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O CUSTO DA VIDA NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO POR LÉO DE AFFONSECA JÚNIOR
O CUSTO
DA VIDA
NA
CIDADE
DO RIO DE JANEIRO
POR
LÉO DE AFFONSECA
JÚNIOR
DIRECTOR
DA
ESTATÍSTICA
COMMERCIAL.
(MINISTÉRIO DA
FAZENDA)
% *
RIO DE JANEIRO
IMPRENSA
NACIONAL
$
1920
O CUSTO DA VIDA NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO • POR LÉO DE AFFONSECA
O
CUSTO
DA VIDA
NA
CIDADE
DO RIO DE JANEIRO
POR
LÉO DE AFFONSECA
JÚNIOR
DIRECTOR
DA ESTATÍSTICA
COMMERCIAL
(MINISTÉRIO DA
FAZENDA)
*
*
RIO
D E
JANEIR O
IMPRENSA
NACIONAL
1920
7677 - 919
Wt I

WtI

Exmo. Snr. Dr. Homero Baptista M. D. Ministro da Fazenda. Cumprindo o despacho de V.
Exmo.
Snr.
Dr.
Homero Baptista M. D.
Ministro da
Fazenda.
Cumprindo o despacho de V. Ex. exarado no memo-
randum da Legação Imperial do Japão para que esta
Directoria informe qual o augmento havido no custo da
vida, nesta Capital, tomando por base, para termo de com-
paração, o anno de 1893, e estabelecendo a relação com
os de 1914 e 1919, venho prestar as informações solicitadas.
Esta Directoria não possue elementos que a habilitem
a fornecer dados officiaes sobre o assumpto, pois este es-
capa á esphera de suas attribuições que se limitam ú
organização da estatística do commercio exterior. O valor
de que ella se serve, em seus trabalhos, são, quanto a
exportação, os preços de venda, para o exterior, das merca-
dorias, e em muitos casos preços esses inferiores ao do
commercio em grosso ou por atacado, entre os Estados,
como acontecia, antes da guerra, com os preÇos de assucar
e de outros productos, sujeitos ao regimen do dumping.
Quanto á importação os valores commerciaes referem-se aos
valores a bordo, nos portos brasileiro (c. i. f.) exclusive os
direitos aduaneiros. Nenhum dos dois permitte comparações
que possam determinar as variações havidas nos preços de
consumo interno, nesta Capital. Além disso esta Directoria
iniciou seus trabalhos em 1900 e da primeira década da
Republica não existe elemento algum de estatística com-
mercial que mereça inteira fé.
Consegui, comtudo, obter, com algum esforço, que
justifica a pequena demora na entrega deste trabalho, ele-
mentos para determinar com a precisão desejável as vari- ações de preços dos generos de
mentos para determinar com a precisão desejável as vari-
ações de preços dos generos de primeira necessidade e o
augmento médio no custo da vida verificado, de 1893 para
cá, nos gastos de uma familia composta de sete pessoas.
Os preços a retalho dos generos alimentícios que
figuram nos quadros .annexos e relativos a 1893 obtivc-os
em armazéns de venda a varejo e pelo resultado alcançado
em seu confronto posso garantir a sua inteira exactídão.
Para os de 1914 servi-me de um trabalho que mandei
organizar quando estive como sub-commissario cia Alimen-
tação Publica.
Para o aluguel de casa procurei verificar, na Prefei-
tura, o valor locativo dos prédios. Em 1893, existiam 41.036
prédios cujo valor locativo era de 53 mil contos e em 1913,
82.500 alugados por 149 mil contos. No primeiro anno a
media annual era de 1:291$ e no segundo de 1:810$,
havendo, por conseguinte, entre os dois annos, um au-
gmento de 40%.
Por informações fornecidas por alguns proprietários
e inquilinos cheguei, porém, a um resultado differente,
obtendo uma porcentagem de augmento de 54 % e 100 %
para 1914 e 1918, respectivamente, e em relação a 1893.
Yi recibos de diversas casas, em que o augmento nas tres
épocas foi muito maior. De uma, em Botafogo, verifiquei
ter estado alugada em 1893 por 150$, em 1914 por 300$ c
actualmento está por 380$ sem ter soffrido reparos de
monta. No centro da cidade os alugueis elevaram-se exhor-
bitantemente alcançando a porcentagem 500 e 600 °/ 0 em
determinadas ruas, não se computando, neste calculo, as
importâncias das luvas.
