalecia cada vez mais, e me senti retorcer com
uma fúria louca. Olhei o cardápio das bebidas; ele dava risada e zombava de
mim. Afinal disse: “trabalha, ocioso estúpido.”
“Como posso?”
“Notei então que muitos dos outros que estavam bebendo, se
misturavam entre si, homens e mulheres. Não posso descrever exatamente
como o faziam, mas pareciam se insinuar em seus esqueletos.”
“De repente, vi um homem bastante fora de si, que havia caído em uma
espécie de estupor pela bebida. Pouco depois, um espírito que rondava em
volta, começou a desaparecer em si e logo parecia absorvido nele. Ele havia
partido e de repente o homem começou a saltitar em seus pés e gritou:”Mais
cerveja.”O barman lhe deu mais um pouco, mas pude ver que já não era
homem bêbado, e sim o espírito que o acompanhava e que brilhava em seus
olhos. Ele bebeu e bebeu até tornar-se cada vez mais violento e afinal alguém
lhe puxou pelo ombro. No mesmo instante, deu-lhe uma bofetada e derrubou-º
O golpe foi tremendo, e dividiu o crânio do tipo.”
“Então, se formou um pandemônio. Muitos dos bebedores se lançaram
gritando: “assassino! “ Com eles em alguns casos iam espíritos encostados,
mas outros pareciam separar-se.”
“Pela primeira vez, notei que estes espíritos eram divididos em dois
grupos – aqueles que obviamente eram homens e aqueles que não. Este
último tinha diversas formas, todos maus, ou menos bestiais. Não os posso
descrever. Eles eram ruins, coisas disformes e desgraçadas, nem humanos,

102
alguns somente cabeças, alguns horríveis monstruosidades sem forma, coisas
que somente se poderia ver em D.T.”
“Enquanto o bêbado parou mexendo sua caneca de cerveja, ouvi um
feroz, selvagem barulho de gargalhadas e vi o nosso guia rindo e gritando.”
“Todos nós começamos a gritar também, porque não o sei. Logo o
companheiro que havia tomado posse do bêbado começou a desembaraçar.
No momento em que estava fora, o homem perdeu os sentidos.”
“Está morto, suponho, disse a meu amigo, o velho Billy.”
“Oh, não, somente bêbado.”
“Mas não era realmente ele quem fez isso.”
“Suponho que não, mas quem vai dizer isso ao jurado?” Eles alegaram
que havia rancor um contra o outro. Pretendes testemunhar pela verdade? Ele
riu e assim o fizeram também aos outros.”
“Nesse instante entrou a polícia, e pouco depois, uma dezena de
pessoas estavam ocupadas explicando o que havia ocorrido. Vários homens
vestidos de azul entraram e recolheram o bêbado, e o levaram.”
“Bem, agora como disse o “Grande Mestre de Cerimônias”, como Billy
graciosamente os chamava. Agora, vocês vão e façam o mesmo. “
“Os tragos começaram outra vez e depois de um tempo, me dei conta
que pude conseguir certa satisfação ao enlear-me com um homem. Não era
exatamente bebendo que se conseguia obter-se a costumeira satisfação
olhando os espíritos alcoólatras. A bebida era como uma espécie de fruto do
Mar Morto. Seguimos perambulando no bar e eu aprendi ainda a tomar posse.”
“Não posso e não descreverei como conseguimos tomar posse, mas é
algo semelhante à maneira em que agora sou capaz de escrever. Não devem
temer. Não desejo fazer essas coisas agora, e ainda se o fizera, há um grande
espírito guardião ao teu lado, sem mencionar o teu próprio sogro.”
“Agora devo dar-te um descanso. Além disso, já te contei
suficientemente sobre a taberna. Assim que descansares meia hora,
avançaremos uma lauda mais na próxima carta.”
“Isto termina a carta dos meus. “
O Oficial.

103
Capítulo III
OS POVOADORES DO PLANO ASTRAL

Controlado entretanto pelo “O oficial “ ( falado)

“Creio que agora seria melhor explicar quem é o guia da bebida. Ele não
é um dos elementares, nem é a figura que conspira pelos pensamentos do
homem. É criado pela injúria de todos os que desejam beber em excesso. Se
todo mundo desejar cessar fortemente a bebida amanhã, ela desaparecerá
gradualmente. Nesse instante, porque todos os que estamos aqui estaríamos
habilitados para mantê-lo um pouco, mas como não seríamos mais capazes de
compensar nosso desejo de beber, ainda na forma discreta que descrevi, ele
desapareceria por necessidade de sustentação. Assim também, com todas as
injúrias que conhecemos. A velha idéia dos sete pecados mortais não estavam
muito incorretas, mas além desses há mais sete.”
“Os demônios criados pela imaginação dos homens desaparecem
quando os homens que os criaram pelo pensamento se elevam, mas
desafortunadamente estes são novamente criados por outros homens.
Algumas pessoas fazem muito para provar o inferno de demônios.”
“Os elementares são diferentes. Eles existem por si mesmos, como nós
o sabemos. Não sei como vêm a existir originalmente, mas não deves supor
que todos eles são somente maus, porque aqui falo deles como tal. Tem
espíritos alegres, de coração iluminado que perseguem vales e bosques claros,
como os duendes de nossa infância. Os pequenos inocentes, todavia, os vêm
ocasionalmente, mas como a gente foge deles, os pequeninos deixam de crer
e perdem assim seu poder.”
“Há muitos tipos de elementares, espíritos que habitam no vento, etc.
Mas, agora tratarei principalmente dos maus. Ainda dentre eles, como entre os
homens, há graus de perversidade. Eu creio também, que eles são capazes de
progredir, mas certamente não poderia dizer de que forma.”
“Algumas vezes, um homem morto continua tendo interesse em sua
família e passa a cuida-la. Algumas vezes é capaz de dar-lhes premonições e
advertências.”
“Ocasionalmente, os avisos da morte são dadas por elementares que
vêm agourando a morte. Eles vêm esperando poder sacar alguma substância
física do moribundo.”
“Isto conduz naturalmente ao tema do vampirismo, que é infelizmente
raro, ainda que se ocorre, é na forma crua que a lenda conta.”
“Isto dito agora é um vislumbre, mas bem horrível, de alguns dos seres
que encontramos aqui.”
“Obrigado por sua amabilidade. Lhes darei mais informações na próxima
vez. Se isto tem revoltado sua gentil alma, se for o K, perdoa-me, mas tenho
que dar-lhe. Adeus e obrigado.”
O Oficial
HJL.: ( toma o controle) . “Obrigado por sua gentileza Sr. e Sra. K., mas
considero que o que o oficial pode contar é talvez a parte mais valiosa desse
trabalho.”

104
105
Capítulo IV
UM INCIDENTE NA VIDA DE “O oficial” SOBRE A TERRA

Uma visão em uma garrafa de água por J.W. na casa do Sr. K às 7:40 horas,
no dia 10 de fevereiro de 1914.
( das anotações do Sr.K.)

“ Vejo nuvens de fumaça. Uma mancha de luz, grandes relâmpagos de


luz, um relampejo dela absorvendo toda a garrafa. Gramíneas, milhares delas,
gramíneas queimadas, capim seco. Grandes montanhas perfiladas ao alto,
umas sobre as outras, a distância e algumas coroadas de neve. Estamos em
um vale entre montanhas altas, com um riacho correndo abaixo.”
“Três homens vêm montados a cavalo, vestidos de cor cáqui: soldados.”
“Eles cavalgam por um empinado caminho ao lado do vale. O tiro de
uma pistola, um homem cai, outro tiro e o cavalo do segundo homem cai. O
cavalo ferido se levantou, e saiu em disparada. O terceiro homem ileso, se
volta, cuidando sua vida, e sai deixando para trás os outros dois.”
“O outro homem ileso, desce do cavalo, se abaixa recolhendo o ferido, o
coloca em seu cavalo e acomoda-se atrás dele.”
“Há um pesado tiroteio todo o tempo; aparecem cabeças, algumas com
turbantes. Um grande tiro é arremessado a um deles, da costa abaixo da
colina. O soldado apressa seu cavalo adiante em rápido galope e o tiro passa
atrás dele. Outro tiro é lançado e passa à frente do cavalo. Outros tiros são
lançados, mas perdem os fugitivos. O fogo continua. O guerrilheiro vai para o
lado da atiradeira suspensa que o ampara, porque saltam pedaços de rocha
sobre ele que caem colina abaixo.”
“Eles estavam fora de alcance agora. Chegam seguros ao vale. Ali o
homem que não havia sido ferido se encontra com o outro que lutou e aponta
com o revólver em plena cara. O covarde cai do seu cavalo aturdido.”
“O homem ferido que já havia sido resgatado, está claramente visível. É
de aproximadamente quarenta anos, pálido, de bigodes e cabelos escuros.
Tem olhos azuis, uma boca desagradável e um nariz adunco. Parece forte,
mas duro e cruel.”
“Monta de novo e se encontra com uma tropa de destacamento que
sobe pelo vale. Eles o ajudam a desmontar e colocam o ferido em uma cama
pequena. Vários oficiais apertam suas mãos. Sobem o vale. Uma grande
nuvem de poeira os encobre. Posso vê-los novamente. Estão descendo a
ladeira da colina. Há pedras grandes caindo pelo declive. Outra vez a poeira os
encobre. Uma vez mais posso vê-los. Eles estão muito mais acima. Estão
alcançando o cume. Os homens estão sendo cegados por um tiroteio de rifles e
caem como corvos.”
“De novo uma grande nuvem de poeira cobre todo o quadro e os oculta
da vista. Nada mais que poeira. A garrafa de água começa a reaparecer.”
“Isso é tudo.”

106
Quarta Cara de “O oficial” escrita automaticamente em transe, em 10 de
fevereiro de 1914, na casa do Sr. K às 20:00 horas.

O oficial : “Não devem esperar nada muito agradável de mim. Vocês


querem a verdade e a terão. É bom que o mundo saiba a verdade e não só o
lado rosa dela.”
“Contei-lhes da taberna e antes de continuar em frente, será melhor
descrever e explicar o que significa a visão que tivestes.”
“Mostra um incidente em minha vida na terra. Eu resgatei um homem
embaixo de um tiroteio quando um covarde cavaleiro escapou. Esse era eu.
Vocês não têm escutado nada mais do que coisas más sobre mim, mas tive
alguns feitos de coisas boas.”
“Agora, vamos à minha história. Não necessita registrar toda nossa vida
aqui. Assim que saímos do bar, também fui a uma casa má.”
“A grande guia da luxúria, é um espírito como uma mulher, mas muito
mais além de toda comparação, detestável em todo sentido. Não são detalhes,
mas assim como podemos ter satisfação como o fruto do Mar Morto no bar,
assim também podemos de uma maneira semelhante fazer com todos os
nossos vícios.”
“Disse satisfazer?” Não, justamente o contrário. Esse é o nosso castigo,
o desejo do que queremos, mas que não podemos realmente alcançar. Oh...
ao diabo! Por todo tempo ajudamos arrastar os outros para baixo.”
“Que tontos são estes mortais! Supões que podes dar rédea solta `a
perversidade e não sofrer, nem fazer sofrer os outros?”
“Creio que será melhor que descanses meia hora.”

107
Capítulo V
UMA SESSÃO ESPÍRITA

( Carta do “O oficial”) - 7 de março

“Depois de um tempo, os bares começaram a parecer-me aborrecidos


Então o espírito escuro que atuou como meu guia, me disse: “querer ir a uma
sessão espírita?”
“ Para que?”, perguntei.
“Bom, em algumas delas se obtém muita diversão”, respondeu.
“Nada mais?” perguntei.
“ Sim, se não fores cuidadoso em manter ocultos os teus elementos
semi-materiais que formam o corpo que usas aqui, o perderás e cairá no
Inferno.”
“Não estou no Inferno agora?”
“Não, tu estás todavia no plano terrestre. Sentirias rapidamente a
diferença, se estivésseis no Inferno, realmente no Inferno.”
“Farei, qualquer coisa para manter esse corpo, disse desesperado.
Agora explica-me. Eu assisti uma vez a uma sessão. Certamente, não poderia
explicar-te tudo o que vi, mas a tomei como uma fraude.”
“Eu respondi: estas sessões podem dividir-me principalmente em três”:
1 – sessões genuínas, onde o médium é controlado por um bom espírito;
2 – casos genuínos onde o médium é controlado por espíritos malignos;
3 – fraudes.
“Agora, suponho que não podemos fazer nada com o n° 1, e o n° 3 é
inútil, mas o n° 2 é diferente e com freqüência temos êxito em desviar do
caminho a um médium e converte-lo em um n° 2.”
“Eu perguntei : o que te capacita para tomar o controle?”
“Ele respondeu: se o médium usa seu poder para seus próprios fins
egoístas, para ganhar sua própria fortuna, etc... então, podemos conseguir o
controle.”
“Queres dizer que eles não podem obter dinheiro?”
“Oh, não um médium, como qualquer pessoa, necessita-o para viver. Tu
não pensarias mal de um sacerdote que consegue um salário de ₤ 400/ano.
Um vigário pode converter-se em bispo por ₤ 300, mas ele não deixa de ser um
bom sacerdote, necessariamente por isso. Sim, entretanto, se um sacerdote,
ao invés de tratar de ajudar seus fiéis, dedica seu tempo em obter uma posição
e fortuna, dirias que não é um bom ministro. “O mesmo ocorre com os
médiuns. É o motivo, e nisto não há engano para nós. Uma vez que o motivo
seja baixo, então vem a nossa oportunidade. “
“Que de bom para nós mesmos, oferece este tipo de trabalhos?
“perguntei .
“Ele riu e disse: “primeiro ganhas elementos materiais para este corpo
físico. Logo ganhas poder. Poder! Não te faz pensar esta palavra? Não é
esplêndido ser capaz de conseguir as pessoas pelo nariz? Acima de tudo”, e
aqui eu ri, embora mais perversamente que antes. “Podemos cobrar velhas
dívidas e até ocasionalmente, obter uma encarnação temporal. Não vale a

108
pena lutar por isso? Caminhar outra vez pela terra, sabendo tudo o que tens
aprendido aqui, heim? “
“Eu acolhi a idéia, e logo, com uma porção de outros espíritos, nos
congregamos em uma habitação onde estava sentada uma mulher rodeada de
cerca de dezenas de homens e mulheres. Ao lado dela estava parado um
grande espírito de Luz, o primeiro que havia visto, mas era atormentado por
uma ralé de espíritos malignos. Uma e outra vez , nos faziam retroceder , mas
no final, um espírito maligno obteve o controle. Então, um alarido de deleite se
levantou de nós, rodeamos a médium e começamos a formar uma completa
bola de espíritos, ao seu redor, acima e abaixo dela.”
“Que estamos fazendo? Perguntei a meu perverso guia.”
“Estamos alijando-a da influência do seu Anjo Guardião. Ele não pode
penetrar esta parede de maldade, não mais do que nós podemos penetrar a
parede do bem que rodeia os melhores médiuns. Agora, olhe o espírito que vai
trabalhar.”
“A médium começou a falar. Voltando-se onde havia uma mulher de
meia idade disse:”Sou tua irmã Sally”, e procedeu a dar várias peças de
evidências. “
“Como sabes todas essas coisas” perguntou.
“Fácil. Ele tem rondado esta médium por anos e aprendeu toda sorte de
informações úteis. Agora veja. “
“Um homem na habitação falou:”Podes dar-me alguma informação útil?
Quero dizer algo de valor prático.”
“Perguntarei a teu irmão George” respondeu o espírito, e então,
assumindo esse caráter disse:” Em assuntos financeiros quero te dar uma pista
de utilidade, Henry. Vem aqui, que irei te sussurrar ao ouvido. Ele lhe deu
algum conselho sobre certos valores que o homem possuía e este pareceu
ceder. “
“Obterás uma pilha de dinheiro com isso”afirmou o espírito.
“Isso é verdade?” perguntei.
“Sim, é, freqüentemente damos um falso conselho para arruinar as
nossas vítimas, mas algumas vezes damos uma informação genuína para guia-
los para o bem, ou também para mantê-los ocupados com os assuntos
terrenos e desvia-los de aprender as mais importantes verdades espirituais.
Agora observa.”
“Uma jovem mulher, se acercou da médium.”
“Sei o que vai em tua mente, minha querida. Sim, aceita- o. Ele será um
bom esposo. Não escutes as mentiras que tem contam os demais sobre ele.”
“Qual é o objeto desse conselho?” perguntei.
“Meu guia respondeu:”O homem que a pediu em casamento, é um
bêbado e um canalha. Ele a arrastará para baixo, e nós a conseguiremos.”
“Agora, veja este espírito. Era um homem que vivia às custas de
prostitutas na terra. Verás algo divertido.”
“Seguro de si, tomou um novo controle e começou a fazer toda classe de
truques, alguns menos maldosos, outros maliciosos, mas nenhum tão
demoníaco e astuto como os do outro espírito. Movia coisas pela habitação e
as jogava, soprou nas cabeças de várias pessoas e escondeu vários objetos.
Ainda roubou artigos dos bolsos dos assistentes, sem que eles se dessem
conta. Tudo isso foi feito sem nenhum contato visível. Finalmente, levantou a
mesa, confundindo a metade da audiência. Logo partimos. “

109
“O belo destas manifestações”, disse meu guia, “é que são as únicas
formas de provas que os seres materialistas aceitam como o poder do espírito.
Por isso muitos médiuns bons e controladores têm que exibi-los e por sua força
conseguimos que a audiência aceite as nossas corrompidas mensagens.
Sobretudo, estas arruínam a médium e nos dá poder. Não gostamos dos
médiuns genuínos e bons e o espiritualismo em geral. Ensinam e advertem
demais. “
“Logo nos fomos, mas logo regressamos, e na próxima visita lhes
mostrarei os resultados.”
“Do que tenho lhes contado, verão sem dúvida, porque estou
descrevendo essas sessões, pois, existem outras razões. Tudo o que
colocamos aqui, tem sua razão; tudo está planejado, e se tu não vês a principal
razão, seja paciente e aprenderás.”
O Oficial

O Oficial falou logo.


