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CASA DE PENSÃO é o quinto romance de Aluísio Azevedo e foi publicado em 1883, em forma de folhetim.

Considerado intermediário entre o romance de personagem (O mulato) e o romance de espaço ( O cortiço) .

Sobre o autor e sua importância para a literatura : Aluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo (São Luís, 14 de
abril de 1857- Buenos Aires, 21 de janeiro de 1913) foi um romancista, contista, cronista, diplomata, caricaturista e
jornalista brasileiro; além de bom desenhista e discreto pintor, foi o autor que inaugurou o naturalismo no Brasil, com
a obra O mulato. A idéia naturalista apresentou-se mais amadurecida nos dois romances mais importantes na obra de
Aluísio Azevedo: O Cortiço e Casa de Pensão. Estes constituem o legado para a literatura brasileira de costumes,
através da composição dos quadros coletivos apresentados na pensão e no cortiço. A partir do reconhecimento de sua
obra, viveu da venda de seus escritos, o que levou o crítico Valentim Magalhães a afirmar: "Aluísio Azevedo é no
Brasil talvez o único escritor que ganha o pão exclusivamente à custa de sua pena, mas nota-se que apenas ganha o
pão: as letras no Brasil ainda não dão para manteiga." (NICOLA, 1988, p. 161).

Obras: tríade - O mulato, Casa de Pensão e O cortiço

Estilo: Escrito numa linguagem simples, coloquial, preza pela exatidao da descrições, usando o espaço como um
painel informativo, onde aparecem a degradacao humana e as patologias ( fisicas, comportamentais, sociais e morais).
O texto representa bem o Naturalismo brasileiro, caracterizado pelo determinismo.

Intertextualidade : o referencial para a construção da obra foi A questão Capistrano, fato real ocorrido anos antes
da obra ser publicada. Júlia Clara Pereira, uma viúva que sustentava a família dando aulas de piano, alugou
uma casa, a qual era demasiado espaçosa para sua família (mãe e seus dois filhos: Antônio Alexandre
Pereira – estudante de engenharia, e Júlia Pereira) . Converteram a propriedade em casa de pensão, uma
prática muito comum na época e que lhes garantiria renda extra. Seus primeiros hóspedes eram colegas de
Alexandre: Mariano de Almeida Torres e João Capistrano da Cunha, ambos oriundos do estado do Paraná e
estudantes da Politécnica. Capistrano e Júlia se apaixonaram e o estudante violentou sexualmente a jovem.
Ao saber do ocorrido, a D. Julia cobrou dele uma atitude de reparação, entretanto Capistrano, não querendo
se comprometer com a moça fez promessas vagas e de longo prazo. Um dia Capistrano simplesmente
desapareceu da casa de pensão. A mãe e o irmão da moça, através de um advogado, Dr. Jansen de Castro
Júnior, registraram então uma queixa-crime numa delegacia, pedindo uma indenização em dinheiro. A
imprensa da época divulgou amplamente o caso, fazendo a população tomar ora as dores da vitima, ora a
defesa do acusado. Após julgamento, o réu foi absolvido e , sob aplausos, saiu dali com os colegas para
uma comemoração no Hotel Paris. Indignado com o desfecho do caso, Antônio resolveu tomar uma atitude
para defender a honra da irmã : matou o ex-amigo com 5 tiros. Novamente os debates atraem a atenção do
povo. O novo réu também foi a julgamento e de lá saiu absolvido, ovacionado por populares e carregado
pelos mesmos colegas que celebraram a vitória do primeiro.

Enredo :

