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Dificuldade de Aprendizagem Alfabetização

Amélia Almeida Myga

Resumo
Alfabetizar é propiciar condições para que o indivíduo criança ou adulto tenha acesso ao mundo da escrita, tornando-se capaz não só de ler e escrever, enquanto habilidades de codificação e decodificação do sistema de escrita, mas, sobretudo, de fazer uso real e adequado da escrita com todas as funções que ela tem em nossa sociedade e como instrumento na luta pela conquista da cidadania plena. Existem algumas sugestões quanto ao ensino que podem ser até modificadas, onde o professor pode trabalhar com materiais de apoio no ensino da linguagem oral, composição escrita, leitura com interpretação, jogos e brincadeiras e uma infinidade de materiais que servem como material de apoio na alfabetização. O objetivo da alfabetização é de favorecer o desenvolvimento da comunicação e expressão com ênfase no processo e utilização de textos e garantir a utilização dos mecanismos básicos da leitura e escrita.

Reflexões sobre a história da alfabetização
Na imaginação popular, a alfabetização é a característica distintiva mais importante de um homem civilizado e de uma sociedade civilizada. Expressões dessas atitudes são prontamente colhidas na imprensa popular. Embora os historiadores que têm abordado a alfabetização como um fenômeno histórico tenha em geral medido seu progresso em termos da história da escrita, as reais condições da alfabetização dependem não apenas da história da escrita, mas da história da leitura. Ao lidar com o passado, é obviamente muito mais difícil estar seguro sobre a prática da leitura, sua conduta e amplitude, que sobre a da escrita. Para certos usos da linguagem, a alfabetização é não apenas irrelevante, mas um obstáculo decisivo. Pelo contrário diz o autor, elas são exemplos importantes das correções e das revisões que apenas agora estão começando com respeito à compreensão dos supostos efeitos e conseqüências da alfabetização. Pelos dois últimos séculos, eles têm estado inextricável e inseparavelmente ligados às teorias sociais e pós-iluministas, "liberais" e às expectativas contemporâneas com respeito ao papel da alfabetização e da escolarização no desenvolvimento sócio-econômico, na ordem social e no progresso individual. Esse elenco de conjunturas "presentes na teoria, no pensamento, na percepção e nas expectativas" é enormemente importante. Os resultados

dos fracassos estão ao nosso redor. Eles impedem que conheçamos até mesmo as dimensões das mudanças qualitativas nas habilidades populares para empregar de forma útil ou funcional as capacidades da leitura e escrita hoje. Expectativas e suposições a respeito da primazia e da prioridade da alfabetização e da imprensa, para a sociedade e para o indivíduo; a necessidade de habilidades "funcionais" para a sobrevivência; ou a condição de massa da alfabetização como um índice da condição da civilização, todas essas coisas se mantêm de forma insatisfatória e inadequada como substitutos para uma compreensão mais profunda, fundamentada, das questões e problemas. De forma mais importante, a alfabetização é excessivamente valorizada por causa da própria estrutura da escolarização formal. A moeda corrente da escola é constituída de palavras, palavras, que são moldadas de acordo com as exigências da alfabetização. Podemos ter uma visão distorcida tanto da criança quanto das realidades sociais se acha que os valores e os prazeres da alfabetização são tão grandes que podem se tornar fácil ou difícil, leve à riqueza ou a poder... Muito influenciada pela psicologia behaviorista, acredita que a criança é um branco sobre o qual o professor vai depositar o conhecimento. Desse trabalho, resultou um conhecimento precioso, que era deslocar o foco da questão mais importante até então que era a de como o professor ensina, para outra questão, a de como a criança aprende. A teoria construtivista piagetiana mostra que a criança constrói o seu conhecimento de acordo com estágio de desenvolvimento em que esteja através da ação. Essa ação da criança, no ambiente escolar, significa que é ela própria quem escolhe, elimina, coordena, ajusta, organiza e reorganiza os dados que, em seu nível de desenvolvimento, ela pode assimilar. Em outras palavras, a criança não aprende acumulando conhecimento,mas construindo conhecimento. E esse aprender é um processo absolutamente revolucionário, pois cada novo conhecimento construído remaneja o conhecimento que a criança já tem. Em cada momento e em todo o decorrer da vida humana, o processo adaptativo tem funcionamento idêntico, precedido por dois mecanismos indissoluvelmente ligados: assimilação e acomodação: Assimilação: há um organismo que assimila o meio, um sujeito que busca o objetivo de conhecimento (assim como existem órgãos que assimilam alimentos), tudo conforme as possibilidades da organização, ou seja, conforme a estrutura mental de que dispõe o sujeito, seus esquemas assimiladores em atividade. Acomodação: a atividade deassimilaçãolevaaumaacomodaçãodaprópria estrutura, que se modifica em resultado daquela atividade, seja desenvolvendo novos esquemas, seja diferenciando-os ou coordenando-os uns aos outros. Inicialmente, a estrutura mental do recém-nascido está presa a seu equipamento biológico, aos atos reflexos, ás montagens hereditárias, das quais derivam os primeiros esquemas de ações efetivas. Perguntar-se-ia:

É assim que Piaget coloca o conceito da atividade no centro de suainterpretaçãoda vida mental e com papel relevante na explicação do processo adaptativo e no decurso de todo processo. e Teberosky (1986. Isso transforma a avaliação num momento produtivo e ao mesmo tempo favorável à aprendizagem. o professor terá condições de fornecer-lhes possibilidades para que o supere. pois onde há vida há adaptação. 74). por tratar especificamente deste assunto. O que notamos é que Piaget não trabalhou com os erros denominados construtivos. A busca contínua de equilíbrio está ligada em todas as interações do organismo e do ambiente. nem todos os erros são construtivos. p. o que fez foi estruturar a concepção teórica sobre o processo de desenvolvimento cognitivo da inteligência da criança. particularmente na cognição. Ela sempre se refere a um momento evolutivo da criança. A condenação ao tipo de erro cometido pelos alunos. neste ponto. seja assimilado o meio ou acomodando-se a ela. aproveitando o que o mesmo traz de conhecimento e desenvolvimento para o indivíduo que o produz. Assim. No círculo indissolúvel que leva por meio de acomodação e assimilação.onde está o começo da ação adaptativa? Na influência do meio? Na iniciativa do sujeito? Piaget explica o processo por uma indiferenciação inicial entre o sujeito e o objeto. . tomamos como referências Ferreiro (1986. passando ao amadurecimento de suas idéias. da qual derivam os dois movimentos. uma atividade incorporadora de assimilação e uma atividade acomodatícia. Denomina auto-regulação ou equilibração ao fator que é a própria atividade relacionada do sujeito com o objetivo e que explica todo processo. que foi discípula de Piaget e construiu sua pesquisa sobre a psicogênese da língua escrita de acordo com a teoria de seu mestre. p. Decididamente. Nesta parte do trabalho queremos mostrar que na construção do conhecimento há erros e erros que podem ser considerados ou não como construtivos. queremos. Na maioria dos casos a produção de um erro indica em si mesma uma conquista. Percebemos. a integração dessas duas forças da vida humana. a atividade auto atividade pertence ao sujeito. Diante dos estágios de desenvolvimento do raciocínio pode-se verificar várias transformações nos sujeitos que estão em constante construção do conhecimento. 56). à elaboração da atividade é predominante. deixar claro que. então. Portanto os erros dos alunos servem de pistas para sabermos em que fases do conhecimento se encontram. num processo contínuo de superação de etapas desenvolvimento. devemos considerá-lo e fazer uso dele como fonte da construção do conhecimento. e determina a sua organização interna e a sua adaptação ao meio. ou seja.

