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livro de gerontologia

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  • 1- O Envelhecimento Humano
  • 1.1 O Processo Sócio Histórico do Envelhecimento Humano;
  • 1.2 Viver o Envelhecimento: Um Processo Natural
  • Autoestudos:
  • 2. A Gerontologia:
  • 2.2. A Vida em Movimento na Terceira Idade
  • 3. Mitos e Verdades Sobre a Terceira Idade
  • 3.2 Revendo Nossos Conceitos
  • 4. A Família e o Idoso
  • 4.1 As Configurações Familiares por Parentesco;
  • 4.2 A Representação do Idoso no contexto Familiar;
  • Autoestudo:
  • 5- Aspectos legais aos Direitos dos Idosos
  • 5.1 Encaminhamento Jurídico no Trato da Questão Social
  • 5.2 A Garantia do Direito
  • Referencia comentada:
  • 6. Redes de Proteção: Sua Importância na Vida do idoso
  • 6.1 Motivando a Construção da Rede de Apoio
  • Inclusão Social para Pessoas na Terceira Idade Através da Rede
  • Autoestudo
  • 7.1 A Vida na Rua e Seus Condicionantes
  • 8. Uma Análise Sobre a Realidade Social do Idoso no Brasil
  • 8.2 As Políticas Sociais para o Enfrentamento das Desigualdades Sociais
  • Referencia Comentada:
  • 9.2 Estratégias Metodológicas no Fazer Profissional
  • Referencia comentada;
  • 10.2 O Trabalho Efetivo com Grupos de terceira Idade:

O SERVIÇO SOCIAL EA GERONTOLOGIA

Autor: Dr. Jairo da Luz Oliveira1
1

Jairo da Luz Oliveira – Bacharel em Serviço Social, Especialista em Gerontologia Social, Mestre e Doutor em Serviço Social

1

“ Na velhice ainda darão frutos,serão viçosos e florescentes, para proclamarem que o Senhor É Justo...” SI. 92.14-15. 2

Sumário

APRESENTAÇÃO.......................................................................................................6 1 O ENVELHECIMENTO HUMANO............................................................................8
1.1 O Processo Sócio Histórico do Envelhecimento Humano................................................9 1.2 Viver o Envelhecimento, um Processo Natural................................................................14 Referência Comentada ........................................................................................................ 15 Referências ......................................................................................................................... 16 Autoestudo .......................................................................................................................... 16

2. A GERONTOLOGIA.............................................................................................. 18
2.1 Conceituando a Gerontologia...........................................................................................18 2.2 Há Vida e Movimento na Terceira Idade ........................................................................ 23 Referência Comentada: ....................................................................................................... 25 Referências: ........................................................................................................................ 25 Autoestudo .......................................................................................................................... 26

3. MITOS E VERDADES SOBRE A TERCEIRA IDADE ...........................................27
3.1 Os Mitos e as Verdades................................................................................................. 29 3.2 Revendo Nossos Conceitos........................................................................................... 31 Referência comentada:........................................................................................................ 33 Referências ......................................................................................................................... 34 Autoestudo .......................................................................................................................... 33

4. A FAMÍLIA E O IDOSO..........................................................................................36
4.1 As Configurações Familiares por Parentesco ................................................................ 38 4.2 A Representação do Idoso no Contexto Familiar ........................................................... 40 Referência comentada......................................................................................................... 42 Referências ......................................................................................................................... 42 Autoestudo .......................................................................................................................... 44

3

5 ASPECTOS LEGAIS E OS DIREITOS DOS IDOSOS ..........................................45
5.1 O Encaminhamento Juridico no Trato da Questão Social ............................................. 45 5.2 A Garantia do Direito ..................................................................................................... 47 Referência comentada:........................................................................................................ 54 Referências: ........................................................................................................................ 55 Autoestudo .......................................................................................................................... 55

6. REDES DE PROTEÇÃO: SUA IMPORTÂNCIA NA VIDA DO IDOSO..................56
6.1 Motivando a Construção da Rede de Apoio.....................................................................57 6.2 Narrativas Sobre o Trabalho em Rede: Necessidades e Possibilidades de Inclusão Social para Pessoas na Terceira Idade Através das Redes .......................................... 58 Referência Comentada ........................................................................................................ 69 Referências: ........................................................................................................................ 69 Autoestudo: ......................................................................................................................... 69

7. A VIOLENCIA DO PRECONCEITO CONTRA O IDOSO NO CONTEXTO URBANO: O IDOSO MORADOR DE RUA UMA EXPRESSÃO DA QUESTÃO SOCIAL ..................71
7.1 A Vida na Rua e seus Condicionantes.............................................................................72 7.2 Narrativas de Vida dos Idosos Moradores de Rua ........................................................ 74 Referência comentada:........................................................................................................ 81 Referências: ........................................................................................................................ 82 Autoestudo .......................................................................................................................... 83

8 UMA ANALISE SOBRE A REALIDADE SOCIAL DO IDOSO NO BRASIL ............84
8.1 Trabalho: Quando a Idade Chega, o Preconceito Aumenta ........................................... 87 8.2 As Políticas Sociais para o Enfrentamento das Desigualdades ...................................90 Referência comentada:........................................................................................................ 93 Referências: ........................................................................................................................ 93 Autoestudo .......................................................................................................................... 93

9. O TRABALHO DO SERVIÇO SOCIAL COM AS EXPRESSÕES DA QUESTÃO SOCIAL ...............................................................................................................95
9.1 Estratégias Metodológicas no Fazer Profissional ......................................................... 100

4

9.2 A Entrevista como Ferramenta e Estratégias de Acolhimento do Usuário.................... 103 Referência Comentada ...................................................................................................... 104 Referências: ...................................................................................................................... 104 Autoestudo ........................................................................................................................ 105

10 AS INSTITUIÇÕES E O TRABALHO DO SERVIÇO SOCIAL COM GRUPOS DE TERCEIRA IDADE ............................................................................................107
10.1 A Análise Institucional: O Reconhecimento das Possibilidades e limites da Interevenção Profissional.................................................................................................................. 109 10.2 O Trabalho Efetivo com Grupos de Terceira Idade .................................................... 113 Referência comentada....................................................................................................... 117 Referências ....................................................................................................................... 117 Autoestudo.............................................................................................................................118

5

Apresentação O presente livro representa a vontade de estudar e tentar compreender um pouco mais questões que envolvem o envelhecimento humano, sua relevância para a sociedade brasileira. Através deste estudo, foram desenvolvidas reflexões, questionamentos, e afirmações sobre o universo que envolve a vida do ser humano na velhice. Em muitos momentos, sinalizamos a preocupação em torno da dificuldade de envelhecer em um país onde os problemas sociais trazem, em si, as conseqüências do abandono, da negligência. Pessoas que, no entardecer da vida, estão vivendo condições de vulnerabilidade social até mesmo no seio familiar. Estudar esta temática, através da disciplina Optativa de

Gerontologia Social, é de suma importância para compreendermos como se constitui as relações sociais e seus reflexos na vida dos idosos. Esta realidade social não poderia ficar desapercebida da nossa formação em Serviço Social na modalidade EAD, merecendo ser desvelada e problematizada no seu existir. Acreditamos ser importante esclarecer ao leitor, que esta produção literária está diretamente implicada na prática profissional do Assistente Social. Nesse contexto, o interesse se desdobra em conhecer como são estabelecidas as estratégias de sobrevivência dos idosos que vivem nesta sociedade capitalista que exclui? O presente estudo de forma despretensiosa procurará dar algumas respostas a esta indagação. O estudo está estruturado em autores do Serviço Social que buscam compreender as contradições sociais vividas em nosso cotidiano. Da mesma forma, procurou-se refletir sobre questões relacionadas ao preconceito, crenças e mitos que envolvem a imagem do idoso. Apresentaremos também, nesse estudo, algumas narrativas importantes de profissionais Assistentes Sociais que trabalham diretamente nas instituições que atendem idosos moradores de rua, nas falas dos Assistentes Sociais perceberemos o interesse que o tema requer, bem como, a necessidade de se ampliar um trabalho em rede para o atendimento destas demandas. Na

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e muita leitura. Uma disciplina que sem dúvida. também apresentaremos narrativas dos idosos moradores de rua que enfrentam um mar de dificuldades para sobrevirem. irá contribuir decisivamente para subsidiar conhecimentos aos nossos alunos e profissionais para enfrentamento desse processo acelerado de envelhecimento no Brasil. gostaríamos de dizer que estudar a disciplina Gerontologia Social é algo que merece seriedade. Por fim. 7 .seqüência do estudo. zelo.

não fazem parte da vida de muitos brasileiros já nesta fase da vida. p. que vão diminuindo a cada ano. necessitando que estudos sejam formulados para a compreensão deste fenômeno biológico. infra-estrutura. natural. laser cuidados especiais nas mais diversas áreas já mencionadas acima. Entretanto. com repercussões nos âmbitos da assistência social. necessários para responder às demandas de uma vida digna. habitação. Recursos financeiros. buscaremos realizar questionamentos e ponderações sobre as condições favoráveis de se ter uma velhice com dignidade.O Envelhecimento Humano Nesse capítulo.161) Os Investimentos do Estado. medicação. As questões relacionadas à terceira idade tem crescido em importância nos últimos anos. meio ambiente. Conforme estudos realizados sobre vencimentos por aposentadoria no Brasil. no espaço comunitário. estes apontam que: A grande maioria dos aposentados aposentados pelo Instituto Nacional de Seguridade Social ( INSS) recebem valores baixos. que traz relevantes repercussões nos diversos setores da vida em sociedade. Sabe-se que o Brasil enfrenta presentemente as conseqüências deste processo do envelhecimento populacional no Brasil.1. da sociedade. uma vez que o envelhecimento da população é um fenômeno mundial. 8 . porque a atualização desses valores não corresponde à inflação real. BULLA e KAEFER. e da família para uma revisão de suas responsabilidades em relação as condições de vida na terceira idade hoje. os recursos necessário para garantirmos uma qualidade de vida na vida cotidiana destas pessoas hoje na terceira idade ficam muito a desejar. e também no contexto da família entre outros. Necessitamos estar realmente questionando o papel do Estado. na previdência nacional. apresentaremos uma reflexão sobre algumas considerações amplas no que diz respeito ao processo do envelhecimento humano. saúde. são relativamente precários tanto quantitativamente quanto qualitativamente. (2004.

desenvolvimento e declínio conceitual. que merece ser considerado. Vejamos como os processos socio históricos foram sendo construídos ao longo dos anos. com a evolução das sociedades.O envelhecimento da população é um fato social natural. cada período histórico uma realidade diferente. e sobretudo com o advento da sociedade industrial. os conceitos em torno da realidade humana também vão sofrendo alterações. torna-se o objetivo primeiro de todos que estão comprometidos com a gerontologia social. O conceito sobre o envelhecimento humano não poderia deixar de sofrer as mais diversas análises no seu modo de ser percebido e sentido. Com o passar do tempo. sendo os velhos considerados como sábios. mental e social com capacidades múltiplas de criar e se desenvolver de forma criativa e com possibilidades de liberdade no trato de sua vida. e que também sofre uma interpretação conceitual cultural de valor a partir do seu tempo histórico. Ao nascer o ser humano vivencia um processo acelerado de desenvolvimento físico. representa mais uma etapa a ser vivida com toda a sua intensidade. sendo importante almejar uma melhor qualidade de vida daqueles que estão neste processo. O esforço de se tentar pensar alternativas diferenciadas para se garantir felicidade e bem-estar ao ser humano. sendo o mesmo conceituado nas mais diversas formas. A medida que os processos sócio históricos do desenvolvimento humano vão se desenhando no livro do tempo da humanidade.1 O Processo Sócio Histórico do Envelhecimento Humano. cada tempo o seu período de maturação. Nas sociedades antigas. 9 . a velhice atingia um estado de dignidade. em especial ao homem e a mulher envelhecidos ou em envelhecimento. Particularmente. Aqui em particular temos a realidade cronológica do tempo existencial do ser humano. o envelhecimento humano representa uma realidade inexorável do existir humano. 1.

dos acontecimentos e do próprio conhecimento do ofício familiar que a vida lhe oportunizou. garantindo a sociedade o arquivo da memória passada. Com a consolidação desta mesma sociedade industrial. Vejamos o quadro abaixo onde perceberemos as formas conceituais sobre a condição de se viver a velhice nas sociedades antigas e atuais. 10 . ode o envelhecimento passou a ser considerado com os aspectos da decadência física. o idoso era percebido como um sujeito respeitável pela sua responsabilidade em transmitir oralmente os conhecimentos aos mais jovens. O idoso ficou apartado dos espaços sociais mais amplos que nos vitalizam a vontade de viver de forma ativa. Valorização do idoso pelo seu poder de Valorização da juventude pela sua força física. mental e social através de seu funcionamento não “adequado” a este fim e seu confinamento foi marcado por uma questão de abandono social. foi se construindo uma sociedade mesclada por uma cultura. sendo a ele outorgado o respeito do homem e da mulher que possui sabedoria. Sociedades antigas – “camponesas” (cultura da oralidade) Sociedades atuais – “Ocidentais” (cultura da produtividade) Processo de herança: transmissão do saber Processo de transmissão do saber através da oralmente de geração em geração (oral). estabeleceuse uma sociedade tecnológica focada junto aos mais jovens. a memória histórica dos fatos. Paralelo ao desenvolvimento da sociedade industrial. 2007) nos faz refletir a respeito dos conceitos estabelecidos em torno do envelhecimento através dos tempos. tornando o idoso um sujeito destituído de suas capacidades de produção e reprodução da vida social. escolarização (escrita). onde a força e o vigor eram preponderantes para o seu desenvolvimento.Estes conceitos foram se modificando. Até meados dos século XIX. (CORREIA. reduzindo os idosos a uma condição absolutamente secundária.

pela cuidar de seu idoso: função econômica. menor representação social possuímos. velhice vista como doença social. Valorização dos laços de parentesco. Gestão da velhice implica negociações pessoa Gestão a pessoa. educativa e de segurança social. num sistema de instituições e agentes especializados em tratar do envelhecimento. Autoridade dos idosos. Função econômica. Assim ocorrendo.sabedoria acumulado ao longo da vida ação e símbolo de produtividade. quanto mais envelhecemos. influenciando decisivamente na forma como os mais jovens percebem os em idade avançada no trato. os séculos XIX e XX oportunizaram mudanças negativas no seu modo de ser mas significativas no que se refere a forma de se perceber. posição importante Improdutividade. Poderemos considerar que. por quem o filho varão O patrimônio familiar é divido. herdava o patrimônio forma de partilhas. entre família e meios locais. dependência. pois a relação que estabelecemos uns com os outros está determinada pelo sistema de produção capitalista e pelo consumo. Respeito. sentir e tratar as pessoas nesta fase da vida que merecem nossa atenção e estudos. atribuição de reformas. da velhice através da mediação anônima que age entre as gerações. familiar. para muitos. Perda dos laços familiares com a institucionalização. ou perda de direitos na sociedade contemporânea. responsabilidade. É na relação do tempo histórico no sentido que damos a vida do ser humano. institucionalização: educativa de segurança social. Como vemos. pelos filhos sob cuidava até a morte. também entramos em um envelhecimento funcional ou social. SALVAREZZA (1988) afirma: 11 . que buscaremos constante o direito a uma qualidade de vida. através das gerações. Responsabilidade individual de cada família em Responsabilidade pública do Estado.

não permitem a eles (jovens) identificar-se O aumento da faixa populacional considerada idosa tem exigido das profissões. definindo também qual o espaço que iremos ocupar nesta mesma sociedade. da sociedades e do poder público um novo e sensível olhar sob a forma de investimento em políticas sociais que contemplem o idoso em suas necessidades biopsicossociais. 12 . 24) A idade social. p. • • O tempo de se viver a terceira idade. o que é pior. Exemplos: • • • • • • O tempo da infância. O idoso possui poder de interferência no que está posto em relação aos preconceitos relacionados as modificações decorrentes da idade. O tempo da procriação. O tempo de se viver a quarta idade. é o percurso do ciclo de vida definido socialmente. Necessário se faz. A compreensão de determinadas mudanças e situações vividas em cada fase da vida e a busca de informações sobre o envelhecimento. O tempo de estar fora do mundo do mundo do trabalho (aposentadoria). Cada sociedade distingue as etapas sucessivas e fixa as condições de acesso de uma etapa para outra.(1988. O tempo do casamento. O tempo da adolescência. ajudam a diminuir a influência negativa dos preconceitos sobre a terceira idade.O envelhecimento leva as gerações jovens a ver os velhos como diferentes e não considerá-los como seres humanos com iguais direitos e. O tempo de se ingressar no mundo do trabalho.

Se a felicidade fosse apanágio da juventude. está condicionado a juventude. condição focada na força e no vigor. muito vivo por dentro. emocionalmente e sexualmente com a condição de se sentirem jovens por dentro (nota do autor). p. deverá ser construída na percepção que temos de nós pelo que apresentamos. doença. nesta etapa da vida. nos sentindo vivos para a vida. assim como valorizamos a vida adulta nesta fase da vida. do que somos e sonhamos. com vontade de viver a vida na sua plenitude. estamos reafirmando que a condição de estarmos vivendo bem. muitas vezes indesejada (Lima. Vejamos o que lima (2001) poderá contribuir com suas reflexões: A sociedade e o Estado não podem mais ignorar o idoso. A forma e o como nos sentimos e nos percebemos subjetivamente. mesmo velho por fora eu estou jovem por dentro.instrumentalizar o idoso sob seus direitos e deveres. 3 Ciência médica que estuda temas relacionados a saúde do corpo físico das pessoas na terceira idade. Se cada idoso permanece reafirmando que a condição de se sentir feliz e com forças de viver permanece associado a esta condição de juventude. redefinindo imagens estereotipadas nas quais a velhice aparece associada à solidão. que vem se tornando ator na cena política e social. viuvez e morte. enfatizando essa fase de vida como uma condição desfavorável. 2001. ( nota do autor) 13 . Muitos idosos gostam de falar que se sentem “jovens por dentro2” esta fala reafirma que a melhor fase da vida é ser jovem. de que a juventude é a melhor etapa da vida humana. nós nunca conseguiremos mudar o foco. Quando assim procedemos. e trabalharmos no sentido de mudarmos o eixo da felicidade que está condicionada a uma relação comparativa. repetimos.16). Poderíamos mudar nosso discurso dizendo de uma outra maneira: Estou na terceira idade e me sinto vivo. temos observado que na fala destes idosos predomina o conceito de estar bem fisicamente. com muita disposição de viver e lutar pelo uso fruto das conquistas médicas e sociais na área da gerontologia e da geriatria3. Devemos construir uma nova forma de nos identificarmos com a terceira idade. não teríamos tantos jovens vivendo suas 2 Na grande maioria dos idosos que interagimos nos grupos de convivência para a terceira idade.

culpas inerentes as outras etapas de nossa vida. Cada um possui uma forma de realizar-se e de enfrentar as dificuldades inerentes e cada fase da vida. existem uma forma diferenciada de viver esta etapa da vida no processo do envelhecimento. com melhores condições de realizarmos os enfrentamentos naturais da velhice é não deixar para trás situações de conflitos. vai depender da forma que os idosos acessam os recursos disponíveis ou não no contexto comunitário. aliviaremos a bagagem de nossa consciência e assim não iremos levar conosco na terceira idade problemas que não fazem parte do deste tempo presente.. Both (1990) faz alusão às idéias implícitas relacionadas a possível ou não predisposição para a resolução dos problemas relacionados à degradação das faculdades psicológicas. Outro elemento importante a ser pensado quando nos referimos a uma boa qualidade de vida na terceira idade. Quando temos tempo de rever conceitos. valores. traumas.2 Viver o Envelhecimento: Um Processo Natural O processo de se viver o envelhecimento humano é vivido de forma natural. o que equivale dizer que. 1. e no processo do envelhecimento não seria diferente. inimizades.. corporais. se aos mais velhos for permitida uma vida com interesse e disposição para ações estimulantes. Esta é uma condição cultural de se perceber e sentir a vida que deveremos mudar. 14 .vidas de forma tão imprudente e irresponsável. modos de proceder a vida e resolvermos coisas que ficaram mal resolvidas no passado. dissabores. p. para cada indivíduo. Vale portanto dizer que uma ação educacional estimulante pode qualificar a vida dos mais velhos (1990. 09). de modo que a vida deste sujeito se torne também interessante para ele. O sentido de buscarmos alternativas para enfrentarmos a diminuição das capacidades mentais. Dessa maneira. é importante oportunizar aos idosos condições de se sentirem interessados pela vida. sociais e das funções orgânicas do idoso afirmando: . emocionais. é provável que raros serão aqueles que chegarão aos 80 anos com algum comprometimento em virtude da senilidade.

as concepções sobre a velhice buscando grandes transformações. conseqüentemente. É na vida cotidiana que se constrói a história. acontecimentos vividos no particular para o geral e vice-versa. a pessoa na velhice continuará a ser produtiva nas mais diversas maneiras.Com este posicionamento. pelo próprio fato de alguns possuírem mais experiência de vida. denominado pelo autor como “estimulação ambiental” em que o homem está inserido. em constante transformação. MOSQUERA (1987. vida adulta e velhice – representam as partes de um todo em seqüência. e. demarcadas através dos processos sócio históricos da sociedade. Os pequenos como os grandes acontecimentos humanos representam as tramas das relações que constituem esta história. biológica) terá a sua devida representação para a formação da personalidade humana. Acredita-se que o idoso possui uma caminhada diferenciada dos demais. e o indivíduo influenciado pelas experiências estabelecidas e armazenadas contribui para a construção desta história. Referencia comentada: Educação e Envelhecimento Humano • Editora: EDUCS • Autor: MIRIAM BONHO CASARA & IVONNE ASSUNTA CORTELLETTI & AGOSTINHO BOTH • ISBN: 8570613776 • Origem: Nacional • Ano: 2006 • Edição: 1 • Número de páginas: 172 Esta obra pretende provocar uma séria reflexão sobre educação. influenciando o cotidiano das relações humanas. social. envelhecimento e velhice. provocando um constante estado de movimento. O homem é um ser histórico e as etapas – infância. Cada situação (geográfica. Nessa perspectiva. socializando os seus conhecimentos. alteram-se os padrões culturais. adolescência. modificamse ideologias. 14) esclarece que a vida do homem vai sendo constituída através da estimulação do meio em que vive. Apresenta proposições que levam a avanços 15 . p.

Face ao Envelhecimento da População Brasileira. Direitos e Democracia Assistentes sociais Contra a Desigualdade. o que equivale dizer que para cada indivíduo existe uma forma 16 . Referencias: BOTH. Claus. Canoas: EDULBRA. Leopoldo. Passo Fundo: Imperial. BULLA. Ruthe . projetos e programas. CORREIA. Psicogeriatria Teoria y Clínica. 2007. Desafio para Sociedade em Mudança. Mostra também a importância de direcionar o olhar em um perspectiva pedagógica que se estenda ao continuum do ciclo da via e que tenha como objetivo a promoção do ser humano em todo seu tempo vital. Juan & STOBÄUS. A Terceira Idade Hoje: sob a ótica do Serviço Social.10 Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais outubro de 2001. Argentina: Piados. Passo Fundo: UPF. ( ) O processo de se viver o envelhecimento humano é vivido de forma igual para todos. Conversas Sobre a Terceira Idade ou Fragmentos para uma Gerontologia. Educação para a Saúde. Gerontologia Educação e Longevidade.A.qualitativos relacionados ao desenvolvimento de linhas de pesquisas. Autoestudos: Coloque verdadeiro ou falso: ( ) Desta maneira.O Trabalho. 1988. Desafios e Perspectivas da Gerontologia Social. 1990. Agostinho. ações. ___________. Porto Alegre: DCL S. MOSQUERA. Leonia Capaverde.. é importante oportunizar aos idosos condições de sentirem-se interessados pela vida. 1999. de modo que a vida deste sujeito se torne também interessante para ele. Buenos Aires. SALVAREZZA. 1983. .

mental e social através de seu funcionamento não “adequado” a este fim e seu confinamento foi uma questão de necessidade. quanto mais envelhecemos.v 17 . ( ) Com a consolidação desta mesma sociedade industrial estabeleceuse uma sociedade tecnológica focada junto aos mais jovens. uma vez que o idoso possui poder de interferência no que está posto em relação aos preconceitos relacionados as modificações decorrentes da idade.que se equivale no processo de envelhecer. para muitos. ( ) Poderemos considerar que. ode o envelhecimento passou a ser considerado com os aspectos da decadência física.v. ( ) A não aceitação de determinadas mudanças e a busca de informações sobre o envelhecimento ajudam a diminuir a influência negativa dos preconceitos sobre a terceira idade. A forma de realizar-se e de enfrentar as dificuldades inerentes e cada fase da vida é igual para todos. Respostas do capítulo I: v. apartado dos espaços sociais que nos vitalizam a vontade de viver de forma ativa.v. menor representação socialmente possuímos.f. reduzindo os idosos a uma condição absolutamente secundária.