Apresentação :
Amâncio (da Silva Bastos e Vasconcelos), rapaz rico e provinciano, abandona o Maranhão e segue de navio para o
Rio de Janeiro (a Corte) a fim de se encaminhar nos estudos e na vida. É um provinciano que sonha com os
deslumbramentos da Corte. Chega cheio de ilusões e vazio de propósitos de estudar... A mãe fica chorosa e o pai,
indiferente, como sempre fora no trato meio distante com o filho. O rapaz tinha que se tornar um homem. Ao chegar
à corte, Amâncio vai morar em casa do Sr. Campos, amigo do Pai, e, forçado, se matricula na Escola de Medicina. Ia
começar agora uma vida livre para compensar o tempo em que viveu escravizado às imposições do pai e do
professor, o implacável Pires.
Complicação :
Amâncio reencontra o amigo Paiva Rocha , vão almoçar juntos . É quando conhece João Coqueiro. Por
levar uma vida que não condiz com a vivida em casa de Luis Campos, decide aceitar o convite de João
Coqueiro, co-proprietário de uma casa de pensão, junto com a sua velhusca mulher Mme. Brizard, e muda-se para lá.
É tratado com as maiores preferências: os donos da pensão queriam aproveitar o máximo de seu dinheiro e ainda
arranjar o seu casamento com Amélia, irmã de Coqueiro. Um sujo jogo de interesses, sobretudo de dinheiro. Naquele
ambiente, tudo concorreria para fazer explodir a super-sensualidade do maranhense. A casa de pensão era um
amontoado de gente, em promiscuidade generalizada, apesar da hipócrita moralidade pregada pelo seu dono: havia
miséria física e moral, clara e oculta. Com a chegada de Amâncio, a pensão passou a ser armadilha para prender nos
seus laços o jovem, inesperto e rico estudante: pegar o seu dinheiro e casá-lo com a irmã do Coqueiro. Para alcançar o
fim, todos os meios eram absolutamente lícitos. Amélia, principalmente quando da doença do rapaz, se desdobrou
nos mais íntimos cuidados. Até que se tornou, disfarçadamente, sua amante. Sempre mantendo as aparências do
maior respeito exigido dentro da pensão pelo João Coqueiro...
O pai de Amâncio morre no Maranhão. A mãe chama o filho. Ele pretendo voltar, logo que terminarem
os seus exames de medicina. Era preciso que o filho voltasse para vê-la e ver os negócios que o pai deixara. Mas o
rapaz está preso à casa de pensão e a Amélia: esta, através de Coqueiro, o ameaça e só permite sua ida ao Maranhão,
depois do casamento. Amâncio prepara sua viagem às escondidas.
Clímax: Mas, no dia do embarque, um oficial e justiça, acompanhado de policiais, o prende para
apresentação à delegacia e prestação de depoimentos. Amâncio é acusado de sedutor da moça. João Coqueiro prepara
tudo: o caso foi entregue ao famigerado e trapaceiro Dr. Teles de Moura. Aparecem duas testemunhas contra o
rapaz. Começa o enredado processo: uma confusão de mentiras, de fingimentos, de maucaratismo contra o jovem rico
e desfrutável para os interesses pecuniários de Mme. Brizard e marido. Há uma ressonância geral na imprensa e, na
maioria, os estudantes se colocam ao lado de Amâncio. O senhor Campos prepara-se para ajudar o seu protegido, mas
Coqueiro lhe faz chegar às mãos uma carta comprometedora que Amâncio escrevera à sua senhora, D. Hortênsia. E
se coloca contra quem não soube respeitar nem a sua casa...
Desfecho: Três meses depois de iniciado o processo, Amâncio é absolvido. O rapaz é levado em triunfo
para um almoço, no Hotel Paris.
“Amâncio passava de braço a braço, afagado, beijado, querido, como uma mulher famosa.” (317). Todo
mundo olhava com curiosidade e admiração o estudante absolvido. E lhe atiravam flores, Ouviam-se vivas ao
estudante e à Liberdade. Os músicos alemães tocaram a Marselhesa. Parecia um carnaval carioca.
Em outro plano, Coqueiro, sozinho, vendo e ouvindo tudo. A alma envenenada de raiva. Em casa o
destampatório da mulher que o acusava de todo o fracasso. As testemunhas reclamavam o pagamento do seu
depoimento. Um inferno dentro e fora dele. Chegaram cartas anônimas com as maiores ofensas. Um homem acuado...
Pegou, na gaveta, o revólver do pai. E pensou em se matar. Carregou a arma. Acertou o cano no ouvido.
Não teve coragem. Debaixo da sua janela, gritavam injúrias pela sua covardia e mau caráter... No dia seguinte, de
manhã, saiu sinistro. Foi ao Hotel Paris. Bateu no quarto II, onde se encontrava o estudante com a rapariga Jeanete.
Esta abriu a porta. Amâncio dormia, depois da festa e da bebedeira, de barriga para cima. Coqueiro atirou a queima-
roupa. Amâncio passa a mão no peito, abre os olhos, não vê mais ninguém. Ainda diz uma palavra: "mamãe" ... e
morre.
Coqueiro foi agarrado por um policial, ao fugir. A cidade se enche de comentários. Muitos visitam o
necrotério para ver o cadáver de Amâncio. Vendem-se retratos do morto. Um funeral grandioso com a presença de
políticos, notícias e necrológicos nos jornais, a cidade toda abalada. A tragédia tomou conta de todos.
A opinião pública começa a flutuar, a mudar de posição: afinal, João Coqueiro tinha lavado a honra da
irmã...
Quando D. Ângela, envelhecida e enlutada, chega ao Rio de Janeiro, se viu no meio da confusão,
procurando o filho. Numa vitrine, ela descobriu o retrato do filho "na mesa do necrotério, com o tronco nu, o corpo
em sangue. Uma legenda: “Amâncio de Vasconcelos, assassinado por João Coqueiro, no Hotel Paris”.