Quando são discutidos com a criança. Características das crianças com dificuldades Todos os anos são identificadas crianças. e seu trabalho arrisca-se. Assim. que oferece uma discriminação extremamente interessante sobre o desenvolvimento cognitivo do ser humano. ela também pode acompanhar seu próprio desenvolvimento. A realidade muda constantemente e as aulas .no que se refere a um conhecimento das normasouconvenções (como em algunscasosdasregrasortográficasounamatemática). no máximo.tratando tal assunto como estrutura do pensamento (assimilação. como um momento transitório revelador do movimento do indivíduo em seu processo de conhecimento. não conseguem cumprir de modo satisfatório as expectativas da escola e/ ou dos pais. suas regras. passos inerentes ao processo de construção. Erros construtivos são aqueles que permitem ao professor observar o percurso intelectual do aluno. a causar danos à vida intelectual das crianças. por ensaio e erro. vemos os erros como necessário na construção do conhecimento. Esse diálogo vai gerar o desenvolvimento cognitivo da criança. suas prioridades são diferentes das necessidades reais da criança. Este conceito é fruto da teoria de Piaget. Habitualmente. Para que haja um avanço na aprendizagem. está agindo às cegas. dentre as que freqüentam escolas. Os métodos tradicionais estão totalmente desintegrados do meio social. acomodação) como já retratamos anteriormente. Erros por falta de informações:. Portanto é preciso que as teorias sejam explícitas fazendo do erro. aquelas que. Suas finalidades. O erro passa a ser entendido como parte do processo de aprendizagem. O erro construtivo indica a hipótese que a criança faz sobre determinado problema. também é necessário que a criança perceba que pode "errar" na construção de seu conhecimento e que nem sempre o caminho por ela escolhido é o mais adequado. um professor que pretende ensinar algo sem procurar conhecer os seus alunos. por alguma razão. Assim. Os professores consideram que a causa dos erros cometidos pelos alunos se deve à falta de conhecimento para o qual preconizam a terapia clássica de repetição da explicação e dos exercícios. os familiares ou responsáveis por estas crianças são orientadas no sentido de procurar um profissional a fim de que este possa diagnosticar o "problema da criança" com o objetivo de corrigir ou sanar as dificuldades presentes. dentro de uma concepção construtivista do processo de aprendizagem.

p. Lança-se a frase e analisa junto à criança os elementos destacando o mais importante. esta passaria por Claparede. onde a alfabetização deve explorar os recursos do jogo do movimento. adaptando o ensino da leitura e da escrita à nova corrente. Ambos exigem que o ensino seja apropriado aos interesses da criança e julgam útil iniciar sempre com as mais primitivas necessidades da humanidade em contato com o meio: necessidades de nutrir-se. Decroly. . Piaget. aproximar a vida à escola e ensinar a criança a agir. O aluno não consegue resultados satisfatórios. Freinet. O ideal comum é. a maneira mais natural de despertar na criança a atenção para uma atividade.palavras que pertencem à linguagem da criança. pois este deveria trazer consigo uma idéia interessante e apresentada sob uma forma divertida. também naquela época as pessoas reagiam às inovações: isto implicava em sair da rotina e mais. de forma prática. Entre estes. A alfabetização deve partir de uma frase. Wallon. Todos deram sua contribuição para o aprofundamento e enriquecimento dos Métodos Globais. passando da análise para a síntese. Conforme Decroly apud Freinet (1998. sem dúvida nenhuma. "O jogo é um traço de união entre a criança e a vida no domínio da escola'". . implicaria acima de tudo numa tomada de posição. nos parecem invenções atuais: . Decroly conseguiu através da prática fundamentar todo o seu trabalho nesta nova proposta. de trabalhar em harmonia com a coletividade. O repetitivo se torna um dos fatores mais decisivos para a passividade do aluno. Como atualmente. Decroly e Freinet foram os que mais esforços fizeram. Montessori. exigindo o concurso dos trabalhos manuais para a aquisição dos conhecimentos. "A alfabetização ou o ensino da leitura deve partir do todo. ao raciocínio. notamos que estas sugerem princípios. sendo rotulados de problemas ou alunos indisciplinados. que hoje postos em prática. Do século XIX ao XX. Preconiza ainda que as escolas sejam laboratórios e não auditórios. Se observar as bases pedagógicas lançadas por Adams. de vestir-se. Partia ele do princípio de que o processo do ensino da leitura deveria partir de uma palavra que a criança conhecesse.a globalização. Não existem apelos à criatividade.por sua rotina e principalmente pela repetitividade das técnicas de ensino. . questionando seu próprio trabalho e não simplesmente atribuir a não aprendizagem ao aluno. 34) "a escola há de ser para o . para posteriormente passar para decomposição". fazendo-a agir.Adaptação à Psicologia da criança. pois. Ernest Renan.pararam no tempo e no espaço.organização da sala de aula onde a criança possa agir com naturalidade e quetenhaasuadisposição material de uso comum. sem concentração. O jogo lúdico é.