Um conjunto de disciplinas que juntas procuram intervir num mesmo campo de realidade. A busca do conhecimento sempre foi determinada nas perquirições realizadas pelos seres humanos. a gerontologia se divide em três grandes grupos: A Gerontologia Experimental A Gerontologia Médica ou Geriátrica A Gerontologia Social Compreende o estudo das células. levados a efeito pelas ciências sociais. através dos processos sócio históricos que caracterizam o desenvolvimento das ciências.01). p..2. buscando compreender através de pesquisas como se caracterizam as particularidades da vida social na terceira idade. 1979. Os estudos específicos da gerontologia são recentes. Este envelhecimento ramo está ligado às ciências sendo o ramo humano. psicológico-comportamentais e biológicas”. A Gerontologia: A Gerontologia como campo do conhecimento específico do envelhecimento humano. Segundo (SALGADO. 1979. p.. preocupando-se com a passagem da vida adulta com a terceira idade. Em um primeiro plano estes estudos em torno do desenvolvimento do ser humano se deu nas fases da infância e juventude. estudos para compreender os processos de se tornar idoso no ciclo da vida humana. busca compreender as demandas inerentes a esta área particularizando-a no social. envelhecimento que cooperação entre os demais 18 . o estudo dos processos de desenvolvimento.01) este define a gerontologia como sendo: “. A Gerontologia vem ao encontro da necessidade. posterior o ser humano busca reconhecer os processos inerentes a vida adulta e ao envelhecimento. surgindo no após segunda guerra mundial. dos órgãos e de das Representa doenças o estudo Representa o estudo dos psico-sociais e trata do da do processos todo organismo humano. Segundo (SALGADO.

no Brasil. Assim Bulla (2001) refere-se: A partir de 1970 registrou-se. 1979) este afirma: Não é fácil uma conceituação tendo em vista que a velhice. 24) No mundo todo. esta questão surge mais precisamente na década de setenta. voltados para a camada da população acima dos 60 anos de idade. a preocupação com o fenômeno do envelhecimento da população. 2.( 2001: p 02) 19 . Segundo (SALGADO. no direito. que quando estão para terminar apresentam transformações tanto no plano físico como no plano mental.1 Conceituando o Envelhecimento Humano È de singular importância procurarmos definir o conceito sobre velhice. entre outras. na sociologia. este tema tem sido alvo de muitas discussões. p. No Brasil. Embora já se contasse com estudos e trabalhos anteriores. mas para isso ocorrer. especificamente a infância e a adolescência. devido aos desafios impostos pelo crescimento acelerado dessa faixa etária. não se torna tarefa fácil. ramos do conhecimento Para a Gerontologia. sendo o último tempo natural de um processo de vida biológica. (1979. primeiramente se desenvolveu. é a partir dessa época que se passa a estudar mais seriamente o problema. na psicologia.naturais. não é facilmente caracterizada como as etapas anteriores. torna-se importante estudar as questões que envolvem a velhice mais particularmente e seus desafios. Para tanto a Gerontologia busca estudos nas áreas do serviço social. na antropologia.

p. por exemplo.Para melhor entendimento. vejamos: Representa a idéia de tempo de vida.04) nos oportuniza conceituar a velhice a partir de definições mais próximas a uma e outra ciência e por critérios comparativos com outros grupos etários. Para podermos definir e conceituar o processo do envelhecimento denominado “velhice” (SALGADO. 20 . mas não é determinante para se definir a pessoa e suas condições. de fato. todos aqueles que se aproximam ou Velhice idade cronológica: ultrapassam a idade estabelecida como média de vida estão na terceira idade. isto não quer dizer que o ciclo de vida esteja acabado. Essa é uma variável importante. situa-se a pessoa na terceira idade a partir dos sessenta anos4. mas. através da Resolução 39/125. cuja a faixa varia de 60 a 65 anos. está em grande parte influenciada pela ótica biológica que encara o envelhecimento pelo desgaste do físico e da mente. O processo do envelhecimento possui uma representação e singularidade de estarmos vivendo mais uma etapa na vida de cada um de nós. as mudanças características da Terceira Idade já começaram a tornar-se evidentes mais cedo (1982. Dentro desta conceituação poderíamos 4 A Assembléia Mundial das Nações Unidas. p.1979. 2000. representam um marco de ingresso da pessoa humana na terceira idade. sobre envelhecimento da população. tomando por base a expectativa média de vida de determinados grupos sociais. Fustioni (apud GOLDMAN.13) Faz a seguinte consideração sobre o termo “ Terceira Idade”: Considera-se que a Terceira Idade tenha seu princípio cronológico na época comumente declarada em muitos sistemas legislativos de aposentadoria por emprego lucrativo. Assim. pois os sessenta anos. da riqueza vivenciada e acumulada ao longo do tempo.8). mas sim representa o somatório de experiências pessoais e de relacionamentos. p. sendo de 65 anos para os países desenvolvidos (ONU. A gerontologia sofrendo maior avanço por impulso Velhice mutações biológicas: da geriatria. Deve-se ter uma visão mais integral da pessoa humana. estabeleceu a idade de 60 anos como início da terceira idade nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento. 1982).

tomavam o tempo da velhice como um estado altamente dignificante para os indivíduos. estariam consideradas a formação. o processo não se efetiva em ambos com a mesma cadência. com a evolução das sociedades e. e portanto. É neste momento que se evidencia para todos a relatividade do envelhecimento e o entendimento muito particular para cada individuo. no qual tudo aquilo conquistado iniciaria uma caminhada desgastante. deve ser considerado pelos trabalhadores sociais. Na segunda etapa. Com o passar do tempo. e a posição dos indivíduos idosos resultou absolutamente secundária. em todas as sociedades. sobretudo com a cultura tecnológica mais próxima dos jovens. É aqui o grande Velhice uma conceituação individual: paradoxo do envelhecimento. pois os indivíduos se vêem fisicamente envelhecidos e não se sentem velhos. 21 . subseqüentemente suas capacidades. fortificação e desenvolvimento total de todas as partes do organismo humano. sendo considerados como Velhice decorrência cultural: sábios todos aqueles que atingiam essa etapa da vida.considerar que o desenvolvimento de um indivíduo apresenta duas etapas distintas: a do acréscimo e a do decréscimo. Este entendimento nasce do fato de que embora o físico e a mente envelheçam juntos. o envelhecimento passou a ser considerado mais pelos aspectos de decadência das forças físicas para o trabalho. seria iniciado o processo reverso. As sociedades da antiguidade. ganha expressiva ênfase nos dias atuais. e. em grande maioria. Este é um principio que embora nada apresente de científico. considerada desde a época da vida embrionária. considerando-se a existência de um pequeno tempo sem grandes mutações. Na primeira. É no tempo em que o corpo apresenta os maiores sintomas de decadência que a mente está mais apta a incorporações de todas as ordens e contribuições.

Estas vivencias se apresentarão de acordo como foi a caminhada individual de cada pessoa. construídas ao longo de um processo histórico individual. Sabemos que as tensões psicológicas ou sociais podem apresentar as deteriorações associadas ao processo do envelhecimento. Um conjunto de vivencias surgidas durante os períodos precedentes da existência de cada um. pesticidas. entendemos que o processo do envelhecimento representa mais uma etapa a vencer no ciclo de vida do indivíduo. álcool. pelas Tensões constantes mudanças de humor e estresses. Outros fatores que também demarcam o processo do envelhecimento de forma saudável: A busca por uma alimentação saudável. poderão influir decisivamente no processo do envelhecimento. As exposições em excesso ao sol.A partir das definições sobre a velhice expostas acima. disposições do comportamento hormonal do organismo humano que irão afetar decisivamente o nosso comportamento e também nossas disposições para tendências as dependências psicoativas como o álcool por exemplo. bem como foram construídos os processos de organização da sociedade no sentido de se atender as demandas inerentes a esta realidade. ao uso direto e indireto ao fumo. a umidade. as substâncias tóxicas como poluentes do ar. Os fatores relacionados ao ambiente afetam diretamente no que se refere a Meio Ambiente saúde da pessoa humana. Muitas vezes o envelhecimento é decisivamente afetado pelo estado de espírito. Possui a representação do conjunto de realizações positivas e ou negativas. A Alimentação alimentação adequada desde o nascimento do ser humano é fator decisivo para um envelhecimento com qualidade de vida. irão definir nutrientes indispensáveis para manter nosso corpo com as disposições necessárias para regular o desgaste físico natural da vida ocorrendo de forma diferenciada. e com elas as disposições favoráveis ou não para termos uma vida longeva com saúde ou para o desenvolvimento de patologias na área da saúde como por exemplo o câncer que representa uma Herança Genética doença proveniente da deformação de nossas células. A falta regular de uma atividade física poderá comprometer a sustentação e 22 . e outras drogas. Sabemos que naturalmente carregamos conosco a herança genética de nossos antepassados.

por muitos. Ao envelhecimento estão relacionados somente sentimentos e situações de perdas e não possíveis ganhos que poderão chegar junto com a idade. o ritmo da vida poderá ser estabelecido a partir de nossas escolhas. mas percebido com cores escuras. este capítulo busca apresentarmos uma reflexão que contemple aproximar você leitor da Gerontologia Social um estudo que busca compreender o processo do envelhecimento humano por uma perspectiva biopsicosocial. exigido por toda e qualquer fase da vida humana. Neste sentido. ao laser e a cultura. é que constataremos como foram realizados os preparos para este enfrentar natural. a partir desta realidade. A Vida em Movimento na Terceira Idade O envelhecimento humano.Exercícios físicos vigor do tônus vital de nossos órgãos físicos e a capacidade mental. Na intimidade do relacionamento afetivo. bem como da vitalidade e desenvoltura de nossos movimentos. refletindo sobre a importância de pensarmos como nossa sociedade está preparada para atender as demandas naturais desta fase da vida. sexo sem os riscos da gravidez. Entendemos que o processo do envelhecimento é um desenvolvimento mental. promovendo a fadiga a lentidão e a perda muscular e óssea de nosso organismo. não é abordado como uma realidade saudável e natural. e o questionamento que deveremos fazer é: Como a sociedade compreende esta etapa da vida? 2. físico. mas com os cuidados em relação as doenças sexualmente transmissíveis. a felicidade de termos cumprido nossas responsabilidades perante nossos filhos e demais 23 . e também cultural. liberdade nas escolhas em função de não ter que cumprir com compromissos rigorosos em relação a responsabilidades que estabeleceremos. nesta nossa sociedade contemporânea. com o chegar da Terceira Idade. algo natural como a possibilidade de estabelecer mais tempo para si e para a família. de forma muito negativa.2.

que tem menos a ver com a idade cronológica e mais com uma etapa de sua vida psicológica e social (1991. 87). A lógica do entendimento que devemos ter. os profissionais que possuem uma vinculação e estudos sobre gerontologia deverão estar atentos com os mais diversos aspectos que envolvem este processo de se tornar idoso. p. e que. muitas vezes são sentidas como sendo um prenúncio de sua morte iminente. que se inicia aos oitenta anos. imobilidade corporal. que irão oportunizar novas possibilidades do existir humano. os conflitos vão somando-se a uma certa instabilidade emocional pelo fato de não querer enfrentar estes desencontros inerentes a vida. entre outras. Possibilidades que vamos descobrindo quando temos vontade de viver. Entendemos que quando existe o conflito. audição. 24 . Após a terceira idade em alguns países mais avançados em recursos de saúde e assistência social já se vislumbra a quarta idade. novas possibilidades de nos sentirmos interessados pela vida. estão relacionados a situações de perda dos vínculos familiares pela morte física. entre outras situações que poderão proporcionar conflitos. para muitos com o chegar da terceira idade. criando então. que as pessoas vivenciam na terceira idade. especialmente agitada quanto mais próxima à idade madura. diminuição da memória e do desempenho sexual. Neste sentido. Muitos destes conflitos. ele nos oportunizará refazermos a caminhada para realizarmos novas conquistas. Estas turbulências são decorrências naturais. uma lógica de associar a velhice a finitude. o homem (especialmente o de classe média) enfrenta muita turbulência. diz que os conflitos existenciais são situações vividas em todos os períodos da vida. longe de passar por um período de estabilidade. As modificações orgânicas e estéticas. perda dos sentidos como visão. ou separações judiciais e ou familiares com o afastamento dos conflitos. Cria-se então um quadro onde a velhice está associada por situações vinculadas a dor física.familiares. FRAIMAN (1991) faz a seguinte referência às questões de instabilidade emocional na vida do indivíduo: Da adolescência à meia idade. para que as pessoas se sintam interessadas pela vida de uma forma saudável.

a contribuição necessária para que. Desafios e Perspectivas da Gerontologia Social. Ana Perwin. 1996. 1991.10 Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais outubro de 2001. Nº 150 ano – XII . nos diferentes estudos. Marcelo Antônio. Referencia comentada: GerontologiaSocial Envelhecimento e Qualidade de Vida Envelhecer com qualidade de vida é possível se houver ciência das bases biológicas.ed. . ___________. vontade e com muita satisfação.Entendemos que.1979 25 . In: ___. A Gerontologia representa um conjunto de disciplinas que poderão ir ao encontro desta necessidade. São Paulo: Hermes. Leonia Capaverde. • Editora: Paulinas • Autor: RICARDO MORAGAS MORAGAS • ISBN: 9788535626599 • Origem: Nacional • Ano: 2010 • Edição: 1 • Número de páginas: 344 Referencias: BULLA. possamos pensar soluções e possibilidades de se viver a terceira idade com dignidade. SALGADO. GOLDMAN. Velhice e Direitos Sociais. 2. São Paulo: Gente. de forma eficaz. Para Ser um Avô. Direitos e Democracia Assistentes sociais Contra a Desigualdade. 2000. Sara Nigri. Coisas da Idade. Moragas analisa as tais bases e oferece conclusões práticas e úteis para os envolvidos com o envelhecer alheio ou próprio e que precisam tomar decisões que desenvolvam ao máximo a qualidade de vida. mas devemos buscar. FRAIMAN. de certa maneira. psíquicas e sociais que atuam em cada um e fundamentam sua conduta. Gerontologia CBCISS – Rio de Janeiro – RJ. Face ao Envelhecimento da População Brasileira. Envelhecer com Cidadania: quem sabe um dia? Rio de Janeiro: ANG-CBCISS. não existe um estudo único que possa dar conta de compreendermos este fenômeno natural que é o processo de se tornar idoso.O Trabalho.

e que.f. a ela vão somando-se uma certa instabilidade emocional pelo fato de não querer enfrentar estes desafios inerentes a vida.SALVAREZZA. ( ) A lógica do entendimento que devemos ter é que os conflitos existenciais são situações vividas em todos os períodos da vida. ( ) Para a gerontologia.v. Autoestudos: Coloque verdadeiro ou falso: ( ) A Gerontologia como campo do conhecimento específico do envelhecimento humano. preocupando-se com a passagem da vida adulta com a terceira idade. construídas ao longo de um processo histórico individual. para muitos com o chegar da terceira idade. Buenos Aires. 1988. Respostas:v.v 26 .v. torna-se de menor importância estudar as questões que envolvem a velhice e seus desafios. Psicogeriatria Teoria y Clínica. ( ) A Gerontologia vem ao encontro da necessidade e do estudo para compreendermos os processos de se tornar idoso no ciclo da vida humana. Leopoldo. busca compreender as demandas inerentes a esta área particularizando-a no social. Argentina: Piados. ( ) O processo do envelhecimento possui a representação do conjunto de realizações positivas e ou negativas.

refere que: O enfoque da velhice como etapa vital se insere nas modernas teorias e práticas da psicologia do desenvolvimento humano. conceitos que possam potencializar a vida. novos estudos. 27 . Trabalhar com este tema “envelhecimento” representa o desejo de se criar novas formas de se pensar e agir frente a novos conceitos em relação a terceira idade. idéias verdadeiras ou não que determinam atitudes. Estas orientações científicas e profissionais destacam a unicidade da experiência humana positiva vivenciada por cada pessoa. um novo conjunto de idéias positivas para que as pessoas se sintam motivadas a viverem a velhice. requer refletir sobre o imaginário e o simbólico das construções que realizamos sobre a velhice. MORNGAS (1997). modas da sociedade. Pensar o próprio processo de envelhecimento. Segundo Vieira. A importância de estarmos reconhecendo esta etapa da vida. Mitos e Verdades Sobre a Terceira Idade Pensar sobre a vida na terceira idade. da sociologia do possível. novas pesquisas que venham a somar de forma positiva um novo conceito sobre a condição humana na velhice. requer dos profissionais da área. mas inserindo-se numa sociedade de grupos fortalecidos e potencializados pela contribuição de cada indivíduo ( Moragas. na forma como ele se reconhece e elege para si disposições para viver o seu cotidiano de vida. O idoso atualmente enfrenta este desafio. ou seja. do trabalho social integrador. o imaginário coletivo é um conjunto de crenças conceitos. fortalecer sua identidade social frente aos mitos que envolvem esta etapa da vida. relacionando o envelhecimento a algo desprovido de valor. a partir do próprio idoso.3. Criamos estereótipos sobre determinados conceitos em relação ao idoso que inviabiliza viver esta etapa da vida com prazer. respeitando sua individualidade. (2001) temos o seguinte pensamento que nos diz que o “imaginário social. Os conceitos em relação ao envelhecimento deverão ser trabalhados para que possamos eleger novas capacidades. 1997:19) .

. (Beauvoir. p.Vejamos o pensamento de Beauvoir: "Uma outra barreira é a pressão da opinião". 28 . fazendo com que. Estas iniciativas poderão representar uma nova possibilidade de romper-se definitivamente com determinadas barreiras sociais que segregam e excluem o idoso da sociedade.393)". Teme o escândalo. A pessoa idosa dobra-se ao ideal convencional que lhe é proposto. 1990. Torna-se muitas vezes difícil modificar e ou realizar um enfrentamento da opinião pública sobre determinados conceitos que se estabelece em relação ao idoso devido ainda termos o foco central da mídia e da sociedade de consumo em torno da juventude. ou simplesmente o ridículo. foram se criando efeitos de opinião pública negativos em relação ao idoso persistindo de forma a excluir os mesmos do centro da sociedade. acredita-se que os avanços sociais o progresso intelectual e uma educação voltada para o conhecimento sobre o envelhecimento. do vigor e da força física.. favorecendo ao idoso uma maior aceitação de sua condição. e ela os nega ". Interioriza as obrigações de decência e de castidade impostas pela sociedade. Seus próprios desejos a envergonham. amenizando também toda e qualquer forma de violência em relação a pessoa idosa. Para romper-se com estes padrões estabelecidos. poderão surtir um efeito de ruptura frente a estas barreiras sociais conceituais. Torna-se escrava do "o que vão dizer".Os conceitos contemporâneos em relação ao idoso e sua forma de vida foram sendo definidos com o surgimento da sociedade industrial. A modificação desta imagem determinará um novo status sobre a velhice na sociedade. após este período. este se sinta parte integrante desta sociedade e vice-versa.

meias e chinelos.1 Mitos e Verdades Sobre a Terceira Idade A velhice hoje ainda possui um enfrentamento a ser realizado frente aos mitos relacionados ao processo do envelhecimento. Com a estimulação tudo revive: o corpo. p. Asilos ou Casas de Repouso. surge automaticamente em nossas mentes objetos como: pijamas. os amigos esquecidos. Essas atitudes também são percebidas nos Abrigos. a tendência é fazer com que este sujeito se sinta estimulado a buscar sua própria felicidade. alegria e felicidade. Estes estereótipos muitas vezes oportunizam e reforçam as barreiras que são colocadas aos idosos. como são chamados os lugares onde se colocam os idosos. Zimerman (2000) refere-se que : A estimulação faz com que as pessoas vivam mais a vida. regem o comportamento 29 . pantufas. que usem mais a memória e a criatividade para criar situações. “Portanto é impossível falar na velhice sem falar na sociedade. descansar. através das relações que o mesmo estabelece. necessitando que profissionais da área do Serviço Social e da Gerontologia estimulem o idoso a buscar cada vez mais novos significados para suas vidas. a partir deles mesmos. Estabelecemos quase sempre uma visão equivocada ao considerar que os idosos são frágeis e dependentes tendo como resultado a segregação e o afastamento dos mesmos do convívio social. ou seja. Essa imagem negativa se revela nas mais ínfimas atitudes nas mais diversas situações em relação a estes sujeitos. os afetos anestesiados. camisolas. em cada época. mantas. esquentar-se do “frio” que envolve a velhice. Albergues. 12) Quando conseguimos desmitificar determinados conceitos em relação ao idoso. atividades. que vivam o hoje. Quando oportunizamos a eles por exemplo presentes em datas comemorativas. a mente parada. pois é esta que estabelece os padrões que.3. Zimerman (2000. não-usado. cadeiras de balaço. entre outros artefatos direcionando a uma única possibilidade de vida. e de preferência no espaço comunitário onde os idosos estão inseridos.

AS ALTERAÇÕES DA SEXUALIDADE.Vejamos alguns mitos que envolvem a imagem da pessoa na terceira idade.. TRISTEZA E APATIA...social” (Heredia. A PERDA DA MEMÓRIA. 30 . AS CRIANÇAS SIM PRECISAM DE DIREITOS. INCLUSIVE DO SEU PRÓPRIO GERENCIAMENTO O IDOSO NÃO PODE SE AUTO-CUIDAR SÃO PRÓPRIOS DA VELHICE: • • • OS MITOS DAS DOENÇAS • • AS INCONTINÊNCIAS URINÁRIAS. OS MITOS DOS CONCEITOS INFANTILIZAÇÃO/IDIOTIZAÇÃO/BEBEISMO A VELHICE É A MELHOR IDADE OS MITOS DAS TERAPÊUTICAS É POSSÍVEL IMPEDIR OU RETARDAR O ENVELHECIMENTO ? NÃO É POSSÍVEL A ATIVIDADE FÍSICA A DIETA DEVE SER RESTRITA A NECESSIDADE DOS REMÉDIOS. ESTÁ NA HORA DE SE APOSENTAR. NÃO VIVE SEM ELES. p.. [s/d]. O IDOSO VOLTA A SER CRIANÇA TRATAR VELHO É IGUAL A TRATAR CRIANÇA E FÁCIL CUIDAR DO IDOSO. TONTURA. ELE(A) É MUITO VELHO PARA SER SUBMETIDO A ISTO: • • PROCEDIMENTOS HOSPITALIZAÇÃO/CIRURGIA UTI É LOCAL DE VELHO ELE NÃO PODE SABER/DECIDIR O IDOSO NÃO SE INTERESSA MAIS PELOS ACONTECIMENTOS • • OS MITOS DA CIDADANIA VOTAR NÃO É IMPORTANTE PARA QUEM ESTÁ “VELHO” OS IDOSOS NÃO POSSUEM DIREITOS. JÁ VIEVERAM MUITO. 33).

“as pessoas idosas não podem ser classificadas em grupos. 43-44). e não a idade avançada sozinha que faz a diferença”. Deste modo. De acordo com CHOPRA (1999. A OSTEOPOROSE. Segundo Beauvoir (1990. compreende-se que o idoso é um adulto que está envelhecendo e que sofre preconceito. Para HELLER(1992) o preconceito se caracteriza por ser uma “ultrageneralização” de pensamentos e ideologias presentes no cotidiano (1992. PARKINSON. diminui sua liberdade relativa diante do ato de escolha. p. Segundo FORNÓS (2001) a autora define as formas de preconceito como uma atitude negativa. muitas vezes o mecanismo de defesa em relação ao preconceito é o isolamento.• • • • • PERDAS SENSORIAIS. que se dirige geralmente a grupos sem uma fundamentação que os justifique. Somos todos sujeitos que vivemos processos de envelhecimento. ou seja.59). A autora diz que “todo preconceito impede a autonomia do homem. É o indivíduo. reduzindo-as a uma perda de identidade social. No caso do idoso. A HIPERTENSÃO. p. 294-295). 3. p. conseqüentemente estreitar a margem real de alternativa do indivíduo” (1992. estabelecendo em muitos casos atitudes de revide sejam estes de forma física ou por atos emocionais.350) esta nos faz refletir sobre a forma como os idosos pensam sobre o preconceito a eles colocados: 31 . É na vida cotidiana que vamos reforçando desde a infância até a vida adulta os preconceitos que vão sendo incorporamos na vida diária de forma usual. p.2 Revendo Nossos Conceitos Temos que estar refletindo como estamos revendo nossos conceitos referente a forma como percebemos a velhice. PERDA DE EQUILÍBRIO. O TREMOR D. ao deformar e.

muitas destas baseadas em juízos de valores que não correspondem a realidade. Alguns preconceitos relacionados ao idoso que a autora aponta: • • • • • • Que a passividade é característica do envelhecimento . 2.8.1990. Virginia G. O "viejismo5" que são atitudes de rejeição. quando ouvimos nos chamarem de velhas. que se aplican a los viejos simplesmente en función de su edad Otro termino utilizado con frecuencia. nos oportunizando pensar disposições para alterarmos os padrões estabelecidos em relação ao processo do envelhecimento. Que o idoso já não tem capacidade para aprender.9. 4.13. ( Beauvoir."A atitude dos idosos depende de sua opinião geral com relação à velhice. p. permitindo que aqueles que vivem o processo de envelhecimento estejam destituídos de seus papéis sociais sonhos.11. estereotipos. 14.com/doc/30723559/Viejismo-Salvareza Viejismo:Conjunto de prejuicios. propondo uma Educação para o Envelhecimento. de – Aulas do CVEPE1. a imagem do velho na sociedade é o resultado da forma como vamos estabelecendo nossas percepções. VIGUERA. 5 http://pt. 32 . Eles sabem que os velhos são olhados como uma espécie inferior.scribd. desejos de encontrarem formas de viver. Que o envelhecimento é uma enfermidade. Que a pessoa que envelhece fica assexuada.350) Desse modo. reagimos com cólera. 3. Assim. Toda uma tradição carregou essa palavra de um sentido pejorativo ela soa como um insulto. Que não é saudável recordar o passado. Segundo VIGUERA (2001) a autora aponta alguns preconceitos relacionados ao idoso.5.

O Serviço Social contemporâneo desenvolve-se em um processo de profundas contradições que. idade avançada não precisa ser isolamento e secura. p. este afirma: Desejar é ter a certeza da ausência. de se relacionar.Ninguém consegue viver saudavelmente quando carrega sobre seus ombros. familiares. 33 . 133). O ser humano em qualquer fase da vida necessita realizar projeto de vida. Conforme NOVAES. merecendo desse profissional uma atenção especial de intervenção. Pode-se fortalecer laços amorosos.O Serviço Social como profissão percebe no preconceito uma expressão da questão social. pois o mesmo nasce nas relações sociais da sociedade industrial de produção. capaz de decifrar a realidade e propor mudanças efetivas na garantia e promoção dos direitos sociais. quer dizer: desistir de olhar os astros. desejar. Enfim. p. no sentido de podermos modificar determinados conceitos que envolvem o envelhecimento humano. então desejar na sua origem. Sonhar. sem o colorido da vida que tornam as pessoas felizes. desistir de especular sobre o futuro. Como vemos desejar está diretamente associado a vida. curtir melhor o gozo das coisas boas" (2003. Estabelecemos nossos idosos a uma condição de vida em preto e branco. de amizade. pois segundo LUFT (2003): "a idade madura não precisa ser o começo do fim. é planejarmos nossas atividades para que possamos preencher nosso tempo com coisas que nos tragam satisfação. segundo IAMAMOTO (2001). Esta ação deverá ser criativa. da ausência. não tenho o que eu quero e por isso eu desejo. adquirir são possibilidades criadoras que fazem com que estejamos sempre com muita vontade de viver. de se manter ativo. em movimento. (1990). marcada por abandono. variar de interesses. ser um profissional propositivo. uma condição de vida tão desprovida de possibilidades. 92). exige do profissional capacidade para decifrar a realidade e construir propostas de trabalho criativas e capazes de preservar e efetivar direitos a partir de demandas emergentes no cotidiano. segregação. 1990. com grande realismo reconhecer que você não tem o que quer (Novaes. investigativo e não só executor.

Indicação bibliográfica: Desenvolvimento e Envelhecimento
Anita Ligeralesso Neri

Por muito tempo, o envelhecimento foi visto como a antítese do desenvolvimento. Respaldados pela geriatria, muitos praticantes e pesquisadores em gerontologia consideravam a velhice como sinônimo de doença. Contudo, ao longo das últimas décadas, novas formulações começaram a apontar a possibilidade de uma boa e saudável velhice. Sucedeu-se um período em que a visão pessimista tradicional conviveu com um otimismo excessivo, que tomava o desenvolvimento como um processo permanente, e que haveria possibilidades quase ilimitadas de mudanças positivas com o passar da idade. Hoje, a perspectiva predominante dos estudos na área trabalham com três idéias fundamentais: o desenvolvimento é um processo finito, desenvolvimento e envelhecimento são processos concorrentes, e ambos são afetados por uma complexa combinação de fatores que operam ao longo de toda a vida. Mesclando autores de várias áreas, esta coletânea discute os avanços dos conhecimentos sobre o envelhecimento humano, com o objetivo de contribuir para o fazer ciência e para a disseminação da informação.
• Editora: Papirus • Autor: ANITA LIGERALESSO NERI • ISBN: 8530806328 • Origem: Nacional • Ano: 2001 • Edição: 1 • Número de páginas: 200

Referencias: BEAUVOIR, Simone de. A Velhice. Ed. Nova Fronteira, 4a Impressão, Rio de Janeiro.1990. BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo. Fatos e mitos, 2ª ed. 1961. CHOPRA, Dupak. MD Corpo Sem Idade, mente sem fronteiras: a alternativa quântica para o envelhecimento. Rio de Janeiro: Rocco, 1995. FORNÓS Esteve, M. El Estereotipo Social de la Vejez. I Congresso Virtual de Psiquiatria, 26/12/2001. HELLER, Agnes. O cotidiano e a história. 4ª ed. Traduzido por Carlos Nelson Coutinho e Leandro Konder. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992. HERÉDIA, Vânia Beatriz Merlotti. A velhice instituída. (SI): (SD).

