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0 GOVERNO DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO SUPERINTENDÊNCIA

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GOVERNO DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO SUPERINTENDÊNCIA DE PLANEJAMENTO E APOIO À EDUCAÇÃO COORDENADORIA DE TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS NUCLEO DE TECNOLOGIA EDUCACIONAL CAMPO GRANDE-MS

ESCOLA ESTADUAL ADVENTOR DIVINO DE ALMEIDA

JURIADA-2012

JÚRI SIMULADO DA ESCOLA ADVENTOR DIVINO DE ALMEIDA

“Uma releitura de fatos jurídicos modernos e épicos da nossa história”

Campo Grande - MS

2012

1

SUMÁRIO

Apresentação

03

Justificativa Objetivos

04

gerais

,

05

Objetivos específicos

05

Metodologia

06

Recursos

07

Desenvolvimento

08

Culminância

09

Estratégias de Divulgação

10

Anexos

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APRESENTAÇÃO

Este projeto tem como objetivo promover o estudo dos problemas sociais de forma mais dinâmica e lúdica, integrando várias disciplinas envolvendo sociologia, filosofia, história, língua portuguesa, geografia, biologia, física, química e o uso da sala de tecnologia educacional. Nesta 3ª edição, tínhamos o compromisso de inserir o projeto Tosco no júri, então, nosso foco foram assuntos bem recentes veiculados na mídia como:

Reformulação do código penal

As novas leis de trânsito como a do descanso para os caminhoneiros

As condições físicas de nossas rodovias na adequação da nova lei

O trânsito e as drogas (principalmente a droga lícita)

Os crimes cometidos no trânsito e que toma um rumo bem diferente dos crimes comuns nos julgamentos.

E a desagregação familiar (2ºB)

A seguir descrevemos cada etapa do desenvolvimento deste, seus objetivos, recursos e culminância. Entendemos quão importante foi o desempenho dos alunos na formação de cada júri apresentado, como a riqueza dos detalhes na montagem do processo e da fala dos componentes na simulação. Portanto, consideramos de suma importância colocar nos anexos além de fotos das apresentações dos alunos, também o material usado por eles como: texto da releitura do caso por eles julgados, os depoimentos dos personagens, a documentação criada pelos alunos para cada personagem do caso, os formulários desenvolvidos para compor o processo e principalmente os da avaliação do desempenho dos alunos.

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JUSTIFICATIVA

Este projeto permite mostrar a escola como produtora de conhecimento onde ela consegue fazer a transposição didática de situações ocorridas no cotidiano para dentro de sua cultura escolar, FILHO (2004) 1 . Pensando em mostrar uma possibilidade de unir teoria e prática, o modelo que mais nos atraiu foi a constituição de um júri simulado. Este permitiria numa única atividade, explorar o potencial criativo dos alunos, leva-los a pesquisar e estudar uma temática direcionada, demonstrar o poder de raciocínio, argumentação e exercitar a expressão e principalmente desenvolver o senso crítico. Importante também foi a forma de auto avaliação utilizada por nós com o objetivo de promover a autonomia e o trabalho em equipe demonstrando o que ocorreu nos bastidores, assim como o empenho dos componentes que representaram cada personagem da dramatização. Numa parceria com professores que assumiram o projeto dentro de sua disciplina, ficando assim distribuídos as tarefas de acordo com o conteúdo ministrado em sala de aula, dividimos da seguinte forma:

No turno matutino Coordenação do projeto: profª Vanja Marina Prates de Abreu, que também ministra as disciplinas de Sociologia e Filosofia em todo o Ensino Médio. Sala de Tecnologia Educacional: profª Ângela Shimabukuro. Professores Colaboradores: Ana Carla Chimenes e Andréa de Paula Língua Portuguesa; Iasson História e Sociologia/filosofia; Milene Química; Akira Matemática; Wilson Vernal Geografia; Caio Lima História e sociologia; Suély Copini - Física. No turno Vespertino 2 Os trabalhos desenvolvidos neste turno são desenvolvidos pelos professores Iasson Prestes e Caio Lima.

1 http://www.scielo.br/pdf/ep/v30n1/a08v30n1.pdf

2 As resenhas produzidas pelos alunos do turno vespertino, não foram disponibilizadas para serem anexadas nesta produção.

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OBJETIVOS GERAIS

Que nossos alunos reflitam sobre as questões sociais contemporâneas;

Pesquisem causas e efeitos;

Sejam críticos e reflexivos;

Projetem suas reflexões publicamente.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Definimos nossos objetivos específicos a partir dos conteúdos que são trabalhados em sala de aula, seguindo as orientações dos referenciais.

Sociologia/Filosofia: Questões e problemas sociais contemporâneos: tipos de violência, marginalidade/ exclusão social, desigualdade social, uso de drogas lícitas no trânsito, estudos sobre a reformulação do Código Penal. História: Caracterizar e comparar períodos históricos de maior incidência de violência. Geografia: Situar geograficamente cada evento pesquisado. Física: Cálculos do impacto dos veículos nos acidentes. Química: Estudos sobre o efeito do álcool no organismo. Língua Portuguesa/Redação: Produção textual, as novas regras ortográficas.

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METODOLOGIA

Procedimentos Utilizados para Início da Ação:

Pesquisa na internet;

Palestras com os acadêmicos de direito;

Leitura do resumo processo dos casos simulados (cedidos pelo juiz dr. Aluisio Pereira da 2ª vara).

Pesquisa de campo: entrevistas com motoristas (somente com os alunos dos 1ºA/B e 2ºA, o 2ºB criou um caso de homicídio fictício). Planos de ação estabelecidos. 1ª semana de agosto: Discussão do tema, pesquisa, designação dos papéis de cada personagem e início das visitas ao fórum pelas turmas.

2ª semana de agosto: Palestras por profissionais de direito, produção textual (construção da resenha) e ensaios.

27 de agosto 2012: Culminância dos alunos do matutino Júri moderno - (apresentação

dos alunos: Plenária do Tribunal de Justiça Fórum de Campo Grande-MS).

06 de setembro 2012: Culminância dos alunos do vespertino Júri épico (apresentação

no pátio da própria escola)

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RECURSOS

Humanos Alunos do 1º e 2º anos do Ensino Médio, professores de

Sociologia, Filosofia, História, Geografia, Língua Portuguesa, da Sala de Tecnologia, Direção e Coordenação Escolar, Acadêmicos de Direito, recursos humanos disponibilizados no fórum (cerimonial, TI).

Tecnológicos Computador, TV, DVD, Datashow, câmara fotográfica,

filmadora.

Físicos Sala de aula (estudos/debates), sala de tecnologia (para

pesquisa usando a internet w construção da resenha), sala de multimeios (filmes), quadra de esportes (para ensaios), fórum (para assistirem julgamentos de casos reais e apresentação da simulação)

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DESENVOLVIMENTO

Operacionalização do projeto.

Os professores participantes do projeto fizeram uma breve avaliação dos resultados da realização das duas primeiras edições do júri simulado realizado ano de 2010 e 2011 consecutivamente, e, das sugestões do que deveria ser melhorada para esta 3ª edição do júri foi a incorporação do Projeto Tosco em Ação”, nas ações do Juriada 2012. O Projeto Tosco tem objetivos específicos em relação às drogas e pretende aumentar a participação dos pais de alunos nas ações educativas de prevenção do uso de álcool e outras drogas realizadas na escola, assim como inserir temas sobre álcool e outras drogas em disciplinas curriculares de forma integrada. O Juriada 2012 manteve a realização de um júri épico (devido às características próprias dele), no turno vespertino simulando situações históricas mais antigas. O passo seguinte foi combinarmos em quais aulas a temática combinaria nos conteúdos distribuídos no bimestre em cada turma. Como a realização do júri estava prevista para acontecer no terceiro bimestre, foram feitos ajustes nos planejamentos para contemplar os conteúdos por disciplina. Consultamos os referenciais e os temas escolhidos pelos alunos e começamos a nos mobilizar cada professor com seu conteúdo. Revezamo-nos na visita, ao fórum no caso dos alunos do turno matutino. Após o agendamento feito pelos alunos no Tribunal de Justiça, um professor acompanhava a turma e outro assumia (subia o tempo de aula dos que ficaram na escola). O mesmo ocorreu com as palestras dos acadêmicos do curso de direito e nos dias de ensaio de cada sala com sua apresentação.

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CULMINÂNCIA

O júri do turno vespertino ocorreu dia 06 de setembro de 2012 no pátio da própria escola, os trabalhos dos dois turnos nas modalidades moderno e épico, contou com a participação da direção e coordenação do NTE 3 , professores da escola que não estavam diretamente envolvidos na realização do projeto, para compor a banca dos avaliadores dos trabalhos. No turno matutino a culminância ocorreu dia 27 de agosto de 2012 e por ser a realização de julgamentos modernos, foi realizado na Plenária do Tribunal do Júri no Fórum de Campo Grande-MS, e contou a presença do Dr. Aluizio Pereira dos Santos, juiz de direito da 2ª Vara da Comarca de Campo Grande-MS.

ESTRATÉGIAS DE DIVULGAÇÃO

Indicadores de avaliação utilizados para definir o sucesso da ação empreendida.

Estamos também procedendo à divulgação do nosso projeto nos blogs e sites dos alunos

e da escola e os vídeos foram postados no Yutube, conforme links abaixo:

Júri Moderno (matutino):

Júri Épico (vespertino):

Os alunos do vespertino retrataram casos épicos sob a coordenação dos professores Caio Lima (http://caiolimahist.blogspot.com.br/)

Para avaliar a real participação dos alunos no processo de preparação do júri simulado foi desenvolvida uma ficha que ficou encarregada de ser preenchida pelo líder de cada sala, de acordo com a realização de cada participante. A criação da ficha foi necessária porque daí saiu a nota do bimestre de cada aluno. Na coluna como “participou?”, eles descreveram suas atividades no processo da forma mais variada possível como, por exemplo: escreveu o caso que foi julgado, escreveu a fala do juiz, emprestou o

3 Núcleo de Tecnologia Educacional

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notebook, pesquisou sobre a doença da vítima, organizou o figurino, foi a defensoria, foi a promotoria, emprestou a casa para ensaios e outras das quais compilamos estes dizeres. No dia da apresentação do júri pelos alunos, organizamos uma banca para avaliar a apresentação deles. Esta banca foi composta por um representante do NTE, professores que não estavam diretamente participando do projeto (para garantir imparcialidade) e acadêmicos de direito, ao todo foram cinco avaliadores que por meio de uma ficha com

os critérios preestabelecidos pontuavam as apresentações das turmas.

A escola achou justo que cada aluno participante do projeto, independente se sua

participação foi de bastidores ou na simulação do júri, que receba um certificado de

participação. Fatores positivos: A empolgação deles nos preparos e na apresentação do júri

simulado; a participação, comportamento e atenção deles ao assistirem os julgamentos

no Tribunal do júri; o desafio de realizarem um julgamento simulado num ambiente real (o Tribunal do Júri) e com a presença de um juiz. No júri épico foi a encenação e preparação dos cenários de época, pensar nos detalhes, na criação de num possível diálogo entre os personagens.

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ANEXOS

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FOTOS JÚRI MODERNO

12 FOTOS – JÚRI MODERNO
12 FOTOS – JÚRI MODERNO
12 FOTOS – JÚRI MODERNO
12 FOTOS – JÚRI MODERNO
12 FOTOS – JÚRI MODERNO

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FOTOS JÚRI ÉPICO

13 FOTOS – JÚRI ÉPICO
13 FOTOS – JÚRI ÉPICO
13 FOTOS – JÚRI ÉPICO
13 FOTOS – JÚRI ÉPICO

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Abaixo foros dos professores que desenvolveram o projeto com suas turmas:

dos professores que desenvolveram o projeto com suas turmas: Iasson Prestes Resp: 1º D, E e

Iasson Prestes Resp: 1º D, E e 2º ano C

(épico)

turno vespertino

Resp: 1º D, E e 2º ano C (épico) turno vespertino Caio Lima Resp: 1º ano

Caio Lima Resp: 1º ano C (épico)

turno vespertino Caio Lima Resp: 1º ano C (épico) Vanja Marina - Coord. do projeto Resp:

Vanja Marina - Coord. do projeto Resp: 1º ano A, B, 2º A, B (moderno)

Turno matutino

FICHAS DE AVALIAÇÃO

Ficha de avaliação da participação da turma na simulação do júri.

 

Júri simulado Matutino - 2012

 

Critérios

Professor avaliador:

 

(de 0 a 100 pontos por cada critério)

1º ano

1º ano

2º ano

2º ano

Turma A

Turma B

Turma A

Turma B

Desenvolvimento do júri como um todo (mais próximo do real)

       

Promotoria

 

Argumentação

       

Persuasão

       

Oratória

       

Defensoria

 

Argumentação

       

Persuasão

       

Oratória

       

Juiz

 

Oratória

       

Desenvoltura

       

Criatividade

 

Adereços

       

Total por turma

       

Ficha 2 ficha de avaliação da apresentação das turmas na simulação do júri.

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Ficha de avaliação da participação individual do aluno no processo.

Júri simulado – 2012 1ª ano A( ) B( ) C ( ) D (
Júri simulado – 2012
1ª ano A( ) B( ) C ( ) D ( ) E ( ) – 2º A( ) B( ) C ( )-
Devolver dia 30/08/12
Responsável:
Como participou?
Aluno
Nota

Ficha de avaliação da participação da turma na simulação do júri.

Júri simulado Vespertino 2012

 

Critérios

 

Professor avaliador:

 

(de 0 a 100 pontos por cada critério)

1º ano

1º ano

1º ano

2º ano

Turma C

Turma D

Turma E

Turma C

Desenvolvimento do júri como um todo.

       

Participantes

 

Desenvoltura

       

Representação dos personagens da época

       

Atuação

       

Cenário

 

Montagem/desmontagem

       

Criatividade

       

Representação da época

       

Resenha

 

Normas de um trabalho acadêmico (mais próximo possível)

       

Apresentar os fatos históricos

       

Apresentar os componentes e funções

       

Total por turma

       

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RESENHAS DOS ALUNOS JÚRI MODERNO MATUTINO

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Escola Estadual Adventor Divino de Almeida

Júri Simulado 1° ano A

Caso: Fernando Paiva da Cruz Neto

Agosto de 2012 Campo Grande- MS Escola Estadual Adventor Divino de Almeida

1

Júri Simulado 1° ano A

Caso: Fernando Paiva da Cruz Neto

Trabalhos apresentado como avaliação parcial as disciplinas de:

Sociologia e Filosofia: Vanja Marina Prates de Abreu História: Caio Lima Língua Portuguesa: Andréa Paula Redação: Ana Carla Chimenes Química: Milene Martins Física: Suély Copini

Agosto de 2012 Campo Grande- MS

2

Sumário

1. Introdução

 

03

2. Enredo

05

3. Personagens

06

4. Cronograma de apresentação do Júri

07

 

4.1.

Apresentação dos Jurados

07

4.2.Termo de Advertência aos jurados

09

4.3. Juramento da verdade

09

4.4. Pronunciamento da Juíza

09

5. Depoimento de réu

11

6. Debates

Orais

13

7. Votação Secreta dos Jurados

17

8. Perfil do acusado

18

9. Perfil vítimas

 

19

10.

Exame de sangue

20

11

Prova Pericia

21

12.

Boletim de ocorrência

27

13.

Sentença

28

14.

Encerramento

29

3

1. Introdução

Este trabalho foi elaborado para informar sobre as novas leis de trânsito com a imparcialidade de mostrarmos os dois lados a qual foi dirigida Uma nova lei foi criada a lei nº 12.619/2012, que visa regulamentar a jornada de trabalho

dos motoristas do transporte rodoviário de cargas e de passageiros. Foi criada com o objetivo de diminuir os acidentes no transito já que a infraestrutura é pouca para o fluxo de veículos devido ao aumento do poder aquisitivo.

A nova lei exige que os caminhoneiros tirem 11 horas de descanso, pois a maioria dos

acidentes em rodovias e causada por caminhões, mas não pensaram que para criar uma lei e preciso observar as condições que ela tem pra poder ser cumprida.

Os caminhoneiros já fizeram protestos e manifestações para melhorar as condições das rodovias e postos de paradas alegando que não tem iluminação, nem segurança nas paradas,

e escassez de postos.

O caminhoneiro Denílson Casagrande, que está na estrada há mais de 20 anos, também se

preocupa com os locais de parada. “A lei é muito boa, porque tem muito louco dirigindo por

aí, mas se vão exigir um tempo de descanso, que nos ofereçam um local adequado. Tem que

conversar com as concessionárias e exigir a construção dessas paradas”, diz. Para Adriano José Camargo, motorista profissional há 18 anos, hoje os caminhoneiros sofrem para

conseguir locais para descansar. “No trecho entre Curitiba e São Paulo (BR-116) não tem onde parar. Se quiser parar, é preciso colocar no mínimo 200 litros de diesel. Se não, vai e volta sem poder parar para descanso”, conta.

- Pela nova legislação do setor, os motoristas devem fazer uma jornada de trabalho de oito

horas diárias, com no máximo duas horas extras, além de pausa de 30 minutos a cada quatro horas trabalhadas.

-

lei alegando que as exigências impostas são "inviáveis por falta de infraestrutura nas

estradas"

O Movimento União Brasil Caminhoneiro quer o adiamento por um ano da vigência dessa

- A nova regra também determina descanso sem interrupção de 11h a cada dois dias

trabalhados

- Porém, os caminhoneiros argumentam que as rodovias brasileiras não têm infraestrutura

adequada para cumprir a norma.

4

- Outra reclamação envolve a entrada de mais de 600 mil veículos no setor, "levando à

concorrência desleal que jogou o frete rodoviário a valores que não cobrem as despesas", dizem os manifestantes.

- O cartão-frete é alvo de outra reivindicação por impedir o recebimento de dinheiro ou de cheque. Também foram coletas informações que indicam o numero de acidentes de transito entre homens e mulheres.

42% das mulheres já sofreram acidente de trânsito.

Contra 78 % dos homens. Com base nos dados recolhidos, formulamos esse Júri simulado, que é uma releitura do caso Cristiano Pacheco de Sousa julgado pelo excelentíssimo Juiz Aluízio Pereira dos Santos.

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2. Enredo

No dia 15 de maio de 2010 (sábado) o acusado Fernando Paiva da Cruz Neto condutor do veiculo marca Renault, modelo Logan, cor preta, placa FHN-4896, por volta das 23h40min., na Rodovia BR-262, km 319,3 invadiu a pista contrária e colidiu frontalmente com a motocicleta marca Honda/CG 150 Titan KS , cor azul, placa HKL-3952, ocupada pelas vítimas Marcio da Silva Ferreira e Maria de Fátima Souza Alcântara causando-lhes o morte por hemorragia interna.