A partir de 1893, com as medidas tomadas pela Saúde
Publica, melhoraram as condições dos prédios quanto á
hvgiene e conforto, encarecendo portanto as construcções.
As
taxas e impostos que oneram os proprietários dobraram
de
1893 para cá. Hoje é diífícil senão impossível conseguir-
se
nos melhores arrabaldes da cidade uma casa para uma
familia de sete pessoas por menos de 300$ mensaes. Julgo,
por isso, que a média de augmento por mim adoptada ainda está abaixo da realidade.
por isso, que a média de augmento por mim adoptada
ainda está abaixo da realidade.
Os preços do combustível, do gaz e da luz electrica
foram a
mim fornecidos pela Societé Anonyme
du Gas.
Os de roupas, chapéos e calçados apurei-os em esta-
belecimentos fundados antes de 1893. Para roupa comparei
os preços de tres alfaiatarias; de uma dellas a variação foi
a seguinte, para um terno de casemira: em 1893,110$, em
1914, 220$ e actualmente, em novembro, 330$. A porcen-
tagem eleva-se a 100 e 200 % respectivamente. Trata-se
de uma casa considerada de luxo e por esta razão não
adoptei tal porcentagem. As que figuram em meu trabalho
são de 78 c 111% com os preços respectivos de 90$, 160$
e 280$000.
Em 1893, as melhores sapatarias cobravam por calçado
sob medida 23$000; em 1914 35$000 e agora 65$ a 70$000.
Em 1893 os calçados finos, feitos, vendidos aqui no Rio.
eram todos estrangeiros. Custavam naquella época os
melhores entre 14$ e 16$ o par ; em 1914, o preço variava
de 22$ a 25$ e actuamente de 35$ a 40$. A proporção de
augmento "para as qualidades inferiores é idêntica a dos
calçados finos.
Tendo havido sensível alta nos preços de quasi todas
as mercadorias no anno de 1893, não se devia tomal-o
como termo de comparação para determinar o curso das
variações, no custo da vida nesta Capital. As fluctuações
dos preços foram occasionadas, principalmente, pela quéda
brusca do cambio, pelas altas cotações do café e pela
revolta de 6 de setembro.
Em janeiro de 1893 o cambio estava a 13 5/8 e em
dezembro a 101/8. Como mostrarei mais adiante, grande
numero de mercadorias que hoje produzimos, em larga
escala, era então importada do exterior e os seus preços
acompanhavam forçosamente os oscillações cambiaes.
O café, que em janairo era cotado a 16$600, por ar-
roba, para o typo, 7, manteve-se em alta constante durante
o anno, fechando em dezembro a 22$700. A cotação alta
do café exerce, entre nós, certa influencia na elevação dos preços de outras commodidades, tal
do café exerce, entre nós, certa influencia na elevação dos
preços de outras commodidades, tal como se dá com o preço
do trigo, nos paizes do norte. E, sem contestação, um factor
do augmento do custo da vida. A revolta, nesta Capital, fez
que se valorissasem os stocks das mercadorias aqui exis-
tentes pela difficuldade da importação do exterior.
O que acabo de expor explica, talvez, a pequena média
de augmento em certos artigos, nos 30 annos.
Em 1893, o arroz, a banha, as batatas, o xarque, as
cebolas, a manteiga, o milho consumidos no Rio de Janeiro
eram na sua quasi totalidade de procedencia estrangeira.
Em 1914, senão totalmente, mas em grande parte, já eram
de producção nacional. Assim mostram os dados, da im-
portação estrangeira dessas mercadorias, no Rio, nos tres
períodos, e que a seguir transcrevo:
IMPORTAÇÃO
HO
PORTO
DO
RIO
DE
JANEIRO
Kilogrammos
MERCADORIAS
MERCADORIAS
ESTRANGEIRAS
ESTRANGEIRAS
Janeiro a junho
1893
1914
191»
_
Arroz
73.373.480
4.022.067
Banha.
.
2.682.835
9.828
1.532
Batatas
.
10.650.895
11.222.298
9
Xarque
.
.
.
.
.
.
.