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IAMAMOTO, Marilda Vilela. O Serviço Social na contemporaneidade: dimensões históricas, teóricas e ético-políticas. São Paulo: Cortez, 1997 LUFT, Lia. Perdas e Ganhos. 24ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2004. MORAGAS, Ricardo. Geriontologia Social: envelhecimento e qualidade de vida. São Paulo: Paulinas, 1997. NOVAES, Adauto. O desejo. 2.ed. São Paulo: Companhia das letras, 1990. VIGUERA, Virginia G. de – Aulas do CVEPE1. 2. 3, 4,5,8,9,11,13, 14. SLAVSKY, David. Corpo y Envejecimiento. Programa de Seminários por Internet. Temas de Psicogerontologia No 3. ZIMERMANN, Guile I. Velhice. Aspectos Biopsicossociais. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.

Autoestudo: Coloque verdadeiro ou falso: Segundo Vieira, (2001) temos o seguinte pensamento que nos diz que o imaginário é: a- O imaginário coletivo é um conjunto de crenças conceitos, idéias verdadeiras ou não que determinam atitudes, modas da sociedade; c- O imaginário coletivo não representa um conjunto de crenças conceitos, idéias verdadeiras ou não que determinam atitudes, modas da sociedade; d- O imaginário coletivo é um conjunto de crenças conceitos, idéias verdadeiras que determinam atitudes, modas da sociedade. e- O imaginário coletivo é um conjunto somente de verdadeiras que determinam atitudes, modas da sociedade. Respostas: A-( B- ( ) somente a questão a é verdadeira; ) somente as questões a e b são verdadeiras; idéias

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C- ( D- (

) somente as questões a, b, c, estão corretas; ) todas estão erradas;

Resposta do estudo letra: a

4. A Família e o Idoso

O tema ora proposto sobre família pode ser abordado sob múltiplos aspectos tais como o social, o histórico, o antropológico, o sociológico, o psiquiátrico, o jurídico, entre outros. Mais particularmente neste estudo, queremos aprofundar o aspecto social. Entendemos que a família representa um complexo sistema de relações e interações entre seus membros no espaço em que se encontra, a forma e a dinâmica de seu funcionamento influencia cada indivíduo em seu próprio desenvolvimento comunitário e social refletindo a situação e o poder que ela possui em cada época histórica. A família poderá representar, o lugar do reconhecimento da diferença, do aprendizado das uniões dos rompimentos, o espaço das trocas afetivo emocionais, da construção da identidade social de cada indivíduo. A família etimologicamente falando é um termo originado do latim famulus, que tem como significado: conjunto de servos, a esposa e os filhos de um senhor. A definição de família passa por uma reflexão ampla. Segundo MINUCHIN (1982), a família é uma unidade social que enfrenta uma série de tarefas, tendo como finalidade ser uma matriz do desenvolvimento psicossocial de seus membros. Os objetivos da família são fatores da maior importância no curso da história do indivíduo (NICHOLS, 1998). A família é um sistema aberto e que está continuamente em um processo de transformação. E. Durkheim afirmava que a família 36

a possibilidade de materializarem um projeto de família. 2001). A Constituição Federal de 1988 introduziu de forma clara algumas atualizações. depositam naquele ser. tios e primos. Para Romanelli (1991) esta define família brasileira como sendo: O modelo predominante na sociedade brasileira é o da família nuclear cujos atributos básicos são a dominância masculina. Nesse sentido. que acaba de nascer ou através de processo judicial de adoção. Os estudos históricos da evolução da humanidade demonstram que o ser humano para garantir a perpetuação da espécie. que inclui a união estável entre o homem e a mulher e pode também representar a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes (art.contemporânea funcionava como um espaço relacional. a divisão sexual do trabalho a presença de vinculo afetivo entre marido e esposa e pais e filhos. 226. progressivamente construída como um espaço privado no interior do qual os membros sentiram uma vontade crescente de estar juntos. tendo-se tornado cada vez mais sensíveis a qualidade das relações (Van Cutsem. Por outro lado. (1991. 37 . apontando a uma infinidade de concepções sobre família. ou de na forma de unidade familiar residencial. entendemos também que a organização social do grupo familiar é uma representação psíquica e emocional que estimula a necessidade do casal de ter sua prole seja ela biológica ou por adoção através da direção jurídica para cada caso. de partilhar uma intimidade. §§3° e 4° Trata-se das formas que podem ser assum idas pela “entidade ). necessitou organizar a filiação biológica. direcionando ao que entendemos hoje por família. anoção de família pode ser apreendida de forma ampla. 44) Como vemos. exercida em uma estrutura hierarquizada de poder e autoridade. o controle da sexualidade feminina e a dupla moral sexual. A literatura está repleeta de definoções. como o conceito de “entidade familiar”. estes pais deverão cumprir com os deveres inerentes a sua responsabilidade parental. por exemplo a idéia de “parentes que vivem sob o mesmo teto”. como. p. A relação entre pais e filhos traz como conseqüência direitos e deveres para cada um. Os pais ao realizarem seus sonhos através de projetos parentais. pelas definições citadas acima. incluindo os avós.

jurisprudência e doutrina). Parentes em linha colateral são os que se configuram de uma mesma linhagem familiar. não necessitando para muitos da realização da celebração de casamento. c.1 As Configurações Familiares por Parentesco. Existe então. 1995. avós e bisavós. 4. p. a possibilidade de se caracterizar uma relação familiar por vínculo do parentesco. para podermos refletir sobre a representação do idoso no sei familiar. por vínculo conjugal e por último por vínculo da afinidade. Estatuto da Criança e do Adolescente).jovens Aceitar a responsabilidade relação à família de origem. Existem grupos de parentesco caracterizados por serem legítimos pelo casamento e os ilegistimos que não procede do casamento. por exemplo. Vejamos no quadro abaixo quando apresentamos os estágios do ciclo de vida familiar apontados por (Carter & McGoldrick. Saindo de casa.17). Diferenciação do eu em 1. e em uniões estáveis homoafetivas (cf. Parentes em linha reta são os pais. Outro aspecto refere-se a “família substituta”. como irmãos. Quanto a este último caso. até o quarto grau.chave Mudanças de Segunda Ordem no status familiar. sem descenderem uma da outra. Desenvolvimento de relacionamentos íntimos com adultos iguais. Entendemos que a configuração por parentesco poderá se configurar entre os indivíduos vinculados pelo mesmo sangue. Estágio do Ciclo de Vida Familiar Processo emocional de transição: princípio . Estabelecimento do eu com relação ao trabalho e independência financeira 38 . solteiros emocional e financeira pelo eu b.familiar”. a. temos de forma bem atualizada o avanço hoje no Brasil para reconhecimento no que se refere a união homoafetiva e a possibilidade da adoção entre pessoas do mesmo sexo. Aqui nos ateremos somente a configuração por parentesco. tios ou primos. para os casos de adoção (cf. necessárias para prosseguir no desenvolvimento.

Unir-se nas tarefas de educação dos filhos. 2. Abrir espaço no sistema para a sabedoria e experiência dos idosos. d. Realinhamento dos relacionamentos para incluir parentes por afinidades e netos.. apoiando a geração mais velha sem super funcionar por ela. Apoiar um papel mais central da geração do meio. Famílias no estágio tardio Aceitar a mudança dos papéis da vida geracionais a. Famílias adolescentes com filhos Aumentar a flexibilidade das fronteiras familiares para incluir a independência dos filhos e a fragilidade dos avós . Lidar com incapacidades e morte dos pais (avós) 6. Começar a mudança no sentido de cuidar da geração mais velha 3. b. b. entradas no sistema familiar b. Lidar com a perda do cônjuge. Ajustar o sistema conjugal filhos Aceitar novos membros no para criar espaço para o(s) sistema filho (s) b. Modificar os relacionamentos progenitorfilho para permitir ao adolescente movimentar-se para dentro e para fora do sistema.a . Desenvolvimento de seguindo em frente relacionamentos de adulto para-adulto entre os filhos crescidos e seus pais. Famílias pequenos com 4.Formação do sistema marital. c. Renegociar o sistema 5 – Lançando os filhos e Aceitar várias saídas e conjugal como díade. Manter o funcionamento e os interesses próprios e/ou do casal em fase do declínio fisiológico. irmãos e outros iguais e preparar-se para a 39 . d. Realinhamento dos casamento – o novo casal novo sistema relacionamentos com as famílias ampliadas e os amigos para incluir o cônjuge a. nas tarefas financeiras e domésticas c. Realinhamento dos relacionamentos com a família ampliada para incluir os papéis de pais e avós a. c. A união de famílias no Comprometimento como um b. c. Novo foco nas questões conjugais e profissionais do meio da vida.

própria morte. É na família que está representado o espaço mais intimo e necessário para o desenvolvimento da personalidade da criança e do adolescente. para ser alguém. diríamos que é na família que se estabelece o aprendizado dos valores através das gerações. Os avós na terceira idade. muitas vezes na condição de avós. espaço onde vamos nos organizando perante a própria divisão e transformação dos papéis que vamos assumindo neste espaço. É na família que se estreitam os laços afetivos e os recursos do trabalho para a manutenção do grupo. para o acolhimento da pessoa idosa.2 A Representação do Idoso no contexto Familiar.. é na família que herdamos todo um acervo cultural de imagens e representações simbólicas que comporão nossa identidade histórica e social. 1995. lugar da construção da cidadania. a família representa o espaço de socialização.17) Pelo exposto acima.Os estágios do Ciclo de Vida Familiar (Carter & McGoldrick. de organização das estratégias de sobrevivência. Revisão e integração da vida. p. as crianças precisam da família para sobreviver. 4. de divisão de responsabilidades. Quadro 1 . Para avançarmos na nossa reflexo em torno do tema família. Os mais velhos precisam da família porque a amam e querem se assegurar de que seus mais altos valores e ideais sejam transmitidos às gerações futuras ( 1996: p 24). de cada família para as gerações mais jovens. na vida de uma criança e do adolescente.. possuem a representação familiar e social de transmitirem a história particular de cada geração. 40 . é o espaço onde estabelecemos vínculos fortes. de proteção do grupo. FRAIMAN (1996) refere-se: . O idoso desempenham um papel de extrema importância.

34). os vínculos consangüíneos familiares não representam somente o único laço que une os membros as suas responsabilidades. Vemos pelo artigo acima.Esta condição de representação de ser avó ou avô no contexto familiar e na sociedade de modo geral independe da classe social. “a pobreza é um fenômeno multidimensional. e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice. garantindo a eles os cuidados necessários para que os idosos tenham uma qualidade de vida na velhice. Para termos claro este direcionamento. Também na Constituição Brasileira de 1988 está condicionado: Art. Esta condição de pobreza poderá favorecer o rompimento freqüente dos vínculos familiares. um carisma muito especial na imagem que estes representam. p. defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida. 229: Os pais tem têm o dever de assistir. a sociedade. Os filhos maiores possuem o dever de assistirem seus pais idosos. situando estes filhos maiores na condição de violadores de direitos em relação aos seus pais mais velhos. o Estado possui o dever de prover políticas públicas preventivas. assegurando sua participação na comunidade. pois eles por si sós possuem um caráter objetivo por ser um membro da família e com isto cumprem uma função social determinada e subjetivamente pelo fato da pessoa na velhice. que quando duas pessoas se unem para a constituírem uma família. carência ou enfermidade. na figura do avô e da avó possuírem. no afeto estabelecido dentro do seio familiar. Mas quando as condições sociais de pobreza estão presentes no processo de desenvolvimento das famílias existe a possibilidade deste idoso sofrer algum tipo de violência ou abandono social por parte do grupo familiar. Quando assim ocorre. mas o amparo legal constituído. 230: A família. Para a garantia do idoso neste espaço que é o seio da família está disposto nos artigos 229 e 230 da Constituição Brasileira de 1988 os deveres do Estado e da família em relação aos cuidados a pessoa idosa: Art. e com o nascimento dos filhos. criar e educar os filhos menores. segundo YAZBEK (1999. e o estado têm o dever de amparar as pessoas idosas. é uma categoria política que 41 . não deixando com que a pobreza material ronde este espaço tão importante de relações humanas.

trabalho. de poder. explicará de que trata realmente a matéria”. saúde.. moradia. nem outra. fazendo com que tanto a criança e o adolescente quanto o idoso sofram as condicionantes de abandono pelo fato do Estado não cumprir com o seu papel. representa espaço de protagonismo social espaço 42 . Não podemos aceitar que a família de modo geral..) o conjunto de atividades ou programas governamentais destinados a remediar as falhas do laissez-faire”. Entendemos que a família representa um espaço que deverá estar sempre em pauta em todos os fóruns acadêmicos. principalmente a família proletária sofra com este déficit de condições mínimas e básicas de sobrevivência. “Política social é um termo largamente usado. As Políticas Sociais. O sentido em que é usado em qualquer contexto particular é em vasta medida matéria de conveniência ou de convenção (. conforme Soares (2001) seria um conjunto dos princípios e medidas postos em prática por instituições governamentais e outras. E “a subalternidade.) e nem uma.. Poderemos considerar que elas representam de forma estratégica um conjuntos de ações utilizadas pelo governo para tentar diminuir as demandas da sociedade em condições de vulnerabilidade social. que diz respeito à ausência de protagonismo. o autor define política social como sendo: “(. O tripé da seguridade social. científicos bem como comunitários. O autor argumenta que o tema tornou-se lugar comum na definição de qualquer ação governamental. lazer. mas que não se presta a uma definição precisa. no campo dos direitos. necessitando que o Estado e a sociedade de modo geral cumpram com suas obrigações na materialização das políticas sociais junto a família carenciada. para a solução de certos problemas sociais. educação.. previdência e assistência social. A partir das citações dos autores. expressando a dominação e a exploração”.implica carecimentos no plano espiritual. afirmamos que existem vários caminhos já percorridos para se definir políticas sociais. das possibilidades e da esperança” Comporta o não acesso a bens e serviços. pois o tema. Será somente com políticas sociais públicas que conseguiremos minimizar tal situação de pobreza. etc. deverá estar expressamente assegurando ao trabalhador garantindo as condições básicas de sobrevivência social do grupo familiar. Para SANTOS (1989:35). constituído por saúde.

de vida para todas as gerações: crianças, adolescentes, adulto, adulto idoso, espaço de representação de gênero, de classe social. conforme Carter & McGoldrick, 1995, p.17) referem-se, espaço no sistema para a o desempenho da sabedoria e da experiência dos idosos.

Referencias comentadas: Família, Gênero e Gerações - Col. Família na Sociedade Contemporânea
Autor: Borges, Ângela Editora: Paulinas Categoria: Ciências Humanas e Sociais / Política

A obra se insere na coleção Família na sociedade contemporânea nascida em colaboração com o Programa do Mestrado em Família na Sociedade Contemporânea (www.ucsal.br), da Universidade Católica do Salvador a partir do seminário "Família Contemporânea: desafios à intimidade e à inclusão social".

Referencias: CARTER, B. & GOLDRICK, M. M C.As Mudanças no Ciclo de Vida Familiar: uma estrutura para a terapia familiar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995. CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, 1988. DURKHEIM, E. Lições em Sociologia. São Paulo: Martins Fontes, 2005 ROMANELLI, G. Família de camadas media: a trajetória da modernidade . Ribeirão Preto, 1986. SANTOS, Wanderley. Razões da Desordem. Rio de Janeiro : Rocco, 1989. YAZBEK, Maria Carmelita. Globalização, precarização das relações de

trabalho. In: Revista TEMPORALIS/ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENSINO E PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL. Ano 2, Nº 3 (Jan/Jul 2001)Brasília: ABESS, Grafline,2001. MINUCHIN, S. Família: Funcionamento e Tratamento. Porto Alegre: Artes Médicas, 1982.

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Autoestudo: Coloque Verdadeiro ou Falso: ( ) Os objetivos da família são fatores da maior importância no curso da

história do indivíduo (Nichols, 1998). A família é um sistema fechado e que está continuamente em um processo de transformação. ( ) Entendemos que a configuração por parentesco poderá se configurar

entre os indivíduos vinculados pelo mesmo sangue. Existem grupos de parentesco caracterizados por serem legítimos pelo casamento e os ilegistimos que poderão proceder do casamento; ( ) A família poderá representar, o lugar do reconhecimento da diferença, do

aprendizado das uniões dos rompimentos, o espaço das trocas afetivo emocionais, da construção da identidade social de cada indivíduo. ( uma ) Segundo Minuchin (1982), a família é uma unidade social que enfrenta série de tarefas, tendo como finalidade ser uma matriz do

desenvolvimento psicossocial de seus membros. ( ) É na família que se estabelece o aprendizado dos valores através das

gerações, é o espaço onde estabelecemos vínculos fortes, é na família que herdamos todo um acervo cultural de imagens e representações simbólicas que comporão nossa identidade histórica e social. ( ) É na família que está representado o espaço mais intimo e necessário

para o desenvolvimento da personalidade da criança e do adolescente, para o acolhimento da pessoa idosa, muitas vezes na condição de avós. ( ) O Estado possui o dever de prover políticas públicas preventivas, não

deixando com que a pobreza material ronde este espaço tão importante de relações humanas ( ) Os estudos históricos da evolução da humanidade demonstram que o ser

humano para garantir a perpetuação da espécie, não necessitou organizar a filiação biológica, direcionando ao que entendemos hoje por família.

Respostas: f,f,v,v,v,v,v,f

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5- Aspectos legais aos Direitos dos Idosos

O Serviço Social, como profissão está inscrita na divisão social e técnica do trabalho, situando-se no processo de produção e reprodução das relações sociais. Assim, o Serviço Social contribui na prestação, elaboração e criação de uma prática especializada em serviços que atendam às necessidades sociais básicas da população. As condições de vulnerabilidade material ocorrem na vida das pessoas pobres devido a forma como a sociedade capitalista vai se metamorfoseando para a sua manutenção, criando bolsões de excluídos sociais. Aqui em particular, temos a forma como a população idosa vivencia no cotidiano de suas vidas as mais diversas expressões da questão social, situações marcadas pelo não acesso a recursos básicos para a sobrevivência, tanto na área da saúde, habitação, meio ambiente como naquilo que entendemos ser básico para a sobrevivência como sendo a alimentação, remédios, vestuário e um certo conforto neste período da vida.

5.1 Encaminhamento Jurídico no Trato da Questão Social

Uma realidade social de precarização, vivida por uma grande maioria das pessoas na terceira idade que se evidência em sofrimento e amargura. O Serviço Social neste cenário é considerado, portanto para esta população, como um profissional que possui a capacidade de realizar mediações, auxiliando-o e subsidiando-o através de encaminhamentos necessários para a concretização dos direitos. Estes encaminhamentos requerem um trato jurídico exigindo do profissional conhecimentos constitucionais e estatutários necessários para a organização social na vida do idoso. Segundo Faleiros (1985):
As mediações se implicam mutuamente no contexto de relação histórico-estrutural, constituindo redes de mediações articuladas sob cuja ótica é que vamos elaborar estratégias de ação, o método é o desdobramento do objeto, das mediações, nas suas interconexões ou multilateralidade (1985, p. 53).

As mediações precisam ser compreendidas como uma possibilidade de se estabelecer uma diferente inter-relação entre todos os atores envolvidos.

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mostrando o quanto ser idoso na atual sociedade é algo desafiador. sejam estes espaços o mundo do trabalho. são vivencias marcadas por relações conflituosas e tensas. Como entender tal fenômeno biológico e social do envelhecimento. o profissional estabelece de forma estratégica suas ações. poder aquisitivo entre outros elementos. em uma sociedade marcada por preconceitos e desigualdades. marcada pela beleza física. rapidez. Muitos destes condicionantes são legitimados e reafirmados por esta mesma sociedade industrial. desejos. Nesse processo. gestadas na forma e na intenção que damos a determinados significados e valorações que vão definir o comportamento humano e a sua própria sobrevivência. Aqui em questão. A caminhada humana possui também nuances que se expressam em ações amorosas e cheias de doações. fazendo romper com as circunstâncias sociais de abandono e de pré-conceitos. de modo geral. sejam estas no trato com o usuário e este com a instituição bem como com a comunidade mais ampla ou com outros atores pertencentes as diversas redes. Formas de vida construídas para vencer de forma competitiva a garantia de um espaço na sociedade industrial. Dessa maneira. a juventude e força física são os elementos que compõem os prérequisitos para assegurar a sobrevivência. emoções que nos fazem pensar na possibilidade de se poder mudar o rumo da cainhada humana. aqui em especial a brasileira? Onde o mais forte prepondera de forma desigual sobre o mais fraco? Onde a beleza do corpo e o vigor físico ainda são os elementos que darão sentido de existência ao ser humano para que ele se mantenha produtivo! Muitas vezes. força. percebemos que para a sociedade industrial e de consumo. definindo o perfil do sujeito que deveremos ser e seguir para termos sucesso. classe social. O profissional nesta dinâmica compreende melhor o contexto onde está inserido não fragmentando a forma social que organiza a vida das pessoas em sociedade. As relações sociais muitas vezes. destreza. o contexto comunitário e muitas vezes no próprio contexto familiar.Entendemos que ao profissional cabe a possibilidade de construir uma dinâmica que envolva usuário/sociedade/Estado. temos o assunto envelhecimento humano e as condições de se viver a terceira idade em uma sociedade capitalista. os mais frágeis 46 . juventude. vínculos.

o profissional deverá intervir na realidade pautando sua intervenção através de critérios legais. deveriam possuir a dádiva das sombras dos anos. da saúde. viver esta singular e única etapa da vida de todos nós. que sejam direcionados as necessidades de todos os idosos. Aqui particularmente. suas vidas eis o desafio. em fim de tudo que se faz necessário para uma qualidade de vida. 2006. que estabelecem um controle sobre o imaginário social da maioria das pessoas. desnecessários para as nossas vidas elegendo determinados segmentos sociais mais fortes para a manutenção desta relação de fetiche. permitindo que a humanidade de modo geral permaneça direcionada no sentido de amadurecer seus valores e sonhos. todos pautados através da Constituição Federal Brasileira de 1988. cinco dos seus artigos que se referem a 47 . suas escolhas. relação de classe. temos o sofrimento. A seguir apresentaremos alguns destes critérios. 5. p. e o abandono social que alguns idosos enfrentam no cotidiano da vida em sociedade na garantia de seus direitos. entendemos que existem interesses particulares em detrimento da sociedade.socialmente e fisicamente vão sofrendo o abandono social na esteira da vida. nesse tempo. em que. na vida e na forma como os sujeitos hoje na terceira idade a vivenciam. O movimento então é desvendar o objeto “questão social”. para estabelecemos nosso processo interventivo nas mais diferentes expressões da questão social na forma como os idosos a vivenciam.13). da habitação. bem como de estatutos e outros mecanismos jurídicos. com o qual poderemos garantir o processo de reconhecimento dos direitos sociais na vida cotidiana dos idosos. sua base material. dentre outros)” (TURCK. seu modo de ser e hábitos. Desvendar o objeto “questão social”. Entendemos que o Serviço Social trabalha no campo subjetivo (valores) e no campo objetivo (sociedade. força de trabalho. instigando-nos a vivermos criando necessidades materiais e de consumo.2 A Garantia do Direito Mais particularmente temos em relação a população idosa na Constituição Federal Brasileira de 1988. No sentido de podermos pensar ações que venham ao encontro das necessidades sociais. Nesse quadro.

criar e educar os filhos menores. 48 . § lº O alistamento eleitoral e o voto são: II – Facultativo para: b) os maiores de setenta anos.Iniciativa Popular. Art. mediante: I-Plebiscito. à adolescência e à velhice. 203: A assistência social será prestada a quem dela necessitar. Art. com valor igual para todos. independentemente de contribuição à seguridade social. à infância. e. priorizando um atendimento particular as demandas desta população cada vez mais crescente quais sejam. IIIIIIVo amparo à crianças e adolescentes carentes. III. a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária. 229: Os pais tem têm o dever de assistir. a promoção da integração ao mercado de trabalho.Referendo. nos termos da lei. carência ou enfermidade. Va garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à sua própria manutenção ou de tê-la provida por sua família. Art. à maternidade. e tem por objetivos: Ia proteção à família. conforme dispuser a lei.Política Nacional do Idoso. e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice. 14: A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. II.

230: A família. esportivos e de lazer. d) na área do trabalho e da previdência: impedir a discriminação do idoso. há previsão de ações no sentido de atender as necessidades básicas do idoso. com este objetivo. o idoso deve ter toda assistência preventiva.842. além da capacitação de recursos para atendimento do idoso (art. atendimento prioritário nos benefícios previdenciários. através da Lei Federal Nº 8. g) na área da cultura. f) na área da justiça: promoção jurídica do idoso. 49 . centros de cuidados noturnos. de forma a eliminar preconceitos. 10. do Distrito Federal e municipais (art. protetiva e de recuperação por meio do Sistema Único de Saúde. para efeito de concursos públicos federais. de 4 de janeiro de 1994 estabelece as seguintes diretrizes: a) na promoção e na assistência social. e o estado têm o dever de amparar as pessoas idosas. coibindo abusos e lesões a seus direitos. I). II). defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida. c) na área da educação prevêm-se: a adequação dos currículos escolares com conteúdos voltados para o processo de envelhecimento. programas de preparação para a aposentadoria com antecedência mínima de dois anos antes do afastamento. deve ser incluída a geriatria como especialidade clínica. estimulando-se a criação de centros de convivência.Art. estaduais. b) na área de saúde. 10. o apoio à criação de universidade aberta para a terceira idade. atendimentos domiciliares. A Política Nacional do Idoso. a redução de preços dos eventos culturais. e) habitação e urbanismo: facilitar o acesso à moradia para o idoso e diminuir as barreiras arquitetônicas. a inserção da Gerontologia e da Geriatria como disciplinas curriculares no cursos superiores. esporte e lazer: iniciativas para a integração do idoso e. no setor público e privado. assegurando sua participação na comunidade. a criação de programas de ensino destinado aos idosos. casas-lares. a sociedade. oficinas de trabalho.