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3. Personagens

Juíza

Thalita Mendes Cavalcante

Promotora

Mariana Bertolucci

Assistente da promotoria

Ingrid Dorneles

Defensoria

Ravane da Graça Almeida

Assistente da defensoria

Deise Nathaly

Escrivã

Fernanda Gouveia

Policial

Maikon Torres

Oficial de justiça

Larissa Hoff

Réu Fernando Paiva da Cruz Neto

Leonardo Pontes

Jurados selecionados

Brenda Alexia Elton Rodrigues Zyon Johann Géssica Aguero Elen Mayara Thaynara Clovacki Thaynara Santos

Vítima Marcio da Silva Ferreira

Glauber Rosseto

Vítima Maria de Fatima Souza Alcantra

Loislene Bernal

Perícia

Daniele Fernandes e Kaliup Dias

Organização

Bianca Gleizer e Kétura de Souza 3º A

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4. Cronograma de apresentação do júri

4.1. Apresentação dos jurados

(Todos entram na sala. Vinte e cinco jurados estão sentados na primeira fila dentre os

espectadores e jornalistas. O juiz senta-se em seu devido lugar no mesmo momento em que

a escrivã, que esta sentada ao seu lado esquerdo, levanta-se e começa a sortear os nomes dos sete jurados que formarão o Conselho de Sentença. Ela sorteia o primeiro nome e o dá para

o juiz, que lê o nome da pessoa). A mesma levanta e o promotor ou o defensor podem negar

ou aceitar a sua participação no conselho.

Vamos fazer a seleção dos jurados.

A escrivã Fernanda Gouveia irá ler o termo de advertência para os senhores jurados para

que fiquem cientes das regras do júri. Se acaso algum jurado quiser desistir, não quiser

perder o seu tempo, que seja

Por favor, não se acanhem.

4.2. Termo de advertência aos jurados

A) Os senhores Jurados, uma vez sorteados, não poderão comunicar-se com outras pessoas nem manifestar sua opinião sobre o processo, sob pena de exclusão do conselho;

B) A função da acusação e defesa é fornecer esclarecimentos aos jurados, até porque cada parte possui 1h 30min; acrescida de mais 1h em razão da réplica, podendo ao final dos debates, chegar á soma de 5h de explicação dos fatos constantes do processo;

C) O jurado que tiver alguma dúvida deverá avisar, levantando a mão, sinalizando que pretende fazer pergunta(s). Neste caso, o serventuário entregar-lhe-á uma prancheta, com caneta e papel sulfite para escrever a pergunta para evitar que venha a influenciar os demais jurados ou transparecer predisposição para condenar ou absolver;

D) Terão nova oportunidade de perguntar ou tirar dúvida ao final dos debates;

E) Não poderão fazer ligação em celular, devendo desligá-lo. Em caso de necessidade, deve consultar o juiz;

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F)

Durante os debates, o jurado não poderá interagir com as partes, por exemplo, sorrir, acenar positivamente ou negativamente com gestos;

G)

Após o término do julgamento não fazer comentários com as partes, Promotor e Defesa, sobre o resultado, seja ele absolvição ou condenação, nem fazer comentários

de

outros processos que julgou;

H)

Caso o jurado tenha envolvimento em processo-crime de homicídio (ou tentativa), ou

conhecimento de familiar envolvido em processo desta natureza como acusado ou vítima,deverá comunicar ao Juiz de Direito antes do sorteio do conselho de sentença,

com

o fim avaliar a sua isenção para participar do júri;

I)

O

tribunal de justiça ou qualquer superior poderá anular a decisão dos jurados

“manifestamente contrario á prova dos autos”, sujeitando o réu a novo julgamento.

Se anulada outros jurados deverão ser convocados ;

OBS: Não poderá compor o corpo de sentença o jurado que for impedido ou suspeito

de imparcialidade, conforme artigo 448 e 449 do CPP,consoante situações a seguir:

I marido e mulher II ascendentes (pai, avô, neto, bisneto, etc.)

III descendentes (filho, neto, bisneto, etc.)

IV sogro e sogra com genro ou nora.

V irmãos

VI cunhados.

VII Tio e sobrinho.

VIII padrasto ou madrinha com enteado.

Juíza: _Vamos fazer o sorteio

1.Brenda Alexia Juíza:_ Promotoria? Promotoria: _Aceito. Juíza: Defensoria. Defensoria: _Aceito. Priscila Macedo Juíza:_ Promotoria?

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Promotoria: _Recuso. 2.Elton Rodrigues Juíza:_ Promotoria? Promotoria: _Aceito. Juíza: Defensoria. Defensoria: _Aceito.

3. Thaynara Clovacki

Juíza:_ Promotoria? Promotoria: _Aceito. Juíza: Defensoria.

Defensoria: _Aceito. 4.Géssica Aguero Juíza:_ Promotoria? Promotoria: _Aceito. Juíza: Defensoria Defensoria: _Aceito. 5.Elen Mayara? Juíza:_ Promotoria? Promotoria: _Aceito. Juíza: Defensoria. Defensoria: _Aceito.

Daniele Fernandes Juíza:_ Promotoria? Promotoria: _Aceito. Juíza: Defensoria. Defensoria: _Recuso.

6. Zyon Johann

Juíza:_ Promotoria? Promotoria: _Aceito. Juíza: Defensoria. Defensoria: _Aceito.

7.Thaynara Santos Juíza:_ Promotoria? Promotoria: _Aceito.

10

Juíza: Defensoria. Defensoria: _Aceito.

4.3. Juramento da verdade

Bom, creio que está tudo certo, prosseguindo. Peço que todos os participantes do

júri se levantem para que eu possa ler o juramento.

Em nome da lei, concito-vos a examinar esta causa com imparcialidade e a proferir

a vossa decisão de acordo com a vossa consciência e aos ditames da justiça. Todos sentam novamente.

Brenda Alexia. ( Diz o juiz.)

Assim o prometo! (O jurado levanta e responde; e assim por diante.)

Declaro aberto esse júri tributário. (a juíza levanta diz isso arruma os documentos presentes em sua mesa e inicia o julgamento).

4.4. Pronunciamento da juíza

Bom, nós temos o número suficiente de jurados para dar início à sessão de julgamento. (uma pausa ) Pregão

Audiência do Júri Popular de Fernando Paiva da Cruz Neto acusado pelo art. 121, § 2°, inciso IV do código penal por 2 (duas) vezes art.306 e art. 309 do código de transito brasileiro , sendo todos c/c art. 69 do código penal .

Juíza: Thalitta Mendes Cavalcante

Réu: Fernando Paiva da Cruz Neto

Ministério Público Estadual: Mariana Bertolucci Promotora Publica

Ingrid Dorneles Assistente Da Promotoria

Vítimas: Marcio da Silva Ferreira

Maria de Fatima Souza Alcantra

Advogada: Ravane da Graça Almeida

Assistente da Advogada: Deise Nathaly

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5. Depoimento do réu

Então gostaria de chamar, por gentileza, o réu, Sr. Fernando Paiva da Cruz Neto. Pode sentar aqui no banco.

Devo adverti-lo que o senhor tem o direito constitucional de permanecer calado, mas devo lembrá-lo que esse é o momento certo para dar a sua versão sobre os fatos aqui julgado. A qualquer momento se por acaso não quiser responder umas das perguntas pode ficar em silêncio e responder às próximas.

Interrogatório

1.Nome ?

Fernando Paiva da Cruz Neto

2.Nome do pai?

Joaquim Paiva Ribeiro

3.Nome da mãe?

Dolores Cardoso Paiva Cruz

5.O que você estava fazendo na noite de 15 de maio de 2010?

Ah eu tava numa festa na casa de uns amigos meus lá em Terenos

6.Com quem o senhor estava no carro?

Eu estava com meu amigo Gustavo Junqueira.

7.Nesse dia você colidiu com uma moto honda prata?

Sim senhora, eu fui fazer uma ultrapassagem e não vi a moto e o acidente acabou acontecendo.

8.A que horas você chegou em Terenos?

12

Eu cheguei lá pelas 10 horas da manhã, porque teve um churrasco do aniversário de um chegado meu.

9.Que horas acabou essa festa?

Umas dez e meia.

10.O senhor conhece Ronaldo Vieira?

Sim senhora. É o amigo que eu fui no churrasco.

11.O senhor ingeriu alguma bebida alcoólica nesse evento?

Não senhora.

Vou falar o nome das vítimas e o senhor responde se conhece ou não.

12.O senhor conhece Debora Nogueira?

Não senhora

13.Flavio Andrade?

Não senhora

14.Rafael Junqueira?

Não senhora

15.Claudineia Brizich?

Não senhora.

16.O senhor gostaria de acrescentar mais alguma informação fora o que foi perguntado?

Não senhora.

A Promotoria gostaria de fazer alguma pergunta?

13

Não tenho mais perguntas a formular. Obrigada.

A Defensoria gostaria de fazer alguma pergunta?

Tudo bem, não tenho mais perguntas a formular. Obrigada.

Começaremos com os debates. Dada a palavra à promotoria.

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6. Debates orais

Bom, que se iniciem os debates orais. Por gentileza promotora.

Argumentações da Promotoria

Primeiramente gostaria de agradecer a presença da meritíssima juíza Thalitta Mendes Cavalcante por sua competência para com este júri tribunal. A senhora que é uma mulher de caráter e imparcialidade, que está sempre de acordo com os ditames da lei. Sei que mais uma vez está comprometida com a verdade e que avaliará este júri da maneira correta, também quero agradecer a presença dos senhores jurados e a minha colega de trabalho Ravane da Graça Almeida. No dia 15 de maio de 2010 por volta das 23hs40min na Rodovia BR-262, o acusado Fernando Paiva Cruz Neto estava dirigindo um veículo da marca Renault e invadiu a pista contrária colidiu frontalmente com a motocicleta ocupada pelas vítimas Marcio da Silva Ferreira Junior e Maria de Fátima Souza Alcântara causando-lhe a morte conforme os ferimentos descritos nos laudos necroscópicos. Marcio morreu com hemorragia interna na região torácica, e Maria de Fátima com hemorragia interna na região frontal e temporal, e uma fratura na perna direita. Segundo o depoimento de Fernando ele estava atrás de um caminhão, estava com faróis ligados, pois, já era noite e ao tentar fazer a ultrapassagem, colidiu com a moto que vinha em alta velocidade e com as luzes apagadas, Fernando confessou estar dirigindo veiculo do acidente. Segundo o depoimento do motorista do caminhão que trafegava á frente do carro de Fernando, ele estava visivelmente alcoolizado, pois Fernando vinha fazendo o movimento de zig zag na pista a mais ou menos 1 km, colocando em risco alem de sua vida, mas também a de qualquer um que por ventura se colocasse em seu caminho. O motorista do caminhão também disse em seu depoimento que viu a moto, e ela estava parecendo ser bem cautelosa, provavelmente pelo horário, pois se estivesse em alta velocidade quem teria causado o acidente teria sido ele e não Fernando o acusado. Portanto em uma breve interpretação desses depoimentos lidos podemos ver que em nenhum momento é dito que a moto estava com os faróis apagados, pelo contrario ele

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deixou bem claro 1º: Marcio estava sendo bem cauteloso, 2º Fernando estava visivelmente alterado. As provas são visíveis, com o laudo da perícia que será entregue aos senhores peço para que os senhores acompanhem a leitura da conclusão da perícia ”face aos exames realizados e interpretados, infere o perito relator que a causa determinante do acidente em questão deveu-se ao brusco desvio direcional à esquerda, do veiculo auto passeio RENALT/LOGAN, que invadiu a pista de rolamento oposta à que trafegava vindo a obstar a passagem retilínea e prioritária do veículo MOTO/HONDA que trafegava corretamente em sua mão de direção, bem como do veículo, que trafegava em sua retaguarda. A velocidade excessiva desenvolvida pelo veículo RENALT/LOGAN foi o fator agravante do acidente de tráfego, com duas vitimas fatais”. Com isso é fácil concluir que Fernando estava embriagado, para ser mais exato ele estava com 5x a mais de álcool em seu sangue do permitido por lei, estava em alta velocidade e também estava com sua CNH apreendida há alguns dias praticamente uma semana, e não tinha autorização para trafegar sem ela. Se existe limite para tamanho falta de responsabilidade os senhores saberão distinguir teatro de realidade, sei que não será necessário eu chegar à frente dos senhores e inventar mentiras, pois as provas e os depoimentos das testemunhas farão isso por mim. Para finalizar quero compartilhar com os senhores algo que aprendi em minha faculdade “Todo individuo tem o direito de gozar e desfruta de sua vida, incumbindo ao estado o dever de protegê-la, sendo ela de importantíssima relevância, a ponto de tratar-se de um dos direitos indisponíveis do homem”, então em nome dos falecidos Marcio e Maria de Fátima eles têm o direito de justiças, de o que for certo será levado em conta, o que for certo fará ser culpado, fará a justiça ser feita, fará a família destes jovens ficarem mais aliviados, fará crimes como esses não serem mais comuns e mostrara que o dever do estado foi cumprido. Bem meu trabalho aqui foi feito meu tempo acabou, mas confio aos senhores a decisão certa sei que ela será tomada da melhor maneira.

Dada a palavra a defensoria.

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Argumentações da Defensoria

Primeiramente, quero agradecer pela presença da Excelentíssima Juíza Thalitta Mendes, que mais uma vez vem ao tribunal do júri para julgar os fatos ocorridos de acordo com os ditames da lei. Vossa exelência, que é uma pessoa conhecida pela sede de justiça e pela boa índole. Quero agradecer também a presença da minha colega de trabalho Mariana Bertolucci, e aos senhores jurados. Vou relembrar aqui apenas um resumo dos fatos: na noite do dia 15 de Maio de 2010 o senhor Fernando Paiva da Cruz Neto trafegava pela rodovia BR-262 em um Renault Logan quando ao tentar fazer uma correta ultrapassagem colidiu com uma moto Honda que estava em situação irregular. “O artigo 244, IV, do Código de Trânsito Brasileiro prevê como infração de natureza gravíssima conduzir motocicleta, motoneta e ciclomotor com os faróis apagados”.

Portanto ao não manter o farol aceso, tornou pouco provável as chances de serem vistos pelo

meu cliente

Meu cliente tem completa consciência das consequências que proferiram essa ultrapassagem, porém não tem culpa de nada, não assumindo assim a intenção de matá-los. Tentou de todas as formas possíveis fazer com que o carro se desviasse para a esquerda de modo a evitar que tal fatalidade não acontecesse, porém isso não foi possível. Não sendo justificável o réu no momento do acidente estar conduzindo um veículo sem carteira de habilitação peço a vocês relevância por este ser uma pessoa humilde e honesta, que não mentiu nem omitiu qualquer informação, não o condenem a uma pena máxima antecipadamente, coloquem-se no lugar dele, por um crime que o mesmo não teve a menor intenção de provocar. Irei pedir agora para a escrivã deste plenário ler apenas um trecho do depoimento do Sr. Gustavo Junqueira amigo do réu que estava junto com o mesmo no momento do fato ocorrido:

E mais, ainda estavam em alta velocidade!!!

(neste momento a escrivã lê a parte que lhe foi designada: “Eu e o Fernando estávamos tranquilos fazendo o nosso trajeto sem qualquer que fosse a interrupção. Ele tomando refrigerante e eu tomando cerveja, quando de repente resolveu fazer uma ultrapassagem e logo após deu o sinal, buzinou e como não houve nenhuma manifestação seguiu em frente. Subitamente apareceu uma moto em alta velocidade, e num espaço

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relativamente impossível de recuar devido ao horário de pico dos caminhões na estrada. Pego de surpresa o meu amigo não teve saída para evitar esse acidente, eu estava lá e vi todo o sufoco pelo qual passou, conheço ele, sei que nunca seria irresponsável de viajar numa rodovia tão movimentada bêbado. Ele estava perfeitamente lúcido.”)

Viram jurados? Meu cliente não estava sob o efeito de bebida alcoólica, até porque, logo após o acidente não foi feito nenhum teste do bafômetro e sim um detalhado exame de sangue que constata a ingestão de bebida alcoólica há três semanas ou mais, ou seja, não há como provar a autenticidade deste exame de sangue. Portanto vossa excelência peço a anulação do mesmo.

(Neste momento, a Juíza olha alguns papeis e concede o pedido).

Há também o depoimento de outra testemunha que estava transitando no mesmo local do acidente: Sra. Claudineia Brizich. Segundo ela, o veículo do Renault Logan estava apenas um pouco acima da velocidade permitida, mas nada que atrapalhasse o trânsito, portanto o pivô e causa do acidente foi a motocicleta estar num local desapropriado e inadequado para a mesma. Peço a vocês que não se deixem levar por um discurso e sim por suas emoções, afinal o meu cliente também é humano, também erra, e principalmente, tem sentimentos. Ele esta profundamente arrependido de ter feito aquela ultrapassagem. Olhem para ele: ele tem cara de alguém que sai matando pessoas? Tem cara de alguém de má índole? Não. Ele é só mais um homem que tem uma família que estava no lugar errado e na hora errada. Tenham compaixão! Uma vida inteira está em suas mãos. Sejam justos para os dois lados da história. Sem mais delongas excelência, obrigada!

Gostaria de ter uma réplica promotora?

Sim Meritíssima.

Dada a palavra a promotora.

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Réplica

Concordo com o que foi dito pela defensoria, realmente nas mãos dos senhores no dia de hoje está em jogo à vida de alguém, a vida de Fernando, essa pode ser a maior chance da vida dele, mas Fernando pelo menos esta tendo uma chance, algo que Marcio e Maria de Fátima não tiveram sorte de ter, eles não escolheram estar naquele local, eles não escolheram ter a infelicidade de cruzar o caminho de Fernando eles não tiveram a chance de escolher entre a vida e a morte eles simplesmente foram os culpados pela irresponsabilidade de um homem ou uma criança usem o termo que preferirem que resolveu ingerir bebida alcoólica e assumir o controle de um caro em uma rodovia, pois tenho certeza de que se não fosse Marcio e Maria de Fátima ali existiriam outras vitimas, e se não fosse as testemunhas

presentes, este caso talvez não estaria em julgamento no dia de hoje, pois ao contrario do que foi dito pela defensoria, Fernando não prestou socorro segundo ele, “ele foi tomado pela emoção”, se ser tomado pela emoção é pegar o carro e deixar duas pessoas mortas sem nem

se quer prestar socorros, imagino como seria se ele não tivesse sido tomado pela emoção.

Dada a palavra a defensoria.

Tréplica

É claro senhores jurados que meu cliente Fernando está tendo sim mais uma chance para sobreviver e têm consciência de que uma vida levada jamais será trazida, e concordo plenamente com a frase hoje citada neste tribunal por minha colega promotora, entretanto devo adverti-los que meu cliente não é indiferente de ninguém, ele também tem o direito de

gozar e desfrutar de sua própria vida, possui livre arbítrio para dela fazer o que bem entende.

E se o mesmo abandonou o local foi por medo, vocês sabem o que é medo? O que é sentir

pavor de ver dois corpos estirados num asfalto sem saber o que fazer? Não tinha como, não tinha como ele enxergar uma coisa tão pequena sem visibilidade o suficiente. Imaginem-se dentro de um carro entre dois caminhões, o que qualquer pessoa normal faria para continuar

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seu trajeto? Uma ultrapassagem é obvio. Ele não é diferente de ninguém, não possuía uma bola dês cristal para advinhar que ali estariam dois passageiros em uma moto, em alta velocidade. Portanto peço aos senhores que analisem cautelosamente as provas, depoimentos, testemunhas e evidencias chegando a conclusão correta de quem verdadeiramente provocou o acidente. Sem mais delongas termino aqui minha tréplica torcendo para que a decisão certa seja tomada nesta Comarca de Campo Grande.

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7. Votação secreta dos jurados

Senhores jurados, iremos à sala secreta a fim de começar a votação que decidira o destino do réu. Pausa de 2 minutos. (- a votação dos jurados.)