Modelo actancial de base:

Criação Castradora
Amâncio
(Pai e Professor)

Amâncio Amélia

Ingenuidade
Riqueza de Amâncio

TEMPO - Final do século XIX.

ESPAÇO - é composto por:

Macroespaço – Rio de Janeiro

Microespaço - Casa de pensão. O titulo indica a importância do espaço: habitação coletiva, em constante mutação,
onde havia o confronto cultural. A casa de pensão era um espelho, uma miniatura da sociedade do século XIX:
instável e em crise, não conseguia acompanhar as mudanças. Declínio da pensão = declínio da sociedade.
Partes da narrativa :

Apresentação : Chegada de Amâncio ao Rio de Janeiro.

Complicação : O encontro com o amigo Paiva Rocha e o almoço no Hotel do Príncipes.

Clímax : Coqueiro impede a volta de Amâncio ao Maranhão ( provoca sua prisão).

Desfecho : Coqueiro mata Amâncio ; D. Ângela chega à corte.

Foco narrativo: Narrativa escrita na terceira pessoa do singular, narrador onisciente. A narrativa é linear, com
flashbacks que explicam o comportamento dos personagens.

romance de chave ( do Frances Roman à clef, narrativa na qual o autor trata de pessoas reais por meio de
personagens fictícios). Assim podemos identificar os figurantes principais.
Amâncio da Silva Bastos e Vasconcelos = João Capistrano da Silva, estudante, acusado de sedução. Foi absolvido.
Amélia ou Amelita = Júlia Pereira, a moça seduzida, pivô da tragédia.
Mme. Brizard = é uma viúva, dona da casa de pensão: D. Júlia Clara Pereira, mãe da moça e do rapaz, assassino.
João Coqueiro = Antônio Alexandre Pereira, irmão da moça Júlia Pereira e assassino de João Capistrano. Foi também
absolvido.
Dr. Teles de Moura = Dr. Jansen de Castro Júnior, advogado da família da moça.

Personagens: planos, que apresentam-se como uma parcela da sociedade – e por meio delas, são apontados
comportamentos condenáveis.

Protagonista maior: Amâncio – jovem provinciano e mulherengo, de 20 anos, rico, estudante de medicina (por
vaidade e não por vocação); apático, marcado pela herança genética e por uma educação tradicionalmente portuguesa,
procura na pensão carioca o substitutivo da família

Protagonista menor : João Coqueiro: estudante da Politécnica, dono da pensão, quer que Amâncio se case com
Amélia, sua irmã.

Personagens secundários :

T- Sr. Vasconcelos : pai de Amâncio, português tradicionalista e austero


T- D. Ângela : mãe de Amâncio, era doce e dedicada , uma “santa”
T- Professor Antônio Pires: homem grosseiro, rigoroso, “batia nas crianças por gosto, por um hábito do ofício”
(AZEVEDO, 1977, p.19)

T- Amélia: irmã de João Coqueiro, sedutora e interesseira;


T- Mme. Brizard: esposa de João Coqueiro, apóia e promove o romance de Amélia com Amâncio;
T- César: filho caçula de Mme. Brizard, muito travesso;
T- Leonie, “Nini’: filha de Mme. Brizard, viúva histérica (por causa do celibato?) “doente”

Hóspedes da casa de pensão: alguns são tipos, outros são caricaturas da sociedade da época .
T- Lúcia/interesseira e o “marido” C- Pereira/preguiçoso : boêmios, andavam de pensão em pensão
T- Sr. Lambertoza : gentleman e músico
Ts- Paula Mendes e a esposa Catarina: um casal de artistas
T- Dr. Tavares (“um advogado de mão-cheia”) e a mulher, uma francesa coxa
T- Piloto (repórter da Gazeta)
T- Melinho : empregado federal
T- Um contador “guarda-livros” : estudante de clarinete
T- Um português doente
T- Dr. Correia : médico e cientista

T- Luis Campos: empresário rico, de 36 anos, acolhe Amâncio na Corte;


T- D. Maria Hortênsia: mulher de Campos flerta com Amâncio;
T- Carlotinha: cunhada de Campos;
T- Paiva Rocha e Salustiano Simões: estudantes, "amigos" interesseiros de Amâncio.