é Política de Seguridade Social não contributiva.1º. à infância. de sete de dezembro de 1993. supervisionar e avaliar a política nacional do idoso. visando ao enfrentamento da pobreza.a habilitação e a reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária. IIo amparo às crianças e adolescentes carentes. 5º e 6º). coordenar.a promoção da integração ao mercado de trabalho. A lei Orgânica da Assistência social – LOAS – Lei nº 8. que provê os mínimos sociais. à adolescência e III. dos estados. de 1989 possui 3 artigos referentes a questão do idoso afirmando. a proteção à família. A assistência social realiza-se de forma integrada às políticas setoriais. IV.h) no âmbito na União. ao provimento de condições para atender contingências sociais e à universalização dos direitos sociais. no âmbito da respectiva atuação (arts. ao adolescente e ao idoso. Distrito Federal e municípios: a criação de conselhos do idoso. realizada através de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade. à garantia dos mínimos sociais. A Constituição do Estado do Rio Grande do Sul. para garantir o atendimento às necessidades básicas. portadores ou não de 50 . 260: O estado desenvolverá política e programas de assistência social e proteção à criança. V. direito do cidadão e dever do estado. à maternidade.742. com o objetivo de formular. Parágrafo único. Art. possui como finalidade reafirmar de forma segura algumas definições e objetivos a garantia dos mínimos básicos de sobrevivência em relação ao idoso pontuando: Das definições e Objetivos Art. A assistência social.garantia de 1 ( um ) salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção ou de tê-la provida por sua família. A assistência social tem por objetivos: Ià velhice.2º. Art.

A Associação Nacional de Gerontologia – ANG criada em 1985. sem lar ou família. representa uma instância importante para discussão e estudos das questões referentes ao envelhecimento da população brasileira. Lei Orgânica da Assistência Social LOAS.742. com a participação de entidades civis. no transporte coletivo urbano e metropolitano. VII.II. com objetivo de proporcionar-lhes segurança econômica. IIImanter casas e albergues para idosos.IV. prevenção de doenças. integração e participação ativa na comunidade. IIestabelecer programas de assistência aos idosos portadores ou não de deficiência. portadores ou não de deficiências. III. Art. 262: É assegurada a gratuidade: Iaos maiores de sessenta e cinco anos. crianças e adolescentes abandonados. desde que comprovada a insuficiência de meios materiais. surge através da organização da sociedade civil e governamental para o enfrentamento de 51 . 261: Compete ao Estado: Idar prioridade às pessoas com menos de 14 anos e mais de 60 anos em todos os programas de natureza social. defesa da dignidade e bem-estar.deficiência. obedecendo aos preceitos I. Em 7 de dezembro 1993.V. mendigos. a lei nº 8. Art. IVdispor sobre a criação de centros Regionais de Habilitação e Reabilitação Física e Profissional. VI. aos quais se darão as condições de bem-estar e dignidade humana.

sendo regulamentada dois anos depois pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. para consolidação do direito social da Assistência. Organismos internacionais como a ONU. e na década de noventa essa proporção se eleva para 78 vezes (1995. Estadual e Municipal tanto na gestão como no financiamento. em 1994. 1-5). Segundo este documento ele apresenta os seguintes dados: . 52 . o Presidente Itamar Franco sanciona uma lei para garantir os direitos do idoso a Lei 8842.. A Lei Orgânica da Assistência Social. as possibilidades de enfrentar os impactos em termos de aumento da exclusão social de modo geral.. Assim ocorrendo.948 de 3 de julho de 1996. instrumentalizando a população sobre a existência das mesmas.que estabelece a Política Nacional do Idosos de 4 de janeiro de 1994. que são os conselhos e fundos definindo as competências das esferas Federal.demandas sociais emergentes. a constituir-se no estatuto que rege as relações entre o Estado e a Sociedade. p. fruto do efeito cumulativo “perverso sobre a distribuição de renda” (BRASIL. 1995. entre elas a questão do idoso carente e sem renda. demonstram que a acumulação e concentração de renda no Brasil é a causa estrutural do aumento da pobreza. em buscar alternativas para seu enfrentamento. Desta maneira cabe a sociedade brasileira e em especial a todos os profissionais que trabalham com a terceira idade apropriarem-se destas garantias estabelecidas em lei. A LOAS estabelece novas estruturas de gestão. Um ano após o surgimento da LOAS. 1-5). p. 6 Entre os 71 países incluídos no último relatório de Desenvolvimento do Banco Mundial (1995). tem demonstrado preocupação em relação ao idoso. apresentados na Cúpula Mundial para o Desenvolvimento Social. através do Decreto 1. Dados oficiais do governo brasileiro. passa a partir de dezembro de 1993. trabalhando com a população idosa de modo geral. promovida em março de 1995 pela ONU6. dentro do contexto da Seguridade Social.enquanto. a renda apropriada pelos 10% mais ricos da população era de 34 vezes superior à renda apropriada pelos 10% mais pobres. na década de sessenta. mais particularmente em relação ao idoso serão menos difíceis. o Brasil apresenta o maior índice de desigualdade social.

Uma boa parte da população da zona urbana foi se formando através da migração no sentido rural/urbano. de maneira a criar e/ou aprimorar políticas de atendimento efetivas. com pessoas que saíram do campo com o “sonho” de encontrarem nas metrópoles qualidade de vida para si e ou também para os seus. os artesãos se transformaram em operários. ainda existe um longo caminho a percorrer até que se inaugure o tempo em que o cumprimento dessas leis represente o atendimento às reais necessidades da população idosa. Ao olhar-se para trás. que regulamenta a lei 884/ 94 estabelecendo a Política Nacional do Idoso.741.A exclusão social é a resultante da acumulação e concentração de renda no Brasil. Inicia-se a busca para se medir esta força em valor igual aos salários. A determinação do trabalho se dá através da oferta e da demanda. estabelecendo prioridades inclusive no que diz respeito ao acesso à justiça. de 1º de outubro de 2003. É a força de trabalho vista como mercadoria. traz consigo a situação perversa do alargamento das sub-moradias nas periferias das grandes metrópoles. O Estatuto do Idoso Lei nº 10. No Brasil. Embora estas medidas legais representem um ganho para a sociedade. destinado a regular os direitos assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 60 ( sessenta) anos. ampliando significativamente os seus direitos fundamentais como cidadãos e estabelecendo medidas de proteção efetivas. possui os seguintes artigos que irão estabelecer as seguintes diretrizes em relação a garantia dos direitos sociais ao idoso: Art. percebe-se que. 53 . em poucas décadas. que realmente correspondam às suas necessidades e aos seus anseios. Uma das estratégias para a viabilidade da cidadania ao idoso se refere as efetivas políticas. Perde-se a agricultura de subsistência para as grandes propriedades rurais. surgindo o êxodo rural. melhorando assim a sua qualidade de vida. Este tipo de movimento desordenado na sociedade. impulsionados pelo mercado de trabalho aparentemente promissor.1º É instituído o estatuto do idoso. contamos com o decreto 1948/96. estes perdendo a posse de suas ferramentas e oferecendo sua força de trabalho. do crime e o abandono. devido à situação de desemprego.

todas as oportunidades e facilidades. em condições de liberdade e dignidade. proporcionando um desafio constante. à cidadania. ao esporte. com absoluta prioridade. sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei. Será a partir desta garantia dos direitos dos idosos que iremos estabelecer uma qualidade de vida reafirmando o que está posto na lei. que demandam capacidades criativas para a superação de limitações que porventura aconteçam.3º.2º O idoso goza de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoas humana. a Referencia comentada: O Estatuto do Idoso Lei 10. à liberdade. 54 . assegurando-se-lhe. surgem conquistas legais que irão estabelecer as condições favoráveis a uma qualidade de vida na terceira idade. a inserção do idoso em grupos de convivência. em cada fase da vida. à dignidade. Acreditamos que é através desta reflexão constante sobre os conceitos estabelecidos sobre a velhice em sociedade é que novos valores serão construídos e atribuídos à condição da velhice. para preservação de sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral. sendo seu direito. espiritual e social. por lei ou por outros meios. revela o esforça da sociedade e do movimento da terceira idade em dispor de mecanismos legais que venha ao encontro da garantia minimamente das condições sociais e legais para uma vida digna. à saúde. evidenciamos enquanto alternativa a este. à cultura. Ao constatarmos no art. da sociedade e do Poder Público assegurar ao idosos. Art 3º É obrigação da família. a importância do idoso estar convivendo com a família e a comunidade. ao respeito e convivência familiar e comunitária. ao trabalho. à alimentação. Acredita-se também que.741 – 2003 Este documento legal. à educação. da comunidade.Art. intelectual. resultando em uma nova identidade social. ao lazer. a efetivação do direito à vida.

Rede Interna e Rede Social: o desafio permanente na teia das relações sociais.Referencias: CONSTITUÍÇÃO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL. Estatuto do Idoso. ______. Vicente de Paula. 1999. Assim. 27 edição. Saraiva. faça uma pesquisa sobre as diretrizes legais municipais que amparam os idosos de seu município e também procure investigar o que fala a Constituição Estadual do Estado onde você vive. Estratégias em Serviço Social. Política Nacional do Idoso.50. ______. LEGISLAÇÃO. São Paulo: Cortez. FALEIROS. 55 . Porto Alegre/RS. desde os compromissos assumidos pela família. lei nº 10741 – 2003. ed. São Paulo. pela comunidade até a reafirmação das obrigações do do Estado no amparo ao idoso via políticas sociais. Maria da Graça Maurer Gomes. Idosos.1993. de 4 de janeiro de 1994. LOAS – Lei Orgânica da Assistência Social – lei nº 8.842.742 . Revista Serviço Social e Sociedade. 2001. 2. 1997. Sendo assim. Livraria do advogado. Serviço Social: Questões para o Futuro. 2001. 2000. TÜRCK. promulgada aos 3 de outubro de 1989. n. 6 edição. para propor uma ação interventiva pautada na lei. como vemos no Brasil. Serviço Social Jurídico: Perícia Social no Contexto da Infância e da Juventude. você terá um estudo completo sobre o aparato legal. existe uma série de mecanismos legais que vão ao encontro de garantirmos na sociedade as condições mínimas de sobrevivência para as pessoas na terceira idade. São Paulo. Autoestudo: Caro aluno. CONSTITUÍÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. 1985. Campinas: Livro Pleno. Brasília. Cortez. Porto Alegre: Tomo. através da Lei Federal Nº 8.

na comunidade e nas próprias 56 . que os espaços institucionais que atendem as demandas sociais e de saúde para a terceira idade.6. entendemos que estes espaços deveriam ser objeto de estudo e intervenção dos profissionais da área. que emergem da questão social. Isto posto. se constituem de forma fragilizada e ainda de pequeno número no suprimento das demandas. os psicólogos. Redes de Proteção: Sua Importância na Vida do idoso Para avançarmos de forma teórica e prática em nossas reflexões em torno da garantia dos direitos. um grande esforço para os profissionais que trabalham com este grupo social. o profissional no espaço de trabalho estimulará ações motivadoras para a construção de uma rede interna forte no espaço institucional. A rede ainda é um dos suportes mais eficazes no que se refere a forma de acolher as demandas sociais da terceira idade na sociedade contemporânea. ou seja na família. Estes direitos negados. os Assistentes Sociais. os Gerontólogos. eis o desafio. trabalhar na perspectiva de rede. direitos para a terceira idade. Este desafio representa. ou sejam. na sua relação capital e trabalho. exigindo uma rigorosa análise institucional e da realidade aparente buscando na essência a compreensão da forma como as relações vão se constituindo. ou seja. apontamos como condição especial. Demarcada esta situação a ser trabalhada no que se refere as demandas sociais da terceira idade. podendo provocar o debate para a construção de alternativas e respostas pata o enfrentamento da realidade. muitas vezes também dizem respeitos a sociedade de modo geral. Entendemos que o profissional Assistente Social exerce uma íntima relação com a instituição e com os demais atores sociais que compõem o quadro funcional. Temos constatado de modo geral. os médicos entre outros. A pesquisa é uma ferramenta de grande valor para esta compreensão. bem como nas relações estabelecidas nos espaços onde o idoso transita. Realizar mediações importantes na garantia dos direitos sociais constitucionais.

É através desta identificação de atores. para que assim. importante compreendermos os processo sociais na sua relação com a vida dos usuários. dentro de uma instituição. que se dará a visibilidade e perspectiva da constituição desta rede interna dentro da instituição e social com as demais instituições da comunidade. Demarcada a identidade deste ator social e suas respectivas responsabilidades. com o corpo técnico naquilo que cada um faz no conjunto das forças profissionais. bem como. reconhecendo responsabilidades e papéis. Para melhor percebemos o cotidiano de trabalho de profissionais engajados neste processo de construção de rede apresentaremos estudos realizados por OLIVEIRA. sendo necessário demarcarmos a identidade do profissional que nela atua.instituições que negam acesso aos direitos sociais nas mais variadas e particulares demandas que os usuários idosos apresentam. percebendo o que os une através de seu próprio conhecimento e procedimentos em conjunto de forma solidária. consigamos deixar no claro quais das são as nossas atribuições É e responsabilidades conjunto forças operantes. nas instituições de proteção social. vamos dando procedimento à construção daquilo que Turck (2001) assinala como sendo a rede interna ou social na construção efetiva de um tecido protetivo para as demandas inerentes do idoso. 6. através de uma rede interna.1 Motivando a Construção da Rede de Apoio Para podermos. (2008) através da sua pesquisa com Assistentes Sociais que trabalham com população de rua na terceira idade. o papel da instituição no conjunto coletivo para o suprimento das demandas internas dos usuários. o pesquisador buscou compreender o cotidiano de trabalho de Assistentes Sociais que de alguma maneira falam sobre a forma e o modo de como as redes estão ou não construídas no cotidiano da prática profissional para o atendimento das demandas de idosos moradores de rua. 57 . Cada um atendendo particularidades no grande conjunto que emergem da questão social. de forma mais precisa acolher tais necessidades da terceira idade.

especializada. para assim poder usar principalmente o serviço da saúde que deveria ser uma parceira e quando eu cheguei no albergue ela não era uma parceria. devera estar marcado por compromissos coletivos em relação a realidade social percebida no cotidiano institucional e social.) nós construímos uma rede.. Vejamos como a profissional7 se expressa: (. eu iniciei a rede com uma questão pessoal minha.27) Os nomes das Assistentes Sociais apresentados neste estudo são fictícios. e a partir da minha pessoa. a gente sabe que a saúde mental ela é uma parceria muito grande . porque eu assumi esta vaga da colega anterior que saiu. relatam seus enfrentamentos no atendimento desta população.).. Para a construção de uma rede forte. 7 58 . no sentido de poderem atender as demandas que chegam nas instituições para moradores de rua.). deverá ser o passo primeiro para a construção de forma madura e coletiva de decisões pensadas e articuladas em rede. 6. a partir da minha pessoa (. uma rede pessoal.. percebemos através do estudo proposto que esta realidade se faz marcada por dificuldades e desafios no trabalho vivido pelas Assistentes Sociais que participaram da referida pesquisa.No influxo de tais reflexões.. de poder com jeitinho ter afinidade com algumas pessoas. de uma particularidade pessoal minha. eu construí uma rede para o Serviço Social do município. algumas portas para ela eram fechadas. eu (. p. O dialogo permanente sobre a realidade vivida no cotidiano institucional.Assistente Social Maria da Luz OLIVEIRA .2 Narrativas sobre o Trabalho em Rede: Necessidade e Possibilidades de Inclusão Social para Pessoas na Terceira Idade Através da Rede Entendemos que o trabalho para ser efetivo através de uma ação em rede. as profissionais através das narrativas permeadas de dificuldades.. Quando questionadas sobre o trabalho em rede.. para se garantir a privacidade dos profissionais envolvidos na pesquisa. e talvez por questões de personalidade. (2008. devemos estabelecer e garantir o fluxo da comunicação entre os diversos atores que trabalham nas instituições com determinadas demandas comuns entre si.

Esta articulação e construção da identidade profissional no trabalho em rede torna-se importante para esclarecer responsabilidades e atribuições dos profissionais como já referimos anteriormente tanto do Gerontólogo Social do Assistente Social do psicólogo do administrador entre outros. (2008 p. A construção da identidade profissional em um trabalho em rede só se estabelece na medida em que. Não podemos compreender a construção de um trabalho em rede feita a partir de uma concepção que esteja implicada no “personalismo”. um processo de trabalho desassociado de uma prática que esteja conectada através de uma metodologia que ilumine seu processo de intervenção. as mais variadas produções e pesquisas no que se refere a Gerontologia Social e a geriatria e também aquilo que sua área de conhecimento poderá oferecer. no sentido de legitimar atribuições e 59 . montar parcerias. 21) busca refletir através das narrativas das profissionais. Este tipo de intervenção fragiliza a identidade profissional na rede. o profissional vai materializando os mais diversos conhecimentos que as demandas exigem como o Estatuto do Idoso. frente às necessidades que os usuários estabelecem. “no jeitinho” . na afinidade no jeitinho. Constatamos. a compreensão sobre a forma e o modo de como algumas Assistentes Sociais estão implementando seu processo de trabalho através de uma ação em rede. mas apresenta uma ação que reflete um personalismo calcado em valores e percepções que não ultrapassam o senso comum. através da narrativa acima. baseada no senso comum. Este conjunto teórico representará uma ferramenta necessária para o devido enfrentamento das demandas inerentes ao tema que ora refletimos e que darão sentido ao fazer profissional no mundo do trabalho. que tenha como intenção. podendo gerar uma equivocada ação do Assistente Social e de outros profissionais no contexto da rede através de práticas tarefeiras. está calcada em uma ação particularizada. fundamental para sua prática interventiva.A narrativa da Assistente Social acima que trabalha em uma instituição para população adulta de rua e da terceira idade nos apresenta uma interlocução marcada de dificuldades em relacionar conhecimentos teóricos para a implementação de forma eficaz de um trabalho em rede. na afinidade. O estudo de OLIVEIRA. através do processo de trabalho. sem articulação teórica. Sua forma de pensar o trabalho em rede.

p. OLIVEIRA (2008. simplesmente não tem para onde encaminharmos as pessoas idosas que procuram atendimento a droga e álcool. quando tecidas na rede. então chama-se a supervisão dela para dar conta disto. Bom isto são questões da área da saúde. este médico que escreveu a evolução. ah! Mas este paciente esteve no hospital e foi desligado porque terminou o tempo de autorização da IH. quem tem que estar dando conta disto é a enfermagem. aí foi a discussão. p. uma continuidade nos trabalhos desenvolvidos por elas. Acho que a gente tem a coisa da nossa visão. se a auxiliar de enfermagem não tem condições de fazer. que encaminha para outro local. ah. mas e daí? Vai morrer por causa disto! Como é que trouxeram este paciente de volta? Temos que nos posicionar. chama-se a enfermeira para fazer a avaliação. não temos. Chama a enfermagem então para avaliar. a gente contextualiza mais. 45) que revela o mesmo direcionamento em suas questões em relação ao suporte que a rede deve oportunizar para quem trabalha na área das necessidades sociais e de saúde para a terceira idade: Falta apoio da rede. clareando muito para as pessoas. As necessidades do usuário. no município convênios com fazendas de recuperação. o parecer técnico é da enfermeira não é do Serviço Social. Existe um acanhado reconhecimento sobre o papel que cada um desempenha na rede. OLIVEIRA (2008.Assistente Social Maria das Dores. a gente tem papel de mediador. então isto tudo é uma coisa de estar colocando em discussão na rede local de saúde. Vejamos a narrativa da Assistente Social Maria das Graças. o que é responsabilidade de cada um e de todos ao mesmo tempo . por exemplo. através de um trabalho interdisciplinar em favor do usuário. não se tira a responsabilidade de outros. daí o CAPS aqui do município também não aceita álcool e drogas. uma ação solidária na perspectiva de rede. mas isto não traz para si a responsabilidade. um ir além daquilo que a realidade apresenta. sim. percebemos um ruído no sentido de não estar definido na rede as responsabilidades e atribuições frente às necessidades dos usuários.responsabilidades diante das demandas apresentadas. não percebemos nas narrativas. da mesma forma acontece de nós termos pessoas idosas com problemas mentais e que 60 . visando garantir uma unidade. mas a auxiliar tem dificuldade. que caracterize uma ação em rede. Como veremos abaixo. mas o que a gente faz. tornam-se responsabilidades compartilhadas por todos os profissionais envolvidos. não tem. vejamos: Agora mesmo teve uma situação de um paciente idoso que precisava internar.23) Ao analisarmos a narrativa acima..

garantindo com intencionalidade de prática o melhor atendimento para o usuário. Enfim tem uma série de casos e nós não temos estrutura para lidar não é nossa função. outros em estado terminal por causa do HIV. a gente aceita ele aqui alguns dias e depois tem que ir para a rua . e também não podem ficar aqui. é onde deveriam ser compartilhadas as demandas de forma solidária. Turck (2001) alerta sobre estes imperativos quanto a trabalhar na perspectiva de rede “interna e rede social”. pois envolvem a construção de estratégias para dispor de recursos.esta ação deverá ser trabalhada no coletivo e em rede para responsabilizar o poder público “forçando” de alguma maneira a criação de ações de trabalho interdisciplinar.) É ai que se dá o trabalho sobre as mediações complexas na dinâmica das relações particulares e gerais dos processos de fragilização social. segundo Faleiros (1999): O foco de intervenção social se constrói nesse processo de articulação do poder dos usuários e sujeitos da ação profissional no enfrentamento das questões relacionais complexas do dia. responsável. na rede. acesso. Entendemos que estes elementos de sustentação da rede. estão representado na forma como as pessoas dialogam. e aí temos a questão do problema mental. Para a população usuária na terceira idade. a forma como a comunicação flui.21) O profissional pode. PAG. comunicação.. e no poder do coletivo para pressionar o Estado para dar respostas as próprias necessidades de manter a rede viva. agilidade. a articulação das políticas de assistência social e de saúde são políticas importantes na construção da cidadania destes sujeitos e na própria organização dos idosos e moradores de rua enquanto movimento social legítimo pois. organização.não acessam o CAPS.. é da saúde. estabelecendo elementos como sendo diretrizes de sustentação da rede. 2001) é o espaço onde os fatos mais próximos sucedemse. chegam aqui sem nenhum hábito de higiene devido aos problemas mentais. articular e incentivar esta reflexão dialogada sobre as demandas e suas responsabilidades e papéis que cada um possui no conjunto das forças mobilizadoras que a dimensão do coletivo possui. Entendemos que rede interna (TURCK.Assistente Social Maria do Rosário ( OLIVEIRA 2008. através de sua iniciativa e das possibilidades de decisão que ele está investido. para intervir nas relações de força. informação. nos recursos e nos poderes 61 . poder. (.

atuando de um modo diverso na condição de dominadores e outros de dominados. explorados. (2008. encontrando a resolução das demandas. muitas pessoas vão sofrendo perdas objetivas (materiais) e subjetivas (percepção de si mesmas. “é a capacidade exímia de produzir efeitos ou. seja na formulação de uma educação permanente discutida na rede. A vida das pessoas está inserida nas mais diversas esferas da vida social. OLIVEIRA. Esta relação de poder passa a assumir uma relação dinâmica. oprimidos. fazendo com que o acolhimento realizado institucionalmente seja o primeiro processo de inclusão social. formular um conjunto de reflexões e de mediações para intervir nesta realidade. necessitando muitas vezes do empenho de todas as áreas do conhecimento para somarem forças no sentido de o usuário superar suas necessidades.institucionais. que possibilita a ação” FALEIROS. estando estes mesmos sujeitos vivendo na dualidade dominação/submissão.43). pelo resgate da sua cidadania. pois entendemos que cada situação pontual demandada pelo usuário está conectada diretamente com o universo mais amplo da sociedade. bem como em reuniões técnicas para a compreensão e resolução dos aspectos delimitados a partir de cada realidade vivida por cada usuário. p. visando fortalecer o poder dos mais frágeis. 12).. p. e nesta dinâmica. A palavra “poder”. bem como na vida particular e cotidiana das pessoas. O profissional necessita. valores). das condições singulares da sobrevivência humana e coletiva. 41). (1997. em sua concepção primordial. conforme vão se estabelecendo as diversas representações sociais que cada sujeito estabelece. apresenta a fala da Assistente Social Maria do Rosário que nos faz refletir sobre a importância do 62 . estas relações sociais vão sendo constituídas diacronicamente ao longo de um processo. p. Como vemos. levando a uma auto-estima baixa. da sua auto-estima. 1999. As relações de poder permeiam a vida das pessoas em um plano amplo de convívio na sociedade. por meio de seu processo de trabalho. ao menos. junto a outros profissionais. O poder dá as pessoas um status social e uma segurança no estabelecimento das relações. de sua participação (FALEIROS.

temos que conhecê-la. que os mesmos estão destituídos Acolhimento não é. que não tem como sair desta mesmo lugar. estar podendo fazer um encaminhamento.acolhimento8 que o Assistente Social estabelece quando o usuário chega na instituição. Reconhecer com os usuários o seu poder é reconhecer. destituídos. a rede é muito falha as vezes. fazendo coisas que lhe dão prazer. o que a gente pode fazer é acolher bem. p. O entendimento do “emporwermente” no trabalho em rede seria o “aumento de poder pessoal e coletivo de indivíduos e grupos sociais submetidos a relações de opressão e de dominação” VASCONCELOS. 2007) 8 63 . pois. saber como ela se estabelece. temos que ter claro que se existe uma rede constituída. garantindo ao usuário um significado social. que está tudo muito difícil. ( 2008. transpassa uma simples conduta profissional e constitui-se em uma característica do serviço ou uma sempre presente virtualidade de genuína escuta e de espaços de subjetivação.apenas tratar bem o paciente e direcioná-lo dentro do sistema de saúde. Esse ponto parece ser fundamental para a possibilidade criativa e de mudança. como são estes serviços. no processo de fragilização em que foram e ou estão envolvidos. então acho que isto é um limite. os cuidados com o corpo.23). estar podendo fazer com que o usuário acesse um outro serviço que possibilite o atendimento daquela necessidade.( GASTAL E GUTFREIND. buscamos dar significados que foram retirados destes sujeitos. a gente procura fazer aquela escuta. representam alternativas viáveis que estão ao nosso alcance Assistente Social Maria do Rosário – OLIVEIRA. através do processo de trabalho. pois desta maneira estamos. que ás vezes as pessoas chegam aqui com situações que os usuários acreditam não ter mais o que fazer. consigo mesmo. p. ter que trabalhar com o que é possível é ruim. coisas que ela pode fazer para fazer uma mudança. valor: Quando estamos fazendo uma intervenção. de inversão da lógica vigente de organização dos serviços de saúde. (2000.135. Quando trabalhamos com população idosa em condições de abandono social e de saúde. então isto é um limite bem grande que temos que superar. sejam estes de grande ou de pequena abrangência.14). então poder estar refletindo os problemas com o usuário. p. é um valor importante a ser garantido no processo de trabalho em rede pelos profissionais implicados neste processo. através da ação de intervenção. porque tu não está podendo às vezes atender a demanda que surge. perdidos ao longo de uma trajetória histórica de vida. podendo construir outras coisas até de lazer.