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8. Perfil do Acusado

Acusado: Fernando de Paiva Cruz Neto Nome das vítimas: Maria de Fátima Souza Alcântara e Marcio da Silva Ferreira

Junior

O que houve: No dia 15 de maio de 2010 por voltas 23h40min, na rodovia Br- 262,

km 319,3. Dirigindo um veículo marca Renault, modelo Logan, cor preta, placa FHN-4896. Invadiu a pista contrária e colidiu frontalmente com uma motocicleta honda/cg 150 Titan Ks , cor azul HKL-3952. Ocupada pelas vítimas Maria de Fátima Souza Alcântara e Marcio da Silva Ferreira Junior Pontes que morreram no local. A aparência do acusado: Ele tinha uma tatuagem na mão esquerda, vestia uma camiseta de cor escura, o cabelo arrepiado e tinha uma cicatriz no canto direito superior do rosto.

A velocidade do acusado: Com efeito, no caso, os indícios dão conta de que o

acusado estava em alta velocidade, segundo a conclusão do laudo pericial de fls. 187/207.

O acusado trabalhava em: Ele era mecânico, tinha uma loja na Rua Calógeras, Villa

Aparecida, Nº 1.395.

CPF: 568.963.406-45 Moradia: Vila Tabajara

O que ele estava fazendo antes do ocorrido: Em uma festa de seu amigo.

- Não tem antecedentes criminais.

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9. Perfil das Vítimas

Maria de Fátima Souza Alcântara:

Maria de Fátima Souza Alcântara tinha 24 anos de idade, com cabelos castanhos, comprido

e lisos , vestia uma blusa roxa, usava um shorts jeans e chinelos, tinha olhos verdes e não usava brincos.

Marcio da Silva Ferreira Junior:

Marcio da Silva Ferreira Junior tinha 25 anos de idade, cabelos negros, curtos e

encaracolados, usava uma camisa preta e uma bermuda xadrez azul com branca. Descrição: Marcio da Silva Ferreira Junior era uma pessoa boa que curtia rock, nunca foi de arrumar brigas nem de beber, normalmente saia com sua namorada. Maria de Fátima Souza Alcântara que também curtia rock, eles já namoravam há 2 anos, não tinham passagem pela policia e sempre foram amorosos com todos a sua volta. Ambos não fumavam nem usavam qualquer tipo de drogas, eram extrovertidos e esforçados

na faculdade.

Marcio fazia faculdade de medicina e Maria fazia faculdade de Direitos.

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10. Exame de sangue

23 10. Exame de sangue Laboratório de Análises Clínicas Integrado Ltda Rua Dionísio Nogueira, 6987 –

Laboratório de Análises Clínicas Integrado Ltda

Rua Dionísio Nogueira, 6987 Centro Campo Grande-MS

CEP 10000-888

(67) 3333-3333

CNPJ: 22.333.444/0000-00

Protocolo: 0000000-GF

Em: 16/04/2010

Paciente: Fernando de Paiva Cruz Neto Médico: Dr. (a) Gabriel Queiroz Convênio: xxxxxxxx Fone: 4040-4040

Sexo: Masculino Idade: 31 Impressão: 26/04/2010

Exame

Resultado

Quantidade de Grama de Álcool por Litro de sangue

0,9 g de álcool por litro de sangue

Conclusão: Quantidade de álcool superior a permitida segundo as leis de trânsito.

Dr. Gabriel Queiroz

CRF/AA 0000

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11. Prova Pericia

24 11. Prova Pericia Moto das vítimas -1 (Imagem Fictícia) Moto das vítimas – 2 (Imagem

Moto das vítimas -1 (Imagem Fictícia)

24 11. Prova Pericia Moto das vítimas -1 (Imagem Fictícia) Moto das vítimas – 2 (Imagem

Moto das vítimas 2 (Imagem Fictícia)

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25 Maria de Fátima Souza Alcantra – 1 (Imagem Fictícia) Maria de Fátima Souza Alcantra -2

Maria de Fátima Souza Alcantra 1 (Imagem Fictícia)

25 Maria de Fátima Souza Alcantra – 1 (Imagem Fictícia) Maria de Fátima Souza Alcantra -2

Maria de Fátima Souza Alcantra -2 (Imagem Fictícia)

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26 Marcio da Silva Ferreira – 1 (Imagem Fictícia) Marcio da Silva Ferreira – 2 (Imagem

Marcio da Silva Ferreira 1 (Imagem Fictícia)

26 Marcio da Silva Ferreira – 1 (Imagem Fictícia) Marcio da Silva Ferreira – 2 (Imagem

Marcio da Silva Ferreira 2 (Imagem Fictícia)

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27 Maria de Fátima Souza Alcantra (Imagem Fictícia) Marcio da Silva Ferreira (Imagem Fictícia)

Maria de Fátima Souza Alcantra (Imagem Fictícia)

27 Maria de Fátima Souza Alcantra (Imagem Fictícia) Marcio da Silva Ferreira (Imagem Fictícia)

Marcio da Silva Ferreira (Imagem Fictícia)

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28 Local do acidente (Imagem Fictícia) Mapa topográfico Maria de Fatima Souza Alcantra

Local do acidente (Imagem Fictícia)

28 Local do acidente (Imagem Fictícia) Mapa topográfico Maria de Fatima Souza Alcantra

Mapa topográfico Maria de Fatima Souza Alcantra

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29 Mapa topográfico Marcio da Silva Ferreira
29 Mapa topográfico Marcio da Silva Ferreira

Mapa topográfico Marcio da Silva Ferreira

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12. Boletim de ocorrência

MINISTÉRIO DA JUSTIÇA5 Departamento de Polícia Rodoviária Federal Sistema de Informações Operacionais Boletim de Acidente de Trânsito

369.568

CS89752

Ocorrência:

Comunicação:

*STATUS DA OCORRÊNCIA:

Encerrada

CONDUTOR ENVOLVIDO Veículo: FHN-4896 Nome/Apelido: Fernando Paiva da Cruz Neto Nome do pai: Joaquim Paiva Ribeiro Nome da mãe: Dolores Cardoso Paiva Cruz Endereço: R, Antônio Luz n°:49 Vila Tabajara Município /UF: CAMPO GRANDE/ MS CEP: 49100-000 Telefones:65 3365-4258 Naturalidade: BELO HORIZONTE Nacionalidade: BRASILEIRA

CPF:568.963.406-45

SSP/MS Estado civil: Solteiro

Ocupação Principal: Mecânico Origem: TERENOS/MS BRASIL Destino: CAMPO GRANDE/MS BRASIL

Estado Físico: Lesões Leves Existem Declarações em Anexo: Não

Data de nascimento:30/10/1979

Orgão Expeditor:

Documento de Identificação:16547328

Grau de instrução: Médio

Socorridos pela PRF? Não

Usava cinto? SIM

JAIR Pereira Junior Chefe do Nc. Pol. Fiscalização 4ª DPRJ 2ª SR/DPRF/MS

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13. Sentença

Peço que todos se levantem para que assim ouçam o resultado.

Senhoras e senhores membros do júri, fico grato pelo vosso tempo e paciências.

Obrigado Promotora Mariana Bertolucci por sua competência para com este júri, de modo que do inicio ao fim, defendeu seus ideais e a sua definição da verdade. Agradeço também à defensora Ravane da Graça Almeida por seus esforços em provar para nossos jurados que seu cliente é inocente. Mais uma vez este júri está de parabéns. Fernando Paiva da Cruz Neto pronunciado pela justiça pela infração na disposição do artigo 121°, inciso IV do Código Penal, por duas vezes, art. 306° e art. 309 ° do Código de Transito Brasileiro, pois no dia 15 de maio de 2012, por volta das 23hs40min. Ter invadido a pista e contraria e colidido com a motocicleta ocupada pelas vítimas, tirando suas vidas.

Submetido a julgamento nessa data o conselho por maioria de votos reconheceu a materialidade e autoria dos fatos.

De acordo com a Lei 11,750 que alterou o novo código penal Brasileiro faço a aplicação de pena de 2 anos 6 meses de reclusão sobre regime fechado , multa de 2.345,65 e suspensão da CNH. Na qual deve ser ressaltado tanto pelas condições que se deu o fato quanto pela sua gravidade. E que deverá ser cumprido desde logo.

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14. Encerramento

Declaro encerrados os presentes trabalhos referentes a 5° sessão da 10° reunião periódica recorrente ao ano de 2012, do Tribunal de Júri dessa comarca. Agradeço a Promotora Mariana Bertolucci, a advogada Ravane da Graça Almeida e a todos que de fizeram presentes.

Gostaria de agradecer primeiramente o Dr. Aluízio Pereira dos Santos, pois sem sua ajuda nos não estaríamos aqui. Ele foi a peça fundamental para a realização desse trabalho.

Também não poderia esquecer de agradecer as alunas do 3º ano A, Bianca Gleizer e Kétura de Souza que nos auxiliaram em grande parte do trabalho.

Caso encerrado.

33

Bibliografia

http://economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=201208012237_TRR_8146136

1

3

3 ESCOLA ESTADUAL ADVENTOR DIVINO DE ALMEIDA PLENÁRIO DO TRIBUNAL DO JURI JÚRI ADA Campo Grande

ESCOLA ESTADUAL ADVENTOR DIVINO DE ALMEIDA PLENÁRIO DO TRIBUNAL DO JURI

JÚRI ADA

Campo Grande MS 27 de Agosto de 2012

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E.E. Adventor Divino de Almeida

JÚRI SIMULADO

Caso: Benvindo Teixeira da Silva Ano: 1° Turma: B Turno: Matutino

Trabalho apresentado com avaliação parcial das disciplinas de Sociologia, Filosofia ( Profª Vanja Marina Prates de Abreu), História (Prof° Caio), Literatura, Redação (Profª Ana Carla) e Geografia (Profº Wilson).

Campo Grande - MS 27 de Agosto de 2012

5

SUMÁRIO

Introdução

4

Pregão

5

Resumo do caso

6

Termo de Advertência aos jurados 7

Seleção de Jurados

9

Juiz

10

Interrogatório do Réu (juiz)

10

Interrogatório do réu (promotor)

11

Debates

12

Questionário para aferimento de Sentença

15

Sentença

16

Conclusão

17

Evidências 18

Leis infringidas pelo réu

Personagens 20

Alunos

Bibliografia 23

19

21

4

Oficial de Justiça:

INTRODUÇÃO

O 1º ano B da Escola Estadual Adventor Divino de Almeida, ligados no projeto Júri

Ada, tem o objetivo de apresentar por meio desta, uma releitura do caso de Benvindo Teixeira da Silva, ocorrido em 2008. Visamos retratar e refletir, através da simulação de um julgamento deste caso, a ocorrência dos acidentes de trânsito. Afinal, logo após a

implantação da Lei Seca, que se relaciona com o caso, Benvindo foi um dos primeiros acusados por ter infringido tal lei. Relacionada à própria Lei Seca gostaríamos de comentar que hoje em dia, blitz diárias aumentam em apenas 7% número de autuações por embriaguez.

De acordo com o DETRAN foram contabilizadas 7.145 autuações nos quatro primeiros meses de 2012. Em relação ao mesmo período de 2011, houve aumento de 36%.

Aprofundando a questão do trânsito no dia-a-dia, resolvemos citar a Lei do Descanso. Descanso para caminhoneiros agora é lei. Os trabalhadores da classe terão direito a repouso de onze horas para cada 24 horas e intervalo mínimo de uma hora para cada quatro ininterruptas ao volante. A nova lei ainda prevê o pagamento de verba indenizatória pelo tempo de espera e a obrigatoriedade de o motorista profissional se submeter a teste de controle de uso de drogas e bebidas alcoólicas instituído pelo empregador.

E já que estamos absorvendo básicas noções de como funciona a lei, é muito

importante falar da reformulação do Código Penal, que também se relaciona com o caso, sendo que houve homicídio. O Código Penal foi aprovado em 1940, e no momento, uma comissão de Juristas escolhidos pelo Senado se reuniu para reformá-lo completamente. Da

nossa parte, concordamos plenamente e declaramos que leis de punição no trânsito devem ser incluídas. O 1° ano B realizou uma pesquisa junto á professora Vanja Marina, sobre os acidentes de trânsito. Os homens com carteira de habilitação AB, com mais de 10 anos de carteira, se envolveram em acidentes e cometeram alguma infração, a maioria teve danos materiais somente. As mulheres com carteira de habilitação B, com mais de 10 anos de carteira, não tiveram um alto índice de acidentes, mais cometeram o mesmo índice de infrações dos homens.

Esperamos absorver através deste projeto, e através da análise do cotidiano no trânsito, grande aprendizado.

5

PREGÃO Audiência do Júri Popular de YAN RICHEL, denunciado por infração do artigo 121, §2º, incisos IV e arts. 121§ 2°, inciso IV c/c art. 14, inciso II (por duas vezes) e art. 132, todos do Código Penal e arts. 304, 306, 309 do Código de Trânsito Brasileiro. Réu:

Yan Richel. Advogada de Defesa:

Mariana Machado

Promotor Público.

Luis Felipe de Souza Queiroz

Assistente de Promotoria. Karoline Rodrigues. Assistente do Advogado de defesa:

Karolaine Leonel. Testemunha:

Gabriel Snayder.

6

Juiz:

RESUMO DO CASO No dia 04 de dezembro de 2008, por volta da 01h15min, na Rua Zacarias, n°324, bairro Zé Pereira, nesta capital, defronte á Lima Móveis Usados, na condução de um veículo Voyage, com placas MLR 1861, alcoolizado e sem habilitação, Yan Richel atropelou a vítima Paulo Oliveira, que veio a óbito e, na mesma ocasião, feriu gravemente a filha deste Julia Oliveira, bem como a pessoa de Gabriel Snayder, ferido levemente por uma parte do automóvel D-10 de propriedade de Paulo, quando na ocasião pilotava sua motocicleta MD 121, cor preta. A porta do veiculo de propriedade da vitima foi lançada 15 metros no momento da colisão, em direção á Gabriel. O réu evadiu-se do local sem prestar socorro, no entanto, foi capturado algumas horas depois por policiais militares.

7

Oficial de Justiça: TERMO DE ADVERTÊNCIA AOS JURADOS

Os senhores Jurados, uma vez sorteados, não poderão comunicar-se com outras pessoas nem

manifestar sua opinião sobre o processo, sob pena de exclusão do conselho;

A função da acusação e defesa é fornecer esclarecimentos aos jurados, até porque cada parte

possui 1h30min; acrescida de mais 1h em razão da réplica, podendo ao final dos debates, chegar á soma de 5h de explicação dos fatos constantes do processo;

O jurado que tiver alguma dúvida deverá avisar, levantando a mão, sinalizando que pretende

fazer pergunta(s). Neste caso, o serventuário entregar-lhe-á uma prancheta, com caneta e papel sulfite para escrever a pergunta para evitar que venha a influenciar os demais jurados ou transparecer predisposição para condenar ou absolver;

Terão nova oportunidade de perguntar ou tirar dúvida ao final dos debates; E não poderão fazer ligação em celular, devendo desligá-lo. Em caso de necessidade, deve consultar o juiz;

Durante os debates, o jurado não poderá interagir com as partes, por exemplo, sorrir, acenar, positivamente ou negativamente com gestos;

Após o término do julgamento não fazer comentários com as partes, Promotor e Defesa, sobre o resultado, seja ele absolvição ou condenação, nem fazer comentários de outros processos que julgou;

Caso o jurado tenha envolvimento em processo-crime de homicídio (ou tentativa), ou conhecimento de familiar envolvido em processo desta natureza como acusado ou vítima, deverá comunicar ao Juiz de Direito antes do sorteio do conselho de sentença, com o fim avaliar a sua isenção para participar do júri;

O tribunal de justiça ou qualquer superior poderá anular a decisão dos jurados

“manifestamente contrario á prova dos autos”, sujeitando o réu a novo julgamento. Se anulada outros jurados deverão ser convocados; OBS: Não poderá compor o corpo de sentença o jurado que for impedido ou suspeito de imparcialidade, conforme artigo 448 e 449 do CPP, consoante situações a seguir:

marido e mulher ascendentes (pai, avô, neto, bisneto, etc.). descendentes (filho, neto, bisneto, etc.). sogro e sogra com genro ou nora. irmãos cunhados, durante o cunhadio. Tio e sobrinho. padrasto ou madrinha com enteado.

8

o mesmo impedimento em relação ás pessoas que mantenham união estável reconhecida como entidade familiar o ascendente, descendente, o sogro, o genro, o irmão, o cunhado, durante o cunhadio, o sobrinho, o primo-irmão do juiz, do promotor, do advogado de defesa, do assistente de acusação, do réu ou da vítima. tiver funcionado em julgamento anterior do mesmo processo, independentemente da causa determinante do julgamento posterior. no caso de concurso de pessoas, houver integrado o conselho de sentença que julgou o outro acusado. tiver manifestado prévia disposição para condenar ou absolver o acusado. JURAMENTO DA VERDADE Bom, creio que está tudo certo, prosseguindo. Peço que todos os participantes do júri se levantem para que eu possa ler o juramento. Em nome da lei, concito-vos a examinar esta causa com imparcialidade e a proferir a vossa decisão de acordo coma vossa consciência e aos ditames da justiça.

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Juiz: Vamos dar inicio ao sorteio dos jurados.

SELEÇÃO DE JURADOS

Juiz: Anny Gabrielly Acosta. Defesa: Aceito. Juiz: Julio César. Defesa: Aceito.

Juiz:

José Nilson.

Defesa:

Aceito. Juiz: Maria Luiza Lino Ferreira.

Defesa:

Aceito.

Juiz: Michelle

Sthefany. Defesa: Aceito.

Juiz:

Thaysa Campos.

Defesa:

Aceito. Diniz.

Juiz: Victória Defesa: Aceito.

Juiz: Vou chamar os nomes e os jurados devem prometer obedecer ao juramento citado anteriormente. Juiz: Anny Gabrielly Acosta assim prometo. Juiz: Júlio César assim prometo. Juiz: José Nilson assim prometo. Juiz: Maria Luiza Lino Ferreira assim prometo. Juiz: Michelle Sthefany assim prometo. Juiz: Thaysa Campos assim prometo. Juiz: Victória Diniz assim prometo.

Juiz:

Qualquer tipo de questionamento, qualquer tipo de solicitação, faça por escrito e direcione a mim na hora. Se houver qualquer interferência por parte do júri ou defesa, não importa, nós iremos pedir que se retire, não cometa essa atitude, por favor.

