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Unidade I – Equa¸oes, sistemas lineares e matrizes

Geraldo L´ucio Diniz

geraldo@ufmt.br

Cuiab´a, 24 de Maio de 2013

I – Equa¸ c˜ oes, sistemas lineares e matrizes Geraldo L´ ucio Diniz geraldo@ufmt.br Cuiab´a, 24

Geraldo L. Diniz

Equa¸oes e sistemas lineares

[1]

Equa¸oes, sistemas lineares e matriz

1. Equa¸c˜oes lineares: solu¸c˜oes.

2. Equa¸c˜oes lineares com duas inc´ognitas: m´etodos de solu¸ao.

3. Sistemas de equa¸c˜oes lineares, discuss˜ao da solu¸ao, m´etodo de Cramer.

4. Matrizes, opera¸c˜oes elementares e matrizes especiais.

5. Escalonamento de matrizes `a forma triangular e posto de uma matriz.

6. Solu¸ao de sistemas de equa¸oes lineares na forma matricial: m´etodo de Gauss.

uma matriz. 6. Solu¸ c˜ ao de sistemas de equa¸ c˜ oes lineares na forma matricial:

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Equa¸oes lineares

Defini¸c˜ao 1. Denominamos equa¸ao linear nas inc´ognitas x 1 , x 2 , ··· , x n , a toda equa¸ao que pode ser escrita na forma padr˜ao

a 1 x 1 + a 2 x 2 + ··· + a n x n = b

(1)

onde a 1 , a 2 , ··· a n , b ao constantes, denominadas coeficientes , pertencentes a um corpo K .

Uma solu¸ao da equa¸ao linear ´e o conjunto de valores x 1 = ρ 1 , x 2 =

ρ 2 , ··· , x n = ρ n , ou simplesmente uma ˆenupla ( ρ 1 , ρ 2 , ··· , ρ n ) de constantes, com a propriedade de tornar a equa¸ao linear uma identidade, ou seja, satisfazem a equa¸ao linear.

Defini¸c˜ao 2.

a 1 ρ 1 + a 2 ρ 2 + ··· + a n ρ n = b

(2)

O conjunto de todas as solu¸c˜oes ´e denominado conjunto solu¸ao , ou solu¸c˜ao geral .

O conjunto de todas as solu¸c˜ oes ´ e denominado conjunto solu¸ c˜ ao , ou

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Exemplos:

1. A equa¸ao x y + 3 yz = 1 ao ´e linear, pois o termo yz nestas duas inc´ognitas ´e do 2 o grau.

2. A equa¸ao 5 x πy + z 3

e

2. A equa¸ c˜ ao 5 x − πy + z √ 3 − e √

1 1

2

1

w = 17 ´e linear nas inc´ognitas x, y, z, w.

3. A equa¸ao t + x + 2y 4 z = 3 ´e linear nas inc´ognitas t, x, y, z e a quadra q = (0, 3 , 2 , 1) ´e uma de suas solu¸c˜oes, uma vez que 0+3+2 · 2 4 · 1=3 3=3 .

, 3 , 2 , 1) ´ e uma de suas solu¸ c˜oes, uma vez que

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Equa¸oes lineares com uma inc´ognita

Teorema 1. Dada a equa¸ao linear ax = b , temos que

i. Se a = 0 , ent˜ao x =

a b ´e a unica´

solu¸ao desta equa¸ao

ii. Se a = 0 , mas b

= 0 , ent˜ao ax = b ao tem solu¸ao.

iii.

Se a = 0 e b = 0 , ent˜ao qualquer escalar ρ ´e solu¸c˜ao de ax = b .

Demonstra¸c˜ao: exerc´ıcio!

Exemplo: Resolva 4 + x 3=2 x + 1 x

solu¸ao:

Escrevendo na forma padr˜ao, vem x +1= x + 1 x x = 1 1 0 x = 0 .

Portanto, qualquer escalar ´e solu¸c˜ao desta equa¸ao linear.

x = 1 − 1 ⇒ 0 x = 0 . Portanto, qualquer escalar ´ e

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Equa¸oes lineares degeneradas

Defini¸c˜ao 3. Diz-se que uma equa¸ao ´e degenerada se tem a forma

ou seja, se todos os seus coeficientes s˜ao nulos.

0 x 1 + 0 x 2 + ··· + 0 x n = b,

(3)

Teorema 2. Dada uma equa¸ao degenerada 0 x 1 + 0 x 2 + ··· + 0 x n = b , se tem que

i. Se b

= 0 , a equa¸ao ao tem solu¸ao.

ii. Se b = 0 , ent˜ao qualquer ˆenupla escalar ( ρ 1 , ρ 2 , ··· , ρ n ) ´e solu¸c˜ao.