não é muito fácil. nas instituições e na sociedade de modo geral.. a gente tem a nível local alguns contatos. pois possui vida. O poder que o estatuto da cidadania confere a todas as pessoas que vivem em uma sociedade democrática. Uma constante correlação de forças que demarcam o sistema capitalista na vida das pessoas e na forma como elas vivenciam as expressões da questão social em suas vidas sejam estas na família. moradia. Nós temos uma reunião da Rede Ampliada que junta todas entidades que atendem a população carenciada. p.14). acho que a permanência de uma rede é sempre difícil. e que os mesmos são sujeitos políticos a reivindicarem seus direitos. muitas vezes. dos Fisioterapeutas. as equipes são muito reduzidas. é difícil manter. O cotidiano de trabalho dos profissionais Gerontólogos. p. a gente sempre participa e tenta ter presença efetiva. garante ao no processo de trabalho do Assistente Social. quem trabalha com rede sabe disto.tenho tentado participar. burocráticos. que é no (. que é orgânica. competitivos. com dificuldade na região. assistência social etc. 43) nos traz a narrativa da Assistente Social Maria da Luz que expressa este sentimento de desconforto de perseguir este ideal de trabalho em rede afirmando: Enquanto rede. este cotidiano é assinalado por uma carência de estrutura e de profissionais que realmente desejam tecer esta rede de apoio.de bens materiais. p. recursos de saúde. dos profissionais das práticas esportivas estão marcados por grandes desafios. exercer a prática do reconhecimento da cidadania através do caráter histórico. os profissionais que atuam nesta área são do Serviço Social a gente não tem uma amplitude maior de outros técnicos. que envolve as entidades governamentais e não governamentais.. pelo histórico e pelo social” MARTINELLI. a gente está sempre participando.). nos fóruns representativos. é “desvendar essa construção por esse trânsito entre a forma de ser e a forma de aparecer. estes espaços se configuram tensos. político e social em que estamos implicados. O mundo do trabalho para a grande maioria da população está constituído por baixos salários. e nós temos a rede municipal que se reúne uma vez por mês. Assistente Social Maria da Luz OLIVEIRA. poderão 64 . dos Assistentes Sociais..43) Na vida das pessoas em sociedade e particular no mundo do trabalho. (2008. dos Psicólogos. Estas situações invariavelmente. OLIVEIRA (2008. contraditórios. (1999. que passa pelo político. apesar de isto ser cansativo e de achar que às vezes a coisa não vai.

na íntegra: Eu imagino assim que nós Assistentes Sociais somos praticamente. que requer dos profissionais muita criatividade. acirrando-se uma ação competitiva de ser. pelo nosso contato e pelo nosso conhecimento com o usuário Traduzir esta demanda. bem como quando trabalhamos de forma equivocada na concepção de rede. mas política. que estão trabalhando nesta rede. principalmente quando acirram-se a disputa por status social e poder institucional. p. os únicos técnicos que estão a frente dessa rede.prejudicar o desempenho profissional e social na vida de cada um e da própria rede de serviços. onde o valor está associado ao status e ao poder calcado no personalismo de cada um. acho que nós podemos contribuir muito. aponta muitos significados sobre o trabalho em rede que merecem nossa reflexão. A maior parte dos programas e dos projetos sociais são decisões políticas. na (.. merece ser tecida.. a rede. vontade de construir. fragilizando qualquer ação de solidariedade que venha a ser tematizada na rede. como temos 65 .. 44) . a rede não nasce pronta. não política no sentido de política partidária. conseguindo traduzir para a instituição. é a contribuição maior. também é vivida no mundo do trabalho. Quando o sentido de solidariedade deixa de estabelecer a conexão entre o todo e as partes dos que integram a rede. fio a fio. carece de um processo de maturação. OLIVEIRA (2008. de abrir-se para o trabalho interdisciplinar. em sua narrativa.). O trabalho em rede merece ser desenvolvido com perseverança e cuidado. que se legitima como forma de desempenho humano. então fica mais ou menos assim dependendo sempre da percepção e da ótica destes profissionais e do ângulo que estes profissionais vêem este conjunto todo que é a questão do idoso abandono. por meio de consecutivas vivências de sucessos e fracassos. Esta forma de ser “clara ou oculta”. A Assistente Social Maria da Luz. esta deixa de existir no formato solidário que uma rede deva se constituir. Este contexto social se estabelece através da correlação de forças decorrentes da forma como o sistema capitalista vai se incorporando nas particularidades das relações sociais e institucionais.

pois. na fala da Assistente Social Maria da Luz. dependendo da atitude tomada. valorizando e incentivando a representação e o valor que cada membro estabelece neste trabalho conjunto. Percebemos. Entendemos que realmente em nosso país muitos dos programas e projetos sociais são decisões políticas. Assim ocorrendo. Na narrativa abaixo. discussões.. através de diálogos. os direitos sociais. mas não podemos ficar somente nesta iniciativa quando se trabalha em rede. de sua participação e organização FALEIROS. como se refere a Assistente Social Maria João de Deus. neste espaço. poderá implicar na identidade profissional que esboçamos na rede.] intervir nas relações de força. como Turck (2001) enfatiza. encontros e ou assembléias instrutivas. que os Assistentes Sociais são os profissionais que compõem a equipe na rede. valorizando a pessoa do usuário idoso e atribuindo-lhe a dignidade que merecem. das condições singulares da sobrevivência individual e coletiva. p. na sua implicação com a construção da rede. na rede. Este cuidado e forma de se expressar do Assistente Social está associado a uma leitura que o mesmo faz dos princípios inerentes de seu Código de Ética e do nosso compromisso ético-político com a população usuária. o Assistente Social poderá somar com seu trabalho. garantindo. Os princípios do Código de Ética profissional do Assistente Social por si já garantem direcionamento à solidariedade que o trabalho em rede requer. Por efeito dessa conjuntura estabelecida através da dimensão ética política. da Assistente Social Maria das Graças. A Assistente Social Maria da Luz afirma: “traduzir esta demanda para a instituição é a nossa contribuição maior”. o trabalho a ser feito merece todo um cuidado de posicionamentos.afirmado. (1999.41). portanto. nos recursos e nos poderes institucionais. pelo resgate de sua cidadania. da sua autonomia. todavia precisamos tencionar este tipo de atitude na rede.. explorados. sendo um número que se expressa na sua grande maioria. a profissional argumenta sobre a importância de 66 . às pessoas que estão nesta luta por uma vida social mais igualitária. da sua auto-estima. estaremos dando visibilidade e valor aos usuários. necessitamos avançar em uma direção que venha: [. visando fortalecer o poder dos mais frágeis. oprimidos.

p. temos que estar sempre levando na rede a realidade desta população. Para podermos tencionar o trabalho em rede é importante e necessário apreender como a questão social. pra estar construindo esta rede de uma maneira mais ampla OLIVEIRA. As colocações feitas pela Assistente Social demonstram a preocupação em compartilhar. na rede. pra gente poder estar construindo esta rede. buscamos potencializar nela as formas de garantir processos de autonomia e emancipação dos usuários idosos pois. O desafio é redescobrir alternativas e possibilidades para o trabalho profissional no cenário atual. Na possibilidade de se trabalhar em rede. acabam criando uma representação de isolamento em meio ao contexto social. Psicólogos entre outros centram-se em reconhecer o próprio objeto de trabalho. não só como vítimas. quando vivenciam perdas. é experimentada pelos sujeitos em suas vidas. dar conta das particularidades das múltiplas expressões da questão social na história da sociedade 67 . estar colocando um pouco desta experiência que a gente possui. juntos. somar esforços para que possamos tencionar estruturas na garantia de direitos. pag. da sua humanidade.trabalharmos. a realidade vivida pelos idosos moradores de rua. em suas múltiplas expressões. para poder estar ampliando estes serviços que são poucos. estar discutindo a vida destas pessoas e os processos de exclusão.. reafirmando a necessidade de compartilhar as demandas recebidas na instituição. Assistentes Sociais. sendo o mesmo fundamental para o desempenho do exercício profissional. traçar horizontes para a formulação de propostas que façam frente à questão social e que sejam solidárias com o modo de vida daqueles que a vivem. na rede. vejamos: Eu acho que nós. 45) . ( 2008. tenho um colega que fala muito o significado de estarmos trabalhando “da porta pra fora”.. Assistentes Sociais. (2000. Entendemos que os idosos moradores de rua particularmente.75). destacando: “. O desafio posto aos profissionais Gerontólogos. mas como sujeitos que lutam pela preservação e conquista da sua vida. Essa discussão é parte dos rumos perseguidos pelo trabalho profissional contemporâneo IAMAMOTO. da negação de atendimento a estas pessoas.

ed. estamos estabelecendo uma relação de trabalho em rede. OLVEIRA. Jairo da Luz. p. A vida cotidiana do idoso morador de rua: as Estratégias de Sobrevivência da Infância à Velhice – um círculo da pobreza a ser rompido. 2000. O Processo de Trabalho do Serviço Social na sua Abordagem com Moradores de Rua. Marilda Vilela. Canoas: EDULBRA. O Serviço Social na Contemporaneidade: trabalho e formação profissional. Maria da Gloria Editora: Vozes Categoria: Ciências Humanas e Sociais / Sociologia Caro leitor esta obra nos oportuniza visualizar a importância da construção de redes de mobilização tanto dos movimentos sociais como da sociedade de modo geral. Referencia comentada: Movimentos Sociais e Redes de Mobilizações Civis no Brasil Contemporâneo Autor: Gohn. São Paulo: Cortez. 68 . Palestra proferida na Faculdade de Serviço Social. profissionais que trabalham na instituição ou na comunidade. Estratégias em Serviço Social. 2003. bem como socializar a tomada de decisões sobre questões que envolvem os usuários. quando os atores sociais. conseguem reconhecer no outro a possibilidade de realizar trocas. IAMAMOTO. de compartilhar encaminhamentos. Jairo da Luz.brasileira é explicitar os processos sociais que as produzem e reproduzem e como são experimentadas pelos sujeitos sociais que vivenciam em suas relações sociais quotidianas” IAMAMOTO. São Paulo: Cortez. 1999. (2001. Maria Lúcia (Org.62) Quando conseguimos estabelecer uma relação de diálogo na rede. Vicente de Paula. O Serviço Social e as demandas na contemporaneidadePorto Alegre: PUCRS. 1999. OLVEIRA. Referencia: FALEIROS.). com esta rede fortalecida compreenderemos a força da mudança para um mundo melhor e mais igualitário. Tese de Doutorado – PUC/RS – 2008. MARTINELLI. 3.

2. em sua concepção primordial. A palavra “poder”. 2000. Porto Alegre: Tomo.( ) O poder que o estatuto da cidadania confere a todas as pessoas que vivem em uma sociedade democrática. buscamos dar significados que foram retirados destes sujeitos. Saúde Mental e Serviço Social. este é um valor menos importante a ser garantido no processo de trabalho em rede pelos profissionais implicados neste processo. 2001. 4. bem como na vida particular e cotidiana das pessoas.. Eduardo Mourão. que possibilita a ação” FALEIROS. no processo de trabalho do Assistente Social. Autoestudo Coloque verdadeiro ou falso: 1.43).14). Maria da Graça Maurer Gomes. político e social em que estamos implicados. perdidos ao longo de uma trajetória histórica de vida. Rede Interna e Rede Social: o desafio permanente na teia das relações sociais.( ) O entendimento do “emporwermente” no trabalho em rede seria o “aumento de poder pessoal e coletivo de indivíduos e grupos sociais submetidos a relações de opressão e de dominação” VASCONCELOS.( ) O profissional pode. articular e incentivar esta reflexão dialogada sobre responsabilidades e papéis que cada um possui no conjunto das forças mobilizadoras que a dimensão do coletivo possui através do trabalho coletivo e em rede para responsabilizar o poder público “forçando” de alguma maneira a 69 . (1997. e dos demais profissionais envolvidos a prática do reconhecimento do caráter histórico. no processo de fragilização em que foram e ou estão envolvidos. “é a capacidade exímia de produzir efeitos ou. p. na rede. é imprimir. estando estes mesmos sujeitos vivendo na dualidade dominação/submissão. ao menos. p.( ) As relações de poder permeiam a vida das pessoas em um plano menor de convívio na sociedade. através de sua iniciativa e das possibilidades de decisão que ele está investido. VASCONCELOS. O desafio da subjetividade e a interdisciplinaridade. In: ______.( ) Quando trabalhamos com população idosa em condições de abandono social e de saúde. São Paulo: Cortez. (2000. 3. 5. destituídos.TÜRCK. Serviço Social e Interdisciplinaridade: o exemplo da saúde mental.

V 70 . F. garantindo com intencionalidade de prática o melhor atendimento para o usuário. V. F.criação de ações de trabalho interdisciplinar. Respostas: V.

faz com que muitas delas sejam julgadas com valores de desvalia e sentimentos de desconfiança. p.77). GOERCK. grupos. a serem confundidos ou identificados como pessoas marginais. é importante compreendermos o valor atribuído a condição de ser idoso em nossa sociedade contemporânea através da história. a vida em nossa sociedade.77). Temos o dever de 71 . em alguns momentos. ou sobrevivendo das ruas. pessoas. Por vezes. sendo este estigma uma construção da sociedade industrial” GOERCK. em relação aos estereótipos que vamos criando. prejudicando o existir de determinados grupos sociais e aqui em particular a terceira idade em evidencia. Nessa lógica é importante refletirmos sobre a forma de como nos colocamos em cada momento da história da humanidade em relação de aceitarmos ou não os conceitos que construímos em relação a fatos. uma Expressão da Questão Social O fato de a pessoa ser pobre ou estar desprovida do trabalho. Para entendermos determinadas situações sociais marcadas pelo preconceito e abandono social de termos pessoas na terceira idade vivendo estigmas e abandono. a velhice é estigmatizada. (2007. etc. Vamos influenciando de forma decisiva com nossos conceitos estabelecidos a vida do ser humano através da forma que organizamos a vida social. gestadas ao longo do tempo histórico. sem qualificação. sobrevivendo do mercado informal. os sujeitos de rua carregam consigo o estigma de serem vistos como inferiores. assim como em outros países. cultural. afirma:” A definição ou valor atribuído á velhice varia de acordo com o tempo histórico. perigosas. o que gera estados de insegurança social. A Violência do Preconceito Contra o Idoso no Contexto Urbano: O Idoso Morador de Rua. regional ou conforme a classe social que os sujeitos estão inseridos “ e a autora continua: “ No Brasil. Vamos também. condicionando nossas vidas de forma passiva com um “certo imobilismo social”. que geram os mais diversos tipos de sofrimento humano e em particular as pessoas que vivem o processo do envelhecimento. p. que ameaçam a sociedade. chegando. (2007. ações preconceituosas como forma de vida.7.

1 A Vida na Rua e Seus Condicionantes A vida na rua é marcada por privações. violência urbana e assédios. incomodam algumas pessoas pelo próprio fato dos mesmos existirem. bem como pensarmos em ações eficazes para a garantia dos direitos dos idosos moradores de rua. São estados que representam sentimentos que amargam dolorosamente o 72 . furtos. precariedades que acabam desgastando a vida orgânica de quem nela vive. Muitos tipos de sentimentos vão se apropriando e conduzindo a vida das pessoas. fazem parte de um conjunto de vivências que está marcando o cotidiano das relações do ser humano contemporâneo. causando constrangimentos. o medo em função da violência urbana. que fogem aos padrões estabelecidos de comportamento. Instaura-se a morte devido à intolerância pela diferença. agressões. com aspectos que afetam a imagem destas pessoas. Em virtude deste tipo de comportamento social e devido aos sentimentos de insegurança na vida pública.estarmos revendo estes conceitos. por exemplo. o abandono e o auto-abandono. gerados. Situações como a própria existência de idosos moradores de rua. muitos se sentem inseguros em oferecer uma atenção mais direta aos idosos moradores de rua. Muitos idosos nesta condição vivem doentes. as de cortar grama. solidão. Alguns outros. mais extremados. ameaças. nos grandes centros urbanos. como. Esse sentimento reflete a alteração nos padrões de comportamento. 7. pequenos serviços domésticos aos sujeitos que caminham pelas ruas em busca de uma atividade que lhes garanta uma renda. causando certas vezes. merecendo o extermínio. principalmente. pintar. limpar etc. um sentido de insegurança pública pela existência dos moradores de rua. maltrapilhos. pensam que estes sujeitos estão despossuídos de significados sociais. As mudanças comportamentais que se materializam em estados quase permanentes de desconfiança. como o individualismo. Esses sentimentos e vivências estabelecem fraturas nas relações sociais. gerando um processo de adoecimento que encobre o universo relacional dos sujeitos no meio em que vivem.

A realidade vai se expressando com contornos de competitividade de uns para com os outros.existir humano. Isso é observável quando se oportuniza escutar o idoso morador de rua. A força hegemônica da classe dominante e seus recursos 73 . Entendemos ser importante buscarmos estudar tal situação por meio da pesquisa. os comportamentos vão intensificando as indiferenças e o descuido em relação ao outro. por mais que a vida o tenha colocado em uma situação desprovida de recursos materiais. uma riqueza de possibilidades. intensificadas pela indiferença e pela intolerância. Quanto mais alienada for a vida cotidiana. viver a terceira idade abandonada nas ruas é quase inimaginável.. estes idosos de rua enfrentam também o preconceito da idade a se expressar no cotidiano de luta e resistência para a sobrevivência das pessoas. e. a alienação caminha passo a passo com o preconceito. uma forma de violência que foge aos parâmetros de nossa racionalidade. pois muitas vezes a violência representa uma das expressões da questão social na forma como os idosos estão enfrentando os desafios de sua sobrevivência na sociedade capitalista. bem como os fatos presentes na vida de cada sujeito. Lefebvre apud Tedesco (1999) afirma: .. A classe dominante estabelece padrões para o desempenho das relações humanas colocando as pessoas em situações desconfortáveis devido ao preconceito . Viver a terceira idade no Brasil é algo desafiador. Não sendo suficiente. representam a identidade social do ser humano. pois esse ser humano ainda possui dentro de si. a disputa instaura-se nas relações sociais e reafirmase um afrouxamento nas relações sociais. mais o preconceito a domina. sonhos e lembranças não mensuráveis. A condição de se ter pessoas vivendo nas ruas representa a uma expressão contemporânea de abandono que reflete o não-cumprimento dos direitos humanos. as dificuldades impostas pela condição de miséria pelo fato de estarem abandonados nas ruas das grandes metrópoles. assim. As lembranças que ficaram na memória. propondo a ele falar de sua história de vida. Não podemos subestimar o homem andarilho. escritas na história individual. na sua essência. Estes idosos também são alvo do preconceito pelo fato de serem moradores de rua.

a realização mundana do indivíduo passa a ser o valor ético central. egoísta. são vistos como transeuntes “vagabundos. fundada no mercado. Estes sujeitos idosos de rua.107). Esse individualismo – que estabelece a autonomia do sujeito. econômicos e técnicos buscam sempre mais universalizar seu modo de conceber e de direcionar o mundo (1999. que prima pela ação competitiva. de realização pessoal. 74 . a pesquisa pode ser um instrumento valioso para conseguirmos compreender esta realidade. pois a sociedade atual tem na categoria trabalho um condicionante de realização individualista. 177). O caráter coletivo ou transcendente do mundo ético cede lugar ao predomínio do interesse individual. Aos profissionais da área da Gerontologia. uma forma de violência velada. enaltece o saber como forma de domínio da natureza e dos outros homens – reduz a liberdade ao livrearbítrio. desqualificados” sem valor. na felicidade estritamente pessoal (1998. p. centrado na competitividade. concebe o trabalho apenas como modo de realização pessoal. PAIVA (1998) menciona como o trabalho é visto na sociedade burguesa: Na sociedade burguesa. p. que fere a subjetividade humana. cabe a tarefa de compreenderem a forma como o preconceito vai se instaurando na vida das pessoas. enaltece a propriedade privada . na realização privada.ideológicos. Para as pessoas pobres que são vítimas desta sociedade “burguesa” o preconceito torna-se um dos maiores obstáculos a ser vencido.

. (2003.. serviço que não precise fazer muita força. estando estas dificuldades relacionadas ao preconceito pela idade já avança e por causa dele ser um morador de rua.7. qualquer lado eu procuro. Heller (1989) afirma: Todo preconceito impede a autonomia do homem. ditos “diferentes do padrão estabelecido” consigam se realizar. estreitar a margem real de alternativa do indivíduo (1989. impedindo que os sujeitos. mas não encontro.. Através de seus estudos com população de rua idosa... acho que é mesmo por causa da idade. p.OLIVEIRA. para Camaquã. gasto sola de sapato. Este idoso morador de rua relata ao pesquisador as dificuldades em encontrar trabalho. A identificação da falta do trabalho surge como necessidade de manutenção de si próprios e da família. ou seja diminui sua liberdade relativa diante do ato de escolha. devido aos valores a eles atribuídos serem de desqualificação. 59) . serviço para velho. p. expressa no comportamento destes sujeitos idosos hoje moradores de rua. vou para Viamão. em sua fala demonstra ter enfrentado no seu cotidiano o preconceito como barreira para a sua realização no trabalho. em toda a cidade. a maioria das vezes as chances de conseguirem uma atividade é quase nula. conseqüentemente. de desejos. amarguras que estes idosos de rua vão enunciando ao entrevistador. (2003) em sua pesquisa com idosos moradores de rua na terceira idade nos revela através da fala dos sujeitos entrevistados. 14) Por mais que seja grande o esforço destes idosos em buscarem uma atividade que lhes garanta o seu sustento. 75 . A sociedade ainda não conseguiu estabelecer o respeito à adversidade. Eu procuro serviço de porteiro. de limpeza. o pesquisador procura compreender como estes idoso que hoje se encontram nas ruas conseguem desenvolver suas estratégias de sobrevivência neste espaço hostil.. pessoa de idade. Eu tenho andado. ao defrontar e. um universo rico de potencialidades. pois a comunidade em geral não se sentem seguras em contratá-los. sonhos.2 Narrativas de Vida dos Idosos Moradores de Rua OLIVEIRA..

ali no Gasômetro sabe. e que podem representar ameaças.. eu ia no rio. como o idoso de rua sofrem esta situação de discriminação por não estarem enquadradas nos valores estipulados pela sociedade. (1998. Juncá. 218) Constata-se que tanto a pessoa que vive do lixo.. 24) 76 . eu levantei às 5 horas da manhã e fui para lá tomar meu banho. limpava a casa.Todo preconceito reduz as possibilidades criadoras da pessoa. às vezes ficava até sem roupa.. ficando reduzidas as suas possibilidades. em um canto que não tinha ninguém . (2003. o fato de serem velhos e a condição de serem moradores de rua. particularmente. mas sim classificados na maioria das vezes como malfeitores. tomava o meu banho lá no rio. Heller assim refere-se: “O preconceito portanto reduz as alternativas do indivíduo” (1989.. p. oportunistas.ficava escondidinha .. O mesmo ocorre com as pessoas que trabalham na reciclagem do lixo nos espaços urbanos. estes sujeitos que vivem do lixo urbano. Os idosos de rua sofrem duplamente o preconceito social. eu tinha que pegar no serviço às 8 horas da manhã. o empenho na eliminação de todas as formas de preconceito. OLIVEIRA.. mas eu não dizia nada que eu dormia na rua. p. Eu ia bem limpinha. Ao Assistente Social. Na fala desta idosa percebe-se o esforço realizado para a garantia de seu trabalho: Eu saia. à participação de grupos socialmente discriminados e à discussão das diferenças. p. 60). Uma vez estava frio.. às vezes eu limpava uma casinha. assim se expressão: Já as questões relacionadas ao ambiente de trabalho em que vivem podem ser expressas através da seguinte fala: “as pessoas não gostam de dá serviço. Torna-se necessário que os profissionais que trabalham com as demandas sociais estejam atentos a esta questão ética: valorizar o ser humano nos seus mais amplos aspectos e lutar para que sejam afastadas todas as formas de preconceito.. compete-lhe em seu código de ética: . sofrem esta situação no cotidiano de suas vidas. elas escolhem pela cara da pessoa” numa referência à sua aparência física e onde a maioria reside. Aí vinha e pegava o meu serviço trabalhava. o respeito à diversidade. se eu não estava bem limpinha. Gonçalves e Azevedo (1998) referem-se que apesar de os catadores exercerem uma atividade não reconhecida no mundo do trabalho pela sociedade.

submetendo-se as estratégias bastante difíceis para que sua patroa. Não só o medo do recolhimento como também a necessidade de se dissimular como morador de rua para escapar da repressão. E as iniciativas mais comuns são aquelas que pressupõem o recolhimento na rua. Esta mesma idosa relata de sua vergonha em ter que mendigar nas ruas muitas vezes para poder alimentar-se. parava nas esquinas. sobreviver. eu tenho vergonha. A idosa vivenciou esta situação pois encontrando um trabalho teve que dissimular a sua condição de moradora de rua. A necessidade de dissimular a sua condição de moradora de rua é constante. eu fui uma mulher muito trabalhadeira sabe. (2003. e ao mendigar sentiase humilhada pois em suas palavras o trabalho sempre fez parte de sua vida. na suposição de recuperação de tais qualidades. O constrangimento para quem se encontra nos espaços urbanos das grandes cidades torna-se realmente uma situação difícil na vida dos moradores de rua idosos. OLIVEIRA. constituem outros fatores impeditivos de que esse trabalhador – não reconhecido.. não descobrisse a sua condição.veja-se diante da impossibilidade de acumular pertences e reconstituir o fundo de consumo que lhe permita outras formas de inserção no mercado de trabalho formal e a 77 . p. comentando do seu sentimento de constrangimento perante a situação vivenciada no espaço urbano da cidade: Eu me levantava pedia esmola para eu comer alguma coisa. tirava um dinheirinho.. Para a sociedade em geral estes sujeitos vistos como “vagabundos” estão destituídos de valores que os qualifiquem como trabalhadores. 14) .. sobre ele recaem inúmeras ações da sociedade. pedia esmola na rua para mim comer. Neves (1995) refere-se sobre a necessidade dos moradores de rua usarem de dissimulação para escapar de qualquer repressão: Visto como mutilação social porque não são percebidos pelos atributos de trabalhador..