Curiosidade: Rita Baiana, uma das personagens que aparece no início da obra, ressurge em O cortiço.
Caracteísticas Realistas/Naturalistas

Realistas:

Descritivismo: retrato da realidade – “A casa tinha dois andares e uma boa chácara no fundo. O salão de visitas era
no primeiro. Mobília antiga, um tanto mesclada; ao centro, grande lustre de cristal, coberto de filó amarelo; três
largas janelas de sacada, guarnecida de cortinas brancas, davam para a rua; do lado oposto, um enorme espelho de
moldura dourada e gasta inclinava-se pomposamente sobre um sofá de molas; em uma das paredes laterais, um
detestável retrato em óleo de Mme. Brizard, vinte anos mais moça, olhava sorrindo para um velho piano, que lhe
ficava fronteiro; por cima dos consolos vasos bonitos de louça da Índia, cheios de areia até à boca.” (AZEVEDO,
1977, p. 54)
Determinismo: “O leite que o menino mamou na ama negra também está contagiado e irá marcá-lo. O médico dizia:
"Esta mulher tem reuma no sangue e o menino pode vir a sofrer para o futuro." Amâncio é uma cobaia, um campo de
experimentação nas mãos do romancista. Nele o fisiológico é muito mais forte do que o psicológico. O determinismo
vai acompanhar toda a carreira do personagem.

Universalismo; o próprio tema é universal e atemporal, por se tratar do ser humano: “Uma vez casados,
ressucitariam a antiga casa de pensão. Ela dispunha de algum dinheiro; o outro dispunha de um predio: era restaurá-lo
e dar começo á vida.” P. 52

Antropocentrismo: as ações giram em torno do homem; “Será possível?...considerou Amânciio, que se adiantara
precatamente para cientificar-se do que vira”. –“Que grande velhaco! E aquele tipo , que “por moralidade não admitia
em casa certas visitas!” p. 103

Crítica Social: superpovoamento da cidade – pensão ; preconceito pelo doente (Amâncio); “Está claro! Disse a
mulher do Fontes, empurrando as pedras do dominó – Eu aqui também não fico! Ou o doente se muda ou então
mudo-me eu!” p. 105

Teorias Cientificistas: Amâncio estuda medicina apenas para obter um diploma, um nome de doutor. “Não se trata
de ganhar uma “profissão”, trata-se de obter um título. Tu não não precisas de meio de vida, precisas é de uma
posição na sociedade”. P. 29

Naturalistas:

Patologias

Comportamentais: “E [Lúcia] sacudia todo o corpo com uma obstinação provocadora e canalha. Amâncio olhava
para ela mordendo os beiços” p. 115

Sociais: “Graças ao meio em que se desenvolveu, sabia perfeitamente o que era pão e o que era queijo; por
conseguinte as precausões e as reservas que o irmão tomava com ela (Amélia), faziam-na sorrir”. P. 56

Físicas: o histerismo foi um dos temas prediletos dos naturalistas. “ Nini escabujava no chão, a gritar,
esfrangalhando as roupas e mordendo os punhos.” P. 87

Zoomofização: “E, enquanto palavreava abstraído com Mme. Brizard e com o Coqueiro, percebia que alguma coisa
se apoderava dele, que alguma coisa lhe penetrava familiarmente pelos sentidos e aí se derramava e distendia, à
semelhança de um polvo que alonga sensualmente os seus langorosos tentáculos.”. p. 60

Grotesco: “Fazia má impressão estar ali: o vômito de Amâncio secava-se no chão, azedando a ambiente; a louça, que
servira ao último jantar, ainda coberta de gordura coalhada, aparecia dentro de uma lata abominável, cheia de
contusões e comida de ferrugem. ” p. 41

Apreciações Críticas:

Alfredo Bosi: “Em Casa de Pensão, a vida airada do estudante que vem do Norte para
o Rio, o
ambiente pegajoso da pensãozinha onde se instala, enfim o rumor dos jornais e da
boêmia em volta
do caso escandaloso em que se envolve, formam o coro, estruturalmente superior
ao desenho
flácido, do protagonista, cujas fraquezas são atribuídas desde as primeiras páginas
à herança do sangue.” (Bosi , 1994, p. 190)