Disse: “ Tenho estado nas mais baixas profundidades do Inferno,
impulsionado por uma coisa fortemente intocável, uma forte personalidade.
Como um fogo que arde e este nos conduz por um caminho que escolhi e para
mim não havia esperança, até que pisei esse caminho.”
“A personagem que era perversa, com uma vida perversa, continua
assim depois da morte.”
“Tu dissestes: “saber tudo, é perdoar tudo”, e aquele que estando no
fundo do Inferno, pode levantar-se até o cume, e o conhecimento assim
adquirido será de muito mais valor para ele, e o mundo em geral que o mínimo
conhecimento adquirido por uma débil alma que não fez um grande mal e muito
pouco o bem.”
Ao ser perguntado se uma alma pode ser aniquilada por recusar-se,
persistentemente ao arrependimento, foi dito: “É óbvio que um homem não
pode ser castigado indefinidamente por tudo que teve lugar por um período
finito.”
“Te referes às faltas cometidas depois da morte, a qual é infinita? “
Ao responder disse:” Sim”, ele contestou. Que é a alma?”
O Sr. K. respondeu:”Uma partícula de Deus.”
E ele contestou – “Precisamente”. “Como pode Deus então destruir uma
parte de Si mesmo?” “Tarde ou cedo, a alma voltará para Deus, mas podem
passar incontáveis ciclos antes que isto aconteça. “Logo ele terminou.

110
Capítulo VI
QUEDA DO PLANO ASTRAL AO INFERNO

Segunda carta de “O oficial”, 21:50 horas.

“Um dia, se posso chamá-lo assim, quando fomos a uma das sessões
espirituais, reconheci de repente a um velho inimigo meu. Eu odiava a esse
homem. Me ajudou a por em ação meus métodos. Eu havia aprendido a tomar
o controle de um desses médiuns.”
“Tão logo o vi, iniciou-se em minha mente um desejo selvagem de
vingança. Haviam muitos espíritos que me sugeriram métodos. Um deles era
agarrar um desses espíritos que na terra eram bandidos, e faze-lo matar, outro
dizia que deveria arruína-lo financeiramente, etc. Mas, depois me ocorreu um
método muito mais engenhoso. Vi que ele havia começado a interessar-se pelo
ocultismo. Ele não sabia nada sobre isso, e seus motivos não eram nada
elevados, sendo o principal, a curiosidade.”
“O perseguia dia a dia, vigiando cada um de seus movimentos Cada vez
que se me apresentava a oportunidade, lhe fazia passar maus pedaços. Se
jogava cartas as dizia a seu oponente, que cartas teria que jogar para fazer-lhe
perder dinheiro. Coloquei nas mentes dos homens, uma vaga sensação de
suspeita e desconfiança pelos mais inocentes atos que ele fazia. Mas, esse
tipo de coisas não eram o último de minha intenção. “
“Por fim, chegou a oportunidade, como sabia que viria. “
“Ele havia estado tentando “ sair do seu corpo”, como ele o chamava.
Não tinha nenhum nobre objetivo, e o pode de seu guia havia se debilitado por
várias causas, e assim, quando por fim pode sair de seu corpo, mais ou menos
pela terceira vez, eu entrei. “ Ah!, ah!... ri satiricamente quando estive outra vez
vestido com um corpo, “como nos velhos tempos”. Mas, não o era. Vi que era
somente pela prática de minha vontade que poderia reter o controle desse
corpo emprestado. Qualquer um com a mais débil personalidade que a minha
me haveria obrigado a sair outra vez, mas, eu tinha um caráter muito mais forte
que ele e pude mantê-lo tanto tempo como me era necessário.”
Logo me pus a trabalhar para cobrar velhas contas e comecei por
arruinar seu lugar. Ele parecia para todos ser o mesmo homem, quando todo o
tempo na realidade ele se achava sujeito a ficar cercado pela corda vital do
corpo, ao qual, não obstante, não podia entrar. Eu tratei muito mal sua esposa
que rapidamente caiu em desgosto, e levando seu filho com ela, requereu os
processos para o divórcio. Dei rédea solta a todos os vícios, como a bebida,
que poderiam danificar seu corpo e derrubei seu bom nome, através de várias
práticas obscuras. Todavia, cuidei de cair à margem da lei.”
“Mas, teria que trabalhar rapidamente, e completei minha tarefa com
isto:” Fui a uma joalheria, roubei uma grande quantidade de jóias, assassinei o
dono e me facilitei para ser capturado com esse corpo. Mantive-me no corpo de
meu inimigo até que soube que havia sido formalmente culpado do assassinato
e logo, o deixei no cárcere. Enquanto o fazia, escondi-me do espírito que
esperava vestir seu corpo outra vez. “
“Quando o caso entrou na fase das provas, eu estava ali, ainda que
invisível. O homem mantinha que não sabia de nada dos atos estabelecidos

111
contra ele, e realmente, isto era o certo. Ainda que o sabia como espírito, ele
não podia registra-lo em seu cérebro físico. Seu advogado usou como
argumento uma insanidade mental, mas como disse o Juiz em
resumo:”Algumas pessoas argumentam que todo pecado é uma enfermidade,
mas nós não podemos aceitá-lo” . “Há técnicas demais nesta loucura.”Os atos
suportados e escondidos mostram que este era somente o ápice e a conclusão
lógica daqueles outros detestáveis atos que ainda sua esposa, em vias de
separação tivera que suportar. Logo veio o veredicto: A morte.”
“Agora, meu prazer estava quase completo, mas, gradualmente várias
coisas vieram pôr tudo quase a perder. Ele, todavia, mantinha a sua inocência,
ainda que isto não mudou seu destino final. Além disso, sua esposa, que ainda
o amava e supostamente o conhecia bem, lhe deu crédito quando declarou que
não recordava nenhuma de suas faltas; ela aceitou o fato de que havia estado
temporalmente enfermo.”
“Isto teve o efeito de suavizar seu espírito rebelde, ele que em princípio
parecia que seria empurrado para baixo no momento da morte e se uniria a
nós. O capelão da prisão também acreditou nele e o consolou, apesar de tudo
o que pudemos fazer. Em resumo, quando nos reunimos na execução,
esperando a um furioso e vingativo espírito que havia sido obrigado a unir-se a
nós, e ao qual eu, tendo uma personalidade mais forte, podia dominar,
encontramos um grupo de espíritos de Luz, rodeando-o com um Guardião, nos
mantiveram encurralados e o levaram não sei para onde. Estes eventos
tiveram lugar nos Estados Unidos.”
“Subitamente, fui me dando conta de que uma mudança se operava em
mim. Meu corpo psíquico parecia deslizar-se de mim, e por mais que lutava,
não podia mantê-lo.”
“Onde estou indo?” gritei ao guia perverso que me perseguia.
“Ao inferno,”respondeu. “Não crês que já é tempo?”
“Mas, tu dissestes que fazendo estas coisas eu poderia manter-me
nutrindo este corpo psíquico.”
“Por um tempo, disse; e, assim o fizestes. De qualquer forma o estás
deixando agora.”
“O que é este outro corpo no qual estou?” gritei desesperadamente.
“Teu corpo espiritual”, respondeu, “e, nele tu realmente começarás a
sofrer.”
“Enquanto falava, me dei conta de sua zombaria comigo. Como o
detestava! Mas, era assim e já estava no Inferno, ainda que não no fundo. Isto
estava por vir , todavia. Já escrevi o suficiente por esta noite. Estudem-no e
pensem nele. O Sr. L. tomará o controle agora para encerrar. “
“Adeus no momento.”
O Oficial

112
Capítulo VII
NO INFERNO, A CIDADE DO ÓDIO (Roma)

Carta de “O oficial” 28 de março de 1913, às 9:30 horas.

O oficial. Quando os deixei na última vez, lhes havia dito que por fim
havia descido mesmo ao Inferno. Este era diferente ao plano terrestre em
muitas formas. Senti que caia no espaço, negro, escuro e horrível. Por fim,
alcancei o que parecia ser terra firme, já que descobri uma espécie de
caminho. A cada momento sentia-me deslizar em uma horrível imundície. Tudo
estava completamente escuro, e o bom era que eu passava por tudo isso. Me
sentia arrastado a uma certa direção por alguma estranha atração e finalmente
me detive em um plano pedregoso, desolado que parecia coberto de cinzas.
Todavia, na obscuridade, tropecei e lutei por ver alguma sociedade humana;
nunca havia estado tão exilado. Pouco a pouco comecei a ter uma espécie de
média visão, e de alguma forma, podia perceber que me aproximava de
alguma massa enorme, que aos poucos cresceu, era uma grande cidade. Me
detive em frente a ela, e vi como se estendia em frente, tão longe quanto podia
alcançar, ainda que não fosse muito distante. Havia um portão e, me dirigi para
ele. Nem bem havia alcançado a frente, quando notei que estava construído à
maneira dos portões romanos, que se abriram para dar-me passagem. Apenas
havia feito isso quando escutei um alarido arrepiante e um dos seres que
pareciam fazer o papel de guardião da porta que se aproximou de mim.”
“ Soube, então, que todos os espíritos que encontraria aqui seriam
inimigos, e me voltei de modo selvagem para eles, preparado para a batalha
pela vida, diria, mas supondo que seria um sonho absurdo. Lutar, o faria, e
quando havia posto minha vontade em faze-lo, as miseráveis criaturas se
voltaram e vieram. Assim aprendi minha primeira lição sobre o Inferno. Não há
leis aqui. O mais forte oprime ao mais débil e a força descansa na vontade e no
intelecto.”
“Eu prossegui o caminho tranqüilo, por um tempo, e vi que podia
distinguir os diversos edifícios como através de uma densa neblina.
Gradualmente, a idéia de que conhecia essa cidade cresceu dentro de mim –
era a antiga Roma! Sim, mas muito longe desta, já que havia sido queimadas
todas as construções desde os dias de César; e, a tempo me inteirei da
verdade. Este era o espírito de Roma e muitas outras cidades, com os edifícios
nos quais haviam sido cometidos, todos os feitos de crueldade e ódio. Todas
as emanações negativas que haviam sido atiradas por seus habitantes
anteriores haviam ido parar na Cidade Imperial do Inferno. Suas melhores
emanações haviam ido a alguma outra parte, aos reinos superiores; e, este é o
destino de cada cidade ou edifício construído na terra. Sua parte perversa é
arrastada ao Inferno, assim como suas formas puras vão aos reinos da
semicrença, ou da crença completa.”
“Observei que não somente era Roma, mas, também Veneza e Milão e
milhares de outras cidades onde haviam reinado o ódio e a crueldade. Esta
vasta cidade não é a única no Inferno. Há incontáveis outras. A cada uma
destas cidades, são atirados os condenados, de acordo com as leis naturais de

113
atração., alguns a umas, outros a outras. Além das cidades do ódio, há muitas
outras como as cidades dos vícios: Paris e Londres podem ser encontradas
aqui. Londres, ou parte dela pode ser encontrada em muitas destas “cidades”,
cada uma diferente; já que Londres tem tido diferentes formas e diferentes
épocas.”
“Eu segui meu caminho entre a sociedade, a pestilência e as
esplêndidas ruas. Com freqüência me encontrava com homens e mulheres
vestidos aparentemente com o tipo de roupas que usavam na terra. Mas, estes
trajes, eram sujos e rasgados. Alguns se lançavam a atacar-me, mas eu era
capaz de repeli-los com meu poder de vontade. Então me ocorreu uma idéia.
Por que não atacar a um deles, faze-lo meu escravo e obriga-lo a contar-me
sobre esta nova cidade, na qual teria que viver?”
“Agindo assim, atirei-me contra um homem, que se voltou, gritou e caiu.
Mas, eu disse que viesse até mim, e lentamente retrocedeu engatinhando,
lutando todo o tempo. Quando o tive, o fiz arrastar-se angustiado, para mostrar-
lhe que eu era o amo. Logo o fiz levantar-se e mostrar-me as vistas da cidade.
O tipo gemendo me conduziu a vários edifícios.”
“Gostarias de ver um show de gladiadores?” perguntou.
“Sim, disse”.
“Logo, estávamos no que parecia ser o Coliseu, e vi que o lugar estava
cheio. Agarrei a um homem e o tirei; havia uma mulher suja sentada próximo, e
eu a tirei também. Então, nós dois nos sentamos.”
“O show havia recém começado, e vi que opostamente a nós havia uma
casa real.”
“Lá está o Imperado”, sussurrou meu escravo em tom apavorado.
“Qual?”, perguntei.
“Não sei, mas é o Imperador, e rege esta parte da cidade.”
“Há outros imperadores aqui?” perguntei.
“Sim, muitos, e reis e generais, também.”
“Não lutam?”
“Lutar? De onde veio você estrangeiro?” Todos nós lutamos aqui. Esta é
a Cidade do Ódio e da Crueldade. Nós estamos constantemente lutando uns
contra os outros, distrito contra distrito, Imperador contra Imperador.”
“ Temos recém conquistado um distrito próximo daqui, e portanto, o
Imperador está celebrando sua vitória fazendo com que os prisioneiros lutem
contra os gladiadores. Aí vem eles.”
“Então começou o mais horrível show que eu já havia presenciado;
todos os horrores dos antigos shows de gladiadores, sem nenhum tipo de
redenção se apresentava diante de nossos olhos. Não havia nenhum mártir
para relevar a bestialidade do show. Não, somente eram homens contra
homens, ou homens contra mulheres e ainda contra pequeninos. Eram
infligidas toda espécie de torturas, enquanto as desgraçadas vítimas urravam e
gritavam. Era como se a cena fosse na terra, só que não havia morte que põe
em liberdade as vítimas. Isto continuava sem parar. Agora, quando eu a
descrevo e tu lês, o efeito produz náuseas e piedade. Mas, nesse então, o
efeito era o contrário. Isto movia em mim, a pior parte e fazia imergir uma fúria
de crueldade e ódio; assim como o faziam os outros.”
“Este era o objetivo do Imperador. Agora me despeço. Escreverei mais,
outro dia. “

114
Capítulo VII
O Oficial
O IMPERADOR, UM TEATRO NO INFERNO
Conversação em transe com “O Oficial” em presença de H.J.L.
30 de março

A cara do recém chegado era como o descrevi, quando o vi em


clarividência. Era uma cara forte, mas não agradável. Não obstante, pensei que
parecia muito menos marcada de maldade que quando o vi pela última vez.
O saudei amigavelmente e no mesmo instante, ele tomou o início de sua
narração, de onde havia parado em sua última carta.
O Oficial: “Por fim, o show havia terminado, e enquanto nos
dispersávamos, meu escravo e eu tomamos nossas posições perto da porta
para ver o regresso do Imperador. Notei muitos espíritos, homens e mulheres,
quase desnudos.”
“Disse a meu escravo: é a primeira vez que vejo espíritos desnudos. Nós
sempre parecemos vestir-nos por instinto.”
“Ele respondeu: estes são obrigados a agir dessa forma para que o
Imperador, distraia suas vis paixões.”
“Não é possível para eles terem relações uns com os outros, não ?”
“É certo, e deves saber que não tendo corpo físico, não podemos gozar
de nenhum prazer físico. Podemos pretender fazer essas coisas, mas é simular
algo vazio, uma vã pretensão. Nossas paixões sempre ardem tão ferozmente,
mas não temos corpos com que compensa-las.”
“Aqui, tem animais no Inferno?” disse, ao ver vários cães de caça
passar.
“Ele respondeu:”Não, estes são espíritos de homens e mulheres, e a
eles o Imperador obriga a tomarem essa forma, assim como os demais foram
obrigados a aparecer desnudos como crianças. Ele é tão poderoso que pode
obrigar-nos a assumir qualquer forma que deseje, ainda de seus nobres. Isto é
sua diversão favorita.”
“A procissão passou em meio a cenas das mais selvagens e cruéis.”
“Enquanto passava lentamente, um largo gemido de angústia se ouviu.
Várias formas de tortura estavam sendo impostas, algumas vezes dos
membros da Corte Imperial, e às vezes, dos espectadores que alinhavam-se
na caminhada. Em particular, notei que os cães eram repetidamente postos
para preocupar os homens e mulheres na procissão ou para arrastar os
espectadores frente ao Imperador.”
“Sua cara estava tão marcada de crueldade que era quase impossível
dar-se conta como eram suas feições originais. Se pensaria que em sua
juventude na terra, deveria ter sido um homem bem parecido, mas a maldade
havia quase ocultado isto.”
“Quem é ele? Perguntei. “É Nero?”
“Meu escravo, respondeu”: Não, amo. Me esqueci quem era, mas sei
que não é Nero. Nero é um escravo para esse homem. Nero é um ser débil,
comparado ao Imperador e ainda que tenha feito muitas vezes o início de uma