( 1995: p. e muitas vezes buscando na velhice abandonada repetimos um trabalho para que possam viver ou sobreviver. geraram a falta de recursos em todos os sentidos. para que suas possibilidades de sobrevivência se tornem alternativas de existência particular e social. na sua grande maioria. Acredita-se que a escola poderia ter contribuído para que o destino destes idosos não fosse a rua. sete anos de idade. mas teve a sua gênesis na vida nômade pela busca do trabalho como forma de sobrevivência. dificultando a possibilidade de desenvolverem uma vida que lhes garantisse um futuro promissor.apropriação socialmente reconhecida de controle de um espaço para moradia. pois além das dificuldades relativas à formação de cada um e o preconceito que os colocam neste círculo excludente que é a rua existe o fato de serem velhos e moradores de rua. incapazes. através de programas e projetos. a necessidade de trabalharem em tenra idade para muitos se inicia lá na infância desprovida de cuidados especiais. desenvolvendo este processo de busca da sobrevivência através do trabalho na vida adulta. nas falas dos sujeitos. Somente com a capacidade de valorizar e resgatar as expressões particulares destes indivíduos com suas capacidades criativas. dificultando ainda mais as suas existências. A necessidade do trabalho como fator de sobrevivência impulsionaram estes idosos quando crianças a trabalharem com seis. 78 . ou malandros. Devemos questionar qual a melhor forma de se pensar em uma intervenção no cotidiano destes sujeitos. a população idosa de rua possui uma vontade de conseguir um trabalho. Podemos afirmar que. 68). A condição de pobreza a que estes idosos quando crianças foram submetidos. Percebe-se. conseguir-se-á resgatar a dignidade das pessoas que se encontram nas ruas de nossas cidades. Neste período. toda a criança deveria estar sendo conduzida e mantida na escola. para poderem sair desta condição de pobreza e abandono social. um grande esforço neste sentido. Entendemos que os problemas enfrentados pelos idosos de rua não foram gerados pela sua condição de serem velhos.

suas culturas e todo um universo de relações. O fato de buscarem. são perdas relacionadas durante a história de trabalho. tendo como finalidade atingir-se uma necessidade social. mas o trabalho como forma de sobrevivência ou se diria o “puro Labor”. Estes. poderiam ter contribuído de alguma maneira para que este idoso não chegasse a esta condição de mendicância. quando não atendidos. podem tornar-se problemas futuros. Constatou-se que. resultando de objetivações genéricas e que venham a ser universalizadas. Acredita-se que muitos tiveram esta vida nômade pelo fato de quererem realizar sonhos. repercutindo de uma forma negativa na velhice 79 .Nesta época em que suas vidas tiveram início. Estas lacunas percebidas e que foram deixadas para trás. mesmo que para isto tivessem que romper com seus vínculos familiares afetos. não existiam estudos mais específicos sobre crianças vulneráveis. companheiros. filhas e outros. não este trabalho de abrangência. companheiras. muitos deste idosos buscaram o trabalho informal. na vida adulta. Muitos idosos moradores de rua. Muitos destes idosos. Percebe-se então o nível de prejuízos que estes sujeitos tiveram ao longo de suas vidas. saírem desta condição de pobreza em que se encontravam. o “ Work”. ao longo da vida adulta. não conseguiram manter um relacionamento estável com seus pares. Nesta trajetória. podem ter sido agentes motivadores desta situação. Na vida adulta. muitos desconheciam a necessidade de registrarem em documento próprio como carteira de trabalho as suas presenças nestes locais de trabalho formal. Outras questões que foram detectadas neste estudo proposto por OLIVEIRA. deixando para trás. (2003) e que provocam inseguranças. o trabalho itinerante não possibilitou que estes idosos pudessem criar raízes e estruturar suas vidas para que o amanhã não fosse tão desprovido de recursos. que permitisse compreender o funcionamento destas famílias e evitar este quadro de abandono e preconceito em que estes idosos enfrentam. muitos deste idosos continuaram de uma forma errante a buscarem no trabalho a sua sobrevivência. demonstraram não ter a capacidade de manterem uma vinculação afetiva. demonstrando que os traumas ocasionados na infância. na vida adulta. como Agnes Heller (1999) descreve. filhos.

são estas ações. que tem garantido a sobrevivência a estas pessoas que estão na rua. a sociedade. também . Constatou-se. por outro existem movimentos de distribuição de generosidades e. um vestuário. o medo da violência no espaço urbano. Inicia-se na infância. ao longo deste estudo. não possuem seu bem maior. para muitos de constrangimentos. Associado a todas estes imperativos relacionados à velhice. um local para banhar-se. Pedir. Não mais possuem recursos para pagarem uma “pecinha”. Estes sujeitos acreditam que o trabalho poderá modificar suas vidas miseráveis de pobreza e conseqüentemente encontrarem a saída desta condição de estarem nas ruas As instituições que recebem a população idosa de rua e de modo geral. sem as forças físicas.desamparada o fato de não conseguirem comprovar os anos trabalhados. no sentido de oportunizar uma convivência social de grupo e outras tantas oportunidades 80 . soma-se o preconceito da condição de rua com o preconceito de serem idosos. o jogo de forças destes idosos de tentarem sobreviver na rua. humilhações. será o panorama social em que este idoso irá viver. quando doentes. representam na vida destas pessoas. A vida nos espaços urbanos agora é viver de albergue em albergue. ou irem para pensões. desenvolve-se na vida adulta e culmina na velhice. mendigar um alimento. estes sujeitos cansados. é um local de contradições. O proposto por OLIVEIRA (2003) demonstra que o circulo da exclusão social fecha-se na velhice vulnerável. uma porta garantia. Ao despontar então a vida na velhice. somente o salário de prestação continuada para idosos acima de sessenta anos. a possibilidade de vender sua força de trabalho. na grande maioria das vezes. depender do atendimento médico público deficitário. a disputa por um local onde repousar. Se existe a face que articula movimentos perversos. ou outros locais que lhes garanta abrigo. ou seja. restando para muitos. mas também como uma forma de mudança em suas vidas. O que surpreende é constatar-se que estes sujeitos idosos perseguem o trabalho não só para a própria sobrevivência. Desta forma.

adultos de rua e mais particularmente idosos de rua. em muitos. do acolhimento. O Serviço Social pode contribuir para que o idoso de rua tenha uma oportunidade de reintegração social. pela lei. Acredita-se que. Não quer dizer que o modo de viver seja necessariamente a rua”. estão habilitados. o que não é do conhecimento de muitos idosos. do afeto. é latente. ou seja com esta realidade que está crescendo em nossa sociedade: a velhice abandonada nas ruas. vejamos: A pesquisa para o Serviço Social. Para encerrar nossas reflexões. p. proporciona através do estudo uma aproximação com a realidade social concreta. deixaremos alguns questionamentos: As políticas públicas estão realmente atendendo a todo o universo de pessoas que estão vivendo este processo de exclusão social? O que está sendo feito em favor destes idosos é eficaz? Está sendo eficaz para a população de rua de modo geral? Enquanto realmente não houver uma política séria e determinada que pense na família integral que está abandonada. não conseguiremos evitar que tenhamos crianças de rua. Verifica-se através das falas dos sujeitos. intervindo nas suas necessidades imediatas. possa-se quebrar mitos. a coragem de superar esta realidade. Pensar nestas pessoas que enfrentam a fragilidade da vida física na velhice e que tornam-se mais vulneráveis pelo fato de estarem abandonadas nas ruas. Posteriormente são os encaminhamentos necessários para avaliações das perdas relacionadas com a rualização e os procedimentos legais para oportunizar uma seguridade social aos que. que a condição de rua não permite mais este tipo de vivência. é reconhecer que estes idosos por mais que a condição de rua os fragilize. preconceitos. e o primeiro movimento neste sentido é o da escuta.para a integração social. que a presença dos Assistentes Sociais tem relevante importância. da coragem de enfrentar a vida. 81 . O que realmente fica para nosso estudo. diante desta realidade. e discriminações e parafraseando Sposati (1995.127) se diria : “A vida na rua como modo de sobrevivência não deixa de compor uma das estratégias de resistência.

São Paulo 1998 SPOSATI. Dilséia Adeodata. Cortez. 2003. Algumas Considerações Sobre Ética e Valor in: BONETTI. Maria do Carmo B. GONÇALVES. da saudade dos pais que somente a memória e o coração conseguem guardar. Ética – General – General Ethics. Revista Serviço Social e Sociedade. da Infância a Velhice um Circulo de Pobreza a Ser Vencido Autor: Dr. Beatriz Augusto de. 3. Assistência na Trajetória 82 . Aldaiza de Oliveira. JUNCÁ. Niterói: Eduff. ______.Referencia comentada: A Vida Cotidiana do Idoso Morador de Rua: As Estratégias de Sobrevivência. 2000. Rio de Janeiro: Paz e Terra. ed. Teoria dos Sentimentos – A Theory of Feelings (Título original). sacrifícios. Denise. 1985. todos com mais de sessenta anos é marcada com um vigor quase insuportável de luta para sair desta condição social. Serviço Social e Ética. A menina Loas: um processo de construção da Assistência Social. 1997. BONETTI. Jairo da Luz Oliveira ULBRA Editora . São Paulo. Marilene Parente. Jairo da Luz. A Mão que Obra no Lixo. Dilsea Adeodata. OLVEIRA. Espanha: Fantamara S. da alegria do lar. revela a vida cotidiana do idoso morador de rua. Dez idosos participantes de uma pesquisa de mestrado apontam como é viver nesta condição. Verônica Gonçalves. FALCÃO. Barcelona. Aldaísa.A. – Editora. uma realidade marcada pelo abandono e o preconceito.2003 Categoria: Ciências Humanas e Sociais / Sociologia Esta obra caro leitor. SPOSATI. AZEVEDO. 2004. n. Carvalho. A fala destes idosos revela uma vontade muito grande de retornar ao trabalho como forma de saírem da condição de rua. O Cotidiano e a História. 1989. PAIVA. Agnes. São Paulo: Cortez. ___________. Mínimos Sociais e Seguridade Social: Uma revolução da Consciência da Cidadania. 3. YASBEK.55. ed. A fala nobre destes dez idosos entrevistados pelo pesquisador. Madrid. A vida cotidiana do idoso morador de rua: as Estratégias de Sobrevivência da Infância à Velhice – um círculo da pobreza a ser rompido. Cortez. falam de suas vidas desde a tenra infância de privações. ___________. Referencias: HELLER. Espanha: Dim Impresseres. Maria Carmelita. Canoas: EDULBRA. 1995. Allag und Geschichte (Título original).

Iremos a seguir refletir sobre a forma de se viver a velhice em nosso país.f.v. viver a terceira idade abandonada nas ruas é quase inimaginável.v.f. (2007. ( ) GOERCK. ficando reduzidas as suas possibilidades. a disputa instaura-se nas relações sociais e reafirma-se um afrouxamento nas relações sociais. afirma:” A definição ou valor atribuído á velhice varia de acordo com o tempo histórico. bem como pensarmos em ações eficazes para a garantia dos direitos dos idosos.77). intensificadas pela indiferença e pela intolerância. 3. representam a identidade social do ser humano. ( ) Viver a terceira idade no Brasil é algo desafiador. ( ) A condição de se ter pessoas vivendo nas ruas representa a uma expressão muito pequena na sociedade contemporânea. ( ) Para entendermos determinadas situações sociais marcadas pelo preconceito e abandono social de termos pessoas na terceira idade vivendo estigmas e abandono.das Políticas Sociais Brasileiras: uma Questão de Análise.ed. bem como os fatos presentes na vida de cada sujeito.v. escritas na história individual.v 83 . é importante compreendermos o valor atribuído a condição de ser idoso em nossa sociedade contemporânea através da história.v. Respostas: v. p. cultural. regional ou conforme a classe social que os sujeitos estão inseridos “. ( ) Todo preconceito não reduz as possibilidades criadoras da pessoa. Os idosos de rua sofrem duplamente o preconceito social. uma forma de violência que foge aos parâmetros de nossa racionalidade. Autoestudo: Coloque Verdadeiro ou falso: ( ) A realidade vai se expressando com contornos de competitividade de uns para com os outros. ( ) As lembranças que ficam na memória. São Paulo: Cortez. o fato de serem velhos e a condição de serem moradores de rua. 1987. ( ) Temos o dever de estarmos revendo estes conceitos.

sociais e econômicos que o surgimento da classe operária impõe no curso da constituição do sistema capitalista. nos mais diferentes processos de trabalho. que o possibilitem a reconhecer o seu objeto de trabalho. o profissional Assistente Social deve desenvolver em seu processo de trabalho. traduzindo fenômenos sociais e particulares. através da análise dos processos estrutural e 84 . Entendemos que o profissional Assistente Social necessita ter a clareza de como vão se instaurando as mais diversas manifestações da questão social no cotidiano da vida social. A partir desta análise. Estes problemas se caracterizam por desemprego. O Serviço Social a partir desta realidade é solicitado a desempenhar seu trabalho. Segundo CERQUEIRA (1982). que provoca a necessidade de ação profissional junto à criança e o adolescente. questão social é o conjunto de problemas políticos. 62). o Assistente Social poderá planejar e desenvolver o seu processo interventivo naquilo que ele já reconhece como sendo seu objeto de intervenção. Segundo IAMAMOTO (2005) a autora através da citação abaixo nos fala sobre o objeto de trabalho do serviço social mencionando: O objeto de trabalho aqui considerado é a questão social. em suas múltiplas expressões. a “questão social” está fundamentalmente vinculada ao conflito capital/trabalho (1982. que incidem na vida cotidiana dos sujeitos. A percepção da totalidade é fundamental. à luta pela terra etc. habilidades metodológicas. p. (2005 p. trabalho infantil. para propor alternativas e compreender a realidade social na vida cotidiana das pessoas. Nessa lógica. É ela. na intermediação dos direitos sociais. discriminação. na vida cotidiana das pessoas. 21). a situação de violência contra a mulher. violência marcada pelo desemprego e ou sub-emprego. Uma Análise Sobre a Realidade Social do Idoso no Brasil Entendemos que a questão social representa o resultado estabelecido a partir dos conflitos inerentes da relação capital e trabalho da sociedade capitalista. ao idoso. Assim.8. abandono e preconceito contra a pessoa idosa. entre outros tantos fatores.

Elas representam 55. desejamos aprofundar a situação de se viver a terceira idade no Brasil.63 filhos) era menor do que a das negras ou pardas (2. com seus devidos rebatimentos de toda a ordem nas relações de trabalho. chegaria a vinte e cinco milhões. mostra que a expectativa de vida no País aumentou cerca de três anos entre 1999 e 2009. só ficando à frente da Ásia (69. Os níveis mais baixos da taxa de fecundidade se encontram nos estados da Região Sudeste. Como os idosos estão garantindo uma vida com qualidade? Qual a real dimensão deste contingente de brasileiros que a cada ano soma-se mais nas estatísticas relacionadas ao índice populacional? Em 1998. a população de idosos no Brasil (com 60 anos ou mais). respectivamente. cuja soma é de aproximadamente 10.8% das pessoas com mais de 60 anos. 9 Fonte da pesquisa realizada em 04-04-2011 http://www.com/2010/09/censo2010-segundo-dados-do-ibge.903. Com relação a cor ou raça. sobre a vida social e suas relações.ibicidade.468 homens e 5. com 1. sobretudo no Rio de Janeiro e Minas Gerais. para viverem com qualidade de vida. O que nos leva a pensar na real importância deste contingente populacional.6% da população. cerca de 12% da população brasileira.conjuntural da realidade caracterizados por condicionantes históricos e culturais. vemos que na década de noventa a população idosa.7 anos. Na América do Norte a taxa fica em 79. Segundo o IBGE.041 mulheres.6 anos) e da África (55 anos).html 85 .9 anos). no final desta década passada. era de 4. a taxa de expectativa de vida no Brasil ainda é menor que a da América Latina e do Caribe (73. segundo o IBGE.7 milhões de idosos IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – (1994). Para o centro de nossas reflexões. O IBGE (1999) já no final da década de noventa.20). ou seja.4 milhões. Entre as mulheres são registradas as menores taxas de mortalidade. os idosos somavam 12.67 filho por mulher. Uma pesquisa do (IBGE)9. indicava que em vinte e um anos.772.63 e 1. Ao longo de várias pesquisas em torno do processo do envelhecimento social no país.1 anos. ou seja 7. A nova expectativa de vida do brasileiro é de 73. a taxa de fecundidade das mulheres brancas (1. que necessita ser atendido nas suas necessidades básicas biopsicossociais.

por não terem condições de arcar com as despesas do orçamento. estreitando o topo da pirâmide etária brasileira. Saúde Pública vol. que passou entre 1999 e 2009 de 6.1590/S0034- 89101987000300006 86 . 10 Rev. no mesmo período. Segundo BERZINS (2003): A crise econômica e de desemprego que o país vem sofrendo nas últimas décadas tem provocado alterações nas condições de vida das famílias brasileiras.4 milhões para 9. que atinge significativamente o processo de envelhecimento como um todo. (2003. ainda retratamos a desigualdade social. Em termos percentuais.9% para 5. Muitos filhos casados com suas famílias têm voltado a morar com seus pais. na mesma época (25%).21 no. colocando para o Brasil os mesmos problemas que hoje são enfrentados em alguns países europeus.1%.3 São Paulo June 1987 doi: 10. Teremos no ano 2025 a proporção de pessoas com 60 ou mais anos. chegaremos a 14%. 30). que hoje já vivenciam em larga escala os problemas decorrentes de se ter uma significativa parcela da população com 60 anos ou mais... segundo alguns estudos até o final desta década. mesmo o Brasil sendo um país em desenvolvimento.A pesquisa mostra que o aumento da esperança de vida ao nascer e a queda da fecundidade no país têm feito subir o número de idosos. Esta é uma das muitas realidades sociais vividas na contemporaneidade. 8. Vejamos mais algumas informações sobre o processo 10 de envelhecimento em nosso país informando que. o Brasil ainda terá uma proporção de idosos na população (6%) bastante inferior à média dos países europeus (17%). caiu o número de crianças e adolescentes de 40.8%.1 Trabalho: Quando a Idade Chega o Preconceito Aumenta.p. inferior à média dos países europeus.7 milhões.1% para 32. no Brasil. a proporção de idosos na população subiu de 3. Em compensação.

uma classe trabalhadora mercado ainda mais diferenciada. entre qualificados/desqualificados.Algo a ser estudado diz respeito a relação trabalho versos idade. pois sofrem os abalos dessa mudança brusca de um dia pertencer a todo um contexto e no outro não existir Antunes (1999. Isso interfere diretamente em sua produtividade e auto-estima. p. estáveis. Neste estudo desejamos problematizar de alguma maneira. a partir de nossos conceitos e pré-conceitos aceitos e legitimados socialmente. tornando-os frágeis vivendo no cotidiano de suas vidas as dificuldades inerentes desta condição. portanto. mas os trabalhadores que vão chegando nesta fase da vida (em torno de 45 anos) como ressalta o autor acima já estão sofrendo o preconceito da idade. que as mudanças descritas acima “criaram. Segundo ANTUNES (1999) este afirma: O individuo que chega aos quarenta anos começa a sofrer também maiores discriminações no mercado de trabalho. precários e imigrantes” (1999. formal/informal. incidindo diretamente sobre a subjetividade da população que está ou vai enfrentar o seu processo de envelhecimento. Estes condicionantes incidem nas transformações que se operam nas relações sociais vigentes. p.191) Percebe-se que a mudança ocorrida no mundo do trabalho afeta a todos os trabalhadores de maneira geral.191). colocando a pessoa idosa na condição de excluído socialmente. Os trabalhadores vão sendo fragmentados. alterando as estruturas sócioeconômicas. mulheres. necessitando mecanismos legais que venham ao encontro da garantia de direitos.Temos percebido que as pessoas ao chegarem na idade dos seus quarenta anos por exemplo lhe são fechadas às portas do mercado de trabalho. Evidencia-se no pensamento de ANTUNES (1999). Assim entendemos que na sociedade brasileira quanto mais vamos vivendo o processo do envelhecimento nos seus mais diversos aspectos vamos sendo alijados dos processos produtivos. homens. jovens/velhos. como a questão social está afetando o cotidiano da vida das pessoas 87 . pois quando a idade chega aumenta o preconceito contra o trabalhador.

769.599.717 9.298.065.335.504.069 185.124 3.773 419.464.483.915 6.998 9.446 189.060 3.781 2.139.302 1.929 2.475 169.660 209.794.318 1960 3.942 788.568 4. direito.037 1980 7.858 4.706 1991 2000 10.277 384.556 4.322 593.170 2010 19.473 516.790 13.895 13.585.129.155.779.206 143.456 282.317.218 2.835 2040 55.475 5.801.218 1.031.059.309 7. (2005). Como vemos.191.418 7.651 1.547. cultura.289 51944.271 288.188.799.043 206.110 1.918 806.105 146.045.705 14.700 2.544 2020 29.772.832.889.673 1.834 3.963 11.370 1970 4.397 1940 1950 1.386. política.029 3.722.na terceira idade.416 361.725.165.210.057 7.060.428 93.914.536.231 209.700 1.002. ii) Para o período 2010 a 2040: Camarano et al.555. A partir desta realidade marcada pela longevidade.827 938.645 11. Elaboração: Disoc/Ipea.725 2.553.223.448. TABELA 1 Brasil: População total observada e projetada por idade (1940-2040) Total de idosos 60 a 64 65 a 69 70 a 74 75 a 79 80 + Total da população 687.788 562.646 291.488 9.134 119.981.918 2.524.088.668.649 5.953.445 2.273 6.776.180 41. Vejamos no quadro abaixo o crescente número de idosos que está sendo projetado para as décadas futuras.748 485.384.528.455 Fonte: i) Para o período 1940 a 2000: Camarano et al. entre outras).369. questionaremos: Como faremos para o enfrentamento das expressões da questão social que incidirão nas relações 88 . economia.581. conforme a tabela acima.417 203.199 170.540 1.587 1.053 70.636.825.00 2030 41.290.997 833.218.839.106 1.600. (2008). o processo de envelhecimento populacional está em processo de crescimento vertiginoso devendo estabelecer um impacto relevante sobre as diversas esferas da sociedade (trabalho.742.404.

etc. as mudanças que ocorreram e ocorrem no cenário histórico. da política do país e da forma como estão sendo construídas e estruturadas as instituições protetoras deste segmento social. objetivando um resultado.sociais e mais particularmente na vida dos sujeitos na terceira idade?. A partir desta leitura. Nessa lógica de raciocínio. Sabemos que em cada processo histórico alteram-se as percepções do objeto a ser trabalhado pelo Assistente Social. entendemos que o processo de reconhecimento do objeto de trabalho está diretamente relacionado a forma como estabelecemos a nossa análise sobre a realidade. nas manifestações e relações culturais?. Para melhor compreendermos o objeto de intervenção do profissional Assistente Social na particularidade das condições que incidem na vida da terceira idade. Logo. e que esta realidade não é algo isolado por si sós. a participação e os condicionantes culturais. o Assistente Social passa a compreender. entre s classes. 89 . Os instrumentais são mecanismos utilizados pelo profissional como sendo recursos indispensáveis para uma efetiva ação de garantia dos direitos sociais dos usuários. o trabalho do Assistente Social exige uma ação dota de estratégias metodológicas marcadas por instrumentais que irão se efetivar na direção de um fim. precisamos compreender. As expressões da questão social são decorrentes desta relação. que a vida longeva se torna um fenômeno social. no mundo do trabalho. sociais. mas um fenômeno social marcado por condicionantes dos mais diversos fenômenos: econômicos. que afetam diretamente no processo e desenvolvimento das condições de vida desta população através dos rebatimentos econômicos. emocionais. sejam estes instituídos pela classe burguesa ou pelos que detêm o capital financeiro dos processos de produção. e culturais implementados na sociedade capitalista. políticos. Como a sociedade está conseguindo organizar-se para o acolhimento das reais necessidades presentes e futuras deste segmento social? Como estamos construindo os mais diferentes espaços para o acolhimento deste sujeito idoso na família. políticos. tornando-se uma eterna correlação de forças existentes entre os vários modelos instituídos para a manutenção do sistema capitalista. realidade que se expressa através da economia.

Nota: Renda domiciliar per capita Total 100. que oportunize meios de transformação da realidade. e as mais diversas desigualdades sociais marcados na vida do idoso. uma realidade que possa se expressar em cidadania.5 15. 8. alijando-os a condições subalternas de vida na própria família.9 6. Outros idosos percebem baixos vencimentos de aposentadoria. 90 .8 21.7 21.0 Elaboração: Disoc/Ipea.6 12. discriminação.0 12. estadual e federal no sentido de reduzir as desigualdades sociais.5 24. TABELA 10 Brasil: População idosa (60 anos ou +).8 Entre 1/4 e 1/2 SM 37.0 100.7 7.0 Fonte: PNAD (2007). abandono.7 13. Muitas vezes.9 Acima de 0 a 1/4 SM 52.6 9. formatam-se políticas incapazes de modificar a realidade de muitas famílias que dependem da renda financeira de muitos idosos.Esta realidade requer que exista por parte dos profissionais um maior comprometimento com a realidade social. não estão conseguindo oferecer condições reais para realmente oportunizaram as mudanças sócio-econômicas na vida da população.4 10.9 10. Vejamos a tabela abaixo fornecida pelo PNAD (2007). busca erradicar da sociedade do cotidiano da vida dos sujeitos toda uma vulnerabilidade social de violência. precários recursos no sentido de estabelecerem a garantia de uma qualidade de vida.2 As Políticas Sociais para o Enfrentamento das Desigualdades Sociais Temos visto que as políticas sociais criadas pelo governo nas suas diferentes esferas municipal. Estas alterações na forma como enfrentamos esta realidade adversa. por grupos de renda1 de 0 a 1/2 SM. segundo faixa etária (2007) (Em %) Faixa etária 60 a 64 65 a 69 70 a 74 75 a 79 Mais de 80 Sem renda 42.0 100.

O restante vive com menos de R$ 70 por mês. Como vemos a partir da tabela acima as condições sociais da terceira idade na sociedade brasileira tem levado muitos idosos a viverem situações de vida marcadas pelo total desvalimento de recursos. o IBGE apontou que o Brasil possui uma população de mais de 190 milhões de pessoas. Segundo o Censo 2010. que concentra 59. sendo já para muitos. Nessa linha de raciocínio sobre as condições de vida da população brasileira. segundo estimativas deste Instituto. Idosos em situação de abandono pelos familiares que não possuem uma estrutura mínima de sobrevivência para manterem este idoso no seio familiar. Isso significa que pelo menos 8.5% dos brasileiros não possui banheiro nem energia elétrica em casa ou não conta com água e esgoto tratados. com políticas sociais mínimas e residuais. apesar de 84.. A maior parte desse grupo está na região Nordeste.1% do contingente. não atingindo suas reais necessidades. a única condição que lhes resta. O IBGE aponta ainda que aproximadamente 16. e aqui particularmente da terceira idade. Entendemos que as ações do Estado atende apenas o mínimo das reais necessidades da população e do trabalhador de modo geral. estão abaixo da linha da pobreza as famílias com pelo menos um morador maior de 15 anos que ainda não foi alfabetizado. Desse total. O mapa da pobreza demonstrado pelo IBGE aponta que a metade das pessoas extremamente pobres reside no campo. questionamos o papel do Estado frente a esta realidade. quase cinco milhões não possuem renda. ou irão viver nas ruas. SPOSATI (1997) nos afirma dizendo: 91 . estando estes idosos a buscarem nos abrigos uma alternativa de sobrevivência. É como se um em cada quatro moradores de zonas rurais vivesse na miséria.4% da população geral estar concentrada nas áreas urbanas. sejam estas materiais ou de afeto. Somado a essas condições.2 milhões de brasileiros vivem em condições de extrema pobreza. Muitas das políticas públicas não atingem o âmago da situação das famílias desafortunadas que se encontram no Brasil.

p. e que contraditoriamente. estabelecendo a redução salarial e aumento do desemprego. a destituição dos direitos trabalhistas já conquistados. ou da área social. onde o acesso a estes serviços é medido a peso de grandes somas. 11 11 Um sistema estatal de saúde e de assistência social. política social e pobreza são tomadas como irmãs siamesas (1997. Fora esta parcela da população que paga altos custos para a obtenção de serviços privado. que incide. sejam estas da área da saúde. na vida das pessoas que se encontram na terceira idade juntamente com seus familiares. Neste mesmo viés. financiados por instituições que possuem uma parcela bastante expressiva da riqueza produzida em nosso país como é o exemplo das empresas de saúde privada.Insistir em direitos sociais no Brasil. em uma tentativa de recompor o âmbito e reassertir a primazia. o movimento é inverso. a grande maioria da população idosa que não possui renda buscam nas filas do SUS ou do SUAS o atendimento as suas necessidades de sobrevivência.usp. vestir a capa de utópico no pior sentido do termo. com exíguos O neoliberalismo é uma reação à expansão da intervenção do Estado no estágio intensivo. Estas medidas representam o receituário de uma política de cunho neoliberal .11). este país de um “Estado mínimo histórico” é. Uma brutal concentração da riqueza.br/fau/docentes/depprojeto/c_deak/CD/4verb/neolib/index.mercado. cada vez mais favorece o estabelecimento de bolsões de miséria paralelo a todo um desenvolvimento e um incremento que vem sendo construído através de novas tecnologias que deveriam contribuir para a abertura de postos de trabalho. Aqui. acentuam-se cada vez mais. a sociedade do capital vai estabelecendo uma oferta de serviços privados de alto nível. e aqui particularmente. sem dúvida. material e subjetivamente. na vida das pessoas.ht ml 92 .do. Pela realidade exposta acima percebemos que as medidas adotadas pelo governo são construídas a partir de mínimos sociais com taxas baixas de investimentos e de crescimento social estabelecendo políticas públicas fragmentadas e setorizadas não oportunizando um desenvolvimento integral da condição humana. http://www.