a qual explica que a característica da criança nesta idade é a inquietude e o movimento. A sala de aula deve estar organizada de tal forma que as crianças realmente possam agir. A atividade lúdica deve fazer parte do programa escolar. Atividades da criança: Outra característica do Método é o de provocar o trabalho espontâneo e constante. A sala deve apresentar materiais que a criança mesma colecionou. da simples observação a observação estruturada. desenvolve o raciocínio. trabalhar espontaneamente e circular livremente. Em face disto. A figura da criança deverá ser inteiramente ativa. A Intuição: Princípio que proclama a necessidade de substituir a palavra como forma exclusiva para o ensino. como faixa etária. A ação da criança deve seguir uma graduação. para realizar este princípio propõe um programa amplo. espontânea.menino e não o menino para a escola". a reflexão. na realidade viva que o menino representa. livre. elástico. Este princípio tem sua fundamentação na Psicologia. A criança deve ter o domínio completo do objeto em estudo. Decroly concentra sua atenção muito mais nos meios. sexo. interesse e capacidade que definirá o fim da educação o esforço para que cada criança alcance seu grau de perfeição de que seja capaz. pois é só através desta atividade que a criança realmente conseguirá trabalhar espontaneamente. A afirmação deixa bastante evidente o objetivo da educação para Decroly. conhecimentos previamente concebidos. para que a criança consiga trabalhar com autonomia. saúde. a criança só aprende quando pode intervir livre e diretamente na realidade. Decroly. com sua realidade. A atividade educativa é condicionada por vários fatores. sem imposição de situações. as habilidades do professor. "não há nada nem pode haver senão liberdade na escola. propondo então o ensino através do contato direto com o objeto em estudo. que garantirão uma disciplina. A . formulado dentro das características da faixa etária. e que o material esteja ao alcance da criança. onde o aluno e professor definem juntos as regras do jogo. intelectuais e morais. até exercícios de elaboração. Princípios da Liberdade: A liberdade na escola é fundamental para a criança desenvolver-se sem coações. Através do jogo a criança aprende a resolver problemas sociais. este programa elaborado deve ser escolhido pelas próprias crianças. uma organização. cuja personalidade é sagrada e servirá de centro de toda complexidade de seu programa. Ainda baseando-se na Psicologia ativista. O método fundamenta-se norespeito à criança. É o aluno. é preciso recorrer a um outro princípio o da Individualidade. na técnica. pois como afirma o próprio Decroly. sendo seus interesses dominantes o brinquedo e o jogo.

. consciência de si mesma. total. A Globalização é a única via da alfabetização. no contato com o real. Geralmente quando uma criança aprende a ler. mas de aclarar dúvidas e as conclusões dela. de a criança. ali. a expressão escrita e a ortografia desses sinais se formam um único todo. Conforme Garcia (1995. de matérias. que a criança sinta o sabor das frutas. aspirações. uma vez que o artificial afasta a criança do seu mundo. O conhecimento da própria personalidade. pois reduz a aprendizagem a uma transmissão isolada. p. nos elementos naturais. Conhecimento das condições do meio natural e humano em que ela vive. de suas necessidades. o cheiro das flores e suas observações. nos seres vivos. a expressão verbal e a associação dos sons e sua representação gráfica. pois esta divisão não permite o conhecimento da realidade viva. deveres e ideal. desenvolver de maneira sistemática o estudo da vida física e dos caracteres psíquicos da infância. não tem condições de perceber para posteriormente reconstruir esta realidade. inclusive. O ensino fragmentado não favorece o desenvolvimento da inteligência. Fundamenta sua proposta através da prática. O tema central do programa: O tema central do programa de Decroly está na preocupação. suas necessidades dominantes e suas relações com a sociedade em que vive. a motivar as associações. do qual depende e sobre o qual deve agir.. Decroly fez do meio ambiente o elemento criador de seu programa. 73).função do professor já não é mais de determinar definir a observação. para o ensino da leitura Decroly usava um processo que pode ser chamado visonatural. Um dos valores de seu sistema de ensino é o de questionar a divisão de disciplinas. do seu interesse em explorar e de suas possibilidades de aprender a elaborar.. A criança com uma visão total do mundo. a resolver as perguntas da criança. levando. a criança a desinteressar-se pela escola. ideovisual ou visoideográfico. a compreensão visual dos sinais gráficos. Para despertar a observação na criança. quase que exclusiva. Decroly recorre ao meio mais rico e inesgotável a Natureza. associações. por si mesma.

pois segue um caminho natural.A criança precisa de pré-requisitos que quase nunca são observados. ocorre o mesmo processo. já que a criança tem desenvolvido sua capacidade de percepção e compreensão da linguagem. De acordo com Micotti (1990. emprego da sentença. pois. O método de Decroly prevê dois princípios para a operacionalização da mesma: associarasimagensescritas das coisas e dos fatos a essas mesmas coisas e fatos. facilitar oportunamente a decomposição para o reconhecimento das imagens de outras palavras que não tenham sido apresentadas à criança. por que não usar o mesmo na aprendizagem da leitura? Frases escritas. Para alfabetizar. com mais precisão e complexidade seu pensamento. É um método que cumpre o princípio do concreto para o abstrato.A letra e o som são a última expressão do trabalho de análise feito pelo espírito humano. traduzindo pensamentos. facilitadas pelo interesse e pelos jogos. do concreto para o abstrato. é um enunciado óbvio afirmar que é preciso começar do simples para o composto. pela criança. Se esse processo é eficiente para a aquisição da fala. O não desenvolvimento destas habilidades influi diretamente no êxito da leitura. associar a leitura às outras matérias do programa. É preferível desenvolver a observação da criança em maior tempo possível. A criança na medida em que compreende a linguagem falada. O ensino escolar deve estar baseado na primazia da ação do aluno. traduz oralmente cada vez mais. repetições numerosas. constituem o aspecto mais concreto de uma idéia expressa verbalmente. da palavra concreta. uma função superior para a interpretação. uma decomposição natural. p. função motora da linguagem ou da escrita. função auditiva. é preciso. Sem . do que se precipitar o ensino da leitura.A leitura compreende diferentes funções: função visual e verbal. Em relação à escrita. 81). preconizar: o método visual da leitura. leitura associada às diferentes noções dadas.

a validade da aplicação dos principio pedagógicos depende da atitude do professor. O autor não nega que é na relação entre o homem e seu mundo que ocorre o desenvolvimento. Não há foro íntimo no processo da aprendizagem. O aprendizado humano se estabelece. com as pessoas e com os instrumentos de trabalho. Pois bom aluno. Sua ênfase está no papel da interação social. e bom professor é aquele que sempre sabe aprender. por meio da interação social do homem com os elementos sociais. onde o "outro" se apresenta como objetivo social que interage desempenhando um papel determinante na constituição destas funções. responsabilidade. permitem-na penetrar na vida intelectual destas pessoas num processo em que integra a assimilação das experiências sócio-culturais acumuladas pela humanidade com a formação do pensamento. segurança. coloca o meio como fator determinante deste desenvolvimento. Entende o autor que a freqüência da comunicação que se estabelece entre as crianças e as pessoas que a cercam. na interatividade se fortalece a autonomia e a aprendizagem de procedimentos e atitudes sadias como cooperação. Vygostsky (1991. as funções mentais superiores têm sua origem nas trocas do sujeito com o meio social em que vive. então. pois entende que este se dá em função de características do meio social em que o sujeito vive. Todo conhecimento procede da ação. 30) enfatiza a importância que o meio social tem na aprendizagem e o papel do outro que interage com a criança um adulto ou uma criança mais capaz que ela. só será possível.ação do aluno não há aprendizagem. p. Na perspectiva do autor acima. é aquele que também ensina. respeito. no desenvolvimento. Portanto. o professor tem a importante tarefa de exercer o papel de mediador e isto. o meio social e os objetos do conhecimento. auto-estima. O caráter democratizador. se ele tiver conhecimento do aluno e do objeto de ensino. Com efeito. Pretender desenvolver atividades pedagógicas sem levar em consideração o . independência intelectual. tido como mediador na interação dos alunos entre si. O conceito de interatividade aplica-se à relação do aluno com o meio ambiente. mas sem deixar de considerar o papel importante do sujeito nas suas trocas com o meio. etc. mediador. transformadore globalizador da escola pelo professor.