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INTERROGATÓRIO DO RÉU (JUIZ)

JUIZ: Na hora do acidente, o senhor estava em qual velocidade? Réu: Eu tava, mais ou menos, doutor, uns 70 por hora. Eu vi o quebra-mola eu fui desviar do quebra-mola, e fui passar meio de lado no quebra-mola, o carro dele tava parado um pouquinho pra frente do quebra-mola. Ele abriu a porta e saiu, foi aonde que começou o atropelamento. JUIZ: O que tem a ver o quebra-mola? Réu: Não. É que o quebra-mola , eu tava indo reto , eu dei uma tiradinha nele assim pra mim passar ele de lado, o carro tava carregado. O carro dele tava estacionado. Ele abriu a porta, ele já abriu a porta e já saiu com a menina do carro, foi onde eu atropelhei ele. Acho que ele me viu, quando tava saindo do carro, tava tempo dele esperar eu passar . JUIZ: O senhor reconhece que o senhor estava em alta velocidade ? Réu: Olha, doutor, eu estava correndo dez a mais do que o permitido ali. Mas, quando eu fui passar pelo quebra-mola tive que reduzir, acho que para uns quinze quilômetros por hora a menos. JUIZ: Qual era mesma a velocidade que o carro estava ? RÈU: Eu tava a 70 km/h, antes de passar no quebra-mola. JUIZ: Segundo consta, também provado por perícia, a batida foi tão forte que chegou a arrancar a porta da D-10 da vítima. RÈU: Isso. Arrancou a porta devido ele ter aberto ela, entendeu? Ele a abriu e ele tava andando, aí onde arrancou ela, a porta da caminhonete dele. JUIZ: O senhor tinha intenção de matar essa vítima e machucar as demais? RÈU: Doutor, jamais. Jamais. Porque eu acho que eu tirei a vida de um pai de família como eu também sou, né? Como eu também sou. Eu tenho três filhos pra tratar, tenho uma nova família aqui também. Então, o que eu fiz não foi justo, né? Aconteceu aquilo lá, aconteceu,

mas eu não

Jamais eu teria intenção de matar alguém. Minha vida sempre foi toda trabalhar, nunca roubei, nunca precisei de fazer essas coisas.

-

-

JUIZ: Dada a palavra ao promotor de justiça.

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INTERROGATÓRIO DO RÉU (PROMOTOR)

PROMOTOR: Sr. Yan, o senhor tem algum antecedente criminal não registrado?

INTERROGANDO: Não, não tenho Senhor.

PROMOTOR: Por que logo após o acidente o senhor não prestou socorro às vítimas?

INTERROGANDO: Eu entrei em desespero, não conseguia acreditar o que tinha acabado de fazer.

PROMOTOR: E o que o senhor diz a respeito do envolvimento de Gabriel Snayder como vítima?

INTERROGANDO: Ele passava ali perto distraído, falando no celular.

PROMOTOR: Então porque o excessivo consumo de álcool?

INTERROGANDO: Era aniversário do meu garoto mais velho, eu não percebi a quantidade. Mas estava completamente consciente dos meus atos.

PROMOTOR: Obrigado, sem mais perguntas.

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Juiz: A defesa deseja fazer perguntas ao réu? Defesa: Não senhor. Juiz: Neste momento se iniciarão os debates orais, passo a voz para a promotoria

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DEBATES

PROMOTOR:

Bom dia a todos! Neste Plenário, declaro ao Meritíssimo Juiz Marcos Wellington de Souza, que o vejo como um grande exemplo de caráter, integridade e fidelidade para com a lei! Parabenizo a Defensora Pública Mariana Oliveira Machado pelo seu admirável e eficiente trabalho exercido a favor da justiça. Meus cumprimentos aos jurados, e a todos os demais aqui presentes. Senhores jurados! O acusado Yan Richel na noite do dia 4 de dezembro de 2008, às 01h15min, dirigia um veículo Voyage na Rua Zacarias, no Bairro Zé Pereira a mais de setenta quilômetros por hora. Enquanto isso, na mesma rua, Paulo Oliveira de 47 anos, com sua filha Julia Oliveira, em seu colo, descia de sua camionete D-10 para ir à pizzaria. O veículo localizava-se estacionado um pouco à frente de um quebra-mola. Nesse instante, Yan vinha correndo, ultrapassou o quebra-mola e acabou atropelando as vítimas. Com a colisão, a porta da camionete foi arremessada a quinze metros de distância, atingindo também, Gabriel Snayder que estava com sua motocicleta próxima ao local do acidente. Paulo não resistindo ao impacto veio a óbito por “Politraumatismo, Ação Contundente” como consta em seu exame necroscópico. Sua filha Julia fraturou gravemente as pernas, tendo que submeter-se a uma cirurgia. Gabriel teve ferimentos leves. O réu fugiu do local e não prestou ajuda às vítimas. Além de estar acima da velocidade permitida e dirigir sem Carteira de Habilitação, foi comprovado que o réu estava embriagado! O teste de bafômetro registrou 0,88 miligramas de álcool por litro de sangue, que comprova claramente tal embriaguez! Um pai de família honesto, que estava apenas passeando com sua filha, pagou a própria vida por imprudência. Imaginem o perigo que a criança sofreu. A família que sente a dor da perda. Paulo tinha 37 anos, muito novo ainda. Com certeza tinha muitos sonhos, muitos planos. O réu que também é pai de família, não deve ter pensado nas conseqüências. Coloquem-se no lugar dele. Ele não se importou com a dor alheia. Não houve compaixão. As conseqüências são graves. Sempre são! É raro ver um acidente de trânsito sem mortes. E em todo acidente de trânsito sempre há um grande impacto, não só físico, mas emocional também. O acusado agiu descaradamente com indiferença e desprezo a respeito desta situação. Ele não pensou que poderia destruir uma família, lógico não tinha como adivinhar, é claro. Mas tinha como evitar! Este sujeito, que passa por processo de julgamento alegou diante de todos não ter nenhum antecedente criminal. Porém, não ter antecedentes criminais não é argumento nenhum para inocentá-lo. Quero deixar bem claro que não estou crucificando ninguém. Pelo contrário, quero demonstrar a todos que ninguém está livre de cometer delitos. Entendam que tudo isso poderia não ter acontecido. Uma família poderia ter sido poupada de dor, sofrimento e lamentação! Uma criança de dois anos, praticamente um bebê, poderia não ter sofrido o grande choque que sofreu. Todos esses fatos não aconteceriam se o réu não infringisse a lei. Se o réu prestasse o mínimo de prudência e respeito às normas, não seria essa a realidade pela qual a família da vítima está vivendo! Creio eu, que em qualquer lugar que houver injustiça alguém tem que pagar o preço! Exatamente aquele que for responsável por tal circunstância! Este indivíduo diante de todos nós é a pessoa responsável pela injustiça da qual eu me refiro. Permitam-me agora ressaltar algo muito sério. A importância da lei. Qual a sua importância e para que ela serve? Exatamente para tentar reparar situações constrangedoras como essa. A lei exerce e determina uma ordem para a sociedade. Ordem essa que deve ser obedecida por todos. A lei não faz sentido se não caminhar ao lado da justiça. O artigo 165 do Código de Trânsito Brasileiro determina infração gravíssima para todo aquele que dirigir sob a influência de álcool ou qualquer substância psicoativa que determine dependência.

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Havia 0,88 miligramas de álcool no sangue do acusado. Teor de álcool altíssimo! Qualquer

pessoa que esteja sobre o efeito de tal substância não tem consciência nenhuma do que faz.

O Sr. Yan Richel declarou ser ciente de que dirigir alcoolizado é proibido em lei. Adianta

saber que é errado e praticar mesmo assim? Não há como inocentar alguém que contradiz a lei e a ordem de tal maneira. Afirmo que o réu não é merecedor de absolvição pela justiça.

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Juiz: Passo agora, a voz para a defesa

DEFESA Extremo senhor Juiz, que preside essa seção de instrução e júri, caro colega da promotoria, Luis Felipe de Souza Queiroz, caros jurados, SENHORES, aqui reunidos, cumprimos, mais uma vez, uma difícil missão. O que levaria um homem considerado honesto e pacato a matar

um pai de família? Porque a desgraça se abateu sobre um lar, antes feliz? Anteriormente, nós seres humanos não somos bons nem maus. Somos movidos por circunstâncias. Até a saúde e disposição do nosso corpo interfere em nossas ações. Julgar é muito fácil para nós que somos humanos. Se fossemos ao Juízo final, julgados por nossos semelhantes, todos nós, sem exceção, iríamos para o inferno. Ainda bem que o ultimo julgamento cabe a Deus, e ele é justo. Nós sabemos misericordioso. Só Deus conhece particularmente a cada um dos seus filhos. Bom , a vitima tinha acabado de brigar com sua esposa, perdeu o controle e para implicar com a mesma, levou a filha do casal para um “passeio”. Menina essa com menos de 2 anos

de idade. O que leva um pai de família á levar sua família para passear de madrugada? Acho

que é um índice de que o senhor na estava em seu melhor estado. Sem atenção, talvez causados pela briga em casa, e sem reflexos potentes causados pela

ingestão de bebida alcoólica. Que na pericia apontou. Desceu do veiculo sem sequer prestar atenção na movimentação da rua. Rua esta, que meu cliente, vinha a 70 quilômetros por hora, dez quilômetros apenas acima do permitido. Quem numa madrugada, numa rua pacata, não acelera um pouco mais? E Quem imaginaria que desceria do carro no escuro, um pai com sua filha no colo? Acho que sejamos coerentes com a realidade do dia a dia, e enxerguemos também as probabilidades das atitudes da vitima. O Sr. Yan, não é um filhinho

de papai batendo racha, ou algo do tipo. Ele é um pai de família trabalhador e responsável.

Vindo do aniversário do seu filho mais novo, á poucas ruas dali. Ansioso para chegar em sua casa, pois trabalhava no dia seguinte cedo. Ingeriu um pouco de álcool no momento de descontração. Percebeu sim que havia saído sem habilitação, pois quando entrou no carro, deu falta de sua carteira. Mais logo pensou “é logo ali, volto rápido”. Enfim senhores, não

estamos lidando aqui com um caso cruel. Não foi mais que uma fatalidade, um acidente. Meu cliente é um homem do bem. Que não pretende fugir com suas responsabilidades, só quer ser julgado com coerência, levando em conta a pessoa que ele é e o caráter que possui. Não como outros marginais que passam neste tribunal e devem sim, receber devidas penalidades. Acho que já disse tudo, e tudo que eu disse, está muito claro para todos aqui. Mas talvez escondidos nos argumentos usados pelo meu colega, que aqui lhes disse. Muito obrigado.

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Juiz: A promotoria deseja réplica? Promotor: Não senhor. Juiz: Encerramos os debates e peço que os jurados se retirem para realizar a votação na sala secreta.

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Juiz:

QUESITOS PARA AFERIMENTO DA SENTENÇA

1)O crime aconteceu?

2)Yan Richel teve autoria no crime?

3)Yan Richel deve ser absolvido?

4)O motivo alegado pela defesa para diminuição da pena deve ser acatado?

5)O motivo alegado pela promotoria para aumento de pena deve ser acatado?

6) Yan Richel deve receber o direito de recorrer e responder o processo em liberdade?

Juiz: Peço a todos que fiquem de pé e não realizem manifestações

Juiz:

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SENTENÇA

No dia 04 de dezembro de 2008, por volta das 01h15min, na Rua Zacarias, n° 324, bairro Zé Pereira, nesta capital, defronte a Lima Móveis Usados, Yan Richel, na condução do veículo Voyage, com placas MLR-1861/MS, alcoolizado e sem habilitação, atropelou a vítima Paulo Oliveira, que veio a óbito e, na mesma ocasião, feriu gravemente a filha deste Julia Oliveira, bem como Gabriel Snayder, não lhes causando as mortes em razão do pronto atendimento médico. -Por razões, com esteio no art. 413 do CPP, pronuncio Yan Richel, no art. 121, 2º, inciso IV e art. 121 2º inciso IV c/c art. 14, inciso II, este último por duas vezes e art. 132, todos do Código Penal e arts. 304 306 e 309 estes previstos no Código de Trânsito Brasileiro. -Iniciada a sessão no plenário de julgamento, sem leituras de peças, passando para o interrogatório os altos e na seqüência deu-se início aos debates orais. O promotor de justiça Luis Felipe de Souza Queiroz requereu a condenação, nos termos da pronuncia de defesa técnica realizado pelos advogados de defesa, Mariana Machado e Karolaine Leonel. -Reunido na sala secreta o conselho de sentença, por maioria dos votos declarados, decidiu

absolver o acusado, nos termos da pronuncia

Campo Grande, Mato Grosso do Sul, aos 27 de Agosto de 2012, declaro encerrado esse plenário.

A sala da sessão do Tribunal do Júri de

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CONCLUSÃO Agradecemos a todos os professores que nos auxiliaram e nos apoiaram a realizar este projeto, com a iniciativa da professora Vanja Marina Prates de Abreu. Agradecemos a direção da escola por nos dar a oportunidade de realizar projetos como este. Escolhemos esse caso, depois da sugestão da professora Vanja de demonstrar como esse tipo de caso é impune hoje em dia. Chamou-nos a atenção por ser o primeiro caso depois da implantação da lei seca. Também nos da à oportunidade de encenar e expressar ao extremo a ação do juiz, promotor, defensor, jurados, etc. Seu trabalho em um júri e a difícil decisão de julgar uma pessoa. Agradecemos especialmente ao Doutor Aluisio Pereira, por nos dar a oportunidade de realizar e por nos auxiliar neste projeto no Plenário. Agradecemos também ao Plenário do Júri de Campo Grande MS.

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EVIDÊNCIAS

ANEXOS - A causa mortis e os ferimentos provocados nas outras vítimas provam que se tem nos autos para fundamentar o crime de homicídio (art. 121) e lesões corporais (art. 132) são os laudos emitidos pelo IML, bem como a prova de que dirigia embriago (teste de alcoolemia).

- Em relação a vitima Paulo Oliveira realizou-se exame necroscópico (f.287 e verso), o qual atestou que a causa de sua morte foi "POLITRAUMATISMO, AÇÃO CONTUNDENTE"; - Teste de alcoolemia (f.26); - Prova também a confissão dele, “Dentro desta perspectiva, relembro que nas duas oportunidades em que foi ouvido, YAN RICHEL admitiu a autoria do fato imputado, ou seja, de que conduzia o veículo Voyage, alcoolizado e sem habilitação quando se envolveu no acidente descrito na denuncia.”

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LEIS INFRINGIDAS PELO RÉU

Código de Trânsito Brasileiro

CTB Lei n° 9.503 de 23 de Setembro de 1997 Art. 304. Deixar o condutor do veículo, na ocasião do acidente, de prestar imediato socorro á vítima, ou, não podendo fazê-lo diretamente, por justa causa, deixar de solicitar auxílio da autoridade pública.

CTB - Lei n° 9.503 de 23 de Setembro de 1997 Art.306. Conduzir veículo automotor, na via pública, estando com concentração de álcool por litro de sangue igual ou superior a 6 (seis) decigramas, ou sob a influência de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência.

CTB Lei n° 9.503 de 23 de Setembro de 1997 Art.309. Dirigir veículo automotor, em via pública, sem a devida Permissão para dirigir ou Habilitação ou, ainda, se cassado o direito de dirigir, gerando perigo de dano.

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PERSONAGENS

Juiz:

Marcos Wellington Assessores:

Higor, Karoline , Karolaine. Promotor:

Luis Felipe Defensoria:

Mariana Machado Escrivã:

Letícia.

Policiais:

Victor de Andrade e Matheus Santos. Réu (Benvindo Teixeira da Silva):

Yan Richel Testemunha (WillianAparecido):

Gabriel Snayder Jurados selecionados:

Anny Gabrielly, Júlio César, José, Maria Luiza, Michelle, Thaysa e Vitória. Roteiristas:

William Yarzon, Mariana Machado e Karolaine Leonel. Impressão e Encadernação de resenhas:

Karolaine e William. Oficial de Justiça:

Luca Jara. Provas:

Ana Carolina e Larrisa Leite. ALUNOS 1° ano B Ana Carolina Anny Gabrielly Bruna Amaro Charles Christopher Cristiano Daniel Fernando Gabriel Gean Giuliana Gustavo Higor Julio César Karolaine

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Karoline Larissa Leticia Luca Jara Lucas Germinaro Luis Felipe Marcos Maria Luiza Mariana Matheus Alves Matheus Souza Matheus Santos Mayara Michelle Rafael Thaysa Vanessa Victor Victória Wellington William Yan Thais José

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BIBLIOGRAFIA

Fórum de Campo Grande MS (caso Benvindo Teixeira da Silva)

0

ESCOLA ESTADUAL ADVENTOR DIVINO DE ALMEIDA

2º ano A

JÚRI SIMULADO Caso: Família Rodriguez

Campo Grande

2012

1

2º ano A

JÚRI SIMULADO Caso: Família Rodriguez

Trabalho apresentado como avaliação parcial das disciplinas de Sociologia, Filosofia (Professora Vanja Marina Prates de Abreu), História (Professor Iasson Prestes Gelatti), Física (Professora Suély Copini)

Orientadora: Professora Vanja Marina Prates de Abreu

Campo Grande

2012

2

SUMÁRIO

1 Introdução

1

 

2 Resumo

2

3 Personagens que não vieram a óbito

3

 

3.1 Perfil Fictício do Réu

3

3.2 Perfil Fictício da Vítima

4

3.3 Perfil Fictício da Vítima

5

4 Depoimentos

6

 

4.1 Depoimento de Mário Alves de Sousa

6

4.2 Depoimento de Felipe Martins Rodriguez

7

4.3 Depoimento de João Paulo Duarte Rodriguez

8

5 Julgamento

9

 

5.1 Pregão

9

5.2 Interrogatório

10

5.3 Debates

11

5.4 Sentença

15

6

Anexos

19

6.1 Laudo de Exame Necroscópico

19

6.2 Personagens da Simulação

20

6.3 Alunos que ajudaram na montagem da resenha

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7.0 Referências

22

1

1 INTRODUÇÃO

Atualmente o trânsito brasileiro é um dos mais violentos do mundo. Perguntamo-nos se isso é devido ao aumento do número de carros, adquirido pela população que ascenderam socialmente. Sob este ponto de vista, parece-nos uma coisa boa, entretanto, nossas ruas e rodovias não estão preparadas para tamanha mudança, o que tem gerado constantemente grandes congestionamentos. Estas grandes movimentações nas cidades, aliados à falta de estrutura física de nossas ruas e avenidas e a imprudência dos motoristas, têm causado grandes transtornos. Por ter uma lei que não puni casos graves de imprudência no trânsito, muitos motoristas adotaram um estilo violento de dirigir, causando sérios problemas, chegando a causar acidentes graves e mortes. Uma lei que entrou em vigor há pouco tempo é a LEI N 12619 DE 30 DE ABRIL DE 2012, que regulamenta a profissão de motorista do transporte de cargas e de passageiros. Na prática, as regras proíbem os profissionais de dirigir por um período superior a quatro horas sem descanso de no mínimo 30 minutos. Um pouco da violência no trânsito é a imprudência, e o outro motivo é a falta de sinalização, de melhorias nas ruas e estradas do Brasil. Quando criaram a lei do descanso dos caminhoneiros, não pensaram na falta de estrutura que as estradas brasileiras têm, não pensaram no perigo que vai ser para um caminhoneiro parar na beira de uma rodovia que muitas vezes não possui iluminação nem acostamento. Este trabalho tem por objetivo, além de mostrar uma possibilidade de discutir/imputar uma penalidade ao infrator, aproveitar o momento de discussão sobre a reformulação do novo código penal brasileiro. Por ser uma releitura de um caso real, nós omitimos a identidade dos personagens envolvidos e realizamos algumas adaptações que permitiram a simulação e aplicação das penalidades dentro de uma visão inovadora do código. O relato é de um acidente de transito acorrido na BR 163 onde um senhor que dirigia um caminhão Mercedes Benz faz uma ultrapassagem indevida e colide com um carro (Uno Mille) de cor vermelha onde estava uma família inteira, causando a morte de 3 (três) dos 5 (cinco) ocupantes.