115
rebelião contra o Imperador, tarde ou cedo, este último o tem sempre afastado.
Enquanto, Nero é muito astuto e quase sempre escapa da vigilância daqueles
que o tem vigiado. Cada vez que é capturado, o Imperador lhe inflige os mais
agudos tormentos, em verdade, torturar a Nero é uma das diversões favoritas
do Imperador.
“Mas, seguramente deves saber quem era o Imperador em vida”
perguntei.
“O esqueci, se alguma vez o soube.”
“Mentiroso, vocês não esquecem. Diz-me de uma vez.”
“Como não podia conseguir nada dele, comecei a imaginar os mais
horríveis tormentos que podia divisar e por minha vontade de que ele os
sofresse e ele começou a retorcer-se de angústia.”
“Te levarei ao teatro, ele disse.”
“Que tipo de espetáculos têm aqui?”
“Oh! uns muito excitantes. Tratam-se dos famosos casos de ódio e
crueldade que ocorreram na terra, e se possível, os administradores tratam de
conseguir as pessoas originais para que reponham as mesmas cenas da terra
aqui.”
“Não têm nada que trata da luxúria ou da bebida?”
“Isso vem como partes auxiliares do drama, mas esta é a cidade do ódio
e da crueldade, e por conseguinte, essa é a inspiração dominante de todos os
espetáculos aqui. Nas cidades do vício, suponho que é o vício que domina.
Enquanto com freqüência este produz crueldade, vemos um grande número de
representações dele e de outros agradáveis vícios.”
“Se compõem aqui atos novos?”
“Não muitos, mas os que têm somente uma vã cópia das idéias que tem
ocorrido na terra. Entretanto, há muitos dramas de crueldade reais a cada dia
sobre a terra, e é dessa forma que nunca nos perdemos de uma nova função.”
“Suponho que nada original vem alguma vez do Inferno?” perguntei.
“Nada pelo que sei, mas sim muitas perversidades e paródias de todas
as partes.”
“Agora nos paramos frente a uma das portas de um grande teatro.
Havíamos caminhado alguma distância, e nesse local os edifícios pareciam
bastante modernos. O teatro certamente era bastante moderno, mas estava
sujo e descuidado.”
“As pessoas entravam apressadas em grandes quantidades. Nós fomos
com a multidão, e uma vez que atravessamos a porta, saltou aos nossos
ouvidos um ruído espantoso, e por isso que eles se atracavam com seus
vizinhos alegando que haviam sido empurrados, e que os haviam tratado de
roubar, ou por alguma outra razão. No guichê dos ingressos havia uma
constante rixa entre vendedor de bilhetes e as pessoas que vinham em busca
de um assento.”
“Molestado pela contínua confusão, fiz uso de toda minha força de
vontade, e apesar dos furiosos protestos da multidão, forcei meu passo,
arrastando meu escravo comigo. Este último, seguro abaixo de minha
proteção, e fiz o melhor que pude para golpear a vários deles que passavam,
trombando em uma mulher no caminho que caiu ao solo, onde a multidão a
pisoteou cruelmente.”
“Ao entrar no teatro, vi que quase a metade da audiência brigava entre
si. Perto de nós, brigavam um homem e uma mulher. Eles evidentemente,

116
haviam sido pessoas de boa posição social na terra, e suas roupas, ainda que
sujas e rasgadas, haviam sido em seu tempo caras e da moda. Mas, estes
brigavam como qualquer pessoa de bairros baixos, e enquanto os
observávamos, o homem, que evidentemente era mais forte, derrubou a mulher
ao chão, que caiu entre os assentos. Deliberadamente, a pisou e se sentou,
usando seu corpo para apoiar os pés, empurrando-a cada vez que tentava se
levantar.”
“Ao ver-nos, ele nos deu um sinal para que continuássemos adiante
dizendo:”Não se preocupem com ela, somente caminhem em cima. Eu gosto
de fazer dela um tapete, isso a faz boa. “ Para enfatizar isto, lhe deu uma
selvagem patada na mandíbula.”
“Nós caminhamos através dela, passando alguns lugares mais, pois ao
lado do homem estava assentos vazios. Era a sensação mais extraordinária,
porque seu corpo se sentia como carne e sangue reais, e ela se retorcia e
gemia como se estivesse viva. Claro que ela sentia sofrimentos similares aos
que houvera tido na terra, sob as mesmas circunstâncias, mas ainda que
nossas ações fossem mostradas aqui por nossa vontade, são nossas vontades
que nos infligem a dor.”
“Sentadas próximas de nós, haviam duas mulheres. Haviam sido
prostitutas em seus tempos, mas se viam espantosos vultos nas suas
expressões das mais vis crueldades que se desprendia de suas caras. Seus
olhos eram azuis, e seus cabelos dourados, tingidos. As examinou
cuidadosamente por um ou dois minutos, e então a que estava mais próxima
de mim (que disse chamar-se Rose) disse: “Bem, parece que te fascino. Que
pensas de mim?”
“Eu contestei: Creio que devias ser simpática alguma vez, mas a
crueldade a fez perder tua aparência. Mas não podemos pedir muito no Inferno.
Tu o farás e tua amiga também. Tomarei a ambas.”
“Bom, temos que ser consultadas primeiro”, respondeu e “não pretendo
ir contigo.”
“Nesse instante tomei suas mãos e disse: acerca-te e senta em meu
colo.”
“Por um instante ela resistiu, mas, logo caiu gemendo aos meus pés.”
“Agora volta a sentar-te e se lembra que és minha escrava,” lhe disse.
Logo continuei com a outra: “como te chamas?”
“Violeta.”
“Em verdade, é um bonito nome como o de tua companheira,
especialmente para tal demônio que és. Entretanto, eu sou mais selvagem
ainda, assim será melhor que me obedeças. Aproxima-te e faze o mesmo que
fez Rose.”
“Ela o fez sem murmurar.”
“Depois de uma conversação sem nexo, a cortina se levantou, e o ruído
da bagunça diminuiu gradualmente à medida que a cena se desenvolvia.”
“Não pretendo contar-te a peça. Basta te dizer que ainda que as luxúrias
e os vícios de toda forma se punham em cena com detalhes ante nossos olhos,
este passava a seu ponto culminante na tortura das câmaras da Inquisição.”
“Meu escravo, que se mantinha sentado calado, sussurrou agora: “Será
melhor voltar agora amo! No final dessa cena, os Inquisidores, invariavelmente
invadem a platéia e levam alguns ao palco para tortura-los.”

117
“Quando terminou de falar, o Grande Inquisidor deu um passo adiante e
apontando-o lhe disse:”Vem aqui miserável. “E, a desgraçada criatura, com um
lívido terror escrito em seus olhos, se levantou e, como se fora enjaulado
contra sua vontade, começou a encaminhar-se de seu assento, rumo ao
cenário.”
“Eu me senti agravado por isso, já que era meu escravo e uma vez que
havia sido tomado de mim, não poderia voltar a recupera-lo.”
“Era um assalto aberto em meu domínio e eu não o poderia permitir. Me
levantei em seguida e disse: “ Solte esse homem: É meu. Se queres torturar a
alguém, tortura a ti mesmo.”
“Um baixo gemido de excitação correu o teatro, enquanto a audiência se
punha em uma feroz batalha.”
“O Chefe Inquisidor me olhou fixamente.”
“Evidentemente és um estrangeiro aqui, do contrário não te atreverias a
desafiar-me abertamente. Bem, é tempo que aprendas tua primeira lição. Sobe
a este cenário, e combate comigo.”
“Não... desces tu aqui, contestei; e, então começou feroz batalha entre
nossas vontades. Eu sempre havia tido uma vontade de ferro, e esse dia me foi
de proveito. A atração magnética enviada desde esse cenário, era tremenda,
mas, vitoriosamente a resisti e desejei que ele viesse até mim. Por um grande
tempo lutamos, quando de repente um barulho se rompeu na platéia. Meu
inimigo havia sido obrigado a mover-se um passo adiante. Em seguida, se
lançou para trás outra vez e eu me senti empurrado fortemente para frente. O
gemido da platéia fez que minha mente vagasse por um momento; mas de um
golpe redobrei meus esforços e novamente ele se inclinava para mim. Esta
vez, enquanto não houve retrocesso; novamente outro passo e então começou
a mover-se lentamente para a borda da plataforma. Na borda, ele lutou
desesperadamente, e logo lançou um selvagem grito em direção da orquestra,
cujos membros caíram esparramados em todas as direções. Um forte barulho
de aprovação saiu de todos os que o viam.”
“Logo ele se levantou e caminhou lentamente para mim, enquanto a
platéia abria caminho porque o temiam.”
“Afinal, se achegou frente a mim. Então disse: vai ao cenário, eu te sigo.”
“Me conduziu indo na frente, completamente agitado, saltou lentamente
ao cenário e ali fez a seus assistentes inquisidores, infligir-lhes os mais vis
tormentos. Os aplausos eram ensurdecedores e quando havíamos visto o
suficiente, virei para descer do cenário e se escutou um estrondoso grito:”Tu
deves ser nosso Imperador; levanta uma rebelião contra o tirano.”
“Mas, isto me induziu a entrar em conflito com essa poderosa vontade.
Necessitava saber mais sobre essa cidade antes de tentar algo tão arrojado.
Ao mesmo tempo, soube que o conflito estava por vir e que seria impossível
esconder por muito tempo o que havia ocorrido no teatro. Uma vez que o
Imperador tomasse conhecimento, suspeitaria do perigo e tomaria medidas
para ele.”
“Portanto, disse: silêncio, não desejo reger aqui. Enquanto não for
atacado por ele, eu permanecerei fiel ao Imperador.”
“ Perante essas palavras, uma risada geral no prédio e vários
murmuraram: está assustado.”
“Silêncio cães, gritei. Se dizem uma palavra do que ocorreu aqui, lhes
farei sofrer os mais horríveis tormentos que são possíveis imagina.”

118
“O Imperador nos defenderá contra ti, disse um homem.”
“Nesse instante o trouxe no cenário, e os inquisidores o esfolaram vivo.
Se uso essa linguagem material é porque não posso explicar o que foi feito. A
platéia parecia uma desolação e o homem sentia assim, mas suponho que
embora não houvesse pele, o resultado era o mesmo.”
“Então despedi-me dos espectadores e chamando as duas mulheres e a
meu escravo, deixei o edifício.”
“Suponho que podes encontrar-me uma casa? Perguntei ao homem.”
“Sim, amo, queres esta? Pertenceu a um conhecido assassino, um
italiano do Renascimento. Creio que a acharás mais conveniente que uma das
antigas vilas romanas.”
“Assim será, lhe respondi.”
Tocamos à porta, e um servente nos abriu. No momento o lancei ao
chão.
“Golpeia-o na cara, disse às minhas mulheres e Rose o fez com grande
prazer.” Subi pelas escadas de mármore. Tudo estava sujo e quebrado, até um
grande salão. Nele o dono da casa estava sentado, rodeado de mulheres. O
arrojei e lancei-o pela janela, apropriando-me da casa com tudo o que continha,
incluindo as mulheres e os serventes.”
“Creio que é o suficiente por agora.”

Ele se levantou, mas eu ( J.W.) o detive por um momento: “quero fazer-


lhe uma ou duas perguntas.”
H.J.L. relembrou: “deves ser rápido porque tens estado aqui demasiado
tempo.”
Eu assenti e perguntei:” podes dar-me algum detalhe sobre os
gladiadores, que geralmente são desconhecidos para os historiadores de hoje
em dia?”
O oficial: “ Não sei exatamente quanto sabem eles, há muitas evidências
a respeito. Mas, talvez, tu não saibas: os gladiadores avançavam de um lado
em um sólido triângulo e de outro uma sólida falange. Tão logo como o
triângulo ou a ponta de uma cunha golpeava a falange, esta última se dividia
como uma tigela e caíam aos lados da cunha. Entendes isto?”
“Mais ou menos, “respondi.

119
Capítulo IX
UMA VISITA AO IMPERADOR

Conversação em transe – 6 de abril ( continuação da narração do Oficial)

“Não creio que seja necessário dar-te em detalhes tudo o que me


sucedeu no Inferno. Eu coloquei a trabalhar uma turma dos quais havia feito
escravos, e obtive uma absoluta obediência, mas lhes permiti patrulhar as ruas
em bando e atacar e maltratar a todos e cada um dos que caíssem em suas
mãos. “
“Um grande número de bandoleiros e ex-piratas, junto a soldados
recrutas, pertencentes a todas as épocas e países se apressaram a reunir-se a
minha banda. Afinal, o inevitável ocorreu: recebi uma citação para comparecer
diante do Imperador.”
“Fui acompanhado de um número de meus detidos. Logo que entramos
no magnífico mas sujo hall, o Imperador se levantou de seu trono. Este estava
colocado em um tablado cercado de grades semi-circulares. Ele me sorria de
forma a parecer-me simpático, mas suponho, eu podia ver o ódio e a suspeita
que havia em seu coração.”
“Essa é uma das coisas mais estranhas, nesta estranha terra. Todavia,
nós nos esforçamos em enganar ao outro e ainda pensamos que podemos
faze-lo, além de sabermos que os demais não podem realmente enganar-nos.
Nós vemos os pensamentos dos demais e ainda a razão nos diz que os outros
podem ver os nossos. Algum instinto nos conduz, todavia, a tentar enganar a
todos com quem temos contato.”
“O Imperador disse: amigo, tens feito muito já, considerando que a certo
tempo, estás no Inferno.”
Eu me inclinei. “Sua Majestade disse a verdade, e espero fazer muito
mais.”
“Até meu trono, murmurou ele. Mas, te asseguro que não acharás fácil.
Esse tempo não chegou, nem chegará. Vem, sejamos amigos tu e eu.
Seremos como Davi e Jonas, e entre nós estenderemos os domínios sobre os
que eu governo. Se for necessário, como Antonio e Otávio, podemos afinal
lutar pelo trono, para determinar a quem pertencerá. Por ora, como os sábios
generais, unamos nossos esforços e obriguemos a nossos príncipes vizinhos
reconhecer nosso domínio.”
“Veja, te farei meu general e começarás tua carreira atacando a um
homem chamado Danton que tem aterrorizado a área próxima desta cidade.
Anteriormente pertencia a outro príncipe, mas este homem desceu ao Inferno,
com um grande séqüito e esculpiu este belo reino para si. É conhecido como
Paris da Revolução.”
“Eu vi bastante claro seu objetivo real. Ele temia cruzar abertamente as
espadas comigo, e sentia que minha constante presença perto dele e longe
dele, era um perigo.”
“Ele previu que por isto, em qualquer momento poderia me chamar de
Coração do seu Império, por um tempo; e, além disso, esperava que resultasse

120
uma das três coisas – que eu fosse enganado e feito prisioneiro por Danton, ou
que ele poderia intervir no resultado e afastar-nos a ambos. Se algum dos dois
fracassasse, ele, todavia, considerava a terceira alternativa vantajosa: que eu
poderia vencer a Danton, e obter seu precário trono. Nesse caso, ele
acreditava que eu devia estar muito ocupado, retendo o controle sobre meus
novos terrenos e não seria capaz de fazer-lhe dano. Ele por sua parte, haveria
trocado um inimigo por outro, e me encontraria tão debilitado pelo conflito que
poderia me atacar e vencer-me facilmente.”
“Mas, ainda vi suas intenções reais – me suplicava que aceitasse. O
único que sabia era eu, de que um fracasso significaria. Por outro lado, eu
sentia confiança que seria capaz de superar a Danton e juntando seus
dominados e os meus, poderia retornar e atacar o Imperador com muito mais
probabilidade de êxito.”
“Aceito com presteza a grata oferta de Sua Majestade,” disse.
“Logo, o Imperador ordenou uma grande festa e pediu a participação de
toda a corte.”
“Eu era o convidado de honra desta festa.”
“Diante de nós foram colocadas maravilhosas vasilhas contendo toda
espécie de comidas, mas quando tencionamos comê-las, sentimo-nos
vorazmente famintos e sedentos, não havia nada. A festa de Tantalus não era
uma invenção do cérebro do poeta, sim uma horrenda realidade.”
“E, ainda que tudo fosse uma farsa, os miseráveis convidados eram
obrigados a desfruta-la, porque o Imperador assim o mandou. Ele, mantendo
firme a pretensão que obrigava os outros a manterem, estava sentado ali com
um sarcástico sorriso sobre seus trapos. Eu, também me fiz seguir seu jogo e
observei os esforços que os outros empenhavam para manter-se alegres.”
“Tudo não passava de uma falsa pretensão. Havia uma grande
orquestra tocando durante a festa, mas apesar dos esforços, não eram
capazes de produzir uma harmonia real. Era simplesmente horrível a
discordância, mas certos de que, os presentes deviam simular desfruta-la. “
“Depois da festa, as mesas foram removidas e os gladiadores lutaram
em frente ao Imperador. Aos poucos, as gladiadoras mulheres tomaram seus
lugares e estas lutaram com uma feroz e demoníaca crueldade que excedia a
dos homens.”
“Não darei detalhes de todas as diversões que haviam na festa do
Imperador: não serviram para nenhum propósito útil. É suficiente dizer que
estas incluíam todas as formas imagináveis de crueldade e luxúria e que
muitos deles eram perpetrados pelos mesmos convidados.”