Robert.orçamentos. São Paulo: Cortez. Petrópolis: Vozes. 2000 IAMAMOTO. 3. Mínimos Sociais e Seguridade Social: Uma revolução da Consciência da Cidadania. Marilda V. 93 . não venhamos a nos lastimar pela imprecaução de não termos feito o trabalho necessário frente a esta realidade. alguns elementos e contornos básicos presentes no debate sobre o significado da classe trabalhadora. As Metamorfoses da Questão Social.55. Referencias: ANTUNES. n. 1999. VASCONCELOS. Referencia Comentada: Adeus ao Trabalho? Ensaios sobre as Metamorfoses do Mundo do Trabalho Autor: Ricardo Antunes Cortez Editora . Eduardo Mourão. e envidarem esforços no sentido de promoverem o debate sobre o tema.123). São Paulo. p. 2004.1999 Caro leitor. Uma Crônica do Salário. assim. O Serviço Social na Contemporaneidade. O desafio da subjetividade e a interdisciplinaridade. In: ______. Revista Serviço Social e Sociedade. Nesse sentido. urge tomarmos uma atitude e refletirmos sobre o futuro de nosso país sobre este processo natural que é a longevidade com qualidade de vida. 2004. Cortez. Campinas: Cortez. Aldaísa. Serviço Social e Interdisciplinaridade: o exemplo da saúde mental. 6. São Paulo: Cortez. futuramente e não muito distante do nosso tempo presente. Saúde Mental e Serviço Social. 1997. Adeus ao Trabalho? Ensaios sobre as Metamorfoses e a Centralidade do Mundo do Trabalho. 2000. ed. CASTEL. Ricardo. esta obra é um ensaio sobre as metamorfoses e a centralidade do trabalho procura oferecer. ed. para que. oferecendo alguns serviços básicos à porção expressiva de indigentes da população (DRAIBE e AURELIANO apud CASTEL. Os profissionais da área da gerontologia e geriatria deverão tomar a frente desta discussão. com o olhar situado num canto particular de um mundo marcado por uma globalidade desigual articulada. SPOSATI.

f. questão social não representa somente o conjunto de problemas políticos. sociais e econômicos que o surgimento da classe operária impõe no curso da constituição do sistema capitalista. SPOSATI.v 94 . A menina Loas: um processo de construção da Assistência Social. 3. para propor alternativas e compreender a realidade social na vida cotidiana das pessoas. Carvalho.______. ( ) A percepção da totalidade é fundamental. mas os trabalhadores que vão chegando nesta fase da vida (em torno de 45 anos) como ressalta o autor acima já estão sofrendo o preconceito da idade.v. incidindo diretamente sobre a subjetividade da população que está ou vai enfrentar o seu processo de envelhecimento. ( ) Segundo CERQUEIRA (1982). 1987. São Paulo: Cortez. ( ) Percebe-se que a mudança ocorrida no mundo do trabalho afeta a todos os trabalhadores de maneira geral. FALCÃO. Autoestudo ( ) Os trabalhadores vão sendo fragmentados. na intermediação dos direitos sociais.ed. Respostas: v. tornando-os frágeis vivendo no cotidiano de suas vidas as dificuldades inerentes desta condição. Assistência na Trajetória das Políticas Sociais Brasileiras: uma Questão de Análise. São Paulo: Cortez. Maria Carmelita. ( ) O Serviço Social a partir desta realidade é solicitado a desempenhar seu trabalho. Maria do Carmo B.v. 2004. ( ) A questão social representa o resultado estabelecido a partir dos conflitos inerentes da relação capital e trabalho da sociedade capitalista. Dilsea Adeodata. alterando as estruturas sócio-econômicas. YASBEK. a partir de nossos conceitos e pré-conceitos aceitos e legitimados socialmente. BONETTI. traduzindo fenômenos sociais e particulares.v. nos mais diferentes processos de trabalho. Aldaiza de Oliveira. na vida cotidiana das pessoas.

O Assistente Social precisa reconhecer a realidade onde irá atuar. e aqui em particular as que se encontram na terceira idade. Assim. sejam estas na particularidade dos espaços que as mesmas ocupam ou no contexto coletivo em que a sociedade vai se construindo. mas que muitos os desconhecem. o Assistente Social procura orientar o usuário. os profissionais poderão avaliar o alcance das políticas sociais na vida dos idosos e seus familiares. Os efeitos do trabalho profissional do Assistente Social no cotidiano da vida dos sujeitos. 95 . Nessa linha de raciocínio poderíamos nos indagar: Como fazer isto a partir das demandas sociais da terceira idade? A partir da compreensão da realidade social. através da discussão em equipe sobre as diferentes demandas dos usuários e da interação com diferentes saberes sobre o tema. o Assistente Social necessitará estar articulando o seu trabalho no conjunto dos diversos processos de trabalho instaurados na instituição onde o mesmo atua. O Trabalho do Serviço Social com as Expressões da Questão Social O Assistente Social é um profissional que busca compreender as condições sociais que se configuram as expressões da questão social na vida das pessoas. para que as mesmas não venham a incidir de forma negativa na vida do usuário. como os que se encontram no capítulo cinco deste estudo. O profissional necessita analisar previamente a implementação destas políticas. tornando-o dependente e sem autonomia. os profissionais encontraram caminhos a serem percorridos com o usuário na solução dos dilemas. fazendo-o perceber a si mesmo e a se reconhecer como cidadão a partir destes mecanismos legais que estão disponíveis a todos. O Assistente Social procura reconhecer a forma como as pessoas estão organizadas para o enfrentamento das expressões da questão social. buscando alternativas para poder propor condições de acesso às políticas públicas/sociais. visa garantir espaços reflexivos sobre os mais diversos aspectos em particular sobre os direitos sociais.9. Através das diferentes leituras da realidade.

que possibilitem trabalhar com a realidade apresentada pelos idosos. através da construção de uma rede interna realmente efetiva. dentro das instituições. disputas. momentos conflituosos. possibilitarão ao Assistente Social um saber/fazer capaz de propor uma construção de alternativas viáveis. que o Assistente Social perderá o verdadeiro foco da intervenção. enquanto princípio mediador entre diferentes saberes. oportuna para o crescimento e avanço do capital. Sendo assim. A interdisciplinaridade é uma maneira criativa de juntar potencialidades. viabiliza novas estratégias de ação. Este foco se mantém através da proposta expressa no seu código de ética que se materializa no seu plano de trabalho com vistas a fazer com que o usuário se reconheça como sujeito. 96 . Muitas vezes. ter clareza sobre as diferentes dimensões da formação. oportunizará a descoberta de novos caminhos a serem percorridos. que trazem consigo. o processo técnicooperativo e ético-político associados. Assim. Isso não significa. caracterizam-se por uma nova forma. entendemos que o trabalho do Assistente Social junto a uma equipe interdisciplinar poderá estabelecer um conjunto de alternativas que incidirão frente a realidade vivida pelos usuários. uma série de transformações. deverá ser elemento teórico-metodológico construído no coletivo institucional. mas também de solidariedade. onde cada disciplina do conhecimento. trabalhar em equipe é de suma representação a socialização e a articulação de conhecimentos diferentes e ao mesmo tempo comuns por área de conhecimento. arcadas repetimos por acirramentos. os conhecimentos teórico-metodológicos. A interdisciplinaridade. ocorrem os reflexos daquilo que está posto nas relações de trabalho. mas pelo contrário. valorizando-se e assumindo a sua cidadania. no entanto. acirrando ainda mais as relações entre as pessoas na busca da manutenção do emprego. Para o Assistente Social. não poderá ser percebida como algo que iniba potencialidades. vaidades.Entendemos que o conhecimento representa uma ferramenta importante nessa articulação realizada pelo Assistente Social utilizando-o no seu processo de trabalho. Estas transformações. pois esta direção.

tornar-se essencial o trabalho do Assistente Social. Vasconcelos (1997) nos faz pensar a respeito da prática profissional do Assistente Social. tem contato com a realidade apresentada. Uma prática vinculada aos interesses e necessidades da população que demandam os serviços sociais públicos. buscando aliar possibilidades e alternativas. Vasconcelos (1997). criativa. que coloca permanentemente em questão a relação que envolvem vários sujeitos: usuário. estratégias de planejamento e execução. Portanto. estes espaços se 97 . que busca fazer uma prática reflexiva como base em seu código de ética. e observa os limites e possibilidades de seu caráter interventivo. que busca possibilitar à socialização da informação como uma vertente de indagação e ação sobre a realidade social.buscando encontrar alternativas possíveis de trabalho. necessitará de meios de trabalho para a operacionalização do trabalho profissional. compartilhar idéias e intenções com os demais profissionais. implica fatores diversos como intenções. enquanto prática de caráter reflexiva . profissional. Nesse sentido. Os meios de trabalho definirão a forma concreta onde o Assistente Social se movimentará para alcançar os fins que seu trabalho se propõe. neste sentido. relacionando-se sempre com os obstáculos inerentes desta sociedade capitalista. que envolvam as demandas apresentadas. Um profissional atento. o Assistente Social transforma-se em um agente que interfere e age diretamente como mediador. afirma que é possível dizer que o processo de trabalho do Assistente Social inicia no momento em que esse se vincula a uma Instituição. É aqui que deveremos montar estratégias necessárias de convencimentos e conquistas junto aos que dirigem os espaços que o Assistente Social ocupa. Na contemporaneidade. na busca dos direitos do usuário. o Serviço Social não pode agir de uma forma isolada repetimos. Esta ação interventiva. pelo seu caráter reflexivo/propositivo. deverá envidar esforços no sentido de estabelecer trocas de pareceres. processo de conhecimento e intencionalidade de prática interventiva é o que da corpo ao processo de trabalho do Serviço Social. pois muitas vezes. Estado e sociedade.O processo de trabalho do Serviço Social. politizante e também educativa/propositiva que aponte para a ruptura com o instituído. Como vemos a articulação entre teoria. crítica.

os quais não são propriedades do assistente social. técnica e ético-política na condução de suas atividades. sem as mínimas condições de se garantir a privacidade do trabalho profissional com o usuário.apresentam deficitários. (2000. 98 . p. o Assistente Social. A respeito de Instrumentalidade afirmou GUERRA. IAMAMOTO (2000) nos faz refletir sobre este ponto afirmando: Como já salientado. 99) O Assistente Social em seu processo de trabalho como já foi dito anteriormente. Outro elemento que incide diretamente no trabalho do Assistente Social é a conjuntura social construído historicamente e que permeia a vida da sociedade e das relações. Aos poucos. concretizando sua atuação. as forças e poderes instituídos. O Assistente Social dispõe de uma relativa autonomia no seu fazer profissional. Com isso infere-se que falar de instrumentalidade do Serviço Social remete a uma determinada capacidade ou propriedade que a profissão adquire na sua trajetória sócio histórica. necessitando articular o seu processo de trabalho com os demais processos de trabalho garantidos institucionalmente para a produção de um resultado final.6). essas dependem dos meios e recursos para se efetivarem. como resultado do confronto entre teleologias e causalidades (2000. de forma “homeopática” vamos mostrando que o trabalho do Assistente Social requer os meios mínimos de condições de trabalho para conseguirmos garantir a sua efetividade. em função de sua qualificação profissional. requer de meios ou instrumentos para viabilizar suas ações e planejamentos. As condições políticas. Todavia essas dependem dos meios e recursos para serem efetivas. os recursos humanos são condicionantes diretos que influenciam o desenvolvimento da ação interventiva do Assistente Social. visto que se encontra alienado de parte dos meios e condições necessárias à efetivação de seu trabalho. dispõe de uma relativa autonomia teórica. pag.

saber utilizar e identificar recursos também representa uma estratégia importante na ação interventiva.. desenvolveM-se técnicas. [. 11). entendemos que todo o profissional possui sua instrumentalidade e que a disponibiliza e desenvolve de maneira muito especializada. Sabemos que as habilidades deverão fazer parte do fazer profissional do Assistente Social no seu processo de produção da vida material.Como vemos a partir da citação acima. Assim. atribuídas pelos homens no processo de trabalho ao convertê-las em meios/instrumentos para a satisfação de necessidades e alcance dos seus objetivos/finalidades (2000. através de técnicas coerentes de acordo com sua formação. pois nesse processo ele passa a dominar e manipular estratégias que viabilizem suas ações. sabemos que é importante ter claro a forma de como se constitui o seu objeto de trabalho. na qual as estratégias de ação serão elaboradas e utilizadas. É esse conjunto de ferramentas utilizadas pelo Assistente Social caracterizados em torno dos instrumentos da ação profissional que GUERRA (2000) denomina de instrumentalidade. p. pois será a partir desta análise que o profissional irá adaptando estes instrumentos dentro das alternativas viáveis de intervenção. Ter um olhar crítico sobre a realidade. o profissional poderá analisar os resultados obtidos que se transformam em produtos. Após esta dinâmica de ação. No entanto. O Assistente Social é impulsionado a querer buscar e conhecer melhor a realidade que irá conduzir ao alcance de suas finalidades. ou seja.. 99 . aqui particularmente lembramos mais uma vez a importante ferramenta que a pesquisa infere na prática do Assistente Social.] propriedades sociais das coisas. A partir desta dinâmica de construção e reconstrução sobre a realidade projetaM-se alternativas. a dimensão técnico-operativa para se efetivar necessita de meios de trabalho e de instrumentos que irão constituir a prática de trabalho do Assistente Social. infere diretamente nesta construção.

O Assistente Social poderá vincular-se a Instituições e construir projetos que busquem refletir sobre a importância da construção de meios de trabalho eficazes dentro da instituição. para que. que possuem a capacidade de não aceitarem perceber que todas as áreas do conhecimento são importantes e precisam estar integradas umas as outras. Entendemos que o fetichismo se apresenta como sendo muitas vezes a base por onde caminha o mundo burguês. não naquilo que sobre sai pela aparência das coisas mesmas.2 Estratégias Metodológicas no Fazer Profissional As estratégias metodológicas deverão ser pensadas para que venhamos de forma mais precisa garantir e alcançar os resultados esperados. Ter a capacidade de escutar. pois esta. visando alcançar. pois este é sustentado e consolidado pelo capitalismo com interesses antagônicos à questão social. eis a meta a ser alcançada. Entendemos que a 100 . Para cada ação atribui-se uma técnica voltada ao seu objetivo. observar a realidade a partir das coisas simples. de maneira mais efetiva. encontrem respaldo institucional para a intervenção dos profissionais com seus instrumentais. sendo uma representação falsa da realidade. Procurar de forma cautelosa.9. é através do processo de trabalho que o profissional irá no movimento estabelecido no seu trabalho buscar a instrumentalidade que melhor lhe sirva para um fim determinado. Não podemos incorrer em extremos. através do reconhecimento da realidade e apropriação teórica. valorizando também aquilo que demanda uma maior atenção. muito comuns a algumas áreas do conhecimento. acolher as demandas de forma serena. mas buscar a essência da realidade. apresenta-se de várias formas. os resultados esperados por todos. melhores meios de trabalho. Em face dessas considerações. faz parte do fazer profissional. para que nada seja tão simples que acabe na banalidade e também não tão complexo que intimide o fazer profissional. O profissional poderá de forma estratégica influenciar os demais técnicos a buscarem também. Logo. realizar uma leitura da realidade que oportunize intervir da melhor maneira sobre a realidade. não devemos atribuir aos instrumentos e técnicas um status sobre-humano. transformando-os em fetiche.

necessários a efetivação dos programas e projetos de trabalho é a entidade empregadora. pois. O Assistente Social que trabalha na área da gerontologia social deverá estar atento a tudo que envolva e ou esteja diretamente conectado com o seu fazer profissional. p. ou seja. que se caracterizam por: entrevistas. profissionais e Instituição. seja ela estatal ou privada (2005. que por vezes se apresentam na realidade e. Através dessas articulações. manifestando-se de diversas maneiras com já foi mencionado anteriormente. visitas domiciliares.99). que necessariamente o profissional repetimos. A instituição é detentora do poder institucional que articulará os meios de trabalho para todos os profissionais nela envolvidos. -. históricas e políticas. a prática profissional se torna mais consciente. O que não deve ser um impedimento ao fazer profissional que diante das dificuldades necessita encontrar alternativas criativas para a realização do seu fazer profissional. fazer algo com intenção para suprir algo que não chegou a ser vivido ou estabelecido na vida dos idosos que procuram as instituições de proteção social. O Assistente Social procura reconhecer qual é a forma de organização que estes sujeitos idosos se submetem para enfrentamento das adversidades da vida. entre prática e estratégias 101 . ao ter claro o objeto de trabalho. necessita dos meios de trabalho para sua operacionalização. humanos. Pois Segundo Iamamoto: Para ser consumida e transformada em atividade. a força de trabalho exige meios ou instrumentos de trabalho e uma matéria prima ou objeto de trabalho que sofrerá alterações mediante a força transformadora do trabalho. elaboração de programas. financeiros etc. estabelecer vínculos que interliguem usuários. projetos e outros. encaminhamentos. Quem dispõe dos meios de trabalho—materiais. para que assim possa montar suas estratégias metodológicas para poder intervir. a partir do pensamento de Iamamoto. A instrumentalidade no Serviço Social necessita ultrapassar os limites.questão social se expressa no cotidiano e que sofre influências. pois ao se referir ao ato profissional temos uma intencionalidade a ser atingida. o Assistente Social possui uma relativa autonomia no seu fazer profissional. Como vemos. Neste propósito.

Os estatutos. compõem este cenário de signos. Neste sentido. p. dando formas ao seu ethos profissional. FERRARINE (2003) conceitua instrumentalidade como: Conjunto de condições que a profissão cria e recria no exercício profissional e que se diversifica em função e um conjunto de variáveis tais como: o espaço sócioocupacional. as políticas públicas como forma de garantia.de trabalho. exige-se dos profissionais um saber ético-político que permita respeitar os valores alheios sem ferir a liberdade do usuário. Este irá buscar. O Serviço Social estrategicamente quando trabalha nas instituições e proteção a terceira idade se instrumentaliza através dos diversos documentos legais que a sociedade constrói para sinalizar e regular os direitos humanos. construindo e reconstruindo permanentemente a sua prática profissional. estabelecendo um compromisso com a sociedade através do seu processo de trabalho. sua ação se tornará mais qualificada. se torna mais eficiente. sempre o melhor encaminhamento para o usuário dos serviços. na sua forma de ser. a análise tanto do objeto de intervenção que se coloca como desafio no processo interventivo do Assistente Social. 7). garantindo dessa forma ao usuário. o nível de qualificação de seus profissionais. a ação interventiva do técnico será sustentada a partir de atos legais. as leis constituintes. Ao propor alternativas que possam produzir resultados com a demanda existente. o acesso aos direitos sociais e o exercício da cidadania. Considerando que o Serviço Social é uma profissão de mediação e que 102 . o Assistente Social traz no seu cerne os princípios e valores norteadores que orientam a prática profissional estabelecidos em seu Código de Ética. mas que viabilize ações humanas em seus resultados. entendemos que ao ficar claro para o Assistente Sócial a existência destes instrumentos legais. pois estes instrumentais formam um conjunto de várias condições e direcionamentos. É por meio dessas estruturas que o Assistente Social constrói e se reconstrói cotidianamente. Portanto ao operacionalizar este conjunto de condições. (2003. e aqui particularmente o Estatuto do Idoso. que irão balizar a ação interventiva do Assistente Social.

a sua própria história. nesta construção histórica que é particular. GIONGO (2003.2 A Entrevista como Ferramenta de Trabalho e Estratégia de Acolhimento O Assistente Social quando realiza seu processo de trabalho com a população idosa. vamos com o sujeito entrevistado. suas trajetórias. a comunicação é algo fundamental na interação social. Escutar o idoso é algo de grande representação para este segmento social pois. vividas pelos usuários ao longo de uma linha de tempo histórica. garantir a qualidade da prestação e dos instrumentos profissionais. muitas vezes ser escutado é o que o idoso mais deseja. é o cotidiano do vivido. p.estabelece na sua prática a criação de redes sociais como forma de fortalecimento dos sujeitos. são elementos importantes para o desempenho de compreensão da realidade vivida pelos usuários na terceira idade. Este profissional irá utilizar uma documentação própria para registrar estas observações percebidas durante a abordagem. valorizando suas experiências de vida. com estes mesmos recursos. na maioria das vezes este não é escutado. O ato de escutar representa darmos vistas a uma valorização do sujeito. é a cotidianidade da vida sendo processada. Memorizar as informações possuem o caráter de também identificar pontos nodais na vida dos sujeitos. 29) nos confere algumas considerações importantes sobre a documentação para o Serviço Social: “os objetivos da documentação são. atividades e análises. Neste mesmo movimento de registro e memorização. vivendo no seu mundo isolado devido a uma série de preconceitos relacionados a idade. a sua identidade social. O tempo histórico de vida de cada idoso. criando ou recriando com o sujeito a sua própria memória. 103 . ou seja. suas vivencias. 9. observações. esta realidade de vida se dá. memorizando as informações”. este procura reconstituir a história de vida dos sujeitos entrevistados. possibilita reconhecer e elaborar informações importantes através das intervenções. Esta habilidade do Assistente Social de reconhecer a realidade a partir da escuta sensível. criando pontos de partida para o processo reflexivo que o Assistente Social realiza em sua prática interventiva com os idosos. a relação entre assistente social/usuário/sociedade.

reuniões de grupo. ou de sua própria linguagem. a escuta estabelecida com usuários na terceira idade. Pobreza – Possibilidades de Construção de Políticas Emancipatórias. Os idosos possuem um hábito de viverem das lembranças de seu passado. sejam estas visitas domiciliares. é a forma como os idosos procuram manter na defensiva a integridade pessoal intacta pois para muitos. que o remeta muitas vezes a se colocar na condição do seu entrevistado. do seu meio social. Diríamos que esta atitude poderá representar um ar de nostalgia.Este movimento de tempo e espaço. As demais abordagens sofrerão o mesmo cuidado. a representação do tempo presente lhes causa estranhamento pelo fato de não serem ou se sentirem desvalorizados pelos mais jovens que ele. muitas vezes não ditos através das palavras. temos que viver o presente. entre outras. Autor: Adriane Vieira Ferrarine Oikos Editora – 2003 Caro leitor. Entendemos que. esta obra nos possibilita refletir sobre a condição de pobreza em que assola a vida das comunidades refletindo sobre a possibilidade de construirmos políticas emancipatórias para um mundo mais justo e 104 . tem como intencionalidade para o Assistente Social. Este irá perceber os pequenos nadas. dar visibilidade ao usuário sobre si mesmo e da sua relação com o tempo presente. mas na verdade. da sua cultura. para muitos. A entrevista particular com o idoso requer do Assistente Social. Não podemos somente ficar no passado. atividades de laser. toda uma habilidade de escuta sensível. Referencia comentada. As estratégias metodológicas são pensadas pelo profissional para o enfrentamento das expressões da questão social. Todos estes instrumentais quando utilizados compõem de forma decisiva as estratégias metodológicas do fazer profissional na sua dinâmica interativa com a realidade vivida pelo idoso. mas expressos através dos movimentos do corpo e as expressões do rosto. representa uma das habilidades mais importantes a serem destacadas no processo de trabalho do Assistente Social com os idosos.

mas pelo contrário. eis a meta a ser alcançada. ( ) Ter a capacidade de escutar. Marilda Vilela. observar a realidade a partir das coisas simples. O Serviço Social na Contemporaneidade: trabalho e formação profissional. 2000. enquanto princípio mediador entre diferentes saberes. faz parte do fazer profissional. 3. Oikos Editora – 2003 Autoestudo: ( ) Procurar de forma cautelosa. 105 . acolher as demandas de forma serena. São Paulo: Cortez.igualitário Referencias: IAMAMOTO. deverá ser elemento teórico-metodológico construído no coletivo institucional. O desafio da subjetividade e a interdisciplinaridade. onde cada disciplina do conhecimento. ( ) A interdisciplinaridade é uma maneira criativa de juntar potencialidades. oportunizarão a descoberta de novos caminhos a serem percorridos. realizar uma leitura da realidade que oportunize intervir da melhor maneira sobre a realidade. FERRANI. mas buscar a essência da realidade. não poderá ser percebida como algo que iniba potencialidades. VASCONCELOS. apresenta-se de várias formas. In: ______. Saúde Mental e Serviço Social. ( ) A interdisciplinaridade.ed. pois esta. Adriane Vieira Pobreza – Possibilidades de Construção de Políticas Emancipatórias. não naquilo que sobre sai pela aparência das coisas mesmas. Eduardo Mourão. São Paulo: Cortez. 2000. Serviço Social e Interdisciplinaridade: o exemplo da saúde mental. valorizando também aquilo que demanda uma maior atenção.

intenções. neste sentido. o Assistente Social necessitará estar articulando o seu trabalho no conjunto dos diversos processos de trabalho instaurados na instituição onde o mesmo atua. ( ) O Assistente Social através da pesquisa. ( ) A partir da compreensão da realidade social. e aqui em particular as que se encontram na terceira idade. que envolvam as demandas apresentadas. para que no coletivo profissional. como vimos no ponto acima. implica fatores diversos. os profissionais possam encontrar caminhos a serem percorridos com o usuário na solução dos dilemas. é um profissional que busca compreender as condições sociais que se configuram as expressões da questão social na vida das pessoas. 106 . buscando aliar possibilidades e alternativas. através das diferentes leituras da realidade abordada.( ) O processo de trabalho do Serviço Social. estratégias de planejamento e execução. sejam estas na particularidade dos espaços que as mesmas ocupam ou no contexto coletivo em que a sociedade vai se construindo.