2

2 RESUMO

No dia 25 de julho de 1997, por volta das 18h, na BR 163, saída para São Paulo, ao realizar manobra de ultrapassagem com o veículo que conduzia, Mário Alves de Sousa colidiu com outro automóvel em que se encontrava Camila Nunes Rodriguez, Beatriz Benites Rodriguez, Fernanda Duarte Rodriguez, João Paulo Rodriguez e Felipe Martins Rodriguez, causando a morte das três primeiras e lesões nos outros.

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3 PERSONAGENS QUE NÃO VIERAM A ÓBITO

3.1 Perfil fictício do réu

Nome completo: Mário Alves de Sousa Sexo: Masculino Filiação: Maria Alves de Sousa e Mario Sousa RG: 2.977.269 SSP/MT CPF: 591.135.135-83 Estado civil: Casado Cônjuge: Juliana Grande Sousa Escolaridade: Ensino Médio completo Idade: 50 anos (13/01/1962) Ocupação: Caminhoneiro Natural de: Vera (MT) Mora atualmente em: Campo Grande (MS)

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3.2 Perfil fictício da vítima

Nome completo: Felipe Martins Rodriguez Sexo: Masculino Filiação: Darcia Rodriguez e Romário Martins RG: 41.875.789-6 SSP/MS CPF: 141.470.853-00 Estado civil: Viúvo Escolaridade: Ensino Superior completo Idade: 44 anos (05/04/1968) Ocupação: Arquiteto autônomo No dia do ocorrido: Condutor Natural de: Campo Grande (MS) Mora atualmente em: Campo Grande (MS)

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3.3 Perfil fictício da vítima

Nome completo: João Paulo Duarte Rodriguez Sexo: Masculino Filiação: Felipe Martins Rodriguez e Camila Nunes Rodriguez RG: 91.122.534-1 SSP/MS CPF: 301.164.184-60 Estado civil: Solteiro Escolaridade: Ensino Médio completo Idade: 19 anos (26/03/1993) Ocupação: Estudante No dia do ocorrido: Passageiro Natural de: Campo Grande (MS) Mora atualmente em: Campo Grande (MS)

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4 DEPOIMENTOS

4.1 Depoimento de Mário Alves de Sousa

DELEGADO: Qualificação da parte. MÁRIO: Meu nome é Mário Alves de Sousa, casado, tenho 50 anos, caminhoneiro, RG nº 2.977.269 SSP/MT, moro na Rua Jatiúca nº 609 - Campo Grande - MS. DELEGADO: Há quanto tempo você trabalha no ramo dos transportes de carga? MÁRIO: A pouco mais de 20 anos, comecei a trabalhar com aproximadamente 30 anos. DELEGADO: Você tem o habito de cometer infrações no transito? MÁRIO: Não. Já cometi algumas, mas foram poucas, e isso faz muito tempo. DELEGADO: Como era a relação com a empresa dona do caminhão? MÁRIO: Eu não possuía muito contato com a empresa, pois viajo muito e essas viagens ocupam muito o meu tempo. A única hora que conversava com alguém da empresa era quando recebia as ordens de entrega de carga. DELEGADO: Qual era o estado do caminhão da empresa que você dirigia? MÁRIO: Precário. Na maioria das viagens ocorriam problemas mecânicos nele. Sempre que era possível eu avisava a empresa para solucionar o problema, mas nada foi feito. Eu levei em uma mecânica por conta própria, mas eu não tinha muito dinheiro e não pude pagar por um trabalho melhor do que foi feito. DELEGADO: O que aconteceu na hora do acidente? MÁRIO: Eu já havia dirigindo durante umas 20 horas seguidas. Estava cansado, queria logo chegar ao posto de gasolina que havia alguns quilômetros à frente para poder descansar. Na metade do caminho meu caminhão teve problemas mecânicos e acabei indo para a pista contrária. Tentei desviar do Uno, mas nada adiantou porque o motorista do Uno também desviou para o acostamento e acabamos batendo. DELEGADO: Qual foi sua atitude após a colisão acontecer? MÁRIO: Demorei um pouco para acordar, o impacto da batida me fez bater a cabeça e acabei desmaiando. Quando acordei já estava cheio de ambulâncias no local.

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4.2 Depoimento de Felipe Martins Rodriguez

DELEGADO: Qualificação da parte. FELIPE: Meu nome é Felipe Martins Rodriguez, viúvo, tenho 44 anos, arquiteto, RG nº 41.875.789-6 SSP/MS, moro na Rua Hamburgo, nº 113 - Campo Grande - MS. DELEGADO: Como era o seu relacionamento com sua família? FELIPE: Era ótima, sempre nos reuníamos para festejar, cada final de semana revezávamos de casa. Éramos muito unidos. DELEGADO: Você dirige há quanto tempo? FELIPE: Desde os meus 18 anos. DELEGADO: Para onde vocês estavam indo no dia do acidente? FELIPE: Estávamos voltando de viagem, indo para Campo Grande. DELEGADO: Antes da viagem você havia feito revisão do veículo? FELIPE: Sim, faço revisão do meu veículo sempre que saio de viagem. DELEGADO: O que aconteceu na hora do acidente? FELIPE: Não me lembro muito bem, eu estava dirigindo rumo a Campo Grande, durante o trajeto avistei um caminhão que estava tentando fazer várias ultrapassagens, mas não obtinha sucesso e então voltava para a pista. O motorista tentou fazer mais uma ultrapassagem, e dessa vez vindo para cima do meu carro. Tentei desviar para o acostamento, mas foi em vão. A batida ocorreu do mesmo jeito. DELEGADO: Você se lembra de algo depois da batida? FELIPE: Não me lembro de muita coisa. A última coisa que me lembro foi do farol do caminhão se aproximando e do barulho de vidro quebrando. Depois acordei na ambulância e perguntei como estava minha família.

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4.3 Depoimento de João Paulo Duarte Rodriguez

DELEGADO: Qualificação da parte. JOÃO: Meu nome é João Paulo Duarte Rodriguez, solteiro, tenho 19 anos, estudante, RG nº 91.122.534-1 SSP/MS, moro na Rua Hamburgo nº 113 - Campo Grande - MS. DELEGADO: Seu pai dirigia perigosamente? JOÃO: Não. Ele sempre foi um motorista responsável. Não fura os sinais, não faz ultrapassagens perigosas, não dirige alcoolizado e não dirige em alta velocidade. DELEGADO: Antes de viajarem, seu pai ingeriu alguma bebida alcoólica? JOÃO: Não me lembro direito, mas creio que não. DELEGADO: Onde você estava sentado na hora do acidente? JOÃO: No banco de trás. DELEGADO: O que você se lembra do acidente? JOÃO: Não me lembro de muita coisa. Estava olhando pela janela do carro, como sempre faço nas viagens. De repente ouvi todo mundo gritando e um clarão vindo em nossa direção. Depois disso só lembro-me de quando estavam me levando para o hospital.

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5 JULGAMENTO

5.1 Pregão

A Promotora De Justiça, Maria Luiza Freitas, denunciou Mário Alves de Sousa no art. 121, § 2º, inciso IV (por três vezes) c/c art. 121, § 2º, inciso IV, c/c art. 14, inciso II (por duas vezes), ambos do Código Penal, porque no dia 25 de julho de 1997, por volta das 18h, na BR 163, saída para São Paulo, ao realizar manobra de ultrapassagem com o veículo que conduzia (Caminhão Mercedes Benz) colidiu com outro automóvel (Uno Mille) em que se encontrava Camila Nunes Rodriguez, Beatriz Benites Rodriguez, Fernanda Duarte Rodriguez, João Paulo Duarte Rodriguez, Felipe Martins Rodriguez, causando a morte das três primeiras e lesões nos outros. A Defesa será feita através da Advogada Gabriella Fernandes.

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5.2 Interrogatório

Juiz

JUIZ: Qual é sua idade? MÁRIO: 50 (cinquenta) anos. JUIZ: Qual é o nome completo de seus pais? MÁRIO: Maria Alves de Sousa e Mario Sousa JUIZ: Você assume a autoria do crime? MÁRIO: Sim. JUIZ: Você conhecia as vitimas? MÁRIO: Não. JUIZ: Você poderia relatar o acontecido? MÁRIO: Eu estava dirigindo quando meu caminhão deu problema e foi para outra pista. Um carro estava vindo na direção contrária. Eu desviei para o acostamento, mas o motorista do outro carro foi para o acostamento também e acabamos batendo.

Defesa

ADVOGADA: Você é casado? MÁRIO: Sim. ADVOGADA: Tem filhos? MÁRIO: Sim. ADVOGADA: Quantos? MÁRIO: 2 (dois). ADVOGADA: A idade deles? MÁRIO: 1 (um) de 10 (dez) e outro de 16 (dezesseis). ADVOGADA: Tem antecedentes criminais? MÁRIO: Não. ADVOGADA: Quem é o responsável pela revisão do veículo? MÁRIO: A empresa.

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5.3 Debates

Promotoria (Promotora Maria Luiza Freitas)

“Bom dia Meritíssimo. Desde já gostaria de cumprimentá-lo e parabenizá-lo pelo excelente trabalho que vêm sendo feito neste plenário. Estendo meus cumprimentos à plateia, a Advogada Gabriella Fernandes e também aos senhores, nobres jurados, pessoas de bem, grandes excelências neste plenário. Pois bem. Venho me dirigir a vocês, afirmando que não existe acidente, existe infração. Afinal, todo acidente só é gerado porque alguém ultrapassou em um local proibido, porque alguém furou o sinal vermelho, estava dirigindo bêbado ou estava desatento, etc. Acidente na verdade é para vítima que não espera que surja um condutor imprudente do nada. Senhores, já notaram que somos convencidos de que se fosse um crime que tivesse grande repercussão da mídia, como crimes hediondos, chacinas e etc., nós já tomaríamos as dores das vítimas automaticamente e acusaríamos o réu? Mas quando é um caso de acidente de trânsito, em vez de se colocar no lugar da vítima, nos colocamos no lugar do réu. Sentimo-nos cúmplices do réu. Nós nos encontramos do outro lado da situação, afinal somos ou seremos condutores de algum veículo e como também cometemos infrações, quando culpamos o réu, também nos sentimos culpados. Como se tivéssemos condenando a nós mesmos, e ninguém gosta de se autocondenar, afinal, quem condena a si mesmo? Nós temos que mudar essa visão, afinal, crime é crime. E tem que ser punido. Por ano acontecem inúmeros acidentes na BR 163. E a maior causa dessas mortes é por causa do que? Da imprudência! Muitos dos senhores devem estar se perguntando: “Que tipo de imprudência?”. As pessoas, quando falam em imprudência, acreditam que isso se limita a alta velocidade, falar ao celular enquanto dirige ou dirigir alcoolizado. Mas, uma infração gravíssima é não revisar seu carro. E isso é de extrema importância e de total responsabilidade do condutor. Esse homem cometeu um homicídio justamente por sua falta de consideração e cuidado com os outros condutores, pois em uma ultrapassagem proibida, o réu levou a óbito uma grande parte da família, e lesionou os demais que restaram. Ele alega que o acidente aconteceu por falha mecânica, essa que se deu por falta da referida revisão mecânica, que a pouco expliquei

12

aos senhores. Vejam como o próprio réu assume sua imprudência ao admitir falha mecânica no veículo que ele conduzia!

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Senhor jurados, a questão aqui não é atenuar a atitude irresponsável do réu, mas sim incriminá-lo por 3 (três) vidas perdidas. As vidas em questão nem podem se defender aqui

neste plenário porque foram silenciadas para sempre. Devido à imprudência do Mário, pela irresponsabilidade do Mário!

O pai, o filho e a sociedade em geral contam com a justiça, que só cabe aos senhores

realizarem-na! Digo e repito: crime é crime, e deve ser punido, independentemente de como seja!”

Defesa (Advogada Gabriella Fernandes)

“Bom dia Meritíssimo, quero parabeniza-lo pelo excelente trabalho feito com tamanha competência. Agradeço a presença da plateia e quero cumprimentar minha colega de trabalho Promotora Maria Luiza, e a vocês queridos jurados, agradeço pelo importantíssimo papel que vocês irão realizar. Antes de dizer sobre o caso, quero que vocês reflitam sobre “como é ser um caminhoneiro”. Eles trabalham quase o dobro de sua carga horária para conseguir melhores condições para sua família e não são recompensados devidamente. As empresas cobram e cobram cada vez mais. Eles têm hora para começar e não têm hora para acabar. Cobram os menores tempos em cada viagem e se esquecem das necessidades de um ser humano, como comer em horários corretos, dormir 8 horas por dia. Mas nada disso acontece. Eles vivem em condições desumanas! Ai todo mundo se pergunta: “Se é tão desumano assim, se é tão horrível assim ser um caminhoneiro, porque é que ele continua?” Porque ele trabalha pra sustentar a família, é um homem honesto! Nunca precisou roubar ou algo parecido para trazer o sustento de sua família, ele sempre conquistou tudo com seu esforço, o esforço do seu trabalho! Em um final de tarde meu cliente estava na rodovia quando ocorreu um problema mecânico; vou repetir, um problema “mecânico”, que ocasionou a saída da pista e logo em seguida o

acidente. Ele esta sendo acusado por ser o responsável pela morte de 3 (três) pessoas e a prova

de que não houve intenção é que ele desviou o caminhão e infelizmente o condutor do Uno,

Felipe, também desviou para o acostamento e assim acabaram colidindo. Onde está a culpa nisso? Se ele tentou desviar do Uno, onde está a culpa? Se ele tivesse a intenção de matar ele

não teria desviado! Ele não jogou o caminhão em cima do Uno! Agora um acidente põe um pai de família sentado em uma cadeira de réu como se fosse um assassino?

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Não cometam essa injustiça, não privem esse pai dos melhores momentos de sua família, de ver seus filhos se formar, casar, ter filhos. E não tirem o companheiro de uma esposa. Não façam com que todos esses anos trabalhados nas rodovias sejam jogados no lixo por culpa de uma fatalidade. Ele poderia estar morto agora, só não está porque o caminhão era maior do que o carro, mas se não fosse ele poderia estar morto também. Pensem nisso.”

Réplica

“Inesperado acidente? Inesperado acidente causado pelo Mário! Problema mecânico? Se ouve problema mecânico é porque não houve a manutenção, certo? Ele está dizendo que não foi culpa dele, que foi problema mecânico. Isso não deve ser considerado, pois se houve realmente falha mecânica, porque não consta nos autos o relato das condições do caminhão? E se realmente o caminhão estava em condições precárias, ele não deveria nem ter saído para uma viagem, pois ele sabia que isso poderia provocar um acidente, e no caso provocou. Muito mais que um acidente, provocou uma tragédia, uma família foi destruída por causa do Mario! É muito fácil você dizer que ele não teve culpa, que foi acidente, que ele não merece tamanha acusação. Realmente isso é muito fácil quando a vítima não foi alguém da sua família. Difícil mesmo é ter que continuar vivendo sem pessoas queridas que morreram, ter que conviver dia após dia com a ausência. E tudo isso por culpa da imprudência de um caminhoneiro. Mário destruiu uma família, levou os sonhos e os planos, as alegrias da Família Rodriguez. Agora está em suas mãos jurados, porque se ele for absolvido ou condenado por homicídio culposo, ele ainda terá sua família e seus sonhos. Lembremo-nos da Família Rodriguez que será punida duplamente. Se ele for absolvido, será como dizer: “Vocês foram punidos uma vez com a morte de 3 (três) pessoas de sua família e serão punidos novamente com a absolvição do assassino que matou essas pessoas.” Nós, como sociedade, temos que mudar esse cenário de que crime de trânsito não leva a condenação dos culpados, de que um crime de trânsito é só pagar uma fiança e tá tudo resolvido! Não é assim não! Se matar, se ferir, tem que pagar pelo que fez! Tem que haver justiça nesse país, pois quando julgamos um caso como esse, não estamos julgando somente o crime em si, mas estamos julgando as leis de nosso país. Hoje eu estou clamando por justiça, nada mais que justiça! Eu espero justiça, a sociedade espera justiça, a Família Rodriguez espera justiça, mas cabe aos senhores essa decisão. Está em suas mãos senhores jurados.”

15

Tréplica

“Caros jurados, está sim nos autos as condições precárias do caminhão. E mais, ele levou o caminhão em uma oficina mecânica, mas não é uma das melhores. Afinal, ele é uma pessoa com uma renda muito baixa e infelizmente não tem recursos suficientes para conseguir tudo do bom e do melhor. Jurados, ponham a mão na consciência e vejam: ele estava apenas tentando trazer um futuro melhor para sua família, ele não saiu de casa naquele dia pensando “Hoje vou matar três pessoas!”. Ele também tem filhos, tem uma esposa, e se meu cliente for condenado por algo que não teve culpa, ele poderá passar até 30 anos em uma cadeia! E por conta de algo que não teve culpa, por um problema mecânico! Vemos casos hoje em dia de pais matando filhos, filhos matando os pais, políticos corruptos e muitos deles não são condenados. Muitos premeditam o crime durante meses e não são condenados! Este homem aqui não morreu por pouco! Não condenem Mario Alves de Sousa! Não destruam essa família! Está em suas mãos isso! Não condenem esse homem por algo que ele não teve intenção, não teve culpa!”

15

5.4 Sentença

15 5.4 Sentença Estado de Mato Grosso do Sul Poder Judiciário Campo Grande 2ª Vara dos

Estado de Mato Grosso do Sul

Poder Judiciário

Campo Grande

2ª Vara dos Crim.Dol. Contra a Vida e Trib.do Júri.

Processo nº

001.99.087594-5

Parte Autora:

Ministério Público Estadual

Parte Ré:

Mario Alves de Sousa

Vítima:

Felipe Martins Rodriguez e João Paulo Duarte Rodriguez

Juiz Prolator:

Alisson Willian da Silva

Vistos, etc

Mário Alves de Sousa, qualificado nos autos foi pronunciado como incurso nas penas do art.

121, §2º, inciso IV, por três vezes, c/c art. 121, §2º, inciso IV, c/c art. 14, inciso II (por duas vezes), porque, no dia 25 de julho de 1997, por volta das 18h, na BR 163, o réu Mário Alves

de Sousa colidiu seu veículo em nítido caso de dolo eventual contra cinco vítimas, causando

três mortes e ferimentos graves em outras duas vítimas.

O Conselho de Sentença decidiu, conforme termo de quesitação retro, pela ocorrência dos

crimes tipificados na denúncia em todos os seus termos, para o fim de:

a) Condenar Mario Alves de Sousa, brasileiro, casado, caminhoneiro, campo-grandense,

nascido em 13 de janeiro de 1962, filho de Maria Alves de Sousa e Mario Sousa, RG

2.977.269 SSP/MT, CPF 591.135.135-83, nas sanções do art. 121, §2º, inciso IV, do

Código Penal, contra as vítimas Camila Nunes Rodriguez, Beatriz Benites Rodriguez, Fernanda Duarte Rodriguez;

b) Condenar Mario Alves de Sousa, brasileiro, casado, caminhoneiro, campo-grandense, nascido em 13 de janeiro de 1962, filho de Maria Alves de Sousa e Mario Sousa, RG

2.977.269 SSP/MT, CPF 591.135.135-83, nas sanções do art. 121, §2º, inciso IV, do

Código Penal, contra as vítimas João Paulo Rodriguez e Felipe Martins Rodriguez.