121
Capítulo X
O ATAQUE A DANTON

“Pouco depois de haver deixado a festa, enviei alguns de meus


partidários a uma busca de voluntários. Arranjado um considerável número de
gente, e havendo-os reunido comecei a marcha pela rota através da cidade a
qual levava a um distrito no qual Danton era o Supremo.”
“Enquanto marchávamos, milhares se congregaram às nossas tropas, e
afinal, ao alcançar um espaço aberto que parecia um terreno desperdiçado,
como os que se costumam ver dentro e fora das grandes cidades, os apressei
e comecei a dividi-los em esquadrões e companhias. Em tal multidão acirrada
havia barões da Idade Média, piratas chineses, piratas ingleses (bucaneros),
soldados de recruta de todos os rincões da terra, ali se reuniram e gritaram de
modo selvagem e excitados, para serem guiados contra o inimigo. Em certos
momentos variavam isto, lutando entre eles.”
“Gradualmente, os separei em divisões e os coloquei sob as ordens de
um oficial. O falatório era a completa falta de disciplina, mas isto era
recompensado pela vontade dominante dos oficiais que havia escalado.
Supostamente, eles conspiravam contra mim e tive que estar sempre
preparado para destruir qualquer motim.”
“Prosseguimos nosso caminho, as tropas acertavam seu passo no pior
estilo dos soldados, isto é, violando as casas, saqueando-as e maltratando a
seus habitantes.”
“Um fato particular que notei, era que eles pareciam incapazes de
reterem em sua posse o que havia roubado. Uma vez que eles conseguiam
algo, este deixava de interessa-los e os atiravam para o lado.”
“Quando alcançamos os confins do distrito mantido por Danton, enviei
adiante um batalhão de exploração, o qual regressou logo, trazendo com eles
vários homens.”
“Estes usavam roupas de moda da época da Revolução e deles obtive
uma grande informação.”
“Claro que estes tratavam de enganar-me, mas como podia ver seus
pensamentos, fracassavam como sempre ocorre no mundo espiritual.”
“Esta gente era aquela que vivia durante a Revolução da França. Alguns
deles, eram os que apoiaram a Danton, outros eram seus oponentes. Sua
principal diversão, era a guilhotina, mas já que o objetivo desta era produzir
uma rápida e comparativamente morte indolor, tiveram que alterar o
procedimento da execução.”
“Supostamente que não há morte no Inferno, e seus objetivos são infligir
o máximo de dor possível. Eles colocam a vítima em uma tábua e a deslizam
sob a guilhotina, os pés do homem, em lugar da cabeça, caem em frente à
multidão. A faca da guilhotina se levanta e cai uma dezena de vezes ou mais, e
corta a vítima em talhadas. O homem sofre uma dor semelhante a que houvera
sentido na terra; mas, as partes mantém-se unidas. Por isso, se sofre uma e
outra vez as agonias da morte; mas, sem a ajuda dessa grande benfeitora que
na terra põe algum limite a dor que o homem pode suportar.

122
“Quantas raras vezes o homem se dá conta de que a morte é mais uma
amiga que uma inimiga! Com quanta freqüência tem desejado outra vez a
morte para vir o dia em que realmente ela chega!”
“Os homens desse distrito, também reproduzem, quanto lhes é possível,
os principais episódios da pior época da Revolução. Em particular, eles
mantém paródias blasfematórias dos serviços religiosos, como os faziam então
e continuamente repetem o famoso Festival da Razão, incluindo-se em
escarnecer solenemente ante a prostituta original que na terra recebia seus
aplausos. “
“Havendo obtido esta e mais informações, delineei meu plano de
campanha e avancei então ao condado do inimigo. Enquanto o fazíamos,
procuramos ainda fazer o maior dano possível às casas da gente que
encontrávamos. Enquanto os torturávamos, os convertíamos em escravos, e
destruíamos suas casas. Podíamos fazer isto já que estávamos nos arredores
das “formas” dos edifícios, mas, tão logo como nos movíamos para alguma
outra área, deixávamos de interessar-nos, os edifícios reapareciam.”
“Como nós, eles são “formas”, e portanto, indestrutíveis; eles somente
parecem desaparecer, porque nossas vontades são mais fortes que as dos
proprietários, pelo momento apenas; mas, tão rápido como a vontade deles
mais forte se altera, também rapidamente como se deseja pensar neles,
assumem sua forma original. É similar ao feito de que o Imperador pode
obrigar a seus submissos a assumir as formas de animais. De forma
semelhante, nós obrigamos a estas formas a desvanecer-se, mas tão logo
como desaparece essa vontade, reassumem sua forma original.”
“Nós avançamos rapidamente ao país do inimigo. Aqui vimos as forças
inimigas reunidas ao largo da colina. Devo explicar aqui, que havia um país
aberto entre a cidade governada pelo Imperador e Paris da Revolução. Essa
área era realmente extensa, mas suficiente para atuar como barreira entre as
esferas de influência. Foi criada e retida pela vontade determinante de Danton,
do contrário, haveria sido coberta de casas. É impossível dar-te sequer
medidas aproximadas, já que segundo seus sentidos o espaço não existe.
Enquanto era suficientemente grande para abrigar as duas grandes armadas, e
levar adiante todas as evoluções complicadas que necessitam numa batalha. O
campo em si, era o mais triste desperdício que é possível imaginar. Era negro e
queimado, e coberto de cinzas, por assim dize-lo.”
“Haviam fileiras de colinas, e Danton havia tomado sua posição mais
afastada, enquanto que nós ocupávamos a colina mais próxima da cidade do
Imperador. Por cima, como sempre o Inferno, o ar era negro, e a atmosfera
densa como uma fumaça. Nós podíamos entretanto, ver-nos uns aos outros
apesar de que não havia luz.”
“Eu agrupei minhas armas pesadas em três principais divisões.”
J.W.:” Armas? Queres dizer que há artilharia no Inferno?”
Oficial:”Certamente. Aonde supões que as “formas”de todas as armas de
destruição que os homens têm inventado vão, senão no Inferno? Não há lugar
para elas no Reino da semi-crença e elas devem ir a algum lugar. Agora, o fato
realmente interessante reside nisso. Os homens que na terra nunca tinham
usado rifles ou armas modernas, são quase completamente incapazes de usa-
las. Estas armas são “formas”, e a dor que elas infligem no Inferno são

123
mentais. Esta é muito similar à dor física, já que é a forma mais fácil que a
podemos sentir.”
“Um homem na terra não tem conhecimento de nada dos efeitos da
ferida de um rifle, verá que aqui é quase impossível de imaginá-lo. Ele não
poderá certamente impor esse tipo de dor em outro e não seria susceptível
dele como outro o imagina. Um homem que na terra tenha disparado uma bala,
lastimavelmente, será capaz de impor esse tipo de sofrimento a outro, ou dar-
se conta dele quando o outro trata de impô-lo. Mas, o homem que pode infligir
e sofrer mais duramente tal dor é aquele que na terra tem sofrido na realidade
esse tipo particular de tormento.”
“Aqui vêm aqueles com freqüência, os mais vis torturadores daqui são
aqueles que na terra foram torturados. Se eles morreram sem perdoar, as
dores que tem sofrido os capacitam para separar-se de seus velhos opressores
de forma mais espantosa. “
“Está claro este assunto?”
J.W.: “Creio que sim. Um caso paralelo na terra pode ser encontrado no
hipnotismo. Tenho compreendido que um hipnotizador pode fazer sofrer a
seus pacientes de sensações e dores segundo sua vontade. Ele pode fazer
saborear um limão que não se encontra na boca do paciente e sim do
hipnotizador. Assim também, ele pode impor dor, especialmente dores
associadas a nervos contrariamente, pode tirar a dor que o paciente está
sofrendo realmente.”
Oficial:” Precisamente. Isto supostamente, é o mesmo poder, mas na
terra pode ser usado somente até um certo limite, porque a matéria interfere.
Devo acrescentar que este poder pode ser usado tanto para ajudar, quanto
para prejudicar aos outros. Muitas das cerimônias de magia negra estão
baseadas neste princípio. Assim, os bonecos de cera que são atravessados
por alfinetes onde deviam estar os pulmões, seriam utilizados meramente para
que o mago pudesse concentrar sua mente na de seu inimigo e assim causar-
lhe o mesmo sofrimento que pretendia infligir no boneco.”
“ Era supostamente fácil causar dor produzindo distúrbios na mente ou
em todo caso, no sistema nervoso. Mas, há pouquíssimos homens com um
poder de vontade transcendental, capazes de afetar diretamente a matéria, já
que sua mente mais elevada é mais poderosa que a matéria. Esses casos são
raros no planto terrenal, mas se generaliza mais neste plano.”
“Te darás conta, portanto, que cada corpo de tropas empunhava os
armamentos que lhes eram familiares e de maneira semelhante, na maioria,
aqueles que não sabiam nada de disparos e projéteis, não saiam feridos por
eles. Esta última regra, não é tão absoluta como a primeira, já que alguns
homens de excepcional poder de vontade podiam infligir este tipo de dor, aos
que conheciam através dos mais débeis de vontade.”
“Ainda tínhamos canhões, não tínhamos cavalos, já que os cavalos são
animais com uma alma separada e não somente formas, como os objetos
inanimados.”
“Essa dificuldade era parcialmente superada ao obrigar um grande
número de espíritos a assumir as formas dos cavalos, alguns para tirar o
canhão, outros para atuar como cavalaria montada. Eu estava ali, copiando os
métodos do Imperador, e lhe encontrei uma função mais útil, o que não ocorreu
com Danton. Creio que seu poder de vontade não era suficiente para comandar
sua tropa em nenhuma medida. Tem poucas coisas que os espíritos do Inferno

124
odeiam mais que ser obrigados a perder, ainda que seja temporalmente, suas
“formas” originais. Para suas mentes materializadas, isto parece como perder
suas identidades.”

125
CAPÍTULO XI
UMA BATALHA NO INFERNO

“Logo a batalha começou em sua forma real. Comparado a ela, a luta na


arena houvera sido uma inocente brincadeira infantil. Quase todos os homens
haviam estado acostumados a lutar toda sua vida. A batalha, para um
observador casual, haveria de parecer-lhe como uma batalha na terra, salvo
pelas curiosas mesclas de toda espécie de armas e vestimentas. Os cavaleiros
armados iam uma e outra vez à carga, enfrentando-se com as sólidas falanges
de Republicanos armados com pistolas em sua maioria.”
“Danton era suficientemente astuto para saber que contra os homens
que não sabiam nada de disparos e projéteis, estes modernos métodos de
destruição haviam sido comparativamente eficazes.”
“Os gladiadores romanos alcançaram a dianteira em uma sólida falange
para encontrar-se com o regimento na colina carregados com baionetas. As
artilharias inimigas responderam às nossas; mas, sendo exclusivamente da
época da Revolução, não eram efetivas como algumas das nossas pistolas.
Nisto, a força e a debilidade da arma de Danton eram semelhantes. Esta era
muito mais coerente, e se mantinha unida não somente por sua dominante
vontade, mas pela solidariedade de interesses e história, e supostamente
minha força carecia deste úteis adicionais. Por outro lado, eles não podiam
empunhar nenhuma arma moderna de destruição, enquanto que eu sim, o
podia fazer. Assim, a batalha continuou pelo que nos pareciam anos.”
“Os claros entre os dois exércitos eram cobertos com o que parecia ser
feridos e homens mortos, e os gemidos de angústia se levantavam acima do
rugir das armas. Devo acrescentar que a chama que saltava cada vez que um
revólver era disparado, era visível, mas não produzia luz, e corresponde a dizer
que nada iluminava a escuridão circundante.”
“Mas, minhas forças não somente sobressaíram em número às de
Danton, mas em sua totalidade, os excedia em ferocidade, e por fim, pudemos
reprimir seu lado esquerdo, e logo guiá-lo de sua posição para onde
claramente pudemos encurrala-los. Aqui sua armada foi coagida entre meu
triunfante lado direito, que agora ocupava sua posição anterior na borda, e o
resto de meu exército que permanecia no ângulo das cercanias da cidade do
Imperador.”
“Aqui eles caíram completamente esparramados, assim que tentaram
escapar para o vale por nossa esquerda, já que os três lados estavam
cercados. Este plano te mostrará a posição final.”
O oficial boquejou asperamente a seguinte frase, como com fogo:”O
número de nossos prisioneiros era enorme, já que pouquíssimos tiveram êxito
em escapar por nossa esquerda.”
“Minha primeira ação era obrigar a um grande número deles a assumir a
forma de cavalos e por em liberdade a meus homens. Eu disse isto não por
consideração aos meus homens, e sim porque dessa forma poderia concentrar
suas vontades em manter os prisioneiros.”
“Logo continuamos para cima do povo e o destruímos. Devia ter dito que
uma grande proporção da armada de Danton, consistia de mulheres, e estas

126
lutavam, todavia, com mais ferocidade que os homens. Conseqüentemente,
quando elas caíram em mãos de minhas vitoriosas tropas as torturas que
infligiram nestas mulheres carecem de palavras para descreve-las.”
“Nós, supostamente, saqueamos Paris da Revolução tanto como nos era
possível. Submetemos aos habitantes a inimagináveis sofrimentos. Mas os
bens que roubamos eram inúteis para nós; o vinho que bebíamos não deixava
nenhuma impressão em nossos esôfagos fantasmas; tudo era uma fraude. Não
havia nem sequer a satisfação que se consegue em sonhos. Ainda em nossos
sonhos estamos em contato com nossos corpos físicos, por isso podemos
interpretar os gostos e sensações próprios do corpo físico.”
“No Inferno, embora possamos sofrer dores, não podemos gozar dos
prazeres. Essa é a primeira grande lei do Inferno, se posso usar a palavra – lei
– num lugar onde é essencialmente a negação de toda lei.”
“Eu comecei a trabalhar logo para estabelecer-me em meu novo trono.
Me surpreendeu saber, entretanto, que havia perdido a um considerável
número de indivíduos de Danton. Eu não sabia então, mas logo me inteirei que
a expulsão de Danton, havia permitido a alguns que estavam saindo dessa
espécie de vida, ter esperanças de algo melhor, e uma vez que isto ocorreu,
lhes foi concedido a ajuda para escapar e começar os primeiros passos para o
progresso.”
“Assim, o espantoso pesadelo desta batalha, alcançou a possibilidade
de progresso de alguns. Isso ocorre com freqüência, no Inferno, mostrando
quão maravilhosamente pode Deus obter algum bem do demônio.”
“Creio que tens escutado o suficiente, e aqui encerro minha narração por
agora.”
H.J.L. disse então: “Sim Jack, creio que é tempo que voltes.”
Então me submergi na inconsciência.
J.W.

127
CAPÍTULO XII
UMA SEGUNDA VISITA AO IMPERADOR

H.J.L. havia recém terminado de saudar-me, quando o Oficial entrou na


habitação. Quase imediatamente começou:
“Havendo-me estabelecido no reino, logo comecei a dar-me conta dos
horrores do reinado. Nem por um momento pude sentir paz. Não havia
descanso. Sempre tinha que estar alerta, para suprimir alguma revolta e
derrotar alguma engenhosa trama.”
“Me sentia como um animal perseguido, rodeado por um monte de cães
saltitantes que somente esperavam sua oportunidade quando eu baixasse a
guarda. Empenhava toda minha diabólica crueldade para aterrorizar a meus
inimigos mas, era em vão. Não podia mata-los e o único efeito de minhas
torturas era que eles me odiaram mais.”
“Pouco depois recebi uma mensagem do Imperador felicitando-me por
meu exército e convidando-me a visitá-lo. Recusar o convite teria sido
reconhecer que eu temia o Imperador; ao mesmo tempo, minha ausência do
reino seria o sinal para a revolta. Entretanto, decidi arriscar-me por este último
retorno para ver o Imperador. Coloquei para tanto uma guarda considerável.”
“Fui recebido com muita pompa e esplendor, ao menos assim o parecia.
Realmente, todo o show era uma farsa. A banda que tocava somente podia
produzir um ruído discordante; os tapetes que adornavam as ruas estava sujos
e andrajosos, as flores que estavam espalhadas conforme dava passos, as
percebia murchas e delas exalava um odor de podridão; as damas que
precediam a nossa procissão se voltavam espantadas com olhos de crueldade
e luxúria que marcavam seus rostos.”
“Depois de reunir-me à procissão do Imperador, fomos juntos a
presenciar um show de gladiadores. Terminado este, nos dirigimos ao palácio,
onde teve lugar uma grande festa. Era o mesmo show vazio que o resto. Não
havia nada real, exceto a maldade.”
“Tu gostas de cuidar do reino?” perguntou o Imperador. “Nunca
descansas a cabeça, não ?”
“Eu ri. É melhor que estar abaixo de Sua Majestade, em todo caso.”
“Muito provável. Mas, imagino que deves estar um pouco cansado, de
estar sempre alerta. Eu sei. Quando eu quero mudar, vou pouco a terra de
novo. É maravilhosamente relaxante e refrescante depois da ativa vida que
tens que levar aqui.”
“Por um momento minha curiosidade foi mais forte que minha sabedoria,
e disse:” mas, como fazes para regressares a terra? Eu pensei que uma vez
perdidos nossos corpos astrais ...”
“Tu és jovem, todavia, respondeu, “ ... e tens muito que aprender; mas,
me surpreende que não saibas desse simples ato. “Ele me olhou pensativo e
continuou:”Se um espírito do Inferno faz um pacto com um mortal na terra, é
possível adquirir ou em todo caso emprestar-me por um curto tempo, um corpo
astral temporal. Às vezes, é possível para tal espírito obter por um certo tempo
um corpo material.”