48.032.880
1.053.395
22.099
Manteiga
1.572.660
220.601
Milho
31.405.020
30.267
2.965.250
A importação de batatas, em 1914, é maior em 10°/ o
que a de 1893, mostrando ainda assim o desenvolvimento
de sua cultura no Brasil, pois a importação manteve-se
estacionaria, quando devia ter, pelo menos, duplicado nesse
espaço de tempo, devido ao augmento de população. Em
1915 a importação de batatas no Rio foi de 3.689 tone-
ladas, em 1916 de 1.308 e em 1917 e 1918 não entrou do estrangeiro nenhum
ladas, em 1916 de 1.308 e em 1917 e 1918 não entrou do
estrangeiro nenhum kilo de batatas.
A importação de milho em 1919 deve-se á deficiencia
de trafego entre os pontos internos de producção e de con-
sumo, tanto que exportámos, no anno passado, 14.275
toneladas e neste anno, nos nove mezes, 3.046.
Todas as seis mercadorias figuram desde 1915 em
quantidades avultadas entre os artigos que exportamos.
No consumo de calçado, chapéos, velas e phosphoros
dava-se o mesmo que com os generos alimentícios já
citados. O que se consumia em 1893 no Rio era também
de producção estrangeira. A industria de calçado á ma-
china limitava seu fabrico a productos de qualidade in-
ferior. A de phosphoros, a de velas de stearina e a de
chapéos tinham uma producção insignificante.
O decrescimo na importação desses artigos evidencia
o desenvolvimento dessas industrias nestes 30 annos.
Não me tendo sido possível, para estabelecer a compa-
ração, conseguir os dados da importação de 1893, no
quadro que se segue figuram os do anno de 1890 extrahidos
da estatística aduaneira da Alfandega do Rio.
IMPORTAÇÃO
HO PORTO
DO
RIO
DE JANEIRO
Janeiro
MERCADORIAS
ESTRANGEIRAS
UNIDADE
a
1890
1914
Junho de
1919
Calçado de couro
Pares
i.085.879
24.164
3.330
Chapéos de feltro
Um
84.871
2.171
2.550
» » palha
.
»>
167.557
49.257
2.670
Velas .'
Kilo
265.260
4.588
54
Phosphoros.
»•'* \
947.062
687
Em 1917 a producção nossa, dessas cinco mercada
rias, foi a seguinte: As 25 fabricas de phosphoros, exis-
tentes no Brasil, produziram 497.759.053 caixas ou sejam em peso, mais ou menos, 4.977.590 kilos
tentes no Brasil, produziram 497.759.053 caixas ou sejam
em peso, mais ou menos, 4.977.590 kilos líquidos.
Fabricámos 1.843.755 chapéos de palha para homens
e 1.231.990 chapéos de feltro.
As 718 fabricas de chapéos que possuímos produziram
em conjuncto 611.292 chapéos de sol, 4.469.526 chapéos cie
homens e 626.671 de senhora.
Das 6.602 fabricas de calçado, aqui estabelecidas, tra-
balharam, em 1917, 6.397 produzindo 16.773.388 pares
inclusive 9.021.990 pares de chinellos e sandalias communs.
A producção de velas subdividiu-se em 818.350 de
sebo, 3.444.233 de stearina e 528.311 de cêra.
Estes detalhes, que a muitos podem parecer dema-
siados ou supérfluos aqui os consigno porque, tratando-se
de informações que se destinam a autoridades estrangeiras,
servem naturalmente para dar maior divulgação a ele-
mentos que demonstram a nossa expansão no terreno
economico.
E comò as conclusões a que cheguei, quanto ao
augmento do custo na vida, podem também levantar sus-
peitas de deficientes ou exageradas, achei necessário ex-
plicar o modo por que as obtive, para que não sòffram a
pecha de fantasia.
Pelos resultados por mim obtidos o augmento médio
do custo da vida no Rio de Janeiro foi, em relação a 1893,
de
42 % par a
1914 e
cie 106 %
par a 1919.
Em confronto com 1914 a vida encareceu, em 1919,
de 45 °/ 0 .
Cheguei a esta conclusão organizando uma tabella da
clespeza de uma familia composta de sete pessoas. Dividi
as despezas em sete verbas. A de alimentação cresceu de
46
°/ 0 ; as que mais se elevaram foram a de combustível
96
°/ 0 e a de vestuário 67 °/ 0 , todas em comparação a
1914.