16

Passa-se à dosimetria das penas:

A pena em abstrato para o delito de homicídio doloso qualificado é de reclusão, de 12 a 30 anos.

Crime contra as vítimas Camila Nunes Rodriguez, Beatriz Benites Rodriguez, Fernanda Duarte Rodriguez, João Paulo Rodriguez e Felipe Martins Rodriguez. Das circunstâncias judicias:

Culpabilidade: normais ao tipo. Antecedentes: não há registro. Conduta social: não há elementos para aferir. Personalidade: não há nos autos elementos para aferição e em contato pessoal, não foi possível verificar se tem personalidade voltada para a atividade criminosa. Motivos: normais ao tipo. Circunstâncias: normais ao tipo. Comportamento da vítima: as vítimas não contribuíram para o resultado lesivo. Fixa-se, pois a pena-base em 12 (doze) anos de reclusão.

Atenuante e agravantes:

Pela atenuante da confissão espontânea (art. 65, III, ‘d’, CP), a pena será reduzida em 6 (seis) meses.

Com a redução a pena intermediária está fixada em 12 (doze) anos de reclusão. Não há agravantes.

Causas de diminuição e aumento de pena Não há causas de diminuição e de aumento de pena.

17

Pena Definitiva e Regime de Cumprimento. Por se tratar de 5 (cinco) vítimas, sendo 3 (três) homicídios consumados e 2 (dois) na forma tentada, em c/c art. 70 (concurso formal), há que se ressaltar que a pena deverá ser acrescida em sua metade, pela aplicação do crime mais grave.

Destarte, fixa-se em definitivo, em 18 (dezoito) anos de reclusão, por ser o mínimo a ser diminuída a pena, apesar da atenuante da confissão do réu.

O

regime inicial de cumprimento da pena será o fechado, nos termo do parágrafo 1º do artigo

da Lei nº 8.072/90.

DISPOSIÇÕES GERAIS

I- Concede-se ao réu o direito de apelar em liberdade, por que assim permaneceu por

toda a tramitação processual (inexistentes os requisitos da prisão preventiva, art. 312, CPP). II- Condena-se o réu Mário Alves de Sousa ao pagamento das custas processuais, cuja cobrança ficará suspensa, nos termos do art. 12 da Lei nº 1.060/50, em razão da gratuidade que ora se defere pela hipossuficiência econômica dos réus. III- Com o transito em julgado expeçam-se os respectivos mandados da prisão; lancem os nomes dos réus no rol dos culpados; expeçam-se as necessárias guias de recolhimento. IV-Comunicações e anotações necessárias, de acordo com o Código de Normas da Corregedoria-Geral de Justiça, principalmente: a) à Justiça Eleitoral (arts. 37 e 216); b) ao Instituto de Identificação deste Estado e ao de Nascimento da parte condenada, com certidões nos autos (art. 215); c) ao distribuidor e à Secretaria de Segurança Pública, com cópia de sentença à delegacia de polícia de origem ou ao Departamento de Investigação Criminal, observada a qualificação completa da parte condenada (art. 217); d) com a remessa do boletim individual do condenado ao Serviço de Identificação Criminal do Estado.

Encaminhem-se eventuais objetos apreendidos.

19

Publicada em sessão. Registre-se. Saem as partes intimadas. Oportunamente, arquivem-se com as cautelas de praxe.

Campo Grande, 27 de agosto de 2012.

Em seguida, foi efetuada a leitura da sentença em plenário, na presença das partes e demais circunstantes. Nada mais. Eu, Paula Araújo, Assistente de Gabinete, que a digitei.

Juiz Alisson Willian da Silva Presidente do Tribunal do Júri

Dra. Maria Luiza Freitas Promotor de Justiça

Dra. Gabriella Fernandes Advogada

19

6 ANEXOS

6.1 Laudo de Exame Necroscópico

19 6 ANEXOS 6.1 Laudo de Exame Necroscópico SECRETARIA DE SEGURANÇA PUBLICA SUPERINTENDECIA DA POLÍCIA

SECRETARIA DE SEGURANÇA PUBLICA SUPERINTENDECIA DA POLÍCIA TÉCNICO-CIENTÍFICA INSTITUTO MÉDICO LEGAL

EPML CENTRO

Laudo de Exame Necroscópico nº 4875209

LAUDO DE EXAME NECROSCÓPICO

Campo Grande, 26 de julho de 1997.

A) A causa da morte de CAMILA NUNES RODRIGUEZ foi “TRAUMATISMO CRÂNIO- ENCEFÁLICO POR AÇÃO CONTUNDENTE COMPATÍVEL COM ACIDENTE DE TRÂNSITO”.

B) Em relação a vítima BEATRIZ BENITES RODRIGUEZ a causa mortis foi “TRAUMATISMO RAQUIMEDULAR POR AÇÃO CONTUNDENTE COMPATÍVEL COM ACIDENTE DE TRÂNSITO”.

C) A vítima FERNANDA DUARTE RODRIGUEZ teve como causa mortis “POLITRAUMATISMO (CRÂNEO ENCEFÁLICO E TORACO ABDOMINAL) POR AÇÃO CONTUNDENTE EM ACIDENTE DE TRÂNSITO”.

D) JOÃO PAULO RODRIGUEZ sofreu “LESÕES TRAUMÁTICAS CUJAS CARACTERÍSTICAS SÃO COMPATÍVEIS DE TEREM SIDO PRODUZIDAS CONFORME ÉPOCA RELATADA NO HISTÓRICO”.

E) FELIPE MARTINS RODRIGUEZ sofreu “LESÕES TRAUMÁTICAS CUJAS CARACTERÍSTICAS SÃO COMPATÍVEIS DE TEREM SIDO PRODUZIDAS CONFORME ÉPOCA RELATADA NO HISTÓRICO”.

Dr. Mateus Oliveira Santana CRM 90.567

20

6.2 Personagens da Simulação

Juiz: Alisson Willian Promotora: Maria Luiza Advogada: Gabriella Fernandes Escrivã: Paula Araújo Réu: Giovanne Coelho Oficial de Justiça: Andressa Liandra Copeira: Ingrid Aparecida Policiais: Daniel Evandro e Matheus Maciel

Lista de Jurados:

a) Jéssica Oliveira

b) Kananda Loriraynne

c) Gerson Oliveira

d) Sabrina Aguirre

e) Bianca Gomes

f) Diogo Felipe

g) Aline de Mello

h) Diélica Dias

i) Jean Carlo

j) Danielly Moreira

6.3

Alunos que ajudaram na montagem da resenha

Provas: Matheus Felício; Tayná Bellan; Giovanne Coelho Reportagens sobre o acidente: Danielly Moreira Introdução: Ingrid Aparecida Sentença: Maria Luiza Resumo do caso: Michele Magalhães Impressão e Encadernação: Myrella Guizardi

OBS: todos os alunos contribuíram com uma quantia em reais para o aluguel do figurino utilizado na simulação e para a encadernação da resenha.

7.0 REFERÊNCIAS

a) Site campograndenews.com.br

b) Site bauru.unesp.br

c) Site portaldotransito.com.br

d) Imagens da Sentença e do Laudo de Exame Necroscópico retirados do google

e) História baseada no caso real envolvendo Jaime Bertolino Beumer e a Família Ricardi

5

Escola Estadual Adventor Divino de Almeida

JÚRI SIMULADO

Campo Grande MS

2012

2º ano B do Ensino Médio Escola Estadual Adventor Divino de Almeida

JÚRI SIMULADO

Caso: Isabella Nogueira Barretos

Trabalhos apresentados como avaliação parcial das disciplinas:

Sociologia e Filosofia Vanja Marina Prates de Abreu História Iasson Prestes Gelatti Língua Portuguesa Ana Carla Ximenes Geografia Wilson Vernal

6

Campo Grande MS

2012

2º ano B do Ensino Médio Escola Estadual Adventor Divino de Almeida Comissão de sala 2º ano B do Ensino Médio Campo Grande MS

SUMÁRIO

Introdução

04

Pregão

06

Seleção dos Jurados

07

Abertura da Sessão

08

História do Caso

12

Debate - Acusação

14

Debate Defesa

17

Quesitos para aferimento da sentença

20

Sentença

21

Boletim de Ocorrência

25

Depoimentos

27

Anexos

36

Escola Estadual Adventor Divino de Almeida Comissão de sala 2º ano B do Ensino Médio Campo Grande MS

INTRODUÇÃO

Casos de desagregação familiar ficam mais comuns a cada dia, estatísticas afirmam que nos dias de hoje 30% dos casamentos brasileiros terminam em divorcio. Depois do divorcio as mães e pais solteiros procuram alguém para reconstruir a família e quem mais sofre com isso são as crianças que precisam se adaptar e muitas vezes são maltratado, exemplo disso é o caso Nardoni, onde a filha foi jogada do 6º andar pelo pai e madrasta, ou como Paulo Roberto Amaral que teria estuprado e matado a enteada de dois anos. No nosso caso a mãe após se separar do marido casa com outro homem quando sua filha tinha apenas quatro anos. Enquanto criança ela o via apenas como pai, mas quando cresceu começou a vê-lo com outros olhos. Todo esse amor que Isabella tinha por ele, começou a afetar o seu relacionamento com outras pessoas, não saia muito de casa e nunca teve namorado, mas apenas relacionamentos passageiros, afetou também seu relacionamento com

a mãe, estavam sempre brigando. Isabella tinha fotos do padrasto no seu computador,

tentava seduzi-lo, e quando conseguiu acabou ficando grávida do mesmo. Acreditou ser possível construir uma família com o padrasto, sem levar em consideração a destruição do relacionamento com a mãe, iniciando um processo de chantagens para que o homem contasse a sua mãe o que tinha acontecido, pensando que desta forma estaria construindo uma nova vida de sonhos e felicidade.

O

trabalho foi todo desenvolvido e será apresentado por alunos do Ensino Médio do 2° ano

B

Matutino, da Escola Estadual Adventor Divino de Almeida, a saber:

Juiz Gabriel Vieira da Silva Teixeira Promotora Luana Delmond de Castro Assistente de Promotoria Patrick Viana Ricarde Advogado de Defesa Tamara Nicoletti da Mata Assistente da Advogada Sabrina Mann Oficiais de Justiça Michelle Beatriz Barros, Letícia Amarante Almeida e Natália Canavarros de Alburquerque. Delegado de Polícia Rubens Hanna Lemes Policiais Antônio Ribeiro de Souza Neto e Luan Araujo de Lucas Perito Mário Henrique dos Santos Silgueiro Copeiro Mateus Oliveira de Moura Réu Jonas Alcântara de Barros - interpretado por Marco Aurélio Aranda Albernaz Vítima Isabella Nogueira Barretos interpretada por Hindyanara Pitthan da Silva Testemunha: Cecília Nogueira, Luiza Francisca de Mello, Sebastião Souza e Silva, e Jorge Toledo da Silva.

Jurados:

1 - Ana Paula Garcia Vieira.

5

2 - Bruno Vogado Bittencourt.

3 - Débora Almeida Alves.

4 - Diego Adolfo Soares Freire.

5 - Gabriela Barbosa Herrerias.

6 Leonardo Toledo.

7 - Michael Araújo Braga.

8 - Tamara de Oliveira Souza.

9 - Walisson Gabriel Aguirre Rocha.

10 Pedro Ivo Cabral Bastos.

11 - Gabriel de Oliveira Moreira.

12 - Mickael Eduardo Curtolo Carneiro.

13 - Bruno Vieira Loureiro.

14 - João Pedro Rodrigues nascimento.

15 - Kaienny Bittencourt da Silva.

Os alunos que trabalharam neste caso assistiram a um júri popular real, com anuência do Excelentíssimo Juiz de Direito, Doutor Aluízio Pereira dos Santos, e a uma palestra sobre júri, proferida pelo advogado Diego Marcelino. O trabalho desenvolvido pelos alunos inclui o desenvolvimento da história, coleta de provas, depoimentos, pregão e sentença, e foi elaborado através de estudo fundamentado na Constituição Brasileira e Código Penal.

6

Escola Estadual Adventor Divino de Almeida Comissão de sala 2º ano B do Ensino Médio Campo Grande MS

PREGÃO

Audiência de Júri Popular de JONAS ALCANTARA DE BARROS, que esta sendo acusado de duplo homicídio qualificado (§ 2º, art. 121 CP) e ocultação de cadáver (Art. 211). Réu: Jonas Alcântara de Barros Ministério Público Estadual Promotora: Luana Delmond de Castro Assistente da Promotoria: Patrick Viana Testemunhas de acusação: Cecília Nogueira Luiza Francisca de Mello Sebastião Souza e Silva Jorge Toledo da Silva

Advogado de Defesa Tamara Nicoletti da Mata Assistente da Advogada Sabrina Mann Réu Jonas Alcântara de Barros

7

Escola Estadual Adventor Divino de Almeida Comissão de sala 2º ano B do Ensino Médio Campo Grande MS

SELEÇÃO DOS JURADOS

 

Nome

Status

1

Ana Paula Garcia Vieira

 

2

Bruno Vogado Bittencourt

 

3

Débora Almeida Alves

 

4

Diego Adolfo Soares Freire

 

5

Gabriela Barbosa Herrerias

 

6

Leonardo Toledo

 

7

Michael Araújo Braga

 

8

Tamara de Oliveira Souza

 

9

Walisson Gabriel Aguirre Rocha

 

10

Pedro Ivo Cabral.

 

11

Gabriel de Oliveira Moreira

 

12

Mickael Eduardo Curtolo Carneiro

 

13

Bruno Vieira Loureiro

 

14

João Pedro Rodrigues Nascimento

 

15

Kaienny Bittencourt da Silva

 

8

ABERTURA DA SESSÃO Declaro abertos os trabalhos da sessão da reunião do Tribunal do Júri da comarca de Campo Grande no ano de 2012. Determino a Sr. Escrivã que realize a chamada dos jurados sorteados. (Nesta hora a Escrivã faz a chamada de todas as pessoas que são jurados).

1-

Ana Paula Garcia Vieira.

2-

Bruno Vogado Bittencourt.

3-

Débora Almeida Alves.

4-

Diego Adolfo Soares Freire.

5-

Gabriela Barbosa Herrerias.

6-

Leonardo Toledo.

7-

Michael Araújo Braga.

8-

Tamara de Oliveira Souza.

9-

Walisson Gabriel Aguirre Rocha.

10- Pedro Ivo Cabral.

11- Gabriel de Oliveira Moreira.

12- Mickael Eduardo Curtolo Carneiro.

13- Bruno Vieira Loureiro.

14- João Pedro Rodrigues nascimento.

15- Kaienny Bittencourt da Silva.

Tendo comparecido o número de _15_ jurados declaro instalada a presente sessão. OU Aos jurados faltosos (nomear) aplico a multa de R$ 6 salários mínimos, ficando os mesmos desde já sorteados para a próxima sessão. (art. 443, § 1º e 445, § 3º). Vai ser submetido a julgamento o réu JONAS ALCANTARA DE BARROS, Que esta sendo acusado de Duplo Homicídio Qualificado (§ 2º , art. 121 CP) e ocultação de cadáver (Art. 211). Determino ao senhor porteiro dos auditórios que apregoe as partes e as testemunhas, colocando em salas separadas as da acusação, das de defesa, (art.447 e 454). Vou proceder ao sorteio dos sete jurados que deverão compor o conselho de sentença. Devo adverti-los, entretanto, que são impedidos de servir no mesmo conselho: marido e mulher, ascendentes e descendentes, sogro ou genro ou nora, cunhados durante o cunhadio, tio e sobrinho, padrasto ou madrasta. Também não poderão servir os jurados que tiverem parentesco com o Juiz (Gabriel Teixeira), com o promotora (Luana Delmond), com as advogadas (Tamara Nicoletti da Mata e Sabrina Mann), com o réu (Jonas Alcântara de Barros) e com a vítima (Isabella Nogueira Barretos). (art. 448 CPP).

9

Aqueles que se encontrarem nestas situações, queiram imediatamente se levantar! Advirto-os, ainda, que uma vez sorteados não poderá comunicar-se com outrem, nem manifestar sua opinião sobre o processo, pena de exclusão do conselho e de multa de um a dez salários mínimos (art. 466, § 1º). “A defesa e a acusação poderão, ainda recusar, cada qual, imotivadamente, ate três jurados”.

Procederemos agora ao sorteio dos jurados. (sorteia normalmente o próprio juiz) A cada nome consultar as partes, iniciando-se pela defesa, sobre recusas. Convidar os não recusados para tomar assento.

Está formado o conselho de sentença, farei a exortação legal, e à chamada, cada um dos senhores deverá responder “Assim prometo”.

Todos de pé. da Em nome lei, concito-vos a examinar com imparcialidade esta causa e a proferir vossa decisão de acordo com a vossa consciência e com os ditames da Justiça” (art. 472).

- Entregar aos jurados, nesse momento, cópias da decisão de pronúncia e de posteriores decisões que julgaram admissível a acusação, assim como cópia escrita do relatório a respeito do processo.

Podem

agradecimentos.

sentar.

Os

senhores

jurados

não

sorteados

estão

dispensados

com

nossos

Juiz explica regras para o réu: Você não é obrigado a responder as perguntas e nem falar a verdade caso não queira responder apenas dizer que não tem nada a declarar.

Perguntas:

Você já se envolveu com outros processos? Não. Conhecia a vítima? Sim. Qual a ligação você tinha com a vítima? Eu era o padrasto dela. Há quanto tempo vocês se conheciam? Há 16 anos.

O que aconteceu exatamente no dia do crime?

Eu fui busca lá na faculdade como de rotina, quando cheguei lá, ela não estava presente então esperei uns 30 minutos e fui embora porque achei que ela tinha saído com alguma amiga, depois fui até minha chácara levar um cloro para o caseiro e então voltei para casa. Juiz: a promotoria gostaria de fazer alguma pergunta? Promotora: Sim.

Como a vitima esperava um filho seu segundo os exames periciais? Pois ela me seduziu e infelizmente eu não sei se tinha tomado algo e acabei cedendo. Mais sabia que ela estava grávida? Não só fiquei sabendo quando ela me mandou o email dizendo que estava grávida.

E sabia que o filho era seu?

10

Não, não vi nenhum exame que comprovava isso. Obrigada. Só isso vossa Excelência. Juiz: A defesa gostaria de perguntar algo? Defesa: Sim.

O senhor recebeu ameaças da vitima?

Sim, um e-mail.

Ela te seduziu mais alguma vez? Depois do ocorrido, sim.

E o senhor cedeu?

Não, foi apenas uma vez.

E tinha ingerido algo na vez em que ocorreu a relação?