128
“Era costume dizer que esses homens, seja conhecidos como magos, e
as mulheres como bruxas e os espíritos que eles invocam são sempre
demônios. Muitos deles eram elementares e poucos podem haver sido
demônios propriamente, mas a maioria deles eram espíritos humanos justos e
não sempre espíritos maus.”
“Suponho que esse é um assunto perigoso julgar com feiticeiros. Eles
tratam sempre de reduzir o espírito associado com eles à posição de um
escravo servil. Suas vontades são fortes, e se o espírito é muito débil, podem
reduzi-lo `a posição de absoluta subordinação por um tempo.”
“Mas, como podem eles darem força à sua imposição?”
“Pelos mesmos métodos pelos quais tu e eu damos força à nossa,
somente a força de suas vontades. Assim, como nós podemos infligir qualquer
tipo de dores que escolhemos para nossos subordinados, assim também
podem faze-lo estes magos sobre seus espíritos escravos. Então, na verdade,
podemos passar bons momentos gloriosos, por um tempo.”
“Ele se levantou:” vamos agora presenciar a função que haverá no teatro
privado”, e não se referiu mais ao tema da magia. Mas, o que havia dito deixou
uma profunda impressão em minha mente. Quedei-me tão pasmado com a
idéia que deixei de ver o perigo que se acenava com ela. Não tenho dúvidas de
que o Imperador agarrou o tema com o objetivo de induzir-me neste perigo,
mas eu não o percebi.”
“Sempre estive me perguntando porque não o percebi. Podia ter sido
que o Imperador realmente tinha uma vontade mais forte que a minha e era
capaz de preveni-lo que eu via o mais recôndito de sua mente exercitando ao
máximo essa vontade. Pode ser que me chamasse tanto a atenção essa idéia
que não disse nada para chegar ao fundo dela e averiguar qual era seu real
objetivo.”
“Claro que não imaginei nem por um momento que me havia feito essa
sugestão com a única finalidade de fazer-me dano. Pensou que se eu deixasse
meu domínio, para ir julgar os truques na terra, seria deposto de imediato.”
“Eu sabia na verdade que este poderia ser o caso, mas também senti
que era certo que não encontraria maior dificuldade em derrubar o usurpador
em meu regresso. Na realidade, ele o sabia também; mas, também ele sabia
que depois de um tempo o feito desse novo pecado tornaria impossível meu
regresso até essa divisão do Inferno. Estaria de fato obrigado a cair ainda mais
abaixo. Ele esperava assim livrar-se de mim.”
“Eu não sabia isso, e estando ansioso de provar essa nova experiência
por várias razões, decidi faze-lo. Minhas razões eram primeiramente, que
queria algo de descanso, ou em todo caso a troca, de constante estado de
alerta no Inferno; segundo, seria uma nova experiência, e portanto, de
interesse em si mesma; terceiro, a possibilidade de ver outra vez a terra me
levou a uma nova sensação, a qual só pode ser comparável à nostalgia que um
homem tem de seu lugar.”
“Eu regressei logo para Paris da Revolução e encontrei a guerra civil em
franco progresso. Um setor havia liberado a Danton e o haviam colocado no
trono. Em seguida me ocupei do assunto e Danton e os outros imbecis
regressaram às câmaras de torturas.”

129
CAPÍTULO XIII
O OFICIAL E O MAGO

“Logo me pus a buscar algum homem que na terra houvera sido um


feiticeiro. Descobri a muitos, mais do que esperava, mas a maioria só o havia
praticado como jogo. A razão, suponho, era que aqueles que realmente haviam
obtido algum conhecimento considerável do assunto na terra, haviam caído
mais baixo no Inferno que eu.”
“Encontrei entretanto, a um homem que havia estado associado com um
homem muito mais capaz e que havia caído mais abaixo. O homem sob meu
domínio me contou que havia aprendido do outro, ainda que não se atrevia a
praticá-lo e logo descobri como colocar-me em contato com um mago na terra.”
“Este “estudante do oculto” era alemão e vivia em Praga, ou melhor
dizendo, nos umbrais dessa cidade. Ele sabia muito da magia e já havia
descoberto como “levantar” e controlar aos espíritos dos mortos ou dos
espíritos de débil vontade do plano astral. Ele também pode fazer algo com os
elementares. Estava agora trabalhando para levantar “um demônio real do
Inferno”, e foi ali que eu respondi a sua invocação.”
“Eu o coloquei a trabalhar o velho mago que estava no Inferno, diante de
mim, apesar de seus rogos, já que estava aterrorizado. Quando seus
encantamentos se elevaram, estes se puseram em contato com os dos
homens da terra. Esta corrente de encantamentos logo se fizeram claros para
mim e fui informado que havia na terra um que queria a alguém como eu.”
“Voluntariamente entrei na corrente da invocação e juntei minhas
vontades às dos outros. No momento me pareceu ser puxado para o espaço e
me encontrei diante dele.” “O estudante do oculto”, como ele mesmo se
chamava, estava parado no meio de seu círculo mágico, dentro do qual haviam
dois triângulos formando uma estrela de seis pontas. Em volta de tudo isto
havia pentágonos, e toda sorte de signos místicos. Uma vela ardia no canto e
dele se levantava um pesado perfume que lembrava o cheiro de fumo.”
“O quarto em si estava perfeitamente escuro, e parecia ser um sótão
com as paredes de pedra, e o piso do mesmo material. Em alguns cantos
haviam velharias de um dos lados da parede e alguns móveis. Mas, a maior
parte da habitação estava vazia.”
“Ainda que podia vê-lo, ele não podia ver-me, e continuava suas
pesquisas. Eu comecei a desejar que ele me pudesse ver; e então percebi uma
mulher fora do círculo, a pouca distância dele. Não estava morta, mas em
transe, e soube em seguida porque ela estava ali. Ela era médium, e dela pude
construir por algum tempo, uma habitação temporal.”
“Me movi para ela e comecei a sacar-lhe os elementos mais etéreos, ao
mesmo tempo que exercia minha vontade no intento de que pudesse ver-me.
Em pouco tempo o fiz. Eu duvidava de que um ordinário mortal pudesse faze-
lo, mas ele tinha certa clarividência, ainda que não no mais alto grau.”
“Quando me tornei visível para ele, percebi que eu emitia uma espécie
de luz lilás. Não era algo como o fogo brilhante da ópera quando Mefistófeles
aparece, mas evidentemente essa tradição havia crescido de algum fenômeno
semelhante ao que eu estava produzindo nesse momento. Não estou muito

130
seguro do motivo, se foi devido ao predomínio do ódio em minha aura ou
simplesmente porque o mago esperava que eu viesse nessa forma, mas em
todo caso, se ele esperava um ser com chifres e rabo, não o conseguiu. Pude
ver que ele estava contemplado de temor, mas venceu a si mesmo e
gritou:”Vem aqui escravo, eu mando.”
“Escravo, maldito”, respondi, “eu não sou escravo de nada. Se queres
meus serviços deverás pagar por eles.”
“Isto pareceu desconcerta-lo um pouco. Verás que isto não seguiu as
tradicionais linhas de evocação dos demônios de acordo com as antigas
lendas. Na realidade, os cantos deste tipo de coisas emanaram quase
unicamente da boca dos magos e sem dúvida foram regradas à sua
conveniência.”
“Depois de um tempo ele disse:” o que é que tu pedes?”
“A resposta correta haveria sido:” tua alma imortal ”, mas eu não dava
um maldito vintém por sua alma. Assim veio minha vez de duvidar. Afinal,
respondi:”que tu tens para oferecer-me? ”
“A resposta veio de imediato: “minha alma.”
“Não, isso não é de utilidade para mim, e em todo caso, já está
condenada. Não, eu quero algo que me beneficie pessoalmente.”
“Bem, e se te dou um corpo mortal, assim poderias caminhar por esta
terra a semelhança de um homem?”
“Podes fazer isso? Porque eu não tenho um corpo astral, perguntei.”
“Não obstante, eu posso fazer uma para ti e habilitar-te assim para obter
o controle de um físico.”
“E, ele disse a verdade, porque por seu conhecimento do oculto, ele era
capaz de atrair uma multidão de cortesias astrais vazias e elementares com
maior luz. Apoiando-me em um destes últimos, o moldei à semelhança d que
eu era antes e tive um corpo astral. Logo, abordando o médium, construí com
sua ajuda um corpo material real.”
“Dei um grito de prazer. Depois de todo esse pesadelo de horror estava
de volta a terra. Mas, anda quando me sentia assim, sentia que somente era
uma realização temporal.”
“Posso sair? Perguntei.”
“O duvido, respondeu ele. Entretanto, podes tentar.”
“Subi as escadas de pedra e sai a luz do dia. O efeito era mágico, tanto
quanto desagradável. Senti que me dissolvia embora houvesse minha coberta
física.”
“Me apressei em voltar ao sótão, e tivemos que começar outra vez a
materialização.”
“Bem, ele disse: um corpo que se derrete ao sol não é muito bom. Tens
que fazer algo melhor que isso...”
“Tu podes sempre, tomar controle de alguém e cuidando desse tipo de
corpo materializado poderás levantar-te e mover-se ocultamente”, ele disse.
“Para trocar este, eu aceitei ajudar o mago em seus planos.”

131
CAPÍTULO XIV
A MALDADE QUE ELES TRAMARAM

“Ouro, poder e vingança, eram as principais coisas que ele desejava. Ao


mesmo tempo ele não depreciava as menores vantagens. Ele tinha perto de
uma dezena de mulheres sobre as quais havia adquirido absoluto controle, as
quais eram todas mediúnicas. Ele se valeu delas para ajudar a se materializar
espíritos e produzir outros fenômenos.”
“Eu o ajudei a adquirir muito ouro. Era um processo simples. Eu podia
passar através da matéria em minha forma astral e desmaterializar algumas
formas de outro, levá-las a algum lugar seguro e tomar ali seus elementos
materiais novamente, os que por algum tempo haviam sido espargidos. Este
processo necessitava um considerável poder de vontade, e um método mais
fácil era tomar o controle sobre alguns habitantes da casa onde o ouro estava
enquanto estavam dormindo ou em transe. Estes coletavam tanto ouro quanto
pudessem e o transportavam a algum lugar escondido pelo mago e por mim.
Logo regressavam e não recordavam nada do ocorrido, na manhã seguinte
quando despertavam. “
“Uma ou duas vezes foram seguidos e arrastados, mas ainda que
fossem castigados por roubo, nunca suspeitaram do “estudante do oculto”.
“Eu fui muito útil para meu amo em cumprir seus esquemas de vingança,
já que tinha muitos inimigos. Ele tinha um particular desagrado por todas as
formas de religião e as descarregava no clero cada vez que tinha uma
oportunidade.”
“No princípio, ele se contentava com um leve dano. Os elementares
praticavam seus truques sobre suas vítimas: tiravam as coisas da habitação, as
vidraças eras destroçadas, despertavam suas vítimas levando-lhes as roupas
de cama, etc. Mas, com o tempo, ele se deu conta que podia fazer estas coisas
com impunidade e seu vicioso caráter se desenvolveu. Os beliscões e socos
deram lugar à violência física. Suas vítimas eram atiradas escada abaixo, ou
sofriam atentados de incêndio em suas casas. “
“Enquanto os fenômenos se tornavam mais malévolos, os elementares
em sua maioria caiam mais abaixo e também os espíritos dos mortos, que o
serviam começaram a mostrar resistência. Eles não se atreviam abertamente a
desafiar o mago, já que ele tinha métodos para faze-los sofrer.”
J.W.:”Mas como o faziam?”
“Por sua vontade. Ele mesmo assim, os hipnotizava. E, os espíritos eram
gente tão débil de vontade que eram obrigados a fazer o que ele queria. Ele os
fazia sofrer caso resistissem, tal como nós fazemos sofrer os outros no Inferno.
Entretanto, ele se deu conta que ainda eu não podia ser amenizado nem
intimidado, eu tinha mais vontade que eles para infligir sofrimentos sobre os
homens.”
“Entretanto, eu não havia descuidado meus próprios interesses. Além de
cobrar velhas contas e tomando parte outra vez de alguns de meus prazeres
anteriores, quando os podia materializar ou controlar, também havia estado
aumentando minha influência sobre meu amo. Algumas das cenas desse velho
sótão abaixo de seu teto, estavam cobertas de surpresa. Haviam ali pelo
menos uma dezena de médiuns mulheres, algumas normais, outras em transe,

132
e também algumas vezes próximo de uma dezena de espíritos materializados.
Exceto eu, estes espíritos vinham do plano astral e eram constantemente
trocados uns após os outros quando eram levados para fora de seu corpo
astral por um ou mais pecados ocultos. Estes espíritos materializados podiam
ficar em pé ou sentar-se, conversar ou ainda ir e até cantar e dançar. Mas,
ainda assim não eram dadas todas as recreações.”
“Algumas vezes o mago celebrava a missa negra, e nós éramos a
congregação.”
“Entretanto, vi que era necessário renovar constantemente meu corpo
astral. O mero fato de que não era realmente meu, e o mal que eu estava
fazendo constantemente, apressava a dissolução.”
“Afinal, meu amo me chamou para que matasse um homem que de
alguma maneira seguia a pista de um dos seus atos. Eu o segui até sua casa
sem ser visto e me pus a trabalhar entre uma e duas horas da manhã. Parado
aos pés da cama, pus em função a minha vontade, e enquanto o fazia me
tornei visível para ele em meu corpo astral. A incandescência roxa que parecia
acompanhar-me não verteu nenhuma iluminação além de fazer-me visível.”
“Desejei mais fortemente, e o miserável homem viu-se ao lado de uma
multidão de formas malignas, monstros imensos, elementares de toda espécie,
e formas, enquanto que ao lado destes haviam caras más de homens e
mulheres. Eles gritavam:”Morte ao traidor!, façam-no em pedaços” e, quase
todo o tempo se lançavam contra ele como se fossem cumprir as ameaças.
Eles não podiam faze-lo, já que é muito difícil para um ser sem físico ferir um
corpo de um mortal, a menos que haja feito algo para agregá-lo a seu poder.
Mas, a miserável vítima não sabia isto e estava quase agonizando de terror.”
“Então eu gritei com todas as minhas forças: Tens esquecido a Ana, nós
estamos aqui para vinga-la. Ela está agora no Inferno e nos enviou para levar-
te tu também até lá. ( na realidade ela não havia nos enviado, nem sabíamos
se estava ou não no Inferno).”
“Nós nos lançamos contra ele uma e outra vez.”
“Ele gritava:”Meu Deus, depois de todos estes anos devem levantar os
pecados e condenar-me?”
“Rimos imoderadamente, gritando em coro:” Ela chama, ela chama.
Vem, vem.”
“O mal-dissemos e o fizemos preso de nossos feitos, e assim o
atormentamos durante toda a noite até a manhã. A noite seguinte, foi o mesmo
e novamente a terceira noite. E, todo o tempo, lhe falávamos: morre, mata-te a
ti mesmo; não há esperanças. Tu estás te tornando louco. Será melhor que te
mates antes de tornar-te louco e matar outra pessoa.”
“Oh, Ana, não podes perdoar-me? Eu era muito jovem e não sabia o que
tudo isto significava.”
“Logo, um dos espíritos assumiu a forma de Ana, e parado nos pés da
cama, disse-lhe palavras de maldição até que ele caiu em desespero, saltou da
cama e, agarrando uma navalha, cortou seu pescoço.”
“Meu amo estava prazeroso do êxito destas operações e me sugeriu
que tentasse o mesmo contra um jovem sacerdote a quem ele odiava. Este
homem o havia denunciado como ligado ao demônio, o qual estava correto, e
por conseguinte, enojava, todavia mais a meu amo.”
“O enfastiamos, mas ainda lhe causamos muito nojo e o molestamos
ininterruptamente em seu sono durante a noite, etc. e fracassamos em nosso

133
intento. Lodo inspirei a uma das mais belas mulheres do povo para que se
enamorasse desesperadamente dele. Ela o seguiu por semanas, e finalmente
caiu em assediar-lhe constantemente na Igreja, ora tentando confessar-se, ora
mendigando por seu amor. Este a repeliu, e converteu o amor dela em fúria, e
ela começou a esparramar para todo o povo, feios rumores sobre ele.”
“Então, nós o atacamos novamente com maior ferocidade. Zombamos
de sua religião e lhe dissemos que esta era falsa, pois do contrário o bom Deus
não nos permitiria vir até ele. Lhe dissemos que estava a ponto de ocorrer uma
desgraça e o incitamos que escapasse das conseqüências de sua vida
satânica com o suicídio.”
( O pobre diabo havia tido na realidade uma notável vida inocente e não
era tonto a ponto de não sabê-lo).
“O perseguimos assim por semanas, até que por fim, uma noite ele
gritou:”Eu creio que vocês foram enviados por esse miserável velho a quem eu
denunciei como ligado ao demônio. Irei onde está e lhe direi o que penso
agora.”
“De imediato o induzimos a que isto acontecesse, já que uma vez ali,
seria estranho que nosso amo não pudesse acabar com ele. Agarrando um
crucifixo, ele saiu na escuridão, e nós o seguimos zombando e maldizendo.”
“Era uma noite temível, um bom marco para a tragédia. O vento sibilava
e a chuva golpeava seu rosto. Sobre sua cabeça rugiam trovões e
relâmpagos.” Tu hipócritas, veja a luminosa ameaça de Deus maldizendo-te!
Veja como todo o céu está negro contra ti! Maldito de Deus e o homem, logo
virás conosco ao Inferno!”
“Por fim chegou à porta da casa de meu amo e bateu. Estava aberta, e
se encontrava no escuro. Nada falou enquanto ele seguia em frente, buscando
uma porta. A porta que encontrou estava fechada, também a segunda; já que
alguém de nós havia ido adiante para advertir o amo. Mas, a porta no final do
corredor não estava fechada.”
“ Ele a abriu e ao entrar encontrou o mago esperando-lhe em um estúdio
com tênue claridade. O sacerdote o acusou friamente, mas o mago não
respondeu, limitando-se a olhá-lo fixamente, até que o sacerdote guardou
silêncio.”
“Logo meu amo falou:”Miserável, o que te fez vir aqui? Tua sentença
está selada.”
“Ele começou um canto de invocação, e enquanto fazia nos reunimos ao
seu redor e recomeçamos nosso trabalho de perseguir o maldito.”
“Outra vez disse o amo:” Amanhã será denunciado ante toda tua
congregação. Eu tenho as duas mulheres aqui que testemunharam que tu
seduzistes e tinhas como hábito visitá-las aqui. Chegou tua noite, e é porque
suspeitei de ti por algum tempo, faz o melhor para frustrar teus desígnios
demoníacos de acusar-me como tendo pacto com o diabo.”
“És falso ( gritou, e tu o sabes). Eu negarei tudo e falarei sobre o mundo
dos espíritos demoníacos que obedecem tuas ordens.”
“E quem te acreditará? Se eles não considerassem a história como uma
mentira, declararam que é devido a bebida ou a loucura. Não, meu querido,
estás perdido, e será um asqueroso descrédito para a religião também. “
“E enquanto dizia isso, enviou-lhe algo de um grande peso que o fez cair
ao chão.”