Demonstra¸ao: Seja ρ = ( ρ 1 , ··· , ρ n ) uma ˆenupla de escalares quaisquer. Ent˜ao, se b

0 ρ 1 + 0 ρ 2 + ··· + 0 ρ n = b 0+0+ ··· +0= b 0 = b , o que ´e falso, pois b = 0 . Por outro lado, se b = 0 ent˜ao levando ρ em (6), vem 0 ρ 1 + 0 ρ 2 + ··· + 0 ρ n = 0 0+0+ ··· +0=0 0=0 , o que ´e verdade quaisquer que sejam os valores de ρ i .

= 0 e levando ρ na equa¸ao (6), se obt´em

verdade quaisquer que sejam os valores de ρ i . = 0 e levando ρ na

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Equa¸oes lineares n˜ao degeneradas

Defini¸ao 4. Dada uma equa¸ao linear na forma padr˜ao a 1 x 1 + ··· + a n x n = b , de modo que algum de seus coeficientes a 1 seja n˜ao-nulo, ent˜ao ela ´e dita ao degenerada.

Defini¸ao 5. Al´em disso, ´e denominada inc´ognita principal a primeira inc´ognita com co- eficiente n˜ao nulo, denotado por x p , onde p ´e a posi¸c˜ao do coeficiente n˜ao nulo na ˆenupla ( a 1 , a 2 , ··· , a n ) .

Defini¸ao 6. No caso da equa¸ao n˜ao degenerada, excluindo a vari´avel principal, as demais inc´ognitas s˜ao denominadas vari´aveis livres .

excluindo a vari´ avel principal, as demais inc´ ognitas s˜ao denominadas vari´ aveis livres . UFMT

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Exemplos:

1. Determine 3 solu¸c˜oes particulares da equa¸ao 2 x 4 y + z = 8

Solu¸ao: Sendo x a vari´avel principal, ent˜ao y e z ser˜ao vari´aveis livres, da´ı basta atribuir

Por exemplo, fazendo y = 1 e

z = 0 2 x 4 · 1+0=8 x = 6 (6 , 1 , 0) ´e uma solu¸c˜ao particular da equa¸ao. Para outra solu¸ao, tomando y = 0 e z = 2 2 x 4 · 0+2 = 8 x = 3 (3 , 0 , 2) ´e uma segunda solu¸ao particular. A terceira solu¸ao particular pode ser obtida fazendo y = 1 e z = 2 2 x 4 · 1+2=8 x = 5 (5 , 1 , 2) ´e uma terceira solu¸ao particular.

valores arbitr´arios para y e z e obter a solu¸ao para x.

2. Determine a solu¸ao geral da equa¸ao linear 2 x 4 y + z = 8

Solu¸ao: Atribuindo valores arbitr´arios `as vari´aveis livres y e z, denominados parˆametros ,

Da´ı, resolvendo a equa¸ao para a vari´avel principal

por exemplo:

x, vem 2 x 4 · k 1 + k 2 = 8 2 x = 8+4 k 1 k 2 x = 4+2 k 1 k 2

y

= k 1

e

z

= k 2 .

2

4+2 k 1 k 2 ; k 1 ; k 2 ´e a solu¸c˜ao geral desta equa¸ao.

2

2 . 2 4+2 k 1 − k 2 ; k 1 ; k 2 ´e

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Equa¸oes lineares com duas inc´ognitas

Um caso especial de equa¸c˜oes lineares ´e o da equa¸ao que pode ser escrita na forma padr˜ao

ax + by = c,

(4)

onde a, b e c ao n´umeros reais.

Supondo que a equa¸ao seja n˜ao degenerada, ou seja, a e b ao sejam simultaneamente

Logo, cada solu¸ao da equa¸ao (4) representa um ponto do plano dado por ( x 0 , y 0 ) e

nulos.

o conjunto solu¸ao corresponde a uma reta no plano, da´ı a origem do nome “equa¸ao linear”

[Lipschutz, 2004].