Não me lembro. Obrigada Vossa excelência. Juiz: Alguém do banco de jurados gostaria de fazer perguntas? Ninguém aceita. Interrogatório encerrado. Leitura do processo no ponto de vista da acusação: (feita pela escrivã) Isabella Nogueira Barretos, jovem de 18 (dezoito) anos, estudante de Odontologia, fora vista com vida pela ultima vez no dia 07/08/2009 na companhia de seu padrasto e também réu; Jonas Alcântara de Barros, nas proximidades da Universidade UNIDERP, por volta das 18h00min. Fora encontrada após 63 horas de seu desaparecimento na BR163, com um tiro no pulmão. Posteriormente, com o estudo da pericia, constatou-se que a mesma estava grávida de 8 (oito) semanas do Réu e padrasto Jonas. O Réu alega que sofria constante ameaças da vítima, entre elas a de um prazo de 1 (uma) semana para que o mesmo contasse a mãe da vitima (sua esposa) que estava apaixonado por Isabella e disposto a largar tudo e todos para viver uma vida de amores eternos com sua enteada. Como não sabia o que fazer com a mesma, o Réu envolveu a vitima em uma emboscada dizendo que iria fugir com ela, e assim a levou até a BR 163 e matou-a com um tiro no pulmão direito. Através dos laudos periciais foi constatado que o tiro partiu do revolver registrado em nome do réu.

Encerrada a leitura do processo. Art.471_ É dada a Palavra ao Promotor: “Vossa excelência Terá 10 minutos para a acusação”.

Art.462_ É para a Palavra para a Dr. Defensora: Vossa excelência Terá 10 minutos para a defesa.

Art.473_A Dr. Promotora quer usar a faculdade da réplica?

Resposta: Sim, Vossa Excelência, estou com a Palavra. Dr.Defensora quer usar a faculdade da tréplica. Resposta: Sim, Vossa Excelência, estou com a Palavra.

11

Escola Estadual Adventor Divino de Almeida Comissão de sala 2º ano B do Ensino Médio Campo Grande MS

HISTÓRIA DO CASO

Isabella Nogueira Barretos, jovem de 18 anos, vitima de um amor platônico por seu padrasto que inconseqüentemente a levou a óbito por covardia dele em ter que assumir a gravidez da enteada. Começou então uma intensa rede de mentiras e ilusões em que a menina chantageava o réu incessantemente, até que este, cansado de tantas ameaças resolveu por um ponto final naquela intrigante história. Depois de planejar friamente um modo de se livrar daquela grande fardo, o padrasto planejou um crime aparentemente perfeito. Aguardando a vitima em frente a sua instituição de ensino, o réu Jonas Alcântara de Barros, como de costume buscou a vitima. Esta entrou no carro não desconfiando do homem que amava e confiava. Após grandes promessas de fidelidade e amor eterno, a vítima já iludida pelas mentiras não desconfiou da súbita mudança da rota que ela muitas vezes traçada. Levando a vitima para a BR-163, o acusado disse a Isabella que o pneu do carro havia furado. Então descendo do carro, ele abriu a porta do passageiro e arrancou aos puxões Isabella de dentro do carro. Arrastando-a para um lugar ermo e sacou a revolver calibre. 38 e efetuou um disparo que perfurou o pulmão da mesma. Deixando a vitima agonizando ao relento o acusado friamente, entrou no carro e dirigiu sem aparar até a fazenda da família. Chegando lá chamou o capataz supostamente apenas para entregar um produto, mas já pensando em usar o homem como prova de sua estadia no local. Ao voltar para casa, o mesmo limpou e escondeu a arma, agindo normalmente até a chegada da esposa, dizendo que Isabella não estava na faculdade. Após 48h o boletim de ocorrência foi registrado iniciando as investigações do desaparecimento. Com a continuidade da investigação, foram encontrados indícios do comparecimento de Isabella a aula no dia do ocorrido, com testemunhas afirmando terem visto sua entrada no carro de Jonas. Analisando o depoimento do padrasto a policia encontrou falhas no documento, iniciando uma nova investigação baseando Jonas como suspeito. Foi encontrando uma multa em nome do réu na BR 163. Desconfiando da total mudança de rota a policia começou a procurar indícios do crime nos arredores do local. Com as buscas foram encontrados seu crachá de identificação e seu material didático e após 63h de busca o corpo foi encontrado. A perícia encontrou vestígios da pele de Jonas na unha de Isabella, junto com as digitais do mesmo na região dos braços e antebraços. Jonas Alcântara de Barros foi acusado de assassinar Isabella e diante das provas irrefutáveis foi condenado perante o tribunal do júri a 18(dezoito) anos de reclusão para homicídio duplamente qualificado e 01(um) ano e 06(seis) meses de reclusão por ocultação de cadáver.

12

PRONUNCIONAMENTO DA PROMOTORIA

Primeiramente gostaria de cumprimentar a todos os presentes no Tribunal do Júri, em especial ao Excelentíssimo Juiz Gabriel Teixeira, aproveito para dizer que é sempre uma honra estar em um caso presidido por Vossa Excelência. Cumprimento os meus colegas da defensoria, ilustríssimas advogadas, Tamara Nicoletti e Sabrina Mann. Desejo um

julgamento sereno, garanto que não terão uma acusação afoita e que respeitarei as posições

de Vossas Excelências. Aos senhores jurados, meus sinceros comprimentos, espero que os

senhores desenvolvam com calma e esperteza o importantíssimo papel que os senhores terão no dia de hoje. Um papel do qual os senhores devem se orgulhar, pois estão como representante da sociedade, onde vivem, representando-a na função de jurado para com

imparcialidade, fazer justiça a quem é devida. É sempre um prazer ter pessoas como os senhores ao lado da justiça.

A palavra padrasto sempre foi usada num tom negativo, basta ouvi-la e muitas vezes

lembramos-nos de histórias tristes, no entanto, a figura do padrasto como o substituto do pai,

aquele que educa, brinca, ensina e dá o exemplo nem sempre é explorada. Infelizmente, o caso de hoje, se remete aos contos infantis, cujo padrasto é tido como um vilão. Isabella Nogueira Barretos, jovem que na época tinha 18 anos, soube bem disto. Após ver o termino

do relacionamento de seus pais, na época com quatro anos de idade, teve sua casa ocupada

por outro homem, o escolhido por sua mãe a ajudá-la e servir de exemplo para a pequena garotinha que tinha sua vida toda pela frente. Porém, com o passar dos anos, a jovem Isabella não soube distinguir o amor paterno, mesmo que vindo de outro homem, do amor de homem e mulher. E nós sabemos que menina nova quando enjoa de boneca é sinal que o amor chegou ao coração. Esta menina constituiu em sua cabeça um pequeno conto de fada, onde iria finalmente viver o seu “felizes para sempre” com o seu padrasto. Infelizmente, o “felizes para sempre” do réu terminava com a jovem Isabella morta. Após anos e anos constituindo um amor por Jonas Alcântara de Barros, a jovem Isabella resolveu começar a por em pratica seu conto de fadas. Durante certa noite, em que sua mãe Cecília Nogueira estava de plantão médico no hospital onde trabalhava, a garota conseguiu convencer seu padrasto a ir para a cama com ela. Meus caros, já dizia o ditado: “Quando um não quer dois não brigam.” O acusado tinha na época 47 anos, a meu ver, uma pessoa de 47 anos já tem maturidade e opinião suficiente para tomar algumas decisões na vida, não? De qualquer modo nós não estamos aqui para julgar caráter. Enfim, após ter tido a relação sexual com Jonas, Isabella mandou um e-mail que dizia o seguinte: “Tenho que te dizer que não aguento mais ver você sem poder te tocar, te beijar, te abraçar e ver você agarrado com a minha mãe. É o seguinte, te dou o prazo de uma semana para você fazer alguma coisa. Caso contrário, irei contar tudo o que aconteceu naquele dia, além do mais está esperando um filho seu! Chegou a hora de sermos felizes juntos com o

nosso bebe, que vai ser lindo igual você! Eu te amo muito meu amor, minha paixão, fica comigo!”.

Uma semana se passara e então o padrasto Jonas buscou sua enteada na saída da faculdade

de

odontologia que a mesma cursava como fazia de costume, já que a menina tinha acabado

de

completar seus 18 anos, e a mãe estava de plantão médico. A versão do réu diz que ele a

esperou por volta de 30/45 minutos na frente da faculdade, porém a garota não apareceu. O que era uma situação atípica, porém compreensível, para uma menina com seus 18 anos. Então se dirigiu para a fazenda da família para entregar um produto químico cujo capataz

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havia pedido. Feito isso, voltou para a casa da família, e ficou no aguardo do termino do plantão de sua esposa, e na volta de sua enteada. Como Isabella não aparecera, após 48h do suposto desaparecimento, ele e dona Cecília foram registrar o Boletim de Ocorrência. Companheiros do tribunal do júri esta é a versão dele. Com o inicio das investigações os policias foram direto no local onde a vitima supostamente

estivera pela ultima vez, a faculdade. A mesma esteve de fato presente na universidade até a última aula, pois a ficha de presença e as câmeras de segurança da faculdade nos provam isso. Já em depoimento o Sr Jorge Toledo da Silva, porteiro da universidade UNIDERP e Luiza Francisca de Mello, melhor amiga de Isabella e companheira de classe, declaram que

a viram entrando no carro de Jonas por volta das 18h20min. Luiza ainda mostrou uma

mensagem de texto recebida de Isabela alguns minutos após o termino da aula que dizia o seguinte: “Agora sim amiga, estou indo ser feliz!” Meus caros, por que motivos estes dois depoentes mentiriam? E mesmo que se eles não estivessem dizendo a verdade, a ficha presencial e as câmeras de segurança nos garantem que Isabella esteve sim na faculdade, e penso eu, que se ela tivesse saído para algum lugar após a aula seria com sua melhor amiga

já que e a mesma não tinha namorado. Sr. Jonas mentiu, já usando de má fé quando disse em

depoimento que sua enteada não estava presente. Essas duas testemunhas nos garantem isso. Isabela foi sim embora à companhia de Jonas. Outro fato a ser debatido é a ida de Jonas a fazenda da família. Companheiros, o Sr. Sebastião, capataz da fazenda da família, disse em depoimento que o acusado Jonas aparecera lá por volta das 20h00min da noite, sozinho. A equipe investigativa fez questão de fazer o trajeto faculdade/fazenda para ver quanto tempo era necessário. Eles usaram o mesmo modelo do carro do réu e saíram da faculdade às 18h20min, horário em que as testemunhas viram Isabella entrando no caro de Jonas e fizeram o percurso todo com a maior calma do mundo. O trajeto fora concluído em exatos 36 minutos. Não sejamos ignorantes, se ele fora visto saindo da faculdade na companhia dela às 18h20min e se o trajeto faculdade/fazenda não leva mais que 40 minutos, porque razão só chegou lá as 20h00min? Se ele de fato tivesse feito esse trajeto sem nenhuma pausa, chegaria lá por volta das 19h10min. Há um espaço de tempo vago e não explicado pelo réu. O que de fato

aconteceu para que Jonas chegasse à fazenda as 20h00min e sem a companhia de Isabella?

O corpo de Isabella foi encontrado na BR163, BR que coincidentemente é a única rota para

acesso a propriedade rural da família. Com o estudo da pericia, constatou-se que sob as unhas de Isabella havia resíduos de pele de Jonas Alcântara de Barros. Isabella fora morta com um tiro no pulmão, disparada por um revólver calibre 38, arma esta que pertencia a Jonas, pois o mesmo possui o Registro e Porte da referida arma. Está mais do que claro que Jonas Alcântara de Barros cometeu este crime. Este senhor que está sendo submetido a julgamento hoje matou sim sua enteada grávida de um filho seu! Digam-me se uma pessoa dessas pode e deve viver tendo os mesmos direito que nós, cidadãos de bem, que nunca fizemos mal a ninguém, muito menos cometemos esta barbárie de tirar a vida de uma jovem e seu filho, com a agravante que este filho também era seu, filho do homem que ora está sendo acusado. Ele teve um comportamento brutal ao ceifar estas vidas, pois na realidade ele sabia da gravidez da enteada, portanto matou conscientemente o seu próprio filho, juntamente com a jovem que criara como filha. Ele poderia muito bem ter se portado como um homem de verdade e assumir a atitude imunda que teve, ao se relacionar sexualmente com sua enteada. Deveria ter conversado com a dona Cecília e dito: ”Olha amor, aconteceu isso, isso e aquilo! Você sabe, eu sou homem, é difícil de resistir!”. A própria Isabella deixou que ele fizesse isto quando lhe enviou o e-mail! Ela disse, se você não falar, falo eu! Ela acreditava que ele se portaria como um homem e tomasse a atitude que devia se tomada! Mesmo assim não justificaria a atitude imunda que ele teve em engravidar sua enteada, mas eu garanto, eu

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aposto com vocês que a dona Cecília preferira um milhão de vezes lidar com esta situação, de ter a filha grávida do seu próprio marido, do que ter que ir reconhecer o corpo da sua filha no IML Se coloquem no lugar desta mãe por um minuto, pensem no que esta mulher sofreu quando soube o que tinha acontecido com sua filha, e mais ainda quando descobriu os motivos e quem era a pessoa que tinha feito tamanha crueldade. Agora multipliquem esta dor por um milhão, porque é isto que esta mãe vai sentir se este cidadão, o mesmo que ela conviveu por cerca de 16 anos, que dividiu a mesma cama, e muito mais que isso, dividiu uma vida inteira com uma pessoa que foi capaz de tirar a vida de sua filha não for condenado! Ele foi capaz de ter relações sexuais com a garota com quem conviveu por 16 anos, fazendo o papel de “pai”! A pessoa que viu Isabella se tornando uma mulher, se apaixonando pela primeira vez, sofrendo com as dores e consequências de ser mulher, foi a mesma pessoa que não teve um pingo de dó ao efetuar um disparo contra ela. Vou encerrando por aqui. Agora Vossas Excelências ouvirão a defesa do réu, e peço a todos que avaliem esta causa com clareza e imparcialidade, prestando bem atenção em todos os detalhes. Muito Obrigada.

PRONUNCIONAMENTO DA DEFESA Primeiramente gostaria de cumprimentar Excelentíssimo Juiz Gabriel Teixeira, a meus caros amigos promotores Doutora Luana Delmond e seu auxiliar Doutor Patrick Viana, a minha amiga companheira de defesa Doutora Sabrina Mann, aos meus companheiros de plenário, a guarda que nos protege aos excelentíssimos jurados e todos os presentes nesse plenário. Estamos aqui para decidir a vida desse cidadão! O réu Jonas Alcântara de Barros era padrasto da vitima há 14 anos. Ele cresceu em uma família humilde, mais com sua luta completou seus estudos, trabalhou muito e chegou a ocupar o cargo de bancário em um de tantos bancos de nossa cidade. Conheceu a mãe da vitima há uns 16 anos e fez dela sua esposa. Sempre a tratou com o carinho que merecia, chegando a ocupar o lugar de um pai para sua enteada! Ajudava muito em casa não media esforços por essa garota. Apesar dela não ter uma relação boa com sua mãe, meu cliente achou que isso seria um fato de adolescente, pois quando criança ela era uma filha normal, e tratava sua mãe normal. O que ele não esperava é que essa menina se tornara obsecada por ele! E fez o mesmo estar sentado aqui nessa cadeira hoje.

No dia do crime meu cliente esteve no trabalho o dia todo, como de costume foi até a faculdade ás 18h00min horas buscar a vitima, ficou esperando-a uns 30 minutos e a mesma não apareceu. Então ligou em seu celular que não atendeu, pensou que ela podia ter saído com as amigas ou coisa do tipo. Porque já havia o deixado esperando varias vezes. Após isso seguiu para a fazenda da família levar o cloro que em depoimento seu próprio capataz fala que havia pedido: O delegado pergunta:

DELEGADO: Na semana do ocorrido você pediu que ele levasse alguma coisa?

SEBASTIÃO: Aham faltava cloro pra limpar a piscina e ele precisava ver a contratação de um novo empregado.

DELEGADO: E isso aconteceu?

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E por acaso do destino meu cliente recebe uma multa em um dos radares da BR 163 onde

fica a entrada de sua fazenda.

E por ele ter estado no local onde o corpo foi encontrado esta sendo acusado de ter matado a

mesma. Só esqueceu-se de relatar o outro lado da história as ameaças! Em primeiro lugar temos o email que a vitima mandou ao meu cliente: (Leio o email)

Leio aos senhores:

Amor meu,

Tenho que te dizer que não aguento mais ver você sem poder te tocar, te beijar,te abraçar e ver você agarrado com a minha mãe. É o seguinte te dou o prazo de uma semana para você fazer alguma coisa. Caso contrário, irei contar tudo o que aconteceu naquele dia além do mais que estou esperando um filho seu! Chegou a hora de sermos felizes juntos, com nosso bebe que vai ser lindo igual a você! Eu te amo meu amor, minha paixão, fica comigo! Bjos do seu amorzinho que te ama muito . Isabella Nogueira

No email já vemos o quanto ela era obsecada por ele, tanto que faz ameaças e diz esperar um filho que nem o mesmo sabia que existia! A pericia não encontrou em lugar algum do quarto

e das coisas da vitima, algum exame que comprovara que ela estava grávida e nenhum

exame foi entregue ao meu cliente. Ele só ficou sabendo da gravidez por este email.

Ele foi seduzido por esta garota, não temos provas para dizer que foi espontâneo, ela pode muito bem ter colocado algum sedativo para o mesmo se entregar a ela, tanto que no próprio depoimento sua melhor amiga relata:

DELEGADO: Eles tinham um caso?

LUIZA: Não, só tiveram relação uma vez, mais ela o amava muito.

DELEGADO: Que tipo de relação?

LUIZA: Sexual.

DELEGADO: Ele que procurou ela?

LUIZA: Não, ela disse que insistiu muito. E ele cedeu.

DELEGADO: Ele gostava dela?

LUIZA: Não sei. Ela corria muito atrás dele.

DELEGADO: E foi a primeira vez dela?

LUIZA: Não, já teve outras, com outros caras.

E então, a própria amiga diz que ela corria atrás dele, a própria amiga diz que ela insistiu! E

então vamos julgar este homem, dizer que ele tinha relações com ela sem saber ao certo o

que aconteceu?

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Mais não é só isso temos mais provas! A vitima tinha um álbum de fotos do meu cliente em seu computador. Agora a moda é ser fotografa do padrasto? A essa eu não conhecia! E o engraçado é que em nenhuma foto o meu cliente esta olhando diretamente para a maquina, e o mais engraçado ainda ele nem sabia da existência dessas fotos! Todas as fotos foram tiradas sem ele saber! As apresento para os senhores! (mostrar as fotos, apontando o que ele esta fazendo).

Precisamos de mais provas para dizer o quanto ela era obsecada por ele? Então meus caros

se coloquem no lugar desse senhor. Que lutou na vida, e hoje está aqui tendo que passar por isso. Provando que qualquer um pode sentar naquela cadeira, tanto um justo como um injusto, tanto eu como qualquer um de vossas excelências.

Quero que se coloquem ali, no lugar dele, pois se ele cometeu um erro, ele vai pagar! Mas temos que analisar sua moral como se fosse a nossa.

Pois ameaças não temos duvidas nenhuma que ele sofreu!

O amor que ele sente por sua esposa esta estampando em seu rosto. A vítima não queria

aceitar que ele amava a sua mãe e não ela. A mesma sofria por um amor platônico! Um amor que fez o mesmo estar aqui hoje!

Deixo nas mãos dos senhores! Só peço que não enterrem esse senhor VIVO!

*Réplica e tréplica decorrentes da espontaneidade do julgamento

Escola Estadual Adventor Divino de Almeida Comissão de sala 2º ano B do Ensino Médio Campo Grande MS

QUESITOS PARA AFERIMENTO DE SENTENÇA

1)

Há indicio de autoria?

2)

Há materialidade do fato?

3)

O réu é culpado?