estes devem ser considerados pistas para o professor: Organizar sua prática. devem ser interpretadas e analisadas e depois trabalhados. de fato. mas. O professor é o condutor da curiosidade de crianças e jovens. todas as conclusões do aluno tem valor. ou seja. mas. Aqui está a sabedoria do trabalho docente curricular. em função do resultado desta análise. O professor é o agente deste progresso. assim. Entender o que o aluno já pensa a respeito daquilo que vai aprender e como está assimilando as informações. escola. insistir em ensinar para o aluno aquilo que ele já sabe. A escola compete. consciente e produtiva. por seu intermédio. aumentando a responsabilidade e a importância do professor. criativa. Nesse sentido. na medida em que intermedia de forma planejada a relação do aluno com o objeto de conhecimento e com os outros alunos através de propostas estruturadas com finalidade definida. favorecendo. professores e alunos devem ser avaliados não apenas pelo volume de informações adquiridas. o aluno encontrará na escola as ferramentas e os métodos da sistematização do conhecimento. avaliar é dar valor. técnica. Integração escolar é um conceito complexo. pelo desenvolvimento da capacidade de produzir conhecimento. Pela escola. através do domínio do código científico e de suas diversidades linguagens. que os alunos venham alcançar para assumirem. de fazer-se a si mesmo ao interagir com a realidade de forma crítica. exercer um caráter mediador. o cidadão não só avança na capacidade de interpretar a realidade. da competência e do desenvolvimento emocional do professor. comportando diferentes . Pedagogicamente.nível conceitual do aluno e seu estado de espírito é temerário. A ação do aluno como paradigma do processo pedagógico. objetivando o aperfeiçoamento da capacidade criativa e construtora. Os erros. sobretudo. A inclusão escolar é um movimento que visa acabar com a segregação.. Atualmente já é possível perceber resultados positivos a nível do ensino e da aprendizagem (Englert e al. sobretudo. as interações sociais de estudantes deficientes com estudantes considerados normais. Se há erros. Da mesma forma. é tedioso. seu papel na história. O caráter transformador da escola é determinado pelo nível de consciência e instrumentalização cientifica. só acontecerá na medida da criatividade. assim como as perguntas dos alunos. orientando-a para conteúdo ou finalidade específica. o cidadão escolarizado potencializa suas relações com a natureza e sociedade. ainda. No enfoque sócio-construtivista.

a integração do deficiente mental com a criança normal pode provocar sérios problemas nos aspectos sociais. testemunha uma ignorância grave dos mecanismos de aprendizagem destes sujeitos que pode ter uma conseqüência grave. tenham sido colocadas no ensino especial. afetivos e cognitivos de ambos. uma vez que pode se tornar um problema maior do que são. sem as devidas precauções. para eles a constituição das classes. mas de critérios sócio-políticos. A inclusão do deficiente mental é um interesse internacional. uma reflexão. Segundo. outrora. mas especialmente de interesse nacional neste momento histórico. Mergulhá-los num meio normal. merecendo. Veja-se alguns procedimentos . por exemplo. o ensino especializado. Apesar de lentamente desenvolvido. as classes especiais para deficientes mentais do Estado de São Paulo. estão aptos a responder às necessidades destas crianças. portanto. após muitos anos de formação. Algumas razões justificam um ensino especializado: As classes especiais permitem a homogeneidade dos grupos. a definição do conteúdo pedagógico e a formação dos professores devem ser diferentes daquelas encontrados no ensino regular. Existem professores especializados que. o crescimento do retardo. Primeiro porque existe muito mais diferenças intra-individuais numa classe especial do que numa classe comum. Esta posição não saiu da pesquisa educacional.mudanças que sofreram um verdadeiro processo de evolução no decorrer das últimas décadas. na maioria das vezes. não é senão uma adaptação do ensino tradicional ou o ensino tradicional mesmo aplicado de forma mais lenta. Um programa de ensino especializado permite integrar objetivos perseguidos pela escola para a integração sócio-profissional na idade adulta. Nota-se que os partidários da segregação do deficiente mental o vê essencialmente diferente do sujeito normal com as exigências de uma educação adaptada às suas necessidades. ele é igualmente presente na maioria dos países europeus. mesmo que. Logo. Quando efetuada sem as devidas precauções. A inclusão não deve ser considerada como uma simples etiqueta: certas crianças não são mais chamadas deficientes mentais ao retornarem ao ensino regular. ou seja. os deficientes mentais têm sido assimilados aos outros grupos minoritários da sociedade.

importantes na busca desta integração. Alfabetização. C. Alfabetização: reflexão e atitudes. 1996 . J. 1995. Â. Referências ESTEBAN.G. FREINET. HEDEGAARA. São Paulo: Cortez.S.Porto Alegre: Artes Médicas. Educação especial brasileira: a integração/segregação do aluno diferente.São Paulo: Saraiva. 1986.

pensar. (Vygotsky. Propor práticas discursivas de leitura e escrita tendem a ajudar estas crianças em suas dificuldades. . que correspondem ao som falado.Dificuldades de Aprendizagem no Processo de Alfabetização Autoras: Nelci Soares Pérsio e Eunice Barros Ferreira Bertoso Resumo Quando pensamos em dificuldades de aprendizagem vem a nossa mente algo do tipo. Quando fala. Eles tendem a não compreender que uma palavra é composta de letras usadas em combinações particulares. 1. Então a função da escola é propiciar aos alunos caminhos para que eles aprendam cada vez mais e possibilitem aos mesmos atuar criticamente em seu meio social. incapacidade que o indivíduo apresenta para realizar uma determinada atividade (tarefa). soletrar ou realizar cálculos matemáticos´. A metodologia utilizada neste estudo será a pesquisa em fontes bibliográficas (livros.29) ³Dificuldade de aprendizagem significa um distúrbio em um ou mais dos processos psicológicos básicos envolvidos no entendimento ou no uso da linguagem. O tratamento se dá no início pela observação para depois ingressar no acompanhamento psicológico. falar. com uma forma particular ou um padrão. É essencial que os alunos sejam ensinados e aprendam a arte básica de decodificação e soletração desde o inicio. Tendo como objetivo analisar as dificuldades de alfabetização. Quando a criança começa a ler. incapacidade que o indivíduo apresenta para realizar uma determinada atividade (tarefa). p. Os resultados permitirão a possibilidade de identificação das dificuldades de aprendizagem no processo de alfabetização e como tratá-las logo no início. Muitas das atividades trabalhadas no dia-a-dia escolar ajudam a criança no desenvolvimento de suas faculdades intelectuais (escrita e leitura). 2003. artigos). ler. escrever. 1979) Segundo o autor podemos concluir que a dificuldade de aprendizagem é um distúrbio psicológico que causa problemas a criança. terapêutico e também acompanhamento psicopedagógico oferecido pela equipe escolar em sala de aula ou fora dela. ela tem de tomar consciência da estrutura sonora de cada palavra. tem de dissecá-la e produzi-la em símbolos alfabéticos que tem de ser memorizado e estudado de antemão. Quando escreve. De acordo com (GRIGORENKO.0 Introdução Quando pensamos em dificuldades de aprendizagem vem a nossa mente algo do tipo. STERNEMBERG. que pode se manifestar em uma aptidão imperfeita para ouvir. a maioria dos alunos tende a ver as palavras como imagens. falada ou escrita. Verificando os métodos para identificá-las e tratá-las. A ação de escrever exige também da parte da criança uma ação de analise deliberada. quando esta se encontra no início do processo de alfabetização. ela tem consciência das operações mentais que executa.