Pela urgência pedida no trabalho não me foi possível,
como desejava, estudar as causas determinantes do encare-
cimento da vida no BrásiL Comparando os algarismos refe-
— 9 — rentes ao Rio de Janeiro com os dos demais paizes, veri- ficam-se
9
rentes ao Rio de Janeiro com os dos demais paizes, veri-
ficam-se differenças grandes no augmento de custo da
vida.
Na Inglaterra, segundo os números Índices do « Eco-
nomist», os preços de cereaes e de carne cresceram de
julho de 1914 a setembro de 1919 de 124 0 / o e os de outros
generos alimentícios de 137 °/ 0 . Depois da assignatura do
armisticio os preços todos continuaram a subir, tanto na
Inglaterra como nos demais paizes, em desaccôrdo com o
que se esperava.
Conforme os dados de l'Union Suisse des Sociétés
de Consommation publicados no Journal de Genève, o custo
da vida na Suissa augmentou de 161 °/ 0 , comparando os
preços de junho de 1914 com os do mesmo mez em 1919.
Quanto aos generos alimentícios o augmento foi de
150 %
A circular n. 423 do Departamento do Trabalho, em
Washington, estabelece o confronte do custo da vida nos
Estados Unidos a partir de dezembro de 1914 até junho
de 1919.
Comparo no quadro abaixo as porcentagens
obtidas
pelo Departamento do Trabalho com
as
que organizei:
t
Estados Unidos
Rio de Janeiro
1. Alimentos
.
.
73
íó
46
%
2
.
.
45
%
96
%
3:
Vestuário
.
.
182 %
67
%
30
%
%
.
.
-
5.
Criados
25. f A
6.
%
33 %
7.
Diversos
.
.
75
%
10
%
Total
.
.
79
%
43
%
Em relação a 1914, segundo dados publicados no
Lloyd's Bank Monthly Financial Report, de outubrp y Í919,
os preços a varejo dos generos alimentícios tiveram em
t
— .10 — 1919, nos paizes abaixo, as seguintes porcentagens de aug' mento: Augmento Datas
— .10
1919, nos paizes abaixo, as seguintes porcentagens de aug'
mento:
Augmento
Datas
Bélgica (em Bruxellas)
.
.
.
.
.
-267 %
Julho 1919
'
Suécia
.
.
219
Junho 1919
Italia (em Milão)
.
.
204 %
Agosto 1919
França (excepto Paris)
.
.
.
Julho 1919
Italia
(excepto MilJo
e
Roma).
.
.
181
Abril 1919
Noruega
França (Paris) -.
Abril 1919
.
.
.
.
.
161
%
i
Julho 1919
Portugal (Lisbòa)
.
.
.
.
.
.
.
151
Maio 1919
Suissa -
%
Junho 1919
Grã-Bretanh a
.
.
116
Setembro 1919
%
Dinamarca
.
.
112
%
Julho
1 ai 9
Ilollanda (Amsterdam)
.
.
.
110 %
Julho 1919
Italia (Roma)
.
.
106 V.
Julho
1919
Estados Unidos
.
.
86
Julho 1919
%
Canadá
.
.
86
Julho 1919
%
Hespanha
.
.
57
Março 1919
.
$
Índia (Calcuttá)
.
.
51
Agosto 1919
%
Nova Zelandia
.
.
48
Agosto 1919
%
Australia
.
.
47
Julho 1919
%
Cabo da Boa Esperança
.
.
.
.
.
36
Junho 1919
No Rio de Janeiro,
.
.
.
46
%
Novembro 1919
No confronto entre 18 paizes, quanto ás oscillações nos
preços de generos alimentícios, o Brasil, com excepção do
Cabo de Bôa Esperança, foi o que teve menor porcentagem
de augmento. Confirma-se, por conseguinte, o que já era
notorio, temos nós, no Brasil, sofírido em menor escala, as
conseqüências do encarecimento da vida.
Na circular americana já referida encontra-se a por-
centagem de cada especie de despeza nos gastos de uma
familia.
A comparação com os nossos algarismos offerece di-
vergências naturaes, dada a diversidade do meio.