Exemplo: A equa¸ao linear x + y = 1 , tem como solu¸ao geral (1 y ; y ) , que s˜ao os pontos de R 2 que determinam a reta y = 1 x, na sua forma param´etrica [Noble e Daniel, 1986].

de R 2 que determinam a reta y = 1 − x , na sua forma

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Sistemas de equa¸oes lineares alg´ebricas

Um problema de grande interesse pr´atico que aparece, por exemplo, em c´alculo de estruturas, redes de transporte, redes de comunica¸ao, redes econˆomicas ou solu¸ao de equa¸oes diferenciais, ´e o da solu¸c˜ao de sistemas lineares com n equa¸oes a n inc´ognitas. Tais sistemas s˜ao da forma:

a

a

.

.

.

a n 1 x 1

11 x 1 21 x 1

+

+

.

+

a

a

.

a n 2 x 2

12

22

x 2

x 2

+

+

.

+

···

···

.

···

.

.

+

+

.

+

a 1 n x n a 2 n x n

.

a nn x n

=

=

.

=

b

b

.

b

1

2

n

(5)

onde, a ij ao os coeficientes, x i ao as inc´ognitas e b i constantes.

1 2 n (5) onde, a i j s˜ ao os coeficientes, x i s˜ ao

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Exemplos e aplica¸oes

ao particularmente interessantes os poss´ıveis fluxos atrav´es de redes. Por exemplo, ve´ıculos fluem atrav´es de estradas, informa¸ao flui atrav´es de uma rede de dados, bens e servi¸cos fluem atrav´es de uma rede econˆomica, para mencionar algumas.

atrav´ es de uma rede econˆ omica, para mencionar algumas. (a) (b) Figura 1: (a) Fluxo

(a)

es de uma rede econˆ omica, para mencionar algumas. (a) (b) Figura 1: (a) Fluxo em

(b)

Figura 1: (a) Fluxo em um n´o; (b) Fluxo em uma rede com 4 n´os.

omica, para mencionar algumas. (a) (b) Figura 1: (a) Fluxo em um n´o; (b) Fluxo em

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Uma rede consiste em um n´umero finito de n´os (tamb´em chamados de jun¸c˜oes ou v´ertices), conectados por uma s´erie de segmentos dirigidos, conhecidos como arcos ou ramos. Cada ramo ´e rotulado com um fluxo que representa alguma quantidade que pode fluir ao longo ou atrav´es daquele ramo, na dire¸ao indicada. A regra fundamental que governa o fluxo atrav´es da rede ´e a conserva¸ao de fluxo ou o estado de equil´ıbrio, no caso de sistemas est´aticos como estruturas do tipo treli¸ca.

O princ´ıpio de conserva¸ao do fluxo estabelece que o fluxo de entrada ´e igual ao fluxo de sa´ıda. Assim, na figura 1–(a), temos: f 1 + f 2 = 50

Esta equa¸ao corresponde ao princ´ıpio de equil´ıbrio aplicado ao n´o que aparece nesta figura. Podemos analisar o fluxo atrav´es de uma rede inteira, construindo tais equa¸c˜oes e resolvendo o sistema de equa¸c˜oes lineares resultante [Poole, 2004].

Obtenha o sistema de qua¸c˜oes que descreva os poss´ıveis fluxos atrav´es da rede de Exemplo 1: transmiss˜ao de dados mostrada na figura 1–(b), onde o fluxo ´e medido em kilobytes por segundo.

: transmiss˜ ao de dados mostrada na figura 1–(b), onde o fluxo ´ e medido em

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Solu¸ao :

o A:

o B:

o C:

o D:

Escrevemos as equa¸c˜oes que representam a conserva¸ao do fluxo em cada n´o. Depois, reescrevemos cada equa¸ao separando as inc´ognitas (vari´aveis) do lado esquerdo da equa¸ao e as constantes do lado direito, obtendo um sistema linear na forma padr˜ao. Assim, teremos:

15

f 1

f 2

f 4

=

=

+

+

f 1

f 2

f 3

20

+

+

+

=

1

1

0

0

f 4

10

5

f 3

=

00

10

11

01

30

1

0

0

1

f

1

2

f

f

f

3

4

=

f 1

f 1

f 2

f 3

15

10

25

20

+

+

f 4

f 2

f 3

f 4

=

=

=

=

15

10

25

20

(6)

ou

Da´ı, o problema consiste em resolver o sistema (6) obtido. Nesta unidade estaremos tratando dos etodos para a solu¸ao de sistemas deste tipo, quando isso for poss´ıvel! Uma vez que nem todo sistema de equa¸oes lineares alg´ebricas admite solu¸ao e, quando admite, ele pode ter uma unica´ solu¸ao ou infinitas solu¸c˜oes.

admite solu¸ c˜ ao e, quando admite, ele pode ter uma unica´ solu¸ c˜ ao ou

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