Massaud Moisés : “ (...) a tese de Casa de pensao (...) é que o meio vence o forasteiro que ousa reagir contra as leis
vigentes, marginalizando-o, destruindo-o ou assimilando-o. Impossibilitado de enfrentar as convencoes com parcos
recursos morais e corroido pela sifilis, é imperioso que o heroi se submeta à conjuntura social.” ( MOISES, 2001, p.
37 )

Trecho para anàlise:

1º “A cachorra da pequena tinha gosto. Exigiu tapetes, espelhos, cortinas de chita indiana para a sala de jantar,
cortinas de renda para a sala de visitas; quis moldura douradas nos quadros, estatuetas pelas paredes; não dispensou
nos aparadores e nos consolos jarras de porcelana das mais à moda. [...] E só com essas coisas e só com a satisfação
de tanta exigência é que Amâncio conseguia paliar as revoltas da amante. O desgraçado já não tinha ânimo de
contrariá-la, porque bem conhecia o preço das rezingas e, sem achar meio de reagir, via claramente que as
reconciliações se tornavam mais caras de dia para dia”. p. 262

*Obs: Após muito se oferecer , Amélia consegue ficar com Amâncio. Entretanto após ela se entregar à Amâncio por
amor , tem esperanças em se casar com ele. Detalhe: este não corresponde. Ela se vinga dele e exige coisas.

2º“- É um achado precioso! Ainda não há dois meses que chegou do Norte, anda às apalpadelas! Estivemos a
conversar por muito tempo: - filho único e tem a herdar uma fortuna! Ah! Não imaginas: só pela morte da avó, que é
muito velha, creio que a coisa vai para além de quatrocentos contos!... / Mme. Brizard escutava, sem despregar os
olhos de um ponto, os pés cruzados e com uma das mãos apoiando-se no espaldar da cama. / - Ora, - continuou o
outro gravemente. – Nós temos de pensar no futuro de Amelinha... ela entrou já nos 23!... se não abrirmos os olhos...
adeus casamento! / - Mas daí... – perguntou a mulher, fugindo a participar da confiança que o marido revelava
naquele plano. / - Daí – é que tenho cá um palpite! – exclamou ele. – Não conheces o Amâncio!... A gente leva-o para
onde quiser!... Um simplório, mas o que se pode chamar um simplório / Mme. Brizard fez um gesto de dúvida. / -
Afianço-te, - volveu Coqueiro – que, se o metermos em casa e se conduzirmos o negócio com um certo jeito, não lhe
dou três meses de solteiro!” p. 55

*Obs: Na obra de Aluísio Azevedo o jogo de interesses movido pelo dinheiro é o centro das relações entre as
personagens: Coqueiro e Mme. Brizard, Coqueiro e Amâncio, Amâncio e Amelinha, Lúcia e Pereira, Amâncio e
Lúcia.

Referências Bibliograficas:

AZEVEDO, A. Casa de Pensão. São Paulo: Livraria Martins Editora, 1957.

AZEVEDO, A. Casa de Pensão. São Paulo: Atica, 1977

TEIXEIRA, Maria de Lourdes. Introdução. In: Azevedo, Aluísio. Casa de pensão. São Paulo: Livraria Martins, 1961.

BOSI, A. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1994. p. 190 – Adaptado.)
NICOLA, J. Língua, Literatura & Redação. Vol. 2. 4ª ed. São Paulo: Scipione, 1988.

MOISES, Massaud. História da Literatura Brasileira: VOL. II – Realismo e Simbolismo. São Paulo: Ed. Cultrix,
2001.

ARARIPE JUNIOR, TA. Araripe Junior: teoria , critica e historia literária (seleção e apresentação de ) Alfredo Bosi.
São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1978.

http://www.suapesquisa.com/biografias/aluisiodeazevedo/ pesquisado em 05 de abril de 2011 as 14:25 h.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Alu%C3%ADsio_Azevedo pesquisado em 29 de março de 2011 as 11:45 h.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Alfredo_Bosi pesquisado em 15 de março de 2011 as 23:17 h.

http://www.sosestudante.com/resumos-c/casa-de-pensao-aluisio-de-azevedo.html pesquisado em 02 de abril de 2011


as 23:25 h.

http://www.literaturaemfoco.com/?p=23 Pesquisado em 31 de marco as 01:29h.