— 11 — Estados Unidos Rio de Janeiro 1 Alimentos % 35,S % 2 Combustível
11
Estados Unidos
Rio de
Janeiro
1 Alimentos
%
35,S %
2 Combustível e Luz .
.
.
.
.
6
6,3 %
3 Vestuário
16 yM
13,0 %
4 Casa
V
.
13 %
22,5 °/„
5 Criados
.
.
.
.
.
.
8,7
%
6 Moveis etc
.
.
4 %
3,5 7„
7 Diversos
.
.
19 %
10,5 7o
Total
.
.
.
'
100
%
ICO,
%
O estatístico allemão Ernst Engel. tornou-se conhecido
pelos estudos a que se dedicava sobre os gastos domésticos,
formulando as leis, hoje acatadas por todos e que deter-
minam a repartição das despezas em todo o orçamento
familiar, fazendo-as variar para cada verba de accordo
com ps recursos de cada familia. Segundo Engel, tanto
menor é a ren*da tanto maior é a parte destinada á compra
de alimentos. Assim elle discrimina a porcentagem das
verbas das despezas de accordo com a s posses de. cada
familia.
Orçamento
doméstico
VERBAS
CLASSE
OPERARIA
CLASSE
MÉDIA
CLASSE ABASTADA
Alimentação
55
6 2
ÜO %
Vestuário
18
18 %
1 6
%
%
Casa
12
12
12 %
%
%
Combustível e luz
.
.
.
5
5
%
%
«J
/O
Diversos
5
1 0 %' ã
15
%
%
Total
1 0 0
%
1 0 0
%
100
%
A proporção dos gastos com os alimentos em relação
ao total geral das despezas pode ser, segundo Armand
Julin, considerada como a unidade de medida do bem estar
— 12 — material de cada familia. Quanto mais elevada essa pro- porção, menores são
12
material de cada familia. Quanto mais elevada essa pro-
porção, menores são os recursos que ficam para acquisiçao
de outras utilidades e vice-versa.
Como despeza com a alimentação não é voluntaria e
sendo a porcentagem do seu augmento inversamente pro-
porcional aos recursos de cada familia, conclue-se que são
as classes pobres as mais affectadas pela elevação dos
preços dos generos alimentícios.
Segundo um inquérito feito nos Estados Unidos e cujas
conclusões se encontram no Cours d'Economie Politique
de Charles Gide na edição de 1919, as despezas das famílias
operarias americanas variam da seguinte forma:
ENTRE 3.0QP
SALÁRIOS
ACIMA
DE
6.000
VERBAS
ATÈ
E
FRANGOS
4.000
1,00 0
FRANCQS
FRANGOS
Alimentação.
.
.
.
51
%
42
%
"32 %
f
25
%
23
%
22
%
Vestuário
9
%
13
%
16
%
Conforto
13
22
%
30
%
•/•
Total
100
%
100
100 %
% .
Reproduzo este quadro porque as porcentagens refe-
rentes á renda acima de 6.000 francos estão mais ou
menos em relação as que encontrei no trabalho que ora
tenho a honra de passar as mãos de V. Ex.
Tenho a honra de reiterar a V. Ex. os mais altos pro-
testos da minha respeitosa consideração.
Directoria da Estatística Commercial, 19 de novembro
de 1919.
Lèo
de
Affotisecct
Júnior
Diroctor;
— 13 — Preços correntes a retalho, de generos alimentícios! na cidade do Rio de
— 13 —
Preços correntes a retalho, de generos alimentícios! na cidade do Rio de Janeiro,
nos annos de 189 3, 1914 e 1919
PREÇO EM RÉIS
PAPEL
NÚMEROS ÍNDICES EM NÚMEROS ÍNDICES EM
RELAÇÃO A 1893
RELAÇÃO A 1911
UNIDADE
UNIDADE
GENEROS ALIMENTÍCIOS
GENEROS ALIMENTÍCIOS
189 3
1914
1919
189 3
1914
1919
1893
191 *
1919
1
Arroz
Kilog.
350
747
960
100
213
274
47
100
129
2
Assucar refinado
,
»
500
892
1,060
100
178
212
56
100
119
3
Azeite doce.
»
1.700
2.541
7.000
100
149
412
67
100
275
4
Bacálháo
»
700
906
2.700
100
129
.