Mas. Essa também é a nossa perspectiva de trabalho. pela escrita ou pela leitura. por sua vez.14) dificuldades de aprendizagem são ³. Dessa maneira percebemos a escola que exclui. os mecanismos de apropriação de conhecimentos. de forma consciente e consistente. A análise das questões sobre a leitura e a escrita está fundamentalmente ligada à concepção que se tem sobre o que é a linguagem e o que é ensinar e aprender. A leitura.Já para (SMITYH.. está diretamente relacionada às atividades discursivas e às práticas sociais as quais os sujeitos têm acesso ao longo de seu processo histórico de socialização.. (Soares. (Soares. para que possua os pré-requisitos. P. criticamente em seu espaço social. 2003). 2001. pois a linguagem da escola nem sempre é a do aluno. pois. Muitas das abordagens escolares derivam de concepções de ensino e aprendizagem da palavra escrita que reduzem o processo da alfabetização e de leitura a simples decodificação dos símbolos lingüístico. pelos objetivos que se atribuem à escola e à escolarização. pois a norma culta padrão é a única variante aceita. propiciarem aos alunos caminhos para que eles aprendam. 1998). problemas neurológicos que afetam a capacidade do cérebro para entender. e os mecanismos de naturalização dessa ordem da linguagem são apagados. que incluiriam basicamente algumas das noções sobre a relação entre escrita e oralidade. Essa seria uma concepção de leitura e escrita como decifração de signos lingüísticos transparentes. STRICK. seja pelos altos índices de repetência e evasão escolar ou pela inadaptabilidade dos alunos. para grande parte dos educadores. reduz limita e expulsa sua clientela: seja pelo aspecto físico. sua organização em unidades e seus princípios fundamentais. seja pela fala. Já na visão contemporânea a construção dos sentidos. seja pelas condições de trabalho dos professores. ultrapassa a mera decodificação porque é um processo de (re) atribuição de sentidos. E essas concepções passam. A construção das atividades discursivas . A função primordial da escola seria. uma escola transformadora é a que está consciente de seu papel político na luta contra as desigualdades sociais e assumem a responsabilidade de um ensino eficiente para capacitar seus alunos na conquista da participação cultural e na reivindicação social. Mas a escrita ultrapassa sua estruturação e a relação entre o que se escreve e como se escreve demonstra a perspectiva de onde se enuncia e a intencionalidade das formas escolhidas. recordar ou comunicar informações´. obrigatoriamente. (Cagliari. 1989: 26) ³Parte-se do princípio de que o aprendiz deve unicamente conhecer a estrutura da escrita. aprenda e desenvolva as atividades de leitura e de produção da escrita´. As atividades discursivas podem ser compreendidas como as ações de enunciado que representam o assunto que é objeto da interlocução e orientam a interação. Assim como a de possibilitar que os alunos atuem. frequentemente o aprendizado fora dos limites da instituição escolar é muito mais motivador. e de ensino e aprendizagem como um processo cumulativo. A escola transmite uma concepção de que a escrita é a transcrição da oralidade.

privação cultural. livros e bibliotecas para o devido enriquecimento do trabalho. Os resultados baseiam-se nas contribuições dos sujeitos pesquisado (Revisão Bibliográfica): CORREIA. irrelevância da disfunção do sistema nervoso central (para determinação dos problemas educacionais da criança não era capital evidenciar uma possível lesão cerebral). retirar-lhe o estigma clínico que caracterizava. A mais aceita internacionalmente. 3. deficiência visual ou auditiva ou a privação educacional ou cultural)´. entre outras. em termos biológicos. tal como deficiência mental. Partimos do princípio de que o trabalho realizado por meio da leitura e da produção de textos é muito mais que decodificação de signos lingüísticos. o termo engloba três fatores importantes: ³discrepância (a criança com DA é considerada como possuindo um potencial intelectual acima da sua realização escolar).dá-se no espaço das práticas discursivas. M. a abordagem metodológica utilizada foi a Revisão Bibliográfica. Vitor da.0 Objetivos 2.2 Objetivo Específico Compreender as dificuldades de leitura e escrita no processo de alfabetização. citado por Correia e Martins. Emília. e exclusão(as DA da criança não eram devidas a deficiência mental. é um processo de construção de significado e atribuição de sentidos. FERREIRO. também que a leitura e a escrita são atividades dialógicas que ocorrem no meio social através do processo histórico da humanização. tentando. 4. artigos científicos. estamos propondo as práticas discursivas de leitura e escrita como fenômenos sociais que ultrapassam os limites da escola. bem como. As discussões dos resultados foram feitas a partir da pesquisa em vários bancos de dados.0 Método Para a realização do estudo. de outras problemáticas. 2. M. revistas. uma primeira definição proposta por Kirk (1962) em que era bem evidente a ênfase dada à componente educacional e o distanciamento. Pressupomos. Estas duas definições deram a base fundamental das DA. perturbação emocional. sugestões de atividades praticas. GOULART. Segundo Barbara Bateman (1965). Creio que este trabalho contribuirá para que seja identificado com mais agilidade as dificuldades na aprendizagem. então.(1983). consultando-se fontes de dados online. Como dito anteriormente.1 Objetivo Geral Analisar as principais dificuldades de aprendizagem na alfabetização. C. Surge. 2. ao contrário. é a que figura na Individuals with Disabilities education . FONSECA.0 Discussão O termo dificuldade de aprendizagem surgiu em 1962 com o fim de situar esta problemática num contexto educacional. L. assim.