4)

O motivo alegado pela defesa para diminuição de pena deve ser acatado?

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5)

O motivo alegado pelo ministério público para aumento de pena deve ser acatado?

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Escola Estadual Adventor Divino de Almeida Comissão de sala 2º ano B do Ensino Médio Campo Grande MS

SENTENÇA

2º ano B do Ensino Médio Campo Grande – MS SENTENÇA Ação Penal: 0356884-64. 2009. 8.

Ação Penal: 0356884-64. 2009. 8. 7. 0001 Parte Autora: Justiça Publica. Acusado(s): Jonas Alcântara de Barros. Vítima(s):Isabella Nogueira Barretos. Vistos, etc

JONAS ALCANTARA DE BARROS foi pronunciado no art. 121, § 2°, inciso IV por homicídio duplamente qualificado e art. Art. 211. Do Código Penal porque no dia 7 de agosto de 2009, por volta das 18 horas, na BR 163, nesta capital, desferiu um tiro que causou a morte da vitima Isabella Nogueira Barretos e o feto que a mesma esperava de 8 (oito) semanas, causando-os a morte. Iniciada a sessão plenária de julgamento, não houve inquirição de testemunhas, nem leitura de peças, passando ao interrogatório relatados os autos e, na sequência, deu-se inicio aos debates orais. A Promotora de Justiça, Luana Delmond, requereu a condenação nos termos da pronúncia. A defesa técnica realizada pelas advogadas, Tamara Nicoletti da Mata e Sabrina Mann, sustentou a tese de negativa autoria para ambos os crimes. Reunido em sala secreta, o Conselho de Sentença, por maioria de votos declarados decidiu condenar o acusado nos termos da pronúncia, mais com atenuante. Isso quer dizer que a tese de defesa foi aceita. As circunstâncias atenuantes foram aceitas por ser réu primário, ter serviço fixo, endereço fixo, e pelas ameaças comprovadas. Verifico que milita em favor do acusado a atenuante.

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19 Embora se retratasse o juízo, passando a negar a autoria, inclusive, neste plenário, tenho que

Embora se retratasse o juízo, passando a negar a autoria, inclusive, neste plenário, tenho que deve merecer uma redução de pena porquanto foi com base nela e outras provas que melhor se desvendou o crime, foi denunciado, pronunciado e condenado. Evidente que, neste caso, o quantum da redução não pode ser igual à dada a outro acusado que confessa o crime em todas as etapas do processo, questão a ser abaixo fixada. Noutra senda, incorrem circunstâncias agravantes bem como causas especiais de aumento e diminuição de pena a serem ponderadas. Posto isso, condeno JONAS ALCANTRA DE BARROS nos artigos 121, § 2°, inciso IV, e art.211 todos do Código Penal. Desta feita, passo a fixar à pena, sistema trifásico (art. 68 do CP). As circunstâncias judiciais do art. 59 do CP não lhe são amplamente favoráveis. Isto porque a culpabilidade é reprovável, eis que se encontrava armado em meio à sociedade e por ameaças e desentendimento, fez uma emboscada para a vítima a empurrou o que provocou sua queda, desferindo-lhe um tiro no pulmão direito, conduta essa que demonstra seu dolo intenso, representando, portanto, a nítida vontade de assassinar a vítima, sendo merecedor de elevada censura. Não se pode, na fixação da pena-base tratar dolo desta natureza com a de outro réu que age com menor intensidade na execução do crime. Não é possuidor de antecedentes. A conduta social e personalidade são normais. Os motivos e as circunstâncias do crime foram sopesados pelo Conselho de Sentença, razão pela qual deixo de considerá-los nesta fase.

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20 As consequências do delito são típicas da espécie, ou seja, dor, sofrimento pela perda de

As consequências do delito são típicas da espécie, ou seja, dor, sofrimento pela perda de um ente querido tanto dos familiares da vitima (pai, mãe, irmãos, tios, etc.) como também seus amigos. Assim, sopesando tais circunstâncias judiciais, fixo a pena base:

A) Em 20 (vinte) anos de reclusão para homicídio duplamente qualificado.

B) Em 2 (dois) anos de reclusão por ocultação de cadáver.

Reduzo em 2 (dois) anos de reclusão a atenuante de seus antecedentes favoráveis a redução em homicídio e 6 (seis) meses de detenção para o crime de ocultação de cadáver, salientando que não é merecedor de redução maior porque a aludida confissão, como dito acima, não ocorreu em nenhuma fase do processo, tendo negado em juízo e hoje neste Plenário, razão pela qual exigiu do Estado maior esforço para conseguir a condenação de réu na defesa dos interesses sociais.

Assim, fica condenado em definitivo:

Em 18 (dezoito) anos de reclusão no crime de homicídio duplamente qualificado.

Em 1 (um) ano e 6 (seis) meses de detenção para ocultação de cadáver.

Embora se trate de concurso formal, impossível aplicar as regras do art. 70 do CP, inclusive o seu parágrafo único, porquanto as penas são de natureza diferente, ou seja, reclusão e detenção. Atento ás diretrizes do art. 33 e 59, inciso III do CP fixo o regime fechado. Deixo de fixar o valor mínimo para reparação dos danos, uma vez que tal matéria não foi objeto de debate nos presentes autos, ficando para discussão na seara própria.

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21 Tendo em vista que o acusado se encontra beneficiado com liberdade provisória decorrente de Habeas

Tendo em vista que o acusado se encontra beneficiado com liberdade provisória decorrente de Habeas Corpus concedido pelos Desembargadores do TJ/MS, continuará em liberdade da mesma forma, eis que esta sentença condenatória não é considerada fato novo pelos tribunais superiores. Após o trânsito em julgado da sentença, façam-se as comunicações necessárias, inclusive nome no rol de culpados, providencie-se a G.R “Definitiva”, expedindo-se o respectivo mandado de prisão. Encaminhem-se os objetos apreendidos para destruição. Após, arquive-se. Sentença publicada em Plenário, saindo às partes intimadas. Registre-se oportunamente. Sala das sessões da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande-MS, aos 27 de agosto de 2012.

Gabriel Vieira da Silva Teixeira

Juiz presidente do Tribunal do Júri

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22 Boletim de Ocorrência Dados da Ocorrência: Endereço do fato: Av. Ricardo Brandão Número: Não consta

Boletim de Ocorrência

Dados da Ocorrência:

Endereço do fato: Av. Ricardo Brandão

Número: Não consta

Ponto de referencia: Casa de Luiza Francisca de Mello

Bairro: Itanhangá Park

Data do Fato: 07/08/2009

Dados do Declarante:

Cidade: Campo Grande

Estado: MS

Hora aproximada: 18h30min ás 19h00min

Nome: Jonas Alcântara de Barros

RG: 001 575,034

Emissor/UF: SSP/MS

Data de Nascimento: 23/06/1965

Sexo: Masculino

CPF: 07895307,53

Naturalidade (Cidade/UF): Coxim- MS

Profissão: Bancário

Endereço: Rua Pedro Martins

Número: 236

Bairro: Carandá

Cidade: Campo Grande Estado: MS

CEP: 79112-230

DDD+Telefone: 067-33655790

Dados da pessoa desaparecida:

Nome: Isabela Nogueira Barretos

RG: 001, 945, 458

Emissor/UF: SSP/MS

Nome do Pai: Joaquim Ricardo Barretos

Apelido: Isa

CPF: 875 841 981-12

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Nome da Mãe: Cecília Nogueira

Data de nascimento: 04/08/1994

Estado Civil: Solteiro (a)

Naturalidade: Campo Grande

Idade Aparente: 18 anos

Orientação Sexual: Heterossexual

Informações Gerais:

Cor da Pele: Morena

Cor dos olhos: Castanhos

Cor dos cabelos: Pretos

Tipo de Cabelo: Liso

Sexo: Feminino

Profissão: Estudante

Altura (em metros): 1,68m

Obs.: Nunca Desapareceu antes. Não usa de bebidas ou outras drogas ilícitas.

Vestimenta: Calça azul escuro, blusa branca e sapatilhas azuis.

Convivência mais próxima:

Nome: Luiza Francisca de Mello

Endereço: Rua da Ilha n° 948

Cidade: Campo Grande

Bairro: São José

Estado: MS

CEP: 79186-452

Telefone: (67) 3388-5693

Detalhes da Ocorrência:

Objetos que a pessoa desaparecida portava: bolsa e materiais escolares

Conte-nos como aconteceu: Ela saiu para ir à faculdade, e a hora que fui pega-lá como de costume, ela não apareceu, esperei ela meia hora na frente da faculdade. Liguei no celular dela várias vezes, mas não atendia. Então pensei que ela tinha ido a algum lugar com suas amigas e fui resolver umas coisas.

a algum lugar com suas amigas e fui resolver umas coisas. Rubens Hanna Lemes Delegado Presente

Rubens Hanna Lemes Delegado Presente

lugar com suas amigas e fui resolver umas coisas. Rubens Hanna Lemes Delegado Presente Gabriela Haid

Gabriela Haid

Escrivã Presente

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Escola Estadual Adventor Divino de Almeida Comissão de sala 2º ano B do Ensino Médio Campo Grande MS

DEPOIMENTO DE CECÍLIA NOGUEIRA

DELEGADO: Qualificação da parte.

CECÍLIA: Meu nome é Cecília Nogueira, casada, 45 anos, médica, RG nº 001.935.947,

moro na Rua Pedro Martins nº 236 Campo Grande MS.

DELEGADO: Como era sua relação com Isabella?

CECÍLIA: Era muito complicada, nos últimos meses estávamos brigando muito.

DELEGADO: Quais os motivos das brigas?

CECÍLIA: Ela dizia que me odiava, pois ela não era feliz na nossa casa, saía sem me avisar

e não atendia meus telefonemas.

DELEGADO: Ela sempre foi assim?

CECÍLIA: Não.

DELEGADO: Quando ela começou a ter este tipo de comportamento?

CECÍLIA: Nos seus 14 anos.

DELEGADO: A senhora tem alguma suspeita, desconfia de algo ou de alguém que poderia

estar envolvido no desaparecimento da Isabella?

CECÍLIA: Não, pois ela não dizia muitas coisas para mim! Nossa relação era muito

complicada. Lutei muitas vezes para mudar isso, mas pareci ter muita raiva de mim.

DELEGADO: A senhora acha que ela pode ter fugido de casa?

CECÍLIA: Só pode Doutor, pois ela já tinha ameaçado fugir várias vezes.

DELEGADO: Como era a rotina dela?

CECÍLIA: Fazia estágio no período da manhã e a tarde ia para a faculdade, só retornava no

final da tarde. Almoçava fora de casa, com alguma amiga. No fim da tarde, meu marido a

buscava, depois ficava em casa. Às vezes saia nos finais de semana.

DELEGADO: O seu marido é o pai dela?

CECÍLIA: Não. É padrasto.

DELEGADO: Como era a convivência dos dois?

CECÍLIA: Tranquila, sempre conversaram e ela não discutia com ele.

DELEGADO: Eles passavam muito tempo juntos?

CECÍLIA: Não, ele trabalhava durante o dia, só nos meus plantões ficavam sozinhos, mais

ela nunca reclamou.

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DELEGADO: Como é sua relação com seu esposo? CECÍLIA: Ótimo Doutor, ele me trata muito bem e me respeita muito também. DELEGADO: Há quantos anos estão juntos? CECÍLIA: 14 anos. DELEGADO: E qual a relação de Isabella com o pai? CECÍLIA: Ela às vezes passava algum final de semana, ou almoçava com ele. DELEGADO: E ela gostava dele? CECÍLIA: Nunca teve problemas. DELEGADO: Como foi a reação dela após a separação? CECÍLIA: Ela era pequena, no começo sentiu falta mais depois se acostumou. E meu marido sempre a tratou bem. DELEGADO: A senhora tem mais alguma coisa a dizer? CECÍLIA: Só peço que encontre minha filha Doutor. DELEGADO: Faremos o possível.

minha filha Doutor. DELEGADO: Faremos o possível. Rubens Hanna Lemes Delegado Presente Gabriela Haid Escrivã

Rubens Hanna Lemes Delegado Presente

DELEGADO: Faremos o possível. Rubens Hanna Lemes Delegado Presente Gabriela Haid Escrivã Presente Cecília Nogueira

Gabriela Haid

Escrivã Presente

DELEGADO: Faremos o possível. Rubens Hanna Lemes Delegado Presente Gabriela Haid Escrivã Presente Cecília Nogueira

Cecília Nogueira

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Escola Estadual Adventor Divino de Almeida Comissão de sala 2º ano B do Ensino Médio Campo Grande MS

DEPOIMENTO DE LUIZA FRANCISCA DE MELLO

DELEGADO: Qualificação da parte.

LUIZA: Meu nome é Luiza Francisca de Mello, solteira, 19 anos, estudante (estagiaria na

área de odontologia), RG nº 001.947.748, moro na Rua da Ilha nº 948 Campo Grande

MS.

DELEGADO: Qual era sua relação com Isabella?

LUIZA: Eu era sua melhor amiga.

DELEGADO: Ela comentou algo sobre sair ou fugir de casa?

LUIZA: Não

DELEGADO: Tinha namorado?

LUIZA: Não.

DELEGADO: Já teve namorado?

LUIZA: Sim. Faz tempo.

DELEGADO: Saiam juntas?

LUIZA: Sim.

DELEGADO: Que lugares frequentavam?

LUIZA: Baladas, barzinhos com amigos, shopping a vários lugares.

DELEGADO: Faz tempo que ela terminou seu último namoro?

LUIZA: De 2 ou 3 anos.

DELEGADO: Ela não teve relação com mais ninguém nesse tempo?

LUIZA: Alguns caras de balada.

DELEGADO: Que tipo de relação?

LUIZA: Nada duradouro, só ficava.

DELEGADO: Ela não gostava de ninguém?

LUIZA: Não senhor.

DELEGADO: Estranho, você não saber, não era a melhor amiga?

LUIZA: Sim

DELEGADO: E qual o motivo do torpedo que ela te mandou dizendo: “Estou indo ser

feliz”?

LUIZA: Não sei.

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DELEGADO: Não sabe mesmo? LUIZA: É que ela amava o padrasto. DELEGADO: Eles tinham um caso? LUIZA: Não, só tiveram relação uma vez, mais ela o amava muito. DELEGADO: Que tipo de relação? LUIZA: Sexual. DELEGADO: Ele que procurou ela? LUIZA: Não, ela disse que insistiu muito. E ele cedeu. DELEGADO: Ele gostava dela? LUIZA: Não sei. Ela corria muito atrás dele. DELEGADO: E foi a primeira vez dela?

LUIZA: Não.

DELEGADO: Faz tempo que ela gostava dele? LUIZA: Sim. DELEGADO: O que ela dizia sobre ele? LUIZA: Dizia que ele era perfeito, e que ele tinha que ficar com ela, pois a mãe dela não fazia ele feliz. Ela falava que ele era um homem que queria ter para o resto da vida. DELEGADO: O que ela falava de sua mãe? LUIZA: Odiava a mãe dela. DELEGADO: Nos últimos dias, ela comentou algo de fugir ou coisa do tipo? LUIZA: Não, só disse que em breve seria feliz. DELEGADO: Tem mais algo a dizer? LUIZA: Não, Senhor.

.Já teve outras, com outros caras.

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DEPOIMENTO DE SEBASTIÃO SOUZA E SILVA

DELEGADO: Qualificação da parte.

SEBASTIÃO: Meu nome é Sebastião Souza e Silva, casado, 68 anos, capataz, RG nº

001.549.458, moro na BR 163 quilometro 150 Campo Grande MS.

DELEGADO: O senhor conhece Jonas Alcântara de Barros?

SEBASTIÃO: Sim senhor

DELEGADO: Qual a sua relação com ele?

SEBASTIÃO: Eu trabalho na fazenda da família.

DELEGADO: Há quanto tempo?

SEBASTIÃO: Uns 12 anos.

DELEGADO: E qual tipo de serviços?

SEBASTIÃO: Um pouco de tudo. Eu meio que comando o que o pessoal tá fazendo. Tenho

que ficar vendo se falta alguma coisa e peço pra ele, repasso as ordens do patrão pro pessoal.

DELEGADO: Com que frequência isso acontece?

SEBASTIÃO: Não é sempre

DELEGADO: Na semana do ocorrido você pediu que ele levasse alguma coisa?

SEBASTIÃO: Faltava cloro pra limpar a piscina e pedi para ele levar e precisava ver a

contratação de um novo empregado.

DELEGADO: E isso aconteceu?

SEBASTIÃO: Sim, ele apareceu lá pelas 20h00min.

DELEGADO: Ele estava acompanhado?

SEBASTIÃO: Não senhor.

DELEGADO: Ele estava alterado?

Ele trabalha demais. É

normal ver ele alterado.

SEBASTIÃO: Olha

De duas em duas semanas mais ou menos.

O seu Jonas não é uma pessoa muito alegre

DELEGADO: Como é o comportamento dele geralmente?

SEBASTIÃO: Geralmente quando ele vai na fazenda ele fica mais relaxado, mas quando eu

ligo pra ele pedindo alguma coisa ou quando ele vai lá pra entregar alguma coisa o

comportamento dele é diferente

DELEGADO: Fora isso, você não viu nada de estranho nele?

Deve ser por causa no serviço

Não sei.

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SEBASTIÃO: Ele tava estressado como sempre em casa.

DELEGADO: E a dona Cecília, ela não tomava nenhum tipo de decisão nos afazeres da chácara?

SEBASTIÃO: Não

DELEGADO: Então ela confiava plenamente nele?

SEBASTIÃO: Acredito que sim, pois durante todo o tempo que trabalho lá nunca percebi

E

ela não deixaria na mão de qualquer um. DELEGADO: Você percebeu alguma mudança em relação à família? Digo, a personalidade da Cecília e da Isabella mudou em relação ao relacionamento anterior e esse?

Às vezes até

parecia que ele era o pai dela. Lembro que a dona Cecília comentou com uma amiga, que ela não esperava esse tipo de reação dela e que tava sendo muito fácil pra ela. DELEGADO: E qual era a posição do Jonas quanto a isso? SEBASTIÃO: Ele tentava ser um pai pra ela. Tudo o que um de verdade faria, ele faz.

Nunca vi tratando com maldade

chegou a bater. Como eu disse tudo o que um pai faria.

Ela dava os “puxões de orelhas” que precisava, mas nunca

SEBASTIÃO: Quanto a Cecília não, mas a Isabella era muito próxima a ele

nada. Parece que ela confia muito nele, até por que a fazenda é muito importante pra ela

Só se preocupava com a hora de chegar

Desde que eles se casaram, isso tudo ficou por conta do doutor Jonas.

DELEGADO: E que horas ele saiu de lá? SEBASTIÃO: Lá pelas 20h30min no máximo.

saiu de lá? SEBASTIÃO: Lá pelas 20h30min no máximo. Rubens Hanna Lemes Delegado Presente Gabriela Haid

Rubens Hanna Lemes Delegado Presente

pelas 20h30min no máximo. Rubens Hanna Lemes Delegado Presente Gabriela Haid Escrivã Presente Sebastião Souza e

Gabriela Haid

Escrivã Presente

pelas 20h30min no máximo. Rubens Hanna Lemes Delegado Presente Gabriela Haid Escrivã Presente Sebastião Souza e

Sebastião Souza e Silva

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