335
77
100
273
5
Batatas
>
240
316
560
100
132
233
76
100
177
6
Banha
»
900
1.400
2.000
100
153
222
61
100
143
7
Café em pó
»
2.400
1.200
2.000
100
53
83
200
100
167
8
Carne fresca
»
800
900
1.200
100
112
150
89
100
133
9
Carne se?ca
(xarque).
»
1.525
2.400
100
25 i
158
'
600
400
39
100
10
Cebolas
»
133
133
75
133
600
800
1.100
100
100
11
Chá
>
7.000 12.000 18.000
100
171
257
58
400
150
12
Farinha de mandioca.
»
143
133
70
100
127
230
330
420
100
13
Farinh a
de trig o
.,
»
300
492
161
100
163
800
100
267
61
100
14
Feijão preto
»
119
100
320
330
100
119
84
380
15
100
133
200
75
100
150
Litro.
300
400
600
100
150
16
Leite condensado
143
214
70
Lata .
700
1.000
1.500
100
83
100
17
Manteiga
312
240
Kilog .
120
2.500
3.000
7.200
100
120
1S Mate
240
50
100
»
500
1.000
1.200
100
200
90
140
111
100
156
19
Milho
»
200
180
280
100
225
67
100
150
£0 Pao
»
400
600
900
100
150
50
100
200
21 Sal grosso
400
»
100
200
50
100
soo
100
123
22 Toucinho
800
1.220
1,500
100
150
1S7
65
»
0
— 14 — Preços do artigos de primeira necessidade na 1893, 1911 e 1919 cidade
— 14 —
Preços
do
artigos
de
primeira
necessidade
na
1893, 1911 e 1919
cidade do
Rio de
Janeiro
nos
annos
de
PAPEL
NÚMEROS
ÍNDICES EM RE-
LAÇAO A 189 3
número s
PREÇOS EU
RÉIS
índice s
EM RE-
LAÇÃO a
191 1
ARTIQOS
UNIDADE
1893
1914
1919
1893
1914
1919
1893
1914
1919
Combustível
e
luz :
IV
Coke
Tonelada
26.200
28.600
102.000
100
109
390
92
100
357
2.
Phosphoros
•Pacote
200
500
720
100
250
360
40
100
1U
3.
Iíeroseno
Garrafa
230
333
520
100
145
226
69
100
153
4
Gaz
M. Cúbico
346
231
312
100
81
90
123
100
111
5.
Luz electrica.
K. W.
410
— ;
6.
Velas
Pacote
1.100
1.200
2 k 300
100
109
2Q9
92
100
191
Vestuário
:
7. Roupa feita de casimira
Terno
90.000
160.000
280.000
100
178
311
56
100
175
8. Calçado
Par
15.000
25.000
45.00 0
100
167
300
60
100
180
9. Chapéo
Um
13 00D
20.000
30.000
100
154
231
65
100
150
10. Roupa branca (camisas)
Uma
6.000
9.000
15.000
100
150
250
67
100
167
11. Aluguel de casa
Uma
130.000
200.000
260.000
100
154
200
65
100
130
12. Criados
Um
30.000
40.000
50.000
100
133
167
.75
l o o
125
13. ;.
Sabão
Kilo
900
1.200
1.400
100
133
156
75
100
117
— 18 - ORÇAMENTO MENSA L S E UMA FAMÍLI A S E SET E
18
-
ORÇAMENTO
MENSA L
S E
UMA
FAMÍLI A
S E
SET E
PESSOAS
NOS
AN NOS
S E
1893,
1911
E
1919
ANNOS
QUANTIDADES
MENSAES
1893
1914
.
1919
Generos alimentícios:
.
Arroz
Assucar refinado
Azeite doce t
Bacalháo.
Banha
Batatas
Café em pó
Carne fresca
18 kilos
68300
138446
17$280
.
.
.
30
»
15.000
268760
318800
.
.
1
kilo
1S70Q
28541
78000
.
4 kilos
28800
38624
108800
12
»
10$800
168800
248000
15
»
38600
48740
88400
5
»
128000
,65000
108000
.
60
»
488000
548000
, 728000
»
secca (xarque) .
.
10
»
68000
158250
248000
Cebolas
Chá
Farinha de mandioca .