o que indiciaria muito positivamente na aquisição do reconhecimento da palavra em maior grau do que nas estratégias tradicionais. pensar. as causas que produzem esse transtorno podem ser diversas. de deficiência mental. ou fazer cálculos matemáticos. desde fatores hereditários. Para elas. Segundo as autoras. O certo é que produz dificuldades na elaboração de imagens globais. lesão cerebral. passando por distinta etiologia cerebral. culturais ou econômicas. o que a ajudará no seu processo de leitura e escrita´. e na intervenção. Para Garcia. O termo inclui condições com problemas perceptivos. atraente e simples.Act (IDEA). 4)Alfabética: ³A criança que adquire autoconfiança e bem estar na interpretação de seus constructos. parece apoiarse empiricamente na avaliação. podem contribuir para que dissociações não se produzam ou.65083. p. 1998). que pode manifestar-se por uma aptidão imperfeita de escutar. (GARCIA. escrever. auditivas ou motoras. no que se refere à alfabetização. que diz o seguinte: ³Dificuldades de aprendizagem específica´ significam uma perturbação num ou mais dos processos psicológicos básicos envolvidos na compreensão ou utilização da linguagem falada ou escrita. que favorecem ou a imagem da palavra ou aspectos fônicos ou a análise estrutural. desenvolveu boa concentração e certamente terá melhor desempenho na escrita e na leitura´. selecionada teoricamente. 1997. (Federal Register. O termo não engloba as crianças que tem problemas de aprendizagem resultantes principalmente de deficiências visuais. O ideal é iniciar a instrução enfatizando o desenvolvimento dos códigos ortográficos e fonológicos. Emília Ferreiro e Ana Teberosky atestam que as crianças não entram vazias para as escolas. ler. toda criança passa por quatro fases antes de serem alfabetizadas: 1)Pré-silábica. cabe ao professor. Esta explicação. a dificuldade no seguir instruções. posto que isto implica a extração de totalidades significativas e relevantes. o que afeta a compreensão oral e escrita. ³A criança precisa se sentir segura para expressar-se com mais facilidade. de perturbação emocional ou de desvantagens ambientais. sem saberem de nada sobre a língua e a linguagem. a criança tem que aprender a ter confiança em si mesma . 2)Silábica. até a ausência de estimulação. dificuldades de julgar causas e efeitos ou dificuldades com a linguagem metafórica ou senso de humor. 3)Silábico-alfabética. disfunção cerebral mínima. dislexia e afasia de desenvolvimento. soletrar. Daí que as técnicas instrucionais tradicionais. 1991). se apoiamos a técnica em excesso. citado por Correia. organizar atividades que favoreçam a reflexão sobre a escrita. e múltiplos. se produzam. As dificuldades de aprendizagem da leitura surgem por dissociações no desenvolvimento das correspondências entre os códigos ortográficos e fonológicos e as conexões múltiplas. Quando não se desenvolvem as conexões específicas entre os códigos entre os códigos específicos ortográficofonológicos tradicionais. Apesar de a criança construir seu próprio conhecimento. surgirão dificuldades de aprendizagem da leitura.

como por exemplo. Quando criança apresenta deficiências no processamento da linguagem: Essas crianças podem ter problemas com qualquer aspecto da linguagem. alongado ou fissurado. A deficiência também pode ser na língua escrita e devem ser observados os seguintes itens: atrasos significativos para aprender a ler. ao invés de usar habilidades de analise da palavra. transtornos do crescimento que afetam diretamente os órgãos da fala e anomalias adquiridas como conseqüência de lesões na estrutura orofacial ou extirpações cirúrgicas. pronuncia mal as palavras. problemas para associar letras a sons. paralisia da língua e alterações na cavidade nasal são algumas das causas de disglossia. seja omitindo ou acrescentando fonemas. Os atrasos de linguagem podem acarretar dificuldades em . dificuldade na citação de nomes de letras. Atraso da fala: Algumas crianças apresentam perturbação no desenvolvimento da linguagem que não pode ser explicado por déficits de percepção sensorial. atresia ou ressecção mandibular. trocando um fonema por outro ou ainda distorcendo-os ordenadamente. fraca retenção de novas palavras no vocabulário. na qual uma pessoa que é capaz de falar é incapaz de expressar-se verbalmente dadas certas situações. Alguns sintomas que devem ser observados: atraso para aprender a falar. anquiloglosia. Basicamente consiste na má pronúncia das palavras. As dificuldades apresentadas por estas crianças começam com a linguagem falada o que ocasionalmente interfere na leitura e escrita. evitando-a. não relacionada diretamente com alterações neuropsicológicas. Principais problemas de aprendizagens: Problemas graves de comunicação: A criança com dificuldades de aprendizagem pode apresentar um bloqueio ao se expressar com outros. Disglossias: É caracterizada por uma dificuldade na produção oral ocasionada por alterações anatômicas e/ou fisiológicas dos órgãos envolvidos na fala e cuja causa seja de origem periférica. Dislalias: a dislalia (do grego dys + lalia) é um distúrbio da fala. antipatiza com a leitura. véu palatino paralisado. mesclar sons para formar palavras. no período em que a criança ingressa na escola. Lê muito lentamente. usa uma gramática pobre. com frenquencia. caracterizado pela dificuldade em articular as palavras. capacidades intelectuais ou funcionamento motor ou sócio-econômico. lábio leporino com ou sem fissura palatina. com freqüência. discriminar os sons nas palavras. tem problemas para citar nomes de objetos ou de pessoas.para expressar-se com mais facilidade. Para identificar uma possível deficiência é necessário que o aluno apresente alguns dos itens relacionados. Má oclusão por malformações. demonstra pouco interesse por livros ou historias. Mutismo seletivo: é uma condição de ansiedade social. não compreende ou não recorda instruções. evita falar. usa gestos com as mãos ou a linguagem corporal para ajudar a transmitir a mensagem. com freqüência. tenta adivinhar palavras estranhas. glosectomia. ouvir as palavras corretamente e entender os seus significado. Existem diversas causas que incluem: malformações congênitas craniofaciais. traumatismos craniofaciais.