134
“Não o mates, todavia”, ele disse, “espera até que esteja completamente
desacreditado.”
“Não o farei! Respondi. Somente tenciono obter alguma evidência de
sua culpa, bruxarias que as duas mulheres podem fazer evidentemente. Uma
mecha ou duas do seu cabelo, para começar, um pedaço da veste, e este
cordão pendente de seu relógio.”
“Não podemos fazer com que cometa algum pecado?”eu disse.”
“Meu amo se entusiasmou com a idéia, mas quase ao mesmo tempo,
fomos envolvidos por uma bruma com um fluxo de luz. Esta parecia queimar e
sua brancura era tão intensa que não tenho palavras para descreve-las. Esta
luz vinha de um gigantesco espírito de ordem e presença horrível, seu espírito
guardião. Ele falou, e suas palavras soaram como uma trombeta:
“Nenhum homem pode ser tentado além do que é capaz de resistir. A
vocês tem sido permitido tenta-lo e perseguirem esse homem, mas seu
trabalho está terminado. O negro de suas perversidades está coberto. Vão-se
às profundezas do Inferno, e mais além também, vocês, espíritos do Inferno;
regressem ao lugar ainda mais abaixo de que vieram.”
“Enquanto falava, o fogo parecia queimar-se mais e mais, até que o
bruxo cai morto. Seu espírito se separou rapidamente de seu corpo e então, o
corpo astral, exposto a essa terrível luz se estremeceu e retorceu. O espírito
desnudo caiu com um agonizante gemido e desapareceu de vista. Nesse
mesmo instante, me senti girar através do espaço abaixo, onde fazia uma
completa escuridão.”
“Mas, quando me dei conta, estava no Inferno, não estava de regresso
da minha viagem do rênio, nem da cidade do Ódio. Eu havia caído mais abaixo
e havia quase alcançado o fundo do Inferno. Mas, em outra oportunidade lhes
contarei que me sucedeu ali.”
“J.W.: “Antes que se vá, podes explicar porque aparecestes roxo
voltastes à terra?”
H.J.L. interrompeu:” Penso que não era somente porque o feiticeiro
esperava vê-lo assim, mas também porque sua aura estava cheia de raios
roxos que representam o nojo e o ódio. Como sabes nossas auras mudam de
cor com as paixões que nos dominam a cada momento.”
J.W.:” Tua história, oficial, é cada vez mais extraordinária. Tenho
dúvidas se essa parte sobre o bruxo será acreditada, embora saiba que tu
contas a verdade. Veja, a magia tem caído em tão má fama, que nada mais se
acredita sobre ela agora.”
O Oficial:” Pouco me importa se eles crerão ou não. É a verdade e
somente relatando-a posso explicar o que me ocorreu seguidamente. Eu não
havia caído mais abaixo se não houvesse passado por essa aventura.”
H.J.L: “Adeus, Jack. Deves ir-se agora.”
No momento seguinte, cai em inconsciência.

J.W.

135
CAPÍTULO XV
SEU CASTIGO. A SEGUNDA DIVISÃO. DEMÔNIOS REAIS

Visão em transe - 18 de maio de 1914.

O Oficial resumiu sua narração.


“Tão logo como me dei conta da posição em que estava, comecei a
questionar, e não tardei em descobrir que, tão má como havia sido a divisão de
cima, esta era pior. A escuridão parecia mais intensa e o lugar parecia muito
vazio. Mas, este último não seria assim por muito tempo.”
“Escutei gritos selvagens de desespero, gemidos e chiados, e da
escuridão parecia sair uma manada de espíritos, e detrás deles, vi pela
primeira vez os reais espíritos do mal, os quais eram apenas descritos como
sombras pelos males.”
“Eu havia visto essas “sombras” ocasionalmente no plano astral. Estas
eram figuras formadas pela imaginação daqueles que creram neles; mas, o que
aqui via era algo diferente. Não tinham asas de morcegos, patas partidas, nem
chifres como usualmente se os retratam, ainda que os demônios formados pela
imaginação dos homens encontrados no plano astral os tinham. Estes espíritos
que nunca haviam sido homens, eram algumas das espantosas criaturas que é
possível imaginar.”
“Eles conduziam a manada de espíritos em frente deles, e parecia, que
açoitando-os enquanto estes gritavam e lançavam terríveis blasfêmias.”
“Blasfemos! Porcos blasfemos! Nós somos s verdadeiros odiosos, as
coisas que vocês chamam odiosas não passam senão de ficção de seus
cérebros.”
“Gritando isto, chegaram até mim, e um deles me golpeou na cara.
Atuando com os princípios que eu sempre havia seguido, me voltei
selvagemente sobre ele, mas esta vez não funcionou. Uma e outra vez fui
golpeado, e soube que afinal havia encontrado o meu amo. Eu cai rodando no
solo debaixo dessa selvageria, mas nesse instante alguém se lançou contra
mim, furando-me com uma espécie de arma, me sobressaltei com um gemido e
violentamente me lancei com o resto da manada.”
“Nesse momento, começou um período de horrendo terror.
Reiteradamente éramos perseguidos através da escuridão sem trégua, até que
comecei a sentir como se tudo aquilo fosse realmente que eu me golpeava a
mim mesmo. Não podíamos falar com ninguém; simplesmente tropeçávamos e
caíamos, nos levantávamos novamente e corríamos, todos sem prestar
atenção aos outros. Haviam homens e mulheres por todo lado. A maioria
estavam vestidos, ainda que uns quantos completamente desnudos. Os trajes
eram de todas as épocas e países, e estavam muito rotos e rasgados.”
“Nós podíamos perceber o ar escuro, mas não podíamos ver o campo
no qual corríamos. Nós corríamos da escuridão para a escuridão, sem saber
nada, sem importar-nos com nada, que não fosse poder escapar dos açoites
de nossos amos. E, atrás de nós se levantava esse selvagem coro:”Nossa
carga é pesada, nossa recompensa pequena. Para sempre. Não há esperança

136
para vocês. Estão condenados para sempre. Este é o imperdoável pecado,
porque renderam culto ao Demônio em vez de Deus.”
“Não, não há Deus Os homens só enganam a sim mesmos quando
dizem que há um Deus. Não há tal coisa, como o Bem, exceto como o oposto
da maldade. A maldade realmente existe, o Bem não. Não existe tal coisa
como um bom homem. Cristo é um mito. Nós somos os únicos seres reais.
Desesperança! Lamentem-se! Seus bons dias já terminaram. Tivera sido
melhor a vocês que não houvesse vida depois da morte. Nós os servimos no
mundo, agora devem você servir-nos ao contrário.”
“Estes e outros constantes gemidos e ofensas se faziam a nós, e
ouvidos por todo o tempo. Quase tudo o que diziam eram mentiras, ditas para
reduzir-nos a um completo desespero, e mais perigoso, porque havia uma
certa verdade nisso.”
“Logo me dei conta que podia ler o que havia em suas mentes, como
podia fazê-lo com os homens da divisão superior. Mas, o melhor exercício de
suas vontades era que eles pareciam poder construir uma parede ao redor de
seus pensamentos, os quais eu era impotente de penetra-los.”
“Por fim, eu gritei a um dos demônios: Não há maneira para que eu
possa ser um dos que conduzem esse lugar em vez de ser um dos
conduzidos?”
“Sim, disse: se vais à divisão superior e arrastar a cem espíritos. Isso
pode ser facilmente feito. Faça com que eles creiam nos demônios, e lhes
rendam culto. Faça uma missa negra e isto logo os fará baixar.”
“Como posso regressar a essa divisão? Perguntei.”
“Um dos nossos te mostrará o caminho; mas, não penses que poderás
escapar de nós quando estás ali. Não, nós te permitiremos ir para fazer nosso
trabalho, e saberemos em seguida se tratas de escapar.”

137
CAPÍTULO XVI
ELE SE ENCARREGA DE RECRUTAR PARA OS DEMÔNIOS

“Me foi permitido ir atrás, enquanto o resto se lançava pelo caminho que
nunca acabava.”
“Eu olhei o ser malévolo que havia sido escalado para guiar-me. Era
muito maior que eu, e parecia feito de escuridão, se podes entender-me. Nem
por dois minutos ele se via igual; nem sua cara; mas sim toda sua forma
parecia mudar continuamente. Estava vestido num traje negro, largo e amplo;
mas, enquanto se virava, ele se tornava completamente desnudo. Logo mudou
e se converteu em uma cabra, e enquanto eu não saia de meu assombro, se
voltou.”
“Sempre reassume sua forma de homem-homem? Disse. Não, homem,
não, ainda que seja perverso não se veria algo tão diabólico como se via essa
criatura. Sua cara era horrível em extremo: seus olhos eram oblongos e
resplandeciam como os de uma cabra, seu nariz era adunco como o bico de
uma águia, sua boca estava armada de dentes pontiagudos, e quase como um
felino. A malevolência e a libertinagem pareciam estar estampadas em suas
faces, enquanto que suas mãos eram quase como garras, mas se viam que
eram ossudas. De seu corpo parecia transpirar escuridão. Novamente, se
mudou tornando-se em uma coluna e chama roxas que entretanto não emitia
luz, e desta horrível chama vinha um som: segue este caminho.”
“Nós começamos a mover, eu e a coluna de chama andante. Agora fora
da escuridão, escutei uns sons de uma cantoria discordante e logo vi o que
parecia ser uma montanha e acercando-nos dela, vi que era uma cova e dentro
dela muitos espíritos. Meu guia assumiu sua forma semi-humana e entramos
juntos na cova.”
“Aqui escutamos o bramir dos pratos e o soar das trombetas, e com
eles, a mescla dos gemidos e lamentos, assim como os cantos discordantes.
Logo vimos um grande trono e frente a ele, uma enorme caldeira que parecia
uma labareda estrondosa. Sobre o trono estava sentado um horrível monstro, e
sobre a caldeira sentavam homens e mulheres gritando como se na realidade
estivesse ardendo. Supostamente que sentiam queimar, já sabes.”
“São na realidade crianças?”perguntei.
“Não, respondeu; são homens e mulheres a quem o mais forte havia
obrigado a assumir essa forma, e logo os ofereceu em sacrifício. A cada
momento alguns dos demônios reais invadem o lugar. Nenhuma criança vem
aqui. Aqui estão os demônios.”
“Enquanto dizia isto, um estrondoso grito se levantou dos cultuantes; e
uma banda de espíritos malignos entrou no templo empurrando a todos, exceto
meu guia, para a caldeira.”
“Que era o que ardia, ser era a vontade dos maus espíritos, não o sei;
mas o fato era que sofri horríveis agonias.”
“ Por fim, os maus espíritos desapareceram tão velozmente quanto
como haviam chegado, e nós nos arrastamos para fora. O resto reassumiu seu
trabalho e eu disse para meu guia:”Este feito é um gesto feroz. Meu jugo é
verdadeiramente pesado, não é assim?”

138
“E, o será mais, a menos que tragas uma boa banda de cultuantes.”
“O trarei, o trarei, gritei. Mas, por que queres mais cultuantes? Tu
somente nos torturas quando nos tens?”
“Porque nós os odiamos: os odiamos com uma intensidade que seus
pobres cérebros não podem compreender. Vocês pensam que sabem como
odiar, mas isto não é mais que uma débil imitação do que é quase uma vida
para nós. Nós os odiamos.”
“Enquanto proferia estas palavras, parecia estalar em seu ardente fogo,
e passou um tempo antes que reassumisse sua forma humana.”
“Agora, ao teu trabalho”, disse e caminhou velozmente por algum tempo.
Agora parecíamos estar subindo; mas quem sabe se realmente o fazíamos.”
“Subitamente me agarrou e me lançou ao espaço, e o que me dei conta
em seguida era de que estava na divisão de cima. No instante percebi que não
era a Cidade do Ódio que eu havia habitado.”
“Meu guardião do mal disse: Agora recorda que não podes permanecer
aqui por muito tempo. Teu corpo se acha demasiado pesado ainda para esta
divisão do Inferno e qualquer traição de tua parte será em seguida castigada
com os mais horríveis tormentos. Além disso, eu te trarei imediatamente de
regresso. Eu não posso permanecer aqui por gosto, mas saberei o que estás
fazendo e pensando, por isso tenha cuidado!”
“Ele tinha ido embora. Com quanto prazer me dei conta disso, mas previ
que qualquer trégua seria cortada. Enquanto isso, tive uma brilhante idéia. Se
tivesse êxito em trazer um grande número de espíritos, era provável que me
enviariam fora de volta, por conseguinte, trataria de fazê-lo.”
“Me dei conta de que estava num país de miséria, e o grande terror que
os perseguia era o temor de que alguém tratava de roubar-lhes seu ouro.
Suponho que eles não tinham ouro, e ainda que os tivessem, não lhes seria útil
de modo algum. Mas, ainda seus velhos instintos de temor e voracidade eram,
todavia, todo poderoso.”
“Logo me dei conta que podia trabalhar estes vícios a meu favor.
Prometi a alguns que se rendessem cultos ao demônio, eles lhes dariam tanto
ouro quanto quisessem; a outros, prometi proteção da tirania do resto e do
temor de perder tudo o que tinham. A força de um duro trabalho reuni uma
pequena banda, a que sob minhas instruções executaram a missa negra.”
“No princípio os maus espíritos pareciam prestar-nos pouca atenção,
mas após um tempo, um ou dois deles apreciaram. No final, em um dos cultos ,
tive a sensação de ser arrastado e assim o sentiram todos os da congregação.
Soube de imediato o que isto significava, embora os outros não soubessem.
Isto queria dizer que a conexão espiritual havia sido formada e estávamos a
ponto de crer estar em nosso próprio lugar. A sensação de atração, quase
análoga à lei de gravidade se tornava cada vez mais forte, e por fim, nos
sentimos cair. Os lados se deslizavam, a sólida terra parecia dar-nos passo e
caímos. Tínhamos o vulto demasiado pesado para que ainda os elementos
espirituais do Ódio nos retivessem, e a atração do que havíamos feito em
nossos dias atrás.”

139
CAPÍTULO XVII

EU CAÍ NA BAIXA PROFUNDIDADE DO INFERNO

“Tão logo como alcançamos a terra desses malditos demônios,


estivemos rodeados deles a cada lado. Eu esperava agora a recompensa
prometida, mas em seu lugar escutei a um deles:”Tu tens atuado no papel de
um demônio e tens uma ordem diferente e dos homens a quem odiamos, mas
tu eras da ordem deles e não tens nenhuma desculpa para odiá-los. Tens
traído teus companheiros simplesmente para teus próprios fins egoístas. Isto
não nos importa nada; mas se imaginas que podemos mudar um homem por
um demônio, pelo simples fato de imitar, és um tonto. Nossa natureza, e atua
são diferentes. Regressa com os outros, maldito.”
“Eu retrocedi entre minhas vítimas, mas somente por um instante, já que
eles, furiosos com minha traição, e que supostamente eles adivinhavam, se
lançaram instintivamente sobre mim e trataram de fazer-me em pedaços. Logo
sucedeu-me um terrível pesadelo, na qual os demônios nos lançavam para
diante e minhas vítimas lutavam por destruir-me. Sofri a mesma angústia que
eles haviam ganho, mas eu todavia vivia para sofrer uma e outra vez. Por fim,
pude libertar-me e fugir, enquanto que eles me perseguiam. Não posso
verdadeiramente descrever ou pelo menos recordar o que ocorreu depois. Eu
corria, corria como em um horroroso pesadelo até que senti cair para baixo.
Por fim, todo movimento de minha parte cessou, enquanto continuava caindo
mais e mais, como se nunca fosse alcançar o fundo.”
“Depois de um interminável período, meu curso abaixo se deteve. Me
pareceu estar completamente imerso em uma massa esponjosa; não era terra
firme, nem água, nem lama. Era algo que não tem comparação na terra. Era a
mais tangível forma de escuridão que conheci no Inferno.”
“Esta camada esponjosa gradualmente deteve meu passo, mas não
senti nenhum solo firme sob meus pés. A mesma massa esponjosa se elevava
para cima, abaixo e em volta, tão sólida sobre minha cabeça como abaixo de
meus pés. Não havia nenhum som, nem visão, nada, absolutamente nada,
uma solidão intolerável, desespero, uma indescritível miséria. Por fim me senti
completamente inútil, perdido; se em verdade um perdido, desejava
provavelmente a sociedade dois homens e dos demônios. Este foi o final de
toda minha desesperada luta contra o destino.”
“Oh, esse terrível silêncio! Completa e absoluta solidão!”
Ele se deteve.