e esta dimensão está presente no seu exercício profissional através da garantia de direitos. As Instituições e o Trabalho do Serviço Social com Grupos de Terceira Idade O Serviço Social é uma profissão que possui uma dimensão política. necessita apropriar-se da dimensão criativa do seu trabalho nos espaços que o mesmo ocupa. sabemos que a grande maioria dos Assistentes Sociais ocupam a condição de trabalhadores assalariados dependendo assim. espaço político. O Assistente Social vende a sua força de trabalho em troca de salário.v. Para que esta mercadoria que é a própria força de trabalho do Assistente Social possa ser utilizada pela instituição. que o Assistente Social quando trabalha na área da Gerontologia. necessita de condições sociais e institucionais para que sua força de trabalho se efetive.v. Quando assim ocorre. particularmente o processo de trabalho do Assistente Social. Sabemos que a ação interventiva do Assistente Social se materializa no cotidiano da vida social através da sua condição de trabalhador livre ou profissional liberal.v. as instituições possuem um papel fundamental na garantia dos meios de trabalho para que os diferentes processos de trabalho por ela contratados possam se efetivar. Entendemos que as instituições possuem um papel fundamental enquanto espaço de atuação e de garantia de direitos.v. Compreendemos com PAPALIA e 107 . que é a própria mercadoria que ele vende. Nesse sentido. é necessário a mobilização de meios de trabalho para que o profissional atinja seu determinismo social.Respostas: v.v. das instituições para que os contratem. Entendemos também. de luta e resistência a questão social. Por outra.v 10. o Assistente Social. através da sua força de trabalho.

aqui particularmente o tema proposto. dando a ele 108 . A criatividade somente ocorrerá quando o Assistente Social bem como o Gerontólogo Social conseguirem interferir na realidade a partir da sua abertura para o reconhecimento da necessidade de termos uma formação pautada na pluralidade teórica. Esses elementos quando combinados. a caminhada a ser percorrida traduzir-se-á em imobilismo social e profissional na vida cotidiana. com as quais o Serviço Social se depara cotidianamente no exercício profissional (Iamamoto 2000. Trabalhar com mecanismos que mobilizem grupos de terceira idade e comunidades envolvidas com as condições sociais dos idosos deverá ser tarefa concebida pelo Serviço Social. na dinâmica do processo de trabalho dos profissionais. Quando assim ocorre. as condições sociais em que vive o idoso na sociedade brasileira. do contrário. o mesmo não somente depende do seu arsenal de conhecimentos. habilidades e atitudes que o mobiliza frente as expressões da questão social.OLDS (2000) que a criatividade é a capacidade que as pessoas têm de ver as coisas de um modo novo. de produzir algo antes nunca visto. p. mas sim que sua prática está diretamente vinculada as condições e os meios de trabalho que as instituições oferecem. Sabemos que para o exercício profissional do Assistente Social nas instituições. pois. na valorização da cultura local. criativa da matéria-prima colocada para o Serviço Social: Realizar a transformação criativa da matéria-prima do nosso trabalho. auxiliam na criação do novo ou do inédito naquilo que é necessário para suplantar as demandas sociais.26). interferimos na direção social daquilo que está posto enquanto demanda institucional. transformando possibilidades em não-acesso à garantia de direitos. por exemplo. Vejamos o pensamento de Iamamoto (2000) quando a autora refere-se a ação transformadora. no acolhimento da forma simples que se constitui a vida das pessoas. de ruptura com as expressões dramáticas da questão social na realidade brasileira. ou de distinguir problemas que os outros não conseguem reconhecer e achar soluções novas e incomuns. no que elas desejam e sonham. é trabalhar na perspectiva de fortalecer o componente de resistência.

sobre as outras por uma insegurança de perda de poder e status institucional. as intencionalidades que a movem. obtendo um resultado ou produto final de seu trabalho. Com este reconhecimento. como por interesses escusos e particulares. o Assistente Social vai reconhecendo o papel político da instituição. e de um trabalho em rede com diferentes setores e segmentos da sociedade que o Assistente Social insurgirá na materialidade de sua ação.profissional. e outras tantas formas de acirramentos que vão criando embates e emperramentos na estrutura institucional 109 . reafirmamos sobre o significado profissional da análise institucional. consegue estabelecer o reconhecimento dos atores institucionais e suas atuações.1 A Análise Institucional: O Reconhecimento das Possibilidades e dos Limites da Intervenção Social O reconhecimento das possibilidades e dos limites de sua ação profissional nos espaços operativos. pois através destas observações. comumente. os valores. se expressam por questões políticas partidárias. aquilo de que necessita para obter um produto final a partir de seu processo de trabalho. Será através das estratégias metodológicas articuladas. supremacia de uma identidade profissional. Estendemos que a análise instituciopnal deverá ser realizada constantemente pelo profissional. Nesse sentido. o Assistente Social poderá pensar de forma desafiadora possibilidades de articulação do coletivo social profissional e poderem no conjunto das representações profissionais. é de suma importância para a implementação de ações de inclusão social e ao próprio desempenho do processo de trabalho do Serviço Social. O Assistente Social por meio da análise institucional. bem como das pessoas que dela muitas vezes fazem uso tanto por interesses legítimos daquilo que a instituição se propõe. 10. da leitura de realidade social e institucional operada pelo técnico social e bem como do trabalho interdisciplinar também articulado institucionalmente. definindo os atores que poderão ser reconhecidos como parceiros em um trabalho coletivamente viável. lidar com as correlações de forças que.

] não basta nem a existência e nem o conhecimento da lei para que a vida da população pobre seja alterada. e essa tarefa só pode ser realizada com a presença forte de toda essa sociedade. Esta ação visa implementar a sua dimensão ético-política. disputando. e que necessita. da assistência social. [. profissionais da instituição ou da comunidade local. sejam profissionais da área da saúde. É preciso mecanismos que confirmem o protagonismo dessa população. com uma tendência à horizontalização das relações de poder entre os campos implicados” (Vasconcelos. como vemos na fala de Vasconcelos (2000) “A interdisciplinaridade é entendida aqui como estrutura. É a possibilidade 110 . estabelecer reflexões junto aos movimentos sociais. Só no espaço de disputa de projeto social para o país é possível equalizar a assistência social com o direito social. do esporte.A dimensão teórico-metodológica da formação profissional sinaliza a importância do Assistente Social trabalhar como protagonista junto aos movimentos sociais de resistência.) afirmar a assistência social como direito é tarefa de uma sociedade. Nesse propósito trabalhar com a possibilidade interdisciplinar como referimos acima. Nesta análise.. nos marcos do capitalismo. p. (.. 2004.47). da educação. a ampliação da fatia dos investimentos que devem ser utilizados para os efeitos perversos da exploração capital sobre o trabalho possam ser reduzidos. compreendendo o movimento que a sociedade está permanentemente estabelecendo. p. Profissionais que detenham conhecimentos de áreas afins e diferentes a serem colocadas a disposição do trabalho com a terceira idade. um dos pontos-chave para a real implementação de ações emancipatórias recai na possibilidade das instituições possuírem técnicos capacitados para o atendimento de demandas sociais emergentes. muitas vezes. a grupos organizados. Vejamos o pensamento de Couto (2004). havendo reciprocidade mútua. que possui fundamentos teóricos que dão vistas e clareza sobre a possibilidade de mudança. 2000. O protagonismo em defesa das minorias somente encontra eco junto aos movimentos de resistência. a curto e a longo prazo... assim a assistência será inscrita como direito social (COUTO. a conselhos de direito entre outros espaços. é algo de suma importância.187).

da identidade. As instituições exercem especial importância na vida das pessoas que ao chegarem na terceira idade estão desprotegidas socialmente. do mundo do trabalho. 1997. É solidariedade entre pessoas. Quando buscamos o espaço social que ele reside estamos mantendo os vínculos deste usuário com as pessoas que ele conhece e é reconhecido. de entretenimento e principalmente de acolhimento. 2001. de amizade. mesmo quando este idoso não possua familiares. 111 . p. políticos e econômicos. As instituições desempenham um papel de extrema importância na tentativa de realizarem a inclusão social das pessoas que estão vivendo a margem da sociedade. ou seja. conforme salienta TURCK (2001). hoje comum no Brasil. Os grupos de terceira idade. tanto do âmbito familiar. Atender as demandas da terceira idade através da articulação do “grupo” é uma das ferramentas interessantes para este fim. da autonomia” (Faleiros. de remédio para resolver os males sociais. “É na relação de redes que se colocam as questões enfrentadas pelos próprios sujeitos na sua perda de poder para articulá-las em estruturas e movimentos de fortalecimentos da cidadania. representam espaços bem interessantes de auto-ajuda. em que as barreiras criadas em função das desigualdades sociais possam ser rompidas para a construção de uma nova solidariedade. o contexto comunitário. A busca da solidariedade na proposição da Rede Interna não tem a conotação. procura instaurar a construção de um trabalho que se articule em rede para conseguir atender as demandas particulares e coletivas dos idosos a eles colocadas. em que o compromisso e a responsabilidade estejam presentes (Turck. Não é também a solidariedade aos pobres que se propaga no discurso da sociedade civil.24). entre e intraclasses.30). É no contexto comunitário que vamos estabelecendo nossas redes sociais.de exercitarmos o trabalho interativo entre si e outras pessoas de forma solidária. articulando intencionalidades de prática e conhecimentos da realidade institucional/social. p. de socialização. e de recursos que o Estado deveria garantir no sentido destas pessoas poderem usufruir de uma vida mais tranqüila. O profissional do Serviço Social. é trabalharmos com projetos sociais grupais que visem o atendimento do idoso no espaço que ele ocupa.

revela um profissional sensível. a forma como estrategicamente o profissional articula a rede de serviços. pois assim ocorrendo. fazendo com que. mediadas. oferece ao idoso um espaço de pertencimento social. O efetivo acolhimento do usuário no grupo de terceira idade. no contexto comunitário que o mesmo está situado. fortalecidas para o bom desempenho deste espaço operativo. o acolhimento é realizado por um grupo de profissionais capacitados para compreender as necessidades dos usuários no conjunto das forças que movem o coletivo organizado destes profissionais. que possui a habilidade necessária de acolher de forma solidária. uma certa habilidade em saber conduzir os diferentes atores neste processo. 112 . mas poderá ter interpretações diferenciadas. 2003 p. Segundo RAMOS e LIMA (2003) estes explicitam que: .24) Esta Capacidade de se colocar no lugar do outro. se efetive em um contexto maior. Trabalhar com grupos requer do Assistente Social. a única alternativa de vida.. na medida do possível atendê-las ou direcioná-las para o ponto do sistema que seja capaz de responder àquelas demandas. sendo ele profissional o mediador. (2004) estes definem acolhimento como sendo “uma ferramenta que estrutura a relação entre equipe e população e se define pela capacidade de solidariedade de uma equipe com as demandas do usuário”. O profissional Assistente Social deverá. de forma humana a dor ou a dificuldade do usuário em resolver determinado conflito ou problema em sua vida. quando assim pensado. o acolhimento da demanda. revela também. repetimos no lugar onde o mesmo reside.. Este acolhimento quando assim realizado pelo profissional.Entendemos que o acolhimento não representa uma definição unívoca. controladas. (RAMOS e LIMA. Sabemos que no grupo se estabelecem correlações de forças que deverão ser avaliadas. vejamos: Para SCHMITH e LIMA. Nesse sentido o acolhimento realizado no grupo de terceira idade é estabelecido por uma equipe que trabalha diretamente com os idosos. quando o idoso se vincula a um grupo operativo.a postura do trabalhador de colocar-se no lugar do usuário para sentir quais suas necessidades e. poderíamos pensar na idéia dele não necessitar mais buscar nos asilos. ter o cuidado de não potencializar demais a figura do próprio técnico social.

113 . pois do contrário a energia despendida no processo. No contexto comunitário poderá ser uma liderança comunitária. 3º É importante que o técnico social procure respaldar sua ação de implantação do grupo de terceira idade. É diferente alguém aderir a um trabalho quando a pessoa que convida é apresentada por outro alguém de confiança. o fato de eu saber quem é a pessoa. temos que realmente mostrar que a proposta é relevante no contexto comunitário ou institucional.poderemos incorrer no risco de estabelecermos um vinculo de dependência do usuários em relação ao técnico. como por exemplo: Quando o grupo for implantado em uma instituição asilar.2 O Trabalho Efetivo com Grupos de terceira Idade: A seguir acompanharemos alguns passos importantes de como implantarmos um grupo de terceira idade nos espaços comunitário e posterior. È importante fazer uma pesquisa de campo. 2º O segundo passo para a implantação do Grupo de Terceira Idade é saber se a temática proposta é do interesse da comunidade. A temática terceira idade deverá mobilizar o técnico social. um enfermeiro que cuida dos idosos e estabeleceu um vinculo forte com os mesmos. Quando alguém que conhecemos nos formula um convite. entre outros. o sujeito que convida é alguém sério. os idosos e demais membros não assumirão o compromisso com o técnico e com o grupo. Por exemplo.para que as pessoas se sintam mobilizadas. uma auxiliar de cuidados. Muitas vezes. Esta pessoa irá oferecer mais confiabilidade ao convite proposto pelo técnico social e seu convite formalizado. 10. vejamos: O Processo de Trabalho Implantação de Grupo de Terceira Idade: na Observações: 1º O Técnico Social deverá ter claro que a temática escolhida. sobre a proposta do trabalho com grupo de terceira idade. um agente comunitário. e esta energia incial partirá do profissional que se propõe colocarse a frente do empreendimento. junto a alguma pessoa que já possua uma referencia com os idosos. no sentido de o técnico social ser apresentado para os idosos. verificando qual seria o grau de aderência dos mesmos no trabalho proposto. procurar um profissional que tenha de certa forma uma intimidade com os idosos. já representa um primeiro passo do sucesso da idéia. um ajudante. não será motivadora para o fim desejado. em fim alguém que respalde conosco o convite. é algo que lhe mobiliza. abordando os idosos do contexto comunitário e ou do espaço institucional. Este convite compartilhado possui como intencionalidade buscar em alguém um status de confiança. falaremos sobre o processo de trabalho do Assistente Social com grupos na terceira idade. Se esta energia positiva despendida do profissional não existir.

pois todo o processo coletivo inicia-se com duas pessoas. implantar um grupo requer muita paciência. pois a implantação em si depende de muitos fatores como. assim como os conselhos locais. obstinação. no segundo encontro somente a mesma pessoa. e no terceiro a mesma coisa. sejam estas através de documento escrito.4º Não desista no primeiro momento. lidar com as diferenças. Sabemos que um membro não representa número suficiente para a implantação de um grupo. A rede de serviços locais representa uma via de comunicação de grande amplitude de comunicação que poderá ser utilizada. pois as semanas transcorridas durante o processo de implantação poderá favorecer melhor o processo de socialização do convite. mas possuem algo em comum. Ter paciência e força de vontade são habilidades importantes no processo de constituição de um grupo. e querer fazer parte de um um espaço coletivo. como iremos desenvolver nosso processo de trabalho já com o grupo de pessoas que aderiram ao nosso convite: O Processo de Trabalho do Serviço Social na Implantação de Grupo de Terceira Idade: 1º O grupo foi formado por pessoas que não se conhecem. que é o componente do grupo e membro da instituição ou do contexto comunitário. seriedade. como é o caso do profissional Assistente Social. amadurecimento da idéia. divulgação. falado ou até de rádio e televisão. Vejamos agora no quadro abaixo. 5º O grupo poderá iniciar com um membro. nivela os membros em estarem buscando objetivos comuns para o funcionamento do grupo e utilização deste espaço coletivo. mas não desanime. Quanto maior a abrangência da comunicação mais fácil a aderência dos interessados. ou seja: Você técnico e o usuário que aderiu ao chamado. pois nuclear um grupo requer muita paciência e obstinação. serem idosos. 114 . Observações: Esta condição. É importante repetirmos que. e ou gostarem desta temática. requer vontade. mas no quarto encontro poderá surgir o terceiro membro. Por isso. pois poderemos ter o primeiro encontro com apenas um membro. Sabemos que os processos comunitários dependendo dos espaços que são utilizados são precários e que requer muita obstinação por parte do profissional em prosseguir com o projeto. poder se colocar em frente de um grupo. agora formulado por uma segunda pessoa. implicação com a temática “ terceira Idade”. A implantação de um grupo de terceira idade não é uma atividade muito fácil. e muita paciência. o técnico social deve estar muito implicado com o processo e com a temática para não desanimar e desistir. Necessitamos investir na divulgação.

. O grupo deverá ser sempre o espaço de resolução de conflitos. sempre no sentido de trabalhar de forma a somarem no coletivo social. mas na medida que o grupo cresce. é necessário primeiro que todos se sintam partes integrantes daquele espaço de convivência. Estes elementos quando percebidos e pensados poderão unir as pessoas em torno de um mesmo espaço. intrigas. é a descoberta dos lideres naturais. Valorizar os lideres naturais decorre de uma estratégia significativa para o profissional social. o técnico social terá que ter a habilidade de perceber qual os interesses do grupo. vão sendo ditos e vividos no e pelo grupo. sentimentos comuns. por vezes movidos por sentimentos de antipatias. as diferenças promoverão no grupo uma forma possível para agregar novos elementos observados no grupo “A” em 5º É relevante que o profissional Assistente Social promova sempre encontros entre grupos. aos sentimentos. Estes membros que possuem este potencial deverão ser estimulados a desenvolverem um papel importante no grupo. o grupo da comunidade “A” com o grupo da comunidade “B”. desconfianças. Durante os encontros. este espaço de liderança do Assistente Social no grupo representa um mecanismo de efetiva organização daquilo que o grupo precisa no seu processo de nucleação e desenvolvimento.. pois estes sujeitos poderão ocupar o papel que ora o Assistente Social ocupa. é neste momento. Os lideres negativos deverão ser monitorados para que os mesmos não deixem o grupo se arrastar para um caminho que iniba os processos criativos. o Assistente Social vai desaparecendo estrategicamente para que alguém do grupo vá assumindo seu papel como líder ou figura representativa. Entendemos que as diferenças existem como forma de aproximação ou repulsa daquilo que nos agrada ou não. neste encontro de identidades que buscaremos reconhecer o que nos une uns aos outros... deverá ter o cuidado de observar os lideres naturais negativos e trabalhar estes sujeitos no sentido de mudarem suas formas de se colocarem no grupo. significados. estes encontros possuem por finalidade estabelecer comparações de funcionamento e 115 . no sentido de conseguirmos “quebrar o gelo”. que vão aparecendo ao longo dos encontros e das abordagens realizadas pelo técnico. Aqui as dinâmicas são bem importantes como técnicas de mobilização e descontração. 3º O processo de construção da identidade do grupo é algo que será construído de forma lenta e gradual. Com toda a certeza. o técnico social irá promover atividades específicas que favoreçam os componentes do grupo a irem dando pistas sobre o que mais lhes convém. para isso. sonhos. As dificuldades inerentes que vão surgindo no processo de nucleação do grupo deverão ser trabalhadas no coletivo social para que elas sejam diluídas. Se positivas. oportunizar momentos de as pessoas poderem se conhecer. de um mesmo projeto de vida construído coletivamente.. É importante que o profissional fique atento as falas. desejos. Por exemplo. 4º Outro elemento de extrema importância que o Assistente Social deverá ficar atento.. O profissional Assistente Social. fofocas. para o extermínio. eles poderão ser positivos ou lideres negativos. Estabelecer processos de reconhecimento é muito importante para se estabelecer o inicio da confiança mutua. entre outros. bem como do técnico para com os idosos do grupo. principalmente as falas onde aparece o “não dito” aquilo que fica nas entrelinhas. de forma positiva como futuros lideres. quebrando este sentimento de estranhamento de uns para com os outros.2º É necessário para o técnico social.

competência éticopolítica deverá passar por este momento. e a procura de respostas. É o momento do grupo começar a caminhar sozinho. é o momento de observar seu produto final. para que hajam comparações positivas. Estas comparações poderão prover um novo estímulo para que cada grupo queira organizar seu grupo de diferentes maneiras. O profissional estrategicamente vai permitindo que os componentes do grupo e os lideres naturais positivos. Este é o momento de avaliar o trabalho realizado pelo profissional Assistente Social. é mais um recurso implantado tanto no âmbito da instituição como no contesto comunitário. que este sentimento é natural em todo processo de desvinculação de laços fortes estabelecidos a partir da confiança mutua. È importante pensarmos em criar ações que realmente possam estabelecer uma organização social no atendimento à população idosa. O melhor parâmetro a ser utilizado nesta análise diz respeito aos princípios estabelecidos no seu código de ética do serviço Social. entendemos que o 116 . Neste momento todos no grupo poderão ficar desestabilizados e dizerem: Que será de nós agora sem você? Não conseguiremos dar um passo sem a tua presença!. entre outras falas. Elabora o “luto” do companheiro que se desvincula. sem a liderança ostensiva do Assistente Social. permitindo que o grupo se torne autosuficiente nos encaminhamentos. ou de formas iguais a partir do novo.. 6º O grupo está maduro o suficiente para poder caminhar sozinho.conquistas. toma fôlego e prossegue sua caminhada. os vínculos pela afinidade que os movem. Mas temos a certeza. possam estar traçando novas possibilidades de ação e tomadas de decisões. e segue adiante enfrentando os desafios naturais de qualquer espaço democrático e legítimo. Este é um momento difícil para o profissional Assistente Social. os sentimentos de pertença e amizade. materializados e garantidos através do processo de trabalho do Assistente Social? Fica aqui a pergunta. será que eles foram rigorosamente pensados. é ver a autonomia do grupo funcionando. é como se um olhasse para o outro no formato de espelho. ou seja. 7º Chegou o momento de dizer a deus aos componentes do grupo. O Assistente Social procurará não interferir tanto nas decisões tomadas pelo grupo. o grupo legitimamente constituído. É o momento da saudade antecipada. com a presença do ou dos lideres naturais constituídos no grupo. 8ª Após o efeito “bomba” da notícia. distinguimos o quanto o processo de trabalho do Assistente Social ele é importante nesse sentido. é o momento de deixar o grupo caminhar sozinho. e principalmente o caráter político que o grupo possui e representa. Convergindo com tal reflexão. relação ao grupo “B”. é o processo de tomada de decisão. O tempo será o grande remédio para colocar a saudade no seu devido lugar e o grupo retomar sua energia novamente. Todo o processo de trabalho quando realizado com seriedade. é o momento de rever todo o processo e avaliar se realmente seus objetivos foram alcançados. é a possibilidade de ter a certeza que seu processo de nucleação deu certo. é saber que o grupo tornou-se um espaço de democracia. de constituição participativa. principalmente se o grupo foi nucleado por um acadêmico de serviço social.. O que estabelece as amarras nos componentes são os objetivos comuns construídos.

São Paulo: Cortez.. RAMOS . Rio de Janeiro. D.ed.50. D. Serviço Social: Questões para o Futuro. Cortez. resultará em um produto.. 1487 – 1494. E. D. visualizando demandas tradicionais e as emergentes de nossa época. Acesso e acolhimento aos usuários em uma unidade de saúde de Porto Alegre. que se configura nas expressões da questão social. e que. Referencias: PAPALIA. este produto definimos como sendo ter acesso a condições sociais que garantam ao idoso espaços reflexivos sobre a garantia de direitos e de cidadania. 3. através da ferramenta grupo para a terceira idade. 2003. A. 2005. S. 1996. 2000. A. Referencia Comentada: Práticas do Serviço Social Espaços Tradicionais e Emergentes Organizador: Jaqueline Oliveira Silva Dacasa Editora – 1988 Caro leitor. através do trabalho executado pelo Assistente Social. São Paulo. Caderno Saúde Pública. O processo de trabalho desenvolvido pelo Assistente Social. W. 19 (1): pp. LIMA. 117 . Marilda Vilela. Acolhimento e Vínculo em um Programa de Saúde da Família. M.27 – 34. Rio Grande do Sul. S. D. IAMAMOTO. LIMA. FALEIROS. Porto Alegre: Artmed. O Serviço Social na Contemporaneidade: trabalho e formação profissional. M. SCHMIDT. possui uma matéria-prima a ser trabalhada. M. D. 20 (6): pp. Revista Serviço Social e Sociedade. Vicente de Paula. n. este livro revela uma intensa prática dos Assistentes Sociais em diversos espaços coletivos. Desenvolvimento Humano. 2004.trabalho com grupos de terceira idade alcançam objetivos sempre presentes nos programas e projetos sociais direcionados para este segmento social nos espaços que esses idosos ocupam. & OALDS S. D. Rio de Janeiro. Caderno de Saúde Pública.

São Paulo: Cortez. ( ) Sabemos que a ação interventiva do Assistente Social se materializa no cotidiano da vida social através da sua condição de trabalhador livre ou profissional liberal. habilidades e atitudes que o mobiliza frente as expressões da questão social. 2000. Campinas: Livro Pleno. ( ) O Assistente Social por meio da análise institucional. no acolhimento da forma simples de como se constitui a vida das pessoas. VASCONCELOS. Serviço Social Jurídico: Perícia Social no Contexto da Infância e da Juventude. e esta dimensão está presente no seu exercício profissional através da garantia de direitos. ( ) Por outra. ( ) O exercício profissional do Assistente Social nas instituições. sabemos que são poucos os Assistentes Sociais que ocupam a condição de trabalhadores assalariados dependendo assim. o mesmo não somente depende do seu arsenal de conhecimentos. O desafio da subjetividade e a interdisciplinaridade. mas sim que sua prática está diretamente vinculada as condições e os meios de trabalho que as instituições oferecem. é de suma importância para a implementação de ações de inclusão social e ao próprio desempenho do processo de trabalho do Serviço Social. In: ______. dando a ele profissional. 2000. Saúde Mental e Serviço Social. ( ) O reconhecimento por parte do Assistente Social dos limites de sua ação profissional nos espaços operativos.TÜRCK. Eduardo Mourão. no que elas desejam e sonham. Autoestudo: ( ) A criatividade somente ocorrerá quando o Assistente Social bem como o Gerontólogo Social conseguirem interferir na realidade a partir da sua abertura para o reconhecimento da necessidade de termos uma formação pautada na pluralidade teórica. na valorização da cultura local. ( ) O Serviço Social é uma profissão que possui uma dimensão política. das instituições para que os contratem. Maria da Graça Maurer Gomes. Serviço Social e Interdisciplinaridade: o exemplo da saúde mental. aquilo de que necessita para obter um produto final a partir de seu processo de trabalho. 118 . consegue estabelecer o reconhecimento dos atores institucionais e suas atuações.

definindo os atores que poderão ser reconhecidos como parceiros em um trabalho coletivamente viável.v.v.f.v. Respostas: v.v.v 119 .

120 .

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