3
»
18800
28400
38300
1
kilo
7800O
128000
18S000
.
10 kilos
28300
,38300
48200
»
»
trigo .
.
2
»
8600
8984
18600
Feijão preto
12
»
38840
4-8560
48560
Leite fresco
30 litros
98000
128000
188000
»
condensado
.
.
.
2 latas
121400
28000
38000
Manteiga
6 kilos
158000
188000
438200
Mate
1
»
§500
18000
18200
Milho
10
»
28000
18800
28800
Sal grosso
4
•»
$200
8400
8800
.
.
2
»
18600
28440
38000
Despesas diversas: Verdu-
ras, ovos, peixe,
etc.
.
558000
758000
1008000
Totaes
2068440
2798045
4088940
Combustível e luz:
Coke
138100
148300
518000
Phosphoros
.
.
.
1/2 tonelada •
3 pacotes
1 garrafa
70 M 3
40 K.W.
1 pacote
8600
18500
28160
Kerozene
8230
8333
$520
Gaz
248220
198670
Luz electrica
.
168400
Velas
18100
18200
28300
Totaes
398250
378003
728380
— 16 ANNOS QUANTIDADES QUANTIDADES QUANTIDADES ARTIGOS ARTIGOS MENSAES MENSAES MENSAES 1893 1914 1919
16
ANNOS
QUANTIDADES
QUANTIDADES
QUANTIDADES
ARTIGOS
ARTIGOS
MENSAES
MENSAES
MENSAES
1893
1914
1919
Vestuário
.
Casa (aluguel mensal). *. •
*
.
.
608000
90$000
1508000
/
/
1308000
2008000
2608000
——
Criados
• •
.»•
.
.
J/es
608000
808000
1008000
Moveis e utensílios, roupa
de cama, etc.
Despesas diversas
.
158000
308000
408000
.
,
.
sosooo
808000
1208000
Resumo:
Generos alimentícios
.
206,$440
2798045
4088940
Combustível e luz .
.
398250
378003
728380
608000
90J5000
1508000
Casa (aluguel) •
Criados • • « •
,
,
.
1308000
200$000
2608000
.
60$000
80^000
1008000
Moveis e utensílios, roupa
.
Despesas diversas •
de cama, etc.
.
15j?000
308000
408000
~ 508000
808000
1208000
Totaes.
.
.
,. ,
.
5608690
7968048
1.1518320
— 47 — NÚMEROS ÍNDICES an.ms grupos dh artigos 1893 1914 i 1919 Era relação
47
NÚMEROS
ÍNDICES
an.ms
grupos
dh
artigos
1893
1914
i
1919
Era relação a 1803 :
1.
Generos alimentícios
100
136
198
2.
Combustivel c luz
100
95
184
d
Vestuário
100
150
250
100
154
200
100
133
167
6.
Moveis, utensílios, roupa
de cama, etc.
100
200
267
7.
Despesas diversas
100
160
240
Total
100
142
206
Em
relação a 1914
74
100
146
1.
Generos alimentícios
106
100
196
3.
Vestuário.
.
67
100
167
65
100
130
75
100
125
6.
Moveis e utensilios, roupa de cama, etc.
50
100
133
62
100
150
70
100
145
\ - 18 - PORCENTAGEM DE CADA VERBA EM RELAÇÃO AO TOTAL DAS DESPESAS 189
\
-
18
-
PORCENTAGEM
DE
CADA
VERBA
EM RELAÇÃO
AO
TOTAL
DAS
DESPESAS
189 3
191 4
191 9
V
'
K
%
%
%
í :
Generos alimentícios
36, 8
35, 1
35, 5
2 Combustível e luz
.
7 , 0
4 , 7
6 , 3
3 .
Vestuário
10, 7
11, 3
13, 0
4 .
Casa
2 3 ,
2
2 5 , 1
22,5 "
5 .
Criados
.
.
.
.
10, 7
10, 0
8 , 7
6 Moveis e utensílios, roupa de cama, etc.
.
2 , 7
3 , 8
3 , 5
7 Despezas diversas
Total
.
8 ,
9
10, 0
10, 5
100, 0
100, 0
100, 0
Rio de Janeiro — Imprensa
• •
-
Nacional — 1920