140
CAPÍTULO XVIII

O ABISMO SEM FUNDO


Carta de “O Oficial “ - 23 de maio

“Como posso dar-lhes a entender a horrível solidão do mais baixo do


Inferno?” “ Nenhuma palavra minha lhes pode fazer entender isso. Nada houve
que pudesse me fazer romper meu orgulhoso espírito como esse fato.
Absolutamente desamparado, abandonado, só! Nada à vista, nem ruídos, nem
nenhuma outra alma, só, absolutamente só, com os próprios pensamentos.
Estes se levantavam diante de mim e me ameaçavam e se escondiam de mim,
todo o mal que eu havia feito.”
“Eu me arrependi então, nunca havia sentido remorsos, mas senti um
selvagem desespero. Estes pensamentos pareciam tomar forma e gritar-me:
estás condenado. Veja-os. Somas as coisas que fez. Que direitos tens de
esperança? Toda tua vida tem sido dada ao demônio, nem o mais abandonado
se uniria a ti. Nós não podemos abandonar-te; o faríamos se pudéssemos.”
“Logo veio outra vez a escuridão, quase parecia a aniquilação. Abri
minha boca para gritar, mas não saiu nenhum som. A escuridão parecia flutuar
e apagá-lo.”
“Suas bocas se cobriram de polvo. “Me parecia recordar vagamente
essa frase, mas não me importava de onde vinha. Oh, essa horrível solidão!
Teria feito qualquer coisa para regressar a uma das camadas dos maus
espíritos acima, mas não podia ser.”
“O absoluto silêncio. Não posso descrever quanto horrível é esta solidão.
Podem pensar que as dores das divisões de mais acima são piores, mas não
era assim.”
“Pareciam passar séculos, e estas terríveis palavras pareciam soar em
minha mente: “eternamente condenado; logo outra vez as palavras de
Dante:”Abandonem as esperanças, todos vós que entrais aqui.”
“Sim, toda esperança. Eu o senti, e sofri na solidão, o que pareciam ser
séculos intermináveis. De repente, uma frase, veio à minha mente e captei o
seu significado: “Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonaste?”
“Ele que o viu pregado em uma cruz sabe intuitivamente o horror que é ,
e o desespero daqueles que estão aqui.” “Abandonado por Deus.” Nunca, at
é esse momento havia compreendido o significado dessa frase. Me parecia
absurdo, mas, agora via como um relâmpago que Ele sabe de nossos
sofrimentos.”
“Enquanto esse pensamento foi se formando, não captei no começo,
nenhum significado particular, mas logo pensei que devia ter algum significado
nele. Se Ele, intuitivamente conhece nossos sofrimentos. Ele que era todo
misericordioso, devia sentir algum fragmento de piedade por nós. Sem dúvida
Ele não poderia ajudar-nos. Mas, se todavia vivia Ele em algum outro lugar, e
se o sabia também, seguramente Ele poderia. Ele deve sentir piedade por
mim.”
“Uma nova sensação crescia gradualmente. Por que havia sido tão
tonto? Por que não havia tratado de através do arrependimento sair do Inferno.
Mas, ali era o que passava. Eu estava no Inferno, e não poderia sair, porque o
Inferno é eterno. Mas, pensei e pensei. Em todo caso, era mais prazeroso

141
pensar em Cristo que em outras coisas. Por que não pensar Nele? Não posso
dizer que senti um sincero arrependimento, por minha vida passada, mas
comecei a sentir que havia sido um tonto, havia desperdiçado minhas
oportunidades.”
“Bem, pensei, devo pagar com o parecido. Não devia queixar-me agora;
nunca o fiz na terra, e não vou começar agora, mas de alguma forma a cena do
Calvário parecia perseguir-me. Este vinha como um refrescante intervalo em
meio de meus outros pensamentos. Então, veio um outro novo pensamento.
Recordei de minha mãe, e me perguntava onde ela estaria. Ela morreu quando
eu era muito jovem, mas eu a recordava, e podia recordar como me ensinava
a rezar. Que era isto? Não podia recordar. Era engraçado que eu pudera
recordar qualquer coisa, menos essas rezas. Estranho! Bom, eu havia
escutado sempre que os condenados não podem rezar, e eu estava
condenado.”
“Eu me dei conta, mas de alguma rápida forma, eu estava rezando, ou
ao menos pensando em melhores coisas.”
“Este foi o ponto de volta. Lhes contarei depois como me sai, mas este
era um tênue começo.”
“Vou interromper agora. Queria desejar-lhes com algum sentimento de
esperança, não de desesperança, já que ainda não me dava conta disso. Isto
era o princípio de melhores coisas. Havia por fim alcançado o fundo, e logo
começaria a subir o caminho. Eu havia seguido todo o curso e havia alcançado
a mais baixa profundidade e, ainda assim “ ... sua poderosa arma podia salvar-
me”. Glória a Deus nas alturas. Em verdade, não havia nada parecido à morte,
nem em bem, nem em Mal; mas o Inferno perpétuo é a morte, já que isto
significa uma permanente separação de Deus.”

O Oficial
Testemunhado por K. 23 de maio de 1914.

142
CAPÍTULO XIX
O PRIMEIRO PASSO PARA CIMA

Visão em transe - 25 de maio de 1914

Tendo se sentado, o Oficial começou em seguida:


“Não tenho idéia de quanto tempo permaneci nessa horrível solidão,
mas pareciam séculos. Afinal, veio a mim uma inspiração, enviada creio, de
cima, em resposta às minhas inarticuladas orações. Esta me dizia:”... volte-se
para Deus. Ele pode ajudar-te. Ninguém mais pode fazê-lo.”
“Voltar a Deus. Era uma nova idéia. Toda minha vida havia consistido
em separar-me deliberadamente Dele. Como poderia voltar agora para Ele,
nessa situação? Mas, também o que não daria para sair desse horrível lugar.”
“Uma e outra vez minha mente revolvia a idéia, mas como podia ir até
Ele? Como podia sair dessa horrível escuridão.? Por outro lado, estava
condenado.”
“Outra idéia sobressaltou minha mente. Por que não rezar? Mas, o que
devia rezar. Provavelmente, a Oração do Senhor, mas por outro lado, havia
esquecido como rezar.”
“Afinal, como uma inspiração, de repente, as palavras fluíram de meus
lábios. ”Oh, meu Deus, ajuda-me.”
“Uma vez ditas, elas vieram com mais facilidade, e as repeti uma e outra
vez.”
“O que se seguiu depois, e em si todo o processo de minha saída dessa
profundidade, temo que será muito difícil de entender para vocês. É quase
impossível encontrar as palavras adequadas para descrever estas
experiências.”
“Bem, o primeiro efeito desta reza, foi o que parecia uma agradável
sensação de calor, e este calor aumentou e aumentou, até converter-me em
demasiado quente. Finalmente, me senti arder. Quanto mais rezava, o calor
parecia crescer em intensidade até que por final, parei de rezar, esperando que
o calor se detivesse, mas ainda continuava.”
“Logo tive consciência de uma nova sensação. Senti aumentar minha
luz, e gradualmente me dei conta que lentamente me elevava através dessa
densa escuridão.”
“O que havia passado era que, por rezar ainda que seja debilmente,
havia começado a queimar algo da parte mais estúpida de minha natureza, que
havia tornado meu corpo espiritual tão pesado. Por isso se tornou demasiado
leve para permanecer estancando nessa escuridão e gradualmente começou a
levantar-se, até que afinal me vi saindo da escuridão, a que parecia uma negra
e escorregadia rocha na borda de algum risco pendente. Ainda que esta frase
não seja adequada, poderão ter alguma idéia se consideram esta profundidade
como o fundo de um lago em completa escuridão, com riscos em volta.”
“Tão logo como vi essa rocha negra e escorregadia, tentei subi-la, mas,
escorregava a cada momento. Nesse período, já a sensação de ardor havia
cessado e estimulado pela evidência que havia recebido dos benefícios da
reza, comecei a fazê-la outra vez.”
“Oh, Deus, ajuda-me a sair desta escuridão.”

143
“Apenas havia feito assim, quando o lago de escuridão (sobre o qual
agora flutuava, no lugar de estar dentro dele) se volveu agitado. Grandes
ondas se levantavam ao meu redor, como se fossem me fazer submergir. Em
vez disto, entretanto, eu era levantado e atirado sobre a rocha. Era como se as
águas escuras não quisessem conter-me mais, e me levaram a terra.”
“Tão mal como era outrora, era já demasiado bom para permanecer ali,
e assim fui levado para a segunda divisão mais baixa.”
“A escuridão, embora fosse intensa, mas não tão tangível; devo admitir
que me desencorajou quando comecei a investigar meus arredores. A rocha
parecia sobressair como uma mesa num elevado risco, e em princípio não
encontrei nenhum caminho pelo qual pudesse subir. E, recordando quão útil
havia sido as rezas antes, provei novamente seus benefícios.”
“Nada ocorreu por algum tempo, e eu comecei a desesperar-me: mas
afinal minha visão se clareou já que comecei a detectar um foco de um risco à
pouca distância à esquerda da rocha plana. Vi que podia alcançá-la com uma
mão e, havendo provado várias partes da colina com meu pé, encontrei uma
espécie de degrau em um orifício roto ou cortado da colina, onde coloquei meu
pé. Depois de vários e desesperados intentos mais, alcancei a entrada da cova
e percebi que esta se abria em uma espécie de estreita fenda.”
“Temo que tudo isto deve parecer terrivelmente físico, mas devem
entender que para nossos seres, as rochas parecem quase físicas e, em todo
caso, quando as descrevemos não podemos dar a entender as mais sutis
distinções, já que não existem palavras, nem símbolos. Este fato deve ser
bastante inteligível para ti, já que vês quão natural é em muitos aspectos este
mundo espiritual que te é permitido vir.”
“Através de um infinito trabalho e esforço, pude lentamente subir nesta
fenda, e logo encontrei um plano logo acima do risco. Aqui, encontrei uma
borda da rocha que ia para um lado do risco a alguma distância, e o segui.”
“Este também tinha seu fim, e eu quase me vi em desespero. Me havia
esforçado tanto para fracassar no final? Me agachei e pensei, e quando não
encontrei nenhuma saída, comecei a rezar de novo, ainda sem muita
esperança. Entretanto, ao mero feito de rezar parecia aliviar meu espírito e
afinal, estimulado por isto, me levantei e novamente busquei um caminho de
saída.”
“Subitamente, houve um gemido como um trovão, e uma massa da
rocha caiu desde a frente do risco e precipitou-se através da encosta da fenda
fechada por onde o caminho terminava. Isto produziu uma pendência, ou uma
ponte vertente. Eu não podia ver desde onde estava parado e, se o final da
ponte conduzia a outro caminho ou borda, mas, me senti seguro. Isso havia
ocorrido em resposta às minhas preces. Com infinitas penúrias, subi por esta
tosca ponte. Várias vezes temi cair no precipício, mas continuei lutando.”
“Por fim, estava feito e cheguei a algo que parecia comparativamente a
um solo plano, duro e pedregoso, ainda que com um alento de alívio. Estava
de volta uma vez mais à segunda divisão do Inferno. Ao mesmo tempo, um
novo temor se apoderou de mim. Veria outra vez a esses demônios?”
“Mas, nada ocorria, nada vinha, e logo um novo terror se apresentava
em minha mente. Não havia desejado, depois de tudo, a mais baixa
profundidade? Estaria todavia, nessa horrível solidão? Por um momento, me
veio o desespero. Foram esses penosos esforços em vão ? Foram as

144
aparentes respostas às minhas orações, tão somente uma farsa, a depreciação
de um desapiedado Deus que nunca é saciado?”
“Mas, logo vieram outros pensamentos. A escuridão que ainda, todavia
estava ali, não era a mesma, não era tangível, era a escuridão da segunda
divisão. Assim é que novamente veio uma esperança.”
“Agora deves deixar-nos.”

145
CAPÍTULO XX
DE VOLTA À SEGUNDA DIVISÃO
Visão – Narração de “O Oficial” - 1o. de junho de 1914.

Depois de saudar-me, o oficial prosseguiu com sua narração.


“Eu subi penosamente sobre o campo pedregoso sem nenhum particular
objetivo que não fosse sair dessa situação, a qual havia ganho. Esta viagem
continuou por algum tempo, até que afinal escutei um tênue som. Comecei a
reconhece o som. Eram os gemidos dos desafortunados seres, abaixo dos
açoites dos demônios.”
“Parei. Que devia fazer? Não tinha nenhum desejo de sofrer outra vez
esse tormento, entretanto, temia a solidão. Mas, não teria a dúvida por muito
tempo, já que subitamente um grupo de espíritos vieram pressurosos da
escuridão, perseguidos por seus torturadores No momento seguinte, fui colhido
pela multidão e tive que apressar-me com eles.”
“Depois de haver sido perseguido por algum tempo, comecei a
perguntar-me se não poderia descobrir algum método para escapar desses
terríveis açoites.”
“O faria, por Deus, se pudesse, contestou.”
“Que é isso, de estar usando o nome de Deus aqui. Toma isto e isto,
gritou um dos torturadores, e a cada palavra seus temíveis açoites nos
lançavam a ambos.”
“Enquanto corríamos, notei que o solo não mais parecia áspero, e que
também, mais além desse solo, descansavam altos riscos com gretas e fendas,
nos quais podíamos nos esconder. Assim, que começamos a dirigir nosso
caminho para esse lado. Logo murmurei a meu acompanhante:” Agora.”
“Corremos sob o amparo da rocha mas, no instante, um dos demônios
começou a nos perseguir. Era uma selvagem e desesperada carreira, mas
todavia, fomos recapturados. Entretanto, gritei a meu acompanhante.:”Chama
por Deus, para que nos ajude; soube que ainda aqui Ele pode nos ajudar...”
“Logo, adaptando minhas ações e minhas palavras, gritei: Oh, Deus,
ajuda-nos; ajuda-nos por amor a Cristo.”
“Silêncio! Gritou nosso capturador. “Deus não pode ajuda-los aqui. Ele é
justo. Vocês O rechaçaram, e agora Ele rechaça a vocês. Silêncio. Vocês não
podem rezar. Se fizeram isso, Ele não os ouvirá. Ele tem outras coisas que
fazer, além de escutar a traidores como vocês. Atrás com os outros.”
“Quase no mesmo instante, percebi que bastante próximo dos riscos,
havia uma piscina negra, brilhante, mas algo densa. Sem um minuto de
vacilação me dirigi diretamente a ela.”
“Seja o que for, a substância certamente não era a mesma escuridão
tangível que havia experimentado na divisão inferior; esta se assemelhava
muito a uma água graxenta espessa, com cheiro e suja. Eu tentei nadar
através dela, perseguido todavia por meu torturador, que me açoitava cada vez
que saía à superfície. Chamando a Deus por ajuda, continuei lutando, até
alcançar a outra margem. “
“Aos pés de um precipício muito alto, me reclinei e chorei
desesperadamente. Quase nesse preciso instante, vi uma grossa corda

146
colocada ao redor de minha cintura. Olhando em volta, percebi que era um laço
com muitos nós, e ao observa-los, soube que eram as poucas boas ações que
havia feito alguma vez. Nunca os havia notado, mas agora, poucos como eram,
estes pareciam dar-me valor.”
“Uma idéia veio flutuando em minha mente, e ainda quando a pensava
novamente, senti os açoites de meu perseguidor. Entretanto, não lhe prestei
atenção e, rapidamente segurei a corda, e vi que era terrivelmente delgada,
mas ao mesmo tempo, muito mais larga do que havia pensado.”
“Formei um nó em um dos cabos e estudei o risco, apesar da resistência
que continuamente havia sobre mim. Logo vi uma ponta na rocha que
sobressaía fora e, acima dela parecia haver uma estreita borda.”
“Depois de contínuos esforços tive êxito em enlaçar o nó sobre essa
ponta, e então comecei a subir pela corda, mão a mão. A cada momento,
temia que poderia se romper, mas me mantive rezando desesperadamente, e
parecia que a corda se tornava mais forte enquanto o fazia. Por um momento
um demônio me forcejava para trás, mas depois, subi fora do seu alcance e me
arrasei para a borda, mas não pude ver nada pela horrível escuridão. Em
seguida, procurei pela corda, mas esta também havia se desvanecido.”
“Por um tempo, me dei ao desespero; mas depois prevaleceram
pensamentos mais calmos, e em lugar de desespero, me encolhi e agradeci a
Deus por ter me ajudado até ali.”
“Já mais tranqüilo, prossegui lentamente o caminho. A borda era demais
estreita, e um passo em falso teria significado uma queda.”
“Pouco a pouco ia crescendo em largura, e pronto, já podia caminhar ao
largo com uma relativa facilidade. Bem, pensei, este solo demonstra o que
pode fazer-se quando se tem uma forte vontade. A maioria dos homens
houvera renunciado a tarefa com desesperança, mas eu não sou desse tipo.
Graças a Deus, eu tinha uma vontade de ferro.”
“Nem bem havia pensado isto, quando meu pé bateu de encontro a uma
pedra e cai. Cai costa abaixo a uma velocidade atroz, mas não fui muito longe
já que minha cabeça ficou encravada em uma estreita fenda.”
“Somente depois de muitos esforços desesperados, consegui libertar-me
e penosamente escalei até o lugar de onde havia caído.”
“Com um espírito renovado, continuei lentamente meu caminho.
Algumas vezes, a rota era sobre campos desnudos sobre os que resvalei e caí;
outras vezes, sobre ásperas pedras e agudas rochas, enquanto que haviam
também caminhos simples.”
“ Finalmente, cheguei à entrada de uma gruta e entrei. Parecia, por
estranho que pareça, menos escuro dentro que fora. De repente, enquanto
virava uma esquina, fui atacado por quatro homens, que me tombaram ao
chão, e depois de golpear-me todo, me ataram como um prisioneiro.”
“Devo dizer aqui que ainda que tenha lutado com o melhor de minhas
habilidades, me achei muito mais débil que quando havia estado pela última
vez nesta divisão. Isto era devido ao fato de que havia um movimento de
menores coisas e estas, ainda me ajudavam a elevar-me e me tornavam mais
débil ao enfrentar-me, mal contra mal, e força contra força.”
“Devo para agora, mas somente acrescentarei isto:”Estive uma vez mais
na terceira divisão e a ponto de sofrer algo das dores similares às que havia
infligido antes em outros.”