uso reduzido de artigos. Vejamos alguns pontos comuns: * Desatenção e agitação: uma criança hiperativa não consegue se concentrar. escrita e soletração.] Embora os profissionais não rotulem uma criança antes de ela ter no mínimo cinco anos [. O diagnóstico de hiperatividade é difícil e complexo. segundo Jean Dubois et al. embora com dificuldade. A dislexia costuma ser identificada nas salas de aula durante a alfabetização sendo comum provocar uma defasagem inicial de aprendizado. Dislexia: a dislexia (da contração das palavras gregas: dis = difícil. Neste grupo de transtornos da linguagem o distúrbio mais importante é a gagueira (tartamudez). preposições. muitas vezes. às vezes mal reconhecidos. sem que existam alterações dos órgãos da expressão. depois de ter sido adquirida de maneira normal e sem déficit intelectual correlativo. Trata-se de crianças que apresentam um transtorno da integração da linguagem sem insuficiência sensorial ou fona tória.22.Transtornos raros da evolução da linguagem.p.. (1993. p. A dislexia não é uma doença. o que resulta num comportamento inadequado. Pode evoluir para um comprometimento grave da linguagem escrita e falada e da repetição da linguagem. A dislexia. e fonemas. Alguns processos facilitadores da fala. expressões incorretas de tempos verbais evidenciam uma habilidade reduzida do uso da língua.Pessoas disléxicas apresentam dificuldades na associação do som à letra(alfabeto) e também tendem a trocar algumas letras ou mesmo escrevê-las na ordem inversa. A hiperatividade é um problema muito complexo e se não for tratado na infância traz conseqüências drásticas pelo resto da vida.. comunicar-se verbalmente e cujo nível mental é considerado normal. Hiperatividade: Alguns fatores de desenvolvimento no início da infância como o bebê com dificuldades para dormir e para se acalmar. que podem. É apenas um bloqueio apresentado por crianças que encontram-se no início do processo de alfabetização.. caracterizando um atraso leve de linguagem. mal identificados.). Afasia: a afasia é uma deterioração da função da linguagem. Caracteriza-se por dificuldade em nomear pessoas e objectos. Quanto maior a intensidade das características acima citadas maior é a complexidade e o agravamento do grau do atraso na linguagem. prejudicada. é um defeito de aprendizagem da leitura caracterizado por dificuldades na correspondência entre símbolos gráficos.A dislexia é caracterizadapela dificuldade de aprendizagem na leitura e escrita. ³[.197). 1998. e lexis = palavra) caracteriza-se por uma dificuldade na área da leitura. * Impulsividade: crianças hiperativas muitas vezes não pensam antes de agir. Disfemias: são perturbações intermitentes na emissão das palavras. pois a aquisição de linguagem acontece como uma continuidade durante todo o desenvolvimento. possam colocar essa criança no grupo de risco de ser uma criança hiperativa. Podem levar a um discurso vago ou vazio caracterizado por longos circunlóquios e pelo uso excessivo de referências indefinidas como "coisa" ou "aquilo". Disfasia: (Disfasia/Audiomudez). vocábulo restrito. ³As crianças com dificuldades de aprendizagem frequentemente têm .]´(GOLDESTEIN.toda a vida do sujeito..

prestados. Você ficaria frustrado? Ansioso? Irritado? Agora. suponhamos que você seja o único em um grupo de 25 pessoas que não consegue executar essa tarefa. 1983) e uma lista de verificação do Centro Nacional Americano para as Dificuldades de Aprendizagem (1997). Como você poderia sentir-se se enfrentasse uma exigência diária para fazer algo que não consegue fazer (ler um livro em sânscrito. ³As dificuldades de aprendizagem não desaparecem. dar um tempo a mais. Seus professores e aqueles que você ama estão ficando impacientes. A identificação das DA deve ser feita o mais rápido possível. . Para ³maximinizarem-se as chances de melhora. ajustando os horários (sê necessário. reestruturando o ambiente educativo. Grande parte do comportamento que parecem descuidado ou mesmo propositadamente perturbador (como uma dificuldade para ser pontual. quando uma criança volta para casa após a escola´. há que considerar um conjunto de fatores que podem facilitar a sua aprendizagem.problemas em mais de uma área´. a deficiência primária de uma criança (aquela que está causando mais problemas na escola) pode envolver problemas com a compreensão da linguagem.tudo o que tem a fazer é tentar!´. Para alunos com dificuldades de aprendizagens. alguns serviços educacionais (serviços de psicologia. sempre que possível. perder as coisas ou o fracasso crônico para completar tarefas) pode estar relacionada. terapia ocupacional. por exemplo)? Dia após dia você se esforça. Sê necessário. Todos os seus companheiros já estão no sânscrito intermediário. é necessário compreender não apenas cada uma das deficiências. requer-se que qualquer aluno possa ter a sua disposição um conjunto de serviços adequados as suas necessidades. fazer uso da tecnologia de informação e de comunicação. no que diz respeito a serviços educacionais na classe regular. ³As dificuldades de aprendizagem podem produzir conseqüências emocionais. na classe regular. observando o comportamento apresentado pelas crianças. Em casos como esse. mas ela também pode ter problemas com a concentração e estar um pouco atrasada no desenvolvimento de sua coordenação motora fina. alterar os textos e das atividades de casa. todas as deficiências precisam ser abordadas´. ou menos atividades). fonoaudióloga. Os pais que entendem a natureza da deficiência do filho estão na melhor posição para desenvolverem expectativas realísticas ± e eles também pouparão a si mesmos muitos incômodos e agravamentos inúteis´. sem sucesso. com os problemas de aprendizagem da criança. mas também como podem complicar umas as outras. e você não consegue sair da primeira página. onde está agrupado um conjunto de sinais que podem ser indicadores de DA. eles insistem. Cabe aos professores-educadores e pais identificá-las. bem como o desempenho escolar. As razões não são nenhum mistério. psicopedagogicos clinico) podem ser feitos fora da classe regular. dando instruções simples sobre as tarefas escolares. em parte. Neste sentido. Essas condições afetam o modo como uma criança percebe o mundo. É claro que você pode fazer isso. Por exemplo. rever a proposta de avaliação. A seguir uma lista de verificação que tem por base a Escala de Comportamento Escolar (Correia. de forma que influenciam a conduta em casa e os relacionamentos sociais e familiares.

Alfabético: Os alunos primeiro identificam as letras pelos seus nomes. Na sintética. histórias. Analítico: . Há duas ³correntes´. Na analítica. as soletram até decodificá-las. o aluno aprende primeiro uma série de palavras e depois parte para a associação entre o som e as partes das palavras. em seguida.Já que não se trata de uma questão de métodos. Quando os alunos encontram palavras desconhecidas. o aluno conhece os sons representados pelas letras e combina esses sons para pronunciar palavras. as palavras antes de lerem sentenças curtas e. finalmente. Estes são os principais métodos utilizados pelos professores: Fônico: Enfatiza as relações símbolo-som. é o comportamento do professor em face de sua prática pedagógica que faz diferença. depois soletram as sílabas e.

tais como letras.Também conhecido como método ³olhar-e-dizer´. em geral. É possível constarmos que há um alto índice de fracasso escolar. MORAIS (1994) afirma: ³(. A apropriação da linguagem escrita. a aspectos isolados. O trabalho pedagógico realizado nas classes de alfabetização. na perspectiva das práticas sociais letradas. Sintético: Começa a ensinar por partes ou elementos das palavras. atribuindo a culpa. 2000). escritores proficientes (GOULART. O ³Orbis Sensualium Pictus´ é considerado o primeiro livro escolar importante. sem associá-las as letras e sons. em . principalmente nas classes de alfabetização. A ênfase é a correspondência som-símbolo..) com freqüência os professores procuram explicar por que o aluno não aprende. não se tem mostrado suficiente para formar leitores. O que preocupa muito a escola e a sociedade. vem sendo estudada como uma aprendizagem conceitual de grande complexidade. para depois combiná-los em palavras. carências de diferentes tipos. deficiências de natureza biológica. começa com unidades completas de linguagem e mais tarde as divide em partes. psicológica e cultural.. Exemplo: as sentenças são divididas em palavras. e as palavras. apressadamente. Abaixo das gravuras estavam os nomes impressos para que os estudantes memorizassem as palavras. em sons. sons ou sílabas.

Pais e professor devem auxiliar a criança que está em processo de aprendizagem. Algumas sugestões de atividades para se trabalhar em sala de aula com a criança que apresenta dificuldades de aprendizagem. O primeiro passo é a observação por parte dos professores e dos pais. ³já que a sociedade está em contínuo processo de mudança. para juntos buscarem ajuda de outros profissionais. cada criança aprende a seu tempo. Ao aplicar estas atividades o (a) professor (a) deve estar atento ao comportamento apresentado pelo aluno. De quem é a responsabilidade quando uma criança apresenta dificuldades de aprendizagem na alfabetização? O que fazer? Os pais.detrimento de pesquisas mais abrangentes e de análises mais criteriosas capazes de esclarecer a situação. ou regras simples e se tem problemas de concentração e de atenção. o que envolve aprendizagem de habilidades para leitura. cada um fazendo sua parte. Segundo FONSECA. memória visual. A partir daí este aluno será atendido por estes profissionais. As dificuldades de aprendizagem na alfabetização devem ser tratadas. A responsabilidade é de todos. Esta ajuda é uma avaliação que será feita tendo por finalidade verificar se o aluno obedece a um conjunto de critérios. auditiva e .Depois vem a parte de Cognição: percepção. a escola (professor) e a criança devem estar em sintonia.0 Considerações finais Tfouni (1995) refere-se à alfabetização como um processo individual de aquisição da escrita. (p. A escola não pode continuar a ser uma fábrica de insucesso´. não podemos negar que independente do tipo de escola ou sala de aula há alunos que realmente. Na escola a criança vai receber ajuda do professor. para que ela venha a desenvolver-se. podemos concluir que os professores assim. Cada um deve fazer a sua parte. estruturação espacial. orientação temporal. 5.´ Já para FONSECA (1995): ³as dificuldades de aprendizagem aumentam na presença de escolas superlotadas e mal equipadas. apresentam dificuldades de aprendizagem e devem ser diagnosticado e tratado devidamente por um profissional competente e ter o apoio do professor e da família. E não exigir que ele aprenda tudo num primeiro momento. Caracteriza-se pela incompletude. Primeiramente a parte de psicomotricidade: esquema corporal. para atraírem os alunos para a escola. de terapia da fala de acordo com as necessidades do aluno) para prevenir ou reduzir este problema de dificuldade de aprendizagem. embora. com isso os profissionais irão verificar se o nível de inteligência desta criança está na média ou acima dela. onde terão a oportunidade de aprender a ler e escrever. que farão intervenções adequadas (disponibilizando serviços de acompanhamento de Psicologia. escrita e práticas de linguagem. E também a melhorar as estatísticas quanto ao fracasso escolar.15). e atualização individual para acompanhar essas mudanças é constante´. como as escolas devem trabalhar com competência e dedicação (revendo seus métodos de ensino e adaptando-os quando necessário). e em casa deve ser auxiliado pelos pais. pré-escrita. além de contarem com muitos professores ³desmotivados´. lateralidade.

Emília. GARCÍA.P. Letramento e alfabetização: as muitas facetas. MORAIS. A escola (professores. 2ª ed.M. TFOUNI. 1998. O Professor Refém: para pais e professores entenderem por que fracassa a educação no Brasil. Um ponto que não podemos esquecer-nos de frisar é que estes profissionais que lidam com alunos com dificuldades de aprendizagem têm que estar em constante processo de formação para atender de forma adequada estes alunos e os pais. Hiperatividade: Como desenvolver a capacidade de atenção da criança. A. UNASP. M. raciocínio. Porto Alegre: Artes Médicas. VYGOTSKY. Belo Horizonte: Autentica. Lev Semenovich. Boston: Houghton Mifflin. GRIGORENKO. Leda V. Pesquisa. FONSECA. atenção. CORREIA. Letramento: como avaliar. apresentando-se como uma comunidade escolar ativa e dinâmica que almeja melhorias na qualidade do atendimento escolar e psicológico de seus alunos. O professor deve trabalhar estas atividades de forma clara e objetiva. UMFMG. GOLDESTEIN. 2003. orientadora. PUC-SP. A. docente. In: SOARES.(1983). ± Letramento e Alfabetização. Nº. M. Letramento: um tema em três gêneros. Campinas: PAPIRUS. Rio de Janeiro. Vitor da. Tânia. L. Artmed: 1995. Nelci Soares Pérsio: discente. Porto: Porto Editora. SOARES. Psicogênese da língua escrita. Dificuldade de aprendizagem construindo novas narrativas. S. STERNBERG. A relação entre a consciência fonológica e as dificuldades de leitura. 2001. Eunice Barros Ferreira Bertoso: Mestre. 2001. escrita e matemática. São Paulo: Martins Fontes. 4 ed. linguagem e compreensão da leitura. Elena L. E. Tradução de Jussara Haubert Rodrigues. e TEBEROSKY. Manual de dificuldades de aprendizagem: linguagem. Corinne. 1994. KIRK. Dissertação de Mestrado. POLITY. (1998). outubro 2003.Porto Alegre: Artes Médicas. GOULART. 2001. 110-São Paulo.visomotora. FERREIRO. UNASP . como medir. Porto Alegre: Artmed. Reflexões sobre alfabetização.1998. Robert J. gestores) deve incentivar e contribuir para com a família e o aluno buscando ajuda e mais conhecimentos para lidar com as dificuldades de aprendizagem. (1962). Escala de Comportamento Escolar. M. Crianças Rotuladas-O que é Necessário Saber sobre as Dificuldades de Aprendizagem. Educating Exceptional Children. A. Porto Alegre: Artes Médicas. Sam. M. SHIMITH. Jesus Nicasio. Record. Revista Brasileira de Educação. Julho de 2000. facilitando a compreensão da criança e seu desenvolvimento. São Paulo. São Paulo: Vetor. 1995.Introdução ás dificuldades de aprendizagem. Cortez. leitura. São Paulo: Cortez. M. Dificuldades de aprendizagem de A a Z.A apropriação da linguagem escrita e o trabalho alfabetizador na escola. C. 2001. SOARES. Referências Bibliográficas: CAGLIARI.Porto Alegre. Cad. Elizabeth. 1985. FERREIRO. A construção do pensamento e da linguagem.

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