147
“O Oficial se levantou. Devo ir agora à escola. Tenho visto que é um
duro trabalho de aprendizado,” acrescentou e saiu pela porta.

148
CAPÍTULO XXI
NA TERCEIRA DIVISÃO - UMA BIBLIOTECA NO INFERNO
Narração de “O Oficial “ - 8 de junho de 1914.

“ Os homens que haviam me capturado, me golpearam sem piedade –


“... para mostrar quem é o amo”, como eles diziam. Recordei como sempre
havia feito o mesmo e, tratei de resistir, mas notei alguma mudança sutil havia
se operado em mim. Não era exatamente que minha vontade houvesse se
debilitado, e sim que minha vontade do mal, havia se debilitado. Portanto, eu
estava em uma grande desvantagem, tratando de proteger-me a mim mesmo.
A lei era, supostamente automática, mas ao mesmo tempo, esta tendia a fazer-
me progredir, já que voltava à vida miserável, e planejava o meio de escapar.”
“Por longo tempo, lutei nas mãos dos meus capturadores, suportando
toda espécie de torturas, até que achei uma oportunidade e escapei. Meus
torturadores se puseram a perseguir-me, mas ainda minha vontade para fazer
o mal, estava debilitada, minha vontade para escapar havia se fortalecido, e
logo pude distanciar-me deles.”
“Me precipitei na escuridão sobre um plano pedregoso, pelo que
pareciam semanas e semanas, encontrando-me apenas com uma alma, e
aqueles poucos que encontrava, os evitava. Por fim, tropecei contra o que
parecia ser um grande edifício. Depois de um cuidadoso reconhecimento,
descobri que era uma biblioteca. Em seguida me ocorreu uma idéia. Parecia
agora uma esperança, que eu havia em última instância, escapado do Inferno.
Se era assim, eu deveria, por interesse da ciência, explora-la até onde me
fosse possível. Me determinei para tanto, ainda em grande vacilação a entrar
no edifício.”
“Havendo entrado na biblioteca, me encontrei em seguida com um
homem de aspecto maligno. Entendi que seria velho, muito velho, e muito
maligno.”
“Quero ver a biblioteca”, comecei dizendo.
“Seguramente”, respondeu. Esta biblioteca é totalmente patrocinada pela
sabedoria. Aqueles que triunfam no Inferno, devem estudar ainda como o
faziam na terra. Não pensas assim?”
“Suponho que sim. Esta biblioteca está restringida ao tema do ódio, ou
há outros temas incluídos como a luxúria?”
“Ele: Principalmente o ódio e a crueldade, ainda suponho que tem que
estar um pouco incluída à luxúria. Mas, a luxúria, tem sua própria biblioteca
próximo das cidades da luxúria. Deverias ir lá e estudar um pouco.”
“Entramos então na biblioteca. Era um lugar enorme dividido em três
sessões:
1 – formas de livros,
2 – formas de idéias,
3 – visualização de pensamentos viventes.
“Entre as “formas” havia toda espécie de livros que tratam da crueldade
e o ódio por seu próprio fim. Vi ali, estantes cheias de registros da Inquisição,
livros descrevendo métodos de envenenamento, livros que relatavam horríveis

149
crimes e selvagens torturas, histórias de torturas, os chamados trabalhos
médicos, etc. Eu olhei um destes “trabalhos médicos”.
“Quem é que decide se um livro vem ou não ao Inferno? Por exemplo,
este livro é sobre dissecação. É um trabalho francês. Vêm aqui todos os livros
que tratam sobre este tema?”
“Ele respondeu: “Não na realidade. Tudo depende do objeto do trabalho
e também dos resultados que produz. Com todos os livros sobre a dissecação,
ambos: o objetivo e o resultado contam. Por exemplo, se um doutor acredita ter
a cura de uma enfermidade e inocula essa enfermidade em alguns animais,
lhes dá um tratamento e logo publica tal experimento, sendo somente o
objetivo dele, o bem estar dos humanos, nós não conseguimos esse livro. Mas,
muitos homens torturam animais simplesmente pela mórbida curiosidade de
saber como funciona essa dor. Como esses experimentos não servem a
nenhum objetivo útil e sua publicação somente incita a outros a fazer o mesmo,
esses livros vêm aqui, e naturalmente também seus autores. Por outro lado,
um cientista pode conduzir alguns experimentos com um motivo louvável, mas
seria demasiado absurdo ou prejudicial para ele publicar e disseminar tais
experimentos. Tais livros com freqüência conduzem outros a levar a cabo,
experimentos similares por curiosidade ou pelo desejo de provocar dor. Esses
livros vêm aqui.”
“Ele disse: então, a maioria dos vivissecionistas vêm aqui?”
“Ele: “Conseguimos um grande número, mas não tantos como poderias
esperar. Muitos desses homens, ainda parecem e soa algo insensíveis. São
realmente levados por louvores, ainda que freqüentemente por motivos
equivocados. Entretanto, um grande número viria a nós, se não fosse pelo
tempo que passam no plano astral.”
“Verás, eles geralmente caem vítimas da vingança dos animais que
atormentaram, e isto é uma mais clara visão da verdade. No caso deles, se
arrependeram do que fizeram, eles os conduzem a amenizar suas faltas.”
“Como?”
“Oh, estimulando os homens na terra a fundar sociedades para a
prevenção da crueldade aos animais e tais absurdos. Todavia, a chamada
causa da ciência, nos envia muitos companheiros.”
“Como são acomodados os cientistas?”
“Oh, em diferentes formas. Veja os doutores, por exemplo. Nós temos
um hospital não muito longe da biblioteca.”
“Um hospital”, gritei surpreso.
“Sim, mas aqui nós não pretendemos o bem dos pacientes. Todos os
feitos são pelo interesse da ciência. Hi! hi! hi! “Mas, deverias ir lá e vê-lo por si
mesmo isto, se não tens que ser operado. Hi! Hi! Hi!
“Seguimos andando pela segunda seção, e aqui vi os livros ou “idéias”.
Cada um continha quadros ao invés de escritos, e era da mesma forma
dedicados à crueldade, ódio, etc. Cada ingenioso invento para torturar o corpo
humano, e ainda o corpo espiritual eram executados. Haviam formas
diabolicamente hábeis em atormentar também a mente.”
“Mas, a terceira seção era a pior. Aqui, a cada lado da habitação, havia
incontáveis quadros, nos quais podíamos ver a angústia da vítima enquanto
era lentamente torturado, e em ambos extremos da habitação havia cenários
sobre os quais eram executadas várias espécies de diabólicos tormentos.
Todas essas situações se davam perante nós.”

150
“O encarregado disse: “Estes quadros são dedicados aos trabalhos que
descrevem as melhores maneiras de atormentar as pessoas e os exatos
efeitos de qualquer tipo particular de tortura, ou como nós os chamamos,
operação. Nós não podemos aqui infligir dores, a menos que conheçamos os
efeitos dessa dor. Por isso, quanto mais compreendermos um tormento
particular, mais fácil é fazer sofrer o outro dessa dor. Se temos uma vontade
suficientemente forte para submetê-la.”
“ Entre os quadros, vi muitos que tratavam da vivissecação dos homens,
sendo que eram demasiadamente horríveis para descrevê-los.”
“Descobri que estava deixando-me com asco ao ver as atrocidades.
Entretanto, é bom dizer que eu nunca havia sido cruel, pelo fato de ter sido
certamente muito vingativo, insensível a vocês e inteiramente descuidado, mas,
não cruel simplesmente pelo fato de ver os outros sofrerem.”

151
CAPÍTULO XXII
UM HOSPITAL NO INFERNO

“Depois de um tempo, deixei a biblioteca, e cruzando um árido caminho,


cheguei ao chamado hospital. Se a biblioteca havia sido horripilante, este lugar
era um perfeito pesadelo. Passei por uma porta e entrei em um grande e sujo
espaço. “É bem diferente dos hospitais da terra”, pensei “eles geralmente
cuidam demasiadamente da limpeza.”
“O local sujo me conduziu a uma sala de operação. Entrei e vi que sobre
a “mesa” se achava estendido um homem. Ele estava de uma forma tal, que
não podia se mover, mas por outro lado, parecia perfeitamente normal. Então o
doutor começou alguma temida e dolorosa operação em um dos centros
nervosos. Os gemidos da vítima e o asqueroso deleite da audiência eram mais
do que eu podia suportar, sendo tão pecado como eu era. Portanto, deslizei
para fora, e me encontrei em uma sala de dissecação.”
“Aqui, homens viventes sim, e mulheres estavam sendo dissecados. Tão
logo um corpo era mutilado, este começava a assumir sua forma original outra
vez, e tão logo isto era notado, outro operador iniciava a ação uma vez mais.”
“Vi que uma mulher que estava sendo dissecada por um jovem “doutor”
suplicava desesperadamente que a deixasse ir. Ele vacilou por um momento,
mas uma aguda palavra de reprovação por parte de um homem maior que
trabalhava na mesa vizinha, endureceu seu coração e este recomeçou o
trabalho.”
“Parei em frente dele: quem é esta mulher, e porque a torturas assim? O
que ela fez de mal?”
“Ele respondeu: “Não sei nada sobre ela, nem porque está aqui. Podes
perguntar a ela mesma se queres.”
“Assim, me dirigi a ela, e suspensa a sentença por um momento, ela
disse:”Meu nome era Nini e vivi em Paris. Eu era uma pequena mundana, e por
três anos a senhora de um judeu. Um dia ele me encontrou em brigas com um
jovem ator e me arrastou para casa, golpeando-me. Eu estava furiosa e jurei
vingar-me de ambos, dele e de meu covarde amante, que em lugar de
defender-me, fugiu como um corvo.”
“Não passou muito tempo até que chegou a minha oportunidade. Estive
com o líder de um bando de Apaches. Era mais jovem, um cavaleiro na
aparência e não pertencia à classe ordinária dos Apaches. Era um horrível e
maldito velhaco, absolutamente desapiedado. Lhe contei que o judeu tinha
muito dinheiro escondido em sua casa e o incitei a entrar nela. Uma noite, o
bando dele e eu fomos até lá. O judeu era um velho avarento e somente tinha
um servente, um homem que dormia dentro de casa, além da mulher que vinha
todos os dias. A casa estava em um lugar decadente, em um dos subúrbios de
Paris. Um do bando golpeou ao servente até deixá-lo sem sentidos, quando
então nós nos lançamos no dormitório do judeu, atando e amordaçando-o . “
“Então, eu estava quase segura que o judeu guardava praticamente todo
seu dinheiro no banco, mas eu queria me vingar, assim como havia jurado a
meu novo amante que o dinheiro estava escondido em algum lugar da casa.
“Deves fazê-lo falar”, lhe gritei enquanto que agitava meu punho na cara do
velho judeu. Eles arrancaram a mordaça de sua boca e alguém lhe encostou

152
uma faca em seu pescoço. “Diz-nos onde está escondido teu ouro ”gritou
Gastão.
“Está todo no banco, exceto duzentos francos que estão no armário
superior do andar de baixo.”
“Mentiroso! gritei; sabes que tens mais de vinte e cinco mil francos
escondidos na casa.”
“Meu Deus, eras tu, Nini? “
“Sim, claro”, respondi. Eu estou aqui para fazer minha vingança, assim
será melhor que nos digas em seguida onde está o dinheiro ou te lamentarás
de haver me conhecido.”
“Já o lamento, começou ele, mas eu o interrompi.”
“Tua besta, toma isto”, e rasguei sua cara tão ferozmente como pude.
Ele começou a gritar, mas Gastão lhe tampou imediatamente a boca.”
“Já perdemos muito tempo”, disse: “tragam as brasas.”
“Vários do bando, incluindo-me, o agarramos, e colocamos seus pés nas
brasas. Alguns o sustentavam firmemente, enquanto que outros sopravam as
brasas para que ardessem como um forno.”
“O judeu se retorcia e lutava, mas nenhum som saiu de seus lábios,
estava firmemente amordaçado. Por fim, disse Gastão: “Agora falemos
novamente” tirando seus pés do fogo e a mordaça de sua boca.”
“O tesouro”, disse Gastão. “Rápido, onde está?”
“No banco. Já desejaria, pelos céus, que estivesse aqui. Por amor de
Deus, deixe-me ir”, murmurou debilmente; mas, Gastão mais furioso que
nunca, voltou a amordaçar-lhe a boca e se voltou para mim.”
“Crês que está dizendo a verdade?”
“Não, mente”, gritei.
“Devolvam-nos ao fogo”, e a tortura recomeçou. Subitamente um do
bando que havia estado vigiando para que ninguém se aproximasse, entrou na
habitação.”
“Rápido, alguém acionou o alarme.”
“Houve um estampido, alguns atravessaram a porta e outros fugiram.
Segurando o braço de Gastão, gritei: “Seu estúpido, vais deixar livre o judeu
para deixar evidências? Seremos capturados se não o fizer.”
“Tens razão querida”, respondeu. Logo se voltou e lhe cortou o
pescoço.”
“Escapamos; mas pouco depois Gastão me assassinou uma noite que
estava bêbado e assim, a seu tempo, cheguei aqui. Agora compreendes por
que estou neste horrível quarto.”
“Não te arrependes do que fizestes ao judeu?”
“Arrepender-me? Não. Isso é a única coisa que me consola, mas eu
queria sair desse lugar.”
“Me dirigi ao jovem doutor:” Mas que prazer encontras em torturá-la? É
verdade que ele é feia, agora, sua maldade a fez assim; mas é uma mulher, e
pessoalmente não te fez nenhum dano. Porque o fazes?”
“Prazer! Não consigo nenhum prazer nisto. A princípio sim, sentimos
uma espécie de prazer malicioso vendo os outros sofrerem. Mas, ainda por um
tempo, quanto mais miseráveis nos tornamos, mais gostamos de obrigar os
outros a se sentirem miseráveis. Mas, passado o tempo, este prazer se detém
e continuamos fazendo esse tipo de coisas mecanicamente. Nós não sentimos
nenhuma piedade ou pesar por nossas vítimas; esses sentimentos morreram

153
em nossos corações, anos antes de nossa morte e, sobretudo, eles não
merecem piedade, pois foram tão cruéis como nós. Mas, não sentimos prazer
nisso. Este é um mundo horrível, sem diversão, fazer por fazer para passar o
tempo. Tempo! Maldito tempo, não existe tal coisa chamada tempo!”
“Enquanto falava, ele me deu as costas e selvagemente mergulhou o
escalpelo na pobre miserável que descansava na mesa diante dele.”
“Ia saindo do quarto, mas logo fui surpreendido por três ou quatro
cientistas. “Este homem poderá tomar o lugar do que escapou ” gritou um
deles.”
“Não, não o façam”, gritei. Mas, apesar de meus desesperados esforços
me arrastaram a mesa e me sujeitaram tão fixamente como haviam sujeitado
antes ao que escapou. Logo experimentei as mais terríveis torturas, mas todo o
tempo mantive meus sentidos e busquei a oportunidade de escapar.”
“Esta surgiu logo após. Dois dos doutores começaram a recortar.
Enquanto eles distraíam sua atenção, me atirei ao chão. Chamei a Deus por
ajuda, e me lancei para a porta.”
“Um ou dois trataram de deter-me, mas a maioria não me prestou
atenção. Tais cenas ocorriam constantemente. Logo havia cruzado a porta e
estava fora outra vez no desolado plano.”
“Depois de um momento, me dei conta que não era perseguido. Eu
diminui a velocidade e comecei a pensar em minhas experiências. Um ponto
me chamou especialmente a atenção e me impressionou desde o princípio –
era o fato de que no Inferno, é extremamente difícil que os espíritos combinem
e trabalhem juntos por qualquer objetivo comum, em qualquer caso, por
qualquer período de tempo. Se tivesse sabido alguma combinação eficaz entre
os doutores, eu nunca teria escapado. Parecia bastante fácil que uns se
unissem por um momento e me fizessem prisioneiro, mas a maioria se
esqueceu de mim e começou a fazer alguma outra coisa. Haviam
continuamente disputas entre eles. Na verdade, as únicas vezes em que uma
ação eficaz e unida era possível, era naqueles casos quando de minha
conquista em Paris da Revolução, onde um homem com uma vontade de ferro
era capaz de dominar e forçar a um grande número de outros a obedece-lo. “
“Sim, a total ausência do poder de uma combinação voluntária para
qualquer objetivo, é uma das características do Inferno.”

FIM

154
Tradução: Maria Olympia Arriagada e
Célia Maria Trindade Schmidt - Abril 2004

Digitação, revisão e diagramação: Célia Maria Trindade Schmidt – fev. 2004.

Curitiba, PR.

155